TERÇA-FEIRA 18 DE JUNHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4311
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10 PUB
ANTÓNIO MARQUES DA SILVA
O ABISMO MORA AO LADO
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TIAGO ALCÂNTARA
ENTREVISTA
JULGAMENTO
IFFAM
BARRA DE HORRORES
COM A AJUDA DE XANGAI
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EVENTOS
hojemacau
Abalada de Rita A comunidade macaense perdeu um elemento de peso na comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo. Rita Santos foi a única macaense não eleita e fica fora da corrida para o colégio eleitoral, o que acontece pela primeira vez desde a transferência de soberania.
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2 ENTREVISTA
ANTÓNIO MARQUES DA SILVA ADVOGADO, SOBRE LEI DA EXTRADIÇÃO EM HONG KONG
O ex-assessor jurídico da antiga secretária Florinda Chan, agora a exercer advocacia em Portugal, acredita que o Governo de Carrie Lam não tem outra alternativa a não ser retirar a proposta de lei da extradição definitivamente. António Marques da Silva analisou a proposta em causa e alerta para o facto de não ter visto “nenhuma ressalva quanto à não aplicabilidade destes normativos legais a cidadãos estrangeiros encontrados em Hong Kong” Depois de três enormes protestos, o Governo de Hong Kong decidiu suspender a lei da extradição. A apresentação desta proposta de lei foi um erro político? A realidade das enormes (talvez as maiores de sempre em Hong Kong) manifestações de oposição aos projetos de Ordinances sobre entrega de fugitivos suspeitos da prática de crimes no exterior de Hong Kong (vulgo, «Extradição») e assistência mútua em matéria criminal demonstra claramente que esta iniciativa foi um enorme erro político de cálculo sobre a capacidade de indignação e de
O abismo debaixo dos pés
3 terça-feira 18.6.2019 www.hojemacau.com.mo
resistência por parte das gentes de Hong Kong. Note-se que, mesmo depois do anúncio de suspensão da discussão dos projetos no LegCo, ainda no passado domingo (9 de Junho) assistimos a uma enorme manifestação, reivindicando não apenas a suspensão da discussão mas sim o seu definitivo abandono e indo mais longe na luta, exigindo também a demissão da Chefe do Executivo. Isto mostra que as gentes de Hong Kong não confiam nem no Governo Central, nem na Chefe do Executivo de Hong Kong. Na verdade, na introdução de apresentação aos projectos de Ordinance, é apresentado como motivo determinante da proposta um caso ocorrido em Taiwan em que um residente de Hong Kong cometeu o crime de homicídio contra outro residente de Hong Kong e, tendo-se refugiado nesta Região não pode ser extraditado para Taiwan devido a uma lacuna da actual lei. Em abono da verdade, esse motivo é apresentado a meias com o receio de que Hong Kong se torne num paraíso para criminosos oriundos do Continente. Mas (esse argumento ligado ao caso de Taiwan) claramente, não convence ninguém, aumentando as suspeitas de que o móbil dos projectos é facilitar a entrega de fugitivos ao Governo Central. Tentar tapar o sol com a peneira raramente resulta perante populações esclarecidas. E perante a consciência deste perigo, as pessoas de Hong Kong sentiram o abismo debaixo dos seus pés e perderam o medo e saíram à rua em defesa da liberdade. É que, como escreveu Miguel Torga, “o homem, que sente debaixo dos pés o abismo da sua destruição como indivíduo, agarra-se à própria raiz”. Por isso, estamos perante um desastroso erro político. Porventura, os mentores desta iniciativa terão pensado que as recentes condenações de manifestantes a penas de prisão efetiva em Hong Kong teriam incutido o medo nas pessoas. E, por outro lado, terão menosprezado a reacção da Europa face às ameaças aos seus nacionais. Porquanto não vislumbro nos projectos nenhuma ressalva quanto à não aplicabilidade destes normativos legais a cidadãos estrangeiros encontrados em Hong Kong. Olhando para os diplomas em causa, considera que violam a autonomia de Hong Kong ou os direitos, liberdades e garantias dos seus residentes? Tendencialmente todas as jurisdições possuem legislação sobre matéria de extradição. Assim sendo, estes projectos não atentam sobre os direitos liberdades e garantias dos residentes de Hong Kong, a não ser no aspecto em que não exigem que
no ordenamento de destino exista um regime processual que garanta um processo justo e equitativo. Por exemplo a lei portuguesa relativa à cooperação judiciária internacional em matéria penal, exige, para que haja entrega de suspeitos de prática de crimes, que ambas as legislações considerem os factos imputados como crime, e que aos crimes imputados não sejam aplicáveis a pena de morte ou penas de carácter perpétuo. Ora o projecto de Hong Kong prevê que ambas as jurisdições considerem crime a prática dos factos imputados e proíbe apenas a entrega em caso de possibilidade legal de aplicação da pena de morte pela jurisdição requerente da entrega. Isto porque em Hong Kong existe prisão perpétua, o que não é uma boa herança deixada pelos britânicos! Posto isto, considero que o que está
“Face à guerra comercial com os Estados Unidos da América, a China não se pode dar ao luxo de ter todo o mundo contra si.”
“Seria muito mais fácil fazer aprovar uma lei deste tipo em Macau, face ao amorfismo político das suas gentes, do que em Hong Kong.” em causa não é a substância da lei, em si mesma. O que preocupa os residentes de Hong Kong (designadamente após o estranho aparecimento no Continente dos livreiros de Hong Kong) é a não existência na China de leis e de práticas que consagrem garantias de um processo justo e equitativo, due process. Garantias essas exigidas pelas leis democráticas, como, por exemplo, a lei portuguesa. Considero, por isso, que não existem mudanças que possam salvar estes projectos, e que a sua retirada definitiva, como aconteceu há alguns anos com a regulamentação do artigo 23.º da Lei Básica de Hong Kong, relativo à segurança nacional, é inevitável, sob pena de continuarem as grandes manifestações e de a reunificação pacífica com Taiwan ser cada vez mais uma miragem.
A Alemanha anunciou que vai analisar o Acordo estabelecido com Hong Kong. Acha que outros países europeus com os quais Hong Kong tenha acordos podem seguir este caminho? Obviamente que todos os países europeus e democráticos do resto do mundo que tenham acordos bilaterais vão tomar medidas para que uma eventual entrega a Hong Kong não se venha a traduzir num reencaminhar do indivíduo para o Continente, onde não existem garantias de um processo justo e equitativo. E aqui reside a razão do recuo do Governo Central. É que face à guerra comercial com os Estados Unidos da América, a China não se pode dar ao luxo de ter todo o mundo contra si, de se ver isolada politicamente, com os inerentes custos para a sua economia. O regime não pode correr o risco de uma depressão que poria, necessariamente, em causa esse mesmo regime. A proposta de lei prevê análise caso a caso, além de incluir apenas crimes civis como homicídio, deixando de lado crimes financeiros. Como vê esta situação? Por natureza, a análise dos pedidos de entrega de foragidos tem de ser efectivada caso a caso e deve correr pelos tribunais. Quanto à natureza dos crimes a que a cooperação é aplicável, o que mais me choca é que não sejam excluídos da cooperação judiciária os crimes de natureza política, nos quais, me parece que estarão incluídos, na RPC, os crimes financeiros. Creio que o objecto principal dos projectos de lei ora suspensos serão mesmos os crimes de natureza política. Até que ponto a proposta de lei pode ter consequências para Macau, não só do ponto de vista do legislador como a nível prático com futuros casos de entrega de suspeitos da prática de crime? Claro que uma eventual aprovação destas leis em Hong Kong teria graves consequências para Macau, porquanto a Região se apressaria a aprovar legislação similar. E, aqui, as consequências seriam ainda mais gravosas para os arguidos, porquanto em Macau não existe nem pena de morte nem prisão perpétua, sendo a pena máxima (e só em casos excecionais) de 30 anos de prisão. Macau assinou recentemente com Portugal um acordo na área dos infractores em fuga. Caso venha a ser legislada no futuro uma lei da extradição da RAEM, com caraterísticas semelhantes à de Hong Kong, os acordos com Portugal poderão ser afectados? Se o acordo ainda não tiver sido
assinado espero do Governo do meu país que não o assine, atentos os riscos de o infractor entregue a Macau vir posteriormente a ser localizado no Continente, onde, como sabemos, não existem garantias de um processo criminal justo e equitativo e onde existem a pena de morte e a prisão perpétua. E se o acordo já tiver sido assinado e vier a ser aprovada esta legislação em Macau espero que Portugal denuncie esse mesmo acordo. O advogado Jorge Menezes defendeu que uma lei semelhante em Macau pode abrir precedente negativo no que diz respeito à política “Um País, Dois Sistemas”. Concorda? Como disse atrás, todas as jurisdições têm lei sobre cooperação judiciária. Assim só depois de conhecer um eventual projecto de lei é que me poderei pronunciar. No entanto, sempre direi que se uma futura lei possibilitar a entrega de infractores acusados de crimes políticos ou passíveis de prisão perpétua ou de pena de morte no Continente ou se possibilitar a entrega de residentes de Macau não detentores de nacionalidade chinesa, aí sim estarão em causa os princípios enformadores do segundo sistema vigente em Macau.
“Todos os países europeus e democráticos do resto do mundo que tenham acordos bilaterais com Hong Kong vão tomar medidas.” O Governo da RAEM tem vindo a adiar legislação sobre a extradição com a China, e talvez não seja a secretária Sónia Chan a fazê-lo. Como se explica o atraso? Talvez estejamos perante razões que a razão desconhece. Na verdade, seria muito mais fácil aprovar uma lei deste tipo em Macau face ao amorfismo político das suas gentes do que em Hong Kong. Contudo, precisamente por isso, Hong Kong exige um maior controlo político do que Macau, mas as coisas correram mal. Quero esclarecer que aquilo que o que o Governo de Macau tem vindo a negociar com o Governo Central é um acordo mútuo de cooperação judiciária. No caso de Hong Kong, a legislação agora suspensa prescinde da existência desse acordo. Logo são situações diferentes. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
4 política
C
ONCORRIA pelo subsector do trabalho mas recebeu apenas 285 votos e foi a segunda candidata menos votada. Rita Santos, membro da direcção da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), ficou de fora na corrida por um lugar no colégio eleitoral que vai escolher o próximo Chefe do Executivo a 25 de Agosto, e que é composta por 400 pessoas. Rita Santos fez sempre parte do órgão que elege do líder do Governo desde a fundação da RAEM. A presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas foi o único nome da comunidade macaense de fora do colégio eleitoral, numa eleição que ficou marcada pela manutenção de nomes como Leonel Alves, António José de Freitas e Anabela Ritchie, entre outros, que concorriam pelos vários subsectores. A comunidade de matriz portuguesa passa, assim, a estar representada com 18 personalidades, quando em 2014 eram 20. Entraram nomes como Car-
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COMISSÃO ELEITORAL RITA SANTOS FOI A ÚNICA MACAENSE A NÃO SER ELEITA
De fora da corrida
Pela primeira vez desde a fundação da RAEM, Rita Santos vai ficar de fora da comissão eleitoral que elege o Chefe do Executivo, depois de falhar a eleição no sufrágio de domingo. Aliás, foi o único nome da comunidade macaense não eleito, quando personalidades como Carlos Marreiros, Leonel Alves ou António José de Freitas, entre outros, foram reeleitos los Marreiros ou Casimiro Pinto, entre outros. Contactado pelo HM, Jorge Fão, membro da direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), disse lamentar o afastamento de Rita Santos. “Tive muita pena, quase chorei”, admitiu. “Ela é uma pessoa que fez muito trabalho. Na noite de campanha distribuiu muitos panfletos com os trabalhos feitos para a comunidade laborar. Estava convencido que ia entrar, nunca me passou
pela cabeça que ela ia ficar de fora”, acrescentou. Jorge Fão gostaria que Rita Santos fosse eleita em prol de maior representação da comunidade macaense. “Ficar com menos um macaense tem impacto e acho que é um lugar que nunca mais vai ser recuperado. Se antes tínhamos 20, houve uma redução. Por isso é sempre
mau para nós, desequilibra ainda mais o prato.” Miguel de Senna Fernandes disse não saber até que ponto Rita Santos representava a comunidade macaense, mas referiu “ter pena” pelo facto de esta não ter sido eleita pelo seu sector. “É uma pessoa bastante interventiva e com uma presença que não deve ser ignorada. Como macaense, lamento que ela fique fora.”
“Ficar com menos um macaense tem impacto e acho que é um lugar que nunca mais vai ser recuperado” JORGE FÃO
O advogado e presidente da Associação dos Macaenses frisa que Rita Santos “desempenha funções com responsabilidade”, e que caso fizesse parte do colégio eleitoral, nada mais iria fazer a não ser votar nos candidatos. “Mas o facto de participar na eleição do Chefe do Executivo tem relevância. Neste aspecto, tendo em conta o que está em causa, tenho pena que não esteja connosco”, adiantou.
MAIS VOTOS DO TRABALHO
No que diz respeito às reeleições de personalidades
dentro da comunidade chinesa, destacam-se os nomes da empresária Pansy Ho, do ex-secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, do ex-candidato às eleições para Chefe do Executivo, Stanley Au, além do polémico Fong Chi Keong e Susana Chou, ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL), entre outros nomes. Melinda Chan, ex-deputada que saiu do hemiciclo nas últimas legislativas, foi eleita para o subsector dos serviços sociais. O sector que mais foi a votos foi o do trabalho, com 94,87 por cento das pessoas recenseadas neste círculo a irem às urnas. Já o subsector da cultura foi menos a votos, com apenas 75,61 por cento dos eleitores a participar neste acto eleitoral, tendo-se registado apenas 462 votos. O subsector profissional foi o segundo com mais votantes, com 90,50 por cento dos recenseados a participar. No total, votaram 5001 pessoas de um total de 5735 eleitores. Andreia Sofia Silva e Joao Santos Filipe info@hojemacau.com.mo
política 5
CHEFE DO EXECUTIVO NOVA CANDIDATA CUMPRIU QUATRO ANOS E MEIO DE PRISÃO
SOFIA MARGARIDA MOTA
terça-feira 18.6.2019
O
NTEM de manhã, a corrida para Chefe do Executivo ganhou uma nova potencial candidata. Choi Teng Teng dirigiu-se ontem ao Edifício da Administração Pública para entregar uma carta à Comissão de Assuntos Eleitorais do Chefe do Executivo com o intuito de entrar na corrida. Ao apresentar-se à comunicação social, Choi Teng Teng referiu ter trabalhado no sector do vestuário e construção civil, mas que deixou de trabalhar depois de ter adoecido, de acordo com informação publicada no Exmoo. Também no seu currículo estão quatro anos e meio de prisão por condenação por fraude num valor de cerca de seis milhões de patacas. Confrontada com a condenação, Choi Teng Teng relativizou a situação. “Toda a gente sabe quem eu sou e que estive presa quatro anos e meio. Não me perguntem mais sobre isso, porque hoje é dia de falar das eleições”. De seguida, alegou que o sistema judicial é corrupto e adiantou que a procura de justiça e luta contra a corrupção são duas das suas bandeiras de campanha. Outros dos seus propósitos para correr a Chefe do Executivo são a defesa dos princípios democráticos e da liberdade. Quanto ao requisito de reunir apoio de 66 membros do colégio eleitoral para a que a candidatura seja aceite, Choi Teng Teng declarou que muitas pessoas dos sectores Industrial, Comercial e Financeiro e do subsector do Trabalho a apoiam. Face à pergunta se poderia revelar alguns nomes, respondeu com um sorriso que não sabia quem eram. J.L.
Chefe do Executivo Ho Iat Seng apresenta hoje manifesto de candidatura
Ho Iat Seng vai apresentar hoje o seu manifesto de candidatura ao cargo de 5.º Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau no Centro de Convenções e Entretenimento da Torre de Macau. O anúncio foi ontem enviado aos meios de comunicação social. O candidato que presidiu à Assembleia Legislativa irá a votos no próximo dia 25 de Agosto.
ELEIÇÕES TRANSPORTES, HABITAÇÃO E GRANDE BAÍA VISTOS COMO PRIORIDADES
Problemas do costume
Os membros do colégio eleitoral apontam problemas antigos que estão por resolver como as prioridades para o futuro Chefe do Executivo. Ho Iat Seng é tido como o melhor candidato para o lugar entre os quatro interessados no posto
A
habitação, os transportes e uma maior rede de apoio às pessoas de terceira idade. São estas as áreas que Jorge Fão, que foi confirmado ontem como membro do colégio eleitoral, espera que o futuro Chefe do Executivo tenha como prioridades. As eleições estão agendadas para 25 de Agosto. “As pessoas agora querem ter uma casa. Depois querem ter um carro, mas como em Macau não dá para todos terem um carro, é fundamental ter transportes públicos de excelência”, disse Jorge Fão, membro da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), que foi eleito pelo subsector do trabalho. “Acho que essas duas prioridades são fundamentais”, acrescentou, ao HM. O activista aponta igualmente a situação da terceira idade como um desafio a enfrentar. “É preciso fazer vários pedidos para encontrar um lar ou então pagar mesmo muito massa”, desabafa. Neste momento, além de Ho Iat Seng, presidente daAssembleia Legislativa, há mais três candida-
tos, que pretendem reunir apoio para participar nas eleições. São eles o empresário Leung Kuok Chao, Hoi Vong Chong, conhecido como o “manifestante de amarelo, e Choi Teng Teng, a única mulher na corrida que apresentou ontem a intenção de entrar na corrida. Porém, para Jorge Fão entre os candidatos anunciados apenas o presidente da Assembleia Legislativa “é para levar a sério”. “Além de Ho Iat Seng, os outros candidatos surgiram na brincadeira, para dar um pouco de gozo a este acto. Não são candidatos sérios”, considerou. O fundador da Associação de Trabalhadores de Função Pública de Macau (ATFPM) admitiu assim apoiar o actual presidente da AL: “Não vejo outra opção e vou ter de apoiar Ho Iat Seng. As probabilidades de ser eleito são 99,9 por cento”, concluiu.
Também Miguel de Senna Fernandes, advogado que se estreia no Colégio Eleitoral que escolhe o Chefe do Executivo, admite que está inclinado para votar no actual presidente da AL. “De momento, parece-me que a pessoa que está em melhor condições é o Dr. Ho Iat Seng, em termos de opinião pública e credibilidade. Os outros confesso que não conheço bem”, disse o recém-eleito membro do colégio eleitoral ao HM. Sobre as prioridades para o futuro, Miguel de Senna Fernandes considera que o “Hospital das Ilhas, os transportes e os terrenos” devem ser os grandes tópicos. “As grandes prioridades do Chefe do Executivo deverão ser essas”, apontou.
ASPECTOS COMUNS
Os tópicos dos transportes e da habitação foram também con-
“De momento, parece-me que a pessoa que está em melhor condições é o Dr. Ho Iat Seng, em termos de opinião pública e credibilidade.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES ADVOGADO E MEMBRO DO COLÉGIO ELEITORAL
siderados prioritário por Chui Sai Cheong, em declarações ao Jornal do Cidadão. O actual vice-presidente da Assembleia Legislativa é igualmente um membro do Colégio Eleitoral. Em declarações ao jornal em língua chinesa, a Grande Baía, a diversificação da economia e o desenvolvimento dos quadros formados localmente foram também referidos como prioridades por outros membros do colégio eleitoral. Foram os casos do ex-deputado e empresário Tommy Lau, Kwan Tsui Hang, ligada aos Operários, e do ainda deputado Wu Chou Kit. Já Alexandre Ma Iao Lai, o patriarca da família Ma, apontou ao Jornal do Cidadão a necessidade do futuro líder do Governo criar um ambiente de investimento em Macau e que facilite a integração na Grande Baía. Ma sublinhou igualmente a necessidade de se manter um ambiente político estável em Macau. João Santos Filipe e Juana Ng Ceng info@hojemacau.com.mo
6 política
18.6.2019 terça-feira
SALÁRIO MÍNIMO ALEXIS TAM CRÊ QUE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA TÊM MUITOS APOIOS
Com protecção superior GCS
O secretário para os Assuntos sociais e Cultura garante que os grupos mais vulneráveis da sociedade têm protecção governativa e não precisam de “ficar preocupados” por ficarem de fora do salário mínimo. Sobre a crise no futebol, afirmou não poder “interferir”
A
PESAR da proposta de salário mínimo universal não abranger as pessoas com deficiência, o secretário para osAssuntos Sociais e Cultura considera que as políticas do Governo para os grupos vulneráveis são as melhores da zona em que Macau se insere. Alexis Tam fez ainda um apelo para que as pessoas com deficiência não se preocupem, porque o Executivo garante os apoios necessários. “Hoje em dia temos muitos apoios aos grupos carenciados, incluindo pessoas com deficiência. Gostava de fazer um apelo aos grupos vulneráveis, como as pessoas com deficiências físicas, de que não precisam de ficar preocupados. Nós temos medidas para ajudá-los”, considerou o secretário.
“Hoje em dia temos muitos apoios aos grupos carenciados, incluindo pessoas com deficiência. Gostava de fazer um apelo (...) de que não precisam de ficar preocupados. Nós temos medidas para ajudá-los.” ALEXIS TAM SECRETÁRIO PARA OS ASSUNTOS SOCIAIS E CULTURA
Alexis Tam não quis comentar o facto das pessoas ficarem de fora da proposta de lei, por ser uma matéria que pertence à tutela da Economia e Finanças.Aproposta prevê um salário mínimo mensal de 6.656 patacas por mês. Contudo, referiu a rede de protecção de Macau. “Podem fazer uma investigação e comparar os apoios de Macau com as regiões vizinhas, na Ásia e mesmo na Eu-
COOPERAÇÃO COM ALFÂNDEGA DA CHINA
O
Governo assinou ontem dois acordos de cooperação com a Administração Geral de Alfândega do Governo Central. O primeiro visa a segurança alimentar e inspecção sanitária e foi assinado entre Ni Yuefeng, director da Administração Geral de Alfândega, e Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça. O se-
gundo por Ni e Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Tem por base a inspecção sanitária fronteiriça. “Este acordo tem o objectivo de reforçar a cooperação no âmbito da contingência aos incidentes de saúde pública e assegurar a saúde dos residentes de Macau e do Interior da China”, explicou Alexis Tam.
ropa. A nossa política de apoio aos grupos carenciados é muito boa”, frisou. “Em Hong Kong não há este tipo de subsídios especiais para as pessoas com deficiência. Também muito em breve vai sair um despacho para aumentar o subsídio [de invalidez]”, acrescentou. De acordo com o secretário, o aumento é de 1.000 patacas e 2.000 patacas nos casos mais graves. Ou seja o subsídio para pessoas com deficiências ligeiras ou moderadas passa de 8.000 para 9.000 patacas por ano. No caso das deficiências profundas e graves o aumento é de 16.000 para 18.000 patacas.
À MARGEM DO JOGO
Por outro lado, o secretário voltou a comentar a crise que se vive no futebol local. No domingo o Ka I bateu o Hang Sai por 21-18, em jogo a contar para a Taça de Macau,
mas o encontro ficou marcado pelo facto de ambas as equipas não terem levado a partida a sério. Esta foi uma forma de protesto contra o facto da selecção de Macau não se ter deslocado ao Sri Lanka para disputar o apuramento para o Mundial de 2022. Uma decisão que a Associação de Futebol de Macau justificou com questões de “segurança”. “Estou a dar importância a este assunto e estou preocupado. Já chamei os meus colaboradores do Instituto do Desporto [ID] para me explicarem o que se passa. Se pudermos tomar medidas políticas, o Governo da RAEM vai actuar”, explicou Alexis Tam. “Mas temos de seguir as normas internacionais e o Governo não pode intervir nas associações. Também em Portugal, Espanha, França ouAlemanha, etc., o Governo nunca pode intervir. Quem vai ter de resolver o problema é a Associação de Futebol de Macau. Estou à espera que me informem como é que vai ser resolvido o problema”, sustentou. Alexis Tam insistiu ainda na ideia que o Sri Lanka não acedeu aos pedidos de Macau para que a partida fosse realizada num terreno neutro. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
FAOM DEPUTADO LEONG SUN IOK CRITICA NÍVEL MÍNIMO DE VENCIMENTOS
O
deputado Leong Sun Iok, ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), defende, numa interpelação escrita enviada ao Governo, que o valor de 32 patacas por hora proposto para pagamento de salário mínimo não é suficiente, uma vez que esse valor já tinha sido instituído em 2018, aquando da implementação do salário mínimo para os trabalhadores de limpeza e de segurança na actividade de administração predial.Para Leong Sun Iok, esse valor está “obviamente desactualizado e afastado do nível razoável face à situação económica de Macau”. O deputado pede que o Governo reveja o salário mínimo de vários sectores de actividade para que todas as profissões sejam avaliadas ao mesmo tempo, e que não haja situações de salários injustos para trabalhadores mais vulneráveis. Na sua interpelação, o deputado disse ainda concordar com a não inclusão das empregadas domésticas e trabalhadores com deficiência na proposta de lei do salário mínimo universal, uma vez que noutros países é implementada uma fórmula de cálculo específica para os trabalhadores domésticos. Além disso, Leong Sun Iok frisa que cabe à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) aprovar os pedidos de recrutamento de empregadas domésticas, pelo que é da sua responsabilidade proteger os direitos destes trabalhadores e garantir o pagamento de um vencimento adequado. Leong Sun Iok acrescentou que o Governo de Hong Kong também decidiu não incluir os trabalhadores com deficiência aquando da legislação do salário mínimo, mas efectua avaliações de produtividade destas pessoas. Caso a deficiência não afecte a sua capacidade de trabalho, adiantou, eles também podem beneficiar do salário mínimo. Neste sentido, o deputado à Assembleia Legislativa espera que o Governo de Macau aposte numa avaliação da produtividade da pessoa com deficiência para que se possam evitar salários muito baixos.
Administração GIF e GDI com mais um ano de duração
Dois despachos assinados pelo Chefe do Executivo prolongam a duração do Gabinete de Informação Financeira e do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas até 7 de Agosto de 2020 e 30 de Junho de 2020, respectivamente. A informação foi publicada ontem em Boletim Oficial.
sociedade 7
terça-feira 18.6.2019
pressão emocional. As causas para o stress do arguido, segundo o mesmo, advinham do processo de divórcio e da situação financeira, uma vez que “sustentava a família”.
SEM MEDOS
JUSTIÇA ARGUIDO ACUSADO DE QUEIMAR A MULHER DETALHA EPISÓDIO DE HORROR
Na pele de um monstro
O arguido Wong Chi Kit não conseguiu justificar o motivo concreto para atacar Lao Mong Ieng com óleo a ferver e ácido. A ideia foi deixada ontem pelo próprio na primeira sessão do julgamento em que é acusado de ofensa grave à integridade física. O depoimento contraria as informações prestadas à polícia há cerca de 11 meses
O
início do julgamento de Wong Chi Kit, marido e alegado agressor de Lao Mong Ieng ficou marcado pelas incongruências do arguido acusado pelo Ministério Publico de ofensa grave à integridade física, crime pelo qual poderá ser condenado a 13 anos de pena efectiva de prisão. De acordo com a juíza, “este é um crime com punição mais elevada do que se fosse acusado de violência doméstica”. Onze meses depois de estar detido preventivamente por ter agredido Lao Mong Ieng com óleo a ferver e ácido, Wong Chi Kit confessou “em parte” as acusações de que é alvo. “Confesso os factos contidos na acusação” começou por dizer na audiência que teve lugar no Tribunal Judicial de Base. No entanto, ao longo do depoimento, Wong foi alterando alguns acontecimentos que ocorreram a 12 de Julho de 2018, dia da agressão. De acordo com a juíza, o arguido terá dito na altura em que foi detido pela polícia, que acendeu o lume do fogão já com intenção de aquecer o óleo que acabou por despejar, a ferver, em cima da vítima que se encontrava sentada
“Acendi o lume para fazer comida. Se quisesse poderia usar aquele líquido para limpeza de canos e não precisava de aquecer o óleo.” WONG CHI KIT ARGUIDO
no sofá da sala onde vivia o casal. Na mesma altura, o arguido afirmou ainda que previamente tinha colocado detergente de desentupir canos, conhecido pelo sua acção corrosiva, num recipiente de vidro, também com intenção de agredir Lao. Segundo o depoimento que deu às autoridades, Wong, “quis dar uma oportunidade à esposa porque estava preocupado que o líquido desentupidor fosse demasiado forte”. Ontem, em tribunal, o alegado agressor apontou que o óleo que colocou ao lume era para “fritar dumpligs” porque “estava com fome”, motivo que nunca expressou nos depoimentos que sucederam a agressão. “Acendi o lume para fazer comida. Se quisesse poderia
usar aquele líquido para limpeza de canos e não precisava de aquecer o óleo”, disse em tribunal. Segundo o alegado agressor, a mudança de discurso deve-se ao tempo de detenção, que aproveitou para reflectir “com maior lucidez”. A falta de controlo de Wong levou a que a sua esposa esteja agora com mais de 40 por cento do corpo queimado e praticamente cega. Na noite de 12 de Julho do ano passado, Wong achou que a mulher estava a falar do divórcio com ironia e a sorrir, o que o dei-
xou “com a cabeça em branco”. O processo de separação já estaria a ser discutido pelo casal desde Agosto de 2017, a pedido de Lao. Nessa noite, sentindo-se “gozado”, Wong avançou “sem lucidez” para a agressão em que primeiro despejou óleo a ferver por cima da cabeça e cara de Lao, seguindo-se o ácido contra o peito. Wong alega ainda que tinha bebido antes e que sofria de problemas de sono, provocados pela mulher que o acordava durante a noite, salientando que estar sob
DSAL Causa de acidente mortal no Hotel Emperor investigada
As causas do acidente de trabalho que resultou na morte de um trabalhador, no passado domingo, no Hotel Emperor estão a ser investigadas pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). Em comunicado, a entidade pública apresentou ontem as condolências à família da vítima e prontificou-se a prestar apoio “no acompanhamento da matéria relativa à indemnização por acidente de trabalho”. Foi ordenada também a suspensão das obras de remodelação da fachada do Hotel Emperor e exigidas ao empreiteiro a “melhoria da segurança e saúde ocupacional e a entrega do relatório de investigação”. As obras só vão retomar após autorização da DSAL.
A versão da vítima que fez questão de depor no julgamento de ontem, com a face e braços a descoberto relevando as consequências do ataque, é também diferente da do alegado agressor. Segundo Lao Mong Ieng não existiu nenhuma discussão naquela noite e os ataques apareceram sem que o casal tivesse trocado qualquer palavra. “Estava no sofá com o telemóvel a consultar informações sobre o mercado imobiliário quando fui agredida” disse. Depois do ataque, a vítima deslocou-se ao quarto da empregada, que estava com o filho e dirigiu-se à janela. Wong Chi Kit afirma que pensou que ela se iria atirar do 21º andar e acorreu para a “salvar, porque a vida é sempre mais importante”, disse. Já a vítima alega que era apenas para fugir e não para se matar, porque “estava com medo e a janela não abria o suficiente para caber uma pessoa, porque tem uma tranca de ferro”. A empregada que ontem também testemunhou, chamada pelo advogado de defesa de Wong, corroborou o testemunho da vítima, e ainda mencionou as discussões “normais” do casal. No entanto, naquela noite esta situações não teria acontecido. O julgamento continua no próximo dia 25 de Julho, altura em que também é decidido se este processo criminal é julgado em conjunto com um outro, cível, em que está em causa a indeminização que Wong Chi Kit poderá ter que dar a Lao. Para o efeito, é necessário definir claramente os valores tendo em conta os procedimentos de saúde a que a vítima terá que se submeter. Recorde-se que Lao Mong Ieng tenciona ser sujeita a uma cirurgia no Reino Unido que poderá devolver-lhe parte da visão. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Praia de Hac Sa DSAMA prevê instalação sistema de videovigilância
A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) planeia instalar de 2 ou 3 circuitos fechados de televisão (CCTV) na praia de Hac Sa de modo a monitorizar as condições do mar e do ambiente na praia. As imagens recolhidas têm como objectivo o acesso imediato através da internet ou de aplicação para telemóvel, de acordo com informação veiculada pelo canal chinês da Rádio Macau. Lao Weng U, chefe da Divisão de Serviços Marítimos da DSAMA, disse que a primeira fase se concentrará na monitorização da praia, e será concluída a instalação antes do final da actual época balnear. No passado domingo, com ajuda do vento, uma grande quantidade de lixo deu à costa na praia de Hac Sa.
8 eventos
18.6.2019 terça-feira
O IFFAM tem a intenção de ser uma plataforma para novos realizadores de cinema asiáticos, com vista a apoiar também a indústria local, como uma incubadora dos seus primeiros e segundos filmes
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4ª edição do Festival Internacional de Cinema de Macau (IFFAM, na sigla inglesa) vai decorrer este ano entre 5 e 10 de Dezembro, no Centro Cultural de Macau, e conta com a parceria do Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF) e da Academia de Artes e Cinema de Xangai (SFAA), foi anunciado no domingo passado, na cerimónia de assinatura dos acordos de colaboração que decorreu naquela cidade. “Com o objectivo de impulsionar a indústria cinematográfica local”, o IFFAM une este ano esforços com o festival congénere de Xangai, além de “lançar pela primeira vez uma Competição de Curtas-Metragens”,
que “terá uma selecção de dez narrativas curtas assinadas por jovens realizadores da região. No primeiro ano desta nova secção, trabalharemos em concreto com escolas de cinema e instituições da China Interior, de Hong Kong e de Macau. Iremos aumentar também o número de prémios na categoria de Novo Cinema Chinês, que passam a incluir galardões para Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento, Melhores Actor e Actriz”, anunciou o Director Artístico do IFFAM, Mike Goodridge. O produtor e realizador do vizinho território, Peter Chan, foi este ano convidado para presidente do Júri da Competição Internacional do IFFAM. “É um dos cineastas
Novos estímu CINEMA 4ª EDIÇÃO DO IFFAM CONTA COM PARCERIA DE XANGAI
São muitas as novidades do próximo Festival Inter nema de Macau, que este ano acontece de 5 a 10 d colaboração com o Festival de Cinema de Xangai do realizador Peter Chan e da actriz Carina Lau são
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rnacional de Cide Dezembro. A i e as presenças o algumas delas
Sátira envolta em mistério Vencedor da Palma de Ouro Cannes na Cinemateca Paixão
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do muito premiado “In The Mood For Love” (2000). A ela juntar-se-ão, também como embaixadores do IFFAM 2019, o realizador e argumentista sul-coreano Kim Yong-Hwa, o actor, produtor e realizador indiano Karan Johar, e o realizador e argumentista chinês Wang Xiaoshuai.
INCUBADORA DE REALIZADORES
mais talentosos e bem sucedidos da história recente do cinema de Hong Kong. A grande qualidade dos seus filmes pan-asiáticos tem vindo a estimular o desenvolvimento da indústria cinematográfica de toda região em geral. Acredito que ele irá partilhar a sua enorme experiência e sabedoria com os membros do júri e com os realizadores no próximo mês de Dezembro”, acrescentou. Como embaixadora de talentos do IFFAM 2019 foi, igualmente, convidada a veterana actriz de Hong Kong, Carina Lau, conhecida pela sua longa carreira e participação em filmes de realizadores consagrados, como Wong Kar-Wai, que a dirigiu nos filmes “Days Of Being Wild” (1990) e “2046” (2004), a sequela
O objectivo de impulsionar o renascimento do cinema local é uma preocupação do IFFAM, que justificou o lançamento do programa de estágios para realizadores de Macau com a prestigiada TorinoFilmLab, permitindo a deslocação de três equipas do território a Turim, em Itália, para participar em dois workshops – Elaboração de Argumentos e Produção Criativa – e a possibilidade de estarem presentes no Festival de Cinema de Turim no próximo mês de Novembro. “A participação de múltiplos realizadores e dos seus projectos em Turim, para interagirem com outros jovens participantes a nível internacional, é uma aposta para alavancar a construção de bases sólidas para uma indústria cinematográfica local. A intenção deste programa é estabelecer o IFFAM como uma plataforma para novos realizadores de cinema asiáticos, com vista a apoiar a indústria, na qualidade de incubadora dos seus primeiros e segundos filmes”, pode ler-se na nota de imprensa da cerimónia de domingo em Xangai. Com o mesmo propósito, as conhecidas realizadoras locais Tracy Choi e Harriet Wong foram convidadas a participar nas actividades do SIFF NEXT, um evento paralelo ao 22º Festival Internacional de Cinema de Xangai que se realiza por estes dias, entre 16 e 24 de Junho. Raquel Moz
raquelmoz@hojemacau@gmail.com
f i l m e sul-coreano que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes 2019 vai ser exibido durante a próxima semana, em diversos horários, na Cinemateca Paixão. “Parasita” é o título da obra do realizador Bong Joon-ho, que foi considerada pela crítica internacional como “uma sátira social em esteróides” ou mesmo um “épico brilhante dos dias de hoje”. Trata-se de um drama familiar que retrata bem o tema das desigualdades sociais, com um enfoque intimista e uma alta dose de suspense. O humor negro, em porções por vezes tímidas, outras vezes transbordantes, tornou o filme imprevisível e inteligente, “aplaudido calorosamente” pelo público da 72ª edição de Cannes. Para não estragar a surpresa, os relatos da imprensa sobre as voltas que o guião dá são enigmáticos. E aconselham até o público a “saborear a preciosidade com um mínimo de informação”. Bong Joon-ho chegou mesmo a escrever uma carta aos críticos internacionais, implorando que não revelassem partes importantes do seu filme, para não arruinar a experiência aos demais espectadores. O argumento conta a história da família unida de Ki-taek, em que todos os elementos são muito próximos, mas estão desempregados e receiam ter apenas um futuro negro pela frente. Até que o seu filho Ki-woo consegue um emprego, como professor particular de inglês de uma jovem de família rica, os Park. Enquanto os primeiros habitam numa escura e sórdida cave, infestada de baratas, os Park vivem numa sumptuosa casa com jardim e respectivas mordomias. Ki-woo rapidamente se aproveita da situação, conseguindo através de subterfúgios contratar a irmã, o pai e a mãe para servirem
na mansão dos Park, mas a chegada da família de golpistas precipita situações incontroláveis e nem tudo correrá como previsto para os novos parasitas. “Escrito, realizado e interpretado na perfeição”, segundo a crítica de Cannes, o “argumento é excelente e os actores são globalmente extraordinários”. Bong Joon-ho assina não só a realização do filme, mas também o argumento em parceria com Han Jin-won. Os actores são Song Kang-ho no papel do patriarca, Jang Hye-jin interpreta a mulher deste, Choi Woo-sik e Park So-dam são respectivamente o filho e a filha do casal.
CINEASTA SOCIÓLOGO
O realizador Bong Joon-ho, que nasceu numa família da elite coreana, começou por se formar como Mestre em Sociologia antes de seguir a sua verdadeira vocação, o cinema. Após passar pela Academia Coreana de Artes Cinematográficas, começou a realizar filmes em 1994. Os mais conhecidos títulos da sua carreira eram, até à Palma de Ouro de 2019, os filmes “Cão Que Ladra Não Morde” de 2000 e “Okja” de 2017, um surrealista e o outro fantástico, este último chegando a gerar alguma polémica. A controvérsia de “Okja” aconteceu também em Cannes, por ser uma fita apresentada na plataforma Netflix, na altura muito criticada sobre se poderia ser considerada um “verdadeiro filme”. “Parasita” tem a duração de 132 minutos e chega agora à sala da Cinemateca Paixão. As sessões decorrem de 22 de Junho a 7 de Julho, em diferentes horários, e os bilhetes encontram-se à venda no local e na página web oficial. R.M.
Design Matosinhos mostra projectos de Macau A Casa do Design de Matosinhos vai acolher, a partir de quarta-feira e até 18 de Agosto, a exposição “Design Macau XX” com 60 projectos produzidos nos últimos vinte anos por 20 estúdios de design de Macau. Com curadoria de Emanuel Barbosa e James Chu, a exposição permite um olhar sobre o design feito em Macau após a transferência de soberania para a China, explicou ontem a câmara municipal, em comunicado. Projecto conjunto do Macau Design Centre e da Associação Cultural Portu-
guesa, em parceria com a esad—idea Investigação em Design e Arte e a Casa do Design, a exposição dá a conhecer o actual panorama criativo de Macau em áreas como o design de cartaz, de livros, de `branding´, de embalagem, de produto e de ‹projection mapping’. Em destaque estará o trabalho criativo de gabinetes como o Jan Design, o Chii Design, o Cliffs Studio, o Rampages Studio ou o Shidu Art Consultants. “Design Macau XX” é de entrada gratuita e ficará patente na Casa do Design até 18 de Agosto.
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ANÚNCIO “OBRAS DE REMODELAÇÕES DA ACADEMIA DO CIDADÃO SÉNIOR NA TAIPA” CONCURSO PÚBLICO N.º 02/DOA/2019 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11.
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Entidade que põe a obra a concurso: Instituto Politécnico de Macau. Modalidade do concurso: concurso público. Local de execução da obra: 1.º andar do Centro Comunitário Junto à Povoação Chun Su Mei, sita na Rua de Delgado, Taipa. Objecto da Empreitada: Obras de Remodelações da Academia do Cidadão Sénior na Taipa. Prazo máximo de execução da obra: 90 (noventa) dias úteis. O prazo de execução da obra a apresentar pelo concorrente deve obedecer às disposições dos n.ºs 7.º e 8.º do Preâmbulo do Programa de Concurso e dos n.ºs 5.1.2 e 5.2.2 das Cláusulas Gerais do Caderno de Encargos. Prazo de validade das propostas: 90 (noventa) dias, a contar a partir da data de encerramento do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: empreitada por Série de Preços. Caução provisória: MOP34,000.00 (trezentas e quarenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais serão deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva prestada). Preço Base: não há. Condições de admissão: São admitidos como concorrentes as pessoas, singulares ou colectivas, inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso tenham requerido ou renovado a sua inscrição, sendo que neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou em agrupamento, só podem submeter uma única proposta. As sociedades e as suas representações são consideradas como sendo uma única entidade, devendo submeter apenas uma única proposta, por si ou agrupada com outras pessoas. Os agrupamentos, de pessoas singulares ou colectivas, devem ter no máximo até três (3) membros, não sendo necessário que entre os membros exista qualquer modalidade jurídica de associação. Modalidade jurídica da associação que deve adoptar qualquer agrupamento de empresas a quem venha eventualmente a ser adjudicada a empreitada: consórcio externo nos termos previstos no Código Comercial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. Local, dia e hora do esclarecimento do concurso: - Local: Anfiteatro II do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luíz Gonzaga Gomes, Macau; - Dia e hora limite: dia 17 de Junho de 2019 (segunda-feira), até às 10:00 horas. Local, dia e hora in loco: - Local: Porta principal do Centro Comunitário Junto à Povoação Chun Su Mei, sita na Rua de Delgado, Taipa; Dia e hora limite: dia 17 de Junho de 2019 (segunda-feira), até às 15:30 horas. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: - Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luíz Gonzaga Gomes, Macau; - Dia e hora limite: dia 3 de Julho de 2019 (quarta-feira), até às 17:30 horas. Em caso de encerramento deste Instituto na hora limite para a entrega de propostas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte: Local, data e hora do acto público do concurso: - Local: Sala n.º M607 do Edifício Meng Tak do Instituto Politécnico de Macau, na Rua de Luíz Gonzaga Gomes, Macau; - Data e hora: 4 de Julho de 2019 (quinta-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento deste Instituto na hora estabelecida para o acto público do concurso por motivos de tufão ou de força maior, a data estabelecida para o acto público do concurso será adiada para o primeiro dia útil seguinte. Caso haja adiamento para a entrega das propostas referido no n.º 15, a data e a hora estabelecidas para o acto público do concurso serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte à entrega das propostas. Os concorrentes os seus representantes deverão estar presentes ao acto público do concurso para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos que venham a ser apresentados. Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (excepto a descrição ou a especificação de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da R.A.E.M.; quando redigidos noutra língua, devem ser acompanhados de cópia da tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos. Local e hora para consulta do processo e obtenção da versão digital do processo de concurso: - Local para consulta: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luíz Gonzaga Gomes; - Hora: 2.ª a 5.ª feiras, das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:45 horas; 6.ª feira, das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas; - Obtenção de cópias: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, mediante o pagamento de MOP100.00 (cem patacas). Critérios de avaliação e respectiva proporção: Critérios de avaliação Proporção Parte relativa ao preço Preço da obra 60 Prazo de execução 7 Parte técnica
Plano de trabalhos
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Experiência em obras executadas
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Pontuação final = Pontuação da parte relativa ao preço + Pontuação da parte técnica.
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Em caso de o número das propostas admitidas for inferior a 10 (dez), os 3 (três) primeiros concorrentes que tiverem pontuação mais alta conforme a indicada no relatório de avaliação das propostas, serão classificados novamente segundo a ordem de preço mais baixo proposto, e o dono da obra procederá à adjudicação conforme esta última lista de classificação. Em caso de o preço proposto dos 2 (dois) concorrentes que tiverem classificação final mais alta for de mesmo valor, a adjudicação será feita ao concorrente que tiver a melhor pontuação. Em caso de o número das propostas admitidas for igual ou superior a 10 (dez) e inferior a 20 (vinte), os 5 (cinco) primeiros concorrentes que tiverem pontuação mais alta conforme a indicada no relatório de avaliação das propostas, serão classificados novamente segundo a ordem de preço mais baixo proposto, e o dono da obra procederá à adjudicação conforme esta última lista de classificação. Em caso de o preço proposto dos 2 (dois) concorrentes que tiverem classificação final mais alta for de mesmo valor, a adjudicação será feita ao concorrente que tiver a melhor pontuação. Em caso de o número das propostas admitidas for igual ou superior a 20 (vinte), os 8 (oito) primeiros concorrentes que tiverem pontuação mais alta conforme a indicada no relatório de avaliação das propostas, serão classificados novamente segundo a ordem de preço mais baixo proposto, e o dono da obra procederá à adjudicação conforme esta última lista de classificação. Em caso de o preço proposto dos 2 (dois) concorrentes que tiverem classificação final mais alta for de mesmo valor, a adjudicação será feita ao concorrente que tiver a melhor pontuação. Esclarecimento adicionais: - Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luíz Gonzaga Gomes, a partir de 12 de Junho de 2019 e até à data limite para a entrega das propostas, para tomarem conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Os concorrentes devem ter em conta do seguinte: - Todas as folhas do mapa de quantidades e de preço unitário, de descrição do processo de construção e da memória descritiva e justificativa devem ser impressos na frente e verso. - Caso pretenda apresentar catálogos e/ou descrição sobre produtos e/ou amostras, os mesmos devem ser em versão digitalizada (por exemplo em DVD). Instituto Politécnico de Macau, aos 3 de Junho de 2019. O Presidente Im Sio Kei
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terça-feira 18.6.2019
As ruas da antiga colónia britânica voltaram à normalidade depois de um domingo agitado com dois milhões de manifestantes a protestar contra a lei da extradição. Apesar da suspensão do debate sobre a proposta, activistas exigem a retirada definitiva das emendas à lei e ameaçam voltar à luta se o Governo não satisfizer as suas exigências
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S principais ruas de acesso ao parlamento e ao quartel-general do Governo de Hong Kong foram ontem reabertas e o trânsito voltou a circular normalmente na zona, depois de os últimos manifestantes terem dispersado voluntariamente. De acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP), a Hardcourt Road, uma das principais artérias que atravessam a ilha de Hong Kong, reabriu ao trânsito por volta das 11:00.
Em modo de pausa
Pouco depois do amanhecer, a polícia apelou aos manifestantes para desocuparem as estradas, bloqueadas desde a manifestação maciça de domingo contra a proposta de lei da extradição. Apesar de alguma resistência inicial, os activistas acabaram por sair voluntariamente, depois de a polícia ter sublinhado tratar-se de um apelo e não de uma ordem, escreveu o SCMP. Cerca de dois milhões de pessoas, quase um terço da população da região administrativa especial chinesa, saiu às ruas da cidade no domingo, de acordo com os organizadores. A polícia estimou a adesão em 338 mil. Os manifestantes exigiram a retirada definitiva das emendas à lei que permiti-
‘Occupy Central’ Joshua Wong já foi libertado Um dos rostos do movimento pró-democracia do outono de 2014 em Hong Kong Joshua Wong foi ontem libertado, um mês mais cedo do que o previsto, um dia depois do terceiro protesto maciço contra o Governo do território. O activista, de 22 anos, que se tornou o principal rosto do movimento ‘Occupy Central’, há cinco anos, deixou o Instituto Lai Chi Kok, onde era esperado por muitos apoiantes e uma multidão de repórteres, indicou a agência de notícias France-Presse (AFP). À saída da prisão, o líder estu-
PEQUIM AO LADO DE LAM
HONG KONG MANIFESTANTES DISPERSAM E TRÂNSITO VOLTA À NORMALIDADE
”Estamos muito irritados porque Carrie Lam não respondeu às exigências dos manifestantes, mas agora é altura de falar sobre estratégia, e de como fazer desta uma luta a longo prazo e não apenas de um dia.” LEE CHEUK-YAN EX-DEPUTADO E ACTIVISTA
riam extraditar suspeitos de crimes para juridisções sem acordo prévio, como a China continental, bem como a demissão de Carrie Lam, que, sob uma pressão sem precedentes, anunciou, no sábado, que a suspensão do debate sobre a proposta. A suspensão não apaziguou os manifestantes, que temem pela liberdade
dantil exigiu a demissão da Chefe do Executivo, Carrie Lam, na sequência das manifestações maciças contra a proposta de lei da extradição, que permitiria o envio de suspeitos para julgamento na China continental. “Ela já não tem qualificações para ser a líder de Hong Kong”, declarou Joshua Wong, condenado por desobediência civil pelo papel na chamada “revolução dos guarda-chuvas”, em 2014. As autoridades não justificaram, até ao momento, a razão para a libertação antecipada.
e a autonomia jurídica de Hong Kong assim que for retomado o debate. “Estamos muito irritados porque Carrie Lam não respondeu às exigências dos manifestantes, mas agora é altura de falar sobre estratégia, e de como fazer desta uma luta a longo prazo e não apenas de um dia”, disse o ex-deputado e activista Lee Cheuk-yan.
Pequim reiterou ontem apoio à chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam. "O governo central continuará a apoiar firmemente a Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial (de Hong Kong)", afirmou o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang. Pequim admitiu que apoia a decisão de suspender o debate, mas o porta-voz da diplomacia chinesa reafirmou que as manifestações não representam "a opinião pública geral" de Hong Kong. Lu Kang criticou ainda "governos e políticos estrangeiros" por "atirarem gasolina sobre o fogo" desde a apresentação do projeto de lei, em Fevereiro.
Se a Chefe do Executivo não responder às exigências, incluindo a da demissão, o antigo legislador advertiu: “O povo voltará e a luta continuará”.
SEM CALENDÁRIO
Numa declaração divulgada, no domingo à noite, apenas em chinês por um porta-voz do Governo, quando centenas de milhares de pessoas enchiam ainda as ruas da antiga colónia britânica, Carrie Lam pediu desculpa à população. “Nos últimos dois domingos, um grande número de pessoas expressou os seus pontos de vista através de marchas”, disse a responsável, assinalando que “o Governo entende que a marcha pública é por
preocupação e amor por Hong Kong”. “Tendo em vista as fortes visões díspares na comunidade, o Governo parou o trabalho do Conselho Legislativo [parlamento local] sobre as emendas da lei”, na tentativa de ser restaurada “a calma e evitar que alguém seja ferido”, indicou. A governante acrescentou que “o Governo reitera não existir um calendário para reiniciar o processo”. Propostas em Fevereiro, as alterações permitiriam que a Chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental. A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respectivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.
HUAWEI QUEBRA DE RECEITAS DE 26 MIL MILHÕES DE EUROS
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fundador da Huawei admitiu ontem uma quebra de receitas em 30.000 milhões de dólares, face à pressão de Washington, que acusa o grupo de telecomunicações de estar exposto à espionagem chinesa. Ren Zhengfei admitiu que a empresa reduzirá a sua capacidade, mas que a campanha lançada pelos Estados Unidos, para restringir os seus negócios, não a vai fazer parar. Numa mesa redonda, organizada na sede da empresa, em Shenzhen,
Ren previu que a facturação das vendas cairá para 100.000 milhões de dólares neste ano e no próximo, uma queda de 10 por cento, face a 2018. As autoridades norte-americanas acusam empresas chinesas de tecnologia, como a Huawei, de usurpar segredos comerciais - possivelmente ao serviço do Partido Comunista Chinês -, e de constituírem uma ameaça à segurança nacional.
O ataque de Washington surge quando a Huawei se prepara para lançar as redes móveis de Quinta Geração (5G), a Internet do futuro. Ren garantiu que a empresa não coloca ‘backdoors’ (“porta dos fundos”, método para escapar uma autenticação ou criptografia num sistema computacional), nos seus equipamentos, e que a companhia está disposta a assinar um acordo com qualquer país que garanta que não recorre àquele método.
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18.6.2019 terça-feira
Estou cansado da intelingência
Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis
Hector Berlioz (1803-1869)
Berlioz no Inferno: A danação de Fausto La damnation de Faust, Op. 24
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SSINALAM-SE este ano 150 anos da morte do compositor romântico francês Hector Berlioz, ocorrida em Paris no dia 8 de Março de 1869. O arquétipo da alma romântica torturada, Berlioz leu em 1828, aos 24 anos de idade, a primeira parte do poema dramático em duas partes Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe, na tradução de Gérard de Nerval, e apaixonou-se imediatamente pelas histórias fantásticas, as vastas paisagens, e personagens multicolores. “Este livro maravilhoso fascinou-me desde o início”, escreve nas suas Memórias. “Não conseguia pousá-lo. Lia-o incessantemente, às refeições, no teatro, na rua”. O compositor identifica-se com o erudito Fausto, personagem que anseia transcender, romper com as normas e que é torturado pelo amor. O doutor Fausto, em busca do conhecimento e prestígio, vende a sua alma ao diabo, Mefistófeles, partindo numa trágica peregrina-
ção que acaba por levá-lo à redenção através do amor. O seu fio condutor é a luta entre a luz e as trevas, expondo a dualidade humana, dilacerada entre o desejo de elevação espiritual e a atracção pelos prazeres e bens terrenos. Berlioz ficou tão impressionado com a obra que compôs, entre 1828 e 1829, uma suite intitulada Huit Scènes de Faust (“Oito Cenas de Fausto”), para vozes e orquestra, que publicou como o seu Op. 1 em 1929, mas que não contavam uma história contínua. Na verdade, o próprio Fausto nunca aparece nestas cenas. Berlioz simplesmente queria conjurar a atmosfera da obra de Goethe.
Em 1845, mais de 15 anos depois, Berlioz estava pronto para trazer Fausto à vida novamente. Inicialmente pensou em compor uma grande ópera incorporando as suas “Oito Cenas”, pedindo ao libretista Almire Gandonnière que escrevesse o texto, mas acabou escrevendo ele próprio quase todo o libreto. Enquanto compunha a música, sentiu a necessidade de transmitir uma visão mais ampla da obra, para não a limitar pelo espaço operático tradicional, decidindo caracterizá-la como uma “lenda dramática”, para apresentação em concerto. Tal como já havia sucedido anteriormente com
A estreia da obra foi recebida com indiferença pelo público parisiense, com público escasso nas primeiras representações o que levou Berlioz a um grave revés financeiro. Tal como ele mesmo descreve nas suas memórias: “Nada em toda a minha carreira artística me fez sofrer mais que esta inesperada indiferença”.
Romeu e Julieta (1839), Berlioz cria, em La damnation de Faust, novas formas musicais combinando elementos dramáticos próprios da ópera como monólogos, duetos e coros num formato de concerto próprio da sinfonia. Berlioz condensou radicalmente a trama da primeira parte de Fausto, eliminando mesmo algumas personagens e cenas. A filosofia de Goethe tão-pouco encontrou espaço no libreto: Berlioz, o eterno apaixonado, estava muito mais interessado no romance entre Fausto e Margarida. Como outros artistas antes dele, Berlioz mudou o significado da lenda de Fausto: o Fausto de Berlioz não é um grande estudioso; ele vive em busca, não de reflexões profundas, mas de grandes emoções; Fausto é torturado pelo tédio; não tem nenhum interesse na magia negra; Mefistófeles chega sem ser convidado; não existe nenhum pacto com o diabo, apenas um truque - Mefistófeles apresenta Fausto a Margarida com a intenção de levá-lo à danação; o amor é uma cilada armada pelo diabo; e quando Margarida vai para a prisão, Mefistófeles exige de Fausto a sua alma para que a de Margarida possa ser salva. Este novo final foi a grande inovação de Berlioz. No poema goethiano, Deus sacrifica Margarida. No drama de Berlioz, o próprio Fausto é o redentor de Margarida. Ele sacrifica-se, descendo até ao inferno para que ela possa chegar ao paraíso, convertendo-se, assim, em seu salvador. A música inovadora de Berlioz era frequentemente incompreendida ou ignorada em Paris e o compositor passou muito tempo em digressão pela Europa. Assim, grande parte de La damnation de Faust foi escrita durante a sua digressão europeia de 1845 a 1846. A estreia da obra foi recebida com indiferença pelo público parisiense, com público escasso nas primeiras representações o que levou Berlioz a um grave revés financeiro. Tal como ele mesmo descreve nas suas memórias: “Nada em toda a minha carreira artística me fez sofrer mais que esta inesperada indiferença”. Desde que voltou a ser representada em Paris com êxito, em 1877, a obra passou a fazer parte do reportório tradicional, revalorizando as suas indiscutíveis qualidades e do seu autor. Uma suite de três excertos orquestrais da obra – a “Marche Hongroise”, o “Ballet des Sylphess” e o “Menuet des follets”, costumava ser popular nas salas de concertos.
SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA: •Hector Berlioz: La damnation de Faust, Op. 24 Janet Baker, mezzo-soprano/ Nicolai Gedda, tenor/ Gabriel Bacquier, baritone/ Pierre Thau, bass/ Choeurs du Théâtre National de l’Opéra de Paris/ Orchestre de Paris, Georges Prêtre - EMI Classics, 1970.
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Contos para normais Paulo José Miranda
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ELIZE tinha um desacerto com o mundo desde que nascera. Tinha 26 anos, mas já vivia há mais de dez fora da cidade e do estado onde nasceu, longe da família. Tinha tido algumas dezenas de empregos, uns apenas por um dia, e um igual número de relacionamentos amorosos. Não tinha paz em nenhum lugar nem com ninguém. Quando a conheci, trabalhava no salão de beleza de uma amiga durante o dia e à noite entregava-se à sua paixão: cantar. Crescera a ouvir blues e jazz e era isso que gostava de fazer. Para além dos barzinhos onde cantava, com este e aquele, que a acompanhavam com violão ou com piano, começara a cantar numa banda de músicas originais. Era rara a noite em que não chegava furiosa, a queixar-se disto ou daquilo, mas assim que se punha em frente do microfone, o mundo deixava de existir. Naquele momento era só ela e a banda. E só aí conseguíamos ver Belize sorrir. Talvez com mais precisão: era só ela e a música; os outros eram apenas um veículo para o que mais lhe importava. Passados uns meses, a banda deu certo. Começaram a tocar em vários locais, chegando mesmo a aparecer em shows na TV. A banda começava a ter reconhecimento mediático e Belize parecia finalmente contente, de bem consigo e o mundo, mesmo longe do microfone. O mundo muda quando fazemos o que gostamos, até nós parece-
O microfone e o mundo mos melhor do que somos e toleramos mais os outros. É preciso coragem, ou algum distúrbio, para, a despeito das mudanças de circunstâncias, permanecermos com a mesma imagem do mundo quando este nos facilita a vida. Belize agora não se queixava do mundo e este queria saber dela. Choviam entrevistas, de revistas e jornais, de sites de internet e de programas de TV. O mundo estava claramente a intrometer-se entre ela e o microfone, mas parecia não lhe causar transtornos. Chegava à sala de ensaios a sorrir, sem nada por que se queixar. Para os seus colegas de banda, apesar de ser mais fácil lidar com ela, estavam preocupados, pois Belize não parecia ser ela. Também eles estavam mais contentes que o usual, mas não mudaram tanto. Alguns continuam pontualmente a queixar-se do mundo, como antes faziam. Belize transformara-se por inteiro. Até o modo como se vestia reflectia essa mudança. Trocou as cores escuras de antes, dos jeans e das t-shirts, por vestidos luminosos. O cabelo também acompanhava a mudança. Quem não visse Belize há alguns meses e estivesse distraído do mundo, se a encontrasse na rua, não a reconhecia. Como reconhecer a tristeza, se vier vestida de alegria? Com toda esta mudança, cheguei a perguntar-me se o microfone era mesmo o que ela queria da vida ou apenas um instrumento para conseguir o que realmente queria da vida: ser reconhecida e
ter uma vida facilitada. Talvez a música, afinal, não fosse a sua paixão, mas tão somente uma aposta legítima e inteligente para ganhar facilidade na vida. Apareceu um novo problema na sala de ensaios: não apareciam novas letras, que sempre ficaram a cargo de Belize. Os outros continuavam a compor, mas o reportório não avançava por causa da falta de letras e de voz. Belize não parecia interessada em novas músicas, mas em cantar as antigas. Aquilo que a impulsionava a compor era conseguir o que já tinha conseguido e, portan-
Assim que se punha em frente do microfone, o mundo deixava de existir. Naquele momento era só ela e a banda. E só aí conseguíamos ver Belize sorrir. Talvez com mais precisão: era só ela e a música; os outros eram apenas um veículo para o que mais lhe importava
to, agora não fazia sentido continuar a compor. Evidentemente, isto não era vivido assim por ela, nem pensado nem sentido, sou eu agora a pensar retrospectivamente na Belize, embora tudo isto pudesse ser pensado, não fosse o que veio a acontecer em seguida. Com a pressão de comporem novas canções e o aumento de popularidade da banda, Belize começou a desenvolver um organismo de desculpa lateral: “não consigo compor com toda esta atenção à minha volta”. No fundo, era uma vez mais a velha má disposição em relação ao mundo. Desta vez não era direccionada às suas más decisões e às circunstâncias que daí advinham, mas em direcção ao exagero do mundo em relação a si. Em menos de nada, refugiou-se no álcool e nas drogas e escondeu aí o seu problema maior: ter de lidar consigo todos os dias. Provavelmente, Belize nunca gostara de si e encontrara nas contrariedades do mundo uma desculpa em forma de refúgio para esse desencontro consigo mesma. Seis meses depois, Belize foi internada numa clínica de recuperação, devido ao abuso de álcool e cocaína. Nunca mais foi a mesma. A banda, essa, arranjou outra vocalista e continuou. Anos mais tarde, encontrei Belize a trabalhar numa lanchonete, a dizer mal de tudo e de todos, a não conseguir apaziguar-se com o mundo e a cantar à noite em pequenos bares, onde, por detrás do microfone o mundo desaparecia.
14 (f)utilidades
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente 14 | “PEDRAS E PEDRINHAS” EXPOSIÇÃO Casa vidro 5 do Tap6Seac 4de 0 1
MIN
7 8 9 2 3 EXPOSIÇÃO 8 1 | “ESPAÇO 7 9 E LUGAR” 5 3 4 6 0 2 Casa Garden 9 2 3 8 4 5 0 7 6 1 EXPOSIÇÃO 3 4 | EXPOSIÇÃO 2 0 “BELEZA 8 1 NA9NOVA5ERA:7OBRAS6 PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA 6 7 9 5 2 8 1 3 4 0 CHINA” MAM 0 6 1 7 3 4 2 8 5 9 EXPOSIÇÃO 2 3 | “100TH 0 4ANNIVERSARY 6 9 OF5THE1MAY8FOURTH 7 MOVEMENT IN CHINA” IFT7 8 6 2 9 0 3 4 1 5 5 9 | DESENHOS 4 1 DA0RENASCENÇA 6 7 2 3 8 EXPOSIÇÃO MAM | Até 30/06 1 5 8 3 7 2 6 0 9 4 ESPECTÁCULO | FUERZA BRUTA WAYRA MGM Theatre | Até 4 de Agosto
16 3 0 8 9 2 6 7 1 5 4
4 1 6 7 5 3 9 2 0 8
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Cineteatro 18 9 4 6 7 8 2 5 1 0 3
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0 6 7 5 4 2 1 3 8 9
2 9 3 1 8 0 5 7 4 6
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8 7 0 6 9 5 2 4 3 1
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C I N E M A
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4 6 2 3 5 9 1 0 8 7
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8 5 7 6 1 4 3 9 2 0
2 3 5 0 7 8 4 6 9 1
6 8 4 2 9 1 0 7 3 5
7 9 0 1 3 5 8 2 6 4
MEN IN BLACK: INTERNATIONAL SALA 1
SALA 3
Um filme de: F. Gary Gray Com: Chris Hemsworth, Tessa Thompson, Liam Neeson, Emma Thompson 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Um filme de: Michael Dougherty Com: Vera Farmiga, Ken Watanabe, Sally Hawkins, Kyle Chandler 14.15, 21.30
SALA 2
ALADDIN [A]
Um filme de: Simon Kinberg Com: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Guy Ritchie Com: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Cott, Marwan Kenzari 16.45, 19.15
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46 4 51 35 73 27 2 09 0 8 1 1 8 2 6 3 7 0 4 95 9 9 20 82 8 5 43 64 6 71 7 0 37 3 5 4 6 29 2 8 1 78 7 9 06 50 5 1 34 3 2 4 4 9 8 7 0 1 3 5 26 2 13 1 7 4 2 8 0 65 96 9 5 5 6 0 1 9 8 2 3 74 7 12 1 5 3 6 4 7 09 0 8 0 52 5 3 1 9 86 8 47 4 9 49 4 27 12 01 80 8 36 53 5 4 69 6 0 7 2 13 1 58 5 87 8 4 9 6 0 5 23 12 1 6 26 92 89 8 5 13 01 70 47 4 31 3 8 92 49 4 7 50 5 6 8 8 40 94 79 57 65 16 1 32 3 3 3 15 1 0 8 2 74 7 69 6 5 36 73 7 8 91 29 2 04 0 e mais0 de 40 5TERROR 97atentado 63 Boko 8530 mortos 18 1 2 5 10 41 6A4 86 Um8triplo 9 suicida, 3 atribuído ao grupo37‘jihadista’ 6 Haram, 4 no2domingo, 9 fez feridos no nordeste da Nigéria, segundo a anunciaram ontem os serviços de segurança do país. De acordo com as mesmas fontes, este foi um dos atentados mais mortíferos perpetrado pelo grupo islamista naquela região.
TRIPLICAR
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9 5 64 6 7 80 8 2 13 02 0 93 59 75 17 1 84 8 7 81 8 42 54 5 96 9 0 48 4 0 63 96 9 2 17 1 6 23 2 81 48 4 05 0 7 1 97 9 05 30 3 84 8 6 85 8 6 17 21 2 9 43 4 0 19 1 34 63 6 57 5 2 23 2 87 98 19 01 0 56 5 4 4 6 05 0 2 38 3 1 79 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 21
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5 5 9 8 18 1 74 7 3 70 2 3 1 6 7 12 49 4 0 80 8 6 6 5
PROBLEMA 22
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7 UM ESPECTÁCULO HOJE 0
3 83 28 92 9 1 45 04 60 76 6 41 4 7 2 9 38 3 5 0 97 39 8“Fuerza 3 28 1 2 1 6 4 O espectáculo Bru-6 5 0em6 exibição 0 4 no3MGM 7 89 8 21 5 ta”, Theatre, é uma experiência 4 envolve 5 6 o1espectador 0 3 2 87 8 5que como poucos. Durante 8 2mais5 de6uma7 hora, 1 0 39 3 2pouco 98 0 8 de5discoteca, 6 4 23 2 17 ambiente 9 em “Fuerza Bruta” não para de 7 39 golpes 2 6sentidos 4 56 15 1 0 23 4nos desferir de1 quem 7 8 Entre 9 0os56 5 2 74 assiste. momentos mais altos, desta21 3 a0altura 1 0em que 5 7uma 8 47 94 69 para 2 3que plataforma fica pendurada a escassos centímetros das cabeças dos espectadores. Com a ajuda de alguns jactos de água, corpos deslizam numa coreografia que oscila entre a agressividade e o intimismo. Apesar de ter alguns momentos mais mornos, “Fuerza Bruta”
5 2 9 4 1 8 3 6
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3 6 2 1 0 7
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06 2 8 7 54 20 1 5 9 73
40 59 6 81 95 72 63 8 14 27
74 65 3 58 09 97 46 0 31 82
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S U D O K U
TEMPO
18.6.2019 terça-feira
72 5 58 34 7 6 21 13 9 60
67 09 5 3 4 0 2 1 28 36
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3 7 4 50 8 5 76 9 1 2
01 8 3 5 90 84 7 2 6 79
0 46 2 21 69 38 85 4 53 7
9 4 7 2 6 3 8 0 5 1
2 3 0 9 1 5 8 7 6 4
Quem costuma usar o ferry para Hong Kong está mais que acostumado aos vendedores de bilhetes que habitualmente estão de plantão antes das bilheteiras da TurboJet. A empresa de transportes, que pertence ao universo da Shun Tak Holdings Limited, tem uma afinidade natural com a SJM. Como tal, a operadora tem acesso a bilhetes de ferry grátis para clientes. Aqueles que dizem “complimentary”, “tax paid”, “not for resale”, ou seja, que não se podem vender sob pena de se incorrer em ilegalidade. No início deste mês comprei um desses bilhetes de oferta num balcão de agência de viagem e não foi a primeira vez, são coisas que acontecem, como a chuva molhar. Além destas manigâncias habituais, a especulação com valores de bilhetes conforme a hora e o volume de passageiros é completamente natural numa sociedade que diz dar primazia à legalidade. Esta é a primeira impressão para quem chega, ou a última para quem parte, de Macau por via marítima. Candonga parasitária e meninas em trajes provocadores a distribuir coupons. Pensando bem, volto atrás.Afinal, a candonga é bem representativa. Aliás, diria que faltam pessoas de avental a oferecer carne seca, grupos de indivíduos com t-shirts justas com lantejoulas a trocar dinheiro a taxa 0 e cheiro a biscoito de amêndoa no ar. Só para lembrar que isto se passa diariamente num local com forte presença policial a escassos metros de distância. João Luz
FUERZA BRUTA WAYRA | DIQUI JAMES
é um espectáculo pleno de energia. João Luz
MEN IN BLACK: INTERNATIONAL [B] GODZILLA II: KING OF MONSTERS [B]
X-MEN: DARK PHOENIX [B]
www. hojemacau. com.mo
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Ceng; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 15
terça-feira 18.6.2019
macau visto de hong kong
DAVID CHAN
E
Extradição na ordem do dia
M Hong Kong esta semana ficou marcada pelas manifestações de protesto contra a proposta de lei de extradição dos condenados em fuga. Na demonstração de 9 de Junho compareceram imensas pessoas. As autoridades adiantaram o número de 153.000 participantes, ao passo que o porta-voz da organização apontava para cerca de um milhão. Mas todos sabemos que estes cálculos nunca são precisos. Durante o desfile, o responsável pelo cálculo do número de participantes tira fotos, conta as pessoas que aparecem na foto e calcula a área que ocupam. Se continuar a fotografar a mesma área a intervalos regulares é possível fazer uma estimativa do número de pessoas presentes. Esta estimativa pode variar conforme a área escolhida. Mas, seja qual for o número apontado, estiveram presentes sem dúvida muitos milhares de pessoas nesta manifestação. No dia seguinte, segunda-feira, 10 de Junho, a TVB de Hong Kong entrevistou a Chefe do Executivo Carrie Lam. No decurso da entrevista, Lam deixou bastante clara a sua posição sobre o assunto. Em primeiro lugar, admitiu que esta proposta de lei toca questões muito controversas. Estas
declarações foram úteis, mas as dúvidas não ficaram eliminadas. Mas Lam também assinalou que, se a oportunidade de rever a lei não for agora aproveitada, não se saberá quando o poderá vir a ser. Além disso resta a dúvida se a próxima proposta de revisão da lei vai ser bem-sucedida. Carrie Lam foi peremptória. Acredita que não vai ser. Por estas declarações podemos deduzir que, se duvidamos que a nova proposta de lei venha a ser bem aceite, então mais vale lidar com o assunto agora do que adiar a sua resolução. Ainda a entrevista não tinha sido transmitida, quando se deu um motim em Hong Kong. A multidão ocupou as principais vias
A legalização das manifestações é um dos valores fundamentais de Hong Kong, bem como permitir que as pessoas expressem os seus desejos e aspirações. Mas é fundamental que não envolvam violência e que pessoas com outros pontos de vista se não vejam envolvidas à força numa luta que não lhes diz respeito
rápidas da cidade causando o congestionamento do tráfego. Depois da intervenção da polícia a situação começou a normalizar. As manifestações e marchas realizadas na quarta-feira em Admiralty provocaram ferimentos em manifestantes e em agentes da autoridade. Mas na quinta-feira a situação agravou-se. Os organizadores convocaram as pessoas para as estações de Metro. Multidões precipitaram-se para as entradas do Metro durante a hora de ponta e os comboios não puderam circular normalmemte. O caos instalou-se. As pessoas que queriam chegar ao trabalho a horas não conseguiram. É inquestionável que este método acabou por envolver nos protestos pessoas que não tinham qualquer intenção de se manifestar contra a proposta de lei de extradição. Se as manifestações são uma forma de expressar a opinião pública, a participação forçada é o seu oposto e, portanto, é uma forma de privar as pessoas dos seus direitos. É absolutamente incorrecto. Como é que podemos considerar pacífica uma manifestação que recorre ao uso de uma série de métodos para impedir o Metro de circular? A legalização das manifestações é um dos valores fundamentais de Hong Kong, bem como permitir que as pessoas expressem os seus desejos e aspirações. Mas é fundamental que não envolvam violência e que pessoas com outros pontos de vista se não vejam envolvidas à força numa luta que não lhes diz respeito.
No sábado, 15 de Junho, Lin declarou suspensa a discussão da proposta de lei de extradição. O Governo estava já preparado para submeter a proposta à discusão no Conselho Legislativo. Em teoria, depois da transmissão da entrevista com Carrie Lam, os ânimos deveriam ter acalmado, mas tal não aconteceu. Durante a tarde, um homem morreu em Admiralty. Manifestações de pesar e de indignção espalharam-se rapidamente através da internet. Este incidente vai marcar o tom da manifestação de domingo, 16 de Junho. A avaliar pelos noticiários esta manifestação ainda vai ser maior do que a do domingo anterior. Embora no momento em que este artigo foi escrito ainda não houvesse cálculos, nem da parte do Governo nem da dos organizadores, tudo aponta que efectivamente o número de participantes aumentará. Mas, de qualquer forma, ainda vai ser necessário esperar pela contagem oficial. Às 19.30 de sábado, 16, os manifestantes voltaram a ocupar as vias rápidas de Central e de Sheung Wan, pelo que o trânsito ficou completamente congestionado. Mas, estranhamente, no momento em que escrevo, os condutores fizeram seguir os veículos e começaram a desimpedir as vias. É preciso continuar a acompanhar o desenrolar da situação. Felizmente hoje ninguém ficou ferido, porque todos amamos a paz.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
Por cada minuto que nos zangamos, perdemos 60 segundos de felicidade. PALAVRA DO DIA
Ralph Waldo Emerson
ID Bilhetes para o Southampton-Guangzhou R&F no domingo
O Instituto do Desporto (ID) vai começar a distribuir domingo os bilhetes para o encontro entre o Southampton e o Guangzhou R&F, que se realiza no Estádio de Macau. A informação foi divulgada ontem pelo ID no seu portal. A distribuição vai acontecer no domingo, entre as 9h00 e as 18h30, no Estádio de Macau e no Pavilhão do Tap Seac e vão estar disponíveis 6 mil ingressos. Cada residente vai ter direito a 4 bilhetes, desde que apresente um BIR válido.
Uma questão de intensidade China diz que sismo na Coreia do Norte pode ser explosão nuclear
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PUB
M sismo registado ontem na fronteira entre a Coreia do Norte e a China pode ter sido causado por uma explosão nuclear, avançaram as autoridades chinesas que horas antes tinham anunciado uma visita do Presidente chinês ao país vizinho. Os serviços sismológicos chineses registaram um sismo de 1,3 graus de magnitude na escala de Richter às 19:38 locais, na cidade chinesa de Hunchun, que faz fronteira com a Coreia do Norte. Na próxima quinta-feira, o Presidente chinês, Xi Jinping, vai efectuar uma visita de Estado de dois dias à Coreia do Norte, a primeira dos últimos 14 anos, que visa mostrar uma aproximação entre os dois países. A China e a Coreia do Norte deverão abordar a guerra comercial em curso entre Washington e Pequim, mas também as sanções internacionais a Pyongyang devido ao programa nuclear do regime de Kim Jong-un. Os testes nucleares norte-coreanos, condenados pela China, arrefeceram tanto as relações entre os vizi-
nhos que Xi Jinping e Kim Jong-un, no poder desde 2012 e 2011, respectivamente, só se encontraram pela primeira vez enquanto líderes dos países no ano passado. Desde aí, as duas nações resolveram reaproximar-se, tendo o líder norte-coreano viajado para a China quatro vezes no ano passado. Xi Jinping prometeu devolver a visita ao vizinho, mas ainda não tinha anunciado a data. A decisão de visitar Pyongyang uma semana antes do encontro do G-20, no Japão, é vista como simbólica por alguns analistas. Pequim queria organizar uma visita oficial à Coreia do Norte antes de qualquer reunião entre Xi Jinping e Donald Trump, estando a logística a ser preparada desde o mês passado. Nos últimos dias, centenas de soldados e trabalhadores têm estado a repintar a Torre da Amizade, em Pyongyang, símbolo dos milhões de soldados chineses que Mao Tse-tung enviou para ajudar as forças do avô de Kim Jong-un durante a Guerra da Coreia (1950-53).
terça-feira 18.6.2019
Circo Chong FUTEBOL PROTESTO DE KA I E HANG SAI NA TAÇA DE MACAU CHEGA À BBC
A
partida de protesto entre Ka I e Hang Sai, terminou com o resultado 21-18, conseguiu destaque internacional, nomeadamente com um artigo da emissora britânica BBC. O encontro a contar para a Taça de Macau teve como plano de fundo o facto da Associação de Futebol de Macau (AFM) ter impedido que os jogadores da selecção fossem ao Sri Lanka disputar a 2.ª mão da ronda preliminar de apuramento para o Mundial de 2022, e os atletas simplesmente passaram os 90 minutos a brincar com a bola. Alguns focaram-se mesmo quase exclusivamente em dar voltas a correr ao relvado. No entanto, o encontro ganha contornos ainda mais caricatos, quando a BBC revelou que depois do 21-17, que o painel electrónico do Canídromo terá deixado de funcionar. Porém, mais tarde, a AFM publicou a ficha de jogo onde confirmou que o Hang Sai tinha marcado mesmo os 18 tentos. “Acho que os jogadores não ficaram satisfeitos com a desistência do jogo de qualificação para o Mundial e mostraram o seu descontentamento desta forma”, afirmou Ma Sai
Ma Sai Man, treinador do Hang Sai “Os jogadores não ficaram satisfeitos com a desistência do jogo de qualificação para o Mundial e mostraram o seu descontentamento desta forma.”
Man, treinador do Hang Sai, no final do jogo, ao canal chinês da TDM. “Eles têm a sua forma de se expressar e o clube, e eu, respeitamos o que fizeram”, acrescentou.
INQUÉRITOS EM CURSO
Porém, à BBC, a AFM, que tem como presidente Chong Coc Veng, afirmou que abriu um inquérito à partida para apurar o que se passou. Também
posteriormente o Ka I, cujo treinador Josecler não esteve presente no encontro, lamentou o sucedido e a direcção disse não ter conhecimento dos planos dos atletas. De acordo com a notícia da BBC, os dois clubes vão igualmente instaurar processo internos para apurar o sucedido. Com este resultado o Ka I avança para a próxima eliminatória. Josecler Filho
foi o jogador da equipa em destaque ao apontar sete golos. O mesmo número de golos foi apontado por Ng Wa Keng, atleta do Hang Sai. Ainda na equipa derrotada, destaque também para Lam Ka Chong, que apontou seis golos. O próximo encontro da competição está agendado para o próximo domingo, com o Ka I a defrontar o Chao Pak Kei, às 14h00. J.S.F.
BOEING EXECUTIVOS PEDEM DESCULPAS PELOS ACIDENTES COM O 737 MAX
A
LTOS executivos da empresa norte-americana Boeing pediram ontem desculpas aos familiares das vítimas dos desastres ocorridos em aviões 737 Max, na Indonésia e na Etiópia. Kevin McAllister, presidente do Conselho de Administração da companhia comercial da Boeing disse aos jornalistas durante a abertura da exposição do setor da aviação, em Paris, que lamenta os acidentes que ocorreram com os aparelhos da construtora norte-americana. “Lamentamos a perda de vidas”, disse McAllister referindo-se ao voo da Lion
Air, em Outubro de 2018, e ao acidente que envolveu um Boeing 737 Max da Ethiopian Airlines no passado mês de Março. No total morreram 346 pessoas. McAllister também pediu desculpas pelos defeitos que obrigaram várias companhias de aviação de todo o mundo a cancelar os voos que deveriam ser efetuados pelos 737 Max. O executivo acrescentou que a Boeing está a trabalhar no sentido de resolver as avarias, mas não se referiu especificou a data em que previsivelmente a situação vai ficar solucionada.
Outros executivos da Boeing sublinharam igualmente a preocupação da companhia em relação a questões de segurança tendo também pedido desculpas às famílias das vítimas dos dois acidentes. As investigações sobre os dois desastres aéreos ainda continuam apesar de já terem sido detectadas falhas nos sensores que medem os ângulos de posição dos aviões e que fizeram baixar a parte da frente dos aparelhos em direcção ao solo. Os pilotos foram incapazes de controlar os aparelhos que acabaram por se despenhar.