Skip to main content

Hoje Macau 18 MAIO 2022 #5009

Page 1

HOJE MACAU QUARTA-FEIRA 18-5-2022

ASSASSINO DO COTAI DETIDO ÚLTIMA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Nº 5010

MOP$10

JUNHO - MÊS DE PORTUGAL

Ouro da casa É a pandemia, senhores, e a crise. As celebrações do mês de Portugal vão acontecer, mas sem convidados do exterior. Música, artes, literatura, teatro e muito mais compõem o programa. A comunidade mostra a sua raça. GRANDE PLANO

JOGO

LEI PROTEGE TRABALHADORES PÁGINA 4

PUB.

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

5G

A LENTA PRIORIDADE PÁGINA 5

CÔNSUL

OPTIMISMO MODERADO PÁGINA 7

OPINIÃO

XI JINPING E A DIVERSIDADE PÁGINA 19


2 grande plano

18.5.2022 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

O programa Cinco exposições, sessões de leitura, concertos, cinema. Estes são os elementos culturais presentes no programa deste ano da iniciativa “Junho, Mês de Portugal”, que celebra o 10 de Junho - Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. O cartaz acontece a partir do dia 31 de Maio em espaços como a Casa Garden, a Fundação Rui Cunha ou o Café Oriente, no IPOR

E

M tempo de pandemia e com restrições de viagem ainda em vigor, o cartaz do evento “Junho, Mês de Portugal” volta a fazer-se com o que de melhor a chamada “prata da casa”, ou seja, artistas e músicos locais, pode oferecer. O programa que celebra o 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi ontem apresentado no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e apresenta um leque variado de eventos culturais, que decorrem entre os dias 31 de Maio e 4 de setembro. Nomes da comunidade portuguesa como António Mil-Homens, Marieta da Costa ou Cristina Vinhas, entre outros, irão mostrar os seus trabalhos, num total de cinco exposições colectivas e individuais que estão programadas. Uma delas irá revelar trabalhos de artistas portugueses bem conhecidos como é o caso do surrealista Cruzeiro Seixas, Manuel Cargaleiro e Graça Morais, entre outros.

Estão ainda programados eventos como uma mostra de vinhos e queijos portugueses no Sofitel Ponte 16, sessões de cinema e leitura e um concerto, no dia 10 de Junho, de tributo ao músico português Rui Veloso, protagonizado pelos músicos da Casa de Portugal em Macau (CPM), como Tomás Ramos de Deus, Paulo Pereira ou Luís Bento, entre outros. Este espectáculo acontece na Casa Garden às 20h. Não faltarão, como é habitual, o tradicional hastear da bandeira portuguesa nos jardins do Consulado na manhã do dia 10 de Junho e o

A 3 de Junho, também no Café Oriente, decorre a apresentação do livro “Uma Casa com Asas”, de Andreia Martins, e que conta com ilustrações de Catarina Vieira

GONÇALO LOBO PINHEIRO

MÊS DE PORTUGAL

10 DE JUNHO CELEBRADO COM MÚSICA, ARTE E PALAVRAS

percurso até à Gruta de Camões, sem esquecer a recepção oficial na Residência Consular. Ao HM, Amélia António pediu, acima de tudo, a participação de todos, sobretudo da comunidade portuguesa, para que esta mostre que está viva num contexto social diferente em Macau. “Em termos do número de eventos este 10 de Junho não será muito diferente face aos anos anteriores. Mas o tipo de evento tem vindo a mudar de ano para ano e isso pode-se contrariar com a adesão das pessoas.” A presidente da CPM lamenta que a actividade e a participação nos eventos que celebram a portugalidade tenham vindo a sofrer uma redução. O cartaz foi também sofrendo alterações e há ainda eventos que carecem de confirmação. “Chegámos a Maio sem saber o que poderíamos fazer este ano do ponto de vista económico e das pessoas. É impossível planear. A dois dias de começar o evento temos de inventar tudo, e cada vez com mais limitações. Não podemos dar

“[Se a comunidade não participar] entramos numa situação semelhante à que passamos a seguir a 1999, quando parecia que os portugueses tinham desaparecido, pois todos se remetiam ao seu cantinho e à sua sombra.” AMÉLIA ANTÓNIO PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL

o mesmo contributo que demos ao longo dos anos. Esta é a realidade.” Amélia António adiantou ainda que há o risco de o cenário se transformar naquele que o território viveu no pós-1999, quando muitos portugueses, embalados pela transferência de soberania, deixaram Macau.

“[Se a comunidade não participar] entramos numa situação semelhante à que passamos a seguir a 1999, quando parecia que os portugueses tinham desaparecido, pois todos se remetiam ao seu cantinho e à sua sombra. Esquecem-se que só temos peso e pressão enquanto formos uma comunidade que mantém as suas tradições, cultura e língua e que afirma isso. Isso só acontece com uma presença forte das pessoas, se não vamos perdendo força colectiva. Todos têm de perceber que, se perdermos essa força, não somos nada individualmente”, adiantou. A presidente da CPM não deixou de notar que “dentro das limitações tentamos fazer o melhor possível”. “É preciso esse respirar colectivo que dê força e ânimo. O que fazemos em Macau é para Macau e para todos os habitantes, sejam eles de que nacionalidade forem. Essa tem sido a nossa postura ao longo dos anos”, frisou. Paulo Cunha Alves, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, também deixou notar que,


quarta-feira 18.5.2022

grande plano 3

www.hojemacau.com.mo

neste programa, “foram incluídas as actividades possíveis tendo em conta este contexto internacional de pandemia e as restrições de viagens que a situação actual nos obriga a respeitar.”. “Estou certo que este programa será bem sucedido”, frisou, referindo que é ainda mais importante, em contexto de pandemia, “continuar a celebrar Portugal”. “Acho muito difícil prever o que vai acontecer no próximo ano. Todas as previsões que temos feito saem falhadas. Temos sempre a esperança que no ano seguinte as coisas voltem à normalidade mas não temos a bola de cristal para saber quando é que as coisas voltarão ao que eram em 2019. Mas nós, comissão organizadora, vamos continuar empenhados em tentar aproveitar ao máximo a ‘prata da casa’ e com os meios que temos à nossa disposição celebrar sempre Portugal.”

Artes plurais

“Metropolis” é o nome do evento que dá o pontapé de saída a este programa. Esta exposição de pintura de António Mil-Homens, fotógrafo que vai deixar o território, estará patente até ao dia 11 de Junho na Fundação Rui Cunha (FRC) e apresenta “um olhar de longe, essencialmente de cima, sobre as nossas cidades e ambientes”. “Em tempo de virar mais uma página da história da minha vida, esta exposição acontece mais de 26 anos após a primeira vinda para Macau e encerra uma permanência de cerca de 15 anos. Não a vejo como um adeus. Antes como um até sempre, em que a lógica dessa mesma constância se inverte. Reitero o meu convite para que guardem, se do exposto gostarem, mais estas peças que o território e as circunstâncias me inspiraram. Lançarão mais uma pedra na construção dos projectos futuros”, descreve o artista. Entre os dias 1 de Junho e 3 de Julho acontece a exposição

SOFIA MARGARIDA MOTA

possível “Arquitectarte”, organizada pela Associação Cultural 10 Marias, e que é protagonizada por Marieta da Costa, arquitecta e designer de interiores. A artista nasceu em Lisboa e viveu 13 anos em Londres, onde se licenciou. Reside há 11 anos em Macau onde, em 2015, iniciou um projecto com crianças dos quatro aos seis anos, no jardim de infância D. José da Costa Nunes, onde desenvolve actividades na área das artes plásticas e arquitectura para crianças, e são exploradas a imaginação, a visão sustentável e a arte de executar em geral. A Casa Garden acolhe, entre os dias 25 de Junho e 31 de Julho, a mostra “Desenhar Macau - Desenho, Pintura, Gravura e Monotipias”, de Catarina Cottinelli. Esta exposição “resulta de uma prática diária na vida de Catarina Cottinelli como forma de observar e reconhecer o mundo envolvente”, lê-se na nota de imprensa. O território tem sido, para a artista, “uma grande fonte de inspiração pela sua arquitectura e

“Estou certo que este programa será bem sucedido.” PAULO CUNHA ALVES CÔNSUL-GERAL DE PORTUGAL EM MACAU E HONG KONG

ambientes muito próprios e também pelas pessoas e encontros felizes que Macau lhe proporcionou”. Ainda na Casa Garden, mas a 17 de Junho, acontece um Serão Literário, um “encontro de ‘palavra dita’ em que serão lidos, ditos e teatralizados textos de autores representativos de várias literaturas em língua portuguesa por oradores convidados”. Este Serão terá acompanhamento musical. Ainda sobre o ciclo de exposições, dia 7 de Junho é inaugurada a mostra “Mudança”, com trabalhos de joalharia de Cristina Vinhas. A 9 de Junho a Galeria AMAGAO recebe a exposição “Lusografia”, que pode ser visitada até ao dia 4 de Setembro.

Neste espaço será possível ver 70 obras de serigrafia, gravura e artes gráficas de artistas portugueses como Alexandre Baptista, Alexandre Marreiros, Cruzeiro Seixas, Espiga Pinto, Júlio Pomar, Graça Morais, Isabel Rasquinho, Manuel Cargaleiro, Vhils ou Júlio Resende, entre outros. Conforme denota o comunicado do evento, “Portugal tem uma longa tradição na gravura, serigrafia e artes gráficas afins”. “A produção de múltiplos de alta qualidade de uma obra de arte torna-a acessível a um público mais amplo. Além do seu valor estético individual, estas obras tornam-se objectos de colecção. Muitos artistas portugueses famosos produziram abundantemente [estas peças], utilizando variadas técnicas de impressão”, acrescenta-se.

Cinema e companhia

No fim-de-semana de 11 e 12 de Junho é a vez do cinema, com a apresentação, no auditório da Casa Garden, das curtas-metragens do

New York Portuguese Short Film Festival e Festival de Cinema da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Esta é uma organização da Fundação Oriente e Art Institute. "Organizado pela primeira vez em Junho de 2011, o New York Film Festival foi o primeiro de curtas-metragens portuguesas nos EUA. O festival mostra o trabalho da nova geração de jovens realizadores portugueses. Ao organizar o festival, anualmente, em vários países, o Art Institute pretende ampliar e conquistar novos públicos para o cinema português, em todo o mundo. Serão ainda mostradas as curtas metragens dos realizadores seleccionados para o Festival de Cinema dos Países de Língua Portuguesa”, descreve o programa. A gastronomia portuguesa não fica de fora das comemorações do 10 de Junho. No dia 12 decorre, no restaurante Mesa, no Hotel Karl Lagerfeld, o evento “Dia de Portugal”. Por valores entre 188 e 688 patacas será possível realizar “uma viagem gastronómica pelas várias regiões de Portugal, degustar produtos únicos portugueses como a famosa ginjinha em copos de chocolate e desfrutar de música portuguesa ao vivo”. Por sua vez, no dia 2 de Junho, será organizada uma noite de vinhos e queijos portugueses no terraço do hotel Sofitel, uma organização do Banco Nacional Ultramarino e grupo Vino Veritas. A 16 de Junho acontece, no Café Oriente, do Instituto Português do Oriente (IPOR), a mostra “Se podes olhar vê, se podes ver repara”, que celebra o centenário do nascimento de José Saramago, escritor português, com trabalhos dos alunos de nível C1 do Curso Geral de Português como Língua Estrangeira, a partir das suas leituras do livro “O Ensaio sobre a Cegueira”. A 3 de Junho, também no Café Oriente, decorre a apresentação do livro “Uma Casa com Asas”, de Andreia Martins, e que conta com ilustrações de Catarina Vieira. No mesmo dia, às 16h, haverá uma sessão de narração de histórias em parceria com a Associação Sílaba. Nos dias 3, 4 e 5 de Junho decorre também, no auditório da Casa Garden, um espectáculo de performance sensorial para bebés intitulado “Onde a terra se acaba e o mar começa”, com a artista Diana Coelho. No dia 9 de Junho, às 19h30, no auditório do Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, decorre o evento “Falar Macau, Falar Português”, com a entrega dos prémios de um concurso de escrita organizado pelo IPOR. Serão ainda exibidos os vídeos “O Centro Histórico de Macau”, realizado por Margarida Guerreiro e Rita Cheong, “Unidos pela Língua”, de Vinne Szeto e Ignacio Marcovecchio e “Macau, a minha casa é cheia de amor” de Renee Wong. Andreia Sofia Silva


4 política

18.5.2022 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

TABACO LEI CHAN U PREOCUPADO COM VENDA ILEGAL A MENORES

Beatas perigosas

Após um fumador de 13 anos ter provocado um incêndio num edifício habitacional, Lei Chan U quer melhorias legislativas para impedir a venda de tabaco a menores. Para o deputado são necessárias estatísticas mais abrangentes, dado que os últimos dados revelam que 41 por cento dos fumadores menores, fumaram o primeiro cigarro antes dos 10 anos

Despedidos, não humilhados

Novo artigo na Lei do Jogo para proteger trabalhadores em caso de despedimento

O

N

O seguimento do incêndio provocado por um menor de 13 anos num edifício habitacional que tinha por hábito fumar nas escadas do prédio onde vive, o deputado Lei Chan U quer que o Governo tome a iniciativa de rever o regime de prevenção e controlo do tabagismo, em vigor desde 2011. O objectivo, pode ler-se numa interpelação escrita, passa por “eliminar as lacunas da lei”, através da introdução de mecanismos que garantam a proibição de venda de tabaco a menores. Isto, quando o menor do caso citado pelo deputado, alegou ter comprado tabaco, por di-

versas vezes e sem restrições, em supermercados e lojas de conveniência. “Este caso é demonstrativo de que ainda existem muitos canais que permitem aos menores adquirir tabaco livremente no comércio local. Como irão as autoridades competentes reforçar o controlo sobre a venda de tabaco, de modo a proibir eficazmente a sua venda a menores e reduzir as facilidades de acesso?”, questiono Lei Chan U. Além disso, o deputado quer ainda saber quantos casos de venda ilegal de tabaco foram detectados, à luz da aplicação das disposições do regime de prevenção e controlo do tabagismo.

Na interpelação divulgada ontem, o deputado reforça, contudo, que desde a entrada em vigor da lei, a diminuição do consumo de tabaco em Macau é “evidente”, tendo em conta que a taxa de fumadores com mais de 15 anos diminuiu de 16,9 para 11,2 por cento entre 2011 e 2019 e a taxa de fumadores entre os 13 e os 15 anos desceu de 9,5 para 6,1 por cento entre 2010 e 2015.

Fumo precoce

Apesar disso, e tendo em conta a análise da população fumadora entre os 13 e os 15 anos é feita a cada cinco anos e que em 2020 não foram recolhidos dados devido à pandemia, Lei Chan U defende que o Governo deve alargar o âm-

“Ainda existem muitos canais que permitem aos menores adquirir tabaco livremente.” LEI CHAN U DEPUTADO

bito do estudo para ”melhor compreender a situação do consumo de tabaco entre os jovens”. Isto, quando o último relatório de avaliação da lei do tabaco, (2018-2020), revelou a existência de 49 casos de menores com hábitos tabágicos e o facto de 41,1 por cento destes, fumaram o primeiro cigarro antes dos 10 anos.

Pedro Arede com Nunu Wu

Governo introduziu um novo artigo da proposta de lei do jogo para aumentar a protecção dos trabalhadores, em caso de despedimento. Segundo a informação apresentada ontem, pelo presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, Chan Chak Mo, a cláusula faz parte da segunda versão da proposta apresentada pelo Governo. De acordo com a nova proposta, no caso das concessionárias serem punidas no âmbito da nova lei com uma pena assessória que obrigue à suspensão da actividade, as operadoras não adquirem justa causa para despedir os trabalhadores, o que implica que tem de pagar uma indemnização. “O artigo define que no caso de haver o encerramento ou a suspensão da actividade de uma operadora devido a uma punição com pena acessória, que a operadora não fica com justa causa para preceder à resolução dos contratos com os trabalhadores”, afirmou Chan Chak Mo. “Era um entendimento que já existia à luz da Lei das Relações Laborais, mas alguns deputados ligados

ao sector laboral consideraram que era importante que constasse mesmo na lei”, acrescentou.

Mal-entendidos

Também ontem Chan Chak Mo revelou ter sido contactado pelo Governo, por ter transmitido informações erradas numa conferência de imprensa na segunda-feira, sobre o número máximo das mesas de jogo e slot machines. Anteriormente, o presidente da comissão tinha afirmado que o limite máximo seria estabelecido, através de despacho do secretário, para cada concessionária. Contudo, o Governo afirmou que não houve mudanças na política e que o limite vai ser geral para o sector. Sobre a informação errada transmitida, Chan Chak Mo justificou que a sua interpretação tinha por base o texto da proposta do Governo, que devido a um carácter na versão em chinês faz com que o limite seja para cada concessionária. Face ao mal-entendido, o presidente da comissão adiantou que a versão do texto terá de ser alterada para tornar a situação mais clara. J.S.F.

Chan Pou Sam em modo take-away

Chan Pou Sam, membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais, defende que o Governo deve intensificar a promoção do regime de registo para estabelecimentos de take-away. Em causa, explicou Chan ao Ou Mun, está o facto de cerca de 10 por cento destes negócios poderem ser obrigado a parar com as actividades de publicidade online, uma vez que não cumpre as exigências legais. Apesar do pedido de maior promoção, Chan considerou que as regras que entraram em vigor no ano passado para os negócios de take-away vieram promover uma melhoria generalizada no sector, apesar de haver proprietários que ainda não estão bem informados.


quarta-feira 18.5.2022

política 5

www.hojemacau.com.mo

IAM Destruição de mercadoria com covid-19 não é única solução

O chefe do Departamento de Segurança Alimentar do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), Cheong Kuai Tat, garantiu que a destruição não é a única solução para o tratamento de mercadorias e alimentos que testam positivo para a covid-19. Segundo o jornal Ou Mun, a tomada de posição surgiu num encontro com representantes da Associação da União dos Fornecedores de Macau que se queixaram do facto de, até hoje, todas as mercadorias que testaram positivo para a doença terem sido destruídas pelo IAM, acabando os encargos a ter que ser suportados pelos fornecedores. Por seu turno, Cheong Kuai Tat alegou que é “difícil” garantir a qualidade da desinfecção feita do lado de Hong Kong e que, por isso, o organismo segue à risca todas as orientações emanadas pelos Serviços de Saúde de Macau, ficou a destruição ou não da mercadoria dependente da “gravidade da situação”.

Leong Sun Iok pergunta por candidaturas ao Novo Bairro de Macau

O deputado Leong Sun Iok quer saber quais vão ser os critérios para as candidaturas a habitações no projecto “Novo Bairro de Macau”. A pergunta faz parte de uma interpelação escrita do legislador dos Operários, que foi divulgada ontem. Segundo, Leong anteriormente foram revelados critérios para as habitações do Novo Bairro de Macau que exigem que os compradores sejam residentes, tenham mais de 18 anos e provem não ter qualquer imóvel em Macau ou em Zhuhai. Contudo, ainda não é claro o tipo de habitação construída no lado da fronteira, ou seja, não se sabe se é habitação social, económica ou de classe sanduíche. Leong Sun Iok quer também saber se o Governo vai atribuir os espaços comerciais no Novo Bairro a empresas e residentes locais.

Kou Hoi In distinguido com doutoramento honoris causa

RÓMULO SANTOS

Kou Hoi In, presidente da Assembleia Legislativa e empresário, vai ser distinguido com o doutoramento honoris causa pela Universidade Cidade de Macau. A informação foi divulgada ontem, através de um comunicado, e a distinção foi justificado com o trabalho em prol da comunidade de Kou Hoi In. “Tem liderado a Assembleia Legislativa que tem feito contribuições significantes para Macau, ao mesmo tempo que estabeleceu um sistema legal seguro, que defende a segurança nacional, promovendo desenvolvimento económico e social da RAEM, e melhora o bem-estar da população”, pode ler-se. Segundo a descrição, Kou Hoi In tem ainda manifestado interesse pelos assuntos comunitários e o serviço público há mais de 40 anos. A cerimónia de entrega da distinção está agendada para 28 de Maio, no pavilhão do Tap Seac, e inclui ainda a entrega dos diplomas a licenciados, mestrados e doutorandos.

Raimundo do Rosário começou por frisar que o Governo anuncia “muito pouco”, mas que disponibiliza toda a informação nos sites dos serviços

TELECOMUNICAÇÕES RAIMUNDO DO ROSÁRIO DIZ QUE 5G É PRIORIDADE DO GOVERNO

Das palavras aos factos

O secretário para os Transportes e Obras Públicas promete que até ao final do ano vai ser implementada a tecnologia 5G. Rosário justificou também que Mitsubishi foi escolhida para extensões de metro porque uma nova tecnologia implicava obras em toda a linha

O

secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, afirmou ontem que a tecnologia 5G é uma prioridade e que pode ser lançada até ao final do ano. As afirmações foram prestadas ontem, à margem das celebrações do Dia das Telecomunicações, de acordo com a Rádio Macau. A posição foi tomada depois de nas últimas semanas terem surgido várias críticas ao Executivo, inclusive de deputados, uma vez que a Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) considera que está preparada para lançar o serviço. No entanto, encontra-se impedida, uma vez que não tem a licença exigida, e que tem de ser atribuída pelo Governo.

O secretário não adiantou uma data para o concurso da atribuição das licenças, mas explicou que nesta fase o Executivo ainda está a analisar os estudos realizados por instituições académicas do Interior sobre a política de comunicações. O discurso de priorizar o 5G foi adoptado por Derby Lau, directora dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), que afirmou que o novo concurso de atribuição de licenças para as telecomunicações não vai colocar em causa o actual contrato com a CTM, que termina em 2023. “O licenciamento do 5G vai ter prioridade porque antes tínhamos discutido entre licenciamento de 5G de activos de concessões e o contrato de concessões. E agora

vamos iniciar o processo de licenciamento de 5G. Espero que vá acontecer ainda este ano”, começou por dizer Derby Lau, segundo a Rádio Macau, acrescentando que as duas matérias podem ser tratadas separadamente.

A escolha óbvia

Durante as declarações prestadas, o secretário para os Transportes e Obras Públicas mostrou-se igualmente satisfeito com os serviços prestados pela Mitsubishi Heavy Industries no desenvolvimento do Metro Ligeiro de Macau. A decisão de continuar com os serviços da Mitsubishi Heavy Industries foi ainda explicada com a tecnologia utilizada pela Mitsubishi. Caso houvesse as extensões fossem instaladas com

a tecnologia de uma marca nova teria de haver uma mudança total do sistema utilizado. “O sistema não é fácil de mudar. Se começámos a Linha da Taipa com uma determinada tecnologia, agora, nestas extensões, se mudarmos de tecnologia temos de fazer outro Parque de Material e Oficina”, assinalou. Questionado sobre o facto da adjudicação à Mitsubishi Heavy Industries para executar as extensões das linhas de metro ligeiro da Taipa, Barra, Hengqin e Seac Pai Van apenas ter sido revelada pela própria empresa japonesa, Raimundo do Rosário começou por frisar que o Governo anuncia “muito pouco”, mas que disponibiliza toda a informação nos sites dos serviços. João Santos Filipe


6 sociedade

18.5.2022 quarta-feira

HOJE MACAU

www.hojemacau.com.mo

Covid-19 Aviação Civil diz que há lacunas nas inspecções

O presidente da Autoridade de Aviação Civil, Simon Chan revelou que a companhia aérea que transportou para Macau dois passageiros infectados com covid-19 em Abril, admitiu lacunas no processo de inspecção das medidas de prevenção epidémica. Segundo o canal chinês da TDM-Rádio Macau, na sequência do caso, Simon Chan disse já ter entrado em contacto com a companhia em questão e garantiu que esta vai dar instruções aos seus funcionários para evitar que a situação se repita.

JOGO ANALISTA FALA DE RISCOS COM SUCESSIVAS MUDANÇAS NA PROPOSTA DE LEI

As fichas do receio

Ben Lee, analista de jogo, acredita que as diversas alterações que o Governo tem introduzido na proposta de lei só aumentam as incertezas no sector, podendo mesmo afastar potenciais investidores quando forem realizados os concursos públicos para atribuir novas concessões

O

analista de jogo Ben Lee considera que as alterações introduzidas à proposta de lei que regula os casinos em Macau aumentam a incerteza e podem afastar potenciais interessados em novas concessões, a partir de 2023. As alterações introduzidas podem “ser um tigre escondido na sombra”, disse à Lusa o analista da consultora de jogo IGamix, “porque dá ao Governo a capacidade de extrair um prémio, além do imposto sob as receitas do jogo”, que na prática é de 39 por cento. O Governo mudou a proposta de "Regime jurídico de exploração de jogos de fortuna ou azar em casino", permitindo que o Chefe do Executivo altere os limites mínimo e máximo anual das receitas brutas de cada mesa e máquina de jogo. Na segunda-feira, o deputado e porta-voz da comissão da Assembleia Legislativa que está a discutir a proposta, Chan Chak Mo,

confirmou que os limites podem ser ajustados “a qualquer momento”, em caso de “circunstâncias imprevisíveis e fatores irreversíveis”. A proposta de lei prevê que as concessionárias teriam de pagar um prémio especial caso as receitas brutas anuais não atinjam o limite mínimo. Perante uma alteração dos limites durante o contrato, “as operadoras de casinos não teriam qualquer forma de recurso, por isso poderia ser bastante pernicioso”, defendeu o analista. Ben Lee disse acreditar que esta cláusula poderá ser uma tentativa de reduzir “a volatilidade nas receitas públicas”, que dependem do imposto

sob o jogo. “Mas o que estão a fazer é basicamente empurrar os riscos de uma economia volátil para os operadores” de casinos, acrescentou. A alteração “aumenta a incerteza e também diminui a potencial viabilidade da entrada de qualquer novo investidor”, alertou o especialista.

“Grande cedência”

As actuais licenças de jogo terminam em 31 de Dezembro deste ano e o Governo quer avançar com um concurso público para atribuir novas concessões. Na sexta-feira, Chan Chak Mo revelou que o Executivo retirou da proposta de lei um artigo que obrigaria os chamados ‘casinos-satélites’ a estarem

O analista disse que é muito provável que a esmagadora maioria dos ‘casinos-satélites’, que estão há a acumular prejuízos desde o início da pandemia, acabe mesmo por fechar portas

“localizados em bens imóveis pertencentes às concessionárias” de jogo. Ben Lee admitiu que é “uma grande cedência”, após reacções “bastante dramáticas” dos operadores destes casinos que avisaram sobre um impacto “sísmico” em termos de perda de postos de trabalho. Em Abril, Melinda Chan Mei Yi, directora executiva da Macau Legend, que opera, de forma independente, vários ‘casinos-satélites’, disse que a nova lei poderia obrigar ao encerramento de muitos destes casinos e aumentar o desemprego. Mesmo assim, o analista disse que é muito provável que a esmagadora maioria dos ‘casinos-satélites’, que estão há a acumular prejuízos desde o início da pandemia, acabe mesmo por fechar portas. O primeiro a avançar nessa direção, em 1 de Abril, foi o operador do hotel Grand Emperor, que anunciou o encerramento do casino, a partir de 26 de Junho.

GRIPE INFECÇÕES COLECTIVAS AFECTAM 21 CRIANÇAS DOS 3 AOS 6 ANOS

O

S Serviços de Saúde (SSM) foram notificados na segunda-feira para a ocorrência de três casos de infecção colectiva de gripe diagnosticados em 21 crianças de três escolas. O primeiro caso aconteceu na turma K1B do Colégio Diocesano de São José (5ª, secção chinesa), na

Rua Central de Toi San, e afectou 12 alunos, seis meninas e seis meninos com idades compreendidas entre 3 e 4 anos. O segundo caso foi detectado na turma K1A da Escola Pui Tou, na Avenida de Praia Grande, envolvendo cinco alunos, quatro meninos e uma menina,

também com idades entre 3 e 4 anos. O terceiro incidente colectivo foi descoberto na turma P1D do Sheng Kung Hui (Macau) da Escola Choi Kou (Sucursal), na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, afectando quatro crianças todas com seis anos de idade.

Os SSM adiantaram que desde os dias 13 e 15 de Maio, os alunos começaram a manifestar sintomas de infecção do tracto respiratório superior como febre, tosse e corrimento nasal. A maior parte dos alunos doentes foram submetidos a diagnóstico e tratamento médico”, sem registo de

casos graves ou necessidade de internamento. As escolas em causa reforçaram a desinfecção, limpeza e manutenção da ventilação de ar no interior das instalações, assim como o cumprimento rigoroso da norma do isolamento dos doentes e trabalhadores. J.L.

Covid-19 Seis casos positivos assintomáticos ou de recaída

Na passada segunda-feira, o centro de coordenação de contingência registou seis casos de residentes que acusaram positivo à covid-19 nos testes de ácido nucleico. Entre os seis residentes, provenientes de Hong Kong, Austrália, Reino Unido e Singapura, respectivamente, três foram classificados como casos importados de infecção assintomática enquanto os outros três foram consideados casos de recaída. Foram todos encaminhados para o Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane para isolamento médico. Destes, três residentes negaram qualquer historial de infecção e não manifestaram sintomas, daí terem sido classificados como casos importados de infecção assintomática; e outros três confirmaram ter contraído anteriormente covid-19 e foram identificados como casos de recaída.

Detectado caso de Tifo Epidémico em mulher de 61 anos

Os Serviços de Saúde foram notificados para um caso suspeito de Tsutsugamushi, conhecido como Tifo Epidémico (Scrub Typhus), detectado numa mulher com 61 anos. O diagnóstico foi feito no Hospital Kiang Wu, onde a mulher deu entrada depois de apresentar sintomas como fadiga, dores musculares e febre alta. A doente é uma trabalhadora de limpeza no trilho pedestre da Colina de Mong Há, e tinha viajado para a Ilha de Dongao, em Zhuhai, com amigos a 5 e 6 de Maio. Contudo, negou ter caminhado em prados ou selvas. Também os colegas de viagem não apresentaram qualquer sintomas de doença. A doença tsutsugamuchi é uma doença infecto-contagiosa aguda provocada pela picada de larvas portadoras de Rickettsia tsutsugamushi. Os roedores constituem o hospedeiro natural e o reservatório de Rickettsis tsutsugamushi. Normalmente a infecção é feita depois das pessoas serem picados por larvas que anteriormente parasitaram em ratos.


quarta-feira 18.5.2022

Paulo Cunha Alves acredita que os detalhes do plano piloto de entrada de estrangeiros, que permitirá a entrada de portugueses não residentes em Macau, será anunciado em breve. Para o cônsul, que admitiu que muitos portugueses deixaram Macau partir do Verão de 2021, a medida é “importante” para resolver as questões de reunião familiar da comunidade impostas pela pandemia

O

cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves mostrou-se ontem optimista em relação à divulgação, a breve trecho, dos detalhes de implementação do plano piloto de entrada de estrangeiros em Macau e confirmou que Portugal fará parte da lista inicial de países abrangidos pelo programa. À margem da apresentação das comemorações do 10 de Junho, o cônsul disse mesmo acreditar que o plano piloto pode vir a ser anunciado pelo Governo antes de Junho, mês de Portugal. “Obviamente que é uma questão que nos importa bastante.

CÔNSUL ESPERA PLANO PARA ENTRADA DE PORTUGUESES ATÉ JUNHO

Espera por mim no Lilau

Estamos na expectativa de saber como é que esse programa piloto vai funcionar. A única informação que tenho confirmada, neste momento, é que Portugal fará parte desse primeiro conjunto de países que será alvo do programa piloto e aguardamos, com expectativa, mais informação sobre o início do programa”, começou por dizer. “As autoridades disseram que esse programa piloto seria baseado em comunicações com países que têm, em Macau, uma forte comunidade ou nos quais vive uma importante comunidade macaense ou de estudantes. Vamos ver agora quais são as modalidades na prática e quando

Imobiliário Venda de apartamentos caiu no 1º trimestre No primeiro trimestre deste ano, foram vendidos 826 apartamentos, menos 395 do que no mesmo período de 2021. O valor total desses negócios, com base no imposto de selo cobrado, foi de 5,58 mil milhões de patacas, quantia que

sociedade 7

www.hojemacau.com.mo

representa uma quebra de 31,3 por cento em termos trimestrais. No cômputo global, foram transaccionadas 1.407 fracções autónomas e lugares de estacionamento por 7,29 mil milhões de patacas, valor que representou quebras

de 28,3 por cento e 26,4 por cento, respectivamente, face ao quarto trimestre de 2021. No trimestre em análise o preço médio por metro quadrado (área útil) das fracções autónomas habitacionais globais (96.048 patacas), menos

é que essa medida será anunciada e implementada”, acrescentou. Quando questionado sobre a possibilidade de o plano entrar em vigor durante o mês de Portugal, Paulo Cunha Alves disse que,

“com sorte”, talvez isso venha a acontecer antes de Junho “Seria óptimo para todos nós. Era uma boa notícia. Estamos hoje [ontem] a 17 de Maio… acho que, com sorte, até talvez antes disso”, partilhou.

Pressão e despedidas forçadas

“É claro como água que um dos principais objectivos do Governo da RAEM será permitir a entrada de pessoas que têm aqui familiares.” PAULO CUNHA ALVES CÔNSUL

8,4 por cento em termos trimestrais. Os preços médios dos apartamentos na Península de Macau (95.820 patacas), na Taipa (92.523 patacas) e em Coloane (117.124 patacas) caíram 0,5, 14,1 e 16,2 por cento, respectivamente.

O responsável garantiu ainda que o Consulado tem feito pressão e dialogado sempre com as autoridades de Macau, no sentido de, à luz das medidas anti-epidémicas, permitir a reunião familiar entre residentes de Macau e familiares não residentes que estão em Portugal. “Obviamente que essa é uma das situações que será resolvida a partir

do momento em que o programa piloto de entrada de estrangeiros entre em vigor. É claro como água que um dos principais objectivos do Governo da RAEM será permitir a entrada de pessoas que têm aqui familiares. Temos feito sempre pressão. O diálogo é constante e a prova dessa constância é que está para breve o anúncio de Portugal como um dos primeiros países piloto de onde será permitida a entrada de estrangeiros não residentes”, vincou. Sobre o tema, Paulo Cunha Alves revelou ainda que, em 2021, o Consulado recebeu três pedidos de ajuda relacionados com autorizações de entrada por reunião familiar. No entanto, apesar das “diligências feitas ao mais alto nível”, a resposta das autoridades foi negativa, apesar de os três casos se referirem a “pais que estão em Portugal e cujas mulheres estão Macau com os filhos”, que “nem sequer conhecem”. O cônsul-geral de Portugal em Macau reconheceu ainda que, sobretudo a partir do Verão do ano passado, tem sido notório o aumento de portugueses que optou por deixar Macau. Isto, apesar de não haver números concretos. “Em termos gerais, posso confirmar que a partir do Verão do ano passado notou-se um aumento gradual do número de pessoas que está a deixar Macau”, referiu. “Temos notado, embora sem ter na nossa posse dados estatísticos concretos, um certo aumento do número de compatriotas portugueses que estão a sair da RAEM. O que acontece é que nem todos avisam quando vão embora (…) e aqueles sobre os quais temos conhecimento são pessoas que pedem certificado de bagagem, que é um documento que funciona por família e não por indivíduo”, concretizou. Pedro Arede

Justiça AAEC recorre da sentença que deu vitória à Las Vegas Sands A Asian American Entertainment Corp (AAEC), liderada pelo empresário Marshall Hao Shi-sheng vai recorrer da decisão do Tribunal Judicial de Base (TJB) que, a 28 de Abril, deu razão à Las Vegas Sands, noticiou o portal GGRAsia. Em causa está o pedido de uma indemnização de 7.5 mil milhões

de dólares norte-americanos por parte da AAEC, que reclama que a sua empresa foi importante para a concessionária norte-americana ter obtido uma licença de jogo no território. Jorge Menezes, advogado da AAEC, confirmou que foi pedida a extensão do prazo para a entrega do recurso em 30 dias, tendo em

conta que é necessário traduzir um documento de 99 páginas em chinês. O pedido foi recusado, alegando-se que não está em causa a falta de notificação por parte do tribunal sobre a sentença, mas sim a falta de domínio da língua chinesa, que é língua oficial do território tal como é o português.


8 publicidade

www.hojemacau.com.mo

18.5.2022 quarta-feira

Sucursal de Macau (Publicações ao abrigo do artigo 76º do R.J.S.F., aprovado pelo Decreto-Lei n.º 32/93/M, de 5 de Julho)

Hang Seng Bank Limited (Sucursal de Macau) Síntese do Relatório de Actividades A conjuntura de exploração do ano de 2021 manteve-se ainda repleta de desafios. As economias e as sociedades no mundo inteiro continuaram a sofrer as consequências negativas decorrente da epidemia de COVID-19. Com o surgimento da variante Omicron na segunda metade do ano, foram novamente afectados o ambiente de negócios e de investimento, bem como as cadeias de abastecimento do comércio e do mundo, levando a atrasos na recuperação da economia. Face a este ambiente difícil, o Hang Seng Bank Limited (Sucursal de Macau) prosseguiu com o seu princípio de “ter por base os clientes” tendo em vista oferecer um serviço bancário mais simples e mais conveniente, assim como uma experiência de melhor qualidade visando aumentar a capacidade no âmbito das suas actividades no futuro. Com a promoção activa de negócios inovadores, o Banco logrou proporcionar aos seus clientes e à comunidade mais e melhores benefícios. As actividades principais exercidas pela Sucursal de Macau destinadas aos clientes comerciais e individuais, no ano de 2021, consistiram na prestação de diversos tipos de serviços bancários, incluindo serviços diversificados de depósito e financiamento comercial, serviços comerciais transfronteiriços em renminbi,

créditos hipotecários por imóveis, financiamento empresarial, transferências e operações cambiais, cobrança de títulos e serviços de agenciamento de seguros. À data de 31 de Dezembro de 2021, os depósitos e créditos de clientes totalizavam respectivamente MOP1.725 milhões e MOP14.551 milhões, sendo o lucro, deduzido do imposto anual, de MOP137 milhões. Perspectivando o futuro, a Sucursal continuará a adoptar uma abordagem dinâmica, mas também estratégica, para suas operações, por forma a atingir um crescimento sustentável face às inconstantes condições de mercado. Continuará, ao mesmo tempo, a investir no aperfeiçoamento do posicionamento dos seus serviços, a participar activamente no empréstimo sindicado, a explorar as oportunidades no mercado de finanças verdes, e, simultaneamente, a agarrar as novas oportunidades que se proporcionam no âmbito da Grande Baía. Em nome da administração da Sucursal, gostaria de aproveitar esta oportunidade para expressar todo o nosso sincero apreço pelo grande e contínuo apoio que temos recebido por parte dos vários órgãos do Governo, clientes e pessoal. O Gerente da Sucursal do Hang Seng Bank Limited (Sucursal de Macau), Fong Chi Cheng

RELATÓRIO DOS AUDITORES EXTERNOS SOBRE AS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS HANG SENG BANK LIMITED – SUCURSAL DE MACAU As demonstrações financeiras resumidas anexas do Hang Seng Bank Limited — Sucursal de Macau (Sucursal) referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2021 resultam das demonstrações financeiras auditadas e dos registos contabilísticos da Sucursal referentes ao exercício findo naquela data. Estas demonstrações financeiras resumidas, as quais compreendem o balanço em 31 de dezembro de 2021 e a demonstração dos resultados do exercício findo naquela data, são da responsabilidade da Gerência da Sucursal. A nossa responsabilidade consiste em expressar uma opinião, unicamente dirigida a V. Exas. enquanto Gerência, sobre se as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal, e sem qualquer outra finalidade. Não assumimos responsabilidade nem aceitamos obrigações perante terceiros pelo conteúdo deste relatório. Auditámos as demonstrações financeiras da Sucursal referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2021 de acordo com as Normas Sucintas de Auditoria emitidas pelo Governo da Região Administrativa Especial de Macau,

e expressámos a nossa opinião sem reservas sobre estas demonstrações financeiras, no relatório de 25 de abril de 2022. As demonstrações financeiras auditadas compreendem o balanço em 31 de dezembro de 2021, a demonstração dos resultados, a demonstração de alterações nas reservas e a demonstração dos fluxos de caixa do exercício findo naquela data, e um resumo das principais políticas contabilísticas. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas e com os registos contabilísticos da Sucursal. Para uma melhor compreensão da posição financeira da Sucursal, dos resultados das suas operações e do âmbito da nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas em anexo devem ser lidas em conjunto com as demonstrações financeiras auditadas e com o respectivo relatório do auditor independente.

Li Ching Lap Bernard Contabilista Habilitado a Exercer a Profissão PricewaterhouseCoopers Macau, 25 de abril de 2022


quarta-feira 18.5.2022

eventos 9

GCS

www.hojemacau.com.mo

UPM ORGANIZADO EVENTO SOBRE BANDA DESENHADA PARA ALUNOS

O

Centro Pedagógico e Científico para as Indústrias Culturais e Criativas da Faculdade de Artes e Design da Universidade Politécnica de Macau (UPM) organizou “recentemente” um evento dedicado à banda desenhada com Michael Wong Tin Chon, presidente da Associação de Banda Desenhada de Macau [Macau Comickers Association]. Este foi orador na palestra “Introdução ao Desenvolvimento da Animação em Macau”, onde falou também partilhou “as suas ideias criativas e experiências práticas”, junto dos alunos da UPM. Michael Wong Tin Chon é mestre em psicologia e um profissional de artes, trabalhando sobretudo com ilustração, animação, revista, teatro, cinema e colunista de suplemento, entre outros trabalhos sobre Intermedia Art. Além de dirigente associativo Michael Wong Tin Chon é também membro das comissões de avaliação do Prémio Dragão de Ouro da China e do Prémio Cybersousa do Festival Internacional de Animação de Xiamen. Na palestra, Michael Wong Tin Chon apresentou a indústria de animação de Macau e a sua história de desenvolvimento, partilhando também as próprias experiências de criação. Em 2006, Wong representou Macau participando no fórum “100 episódios da Animação Viagem de Fuwa dos Jogos Olímpicos - Fórum de Alto Nível sobre a Criatividade das Três Regiões dos Dois Lados do Estreito de Taiwan”, realizado em Pequim, e a partir daí começou a trabalhar na área de animação. Entre 2014 e 2019, organizou, durante seis anos consecutivos, um campo de animação em Xiamen, onde liderou um grupo de estudantes de Macau para concretizarem a criação de desenhos animados. Além disso, Michael Wong também participou em muitos trabalhos de animação no interior da China, Hong Kong e Macau, ganhando uma rica experiência de criação de desenhos animados.

Entre os dias 22 e 29 de Maio acontece a actividade “Sonhando com a Macau Antiga”, que apresenta dois percursos ligados às características culturais dos bairros de Macau, e que são revelados na exposição de arte e fotografia “Colectivo YiiMa: Alegoria dos Sonhos”, de Ung Vai Meng e Chan Hin Io.

Ode à arte DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS IC ORGANIZA EXPOSIÇÕES E EVENTOS TEMÁTICOS

Celebra-se hoje o Dia Internacional dos Museus com uma série de eventos culturais e exposições que decorrem no Museu de Arte de Macau e Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania. Destaque para a realização de um “carnaval” nestes museus e da referência à exposição “Alegoria dos Sonhos”, do colectivo YiiMa, de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Io

O

Dia Internacional dos Museus celebra-se hoje e, para marcar essa efeméride, o Museu de Arte de Macau e o Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania, do Instituto Cultural vão acolher uma série de eventos e exposições temáticas. O tema do ciclo de eventos é “O Poder dos Museus”, evocando “o poder de alcançar a sustentabilidade, de inovar nas áreas da digitalização e da acessibilidade e de construir comunidades por meio da educação”. As inscrições para estes eventos decorrem desde sexta-feira. Hoje serão realizadas visitas guiadas no MAM e no Museu das Ofertas sobre a Transferência de So-

berania, enquanto que no dia 29 de Maio os dois espaços vão celebrar o “Carnaval do Dia Internacional dos Museus de Macau 2022”, que decorre entre as 14h e as 18h. Neste carnaval serão realizados uma série de jogos, incluindo a “Caça ao Tesouro num Escritório do Bairro Iao Hon” e a “Caça ao Tesouro de Prendas da Transferência de Soberania de Macau”. O objectivo deste evento é “dar a conhecer os museus de forma divertida”. Entre os dias 22 e 29 de Maio acontece a actividade “Sonhando com a Macau Antiga”, que apresenta dois percursos ligados às características culturais dos bairros de Macau, e que são revelados na exposição de arte e fotografia “Colectivo YiiMa:

Alegoria dos Sonhos”, de Ung Vai Meng e Chan Hin Io. De frisar que estes artistas representam Macau na edição deste ano da Bienal de Arte de Veneza, além de que esta mostra já esteve patente, em 2019, no Museu Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Dia 31 de Maio os dois artistas vão falar desta mostra na palestra “Plena de Desafios: a 59ª Exposição Internacional de Arte - La Biennale di Venezia”, que decorre de forma presencial e online.

Exposições para todos

Além dos eventos acima descrito, o público poderá também visitar as exposições que estão actualmente patentes no MAM, tal como “Imaginação Selvagem: Arte a Tinta

Dia da Criança ARTM organiza exposição e actividades O espaço “Hold on to Hope Project”, que a Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM) gere na vila de Ka-Hó, Coloane, vai acolher uma série de actividades para celebrar o Dia Mundial da Criança, assinalado a 1 de Junho. No dia 29 de Maio decorrem, entre as 14h e 18h, diversos entretimentos gratuitos para as crianças, tais como, um espectáculo de magia de rua, a realização de desenhos de caricaturas e modelagem de balões, sem esquecer um workshop de pinturas e vendas de livros

e artesanato. Às 16h desse dia será ainda inaugurada a mostra “World Children’s Day”, uma mostra colectiva de pinturas feitas por crianças. O objectivo é angariar fundos para ajudar as crianças que estão a ser afectadas pelo conflito na Ucrânia, aponta uma nota de imprensa. Os fundos angariados serão enviados para a representação da UNICEF em Hong Kong e visam financiar cuidados médicos, água potável, educação, protecção infantil e outros mantimentos para as crianças.

Contemporânea em Guangdong - Hong-Kong - Macau de 2000 a 2022” ou “Nas Brisas da Primavera: Pinturas e Caligrafia de Yang Shanshen doadas à Colecção do MAM por Lei Loi Tak e Lao Ngai Leong”. O MAM tem também a “Exposição de Cerâmicas de Shiwan da Colecção do MAM” e “Retratos e Bustos por Tam Chi Sang doados ao Museu de Arte de Macau”. Está também prevista a instalação de um expositor sobre os trabalhos de “Colectivo YiiMa: Alegoria dos Sonhos”. Por sua vez, a “Exposição de Ofertas da Transferência de Soberania” encontra-se permanentemente patente no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania. A.S.S.


10 publicidade

www.hojemacau.com.mo

18.5.2022 quarta-feira


quarta-feira 18.5.2022

www.hojemacau.com.mo

publicidade 11


12 china

18.5.2022 quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

O império da má-língua PEQUIM INSTA G7 A PARAR DE INTERFERIR NOS SEUS ASSUNTOS INTERNOS

A China está farta de “interferências” e de ser “difamada”, por isso bateu com a mão na mesa depois de um comunicado crítico do G7

A

China exigiu nesta segunda-feira que o Grupo dos Sete (G7) “páre de difamar o país e interferir nos seus assuntos internos”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, ao comentar o comunicado emitido após uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, que contém vários itens relacionados à China, incluindo Hong Kong, Xinjiang, direitos humanos, questões marítimas, situação na Ucrânia, paz e

A

alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, vai visitar a China em breve, numa viagem que a levará à região de Xinjiang, onde Pequim é acusada de violações sistemáticas contra a minoria uighur. “Tenho o prazer de anunciar que chegámos recentemente a um acordo com o governo da China para uma visita”, disse Michelle Bachelet ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU na terça-feira. Bachelet disse ainda que o gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos do Homem (ACDH) e Pequim tinham “iniciado os preparativos concretos para

estabilidade através do Estreito de Taiwan, entre outros. “As posições da China sobre assuntos relacionados a Hong Kong, Xinjiang e Taiwan, bem como questões marítimas, são consistentes e claras”, explicou Zhao, acrescentando que o país expressou sua firme oposição à presidência do G7. “O longo comunicado do G7 está cheio de alegações absurdas que não valem a pena refutar. Com total desrespeito à posição solene da China e aos factos objectivos,

ele interfere grosseiramente nos assuntos internos, calunia e difama maliciosamente o país e mais uma vez exerce pressão usando pretextos como o conflito Rússia-Ucrânia”, afirmou Zhao.

Direito acima de tudo

“A China exige que o G7 defenda o sistema internacional com as Nações Unidas no seu núcleo, a ordem internacional baseada no direito internacional e as normas básicas das relações internacionais baseadas nos propósitos e princípios da Carta da ONU”, disse Zhao, pedindo que o grupo respeite a soberania da China e páre de difamar o país e interferir nos seus assuntos internos de qualquer forma. “Pedimos que o G7 aja no interesse da paz e do desenvolvimento mundial, páre de aplicar padrões duplos ou múltiplos, deixe de enviar aeronaves militares e navios

de guerra às portas de outros países para mostrar os músculos a cada momento, acabe com a instigação desenfreada de revoluções coloridas noutros países, páre de recorrer arbitrariamente a sanções ilegais e interrompa a fabricação e disseminação de mentiras e rumores sobre a China”, sublinhou. Zhao também pediu que “o G7 assuma sua responsabilidade, cumpra a sua devida obrigação internacional, salvaguarde o multilateralismo verdadeiro, se foque na governação global, fortaleça a cooperação com a ONU, o G20 e outros mecanismos multilaterais e desempenhe um papel positivo no enfrentamento dos desafios globais e na promoção da recuperação económica mundial, em vez de se apegar à mentalidade da Guerra Fria e aos preconceitos ideológicos, criar confrontação e divisão e trazer caos ao mundo”.

A prova dos nove

Comissária da ONU para direitos humanos vai visitar província de Xinjiang

uma visita que está prevista para Maio”. “A alta-comissária deve viajar para Guangzhou e Xinjiang. Não se deslocará a Pequim, por causa da pandemia de covid-19, mas reunir-se-á com funcionários de alto nível do Governo”, anunciou hoje a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas Liz Throssell, durante uma conferência de imprensa em Genebra. Bachelet deverá permanecer na China durante seis a sete dias e não se espera que viaje

até ao Tibete, centrando a sua viagem na região de Xinjiang. Segundo a porta-voz da ONU, o objetivo da visita é conseguir “um diálogo com o Governo chinês e com as autoridades chinesas sobre uma série de questões relacionadas com direitos humanos, aos níveis nacional, regional e global”. Nos próximos meses, Michelle Bachelet deverá publicar um relatório sobre a situação em Xinjiang, mas não ficará público antes da partida da alta-comissária para a China, devendo ainda

ficar à consideração de Pequim, para que as autoridades chinesas se possam pronunciar sobre ele. O governo chinês disse durante anos que Bachelet era bem-vinda a visitar Xinjiang, incluindo um acordo sobre o seu pedido de “acesso significativo e sem restrições”. À margem dos Jogos Olímpicos de Inverno, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse aos líderes em Pequim no mês passado que esperava que Bachelet fizesse uma visita “credível” à China, incluindo

Zhao Lijian porta-voz do MNE “Pedimos que o G7 aja no

a Xinjiang. E na terça-feira, Bachelet disse que tinha sido alcançado um acordo. “Os preparativos terão de ter em conta os regulamentos da Covid-19”, disse ao conselho de direitos. “O governo também aceitou a visita de uma equipa avançada do OHCHR para preparar a minha estadia na China, incluindo visitas in loco a Xinjiang e outros locais”, disse ela. “Esta equipa partirá para a China no próximo mês”. A porta-voz de Bachelet, Elizabeth Throssell, confirmou aos repórteres que a alta-comissária visitaria a região. Throssell afirmou que as negociações tinham produzido “um acordo sobre

os parâmetros que respeitam a nossa metodologia”, incluindo “o acesso sem restrições a uma vasta gama de actores, incluindo a sociedade civil”. Chen Xu, embaixador da China nas Nações Unidas em Genebra, disse ao fórum que a liberdade de expressão estava totalmente protegida no seu país, mas acrescentou: “A liberdade de expressão nunca pode ser um pretexto para fazer (colocar) alguém acima da lei”. “Congratulamo-nos com a visita do Alto Comissário a Xinjiang em Maio deste ano. E a China trabalhará em conjunto com (o seu gabinete) para fazer uma boa preparação para esta visita”, disse Chen.


quarta-feira 18.5.2022

china 13

www.hojemacau.com.mo

Biden quer Taiwan na OMS Projecto de lei dos EUA é “deplorável”

A

interesse da paz e do desenvolvimento mundial, páre de aplicar padrões duplos ou múltiplos, deixe de enviar aeronaves militares e navios de guerra às portas de outros países”

COREIA DO SUL WANG YI CONVERSA COM NOVO MNE

O

conselheiro de Estado e MNE da China, Wang Yi, fez uma videoconferência nesta segunda-feira com Park Jin, novo MNE da República da Coreia. Observando que a China sempre viu a República da Coreia e as relações bilaterais de uma perspectiva estratégica e geral, Wang avaliou que os seus laços tiveram altos e baixos e alcançaram um salto de desenvolvimento, beneficiando ambos os povos e promovendo estabilidade e prosperidade regionais. “Os dois países sempre respeitaram os cami-

nhos de desenvolvimento, os interesses centrais e as tradições culturais um do outro”, lembrou Wang, acrescentando que o comércio bilateral aumentou mais de 50 vezes e que o investimento mútuo ultrapassou US$ 100 mil milhões nos últimos 30 anos. “Os dois lados alcançaram desenvolvimento e

prosperidade comum através de cooperação prática em pé de igualdade e de benefício mútuo. Graças aos esforços de todas as partes, a Península Coreana tem geralmente permanecido pacífica, proporcionando um ambiente necessário para o desenvolvimento dos dois países e da região como um todo”, disse Wang.

Wang sublinhou ainda que ambos se livraram dos grilhões da Guerra Fria e abriram um novo capítulo de cooperação há 30 anos. “Hoje serve aos interesses fundamentais da China e da República da Coreia manter a região aberta e inclusiva, proteger-se contra os riscos de uma nova Guerra Fria e opor-se à confrontação entre blocos”, enfatizou. Wang apelou também para um intercâmbio interpessoal mais próximo entre os dois países para promover o entendimento mútuo entre os povos e reduzir os mal-entendidos. “A China está feliz em ver a República da Coreia

China “rejeita e acha deplorável que os Estados Unidos insistam em transformar o projecto que ajudará Taiwan a recuperar o status de observador na Organização Mundial da Saúde (OMS) em lei”, disse Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros nesta segunda-feira. Zhao exigiu que “os EUA lidem com questões relacionadas a Taiwan de forma prudente e adequada”. O presidente Joe Biden assinou um projeto de lei para orientar o secretário de Estado a desenvolver uma estratégia para recuperar o status de observador de Taiwan na OMS. Ora “a questão de Taiwan é um assunto doméstico da China e o princípio de Uma Só China é uma norma básica que rege as relações internacionais”, sublinhou o porta-voz em conferência de imprensa. Zhao explicou que, “de acordo com as resoluções relativas da Assembleia Geral das Nações Unidas e da Assembleia Mundial

desempenhar um papel mais construtivo na promoção da paz e prosperidade mundial, e está pronta para trabalhar em conjunto para proteger os interesses comuns dos dois países, da Ásia e de mercados emergentes e injetar estabilidade e certeza nos tempos turbulentos e de mudança”, concluiu. Por seu lado, Park Jin garantiu que a República da Coreia atribui “grande importância ao desenvolvimento das relações com a China e está disposta a estabelecer uma relação bilateral mais saudável e madura, baseada no espírito de respeito mútuo e cooperação”, acrescentando que a

da Saúde, a participação da região chinesa de Taiwan nas atividades da OMS deve ser tratada de acordo com o princípio de Uma Só China. Atribuindo grande importância ao bem-estar da saúde de nossos compatriotas de Taiwan, o governo central chinês fez arranjos adequados para a participação da região nos assuntos globais de saúde sob a condição de seguir o princípio de Uma Só China”. Mas Zhao foi mais longe: “Instamos os EUA a aderirem ao princípio de Uma Só China e aos três comunicados conjuntos China-EUA, cumprirem o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais, tratarem de forma prudente e adequada as questões relacionadas a Taiwan e não usarem este projecto de lei para ajudar Taiwan a expandir seu chamado ‘espaço internacional’. Caso contrário, causará mais danos às relações China-EUA e à paz e estabilidade em todo o Estreito de Taiwan”, concluiu.

República da Coreia adere sempre ao princípio de Uma Só China. “Esperamos tomar o 30º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois lados como um novo ponto de partida para manter intercâmbios de alto nível, aprofundar a cooperação económica e comercial, promover o intercâmbio interpessoal e levar as relações bilaterais a um novo nível”, destacou Park Jin. Para ele, “a República da Coreia aprecia e espera que a China continue a desempenhar um papel importante e construtivo na questão da Península Coreana”.


h

14

CHRISTIAN INGO LENZ DUNKER In Cult

A queda do muro de Berlim não representou a derrocada do comunismo nem o fim da história, muito menos a abolição da esquerda. Para a maior parte dos movimentos sociais e pensadores ligados à tradição crítica ou marxista, esse fato simbólico foi o pretexto que faltava para a formação e radicalização de um novo discurso. A revista britânica New Left Review foi um ponto de encontro para essa esquerda alternativa, que havia passado por sucessivas decepções: o humanismo marxista, a reação estruturalista de Louis Althusser, o ativismo maoísta, as inúmeras formas de troskismo, sem falar no socialismo real. A Nova Esquerda tem em comum a desconfiança do fetichismo do Partido, a crítica do economicismo marxista clássico e a recusa da concepção ingênua da ideologia considerada como uma espécie de erro cognitivo da consciência. No lugar soberano e onipotente do Partido, a Nova Esquerda se preocupa em mostrar a precariedade da noção de política em Karl Marx bem como sua ligação instável com políticas claras e definidas que deveriam ser seguidas em obediência silenciosa. No lugar do reducionismo econômico, a Nova Esquerda pretende redescrever a noção de classe, levando em conta o gênero, a cultura e o consumo, e não apenas o paradigma da produção. Finalmente, no lugar da ideologia, entram em cena complexas estratégias de desconstrução, crítica e resistência discursiva ao lado do reconhecimento de que faltaria ao marxismo clássico uma boa teoria sobre a subjetividade. É nesse contexto que surge a figura de Slavoj Žižek. Ele foi rapidamente percebido como alguém capaz de dar voz a essa renovação do marxismo com sua surpreendente releitura de Georg Hegel aliada a uma potente junção com conceitos do psicanalista Jacques Lacan. Žižek não é um pensador sistemático que nos convida para a arqueologia e a reconstrução de teses, ao gosto da prática universitária corrente; mas também não é um intelectual edificante, ensaístico ou opinativo, interessado apenas em questões pontuais e intervenções localizadas. Seu estilo é o de um intelectual engajado, um pensador que, sobretudo, toma posições. Em geral, tais posições nos fazem rever o próprio mapa, ou as coordenadas simbólicas de que dispomos para localizar a questão tratada. Daí a importância da noção de ato que atravessa seus escritos. Žižek nasceu em 1949, em Liubliana, capital da Eslovênia, a mais próspera das províncias da antiga República da Iugoslávia, e a primeira a se tornar independente em 1991. Em 1971, ele completou sua graduação em filosofia e ciências sociais e, em 1975, apresentou sua tese sobre A relevância prática e teórica do estruturalismo francês. Filho de comunistas linha-dura, ele vê fracassar sua aspiração ao rápido ingresso no sistema burocrático-

www.hojemacau.com.mo

Slavoj Žižek e a renovação do marxismo

universitário. É reprovado no concurso para professor de filosofia e amarga a dura e contemporânea experiência de desemprego. Dois anos depois encontra uma curiosa ocupação no Comitê Central da Liga Comunista da Eslovênia. Sua função é redigir discursos para a burocracia stalinista. Nessa condição, Žižek acompanha a formação do discurso nacionalista sérvio e, particularmente, a construção ideológica da importância da região de Kosovo. Esse minúsculo enclave territorial precisava ser elevado à condição de um lugar glorioso na história do país. Uma espécie de mito das origens necessário para manter a unidade iugoslava. Tudo se passa como se Kosovo, lugar onde os sérvios detiveram o avanço das tropas otomanas em 1349, representasse uma espécie de núcleo traumático, reativado 600 anos depois, adquirindo nessa reativação um valor simbólico estratégico para justificar a ideologia nacionalista nos Bálcãs. Žižek se encontra, portanto, no interior desse projeto de engenharia discursiva às voltas com a produção de uma mitologia histórica. Além disso, fica cada vez mais claro que o marxismo edulcorado dos herdeiros de Josip Tito (o socialismo de empreendimento ou o socialismo de mercado) se legitimava teoricamente como socialismo apenas na tese da burocracia como classe universal. Porém, essa tese é mais hegeliana que marxista. Isso nos dá uma primeira indicação do caminho teórico de Žižek, que vai de Marx a Hegel e não o contrário.

É nessa posição crítica – entre a impostura do socialismo iugoslavo e o crescente interesse do capital ocidental na emancipação da Eslovênia – que Žižek procura uma alternativa, engajando-se na resistência cultural e política em torno da NSK (Nova Cultura Eslovena). Tal grupo é constituido por uma ampla frente de resistência à burocracia, que inclui o teatro, as artes plásticas, a música e a Escola Lacaniana da Eslovênia. Uma figura emblemática dessa frente é a banda de punk rock chamada Laibach. O manifesto cultural dessa frente adota uma curiosa estratégia: recusa-se a ser reconhecida como uma dissidência e ocupar assim o lugar de oposição. Tal lugar está prescrito e calculado pelo próprio sistema burocrático, de tal forma que toda dissidência se torna inócua e, no fundo, uma paródia. O dissidente, o “alternativo” ou aquele que se acredita “fora do sistema” joga apenas o papel estabelecido pelo sistema que, para se legitimar como democrático, precisa tolerar e estimular a diferença. Os exemplos vão dos expurgos periódicos à pseudooposição necessária para manter a burocracia como discurso hegemônico e produzir um efeito ilusório de liberdade de pensamento. Contra isso, a estratégia de resistência adotada pelo NSK está baseada no que Žižek chamou de superidentificação (overidentification). Um exemplo: o Partido Socialista Iugoslavo propõe um concurso nacional para selecionar o cartaz em homenagem ao Dia da Juventude (data de nascimento do general Tito). Os dissidentes decidem que não vão participar, afinal, eles repudiam o personalismo contido na idéia de Dia da Juventude. O NSK, ao contrário, envia para o concurso um garboso ensaio fotográfico com musculosos corpos atléticos segurando tochas no mais autêntico estilo social-realista. De fato, vencem o concurso, mas no dia da entrega do prêmio, eles decidem “explicar” sua obra. Tratava-se de um “remake” de um cartaz feito em homenagem a Hitler por ocasião dos jogos Olímpicos de Munique. Ou seja, o prêmio não podia ser entregue, pois se tratava de plágio, e mais, o Dia Nacional da Juventude, junto com seus críticos, fãs e dissidentes mostrou abertamente sua face totalitária ao lado de seu anacronismo estético. Resultado: jamais houve outro concurso de cartazes para o Dia Nacional da Juventude Iugoslava. Na tática da superidentificação, trata-se de recusar a distância cínica entre a cultura “oficial” e a cultura “alternativa”, distância que produz uma separação artificial e enganosa,

18.5.2022 quarta-feira

alienando o sujeito em uma falsa posição “externa” ao sistema. Pela superidentificação, ao contrário, trata-se de tomar as formas simbólicas dominantes pelo seu valor de face e a partir de sua repetição reflexiva produzir desestabilizações internas ao sistema. Renúncia da consciência pessoal, de gostos, juízos e convicções, aceitação voluntária e deliberada do papel da ideologia. Um exagero da falsa aparência cujo objetivo é mostrar seu caráter insensato. A superidentificação tenta reverter, através de intervenções pontuais, a oposição tradicional entre Estado e Sociedade Civil, tematizada por Antonio Gramsci e amplamente explorada pela Liga Comunista Eslovena. Tal estratégia será empregada, com inúmeras variações, nos textos, entrevistas e declarações públicas de Žižek. São intervenções que, tomando ao pé da letra o enunciado ideológico, mostram, em ato, a falsidade de sua enunciação. Em parte, essa nova estratégia de oposição está ligada à experiência intelectual de Žižek, que cresceu em um ambiente no qual a teoria crítica da Escola de Frankfurt ou a fenomenologia de Martin Heidegger formavam um amálgama ideológico utilizado amplamente pelo Partido Socialista Iugoslavo. Ou seja, nenhuma teoria é crítica ou ideológica em si, mas apenas sua articulação. A teorização dessa estratégia se alimentará da experiência em Paris, durante a década de 1980, quando Žižek estuda psicanálise. Sua tese de doutorado, acerca das relações entre Hegel e Lacan, bem como a análise pessoal empreendida nesse período, começam a sedimentar uma combinação entre crítica da cultura, prática política e estudos acadêmicos, baseada em autores clássicos, que raramente se encontra. É nesse contexto que, em 1990, Žižek se lança como candidato à presidência da Eslovênia em uma curiosa aliança com o partido Liberal Democrata. O partido Liberal Esloveno reunia, nesse momento, uma diversidade de minorias organizadas que iam do feminismo aos ecologistas, da contracultura artística aos radicais independentes. Vê-se, por isso, como o contato com a diversidade políticocultural emergente não se reduz em Žižek apenas a uma experiência teórica. A dificuldade e as contradições para articular um projeto político nesse contexto levam Žižek a participar de uma posição política que resulta em apoiar o “choque de capitalismo” em 1995. Finalmente, diante da alternativa de bombardear a Sérvia – desacreditando completamente o papel da ONU – ou não bombardear a Sérvia – e condescender com o morticínio da purificação étnica – Žižek afirmará: “como alguém de esquerda, minha resposta ao dilema ‘bombardear ou não’ é: as bombas não são suficientes, e elas vêm muito tarde”. Em outras palavras, o bombardeio não é um meio legítimo e eficaz, como quer a chantagem ocidental, e para Milosevic as bombas deveriam ter vindo antes. Dois enunciados verdadeiros mostrando a falsidade


quarta-feira 18.5.2022

ARTES, LETRAS E IDEIAS

15

RAVINDER REDDY, LAKSHMI DEVI

da enunciação, ou seja, do próprio lugar impossível de onde o dilema é colocado, inclusive desde sua lógica temporal (muito cedo e muito tarde). Estratégia semelhante será assumida diante do ataque de 11 de setembro a Nova York, bem como no caso da invasão do Iraque. O engajamento de Žižek deve ser encarado de modo diferente da participação ritual em movimentos sociais. Ele está sempre desconstruindo sua própria posição, produzindo aberturas e se relocalizando em novos debates. Como ele afirma em uma entrevista: “Não se esqueça de que comigo as coisas sempre são o contrário do que parecem.” O chiste, o humor, a capacidade de reunir erudito e popular, trafegando pela vasta gama de problemas e autores das ciências humanas, do passado e do presente, em linguagem clara e provocativa, colocaram Žižek definitivamente em evidência no final da década de 1990. Žižek conseguiu assim absorver aspectos da retórica do pós-modernismo sem endossar suas teses. Boa parte dessa recepção pode ser atribuída ao que se supunha estar presente no programa de Žižek. Um autor que parecia representar uma verdadeira e fiel reflexão acerca da desintegração dos Estados socialistas do Leste europeu. Um novo alento para os teóricos da democracia radical e do pós-marxismo. Mas também um autor que parecia colocar finalmente o pensamento lacaniano para fora de sua clausura institucional, pondo-o em contato com as grandes questões do pós-estruturalismo francês, com a filosofia da linguagem anglo-saxônica e com a tradição dialético-fenomenológica germânica. Um autor que trazia, a partir de sua forma original de tratar a cultura, uma franca interlocução com o universo popular do cinema, com a teoria feminista e com o ativismo multiculturalista, sem contar a vasta presença de seus textos na internet. Três públicos que tornaram Žižek convincente no ambiente acadêmico norte-americano. Além disso, suas reflexões sobre a religião e sobre a fragmentação política do capitalismo pós-moderno o tornaram um autor palatável para um público amplo. Após essa entrada fulgurante, verificou-se uma espécie de decepção. O Marx, que se pressentia reinventado em suas primeiras publicações na New Left Review, trazia consigo a perigosa sombra de Hegel e a ausência de uma teoria sobre os movimentos sociais. Hegel, rejuvenescido pelo contato com as questões da cultura contemporânea, acabava encoberto por sua sombra lacaniana e sua problemática herança recebida de Alexandre Kojève. Finalmente, o Lacan, arejado e funcional, que se intuía de sua colaboração com Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, ressentiase de reflexões mais verticalmente clínicas. Como o próprio Žižek já avisara: nada é o que parece ser. Pois não seria o caso de reaplicar esse dito à própria decepção? Não seria Žižek mais crítico agora que ele parecia dizer o oposto do que gostaríamos de ouvir?

www.hojemacau.com.mo

CARLOS MORAIS JOSÉ In Anastasis

Ó Índia, de olhos açafronados, dos arrozais parados, das escuras multidões, de preces e de perdões, e onde rios se regalam de cítaras e de mandalas. DESEMBARQUE Sei que transporto a saudade de um povo que não foi, até um país que nunca existiu. E por mais que de mim me olvide, permanecem as palavras nesta língua ousada e firme, erectas em pátria mórfica, com essa qualidade pétrea da áurea cidade por encontrar. serei forja ou mero molde? Patrício informe de uma nova Roma, perieco a quem se interdita a entrada ou o formal escravo de um norte loiro e cruel? Sei que transporto a saudade de uma paisagem por achar. Aportar será a sorte sobrada desta excelsa e conturbada vida. sem que tenha de facto partido, nesta viagem extingue-se o crepuscular mistério daquele nada mais além. Sempre além e mais longe,

Índia no extermínio do tédio, das horas de interno frio. Deixei para trás o rio e não penso em regressar. É penoso um caminho às arrecuas. Mas como andar, não tropeçar, se tudo à volta resume vozes e vazio? Sei que transporto a saudade, pela metade, de uma doença mental. Do medo, do arrepio, de uma pele que se recusa sozinha. E produzo: discurso atrás de discurso, catedrais de falatório, de vãs justificações. — “São palavras, senhor, são palavras”, digo de mim para o céu, assoberbado de esquiza teimosia. Chego à Índia como se entrasse na capela da minha aldeia, onde o baptismo me consagrou a um deus desaparecido. A oração não o reteve, o coração não o sustém. O continente estende-se a meus pés. É um terreiro, nada mais. — “Cheguei”, penso forte, “é talvez o momento de partir”.

* Ó Índia, de olhos açafronados, dos obscuros saberes e de mistérios tão sérios que são nuvens onde há horas cavalguei. Se em teu laço me enredei, dáme de tua renda um óbulo, uma prenda..., que a outro lugar me transporte. Dá-me sorte, dá-me o manto e dá-me o norte, que a mim mesmo recuso. sem acinte e sem abuso, deixa-me naufragar nessa tua ardente neve... deixa-me naufragar: — Verás... não tenho peso... sou leve... * É noite e, à saída do aeroporto de Bombaim, deparo com uma calma inesperada. Melhor mergulhar no regaço tépido de odor acre, no balanço deste linguajar enrolado, como em nova e escura amante. E nunca acreditar no que alguém conta de uma mulher.


16

h

XUNZI

Há uma constância nas actividades do Céu. Elas não subsistem por causa de Yao, nem perecem por causa de Jie. Se a elas reagires com ordem, então terás boa fortuna. Se a elas reagires com caos, então terás má fortuna. Se reforçares as obras fundamentais1 e moderares as despesas, então o Céu não te poderá fazer pobre. Se os teus meios de sustento estiverem preparados e as tuas acções ocorrerem no tempo correcto, então o Céu não te poderá fazer adoecer. Se cultivares o Caminho e dele não te desviares, então o Céu não te poderá arruinar. Assim, cheias e secas não te farão passar fome ou sede, o frio e o calor não te farão adoecer e as aberrações e anomalias não te trarão má fortuna. Se negligenciares as obras fundamentais e as tuas despesas forem extravagantes, então o Céu não te poderá tornar rico. Se os teus meios de sustento forem esparsos e as tuas acções irregulares, então o Céu não te poderá fazer são de corpo. Se voltares as costas ao Caminho e agires temerariamente, então o Céu não te poderá trazer boa fortuna. E assim, embora cheias e seca ainda não tenham ocorrido, passarás fome à mesma. Embora frio e calor ainda não se tenham manifestado, adoecerás à

www.hojemacau.com.mo

18.5.2022 quarta-feira

ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

Discurso sobre o Céu

mesma. Apesar de aberrações e anomalias ainda não terem acontecido, terás à mesma má fortuna. Receber os benefícios das estações é como ter uma idade ordenada, mas as calamidades e desastres são incompatíveis com a existência de uma idade ordenada. Não te deves queixar do Céu; o seu modo de ser é simplesmente este. Por isso, quem compreende claramente os atributos do Céu e da humanidade pode ser chamado uma pessoa do mais alto entendimento. Aquilo que é conseguido sem que ninguém o faça e é obtido sem que ninguém o procure é chamado o trabalho do Céu. No que respeita àquilo que assim é, mesmo que pense profundamente, a pessoa exemplar não tenta ponderá-lo. Mesmo que seja poderosa, não o tenta aumentar através das suas capacidades próprias. Mesmo que seja sabiamente refinada, não tenta aperfeiçoa-lo mais. A isto se chama não competir com o trabalho do Céu. Quando O Céu tem as suas próprias estações A Terra tem os seus próprios recursos E a humanidade tem a ordem apropriada – a isto se chama ser capaz de formar uma tríade. Negligenciar aquilo com o qual se forma uma tríade e, ao invés, desejar aquilo

PARTE I

em relação ao qual somos como o terceiro consiste num estado de confusão. No seu arranjo, as estrelas seguem-se umas às outras nas suas revoluções, o sol e a lua fazem turnos a brilhar, as quatro estações seguemse em sucessão, yin e yang passam pelas suas transformações e ventos e chuva são amplamente distribuídos. A harmonia [destas coisas] mantém viva a miríade de coisas. O seu sustento ajuda a miríade de coisas a florescer. Aquilo cujo funcionamento é invisível, mas cujos resultados são visíveis é um poder semelhante ao do espírito. Aquilo cujo manifestar todos conhecem, mas ninguém compreende no seu estado imaterial – isso é a actividade do Céu. Só o sábio não procura compreender o Céu.

1 - As “obras fundamentais” são a agricultura e a produção têxtil.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


quarta-feira 18.5.2022

C

OM grande parte do desporto automóvel estagnado na República Popular da China desde o início de Março, no fim de semana passado os motores voltaram a ouvir-se nos arredores da cidade chinesa de Zhaoqing, com mais um evento do "GIC Challenge”, que desta vez contou com a participação do piloto de Macau Rui Valente. O piloto português voltou a retirar o seu Honda DC5 da garagem e, sabendo aproveitar a ausência de carros de categorias superiores, colocou-se na pole-position para uma corrida com três dezenas de viaturas de Turismo. “Conseguimos obter a pole-position, mas não foi fácil porque tivemos dificuldades em conseguir colocar os pneus da frente a funcionar devido às baixas temperaturas do asfalto”, explicou o piloto do território que realizou a sua primeira prova este ano.

desporto 17

www.hojemacau.com.mo

RUI VALENTE REGRESSOU À COMPETIÇÃO EM ZHAOQING

Motores em brasa A corrida até começou bem para Rui Valente, que parecia capaz de manter-se na liderança da corrida, aguentando atrás de si uma concorrência com material mais moderno à disposição. Contudo, num dia em que o asfalto do Circuito Internacional de Guangdong (GIC) estava traiçoeiro, numa manobra para regressar ao primeiro lugar não teve o sucesso que certamente o piloto da RAEM desejaria e corrida terminou mais cedo. “Começamos da melhor forma e acabamos sem nada”, afirmou Rui Valente ao HM. “Tinha acabado de perder a primeira posição, mas

queria recuperar o lugar na travagem no final da recta da meta”, porém a manobra não correu como o esperado e o Honda DC5 acabou plantado na gravilha de onde não mais saiu. “Neste desporto, já sabemos, quando se arrisca estamos sujeitos”. Se a pandemia permitir, Rui Valente irá continuar a participar no “GIC Challenge”, competição que tem já a próxima corrida agendada para o próximo mês. Entretanto, do outro lado das Portas do Cerco, o Circuito Internacional de Zhuhai vai tentar colocar de pé o seu primeiro evento de 2022, com um

programa de provas direccionado às equipas locais.

Tse sobe ao pódio nas 12h Bathurst

Entretanto, o piloto de Macau Kevin Tse, subiu ao pódio das 12 Horas de Bathurst, a mais importante competição de resistência na Austrália e prova pontuável para o conceituado Intercontinental GT Challenge. O único piloto da RAEM a competir este ano no estrangeiro fez dupla no Mercedes-AMG GT3 da Craft-Bamboo Racing com duas caras conhecidas do Circuito da Guia:

o alemão Maro Engel (vencedor da Taça GT Macau de 2014 e da Taça do Mundo FIA de GT em 2015) e o espanhol Dani Juncadella (vencedor do GP Macau F3 de 2015). A equipa de Hong Kong, gerida no terreno pelo piloto Darryl O’Young, foi a surpresa da prova. Depois de arrancar do último lugar da grelha de partida, por ter trocado o motor Mercedes V8 nos treinos, a equipa que venceu a última edição da Taça GT Macau optou por uma táctica agressiva de paragem nas boxes, que resultou em pleno, permitindo aos seus pilotos entrarem na luta pela vitória à geral. Contudo, sete segundos separam-nos dos vencedores da corrida, o quarteto formado por Jules Gounon/ Luca Stolz/Kenny Habul/Martin Konrad, no Mercedes-AMG GT3 da equipa norte-americana SunEnergy1 Racing. Sérgio Fonseca


8 3 0 5 1 7 2 6 9 4 7 3 7 4 2 9 6 8 3 1 0 5 8 0 28 5 9 6 4 6 0 7 4 4 5 0 7 1 8 8 6 2 3 18 1 2[f]9utilidades 0 2 4 1 5 4 6 3 3 8 8 7 0 1 1 9 4 4 3 8 2 9 3 6 9 5 72 6 9 3 1 8 9 5 0 48 2 6 7 6 2 4 6 3 1 2 8 7 97 1 0 4 5 8 9 5 3 8 56 4 78 1 0 23 6 9 5 7 TEMPO MUITO NUBLADO MIN 20 2 08 1 3 9 6 4 7 50 8 0 8 9 65 72 2 06 50 8 49 31 1 3 1 8 3 1 4 27 7 8 2 4 9 0 28

9 1 5 2 1 7 3 0 0 3 8 5 7 6 2 9 MAX 6 4 4 8

5 0 7 9 3 8 1 6 8 4 4 3 0 2 6 1 26 2 5 9 7

HOJE S4 5 U1 3D0 7O6 2K9 8U UM1FILME 2 0 4 5 7 8 7 6 4 3 1 2 3 5 9 0

2 9 0 7 4 6 0 3 9 18 8

0

8 9 1 5 0 6 2 4 3 7

2 0 7 8 3 9 4 1 5 6

4 6 3 2 5 7 1 0 9 8

1 2 6 2 0 8 5 1 45 9 0 76 3 7 5 0 2 1 9 6 8 4

5 8 4 7 5 3 8 6 1 2 90

9 2 3 0 7 8 4 1 4 5 61

4 3

9 2 8 1 6 4 3 5 7 0

0 4 6 3 8 5 7 9 2 1

4 9 5 1 2 9 0 3 70 2 8 38 5 1 4 9 7 8 0 2 6 3

3 5 4 2 9 5 7 9 84 0 60 17 7 5 9 6 1 0 8 3 4 2

7 1 8 0 6 2 3 85 46 5 6 3 0 7 4 2 5 8 1 9

6 0 5 6 1 4 98 7 3 2 9

1 8 2 4 9 3 6 7 0 5

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 29

29

0 1 3 9 8 2 9 6 5 7 6 74 43

PROBLEMA 30

30

5 8 7 0 2 4 3 9 6

6 4 9 3 7 8 5 0 1

9 3 1 4 6 5 2 8 7

30

1 0 6 9 5 2 7 3 8

8 3 1 2 6 0 9 4 4 7 5 0 2 4 8 9 5 2 6 1 3 1 7 5 1 9 0 8 7 8 4 3 www. 9 5 3 6 hojemacau. com.mo 0 6 2 7

6 8 2 4 1 0 4 8 5 4 1 3 6 5 7 2 1 9 2 9 5 0 8 3 9 2 7 9 www.hojemacau.com.mo 5 8 7 6 4 5 7 3 5 6 7 2 0 2 6 5 8 7 0 1 9 7 9 8 6 0 1 3 4 8 4 1 3 9 2 8 4 0 3 9 8 0 4 6 HUM 60-90% UV 7 (ALTO) 3 7 9 1 3 5´ 7 0 1 0 2 6 5 2 6 1 3 4 9 7 2 8 5 4 0 1 6 3

3 4 1 0 6 9 7 8 2 5

34C

CINETEATRO

PELÉ | BEN NICHOLAS E DAVID TRYHORN | 2021

3 2 4 0 6 1 5 7 9 8

9 5 6 1 2 8 9 0 7 3 8 8 2 9 1 4 3 7 0 6 4 7 0 3 9 5 6 4 8 1 18.5.2022 2 4 7 6 8quarta 3 5 -2feira 1 0 1 2 9 5 0 1 7 6 3 4 5 1 8 4 3 9 0 5 6 2 7 6 3 0 7 2 4 8 5 9 3 3 4 2 6 7 8 1 9 5 8.51 BAHT 0.23 YUAN 1.19 6 9 5 7 4 0 1 3 2 8 0 0 1 8 5 6 2 9 4 7 STRANGE IN THE 2DOCTOR 7 [B] 3 MULTIVERSE OF MADNESS Um filme de: Sam Raimi Benedict Cumberbatch, 0Com: 8Elizabeth 2 Olsen, Benedict Wong 14.30, 21.30 3 0 9 JUJUTSU KAISEN: ZERO [B] filme de: Seong-Hu Park 7Um 4 6 17.30, 19.30 4 3 7 AMBULANCE [C] 9 5 1 1 1 8 8 2 5 5 9 0 6 6 4

Um filme de: Michael Bay

7 0 8 4 3 6 9 2 1 5

sobre o percurso no mundial. João Santos Filipe

5 4 6 1 0 8 3 9 7 2

I N E M A

6 0 9 5 7 4 5 7 9 4 1 8 2 0 6 3 6 1 8 9 3 4 0 2 5 3 5 7 2 8 1 0 8 3 9 5 7 6 2 4 1 5 4 2 6 7 1 8 9 3 1 8 2 3 9 6 4 1 2 6 3 0 8 5 7 9 9 0 3 4 2 5 7 6 1 5 7 6 1 3 0 6 2 4 0 9 3 7 1 5 8 7 9 5 1JUJUTSU 8 3KAISEN: 6 0 ZERO2 8 4 3 9 0 7 3 9 0 2 4 5 1 7 8 6 1 7 6 2 9 0 5 8 4 9 6 0 4 2 8 1 6 7 5 8 9 3 4 2 0 3 8 0 7 1 2 4 5 9 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia 7 2 4 6 5 3 7 5 8 1 6 2 0 9 3 4 0Sofia2Silva;4João5Santos 6 Filipe; 8 Pedro 3 Arede, 1 7 Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 2Julie9Oyang; 1 Paulo 0 Maia 6 e5Carmo; Rosa Coutinho 9 Cabral; 3 1Rui Cascais; 7 2Sérgio 6 Fonseca; 4 8 Colunistas 0 5 André Namora; David 4 3Chan;1João0Romão; 5 Olavo 6 9 7 8 Rasquinho; 0Paul1Chan8Wai7Chi; Paula 4 2Bicho; Tânia dos Santos 2 Grafismo 4 6 Paulo 8 Borges, 0 1 Rómulo 5 3Santos9 Agências 7 Lusa; Xinhua8Fotografia 5 9Hoje3Macau; 0 Lusa; 7 GCS; 2 Xinhua 4 6 Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 4Morada 3 Pátio 5 da 8 Sé,1n.º22,9Edf. Tak Fok, R/C-B, 8 Macau; 0 5 3 7 4 9 6 1 2 2 6 7 8 4 9 1 3 0 Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo

35

7 6 9 4 8 0 1 Os anos passam, o desporto 5 assiste 9 7à queda 1 sucessiva 6 3 8de 1 recordes, 8 0 mas 5 Pelé 2 continua 7 9 a ser o único jogador a con8 quistar 3 5três 9vezes4o Mundial 6 2 de futebol. A Netflix produ9 ziu5agora 2 um 8 documentário 3 1 7 sobre o atleta e 0 2 3 6 7o contexto 4 5 político em que se afirmou 4 como 7 a8maior 0 estrela 9 2do 6 futebol da altura, e para alguns 6 desde 4 1 2 0 5 3 sempre. O filme não 2 aborda 0 6o homem, 3 1a vida 8 pes4 soal, nem a carreira a nível 3 de1clubes, 4 é7essencialmente 5 9 0

SALA 1

4 5 2 9 8 7 1 0 6 3 2 0 1 5 8 3 7 6 4 9

2 6 3 8 1 9 0 5 4

6 8 5 2 7 3 1 9 4 0

2 3 7 3 6 0 6 1 5 0 9 8 4 7 3 1 4 2 8 0 6 7 5 1 EURO 9 2 4 5 8 9

Gyllenhaal, 5 Com:0Jake 8 II,4 9 6 Yahya1 abdul-Mateen Eiza Gonzalez 1 14.15,516.45,319.15,621.45 9 7 4 6 MY4BEST 2 7 5 8 3 FRIEND’S BREAKFAST [B] FALADO EM PUTONGHUA, 0 LEGENDADO 1 7EM CHINÊS 3 E8INGLÊS2 9 Um filme de: Ryan Tu 4 Com:9Eric Chou, 6 Moon 0 Lee 2 1 5 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 2 8 9 4 0 6 7 9 6 5 2 3 4 0 3 7 4 9 1 0 8 7 2 8 5 6 3 1 8 3 0 1 7 5 2

0 9 4 1 8 3 6 7 2

8 3 7 5 2 0 6 4 1 9

33

6 4 0 1 9 3 5 2 • 8 7

SALA 2

SALA 3

36

PUB.

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE OBRAS PÚBLICAS

NOTIFICAÇÃO N.º 02/DAG/DJP/2022

ANÚNCIO Concurso público de empreitada de obra pública designada por «Obra de Estação Elevatória de Águas Pluviais e Drenagem no Porto Interior- 1.a Fase» 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

Entidade que põe a obra a concurso: Região Administrativa Especial de Macau. Serviço por onde corre o procedimento do concurso: Direcção dos Serviços de Obras Públicas. Modalidade de concurso: concurso público. Objecto da empreitada: construção de estação elevatória de águas pluviais, drenagem e plataforma para instalações. Local de execução: na marginal junto à Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques. Obra dividida por partes: não. Admissibilidade de apresentação de anteprojecto: não. Tipo de empreitada: por preço global exceptuando os trabalhos relativos às fundações por estacas que são por série de preços. Prazo máximo de execução da obra: o prazo máximo global de execução é de 510 (quinhentos e dez) dias de trabalho com 2 (duas) metas obrigatórias de execução, sendo a: - 1.ª meta obrigatória: conclusão de fundações por estacas e contenção em estacas da estação elevatória, com o prazo máximo de execução de 300 (trezentos) dias de trabalho; - 2.a meta obrigatória: conclusão da estrutura da cave até à estrutura da laje de cobertura da estação elevatória, com o prazo máximo de execução de 420 (quatrocentos e vinte) dias de trabalho. Os prazos das duas metas obrigatórias acima referidas contam-se a partir da data de consignação. (Indicado pelo concorrente; deve consultar os artigos 8.o, 9.o e 11.o do Preâmbulo do Programa de Concurso). 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: pessoas, singulares ou colectivas, inscritas na Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana na modalidade de execução de obras, bem como aquelas que à data limite de apresentação de propostas tenham requerido ou renovado a referida inscrição, sendo que neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou em agrupamento, só podem submeter uma única proposta. 12. Modalidade jurídica da associação a adoptar pelo concorrente em agrupamento a quem venha eventualmente a ser adjudicada a empreitada: consórcio externo nos termos previstos no Código Comercial, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. 13. Local e hora para consulta do processo do concurso e obtenção de cópias: Local: sede da DSOP, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar. Hora: todos os dias úteis, das 9,00 às 12,45 e das 14,30 às 17,00 horas. Cópias do processo do concurso: versão digital, mediante o pagamento de $1 000,00 (mil patacas). 14. Local, data e hora limite para a entrega das propostas: Local: sede da DSOP, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 9.º andar. Data e hora limite: dia 8 de Junho de 2022 (quarta-feira), até às 17,00 horas. Em caso de encerramento do Serviço (DSOP) na hora limite para a entrega de propostas por motivo de força maior, o prazo para a entrega das propostas é adiado para o primeiro dia útil seguinte à mesma hora. 15. Língua a utilizar na redacção da proposta: A proposta e os documentos que a acompanham devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM. É permitida a utilização de língua não oficial da RAEM nos casos expressamente indicados no Programa do presente Concurso. 16. Prazo de validade das propostas: 90 (noventa) dias, a contar a partir da data de encerramento do acto público do concurso, prorrogável nos termos do artigo 93.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro. 17. Caução provisória: $2 200 000,00 (dois milhões e duzentas mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. 18. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o adjudicatário tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva prestada). 19. Data de realização do acto público do concurso: Local: na sala de reunião da DSOP, sita na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10.º andar. Dia e hora: 9 de Junho de 2022 (quinta-feira), pelas 09,30 horas. Em caso de encerramento do Serviço (DSOP) para o referido acto público, por motivo de força maior ou qualquer outro motivo impeditivo, a data de realização do acto público do concurso é adiada para o primeiro dia útil seguinte à mesma hora. Os concorrentes ou os seus representantes devidamente mandatados devem estar presentes no acto público para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 20. Critérios de apreciação das propostas: – Preço da empreitada: 50% – Prazo de execução: 30% – Experiência e qualidade em obras: 20% 21. Critério de adjudicação: A adjudicação é efectuada ao concorrente com pontuação total mais elevada e, no caso de haver empate na pontuação total mais elevada, a adjudicação é efectuada ao concorrente com a proposta de preço mais baixo. Região Administrativa Especial de Macau, aos 13 de Maio de 2022. O Director, Lam Wai Hou

Considerando que não revela possível notificar o interessado por ofício, telefone ou outra forma, para efeitos de execução do artigo 68.º e n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se, pela presente, ao abrigo do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, o interessado Fok Cheong Seng (霍昌盛), titular do bilhete de identidade de residente permanente da RAEM n.º 16063**(*), que atendendo que os pais do interessado não tinham o estatuto de residente de Macau quando ele nasceu em Macau, o interessado não possui o estatuto de residente permanente da RAEM e não lhe devia ter sido emitido o bilhete de identidade de residente permanente da RAEM por não reunir as disposições da alínea 1) do n.º 1 do artigo 1.º da Lei n.º 8/1999 e a alínea 1) do n.º 2 do artigo 2.º da Lei n.º 8/2002. Nos termos do n.º 1 e alíneas c) e i) do n.º 2 do artigo 122.º do Código do Procedimento Administrativo, bem como dos artigos 70.º e 71.º do Código do Registo Civil, o acto da emissão do referido bilhete de identidade ao interessado, praticado por esta Direcção de Serviços, padece do vício de nulidade por falta de base legal, e o registo de nascimento do interessado é nulo e foi cancelado, pelo que a DSI declara, nos termos do n.º 2 do artigo 123.º do Código do Procedimento Administrativo, a nulidade do acto administrativo de emissão do bilhete de identidade de residente permanente da RAEM n.º 16063**(*), procedendo, nos termos da lei, ao cancelamento do bilhete de identidade de residente permanente da RAEM n.º 16063**(*) de que é titular. Em caso de inconformidade com a decisão administrativa acima referida, o interessado pode apresentar reclamação à Directora da DSI, nos termos da alínea a) do n.º 2 do artigo 145.º e do artigo 149.º do Código do Procedimento Administrativo, ou recorrer para o Secretário para a Administração e Justiça, interpondo recurso necessário, nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo 145.º e o artigo 155.º do mesmo Código, no prazo de 15 dias e 30 dias respectivamente, contados a partir da data da publicação da presente notificação. Para informação mais detalhada ou consulta do processo, queira entrar em contacto com a DSI, através do n.º de telefone 28715888. Direcção dos Serviços de Identificação, 4 de Maio de 2022. A Directora, Substituta, Lo Pin Heng

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo


quarta-feira 18.5.2022

opinião 19

www.hojemacau.com.mo

O QUE DIZ XI

A IMPORTÂNCIA DA APRENDIZAGEM MÚTUA ENTRE CIVILIZAÇÕES “PARA ESTIMULAR a inovação e criatividade das pessoas, a melhor maneira é entrar em contacto com diferentes civilizações, ver os pontos fortes dos outros e tirar partido deles”, disse o Presidente chinês Xi Jinping, salientando a importância do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre diferentes civilizações. Seguem-se algumas das suas observações a este respeito.

tes, e ultrapassar as disputas ideológicas e não cair na armadilha do “choque de civilizações”. Mais importante ainda, devemos respeitar a escolha independente do caminho e modelo de desenvolvimento de um país, disse Xi, acrescentando que o mundo é de natureza diversa, e devemos transformar esta diversidade numa fonte constante de inspiração que impulsione o avanço humano.

18 de Janeiro, 2017 Num discurso de abertura no Gabinete das Nações Unidas em Genebra, Xi disse que “a sopa deliciosa é feita através da combinação de diferentes ingredientes, e que a diversidade das civilizações humanas não só define o nosso mundo, como também impulsiona o progresso da humanidade”. “Existem mais de 200 países e regiões, mais de 2.500 grupos étnicos e múltiplas religiões no nosso mundo. Diferentes histórias, condições nacionais, grupos étnicos e costumes dão origem a diferentes civilizações e fazem do mundo um mundo colorido”, acrescentou.

25 de Janeiro de 2021 No seu discurso especial no Fórum Económico Mundial Evento Virtual da Agenda de Davos, Xi disse que as diferentes histórias, culturas e sistemas sociais são tão antigas como as sociedades humanas, e são as características inerentes da civilização humana. Não haverá civilização humana sem diversidade, e tal diversidade continuará a existir enquanto pudermos imaginar, disse ele.

18 de Outubro, 2017 Num relatório entregue no 19º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, Xi disse que deveríamos respeitar a diversidade de civilizações. Ao tratar das relações entre civilizações, substituamos o afastamento pelo intercâmbio, os choques pela aprendizagem mútua, e a superioridade pela coexistência, disse. 17 de Novembro de 2018 Num discurso de abertura na Cimeira do CEO da APEC, Xi disse que vivemos num planeta onde vivem mais de 7 mil milhões de pessoas, acrescentando que tentar apagar as suas diferenças não vai funcionar. Tais diferenças não são um obstáculo às trocas, e muito menos uma causa de confronto, disse ele, observando a diversidade e interacção entre diferentes civilizações, sistemas sociais e caminhos pode dar um forte impulso ao progresso humano. 14 de Junho de 2019 Ao dirigir-se à 19ª Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), Xi apelou aos países membros para construírem a SCO como um paradigma de inclusão e aprendizagem mútua. A este respeito, disse, é aconselhável descartar o conceito de choque de civilizações e manter a abertura, a inclusividade e a aprendizagem mútua.

15 de Maio de 2019 Ao abordar a Conferência sobre o Diálogo das Civilizações Asiáticas de 2019, Xi disse que a diversidade estimula a interacção entre as civilizações, o que por sua vez promove a aprendizagem mútua e o seu desenvolvimento futuro. Ele apelou à promoção de intercâmbios e aprendizagem mútua entre países, nações e culturas de todo o mundo, e ao reforço do apoio popular à construção conjunta de uma comunidade com um futuro partilhado tanto para a Ásia como para a humanidade como um todo. 22 de Set. de 2020 Ao dirigir-se ao Debate Geral da 75ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, Xi disse que deveríamos abraçar a visão de uma comunidade com um futuro partilhado em que todos estão unidos. Ao apelar à rejeição de tentativas de construção de blocos para manter os outros fora e ao opor-se a uma abordagem de soma zero, Xi disse que devíamos ver-nos como membros da mesma grande família, perseguir uma cooperação vantajosa para ambas as par-

O mundo é de natureza diversa, e devemos transformar esta diversidade numa fonte constante de inspiração que impulsione o avanço humano.

20 de Abril de 2021 No seu discurso principal na Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia, Xi disse que precisamos de compromisso com a justiça para criar um futuro de respeito mútuo e aprendizagem mútua, salientando que a diversidade é o que define o nosso mundo e torna a civilização humana fascinante. Xi apelou ao encorajamento de intercâmbios e aprendizagem mútua entre as civilizações para promover o progresso da civilização humana. 5 de Fev., 2022 Ao proferir um discurso no banquete de boas-vindas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, Xi disse que precisamos de seguir a tendência dos tempos, permanecer fiéis aos valores comuns da humanidade de paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, promover intercâmbios e aprendizagem mútua entre civilizações, e trabalhar em conjunto para construir uma comunidade com um futuro comum para a humanidade. Ao abordar a Cerimónia de Abertura da Conferência Anual do Fórum do Boao para a Ásia, Xi salientou que os países de todo o mundo são como passageiros a bordo do mesmo navio que partilham o mesmo destino. Para que o navio navegue na tempestade e navegue em direcção a um futuro brilhante, todos os passageiros devem unir-se. Por conseguinte, apelou à comunidade internacional para que abrace uma filosofia de governação global que enfatize consultas alargadas, contribuição conjunta e benefícios partilhados, promova os valores comuns da humanidade, e defenda intercâmbios e aprendizagem mútua entre civilizações.


‘‘Miados de gatos não tiram o véu.’’ PALAVRA DO DIA

F

PUB

PUB.

As autoridaes de Hunan anunciaram recompensas entre 30 mil e 50 mil yuans para quem fornecesse pistas do paradeiro do suspeito ou ajudasse à sua detenção. Participaram nas buscas mais de 700 polícias e 3.000 populares

lcal, mas não confirmou se o suspeito seria reencaminhado para ser julgado na RAEM. Segundo a PJ, o indivíduo terá entrado em Macau no dia 29 de Abril e ficou em quartos de hotel reservados por outras pessoas, até à noite em que ma-

tou duas mulheres cujos corpos foram encontrados junto à janela do quarto, aparentando sinais de estrangulamento.

Anatomia de uma fuga

O primeiro homicídio terá ocorrido entre as 21h de 5 de Maio

18.5.2022

Alice Tazém

Suspeito de duplo homicídio detido ontem

OI ontem detido o suspeito do duplo homicídio no MGM Cotai cometido no início do mês. O indivíduo, de 33 anos, fugira para uma zona montanhosa da província de Hunan e foi apanhado depois de uma investigação que envolveu milhares de pessoas e recompensas para quem desse pistas sobre o seu paradeiro. O suspeito tem cadastro e um historial e conflitos e violência Depois de mais de 10 dias em fuga, o suspeito do duplo homicídio cometido num quarto de hotel do MGM Cotai foi detido numa zona remota e montanhosa da província de Hunan. Na manhã de ontem, a busca de grande dimensões que envolveu mais de 700 polícias e cerca de 3.000 populares culminou com a detenção de Zhao, um indivíduo de 33 anos, oriundo da província de Heilongjiang, cujo cadastro criminal revela um historial de conflituosidade e violência. Após a divulgação da detenção pelas autoridades policiais do Interior da China, a Polícia Judiciária (PJ) de Macau acrescentou alguns detalhes da investigação

quarta-feira

e a 01h de 6 de Maio. Zhao terá subtraído da primeira vítima, uma mulher que fazia troca ilegal de dinheiro, 600 mil Hong Kong dólares, que prendeu no casino. Pouco tempo depois, o suspeito terá cometido o segundo homicídio, desta feita a vítima foi uma mulher que alegadamente seria prostituta e o modus operandi voltou a ser morte por estrangulamento. Mais ou menos uma hora e meia depois, o suspeito saía de Macau pelas Portas do Cerco, usando peruca e um boné, disfarce que usou o tempo todo que esteve em Macau. Quando surgiram pistas de que o indivíduo estaria a monte num distrito rural e acidentado da cidade de Hongjiang, na província de Hunan, as autoridades locais anunciaram estar dispostas a dar recompensas financeiras para quem informasse a polícia sobre o paradeiro do suspeito, ou ajudasse na sua captura. As recompensas foram fixadas em 30 mil yuans e 50 mil yuan, respectivamente.

João Luz com Nunu Wu

Condenada por homicídio encontrada morta na cela

U

MA reclusa foi encontrada morta ontem de madrugada dentro do lavatório da sua cela no Estabelecimento Prisional de Coloane, segundo informação da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC). O caso foi classificado como suicídio por enforcamento e encaminhado para a Polícia Judiciária para investigação. A mulher foi encontrada por volta das 03h40, ainda com sinais de vida e transportada de urgência para o Hospital São Januário, onde viria a ser declarado o óbito. A falecida era oriunda do Interior da China e estava no Estabelecimento Prisional de Coloane a cumprir pena de 24 anos de prisão depois de ter sido condenada pelos crimes de homicídio qualificado e posse de arma proibida. O caso aconteceu no início de 2020, quando a mulher entrou num apartamento na Areia Preta e esfaqueou mortalmente uma vítima de 32 anos, ferindo também uma senhora de 62 anos com golpes na zona abdominal e uma criança de 5 anos com golpes num ombro, peito e cara. De acordo com a DSC, a reclusa automutilou-se e tentou suicidar-se em 2020 e estaria a ser acompanhaJ.L. da por um psiquiatra.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 18 MAIO 2022 #5009 by Jornal Hoje Macau - Issuu