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Hoje Macau 18 MARÇO 2022 #4971

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HOJE MACAU www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

SEXTA-FEIRA 18-3-2022

Nº 4972

MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O outro vírus

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Um residente de Macau, de nacionalidade portuguesa, foi insultado com ofensas racistas, enquanto fazia exercício no Reservatório. Quando se dirigiu a uma esquadra do CPSP, foi-lhe dito que precisava estar acompanhado por um advogado para formalizar a queixa. Face a esta recepção, acabou por desistir. PÁGINA 6

KERRY BROWN

OLHAR O PASSADO ENTREVISTA

COMBUSTÍVEIS

SULU SEM CHUMBO PÁGINA 4

GALERIA AMAGAO

COR DA LUSOFONIA EVENTOS

COMBATE À PANDEMIA

ACÇÕES DE GRANDE ESCALA PÁGINA 7


2 entrevista

18.3.2022 sexta-feira

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KERRY BROWN

“A China continua a ser um mistério” Kerry Brown, professor de estudos chineses no King’s College de Londres, acaba de lançar a obra “China Through European Eyes”, que reúne escritos e ideias de missionários, exploradores e filósofos sobre a China dos últimos 800 anos. O académico realça a enorme importância que Macau teve na ligação do país ao mundo, sobretudo ao longo do século XVI, e de como esse papel deveria ter mais destaque

O seu livro compila escritos e ideias de europeus sobre a China nos últimos 800 anos. Neste processo foi difícil para si juntar num só livro tantas ideias? Sim, poderíamos incluir uma enorme quantidade de escritos e ideias. Mas queria incluir os trabalhos das figuras mais influentes, não foram especialistas na China, mas que são sobretudo intelectuais europeus que ficaram famosos em outras áreas, mas que escreveram sobre o país, como Hegel, Voltaire ou Simone de Beauvoir, Carl Jung ou Max Weber. Todos eles foram muitos influentes em áreas que nada têm a ver com a China. Há também personalidades que desenvolveram um trabalho mais ligado ao país. Creio que muito poucos dos filósofos europeus que escreveram sobre a China estiveram de facto no país. Como explica o facto de a China ter estado tão presente no imaginário destas personalidades? Os primeiros contactos deveram-se ao comércio, e pelo facto de a China ter produtos que interessavam aos comerciantes europeus, sobretudo para as companhias do Reino Unido e da Índia, que foram muito activas neste comércio durante o século XVII. Antes tinham sido os portugueses. Os britânicos sempre tiveram muito interesse no comércio com a China. Temos também as missões cristãs na China que decorreram ao longo do século XVI, e temos Matteo Ricci como um dos grandes exemplos, nome que também incluo no livro. Depois verificamos um grande interesse pela cultura e filosofia chinesas nos trabalhos de Voltaire, por exemplo, e outros autores que desenvolveram um grande interesse pelo confucionismo. Falando da importância de comércio para o conhecimento do país. Macau teve aqui um papel fundamental também. Absolutamente. Matteo Ricci foi uma figura crucial para este livro e para a ligação dos europeus com a China. Esteve em Macau, embora grande parte da sua carreira tenha

AUTOR DE “CHINA THROUGH EUROPEAN EYES”

“Queria incluir os trabalhos das figuras mais influentes, que não foram especialistas na China, como Hegel, Voltaire ou Simone de Beauvoir, Carl Jung ou Max Weber.” sido feita na China. Mas Macau teve uma enorme importância, tivemos os jesuítas que tiveram influência nos escritos e pensamentos de autores como Voltaire e outros. Macau é um lugar histórico de cruzamento e penso que há uma falta de compreensão e de exposição da sua importância [neste contexto]. O território era mesmo o ponto chave na ligação entre a China e o mundo exterior ao longo do século XVI, e Hong Kong não aparece até bem mais tarde, e quando tal acontece é em circunstâncias muito diferentes. Então este livro não fala muito de Macau, mas penso que este território, enquanto região que permitia um acesso à China, deu muitas informações aos que escreveram [sobre o país] e que surgem neste livro. Há muita literatura e estudos sobre Macau, mas penso que é um trabalho que necessita de ser mais exposto. Em relação aos chineses que viajaram para a Europa, foram decerto em muito menor nú-

mero se compararmos com os europeus que viajaram para a China. Porquê? Havia emigração a partir da China, e muitos dos comerciantes europeus cruzaram-se com chineses em alguns portos que falavam relativamente bem inglês. Não era algo usual à época. Havia missionários que convidavam alguns chineses a viajarem até à Europa. Havia alguns chineses que vinham de facto ao continente, mas os dados históricos são muito limitados. Eles vinham, mas há poucas evidências, por exemplo, de chineses no Reino Unido até um período relativamente tardio. E julgo que isso se deve ao facto de a frota marítima inglesa ser superior, então os chineses teriam mais dificuldades em fazer estas viagens até à Europa. E também se deve ao modelo económico na China, pois durante a dinastia Ching o modelo económico era mais virado para o mercantilismo, muito contido, então não havia um forte impulso para procurar recursos fora do país. Mas nos últimos 500 anos muitos mais europeus foram à China do que o oposto, mas não é isso que se passa agora, e essa é uma transformação histórica.

Já no século XX o panorama dos exploradores ou missionários que iam para a China mudou. Como descreve as grandes diferenças face ao período imperial? O período de governação de Mao Zedong trouxe, de facto, grandes barreiras [às viagens]. Não era fácil viajar até ao país, penso que

“Diria que é impossível conhecer qualquer país na sua totalidade. Eu próprio não compreendo o Reino Unido completamente. Mas, claro, que as mudanças que ocorreram na China nos deram uma outra dimensão sobre o país.”

Simone de Beauvoir levou três ou quatro dias a chegar, passando por locais no Médio Oriente e Índia, e depois viajou para a China via Hong Kong. O acesso à China nesta altura fazia-se sobretudo por convite e não era fácil. Os casos que inclui no livro são de pessoas que foram convidadas pelo Governo e que faziam parte de delegações que visitavam o país. Os escritos de Simone de Beauvoir são relativamente simpáticos em relação à China, Roland Barthes é talvez menos simpático em relação ao país, mas não é frontalmente crítico. Não se pode notar, nestes escritos, um forte criticismo face ao que viram, e muitos terão aceite que o lhes foi mostrado. Mas estas palavras tiveram um grande impacto cá fora, porque o acesso ao país era bastante limitado. A grande questão é, 800 anos depois, e com todos estes escritos, continuamos a não compreender a China na totalidade? Diria que é impossível conhecer qualquer país na sua totalidade. Eu próprio não compreendo o Reino Unido completamente. Mas, claro, que as mudanças que ocorreram na China nos deram uma outra dimensão sobre o país, porque agora é um país comunista com uma economia mais virada para o capitalismo. É um país mais proeminente do que alguma vez foi, então isto dá-nos novas ideias. A ideia que temos sobre a China não é estática, e a ideia que Voltaire, por exemplo, tinha do país não é aquela que temos hoje. Há elementos que se mantém iguais, como a ideia de um Governo centralizado ou da existência de um sistema burocrático. Alguns elementos da cultura chinesa e da sua importância para a identificação dos chineses. Mas sim, a China continua a ser um país com algum mistério. Mas esta questão não é nova e acontece há muitos séculos. Os media e a globalização mudaram a forma como vemos a China, além de que os chineses viajam agora muito mais. De que


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forma estes factores nos alteram a visão sobre o país? Esses factores trouxeram uma maior complexidade à questão. Há mais fontes de informação sobre a China neste momento, e sem dúvida que a covid-19 alterou a forma de viajar de chineses, incluindo estudantes, que vinham para o Ocidente. Há novas perspectivas e depende sempre de cada pessoa. Não há uma única resposta para aquilo em que o chinês acredita. Claro que o Governo incute um único sistema de pensamento nas pessoas, mas há diferentes crenças e complexidades. Essa globalização de que fala só mostra que a

entrevista 3

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China tem hoje uma forte presença a nível mundial em relação ao passado e só isso trouxe novas perspectivas. Os encontros da Assembleia Popular Nacional terminaram recentemente. Qual o caminho que a China irá fazer nos próximos meses? Já antes da invasão da Ucrânia havia um cenário de muita incerteza. Este vai ser um ano difícil e o mercado chinês está a passar por um período de transformação. A previsão de crescimento económico de 5,5 por cento não é má, mas tudo depende da qualidade desse crescimento.

As autoridades devem pensar em questões de investimento, saúde pública, serviço social ou alterações climáticas. É bom que apresentem uma previsão positiva de crescimento porque o resto do mundo

está a enfrentar grandes desafios. Embora mantenham relações algo pragmáticas com a Rússia, não acredito que estejam satisfeitos com o que está a acontecer na região da Ásia Central. A grande questão é se vão manter esta lealdade.

“Embora a China mantenha relações algo pragmáticas com a Rússia, não acredito que esteja satisfeita com o que está a acontecer na região da Ásia Central.”

O comércio entre a Rússia e a China tem crescido nos últimos anos. Como será a sua evolução com esta guerra? É provável que cresça, porque a Rússia vai passar a ter opções muito limitadas em matéria de energia e de comércio. Mas tudo depende do nível de lealdade que a China vai continuar a ter em

relação à Rússia, e penso que não vai querer estar muito envolvida. Se Putin avançar para um ataque mais nuclear a China não vai conseguir manter-se em silêncio e ficar no banco. Agora mantém uma posição de neutralidade, mas a certo ponto a situação vai ficar desconfortável. Historicamente, a China e a Rússia sempre tiveram relações difíceis. Para já, a China vai gerindo a situação, mas quantos mais danos se verificarem, mais difícil será manter essa posição. Andreia Sofia Silva


4 política

COMBUSTÍVEIS SULU SOU PREOCUPADO COM SUBIDA DE PREÇOS

De tanque vazio O vice-presidente da Associação Novo Macau pediu ao Executivo que aja com decisão no combate à escalada do preço dos combustíveis. Além disso, Sulu Sou considera que é preciso uma nova lei para fiscalizar o sector

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Enquanto deputado, no mandato entre Outubro de 2017 e Outubro de 2021, Sulu Sou fez parte de uma comissão de trabalho na Assembleia Legislativa que analisou o preço dos combustíveis. Na altura, o Governo explicou aos deputados que era incapaz de fazer a supervisão eficaz dos preços dos combustíveis, porque não tinha os “mecanismos legais” para investigar as componentes do preço, como os custos de transportes e armazenamento, assim como as margens de lucro cobradas. Os trabalhos da comissão foram recordados, em comunicado, por Sulu Sou, que acusou o Conselho de Consumidores, liderado por Wong Hon Neng, de não ter feito o trabalho da revisão da lei, ao contrário do que foi dito diante dos deputados. Como tal, Sulu Sou pediu ainda ao Executivo que proceda à revisão urgente da lei para aliviar os encargos dos residentes. João Santos Filipe

MACAU RENOVAÇÃO URBANA AU KAM SAN QUER MAIS ACÇÃO ex-deputado Au Kam San considera que Macau Renovação Urbana deve assumir o processo de construção de prédios que precisam ser renovados.Aideia foi defendia numa carta entregue ontem à Assembleia Legislativa pela Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário. “O regime jurídico da renovação urbana determina que a reconstrução do prédio é decidida pelo condomínio e tratada pelos proprietários. Não concordamos, o responsável pelos trabalhos de renovação tem de ser a empresa de capitais públicos, ou seja, a Macau Renovação Urbana”, o ex-deputado. “Se a reconstrução dos edifícios ou dos bairros

Sobre a escalada de preços, o ex-deputado indicou ainda que entre Outubro de 2020 e Novembro do ano passado foram registados 14 meses com subidas no preços, que levaram a um aumento de 23 por cento, no que diz respeito à Gasolina Sem Chumbo 98.Ainda sobre a primeira metade do mês, Sulu Sou indicou que o preço médio ficou acima de 13,5 patacas por litro. Esta tendência levou o dirigente da Nova Macau a questionar a utilização da plataforma criada pelo Executivo para revelar constantemente os preços das operadoras de venda de combustíveis a retalho.

A arrastar os pés

ex-deputado Sulu Sou apelou ao Governo para utilizar os meios legais para controlar os preços dos combustíveis e estabilizar a escalada recente. O assunto foi abordado num comunicado, onde o vice-presidente da Associação Novo Macau sublinhou o peso do custo dos combustíveis nos orçamentos familiares. Na visão de Sulu Sou, apesar de Macau ser um mercado marginal e pequeno, e por isso muito susceptível ao impacto de factores externos, como a invasão da Ucrânia, o Governo não se deve desresponsabilizar nem se limitar a ficar parado: “O impacto de factores externos não é uma desculpa para que o preço dos produtos ligados ao petróleo possa subir sem qualquer razoabilidade”, afirmou. “O Governo tem a responsabilidade de utilizar os mecanismos legais ao seu dispor para estabilizar o mercado”, acrescentou.

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antigos, ou até da renovação urbana, ficar apenas dependente dos proprietários existe o risco de não avançar porque é um processo difícil”, justificou. Na óptica de Au Kam San, se a empresa se limitar a prestar o serviço de consultadoria aos proprietários no processo, que vão ter de chegar a consenso entre si, então existe o reisco que nem a reconstrução do bairro Iao Hon avance. A zona de Iao Hon foi escolhida como local experimental para a renovação urbana, e envolve cerca de sete edifícios. Além disso, Au Kam San defende que se os proprietários tiverem de pagar a maior parte dos custos o projecto pode ficar parado.

IDOSOS IAS GARANTE QUE HAVERÁ CUIDADORES SUFICIENTES NO FUTURO

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M resposta a uma interpelação escrita de Lei Chan U, o Instituto deAcção Social (IAS) assegurou que haverá prestadores de cuidados para idosos em número suficiente, para fazer face ao expectável aumento da população idosa e de equipamentos destinados à terceira idade em Macau. Para tal, o organismo diz contar, não só com o apoio das instituições de ensino superior do território, mas também da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). “As duas instituições de ensino superior existentes em Macau, responsáveis pela formação de profissionais de enfermagem, criaram mais vagas para as respectivas acções de formação. Por seu turno, a DSEDJ, através da concessão de bolsas especiais, incentiva e

apoia os alunos, que concluíram o curso secundário, a prosseguirem os seus estudos na referida área”, pode ler-se na resposta assinada pelo presidente do IAS, Hon Wai. Adicionalmente, aponta o IAS, têm sido promovidas “acções de formação para os diversos tipos de prestadores de cuidados”, com o objectivo de melhorar a prestação de serviços. Por último, o organismo revela ainda estar focado em “optimizar” processos de trabalho e a integrar “gerontotecnologias” nos equipamentos destinados a cuidar dos idosos, a fim de “atenuar a carga de trabalho” e “mobilizar o pessoal” para, desta forma, melhorar os serviços ao nível dos cuidados e formação da reabilitação para os idosos. P. A.

Para acabar com o resto

Junkets proibidos de contratar colaboradores não-residentes

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S colaboradores das empresas de promoção do jogo, conhecidas como junkets, passaram a ter de ser residentes de Macau. A medida já terá sido implementada pelas autoridades, sem ter sido anunciada publicamente, mas foi revelada ontem aos deputados que estão a discutir a revisão da Lei do Jogo na especialidade. “O Governo vai clarificar a relação entre as concessionárias e as promotoras. A partir deste ano os colaboradores já só podem ser residentes de Macau”, afirmou Chan Chak Mo, presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que se encontra a discutir a nova lei do jogo com o Governo. O deputado apontou a fiscalização das actividades dos colaboradores como justificação para a mudança. “A partir deste ano, só os residentes podem ser colaboradores e essa diferença talvez esteja relacionada com a fiscalização às actividades de colaboração. O Governo pode considerar que quando se trata de um não-residente é mais difícil de fiscalizar as actividades”, colocou como hipótese. A outra hipótese para as alterações que já estão em vigor, segundo Chan, “talvez seja para proteger os empregos dos nossos residentes”.

Vai tudo abaixo

No entanto, a mudança radical levantou dúvidas a alguns deputados, mais conhecedores do sector. Os colaboradores são muitas vezes residentes do Interior, onde têm redes para angariar clientes e facilitar a cobrança de dívidas. “Segundo alguns deputados, se a mudança for em frente, e se só se aceitarem residentes como colaboradores, existe a possibilidade de não se conseguir angariar clientes do exterior no futuro, ou seja, clientes que estão fora de Macau”, relatou Chan Chak Mo. A medida traz mais um rombo a uma indústria que tem estado sobre forte pressão das autoridades, com detenções dos principais operadores da cidade. As novas orientações do Governo vão também assumir a forma de lei e devem ser incluídas na futura lei das promotoras de jogo. O Executivo anunciou aos deputados que vai apresentar uma nova proposta de lei dos promotores de jogo no futuro e que espera que o documento seja aprovado “até ao final da sessão legislativa”, ou seja Agosto. Os membros da AL vão assim ter menos de cinco meses para completar a análise do diploma. J. S. F.


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política 5

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RÓMULO SANTOS

ELEVADORES ESPERADO AUMENTO DE PEDIDOS DE FINANCIAMENTO COM NOVA LEI

Ascensões aguardadas L

EONG Sun Iok acha que o Governo deve estudar e adoptar medidas para combater a falta de interesses dos residentes em mudarem-se para o Interior e para a Ilha da Montanha. A posição do deputado surge depois de apenas 185 pessoas terem aderido ao um programa de oferta de empregos em Hengqin, durante um processo de contratação online que decorreu entre 23 de Dezembro e 22 de Janeiro. Os trabalhos dizem respeito a projectos dentro da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau. Face aos resultados que considerou decepcionantes, o legislador pediu, em declarações prestadas ao jornal Hou Kong, que o Governo analise muito bem a realidade e estude os objectivos de vida dos residentes.

No entanto, o deputado dos Operários arriscou algumas causas. Segundo Leong Sun Iok, muitos residentes consideram que os critérios nas entrevistas de emprego são demasiado elevados, face ao pagamento que é oferecido. No mesmo sentido, revelou ter recebido queixas que os trabalhos na Zona de Cooperação Aprofundada são muito mal pagos, quando comparados com o nível médio salarial da RAEM, o que faz com que os residentes não estejam disponíveis para se mudar. O deputado reconheceu também que as viagens diárias entre Macau e o Interior estão cheias de obstáculos, como trânsito caótico e um processo demorado na passagem das fronteiras.

Nacionalismo Chan Meng Kam quer mais educação patriótica

Numa sessão de divulgação sobre o espírito das duas sessões realizada pela Associação de Conterrâneo de Fujian e Aliança de Povo de Instituição de Macau, Chan Meng Kam destacou a necessidade de reforçar a educação patriótica. O objectivo passa por implementar o princípio “Macau governada por patriotas”, sem que os residentes alguma vez questionem o novo princípio político. Segundo o jornal Ou Mun, Chan Meng Kam apelou também ao esforço dos académicos e elites intelectuais de Macau para promoverem a “solidariedade do povo chinês e concretizar o grande rejuvenescimento da nação”. Chan Meng Kam apelou ainda ao Governo para aumentar o investimento público e lançar uma ronda do cartão de consumo para revitalizar a economia. Por seu turno, Si Ka Lon, defendeu que cada sector da sociedade deve consolidar a base social de “Macau governada por patriotas”. O deputado apontou igualmente que é preciso continuar os trabalhos de prevenção da pandemia e exigir que todos participem na construção da zona de cooperação aprofundada em Hengqin.

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secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, admitiu ontem que o Governo espera o aumento de pedidos de financiamento ao Fundo de Reparação Predial, como consequência da nova Lei de Segurança dos Ascensores. As declarações foram prestadas à saída da Assembleia Legislativa. “Após a aprovação da lei vamos ver o aumento dos apoios distribuídos pelo Fundo de Reparação Predial, porque alguns edifícios em Macau têm alguma idade e a reparação desses elevadores vai tornar-se mais premente”, começou por admitir o secretário. “Naturalmente, vamos ainda estudar a necessidade de criar mais apoios ou programas para a reparação e substituição dos elevadores, porque entendemos que há elevadores que vão ter de ser substituídos”, acrescentou. Nesta fase, o Governo está preocupado em garantir a segurança dos equipamentos em funcionamento, por isso, a dimensão do aumento dos pedidos ainda não foi calculada. “Não sei se vai haver um aumento exponencial, mas seguramente vai haver um aumento porque com a entrada em vigor da lei passa a haver uma obrigação”, indicou. “Neste momento, não temos uma lei e a reparação e manutenção dos elevadores é feita na base da boa-vontade das pessoas. A partir do momento em que a lei entrar em vigor, as pessoas são obrigadas a ter de cumprir. E é normal que haja um aumento de pedidos”, foi complementado.

Desde 17 de Abril de 2007, altura em que o Fundo de Reparação Predial foi criado, até 4 de Fevereiro deste ano dforam distribuídos de 493,2 milhões de patacas, entre apoios directos para reparações, créditos sem juros ou reparações de partes comuns. No total foram aceites 5.072 candidaturas, que poderão assim aumentar com a nova lei.

Apurar responsabilidades

Raimundo do Rosário “Neste momento, não temos uma lei e a reparação e manutenção dos elevadores é feita na base da boa-vontade das pessoas.”

BARRAGEM EM PAUSA Raimundo do Rosário revelou que as obras da Barragem de Marés, no Porto Interior estão a aguardar decisões das autoridades do Interior. Como os trabalhos envolvem questões transfronteiriças, entre Macau e Zhuhai, na zona do Porto Interior, o secretário recusou também avançar com qualquer calendário para o arranque dos trabalhos. O mesmo cenário foi traçado em relação à Zona D dos Novos Aterros. Nesta altura, as obras de enchimento estão paradas, e o Executivo apresentou uma proposta às autoridades centrais para abdicar do aterro, em prol de um aterro entre a Zona A e o Norte da Península. Porém, neste capítulo, também não há decisões.

GCS

HENGQIN LEONG SUN IOK QUER ESTUDO SOBRE FALTA DE INTERESSE

Com a nova lei dos ascensores, o Executivo prevê um aumento dos pedidos de financiamento para obras ao Fundo de Reparação Predial. O novo regime irá implicar a obrigatoriedade de fazer manutenções e reparações periódicas aos elevadores

Raimundo do Rosário reuniu ontem com a 1.ª Primeira Comissão Permanente da Assembleia Legislativa. Um dos assuntos debatido foi a responsabilidade de fazer reparações e manutenção de elevadores. Após a entrada em vigor da lei, os elevadores têm de ter um contrato de manutenção assinado no prazo de 30 dias. Se tal não acontecer, a utilização destes equipamentos é suspensa. No entanto, para os legisladores, o documento não é claro sobre quem recaem as responsabilidades, nos casos em que não há contrato e os elevadores ficam a funcionar. A situação levanta dúvidas: “Se houver uma assembleia de condóminos, sem quórum, e se mesmo assim não quiserem assinar um contrato de manutenção do elevador, quem vai assumir as responsabilidades legais?”, questionou Ella Lei, presidente da comissão. “A lei não é clara neste aspecto e o Governo admitiu rever esta política e melhorar o articulado da proposta para responder às nossas dúvidas”, revelou. João Santos Filipe


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18.3.2022 sexta-feira

Subsídios Tribunal Judicial de Base condena dirigentes associativos por burla

Agressão Disputa leva idosa ao hospital

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O Tribunal Judicial de Base (TJB) condenou o presidente e assistente social da Associação para a Promoção dos Direitos dos Deficientes Visuais por burlar o Governo em 250 mil patacas através da concessão indevida de

subsídios. Segundo o jornal Ou Mun, o caso arrancou graças a uma queixa submetida ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC), tendo ficado provado que os dois responsáveis submeteram 24 relatórios de actividades subsidiadas com

montantes que não correspondem à realidade. Além disso, prestaram falsas declarações ao afirmar que o montante atribuído já tinha sido gasto, escondendo ainda as facturas reais das despesas. Muitos dos crimes cometidos pelos arguidos

prescreveram, escreve o mesmo jornal. As penas aplicadas pelo TJB foram de sete anos de prisão pelos crimes de falsificação de documentos e burla. Os arguidos têm ainda de devolver mais de 123 mil patacas à Fundação Macau.

Uma mulher de 73 anos, trabalhadora não residente num restaurante na Rua dos Mercadores, teve de receber tratamento no Hospital Kiang Wu na sequência de queimaduras numa mão resultantes de uma discussão com um cliente. Segundo o jornal Ou Mun, o cliente atirou-lhe água quente para a mão direita. Os bombeiros foram chamados ao local e o caso está a ser acompanhado pelas autoridades.

RACISMO VÍTIMA DE AGRESSÃO VERBAL IMPEDIDA DE APRESENTAR QUEIXA

A verdadeira pandemia O treinador de futebol, mais conhecido por Pelé, foi insultado no Parque do Reservatório com ofensas racistas. Quando tentou apresentar queixa na esquadra do CPSP, foi-lhe dito que tinha de estar acompanhado por um advogado e acabou por desistir

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ex-jogador da selecção de Macau e actual treinador de futebol José Martins, mais conhecido por Pelé, foi vítima de insultos verbais racistas na passada terça-feira de manhã no Parque do Reservatório, onde costuma fazer caminhadas diárias. Contudo, foi impedido de concretizar a queixa na esquadra 3 do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) por não estar acompanhado por um advogado. Contactado pelo HM, Pelé considera que o ofensor, um homem entre os 30 e os 40 anos que começou a dirigir impropérios na sua direcção em inglês, agiu dessa forma para o provocar uma agressão física e pedir indemnização. No entanto, o residente de Macau de nacionalidade portuguesa, não reagiu e chamou a polícia. Isto, apesar de o agressor ter dito que as pessoas como ele “estavam a estragar Macau” e “só queriam o dinheiro do Governo”. “Estava a fazer a minha caminhada com os auscultadores nos ouvidos (...) e vejo um grupo de pessoas à minha frente, umas sentadas, outras a fazer exercício, e de repente sai de lá um homem (…) directo à minha pessoa. Estiquei a mão para o cumprimentar pois pensei tratar-se de um conhecido e ele começou a gritar. Tirei os auscultadores e ele começou a insultar-me agressivamente com ideias racistas e a dizer que estávamos a estragar Macau, que éramos uma cambada de animais. Tudo num inglês perfeito”, começou por dizer ao HM. “Se o homem fosse maluco tinha mandado vir comigo em chinês, mas não. Ele optou por gritar à frente de toda a gente em inglês, e dizer que estávamos a estragar Macau, que somos maus e que só queremos o dinheiro do Governo”, vincou.

apresentar queixa. Disseram-me que, por causa de uma nova lei tinha de ir lá com um advogado para fazer a queixa. Fiquei tão triste que vim directo para casa, fechei-me no quarto e fiquei a pensar em muita coisa. Se não tivesse filhos, não sei o que teria feito”, partilhou. Questionado se aceitaria apresentar queixa caso algum advogado se disponibilizasse para ajudar, Pelé respondeu que sim. Isto, embora considere que Macau vive tempos diferentes e que, por isso, muita gente poderá estar reticente em ajudar. “Se houver um advogado que me queira ajudar, então vou fazer a queixa e vamos para à frente com o caso. De outra forma, não vou andar atrás de advogados. Muitas pessoas disseram-me para não desistir, mas sei que hoje há muito pessoal que não se quer meter, porque Macau mudou e há muitas questões relacionadas com o patriotismo. [Do meu ponto de vista], quero lá saber. Estou aqui desde 1993, a minha vida está cá (…) mas, se me querem mandar embora, então mandem, mas sobre estas questões nunca vou ficar calado”, sublinhou.

De acordo com a lei…

Pelé “Nem me deixaram apresentar queixa […] Fiquei tão triste que vim directo para casa, fechei-me no quarto e fiquei a pensar em muita coisa. Se não tivesse filhos, não sei o que teria feito.”

Entre os insultos proferidos, Pelé ouviu expressões que podem ser traduzidas para português como “vai para a tua terra”, “preto filho da p…,” ou “preto de um c.…”. Contudo, decidiu virar costas e pedir ajuda ao senhorio, ex-agente da polícia, para se dirigir ao local e contactar as autoridades. O agressor voltou à carga com uma

nova avalanche de insultos. Pouco depois, apercebendo-se de que a polícia fora chamada, abandonou o local em passo rápido.

Assim não vale

No mesmo dia, por volta das 14h30, Pelé dirigiu-se à esquadra 3 do CPSP, perto da Rua de Pequim, para apresentar queixa. Contudo,

sozinho e munido do BIR, foi informado por duas agentes que, devido à natureza da queixa e a uma recente alteração legislativa, não poderia depor sem a presença de um advogado. Desiludido, voltou para casa e decidiu não insistir na apresentação da queixa às autoridades. “Não aceitaram o meu depoimento nem me deixaram

Após ouvir o depoimento de Pelé, o HM entrou em contacto com o Corpo de Polícia de Segurança Pública, por volta das 15h30, sobre o ocorrido e a alegada recusa da apresentação da queixa, por falta de advogado. No entanto, até à hora do fecho de edição ainda não tinha sido recebida qualquer resposta. No entanto, o alegado argumento apresentado contraria a lei, no que é disposto no artigo 105.º do Código Penal. “Quando o procedimento penal depender de queixa, tem legitimidade para apresentá-la, salvo disposição em contrário, o ofendido, considerando-se como tal o titular dos interesses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação”, pode ler-se no artigo. Ainda de acordo com os artigos 57.º1/a) e o 59.º do Código Processo Penal, o ofendido apenas precisa de um advogado quando pretende constituir-se como assistente do processo, e nunca na apresentação da queixa. Pedro Arede e João

Santos Filipe


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A

Mais capacidade

Em matéria de isolamento de infectados em unidades hospitalares e quarentenas, as autoridades prometem aumentar gradualmente em dez vezes a actual capacidade, para um total de 2700 doentes. Serão ainda definidos hotéis de quarentena de infectados com capacidade para 1000 camas. Do total de 266 camas disponíveis actualmente nas unidades hospitalares públicas, 120 vão funcionar no Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane e 146 na enfermaria de isolamento do Centro Hospitalar Conde de São Januário. O plano prevê também a criação de um hospital de campanha ao ar

COVID-19 PLANO DE EMERGÊNCIA PREVÊ TESTES RÁPIDOS E HOSPITAIS DE CAMPANHA

O aparato está montado

As autoridades apresentaram ontem um novo plano de resposta a um eventual surto comunitário de covid-19 que inclui a instalação de um hospital de campanha no Dome e no centro de formação de atletas. Serão distribuídos pela cidade postos móveis para testagem e os testes rápidos serão generalizados GCS

situação da pandemia em Hong Kong e em algumas regiões da China, nomeadamente Shenzhen, obrigou as autoridades a preparar, nos últimos dias, um novo plano de emergência em resposta a um eventual surto comunitário de covid-19. Como tal, será generalizado o uso de testes rápidos e criados postos móveis de testagem espalhados pela cidade, com capacidade diária para realizar 100 a 300 mil testes. A grande novidade do plano é a criação na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental (Dome) e no Centro de Formação de Estágio de Atletas de um centro de tratamento de doentes com capacidade para 1400 camas. Nestes locais serão instaladas mais 32 casas de banho temporárias e 16 chuveiros para dar resposta e garantir um rácio de doentes por instalações sanitárias que, segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), é superior ao definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “[No Dome] haverá nove doentes por sanita, e nove por chuveiro, enquanto que no centro de estágio de atletas o rácio será de 17 doentes por um chuveiro e sanita. A OMS define 20 doentes por um chuveiro, pelo que temos padrões superiores aos que são recomendados pela OMS.” Neste local não faltam planos para o tratamento de resíduos ou dos restos mortais, que serão transportados e cuidados pelo Instituto para os Assuntos Municipais, em parceria com outras entidades públicas. O plano tem várias fases conforme a evolução da pandemia. Se o número de infectados ultrapassar uma centena entra em funcionamento o centro de tratamento comunitário.

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representa um surto onde existe baixo risco de disseminação do vírus, e o nível 5 representa uma elevada possibilidade de contágio.

Vias de comunicação

“Quando a situação ficar grave poderemos aplicar medidas de confinamento a toda a população”, disse Alvis Lo, que apelou à população para não entrar em “stress” com estas medidas

livre, com 1000 camas disponíveis. Alvis Lo adiantou que as autoridades de saúde estão em conversações com empresas para erigir a estrutura num espaço ao ar livre. Por sua vez, fica definido que caso Macau tenha um surto de grandes dimensões, os infectados com covid-19 ficarão em isolamento em casa. Nestas situações, o Governo

promete um sistema coordenado de resposta para garantir acesso a alimentos, medicamentos e outras necessidades diárias. As medidas apresentadas pelas autoridades preveem também que, em caso de surto, o centro de coordenação e de contingência do novo tipo de coronavírus e o centro de operações da protecção civil passem

a funcionar sob alçada do Chefe do Executivo e serão criados 15 grupos especializados. Estes vão dedicar-se a questões como o apoio social ou jurídico, entre outras, analisando ainda a evolução da pandemia e as respostas a dar em cada caso. O plano define ainda cinco mecanismos de avaliação da situação pandémica, sendo que o nível 1

As autoridades deverão lançar também 30 linhas abertas de apoio para cedência de informações, prevendo-se a criação da linha de emergência 222. Serão ainda instituídos mecanismos digitais para a marcação de consultas médicas. Em termos gerais, as autoridades não colocam de parte a possibilidade de se encerrarem de novo escolas ou repartições públicas caso seja necessário, nem a instauração de um confinamento geral. “Quando a situação ficar grave poderemos aplicar medidas de confinamento a toda a população”, disseAlvis Lo, que apelou à população para não entrar em “stress” com estas medidas. Na conferência de imprensa de ontem foi feito um novo apelo para o aumento da taxa de vacinação, tendo em conta a estabilidade que se vive em Macau. Actualmente quase metade dos elegíveis para a toma da terceira dose ainda não o fez, disse Leong Iek Hou, coordenadora do centro de coordenação e de contingência. Há apenas 153 mil doses administradas a este nível. Andreia Sofia Silva

Zhuhai Exigido teste para entrar em Macau com validade de 24 horas Desde a meia noite de hoje é obrigatório para quem entra em Macau via Zhuhai apresentar certificado de teste à covid-19 com resultado negativo com validade de 24 horas. Além disso, os não residentes que não tenham certificado não poderão entrar no território, enquanto que os residentes podem fazer teste no

local. As autoridades afirmam ainda que mantém um contacto estreito com Zhuhai, sendo que “serão retomadas, logo que possível” os testes com um prazo de validade de 48 horas. Os Serviços de Saúde (SSM) aumentaram o número de vagas para testes à covid-19 nos postos fronteiriços de Qingmao e

da Ilha Verde. Desde ontem estão disponíveis mais quatro locais para testes com capacidade para oito mil testes, e que estarão em funcionamento até às 22h. Locais como o Fórum Macau e Campo dos Operários também vão aumentar a resposta quanto à realização de testes.


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DIA MUNDIAL DO LIVRO GOVERNO PROMOVE LEITURA

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O próximo dia 23 de Abril, o Instituto Cultural apresenta “4‧23 Lendo em Toda a Cidade”, um evento para promover a leitura, inserido nas actividades comemorativas do Dia Mundial do Livro. A actividade é organizada em parceria com a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, em colaboração com a Biblioteca da Universidade de Macau e a Associação de Bibliotecários e Gestores de Informação de Macau. A ideia é organizar “pontos de leitura” pela cidade, entre os dias 22 e 24 de Abril,

bem como actividades relacionadas com livros no dia 23. As actividades poderão realizar-se em qualquer formato e podem ser realizadas ao ar livre, em espaços públicos ou noutros locais, conforme as necessidades reais de cada entidade participante, estando o evento aberto ao público em geral. As entidades interessadas em criar estes pontos de leitura pela cidade podem inscrever-se junto das bibliotecas públicas geridas pelo IC até ao dia 18 de Abril, podendo também fazer a inscrição através do macaolib@icm.gov.mo.

Creative Abertas inscrições para Festival de Curtas-metragens A organização do Festival de Curtas-metragens de Macau está a aceitar inscrições de projectos até aos dias 16 de Junho e 20 de Julho nas áreas das curtas-metragens e vídeos musicais, respectivamente. Na secção de cinema, vão ser atribuídos prémios nas categorias de melhor filme, melhor documentário, melhor realizador ou melhor edição, entre outras. Na

área dos videoclipes musicais serão distinguidos o melhor vídeo musical, a melhor canção e os melhores efeitos visuais. Lúcia Lemos, directora da Creative Macau, e José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, são os directores da comissão organizadora do festival, que decorre entre os dias 1 e 8 de Dezembro.

Exposição “The Art of Bamboo”, na GalaxyArt, alia criação e inclusão Para celebrar o Dia Mundial da Audição e o Dia Mundial da Síndrome de Down, a Galaxy Entertainment Group convidou membros da Associação dos Deficientes Auditivos de Macau e da Associação da Síndrome de Down de Macau, e as suas famílias, para uma visita à exposição “The Art of Bamboo: from Qilin to Contemporary Art”. A mostra, patente na GalaxyArt, no resort Galaxy Macau, reúne obras do artista de Hong Kong Louis To. Quem quiser apreciar o requinte dos trabalhos de bamboo do ar-

tista pode fazê-lo gratuitamente e requisitar uma visita guiada. Além da visita guiada para os membros das associações, os convidados vão participar no Workshop "Night Lamp DIY", uma experiência que a Galaxy “espera que aumente o intercâmbio de pessoas com necessidades especiais através da cultura e artes, bem como promover o espírito de cuidado e inclusão na comunidade”. No workshop os participantes vão poder criar as suas próprias lâmpadas, usando materiais como tiras de bambu e papel.

A Galeria Amagao abre hoje portas no Artyzen Grand Lapa Macau com a exposição “Cor Lusofonia”. O projecto, encabeçado por Victor Marreiros, Lina Ramadas e José Isaac Duarte, serve o propósito de promover artistas lusófonos com regularidade. Patente até 22 de Maio, a mostra inaugural conta com Raquel Gralheiro como artista especial

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OJE às 18h30 é inaugurada, no Artyzen Grand Lapa, a Galeria Amagao, um novo espaço dedicado às artes que, sob a gestão da Galeria 57, tem como principal objectivo promover e organizar exposições e eventos artísticos focados no mundo lusófono e nos seus artistas. Intitulada “Cor Lusofonia”, a exposição inaugural do novo espaço estará patente até 22 de Maio e inclui mais de 90 obras, entre as quais, alguns inéditos de Raquel Gralheiro, artista especial convidada para o arranque de um projecto que promete regularidade, cor e diversidade ao nível da produção artística dos países de língua portuguesa. Além de Raquel Gralheiro, a exposição inaugurada hoje inclui obras de outros artistas como Ana Jacinto Nunes, Victor Hugo Marreiros, Carlos Marreiros, José Luís Tinoco, Abílio Febra, Ana Silva e Reginaldo Pereira, num total de 46 autores. Todas elas seleccionados a partir do vasto acervo de obras lusófonas reunidas ao longo de vários anos. A ideia de criar a Galeria Amagao, começou por explicar José Isaac Duarte ao HM, surgiu do interesse que o estabelecimento hoteleiro tinha em desenvolver actividades culturais e da possibilidade do colectivo utilizar espaços do Artyzen Grand Lapa a título permanente, para realizar exposições. Quanto ao nome do novo espaço, este nasceu da própria herança histórica e da origem do nome pelo qual Macau começou por ser baptizado. “Digamos que o primeiro nome português de Macau como espaço com presença portuguesa foi ‘Amagao’”, apontou José Isaac Duarte. Por seu turno, Victor Hugo Marreiros, último elemento a ingressar o projecto ressalva que a filosofia e a imagem da Galeria Amagao pretendem, essencialmente, “fazer uma passagem entre o passado, o

presente e o futuro”, através de um contraste “pensado” entre o clássico, materializado no traço antigo de um mapa de Macau do século XVIII e o “contemporâneo”, concretizado no desenho do seu logotipo.

FOTOS RÓMULO SANTOS

ARTE GALERIA AMAGAO ABRE POR

A cor

Pura diversidade

Sem preocupação de marcar um estilo artístico específico ou de organizar a mostra por temas ou nações, a exposição inaugural que pode ser visitada a partir de hoje procura só e apenas, segundo a curadoria, “a diversidade e a cor” proveniente da arte criada nos países de língua portuguesa. “É uma nova cor que estamos a inventar e que se chama lusofonia”, concretizou José Isaac Duarte.

Intitulada “Cor Lusofonia”, a exposição inaugural do novo espaço estará patente até 22 de Maio Por sua vez, Lina Ramadas ressalvou haver uma “especificidade” única, que o novo espaço é capaz de oferecer em termos de arte lusófona, dado possuir, como base, um acervo “rico” sobre a matéria, reunido ao longo de vários anos. Quanto à importância de divulgar os artistas lusófonos em Macau, os responsáveis pelo projecto sublinharam a ligação histórica e a missão atribuída ao território de promover ligações entre a China e os países de língua portuguesa. “Macau (…) está ligada à lusofonia e (…) tem um ‘mandato’ para constituir essa ligação. Portanto, é algo que casa bem com a actividade que temos vindo a desenvolver e que se projecta para o futuro, dentro daquilo que (…) esperamos que seja o papel de Macau na China moderna”, explicou José Isaac Duarte. Pedro Arede

Victor Marreiros


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RTAS COM FOCO NA LUSOFONIA

Lina Ramadas

José Isaac Duarte

PORTUGAL LIVRARIAS INDEPENDENTES COM PLATAFORMA DE VENDA 'ONLINE'

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MA nova plataforma de venda ‘online’ para as livrarias da Rede de Livrarias Independentes (ReLI), que permite consultar os respectivos catálogos e comprar livros novos, usados e raros, está disponível, anunciou o Ministério da Cultura. A nova plataforma, disponível

em https://livros.reli.pt/, agrega informação sobre os catálogos de cada uma das livrarias participantes, permitindo aos utilizadores pesquisá-los em simultâneo, de acordo com vários critérios e proceder à respectiva encomenda. Dada a diversidade das livrarias registadas, é possível

encontrar livros novos, usados, e ainda uma secção de livros raros, indica o ministério, adiantando que a plataforma conta actualmente com livros de 69 livrarias diferentes e com um catálogo "em crescimento". No caso de um título não estar disponível 'online', pode ser feito um pedido às livrarias

da ReLI, "que responderão directamente ao interessado", acrescenta. Esta plataforma é resultado de uma parceria entre o Ministério da Cultura, através da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) e da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB),

a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e a ReLI, na sequência da assinatura, em Setembro de 2020, de dois memorandos de entendimento no âmbito da promoção da língua e cultura portuguesas. Na altura, os memorandos foram assinados com o objetivo de impulsionar o sector do livro,

uma necessidade que se revelou urgente durante a pandemia. Esta solução surgiu após o estado de emergência, da necessidade de identificar medidas para apoiar as livrarias independentes.


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Cerca de 95 por cento dos casos de covid-19 detectados na província de Jilin, parte do maior surto registado na China desde 2020, são assintomáticos ou apresentam sintomas leves, informou ontem a agência noticiosa oficial Xinhua

JILIN CERCA DE 95% DOS CASOS SÃO ASSINTOMÁTICOS OU TÊM SINTOMAS LEVES

Está tudo controlado tégia chinesa de “tolerância zero” à covid-19 prevê o isolamento de todos os infectados e dos seus contactos próximos em hospitais e instalações destinadas para o efeito, o que aumenta a pressão sobre o sistema hospitalar nas regiões onde existem surtos. Para lidar com o aumento de casos, Jilin concluiu a construção de oito hospitais temporários com capacidade para 11.488 camas e

dois centros de quarentena com 662 quartos, informou a Xinhua.

Aqui mais perto

A cidade de Shenzhen indicou ontem que vai apoiar as empresas para que “retomem o trabalho e a produção de forma ordenada”, sob a premissa de que continuam a colaborar nas medidas de prevenção e controlo da pandemia. Com 17 milhões de habitantes, Shenzhen

decretou no último fim de semana o cancelamento dos serviços de transporte público e restrições à circulação nos bairros, devido a um surto que somou 677 casos até à data. A cidade lançou uma campanha massiva de testes de PCR para colectar amostras de todos os seus habitantes.Afirma Foxconn, a maior montadora de iPhones do mundo, anunciou na quarta-feira que as suas fábricas em Shenzhen retomaram

o trabalho, depois de anunciar na segunda-feira a suspensão das operações. As instalações da Foxconn funcionarão em sistema de circuito fechado, segundo o qual as entradas e saídas serão controladas para evitar o contágio. De acordo com os dados oficiais do Governo chinês, desde o início da pandemia, 123.773 pessoas ficaram infectadas no país, entre as quais 4.636 morreram.

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província de Jilin atravessa o pior surto de covid-19 na China desde 2020, mas perto de 95 por cento das infecções são assintomáticas ou afectam pacientes que apenas apresentam sintomas ligeiros, indicou ontem a agência Xinhua. As autoridades de saúde da província, que acumula 8.506 casos activos entre os seus 26 milhões de habitantes, garantiram que a condição da grande maioria dos infectados que apresentam sintomas de gravidade leve ou média melhorou após o tratamento. “Muito poucos” desses pacientes viram a sua condição deteriorar para serem classificados como “graves” ou em “estado critico”, disse o especialista em doenças do sistema respiratório Yang Junling, segundo a agência. Nas 24 horas que terminaram ontem, a província, que faz fronteira com a Coreia do Norte e a Rússia, detectou 1.157 novos positivos, incluindo doentes assintomáticos. Desde a última segunda-feira, os habitantes de Jilin estão proibidos de sair da província. A estra-

Para lidar com o aumento de casos, Jilin concluiu a construção de 8 hospitais temporários com capacidade para 11.488 camas e 2 centros de quarentena com 662 quartos

Ciência Motor de foguete testado para lançar laboratório espacial Um motor de foguete chinês de oxi-hidrogénio de alta potência passou por um teste de 520 segundos em preparação para os próximos lançamentos de módulos de laboratório da estação espacial, informou o fabricante na passada quarta-feira. Desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation, o motor foi projectado para a fase principal da série de foguetes Longa Marcha-5, que será usada para lançar dois módulos de laboratório da estação espacial chinesa Tiangong ainda este

ano. O teste de longo alcance, com duração de 520 segundos, verificou a estabilidade do motor. Até ser aprovado, o motor terá de superar mais 20 testes experimentais para aferir o seu desempenhou, divulgou a empresa, citada numa notícia da agência Xinhua. A China planeia ter mais seis missões, incluindo o lançamento dos módulos de laboratório Wentian e Mengtian, duas naves espaciais de carga e duas naves tripuladas, em 2022 para concluir a construção da estação espacial.

TURQUEMENISTÃO XI FALA AO TELEFONE COM O NOVO PRESIDENTE

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presidente chinês, Xi Jinping, falou ao telefone com o novo presidente turcomano, Serdar Berdimuhamedov e com o ainda chefe de Estado Gurbanguly Berdimuhamedov, pai do recém-eleito presidente. Xi deu os parabéns ao Turquemenistão pela bem-sucedida eleição presidencial e congratulou de novo Serdar Berdimuhamedov pela sua eleição como presidente do país, desejando ao Turquemenistão uma nova e maior conquista no Renasci-

mento de uma Nova Era de um Estado Poderoso. Xi observou que as relações China-Turquemenistão se desenvolveram muito nos últimos anos, com os dois lados estabelecendo uma parceria estratégica e com cooperação bilateral em vários campos atingindo o mais alto nível na história. O lado chinês atribui grande importância às relações China-Turquemenistão, disse Xi Jinping, acrescentando que a China continuará a apoiar firme-

mente as políticas internas e externas do Turquemenistão e se opõe firmemente à interferência externa nos assuntos internos do Turquemenistão. A China está disposta a aproveitar as conquistas passadas e avançar com o Turquemenistão, a fim de elevar as relações bilaterais a níveis mais altos e construir conjuntamente uma comunidade ainda mais estreita com um futuro compartilhado entre os dois países, disse o presidente

chinês, citado pela agência Xinhua. Xi ressaltou que a cooperação China-Turquemenistão reflecte plenamente o alto nível de confiança mútua e amizade sincera entre os dois países. Os dois lados assinaram um plano de cooperação intergovernamental de cinco anos, e acordaram num roteiro para a cooperação entre os dois países no próximo período e identificou as áreas-chave e prioridades para a cooperação, disse Xi.


sexta-feira 18.3.2022

Vitamina voto

PM timorense apela à votação massiva para reforçar democracia ram bem. Importante agora é que a população continue a cooperar, contribuindo para a estabilidade e segurança e para que as eleições decorram bem”, afirmou.

Luta contra a covid

O

primeiro-ministro timorense Taur Matan Ruak apelou ontem à participação massiva dos eleitores timorenses nas eleições presidenciais de amanhã, considerando que uma abstenção baixa reforça a democracia. “Deixo um apelo a todos os timorenses para que aumentem a taxa de participação. Isso ajuda a reflectir a avaliação do desempenho democrático do país”, afirmou Taur Matan Ruak, depois de um encontro com o Presidente da República, Francisco Guterres Lú-Olo. “Uma participação elevada é um privilégio nacional e apelo a que a taxa de participação aumente e que todos os cidadãos façam um esforço para votar e ajudar a escolher o Presidente da República para o período 2022-2027”, afirmou. Taur Matan Ruak falava aos jornalistas depois do encontro regular com o Presidente, durante o qual falaram sobre o decurso da campanha e sobre a alteração das medidas aplicadas no quadro da pandemia da covid-19. “Estou muito contente. Acompanhei a partir o Ministério do Interior a campanha e, apesar de pequenos incidentes, de forma geral as coisas corre-

No que se refere à pandemia, Taur Matan Ruak disse que o Governo flexibilizou as medidas de entrada no país, reduzindo as exigências e procurando normalizar as fronteiras. A decisão foi tomada em Conselho de Ministros na quarta-feira, com o Governo a determinar que “a entrada em território nacional fica sujeita apenas à apresentação de certificado de vacinação completo ou, em alternativa, à realização de quarentena”. “Deixa de haver limitação de horário de funcionamento dos postos de fronteiras terrestres, que retornam ao seu funcionamento diário normal”, explicou o executivo em comunicado. Taur Matan Ruak confirmou que não discutiu com Francisco Guterres Lú-Olo a remodelação no Governo que está actualmente a preparar, explicando que as mudanças tocarão em “quatro membros” do executivo. “Para já não vou avançar detalhes. Os pormenores serão divulgados atempadamente”, disse. Timor-Leste está no período de reflexão, usado para muitos timorenses voltarem aos municípios onde estão recenseados para votar. As urnas abrem às 07h de sábado (06h de Macau) e fecham às 15h, hora local (14h, hora de Macau).

JAPÃO SISMO CAUSA TRÊS MORTOS E MAIS DE 170 FERIDOS

Onze anos depois Um sismo de magnitude 7,3, com epicentro na zona costeira de Fukushima, no nordeste do país, provocou pelo menos três mortos e mais de 170 feridos. O forte abalo, registado às 23h36 horas locais desencadeou o alerta de tsunami que acabou por ser cancelado cinco horas depois

O abalo desencadeou um alerta de tsunami, cancelado cinco horas depois, tendo sido registadas na madrugada de ontem ondas de 20 a 30 centímetros de altura, nas cidades costeiras de Ishinomaki, Sendai e Soma

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ELO menos três pessoas morreram e mais de 170 ficaram feridas, na sequência do sismo de magnitude 7,3 ocorrido ao largo de Fukushima, no nordeste do Japão, na quarta-feira, anunciaram ontem as autoridades japonesas. O hipocentro do sismo, registado na quarta-feira, às 23h36 (22h36 em Macau), situou-se a 57 quilómetros de profundidade, indicou aAgência Meteorológica do Japão. O abalo desencadeou um alerta de tsunami, cancelado cinco horas depois, tendo sido registadas na madrugada de ontem ondas de 20 a 30 centímetros de altura, nas cidades costeiras

de Ishinomaki, Sendai e Soma. Centenas de pessoas que viviam na costa de Fukushima e Miyagi foram retiradas, noticiou a cadeia de televisão japonesa NHK. Após uma primeira avaliação, foram registados feridos e mortos em sete prefeituras, e extensas interrupções no fornecimento de electricidade que afectaram 42.600 povoações em todo o país, incluindo zonas de Tóquio. O operador da central nuclear indicou que o sismo desencadeou a activação de um alarme de incêndio e a interrupção de um sistema de refrigeração do combustível nuclear usado e armazenado, embora sem variações nos níveis de radiação.

COREIA DO SUL BATIDO RECORDE DIÁRIO DE CASOS DE COVID-19

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Coreia do Sul quebrou ontem um novo recorde de infecções por covid-19, registando mais de 621.000 casos, num momento em que as autoridades consideram que o país está a atingir o pico da vaga causada pela variante Ómicron. As autoridades de saúde sul-coreanas disseram que foram detectados 621.328 casos na quarta-feira, dos quais apenas 62 eram de pessoas que chegaram do exterior. O número representa um salto de 55 por cento em relação aos dados do dia anterior e de 120 por cento em relação aos de há uma semana. As autoridades anunciaram também um número recorde de mortes diárias

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ligadas à covid-19, 429, embora o número de pessoas com sintomas moderados a graves tenha caído para 1.159, menos 100 do que no dia anterior. O Ministério da Saúde sul-coreano disse que considera que o pico da vaga actual, causada pela variante Ómicron, será atingido esta semana ou na próxima. O primeiro-ministro, Kim Boo-kyum, solicitou a revisão dos protocolos para reclassificar o covid-19 como uma doença menos grave. Isso permitiria mais agilidade aos serviços de saúde para combater um número crescente de positivos com sintomas leves ou assintomáticos.

As autoridades têm vindo a flexibilizar gradualmente as restrições em vigor. Está agendada para hoje uma reunião para decidir sobre a prorrogação ou flexibilização das principais medidas, que incluem o encerramento obrigatório dos hotéis às 23h e um máximo de seis pessoas em reuniões privadas. O país asiático, onde 86,6 por cento da população tem esquema vacinal duplo completo e 62,8 por cento uma dose de reforço, registou desde o início da pandemia cerca de 8,25 milhões de infecções e pouco mais de 11.400 mortes.

O serviço de comboio de alta velocidade [Shinkansen], na ligação entre a capital e o norte do país, foi suspenso na manhã de ontem, devido ao descarrilamento, entre Fukushima e Shiroishizao, de uma destas composições na linha Tóquio-Sendai. Nenhum dos 75 passageiros e três tripulantes sofreu ferimentos, disse a operadora ferroviária japonesa JR East.

Em alerta máximo

A Agência Meteorológica do Japão pediu aos cidadãos que tomem precauções contra o PUB.

risco de sismos de intensidade semelhante nas mesmas áreas nos próximos dias. Pelo menos 18.500 pessoas morreram ou desapareceram em 11 de Março de 2011, na sequência do sismo de magnitude 9,0 e do tsunami que se seguiu. A massa de água invadiu a central nuclear de Fukushima Daiichi, construída junto à costa. Os núcleos de três reactores entraram em fusão, causando a pior catástrofe nuclear civil desde Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

HM • 2ª vez • 18-3-22

ANÚNCIO Proc. Divisão de coisa comum n.º

CV2-21-0010-CPE

2º Juízo Cível

Autora: COMPANHIA DE INVESTIMENTO E DESENVOLVIMENTO K.F LIMITADA (君輝投資發展有限公司), registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o nº 49576 SO, com sede em Macau, na Praceta de Venceslau de Morais, n.ºs 138 a 202, Centro Polytex, n.º 1.º andar I. Ré: LAO KIT LIN (劉潔蓮), solteira, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Macau, Rua do Bocade n.º 10, Edf. Tai Fung RC-A. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos dos executados para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do Bem Imóvel sobre que tenham garantia real e que é o seguinte: Bem Imóvel Denominação da fracção autónoma: “RR/C”. Situação: Em Macau, n.ºs 162-172 da Avenida do Almirante Lacerda, n.ºs 14-16 da Travessa de Coelho Amaral e n.ºs 90-96 da Avenida do Ouvidor Arriaga. Fim: Para Comércio. Número de matriz: nº. 071174. Número de descrição na Conservatória do Registo Predial: nº. 14431, a fls. 3 do Livro B39. Aos 08 de Março de 2022. *****


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les beaux yeux noirs

JULIE OYANG

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Les beaux yeux noirs PARTE 7. A MULHER CHINESA FATAL SEGUNDO FENG XIAOGANG luxúria insaciável, treinada para cantar e tocar o tipo de música associada a artistas de reputação duvidosa. Se quisermos, uma Madame Bovary dura e expedita. No seu filme, Feng retrata a protagonista Li Xuelian (Lótus de Neve), interpretada por Fan Bingbing, como uma mulher que tenta quebrar O Sistema. Assim sendo, o filme, à semelhança do romance Lótus Dourado, é uma história sobre o tecido social. Feng Xiaogang aborda a natureza da burocracia e a incansável luta de uma mulher contra a sociedade chinesa. Este factor faz o filme parecer político e pesado, mas a história desenrola-se como uma comédia, uma sátira mordaz ao Estado opressivo e à incompetência e indolência dos funcionários do Governo. Feng Xiaogang escolheu dar tratamento singular às suas imagens. As cenas campestres são visualizadas através de uma forma circular, eliminando a periferia do ecrã, o que nos dá a sensação de estarmos a olhar para uma pintura chinesa ancestral, poética e deslumbrante. Quando ela chega a Pequim, a forma circular desaparece e o enquadramento passa a ser um quadrado perfeito, representando o mundo muito mais vasto onde ela se vai inserir. Poderemos ser criticamente poéticos ou poeticamente críticos? Bem, desde os tempos ancestrais, a elite chinesa certamente terá encontrado uma forma de expressão útil e criativa para o definir.

O Cinema é um formato belo e único. É simultaneamente um jogo e um transformador desse mesmo jogo. Nesta série, a autora e pensadora visual, Julie Oyang, apresenta 12 realizadores chineses, as suas obras e as suas invenções estéticas, que acabam por se revelar as invenções estéticas de antigos filósofos.

Em1969, ao cair da noite, um homem entrou sorrateiramente numa fábrica de papel no sudoeste da China. Na fábrica estavam guardados livros proibidos, dispostos em montes, à espera de serem cortados em finas tiras de papel e depois serem reciclados. O homem que se esgueirou para dentro da fábrica queria deitar a mão a um livro em particular. O Lótus Dourado – Jin Ping Mei em chinês – é considerado o quinto romance clássico, a seguir aos Quatro Grandes Romances Clássicos. A sua representação graficamente explícita da sexualidade fez com que o livro ganhasse um nível de notoriedade na China equivalente ao de Madame Bovary no Ocidente. Desde a sua publicação no séc. XVII, o livro foi banido, vendido, comprado e circulou livremente. Aos cinéfilos estrangeiros pode ter escapado esta referência do filme de Feng Xiaogang Não Sou Madame Bovary, em parte porque o realizador não está a invocar a personagem titular de Gustave Flaubert, mas sim a mais inesquecível heroína da literatura chinesa, Pan Jinlian, do romance Lótus Dourado. O título do filme em chinês é Não Sou Pan Jinlian. Embora tanto Madame Bovary como Pan Jinlian tenham sido acusadas ao longo dos tempos de depravação moral, a natureza das suas personalidades é diferente. Pan é literalmente uma femme fatale, com pés pequeninos e uma

Citação famosa de Feng Xiaogang para guardar na memória • Só os mais impulsivos podem pensar que sou um mestre. Não sou um mestre pura e simplesmente porque o nosso tempo não produz quaisquer mestres.

A NÃO PERDER:

}

2006 O Banquete, 2016 Não Sou Madame Bovary, 2017 Juventude

Writer | Artist | Namer of clouds | www.julieoyang.com | Instagram: _o_writes Julie Oyang é uma autora de naturalidade chinesa, artista e argumentista. É ainda colunista multilingue e formadora em criatividade. As suas curtas metragens foram selecciondas para o Festival de Vídeo de Artistas Femininas e também para a Chinese Fans United Nations Budapest Culture Week. Actualmente, é professora convidada da Saint Joseph University, em Macau. Gosta especialmente de partilhar histórias inesperadas, contadas a partir de perspectivas particularmente distintas. Divide a sua vida entre Amsterdão, na Holanda, e Copenhaga, na Dinamarca.

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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ANA JAC I

NTO NUN

ES

sexta-feira 18.3.2022

antropofobias

CARLOS MORAIS JOSÉ Por muito que a exploremos ou, simplesmente, por ali deixemos flutuar o pensamento, a montanha Ji revela-se um lugar inesgotável de maravilhas e assombrações. Caso não bastasse a existência de ignoradas árvores e plantas, cujas propriedades medicinais estão ainda longe de ser totalmente estudadas e conhecidas; de depósitos vastíssimos de jade verde, que irrompem do solo levando à loucura as ambiciosas gentes; esta insólita montanha, além do boyi, é ainda a morada de um outro bizarro animal, que crismaram de chanfu. Apesar do seu heterodoxo aspecto, os antigos registos são unânimes em considerá-lo uma ave. Isto talvez porque a sua forma se assemelha à do galo, embora

O Chanfu com dimensões consideravelmente maiores do que o nosso animal de capoeira. Além disso, o chanfu é senhor de três cabeças, que culminam três longos pescoços. Esta profusão cefálica implica, além de três poderosos e afiados bicos, a existência de seis olhos, o que permite ao bicho considerar a qualquer momento os quatro pontos cardeais. O seu insólito corpo é ainda composto por seis patas e três asas. Apesar de alado, o chanfu perdeu algures na noite dos tempos a capacidade de voar. Consegue, outrossim, graças às asas, efectuar saltos consideráveis, mas rapidamente se encontra de novo no solo, onde se torna presa de alguns predadores, nos quais podemos incluir, sem

vergonha de maior, os próprios seres humanos. Uma das características mais arrebatadora deste animal é o facto de permanecer em constante estado de vigília, pois enquanto uma das cabeças dorme as outras duas mantêm-se acordadas e o seu corpo activo. Ora para sustentar esta constante actividade, aliás reveladora de um indisfarçável nervosismo, esta surpreendente ave é escrava de um monstruoso apetite, o que a leva a constantemente procurar alimento, debicando em quase tudo o que lhe passa à frente dos insaciáveis bicos. Talvez por isso, alguns relatam que quem comer da carne do chanfu será acometido de violentas insónias. Sem que nos tenha sido fornecida prova médica de tal efeito, certo é que, ao longo dos tempos e incólume às modas, o chanfu tornou-se no prato predilecto de guardas fronteiriços, jogadores inveterados e sábios desesperados

com a estreiteza dos anos que lhes restam para levar a bom porto os seus estudos. Sendo que estas três espécies de homens são extremamente comuns na China, o chanfu correu sempre um grave perigo de extinção. Diz-se também que, tal como o andrógino descrito por Aristófanes no “Simpósio” de Platão, este animal parece ser habitado por um radical sentimento de vaidade, enfrentando os eventos de peito bem levantado e uma irreprimível tendência para exibir um comportamento agressivo, muito enraizado no seu carácter exaltado, sempre que outros bichos cruzam o seu caminho. E este será um dos perigos de comer a sua carne: é que além da insónia, ao que parece, quem o devorar, será invadido e possuído por um excessivo amor-próprio que, geralmente e em boa verdade, conduz a actos irreflectidos e a uma familiar forma de perdição.


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realidade, eis que a série faz uma nova e bem sucedi57 da adaptação a uma história mundo 2conhecida 1 6 4no 0 9 8intei7 ro. Andreia Sofia Silva

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BATMAN [C] 4THE 4 Um filme de: Matt Reeves 5 Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Wright, Zoe Kravitz 114.30,Jeffrey 3 6 17.45, 21.00 3 1 7 SCREAM [C] Bettinelli-Olpin, 6Um filme de: Matt 2 3 Tyler Gillett Com:Neve Campbell, David Arquette, 0 Courteney Cox, Jack Quaid 9 8 14.00, 16.15, 21.45 7THE BATMAN [C] 0 1 5Um filme de: Matt Reeves 8 9 9 4 2 2 7 5 8 6 0

Com: Robert Pattinson, Andy Serkis,

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9 6 3 1 0 5 7 8 7Uma 2 nova 8 6 3 4desta 5 vez 9 versão, 0no 4formato 1 9 série, 2 6do 8livro 7 “Os Filhos da Droga” con5ta a7 história 2 0 da8 adolescen9 1 4 3te Christiane 8 5 4 F.1 e 7dos9seus 2 amigos que, devido ao con6 1 0 2 4 8 3 5 sumo de heroína, se vêm 4obrigados 9 7 a3 prostituir-se 6 0 2 na 1 estação de metro de Berlim. 8 3 4 5 7 2 6 0 Depois de um filme, produ1zido0 nos 9 anos 8 580,3 que 4 faz 6 2o retrato 5 6 negro 7 9 e 1cru 0desta 3

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8 18.309Jeffrey0Wright,1Zoe Kravitz 3 6 2 0 JOLT5[C] 2 9 7 4 8 6 Um 0filmeKatede:Beckinsale, 3Tanya 8Wexler 4Cannavale, 2 5 Com: Bobby Laverne Cox, Stanley Tucci 7 14.30,121.304 5 9 8 6 - THE FINAL STROKE - THE 2 FREE! 4 VOLUME 6 7 FIRST [A] 0 5 1 FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS 4 Um 2filme de:7Eisaku6Kawanami 5 9 3 17.00, 19.30 3 7 1 2 6 0 4 5 8 9 3 1 7 0 1 6 8 0 2 3 9 9 3 5 4 8 1 7

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opinião 15

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confeitaria

João Romão

UM PAÍS PARA A VELHICE 86 MIL PESSOAS com mais de 100 anos de idade vivem no Japão, dizem as estatísticas oficias de 2021. São mais de 6 mil pessoas centenárias a acrescentar às que viviam no país no ano anterior, continuando um ciclo de 51 anos de crescimento contínuo e ininterrupto deste grupo etário cada vez mais importante na sociedade japonesa. Ninguém nasceu no século 19 mas a cidadã mais velha do país (e do mundo) já completou 118 anos – nasceu em 1903, o ano em que os irmãos Wright conseguiram pela primeira vez fazer voar um avião sustentado por motor adequado. 88% destas pessoas são mulheres, o que de alguma forma reflecte estilos de vida mais saudáveis, mas também desigualdades sociais persistentes e consequências económicas ainda mais nefastas: o mercado de trabalho japonês é tradicionalmente – e ainda hoje – largamente dominado pela presença masculina, as mulheres são largamente minoritárias, têm pouco acesso a cargos de chefia e direcção e peso muito maior nos trabalhos precários, temporários, de curta duração ou de salários mais baixos. Ainda que os níveis de educação tendam hoje a equilibrar-se, o papel da mulher continua a ser relativamente subalterno, com uma pressão cultural e civilizacional que impõe uma sistemática dedicação ao lar, aos cuidados da casa e da família, mesmo quando se têm qualificações universitárias. Os salários que normalmente se praticam, diga-se, têm alguma relação com esta forma de organizar a sociedade: são bastante altos, assumindo que se tem que cobrir o custo de vida, não de uma pessoa, mas de uma família. Este evidente anacronismo também tem consequências sobre serviços sociais: por exemplo, não se encontram serviços de limpeza doméstica e são escassas as opções para se deixar bebés em creches ou jardins escola. Não é só a questão da fraca natalidade: é também a implícita responsabilização das mulheres em relação a este tipo de cuidados, que dispensa a generalização da sua prestação pública. De resto, os modelos dominantes de organização do trabalho no Japão são altamente penalizadores da vida familiar. As jornadas de trabalho são desnecessariamente longas, alimentando uma tradição de permanência no local de trabalho enquanto o chefe aí estiver, independentemente da necessidade efectiva de lá estar. Em resultado, o Japão é o país com mais baixa produtividade entre os membros do chamado G7 e a produtividade do país está abaixo da média da OCDE, num nível surpreendentemente semelhante aos da Lituânia ou da República Checa, francamente abaixo da Espanha e ligeiramente acima de Portugal. Neste milénio, segundo estudo da OCDE, a produtividade das actividades industriais japonesas tem crescido bastante menos do que a média observada entre os membros desta organização de países desenvolvidos, enquanto a produtividade

Ainda que os níveis de educação tendam hoje a equilibrar-se, o papel da mulher continua a ser relativamente subalterno, com uma pressão cultural e civilizacional que impõe uma sistemática dedicação ao lar, aos cuidados da casa e da família, mesmo quando se têm qualificações universitárias

dos serviços tem até diminuído no Japão. Naturalmente, as disparidades salariais têm-se agravado em função destas diferenças, com importante prejuízo para as mulheres, que trabalham maioritariamente no sector dos serviços. Os longos períodos diários de permanência no emprego – a que frequentemente se juntam longas deslocações entre a casa e o trabalho (é perfeitamente aceitável gastar 3 ou 4 horas por dia nestas deslocações nas grandes metrópoles) naturalmente restringem fortemente a vida familiar - e também, já agora, o desenvolvimento de iniciativas culturais e criativas que dependam da presença de público. Acresce ser comum as empresas e organizações com actividade em várias zonas geográficas imporem a quem lá trabalha mobilidade entre diferentes estabelecimentos, eventualmente em diferentes lugares, sem necessidade de acordo ou sequer consulta prévia. No caso de quem tenha família, esta mobilidade implica uma deslocação colectiva que não tem em conta motivações, preferências ou actividades profissionais ou outras – do resto da família (com as inerentes mudanças de residência, escolas das crianças, círculos sociais, etc.). Este conjunto de circunstâncias coloca ainda hoje as mulheres japonesas num lugar de grande desvantagem nos mercados de trabalho, mesmo para as que decidem dar prioridade às suas aspirações e motivações profissionais em vez de assumirem o lugar tradicional de cuidadoras da família. Para as que se dedicam ao lar, cria-se naturalmente uma relação de absoluta dependência econó-

mica – e até social – em relação ao marido e ao seu contexto profissional. Talvez esse afastamento do nefasto ambiente de pressão produtivista e competitiva dos sistemas económicos contemporâneos tenha efeitos positivos sobre a saúde e contribua para aumentar a longevidade das mulheres, que de resto têm presença largamente maioritária entre a população centenária. Mas acabam por implicar frequentemente uma velhice com dificuldades económicas, já sem o sustento antes garantido pelo emprego dos maridos e agora dependente de um sistema de pensões bastante menos generoso do que é comum observar na Europa. Além do envelhecimento populacional que a fraca natalidade impõe, a população do Japão está também a diminuir. Na realidade, a taxa de natalidade japonesa é hoje comparável à alemã, dizem as estatísticas, mas a população estrangeira que migra para a Alemanha é largamente superior à que se desloca para o Japão, um país tradicionalmente mais fechado, não só por razões geográficas, mas também por razões culturais ou políticas. Em 2021, a população com idade entre os 15 e os 65 anos representou pela primeira vez menos de 60% do total da população japonesa. A escassez de mão de obra e a relação entre o número de pessoas reformadas e as pessoas em idade activa são problemas sociais e económicos que se colocam com uma gravidade no Japão que em outros países ainda não se conhece. A pobreza entre estas mulheres idosas num dos países mais desenvolvidos do mundo é um deles.


sexta-feira

“Não é com sangue que se vai sufocar a razão.” PALAVRA DO DIA

LISBOA CONSUMO DE CANÁBIS SUBIU DURANTE PANDEMIA

Critério científico Hong Kong planeia relaxar medidas face a cansaço dos residentes

Turismo Número de visitantes cai 5,6% em Fevereiro

O número de visitantes em Macau caiu 5,6 por cento em Fevereiro, quando comparado com o mês anterior, mas subiu 53,5 por cento em termos anuais, informou ontem a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos. Nos dois primeiros meses do ano chegaram a Macau mais de 1,3 milhões de visitantes, ainda assim muito longe dos números registados antes da pandemia de covid-19, após a imposição de medidas restritivas nas fronteiras e, mais recentemente, devido à deterioração da situação pandémica em Hong Kong e na China continental. A região, que em 2019 contabilizou quase 40 milhões de visitantes, fechou a fronteira a estrangeiros e impõe uma quarentena obrigatória que pode durar até 28 dias. Na semana passada, a responsável pela Direcção dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes, admitiu que Macau “precisa desesperadamente de mais visitantes, de uma forma mais estável e sustentável, sem os altos e baixos causados pelos surtos” de covid-19.

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ISBOA é uma das cidades da Europa com vestígios mais elevados de canábis detectados nas águas residuais em 2021, segundo um estudo que indica que o consumo de canábis “parece ter sido menos afectado” durante as restrições da covid-19. Dados sobre amostras recolhidas nas águas residuais constam do estudo “Wastewater analysis and drugs” - realizado em 75 cidades de 25 países, sendo em Portugal os dados recolhidos em Lisboa, Almada e Porto - referente a 2021 e ontem publicado pelo grupo europeu SCORE, em colaboração com o Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA). Segundo um perito do EMCDDA, sediado em Lisboa, os dados recolhidos nas análises às águas residuais de Lisboa estão “muito em linha” com as outras cidades estudadas, com um aumento do consumo de canábis, cocaína, anfetaminas e metanfetaminas e um decréscimo de MDMA (vulgarmente conhecido como ‘ecstasy’). Em contrapartida, no Porto só o consumo de anfetaminas aumentou, em contraciclo com as outras cidades europeias, com decréscimo das outras substâncias analisadas. Em Almada também foi registado um “aumento significativo” do uso de cocaína, anfetaminas e ‘ecstasy’e um decréscimo das restantes. O estudo denota “um aumento das detecções na maioria das drogas estudadas” (canábis, cocaína, metanfetaminas, anfetaminas e MDMA) em 2021 durante o confinamento devido à pandemia de covid-19.

18.3.2022

Máximo Gorki

Lam disse ontem que está na altura de aliviar as restrições. “Não porque o número de casos tenha diminuído (...), mas tenho uma forte sensação de que as pessoas estão fartas”, afirmou

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Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou ontem que está a considerar aliviar algumas das medidas restritivas, em vigor na cidade, contra a covid-19, mas não avançou detalhes. Lam foi criticada pela forma como lidou com a crise e pela comunicação pouco clara, desde que o território foi atingido por uma quinta vaga de infecções pelo novo coronavírus, provocada pela variante Ómicron. Em menos de três meses, Hong Kong registou quase um milhão de casos e 4.600 mortes, muitas entre idosos não vacinados. Segundo diferentes estimativas, metade dos 7,4 milhões de habitantes já foram infectados. Esta explosão de casos ocorreu mesmo depois de a região ter implementado, desde o início da pan-

demia, algumas das mais rigorosas restrições fronteiriças e medidas de distanciamento social do mundo. Desde Janeiro, reuniões entre mais de duas pessoas são proibidas em locais públicos. Bares e restaurantes devem fechar às 18h e as escolas retomaram o ensino à distância. Lam disse ontem que está na altura de aliviar as restrições. “Não porque o número de casos tenha diminuído (...), mas tenho uma forte sensação de que as pessoas estão fartas”, disse. “Algumas das nossas instituições financeiras estão a perder a paciência com o isolamento [a que Hong Kong está a ser submetido]”, acrescentou. Questionada sobre o seu roteiro para sair da crise, a governante recusou avançar com mais detalhes e acrescentou que os anúncios serão feitos “em 20

ou 21 de Março”. “A coisa mais difícil no combate ao vírus é que não podemos prever totalmente o que vai acontecer”, apontou. Durante dois anos, Hong Kong aplicou uma política rígida de “zero casos” de covid-19. Mas há mais de um mês os hospitais estão sobrecarregados e a cidade registou um número recorde de mortes para um país desenvolvido. Em Fevereiro passado, as autoridades anunciaram uma campanha de testes em massa para todos os habitantes de Hong Kong, uma medida que poderia ser acompanhada de confinamento. O anúncio causou pânico entre os habitantes, que acorreram aos supermercados. Cerca de 65.400 residentes e expatriados fugiram da cidade em Fevereiro. As autoridades de Hong Kong prescindiram, entretanto, do confinamento.

TAP Sobretaxa de combustível pode levar a inflacção de preços

A TAP anunciou ontem que vai aumentar a sobretaxa de combustível devido à subida do preço do petróleo, indicando que “a curto prazo, é inevitável que os preços das viagens” subam, de acordo com um comunicado. “Em consonância com outras grandes companhias aéreas, a TAP Air Portugal vai aumentar a taxa YQ (conhecida como taxa de combustível) devido ao aumento do preço do ‘jetfuel’ [combustível para aviação], um dos principais fatores de custo na aviação”, referiu. “Alguns analistas preveem para o sector da aviação um impacto ‘extremo’ causado por este aumento brutal do combustível, mas acredita-se que, a longo prazo, a situação poderá estabilizar. No entanto, a curto prazo, é inevitável que os preços das viagens aumentem”, explicou.

COMÉRCIO NEGÓCIO DE RESTAURANTES OCIDENTAIS EM MACAU CAIU 23,2% EM JANEIRO

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NTRE Janeiro deste ano e Dezembro de 2021, os negócios dos restaurantes “ocidentais” de Macau caíram 23,2 por cento, de acordo com proprietários de espaços de restauração entrevistados para as es-

tatísticas da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No cômputo geral, os serviços estatísticos indicaram ontem que em Janeiro de 2022, o volume de negócios da restauração aumentou 0,3

por cento, face a Janeiro de 2021. Destaca-se que o volume de negócios dos restaurantes chineses subiu 5,5 por cento, porém, o dos restaurantes ocidentais e o dos estabelecimentos de comidas e lojas de sopas

de fitas e canja diminuíram 10,8 por cento e 7,6 por cento, respectivamente, em termos anuais. Quanto ao comércio a retalho, no mês em análise o volume de negócios dos retalhistas entrevista-

dos pela DSEC aumentou 16,3 por cento, em termos anuais. O negócio dos artigos de ouro melhorou, com as receitas a subirem 24 por cento, enquanto o sector das mercadorias de armazéns e quinquilharias

subiu 20 por cento, relógios e joalharia aumentou 19,6 por cento. Em sentido inverso, a DSEC destacou o volume de negócios dos automóveis, que registou uma quebra anual de 23,9 por cento.


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Hoje Macau 18 MARÇO 2022 #4971 by Jornal Hoje Macau - Issuu