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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Q U A R TA - F E I R A 1 8 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 3 • A N O X I I I • N º 2 9 9 7
hojemacau
DSEJ CRIA ENTRAVES À APRENDIZAGEM DE MANDARIM AVANÇADO PÁGINA 9
CASO DAS CAMPAS
Testemunha tinha documentos pedidos pelo MP e não os terá disponibilizado a Raymond Tam
Guardados a sete chaves No dia em que o tribunal aceitou o pedido de Paulina Alves dos Santos para abertura de um inquérito por alegada falsificação de documentos, a defesa de Raymond Tam tentou demonstrar que a testemunha arrolada tinha em sua posse os documentos que o Ministério Público pediu ao IACM mas nunca os quis disponibilizar. O depoimento de Ng Peng In quase o deixou em maus lençóis mas o juiz não quis saber da tese apresentada pela defesa. PÁGINAS 6 E 7
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GONÇALO LOBO PINHEIRO
AL aprova discussão do modelo de gestão de forma inequívoca
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
• SERVIÇO DE AUTOCARROS
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• ENTREVISTA WILLIAM HO
“Em Macau trata-se melhor o património do que em Hong Kong” PÁGINAS 2 E 3
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ENTREVISTA
hoje macau quarta-feira 18.12.2013
“A LORCHA”, QUADRO DE MARCIANO BAPTISTA, VAI FICAR NO MUSEU DE WILLIAM HO
GONÇALO LOBO PINHEIRO
“O mais importante é a promoção
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
Os “Hongs” eram comerciantes no período compreendido entre 1757 e 1852. Pode contar-nos um pouco sobre a história dos Treze Hongs? Os Treze Hongs são as treze empresas de comércio externo muitas conhecidas na zona de Cantão, durante a Dinastia Qing. Naquela altura, os negociantes dos Treze Hongs possuíam cerca de 3/4 de todo o ouro que existia. Eram um grupo de pessoas ricas e que contribuíram muito para o império. Mas depois da Guerra do Ópio a prosperidade dos Treze Hong deixou de existir, porque foi assinado um acordo, o Tratado de Nanking, entre o Governo da Dinastia Qing e os ingleses. Cantão já não era o único porto onde se podiam fazer negócios com os estrangeiros e
William Ho é o presidente da Associação dos Treze Hongs para a Promoção da Cultura e do Comércio, responsável por trazer a pintura do macaense Marciano Baptista para Macau, que espelha o tempo em que os Hongs faziam aqui negócios. As negociações para o museu, que se quer interactivo, continuam assim perdeu a sua vantagem na rede de comércio com o exterior. Igualmente nessa altura ocorreu um grande incêndio e os edifícios dos Treze Hongs ficaram reduzidos a cinzas. Que papel teve Macau na história dos Treze Hongs?
Quando o Governo da Dinastia Qing adoptou uma política proteccionista, Macau era o único sítio na China onde era permitido aos comerciantes chineses e estrangeiros fazerem negócios. De facto, antes da formação dos Treze Hongs em Cantão, os comerciantes chineses reuniam-se primeiro em
Macau para fazerem negócios com os estrangeiros. Nessa altura, os comerciantes chineses não eram apenas comerciantes, mas também exerciam funções de diplomatas. Ou seja, o Governo deixou os comerciantes fazerem negócios com os estrangeiros mas também tinham cargos governamentais e eram funcionários públicos. Os Treze Hongs formavam um conjunto, tinham uma relação próxima em termos comerciais com Macau. E também com a Administração Portuguesa e com os comerciantes ocidentais que viviam aqui. Porque é que decidiu criar a associação em Macau? Esta não foi uma ideia só minha, todos os que são membros tinham também essa ideia. Mas até agora não tínhamos uma boa oportunidade para executá-la. Somos comerciantes da província de
Guangdong, tínhamos a mesma noção da importância dos Treze Hongs e queríamos promover esta cultura no seu local de origem, que é Macau. Outra oportunidade que tivemos foi o facto de, no ano passado, o Governo da província de Guangdong ter publicado um livro sobre os Treze Hongs. No início, o autor só queria escrever um artigo, mas acabou por publicar um grande livro. Isso significa que Cantão está a dar a devida atenção a esta cultura e quer reavivá-la. Por isso decidimos criar a associação para promover essa mesma cultura. Num ano de funcionamento já temos mais de cem membros. Muitos procuraram-nos e pedem para ser membros. Vai criar a mesma associação em Hong Kong? No futuro vamos criar, não só em Hong Kong mas também em alguns países do sudeste asiático. Isto
entrevista 3
hoje macau quarta-feira 18.12.2013
melhor a cultura de Guangdong. É uma forma de educação nacional.
da cultura” A cultura dos Treze Hongs não é só de Guangdong, mas também de toda a China e do mundo porque há lá muitos descendentes chineses, e que descendem dos comerciantes. O meu objectivo é reunir esses chineses para que conheçam as suas raízes. Apesar dos Treze Hongs serem de Guangdong, também temos muitos comerciantes de Fujian na associação. Estas duas províncias têm muita presença na população de Macau. Vai criar um museu onde vai estar “A Lorcha”, do macaense Marciano Baptista. Porquê este projecto? Marciano Baptista era um discípulo de Chinnery, o mais importante pintor de Macau no século XIX. Filomeno Baptista, descendente do pintor (é bisneto) sempre quis encontrar uma associação de confiança que guardasse este quadro histórico, que tem um grande significado para a cultura sino-portuguesa. Primeiro contactou o Instituto Internacional de Macau (IIM) e depois foi o IIM que nos procurou. A pintura estava nos Estados Unidos e agora está a ser restaurada no Museu do Palácio de Pequim. Prevê-se que esteja pronta depois do Ano Novo chinês. Como o museu está a fazer um trabalho voluntário, não podemos fazer muita pressão para que acabe mais cedo. Além disso, estamos a negociar o local para o museu com o Instituto Cultural (IC). Mas tem um lugar preferido onde gostaria que o museu ficasse? O meu local preferido é na zona do Patane, porque a história dos Treze Hongs começou ali. Temos muitos lugares, e até o Venetian já nos ofereceu um lugar para estabelecermos o museu. Mas o Patane é o lugar mais indicado por questões históricas, numa localização em frente ao Banco da China. Há aí cerca de sete edifícios antigos que são lugares óptimos para se fazer um museu, porque junto a esses edifícios já é a zona do Porto Interior, onde começaram os negócios entre chineses e estrangeiros. O IC já deu algum feedback acerca de uma decisão sobre o lugar?
E na área da ciência? Participamos na Feira Internacional de Macau (MIF) e temos vontade de investir no Parque de Medicina Chinesa na Ilha da Montanha. Até convidámos a comissão de trabalho da indústria nacional da saúde para uma cooperação, e o Instituto de Promoção ao Comércio e Investimento (IPIM) também nos apoia.
Ainda não, mas mantemos um contacto. E o IC está muito favorável ao nosso pedido.
MELHOR PATRIMÓNIO EM MACAU
Como avalia o quadro de Marciano Baptista? Gostei muito. A pintura é muito vívida. Mas é pena que, depois de tanto tempo fechado num quarto, o quadro esteja com poeira e vestígios de queimaduras de cigarros. É por causa disso que precisa de ser restaurado em Pequim.
Como analisa o trabalho de preservação do património? Em Macau trata-se melhor o património do que em Hong Kong. Como vivo em Hong Kong, já não consigo encontrar muito do património cultural que os ingleses deixaram. Os edifícios foram reconstruídos para uso comercial. Por isso é que acho que Macau tem feito trabalho nesta área, algo que admiro.
UM MUSEU INTERACTIVO Para além da criação do museu, que outras actividades está a planear a associação? Muitas. Para além do quadro, o museu pretende realizar um concurso para que residentes de Macau façam pinturas sobre a cultura dos Treze Hongs. Só que, infelizmente, aqui não há muita gente que conheça a cultura. Isso também é um dos motivos pelos quais queremos criar o museu na zona do Patane. Todas as pinturas vão estar em exposição. Não queria que o museu fosse apenas um lugar com peças expostas mas sim que crie uma interacção com os locais. Só assim podemos fazer uma promoção da cultura. Pretendem ficar por aí nos objectivos? Queremos fazer um filme ou um documentário sobre os Treze Hongs. O tema será a sua história e os actores vão ser recrutados em Macau, Zhongshan e Cantão, porque os Treze Hongs também faziam negócios nessas três zonas. Já visitamos departamentos do Governo em Pequim e Cantão, os responsáveis apoiam o nosso plano e até nos deram mais recomendações. A cultura dos Treze Hongs não é só de Guangdong, mas também de toda a China e do mundo. Macau tem um bom ambiente para o investimento, embora a área do cinema não esteja ainda desenvolvida. Podemos fazer um avanço e sermos os primeiros a fazer o que não se fez no passado. Esse também era o espírito dos Treze Hongs. Para além da área cultural, a associação tem outros tipos de actividade? Trabalhamos na área da educação e ciência. Queremos que a história dos Treze Hongs seja incluída numa disciplina nas escolas, para que os jovens possam aprender
O meu local preferido [para o futuro museu] é na zona do Patane, porque a história dos Treze Hongs começou ali Foi comerciante, mas também é conhecido pelo seu trabalho na área da caridade. Sim. Sou membro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e também da Fundação Sun Yat-Sen. Sou ainda presidente da Federação dos Chineses Ultramarinos. Na minha família cinco gerações viveram ligadas aos assuntos do mar. No trabalho que faço na UNESCO tento chamar mais a atenção para os portadores de deficiência. Na Fundação Sun Yat-Sen faço mais trabalhos ligados ao restauro e conservação dos edifícios antigos de matriz chinesa.
Em Macau trata-se melhor o património do que em Hong Kong. Como vivo em Hong Kong, já não consigo encontrar muito do património cultural que os ingleses deixaram. Os edifícios foram reconstruídos para uso comercial. Por isso é que acho que Macau tem feito trabalho nesta área, algo que admiro
Macau é uma sociedade de associações, muitas delas com um papel político. A sua também pretende seguir essa via? Não vamos participar nos assuntos políticos. Os nossos objectivos são a promoção da cultura, embora também façamos actividades económicas. Como os Treze Hongs tem uma ligação à história de Macau, e consequentemente com Portugal, vai participar mais nos assuntos da comunidade macaense ou dos relacionados com a lusofonia? Sim. Fizemos a cerimónia da entrega do quadro no Encontro das Comunidades Macaenses e o vice-presidente do IC assistiu à cerimónia.
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POLÍTICA
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DISCÓRDIA SOBRE O AUMENTO SALARIAL DE GOVERNANTES CAIU POR TERRA
Aumentos com “oportunidade política” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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ASSADAS três horas de discussão, divididas em dois dias, e muita polémica gerada sobretudo pelo aumento em 10% do salário do Chefe do Executivo e dos secretários, a “luz verde” foi acesa quase por unanimidade no plenário e o aumento vai mesmo acontecer. Au Kam San pediu a suspensão da proposta de lei, mas, logo após, os argumentos de LeonelAlves, seguidos pelos de Chan Chak Mo e Zheng Anting foram suficientemente fortes para os deputados com dúvidas sequer se absterem (excepção feita no caso da deputada Ella Lei). “Será que os nossos secretários ou dirigentes não têm salário suficiente para sobreviver ou ter as refeições garantidas? Os salários dos dirigentes já são suficientes para evitar o caminho da corrupção. Peço à senhora secretária para suspender esta proposta de lei e disponibilizar as respectivas informações para fazermos um estudo comparativo e só após se discutir esta proposta de lei. Outros deputados também entendem que temos de fazer uma comparação mais geral e completa”, propôs Au Kam San. Pereira Coutinho, um dos três subscritores da intenção de deixar cair provisoriamen-
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te o diploma apresentado pelo Governo, foi o primeiro a dizer que, ao contrário da actualização dos funcionários públicos, a Administração não procedeu “a nenhum estudo e avançou com um aumento de 10%”. “Porquê a diferença de tratamento?”, questionou. Leonel Alves deixou-se ficar para o fim do debate para elencar as razões, até então não referidas por outros, que justificaram o posterior voto a favor. “Ouviram-se vários argumentos, uns a favor outros contra, mas temos de tomar uma decisão. Não concordo que se suspenda. O assunto subjacente será discutido e analisado em sede de comissão. (…) Concordo com o que vem proposto, primeiro temos de ver a dignidade dos cargos. Segundo, a oportunidade política desta proposta.”
EPOIS de limitações impostas aos titulares do cargo de Chefe do Executivo e aos principais cargos do Governo após cessação de funções (uma legislação publicada em 2009), torna-se “premente” estabelecer um regime de garantias. Foi assim que Florinda Chan justificou a apresentação da proposta de lei - ontem aprovada na generalidade com 25 votos a favor e três contra – mas também com a necessidade de “reforçar a construção institucional do sistema político e colmatar uma lacuna do ordenamento jurídico em relação a esta matéria”. Apesar de aprovada a legislação, que prevê a criação de um regime de compensação na cessação de funções para os ex-titulares de principais cargos, a secretária para a Administração e Justiça ouviu um coro de críticas de “protecção
E, neste capítulo, o deputado entende que a legislação sobre este “assunto muito sensível” vem em boa hora, antes de acabar o mandato do actual Governo. “Se fosse apresentada pelo novo governo, em 2015, esta questão seria extremamente embaraçosa para os novos governantes. Em termos de seriedade política, o actual Governo tem a coragem de assumir esta política. A revisão em si é uma necessidade.” Afinal de contas, sustentou, o aumento não é elevado. “O vencimento deles [secretários] anda à volta das 100 mil patacas. Um chefe de segurança de um casino provavelmente ganha mais do que isso. Temos de ver a situação do mercado laboral de Macau. O cargo em si merece a sua importância e
dignidade. Por exemplo, se compararmos os vencimentos do CE e dos secretários com os salários dos CEO’s de operadoras de jogo em Macau a diferença é imensa.” Chan Chak Mo concordou. “Os salários são baixos. Comparando com os secretários de Hong Kong, as remunerações dos nossos são muito baixas. Esta percentagem devia ser maior.” E, Zheng Anting, pediu mesmo que fosse “elevada para 15% por causa das taxas de inflação”.
PEDIDO SISTEMA “AUTOMATIZADO”
viram uma reestruturação, por outro lado, pela iniciativa em favor das restantes. “Não devem haver actualizações gerais? Tem de haver uma visão geral e racional? A longo prazo o Governo vai evitar que cada vez que haja um aumento se suscite questões políticas. Deve haver um mecanismo para as actualizações em vez de serem pontuais. A actualização de 10% tem a sua razoabilidade, mas em termos de longo prazo deve consultar outros países. Deve haver um sistema automatizado”, avaliou Chui Sai Peng. “Não está meramente em causa a taxa de inflação mas as actualizações e reestruturações que já foram feitas. Devemos conhecer os motivos desta proposta de lei e não considerar que seja uma actualização dos funcionários públicos em geral”, pediu Cheang Chi Keong. “Houve uma reestruturação das
VOTOS DO HEMICICLO • 29 a favor
O regime de actualização de carreiras, que tem vindo a ser fixado desde o estabelecimento da RAEM, levou a que houvesse críticas e louvores, por um lado, pelas profissionais que ainda não
• 4 contra (Pereira Coutinho, Leong Veng Chai, Ng Kuok Cheong e Au Kam San) • 1 abstenção (Ella Lei)
carreiras verticais de 12 para 16 escalões. Há que também mexer no estatuto de pessoal de direcção e chefia. Este regime deve ser o último a ser tratado”, sentenciou Lam Heong Sang. A secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, avançou que “não foram abrangidos nos aumentos 149 titulares” e, sobre a proposta de lei, o objectivo se prende “não apenas aumentar o salário do Chefe do Executivo, mas dos deputados e dos membros do Conselho Executivo”. “Os magistrados judiciais não assumem um cargo político, mas têm um salário indexado. Aproveitamos esta oportunidade para aumentar dos juízes e outros. Sem desigualdade, numa tentativa de dar apoio e estímulo a estes profissionais.” E, mais tarde, sem desejo de usar mais da palavra, a secretária pediu a um assessor que completasse a ideia. “Depois do retorno, na maior brevidade, definimos um regime remuneratório do Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos. Porque propomos agora este aumento? O essencial é ter em conta as suas responsabilidades, atribuições e funções e não meramente ao cargo em si. Conjugando todos os aspectos entendemos que a alteração é razoável. O salário do CE nunca sofreu de aumento.”
FLORINDA CHAN DEBAIXO DE CRÍTICAS POR REGIME DE GARANTIAS ONTEM APROVADO
Apontados “interesses” à secretária dos próprios interesses”. “Toda a proposta de lei tem problema. Está a fazer muito para si. É muito exagerado. Pretende salvaguardar os seus próprios interesses”, afirmou Pereira Coutinho. “A maior parte dos dirigentes começaram como funcionários públicos e devem ter um subsídio de aposentação, mas têm ainda uma subvenção para cessação de funções. Será que há mesmo necessidade deste tipo de compensações? O montante pode ser avultado e ascender muitas patacas. […] É muito alta a compensação, excede o que está consagrado na lei laboral”, explicou Au Kam San.
“20 anos na função pública. 15 anos no cargo de secretária. Irá optar pela aposentação dos 20 anos? Caso contrário, existe uma duplicação de garantias”, acrescentou. “A apresentação desta proposta não visa determinada pessoa, mas criar um regime. Estamos perante
num novo regime, não é uma actualização. Temos de colmatar um vazio no ordenamento jurídico”, assegurou Chan. Em questão estava a sobreposição de subsídios, o de aposentação e o de subvenção mensal, que vem disposto nesta proposta de lei. “Se for um funcionário público, um técnico superior do quadro for nomeado para um cargo político, pode optar. Se aderir ao regime de aposentação, ou desvincula-se da função pública ou, durante o exercício de secretário, tem de optar pelo tempo de serviço nas funções de secretário, o Governo contribui com 20% e ele próprio 10%.” O “Regime de garantia dos
titulares do cargo de Chefe do Executivo e dos principais cargos a aguardar posse, em efectividade e após cessação de funções” garante, por exemplo, que o Chefe do Executivo a aguardar posse tenha um subsídio mensal equivalente a 90% da remuneração mensal do líder do Governo e que o titular do cargo, que exerceu funções por cinco ou mais anos, e de outros titulares de principais cargos a aguardar posse tenham direito a uma subvenção mensal de valor equivalente a 70% da remuneração mensal do Chefe do Executivo ou da remuneração mensal do principal cargo para o qual estão nomeados. - R.M.R.
política 5
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VITÓRIA PARA PEREIRA COUTINHO COM APROVAÇÃO MASSIVA PARA DEBATE
Serviço de autocarros vai a discussão O último relatório do CCAC sobre o serviço público de autocarros, que arrasou com o modelo de gestão e contratual, tem ou não fundamento? Os deputados entendem que sim, depois de darem o aval à proposta de debate de Pereira Coutinho para ouvir dos pares “diferentes entendimentos e perspectivas no âmbito da protecção do interesse público” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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O fim de oito anos no papel de deputado, José Pereira Coutinho viu finalmente aprovada não uma intenção legislativa mas uma proposta de debate sobre o novo modelo de concessão na exploração do serviço público de transportes. O ano civil não foi particularmente fácil para o deputado, ao ter visto mais de uma mão cheia de projectos-lei chumbados duplamente (em duas legislaturas). Desta feita, apenas Chan Chak Mo, que se absteve na votação, não se rendeu à iniciativa de Coutinho e Leong Veng Chai. As razões de “interesse público” para a “deliberação” convenceram os restantes deputados, que justificaram assim o seu consentimento. “Será que este
novo modelo de concessão na exploração de serviço público de transportes salvaguarda o interesse público, a prestação de serviços de transportes públicos de qualidade e o bom uso do erário público?”, questionou Coutinho na introdução à proposta de debate, depois de lembrar o recente relató-
rio do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC). “O relatório e análise [do CCAC] concluiu taxativamente que a ‘prestação de serviço’ formulada nos respectivos contratos celebrados pela Direcção de Serviços para os Assuntos de Transporte (DSAT) e as entidades privadas para além
CHINA ELOGIA POLÍTICAS ECONÓMICAS DE MACAU
Nas boas graças O Chefe do Executivo está em Pequim para apresentar as Linhas de Acção Governativa (LAG) e parece que, para já, a posição de Pequim é de satisfação. Segundo a Rádio Macau, que está a acompanhar os trabalhos na capital chinesa, Li Keqiang, primeiro-ministro, elogiou Chui Sai On e promete “continuar a apoiar” o Chefe do Executivo. Na reunião de ontem, Li Keqiang destacou o sucesso da economia local e a forma como a vida dos residentes tem vindo a melhorar. O primeiro-ministro disse que foram alcançados “alguns resultados” e que vai “continuar a apoiar o Chefe do Executivo e o Governo de Macau para concretizarem a acção governativa de acordo com a Lei Básica”. Chui Sai On destacou os sucessos da 4.ª Conferência Ministerial do Fórum Macau e disse que colocar todo o empenho na criação dos três centros estratégicos já anunciados.
Li Keqiang explicou que não foi à conferência ministerial devido às inundações ocorridas em Heilonjiang, no norte da China. Contudo, promete visitar a RAEM mal tenha oportunidade. Só dois jornalistas e um repórter de imagem da TDM tiveram acesso à reunião, mas hoje a promessa é de que o encontro onde vão estar o secretário Cheong U e Helena de Senna Fernandes, dos Serviços de Turismo, seja aberto a toda a comunicação social. Chui Sai On vai encontrar-se com a Administração Nacional de Turismo, onde vai ser discutida a organização da reunião ministerial sobre turismo, do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico. Esta deverá acontecer em Fevereiro do próximo ano, em Macau. Chui Sai On vai ainda reunir com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo que no final do dia irá encontrar-se com Xi Jiping, presidente da China.
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de violarem a legislação vigente, prejudicaram gravemente o interesse público.” O deputado entende que “o Governo exonerou-se da responsabilidade de reversão dos bens afectos à exploração das concessões anteriores (designadamente os autocarros) e permitiu que as anteriores concessionárias (Transmac e TCM) concorressem com os bens que lhe deveriam pertencer por lei, num acto que claramente afecta o interesse público”, frisou, sobre os contratos assinados em 2011. “Já se passaram dois anos. Todos têm opiniões quanto à qualidade de serviços e dúvidas quanto ao contrato de exploração. O modelo de serviços tem a ver com o interesse público e através de debate dá-se a conhecer alguns aspectos e à população”, avaliou Ho Ion Sang. No entanto, muitos dos colegas de plenário não
S deputados José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai voltam a assinar juntos uma interpelação escrita onde acusam o Executivo de “desperdiçar” talentos locais que possuem mestrados e doutoramentos, mas que não estarão a ser bem aproveitados dentro da Função Pública. “Como serão melhor aproveitados os talentos existentes na Função Pública, nomeadamente os milhares de doutorandos e mestres, sendo que muitos estão há vários anos colocados nas ‘prateleiras’ e ‘frigoríficos’ por inveja das suas habilitações e aguardando aposentação?” E dão exemplos. “Desde o estabelecimento da RAEM que
DEBATE SIM, AUDIÇÃO É DEMAIS Discutir entre pares é uma coisa, chamar o Governo a prestar esclarecimentos é outra. Os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong justificaram a sua proposta de audição com a vontade de esclarecer se, tal como diz o relatório do CCAC, “o Governo não respeitou o regime legal”, aludindo à presença da Secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, (a quem o Chefe do executivo entregou o caso), do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, de Wong Wan, director da DSAT, e de Chui Sai On. Os deputados preferiram não apontar o dedo à Administração ou, pelo menos, preferem discutir apenas entre si a possível “exploração ilegal”.
colocam em causa o novo modelo mas a sua execução. “A concepção é boa mas na prática, não deverá o Governo ponderar este modelo de uma forma global?”, questionou Mak Soi Kun. “Este novo modelo tem as suas vantagens mas porque estamos a assistir a esta situação? Devem ser muitos os aspectos envolvidos”, salienta Kwan Tsui Hang. “Não é um total fracasso mas na realidade existem
muitos problemas”, frisou Ella Lei. “Espero que com o debate consigamos mesmo clarificar e resolver os problemas com os autocarros”, concluiu Wong Kit Cheng. No final das contas, a proposta de debate mereceu o aval de 29 deputados. O presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, disse que será organizado “no futuro” este debate mas não antecipou datas.
TELENTOS COUTINHO E LEONG VENG CHAI DIZEM QUE HÁ MESTRES “NA PRATELEIRA”
Governo acusado de “desperdiçar” a prática quotidiana demonstra que muitos serviços públicos desperdiçam talentos locais. Ainda esta semana uma médica local, licenciada numa universidade europeia, após formação complementar dos Serviços de Saúde (SS) terá sido obrigada a abandonar o hospital público por falta de abertura de concurso público. De referir que a referida médica havia concorrido aos exames de admissão juntamente com cerca de três dezenas de candidatos locais tendo na altura sido admitidos somente dois candidatos. No final do internato geral este talento terá de abandonar esta unidade hospitalar.” Os SS são ainda citados como
outros exemplos de “desperdício”. “Contrataram dezenas de talentos locais licenciados em medicina e enfermagem pagando salários de miséria, 8 a 11 mil patacas. Estas situações acontecem por culpa dos SS no atraso na abertura de concursos públicos para internato geral de medicina e carreira de enfermagem. Mas há muitos mais casos.” Coutinho e Leong Veng Chai pedem “medidas a implementar no futuro” e que haja uma “permuta de talentos entre o sector público e privado”, para permitir que os talentos se possam “desligar da Função Pública por mútuo acordo”. - A.S.S.
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SOCIEDADE
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JOANA FREITAS
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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G Peng In, ex-chefe de Departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento e ex-membro do Conselho de Administração do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), tinha no seu gabinete os documentos solicitados pelo Ministério Público aos responsáveis do organismo. Isso mesmo foi ontem confirmado perante o tribunal, naquela que foi a segunda audiência do julgamento que tem Raymond Tam como principal arguido. A sessão – no âmbito do chamado ‘Caso das Campas’ – focou-se essencialmente na procura dos documentos que desencadearam o crime de prevaricação, pelo qual Raymond Tam, actual presidente suspenso do IACM, Lei Wai Nong, vice-presidente, Fong Vai Seng, chefe do departamento dos Serviços de Ambiente e Licenciamento, e Siu Kok Kun, ajudante de encarregado, vêm acusados. Numa audiência novamente marcada por atritos entre a defesa e Paulina Alves dos Santos, a assistente no processo e denunciante do caso, o depoimento de Ng Peng In foi tão confuso que quase fez a testemunha sair como arguido. O MP, recorde-se, diz que os responsáveis do IACM atrasaram propositadamente a entrega de documentos que ajudariam a investigar a atribuição supostamente ilegal de dez sepulturas perpétuas no Cemitério de São Miguel Arcanjo. Tam, o único a falar até agora, já se disse inocente e assegurou que os documentos foram entregues tardiamente porque não se conseguiam encontrar. No depoimento de ontem, Ng Peng In começou por admitir que “as dez sepulturas deram muito trabalho porque não se sabia onde estavam os documentos”, que nunca os tinha visto e que até pediu à sua secretária que os procurasse. Contudo, ao longo da inquirição, o depoimento foi mudando. A testemunha disse, posteriormente, que chegou a ver documentos relacionados com as campas em 2002. Já a defesa, neste caso na voz de Icília Berenguel, apresentou documentos que mostravam que Ng tinha os
CASO DAS CAMPAS DEFESA ASSEGURA QUE TESTEMUNHA TINHA DOCUMENTOS PEDIDOS PELO MP NA SUA POSSE E TENTA ASSACAR RESPONSABILIDADES
A brincar às escondidas?
Numa sessão controversa e que durou mais de oito horas, a defesa de Raymond Tam tentou mostrar que a testemunha ontem arrolada tinha os documentos que o MP requereu ao IACM e que originaram a instauração de um processo por prevaricação a quatro responsáveis do organismo. Juiz não aceitou tese, mas o suspenso presidente do IACM afirma que a testemunha mentiu documentos no seu gabinete. A advogada disse ter informação que consta dos autos e que vem do departamento da testemunha, que diz que os documentos se encontravam lá desde Junho de 2008. “Os documentos originais e pedidos pelo MP no primeiro ofício [relacionados com informações sobre o pedido de campa por Paulina Alves dos Santos] estavam no seu gabinete desde 2008. E outros, relacionados com a [atribuição] das campas, desde 2002”, começou por explicar a defesa, que referiu ainda que, em Maio de 2010, Ng
já tinha conhecimento que os documentos lá estavam, tendo inclusive assinado o registo de entrada. “Porque é que não contribuiu com os seus superiores, sabendo que eles andavam à procura desses documentos?” Foi por volta da mesma altura em que os documentos deram entrada no seu gabinete, que o MP enviou o primeiro de quatro ofícios ao IACM a pedi-los. Ng Peng In não entregou os documentos porque diz que não se lembrou, mas, em 2011, altura em que foi chamado para ser inquirido pelo MP levou consigo a caixa dos
papéis e entregou-a aos investigadores.
FÁCIL OU NÃO?
Em resposta aos advogados dos arguidos, Ng Peng In disse não ter reparado que o ofício do MP era a requerer os documentos relacionados com as sepulturas. “Passou por mim, mas como estava dentro de um prazo urgente assinei e só depois revi o documento.” Mas o depoimento continuou com alguma controvérsia. A testemunha afirmou que o sistema de arquivamento do IACM “era bom”, depois frisou que era
um pouco rudimentar, mas voltou ao início admitindo que todos os documentos tinham códigos de barras para que a sua procura fosse facilitada. “Não faço ideia se os das campas tinham código de barras, mas devia existir sim. Era fácil detectar documentos [com o código], dá para ver onde estão. O sistema funciona.” O depoimento contradiz o que foi dito por Raymond Tam na primeira audiência de julgamento: que o arquivo do instituto era confuso e que os documentos estavam espalhados tanto pela sede dos Serviços de Ambiente
e Licenciamento na Barra, como pelo gabinete de Ng Peng In, daí a dificuldade de serem encontrados. Isso mesmo tentou mostrar a defesa, que avançou com mais um trunfo na manga: a testemunha não só tinha os documentos no seu gabinete, como os entregou numa de oito pastas ao escritório da Barra. “A certidão da defesa [pedida para ser anexa aos autos] tem como objectivo mostrar que não era tão fácil encontrar os documentos como a testemunha diz”, realçou Icília Berenguel.
SALVO PELO TRIBUNAL
O depoimento de Ng Peng In quase fez a testemunha sair como um possível arguido. O tribunal não aceitou uma certidão da defesa, mas a equipa de advogados tentou assacar culpas do ex-responsável do IACM, agora assessor do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. “Assistimos a um depoimento de uma testemunha que confirma que tinha na sua posse parte substancial dos documentos das campas, cuja entrega estava a ser solicitada aos três arguidos, sendo certo que se confirma que teve conhecimento dessa solicitação em Maio de 2010. Pede-se que
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CASO DAS CAMPAS TRIBUNAL ACEITA PEDIDO DE ABERTURA DE INQUÉRITO SOBRE ALEGADA FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS
Mais um a caminho? joana.freitas@hojemacau.com.mo
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Ministério Público (MP) vai abrir um novo inquérito por alegada falsificação de documentos que estão a ser utilizados como prova no julgamento do âmbito do ‘Caso das Campas’. Em causa, a possibilidade levantada tanto pelo MP como pela assistente no processo, Paulina Alves dos Santos, de que os documentos foram forjados. A sugestão já tinha sido deixada por Alves dos Santos na primeira audiência do julgamento que tem como arguidos os responsáveis do IACM, mas numa tentativa de que mais dois crimes fossem aditados à acusação de prevaricação - de que Raymond Tam, o principal arguido, e os três colegas do instituto vêm acusados. A assistente queria que se juntasse o crime de falsificação de documentos e de prestação de falsas declarações, por considerar que os arguidos enviaram “dolosamente” ao MP documentos forjados e não originais, com carimbos apagados e alterações entre a cópia e o original e ainda que prestaram falsas declarações no decurso do inquérito a que foram sujeitos. Se no primeiro dia de julgamento ficou apenas a promessa de que o juiz iria estar atento, caso se manifestassem provas de que haveria necessidade de originar um novo processo, ontem a promessa foi adiante, ainda que apenas numa fase de investigação, para já. Paulina Alves dos Santos voltou a tocar no assunto e Paulo Chan, procurador-geral adjunto, disse ter encontrado a melhor solução para acabar com as divergências entre defesa e assistente, que discordam no que diz respeito à adição destes crimes no julgamento que decorre agora no Tribunal Judicial de Base. “Vamos emitir certidão para inquérito. Achamos estranho alguns
Estes papéis dizem respeito a ofícios emitidos pelo gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, - também tutelar do IACM - a requerer documentos relacionados com pedi-
documentos e que pode haver problemas, mas isto terá de ser um processo autónomo”, disse o MP, acrescentando que vai ser feita uma comparação a quatro conjuntos de documentos.
Os residentes da zona da Ilha Verde estão preocupados com a radiação, baixa segurança e ruídos que possam advir da construção de uma nova subestação de electricidade de alta tensão na zona. Em comunicado, o Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) afirma que a construção é necessária porque vão surgir muitos projectos de habitação pública na zona, o que vai significar um consumo de electricidade maior do que nos últimos oito anos. O GDSE garante que já está foi efectuado um estudo quanto ao nível de radiação junto à zona do Canal dos Patos. Os resultados mostram que a radiação é de 40g, abaixo dos níveis mundiais.
dos e atribuição de campas e com ofícios do instituto a responder a esses requerimentos e “estavam assinados por Marcelo Lau [Si Io], actual secretário para as Obras Públicas e Transportes, que era, na altura, presidente do Conselho de Administração do IACM. Sobre a possível dedução de uma investigação à alegada prestação de falsas declarações pelos arguidos, nada ficou decidido, sendo que apenas ficou assente que se vai avançar com o inquérito “para averiguar se os documentos são falsos e quem foi o seu autor”. A situação pode dar origem a um novo processo.
DSRT confirma mudança nos contratos de telecomunicações
Numa resposta à interpelação escrita do deputado Si Ka Lon, a Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT) admitiu que o contrato do serviço de telecomunicações será ajustado tendo em conta as mudanças no mercado. Contudo, o Governo nega que as constantes falhas de ligação e de rede sem por falta de uma regulação por parte dos operadores. A DSRT afirma que já contratou assessoria para uma revisão completa das operações das empresas, e que serão apresentadas propostas concretas para a melhoria dos serviços.
TIAGO ALCÂNTARA
Radiação baixa na Ilha Verde
AU KAM SAN INDUZ REQUERIMENTO A publicação de uma resposta de Raymond Tam ao deputado Au Kam San levou o tribunal a ter de pedir uma cópia oficial do documento à Assembleia Legislativa. Em causa o facto de Au Kam San ter dado a entender que Tam mentiu no depoimento feito na primeira audiência de julgamento. O deputado publicou uma resposta do agora suspenso presidente do IACM em dois jornais chineses no dia 10 deste mês, cinco dias depois da primeira sessão. A resposta dizia que documentos tinham sido entregues a Florinda Chan em Março, o que não correspondia com as declarações de Tam de que documentos tinham sido enviados em Maio. Ontem, o caso exigiu esclarecimentos ao tribunal, que foram feitos de forma rápida: os documentos, assegura Tam, não eram os mesmos de que se fala na resposta à interpelação do deputado, uma vez que se fala em muitos documentos diferentes no processo. Mesmo perante o pedido da defesa para que não se anexassem aos autos “documentos inúteis”, como consideram este, o tribunal decidiu pedir a cópia oficial da resposta, pedida também pelo MP. O facto levou mesmo Álvaro Rodrigues, defensor de Tam, a sugerir ao MP para arrolar Au Kam San como testemunha, em vez de se juntar um documento “inútil” aos autos. Não houve qualquer resposta sobre se o deputado vai ou não ser chamado como testemunha.
JOANA FREITAS
TIAGO ALCÂNTARA
seja extraída uma certidão para fins judiciais.” Nem o tribunal, nem MP e nem Paulina Alves dos Santos concordaram com a defesa por “não ser suficiente para fazer qualquer tipo de prova”. A assistente disse mesmo que os documentos que a defesa tentou juntar aos autos para provar a teoria eram fotocópias não autenticadas, o que é, diz, “ilegal”. Durante o julgamento, ficou a saber-se que havia conflitos entre Ng Peng In e três dos arguidos – Raymond Tam, Lei Wai Nong e Fong Vai Seng. Isto mesmo foi não só admitido pelo MP, como pela testemunha, que diz que os dirigentes davam ordens directas aos subordinados. “Dava ideia que os dirigentes influenciavam os trabalhos. Até me ausentei porque não conseguia trabalhar assim, tentavam ultrapassar-me”, começou por dizer. Ao responder ao juiz, contudo, Ng confirmou que, neste caso da entrega de documentos a Florinda Chan, foi “ultrapassado” por ser um caso “urgente” e que não foi a única vez que aconteceu. A defesa tentou ainda mostrar que Ng Peng In não estava em Macau quando o IACM tratou dessa entrega, pelo que não podia saber do que se passava no instituto. Mas há mais. Ng diz ainda que todos os arguidos - menos o quarto -, António Siu, sabiam da atribuição das campas – o que contraria o que dizem os arguidos – até porque Paulina Alves dos Santos “telefonava muitas vezes para o IACM”. António Siu foi um funcionário do IACM escolhido pela testemunha para preencher o lugar de um outro trabalhador que se aposentou. Siu foi, ao que foi dito em tribunal, “para um cargo menor que o seu”, mas ficou com o mesmo vencimento. A sessão de ontem – que durou mais de oito horas ficou ainda marcada com um pedido de esclarecimentos por parte de Raymond Tam. O arguido remeteu-se ao silêncio na parte da tarde – e depois de ter pedido para falar na primeira audiência -, mas não abdicou do direito de responder em alguns casos. Tam afirmou que Ng Peng In disse “muitas coisas que não correspondiam à verdade” e que tinha documentos que provavam isso. O tribunal, contudo, não permitiu mais alongamentos na sessão, sendo que só se saberá mais a 10 de Janeiro de 2014.
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ENSINO DO MANDARIM ALUNOS ESPERAM QUE DSEJ ABRA NÍVEL AVANÇADO
Os entraves na aprendizagem de línguas Cinco estudantes de mandarim do centro de difusão de línguas querem avançar para níveis mais avançados do idioma e não conseguem, porque o Governo exige o mínimo de 15 alunos por turma. Até propuseram pagar o curso na totalidade para avançarem no estudo, mas a DSEJ não aceitou ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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NTRAVES burocráticos estão a fazer com que alunos do Centro de Difusão de Línguas (CDL) da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) estejam à espera de chegar a níveis mais avançados no ensino do mandarim. Isto porque o Governo exige o mínimo de 15 alunos por turma para abrir um curso, o que pode demorar vários meses a acontecer. O HM sabe que cinco alunos, que já frequentaram as aulas referentes ao nível 1 de mandarim, estão parados sem poderem arrancar para os níveis mais avançados. Alexander Adurriaga, licenciado em engenharia civil e nascido em Macau, é um deles. Veio de Espanha, da zona do país basco, só para aprender a língua do continente. Contudo, passado uns meses de frequentar as aulas do nível 1, deparou-se com o problema burocrático. “O problema é o Governo exigir sempre o mínimo de 15 alunos para abrir o curso, e para o nível 1 há sempre mais de 15 pessoas. Mas como são cursos financiados há muita gente que se inscreve e depois não aparece.
Estão cinco pessoas à espera do nível 2 e não podemos avançar”, conta ao HM. “Estávamos dispostos a pagar o curso mas também não aceitaram e disseram que eram necessárias 15 pessoas. Não sei qual é o problema, se estamos dispostos a pagar.” Os cursos estão abrangidos pelo Programa de Aperfeiçoamento Contínuo e, por isso, são financiados para quem é portador do BIR permanente ou não permanente. Estes só pagam a propina base, no valor de 100 patacas. No total, o curso custa cerca de 1900 patacas.
ESTUDAR O NÍVEL 1 DUAS VEZES
Alexander passou mesmo por uma situação caricata. “Como sabem que não posso continuar, disseram-me que não havia problema, que podia fazer de novo o nível 1. Mas esse eu não preciso de fazer, porque já passei. Quero é fazer o nível 2.” Apesar deste caso se passar com alunos de mandarim, os entraves causados pelo número de alunos podem acontecer na aprendizagem de outras línguas. Em resposta escrita enviada ao HM, a DSEJ confirma que “tem vindo a organizar o curso básico de mandarim nos níveis de iniciação e intermédio”, bem como outros cursos de
cantonense, “a fim de facultar (aos alunos) a oportunidade de aprender as línguas faladas na região”. Contudo, admite que são oferecidos “cursos de línguas de vários níveis, desde o nível de Iniciação até ao Aperfeiçoamento”, mas que “estes cursos são realizados apenas quando existe um número suficiente de alunos”. A DSEJ nega ainda que aconteçam situações como as que Alexander vivenciou. “O CDL nunca aconselhou os alunos a frequentarem duas vezes o nível de Iniciação do mesmo curso. Os alunos só podem frequentar um curso mais avançado, após serem sujeitos a uma avaliação e obterem aprovação na mesma.”
OPÇÃO: PRIVADO OU CHINA
Estando sem qualquer ocupação, Alexander pondera agora estudar o mandarim do outro lado da fronteira. Procurou escolas privadas em Macau, mas só encontrou uma. “Aqui não há facilidades para estudar o mandarim, o que acho estranho porque é a língua da China. Fui perguntar como era numa escola na Avenida Horta e Costa, mas também havia esse problema de precisarem, no mínimo, de seis ou sete alunos. Podia ter
aulas individuais, mas achei muito caro: tinha de pagar 270 patacas por hora.” À espera de visto, Alexander pondera agora ir para Zhuhai. “Vou informar-me como me posso inscrever. Há mais coisas na China. Não é que eu não queira aprender cantonense, mas aprender duas línguas ao mesmo tempo é muito difícil. Escolhi o mandarim porque como tenho o curso de engenharia civil estou a pensar que, com o mandarim, espanhol, basco e inglês, é bom para mim e para o meu futuro.” Sandra Conceição, portuguesa com BIR, começou as aulas no inicio do ano. Fez os níveis 1 e 2, e depois ficou à espera. “Começou a época do verão e não abriu o nível 3, voltou a abrir o 1 e eu inscrevi-me de novo. E em vez de abrirem o nível 2, abriram outro nível 1. Dizem sempre que depende do número de inscrições e não tenho a certeza de nada”, diz ao HM. “Uma pessoa inscreve-se, aplica-se nos cursos e depois acaba por se esquecer”, aponta Sandra, que só não aprende na China porque tem trabalho. Tentou o privado, mas também acha os cursos caros, na ordem das 1800 patacas. “Aqui em Macau
não é assim tão fácil aprender mandarim ou cantonense, sei de muitos casos como este.”
PROFESSORES SÃO SUFICIENTES
Com 28 alunos a frequentarem o curso de cantonense básico e 16 a estudarem no curso básico de mandarim, a DSEJ garante que não pretende aumentar o número de professores. “Dispomos de um número suficiente para o ensino destas línguas. Podem ser abertos mais cursos no futuro, de acordo com as necessidades.” “A DSEJ tem vindo a desenvolver todos os esforços no sentido de promover e divulgar não só a língua portuguesa e o mandarim, mas também a língua inglesa, dado o papel de plataforma (de Macau)”, acrescenta. Só este ano o CDL já teve 14 turmas do curso de mandarim, nos níveis de iniciação, intermédio e avançado, com cerca de 230 alunos. Em relação a outros idiomas, houve 22 turmas de português nos três níveis, incluindo aperfeiçoamento, com 453 alunos. Houve ainda 29 turmas para quatro tipo de cursos em inglês, com 549 alunos. Através do Programa de Aperfeiçoamento Contínuo já foram aprovados 9600 cursos, onde se inclui, além dos idiomas acima mencionados, o coreano, japonês, italiano e espanhol.
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CHINA
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RENAULT UNE-SE À DONGFENG PARA ENTRAR NO MERCADO CHINÊS
Aproximação estratégica A Renault, última das grandes fabricantes de automóveis do mundo que ainda não estava na China, fechou esta segunda-feira um acordo com a fabricante Dongfeng que permitirá entrar num dos mercados mais importantes do mundo. A aliança é uma “aproximação estratégica” porque a Dongfeng tem “um conhecimento incomparável do mercado chinês”, o que permitirá “explorar novas fronteiras”, disse o presidente da Renault, Carlos Ghosn, esta segunda-feira numa cerimónia em Wuhan, a capital da província central de Hubei, sede da aliança. A Renault é a única dos dez grandes grupos de automóveis do mundo que ainda não constrói veículos na China. “Se não produzirmos na China não teremos nenhuma possibilidade de superar em meio ponto ou um ponto a participação de mercado, já tivemos essa experiência”, disse Ghosn. Os dois grupos terão, cada um, 50% do capital da nova empresa, resultado de um investimento comum de cerca de 9 mil milhões
Abolição da “reeducação através do trabalho” pode ser “mudança cosmética”
A Amnistia Internacional (AI) alertou ontem que a anunciada intenção do governo chinês de abolir o sistema de “reeducação através do trabalho”, introduzido há mais de meio século, poderá ser “uma mudança cosmética”. “Há um risco real que as autoridades chinesas irão abolir um sistema de detenção arbitrária apenas para alargar a sua utilização a outros tipos de punição”, sublinha um relatório da AI, difundido um dia depois de ter sido anunciado que a China se prepara para abolir o sistema de “reeducação através do trabalho”, conhecido como “laojiao”. A abolição do “laojiao”, prometida em Novembro pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês, faz parte da agenda da próxima reunião do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular (parlamento), que decorrerá de 23 a 28 de Dezembro.
de patacas. A produção inicial, que começará em 2016, será de 150.000 carros por ano, com o objectivo de vir a alcançar o dobro da produção. A médio prazo, a Renault quer alcançar vendas “próximas de 500.000 unidades”, informou Gilles Normand, director de operações da região Ásia-Pacífico em uma conferência via telefone.
NOVOS MODELOS
Ambos os grupos estabelecerão um centro de investigação e desenvolvimento na China com 200 pessoas para desenvolver novas tecnologias para carros eléctricos e híbridos. “A China tem muito potencial de crescimento e uma das maiores oportunidades é o desenvolvimento dos veículos de poucas emissões, um sector em que a Renault é líder na Europa”, lembrou Ghosn. A fabricante francesa espera que o sócio chinês abra as portas deste grande mercado, enquanto a Dongfeng quer aproveitar a tecnologia da Renault em veículos eléctricos e híbridos. A Dongfeng é um actor importante do mercado chinês, o segundo
do país, e em 2012 vendeu 3,08 milhões de carros, com uma quota de 16% do mercado. A empresa tem, para além disto, há dez anos, uma aliança com a Nissan, o aliado japonês da Renault. Em 2012, Dongfeng-Nissan vendeu 773.000 veículos e tem cerca de 8% da parcela de mercado. “Esperamos um sucesso similar”, disse Xu Ping, presidente da Dongfeng, que afirma que a aliança com a Nissan “tem bases sólidas”. “Ganharemos competitividade e isso vai ajudar-nos a crescer no exterior”, acrescentou. A Dongfeng também tem uma aliança com a francesa PSA Peugeot Citroën, concorrente da Renault, mas segundo Carlos Ghosn isso não significa “um obstáculo” para seu desenvolvimento no país. A China, onde as vendas de carros crescem de forma exponencial, é considerada um mercado crucial para as fábricas estrangeiras, que, no resto do mundo, enfrentam uma queda da procura. Nos onze primeiros meses de 2013, as vendas de carros na China aumentaram 13,5% e alcançaram 19,86 milhões de unidades.
PEQUIM DIZ QUE ATAQUE EM XINJIANG FOI PRATICADO POR GRUPO TERRORISTA
Activista exilado acusa autoridades A
China alegou que o confronto entre a policia e civis na localidade de Shufu, sudoeste de Kashgar e perto da fronteira com o Tajiquistão, foi organizado por um pequeno grupo terrorista. A agência oficial de notícias Xinhua noticiou que 16 pessoas foram mortas no acontecimento, dois policias e 14 assaltantes. A província de Shufu fica localizada na região de Xinjiang, onde a maior parte da população é de etnia muçulmana uigure - uma minoria que habita a região há muito tempo -, mas onde cresce o número de rebeldes. O governo chinês classifica estes incidentes como ataques terroristas ligados a grupos radicais estrangeiros, embora haja poucas provas de que os ataques são meticulosamente organizados. Em muitos casos, a violência parece ser causada pela revolta por razões de pobreza ou por regras estritas da cultura uigure. A Xinhua descreveu os assaltantes como terroristas e disse que uma primeira investigação revelou
que estes pertencem a um pequeno grupo de 20 pessoas, liderado por um homem identificado como Hasan Ismail. A Xinhua disse ainda que seis membros do grupo foram capturados, mas não informou se Ismail estava entre os mortos ou os detidos.
A agência informou também que as autoridades procuravam Ismail em Shufu, quando foram atacadas por pessoas com explosivos e armas de fogo na noite de domingo. O activista Dilxat Raxit, da etnia uigure e exilado na Suécia,
disse que o incidente é o mais novo exemplo de como as forças de segurança da China estão a optar por matar suspeitos em vez de os capturar e levá-los a julgamento. “Agora estão a abrir fogo e a matar pessoas, dizendo depois que são terroristas”, disse.
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S gatos foram domesticados na China, e não no Egipto, como acreditavam os cientistas. A descoberta, publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences“ (PNAS), baseia-se na análise de oito ossos de gatos escavados na vila de Quanhucun. Os investigadores afirmam tratar-se da primeira prova directa do processo de domesticação dos animais. “Os resultados deste estudo mostram que a aldeia de Quanhucun era uma fonte de alimento para os gatos há 5.300 anos atrás, e as relações entre os seres humanos e os animais eram comensais e vantajosas para os gatos” disse Fiona Marshall, professora de arqueologia da Universidade Washington em St. Louis, Estados Unidos. “Mesmo que estes gatos ainda não fossem domesticados, a nossa pesquisa confirma que estes viviam em estreita proximidade com os agricultores e que o relacionamento tinha benefícios mútuos”. Os gatos selvagens são raramente encontrados em zonas arqueológicas, por isso os cientistas têm dificuldade em mostrar como e quando aconteceu a sua domesti-
GATOS FORAM DOMESTICADOS NA CHINA HÁ CINCO MIL ANOS
Descoberta primeira prova directa cação. A teoria mais utilizada até o momento apontava para que estes teriam sido domesticados há cerca de quatro mil no Egipto Antigo, mas estudos recentes sugerem que a aproximação teria acontecido bem antes, incluindo a descoberta de um gato selvagem enterrado com um ser humano há quase 10 mil anos, em Chipre. Embora os investigadores já apontassem que os pequenos roedores haviam atraído os gatos para aldeias agrícolas, a primeira prova surgiu num estudo chinês liderado por Yaowu Hu e a sua equipa da Academia de Ciências da China. Os investigadores analisaram oito ossos de pelo menos dois gatos descobertos numa zona arqueológica perto de Quanhucan. Um deles era idoso, indicando que os animais viviam bem na região. Usando datação por rádio-carbono e análises isotópicas de vestígios de carbono e nitrogénio,
os pesquisadores descobriram que roedores, cães domésticos e porcos da antiga aldeia comiam milho. As análises mostraram que os gatos estavam a caçar animais, provavelmente roedores que viviam em plantações de milho. O design dos potes de armazenagem dos grãos e as tocas de roedores perto dos armazéns serviram de prova de que os agricultores tiveram problemas com os pequenos animais na região. Portanto, os gatos poderiam ter sido utilizados para proteger as suas lojas. A teoria é corroborada pela análise do carbono e de nitrogénio que apontaram que, apesar de se alimentar de roedores, os gatos estavam a comer menos animais e mais milho do que o esperado. A descoberta indica que os gatos estavam a sendo alimentados por humanos ou que comiam os seus restos.
TÓQUIO VAI AUMENTAR DESPESAS MILITARES EM PLENA TENSÃO COM PEQUIM
Caminho tortuoso e muito perigoso O Governo japonês decidiu ontem aumentar em 5% as suas despesas militares nos próximos cinco anos para adquirir equipamentos de defesa de territórios insulares em plena tensão com a China, informou a agência AFP. O primeiro-ministro conservador, Shinzo Abe, deu luz verde a despesas de cerca de 1.75 bilião de patacas entre 2014 e 2019, que abrangem a compra de drones, aviões de descolagem vertical, veículos anfíbios e submarinos. Com os novos equipamentos, o Japão pretende dotar-se de “forças de defesa conjuntas dinâmicas” capazes de fazer face a uma invasão combinada no ar, mar e terra. “A China (...) está a seguir um caminho perigoso que poderá levar a situações de emergência imprevistas”, refere a nova estratégia aprovada ontem. As relações entre o Japão e a China têm vivido momentos de
tensão no último ano devido à disputa da soberania do arquipélago das Diaoyu, inabitado no Mar da China administrado por Tóquio mas reivindicado por Pequim. A China envia regularmente navios para as imediações destas ilhas, a 200 quilómetros de Taiwan
e a 400 quilómetros a oeste de Okinawa, no sul do Japão. A 22 de Novembro, a China declarou uma “zona área de identificação” sobre grande parte do Mar da China Oriental, que se sobrepõe à do Japão e engloba o arquipélago no centro da disputa territorial.
Tecnicamente, Pequim exige que qualquer aparelho que atravesse essa área se identifique, mas o Japão, os Estados Unidos e a Coreia do Sul já fizeram voar aparelhos militares na região sem informar Pequim, a fim de mostrar que ignoram a sua exigência.
Avaliado controlo sobre investimento directo transfronteiriço em yuan
O Ministério do Comércio (MOC, na sigla em inglês) anunciou esta segunda-feira que aliviará ainda mais o controlo sobre o investimento directo transfronteiriço em yuan, moeda chinesa, a fim de facilitar o investimento. Sob a nova regra do MOC, os procedimentos de aprovação para o investimento directo denominado em yuan dos investidores estrangeiros serão mais simplificados. A nova regra entrará em vigor a 1 de Janeiro de 2014. No investimento directo transfronteiriço em yuan, os investidores estrangeiros podem usar legalmente a moeda chinesa adquirida para investir no país asiático em projectos de fundação de empresas, aumento de investimentos ou participação em fusões e aquisições de empresas chinesas, disse o MOC em comunicado.
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EVENTOS
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CO-PRODUÇÃO ENTRE HOLLYWOOD E CHINA DEVE CRESCER EM 2014
Ano de optimismo D
EPOIS de cerca de dois anos de negociações e especulações, os Estados Unidos e China devem finalmente assinar um contrato de co-produção entre Hollywood e a indústria do país asiático, que se tornou recentemente o mercado preferido para os estúdios americanos. Neste período, produtoras como a Legendary Entertainment e a Relativity Media investiram em parcerias com a China, mas sem grandes frutos. A Relativity chegou a assinar com o grupo de investidores IDG, mas falhou na tentativa de introduzir algum blockbuster no mercado chinês. Como tentativa de aproximação entre os países, as co-produções incluíram personagens ou elementos da cultura local em filmes de super-heróis, mas também sem grande sucesso. “Nenhum destes acordos aconteceu da maneira que esperávamos”, afirmou o co-presidente da empresa de investimentos americana Film Finances Steve Ransohoff, alegando que a
censura do país e as regras estabelecidas pelo órgão regulamentador do Partido Comunista, o Sarft (sigla para State Administration of Radio, Film, and Television), foram os principais obstáculos enfrentados nas parcerias. Além disto, a valorização do cinema chinês pelos chineses deixou de fora do circuito comercial filmes de grandes bilheteiras, como
a animação Gru - O Maldisposto 2, vetado em Julho deste ano devido a uma tentativa proteccionista do governo para diminuir o entusiasmo em torno das animações estrangeiras. No entanto, de acordo com uma publicação da revista americana The Hollywood Reporter, tudo indica que 2014 será um ano de optimismo para ambos os mercados, devido à reforma
assinada em Novembro deste ano que elimina algumas barreiras para os investimentos estrangeiros na China, principalmente na indústria do entretenimento. Um dos precursores desta co-produção será o realizador John Woo, que deve realizar parcerias com a produtora americana Lion Rock Productions para a longa metragem The Crossing e Flying Tigers, uma co-produção entre a China Film Group e a Dasym Investment Strategies and Exclusive Media sobre o drama de pilotos americanos que se juntaram à força aérea chinesa durante a Segunda Guerra Mundial. A produtora chinesa Sun Media Group também assinou uma parceria com a investidora Harvest Fund Management para criar um fundo de cerca de 6 mil milhões patacas para investir no mercado de entretenimento local. Também existem rumores de que a Weinstein Co., dos irmãos Bob e Harvey Weinstein, irá produzir a sequência da longa metragem, O Tigre e o Dragão (2000), que tem o início das filmagens previsto para Junho de 2014. Para finalizar, em Novembro a Universal anunciou que tem planos concretos para abrir uma filial chinesa em Pequim, o que pode aumentar ainda mais o número de co-produções e parcerias milionárias, senão bilionárias, entre a China e Hollywood.
IC DIVULGA PRÉ-SELE À PRODUÇÃO CINEMA
Dez cand O Instituto Cultural (IC) seleccionou dez candidaturas apresentadas ao Programa de Apoio à Produção Cinematográfica de Longas Metragens
CICLO DE CINEMA EM PEQUIM
Relembrar Yasujirō Ozu MARIA JOÃO BELCHIOR Em Pequim
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M dos mais importantes realizadores japoneses e um dos mais influentes no cinema independente mundial está a ser homenageado com um ciclo de cinema em Pequim. Yasujirō Ozu nasceu em 1903 e viveu até 1963. Este ano marcam-se 110 anos do seu nascimento, assinalados com quase duas semanas de filmes com entrada livre na capital chinesa. Mas marca-se também o aniversário da morte. Yasujirō faleceu no dia que fazia 60 anos, a 12 de Dezembro de 1963. O clássico “Tokyo Story”,
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LUTO PELA FELICIDADE DOS PORTUGUESES • Rui Zink
Irónico, já se sabe, e verdadeiro (também já se sabe). Entre os jogos dos afectos e desafectos, da conjugalidade normal e da loucura mansa deste povo à beira-mar pasmado, Rui Zink luta seriamente contra a morte da capacidade de nos pensarmos e de rirmos de nós próprios e da nossa vidinha.
uma história sobre a família e a diferenças geracionais no Japão, abriu os doze dias de filmes. Yasujirō Ozu realizou 54 filmes durante a sua vida. Destes apenas 30 sobrevivem. Característicos pelos planos parados, pelo detalhe filmado ao pormenor, a carreira do realizador japonês marcou não só uma época no Japão mas também uma forma de fazer cinema. Resultado de uma parceria entre o Centro de Arte contemporânea Ullens em Pequim e a Fundação Japonesa, é a primeira vez que se organiza um ciclo da obra cinematográfica do realizador. A decorrer até dia 22
de Dezembro, o ciclo tem palestras organizadas com professores universitários e críticos de cinema que vão discutir a obra do realizador. No conjunto a retrospectiva mostra sete filmes onde o tema da família e da sociedade se destacam. Entre os títulos que vão desde 1953 até 1962 destacam-se ainda o “Outono Tardio”, “Flor do Equinócio”, “Uma Tarde de Outono”, e o documentário sobre a obra de Ozu realizado em por Kazuo Inoue em 1983 com o título “Eu vivi, mas...”. Tratando-se de um mestre para muito dos seguidores da Sétima Arte, a mostra em Pequim repete cada filme duas vezes.
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FUMO SAGRADO • Guillermo Cabrera Infante
“Fumo Sagrado” é mais do que um livro - são vários: é uma história do tabaco que começa com a sua descoberta, em 1942, por um marinheiro da tripulação de Cristóvão Colombo; é uma celebração do tabaco e do acto de fumar, essa prática bizarra; e uma rapsódia em que intervêm o cigarro e cachimbo. Mas é, sobretudo, uma cónica erudita da relação entre o charuto e o cinema. Cabrera Infante, ele próprio um consumidor apaixonado de «puros», é o guia e o narrador das extraordinárias histórias ligadas a um prazer que faz «sempre recordar um tempo que nunca existiu». Um livro para apreciadores dos prazeres do fumo.
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ECCIONADOS PARA O PROGRAMA DE APOIO ATOGRÁFICA DE LONGAS METRAGENS 2013
didatos para quatro lugares 2013, para a segunda análise daquele programa. Um Painel de Adjudicação, composto por profissionais de cinema convidados de Hong Kong, Taiwan e
PUB
Macau e por representantes do IC, foi responsável pelos trabalhos de selecção da primeira fase, informa o comunicado de imprensa da organização. Durante os dois
dias de reunião do Painel de Adjudicação, os membros analisaram e discutiram assuntos relacionados com os dados dos participantes e os seus trabalhos anteriores,
a sinopse do argumento, resumo do enredo cena-a-cena, biografias e currículo da equipa de produção, bem como as propostas e orçamentos para a produção das longas-metragens apresentadas. Os membros do Painel deram ainda a sua opinião profissional sobre todos os projectos apresentados, acrescenta a nota de imprensa. Os dez seleccionados para a segunda fase de análise, foram Chung Chi Wing, Ho Fei, Choi Ian Sin, Lei Ka Hon, Hoi Kuok Meng, Ivo M. Ferreira, Zeka Laplaine, Wong Teng Teng, Choi On On, e Chan Ka Keong. A partir de agora, o IC aceita os documentos de candidatura à segunda análise dos candidatos admitidos à segunda fase de onde sairão no máximo, quatro candidatos como finalistas do presente programa; cada um poderá ser subsidiado num montante máximo de um milhão e quinhentas mil patacas. O prazo de entrega das candidaturas é 18 de Fevereiro de 2014.
Deng Xian Yeng no Centro UNESCO de Macau
Com organização do Albergue/SCM, a Sala de Exposições do Centro Unesco de Macau, no NAPE, acolhe esta quarta-feira, a partir das 18:30, a exposição de Pintura e Caligrafia de Deng Xian Yeng, “Regresso à Essência Antiga”. Deng Xian Yeng, também conhecido por Ji Tong, nasceu em Lichuan, na província de Jiangxi em 1958, e apresentará, em Macau, cerca de setenta trabalhos. O artista é vice-presidente do Instituto de Pesquisa de Pintura e Caligrafia da China e vice-presidente da comissão de arte do jornal China Art Post. Co-organizada pelo CAC – Círculo dos Amigos da Cultura e com o patrocínio da Fundação Macau, a exposição estará aberta ao público todos os dias das 10H00 às 19H00, até 31 de Dezembro. A entrada é livre.
Norte-americanos Bon Jovi fizeram a digressão mais lucrativa de 2013
A banda rock norte-americana Bon Jovi protagonizou a digressão mais lucrativa de 2013, segundo dados da revista norte-americana Billboard. A digressão, que passou por Lisboa em Junho e que somou 90 concertos esgotados, rendeu ao grupo cerca de 1.5 mil milhões de patacas, tendo sido vista por cerca de dois milhões de espectadores. A banda de Jon Bon Jovi já tinha atingido o mesmo feito em 2008 e em 2010. Da lista das mais lucrativas digressões de 2013 fazem ainda parte “Michael Jackson - The Immortal World Tour”, da companhia canadiana Cirque du Soleil, e a da cantora Pink. Em quarto lugar surge Bruce Springsteen & The E Street Band.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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António Graça de Abreu
NO TEMPLO DE KUMBUM 青海QINGHAI, TIBETE ORIENTAL
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STO é como tudo na vida. Avança-se quando se conhecem os caminhos, acontecem percalços na via a percorrer e no objectivo a alcançar, podemos tropeçar no sílex das agruras da jornada mas sabemos minimamente para onde vamos. Desde Xining, capital de Qinghai eu sabia mais ou menos para onde queria ir, ignorava como lá chegar. A viagem, não muito longa, era para Ta’er Si, um famoso templo do budismo tibetano, a pouco mais de trinta quilómetros de Xining. Dizem-me que existem autocarros públicos que nos levam até ao mosteiro. Onde se apanham? “É fácil, suba por esta avenida, quando encontrar o hotel Hong Li tem por cima outra estrada, é lá a paragem dos autocarros pequenos para Ta’er Si.” Escrevem-me os três caracteres 塔尔寺que significam aproximadamente “Templo dos Pagodes ou das Torres”, memorizo-os e sigo as indicações. Chegado ao alto, à tal avenida, vejo duas carrinhas estacionadas. Nenhuma delas tem escrito Ta’er Si na placa que indica o destino, vão para outros lugares. Questiono um dos motoristas. “Não é aqui, suba para a outra avenida, depois do viaduto. Na
paragem dos autocarros espere pelas carrinhas para Ta’er Si.” Avanço mais uns quatrocentos metros e aí estou no local aparentemente certo. Chega um autocarro pequeno com Ta’er Si escrito na placa da frente. Entro. Pergunto ao motorista, “Vai para Ta’er Si?” O homem diz-me: “Não, eu venho é de Ta’er Si. Para o mosteiro, a paragem é do outro lado da rua”. Troquei o caminho de ida pelo caminho de regresso, nada de estranho para quem tem dúvidas face a tanto sobe e desce, face a tanta curva e às direcções exactas do sul e oeste numa cidade de Xining que começo agora a conhecer. Célere, encontro a carrinha certa rumo a Ta’er Si. Depois dos restos desinteressantes dos arredores de Xining, começamos a subir quase até aos 3.000 metros de altitude (Xining está situada a 2.350 metros). No fim da linha, chegamos à vilazinha de Huangzhong, cheia de chineses, também com tibetanos e muçulmanos. Não há nenhum mosteiro à vista. Onde fica Ta’er Si? “Ah, Kumbum! Suba, suba pela estrada em frente, menos de um quilómetro a pé e encontra o Kumbum.” O mosteiro tem portanto dois nomes, 塔 尔寺Ta’er Si em chinês e Kumbum em tibetano, o que significa no idioma do
Dalai Lama, “cem mil corpos iluminados de Buda” numa alusão a uma árvore gigantesca com cem mil folhas nascida neste lugar, cada folha com uma figura budista. Subo, subo e entro no complexo de edifícios. Arcos votivos, stupas, pagodes, pavilhões e templos, tudo em arquitectura tibetana, de quando em quando com elementos chineses. Com o bilhete de entrada, compro o roteiro do excelente lugar. Pode-se não comprar bilhete e avançar pelos espaços dos templos. Mas como turista estrangeiro (uma raridade!) ou turista chinês é necessário o bilhete para ter acesso ao interior de uma dúzia de edifícios. Os tibetanos (tantos!...) que vêm rezar e prostrar-se diante de budas e stupas têm todo o Kumbum para si, é a sua casa de oração e o único bilhete de entrada que adquirem é o da promessa de, nas orações e prostrações, com Buda e os espíritos das puras montanhas nevadas da sua pátria, caminharem para uma vida melhor, a reencarnação perfeita, para o paraíso budista. O conjunto de construções separadas umas das outras, com diferentes denominações como os Oito Pagodes, o Templo das Telhas Douradas, Salão das Esculturas em Manteiga de Iaque,
o Templo da Longevidade, etc., distribui-se harmoniosamente pelo vale e pela encosta dos montes circundantes. Kumbum está rodeado por oito colinas e fico a saber que as associam a oito pétalas de lótus, verdes no Verão e no Outono, imaculadamente brancas no Inverno e na Primavera, quando as colinas se cobrem de neve. É tanta a semelhança com um lótus, de pétalas ora verdes ora brancas que templos e monges, vistos de cima correspondem aos estames e aos carpelos entre as pétalas da enorme flor de lótus. Em 1845, o padre lazarista francês Évariste Huc passou três meses nos templos do Kumbum, tentando aprender a língua tibetana antes de empreender a sua fantástica viagem para Lhasa. Deixou-nos uma original descrição do lugar que não resisto a transcrever, traduzindo do francês: “A lamasaria de Kumbum conta aproximadamente com quatro mil lamas. A sua posição no terreno mostra um aspecto fascinante. Vemos uma montanha cortada por uma ravina larga e profunda de onde saem grandes árvores. Dos dois lados da ravina, nos flancos da montanha elevam-se em anfiteatro as habitações brancas dos lamas, todas de tamanho diferente, todas rodeadas por um muro, encimadas por pequenas varandas. Entre estas casas modestas surgem numerosos templos budistas com tectos dourados, faiscantes de mil cores.”1 Alexandra David-Néel (1868-1967), a grande tibetóloga francesa viveu neste mosteiro durante três anos e o também francês Paul Pelliot (1878-1945), um dos maiores vultos de sempre da Sinologia mundial, permaneceu no Kumbum durante largos meses. O mosteiro conta quinhentos anos de História. Neste lugar nasceu em 1357 o venerando Tsonkhapa, o fundador da seita e escola Gelugpa ou dos Chapéus Amarelos do lamaísmo tibetano, considerado uma reencarnação do bodhhisattva Manjusri, buda da Sabedoria. O mosteiro foi construído em 1560 exactamente na sagrada terra natal do grande lama Tsonkhapa. Hoje é habitado por cerca de 800 simpáticos monges que estudam e rezam nos vastos espaços dos templos. Funciona também como escola do budismo tibetano desde o ano 1612, onde os monges, para além de se exercitarem na disciplina da lei de Buda, aprendem história, astronomia, astrologia, medi-
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cina, literatura e cultura budista para o que contam com uma excepcional biblioteca com milhares de sutras e outros livros sagrados. Os lamas tibetanos têm tido problemas com a polícia e o exército chinês que por diversas vezes, face à hostilidade silenciosa ou manifesta dos seguidores do Dalai Lama, lhes invade os espaços do templo, agride lamas e procede a numerosas detenções. É o equilíbrio instável entre tibetanos e chineses. Tanto sofrimento para as gentes do Tibete que tem levado, inclusive, a auto-imolações pelo fogo (setenta e seis no ano de 2012) de monges tibetanos! Convirá também recordar que o actual Dalai Lama nasceu nesta província do Qinghai, na aldeia de Taktser que se situa apenas 60 quilómetros a sudeste do templo de Kumbum. E a sua casa, vigiada pela polícia chinesa, é lugar de veneração. Um dia inteiro a passear-me pelo Kumbum. Quase no fim da visita (gostava também de ficar aqui durante umas semanas ou meses!) falta-me subir ao Palácio de Larang ou dos Bons AuspíPUB
cios. Hesito, valerá ainda a pena, depois de me perder e de me encontrar com Buda em tantos templos maravilha – é necessário subir uma longa escadaria e os sessenta e seis anos já pesam --, valerá a pena a ascensão aos salões e pavilhões onde se costumam alojar os grandes lamas, de passagem pelo esplendor do lugar? Avanço, subo. Nas escadas encontro um grupo de meninos tibetanos, de uma escola primária da região. Descem ao meu encontro bem ataviados nas suas roupas coloridas. Rodeiam este pobre estrangeiro, um alarido e uma festa, dizem em chinês美国人, “meiguoren, meiguoren!”, ou seja “norte-americano”. Por estas paragens, para os miúdos tibetanos ou chineses pouco ou nada habituados a contactar com estrangeiros, os ocidentais são sempre “meiguoren”. Eu aviso-os de que não sou “meiguoren” mas sim 欧洲人 “ouzhouren”, quer dizer, “europeu”. Não falei em葡萄牙“Putaoya”, o nome de Portugal em chinês, porque, de certeza as crianças não associariam o topónimo ao nome de algum dos poucos países estrangeiros que conhecem.
Tiro umas tantas fotografias ao alegre bando de meninos e meninas tibetanas, a esvoaçar na singular magia dos espaços de um dos grandes templos lamaístas do Tibete. Divertidos, dizem-me adeus, descem, eu continuo a subir. No alto, o conjunto de salas e quartos, tudo cem por cento tibetano, impressiona pela decoração, os murais, as colunas, os tankas pintados pendurados, as tiras de brocado, as bandeiras, o mobiliário, os tectos, as cores esfuziantes do todo. Num cubículo, um monge desdobra a sua cantilena monótona na recitação de sutras, acompanhado pelo bater ritmado de um pequeno tambor. Subo mais escadas e chego ao último quarto do pavilhão no topo da colina. É um aposento dourado, amarelo, vermelho, verde, branco destinado aos maiores de todos os lamas. Sentado num banco, um monge de meia idade zela pela manutenção e segurança do quarto. Sobre a grande cama, uma fotografia do actual Dalai Lama, a única que vi no Kumbum. As autoridades chinesas proíbem as fotos do Dalai Lama em toda a China e claro,
no Tibete, mas já em 1992, em Lhasa, no templo de Jokhang, o mais sagrado das terras tibetanas, eu tinha visto uma fotografia do Dalai Lama meio escondida atrás de um altar. A polícia costuma retirá-las mas os monges tibetanos voltam a colocá-las subrepticiamente nos lugares de culto. Ali no Kumbum, a imagem do Dalai Lama estava sobre a cama onde, no passado, haviam dormido outros dalais. Disse em chinês ao monge que me olhava, silencioso, parado, sentado no seu banco no canto do quarto “wo feichang xihuan Xizang, wo feichang xihuan Dalai Lama”, ou seja, “gosto muito do Tibete, gosto muito do Dalai Lama.” O monge entendeu, levantou-se, aproximou-se de mim, fixou os olhos nos meus, não disse uma palavra, mas nos seus olhos húmidos e brilhantes, tremulavam as águas de um lago de ternura, estremecia a vastidão de um oceano de sabedoria. 1 - R. P. Évariste Huc, Dans le Thibet, Paris, Librairie Plon, 1926, pag. 31.
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Jorge de Sena
SEIS POETAS SURREALISTAS NAS 2. ANTÓNIO PEDRO
1. JOSÉ DE ALMADA NEGREIROS José Sobral de Almada Negreiros nasceu na Roça Saudade, Ilha de São Tomé, e não em Lisboa, como tem sido dito, a 7 de Abril de 1893. Fez os seus estudos primários e secundários sucessivamente no Colégio de Campolide, Liceu de Coimbra e Escola Nacional de Lisboa. De 1919 a 1920 seguiu estudos de pintura em Paris, e de 1927 a 1932 viveu em Espanha, onde trabalhou bastante em decorações de casas de espectáculos e outros edifícios. Realizou diversas exposições individuais desde 1912, e participou em várias exposições colectivas de arte moderna, quer em Portugal, quer no estrangeiro. Pela sua obra plástica, que o classifica entre os primeiros valores da pintura moderna; pela sua obra literária, que vibra de uma igual e poderosa originalidade; pela sua acção pessoal através de artigos e conferências – Almada Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, foi, pode dizer-se que desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa, e uma das que mais decisivamente contribuiu para a criação, prestígio e triunfo de uma mentalidade moderna entre nós. Autor doManifesto Anti-Dantas, componente do Grupo de Orpheu,colaborador de Portugal Futurista, de Contemporânea, deAthena, com larga colaboração em jornais e revistas, ������������������� da perdirector deSudoeste, descobridor spectiva dos ladrilhos no políptico de Nuno Gonçalves, Almada Negreiros é hoje uma figura de primeira plana. Mas, no conjunto da sua vasta e multímoda
obra, a produção poética não ocupa, no conhecimento do público, o lugar a que tem jus. Poder de veemência apostrófica, força irónica, graciosidade formal, profundeza de visão, simplicidade total de uma expressão que reconquistou uma ingenuidade originária, são aspectos da sua criação poética sempre vigorosa e elegante, de uma extrema capacidade de visionarismo plástico, aliada a uma nitidez linear do estilo, um estile que equilibra o mais saboroso coloquialismo popular, e até lisboeta, com um poder de abstraccionismo geometrizante muito concorde com as orientações predominantes do seu entendimento plástico do mundo. Faleceu em Lisboa, a 15 de Junho de 1970. A SOMBRA SOU EU A minha sombra sou eu, ela não me segue, eu estou na minha sombra e não vou em mim. Sombra de mim que recebo luz, sombra atrelada ao que eu nasci, distância imutável de minha sombra a mim, toco-me e não me atinjo, só sei dó que seria se de minha sombra chegasse a mim. Passa-se tudo em seguir-me e finjo que sou eu que sigo, finjo que sou eu que vou e que não me persigo. Faço por confundir a minha sombra comigo: estou sempre às portas da vida, sempre lá, sempre às portas de mim!
António Pedro da Costa nasceu a 9 de Dezembro de 1909 em Nossa Senhora das Graças, Praia, Cabo Verde. Estudou Direito e Letras em Lisboa e frequentou a Sorbonne. Viveu em Paris, em Londres (onde durante a Segunda Guerra Mundial a sua atividade na BBC foi uma das raras vozes livres portuguesas), em África, no Brasil, etc., e os últimos anos da sua vida em Moledo do Minho (onde morreu a 17 de Agosto de 1966), tendo sido no Porto director, encenador e professor de teatro no T. Experimental do Círculo de Cultura Teatral. A sua acção encontra-se ligada a todos os movimentos artísticos de vanguarda e foi um dos principais animadores, a partir da fundação do agrupamento «Pátio das Comédias», da re-novação do nosso teatro. Pintor e escritor, expôs diversas vezes em Portugal e no estrangeiro, pertenceu ao Movimento Surrealista de Londres e foi à sua volta que se formou o primeiro grupo português. Foi fundador da revista Variante, um dos principais colaboradores de Mundo Literário e de Unicórnio e números seguintes desta publicação, e tem larga colaboração ensaística e crítica em jornais e revistas, além de volumes de crítica de arte. A sua versati· lidade – também como ceramista iniciou uma renovação formal – e o seu multímodo talento têm, aos olhos de muitos, desvirtuado a unidade essencial de uma notabilíssima personalidade, entusiástica e original, com um extraordinário sentido do sabor das palavras, e que escreveu uma obra-prima do «romance surrealista»: Apenas Uma Narrativa (1942), em que a imaginação, tantas vezes abstraccionante, do surrealismo adquire, como na sua pintura, um peso de regionalismo, de truculência campestre, de visão poética de uma realidade que transborda de símbolos verbais ou plásticos que são constantes da sua expressão. O mesmo sucede com a sua poesia, que foi evoluindo de uma lírica simplicidade à Guilherme de Faria, seu companheiro de juventude lisboeta, através dos aspectos fantasiosos e graciosos de certo modernismo, até um barroquismo cheio de gosto pelo concreto, que as experiências «dimensionistas» do poeta (o «dimensionismo», fundado por A. Pedro, era como que um ultraísmo poético-plástico) preparavam para a libertação surrealista. Lírico delicado e ao mesmo tempo rude, a sua poesia, em que o Minho raiano e marítimo e o surrealismo se foram cruzando cada vez mais, é uma das mais interessantes da sua época, e não tem sido estimada, nem o foi pelo próprio autor, devidamente.
OBSESSÃO Recta, fixa, longa, para lá, diante… E em memória, ainda, A corneta agreste Daquele circo equestre… - Que vida, meu Deus! Que mundo! Que dolorosa agonia! … E muito fria, (Tão fria!) Corre a estrada para lá… Só num desvario profundo Choram palhaços… Quem ria? Fria A rua Continua. - Quem vem lá?... Meu Deus, que festa Foi esta? Quem se ria já não está. Só a noite cai, caindo Dilúvios de luz de estrela… - E aquela orquestra Da festa, Que mentira foi aquela? - Pobres palhaços, Pedaços De gargalhadas caindo, Repartindo Gargalhadas! … E continua irritante, De dolorosa e calada, A fita da mesma estrada Recta e longa para diante…
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LÍRICAS PORTUGUESAS 3. MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS Nasceu em Lisboa a 9 de Agosto de 1923. Fez estudos de Belas-Artes na Escola António Arroio, que prosseguiu depois em Paris. Igualmente se dedicou ao estudo da música. Vive habitualmente em Lisboa, e tem colaborado com artigos ou poesia em vários jornais e revistas. Fez parte, em 1947, do primeiro grupo surrealista de Lisboa, em cuja constituição teve importante papel, e do qual cerca de um ano depois se separou por discordar da orientação seguida. A sua volta e de António Maria Lisboa se formou então um grupo dissidente, que mais ou menos se desfez como o anterior entretanto se desfizera. Quer como artista plástico, quer como escritor, Cesariny de Vasconcelos prosseguiu a sua actividade, e pode considerar-se, sob certos aspectos, que foi o corifeu ortodoxo do movimento surrealista., se não a única, de todas as personalidades que o surrealismo interessou ou por ele passaram, a persistir numa maneira que tornou muito pessoal, graças a um excepcional talento de poeta. A sua poesia, que guardou, como a de Alexandre O’Neill, um ressaibo do neo-realismo que primeiramente o interessara, não é porém ‘irónica, mas intensamente sarcástica contra tudo e contra si própria, numa ânsia de autodestruição que por vezes culmina em admiráveis explosões de lirismo desesperadamente erótico, contraditório e angustiado. Usando uma linguagem muito lucidamente insólita, que contrasta com a veemência da expressão sempre hesitante entre uma singela ternura pelo quotidiano (em que às vezes aflora um lirismo muito tradicional) e a mera ferocidade de empregar trocadilhos, esta poesia vigorosa e sugestiva, constantemente à beira de extinguir-se ou de tornar-se uma imitação de si mesma, tem tido uma influência notável, nem sempre benéfica, dado que raro o poeta se preocupa com atingir uma
4. ALEXANDRE O’NEILL
clarificação da sua espontaneidade, o que aliás o surrealismo teórico não postula. DE PROFUNDIS AMAMUS Ontem às onze fumaste um cigarro encontrei-te sentado ficámos para perder todos os teus eléctricos os meus estavam perdidos por natureza própria Andámos dez quilómetros a pé ninguém nos viu passar excepto claro os porteiros é da natureza das coisas ser-se visto pelos porteiros Olha como só tu sabes olhar a rua os costumes O Público o vinco das tuas calças está cheio de frio e há quatro mil pessoas interessadas nisso Não faz mal abracem-me os teus olhos de extremo a extremo azuis vai ser assim durante muito tempo decorrerão muitos séculos antes de nós mas não te importes não te importes muito nós só temos a ver com o presente perfeito corsários de olhos de gato intransponível maravilhados maravilhosos únicos nem pretérito nem futuro tem o estranho verbo nosso
Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhóes nasceu em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924. Depois de ter tirado o curso dos liceus e frequentado a Escola Náutica, empregou-se no comércio, e passou depois a exercer o jornalismo. Tendo-se interessado pelo neo-realismo, foi membro do 1.º Grupo Surrealista, formado em 1947, e colaborou em revistas e suplementos literários, como os do Diário de Lisboa e de A Capital. Em 1951, Cadernos de Poesia ‘dedicaram um número a poemas seus, nos quais predomina uma atitude surrealista, no entanto estruturada por uma ciência muito lúcida da expressão, e que atinge uma violência irónica rara na poesia portuguesa, cujo decantado sarcasmo se fica habitualmente pela indignação verbal. Os últimos livros revelam no mais unitàriamente como um lírico notável, que encontra, na solidez pro-saística da metrificação arcádica, num subtil junqueirianismo (sobretudo deA Morte de D. João), e na fluidez divertida dos «inventários» surrealistas, o suporte de uma expressão ao mesmo tempo sarcástica e sentimental, na qual são elevadas a quase preciosístico requinte, que não recua perante a citação ou a deformação de lugares comuns, as experiências iró-
nicas da poesia antiga e moderna. Mas a sua maior originalidade será talvez a capa· cidade para, numa metáfora ou numa palavra, concentrar um complexo de significados moralísticos, cuja intensidade o poema, disfarçado em «exercício de estilo», utiliza e desenvolve, com um pessoalíssimo sentido do humor, seguramente equi·librado à beira da anedota e da gazetilha. DAQUI, DESTA LISBOA COMPASSIVA Daqui, desta Lisboa compassiva, Nápoles por Suíços habitada, onde a tristeza vil, e apagada, se disfarça de gente mais activa; Daqui, deste pregão de voz antiga, deste traquejo feroz de motoreta ou do outro de gente mais selecta que roda a quatro a nalga e a barriga; Daqui, deste azulejo incandescente, da soleira da vida e piaçaba, da sacada suspensa no poente, do ramudo tristôlho que se apaga; Daqui, só paciência, amigos meus ! Peguem lá o soneto e vão com Deus...
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5. FERNANDO LEMOS Nasceu em Lisboa a 3 de Maio de 1926. Cursou a Escola António Arroio e os estudos livres da Sociedade Nacional de Belas-Artes, tendo-se dedicado às artes gráficas, à decoração e à publicidade. Interessado pela actividade surrealista, participou, em 1952, na exposição realizada na Casa Jalco, que fez escândalo, e onde a sua pintura e as suas .fotografias se impuseram por uma profundidade original da visão. Partido para o Brasil logo depois de uma outra exposição que, em 1953, o confirmou como um dos mais vigorosos artistas plásticos contemporâneos, tem participado nas Bienais de São Paulo, sendo distinguido com diversos prémios de alta categoria, e tem exposto nos Museus de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de S. Paulo. Pintor, desenhador e fotógrafo, a sua obra não-figurativa patenteia uma forte personalidade, dotada de um rico sentido poético que da realidade abstracciona subtilmente os elementos de uma penetrante e rude visão ‘ da vida, que surgia também nos
6. ANTÓNIO MARIA LISBOA poemas com que colaborou em Cadernos de Poesia e na publicação Unicórnio e números subsequentes. Esses poemas trouxeram ao surrealismo um tom de decidida e vigorosa aceitação da vida, sem o desespero ou o sarcasmo negro que tem caracterizado algumas expressões desse movimento. NÃO HÁ TEMPO Não há tempo há horas Não há um relógio há hábitos que me habitam O poema dói o ponteiro corta a hora que queima a morte simula respira para não me distrair
Nasceu em Lisboa a 1 de Agosto de 1928 e morreu na mesma cidade a 11 de Novembro de 1953. Após breves estudos numa Escola Industrial, dedica-se inteiramente à arte e à filosofia. Em princípios de 1949, parte para Paris, onde trava contacto com vários artistas portugueses lá residentes e se inicia nas práticas ocultistas. No, regresso, faz parte do grupo surrealista «dissidente», que então daria ao movimento um novo surto, e do qual, com Mário Cesariny de Vasconcelos, foi um dos principais animadores. Volta a Paris em fins de 1950, regressando em Março de 1951. As maiores privações, a falta de ambiente, um destino hostil e uma personalidade excepcional levam-no à doença e à morte. A sua poesia, que é, sem dúvida, das maiores afirmações de potencial lírico das décadas mais recentes, caracteriza-se por uma profunda e visionária seriedade, que contrasta com li ironia ou sarcasmo ou o sentido plástico de outros cultores e continuadores do movimento surrealista entre nós. Uma intensidade destituída de veemência fácil, uma imaginação transfiguradora que possui ou busca uma concepção unitária do mundo, uma fluência que nunca sacrifica a expressão à rebuscada ou insólita originalidade – eis o que, se a morte as não destruísse em pleno voo, faria deste poeta malogrado uma grande figura, despojada das tonitruâncias e das piruetas ocasionais do surrealismo de es-
cola, que aliás se sente quão apenas programàticamente o afloraram. A sua obra aguarda ainda a publicação completa e crítica que merece. VARECH Eu estimo sobre tudo os teus olhos incolores as tuas mãos inúteis, a tua boca verde Eu falo somente dos relógios caídos, dos autocarros Eu falo somente dos pés vermelhos Eu falo... eu falo... eu falo... No vigésimo século as nuvens são árvores e os pássaros mais pequenos grandes paquidermes Sim, é verdade, os cabelos loiros Então, meia-noite! Senhora, se me dá licença, este dia acabou por este dia simplesmente A criança é porca, é inútil Muito obrigado.
DESPORTO
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AUTOMOBILISMO ARGENTINO JOSÉ MARIA LÓPEZ É A TERCEIRA ESCOLHA DA CONSTRUTORA
Citroën reserva carro para piloto chinês MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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nome está ainda no segredo dos deuses mas já é quase certo que um piloto do território deva vir a competir ao lado de Yvan Muller e de Sébastien Loeb na Citroën, no ano em que a construtora francesa se lança ao assalto do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo. A novidade foi adiantada no início da semana por Arnaud de Lamothe, director de marketing da “escuderia” francesa durante a apresentação, em Versalhes, do
programa competitivo para a próxima temporada. Para além de ter anunciado o argentino José Maria Lopez para o lugar de terceiro piloto da formação que vai disputar a edição de 2014 do WTCC, a construtora gaulesa anunciou ainda a intenção de competir com uma quarta viatura nas três derradeiras etapas do Mundial, a disputar respectivamente em Xangai, no Japão e nas curvas e contra-curvas do circuito urbano da Guia. A decisão de colocar em prova um quarto C-Elysée oficial – o carro com que a Citroën se vai lançar à conquista do Campeonato do
SÉRGIO FONSECA CHEUNG CHI WAI info@hojemacau.com.mo
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Campeonato de Carros de Turismo de Macau, mais conhecido pela sua sigla inglesa MTCS, irá entrar numa nova era em 2014. Hoje, quarta-feira, no jantar de distribuição de prémios da Associação Geral de Automóvel de Macau-China (AAMC) relativo à época que findou, o clube automóvel do território dará a conhecer as linhas com que se vai coser a próxima época desportiva a nível local. Nas últimas temporadas o MTCS era composto por três categorias – “N2000”, “Roadsport” e “Challenge” – mas no próximo ano serão apenas duas as classes. Em declarações ao canal chinês da TDM, à margem da última edição do Grande Prémio de
Mundo de Carros de Turismo – é garantida, mas por apurar está ainda a identidade do piloto que deverá representar as cores da construtora francesa nas tiradas asiáticas da competição. Arnaud de Lamothe fez saber que a viatura será conduzida “por um piloto chinês”, mas deixou entender que a Citroën Racing ainda não está preparada para dar a conhecer o nome do ás do volante que vai correr ao lado de Yvan Muller, de Sébastien Loeb e de “Chaleco” Lopez nas três derradeiras etapas do WTCC. O piloto argentino deu nas vistas na derradeira edição do Campeonato do Mundo de
Carros de Turismo, ao vencer a segunda manga da tirada argentina da competição, disputada no circuito de Termas do Rio Hondo. José Maria Lopez, que venceu por duas vezes o super-campeonato de carros de turismo da Argentina, já tinha testado por
CAMPEONATO DE CARROS DE TURISMO DE MACAU COM NOVIDADES PARA 2014
Uma nova era Macau, o presidente do AAMC, Chong Coc Veng, afirmou que a corrida Interport Macau-Hong Kong, que servia de base para a categoria N2000, iria ser extinta, o que trouxe reflexos imediatos no
panorama automobilístico local. No próximo ano, as categorias “N2000”, também apelidada como a classe dos “iniciados”, e “Challenge”, a categoria rainha que reunia algumas viaturas que
várias ocasiões com a Citroën e acabou por ser confirmado pela construtora francesa, depois de uma abordagem falhado ao polaco Robert Kubica. Em Junho último, o director executivo da Citroën Racing, Yves Matton, deixou claro que a equipa iria tentar
um dia animaram o WTCC, irão basicamente fundir-se, sendo que o regulamento técnico apenas irá permitir a participação de viaturas equipadas com motores 1.6 litros turbo, com restritores de 27mm. Esta alteração regulamentar irá transformar as grelhas de partida, até aqui maioritariamente compostas por viaturas da marca Honda equipadas com motores 2.0 litros atmosféricos. A abrangente e colorida classe “Roadsport” deverá manter-se relativamente intacta, quanto ao regulamento técnico diz respeito, mas poderá ser mais abrangente no que atende aos participantes, podendo mesmo abrir-se a concorrentes fora da RAEM. Depois de viagens passadas à Malásia, passagens obrigatórias por Zhuhai e estudada a possibilidade de visitar Xangai, em termos de calendário, o MTCS deverá manter como base o Circuito In-
convencer Robert Kubica a competir em algumas das etapas do Mundial, quer como terceiro piloto, quer ao volante de uma quarta viatura, mas a proposta da construtora gaulesa parece não ter convencido o antigo piloto de Fórmula 1. Robert Kubica assinou na semana passada pela M-Sport World Rally Team e vai disputar no próximo ano o Campeonato do Mundo de Ralis, onde terá como adversária a Citroën. A formação gaulesa terá como pilotos oficiais na próxima época o norueguês Mads Ostberg, o norte-irlandês Kris Meeke e o emirenho Khalid Al Qassimi.
ternacional de Cantão. Segundo apurou o Hoje Macau, o calendário provisório conta com cinco eventos, todos na pista construída nos arredores da cidade de Zhaoqing, sendo que apenas os dois últimos deverão servir para as contas de apuramento dos pilotos locais para a 61ª edição do Grande Prémio de Macau. As primeiras três provas do ano servirão basicamente para os concorrentes da classe destinada aos novos carros equipados com motores 1.6 turbo testarem a nova maquinaria, o que poderá requerer algum tempo até estes atingirem a fiabilidade desejada. Na passada segunda-feira a Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA), na sua gala de fim de ano, anunciou que o seu campeonato de carros de turismo irá igualmente a passar a ter apenas duas categorias – 1.6 litros turbo e Roadsport.
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Lembrete
Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2010
AVISO Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Novembro de 2013, se acha aberto o concurso comum de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de seis lugares de operário qualificado, 1.º escalão, área de electricista, da carreira de operário qualificado, em regime de contrato de assalariamento de pessoal do Instituto do Desporto O aviso de abertura de concurso encontra-se publicado no “Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau”, n.º 51, II Série, de 18 de Dezembro de 2013. As condições de candidatura e as demais informações encontram-se no aviso acima referido e disponibilizadas no website do Instituto do Desporto (http://www.sport.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (http://www.safp.gov.mo). Instituto do Desporto, aos 18 de Dezembro de 2013.
O Presidente, Substituto, em substituição Pun Weng Kun
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O prazo limite para a apresentação do pedido de atribuição do Plano de comparticipação pecuniária no desenvolvimento económico para o ano de 2010 é fixado em 31 de Dezembro do corrente ano. Os indivíduos que satisfaçam os requisitos de atribuição, mas não tenham ainda formulado o pedido, devem dirigir-se até ao termo do prazo supracitado ao Centro de Serviços do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, sito na Avenida da Praia Grande, nºs 762-804, Edifício “China Plaza”, 2.º andar, Macau, para efeitos de tratamento das respectivas formalidades. Por último, solicita-se que os cheques ainda não sacados sejam apresentados, com a maior brevidade, junto de qualquer instituição bancária de Macau.
Macau, aos 01 de Dezembro de 2013.
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ANÚNCIO [N.º 253/2013]
ANÚNCIO [N.º254/2013]
Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os representantes dos agregados familiares do concurso de habitação económica abaixo indicados, no uso da competência delegada pela alínea 15) do n.º 3 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:
Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar a representante do agregado familiar da lista de candidatos a habitação social abaixo indicada, no uso da competência delegada pela alínea 1) e 14) do n.º 3 do Despacho n.º 62/ IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro:
N.º do Boletim de candidatura
Nome
N.º do Boletim de candidatura
Nome
HOI PENG PENG
35310
HO IOK MENG
LEONG CHAN KEONG
16506
KUONG MENG
LEI IAO PENG
13755
LENG CHI SAM
101187
HO SOI SI
103663
CHU KUAI IENG
59864
66957
U KAI IO
55785 9254
CHAN KUOK MAN ALIAS CHIN KOCK MUN ALIAS MAUNG THAN LWIN
3774
FONG CHI WAI
65468
LEONG SOK FONG
8971
Por causa dos representantes dos agregados familiares acima mencionados não comparecerem no este Instituto para escolha de habitação após a emissão da segunda convocação, as respectivas candidaturas serão excluídas na lista geral, de acordo com os termos da alínea 2) do n.º 5 do artigo 60.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica) e alínea a) do artigo 14.º do Regulamento de Acesso à Compra de Habitações Construídas no Regime de Contrato de Desenvolvimento para a Habitação, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 26/95/M, de 26 de Junho, revisto pelo Regulamento Administrativo n.º 25/2002. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 26 de Novembro de 2013, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, mas não fizeram a entrega das suas contestações dentro do prazo indicado, assim como da decisão do despacho do signatário, exarado na Proposta n.º 0917/DHP/DHEA/2013, as respectivas candidaturas foram excluídas da lista geral de espera. E nos termos do n.º 22 do Despacho n.º 62/IH/2013, publicado no Boletim Oficial da RAEM, n.º 34, II Série, de 21 de Agosto de 2013 e no artigo 155.º do Código do Procedimento Administrativo, cabem recurso hierárquico necessário da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo. O Chefe do Departamento de Habitação Pública, Chan Wa Keong 16 de Dezembro de 2013
AVISO DE RECRUTAMENTO Faz-se público que, por despacho do Ex. Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 3 de Junho de 2013, se encontra aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de oito lugares de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico, área de economia, em regime do contrato além do quadro do Instituto de Habitação. Para mais informações queiram consultar o aviso de abertura do concurso publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 51, II Série, de 18 de Dezembro de 2013, ou deslocar-se durante os dias úteis à recepção deste Instituto, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, r/c, Ilha Verde, ou navegar na página electrónica: www.ihm.gov.mo. mo
Instituto de Habitação, aos
de Dezembro de 2013.
Nome
U SAN
N.º do boletim de candidatura 31200902706
Após as verificações deste Instituto, notamos que a representante do agregado familiar de candidatos a habitação social acima mencionada tem sido proprietário de fracções autónomas na Região Administrativa Especial de Macau, desde o termo do prazo para entrega do boletim de candidatura até à data de assinatura do contrato de arrendamento com este Instituto, pelo que, este não reúne os requisitos exigidos para a candidatura, nos termos das alíneas 2) do n.º 4 do artigo 3.º do Regulamento Administrativo n.º 25/2009(Atribuição, Arrendamento e Administração de Habitação Social). Este Instituto informou-a por meio de ofício, com o no 1306180173/DAH, datada de 20 de Junho de 2013, a solicitar à interessada acima mencionada para apresentar por escrito a sua contestação pelo facto acima referido no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de recepção do referido ofício, entretanto não o fez dentro do prazo indicado. Nos termos dos artigo 5.º e alínea 2) do artigo 11.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, e n.º 2 do artigo 9.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, com as alterações introduzidas pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 141/2012, assim como da decisão do despacho da Chefe substituta do Departamento de Habitação Pública deste Instituto, exarado na Proposta n.º 0122/DHP/DHS/2013, a respectiva candidatura foi excluída da lista geral de espera por IH. Simultaneamente, foi cessado a concessão de abono de residência por o agregado familiar beneficiário ter sido excluido da lista geral de espera, e implicando a restituição do abono recebido a partir do mês seguinte ao das aquisições de fracções autónomas, de acordo com os termos da alínea 1) do n.º 1 do artigo 8.º do Regulamento Administrativo n.º 23/2008(Plano Provisório de Atribuição de Abono de Residência a Agregados Familiares da Lista de Candidatos a Habitação Social), n.º 3 do artigo 8.º do Regulamento Administrativo n.º 23/2008(Plano Provisório de Atribuição de Abono de Residência a Agregados Familiares da Lista de Candidatos a Habitação Social), com as alterações introduzidas pelos Regulamentos Administrativos n.º 30/2009, n.º 19/2010, n.º 32/2011, n.º 22/2012 e n.º 25/2013, e a decisão do despacho da Chefe substituta do Departamento de Habitação Pública deste Instituto, exarado na Proposta acima mencionada. E nos termos das alínea b) do n.º 2 do artigo 145.º, n.º 1 do artigo 154.º, n.º 1 do artigo 155.º e n.º 1 do artigo 157.º do Código do Procedimento Adminstrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, cabe recurso hierárquico necessário da respectiva decisão adminstrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 30(trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, o recurso hierárquico tem efeito suspensivo. O Chefe do Departamento de Habitação Pública, Chan Wa Keong 16 de Dezembro de 2013
Aviso de recrutamento Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 23 de Agosto de 2013, se encontra aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de dois lugares de intérprete-tradutor de 2.ª classe, 3.o escalão, da carreira de intérprete-tradutor das línguas chinesa e portuguesa, do quadro de pessoal do Instituto de Habitação. Para mais informações queiram consultar o aviso de abertura do concurso publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.o 51, II Série, de 18 de Dezembro de 2013, ou deslocar-se durante os dias úteis à recepção deste Instituto, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, r/c, Ilha Verde, ou navegar na página electrónica: www. ihm.gov.mo. Instituto de Habitação, aos 12 de Dezembro de 2013.
O Presidente,
O Presidente,
Tam Kuong Man
Tam Kuong Man
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hoje macau quarta-feira 18.12.2013
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Abertura de concurso geral para aquisição de habitação económica Nos termos do artigo 20.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), faz-se saber que se encontra aberto um concurso geral para aquisição de fracções autónomas de habitação económica das tipologias T1, T2 ou T3, ficando os interessados à candidatura notificados do seguinte:
3. 1)
Número de elementos do agregado familiar
Limite máximo de património líquido (patacas)
1 pessoa
7 820 – 29 700
896 200
2 ou mais pessoas 12 210 – 59 300 1 792 400 2) A candidatura só pode ser apresentada por um elemento do agregado familiar ou pelo candidato individual que, cumulativamente: (1) Tenha idade mínima de dezoito anos; (2) Seja residente permanente da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM); 3)
Não pode candidatar-se à aquisição de habitação económica: (1) Quem seja ou tenha sido, nos cinco anos anteriores à data da apresentação da candidatura e até à data de celebração da escritura pública de compra e venda da fracção, promitentecomprador ou proprietário de prédio urbano ou de fracção autónoma com finalidade habitacional ou de terreno na RAEM, ou concessionário de terreno do domínio privado da RAEM; (2) Quem seja elemento de agregado familiar ou indivíduo ao qual tenha sido resolvido ou declarado nulo o contrato-promessa de compra e venda de habitação económica, nos dois anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (3) Quem seja elemento de agregado familiar ou indivíduo que tenha sido excluído de candidatura de habitação económica anterior por prestação de falsas declarações ou uso de outro meio fraudulento, nos dois anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (4) Quem seja elemento de agregado familiar que figure noutro boletim de candidatura, ao qual o Instituto de Habitação (IH) tenha autorizado a compra ou com o qual tenha celebrado contrato-promessa de compra e venda de uma fracção; (5) Quem seja elemento de agregado familiar que figure noutro boletim de candidatura, ao qual o IH tenha autorizado a concessão de bonificação ao crédito para aquisição ou locação financeira de habitação própria; (6) Quem seja cônjuge de candidato à compra, de promitentecomprador ou de proprietário de uma fracção de habitação económica; (7) O promitente-comprador, e os elementos do respectivo agregado familiar, que tenha desistido da compra da fracção após a emissão da licença de utilização do edifício de habitação económica e tenha entregado a fracção, nos cinco anos anteriores à data de apresentação da candidatura; (8) O proprietário, e os elementos do respectivo agregado familiar, que tenha vendido uma fracção de habitação económica;
4) O presidente do IH, a título excepcional e mediante pedido devidamente fundamentado, pode autorizar a candidatura à compra das fracções por elementos dos agregados familiares acima referidos, com excepção dos que se encontrem nas situações previstas na subalínea (1) (devendo para o efeito apresentar o respectivo requerimento); 5)
Nenhum candidato pode constar em mais do que um boletim de candidatura. Os agregados familiares ou indivíduos que concorreram ao concurso geral para aquisição de fracções autónomas de habitação económica, de tipologia T1, que decorreu entre 27 de Março de 2013 e 26 de Junho de 2013, cujo anúncio foi publicado no Boletim Ofícial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 12, II Série, de 20 de Março de 2013, podem desistir dessa candidatura com o objectivo de apresentar nova candidatura (devendo para o efeito apresentar o respectivo requerimento).
4. Localização, tipologia, quantidade, rácio bonificado e preço de venda das fracções autónomas postas a concurso:
Zona
Avenida do Bairro Conselheiro da Ilha Borja, Macau Verde
Os candidatos devem reunir os seguintes requisitos gerais: Os limites, mínimo e máximo, do rendimento mensal e o limite de património líquido devem-se enquadrar nos valores fixados no Despacho do Chefe do Executivo n.º 386/2013 (ver a tabela seguinte): Limites, mínimo e máximo, do rendimento mensal (patacas)
Edifício Tipologia
Avenida do Cheng Conselheiro Tou Borja, Macau (Nota 1)
T2
Avenida do Cheng I Conselheiro (Nota 1) Borja, Macau
T1
Bloco
Número Valor Valor Rácio das fracções mínimo máximo bonificado para a venda (patacas) (patacas)
---
378
855 400 1 128 600
Bloco I
60
684 700
887 300
Bloco II
60
646 800
885 000
60,4%
58,6%
124
599 800
733 000
Bloco II
15
742 900
751 600
83
683 200
814 000
Bloco IV
80
683 200
814 000
Bloco V
43
637 000
755 500
Bloco I
1
1 085 800 1 085 800
Bloco II
8
996 900 1 084 700
8
1 036 800 1 273 900
Bloco IV
24
1 034 500 1 271 500
Bloco V
3
996 900 1 074 400
---
179
835 200 1 045 700
---
100
1 056 700 1 266 400
---
288
875 400 1 110 800
Bloco I
48
524 100
645 800
T1 Bloco III (Nota 1)
1. O prazo para apresentação de candidaturas é de 18 de Dezembro de 2013 a 17 de Março de 2014. 2. O presente concurso é geral, podendo concorrer os agregados familiares ou indivíduos que reúnam os requisitos gerais de acesso à compra das fracções autónomas de habitação económica.
Bloco I
T3 (Nota 2) Bloco III
T2 Rua do Comandante Fai Ieng (Nota 3) João Belo, T3 Macau (Nota 1) Rua de Choi Iat Fai Long, Taipa (Nota 1)
T2
T1
Estrada de Koi Nga Seac Pai Van, (Nota 4) Coloane
T2
Estrada de Ip Heng Seac Pai Van, (Nota 5) Coloane
T2
T3 Estrada de On Son Seac Pai Van, (Nota 6) Coloane
T1
Bloco II
47
542 200
650 100
Bloco III
49
524 100
667 200
Bloco IV
46
542 200
672 500
Bloco V
47
528 300
667 200
Bloco VI
48
528 300
645 300
• • • •
58,6%
60,3%
6. A candidatura ao concurso formaliza-se com a entrega, no IH, do boletim de candidatura devidamente preenchido e assinado pelo candidato com capacidade jurídica. O boletim de candidatura é obrigatoriamente instruído com os seguintes elementos: 1) Declaração de rendimento mensal e património líquido dos elementos do agregado familiar; 2) Fotocópia do documento de identificação da RAEM de todos os elementos do agregado familiar; 3) Fotocópia do cartão de registo de avaliação da deficiência emitido pelo Instituto de Acção Social ou declaração médica emitida pelos hospitais da RAEM ou centros de saúde dependentes dos Serviços de Saúde (aplicável ao agregado familiar com deficientes). 7. O IH pode solicitar ao representante do agregado familiar outras informações que considere indispensáveis para a instrução do processo de candidatura. 8. 1)
Locais e forma de entrega dos boletins de candidatura: O boletim de candidatura devidamente preenchido, acompanhado da respectiva documentação, deve ser entregue, pelo candidato ou seu representante, entre o dia 18 de Dezembro de 2013 e o dia 17 de Março de 2014, no IH, sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau, ou no Centro de Serviços da RAEM, sito na Rua Nova da Areia Preta n.º 52, Macau, durante o horário de expediente (sem interrupção durante a hora de almoço), ou nos locais indicados pelo IH; 2) Não são aceites candidaturas entregues pela via postal.
58.1%
9. Na apresentação da candidatura, devem exibir os originais dos documentos de identificação da RAEM de todos os elementos do agregado familiar para leitura dos dados pessoais, através do chip. 10. Os candidatos admitidos são graduados por grupos prioritários de acordo com a seguinte ordem:
Bloco VII
46
562 500
650 100
Bloco VIII
40
562 500
661 300
Bloco I
7
668 300
690 700
Bloco II
6
668 300
696 500
1. Agregados familiares 1.1 nucleares 1.2
Bloco III
4
673 600
697 100
Bloco IV
4
668 300
703 500
Bloco V
3
673 600
708 900
Bloco VI
2
673 600
685 400
Bloco VII
7
673 600
696 500
Bloco VIII
2
673 600
678 900
Bloco I
1
825 700
825 700
Bloco IV
1
852 300
852 300
Bloco V
2
718 300
869 300
Bloco VI
1
738 500
738 500
Bloco VIII
1
783 200
783 200 967 600
Bloco III
1
967 600
Bloco VI
13
953 700 1 063 900
Bloco I
18
570 500
669 200
59,1%
Ordem prioritária em cada um dos grupos
1.3 2. Agregados familiares 2.1 não nucleares 2.2 2.3
59,1%
60,4%
Nota 1: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 387/2013, que fixa os preços de venda e rácios de bonificação das fracções da tipologia T2 do Edifício Cheng Tou, das fracções da tipologia T1 do Edifício Cheng I, das fracções da tipologia T1 do Edifício do Bairro da Ilha Verde, das fracções da tipologia T3 do Edifício Fai Ieng e das fracções da tipologia T2 do Edifício Iat Fai; Nota 2: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 206/2013, que fixa o preço de venda e rácio bonificado das fracções da tipologia T3 do Edifício do Bairro da Ilha Verde; Nota 3: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 317/2013, que fixa o preço de venda e rácio bonificado das fracções da tipologia T2 do Edifício Fai Ieng ; Nota 4: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 99/2012, alterado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 387/2013, que fixa os preços de venda e rácio bonificado das fracções do Edifício Koi Nga; Nota 5: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 202/2012, alterado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 387/2013, que fixa o preço de venda e rácio bonificado das fracções do Edifício Ip Heng; Nota 6: De acordo com o Despacho do Chefe do Executivo n.º 395/2012, alterado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 387/2013, que fixa o preço de venda e rácio bonificado das fracções do Edifício On Son. 5.
Sede e delegações da Associação Geral das Mulheres de Macau; Dependências da Cáritas de Macau; Aliança de Povo de Instituição de Macau; Download na homepage do IH (www.ihm.gov.mo).
Os boletins de candidatura podem ser obtidos nos seguintes locais: • Instituto de Habitação (sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau); • Centro de Serviços da RAEM (sito na Rua Nova da Areia Preta n.º 52, Macau); • Sede, delegações e centros de apoio da União Geral das Associações dos Moradores de Macau; • Sede e delegações da Associação Geral dos Operários de Macau;
3. Candidatos individuais
3.13.2
Ordem prioritária da segunda graduação em cada um dos grupos
Agregados familiares com idosos com mais de 65 anos de idade ou por deficientes que sejam outorgantes no contrato-promessa e no contrato de compra e venda da fracção; Agregados familiares com idosos com mais de 65 anos de idade ou deficientes; Agregados familiares nucleares não incluídos nos pontos 1.1 e 1.2.
Agregados familiares com idosos com mais de 65 anos de idade ou por deficientes que sejam outorgantes no contrato-promessa e no contrato de compra e venda da fracção; Agregados familiares com idosos com mais de 65 anos de idade ou deficientes; Agregados familiares não nucleares não incluídos nos pontos 2.1 e 2.2. Idosos com mais de 65 anos de idade ou deficientes; Candidatos individuais não incluídos no ponto 3.1.
11. A lista provisória dos candidatos, a lista definitiva dos candidatos e a lista com a ordenação dos candidatos serão afixadas no IH, sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau. A data da afixação das listas será publicada, através de anúncio publicitado no Boletim Oficial da RAEM e em dois jornais da RAEM, um de língua chinesa e outro de língua portuguesa. As referidas listas estarão ainda disponíveis para consulta no Centro de Serviços da RAEM; sede, delegações e centros de apoio da União Geral das Associações dos Moradores de Macau; sede e delegações da Associação Geral dos Operários de Macau; sede e delegações da Associação Geral das Mulheres de Macau; dependências da Cáritas de Macau e Aliança de Povo de Instituição de Macau. Os interessados podem obter informações sobre o concurso, através da linha aberta do IH, número de telefone 2835 6288 ou homepage do IH (www.ihm.gov.mo). 12. Na selecção, os candidatos devem entregar os documentos comprovativos necessários ao IH na data marcada, a fim de confirmarem o cumprimento dos requisitos gerais de acesso à compra das habitações económicas. 13. Os candidatos devem reunir os requisitos gerais de acesso à compra das habitações económicas, desde a data de apresentação da candidatura até à data da escolha das habitações, caso contrário, serão excluídos do concurso. 14. Os candidatos devem comunicar ao IH a alteração do número de elementos que se verificar no agregado familiar, em virtude de falecimento, nascimento, adopção, casamento, divórcio, fixação de residência na RAEM dos cônjuges ou dos filhos menores e demais factos jurídicos ocorridos antes da escolha de habitação, sendo o agregado reclassificado na lista com a ordenação no caso da classificação obtida ser inferior à inicial. 15. A lista com a ordenação dos candidatos mantém-se válida até à venda de todas as fracções postas a concurso. 16. Para esclarecimento de quaisquer dúvidas, poderão dirigir-se ao IH (sito na Travessa Norte do Patane n.º 102, Ilha Verde, Macau) durante o horário de expediente ou ligar para o número de telefone 2859 4875. O Presidente, Tam Kuong Man de Dezembro de 2013
22
FUTILIDADES
TEMPO
POUCO
NUBLADO
MIN
7
MAX
hoje macau quarta-feira 18.12.2013
12
HUM
Cineteatro
POR MIM FALO Pu Yi
O dia frio, numa cidade fria
THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 14.00, 21.15
THE HOBBIT: THE DESOLATION OF SMAUG [3D] [C] Um filme de: Peter Jackson Com: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage 18.30
FREE BIRDS [3D] [A] (FALADO EM CANTONÊS) 16.45 SALA 2
Há cidades que, sendo frias, têm sempre pormenores que deixam o nosso coração bem quentinho. Falo de muitas cidades europeias (Lisboa e Praga, na República Checa, surgem-me assim à cabeça) das quais simplesmente não nos fartamos, porque, para além do seu património histórico muito belo, estão bem cuidadas e o tecido urbano parece funcionar com harmonia. Está lá o homem das castanhas, os edifícios bonitos, ruas onde se pode passear tranquilamente, árvores frondosas. O frio parece cortar-nos o sangue mas todos os gorros são belos, todos os cachecóis compõem a paisagem de um duro inverno. Em Macau não é bem assim. Os jornais dizem que hoje deverá ser o dia mais frio do ano, e observemos o Largo do Senado. Conseguimos ver harmonia do tecido urbano numa das zonas com mais potencial de Macau? Não. O frio existe, corta-nos
mesmo o sangue e é tudo frio e caótico. As luzes dos enfeites de natal gigantes amontoam-se com milhões de turistas que, aos encontrões, tentam tirar uma fotografia de algo que parece que nunca viram antes. Os trenós do pai natal viraram a nova missão a Marte: Waaaa. E quando, debaixo do nosso casaco quentinho, atravessamos a rua porque vivemos ali, e temos de nos deslocar para as tarefas diárias da nossa vida, o frio da cidade corta-nos todos os pedacinhos de sonhos e a cidade torna-se mesmo fria. Sacos de biscoitos pousam ao lado de géis de banho na calçada portuguesa molhada, miúdos correm por todo o lado mas não são como aqueles engraçados que se sentam ao lado do pai natal: atropelam-te. Os pais também, e nem sequer pedem desculpa. No sitio mais europeu de Macau, a cidade torna-se mesmo fria e o nosso coração gela.
•
EURO
10.9
BAHT
0.2
YUAN
1.3
CINEMA
SALA 1
THE WIND RISES [A]
50-90%
FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30
FROZEN [A]
(FALADO EM CANTONÊS) 16.45
FIRE STORM [3D] [C]
(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 19.30
FIRE STORM [C]
(LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Alan Yuen Com: Andy Lau, Yao Chen, Lam Ka Tung 21.30 SALA 3
FREE BIRDS [A]
(FALADO EM CANTONÊS) 14.30, 19.30
ROCK ME TO THE MOON [A]
FALADO EM MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Huang Chia-Chun 16.30, 21.30
Beijo em capacete de polícia dá acusação de violência sexual • Franco Maccari, secretário-geral do COISP, sindicato dos polícias italianos, afirmou à Radio24 ter apresentado queixa de violência sexual contra a manifestante que beijou o visor do capacete de um polícia durante um protesto contra a construção de uma linha de comboio de alta velocidade na Itália. A explicação, segundo Maccari: se fosse o contrário, com o polícia a beijar a manifestante, “seria deflagrada a Terceira Guerra Mundial”. A manifestante foi identificada como Nina De Chiffre, de 20 anos, moradora em Milão. Inicialmente, a imagem, que correu o mundo, foi vista como registo de uma cena que pregava a paz e a reconciliação. Só que, entretanto, em entrevista ao “Stampa”, Nina disse que o objectivo afinal era “ridicularizar a polícia”.
Carro comprado por 600 euros, numa aventura por 16 países • Um casal britânico decidiu partir à aventura: comprou um carro no eBay e, ao longo de 127 dias, passaram por 16 países. “Escolhemos viajar com um carro antigo porque não queria que fossem umas simples férias, mas sim uma verdadeira aventura que pudesse contar e recontar sem me fartar”, explicou Clive Raven, numa entrevista ao Daily Mail. O projecto começou quando Clive, de 54 anos, e Gillian Raven, de 53, compraram, por uns módicos 600 euros, um Triumph 1300 datado de 1968, no eBay. Depois de restaurar o clássico, o casal deixou Sheffield, em junho, para uma aventura que durou até Outubro. O carro registou mais de 27 mil quilómetros, distribuídos por países como França, República Checa, Índia, Tailândia e Singapura. A aventura terá corrido tão bem que, asseguram, não houve uma única discussão. Isto apesar de alguns pequenos arranjos na viatura e das noites em que pernoitarem em acampamentos ou pensões modestas.
REFÉNS DE ILUSÕES Hoje trazemos até ao estimado leitor uma actriz argentina de 35 anos. Romina Ricci, natural de Buenos Aires, tem sido presença habitual nos palcos, televisões e telas de cinema do país das pampas. Frequentemente, podemos ver Romina, totalmente ou parcialmente, nua nos diversos papéis que tem representado. O seu último filme, de 2012, “Rehén de Ilusiones” – quiçá o mais aclamado da actriz – é prova disso. Para além de um corpo invejável, Romina também foi agraciada com o prémio de melhor revelação feminina na área da representação.
fonte da inveja
Se queres ser tu mesmo, esquece-te de quem és.
João Corvo
OPINIÃO
hoje macau quarta-feira 18.12.2013
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N
Paulo Granjo* in Antropocoiso
ÃO é habitual que os políticos (e os poderosos em geral) dêem ouvidos a cientistas sociais. Isto excepto, claro está, quando um modismo tenha metamorfoseado o estatuto de um deles no de augure, de quem qualquer opinião trivial, enquanto cidadão e acerca de algo que nunca estudou, deverá suscitar a reverência devida à omnisciência da palavra revelada. Menos habitual é, ainda, quando os cientistas sociais dêem em dizer coisas que saiam dos caminhos traçados e, sobretudo, daquilo que querem ouvir. Não obstante, ao ouvir Mário Soares alertar para o perigo de violência pública e para o carácter perigoso do medo, não pude deixar de notar que o conteúdo das suas declarações, que tanto brado estão a dar, me era muito familiar, em coisas que foram ditas e escritas há mais de um ano, sem aparentes consequências. Claro que os cientistas sociais (quando não sejam apontados como augures, que se espera digam “eu cá acho que...”) têm que ser um bocado mais complicados e enfadonhos. Por exemplo, não podem limitar-se a dizer “Vem aí porrada!”. Têm que argumentar e demonstrar porquê, como, através de que mecanismos, a partir de que factores e combinações entre eles. Por ser verdade, os pobres dos cientistas sociais podem até ter que explicar, chatos que são, que a existência dos principais factores para que a porrada ocorra não significa que ela inevitavelmente aí venha. Que mais importante do que a existência desses factores é a forma complexa e dinâmica como eles interajam entre si e com muitos outros factores (entre os quais o medo, mas já lá vamos), mas que, resultando eles das actuais políticas, a única forma de garantir a segurança pública é reverter essas políticas. O que, claro está, se não os livra de eventuais admoestações dos seus “mais velhos” pela divulgação pública do atrevimento das suas conclusões, diminui um bom bocado o nível de ‘sound bit’ da coisa. É isso que faz com que os seus alertas tenham quase sempre um impacto muito reduzido? Não creio. Terá mais a ver com quem os faz - tanto no que diz respeito à noto-
JOHN COOKE, HOMEM DE PILTDOW
Será que os políticos andam a dar ouvidos aos cientistas sociais?
Também os resultados potencialmente perigosos da instigação do medo, aflorados ‘en passant’ por Mário Soares, me trouxeram de imediato à memória uma outra xaropada, daquelas com argumentos em vez de opiniões, publicada há quase dois anos. Chamava-se a coisa “O medo, suicídio e eutanásia da cidadania”, imaginem riedade pública, quanto por ser cientista social acabar por constituir uma desvantagem, quando se sustenta algo de novo e indesejado. Também os resultados potencialmente perigosos da instigação do medo, aflorados ‘en passant’ por Mário Soares, me trouxeram de imediato à memória uma outra xaropada, daquelas com argumentos em vez
de opiniões, publicada há quase dois anos. Chamava-se a coisa “O medo, suicídio e eutanásia da cidadania”, imaginem. Será coincidência, a integração dessas questões, numa passagem central do violento e badalado discurso de um dos mais conhecidos políticos? É, claro está, muito possível. Pode chegar-se à mesma conclusão por muitos
caminhos, em muitas cabeças sem contacto entre si. E o agravamento das situações pode tornar quase evidente o que tempos antes só era dedutível. Mas... e se isso quer dizer que os políticos andam a dar ouvidos, mesmo que com mais de um ano de atraso, aos cientistas sociais? Ou, assim sendo, serão só os que já estão reformados, e se sentem livres para dizer o que querem? Ou será que o que manda são os timings da utilidade para o discurso político, e não a relevância social desse discurso científico, já antes desse timing chegar? Curiosidades que me ficam. Porque têm implicações que vão muito para além deste caso. *Antropólogo
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hoje macau quarta-feira 18.12.2013
cartoon por Stephff
ENTRE A RÚSSIA E A EUROPA
Kim Jong-Il recordado pelo povo mas apagado pelo filho Kim Jong-Un
COSTA NUNES LURDES CARNEIRO DE SOUSA ELEITA PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE PAIS
Propinas mais altas para o ano O
jardim de infância Dom José da Costa Nunes deverá ter propinas mais altas no próximo ano, seguindo a linha de aumentos que têm vindo a acontecer nos últimos anos lectivos. A garantia foi dada ao HM por Cristina Ferreira, anterior presidente da associação de pais, que será agora substituída por Lurdes Carneiro de Sousa, eleita ontem em assembleia-geral. “Vai haver um aumento de propinas no próximo ano lectivo, mas ainda não sabemos qual será o valor. Tem aumentado todos os anos, mas não tem sido muito. Há mais alunos e vai haver uma maior necessidade de contratar não só educadoras como assistentes”, disse Cristina Ferreira, que se mantém na associação, mas no conselho fiscal. A nova directora aposta na continuidade, uma vez que já fazia parte dos órgãos sociais da direcção encabeçada por Cristina Ferreira. Lurdes Carneiro de Sousa apenas “enriqueceu” os órgãos sociais convidando mais pessoas fora da esfera da nacionalidade
portuguesa. “A escola mudou muito nos últimos cinco anos. Tem vindo a crescer em número de alunos. Antigamente, o jardim de infância era quase exclusivamente para crianças portuguesas mas hoje temos muitas nacionalidades no jardim de infância”, começou por explicar. “Quando preparei esta lista tive a atenção de colocar nos órgãos sociais uma cabo-verdiana, uma mãe de uma menina luso-guineense e uma tailandesa, por exemplo. Esta nova população infantil é um novo desafio para nós e para a escola. Trata-se de uma nova riqueza. Vou contar com o contributo destes pais que podem ter uma forma diferente de ver a educação e cidadania diferente do pensamento português.” Em jeito de balanço, e com os olhos postos no futuro, Cristina Ferreira deseja ver “mais associados”, não só “dos novos pais mas dos que já cá estão, para que façam parte da associação de pais e participem nas actividades.” A associação de pais deseja ainda que continuem a ser feitas “avaliações ao projecto educativo, em termos pedagógicos e educativos, e por entidades independentes”. Cristina Ferreira quer ainda ver mais encontros por parte da comissão de acompanhamento. “Achamos que as reuniões não têm sido regulares, e antes eram. O ano passado só reuniu uma ou duas vezes e este ano, ao fim de três meses, ainda não tivemos nenhuma reunião. É o principal canal entre os pais e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM, entidade gestora do Costa Nunes), e isso não pode acontecer.” Cristina Ferreira considera o seu trabalho na presidência da associação “positivo”. “A escola melhorou qualitativamente este ano e temos uma maior diversidade de alunos. Conseguimos voltar a dinamizar as actividades de verão, e tivemos este ano cerca de 62 alunos. Pela primeira vez esgotámos as inscrições num projecto inovador.” Destacando o ciclo de música em parceria com o Instituto Cultural e as avaliações feitas, bem como a publicação do anuário, que “vai continuar”, Cristina Ferreira destaca a mudança das refeições no jardim de
infância. “Conseguimos pôr as refeições confeccionadas na escola, e trazer um ‘chef’ português que segue os padrões internacionais no que diz respeito à comida saudável. Os alunos agora têm um menu mais equilibrado.” - A.S.S. PUB
Dois anos após morte do ex-líder Kim Jong-Il, os norte-coreanos prestam homenagem ao antigo líder. O seu filho Kim Jong-Un mandou apagar milhares de ficheiros históricos sobre o pai e sobre a história do país. Kim Jong-Un apagou grande parte do arquivo de notícias estatal da Coreia do Norte, até mesmo o anúncio da morte do seu pai, o ex-líder Kim Jong-Il, há dois anos. Mais de 35 mil artigos desapareceram do portal da agência noticiosa oficial norte-coreana KCNA, bem como 65 mil artigos em espanhol, inglês, chinês e japonês, afirmou o analista Frank Feinstein, que acompanha as notícias norte-coreanas para o portal sul-coreano NK News. Foram também apagados cerca de 20 mil artigos dos arquivos do Rodong Sinmun, o jornal oficial do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte. Na segunda-feira, milhares de nortecoreanos depositaram flores no mausoléu de Kim Jong-Il, para assinalar a passagem sobre o segundo ano da sua morte. Kim Jong-Un, que sucedeu ao pai na liderança do país, mandou executar recentemente o tio, alta patente do país, num controverso processo em que o acusou de “traição ao Estado”.