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Hoje Macau 18 NOVEMBRO 2021 #4894

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GCS

GRANDE PRÉMIO DE MACAU

O CIRCO POSSÍVEL ESPECIAL

hoje macau

Nº 4895 QUINTA-FEIRA 18-11-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

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Aviso à navegação Em dia de respostas aos deputados sobre as Linhas de Acção Governativa para 2022, Ho Iat Seng deixou no ar a ideia de que a torneira das patacas está a fechar-se. Qualquer reforço do montante do Cartão de Consumo está, para já, afastado, e, segundo o Chefe do Executivo, o Governo não pode acudir a todas as situações “sempre que acontece qualquer coisa.” PÁGINAS 2-3

SAÚDE | FILIPINOS

O ELO MAIS FRACO PÁGINA 5

TAIWAN

MACAU AO LADO DE XI PÁGINA 4

CHINA | EUA

ESTADO NOVO

PÁGINA 8

EVENTOS

IMPRENSA MAIS LIVRE PROPAGANDA NA CASA GARDEN


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18.11.2021 quinta-feira

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APOIOS

HO IAT SENG DIZ QUE “NÃO PODE DEPENDER TUDO DO GOVERNO” E AFASTA MAIS DINHEIRO ESTE ANO

GCS

Sem ilusões O Chefe do Executivo afastou ontem a possibilidade de injectar qualquer montante adicional nos cartões de consumo até ao final do ano, pediu desculpa aos idosos e deixou um aviso: “não pode depender tudo do Governo”. Sobre o alargamento do prazo dos testes à covid-19 para sete dias nas fronteiras, Ho Iat Seng apontou que “falar é fácil” e que é preciso controlar bem a pandemia numa altura em que a China regista novos surtos SAÚDE CHEFE DO EXECUTIVO QUER RESIDENTES COM TRATAMENTOS MÉDICOS EM MACAU

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necessidade de sair de Macau para receber tratamento médico é algo que Ho Iat Seng quer resolver com a entrada em funcionamento do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. “Esperamos que os nossos doentes sejam tratados em Macau. Estou confiante porque vamos ter um centro hospitalar de renome e uma

boa equipa da área de saúde”, apontou ontem o Chefe do Executivo, respondendo às questões da deputada Wong Kit Cheng. Um dos trunfos do Governo é a parceria com a Peking Union Medical College Hospital, entidade que irá participar na exploração, gestão e prestação de serviços do Complexo de Cuidados de

Saúde das Ilhas, e na formação de profissionais de saúde. Neste aspecto, Ho Iat Seng afirmou que pretende atrair jovens de Macau que tenham completado o curso de medicina no exterior para estagiar no Hospital das Ilhas, realçando que no complexo não será aplicado o mesmo modelo de funcionalismo público. Porém,

o governante deixou uma garantia: “Quanto a equipamentos, vamos comprar os melhores do mundo para que o hospital esteja bem apetrechado”. Seguindo a toada argumentativa de que o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas contribuirá de forma decisiva para a reforma do sector da saúde no território, Ho Iat

Seng afastou a possibilidade de criar um seguro de saúde universal. A insuficiência de médicos no sector privado foi a razão apontada pelo líder do Governo. De momento, saem dos cofres públicos 10 mil milhões de patacas para despesas da área da saúde. Fatia orçamental que Ho Iat Seng prevê fazer crescer com a

entrada em funcionamento do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. “Pretendemos promover a indústria Big Health, assim como prestar serviços de saúde subsidiados pelo Governo. Mas, com esta envergadura, não podemos depender apenas de recursos do erário público”, apontou o Chefe do Executivo.


quinta-feira 18.11.2021

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GETTY IMAGES

“Não se pode pedir dinheiro sempre que acontece qualquer coisa.” “Peço desculpa aos idosos de Macau, mas é a lei.” “Não há rosas sem espinhos. Se volta a haver surtos em Macau, os residentes voltam a estar impedidos de sair.” HO IAT SENG CHEFE DO EXECUTIVO GCS

Chefe do Executivo, Ho Iat Seng foi ontem peremptório ao afirmar que até ao final do ano, o Governo não vai voltar a injectar mais dinheiro nos cartões de consumo. Durante a sessão plenária dedicada a responder às perguntas dos deputados acerca do Relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2022, Ho Iat Seng avisou ainda que a injecção de capital não é “ilimitada” e que “não pode depender tudo do Governo”. Respondendo a uma questão lançada por Ella Lei, deputada ligada aos Operários, o Chefe do Executivo começou por apontar que, até ao final do ano, há montantes por utilizar afectos à ronda ainda em vigor do cartão de consumo e pediu a compreensão da população. Até porque, desde o início da pandemia, já saíram mais de 100 mil milhões de patacas dos cofres do Governo para esse e outros fins relacionados. “Este ano não o vamos fazer, porque o cartão de consumo tem uma validade e não podemos injectar capital de forma ilimitada. Estamos quase no final do ano e ainda há valores excedentes que as pessoas não utilizaram”, começou por explicar Ho Iat Seng. Sublinhado que, tanto o governo como os residentes estão a sofrer uma “grande pressão” devido à pandemia, o Chefe do Executivo pediu a “compreensão de todos”. “Já pagámos quase 110 mil milhões de patacas para injectar nos cartões de consumo e suportar despesas”. No seguimento da ideia, Ho Iat Seng avisou ainda a população que o Governo não pode ser a solução para todos os problemas e o responsável por dispensar dinheiro sempre que há dificuldades. “Não pode depender sempre tudo do Governo. Se uma pessoa está em dificuldades claro que temos garantias e protecção para os residentes, mas tem de haver uma compreensão mútua entre o Governo e a população. Não se pode pedir dinheiro sempre que acontece qualquer coisa”, explicou o governante. Ho Iat Seng reforçou ainda a impossibilidade de conceder mais verbas à população no curto

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prazo, dada a queda abrupta das receitas dos casinos e lembrou que a leitura que é possível fazer da taxa de desemprego excluí os trabalhadores em regime de licença sem vencimento. “Será que quando uma pessoa não trabalha um dia temos logo de ir compensar esse dia de trabalho?”, atirou.

Pedido de desculpas

Apesar de Ella Lei também ter pedido explicações acerca da ausência do subsídio de previdência central de 7.000 patacas destinado aos idosos no orçamento para 2022, somente quando respondeu a José Pereira Coutinho sobre este assunto Ho Iat Seng referiu nada poder fazer porque não está “acima da lei”. Ainda assim, o governante fez questão de dirigir um pedido de desculpas aos idosos. “Esta questão tem a ver com a lei e não está relacionada com o facto de não querermos dar as

7.000 patacas aos idosos. Como Chefe do Executivo tenho de cumprir a lei e não tenho o poder para (…) abusar dos meus poderes”, começou por dizer. “Temos de ter saldo positivo para atribuir esse dinheiro aos idosos. O deputado está sempre a falar em responsabilização e [naturalmente] não vou pedir ao secretário para violar a lei e ser acusado pelo deputado. Peço desculpa aos idosos de Macau, mas é a lei”, acrescentou.

Vamos persistir

Durante a sessão de perguntas e respostas sobre as LAG, o Chefe do Executivo afastou também a possibilidade de vir a alargar, a breve trecho, o prazo de apresentação do resultado negativo do teste de ácido nucleico das actuais 48 horas para sete dias, com o objectivo de cruzar as fronteiras entre Macau e o Interior da China. Em resposta à deputada Ella Lei, Ho Iat Seng disse estar ciente da enorme vontade da população nesse sentido e dos benefícios que isso traria para Macau, mas apontou que a actual situação epidémica da China não é estável e que é necessário manter as medidas actuais. “Não há rosas sem espinhos. Se volta a haver surtos em Macau, os residentes voltam a estar impedidos de sair de Macau. Muitas pessoas falam em aumentar o prazo para sete dias, mas falar é fácil. Nem no Interior da China está a ser possível levantar todas as restrições. Estamos todos a sofrer, mas o Governo quer controlar bem a pandemia. É o único método”. Sobre a reabertura das fronteiras, Ho disse que o Governo tem muita vontade de agir, mas que a questão é mais complexa do que aparenta ser. “O poder não está connosco. O Governo quer agir (...) e estamos constantemente a aplicar esforços e em diálogo com as diferentes regiões e zonas afectadas para permitir o levantamento de restrições”, assegurou. Pedro Arede

Entrada a pés juntos Ho Iat Seng pede a José Pereira Coutinho para não “magoar” os funcionários públicos

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Chefe do Executivo Ho Iat Seng acusou Pereira Coutinho de “magoar” os funcionários públicos ao ter referido que, no decurso da crise gerada pela pandemia de covid-19, a moral dos trabalhadores do sector nunca foi tão baixa. Segundo Ho Iat Seng, ao expressar “um ponto de vista tão radical”, o deputado está a afectar os trabalhadores públicos, não reconhecendo o esforço que vários departamentos têm feito para combater a pandemia. “Não concordo com a sua opinião de que a moral dos funcionários públicos está em baixo. Está a magoar os funcionários públicos ao dar um ponto de vista tão radical. Estamos a falar de mais de 35 mil trabalhadores e claro que há trabalhadores menos motivados, mas todos estão a cumprir o seu dever e a trabalhar de forma adequada. Peço ao deputado para não afectar ou magoar os funcionários públicos”, apontou o Chefe do Executivo na sessão de perguntas e respostas sobre as LAG para 2022. “Nunca varremos as questões para debaixo do tapete. Diz que a moral é baixa, mas está a exagerar. O contributo que os trabalhadores deram durante a testagem em massa da população foi grande (…) e houve quem tivesse trabalhado 24 horas para receber os residentes que chegam do exterior. Os Serviços de Saúde, a polícia e o IAM trabalharam e esforçaram-se muito”, complementou. No seguimento da resposta, Ho Iat Seng pediu ainda a Pereira Coutinho para analisar bem a situação. “Não foi o deputado que teve de intervir durante os tufões e a evacuação de pessoal do hotel de quarentena afectado. Foram os funcionários públicos. Analise a situação antes de tomar a parte pelo todo”, rematou.

À margem da sessão, Pereira Coutinho apontou ao HM que Ho Iat Seng tem uma “visão diferente” daquilo que é a moral dos trabalhadores e está arredado de informação importante acerca do assunto, nomeadamente quanto às promoções e pensões do sector público. “O Chefe do Executivo não está a par da realidade [da função pública] e tem muito que fazer. Não tem conhecimento, nem traquejo da máquina administrativa que não é fácil de compreender. Além disso, não tem acesso a essa informação porque os trabalhadores não se atrevem a falar destas questões porque (…) podem ser despedidos (...) e não podem apresentar queixa à DSAL”, disse ao HM.

Pensem bem

Durante a sua intervenção, Pereira Coutinho questionou ainda Ho Iat Seng sobre o que está a ser feito para garantir que os residentes de Macau não sejam burlados aquando da compra de imóveis no Interior da China. Em resposta, o Chefe do Executivo disse que já encomendou um estudo ao Conselho dos Consumidores (CC) para reforçar a fiscalização e licenciamento e que o Governo tem mantido comunicação próxima com as autoridades do Interior da China, mas lembrou que a área de actuação do Executivo é limitada. Por isso, Ho Iat Seng disse que o melhor é os residentes pensarem bem antes de avançarem para a compra de imóveis. “O Governo nunca deixou de estar em contacto com as autoridades do Interior. Isto também é crime no Interior da China e temos de aguardar pelos tribunais. O Governo de Macau não pode querer tomar conta de assuntos que são da China. Só posso dizer aos residentes para pensarem bem antes de adquirem imóveis lá”, referiu. P.A.

CIBERSEGURANÇA HO CONSIDERA QUE JOVENS SÃO IMATUROS

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EMOS de sensibilizar os jovens para se protegerem melhor. Como não são muito maduros é fácil serem induzidos a praticar actos ilegais”, afirmou ontem Ho Iat Seng, em resposta a um deputado nomeado, Kou Kam Fai, a propósito dos riscos que os mais jovens correm online. O deputado e director da Escola Secundária Pui Ching afirmou que é preciso consciencializar a população para os perigos da Internet, necessidade

sublinhada pelo facto estatístico de que mais de 90 por cento dos jovens entre os 6 e os 17 anos consome conteúdos online. Devido à exposição aos perigos online, o Chefe do Executivo afirmou que o Governo tem dado “grande atenção” ao fenómeno, inclusive através de campanhas de sensibilização dirigidas aos mais novos e vulneráveis e integrando no Código Penal crimes como pornografia de menores, introduzido

com uma iniciativa legislativa que entrou em vigor em 2017. Referindo as medidas de introdução de leis no ordenamento jurídico da RAEM, Ho Iat Seng afirmou que “é o Governo que domina esse trabalho, mas cabe às escolas e aos pais educarem e sensibilizarem as crianças”. O governante defendeu ainda que é responsabilidade dos pais analisar e decidir o que é permitido aos filhos quando acedem à internet.


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18.11.2021 quinta-feira

DSAJ Liu Dexue mais um ano

A comissão de serviço de Liu Dexue enquanto director dos Serviços de Assuntos de Justiça, foi renovada por mais um ano, até Dezembro de 2022, de acordo com um despacho publicado ontem no Boletim Oficial. Liu está no cargo desde Dezembro de 2014, altura em que foi nomeado por Sónia Chan, então secretária para a Administração e Justiça. De acordo com o Boletim Oficial, o director da DSAJ é licenciado em Agronomia, variante de Gestão de Economia Agrária, pelo Instituto de Agricultura de Anhui.

FIC Lam Wan Nei de saída

A presidente do Conselho de Administração do Fundo das Indústrias Culturais (FIC), Lam Wan Nei, pediu para abandonar o cargo, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial. Lam exercia as funções “em regime de tempo parcial” e a alteração produz efeitos a partir de 20 de Dezembro deste ano. Lam foi nomeada por Ho Iat Seng em Março do ano passado e abdica do cargo um ano antes do previsto. A remuneração como presidente do Conselho de Administração do FIC era de 18.200 patacas.

IPM Leong Veng Hang nomeada para o Conselho Geral

TAIWAN POLÍTICOS LOCAIS APOIAM AS POSIÇÕES DE XI JINPING

O que tem de ser

Tina Ho, Kou Hoi In, Liu Chak Wan e Chui Sai Peng foram alguns dos políticos que vieram a público apoiar o Presidente Xi Jinping, após a conferência com Joe Biden, e a defender a inevitabilidade da reunificação com Taiwan

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M grupo de políticos e personalidades de Macau apoiou publicamente Xi Jinping e declarou total intransigência face a movimentos independentistas de Taiwan. A posição de representantes de forças tradicionais foi tomada ontem num artigo no jornal Ou Mun, na sequência da cimeira online entre Xi Jinping e Joe Biden. Tina Ho, presidente da Associação Geral das Mulheres e irmã do Chefe do Executivo, sublinhou que a reunificação com Taiwan é uma certeza absoluta. De acordo com a dirigente, tudo vai ser feito para que a reunificação pacífica se torne uma realidade. A histórica dirigente da Associação Geral das Mulheres afirmou que os residentes devem

explicar a todos os compatriotas “o sucesso” do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, que no seu entender é um exemplo que Taiwan vai querer seguir, impulsionando a reunificação. Também Liu Chak Wan, membro permanente do Comité Nacional do CCPPC, indicou apoiar totalmente o presidente

Segundo Kou Hoi In, após a transferência da soberania, Macau tornou-se num agente internacional e tem a responsabilidade de promover a reunificação

Xi, e destacou a mensagem contra qualquer força separatista que vise cortar o cordão umbilical entre Taiwan e a China. Liu vincou também que os próprios EUA se mostraram contra a independência da Ilha Formosa, mostrando respeitar os três comunicados, ou seja, os documentos que defendem a existência de uma única só China e que permitiu reestabelecer as relações diplomáticas entre os dois países. Por sua vez, a Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) também manifestou o apoio total a Xi Jinping, com o vice-presidente, Fong Ka Fai, a afirmar que o destino da China passa pela reunificação com Taiwan, que considera inevitável. Fong destacou ainda que a maioria da população de Taiwan, assim

como de Hong Kong e Macau, almeja a reunificação e que quem promover a divisão do país vai ser punido severamente.

“Player” internacional

Kou Hou In, presidente da Assembleia Legislativa, veio também a público tomar uma posição sobre as conversações entre os presidentes da China e dos Estados Unidos da América. Segundo o líder do órgão legislativo da RAEM, apresentado no artigo como presidente da Associação Comercial de Macau, após a transferência da soberania, Macau tornou-se num agente internacional com a responsabilidade de promover a reunificação, ao mesmo tempo que desempenha um papel positivo na construção de uma relação saudável entre a China e os EUA. O presidente da AL manifestou ainda total apoio a Xi nas políticas necessárias para a reunificação e para conduzir as relações com os EUA. Finalmente, o deputado José Chui Sai Peng considerou que a conversa entre os dois países foi honesta e que a relação bilateral saiu valorizada. Chui Sai Peng destacou igualmente que os EUA entendem que uma relação saudável entre os dois países é positiva para a ordem global. Nunu Wu e João Santos Filipe

Leong Veng Hang foi nomeada representante do Governo no Conselho Geral do Instituto Politécnico de Macau (IPM) pelo período de um ano. A decisão foi publicada ontem, através de despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong U. A decisão foi publicada um dia depois de o Chefe do Executivo ter anunciado que o IPM vai mudar de nome para Universidade Politécnica de Macau. Leong Veng Hang é ainda a representante do Gabinete da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura na Comissão para os Assuntos de Reabilitação.

AMCM Reserva financeira com 637,7 mil milhões

As reservas financeiras de Macau mantiveram-se estáveis em Setembro com um total de 637,7 mil milhões de patacas, de acordo com a sinopse da Autoridade Monetária e Cambial, publicada ontem no Boletim Oficial. Em Setembro a reserva básica totalizou 150,8 mil milhões de patacas, enquanto a reserva extraordinária fixou-se nos 486,9 mil milhões de patacas, os mesmos valores de Agosto passado. Por outro lado, os lucros do exercício registaram uma quebra em Setembro, face ao mês anterior ao caírem de 11,04 mil milhões de patacas para 9,33 mil milhões de patacas.

Grande Baía Zhuhai quer atrair jovens de Macau

O Departamento de Recursos Humanos e Segurança Social de Zhuhai lançou uma lista com orientações para que jovens de Macau e Hong Kong concorram a subsídios de emprego e empreendedorismo. Segundo o documento, entre os apoios disponibilizados, os licenciados de Hong Kong e Macau que trabalhem em Zhuhai podem obter um subsídio mensal de 200 renminbis e um subsídio de emprego de 3.000 renminbis, pago uma única vez. Todos os jovens de Macau e Hong Kong que já trabalhem no outro lado da fronteira estão habilitados a receber um subsídio de 1.000 renminbis. Para os empreendedores jovens das RAEs, Zhuhai disponibiliza igualmente um subsídio de 10 mil renminbis, atribuído uma única vez. Também a nível do empreendedorismo, é concedido um subsídio de 300 renminbis por mês para o pagamento de rendas com a duração de três anos, que pode chegar ao máximo de 10.800 renminbis.


quinta-feira 18.11.2021

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SAÚDE COMUNIDADE FILIPINA EM SITUAÇÃO FRÁGIL DEVIDO A BAIXA LITERACIA

Situação sem remédio

Um estudo elaborado por académicos do Instituto de Enfermagem do Hospital Kiang Wu conclui que a comunidade filipina na RAEM está menos informada sobre cuidados de saúde do que compatriotas seus que trabalham noutras regiões

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comunidade Filipina em Macau tem grandes dificuldades em obter informação, conhecimentos e cuidados médicos. Esta é uma das conclusões de um estudo elaborado pelo Instituto de Enfermagem do Hospital Kiang Wu, publicado em Outubro na revista científica Healthcare. No documento intitulado a “Literacia em Saúde entre os Trabalhadores Domésticos Filipinos em Macau”, os académicos Cheong Pak Leng, Wang Hui, Cheong Wan e Lam Mei Ieng estudaram os conhecimentos da comunidade, na perspectiva da literacia em saúde. Este conceito diz respeito à capacidade de acesso a informação, à sua compreensão e utilização de forma a promover e manter um estado de boa saúde. Os 379 questionários válidos feitos na comunidade filipina de empregadas domésticas mostram que a maioria “não tem capacidade de aceder, compreender, avaliar e comunicar as suas necessidades face a diferentes situações do estado de saúde”. Os dados apurados demonstraram também que a proporção de indivíduos com conhecimentos para responder adequadamente ao estado de saúde é de 37,4 por cento em Macau, dado

ridos disseram ter um bom nível. Ao mesmo tempo, 337 consideram o seu chinês “pobre”, enquanto 36 afirmaram ser “razoável”.

Condições de vida complicadas

Entre os inquiridos, 36,7 por cento aufere rendimentos iguais ou inferiores a 4.000 patacas

é inferior ao das comunidades filipinas em regiões como o Myanmar, Vietname, Indonésia, Cazaquistão, Malásia e Taiwan. Os mais novos são os que estão menos atentos às questões de saúde e que menos conhecimentos têm. Porém, esta tendência é vista pelos autores como generalizada em grupos com poucas qualificações académicas.

Sobre os factores que contribuem para a baixa literacia, um dos principais é a falta de conhecimentos de chinês e inglês a um nível mais elevado. Em relação a este aspecto, os investigadores detectaram uma relação que explica que quanto melhor inglês falam, mais preparadas as pessoas se mostram. Contudo, o domínio do chinês é um desafio, porque apenas seis inqui-

O inquérito foi composto por 12 perguntas sobre a dificuldade ou facilidade a completar determinadas acções, como chamar uma ambulância, obter informações sobre o programa de vacinação de Macau ou pedir apoio caso sofram problemas mentais como depressão ou excesso de stress. A acção que levantou mais problemas à comunidade de trabalhadores domésticos foi o conhecimento sobre as vacinas necessárias em Macau, com 45 por cento dos inquiridos a considerar muito difícil obter a informação. Este foi um ponto destacado pelos autores, uma vez que o inquérito foi feito numa altura de pandemia. Os académicos sublinharam ainda que a população inquirida vive em condições de pobreza, com 39,6 por cento a sobreviver com um salário entre 4.001 e 4.500 patacas. Ainda mais abaixo, 36,7 por cento aufere rendimento igual ou inferior a 4.000 patacas, e apenas 17,4 por cento afirmou receber mensalmente um salário acima de 4.501 patacas. João Santos Filipe

BOLSA DE HONG KONG WYNN MACAU E SJM “DESPROMOVIDAS”

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S acções das concessionárias Wynn Macau e SJM Holdings vão ser despromovidas na Bolsa de Hong Kong para o índice das acções com pequena capitalização. A notícia foi avançada ontem pelo portal GGR Asia, com base num anúncio feito pelo Índice MSCI Hong Kong Small Cap.

Adespromoção do índice principal para o das empresas com pouca capitalização entra em vigor a 30 de Novem-

bro, após o encerramento do mercado, e a alteração faz parte da revisão do Índice MSCI Hong Kong Small Cap, que acontece duas vezes por ano. A decisão foi explicada com “o tamanho das empresas”. As mudanças surgem após a crise pandémica na RAEM e os consequentes efeitos na indústria do jogo.

Nos últimos seis meses, as acções da Wynn Macau desvalorizaram 43,6 por cento para 7,42 dólares Hong Kong, segundo o valor de fecho do mercado na terça-feira. No caso da SJM Holdings, a quebra foi menos acentuada, mas os títulos valem menos do que os da congénere norte-americana. Na altura de

fecho do mercado as acções da operadora que este ano abriu o casino Grand Lisboa Palace estavam avaliadas em 6,30 dólares de Hong Kong. De acordo com o GGR Asia, a dimensão da Wynn Macau e SJM fazem com que sejam actualmente as empresas mais pequenas do índice principal, e as maiores do índice abaixo. J. S. F.

IMOBILIÁRIO TRANSACÇÕES DIMINUÍRAM NO TERCEIRO TRIMESTRE

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O terceiro trimestre deste ano foram transacionadas 2.122 fracções autónomas e lugares de estacionamento, o que significou uma quebra de 22,3 por cento e 16,6 por cento, respectivamente, face ao segundo trimestre deste ano, para um valor global de 13,34 mil milhões de patacas. Os dados foram revelados ontem pelos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No período em análise, transaccionaram-se 1.537 fracções autónomas habitacionais (menos 396, face ao segundo trimestre de 2021) pelo valor de 10,52 mil milhões de patacas (menos 23,2 por cento). Foram transaccionadas 1.408 fracções autónomas habitacionais de edifícios construídos (menos 399, em termos trimestrais) pelo valor de 9,66 mil milhões de patacas (menos 24,0 por cento) e 129 fracções autónomas habitacionais de edifícios em construção (mais 3) pelo valor de 855 milhões de patacas (menos 13,5 por cento). O preço médio por metro quadrado das fracções autónomas habitacionais globais cifrou-se em 104.141 patacas, tendo decrescido 1,2 por cento, em termos trimestrais. Por sua vez, os preços médios por metro quadrado das fracções autónomas habitacionais na Península de Macau (101.855 patacas) e na Taipa (105.140 patacas) caíram 1,7 por cento e 0,6 por cento, respectivamente, enquanto que o preço médio em Coloane (119.999 patacas) subiu 0,7 por cento.


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18.11.2021 quinta-feira

SOTHEBY’S AUTO-RETRATO DE FRIDA KHALO VALEU 34,9 MILHÕES

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autorretrato “Diego y yo”, de Frida Kahlo, foi ontem vendido num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque, EUA, por 34,9 milhões de dólares, um recorde para uma obra de uma artista latino-americana. A obra de pequenas dimensões - 30 centímetros de altura e 22,4 de largura -, é um auto-retrato da pintora mexicana Frida Kahlo que foi concluído em 1949, alguns anos antes da sua morte. A peça, vendida pela última vez há três décadas, simboliza a relação tempestuosa entre Kahlo e Diego Rivera, que aparece desenhado na testa da mexicana e que por sua vez tem um terceiro olho, elemento com o qual tenta representar a presença contínua do marido na sua mente.

“O preço alcançado esta noite coloca Frida Kahlo no centro da cena, junto com os grandes nomes da história da arte, e como uma das artistas mais cobiçadas do mercado actual”, disse a Sotheby’s em comunicado assim que a oferta foi concluída. A identidade do comprador e do vendedor é desconhecida. “Diego y yo” já fizera história na última vez que foi a leilão, em 1990, quando foi vendido por 1,4 milhão de dólares. Antes da venda, a Sotheby’s já estimava que seria vendida entre 30 e 50 milhões de dólares, não só pelo nível artístico da pintura, mas também pelo tempo de venda e interesse demonstrado pelos artistas surrealistas latino-americanos. “É uma combinação de factores, é como a tempestade perfeita”, disse a diretora de arte latino-americana da Sotheby’s, Anna Di Stasi, à agência de notícias espanhola Efe.

Luz, câmara, CINEMA PROPAGANDA DO ESTADO NOVO ANALISADA EM SEMINÁRIOS

A Casa Garden é anfitriã de uma série de seminários que mostram como o Estado Novo usou o cinema para impor uma imagem de Portugal enquanto país pluricontinental e multirracial. “Azuis ultramarinos – Re-imaginar o império pela análise das projecções (anti-) coloniais no cinema” é o resultado de anos de pesquisa da académica Maria do Carmo Piçarra

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A próxima quarta-feira, a partir das 18h30, realiza-se a segunda parte de uma série de quatro seminários sobre o papel do cinema na propaganda usada pelo Estado Novo para transmitir uma imagem positiva do exercício do poder nas antigas colónias, incluindo no Oriente. Com o título “Azuis ul-

tramarinos – Re-imaginar o império pela análise das projecções (anti-) coloniais no cinema”, e apresentação da académica Maria do Carmo Piçarra, os seminários estão divididos em quatro partes. A primeira decorreu ontem, e as próximas serão apresentadas na próxima quarta-feira, a partir das 18h30, e nos dias 1 e 9 de Dezembro à mesma hora.

Além da possibilidade de serem seguidos online, através do Zoom, os seminários serão transmitidos em directo na Casa Garden. As quatro sessões resultam de anos de pesquisa da investigadora da Faculdade de Ciência Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. “Estes seminários são quase uma síntese de uma década e meia

de pesquisas, em que andei por arquivos militares, da cinemateca, museu de etnologia, para perceber como o Estado Novo usou o cinema para veicular um determinado tipo de propaganda”, conta ao HM Maria do Carmo Piçarra. No grande ecrã era transmitida uma narrativa estatal, que o espectador recebia, pela via do entretenimento, e assumia como sua, sem se aperceber que o discurso lhe estava a ser incutido. A produção audiovisual da máquina de propaganda do Estado Novo só começou a promover a realização de filmes no Oriente a partir de 1951, sobretudo documentários. “Em relação a Macau, o discurso era um bocadinho sobre o exotismo e as particularidades do território. Já sobre Goa, os filmes davam muito enfoque à questão dos templos e à suposta aceitação


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Oriente”, de Miguel Spiegel é outro exemplo do tipo de produção que fez durante o período de pré-guerra colonial. Estes filmes mostravam as colónias portuguesas, também em África, “focando as especificidades de cada uma, mas também sempre com a ideia luso-tropicalista de que o colonialismo português era diferente, mais brando, de aceitação da diversidade cultural, racial e religiosa”, conta.

, reacção Em Macau, tudo era controlado.Delegados do Centro de Informação e Turismo faziam relatórios detalhados sobre a produção, que iam parar às mãos do Governador do regime português da diversidade religiosa”, conta a investigadora, que aponta também a intensificação da propaganda nos retratos de Timor-Leste.

A caminho de Oz

Em Macau, e nas restantes colónias a Oriente, Maria do Carmo Piçarra

destaca na produção fílmica desta época dois grandes nomes: Ricardo Malheiro e Miguel Spiegel. Em 1952, estreava “Macau, Cidade do Nome de Deus”. Na locução do filme documental, Fernando Pessa apresentava a cidade desta forma: “Na placidez das águas dos mares do sul da China, animadas pelo exotismo dos seus barcos e rodeadas pelo encanto das suas ilhas e costas verdejantes e coloridas, ergue-se uma velha e maravilhosa cidade portuguesa, rica de colorido e ineditismo, e diferente, muito diferente de todas as outras cidades portuguesas. Essa cidade é Macau, terra de colinas e outeiros, de jardins de sonho e frondoso arvoredo com um governo português que conta quatrocentos anos.” Era desta forma complacente que se apresentava o território. “Joia do

Maria do Carmo Piçarra

“Na placidez das águas dos mares do sul da China, animadas pelo exotismo dos seus barcos e rodeadas pelo encanto das suas ilhas e costas verdejantes e coloridas, ergue-se uma velha e maravilhosa cidade portuguesa.” LOCUÇÃO DE FERNANDO PESSA NO FILME “MACAU, CIDADE DO NOME DE DEUS”

No entanto, a académica recorda que eram produzidos outro tipo de filmes, altamente controlados pelas autoridades. “Por um lado, havia vontade de promover as ofertas turísticas de territórios como Macau, Angola, Moçambique ou Timor. Por outro lado, nunca se queria mostrar (em Macau isso é óbvio) os bairros onde viviam pessoas em situações de grande pobreza”, afirma Maria do Carmo Piçarra. A académica encontrou nos arquivos de Macau referências expressas, por exemplo, a locais onde era proibido filmar, acrescentando que “havia sempre alguém do Centro de Informação e Turismo, destacado para acompanhar as equipas de rodagem quando iam fazer a repérage [escolha dos locais de rodagem] dos sítios em que se podia filmar”. Estas produções privadas, muitas vezes estrangeiras (em particular de Hong Kong), eram escrutinadas até ao limite. As próprias histórias não podiam retratar aspectos negativos das colónias. Em Macau, tudo era controlado. Delegados do Centro de Informação e Turismo faziam relatórios detalhados sobre a produção, que iam parar às mãos do Governador, e que incluíam mesmo informação sobre os hotéis onde as equipas de produção ficavam instaladas. Com organização do Centro de Investigação para Estudos Luso-Asiáticos, Fundação Oriente e Universidade de Macau, o ciclo de seminários será ministrado em português e a entrada é livre. João Luz com Andreia Sofia Silva

MUSEU DE ARTE “VISÕES MULTIPRISMÁTICAS RECÍPROCAS” ABRE PORTAS AMANHÃ

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partir de amanhã o Museu de Arte de Macau (MAM) recebe a Exposição Internacional de Arte Contemporânea por Convite, que conta com obras de 32 artistas e colectivos de artistas provenientes do Interior, Macau, Hong Kong, Taiwan e do estrangeiro. A cerimónia de inauguração está agendada para amanhã, às 19h00, no 1.º andar do Museu de Arte de Macau e tem como tema: Visões Multiprismáticas Recíprocas. A iniciativa está a ser organizada pelo Instituto Cultural e pela Academia de Arte da China e tem por base uma outra exposição promovida, em 2006, por estes dois organismos. Nesse ano, o MAM acolheu a exposição Microcosmo: Arte Contemporânea Chinesa, centrada numa ideia de reflexão sobre construção de ideologias individuais. Esta exposição serve de pano de fundo para o evento que é inaugurado amanhã e que através dos diferentes trabalhos pretende questionar o “contexto da arte contemporânea”. Nesta visita ao passado, os organizadores voltaram a convidar alguns dos artistas participantes em 2006, e outros que o Instituto Cultural considera que “estão na vanguarda da arte contemporânea internacional” e que “trabalham com as tecnologias mais recentes”. Foram ainda convidados alguns autores “emergentes na arte contemporânea” pela ligação que fazem entre “os recursos culturais dos diferentes lugares e o estado da arte actual”. A exposição tem entrada gratuita e pode ser visitada diariamente, excepto à segunda-feira, entre as 10h e as 19h, com a última admissão a acontecer às 18h30. Aos visitantes é pedido que respeitem as medidas de controlo da pandemia, como a utilização de máscara, medição da temperatura e apresentação do código de saúde.


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18.11.2021 quinta-feira

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IMPRENSA CHINA E EUA COMPROMETEM-SE A DIMINUIR RESTRIÇÕES

Covid-19 Detectados 31 casos nas últimas 24 horas

A China detectou 31 casos de covid-19 nas últimas 24 horas, oito por contágio local e os restantes oriundos do estrangeiro, anunciaram ontem as autoridades de saúde do país. Os casos locais foram detectados na província de Liaoning (oito), nordeste da China. Os restantes casos foram diagnosticados em viajantes provenientes do estrangeiro, no município de Pequim (norte), Tianjin (nordeste) e Shanghai (leste) e nas províncias de Jiangsu (leste), Yunnan (sul), Guangdong (sudeste) e Shaanxi (centro). A Comissão de Saúde da China adiantou que o número total de casos activos é de 1.257, entre os quais 18 graves. Desde o início da pandemia da covid-19, o país registou 98.368 casos da doença e 4.636 mortos.

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EDITAL Edital n.º: 83/E-BC/2021 Processo n.º: 593/BC/2017/F e 381/BC/2021/F Assunto: Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local: Avenida do Hipódromo n.º 86, Edf. Nam Fai, Bloco 1, partes do terraço sobrejacentes às fracções 21.º andar H e 21.º andar I, Macau Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2021, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 33, II Série, de 18 de Agosto de 2021, faz saber que ficam notificados os donos das obras dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Infracção ao RSCI e motivo da Obra demolição 1.1 Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º em alvenaria de tijolo, janelas de e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução vidro, suporte metálico, mesa de do caminho de evacuação e ocubetão e cadeiras em alvenaria de pação do piso de refúgio. tijolo na parte do terraço sobrejacente à fracção 21.º andar H. 1.2 Construção de um compartimento Infracção aos n.º 4 do artigo 10.º com cobertura, chapas e portão e n.º 3 do artigo 29.º, obstrução metálicos na parte do terraço so- do caminho de evacuação e ocubrejacente à fracção 21.º andar I. pação do piso de refúgio. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. O terraço é considerado como piso de refúgio em caso de incêndio, não sendo permitida a sua ocupação ilícita com elementos construtivos, de acordo com o disposto no n.º 3 do artigo 29.º do RSCI. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e piso de refúgio e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 3 do artigo 29.º é sancionável com multa de 2 000,00 a 20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 12 de Novembro de 2021 Pela Directora de Serviços O Subdirector Lai Weng Leong

Pequeno grande passo O clima de tensão entre os dois países está a diminuir. Antes da cimeira virtual entre Xi e Biden, saiu um acordo que visa aliviar as restrições impostas aos órgãos de comunicação social de ambas as nações

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China e os Estados Unidos concordaram em aliviar as restrições para trabalhadores de órgãos de comunicação social dos dois países, reflectindo uma ligeira diminuição das tensões entre os dois lados. O jornal oficial chinês em língua inglesa China Daily noticiou que o acordo foi alcançado antes da cimeira virtual de terça-feira entre o Presidente da China, Xi Jinping, e o homólogo dos Estados Unidos, Joe Biden. Ao abrigo deste este acordo, os EUA vão emitir vistos de entradas múltiplas de um ano para trabalhadores de órgãos de comunicação social chineses e iniciarão imediatamente um processo para tratar de questões

sobre a “duração das acreditações”, apontou o China Daily. AChina vai retribuir ao conceder tratamento igual aos jornalistas dos EUA, assim que as políticas norte-americanas entrarem em vigor, e ambos os lados vão emitir vistos para novos candidatos “com base nas leis e regulamentos relevantes”, acrescentou. Em declarações à agência de notícias Associated Press (AP), o Departamento de Estado norte-americano disse que a China se comprometeu a emitir vistos para um grupo de jornalistas dos EUA “desde que sejam elegíveis, de acordo com todas as leis e regulamentos aplicáveis”. “Também vamos continuar a emitir vistos para jornalistas [chineses] que são elegíveis, de acordo com as leis dos EUA”, apontou a mesma fonte, citada pela AP. A China também se comprometeu a aumentar o prazo de validade dos vistos dos jornalistas norte-americanos actualmente a trabalhar no país asiático, dos atuais 90 dias para um ano. “Numa base recíproca, estamos comprometidos em aumentar a validade dos vistos emitidos para jornalistas da RPC [República Popular da China] para um ano também”, de acordo com o comunicado do Departamento de Estado. Ambos os lados também vão oferecer vistos de entradas múltiplas, indicou.

Ano difícil

No ano passado, os EUA cancelaram 20 vistos emitidos

A China comprometeu-se a emitir vistos para um grupo de jornalistas dos EUA “desde que sejam elegíveis, de acordo com todas as leis e regulamentos aplicáveis”

para funcionários de órgãos oficiais chineses e exigiram aos restantes um registo como agentes estrangeiros, entre outros regulamentos. A China retaliou através da expulsão de jornalistas que trabalhavam para órgãos norte-americanos e restringiu severamente as condições para aqueles que continuaram a trabalhar no país. O novo acordo surgiu como “resultado de mais de um ano de difíceis negociações sobre o tratamento dos órgãos de comunicação em ambos os países”, disse o China Daily. O Departamento de Estado disse que permaneceu em consulta com os jornais afectados, bem como outros órgãos que enfrentam falta de

pessoal devido às decisões do Governo chinês. “Estamos gratos por os correspondentes poderem retornar à China para continuarem o trabalho. Congratulamo-nos com este progresso, mas vemo-lo apenas como um passo inicial”, apontou, em comunicado. O Departamento de Estado acrescentou que vai continuar a trabalhar para expandir o acesso e melhorar condições para os órgãos norte-americanos e estrangeiros na China. “Continuaremos a defender a liberdade de imprensa como um reflexo dos nossos valores democráticos”, afirmou o Departamento de Estado.

COOPERAÇÃO PROMOVIDA APROXIMAÇÃO ENTRE GOVERNOS LOCAIS E DE ÁFRICA

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primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse esta terça-feira que a China e África devem expandir a sua cooperação para criar um futuro melhor para os 2,7 mil milhões de chineses e africanos. Li comentou a situação durante o discurso no 4.º Fórum sobre Cooperação entre Governos Locais China-África, no qual participou por videoconferência. Observando que a amizade entre a China e

a África é inquebrável, Li disse que o país está disposto a aumentar a ajuda de vacinas e materiais anti-epidémicos ao continente africano de acordo com as suas necessidades, de modo a construir uma linha de defesa sólida para a saúde das populações.

A China está disposta a alinhar ainda mais as estratégias de desenvolvimento de cada lado, fortalecer a troca de experiências em governação urbana, erradicação da pobreza, construção social e modernização agrícola e promover a cooperação

entre cidades amigas, destacou Li. O primeiro-ministro chinês acrescentou que a China trabalhará com África para salvaguardar os interesses comuns dos países em desenvolvimento, manter a tradição amigável de respeito mútuo, igualdade, unidade e cooperação, aderir ao multilateralismo e apoiar-se mutuamente nas questões relativas aos seus respectivos interesses centrais e principais preocupações. Ressal-

tando a importância do intercâmbio e da amizade entre os chineses e africanos, Li salientou que, com os esforços conjuntos de ambas as partes, há muito a ser alcançado através da cooperação entre os governos locais da China e de África. Cerca de 300 líderes políticos de países africanos e funcionários de governos locais e instituições relevantes da China e da África participaram na conferência online e offline.


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TUNEL, ERNESTO SÁBATO DANIEL ROJAS PACHAS

quinta-feira 18.11.2021

retrovisor

LUÍS CARMELO

É certo que não existe hospitalidade na leitura do mundo. O sentido é um curto-circuito que apenas esporadicamente se transforma em explosão. Todavia, para compreender o que se avizinha - ou o que estará por vir -, a tentação manda que se procure sempre uma luz sob a qual persistirá a mais estranha das obscuridades. Foi o que me aconteceu ao seguir os sublinhados da minha leitura, há alguns anos, do romance Túnel de Ernesto Sabato. O livro não se inicia em estado de clímax, como é evidente. Afinal, mais do que permitir ao leitor cair imerso e desamparado no vórtice da cena, o autor limita-se a dar voz ao protagonista para que anuncie o que é decisivo na narrativa: “Bastará dizer que sou Juan Pablo Castel, o pintor que matou Maria Iribarne”. O jogo parece ficar todo à mostra, poderá pensar-se, mas não é isso que realmente acontece. Até porque um clímax coloca em jogo actos, factos e situações, enquanto a tensão criada pela declaração de Castel apenas gera um estado de alerta. Mas um alerta que cativa e que conduzirá o leitor a ter que virar a página. A mestria começa justamente aí.

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Uma simples brecha O enredo abre-se depois do mesmo modo que se abre um desdobrável: no dia da inauguração do Salão da Primavera de Buenos Aires de 1946, uma mulher fica muito tempo parada diante de um quadro do próprio Castel. A figuração impunha, em primeiro plano, uma cena onde contracenavam mãe e filho, uma imagem levemente desfocada sobre o seu realismo momentâneo. Mas o que acaba por cativar Maria Iribarne – a anónima visitante do salão –, alheada das vozes circundantes e do solilóquio dos críticos, é um detalhe do quadro a que fica intensamente presa durante minutos e minutos. Como se um pormenor da pintura – era uma simples janela – pudesse isolarse do mundo inteiro, tornando-se

AFINAL, A LITERATURA MAIS NÃO VISA DO QUE UMA BRECHA. UM CLARÃO CAPAZ DE TORNAR O OLHAR NUMA SÚBITA VISÃO. AINDA QUE MUITÍSSIMO BREVE

numa espécie de luz ao fundo do túnel de toda a criação, de toda a imaginação, de todos os textos. Este facto viria a mudar a vida de Castel. A partir da timidez e silêncio em que se resguardava, seguiu obsessivamente o fascínio da mulher pelo detalhe do seu quadro. Vira-a ao longe no Salão durante minutos – uma eternidade –, até que Maria Iribarne abandonou a exposição: “Durante os meses que se seguiram, só pensei nela, na possibilidade de a voltar a ver. E de certo modo só a pintei a ela. Foi como se a pequena cena da janela começasse a crescer e a invadir toda a tela e toda a minha obra”. O ponto de partida de O Túnel de Sabato (1948) é tão simples quanto admirável. Uma mudança radical a partir de um aceno breve e aparentemente sem peso. Mas o suficiente para carburar uma trama intensa. O relato tornar-se-á permeável às coincidências e a uma série de contingências algo inesperadas. O suficiente para que ambos se encontrem e para que o voyeurismo de Castel se torne doentio. Cada vez mais abismado. A atracção acabará por tornar-se fatal. Há cartas, telefonemas, idas de comboio à casa de campo de Maria Iribarne. E há sobretudo o ciúme

e a conjectura fantasmática que farão da saga aventurosa uma tragédia à procura do seu sentido. É claro que de um grande ponto de partida nem sempre se deduz o que é esperado, sobretudo quando o leitor já sabe aquilo que o espera. Raramente as expectativas e o peso bruto dos factos pactuam. E a regra parece cumprir-se neste romance de Sabato: “Quando me entreguei, na esquadra, eram quase seis horas./ Através da janelita do meu calabouço, vi como nascia um novo dia, como um céu sem nuvens. Pensei que muitos homens e mulheres começariam a acordar e logo tomariam o pequeno-almoço e leriam o jornal e iriam ao emprego, ou dariam de comer aos filhos e ao gato, ou comentariam o filme da noite anterior/ Senti que uma caverna negra ia aumentando dentro do meu corpo”. Mas o que interessará a potencialidade da narrativa e até o modo como o inimaginável se debruça sobre a enseada do imaginável? Afinal, a literatura mais não visa do que uma brecha. Um clarão capaz de tornar o olhar numa súbita visão. Ainda que muitíssimo breve. A janela de Maria Iribane teve efectivamente esse condão.


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B-SIDES & RARITIES PART II | NICK CAVE & THE BAD SEEDS | 2022

Fruto de uma compilação inédita de Nick Cave e Warren Ellis, B-Sides e Rarities: Part II apresenta 27 faixas inéditas produzidas entre 2006 e 2020, que incluem algumas das primeiras gravações dos álbuns “Skeleton Tree”, “Girl In Amber” e “Bright Horses”. Apesar da melancolia e das notas narrativas já habituais de Nick Cave, B-Sides e Rarities: Part II inclui composições mais luminosas e melódicas. Exemplo disso é “Vortex”, composição que ficou na gaveta durante mais de 15 anos por Cave não saber se pertencia aos tempos em que estava com os Grinderman ou os Bad Seeds. Denso e peculiar. “I’m a Steve McQueen with a big, beautiful dream”. Pedro Arede

C I N E M A

SALA 1

Fish Liew, Louis Koo, Lam Ka Tung 14.00, 19.15, 21.45

(FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Chen Kaige, Tsui Hark, Dante Lam Com: Wu Jing, Jackson Yee, Duan Yihong, Zhang Hanyu, Zu Yawen 14.30, 21.00

ETERNALS [B]

THE BATTLE AT LAKE CHANGJIN [C]

ETERNALS [B]

Um filme de: Chloe Zhao Com: Angelina Jolie, Gemma Chan, Richard Madden, Salma Hayek 18.15 SALA 2

ANITA [C]

(FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Longman Leung Com: Louise Wong, Lau Chun Him,

Um filme de: Chloe Zhao Com: Angelina Jolie, Gemma Chan, Richard Madden, Salma Hayek 16.30

GHOSTBUSTERS AFTERLIFE [B]

Um filme de: Jason Reitman Com: Paul Rudd, Finn Wolfhard, Mckenna Grace 14.30, 16.45, 21.30 SALA 3

VENOM: LET THERE BE CARNAGE [C]

Um filme de: Andy Serkis Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris, Woody Harrelson 19.30

GHOSTBUSTERS AFTERLIFE

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; Gonçalo M.Tavares; Gonçalo Waddington; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais, Julie Oyang; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo


quinta-feira 18.11.2021

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in Sapo24

Marco Neves

POR QUE RAZÃO EXISTEM TANTAS LÍNGUAS? galáxias inteiras, pequenas alterações iniciais − por influência de outras línguas ou de modas ou da particular composição de falantes com determinadas tendências ou histórias pessoais − criam línguas futuras. Esta criação não é planeada. As palavras e a gramática de cada língua vão surgindo através da interacção entre os falantes. As línguas, ao longo dos milénios, nunca tiveram um qualquer Conselho Superior da Língua a determinar quais são as palavras a usar e as regras a aplicar. (Nos últimos séculos, num punhado de línguas, houve algumas tentativas no sentido de regulamentar de cima para baixo as línguas, mas com pouco êxito − e mesmo essas academias raramente inventam palavras de raiz: apenas escolhem entre palavras já existentes. As línguas lá continuam como sempre, avessas a um controlo demasiado apertado.) Neste aprender constante das línguas e no seu uso colectivo pelas várias gerações − e se as línguas tiverem sido inventadas pelo Homo erectus, já vamos em mais de 60 000 gerações a usar a linguagem humana −, há processos em que ninguém repara, mas que vão também garantindo uma mudança gradual e inevitável de todas as línguas, mesmo que sejam faladas por um grupo isolado (e raramente o são).

TODOS OS SERES HUMANOS falam uma língua — e, muitas vezes, mais do que uma língua. Todas as línguas humanas usam um conjunto limitado de sons, sons esses que não significam nada por si, mas que se conjugam para criar palavras com significado − e todas as línguas têm regras para dar forma a essas palavras ou ligálas de maneira particular em sequências (a que normalmente chamamos frases). Todos os seres humanos aprendem as línguas que os rodeiam nos primeiros anos e todos os seres humanos estão igualmente preparados, à nascença, para aprender qualquer língua. A linguagem humana é, nesta perspectiva, universal. Por outro lado, os seres humanos falam muitas línguas diferentes. As línguas variam entre grupos e, mesmo dentro de cada língua, há muita variação — aliás, mais variação do que parece à primeira vista a quem está habituado a falar línguas com norma escrita. Mas porquê esta variação? Não seria possível que a linguagem fosse comum a toda a humanidade? Que uma palavra ou uma regra gramatical, uma vez inventada, se mantivesse inalterada e passasse de cérebro em cérebro até ser usada por toda a humanidade? Talvez seja logicamente possível, mas não é − claramente − o mundo em que vivemos. Vejamos algumas razões para haver mais do que uma língua no mundo. 1. Ninguém decide previamente que palavra vamos usar para algo novo Imaginemos um mundo onde a humanidade fala uma só língua. Nesse mundo monolingue, alguém descobre um animal novo. O nosso descobridor dá um nome arbitrário (como todos os nomes) à sua descoberta: dali em diante, o animal chamarseá «elom». Caça o pobre animal e levao até à sua tribo, onde todos ficam contentíssimos. O elom é delicioso bem assado no fogo (tecnologia que a tribo tinha descoberto umas semanas antes). Dias depois, a nossa tribo encontra outra tribo. Contam, entusiasmados, a descoberta do elom. A outra tribo fica baralhada e dizlhes que aquele animal se chama ganim! Já andavam, aliás, a comer ganim assado há muitos anos. E agora? Elom ou ganim? Como manter a unidade da língua mundial? É impossível. Cada tribo vai continuar a chamar ao animal o nome que inventou: elom ou ganim. Mesmo que aquelas duas tribos chegassem a acordo (e não chegariam), uma terceira tribo poderia nem vir a saber que o animal que anda a comer tem outro nome na tribo da floresta ao lado. Como a humanidade nunca viveu como uma só tribo, nunca poderia ter uma só língua, a não ser que essa língua fosse muito limitada e inflexível. Ora, a linguagem humana é flexível e, para isso, tem de aceitar novas palavras e permitir a dispersão, porque é impossível

Além desse facto óbvio de vivermos em grupos diferentes, que podem ter de dar um nome diferente a algo novo, há outro facto inescapável da língua: a língua muda naturalmente, num processo raramente consciente

uma reunião de toda a humanidade para discutir que palavra usar para cada situação nova que encontramos. Multipliquemos este processo pelas descobertas e invenções de cada tribo e temos palavras diferentes. Multipliquemos pelo número de tribos do

mundo e percebemos uma das razões por que se multiplicam as línguas. Estou a concentrar me, só para facilitar o exemplo, no léxico. Mas o mesmo se aplica à sintaxe e a todos os aspectos da língua. Além desse facto óbvio de vivermos em grupos diferentes, que podem ter de dar um nome diferente a algo novo, há outro facto inescapável da língua: a língua muda naturalmente, num processo raramente consciente. Se quisermos pensar um pouco melhor na questão, imaginemos que a tribo original se divide em três. Anos depois, uns dirão elom, outros dirão alom, outros dirão alomi… Em breve, teremos três línguas. Mesmo quando começamos com uma só língua, rapidamente encontramos divergência linguística se houver separação entre os falantes. Podemos até imaginar que as três línguas ganham maneiras diferentes de expressar o plural: Duplicação: «elomelom»; Partícula: «xi alom»; Terminação: «alomis». Tal como as pequenas alterações nos primeiros segundos do Universo criaram

2. Os falantes equilibram a expressividade com a economia de esforço Uma das razões para a mudança é a tendência dos falantes para a economia sonora: os sons vão se simplificando ou caindo ao longo dos séculos. Esta tendência é compensada, por outro lado, pela necessidade de garantir a comunicação e pela tendência para a expressividade. Queremos dizer o mais possível, com o menor esforço possível. Esta é uma característica compreensível de seres com muito para viver e um mundo intenso à sua volta. Podia ser de outra maneira? Podia, mas a espécie seria outra e a linguagem que utilizaria seria muito diferente. Não nos preocupemos. As línguas estão sempre a compensar o desbaste através de redundâncias e outras estruturas que asseguram a comunicação — como a possibilidade de expressar o plural no artigo e no nome ou as preposições que substituem o sistema de casos no português e outras línguas latinas. (Os processos que aqui descrevo estão explicados de forma detalhada no livro The Unfolding of Language, de Guy Deutscher.) (continua)

(Crónica baseada em capítulo do livro História do Português desde o Big Bang.) Marco Neves | Professor e tradutor. Escreve sobre línguas e outras viagens na página Certas Palavras. O seu livro mais recente é História do Português desde o Big Bang.


“O mundo seria insuportável se as criaturas tivessem boa memória.” PALAVRA DO DIA

Erico Veríssimo

quinta-feira

18.11.2021

UE 700 MIL EUROS PARA AJUDA HUMANITÁRIA NA FRONTEIRA BIELORRUSSA-POLACA

CRIME CONDUTOR ALCOOLIZADO ATROPELOU MULHER E FUGIU

Abominável mundo novo

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M homem, na casa dos 20 anos, foi detido por conduzir sob o efeito do álcool, sem carta de condução, e depois de ter atropelado um peão e fugido do local. O caso anunciado ontem pela polícia e citado pelo jornal Ou Mun, aconteceu a 15 de Novembro quando as autoridades encontraram uma mulher deitada na beira da estrada. Quando interpelada pela polícia, explicou que tinha sido atropelada por um carro e que o marido estava a perseguir a viatura, que fugiu do local. Perante o cenário, as autoridades puseram-se também em perseguição e acabaram por identificar a viatura e o condutor. Questionado, o jovem condutor admitiu que não tinha carta de condução. Além disso, acusou 1,53 gramas de álcool por litro de sangue. O detido admitiu ainda que antes do acidente tinha bebido num bar do ZAPE e que para regressar a casa pediu emprestada a viatura de um amigo. Sobre o atropelamento, afirmou que tinha ficado com a ideia de ter embatido num poste de iluminação e não num peão. O caso foi entregue ao Ministério Público e o jovem está indiciado pela prática dos crimes de condução por não habilitado, condução em estado de embriaguez, ofensa à integridade física por negligência e fuga à responsabilidade.

Janez Lenarcic, comissário europeu da Gestão de Crises “Apelo ao acesso contínuo das organizações humanitárias de ambos os lados para que cheguem a este grande grupo de refugiados e migrantes para lhes prestar assistência urgente.”

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Comissão Europeia anunciou ontem a mobilização de 700 mil euros da União Europeia (UE) em ajuda humanitária para “aliviar o sofrimento” dos migrantes em situação vulnerável na fronteira bielorrussa-polaca, numa altura de forte pressão migratória. “Respondendo imediatamente a um apelo, a Comissão Europeia atribuiu 200 mil euros de financiamento humanitário ao Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho”, anuncia o executivo comunitário em comunicado, especificando que esta verba será gerida pela Cruz Vermelha bielorrussa para “fornecer a tão necessária assistência de socorro, incluindo alimentos, ‘kits’ de higiene, cobertores e ‘kits’ de primeiros socorros” aos milhares de migrantes concentrados na fronteira.

Além disso, “a UE mobilizou mais 500 mil euros em financiamento humanitário e está actualmente em contacto com as organizações humanitárias parceiras para a implementação dos fundos”, acrescenta a Comissão Europeia. Citado pela nota de imprensa, o comissário europeu responsável pela Gestão de Crises, Janez Lenarčič, observa que “a UE está a apoiar os seus parceiros humanitários para ajudar a aliviar o sofrimento das pessoas presas na fronteira e em outras partes da Bielorrússia”. “Apelo ao acesso contínuo das organizações humanitárias de ambos os lados para que cheguem a este grande grupo de refugiados e migrantes para lhes prestar assistência urgente”, exorta o responsável. AComissão Europeia adianta na informação ontem divulgada estar “pronta a fornecer financiamento humanitário adicional em resposta

a necessidades humanitárias claramente definidas caso o acesso das organizações parceiras humanitárias na Bielorrússia melhore”. “Toda a ajuda humanitária da UE é baseada em princípios humanitários internacionais. A UE fornece assistência humanitária baseada nas necessidades às pessoas atingidas por catástrofes naturais e provocadas pelo homem, com particular atenção às vítimas mais vulneráveis [sendo que] a ajuda é canalizada de forma imparcial às populações afectadas, independentemente da sua raça, grupo étnico, religião, sexo, idade, nacionalidade ou filiação política”, adianta a instituição.

Resposta europeia

O anúncio surge depois de, na segunda-feira, o Conselho da UE ter alterado o seu regime de sanções à Bielorrússia, alargando

os critérios de listagem a cooperantes do regime, para responder à instrumentalização de migrantes e aos ataques híbridos de Minsk. Com o alargamento dos critérios, as sanções da UE podem agora “visar indivíduos e entidades que organizam ou contribuem para actividades do regime de (Presidente bielorrusso, Alexander) Lukashenko, que facilitam a passagem ilegal das fronteiras externas” do bloco. Com esta alteração, a UE poderá incluir as pessoas e empresas, como companhia aéreas, que colaboram com a Bielorrússia na condução de migrantes para as fronteiras com o bloco europeu, nomeadamente a da Polónia. Adecisão segue-se às conclusões do Conselho Europeu de 21 e 22 de Outubro, nas quais os líderes da UE declararam que não aceitariam qualquer tentativa de países terceiros de instrumentalizar os migrantes para fins políticos, condenaram todos os ataques híbridos nas fronteiras da UE e afirmaram que responderiam em conformidade. As sanções à Bielorrússia têm sido ampliadas progressivamente, desde Outubro de 2020, acompanhando a situação no país, depois de terem sido adoptadas em resposta às eleições presidenciais de Agosto do ano passado, que a UE considera terem sido fraudulentas e manipuladas, não reconhecendo a reeleição de Lukashenko.

COVID-19 PANDEMIA JÁ MATOU PELO MENOS 5.113.287 PESSOAS EM TODO O MUNDO

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pandemia provocada pelo novo coronavírus já fez pelo menos 5.113.287 mortos em todo o mundo desde que foi notificado o primeiro caso na China no final de 2019, segundo o balanço diário da agência France-Presse (AFP). Mais de 254.298.140 pessoas foram infectadas, até à data, pelo coronavírus SAR-CoV-2 em todo o mundo, de acordo com o balanço feito ontem pela agência noticiosa francesa.

Na terça-feira, registaram-se 9.079 mortes e 728.779 novas infecções, segundo os números coligidos e divulgados pela agência. Os países que registaram mais mortes nas últimas 24 horas foram os Estados Unidos (2.475), Rússia (1.247) e Ucrânia (769). Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afectado, tanto em número de mortes como de infecções, com um total de 765.913

óbitos e 47.311.015 casos, segundo os dados da Universidade Johns Hopkins. Depois dos Estados Unidos, os países mais afectados são o Brasil com 611.478 mortes e 21.965.684 casos, a Índia com 464.153 mortes (34.466.598 casos), o México com 291.241 mortes (3.847.243 casos) e a Rússia com 259.084 mortes (9.182.538 casos). Entre os países mais atingidos, o Peru é o que

apresenta o maior número de mortes em relação à sua população, com 609 mortes por 100.000 habitantes, seguido pela Bulgária (382), Bósnia (369), Montenegro (353), Macedónia do Norte (353), Hungria (335) e República Checa (295). Este balanço é feito com base em dados obtidos pela AFP junto das autoridades nacionais e informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).


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Hoje Macau 18 NOVEMBRO 2021 #4894 by Jornal Hoje Macau - Issuu