˜ QUINTA-FEIRA 18 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4155
UIGURES
´ Orfãos à força GRANDE PLANO
ASSEMBLEIA
JOGO VIP
Tempos A fatia maternos dourada PÁGINA 4
PÁGINA 8
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Os fins últimos LUÍS CARMELO
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Ao fim de nove anos e após vários incidentes e derrapagens orçamentais, a maior travessia do mundo sobre o mar vai ser inaugurada na próxima terça-feira. A ponte que ligará Hong Kong, Zhuhai e Macau vai ter 55 quilómetros de extensão e custou a Macau 2,6 mil milhões de renminbis. ÚLTIMA
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18.10.2018 quinta-feira
CASO DE VERGONHA MAIOR CHINA
HWR PEDE LIBERTAÇÃO DE CRIANÇAS UIGURES DETIDAS EM ORFANATOS
A Human Rights Watch exige a libertação das crianças da etnia uigur que se encontram detidas em orfanatos em Xinjiang depois dos pais terem sido detidos “arbitrariamente” pelas autoridades chinesas. A organização de defesa dos direitos humanos defende que os menores devem ser devolvidos às famílias, em vez de permanecerem em instituições do Estado
A
opressão sobre a minoria muçulmana uigur continua a ganhar novos contornos. Segundo notícias veiculadas pela Associated Press e pelo Financial Times, as autoridades chinesas estão a levar a cabo uma campanha de separação de crianças uigur das famílias, e a interná-las em instituições estatais, quando os pais foram detidos ou enviados para campos de reeducação. Em Setembro passado, a Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório a detalhar um caso de detenções em massa na região de Xinjiang. Estima-se que cerca de um milhão de muçulmanos estejam detidos em campos de reeducação e que um número indeterminado de indivíduos se encontrem em prisões ao abrigo da política de
combate ao terrorismo movida pelo Governo chinês. “As autoridades chinesas estão a colocar em instituições estatais filhos de presos políticos da região de Xinjiang, com total crueldade”, comenta Sophie Richardson, responsável pelos assuntos chineses da HWR. “Esta campanha faz parte de um perverso programa governamental que retira crianças de origem muçulmana das suas famílias em nome do seu bem-estar”, reforça a dirigente da organização internacional. Em Novembro de 2016, o secretário do Partido Comunista Chinês de Xinjiang, Chen Quanguo, ordenou às forças de autoridade o envio de todos os órfãos uigur para instituições públicas até 2020, uma medida inserida num plano mais alargado para o território situado
na parte noroeste da China. As directrizes partidárias compreendem a “concentração” de órfãos, que anteriormente viviam em “condições miseráveis”, incluindo sob a alçada da própria família, em instituições do Estado de forma a “melhorar as condições de vida”. É de salientar que um órfão é definido como “uma criança que perdeu os pais, ou que tem os pais em parte incerteza”. Em algumas partes de Xinjiang, esta definição inclui crianças cujos progenitores se encontram ambos detidos em campos, ou presos.
INFÂNCIA PERDIDA
Desde que foram implementadas as políticas regionais de Xinjiang, em Janeiro de 2017, as autoridades locais são encorajadas a “canalizar” órfãos para orfanatos públicos,
mesmo que isso signifique encher todas as camas, ou ampliar e construir mais instalações. De acordo com relatos publicados em meios de comunicação social, alguns destes novos equipamentos têm capacidade para receber mais de uma centena de crianças. O objectivo do Governo local de Xinjiang é aumentar a ocupação dos orfanatos e a taxa de institucionalização de órfãos de 24 por cento para 100 por cento, entre 2017 e 2020. Ao mesmo tempo que os políticos locais descrevem os alvos destas medidas como “aqueles que desejam ser institucionalizados”, não fornecem qualquer detalhe quanto à forma como estes dão o seu consentimento. No fundo, não é claro se quem dá permissão são as próprias crianças, os pais ou a restante família. Também não existem informações sobre qual o departamento governamental que toma esta decisão, quais os procedimentos a respeitar para determinar o consentimento, ou se estas decisões podem ser contestadas. Um relatório produzido por autoridades de uma localidade não especificada pela HWR, datado de Setembro de 2017, declarava que as crianças podiam ficar à guarda de familiares se estes não as quisessem enviar para orfanatos. No entanto, outras zonas de Xinjiang receberam ordens para preencher quotas bem mais ambiciosas. No condado de Jimsar, foi ordenado às autoridades o envio de pelo menos 30 órfãos para instituições estatais até Outubro de 2017. Já no condado de Xinyuan, as ordens oficiais eram para institucionalizar 60 órfãos até Dezembro de 2017, ou sofrer as consequências impostas em caso do número mínimo não ser cumprido. Aliás, na Prefeitura Autónoma mongol de Bayingolin, um documento oficial dava conta das dificuldades em cumprir as metas exigidas. “Os cuidadores das crianças são familiares, como avós, e não estão dispostos a entregar as crianças às instituições. Tanto os menores como os familiares que os têm à sua guarda, não são favoráveis a uma separação de longo-prazo e não encaram os orfanatos como lugares seguros ou de confiança”.
QUESTÃO LEGAL
De acordo com o relatório da HRW, o artigo 4 da lei chinesa de adopção define a orfandade como “um menor de 14 anos que tenha perdido os pais, que não os consiga encontrar, ou cujos pais tenham especiais dificuldades que os impossibilitem de cuidar dos filhos”. No artigo 43 da lei que regula a protecção de menores é estabelecido que os orfanatos sob a alçada do Ministério dos Assuntos Civis têm a responsabilidade para cuidar dos órfãos. No entanto, a
legislação não dá autoridade ao Governo para retirar crianças às respectivas famílias, nem estabelece um conjunto de procedimentos legais para tal efeito. Esta medida representa apenas mais um assalto na ofensiva siste-
“Esta campanha faz parte de um perverso programa governamental que retira crianças de origem muçulmana das suas famílias em nome do seu bem-estar.” SOPHIE RICHARDSON HWR
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mática das autoridades contra as comunidades uigur de Xinjiang. Nas escolas foram proibidas, há muito tempo, o ensino religioso e foi promovida, oficialmente, a marginalização progressiva dos dialectos e a promoção do mandarim. Além disso, todas as práticas religiosas islâmicas foram restringidas ao máximo. Ainda em termos legais, importa referir que a China ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que tem logo no preâmbulo o reconhecimento da família como o ambiente natural para a crescimento e bem-estar da criança. O tratado internacional estabelece no Artigo 9, nº 1, que “os Estados Partes garantem que a criança não é separada de seus pais contra a vontade destes, sal-
vo se as autoridades competentes decidirem, sem prejuízo de revisão judicial e de harmonia com a legislação e o processo aplicáveis, que essa separação é necessária no interesse superior da criança”. Esta
A China ratificou a Convenção sobre os Direitos da Criança, que tem logo no preâmbulo o reconhecimento da família como o ambiente natural para a crescimento e bem-estar da criança
norma é necessária em casos que envolvam abuso ou negligência dos pais.
EM ÚLTIMO CASO
Mesmo quando é necessário providenciar uma alternativa para cuidar dos menores, a prioridade deve ser dada aos membros mais próximos da família. O relatório da HRW refere ainda que a remoção de uma criança da sua família deve ser uma medida de último recurso e deve ser, sempre que possível, temporária e de duração o mais curta possível. Outro aspecto que a organização de direitos humanos reforça é a necessidade das autoridades respeitarem o direito de um menor, capaz de formar as suas próprias opiniões, de ser ouvido,
livremente, em todas as matérias que possam afectar a sua vida. A vontade do menor deve ser tida em consideração de acordo com a idade e grau de maturidade. Em caso de necessidade incontornável de institucionalização, o menor deve ficar num local o mais próximo possível da sua residência, de forma a facilitar o contacto, e a possível reintegração, na família. Outros aspectos a ter em consideração são a disrupção mínima da educação, cultura e vida social da criança. À medida que foram publicadas informações, nos últimos meses, sobre violações sistemáticas e em massa dos direitos humanos em Xinjiang, as Nações Unidas e vários Governos expressaram publicamente preocupações sobre
as políticas chinesas de repressão a que estão a ser submetidos os muçulmanos de etnia uigur. Aliás, os Estados Unidos estão a considerar a imposição de sanções a várias entidade e pessoas com cargos oficiais em Xinjiang. Além disso, países como a Alemanha e a Suécia suspenderam, temporariamente, a deportação de membros da comunidade uigur para a China. Apesar da repressão amplamente divulgada, a HWR tem esperança que como este último atropelo aos direitos humanos mexe com a vida de crianças, a comunidade internacional se manifeste, em uníssono, e pressione Pequim a mudar de rumo imediatamente. João Luz
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Lei Chan U e Wong Kit Cheng apelaram ao Governo que se apresse na revisão legislativa que irá estabelecer o aumento das licenças de maternidade e de paternidade. Ambos dão como exemplo Hong Kong, que já anunciou a intenção de alargar estes benefícios sociais
AL DEPUTADOS PEDEM RAPIDEZ NO ALARGAMENTO DE LICENÇAS DE MATERNIDADE
Tempo para ser mãe
L
EI Chan U e Wong Kit Cheng insistem no aumento das licenças de maternidade tendo em conta o exemplo de Hong Kong, onde a Chefe do Executivo Carrie Lam anunciou a intenção de aumentar o período de licença de 10 para 14 semanas. De acordo com o deputado ligado à FAOM, as trabalhadoras da função pública locais têm direito a 90 dias de licença de maternidade, “o que tem sido invejável para as trabalhadoras em geral, e mais favorável do que os 70 dias de licença de maternidade das funcionárias públicas de Hong Kong”, começou por dizer durante o período de intervenções antes da ordem do dia que marcaram a abertura da sessão legislativa, na passada terça-feira. No entanto, a região vizinha está a mudar: além do aumento de 10 para 14 semanas, previstas na apresentação das Linhas de Acção Governativa, o Governo de Hong Kong propõe pagar às empresas as quatro semanas adicionais da licença de maternidade, acrescentou o legislador eleito por sufrágio indirecto. Para Lei Chan U, “a revisão da lei das relações laborais de
O
deputado Leong Sun Iok sugere que se aproveitem as actuais políticas de integração regional para melhorar a qualidades das obras públicas locais. Para o legislador, as infra-estruturas de Macau não têm acompanhado o desenvolvimento social do território “e as obras públicas têm sempre atrasos, derrapagens orçamentais, problemas de qualidade, etc.”, referiu terça-feira durante o período de
Wong Kit Cheng, deputada “Quando aumentam as licenças de maternidade e paternidade remuneradas?”
Macau parece ter como objectivo corresponder ao definido no diploma similar de Hong Kong, mas em Hong Kong já se deu um passo firme na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, o que não só faz com que Macau fique para trás nesta matéria como aumenta, mais uma vez, a diferença entre os dois territórios em termos destes direitos”. O legislador reconhece que a revisão da lei das relações de trabalho não agrada a todas as
partes envolvida. Ainda assim, a legislação deve ter em conta as necessidades da população.
RÉDEAS NAS MÃOS
A opinião foi partilhada por Wong Kit Cheng, que apontou a obrigação do Executivo em liderar a reforma da lei das relações laborais, até porque “está em causa, acima de tudo acelerar a revisão das licenças de maternidade e de paternidade”. Wong recorda que o Governo está a recolher opiniões da po-
Ajuda da pátria Leong Sun Iok quer colaboração com a China nas obras públicas locais
intervenções antes da ordem do dia na reunião plenária que abriu mais uma sessão legislativa. A Zona A dos Novos Aterros, as obras do terminal marítimo do Pac On , o Metro Ligeiro, o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, o murete contra
inundações que o Governo pretende construir, a quarta ligação entre a Taipa e Macau, e os diversos projectos de habitação pública, foram exemplos apresentados pelo tribuno como reflexo da incompetência do Governo. Segundo o deputado ligado à FAOM, a situação “não só
pulação e dos diversos sectores sociais para o Relatório das LAG para 2019, e dá igualmente o exemplo da região vizinha, sendo que “ao saber desta medida a população local tem se questionado: Em Macau, quando aumentam as licenças de maternidade e paternidade remuneradas?”, perguntou. Por outro lado, quanto à revisão da lei, “em 2016, o secretário para a Economia e Finanças já afirmou ter uma calendarização,
afecta o prestígio da governação, mas também impede a melhoria da vida da população e o desenvolvimento da sociedade”.
INCAPACIDADE RECONHECIDA
Reconhecendo que Macau precisa de ajuda, Leong apelou ao Executivo que faça uso da cooperação regional. “A Província de Guangdong anunciou, este ano, as prioridades da implementação do Acordo-Quadro de Cooperação Guangdong-Macau,
mas passaram-se quase dois anos e isso ainda não aconteceu”, disse. A deputada teme também que os desequilíbrios entre as regiões aumentem e apela a uma “rápida e eficiente acção do Governo”. Wong Kit Cheng deu como exemplo a seguir o que tem sido feito pelas concessionárias do jogo, que aumentaram os dias da licença de maternidade remunerada e criaram a licença de paternidade no presente ano.
nas quais se referem o reforço da cooperação e intercâmbio na construção civil”. Como tal, o deputado entende que face à tendência do desenvolvimento da cooperação regional, “Macau pode aproveitar a plataforma de cooperação regional para elevar a qualidade e eficácia das obras públicas locais”. Aliás, a eficácia da solidariedade institucional já se pode constatar com a construção do Posto Fronteiriço de Macau da Ponte Hong
Sofia Margarida mota
sofiamota@hojemacau.com.mo
Kong-Zhuhai-Macau: “com uma área de construção superior a 600 mil metros quadrados, teve início em Dezembro de 2016 e atingiu o objectivo básico de conclusão após cerca de um ano de execução, com a inauguração da iluminação em 18 de Dezembro de 2017”, disse, justificando a necessidade de continuação deste tipo de colaboração. S.M.M.
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“É impossível, através das tarifas, cobrir os custos. Nas estações não há lugar para criar cafés ou outras lojas. No futuro, vai haver dificuldades financeiras.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO SECRETÁRIO PARA OS TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS
pública e MTR. O secretário defendeu perante o hemiciclo que para operar o sistema a melhor opção é o recurso a serviços de uma empresa concessionária, tal como foi feito. “É melhor não ser um serviço público a fazer isto. Uma concessão é mais flexível e mais simples para servir a população e quando nos referimos a operadora estamos a referir a companhia concessionária”. O secretário referiu ainda que se trata de uma situação idêntica à que existe com o sector da electricidade, através da CEM. No que diz respeito à forma como a fiscalização aos serviços da MTR vão ser feitos, o secretário mostrou-se disponível para debater a matéria na discussão da proposta na especialidade, onde vai “adoptar uma postura de abertura”, adiantou.
METRO LIGEIRO PROPOSTA DE LEI FOI APROVADA NA GENERALIDADE
Linha no horizonte A proposta de lei do sistema de transporte do Metro Ligeiro foi aprovada na generalidade. O debate teve como destaque questões relativas à fiscalização da empresa responsável pelas operações, o estabelecimento de tarifas e a possibilidade de expropriações durante as obras GCS
F
OI aprovada na generalidade, na passada terça-feira, a proposta de lei do sistema de transporte do Metro Ligeiro com 30 votos a favor e um contra, do deputado pró-democrata Ng Kuok Cheong. O debate que marcou a abertura da sessão legislativa foi pautado pelas dúvidas dos deputados acerca da fiscalização da empresa que será responsável pelas operações do Metro Ligeiro. O deputado Sulu Sou começou por pedir ao secretário para os Transportes o Obras Públicas, Raimundo do Rosário, esclarecimentos sobre a relação entre o Governo e o MTR Corporation Limited, assim como a possibilidade de criação de uma empresa pública. “Qual é a função de exploradora? Queria que me dissesse o que é isto. Disse que ia criar uma empresa de capital público e, entretanto, foi feita a concessão à empresa de Hong Kong”. Recorde-se que a MTR Corporation Limited vai ser a empresa responsável pelas operações do Metro Ligeiro nos primeiros cinco anos de funcionamento, tendo a seu cargo também a reparação e manutenção dos comboios, dos sistemas de sinalizações e das instalações das infra-estruturas. Já Ip Sio Kai quis saber “quem vai assumir as devidas responsabilidades no futuro se é uma empresa criada pelo Governo ou a MTR”. Para o deputado eleito por sufrágio indirecto, este ponto não está esclarecido. Segundo Raimundo do Rosário, há que distinguir empresa
CONSEQUÊNCIAS SELECTIVAS
As sanções a aplicar à concessionária não estão bem definidas no diploma. A questão foi levantada pelo deputado Leong Sun Iok, que considera que o regime sancionatório da proposta de lei abrange apenas os seus utilizadores. “Nesta proposta só temos sanções para os passageiros e relativas à comunicação de acidentes por parte da operadora fora do prazo devido, sendo que não consegue “ver muitas normas que regulam as responsabilidades da operadora”, acrescentou. O deputado deu ainda como exemplo o que se passa em regiões vizinhas, onde é claro que se “a exploradora não consegue atingir o mínimo do que é definido pelos contratos é sancionada.” Raimundo do Rosário esclareceu que as sanções a aplicar à operadora em caso de incumprimento não são matéria da proposta, mas sim do contrato que é estabelecido com a empresa. “As multas devem constar no contrato com a concessionária e não na proposta de lei”, afirmou.
LUCROS NULOS
Raimundo do Rosário admitiu ainda que a empresa concessionária do sistema de Metro Ligeiro não vai ter lucros, até porque as tarifas não conseguem cobrir os custos. Por outro lado, as estações que foram projectadas até ao momento
não permitem a criação de serviços. “Nas estações não há lugar para criar cafés ou outras lojas. No futuro, vai haver dificuldades financeiras”, afirmou justificando a necessidade de apoios do Governo.
NG KUOK CHEONG QUER INQUÉRITO NA AL
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g Kuok Cheong, o único deputado que votou contra a proposta de lei do sistema do Metro Ligeiro, apelou à realização de um inquérito na Assembleia Legislativa sobre o projecto. A intenção foi manifestada durante o período de intervenções antes da ordem do dia, na reunião plenária da passada terça-feira. Para o deputado, trata-se de uma medida necessária, dado o grande investimento que está a ser feito e ainda tendo em conta os muitos atrasos e alterações de orçamento e traçados. “Têm-se verificado derrapagens orçamentais, incumprimento dos prazos, alteração repentina dos planos de desenvolvimento e suspensão dos projectos, e vão enfrentar-se problemas como grandes prejuízos e falta de benefícios”, disse. Por isso, “é necessário activar o processo de audição e criar uma comissão especializada, convocando pessoas interessadas para prestar depoimento na Assembleia Legislativa”, afirmou.
No entanto, de acordo com o secretário, as próximas estações de metro a serem projectadas já vão ter mais espaço de modo a possibilitar o funcionamento de estabelecimentos comerciais. Acerca da possibilidade de expropriação prevista na proposta de lei, Raimundo do Rosário esclareceu que “há que prever isto na lei porque pode haver esta possibilidade. Macau tem uma lei da expropriação, mas nunca foi utilizada”, disse em resposta às dúvidas levantadas por Agnes Lam. Raimundo do Rosário garantiu ainda que nos projectos dos futuros trajectos, “não haverá demolições”. Na votação, Ng Kuok Cheong foi o único deputado a votar contra a proposta. Para o pró-democrata, “a construção do Metro Ligeiro levantou muitos problemas em todo o processo e a linha da Taipa
só vai ter prejuízo e não lucro”, justificou, acrescentando que “a uma proposta destas só pode dar cartão vermelho”. Contudo, o deputado admitiu que é um diploma necessário neste momento, até porque está prevista a abertura da linha da Taipa já no próximo ano. Na reunião plenária foram ainda aprovadas as propostas de lei relativas à “determinação de não vigência de leis e decretos-leis publicados entre 1988 e 1999” e da actualização dos índices mínimos das pensões de aposentação que passam de 70 para 90 e de sobrevivência dos funcionários públicos, que passam de 35 para 60. Sofia Margarida Mota
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Excerto do relatório de exploração de 2017 Na medida que a continuação da recuperação do sector do jogo de Macau no ano de 2017, desenvolveu-se a economia geral com impactos positivos. Entretanto, a conclusão das infra-estruturas em grande escala, limitou o ritmo do crescimento do mercado de seguro de propriedade. A nossa Companhia registou, no corrente ano, uma receita dos prémios brutos de 220 milhões de patacas, ou um aumento de cerca de 8 milhões de patacas em comparação do ano passado.
Em termo das indemnizações brutas, houve enormes impactos no mercado mencionado devido ao ataque do tufão “Hato”. Perdeu-se um total de cerca de 4 mil milhões de patacas no mercado local que o valor registou um novo recorde do Território deste ano. Além disso, trouxe também um grande impacto para a nossa Companhia em virtude das taxas da penetração e da participação do mercado local serem relativamente grave. Por consequência, o rendimento líquido da nossa Companhia do referido ano apena
de 20 milhões de patacas, representando como uma significativa queda de 50% quanto comparando com o ano passado no aspecto de lucro. Para o ano de 2018, a nossa Companhia vai continuar a ter confiança repleta no futuro, baseando-se nos princípios persistentes da operação e de subscrição de mercado de seguro local, assim como no grau de maturidade da exploração do mercado do Território e em confiança continua e apoios dos nossos clientes e agentes de seguro.
Relatório de Auditor Independente sobre Demonstrações Financeiras Resumidas Para os administradores da Asia Insurance Company, Limited (sociedade de responsabilidade limitada, registado em Hong Kong) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da Asia Insurance Company, Limited, Sucursal de Macau relativas ao ano de 2017, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 13 de Abril de 2018, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo.
As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2017, a demonstração de resultados, e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas.
Para a melhor compreensão da posição financeira da Asia Insurance Company, Limited, Sucursal de Macau e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young - Auditores Macau, 13 de Abril de 2018
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quinta-feira 18.10.2018
WONG SIO CHAK DISCUTE SEGURANÇA
À
margem das reuniões entre Chui Sai On e as diferentes associações, também o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, esteve reunido com os Kaifong, FAOM e Associação das Mulheres. Contudo, Wong ouviu também a associação ligada a Chan Meng Kam, Aliança de Povo de Instituição de Macau. Nos encontros foi discutido o policiamento do território e a necessidade de uma maior articulação entre polícias e cidadãos.
é inclusivo e que tem uma mente aberta para ouvir as opiniões dos cidadãos, mas depois ignoram quem os critica. Isso vê-se muito bem nas actividades em que participam, são sempre das associações que repetem o que eles dizem. É uma prática com muitos anos e não esperamos que mude nos próximos tempos”, frisou.
QUESTÃO DE PRIORIDADES
A
LAG ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU À ESPERA DE REUNIÃO COM CHUI SAI ON
Para inglês ver
Sulu Sou diz que a Novo Macau vai enviar uma carta com opiniões sobre assuntos sociais e políticos ao Executivo a pensar nas Linhas de Acção Governativa e espera ser convidada para um encontro. Contudo, não acredita que seja realmente ouvida apresentadas não são realmente tidas em conta”, acrescentou.
VOZES IGNORADAS
Questionado sobre o facto da Novo Macau ser uma associação bastante crítica em relação à actuação do
GCS
Associação Novo Macau vai enviar uma carta ao Chefe do Executivo com ideias a integrar as Linhas de Acção Governativa para o próximo ano. Nesta altura, a Novo Macau ainda não foi convidada para ser ouvida numa sessão com Chui Sai On, à imagem do que aconteceu no ano passado, mas Sulu Sou diz que espera ser convidado, mesmo que as suas sugestões sejam ignoradas. “Vamos enviar as nossas opiniões, que vão abordar assuntos do quotidiano, assuntos sociais, que têm impacto muito directo na vida da população. Também vamos referir as questões mais políticas. Estamos confiantes que à imagem do ano passado, vamos ser convidados para uma sessão com o Chefe do Executivo”, projecta Sulu Sou. Sobre a possibilidade das propostas serem acolhidas pelo Governo, o pró-democrata, que foi eleito para a Assembleia Legislativa com o apoio da Associação Novo Macau, mostra-se descrente. “Não estamos confiantes em ser ouvidos. Eu, pelo menos não estou. Também com base na experiência do passado, quando os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong ainda faziam parte da associação”, revelou. “O Executivo vai ouvir opiniões para as LAG durante 15 dias, é um período muito curto. O que acontece é que as LAG já estão definidas, depois as opiniões
Executivo, e se isso poderá fazer com que seja ignorada, o deputado considera que a acontecer, não será uma desilusão: “Sabemos qual é o nosso papel na sociedade e o que as pessoas esperam de nós. Se não formos convidados, não ficamos
desiludidos. Conhecemos bem a atitude do Governo de Macau. Sabemos que têm tendência para ouvir as opiniões que dizem aquilo que eles também defendem”, explicou. “Todos percebemos que o Governo está sempre a dizer que
Já na terça-feira, quatro associações foram ouvidas pelo Chefe do Executivo para a elaboração das Linhas de Acção Governativa. A primeira foi a Associação Comercial de Macau, que se fez representar pelo presidente Ma Iao Lai. Ao Chefe do Executivo, o patriarca da família Ma defendeu a necessidade de rever as leis laborais com o máximo de urgência, principalmente no que diz respeito ao trabalho em part-time. Depois, foi ouvida a Federação das Associações dos Operários de Macau, que colocou como duas prioridades a melhoria das condições de trabalho e um maior controlo na contratação de trabalhadores não-residentes. Até ao final do dia, foram ouvidas a União Geral dos Moradores de Macau (Kaifong) e a Associação Geral das Mulheres de Macau. A primeira colocou como prioridade as inundações no Porto Interior, a segunda definiu como principal ponto da agenda o papel da mulher na Grande Baía. A Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau vai ser ouvida no dia 24 de Outubro. João Santos Filipe
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Conselho de Estado Lionel Leong reuniu com director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau Uma delegação liderada pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, esteve na terça-feira em Pequim, onde se reuniu com o director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho do Estado, Zhang Xiaoming. Segundo um comunicado oficial, Lionel Leong apresentou a Zhang Xiaoming o ponto de si-
tuação dos trabalhos promovidos pela tutela que lidera nomeadamente em linha com o projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, uma “valiosa oportunidade” que Zhang Xiaoming incentivou Macau a aproveitar, tirando partido das suas vantagens e características próprias, contribuindo para o desenvolvimento da China.
8 sociedade
18.10.2018 quinta-feira
CASINOS JOGO VIP REPRESENTOU 54,29% DAS RECEITAS NO TERCEIRO TRIMESTRE DO ANO
raram as apostas nos jogos de futebol que, ao longo do ano passado, renderam 178 milhões de patacas, ou seja, menos 45 milhões. Seguiram-se as apostas nos jogos de basquetebol, com 45 milhões, que ultrapassaram as das corridas de cavalos, com 19 milhões. Já no caso das corridas de galgos, as contas estão a zeros no terceiro trimestre, dado que a actividade cessou a 30 de Junho, apesar de o Canídromo ter fechado efectivamente portas apenas a 21 de Julho, termo do contrato de concessão de exploração. No primeiro semestre, as receitas das apostas nas corridas de galgos corresponderam 23 milhões de patacas, ou seja, metade do que foi apurado no cômputo do ano transacto. Macau contava, no final de Setembro, com 6.598 mesas de jogo e 17.218 ‘slot machines’ distribuídas por um universo de 41 espaços de jogo, dois quais com o funcionamento suspenso.
O rei da festa
Apesar da descida, em comparação com o mesmo trimestre do ano passado, as grandes apostas continuaram a significar mais de metade das receitas dos casinos, entre Julho e Setembro. Os ganhos gerados pelo segmento de massas continuam a crescer
A
S receitas geradas pelo jogo VIP contribuíram para 54,29 por cento do total arrecadado pelos casinos no terceiro trimestre do ano, revelam dados recentemente publicados no portal da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Em 2017, a proporção foi de 56,6 por cento, contra 53,29 em 2016, 55,3 por cento em 2015 e 60,4 por cento em 2014 – isto quando chegara a ser superior a 77 por cento. As receitas angariadas nas salas de grandes apostas atingiram 40.092 milhões de patacas entre Julho e Setembro, um valor que reflecte um aumento anual homólogo de 3,6 por cento e uma descida na ordem de 2,2 por cento na comparação trimestral. Já o segmento de massas gerou receitas de 33.746 milhões de patacas – ocupando um peso de 45,7 por cento no total arrecadado pelos casinos –,
EXCLUSÕES EM ALTA
traduzindo um crescimento de 19,1 por cento face aos 28.314 milhões de patacas apurados entre Julho e Setembro do ano passado. Já em termos trimestrais, sinalizou-se uma subida
de 3,2 por cento, segundo os mesmos dados. No ‘ranking’ de todo o sector, depois dos casinos (que representam 99,6 por cento dos proventos) – mas a colossal distância – figu-
A DICJ publicou também os dados relativos aos pedidos de exclusão de acesso aos casinos que, entre Julho e Setembro, ascenderam a 125, contra os 119 e os 114 registados, respectivamente, no primeiro e no segundo trimestre. Do total de pedidos apresentados desde o início do ano (358), a maioria foi de auto-exclusão (301), enquanto os restantes foram submetidos a pedido de terceiros (57), segundo os dados divulgados no ‘site’ da entidade reguladora. O número de pedidos de exclusão tem vindo a aumentar paulatinamente. Macau
Nos primeiros nove meses do ano foram apresentados 358 pedidos de exclusão de acesso aos casinos registou, no ano passado, 376 pedidos de exclusão de acesso aos casinos, contra 351 em 2016. Já em 2015 foram 355, em 2014 somaram 280 e 276 em 2013. Ao abrigo da lei, que condiciona a entrada, o trabalho e jogo nos casinos, o director da DICJ pode interditar a entrada em todos os casinos, ou em apenas alguns, pelo prazo máximo de dois anos, às pessoas que o requeiram ou confirmem requerimento apresentado para este efeito por cônjuge, ascendente, descendente ou parente em 2.º grau. A referida lei, que entrou em vigor em 1 de Novembro de 2012, foi entretanto alvo de revisão. O diploma, aprovado na generalidade em Julho, encontra-se actualmente a ser analisado em sede de especialidade na Assembleia Legislativa. A proposta de alteração prevê, entre outros, que os funcionários da indústria de jogo deixem de poder frequentar os casinos fora do horário de expediente. À luz do regime actual, os trabalhadores do principal motor económico de Macau encontram-se apenas proibidos de jogar nos casinos explorados pela respectiva entidade patronal, podendo tentar a sorte nos restantes. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com
IPM Sucursal da Academia do Cidadão Sénior em 2020
O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, visitou na terça-feira o ‘campus’ da Academia do Cidadão Sénior do Instituto Politécnico de Macau (IPM), no centro comunitário junto à povoação Chun Su Mei, na Taipa, que deve entrar em funcionamento em 2020. Segundo um comunicado do IPM, no primeiro ano, as novas instalações vão ter capacidade para oferecer 170 vagas, embora a ideia seja alcançar a meta de 520 nos anos seguintes. A visita ao ‘campus’ de Chun Su Mei do IPM, com uma área de 1.810 metros quadrados, teve lugar na véspera do Dia do Idoso, instituído em Macau no ano passado.
Saúde Mais de 18.600 pessoas vacinadas contra a gripe
Até segunda-feira, foram vacinadas contra a gripe 18.680 pessoas, um aumento na ordem de 50 por cento face ao período homólogo do ano passado, indicaram os Serviços de Saúde que prolongaram o horário dos serviços para o efeito até às 20h (de segunda a sexta). O plano de vacinação gratuita contra a gripe sazonal arrancou a 24 de Setembro. Os Serviços de Saúde encomendaram 150 mil doses de vacina quadrivalente antigripal 20182019. Nesta etapa, a prioridade vai para os indivíduos pertencentes aos grupos de alto risco.
ASSÉDIO SEXUAL ALEXIS TAM APLAUDE GRUPO RECÉM-CRIADO POR ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES
O
secretário para os Assuntos Sociais aplaudiu, na terça-feira, a iniciativa da Associação de Estudantes Chong Wa que criou, na semana passada, um grupo para ajudar na prevenção dos casos de assédio sexual. Alexis Tam evitou, porém, tecer comentários sobre a proposta defendida pelo recém-criado grupo para que o crime de importunação sexual passe a ser tipificado como público, em vez de semipúblico, de modo a não ficar dependente da apresentação de queixa por parte da vítima. “Não posso pronunciar-me. Os meus assessores jurídicos vão analisar o assunto, porque está ligado a muitos serviços.
Acho que é melhor os Serviços dos Assuntos de Justiça pronunciarem-se”, afirmou, em declarações reproduzidas pela Rádio Macau. Recentemente vieram a público novas denúncias de abuso sexual, alegadamente praticados por um instrutor de música, de 78 anos. Um dos casos diz respeito a duas irmãs, de 8 e 9 anos, reportado pela mãe das alegadas vítimas à Polícia Judiciária (PJ) que, entretanto, o reencaminhou para o Ministério Público. Após ter estalado o caso, que terá ocorrido durante actividades recreativas no Verão, uma jovem denunciou nas redes sociais ter também sido
vítima de abusos sexuais por parte do mesmo homem há oito anos. Essa jovem, que não participou a ocorrência à PJ, alegou ter dado conta do episódio a um assistente social em 2016 que, por sua vez, o terá supostamente comunicado à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Em conferência de imprensa, no dia seguinte à publicação da denúncia , a DSEJ garantiu desconhecer por completo o caso. AAssociação de Estudantes Chong Wa indicou, no final da semana passada, ter acompanhado um total de oito denúncias de assédio sexual desde o início do ano, contra dez em 2017.
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quinta-feira 18.10.2018
RÁDIO-TÁXIS ADMITIDAS CINCO EMPRESAS PARA A EXPLORAÇÃO DE 200 LICENÇAS ESPECIAIS
C
INCO empresas foram admitidas ao concurso público para a concessão de 200 licenças especiais para a exploração de táxis, anunciou a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) que realizou na terça-feira a abertura de propostas. Os primeiros 100 devem entrar em circulação sensivelmente dentro de um ano.
Escutas TJB com 45 pedidos até Setembro
O Tribunal Judicial de Base recebeu 45 pedidos de escutas desde o início do ano até Setembro. De acordo com os dados revelados pelo TJB à Rádio Macau, há uma redução do número de processos remetidos pelo Ministério Público relativamente à intercepção de comunicações. No ano passado, o Ministério Público tinha feito 71 pedidos ao Juízo de Instrução Criminal, o que também já tinha significado uma redução de 62 por cento face a 2016, quando foram feitos 118 pedidos de escutas. Em 2015, os pedidos de escutas tinham sido 104.
Guia Fortaleza e Capela reabrem ao público
A Fortaleza da Guia e Capela de Nossa Senhora da Guia reabriram ontem ao público, após terem sido encerradas temporariamente na sequência da passagem do tufão Mangkhut. A Fortaleza da Guia está aberta diariamente entre as 9h e as 18h, enquanto a Capela de Nossa Senhora da Guia entre as 10h e as 17h.
A concessão das licenças especiais, para viaturas que respondem exclusivamente a pedidos por telefone e pela Internet, tem a validade de oito anos. Entre as candidatas figura a Rádio Táxi Macau, vencedora do último concurso para o serviço de rádio-táxis, em que foram atribuídas 100 licenças, realizado em Outubro de 2015, bem como a Companhia de Rádio Táxi
Van lek, empresa que operava os chamados táxis amarelos. Segundo a DSAT, integradas na proposta encontram-se três taxas especiais, nomeadamente a de chamada, cujos valores apresentados pelas empresas vão até uma pataca, enquanto as taxa de hora marcada e a de ausência correspondem a zero. Por cada prestação de serviço apenas uma das taxas especiais será cobrada aos
passageiros. Segundo os requisitos do concurso, a sede e administração central dos concorrentes devem estar localizadas na RAEM. Os táxis só podem prestar serviços de transporte de passageiros, de marcação imediata ou com antecedência, através do centro de serviços de táxis. À luz das regras, os veículos devem ter lotação de seis ou mais passageiros (sem incluir o con-
dutor), ser automóveis ligeiros híbridos movidos a gasolina e electricidade ou movidos a energia limpa, devendo a frota incluir pelo menos cinco táxis acessíveis e dez táxis com maior capacidade. Em comunicado, a DSAT indica que as taxas especiais propostas, o plano de exploração e de serviços e a experiência de gestão constituem critérios de apreciação. D.M.
OBITUÁRIO JOÃO DE DEUS RAMOS LEMBRADO COMO ALGUÉM “EXCEPCIONAL”
O senhor embaixador
Portugal e China reataram relações diplomáticas em 1979 e coube a João de Deus Ramos o papel de ser o primeiro embaixador português em Pequim. Mais tarde acompanharia o processo de transição de Macau. Arnaldo Gonçalves e Jorge Morbey recordam uma figura marcante na diplomacia portuguesa
N
UMA altura em que as relações diplomáticas entre Portugal e a China atravessam um novo fôlego, há que recordar o primeiro rosto português que representou o país em Pequim, quando os dois países começaram a ter ligações bilaterais, em 1979. João de Deus Ramos, falecido esta segunda-feira em Lisboa aos 76 anos, de acordo com a Rádio Macau, foi esse rosto, agora recordado como alguém “excepcional” tanto no papel de embaixador como de político que acompanhou o processo de transferência de Macau para a China. Arnaldo Gonçalves, hoje professor universitário do Instituto Politécnico de Macau, ex-assessor de um dos Governos da Administração portuguesa entre 1988 e 1997, fala de alguém “pró-activo” e “simpático”. “Convivi com ele em Macau e depois quando regressei a Portugal, em 1997, em actividades em que participei. É dos embaixadores
mais relevantes da nossa diplomacia pelo contributo que deu na negociação da Declaração Conjunta e para o acompanhamento do dossier
Macau. Teve uma relevância bastante grande na questão de Macau e na vida pública portuguesa, lidou com vários Presidentes da República
“É dos embaixadores mais relevantes da nossa diplomacia pelo contributo que deu na negociação da Declaração Conjunta.” ARNALDO GONÇALVES ACADÉMICO
e tem várias obras escritas, incluindo sobre Macau.” Este papel foi também recordado pelo historiador Jorge Morbey, que considerou ser um dos mais difíceis da carreira de João de Deus Ramos. “Não se podia contar com tudo e acho que ele esteve à altura da missão que lhe foi confiada nas diversas funções que desempenhou.As funções de secretário-adjunto para a transição foram as mais difíceis que ele desempenhou, durante o Governo do engenheiro [Carlos] Melancia. Era uma função absolutamente difícil porque os assuntos da transição eram transversais a todo o Governo e a todo o território e à sua população. Ele fez o que foi possível fazer nesse contexto.”
“PERSONALIDADE INCONTORNÁVEL”
Arnaldo Gonçalves revela ter “muita pena” pelo falecimento do primeiro embaixador português em Pequim. “É uma personalidade incontornável do nosso período histórico e da
relação estreita entre Portugal e a China. Vai ser recordado como uma pessoa com uma postura muito pró-activa mas sempre muito simpático. Dos embaixadores com que convivi ao longo destes anos, desde 1988, é dos que mais saudade me deixa.” Para o académico, especialista em ciência política, a escolha de João de Deus Ramos fez com que Portugal tenha arrancado com o “pé direito no restabelecimento das relações diplomáticas com a China”. “Foi embaixador com E grande, dignificou a representação diplomática portuguesa em Pequim e isso é sempre uma coisa de saudar, porque nem sempre temos a felicidade de contar com pessoas excepcionais. E o João de Deus Ramos era alguém excepcional.” Jorge Morbey adiantou que “gostava muito dele”. “Conheci-o desde o momento em que ele passou a estar na embaixada de Portugal em Pequim, logo a seguir ao restabelecimento das relações diplomáticas. Teve um papel fundamental no início da instalação da embaixada de Portugal em Pequim.” Mais tarde, já no território, João de Deus Ramos “pertenceu à delegação portuguesa que negociou a Declaração Conjunta, e o embaixador Rui Medina foi o primeiro chefe da delegação. Fez parte de um grupo de pessoas que assegurou bem as funções, do ponto de vista oficial, da missão de Portugal em Macau”, concluiu o historiador. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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18.10.2018 quinta-feira
FARMACÊUTICA LABORATÓRIO MULTADO EM MAIS DE MIL MILHÕES DE EUROS
Vacinados para sempre O historial de multas por irregularidades cometidas por empresas na China é longo, mas a punição aplicada à farmacêutica Changchun Changsheng pela produção de vacinas contra a raiva ilegais é invulgarmente pesada
A
empresa farmacêutica chinesa envolvida no escândalo de vacinas com defeito ocorrido no Verão terá de pagar uma multa equivalente a mais de mil milhões de euros, anunciaram esta terça-feira as autoridades. Os serviços de Saúde chineses detectaram em Julho um processo de produção ilegal de vacinas contra a raiva num laboratório da província de Jilin, no nordeste da China, e o caso provocou controvérsia junto da opinião pública do país. A empresa autora do crime, Changchun Changsheng, falsificou registos de produção e modificou parâmetros de fabrico. Quinze pessoas foram detidas. “O montante total do dinheiro apreendido e das multas infligidas atingirá os 9,1 mil milhões de yuans “, indicaram em comunicado conjunto a Administração Estatal dos Medicamentos e o Departamento de Controlo dos Produtos Alimentares e Farmacêuticos da província de Jilin, onde se situa a sede do laboratório. Este montante inclui nomeadamente a apreensão de 1,89 mil milhões de yuans de receitas geradas pela venda das vacinas com defeito. No comunicado, o laboratório é acusado de ter modificado centrifugadoras, de ter misturado mal as soluções-base durante a produção e ainda de ter “destruído discos duros e provas para esconder os seus actos ilegais”. Um total de 14 dirigentes, entre os quais a presidente do conselho de administração, Gao Junfang, não poderão mais trabalhar na indústria farmacêutica.
QUESTÃO SENSÍVEL
A multa anormalmente pesada imposta à Changchun Changsheng surge num
O laboratório é acusado de ter modificado centrifugadoras, de ter misturado mal as soluções-base durante a produção e ainda de ter “destruído discos duros e provas para esconder os seus actos ilegais”
contexto de extrema sensibilidade sobre as questões da saúde infantil da opinião pública na China. Logo no início do escândalo, o Presidente chinês, Xi Jinping, juntou-se aos protestos, condenando as práticas “desprezíveis e chocantes” da empresa farmacêutica. Em Agosto, muitos responsáveis políticos e de organismos de controlo dos medicamentos foram demitidos das respectivas funções, e iniciou-se uma inspecção nacional PUB
Direcção dos Serviços de Identificação AVISO Assunto: Participação de óbito Em caso de falecimento de residente de Macau no exterior da RAEM, os familiares do falecido devem, o mais breve possível, comunicar o óbito à DSI, apresentando os seguintes documentos: ※ Original do BIR do falecido; ※ Certidão de óbito passada por autoridades competentes. Ø Quando o falecimento ocorra no Interior da China, deve apresentar um dos documentos seguintes: 1. Certidão de óbito emitida pela Secretaria Notarial da República Popular da China; 2. Certidão de óbito emitida por Departamento de Segurança Pública / Posto de Polícia 3. Certidão médica devidamente carimbada emitida por estabelecimento hospitalar. Atenção: descoberto o uso de documento de identificação alheio, a DSI fará a notificação imediata a autoridades competentes. Para informações mais detalhadas, queira ligar para a linha de informação da DSI: 28370777.
aos laboratórios de fabrico de vacinas, mas muitos pais dizem que deixaram de ter confiança nas doses produzidas na China.
LISTA NEGRA
As autoridades chinesas impõem com alguma frequência multas a empresas culpadas de irregularidades, mas os montantes raramente alcançam mil milhões de euros. Em Março, o organismo que fiscaliza os mercados bolsistas infligiu uma sanção de 5,5 mil milhões de yuans a uma firma acusada de manipulação de preços. A subsidiária chinesa da marca automóvel norte-americana General Motors teve de pagar, em 2016, 201 milhões de yuans por concertação ilegal de preços com concessionários. No ano anterior, uma ‘joint venture’ da McDonald’s na China, que fornecia à marca norte-americana de ‘fast food’ batatas fritas, foi condenada ao pagamento de uma multa de 566.500 euros por poluição da água. A gigante farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) teve, em 2014, que pagar três mil milhões de yuans por corrupção. Em 2008, um enorme escândalo relacionado com leite em pó para bebés contaminado (seis crianças morreram, mais de 300.000 foram contaminadas) causou grande indignação. A empresa Sanlu, então uma das jóias da indústria nacional de laticínios, foi condenada a pagar uma multa de 50 milhões de yuans.
AEROPORTO DE XANGAI RECONHECIMENTO FACIAL AUTOMATIZADO
O
registo dos passageiros num dos aeroportos de Xangai pode desde ontem ser feito através de reconhecimento facial, ilustrando a ambição de Pequim em alargar aquela tecnologia a todos os sectores. Segundo um comunicado da Administração da Aviação Civil da China, o Aeroporto Internacional de Hongqiao instalou terminais de reconhecimento facial para ‘check-in’ dos passageiros e bagagens de porão, controlo de segurança e embarque. O mesmo sistema deve ser implementado em breve nos aeroportos de Pequim e na cidade de Nanyang, província de Henan, centro do país, detalhou o mesmo comunicado. Vários aeroportos usam já sistemas de reconhecimento facial para acelerar as verificações de segurança, mas o sistema implementado em Xangai é “completamente automatizado”, lê-se na nota. A tecnologia está disponível apenas para titulares do passaporte chinês. Em toda a China, o reconhecimento facial está a ser implementado na vida quotidiana, incluindo para dar entrada em hotéis, fazer pagamentos em restaurantes ou detectar a reacção dos estudantes nas salas de aula. A polícia chinesa usou já aquele sistema para identificar pessoas em locais públicos e apanhar criminosos em flagrante, e está a desenvolver um sistema nacional integrado de monitorização através dos dados recolhidos através daquela tecnologia. Mas a crescente comodidade poderá ter custos, à medida que o Estado chinês usa os meios digitais para aprimorar o seu carácter policial. “As autoridades estão a usar dados biométricos e a inteligência artificial para registarem e rastrearem pessoas por motivos de controlo social”, afirmou Maya Wang, investigadora para a China da organização de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch.
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quinta-feira 18.10.2018
“Modelo” continental Pequim diz que campos de reeducação no Xinjiang servem para “treinos vocacionais”
O
governador da região do Xinjiang, extremo noroeste da China, descreveu terça-feira o internamento massivo de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigure como um “sistema de formação” que “salva” do extremismo religioso. Shohrat Zakir admitiu que foi criado um “modelo” que ensina a “língua comum do país, conhecimentos legais e competências profissionais”, e salva os que foram enganados pelo extremismo religioso. As autoridades do Xinjiang transformaram, nos últimos anos, a região num estado policial, através de uma campanha repressiva, que foi reforçada a partir de 2016, quando o secretário do Partido Comunista Chinês (PCC), Chen Quanguo, foi transferido para a região, após vários anos no Tibete. Numa rara admissão pelas autoridades chinesas da detenção extrajudicial de uigures, Zakir afirmou que os centros são destinados a pessoas “influenciadas pelo terrorismo e extremismo,
mas apenas suspeitos de delitos menores, que podem assim ser isentos de repressão penal”. A Comissão Executiva para a China do Congresso dos Estados
Unidos e organizações não-governamentais denunciaram já o “internamento massivo e arbitrário de até um milhão ou mais de uigures” em campos onde são forçados a criticar
o islão e a própria cultura, a aprender mandarim e a jurar lealdade ao PCC. Citado pela agência noticiosa oficial Xinhua, Zakir não menciona detenções, mas admite que as instituições mantêm agentes de segurança à entrada.
ESTILOS DE VIDA
As declarações de Zakir ilustram a visão de Pequim, na qual grupos
étnicos da Ásia Central que habitam Xinjiang devem ser submetidos a uma intensa assimilação da língua, cultura e história da China, e pressionados a adoptar o que o PCC considera um estilo de vida moderno e civilizado. Em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional. Zakir afirmou que os “formandos” participam em actividades culturais e desportivas e que a formação coloca-os no caminho de uma “vida moderna” e torna-os “confiantes no futuro”. Na semana passada, a China criou uma nova lei que permite o uso de centros para “educar e transformar pessoas influenciadas pelo extremismo” religioso. Os esforços de Pequim para legitimar as medidas no Xinjiang surgem numa altura de crescente pressão internacional. No mês passado, a Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou que a região devia permitir a entrada de observadores internacionais.
Shohrat Zakir admitiu que foi criado um “modelo” que ensina a “língua comum do país, conhecimentos legais e competências profissionais”, e salva os que foram enganados pelo extremismo religioso
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Request for Proposal – No. MIA201806GH Provision of the “Ground Handling”, “Aircraft Maintenance” and “Cargo & Mail” Subconcession Activities at Macau International Airport 1. 2. 3.
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Company: Macau International Airport Company Limited (CAM) Method: Open Request for Proposal (RFP) Objective: To select ONE operator to provide the “Ground Handling”, “Aircraft Maintenance” and “Cargo & Mail” Subconcession Activities at Macau International Airport Validity of the Proponents’ proposals: The validity period of the Proponents’ proposals shall be 270 days counting from the deadline for submission of proposals Minimum Qualification: For details, please see Section II.3 of Page 12 & 13 of the RFP Request for Proposal Documents: The RFP Documents and other pertinent information are available on http:// www.camacau.com until the deadline for submission of proposal. Please always check the website for additional information, clarifications or modifications of the Request for Proposal documents that may be published from time to time. Location and Deadline for Submission of Proponents’ Proposals: Attention to: Chairman of the Executive Committee Macau International Airport Company Limited (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Avenida Wai Long, Taipa, Macau S.A.R. Deadline for Submission: 12:00 noon, 1 March 2019 (Macau Local Time) Late Submission will not be accepted Proposal Evaluation Criteria:
Company Experience and Profile 240 points Financial Ability 200 points Business Plan 560 points --------------------------------------------------------------------------------
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Total 1,000 points CAM reserves the right to reject any proposal in full or in part without stating any reasons. - End -
Aviso Faz-se público que, por despacho da Ex.ma Senhora Secretária para a Administração e Justiça, de 28 de Setembro de 2018, se acha aberto o concurso de avaliação de competências profissionais ou funcionais, externo, do regime de gestão uniformizada, para o preenchimento de seis lugares vagos, no quadro da Direcção dos Serviços de Identificação, na categoria de adjunto-técnico, de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de adjuntotécnico, área de apoio técnico-administrativo com atendimento ao público, e dos que vierem a verificarse até ao termo da validade do concurso. As informações detalhadas encontramse publicadas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n. º 42, II Série, de 18 de Outubro de 2018 e disponibilizadas na página electrónica destes Serviços: http://www.dsi. gov.mo e na página electrónica do SAFP: http:// www.safp.gov.mo. Direcção dos Serviços de Identificação, aos 11 de Outubro de 2018. A Directora Ao Ieong U
Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo
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quinta-feira 18.10.2018
FÁTIMA CAMEIRA
A
profissão de chefe de cozinha aconteceu na vida de Kátia Barbosa quase por acaso. A ligação à comida brasileira sempre existiu, por culpa da mãe e dos familiares. Mas a carreira começou a sério quando o irmão se divorciou e ela ficou a tomar do botequim Aconchego Carioca com a ex-cunhada. Foi numa tasca brasileira sem fama que nasceu o já conceituado bolinho de feijoada, criação exclusiva que já levou o nome Kátia Barbosa a vários países. Pela primeira vez em Macau, onde participa na semana gastronómica inserida na Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, a chefe brasileira falou com o HM sobre esse começo. Quando se prova o bolinho, o sabor a feijoada é imediato. Tem a farinha, as carnes, o feijão e as couves. “Essa receita partiu de uma memória afectiva. No Brasil, sobretudo no nordeste, temos o hábito de fazer um bolinho apertado com a mão, de arroz, feijão e farinha, que chamamos de capitão. A minha mãe me dava a comer isso. Eu esqueci isso, e um dia fomos visitar um concurso de botequins em Minas Gerais, eu abri o cardápio e a primeira coisa que estava escrita era bolinho de feijão.” Quando percebeu que era um mero bolinho feito
FESTIVAL DA LUSOFONIA KÁTIA BARBOSA, A CHEFE QUE CRIOU O BOLINHO DE FEIJOADA
Sabores da memória
Kátia Barbosa pegou nas suas recordações de infância e criou o bolinho de feijoada que a fez famosa dentro e fora do Brasil. A chefe está em Macau onde participa na semana gastronómica da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa com feijão frade, o chamado carajé, Kátia Barbosa ficou desiludida, mas começou a pesquisar e a perceber a melhor forma de fazer o seu próprio bolinho. “Quando dei para um amigo meu provar, ele disse ‘nossa, isso tem gosto de feijoada’. E eu disse que ele tinha acabado de me dar uma ideia louca. Decidi colocar couve, torresmo, as carnes e a farinha, que já estavam na massa. E cheguei a esse bolinho.” Quando começou a servir esta iguaria no Aconchego Carioca, Kátia Barbosa conseguiu transformar o chamado botequim, ou tasca de rua, num sítio procurado por muitos. “Não estava à espera deste sucesso. Quando comecei a servir o bolinho achava que ninguém ia gostar. Mas participei num concurso e acabei ficando em segundo lugar,
ele ficou famoso. Fui parar a programas de televisão, no Rio [de Janeiro], a montes de livros e convites para viajar. Agora [estar] na China, nunca imaginei mesmo. Já fui para tantos lugares levar o bolinho de feijoada que eu acho que inventei um negócio legal.”
SEMPRE A APRENDER
Aos 40 anos de idade, e sem dinheiro para fazer um curso profissional de cozinha, Kátia Barbosa decidiu aprender por si própria, com livros. Anos depois, conseguiu abrir uma fábrica, exportar a sua receita e criar outras novas.
“Quando o bolinho começou a vender muito comecei a ter ideias mais loucas. Quero levar o bolinho de feijoada para todo o mundo. Já temos mais 26 bolinhos feitos, todos os pratos brasileiros transformados em bolinho. A brincadeira começou a ser essa.”
“SIMPLICIDADE” E GENUINIDADE
Kátia Barbosa tem servido o seu bolinho de feijoada e caldo de mandioca no restaurante Rio Grill, na Doca dos Pescadores, onde ficará até ao final da semana. Ao seu lado está o chefe brasileiro Lúcio
“Não estava à espera deste sucesso. Quando comecei a servir o bolinho de feijoada, achava que ninguém ia gostar. Mas participei num concurso e acabei ficando em segundo lugar, ele ficou famoso.” KÁTIA BARBOSA CHEFE DE COZINHA
Leal, residente no Rio Grill e responsável pelo tradicional churrasco. “A semana cultural é muito importante para nós que divulgamos a cultura brasileira. É importante trazer a Macau a chefe Kátia Barbosa”, defendeu ao HM. “A nossa maior assinatura é o churrasco brasileiro, a feijoada e o buffet de saladas. Acho que são as estrelas do momento neste restaurante e damos também ênfase à feijoada brasileira. O churrasco toma conta do espaço e acaba fazendo com que o Brasil seja só churrasco, e nós não somos só churrasco. Somos Kátia Barbosa, temos a culinária feita no tasco e no botequim.” A chefe brasileira ainda não percebeu se os clientes chineses gostam ou não do seu bolinho com sabor a feijoada. “Na verdade não
observei aqui quem consome. Prefiro não saber, fico meio insegura. Mas um amigo meu que mostrou o bolinho em Hong Kong me disse que os chineses não gostaram muito, porque eles comem feijão doce. Se você falar para um brasileiro de feijão doce, ele vai torcer a cara do mesmo jeito.” Para Lúcio Leal, a chefe brasileira “representa a culinária genuína brasileira, de raiz”, que usa “ingredientes totalmente brasileiros, genuínos, tal como ela” e que “acredita que o Brasil pode ser mais importante do que é”. “Se eu pudesse definir Kátia Barbosa, diria simplicidade”, acrescentou o cozinheiro, natural de Porto Alegre. A chefe define a sua cozinha como uma “memória”, que “nos leva a uma lembrança”, tendo referido que, com o Aconchego Carioca, mudou a ideia de que o botequim é apenas uma tasca de rua com comida banal e onde os bêbedos passam horas sem fim. “Depois do Aconchego Carioca, muita gente abre o botequim e pensa ter um bom cardápio de comida brasileira e uma carta de cerveja. A cultura dos botequins, para o Brasil, foi uma das melhores coisas que aconteceu”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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Anúncio Concurso Público para a “Prestação de Serviços de Vigilância e Segurança das Instalações e Equipamentos da Responsabilidade da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (Abril de 2019 a Março de 2022)” 1. 2. 3.
Entidade que procede ao processo do concurso: Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Modalidade do concurso: Concurso público. Local da prestação de serviços: Instalações da DSSOPT (edifício situado na Estrada de D.Maria II, n.º 33) e armazém no Edifício do Lago, situado na Estrada Coronel Nicolau de Mesquita, na Taipa.
4.
Objecto da prestação de serviços: Prestação de serviços de vigilância e segurança das instalações da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, adiante designada por DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, (da DINF situada no 12.º andar e do 13.º andar ao 21.º andar) e do armazém no Edifício do Lago 1.º andar A, na Taipa. Período da prestação de serviços: De 1 de Abril de 2019 a 31 de Março de 2022 (36 meses). Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável, nos termos previstos no programa do concurso. Tipo de prestação de serviços: A prestação de serviços é por preço global. Caução provisória: $ 130 000,00 (cento e trinta mil patacas), a prestar por depósito em dinheiro ou mediante garantia bancária aprovada nos termos legais. Caução definitiva: 4% do preço total da adjudicação. Preço base: Não há. Condições de admissão: Podem participar no concurso público empresários comerciais, pessoas singulares, sociedades comerciais ou consórcios que exerçam a actividade de serviços de vigilância e segurança, quer na totalidade quer parcialmente, que comprovem que reúnem os requisitos previstos na Lei n.º 4/2007 (Lei da actividade de segurança privada) e no Regulamento Administrativo n.º 20/2007. Local, data e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, r/c; Data e hora limite: Dia 7 de Novembro de 2018 (quarta-feira), até às 12:00 horas. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora limite para a entrega das propostas acima mencionadas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para essa entrega serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Local, data e hora do acto público do concurso: Local: Sala polivalente da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5.º andar; Data e hora: Dia 8 de Novembro de 2018 (quinta-feira), pelas 9:30 horas; Em caso de adiamento da data limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o n.º 12 ou em caso de encerramento desta Direcção de Serviços na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionada por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 27.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso.
5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.
14.
Línguas a utilizar na redacção da proposta: Os documentos que instruem a proposta (com excepção dos catálogos de produtos) devem estar redigidos numa das línguas oficiais da RAEM; quando noutra língua,devem ser acompanhados de tradução legalizada, a qual prevalece para todos e quaisquer efeitos.
15.
Local e hora para consulta do processo, obtenção da cópia e respectivo preço: Local de consulta: Departamento Administrativo e Financeiro da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 13.º andar; Hora: Dias úteis, das 9:00 às 12:45 e das 14:30 às 17:00; Obtenção de cópias: Na Secção de Contabilidade da DSSOPT, poderão ser solicitadas cópias do processo de concurso ao preço de $50,00 (cinquenta patacas) por exemplar ou ainda mediante transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica da DSSOPT (http://www.dssopt.gov.mo). Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço total: 60%; - Escala de funcionamento e plano de exploração da empresa de segurança: 3205%; - Experiência na prestação de serviços de vigilância e segurança similares: 105%. Esclarecimentos adicionais: Os concorrentes poderão comparecer no Departamento Administrativo e Financeiro da DSSOPT, sito na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 13.ºandar, em Macau, a partir de 25 de Outubro de 2018, inclusive, até à data limite para entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, 10 de Outubro de 2018.
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O Director dos Serviços, substo, Shin Chung Low Kam Hong
desporto 19
quinta-feira 18.10.2018
Sub-21 Portugal assegura ‘play-off’ para o Europeu
A selecção portuguesa de sub-21 apurou-se esta terça-feira para o ‘playoff’ de apuramento para o Europeu de futebol da categoria, ao vencer no Funchal a Bósnia-Herzegovina por 4-2. A precisar de vencer para assegurar definitivamente o segundo lugar no grupo 8 de apuramento, a equipa portuguesa chegou à vantagem aos 20 minutos, através de um golo de André Horta, mas a Bósnia, que também precisava de vencer para ficar no segundo posto, ainda reagiu e igualou aos 43, por Demirovic. Os comandados de Rui Jorge resolveram praticamente a questão no espaço de 18 minutos, com os golos de João Félix, aos 53, e de Diogo Gonçalves, aos 63, sentenciando a mesma aos 90+1, com um golo de Heriberto, tendo os bósnios reduzido aos 90+4, por Aldin Turkes. A selecção portuguesa vai agora aguardar pelo sorteio da prova, agendado para amanhã, para saber quem defrontará no ‘play-off’, marcado para decorrer entre 12 e 20 de novembro.
Sporting Bruno de Carvalho terá dado carta branca à claque
O
português Tiago Monteiro vai falhar pelo segundo ano consecutivo a participação no Grande Prémio de Macau, depois de ter vencido a corrida da Guia em 2016. A confirmação foi avançada ontem pelo piloto através de um comunicado de imprensa, e está relacionada com o acidente sofrido durante uma sessão de testes, em Setembro do ano passado. “De acordo com os seus médicos, [Tiago Monteiro] não alinhará na ronda de Macau. Mas estará presente mais uma vez como embaixador da marca nipónica”, pode ler-se numa nota de imprensa em que é revelado o regresso à competição do último português a alinhar na Fórmula 1. Com esta confirmação, a equipa Boutsen Ginion Racing fica com uma vaga em aberto num dos dois Honda Civic Type R TCR que vão participar na prova da Taça Mundial de Carros de Turismo (WTCR). Além do holandês Tom Coronel, a outra viatura da equipa poderá ser ocupada por André Couto ou pelo chinês Ma Qing Hua. Contactado pelo HM, o piloto de Macau não quis alongar-se sobre a situação: “Estou a trabalhar na minha participação em Macau”, limitou-se a responder o vencedor do Grande Prémio de Macau de 2000, em Fórmula 3.
AUTOMOBILISMO TIAGO MONTEIRO FALHA REGRESSO AO GP MACAU
Só na bancada
O piloto português deixa uma vaga em aberto na Honda da equipa Boutsen Ginion Racing que poderá ser ocupada por André Couto. Contudo, o piloto não confirma a notícia, nem a eventual participação na Guia A favor de Ma Qing Hua está o facto de já ter representado este ano a Boutsen Ginion Racing nas ruas rondas do Interior da China, nomeadamente nos circuitos de Ningbo e Wuhan. A lista de inscritos para o Grande Prémio vai ser apresentada esta tarde em conferência de
“De acordo com os seus médicos, [Tiago Monteiro] não alinhará na ronda de Macau. Mas estará presente mais uma vez como embaixador da marca nipónica.” COMUNICADO
imprensa, e a prova está agendada para o fim-de-semana de 15 a 18 de Novembro.
REGRESSO NO JAPÃO
Tiago Monteiro não vai estar em Macau, contudo, nem tudo são más notícias para o português de 42 anos. O piloto da Honda vai regressar à competição entre 27 e 28 de Outubro no circuito de Suzuka, no Japão, o mesmo que marcou a sua estreia pela Honda, em 2012. “Não há palavras para descrever a sensação de estar de volta. Houve alturas em que tudo pareceu mais complicado, mas nunca perdi a esperança nem o foco. Ter estado ao longo de todo o ano nas provas em que devia estar a correr e não o fazer, dilacerou-me, mas também me deu ainda
mais força e motivação, por isso tenho a certeza que todos os meus sentimentos vão estar à flor da pele em Suzuka”, afirmou Tiago Monteiro. “Este será um regresso cauteloso e sem objectivos desportivos. Quero sobretudo divertir-me e sentir-me confortável com o meu andamento para depois poder regressar em 2019 a tempo inteiro”, acrescentou. Tiago Monteiro sofreu um acidente durante um treino, em Setembro do ano passado, em Barcelona, e ficou afastado da competição durante um ano e um mês. Sérgio Fonseca e J.S.F.
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A 7 de abril, a mais de um mês do que aconteceria com a invasão em Alcochete -, depois da derrota em Madrid com o Atlético, Bruno de Carvalho reuniu-se com a Juve Leo no espaço da claque conhecido como ´casinha´, avança esta quarta-feira o Correio da Manhã. O jornal refere que depois da ´explosão´de críticas no Facebook, que resultaria em suspensões e processos disciplinares, o presidente esteve reunido com cerca de 50 elementos da claque. Na conversa foi confrontado com a hipótese de ´apertar jogadores´. Não o ordenou, mas terá dito ´façam o que quiserem´. Na reunião, até agora « escondida», sublinha o Correio da Manhã, estiveram Vasco Santos, director de segurança, e Bruno Jacinto, oficial de ligação aos adeptos.
Paris Saint-Germain Neymar quer regressar ao Barcelona
O avançado brasileiro Neymar pretende sair do Paris Saint-Germain e regressar ao Barcelona, segundo revela a Imprensa catalã. De acordo com o «Mundo Deportivo», Neymar, de 26 anos, prossegue em contacto com elementos da sua confiança na direcção do Barcelona, onde expressou o seu desejo de voltar a envergar a camisola do colosso espanhol. Neymar sente falta dos seus amigos no plantel do Barça, especialmente o argentino Lionel Messi, Suárez, Rafinha, Ter Stegen, da vida na Catalunha e após um ano e meio em Paris está desmotivado. O jogador sabe do interesse do Real Madrid, mas o seu desejo passa por voltar ao Barcelona.
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h
18.10.2018 quinta-feira
Amo o que vejo porque deixarei qualquer dia de o ver
Diários de Próspero António Cabrita
E
STOU realmente divertido e explico-vos: foi dada ao camarada Trump uma oportunidade para se rir com a sua ignorância. Lembram-se do famoso milhão que o pai lhe havia dado, um milhão conta redonda; afinal subtraído dos impostos? Sei de onde picou a lenda, foi do primeiro vigarista que aparece a Lemuel Pitkin, a cândida personagem de Nathanael West, no comboio para New York - da curta e delirante farsa Um Milhão Conta Redonda ou Lemuel Pitkin a desmantelar-se, que Trump há-de ter lido a pensar que versava sobre casinos. Mr. Mape, penteava os cabelos no reflexo dos seus sapatos de janota e contou a Lemuel: «O meu pai deixou-me um milhão, conta redonda, e por isso não preciso de trabalhar». Claro que endrominava Lemuel para lhe esmifrar os parcos trinta dólares que ele tinha no bolso. Todavia, devido ao vício com que Trump pinta as suas histórias, abana com um milhão conta redonda à esquerda e à direita, entre promessas, astúcias & gracejos. Agora, morreu pela boca. Há uns meses, partira os pratos com a senadora democrata Elizabeth Warren porque a loura criatura reivindicava uma origem índia. Trump dobrou o riso e chamou-lhe Pocahontas. O que acintosamente repetiu em várias ocasiões, como quem aponta A Louca da Casa. E num comício em Julho, a infabilidade do seu feeling levou-o ao temerário desafio:”Darei um milhão de dólares, conta redonda, à sua organização de caridade
Um milhão resto zero
favorita, se ela fizer um exame e demonstrar que é indígena. Tenho a impressão de que ela dirá que não!”, sentenciou. Tivesse o incauto como eu uma filha absolutamente sueca parida por uma mãe indiana e teria pressentido que a genética presta boas partidas. Foi o que lhe sucedeu. A Pocahontas provou a veracidade de sua origem indígena depois de submetida a um teste de DNA que apresenta "forte evidência" de que tem ancestrais nativos. Os resultados confirmam “a existência de um ancestral nativo americano puro”, informa o jornal The Boston Globe. Vai arder o presidente com um milhão, conta redonda. Estou realmente deprimido com o que se passa no Brasil e são dispensáveis as explicações. A irracionalidade e a desinformação galopam para uma calamidade que representará um retrocesso civilizacional. Não se trata unicamente da derrota de um partido ou da repulsa contra o PT, a vitória de Bolsonaro institucionalizará a violência: os
comportamentos irracionais que já instalaram o medo e o ódio no país multiplicar-se-ão num “estado de excepção” protegido pelo poder do voto. É presumível que se seguirá um clima de guerra civil e uma repressão geral em nome da segurança, e só tarde demais os ingénuos que queriam sobretudo castigar o PT ao votar contra Haddad descobrirão que há portas que não se devem abrir; de antemão as que permitem que a «besta negra» e o impensado penetrem no nosso condomínio. Vejo duas motivações erróneas para tal descalabro. A primeira prende-se a um aspecto que as democracias se alheiam de discutir e que só uma aposta intensiva no domínio da educação poderá eventualmente atenuar. O relativo desenvolvimento das democracias e o incremento dos media como “quarto poder” foi disfarçando até ao fim do século XX o que o poder das redes sociais destapou e tornou visível: é que não vivemos todos no mesmo tempo histórico.
O relativo desenvolvimento das democracias e o incremento dos media como “quarto poder” foi disfarçando até ao fim do século XX o que o poder das redes sociais destapou e tornou visível: é que não vivemos todos no mesmo tempo histórico
Aquilo que para Walter Benjamin era um sinal de esperança: a saber, que a cada momento se colocaria a hipótese de que a face do presente surpreendesse porque afinal recuperava pontos de vista “derrotados” no passado e reemergidos ao arrepio de uma concepção linear e previsível da História, desencadeando uma lógica do reverso que transmitiria aos movimentos sociais uma maior complexidade e arejava a saturada polarização das narrativas oficiais; essas “anacronias” que segundo Benjamin injectariam na actualidade do presente um factor mais humano - posto que a perspectiva do passado deixa de ser um facto objectivo para passar a ser uma cunha da memória, menos técnica e mais emocional -, essas “anacronias” mostram que podem padecer igualmente de um lado negro. O Brasil é uma sociedade clivada por diversos e inconciliáveis níveis de consciência da realidade e sem um desígnio transpessoal que apazigue as tensões no rasgado tecido da memória histórica. O que separa um votante de Bolsonaro do de um Haddad não é uma mera diferença de opiniões: vivem isolados por antagónicas percepções do seu tempo histórico. O que se observa, por entretenimento, nos risíveis e delirantes grupos no FB que defendem a Terra Plana, toma no plano político perspectivas sombrias e traz à tona anacronismos perigosos para uma época de “relativismo”, de perda de universais e de pensamento débil. Quando não se reforça a educação é o que acontece. A segunda motivação ao lado prende-se com a crédula fulanização com que se associa a corrupção ao PT. O PT ficou evidentemente refém na armadilha do polvo e julgou que só podia fazer passar algumas leis contra o atavismo dos costumes alimentando o monstro, em vez de ter intentado mudar o sistema. Porém, o problema da corrupção é mais endémico do que se julga e continuará com Bolsonaro; o seu governo, que há-de ser fortemente corporativo, só aumentará o problema. Faz anos que Alain Badiou diagnosticou de que modo a corrupção se tornou a lei íntima das sociedades actuais, a sua fissura invisível, e que é para dissimular essa corrupção sistémica que o escândalo aponta aquilo ou aquele que, no fim de contas, não passam de bodes expiatórios. Numa sociedade que tem no lucro o único motor viável para fazer funcionar a sociedade, a corrupção é um seu efeito capilar. O problema prende-se com a orfandade dos valores e é gravíssimo mas não nasce com o PT e julgo aliás que muitos votantes do Bolsonaro não serão contra a corrupção, sentiam-se apenas excluídos da rede. O que tornará mais violento o despertar.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 21
quinta-feira 18.10.2018
Retrovisor Luís Carmelo
N
OS últimos anos do século XX, colaborei com uma universidade de Montréal num projecto sobre o ‘imaginário do fim’. Naquele ambiente de fim de século, emoldurado pelos ecos do ‘mundo pós’ e pelas predições (e perdições) do bug do milénio, aliás antecipadas com o crash da Nasdaq de Março de 2000, o tema era aliciante. Mas nunca desarmou, pois é coisa já com barbas. Falar sobre o “fim” como uma coisa definitiva e absoluta é lembrar um antigo anúncio da pasta medicinal Couto. O homem mordia a cadeira e ela transladava sem parar. Aquilo nunca mais acabava: era pura arte cinética a puxar para o lado da gengiva pós-moderna, como quem diz: fim? Isso é vernáculo medieval. Talvez fosse e com raízes nos grandes desertos. De facto, em certas tribos da Arábia pré-islâmica havia a crença generalizada numa divindade de nome Dahr que fazia da morte a própria razão de ser do humano. Estávamos tramados. Qual elixir, qual Couto, qual quê! Aliás, a revelação do Corão (não é por acaso que significa o “Recitado”) trouxe a estas pobres comunidades um compreensível sentido de libertação de tipo escatológico (afinal havia paraíso e tal e tal...) e combateu ferozmente esse passado. Leia-se, a título de exemplo, a surata XLV/2223 que é dedicada aos “adoradores” do Dahr: “Eles dizem: Não há qualquer outra vida senão a vida actual”. Curiosamente, Dahr quer dizer, hoje em dia, em Árabe ‘Tempo’ e a forma substantivada da mesma raíz, ad-dahriyyah, quer dizer ‘Ateísmo’. As palavras fazem por vezes de pasta medicinal das culturas, já se vê. Nada mais esclarecedor do que a condenação perpetrada por uma língua natural à memória daquilo que, um dia, ousou ver-se ao espelho como uma espécie de fim consumado. Pondo de lado os anúncios televisivos com meio século de idade e as mini-saias que deambulavam pelas passadeiras da Abbey Road, o facto é que o senhor fim prefere deixar de lado a sua casaca de tecido definido (e absoluto) e adora apresentar-se em palco sob a forma de um tornar-se em qualquer coisa. Adora metamorfoses, transformismos, transgenders, espelhos recurvados e o diabo. As últimas etapas das escatologias e das ideologias, relíquias em massa folhada de outros tempos, cantavam o fado da perfeição como uma espécie de relato de outra vida que se auto-regularia, dilatando, de certa forma, o tempo efémero do presente. Com um Gitanes a queimar-lhe a ponta dos dedos, Jean-Claude Car-
Os fins últimos e a pasta medicinal Couto rière caracterizou a gravidade do fim dos tempos como “la fin de l´insupportable contradiction entre le temps divin (suprême, absolu) et le temps humain (limité, relatif)”[1]. Este esbater de persianas entre o que S. Eisenstadt designou por ordem “transcendente” e por ordem “mundana”[2], uma e outra fabricadas em série durante milénios pelas chamadas civilizações axiais, nunca foi suficiente para que a ideia de fim deixasse de ser representada como uma metamorfose. Algumas formas clássicas de compreender o tempo sempre apostaram nesta estratégia de manutenção do fim, sob a forma de algo, ao mesmo tempo, afastado, controlável e sobretudo durável. Como se a cintura de Kuiper, no extremo do sistema solar, fosse, por isso mesmo, uma coisa sexy: uma esplanada elegante (do género das de Carcavelos) muito lá ao longe, onde, com uma coca-cola light a descer pelo esófago, pudéssemos todos olhar para o cosmos sem que ninguém nos chateasse. Esta congénita dificuldade em clarificar o fim (o fim dos fins... no fim dos tempos) é, porventura, mais um jogo do que uma tentação soft para gáudio do homem que mordia a cadeira com o objectivo de elucidar a eficácia da pasta medicinal Couto. Pessoas respeitáveis (apesar de tudo, caray!) como Heidegger e Borges responderam um ao outro, sentados na
esplanada do mano Kuiper e exploraram o assunto laconicamente: o primeiro, ao afirmar que a “finitude do tempo só se torna plenamente visível quando se explicita o ‘tempo sem fim’ para contrapô-lo à finitude”[3]; o segundo, ao afirmar, de modo complementar, que “ninguna de las eternidades que planearon los hombres” (...) “es una agregación mecánica
Pondo de lado os anúncios televisivos com meio século de idade e as mini-saias que deambulavam pelas passadeiras da Abbey Road, o facto é que o senhor fim prefere deixar de lado a sua casaca de tecido definido (e absoluto) e adora apresentar-se em palco sob a forma de um tornar-se em qualquer coisa. Adora metamorfoses, transformismos, transgenders, espelhos recurvados e o diabo
del pasado, del presente y del porvenir. Es una cosa más sencilla y más mágica: es la simultaneidad de esos tiempos”[4]. Conclusão? Bom, a coisa parece estar de feição: a eternidade - material inflamável tipo BD que o nosso cérebro, coitado, processa - não passa de uma espécie de negativo fotográfico à Talbot repleto de iodeto de prata, razão pela qual o senhor fim não pode nunca ser entendido como uma ruptura, uma falha ou um deslizar a pique na direcção da falésia, mas antes como um espaço onde se aprende a conter o tempo (não há nada que não se aprenda). Há, pois, meus amigos, que saber conter o mundo antes de nos virmos, antes de nos deslumbrarmos, antes de voltarmos a tomar o elixir azulinho. Até porque o ‘depois do fim’ (essa fuga para a frente no pardieiro do ‘pós-qualquer coisa’) faz ainda parte daquela esplanada de onde se observa a continuação sine die do relato que está - e estará - sempre em vez do fim. A famosa “semiose ilimitada” proposta por C. Peirce - do que me fui eu lembrar agora! - corresponde a uma teoria em que os fins se convertem sempre noutros fins, prolongando-se indefinidamente na sua própria viagem, que é a viagem do sentido. Não tivesse sido o obscuro exemplo do Dahr pré-islâmico e a própria ideia de fim teria aparecido nesta doce crónica ao sabor de um autêntico “mise en abyme” cultivado pelos humanos, desde que o ‘cagar de pé’ fez a sua solene estreia no planeta Terra. Em última análise, teríamos sempre a pasta medicinal Couto para usar depois (de depois) dos finais do grande e derradeiro flirt. [1] Les questions du sphinx em Entretiens sur la fin des temps, Fayard, Paris, 1998, p. 63. [2] Fundamentalismo e modermidade, Celta, Oeiras, 1997, p. 183. [3] Ser e tempo, Vozes, Petrópolis, 1997, Vol. II, p.125. [4] Historia de la eternidad em Prosa completa, Bruguera, Buenos Aires, 1979, Vol.1, p. 223.
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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
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CONCERTO COM LI ANJI & LU BUSAN Live Music Association | Das 21h00 às 00h00
VERA FARIA LEAL - APRESENTAÇÃO DE TRILOGIA DE LIVROS Consulado-geral | Das 18h00 às 19h00
Amanhã
FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-Museu da Taipa UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00
Sábado
DESFILE DE MODA MIF 2018 | Venetian | 14h30 FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-Museu da Taipa
Domingo
FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-Museu da Taipa
Diariamente
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “VIAGEM ORIENTAL” Pavilhão Chun Chou Tong do Jardim de Lou Lim Iok | Até hoje EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12 EXPOSIÇÃO WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | Até Domingo EXPOSIÇÃO “AS NOIVAS DE SÃO LÁZARO” Albergue SCM | Até 24/10 “FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro
C I N E M A
THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS SALA 1
LAPLACE’S WITCH [B] Um filme de: Takashi Mike Com: Sakurai Sho, Suzu Hirose, Sota Fukushi 14.30, 19.15
SALA 2
THE HOUSE WITH A CLOCK IN ITS WALLS [B] Um filme de: Eli Roth Com: Jack Black, Cate Blanchett, Owen Vaccaro 14.30, 16.30, 19.15
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Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 16.45, 21.30
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VIDA DE CÃO
EXPOSIÇÃO DE VÍTOR MARREIROS Consulado-geral | Até 8/11
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25 2 ASSASSÍNIO ALLEN8(1993) 1 4 83 8 O7MISTERIOSO 6 9 EM MANHATTAN 5 1| WOODY 4 9 6 2 8 91641 4 2 3 7 5 3 9 7 2 1 4 5 75 7 2 693 981 8 4 2 6 8 3 7 5 9 7 7 5 9 4 8 1 632 3 8 5 2 6 9 7 3 2 1281 8 3 9 6 574 7 7 4 9 8 3 1 6 643 45275 7 9 1 8 1 3 6 4 5 2 7 9 2 765 648 4 3 1 4 7 1 5 6 3 8 3 831891 9 2 4 7 5 6 6 8 5 1 2 9 4 5 1 3 4 6 5 7 1 3 8 9 2 9 2 3 7 4 8 1
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6 2 4 8 57917 1 3 53 9529 2 1 784 8 7 81 8 634 3 9 5 2 32 3 56146 4 879 9 8 1 357 5 2 6 4 4 6 72982 8 153 1 4 685 8 2 3 7 7837 3 4 9 6 5 2 9529 237 361 6 4
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 15
PROBLEMA 16
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18 1 5HOJE UM 9 6FILME 7 342
2 3948968 6 7 1 e Carol 1Larry 751 5 (Woo3 4 2 6 8 dy Allen e Diane 9Keaton) 7 passam 3 9 7 8a ter2 5 1 4 como vizinhos um casal com quem 5 idoso 2 6 4 981 8 7 ganham alguma pro41861 63a7 359 5 ximidade, até7que morte misteriosa da 4 8 7levanta 265sus6 9 413 mulher em Carol. Esta, 2 5peitas 1 5 9com7Ted,3 4 286 juntamente um 34 do3marido, 6amigo 2 158 5 9 começa a investigar
4 5 9 6 3 2 1 8 7
Tem decorrido nos últimos dias mais uma edição do festival da lusofonia 19mais do que a festança que é muito nas casas-museu da Taipa. Este ano a Doca dos Pescadores acolheu também a feira de artesanato e uma interessante semana gastronómica onde, além de outros pratos, tivemos a oportunidade de experimentar o bolinho de feijoada mais famoso do Brasil. Houve também concertos no Leal Senado. Apesar desta iniciativa ser frutífera em eventos, não há um programa completo elaborado pelas inúmeras entidades do Governo que nos diga onde, quando e a que horas acontecem as coisas. Uma pesquisa intensiva no Google não ajuda, e quando houve a conferência de imprensa também não nos foi dado o programa completo, apenas os nomes dos 21convidados. A Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa é um exemplo de como os eventos se fazem em Macau: faltam as informações essenciais e perde-se muita coisa que poderia ser interessante. Acontecem muitas coisas ao mesmo tempo mas falta publicidade institucional para um evento que deveria ser o rosto de Macau e que atrai muita gente. Não era preciso muito: bastava um documento em PDF disponível no website ou na página oficial do evento no Facebook, criado pelo Turismo ou Instituto Cultural, ou até Fórum Macau. Algo tão simples e útil mas que foi esquecido. Andreia Sofia Silva
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DE
RHYS LAI - WORKSHOP PARA PAIS E FILHOS Fundação Rui Cunha | Das 15h00 às 16h30
Cineteatro
MAX
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TEMPO
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o que julga ser um homicídio, acabando por se envolver numa aventura que agita o seu calmo casamento de vários anos. Andreia Sofia Silva
FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 21.15 SALA 3
SEARCHING [B] Um filme de: Aneesh Chaganty Com: John Cho, Michelle La, Debra Messing 14.30, 16.30, 21.30
DISTINCTION [A] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Jevons Au Com: Jo Koo, Jennifer Yu, Kaki Sham
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opinião 23
quinta-feira 18.10.2018
sexanálise
A estúpida Cistite
JACKSON POLLOCK
TÂNIA DOS SANTOS
A
S mulheres sofrem de infecções urinárias, mais do que os homens. Isto não é porque as mulheres têm que pagar pelo pecado original, é um simples mau cálculo fisiológico. As mulheres têm uma uretra que podia estar numa posição e lugar mais conveniente para que não sofressem deste mal, mas pronto, o nosso corpo não pode ser perfeito em cada ângulo ou centímetro. Apercebi-me que nunca utilizei este espaço para falar das estúpidas das cistites quando até é um tópico de importância para o sexo e para a saúde feminina. Acontece, também, que sou uma especialista no tema porque já tive à volta de 25 chatas (e muito dolorosas) infecções. Se não estão convencidos que a fenomenologia da coisa possa trazer alguma sabedoria a ser partilhada, tenho a dizer que também nunca li tantos artigos científicos de medicina - sou detentora de conhecimento de causa. Pensei que era a única no mundo a padecer do mal das estúpidas e recorrentes cistites quando comecei a conhecer mais amigas que estavam na mesma situação, e de amigas passou a colegas ou vizinhas. Umas com situações piores que outras, umas com caixas de antibiótico nas carteiras, porque nunca se sabe quando uma estúpida cistite vai aparecer, - frequentemente dei por mim a pensar porque é que não se fala mais das infecções urinárias? Aparentemente, dizem as estatísticas médicas, é normal uma mulher ter uma estúpida infecção por ano – se tiver três num ano, é melhor procurar um
especialista – mas se tiver uma por ano, está dentro da normalidade. Ora, eu não acho normal ter uma infecção urinária por ano, da mesma forma que não é normal as mulheres sofrerem de dores menstruais – por vezes tão intensas quanto um ataque cardíaco – todos os meses. Não vou entrar na batalha que ainda tem que ser travada por mais respeito pela saúde feminina (tanta investigação que diz que os profissionais médicos desconsideram queixas das mulheres...) mas focar-me-ei nas estúpidas cistites. Surpreendentemente ou não, não há grandes veículos informativos que falem sobre estas coisas abertamente e de forma clara e fidedigna. As gentes de outrora alcunharam de cistite da lua-de-mel as infecções urinárias que as mulheres frequentemente tinham depois da noite de núpcias. Isto porque a probabilidade de ter uma infecção 24 ou 48 horas depois de uma relação sexual com o (ou um novo) parceiro é significativa. Há alguma investigação (pouca) feita para perceber o que se pode fazer para evitá-la, mas primeiro uns
Dizem as estatísticas médicas, é normal uma mulher ter uma estúpida infecção por ano – se tiver três num ano, é melhor procurar um especialista – mas se tiver uma por ano, está dentro da normalidade. Ora, eu não acho normal ter uma infecção urinária por ano, da mesma forma que não é normal as mulheres sofrerem de dores menstruais (...) todos os meses
esclarecimentos: uma cistite pós-coito não é uma IST. Esta acontece porque a fricção genital ajuda a que bactérias que temos naturalmente pelo corpo possam viajar pela uretra feminina, que é pequenina e que está perto de todo o movimento. Podia acontecer o mesmo com os homens, mas eles têm uma uretra de 15cm e as mulheres de 5cm, daí a facilidade da pequena viagem bacteriana. Para evitar a invasão indesejada, há quem diga que não há nada como ir fazer um xixi depois de toda a actividade – golden showers? Estejam à vontade. A melhor forma de prevenir uma infecção, no geral, é fazer muito xixi, porque assim não se criam as condições ideais para as bactérias se multiplicarem dentro da bexiga. Daí também ser problemático segurarmos a urina durante muito tempo – mas enfim, como eu tenho material para escrever uma tese de mestrado sobre isto, não vou prolongar-me. Não é só o sexo que aumenta a probabilidade de uma infecção, espermicidas, por exemplo, podem despoletar uma crise, produtos de higiene feminina muito agressivos, também. As mulheres, principalmente, vão sofrer transformações naturais que as vão tornar mais susceptíveis a estas chatas cistites no pós-menopausa. É preciso ter em atenção também que muitas vezes as inflamações da bexiga têm uma sintomatologia muito semelhante à infecção, mas que não precisam de antibióticos para serem tratadas. E eis que entra em cena o arando vermelho – o cranberry – a baga melhor amiga do sistema urinário! Bastante eficaz no tratamento das inflamações (e não das infecções propriamente ditas, elas precisam sempre de antibiótico) e funcionam muito bem na prevenção de infecções recorrentes. Há mais dicas, mas vou ficar por aqui. A todas as mulheres (e homens) que sofrem de infecções da bexiga, aqui me apresento em solidariedade.
É - sobretudo - por causa dos que vivem na Lua que vale a pena viver na Terra. PALAVRA DO DIA
Pedro Chagas Freitas
Corta a fita Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau abre na próxima terça-feira
Ao longo de todo o processo, a infra-estrutura ficou marcada, porém, por uma série de incidentes, a começar desde logo por atrasos, dado que tinha abertura prevista para 2016, e derrapagens orçamentais
E ´
oficial. A ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai ser oficialmente inaugurada na próxima terça-feira, dia 23, anunciou ontem o Gabinete de Ligação da República PUB
Popular da China em Hong Kong, segundo o South China Morning Post. A inauguração da ponte, com uma extensão total de 55 quilómetros que a transforma na maior travessia sobre o mar do
mundo, tem lugar nove anos depois do lançamento da primeira pedra. A cerimónia vai ter lugar em Zhuhai e, segundo o mesmo jornal, há rumores que apontam para a possibilidade do Presidente da
China, Xi Jinping, marcar presença, embora seja improvável que visite Macau ou Hong Kong. A Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK) avança também a hipótese de o vice-primeiro-ministro chinês Han Zheng ser outro dos convidados de honra. A ponte, conhecida pelo design em forma de Y, constitui um novo marco no âmbito da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, projecto que aglutina as duas Regiões Administrativas Especiais e nove cidades da província de Guangdong, que ambiciona criar “uma região metropolitana de nível mundial”, capaz de rivalizar com metrópoles como São Francisco ou Tóquio. A nova passagem vai colocar as três cidades a uma hora de distância. De acordo com estimativas das três zonas, o volume diário de tráfego na ponte, com uma vida útil de 120 anos, deve atingir os 29.100 veículos em 2030 e 42 mil em 2037, enquanto o volume diário de passa-
170 HKD PARA IR A HONG KONG
P
elo menos 170 dólares de Hong Kong. É este o preço que uma empresa privada vai praticar durante o dia para as pessoas que queiram fazer a circulação entre Macau e Hong Kong. Segundo o portal GGR Asia, à noite o preço do serviço oferecido pela One Bus sobe para os 200 dólares de Hong Kong, o que faz com que se aproximem dos preços dos barcos. O percurso oferecido pela One Bus vai ter paragens nos casinos Sands, na Península de Macau, e no Venetian e Parisian, no Cotai. Em Hong Kong a última paragem é o Centro Comercial APM, em Kowloon, havendo ainda paragens nas duas ilhas artificiais. O tempo de viagem é de 130 minutos, e a primeira partida de Macau está marcada para as 11 da manhã e a última para as 21h30. De Hong Kong, a primeira partida está agendada para as 08h00 e a última para as 18h30.
quinta-feira 18.10.2018
geiros pode vir a rondar os 126 mil e os 175 mil, respectivamente. Ao longo de todo o processo, a infra-estrutura ficou marcada, porém, por uma série de incidentes, a começar desde logo por atrasos, dado que tinha abertura prevista para 2016, e derrapagens orçamentais. Isto sem falar de problemas técnicos e ambientais, bem como acidentes laborais, incluindo mortais. Esteve também no centro de um escândalo de corrupção relacionado com a falsificação de testes ao betão usado. O megaprojecto tripartido, idealizado ainda na década de 1980, custou a Macau aproximadamente 2,6 mil milhões de renminbi, segundo dados divulgados no início do ano. Do trio de regiões, a RAEM tem a menor comparticipação (12,59%) no projecto, a qual foi calculada em linha com a proporção de benefícios que a ponte trará a cada uma. D.M.