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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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PATRIMÓNIO
DIRECTOR CARLOS CARLOS MORAIS MORAIS JOSÉ JOSÉ •• TERÇA-FEIRA SEX TA-FEIRA 15 18 DE DIRECTOR DE OUTUBRO OUTUBRO DE DE 2013 2013 •• ANO ANO XIII XIII •• Nº Nº 2956 2953
Ter para ler
O DESPREZO, A INCÚRIA E A IGNORÂNCIA, TODOS OS DIAS, NO LARGO DO SENADO
CENTRAIS
• GESTÃO FINANCEIRA
Cheques pecuniários agravam inflação, defende académico
ENTREVISTA Duque de Bragança acusa Estado português de não facilitar investimento externo
“Só atrapalha”
PÁGINA 7
Numa entrevista ao HM, Dom Duarte Pio critica severamente os sucessivos governos de Portugal, de quem acusa de burocráticos, para quem quer investir, e despesistas, na hora de poupar. O monarca acha que os portugueses deviam fazer mais turismo para Macau, local que, defende, ainda poderia ser de Administração Portuguesa, se a República “tivesse sabido manter a política”. PÁGINAS 2 E 3
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• CONSUMO DE ÁGUA
Hotéis e casinos com culpas nos recentes aumentos PÁGINA 6
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• REFORMA JUDICIÁRIA
Neto Valente lembra falta de magistrados PÁGINA 5
• 18.ª EDIÇÃO DA MIF
Em busca do sonho dourado no mercado chinês PÁGINAS 8 E 9
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ENTREVISTA
hoje macau sexta-feira 18.10.2013
DUQUE DE BRAGANÇA ACONSELHA EMPRESAS A FIXAREM-SE NO INTERIOR DA CHINA
“O Estado (português), em geral, só atrapalha” Chamado de “rei sem reino” pelo diário espanhol El Pais, Dom Duarte Pio não fica à espera do trono que não chega e empenha-se em causas pessoais e projectos profissionais. Em entrevista ao HM, acusa o Governo português de não facilitar o investimento externo e diz que Macau ainda poderia ser de Portugal, se a República “tivesse sabido manter a política” Nesse sentido, Cavaco Silva tem desempenhado um bom papel? Tem, tem, completamente. Tem usado muito do prestigio do cargo e do seu trabalho, e tem sido útil.
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Esteve na MIF. Do que viu, que comentário faz à presença das empresas portuguesas? Esta participação portuguesa é muito interessante. Macau tem a vocação de ser uma porta para as empresas lusófonas entrarem na China. Hoje em dia, uma empresa europeia, e portuguesa, tem a obrigação de tentar entrar no mercado chinês, mas tem de ver como o vai fazer. E para isso nada melhor do que os luso-chineses, como é o caso das famílias macaenses. Estou convencido que as empresas portuguesas têm de fazer parcerias com profissionais experientes de Macau para não fazerem fracas figuras. E também para não serem enganados, porque há vários casos de empresas que investiram na China e que perderam o rumo.
Vítor Sereno foi recentemente nomeado representante de Portugal no Fórum Macau. Foi uma boa escolha. Parece uma pessoa inteligente e dinâmica, e estou convencido de que vai fazer um óptimo trabalho. Ser apenas cônsul-geral, apenas para resolver alguns problemas... como delegado económico tem mais iniciativa.
“GOVERNO PORTUGUÊS GASTOU O DINHEIRO DA UE” A sua estadia em Macau prolonga-se até Timor-Leste, onde vai participar num projecto do cariz agrícola. O parlamento timorense deu-me a grande alegria de, no ano passado, dar-me a nacionalidade, de modo que agora tenho de acelerar a minha cooperação com Timor. O projecto é ajudar a dinamizar a agricultura rural e estabelecer uma cooperação com a Fundação Bambu, e pô-la a trabalhar com a tecnologia de Angola, aproveitando os contactos da Fundação Dom Manuel II, da qual sou presidente.
A que nível? Desde ficarem com as tecnologias, capacidades produtivas. Até ficarem com a propriedade da própria empresa. E como a justiça ainda é muito politizada... as empresas portuguesas que se aventuraram na China sem terem especialistas locais saíram-se mal. Há uma estratégia consolidada por parte do Governo para dar esse apoio? O Estado Português tem sido sempre o maior obstáculo para os portugueses irem mais longe. Temos uma burocracia excessiva, em pessoas e métodos de trabalho, demoram muito tempo a dar as licenças. Espero que este Governo tenha uma atitude diferente do anterior e que consiga dar à economia portuguesa a competitividade que o Estado tem dificultado. É verdade que há empresas competitivas, com inovações tecnológicas interessantes, mas o Estado, em geral, só atrapalha. Mesmo as delegações oficiais no estrangeiro têm um papel ingrato, porque quando um estrangeiro quer saber o que encomendar em Portugal, os representantes têm muita dificuldade em dizer o que é bom e o que não presta. E também há empresas com coisas boas e com um mau serviço. Era preciso que as empresas de cada sector se
unissem e tentassem trabalhar em conjunto. Neste caso [da MIF] começou a fazer-se. Porque estas empresas vêm em comum, trabalham em conjunto. Antes só tínhamos a Agência de Investimento e Comércio Externo (AICEP), que tem feito muito bem, mas também tem pessoas que muitas vezes não falam bem a língua do país e que são pouco motivadas. Que expectativas ou anseios é que os empresários lhe transmitiram? Há uma coisa que acontece há muitos anos, e que ninguém percebe, é o facto de Espanha exportar toda a carne suína e lacticínios para a China e Portugal não. A nossa carne até tem uma qualidade superior, e isso tem sido incompetência dos nossos governantes. Tenho aconselhado as empresas a irem para as províncias do interior da
Estou convencido que se tivesse havido mais diplomacia da nossa parte provavelmente tinha-se podido continuar ainda muito tempo no território chinês sob Administração Portuguesa. Mas a nossa República não foi capaz de continuar com a política China, que são mercados enormes e onde há muito menos competição do que nesta zona litoral. Quem vem fazer negócios aqui devia preparar-se bem. Falou da burocracia do Estado. De que forma é que as casas reais europeias podem ajudar a dinamização dos países a este nível? Os países com reis e rainhas fazem sempre a diplomacia económica. Por exemplo, o príncipe Felipe de Espanha vai à América do Sul
e faz um sucesso enorme. Uma posição completamente diferente da minha, pois temos um sistema republicano, e em principio é só o Presidente da República. Nem a mulher do presidente tem um cargo oficial. Mas é uma mais valia importante. Um dos países mais pequenos do mundo, o Mónaco, quando chega o príncipe Alberto (a um lugar) faz um sucesso, todos querem ouvir a sua opinião. Se for a filha do Presidente da República, ninguém liga nenhuma (risos).
Essa Fundação pode vir a desenvolver projectos em Macau? Podia ser. Mas o que acontece é que a Lei das Rendas em Portugal torna a rentabilidade dos edifícios muito baixa. E o capital da fundação são edifícios, que rendem pouco. Não temos muito capital disponível. Mas fazemos sobretudos projectos agrícolas, onde não é possível investir muito. Fazemos os estudos e procuramos entidades que possam financiar a sua aplicação. Macau tem uma situação diferente, com mais desenvolvimento do que muitos outros países da CPLP. Ainda sobre Timor. Qual o rumo que deve tomar em prol do desenvolvimento? O Governo timorense tem sido extremamente prudente e evitado cair na armadilha em que a maioria dos países cai, que é: quando têm dinheiro, gastam-no. Infelizmente os governos portugueses fizeram
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hoje macau sexta-feira 18.10.2013
isso com o dinheiro da União Europeia (UE). Gastaram-no em coisas que não produzem riqueza: auto-estradas, Expo’s, tudo quanto é obras de luxo. A nossa Administração Pública em Portugal gasta 80% do orçamento para pagar aos funcionários e as suas reformas. E 50% da riqueza produzida é para pagar o Estado. Timor tem evitado cair nessa armadilha: só usa rendimentos do fundo soberano, financiado pelo petróleo e gás. Por isso o país tem-se desenvolvido devagar, evitando o desequilíbrio na sociedade. É um erro fazer um grande desenvolvimento das cidades e deixar a população rural com uma grande ambição de viver nas cidades. Isso seria fatal. Mas é interessante que do ponto de vista educativo, Timor está bastante bem, tem muita gente qualificada, e devia favorecer a implementação de negócios lá.
ideal e desligados da realidade. Processar políticos por eventuais crimes que não prejudicaram nada Portugal, quando muito prejudicaram foram os próprios políticos, não faz sentido. Um juiz português deve defender os portugueses, e estão preocupados com questões que os angolanos é que têm de resolver. Por causa dessa vontade exibicionista de prestígio, dada pelos juízes, acabaram por criar um enorme problema político para Portugal, e económico sobretudo. E isso é uma falta de inteligência muito grande. Dizem “não se pode criticar a justiça”. Não sei porquê. Tenho um enorme problema com a justiça, porque tenho os meus bens embargados há cinco anos por causa de um indivíduo desonesto que apresentou uma queixa contra mim e o tribunal aceitou e disse que, em caso de dúvida, embargava tudo.
“O REI, NA EUROPA, DEVE DAR O EXEMPLO”
Foi o que acabou por acontecer. Tenho os meus bens embargados por uma questão de ninharia.
Se fosse monarca neste momento, quais seriam as suas ideias políticas para Portugal? Nas monarquias europeias o rei é Chefe de Estado mas não governa. O rei, na Europa, deve dar o exemplo, encorajar o que é feito de bom no país. E discretamente, sem atrapalhar publicamente o Governo, avisar dos desvios que são feitos. Normalmente, os reis no mundo têm um conhecimento muito mais amplo das realidades do país e das políticas. As pessoas têm lealdade para com o seu rei, a mesma que não têm para com um político. Os políticos, por melhores que sejam, têm um objectivo óbvio, que é serem reeleitos. Os que não são sérios querem enriquecer. Ora um rei não precisa de enriquecer, porque já tem mais que suficiente, e também não precisa de votos. Quanto muito, tem de enfrentar um referendo. Felizmente ainda só houve um na Austrália, em que a rainha ganhou. Poderia haver um resultado semelhante em Portugal? A última sondagem deu que 40% dos portugueses dizem que não são republicanos. O que são, não dizem, podem ser anarquistas (risos). Se um dia houvesse um referendo acho que tinha possibilidade de ganhar. A crise económica levou os portugueses a pensar que a Monarquia pode ser uma solução? Enquanto as pessoas estavam tranquilas, com o seu salariozinho... porque em Portugal trabalham-se 11 meses e ganham-se 14, uma coisa que deixa os estrangeiros muito admirados, sobretudo os americanos, o problema não se levantava muito. Mas agora que todos acham que estão mal, é altura de se estudarem medidas e
ver em que medida é que o sistema republicano não tem uma grave responsabilidade. Porque esta já é a segunda falência republicana. A primeira foi em 1926, que levou à ditadura militar e ao Governo de Salazar. E agora a terceira República chegou também à falência. Mas teve a possibilidade de pedir emprestado, à malfadada Troika. Se não fosse a Troika a socorrer-nos o Estado não conseguia sequer pagar os salários da Função Pública.
“A NOSSA ADMINISTRAÇÃO TEVE DEFEITOS” Como vê a Macau de hoje? A nossa Administração teve defeitos, mas é importante lembrar o que foi feito de bom. Como por exemplo? Ficou uma memória histórica de dois povos que souberam cooperar em beneficio mútuo durante 500 anos. Um dos grandes papéis que Macau pode desempenhar é ajudar os chineses percebam as ligações de amizade entre os dois povos. Estou convencido que se tivesse havido mais diplomacia da nossa parte provavelmente tinha-se podido continuar ainda muito tempo no território chinês sob Administração Portuguesa. Mas a nossa República não foi capaz de continuar com a política. Fala-se imenso de Macau hoje em Portugal, ao nível empresarial. A importância poderia ser maior? É muito importante, para um português ou um europeu, chegar aqui e encontrar instituições ocidentais, leis claras e fáceis de perceber. Há pouco falava da forma como o património local é retratado na imprensa em Portugal. Ainda há um grande desconhecimento por Macau?
95% dos portugueses nunca veio a Macau. Mas os portugueses ganhariam muito em vir mais cá, ficar uns dias aqui, é uma revelação, uma grande alegria cultural que um português tem ao chegar aqui. Conseguir chegar aos bairros históricos é um efeito fantástico. Podia haver mais turismo português aqui 95% dos portugueses nunca veio a Macau. Mas os portugueses ganhariam muito em vir mais cá, ficar uns dias aqui, é uma revelação, uma grande alegria cultural que um português tem ao chegar aqui. Conseguir chegar aos bairros históricos é um efeito fantástico. Podia haver mais turismo português aqui.
OS ERROS DOS JUÍZES NO CASO ANGOLA Foram conhecidas as medidas preliminares para o Orçamento de Estado de 2014 em Portugal. Que análise faz? Os impostos são um erro económico tremendo, sobretudo ao incidirem sobre a produção. Sobre o consumo, é maçador mas não tem efeitos graves. Mas tudo o que
venha a encarecer a nossa produtividade é altamente prejudicial, porque ficamos menos competitivos no estrangeiro. Mas por causa das intervenções, que acho totalmente disparatadas e fora de contexto, do Tribunal Constitucional, as economias que o Estado deveria fazer não puderam ser feitas. E como 80% do orçamento é para a Função Pública, e o Estado gasta 50% da riqueza, para haver uma diminuição dos gastos do Estado não há outro caminho a fazer. Não há, de facto? Gostava que o doutor Seguro, do Partido Socialista, dissesse claramente qual é a alternativa que propõe. Há que renegociar a dívida: a quem devemos ir não quer renegociar. E adianta o quê? Pagamos mais anos e mais juros. Diminuir os custos do Estado: mas onde? O Estado habituou-se a ser uma imensa máquina para dar tachos e empregos a pessoas que, muitas delas, não se sabia o que faziam. Muito facilitismo e interesses? Conheço muitos altos funcionários que simplesmente não fazem nada. Outros que estão de baixa há anos e recebem o seu vencimento. Outros que estão deprimidos por não fazerem nada e por se sentirem inúteis ficam doentes por causa disso. Estamos num Estado que nasceu de uma matriz Marxista – a ideia dos comunistas era que o Estado dava emprego a toda a gente e não havia desemprego. O Estado português aplicou esse conceito mas paga mais do que a nossa produtividade permite. José Eduardo dos Santos, presidente angolano, recuou nas relações estratégicas com Portugal. Que comentário faz? É mais uma vez os juízes portugueses a quererem viver no mundo
Os bens são da Casa Real Portuguesa? São meus, pessoais. Os bens que eram da Casa Real, da minha família, foram nacionalizados pelo Governo do doutor Salazar que os transformou na Fundação Casa de Bragança. O que tenho foi alguma coisa que sobrou e o que ganhei por mim próprio. É pouca coisa, mas é o que tenho. E se o Estado português fica com os meus bens, depois de já ter ficado com o resto que era da família, acho muito disparatado e injusto. Além disso, todas as missões que tenho feito ao estrangeiro, ao serviço do Estado português, foram inteiramente pagas por mim, com o apoio de algumas embaixadas. Mas é estratégico e não financeiro. Nunca recebi nenhum pagamento do Estado português. Só recebi o meu vencimento de piloto da Força Aérea (risos). Mas considera que deveria receber? Não. Em algumas missões mais complexas, talvez. Mas sempre achei preferível que não se colocasse a hipótese. Dá-me uma liberdade muito maior. Fala muito com o seu filho, Infante Dom Afonso (herdeiro) sobre as questões da actualidade? Falamos todos, ao jantar, nos fins-de-semana. Eles interessam-se e discutem. Tanto a Isabel (Herédia) como eu tentamos que eles saibam a verdade das coisas para além das mentiras oficiais contadas nos jornais, que são recados políticos. Espero que eles trabalhem sempre em equipa e que se ajudem uns aos outros. Profissionalmente, as grandes paixões do Afonso são as ciências do ambiente e biologia. Também se interessa por filosofia.
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POLÍTICA
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SI KA LON PEDIU REVISÃO DO CONTRATO DE CONCESSÃO COM A CTM
Multas mais elevadas são exigência HOJE MACAU
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
recém-eleito deputado Si Ka Lon fez ontem a sua primeira interpelação escrita, no dia seguinte ao início da nova legislatura, pedindo ao Governo para rever o contrato do serviço de telecomunicações públicas com a CTM. O deputado mencionou que os incidentes de telecomunicações estão ao nível dos “sorteios” e “das actualizações de Apps”, ou seja, de casos fortuitos passaram a casos recorrentes. Até agora nem o Governo nem as operadoras têm soluções para os incidentes, por isso, estes episódios têm afectado a vida dos residentes. “No dia 10 de Agosto, a CTM teve um incidente com serviço de 3G durante três horas; quatro dias depois, a
Rede 3 também teve um incidente de três horas no serviço de 3G. Os incidentes são, respectivamente, o sexto e terceiro incidente da empresa CTM e da Rede 3 desde
2012”, anunciou o também presidente da Aliança do Povo de Instituição de Macau. Si Ka Lon citou o Contrato de Concessão do Serviço Público de
ASSOCIAÇÃO DE DIREITOS PARA OS FUNCIONÁRIOS DO JOGO TEVE REUNIÃO COM A DSAL
Sem solução para abusos dos clientes de casinos A
Associação de Direitos para os Funcionários do Jogo (ADFJ) reuniu ontem com responsáveis da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), dizendo sentir-se ameaçada pelos rumores de exportação de croupiers não-residentes, além de ter falado ainda sobre os abusos de clientes a que estão sujeitos os funcionários dos casinos, ao sofrimento por causa do fumo no trabalho e ainda quanto à falta de seguro em dias de tufão. Sobre o abuso de clientes a funcionários das salas de jogo – que já tem vindo a ser noticiado pela imprensa -, a associação relembrou o caso de uma croupier que foi abusado pelo cliente no mês de Agosto, tendo sido agredida com o jogador perdeu dinheiro no jogo. “Quando encontrámos situações como estas, não podemos queixar-nos porque somos meros funcionários e os clientes são sempre mais importantes. A empresa não ajuda em nada,
porque tem medo de chatear os clientes e, por isso, defende-os sempre a eles.” O porta-voz do grupo, Chao Chi Seng, disse que, devido às ameaças psicológica e física, o Governo deveria elaborar directrizes de protecção em conjunto com as empresas de jogo. Por responder, no entanto, fica a questão de abuso de clientes aos croupiers. Depois de a coordenadora de imprensa e de relações públicas da DSAL, Ashley Lei, ter respondido ao HM que a questão está fora do âmbito da DSAL, o Governo diz que apenas vai comunicar com as operadoras sobre estes casos, sendo que o caso da croupier já é um caso de polícia. A associação também apontou que o trabalho dos funcionários dos casinos aumenta as receitas, mas os aumentos dos salários dos funcionários nunca aumenta mais que a inflação. Por isso, o grupo de jogo também pede o aumento do salário e a melhoria dos benefícios de
quem, dizem, traz benefícios à economia da RAEM. O director da DSAL, Wong Chi Hong, reiterou que as autoridades não deixam os não-residentes ser croupiers e supervisores, frisando que o Governo está apenas a estudar como melhor implementar a política. O responsável garante que os funcionários da China continental estão proibidos de trabalhar nas zonas de jogo e diz mesmo que o Governo tem vindo a fazer inspecções regulares e sem aviso prévio. O grupo também questionou porque é que a multa para os fumadores nos casinos é apenas de 400 patacas, quando a multa fora do casino é de 600 patacas e refere ainda que há funcionários das salas VIP que ensinam os clientes a usar copos ou garrafa de águas vazias, em vez de cinzeiro. “É um desafio público a violar a lei, cada dia a situação fica pior e a questão está relacionada com a saúde dos dez milhares de funcionários do jogo, o que não pode ser ignorado pelo Governo.” - C.L.
Telecomunicações para dar conta das obrigações da operadora, às quais tem fugido. “A CTM obriga-se a ampliar as redes e a introduzir-lhes modificações de forma a satisfazer as necessidades e requisitos dos serviços, dos utilizadores e do aumento de tráfego. [...] A CTM obriga-se a actualizar, sempre que necessário, no mais curto prazo possível, os sistemas de comutação e transmissão, o tipo de aparelhos ou quaisquer outros elementos das instalações, que, pela sua qualidade, desactualização ou desgaste, afectem a qualidade do serviço prestado”, frisou. O deputado questionou o Governo se os serviços oferecidos pela CTM atendem aos requisitos acima. “Se atenderem, porque ainda ocorrem os incidentes. Se não, que medida o Governo tem para obrigar a operadora a cumprir com essas responsabilidades?”
Si apontou que o contrato foi feito em 1999 mas a revisão intercalar só passados dez anos. O deputado defende que em dez anos, o lucro da CTM após impostos passou de 260 milhões de patacas para 741 milhões de patacas, mas as multas constantes do contracto estão entre as 10 mil e as 500 mil patacas. As condições para rescindir o contracto prevêem uma multa total de 1,5 milhão de patacas. “Em 2012, a receita da CTM atingiu 492 milhões de patacas, o lucro após impostos da CTM chegou aos 969 milhões de patacas”, garantiu. “Face a esta situação, os dois incidentes graves da CTM apenas levaram a multas de 800 e 180 mil patacas, o Governo irá fazer revisão ao contrato e alterar algumas disposições a fim de garantir que direitos e obrigações no contrato são recíprocos e, desta forma, aumentar o valor das multas?”, questionou.
NOVO MACAU PEDE PROPOSTA DE LEI DE ENQUADRAMENTO ORÇAMENTAL ESTE ANO
Governo acusado de evitar responsabilidades A
Associação Novo Macau (ANM) acusou ontem o Governo de falta de transparência relativamente às despesas das obras na sede do Governo, além do que chama de deficiência do sistema de gestão das finanças públicas. Um dos deputados da associação, Ng Kuok Cheong, pediu, em conferência de imprensa, que o Governo
Ng Kuok Cheong
apresente uma proposta da Lei de Enquadramento Orçamental ainda este ano e ainda a publicação de cada orçamento de projectos públicos. Em Setembro, Alexis Tam, responsável do Gabinete do Chefe do Executivo, respondeu a uma interpelação escrita de Ng Kuok Cheong, onde referiu que os projectos que custam menos de um milhão
de patacas por ano não precisam de ser publicados em Boletim Oficial (BO). Contudo, o deputado considera que um projecto que gasta mais de 25 milhões de patacas por ano – como foi o caso dos escritórios do Gabinete do Chefe do Executivo -, então as despesas ultrapassam um milhão de patacas. “Será que o Governo queria evitar a responsabilidade da publicação do orçamento do projecto público?” O deputado pergunta ainda se, além destas obras, há outras que custam mais de dez milhões de patacas e não foram ouvidas pela Direcção dos Serviços de Finanças. O deputado considera que, este ano, já é tempo para apresentar a proposta de lei do Orçamento, bem como de criar um mecanismo de aprovação da Assembleia Legislativa para os projectos públicos que envolvam mais de 40 milhões de patacas. - C.L.
SOCIEDADE
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JUSTIÇA ALTURA DE SE PENSAR EM REFORMA JUDICIÁRIA, DIZ NETO VALENTE
“Número de magistrados insuficiente” O
presidente daAssociação dos Advogados de Macau defendeu ontem que “é altura de se pensar numa reforma profunda da organização judiciária e não apenas em pequenos correctivos ou soluções de ocasião, incapazes de resolver problemas estruturais”. No último ano, o número de processos entrados nas diversas instâncias dos tribunais foi idêntico ao do total entrado no ano precedente - menos 12 no último ano -, no entanto, o de findos foi “consideravelmente inferior” (menos 926), “o que significa que continua a haver milhares de processos em atraso”, apontou Jorge Neto Valente, no seu discurso na abertura do ano judiciário. Só no Tribunal Judicial de Base, exemplificou, houve menos 877 processos findos e na primeira instância há já audiências de julgamento marcadas para Dezembro de 2014, pelo que “a conclusão a tirar é a de que, a este ritmo, continuaremos a não ter justiça pronta e que a recuperação dos
atrasos será pouco menos do que uma miragem”. Para Neto Valente, nessa reforma, “em que a celeridade será um dos objectivos principais, haverá também que encontrar formas de melhorar a qualidade da nossa Justiça, repensando processos de selecção, formação e recrutamento de magistrados e funcionários e, bem assim, o método de aferição do respectivo mérito”. Neto Valente citou também os números do Ministério Público
(MP), colocando a tónica designadamente nos 8.662 processos arquivados de um total de 12.898. “Independentemente das razões que conduziram ao arquivamento, um tão elevado número é certamente frustrante para as vítimas e participantes, para os investigadores e para os próprios magistrados que não vêem o seu esforço traduzido nos resultados”, observou. “Não tenho dúvidas de que o número de magistrados do MP continua a ser insuficiente e de
que é necessária uma profunda revisão do sistema para que o MP possa desempenhar em pleno as funções que lhe são cometidas”, realçou Neto Valente, ao apontar que o sistema jurídico não depende apenas do bom funcionamento dos tribunais. Aos tribunais, continuou, “são levados os processos com incidência criminal, os litígios civis e também a conflitualidade de cidadãos com os departamentos da Administração Pública”, sendo que, neste capítulo, se tem “constatado um aumento das dificuldades dos cidadãos - incluindo os advogados - no relacionamento com serviços públicos”. “É confrangedora a impreparação de muitos funcionários que não dominam minimamente o Código do Procedimento Administrativo e dificultam a vida quotidiana de quem recorre aos serviços”, disse Neto Valente, apontando que, a isso, “acresce a qualidade de alguns responsáveis que não assumem as suas responsabilidades e não tomam decisões que lhes compete tomar para evitar
SAM HOU FAI FALA EM MUDANÇA DA LEI DE BASES DA ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA
“Judicialização da política” O presidente do Tribunal de Última Instância de Macau, Sam Hou Fai, referiu ontem existirem “pressões” e “influências” exercidas sobre os órgãos judiciais em determinados processos e para “uma tendência de judicialização da política” no território. Nos últimos anos, segundo apontou Sam Hou Fai, com a entrada e julgamento de certos processos envolvendo “questões socialmente sensíveis”, “avultados interesses económicos e outros com amplas implicações, começaram a surgir pessoas que, dentro ou até fora da RAEM, por motivos ou considerações diversas e de diferentes formas, exerceram publicamente pressões ou influências sobre os órgãos judiciais”. A advertência foi deixada durante o discurso que proferiu na sessão solene de abertura do ano judiciário 2013/2014, ocasião aproveitada para “chamar especial atenção de todos para este sinal ou fenómeno inicial”.
No seu discurso, o presidente do Tribunal de Última Instância (TUI) destacou também um outro “fenómeno” que “já entrou num estado embrionário em Macau”: “Uma certa tendência de judicialização da política”. “Há pessoas que pretendem resolver as questões puramente políticas por via judicial e outras que a cada instante ameaçam interpor recurso aos tribunais ou recorrer à Justiça para exercer pressões ou influências sobre o Governo”, observou, defendendo tratar-se de uma situação que “merece uma referência especial e a atenção de todos”. Neste sentido, Sam Hou Fai fez um apelo para que os juízes e funcionários de justiça de todas as instâncias desempenhem as suas funções com “honestidade e lealdade”, “rejeitando categoricamente toda a espécie de seduções, perturbações e quaisquer formas de pressão ou influência”. Sam Hou Fai considerou ainda que os tribunais “man-
tiveram um bom funcionamento” no ano judiciário transacto - com um total de 17.323 processos entrados, 17.106 findos e 8.052 pendentes nas várias instâncias. O número de pendentes encontra-se “basicamente no mesmo nível do ano judiciário anterior”, mas “estou convicto de que, com a tomada de posse dos novos magistrados judiciais e o aumento do número dos juízes do Tribunal de Segunda Instância, o volume de pendentes nas três instâncias vai descer”, frisou. Sam Hou Fai observou, por outro lado, que “o número de processos-crime continuou a subir, especialmente os de maior gravidade”, o que, a seu ver, mostra não haver razões para optimismos relativamente à segurança em Macau. “Os processos ligados ao jogo ainda permanecem em número elevado” e, ao nível da criminalidade tradicional, o tráfico de droga, falsificação de cartões de crédito ou notas
e furto continuam a ser a maioria, disse, constatando a “evidente tendência de aumento de crimes trans-regionais e de praticados por estrangeiros”, razão pela qual há “necessidade de acelerar a cooperação judiciária internacional e inter-regional em matéria penal”. Apesar de confiante na resolução, em grande medida, de parte dos problemas existentes - designadamente com o recente anúncio da abertura do concurso público da empreitada de construção das instalações provisórias do Tribunal Judicial de Base, que actualmente funciona num edifício comercial -, o presidente do TUI disse ainda esperar mais. “Espero que o Governo promova, com firmeza e em conjunto com os órgãos legislativos, a alteração da Lei de Bases de Organização Judiciária”, levando ainda “adiante o aperfeiçoamento do funcionamento do sistema judicial”.
recursos hierárquicos ou contenciosos”. “Se os tribunais forem eficientes, poderão, com a sua jurisprudência, ajudar a elevar o nível de funcionamento dos serviços públicos, numa Administração que tem abundantes recursos materiais, mas que precisa de melhorar os seus recursos humanos”, aditou. Apesar de ter agradecido ao Governo pelo apoio à Associação dos Advogados - que conta com 281 inscritos, dos quais mais de 90 de língua materna chinesa -, Neto Valente assinalou uma “excepção”. “Tenho, todavia, de fazer uma excepção, quanto à recente revisão da tabela de honorários do patrocínio oficioso, que havia sido aprovada em Abril, com a nossa concordância, ao fim de 16 anos de vigência”, a qual foi revista, em Setembro, “sem que a AAM tivesse sido ouvida, “com significativa redução de montantes, regressando praticamente ao nível” da anterior. Trata-se de “repor um equilíbrio” e “uma questão de dignidade e respeito pela profissão”, rematou. - Lusa
TJB deverá estar pronto em 2016 RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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S obras de construção do novo Tribunal Judicial de Base, que irá nascer junto ao Lago Sai Van, num terreno ao lado da Avenida Doutor Stanley Ho,pode ainda arrancar na segunda metade deste ano uma vez que foi lançado o concurso público para a empreitada. A empresa escolhida deverá depois concluir o projecto assinado pelo arquitecto Carlos Couto no prazo de cerca de dois anos e dois meses (810 dias). Os detalhes foram conhecidos num anúncio assinado pelo director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), Jaime Carion, publicado em Boletim Oficial na passada quarta-feira. Em Maio do ano passado, a DSSOPT avançou ao JTM que as obras deveriam arrancar a partir de Julho deste ano, na mesma altura em que adiantou também o nome do CC
Ateliê de Arquitectura do arquitecto português Carlos Couto - como o projectista do novo Tribunal Judicial de Base, escolhido através de um concurso limitado. Conhecido agora o calendário para execução da obra, o HM estima que o novo edifício, junto do posto de bombeiros, deverá estar concluído em 2018. A data da entrega das propostas está marcada para dia 14 de Novembro. O acto público para abertura destas foi traçado para o dia seguinte. Não se sabe, porém, quanto tempo está previsto para a avaliação das propostas e quando exactamente irá arrancar a empreitada. Não há preço base mas existem critérios para apreciação das propostas, sendo o orçamento da obra o de maior peso (60%). Os factores seguintes são, por ordem crescente de relevância: a experiência e qualidade em obras, a integridade e honestidade e o plano de trabalhos.
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ÁGUA AUMENTO DO CONSUMO EM 2012 FICOU A DEVER-SE AOS NOVOS HOTÉIS E CASINOS
Economia favorável pode trazer mais gastos A construção de grandes empreendimentos, por um lado, e o consumo dos hotéis e casinos já existentes, nomeadamente na zona do Cotai, favoreceu a subida do consumo total de água em 6,7%. Susana Wong, directora da DSAMA, antevê maiores subidas “nos próximos anos” RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
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M 2012, o consumo total de água aumentou 6,7%. Um valor acima do verificado no ano anterior (5%). A subida destaca-se face ao aumento anual médio de 3,5% registado nos últimos dez anos. Porém, as novidades estão na nova estrutura do consumo de água dividida por sectores. Pela primeira vez, a actividade comercial - onde se incluem hotéis e casinos - é o campo de maior consumo (45%) e o sector industrial regista este ano o aumento mais elevado. Os resultados não surpreendem o Grupo de Trabalho para a Construção de uma Sociedade Economizadora de Água que ontem apresentou o seu segundo relatório sobre a água em Macau. “Estava de acordo com a nossa previsão porque vemos que a situação económica e o facto de haver mais turistas, explica o aumento do consumo. Há mais actividade económica em Macau. Há mais casinos e hotéis. E, portanto, essa faixa vai subir ainda nos próximos anos”, salienta Susana Wong, responsável máxima da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA). A verdade é que já o Relatório de Sustentabilidade da Macao Water relativo a 2011, e apresentado em
Dezembro do ano passado, dava conta de um aumento do consumo de seis por cento. O sector comercial passou então a ocupar o maior peso na estrutura de clientes da companhia de água. O mesmo relatório afiançava também que o consumo de água pode aumentar 20% até 2016. Nos dados ontem divulgados, o consumo industrial de água em 2012 ocupa a maior parte do acréscimo, em 11,3%, acima do consumo comercial, devido sobretudo aos projectos de construção dos casinos - observado especialmente no terceiro trimestre de 2012. O consumo industrial (6%), subindo mais de 10%, ficou muito distante do consumo doméstico (43%), com uma subida acima dos 10% também. Mais atrás, ficaram o consumo industrial e o consumo público de água. Ambos representaram fatias de 6% na estrutura da despesa de água no ano passado.
6,7%
representa o aumento do consumo
TERMINAL SERÁ ENTREGUE NO FIM DO ANO, ASSEGURA WONG O Terminal Marítimo do Pac On vai estar pronto em finais deste ano. A data era conhecida e não se altera, segundo Susana Wong. “Vamos esperar pelo Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) para entregar o terminal”, disse a directora da DSAM. Quanto a novas derrapagens orçamentais, que já ascendem a 300% acima do valor inicial estimado, Wong não adiantou números novos ao informar que tais dados são da competência do GDI. A actual previsão de orçamento está fixada em cerca de 3,2 mil milhões de patacas.
baixou dos 152 para 153 litros por pessoa por dia de 2011 para 2012, o que reflecte o aumento contínuo do uso eficiente da água. “Os residentes estão mais sensibilizados para a conservação da água, devido às nossas actividades e publicidades. Por isso, começámos a sensibilizar também os hotéis e escritórios”, afiançou a directora da DSAMA. No relatório sobre a água em Macau salienta-se também que o Governo arrancou vários projectos de poupança de água tendo conseguido uma poupança de 3,48 milhões de metros cúbicos das águas canalizadas no período de um ano, representando 5% do
total do consumo anual de água. Um dos quais é o plano de bonificação nas tarifas de água que fossem economizadas 1,5 milhões de metros cúbicos de água devido à meta atingida por 31 mil utentes domésticos e comerciais. Entre Outubro deste ano e Março do próximo, os residentes que reduzam água entre 10 a 30% do período homólogo do ano passado, podem ganhar tarifas bonificadas entre as 30 e as 250 patacas.
RECICLAGEM DE ÁGUA EM ESPERA
Outra das formas de poupar água (entre 20 a 30%) passa pela utilização da água reciclada. Medida que se destina a minimizar a de-
pendência de Macau da importação de água ao continente. Mas, nesse campo, onde se coordenam os DSAMA com a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), não há muitas novidades. Seac Pai Van e o novo campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha vão ter abastecimento de água reciclada - a canalização já está instalada - em “finais de 2015”. “A responsabilidade é dos DSPA. E, de acordo, com as estimativas deles a planta estará pronta em finais de 2015. [Quando a construção de uma estação de água reciclada na ETAR de Coloane estiver pronta] vai fornecer tanto Seac Pai Van como a Ilha da Montanha. Se houver mais necessidade pode-se aumentar o volume da planta e também reabastecer algumas partes do Cotai mas talvez só depois de 2015 porque a primeira fase não será suficiente para todos”, adianta Susana Wong. O “desafio”, explica a responsável, é “explorar mais métodos” para reduzir a dependência face ao continente. Sobre as reservas de água, nos reservatórios da China, nomeadamente, junto à nascente e à foz do Rio das Pérolas, o grupo de trabalho fez saber que “a situação é positiva” embora com algumas cautelas. Isto porque os reservatórios a norte não estão cheios mas a menos de metade e só os do sul - em Guangxi e Guangdong - estão no máximo da capacidade devido à recente precipitação. “Com essa situação estimamos que a situação poderá ser positiva mas com reservas”, frisou Susana Wong. “Se usarmos os reservatórios todos antes do ano novo chinês então não conseguimos libertar mais água de montante para jusante. Mas também de acordo com a comissão do Rio das Pérolas já há um plano para situações de limite para minimizar o risco”, garantiu. De resto, a responsável deixou claro que a Macau não faltará água devido ao “apoio do Governo Central e de todas as províncias vizinhas”.
total de água
Por sua vez, a justificação para o aumento do consumo doméstico (3,6%) prende-se com o aumento demográfico sentido no ano passado, sendo que 2012 quebrou a tendência de decréscimo em 2010 e 2011.
MAIOR CONSCIENCIALIZAÇÃO, MAIORES GANHOS
Mas o consumo diário de água per capita continuou a cair, ou seja,
Detida sócia do New Century por burla
A ex-mulher de Ng Wai, ou Kai Sze Wai, foi detida pelas autoridades de Macau devido a uma burla de 300 milhões de dólares de Hong Kong. O caso está relacionado com a disputa entre os dois responsáveis dos empreendimentos New Century Hotel e o casino Greek Mithology. Chen Mei Huan, que entretanto já saiu sob fiança, terá ficado a dever dinheiro a mais de 30 investidores de Macau e da China e terá sido um dos credores que fez queixa ao Supremo Tribunal de Hong Kong, de acordo com a imprensa chinesa. A mulher foi detida quando tentava sair do território de helicóptero e já deixou, agora, Macau. Recorde-se que a disputa entre Ng Wai e Chen Mei Huan levou a que o casino fechasse portas por alguns dias. Kai Sze Wai também foi agredido o ano passado violentamente dentro do hotel que geria.
sociedade 7
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JOANA FREITAS
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O
S cheques anuais podem ser culpados pelo agravamento da inflação no território. A conclusão é retirada por Chua Yee Hong, estudante de Doutoramento do Departamento do Governo e Administração Pública e Relações Internacionais da Universidade de Macau. Num artigo publicado na última revista da Administração Pública, uma análise à “Utilização e Planeamento das Finanças Públicas de Macau nos últimos anos” aponta os principais factores para as altas taxas de inflação que atingem Macau. Já é do conhecimento público que o termos de importar bens alimentares do exterior, por exemplo, é um dos factores que mais contribuem para a inflação que, este ano, já atingiu mais de 5,5%. No entanto, Chua Yee Hong considera que o plano de comparticipação pecuniária tem as suas culpas no cartório. “É um dos culpados pelo agravamento da inflação”, começa por dizer. “Tem sido uma questão económica politizada. Em termos de questões económicas ou de subsistência, o compromisso político é conveniente a curto prazo, não sendo uma solução sustentável a longo prazo.” O doutorando explica que, apesar dos cheques, os restantes problemas económicos ficam por resolver e a criação deste sistema pode originar graves situações: primeiro, se as finanças públicas não conseguirem continuar a gerar dinheiro que providencie cheques, haverá impactos negativos da sociedade. Segundo, muitas classes sociais são negativamente dependentes dos cheques, fazendo com que suba a tendência de desejo de obtenção de bens de luxo. Terceiro, a oferta de cheques para estimular a economia pode não funcionar, uma vez que o dinheiro não tem obrigatoriamente de ficar em Macau para o consumo, poupança ou investimento. “É muito provável que surjam mais MOP – ou conversões em dólares de Hong Kong ou yuan – a fluir para sistemas externos.”
DINHEIRO COMO FERRAMENTA
Para que se perceba, Chua Yee Hong começa por explicar que, à partida, os
ECONOMIA MACAU TEM MÁ GESTÃO FINANCEIRA, DIZ DOUTORANDO DA UMAC EM ARTIGO DA REVISTA DA ADMINISTRAÇÃO
O dinheiro como política
Os cheques pecuniários podem elevar a inflação, as receitas excessivas dos casinos podem ser más e há falta de transparência na gestão financeira da RAEM. As opiniões são de um doutorando da UMAC, que analisa a economia do território num artigo da última revista da Administração e Função Pública cheques pecuniários não existiriam, caso o Governo da RAEM não tivesse “garantias de confiança” - ou excedente fiscal - na sua economia. Ao ter, contudo, e ao fazer uso desse excedente para oferecer dinheiro pode estar a caminhar por lugares perigosos. “Se perderem o acesso ao plano de comparticipação pecuniária, muitos residentes de Macau podem ter um comportamento desviante, [pode] agravar-se a criminalidade. O desenvolvimento económico sustentável de Macau pode trazer graves problemas sociais, cujas consequências podem não
ser menores que a intenção original do Governo com este plano.” As críticas na sociedade, especialmente da parte de deputados, são comuns no que toca a esta oferta de dinheiro. Além de partilharem da opinião de Chua Yee Hong, de que os cheques tornam a população inerte, muitos acusam também o Governo de entregar dinheiro para evitar manifestações ou oposições políticas. Então, mas para que poderiam ser utilizado os mais de cinco milhões de patacas gastos em cheques para a população? “Se o Governo investir [esse dinheiro] na criação de
INCOMPARÁVEL A economia de Macau não pode ser comparada com as ocidentais, uma vez que tem especificidades a que a RAEM já nos habituou, como é o caso do apoio constante empresas para tentar expandir o mercado de Macau, não tem dívida pública – logo não emite títulos -, não tem despesas com defesa e, obviamente, sobrevive das receitas do jogo.
um ambiente e condições de negócio melhores, as suas funções políticas e benefícios económicos seriam melhor destacadas. (...) O mercado local é pequeno e o seu crescimento é considerado não significativo”, revela o doutorando, acusando ainda o Executivo de raramente fazer uso da “teoria financeira e da teoria económica da ciência” para lidar com problemas, como o mercado aberto ou uma ferramenta para ajustar a liquidez.
RECEITAS EXCESSIVAS
Macau tem sido, refere o académico, uma economia de ilha, “aberta e altamente dependente da entrada de fundos e recursos”. Sozinho, Macau alimenta-se quase na sua maioria das receitas do jogo, o que já não é novidade. “O desenvolvimento da indústria levou à centralização da estrutura económica, fazendo com que Macau lide com a ‘doença holandesa da economia’.” Isto significa o desaparecimento de outros sectores, como resultado da expansão de apenas um. Mas o que faz o Governo da RAEM de errado para que se viva numa economia com problemas, apesar de aparentar ser perfeita? “O desempenho recente do crescimento económico indica que a economia experimenta um sobreaquecimento”, considera Hong. “As finanças públicas são altamente dependentes de fontes directas de receitas
da indústria dos jogos e a sua proporção excessiva é a causa da instabilidade financeira de Macau. Por causa da vulnerabilidade devido ao excesso de confiança no jogo e impostos directos, existe um problema estrutural nos resultados financeiros.” Só este ano, de acordo com dados ainda provisórios dos Serviços de Estatísticas e Censos, as receitas brutas do sector do jogo representaram 83,22% das receitas totais da administração, 85% das receitas correntes e 97,65% dos impostos directos cobrados. Números que, como mostra o documento analisado pelo HM, podem ser assustadores. “A falta de recursos naturais e a economia autónoma – sem produção industrial, sem agricultura e a contar só com o apoio do jogo, do turismo e do comércio e de
facto de estarmos dependentes do continente – por exemplo, sobrevivendo a crises, como a de 2008, devido ao acordo CEPA e às excursões dos turistas da China continental – Chua Yee Hong traz críticas à forma como o Governo rege as finanças públicas. “Sempre tiveram falta de transparência”, escreve no documento a que o HM teve acesso. “Isso aumenta a dificuldade de gestão financeira. A Administração devia ter, a longo prazo, o objectivo da diversificação das receitas (...), devia insistir em negócios sustentáveis para o bem-estar da sociedade como um todo e isso não é um serviço para grupos de interesses específicos num sistema económico altamente capitalista.” Mas, a análise não se fica por aqui. Há mais pontos levantados por Hong, que mostram que, um dos principais problemas da RAEM, é a coordenação de políticas. Exemplificando, a política de redução de impostos automóveis não está de acordo com as políticas ambientais, já que leva a que piore a poluição ambiental e, conse-
PRINCIPAIS RECEITAS DE MACAU, SEGUNDO O ESTUDO • Impostos directos sobre o jogo (na proporção de milhões de patacas) • Impostos sobre as empresas • Imposto profissional • Imposto de habitação • Imposto de Renda Suplementar • Imposto de Turismo • Imposto de Selo • Imposto de Consumo
serviços centralizados no jogo – prova que existe um grau de interdependência. Se houver problemas na indústria do jogo que levem a uma reacção em cadeia, haverá estagnação do crescimento económico.” Como sugestão para resolver uma economia aquecida, Hong deixa a ideia que deveria existir uma política monetária mais restritiva. Para isso, contudo, seria necessário aumentar impostos e cortar despesas públicas.
POLÍTICAS PROBLEMÁTICAS
Além de problemas relacionados com as taxas de câmbio do renmimbi – que disparam a inflação – e do
quentemente, se gaste nisso mais dinheiro. O plano de comparticipação pecuniária e o aumento dos subsídios não resolve o problema da inflação, mas aumenta as despesas do Governo Contudo, a ‘culpa’ não se pode atribuir apenas ao Governo. Os residentes de Macau estão habituados a um consumo externo: viajam mais para o exterior, importam mais do exterior e compram mais no exterior. “Isto resulta num grande número de patacas que desaparecem para fora do território e reduz a escala da economia do sector de serviços locais e da demanda efectiva do mercado.”
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MIF
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O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu que as indústrias culturais estão na MIF com “uma forte presença”, enquanto que Chui Sai On reuniu com diplomatas dos países lusófonos
GOVERNO DE MACAU EM PESO NA ABERTURA DA 18.ª MIF
Cultura e lusofonia, os ingredientes habituais
CHUI E A LUSOFONIA
Durante a manhã de ontem, Chui Sai On também passou pelo Venetian onde se reuniu com Jorge Torres Pereira, embaixador de Portugal em Pequim, e com Valdemar Carneiro Leão, homólogo do Brasil. Fu Ziying, vice-governador da província de Jiangsu, também esteve presente. Foi dada “extrema importância às relações entre a China, os países de língua portuguesa e Macau, bem como aos investimentos da China em Portugal.” Torres Pereira disse ainda “esperar que Portugal aproveite esta ligação e se empenhe em desenvolver a sua economia nacional. Entretanto, o embaixador do Brasil em Pequim, Valdemar Carneiro Leão, disse que a última vez que esteve em Macau foi em 1982 e que neste seu regresso deparou-se com imensas mudanças no território. Louvou a história e a cultura local, elogiando os trabalhos de preservação do património português. Relativamente ao turismo, considera que a história e a cultura de Macau são valiosas e que são dignas de ser admiradas e visitadas pelos turistas. Do lado do Chefe do Executivo, ficou a promessa de manter a plataforma para o mercado lusófono, bem como as relações com os países da CPLP ao nível comercial.
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
E
STÁ lá o pavilhão de Portugal reforçado com mais empresas, o espaço com produtos culturais “Made in Macao”, ou outro dedicado às Pequenas e Médias Empresas locais. São estes os ingredientes habituais que compõem mais uma edição da Feira Internacional de Macau (MIF). Segundo um comunicado oficial Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, garantiu que “o sector cultural do território participa na MIF com uma forte presença, demonstrando que o sector está confiante nas perspectivas para a indústria”. “O Governo da RAEM espera, através de diferentes políticas e medidas e em cooperação com o sector, poder melhorar o desenvolvimento da indústria cultural em Macau”, pode ainda ler-se. À margem da visita a alguns pavilhões, Cheong U garantiu aos jornalistas que está concluída a apreciação do regulamento
A
Secretária de Estado para o Apoio e Promoção do Sector Privado de Timor-Leste garantiu ao HM que a aposta para a MIF passa cada vez pelas PME. Quais as expectativas sobre a participação de Timor-Leste no pavilhão do Fórum Macau? Já participamos duas vezes neste evento, sendo que a primeira vez foi o ano passado. Trazemos os nossos produtos, principalmente o que são feitos com matéria-prima de bambu. Contamos com a participação em eventos internacionais para mostrarmos mais os nossos produtos como o café de Timor e outros produtos mais locais, nomeadamente a produção de sabão. Espero que no
VENERANDA LEMOS, SECRETÁRIA DE ESTADO, AO HM
“Empresários de Timor não têm financiamento” futuro possamos fazer com que as Pequenas e Médias Empresas (PME) de outras indústrias de qualidade possam participar. Da minha parte, eu agradeço o convite para este evento. Este ano o Fórum Macau celebra dez anos. A estratégia de cooperação está a correr bem? Sim. Fazemos parte deste Fórum e a nossa cooperação com Macau e China é muito importante. No próximo mês
administrativo sobre o Fundo de Apoio às Indústrias Culturais, tal como o HM já tinha noticiado. Com uma base de 200 milhões de patacas, vai “criar condições mais favoráveis para incentivar as pessoas envolvidas em trabalhos culturais a elevar a qualidade e transformá-los em projectos de indústrias criativas, no sentido de promover a diversificação adequada da economia.”
de Novembro vou levar comigo dez empresários para a 4.ª Conferência Ministerial analisar a cooperação com a China e Macau em especial. Tudo para a cooperação de negócios e para o bem-estar do nosso povo. Tutela a área do investimento privado... Tutelo quatro instituições, uma ligada ao licenciamento do investimento, e outra de apoio ao empresário. Temos ainda o centro de bambu,
uma espécie de empresa pública de produção de bambu, e ainda o Banco Nacional do Comércio.
Quais os números de empresários timorenses na China, e vice-versa? Investidores chineses em Timor-Leste há muitos. Não tenho um número certo, mas há vários que estão a investir, sendo que a maioria o faz na área do turismo, hotelaria e restaurantes. Mas no sector produtivo ainda não. Lembro-me que há um investidor chinês na área da pesca, ao qual a nos-
sa equipa está a dar o apoio necessário para que possa melhorar mais e transmitir a sua experiência aos nossos empresários. O financiamento é ainda uma dificuldade. Como todos sabem Timor-Leste é uma jovem nação e nós precisamos de cooperações que dêem capacitação aos nossos empresários. Em Timor eles ainda não têm acesso ao financiamento para fazer todos os esforços. O novo fundo financeiro do Fórum Macau é, assim, importante. Tanto, tanto, muito importante. É por isso que temos essa relação com o Fórum Macau para poder reforçar a nossa participação. – A.S.S.
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EMPRESAS ESTREANTES COM EXPECTATIVAS ELEVADAS
“Ninguém pode desprezar este mercado” no sentido mais correcto para que as empresas possam atingir os seus objectivos comerciais”.
SALSICHAS E CONGELADOS
A 18.ª Feira Internacional de Macau promete ser a mais lusófona de sempre, com cerca de 80 expositores a falar o idioma de Camões. Há muitas empresas portuguesas estreantes. O HM falou com quatro e todas buscam o sonho dourado no mercado chinês, de Macau e Hong Kong ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
diplomacia portuguesa virada para o sector empresarial está a funcionar? Sim. Há uma melhor estratégia de marketing para promover o que se faz em Portugal? Também. São as conclusões de quatro empresários estreantes na Feira Internacional de Macau (MIF), cuja 18.ª edição teve ontem inicio.
Alguns ainda não têm qualquer presença nestas regiões da Ásia, enquanto outros, como é o caso de Thomaz de Lima Mayer, aproveitam reuniões com fornecedores chineses. Para o dono dos vinhos Lima Mayer, a MIF acabou por ser um bom acaso. “Os meus produtos são muito bons, portanto penso que esta feira possa pôr os meus produtos com o tal mercado que é muito bom. Tenho muitas expectativas.”
Com presenças em Pequim, Xangai, Hong Kong e Macau, Thomaz de Lima Mayer quer “dinamizar” a rede que já possui. E não tem dúvidas de que “ninguém pode desprezar este mercado com esta dimensão”. “Estamos no segmento de vinhos de alta qualidade e acho que o mercado chinês está muito receptivo a este tipo de produtos”, disse ao HM. Mas há um problema. “Desde a perspectiva à concretização do negócio as coisas arrastam-se muito, e tem de se vir cá muitas vezes.” No ano dos dez anos do Fórum Macau e de uma MIF mais lusófona, Thomaz de Lima Mayer considera que a presença das empresas portuguesas e da estratégia “podia ser melhor”, apesar de elogiar o que já se fez. “Temos de ser conscientes e saber os poucos recursos que o nosso país tem, e que não se pode competir com outros, como
EMBAIXADOR DISSE HAVER “POUCA COMPLEMENTARIDADE”
Espanha e França, que têm verbas muitíssimo superiores e que conseguem fazer um trabalho melhor. Mas temos de fazer nós, com o que podemos.” Rui Rodrigues, gestor de exportações do Continente, não duvida de que “a própria diplomacia tem funcionado e estamos a caminhar
VÍTOR SERENO ESTEVE NA MIF Apontado como o novo representante de Portugal junto do Fórum Macau, Vítor Sereno, cônsul-geral de Portugal em Macau, marcou presença na abertura da MIF e esteve no pavilhão do Fórum Macau, juntamente com outros embaixadores dos países cooperantes da entidade.
Cabo Verde “sem ninguém” na MIF A
18.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF) teve ontem inicio com a garantia de ser uma das maiores em termos de representação lusófona, mas essa dimensão ainda não chegou a Cabo Verde, um dos países em representação no pavilhão do Fórum Macau. “Infelizmente (a presença do país) não está maior, não temos ninguém. Somos sobretudo uma economia de serviços, e Macau também o é. De certa forma nessas áreas tem havido, até agora, poucas margens de complementaridade”, disse Júlio Morais, embaixador de Cabo Verde em Pequim, ao HM. Para já, esse reforço pode
acontecer na próxima 4.ª Conferência Ministerial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a acontecer em Novembro. “Estamos a trabalhar nesse sentido e temos uma grande delegação de 15 empresários que vem agora para a 4.ª Conferência Ministerial, no sentido de começarmos a explorar as primeiras oportunidades. Estamos com expectativas bastante altas.”
FINANCIAMENTO POR CONCRETIZAR
No evento que também celebra dez anos de Fórum Macau, Júlio Morais não tem dúvidas de que “estamos a ver os frutos”. “Pelo que me apercebi há mais stands
dos países de língua portuguesa, portanto é um bom sinal. Os dez anos do Fórum serviram para promover os nossos países aqui, mas temos muito mais que fazer.” Esse mais passa pela existência de “um instrumento financeiro para os grandes projectos dos nossos países”. A existência do fundo de cooperação para o investimento criado por Pequim, e concretizado o ano passado, vem nesse sentido. “Estamos com expectativas em relação a isso. A área dos produtos que o fundo financia é bastante aberta, e trata-se de uma oportunidade para que a cooperação atinja outros patamares.” – A.S.S.
As cerca de 80 empresas portuguesas na MIF vieram a convite da Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC) e da Associação Industrial Portuguesa (AIP), responsáveis pela organização do pavilhão de Portugal. Ao contrário da Lima Mayer, o Continente é um completo estreante. “É a primeira abordagem que fazemos ao mercado macaense e à participação na MIF. Iniciámos o projecto de internacionalização recentemente e a perspectiva seria abordar o mercado de Macau e de Hong Kong e promover o melhor de Portugal”, disse ao HM Rui Rodrigues, gestor de exportações. Mas a abertura de um hipermercado da marca não está nos planos da empresa. “Trabalhamos numa óptica de exportação e estamos à procura de importadores e distribuidores alimentares.” Também Mário Arvana resolveu, pela primeira vez, mostrar a Salsicharia Estremocense aos chineses. “Vamos tentar apostar em outros mercados de língua portuguesa, como é o caso de Macau, Moçambique, Angola. Escolhemos a MIF porque é uma feira reconhecida internacionalmente e vamos ver como corre. Esperamos estar cá para o ano.” Sem presença no mercado chinês, mas com “alguns clientes interessados”, Mário Arvana espera que a diplomacia empresarial portuguesa continue a correr “melhor do que está a correr”. “Espero que as sinergias se conjuguem e possamos fazer boas parcerias futuramente.”
O MARKETING CHEGOU
Se Mário traz enchidos a Macau, Alexander Martins traz congelados. O director comercial da ASA Congelados defende que a estratégia de marketing para a internacionalização dos produtos portugueses está cimentada. “O português, a nível mundial, é conhecido como tendo produtos de referência”, disse ao HM. A ASA Congelados começou a internacionalizar-se há três anos e agora chegou a hora da China. “Vale a pena vir à MIF. Vimos que era um mercado que ia ter alguma influência para a nossa empresa. Quisemos entrar na parte de Macau e da China e estamos interessados há muito tempo. É um projecto a longo prazo e aproveitamos esta oportunidade.”
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CHINA
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AUTORIDADES DE SAÚDE DE TAIWAN APREENDERAM 2500 LITROS
Alegada adulteração de azeite espanhol A
S autoridades de saúde de Changhua, centro de Taiwan, registaram e colheram ontem amostras de azeite da empresa Chang Chi Foodstuff Factory Co., por suspeita de adulteração de azeite espanhol, foi anunciado. As autoridades de Taiwan
apreenderam 2.490 litros de azeite de oliveira oriundo de Espanha, matérias-primas e livros de contabilidade da empresa, para investigarem acusações de fraude e violação das leis de segurança alimentar. As amostras do alegado azeite puro de Espanha vendido sob a marca Tatung,
foram enviadas ao departamento de saúde pública da região de Changhua para serem examinadas. O presidente da empresa, Kao Cheng-li, foi interrogado e libertado sob fiança estando proibido de sair do país. Investigações preliminares indicam que o azeite vendido pela Tatung não é
perigoso para a saúde, mas está adulterado com a adição de outros azeites mais baratos. Exames de amostras do azeite da empresa Chang Chi realizadas em 2012 mostraram que o azeite não era puro, mas a empresa defendeu-se com uma contaminação no processo de engarrafamento e apenas foi multada.
Já em Março deste ano, foram feitas novas denúncias contra a companhia e o departamento de saúde pública realizou os seus próprios exames ao produto, que revelaram níveis anormais de acidez no azeite, embora em exames posteriores não tenham sido detectados quaisquer níveis anormais.
Taiwan é um potencial mercado do azeite espanhol devido ao aumento do consumo daquele produto e, além do azeite engarrafado em Espanha e vendido sob marca espanhola, outras companhias de Taiwan engarrafam o produto localmente e vendem-no com as suas próprias marcas.
LONDRES ABRE PARTICIPAÇÕES MAIORITÁRIAS CHINESAS EM CENTRAIS NUCLEARES
Mais investimento e mais emprego A Grã-Bretanha vai permitir que empresas chinesas assumam participações maioritárias em projectos de energia nuclear no país, anunciou ontem o ministro britânico das Finanças, George Osborne. O governante britânico anunciou a vontade do Reino Unido durante uma visita à central nuclear de Taishan, no sul da China, referiu o Governo britânico em comunicado após o fim da viagem do ministro em que foi assinado um acordo de cooperação nuclear civil entre os dois países. “É mais uma demonstração do próximo passo no relacionamento entre o Reino Unido e a China – entre o país que há mais tempo domina a tecnologia nuclear civil e o país que maior crescimento de tecnologia nuclear civil regista actualmente”, refere o ministro na nota divulgada.
Jovens são o principal grupo de consumidores de drogas Os jovens com menos de 25 anos tornaram-se o principal grupo de consumidores de drogas na China, disse esta quarta-feira, Li Guoqing, funcionário da Administração Geral da Supervisão de Alimentos e Medicamentos (AGSAM). Li disse em conferência de imprensa
que mais de metade dos consumidores de drogas em 2012 tinham menos de 25 anos, incluindo alguns adolescentes de ensino primário e médio. Em 2012, a taxa de consumidores de metanfetamina aumentou 14,9% em relação a 2008, acrescentou Li. A informação veio de um relatório de controlo
do uso de drogas na China em 2012, que revelou que as drogas sintéticas são as que atraem a maior parte dos novos consumidores. Li disse que o relatório também informa que o consumo de drogas médicas caiu consecutivamente nos últimos cinco anos, de 30% em 2008 para 8,2% em 2012.
Inicialmente, a Grã-Bretanha prefere participações minoritárias chinesas, mas com o passar do tempo e em novas centrais, podem vir a ser maioritários. O anúncio surge numa altura em que notícias dão conta que a China General Nuclear Power assinou com a francesa EDF um acordo para a construção de uma central nuclear em Hinkley Point, em Somerset, facto que o ministro defende como importante para o desenvolvimento da próxima geração nuclear no Reino Unido. “Significa mais potencial de investimento e criação de empregos no Reino Unido e, no longo prazo, preços mais baixos de energia para os consumidores”, acrescentou. A central de Taishan é uma joint-venture entre a China General Nuclear Power e a EDF.
Pequim abre investigação a presidente da Câmara de Nanquin por corrupção
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S autoridades chinesas abriram uma investigação ao presidente da Câmara da cidade de Nanquin, Ji Jianye, por “delitos económicos”, um eufemismo de corrupção, revelou ontem a Comissão de Disciplina do Partido Comunista. A investigação contra o dirigente da cidade capital da província de Jiangsu, que está detido, integra a campanha anti-corrupção desencadeada pelo Presidente chinês Xi Jinping, que prometeu lutar contra “moscas” e “tigres”, referindo-se aos níveis mais baixos e mais altos da hierarquia nacional. Segundo do Diário do Povo, o órgão oficial do Partido Comunista chinês, Ji Jianye, equiparado a vice-ministro, foi visto pela última vez em público na terça-feira quando participou numa reunião para discutir um projecto fluvial. Ji Jianye, de 56 anos, assumiu funções no município em 2009 e confirmou o posto em 2010. Antes tinha sido secretário-geral do Partido Comunista na cidade de Yangzhou, onde nasceu o antigo presidente chinês Jiang Zemin. Nanquin é um dos principais centros industriais da China e a detenção do seu líder municipal surge na sequência de outras encetadas pelas autoridades nacionais.
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IMPORTAÇÕES DE VINHOS PORTUGUESES TRIPLICARAM DESDE 2010
Um néctar que caiu no goto A S exportações de vinhos portugueses para a China triplicaram nos últimos três anos, somando cerca de 120 milhões de euros em 2012, e continuam a crescer, segundo contas das alfândegas chinesas citadas ontem à agência Lusa. No primeiro semestre de 2013, as vendas de vinhos portugueses para aquele país “atingiram as cerca de 85 milhões de patacas, o que indicia uma expectativa de crescimento de 40% para este ano”, realçou o delegado em Xangai da Agência para a Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Filipe Santos Costa. Filipe Santos Costa falava a propósito da feira do grupo Bright Food,
H7N9 NOVO CASO DA GRIPE DESDE AGOSTO
Homem em estado crítico A
China confirmou um novo caso da estirpe letal H7N9 da gripe aviária, o primeiro registo de uma infecção por este vírus divulgado desde Agosto, informou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um homem de 35 anos, de Shaoxing, na província de Zhejiang, leste da China, foi hospitalizado por causa do vírus e está em estado crítico, disse a OMS, entidade com sede em Genebra.
Zhejiang tem o número mais elevado de infecções de H7N9 na China. Um total de 45 pessoas morreu em decorrência da gripe H7N9, que era desconhecida em seres humanos até os primeiros casos serem detectados no começo deste ano. A OMS disse que até agora foi informada de um total de 136 casos de H7N9 confirmados por exames de laboratório, incluindo 45 mortes. Segundo um comu-
nicado da entidade, actualmente três pacientes estão hospitalizados e 88 tiveram alta, e não há nenhuma prova até ao momento de uma transmissão sustentada entre seres humanos. Embora tenham ocorrido poucos casos de infecção por H7N9 durante os meses de verão no Hemisfério Norte, após um surto em Abril, especialistas na gripe alertam que a ameaça representada pelo vírus continua a persistir.
considerada a maior empresa alimentar da China, com cerca de 4.000 lojas e supermercados, e que é propriedade do governo municipal de Xangai. O certame, que decorre até sábado com a participação exclusiva de empresas estabelecidas em Xangai, conta com quatro companhias portuguesas, duas das quais do sector dos vinhos (Enoport e Enoforum/Carmim). A Delta Café, através do seu importador, ligado a Bright Foods, e a SCIOKO, uma cadeia de restaurantes conhecida pelos cachorros-quentes, frango no churrasco e pastel de nata, lançada por jovens empresários no verão de 2012, estão também presentes. Considerada a “capital económica da China”, Xangai é a maior e mais cosmopolita cidade, com cerca de 23 milhões de habitantes. Em 2010, as exportações de vinhos portugueses para a China somaram apenas cerca de 55 milhões de patacas. “A explosão da população urbana em curso na China proporciona um grande mercado para os produtos de consumo portugueses”, realçou o delegado da AICEP em Xangai. A população urbana chinesa aumentou cerca de 25 milhões nos últimos dois anos, superando os 50% do total em 2011, e deverá continuar a crescer ao mesmo ritmo ao longo das próximas duas décadas.
Pequim saúda acordo no Congresso dos Estados Unidos
A China elogiou o acordo realizado pelos políticos norteamericanos para suspender o tecto da dívida e evitar uma possível insolvência. “Uma resolução adequada do relevante problema serve não só os interesses dos EUA, mas também a estabilidade económica mundial e o desenvolvimento. Congratulamo-nos pelos progressos para resolver esta relevante questão”, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying. A China possui cerca de 25 biliões de patacas em reservas internacionais e sofreria graves perdas se os EUA não conseguissem pagar aos credores, uma vez que grande parte das reservas está colocada na dívida norte-americana. Por outro lado, o porta-voz do Ministério do Comércio, Shen Danyang, disse que se os EUA não honrassem os seus compromissos haveria severas consequências para a economia global, com uma desvalorização do dólar afectando os sistemas financeiros globais.
Comércio Exportações chinesas devem aumentar até ao final do ano
As exportações da China devem aumentar modestamente nos três próximos meses, mas a procura insuficiente dos mercados emergentes deve representar um desafio para o governo chinês, informou o Ministério do Comércio do país. O porta-voz da pasta de comércio da China, Shen Danyang, disse que o crescimento das importações será sustentado pela estabilização das condições económicas domésticas e reiterou a confiança do seu governo de que o comércio vá crescer 8% neste ano. No final da semana, a administração aduaneira anunciou uma surpreendente queda de 0,3% nas exportações em Setembro em comparação com mesmo período do ano passado.
Missa de 30.º dia ANABELA MACHADO RIBEIRO Amigos da família, convidam todos quantos conheceram a Bélinha, a participarem na Missa de 30.º Dia, que será celebrada hoje, sexta-feira, dia 18 de Outubro, pelas 18 horas, na Sé Catedral de Macau.
PATRIMÓNIO
hoje macau sexta-
GONÇALO LOBO PINHEIRO
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Um desprezível mundo novo U M dos maiores problemas do restaurante Lvsitanvs foi sempre a proibição de qualquer anúncio porque entendem as autoridades que perturbava o património cultural. Contudo, no Largo do Senado é com total despudor que as firmas tapam o património com anúncios de vários tipos. Este largo foi-me descrito pelo escritor Amitav Gosh como sendo uma “pérola surpreendente”, um local onde Ásia e Europa se conjugam e entrelaçam num espaço único no mundo.
“Nunca imaginei ver nada assim”, dizia-me enquanto atravessávamos a praça, vindos das Ruínas de São Paulo. No entanto, algo triste, o laureado escritor acrescentou: “o pior são estes McDonalds e Starbucks que acabam por estragar esta paisagem única”. E não tinha ele ainda visto o pior. Quem passar agora por ali, constatará que proliferam os anúncios publicitários, como mostram as fotografias que hoje publicamos. Na verdade, é difícil explicar tanto desprezo por esta cidade, tanta incúria, tanta ignorância.
Como podem as nossas autoridades permitir este atentado ao património cultural? E como podem ficar calados os cidadãos? Que interesses ou desinteresses se movem por detrás destes crimes? Em Macau, ao invés de indústrias criativas, crescem as indústrias destrutivas, relacionadas com o dinheiro, o pechisbeque, a marca global. Os outros valores (culturais, históricos, de cidadania) são simplesmente abafados, esmagados, espezinhados, neste desprezível mundo novo. - C.M.J.
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VIDA
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MAPA CEREBRAL MOSTRA COMO IMAGINAÇÃO AJUDA A PRODUZIR UM ORGASMO
Fértil também no pensamento WILLIAM J. BROAD in New York Times
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UANDO ouvi falar pela primeira vez em orgasmos espontâneos, imaginei que isso fosse mais alegoria do que realidade e que estivesse além do alcance até mesmo dos mais ousados investigadores. Bom, eu estava errado. A ciência tacteia em torno do tema há mais de um século e ultimamente fez progressos consideráveis em determinar não só a base neurofisiológica do fenómeno como também sua prevalência. Investigadores da Universidade Rutgers, em Nova Jérsia, pediram a voluntárias que colocassem a sua cabeça dentro de máquinas e focassem a sua atenção em fantasias eróticas. Exames por imagem revelaram
que os centros cerebrais do prazer activavam-se de forma indistinguível dos de orgasmos quotidianos. Os cientistas, há muito tempo, que debatem o propósito do orgasmo feminino, que não desempenha papel directo na procriação. O orgasmo espontâneo parecia aprofundar o mistério. A nova pesquisa ilustra como sabemos realmente pouco sobre a fisiologia humana. As investigações começaram há mais de um século, quando os médicos descreveram o que alguns chamaram de coito psíquico. Em Manhattan, no Ambulatório e Hospital Metropolitano para Mulheres e Crianças, o médico-chefe T. J. McGillicuddy publicou em 1896 um estudo intitulado “Distúrbios Funcionais do Sistema Nervoso em Mulheres”. Ele dizia que os “orgasmos involuntários”
poderiam reduzir a energia vital da mulher e “causar melancolia e fraqueza mental”. Como cura, recomendava colchões duros e banhos frios de esponja. PUB
O estigma associado ao orgasmo espontâneo sumiu à medida que os investigadores começaram a ver o auto-erotismo como parte normal da experiência humana. O pioneiro médico britânico Havelock Ellis descreveu o estado contemplativo no seu importante estudo sobre o comportamento sexual, publicado em seis volumes entre 1897 e 1910. Na altura, disse que concentrar-se em imagens sexuais pode levar ao “orgasmo espontâneo em ambos os sexos, mesmo em pessoas normais”. Estudos do final da dé-
cada de 40 e do começo da de 50 do século passado por Alfred Kinsey, da Universidade de Indiana, desafiaram um estereótipo comum: que os homens chegam ao orgasmo mais facilmente que as mulheres. Agora a ciência está a sugerir que, para algumas mulheres, basta ter uma imaginação vívida. Em 1992, Gina Ogden, doutoranda do Instituto para o Estudo Avançado da Sexualidade Humana, em São Francisco, e o biólogo Barry Komisaruk, do campus de Newark da Rutgers, publicaram um estudo propondo “uma reavaliação da
natureza do orgasmo”. Eles estudaram dez mulheres que, apesar do ambiente laboratorial, atingiam o clímax sexual não só estimulando-se manualmente mas também entregando-se a imaginações eróticas. Os cientistas concluíram que ambos os estados resultavam em elevações da pressão arterial, do batimento cardíaco e da tolerância à dor. Na Rutgers, Komisaruk ampliou a pesquisa com exames cerebrais por imagens. Em 2003, confirmaram que os centros de prazer acendiam-se de forma mais ou menos idêntica se as mulheres atingissem o clímax sexual por estimulação manual ou por pensamentos eróticos. Em 2010, na reunião anual da Sociedade para a Neurociência, a equipe da Rutgers apresentou uma surpreendente conclusão que sugeria que os cientistas estavam a aproximar-se das origens do fenómeno. Segundo exames por imagem, as mulheres que simplesmente pensavam na estimulação dos seus seios e genitais activavam as áreas sensoriais cerebrais correspondentes. Ogden disse que a pesquisa provavelmente ampliará a definição aceite sobre a sexualidade feminina. “A pesquisa sexual por muito tempo menosprezou as mulheres ao lhes fazer perguntas erradas ou muito limitadas. Se simplesmente notarmos o que as pessoas estão a fazer, dizer e sentir, podemos fazer um trabalho melhor.”
Mutação genética acelera declínio cerebral em doentes de Alzheimer
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MA rara mutação genética associada à doença de Alzheimer foi descoberta como responsável pelo aceleramento da perda de tecido cerebral, conduzindo ao declínio mental, anunciaram investigadores na quarta-feira. Pessoas com a variante genética TREM2 perderam tecido cerebral duas vezes mais depressa do que pessoas saudáveis mais velhas, de acordo com a investigação publicada no «New England Journal of Medicine». «Este é o primeiro estudo com exames cerebrais para mostrar o que as variações genéticas fazem e é muito surpreendente», afirmou o co-autor Paul Thomp-
son, da Universidade do Sul da Califórnia. «Este gene acelera a perda cerebral de uma forma terrível», acrescentou. Thompson e os colegas fizeram exames de imagens de ressonâncias magnéticas em 478 adultos, com uma média etária de 76 anos, ao longo de dois anos. Descobriram que os portadores de mudanças genéticas perdem 1,4% a 3,3% mais de tecido cerebral do que os não portadores e que a deterioração ocorre duas vezes mais depressa. O tecido cerebral perdido estava concentrado nas zonas de memória central do cérebro, incluindo o lóbulo temporal
e o hipocampus. A variante TREM2 foi pela primeira vez descrita em Janeiro como uma mutação rara, existindo em cerca de 1% da população da América do Norte e da Europa, como podendo triplicar o risco de vida de uma pessoa com a doença de Alzheimer. Estudos subsequentes confirmaram a mutação associada também a pessoas negras. A mutação genética tem sido também associada a um aumento da doença de Parkinson e a uma rara forma de envelhecimento precoce do cérebro designado Nasu-Hakola.
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CONTINUAM POR PROVAR EFEITOS DO TELEMÓVEL NA SAÚDE
Sem relação de causalidade
A
exposição às ondas electromagnéticas emitidas por telemóveis e outros aparelhos podem causar alterações biológicas no organismo, mas os dados científicos disponíveis não mostram “efeitos comprovados” sobre a saúde, concluiu a agência sanitária francesa (Anses). Segundo um relatório publicado e baseado em mais de 300 estudos científicos divulgados a nível internacional desde 2009, “não existem provas de efeitos sobre a saúde” devido à exposição às ondas electromagnéticas dos telemóveis e outros aparelhos, mas sim “indícios de efeitos biológicos diversificados”. O estudo ressalva que um efeito biológico é uma modificação do organismo sem ser necessariamente uma patologia e aponta como exemplos de efeitos biológicos comuns a dilatação das pupilas com a luz ou a mudança de cor da pele após a exposição ao sol. No caso da exposição às ondas electromagnéticas, os efeitos biológicos constatados em humanos e animais estão relacionados com as capacidades cognitivas, perturbações do sono e fertilidade masculina.
A agência indica que não conseguiu “estabelecer uma relação de causalidade entre os efeitos biológicos descritos sobre homens e animais e eventuais efeitos sobre a saúde”. O relatório sublinha que continua também por demonstrar a relação de causalidade entre a exposição intensiva a estas ondas e um risco acrescido de tumores cerebrais, uma hipótese sustentada por alguns estudos publicados desde 2009. A Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha alertado em Maio de 2011 que o uso de telefones portáteis deveria ser considerado como “potencialmente cancerígeno para o homem”. Apesar de os efeitos sobre a saúde não estarem compro-
vados, a Anses recomenda a redução da exposição às ondas, em particular dos telemóveis, sobretudo por crianças e utilizadores intensivos. As dúvidas sobre os efeitos na saúde destas ondas avolumam-se com a disseminação em larga escala das tecnologias sem fios, nomeadamente com a chegada da 4G. As novas tecnologias são susceptíveis de aumentar a exposição da população geral, através das novas antenas, ou dos utilizadores, através dos novos equipamentos (smartphones, tabletes, etc.). Para Dominique Gombert, director de avaliação de riscos da Anses, um utilizador é considerado intensivo a partir de quarenta minutos de utilização quotidiana.
Peixe da Amazónia com blindagem antipiranha única no mundo Para resistir às implacáveis mordeduras das piranhas, o pirarucu, um peixe gigante da Amazónia, está equipado com um colete antidentes, duro no exterior e flexível no interior – revela agora um estudo sobre a estrutura das suas escamas realizado com raios X intensos. Segundo este estudo, publicado na última terça-feira na revista Nature Communications, as
escamas do Arapaima gigas, o nome científico do pirarucu, funcionam como uma armadura natural a vários níveis de defesa – “uma estrutura única”, que não fica atrás dos coletes de protecção dos militares e das forças de segurança. Esta “estrutura sofisticada” à base de “elementos biológicos simples” é o segredo da blindagem tão eficaz do pirarucu, concluem os cientistas.
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CULTURA
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ORQUESTRA GULBENKIAN PRESTIGIA FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DE MACAU
Espera de 14 anos valeu a pena MICHEL REIS
info@hojemacau.com.mo
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O dia 18 de Outubro de 1999, a Orquestra Gulbenkian (OG) dava início à sua participação no XIII Festival Internacional de Música de Macau, o derradeiro realizado sob Administração Portuguesa, apresentando na Igreja de S. Domingos, conjuntamente com o Coro Gulbenkian e sob a direcção do maestro Michel Corboz, o Requiem em Dó menor, op. 23 “À Memória de Camões” de João Domingos Bomtempo. Precisamente 14 anos depois, é também com uma obra de um compositor português que a orquestra, sob a direcção do seu novo Maestro Principal Paul McCreesh, abre hoje em Macau o concerto que dá início à sua terceira digressão pela China em cerca de quatro décadas, integrado no XXVII Festival Internacional de Música de Macau, a ter lugar pelas 20h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Macau. Do programa fazem parte as obras Duas Melodias para Orquestra de Cordas, op. 5 de Luís de Freitas Branco, o Concerto para Marimba e Orquestra de Cordas do compositor brasileiro Ney Rosauro e a Sinfonia No 9 em Mi menor, op. 95 “Do Novo Mundo” de Antonín Dvořák. No âmbito desta digressão, a orquestra actua amanhã no Teatro de Ópera de Guangzhou, e no dia 20 no Centro Nacional de Artes Performativas em Pequim. A OG
efectuou a sua primeira digressão na China em 1980 com o pianista Sequeira Costa. Considerada pela crítica internacional a melhor orquestra portuguesa e uma das melhores do sul da Europa, a OG, que comemorou 50 anos de vida em 2012, fez a sua primeira apresentação pública sob a designação Orquestra de Câmara Gulbenkian (constituída apenas por cordas e baixo contínuo) a 22 de Outubro de 1962, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Eram apenas 12 os elementos da orquestra nessa noite. No programa, Dança Sagrada e Dança Profana, de Claude Debussy. Esta formação foi sendo progressivamente alargada, contando hoje a OG (denominação adoptada desde 1971) com um efectivo de sessenta e seis instrumentistas, que pode ser pontualmente expandido de acordo com as exigências dos programas executados. Esta constituição permite à OG a abordagem interpretativa de um amplo repertório que abrange todo o período Clássico, uma parte significativa da literatura orquestral do século XIX e muita da música do século XX. Em cada temporada, a Orquestra realiza uma série regular de concertos no Grande Auditório Gulbenkian, em Lisboa - o qual se encontra actualmente a sofrer obras profundas de renovação e cuja reabertura está prevista para 15 de Fevereiro de 2014 -, em cujo âmbito tem tido ocasião de colaborar com alguns dos maiores nomes do mundo da música (maestros e
solistas), actuando igualmente em diversas localidades de Portugal, cumprindo desta forma uma significativa função descentralizadora. A OG encomenda ainda, em cada temporada, obras novas a compositores portugueses e estrangeiros. Iniciou este Verão a implementação de um projecto de uma academia de orquestra juvenil (Estágio Gulbenkian para Orquestra), visando introduzir os estudantes de música na vida orquestral. No plano internacional, por sua vez, a OG tem vindo a ampliar gradualmente a sua actividade, tendo até agora efectuado digressões na Europa, Ásia, África e Américas. Mais recentemente, apresentou-se no Festival Enescu (13 de Setembro de 2011) e visitou a Arménia pela primeira vez, onde deu dois concertos em Yerevan (15 e 16 de Setembro de 2013), em ambas as ocasiões sob a direcção do maestro Lawrence Foster. Efectuou também em Julho uma digressão na Alemanha. No plano discográfico, o nome da OG encontra-se associado às editoras Philips, Deutsche Grammophon, Hyperion, Teldec, Erato, entre outras, tendo esta sua actividade sido distinguida desde muito cedo com diversos prémios internacionais de grande prestígio. Entre os últimos projectos discográficos, refira-se a primeira gravação mundial do Requiem de Salieri e um registo com obras de Ligeti, Kodály e Bartók, assim como uma nova colaboração com a pianista chinesa
Sa Chen, editada em 2012 e, mais recentemente, uma gravação com a violinista Arabella Steinbacher editada já em 2013, todas elas sob a direcção do Maestro Lawrence Foster e para a Pentatone. A OG lançou ainda um disco dedicado ao público juvenil, que inclui as obras Pedro e o Lobo, de Prokofiev, O Carnaval dos Animais, de Saint Saëns e Guia da Orquestra para Jovens, de Britten, sob a direcção de Joana Carneiro, editado em 2011. Como parte das comemorações do seu 50.o aniversário, a OG gravou três CDs onde actuam como solistas instrumentistas da orquestra, sob a direcção de Lawrence Foster, Joana Carneiro (Maestrina Convidada desde 2006-07) e Pedro Neves (Maestro Convidado desde 2013-14). As comemorações da efeméride foram celebradas ao longo da temporada 2012-13 e incluíram muitas outras iniciativas, entre as quais concertos especiais e uma exposição. No ano em que comemorou meio século de existência, a OG recebeu a Medalha Municipal de Mérito, grau ouro, da Câmara Municipal de Lisboa. A atribuição da mais alta condecoração da autarquia pretendeu reconhecer o trabalho de uma orquestra que, nos últimos 50 anos, prestou à cidade de Lisboa “serviços de excepcional relevância”, levando à capital portuguesa “alguns dos nomes, maestros e solistas, mais proeminentes da cena musical internacional e nacional”. Na presente temporada (2013-
14), a Orquestra Gulbenkian tem um novo Maestro Principal, Paul McCreesh, que sucede a Lawrence Foster, e uma nova Maestrina Convidada Principal, Susanna Mälkki. McCreesh destacou-se com o seu trabalho com o Gabrieli Consort & Players, agrupamento que fundou e do qual é Director Artístico, tendo alcançado igualmente uma forte reputação no domínio da ópera. Ao longo de quinze anos, produziu para a Deutsche Grammophon uma relevante colecção discográfica que recebeu os mais importantes prémios da especialidade, tendo sido nomeado para os Prémios Grammy em 2010. McCreesh dedica ainda o seu tempo a jovens músicos, trabalhando regularmente com numerosos coros e orquestras juvenis internacionais. Terá agora a responsabilidade de conduzir os sessenta e seis instrumentistas da orquestra da Fundação presidida por Artur Santos Silva, num trabalho de “expansão do número de intérpretes”, que tem permitido apresentar versões mais próximas da concepção original de cada obra, de acordo com a direcção. Da programação da temporada 2013-14 da OG fazem parte nomes como Ton Koopman, Michel Corboz, Artur Pizarro, Grigory Sokolov, Katia e Marielle Labèque, Gustavo Dudamel, La Fura dels Baus, Nelson Freire, Quarteto Borodin, entre muitos outros. Esperemos não ter que esperar mais 14 anos pelo regresso deste tão prestigiado agrupamento a Macau. Bom concerto!
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‘CHEF’ HENRIQUE SÁ PESSOA NO FESTIVAL DE GASTRONOMIA E VINHOS DO CLUBE MILITAR
Sabores da “alma” O ‘chef’Henrique Sá Pessoa apresenta a partir de sábado em Macau três dezenas de “interpretações” pessoais da gastronomia portuguesa durante o Festival de Gastronomia e Vinhos do Clube Militar que se prolonga até ao final do mês. Com um leque de cerca de 30 pratos disponíveis, Henrique Sá Pessoa disse que está em Macau “com várias responsabilidades”. “É um desafio grande pelo nome e reputação que fomos criando e pela herança dos chefes que estiveram presentes noutros festivais”, disse Henrique Sá Pessoa em declarações à agência Lusa poucas horas depois de ter chegado a Macau, ainda com os sonos trocados, mas já depois de ter visitado os mercados locais para perceber como e onde serão adquiridos alguns dos produtos do certame. Entre folhados de queijo de cabra a vieiras com chouriço, para entradas, bacalhau com grão, lombinhos de porco preto acompanhados
de puré de maçã, entre os pratos principais, e arroz doce com maça caramelizada e moscatel ou um pudim de requeijão com doce de abóbora, Henrique Sá Pessoa espera que o menu variado seja do agrado de quem marcar mesa no Clube Militar. “Espero que venha a comunidade portuguesa até porque tendo eu um programa na televisão acaba por ser uma boa promoção e as pessoas podem ter curiosidade em experimentar esta minha interpretação da cozinha”, disse. Nos pratos que confecciona, Henrique Sá Pessoa, que viveu entre 1999 e 2002 em Sydney, na Austrália, garante colocar alguma influência desta região do mundo e explica que, por exemplo, na “sua” cataplana não faltam condimentos como a “erva príncipe, o gengibre ou a malagueta”. “Utilizo alguns ingredientes da nossa anterior riqueza trazendo-os de volta aos pratos tradicionais, conferindo sempre um toque pessoal aos
“FLORBELA” REPRESENTA PORTUGAL NO FESTIVAL DE CINEMA DA UE NA CHINA
Diversidade europeia a concurso O filme “Florbela”, de Vicente Alves do Ó, representará Portugal no 6.º Festival de Cinema da União Europeia na China, que decorrerá em Novembro em três cidades chinesas. Vinte e dois filmes de outros tantos países, todos produções recentes e com legendas em chinês, vão serão exibidos durante o certame, mostrando “a grande diversidade cultural da União Europeia”, anunciou a Delegação da União Europeia na China. O festival começa no dia 1 de Novembro em Pequim, com o filme irlandês “Pilgrim Hill”, do realizador Gerard Barrett, que estará presente na sessão inaugural, e prossegue até ao final do mês, em diversas salas da cidade. Além da capital, o festival será apresentado em Chengdu,
capital da província de Sichuan, no sudoeste da China, e em Shenzhen, a mais próspera Zona Económica Especial do país, adjacente a Hong Kong. “Florbela”, com Dalila Carmo no principal papel, foi dis-
tinguido no início de Outubro com seis prémios da Academia Portuguesa de Cinema, entre os quais Melhor Actriz e Melhor Realizador. O filme apresenta-se como “um retrato íntimo” da poetisa
Florbela Espanca (1894-1930), “num Portugal atordoado pelo fim da I Republica” (década de 1920). É a segunda longa-metragem de Vicente Alves do Ó, realizador e argumentista nascido em 1972.
pratos, uma interpretação individual da gastronomia que vai distinguindo todos os ‘chefs’”, disse. Com uma selecção de vinhos portugueses a acompanhar o festival, Henrique Sá Pessoa espera ver também sentados à mesa do Clube Militar pessoas que não sejam da comunidade portuguesa e para facilitar a divulgação das suas receitas tem até disponíveis para venda alguns exemplares em língua inglesa do seu último livro “Ingrediente secreto”. Além dos pratos disponíveis na carta, ao almoço será disponibilizado um ‘buffet’, com pratos mais tradicionais como o bacalhau com natas, entre outros. Henrique Sá Pessoa, que é responsável pela cozinha do restaurante lisboeta “Alma”, está em Macau acompanhado pelo seu assistente Dário Santos e participa na iniciativa do Clube Militar que já trouxe à cidade nomes como Vítor Sobral, Joaquim Figueiredo, Marco Gomes ou Justa Nobre.
Júlio Pomar admite ser “péssimo pai” para as suas obras
O
pintor Júlio Pomar, de 87 anos, que na sexta-feira feira e sábado é homenageado durante o encontro multidisciplinar de artes Plast & Cine, em Lamego, admite ser “um péssimo pai” para as suas obras. “Quanto àquilo que já fiz, espero que as coisas tenham pernas para andar. Isto é, há as mães galinhas, aquelas pessoas que seguem aquilo que fizeram meticulosamente, mas eu sou um péssimo pai”, afirmou, em declarações à agência Lusa a propósito desta iniciativa organizada anualmente em Lamego. Durante os dois dias, esta cidade do Douro vai acolher várias iniciativas dedicadas à vida e obra do artista plástico que se destacou, sobretudo, na pintura. “A pintura tem sido a minha actividade fundamental. Desde que estava convencido de que era um homenzinho, ou mesmo antes, quase que não fazia outra coisa”, afirmou. Nascido em Lisboa, em 1926, Júlio Pomar divide actualmente o seu tempo entre Paris e a capital portuguesa.
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“TODA A CHINA” DE ANTÓNIO GRAÇA DE ABREU APRESENTADO DIA 22, NO MUSEU DO ORIENTE
Mais de 30 anos pelo Império do Meio U
M português pensou e escreveu a China por si mesmo, baseando-se na sua própria experiência, nas suas viagens, na sua relação vivida com o território e com as pessoas. António Graça de Abreu é esse português. «Toda a China» é esse livro. Nunca nenhum português falou assim da China. Por uma razão: o autor deste livro é um dos portugueses que mais bem conhece a China, toda a China, informa o comunicado de imprensa da editora Guerra e Paz, que apresenta o primeiro volume de «Toda a China», no próximo dia 22 de Outubro, no Museu do Oriente, em Lisboa. «Toda a China» é o resultado das peregrinações de António Graça de Abreu pelo velho e actual Império do Meio. Todas as 23 províncias, cinco regiões autónomas, quatro municípios centrais e duas regiões administrativas especiais, foram visitadas ao longo de 36 anos de jornadas e estadas na vasta China, tão grandes como a Europa. No primeiro volume de «Toda a China», António Graça de Abreu traz-nos o testemunho das suas PUB
múltiplas vivências em viagens pelas grandes cidades ou pelo infindável campo chinês, pelas montanhas sagradas do Império ou por templos budistas e taoistas perdidos nos confins da China. Mas mais do que um guia de viagens, este é um livro que dá a conhecer a história, o património cultural, as transformações sociais e políticas e a forma de vida de toda a China. E é um livro que inclui mais de 60 fotografias inéditas e a cores, assim como mapas detalhados de todas as províncias visitadas, acrescenta a nota de imprensa. O autor lança o desafio para a leitura da sua obra: «Descobrirá porventura o prazer de caminhar comigo de cidade em cidade, de província em província, de tentar conhecer uma civilização e cultura únicas debaixo do céu, de sentir o pulsar da China de ontem, de hoje, de sempre.» O primeiro volume de «Toda a China», intitulado “Desvendar, Entender o Mundo Chinês”, contará no dia 22 de Outubro, com a apresentação do Embaixador João de Deus Ramos.
Alicia Keys com concerto extra dia 23 de Novembro
A cantora e compositora Alicia Keys estendeu a sua estadia em Macau para apresentar mais um concerto no Teatro do Venetian, no dia 23 de Novembro, em resposta à procura de bilhetes para o primeiro espectáculo agendado para dia 22 de Novembro. A “Alicia Keys set the world on fire tour” visa promover o seu último álbum “Girl on Fire”. Os bilhetes para este concerto extra da cantora norte-americana estarão à venda a partir desta sexta-feira.
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DESPORTO
MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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australiano Scott Barr entrou com o pé direito na edição de 2013 do Open de Golf de Macau, ao concluir a primeira jornada da competição com um total de 68 pancadas, três pancadas abaixo do par do principal green do território. O atleta, que há uma década esteve a um pequeno passo de garantir o triunfo no mais cotado torneio da RAEM, assinou uma boa performance no relvado do Macau Golf and Country Club, alcançando um total de quatro birdies nas primeiras horas de competição. Sólido, o arranque protagonizado por Scott Barr permitiu ao australiano aguentar o assédio do neo-zelandês Ben Campbell e do finlandês Kalle Samooja, golfistas que remataram a etapa inaugural do certame com as mesmas 68 pancadas com que Barr reclamou a liderança da prova. Campbell, que se estreia no Open do território, foi responsável por um dos mais vistosos momentos do primeiro dia do torneio, ao converter o primeiro “hole-in-one” da competição. Zhang Lian-wei, que venceu a prova por duas ocasiões, mantém intacta a ambição no que toca ao eventual assalto a um terceiro título, depois de ter terminado a primeira ronda do certame a uma pancada de Scott Barr e do grupo que segue na liderança do Open.
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GOLFE AUSTRALIANO TERMINA RONDA INAUGURAL DO OPEN DE MACAU
Barr domina no green de Coloane
Scott Barr
O golfista da República Popular da China partilha o quarto lugar da tabela com os tailandeses Jazz Janewattananond e Prom Meesawat, com o australiano Marcus Both e com Mohammad Siddikur, do Bangladesh.
O sul-africano Ernie Eels, que festejou ontem o quadragésimo quarto aniversário no green do Macau Golf and Country Club, não teve a sorte pelo seu lado e acabou por ver o seu jogo afectado pelo vento intenso que se fez sentir
durante todo o dia de ontem em Coloane. O atleta da África do Sul assinou uma entrada desastrosa na competição, mas conseguiu corrigir a performance ao longo do dia, igualando o par do principal green da RAEM, a três pancadas
de Scott Barr, de Ben Campbell e de Kalle Samooja. A edição de 2013 do Open de Golf de Macau decorre até ao próximo domingo e distribuiu prémios monetários no valor de 800 mil dólares norte-americanos.
MUNDIAL 2014 EM CASO DE QUALIFICAÇÃO, A EQUIPA PORTUGUESA IRÁ TER QUE DEFRONTAR OS MELHORES
Portugal não será cabeça de série se for ao Brasil P ORTUGAL não estará entre os oito cabeças de série no sorteio da fase final do Mundial 2014, caso se qualifique, de acordo com o simulador do ranking da FIFA, que será anunciado oficialmente na quinta-feira. O simulador disponível na página oficial da FIFA na Internet coloca Portugal no 14.º lugar da classificação, com 1.036 pontos, a 102 pontos de distância do sétimo posicionado, a Suíça (1.138), a última selecção com estatuto de pré-designada, pois o Brasil (11.º, com 1.078) entra directamente no “pote 1” na qualidade de país anfitrião.
Portugal, que terá de disputar os play-off da zona europeia de qualificação, depois de ter terminado no segundo lugar do grupo F, atrás da Rússia, já sabe que não evitará um dos primeiros sete colocados do ranking - Espanha, Alemanha, Argentina, Colômbia, Bélgica, Uruguai e Suíça -, além do Brasil. O Uruguai é a única daquelas selecções que ainda não está apurada para o Mundial, necessitando de disputar um play-off com a Jordânia para garantir a presença no sorteio da fase final, que se vai realizar a 6
de Dezembro. Mas, mesmo que a selecção uruguaia falhe a qualificação, à frente de Portugal no ranking há ainda várias outras selecções, como a Holanda, a Itália e a Inglaterra. A FIFA explicou, em comunicado emitido a 4 de Outubro, que o sorteio terá por base o ranking de Outubro de 2013 e não o do mês seguinte, por considerar que seria injustamente favorável às selecções que disputarão os play-off, marcados para 15 e 19 de Novembro, no caso europeu. A organização que rege o futebol mundial passou a
basear-se desde 2010 na sua própria classificação para determinar os pré-designados para as fases finais, em vez do anterior sistema que tinha por base os resultados obtidos em edições anteriores das provas e da fase de qualificação. Além do ranking, a FIFA adoptará “critérios geográficos” para definir a composição dos restantes “potes”, durante uma reunião que se vai realizar três dias antes do sorteio, a 3 de Dezembro, com o propósito de evitar que duas ou três selecções do mesmo continente sejam sorteadas no mesmo grupo.
FUTILIDADES
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60-80%
THE BEST PLAN IS NO PLAN [C]
Um filme de: Patrick Kong Com: Sammy Sum, Justin Cheung, Hanjin Tan, Shiga Lin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
DIANA
SALA 2
GRAVITY [B]
Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 16.30, 21.30
RUSH [3D] [C]
Um filme de: Ron Howard
10.8
41 - HBO 12:55 Contraband 14:45 How To Lose A Guy In 10 Days 16:40 Miss Congeniality 18:25 Larry Crowne 20:00 Serangoon Road 21:00 Snow White And The Huntsman 23:10 The Skeleton Key 42 - Cinemax 12:45 Poison Ivy The New Seduction 14:15 Man On A Ledge 16:00 Blue Hawaii 17:45 Superman Vs. The Elite 19:00 The Detonator 20:45 One Night Stand 21:45 Epad On Max 22:00 Strike Back 23:00 Valentine 00:35 The Craft
1.3
SALA 3
DIANA [B]
Um filme de: Oliver Hirschbiegel Com: Naomi Watts, Naveen Andrews 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Foto: Facebook
POR MIM FALO
Pu Yi
AL com ares de MIF
30 - FOX Sport 13:00 (LIVE) Kolon Korea Open Day 2 16:00 Football Asia 2013/14 16:30 American League Championship Series 2013 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 (LIVE) ATP - If Stockholm Open 21:00 The Ultimate Fighter 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Classic Boxing 23:30 UFC 166 Primetime
40 - FOX Movies 11:50 The Vow 13:35 Homeland 14:30 The Walking Dead 16:05 Cheaper By The Dozen 2 17:40 The Watch 19:20 Kung Fu Hustle (Mand) 21:00 Safe 22:35 Grown Ups 00:20 Playing For Keeps
YUAN
Com: Chris Hemsworth, Daniel Bruhl 19.15
RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Ligados à Terra 15:05 Sal Na Língua 15:30 Consigo 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Decisão Final 17:50 Vingança 18:40 Best of Portugal 19:10 Voo Direto 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:10 Portugal no Coração
31 - STAR Sports 13:00 Asian Festival Of Speed 2013 13:30 V8 Supercars C’ship Series 2013 - Highlights 15:00 MotoGP World Championship 2013 Highlights Malaysian Motorcycle Grand Prix 16:00 Hot Water 2013/14 17:00 Total Rugby 17:30 2 Wheels 18:00 MotoGP World Championship 2013 Highlights Malaysian Motorcycle Grand Prix 19:00 2 Wheels 19:30 Football Asia 2013/14 20:00 (Delay) Score Tonight 2013 20:30 (LIVE) 0NE Fighting Championship 23:30 Football Asia 2013/14
0.2
Cineteatro
M A C A U [ S Ã ] A S S A D O ENSINAMENTOS DE MÃE
BAHT
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• É caso para dizer que de pequenino se torce o pepino. Estas extremosas mães ajudam os seus filhotes a desanuviarem em plena via pública. Assim, não haverá margens para dúvidas que, pelo menos em Macau, as coisas ao nível da educação cívica não vão mudar tão cedo.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O INTRÍNSECO DE MANOLO • João Rebocho Pais
Na aldeia alentejana de Cousa Vã - vizinha da espanhola Ciudad del Sol - o nome de Manolo anda nas bocas escancaradas dos que passam as tardes na tasca a aviar minis, quiçá para que ninguém repare no que realmente se passa em suas casas - e talvez seja melhor assim. É, porém, facto indesmentível que Maria tem o hábito de desaparecer às sextas-feiras - e isso basta para que a mediocridade omnipresente faça do marido um adornado e da chacota um estranho alívio para a dureza dos dias. Com um trabalho notável na composição das figuras e uma recuperação inteligente da linguagem popular de um Alentejo quase mítico, João Rebocho Pais estreia-se na ficção com um romance terno, mágico e, ocasionalmente, escatológico sobre o poder da excepção sobre a regra.
O LUSTRE • Clarice Lispector
Em “O Lustre”, Virgínia mantém um relacionamento incestuoso com o irmão, Daniel, com quem faz reuniões secretas em que experimentam verdades, na condição de iniciados especiais. Os protagonistas Virgínia e Daniel fazem experiência com o mal, ora como agentes (beneficiários), ora como vítimas. Nas brincadeiras de infância entre os dois irmãos, o menino exercita sua maldade com jogos perversos que denunciam o abuso do poder de que se sabe possuidor. Virgínia é o instrumento de obtenção daquele prazer que no romance anterior parecia poder levar ao êxtase a jovem Joana: a fascinação pelo mal, o prazer advindo da percepção - e, neste caso, do uso - da inerente maldade humana. Para o menino, o mal metamorfoseia-se em perversidade, exige relação, necessita de um outro para se completar: pratica o mal pelo mal, convertendo-se o meio em fim. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
Não passam despercebidos os olhares entrecruzados entre os vários deputados. Há cumplicidade. Até porque à(s) mesa(s) da assembleia legislativa (AL) há muitos negócios a defender. Afinal, são tantos os empresários que a AL até parece a MIF. Mas em vez de promoverem os seus produtos e serviços defendem-nos de críticas e entraves a lucros exacerbados. Afinal, como diz Cheang Chi Keong, os interesses da maioria podem ficar para segundo plano. E nem sempre se pode defender a população. “Se a AL incluiu membros do sector empresarial é bom para a sociedade, especialmente para a economia”, disse o deputado, depois do anúncio da sua nomeação, a par da de outros seis nomeados. Agora esperamos que venham os salvadores da pátria. Quase literalmente. Porque Lam Heong Sang, o novo vicepresidente, é um tradicional pró-Pequim, mas é também defensor do proletariado. E ontem fez questão de salientar que é preciso aproveitar a saúde da economia para revertê-la, em parte, num sistema de segurança social eficiente. “Atingir os interesses em geral e depois gerir os interesses parciais. Acho que no futuro próximo a pressão dos deputados eleitos por sufrágio directo vai ser maior do que os eleitos por sufrágio indirecto”, disse na quarta-feira o também deputado, representante do sector do trabalho (ao lado de Ella Lei), no dia em que tomou posse como número dois do órgão legislativo. De resto, sobre o início da nova legislatura, resta-nos esperar que as juras de Ho Iat Seng sejam cumpridas: transparência e fiscalização. Faz falta à população saber o que é feito lá dentro. Faz falta à comunidade saber como controlam os gastos públicos. Porque é tão somente um direito. E à população pedem geralmente que cumpram deveres. Mas não fazem valer muitos dos seus direitos, que passam despercebidos.
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OPINIÃO
hoje macau sexta-feira 18.10.2013
JORGE RODRIGUES SIMÃO
Os desafios da China
“What will China’s and India’s increasing consumption of the world’s natural resources mean for them? Is their appetite for energy sustainable? And if it’s not, what are the consequences for the amount of fuel left over for the rest of us? China and India are the locomotives of global economic growth. If they stall, how will that affect economies that have spent a decade riding on their coattails?”
economia chinesa após três décadas de crescimento perde ímpeto e decide pelo mercado mundial de mercadorias de produtos primários. O crescimento médio anual da economia chinesa foi desde a década de 1980 até 2012 de 9,9 por cento, tendo no primeiro semestre deste ano, caído para 7,64 por cento. O processo de desaceleração deu-se após o início da crise financeira global de 2008 e 2009, devido ao menor alargamento do sector das exportações e da produção industrial. O conjunto de incentivos promovido pelo Estado (fiscal, monetário e creditício) evitou uma repentina desaceleração das actividades. O investimento público em infra-estruturas e o gasto de capital das principais empresas do país converteram-se, desse modo, na nova alavanca da economia. A explosão de investimentos, financiados por recurso a empréstimos “mais suaves” com percentagens de juros mais baixas, não apenas conduziu a uma expansão creditícia média anual de 21 por cento nos últimos cinco anos, mas também à construção de uma enorme quantidade de infra-estruturas, muitas ainda sem uso, como edifícios desabitados, fábricas encerradas, vias ferroviárias e rodoviárias pouco circuladas, o que originou sérios problemas de dívida. A necessidade de investimento em empresas estatais (SOEs, na sigla em inglês) e o cumprimento da obrigação de uma taxa de retorno mínima sobre os créditos levou a uma desmedida concessão de empréstimos. As pequenas e médias empresas privadas encontraram dificuldades em aceder ao crédito pelos meios convencionais, e tiveram de contrair empréstimos no mercado financeiro informal. O Banco Central, apesar de tudo, continua a manter um limite máximo de rendimento dos depósitos, afiançando ganhos às entidades financeiras, mas provocando perdas aos aforradores, que canalizavam as suas poupanças, fundamentalmente, para o sector imobiliário. Estes investimentos, conjuntamente com o gasto de capital dos municípios, que tentam cumprir o crescimento mínimo imposto, são os culpados pela bolha imobiliária desde 2005 até ao presente. O preço dos imóveis disparou e a classe média perdeu o poder de acesso a habitações nas zonas urbanas, tendo os investimentos continuado, ficando uma imensa quantidade de unidades habitacionais e comerciais devolutas. A economia chinesa está adoptar um novo alvo na sua estratégia de crescimento que são os incentivos às exportações e ao in-
presentemente uma política cautelosa de incentivos à economia, diferente daquela prosseguida durante a crise de 2008 a 2009 que se pautava por arriscados incentivos fiscais e monetários. A prudente política seguida pode causar certos desequilíbrios a curto prazo mais trará maior estabilidade a longo prazo e como exemplo, existiu o esforço por reduzir o excesso de crédito e desencorajar os empréstimos concedidos pelos maiores bancos, tentando o Governo reduzir o efectivo disponível no mercado creditício, mas a falta de liquidez causou uma alta nas taxas de juros no passado
VINCENT VAN GOGH, MULHERES DE MINEIROS CARREGAM CARVÃO
A
vestimento que estão a ser transferidos e tem como alvo o consumo. A dita transferência poderá ser mais brusca, se for efectuada de forma desordenada, ou que implique maiores problemas creditícios. A desaceleração da procura afectará sem apelo nem agravo o crescimento mundial e principalmente, o dos países exportadores de matérias-primas. A China é o maior comprador de metais industriais e o maior consumidor de energia do mundo, o que causaria no mercado de mercadorias, uma forte queda, quer nos preços, quer nas quantidades transaccionadas, de produtos primários, como o petróleo, zinco e cobre.
The end of growth Jeff Rubin
As possíveis alterações ficarão sempre dependentes de uma auditoria a nível nacional que permita conhecer a situação real da dívida pública dos Governos locais O efeito seria sentido nos preços internacionais dos alimentos, que poderiam sofrer uma descida devido à queda da procura, o que repercutiria nas economias dos principais países exportadores de produtos primários e de origem agropecuária para a China. O crescimento médio da China no primeiro semestre do ano, revela uma clara tendência decrescente que se tem vindo a manifestar nos últimos anos. A desaceleração tem como causa a menor expansão das exportações, as importações e a produção industrial. A queda da procura em mercados essenciais como os Estados Unidos e a União Europeia durante a crise financeira mundial, teve como efeito a contracção na procura das exportações chinesas. Todavia, o pacote de incentivos governamentais evitou uma brusca desaceleração do crescimento, e o investimento público em infra-estruturas e o gasto de capital das principais empresas do país converteu-se no novo motor da economia chinesa. Existe
mês de Junho. Esperava-se que o Banco Central limitasse a sua intervenção tendo por objectivo evitar uma maior desestabilização no mercado, pelo que decidiu em Julho eliminar o limite mínimo para as taxas de empréstimos. As possíveis alterações ficarão sempre dependentes de uma auditoria a nível nacional que permita conhecer a situação real da dívida pública dos Governos locais. A auditoria nacional a cargo do Departamento Nacional de Auditoria é realizada para acautelar a suspensão de novos projectos, o que revela a prudência e a desconfiança das autoridades nacionais em relação à situação creditícia dos Governos locais. A China tem dois desafios, o da solução dos problemas creditícios e o da transição com uma nova estratégia de crescimento suportada pelo consumo interno. É muito difícil, senão impossível, que um país cresça a taxas de dois dígitos durante três décadas, e a China não é a excepção. À medida que se atinjam os níveis de pro-
perspectivas
dução de países mais desenvolvidos, a taxa de crescimento não regressa à média anual de quase 10 por cento, conforme aconteceu nos últimos trinta anos. O Governo chinês afirma categoricamente que o país manterá a taxa de crescimento durante o segundo semestre do ano e prevêem um crescimento médio anual muito perto dos sete por cento do início da década até 2015, enquanto o FMI, no seu último relatório aponta para uma taxa de crescimento até ao final do ano de cerca de 7,8 por cento e no próximo ano de 7,9 por cento ou mais. A China se conseguir realizar uma transição para um modelo suportado pelo consumo interno, sem grandes dificuldades, é possível e realizável ter uma desaceleração gradual e suave do crescimento, ao invés de uma repentina. Tal modelo implica não apenas uma redução na taxa de investimento, e convém recordar que em 2008 foi de 47 por cento do PIB, constituindo um recorde a nível mundial, mas também uma menor poupança interna a fim de libertar maiores recursos destinados ao consumo. A taxa de poupança desceu ligeiramente após a crise internacional, passando de 53,5 por cento do PIB em 2008 para 49,2 por cento em 2012, encontrando-se ainda, em valores muito elevados. A metade da população está concentrada nas cidades e a procura por trabalho na indústria é sobejamente maior que a oferta, pelo que os salários e as vendas a retalho estão a crescer à taxa de dois dígitos. A continuar a este ritmo o processo de urbanização, a explosão de consumo poderá quiçá transformar a China no primeiro destinatário das exportações mundiais, corrigindo os desequilíbrios globais. A diferença existente entre o que aconteceu nos Estados Unidos e na União Europeia durante a crise é que a China tem maior margem de manobra quando tiver de implementar medidas de incentivo ao consumo. O sector bancário, apesar das dificuldades criadas pelos numerosos créditos concedidos às empresas estatais, tem grande liquidez. O Governo chinês pode resgatar os bancos estatais sem necessidade de qualquer nacionalização e tem promovido reformas no sector financeiro tendentes a incentivar o investimento privado nas indústrias em crescimento, como o turismo e as actividades culturais, a criação de centros de saúde e instituições educativas. O Governo não eliminou ainda, os limites das taxas de juros de depósitos, contudo procura auxiliar o acesso ao crédito às pequenas e médias empresas, que absorvem 80 por cento da força de trabalho, e representam 60 por cento do PIB da China. Todavia, não é possível rejeitar a possibilidade de uma desaceleração súbita do crescimento (resultado da maior fraqueza das finanças estaduais ou dificuldades em apontar hábitos de consumo das famílias). O pessimismo reina em alguns bancos de investimento que analisam as prováveis consequências de uma taxa de crescimento entre três por cento e seis por cento nos próximos anos, e dado ser a segunda economia mundial, a sua desaceleração fatalmente terá um impacto inevitável sobre a economia mundial.
opinião 23
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Ricardo Pinho
disse-me um passarinho...
twitter.com/ricardo
Bondade não é um acto, mas um traço.
PAUL CHAN WAI CHI*
um grito no deserto
DOMENICO FETTI, ARQUIMEDES PENSANDO
A última interpelação
O A elaboração das interpelações é sempre um processo em que se procura o máximo de conhecimento sobre a matéria em análise
meu trabalho como deputado terminou no dia 15 de Outubro, dia em que submeti a minha última interpelação escrita, sobre os estabelecimentos de máquinas de diversão e jogos de vídeo. Durante os últimos quatro anos na Assembleia Legislativa, apresentei todas as semanas, excepto na primeira em que me estreei como deputado, uma interpelação por semana. Felizmente, o dia 15 de Outubro foi um dia de trabalho, após o feriado de dia 14 (véspera do encerramento da 4.ª Assembleia Legislativa) , e assim pude cumprir a missão de apresentar a interpelação escrita em defesa dos cidadãos. Na realidade, o conteúdo de todas as interpelações, foi sempre acerca de assuntos de cariz social e sobre as aspirações da população. A minha última interpelação escrita foi sobre a questão de existirem máquinas com elementos de jogo dentro dos estabelecimentos de máquinas de diversão e jogos de vídeo, facto que me foi transmitido pelos cidadãos via telefone. A elaboração das interpelações é sempre um processo em que se procura o máximo de conhecimento sobre a matéria em análise. A questão dos estabelecimentos de máquinas de diversão e jogos possuírem elementos ligados ao jogo que permitem que os jogadores ganhem presentes ou prémios em dinheiro, e as queixas dos cidadãos sobre esta matéria, tem sido largamente difundida pela imprensa nos últimos anos. Por isso, depois de receber as denúncias dos cidadãos, a primeira coisa que fiz, foi enviar o meu assistente aos estabelecimentos de máquinas para perceber o que se passa na realidade. Quando este me disse que aquilo que viu estava de acordo com o conteúdo das queixas apresentadas, comecei a investigar as leis, regulamentos e a forma como os departamentos governamentais lidaram com denúncias similares no passado. Estas informações acabaram por ser o conteúdo da minha interpelação. O governo não costuma resolver os problemas de forma célere face às interpelações dos deputados, por isso é necessário estar sempre actualizado com as acções governamentais. Durante esta interpelação sobre os estabelecimentos de máquinas, o meu assistente
constatou que existem muitas máquinas com elementos de jogo, como máquinas de corridas de cavalos, slots e máquinas de lotaria, que permitem que os jogadores ganhem prémios pecuniários ou pontos que podem trocar por presentes ou cupões de supermercado. Estas máquinas exercem facilmente uma má influência sobre a saúde física e mental dos jovens. Embora a imprensa, muitas associações e organizações tenham denunciado o facto, e mesmo tendo o IACM declarado que iria fazer inspecções, estas máquinas continuam a existir nos centros de jogos estas máquinas. Por isso senti necessidade de abordar o assunto na minha última interpelação. O fim de uma etapa marco o início de outra. Desde o dia 15 de Setembro, dia das eleições da Assembleia Legislativa, que tenho recebido muitas palavras de encorajamento. A minha última noite de trabalho no escritório foi passada a ajudar os cidadãos a resolver os seus problemas. Antes de sair do meu gabinete, recebia a visita da minha mulher e de alguns amigos para me apoiarem. Fiquei bastante comovido com o seu apoio. Numa entrevista recente sobre a minha pessoa, o entrevistador referiu-se a mim com um deputado “defesa”. Esta referência, reflecte de alguma maneira a minha atitude no trabalho e na vida. Numa encontro na igreja em que estive recentemente disse aos participantes que Deus não implementou nenhuma táctica para o trabalho da igreja. Apenas pediu que todos os seguidores fossem “atacantes”. Como tal, de futuro passarei a ter como objectivo cumprir a minha missão enquanto cristão e assumirei uma maior responsabilidade para com as questões sociais Nos funerais católicos costuma-se ouvir este estrato das escrituras: “Lutei uma boa luta, acabei a corrida, mantive a Fé”, de 2 Timóteo 4:7. A partir de 16 de Outubro enfrento uma nova luta e uma nova corrida e tive a sorte de manter a fé ao longo dos últimos quatro anos como deputado. Um deputado deve ambicionar depois de exercer o seu dever e um político deve ser devoto à sua profissão. É o que penso enquanto deputado que termina a sua função na Assembleia. *Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Canadá de olho no gás natural e petróleo de Moçambique
cartoon HORA H por Stephff
O Canadá, maior operador em África nos sectores do gás natural e petróleo, manifestou junto do Governo moçambicano que está interessado em aumentar significativamente o seu investimento em Moçambique, ao nível do que já acontece noutros países, reconhecendo a enorme riqueza em termos de recursos minerais. A informação foi veiculada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, à margem da cerimónia da entrega ao Presidente da República, Armando Guebuza, das cartas credenciais de oito novos embaixadores em Maputo, nos quais se encontrava o canadiano Shawn Barber.
Canguru magoou-se... e foi à farmácia
A farmácia do aeroporto de Melbourne, na Austrália, teve esta quarta-feira um cliente inesperado: um canguru, que apresentava ferimentos. O animal entrou na farmácia aos saltos, depois de ser atropelado por um automóvel, nas imediações do local. A farmácia teve de ser encerrada, para que o canguru pudesse ser capturado, tranquilizado e transportado para um veterinário, onde recebeu todos os cuidados.
BPN PRESIDENTE DA REPÚBLICA EXPLICA RELAÇÃO COM O BANCO
Cavaco Silva, o depositante O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva voltou a afirmar que a única relação que teve com o BPN ou com as suas empresas foi enquanto depositante para aplicação de poupanças e quando, ainda era professor universitário. PUB
Numa declaração escrita pelo chefe de Estado a propósito das declarações de Mário Soares, Cavaco recorda que já esclareceu «em devido tempo» a sua relação com o BPN. «Devia saber que esclareci, em devido tempo, que nunca tive qualquer relação com o BPN ou com as suas empresas, a não ser a de depositante para aplicação de poupanças, quando era professor universitário. Esqueceu mesmo o esclarecimento que, pessoalmente, lhe foi prestado», refere Cavaco Silva. «Trata-se, para além disso, de um antigo Presidente da República, que, apesar de ter cessado funções há muitos anos, deve continuar a merecer o nosso respeito», acrescenta o actual Chefe de Estado. «Pela minha parte, tudo farei para preservar a dignidade devida à instituição Presidência da República. Por isso, de mim nunca ouvirão afirmações como as que foram proferidas pelo Dr. Mário Soares», lê-se na nota do chefe de Estado. Mário Soares, antigo Presidente da República, a propósito das recentes declarações do presidente angolano sobre o fim da parceria estratégica com Portugal recuperou o caso do BPN, questionando as razões porque ninguém foi julgado. «Nunca ninguém julgou, todos roubaram, mas nunca julgou, como é sabido. Porque é o Presidente da República não é julgado?», questionou Mário Soares.
Diogo Morgado vai interpretar Jesus em filme norte-americano
Depois da série norteamericana «The Bible», o actor Diogo Morgado voltará a desempenhar o papel de Jesus Cristo, numa longa-metragem que chega em Fevereiro aos cinemas norte-americanos. O filme «The Son of God» tem como base a série televisiva exibida este ano no Canal História, de origem norteamericana, e contará a história de Jesus, desde o nascimento até à morte e ressurreição. A série de televisão, que foi exibida em Portugal na SIC, somou cerca de 15 milhões de espectadores por cada episódio e foi indicada para os prémios Emmy.
Síria Conferência de paz agendada para 23 e 24 de Novembro
A conferência internacional Genebra-2 sobre a Síria poderá ocorrer a 23 e 24 de Novembro, revelou o vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil, esta quintafeira, em Moscovo. «A 23 e 24 de Novembro», foi a resposta de Qadri Jamil, no final de um encontro com a diplomacia russa, quando questionado sobre as possíveis datas da conferência de paz. «Abordámos, nos encontros de hoje no Ministério dos Negócios Estrangeiros [russo], os prazos ainda hipotéticos, de realização da conferência», disse o responsável sírio. «A recusa do Conselho Nacional Sírio [principal coligação da oposição] de participar em Genebra-2 não terá influência nos pormenores e formato nos quais decorrerá a conferência. Muito provavelmente, vão repensar a decisão.»
Abbas convida Papa a visitar a Terra Santa
O líder da Autoridade Palestiniana convidou ontem o Papa Francisco a visitar a Terra Santa, pouco tempo depois de o presidente israelita, Shimon Peres, ter feito um convite semelhante. «Convido-o para visitar a Terra Santa», afirmou Mahmoud Abbas ao ministro dos Negócios Estrangeiros do Papa, Dominique Mamberti, depois do seu encontro com o sumo pontífice. Nesse encontro, Francisco ofereceu ao líder palestiniano uma caneta (como é habitual nestas reuniões), dizendolhe que deveria «ter, certamente, muitos papéis para assinar». O tom bem disposto foi retribuído por Abbas, que disse esperar que a caneta oferecida «possa assinar o acordo de paz com Israel».
Poluição do ar classificada como cancerígena
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou ontem a poluição do ar como cancerígena para os humanos. «O ar que respiramos tornou-se poluído com uma mistura de substâncias causadoras de cancro. Sabemos hoje que a poluição é não só um risco importante para a saúde em geral como também uma das principais causas das mortes por cancro», disse Kurt Straif, do Centro Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), uma agência especializada da OMS. Existem «provas suficientes» de que «a exposição à poluição do ar provoca cancro do pulmão» e aumenta «o risco de cancro da bexiga», concluíram os peritos, dizendo que a classificação aplicase «a todas as regiões do mundo», apesar de haver alterações de local para local.