Skip to main content

Hoje Macau 18 JAN 2016 #3736

Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUARTA-FEIRA 18 DE JANEIRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3736

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

O peso do pesar

OS DIAS DA CORRIDA As eleições para o cargo de Chefe do Executivo da antiga colónia britânica estão à porta. Os candidatos vão-se perfilando

para suceder ao actual líder, CY Leung, que assiste a demissões sucessivas no seu governo. Prognósticos só no final?

GRANDE PLANO

INSTITUTO RICCI

De malas aviadas PÁGINA 7 SOFIA MOTA

HONG KONG | ELEIÇÕES

PUB

hojemacau

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

PÁGINA 4

ARTFUSION

AVENIDA DA LIBERDADE EVENTOS

DAVOS

Caminhos de Xi PÁGINA 10

Língua chinesa h JULIE O’YANG


2 GRANDE PLANO

A vida política em Hong Kong tem estado animada por estes dias. Em pouco mais de um mês, C.Y. Leung perdeu dois elementos do Governo que se demitiram para poderem oficializar a candidatura a Chefe do Executivo. Carrie Lam ou John Tsang? É difícil arriscar previsões. Regina Ip e Woo Kwok-hing parecem ser cartas fora do baralho “Se a polarização for uma preocupação de Pequim, John Tsang vai estar numa melhor posição, porque tem vontade de agir nesse sentido.” “A divisão social é muito complexa. Precisamos de um líder muito forte.” EDMUND CHENG ACADÉMICO

ANÁLISE CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES EM HONG KONG

QUATRO FORA, O

primeiro nome apareceu ainda em Outubro: Woo Kwok-hing é um magistrado de 71 anos, independente, um homem que aparece sem que ninguém esteja à espera e que, ao que tudo aponta, terá grandes dificuldades numa corrida em que os pesos pesados contam muito. Depois, em meados de Dezembro, chegou Regina Ip, uma veterana da política de Hong Kong que, aos 66 anos, é deputada ao Conselho Legislativo. Revelou a intenção de se candidatar três dias depois de John Tsang ter apresentado a demissão do cargo de secretário para as Finanças. A seguir veio Carrie Lam, a número dois do Chefe do Executivo. A agora antiga secretária-chefe recebeu esta semana luz verde de Pequim para se candidatar, no mesmo dia em que o Governo Central desimpediu o caminho a John Tsang. Um não alinhado, três candidatos pró-Pequim. O politólogo Edmund Cheng, professor da Universidade Baptista de Hong Kong, não acredita na possibilidade de um independente convencer o eleitorado – em número reduzido, como se sabe – da antiga colónia britânica. A política na Ásia não conhece fenómenos como no Ocidente em que, cansados do sistema, os eleitores tendem a votar em figuras que surgem descontextualizadas do ponto de vista partidário. Também Regina Ip, uma das fundadoras do New People’s Party, antiga secretária para a Segurança, não terá grandes hipóteses, agora que a ala pró-Pequim tem outros dois nomes, aparentemente mais fortes. Ip foi a primeira mulher a ter a pasta da Segurança e não se deu bem com as funções que desempenhou: foi durante o seu consulado que Hong Kong tentou avançar com a legislação prevista no Artigo 23.o da Lei Básica, uma ideia fortemente contestada pela população. Acabou por pedir a demissão, tendo sido o primeiro membro a cair do Governo de Tung Chee-wa, Chefe do Executivo entre 1997 e 2005. “Regina Ip é considerada um plano B, não tem uma grande rede de apoio social, sobretudo se compararmos com Carrie Lam”, explica Edmund Cheng. A deputada sabe que a entrada da ex-secretária-chefe na corrida não lhe facilita a vida. E, segundo disse esta semana, as aspirações de Carrie Lam já lhe custaram alguns apoios no seio da comissão eleitoral. Mas, ainda assim, a mulher que diz que Pequim quer vê-la como candidata não está disposta a desistir. “Não me importo. Não estou preocupada, uma vez que isso [a mudança do sentido de voto] é normal. Só

Carrie Lam

espero que as eleições sejam justas e transparentes”, declarou, citada pela imprensa de Hong Kong.

UMA MULHER DE ACÇÃO

Dois (possivelmente) de fora, sobram outros dois. Mas pode haver mais um. “É provável que Long Hair também se candidate”, aponta o analista Eric Sautedé sobre este milagre da multiplicação de políticos interessados em serem líderes do Governo. Long Hair, de seu nome Leung Kwok-hung, membro do Conselho Legislativo, é um político e activista bem conhecido pelas suas acções intempestivas, que dificilmente cairá nas graças da comissão eleitoral. A grande discussão estará centrada em torno de Carrie Lam e John Tsang, duas personagens políticas com passados diferentes e

posturas distintas, apesar de terem integrado o mesmo elenco governativo. “É difícil fazer previsões, especialmente porque demitiu-se há poucos dias e a demissão foi agora aprovada. Ainda não tem um programa”, diz Sautedé acerca da ex-secretária-chefe. Lam conta com aspectos que pesam a seu favor e outros que nem por isso. “Começa [a corrida] no meio de uma controvérsia sobre o Museu do Palácio Nacional no Western Kowloon Cultural District”, explica o analista. “Há muitas pessoas que a comparam a C.Y. Leung, dizendo que é ‘voluntariosa’: é muito persistente e está muito mais do lado de quem decide do que de quem consulta”, continua. Ainda assim, assinala Eric Sautedé, Carrie Lam tem um perfil muito diferente


3 hoje macau quarta-feira 18.1.2017 www.hojemacau.com.mo

DOIS

“Carrie Lam é muito persistente e está muito mais do lado de quem decide do que de quem consulta.”

“As eleições vão ser tensas e várias novas questões vão ser abordadas durante a campanha.”

ERIC SAUTEDÉ POLITÓLOGO

ser outros”, diz, salientando que o Governo Central tem grandes preocupações em torno das questões ligadas à segurança nacional e à soberania. “Não sabemos qual é a prioridade de Pequim neste momento”, reitera Edmund Cheng. “Mas Pequim é mais pragmático do que a maioria das pessoas parece acreditar”, destaca. “Na sequência do movimento Occupy, temos visto uma abordagem mais prática do que alguma vez poderíamos ter imaginado.” Numa análise mais local, Eric Sautedé acrescenta que a sensação que existe em relação a John Tsang é a de que “não é a escolha de Pequim”. “Está mais mais ligado ao sector empresarial, mas foi criticado, no passado, por ser muito fraco a projectar excedentes orçamentais”, lembra. “Nem todos os banqueiros parecem confiar nas suas capacidades.”

MESES DE TENSÃO

John Tsang

do actual líder do Governo. “O actual Chefe do Executivo era um empresário e ela é funcionária pública desde 1980. Ela é mais virada para a comunicação do que ele.” O politólogo recorda que o último funcionário público a chegar ao cargo político de topo em Hong Kong foi Donald Tsang, que está a ser julgado neste momento, acusado de corrupção. “Esse vai ser o cenário de toda a campanha”, antevê o analista. A candidata teve um papel especial num dos momentos mais complicados da história política e social do pós-handover: o movimento Occupy. Eric Sautedé recorda que, em Outubro de 2014, foi a mais alta representante do Governo no debate com os estudantes organizado pela rádio pública. Lam ainda ensaiou uma hipótese de mediação entre os jovens e Pequim.

“Claramente, o Executivo teve uma postura defensiva durante esse debate e esta foi a melhor tentativa de negociação”, sublinha.

O SILENCIOSO

À hora a que este texto estava a ser escrito, a RTHK dizia que para amanhã, quinta-feira, está prevista uma conferência de imprensa de John Tsang para anunciar a candidatura – o ex-secretário pediu demissão há mais de um mês mas ainda não disse, com todas as letras, que quer ocupar o lugar que C.Y. Leung vai deixar vago. O silêncio tem dado pano para mangas: há quem especule que o nome não cai bem junto de Pequim. Edmund Cheng, o professor da Universidade Baptista, não alinha no jogo da tentativa de adivinhação do pensamento do Governo Central. Tal como Carrie Lam, John Tsang

está dentro do sistema, “mas a forma como lidam com a polarização é muito diferente”, vinca. “Carrie Lam é mais populista, no sentido em que é capaz de oferecer algo para resolver um problema e faz um discurso que chega às classes mais baixas.” O politólogo, que olha com apreensão para a divisão profunda em que se encontra a sociedade de Hong Kong, admite não saber até que ponto este cenário terá um peso substancial nas opções do Norte. “Se a polarização for uma preocupação de Pequim, se estiver a agir no sentido de resolver esta divisão, John Tsang vai estar numa melhor posição, porque tem vontade de agir nesse sentido”, afirma. “Mas se as preocupações de Pequim forem os acontecimentos recentes protagonizados pelo movimento pró-independência, então os cálculos têm de

Eric Sautedé considera interessantes as movimentações em torno das eleições. “Elsie Leung disse que quatro candidatos já são de mais, mas acredito que é do interesse de Pequim deixar o máximo de candidatos possível, mesmo que no fim o objectivo seja conseguir mais de 600 votos, ou mais de 689 votos (o número obtido por C.Y. Leung em 2012)”, defende. “Provavelmente os pró-democratas ainda estão a pensar em qual será a melhor estratégia em relação aos dois candidatos pró-Pequim”, diz também, recordando que estão em franca minoria no seio dos mais de 1200 membros da comissão eleitoral. A viver em Hong Kong, o académico – residente de Macau durante vários anos – conta que, neste momento, “os ânimos estão sossegados”, mas diz também que “existe muita revolta em surdina”. “As eleições vão ser tensas e várias novas questões vão ser abordadas durante a campanha, muitas delas relativas aos desafios socioeconómicos, sobretudo no que toca às formas de combate das desigualdades, os direitos sobre as terras e o desenvolvimento sustentável”, enuncia. Sobre a necessidade de Hong Kong ter um líder carismático e com grande capacidade de execução – há analistas que entendem que o problema de Hong Kong é não ter tido ainda um Chefe do Executivo com estas características –, Edmund Cheng constata que, nos dias que correm, “o apoio popular pode perder-se em apenas três meses”. O politólogo faz uma comparação com Macau para explicar qual é o grande drama político da antiga colónia britânica. “Em Macau, a elite aparece como estando unida e o campo pró-democrata é muito fraco. C.Y. Leung é pró-activo, mas não foi capaz de unir o campo pró-Pequim e esse é que foi o grande problema.” Também Pequim entende como problemática esta incapacidade de mobilização das elites do sistema. “A divisão social é muito complexa. Precisamos de um líder muito forte”, indica o docente da Universidade Baptista. Carrie Lam ou John Tsang? “Ambos parecem ter mais experiência do que os chefes do Executivo que tivemos até agora.” Isabel Castro

isabelcorreiadecastro@gmail.com


4 POLÍTICA

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

EXECUÇÃO ORÇAMENTAL ALERTAS NUMÉRICOS

O

S deputados à Assembleia Legislativa (AL) aprovaram ontem o relatório da execução do Orçamento de 2015 sem, no entanto, terem deixado alguns recados ao Governo. “Devemos

ter atenção ao PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração) e aos grandes projectos”, começou por alertar o deputado Ng Kuok Cheong. “O Governo tem vindo a reforçar os elementos ao longo dos anos. Trata-se de um avanço mas, em relação à fiscalização de grandes obras, não chega esta listagem. Podemos tomar a

iniciativa para divulgar os elementos de cada obra pública”, acrescentou o deputado pró-democrata, insistindo numa luta antiga. Já o deputado Mak Soi Kun salientou a baixa execução do orçamento destinado ao Fundo de Reparação Predial. “Se há menos requerentes, a execução tem de ser menor. Mas se o fundo consegue disponibilizar verbas para

a reconstrução, e se continuam a existir edifícios em débeis condições de edificação, é porque há falta de divulgação do fundo. Porque é que o Governo não exige uma vistoria obrigatória? O Governo deve adoptar medidas imperativas. Porque é que a taxa de pedidos foi tão baixa?Temos de reflectir sobre isso.” O secretário para a Economia e Finanças, Lio-

nel Leong, lembrou que a nova lei do enquadramento orçamental irá resolver várias questões. “Com a nova legislação vamos conseguir com que as despesas com as obras públicas sejam mais precisas, para que a sociedade tenha conhecimento sobre isto. A cada trimestre vamos entregar um relatório e não distinguimos quais são as obras mais relevantes”, rematou. A.S.S.

AUMENTOS GOVERNO DEVE PRESSIONAR OPERADORAS

A deputada Kwan Tsui Hang defendeu ontem na Assembleia Legislativa que deve partir do Executivo a pressão junto das operadoras de jogo para que aumentem os salários dos seus trabalhadores. “Apelo ao Governo para impulsionar as concessionárias do jogo e as empresas com condições a aumentarem o quanto antes os salários”, disse, numa intervenção no período de antes da ordem do dia.

Mário Soares APROVADO VOTO DE PESAR COM NEGA DO VICE-PRESIDENTE

Na apresentação feita na AL, Coutinho destacou as declarações de Xi Jinping, Presidente chinês, e Chui Sai On, Chefe do Executivo. “Considerando a figura maior da história que é, como o comprovam os inúmeros votos de pesar manifestados de forma global e publicamente, como os já referidos pelo Presidente Xi Jinping, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, de imensos chefes de Estado e de Governo de todos os quadrantes políticos e geográficos, das mais diversas organizações internacionais, crê-se que é totalmente justificado e adequado que este parlamento da RAEM manifeste igualmente o seu voto de pesar.” O deputado falou de Soares como sendo “uma figura incontornável da história recente de Macau e do estabelecimento das relações diplomáticas, frutuosas e de amizade entre Portugal e a República Popular da China”.

A história leva-a o vento

A

morte de Mário Soares levou ontem o deputado José Pereira Coutinho a apresentar uma proposta de voto de pesar na Assembleia Legislativa (AL), que foi aprovada com 13 votos a favor e cinco contra. Dentro do grupo de deputados que rejeitaram o voto de pesar está Lam Heong Sang, vice-presidente da AL, com ligações à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). À margem da sessão plenária, Pereira Coutinho lamentou a posição demonstrada por Lam Heong Sang. “Sendo deputado, tem o dever de conhecer a história política de Macau nos últimos 30 anos. É espantoso que este voto tenha vindo do vice-presidente, porque ele sabe que Mário Soares deu um grande contributo para Macau, foi um amigo dos chineses.” Coutinho lembrou a legalização de 50 mil pessoas. “É a ele que todas as famílias em Macau, que hoje em dia têm os seus filhos nas universidades, lhe devem o facto de terem o BIR. Ele merece um agradecimento por parte da população.” Não foi apenas o vice-presidente que se mostrou descontente com o voto de pesar ao antigo Presidente da República e primeiro-ministro português. Todos os deputados que representam a FAOM e a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM,

TIAGO ALCÂNTARA

Pereira Coutinho levou ontem a plenário um voto de pesar pela morte de Mário Soares. A iniciativa foi aprovada, mas houve quem não achasse bem. Kaifong e Operários não se mostraram favoráveis à acção do deputado. O vice-presidente da Assembleia, Lam Heong Sang, votou contra

Para Pereira Coutinho, a posição demonstrada pelos representantes de duas das mais antigas associações de Macau mostra como a história do território ainda não é algo generalizado

Lam Heong Sang

ou Kaifong) se abstiveram ou votaram contra. Kwan Tsui Hang, da FAOM, absteve-se, tal como a sua colega de bancada Ella Lei. Ho Ion Sang e Wong Kit Cheng, dos Kaifong, votaram contra. Num debate marcado por várias ausências, votaram a favor nomes como o de Chui Sai Cheong, deputado eleito pela via indirecta e irmão do Chefe do Executivo,

Dominic Sio, Ng Kuok Cheong, Au Kam San e José Chui Sai Peng, primo de Chui Sai On.

FALTA DE MEMÓRIA

Para José Pereira Coutinho, a posição demonstrada pelos representantes de duas das mais antigas e tradicionais associações de Macau mostra como a história do território ainda não é algo generalizado.

“É importante haver educação política em Macau. Isto resulta da falta de sensibilidade, tacto político e respeito pela história do território. Foi isso que temos feito nos últimos 12 anos, tentar dar o nosso máximo contributo para que nas escolas e na sociedade haja um ensino da história e educação na política. Não fico espantado com essa conduta que nada abona à própria pessoa que votou.”

Além disso, Mário Soares “demonstrou um elevado espírito humanista e de solidariedade para com os mais desfavorecidos, incluindo em Macau, onde, por seu decisivo impulso, foram legalizadas dezenas de milhares de pessoas de etnia chinesa, sendo este um gesto humanitário do então Presidente da República Portuguesa para uma política consentânea com a realidade de Macau e das suas gentes”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


5 hoje macau quarta-feira 18.1.2017

Portas do Entendimento DEPUTADA EXIGE REMODELAÇÃO

Monumento esquecido

C

ONSTRUÍDO no tempo do governador Rocha Vieira para celebrar a união entre os portugueses e os chineses, o monumento intitulado Portas do Entendimento, localizado na zona da Barra, é hoje um local ao abandono com pedaços de mármore a cair aos poucos. O alerta foi ontem dado na Assembleia Legislativa (AL) pela deputada nomeada Chan Hong, que pede a renovação do espaço. “Desloquei-me ao local e vi que está coberto de ervas e cheio de pontas de cigarro no chão, com o desprendimento das placas de mármore da sua estrutura, paredes riscadas e pilares partidos e inclinados, o que deixa as pessoas bastante preocupadas”, declarou. “Esta situação não se coaduna com o que está escrito na sua entrada principal: ‘Portas do Entendimento, o desejo dos cidadãos dos dois países e o espírito de Macau’. Macau, enquanto centro mundial de turismo e lazer, não deve permitir que as Portas do Entendimento fiquem danificadas, pois afecta a imagem de cidade turística”, defendeu a deputada no período de antes da ordem do dia. Para Chan Hong, o monumento deve ser remodelado antes da construção do metro ligeiro e do centro modal da barra. “O Governo quer criar um corredor costeiro entre a Barra e a Torre de Macau, e tentar proceder à inclusão das Portas do Entendimento no plano geral de desenvolvimento dessa zona, mas, até agora, não houve qualquer avanço. Os serviços competentes afirmaram que só vão iniciar as obras de construção desse corredor e de reparação do monumento depois de se concluir a construção do centro modal da Barra e do metro ligeiro. É possível reparar primeiro as Portas do Entendimento?”, questionou.

GARANTIR A SEGURANÇA

A deputada entende que o Governo deve avaliar o local e elaborar uma “proposta de reparação”. “A salubridade do local

As taxas da discórdia

Tsui Wai Kwan diz que aumentos não foram repentinos

O

Chan Hong interpelou ontem o Governo quanto à necessidade de renovar as Portas do Entendimento. A deputada quer o monumento seja integrado no plano de revitalização da zona da Barra

está má, e as consequências dos acidentes quanto ao desprendimento das placas de mármore e desabamento da estrutura serão graves. Para salvaguardar a segurança dos cidadãos e dos turistas, será que é necessário encerrar de imediato as Portas do Entendimento, e afixar editais e avisos para proibir a entrada do público? Solicito ao Governo que

“As Portas do Entendimento não foram reparadas e isso não se justifica.” CHAN HONG DEPUTADA

efectue, o quanto antes, um exame geral e uma avaliação de segurança”, apontou. Chan Hong considera que esta é a altura ideal para proceder à reparação do monumento, numa altura em que os laços entre Macau, Portugal e China estão mais próximos. “Com o aumento do intercâmbio entre a China e Portugal, a cooperação económica vai ser cada vez mais profunda. Macau, enquanto entreposto de diálogo e cooperação entre as referidas partes, deve desenvolver bem o seu papel. Mas, ao longo do tempo, as Portas do Entendimento não foram reparadas e isso não se justifica”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

POLÍTICA

aumento das taxas de veículos e motociclos voltou a ser um assunto abordado na Assembleia Legislativa (AL), mas desta vez surgiu uma voz a apoiar a medida implementada pelo Governo no passado dia 1 de Janeiro. O deputado nomeado Tsui Wai Kwan acusou as vozes críticas de não deixarem o Executivo tomar medidas. “Na AL nunca pararam as críticas ao Governo por não conseguir controlar os veículos. Mas, depois de este lançar uma política, estando a polícia a actuar segundo a lei, começaram de imediato as manifestações e críticas de cedência de interesses. Que criatividade!”, começou por apontar. “Será que queremos mesmo corrigir o que não está correcto, agravando o custo da violação da lei para elevar efeitos dissuasores contra o abuso de estacionamento ilegal, para melhor salvaguardar os direitos de utilização do espaço rodoviário público dos residentes? Ou será que vamos deixar, de braços cruzados, o aumento infinito dos veículos e continuar a conceder subsídios irracionais, cuja conta vai ser paga por toda a população?”, questionou. Ao contrário das vozes que têm vindo a falar de uma medida que entrou em vigor de um dia para o outro, sem pré-aviso, Tsui Wai Kwan lembra que o Executivo foi mostrando vários sinais. “De facto, os aumentos não foram repentinos, pois havia indí-

cios possíveis de verificar. O secretário Raimundo do Rosário manifestou várias vezes nesta Assembleia a sua postura pelo facto dos custos para alimentar os veículos serem excessivamente baixos, o que é raro no mundo, e que há vários anos os montantes não eram actualizados. Isto queria dizer que os custos iam ser aumentados, sendo também o timing para rectificar o estacionamento abusivo. Todos nós já sabíamos que isto ia acontecer.” Tsui Wai Kwan deixou ainda um recado aos seus colegas no hemiciclo. “A atitude do Governo é passiva – tem sido esta a expressão que sai da nossa boca. Agora, o Governo está a começar a rectificar o caos, mas estamos a impedi-lo de o fazer.Afinal queremos ou não que o Governo actue? Ou deve assumir uma atitude passiva? Apoiamos os fenómenos incorrectos do passado? Ou queremos fenómenos correctos hoje? Os deputados devem fazer o que devem, e não fazer o que não devem.” Também a deputada Ella Lei levantou a questão, mas noutra perspectiva, lembrando as dificuldades sentidas pelos motoristas de pesados. “Como a sua implementação foi demasiado precipitada, a população ficou descontente e os motoristas, em especial, ficaram ainda mais preocupados, pois os veículos são o seu ganha-pão. As novas medidas intensificaram os conflitos devido à falta de estacionamento para veículos pesados”, resumiu. A.S.S.

LEI DE TERRAS DEPUTADO ZHENG ANTING VOLTA A EXIGIR MUDANÇAS

O deputado Zheng Anting interpelou mais uma vez o Governo quanto à necessidade de alterar a Lei de Terras. “Entendo que o caso Pearl Horizon deve ser resolvido a partir da sua origem, através da Lei de Terras. É necessário tornar pública, o quanto antes, a intenção legislativa desse diploma, e encontrar uma solução que seja aceite por todos os envolvidos”, defendeu.


6 SOCIEDADE

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

A outra cooperação “A

CASAS PREÇOS E TRANSACÇÕES VOLTAM A DISPARAR

CONEXÃO LUSÓFONA QUER ESTABELECER PONTES EM MACAU

A

A plataforma multicultural visitou o território, reuniu com o cônsul-geral de Portugal, assim como com várias instituições chave a fim de estudar possíveis projectos por cá. O objectivo é aprofundar a troca cultural no espaço lusófono TIAGO ALCÂNTARA

S transacções de imóveis destinados a habitação subiram 142 por cento em Dezembro, em comparação com o mesmo mês de 2015, acompanhadas por uma subida de 32 por cento do preço do metro quadrado. Estatísticas disponibilizadas no portal dos Serviços de Finanças revelam que, no mês passado, foram transaccionadas 1211 fracções, muito acima das 501 vendidas em Dezembro de 2015. Foi na Taipa que se verificou o maior aumento de venda de fracções para habitação, com 585 face às 87 em 2015, uma subida de 572 por cento. Na península de Macau foram vendidas 611 habitações, mais 63 por cento do que em Dezembro de 2015. O aumento das transacções foi acompanhado por uma subida dos preços de 32 por cento, em termos gerais, para 103.805 patacas por metro quadrado. Na Taipa, a subida foi mais acentuada, 42 por cento, de 81.928 patacas por metro quadrado para 116.110 patacas. A menor subida de preços em termos percentuais, 12 por cento, verificou-se na única zona em que o número de vendas diminuiu, Coloane, onde o metro quadrado atingiu 106.143 patacas e se venderam 15 casas, menos 61 por cento na comparação anual.

MGM MAIS UM MÊS DE SALÁRIO A CAMINHO

A

operadora MGM anunciou ontem o pagamento de um bónus a todos os trabalhadores que estejam fora das posições de gestão da empresa, equivalente a um mês de salário. Segundo um comunicado oficial, o pagamento do bónus visa “a partilha do sucesso da operadora com a equipa de trabalho”. Trata-se de um bónus adicional ao que já foi pago em Outubro passado, sendo que será distribuído aos trabalhadores em Julho deste ano. Citado pelo comunicado, Grant Bowie, CEO da MGM China Holdings, disse estar grato “por todos os que fazem parte da equipa darem o seu melhor e por serem empenhados em proporcionar bons momentos aos clientes e hóspedes”. Para Grant Bowie, 2017 é “um ano especial”, pelo facto de o empreendimento no Cotai “estar prestes a abrir”, sendo que esta inauguração será um “percurso cheio de excitação, memórias, amizade e sucesso para a equipa do MGM”. O anúncio do pagamento do bónus surge numa altura em que as operadoras sofrem pressões, por parte dos deputados e associações do sector, para actualizarem os salários e pagarem mais bónus aos seus trabalhadores.

“A ideia do movimento é promover um sentimento de pertença e identificação das novas gerações.”

ideia é este ser o primeiro passo de um caminho”, projecta Laura Vidal, co-fundadora e presidente da Conexão Lusófona, que faz a sua primeira visita a Macau. A Conexão Lusófona é uma plataforma multidisciplinar, que pretende fazer um cruzamento cultural, tendo a língua portuguesa como fio condutor. “Sempre tivemos tanto chineses, como macaenses e sempre tivemos uma grande vontade de nos aproximarmos a Macau e à China”, explica. A presidente da instituição conta que esta foi uma viagem exploratória, inicial, para procurar parceiros e interlocutores. “Não viemos com uma ideia fixa para fazer este ou aquele projecto”, confessa Laura Vidal. A associação, ou movimento, começou com um blog e foi evoluindo para uma plataforma diversificada. Organizam um festival de música, entre os vários projectos culturais que promovem o contacto e a aproximação de jovens lusófonos. A rede ainda disponibiliza um portal, com notícias ligadas à lusofonia, “que começou com um simples blog, até crescer para um projecto na área da comunicação, que está a dar agora os primeiros passos”, conta Laura Vidal. A Conexão Macau começou entre estudantes que se espalharam pelo mundo, uma rede global nascida num contexto académico. A ideia era tentar aproximar todos, explorar semelhanças e diferenças com as pessoas de países que partilham a língua de Camões. No meio dessa conexão, os fundadores da plataforma aperceberam-se de que a sua geração era determinante no que toca à afirmação da lusofonia no mundo, à sua imagem. Uma geração que, de acordo com a presidente da Conexão Macau, tinha pouco contacto com a multiculturalidade que se encontra no mundo lusófono. “Só conhecia um pouco dentro dos clichés habituais, Portugal é fado e Ronaldo, o Brasil é samba, mas existe um profundo desconhecimento. Então, a ideia da associação, do movimento, é promover um sentimento de pertença e identificação das novas gerações”, explica. J.L.


7 hoje macau quarta-feira 18.1.2017 PUB

O Instituto Mateus Ricci vai abandonar o espaço arrendado no Tap Seac definitivamente ainda este ano, mas o Governo ainda não tomou uma decisão quanto à utilização do histórico edifício

J

Á arrancaram os trabalhos para a saída definitiva do Instituto Mateus Ricci do espaço que ocupa junto à praça do Tap Seac. Ao HM, o padre Luís Sequeira confirmou que a saída será concluída ainda este ano. “Fomos informados para, assim que possível, sairmos do espaço, têm-nos dito isso, mas sem nos forçarem. Penso que, durante este ano, faremos a saída e passaremos a funcionar em colaboração com a Universidade de São José (USJ), deixando a nossa biblioteca fazer parte da restante colecção, mas com uma clara autonomia das instituições.” O IC explicou ao HM que ainda não tomou qualquer decisão quanto à utilização do imóvel. “O edifício situado na Avenida Conselheiro Ferreira

Com os livros às costas Instituto Ricci deixa Tap Seac este ano

de Almeida é propriedade do Governo e encontra-se actualmente arrendado ao Instituto Ricci de Macau pela Direcção dos Serviços de Finanças.Até agora, o Instituto Cultural não tem qualquer novidade sobre este edifício”, aponta uma resposta enviada por escrito. A integração do Instituto Mateus Ricci na USJ permitirá aos alunos e docentes da universidade privada o acesso a cerca de 25 mil a 30 mil livros e revistas. Para o padre Luís Sequeira, será uma boa ligação. “É bom para ambos. É bom o facto de o Instituto Mateus Ricci ter começado com uma autonomia e estar agora enquadrado. E dá à USJ uma outra dimensão, que é ter centros de estudo e investigação.”

“Parece-me bem, depois de 15 anos, que o nosso instituto seja enquadrado dentro de uma instituição universitária.” LUÍS SEQUEIRA FUNDADOR DO INSTITUTO RICCI

“Já ouvimos, aquando da transformação do Hotel Estoril, que se estaria a pensar fazer um centro de actividades culturais e de estudos, em conjunto com as casas tradicionais ali situadas. Depreendo que haverá qualquer ideia nesse sentido. Estou convencido de que será para colocar no Tap Seac instituições de carácter cultural e artístico.” Para o fundador do Instituto Mateus Ricci, esta mudança traz também um novo rumo para a entidade. “Parece-me bem, depois de 15 anos, que o nosso instituto seja enquadrado dentro de uma instituição universitária, e aquela que tem mais relação connosco, que é a USJ. Esperamos que seja de facto uma secção da universidade com valor em termos de estudos chineses, e um centro de investigação sobre os contextos chineses e internacionais. Tem uma dimensão intercultural e isso parece-me algo importante para uma universidade, e dá uma projecção à instituição”, rematou. O acordo assinado com a USJ em Maio previa a mudança de instalações até ao final do ano passado, algo que não se concretizou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

SOCIEDADE


8 EVENTOS

LAURA NYÖGÉRI

A arte de aprender a

A Artfusion existe há quase três anos para ensinar a criar em liberdade. A direcção artística é assumida por Laura Nyögéri que, um dia, substituiu a publicidade pela criatividade e agora encaminha os mais novos na descoberta

“É este universo de possibilidades infinitas que acho importante trazer para Macau.”

Como é que descreve o projecto Artfusion? O Artfusion é um grupo de artes performativas que existe em Macau desde 2014. Surgiu exactamente nesta altura, no ano novo chinês. Era o ano do Cavalo e a formação apareceu de uma colaboração com o grupo de capoeira Axé. Tivemos a ideia de juntar a capoeira e os batuques com dança contemporânea, ginástica e muita criatividade. O resultado foi surpreendente. Nasceu o conceito de fusão de artes, de onde apareceu o nosso nome. Não ficaram por aí. Não. Com a experiência resolvemos começar a organizar workshops onde desenvolvemos várias áreas das artes performativas. Optámos, desde logo, por diversas vertentes: a expressão dramática, a dança, técnicas de improviso e até as próprias artes plásticas. Este trabalho permitiu aos alunos que se inscreveram o contacto com várias valências e, a nós, percebermos quais as competências das crianças e jovens para delinearmos qual seria o caminho a seguir. A partir daí, iniciámos as aulas de artes performativas em que as inscrições foram muitas. Tivemos alunos dos quatro aos 17 anos, o que fez com que começássemos a dividir as formações por turmas, consoante as idades. Actualmente temos cerca de 50 alunos, divididos em três grupos. São também uma escola? Acabamos por ser. Uma das nossas principais missões é a formação através das artes orientada para o desenvolvimento da expressão da criatividade e, acima de tudo, para a noção de liberdade. Outro aspecto importante é o desenvolvimento da expressão individual e de grupo. Pontualmente funcionamos com grupos de adultos para eventos específicos. Neste momento, cerca de 80 por cento dos alunos são portugueses e os restantes dividem-se entre macaenses e chineses. Também aqui há uma fusão de culturas que torna a experiência muito interessante. Como são organizadas as aulas? Exploramos e seguimos muitos modelos e técnicas criativas aliadas à expressão corporal

e dramática. Queremos também permitir a exploração da consciência do eu e do outro para que não só desenvolvam conhecimentos nas diversas áreas artísticas, mas que encontrem também aqui um lugar de divertimento e de criação. Sinto que muitos jovens têm um plano curricular com muitas actividades e uma das maiores dificuldades é terem tempo para fazerem as coisas. É por isso também que temos aulas apenas uma vez por semana e, mesmo assim, os alunos têm, frequentemente, de fazer alguma ginástica com a agenda para conseguirem fazer tudo. Por outro lado, isto também implica algum trabalho das próprias famílias para coordenar os vários horários, mas é possível. Eles gostam muito das aulas.

SOFIA MOTA

DIRECTORA ARTÍSTICA

O Artfusion tem aulas e espectáculos? Sim. Muitas vezes aproveitamos as aulas para o ensaio de espectáculos, mas também sinto que temos de parar esse processo de produção para que tenham espaço para se libertarem. Sinto que precisam deste espaço. Não são uma associação. Como é que se organizam? Somos um grupo que colabora com a associação “Macau no coração”, o que nos permite participar em actividades organizadas por instituições governamentais. Quando participamos em determinados eventos, como a Lusofonia, fazemos questão de levar conteúdos, de alguma forma, lusófonos. Já dançamos o fado, por exemplo. Como é que chegam à ideia para um espectáculo? Os alunos também têm aí um papel muito importante. Tentamos perceber quais são os seus interesses e de que forma a nossa cultura pode ser interessante para ser explorada por eles. O nosso público é, essencialmente, familiar e o nosso universo muito vasto pelo que, para agradarmos a todos, temos de fazer um espectáculo o mais completo possível. Tentamos explorar conceitos que inicialmente podem parecer mais abstractos e torná-los mais simples. E como é que fazem isso? Posso mesmo dizer que

os alunos são a principal fonte de inspiração. Antes da concepção de qualquer espectáculo exploramos os temas que queremos abordar com os estudantes. Eles dão ideias, que não são só verbais, mas também ao nível do corpo. Procuro sempre que, por exemplo, através do grafismo ou do desenho, também possam expressar o seu universo. Depois fazemos a nossa pesquisa e levamos ideias do nosso contacto com grupos que não são de cá.

O Cirque du Soleil é um exemplo? Sim. Passei o Verão de 2016 nos Estados Unidos a acompanhar o Cirque du Soleil num dos seus espectáculos. Juntei-me a eles desde a criação do espectáculo à digressão. Era uma outsider, mas acompanhei todos os departamentos, vi como aconteciam as coisas e como se fazia a produção, e aprendi com os excelentes profissionais que fazem parte daquela equipa. Foi uma experiência única, apesar de assustadora. É uma equipa

muito grande e que envolve uma logística que a maioria das pessoas não faz ideia. O que trouxe do Cirque du Soleil para Macau? Trouxe um bocadinho de tudo aquilo. Trouxe ideias, daquelas que muitas vezes nos assustam por acharmos que não são possíveis, mas depois pensamos que existe sempre alguma forma de as concretizar ou adaptar à nossa realidade. Também tive, nos Estados Unidos, oportunidade de conhecer vários grupos de


9 hoje macau quarta-feira 18.1.2017

a ser livre

mais me chamou a atenção. Acabei por trabalhar em cinema e em televisão, fiz formação em teatro e, com os conteúdos que fui assimilando, descobri que o que mais gostava de fazer era estar na produção, nomeadamente na direcção artística. O facto de ter passado por vários departamentos foi para mim muito importante: deu-me consciência do que é o trabalho de equipa. Trabalham essencialmente com jovens. Porquê esta população? O que vejo de especial nestas pessoas é a espontaneidade e a capacidade de trabalhar os medos. As crianças e os jovens são também muito criativos e verdadeiros, o que para mim é um desafio. Cada um tem de ser trabalhado de uma forma individual e, depois, quando colocados em trabalho de equipa, mostram uma grande transformação. Acabo também por desenvolver as minhas competências para poder chegar até eles.

“No mundo real, esta falta de consciência das ligações transforma-se em intolerância.”

jovens em que o trabalho deles era sem qualquer limite. Ali tudo era possível e é este universo de possibilidades infinitas que acho importante trazer para Macau. Quase nunca é fácil, mas não é impossível. Quais são as maiores dificuldades que têm sentido? Os alunos mudam todos os semestres. Crescem e saem de Macau ou experimentam outras actividades. A diferença é que o Artfusion acontece aqui mas poderia acontecer em qualquer

lado. Recentemente estivemos em Portugal e fizemos um intercâmbio com vários municípios. Na mira está Taipé onde pretendo que nos juntemos, além de integrar outras actividades, ao Cirque du Soleil na sua digressão asiática da companhia. Esta actividade permitirá mostrar o que é fazer produção em grande escala e com uma equipa em que trabalham profissionais de várias áreas. Quero organizar um programa de residência artística em que poderão participar não só alunos do Artfusion,

mas todos os interessados: uma semana de workshops com os artistas do Cirque vindos de diferentes backgrounds, visitas a espaços culturais e artísticos, visitas aos bastidores, etc. Enfim, é dar oportunidade aos jovens de terem contacto com esta realidade e conhecerem o percurso daqueles artistas. E o seu percurso até aqui, como foi? Sou formada em Publicidade e Marketing e, da minha experiência, foi a criatividade que

O que vamos ter no espectáculo integrado no Fringe? Este espectáculo é uma estreia em Macau, a primeira vez que foi apresentado foi em Shenzhen. Mas são espectáculos diferentes. Aqui tive de fazer várias adaptações. Ter o Nam Van como palco foi um desafio enorme, é um palco muito grande. Chama-se “Connection” e o objectivo foi explorar o próprio conceito da palavra, ou seja, como é que o ser humano está ligado aos outros, à natureza, ao mundo à sua volta, muitas vezes de forma inconsciente. Este é um trabalho de alerta para a inconsciência das ligações que existem. São laços muitas vezes invisíveis ou ignorados e, cada vez mais no mundo real, esta falta de consciência transforma-se em intolerância. Todo o trabalho de concepção é neste sentido e os protagonistas têm de sentir tudo isto para fazerem um bom espectáculo, que só acontece se conseguirem fazer com que o público sinta o mesmo. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

EVENTOS

LISBOA ÚLTIMA CARTA DO MÁRTIR MIGUEL CARVALHO EM EXPOSIÇÃO

A

estreia em Portugal do filme de Martin Scorsese “Silêncio” é acompanhada pela apresentação, inédita no país, da carta de Miguel Carvalho, um jesuíta português morto pelas autoridades japonesas no século XVII. Na carta, que motiva a exposição, Miguel Carvalho despede-se do irmão Simão Carvalho, depois de o jesuíta português ter sido preso em Julho de 1623 por pregar o cristianismo. Passou vários meses na prisão antes de ser condenado à fogueira e torturado a 25 de Agosto de 1624 pelas autoridades japonesas. Antes de ser missionário no Japão, Miguel Carvalho, que entrou para a Companhia de Jesus em 1597, foi professor de teologia em Goa e Macau durante 15 anos. Contemporâneo dos portugueses retratados em “Silêncio”, Miguel Carvalho foi beatificado em 1867 pelo papa Pio IX. No filme, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garupe (Adam

Driver) viajam de Macau para o Japão, no século XVII, em busca do mentor, o padre Cristovão Ferreira (Liam Neeson), para confirmar se o jesuíta, perseguido e torturado pelas autoridades japonesas, renunciou à fé cristã. Em território nipónico, sob o xogunato de Tokugawa Ieyasu – que baniu o catolicismo e quase todo o contacto com os estrangeiros –, os dois jovens religiosos testemunham a perseguição dos japoneses cristãos pelas autoridades. O filme de Scorsese baseia-se no romance homónimo do japonês Shusaku Endo, publicado em 1966. A iniciativa integra a agenda cultural que acompanha a estreia de “Silêncio” para debater o papel dos jesuítas em Portugal e no mundo, a perseguição religiosa, as relações entre Portugal e o Japão, a arte e a religião. A exposição “Japão: a última carta de um mártir” vai estar patente até 19 de Fevereiro, no Museu de São Roque, em Lisboa.


10 CHINA

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

Fórum XI JINPING EM DESTAQUE EM DAVOS

Populismo, não A extensa comitiva liderada pelo Presidente chinês marca em Davos uma posição de combate à crescente política proteccionista dos Estados Unidos anunciada por Donald Trump e ao populismo que ameaça a estabilidade europeia

O

secretário-geral do maior partido comunista do mundo, lidera esta semana uma delegação de cem funcionários e executivos no Fórum Económico Mundial de Davos, numa aparente resposta à tendência proteccionista que atinge as potências ocidentais. A primeira participação de um Presidente chinês num evento que promove a globalização e o comércio livre surge numa altura em que movimentos populistas

ganham forçam na Europa e Estados Unidos. A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas faz prever um aumento do proteccionismo nos EUA; a saída do Reino Unido da União Europeia e a ascensão de Marine Le Pen em França ameaçam o projecto europeu. “A China insiste que a globalização é um processo irreversível, para nós e para o mundo”, afirmou à agência Lusa Cui Shoujun, director do centro de estu-

dos para a América Latina da Universidade Renmin, em Pequim. Os jornais chineses têm enaltecido o contributo de Xi para a estabilidade internacional, mas analistas rejeitam a possibilidade do líder chinês se referir directamente a Trump. “Nesta altura, ele quererá esconder o jogo. Não faria sentido que se referisse a Trump”, disse Steve Tsang, director do SOAS China Institute in London, à Associated Press. Francois Godement, especialista para a China PUB

do Conselho Europeu, lembrou à AP que os chineses são “extremamente cautelosos quando comentam a futura presidência” norte-americana. “Por agora, penso que estão ocupados a observar e questionar-se o que virá a seguir”, afirmou Godement. “Mas não tenho dúvidas de que ele (Xi) vai retratar a China como aberta, corporativista, estável, previsível e fiável em várias questões internacionais. Mesmo não se referindo à administração de Trump, tentará projectar um contraste”, disse.

REUNIÃO ALARGADA

Xi leva a Davos quatro ministros chineses. A Rússia estará também representada por dois vice-primeiros ministros e vários executivos.

EXÉRCITO DE TAIWAN SIMULA ATAQUE DA CHINA

Quando Davos se realizou pela primeira vez, em 1971, apenas participaram líderes europeus e norte-americanos. Na segunda-feira, Klaus Schwab, fundador do fórum, frisou que este ano o evento “não é apenas uma reunião do ocidente”. Um terço dos participantes é

“A China insiste que a globalização é um processo irreversível, para nós e para o mundo” CUI SHOUJUN UNIVERSIDADE RENMIN

O exército de Taiwan iniciou ontem dois dias de manobras que simulam um ataque da China, numa altura em que as autoridades da ilha procuram tranquilizar a população quando as relações bilaterais mostram sinais de degradação. Tanques, helicópteros e artilharia foram mobilizados para estes exercícios anuais no centro da ilha. “O exército tomou medidas para gerir a situação no estreito de Taiwan e no mar da China do Sul”, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, Chen Chung-chi. “A população pode ficar descansada”. Estas manobras simulam uma situação em que navios chineses ultrapassam a linha mediana do estreito que separa a ilha da China continental. Estas manobras militares acontecem uma semana depois da passagem pelo estreito de um porta-aviões chinês, interpretada como uma demonstração de força de Pequim, num contexto de tensões diplomáticas e pouco depois da deslocação aos Estados Unidos da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista, independentista e contrário a Pequim.

oriundo de países em desenvolvimento - incluindo as maiores delegações de sempre da China e Índia -, revelou Schwab. A recente posição de Pequim a favor do comércio livre contrasta, no entanto, com a adopção de restrições no acesso ao seu mercado. As empresas estrangeiras estão interditas de participar em vários sectores do mercado chinês ou são forçadas a fazer parcerias com empresas locais e transferir tecnologia chave. Pequim usa também frequentemente o comércio como alavancagem em situações de disputa política, chegando mesmo a banir as importações de determinados produtos a partir de países com os quais atravessa períodos de maior tensão.

MAIS DE 2.500 ARMAS QUÍMICAS DEIXADAS PELO JAPÃO DESTRUÍDAS

O exército chinês anunciou ontem que mais de 2.500 armas químicas japonesas, recolhidas no norte da China, incluindo nos municípios de Pequim e Tianjin, foram destruídas numa instalação localizada na cidade de Shijiazhuang. As tropas japonesas deixaram centenas de milhares de armas químicas na China, que datam da Segunda Guerra Mundial e cuja eliminação cabe a Tóquio, segundo um tratado assinado em 1997. Pequim afirma que milhares de chineses morreram ou ficaram feridos desde o fim do conflito, em 1945, devido a acidentes envolvendo aquele armamento. O ministério da Defesa da China afirmou ainda que o restante armamento é difícil de encontrar, por se encontrar disperso. E apelou a Tóquio para que “aumente os recursos humanos e financeiros” de forma a concluir a destruição.


na ordem do dia 热风

Julie O’yang

h ARTES, LETRAS E IDEIAS

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

11

Guanxi, o dínamo da língua chinesa (限制) 中国人脑筋里的一件事 Guanxi關係significa relacionamento. Ou simplesmente: contactos. Guan 關 significa demasiado perto, clausura; aprisionar. Mas, no sentido estratégico, também significa localização crucial, especialmente no que à Rota da Seda diz respeito. Xi繫 significa ligação, laços, correlações, sistema organizado, etc. O caracter inclui a palavra “seda”. De facto, a Rota da Seda pode ser vista como a manifestação máxima das poderosas redes comerciais Guanxi, no tempo em que a seda era a moeda internacional. O projecto do Partido Comunista Chinês para uma nova Rota da Seda está em sintonia com a forma de funcionar das mentes chinesas. Contrariamente à nossa palavra “relacionamento”, que sugere algo durável e com valor de per si, a utilização da palavra Guanxi altera-se quando combinada com um verbo. Guanxi implica sempre muita acção. É um conceito enérgico e auto-motivado e constantemente em movimento. Guanxi é um herói de acção, tipo Bruce Lee, divertido, rápido e com um historial muito antigo. Guanxi é de longe a palavra mais dinâmica da língua chinesa. E, na minha opinião, é também um factor que limita a mentalidade chinesa e restringe a autenticidade e a criatividade. Na cultura chinesa Guanxi é um factor fundamental para fazer negócio. Aos olhos dos ocidentais representa qualquer coisa de mítico e profundo que deve ser respeitado e venerado. Mas se olharmos por trás da cortina de fumo, é apenas uma forma de reciprocidade: ‘um favor em troca de outro’. Muitas vezes os homens de negócio chineses oferecem qualquer coisa a alguém, para que posteriormente possam cobrar os seus dividendos, ou para obterem de alguma forma mais poder e influência. São procedimentos que permitem criar contactos, relacionamentos

Guanxi é de longe a palavra mais dinâmica da língua chinesa. E, na minha opinião, é também um factor que limita a mentalidade chinesa e restringe a autenticidade e a criatividade

e redes que os ajudam a ultrapassar as normas impostas pelo Governo e as práticas comerciais convencionais. Aspecto importante deste processo são as ligações sociais entre os indivíduos, pensadas para proporcionar acesso directo e privilegiado a informações internas, sobre contratos comerciais e bens escassos. Por outras palavras, o talento não é para aqui chamado e na maior parte dos casos nem se lhe dá hipótese de existir. No universo Guanxi, a inovação só existe enquanto efeito secundário e quem ousar arriscar um pensamento inovador tem a derrota garantida. O talento e a habilidade sofrem com a subjugação a uma tradição empedernida. A carta na manga deste sistema é, e sempre foi, o conjunto mais significativo de relações e contactos. Estamos quase no Novo Ano Chinês, uma altura fantástica para “guanxar”. Por falar em “guanxar”, vamos dar uma olhadela aos rituais de bebida chineses. Quanjiu, “persuadir (o parceiro de negócio) a beber” é um dos pontos altos das festas chinesas. Existem muitas expressões chinesas relativas a esta forma de comportamento, que poderíamos classificar de “extremo”. “Bebe! Mostra que és meu amigo!” “Bebe como deve ser porque é raro teres hipóteses de te embriagar.” “Sente (a amizade) profunda, bota abaixo. Sente (a amizade) frágil, como a taça.” Etc. Na China valoriza-se a quantidade de álcool que estamos dispostos a beber com o nosso parceiro de negócios. Os jogos de bebida dos chineses não têm a ver com o prazer da bebida propriamente dita. Levar o outro a beber até cair esconde a intenção de poder e controlo; “quem manda em quem”. É um sinal de conquista. Se alguma das minhas leitoras tiver intenção de participar num banquete do Ano Novo Chinês, não se esqueça do que acabei de dizer.


12

h

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

WANG CHONG

王充

OS DISCURSOS PONDERADOS DE WANG CHONG

Falamos de “memórias” no caso em que nos dirigimos a um superior, mas poderíamos do mesmo modo falar de “livros”.

Resposta aos críticos – 6

É

costume endereçar as memórias aos seus superiores, afim de propor medidas úteis à governação. Os meus livros são da mesma natureza dessas memórias. Como elas, são apenas a expressão escrita de ideias que me ocupam o espírito. Falamos de “memórias” no caso em que nos dirigimos a um superior, mas poderíamos do mesmo modo falar de “livros”. Durante o primeiro ano da era Jianchu, as colheitas na região de Zhongzhou foram catastróficas e os habitantes de Yingchuan e Runan dispersaram-se em todas as direcções. O nosso santo imperador [NT – Zhangdi] ficou muito afectado, proclamando inúmeros éditos. Eu próprio apresentei uma

memória ao perfeito, na qual exigia que se pusesse fim ao luxo e desperdício, afim de nos prevenirmos contra esse tipo de escassez. Do mesmo modo, o desperdício de cereais usados para a destilação de álcool implica numerosos delitos, que a embriaguez e o excesso só vêm multiplicar. Como tal, numa outra memória, exigi ao perfeito que o álcool fosse interdito ao povo. Foi só mais tarde que intitulei esse texto Para a proibição do álcool. Por isto se vê que as minhas obras em nada diferem, em última análise, das memórias endereçadas aos superiores. Se quiserem chamá-las “criações”, o mesmo se deveria aplicar àquelas últimas. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng ( 論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.


13 OPINIÃO

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

tecnologia

DIOGO SIMÕES*

N

OS dias de hoje a implementação de um Sistema de Qualidade e consequente certificação em normas de qualidade já não constitui um desafio impensável para a maioria das empresas. São agora inúmeras aquelas que já deram este passo. Dependendo da estratégia de cada empresário para a sua empresa - é perfeitamente legítima (e necessária à economia) a existência de empresas que não têm como objectivo evoluir e, para estas um SGQ como o certificado pela família de normas ISO 9000 constitui, efectivamente, um encargo desnecessário - é quase unânime a percepção que um Sistema que apoia o sucesso da Organização na satisfação dos seus clientes, libertando recursos que podem ser usados noutras iniciativas, constitui um salto essencial para o crescimento sustentável de uma empresa. É que o esforço das empresas gasto em actividades não produtivas pode, em alguns casos, chegar a 80% do esforço total. É um enorme esforço dispendido em actividades inúteis ou ineficazes - é aqui que os Processos para a Qualidade tentam agir e assegurar o registo de tudo o que é relevante para que eventuais problemas sejam detectados atempadamente e se aprenda com a experiência. No entanto, o mundo está sempre em mudança. Depois de anos de aperfeiçoamento de processos de optimização e monitorização de produto, o que falta então a cada empresa fazer, enquanto organização, para resistir a um mundo que nunca foi tão competitivo e tão rápido, e que obriga a um esforço cada vez maior para manter e fazer crescer o seu negócio?

MIKE JUDGE, OFFICE SPACE

A qualidade no sucesso da empresa

A resposta pode residir simplesmente nestes dois pontos: § §

A adaptação dos processos ao ambiente em que se insere o negócio da organização; Pensar menos em soluções técnicas ou tecnológicas para os problemas, pois estas incidem sobre cada problema em particular e não às suas origens comuns, e pensar mais em agir sobre a cultura e valores da organização.

Alguns pensamentos orientais apregoam uma série de passos que são necessários percorrer para que cada indivíduo possa atingir a plena realização pessoal. Que tal estender este conceito às organizações, adaptando-o à sua Cultura e Valores? Este foi um exercício defendido pelo Dr. Gary Cort, na altura presidente do TC 176 - a comissão que zela pela manutenção e revisões da família ISO 9000

- num seminário que o autor destas linhas assistiu no Porto em finais de 2013, intitulado “A Qualidade e o Futuro”. Seguindo esta filosofia, poder-se-ão aplicar às organizações oito princípios, como oito degraus que serão necessários subir, conquistando passo a passo o “nirvana”. São eles: Passo 1 – Mente positiva: O estado de espírito positivo que permite olhar para o futuro, fomentando a curiosidade constante em evoluir, resultando numa maior flexibilidade da organização em adaptar-se ao ambiente em que se insere. Passo 2 – Corpo são: manter a saúde da organização, como se fosse um organismo humano, que quanto mais saudável, mais capacidade tem para resistir a doenças. Numa organização, isto manifesta-se numa maior resiliência para ultrapassar tanto as dificuldades do dia a dia, como obstáculos inesperados. Passo 3 –Relações equilibrados: manter a organização unida, fomentando o relacionamento equilibrado entre as pessoas e equipas. Evitar que equipas trabalhem em

Eis o que poderá ser a chave para as empresas vencerem os desafios da competitividade no mundo actual: agir sobre a própria cultura e valores, transmiti-la aos seus colaboradores e envolvê-los de modo a que todos se mantenham comprometidos com ela e sigam o mesmo rumo

“roda livre”, cada uma com os seus próprios objectivos, desperdiçando energias que podiam ser aplicadas a transmitir mais força a um mesmo rumo. Passo 4 – Sentido da Vida: agir sobre a Missão da organização de modo a que tenha um sentido, no mais abrangente significado do termo. Isto vai-se reflectir na motivação dos seus colaboradores, abrindo caminho à constante inovação e flexibilidade da organização. Passo 5 – Inspiração: Decorrente do passo anterior, uma cultura inspirada e inspiradora de novas ideias e acções será extremamente positiva para o desenvolvimento da organização. Passo 6 – Contribuição: uma organização, como somatório da capacidade dos seus colaboradores ganhará se fomentar que todos sintam vontade de contribuir para o seu crescimento Passo 7 – Sustentabilidade: Todos os princípios anteriores tiveram de ser percorridos para se chegar até aqui. Que instrumentos as empresas e organizações detêm para garantir a sustentabilidade da sua posição no negócio e no mundo? Mais uma vez, o principal instrumento sobre o qual todos os outros princípios incidiram: a cultura da organização. Passo 8 – Legado: O resultado final da aplicação de toda esta filosofia. O que fica depois de desenvolvida a actividade da empresa, depois da interacção da empresa com o meio onde se insere. Afinal, o que a empresa passou para os outros e para o futuro? Eis o que poderá ser a chave para as empresas vencerem os desafios da competitividade no mundo actual: agir sobre a própria cultura e valores, transmiti-la aos seus colaboradores e envolvê-los de modo a que todos se mantenham comprometidos com ela e sigam o mesmo rumo. E assim diferenciar-se da sua concorrência. *Director Criativo na Load Interactive www.load-interactive.com

PUB

Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Aviso São avisados os concorrentes do concurso público da “Empreitada de Concepção e Construção do Complexo de Serviços para Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa” das seguintes alterações relativas às disposições sobre a entrega das propostas e o local, dia e hora do acto público do concurso estipuladas nos pontos 4 e 5 do Programa de Concurso, respectivamente, e ao período de apresentação das propostas por parte dos concorrentes definido no ponto 22 do anúncio: (Do Programa do Concurso do Processo de Concurso) 4. ENTREGA DAS PROPOSTAS 4.1. As propostas serão entregues até às 12h00 do dia 15 de Fevereiro de 2017 (quarta-feira) pelos concorrentes ou seus representantes na Secção de Atendimento e Expediente Geral da DSSOPT situada em Macau, na Estrada de D. Maria II, n.º 33, r/c, contra recibo, ou remetidas pelo correio sob registo e com aviso de recepção. Em caso de encerramento dos serviços públicos da RAEM por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora limites estabelecidas para a entrega de propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 5. LOCAL, DIA E HORA DO ACTO PÚBLICO DO CONCURSO O acto público do concurso terá lugar na sala de reunião da DSSOPT sita em Macau, na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 5.º andar pelas 9h30 do dia 16 de Fevereiro de 2017 (quinta-feira). (Do anúncio) 22. Apresentação por parte dos concorrentes das suas propostas durante o período de 21 de Fevereiro de 2017 a 24 de Fevereiro de 2017: Local: Sala de reunião da DSSOPT, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 17º andar, Macau; Dia e hora: Serão publicados no dia estabelecido para o acto público do concurso referido no ponto 14.1. RAEM, aos 13 de Janeiro de 2017.

O Director de Serviços, Li Canfeng

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 3/P/17 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 9 de Dezembro de 2016, se encontra aberto o Concurso Público para a «Prestação de Serviços de Limpeza ao Centro Hospitalar Conde de S. Januário e aos Edifícios de Administração», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 18 de Janeiro de 2017, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau (Antigo Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo), onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 91,00 (noventa e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes deverão comparecer na “Sala Multifuncional”, sita no r/c, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau no dia 24 de Janeiro de 2017 às 9,30 horas para uma reunião de esclarecimentos ou dúvidas referentes

ao presente concurso público seguida duma visita aos locais a que se destinam a respectiva prestação de serviços. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 14 de Fevereiro de 2017. O acto público deste concurso terá lugar no dia 15 de Fevereiro de 2017, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP1.140.000,00 (um milhão, cento e quarenta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 12 de Janeiro de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion


14 (F)UTILIDADES TEMPO

MUITO

hoje macau quarta-feira 18.1.2017

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente

EXPOSIÇÃO “VELEJAR NO SONHO” DE KWOK WOON Oficinas Navais N.º1

?

NUBLADO

MIN

15

MAX

20

HUM

70-95%

•

EURO

8.54

BAHT

EXPOSIÇÃO “33 ANOS NA RÁDIO DO LOCUTOR LEONG SONG FONG” Academia Jao Tsung-I (Até 05/02)

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 159

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 158

C I N E M A

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY Museu de Arte de Macau (Até 05/2017)

Cineteatro

1.15

ELLA E OS OUTROS

EXPOSIÇÃO “ART FOR ALL , 9º ANIVERSÁRIO” Macau Art Garden (Até 22/01)

EXPOSIÇÃO “SOLIDÃO”, FOTOGRAFIA DE HONG VONG HOI Museu de Arte de Macau

YUAN

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO “CHANGE OF TIMES” DE ERIC FOK Galeria do IFT

EXPOSIÇÃO “52ª EXPOSIÇÃO DO FOTÓGRAFO DA VIDA SELVAGEM DO ANO” Centro de Ciência (Até 21/02)

0.22

Confesso que não gosto de cães, nem de seres rastejantes e, a bem dizer, desprezo tudo o que é bicharada à face da Terra. Mas isto sou eu, o imperador do reino animal. Não compreendo, porém, quando os mesmos animais se detestam entre si. Como poderia eu odiar um gato persa ou até um tigre? São todos majestosos felinos. Mas já reparei que nos humanos essa é a lei da Terra. Estes sentimentos racistas, xenófobos, crescem como ervas daninhas, com raízes sempre pregadas na ignorância e no medo. Essas raízes podem ser fundas ao ponto de quase chegarem ao centro do planeta, ou superficiais e quase à superfície. Nem sei como caracterizá-las aqui em Macau, uma terra onde é difícil sintetizar a identidade dos locais, um ponto de transição e encontro de muitas culturas, credos, cores, um altar de miscigenação, o triunfo da mestiçagem. E pode dizer-se que o sucesso de Macau assenta precisamente no mosaico cultural que corre no seu sangue. Daí a minha perplexidade felina quando ouço Ellas Leis culparem os outros não-chineses de coisas que não existem, lutando num frenesim ébrio contra moinhos de vento. Os outros não são o problema, aliás, para muitas situações têm sido a solução. O problema é a mentalidade tacanha, com pouco mundo, emparedada entre preconceitos e cegueira cultural.Além disso, total imunidade à ironia, uma vez que estas pessoas que se queixam dos outros são elas próprias outros, importações do outro lado da fronteira, ou seja lá de onde for. São bem-vindas, mas não fechem a porta ao entrarem, por favor. Pu Yi

LOLITA | STANLEY KUBRICK

O humor é negro, a realização primorosa e a história de Lolita, baseada no romance homónimo de Vladimir Nabokov, é intemporal. Realizado em 1962, o clássico fala da jovem conhecida por Lolita e da relação patológica que desenvolve com o padrasto. Um amor doente, uma tensão permanente e personagens muito bem construídas para a tela é o que Kubrick nos dá em preto e branco, com tudo pensado ao detalhe. Um filme para ver uma vez por década de modo a não esquecer os grandes do cinema. Sofia Mota ARRIVAL SALA 1

ARRIVAL [B] Filme de: Denis Villeneuve Com: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

CHERRY RETURNS [C] FALADO EN CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Chris Chow Com: Song Jia, Lam Ka Tung, Cherry Ngan, Hu Ge 14.30, 21.30

A STREET CAT NAMED BOB [B] Filme de: Roger Spottiswoode

Com: Luke Treadaway, Joanne Froggatt, Ruta Gedmintas 16.30, 19.30 SALA 3

10000 MILES [B] FALADO EN MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Simon Hung Com: Yuan Huang, Megan Lai, Darren Wang 14.30, 16.30, 21.30

SING [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Garth Jennings 19.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Angela Ka; Andreia Sofia Silva; Sofia Mota Colaboradores António Cabrita; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


15 hoje macau quarta-feira 18.1.2017

ÓCIOSNEGÓCIOS

T-O-W EURICO AO, DIRECTOR CRIATIVO

Em pleno zona do antigo Bazar, existe um pequeno oásis de modernidade, o Pátio de Chôn Sau. Aí podemos encontrar a loja T-O-W, onde os acessórios de escritório e casa ganham uma outra vida e cor

e lojas com produtos mais típicos de grandes cidades mundiais, como Nova Iorque, Londres ou Hong Kong. Quem lá entra parece estar num museu de design para utensílios de casa e escritório. Tudo muito colorido, divertido, decorativo, mas funcional. Podemos encontrar quadros e alguns objectos curiosos de decoração, assim como comprar gadgets que farão com que quem nos visite pergunte: “Onde arranjaste isso?”. Os artigos variam entre caixas para lentes de contacto que são joaninhas, sabonetes em forma de caveira mexicana, canetas de espião que escrevem com tinta que só é perceptível quando atingida com raios UV. Também se pode encontrar um robot que faz infusão de chá, um porta fita-cola em forma de tractor, borrachas que parecem bigodes, ou amendoins. Enfim, as possibilidades são tantas quanto a imaginação permite. “Temos um pouco de tudo, são produtos divertidos, dinâmicos. Os preços são acessíveis, perfeitos para prendas de aniversário, ou quando se quer comprar algo divertido para animar um amigo”, explica Eurico. Nove meses depois da inauguração, o director criativo do espaço confessa que o negócio corre bem. “Os produtos que vendemos aqui são fáceis de comercializar, aliás, basta ver a primeira reacção de quem entra na loja, que é sorrir.” Além disso, o lojista tenta acompanhar o cliente, guiá-lo pelos diferentes artigos, como se fosse uma visita a um museu de design em que se podem comprar peças. É frequente que quem visite a T-O-W já conheça muitos dos produtos de revistas de gadgets, ou através da Internet. A loja também vende a famosa cerveja artesanal IPA, assim como uma longa variedade de abre-garrafas, de todas as formas e feitios.

T-O-W

O moderno no coração do antigo

CLIENTELA JOVEM

E

SCONDIDA pela Rua de Nossa Senhora do Amparo, numa zona tradicionalmente comercial, cheia de edifícios pouco coloridos e repletos de fuligem, encontramos a T-O-W. Encontramos se procurarmos, mas a descoberta vale a pena. A loja é uma mina de modernidade, de estética trendy no coração de um bairro tradicional chinês. Para quem passeia pela zona, encontrar o pátio onde fica a loja pode ser uma mudança de cenário demasiado abrupta. “Esta é a zona comercial mais antiga de Macau, a primeira, e a nossa ideia é renovar e dar uma nova energia ao sítio, rejuvenescê-lo”, diz Eurico Ao, director criativo da loja. A T-O-W é um dos estabelecimentos que abriram no Pátio de Chôn Sau, numa atmosfera colorida, com grafittis nas paredes

“A T-O-W é uma loja moderna, atrevida, mas dirigida a todo o tipo de idades, diria que é para o cliente com um espírito jovem”, explica Eurico Ao. Quem entra no espaço é bombardeado por cores e um conjunto de formas que nor-

“Os produtos que vendemos aqui são fáceis de comercializar, aliás, basta ver a primeira reacção de quem entra na loja, que é sorrir.”

malmente não são associados a utensílios de casa ou escritório. Para o director criativo do estabelecimento, é difícil escolher um produto que se destaque entre os mais vendidos. “As vendas são muito bem distribuídas, equilibradamente, mas, talvez, a caneta de espião.” A T-O-W é um pouco a síntese do ambiente que se vive no Pátio de Chôn Sau, um pequeno quarteirão trendy, com cafés, lojas de decoração, lojas de noodles. Tudo muito colorido, jovial, com um fortíssimo componente contemporâneo, apesar do contexto local ser tradicional e cinzento.

Portanto, é natural que este tipo de espaços seja mais atractivo para quem vem de fora. Não é de estranhar que Eurico Ao considere que a loja é concebida, ou mais bem entendida, para quem tenha um background europeu, ou norte-americano. Neste contexto, é natural que a maioria da clientela seja de Hong Kong, também com bastantes sul-coreanos e taiwaneses. Curiosamente, o estabelecimento tem passado um pouco ao lado dos locais o que, para Eurico, só pode ser explicado pelo “espírito um pouco mais conservador”. J.L.


“

De vir chegando/ao longo de ficar/mais perto do partir/atravessando/o lugar infinito de não estar/na presença a fugir do onde ou quando/que é só pura memória de chegar”

José Augusto Seabra

Aviação FAMÍLIAS DAS VÍTIMAS CRITICAM SUSPENSÃO DAS BUSCAS PELO MH370

O sentido da morte

U

MA organização de familiares de vítimas do voo MH370 da Malaysya Airlines, desaparecido há três anos no Oceano Índico, contestou ontem a suspensão das buscas submarinas, anunciada pelas autoridades da Malásia, Austrália e China. Aorganização, Voice370, emitiu um comunicado no qual se manifesta “consternada” pela decisão, qualificando de “cortina de fumo” a reunião entre os responsáveis dos três países envolvidos nas buscas do Boeing 777 desaparecido com 239 pessoas a bordo. O texto refere que o Gabinete Australiano para a Segurança dos Transportes (ATSB), que dirige as buscas, recomendou a 20 de Dezembro o prosseguimento das operações numa área de 25.000 quilómetros quadrados a norte da zona rastreada até ao momento. “No nosso entender, estender a busca à nova área definida pelos peritos é uma obrigação ineludível para com o público e no interesse da segurança aérea. Não se pode permitir que aviões comerciais desapareçam sem rasto”, afirmam. Na China, país de origem de 153 das 239 vítimas do MH370, familiares das vítimas ouvidos pelos ‘media’ disseram-se “à deriva” com a decisão de suspender as buscas e ainda esperançados de que os seus próximos ainda estejam vivos. “Penso que estão a esconder os passageiros”, afirmou em lágrimas Zhang Huijun, que perdeu marido e filha no acidente.

“Não passa um dia sem que dedique um tempo considerável a pensar qual pode ser o ponto das buscas. Mesmo sendo provável que nunca mais vejamos os nossos familiares, não deixamos de querer saber o que aconteceu”, explicou K.S. Narendran, que perdeu a mulher no incidente. Outros manifestam-se conformados: “Tornou-se um facto que não conseguem encontrar o

“Mesmo sendo provável que nunca mais vejamos os nossos familiares, não deixamos de querer saber o que aconteceu” K.S. NARENDRAN MARIDO DE UMA DAS VITIMAS

avião, talvez nunca. Não temos escolha, temos de o aceitar”, disse Nan Jinyan, cujo irmão perdeu a namorada.

TOALHA AO CHÃO

AAustrália, China e Malásia anunciaram ontem num comunicado conjunto o fim das buscas na área de 120.000 quilómetros quadrados onde se pensava que se encontrariam os restos do aparelho. “Apesar de todos os esforços usando a melhor ciência disponível, tecnologia de ponta e aconselhamento por profissionais altamente qualificados e dos melhores do mundo, infelizmente não pudemos localizar o aparelho”, lê-se no texto. “Consequentemente, a busca submarina pelo MH370 foi suspensa”, acrescenta o comunicado, assinado pelos ministros dos Transportes malaio, Liow Tiong Lai, australiano, Hon Darren Chester, e chinês, Li Xiaopen.

A companhia aérea assegurou por seu lado que as buscas foram “exaustivas e abrangentes” e manifestou a expectativa de que, “num futuro próximo”, informações “novas e significativas” possam levar à localização do aparelho. O avião da Malaysia Airlines desapareceu dos radares a 8 de Março de 2014, cerca de 40 minutos depois de descolar de Kuala Lumpur para um voo com destino a Pequim. A bordo viajavam 153 chineses, 50 malaios – 12 deles tripulantes – sete indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três norte-americanos, dois neozelandeses, dois ucranianos, dois canadianos, dois iranianos, um russo, um holandês e um taiwanês. Até hoje apenas foram recuperadas peças arrastadas pelas correntes do Índico até praias da Ilha de Reunião, de Moçambique, Maurícias ou África do Sul, na costa oriental africana.

PUB

S clubes chineses receberam com desagrado a decisão federativa de reduzir o limite de futebolistas estrangeiros em campo por equipa de quatro para três, alegando que não tiveram tempo de se preparar para a mudança de paradigma.

De acordo com Su Yuhui, presidente do Tianjin Quanjuan, equipa recém-promovida ao escalão principal do futebol chinês, a alteração “poderá deitar por terra os planos que os clubes fizeram na pré-época e até provocar elevadas perdas financeiras”.

MGM CHINA ADIADA ABERTURA DE NOVO CASINO

A

MGM China adiou a abertura do seu segundo empreendimento de jogo em Macau para o segundo semestre deste ano, mas sem precisar uma data, numa informação comunicada ontem à bolsa de Hong Kong. “A empresa anuncia que o MGM Cotai, um casino integrado, hotel e ‘resort’ localizado no Cotai é agora esperado para abrir na segunda metade de 2017”, refere o comunicado. “Dada a complexidade do design do MGM Cotai e o compromisso da empresa com uma abertura bem sucedida, que reflecte as necessidades do mercado actual, a data de abertura do MGM Cotai vai ser ajustada (...) para o segundo semestre de 2017. Contudo, a data final de abertura do MGM Cotai também estará dependente da obtenção das necessárias aprovações governamentais”, acrescenta. Em Fevereiro do ano passado, a MGM China tinha adiado a abertura do mesmo projecto par o final do primeiro trimestre deste ano, tendo então justificado a decisão com as “condições de mercado” e com o “calendário de outras aberturas de ‘resorts’ na zona”. Nessa altura, a operadora de jogo, que resulta de uma parceria entre Pansy Ho, filha do magnata Stanley Ho, e a empresa norte-americana MGM Resorts, referiu que o orçamento para a construção do projecto se mantém em 24 mil milhões de dólares de Hong Kong.

CLIMA XI JINPING AVISA QUE ACORDO DE PARIS É PARA CUMPRIR

CLUBES CHINESES REAGEM CONTRA REDUÇÃO DE FUTEBOLISTAS ESTRANGEIROS

O

quarta-feira 18.1.2017

Ao aprovarem aquela medida, que entra em vigor em Março, quando se iniciar o campeonato, os responsáveis federativos pretendem não apenas reduzir a dependência dos clubes chineses das ‘estrelas’ provenientes

de outros países, mas também refrear os gastos em contratações milionárias. “Os jogadores estrangeiros são agora o nosso principal problema, porque não tivemos tempo para nos adaptarmos”, assinalou

um representante dos grandes clubes de Xangai, à agência noticiosa Xinhua. O regulamento anterior permitia a utilização de quatro jogadores estrangeiros no ‘onze’, desde que um fosse natural de um país asiático.

O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu ontem que os países que assinaram o acordo de Paris devem cumpri-lo, considerando que o plano para reduzir o aquecimento global foi “uma vitória conseguida com dificuldade”. O primeiro chefe de Estado chinês a discursar no Fórum Económico Mundial, na cidade suíça de Davos, visava uma das principais incertezas quanto ao mandato do Presidente eleito norte-americano, Donald Trump, que toma posse na sexta-feira. Trump já ameaçou retirar os Estados Unidos do acordo que foi adoptado em 2015 por 195 países, comprometidos em manter o aquecimento do planeta abaixo dos 02 graus centígrados. Xi Jinping considerou que o objectivo do acordo é “uma responsabilidade que deve ser assumida para as gerações futuras”, vinculando a China, o principal país emissor de gases com efeito de estufa, ao seu cumprimento.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 18 JAN 2016 #3736 by Jornal Hoje Macau - Issuu