DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
OBRAS PÚBLICAS
A DSAT dá licença? PÁGINA 4
SOFIA MARGARIDA MOTA
h ANTÓNIO CABRITA
hojemacau CHAN MENG KAM DESPEDE-SE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
Fechado para balanco ´ Na despedida, o deputado da chamada bancada de Fujian, partilhou com a imprensa o trabalho desenvolvido na AL nos últimos 12 anos. Entre conquistas e objectivos por
atingir, Chan Meng Kam destaca como uma das principais vitórias por si alcançadas, a resolução da questão dos filhos maiores de residentes oriundos do continente.
PÁGINA 6
Gertina van Schalkwyk
“As crianças de Macau sofrem uma grande pressão ENTREVISTA
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Rinoceronte
MOP$10
QUINTA-FEIRA 17 DE AGOSTO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3878
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GERTINA VAN SCHALKWYK
ENTREVISTA
Tem dedicado a carreira académica a estudar culturas e gerações. Gertina van Schalkwyk estuda especialmente as crianças e famílias em contextos diversos. Macau tem particularidades associadas ao jogo que em nada ajudam o bom desenvolvimento infantil e apresenta, neste momento, uma das taxas mais preocupantes de incidência de depressão e ansiedade Está muito envolvida com a investigação que diz respeito a crianças de terceira cultura. Porquê o interesse por esta área? O interesse apareceu quando acompanhei uma doutoranda que estava interessada em estudar as crianças de terceira cultura. Foi um tema que me fascinou pela natureza do estilo de vida destas crianças. Há também características particulares dos pais que podem ser inseridas naquilo a que chamamos de terceira cultura. Quando falamos destas crianças, estamos a falar de um grupo de pessoas que não estão enraizadas em nenhum lugar devido à grande mobilidade dos pais, que se deslocam muito frequentemente entre países, normalmente em trabalho
SOFIA MARGARIDA MOTA
PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA NA UNIVERSIDADE DE MACAU
“Todos os seres humanos precisam de ligações”
e à procura de melhores situações económicas. Ora, se os pais mudam, os filhos também vão com eles. Por vezes os pais ficam cinco ou seis anos num sítio, outras vezes mudam-se com mais frequência, podendo mesmo acontecer em períodos de seis meses. Com isto, as crianças estão sempre a mudar de escola. Em cada mudança estão também a aprender novos padrões de comportamento, novos valores culturais. Estas pessoas acabam por se tornar naquilo a que chamamos nómadas globais. Quando se nasce num país e se está no mesmo lugar durante grande parte da vida, há um sentimento de segurança no que toca à pertença a um lugar. Mas quando falamos de um estilo
de vida de grande mobilidade, os lugares mudam com muita frequência, o que pode trazer alguns benefícios. São pessoas que se tornam muito internacionais, com conhecimento acerca de diferentes culturas e capazes de falar várias línguas. Desenvolvem uma capacidade de liderança muito forte e normalmente fazem parte de classes sociais altas e com educação superior.
ter tempo para conhecer pessoas e para manter uma relação de modo a criar uma familiaridade que é parte do desenvolvimento de uma relação a longo termo e de uma amizade profunda. Se se anda sempre a mudar de lugar, estas amizades perdem-se. Podemos, hoje em dia, dizer que podem ser mantidas através da comunicação virtual, mas há uma diferença entre estar com uma pessoa no Skype e estar pessoalmente. Há
Mas há um mas, certo? Sim, há. E é por isso que estas crianças são, por norma, pessoas que têm muita dificuldade em ter compromissos. Quando se trata de fazer uma amizade, de construir alguma proximidade, é necessário
“Macau apresenta uma taxa de depressão e de ansiedade das mais altas que se conhecem.”
também uma falha no que respeita a perspectivas ideológicas claras dentro da sua identidade e sistema de valores porque estão inundadas de coisas diferentes. Por vezes, sentem que estão perdidas numa mistura de valores aos quais são expostas. Uma das alunas com quem falámos ao longo da investigação mudou de licenciatura três ou quatro vezes e desistiu de todas. Não conseguia sequer comprometer-se com um programa académico. Outros participantes neste estudo mostravam ter muita dificuldade em ter uma relação de afecto. Tinham medo da rejeição ou que uma partida acontecesse. Todos estes factores são problemáticos para as crianças e os adolescentes. Alguns pais que
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vão, muitas vezes, trabalhar para o estrangeiro mas não levam as famílias ou, se o fazem, acabam por se inserir num grupo cultural minoritário, mas definido. Existe ainda o grupo dos filhos de militares e de diplomatas. Os pais são colocados no estrangeiro, por um período de tempo, e são colocados numa comunidade de pares onde podem manter uma relação pessoal com indivíduos também do seu próprio país. As crianças de terceira cultura não têm esta ligação a uma cultura mãe do seu próprio país. Elas só são de um país porque têm de ter um passaporte. Por vezes têm ainda família naquilo a que se poderia chamar de país de origem, mas quando vão a esse sítio sentem-se perdidas. Têm uma espécie de choque cultural inverso. Já experimentaram muita coisa e quando regressam têm dificuldades em se encaixar. Aqui em Macau, temos um grupo de pessoas associado às indústrias do território que atraem estrangeiros. O jogo é um bom exemplo disso. As pessoas chegam muitas vezes em regime de contrato de curta duração e trazem as famílias. Os filhos andam na Escola Internacional ou em escolas em que o ensino seja dado em inglês e em que o currículo siga as normas internacionais. Estas escolas internacionais também acolhem locais, mas as pessoas tendem a agrupar-se dentro das culturas que conhecem. O resultado é que os estrangeiros acabam por estar muito isolados e separados do resto.
se mudam com muita frequência nem chegam a criar uma casa que se pareça a um lar. O sítio onde moram não passa de um espaço cheio de malas de viagem. Um lar é sempre um espaço capaz de dar a uma criança algum sentimento de pertença e permanência que, desta forma, não existe. Em suma, estamos a falar de futuros líderes internacionais, mas com muitas dificuldades pessoais. Como é que esta situação se reflecte em Macau? Antes de falarmos de Macau, há que fazer alguns esclarecimentos. Não podemos confundir as crianças de terceira cultura com os filhos de imigrantes. Os imigrantes
Falou da indústria do jogo e do seu impacto nas crianças. Tem também sido uma área de estudo que tem vindo a desenvolver. De que modo é que este sector afecta as crianças e a vida familiar local? A indústria do jogo emprega um número muito elevado de trabalhadores em que muitos são imigrantes e estão em diferentes níveis. Temos por exemplo os quadros seniores que ficam por períodos de tempo mais longos com a família. Dentro deste contexto encontramos crianças de terceira cultura, filhos de imigrantes e filhos de locais. O impacto nestas populações é muito diverso e depende em que parte da hierarquia se trabalha. A minha maior preocupação tem que ver com os pais que trabalham nos níveis mais baixos da hierarquia. São pessoas que trabalham por turnos e, nesta indústria, os turnos são alterados com muita rapidez. Isto significa que as famílias têm menos tempo para os filhos desde que eles nascem, quando precisam de forma vital de ter os cuidados básicos por parte dos pais. Com os turnos inerentes ao jogo é muito
“Somos seres sociais e é disso que somos feitos. O estar sozinho e isolado é uma situação problemática para qualquer um, até nas culturas individualistas.” difícil para os pais terem uma interacção regular com os seus filhos. Isto também faz com que os pais não consigam que as suas crianças possam participar em actividades extracurriculares. Podemos dizer que a mesma situação se passa em outras áreas profissionais, como na enfermagem, por exemplo. Mas há diferenças. No caso da enfermagem ou mesmo no trabalho fabril os turnos não mudam com a mesma frequência que no jogo. Claro que é assim por uma razão justificável, mas o impacto que isto tem na família é enorme. Por exemplo, um enfermeiro que trabalhe de noite por um ano, tem o dia, ou uma parte dele, de uma forma consistente para interagir com a família. Por outro lado, na situação de Macau, as escolas têm também muita dificuldade em envolver os pais no processo educativo, o que é fundamental para o seu desenvolvimento. Estas crianças apresentam características particulares? É difícil dizer mas, da minha observação, são crianças que, quando chegam a casa, vão para uma casa vazia. Desde pequenas que têm a chave e quando chegam têm de fazer as suas refeições porque os pais estão a trabalhar. Acabam por ser independentes muito cedo, mas acabam também por ter dificuldades em criar relações, nomeadamente com adultos. Como regressam, por sistema, a uma casa vazia, não têm grande supervisão dos pais durante o crescimento e numa fase em que estão a desenvolver um modelo do que é certo e do que é errado. O que vemos é que, e em particular na adolescência, são jovens que saem muito à noite e andam muito nas ruas porque preferem isso a ter de estar em casa sozinhos. Isto faz com que seja mais fácil a esta população envolver-se, por exemplo, em gangs para sentirem que fazem parte de alguma coisa. Todos os seres humanos precisam de ter ligações. Somos seres sociais e é disso que somos feitos. O estar sozinho e isolado é uma situação problemática para qualquer um, até nas culturas individualistas. Precisamos de sentir algum tipo de ligação com outras pessoas. Para ter isso, estas pessoas acabam por estar mais expostas a comportamentos problemáticos, até mesmo associados ao consumo de drogas e ao de álcool porque não têm uma referência. Os pais estão
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ausentes. Um estudo feito por um colega meu do departamento de Sociologia concluiu que os pais não sabem, na maioria das vezes, onde andam os filhos. A próxima característica, se pudermos falar assim, é que se tratam de crianças e adolescentes que não dormem o suficiente, o que acaba por ter influência na sua saúde. Não há ninguém para ditar normas, que são fundamentais. Estas crianças não dormem o suficiente para que sejam saudáveis quer ao nível físico, quer na prevenção de problemas mentais como a depressão e a ansiedade. Isso leva a um outro estudo de um outro colega meu em que, em todas as faixas etárias, Macau apresenta uma taxa de depressão e de ansiedade das mais altas que se conhecem. Isto é preocupante. Para mim, a falta de sono e de apoio e acompanhamento parental possivelmente são factores que contribuem muito para os sentimentos de solidão. Há, em Macau, situações em que as crianças são mandadas para o Continente para serem criadas pelos avós. Quando chegam à idade escolar, regressam para ficar com os pais, o que significa que vão ter de formar novos laços e perdem a sua referência primária que é a dos avós. Mais uma vez, estamos com a presença de um sentimento de perda e de incerteza no que respeita às relações primárias. São muitos os factores a contribuírem para um mesmo sentimento e para uma maior prevalência de depressão e ansiedade no território.
“As crianças em Macau sofrem de uma pressão muito grande no que respeita ao desempenho escolar.” Trata-se de uma situação preocupante. O que é que se pode fazer? É muito preocupante. Por outro lado, e devido a questões culturais, as pessoas são ainda muito relutantes a procurar ajuda, o que faz com que se desenvolvam alguns problemas mentais que se podem manifestar fisicamente. É uma faca de dois gumes: as pessoas evitam ir procurar ajuda e os serviços também não disponibilizam a ajuda necessária neste aspecto. Há muito a fazer em Macau no que respeita ao acompanhamento psicoterapêutico. Há alguns assistentes sociais mas estamos a falar de psicoterapia em que está envolvida a saúde mental. Precisamos de mais serviços e de desenvolver uma cultura em que seja normal procurar estes serviços.
Tem feito pesquisas na área do suicídio que apontam o stress interpessoal como uma das razões por detrás deste fenómeno, nomeadamente com os alunos da Universidade de Macau. O que é que se passa? O estudo que fiz mostra que o que está por detrás de uma atitude suicida; em Macau, é muitas vezes o sentimento de inutilidade e desmerecimento. As pessoas pensam que não são merecedoras de ter uma relação com os outros e, mais uma vez, é uma ideia relacionada com a infância em que os pais não estão presentes, o que faz com que as pessoas tenham dificuldades em desenvolver relações e amizades. Sentem-se isoladas e sem valor. Outro aspecto é que as crianças em Macau sofrem de uma pressão muito grande no que respeita ao desempenho escolar. Se não conseguirem ter bons resultados são repreendidas e culpabilizadas por não estarem a fazer um esforço suficiente. A cultura local vê o desempenho relacionado com a quantidade de esforço que é posto em determinada actividade, sendo que, noutros países, o desempenho tem que ver com as características e apetências das próprias pessoas. São coisas diferentes. Mas os pais continuam a fazer pressão e, se as crianças não atingem os resultados, sentem-se incompetentes e desmerecedoras. Na adolescência, as pessoas começam com padrões comparativos e a achar que não são boas o suficiente e que nunca serão. É quando aparece o suicídio como saída. Há ainda quem use as tentativas de suicídio como uma forma de chamar a atenção. Não querem realmente morrer mas querem é ter alguma atenção que não tiveram. O suicídio é uma forma de lidar com todo este stress. Mais uma vez, e porque não existe apoio psicológico suficiente e há o preconceito sobre quem procura ajuda, estas pessoas acabam por não ter apoio profissional a tempo. Mas o mais preocupante para mim foi o que constatei aqui na Universidade. Aconselhamos as pessoas para que, se perceberem que alguém à sua volta está a pensar em suicídio, tentem apoiar de forma a evitar o pior. O estudo mostrou que os estudantes locais pensam que quem tem ideias suicidas é estúpido e que tem de tratar sozinho do assunto. Não dão a mão para ajudar e dizer “quero manter-te vivo”. É o valor da vida que não tem muita importância e isso é preocupante. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
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17.8.2017 quinta-feira
OBRAS PÚBLICAS AL SUGERE QUE DSAT CONCEDA LICENÇAS E APRECIE PEDIDOS
Canteiros no alcatrão GCS
A comissão da Assembleia Legislativa que acompanhou as obras nas estradas sugere que o secretário para Transportes e Obras Públicas coordene o grupo interdepartamental de gestão dos trabalhos. Além disso, aconselha que passe a ser a DSAT a conceder licenças e a apreciar pedidos para a execução dos trabalhos
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Assembleia Legislativa divulgou ontem o relatório sobre os trabalhos realizados as vias públicas elaborado pela Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública. Os deputados, que já tinham criticado a falta de coordenação dos vários departamentos, pegaram em experiências prévias à transferência para sugerir alterações à forma como se intervém no espaço público. O relatório da comissão presidida por Chan Meng Kam, depois de ilustrar a presente confusão institucional no tratamento de obras, lembrou a actuação do antigo Leal Senado como um exemplo de uniformidade de responsabilização, coordenação e concertação. Isto apesar de ressalvar que, actualmente, o número de obras é muito maior do que nos dias do Leal Senado. No ano passado, “o número de obras
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Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Administração Pública da Assembleia Legislativa (AL) entende que deve ser o Governo a gerir os activos da concessão no sector das telecomunicações, que actualmente estão nas mãos da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). A informação consta no relatório da comissão, referente ao trabalho deste
Os deputados sugerem que o grupo interdepartamental que reúne vários organismos envolvidos em obras de escavação seja dirigido pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas
viárias atingiu 2553”, ocupando um total de 112.059 metros. Prevendo a criação de órgãos municipais sem poder político, os deputados mostraram dúvidas quanto à capacidade do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para “dar continuidade aos trabalhos de apreciação dos pedidos e de concessão licenças”, lê-se no relatório. Para tal papel, a comissão sugere a transferência
de competências para a alçada da Direcção dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT).
RUÍDO NECESSÁRIO
Ainda no campo da multitude de órgãos envolvidos nas obras públicas, os deputados sugerem que o grupo interdepartamental que reúne os vários organismos envolvidos em obras de escavação seja dirigido pelo secretário para os Transportes
e Obras Públicas. Pretende-se com esta alteração “elevar o estatuto do grupo de coordenação” de forma a tornar os trabalhos mais eficientes. Por outro lado, a comissão entende que se devem estabelecer critérios claros para distinguir obras urgentes e não urgentes, para que os trabalhos ocorram sem adiamentos desnecessários. O acesso por parte da população à informação dos locais
onde decorrem obras privadas de escavação, assim como dados que permitam ao público participar na fiscalização das mesmas é outra das sugestões elencadas no relatório. Para tal, os deputados entendem que os anúncios devem ser publicados na Internet. No plano da fiscalização, nas reuniões com a comissão o Governo queixou-se da falta de recursos humanos. Apesar do grande aumento de obras nas vias de Macau, o número de inspectores passou apenas de seis para dez, sendo que foram instaurados processos disciplinares a dois deles. Os deputados entenderam ainda que o regime sancionatório que vigora sobre o planeamento e coordenação das obras de escavação não tem carácter dissuasor. Porém, se por um lado os membros da comissão pretendem o agravamento das sanções, o Governo entende que estas aumentaram, em algumas situações, seis vezes, punindo construtores ou empreiteiros que adiem obras. Por outro lado, tanto o sector da construção, como o Executivo entendem que a Lei do Ruído prejudica o andamento das obras e traz prejuízos de trânsito aos residentes. Com vista à alteração do referido preceito legal, a comissão entende que “é necessário dar um passo em frente para clarificar e confirmar o conceito de ruído perturbador, com vista a delimitar o âmbito de autorização para a realização de obras aos fins-de-semana e feriados”. Estas foram as sugestões feitas pelos deputados para resolver os problemas relativos às obras de escavações nas vias de Macau, que “parecem flores a desabrochar por todo o lado”, como se lê no relatório.
O seu a seu dono
Deputados querem Governo a gerir activos das telecomunicações
ano legislativo. A comissão entende, por isso, que o Governo deve formar mais talentos nesta área para que possa levar a cabo “a gestão e o uso dos activos de concessão, com vista a concretizar a liberalização e a concorrência justa do respectivo mercado”.
Em resposta aos deputados, representantes da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações afirmaram que não possuem pessoal qualificado suficiente para levar a cabo este trabalho. “De acordo com a dotação do quadro de pessoal da secretaria dos Transportes e Obras Públi-
cas, não há pessoal suficiente para dominar a técnica geral das condutas dos activos de concessão. Portanto, mesmo que o Governo recuperasse os activos da concessão, não conseguia garantir a continuidade dos serviços de telecomunicações”, lê-se no relatório.
O documento faz ainda referência à intenção do Executivo de reduzir as tarifas das chamadas automáticas internacionais, ou chamadas IDD (International Direct Dialing). “O Governo assumiu a promessa de continuar a promover a redução das taxas do serviço de circuitos alugados
João Luz
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locais e das chamadas IDD (International Direct Dialing), procurando concretizá-la ainda este ano.” A comissão, presidida pelo deputado Chan Meng Kam, considera ainda que o Executivo deve “promover proactivamente a redução das taxas dos circuitos alugados locais e das chamadas IDD, para que o Governo, os hotéis, casinos, bancos e a população em geral saiam beneficiados”. A.S.S.
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quinta-feira 17.8.2017
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ESDE que o Governo Central aprovou a construção, em Novembro de 2009, de cerca de 350 hectares de novos terrenos em aterros que as dúvidas entre deputados e Executivo se mantêm. Em jeito de final de legislatura, a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas alerta o Governo para o que urge fazer. Já passaram sete anos desde a luz verde por parte de Pequim e os deputados lamentam que até hoje ainda não haja um planeamento claro e completo para os solos ganhos às águas. Uma das questões de destaque da comissão foi o facto de os trabalhos nas Zona C e Zona D ainda não terem começado. A Zona C tem uma área de 33 hectares e localiza-se a norte da ilha da Taipa e a oeste da Ponte Nobre de Carvalho. De acordo com o Governo, a concepção do aterro em questão está a ser feita, estando prevista a conclusão dessa fase dos trabalhos no fim deste ano. A Zona D, com uma área de 53 hectares, situa-se do outro lado, entre a Taipa e o leste da Ponte Nobre de Carvalho, e tinha previsto início de concepção na segunda metade de 2017. Estes dois novos aterros foram uns dos principais focos de atenção da comissão que entende que o Executivo deve proceder ao início das obras o mais rapidamente possível, assim como na apresentação do orçamento para as mesmas.
DEPRESSA E BEM
De acordo com o Governo, tendo em conta a elevada variabilidade dos factores que influenciam os custos de construção em Macau, “é relativamente difícil prever” o orçamento para a construção dos aterros das zonas C e D. No que diz respeito à Zona E, que tem uma área de 79 hectares, localizada no canto nordeste da
NOVOS ATERROS DEPUTADOS PEDEM RAPIDEZ AO GOVERNO
Uma questão de solo ilha da Taipa, a proximidade com o Terminal Marítimo de Pac On e do Aeroporto Internacional determina a funcionalidade que terá no futuro. No novo terreno projectam-se as construções de instalações do Corpo de Polícia de Segurança Pública, dos Serviços de Alfândega, da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, assim como um hangar de manutenção de helicópteros. Os deputados entendem que o Aterro E, graças à construção da Ponte em Y, deveria ser reservado
para fins de logística de forma a favorecer a diversificação industrial de Macau. Os membros da comissão consideram que, devido à falta de planos director e de pormenor para todos os
novos aterros, “o Governo limita-se a desenvolver alguns lotes da Zona B e Zona E, recorrendo a plantas de condições urbanísticas”. Os referidos planos, de acordo com o estabelecido no Plano Quin-
Os membros da comissão entendem que, devido à falta de planos director e de pormenor para todos os novos aterros, “o Governo limita-se a desenvolver alguns lotes da Zona B e Zona E, recorrendo a plantas de condições urbanísticas”
quenal, têm o fim de 2017 como data para serem apresentados, assim como “a conclusão do concurso público do plano urbanístico geral”. Além disso, está previsto também “o desencadeamento dos respectivos trabalhos” de forma a “cumprir com rigor o conteúdo do projecto” que se prevê que tenha conclusão em 2019. João Luz
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ANTÓNIO FALCÃO
A comissão de acompanhamento da Assembleia Legislativa que analisou os novos aterros pede celeridade ao Governo na elaboração de planos director e de pormenor. O Plano Quinquenal prevê que estejam prontos no final deste ano
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OS trabalhos entre Governo e a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas da Assembleia Legislativa (AL) sobressai a vontade de iniciar o funcionamento do metro ligeiro o mais rapidamente possível, independentemente de estar estabelecido um modelo de exploração. No relatório elaborado pela comissão presidida por Ho Ion Sang transparece a vontade clara do Executivo de ver as carruagens em andamento quanto antes. Segundo o Governo, “o projecto do metro ligeiro já se arrasta há muito tempo”. Pretende-se que “a inauguração aconteça o mais rápido possível, podendo ser analisados mais tarde os pormenores da exploração como, por exemplo, a atracção
Depressa e bem
Governo quer arranque rápido do metro ligeiro
de passageiros”, lê-se no relatório. A projecção vai mais longe, ao especificar que “como o número de passageiros pode ser bastante limitado, é previsível que, durante algum tempo, não se consiga atingir o equilíbrio entre receitas e despesas”. Os membros da comissão mostraram receio de que venha aí um “fardo financeiro para o Governo”. Em questão está a abertura em 2019 da Linha da Taipa que, de acordo com os deputados, implica que se dê prioridade ao modelo de exploração. No que diz respeito aos custos, o primeiro troço tem um custo previsto de 11 mil milhões de patacas, sendo que até
ao momento foram gastos em adjudicações cerca de nove mil milhões. Em relação à Linha da Península de Macau, Linha de Seac Pai Van e Estação da Barra, “não estão reunidas condições para se avançar com previsão financeira”.
MUITAS INCÓGNITAS
O custo global da obra é ainda um mistério. Apesar das “várias solicitações” por parte da comissão para que o Governo fornecesse a calendarização das obras e um orçamento global do projecto, não se “conseguiu obter qualquer resposta”. O relatório da comissão de acompanhamento realça ainda o pedido de informações sobre a em-
presa que será criada para substituir o Gabinete de Infra-estruturas de Transportes na gestão do metro ligeiro. A referida empresa será detida pelo Executivo em 100 por cento, à semelhança da Administração de Aeroportos. O Centro Modal de Transportes da Barra, que servirá para ligar a Taipa e a Península de Macau, é outra das obras a concluir quanto antes. Assim como, obviamente, o Parque de Materiais e Oficina. No que diz respeito a obras de suporte da operacionalidade do metro ligeiro, as prioridades vão para a instalação de sistemas e equipamentos de carruagens e equipamentos electromecânicos nas paragens. Será também dada urgência, de acordo com o Governo, à construção de passagens superiores nas paragens e
na recuperação das vias ao longo do traçado do metro ligeiro. A capacidade da Ponte Sai Van para suportar a infra-estrutura foi outro dos destaques nas reuniões entre deputados e representantes do Executivo. Neste aspecto, uma empresa de consultadoria contratada concluiu que “não há necessidade de trocar ou ajustar os cabos de aço da ponte”. Outra das conclusões foi que “a passagem do metro ligeiro pelo tabuleiro inferior da mesma não suscita problemas de segurança”. O Governo entende que após a entrada em funcionamento do transporte podem ser feitas melhorias sucessivas às instalações complementares, nomeadamente as escadas rolantes, e o sistema de ventilação e ar condicionado. J.L.
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AL CHAN MENG KAM, SI KA LON E SONG PEK KEI FAZEM BALANÇO
Os mais de quatro mil dias Continental. Hoje, o problema da reunião familiar está praticamente resolvido. Ao longo das três legislaturas em que esteve na AL, contribuiu para a discussão de 165 diplomas. O deputado destacou que várias destas leis contribuíram para o avanço da sociedade: a lei da habitação económica, a Lei de Terras e o regime de previdência central não obrigatório foram exemplos dados.
TIAGO ALCÂNTARA
Foi bom, mas podia ter sido melhor. A chamada bancada de Fujian passou ontem em revista o trabalho feito durante a legislatura que agora chegou ao fim. Chan Meng Kam, de partida do hemiciclo, apresentou números sobre 12 anos como deputado
Na condição de deputado, recebeu quase 40 mil solicitações por parte dos residentes No entanto, nem tudo satisfez Chan Meng Kam. “O regime de sorteio, medida definida na lei da habitação económica, faz com que haja candidatos que só estão ‘a ver corrida’”, disse. “A lei do planeamento urbanístico é de 2013 mas, além de ainda não haver um planeamento geral, há uma série de regulamentos complementares que não entraram em vigor”, lamentou igualmente.
E
STÁ de saída, uma vez que não se recandidata nas eleições de 17 de Setembro, mas não foi embora sem deixar sugestões sobre o que pode ser feito em termos legislativos. Chan Meng Kam e os outros deputados da sua equipa – Si Ka Lon e Song Pek Kei – chamaram ontem a imprensa para um balanço sobre a legislatura. Para o líder político da comunidade de Fujian, foi também uma revisão do trabalho feito nos últimos 12 anos. Ao longo de mais de quatro mil dias naAssembleia Legislativa (AL), contabilizou Chan Meng Kam, fez mais de 110 interpelações, cerca de 400 intervenções no período de antes da ordem do dia, e propôs três
O QUE FALTOU Chan Meng Kam
debates. Na condição de deputado, recebeu quase 40 mil solicitações por parte dos residentes. Há um momento que o deputado guarda como sendo uma vitória:
na primeira sessão de perguntas e respostas com o Chefe do Executivo na AL, Chan Meng Kam falou da questão dos filhos maiores de residentes oriundos da China
Representações múltiplas CAEAL afasta 32 eleitores do sufrágio indirecto
A
os documentos sejam considerados nulos. A CAEAL explica que as pessoas colectivas que seriam representadas por estes eleitores não podem substituir os votantes. Na reunião semanal da CAEAL, foi ainda apreciado GCS
Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) anunciou ontem que 32 pessoas vão ficar impossibilitadas de exercer o direito de voto no sufrágio indirecto, nas eleições do próximo dia 17 de Setembro. Os indivíduos em causa assinaram várias declarações de aceitação do exercício do direito de voto no sufrágio indirecto em representação de pessoa colectiva, o que faz com que, de acordo com a lei eleitoral,
um pedido da lista “Nova Ideais de Macau” sobre a desistência da candidata número cinco. A comissão confirmou o pedido e a candidata em causa vai sair da lista. Feitas a contas após este abandono, as legislativas contam, no sufrágio directo, com um total de 191 candidatos. Em declarações aos jornalistas, o presidente da CAEAL, Tong Hio Fong, contou que, desde o passado dia 3, já foram recebidas 36 denúncias relativas a propa-
Já Si Ka Lon analisou a legislatura que agora chegou ao fim, quatro anos que serviram para apreciar 52 leis. O deputado gostava que se tivesse feito mais e destaca a lei de bases dos direitos e garantias dos idosos como um dos diplomas em que gostaria de ter trabalhado.
ganda antecipada. Durante a reunião, as queixas foram analisadas e há “quatro ou cinco casos” que podem ser efectivamente de propaganda ilegal, explicou, por envolverem a difusão de conteúdos pela Internet, pelo telefone ou na rua. Estes casos vão seguir agora para a Polícia de Segurança Pública, para serem investigados. Ainda ontem, a CAEAL realizou o sorteio para a distribuição do tempo de antena a reservar pelas estações de televisão e de rádio, e distribuição dos locais destinados à campanha eleitoral, bem como a ordem de utilização dos mesmos.
De resto, fez 55 intervenções no período de antes da ordem do dia, e assinou 205 interpelações escritas e 17 orais. Além disso, esteve na origem de duas propostas de debate. Habitação, trânsito, serviços médicos, educação e despesas do Governo foram algumas das questões que abordou. Em relação aos serviços sociais, a equipa de Si Ka Lon atendeu um total de 19.469 casos: 13.850 consultas de cidadãos e 5619 situações que precisaram de ser acompanhadas. Numa análise às necessidades actuais do território, o deputado defende que é preciso afastar os funcionários públicos que não reúnem os requisitos necessários e garantir que os cidadãos recebem os frutos da indústria de jogo, ajudando na aquisição da primeira casa através da criação de um fundo de partilha. Song Pek Kei fez referência aos casos que geraram polémica nos últimos anos, como a escolha do local para o edifício de tratamento de doenças transmissíveis, as irregularidades na contratação de funcionários públicos e a futura Biblioteca Central, assuntos que abordou enquanto deputada. Congratulando-se com o trabalho feito em prol do bem-estar social, como o aumento de instalações comunitárias na zona de Seac Pai Van e o combate ao alojamento ilegal, matéria que precisa de ser melhorada, Song Pek Kei lamentou que não tivesse sido aprovada a medida que permitiria ao Chefe do Executivo limitar o aumento das rendas. Vítor Ng (com I.C.)
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Função Pública Lei Pui Lam preside a comissão de queixas
Foi ontem publicada em Boletim Oficial a nomeação de Lei Pui Lam como presidente da Comissão de Gestão do Tratamento de Queixas Apresentadas por Trabalhadores dos Serviços Públicos. O despacho do Chefe do Executivo sobre a matéria determina também que são membros da comissão Leong Iok Wa, antiga deputada à Assembleia Legislativa (AL), e Kuong Iok Kao. Lei Pui Lam Licenciado em Direito pela Universidade de Jinan, Lei Pui Lam teve uma carreira ligada ao ensino, tendo sido deputado à AL. Foi delegado de Macau à 11.a Assembleia Popular Nacional e foi membro da Comissão da Lei Básica. A nomeação, pelo período de dois anos, conta a partir de 18 de Setembro.
sociedade 7
quinta-feira 17.8.2017
Arguidos MP nega divulgação de dados pessoais
O Ministério Público (MP) emitiu ontem um comunicado acerca do processo conexo ao do ex-procurador da RAEM, em que diz respeitar a decisão proferida pelo Tribunal Judicial de Base na passada terça-feira. O MP está a analisar o acórdão “de forma detalhada” e, “oportunamente, tomará as medidas jurídicas necessárias, de acordo com a situação”. Não está assim afastada a possibilidade de ser interposto recurso em relação à decisão, em que foram absolvidos três dos nove arguidos. No mesmo comunicado, o MP nega que tenham sido divulgados dados pessoais dos envolvidos no julgamento, contrariando deste modo uma notícia ontem publicada por um jornal não identificado na nota. O órgão de comunicação social em causa afirmou que o MP tinha divulgado na sua página electrónica os dados pessoais dos nove acusados, nomeadamente os números dos bilhetes de identidade, endereços, nomes dos pais e números de telefone. O órgão nega que tal tenha acontecido.
ACIDENTES DSAL VAI REVER REGRAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Mais para menos
No próximo ano, deverá ser apresentada uma proposta de revisão dos regulamentos de segurança nas obras de construção civil. A ideia é dar resposta aos muitos acidentes que têm acontecido
A
notícia foi avançada pela Rádio Macau, que cita o canal chinês da emissora: a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) pretende apresentar, no próximo ano, uma proposta de revisão dos regulamentos de segurança nas obras de construção civil. Trata-se da resposta da Administração aos acidentes frequentes que se têm verificado, muitos deles fatais. O Gover-
A Universidade de Macau (UM) vai fazer um inquérito acerca do nível de conhecimento sobre o jogo responsável, por encomenda do Instituto de Acção Social. A recolha dos dados decorre entre 21 deste mês e 3 de Setembro, estando o trabalho a cargo do Instituto de Estudos sobre a Indústria de Jogo da UM. O estudo tem como destinatários os residentes de Macau com idade igual ou superior a 18 anos. Será feito através da utilização do método de amostragem aleatória e da realização de entrevistas pelo telefone. Pretende-se com a pesquisa saber qual o nível de conhecimento dos residentes sobre o conceito básico do jogo responsável, bem como aferir o nível de preocupação que existe com as medidas que são adoptadas em relação a esta matéria. Os dados vão servir de referência para a implementação de medidas, e para o desenvolvimento dos serviços de prevenção e tratamento do vício do jogo.
subdirectora dos Assuntos Laborais, Ng Wai Han. Uma das alterações prende-se com os deveres dos empreiteiros: hoje em dia, os responsáveis por obras com 100 ou mais trabalhadores por dia devem ter ao seu serviço um encarregado
O Governo quer que os encarregados de segurança sejam presença obrigatória em obras com 20 ou mais trabalhadores
de segurança com reconhecida competência. O Governo quer que estes encarregados sejam presença obrigatória em obras com 20 ou mais trabalhadores. Deverá ser feito ainda um reforço da formação dos encarregados de segurança e criado um sistema de registo do qual podem ser excluídos, caso falhem nas avaliações periódicas a que serão submetidos. No programa de antena aberta da emissora
TIAGO ALCÂNTARA
Jogo responsável Lançado inquérito este mês
no tem como objectivo reforçar as regras de segurança que vão ser exigidas aos empreiteiros. A proposta de revisão do Regulamento de Higiene no Trabalho da Construção Civil deve ser conhecida no próximo ano, referiu a
em língua chinesa, foram ouvidos também responsáveis pela Associação de Saúde e Segurança Profissional de Macau, que explicaram que há trabalhadores não residentes que não dominam o idioma local, pelo que é difícil explicar a importância de segurança e saúde ocupacional a esses operários. Este ano morreram já nove operários em obras de construção civil, muitos deles trabalhadores não residentes. Os dois acidentes fatais mais recentes registaram-se no estaleiro do Grand Lisboa Palace e do Hotel Morpheus, no City of Dreams. As duas obras já foram retomadas. No entanto, explica a Rádio Macau, a DSAL diz que ainda não foi apurado se houve ou não violação das regras de segurança nestes dois casos.
Regresso às aulas Preparem bem os miúdos
Há 60 escolas de Macau que iniciam o novo ano lectivo no próximo dia 1 de Setembro. De acordo com a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), quando todos os estabelecimentos de ensino estiverem a funcionar, 45 escolas vão iniciar as aulas antes das 8h30, 60 vão fazê-lo entre 8h30 e as 9h, e 21 só começam a receber alunos depois das 9h. Num comunicado emitido ontem, a DSEJ apela aos pais para “prepararem bem os seus filhos” para o regresso à escola, pedindo ainda aos encarregados de educação que estejam atentos a eventuais alterações ao nível administrativo ou pedagógico por parte dos estabelecimentos de ensino. Prevendo-se que no primeiro dia de aulas o trânsito seja intenso, a DSEJ aconselha ainda que se saia de casa com antecedência.
CONTAS PREÇO DA HABITAÇÃO CAI LIGEIRAMENTE EM JULHO
O
preço médio do metro quadrado das casas em Macau atingiu 97.502 patacas no mês passado, um valor ligeiramente inferior ao apurado em igual período do ano passado, indicam dados oficiais. Segundo estatísticas publicadas no site da Direcção dos Serviços de Finanças, em termos anuais homólogos, verificou-se uma di-
minuição ligeira do preço médio por metro quadrado (menos 179 patacas) e uma subida de 739 para 764 do número de fracções transaccionadas. Das três áreas de Macau, a ilha de Coloane era a mais cara, com o preço médio do metro quadrado a fixar-se em 131.808 patacas, seguindo-se a da Taipa, 99.026 patacas, de acordo com
os mesmos dados respeitantes às transacções de imóveis destinados a habitação que foram declaradas para liquidação do imposto de selo. Com o preço médio do metro quadrado mais baixo, 95.302 patacas, a península foi onde se registou o maior número de fracções transaccionadas em Julho (632 contra 448 em Julho de 2016), seguindo-se a ilha da
Taipa (118 contra 278) e Coloane (com 14 contra 13). Em Maio, o preço médio do metro quadrado de fracções autónomas destinadas a habitação no território galgou a barreira das 100 mil patacas, pela primeira vez desde o início do ano. A última vez que tal tinha sucedido foi em Dezembro de 2016, mês em que atingiu 103.805 patacas.
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Chama-se “A indústria da moda de Macau no século XXI: uma perspectiva global do intercâmbio cultural entre a Ásia e a Europa” e é a tese de doutoramento da estilista Ana Cardoso. Nela é traçado um retrato sociológico dos designers locais e analisam-se perspectivas de mercado, sem esquecer a influência de um mundo multicultural nas colecções
TESE INDÚSTRIA DA MODA PROFISSIONALIZOU-SE E ESTÁ A CRESCER
Um sector sem retalhos
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A PISTA DE GELO • Roberto Bolaño
Tudo se passa durante um mês de verão numa praia do Mediterrâneo. Há uma mansão arruinada, uma bonita patinadora em decadência, e a paixão de um autarca de província. É há um crime, nas diferentes versões de três narradores que se vão completando e corrigindo. Remo Móran, Gaspar Heredia e Enric Rosquelles estão ligados a esse acontecimento central e, sem o saberem, podiam tê-lo impedido. Pista de Gelo - que se constrói sobre as linhas características do projeto narrativo de Roberto Bolaño - é um espaço de reflexão sobre a corruptibilidade dos políticos, sobre a ação perturbadora do amor nas pessoas, sobre o desenraizamento, a amizade e a dissolução dos sonhos. E mostra-nos, sobretudo, que nada é o que aparenta ser, nada é bem o que nos contam; e que mesmo na ausência de sentido, a vida prossegue.
S
ÃO, na maioria, mulheres. Fizeram a sua formação em Macau e, em segundo lugar, no Reino Unido. Trabalham sozinhos e poucos têm empregados, apostando tudo na sua própria marca. É este o retrato sociológico que a estilista Ana Cardoso traça dos designers locais e que consta na sua tese de doutoramento, entregue à Universidade de São José. Intitulado “A indústria da moda de Macau no século XXI: uma perspectiva global do intercâmbio cultural entre a Ásia e a Europa”, o trabalho faz uma análise da indústria de moda local, da influência que as várias culturas trouxeram ao processo criativo e quais as estratégias de mercado a adoptar. Os números apresentados por Ana Cardoso são fruto de um inquérito online realizado entre Maio e Junho de 2015, que tentou abranger os 35 estilistas ou marcas com registo no território. Com base nas 13 respostas válidas recebidas, a doutoranda pôde concluir que 77 por cento dos estilistas locais são mulheres. A maioria, 61 por cento, tem entre 26 e 30 anos, sendo que 46 por cento dos inquiridos fizeram a sua formação superior em Macau. Com 31 por cento, o Reino Unido surge como a segunda opção de formação nesta área. Os dados mostram que, apesar de estarmos perante uma indústria em crescimento, as marcas não têm ainda uma solidez financeira que lhes permita empregar pessoas, uma vez que apenas 15 por cento dos inquiridos disseram ter empregados. A maioria, 39 por cento, trabalha sozinho nas suas produções ou com amigos e familiares. As conclusões da tese de doutoramento mostram que os estilistas locais têm hoje mais capacidade para viver do seu
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A ROSA NEGRA • Nora Roberts
Rosalind Harper é uma mulher cuja experiência a tornou forte o suficiente para enfrentar qualquer situação. Viúva, com três filhos, resistiu a um segundo casamento desastroso e construiu a sua empresa de jardinagem que, mais do que um mero negócio, se transforma num símbolo de esperança e independência para ela. Mas agora Roz está a ser posta à prova e conta com a ajuda do dr. Mitchell Carnegie, contratado para investigar a identidade da Noiva Harper. Só que o tempo escasseia para descobrir a verdade antes que a imprevisível aparição destrua a única pessoa que a poderá ajudar a descansar em paz.
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ANTÓNIO FALCÃO
clui que é importante que os estilistas olhem lá para fora. “Este estudo mostra que os designers locais necessitam de uma vasta flexibilidade e diversidade para se adaptarem aos mercados asiático, de Macau e ocidental. O mercado de Macau é pequeno, e a Ásia pode ser um mercado potencial, liderando o processo criativo”, diz.
“MADE IN MACAU” PRECISA-SE
“A maior parte dos estilistas locais trabalha a tempo inteiro nas suas próprias marcas.”
“O Governo precisa de ligar as marcas locais para criar produtos únicos em Macau, que possam garantir uma diferenciação face a outros produtos internacionais.” ANA CARDOSO DOUTORANDA
trabalho. “Descobrimos que os designers locais estão mais envolvidos no seu trabalho criativo do que esperávamos. Isso mostra que estes têm laços com a indústria, seja através de cursos de moda ou do apoio familiar. A maior parte dos estilistas locais trabalha a tempo inteiro nas suas próprias marcas”, lê-se no documento. Ana Cardoso conclui que “a indústria de moda local tem uma base forte e tem vindo a expandir-se”, sendo que os estilistas locais utilizam Macau “como um ponto de partida para promover o seu trabalho nos desfiles de moda e websites”. Tendo a maioria dos inquiridos feito a formação no Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), as vendas das suas colecções fazem-se “nas suas próprias lojas, em showrooms e também em lojas com diversas marcas”.
O mercado online é, segundo a doutoranda, muito importante para a obtenção de receitas. “Outra descoberta importante foi a importância das plataformas online. Os designers locais vendem os seus produtos no comércio electrónico, além de manterem as lojas tradicionais, ateliers, showrooms ou lojas pop-up. Esta estratégia é inteligente, simples, barata e rápida”, lê-se. Enquanto a produção de grandes peças se faz na China, os acessórios e outro tipo de produtos de menor dimensão são feitos em Macau.
UMA INDÚSTRIA A CRESCER
Findo o boom das indústrias têxteis a partir da década de 1980, o mundo da moda em Macau tem vindo a mudar. A tese de doutoramento de Ana Cardoso fala numa expansão e na existência de um momento de viragem do sector. “A maior parte dos designers locais acredita que a indústria
da moda está a crescer lentamente e a tornar-se maior”, observa. “Entendemos que hoje em dia o processo criativo dos estilistas locais é reconhecido como profissão. Os designers trabalham a tempo inteiro nas suas próprias marcas para desenvolverem produção em larga escala na China ou uma pequena produção nos seus ateliers”, lê-se na tese. O trabalho académico de Ana Cardoso chama também a atenção para uma maior formação dos estilistas. “Ao longo dos anos, os cursos superiores têm vindo a adaptar-se às necessidades do mercado. A mudança foca-se sobretudo na especialização do design de moda. Hoje em dia, os cursos estão mais focados nas tecnologias ligadas ao processo criativo do design de moda, o que dá um maior potencial aos alunos na entrada do mercado.” Sendo Macau um mercado pequeno, Ana Cardoso con-
O inquérito revela ainda que 54 por cento dos inquiridos acreditam que a presença de produtos de luxo no mercado local afecta os produtos locais. Neste sentido, Ana Cardoso conclui que é necessário fazer uma maior ligação entre o que tem a etiqueta “Made in Macau” e o que vem de fora e que é vendido a preços elevados. “O Governo precisa de ligar as marcas locais para criar produtos únicos em Macau, que possam garantir uma diferenciação face a outros produtos internacionais. Tal irá ajudar a expandir as lojas de diferentes marcas em Macau, numa mistura de marcas de luxo e produtos locais, para garantir que Macau possa ser um destino de compras no futuro.” Ana Cardoso lembra ainda que o facto de Macau ser um território multicultural desde o século XVI trouxe influência à moda que se faz nos dias de hoje, sem esquecer as referências históricas do vestido de casamento tipicamente macaense. Os estilistas locais “acreditam que Macau é um local de misturas culturais e que a indústria da moda é também um mercado com várias misturas, sendo que muitos dos cidadãos locais são influenciados pelos estilos do Japão, Coreia do Sul e Europa”. “A realidade multicultural também influencia as criações dos estilistas e este panorama multicultural pode ser uma vantagem enquanto inspiração no processo criativo. Os estilistas mencionaram que ‘Macau é um lugar multicultural’ e que ‘Macau é território chinês e português, e as roupas reflectem estas duas culturas’.” O trabalho académico faz ainda menção ao grande apoio que o Governo tem dado à indústria da moda, não só através da concessão de subsídios, como da criação de eventos que mostram as colecções que por cá são feitas. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
FIIM FESTIVAL EXTRA PARA INTERAGIR COM O PÚBLICO
O
Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) vai, na edição deste ano, voltar a contar com o “Extra”. A ideia, aponta a organização, é “promover o interesse e a participação dos residentes em actividades musicais”. Do programa do “Extra” constam várias iniciativas, entre elas, as visitas aos bastidores da ópera Andrea Chénier para mostrar aos interessados “a originalidade dos cenários desta produção”. O vibrafonista e compositor japonês baseado em Berlim, el fog (Masayoshi Fujita) vai também orientar um workshop de composição. A iniciativa conta ainda com a realização e um conjunto de palestras para partilha de experiências e conhecimentos musicais. São elas: “Música clássica
com ideias inovadoras – A experiência de promoção musical de Ka-Jeng Wong”, “Andrea Chénier – Poeta Guilhotinado por Amor” e “A promessa desaparecida à música digital e a prática de criar a própria música”. As actividades são gratuitas, mas exigem inscrição prévia, que já pode ser feita. A ópera “Orfeu” tem lugar no programa de mais uma edição do FIIM, desta feita com a apresentação de uma versão ao ar livre, na Fortaleza do Monte, e pelas mãos de um conjunto de artistas israelitas. De acordo com a organização, “entre as muitas versões operáticas da história de Orfeu, a obra Orfeu e Eurídice de Christoph Willibald Gluck, do século XVIII, é considerada uma das óperas mais importantes”.
MUSEU DA TRANSFERÊNCIA EXPOSTAS PINTURAS DE JAO TSUNG-I
É
inaugurada amanhã a exposição de pintura “O Encanto dos Lótus de Jao – Exposição Itinerante de Pinturas de Flores de Lótus do Professor Jao Tsung-i”, que estará patente no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau. Com organização do Instituto Cultural, em parceria com a Universidade de Hong Kong, a Jao Tsung-
-I Petite École Fan Club, Fundação Estudos Jao e Museu de Arte de Macau, esta mostra visa celebrar o centésimo aniversário de Jao Tsung-i. Os trabalhos estarão disponíveis para venda no dia da inauguração da exposição. No total estarão expostas, até ao dia 17 de Setembro, 39 pinturas dedicadas ao tema da flor de lótus. Jao Tsung-i é um dos nomes mais importantes do estudo da cultura chinesa, sendo que há mais de 70 anos realiza estudos académicos na área da história, com foco nas dinastias pré-Qin, escrita sobre bambu e seda, musicologia antiga ou estudos religiosos, entre outros. Jao Tsung-i já publicou mais de uma centena de livros e cerca de mil artigos académicos.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 587/AI/2017
EDITAL Edital n.º : 104/E-BC/2017 Processo n.º :68/BC/2017/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Avenida do Ouvidor Arriaga n.º 39, EDF. Holland Garden (Phase 4), partes do terraço sobrejacentes às fracções 5.º andar H e 5.º andar J, Macau. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/ SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1.
Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas:
Local 1.1
Parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar H
1.2
Parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar J
Obra Construção de um compartimento composto por cobertura metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de vidro e portão metálico. Construção de um compartimento composto por cobertura e chapas metálicas, janelas de vidro e portão metálico.
Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HUANG, Shandan, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Hong Kong n.° R3230xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 44/ DI-AI/2015 levantado pela DST a 24.04.2015, e por despacho da signatária de 14.08.2017, exarado no Relatório n.° 584/DI/2017, de 02.08.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Paris n.° 239, Seng Hoi Hou Teng, Bloco 2, 4.° andar I, Macau onde se prestava alojamento ilegal.----------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Agosto de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.
2.
De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 10 de Março de 2017, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas.
3.
Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, e por despacho de 10 de Agosto de 2017 exarado sobre a informação n.º 5892/DURDEP/2017, ordena aos donos das obras ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.
4.
Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro.
5.
Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício.
6.
Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.
RAEM, 10 de Agosto de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 591/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora WEI HUIBI, portadora do Passaporte da RPC n.° G53086xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 26/DI-AI/2016 levantado pela DST a 26.02.2016, e por despacho da signatária de 14.08.2017, exarado no Relatório n.° 589/DI/2017, de 02.08.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Rua de Roma n.os 239-241, Jardim Hang Kei, Bloco 2, 11.° andar G onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.---------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Agosto de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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quinta-feira 17.8.2017
CORRUPÇÃO ANTIGO EMPRESÁRIO E LEGISLADOR CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA
A queda de um magnata
valor superior a 48,9 milhões de yuan “, referiu. O hotel foi encerrado, na sequência de uma operação policial, lançada após a CCTV difundir, em Fevereiro de 2014, uma reportagem sobre o vasto comércio de sexo em Dongguan.
M magnata chinês e antigo legislador na Assembleia Nacional Popular da China foi condenado a prisão perpétua, por aceitar subornos e gerir uma rede de prostituição no sul do país, noticiou ontem a imprensa oficial. Liang Yaohu foi julgado por um tribunal de Dongguan, cidade chinesa conhecida como a “capital do sexo”, e onde uma reportagem sobre redes de prostituição difundida pela televisão estatal CCTV, em 2014, resultou numa operação policial de larga escala. O advogado de Liang, Wang Silu, disse que “todas as propriedades obtidas ilegalmente por Liang foram confiscadas e que ele foi privado dos seus direitos políticos para a vida”, de acordo com o jornal oficial China Daily,. Quarenta e quatro antigos funcionários de um hotel detido por Liang foram também condenados a penas de prisão de pelo menos
Mais de mil suspeitos, entre prostitutas, clientes e líderes de redes de prostituição, foram detidos. Algumas das mulheres eram menores de idade. Vários oficiais da polícia foram também destituídos dos postos e colocados sob investigação, por pactuarem com as redes de prostituição e avisarem os grupos criminosos nas vésperas de rusgas policiais. Liang foi detido em Abril de 2014. Em tribunal, rejeitou todas as acusações. O advogado recusou dizer se vai ou não recorrer da decisão. O empresário é uma das pessoas mais ricas de Dongguan e um figura conhecida na cidade, um dos maiores centros industriais da China. Segundo a imprensa chinesa, Liang detém propriedades no valor conjunto de dois mil milhões de yuan. Foi membro da Assembleia Nacional Popular de 2008 até ser detido.
U
S
OLDADOS indianos e chineses atiraram pedras uns contra os outros na área da Caxemira controlada pela Índia, revelaram ontem funcionários indianos, numa altura de renovada tensão entre os dois países em torno de um território no sul do Tibete. Os soldados chineses atiraram pedras quando tentavam entrar na região de Ladakh, perto do lago Pangong, nos Himalaias, mas foram confrontados por soldados indianos, revelou
O empresário foi investigado pela criação de 99 saunas privadas e organizar uma rede de prostituição no hotel Crown Prince, em Dongguan
16 meses, por organizarem ou apoiarem atos de prostituição e destruírem provas, acrescentou o jornal. Liang, de 50 anos, e antigo membro do órgão máximo legislativo da China, era o dono do hotel
de cinco estrelas Crown Prince, em Dongguan. O empresário foi investigado pela criação de 99 saunas privadas e organizar uma rede de prostituição no hotel, segundo o China Daily.
“A investigação descobriu que Liang tem vindo a gerir redes de prostituição desde 2004”, lê-se no veredicto, citado pela imprensa chinesa. “Só em 2013, as instalações de sauna do hotel de Liang, construído em 1995, registaram lucros num
Tumulto nos Himalaias
Soldados chineses e indianos atiram pedras uns contra os outros
um responsável da polícia indiana. A mesma fonte, citada pela agência Associated Press, diz que os soldados indianos retaliaram, mas nenhum dos dois lados recorreu a armas de fogo. Até ao momento, a China não comentou o incidente. Um funcionário dos serviços secretos indianos disse que os confrontos ocorreram
depois de soldados indianos interceptarem uma patrulha chinesa que virou para território indiano, após se ter alegadamente perdido, devido ao mau tempo. Os soldados começaram a berrar uns com os outros e acabaram por atirar pedras. Elementos dos dois lados sofreram ferimentos ligeiros. Após trinta minutos de confrontos, os soldados
recuaram, disse a mesma fonte, que falou sob condição de anonimato.
ESTRADA DA POLÉMICA
O incidente ocorre numa altura em que os exércitos dos dois países se encontram frente a frente no planalto de Doklam (Donglang, em chinês), uma área também reclamada pelo Butão, que mantém com a Índia uma
VARRIDELA GERAL
cooperação próxima a nível de segurança, e onde a China está a construir uma estrada. Nova Deli enviou tropas para o outro lado da fronteira depois de equipas de construção chinesas terem iniciado a expansão para sul da estrada de Yadong, no Tibete. Pequim exige que os soldados indianos se retirem unilateralmente, como condição para o diálogo, enquanto Nova Deli quer que ambos os lados se retirem.
China e Índia, ambas potências nucleares, partilham uma fronteira com 3.500 quilómetros de extensão, a maioria contestada. Pequim é um importante aliado e fornecedor de armas do Paquistão, país rival da Índia. Em 1962, um conflito motivado por disputas fronteiriças causou milhares de mortos. Caxemira, nos Himalaias, é dividida entre a Índia, Paquistão e China.
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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 592/AI/2017 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HU JING, portadora do Passaporte da RPC n.° E26237xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 26.1/DI-AI/2016 levantado pela DST a 26.02.2016, e por despacho da signatária de 14.08.2017, exarado no Relatório n.° 590/DI/2017, de 02.08.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Roma n.os 239-241, Jardim Hang Kei, Bloco 2, 11.° andar G.-------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.----------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 14 de Agosto de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
Anúncio Faz-se saber que no concurso público n.o 27/P/17 para o « Fornecimento de Duas (2) Ambulâncias Hospitalares de Médio Porte e os Respectivos Equipamentos aos Serviços de Saúde », publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 30, II Série, de 26 de Julho de 2017, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 10 de Agosto de 2017 O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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17.8.2017 quinta-feira
A neve cai na terra lentamente, Como nuvem de brancas borboletas;
A Poesia Completa de Li He
追和柳惲 汀洲白蘋草,柳惲乘馬歸。 江頭楂樹香,岸上蝴蝶飛。 酒杯箬葉露,玉軫蜀桐虛。 朱樓通水陌,沙暖一雙魚。
Escrito ao Estilo de Um Poema de Liu Yun A uma ilha onde cresce o junco branco, Liu Yun torna a casa, montado no seu cavalo. A jusante o rio fragrante com marmeleiros, Sobre suas margens pairam borboletas. Vinho nas taças como orvalho de folhas de bambu, O seu alaúde de tarraxas de jade é de madeira oca de Shu.1 Um canal passa pela torre escarlate,2 Aonde a areia for quente, encontrarás um par de peixes.3
1 Liu Yun foi governador de Wu-xing durante a Dinastia Liang (502-57). É autor de uma famosa balada yue-fu (樂府), que começa: “Numa ilhota apanho junco branco, Poente, primavera a sul do Rio.” Shu (o Sichuan) era famoso pelas suas árvores de paulónia, cuja madeira era utilizada para fazer instrumentos de cordas. 2 Onde habitava uma cantora. 3 Dois amantes.
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
quinta-feira 17.8.2017
diários de próspero António Cabrita
O regresso de O Rinoceronte 08/08/2017
Bilene. Pisámos pela primeira vez a língua de areia que separa a lagoa do mar. Elas foram em expedição, à cata de tartarugas. Eu fiquei em decúbito dorsal sobre uma duna a reler O Inumano de Lyotard. Nas minhas costas o remanso da lagoa, às vistas o fragor do mar. E anoto: “o desenvolvimento impõe que se ganhe tempo. Andar depressa é esquecer depressa (…) Mas a escrita e a leitura são vagarosas, avançam para trás, na direcção da coisa desconhecida no ‘interior’. Perde-se o tempo em busca do tempo perdido. A anamnese é o antípoda, o outro, da aceleração e da abreviação. “ Chegados da falésia que ladeia esta fimbria, alguns gorjeios aveludam o ríspido grasnido das gaivotas. Eu interrogo-me se a interioridade não será apenas a actualização duma anterioridade desmembrada. A maré enche, rebenta com ímpeto as suas ondas na rocha. Uma criança foge da água aos berros, tem um calcanhar castigado pela queimadura de um tentáculo de garrafa-azul. Leio, “Estar apto para receber o que o pensamento não está preparado para pensar, é ao que devemos chamar pensar”. Estou certo de que tenham sentido estas minhas garatujas? Não. O sol estrela-se nas minhas costas. Persigo a disjunção, o pensar sem corpo enquanto elas perseguirão as tartarugas. Achá-lo-ei, achá-las-ão elas? A indeterminação é a pauta – embora lhes caiba (a elas) a maior propensão. Nesta latitude é mais plausível tropeçar – se em tartarugas ou avistar-se baleias do que eu achar vaga na gávea que permite enxergar o pensamento sem corpo. A um palmo de mim uma pequeníssima, quase invisível, aranha, suspende-se de um fio preso onde? Lamento não ter trazido a máquina para fotografar o inefável. Ao meu lado o Vítor, deitado de papo para o ar, lê o 4321 do Paul Auster, um senhor tijolo, e comenta, Este livro além de excelente exercita os músculos. Pensamento com corpo.
10/08/2017
É impossível não sorrir quando leio no Magazine desta semana: A selecção nacional de xadrez qualificou-se para o mundial da modalidade, a ter lugar na Índia, no próximo mês de Dezembro, fruto da conquista do “africano” da modalidade, recentemente realizado em Moçambique, que contou com a participação de dois países do continente africano (…) A organização contava com mais participantes mas por motivos financeiros e burocráticos, à última hora, os restantes desistiram da prova. O certame foi designado Africano Zona 4.3/ Sub-16, por equipas. Este mega evento é a primeira vez que é organizado em Moçambique e contou com juízes internacionais provenientes da
Zâmbia e os restantes são de Moçambique. Com a ausência de um número considerável de países, o certame resumiu-se a dois países nomeadamente, Moçambique e Suazilândia. Foram divididos em quatro equipas, equipa A,B,C e D. A equipa “B” foi a grande vencedora da prova. Tendo a Suazilândia ficado em último lugar… Parabéns Moçambique. Isto faz-me lembrar o exemplo que costumo dar na primeira aula quando quero frisar o fosso que é preciso ultrapassar para dar o salto para o desenvolvimento. E então aí informo que o jornal que mais vende em Moçambique é o matutino Notícias, o único que chega a todo o país e que, para uma população de 23 milhões, vende 20 000, recordando em contraste que em 1890 os principais diários de Paris, Londres e Nova Iorque vendiam entre 90 000 a 100 000 exemplares. Há muitos mundos no mundo, repetia a minha mãe.
11/08/2017
Pascal morreu aos trinta e nove anos… e já era, no seu tempo, uma idade avançada. Alexandre Magno e Catulo morreram
aos trinta e três anos, Mozart aos trinta e seis, Chopin aos trinta e nove, Spinoza aos quarenta e cinco, Santo Tomás aos quarenta e nove, Shakespeare e Fichte aos cinquenta e dois, Descartes aos cinquenta e quatro, e Hegel com a avançadíssima idade de sessenta e um. Também o Bolano se finou aos quarenta e nove. Face a estes dados só nos resta reconhecer que somos de uma preguiça incomensurável e que há ossos que não se liquefazem no efémero.
11/08/2017
Folheando cadernos adentro pesco um episódio caricato que se passou com o Ionesco. O velho gnomo recebeu o telefonema de um encenador de Nova Iorque que além das palmadinhas nas costas lhe comprou os direitos para encenar O Rinoceronte, uma peça onde todas as pessoas de uma aldeia se metamorfoseiam em grandes mamíferos. A peça na altura foi lida como uma metáfora sobre a alienação ou sobre a indiferença. As interpretações variavam. E o Ionesco lá pagou um tintinho ao Cioran e a outros compinchas.
Passado dois meses recebe um novo telefonema do americano, que estava encabulado. Desembuche homem, incentivou o romeno. O nova-iorquino lá esclareceu que tivera de contratar um “negro” para reescrever a transição do segundo para o terceiro actos. Mau Maria, de que é que você fala? E o encenador confessou que fora obrigado a introduzir um telefonema em que Berenger (o protagonista) tenta em vão telefonar ao seu maior amigo, antes de concluir, Bom, eu tentei avisá-lo várias vezes que ia a casa dele, mas como não me atendeu o telefone… Resumindo, o que deixou o Ionesco siderado, para o americano era normal que um corno de rinoceronte irrompesse da testa das personagens e que toda a aldeia se bestializasse, isso fazia parte da lógica poética, o que era impossível de acontecer era que um amigo fosse a casa de outro sem o avisar previamente. Convenção social, afinal, que derrotava o absurdo da peça. Seja a alienação seja a indiferença, qualquer uma das duas chaves tornam O Rinoceronte actualíssimo.
14 (f)utilidades TEMPO
17.8.2017 quinta-feira
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AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOULD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8
MIN
27
MAX
32
HUM
70-95%
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EURO
9.43
BAHT
EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 101
C I N E M A
HITMAN’S BODYGUARD SALA 1
DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE IN THE ANTARTIC KACHI KOCHI [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Atsushi Takahashi 14.30
THE BATTLESHIP ISLAND [C] FALADO EM COREANO E JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Ryoo Seung-Wan Com: Hwang Jung-Min So Ji-Sub Song Joong-Ki 16.30, 19.00, 21.30 SALA 2
Fime de: Patrick Hughes Com: Ryan Reynolds, Samuel L.JAckson, Gary Oldman 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3
PROBLEMA 102
UM DISCO HOJE
SUDOKU
DE
Cineteatro
1.20
CHARLOTTESVILLE
EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9
EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8
YUAN
PÊLO DO CÃO
EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO Find Art Macau
EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08
0.24
“Ambos os lados o fazem”, é a desculpabilização que se ouve e que tem legitimado em surdina o crescimento da extrema-direita um pouco por todo o mundo. Hoje olhemos para o que aconteceu em Charlottesville, Virginia, onde uma reunião de grupos de extrema-direita resultou em brutalidade e morte. Sempre que há uma erupção de violência por parte de neonazis, vozes da dita direita moderada vêm a terreiro equilibrar os pratos da balança, com equiparações absurdas a movimentos como, por exemplo, o “Black Lives Matter”. O movimento contra a violência policial que atinge, desproporcionalmente, afro-americanos está longe de estar no poder. A desproporcionalidade não é uma opinião minha, mas uma evidência estatística. Por outro lado, a Alt-Right, redefinição estilística da extrema-direita que esconde suásticas debaixo de fatos de três peças, está na Casa Branca na influente presença de Steve Bannon. Claro que existem grupos violentos antifascistas, mas não têm qualquer representação junto do poder à esquerda. Após muita pressão da relativa moderada facção do Partido Republicano, Trump lá veio dizer que o racismo é uma coisa feia. Ontem voltou à carga ao demonstrar simpatia pelos que se manifestavam contra a retirada da estátua do General Lee, um famoso militar sulista, defensor da escravidão e ídolo da extrema-direita norte-americana. Vivemos tempos perigosos e já vimos falsas equivalências a dar força ao longo da história recente a movimentos antagónicos à democracia e ao século XXI. João Luz
“PEARL” | JANIS JOPLIN
Janis Joplin existiu em formato relâmpago. Teve uma carreira curta, mas que deixou do melhor que se fez na música, e “Pearl” é um excelente exemplo disso. Frenético, foi também o álbum que definiu a intérprete como “pérola branca dos blues”. Ouvir o disco, ainda que se tenha nascido bem depois, é uma viagem aos tempos do rock, de limites indefinidos e de muita vida. “Pearl” começa com “Move Over” e termina, em grande, com “Get It While You Can”. É um “must have” em qualquer prateleira. Sofia Margarida Mota
THE EMOJI MOVIE [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Tony Leondis 14.30
GINTAMA [B] FALADO EM JAPONÊS Fime de: Fukuda Yuuichi Com: Oguri Shun, Tsuyoshi Domoto, Suda
HITMAN’S BODYGUARD [C]
Masaki
FALADO EM CANTONÊS
16.30, 19.00, 21.30
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opinião 15
quinta-feira 17.8.2017
bairro do oriente
O
Um gesto é (quase) tudo
Instituto Politécnico de Macau estabeleceu há alguns anos com a sua congénere de Leiria, Portugal, um protocolo de intercâmbio de estudantes de tradução de Português e Mandarim. Assim o curso de quatro anos implicava que os alunos de Macau fizessem o primeiro e o último no território, e os outros dois em Portugal, e vice-versa para os estudantes portugueses. Destes últimos há uma curiosidade interessante: chegados ao território com algumas noções de Mandarim, alguns deles abordavam a população local com um sonoro e caprichado “nin hao”, o que apesar de ser recebido com alguma estranheza, os residentes de Macau davam o devido desconto por se tratar de um estrangeiro. Quando cheguei a Macau, vai lá vão 24 anos, conseguia ser ainda mais ingénuo, pois assumia que se tratando de um território na altura sob administração portuguesa, a língua de Camões fosse falada pela maioria da população. Não foi presunção nem arrogância, mas o pouco que procurei saber antes de chegar, e sem conhecer mais ninguém que tivesse residido no território, tinha presente o facto que os nomes das ruas e outras indicações se encontravam escritos na nossa língua. Foi um pouco embaraçoso entrar em locais como uma padaria, ou mesmo em qualquer restaurante da cadeia McDonald’s e começar a falar em Português, e ao aperceber-me da minha falha mudar logo, mas das vezes que tinha algum sucesso, na maior parte delas notava uma reacção negativa das pessoas que não me entendiam – era mais por culpa da forma brusca com que me expressei. Fui um “bárbaro”, é o que foi. Os ocidentais que vão pela primeira vez à China podem estranhar a posição defensiva com que alguns chineses reagem à sua abordagem, e isto deve-se mais à linguagem gestual do que propriamente à expressão oral, ou ainda a atitude que demonstramos perante os obstáculos normais que encontramos em comunicar, ora rindo, levando as mãos à cabeça, ou fazendo um ar agastado – tudo sinais que os chineses interpretam como de agressividade. Mesmo quem chega a Macau e aprende rapidamente a falar o cantonense, depara com reacções que o deixam intrigado, consciente de que não terá faltado ao respeito ao seu interlocutor, mas terá bastado um gesto mal medido para arruinar o mais bem intencionado dos discursos. Macau não é a China em muitos aspectos, mas esta particularidade é comum à generalidade da cultura. Sempre são cinco milénios, e tentar mudar as coisas como alternativa a simplesmente adaptar-se – e
PIETER BRUEGEL, TOWER OF BABEL
LEOCARDO
nem custa assim tanto – é que se pode considerar uma atitude arrogante. Os portugueses têm gestos largos, apontam, mexem os braços, têm tendência para elevar a voz. Se há chineses que já se habituaram, e para os macaenses é fácil de entender, o são convívio com estas comunidades fica sempre mais facilitado se reduzirmos ao mínimo a expressão corporal, e evitar um certo repentismo próprio da nossa natureza de latinos. Quem chega de Portugal é possível que uma das primeiras coisas que nota seja a pouca receptividade que os locais têm ao tradicional “beijo no rosto”, a forma com que os portugueses habitualmente cumprimentam uma senhora, mesmo que
Melhor do que aprender à custa de errar, é dar um sinal de que para bom entendedor, meio gesto basta
a conheçam mal, ou tenham acabado de a conhecer. A rejeição não tem tanto a ver com a pessoa, mas com a cultura, e sobretudo com a forma como os outros entendem este comportamento: para os chineses o contacto físico mais ousado ou demorado é um sinal de grande intimidade. E isto adquiri-se logo desde a chegada ao mundo, pois se repararem o hospital “Kiang Wu” não permite que os recém-nascidos saiam da sala a eles destinada para as tradicionais fotografias com os familiares e amigos, um hábito enraízado no Ocidente, ao contrário da maternidade do Hospital Conde S. Januário, preferida pela maioria dos forasteiros. Para quem não nasceu em Macau, ou não cresceu no seio da comunidade chinesa, pode interpretar tudo isto como uma forma de distanciamento, ou até má vontade, mas quem quiser mesmo fazer desta terra a sua segunda morada, ou eventualmente a primeira, convém adaptar-se a estes detalhes, por vezes tão minuciosos, e que não implicam neces-
sariamente que tenham que deixar de ser o que são. É claro que há sempre excepções, e pode dar-se o caso de encontrar chineses que achem graça a esta modalidade de contacto que a sua cultura considera “libertina”, e muitos macaenses são capazes de entender, e mais ainda dependendo da educação, da frequência do contacto com a comunidade portuguesa, ou ainda mais receptivos serão se já viveram em Portugal – mas isto não quer dizer que apreciem, entenda-se. Nestes casos é sempre melhor manter uma certa reserva, e esperar que a iniciativa parta da outra pessoa, demonstrando também uma vontade maior de se integrar nesta realidade diferente da sua. Pode ser um pouco chato, e parecer esquisito até, mas melhor do que aprender à custa de errar, é dar um sinal de que para bom entendedor, meio gesto basta. PS: Vou este sábado para Navarra limpar os pulmões com o ar dos Pirinéus. O Bairro do Oriente regressará assim em meados de Setembro. Um abraço do tamanho do mundo.
“
Tenho sonhos cruéis; n’alma doente /Sinto um vago receio prematuro. /Vou a medo na aresta do futuro /Embebido em saudades do presente... Camilo Pessanha
quinta-feira 17.8.2017
FILIPINAS POLÍCIA MATA 32 SUSPEITOS DE TRÁFICO NA MAIS SANGRENTA OPERAÇÃO DE SEMPRE
A
Polícia da província filipina de Bulacan anunciou ontem ter matado 32 presumíveis traficantes de droga em 24 horas, na operação mais sangrenta da “guerra antidroga” iniciada há um ano pelo Presidente, que já felicitou as autoridades. “Foi algo magnífico”, disse o Presidente filipino, Rodrigo Duterte, numa referência à operação na província de Bulacan, a norte de Manila, que permitiu também deter 107 pessoas por delitos alegadamente relacionados com as drogas. “Se pudéssemos matar 32 outras pessoas por dia, poderia reduzir-se o flagelo que afecta o país”, acrescentou. Os agentes mataram os 32 suspeitos e detiveram outros 107 numa operação antidroga executada entre segunda e terça-feira nesta província de 3,3 milhões de habitantes a norte de Manila, informou a polícia regional de Bulacan em comunicado. Na operação, as autoridades apreenderam 367 sacos de uma droga química chamada shabu (cloridrato de metanfetamina), com um valor estimado em 1,17 milhões de pesos (19.800 euros). Nas casas dos suspeitos foram ainda encontrados 765 gramas de marjuana, duas granadas, 34 armas de fogo de diversos calibres e 114 balas. O elevado número de mortos num tão curto intervalo de tempo não tem precedentes, mesmo tendo em conta que a “guerra contra as drogas” de
O
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Rodrigo Duterte, Presidente filipino “Foi algo magnífico. (...) Se pudéssemos matar 32 pessoas por dia, poderia reduzir-se o flagelo que afecta o país.”
Duterte já provocou 3.451 mortes em operações policiais deste género em todo o país, segundo dados oficiais. “No passado realizámos operações de larga escala, mas este foi o maior número de pessoas mortas numa só operação”, confirmou em conferência de imprensa Romeo Caramat, diretor da Polícia Nacional.
MATA, MATA
A Polícia de Bulacan justificou a operação argumentando que os sus-
peitos assassinados eram “notórios delinquentes dos que preferem lutar até à morte do que ser apanhados vivos”, pelo que os agentes “não tiveram outro remédio” senão disparar a matar. Classificou ainda a operação como um êxito para as autoridades na sua “luta implacável contra as drogas e armas ilegais”. Calcula-se que mais de 7.000 pessoas tenham morrido desde que começou a controversa campanha de Duterte, já que, aos abatidos
pela polícia somam-se as vítimas de patrulhas de moradores e outros homicídios facilitados pelo clima de impunidade. A “guerra contra as drogas” de Duterte tem sido criticada por organizações internacionais, que acusam o Presidente filipino de violar direitos humanos. Duterte garante que continuará a campanha até erradicar o narcotráfico e o crime do país de 100 milhões de habitantes.
Libertem o “carniceiro” Protesto em Hong Kong pela libertação de ‘blogger’ Wu Gan
O activista, conhecido na Internet pelo nome “Super Carniceiro Vulgar”, foi um dos primeiros advogados apanhados na campanha de repressão pelas autoridades iniciada em 2015. Cerca de 300 pessoas foram presas no âmbito dessa campanha, lançada a nível nacional. Entre 9 e 10 de Julho de 2015, as autoridades chinesas prenderam 319 advogados, outros trabalhadores e activistas de várias zonas do país.
O deputado pelo Partido Cívico Kwok Ka-ki criticou Pequim, afirmando que, se a China quer estar entre os primeiros países a nível mundial, deve, tal como os outros países, garantir os direitos humanos a todos os cidadãos. “Isto é um direito básico que está inscrito até na Constituição chinesa. Mas o governo chinês nunca segue a sua própria constituição”, disse, citado pela Rádio e Televisão Pública de Hong Kong.
Gary Wu foi detido em Maio de 2015, quando protestou em Nachang (sudeste) contra a detenção e tortura de quatro pessoas que as autoridades queriam que admitissem um crime. Em Agosto de 2016 foi novamente detido e acusou as autoridades de o terem torturado. Wu tornou-se conhecido em 2009, quando denunciou o caso de uma jovem, Deng Yujiao, que matou um político
local que tentou abusar sexualmente dela. O caso tornou-se muito mediático e gerou uma onda de simpatia para com a jovem, inspirando parte do filme “Um Toque de Violência”, do realizador chinês Jia Zhangke, cujo argumento foi premiado no Festival de Cannes de 2013. Uma dezena de amigos do ‘blogger’ tentaram aproximar-se do edifício do tribunal n.º 2 de Tianjin, para lhe manifestar apoio, mas foram dispersados pela polícia, segundo o diário de Hong Kong South China Morning Post.
O ministro da Economia de Taiwan apresentou a demissão, na sequência de um apagão que afectou milhões de casas na ilha na terça-feira à noite, foi ontem noticiado. A falha num gerador de uma central eléctrica deixou às escuras estradas, centros comerciais e escritórios na terça-feira à noite. A agência noticiosa de Taiwan, CNA, disse que “um erro técnicooperacional” causou a paragem de seis geradores na maior central de gás natural da ilha. Numa conferência de imprensa, o ministro da Economia, Lee Chih-kung, pediu desculpas e disse que a pessoa que cometeu o erro será punida. A CNA acrescentou que 6,68 milhões de casas foram afetadas na capital, Taipé, nas cidades de Taichung e Tainan, e em três condados no centro, oeste e sudoeste da ilha de 23 milhões de habitantes.
Ronaldo Cinco jogos de castigo
O Comité de Apelo da federação espanhola de futebol não deu provimento ao recurso do Real Madrid e manteve a suspensão de cinco jogos a Cristiano Ronaldo na sequência da expulsão em Camp Nou. Assim sendo, o internacional português ficou arredado do jogo de ontem à noite com o Barcelona, no Santiago Bernabéu, relativo à segunda mão da Supertaça de Espanha, falhando ainda as primeiras quarto jornadas do campeonato, frente a Deportivo, Valência, Levante e Real Sociedad. GETTY
Partido Cívico de Hong Kong organizou ontem um protesto no exterior do Gabinete de Ligação do Governo Central da China para pedir a libertação imediata do activista dos direitos humanos chinês Gary Wu, informou a imprensa local. Gary Wu compareceu em tribunal na segunda-feira em Tianjin (nordeste), acusado de subversão. Trata-se de uma acusação muito grave na China e cuja pena máxima é prisão perpétua. O tribunal disse que iria lançar o veredicto mais tarde, mas não avançou uma data.
AFP/NOEL CELIS
Com sombra de pecado
Taiwan Apagão demite ministro