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Hoje Macau 17 JUL 2014 #3133

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

ANIMAIS ALBANO MARTINS ACUSA COUTINHO

O carro à frente dos bois O projecto do Governo de uma nova Lei de Protecção dos Animais deu entrada na AL no dia 23. No entanto, teve de ser suspenso por motivos jurídicos, devido à apresentação, em Fevereiro, de outro projecto semelhante de Pereira Coutinho. O presidente da ANIMA lamenta a situação e acusa Coutinho de “correr apressado”

CAMÕES

PÁGINA 3

SUBSÍDIO DE RESIDÊNCIA

TUI rejeita 27 recursos

100 sonetos foram

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agora traduzidos para chinês. Um texto de Yao Jing Ming

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METRO LIGEIRO

Kun Iam fica onde está SOCIEDADE PÁGINA

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ENTREVISTA DIRECTOR DO MAM A FAVOR DA HISTÓRIA DE MACAU PÁGINA 2

A APOMAC perdeu uma batalha que já durava há dois anos. A pretensão de 27 aposentados requerentes do subsídio de 1500 patacas foi negada pelo Tribunal de Última Instância. Francisco Manhão diz-se “desiludido” e acusa a Administração local de tratar uns como filhos e outros como enteados.

SOCIEDADE PÁGINA

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ENTREVISTA

hoje macau quinta-feira 17.7.2014

ENTREVISTA CHAN HOU SENG, DIRECTOR DO MUSEU DE ARTE DE MACAU

Chan Hou Seng, actual director do Museu de Arte de Macau, confessa que gostaria de ter mais recursos e incentivos para aproximar pessoas e cultura e acredita que é preciso fazer-se um reordenamento dos vários departamentos governamentais para ajudar à fluência de eventos e exposições LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Considera que, além do Museu de Arte de Macau (MAM), há locais suficientes a especializarem-se na arte contemporânea em Macau? Em termos de procura e oferta, considero que até há – para além do MAM. Há alguns espaços e galerias que se focam na arte contemporânea, como as galerias do Forte, do Tap Seac ou do Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais, o Albergue ou o Armazém do Boi... Não creio que haja quantidade insuficiente de oferta, até porque, em proporção e dividindo a população de Macau por diferentes áreas, acho que é bastante suficiente neste momento. Considera que devia haver mais variedade, no tipo de actividades e exposições culturais que existem? Estamos sempre a tentar diversificar os temas ou o estilos das diferentes exposições que temos. É melhor para a população termos variedade e, no MAM, oferecemos arte contemporânea e clássica, ocidental e oriental. De acordo com os dados estatísticos de 2013, 17% das exposições do MAM foram de arte contemporânea e outros 17% de artistas locais, o que perfaz 34% das mostras de todo o ano passado. Estas exposições são realizadas em diferentes escalas e talvez seja por isso que as pessoas sabem de umas

e não sabem de outras. São capazes de vir às mais conhecidas – de arte clássica, por exemplo – e faltar às outras, de arte contemporânea. No ano passado, organizámos uma mostra de um artista de arte contemporânea muito famoso e influente na China, por exemplo. Além disso, estamos também a tentar diversificar o conteúdo das nossas exposições em parceria com outras instituições, para conseguirmos fazer melhor uso dos recursos à nossa disposição.

MAM

“Mercado de artistas locais está a florescer”

As exposições mais recentes do MAM focaram-se em artistas internacionais e europeus, especificamente. Estão a pensar dedicar-se mais à arte local? Temos um programa permanente chamado ‘Macau Ax Window’ dedicado à organização de trabalhos de artistas de Macau, mas não estabelecemos propriamente um número ou uma quota de exposições de arte local para expormos... Depende no tipo de trabalhos que são e no plano de exposições anual. Considero que o mercado de artistas locais está a florescer cada vez mais. Na verdade, estamos a rearranjar o nosso espaço [do museu]. Temos um plano para transformar o rés-do-chão num espaço onde possam ser expostas peças de artistas locais para serem compradas por amantes de arte. Isto é, claro, apenas uma plataforma de ligação entre os artistas e potenciais compradores porque, na verdade, o nosso objectivo não é liderar o mercado da arte contemporânea local, somos mais abrangentes. Ajudar no desenvolvimento da arte local é sempre uma das coisas que mais temos em conta quando fazemos o planeamento anual. Como funciona a escolha dos trabalhos que são expostos no MAM? Na verdade, não queremos que a qualidade dos trabalhos expostas diminua, queremos manter um padrão. Temos que manter o ‘standard’ e, de certa forma, isso faz com que os artistas locais se sintam importantes e com qualidade ao verem as suas peças expostas no MAM. É como se se tratasse de uma medida avaliativa. Este é um dos nossos conceitos principais, o de manter um alto nível de qualidade em termos do que é e não é exposto. Se assim não for, todos pensarão que têm qualidade e os menos bons sentir-se-ão ao nível dos artistas muito bons, para além

de que o museu não iria conseguir manter uma imagem profissional. Relativamente aos itinerários turísticos que o Governo criou. Considera que deveria ser incluída mais cultura e arte nestes percursos? A grande maioria dos turistas vem para ir aos casinos. Será responsabilidade do Executivo proporcionar outro tipo de actividades?

“É importante puxar mais elementos culturais para mostrar a história de Macau, uma vez que ela efectivamente existe aqui.”

Acho que não só nós, enquanto entidade cultura, devíamos estar preocupados com o fomento cultural e artístico, porque são áreas que desempenham um papel fundamental no turismo. Os turistas não vêm cá apenas para experiências materiais, mas também espirituais, que é um ponto muito importante. Considero que o elemento cultural no turismo não cria conflitos com a visita aos casinos. É importante puxar mais elementos culturais para mostrar a história de Macau, uma vez que ela efectivamente existe aqui. Em termos económicos, julgo que se incutirmos mais a cultura aos turistas, isso vai permitir que as pessoas gastem bastante dinheiro na compra de

peças de arte, por sua vez ajudando no aumento de receitas de Macau. Que medidas considera que o Governo deveria tomar nesse sentido? Enquanto funcionário do Governo, não posso comentar este assunto. Contudo, posso dizer – enquanto trabalhador de um museu – que gostaria de receber mais recursos e sugestões que ajudassem a desenvolver a imagem da cidade. Estão a ser desenvolvidos cada vez mais centros artísticos em bairros operários, por exemplo. Este tipo de indústria é crucial para mostrar que Macau também pode ser competitivo ao nível da arte, além de ser igualmente importante em


POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 17.7.2014

PROTECÇÃO ANIMAL QUESTÕES JURÍDICAS PARAM A LEI

termos sociais, porque abre os olhos e a mente das pessoas para serem mais criativos. É por isso mesmo que temos que ter mais recursos e formas de incentivar a que as pessoas queiram saber mais sobre arte.

A lebre e a tartaruga

Quanto a pessoas formadas nas áreas específicas da cultura, como vê a situação? Acho que este ponto não está assim tão mau em Macau, pois há cada vez mais serviços e departamentos governamentais a usarem recursos na educação. No nosso caso, temos um ateliê específico aqui no museu para dar a conhecer a arte às pessoas e criar um cada vez maior grupo de visitantes. Não temos um programa académico, mas sim direccionado para o entretenimento.

O presidente da Assembleia Legislativa pediu uma análise jurídica para saber se a proposta de Lei de Protecção dos Animais pode dar entrada oficial no hemiciclo, depois do chumbo do projecto de Pereira Coutinho. Albano Martins “lamenta” a situação. Vong Hin Fai sugere revisão do Regimento da AL ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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EPOIS de muitas manifestações e vozes de protesto que exigiam a criação de uma nova Lei de Protecção dos Animais, eis que o Governo apresentou, no passado dia 23, o projecto de lei à Assembleia Legislativa (AL). Contudo, a entrada oficial do diploma, para efeitos de votação e análise, está suspensa por motivos jurídicos. Em causa está a apresentação do mesmo projecto de lei pelos deputados José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai em Fevereiro, o qual foi chumbado. O Regimento da AL determina que dois projectos de lei semelhantes não podem ser apresentados na mesma sessão legislativa. “Como o Governo apresentou a proposta de lei - e face ao artigo 109 do Regimento -, a questão é se a proposta de lei deve ser admitida. Entendemos que existem semelhanças entre o projecto e a proposta

“...gostaria de receber mais recursos e sugestões que ajudassem a desenvolver a imagem da cidade.”

Considera que os regulamentos relativos aos concursos de financiamento das indústrias culturais são adequados para os residentes de Macau? Embora não seja especialista e não esteja familiarizado com estas matérias, acho que todos os regulamentos são baseados em provas dadas e estatísticas e por isso, acho que se calhar as pessoas têm que ser mais pacientes ou procurar mais informações antes de se candidatarem a este tipo de financiamentos.

de lei apresentada pelo Governo, pois têm a mesma finalidade, com penalizações e sanções quanto ao mau trato dos animais. Numa posição preliminar, a comissão entende que há repetição na apresentação da proposta de lei do Governo”, explicou o deputado Vong Hin Fai, que preside à Comissão de Regimento e Mandatos (CRM). A análise por parte da CRM partiu de um pedido de Ho Iat Seng, presidente da AL, sendo que ainda não há uma decisão final para que o diploma tenha luz verde no hemiciclo. Hoje deverá ser entregue um relatório para que o presidente do hemiciclo possa decidir.

PRESIDENTE DA ANIMA “LAMENTA”

Uma das vozes que mais tem exigido a elaboração de uma nova lei dos animais é Albano Martins, presidente da Sociedade de Protecção dos Animais - ANIMA. Em declarações ao HM, o também economista “lamenta” o entrave legislativo.

“Pedi ao deputado Pereira Coutinho para encontrar uma solução em conjunto com o Governo e não correr apressado. Estava consciente de que poderia destruir a hipótese da [entrega] da proposta de lei à Assembleia.” Albano Martins fala ainda de “objectivos políticos” por parte de José Pereira Coutinho na apresentação, pela segunda vez, do seu projecto de lei, que acabaria por ser chumbado duas vezes. “Usou os animais com objec-

“ (Pereira Coutinho) Usou os animais com objectivos políticos e não olhou para os seus direitos.” ALBANO MARTINS Presidente da Sociedade de Protecção dos Animais

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Como vê o sector da educação artística? Acho que o panorama actual é positivo. Há 20 anos, ninguém imaginaria que teríamos um aeroporto internacional ou um museu de arte. Não é que tenhamos passado de não termos nada a termos tudo... Há cada vez mais jovens a estudar artes no estrangeiro e, talvez num futuro próximo, o sistema educativo possa ser melhorado até determinado ponto. Ao nível da legislação, considera que há pontos a melhorar ou acrescentar para que o sistema das indústrias culturais e criativas e o mercado da arte em Macau funcione melhor? Julgo que há algumas alterações que deviam ser feitas, mas não tanto em termos de legislação. Neste momento, julgo que todo o sistema seria mais eficaz se houvesse um reordenamento e integração em termos de gestão de recursos humanos nos departamentos. Seria positivo redireccionar determinados departamentos para atingir os fins desejados. Isto já está previsto e deverá acontecer no próximo ano.

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Gabinete deApoio ao Ensino Superior (GAES) ainda não tem uma data concreta para a apresentação da nova lei sobre o ensino superior à Assembleia Legislativa (AL), isto apesar do processo estar “na sua fase final” desde Janeiro do ano passado. “O GAES já concluiu a versão preliminar da proposta de lei do Regime do Ensino Superior e tenta, com a maior brevidade, passar para a etapa seguinte

tivos políticos e não olhou para os seus direitos. Estava convencido de que a apresentação do seu projecto de lei iria levar a esta interpretação legal da proposta de lei [do Governo]”, disse ainda. O HM tentou ontem, por diversas vezes, chegar à fala com José Pereira Coutinho, mas o deputado não se mostrou disponível até ao fecho da edição.

REGIMENTO É PARA REVER, MAS NÃO JÁ

Segundo Vong Hin Fai, a única possibilidade de ultrapassar este impasse jurídico passa pela revisão do artigo 109. “Ao fim e ao cabo, temos de ver se o que está no artigo 109, em relação à proibição de repetição [de propostas de lei], se se refere ao Governo ou aos deputados. Há uma certa incompatibilidade. Sugerimos que se faça a revisão do artigo 109 o quanto antes, para que possa estar de acordo com o artigo 75 da Lei Básica [que fala da iniciativa dos deputados em matéria legislativa]”, explicou o deputado. Apesar da revisão do Regimento da AL estar na agenda dos deputados desde o ano passado, a verdade é que tal está longe de se tornar uma realidade. “A comissão já teve várias reuniões para debater essas opiniões e para proceder à revisão do Regimento. Parece que o tempo não é suficiente para conseguir um texto completo nesta sessão legislativa. Ainda não há consenso. A revisão geral do Regimento a curto prazo não é fácil”, garantiu Vong Hin Fai.

ENSINO SUPERIOR LEI SEM DATA PARA CHEGAR À AL

A eterna “fase final” do processo legislativo”, foi confirmado ao HM através de e-mail. Tal como já tinha sido anunciado, a nova lei pretende trazer uma maior autonomia às instituições públicas de ensino, o “aumento de flexibilidade das mesmas em ministrar

cursos” e ainda “assegurar o investimento de recursos no Ensino Superior”. Dependentes da nova lei estão os estatutos jurídicos das instituições públicas de ensino, que passarão por alterações. O Instituto Politécnico de Macau (IPM) confir-

mou ao HM que todas as mudanças dependem da nova lei. “Estamos todos à espera do lançamento da nova lei e depois é que podemos ter uma ideia geral em que áreas é que podemos fazer alterações ou aperfeiçoamentos”, garantiu o organismo.

Recorde-se que o novo diploma vai trazer novos programas, a possibilidade de politécnicos oferecerem cursos pós-licenciatura e maior autonomia para as instituições públicas para, nomeadamente, pagarem os salários entendidos. O GAES prefere não revelar datas exactas. Recorde-se que este projecto de lei está para ser entregue ao hemiciclo para discussão e votação dos deputados desde 2011. - A.S.S.


4 política

hoje macau quinta-feira 17.7.2014

SUFRÁGIO UNIVERSAL SUSANA CHOU CONDENA LUTA “VIOLENTA” EM HONG KONG

“Eleições precisam de consenso” Apesar de condenar a luta pelo sufrágio em Hong Kong, por ser demasiado violenta, Susana Chou desvaloriza a questão do “referendo civil” em Macau, salientando, no entanto, que as leis têm de ser respeitadas CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, considera que o sufrágio universal ou qualquer maneira de eleger o Chefe do Executivo precisa de um consenso da maioria dos residentes, mas

não discorda do “referendo civil” que está a ser levado a cabo por três associações pró-democracia. Num último ‘post’ no seu blogue, Chou condena a luta pelo sufrágio universal em Hong Kong, considerando que esta é muito “violenta”, mas relembra que Macau não pode ter um sufrágio universal porque, ao contrário de Hong Kong, a Lei Básica não prevê isto. Contudo, a antiga presidente da AL não considera que a elaboração de um referendo não-oficial seja motivo de preocupação. “Recentemente, surgiu o referendo civil sobre o sufrágio universal para o Chefe do Executivo. Não acho que este referendo seja algo excessivo”, referiu, acrescentando contudo que deve ser tido em conta as leis a seguir e que devem ser respeitadas. “As eleições para o Chefe do Executivo são totalmente dependentes da Lei Básica e de leis locais. Neste caso, considero que não interessa se todos os residentes concordarem com este modelo de eleições ou não, porque, na prática, as nossas eleições têm que ser executadas pela lei.” Pelo contrário, diz Susana Chou, o sufrágio universal não

“Não acho que este referendo seja algo excessivo”

“HK INFLUENCIOU MACAU” A ex-presidente da AL disse ainda que a série de acções de Hong Kong teve alguma influência em Macau. Dando como exemplo a jovem finalista que mostrou um cartaz na cerimónia de graduação da Universidade de Macau (UM), a defender a liberdade académica, Susana Chou explica que o a actividade causou polémica porque casos semelhantes nunca tinham acontecido em Macau, pelo que a

universidade não soube lidar com o assunto. “Contudo, acho que a reacção de UM foi demasiado exagerada, não era preciso expulsar a aluna nem o jornalista que estava a tirar fotos da sala.” Susana Chou considera que a acção da jovem não respeitou de facto a ocasião séria, mas que, comparado com a ocupação da AL de alunos de Taiwan e outras acções ilegais, o caso da UM , diz, foi apenas um caso muito leve.

ELEIÇÕES CE CHUI SAI ON QUER ESTAR MAIS PERTO DA POPULAÇÃO

Equipa que ganha não se mexe V ONG Hin Fai, Leong Sio Pui e Eva Lou mantêm-se como a equipa de Chui Sai On na campanha eleitoral do Chefe do Executivo para um próximo mandato. O deputado Vong Hin Fai é o mandatário, Leong Sio Pui, coordenador, e Eva Lou, coordenadora-adjunta, e comandam uma equipa de mais sete pessoas que tenta, até Agosto, que Chui Sai On seja reeleito Chefe do Executivo. A sede de campanha de Chui passa a ser na Avenida da Praia Grande, num local cuja renda é de 10 mil patacas por mês, e terá disponíveis sete funcionários – cujos salários totalizam cem mil patacas. A sede vai disponibilizar o programa eleitoral de Chui Sai On e vários encontros e actividades para o público.

Actividades que, garante a equipa, não se ficam por aqui: Chui Sai On vai também “mais vezes” aos bairros antigos, de forma a entender as necessidades da população. A equipa, garante Vong Hin Fai, fará tudo para ganhar o máximo apoio dos membros da Comissão Eleitoral para a o líder do Executivo. “Temos muitas confiança de que vamos ganhar mais de 65

existe na Lei Básica, pelo que não se pode colocar esta situação como objectivo para 2019 “à vontade” do freguês. “Ainda há a possibilidade de, no futuro, Macau ter o sufrágio universal, mas o elemento que é mais importante é que isto depende da tendência de desenvolvimento no futuro e se a maioria dos residentes de Macau puderem chegar a um consenso sobre o sufrágio universal.”

assinaturas dos membros [da Comissão Eleitoral]” frisou a equipa. Chui precisa deste número para conseguir ser candidato. Quanto ao orçamento para a campanha eleitoral, o mandatário não avança estimativas, mas garante que a intenção de Chui Sai On é poupar dinheiro na campanha, relativamente ao ano passado. O mandatário da candi-

datura, Vong Hin Fai, é um dos deputados nomeados pelo actual Chefe do Executivo mas, sobre se poderá vir a ocupar um cargo no próximo Governo, caso o actual Chefe do Executivo seja reeleito, o mandatário diz nunca ter pensado no assunto. “Agora só quero fazer bem os trabalhos de campanha eleitoral. Desejo que Chui Sai On consiga ser reeleito.” - F.F.

HO CHIO MENG NÃO VAI A ELEIÇÕES O procurador do Mimistério Público, Ho Chio Meng, afirmou que não vai participar nas eleições. Ontem, Ho disse que actualmente, quer melhorar o seu trabalho, e deu o seu apoio a Chui Sai On. “Dou a bênção ao Chefe do Executivo Chui Sai On, apenas em meu nome, para que ele seja reeleito.” Sobre o referendo civil, Ho Chio Meng disse apenas que é preciso dar atenção, porque a actividade é apenas uma actividade de grupos cívicos, mas não quis comentar mais o caso.

A antiga presidente da AL condenou ainda a forma como têm sido levadas a cabo as manifestações em Hong Kong a favor do sufrágio universal. “Estou contra todas as propagandas com tendências violentas e contra os políticos que se aproveitam do seu direito enquanto deputados [para criar problemas]. Considero que o Governo deveria garantir o direito de luta pela liberdade e democracia, mas quando os residentes estão a lutar, também deveriam garantir a estabilidade social e ter o dever de procurar uma resolução pacífica dos conflitos”, disse referindo-se ao caso de ocupação de Central, em Hong Kong e aos conflitos na Assembleia Legislativa de Hong Kong entre um deputado e o Chefe do Executivo da RAEHK, CY Leung.

Sou Ka Hou e Coutinho falam do que é preciso para ser CE

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novo presidente da Associação Novo Macau (ANM), Sou Ka Ho, falou das condições necessárias para alguém ocupar o cargo de Chefe do Governo de Macau. Em declarações ao jornal Cheng Pou, Sou Ka Hou disse que é necessário “ter consciência para assumir responsabilidades, ouvir as opiniões da população, incluindo as críticas, por forma a corrigir e melhorar as políticas”. Sou Ka Hou disse ainda que o maior problema é o facto da população não poder participar na eleição do Chefe do Executivo. Dessa forma, o jovem dirigente

considera que o Governo pode não ouvir ou não fazer nada depois de ter acesso às opiniões da população, porque esta não tem direito de votar. O deputado José Pereira Coutinho também disse ao Cheng Pou que é “fácil” ganhar apoio do sector comercial e dos mais tradicionais para se ser eleito para o cargo. Mas Coutinho disse estar “convicto” de que o sufrágio universal é a única maneira de obter alguém com as condições ideais, já que “é eleito por cada residente e é um líder mais aceitável e independente face ao sector comercial”. - F.F


política 5

hoje macau quinta-feira 17.7.2014

ELEIÇÕES CE VÁRIOS SECTORES COM CHUI SAI ON

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

Ao lado do chefe

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São várias as associações que manifestaram o seu apoio à recandidatura de Chui Sai On, sem deixarem de dizer que ainda há espaço para melhorar no que diz respeito à habitação e ao apoio às pequenas e médias empresas, entre outros aspectos GCS

presidente da Associação Comercial de Macau deseja que Chui Sai On consiga ser novamente o Chefe do Executivo durante os próximos cinco anos e tem já um plano sobre o que pedir ao líder do Executivo: o aumento do apoio às pequenas e médias empresas. Mas, Ma Iao Lai não é o único. Também o presidente da Associação de Construtores Civis, Paulo Tse, apoia a recandidatura de Chui Sai On e diz esperar que este possa “resolver o problema do salário mínimo”. Paulo Tse acredita que as pessoas mais velhas poderão vir a perder o emprego devido à implementação do salário mínimo, porque os empregadores vão, diz, querer recrutar trabalhadores mais jovens, já que o salário é igual. Realizar o sonho da população – através da implementação da política ‘Terras de Macau para residentes de Macau’ – é o desejo de Ng Siu Lai, presidente da União Geral das Associações dos Moradores de Macau. O responsável assegura que apoia Chui, mas diz esperar que o líder do Executivo aumente também a capacidade administrativa. Aprender com a experiência para melhorar a Administração é também o que pede o presidente da Associação Taoísta de Macau, Wu Bingzhi, que comenta que podem ser vistos resultados no trabalho que Chui Sai On efectuou ao longo destes cinco anos, mas, diz, ainda há espaço para melhorar. Entre estas melhorias, o responsável destaca a política de habitação

e o controlo do preço das casas nos prédios privados, de forma a que os jovens consigam adquirir um apartamento. Quem apoia também Chui Sai On, mas espera que este melhore os trabalhos no próximo mandato é o vice-presidente da

Federação das Associações dos Operários de Macau, Lao Ion Fai que, ainda assim, diz que os trabalhos feitos pelo ainda líder do Executivo já servem de base para um bom desenvolvimento de Macau. Chui Sai On apresentou a

sua recandidatura esta semana e a sua equipa responsável pela campanha, cujo mandatário é Vong Hin Fai, acredita que conseguirá reunir as 65 assinaturas necessárias dos membros da Comissão Eleitoral que escolhe o Chefe do Executivo.

ILHA DA MONTANHA MACAU QUER MAIS TERRENOS

No dobrar é que está o ganho M

ACAU e Guangdong assinaram ontem sete projectos numa nova zona de cooperação na Ilha de Montanha, onde serão criados estabelecimentos de comidas, saúde, culturas criativas, alta tecnologia e outros. As autoridades da RAEM e da Ilha da Montanha discutiram a possibilidade de Macau ter mais 10 quilómetros quadrados na zona, com investimento total de 7,2 milhões de yuan. O desenvolvimento da zona de Cuiheng, na

cidade de Zhongshan, também foi discutido no encontro, com o líder do Governo, Chui Sai On, a dizer que, nessa zona, poderão vir a ser construídos lares para idosos “O problema é que as duas regiões têm sistemas diferentes, mas são dificuldades que estamos a procurar ultrapassar, encontrando consensos para

7,2

milhões de yuan, investimento total

a cooperação. O essencial é que os nossos idosos possam escolher o local onde querem passar a terceira idade. Queremos dar as opções de poderem viver com familiares ou escolherem um lar de idosos”, disse Chui Sai On. A ideia do Governo é dinamizar a economia, sociedade, cultura e a vida das duas regiões. Zhu Xiaodan, governador da da província de Guangdong, assegurou apoiar as empresas de Macau através de um esquema semelhante ao adoptado na Ilha da Montanha, ou seja, o Governo Central dá o espaço, facilita as formalidades de entrada pelas fronteiras e liberaliza os serviços comerciais. - F.F.

Edifícios Deputados querem inspecções obrigatórias

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AK Soi Kun e Melinda Chan fizeram ontem duas interpelações escritas apelando a uma inspecção obrigatória dos prédios antigos. Mak Soi Kun aponta que muitos prédios velhos nos bairros antigos não são reparados nem mantidos, algo que não é obrigatório por lei, mas, diz o deputado, deveria ser. Dando como exemplo o colapso recente de um prédio velho na Rua Nova do Comércio, Mak Soi Kun, relembra que, apesar de o Regulamento Geral da Construção Urbana regular que todos prédios devem ser reparados e que a manutenção de cinco em cinco anos deve ser feita para assegurar a qualidade dos prédios, não é obrigatório fazer a inspecção dos prédios. “Para assegurar a segurança da vida e da propriedade da população”, o deputado pede às autoridades um calendário concreto para o público saber como está o processo de revisão da lei e mais pessoal técnico para fazer inspecções profissionais. Também Melinda Chan considera que os incidentes com o Edifício Sin Fong e do prédio da Rua Nova do Comércio servem de alerta para o Governo melhorar os projectos de inspecção dos prédios, bem como acelerar a reestruturação dos bairros antigos. - F.F.

Salário mínimo Novo Macau quer subsídio para empregadores

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Associação de Nova Macau entregou ontem uma carta ao presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ho Iat Seng, apelando a que o hemiciclo implemente a Lei do Salário Mínimo em todos os sectores de Macau, bem como crie um subsídio para os proprietários dos prédios pequenos, uma vez que estes, diz a associação, têm dificuldades em pagar os salários. Na carta entregue na AL, a Novo Macau critica o Governo por ter implementado a Lei de Bases da Política do Emprego e do Direitos Laborais em 1998, mas ter demorado muito a implementar o salário mínimo. A associação considera positiva a implementação de um salário mínimo no sector da administração predial e da limpeza, mas, sugere que em breve seja implementada esta medida para todos os funcionários. A criação de um subsídio para os proprietários é outra das sugestões da associação, que diz que a implementação deste salário mínimo – de 30 patacas por hora - causou conflitos entre os empregadores e os trabalhadores. Como exemplo, a Novo Macau sugere que os empregadores paguem 70% do salário e o Governo suporte 30%. - F.F.


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SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 17.7.2014

SUBSÍDIO DE RESIDÊNCIA TUI NEGA VINTE E SETE RECURSOS

APOMAC perdeu a batalha O Tribunal de Última Instância indeferiu os 27 recursos apresentados por aposentados que pretendiam receber o subsídio de residência do Governo de Macau. Francisco Manhão, presidente da APOMAC, diz-se “desiludido” e não põe de parte a apresentação de uma carta ao Chefe do Executivo andreia.silva@hojemacau.com.mo

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luta já dura há dois anos e parece ter chegado ao fim: o Tribunal de Última Instância (TUI) negou o recurso apresentado por 27 aposentados que pretendiam receber do Governo o subsídio de residência, de 1500 patacas mensais. O Governo entendeu que não tinham direito a esse benefício por terem transferido as suas pensões para Portugal antes da transferência de soberania e por terem optado por despesas pagas aquando da sua fixação de residência em Portugal, na altura. Com o pedido negado por parte da Administração e do Tribunal de Segunda Instância (TSI), os aposentados, com o apoio da Associação de Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), resolveram entregar novos recursos junto do TUI, que foram agora rejeitados. Ao HM, Francisco Manhão, presidente da APOMAC, disse estar “desiludido” com o resultado. “O tribunal fala do artigo 98 da Lei Básica, mas quem violou a Lei Básica foi a Administração local, porque pagou [o subsídio] a

Os visados já tinham entregue, em 2011, um dossiê a Chui Sai On, que enviou o caso para o Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Este, em Setembro de 2012, considerou que os reformados têm direito a receber o subsídio de residência, falando de uma má interpretação da lei por parte do Executivo.

TIAGO ALCÂNTARA

ANDREIA SOFIA SILVA

SUBSÍDIO É DIREITO “ACESSÓRIO”

“...quem violou a Lei Básica foi a Administração local, porque pagou [o subsídio] a uns filhos, e não pagou a outros, enteados.” FRANCISCO MANHÃO Presidente da APOMAC

uns filhos, e não pagou a outros, enteados. Para a minha infelicidade e de outras pessoas, somos do grupo dos enteados”, frisou Francisco Manhão. Apesar de considerar que pouco há a fazer depois desta decisão final, Manhão não põe

de lado a apresentação de uma carta ao Chefe do Executivo. Contudo, diz, “terá de se reunir o pessoal todo” para que não seja uma decisão de uma só pessoa. “Vamos pensar, mas de facto a única saída é o Chefe do Executivo”, explicou.

Sistema bancário Sobem empréstimos hipotecários

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S bancos de Macau emprestaram em Maio 6,1 milhões de patacas em novos empréstimos hipotecários para habitação, uma subida homóloga de 46,2% e que foi na sua maioria contraído por residentes da cidade. Dados oficiais ontem divulgados indicam que em Maio os residentes locais contraíram empréstimos no valor de 5,9 milhões de patacas, mais 48% do que no mesmo mês de 2013. Já os não residentes apenas pediram aos bancos locais 95,78 milhões de patacas, um valor 18% mais baixo do que em Maio do ano passado. Em termos globais e com o imobiliário de Macau

a não dar sinais de arrefecimento, os bancos tinham concedidas 130,6 milhões de patacas - mais 25% do que em Maio de 2013 - com os residentes locais a deverem aos bancos 124,5 milhões de patacas, mais 27,1%. O imobiliário em Macau registou desde 2004 uma forte subida depois da entrada no mercado dos novos operadores de jogo e constitui neste momento um dos principais problemas da sociedade, pela dificuldade em comprar casa e pelos valores elevados do arrendamento porque, sendo um mercado livre, não há um limite mínimo ou máximo para aumentos das rendas. - LUSA

O acórdão do TUI cita o artigo 98 da Lei Básica, que estipula que “a RAEM paga as suas pensões de aposentação aos funcionários que se aposentem depois do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, independentemente da sua nacionalidade e do seu local de residência”. “Noutras palavras, a RAEM não paga aos que se tenham aposentado até 19 de Dezembro de 1999. Foi exactamente por causa disso que tanto o Governo português, como o Governo do Território de Macau, fizeram aprovar dispositivos legais prevendo a possibilidade de todos os funcionários aposentados antes 19 de Dezembro de 1999 poderem requerer que a responsabilidade pelas suas pensões ficasse a cargo da Caixa Geral de Aposentações (CGA)”, pode ainda ler-se no comunicado do TUI. Os juízes do TUI consideraram ainda que o subsídio de residência é “meramente um direito complementar ou acessório, cuja existência é dependente do direito fundamental”, ou seja, a pensão de aposentação. “Os recorrentes, sendo aposentados do Território de Macau sob administração portuguesa, nem sequer adquiriram o direito à pensão de aposentação conferido pela Lei Básica, muito menos se podendo falar do subsídio de residência”, revela ainda o tribunal.

Droga Taxista em prisão preventiva

Um taxista residente local e um imigrante ilegal acusados de tráfico de droga no início do mês passado estão em prisão preventiva, anunciou ontem o Ministério Público. Ao todo, eram três os suspeitos submetidos à investigação das autoridades. Em causa estão 3700 gramas de droga apreendidos num apartamento no Fai Chi Kei, local onde ficava o imigrante ilegal, e o transporte da substância para os estabelecimentos de entretenimento efectuado pelo taxista. A cônjuge do imigrante ilegal foi detida na altura da apreensão, mas foi posteriormente libertada, sendo agora submetida apenas a medidas de coacção.

Ka-Hó 800 dias para lar de idosos e hospital

Desde ontem e até ao dia 18 de Agosto que a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) está a receber propostas para a construção de um lar de idosos e um hospital de convalescença na povoação de Ka-Hó, em Coloane. O despacho sobre o concurso público foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) e determina o prazo de execução da obra em 810 dias.

UM Peter Lam continua vice-presidente

O cargo de vice-presidente do Conselho de Administração da Universidade de Macau (UM) - ocupado por Peter Lam desde 2009 - foi renovado por mais um ano, segundo ordem executiva, assinada pelo Chefe do Executivo e ontem publicada em Boletim Oficial (BO). O empresário, que ocupa o cargo há cinco anos, é ainda membro da direcção da International School of Macau (TIS), membro do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês e, em Macau, foi membro da comissão que escolheu o primeiro Governo da RAEM, fazendo ainda parte da Comissão Eleitoral do Chefe do Executivo. Peter Lam é vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Macau, vice-presidente da direcção da Associação Comercial de Macau e dirige a empresa New City Investment and Construction. Anteriormente assumiu também a presidência do World Trade Center de Macau, depois da expresidente da Assembleia Legislativa, Susana Chou. - HM


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METRO LIGEIRO ESTÁTUA DE KUN IAM NÃO VAI SER MOVIDA

Ou por baixo, ou por cima GIT

É oficial. O Centro Ecuménico da deusa Kun Iam não vai mudar de sítio. A escultora responsável pelo projecto, Cristina Rocha Leiria, veio a Macau para reunir com os responsáveis pelas obras do metro ligeiro e afirmou que a mudança da estátua nunca foi uma opção. Agora, há duas hipóteses para incluir o metro naquela zona

“TENTAR HARMONIZAR”

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

D

E acordo com a arquitecta e escultora do Centro Ecuménico Kun Iam (CEKI), Cristina Rocha Leiria, e André Ritchie, a estátua de Kun Iam não só irá permanecer no mesmo local – frente ao jardim dos NAPE – como deverá ter novos acessos, com mais espaços verdes e até novos equipamentos de apoio ao centro. Antes da decisão final do projecto a construir, haverá uma consulta pública. Tudo isto deverá estar pronto até final deste ano, até porque, segundo André Ritchie, coordenador do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), há “alguma urgência” em dar início à construção do metro,

depois de já terem sido celebrados vários contratos, nomeadamente com a gigante Mitsubishi. São duas as opções pensadas para aquela zona: a construção, em suspensão, de uma zona ajardinada e de uma ponte debaixo da qual

passará o metro, ou a construção do jardim por baixo da já existente avenida Sun Yat Sen, sendo que o metro passaria à altura da estrada, paralelamente aos automóveis e mais longe da estátua do que inicialmente se havia pensado.

METRO NA MONTANHA O metro ligeiro de Macau vai chegar à Ilha da Montanha. Já há um consenso entre as duas regiões para o alargamento do projecto à Ilha da Montanha. As obras vão ser desenvolvidas pelo Governo da RAEM. Niu Jing, director da Comissão de Gestão da Ilha da Montanha, revela que vai haver uma articulação entre o metro de Macau e o de Zhuhai, citado pela rádio Macau. “O metro ligeiro pode, a partir da Taipa, pelo túnel subterrâneo, chegar até à Ilha da Montanha e uma vez lá haverá uma ligação com o metro de Zhuhai. Isto está decidido. Esperamos poder iniciar as obras concretamente no final deste ano”, revelou Niu Jing.

Para a autora do CEKI, “nenhuma das opções” é a melhor, mas neste momento o que interessa é “tentar salvaguardar” a estátua. De acordo com Cristina Rocha Leiria, o CEKI funciona como uma “agulha de acupunctura” no território, uma vez que “o que já lá está tem muito bom ‘feng shui’”, explicou a desenhadora daquele que é considerado o último projecto da administração portuguesa.

SEM MAIS DADOS

Para já, sabe-se apenas que está prevista uma consulta pública para apurar qual o projecto que os residentes preferem. Esta deverá ser incluída na auscultação já em

Mal por mal... cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

agência imobiliária Centaline Macau, uma empresa com capital de Hong Kong, apresentou ontem um relatório sobre o estado do mercado imobiliário nos primeiros seis meses em Macau. O sector considera que, com as políticas apresentadas nos últimos dois anos pelo Governo, o preço do imobiliário já está “estável”. Segundo Noel Cheung, responsável pelo departamento de

habitação, no primeiro semestre o negócio das casas privadas caiu 43%, comparando com ano passado, porque as casas novas começaram a ser mais pequenas, mas os seus preços são mais altos. A falta de casas em segunda mão levou também muitos investidores a comprar casas noutros locais, como foi o caso de Hong Kong, por isso, diz, o negócio ficou “aborrecido” em Macau. “Há cada vez mais residentes de Macau a comprar casas em Hong Kong, porque em Macau falta oferta e o preço por pé-quadrado

é cada vez mais próximo do de Hong Kong. Os empresários de Hong Kong usam descontos para atrair os residentes de Macau”, frisou Noel Cheung. A agência quer que o Governo resolva o problema de oferta de terras e considera que o reordenamento dos bairros antigos é

As negociações entre os três arquitectos e restantes entidades responsáveis duraram cerca de um mês e tiveram em vista a preservação da estátua e sua localização. “Seria impossível considerar a mudança de sítio porque o centro ecuménico pesa 50 toneladas e está seguro por estacas de 30 metros de altura”, explicou Cristina Leiria. A responsável pelo projecto frisou ainda a necessidade de manter uma simbologia forte na estátua e é por isso mesmo que os dois novos projectos terão como base a figura de um morcego – significativo de boa sorte na cultura chinesa – e de uma flor de lótus, o símbolo de Macau. Neste momento, o principal objectivo da autora do CEKI e do arquitecto responsável pela projecção do jardim na Alameda Carlos D’Assumpção é “tentar harmonizar” toda a zona ribeirinha do NAPE e optimizar a frente marítima da estátua Kun Iam. Mesmo depois de terem sido considerados como os dois projectos “mais viáveis” de entre os vários discutidos, continuam a existir reservas, principalmente no que diz respeito à segunda opção, onde o metro passa à altura dos automóveis e o jardim deixa de estar suspenso para também estar ao nível do chão.

Branqueamento de capitais Aumento dá “maior controlo”

IMOBILIÁRIO RESIDENTES COMPRAM MAIS CASAS EM HONG KONG

CECÍLIA LIN

curso, relativa ao traçado norte do metro. Ainda não há data, nem orçamento previsto para o projecto que vai dar uma nova vida à estátua, sabendo-se apenas que a segunda opção – com a construção subterrânea dos espaços ajardinados – deverá custar mais tempo e dinheiro ao erário público do que a primeira, pois obriga a mais obras e cortes numa das principais avenidas de Macau. “Ainda não fizemos estimativas de custos, porque ainda vamos aguardar pelas considerações da sociedade”, disse Ritchie, durante uma conferência de esclarecimento à imprensa.

a melhor solução, actualmente, para isso. “Com a falta de terrenos, as casas de Macau vão ser cada vez mais pequenas. Mesmo assim, ainda faltam terrenos para construir mais casas. Por isso, o reordenamento dos bairros antigos é necessário para resolver o problema de falta de terrenos.”

A coordenadora do Gabinete de Informação Financeira, Deborah Ng, desvalorizou o aumento do branqueamento de capitais, afirmando que esse comportamento poderá querer dizer que existe “um maior controlo interno de transacções suspeitas”. Em declarações ao canal televisivo TDM, Deborah Ng explicou que o aumento da taxa indica que as autoridades competentes estão cada vez mais atentas a problemas relacionados com a lavagem de dinheiro. A coordenadora falou durante a 17ª Reunião Anual do Grupo Ásia-Pacífico contra a lavagem de dinheiro que conta com a participação de mais de 350 delegados de 41 países, regiões e organizações.


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JOGO DELEGAÇÃO MOÇAMBICANA EM MACAU PARA APRENDER

Assim se fazem as cousas O objectivo é desenvolver o sector na antiga colónia portuguesa em África. O modelo da RAEM é o ponto de partida para a missão moçambicana que quer saber tudo sobre a promoção e os malefícios do jogo

U

MA delegação moçambicana liderada por Arlindo Langa, presidente da Comissão Nacional de Jogos de Moçambique, está em Macau para “recolher experiências” na área da legislação do jogo em casino e quer fazer crescer o sector no país. “Macau é uma região com uma área de jogo extremamente desenvolvida e, reconhecendo essa questão,

Moçambique achou melhor estreitar essa cooperação com a cidade no sentido de buscar a experiência de Macau, os problemas que teve na área do jogo, que soluções é que foi encontrar e que lições podemos tirar de Macau para implementar também em Moçambique”, disse Arlindo Langa. Conforme já tinha sido avançado por Vicente de Jesus Manuel, novo secre-

tário-geral do Fórum Macau ao HM, Moçambique quer desenvolver o jogo na região e o sector do jogo em

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Macau e a legislação criada para regular a operação dos casinos é um modelo com o qual Moçambique quer aprender. “Pretendemos aprender os problemas do jogo, que soluções é que Macau encontrou para o sucesso que está a ter e por isso estamos aqui numa missão de aprendizagem de tudo o que é feito na promoção do jogo, mas também para evitar os seus malefícios”, explicou Arlindo Langa à agência Lusa. A lei de jogo em Moçambique foi criada em 1994 e revista em 2010, mas Arlindo Langa quer apresentar ao governo do país uma revisão para ser discutida em 2015, depois das eleições de Ou-

tubro deste ano, até porque, reconheceu, “nos últimos anos o sector não teve muito desenvolvimento porque a lei é muito restritiva”. Arlindo Langa identificou alguns dos problemas da lei moçambicana como, por exemplo, a impossibilidade de existirem dois casinos a menos de 50 quilómetros um do outro, tudo factores que dificultam a entrada de investidores.

“Pretendemos aprender os problemas do jogo, que soluções é que Macau encontrou para o sucesso que está a ter e por isso estamos aqui numa missão de aprendizagem...” ARLINDO LANGA Presidente da Comissão Nacional de Jogos de Moçambique

Moçambique tem actualmente dois casinos em operação - um na capital e outro no extremo norte do país - prevendo-se ainda, para breve, a abertura de um terceiro espaço de jogo na cidade da Beiram um investimento chinês, disse. Arlindo Langa referiu ainda que as receitas brutas dos casinos de Moçambique não ultrapassam os 14,5 milhões de dólares norte-americanos. - Lusa/HM

HK Falhas na qualidade na origem de acidente de helicóptero Está concluída a investigação a um acidente de helicóptero ocorrido em Hong Kong, no dia 3 de Julho de 2010. Segundo um comunicado emitido pela Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM), que cita o relatório de investigação, o acidente deu-se devido à “falha de uma das asas do helicóptero, o que forçou o piloto a fazer uma aterragem de emergência no mar”. As falhas na asa deveram-se a “falhas de qualidade na produção” do aparelho. O relatório destacou ainda a capacidade do piloto para fazer a aterragem de

emergência, o que “deu tempo suficiente para os passageiros serem evacuados e salvos, o que reduziu os danos ao mínimo”. “Operado pela East Asia Airlines Limited (EAA), o helicóptero operava serviços entre Hong Kong e Macau. Pouco tempo depois de ter deixado o heliporto em Sheung Wan, o helicóptero perdeu o controlo da direcção, tendo o piloto ligado a auto-rotação e feito o controlo para a aterragem de emergência. O helicóptero tinha dois pilotos e 11 passageiros, que sofreram apenas pequenos ferimentos.

Radiação Níveis dentro do “normal”

A

radiação na atmosfera de Macau está ao mesmo nível das regiões vizinhas, que é considerado “normal” e “seguro”. A garantia é dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos, que apresentaram, ontem os resultados de uma investigação que contou com a colaboração de peritos da China, citado pela Rádio Macau. Naquela que foi a primeira grande investigação do género em Macau, ao longo do ano passado foram recolhidas amostras do ar, aerossóis, iodo em gás, vapores de água, precipitação, sedimentos, solo e água do mar. As análises foram levadas a cabo pelo Centro Técnico de Monitorização da Radiação do ministério da Protecção Ambiental, da província de Zhejiang, diz a rádio. Nishi Ying, vice-chefe engenheiro do centro, diz que os níveis captados aqui em Macau estão dentro dos parâmetros normais: “De Janeiro até Dezembro, está no nível normal. A conclusão é que, entre Macau e as outras regiões do Delta do Rio das Pérolas, os raios gama estão ao mesmo nível e é normal”. As conclusões desta primeira grande investigação vão agora servir como “referência para o futuro”, porque “se não houvesse esta investigação não saberíamos a situação da radiação no fundo do ambiente”. A investigação agora apresentada foi feita a pensar na entrada em funcionamento, no próximo ano, da central nuclear de Taishan, na província de Guangdong, avança ainda a rádio. A apenas 70 quilómetros de Macau, quando começar a operar, a central, em construção desde 2009, será a mais próxima do território entre as quase 20 actualmente em funcionamento na China.


CHINA

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BRICS BANCO TERÁ SEDE EM XANGAI

para cooperação técnica entre agências de crédito e garantias às exportações do grupo, para aperfeiçoar as oportunidades comerciais entre os cinco países. A Declaração de Fortaleza critica ainda a não aplicação de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI), e defende o avanço das mudanças, para que as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento tenham “maior voz e representação” garantidas. O grupo do BRICS também se mostrou disposto a aumentar o envolvimento com outros países, assim como com organizações internacionais e regionais. “Estamos prontos para explorar novas áreas em direcção a uma cooperação abrangente e a uma parceria económica mais próxima, com vista a facilitar interconexões de mercado”, lê-se na declaração.

Índia presidente Crescimento económico de 7,5% no segundo trimestre

A criação do banco que pretende promover as economias dos mercados emergentes foi finalmente anunciada. A declaração de Fortaleza, onde o grupo se reuniu, critica ainda a não aplicação de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI)

A China atingiu um crescimento económico de 7,5% no segundo trimestre comparativamente ao período homólogo do ano passado, indicam dados estatísticos divulgados ontem. Os indicadores referentes ao período compreendido entre Abril e Junho anunciados ontem pelo gabinete nacional de estatísticas estão uma décima acima do crescimento de 7,4% registado no primeiro trimestre. Durante o segundo trimestre, a China “adoptou medidas para estabilizar o crescimento”, afirmou o porta-voz do gabinete nacional de estatísticas da China,Sheng Laiyun, num momento em que o gigante asiático se encontra em fase de desaceleração económica. O índice de crescimento do segundo trimestre deste ano coincide com o objectivo mínimo estabelecido por Pequim para 2014, mas continua abaixo da média de crescimento registada em 2013, que foi de 7,7%.

Inundações 1,2 milhão de afectados

Mais de 1,2 milhão de pessoas foram afectadas e cerca de 170.000 foram retiradas na sequência das chuvas torrenciais e inundações nas províncias centrais chinesas de Hunan e Guizhou, informou ontem a agência oficial Xinhua. Hunan é a província mais afectada pelas chuvas, que obrigaram a realojar 148.400 habitantes e destruíram 460 casas. Uma das localidades mais turísticas da província de Hunan – Fenghuang – conhecida pelas pontes e casas tradicionais junto ao rio, é uma das mais afectadas pelas inundações, que destruíram lojas das ruas mais visitadas e obrigaram a retirar turistas e comerciantes. Na vizinha província de Guizhou, o mau tempo levou à retirada de 21.000 pessoas e afectou cerca de meio milhão de pessoas. As tempestades e inundações afectaram o tráfego rodoviário e ferroviário, ao deixarem inundadas autoestradas e linhas de caminho-de-ferro.

Hong Kong Turbulência em voo da South African Airways causa 25 feridos

Pelo menos 25 pessoas ficaram feridas, duas delas com gravidade, durante um voo procedente da África Sul com destino a Hong Kong atingido por turbulência, informou ontem a polícia. Entre os feridos há 13 mulheres e 12 homens. Dois homens gravemente feridos foram hospitalizados em Hong Kong. Televisões locais mostraram ambulâncias no aeroporto de Hong Kong a transportarem os feridos, que estavam a bordo de um avião da South African Airways procedente de Joanesburgo, que aterrou em Hong Kong pelas 12:30. As autoridades aeroportuárias de Hong Kong disseram ter recebido uma notificação do piloto do avião durante o voo solicitando os serviços de emergência para a aterragem. O avião era um Airbus A340-300, segundo a AFP. As autoridades não confirmaram o número de passageiros a bordo.

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100

mil milhões de dólares, capital inicial

O

grupo do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) anunciou esta terça-feira, em Fortaleza, nordeste do Brasil, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, cuja sede será em Xangai e a primeira presidência, ocupada pela Índia. O novo banco tem a função de mobilizar recursos para projectos de infra-estrutura e desenvolvimento sustentável nos BRICS e em outras economias emergentes e foi formalizado na Declaração de Fortaleza, resultado da VI Cimeira do grupo. “Com fundamento em princípios bancários sólidos, o Banco fortalecerá a cooperação entre os nossos países e complementará os esforços de instituições financeiras multilaterais e regionais para o desenvolvimento global”, diz a declaração. O capital inicial autorizado do banco será de 100 mil milhões de dólares. O primeiro presidente do Conselho de Governadores será da Rússia e o primeiro presidente do Conselho de Administração, do Brasil. Os cargos, assim como a presidência indiana do ban-

co, serão alternados entre os países fundadores. O Novo Banco de Desenvolvimento terá igualmente

um centro regional africano, na África do Sul. Os BRICS assinaram também um memorando de entendimento

“Com fundamento em princípios bancários sólidos, o Banco fortalecerá a cooperação entre os nossos países e complementará os esforços de instituições financeiras multilaterais e regionais para o desenvolvimento global” DECLARAÇÃO DE FORTALEZA

Os cinco membros do grupo realçaram que o momento actual é crucial para “enfrentar os desafios em matéria de recuperação económica sólida após as crises financeiras globais e de desenvolvimento sustentável”, e informaram que o crescimento económico dos países emergentes e suas políticas de inclusão social “ajudaram a estabilizar a economia global”, além de fomentar a criação de empregos, reduzir a pobreza, e combater a desigualdade.

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Aviso Faz-se público que a Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações da Região Administrativa Especial de Macau está a abrir o Concurso Público n.º 2/2014 para a aquisição do serviço de operação do «Sistema de Banda Larga Sem Fios – WiFi GO». O Processo do presente Concurso podem ser descarregados gratuitamente da página electrónica da DSRT (http://www.dsrt.gov.mo). Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações da RAEM, aos 16 de Julho de 2014. O Director dos Serviços, Substituto Hoi Chi Leong


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EVENTOS

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CASAS-MUSEU DA TAIPA MOSTRA DE NG KIN WAI

Do cimento ao “mundo Vinte e três obras em técnicas mistas, do vencedor da XXIX Exposição Colectiva dos Artistas de Macau, podem ser vistas na Taipa até meados de Agosto

O

artista local Ng Kin Wai vai realizar nas Casas-Museu da Taipa a sua primeira mostra individual, intitulada “Impressões da Cidade”, a partir deste sábado e até 17 de Agosto. A iniciativa do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) é fruto da colaboração do artista na

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA UM CRIME CAPITAL • Francisco José Viegas

No fantástico cenário do auditório ao ar livre da Fundação de Serralves, na cidade do Porto, um homem e uma mulher são encontrados mortos depois de um concerto da Capital Europeia da Cultura de 2001. Jaime Ramos, investigador da Polícia Judiciária e personagem de vários livros do autor, regressa então às páginas de um romance para se ocupar do caso, que no dia seguinte tem novo desenvolvimento dramático - a morte de Illan Levan, um judeu brasileiro técnico de informática, encontrado baleado numa tranquila rua dos subúrbios. Quatro dias depois, outro cadáver, desta vez no cenário romântico do Cais das Pedras. No meio destes crimes aparece entretanto um advogado do Rio de Janeiro, Mandrake, curiosamente o mesmo nome da personagem do escritor brasileiro Ruben Fonseca, de quem «parece» um clone. Um Crime Capital é um divertimento que não deixa de tocar o mundo temático dos anteriores livros do autor: a proximidade da morte, o difícil e perigoso universo das paixões, a ilusão do poder.

XXIX Exposição Colectiva dos Artistas de Macau, onde foi galardoado com o “Prémio Especial Melhor Criação” e a distinção de “Prémio Melhor Execução” do grupo de pintura ocidental. O IACM atribui estes prémios todos os anos para estimular a produção artística local, organizando exposições individuais para os vencedores, informa a organização.

A mostra vai albergar um total de 23 obras do artista, em técnicas mistas, que reflectem a maneira como as gerações mais novas interpretam a vida urbana, estando dividida em três categorias - “Céu”, “Pessoas” e “Paisagens”. Na secção “Céu”, Ng Kin Wai explora as rápidas mudanças da cidade, usando cimento “para melhor reflectir a paisagem original” e para as imagens “parecerem mais reais”, enquanto que a visualização do céu de diferentes ângulos mostra o passar do tempo. Em “Pessoas”, Ng Kin Wai apresenta uma série de retratos, voltando a usar o cimento – que descreve como

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

SUA SANTIDADE - AS CARTAS SECRETAS DE BENTO XVI • Gianluigi Nuzzi

Isto nunca tinha acontecido - ninguém fora capaz, até agora, de entrar no escritório do Papa e ler seus documentos privados - centenas, que revelam a precariedade da Igreja, entre conspirações e negócios obscuros. Graças a dados fornecidos por uma fonte secreta, as histórias, os personagens e os problemas que dividem a Igreja de hoje, envolvendo Itália e sua política, são expostos. Doações privadas (incluindo as de Bruno Vespa), recomendações para Gianni Letta, o caso Ruby e Berlusconi, a verdade sobre os Legionários de Cristo, pedofilia, os excessos de muitos bispos de todo o mundo. Nuzzi une os fios dos casos que se lêem como capítulos de um thriller. A exposição destes casos é, acima de tudo, dar fôlego e coragem a todos aqueles que, dentro da Igreja, não reconhecem uma instituição que seja o rosto procurado por fiéis de todo o mundo.


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a-feira 17.7.2014

UM HOMEM ESCREVEU QUASE 10% DE TODOS OS ARTIGOS DA WIKIPEDIA

O sueco incansável T

o ideal” “um material sem emoção” para explorar a indiferença das relações humanas entre os cidadãos urbanos. “Paisagens” inclui as mais recentes criações do artista, onde combina materiais reciclados ou descartados com plantas e vegetação, mostrando pessoas em harmonia com a Natureza. Nas suas próprias palavras, nestas obras “ambiciona resolver problemas correntes através da sua arte”, apresentando aqui o seu mundo ideal. Para Hsu Hsiu-Chu, Directora da Escola Superior de Artes do Instituto Politécnico, as obras de Ng “entrelaçam as concepções dos ambientes e as ideias das pessoas ao aparecerem em impressões urbanas, incitando o público a uma profunda contemplação das impressões do passado e do presente da sua cidade”. Ng Kin Wai nasceu em Macau em 1990 e completou o Curso Complementar de Licenciatura em Artes Visuais no Instituto Politécnico de Macau. Actualmente, frequenta o curso de pós-graduação na Academia Central de Belas Artes da China, em Pequim. A mostra, com entrada livre, está aberta diariamente, excepto às segundas-feiras.

ALVEZ não conheça Sverker Johansson, mas deveria. É o mais prolífico autor de artigos da Wikipedia - sendo responsável por 2,1 milhões de artigos publicados na enciclopédia online. O Wall Street Journal preparou um incrível perfil do sueco de 53 anos, cujas contribuições superam qualquer outro editor da Wikipedia. Com formação em linguística, engenharia civil, economia e física de partículas, contribuiu principalmente em artigos sobre espécies obscuras de animais – particularmente besouros e borboletas – e sente muito orgulho do seu trabalho sobre cidades nas Filipinas. Mas é provável que não tenha lido nenhuma das suas contribuições: um terço do que ele escreveu está em sueco (o seu idioma nativo), e dois terços em filipino (idioma da sua mulher). E as suas contribuições não

FRC Fusão de música ocidental e oriental

A Borderless Art Association vai organizar uma palestra sobre música ocidental e oriental na Fundação Rui Cunha no dia 17 de Julho, pelas 18:15. O debate vai ser conduzido em cantonense por Raymond Mok, compositor e professor de música no Instituto Politécnico de Macau. Usando a sua peça ‘A Character Piece’ (composta para sheng, percussão e cordas) como referência, Raymond vai explicar como é inspirado por diferentes estilos de música ocidental e oriental. Ao mesmo tempo, o compositor vai apresentar diferentes compositores de Hong Kong, Malásia e China, que fundem os dois estilos. A entrada é livre.

Clube Militar Mostra de obras fotográficas de Wong Lai Chu

são um trabalho a solo, como explica o Journal: Grande parte das suas contribuições foi feita com um programa de computador – conhecido como bot…o programa de Johansson monitoriza bancos de dados e outras fontes digitais atrás de informações, e “empacota” tudo no formato de

um artigo. Num dia bom, ele diz que o seu «Ljsbot» consegue criar até 10.000 novos artigos. O uso de bots na Wikipedia é algo bastante controverso, e algumas pessoas alegam que isso limita a criatividade humana – mesmo que o seu uso seja permitido pelas regras do site.

A exposição “Sentimentos com a Chuva – Obras Fotográficas de Wong Lai Chu”, está patente ao público entre 19 e 22 de Julho, na Sala de Exposições do Clube Militar. A mostra, integrada no Projecto de Promoção de Artistas de Macau e organizada pela Fundação Macau, reúne cerca de 60 obras da fotógrafa local Wong Lai Chu, onde esta explora os seus sentimentos sobre a chuva. A artista “ficou apaixonada” pela fotografia depois de frequentar um curso de iniciação à fotografia organizado pela Associação Fotográfica de Macau, no ano de 2007. Entretanto, tem participado em competições internacionais de arte fotográfica, tendo recebido um total de 126 prémios, a adicionar aos cerca de 200 prémios de 1.º classificado que ganhou em competições locais. Nos últimos anos, tem ainda sido convidada para fazer parte do júri em várias competições fotográficas a nível internacional. A exposição está aberta diariamente entre as 11:00 e as 19:00 horas, com entrada gratuita. PUB

ANÚNCIO HM - 1ª vez - 17.7.14

Acção de Interdição n.º

CV1-14-0020-CPE

1.º Juízo Cível

Requerente: CHOW SU KUONG. Requerido : CHAU CHAN SENG ou CHOW CHUN SHING.

ORQUESTRA CHINESA DE MACAU REGRESSA A PORTUGAL

Embaixadora musical D EPOIS de uma primeira visita em 2012, a Orquestra Chinesa de Macau vai agora regressar a Portugal no seu papel de “Embaixadora da Cultura Musical de Macau”. Nesta digressão, realizada entre 16 e 21 de Julho, a orquestra vai actuar em quatro cidades portuguesas, nomeadamente no Largo do Teatro Nacional de S. Carlos em Lisboa (dia 16), no Fórum Luísa Todi em Setúbal (dia 18), no Teatro-Cine de Torres Vedras (dia 19) e na Quinta das Lágrimas em Coimbra (dia 21), informa a nota de imprensa da organização. Esta visita realiza-se por ocasião do 35º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e China, tendo a orquestra preparado três programas diferentes para o efeito.

Sob a batuta do seu director artístico Pang Ka Pang, a Orquestra vai apresentar obras encomendadas representativas da cultura do território e colaborar pela primeira vez com a cantora Maria Ana Bobone em concertos que pretendem “mostrar o encanto da música tradicional chinesa” numa “combinação inesquecível entre o Oriente e o Ocidente”, acrescenta o IC no seu comunicado de imprensa Para além disto, a orquestra vai colaborar novamente com o compositor e instrumentista de flauta Rão Kyao, ao abrigo do tema do 6.º Festival das Artes de Coimbra, apresentando temas em conjunto e estreando a obra encomendada “Casa do Mandarim de Casas de Macau”, produzida em Macau em 2013.

A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1.º Juízo CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ-SE SABER que, foi distribuída ao 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, proposta pelo CHOW SU KUONG contra CHAU CHAN SENG ou CHOW CHUN SHING, do sexo masculino, natural de China, nascido a 27/05/1937, titular do B.I.R.M. n.º 504xxx9(x), residente em Macau na Rua Nova à Guia, n.º 23, Edifício Merry Court, 5.º andar D, para efeitos de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica.

R.A.E.M., aos 14 de Julho de 2014.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Yao Jing Ming

UMA POESIA QUE SUBLIMOU A LÍNGUA LUSA ZHANG WEIMIN TRADUZIU PARA CHINÊS 100 SONETOS DE CAMÕES. O LIVRO FOI AGORA PUBLICADO. AQUI FICA O SEU PREFÁCIO

T

AL como Dante para a Itália, Goethe para a Alemanha, Mickiewicz para a Polónia ou Pushkin para a Rússia, Portugal também tem um poeta como símbolo nacional: Luís de Camões . O seu magnum opus, o épico Os Lusíadas, é visto como uma obra sagrada da pátria portuguesa. Concebido no momento em que os maiores fulgores de Portugal estavam prestes a se esvanecer, esta epopeia tornou-se um precioso acalento espiritual durante o período de lenta decadência que se iniciava. Poucos factos são conhecidos a respeito da vida de Camões; é difícil atestar mesmo a data e local do nascimento, sendo em geral apontados os anos de 1524 ou 1525, supostamente numa família da pequena nobreza lisboeta. Com o seu pai em Goa (Índia), onde morreria, foi criado pela mãe, tendo ingressado, ainda muito jovem, na Universidade de Coimbra. Ávido pelo conhecimento, interessava-se por história, literatura e línguas, particularmente pelo Latim e Grego. Por volta de 1543 regressou a Lisboa, tendo mantido uma certa presença na Corte e ganhando a vida como preceptor de famílias ilustres. Dessa época data um conjunto de excelentes obras líricas, pastorais e algumas comédias. Em 1549, por haver estabelecido relações amorosas com uma aia da rainha, foi expulso de Lisboa, encaminhando-se para um destacamento militar no norte da África, onde serviria como soldado. Foi aqui que perdeu o olho direito ao combater os mouros. Pouco tempo depois de retornar a Lisboa, ao socorrer um amigo, Camões feriu um oficial da corte, pelo que foi de novo aprisionado. Saiu da cadeia em 1553 para prestar serviço militar na Índia. Foi nesta época que começou a compor Os Lusíadas. Poemas satíricos contra as potestades metropolitanas enfureceram o Governador-Geral, que o deportou, dizendo a tradição que teria vindo para Macau,

onde teria escrito partes do seu grande épico. Depois de vagar sem rumo pelo Oriente durante dezassete anos, voltou para Lisboa, levando na bagagem, e após tantos exílios e desventuras, um único bem: o manuscrito d’Os Lusíadas. Publicada em 1572, a obra não despertou grande interesse e ao jovem rei D. Sebastião não apetecia poesia, que, no entanto, concedeu ao Poeta uma pequena pensão em ouro. De qualquer maneira, tais recursos ajudaram Camões a atenuar a sua pobreza até à morte, em 1580. Portugal perderia, então, a sua independência, sendo assimilado à coroa da Espanha até 1640. Caso fosse ainda vivo, talvez o autor d’Os Lusíadas não tivesse cora-

CAMÕES TEVE UMA VIDA DE MUITOS REVESES E PERCALÇOS, UM DESTINO PONTILHADO COM MUITOS INSUCESSOS. PODE-SE DIZER QUE NUNCA CONSEGUIU DEIXAR PARA TRÁS A MÁSORTE QUE O PERSEGUIA

gem para suportar este golpe. Quando em vida, o Artista amou ferventemente a sua pátria, mas a pátria não lhe dedicou muita atenção. Apenas a partir da sua morte é que lhe foram dedicadas honras e, hoje, os seus restos mortais estão placidamente dispostos ao lado dos de Vasco da Gama e Fernando Pessoa no Mosteiro dos Jerónimos. O florescimento cultural de um país não raro resulta de uma era de grandes portentos políticos. Camões, um poeta que trazia “numa mão a espada, noutra, a pena”, viveu no crepúsculo das glórias de Portugal, período que também assinalou o desfecho do Renascimento. Tanto em termos de vida material, como de concepções intelectuais, este grande movimento abalou as tradições ético-religiosas europeias; em contraponto, os grandes descobrimentos marítimos não importaram mudanças substanciais nem no contexto da sociedade portuguesa nem da sua mentalidade. Ao ver a escuridão a aproximar-se, o Poeta lançou mão da sua linguagem mais vigorosa para que os ideais subjacentes à sua composição épica pudessem ser veiculados ao mundo, registando em bom tempo os feitos augustos de Portugal. Mas o grande autor apercebera-se igualmente dos indícios de decadência de seu país. Os Lusíadas são considerados o expoente máximo da literatura em língua portuguesa. Ao longo dos tempos, foram objecto de diferentes interpretações, que põem em relevo aspectos da obra que podem ou não ser aprazíveis ao leitor moderno. Diferentemente dos épicos homéricos Ilíada e Odisseia, inspirados em lendas, Os Lusíadas foram criados a partir de factos reais, não obstante ser evidente a influência de Homero e a presença de mitos gregos. O Poema conta mais de 9000 versos, organizados em 10 cantos. É uma estrutura grandiosa, de conteúdo variado, aliando realidade e fantasia numa descrição de surpreendentes


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alternâncias no tempo e no espaço, o que põe em evidência todos os dotes poéticos do Artista na estruturação do enredo bem como os seus amplos conhecimentos das Humanidades. Camões canta as realizações do navegador português Vasco da Gama, nas suas longas explorações das Índias; contudo, o Poeta alça as realizações do povo português às alturas de um mito, fazendo com que os deuses no céu participem das explorações marítimas de diversas maneiras. O mar, o céu, a terra e, mesmo, o universo, dispõem-se num espaço extenso, o palco sobre o qual aquele povo demonstra sua natureza heróica. Vasco da Gama é, de facto, o protagonista, mas antes do mais é um meio de que o Artista se vale para, ao narrar a jornada das Índias, fazer dele a um tempo herdeiro e predecessor de uma tradição histórica gloriosa. O Autor faz prova do seu espírito humanístico quando louva o singular impulso do género humano pela busca, pela descoberta dos segredos profundos do mundo. Elogia os largos avanços feitos nesse sentido, à total revelia mesmo das manifestações destrutivas dos deuses, uma bravura despida de qualquer hesitação. Por outro lado, o Literato subscreve uma visão eurocêntrica, ou, mais correctamente, lusocêntrica do mundo. Os descobrimentos portugueses são descritos como a extirpação do paganismo, a conquista da barbárie, a difusão das cruzadas cristãs. No Poema, aquele povo é descrito como impassível ao medo de deitar sangue ou às paixões da alma, tamanho o seu compromisso com Deus de, em Sua causa, mostrar heroísmo. Camões teve uma vida de muitos reveses e percalços, um destino pontilhado com muitos insucessos. Pode-se dizer que nunca conseguiu deixar para trás a má-sorte que o perseguia. Foi um viajante à deriva nos sete mares, um trovador cujo canto dá uma variedade de sentidos à palavra “pátria”; foi um paladino que pregou a justiça, um aristocrata que passou fome; foi um amante incapaz de apagar a chama da paixão, um humanista cujo peito açambarcou o mundo. Qaundo a sua pátria montou a crista da onda, rejubilou-se; mas também intuiu profundamente as armadilhas do amor e da existência, as suas contradições e perplexidades; por meio da sua Arte, ensaiou uma fuga dos seus infortúnios ou, pelo menos, a sua catarse.

AO VER A ESCURIDÃO A APROXIMAR-SE, O POETA LANÇOU MÃO DA SUA LINGUAGEM MAIS VIGOROSA PARA QUE OS IDEAIS SUBJACENTES À SUA COMPOSIÇÃO ÉPICA PUDESSEM SER VEICULADOS AO MUNDO, REGISTANDO EM BOM TEMPO OS FEITOS AUGUSTOS DE PORTUGAL Além do grande poema épico, o Poeta legou uma grande obra lírica, abrangendo hinos, elegias, baladas, pastorais e canções. Claro que também há sonetos, a sua especialidade. Tal como a sua épica, a lírica camoniana está marcada por elementos contraditórios, como o elogio à vida de antanho e à modernidade do Estado-Nação; mitologia pagã e Cristianismo; alegria e dor; ordem e caos; sublime e ridículo; grandeza e

abjecção do humano; o amor idealizado como fim último da alma – mas como conciliá-lo com o desejo carnal, tão presente? Camões põe-se entre a chama e a cinza, a certeza e a dúvida, a pureza e a culpa, a alma e o corpo, a humildade e o garbo. Ao viajar, recalcitra diante da realidade e do ideal, prosseguindo a sua busca de equilíbrio e de harmonia nesse choque de opostos. Não é surpresa que, frequentemente, resvale contra os mu-

ros, tombando em abismos de dúvida, deprimido, pessimista. Pode dizer-se que é essa tensão entre extremos que dá à lírica camoniana uma diversidade e riqueza próprias: luz, trevas, diáfano, sombrio, livre, cativo, sensível, racional – uma miríade de nuances brota das palavras. Esses poemas não apenas demonstram grande força ao resistirem à passagem do tempo, para se transmutarem num tesouro de pérolas brilhantes que hoje adornam a literatura portuguesa, ainda forjaram o idioma, sublimando a língua lusa com um alto teor poético. Justamente por isso, traduzir a lírica de Camões para a língua chinesa – que possui profundas diferenças em relação ao Português – é um imenso desafio. Zhang Weimin abraçou este desafio com grande coragem; lavorou em silêncio a terra das margens do Tejo, e, com a sua faina, trasladou pérolas entre dois idiomas. Tenho a esperança de que elas possam continuar a brilhar no velho vernáculo dos Han – é um feito admirável. Traduzir é difícil; traduzir poemas é uma aporia. Não é uma pura busca de palavras por palavras; exige amplos conhecimentos, acumulados ao longo do tempo; exige fina sensibilidade e soberano comando dos idiomas; exige, mesmo, um diálogo espiritual entre o tradutor e o poeta: é como se fosse possível ouvir o pulsar do sangue dentro das veias, ora um silêncio, ora um rumor. Em resumo, traduzir é um “recriar a intenção poética”. “Poesia são as antenas de uma nação”. A tradução de 100 Sonetos de Camões, ora editada, indubitavelmente muito contribui para que se compreenda Camões, um grande poeta com laços a Macau, um riquíssimo universo íntimo e uma sensibilidade romântica incorrigível. Esta publicação possibilitará que se conheça mais a fundo a personalidade do povo português, sendo ao mesmo tempo um apelo – apelo para que mais obras de literatura em Português sejam traduzidas para o idioma chinês. As relações entre os povos de China e Portugal já datam de há mais de 500 anos, mais os dois povos ainda não se conhecem profundamente. Há, então, todas razões suficientes para que procuremos aperfeiçoar, por todas formas possíveis, esse conhecimento mútuo – e a literatura, sem dúvida, é uma das mais cativantes. (Tradução de Giorgio Sinedino)


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h

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Fátima Paulet * IN O BAÚ DE MACAU

A

Macau (lê-se Macô) da França é uma pequena cidade localizada no departamento da Gironde. Os seus habitantes são chamados de macaudais (macôdê) para o masculino e macaudaises (macodése) no feminino. Altitude de 5 metros, área de 19,6 km2 e 3. 447 habitantes [2004]. Com uma densidade de 176,2 hab/km2, teve um aumento da população de 19,5% comparando com o censo de 1999. É contígua às comunidades de Ludon-Médoc, Labarde e Le Pian-Médoc e está situada a 14 km a nordeste de Eysines. É cortada pelo rio Garonne e pelo Laurina e Fond de Martian que são riachos. No centro tem uma praça com a igreja “Sainte Marie de Macau” cujo campanário é estilo romano e do século XII. Ao lado, há um monumento em homenagem aos soldados mortos na Indochina e mais à frente a Câmara Municipal, a Prefeitura e muitas casas antigas.

A REGIÃO DE MACAU Nesta região existem algumas empresas vinícolas, entre elas o Chateaux Cantemerle, que fica na entrada da cidade de Macau; o famoso Chateaux Margaux, que fica perto de Macau, e Saint Emilion, cidade medieval com um vinho de

MACAU França

Existe uma cidade francesa chamada Macau. Uma habitante da Macau brasileira esteve lá e conta o que viu

classificação internacional e declarada Património Mundial pela UNESCO. De notar ainda as dunas Du Pilat — uma duna de areia branca com 110 metros de altura, a mais alta da Europa, com vista panorâmica da Bacia de Arcachon onde existem fazendas de ostras.

A ORIGEM DO NOME Quem “nasceu” primeiro com o nome de Macau? Foi esta pequena cidade da Aquitânia francesa que visitei agora; a Macau da China ou a Macau nordestina. Não encontrei resposta e o que é interessante é que distantes uma da outra por milhares de quilómetros, sem as facilidades de comunicação que temos hoje, o nome Macau tenha surgido, aparentemente, sem qualquer ligação. A nossa Macau (brasileira), duas hipóteses: a cópia do nome da Macau chinesa ou o nome derivado da belíssima ave, a Arara; a Macau chinesa, originária da deusa A-Ma e a Macau francesa terá sido do latim?

TOPÓNIMO DA MACAU FRANCESA Segundo dois pesquisadores franceses, Albert Dauzart [1877/1955] e Charles Rostaing [1904/1999), o nome da


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Macau francesa tem origem romana, derivada do latim “malum cavum”, que quer dizer mal lugar ou lugar perigoso. Olhando o mapa da região, vemos que Macau fica na embocadura do rio Garonne onde existem muitos obstáculos formados por bancos de areia e grande correnteza que podem emboscar o navegante, dificultando a sua entrada no rio. Mas estes pesquisadores também descobriram diversas grafias nos textos dos séculos XI e XII, como Macault, Naco, Maco, Machau, Machao, Maquau, Macau, e também as latinizadas do malum cavum, como Male Cauculum, Maucalhau, Maucaillou. Pensam estes pesquisadores que talvez o topónimo seja mais antigo, talvez originário dos gauleses ou celtas que dominaram a região. *texto editado

Macau Nome de araras vermelhas A cidade de Macau no Brasil tem suas origens no início do século XIX, quando ainda era conhecida por ilha de Manoel Gonçalves — região já colonizada para a produção de sal. O seu nome actual poderá derivar de A-ma-gao (“baía de Ama”), expressão chinesa que deu o nome à então colónia Portuguesa de Macau, hoje parte da China. Segundo Câmara Cascudo, Macau, no Rio Grande do Norte, tem este nome em razão das semelhan-

ças geográficas com a ex-colónia portuguesa na China. Entretanto, há uma controvérsia em relação à origem do topónimo. Segundo Getúlio Moura, no seu livro “Um Rio Grande e Macau”, o nome Macau tem origem nas araras vermelhas que habitavam a região do Vale do Açu, cujos habitantes indígenas chamavam de “Macaw”. No livro de Getúlio Moura há mapas da região com figuras das citadas araras que originaram o nome actual do município.


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Mas se ele lhe tivesse contado o quê? Que certezas tinha João sobre o que andava a fazer? E por que razão contar tudo a Lara? Não seria esse ímpeto de sinceridade uma acção egoísta? Por quê sobrecarregá-la com um problema, com uma situação perigosa, que nada tinha a ver com ela? Ele sabia que, mesmo que fosse acometido por um ataque confessional, a sua voz hesitaria, talvez gaguejasse, como se estivesse a contar uma mentira. A história tinha tantos espaços brancos e razões incompreensíveis que Lara por certo duvidaria da sua veracidade. No entanto, ele teria que justificar a regularidade das suas ausências. — Arranjei um emprego... — Para quê? — Para não andar atrás de ti, a chatear-te a cabeça. Lara riu-se e cruzou as pernas. A sala estava envolta numa atmosfera azulada. Lá fora, a luz de um néon insistente espalhava-se pela janela. Subtil, rosnava o ar condicionado. Ela ripostou: — Adoro os teus argumentos. Fazem-me sede. Não me serves uma bebida? — O que queres beber? — Uísque, claro... como tu... — Fazes-me sentir em casa... — Ainda bem. Afinal, é onde tu estás. Este sentido de realidade só te pode fazer bem. — Tens razão. Na rua... lá fora... é tudo muito louco. — Meu pobre menino... que não aguenta o mundo. Quer paliativos, tadinho... Os assuntos lá fora são demasiado sérios, demasiado duros para ele. — Não sabes o que dizes. — Sei melhor do que tu pensas... — Soa-me a ameaça... — Ameaça? — Sim. Ameaça. Como se sugerisses existirem partes na tua vida que eu não imagino e que facilmente me deixarias... facilmente assumirias outra personagem... junto de outro homem. — E se assim for? — Se assim for, assim será. João encolhia os ombros e dirigiu-se para a janela. Quando olhou para a rua, a sua face ficou iluminada de azul, uma cor triste e romântica sobre um esgar ilegível. Pensava: “Farei do silêncio a minha estratégia... não a cansar de mim... mas conduzi-la sempre à exaustão. Não a deixar partir leve dos meus braços, a imprescindível tontura terá de presidir ao seu andar. Assim voltará como o marinheiro que se agonia no primeiro balanço do navio e percebe não ter nascido para o mar. Para quem nasceu Lara?” Ela passou pelo espelho, pegou na mala e dirigiu-se para a porta. João reprimiu a vontade de a seguir, de a interpelar, que o incendiava. Seguiria o caminho do silêncio. Esperaria por ela. Beberia todo o álcool que encontrasse pela casa, mas esperaria por ela. Não disse nada. A sua face continuou azul e os seus olhos fixavam o reflexo dos seus olhos no vidro da

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O IMPÉRIO DO FIM (VI) (folhetim do fim de um império)

Carlos Morais José janela. Ele já não existia. Lara sumira-se sem ruído. Perdera-se para sempre no lago castanho dos seus olhos, no centro negro da pupila, nos raios de cores incertas. Por detrás dessa imagem surgia a rua, onde Lara agora certamente pretendia apanhar um táxi. Começara a chover. As gotas deslizavam pela janela e os olhos de João Junqueiro iam-se dissolvendo sobre o vidro. Finalmente, quando se afastou da janela e a sua tez recuperou a cor normal, teve a certeza de estar cego. Pegou no copo de Lara e emborcou uma generosa dose de uísque, toda de uma vez. Era tempo de voltar ao Atelier. Mas a madrugada ainda vinha longe. Na sua cegueira veria o Sol nascer tímido... veria tudo pois essa é a maldição de quem não vê com a convicção firme de que não estava a ver nada. Passaria depois pelas bandas do Senado.

Discretamente, as raparigas levam nas suas mãos o consolo aos convidados. Acariciam-nos suavemente, usando penugens entaladas nos engastes prateados de magníficos anéis de rubi. Os homens contorcem-se sem querer perder um momento do espectáculo. A um canto da praça roda o ópio em cachimbos de laca vermelha. Desfazem-se, pouco a pouco, certamente que pelo uso incessante da fornalha. Está demasiado quente. As gotas de laca caem nas pedras brancas e pretas da calçada, formam pequenos regatos ou manchas, enquanto discretas nuvens de fumo se elevam. Ainda se consegue ver a igreja. Um último dragão voa do céu altíssimo para o centro da Praça. Jovens pederastas acendem-se pelos bancos. Conversam devagar, olhos na multidão que passa. A festa terminou e ninguém se veio. Chega a noite quando ainda são quatro da tarde. É o eclipse – expele a alma de um astrónomo imperial que segura, debaixo do braço, a sua cabeça decepada.

XXXII

XXXIII

Das folhas de João Junqueiro A praça principal, dita do Leal Senado. É fácil invocar os deuses mórficos para banquetes em movimento lento onde as uvas descem devagar entre fileiras de dentes amarelados e as brumas do incenso anunciam o movimento dos corpos e anulam o cheiro dos sexos frios.

QUANDO OLHOU PARA A RUA, A SUA FACE FICOU ILUMINADA DE AZUL, UMA COR TRISTE E ROMÂNTICA SOBRE UM ESGAR ILEGÍVEL No chão amolece o sangue em postas. Servirá para graffitis nos muros mais altos da praça, no edifício dos correios, na igreja amarelada. Ao longe, na colina verde há um grande retrato em néon de Mao Zedong que os marinheiros dos jactoplanadores saudarão à distância. Um cortejo de dragões entra timidamente no largo. Não podem cuspir fogo sob o risco de chamuscar os convidados. Faz parte das regras do banquete. Os dragões dançam uma partitura minimal repetitiva, enternecedores nos seus tutus rosa e demonstrando uma especial sensibilidade nos exercícios com espadas.

Só, parcialmente refeito das impressões causadas pelo encontro com Paulo e José António, João deu por si parado e ofegante, à porta do segundo andar do Atelier. Que trazia ele do seu primeiro encontro? Pensou em interrogar-se sobre o que estava para lá de cada... (seria ainda possível pensar o Atelier dividido em andares? ... ) espaço, mas não o fez. Era seu dever, não tanto saber e compreender, muito mais relatar, ser perfeito no modo como desvendaria os segredos que este Atelier provavelmente nunca teve. Não havia falta de material para um primeiro relatório. Até que ponto aquele tipo fugaz, de mãos sapudas e fato amarelo, não estaria já informado de tudo ou sequer o leria? Afinal, ele poderá não passar de um mensageiro, de um rapaz que leva e que traz. Existirá outra gente que lê os relatórios. Terão dossiers alinhados numa prateleira onde João figurará primeiro como um número, depois com pseudónimo, nome de código, parte secreta de uma rede metediça e poderosa. Afinal ninguém lhe garantia que o seu contacto fosse mesmo do governo. Era talvez um tipo a soldo, um gajo que valia tanto como ele, agora que trabalhava para os mesmos patrões. Serão coreanos, japoneses ou americanos, que estarão por detrás do fato amarelo? Serão... os chineses? Quem serão os leitores? Querem qualquer coisa que não sabem o que é e

João procura para eles não sabe o quê: e é precisamente isto que faz sentido. A quem interessa uma escultura numa praça de Macau? Acreditaria estar perante a acção mesquinha de um escultor rival, que usasse a sua missão para espiar pela casa da inimiga, para lhe cheirar os vícios e sugar a criação1. O2 seu relatório será seco. Assim do género: ficai sabendo, senhores, que no primeiro andar do Atelier se fode continuamente, apenas com ligeiras interrupções para emborcar grandes golos de cerveja. Um pouco como por toda a cidade. Nada de novo, nada de mal, nada de monstruoso. Depois exagerará, mais sério, quase grave: a Escultora precisa de extrair e consumir energia para lhe alimentar a imaginação e a distrair do cansaço: essa é a missão do Paulo e do José António, inesgotáveis fodilhões sem direito a descanso, só breves pausas sobre as costas das raparigas, ofegantes e suados (não dei por nenhum ar condicionado), depois de já míseras ejaculações. A cerveja era bebida perante o olhar de uma câmara e eles voltavam-se de modo a que a marca fosse bem visível, finando todo aquele emborcamento com um sorriso3. Para terminar a visão mitológica, freudiana: a Escultora seria uma gorda imensa, esparramada num gigantesco sofá de veludo, uma espécie de Cronos feminino, continuamente canibalizando carne própria e alheia, devorando filhos e cadilhos, numa sofreguidão senil e monstruosa. Assim concluiria o primeiro relatório. (Continua para a semana)

1 - João Junqueiro refere a disputa artística que grassava então pela cidade. Cada espaço, cada instituição ou galeria gastava milhões para assegurar a intervenção dos artistas mais mediáticos da globalização. Jeff Koons e Cicciolina posaram nus no átrio do Casino Lisboa, cinco dias por semana, três horas por dia, em pleno Ano Novo Lunar. Assistimos a retrospectivas de toda a vanguarda chinesa e do melhor que a Europa preservou: Rubens, Rembrandt e Matisse. Tapiès foi convidado a pintar uma tela gigantesca sobre um prédio inacabado e aceitou. Christo, o Grego, cobriu as Ruínas de São Paulo. 2 - Por este tempo diz-se na cidade que o governo está interessado em gastar dinheiro não importa em quê nem em quem, para que o orçamento do ano seguinte possa manter os mesmos valores. Os chineses... sempre os chineses... estão atentos... muito atentos... sempre atentos... e não deixam de cultivar jardins de dificuldades, templos de problemas, muralhas de questiúnculas. Gastar para ter: eram assim as questões do dinheiro, assuntos simples e sem grande peso na vida alheada das gentes. Faria eu parte das despesas inúteis? 3 - No meio do seu delírio, João Junqueiro pretende aqui denunciar um eventual lucro ilícito por parte do Atelier, através da utilização em anúncios publicitários de algumas das imagens do primeiro andar. Na verdade, anos mais tarde, Paulo e José António surgiram em várias televisões de países africanos, quando da expansão de uma conhecida marca de cerveja pelo Continente Negro. Este facto levou alguns a pensar que o primeiro andar do Atelier era assim completamente patrocinado pela referida cerveja, num gesto de antecipação a um futuro avanço na direcção de novos mercados. É também notável o modo como se conseguiu prever a mudança radical dos códigos morais relativamente à exibição de nu integral e sexo explícito em canais abertos de televisão.


( F ) UTILIDADES

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TEMPO

Cineteatro

AGUACEIROS

MIN

27

MAX

32

HUM

70-98%

•

EURO

CINEMA

10.8

BAHT

0.2

17

YUAN

1.3

LÍNGUA DE gATO

DAWN OF THE PLANET OF THE APES

THE TALE OF THE PRINCESS KAGUYA [A]

SALA 1

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [B]

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 14.30, 16.45, 21,30

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Isao Takahata 16.45

Pu Yi

SALA 3

DAWN OF THE PLANET OF THE APES [3D] [B]

HUNGRY GHOST RITUAL [C]

Um filme de: Matt Reeves Com: Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russel 19.15 SALA 2

DELIVER US FROM EVIL [B]

Um filme de: Nick Cheung Com: Nick Cheung, Annie Liu, Carrie Ng 14.30, 16.00, 17.30, 21.30

O Chefe vai tirar um pós-doutoramento

THE TALE OF THE PRINCESS KAGUYA [A]

Um filme de: Scott Derrickson Com: Eris Bana, Edgar Ramirez, Olivia Munn, Sean Harris 14.30, 19.15, 21.30

FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Isao Takahata 19.00

ACONTECEU HOJE

17 DE JULHO

Nasce Quino, o cartonista ‘pai’ de Mafalda • Hoje é dia de recordar Joaquín Salvador Lavado Tejón, argentino conhecido como Quino, autor de uma personagem de banda desenhada que fica na história e no imaginário de crianças hoje adultas. Mafalda, a menina que odiava sopa, canta os parabéns a Quino. Quino nasceu no dia 17 de Julho de 1932, na Argentina, foi um pensador, historiador gráfico e criador de banda desenhada, desde cedo ganhou a alcunha de “Quino” – nome pelo qual foi ‘rebaptizado’ pela família, para diferenciá-lo do tio homónimo, responsável por este gosto pela arte. A infância de Quino é marcada pela tragédia, com a morte da mãe, quando tinha apenas 13 anos. Aos 16, perde o pai e fica órfão, sendo obrigado a abandonar a Faculdade de Belas Artes. Tenta ganhar a vida como autor de banda desenhada e desde cedo começa a vender os seus trabalhos: um anúncio de uma loja de seda. Cumpre serviço militar e instala-se em Buenos Aires, com muita dificuldade económica, mas consegue sucesso profissional, conseguindo páginas de humor em diversas editoras e jornais. Faz uma incursão pelo mundo da publicidade e publica colecções no livro ‘Mundo Quino’, em 1963. Cria então a primeira história de Mafalda, publicada no Leoplán, primeiro, e no semanário Front Page, de forma regular. A sua personagem trespassa fronteiras, chegando a Portugal, Itália e Espanha (onde a censura força-o a rotulá-la como “conteúdo para adultos”), entre outros países. A personagem mais famosa de Quino é Mafalda, publicada entre os anos 1954 e 1983. Mafalda, que odiava sopa, questionava os problemas políticos e até científicos que afligiam sua alma infantil. Paralelamente, lançava uma reflexão sobre o conflito que as pessoas da época enfrentavam, com a mudança dos costumes introdução da tecnologia no quotidiano. Apesar de ter sido interrompida em meados de 1970, Mafalda possui fãs por todo o mundo, sendo a expressão da celebridade de Quino, um dos maiores cartonistas do mundo.

H O J E H Á F I L M E GREETINGS FROM TIM BUCKLEY (DANIEL ALGRANT, 2012) Confesso que hoje em dia, poucos são os filmes que me fazem ficar realmente emocionada, mas ‘Greetings from Tim Buckley’ é, sem dúvida, um deles. Vi-o há dias e, para além de Jeff Buckley – filho do conhecido cantor Tim, que dá o nome ao filme – ser um dos meus compositores e cantor preferidos de sempre, tive o prazer de encontrar um conjunto de actores extremamente dotados e um filme bem estruturado. Penn Badgley personifica um Jeff Buckley quase perfeito. Tudo se passa em 1991, quando um grupo de antigos colegas e amigos de Tim Buckley decidem organizar um concerto de homenagem ao cantor, que havia morrido de overdose acidental. O filme mostra-nos um jovem adulto aparentemente feliz, mas completamente despedaçado pelo abandono precoce do seu pai. As guitarradas inesperadas e as vozes solitárias que preenchem os ouvidos enquanto olhamos para resquícios de uma felicidade inexistente. Simplesmente fantástico. - Leonor Sá Machado

João Corvo

fonte da inveja

O silêncio atordoa.

Por forma a quebrar um pouco a minha monotonia aqui na redacção, ontem resolvi deslocar-me ao World Trade Center, local onde Chui Sai On anunciou oficialmente que se vai candidatar a mais um mandato (jura?). Pronto. Como eu, de certa forma, também sou um residente e alguém interessado na vida política deste território lá fui eu ver o que o Chefe tinha para dizer. Disse que vai resolver os problemas da habitação. Fixe. Pá, eu não pago renda da minha casota, dão-me água e comida todos os dias, mas acho fixe que o Chefe resolva um problema que toca a todos, excepto aos que ganham milhões. Mas o mais importante, para mim, foi uma frase perdida lá no meio do discurso político: Chui Sai On, depois de governar por mais cinco anos – caso aconteça -, vai deixar de vez a vida política e a Função Pública e vai... estudar. Isso mesmo. O homem que tirou um mestrado e doutoramento na área da saúde pública e gestão da mesma área vai decerto tirar um pós-doutoramento. Quiçá na mesma área. Pode ser que, desta vez, possa administrar o hospital público desta cidade, acelerar os projectos do novo Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas e trazer de vez todos os médicos que esta terriola necessita. Fazer um sistema de saúde como a Tailândia (que ainda está no conjunto dos países ditos em desenvolvimento), talvez... Depois de dez anos como Chefe do Executivo e das dificuldades políticas ultrapassadas, talvez consiga fazer algo na vida civil.


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OPINIÃO

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Rui Tavares

In Público

H

Á uns anos, na sequência de uma crónica para esta coluna, peguei num papel e escrevi uma coisa em inglês a que chamei “Pacto Democrático para a União Europeia”, em que cada signatário declarava o seu empenho pela construção de uma Democracia Europeia através de passos simples, concretos e decisivos. “Os 500 milhões de cidadãos da nossa União não podem resignar-se a ser governados pela combinação entre uma burocracia distante e o resultado dos jogos de equilíbrio entre estados-membros grandes e pequenos”. Feito o diagnóstico, propunham-se os seguintes três passos: 1. Que o próximo Presidente da Comissão Europeia, chefe do executivo da União, terá de ser um candidato que tenha feito pessoalmente campanha em todos os países da UE, apresentado expressamente o seu programa para aquele cargo específico, e que tenha estado envolvido num debate pan-europeu com os outros candidatos para o mesmo lugar; 2. Que o Presidente da Comissão Europeia só possa ser indigitado após ter congregado o apoio da maioria dos grupos

12 ANGRY MEN, SIDNEY LUMET

Passos democráticos

políticos do Parlamento Europeu, após as eleições europeias; 3. Que o Parlamento Europeu não aprove nenhuma Comissão cujo presidente indigitado pelo Conselho não preencha as condições indicadas nos números anteriores. Passados vários anos, quase tudo isto veio a ocorrer (os candidatos não foram pessoal a todos os países da União, e espero que isso venha a mudar). O Pacto Democrá-

cartoon POMBO DA PAZ por Stephff

tico — que não era o único, nem o primeiro, documento a fazer este caminho — serviu para a reflexão que veio a dar lugar ao Pacto Cidadão pela Democracia Europeia, da associação European Alternatives (que se pode encontrar em www.euroalter.com). E, seguindo aproximadamente estas regras do jogo, o Parlamento Europeu veio a aprovar ontem o novo Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Ora bem: a democracia é um jogo em que podemos concordar com as regras, mas não temos de concordar com o resultado. Por isso é que é democracia. Ontem, eu teria votado contra Jean-Claude Juncker, como fizeram os deputados do PCP e do BE no Parlamento Europeu (à hora a que escrevo, parece que todos os outros deputados portugueses votaram a favor). Nas audições parlamentares, Jean-Claude foi pouco específico e até contraditório em relação ao seu programa. Naquilo em que foi específico,

“Juncker não é só um dos pais da austeridade: é um pai que enjeita o filho que ajudou a conceber” como na concordância com o Tratado de Comércio Transatlântico, pôs em perigo a segurança dos trabalhadores e dos consumidores europeus, e até a jurisdição dos seus tribunais. Jean-Claude Juncker continua a não admitir que presidiu ao governo de um país, o Luxemburgo, que é na prática um paraíso fiscal. Além disso, ele não é só um dos pais da austeridade: é um pai que enjeita o filho que ajudou a conceber. Mas a pergunta de bondade do seu perfil ou do seu programa é diferente da questão da legitimidade da sua nomeação. Jean-Claude Juncker é o presidente-eleito da Comissão Europeia, pela primeira vez através de um processo que começa a aproximar-se da democracia parlamentar. A questão agora é: quais são os próximos passos? Eu daria três: mais transparência e responsabilização na escolha dos comissários europeus; eleição directa ou parlamentar dos Representantes Permanentes no Conselho da UE; direito de acção colectiva dos cidadãos europeus junto do Tribunal de Justiça da UE. Nas próximas crónicas veremos porquê e como.


opinião 19

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LEOCARDO

bairro do oriente

Dar vistos a quem não tem dentes Esta política dos vistos teve o seu início mais ou menos na altura em que o Executivo da RAEM decidiu liberalizar o sector do jogo, o que levou à entrada no mercado das concessionárias de Las Vegas – e em boa hora, pois com o aumento da oferta turística, era fundamental que se abrissem as portas à entrada de um grande número de visitantes. Esse número tem vindo a aumentar nos últimos anos, e tornou-se praticamente incomportável. Se em Hong Kong, com uma

área muito maior, os residentes se queixam do excesso de turistas do continente, em Macau a situação é ainda mais grave, pois a juntar à exiguidade do território há ainda a escassez de recursos, que não dão resposta a um influxo de turistas desta dimensão. Mas se na RAEHK, praça financeira por excelência com capacidade para ser auto-suficiente, com ou sem vistos, em Macau é impensável dispensar esta modalidade, e todos ficam com os dedos cruzados para que

HOJE MACAU

U

M grupo de residentes de Macau abriu recentemente na rede social Facebook um grupo onde manifesta a sua insatisfação pelo serviço de táxis no território, e convida quem tiver uma história relacionada com abusos cometidos por parte dos taxistas a partilhá-la. Alguns destes episódios relatados pelos utentes deste serviço são de deixar a boca aberta de espanto, e chegam a assumir contornos de filme de terror, tal é a prepotência e a ganância dos motoristas. A maior parte prende-se com indiferença perante mulheres grávidas, idosos, cidadãos diminuídos fisicamente ou quaisquer outros que não compense apanhar, pois não lhes vão pagar além do que é exigido por lei pela corrida, e preferem procurar quem lhes faça ganhar de uma assentada o turno de trabalho. A Direcção dos Serviços de Assuntos de Tráfego diz-se impotente para resolver o problema, e por mais fiscalização que se faça, os taxistas prevaricadores persistem na conduta, pois mesmo no caso de serem autuados, continua a ser “lucrativo” infringir a lei. Quando se pesa isto na balança e se chega à conclusão que vale mais a pena ser desonesto do que honesto, então estamos mesmo muito mal. Tentando identificar a origem do problema, é comum ouvir dos residentes que a culpa é dos turistas da China continental, que mal chegados a Macau não se importam de pagar um montante à revelia do taxímetro, o único método efectivamente legal para determinar o preço da corrida. Em alguns casos não se importam de pagar 400 ou 500 patacas por um percurso que ficaria por menos de cem em circunstâncias normais, daí que os taxistas prefiram este tipo de clientes, pois em duas em três viagens fazem tanto como transportando 20 passageiros durante todo o tempo do turno. E não só no que diz respeito aos táxis os turistas do continente servem de desculpa; é por culpa deles que se torna quase impossível andar na rua, especialmente durante os fins-de-semana e feriados, são eles que esgotam das farmácias e supermercados o estoque de leite em pó das crianças, conhecido por “baby formula”, é por culpa sua que aumenta a criminalidade e disparam os preços dos bens de consumo. Puxando o fio à meada encontramos a principal causa de todo este chinfrim: a política dos vistos individuais, que a China implementou para as RAE de Macau e Hong Kong, e que permite que mais turistas da República Popular venham visitar os seus “compatriotas” deste lado, e com mais frequência.

Os tais cheques do “plano de comparticipação pecuniária” vão dando para pagar umas contas, mas começa a ser mais que evidente que não compensam que se sacrifique a sua qualidade de vida

a China não feche a “torneira”. No início as coisas até corriam de feição, pois o dinheiro ia entrando a magotes, mas se as pessoas acharam graça à novidade, cedo se aperceberam que pouco ou nada beneficiavam com isso – antes pelo contrário: com os que chegam para gastar dinheiro nas compras e nos casinos vêm também os vigaristas, carteiristas, assaltantes, prostitutas e outros amigos do alheio. Entendo que exista um certo preconceito com os turistas do continente, sobretudo por razões culturais, mas não posso de todo concordar com esta culpabilização sem nexo. Se os táxis estão como estão, a culpa é sobretudo dos taxistas, que se comportam como maus profissionais. O que seria se no âmbito das minhas funções eu estivesse no serviço de atendimento ao público, e escolhesse quem queria atender? Os turistas vêm tratar da sua vida, talvez estejam habituados a este sistema, e com toda a certeza não têm em mente prejudicar os residentes de Macau. Falta leite em pó? Não chega? Manda-se vir mais, e do que estão à espera? Fossem fichas de casino, e já as tinham mandado vir “para ontem”. Prostitutas? Estas não obrigam ninguém a nada, e quanto a vigaristas, larápios, agiotas e afins, isso é da competência das autoridades policiais, e que eu saiba os que chegam de fora não estão a cobro de nenhum tipo de imunidade, e se forem apanhados têm que responder pelos seus crimes, como os de cá: a lei é igual para todos. A política dos vistos individuais foi pensada no sentido de que todos beneficiassem dela: o Governo de Macau, que assim enche os cofres do erário público, a população, que deveria usufruir desses montantes, e os turistas, que assim ficam com mais liberdade de movimentos. Estes últimos fazem a sua parte, vindo até Macau, e a população recebo-os – que remédio – mas o que ganha com isso? Os tais cheques do “plano de comparticipação pecuniária” vão dando para pagar umas contas, mas começa a ser mais que evidente que não compensam que se sacrifique a sua qualidade de vida. Para o terceiro vértice deste triângulo, é até conveniente que se empurrem as responsabilidades para os turistas do continente, que são uma massa colectiva e anónima que ainda por cima nem tem acesso ao Facebook. Enquanto isto estes vão arrecadando as suas receitas, de acordo com o plano estabelecido, e pouco se importam que Macau seja actualmente o território da região Ásia-Pacífico onde é mais difícil apanhar um táxi. E para que se haviam de preocupar, se eles nem precisam de andar de táxi, ou a pé pelas vias congestionadas da cidade. Sim, essa é uma mentira em que fica mais fácil acreditar. Pelo menos desabafam.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 17.7.2014

Filipinas Tufão Rammasun causa pelo menos 11 mortos

Pelo menos 11 pessoas morreram na sequência da passagem do tufão Rammasun pelas Filipinas, que levou à paralisação da capital e forçou a retirada de milhares de pessoas em todo o país, informaram ontem as autoridades. Ventos até 250 quilómetros por hora arrancaram árvores, destruíram telhados de casas e viraram carros no norte do país, nomeadamente em aldeias piscatórias, à passagem do Rammasun, que em tailandês significa “Deus do Trovão”. A queda de árvores, postes e muros causaram a morte de 11 pessoas no norte das Filipinas, segundo a AFP. O conselho nacional de gestão de desastres filipino reportou cinco vítimas mortais, mas autoridades locais confirmaram outras seis à AFP. Centenas de milhares de filipinos passaram a noite em centros de abrigo para escapar ao primeiro tufão da época a atingir o arquipélago, com o centro da tempestade a passar ao sul de Manila esta manhã. Cerca de 450.000 pessoas abandonaram as suas casas e refugiaram-se em centros de abrigo, segundo o Governo das Filipinas.

Moscovo Dois suspeitos detidos após acidente no metro

Dois suspeitos foram detidos após um descarrilamento no metro de Moscovo, que deixou pelo menos 22 mortos e 100 feridos, anunciou o comité de investigação russo. «Os investigadores prenderam dois suspeitos por violação das normas de segurança nos transportes», anunciou o comité, principal órgão para investigações criminais na Rússia. Os detidos foram o chefe de manutenção Valeri Bashkatov e seu auxiliar Yuri Gordov. De acordo com os investigadores, no mês de Maio começaram obras preparatórias para a instalação de um novo sistema de mudança de vias entre as estações Park Pobedy e Slavianski Boulevard, onde ocorreu a catástrofe de terça-feira. «Bashkatov e Gordov estavam directamente envolvidos nas obras e na sua monitorização», destacou o comité. As obras não decorreram da maneira correcta, segundo o comité de investigação. Os dois detidos foram interrogados e serão indiciados.

CRIME AUMENTA NÚMERO DE SEQUESTROS, EXTORSÃO E BURLAS

Dinheiro, para que te quero? De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária, sequestro, extorsão e burlas estão no topo da lista de crimes mais graves, perfazendo quase mais de uma centena das denúncias feitas às autoridades LEONOR SÁ MACHADO

Leonor.machado@hojemacau.com.mo

D

E acordo com dados anunciados ontem pela Polícia Judiciária (PJ), o número de sequestro e extorsão aumentou exponencialmente, tendo-se registado 55 casos de sequestro entre Junho de 2013 e Maio deste ano, comparativamente com os 20 verificados no período homólogo anterior. No entanto, os maiores lesados foram vítimas de burla e os números da PJ mostram isso mesmo: desde o início deste ano, foram burladas quase 500 pessoas, comparando com as 248 pessoas enganadas durante o mesmo período de 2013. Os dados incluem crimes praticados pela internet e são independentes do sector do jogo. Entre Junho de 2013 e Maio deste ano, foram instaurados mais de 1700 casos de furto e 86 de extorsão. De acordo com as estatísticas, o número de processos da PJ aumentou 12,6% face ao mesmo período do ano passado. Os mesmos dados mostram que foram sequestradas 25 pessoas entre Janeiro e Maio deste ano, comparativamente com o mesmo período de 2013 e 2012, onde foram sequestradas nove e 12 pessoas, sendo que o comunicado não avança informações sobre as

razões dos sequestros. Também a agiotagem em casinos aumentou significativamente no início deste ano, tendo sido reportados 71 casos em comparação com os 57 verificados entre Janeiro e Maio de 2012 e 2013. Também o crime de extorsão aumentou bastante, com mais 26 casos registados – só durante os primeiros meses do ano – do que nos dois anos anteriores. Só durante os primeiros cinco meses deste ano, 1140 pessoas foram apresentadas ao Ministério Público (MP), 511 das quais já detidas, 610 sem ordem de detenção e 19 jovens com menos de 16 anos,

ou seja, sem idade de responsabilidade criminal. O último número aumentou significativamente, face aos apenas sete e cinco jovens apresentados ao MP durante os primeiros cinco meses de 2012 e 2013, respectivamente. O tráfico de estupefacientes continua a aumentar, tal como no ano passado, tendo-se registado 51 casos no território, só durante o primeiro semestre de 2014, ainda que o valor não se encontre muito abaixo do número registado em anos anteriores. Já no caso de crimes de furto é possível ver uma descida, embora os valores continuem a ser altos. Os números publicados ontem mostram que foram cometidos 726 furtos, um número que não foge aos valores registados em 2012 e 2013, de 830 e 793 pessoas lesadas.

Monte Carlo Viagem a Pequim e Taichung

O Clube Desportivo Monte Carlo informou ontem que vai realizar duas digressões ao estrangeiro para enaltecer o esforço da equipa técnica e jogadores na Liga de Elite de Macau de 2014, onde acabou no terceiro lugar. Na primeira digressão, agendada para os dias 18 a 23 de Julho, a equipa de futebol vai a Pequim fazer um jogo amigável com a equipa de futebol ‘Beijing Guoan Football Club’ no dia 22. Durante a estadia, vai discutir com os responsáveis do clube chinês um possível acordo de cooperação entre as duas equipas. Ao mesmo tempo, vai negociar com responsáveis duma empresa estatal possíveis patrocínios para o Monte Carlo. Na segunda digressão, a realizar entre os dias 1 e 8 de Agosto, o clube vai participar na competição “International Friendship Football Tournament” em Taichung, Taiwan. Além das equipas locais, o evento vai ainda contar com a participação de equipas de futebol da Coreia, China, Japão (Okinawa Ryukyu e Kagoshima) .

NÚMEROS DOS PRIMEIROS CINCO MESES DE CADA ANO • PESSOAS SEQUESTRADAS 2012 2013 2014 12 9 25

• TRÁFICO DE DROGA 2012 2013 45 47

2014 51

• PESSOAS VÍTIMAS DE FURTO 2012 2013 2014 830 793 726

• EXTORSÃO 2012 2013 15 15

2014 41

POUCOS CHINESES ESTÃO A TER UM SEGUNDO FILHO

Ainda presos ao passado O

Governo de Pequim autorizou uma parte dos casais a terem um segundo filho, quando há seis meses fez alterações à Lei do Filho Único. Mas os chineses não estão a “cumprir” a ordem e o número de nascimentos está muito abaixo das estimativas que foram feitas. Em Zhejiang, a primeira província onde a nova legislação foi posta em prática, as autoridades de saúde e planeamento familiar previam o nascimento de 80 mil bebés até ao final de 2014. Porém, só irão nascer 20 mil. “Algumas pessoas escolheram não ter o seu segundo filho este ano. Outras estão demasiado ocupadas com o seu trabalho e precisam de pensar muito bem no assunto”, disse Wang Guojing, director da comissão de saúde e planeamento familiar da província, citado pelo jornal China Daily. A alteração da política do filho único obedeceu sobretudo a factores de desenvolvimento sócio-

-económicos. A população chinesa, de 1,3 mil milhões de pessoas, está a diminuir e a envelhecer. O Governo — ou seja, o Partido Comunista da China, cujo Comité Permanente aprovou a alteração da política do filho único — quer renovar as gerações e assegurar que existem chineses em número suficiente para não haver uma crise social e económica. As estimativas nacionais — relativas às 29 províncias — apontavam para o nascimento de 90 milhões de bebés ao longo dos próximos anos. Como isso não está a acontecer, surge um novo risco, alertou na conferência de imprensa Zhai Zhenwu, reitor da Faculdade de Sociologia e Demografia da prestigiada Universidade de Renmin, em Pequim. Se os casais elegíveis — todos aqueles em que pelo menos um elemento é filho único — decidirem todos esperar, pode haver uma concentração de nascimentos num só ano. Um crescimento concentrado que não é desejável, disse.

Sands Depois da ameaça, a promoção

O director da Forefront of the Macao Gaming, Ieong Man Teng, e o deputado Au Kam San, representaram ontem os funcionários da Sands China numa reunião com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Ieong Man Teng diz que a acção diz respeito a casos de exploração pela Sands, porque alguns croupiers “passaram anos a ser estagiários”, mas nunca passaram a funcionários oficialmente, continuando com o salário baixo. A associação disse que já recolheu mais de cinco mil assinaturas e as autoridades prometem que hoje da manhã vão contactar a Sands China para ter uma reunião com os representantes da associação. Ieong Man Teng disse que, se até ao próximo sábado, ainda não se travarem negociações entre a empresa e a associação, vão ser feitas manifestações à volta do Venetian. Entretanto, a administração já comunicou ontem ao fim do dia que iria ajustar as condições salariais e de promoção dos funcionários.


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Hoje Macau 17 JUL 2014 #3133 by Jornal Hoje Macau - Issuu