SEXTA-FEIRA 17 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4290
LEI DE PROTECÇÃO CIVIL
NAS MÃOS DOS DEPUTADOS
GCS
PÁGINA 4
MOP$10 PUB
RÓMULO SANTOS
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
FAM
DIAS DO PATUÁ EVENTOS
CHUI SAI ON | PORTUGAL
ÚLTIMOS PACTOS GRANDE PLANO
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
Apesar dos últimos números da criminalidade indicarem uma descida em termos gerais, os crimes violentos registam um aumento de 8,3 por cento, face ao mesmo período de 2018. Sequestros e violações apresentam a maior subida com um crescimento de 34,4 por cento e de 66,7 por cento, respectivamente.
PUB
PÁGINA 7
hojemacau
Maus caminhos
2 grande plano
17.5.2019 sexta-feira
FRUTOS REAIS
A
ugusto Santos Silva foi confrontado com as últimas palavras do Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa que, na China, pediu mais investimento na economia real em Portugal. O ministro disse, com sentido de humor, que ainda não conseguiu cativar o interesse dos chineses pelo bacalhau português, mas que já o conseguiu fazer em relação ao pastel de nata. Além do desbloqueio para a exportação de carne de porco para a China, Augusto Santos Silva referiu que Portugal vai começar a exportar fruta. E já há exemplos de investimentos que vão além da participação em empresas de capitais públicos. “Recordo progressos ocorridos por ocasião da visita de Xi Jinping em Lisboa. Houve novos investimentos em Portugal, como o investimento da grande companhia de distribuição agro-alimentar chinesa, a Cofco, de que resulta uma unidade a laboral em Matosinhos com uma criação de emprego inicial de 100 trabalhadores que se prevê que atinja o meio milhar de trabalhadores”, concluiu.
GCS
Chui Sai On e Augusto Santos Silva reuniram esta quarta-feira no âmbito da sexta reunião da Comissão Mista Macau-Portugal. Do encontro no Palácio das Necessidades saíram três acordos nas áreas do turismo, justiça e ensino, mais concretamente quanto a formação turística, extradição dos infractores em fuga e reconhecimento dos graus académicos nos dois países
CHUI SAI ON EM PORTUGAL ASSINADOS TRÊS ACORDOS NO ÂMBITO
O
encontro durou cerca de duas horas e encheu de orgulho Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. Da sexta reunião da Comissão Mista Macau-Portugal saíram três novos acordos de cooperação que há muito estavam a ser planeados, nas áreas do ensino superior, turismo e justiça. Na prática, não só Portugal passa a ter um novo polo do Instituto de Formação Turística (IFT), graças ao acordo assinado por Alexis Tam na passada terça-feira, como passa a existir reconhecimento mútuo dos vários graus académicos do ensino superior de Macau e de Portugal. Esta medida nasce de um acordo assinado no Palácio das Necessidades entre Alexis Tam e Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Ainda na área do turismo, Augusto Santos Silva recordou que o acordo assinado prevê ainda “a cooperação entre as duas agências de promoção do turismo, em Portugal e em Macau”.
ULTIMOS ´
No sector da justiça, Sónia Chan, secretária para a Administração e Justiça, e Francisca Van Dunem, ministra da Justiça, assinaram novo acordo sobre
infractores em fuga. Sónia Chan não quis prestar declarações sobre a medida de cooperação, mas mostrou-se disponível para esclarecimentos futuros. De acordo
com um comunicado oficial, o acordo passa a permitir à RAEM “desenvolver as diligências adequadas à obtenção de assistência jurídica com outros países”.
Este foi rubricado a 15 de Fevereiro deste ano, aquando da deslocação da delegação da RAEM a Lisboa para uma reunião técnica bilateral. O mesmo comunicado aponta
grande plano 3
sexta-feira 17.5.2019
DA COMISSÃO MISTA
A história de Lisboa
nadamente no programa de diversificação da economia macaense”, disse Augusto Santos Silva, que destacou ainda a importância do Fórum Macau e o interesse do país no projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau.
Chefe do Executivo diz que passagem pela capital “teve grande significado”
Chui Sai On, Chefe do Executivo, frisou o facto de Macau ter interesse nos jovens empresários portugueses. “Daremos apoio a projectos de startups de jovens portugueses para que possam ir até Macau e à Grande Baía.” Além disso, o governante, que este ano cumpre o último mandato como Chefe do Executivo, adiantou que vai “continuar a incrementar a influência que o Fórum Macau representa e reforçar o fundo de investimento”.
“Chegámos ao consenso de que a RAEM e Portugal vão continuar a reforçar a cooperação. Fizemos um balanço dos trabalhos desenvolvidos e dos que serão desenvolvidos.”
A SAIR que “a assinatura formal do acordo representa assim o culminar de um processo negocial bem-sucedido”. Além disso, a sexta reunião da Comissão Mista
debruçou-se sobre “dois pontos fundamentais nas relações, tal como as questões económicas e aquelas que estão ligadas à língua portuguesa e ao ensino da
língua”, adiantou o MNE português. Portugal quer, assim, ter um papel na “intensificação das relações económicas entre Portugal e Macau, desig-
CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO
“Chegámos ao consenso de que a RAEM e Portugal vão continuar a reforçar a cooperação. Fizemos um balanço dos trabalhos desenvolvidos e dos que serão desenvolvidos”, acrescentou o Chefe do Executivo. Augusto Santos Silva lembrou também os números de sucesso do ensino da língua portuguesa na RAEM após a transferência de soberania. “Os números são eloquentes: nunca, como hoje, houve tantos estudantes a aprender português em Macau, tantas escolas que ensinam o português e nunca houve tantos professores. Esta expansão do português da RAEM só é possível devido ao apoio a todas as horas do Executivo da RAEM”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
GCS
IMPORTÂNCIA DAS STARTUPS
O
Chefe do Executivo, Chui Sai On, partiu ontem para o Porto onde recebe hoje as chaves da cidade pelas mãos do presidente da Câmara Municipal, Rui Moreira. Antes da viagem, que marcou o fim da visita oficial a Portugal, o governante fez um balanço positivo daquela que foi a sua última visita ao país na qualidade de Chefe do Executivo. “Hoje termina a nossa visita em Lisboa e acho que teve um grande significado”, começou por dizer Chui Sai On, lembrando o facto de este ano se celebrar não só os 20 anos de transferência de soberania de Macau como os 40 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a China. Questionado sobre os resultados concretos dos encontros com António Costa, primeiro-ministro português, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, o Chefe do Executivo adiantou que “o ponto mais importante foi a relação entre China e Portugal, que está numa excelente fase, tendo em conta as áreas da cultura, turismo, comércio, sem esquecer outras áreas da cooperação”. “Participamos no projecto “Uma Faixa, Uma Rota” e contamos com a participação de Portugal”, acrescentou. O Chefe do Executivo voltou a defender a aposta no empreendedorismo jovem, isto depois dos membros do Conselho Executivo terem visitado a Fábrica de Startups, em Oeiras. “Temos uma comissão para os jovens empreendedores,
e os secretários também fazem essa promoção do empreendedorismo jovem. Depois de regressar a Macau vamos acompanhar este assunto para proporcionar mais oportunidades aos jovens.” No que diz respeito ao projecto de expansão da Escola Portuguesa de Macau, Chui Sai On não avançou novos dados, tendo dito apenas que o dossier será acompanhado pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam.
SEM CONFLITO
O Chefe do Executivo foi ainda questionado sobre o facto de Peter Lam ter sido nomeado presidente do conselho de administração da Macau Renovação Urbana SA, tendo em conta que o empresário tem negócios na área do imobiliário. Chui Sai On negou que haja conflito de interesses. “Considerei as suas capacidades e experiências e o seu serviço, e acho que isso não implica nenhum conflito de interesse. No que diz respeito à nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, Chui Sai On admitiu que é necessário tempo para que o projecto dê mais frutos. “Esta é uma grande obra. Depois da abertura é necessário tempo e experiência para um funcionamento normal e melhor da ponte. Vamos acompanhar o assunto que será discutido na próxima reunião entre as três partes.” Em relação ao sector do turismo, Chui Sai On deixou claro que o Governo “tem de proteger a qualidade de vida dos residentes, para que sejam anfitriões e donos deste lugar, e para que não sejam afectados pelos turistas. Também temos de ter em conta a segurança e vamos acompanhar este aspecto para diminuir ao máximo os aspectos negativos”. A.S.S.
4 política
GCS
17.5.2019 sexta-feira
O
secretário para a Segurança está disponível para fazer alterações à Lei de Bases de Protecção Civil, que na versão portuguesa criminaliza as “notícias tendenciosas”, durante a ocorrência de calamidades. Contudo, Wong sublinha que a vontade é que o diploma, que entrou no dia 10 na Assembleia Legislativa, seja aprovado a tempo da temporada de tufões. Em causa está o facto de o Executivo ter feito a consulta pública sobre a criminalização de “rumores e boatos”, com a prática a ser denominado de “crime de falso alarme social”. No entanto, na versão entregue na AL, o Executivo opta por criminalizar “notícias falsas, infundadas ou tendenciosas” sobre “riscos ameaças e vulnerabilidades”. A prática passa a ter o nome de “crime contra a segurança, ordem e paz públicas em incidentes súbitos de natureza pública”.
O
PROTECÇÃO CIVIL SECRETÁRIO ADMITE ALTERAÇÕES E RESPONSABILIZA DEPUTADOS
Eles é que decidem
O secretário para a Segurança mostrou abertura para discutir a proposta que criminaliza as “notícias tendenciosas”, mas garante que não vai haver detenções de pessoas “só porque divulgaram notícias”. No entanto, insiste na urgência de aprovar a lei a tempo da época de tufões “Antes o crime era de alarme falso, agora com a nova definição passa a aplicar-se a quem está a fazer distúrbio da ordem social. Há uma alteração porque tivemos como referência os nomes adoptados no estrageiro, nos outros países,
secretário para a Segurança respondeu ontem às críticas feitas pelo presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), que na quarta-feira havia questionado de forma indirecta a imparcialidade da Polícia Judiciária para fazer uma consulta pública sobre as escutas telefónicas. Wong Sio Chak frisou que “é amigo” de Jorge Neto Valente, que o respeita, mas que o “Senhor Advogado” não estava na posse de toda a informação. “Prestei atenção às críticas de Neto Valente. Reparei que referiu a consulta pública a cargo da
achamos que a designação é melhor”, afirmou Wong Sio Chak, durante a apresentação do relatório da criminalidade. Na ocasião o secretário optou por não entrar em grandes pormenores e prometeu mais explica-
“Se a Assembleia Legislativa não concordar não passa a lei. É a Assembleia que vai decidir.” WONG SIO CHAKSECRETÁRIO PARA A SEGURANÇA
ções para um momento posterior. Porém, avançou com a sua interpretação do documento: “Na prática é muito concreto. É aplicado quando existem notícias de forma dolosa. A notícia tem de ser falsa e tem de haver certeza do dolo. Se houver dúvidas, não vamos entender que houve dolo. Tem de se provar que houve dolo e negligência”, frisou. O secretário para a Segurança deixou igualmente a garantia
que as autoridades não vão prender pessoas “só porque divulgaram notícias”.
DISCUSSÃO COM DEPUTADOS
Com a entrega do diploma na Assembleia Legislativa, Wong referiu que vai haver discussão com os deputados da comissão e serão eles a ter a palavra sobre o texto aprovado. “A AL vai discutir e apreciar [a lei]. A sociedade vai poder participar na discussão. [...] Se a
Amigos, amigos, leis à parte
Wong Sio Chak defende-se de críticas a consulta pública do “bom amigo” Valente
Polícia Judiciária. Como sabem as regras processuais fazem com que seja a entidade responsável pela consulta que depois também elabore o relatório. Se fizermos uma separação entre quem faz a consulta pública e elabora o relatório não é tão razoável”, começou por explicar. “Acho que o Senhor Advogado não sabe, nem domina, toda a informação sobre as consultas públicas. [....] A consulta teve por base o processo
adoptado em Portugal. Mas acho que a versão de Macau é uma versão melhorada”, acrescentou. Segundo Wong Sio Chak a consulta pública sobre a Lei da Intercepção e Protecção de Comunicações teve por base os “pareceres dos órgãos jurídicos” e que reflecte de forma generalizada as “opiniões globais”. O secretário para a Segurança falou ainda que para a auscultação se fez um esforço extra em relação a outros
diplomas para ouvir o máximo de opiniões possíveis.
“MUITO BONS AMIGOS”
Ainda sobre Jorge Neto Valente, Wong Sio Chak fez questão de sublinhar a amizade. “Somos bons amigos, muito bons amigos e respeito-o”, sublinhou. Na quarta-feira, Neto Valente criticou a consulta pública ao referir que a maior parte das opiniões ouvidas recusavam a criação de uma comis-
Assembleia Legislativa não concordar não passa a lei. É a Assembleia que vai decidir. Na Assembleia há margem para mudanças”, indicou. “Mas, na nossa perspectiva, gostávamos que entrasse em vigor antes da época de tufões”, sublinhou. “Para nós é muito urgente”, sublinhou. A Lei de Bases de Protecção Civil entrou na Assembleia Legislativa a 10 de Maio e a época de Tufões deverá começar por volta de Junho, segundo as previsões oficiais. O diploma ainda precisa de ser votado na generalidade, discutido na especialidade até ser aprovado. Wong Sio Chak acredita que mesmo assim é possível fazer uma discussão rigorosa: “Não vai ser por causa da urgência que vamos negligenciar os conteúdos. A discussão tem de ser rigorosa e temos de ter cautela”, admitiu. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
são independente para supervisionar os pedidos de escutas e intercepções de comunicações por parte da PJ. “Agora a PJ concluiu, depois de uma consulta pública, que 80 por cento das pessoas achava que não devia haver [fiscalização externa], mas eu não vi consulta nenhuma. Perguntaram-me e eu disse que devia haver supervisão externa”, disse Neto Valente. Na mesma ocasião, o presidente da Associação dos Advogados de Macau questionou indirectamente a imparcialidade da PJ: “Perguntar à PJ se deve haver fiscalização externa é o mesmo que perguntar aos prisioneiros de Coloane se querem ficar lá dentro ou vir cá para fora”, apontou. J.S.F.
política 5
sexta-feira 17.5.2019
PONTE HKZM DEPUTADOS QUESTIONAM BAIXA UTILIZAÇÃO DOS ESTACIONAMENTOS
Espaços por preencher
A
Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública da Assembleia Legislativa reuniu ontem para fazer o ponto de situação sobre o funcionamento da Ponte de Hong Kong-Zhuhai-Macau (HKZM). A fraca utilização das novas instalações transfronteiriças foi um dos assuntos em debate sendo o Governo questionado sobre as negociações em curso com as autoridades vizinhas. As questões relacionadas com o estacionamento – a mais em Macau e a menos em Hong Kong – das viaturas particulares com licença de circulação, foram o principal tema apresentado e discutido. À excepção dos transportes públicos, todas as viaturas que fazem o percurso entre Macau e Hong Kong têm que passar a fronteira à chegada, não podendo apenas largar ou recolher passageiros e inverter a marcha para regressar. Ou seja, não existe qualquer parque de estacionamento previsto pela RAEHK para os veículos de Macau, mesmo tendo sido esse um pedido recorrente da RAEM durante toda a fase de construção da ponte, informou o secretário para os Transportes e Obras Públicas de Macau, Raimundo do Rosário.Asituação, que actualmente tem vindo a ser negociada com o Executivo de Hong Kong, vai no sentido de um compromisso provisório, enquanto não for viável a construção de um parque para o efeito. “As pessoas de Macau podem circular na ponte, mas do lado de Hong Kong não há um estacionamento. Só que fazer um estacionamento agora também leva o seu tempo e, neste momento, estamos a conversar com Hong Kong no sentido de, com a brevidade possível, haver um ponto para tomada e largada de passageiros, isto é, nós podermos chegar lá,
SOFIA MARGARIDA MOTA
A nova ligação rodoviária entre Macau e Hong Kong, aberta há seis meses, ainda está muito aquém do potencial, com a ocupação dos estacionamentos de Macau abaixo dos 10 por cento e ainda à espera de uma solução para se poder parar o carro do lado de lá
largar uma pessoa e depois, ao fim do dia, voltar ao local e apanhar essa pessoa. Achamos que isso, seguramente, será mais fácil de realizar do que o estacionamento, que seria uma coisa mais a médio e longo prazo, porque tem que se fazer o projecto, as obras, etc.”, revelou o secretário à saída do encontro. Do lado de cá, a solução foi acautelada em tempo útil pelo Governo local, já que se construíram na ilha artificial dois auto-silos, com capacidade para 3 mil lugares cada, um para estacionamento das viaturas dos residentes, aquém do posto fronteiriço, e outro para estacionamento dos visitantes, além fronteira. Os veículos não necessitam de entrar no território, até porque a quota de licenças é limitada à entrada de 300 viaturas de Hong Kong. No entanto, existem 65 mil veículos vizinhos com licença para circular na ponte e entrar em Zhuhai, podendo igualmente viajar até Macau, desde que estacionem e os ocupantes atravessem a fronteira a pé. Esta situação, que evita a sobrelotação do tráfego para
contando também com as 600 viaturas de Macau autorizadas a entrar em Hong Kong, levanta-se outro problema: o acesso rodoviário ao posto transfronteiriço, que por enquanto é apenas um, pela nova zona de aterros de Macau. A Comissão informou que a criação de uma passagem superior, com saída na Rua dos Pescadores, é um projecto anunciado já pelo Governo, a pedido de muitos deputados, para evitar o congestionamento do trânsito existente na rotunda da Pérola Oriental, e que vai ter ligação à ilha artificial.
SEGUROS IGUAIS PARA TODOS
as dimensões do território, ainda não foi explorada em massa pelos cidadãos da RAEHK. Os deputados questionaram, por isso, a baixa taxa de utilização dos dois parques de estacionamento, que integram uma obra que custou ao erário público milhares de milhões de patacas. Desde Outubro de 2018, quando inaugurou a Ponte HKZM, a
média de ocupação diária dos parques vinha sendo de 2 por cento, tendo evoluído devagar até ao passado mês de Abril, em que atingiu os 7 por cento. O pico máximo de ocupação aconteceu no dia 20 de Abril, quando estacionaram no auto-silo de leste 565 viaturas. Mas existem outros 90 por cento por preencher. Uma das críticas apontadas pelos
Os deputados questionaram a baixa taxa de utilização dos dois parques de estacionamento da ilha transfronteiriça, que integram uma obra que custou ao erário público milhares de milhões de patacas
deputados para o aparente insucesso destas estruturas era a necessidade de reservar o lugar de estacionamento com uma antecedência prévia de 12 horas, o que veio a ser encurtado para 6 horas, desde o dia 1 de Abril. O Governo acredita ter havido uma visível melhoria, com esta medida, e prepara-se em breve para encolher o prazo de antecedência de reserva para apenas uma hora. Actualmente, existem 11.800 viaturas registadas para utilizar os auto-silos de Macau, provenientes de Hong Kong. Se o afluxo à ilha artificial vier a aumentar de modo exponencial e nos dois sentidos,
A Comissão discutiu ainda a diferença entre os seguros automóveis nas três cidades do Delta do Rio das Pérolas, situação que levanta dúvidas legais sobre a protecção dos passageiros em caso de acidentes sobre a Ponte. “Cada região tem as suas regras de seguros e tipos diferentes de cobertura. Em Hong Kong, o valor de cobertura do seguro é de 100 milhões, em Macau é de 1,5 milhões e em Zhuhai é de 120 mil. O Governo afirmou que quer discutir esta questão do seguro com os dois Governos parceiros, para tentar uniformizar os valores e taxas de seguro, ou mesmo criar um seguro único”, adiantou Si Ka Lon. A ligação de transportes públicos entre Macau e o Aeroporto Internacional de Hong Kong continua a estar na mesa das negociações com o território vizinho, embora ainda sem calendarização à vista, bem como o aumento da quota de licenças para a circulação de mais viaturas locais na Ponte HKZM, adiantou Raimundo do Rosário. “Temos neste momento, em Macau, 110 a 120 mil carros. Portanto, 600 licenças é muito pouco e a ponte tem capacidade para muito mais. Queremos, passo a passo, ir aumentando esta quota”, reforçou. Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
Função Pública Sónia Chan vai reunir com representantes da ATFPM A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, vai reunir no próximo dia 24 com a Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). No encontro vão ser discutidos aspectos ligados às dificuldades do exame de acesso à função pública, aponta um comunicado da ATFPM. Em causa está o grande número de questões a serem respondidas num curto espaço de tempo. “Um total de 60 questões para um total de 100 valores a serem realizadas
na hora e meia de prova estabelecida o que dava um minuto e meio para cada resposta”, aponta a ATPFM no pedido de reunião à secretária. Por outro lado, segundo os candidatos, o exame realizado em língua portuguesa apresentou falhas de tradução. “O pouco cuidado na tradução do exame para português, sem uma revisão pensada e sem ter em conta as diferenças linguísticas parece revelar desconsideração para com os candidatos” lê-se.
6 publicidade
17.5.2019 sexta-feira
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 2ª vez do ano 2019 (1)
Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.
(2)
Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação
e desenvolvimento (I&D);
(ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico
e tecnológico;
(iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. (3)
Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao
desenvolvimento das ciências e da tecnologia;
(v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o
desenvolvimento social e económico;
(vi) Pedidos de patentes. (4)
Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)
(5)
Data do Pedido Alínea (1) do número anterior
Todo o ano
Alínea (2) do número anterior
A partir do dia 2 de Maio até 3 de Junho de 2019
(6)
(O próximo pedido será realizado no dia 2 de Setembro ao 3 de Outubro de 2019)
Forma do Pedido Preenchido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 235 /2018,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 40 de 3 de Outubro 2018, . Pode inscrever-se através do sistema de candidatura ao apoio financeiro online do FDCT (website: www.fdct.gov.mo). Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777.
(7)
Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 235 /2018, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2019 / 4 / 30
sociedade 7
sexta-feira 17.5.2019
Entre Janeiro e Março houve mais sequestros, violações, homicídios e ofensas graves à integridade física do que no mesmo período do ano passado. Os números foram apresentados ontem pelo secretário para a Segurança. A nível da criminalidade geral há uma redução
A
criminalidade violenta registou um crescimento de 8,3 por cento durante os primeiros três meses do ano face ao período homólogo do ano transacto, com um total de 157 casos contra 145. Segundo os dados
PORTAS A EVITAR
O
s trabalhos de substituição de duas das seis passadeiras rolantes do posto fronteiriço das Portas do Cerco fizeram com que na quarta-feira o local ficasse com longas filas. Segundo a informação revelada ontem, a circulação desta fronteira vai continuar congestionada durante dois meses e as autoridades apelam aos residentes que evitem as Portas do Cerco. “Se não fizéssemos a substituição dos equipamentos as consequências poderiam ser inimagináveis. Apelamos às pessoas que procurem alternativas e não usem só as Portas do Cerco”, afirmou Wong Sio Chak.
O
Ministério Público (MP) pretendia que um homem que violou as condições de suspensão de uma pena assessória de inibição de condução fosse punido pela prática do crime de desobediência. No entanto, depois de perder o caso do Tribunal Judicial de Base (TJB), o MP conheceu uma nova derrota no Tribunal de Segunda Instância (TSI). Em Março de 2017 o arguido foi condenado por infringir a Lei do Trânsito Rodoviário e foi-lhe aplicada ainda uma pena acessória
SEGURANÇA CRIMINALIDADE VIOLENTA CRESCEU NO PRIMEIRO TRIMESTRE
Histórias de violência
apresentados ontem pelo secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, os maiores aumentos no tipo de crimes violentos aconteceram ao nível dos sequestros e violações. Em relação aos sequestros houve uma subida de 34,4 por cento, de 61 para 82 casos. Segundo Wong Sio Chak o aumento ficou principalmente a dever-se ao desmantelamento de uma rede criminosa de agiotagem. “No dia 23 de Fevereiro do corrente ano, a Polícia desmantelou uma rede criminosa de agiotagem e foram detidos 71 indivíduos, essa rede está envolvida em vários casos de ‘agiotagem’, ‘sequestro’ e ‘ofensas corporais’”, afirmou o secretário. “A resolução deste caso também constituiu a razão pela qual houve um aumento dos ‘crimes violentos’”, acrescentou. Quanto ao crime de violação, houve um aumento de 66,7 por cento de 6 casos no ano passado para 10 em 2019. Já os casos de
Em geral, o número de crimes detectados ou participados às autoridades diminuíram 5,2 por cento de 3.547 casos para 3.364 ocorrências ofensa grave à integridade física subiram de 0 para 2 e os homicídios de 0 para 1. Em relação ao homicídio, Wong Sio Chak recordou o caso em que um cidadão do Interior da China foi morto por outro com a mesma origem num hotel do Cotai. Em causa esteve uma operação de “troca ilegal de dinheiro”. Cinco dias depois do crime, com a cooperação das autoridades do Interior, o homem foi detido e enviado para Macau.
MENOS CRIMES
Ainda em relação aos crimes violentos, em comparação com o primeiro trimestre de 2018, houve certos tipos de crimes que diminuíram, como o tráfico e venda de droga, que caiu de
Volante proibido
Violou condições de suspensão de pena, mas livrou-se do crime de desobediência
de inibição de condução por três meses. No entanto, o TJB aplicou-lhe uma pena suspensa. Assim em vez de ficar impossibilitado de conduzir qualquer tipo de viatura durante três meses, o homem não ficava inibido de conduzir, mas no espaço de um ano apenas podia guiar o veículo com uma determinada matrícula. A condução
era autorizada somente entre as 10h e as 19h30. No entanto, ainda antes do período de um ano chegar ao fim, em Outubro de 2017, o homem foi apanhado a conduzir outra viatura que não a indicada pelo tribunal. Por esse motivo, o MP considerou que o homem devia ser condenado por desobediência qualificada.
35 casos para 28, os roubos, que reduziram de 23 para 19 casos ou os fogos postos, que tiveram 13 ocorrências, quando no ano passado tinham tido 16. Também os abusos sexuais de crianças caíram de 3 para 2. Em geral, o número de crimes detectados ou participados às autoridades diminuíram 5,2 por cento de 3.547 casos para 3.364 ocorrências. “Registou-se um decréscimo de 183 casos da criminalidade geral em Macau, significando uma descida de 5,2 por cento face ao período homólogo”, disse Wong Sio Chak. “De um modo geral, o ambiente de segurança em geral no primeiro trimestre do ano 2019 manteve-se, na mesma, estável e favorável”, acrescentou.
Contudo, tanto o TJB como o TSI fizeram uma leitura diferente do caso. Depois da primeira decisão, o MP recorreu para o TSI, que agora confirmou a decisão do TJB. Segundo a decisão do TSI é necessário fazer a distinção entre o incumprimento que pode originar o crime de desobediência e a mera falta de observância dos deveres da suspensão da pena.
PENA SÓ ERA DE 3 MESES
Para o TSI, quando o homem foi apanhado, a pena de proibição de condução durante
Ainda em relação ao restante do ano, Wong Sio Chak afirmou que as autoridades se estão a preparar para um aumento do número de turistas, devido “à realização de diversas actividades de grande envergadura”.
três meses não estava a ser executada, porque se encontrava suspensa. Assim, para o TSI não houve violação da pena, mas apenas dos deveres que estava obrigado a respeitar, no âmbito da suspensão. Por este motivo, o TSI considerou que no máximo o homem deveria ser obrigado a cumprir a proibição de três meses sem conduzir e não ser acusado do crime de desobediência. O mesmo tribunal ressalvou que esta é uma sentença que deve ser apenas vista como aplicável ao caso con-
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
CARAS E MATRÍCULAS
A
té ao início do ano que vem, as autoridades esperam ter em funcionamento 100 câmaras de vigilância com capacidade de reconhecimento fácil e de matrículas. A confirmação foi dada ontem pelas autoridades, durante a apresentação do relatório da criminalidade. Estas câmaras permitem identificar e seguir determinadas pessoas com base nas suas características faciais, assim como identificar as matrículas dos carros.
creto e explicou: “Afigura-se-nos que a solução que se deixou exposta se nos apresenta como a mais razoável e adequada, visto até que o período de inibição de condução era (tão só) de 3 meses, e a conduta do arguido, não obstante ter ocorrido no decurso do período da decretada suspensão da sua execução, (por 1 ano), teve lugar após o referido período de 3 meses”, consta no acórdão. J.S.F.
8 sociedade
17.5.2019 sexta-feira
CICLONES ASSOCIAÇÕES DOS PALOP EM MACAU ANGARIAM DONATIVOS PARA AJUDAR ZONAS ATINGIDAS
A
SSOCIAÇÕES dos países africanos de língua portuguesa em Macau vão promover a Semana África 2019 com eventos de música, gastronomia ou cinema e receber donativos para ajudar as províncias moçambicanas atingidas pelos ciclones, disse à Lusa fonte da organização. “A Associação de Amigos de Moçambique,
uma das entidades organizadoras deste evento, estará no local para receber donativos e iremos passar o evento em directo nas redes sociais para continuar a chamar a atenção para o flagelo que ainda se vive naquela província de Moçambique”, disse à Lusa a presidente da Associação de Amizade Macau-Cabo Verde Ada Sousa.
A segunda edição do evento, que decorre entre 21 e 26 de Maio, tem como objectivo dar oportunidade aos africanos que vivem em Macau “matarem a saudade de vários aspectos da sua cultura”, mas também dar a conhecer a cultura aos restantes residentes e turistas do território, explicou Ada Sousa. “Macau é
uma cidade multicultural. Temos a obrigação e as pessoas de Macau têm o direito de sentir a diversidade cultural dos países africanos”, apontou. Cinema, exposições de pintura e artesanato, workshops de tecidos africanos, palestras, música, dança, pinturas ao vivo, moda e artes plásticas estão entre as acti-
vidades patentes em vários pontos de Macau. O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em Março, provocou 603 mortos e afectou cerca de 1,5 milhões de pessoas, enquanto o ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em Abril, matou 45 pessoas e afectou 286 mil pessoas.
Jogo Receitas da Galaxy caem oito por cento
As receitas líquidas da Galaxy tiveram uma redução de 8 por cento durante o primeiro trimestre, face o período homólogo, para os 13 mil milhões de dólares de Hong Kong. A informação foi divulgada ontem pela empresa em comunicado à Bolsa de Hong Kong. No mesmo documento, a operadora indica que as receitas têm sofrido o impacto “da proibição total de fumar” assim como da “competição local e regional”. Ainda em relação ao mercado da RAEM, a operadora considera que o mercado de massas tem apresentado números sólidos, já em relação ao mercado VIP a operadora considera que o ambiente enfrenta “desafios”.
AMCM Reservas cambiais aumentam ligeiramente em Abril Wong Chang Chi, Director do Centro de Difusão de Línguas da DSEJ “Esta aplicação serve para quem quer aprender português tendo em conta uma aprendizagem inicial.”
DSEJ APLICAÇÃO PARA APRENDER PORTUGUÊS DISPONÍVEL EM JULHO
Língua aplicada
A DSEJ vai lançar uma aplicação que usa termos do quotidiano para ensinar português. A app também terá conteúdos para quem quiser aprender mandarim. Entretanto, no actual ano lectivo, 6700 alunos frequentaram aulas de português no ensino não superior
A
PRENDER as bases da língua portuguesa vai ser mais fácil. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) prepara-se para lançar no “final de Junho, início de Julho” uma aplicação móvel para os interessados que se quei-
ram iniciar na aprendizagem da língua portuguesa. A informação foi deixada ontem pelo director do Centro de Difusão de Línguas da DSEJ, Wong Chang Chi, durante o Fórum para a Promoção do Ensino do Português na Grande Baía, que teve lugar ontem no Instituto Politécnico de Macau.
“Esta aplicação serve para quem quer aprender português tendo em conta uma aprendizagem inicial”, disse o responsável na sua comunicação. Para facilitar o uso da aplicação, os conteúdos foram divididos por temas usados no quotidiano, como turismo, compras, viagens, restaurantes etc., e fornece não
só as frases mais utilizadas nestes contextos como gravações áudio.
MANDARIM DISPONÍVEL
Além de possibilitar competências em português, os conteúdos estão também disponíveis em mandarim. O objectivo é proporcionar uma plataforma para “as pessoas de língua materna portuguesa que queiram iniciar a aprendizagem do mandarim”, acrescentou. Paralelamente a esta iniciativa, Wong Chang Chi sublinhou o papel da DSEJ na promoção e divulgação da língua portuguesa. Reflexo deste trabalho são os números apresentados pelo responsável. Actualmente, a língua é administrada em 37 escolas privadas e oito escolas públicas. “Neste momento, há 45 escola locais a ensinar a língua portuguesa. No presente ano lectivo o total de alunos de língua portuguesa foi de 6700, apontou Wong Chang Chi. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
As estimativas preliminares da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) quanto às reservas cambiais da RAEM apontam para um valor de 164,7 mil milhões de patacas no final de Abril de 2019, de acordo com informação divulgada ontem. O montante registado representa 0,9 por cento de crescimento face aos dados rectificados do mês anterior, que atingiram os 163,3 mil milhões de patacas. No final de Abril de 2019, as reservas cambiais da RAEM registaram cerca de 10 vezes em relação à circulação monetária, ou 80,5 por cento do agregado monetário M2 em MOP, no final de Março de 2019. A taxa de câmbio efectiva da pataca, ponderadas as quotas do comércio, foi de 105,9 em Abril de 2019, registando crescimentos de 0,34 pontos e 5,28 pontos, respectivamente, sobre os dados do mês anterior e relativos a Abril de 2018. O que significa que, globalmente, a pataca subiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
sociedade 9
sexta-feira 17.5.2019
A
CARLOS ASCENSO ANDRÉ ACADÉMICO
Língua de união
O ensino do português na Grande Baía foi o tema do Fórum que teve lugar ontem no Instituto Politécnico de Macau. Carlos Ascenso André considera que a língua portuguesa pode ser um elo de ligação entre as regiões que integram o projecto de cooperação que envolve Macau, Guangdong e Hong Kong
ter passado por Pequim, Xangai e Macau em edições interiores. Hong Kong, não tendo nenhuma licenciatura em português, tem uma formação leccionada pela Universidade de Hong Kong desde 1956. A mesma instituição abriu ainda um programa de formação continua para adultos há cerca de oito anos. À frente desta formação está Irene Lacasa que considera que a promoção do ensino desta língua na região vizinha é ainda uma missão “desafiante”. “A comunidade portuguesa em Hong Kong é muito pequena”, referiu. Neste contexto, Macau tem um papel fundamental por ser um território com características particulares. “Macau tem vantagens próprias até porque o português é uma das línguas oficiais. A par da equipa de professores portugueses e bilingues é ainda onde se produzem vários manuais para ensino da língua. Por outro lado, também tem cursos
que integram alunos portugueses e chineses”, salientou Gaspar Zheng.
O PIONEIRO
Outra novidade do território no sentido da criação de profissionais de tradução e interpretação chinês-português, é a abertura do curso de mestrado especializado no IPM
HOJE MACAU
“Felizmente no caso de Macau, Portugal não tem que apoiar através de investimentos financeiros porque isso não é o que Macau precisa. Macau precisa mais de apoio institucional, apoio científico e de parcerias”
GRANDE BAÍA PORTUGUÊS COMO ELO DE LIGAÇÃO ENTRE REGIÕES
GONÇALO LOBO PINHEIRO
língua portuguesa poder ser um factor de ligação entre as regiões que integram o projecto de cooperação da Grande baía. A ideia foi deixada ontem por Carlos Ascenso André no Fórum para a Promoção do Ensino do Português na Grande Baía realizado ontem no Instituto Politécnico de Macau (IPM). O académico regressou ao território para participar no evento organizado pelo Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP), pelo qual foi responsável até ao ano passado. “Suponho que o português é uma das coisas que une as cidades e as regiões da Grande Baía”, revelou à margem do evento onde proferiu uma comunicação sobre o ensino de português. Carlos Ascenso André sublinha que Portugal pode dar um contributo importante para a divulgação da língua além do apoio financeiro. “Felizmente no caso de Macau, Portugal não tem que apoiar através de investimentos financeiros porque isso não é o que Macau precisa. Macau precisa mais de apoio institucional, apoio científico e de parcerias”, refere. Já o actual presidente do CPCLP, Gaspar Zheng, deu conta da propagação do ensino de português na zona da Grande Baía, nos últimos anos. Na província de Guangdong, são já cinco as instituições que oferecem a língua de Camões e “não podemos esquecer que Guangdong é a província com um maior índice de cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa”, apontou. Outro sinal de valorização do português na região é a realização, pela primeira vez, em Cantão, do 5º Fórum Internacional do Ensino de Português, agendado para o próximo mês de Julho, depois de
já no próximo ano lectivo. “É um curso profissionalizante concebido em concreto para formar talentos na área a que se refere “, explicou Han Lili, directora da Escola Superior de Línguas e Tradução do IPM, à margem do mesmo evento. De acordo com a responsável existe um interesse crescente por
APERITIVO LUSITANO A
Casa de Portugal pode vir a apresentar as suas actividades nas regiões que integram a Grande Baía. A ideia foi deixada ontem pela presidente do organismo, Amélia António, à margem do Fórum para a Promoção do Ensino do Português na Grande Baía. “Pode ser um capítulo aberto em termos de divulgação cultural, disse. Em causa está a apresentação de actividades que a Casa de Portugal em Macau já pratica no território como “a cerâmica, o azulejo português ou a gravura”, que envolvem “uma dose da cultura portuguesa muito importante”. Este tipo de divulgação abre o apetite para que as pessoas queiram ter outros conhecimentos pelo que a Casa de Portugal seria uma “espécie de entrada”, apontou. No entanto são preciso meios e esta expansão das actividades da Casa de Portugal teria que ter “um caminho próprio”. Para o efeito, Amélia António sugeriu a criação de um mecanismo de subsídios dirigidos a este tipo de iniciativas. A responsável admite “é uma coisa que precisa de ser muito pensada porque não é fácil. Mas é uma possibilidade”.
parte dos jovens da província de Guangdong em aprender português. “Lançámos a notícia de abertura de curso de mestrado numa altura em que recebemos muitos pedidos de informação sobre esta formação, tanto a nível nacional como da área da Grande Baía”. A resposta à abertura a este mestrado traduziu-se em “muitas candidaturas recebidas” No entanto, nesta primeira edição, as vagas são exclusivamente para alunos locais. A razão, aponta Han Lili tem que ver “a grande procura em Macau e sendo o IPM uma instituição da RAEM”, será prioritário preencher a procura local”, apontou. Trata-se do primeiro curso de especialização nesta área a ser leccionado na China. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Auto-Silo Portas do Cerco com 11 propostas
Foram apresentadas 11 propostas com preços entre os 2.09 milhões de patacas e os 4,68 milhões para a gestão e exploração do Auto-Silo do Complexo Desportivo das Portas do Cerco durante seis anos. Segundo a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) uma das proposta foi imediatamente recusada. As ofertass foram apresentadas ontem e o parque tem uma capacidade total de 810 lugares para automóveis ligeiros e 632 para motociclos e ciclomotores. As tarifas do AutoSilo, por cada hora são de 6 patacas para automóveis ligeiros e 2 patacas para motociclos e ciclomotores, quando se tratar de estacionamento diurno. Os preços sobem 3 patacas e 1 pataca, respectivamente, quando se trata de estacionamento nocturno.
10 eventos
E
M jeito de celebração teatral da paternidade, o Festival de Artes de Macau (FAM) apresenta este fim-de-semana duas peças de teatro cujo conceito central é a figura do pai. O grande destaque vai para “Tirâ Pai na Putau (Tirar o Pai da Forca)”, do Grupo de Teatro Dóci Papiaçám di Macau, que oferece mais uma vez um espectáculo pleno de sentido de humor acutilante e crítico, com a graça e a peculiaridade única do patuá. Sob a batuta da dramaturgia e direcção de Miguel de Senna Fernandes, “Tirâ Pai na Putau (Tirar o Pai da Forca)” satiriza uma das grandes promessas políticas do território. A narrativa gira em torno de uma terapeuta ocupacional, Emília, que vem para Macau trabalhar no Departamento de Psiquiatria do recém-inaugurado Hospital do Cotai. Além da carreira profissional, Emília busca no território vestígios do pai biológico, com quem perdeu o contacto. Quer o destino e o guião da peça que a terapeuta encontre o pai precisamente na ala psiquiátrica do hospital, onde é paciente. A partir daí, desenrola-se um drama familiar que tem como pano de fundo a crítica social e política.
Ao mesmo tempo que o patuá toma conta do grande auditório, também no sábado e domingo às 20h mas no pequeno auditório, a companhia alemã Thalia Theater apresenta uma versão contemporânea da Odisseia de Homero Em declarações aos jornalistas, aquando da apresentação do cartaz, Miguel de Senna Fernandes explicou a peça que sobe amanhã e sábado ao palco do grande auditório do Centro Cultural de Macau, às 20h. “É mais uma rábula que tem como pano de fundo algo que faz parte da curiosidade de toda a gente, neste caso a história do novo hospital. É a segunda vez que abordamos esta questão, mas desta vez ainda com mais premência porque toda a gente fala do hospital do Cotai e nada se vê. Já nos falaram deste hospital vezes sem conta, mas é claro que ninguém vai explorar as razões de nada acontecer. É uma questão recorrente e vamos falar dele à boa maneira da comédia.”
HINOS A HOMERO
Ao mesmo tempo que o patuá toma conta do grande auditório,
17.5.2019 sexta-feira
também no sábado e domingo às 20h mas no pequeno auditório, a companhia alemã Thalia Theater apresenta uma versão contemporânea da Odisseia de Homero. “Odisseia - Uma viagem errante baseada em Homero” foca-se nos temas característica do teatro clássico grego, nas jornadas épicas que implicam o exílio perdido e o retorno. Dirigido por Antú Romero Nunes, que tem curiosamente descendência portuguesa e chinesa, a peça centra-se no encontro de dois irmãos, Telemachus e Telegonous, que procuram assimilar em conjunto o passado sanguinário e violento do pai na guerra de Troia. Assente em diálogos humorados, um conflito fraticida ganha dimensão entre os dois, à sombra da ausência do pai já morto. Com uma cenografia minimalista a pender para o oculto, a narrativa salpicada de humor negro condensa em 90 minutos os grandes temas da “Odisseia” de Homero, protagonizada pelas representações de Thomas Niehaus e Paul Schröder. Até ontem ainda havia lugares para as duas peças, de acordo com o Instituto Cultural. Os bilhetes para “Tirâ Pai na Putau (Tirar o Pai da Forca)” custam entre 150 e 250 patacas, enquanto para “Odisseia - Uma viagem errante baseada em Homero” custam entre 150 e 200 patacas.
E AINDA
Também durante o fim-de-semana, mas no Edifício do Antigo Tribunal, o grupo de dança local Four Dimension Spatial apresenta “Mau Tan, Kat Cheong”, um espectáculo com nome inspirado em dois edifícios situados no bairro do Iao Hon que receberam um grande número de imigrantes e trabalhadores ilegais desde a década de 80. A performance foi pensada tendo como referência a chegada à chamada “terra dos sonhos” de muitos imigrantes do Interior da China, parte fundamental da mão-de-obra que trabalhou para o desenvolvimento económico de Macau. Passaram-se três décadas. Quantos deles realizaram os seus sonhos e quantos voltaram em glória para casa? Respostas a estas questões e a transformação social e urbana de Macau são os pontos cardiais que orientam a performance do grupo de dança local. “Mau Tan, Kat Cheong” será apresentado amanhã às 20h e no domingo às 15h no 2º andar do Edifício do Antigo Tribunal. Os bilhetes custam 180 patacas. João Luz
info@hojemacau.com.mo
Pais às FAM FIM-DE-SEMANA TEATRAL DO CLASSICISMO GREGO À COMÉDIA EM PATUÁ
O Festival de Artes de Macau tem duas propostas de teat Pai na Putau (Tirar o Pai da Forca)”, do Grupo de Teatro do Centro Cultural de Macau, enquanto no pequeno audi - Uma viagem errante baseada em Homero”, que conta a
eventos 11
sexta-feira 17.5.2019
s pecas ´
tro conceptualmente paternais para este fim-de-semana. “Tirâ o Dóci Papiaçám di Macau, sobe ao palco do grande auditório itório a companhia alemã Thalia Theatre apresenta “Odisseia a história de dois filhos a braços com o passado do pai
O terceiro passo
Último volume de “Manuel da Silva Mendes: Memória e Pensamento” lançado na quarta-feira
A
Fundação Rui Cunha apadrinha no próximo dia 22, quarta-feira às 18h30, o lançamento do terceiro e derradeiro volume de “Manuel da Silva Mendes: Memória e Pensamento”, a colectânea coordenada por António Aresta e Rogério Beltrão Coelho. A apresentação da obra vai estar a cargo de Carlos Botão Alves. “Conclui-se, com a publicação deste volume de “Manuel da Silva Mendes: Memória e Pensamento” – pode ler-se na Nota Prévia – um ambicioso projecto de contribuir para dar a conhecer um dos maiores vultos portugueses da Cultura em Macau – senão o maior – desde o início do século XX”. O terceiro e derradeiro volume, abre com as comunicações dos lançamentos do primeiro volume em Macau e do segundo em Lisboa e um testemunho de família, da bisneta Maria dos Anjos da Silva Mendes A edição volta a reunir ensaios e estudos sobre Silva Mendes e o que escreveu, em Portugal, na Imprensa e em livro, antes de vir para Macau. A par da colaboração dispersa pelos jornais de Vila Nova de Famalicão, reedita-se a Introdução (com o título “Os predecessores do socialismo científico”) da sua obra “Socialismo Libertário ou Anarchismo”, publicada em 1896; e o Prólogo e o Prefácio da tradução do poema de Schiller, “Guilherme Tell”, de 1898. Seguem-se as crónicas sobre Portugal e o Mundo publicadas na Imprensa de
Macau; uma palestra sobre “Os tempos da dinastia Chao”, proferida no Clube de Macau, em 12 de Dezembro de 1920, para assinalar o aparecimento do Instituto de Macau, do qual Silva Mendes foi fundador e, à altura, o primeiro presidente. Cartas de Silva Mendes a Bernardino Machado e a amigos de Macau; documentos diversos; um registo fotográfico e o manuscrito integral do texto sobre “O bonzo Sek Kin Seng”, dado a conhecer por Caetano Soares, completam este o volume. Para os coordenadores da colectânea, António Aresta e Rogério Beltrão Coelho, “ficou fora desta edição, mas não da cogitação dos organizadores, todo o espólio de natureza jurídica, cujo acesso, por motivos vários, não foi de todo facilitado. A colaboração não assinada, na imprensa de Macau, como já tinha sido assinalado por Luís Gonzaga Gomes, está irremediavelmente perdida”. “Manuel da Silva Mendes: Memória e Pensamento” é uma edição de Livros do Oriente, integrada no programa de actividades da Associacão Amigos do Livro em Macau, entidade a favor da qual revertem as receitas da venda em Macau.
Música Merzbow abre hoje festival Tomorrow em Shenzhen
A sexta edição do festival Tomorrow, em Shenzhen, começa hoje e termina no domingo. Com um cartaz que celebra o lado mais afastado do comercialismo musical, este festival é um evento onde experimentalismo, avant-garde, free jazz e músicas do mundo tomam o palco. A celebração terá lugar no espaço B10 Live em Nanshan. Para hoje, destaque para o mestre japonês do noise Merzbow e para Asiq Nargile, georgiana radicada na Alemanha que sobe ao palco com a sua saz, um instrumento de cordas tradicional. No sábado actua Gudrun Gut, uma alemã habituada a distorcer o pop, percorrendo atmosferas sonoras do Punk ao No Wave. Gut teve um percurso impressionante durante a década de oitenta, mais concretamente na cena de Berlim, com participações em bandas como Mania D, Einstürzende Neubauten, e Malaria. No domingo, destaque para os também alemães Guru Guru, uma banda com mais de 50 anos de carreira a fazer as delícias dos sons hipnóticos do Krautrock.
12 china
17.5.2019 sexta-feira
A
China instou ontem os Estados Unidos a pararem com as suas práticas contra empresas chinesas, depois de o Presidente norte-americano ter proibido as companhias norte-americanas de usarem equipamento da Huawei. "Ninguém vê essa medida como construtiva ou amigável e pedimos aos EUAque parem com essas práticas", disse o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Lu Kang, em conferência de imprensa. Kang disse que Pequim "se opõe a países que criam obstáculos usando a questão da segurança nacional como desculpa" e assegurou que empresas estrangeiras a operar no país asiático "não precisam de se preocupar desde que cumpram as leis". O Governo norte-americano emitiu ontem uma ordem executiva que proíbe as empresas dos EUA de usarem qualquer equipamento de telecomunicações fabricado pela Huawei. Uma outra ordem exige às empresas do país que obtenham licença para vender tecnologia à Huawei, num golpe que se pode revelar fatal para a gigante chinesa das telecomunicações. A medida pode cortar o acesso da Huawei aos semicondutores fabricados nos Estados Unidos e cruciais para a produção do seu equipamento. As ordens assinadas por Trump declaram mesmo uma "emergência nacional" face às ameaças contra as telecomunicações dos EUA, uma decisão que autoriza o Departamento de Comércio a "proibir transacções que colocam um risco inaceitável" à segurança nacional.
IMPACTO GERAL
Colocar a Huawei na lista "negra" teria "efeitos em cascata" em todo o mundo, considerou Samm Sacks, especialista em cibersegurança da unidade de investigação New America, com sede em Washington, citado pelo jornal Financial Times. "As redes na Europa, África e Ásia que depen-
geração da rede móvel no mercado português. Washington tem pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a Huawei da construção de infraestruturas para redes de quinta geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de informação chineses. Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei. Pequim e Washington travam, desde o Verão passado, uma guerra comercial, que se agravou na última semana, com os governos das duas maiores economias do mundo a imporem taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um.
FRANÇA DE FORA
O TECNOLOGIA PEQUIM PEDE A WASHINGTON QUE PARE COM OS ATAQUES À HUAWEI
A guerra está aberta Os Estados Unidos deram mais um passo no conflito tecnológico que opõe as duas maiores economias mundiais. Trump declarou “emergência nacional” e não só proibiu as empresas norte-americanas de usarem equipamento da Huawei, como também exige às firmas do país que obtenham licença para vender tecnologia à gigante tecnológica chinesa dem dos equipamentos da Huawei sentirão o impacto, porque a Huawei depende de componentes fornecidos pelos EUA", disse. Paul Triolo, especialista em políticas de tecnologia do Eurasia Group,
considerou a decisão um "grande passo", que não prejudicará apenas a empresa chinesa, mas terá também um "impacto" nas cadeias globais de fornecimento, envolvendo empresas as norte-americanas
Intel, Microsoft, Oracle ou Qualcomm. "Os EUA declararam abertamente uma guerra tecnológica contra a China", afirmou. A Huawei fornece dezenas de operadoras líderes em todo o mundo.
Em Dezembro do ano passado, durante a visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado entre a portuguesa Altice e a empresa chinesa um acordo para o desenvolvimento da próxima
Xangai Pelo menos nove pessoas soterradas em desmoronamento de prédio Pelo menos nove pessoas ficaram ontem soterradas no desmoronamento de um prédio em Xangai, no leste da China, noticiou a imprensa local. O incidente ocorreu num bairro do distrito de
Changning, no centro da "capital" económica do país asiático. Uma equipa de cerca de 60 pessoas estava ontem a participar nas operações de resgate, indicou a televisão estatal chinesa
CCTV, que não referiu o número de feridos. Ao início da tarde, 11 das cerca de 20 pessoas desaparecidas haviam já sido retiradas dos escombros. Em 2010, um incêndio em Xangai destruiu
um prédio de 28 andares, causando pelo menos 58 mortos. As autoridades chinesas atribuíram o incêndio às faíscas provocadas por um soldador durante os trabalhos de recuperação do edifício.
Presidente francês considerou ontem ser inapropriado entrar numa “guerra tecnológica ou uma guerra comercial seja com que país for” referindo-se ao aumento das tensões entre Estados Unidos e China sobre o 5G da operadora chinesa Huawei. Para Emmanuel Macron, “essa não é a melhor forma” de defender a segurança nacional de um país ou de “diminuir as tensões”. “A nossa perspectiva não é bloquear a Huawei ou qualquer outra empresa, mas preservar a nossa segurança nacional e a soberania europeia”, sublinhou Macron, falando em inglês no salão VivaTech, em Paris. O Presidente francês adiantou que “a França e a Europa são pragmáticas e realistas” e explicou que o objectivo é “aumentar o emprego, os negócios e a inovação”. Aquilo em que a França acredita é “na cooperação e no multilateralismo”. Macron assegurou ainda que, no caso do 5G, estará “muito atento ao acesso às principais tecnologias de rede para preservar a segurança nacional”.
região 13
sexta-feira 17.5.2019
Donald Trump e Moon Jae-in vão encontrar-se em Junho, em Seul, para abordar a desnuclearização da península coreana. Este será o segundo encontro dos dois líderes depois do fracasso das negociações entre os EUA e a Coreia do Norte em Fevereiro passado
O
Governo sul-coreano disse ontem que ainda não há formato ou agenda para a recém-anunciada visita do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Coreia do Sul no final de Junho para discutir a questão nuclear norte-coreana.
COREIA DO SUL SEUL AINDA SEM AGENDA PARA A VISITA DE PRESIDENTE DONALD TRUMP
Uma discussão nuclear -se em Junho, em Seul, para discutir a questão nuclear norte-coreana, actualmente num impasse.
ELO DE LIGAÇÃO
Donald Trump vai reunir-se com o homólogo sul coreano Moon Jae-in durante a visita, que ainda não tem data, mas ocorrerá antes ou depois da viagem do Presidente dos Estados Unidos (EUA) a Osaka (Japão), onde se realiza em 28 e 29 de Junho a cimeira dos líderes do G20. "Não temos nenhuma informação a fornecer sobre questões como o formato e agenda da visita”, disse o porta-voz presidencial sul-
-coreano Ko Min-jung em conferência de imprensa. "Os dois líderes planeiam falar sobre as formas de estabelecer um regime permanente de paz através da desnuclearização da península e do fortalecimento da aliança entre a República da Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) e os EUA", afirmou. A Casa Branca confirmou na quarta-feira, que os Presidentes dos EUA e da Coreia do Sul vão reunirPUB
BENGALA OCIDENTAL COMISSÃO ELEITORAL SUSPENDE CAMPANHA POR CAUSA DA VIOLÊNCIA
A
Comissão Eleitoral indiana determinou ontem o encerramento da campanha eleitoral no estado de Bengala Ocidental depois de dias de confrontos nesta última etapa das eleições gerais no país, uma acção drástica e sem precedentes na Índia. Os membros da comissão afirmaram ontem que os "incidentes crescentes de desordem e violência" estavam a criar um "clima de medo" entre os eleitores, pelo que ordenaram que a campanha terminasse às 22:00 horas de ontem, um dia antes do determinado. Normalmente, as campanhas acontecem até 48 horas antes da abertura das assembleias de votos, de acordo com a lei indiana. Na terça-feira, apoiantes de políticos rivais enfrentaram-se com paus e pedras durante um comício do Bharatiya Janata (partido do primeiro-ministro Narendra Modi), que está a tentar retirar lugares do Trinamool
Congress, um poderoso partido regional que actualmente governa o estado de Bengala Ocidental. A violência também foi relatada no estado durante os comícios do último domingo. A Comissão está a invocar pela primeira vez oArtigo 324 da Constituição da Índia, que confere poderes de sobreposição ao Parlamento da Índia e aos legisladores estaduais para conduzir eleições livres e justas. "Mas pode não ser o último caso de repetição da ilegalidade e da violên-
cia", disse na quarta-feira aos jornalistas Chandra Bhushan Kumar, vice-comissário eleitoral. Tanto o primeiro-ministro Modi quanto Mamata Banerjee, ministro-chefe da Bengala Ocidental, realizaram ontem eventos de campanha de última hora. Nove círculos eleitorais votam no domingo na sétima e última fase das eleições gerais - para o parlamento nacional e para outros cargos, como parlamentos regionais - na Índia, que tiveram início a 11 de Abril.
Este será o segundo encontro entre os dois chefes de Estado desde o fracasso da segunda cimeira entre o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Fevereiro, em Hanói, no Vietname. Os dois líderes "vão prosseguir a coordenação estreita dos esforços para alcançar a completa e totalmente verificável desnuclearização da República Popular Democrática da Coreia", informou a Casa Branca, sem especificar uma data. Além da Coreia do Norte, Trump e Moon “ vão discutir formas de fortalecer a aliança EUA-Coreia do Sul e a amizade entre os dois povos", acrescentou a Casa Branca na mesma nota. Eleito há dois anos, Moon, que sempre defendeu o diálogo com a Coreia do Norte, foi um dos
“Os dois líderes planeiam falar sobre as formas de estabelecer um regime permanente de paz através da desnuclearização da península e do fortalecimento da aliança entre a República da Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) e os EUA.” PORTA-VOZ PRESIDENCIAL SUL-COREANO
grandes responsáveis pela aproximação entre as Coreias desde o ano passado e por um clima de desanuviamento das tensões internacionais em relação ao regime norte-coreano, que possibilitou mesmo duas cimeiras históricas entre Trump e Kim.
14
h
17.5.2019 sexta-feira
Nunca voltarei, porque nunca se volta
Dina Pedro da Dinamite Team tonalidades António de Castro Caeiro
Q
UEM sobe a um ringue, tem as maiores expectativas, a da vitória. Um ringue é um laboratório vivo da vida. Quando um dos meus sobe ao ringue, eu só penso na sua vitória, por ele, pela minha Mestra, pela sua família e seus amigos. Quando alguém sobe a um ringue para combater só tem um pensamento na sua cabeça, a vitória. Se eu pudesse, fazia que só os meus ganhassem, mas há o combatente do outro canto, também tem a sua disciplina, a sua treinadora, a sua família e os seus amigos. Se eu pudesse, só os meus ganhariam. Não se pode entender mal o que eu digo. Não aposto por dinheiro. Aposto o que os meus apostam. A vida toda. A vida toda não é a preparação para um combate. Tenho assistido a meses que se estendem por anos. Quando vemos um combatente treinar, só podemos acreditar nele, na sua técnica, na sua dieta, no seu sono, no seu treino. Nem nos passa pela cabeça que são corajosos. Parece que não sofrem nem com o treino, nem com a dieta. Muito menos, parece que sofrem com a dor física. E a dor física é de toda a espécie. Não é só a aceleração, não é só as horas sem descansarem bem até regressarem ao treino. É a dor que é tão aguda que só a adrelina a sufoca. Não é que não haja dor ao sofrer um golpe. Até pode parecer que se sofre, mas é mais a consciência de se ter perdido. Não há dor. Há outra coisa. A compreensão de que o corpo apagou. E se não apagou, a mente já não vai buscar nada ao corpo. Podemos achar, quem vê de fora, que há violência. Violência há com armas e haveria se um fosse treinado e o outro combatente não. Temos dois combatentes que não lutam um contra o outro, mas um com o outro. Se tudo tiver sido como mandam as regras, treinaram. Estão um para o outro. Mas eu tenho os meus e os outros terão os deles. Eu pensava que os meus não perdiam. Mas como não? Todos nós perdemos algures, em algum tempo na vida, com quem merecemos perder e com quem não merecemos perder. No knock down vai-se abaixo. Há contagens. O combatente ergue-se. O que achamos nós que lhe passa pela cabeça? Não é perda. Quer-se erguer, quer ficar de pé, mostrar as luvas ao árbitro, mostrar que está apto a continuar. E quer continuar. Não, não pensa na dor, não pensa na família, não pensa na treinadora, não pensa em si. Sim: pensa em tudo, em todas as pessoas que o leva-
ram ao ringue. Alguém no canto diz-lhe para respirar, para fazer a contagem: um, dois, três, quatro, cinco, seis, aos sete tenta levantar-se e levanta-se. Podemos pensar que fica ali, queremos que fique ali, porque somos a mãe ou o pai ou a namorada ou o namorado. Mas a nossa treinadora diz coisas incompreensíveis para o público e para o outro canto. Diz qualquer coisa simples como: respira, levanta a guarda, bate com a perna esquerda no lado de dentro da direita, fica com a guarda alta. O segundo round ecoa. Depois das miúdas anunciarem outro round. Ninguém vê como são belas. Não há sexo dentro de um ringue. Há a disputa da vitória. Há a liberdade para se disputar a vitória. Há a competência que quer a vitória, porque se é livre. O que se quer é a liberdade. Ninguém consegue perceber um combatente se não compreender que quer ser livre. A vitória é a liberdade. A dor não existe. Existe depois, se calhar. Mas os
combatentes querem a vitória porque decidiram ser livres. Pode ser um sonho de infância, mas nunca é um sonho negativo. Nunca ninguém ganha por raiva. Só se ganha por… amor. Um combate é um acto de amor. E tu vais ao tapete. É a segunda contagem. E levantas-te. Um, dois, três, quatro, cinco, seis… E lembras-te do que te disse a tua treinadora. Levanta-te com tempo. Toma o teu tempo.
A vitória é a liberdade. A dor não existe. Existe depois, se calhar. Mas os combatentes querem a vitória porque decidiram ser livres
E lá está outra vez o teu oponente. Pode parecer maior do que tu, mas tu não queres que nada acabe. Não tens tempo, agora, para que o combate acabe, queres que continue a eternidade, porque tu sabes que tens a técnica, a coragem. E vais de novo ao tapete. O árbitro dá-te a terceira contagem. Não foste ao tapete de qualquer maneira. Do outro lado, comemoram a vitória. E tu bates palmas ao teu oponente. A vida é celebrada. Lembras-te de todas as vezes que venceste. Sobretudo, uma vez mais, lembras-te do que pensaste quando perdeste da última vez. “Segunda, quando tiver lambido as feridas do meu corpo e, sobretudo, as da minha alma, regresso aos treinos.” E os treinos são no local sagrado, onde vais voltar a perder peso, fazer dieta, treinar. E a tua treinadora diz-te: “acredito absolutamente em ti, querida, querido”.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
sexta-feira 17.5.2019
PLANO DE CORTE José Navarro de Andrade
N
“
ÃO faço teatro para dentistas!” Terá exclamado o mercurial, mas não menos genial Peter Stein. À frente da companhia teatral berlinense Schaubühne, embora se considerasse um mero primus inter pares, Stein havia cometido o prodígio de harmonizar erudição e kritik (ou seja a discussão dos fundamentos, termo que demonstra cabalmente como a banalização acarreta degradação), de articular o classicismo com a vanguarda e de conjugar insurreição com racionalidade. Ao capturar as bandeiras até aí brandidas pelos conservadores, resgatando a tradição e a identidade, Stein – assim como outros bravos da sua geração do pós-guerra – logrou o feito admirável de extirpar o mal que pairava sobre a cultura alemã como uma maldição. De impolutas credencias em virtude da sinceridade e da integridade política da sua obra e cabalmente ratificado nos círculos idóneos Peter Stein estava no caminho certo. Contudo não lhe escapou que as plateias que pressurosamente acorriam ao Schaubühne, quem se encantava e deslumbrava com as suas encenações, quem por estas era persuadido a compenetrar-se no exercício de reflectir sobre a ordem do mundo desde a perspectiva esclarecida e emancipada desbravada pelo seu teatro, que o seu público, enfim, era a burguesia urbana. Viviam-se os anos 60 e 70. Doutro modo apelidada de classe média esta variante da vetusta burguesia alcançava um trem de vida confortável apenas pelo trabalho, sobretudo na área dos serviços, por conseguinte desligados da produção de mais-valias intensivas exploradas pelo capital, actividade essa que rapidamente se tornou maioritária nas cadeias de produção europeias. O determinismo das ideologias que não previram esta evolução reprimiu-as de reconhecerem a factualidade da classe média. Isto operou um curto-circuito entre a existência e a consciência. Ninguém mais do que a classe média detesta a classe média. Por um curioso efeito de negação individual muitos elementos da classe média têm a firme convicção de que na classe média se integram outros que não ele e essoutros é que assimilaram os valores da classe média. Mas dada a recorrência deste fenómeno é viável tomar tal repúdio como um traço distintivo da classe média. Decidida a obliterar a sua própria condição de classe, esta nova burguesia investiu com idêntico e voraz apetite tanto no consumo material como no consumo cultural. Aí estavam os famigerados “dentistas” verberados por Peter Stein, que percebeu bem o dilema. Num determinado estado de coisas político não é invulgar na história encon-
Dilema do dentista culto trarem-se no seio daqueles que mais dele beneficiam os que mais se lhe opõem. É escusado fazer profissão de fé na dialéctica para assentir que todos os regimes encerram os seus próprios paradoxos. O que será inédito e paradoxal é que esta modalidade chamada de “democracia liberal” não só se congratule, como pareça alimentar-se desse paradoxo. A classe média que se auto-renega está metida num labirinto fazendo por igno-
rar que nele vive o devorador Minotauro. Por exemplo, não falta na classe média quem pretenda qualificar-se exibindo repugnância pelo consumo de massas. Mais reitera do que atenua este tique de Maria Antonieta a noção de que semelhante forma de elitismo no consumo em vez de se consignar à proeminência financeira se meça por uma espécie de acumulação de capital moral. Atitude que proporciona quadros burlescos. Como a classe média
pretensamente conscienciosa se leva muito a sério ela tende a desperceber que o marketing, esperto como um alho, transforma em paródia os seus preconceitos ciente de que venderá melhor um shampô se o carimbar de “sustentável.” Ao fim e ao cabo a má-fé ou a alienação assomam como o traço predominante da classe média que se julga culta. Tinha razão Peter Stein – os dentistas são insuportáveis.
16
h
Folhetim Fernando Sobral
17.5.2019 sexta-feira
´
A grande dama do chá
A
noite tem o poder de silenciar todas as certezas. De dia julga-se que há remédios para as doenças do mundo e da alma. A noite desmente isso. Nada é certo. A noite permite acordar dos sonhos frágeis. Era isso que sentia Cândido Vilaça, apenas iluminado pela forte luz da lua cheia. Fora isso que o trouxera até às ruínas de S. Paulo. Trazia o seu saxofone e sentou-se nos degraus da enorme escadaria. Levou-o aos lábios e do instrumento saiu um som que parecia lamentar todos os males do universo. Era um gemido arrastado, que nada tinha a ver com o que tocava nos fins-de-tarde dançantes do hotel Riviera. Era algo muito íntimo, vindo das suas entranhas. Doía. Quando se cansou de tocar procurou um declive onde a luz da lua não o atingia e ficou ali, entre as sombras, respirando o ar da noite de Macau. Passados minutos ouviu, não muito longe dele, vozes que falavam em português. Olhou para os dois homens que subiam as escadas defronte das ruínas. Um dos homens tinha um sotaque brasileiro, mas era de outra nacionalidade. O outro tinha uma voz que ele reconhecia, mas não sabia de onde. Falavam de pessoas da sociedade macaense e de acontecimentos futuros, mas Cândido não percebeu o sentido da conversa. De repente, da penumbra, surgiram quatro vultos, que se aproximaram rapidamente. Os dois homens não se moveram. Pareciam esperar o ataque ou, então, estavam seguros da sua situação. Assim era porque perto deles apareceram meia dúzia de sombras que avançaram para o grupo que surgira primeiro. Depois de uma rápida escaramuça, Cândido percebeu que o primeiro grupo, em inferioridade, debandava. Escondido, não se mexeu, até que, para perto de si, resvalou um corpo que se agachou na sombra e se deixou ficar, sem se mover. De onde estava, protegido pela escuridão, Cândido podia ver a zona da escadaria onde se encontravam os vencedores do breve conflito. Ali continuavam os dois homens que tinham estado a conversar, agora cercados por uma meia dúzia de outros que olhavam em todas as direcções. Um deles disse: - Fugiram, os cobardes! O homem de sotaque brasileiro retorquiu: - Não vale a pena segui-los. Sabemos quem são. Iremos apanhá-los quando quisermos. Ainda estiveram ali mais alguns minutos. Mas, depois, caminharam em fila até à rua poeirenta que dava para as ruínas. E Cândido deixou de os ver ou de os ouvir. Só depois de ter a certeza de que já não estavam por perto, voltou-se para o corpo, vestido com uma cabaia negra, que estava a seu lado. Quando o tocou, sentiu o braço molhado. Era sangue. Os seus olhos repousaram então na face tapada por um
pano negro, onde só se viam os olhos. Não deixou de sorrir, ao reconhecê-la, depois de lhe retirar o pano que tinha a esconder-lhe o rosto e o cabelo: - Hoje os fantasmas têm nomes e rostos. Ela não respondeu e levou a mão ao braço. Tinha sido ferida pela faca de um dos assaltantes. Para estancar o sangue enrolou à volta da ferida o pano que usara para esconder a cara e deu-lhe um nó. - Temos de tratar disso, menina Jin Shixin. O olha dela era de raiva. Cândido acendeu um cigarro, para se acalmar. E, depois, disse-lhe: - Temos de tratar dessa ferida. Podemos ir até à minha casa. Não é longe. Assim fizeram. Caminharam devagar até à pequena casa de Cândido. Jin encos-
tou o corpo ao dele e o português sentiu o seu calor. Agradou-lhe. Quando chegaram, ele acendeu uma lanterna e ela sentou-se numa cadeira e estendeu o braço. A ferida não era muito profunda e já deixara de sangrar. Cândido colocou um pouco de vodka na ferida, o que fez Jin gritar e pôs, à sua volta, uma gaze de algodão. - Agora precisas de descansar. E de ter mais cuidado. O olhar de Jin era frio. Não disse nada. - Quem são os teus inimigos, menina Jin? Ela olhou, desafiadora, para ele: - Quem achas que são? Os japoneses. - Que japoneses? - O homem que estava no hotel Riviera quando vieste falar comigo. E os seus lacaios portugueses.
Bateram à porta. Cândido olhou para Jin, mas esta pareceu estar calma. Agarrou numa faca que tinha escondida na roupa, levantou-se e foi-se colocar ao lado da porta. Depois fez sinal para Cândido perguntar quem era. Ele assim fez. Do outro lado escutou um sussurro: - Potapoff. - Quem?
4
- Porque é que falas de lacaios? Jin deu uma gargalhada, o que lhe serviu para esquecer a dor: - Todos são lacaios do dinheiro. As pessoas fazem tudo por ele. Sejam japoneses, portugueses ou chineses. Cândido sorriu. Sacudiu um insecto imaginário da roupa, só para mexer a mão. Depois disse: - Sabes, Jin, a água contorna todos os obstáculos. A partir dela podes tentar perceber os portugueses. Serviram-se da água para sair de Portugal e procurar outros horizontes. E aplicam esse princípio à vida. Estão sempre a contornar os obstáculos, em vez de os enfrentarem. Somos assim. Ela percebeu o que ele estava a pensar. Reparou finalmente no aspecto dele. Cândido Vilaça era alto e tinha um corpo seco. Os olhos castanhos e o cabelo escuro combinavam com a tez morena da pele. Os olhos pareciam afectuosos, mas escondiam uma fúria sempre latente. Havia algo de sedutor no português. Disse, condescendente: - Os portugueses podem ser como a água. E serem sobreviventes de muitos naufrágios. Mas há uma guerra que já não está às portas de Macau. Está cá dentro. Hoje assististe a isso. Podes dizer que não tem nada a ver contigo? Houve um filósofo chinês que disse que: “Quando conheceres quem és, conhecerás o céu”. Sabes o que é a guerra? Cândido suspirou. Recordou uma história que um macaense, que vivera da pirataria, lhe contara: “os imperadores chineses sempre sonharam subjugar as águas. Nós, os piratas sempre desejámos controlar aqueles que se aventuraram acima das águas. Deixamos o céu para os pássaros. E as águas profundas para os peixes. Cada um deve ocupar o seu lugar”. Ele era músico. Nada sabia de guerras. Cândido virou-se para Jin: - Portugal foi uma grande potência porque controlou as veias do mundo, os oceanos. Quando outros o fizeram a sua missão terminou. Em Portugal consideramos a eternidade e o destino com o mar. É o fim depois do fim. Bateram à porta. Cândido olhou para Jin, mas esta pareceu estar calma. Agarrou numa faca que tinha escondida na roupa, levantou-se e foi-se colocar ao lado da porta. Depois fez sinal para Cândido perguntar quem era. Ele assim fez. Do outro lado escutou um sussurro: - Potapoff. - Quem? Jin fez-lhe sinal para ele abrir a porta e o português assim fez. Viu uma face dura com olhos frios e negros. Potapoff deu um passo em frente e Cândido teve de se afastar. Jin apareceu e olhou para o russo. - Estou bem. O português tratou de mim. - Ainda bem. Vamos? Jin seguiu-o em silêncio. Cândido ficou a vê-los caminhar na rua escura. Ela não olhou para trás.
desporto 17
sexta-feira 17.5.2019
LIGA NOS ÁRBITROS NOMEADOS PARA JORNADA DECISIVA
O
Q
UASE cem pilotos, noventa e nove para sermos mais precisos, inscreveu-se nas provas de apuramento para as corridas da “Taça Carros de Turismo de Macau” e “Taça da Grande Baía de GT” da 66ª edição do Grande Prémio de Macau. A primeira das duas jornadas do Festival de Corridas de Macau, organizadas pela Associação Geral-Automóvel de Macau-China (AAMC), está agendada para o fim-de-semana de 25 e 26 de Maio no Circuito Internacional de Guangdong. Este ano o Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa) será novamente dividido em duas classes: “AAMC Challenge 1.6 Turbo” e “AAMC Challenge 1950cc ou Superior”. Os melhores dezoito classificados de cada classe no somatório dos dois fins-de-semana - num total de quatro corridas - terão apuramento directo para o grande evento do mês de Novembro. Os que ficarem de fora do “top-18” terão que aguardar alguma desistência para terem uma vaga. A classe “AAMC Challenge 1.6 Turbo”, que tem a particularidade de ter um regulamento técnico único no mundo e que estará a chegar ao fim, reunirá vinte e três concorrentes, dezassete deles da RAEM. Destaque para a presença do veterano português Rui Valente e de Je-
GP MACAU PILOTOS LOCAIS EM FORÇA NAS PROVAS DE APURAMENTO
À beira da centena rónimo Badaraco e Célio Alves Dias, dois nomes incontornáveis do automobilismo macaense.
POPULARIDADE EM ALTA
A popular categoria “Road Sport”, hoje designada como “AAMC Challenge 1950cc ou Superior”, volta a reunir um número vasto de concorrentes. Trinta e oito inscritos provenientes de cinco países e territórios vão medir forças numa classe que acolhe um colorido leque de viaturas e dezanove pilotos locais.
Para além dos tradicionais favoritos Leong Ian Veng, Ng Kin Veng ou Wong Wan Long, o contingente local contará com vários pilotos macaenses. Destaque para a presença de Filipe Souza, que ao volante de um Audi RS3 LMS TCR, que se estreia nesta classe, juntando-se à promessa Delfim Mendonça Choi e aos regressados Jo Merszei e Luciano Castilho Lameiras, que o ano passado falharam a qualificação. O vencedor da Taça da Corrida Chinesa do Grande Prémio em
A popular categoria “Road Sport”, hoje designada como “AAMC Challenge 1950cc ou Superior”, volta a reunir um número vasto de concorrentes. Trinta e oito inscritos provenientes de cinco países e territórios vão medir forças numa classe que acolhe um colorido leque de viaturas e dezanove pilotos locais
2017, Hélder Assunção, também está de volta, mas desta vez com uma máquina nova, um Nissan GTR-34. E numa altura em que o automobilismo do território precisa de novo sangue, há que realçar a estreia de Osório Sabino com um Volkswagen Golf GTi.
ESTREIA AUSPICIOSA
A novidade do Festivais de Corridas de Macau de 2019 será a introdução da “Taça da Grande Baía de GT”. Esta competição irá permitir a participação de trinta e seis concorrentes na 66ª edição do Grande Prémio de Macau. Destinada a carros da categoria GT4 e ex-Taça Lotus, em termos de adesão, a estreia não poderia ser melhor apesar dos custos base que apresentam este tipo de viaturas. Com trinta e oito carros garantidos à partida, devido às limitações do circuito dos arredores da cidade de Zhaoqing, a organização viu-se forçada a dividir os participantes em dois grupos. Audi, Aston Martin, BMW, Ginetta, Lotus, Mercedes AMG e McLaren são as marcas representadas numa Taça que no futuro poderá ganhar relevância dentro do Grande Prémio, trazendo para o Circuito da Guia aqueles pilotos que se viram afastados com a introdução da Taça do Mundo FIAde GT há três. Eurico de Jesus, ao volante de um Lotus Exige, é o único nome português na lista de inscritos dos carros de Grande Turismo. Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
árbitro Fábio Veríssimo, da Associação de Futebol de Leiria, dirige o clássico entre FC Porto e Sporting, e Jorge Sousa, do Porto, estará no Benfica-Santa Clara, ambos no sábado, na 34.ª e última jornada da I Liga. As nomeações foram ontem divulgadas pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para uma ronda em que o título nacional se vai decidir nos estádios da Luz e do Dragão, em jogos com início marcado para as 18:30, com o Benfica em situação de vantagem, uma vez que tem mais dois pontos relativamente ao FC Porto. No Estádio do Dragão, Fábio Veríssimo terá Luís Ferreira no videoárbitro (VAR), enquanto na Luz Jorge Sousa contará comAntónio Nobre naquelas funções. Para Fábio Veríssimo será apenas o segundo clássico da carreira como árbitro principal, depois de, já esta época, ter
dirigido no Estádio da Luz o jogo entre o Benfica e o FC Porto, da sétima jornada, em 7 de Outubro de 2018, que as ‘águias’ venceram por 1-0. Já em Janeiro este ano, o árbitro leiriense esteve envolvido em polémica, na meia-final da Taça da Liga, novamente entre Benfica e FC Porto, em Braga, mas nas funções de VAR, ao não intervir num lance aparentemente legal, que daria o empate 2-2 aos ‘encarnados’. O Benfica foi eliminado, ao perder por 3-1, e Fábio Veríssimo ficou de fora das nomeações para árbitro nos jogos da I Liga durante quase um mês, depois de ter pedido dispensa. Para Jorge Sousa, habituado a jogos ‘grandes’, o campeonato fecha no Estádio da Luz, com o árbitro da Associação de Futebol do Porto a dirigir uma partida das ‘águias’ pela segunda vez esta época, depois de ter estado no triunfo dos lisboetas no Dragão, por 2-1.
Ténis Federer elimina Sousa
O tenista português João Sousa, 72.ª do ranking ATP, foi ontem eliminado na segunda ronda do Masters 1.000 de Roma, após ser derrotado pelo suíço Roger Federer, terceiro da hierarquia mundial, em dois ‘sets’. Na terra batida da capital italiana, Sousa ‘durou’ 1 hora e 20 minutos perante o antigo número um mundial e ‘caiu’ com os parciais de 6-4 e 6-3, naquele que foi apenas o segundo duelo entre os dois jogadores. Federer e Sousa tinham-se encontrado em 2014, na relva de Halle, na Alemanha, e, nessa altura, o suíço também venceu o português, mas em três sets, por 6-7 (8-10), 6-4 e 6-2. Na próxima ronda, Federer vai encontrar o croata Borna Coric, 13.º da hierarquia, que eliminou o canadiano Felix Auger-Aliassime em três ‘sets’, com os parciais de 6-7 (4-7), 6-3 e 6-4
9 5 9 2 4 3 5 8 6 1 7 0 0 1 5 4 9 2 7 8 6 3 7 5 0 2 6 3 1 9 8 4 T3 E M4P O G U5A C O S7 M I N 1 8A 0 9 E 6I R 2 2 6 7 0 8 9 3 5 4 1 5 9 8 7 4 1 2 3 0 6 7 2 6 FAZER 3 0 5 4 1 9 O8 QUE 4 3 6SEMANA 9 1 7 8 0 5 2 ESTA 1 0 9 5 2 6 4 7 3 8
?
Diariamente 57 | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: EXPOSIÇÃO OBRAS-PRIMAS 3 6 9DA COLECÇÃO 1 5 DO 8 MUSEU 4 0 NACIONAL DE ARTE DA CHINA” 0 2 8 9 3 6 7 4 MAM
5 4 1 7 0 2 8 9
EXPOSIÇÃO 7 3 | “100TH 0 5ANNIVERSARY 1 4 2 6 OF THE MAY FOURTH MOVEMENT IN CHINA” IFT4 1 2 0 9 3 6 5
9 7 6 2 8 5 0 1 3 2 9 3 2 5 3 8 6 9 1 7 EXPOSIÇÃO | DESENHOS DA RENASCENÇA 1 9 7 3 4 0 5 8 MAM | Até 30/06 EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS” 6 8 5 4 7 1 DE JOÃO MIGUEL BARROS 8 0 2 7 Oficinas Navais4nº1 6 | Até 02/06
59
3 4 6 7 8 1 7 2 5 9 2 0 0 3 1 5 4 8 0 6 6 2 5 9 1 7 9 4 7 0 4 1 2 5 8 3 Cineteatro 9 6 3 8
5 6 8 4 3 0 2 9 1 7
9 0 4 8 1 7 3 2 6 5
1 3 7 9 2 8 5 6 0 4
2 4 3 6 9 1 8 5 7 0
7 1 6 9 8 3 0 5 4 2 8 5 6 2 7 4 0 3 9 1
2 5 3 8 7 4 9 1 0 6 0 9 1 7 5 3 6 8 4 2
C I N E M A
56
6 4 8 2 9 0 5 9 217 7 0 8 2 3 7 1 3 5 4 6
58 6 2 1 5 0 4 7 3 8 9
7 2 1 7 3 1 2 4 M 5 A9X 6 3 4 8 0 6 9 0 8 5
1 0 9 5 4 6 8 3 0 321 5 4 7 9 3 8 6 1 2 7
7 9 4 6 1 8 3 2 0 5
9 7 2 1 3 5 8 6 4 0
8 0 3 2 5 7 9 4 1 6
4 6 5 0 2 9 1 7 3 8
APANHADO
60 8 7 6 9 1 4 0 2 3 5
3 2 5 0 9 6 7 1 8 4
4 1 0 3 2 8 5 6 7 9
9 8 2 5 6 3 1 0 4 7
2 3 4 8 0 7 6 9 5 1
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 60
1 8 0 9 6 3 4 5 7 2 0 5 1 7 4 2 9 3 6 8
8 9 5 3 0 6 5 7 8 7 6 0 6 H3U M 4 1 2 7 0 5 1 2 4 9 4 8 2 9 1 3
ARCTIC SALA 1
POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] AVENGERS: ENDGAME [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 14.30, 16.30, 19.30
Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 18.30
Sofia Silva
POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] FRIEND ZONE [B] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 21.30
FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chayanop Boonprakob Com: Naphat Siangsomboon, Pimchanok Luevisadpaibul 14.30, 16.45, 21.30
SALA 2
SALA 3
Um filme de: Joe Pena Com: Mads Mikkelsen 14.30, 16.30, 21.45
Um filme de: Chris Addison Com: Anne Hathaway, Rebel Wilson 19.30
ARCTIC [B]
THE HUSTLE [B]
www. hojemacau. com.mo
17.5.2019 sexta-feira
•
EURO
9.04
BAHT
5 0 7 6 8 9 2 4 1 3
1 9 8 4 7 0 3 5 2 6
6 4 3 2 5 1 8 7 9 0
1
8 9
1
3 7 6 8 5 9 7 0 9 6 0 6 4 8 3 7 7 4 9 5 2 8 4 9 7 1 0 2 4 9 2
3
2 3 8 0 6 2 7 3 4 6 7 8 3 2 9
7
7 0
1 7
PROBLEMA 1
5
YUAN
1.17
MACAU NÃO EXISTE
espanhola em colaboração com a Direcção-Geral de Segurança francesa, notícia ontem toda a imprensa espanhola. Josu Ternera, como é conhecido, estava fugido desde Novembro de 2002
7 6 9 1 3 5 4 8 0 2
0.25 VIDA DE CÃO
3 0 5 2 5 3 1 4 7 6 9 8 4 8 3 7 8 7 4 9 2 1 0 6 6 5 2 0 0 9 8 1 9 2 6 5 4 político 7 da3ETA José Antonio Urrutikoetxea Bengoechea foi detido em França pela Guarda Civil O1 ex-chefe
UM FILME HOJE A pequena e engraçada Olive sonha participar num concurso de misses em ponto pequeno, o que obriga toda a família a viajar até à Califórnia numa carrinha pão de forma. Lá dentro viajam os pais em permanente clima de discussão, o avô que gosta de pornografia, o tio que se tentou matar por uma paixão não correspondida e um irmão que fez um voto de silêncio. Pelo caminho sofrem as mais inesperadas peripécias que quase os faz desistir. Um filme intenso e ao mesmo tempo leve, mas imperdível. Andreia
3 4 2 1 87 0 - 9 5 % 9 6 5 7 0
9 1
8
0 6 4
7 3 9 4 1 6 1 4 3 5 2 9 1 3 5 5 7 6 9 7 6 3 1 2 7 2 5 4 0 6 1
5 9 3 0 0 5 8 6 2 3
8
S U D O K U
55
18 6 8 (f)utilidades 3 1 7 4 0 2
O título pode soar agressivo a muitas mentes, mas esta é a realidade. Macau não existe, é demasiado pequeno, não se faz notar. Ponto. Escrevo isto quando a visita oficial do Chefe do Executivo da RAEM a Portugal ainda está a meio e é demasiado evidente a ausência de atenção dos media portugueses a este acontecimento diplomático. Tirando a imprensa de Macau em língua chinesa e portuguesa, apenas os jornalistas da agência Lusa estão presentes em alguns eventos. E fazem-no porque tem acesso à agenda do Governo português, não porque estejam interessados em reportar o que faz cá um governante de Macau. É incrível como o discurso oficial se afasta quase sempre da realidade. Podem realizar-se fóruns sobre o futuro, o 2 presente e o passado de Macau, e até se pode afirmar que se pretende uma 8 dinamização do português na China e uma aproximação 6 1a um 7 território que foi nosso. No final, são palavras 0 sabem 7 a muito pouco. Chui Sai 3 que On3sai5de Portugal0sem 9 que tenha 4 sido escrita uma linha nos jornais 2 3 sobretudo 6 4 esta 1 portugueses, quando é a sua última visita na qualidade de 4 do Executivo. 9 3 Eu percebo: 7 0o Chefe país 7 ainda 1 está chocado 9 5com a pos- 8 tura desrespeitosa de Joe Berardo 2 na5Assembleia da República. Há 0 também as eleições Mas 1 2europeias. 4 o Chefe do Executivo da RAEM 9 merecia, pelo menos, uma breve na última página. Andreia Sofia Silva
7 0 2 8 5 6 3 1 9 4
4
6 2| JONATHAN1DAYTON 9 LITTLE MISS SUNSHINE 0
7
8 6
3 1 3 9 2 6 4 7 0 4 7 8 9 4 5 1 6
2
7
7
0 1 4 6 7 8 5 3 1 2 1 3 0 7 3 7 8
2 7 6 3 9
9 8 7 5 0
9 1 4
0 5 3 8 8 0 7 2 2 3
6 7 5
2 4 3 5 8 1 7 6 9 0 3 2 4 5 2 0 3 5 2 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota 0 António Castro 9 Caeiro;5António7Falcão; Gisela 8 Casimiro;2Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 0 João 4 Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul 1 Chan 6 Wai8Chi; Paula 5 Bicho; Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua 7 1 0 6 3 5 4 2 1 6Secretária 9 0 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
sexta-feira 17.5.2019
confeitaria
JOÃO ROMÃO
E
Mega favelas
M tempos históricos não muito distantes falava-se de “êxodo rural” para descrever os movimentos massivos da população que deixava a vida no campo e o trabalho agrícola para se deslocar para as cidades, onde se concentravam as indústrias e se esperava aceder às maravilhas da modernidade. Hoje já não é tanto assim: nem sempre a cidade parece ser suficiente para rasgar os horizontes aparentemente necessários e assiste-se cada vez mais a deslocações massivas das zonas urbanas de pequena e média dimensão em direção às grandes áreas metropolitanas – as “mega-cidades”, estatisticamente definidas quando concentram uma população residente superior a 10 milhões de pessoas (a população de Portugal inteiro, portanto). Em 1950 havia no mundo só uma destas metrópoles. Era Nova Iorque a grande cidade do planeta, símbolo global da modernidade urbana, portadora de uma promessa de futuro, transformada em poesia pela magia do cinema. Depois viria Tóquio, a cidade da utopia tecnológica que liderava o milagre do desenvolvimento económico do Japão após a II Guerra Mundial. Ainda hoje a capital japonesa é a maior área metropolitana do mundo, com cerca de 35 milhões de pessoas em intensa mobilidade quotidiana graças a um impressionante sistema de transportes públicos: das 50 estações ferroviárias mais movimentadas no mundo, 26 estão em Tóquio (e mais 18 no resto do Japão). Não é assim em todas as “mega-cidades”, evidentemente: muitas delas estão longe de ter as infraestruturas adequadas para tamanhas concentrações populacionais. O permanente congestionamento do tráfego – com a consequentes poluição e o inevitável desperdício sistemático de energia – é frequentemente um desses sinais da desproporção entre a atratividade do lugar, as multidões que por lá circulam e a sua capacidade para alojar em condições adequadas quem chega e fica. Na realidade, das 33 “mega-cidades” hoje existentes, 26 estão em países classificados como “em desenvolvimento”. As cidades de países ricos (Tokyo e Osaka no Japão, Seul na Coreia do Sul, Nova Iorque e Los Angeles nos Estados Unidos e as europeias Londres e Paris) são excepções numa geografia em que a Ásia é largamente maioritária: 6 “mega-cidades” na China (Pequim, Xangai, Shenzen, Guangzou, Tianjin e Wuhan), 4 na Índia (Mumbai, Deli, Bangalore e Calcutá) e ainda Manila (Filipinas), Jacarta (Indonésia), Dhaka (Bangladesh), Bangkok (Tailândia), Ho Chi Minh (Vietname), Carachi (Paquistão), Teerão (Irão) e também Istambul (na
Turquia, graciosamente repartida entre os continentes asiático e europeu). Moscovo (Rússia) está na Europa que não tem estatuto de “desenvolvida”, enquanto Lagos (Nigéria) e Cairo (Egito) são as “mega-cidades” africanas, e Lima (Perú), Cidade do México, Buenos Aires (Argentina) e as brasileiras Rio de Janeiro e São Paulo representam a América Latina neste restrito grupo de super-metrópoles. Estas transformações nas sociedades contemporâneas são lentas e poucas mudanças se esperam nestas dinâmicas para os próximos anos, segundo as projecções de um estudo apresentado pela Euromonitor Internacional. O impressionante dinamismo económico e demográfico destas super-metrópoles – pelo menos em comparação com o resto do mundo - garante que vão manter a sua importância até 2030, pelo menos, apesar do envelhecimento populacional que se manifesta em várias cidades asiáticas (sobretudo nas do Japão, mas também em Seul, Pequim e Xangai). A confirmarem-se as previsões, Tóquio e
Não é só na Cidade do México, em Bangkok ou no Cairo: a pobreza e a miséria também se estendem pelos subúrbios de Paris ou Nova Iorque. Além de uma população altamente urbanizada, a vida neste planeta no século XXI também se faz com muitos milhões de pessoas nas favelas suburbanas contemporâneas
Osaca serão as duas únicas “super-cidades” a perder população até 2030, altura em que Jacarta passará a ser a metrópole mais populosa do mundo. A manterem-se as tendências actuais, 6 novas “mega-cidades” ultrapassarão o limiar dos 10 milhões de habitantes até 2030, continuando o mundo mais desenvolvido a ser uma exceção nestas super-concentrações de população: Chicago (Estados Unidos) será a único caso de uma cidade rica, enquanto os países “em desenvolvimento” contribuirão com mais cinco – Bogotá (Colômbia), Chennai (Índia), Bagdad (Iraque) e duas novas representantes de África, o continente mais tardiamente urbanizado (Dar es Salaam, na Tanzânia, e Luanda, em Angola). Manifestamente, esta é uma escala pouco interessante para os países mais ricos do planeta. Na realidade, se há nestas “mega-cidades” um dinamismo económico que se traduz, em geral, num acelerado crescimento – e é sobretudo isso que atrai milhões de pessoas – dificilmente esse processo permite desenvolver rapidamente as infraestruturas para as acolher. Não é só o problema dos transportes, naturalmente. É também o da habitação, em zonas urbanas que o capitalismo contemporâneo transforma em produtos transacionáveis e onde os condomínios de luxo (frequentemente vedados e inacessíveis) das áreas centrais coexistem com vastas extensões de bairros precários e informais na periferia. Não é só na Cidade do México, em Bangkok ou no Cairo: a pobreza e a miséria também se estendem pelos subúrbios de Paris ou Nova Iorque. Além de uma população altamente urbanizada, a vida neste planeta no século XXI também se faz com muitos milhões de pessoas nas favelas suburbanas contemporâneas.
Poucos se dão conta de que a sua morte coincidirá com o fim do universo. PALAVRA DO DIA
Gesualdo Bufalino
PUB
Em parte incerta China confirma prisão de canadianos acusados de espionagem
A
China confirmou ontem que deteve dois canadianos suspeitos de espionagem e o Governo canadiano já exigiu a sua “libertação imediata”, numa escalada de crise diplomática entre os dois países. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lu Kang, disse ontem que Michael Kovrig e Michael Spavor, oriundos do Canadá, foram detidos em Dezembro de 2018, suspeitos de roubar segredos de Estado, numa manobra entendida como procurando exercer pressão sobre aquele país, com quem existe um conflito diplomático. O Governo do Canadá já sabia desta detenção e estava a acompanhar o processo. Ontem, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá, disse que “condena veementemente as prisões arbitrárias” e exigiu a “libertação imediata” dos dois cidadãos. “Sempre agimos de acordo com a lei e esperamos que o Canadá não faça comentários irresponsáveis sobre o nosso sistema legal”, disse Lu Kang. Kovrig é um antigo diplomata canadiano, investigador do ‘think tank’ Internacional Crisis Group, e Spavor é um empresário com um longo historial de contactos com a Coreia do Norte. A China já os tinha indiciado de estarem a conspirar para roubar segredos de Estado e efectivou a sua detenção, em Dezembro de 2018, para serem levados a tribunal. A sua detenção aconteceu poucos dias depois de Meng Wanzhou, executivas e filha do fundador da empresa de tecnologia de comunicação Huawei, ter sido detida em Vancouver,
no Canadá, em 1 de Dezembro, a pedido das autoridades norte-americanas, que exigiram a sua extradição para ser julgada por acusações de fraude. Meng foi acusada de mentir sobre negociações da Huawei com o Irão, violando sanções impostas pelos EUA àquele país árabe. O advogado da executiva da empresa de telecomunicações argumentou que os comentários do Presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Huwaei sugerem que o caso contra Meng tem “motivações políticas”.
REPÚDIO NACIONAL
A detenção dos dois cidadãos do Canadá, ontem confirmada pela China, está a ser lida pelo Ocidente como uma represália pelo caso que envolve Meng, que já foi libertada sob fiança e se mantém no Canadá à espera de uma decisão sobre o pedido de extradição por parte dos EUA. O Governo chinês não revelou onde os dois canadianos estão detidos e confirmou que não tiveram acesso a um advogado, embora tenham tido visitas consulares mensais, a última das quais aconteceu esta semana. Uma fonte oficial do Governo do Canadá disse em Março que os dois homens estavam a ser sujeitos a interrogatórios quase diários e o Parlamento canadiano já tinha repudiado esta situação, denunciado as condições de detenção “totalmente inaceitáveis”. A justiça chinesa condenou à morte nos últimos meses dois outros canadianos considerados culpados de tráfico de drogas.
sexta-feira 17.5.2019