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Hoje Macau 17 ABR 2014 #3073

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau WWW.HOJEMACAU.COM.MO

MOP$10

Q U I N TA - F E I R A 1 7 D E A B R I L D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 7 3

JAZZ STEFANO BOLLANI

Arquitecto acusa Costa Antunes de violar convenções internacionais

“SÓ EXISTE BOA MÚSICA E MÁ MÚSICA”

Torre da discórdia

ENTREVISTA

CENTRAIS

Com a destruição da antiga torre de controlo do Grande Prémio, o engenheiro Costa Antunes terá, alegadamente, ido contra tratados internacionais assinados pela República Popular da China.

Obras do novo hospital começam em 2015

ÚLTIMA

PÁGINAS 2 E 3

CHUI SAI ON EM KA HO

O MUNDO EM TONS DE CINZENTO

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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SAÚDE NA AL

O novo projecto de lei sobre a realização dos cursos de internato para licenciados em medicina deverá ser entregue no hemiciclo “o mais depressa possível”. Enquanto isso, o Governo é acusado de ser pouco transparente em relação aos cursos de formação feitos com a MUST e o Kiang Wu ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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director dos Serviços de Saúde (SS) garantiu ontem na Assembleia Legislativa (AL) que a revisão da lei dos internatos médicos, em vigor desde 1999, poderá avançar em breve. Lei Chin Ion frisou que o Governo está “numa fase quase final da legislação”. “Vamos entregar (o projecto de lei) o mais depressa possível à AL. O decreto-lei tem conteúdos desadequados e encontrámos dificuldades no processo de revisão da lei”, disse ainda. Uma das novidades que o Governo pretende introduzir é o aumento do tempo de realiza-

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GCS

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GOVERNO ACUSADO DE FALTA DE TRANSPARÊNCIA

A urgência de Lei ção dos estágios para seis anos. “Achamos que com um tempo tão curto para o internato complementar a qualidade poderá não ser tão boa. Alterar esta formação poderá trazer uma certa qualidade aos médicos”, disse Lei Lei Chin Ion. Além disso, “vamos ter uma estrutura de avaliação mais objectiva. Dentro da lei vigente não podemos ter tantos júris para avaliar os alunos”, acrescentou.

“Quando alterarmos a lei, no sector público os licenciados terão de passar por um estágio. Quando regressarem a Macau vão necessitar de um estágio de um ano, além de uma avaliação”, frisou o director dos SS.

CURSOS COM SECTOR PRIVADO SÃO LEGAIS

As declarações surgiram depois do deputado Ho Ion Sang ter questionado o Go-

“Parece-me que há falta de transparência no lançamento destes cursos. Não sei porque é que o Governo lançou estes cursos sem qualquer transparência.” HO ION SANG Deputado

Governo vai abrir estágios para medicina tradicional chinesa

O deputado e vice-presidente da AL, Lam Heong Sang, quis saber, no quadro do recrutamento para o serviço público de saúde, qual era a situação dos licenciados em medicina tradicional chinesa. Lei Chin Ion, director dos SS, garantiu que “vamos ter um estágio de internato geral para a medicina tradicional chinesa”, sendo que “existe a carreira médica para os médicos de medicina tradicional chinesa”, na actual legislação. “Temos também a medicina tradicional chinesa”, frisou Lam Heong Sang. “Em termos de política como podemos utilizar este profissionais de saúde? Há alguma política para que eles pratiquem os seus conhecimentos?”

verno em relação à ausência de cursos de internato geral para que os licenciados em medicina ingressem no serviço público de saúde, tendo em conta a falta de médicos. Mas o deputado, que representa no hemiciclo a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM), não esqueceu os cursos de formação criados em parceria com o hospital privado Kiang Wu e Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST), e lançou acusações ao Governo. “Parece-me que há falta de transparência no lançamento destes cursos. Não sei porque é que o Governo lançou estes cursos sem qualquer transparência.”

Mas Lei Chin Ion garantiu que tudo foi feito segundo a lei. “Não estamos a trabalhar à margem do decreto-lei, mas não há um número suficiente de candidatos aprovados. Com esses cursos podemos recrutar um número maior de finalistas para se submeterem ao curso de internato geral e por isso corresponde às necessidades gerais.” “Os cursos estão de acordo com a lei vigente. No principio havia muitos licenciados que queriam ir para o internato geral, e têm falta de conhecimentos teóricos”, disse o director dos SS, para justificar a criação dos cursos. Com o terceiro curso de formação na calha, Lei Chin Ion garantiu ainda que não há problemas no processo de equivalências para o acesso à carreira médica na Função Pública. Mas o mesmo não terão dito alguns alunos ao deputado Si Ka Lon. “Muitos alunos referiram que quando

“Muitos alunos referiram que quando houve esses cursos não conseguiram participar no concurso do Governo.” SI KA LON Deputado

houve esses cursos não conseguiram participar no concurso do Governo. Temos de formar mais médicos, mas temos de seguir a lei.” Recorde-se que o último concurso para o acesso ao estágio hospitalar foi feito em 2011, tendo apenas sido aprovados dois licenciados. Desde aí que os SS subsidia cursos de formação no privado que dão equivalência ao regime de internato, mas que não constam no decreto-lei em vigor, como já noticiou o HM.

Serviços de Saúde querem apostar na geriatria L

EI Chin Ion garantiu ontem que é prioridade do Executivo dar mais formação aos profissionais de saúde em algumas especialidades médicas, tal como a geriatria, uma vez que se verifica um “envelhecimento populacional e a tendência de principais doenças mortais”. Mas no rol de especialidades a apostar, o director dos Serviços de Saúde

(SS) pretende ainda formar mais médicos e enfermeiros nas áreas da oncologia, cardiologia, diabetes, ortopedia e otorrinolaringologia. “Estamos a começar os trabalhos segundo as Linhas de Acção Governativa (LAG). Cada médico dos centros de saúde tem uma sessão de consulta externa em geriatria. Vamos ainda

ensinar os idosos a cuidar de si. Temos falta de formação de recursos humanos em termos gerais. Em termos profissionais de enfermagem, e nas zonas comunitárias, estamos a colaborar com o Instituto de Acção Social (IAS). Os lares também vão contratar enfermeiros do exterior para diminuir as necessidades de recursos humanos.”

De resto, Lei Chin Ion garantiu que, ao nível da reabilitação dos doentes, o novo hospital terá mais 200 camas só para essa área, para além de mais 100 camas no hospital de reabilitação de Ka-Hó. “No hospital da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST) alugamos um local para ter mais 60 camas para reabilitação”, disse ainda.


saúde na al 3

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NOVO HOSPITAL PLANTA JÁ ESTÁ A SER DELINEADA. OBRAS PARA O ANO

Devagar se vai ao longe

O director dos Serviços de Saúde apresentou uma data concreta para o arranque do projecto do novo hospital, na zona do Cotai. As obras deverão começar no início de 2015, sendo que o Governo promete mais 2400 camas até 2020 ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

área da saúde esteve ontem em destaque em mais um debate na Assembleia Legislativa (AL), com os deputados a questionarem as lacunas existentes no serviço público de saúde. Em relação ao novo hospital, que irá nascer na zona do Cotai, Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS), avançou com mais dados. “Envidamos todos os esforços para dar início à execução da obra do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas no início de 2015, prevendo-se que a obra seja terminada no quarto trimestre de 2017.” Ainda em relação ao projecto do novo hospital, que está a cargo do arquitecto Eddie Wong, Lei Chin Ion garantiu que “foram concluídos os trabalhos preliminares, tais como a recolha dos projectos de concepção, as sondagens dos terrenos, os processos de selecção da obra para tratamentos das fundações de solos, e dedicamo-nos à elaboração da planta”. Para além disso, o director dos SS garantiu que já estão a ser pensados concursos públicos para outros espaços de prestação de cuidados de saúde, nomeadamente a obra de beneficiação e ampliação do posto de saúde de Coloane. “Aceleram o ritmo de construção das obras do edifício de especialidade do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), hospital de reabilitação de Ka-Hó, centro novo de saúde de São Lou-

O QUE ELES DISSERAM • Lam Heong Sang “Quando fui visitar o vosso serviço de urgência vi que não tinham pessoal suficiente. Se as pessoas estiverem deitadas à espera sem serem atendidas por profissionais de saúde é uma grande questão”

• Melinda Chan “É muito importante facultar recursos humanos para os serviços de saúde. Sabemos que muitos idosos são internados por um longo período de tempo no hospital e muitas vezes os médicos pedem que eles saiam dos hospitais. Não sei se os SS dispõem de um centro para acolher estes idosos”

• Lei Chin Ion, director dos SS “As pessoas acham que o nosso serviço de urgência está a demorar a curar os doentes. Eu tenho vergonha porque nos outros hospitais os doentes ficam menos tempo à espera”.

renço, centro de saúde do bairro da Ilha Verde e centro de saúde em Seac Pai Van”, disse Lei Chin Ion.

PROMETIDAS MAIS CAMAS DAQUI A SEIS ANOS

Em resposta à interpelação do deputado Zheng Anting, Lei Chin Ion garantiu que, até 2020, os SS vão fornecer mais 2400 camas, por forma a elevar “mais o rácio entre o número de camas de doentes e a população”, prevendo uma média de 3,9 camas por cada mil habitantes daqui a seis anos. O director dos SS prometeu ainda começar já a estudar o planeamento do número de profissionais de saúde para o novo hospital. “Vamos começar os trabalhos para que não faltem recursos humanos para as nossas infra-estruturas.” Zheng Anting levou muitos

números ao plenário para mostrar que o número de camas tem vindo a aumentar no serviço público de saúde, mas que a situação permanece aquém das regiões vizinhas. Macau tinha, em 2012, uma média de 2,5 médicos por mil habitantes, quando a média de regiões ricas é de 2,9. Em relação às camas de hospital, a média era de 2,3, quando os números de países ricos eram de 5,9 camas por mil habitantes. “Não vale a pena falar em software quando o hardware ainda não consegue atingir o nível dos países com rendimentos elevados, quanto ao número de camas de hospital por cada mil habitantes. Para além do crescimento demográfico, Macau acolhe anualmente mais de 20 milhões de turistas (...) constituindo uma grande pressão para o sistema de saúde público.”

“Periodicamente cooperamos ao nível dos serviços com o hospital Kiang Wu. Subsidiamos o hospital e esses montantes atingem as 400 milhões de patacas”.

• José Pereira Coutinho “Verifica-se uma má organização dos recursos. Sabemos que as instalações físicas foram melhoradas, mas mantém-se esta insuficiência em termos de recursos humanos. Isto tem a ver com gestão, e não basta dizer que foram lançadas acções de formação”

• Ella Lei “Temos de ter serviços locais e não podemos adjudicar tudo ao exterior. O Governo tem de reforçar a formação”

• Ho Ion Sang “É evidente que há uma grande falta de médicos como de enfermeiros, e não estou a ver no futuro se o Governo disponha de qualquer situação viável para ter uma solução. Como é que o director vai encarar a situação de falta de recursos humanos?”


4 política

O

deputado Si Ka Lon pediu ontem na Assembleia Legislativa (AL) medidas de isenção fiscal para fomentar a criação de mais empresas sociais, e os seus colegas do hemiciclo acabaram por fazer o mesmo tipo de pedido ao Governo, que prometeu analisar a questão. “Não existe ainda uma política de isenção fiscal para estas empresas, mas essa vossa opinião vai ser tida em conta para um estudo, para que essas empresas se possam desenvolver e ter maiores condições na sua exploração”, disse uma responsável do Instituto de Acção Social (IAS). “Sabemos que muitas pessoas estão interessadas em criar empresas sociais, mas há falta de recursos financeiros e experiência na sua exploração. Aquando da implementação do segundo plano de apoio financeiro já introduzimos melhorias e vamos reforçar a divulgação, para que mais empresas sociais venham a ser criadas.” - A.S.S.

TIAGO ALCÂNTARA

Deputados pedem isenções fiscais para empresas sociais

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“Se os dirigentes não fizerem nada, os danos para a sociedade são piores do que aqueles que os corruptos causaram” MAK SOI KUN

Licenças de jogo Responsabilidade é do próximo Governo, diz Tam

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Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, voltou a não adiantar pormenores sobre o processo de renovação de licenças de jogo com as operadoras, algo que só deverá acontecer em 2015 ou 2016, sendo esse o “tempo oportuno”. E atirou responsabilidades para o próximo Executivo. “A calendarização terá de ser decidida pelo próximo Governo e essa é uma política muito importante para a economia de Macau e terá de ter em conta o desenvolvimento do sector do jogo. Até agora o Governo não tem nenhuma posição, em 2015 ou 2016 essa revisão será feita em tempo oportuno.” Estas declarações serviram de resposta à interpelação do deputado José Pereira Coutinho, que queria saber mais pormenores. Mas Francis Tam ficou-se pelas respostas que tem vindo a dar publicamente sobre o assunto. Garantiu que não haverão mais concessões de jogo para além das seis já existentes, mas Coutinho não ficou satisfeito. “Não há normas para a limitação do número de casinos. Para mim já não é possível suportar este número de casinos em Macau, há que ter um controlo, para que os cidadãos vejam a sua qualidade de vida garantida.” - A.S.S.

Governo desdramatiza situação na Rua da Emenda. Melinda Chan ri-se

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presidente substituto do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) citou ontem dados pedidos aos Serviços de Finanças (DSF) para mostrar que, afinal, os negócios da Rua da Emenda não pioraram a seguir ao novo reordenamento, que afastou todo o trânsito da zona. “Em 2012 foram criadas 38 novas lojas, em 2013 foram criadas 52. Em relação às lojas fechadas, foram 31, enquanto que em 2013 foram 23. Portanto, ao longo deste tempo os números diminuíram.” A deputada Melinda Chan, autora da interpelação sobre o tema, riu-se das explicações do Governo. “Segundo a sua resposta parece que nada mudou. Para além do factor segurança, só pensaram no embelezamento da zona? Pensaram ou não no ambiente de negócio? Se diz que é assim e não se muda nada, os lojistas devem então fechar as portas e basta. Aliás, os lojistas já são obrigados a fechar portas, enquanto outros procuram sobreviver.” Da parte do IACM, ficou garantido que estão a ser feitas cooperações com os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) no sentido de encontrar mais lugares de estacionamentos para motociclos, para atrair clientes. “Pedimos a uma instituição académica para considerar a realização de um estudo para se saber os resultados do novo reordenamento. O seu pressuposto foi sempre o de salvaguardar a segurança pública, desde sempre que temos vindo a frisar as situações e temos de ter em conta as necessidades reais. O Chefe do Executivo, depois de se ter deslocado à zona, desenvolvemos uma série de trabalhos.” - A.S.S.

HABITAÇÃO DEPUTADO PEDE INSPECÇÕES PREDIAIS OBRIGATÓRIAS

Roubem mas façam O engenheiro esteve na rádio para exigir responsabilidade e mudanças, em ano de eleições CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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deputado Mak Soi Kun disse ontem num programa no canal chinês da Rádio Macau que é melhor a corrupção do que a falta de acção dos dirigentes públicos no seu trabalho. O também engenheiro disse que o sector já tem um consenso em relação à inspecção predial obrigatória.

“Se os dirigentes não fizerem nada, os danos para a sociedade são piores do que aqueles que os corruptos causaram. É apenas um exemplo”, disse o deputado, que defendeu que o caso Ao Man Long teve uma influência a longo prazo na sociedade, mas muitos dirigentes do Governo acreditam que, se não fizerem nada, isso não irá acarretar erros. Por isso, Mak Soi Kun defendeu o regime de responsabilização para aqueles que ocupam altos cargos no Governo. “Este ano vão decorrer as eleições para o Chefe do Executivo, por isso considero que o novo Governo precisa de uma mudança.” Um ouvinte do programa questionou Mak Soi Kun sobre a melhor forma dos deputados supervisionarem o Governo. O deputado disse que, no seu caso, vai fazer acções para realizar

os compromissos apresentados nas eleições do ano passado, e apenas apoiar decisões que tragam efeitos positivos à sociedade. O consenso de que fala Mak Soi Kun refere-se aos edifícios residenciais com 30 anos, sendo que já existe um acordo entre o sector de engenharia e o Governo. O deputado explicou que antes o sector da construção civil em Macau expandiu-se com falta de profissionais e com a contratação de trabalhadores sem experiência. Como ainda não foi criado um exame de certificação de competências, o deputado defende que o nível de qualidade dos engenheiros é variado e, por isso, o resultado é o risco de segurança dos edifícios. Por isso, Mak Soi Kun pede que o Governo faça uma lista dos edifícios que necessitem de uma inspecção obrigatória.


política 5

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Segundo a edição de ontem do jornal Ou Mun, o visto dos residentes do continente para Hong Kong e Macau passam a funcionar através de cartão com chip electrónico e informações através da impressão digital. Segundo o jornal, a medida pretende introduzir passagens automáticas na fronteira, por forma a reduzir o tempo de espera. Shenzen será a primeira cidade da China a introduzir esta nova medida. O jornal cita uma fonte anónima que refere que é possível que o novo visto com cartão comece a ser usado a partir do dia 1 de Maio. Mas segundo o departamento de coordenação da fronteira de Guangdong, ainda é necessário esperar pelo calendário concreto a anunciar pelo Ministério da Segurança Pública do continente.

Ella Lei contra proposta do Governo para previdência central

A deputada Ella Lei considera que o Fundo de Segurança Social (FSS) já está a estudar o novo regime de contribuições para a previdência central desde 2007, considerando que não há necessidade de esperar mais três anos para se decidir se as contribuições serão obrigatórias ou não, uma vez que só agora está a ser apresentado o texto de consulta para o regime não obrigatório. A deputada indirecta não concorda com uma proposta presente no texto de consulta, que refere que parte da contribuição paga pelos patrões pode ser usada como compensações em caso de despedimento. A deputada diz que isso “não é aceitável” porque essas contribuições são para o futuro dos empregados e não para a sua indemnização em caso de despedimento. Mas Wong Kuok Seng, representante do patronato junto do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) disse que o novo regime de contribuições deve ser obrigatório, e por isso são necessárias condições para atrair a participação dos patrões. “Se os patrões não participarem, os empregados também não terão uma razão para participar.”

IAS diz que há duas vagas para terapeutas infantis

O Instituto de Acção Social (IAS) confirmou ao HM que nas três instalações de intervenção e prevenção de doenças infantis, já financiadas pelo Governo, existem duas vagas para terapeutas, um a tempo inteiro e outro a tempo parcial. Actualmente há oito terapeutas a trabalhar nestas instalações, sete a tempo inteiro e um a tempo parcial. O IAS diz que incentiva sempre o recrutamento de terapeutas locais para o preenchimento destas vagas, e, se for necessário, vai estudar a importação de terapeutas para doenças infantis.

KA-HÓ GOVERNO ANUNCIA MEDIDAS DE COMBATE À POLUIÇÃO

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Por quê só agora?

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Governo prometeu em duas semanas apresentar medidas de melhoria da qualidade do ar na zona de Ka-Hó, em Coloane, e que incluem a suspensão imediata do funcionamento das máquinas que estão a causar a poluição. Serão ainda instalados dispositivos de controlo e isolamento da poeira, tendo ainda sido prometida uma inspecção regular dos trabalhos. As novas medidas foram apresentadas ontem em conferência de imprensa na sede do Governo pelo porta-voz do Executivo, Alexis Tam. Espera-se ainda a elaboração de relatórios sobre o controlo da emissão de poluentes e o reforço da regularidade da limpeza e lavagem da estrada quatro vezes por dia. Foi ainda garantida a protecção das instalações da escola na zona. A médio e longo prazo, o Executivo quer construir uma ponte pedonal junto à escola para garantir a segurança de professores e alunos. Está ainda prevista a instalação de barreiras anti-som e vedações junto à escola. Acontece que desde 2011 que a população se vê a braços com a poluição do ar, o que tem vindo a afectar a sua vida diária, mas só ontem é que Chui Sai On se deslocou pessoalmente a Coloane. Questionado sobre o atraso de três anos na implementação de medidas, Alexis Tam garantiu que o Chefe do Executivo sempre deu atenção ao ambiente junto das instalações de ensino, por ter estado ligado à área da educação. “O trabalho de melhoria da qualidade do ar em Ka-Hó não começou agora e não vai acabar já, mas vai ser um trabalho continuado. Todos os meses o Governo vai realizar uma conferência de imprensa para apresentar o processo dos trabalhos”, disse.

VISITA NÃO É CAMPANHA

Chui Sai On visitou ontem a zona de Ka-Hó, e Alexis Tam foi questionado do porquê desta visita três anos depois do surgimento do problema. Mas o porta-voz garantiu que nada tem a ver com uma possível campanha eleitoral, nem “está a fugir às suas responsabilidades”. “Temos a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) para tratar das questões ambientais, e o Chefe do Executivo não trata directamente das questões em Ka-Hó. Mas o Governo realizou uma reunião com o grupo interdepartamental no mês passado.” Em relação a um possível pedido de desculpas à popula-

Os diversos departamentos públicos anunciaram ontem medidas para acabar com a poluição do ar na povoação de Ka-Hó. Governo foi questionado sobre as causas do atraso na reacção. Alexis Tam disse que a visita de Chui Sai On não é campanha eleitoral GCS

Vistos da China para RAE’s passam a ser em cartão

ção, Alexis Tam disse que “a DSPA admite que os efeitos do seu trabalho foram diferentes em relação às necessidades dos cidadãos”. Em Ka-Hó, Chui Sai On disse que “aceitava todas as acusações”.

NÍVEIS DE SAÚDE MANTÉM-SE

Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS), es-

teve presente na conferência de imprensa e garantiu que, segundo os resultados dos exames efectuados aos moradores e trabalhadores, a qualidade de saúde destas pessoas “não tem grandes diferenças em relação a quem não mora e trabalha em Ka-Hó”. Sobre a permanência das fábricas na zona, a DSPA

disse que estas não vão sair, mas Cheong Sio Kei, director, disse que vai ser realizada uma consulta pública em finais deste ano sobre o regime de avaliação ambiental, para que, no futuro, “se possam regulamentar os projectos de desenvolvimento da zona”. Mas do calendário para a nova legislação, nem sinal.

“Se o Chefe sair, as medidas continuam?”

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Chefe do Executivo visitou ontem escolas e toda a povoação de Ka-Hó, em Coloane, por forma a saber o panorama do ambiente na zona, que há cerca de três anos se vê a braços com o excesso de poeira e poluição do ar. Depois de uma visita à fábrica de cimento, Chui Sai On visitou a escola Dom Luís Versiglia e escola São José de Ka-Hó, onde reuniu com professores e estudantes. Estes relataram-lhe os impactos que têm sentido com o excesso de poluição. Ao HM, a irmã Chu, directora da escola de São José de Ka-Hó, disse que, ainda antes da chegada de Chui Sai On, o Governo já tinha iniciado trabalhos de melhoria na passada sexta-feira. Uma dessas medi-

das foi o controlo da passagem de camiões carregados de areia, que têm causado poeira e barulho. “Mas queremos saber se, caso este Chefe do Executivo saia, se as medidas vão continuar”, disse a irmã Chu. Chui Sai On disse que o grupo de trabalho interdepartamental já lançou uma série de medidas que, a longo prazo, deverão continuar, por forma a que moradores tenham melhores condições ambientais e para que possam “estudar e viver num ambiente saudável”. O Chefe do Executivo garantiu que o Governo “está determinado e empenhado em melhorar a situação”. Lau Si Io, Secretário das Obras Públicas e Transportes,

disse ainda que o Governo tem um plano para as estradas nas imediações de Ka-Hó, incluindo a construção de um túnel que irá fazer a ligação directa à Taipa. Isso irá aliviar a pressão do trânsito na zona. O Secretário disse ainda que o Governo já avançou, a título experimental, com propostas de melhoria à zona antiga de Coloane. Com a nova lei de terras, não haverão concursos públicos na concessão de terrenos, o que pode ajudar os moradores a resolverem a questão de propriedade. Lau Si Io falou mesmo de casos de sucesso e acredita que este modelo vai concretizar-se em diferentes zonas de Coloane, incluindo Ka-Hó. - C.L.


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SOCIEDADE

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TELEVISÃO TDM VAI SER PRINCIPAL EMISSORA DE CANAIS BÁSICOS EM DOIS ANOS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Teledifusão de Macau (TDM) vai ser a principal responsável pela transmissão dos canais básicos de televisão em dois anos. Isso mesmo confirmou ontem Horry Hoi, director substituto dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), no dia em que o Governo anunciou que estão celebrados os contratos com as duas empresas que, a partir de 22 de Abril, começam a prestar serviços de televisão à população - a TV Cabo e a sociedade Canais Básicos S.A., do Executivo. “Isto é uma fase transitória e, daqui a dois anos, vamos passar [os serviços] totalmente à TDM. Actualmente, a TDM tem apenas 25% da empresa mas, seja como for, o Executivo assegura que, tanto agora, como no futuro, só uma coisa vai mudar: a concorrên-

O Clarim Novo director é Opus Dei O semanário católico de Macau em português, O Clarim, vai estar hoje nas bancas, com um trio de novidades para os leitores, incluindo o lançamento de um suplemento em língua inglesa. A razão por detrás do suplemento em inglês “é chegar a todas as comunidades de Macau, uma vez que a RAEM [Região Administrativa Especial] se internacionalizou também com a chegada de inúmeros falantes de língua inglesa”, explicou o editor do jornal, José Miguel Encarnação. Por outro lado, “trata-se de colmatar uma falha há muito detectada pela Diocese de Macau: a ausência de um veículo transmissor da Doutrina Católica a todos os fiéis, dado que O Clarim era até hoje publicado em português e o boletim informativo Aurora em chinês”, acrescentou, em nota enviada à agência Lusa. Segundo José Miguel Encarnação, o suplemento em inglês “é mais doutrinal, religioso, eclesiástico, enquanto o caderno tradicional, em português, manterá uma linha editorial mais generalista”. A edição número 47 do jornal figura também como a primeira sob a direcção do Padre José Mario Mandía, capelão da Prelatura da Santa Cruz e Opus Dei em Macau, que substituiu o padre Albino Bento Pais, membro da Sociedade de São Paulo. A fechar o ‘trio’ de novidades serão apresentadas “alterações a nível gráfico, assinalando também, desta forma, uma nova etapa do jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau”. O Clarim completa 66 anos de existência dentro de duas semanas.

cia. “Tudo se vai manter na mesma. Os canais básicos que a sociedade sempre teve, vai continuar a ter.” A promessa de liberalização do mercado vai avançar, bem como a da possibilidade de as empresas de televisão fornecerem o serviço “triplo play”, ou seja, internet, televisão e telefone. Mas, para isso, ainda não há calendário. “Quando houver condições técnicas para esses três serviços, o Governo vai promove-lo, até porque qualquer um pode, agora,

pedir licença para isso”, explicou Hoi. “De acordo com a situação real, vamos definir quantas licenças vamos atribuir.” O Executivo diz que precisa de ter como referência o relatório final sobre o mercado dos serviços televisivos que está a ser levado a cabo pela Universidade de Macau e que será publicado em Setembro. Os serviços “triple play” poderão, por isso, chegar no final do ano. Todas as empresas são bem-

-vindas a pedir licenças para fornecerem televisão aos residentes, incluindo os anteneiros que, para já, ainda se mantêm como fornecedores do serviço de manutenção da rede. Ontem de manhã foi assinado um acordo entre o Governo e as empresas de antenas comuns para isso mesmo, o que, como avançou o HM na semana passada, permite que a sua actividade não seja a de retransmissão de canais, ou seja a que foi declarada ilegal pelo tribunal. O Governo quer ainda acabar com os cabos aéreos “zona por zona, rua por rua” e substituir todos por cabos subterrâneos, algo que TV Cabo terá de fazer até 2017. Sobre o facto de a TDM não ficar imediatamente “com plenos poderes”, como deverá acontecer em 2016, Horry Hoi explica que “a TDM tem a técnica”, mas ainda assim falam alterações a regulamentos e diplomas. “Todos os processos têm de ser aperfeiçoados.”

TV CABO OBRIGADA A PEDIR AUTORIZAÇÃO PARA TRANSFERÊNCIA DE CAPITAIS E A COLOCAR CABOS SUBTERRÂNEOS ATÉ 2017

Empresa por mais dez anos

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Governo assinou a renovação do contrato com a TV Cabo na passada terça-feira, tendo feito o que assegura serem algumas melhorias ao acordo. Segundo Horry Hoi, director substituto dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), o facto de a empresa ter de pedir autorização ao Governo para transferir mais de 10% do seu capital social - seja em conjunto, seja em partes independentes -, como vem mencionado no novo contrato, é algo que mostra isso mesmo. “Aperfeiçoamos o contrato anterior, porque trata-se de um serviço prestado ao público, que é importante para a sociedade. Tem de haver maior controlo do Governo, o que é natural porque tem de se ter em conta a capacidade e a experiência da empresa que presta estes serviços, não podendo passar para outra empresa. Isto assegura que controlamos [isso].” No novo contrato - que não permite o exclusivo dos serviços exclusivos à TV Cabo - fica ainda a saber-se que a empresa tem a concessão por cinco anos a partir de 22 de Abril, sendo que a próxima renovação do contrato pode

ter também a mesma duração, mas tem de ser feita dois anos antes do fim da concessão. O extracto do documento publicado no Boletim Oficial e analisado pelo HM - mostra ainda que a empresa terá direito a uma compensação no caso de a sua concessão nao ser renovada “por motivos de interesse público”. A opressora ganha, neste caso, uma indemnização “igual a 50% do lucro líquido TIAGO ALCÂNTARA

JOANA FREITAS

ANTÓNIO FALCÃO

População vai ter tudo na mesma

médio anual, antes de impostos, geradas [pela prestação de serviços de tv], obtido nos três anos anteriores, multiplicado por dois anos e meio”. Mas, também há outras obrigações. O Governo exige que a TV Cabo tenha de acompanhar a evolução da tecnologia na área da teledifusão, preta serviços de qualidade à população e substituía todos os cabos aéreos pro subterrâneos até 2017. J.F.

Jogo subiu 19,73%

O sector do jogo em Macau encerrou o primeiro trimestre a subir 19,73% em termos homólogos e com receitas brutas de 102.491 milhões de patacas, dos quais 99,7% correspondiam a receitas arrecadas pelos casinos locais. Dados oficiais relativos a todo o sector do jogo em Macau - casinos, apostas em jogos de basquetebol e futebol, corridas de cavalos e cães e lotarias - referem também que o bacará foi a principal fonte de receita com 94.003 milhões de patacas, traduzindo 91,98% das receitas dos casinos ou 91,7% das receitas totais do jogo. O bacará vip, jogado em salas destinadas a grandes apostadores, teve um peso de cerca de 63,5% nas receitas do sector do jogo, enquanto o bacará jogado nas salas de ‘massas’ representou cerca de 27,5%. No segmento de apostas, as maiores receitas foram geradas com as apostas em jogos de futebol com um total de 115 milhões de patacas de receitas brutas, seguindo-se as apostas nas corridas de cavalos que geraram 102 milhões de patacas. No final do trimestre, Macau tinha em operação 35 casinos que disponibilizavam 5.700 mesas de jogo e 13.232 slot machines.

Reservas cambiais recuaram 6%

As reservas cambiais de Macau recuaram para 122,1 mil milhões de patacas no final de Março, indicam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com as estimativas preliminares da Autoridade Monetária de Macau (AMCM), as reservas cambiais caíram 1,3% relativamente aos dados rectificados do mês anterior e sofreram uma diminuição na ordem dos 6% em termos anuais homólogos. A taxa câmbio efectiva da pataca - que mede as paridades cambiais contra as divisas dos principais parceiros comerciais ponderadas pelas suas quotas relativas do comércio - foi de 96,77 em Março 2014, crescendo 0,14 pontos e diminuindo 1,48 pontos, respectivamente, face aos dados do mês anterior e aos relativos ao período homólogo de 2013.

Turismo mais caro 7,35%

Os visitantes que chegaram a Macau entre Janeiro e Março viram os produtos e bens adquiridos mais caros 7,35% comparativamente ao período homólogo de 2013, indicam dados oficiais divulgados ontem. Segundo os Serviços de Estatística e Censos (DSEC), o aumento do Índice de Preços Turísticos (IPT) foi impulsionado principalmente pelo aumento significativo dos preços dos quartos de hotel durante os feriados do Ano Novo Lunar chinês, bem como pela subida de preços ao nível dos serviços da restauração. Face ao trimestre anterior, o último de 2013, o IPT cresceu 1,24%. Em 2013, Macau recebeu 29.324.000 visitantes, mais 4% do que em 2012.


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Chui Sai Peng conversa com universitários

Quase 15 mil em alta velocidade O relatório de contas da CTM mostra aumentos na utilização de serviços móveis e de internet, sendo que mais de 14 mil pessoas já se mudaram para a fibra óptica. A empresa espera autorização para continuar a alimentar telemóveis depois de Junho do próximo ano TIAGO ALCÂNTARA

O deputado José Chui Sai Peng vai participar, no próximo dia 22 deste mês, numa sessão de conversação virtual com estudantes do ensino superior de Macau. Segundo o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES), esta iniciativa vai servir para discutir “as perspectivas do desenvolvimento da área da engenharia”. A conversa entre o deputado e os alunos universitários vai ter lugar nas salas de conversação virtuais “sala de conversa” e “blogue para os estudantes do ensino superior de Macau”, onde serão debatidos assuntos como “as condições de ingresso, a situação laboral e as perspectivas de desenvolvimento da área da Engenharia em Macau”. Os estudantes que pretendam fazer parte desta iniciativa, deverão inscrever-se como utilizadores do blogue já referido.

CTM ESPERA DECISÃO DO GOVERNO SOBRE RENOVAÇÃO DE SERVIÇOS MÓVEIS

Electricidade Governo continua a dar 200

O Governo de Macau vai continuar a descontar até 200 patacas na conta da electricidade dos habitantes segundo o sétimo programa de descontos na factura da electricidade, que teve início este mês. Este programa, que vai estender-se aos próximos 24 meses (dois anos), beneficiou uma média mensal de 188 mil unidades habitacionais nos últimos anos.

Cheng Wai Tong com mais um cargo

Depois de ter sido nomeado como o novo subdirector dos Serviços de Turismo (DST), em Fevereiro, Cheng Wai Tong foi ontem apontado também como representante do organismo no Gabinete de Gestão de Crises do Turismo. O anúncio foi feito através de um despacho publicado ontem em Boletim Oficial e assinado por Cheong U, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Cheng substitui assim, e mais uma vez, Manuel Gonçalves Pires Júnior, que exerce, actualmente, a função de administrador da Teledifusão de Macau (TDM). O responsável iniciou funções na DST em 2000, como técnico superior, passando a chefe do departamento de Estudos e Planeamento em 2006. Em Março deste ano, passou a ser o subdirector do organismo, tendo agora acumulado mais esta função, na qual ficará até 30 de Junho de 2015. Cheng Wai Tong é licenciado em engenharia e planeamento pela Universidade Nacional de Taiwan e tem também uma licenciatura em Economia pela Universidade National ChengChi da Formosa. O representante da DST já exerce a função desde o dia 9 de Abril, mas só ontem a nomeação foi tornada pública.

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) está à espera da decisão do Governo para continuar a prestar serviços móveis depois de 2015. A informação foi anunciada no Relatório de Contas de 2013 da CTM, ontem publicado em Boletim Oficial e analisado pelo HM. A

empresa só tem licença para operar serviços de telemóveis até Junho do próximo ano. “A CTM já solicitou a sua renovação, pedido que está a ser analisado pelo Governo.” Segundo os dados fornecidos pela companhia, a utilização de telemóveis no mercado de Macau atingiu cerca de 218% no final do ano passado, sendo que a clientela da CTM aumentou em 6%, para quase 800 mil pessoas. Ao mesmo tempo, e também ao longo de 2013, “o número de assinantes de banda larga móvel aumentou 12%, para [mais de] 174 mil pessoas”. Enquanto a CTM concorre com outras três empresas - a Smartone, a Hutchinson e a China Mobile - nos serviços móveis, a companhia é ainda titular de uma licença de telecomunicações fixas, ainda que sem exclusividade, até Dezembro de 2016. No entanto, o contrato é alvo de renovação imediata por mais cinco anos. “Será até 31 de Dezembro de 2021. O segundo período de cinco anos será automaticamente concedido no final de 2016, excepto na eventualidade de violação séria pela CTM ou razões imperativas de interesse público, devidamente justificadas.” A empresa recebeu

Exame unificado para ensino superior em 2017

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M grupo de quatro estabelecimentos de ensino superior de Macau aderiu ao exame unificado que será implementado em 2017 nas disciplinas de Português, Inglês, Chinês e Matemática. Os reitores e vice reitores da Universidade de Macau, Instituto Politécnico, Instituto de Formação Turística e a Universidade de Ciência Tecnologia de Macau anunciaram publicamente as características do novo exame unificado, considerando que esta solução vai “aliviar a pressão dos alunos no acesso à universidade”. “Este exame vem dar apoio aos alunos que pretendem escolher uma universidade para estudar”, afirmou Vong Chuk Kwan, presidente do Instituto de Formação Turística, numa posição subscrita por todos responsáveis pelas instituições de ensino superior de Macau que aderiram ao teste unificado. O exame abrange quatro disciplinas opcionais - Português, Inglês, Chinês e Matemática - dependendo dos requisitos da instituição a que se candidata o aluno,

não invalidando a realização de exames específicos requeridos no acesso a cada área e instituição. A prova será realizada anualmente, devendo começar a ser aplicada em Abril de 2017, depois de ter estado prevista para 2015. “Depois de muita ponderação e diálogo com várias entidades académicas considerámos ser mais benéfico para os alunos, que estão a entrar agora no secundário, terem estes três anos de preparação até fazer o exame”, explicou Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau. Sem classificação mínima obrigatória, as notas não serão tornadas públicas pois o acesso ao ensino superior não dependerá da nota final, mas sim de um conjunto de factores, tais como classificações do ensino secundário, exames internacionais caso o aluno tenha realizado, especializações exigidas por cada instituição, prémios recebidos e participação em serviços sociais. Os alunos recomendados pelos reitores das escolas secundários estão dispensados da realização do exame.

automaticamente uma licença para este tipo de serviços em 2013, após a abertura do mercado a outras empresas. Se os números de clientes de internet subiram em 5% face a 2012 - para mais de 152 mil clientes -, também a procura por melhores destes serviços subiu em 2013. “Dos clientes existentes, 14% optou por melhorar para pacotes de serviços com maior capacidade de banda”, frisa o relatório da empresa. No final de 2013, 14798 consumidores já utilizavam fibra óptica em casa. A CTM tem autorização para a prestação de serviços de internet até 2018. A expansão da banda larga de internet foi um “dos projectos mais significativos” da empresa no ano passado, a par da expansão da rede 3G. Como tinha sido já anunciado pela companhia, o investimento durante o ano foi de 409 milhões de patacas, mais 70 milhões do que em 2012. No relatório de contas, a empresa admite que as despesas aumentaram em 12% de 2012 para o ano passado, devido, entre outros factores, “à pressão de aumento dos salários derivada das restrições às condições do mercado de trabalho” local - onde impera a escassez de recursos humanos - e ao aumento dos custos de rede.

Ambiente Governo atribuiu mais de 20 milhões de patacas para equipamentos

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Governo gastou mais de 20 milhões de patacas em apoios financeiros relacionados com a protecção ambiental. Só nos primeiros três meses deste ano, mais de 300 empresas pediram ajuda ao Executivo no âmbito do Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética. No total, o Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética atribuiu 28,028,436 milhões de patacas, uma subida de 34% face ao mesmo período do ano passado. Segundo o Boletim Oficial de ontem, onde foi publicada a lista dos apoios concedidos entre Janeiro a Março deste ano, a CAM – Sociedade do Aeroporto de Macau foi uma das entidades a quem foi atribuído financiamento, tendo recebido cerca de 378 mil

patacas. Da lista constam também o Hotel Beverly Plaza e o Marina Club International, sendo que ambos receberam meio milhão de patacas cada. O Plano de Apoio Financeiro à Aquisição de Produtos e Equipamentos para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética foi implementado em 2011 pelo Governo, com a intenção de melhorar a qualidade do ambiente de Macau, promover a conservação de energia e reduzir a emissão de poluentes. O apoio financeiro a conceder por cada pedido corresponde a 80% do montante total dos produtos e equipamentos adquiridos ou substituídos e não pode exceder o limite máximo de 500 mil patacas. Aos candidatos a quem foram deferidos pedidos não é permitido nova candidatura pelo período de um ano. - J.F.


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CHINA

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Na longa maratona da reforma económica e social, o gigante asiático, contrariando os prognósticos mais pessimistas, continua a dar passos seguros apesar das adversidades do exterior

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crescimento da segunda maior economia mundial abrandou no primeiro trimestre de 2014, para 7,4% - o valor mais baixo desde o terceiro trimestre de 2012 - , mas a desaceleração anunciada ontem acabou por superar muitas previsões. Aeconomia chinesa “teve um comportamento adequado” e “o seu ajustamento, transformação e melhoria estruturais continuaram a progredir”, disse o porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas da China, Sheng Laiyun, ao apresentar os principais indicadores do primeiro trimestre do ano. “Contudo, temos de ter presente que o ambiente externo permanece complicado e volátil, e que a economia nacional ainda enfrenta pressões descendentes”, acrescentou o porta-voz. O crescimento do Produto Interno Bruto chinês entre Janeiro e Março de 2014 representa um abrandamento de 0,3 pontos percentuais em relação a igual período de 2013 e também face ao último trimestre do ano passado.

ECONOMIA CRESCIMENTO ABRANDOU PARA 7,4%, MAS SUPERA PREVISÕES

A subida que se faz a descer ( A economia chinesa) “teve um comportamento adequado” e “o seu ajustamento, transformação e melhoria estruturais continuaram a progredir.” SHENG LAIYUN Porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas da China

Economistas citados na terça-feira na imprensa oficial previam um crescimento de 7,2% ou 7,3% no primeiro trimestre de 2014, ligeiramente abaixo da meta de “cerca de 7,5%” preconizada pelo governo para o conjunto do ano. O crescimento económico anunciado ontem foi o

Tibetano imola-se em protesto contra política chinesa

Um tibetano morreu depois de se imolar terça-feira na China como forma de protesto à “política chinesa”, revelou a imprensa internacional e grupos de Direitos Humanos. Thinleu Namgyalo, de 32 anos, morreu pouco depois de se ter autoimolado no distrito de Kardze, na província de Sichuan, de acordo com os representantes oficiais do grupo “Free Tibet” e Radio Free Asia (RFA). Namgyalo, o filho mais novo de uma família de agricultores, imolou-se “em protesto contra a política chinesa”, sublinhou o grupo RFA citando um morador local. Segundo as contas do grupo “Free Tibet”, pelo menos 125 tibetanos imolaram-se em território chinês desde 2009.

mais baixo desde o terceiro trimestre de 2012. “Mesmo assim, foi muito melhor do que o crescimento de 6,6% registado no primeiro trimestre de 2009, quando a crise financeira global causou estragos”, assinalou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

A China é a segunda economia mundial, a seguir aos Estados Unidos da América, e o seu crescimento tem sido um dos principais motores da recuperação global. De acordo com outros indicadores do primeiro trimestre de 2014 divulgados ontem, a produção industrial chinesa aumentou 8,7% e o investimento em bens fixos, entre os quais infra-estruturas, cresceu 17,4% - menos um e dois pontos percentuais, respectivamente, do que a média de 2013. As vendas a retalho, um dos principais indicadores do consumo interno, aumentaram 12%, menos 1,1 pontos do que a subida registada no ano passado (13,1%). Descontada a inflação (2,3%), o rendimento disponível per capita nas zonas urbanas, onde vive a maioria da população, subiu 7,2%, para cerca de 9.500 patacas, e nas zonas rurais 10,1%, para cerca de 3.800 patacas. Segundo outro indicador, divulgado há uma semana, no primeiro trimestre deste ano, o comércio

externo da China caiu 1,6% em relação a igual período de 2013, para cerca de 76 mil milhões de patacas - 9,1 pontos percentuais abaixo do crescimento de 7,5% fixado pelo governo. As exportações, consideradas outrora o grande motor do crescimento económico da China, diminuíram 3,4%, reduzindo o

“A China está de novo numa encruzilhada. Embora os índices de crescimento continuem impressionantes, isso esconde alguns graves problemas que precisam de ser ultrapassados” CHRISTINE LAGARDE

excedente comercial do país para cerca 130 mil milhões de patacas. Há duas semanas, o governo chinês anunciou um pacote de estímulos, designados por “medidas pró-crescimento”, nomeadamente para construção de caminhos-de-ferro e redução de impostos às pequenas empresas. O Banco Mundial, entretanto, reviu em baixa a previsão sobre o crescimento económico da China em 2014, de 7,7% para 7,6%. Pelas contas do Fundo Monetário Internacional, a China assegurou mais de um terço do crescimento global nos últimos cinco anos e quase 50% do crescimento das economias emergentes e em vias de desenvolvimento. Durante a sua ultima visita a Pequim, em Março passado, a directora do FMI, Christine Lagarde, elogiou o “papel estabilizador” da China na economia global, mas exortou o país a promover um crescimento “mais inclusivo, mas amigo do ambiente e mais sustentável”. “A China está de novo numa encruzilhada. Embora os índices de crescimento continuem impressionantes, isso esconde alguns graves problemas que precisam de ser ultrapassados”, disse Lagarde.


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JORNAL OFICIAL PRESTA RARA HOMENAGEM A ANTIGO LÍDER REFORMISTA

Um homem do povo Para assinalar o 25.º aniversário da morte de Hu Yaobang o Diário do Povo presta tributo àquele que foi um dos obreiros mais ignorados da política de Reforma e Abertura

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M jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) prestou ontem uma rara homenagem pública ao antigo líder reformista Hu Yaobang, mas omitindo a influência da sua súbita morte no movimento pró-democracia que abalou a China há 25 anos. “Ao longo de uma carreira revolucionária de seis décadas, Hu (Yaobang) serviu como o líder do Partido numa fase crítica da política de Reforma e Abertura. Ele deu um histórico contributo para a edificação de uma via socialista com características chinesas”, diz o Global Times, jornal em inglês do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC. Num editorial sobre o 25.º aniversário da morte de Hu Yaobang (1915-1989), registado na passada terça-feira, o jornal refere que “por razões conhecidas de todos, Hu raramente é mencionado na imprensa chinesa”. Afastado do cargo de secretário-geral do PCC no início de 1977 pela facção mais conservadora do partido, que o acusava de “falta de firmeza face ao liberalismo burguês”, Hu Yaobang faleceu no dia 15 de Abril de 1989, na sequência de uma sincope cardíaca. Tinha 74 anos. Assim que a morte de Hu foi conhecida, estudantes da universidade de Pequim afixaram cartazes afirmando “morreu o homem errado” e a pedir a sua reabilitação, iniciando um movimento de protesto que culminaria com a ocupação da Praça Tiananmen, no centro de Pequim, e a sangrenta intervenção do Exército, em Junho de 1989. O Global Times não evoca aqueles episódios, mas afirma que “os que se opõem a liderança do Partido e apregoam que a China deve copiar o modelo político

ocidental deveriam antes afastar-se do nome de Hu”. O antigo líder é apresentado como “um homem do povo” que “odiava a

corrupção”, descrevendo um estilo idêntico ao que a imprensa oficial associa ao novo actual secretário-geral do PCC, Xi Jinping.

Dívida norte-americana detida pela China diminuiu em Fevereiro

A carteira chinesa de títulos do Tesouro norte-americano diminuiu cerca de 20 mil milhões de patacas em Fevereiro passado, para cerca de 9.2 biliões de patacas. A China continua a ser, contudo, o maior credor estrangeiro dos EUA, seguida do Japão com cerca de 8.7 biliões de patacas, indicam dados da administração norte-americana citados ontem pela imprensa oficial chinesa. O montante da dívida norte-americana detido por estrangeiros subiu em Fevereiro passado, pelo sétimo mês consecutivo, para cerca de 42 biliões de patacas.

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EVENTOS

O pianista italiano Stefano Bollani vai actuar já na próxima sexta-feira na sala de espectáculos do Venetian, na 14ª edição do Festival de Jazz de Macau. Nascido em Milão, há 41 anos, faz música há quase 30. Sonhou desde sempre ser cantor de música pop – como Billy Joel – mas acabou por enveredar pelo jazz LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Como começou a sua paixão pela música e pelo jazz? Comecei a tocar piano quando tinha seis anos, porque queria ser cantor... cantor de pop. O piano foi uma casual coincidência, porque era o instrumento ideal para cantar e ter um acompanhamento. Comecei por estudar música clássica erudita, mas depois encontrei o jazz quando tinha 11 anos, com um disco de Oscar Peterson, que tocava muito velozmente. Eu pensei que eram dois pianistas. Comecei a estudar improvisação de piano, com um maestro, em Firenze, onde vivia. Nessa altura, enamorei-me com a ideia do improviso e comecei a tocar ao vivo quando tinha 15 anos. Agora, tenho 41 .... Já passou muito tempo. Renato Carosone é um dos artistas que mais o inspiraram. Que mais artistas influenciam a sua música? Renato Carosone era o principal quando eu era miúdo, porque cantava e tocava piano e era tradicional, mas também tocava com ritmos de jazz... E era muito divertido. Mas também tenho muitos outros, começando por cantores como Frank Sinatra, João Gilberto ou Caetano Veloso – porque adoro a forma como cantam uma música – passando por Frank Zappa, que é um bom exemplo de ironia extrema. Mas, antes de mais, diria

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VALENTINA CENNI

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Miles Davis, porque mudou o mundo da música e conseguir criar movimento no ambiente à sua volta, pois tal como disse, não gosto de ficar aborrecido com as minhas próprias músicas. Considera, então, que as suas influências são principalmente italianas e norte-americanas? - Bem, não diria. Ao falarmos de música clássica, gosto muito de vários compositores franceses, outros russos, como Stravinsky. São alguns dos meus compositores preferidos, porque adoro a forma como harmonizam as melodias. Acha que para fazer jazz, é necessário ter um conhecimento clássico profundo do mundo da música? - Não, definitivamente. Diria que muitos dos artistas de quem gosto não têm uma formação tão grande como pensamos. Por exemplo, toquei várias vezes com Nicuarágua, um trompetista de Itália, e ele foi um autodidacta. Hoje em dia tem 70 e tal anos e nunca teve uma única aula de trompete. É fantástico, é um poeta, por isso acho que não é essencial. Quanto a mim, estou feliz por me lembrar daquilo que aprendi enquanto estudei música clássica. Aliás, acho que se se tiver um mau professor, o resultado será ainda pior do que aprender sozinho. Ensina-se a tocar uma boa pauta de Beethoven, mas

ENTREVISTA STEFANO BOLLANI FALA DA SUA PAIXÃO PELO JAZZ E DO QUE É SER L

“Não acredito que a música e também ensinam a não sermos “out of the box”, a ser tímido ao piano... O professor acaba por ser o compositor e o aluno acaba por ser apenas uma personagem que dá alguma coisa ao compositor, nunca sendo

“Para mim, só existe boa música e má música. Ainda assim, até esta divisão acaba por ser excessiva”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A MÃO DO DIABO • José Rodrigues dos Santos

A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo de liceu perseguido por desconhecidos. O fugitivo escondeu um DVD escaldante que compromete os responsáveis pela crise, mas para o encontrar Tomás terá de decifrar um criptograma enigmático. Numa aventura vertiginosa que nos transporta ao coração mais tenebroso da alta política e finança, José Rodrigues dos Santos volta a impor-se como o grande mestre do mistério. Além de ser um romance de cortar o fôlego, A Mão do Diabo divulga informação verdadeira e revela-se um precioso guia para entender a crise, conhecer os seus autores e compreender o que nos reserva o futuro.

demasiado criativo para não haver muita distância entre o seu trabalho e o do professor. Em relação à sua própria música. É sempre improvisada ou costuma seguir pautas? Nem sempre. Gosto muito de ter a hipótese de ser totalmente livre. No entanto, às vezes toco com pauta. Acabei, por exemplo, de gravar um Piano Concierto nota por nota, o que o compositor escreveu. Noutro caso, com [George] Gershwin, improvisei um bocado. Acho que depende daquilo que a música exige de cada um.

Na verdade, é exactamente isso que é o jazz, improviso. Sim, ou pelo menos devia ser assim. É isso que me agrada quando faço música, mas não é necessário fazer uma boa música. Muitos dos artistas de quem gosto não improvisam uma única nota. No entanto, iria ser aborrecido para mim seguir constantemente uma pauta e não improvisar. Prefere tocar a solo ou com outros artistas? Depende. Vou ter um concerto em que vou tocar com uma orquestra e vou ter que ter uma postura mais séria, mais formal. Também vou actuar com um

trio e com um duo, para além de também ter um programa de rádio agendado. Sinceramente, não sei o que prefiro, porque a verdade é que gosto de fazer várias coisas diferentes. Costuma cantar e escrever as suas próprias músicas? Sim, claro! Até porque ainda há uma pequena parte de mim que ainda quer ser músico pop e cantar ao estilo de Billy Joel ou dos Beatles. Se pudesse escolher um artista com quem actuar, quem seria? Louis Armstrong. Já morreu, mas continua a ser realmente

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OS CIGANOS • Sophia de Mello Breyner Andresen, Pedro Sousa Tavares, Danuta Wojciechowska

Os Ciganos é um conto inédito de Sophia de Mello Breyner Andresen localizado no seu espólio na primavera de 2009. Este conto encontrava-se inacabado, tendo Pedro Sousa Tavares, jornalista e neto da escritora, assumido a responsabilidade de continuar uma história sobre o irresistível apelo da liberdade, sobre a atração pelo que está fora dos muros e pela descoberta do outro e suas diferenças.


eventos 11

negro. Sou mais velho, sou diferente de alguém mais novo e diferente de alguém ainda mais velho que eu... O que acontece com o jazz é que esse fosso está a notar-se cada vez menos. Quando toco com artistas “diferentes” de mim, sejam eles mulheres, negros ou de outras nacionalidade, sinto que não há diferenças. A música é uma coisa muito boa, no sentido em que minimiza este fosso. Essa é a razão pela qual penso que, de hoje em diante, talvez possamos vir a ter muito boa música. Acho que não tivemos música óptima nos últimos 20 anos, exactamente incluindo o período em que comecei a actuar.

LIVRE

evolua” fantástico. Gostava de partilhar um palco com ele, mais do que fazer música. Ele era tão profundamente feliz com o que fazia, que tenho a certeza que seria um prazer partilhar um palco com ele. Se pudesse escolher um sítio para actuar, qual seria? Diria que talvez num sítio onde nunca estive. Índia, por exemplo. Escolho a índia porque nunca lá estive e acho que deve ser interessante. Em relação ao panorama actual da música. Considera que está a evoluir? Não lhe chamaria evolução porque, na verdade, não acredito que a música evolua. Em vez disso, acho que a música está a passar por um bom período. Temos vindo a assistir, desde há já vários anos, a várias dificuldades em haver mentes abertas, tanto na música como na vida em geral. Tudo parece difícil porque somos todos tão diferentes. Por exemplo, eu sou um músico de jazz e por isso sou diferente de um músico clássico. Sou um homem, sou diferente de uma mulher. Sou caucasiano e, por isso, diferente de um

Porque é que acha que isso aconteceu [não se fazer boa música]? Acho que teve, em grande parte, que ver com o tal fosso de diferenças. Imagine-se que eu toco determinado tipo de sonoridade, mas também gosto de música clássica, ou que sou um cantor pop, mas estou farto do que canto e gostava de experimentar um pouco de jazz, mas não me é “permitido”... Tudo isto está sempre relacionado com o facto de se recear alguma coisa. Espero que, com o tempo, as pessoas tenham cada vez menos receio. Considera, então, que um artista não é obrigado a cingir-se a um só estilo ou género musical? Sem dúvida. Acho que não devia haver uma distinção tão marcada. Para mim, só existe boa música e má música.Ainda assim, até esta divisão acaba por ser excessiva. No meu caso, por exemplo, eu gosto de muitos tipos de música diferentes e há muito pouca coisa da qual não gosto, como por exemplo a música country. Não acho que seja um problema da qualidade das músicas, eu é que acho a música country aborrecida. Talvez ainda não esteja preparado. Hoje em dia – principalmente entre os jovens – existe a tendência para se dizer que se gosta de um estilo ou de outro em específico... Sim, é verdade. Contudo, isso está a alterar-se um pouco. Em Itália, por exemplo, as pessoas vão a um festival e são capazes de ver Bjork, a seguir assistir a um concerto de Radiohead e depois a um espectáculo de jazz, para depois se calhar irem para casa e irem ouvir música clássica. Actualmente, os jovens adoram afirmar-se enquanto

ERMINANDO ALIAJ

a-feira 17.4.2014

pessoas sem limites. Às vezes, [os mais novos] parecem ter a mente muito aberta, mas a sociedade vai-se esforçar por os colocar novamente dentro dos limites. Vamos vendo o que vai acontecer daqui para a frente. Que contributos é que a democratização da internet teve para a música? Durante muitos anos, tive receio que a população mais jovem não estivesse a prestar a devida atenção à música. É-lhes possível ouvir tudo aquilo que quiserem... Porque hão-de preocupar-se em ouvir a discografia completa de um artista, por exemplo? Claro que vão encontrar Miles Davis online, mas provavelmente vão fazer o download de duas ou três músicas e nunca vão ouvir todos os seus álbuns. Na verdade, espero que seja diferente daqui a uns anos. Gostou de actuar no Festival de Montreal, tendo em conta a importância e a envergadura do evento? Gostei muito, porque andamos por lá e há música por todo o lado. É o maior festival onde já estive, é extremamente bem organizado, conseguimos ver muitas pessoas... Pessoas felizes a irem aos concertos, o que é muito importante. É que, na verdade, também existem festivais musicais para pessoas sérias, demasiado sérias. São festivais onde as pessoas se comportam de uma forma demasiado séria. São intelectuais a assistirem a concertos só porque presumem que é suposto fazerem-no. Recentemente, essa tendência está a inverter-se.

PROGRAMA FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ DE MACAU

me sinta dentro dessa grande caixa onde cabem todos os outros artistas que partilham este meu desejo, o de estar fora da caixa.

É já este fim de semana que Sizhukong, (Taiwan), Stefano Bollani, (Itália), Mingus Project, (Portugal) e Fred Wesley and the New JB’s (EUA), vão actuar no Sands Theatre, no evento organizado pelo Jazz Club de Macau. A 14ª edição do Festival, que volta a ganhar vida após um longo interregno, vai contar com dois dias de concertos duplos a decorrer entre sexta-feira e sábado, com início às 20h45, no Sands Theatre. O preço dos ingressos é de 300 patacas.

É a primeira vez que vem a Macau? Sim, é a primeira vez que estou aqui e a segunda vez na Ásia, já estive em Xangai.

Considera que tem havido uma mudança de público, no que toca ao tipo de pessoas que vão a concertos de jazz? Sim, totalmente. Em Itália, o público está a ficar cada vez mais curioso, não querem estar constantemente a ouvir o mesmo género de música todos os dias. Montreal é um bom exemplo disso mesmo, porque é um festival que tem uma variedade imensa de artistas a tocarem diferentes tipos de música. Não defendo aquela ideia de que a palavra “jazz” não deveria estar junto de nomes como Prince ou Michael Jackson, porque adoro variedade. Gosto de ouvir artistas muito diferen-

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tes a tocar no mesmo evento. Lembro-me de ter visto João Gilberto no [festival de] Montreal e não toca jazz, de todo, nem improvisa. Basicamente, toca as mesmas músicas há 40 anos, começando com A Garota de Ipanema e com Acontece Que Eu Sou Baiano... Foi um concerto absolutamente fantástico, por isso porque é que nos havemos de preocupar com aquilo que é ou não é jazz? Há quem o considere um artista fora da caixa. Vê-se dessa forma? Eu adorava ser fora da caixa. Aliás, espero ser. Acho que se calhar me insiro numa outra caixa, muito maior... Talvez

Este próximo concerto, na sexta-feira, será totalmente a solo? Sim. Sobre o Festival de Jazz de Macau, quais são as suas expectativas? Na verdade, não tenho expectativas sobre o festival, tal como tento fazer com qualquer outro festival, seja ele em Paris ou em Verona. Adoro que os espectadores não tenham expectativas, porque a coisa mais incrível em relação aos improvisos de jazz é que as pessoas estão sentadas e não sabem aquilo que o artista vai fazer. É precisamente o contrário de ir ver La Traviata, por exemplo. Estou a tentar não ter expectativas e devo dizer que, normalmente, resulta.


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hoje macau quinta-feira 17.4.2014

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 122/AI/2014

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 135/AI/2014

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor YU JINGWEN (portador do Passaporte da China n.° G58148XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 38/DI-AI/2013, de 12.04.2013, levantado pela DST e por despacho da signatária de 25.03.2014, exarado no Relatório n.° 176/DI/2014, de 24.02.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Avenida do Infante D. Henrique, n.° 29, Edf. Va Iong, 9.° andar B e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Março de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora HOÀNG THI CHUNG(portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1586XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 116.1/DI-AI/2012, de 11.11.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 25.03.2014, exarado no Relatório n.° 189/DI/2014, de 03.03.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por quem angariar pessoa com vista ao seu alojamento na fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.° 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 4, 7.° andar E e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 2 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Março de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 134/AI/2014

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 163/AI/2014

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se os infractores HOÀNG THI CHUNG(portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1586XXX) e HOÀNG TRUNG HŨU (portadora do Passaporte da Vietnam n.° N1393XXX), que na sequência do Auto de Notícia n.° 116/DI-AI/2012, de 11.11.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 25.03.2014, exarado no Relatório n.° 188/DI/2014, de 03.03.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Maritimo n.° 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 4, 7.° andar E e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.----------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Março de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora Hung Yi Ling (portadora de Hong Kong Permanent Identity Card n.° P9445xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 125/DI-AI/2012, de 04.12.2012, levantado pela DST e por despacho da signatária de 25.03.2014, exarado no Relatório n.° 229/DI/2014, de 17.03.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Miramar n.° 79, Jardim San On, Bloco 4, 15.° andar T e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 25 de Março de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Ramiro Teixeira

LIBERTO CRUZ

POESIA REUNIDA 1956-2011

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E 1956, data da publicação de Momento, até 2012, que assinala o da “Poesia Reunida”, um longo caminho, existencial e literário, foi percorrido por Liberto Cruz. Nascido em 1935, Liberto Cruz licenciou-se em Filologia Românica em 1959, ingressando como professor no ensino secundário em Castelo Branco e Lisboa. Entre 1962 e 1964 esteve em Angola como militar.Três anos depois e até 1988 passou a viver em França, na condição de professor assistente das Universidades de Rennes, Nantes e Vincennes, onde introduz a cadeira de estudos de literatura africana de expressão oficial portuguesa. A partir de 1975 e até 1988, temo-lo como Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris, regressando a seguir a Lisboa para ocupar o cargo de Director da Fundação Oriente até ao ano de 2.000. No entretanto fundou em 1961 a revista “Sibila” e dirigiu, de 1964 a 1966, a colecção de saudosa memória, “Poesia e Ensaio”, da Ulisseia. Foi colaborador do “Jornal de Letras e Artes” e “Colóquio”, a par de outras publicações, subscrevendo textos de crítica literária, destacando-se nomeadamente pelos ensaios que produziu sobre José Cardoso Pires (Editorial Arcádia, 1972), e Júlio Dinis, a quem também dedicou uma biografia (Publicações Europa-América, 1974; com nova versão em 2002, publicada por Quetzal Editores), Marquês de Sade, Blaise Cendrars e Ruben A., com quem manteve profícua correspondência e amizade, motivando-lhe uma outra biografia de feição quase diarista, de parceria com Madalena Carretero Cruz (Editorial Estampa, 2012), a par de outras publicações sobre o mesmo. Como tradutor, debruçou-se sobre obras de Cendrars, Le Clézio, Marguerite Duras, Beckett, Peyrefitte, etc. Actualmente é Presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários. Falar sobre a sua poesia até ao momento anterior à publicação desta “Poesia Reunida 1956-2011”, na perspectiva do se lhe atribuir enquadramento na poesia portuguesa respeitante à última metade do Século XX, não se configurava fácil, tendo em conta não só a variedade formal e temática da sua produção, como o facto de muitos dos seus títulos se apresentarem desfasados entre o ano de edição e o da criação, para não referir os saltos temporais que sobrevivem na cronologia da sua obra, senão mesmo a circunstância de algumas dos seus títulos iniciais o terem por editor e nada acessíveis ao vulgo, além de alguns outros terem sido publicados através de editoriais pouco divulgadas ou com dificuldades na distribuição, para não recordar a outra circunstância de alguns dos seus títulos não exceder a dimensão de simples opúsculo. E se a tudo isto adicionarmos a circunstância de parte importante da sua existência ocorrer na condição de emigrado, fora dos circuitos literários nacionais e da promoção que daí poderia resultar para a apreciação da sua obra, ficamos com a razão, pelo menos aparente, para a falta de uma recensão crítica sobre a totalidade do seu labor literário, confinada até ao momento e esporadicamente a um ou outro dos seus últimos títulos. Com a presente publicação, que reúne toda a produção poética do autor, digamos que, por vez derradeira, acabaram os álibis para a falta de abordagem crítica sobre a sua poesia. Eis pois o homem enquanto poeta e a sua circunstância. Reportando-me às suas primeiras obras, Momen-

Lírico por excelência, Momento, nos muitos desdobramentos e endereços que regista, possui um poema evocativo sobre a infância que não sendo propriamente narrativo, revela porventura, na causa/efeito que relata, o nascimento do poeta pela descoberta do seu humanismo através de uma experiência traumatizante. A ver “Menino-Poeta”: Nem sequer foi um menino-prodígio Nasceu igual aos outros E como os outros bateu nos cães, Trepou aos ninhos, Roubou fruta nos quintais E partiu telhas aos vizinhos. Foi sempre igual aos outros Foi sempre como os outros.

to e A Tua Palavra (1956/1958), desde logo nos confrontamos com uma espécie de anacronismo, consubstanciado no facto da sua poesia, no aspecto formal, não se demarcar do espírito da época, ainda que, desde logo, quanto aos temas, forneça detalhes de vera singularidade e de independência em relação à matéria vigente, por demais caracterizada com a corrente neo-realista. Um e outro título recolhem poemas de questionamento, senão mesmo de angústia, afins à afirmação e conquista de ser, particularmente na relação que estabelecem entre o homem e a divindade por ele criada, o que equivale a um questionamento monológico sem esperança de resposta, a par de registos amorosos de plenitude, de mistura com outros de singular equação, como no poema “Só Porque Éramos Puros”: Só porque demos as mãos E gritamos bem alto O nome da amizade, Só porque trocámos carícias Sem o prazer dos sexos E fomos amantes Como o luar e o rio, Chamaram-nos devassos E refugiaram-se no mundo Torpe, em que não caímos. Este é um poema de realidade suspeitosa, que talvez num outro, sob o título “Concupiscência” se conclua, cobrando a significação que se oculta atrás do cântico de amizade em estado de pureza: Antes o sol rubro da ilusão/ E os beijos falsos que se compram,/ Que o teu corpo virginal/ Em que não arde o desejo. O qual, por sua vez, bem pode concluir-se neste outro, sob o título “O Amor e o Tempo”: Dantes, um sorriso teu/ Era motivo para um poema./ Agora, o Outono chegou,/ Pensar em ti é varrer da alma,/ As pardas folhas que o tempo,/ O forte tempo,/ Há muito secou. De resto, acrescente-se, outros poemas há ao redor deste tema, consolidando a presunção da vivência de um enamoramento conflituoso pelo autor.

Mas um dia Nasceu um novo dia E ele deixou de ser Um menino como os outros. Igual aos outros. Nesse dia o menino mau, O menino apenas menino, Encheu de lágrimas o pau Que matara a lagartixa. E foi a partir desse dia, Que o menino fez versos E lhe chamaram poeta. A publicação seguinte, A Tua Palavra (1958), reporta-se a dois poemas complementares, ocupando no todo uma dezena de páginas. Que palavra é esta? Por questionamento é a do poeta, mas em razão e diálogo com a de deus inominado e injustificado pela ausência da tua face, Verbo em si mesmo, condicionado ao dilema intemporal de resgatar o perene através do transitório. A palavra! Foi pela palavra que, segundo Santo Agostinho, Deus criou o mundo. E é justamente pela palavra que o poeta persiste em equacioná-lo. No essencial, o poeta exprime a inocência primordial, a angústia da ignorância, mergulhando e questionando no insondável da religiosidade humana. Leiam-se estes fragmentos: Há os que sabem santo o teu espírito E acreditam no mistério, Mas há uma busca eterna Entre montanhas e chuvas Dumas mãos antigas e certas, E declaradamente humanas, Declaradamente palpáveis e quentes. (…) Em que leito Um corpo poderá reclamar outro corpo Se o teu sangue foi esquecido E os corpos já nada sabem De teus passos serenos? Visivelmente confrontamo-nos com um poema de inquietação espiritual, não ocorrendo por acaso que, no segundo andamento do mesmo, o autor tenha escolhido para epígrafe este versículo de S. Lucas: Tende nas vossas mãos tochas acesas.1 Enigmática quanto ao seu simbolismo será esta citação, dado que remete para as mãos o poder de tanto transportar a luz como o poder de a

questionar sobre a claridade que a mesma reflecte ou não, senão mesmo o poder de lutar em nome dela. E embora nos fique de seguro o tom elegíaco deste poema, que é de diálogo entre Deus e o Homem, perdido e achado na sua angústia, em rendição absoluta: És em nós desde que sabemos a seiva/ E teu corpo não é mais uma invenção/ Para a solidão perfeita/ Nem nova aragem/ Para a vertigem da terra./ Demais sabemos,/ Demais sabemos a tua palavra vasta… ��������������������������������� A verdade é que o poeta ao formular a queixa que se segue: Aqui,/ Entre onda e pedra, vento e fogo/ Já não há lugar para a tua palavra/ Repousam feridas na boca dos homens/ A noite da tua voz/ E a ausência da tua face… - transporta-nos para a queixa da realidade do tempo então vivido: Em que leito/ Um corpo poderá reclamar outro corpo/ Se o teu sangue já foi esquecido/ E os corpos já nada sabem/ Dos teus passos serenos? Consequentemente, nestes fragmentos poéticos, podemos equacionar a seguinte questão: o poeta aceita e crê em Deus, mas pede-lhe contas sobre a sua ausência. A percepção deste conflito vem a renovar-se no título seguinte, “Névoa ou Sintaxe” (1959), onde o autor, sob o título de “Poema Maldito”, do qual transcrevemos alguns fragmentos, recria a sua perplexidade sobre a inominada guerra no Vietnam/Coreia, invectivando: Ao vento, ao vento e entre cânticos Te ergues, ó guerra, ó insensível guerra! Te ergues, te ergues E tudo destróis e tudo começas. E não sabemos onde acaba tua renovada seiva, Onde começa tua fome de séculos e séculos. E que brisas, que insondáveis ventos Te invocam e te dirigem. Que imaculada fonte te nutre Que irreclamável seara te contém. Nada sabemos de ti, ó guerra, Nada sabemos. (…) Senhor, Senhor, por que me ensinaste A perguntar? 2 Todavia, em simultâneo, insiste na mais-valia da Palavra redentora, que proclama em diversas variantes, quanto mais não seja porque a palavra implica o conceito de eternidade, como no fragmento que segue: De pés bem assentes na terra Despejou sua serrana voz Na casa de todos os homens, No coração de todos os pobres, Nos ouvidos de todos os ricos. Seus barcos de trigo, Seus jardins de silêncio, Seus frutos de séculos, Seus dedos de candura, Diariamente depôs No eterno perdão dos crimes, Na constante incoerência dos homens. Visível, perfeita, a dádiva (Continua na página seguinte)


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De seu imenso alforje de linho, De seus constantes olhos serenos, De suas confiantes palavras de salvação, De sua lúcida tarefa, De sua virginal presença. Ficou na alma dos poetas O bordão certo do pastor, Para que de novo Cantando venha pela cidade O sadio perfume da terra, O atento brotar das fontes. Livro de poemas repartidos entre a inquietação e a angústia de ser, quer no plano existencial, quer no plano religioso que o complementa, “Névoa ou Sintaxe” é, na sua singularidade, uma espécie de ferida ontológica que reclama a intervenção de Deus pelo amor que lhe dedica. Em tal contexto, estes poemas sugerem, por um lado, o tom amatório das composições poéticas de Salomão e, por outro, o tom elegíaco dos “Salmos” de David, tal como decorre do sentido deste outro fragmento poético: Certa, a aragem recortará o mar E descalços, nossos pés respirarão A infalível, a oculta areia. Sem velas, um barco há-de surgir Para quando nossa língua, nossos ouvidos, Ignorarem o ressaibo das palavras E souberem, cegos, adivinhar teu pão, Teu santo, teu tão santo pão. E toda a noite o livro Humanamente aberto, há-de esperar As verdes raízes, as raízes verdes das crianças. Que o salmo, o indelével salmo Penetre em nossos pretensos ossos E nos dê o som exacto, o uno tutano. Sem medo, de pé, nossos dedos Tocarão os astros, em hábito grave De quem conduz rebanhos, De quem entoa cânticos, E tu serás em nós, Senhor, Até à origem das águas, Até à calma dos antílopes. Esta fidelidade ao tom elegíaco e ao tema de inquirição constante mantém-se ainda em “Itinerário” (1962), publicado na invulgar colecção “Pedras Brancas”, onde um raro escol de poetas regista praticamente o seu percurso inicial: desde logo António Ramos Rosa, E.M. de Melo e Castro, Maria Teresa Horta, Gastão Cruz, Maria Alberta Menéres, Hélder

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Macedo, António Aragão e Liberto Cruz, independentemente dos percursos poéticos de cada um. Composto por três poemas, dificilmente neles localizamos a veemência da temática anterior, a persistência e a angústia sobre a fé. Aparentemente dir-se-ia que o poeta exorcizou de vez a sua relação com o divino, dado que a sua expressão nos dois primeiros poemas é a da conquista da liberdade a que anda associada o protesto. Na realidade, porém, trata-se de um novo recomeço, embora sob matriz diferente, pois que o poeta persiste na navegação encetada que foi e é a da unidade de ser. E assim: De novo o vento nos diz Que estamos sós. Voluntariamente sós vamos sabendo Quanto vale uma espiga de trigo, Quanto pesa uma ânfora de vinho. Porque tudo é nosso Nada nos pertence. É preciso que as lágrimas sulquem as faces E que, muitas vezes, deslumbrados Os olhos conheçam As flores e o gelo. Todavia, Na paz de um violino Ou na fúria de uma espada Talvez um homem ou uma mulher Nos esperem E aguardem as nossas palavras. Quem sabe se não poderemos Restituir a alegria (…) Neste fragmento do poema de abertura, onde tento dar a conhecer a coerência do enunciado, sobressaem os versos que depois se transformam em refrão: Porque tudo é nosso/ Nada nos pertence. Não pelo acerto simbólico da linguagem que os fundamenta, mas pelo carácter percutor que o poeta lhes dá, imagem obsessiva sobre a condição humana. A ver este outro fragmento: Somos um rio de palavras Que não nos bastam Porque exagerada é a água Em que navegamos, E incerto e vário É todo o barro Em que vivemos. E porque tudo é nosso Nada nos pertence. Repare-se: nestes versos deixou de existir o monólogo/diálogo com o divino, por troca da consciência humana sobre a sua própria precariedade (De novo o vento nos diz/ Que estamos sós), e onde o caminho da salvação nos remete justamente para o conhecimento do ser, para a outra palavra de raiz humana, com a qual (Quem sabe se não poderemos/ Restituir a alegria). Há aqui uma mudança significativa em relação à temática anterior. E não só. O poeta surge aqui, semântica e humanamente mais amadurecido, talvez porque, tal como o Deus perseguido, criou o seu universo: uma família. E ainda como Deus criou um ser à sua imagem: uma filha. E ainda como Deus tem o poder da palavra com que ministra o ensino. Ele intuiu finalmente que o universo é coisa sua e, como tal, sob a sua responsabilidade. A Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Assim concluiu o seu itinerário, não sem antes, todavia, no poema final, associar, amorosamente agradecido, a sua companheira de então. O título seguinte, “Distância” (1976), é claramente um texto de ruptura, relativamente às coordenadas anteriores, ofuscado tanto por uma nascente sexualidade, quanto pela condição de exilado do autor. E, mais do que isso, pela construção poemática cingida ao fundamental, também ela em processo revolucionário. O lirismo elegíaco antecedente é agora substituído pelo fundamento da escrita, pela verbalização em si e obliquamente pela paixão, em mal oculto erotismo: Colcha de seda, a boca, As pernas, a fome Nave de membros.

Halo de praias Búzio de cabelos Escorrendo brisas No ventre redondo. Vela Se sopra e suga A vermelha pétala. Navegação: Ágil espanto A fatigada noite dos músculos Inesgotável mar, O sémen. Mas não só. Paredes meias com a vertente sensual, subsiste a (re)elaboração de um pensamento afecto à pátria distante, que não sendo propriamente ainda de carácter ideológico, é antes a expressão do sentimento da cidadania sufocada, estrangulada, como ocorre neste poema iniciado em Rennes em Dezembro de 1967 e terminado em Abril de 1974: Sôfrega a memória Brilha. Fogo lento A palavra Crepita. O país define-se Prática ilícita de Um critério. Imagem Empírica. Objecto solto, Afectuosa escrita, Coincidente apelo, A voz elimina O discurso. Digo país Escrevo exílio. “Ciclo” (1982), que mais não é do que uma plaqueta com dez curtos poemas, renova as características inovadoras da linguagem referidas no título anterior. De estrutura frásica ainda mais reduzida, com versos de apenas uma ou duas unidades vocabulares, dá-nos a sensação, por vezes, de ser proveniente mais de automatismo do que de inspiração. A austeridade e contenção vocabular destes poemas, ao arrepio do que até então fora a expressão do poeta, vêm a eclodir, de forma dramática em “Jornal de Campanha”, a obra seguinte, escrito entre 1962 e 1965 mas somente publicado em 1986. De “Fragmentos” os apelida o autor. A contenção e avareza do texto são tais que se afigura legítimo questioná-lo sobre a sua condição poética. A ler: Vi hoje um homem torturado./ Tinha os olhos delicadamente enxutos; “Situação normal” disse o Alferes./ Reparei que um soldado tinha um cinto de orelhas; Antes da “Grande Ofensiva” o capelão benzeu armas e homens./ Achei aquilo pouco católico; Um soldado: “O meu irmão matou um vizinho/ Por uma questão de águas. Nós estamos aqui/ A matar-nos por uma questão de terras; Um tenente do Quadro, após uma emboscada:/ Perdemos uma G3 e dois homens. Como justificar/ A falta da arma?; Um Comandante, muito sério, ao despedir-se de mim:/ “Estás cheio de sorte. Se fores mobilizado outra vez/ Vens como Capitão; Uma novidade: a partir de agora alguns pais vão passar/ A receber no dia 10 de Junho, no Terreiro do Passo, uma Medalha em troca dos filhos; Com um serrote de cozinha, o médico cortou, há pouco,/ Um braço a um soldado./ A mão armada também salva; Chegamos tarde. Era Natal. Havia um homem despedaçado/ Por uma granada. Comemos rindo em larva mente. Esta espécie de diário de guerra, cujo surrealismo que transporta mais não é do que a expressão do absurdo que o conflito transporta, é, no fundo, uma outra chuva de estilhaços e de fragmentos de morteiro, bomba ou granada, explosão de realidades até então nunca antes denunciadas. Poemas? Epigramas? Reportagem fotográfica pela palavra? A questão mais importante não era nem é esta. De resto, a edição, não concitou as atenções de ninguém, talvez por não ser política

e literariamente correcta, ficando a pairar sobre ela a astúcia do silêncio, modo subtil de responder a este modo de falar pouco, sem outros artifícios que não os de dar a conhecer em intensa brevidade as monstruosidades perpetradas. Qual Remarque, que nos deu um livro inesquecível, “Nada de Novo na Frente Ocidental,” bem pode Liberto Cruz equacionar, nestes textos, a interrogação: - Onde estão os escritores do meu País,/ ó António Nobre, que nada escrevem sobre esta guerra? Fim de citação, mas não da inquirição do poeta que, em “Caderno de Encargos” (1994, escrito entre 1984 e 1990), a sua obra seguinte, procede a uma espécie de revisão geral do seu existir: Dia após dia sinto Diverso o tempo correndo Como se a vida fosse Um infindável desejo Muito perto da ruptura Muito longe do manejo Que vamos tendo das gentes E coisas que nos rodeiam. Entre o que fui e sou Várias vidas encontro Todas alheias e certas No caminho que procuro. E sem rodeios retomo Minha cadente viagem. Refere Fernando J.B. Martinho, no curto prefácio a esta obra, não ser objectivo do poeta apresentar-se sob a perspectiva de exercício retrospectivo, de recuperação do “tempo perdido”, mas sim reter a lição do que lhe foi dado a viver e conhecer. Todavia esta lição do que lhe foi dado a viver e conhecer, passa obrigatoriamente pela reflexão não só sobre a condição mortal do homem, como da coexistência do homem com o homem e com a de Deus de permeio, numa inesperada trilogia de ser: O homem deus o diabo/ eis a única trindade/ Que nos une e desfaz… Ou, ainda, dito de outra maneira: Cada um tem a sua guerra Que não pode transferir. Cada um tem sua ilha Que não quer abandonar. Cada um é como é E sem destino marcado Mas a vida carregada Só por si é dirigida. O mundo de cada um -água, fogo ou mar – Mais o fado soletrado Só no tempo se revela. E não há rei nem há roque Nem Deus que possa valer O homem e a sua circunstância? Decerto que sim, quanto mais não seja porque o homem é mortal, vive para morrer. Mas, entretanto, vive para viver na imponderabilidade de existir, para denunciar o seu mistério, a par de outras inquietações, angústias, perplexidades e limitações: Quem da Pátria desanda A Pátria continua Porque a língua costumes E o modo de na vida Estar consigo arrasta. Nos ombros mapas carrega De projectos. Novas terras E novas gentes: a tudo Se adapta e afeiçoa. Quem da Pátria desanda Parte só para vencer. E se acaso não volta Todavia sempre longe Sua Pátria prolonga. Para quem como Liberto Cruz assim singrou, até aos dias de hoje, decerto que A folha em branco: (é) um campo minado. E a memória também:


artes, letras e ideias 15

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Em catorze versos num Soneto fugido à guerra Lembro agora um a um Os que deitados na terra Angolana lá ficaram Heróis ou parvos ou santos. Mui depressa e sem prantos A todos amortalharam Porque a vida continua. A morte é só uma baixa, Um a menos no contingente, E tranquila e doce vem Do “puto”, o toque de caixa, Muita sempre muita gente. Que mais dizer que não esteja já dito? Que intuir que já não esteja intuído? Ao menos: que expressar que não esteja já expresso? Releia-se: Cada um tem a sua guerra/ Que não pode transferir./ Cada um tem sua ilha/ Que não quer abandonar. Neste título o poeta responde, melhor, continua a questionar o ser e o viver com a mesma intensidade de em “Jornal de Campanha”, enquanto percurso vivido, tal como ocorrerá na obra que se segue: “Sequências”. Sobrevivem, porém, diferenças notórias entre estes três títulos: enquanto o primeiro é recheado de automatismos fotográficos, falsamente irónicos e espúrios de sentimentos, tipo tiro e queda, como modo de sobreviver ao quotidiano da guerra e da morte inesperada; no segundo estabelece o reencontro com o mundo em sereno despojamento de afirmação, de aceitação ou entendimento da vida conformado, ainda que de reivindicativa existência sob a consciência de revalorização contínua; enquanto no terceiro, sem recuar nos valores e sentimentos anteriormente invocados, opera não digo uma revolução vocabular, que essa condição possui já antecedentes, quer em “Jornal de Campanha”, quer em “Gramática Histórica”, como veremos a seguir, mas que se distingue em relação às demais pelo apuro e rigor dos versos, enquanto modelos de contenção. Na contabilidade bibliográfica do autor, “Sequências” (2000), assinala o quadragésimo quinto ano da sua estreia poética. É vida! Mas não assinalada nem recordada pela crítica. Camões o disse: “Erros meus, má fortuna, amor ardente. Em minha perdição se conjuraram…” Aferir o grau de contenção vocabular que este novo título exprime, sugere-me afinidades com a poesia oriental, porventura, com Bashô – o que não deixa de ser curioso, dado que os primeiros livros do autor não indiciam o percurso para tal concreção, antes, mesmo, se apresentam sob a forma de poemas longos, de alguma maneira condicionados à expressão do canto lírico e elegíaco. É certo, todavia, que a forma não altera o conteúdo: isto é, o poeta continua vinculado às suas primaciais origens. A ver: Transparentes/ ou turvas/ as águas vão./ Que sonhos suscitam?/ Que sustos sustentam?; Nem rosas nem agapantos:/ os melros preferem as cerejas; Um espantalho./ Um melro/ pousa-lhe no ombro.// O homem de palha/ parece sorrir; A cotovia não ouço./ A serra não subo./ O rio esqueço.// Pouco a pouco/ o corpo é pouco; Se queres viver/ outra vida / escreve; A criação do mundo…/Um ramo solta-se/ e o mistério termina. Falar hoje de concisão, de contenção poética é, seguramente, lugar-comum. E sendo-o, a aplicação de tais termos, justamente pela vulgarização que ocorre, estabelece o risco de nada distinguir ou diferenciar. “Sequências” não se confunde com o “experimental” nem com o artesanato de bijuteria. Antes se revela como a expressão de uma sinceridade interiormente assumida, eficaz na sua concreção, exaltante ou denunciadora, mas sempre amadurecida. No torvelinho de quem se sabe dependente, sem lamento nem espectáculo, é de forma consciente que Liberto Cruz segue o caminho dos antigos na busca do que eles buscaram. Ou seja; uma moral fundamentada, um refúgio (uma paz?), uma crença e uma esperança. O mais é sempre a memória e os caminhos possíveis de a exprimir. E

sempre, a memória, será uma ferida em processo lento de cauterização e de apreensão. Uma palavra última para as colagens de Maria Gabriel, que reflectem, plasticamente, a leveza e a profundidade afins à dimensão oriental destes poemas, razão pela qual, a seu modo, desfrutam da mesma poética do texto. Com o seu quê de girândola final, eis que o autor nos surpreende duplamente com a publicação de “Gramática Histórica” (2007), escrita entre 1962/6, período a que corresponde o nascimento da poesia concreta em Portugal, pela publicação de “Ideogramas” de E.M. de Melo e Castro. Digo, duplamente, tendo em conta não só a matéria poética de que é composta, mas igualmente por a edição original, raríssima, datar de 1971! Segundo o autor e editor: Quando, quase a medo, apareceu no Funchal, em 1971, a primeira edição da “Gramática Histórica”, nem o seu autor nem os conselhos de leitura de diversas editoras de Lisboa que a tinham recusado de forma ostensiva, poderiam prever que ela viria a esgotar-se, numa semana, numa livraria da capital. Assim, quando a crítica do serviço oficial se insurgiu obrigatoriamente contra esta dissertação, considerando-a um atentado poético e manifestando com arrogância a sua repulsa por tão inconveniente e libertário texto, já atentos e desobedientes leitores tinham tomado posse dos volumes postos em circulação. Por incúria da classe crítica arregimentada e das pessoas e dos organismos a soldo de “A Bem da Nação”, que tinham como encargo denunciar às diversas polícias do País as leituras perniciosas dos cidadãos, a “Gramática Histórica” vendeu-se como se estivesse legalmente autorizada para consumo. Ironia dos deuses, a que os bufos não escapam, como diria possivelmente Álvaro de Campos. A primeira edição desta “Gramática Histórica” foi elaborada por Liberto Cruz/ Álvaro Neto. Notas irónicas à margem, não terá sido por mero acaso que a edição original deste título tenha por local de publicação o Funchal, que já nessa altura era uma espécie não digo de paraíso fiscal, mas de paraíso literário, a fazer fé na publicação desta e de outras obras na região, as quais logravam escapar, em tempo útil, à fúria dos censores. Pois, como ficou dito, foram várias as tentativas de publicação em Lisboa, sem apelo nem agravo recusadas, quer pela poética de subversão geral com que o título se apresentava, quer pela corrente em que se integrava, incipiente ainda em Portugal. O peso destas circunstâncias, que é como quem diz, por razões de tempo e de espaço, segundo a definição eufemística de Liberto Cruz, que alarga a alegoria tanto ao campo editorial quanto ao político, motivou, inclusive, o corte de alguns textos mais incisivos para o contexto de então, não tanto em razão da forma, mas pela crítica política de que se revestiam. De forma falaciosa, esta segunda edição de “Gramática Histórica”, trinta e seis anos decorridos, revista e aumentada, copia a metodologia afim a um tal propósito, abrindo capítulos para a Fonética, Morfologia, Sintaxe, Semântica, etc. Digo, falaciosa, porque, na verdade, o que está em causa não são os princípios reformadores de qualquer gramática, mas, antes, a desconstrução de uma outra gramática, tida como normativa da época, que era tanto a do Estado Novo, quanto a do modo académico de entender a literatura. Nesta perspectiva, não era só o escândalo da feitura de alguns poemas concretistas, como “Homenagem a Winfredo Bonifácio” (poeta anglo-saxão do século VII, porventura, o mais recuado poeta experimentalista do Ocidente): HOMENAGEM MEGANEMOH Omenagem W meganemO Menagem i meganeM Enagem n meganE Nagem f megaN Agem r megaA Gem e meG Em d mE M bonifácioicáfinob M Em d mE Gem e meG Agem r megA Nagem f megaN Enagem n meganE Menagem i meganeM Omenagem w meganemO HOMENAGEM MEGANEMOH

ção. Nesta perspectiva, “Gramática Histórica”, na denúncia que faz sobre a moral convicta do Estado Novo, completa “Jornal de Campanha”, na denúncia que produz sobre a moral da guerra. A palavra que utilizo, moral, não é uma palavra vã no contexto que lhe atribuo, na medida em que a opressão, a ditadura, recriou uma moral para a justificação dos seus actos, estabelecendo uma nova idiossincrasia dada então como genética à natureza do ser português. Atento ao pormenor, Liberto Cruz ousa recriar/plagiar um modelo das muitas e famosas tiradas do então Presidente da República, catilinária modelar, sob a aparência de bonomia: É um grande prazer estar entre esta gente calma, paciente, ordeira, resignada, crente, esta gente bem portuguesa; A região é pobre/ O país não precisa de partidos./ O nosso povo é frugal. Mas não menos o recurso a um escritor brasileiro para prefaciar a obra, que só poderia ser Haroldo de Campos (ou Augusto de Campos, seu irmão), então praticamente desconhecido em Portugal, e igualmente o desplante criativo que permitia ao autor, através das suas composições idiocráticas, desenvolver singular e acerada crítica política, recriando o gozo do escárnio e maldizer dos tempos medievais. A ver “Acentuação Grave”: governo permanente povo doente coragem ausente ditadura vigente castração evidente nação indolente Ou ainda, sob outra forma, caricaturar o tipo dos requerimentos oficiais então em uso, tal como segue: REQUERIMENTO PARA EXAME DE ADMISSÃO À MORTE Excelentíssimos Senhores Álvaro Neto, natural de Lisboa, freguesia de S. Sebastião da Pedreira, morador em terras incertas, filho de pais incógnitos, apto para todas as profissões, livre de 40 anos de idade e devidamente habilitado para morrer, como prova com a vida que tem levado, desejando, para efeitos de concurso, que essas habilitações sejam equiparadas ao exame de admissão à morte, requer a Vossas Excelências se dignem mandar passar essa equivalência. Mui respeitosamente pede deferimento. Lisboa, 10 de Junho de 1968 Álvaro Neto (Assinatura reconhecida pelo notário sobre selo de 1000 escudos) Em meu entender, este título não tem relação objectiva com a restante obra do autor. Na realidade, trata-se de uma incursão poética que é mais de aventura ao redor do nascente experimentalismo/concretismo português, do que propriamente um percurso consistente, levado às últimas consequências e até ao seu esgotamento, como, por exemplo, o de E.M. de Melo e Castro. Reedição pois importante, não só pela questão de se apresentar com o verdadeiro nome do autor, o seu a seu dono, mas essencialmente por dar a conhecer uma das facetas menos conhecida da sua obra, aventura deveras singular, aparentemente inimaginável no contexto geral da mesma, mas que o coloca como um dos iniciáticos percursores da poesia experimental em Portugal. Todavia, não é esta, em definitivo, a matriz da sua mais vera expressão poética, cujo interesse e mais-valia tem de ser prosseguido noutros títulos. Ao contrário, porém, do que desta opinião pode resultar, “Gramática Histórica” está longe de poder ser considerada como uma obra menor. Por mim, tenho-a na conta das coisas melhores que o autor produziu, muito para além dos aspectos formais/decorativos com que se apresenta, que são os da reciclagem de formas, através de figurações tipográficas. Antes de mais, porque é neste título que o poeta objectivamente abandona a escrita elíptica, o autocontrolo sobre a escrita, enfim, a limitação imposta pela censura a toda uma gera-

É preciso ler esta obra para aferir a sua verdadeira dimensão, que está para além do género parodista com que empiricamente pode ser ajuizada. E desmente a conclusão de Alexandra, a filha do poeta que, aos 5 anos de idade, no dizer do pai, exprimiu assim o seu pensamento sobre a versificação: Escrever versos não custa nada: é só juntar as letras. Resta acrescentar que o volume inclui “Três Poemas”, inéditos, o primeiro dos quais sob o título “Construir”, que o autor apresenta subordinado à epígrafe da última palavra proferida por Blaise Cendrars (1887-1961), poeta que Liberto Cruz traduziu e com o qual estabeleceu profundas afinidades, até ao ponto de ser galardoado, entre 415 participantes, com o “Prix National Blaise Cendrars, no ano de 2008, com o poema “Partir”. “Construir”, não é uma palavra vã na criação e desenvolvimento deste poema, pois que reflecte uma síntese espantosa sobre a sua construção, verdadeiro manual da arte poética. “Evocação”, poema que se segue, condensa, direi, o longo percurso existencial do poeta, não sendo por acaso que quase todos os poemas que constituem o primeiro andamento se iniciem pela expressão Era talvez, porque Nada se absorve./ Tudo se esvai. Sobre “A Pedra O Corpo”, terceiro e último dos poemas inéditos, fala o poeta da convergência de uma coisa e outra, assim concluindo: Mas que sabemos nós/ De uma pedra/ Mas que sabemos nós/ De um corpo/ Ainda que ambos/ Perfeitos fossem? “Poesia Reunida”, pelo exposto, tanto ou quanto uma colectânea de poesia é um espólio de vida vivida, se acaso me é perdoado o pleonasmo. Por ela trespassa, inicialmente, em quase agónica frustração, a procura da palavra salvadora; depois o apaziguamento interior, através do encontro com uma amada, logo, porém, ensombrado pelas novas guerras que se seguem ao que se julgava ser o último conflito do século, tal foi a sua ferocidade e desrazão. Justamente porque o não foi, acabou o poeta por viver a guerra que lhe coube em terras africanas. E finalmente, melhor dizendo, pelo meio deste trajecto poético, o experimentalismo que ensaiou e que lhe dá lugar cimeiro, ainda que pouco divulgado, neste percurso. Em tais andanças, que o poeta desde logo intuiu como itinerário, apesar de não ter recriado heterónimos como Pessoa, certo é que foi vários num só, sem entropia e sem desordem. Na realidade, desde sempre, a sua palavra foi expressa sem ambiguidades, quer sob a forma lírica e elegíaca, quer sob o estado de enamoramento, quer, finalmente, sob a forma de denúncia sociopolítica. E serviu sempre tanto para glorificar Deus, o Homem e a Mulher, como para denunciar a opressão, a guerra e a desumanização. Ou seja; foi sempre significativa no trânsito da viagem poética que encetou. (Ficha: Poesia Reunida. 1956-2011. Liberto Cruz. Coimbra, Palimage, 2012)

1 Epígrafe que consta na edição original, agora, porém, omissa em “Poesia Reunida” 2 Estes dois últimos versos são de autoria do poeta brasileiro, Jorge de Lima, devidamente assinalados por Liberto Cruz


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DESPORTO

França Laurant Blanc fica, garante presidente do Paris Saint-Germain

O presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, assegurou, esta quarta-feira, que o treinador Laurent Blanc irá continuar à frente da equipa na próxima época. «Tenho ficado surpreso ao ler os vários comentários sobre o futuro do Laurent Blanc. A questão é simples, ele é o nosso treinador e quero que continue a ser», disse Al-Khelaifi à imprensa francesa, afastando assim os rumores da saída do técnico francês após a eliminação dos quartos de final da Liga dos Campeões, frente ao Chelsea. Laurent Blanc, recorde-se, chegou ao PSG no início da época e tudo indica que deverá conseguir revalidar o título de campeão nacional da Ligue 1. A equipa segue em primeiro lugar, com 79 pontos, mais dez do que o segundo classificado, o Mónaco.

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ÁVILA PREPARADO PARA A DESFORRA ESTE FIM DE SEMANA

Xangai serve-se frio

Benfica Sílvio analisa lance da lesão: «Não sei se deveria ter feito o que fiz»

Sílvio, que fraturou a tíbia e o perónio, na partida frente ao AZ Alkmaar, reconheceu, esta quarta-feira, que se calhar não deveria ter entrado daquela maneira no lance que ditou a grave lesão. «Já vi o lance e acho que não sei se deveria ter feito o que fiz mas naquela altura decidi ir com tudo também», afirmou Sílvio, em declarações ao canal do Benfica. O lateral português quis agradecer a onda de apoio que tem recebido de todos. «Quero deixar uma mensagem de agradecimento aos meus colegas, aos adeptos e deixar uma mensagem de força para os jogos que aí vêm. Todos os jogos são finais e queremos ganhar.» Sílvio fracturou a tíbia e o perónio nos instantes iniciais da partida frente ao AZ Alkmaar ao pontapear Luisão, tendo já sido operado.

SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

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ODOLFO Ávila dá continuidade este fim-de-semana à sua participação na Taça Porsche Carrera Ásia 2014, no Circuito Internacional de Xangai, com duas corridas que farão parte do programa do

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Grande Prémio da China de Fórmula 1. Depois de uma estreia atribulada em Sepang, onde foi abalroado nos primeiros metros da corrida após ter feito uma excelente partida em direcção a um lugar no pódio, o piloto português de Macau recebeu a boa notícia que terá duas corridas, em vez de uma, este fim-de-semana na capital económica da República Popular da China. “É uma excelente notícia termos uma corrida extra no calendário de 2014. Nas últimas 11 temporadas, o campeonato foi várias vezes decidido por apenas um ponto e acredito que uma situação semelhante possa voltar a acontecer este ano”, diz o piloto do Team Jebsen.

Ávila não esconde que, tal como em todas as provas, vai novamente discutir um lugar no pódio Tanto Ávila, como a equipa apoiada pelo Grupo Jebsen, que vai na sua décima participação na Taça Porsche Carrera Ásia, conhecem o circuito de Xangai bastante bem de várias participações e sucessos anteriores. “A minha história na pista de Xangai vem desde 2004, onde venci a primeira

corrida oficialmente realizada no circuito. Foi também em Xangai que fiz a minha primeira corrida e “pole-position” na Taça Porsche e onde consegui o primeiro pódio o ano passado com o Team Jebsen. Estes resultados fazem-me encarar a prova do fim-de-semana com optimismo, apesar desta ser a primeira vez que vamos correr neste circuito com o novo Porsche 911 GT3 Cup (Tipo 991)”, afirma o piloto do carro nº20. Ávila não esconde que, tal como em todas as provas, vai novamente discutir um lugar no pódio, e espera tirar partido da cada vez melhor adaptação ao carro de construção germânica. “Estou a começar a gostar deste novo carro. O modelo anterior já era soberbo em termos de estabilidade, performance e fiabilidade e dizem que não é possível melhorar até à perfeição, mas neste caso, o novo carro é muito melhor. Desde o sistema de mudanças no volante até aos pneus mais largos. Vão ser certamente duas corridas interessantíssimas de seguir em Xangai”, conclui o piloto que defende as cores da RAEM naquele que é o mais prestigiado campeonato de carros de Grande Turismo na Ásia. O fim-de-semana arranca na sexta-feira, com duas sessões de treinos-livres, para continuar no sábado, com a qualificação e primeira corrida, e terminar no domingo, com a corrida final.

BENFICA CASA QUASE ESGOTADA PARA O OLHANENSE

Todos os caminho vão dar ao Estádio da Luz O

Estádio da Luz tem a lotação quase esgotada para o embate de domingo com o Olhanense, onde o Benfica pode fazer a festa do 33.º título de campeão nacional. Ontem, apesar da romaria às bilheteiras ter diminuído, já não existiam muitos ingressos disponíveis, sendo previsível que esgote entre esta quarta e quinta-feira, dia em que é aberta a venda ao público em geral. Com alguns jogos por disputar até final da temporada, os adeptos veem-se obrigados a escolher. Por exemplo, ontem o clube colocou à venda os bilhetes para a recepção à Juventus, marcada para dia 24, referente à 1.ª mão das meias-finais da Liga Europa. Para esse embate, estão disponíveis ingressos entre os 17,5 e os 50 euros para sócios e entre os 30 e os 120 euros para não sócios.


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

21

MAX

26

HUM

70-98%

•

EURO

11.0

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

RIO 2 SALA 1

THE DEMON WITHIN [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de:Dante Lam Com: Daniel Wu, Nick Cheung, Liu Kai Chi, Dominic Lam, Andy On 14.30, 16.30, 19,30, 21.30

Um filme de: Anthony e Joe Russo Com: Chris Evans, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson 21.30 SALA 3

KIKI’S DELIVERY SERVICE [A]

RIO 2 [A]

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Carlos Saldanha 14.15, 16.00, 19.30

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Takashi Shimizu Com: Miyazawa Rie, Asano Tadanobu, Machiko Ono, Fuka Koshiba 14.30, 16.30, 19.00

RIO 2 [3D] [A]

HOT YOUNG BLOOD [B]

SALA 2

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Carlos Saldanha 17.45

CAPTAIN AMERICA: THE WINTER SOLDIER [B]

(FALADO EM COREANO E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Lee Yeon-woo Com: Kim Young-Gwang, Lee Jong-Suk, Park Bo-Young 21.30

ACONTECEU HOJE

Quando as infiltrações são um problema político

SIRIMAVO BANDARANAIKE

17 DE ABRIL

As mulheres sobem ao poder pela primeira vez • Dezassete de Abril é dia de emancipação das mulheres na política. Neste dia, em 1916, nasce Sirimavo Bandaranaike, a primeira mulher em todo o mundo a ser eleita primeira-ministra. Curiosamente, também a 17 de Abril, Anneli Jäätteenmäki vence as eleições da Finlândia e torna-se chefe do Governo, algo que nunca sucedera naquele país. Esta eleição marca uma viragem no mundo da política e na participação feminina em cargos políticos de relevância. Poucos anos mais tarde, Indira Gandhi viria a chefiar o Governo da Índia, entre 1966 e 1977. E durante o mandato de Indira Gandhi, Evita Perón quebra o poder masculino e torna-se na primeira mulher a ocupar a presidência da República Argentina, exercendo o cargo entre 1 de Julho de 1974 e 24 de Março de 1976. Outra mulher com marca profunda na liderança política foi Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990, que faleceu no dia 8 de Abril de 2013. Antes, a 17 de Abril de 2003, Anneli Jäätteenmäki torna-se a primeira mulher eleita líder do Governo da Finlândia. A chanceler alemã Angela Merkel é o símbolo actual da liderança feminina. Neste dia, assinalam-se outras efemérides. Em 1521, Martinho Lutero é excomungado da Igreja Católica, por tecer críticas ao Papa. Três anos mais tarde, Giovanni da Verrazano descobre a baía de Nova Iorque. Já a 17 de Abril de 1946, a Síria obtém independência. Hoje, assinalam-se o Dia Mundial do Hemofílico, o Dia Internacional da Luta Camponesa, o Dia da Cidadania Americana e o Dia Nacional da Síria.

U M L I V R O H O J E PEITO GRANDE ANCAS LARGAS DE MO YAN Peito Grande, Ancas Largas foi escrito em 1995, por Mo Yan, pseudónimo do chinês Guan Moye e que significa “Não fales”. Esta obra retrata o quotidiano da família Shangguan numa pequena vila do interior da China. Mo Yan enaltece o poder, a determinação e a força feminina, desafiando, simultaneamente, elementos como a tradição e o preconceito chinês. A obra, que valeu ao autor o Nobel da Literatura em 2012, cobre grande parte da história moderna chinesa, iniciando-se com a dinastia Qing (em 1900), passando pela invasão japonesa, pela guerra civil e pela revolução cultural. Finalmente, culmina num tempo de regresso e de renovação para a comunidade chinesa da pequena vila do interior onde a maior parte da acção se passa. O livro é dotado de uma forte carga emocional e sexual, ferramenta escolhida pelo autor para explorar o poder e a elevação feminina face a situações como violações, fome e pobreza extremas ou doenças crónicas. Contudo, após a publicação de Peito Grande, Ancas Largas, Mo Yan foi forçado a publicar uma crítica ao seu próprio livro, que foi posteriormente banido do circuito comercial para só voltar às bancas alguns anos depois. Muitos acreditam reflecte as vivências do próprio escritor, que nos apresenta um sem número de personagens que ganham vida a cada virar de página. Ainda que extenso, este livro é de fácil leitura, prendendo a atenção de qualquer um, seja pelas descrições pormenorizadas ou pelos detalhes históricos com que Mo Yan nos presenteia. - Leonor Sá Machado

fonte da inveja

Os zombies são o arquétipo do consumidor massificado.

João Corvo

No plenário desta terça-feira na Assembleia Legislativa (AL) cerca de dez deputados pediram a palavra para opinar, em frente ao director das Obras Públicas, sobre infiltrações de água em prédios antigos. A questão prende-se com a ineficácia da fiscalização e do centro interdepartamental do Governo, que sem uma autorização judicial não consegue entrar nas casas privadas se o proprietário não autorizar. Há, no entanto, que nos questionarmos porque é que uma questão local chega ao hemiciclo. Não há questões mais globais, digamos assim, para debater? Para debater a questão do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo, por exemplo, só três deputados pediram a palavra. Em Hong Kong, já se está a fazer uma consulta pública sobre o assunto. O debate das infiltrações de água, que, aliás, não é um assunto novo, sendo alvo de muitas interpelações dos deputados, coloca-nos a questão da necessidade de uma câmara municipal. Trata-se de algo que já existiu e que à luz da lei vigente poderá ser criado. Mas mais grave ainda é o facto do próprio director das Obras Públicas, Jaime Carion, ter dito que os residentes dirigem-se ao IACM ou ao IH para se queixar e que não conseguem ver o problema resolvido, porque são sempre encaminhados de um serviço para o outro. É um exemplo concreto de que nem sempre o funcionalismo público funciona ao serviço daquilo que deveria sempre funcionar: os cidadãos.


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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilistas Registado e Técnico de Contas no ano de 2014, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com CRAC, durante as horas de expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995344. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 14 de Abril de 2014. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong

AVISO da Direcção dos Serviços de Identificação 

A Direcção dos Serviços de Identificação chama a atenção para o seguinte: Devem cuidar do seu documento de viagem. Nos termos do Regulamento Administrativo n.º 20/2009 da RAEM, a substituição do documento de viagem por extravio ou destruição implica a cobrança de taxa adicional, para além disso, é prorrogado o prazo de entrega e poderá ser reduzido o prazo de validade do novo documento concedido. O uso ilícito do documento de viagem extraviado por parte dos malfeitores, pode afectar o titular do documento na entrada nos países estrangeiros. Devem recorrer a agências de viagem e pessoas de confiança para tratar da emissão de visto e da compra de bilhetes de avião, a fim de evitar o aproveitamento ilícito por parte dos malfeitores.

Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental do Governo da Região Administrativa Especial de Macau AVISO Informa-se que a lista dos candidatos para a entrevista profissional ao concurso comum para o preenchimento de duas vagas de técnico de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico, área jurídica, em regime de contrato além do quadro da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, encontra-se afixada na Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental, sita na Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.os 393 a 437, Edifício “Dynasty Plaza”, 10.° Andar, em Macau, podendo ser consultada na página electrónica www.dspa.gov.mo. O Director, Cheong Sio Kei Aos 10 de Abril de 2014

EXTRACTO DE AVISO Faz-se público que, de harmonia com o despacho do Secretário para a Segurança, de 31 de Dezembro de 2013, se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento, em regime de contrato além do quadro, de um lugar na categoria de técnico de 2ª classe, 1.º escalão (área de desporto), da carreira de técnico do Estabelecimento Prisional de Macau. O aviso do concurso encontra-se publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 15, II Série, de 09 de Abril de 2014, com o prazo de inscrição entre 10 e 29 de Abril do corrente ano. Os interessados podem consultar o referido aviso, dentro das horas de expediente, no Centro de Atendimento e Informação do Estabelecimento Prisional de Macau (endereço: Avenida da Praia Grande, China Plaza, 8.º andar “A”, Macau) ou no Website deste Estabelecimento Prisional: www.epm.gov.mo. Para qualquer esclarecimento, é favor entrar em contacto, nas horas de expediente, através do tel. n.º 28881211, com os trabalhadores da Divisão de Recursos Humanos. O Director do EPM, Lee Kam Cheong 31 / 03 / 2014


OPINIÃO

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LEOCARDO

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bairro do oriente

C

AROS leitores e leitoras: fomos enganados, ludibriados, iludidos, coisados e mal pagos. Estivemos desde tenra idade expostos à radiação da mentira, adquirindo valências que nos formaram valores distorcidos, através da inoculação de morais fajutas, resultando numa falta de preparação que em muitos casos nos tem causados os mais variados dissabores. Aconteceu com os nossos pais e avós, aconteceu connosco, com os nossos filhos, e senão fizermos algo, e já, para impedir a propagação deste terrível vírus para as gerações futuras, estaremos a perpetuar o erro, a falsidade, a farsa, eternizando a subjugação às elites que controlam esta forma de controlo das mentalidades, que nos foi impingida inocentemente na forma de ficção, e que foi passando de boca em boca como a herpes. É claro que falo dos contos infantis, essa floresta de enganos de onde saem os lobos maus e habitam as bruxas más desta vida. Estes contos aparentemente inocentes e que supostamente contêm moral e ensinamentos que devemos aplicar em situações concretas das nossas vidas, padecem de uma falácia em matéria de credibilidade tal, que seriam facilmente refutados pelas instâncias judiciais em qualquer estado de Direito que se preze – e em que outro “estado” gostariamos nós de viver e de deixar para os nossos descendentes? Julgais que ensandeci, ó mole de crentes na carochinha, e na fábula onde esse insecto acasala com um mamífero roedor? Eis alguns exemplos com que ilustro esta terrível e elaborada conspiração. A história da Cinderela, por exemplo, também conhecida na sua versão portuguesa por “Gata Borralheira”, que mais parece o nome de uma velha fadista prostituta e tabaqueira. A jovem em questão, possivelmente menor de idade (até prova em contrário), desobedece à sua guardiã ou tutora, uma respeitável e abastada senhora que a acolheu no seu ambiente familiar, apesar da ausência de laços sanguíneos que a tal obrigassem, e descurando as mais elementares tarefas domésticas de que foi incumbida, intromete-se num evento social destinado a adultos, mesmo sem para tal ter sido convidada. Uma vez na festa, onde ostenta uma indumentária alegadamente oferecida por uma tal “fada madrinha”, permanece até bem depois da hora do recolher obrigatório, e passa a noite a oferecer-se descaradamente a um elemento da realeza, quem sabe se com a intenção de que este a ajude no arranque da sua carreira de modelo e actriz. Inebriado pelo charme púbere da tal Cinderela, o nobre em questão desposa-a, trá-la para o seio do

BRANCA DE NEVE

A má educação

“jet-set” e providencia os meios para que possa realizar as suas pretenciosas ambições. Anos mais tarde, um óscar, alguns globos de ouro e várias cirurgias plásticas depois, assina uma auto-biografia onde escorraça a mãe e irmãs adoptivas, entretanto falidas e ostracizadas pela implacável trituradora da “high society”. É este o exemplo que queremos transmitir para as nossas filhas, estimado leitor ou leitora?

“Fomos enganados, ludibriados, iludidos, coisados e mal pagos” Outro exemplo gritante desta má educação que nos tem sido transmitida: um tal João, criança oriunda de uma família em risco – e não me surpreendia que fosse de etnia cigana – trespassa os limites da propriedade de um robusto e endinheirado senhor, roubando-lhe uma galinha aparentemente mutante, que produz “ovos de ouro”, e ainda outros objectos de valor. Na tentativa de reaver os seus bens, o lesado é vítima de uma cilada montada pelo pequeno patife, que lhe provoca uma queda com consequências fatais. Que mensagem é esta queremos que os jovens apreendam? O desrespeito pelo bem alheio? O homicídio como solução para evitar uma acusação de roubo? O conceito que uma transação fraudulenta como sejam “feijões mágicos” pode

eventualmente originar avultados retornos em termos de investimento,? Serei apenas eu a considerar isto horrivelmente errado? No mesmo tom, o da delinquência juvenil, temos a história de Hansel e Gretel, ou em português, João e Maria (que original...). Estas duas crianças são abandonadas pelos pais e perdem numa floresta – note-se a recorrente temática do abandono e da desagregação familiar – e acabam por ir ter a uma casa feita de bolo de gengibre, que se apressam a devorar. A proprietária da tal casa, uma idosa indefesa, detem-nos antes que consumam por completo a sua humilde moradia, mas mesmo assim dispõe-se a alimentá-los. Em retorno as crianças assassinam barbaramente a velha, empurrando-a para dentro de um forno aceso, com o pretexto de que “era uma bruxa”, que “pretendia comê-los”. Mas vamos lá ver, a senhora diz ou insinua em alguma parte deste tenebroso conto que vai comer os dois irmãos? Existiam na propriedade ou nas suas imediações esqueletos ou restos mortais de outras crianças? Afinal a casa era feita de pão de gengibre ou de carne humana? Os pressupostos onde assenta a legítima defesa destes jovens são baseados em meras suposições, e no preconceito de que qualquer cidadã sénior que resida sozinha numa floresta é necessariamente uma “bruxa”, e “canibal”. No mundo actual e em circunstâncias normais, João e Maria seriam confinados a um estabelecimento prisional destinado a menores, e referenciados como elementos “potencialmente muito perigosos” para a sociedade.

E ainda há mais, muito mais. No conto do Capuchinho Vermelho, por exemplo, temos uma passagem onde um lobo devora literalmente uma idosa, ou ensinam-nos que um tal Pinóquio é dotado da capacidade de fazer crescer descomunalmente um orgão cada vez que conta uma mentira, ou quem um tal Branca de Neve, uma jovem solteira, habita numa cabana na floresta com sete anões, um enredo que lembra certas porno-chanchadas brasileiras dos anos 70. Para terminar em beleza, nada como uma referência ao abuso sexual de menores, na forma de uma fábula sobre um flautista, que descontente com a verba auferida por um trabalho de desratização que efectuara numa certa localidade, seduz todas as crianças ali residentes com uma melodia pedófila, acabando por as sequestrar. Os autores destas conjuras dão pelos nomes de Charles Perrault, Carlo Coloddi, Benjamin Tabbart e uns tais irmãos Grimm, entre outros, que fazendo uso de uma poderosa arma de persuasão e propaganda dissimulada na forma de algo tão insuspeito, vêm há séculos praticando a corrupção das mentes incautas. Fica ao critério do leitor tomar a acção ou as acções adequadas a esta autêntica agressão a que estão sujeitas as nossas crianças, mas por mim vou passar a certificar-me que as minhas só terão acesso a literatura reespeitável, desde o educativo e sempre útil Maquiavel, passando pelo bom Marquês de Sade, e não deprezando as obras completas de Henry Miller. Como é difícil, a arte de educar...

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Redacção Joana Freitas (Coordenadora); Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; José C. Mendes; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com. mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 17.4.2014

GRANDE PRÉMIO POLÉMICA EM TORNO DA TORRE DE CONTROLO AINDA MEXE

Xeque ao engenheiro O autor da antiga torre de controlo do Grande Prémio reagiu a declarações do coordenador da Comissão do evento, a quem faz algumas acusações JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

M

ÁRIO Duque, o arquitecto autor da agora demolida Torre de Controlo do Grande Prémio de Macau (GP), acusou ontem João Manuel Costa Antunes de estar a violar convenções internacionais, pelo facto de não ter pedido autorização para a demolição da torre feita por Duque. Numa carta enviada ao HM em reacção às declarações de Costa Antunes sobre o novo edifício do GP, Duque volta à carga, desmentindo o responsável do evento. “É inversa a declaração do dirigente quando [este diz] que há vinte anos foi convidada uma equipa para fazer o projecto antigo e passados 21 anos convidou-se outra equipa para fazer o projecto novo” começa por dizer Duque, referindo-se à explicação de CostaAntunes sobre a decisão de demolir a torre de controlo. “Em verdade, há vinte anos, quem fez o convite foi a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e o que o dirigente verteu para a imprensa entre Março e Abril de 2013 foi antes que o novo convite foi feito à mesma organização comercial que há vinte anos foi encarregue de produzir o projecto, pautando os seus actos apenas por via dessa afinidade comercial, nunca pela constituição da equipa.” A polémica em torno da torre de controlo do GP começou quando o Governo decidiu demolir a antiga instalação sem consultar o autor do projecto, algo que, segundo Mário Duque, é ilegal. Costa Antunes tinha referido que não estava obrigado a consultar o autor do projecto sobre a alteração à obra feita em 1993, uma vez que as novas obras não eram uma alteração ao projecto, mas sim um edifício novo. Duque contesta esta justificação mais uma vez, até porque, segundo o arquitecto, foi

Costa Antunes

um engenheiro das Obras Públicas quem disse que este novo projecto era apenas uma ampliação. Na terça-feira, à margem de uma conferência sobre o GP deste ano, O coordenador da comissão explicou que as posição do Executivo perante a situação é a mesma e acrescentou ainda que a torre de controlo nova fazia parte de um projecto global, ainda a ser avaliado pelas Obras Públicas. Mário Duque discorda: “Os termos usados pelo dirigente também carecem de significado administrativo e técnico. Em verdade, não existem projectos de arquitectura globais, como

cartoon por Stephff

anunciou serem. ‘Global’prende-se com a esfera mundial, onde a única coisa que o dirigente em verdade interferiu foi com os compromissos da República Popular da China perante convenções internacionais, que são para ser respeitadas na RAEM, nomeadamente através do decreto lei [que indica que os autores dos projectos têm de ser consultados face a alterações]. Os projectos das obras de arquitectura não são para ser ‘globais’, antes têm objectos e territórios de intervenção específicos e são da iniciativa e da responsabilidade de nomes que não são para ser afastados, tanto

para brio, como para vergonha dos intervenientes.” Na carta que chegou à redacção do HM como forma de comentário e esclarecimento à notícia da nossa edição de dia 16 de Abril, Duque aponta ainda que Costa Antunes disse uma inverdade quando assegurou que a carta escrita pelo arquitecto foi respondida. “Não houve resposta”, remata o arquitecto. Também sobre a questão da ampliação ou destruição da torre - e no seguimento do que disse o coordenador da comissão do GP ao jornal Ponto Final - Mário Duque não deixa de fazer observações. Costa Antunes referiu ao jornal que, se houve alguém que falou em ampliação da torre antiga, “mentiu”, mas não se percebe se o responsável se dirige a Duque ou ao engenheiro das Obras Públicas. “Também a isso mesmo, o coordenador da comissão não deu resposta, todavia questão que é do seu interesse esclarecer porque, na RAEM, quem imputar a outra pessoa, mesmo sob a forma de suspeita, um facto, ou formular sobre ela um juízo, ofensivos da sua honra e consideração, é punido.” O HM já tentou perceber junto do arquitecto se há intenção em interpor uma acção judicial contra o Executivo ou alguém em particular, mas Mário Duque apenas se limitou a explicar que está é uma questão “de escolhas pessoais” e não do domínio público, “como é o caso da torre”.

CONFORTOS

EUA adverte China sobre queda do yuan

A Secretaria do Tesouro norteamericana disse na terça-feira que a China não pode ser apontada como manipuladora da sua moeda, apesar da descida acentuada do yuan que se regista desde janeiro. Mas a Secretaria do Tesouro avisou que a recente queda pode “levantar preocupações particularmente sérias” se representar uma inversão no compromisso de Pequim para uma mais livre flutuação do yuan. No relatório semestral ao Congresso, que aplica sanções aos países considerados “manipuladores”, o Tesouro disse que o yuan “continua significativamente desvalorizado” e que as pressões do mercado sugerem que facilmente subiria se o comércio fosse mais livre.

Carlos Farinha com exposição na Iaohin

O artista português Carlos Farinha apresenta amanhã na galeria Iaohin, em Macau, uma colecção de 12 telas resultado da sua passagem em Macau. “Esta exposição é resultado da minha passagem por Macau”, explicou o artista em declarações à agência Lusa e ao explicar também que a mostra foi intitulada “A-MaGau”. Carlos Farinha disse também que as 12 obras em exposição são “pinturas figurativas quase ilustrativas”. O quadros são alegorias a Macau, que pretendem retratar as pequenas aventuras que o artista teve quando visitou o território e como se sentiu enquanto português. “Não são coisas óbvias, são pequenas histórias da minha visão como português. As telas são figuras isoladas, por exemplo um panda, um cavalo, um chinês gigante em cima da terra a olhar para a lua, o mapa de Macau”, explicou o artista, ao sublinhar tratarem-se de abordagens de “tudo o que (lhe) faz lembrar Macau e China”.

Restaurante Fado com menu especial de Páscoa

O restaurante português Fado, no Hotel Royal, vai fazer um menu especial de Páscoa para este ano. Os preços rondam as 680 patacas e o menu é composto por pratos típicos portugueses. Além das entradas, os pratos principais no menu são, por exemplo, taco de bacalhau com misto de legumes e lombo de novilho com Queijo da Serra em manto de cogumelos, enquanto as sobremesas consistem no típico fios de ovos com trufas de aguardente velha e pão-deló da Páscoa com queijo da Serra, mel e amêndoas. O restaurante pede que seja feita reserva e o menu é válido de 18 a 21 de Abril.

Devido à quadra pascal só voltaremos às bancas na próxima terça-feira


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Hoje Macau 17 ABR 2014 #3073 by Jornal Hoje Macau - Issuu