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Hoje Macau 17 MAR 2021 #4730

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Jogo com trajecto positivo

ENSINO SUPERIOR

Escola de bons costumes

hoje macau Nº 4730

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PÁGINA 6

Chuva de queixas

RÓMULO SANTOS

QUARTA-FEIRA 17-3-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

ALEXANDR SVETLICINII

AS REGRAS DO INVESTIMENTO ENTREVISTA

As críticas foram muitas e vieram de todos os lados. Muito complexo, só beneficia os ricos, insuficiente ou discriminatório por obrigar à instalação de plataformas electrónicas, são alguns dos reparos deixados por deputados e líderes de associações ao plano de apoio ao consumo do Governo. Cloee Chao já apresentou uma petição a pedir a suspensão do projecto. PÁGINAS 4-5

CHINA

ROTA DA RECUPERAÇÃO PÁGINAS 10-11

O SONO DA RAZÃO NUNO MIGUEL GUEDES

PROVA DE VIDA

JOÃO PAULO COTRIM

CASA DE PORTUGAL

FIM-DE-SEMANA MUSICAL EVENTOS


2 entrevista

17.3.2021 quarta-feira

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ALEXANDR SVETLICINII

PROFESSOR DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE MACAU

O autor do livro “Chinese State Owned Enterprises and EU Mercer Control”, recentemente apresentado na Fundação Rui Cunha, faz uma análise da última legislação aprovada no seio da União Europeia que regula o investimento das empresas estatais estrangeiras, incluindo da China. Alexandr Svetlicinii acredita que estas leis podem trazer mais obstáculos e diz que Portugal tem um quadro regulatório mais brando do que alguns Estados-membros Quando começou a investigação que serviu de base a este livro? Há vários anos que investigo este tema mas nos últimos anos tive um projecto de investigação com o Instituto de Estudos Europeus de Macau, que me ajudou a transformá-lo num livro. Apesar de este abordar o tratamento das empresas estatais chinesas também levanta questões importantes sobre as empresas estatais europeias dentro da UE. Quando houver uma recuperação da crise económica, causada pela covid-19, talvez vejamos um maior envolvimento dos Estados na economia com investimentos e empresas estatais. Veremos talvez mais políticas industriais do que antes. Todas estas questões ligadas à propriedade estatal são relevantes para a UE e não apenas por causa da China. Deve haver regras mais claras de como lidam [as empresas estatais chinesas] com as empresas estatais europeias.

Aborda no livro a ideia de “três grandes montanhas” aplicada aos investimentos estatais chineses. Esta expressão simboliza alguns obstáculos que têm de ser ultrapassados. Faço esta comparação para identificar três quadros regulatórios que servem de base aos investimentos estrangeiros na União Europeia (UE), mais especificamente aos investimentos feitos por empresas estatais chinesas. A primeira montanha diz respeito ao “controlo da fusão”, que já existe há algum tempo e que consiste na regulação das empresas em termos de competição. A Comissão Europeia e os Estados-membros, dependendo do volume de aquisições, exigem compromissos ou condições e podem, muitas vezes, proibi-las. O que acontece é que as aquisições por parte das empresas chinesas levaram a uma série de questões, porque algumas delas, muito básicas mas ao mesmo tempo importantes, não foram devidamente respondidas. Tais como? Falo do conceito de “unidade económica singular” para empresas que estão separadas em termos legais mas são controladas pela mesma entidade. Em termos de competição são vistas como uma mesma unidade económica singular. Esta questão, relativamente às empresas estatais chinesas, não foi devidamente respondida. Houve muitos debates sobre até que ponto este “controlo da fusão” é suficiente para proteger os mercados europeus tendo em contas as preocupações ao nível da influência na competição das empresas. Também falo das mudanças das regras desse “controlo da fusão”, no sentido de que outras áreas, e não apenas a competição, devem ser incluídas. A Comissão Europeia não se mostrou disposta a mudar as regras do “controlo da fusão” porque são aplicadas de forma igual às empresas europeias. Então focaram-se em outras regulações. Pode dar exemplos? A análise do investimento directo estrangeiro baseado na segurança. Este regulamento foi adoptado em 2019 e começou a ser implementado em Outubro de 2020 e não introduz regras novas, mas exige aos Estados-membros que cooperem nesta análise aos investimentos estrangeiros. Muitos Estados-membros estão a adoptar novas regras e têm de partilhar informações sobre estes investimentos estrangeiros, incluindo com a Comissão Europeia. Esta é a “segunda montanha”, o segundo quadro regulatório. O terceiro está, para já, no formato de proposta. E a “terceira montanha”? É um relatório publicado pela Comissão Europeia em Junho do ano passado onde se propõe que se adoptem um conjunto de padrões de

análise para as empresas estrangeiras e quaisquer empresas que façam negócios na UE com subsídios estrangeiros estatais. Actualmente, há um controlo estatal desses subsídios que são garantidos pelos Estados-membros, e há regras restritas sobre a atribuição de subsídios pelos Estados-membros da UE. Mas não há um quadro regulatório para os subsídios que são concedidos por empresas estrangeiras. A Comissão Europeia quer colmatar esta lacuna e no final deste ano deve apresentar uma proposta legislativa nesse sentido. Estes três quadros regulatórios serão aplicados aos investimentos estrangeiros e também aos investimentos chineses feitos por empresas estatais, tendo em conta a segurança de sectores considerados estratégicos por alguns Estados-membros da UE. As empresas estatais são, por norma, grandes beneficiárias dos subsídios estatais, por isso é que [este quadro regulatório] é também aplicável.

RÓMULO SANTOS

“Empresas estatais não são

“Portugal já tem regras de análise de investimento directo estrangeiro desde 2004, mas estas não requerem uma pré-aprovação ou notificação dos investimentos estrangeiros.” A relação entre as empresas chinesas e europeias, e a forma como estão presentes nos mercados, tem sido justa até agora? O que posso dizer é que os dois sistemas regulatórios, na UE e na China, têm diferenças, e por causa disso as empresas que operam dentro e fora claro que podem parecer e tornar-se diferentes. Não chamaria uma relação injusta, mas distinta. A questão para a UE é como colocar no mesmo nível as suas próprias empresas e as estrangeiras. Por exemplo, os mercados europeus estão a tentar reduzir as diferenças com os quadros regulatórios que mencionei há pouco. E há depois o acordo de investimentos entre a China e a UE, onde se tentam impor condições de competitividade à China e isso é suposto ajudar as empresas europeias no acesso aos mercados e às operações no país. [É uma tentativa] de colocar entidades distintas, de ambientes diferentes, mais ou menos ao mesmo nível. Relativamente ao acordo de investimentos, que análise faz? Quem beneficia mais com ele, a China ou a UE? Um dos objectivos da UE foi garantir o acesso das empresas europeias ao mercado chinês e também colmatar estas lacunas na China para que as empresas europeias possam operar no país. Este acordo coloca alguns compromissos do lado da China e alguns deles estão directamente relacionados com estes objectivos. Se acompanharmos o desenvolvimento da China em matéria de investimento estrangeiro, nos últimos anos ela própria foi-se abrindo a novos

mercados e sectores. O país reformou a sua legislação e tornou-a mais fácil para empresas estrangeiras. O que este acordo faz é instituir uma obrigação. Por exemplo, uma das preocupações da UE é que as empresas estatais tenham um tratamento preferencial, o que faz com que seja mais difícil aos investidores estrangeiros competir com elas no mercado chinês. E uma das obrigações é que ambas as partes devem garantir que as empresas estatais tomem as decisões com base em questões comerciais, ou seja, como uma empresa e não como um órgão estatal. O livro refere a ideia de as empresas estatais chinesas serem vistas como “o pilar do socialismo com características chinesas”. A UE está a prestar mais atenção a esse lado político do investimento?


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apenas actores económicos” ou da Alemanha, que parecem ser mais cautelosos relativamente ao investimento estrangeiro estatal, enquanto que outros países, com indústrias menos desenvolvidas, acolhem melhor esse investimento. Não o consideram uma ameaça e têm-no em conta consoante o sector de investimento. Estas regulações podem trazer grandes mudanças a nível prático? Todo este desenvolvimento legislativo pode criar um obstáculo adicional para os investimentos de empresas estatais estrangeiras. Contudo, o acordo de investimentos entre a China e a UE vai ser um exercício importante de construção da confiança entre ambas as partes. E se for implementado de forma satisfatória ambas as partes vão ganhar com ele e os futuros investimentos possam ser vistos de uma outra forma. Agora há uma atitude cautelosa por parte da UE, sobretudo numa altura de recessão económica. Devido à nova legislação e recessão económica talvez possamos esperar mais obstáculos a este tipo de investimentos em sectores estratégicos.

“Até agora não existe consenso por parte dos Estados-membros sobre eventuais ameaças à segurança ou ordem pública causadas pelos investimentos das empresas estatais.”

Há que compreender o tipo de efeito. Por exemplo, o facto de as empresas estatais poderem ser guiadas não só por razões comerciais mas também por algumas políticas e económicas, por a China querer desenvolver determinados sectores. Às vezes as empresas estatais podem tomar decisões que poderiam não se basear apenas na obtenção de lucros mas na implementação dessas políticas. Mas este facto não é único para a China, podemos nomear muitos países onde as empresas estatais têm essa função pública, e mesmo na UE isso acontece. As empresas estatais não são apenas actores económicos, também têm funções sociais e políticas. Talvez haja uma diferença em termos de intensidade, relativamente ao facto de as empresas europeias não serem tão importantes para o Estado como são na China.

Pergunto se essas empresas têm também uma agenda política. Não parece que na UE haja uma clara compreensão ou articulação do tipo de agenda política das empresas estatais. Na adopção das regulações sobre o investi-

“O acordo de investimentos entre a China e a UE vai ser um exercício importante de construção da confiança entre ambas as partes. E se for implementado de forma satisfatória ambas as partes vão ganhar.”

mento estrangeiro, baseado em questões como a segurança e a ordem pública, um dos critérios incluído foi o domínio estatal sobre o investimento estrangeiro. A regulação europeia sugere que a propriedade estrangeira possa ser analisada caso represente uma ameaça em matéria de segurança nacional. Alguns Estados-membros também incluíram este critério nas leis nacionais. A própria UE não tem competência em matéria de segurança, então cada Estado-membro vai decidir por si se considera ou não uma ameaça. Até agora não existe consenso por parte dos Estados-membros sobre eventuais ameaças à segurança ou ordem pública causadas pelos investimentos das empresas estatais. Mas há países com indústrias mais desenvolvidas, como é o caso da França

Este é o período da presidência portuguesa da UE. Espera algumas alterações em matéria política e legislativa na relação com a China? Não vejo que neste período a relação entre a China e a UE sofra mudanças significativas. São poucos meses de presidência e provavelmente o acordo de investimento não será ratificado nos próximos seis meses, vai levar mais tempo. Mas quando falamos da relação bilateral entre a China e Portugal talvez seja mais aberta, por uma questão estratégica, comparada com outros Estados-membros. Um sinal que vemos é que Portugal já tem regras de análise de investimento directo estrangeiro desde 2004, mas estas não requerem uma pré-aprovação ou notificação dos investimentos estrangeiros. Apenas permitem que o Governo intervenha e reveja projectos individuais que possam gerar maior preocupação em matéria de segurança nacional. É um regime algo aberto. Alguns Estados-membros adoptaram regras mais estreitas, mas Portugal não o fez. Andreia Sofia Silva


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APOIOS CUPÕES DE CONSUMO ORIGINAM CRÍTICAS E ENTREGA DE PETIÇÃO

Ontem soube-me a

A

PÓS ter sido anunciado que o Governo vai gastar quase 6 mil milhões de patacas em cupões de consumo e programas de requalificação profissional, Sulu Sou defendeu a necessidade de dar mais apoios a desempregados, trabalhadores em layoff e aos estratos mais baixos da sociedade. A ideia consta de uma interpelação escrita, divulgada ontem, em que o deputado argumenta pela insuficiência dos apoios. Segundo os modelos apresentados pelo Governo, trabalhadores em layoff ou desempregados podem fazer cursos de formação na Direcção de Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), pelos quais recebem 5 mil patacas. Para Sulu Sou, a medida peca por escassa. “Desde o início da pandemia, dezenas de milhares de residentes foram forçados a aceitar reduções dos salários, suspensão dos salários e até desemprego, o que faz com que sintam uma pressão económica muito forte”, contextualiza Sulu Sou. “O plano só permite que os trabalhadores em layoff recebam 5 mil patacas depois de concluírem o curso de formação. E encontrar

emprego quando a economia está em baixa não é fácil. Por isso, quero perguntar ao Executivo se para aliviar o aperto financeiro gerado pela pandemia pondera aumentar a assistência directa aos desempregados, trabalhadores em layoff e pessoas com rendimentos baixos?”, questiona. Em relação ao programa de cupões por pagamento móvel, Sulu Sou critica a complexidade do plano, limitado nos incentivos e que falha em ser um “verdadeiro” apoio a longo prazo.

Entrega de petição

Também ontem, a Associação Novo Macau pelos Direitos dos Trabalhadores de Jogo exigiu ao Governo que volte atrás no programa com cupões por pagamentos electrónicos e que lance uma terceira ronda do cartão de consumo. O pedido foi feito através da entrega de uma petição ao Chefe do

“As pequenas e médias empresas vão ser as mais beneficiadas. Não é o Zé Povinho.” JORGE FÃO DIRIGENTE DA APOMAC

Vários deputados e líderes associativos criticaram ontem o modelo escolhido pelo Governo para promover o consumo e estimular a economia. Cloee Chao entregou mesmo uma petição a pedir o cancelamento da iniciativa, e Jorge Fão diz que o “Zé Povinho” foi relegado para segundo plano

Executivo, por parte Cloee Chao, a presidente da associação. À porta da Sede do Governo, Cloee Chao afirmou que o plano despoletou “vários incêndios por toda a cidade” e que as pessoas consideram “que é muito complicado”. Por outro lado, segundo o jornal All About Macau, Chao indicou igualmente que em vez de se focar “na protecção da qualidade

de vida das pessoas”, o plano lançado pelo Executivo de Ho Iat Seng limita-se a ser “uma promoção comercial”. Entre os argumentos contra a iniciativa, Chao apontou a inflação e vincou que haverá idosos e crianças que vão encontrar dificuldades para utilizar as plataformas de pagamento electrónico. A Associação Novo Macau pelos Direitos dos

Trabalhadores de Jogo não afastou o cenário de organizar um protesto contra a proposta a 1 de Maio, mas antes vai recolher assinaturas e esperar para ver se o governo recua. “Até Maio, vai haver muito tempo para os cidadãos decidirem se querem marchar”, frisou.

Zé Povinho relegado

Para Jorge Fão, dirigente da Associação dos Apo-

sentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), o apoio deixou muita gente insatisfeita, apesar de não deixar de ser um “benefício para a população”. “Segundo este programa é preciso gastar primeiro para ter acesso aos cupões. Esse é o aspecto que deixa as pessoas apreensivas porque há muitas famílias pobres, com filhos para

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Economia Aumentado prazo para reembolso de apoios a empresas Anúncio Faz-se saber que no concurso público n. 3/P/21 para o «Fornecimento de serviços de reparação e manutenção dos equipamentos do sistema de registo de entrada e saída aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 8, II Série, de 24 de Fevereiro de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 11 de Março de 2021 o

O Director dos Serviços Lei Chin Ion

O prazo para apresentar pedidos de “ajustamento de reembolso de diversos planos de apoio” vai ser alargado até dia 31 de Janeiro de 2022, comunicou a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT). A medida permite às pequenas e médias empresas (PME) que reembolsem empréstimos no âmbito dos planos de apoio a PME, jovens empreendedores e empresas afectadas pelo tufão Hato, pedir um ajustamento à DSEDT. O montante das duas prestações imediatamente a seguir pode ser reduzido em mil patacas, sendo o restante valor amortizado. As empresas beneficiárias da medida no ano passado podem apresentar novo pedido. Na nota, a DSEDT indica que o objectivo passa por “apoiar as PME no combate ao impacto da pneumonia e no alívio da pressão”. Até 28 de Fevereiro, registaram-se 3.092 pedidos de ajustamento de reembolso, dos quais 3.049 foram aprovados, envolvendo um montante de 85,08 milhões patacas.


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pouco

é o Zé Povinho”, indicou. “Vão ter de gastar dinheiro para poder ganhar algum. Mas há quem não tenha emprego e esteja em layoff há muito tempo com os rendimentos muito reduzidos”, sustentou.

Outras críticas

Outro democrata que deixou críticas ao programa foi Ng Kuok Cheong, afirmando que o Executivo não respeita o direito de escolha dos cidadãos e discrimina quem não quer utilizar métodos de pagamento electrónico.

Cloee Chao afirmou que o plano despoletou “vários incêndios por toda a cidade” e que as pessoas consideram “que é muito complicado”

educar. Eles vão ter de gastar primeiro. Mas onde vão ter esse dinheiro para gastar e beneficiar dos apoios?”, questionou Jorge Fão, em declarações ao HM. O dirigente assume assim que o grande propósito seja levar as pessoas a gastar o cheque pecuniária no consumo. “Por um lado, antecipam a distribuição do cheque de comparticipação pecuniária, e, por outro,

obrigam a gastar para haver o benefício em cupões”, explicou. “Se for esse o objectivo, acho que não vai ter muito sucesso. As pessoas preferem economizar o dinheiro para outras finalidades”, opinou. Jorge Fão compreende a frustração dos mais desfavorecidos face ao programa. “As pequenas e médias empresas vão ser as mais beneficiadas. Não

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Segundo Ng, faz parte das funções do Executivo perceber os cidadãos e respeitar as escolhas que querem fazer, algo que não acredita estar a acontecer neste caso. Por isso, Ng Kuok Cheong espera que o Governo ainda faça as alterações necessárias. Também Song Pek Kei atacou a medida do Governo, sugerindo como alternativa um programa de consumo com o valor de 5 mil patacas. A deputada Wong Kit Cheng, da Associação Geral das Mulheres de Macau, também se insurgiu contra o programa por não ser eficaz na assistência à população. João Santos Filipe

AL Mak Soi Kun propõe debate sobre infiltrações Mak Soi Kun quer discutir infiltrações no hemiciclo. A proposta de debate para “apressar” os trabalhos do Governo foi publicada ontem no portal da Assembleia Legislativa. Segundo o vencedor da noite

eleitoral de 2017, a situação é muito grave porque entre os 20.587 pedidos de apoio para resolver infiltrações em prédios, desde 2009, houve 2.824 pessoas que não “assumiram as responsabilidades de reparação

e colaboração”. Como parte dos argumentos para a urgência de discutir este problema, Mak Soi Kun aponta que, segundo especialistas, as águas sujas das infiltrações podem contribuir para a propagação da covid-19.

Como crédito para a boca Governo lança plano de bonificação para incentivar empresas

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ORAM abertas ontem candidaturas para o novo plano de incentivo económico do Governo, que estabelece bonificações para empresas no acesso a crédito bancário e locação financeira. O objectivo é incentivar o desenvolvimento, valorizar o tecido empresarial da RAEM e promover a diversificação económica. A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) passa assim a abranger a locação financeira nas formas de financiamento bonificáveis. O prazo dos créditos não pode ser inferior a um ano e pode ir até quatro anos, a partir da data do uso do crédito. Podem concorrer à bonificação empresas que procurem crédito para aquisição de fracções de edifícios industriais ou comerciais, obras de construção, ampliação ou reparação, aquisição de veículos afectos ao exercício da actividade, compra de software ou sistemas informáticos, aquisição de direitos de propriedade intelectual e aquisição de concessão comercial ou franquia. Assim sendo, os investidores qualificados

que realizam projectos de investimento favoráveis ao desenvolvimento económico de Macau através da forma de crédito bancário ou locação financeira, podem formular candidatura à concessão de bonificação no sentido de obter incentivo financeiro. Essa medida, para além de reforçar apoio à valorização e desenvolvimento empresarial, também pode impulsionar o desenvolvimento a longo prazo do sector de locação financei-

ra em Macau, promovendo a diversificação adequada da economia. As empresas beneficiárias devem apresentar o relatório da situação do projecto de investimento a cada 12 meses durante o prazo de bonificação. Compete à DSEDT a inspecção da finalidade e do estado dos bens envolvidos em projectos de investimento bonificados, de modo a fiscalizar e assegurar a concretização dos projectos de investimento.

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CPSP ELLA LEI QUER REFORÇO DE PODERES

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LLA Lei quer saber se o Governo está disposto a reforçar os poderes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) para fazer face ao barulho “fora de horas” nos estabelecimentos comerciais. Na interpelação divulgada ontem a deputada explica que ao contrário do que acontece com o barulho em habitações, em que a polícia pode intervir e sancionar os culpados, o mesmo não acontece com espaços comerciais.

A deputada afirma ter recebido várias queixas devido a barulho em lojas, entre as 22h e as 9h, que não está relacionado de todo com a actividade comercial, como o som de pedras de Mahjong. Porém, como a lei define que nos espaços comerciais a competência para intervir é dos inspectores da Direcção de Serviços de Protecção Ambiental, a deputada considera que os

afectados nunca recebem a necessária ajuda. Para a deputada, os agentes da DSPA não têm mecanismos necessários e que a competência para intervir devia ser transferida para o CPSP. Neste sentido, Ella Lei quer saber se o Governo vai mudar a lei para permitir um combate ao fenómeno que diz prejudicar as famílias da RAEM durante o horário de descanso.

Anúncio Faz-se saber que no concurso público n. 5/P/21 para a «Prestação de Serviços de Aluguer do Terminal para Uso do Sistema de Vales de Saúde Electrónicos aos Serviços de Saúde», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 9, II Série, de 3 de Março de 2021, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 3.º do programa do concurso público pela entidade que o realiza e que foram juntos ao respectivo processo. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, e também estão disponíveis na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Serviços de Saúde, aos 11 de Março de 2021 O Director dos Serviços Lei Chin Ion o


6 sociedade

relatório de Macau da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres submetido no ano passado às Nações Unidas referia que “várias instituições de educação superior tomaram medidas para promover activamente igualdade de género e prevenir e combater violência sexual no respectivo campus universitário”. Mereceram nota do Governo medidas adoptadas pela Universidade de Macau, a Universidade de São José e o Instituto de Formação Turística. Em resposta ao HM, estas três instituições revelaram ter recebido poucas queixas – ou até mesmo nenhuma – ao longo dos últimos anos. É dado o exemplo da Universidade de Macau (UM), que em 2015 criou o “Comité para a Equidade de Género” para dar apoio e aconselhamento, bem como formação a funcionários e alunos. Questionada sobre os últimos três anos, a UM respondeu que durante esse período o Comité de Equidade de Género recebeu

ENSINO SUPERIOR POUCAS OU NENHUMA QUEIXA SOBRE DISCRIMINAÇÃO

A marcar pela ausência Nos últimos anos, o número de queixas relacionadas com discriminação com base no género recebidas pelo IFT, USJ e UM variou entre zero e dois. A cultura de respeito e a aposta na prevenção são apontados como possíveis explicações para o ínfimo número de casos um total de duas queixas de estudantes. A UM explicou que quando um caso é reportado, o Comité conduz uma “investigação detalhada” e que se for necessário “é imposta uma penalidade ao infractor e/ou o caso será reportado à polícia”. “Acreditamos que a prevenção é a melhor forma de minimizar o assédio sexual no campus”, indicou a instituição. Além de organizar conversas e formações para promover a equidade de género, o Comité realiza actividades anuais, como integrar a equidade de género na educação de estudantes PUB.

HM • 2ª vez • 17-3-21

Cultura de respeito

ANÚNCIO ACÇÃO ORDINÁRIA

CV1-20-0033-CAO

novos nos colégios residenciais da universidade. Agnes Lam, deputada e docente da UM, indicou que chegou a integrar o Comité. “O número de queixas era sempre baixo, de um dígito. Não sei ao certo se as pessoas não querem apresentar queixa, ou se há outro motivo. Talvez não haja casos, ou talvez alguns tenham sido resolvidos através de diálogo. Mas não sei os motivos”, recordou. A deputada elogiou a formação dada aos estudantes – que são aconselhados a falarem se encontrarem alguma situação que os deixe desconfortáveis – e também aos professores sobre como agir se identificarem potenciais riscos. “Acho que a prevenção está a melhorar muito e talvez esse seja o motivo principal (de os números serem baixos)”, comentou.

1º Juízo Cível

Autora: FABRICA DE PRODUTOS ALIMENTARES HOKKAIDO, com morada da empresa em Macau na Avenida de Venceslau de Morais n.º 209, Edifício Industrial Air Way, Bloco 1, 13.º andar “C”. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------Ré: COMPANHIA DE LOJAS FRANCAS DE ZHONG HUA (INTERNACIONAL) SOCIEDADE UNIPESSOAL LDA., registada na Conservatória do Registo Comercial e Bens Móveis sob n.º 48295(SO), com sede em Macau na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado n.ºs 115 e 119, Bai Yun Garden R/C, Loja D, E, F, O e P. -----------------------------------------------------------------------------*** ---- FAZ-SE SABER que pelo 1º Juízo Cível do Tribunal de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do respectivo anúncio, citando a Ré, acima identificada, para, no prazo de TRINTADIAS, findo o dos éditos, contestar, querendo, aACÇÃO ORDINÁRIAacima identificada, na qual a autora pede em síntese: --------------------------------------------------------- Ser julgada procedente por provada a presente acção e, em consequência: -----------------------------------1. Ser a ré condenada a pagar à Autora o valor total de oitocentas e noventa e cinco mil, seiscentas e vinte e quatro patacas e setenta avos (MOP895.624,70), que corresponde às mercadorias fornecidas entre Junho de 2019 e Setembro de 2019, no valor de oitocentas e trinta e cinco mil, quinhentas e trinta e quatro patacas e setenta avos (MOP835.534,70), e dos juros já vencidos atéAbril de 2020, à taxa de 9.75%, no valor de sessenta mil e noventa patacas (MOP60.090,00). --------------------------2. Ser a ré condenada a pagar à Autora o supracitado valor acrescido de juros de mora à taxa legal, vencidos e vincendos, a partir da data da sentença proferida pelo Tribunal de Primeira Instância até efectivo e integral pagamento e, ainda, as custas, selos e e demais despesas. ---------------------------------- Em alternativa: --------------------------------------------------------------------------------------------------------- Ser julgada procedente por provada a presente acção e, em consequência: ------------------------------------1. Ser a ré condenada a pagar à Autora as mercadorias fornecidas entre Junho de 2019 e Setembro de 2019, no valor de oitocentas e trinta e cinco mil, quinhentas e trinta e quatro patacas e setenta avos (MOP835.534,70), acrescido de juros vencidos a partir de 7 de Abril de 2020, data da comunicação escrita, à taxa de 9.75%. -----------------------------------------------------------------------2. Ser a ré condenada a pagar à Autora o supracitado valor acrescido de juros de mora à taxa legal, vencidos e vincendos, a partir da data da sentença proferida pelo Tribunal de Primeira Instância até efectivo e integral pagamento e, ainda, as custas, selos e demais despesas. -----------------------------------Tudo como melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta secretaria à disposição do citando. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- É obrigatória a constituição de advogado (artº. 74º do C.P.C.M.), caso contestar. ------------------------------- Caso seja requerido o apoio judiciário na modalidade de nomeação de patrono, o prazo da oposição interrompe-se desde a data em que o requerente junte aos autos o documento comprovativo do pedido de apoio judiciário (artº 20º da Lei nº 13/2012). -------------------------------------------------------------------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., aos 28 de Janeiro de 2021. ----------------------------------------------

No mesmo ano, a Universidade de São José (USJ) introduziu uma política anti-discriminação e anti-assédio

TIAGO ALCÂNTARA

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a proibir expressamente o assédio sexual, bullying e perseguição, indicou o relatório. Alejandro Salcedo, da USJ, respondeu ao HM que até agora se registou apenas uma queixa, mas que depois de se averiguar o caso com os estudantes envolvidos se verificou tratar-se de um mal-entendido.

“Acreditamos que a prevenção é a melhor forma de minimizar assédio sexual no campus.” UNIVERSIDADE DE MACAU

“A política é muito clara, somos muito rigorosos nisso. Nenhum caso será deixado sem investigação”, frisou Alejandro Salcedo. Um factor que o administrador associa à ausência de casos prende-se com a natureza da instituição: “somos uma universidade católica e enfatizamos o respeito mútuo”. No seu entender, esta cultura da universidade “é a influência ou a razão de não termos tido casos até agora”. Por outro lado, entre as medidas do Instituto de Turismo que mereceram referência do Governo, incluem-se procedimentos para lidar com possíveis queixas de desigualdade de género e

IC TUI MANTÉM PENA DE SUSPENSÃO APLICADA A EX-CHEFE DE DEPARTAMENTO

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Tribunal de Última Instância (TUI) deu razão ao Governo num caso de suspensão, por 30 dias, de uma ex-chefe de departamento do Instituto Cultural (IC), depois de o Tribunal de Segunda Instância (TSI) ter defendido a aplicação de uma pena de multa. A funcionária começou a trabalhar no IC em 1997, tendo sido nomeada para a chefia da Divisão Administrativa e Financeira em 2010. Em 2015, foi nomeada como chefe do Departamento de Organização e Gestão Administrativa e Financeira e integrava, como membro efectivo,

o conselho administrativo do Fundo de Cultura como chefe de Divisão e chefe do Departamento. Foi nestas funções que a funcionária "contratou trabalhadores, com base nas meras práticas habituais anteriores, por ajuste directo e com dispensa de consulta e através do “Acordo de prestação de serviço”. O Governo decidiu aplicar-lhe um processo disciplinar, no âmbito do qual foi concluído que a funcionária “violou, com a sua conduta”, o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau e o regulamento administrativo relativo às

disposições complementares do estatuto do pessoal de direcção e chefia. A mulher recorreu da decisão da suspensão junto do TSI, que “não considerou que a recorrente tivesse cometido tais infracções disciplinares por ter mostrado desinteresse pelo trabalho, mas sim devido à falta de conhecimento das disposições legais e regulamentares”. O Governo recorreu depois para o TUI, que entendeu que “a falta de formação jurídica não pode servir de justificação para o deficiente exercício de funções públicas”. A.S.S.

violência sexual. “Não foram recebidas queixas de casos relativamente à igualdade de género e assédio sexual no campus nos últimos cinco anos (2016 – 2020)”, respondeu o Instituto de Formação Turística (IFT) ao HM. O IFT observou que inclui aconselhamento sobre auto-protecção dos estudantes em sessões semestrais. “A informação inclui, mas não se limita, à promoção de vídeos curtos da Polícia Judiciária e à disponibilização de notícias”, apontou a instituição. As iniciativas de educação de género e aconselhamento sexual envolvem temas como os crimes sexuais e contactos de emergência de 24 horas para apoio. “O IFT espera promover a compreensão entre estudantes para que se possam respeitar mutuamente independentemente das diferenças no seu contexto. A promoção de oportunidades iguais também está incluída no Manual do Estudante”, referiu o organismo. Salomé Fernandes

ONU Pedidos dados sobre violência contra mulheres

As Nações Unidas (ONU) divulgaram um documento que lista questões sobre o relatório periódico da China relativamente à Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, com pedidos de informação também a Macau. Um dos pontos em causa é a violência de género contra mulheres, em que a ONU pede informação sobre “as medidas tomadas para dar resposta à falta de evidências quando são investigados casos de violência contra mulheres, bem como quando são julgados e punidos perpetradores”. Além disso, no documento são também requeridos dados sobre as medidas tomadas para criar uma instituição de direitos humanos independente para “promover e proteger” esses direitos de acordo com os princípios de Paris.


quarta-feira 17.3.2021

Transportes Admitido bilhete combinado para metro e autocarros

O Governo não exclui a hipótese de articular os bilhetes do Metro Ligeiro e autocarros em Macau, apesar de não se comprometer abertamente. A possibilidade foi aberta por Lam Hin San, director da Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), em resposta a interpelação do deputado Lei Chan U. “A Sociedade do Metro Ligeiro de Macau irá aperfeiçoar, de forma geral, o sistema de bilheteira, incluindo a articulação entre os sistemas e os acordos comerciais, e proceder à respectiva divulgação em tempo oportuno”, é escrito pelo director da DSAT. A 22 de Janeiro, Lei Chan U, apoiado pela Federação das Associações dos Operários de Macau, questionou o Executivo sobre a possibilidade de haver um bilhete combinado que permitisse andar no Metro Ligeiro e autocarro.

Hac-Sá Governo recupera espaço na zona de lazer

O Governo recuperou um terreno situado perto da zona de lazer da Praia de Hac-Sá, em Coloane, com uma área de cerca de 822 metros quadrados. Segundo um comunicado, o terreno foi ilegalmente ocupado, tendo sido construídas uma casa de madeira e uma piscina, estando parte do mesmo a ser usado para cultivo. A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) emitiu uma notificação de despejo, mas finalizado o prazo proposto o terreno continuava por desocupar, o que obrigou o Executivo a levar a cabo esta acção.

A segunda semana de Março confirmou a tendência de crescimento das receitas brutas na indústria do jogo. Analistas estimam que Abril mantenha o trajecto positivo, mas que a verdadeira recuperação apenas chegue na segunda metade do ano, à medida que as restrições motivadas pela pandemia forem aliviando

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recuperação da indústria do jogo para níveis de receitas aproximadas aos tempos antes da pandemia tem percorrido um caminho acidentado, de difícil progressão, ao ritmo do relaxamento das restrições fronteiriças e medidas de prevenção da propagação da covid-19. É nesse contexto que os analistas da Sanford C. Bernstein dão conta do crescimento das receitas brutas dos casinos de Macau entre 8 e 14 de Março, à medida que aumenta o volume de visitantes do Interior da China. Um comunicado da Sanford C. Bernstein, citado pelo portal GGRA-

JOGO RECEITAS DOS CASINOS EM TRAJECTÓRIA ASCENDENTE

A longa marcha sia, afirma que “as receitas brutas em Macau da segunda semana de Março melhoraram ligeiramente em relação à primeira semana, apesar de o sector VIP ter ficado num nível abaixo do normal”. Depois da imposição de restrições de viagens pelas autoridades chinesas, em resultado da vaga de infecções de Janeiro e Fevereiro, a situação ficou controlada, o que permite estimativas cautelosamente optimistas em relação às receitas do resto de Março e Abril. Também a JP Morgan Securities afirma que “em termos mensais, as receitas brutas recuperaram para 30 por cento dos valores verificados antes da covid-19, com os sectores de massa e VIP a rondar 40 e 20 por cento, respectivamente, comparativamente a Março de 2019”. De acordo com as contas feitas pela JP Morgan, as receitas brutas nos primeiros 14 dias do mês atingiram 3,7 mil milhões de patacas, com uma média diária de 264 milhões de patacas, resultado ligeiramente superior às receitas diárias dos dois primeiros meses (260 milhões de patacas). Mas a tendência de subida é mais evidente face à estimativa das receitas brutas durante a segunda semana de Março, que terá chegado às 271 milhões de patacas.

O resto do ano

Os analistas da consultora atribuem a melhoria dos resultados não só

Os analistas traçam um cenário de aceleração do aumento das receitas apenas na segunda metade de 2021 e indicam que os feriados de Maio podem ser um ponto de viragem

ao levantamento de restrições de viagem, mas também ao facto de já não ser necessário apresentar teste de ácido nucleico negativo para entrar nas áreas de jogo dos casinos. Nos próximos meses é expectável que o número de visitantes aumente ligeiramente, fluxo que deverá subir exponencialmente quando voltarem a ser permitidos pedidos de vistos electrónicos para chineses que querem visitar Macau. Outro facto apontado como determinante para o retorno a níveis de receitas equiparáveis aos tempos anteriores à pandemia, é o retorno dos vistos de grupo, sinónimo do

regresso de excursões a Macau, e o fim da obrigatoriedade de cumprir quarentena para quem viaja entre a RAEM e Hong Kong. As duas consultoras traçam um cenário de aceleração da retoma apenas na segunda metade de 2021 e indicam que os feriados de Maio podem ser um ponto de viragem. A JP Morgan estima que as receitas brutas recuperem para níveis entre 70 a 75 e 85 a 90 por cento dos níveis anteriores à pandemia, no terceiro e quarto trimestre deste ano, com a recuperação total em 2022. João Luz

DSEC MENOS TRABALHADORES NO COMÉRCIO E TRANSPORTES NO FINAL DE 2020

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ACAU registou um decréscimo do número de trabalhadores no comércio e nos transportes e comunicações no quarto trimestre de 2020, com um ligeiro aumento nas actividades de segurança e de tratamento de resíduos, foi ontem anunciado. A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) indicou que no final do quarto trimestre de 2020 encontravam-se ao serviço

63.737 trabalhadores no sector do comércio por grosso e a retalho, "menos 2,6 por cento" que no período homólogo de 2019. Já o sector dos transportes, armazenagem e comunicações tinha 13.786 traba-

lhadores, "um decréscimo ligeiro de 0,4 por cento, em termos anuais", de acordo com um comunicado. Nas actividades de segurança, registou-se "uma subida ligeira de 0,6 por cento", em termos anuais, havendo 13.520 trabalhadores nessa ocupação, no período em análise. Outro sector com aumento de trabalhadores, foi o de tratamento de resíduos sólidos e líquidos públicos,

que empregava 940 pessoas em Dezembro de 2020, "mais 2,6 por cento" que no período homólogo em 2019, referiu a mesma nota. Importa recordar que no início do mês a DSEC indicou que as operadoras de casinos de Macau contrataram menos 86,6 por cento para o sector das lotarias e outros jogos de aposta, no último trimestre de 2020, devido ao impacto da pandemia na capital mundial do jogo.

Durante o quarto trimestre de 2020, foram recrutados apenas 174 trabalhadores, "tendo-se observado uma queda de 86,6 por cento, em relação ao mesmo trimestre de 2019 (1.294 trabalhadores)", disse. No final de 2020 havia 56.613 trabalhadores a tempo completo no sector das lotarias e outros jogos de aposta, menos 1.612 que em 2019, de acordo com a mesma fonte.


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17.3.2021 quarta-feira

MÚSICA CASA DE PORTUGAL PROMOVE CICLO DE CONCERTOS A CELEBRAR O PATRIMÓNIO

Velhos discos, novos

Começa este fim-de-semana o ciclo de concertos “Património Cultural de Macau” 2021 em que os músicos da Casa de Portuga como “Tributo a Macau” ou “Oito”, entre outros. Com entrada livre, os espectáculos acontecem na biblioteca Sir Robert Ho T

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ELEBRAR alguns locais emblemáticos do património de Macau é aquilo que propõe a Casa de Portugal em Macau (CPM) com três concertos que acontecem este fim-de-semana. Na sexta-feira, dia 19, tem lugar o primeiro, na biblioteca Sir Robert Ho Tung, junto ao teatro D.Pedro V, dedicado aos poemas de Fernando Pessoa musicados pela banda Sunny Side Up, que deram origem ao disco “Pessoa”, lançado em 2015. Na altura os Sunny Side Up eram compostos pelos músicos Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade e Filipe Fontenelle, mas a banda foi, entretanto, extinta, até porque Filipe Fontenelle já não se encontra no território.

O objectivo deste ciclo de concertos é “proporcionar uma forma diferente de explorar estes locais emblemáticos da cidade” Na altura, este explicou ao HM como surgiu este projecto. “Na sequência do primeiro disco que fizemos, ‘Tributo a Macau’, esta foi uma proposta que a gente quis fazer aproveitando a data que ia ser assinalada este ano, dos 80 anos da morte de Fernando Pessoa. Aproveitamos para fazer uma escolha de poemas que gostássemos e fizemos um disco com dez poemas, todos compostos pela banda." “Pessoa” tem músicas em português e chinês, sendo que a versão traduzida foi feita com base em livros cedidos pelo Instituto Cultural (IC)

e com o trabalho do departamento de Português da Universidade de Macau. No sábado, dia 20, o ciclo de concertos prossegue com o espectáculo “Tributo a Macau”, na Casa Garden, às 17h. Ao HM, Tomás Ramos de Deus explicou que este concerto é dedicado ao segundo disco que a banda gravou com o mesmo nome. Este “Tributo a Macau” foi gravado em 2019 e não é

mais do que uma homenagem a Macau e aos 20 anos da transferência de soberania do território. Cada poema escrito para o álbum é acompanhado de uma ilustração. No domingo, dia 21, a música acontece para os lados da Casa do Mandarim, às 16h, com o espectáculo “Poesia chinesa cantada em português”, onde serão tocadas novamente as músicas do disco “Oito”, apresentado

em 2017. “Neste disco são só poemas de poetas chineses que foram traduzidos para português e que musicamos. O disco tem uma componente musical muito mais oriental porque trabalhamos com instrumentos chineses e temos mesmo músicos chineses a trabalhar connosco. Neste concerto não vamos conseguir trazer os músicos chineses devido a várias condicionantes, nomeadamente por causa da

pandemia mas vamos tocar as mesmas músicas”, adiantou Tomás Ramos de Deus. Uma vez que este espectáculo acontece na Casa do Mandarim, o grupo decidiu incluir também duas músicas compostas para o disco “Tributo a Macau” por Carlos André, ex-director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau, intituladas “Casa do Mandarim” e

“Casa do Lilau”. “Pensámos em tornar o concerto mais longo e incluir essas duas músicas porque têm a ver com o local”, disse Tomás Ramos de Deus.

Novo projecto na calha

Segundo Diana Soeiro, coordenadora da CPM, o objectivo deste ciclo de concertos é “proporcionar uma forma diferente de explorar estes locais emblemáticos da cidade”. “Primeiro pensámos


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palcos

al em Macau vão tocar canções de álbuns Tung, Casa Garden e Casa do Mandarim

nos espaços e só depois nos projectos musicais adequados à envolvência”, acrescentou. No total, já foram lançados com o cunho da CPM um total de oito discos. Mas a banda da CPM promete não ficar por aqui, estando a ultimar uma nova versão de “Oito”, mas desta vez exclusivamente dedicado ao público mais jovem e composto na totalidade pelo poeta Yao Feng, pseudónimo

de Yao Jingming, professor universitário, autor e tradutor. O tema deste trabalho é os animais. “É sempre bom trabalhar com um poeta como o Yao Feng, porque ele fala português fluentemente e, sendo chinês, tem uma visão sobre o português que é refrescante para nós, é uma visão completamente diferente. É uma experiência óptima”, concluiu Tomás Ramos de Deus. Andreia Sofia Silva

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filme "Mank", do realizador David Fincher, é o mais nomeado para a 93.ª edição dos prémios norte-americanos de cinema Óscares e, pela primeira vez, duas mulheres competem para Melhor Realização, foi ontem anunciado. "Mank", produzido pela Netflix, soma dez nomeações, incluindo nas categorias de Melhor Filme, Realização, Direcção de Fotografia, Actor Principal (Gary Oldman) e Actriz Secundária (Amanda Seyfried), o que não significa necessariamente que seja o favorito, já que nos Globos de Ouro liderava as nomeações e acabou por não arrecadar qualquer prémio. Além de David Fincher, para o Óscar de Melhor Realização estão nomeados Thomas Vinterberg - que tem "Another Round" na categoria de Melhor Filme Internacional -, Lee Isaac Chung ("Minari"), Chloé Zhao ("Nomadland - Sobreviver na América") e Emerald Fennell ("Promising Young Woman - Uma miúda com potencial"). É a primeira vez que duas mulheres competem nesta categoria: Para Chloé Zhao significa ainda que é a primeira mulher de ascendência asiática a consegui-lo, enquanto para Emerald Fennell, actriz britânica que integra o elenco da série "The Crown", esta é uma dupla estreia, já que "Promising Young Woman" é a primeira longa-metragem que assina. Em mais de 90 anos de história dos Óscares, apenas cinco outras mulheres estiveram indicadas nesta categoria: Lina Wertmüller, Jane Campion, Sofia Coppola, Kathryn Bigelow (premiada em 2010) e Greta Gerwig. "Mank", "Nomadland" e "Promising Young Woman"

E o vencedor é... "Mank" de David Fincher lidera nomeações para os Óscares

estão também indicados para o Óscar de Melhor Filme. A eles juntam-se ainda "O Pai", "Judas and the Black Messiah", "Minari", "Sound of Metal" e "Os 7 de Chicago".

Seis vezes seis

Com seis nomeações cada surgem seis filmes: “Nomadland", "O Pai", "Judas and the Black Messiah", "Minari", "Sound of Metal" e "Os 7 de Chicago". As nomeações reflectem um período condicionado pela pandemia da covid-19, que paralisou a exibição

cinematográfica e levou ao adiamento de dezenas de produções e de estreias. Os filmes nomeados tiveram escassa audiência em sala e muitos deles existiram, sobretudo, em contexto de plataformas de 'streaming'. Para o Óscar de Melhor Actriz estão nomeadas Carey Mulligan ("Promising Young Woman), Frances McDormand ("Nomadland"), Viola Davis ("Ma Rainey: A mãe dos blues"), Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman") e Andra Day "The United States vs. Billie Holiday").

Na representação masculina estão indicados Chadwick Boseman (a título póstumo por "Ma Rainey: A mãe dos blues"), Riz Ahmed ("Sound of Metal"), Anthony Hopkins ("O Pai"), Gary Oldman ("Mank") e Steven Yeun ("Minari"). Para Melhor Filme Internacional, em língua não inglesa - para o qual Portugal ainda candidatou "Vitalina Varela", de Pedro Costa -, foram seleccionados "Quo Vadis, Aida?" (Bósnia Herzegovina), "Another Round" (Dinamarca), "Better Days" (Hong Kong), "The Man Who Sold His Skin" (Tunísia) e "Collective", filme romeno que está também na categoria de Melhor Documentário. "Bora lá", "Para além da lua", "Soul - Uma aventura com alma", "Wolfwalkers" e "Ovelha Choné: A quinta contra-ataca" competem pelo Óscar de Melhor Filme de Animação. O filme "Kapaemahu", com realização de Hinaleimoana Wong-Kalu, Dean Hamer e Joe Wilson e direção de animação do português Daniel Sousa, não chegou às nomeações finais para melhor curta de animação. Os nomeados para a 93.ª edição dos Óscares foram esta segunda-feira anunciados a partir de Londres pela actriz Priyanka Chopra Jonas e pelo músico Nick Jonas. A cerimónia, que deveria ter acontecido em finais de Fevereiro, foi adiada para 25 deAbril por causa da pandemia da covid-19, e acontecerá em dois locais de Los Angeles, o Dolby Theatre e o edifício da estação de comboios Union Station.

Cinema Festival de Xangai acontece em Junho

A 24ª edição do Festival Internacional de Cinema de Xangai acontece entre os dias 11 e 20 de Junho deste ano, noticiou ontem a agência Xinhua. Desta forma, realizadores e organizações ligadas à indústria podem inscrever-se para o evento que todos os anos recebe mais de 100 equipas de filmagem e 400 realizadores chineses e estrangeiros, reconhecidos em todo o mundo. Criado em 1993, o Festival Internacional de Cinema de Xangai tem vindo a tornar-se um importante evento cultural não apenas na China mas em todo o mundo. O festival foi cancelado o ano passado devido à pandemia covid-19 mas está agora de regresso. Um total de 3.693 filmes de 108 países fizeram parte do cartaz da última edição.


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17.3.2021 quarta-feira

Chinês-português Testes para tradutores e intérpretes

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China vai realizar a 19 e 20 de Junho os primeiros testes de acreditação de tradutores e intérpretes chinês-português e português-chinês. O Centro de Gestão de Projecto do Teste de Acreditação da China para Tradutores e Intérpretes (CATTI, na sigla inglesa) anunciou que os testes irão decorrer em simultâneo na China continental e em Macau. Os testes exigem “um conhecimento profundo da sociedade, história e cultura da China e dos países de regiões de língua portuguesa”, sublinha o CATTI, num comunicado. A candidatura aos testes, distribuídos por três níveis de proficiência, é aberta não apenas a cidadãos chineses, mas também a estrangeiros que trabalhem na China e residentes em Macau, Hong Kong e Taiwan. Só quem passa nestes testes pode trabalhar na Administração de Publicações em Línguas Estrangeiras da China (CIPG, na sigla inglesa), que tem a tutela do CATTI, ou ingressar em mestrados de tradução e interpretação. O CATTI tinha anunciado no final de fevereiro a criação de um comité para preparar e avaliar este teste. O comité, que conta com 12 peritos em português, seis dos quais baseados em Macau, é liderado pelo presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Macau (IPM), Lei Heong Iok. O CATTI realizava até agora testes de acreditação de tradutores e intérpretes de sete línguas: inglês, francês, alemão, japonês, russo, espanhol e árabe. Cerca de 50 instituições chinesas de ensino superior têm cursos de língua portuguesa, disse à Lusa, em novembro, Gaspar Zhang Yunfeng, coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM. O professor indicou que o interesse pelo português na China registou um “crescimento enorme” nos últimos anos, porque há muitas saídas profissionais, nomeadamente “em empresas chinesas que tenham uma grande colaboração com os países de língua portuguesa”.

Mãos à obra CONSELHO DE ESTADO ELENCOU PRIORIDADES PARA FORTALECER A RECUPERAÇÃO ECONÓMICA

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A sequência da 13ª Assembleia Popular Nacional (APN, o Conselho de Estado reuniu na passada segunda-feira e pediu que “todas as principais tarefas estabelecidas no relatório de trabalho do governo devem ser implementadas com eficácia para sustentar o desenvolvimento económico e social estável”. O relatório, aprovado na recém-concluída quarta sessão da 13ª

Apoio ao sector de serviços e PMEs, redução da burocracia e mais supervisão, são alguns pontos do relatório do governo, aprovado na APN, que o Conselho de Estado deseja ver rápida e rigorosamente implementado

Assembleia Popular Nacional (APN), estabeleceu as principais metas e prioridades para o trabalho do governo neste ano. A reunião, presidida pelo primeiro-ministro Li Keqiang, apelou a “esforços consistentes na prossecução do desenvolvimento de alta qualidade, consolidando os ganhos na contenção de COVID-19 e no desenvolvimento socioeconómico e cumprindo os compromissos do governo para com o povo, numa


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ano a ano e mês a mês, e uma análise aprofundada dos novos desenvolvimentos e novos problemas. Segundo a Xinhua, “isso ajudará a fazer ajustes antecipados às políticas introduzidas. É fundamental para impulsionar o emprego e manter os preços estáveis, numa tentativa de ancorar as expectativas do mercado. Esforços devem ser feitos para prevenir e neutralizar vários riscos e perigos potenciais e consolidar a base para a recuperação económica”.

Serviços com dificuldades

tentativa de fazer novos progressos na promoção do desenvolvimento e na melhoria do bem-estar das pessoas”. A reunião atribuiu as nada menos que 44 tarefas-chave em 38 áreas, conforme o relatório, aos órgãos competentes do Conselho de Estado e às autoridades subnacionais, com suas respectivas responsabilidades e prazos para o cumprimento das tarefas claramente definidas. “O relatório de trabalho do governo passou pelo processo legal de aprovação pela APN e incorpora os nossos compromissos assumidos com os deputados. O governo deve tomar medidas concretas para cumprir plenamente as suas responsabilidades e garantir a implementação de todas as políticas”, disse Li. A reunião sublinhou ainda a necessidade de se manter a par das mudanças nas tendências económicas mundiais e suas implicações para a China e pediu uma compreensão da dinâmica da actividade económica doméstica,

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“O primeiro bimestre foi marcado pela continuidade da recuperação económica e pelo fortalecimento do ímpeto de desenvolvimento. Dito isto, a recuperação continua desigual, pois o sector de serviços, as micro e pequenas empresas e alguns locais ainda enfrentam dificuldades para recuperar. Devemos agir prontamente para cumprir metas e tarefas de desenvolvimento anuais estabelecidas no relatório de trabalho do governo e manter os principais indicadores econômicos dentro de uma faixa apropriada”, sublinhou Li. Foi enfatizado na reunião que os cortes de impostos e taxas para as micro e pequenas empresas, especialmente os novos cortes de impostos estruturais, devem ser implementados de forma cabal. A política de aumento da super-dedução de impostos sobre despesas de pesquisa e desenvolvimento das empresas de manufactura deve ser aplicada o mais rápido possível, e o período de liquidação encurtado, para que as empresas possam beneficiar este ano. A reunião recomendou a manutenção do rácio de suporte macro-estável e a redução do rácio de suporte do governo. As instituições financeiras serão incentivadas a introduzir prontamente medidas específicas para tornar o financiamento mais fácil e cada vez mais acessível para micro e pequenas empresas. As políticas fiscais, financeiras e outras devem funcionar em sincronia para apoiar a criação de empregos. O emprego e os serviços relacionados para grupos-chave como graduados universitários, ex-membros do serviço e trabalhadores migrantes rurais serão promovidos. Os mercados de trabalho, talento e

‘‘(...)Uma economia global forte é boa para a China. No entanto, uma flexibilização quantitativa massiva também trará efeitos colaterais(...)’’ LI KEQIANG

trabalho casual serão totalmente aproveitados para aumentar o emprego. “Uma faixa apropriada diz respeito ao crescimento do emprego, aumento do rendimento, melhoria ambiental e estabilidade de preços, independentemente das velocidades de desenvolvimento nessas frentes serem um pouco mais rápidas ou mais lentas”, disse Li.

Alibaba e os 40 senões Governo pede ao grupo que descarte activos na imprensa

Combater a burocracia

A reunião convocou o aprofundamento da reforma das funções governamentais para avançar a gestão baseada em listas para todos os itens que requerem aprovação administrativa. Medidas específicas serão implementadas para reduzir os procedimentos, documentos, tempo e taxas exigidas na condução da análise governamental dos pedidos feitos pelas empresas. Os fundos de investimentos orçamentais, pagamentos de transferências do governo central e títulos de finalidade especial do governo local serão entregues e utilizados em tempo útil, e o apoio a áreas mais fracas, como a educação obrigatória e cuidados médicos básicos, será reforçado. Serão ainda introduzidas políticas para apoiar a formação e a procura do ensino superior no trabalho para professores em distritos e vilas.

Mais supervisão

“A economia mundial enfrenta grandes incertezas e há opiniões divergentes sobre como as coisas podem correr. Uma economia global forte é boa para a China. No entanto, uma flexibilização quantitativa massiva também trará efeitos colaterais, que podem afectar a China e até mesmo o mundo inteiro”, disse Li. O Conselho de Estado pediu supervisão e fiscalização mais rígidas da implementação das políticas. As autoridades locais e os departamentos relevantes devem formular planos de implementação específicos o mais rápido possível e concluir as suas tarefas mais cedo do que tarde. A coordenação e a cooperação intersectoriais devem ser intensificadas em questões transregionais e intersectoriais. “As políticas macro-fiscais, monetárias e de emprego devem ser implementadas prontamente. Os fundos fiscais ampliados e directamente alocados devem ser entregues aos governos a nível de sub-região e de distrito o mais rápido possível, com foco no apoio ao emprego, às necessidades essenciais das pessoas e às entidades de mercado. Os governos em todos os níveis devem continuar com um orçamento apertado para garantir o bom funcionamento dos governos de nível primário», concluiu Li Keqiang.

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Governo chinês pediu ao gigante do comércio electrónico Alibaba que se desfaça de activos no sector da imprensa, visando contrariar a influência do grupo fundado por Jack Ma, informou o jornal Wall Street Journal (WSJ). O bilionário, que se retirou oficialmente do Alibaba, em 2019, mas continua a ser um dos principais accionistas do grupo, é há alguns meses alvo das autoridades do país asiático. Os reguladores chineses suspenderam em Novembro a entrada em bolsa do Ant Group, uma subsidiária do Alibaba para pagamentos digitais e, no mês seguinte, abriram uma investigação sobre práticas alegadamente monopolistas do grupo. As autoridades pediram agora ao Alibaba que reduza drastica-

mente a sua presença no sector da imprensa, segundo o jornal norte-americano, que não identifica nenhuma fonte. O Alibaba detém o South China Morning Post (SCMP), jornal de referência em língua inglesa, em Hong Kong. O grupo também tem participações na rede social Weibo, o equivalente ao Twitter na China, e na plataforma de transmissão de vídeos Bilibili, além de outros órgãos e também agências de publicidade. Segundo o Wall Street Journal, os líderes chineses estão preocupados com a crescente influência na opinião pública exercida pelo grupo fundado por Jack Ma. O jornal não detalha se o grupo se deve retirar totalmente do sector ou apenas renunciar parte das suas posições. O Alibaba também arrisca uma multa recorde na China por práticas anticoncorrenciais, informou o mesmo jornal. O valor da multa pode ultrapassar os 815 milhões de euros pagos em 2015 pela fabricante norte-americana de ‘chips’ Qualcomm, a maior multa antimonopólio imposta por Pequim até à data. As autoridades acusaram o Alibaba de obrigar os comerciantes a vender exclusivamente através da sua plataforma, concedendo exclusividade ao grupo, ao se absterem de comercializar os seus produtos ou serviços noutras plataformas de vendas ‘online’.

PARKINSON APROVADO MEDICAMENTO DE FARMACÊUTICA PORTUGUESA

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Administração Nacional de Produtos Médicos da China aprovou o registo do Ongentys, um medicamento para a doença de Parkinson desenvolvido pela farmacêutica portuguesa Bial. Segundo o portal do regulador chinês na Internet, o pedido de registo foi apresentado pela farmacêutica chinesa Shanghai Fosun Pharmaceutical Co Ltd, que faz parte do conglomerado Fosun. O Ongentys é um fármaco de toma única diária, aprovado em junho de 2016 pela Comissão Europeia e indicado como terapêutica em pacientes adultos com doença de Parkinson e outras doenças neurológicas. Em 2018, a Bial tinha chegado a um acordo de licenciamento exclusivo com a Wanbang Biopharmaceutical, subsidiária da

Shanghai Fosun Pharmaceutical, para o Ongentys na China continental. O acordo garantiu à Bial um pagamento inicial pela licença de “2,5 milhões de euros, acrescidos de 12,5 milhões, de acordo com o cumprimento de determinados objetivos ao longo da parceria”, disse na altura a empresa sediada na Trofa. O presidente da Wanbang, Wu Yifang, elogiou em 2018 a “eficácia”, “segurança” e o “regime de toma única diária do Ongentys, acrescentando que iria “trazer uma opção terapêutica alternativa, que dá resposta a uma necessidade médica na China”. O Ongentys é o segundo medicamento de patente portuguesa e da Bial a chegar ao mercado chinês, depois da comercialização de Zebinix, para o tratamento da epilepsia.


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divina comédia

NUNO MIGUEL GUEDES

Este tempo parece avançar devagar, numa espiral descendente. Até os temas dos dias começam a ser recorrentes, demasiado recorrentes. Não se admire o leitor que também este pobre cronista fique umas vezes refém ou outras vezes soldado contra a agenda que lhe querem impor. Por isso foi sem surpresa que desde há algumas semanas ando obcecado com um quadro de Francisco de Goya (1746-1828) : chama-se O Sono da Razão Produz Monstros e nele se vê o que alegadamente é o pintor num sono que se percebe atribulado pela posição desconfortável do seu corpo. Atrás dele, corujas e morcegos surgem das trevas, ameaçando-o. Goya foi um filho do Iluminismo e como tal endeusava o uso da Razão que colocava como o centro de toda a actividade humana. Mas este quadro parece ter ganhado uma vida terrível no presente. A razão – ou pelo menos o bom senso – está adormecida. Ou pior: tende a estar policiada e presa. Já não vale a pena considerar aquilo que podemos assistir quotidianamente como episódios isolados. Não: os cancelamentos, as proibições, as constantes modificações da linguagem são sinais claros de que a nova ortodoxia está para ficar se nós deixarmos. A supressão do debate está instalada desde o início da década de 90 do século passado, intimamente ligado ao que ficou conhecido como Politicamente Correcto. Peter Coleman, um antigo ministro australiano do Partido Liberal chamou-lhe uma “heresia do liberalismo” e foi mais longe: “O que começou como um assalto liberal à injustiça tornouse, não pela primeira vez, uma nova forma de injustiça”. Sobre este “não pela primeira vez” há muito que dizer. Mas antes olhemos para o agora. E agora, só para falar nos tempos mais recentes, há isto: Pepe Le Pew, uma doninha ultra-namoradeira e protagonista de um desejo animado, é banida por supostamente “incentivar à violação”. Outro personagem de ficção, James Bond, para além de sofrer pressões por corresponder a uma minoria supostamente privilegiada e de sexualidade condenável para esta Ortodoxia (leia-se branco e heterossexual) é ainda censurado por “induzir a comportamentos alcoólicos”. Uma antropóloga brasileira de méritos académicos exemplares e conhecido activismo anti-racismo, Lilia Schwarcz, foi linchada nas redes sociais por um texto em que criticava (!) o visual africano de Beyoncé no Black Is King . Principal argumento dos que a atacam: é branca. O caso dos requisitos para quem queira traduzir o poema da tomada de posse de Joe Biden escrito por Amanda Gorman – uma jovem negra – é também já conhecido: para o poder fazer é necessário ser negro e de preferência activista. Seis livros de um dos mais acarinhados escritores de livros infantis, Theodore Seuss, foram retirados de circulação por conterem “elementos racistas”. Os autores canónicos da literatura ocidental (expressão que já por si é perigosa de utilizar neste período inquisitorial) estão a ser retirados dos

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O sono da razão

currículos académicos por representarem a opressão heteropatriarcal, o imperialismo ou a supremacia branca. E sim, falo de Homero ou de Shakespeare. Perante este assustador estado de coisas alguns liberais moderados reconhecem as causas e identificam a sua origem. Um dos exemplos é Ross Douthat, que escreveu a 6 de Março uma importante reflexão no New York Times. Cito-o sem tradução: « What does this say about the condition of liberalism? Something not so great, I think. (…) But it was a good thing when liberalism, as a dominant cultural force in a diverse society, included a strong tendency to police even itself for censoriousness — the ACLU tendency, the don’t-ban-Twain tendency, the free-speech piety of the high school English

OS CANCELAMENTOS, AS PROIBIÇÕES, AS CONSTANTES MODIFICAÇÕES DA LINGUAGEM SÃO SINAIS CLAROS DE QUE A NOVA ORTODOXIA ESTÁ PARA FICAR SE NÓS DEIXARMOS. A SUPRESSÃO DO DEBATE ESTÁ INSTALADA DESDE O INÍCIO DA DÉCADA DE 90 DO SÉCULO PASSADO, INTIMAMENTE LIGADO AO QUE FICOU CONHECIDO COMO POLITICAMENTE CORRECTO

teacher.» Outra excelente contribuição é a de Edward Skidelski no The Critic. Ao conceito de Politicamente Correcto prefere abertamente o de Totalitarismo, não o adjudicando exclusivamente à esquerda mas também à extrema-direita. Os métodos diferirão: a primeira, com mais reconhecimento social, age de forma aberta enquanto a segunda prefere o anonimato da internet. Mas os objectivos são os mesmos: suprimir o que é incómodo para o que se quer um pensamento dominante. Skidelski: « This — note — is very different from the older liberal principle of “no tolerance for the intolerant”. That principle served only to rule out the Lenins and Hitlers of this world, preserving a wide scope for disagreement. But if what is required is not just tolerance, but affirmation, the scope for disagreement is nil. All must affirm, or else face “cancellation”. Herein lies the secret of that strange and horrible metamorphosis whereby the champions of “diversity” and “inclusivity” have become the most zealous persecutors of the modern age.» Poderia continuar e receio que o faça numa outra oportunidade. Apenas direi que uma das origens deste clima cultural e até político está identificada por todo o espectro ideológico moderado e é paradoxalmente o lugar onde o debate e a liberdade de expressão sempre foram valores blindados e desejáveis: as universidades. Agora o caso é outro. Num ensaio disponível no site academia.edu com o título Academic Inquisition: Are Universities Centres of Higher Education or Higher Indoctrination?, o professor de Linguística Alaric Audé descreve bem o ambiente académico que se vive: « Professors are behaving as zealots and activists rather than remaining neutral where possible and acting as facilitators of complex discussions and problem solving skills. Professors themselves partake in violent demonstrations (Bostock, 2020) and encourage their inexperienced students, not to act with reason, but condone and justify repulsive behaviors in their students. They have forsaken the art of teaching and instead revel in the power and influence that comes with indoctrination. Instead of providing stimulating and through provoking lessons, they water down education and create “safe spaces” as if their students were young children that needed mental protection». E faz mais: estabelece uma genealogia do fenómeno – o tal “não pela primeira vez” que salientei no início da crónica - que já há muito também foi identificada mas que é sempre assustadora: o totalitarismo nazi e soviético, onde professores e alunos com vozes dissidentes eram perseguidos, despedidos e às vezes pior. O verdadeiro problema é que esta mentalidade já passou para os estudantes, também eles os primeiros a denunciar, proibir ou cancelar toda a possibilidade de opiniões contrárias à ortodoxia vigente. A razão parece continuar adormecida. Os monstros estão bem acordados e não se recomendam.


quarta-feira 17.3.2021

diário de um editor

JOÃO PAULO COTRIM

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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Prova de vida SANTA BÁRBARA, LISBOA, SÁBADO, 13 MARÇO Na discussão ininterrupta entre o peso e a leveza, a cadeira parece-me um dos mais notáveis argumentos. Assim como o bater de asas do colibri, só o debate nos sustenta. Dir-me-ão que a posição de lótus fará bem a ligação entre terra e céu, mas não encontro nisso construção. Não existimos sem extensões do corpo e a cadeira dá-nos um chão que ir permite ir longe mantendo raízes. O automóvel foi construído para definirmos bem sentados a paisagem. A casa é uma garagem de cadeiras. Sento-me na primeira fila para ver o espectáculo imersivo da meia idade. Sem querer, elefante, salto de nenúfar em nenúfar. «As ruas que descem são perigosas. Nada de mais, apenas inclinação. Os montes subidos também continham a sua dose de risco, cenário exacto para o Castelo. Sustenha-se a respiração. Uma navalha esculpia na terra como uma tatuagem aquele exemplo de clássica arquitectura militar. A conquista havia tinha que se rasgar com percursos unidos pelas armas que se espetadas na terra. Contavam apenas as que ficavam hirtas e vibrantes. Grande aventura, ter uma navalha na mão no meio dos montes para a atirar com força e gritos. Os gritos são indispensáveis. Nem tínhamos que jogar bruto, mas aí aliviava bastante. Contra um árbitro, que segurava a cabeça do primeiro e por isso se chamava mãe, um grupo enfileirava-se de costas dobradas, cabeça debaixo das pernas do da frente, enquanto o outro grupo saltava de joelhos nas costas. Quem não aguentasse, perdia. Quem não aguenta, perde. Não é diferente fora das histórias: gritar ajuda. Doía mais o círculo dos calduços por causa do silêncio imposto. No meio de uma apertada roda de estátuas proibidas de mostrar os dentes alguém se mexia como doido. Se parasse oferecia a nuca à fortíssima palmada anónima. Se vislumbrasse o autor, caía ele no buraco negro. Não era fácil trocar de abismo.» DESPORTOS RADICAIS, A HISTÓRIA DEVIDA, PROGRAMA ANTENA 1

«Os textos têm um princípio. E os dias também. Aqueles começam por uma letra, estes por um raio de sol. O universo começou, nem sei se se por acaso ou por necessidade, com um bang. Noutras versões foi um verbo e um sopro. Mas tudo traz um princípio, ainda que tosco. Além do gosto, há princípios que trazem hesitações e despudores. Alguns contêm esforço e sacrifício, quase partos. Com dor. É caso nas utopias. Como o é num ou noutro desejo, até neste pequeno querer fazer: pois ele há princípios de coração, princípios de mão, princípios de cabeça. Crescer além do momento principal é ainda, e sobretudo, trocar uns princípios por outros, escolher uns quantos e alimentá-los. Evitando que se suicidem contra a luz. Serão os fins principalmente desgostos? A minha colecção sem fim de pequenos princípios não me dá resposta.» DEDO NA FERIDA, JORNAL COMBATE

«A arte pura é exibicionista, gosta que a vejam, não se realiza sem que uns poucos a

admirem. É verdade que nem sempre se despe, pois ama a sedução tanto como o mistério. E joga ao gato e ao rato com o que sente e dá a sentir, com o que vê e dá a ver, com o que mostra e dá a esconder. Mas nem todas as artes são exibicionistas. Na classificação das artes há uns lados de sombra onde se abrigam, ao fresco, aquelas disciplinas tão indisciplinadas e movediças que escapam às supremas etiquetas e às grandes hierarquias do gosto e da sensibilidade. São menores ou impuras, mas nem por isso deixam de se atravessar no nosso caminho. Até se instalam para ficar nos nossos modos de ver e de experimentar as coisas. Como algumas insidiosas melodias que não nos deixam o ouvido, há pequenos momentos visuais que nos paginam os dias, que os arrumam logicamente ou os desarrumam poeticamente.» CRÓNICA, TSF

«O país Lisboa possui a luz da tolerância e nele convivem há séculos as mais díspares religiões e comércios e corpos e cores. No Martim Moniz, nas suas arcadas e recantos, mora um mundo inteiro. Ali à volta encontramse passagens directas para os mais distantes lugares: China, se procurarmos bem por entre imitações; África, no cabeleireiro de carapinhas; Goa, num certo restaurante de tentações picantes, ou o Absurdo, no hospital das bonecas. Lisboa ainda acredita na infância.» PASSAGENS DE NÍVEL SEM GUARDA, REVISTA UP

«No país da amizade não há tribunais, mas também não há mapas. A primeira coisa que um amigo faz é abrir a porta, a segunda é ouvir. As perguntas só chegam depois, e serão todas passadas pelo crivo da sinceridade. O amigo está sempre lá e acolhe antes de opinar, cada um da sua maneira muito própria. O amigo fará tudo pelo amigo, mas não fará necessariamente aquilo que o amigo quer, mas o que a amizade lhe manda. A razão é simples: não podemos viver a vida através dos outros. Sem ter vivido alguma coisa nada tenho nada para trocar e é disso que falamos quando falamos de amizade: de partilha. Nenhum amigo evita os problemas, ninguém tem as soluções que precisamos. Ajudam a perceber os problemas, o que é meio caminho para encontrar as soluções.» AS OCASIÕES SÃO PARA OS AMIGOS, REVISTA 20 ANOS

«Mal o mundo suspire de cansaço, eis a hora certa. Pouse-se o rosto na coxa como um cair de tarde e admire-se. Não basta sonhá-la, como se nunca tivesse existido; não interessa invocála, resgatando-a aos confins da memória ou às páginas de um livro; não serve sequer vêla: temos que a dizer, devemos escrevê-la. Só assim entramos nela iverdadeiramente. (...) Neste endereço se encontra a suprema alegria de jogar com os sentidos, não apenas os cinco, mas os outros que desaguam nesses como marés, aquilo que fomos ou o que estamos para ser, o que preferimos esquecer e apagar. Está tudo ali, na cona de Picasso, que pintava com o caralho.» A CONA DE PICASSO, JORNAL LUX FRÁGIL


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4 5 1 8 1 6 8 3 0 7 14 [f]utilidades 2 1 7 8 9 0 7 9 6 0 3 4 1 7 2 8 0 1 8 0 3 4 1 6 9 T7E M3P O M U I T O N U4B 1 LADO MIN 20 4 9 8 3 7 0 1 4 5 9 CINETEATRO 0 3 2 7 6 3

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ONE SECOND 52 CHAMPION [C]

FALADO EM CANTONÊS LENGEDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Chui Sin Hang Com: Endy Chow, Chanon Santinatornkul, Lin Minchen 14.30, 16.30, 21.30

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UM JOGO HOJE

LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Tim Story Com: Chloe Grace Moretz, Michael Pena, Ken Joeng, Colin Jost 16.45, 19.30

3 0 1 THE UNTOLD TALE OF THE THREE 7 KINGDOMS 8 [B] 3 6 FALADO EM JAPONÊS SOUL [A] 3 5 9 1 0EM CHINÊS 8 E INGLÊS LEGENDADO FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Yuichi Fukuda LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Pete Docter 1 6 Com: 9Oixumi 3Yo, Kaku Kento, Hashimoto Kanna, 19.30 Yamamoto Mizuki 3 0 14.30, 16.30, 19.30 WAY DOWN [B] SHOCK WAVE 2 [C] 1 Um filme de: Jaume7 Balagueró FALADO EM CANTONÊS Com: Famke Janssen, Freddie Highmore, EM CHINÊS Astrid Bergès-Frisbey 8 4 LEGENDADO Um 6 filme de:7 Herman Yau 16.30, 21.30 Com: Andy Lau, Lau, Ni 9 Ni TOM & JERRY [A] 4 3 0 5Sean 1 FALADO EM CANTONÊS 21.30 3 0 1 4 6 2 9 2 3 0

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BATTLEFIELD 4 | EA ARTS | 2013

Battlefield 4 é um jogo na primeira pessoa que é intemporal e coloca frente-a-frente diferentes exércitos de países inimigos. O principal objectivo passa por matar todos os outros jogadores várias vezes, quem tem como extra a possibilidade de humilhá-los no modo multiplayer. Uma das grandes vantagens é a existência de armas reais, que ensinam qualquer pessoa coisas básicas como carregar, limpar e disparar. É um jogo em que as muitas 6 passadas 4 7 à frente 2 1do horas ecrã fazem a diferença. 8 2 1 7 9 João Santos Filipe

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4 1 9 4 1 5 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 50

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2 5 1 6 4 8www.hojemacau.com.mo 9 7 5 6 8 5 0 5 4 2 2 M0A 9 X 12 6 H U M 6 0 - 9 8 % ´

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8 4 5 6 3 0 2 7 9 1 3 6 9 1 5 8 4 0 7 2 2 1 9 4 7 8 5 0 3 6 0 2 8 9 3 6 7 4 1 5 7 6 3 5 9 1 0 8 2 4 5 4 1 7 0 2 8 9 6 3 0 8 2 1 6 9 3 4 7 5 ANÚNCIO 7 3 0 5 1 4 2 6 9 8 n.º 002/DGF/2021 5 3 1 2 8 7 4Consulta 6 0 Pública 9 4 1 2 0 9 3 6 5 8 7 Arrendamento, com vista à exploração, do snack-bar 4 7 6 0 5 2sito9no3Parque 1 8Municipal da 9Colina 7 da 6 Guia 2 8 5 0 1 3 4 1 9 0 8 4 6 7 2 5 3 6 8 5 4 7 1 3 2 0 9 Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais 6do 2Instituto 4 para 3 os 0 Assuntos 5 1 Municipais 9 8 7 4 6 de22021, 7 se9acha3aberta 5 a1 (IAM), tomada em826 0 de Fevereiro do snack-bar 3consulta 0 7pública 9 para 1 o4“Arrendamento, 8 5 6 com 2 vista à exploração, 2 5 3 8 sito 6 no9Parque 1 Municipal 7 4 0 da Colina da Guia”. 9 5 8 7 2 3 6 1 4 0 1 9 7 3 4 0 5 8 2 6

O Programa de Consulta e o Caderno de Encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, 54(IAM), 59ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes pretenderem fazer o 6descarregamento 9 0 5 3 7 1 8 acima 2 referidos, 4 4 6a responsabilidade 7 5 9 1pela2consulta 8 0 dos documentos assumem3também de eventuais actualizações e alterações das informações, na página electrónica deste Instituto, durante o 2período 1 7de entrega 0 4das9propostas. 8 3 5 6 8 1 7 2 6 0 3 4 5 9 4 8O prazo 5 9para6a entrega 2 3das7propostas 0 1 termina às 12:005 horas 9 do2 dia031 8de Março 4 7de 3 2021.6Os1 3concorrentes 0 6 4devem 5 entregar 1 7as propostas 2 8 9e os documentos no0 Núcleo 3 1de Expediente 5 4 8e Arquivo 9 6do IAM 2 7 e prestar uma caução provisória no valor de MOP 1.000,00 (mil patacas). A caução provisória pode ser 7prestada 3 1por 6 0 em 8 numerário 2 9 ou 4 mediante 5 garantia bancária. 4 8 Caso 0 seja 6 em3numerário, 1 2 a 9prestação 7 5 depósito caução 5da 2 8 deve 7 ser9 efectuada 6 4 na1Tesouraria 3 0 da Divisão de Assuntos 6 2 Financeiros 5 9 0do7IAM8ou no 1 Banco 4 3 Nacional Ultramarino de Macau, juntamente com a guia de depósito da presente consulta (em triplicado), 0havendo 4 9ainda2 que1entregar 3 5a referida 6 7guia8na Tesouraria da Divisão 1 7 de9Assuntos 4 2Financeiros 3 5 do8Instituto, 0 6 prestação respectivo 1após6 a 2 8 7da caução, 5 0 para 4 efeitos 9 3de levantamento7do 0 4 1recibo 9 oficial. 2 6As5despesas 3 8 resultantes da prestação de cauções constituem encargos do concorrente. 9 7 4 3 8 0 6 5 1 2 2 5 8 3 1 6 0 7 9 4 O acto público da presente consulta realizar-se-á na Divisão de Formação e Documentação do IAM, 8sita5na Avenida 3 1 da2Praia4Grande, 9 0n.os6762-804, 7 Edifício China9Plaza, 6 6.º3andar, 8 Macau, 7 5pelas 4 10:00 0 horas 1 2 do dia 1 de Abril de 2021. O IAM organizará uma sessão pública de esclarecimento no snack-bar sito no Parque Municipal da Colina da Guia de Macau, pelas 10:00 horas do dia 22 de Março de 2021. Aos 04 de Março de 2021, O Administrador do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Lam Sio Un www. iam.gov.mo

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6 8 7 4 9 1 3 0 5 2 2 0 9 6 7 8 5 3 1 4 1 3 4 5 2 0 7 CONCURSO 6 9 ANÚNCIO 8 PÚBLICO N.º 6/P/21 Fornecimento e instalação de equipamentos incluindo o projecto de concepção e a respectiva empreitada de remodelação da sala de limpos 5 2 6 0 1com9pressão4positiva 8 do3Centro7Hospitalar Conde de São Januário 1. Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. 0 de5concurso:1Concurso 2 Público. 3 6 8 7 4 9 2. Modalidade 3. Local de execução da obra: Centro Hospitalar Conde de São Januário. 4. Objecto da Empreitada: Fornecimento e instalação de equipamentos incluindo o projecto de concepção e a respectiva empreitada de remodelação da sala de limpos com pressão 7Hospitalar 8 Conde 9 de5São Januário. 3 2 1 0 6 positiva4 do Centro 5. Prazo máximo de global de execução da obra: 180 dias (cento e oitenta). 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade das propostas é de 90 dias (noventa dias), a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos 7 de9Concurso. 3 1 8 4 6 5 2 0 no Programa 7. Tipo de empreitada: A empreitada é por preço global. 8. Caução3 provisória: MOP (oitenta mil5 patacas),0 a prestar depósito garantia bancária ou seguro-caução, aprovado nos termos legais. 45% (cinco 280 000,00 7cento) 6do preço 9mediante 8importâncias 1 emquedinheiro, 9. Caução definitiva: por total da adjudicação (das o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% (cinco por cento) para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço Base: 8 Não1há. 0 3 4 7 9 2 6 5 11. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição ou renovação, do pedido 9 neste6último5caso a admissão 8 0é condicionada 2 1ao deferimento 4 7 3de inscrição ou renovação. As pessoas, singulares ou colectivas, por si ou sob forma de consórcio, só podem submeter uma única proposta. As sociedades e as suas filiações são consideradas como sendo uma única entidade, devendo submeter apenas uma única proposta, por si ou sob forma de consórcio com outras pessoas. As pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, devem ter no máximo até três (3) membros, não sendo necessário existir entre os membros qualquer modalidade jurídica de associação. As entidades que participam no consórcio não podem apresentar outra proposta em nome individual ou participar noutro consórcio. Se for adjudicado, a pessoas singulares ou colectivas que participam no consórcio, antes da assinatura do contrato de adjudicação, são obrigados a proceder às formalidades, em modalidade de consórcio externo, nos termos das disposições referidas no Livro III do Código Comercial aprovado pelo Decreto n.º 40/99/M, de 3 de Agosto. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Secção de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: Dia 4 de Maio de 2021 (terça-feira), até às 17,45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços de Saúde, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data e a hora do termo da recepção das propostas dos concorrentes, será adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. 13. Local, dia e hora do acto público: Local: Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C - «Sala de Reunião». Dia e hora: Dia 5 de Maio de 2021 (quarta-feira), às 10,00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços de Saúde, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data do acto público de abertura das propostas dos concorrentes, será adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 22 de Março de 2021 (segunda -feira), às 10,00 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. 15. Local, hora e preço para consulta do processo e obtenção da cópia: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau. Hora: Horário de expediente (das 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas). Preço: MOP96,00 (noventa e seis patacas), local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde, que se situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação:

60

8 3 4 9 2 0 7 5 1 6 7 2 1 8 3 5 6 0 9 4 6 5 0 2 4 1 9 7 8 3 9 0 3 5 8 7 1 6 4 2 1 9 2 6 0 4 3 8 7 5 4 6 8 3 7 2 5 9 0 1 0 7 5 1 6 9 4 2 3 8 2 Preço1 6 0 9 3 8 4 5 7 A Despesas de serviços sobre a reparação e manutenção do ciclo de vida dos 8custos7dos serviços 4 de5manutenção, 6 tipo0“A” (2.5%) 1 2 9 B 3 B1 Os B2 Os custos dos serviços de manutenção, tipo “B” (2.5%) 4 9em obras7semelhantes 1 8 2 3 6 0 C 5 Experiência

equipamentos (10 anos)

65% 5% 15%

Programa de concepção - Racionalidade de layout (2.5%) 5% - Fluxo de trabalho (1.25%) - Utilização eficaz do espaço (1.25%) Programa de execução da obra - Plano de trabalho (2.5%) 5% E - Técnicas a aplicar (1.25%) - Pertinência e relevância (1.25%) - Investimento em recursos (1.25%) F Prazo global de execução da obra 5% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua do Campo, n.º 258, Edifício Broadway Center, 3.º andar C, Macau, a partir de 17 de Março de 2021 (quarta-feira) até à data limite para a entrega das propostas, a fim de tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Serviços de Saúde, aos 10 de Março de 2021 O Director Lei Chin Ion D


quarta-feira 17.3.2021

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ai, portugal, portugal

opinião 15

André Namora

CONFINAMENTO AUMENTA DIVÓRCIOS

NUNCA OS portugueses pensaram pronunciar tantas vezes a palavra “confinamento”. Uma pandemia que obrigou à decisão das autoridades governamentais a obrigar as pessoas a ficar em casa para evitar o vírus. Tudo uma treta. Em quantas cidades, vilas e aldeias que o vírus corona entrou pelas casas adentro e os moradores foram parar ao hospital. O confinamento foi uma ilusão, disse-me um cientista que me explicou a razão do abaixamento dos números de infectados e de óbitos. É que ainda ninguém falou nas televisões que um vírus também tem o seu tempo de vida. Pode é morrer um e nascer outro vírus que provoca outra pandemia. Mas, o confinamento é que está em causa. São centenas de “filmes” que foram rodados por este país fora. As mulheres fartaram-se de cozinhar, fartaram-se de ouvir os gritos dos filhos, fartaram-se da preguiça dos maridos. Os homens fartaram-se de estar fechados, fartaram-se de as mulheres lerem as suas mensagens no telemóvel, fartaram-se de não ir tomar um copo com os amigos ou com uma amante, fartaram-se das perguntas dos filhos, fartaram-se de nunca terem a casa de banho livre, fartaram-se das mulheres que perguntavam após uma chamada telefónica “quem era?”, fartaram-se dos vizinhos baterem à porta a pedir isto e aquilo. O confinamento deixou casais em estado depressivo. Uma psicóloga transmitiu-me que o confinamento foi gravíssimo em termos mentais entre os casais. Na maioria dos

casos estavam habituados verem-se ao levantar e voltarem a beijar-se ao deitar. O dia inteiro sem se verem. No confinamento os casais tiveram de se aturar durante 24 horas durante meses. Há quem seja que o confinamento teve laivos de exagero e que um dia será provado que o número de infectados não baixou por terem metido quase toda a gente na gaiola. Durante o confinamento assistiu-se a todo o género de acontecimentos que quebraram as regras, desde declarações autorizando a deslocação falsas e até pagas. Os jovens, e não só, realizaram festas e festinhas até chegar a polícia e acabar com o regabofe. Na semana passada, Marcelo Rebelo de Sousa foi reempossado no cargo de Presidente da República e começou logo a falar em confinamento. A discórdia com o primeiro-ministro em alguns aspectos sobre como desconfinar no futuro, foi de tal ordem que o Presidente amuou, não disse nada após o jantar que teve com António Costa e pirou-se logo para o Vaticano, onde o Papa Francisco lhe deu mai uma bênção e o lembrou que Fátima tem de voltar a encher. Marcelo seguiu para Espanha e o encontro com o rei Felipe VI bateu na tecla do confinamento porque agora não há mais nada para dizer, qual central nuclear às portas de Elvas, qual carapuça. Mas que raio de confinamento este do Presidente Marcelo em andar a passear?Assim vale a pena estar confinado e se o encontro com o rei de Espanha tivesse sido em Valência lé tínhamos o Presidente a dar um mergulho na praia... Não brinquemos porque esta história do

confinamento é algo de muito sério. Temos a miudagem muito afectada, depressivos, revoltados com tudo e à frente de um computador que lhe dizem ser a escola. Os pais entraram em delírio. As mães vão ao psiquiatra e ambos têm ido aos notários. Um notário meu amigo confirmou-me que o caso é gravíssimo e que já existem dados de que o confinamento tem provocado um grande número de divórcios ou de separações. O confinamento fez sofrer o pai, a mãe e dos filhos nem falar. Os miúdos choram diariamente com a separação dos pais e o trauma é inevitável. Nos tempos modernos criou-se a ideia de que a separação dos pais era algo de natural e as crianças que se habituassem. Não é bem assim. Há separações conjugais civilizadas e os cônjuges continuam amigos. Por outro lado, há casos em que o litígio é enorme e os filhos começam a andar num mundo distorcido de todas as lógicas e os psicólogos e psiquiatras concordam que na maioria dos casos o futuro das crianças está completamente afectado. Agora, o governo anunciou que o desconfinamento será realizado a conta-gotas e que, por exemplo, os restaurantes, talvez abram em Maio. Refiro-me aos restaurantes por se tratar de um confinamento triste e trágico para tantos desempregados e proprietários. As falências têm sido muitas e as dívidas serão pagas para as calendas. Confina, desconfina, confina, desconfina. Por este andar ainda elegem “confinamento” como a palavra do ano... *Texto escrito com a grafia antiga

Confina, desconfina, confina, desconfina. Por este andar ainda elegem “confinamento” como a palavra do ano...


‘‘As pessoas vaidosas não podem ser astutas; são incapazes de se calar.’’ PALAVRA DO DIA

Luc de Clapiers, Marquis de Vauvenargues

Trabalho Projecto de lei de Pereira Coutinho para proteger trabalhadores e associações

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OSÉ Pereira Coutinho volta a apresentar, naAssembleia Legislativa (AL), um projecto de lei que visa proteger os trabalhadores e as associações laborais nos casos que envolvam matérias confidenciais sobre a relação laboral ou em que o empregador se recusa a prestar informações. Na nota justificativa, o deputado menciona que o projecto de lei em causa propõe “a criação de um novo processo especial, com natureza urgente, que permite que os trabalhadores e as suas associações representativas possam melhor defender

a confidencialidade das informações prestadas na relação de trabalho”, além de os proteger “contra eventuais abusos que por vezes alguns empregadores menos escrupulosos não hesitam em cometer”. Para o deputado, é necessário “introduzir procedimentos especiais” que visam “a melhoria da tutela da confidencialidade de informações, da recusa de informações, recusa da sua prestação ou da realização de consultas nos processos contenciosos de trabalho”. O projecto de lei não deu ainda entrada no hemiciclo.

PJ Detidos dois suspeitos por burla em troca de dinheiro

Um homem e uma mulher foram encaminhados para o Ministério Público por suspeitas de burla. A Polícia Judiciária (PJ) revelou que o homem suspeito negociou com a alegada vítima uma troca de 69 mil dólares de Hong Kong por 58.650 renminbis num hotel do Cotai, a 11 de Março. Enquanto estavam sentados num banco, o burlado entregou o dinheiro ao suspeito, que tentou de seguida abandonar o local. No entanto, como ainda não tinha recebido o montante prometido em troca, a vítima seguiu-o envolvendo-se os dois numa disputa. As autoridades foram chamadas, mas não conseguiram recuperar o dinheiro. Depois de recorrer à CCTV, a PJ descobriu o dinheiro debaixo do banco que foi posteriormente levado por uma mulher considerada cúmplice. No dia seguinte, as autoridades detiveram a mulher em causa num hotel na Taipa.

quarta-feira

17.3.2021

Advogados Calvin Chui passa a sócio do escritório Rato, Ling, Lei e Cortés

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O Porto ali tão perto Costa e Modi preparam cimeira de líderes UE/Índia e cooperação na vacinação

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primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente indiano, Narendra Modi, conversaram ontem para preparar o encontro de líderes da União Europeia e Índia, no Porto, em Maio, e formas de cooperação na vacinação contra a covid-19. "Mantive uma conversa muito positiva com Narendra Modi. Estamos a trabalhar afincadamente na preparação de um encontro de líderes entre União Europeia e Índia, no Porto, em 8 de Maio, que seja histórico", escreveu António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter. Na mesma mensagem, o primeiro-ministro de Portugal, país que preside ao Conselho da União Europeia até Junho, afirmou também que o objectivo desta cimeira é "fortalecer o diálogo estratégico entre os dois maiores espaços democráticos do mundo, relançar o comércio e o investimento e aprofundar a cooperação entre a União Europeia e a Índia em áreas decisivas

como o digital, a conectividade, a saúde e a acção climática". "Também discutimos a questão das vacinas. A União Europeia e a Índia têm interesse em reforçar uma cooperação mutuamente benéfica", salientou o primeiro-ministro. Neste ponto - e na mesma linha das posições que têm sido defendidas pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres -, o líder do Executivo português realçou que "alcançar a imunização global exigirá solidariedade entre países e continentes". "Nenhum país estará seguro até que todos estejam seguros", acrescentou António Costa.

Pfizer entrega 10 milhões de doses

A Comissão Europeia anunciou ontem ter chegado a acordo com a BioNTech-Pfizer para a entrega antecipada de 10 milhões de doses da vacina contra a covid-19, que estarão assim disponíveis já no segundo trimestre.

Em comunicado divulgado em Bruxelas, o executivo comunitário explica que estes 10 milhões de doses fazem parte do lote de 100 milhões de doses contemplados no segundo contrato com a BioNTech-Pfizer, cuja entrega estava prevista para os terceiro e quartos trimestres de 2021. “Eu sei o quão crítico o segundo trimestre é para o desenrolar das estratégias de vacinação nos Estados-membros. Estes 10 milhões de doses antecipadas elevam o total de doses da vacina da BioNTech-Pfizer no segundo trimestre para 200 milhões. Trata-se de uma excelente notícia, pois dá margem de manobra aos Estados-membros e possivelmente compensa lacunas nas entregas” de outras vacinas, comentou a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Esta antecipação da entrega de 10 milhões de vacinas para os meses de Abril, Maio e Junho terá ainda de ser aprovada pelos Estados-membros.

ALVIN Cui, filho do deputado José Chui Sai Peng, foi promovido a sócio do escritório de advogados Rato, Ling, Lei e Cortés. A notícia foi anunciada pelo escritório Rato, Ling, Lei & Cortés, nas redes sociais. “Temos o prazer de anunciar a passagem a sócio do nosso Calvin Chui”, pode ler-se na mensagem. “A promoção a sócio faz parte da estratégia do escritório para os mercados de Macau, Grande Baía e países e regiões de língua Portuguesa e Inglesa”, foi explicado. Segundo o perfil traçado do filho de Chui Sai Peng, a carreira foi iniciada em 2015 como jurista já neste escritório. O estágio em advocacia foi completado no ano passado, tendo como orientador o sócio fundador Frederico Rato. Além de advogado em Macau, Calvin Chu está igualmente inscrito em Nova Iorque, depois de ter completado o Mestrado em 2015 na Faculdade de Direito da Universidade de Chicago e o curso de Direito na Faculdade de Direito – Escola de Lisboa da Universidade Católica Portuguesa em 2014. Tem experiência nas áreas de direito comercial e das sociedades, mercados de capitais, operações de emissão de dívida, e regulatório. Ao nível das associações locais, é presidente daAssociação de Direito Financeiro de Macau e da Cimeira da Juventude de Macau.

CRIME MULHER DEFRAUDADA EM ROMANCES ONLINE PERDE 570 MIL PATACAS

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NTRE Junho de 2020 e Janeiro deste ano, uma mulher de Macau foi defraudada em 570 mil patacas na sequência de burlas online. De acordo com a Polícia Judiciária, a vítima é uma residente desempregada,

na casa dos trinta anos. Em Junho do ano passado, conheceu um alegado burlão numa rede social que disse ser empreiteiro a trabalhar na Malásia. Após três meses de conversa, o sujeito terá pedido um empréstimo à vítima

para comprar ferramentas. Entre Outubro e Janeiro, os pedidos continuaram e ascenderam a 14.800 dólares norte-americanos. Em Novembro do ano passado, a vítima terá conhecido online outro homem,

que se apresentou como um engenheiro britânico. Ao longo das conversas, a mulher disse que o apartamento que arrendava iria regressar ao dono e que estava à procura de casa. O indivíduo terá, então, afirmado que iria

meter dinheiro para comprar uma propriedade na RAEM. Mais tarde, a vítima recebeu mensagens de alguém que se identificou como funcionário de um banco que lhe pediu dinheiro para cobrir o seguro, e outras despesas,

para a remessa de dinheiro ser enviada. No total, a vítima desembolsou 449.640 dólares de Hong Kong neste segundo caso. J. L.


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Hoje Macau 17 MAR 2021 #4730 by Jornal Hoje Macau - Issuu