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Hoje Macau 17 OUT 2013 #2955

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MOP$10

Ter para ler

TAO YUANMING, O POETA DO “MUITO, EM APARENTEMENTE TÃO POUCO”

CENTRAIS

TIAGO ALCÂNTARA

POESIA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 17 DE OUTUBRO DE 2013 • ANO XIII • Nº 2955

Académico defende que associações necessitam desenvolvimento sustentável

Saber por onde se caminha

As mais de seis mil associações existentes na RAEM foram escalpelizadas por Lou Shengua, director do curso de Administração Pública do IPM. No entender do académico, é preciso um desenvolvimento sustentável das associações que deverá passar por um “auto-aperfeiçoamento”. Para além de uma ges-

• V LEGISLATURA INICIOU-SE

Ho Iat Seng eleito presidente da AL PÁGINAS 2 E 3

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tão eficaz, o professor defende que haja uma maior diversificação, porque “levam a sério a quantidade, em vez da qualidade”. Na verdade, de acordo com dados de um inquérito de 2009, 13,4% das pessoas afirmou que as associações só servem para fazer jantares. PÁGINA 5

• JULGAMENTO LA SCALA

Defesa continua a acusar o CCAC de conclusões feitas PÁGINA 4

• ENTREVISTA VERÓNICA MADRUGA

Habitação está a causar problemas psicológicos PÁGINA 7


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POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

AL HO IAT SENG E LAM HEONG SANG PROMETEM REFORÇAR A FISCALIZAÇÃO DA ACÇÃO GOVERNATIVA E MAIOR TRANSPARÊNCIA

Diapasão alinhado

Os novos presidente e vice-presidente da AL, Ho Iat Seng e Lam Heong Sang, defenderam que é preciso reforçar o papel de fiscalização sobre a acção do Governo e assegurar o regime de responsabilização dos altos dirigentes. Mas prometem também mais transparência através de uma postura mais aberta com a imprensa, naquilo que poderá vir a ser uma alteração ao regimento da AL RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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PERFIL DE HO IAT SENG Ho Iat Seng deixou o Conselho Executivo há quatro anos quando entrou para a AL. Desde então, assumiu o papel de deputado indirecto, pelo sector industrial, comercial e financeiro, e foi o cargo de vice-presidente da AL. Ho é empresário, presidente da associação industrial e vicepresidente da Associação Comercial. É membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional. Ho Iat Seng chegou a ser visto como potencial candidato a Chefe do executivo mas acabou por não entrar na corrida em 2009.

PERFIL LAM HEONG SANG Lam é um tradicional, pró-Pequim, gestor, vice presidente da Federação das Associações de Operários (FAOM), licenciou-se em Sociologia pela Universidade de Jinan. Foi membro do Conselho Executivo entre 2004 e 2009. Esteve na direcção do Conselho Permanente de Concertação Social entre 1991 e 2005. Foi membro suplente do Conselho de Administração do Fundo de Segurança Social entre 1990 e 1993. É deputado pelo sufrágio indirecto, pela sector do trabalho. E agora vice-presidente da AL.

O Iat Seng e Lam Heong Sang foram ontem eleitos pelos seus pares para abraçarem pelos próximos quatro anos o papel de presidente e vice-presidente da Assembleia Legislativa (AL), respectivamente. Por detrás das caras de satisfação pelo “voto de confiança” depositado em si pelos restantes colegas deputados, não esconderam que há margem para melhorias no papel deste órgão legislativo. As declarações de ambos foram unânimes e não deixam margem para dúvidas sobre a missão futura: reforçar a fiscalização da acção do Governo. “Temos visto que em termos de produção legislativa a AL tem exercido o seu papel mas em termos de fiscalização da acção legislativa temos ouvido vozes menos satisfatórias em termos de desempenho desse papel”, admitiu Ho Iat Seng, ao acrescentar que, de resto, os seus antecessores, Lau Cheok Va e Susana Chou, já davam “provas” neste sentido. Porém, o regime e estatuto da AL podem ser um entrave no exercício dessa função de fiscalização mas o também deputado indirecto não adiantou se haverá de facto mudanças nestes regulamentos internos uma vez que é uma decisão que passa pela “comissão de regimento e mandatos” e “pelas três comissões permanentes”. Mas há uma questão que, desde já, se pondera. “O aumento da transparência da actividade legislativa”, revela, recorrendo aos “canais da imprensa para uma maior divulgação do trabalho da AL”. “ Vamos alertar os presidentes das

respectivas comissões no futuro para terem em atenção a necessidade de incremento de relacionamento com os órgãos de comunicação social e no sentido de tornar pública e mais transparente a actividade da assembleia legislativa”, enfatiza Ho Iat Seng. Lam Heong Sang não tem muitas dúvidas de que é preciso observar mais de perto os orçamentos destinados aos projectos de obras públicas. E, adianta, “fiscalizar” é palavra de ordem entre todos os deputados. “É um consenso de todos os deputados. O papel mais importante a desempenhar pelos deputados é legislar bem. Há que criar leis e depois sistemas e mecanismos, tal como a lei de orçamento que é necessário acompanhar”, adianta,

acrescentando a necessidade de monitorizar a implementação das leis de terras e planeamento urbanístico. “Há que reforçar também os trabalhos de fiscalização da AL face aos trabalhos do Governo mas será necessário criar um regime de responsabilização. Não visa pedir aos dirigentes para se demitirem mas impulsionar todas as acções governativas de forma eficaz”, acrescentou o também deputado indirecto, representante do sector do trabalho. Sobre a maior representação dos empresários no hemiciclo, Lam Heong Sang deu ideia de que o seu cargo pode equilibrar os interesses neste órgão que representa a população. “Atingir os interesses em geral e depois gerir os interesses parciais.

Percebo as críticas [sobre a predominância do sector empresarial]. Acho que no futuro próximo a pressão dos deputados eleitos por sufrágio directo mais ser maior do que os eleitos por sufrágio indirecto”, avaliou. Ho Iat Seng foi ontem à tarde eleito presidente da AL com 30 votos. Os outros três deputados votaram em branco (2) e em Chan Meng Kam (1). E Lam Heong Sang foi o eleito para o cargo de vice-presidente da AL com 27 votos, três foram distribuídos um a outros três deputados - Ho Ion Sang, Leong Veng Chai e Cheang Chi Keong - e houve três brancos. Ontem foram ainda reeleitos os dois deputados Chui Sai Cheong e Kou Hoi In - como primeiro secretário e segundo secretário da AL.


política 3

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

PAL AVRA DE DEPUTADOS EM ESTREIA Desde que fui eleita, já há cidadãos a fazerem-me pedidos na Associação das Mulheres de Macau. Espero que este ano a actividade da AL vá correr bem, até porque com nova legislação pode-se resolver as necessidades dos cidadãos. O facto de Ho Iat Seng ter sido eleito pela esmagadora maioria dos deputados significa que lhe depositam esperança comum - Wong Kit Cheng, deputada directa e representante dos Kai Fong

DEPUTADOS MAIS ANTIGOS PUDERAM ESCOLHER LUGAR

“Não têm legitimidade”, acusa Coutinho ANDREIA SOFIA SILVA info@hojemacau.com.mo

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ECORREU ontem a cerimónia de tomada de posse da nova estrutura do hemiciclo, composta por um total de 33 deputados. Fong Chi Keong, nomeado pelo Chefe do Executivo, acabou por ficar na dianteira ao ler o discurso do compromisso de honra perante Chui Sai On e alguns secretários. À margem da cerimónia, que decorreu na sede do Governo, o deputado José Pereira Coutinho mostrou o seu desagrado com o

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

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dia da tomada de posse dos deputados à Assembleia Legislativa (AL) ficou marcado por um protesto em frente à sede do Governo, organizado pelo grupo Macau Consciência. Por volta do meio-dia seis membros do grupo iniciaram os protestos contra os deputados nomeados pelo Chefe do Executivo e os eleitos pela via indirecta. Às 15 horas, o protesto voltou a acontecer em frente do edifício da AL, com os activistas a oferecerem dióspiros aos deputados não directos. Contudo, nenhum aceitou. Em cantonês dióspiro tem o significado de “vergonha”, por isso a Macau Consciência usou esta fruta como sátira para os deputados. “Porquê é que os indirectos e os nomeados podem ser deputados? Eles não representam os cidadãos! As nossas acções vão ficar cada vez mais

arranque de mais uma legislatura, uma vez que os deputados antigos escolheram os seus assentos na Assembleia Legislativa (AL). “Pelos vistos estamos a entrar com o pé esquerdo porque já está instalada uma polémica. Os antigos têm mais direitos do que os novos porque podem reservar os lugares preferidos na AL, e isto está a criar um descontentamento entre nós.” Tal significa que Chan Meng Kam estará separado dos outros eleitos pela Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Si Ka Lon e Song Pek Kei. Já Coutinho estará

longe do seu número dois, Leong Veng Chai. “Somos uma equipa e temos de estar juntos na discussão dos diplomas. É vergonhoso, e não existe em nenhuma parte do mundo uma assembleia onde os membros do partido estão separados. É mais uma daquelas situações em que não tenho parado de reivindicar, a de que a AL tem de acabar com as injustiças”, disse Coutinho aos jornalistas. Para o deputado, tal “injustiça” acaba por se relacionar directamente com a sociedade. “Como é que as injustiças sociais podem acabar se dentro da AL as injustiças são

praticadas por pessoas que deviam ter algum senso e alguma ponderação. Acho que se deviam sortear todos os lugares, mas a forma mais correcta seria perguntar aos grupos. Os deputados antigos não têm legitimidade para reservar lugares.”

MAIS TRANSPARÊNCIA

No arranque da V Legislatura, Coutinho pede que a Teledifusão de Macau (TDM) faça transmissões em directo dos plenários e que os coloque online, por forma a “garantir a transparência” do processo político e da cobertura jornalística.

Já comecei a receber pedidos de apoio dos cidadãos. Tenho mais trabalho e uma pressão maior, sobretudo, para ajudar a resolver assuntos respeitantes à habitação e benefícios e salário da função pública - Leong Weng Chai, deputado directo e membro da ATFPM O facto de Ho Iat Seng ter sido eleito como presidente da AL mostra que os deputados reconhecem o seu trabalho - Song Pek Kei, deputada directa e vice-presidente da Aliança do Povo de Instituição de Macau

Para além disso, exige que “as reuniões das comissões sejam abertas aos jornalistas”, algo que o presidente cessante da AL, Lau Cheok Va, admitiu vir a acontecer num futuro próximo. Isto porque “a casa tem de estar limpa”. No arranque dos trabalhos, Coutinho promete apresentar novamente com Leong Veng Chai o seu projecto de lei contra o aumento exacerbado de rendas.

MACAU CONSCIÊNCIA PROTESTOU CONTRA DEPUTADOS NÃO DIRECTOS

Uma caixa de dióspiros na tomada de posse radicais. E porquê? Porque o Governo fez com que as pessoas se revoltem”, disse Sou Ka Hou, o activista que disse o número de votos de cada deputado não directo em voz alta, enquanto segurava um cartaz com os seus rostos. Número dois de Au Kam San mas não eleito, Sou Ka Hou garantiu que vai cooperar com outras listas eleitorais que colocarem a luta pelo sufrágio universal no seu programa político. “Antes da votação já toda a gente sabia que o presidente da AL ia ser Ho Iat Seng, e porquê? Todo o sistema de eleições é uma farsa. Elegem-se grupos já definidos e é sempre assim. O pior é que os deputados indirectos e nomeados ainda reivindicam que representam os cidadãos, é uma vergonha.”

Depois da manifestação, Jason Chao, também presidente da Associação Novo Macau, entregou uma carta ao Governo onde foi exigida uma forma política em prol do sufrágio universal na AL. Ou então que, pelo menos, os deputados directos possam estar em maioria. “De entre os 33 deputados, apenas 14 são directos. Os votos dos cidadãos elegeram menos de metade dos deputados para a AL. Mas o Chefe do Executivo ainda teve sete votos para os deputados nomeados.”

CHING LOK SUN FOI PRESO

Ainda antes da tomada de posse do presidente e vice-presidente da AL, cuja sessão, durante a tarde, marcou o inicio da V Legislatura, Ching Lok Sun foi preso pela Polícia de

Segurança Pública (PSP) durante o protesto. Ao HM, a PSP declarou que o líder da Nova União dos Trabalhadores dos Casinos violou o Código Penal, no artigo que diz respeito à perturbação do funcionamento dos órgãos institucionais. “Fez um protesto no local onde era garantida a segurança do edifício da AL, e como não ouviu as indicações da policia, foi preso, de acordo com a lei.” Mais tarde, o comunicado enviado por Ching Lok Sun explicou que o protesto iria apenas servir de pedido para maior regulação dos trabalhadores não residentes, proibição do fumo nos casinos e da implementação do sufrágio universal. O manifestante foi libertado pela polícia ao início da noite.


4 política

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

LA SCALA CCAC ALEGA QUE CONTAS BANCÁRIAS DE EMPRESA DE STEVEN LO SERVIAM APENAS PARA MOVIMENTAR DINHEIRO

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Um depósito aqui, outro ali TIAGO ALCÂNTARA

ESDE a primeira parte do julgamento do chamado caso La Scala, retomado na manhã de ontem, que o testemunho de Iu Fu Chun, , técnico superior do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), foi várias vezes interrompido por Rui Sousa, advogado de Steven Lo. Como tem vindo a ser hábito, as defesas continuam a queixar-se de que os testemunhos arrolados pelo Ministério Público (MP) – como é o caso dos membros do CCAC – chegam já com conclusões feitas e não se baseiam nas perguntas colocadas. Segundo Rui Sousa, a situação voltou a acontecer ontem. Iu Fu Chun assegurou em tribunal que a companhia Eastern Base foi criada em Macau por um assistente de Steven Lo, a pedido deste, apenas para servir de meio a pagamentos. “A companhia não tinha empregados, nem actividades. Não tinha receitas, nem despesas. [Lo]

usou a Eastern Base para transferir dinheiro e temos registos de transferências”, começou por dizer o inspector. “Temos dez milhões [de dólares de Hong Kong] recebidos em cheque e depois transferidos para a conta de

concretas da acusação feita e ainda de ter seleccionado informação. “Há registos de transferências bem mais superiores a essa, de pessoas muito importantes da RAEM. A existência de registos bancários só mostra

Steven Lo e há situações semelhantes, o que mostra que era para ajudar Lo a receber dinheiro.” Rui Sousa optou por interromper o testemunho, acusando Iu Fun Chun de estar a apresentar a sua opinião, não tendo provas

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que havia actividade [na empresa]. Tudo isso não passam de suposições. Esta sociedade recebeu e pagou a grandes empresários de Macau. As provas estão nos autos, mas a testemunha está a seleccionar documentos.” A testemunha admitiu que havia outros registos de transferências para diferentes pessoas, mas defendeu-se dizendo que essas nada tinham a ver com o caso, daí não serem mencionadas. Como mais um exemplo do que pretende provar, o CCAC continuou, dizendo que há ainda documentos que mostram um depósito de 20 milhões de dólares de Hong Kong na conta da Eastern Base e que estes foram, posteriormente, colocados na conta da Ecoline – empresa controlada por Ao Man Long. Este é o montante do alegado suborno que os dois empresários de Hong Kong vêm acusados de pagar ao ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes.

SEM SABER

HM-2.ª vez 17-10-13 Divórcio Litigioso nº

ANÚNCIO CV1-13-0037-CDL

1º Juizo Cível

Autor: Mok Kam Va, casado, de nacionalidade chinesa, titular do BIRM n.º 7xxx1xx(4), residente em Macau, no Caminho das Hortas, nº 2-84, Edifício Tou Un, Bloco II, 2º andar M, Ilha da Taipa.------------------------------------------------------Ré: Leong Un Peng, casada, de nacionalidade chinesa, titular do BIRM n.º 5xxx4xx(3), com última residência conhecida em Macau, na rua do Sol Nº. 16, Edifício Fong On Toi, 5º andar A, ora ausente em parte incerta.-----------------------*** -----FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando a ré Leong Un Peng, acima identificada, para no prazo de TRINTA DIAS, findo dos éditos, contestar, querendo, a petição inicial dos autos de divórcio litigioso acima indicados, apresentada pelo autor, na qual o mesmo pede que seja decretado o divórcio entre ele e a ré, declarando-se a Ré esposa como única exclusiva culpada, tudo como melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta Secretaria à sua disposição, sendo obrigatória a constituição de advogado, nos termos do artigo 74º do Código Processo Civil.-------------------------------------------A ré é expressamente advertido de que a falta de contestação não importa o reconhecimento dos factos articulados pela autora e o referido processo seguirá os seus termos à sua revelia.-----------------------------------------------------------------------Mais fica citado/notificado que, caso pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverá dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na rua do Campo, nº 162, Edifício Administração Pública, 1º andar, Macau, para apresentar o seu pedido, sendo que poderá pedir esclarecimentos através do telefone n.º 28533540 ou correio electrónico info@caj.gov.mo. -------------Para o efeito, terá de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.------------------------*** Em RAEM, 11/09/2013

HM-2.ª vez 17-10-13

ANÚNCIO

Execuções (baseada em sent. CV1-12-0019-LAC-A ou acto equiparado n.º ________________________

1º Juízo Cível

Exequente: VELASCO MARIVIC BORINGGOT, de sexo feminino, titular do Passaporte das Filipinas, residente em Macau, 4i Blk 30 Nova Taipa Gardens Rua de Bragança, Taipa. Executado: O BAR DO MACACO LIMITADA, com sede em Macau, Avenida Dr. Mário Soares, n.º 25, Edf. Montepio, 2º andar Apartamento 25. *** Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de QUINZE DIAS, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto das seguintes contas bancárias penhoradas: Depósito bancário pertencente a O BAR DO MACACO LIMITADA Instituições de crédito de Macau Banco de Desenvolvimento de Cantão, S.A., Sucursal de Macau Banco da China, Sucursal de Macau Aos 07 de Outubro de 2013.

Moeda

Montante

MOP

$ 4,973.27

MOP

$28,231.59

HKD

$ 1,715.12

Além de se ter voltado a repetir que há registos fronteiriços e telefónicos que provam que houve encontros entre Steven Lo, Ho Meng Fai e Ao Man Long – como já tinha dito a testemunha na sessão anterior, de 7 de Outubro -, a audiência de ontem ficou marcada pelo início da inquirição pela parte da defesa de Joseph Lau. Os advogados do responsável pela Chinese Estates Holdings não ficaram muito convencidos com as alegações do inspector do CCAC, uma vez que Iu Fu Chun não conseguiu responder a algumas questões de forma directa. Luís Mesquita Melo, novo advogado de Joseph Lau, questionou o inspector sobre se tinha havido pedidos de pareceres jurídicos a profissionais de Hong Kong para analisar contratos feitos com base na lei da região vizinha e ainda qual o tipo de informação privilegiada que a Moon Ocean obteve para conseguir fazer a proposta de apresentação para o concurso a convite para a venda dos terrenos. As respostas

tardaram, com Iu Fu Chun a “andar em círculos”, disse a defesa, e a testemunha “a mostrar que não consegue dizer que não sabe” provar determinados depoimentos que faz. Recorde-se que o MP alega que a Moon Ocean teve conhecimento antecipado da venda e do valor dos terrenos, antecipando em quatro meses a elaboração da proposta para conseguir os terrenos. O prazo para estes procedimentos era de apenas dez dias. “Qual foi o tipo de informação privilegiada de que fala [a acusação]?”, perguntou Luís Mesquita Melo, acrescentando que era do conhecimento público que, desde 1999, a intenção do Governo era vender as terras. A testemunha começou por dizer que a Moon Ocean sabia dos preços das terras, algo derivado de uma avaliação interna, de que só os membros tinham conhecimento. Iu Fu Chun chegou mesmo a garantir que a STDM – uma das sócias da empresa que detinha os terrenos – sabia da avaliação, mas “não sabia da intenção da venda dos terrenos”, até porque “a avaliação não tinha documentos que evidenciavam que era para venda”. A alegação caiu mal na bancada da defesa, que frisou o facto de Iu Fu Chun não conseguir responder como é que a empresa teve informação privilegiada e ainda que recordou que todas as testemunhas anteriores – como Pun Pou Leng, uma das dirigentes da empresa que vendia os terrenos, a Lei Pou Fat – garantiram que era do conhecimento público que os terrenos eram para venda. Neste sentido, Luís Mesquita Melo perguntou ao inspector qual o objectivo para a constituição das cinco sociedades detentoras dos terrenos em frente ao aeroporto, conseguindo uma contradição no depoimento de Iu Fu Chun. “Tinha como objectivo vender os terrenos, para ajudar no financiamento do aeroporto.” O inspector do CCAC não conseguiu também responder ontem que papel tinha Camila Chan, esposa de Ao Man Long acusada de controlar conjuntamente as contas das ‘off-shore’ do ex-secretário, uma vez que disse não ter conhecimento de como controlava ela a conta ou sequer se sabia para que é que esta servia. O julgamento continua na próxima semana.


SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

S associações em Macau necessitam de um desenvolvimento mais sustentável. A ideia é deixada por Lou Shengua, director do curso de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau, que lançou um artigo sobre o tema na última revista da Administração Pública. Que o território vive de associações e que estas são quase como que um marco histórico na sociedade, pouca gente deverá ter dúvidas. Mas, o que seria necessário mudar para que houvesse um desenvolvi-

O QUE FAZEM AS PESSOAS EM ASSOCIAÇÕES? 13,4% - Jantares 8,9% - Viagens 6,7% - Cursos ou debates 5,3% - Seminários 4,2% - Serviços Sociais 2,7% - Visitas 2,6% - Desporto e Recreio 1,1% - Consultas públicas 0,5% - Salvaguarda de Direitos

ACADÉMICO SUGERE MUDANÇAS PARA UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DAS ASSOCIAÇÕES DE MACAU

Um mal necessário? TIAGO ALCÂNTARA

São quase partidos políticos, são quase mais do que organizações nãogovernamentais e são quase fundamentais para o funcionamento da sociedade de Macau. As associações mereceram um destaque na última revista da Administração Pública, numa análise académica que refere necessidades de mudança na forma como estas se comportam na sociedade

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ANÁLISES DE LOU SHENGUA • “Após a transferência de soberania e por força da drástica mudança das condições políticas e económicas, as associações de Macau tiveram boas oportunidades e encontraram desafios sem precedentes. Portanto, a auto-análise será para as associações de Macau uma tendência necessária à sua inovação.” • “As associações não deveriam tentar fazer aquilo que não são capazes de resolver ou levar a termo. No entanto, e na realidade, algumas associações são oportunistas e transformam facilmente um objectivo ou actividade em outra completamente diferente.”

mento sustentável entre as mais de seis mil associações da RAEM? “A lei que regulamenta a criação de uma associação é pouco apertada e junta-se aos abundantes recursos sociais e governamentais (...), o ambiente para o desenvolvimento são excelentes, [mas] esse desenvolvimento sustentável depende muito do auto-aperfeiçoamento”, escreve Shengua. Além da gestão eficaz da associação, o académico sugere que as associações sejam mais diversificadas. Isto porque, analisa, os serviços e actividades prestados por estas entidades são quase os mesmos e “levam a sério a quantidade, em vez da qualidade”. Lou Shengua dá exemplos, sem papas na língua. “De acordo com um inquérito [de 2009] sobre a participação de cidadãos em associações, a actividade em que a maioria dos entrevistados participou foi em jantares, viagens e em cursos.” [ver caixa] Apenas 0,5% das pessoas se associaram a estas entidades para verem os seus direitos salvaguardados. É precisamente este um dos pontos que Shengua diz ser necessário mudar. “No passado, os jantares e as viagens eram atractivos numa sociedade pobre, actualmente já não o são. Mas aumentou a procura de serviços especializados e diversificados, assim os serviços das associações precisam de ser actualizados.”

DINHEIRO SEM DONO

Além da escassez de recursos humanos – uma vez que as associações pensam apenas em angariar membros – o professor aponta mais

falhas às entidades que, supostamente, servem a população. É o caso da má gestão dentro destes locais. “Até agora, as autoridades ainda não descobriram qualquer comportamento ilegal ou corrupção entre as associações”, começa por dizer Shengua. “No entanto, o terceiro sector não é uma terra imaculada e o ‘fracasso voluntário’ sempre acontece.” O académico frisa ser necessário mais controlo e mais fiscalização, já que, “Macau prossegue uma fraca supervisão”. O académico refere, por exemplo, que as associações activas raramente comunicam as situações financeiras ao público e mesmo o Governo nunca intervém nos seus assuntos internos. Recorde-se que, na RAEM, existem muitas entidades que fornecem apoios financeiros às associações, muitas vezes em forma de milhões de patacas. Shengua apoia uma auto-regulação, de forma a que se aumente a transparência e se ganhe mais confiança da sociedade. Mas não se fica por aqui. Se tivesse intenção, o Governo poderia vir a intervir mais, mesmo

mantendo a independência das associações. Isto, porque o recursos financeiros chegam precisamente através do Executivo e são, na sua maioria, o único meio de obtenção de receitas das associações. A solução? “Uma associação deveria fazer um contrato de serviços com o Governo, que pode ligar a responsabilidade de ambos por lei.”

MUITAS, MESMO MUITAS

Até finais de 2012, havia quase seis mil associações registadas em Macau. A maioria – quase 3700 – chegaram após a transferência de soberania. Isto representa uma associação registada a cada 1,29 dias. Macau tem uma associação por cada 103 habitantes, o que indica mais maior do que – imagine-se – nos Estados Unidos da América. “Estas estatísticas não incluem associações criadas sem registo.” No topo das associações mais criadas estão as relacionadas com as que criam actividades ou passatempos para as pessoas, em contraste com as de solidariedade social, que têm vindo a descer. Um ponto positivo, aponta Shengua,

QUESTÃO DE ESTATUTO Na análise feita ao papel de associações e associados, Lou Shengua não deixa de fora uma visão tida como comum na sociedade. Para o académico, não restam dúvidas que as associações “ostentam a função de formação política do pessoal”, uma vez que, diz, é comum que pessoas que trabalham nestas entidades sejam transferidas para instituições políticas. “Um líder e associações representativas funcionais são frequentemente consideradas como uma marca ou símbolo de elite e identidade social.” Um papel que pode não ser necessariamente bom, repara Shengua, já que “nas tomadas de decisões”, os líderes que estão há muito nesse cargo acabam por tomar decisões que tornam o sistema “patriarcal”. Cerca de 40,3% das pessoas entrevistas num estudo sobre a qualidade de vida considera que as associações reúnem apenas um pequeno número de pessoas.

• “Nenhuma das organizações auto-reguladoras foi ainda criada em Macau. O sistema de auto-regulação da indústria está em branco, ou seja, embora em Macau, as associações e os seus órgãos financeiros tenham abrangência formal nas estruturas organizacionais, o Governo nunca intervém nos seus assuntos internos. As associações enfrentam muitos problemas, como a drenagem de membros, menor representação, democratização e institucionalização da insuficiente gestão interna, menor abertura e transparência.” • “Tanto para supervisão social, como para os meios de comunicação é difícil ser exercida [supervisão] com a menor das transparências das informações das associações. É difícil investigar os comportamentos internos das associações. A auto-disciplina é muito importante.”

segue para as associações juvenis, que chegam cada vez mais e, muitas delas, são de discussão política. “Após a transferência de soberania, algumas associações políticas controversas começaram a surgir em Macau e logo se tornaram uma plataforma importante para os moradores participarem na política do Governo.” Ainda assim, as estatísticas não enganam: do total das associações existentes, 13,2% estão ligadas ao desporto, 12,2% são relacionadas com a cultura e 8,38% da área académica, ficando a par das associações de fraternidade. A política ocupa um peso de apenas 0,6%, as de solidariedade chegam aos 2%.


6 sociedade

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

DSRT DIRECTOR DEIXA O CARGO PARA ASSUMIR LUGAR DE ASSESSOR JUNTO A LAU SI IO

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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OU Veng Keong, agora ex-director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), foi nomeado a terça-feira como assessor do Gabinete do Secretário para as Obras Públicas e Transportes. O anúncio foi ontem publicado em Boletim Oficial, mas a decisão data já de 11 de Outubro. Foi o próprio secretário, Lau Si Io, quem fez a nomeação. Tou Veng Keong – que tinha visto o seu cargo enquanto director da DSRT até Junho do próximo ano – deixa o organismo numa altura conturbada. Actualmente, está a ser discutida a hipótese de liberalização do mercado das telecomunicações, está a ser

conduzido o acordo entre Tv Cabo e anteneiros e há ainda diversos problemas relacionados com as ligações de internet, que têm vindo a falhar ao longo do ano. Ainda assim, Lau Si Io garante que esta mudança nada tem de anormal. “A mudança de Tou Veng Keong para o cargo de assessor do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas é normal, tratando-se de mobilidade de pessoal”, disse aos jornalistas, citado ainda em comunicado. “A DSRT já tem um plano para os trabalhos de serviço de televisão e política de telecomunicações e, por isso, a mudança de cargo não vai afectar o trabalho actual deste serviço.” O despacho no Boletim Oficial não traz qualquer pormenor da saída repentina de Tou Veng

Keong, marcando apenas que o agora assessor do Gabinete do Secretário estará em funções até 19 de Dezembro de 2014. O secretário para as Obras Públicas garante mesmo que esta mudança foi feita depois de “muito bem ponderada” e frisa que a “mobilidade de pessoal pode mesmo elevar as potencialidades da equipa”. Equipa que, diz Lau Si Io, Tou Veng Keong não vai deixar. “Sendo assessor do Gabinete, continuará a dar opiniões nesta área [das telecomunicações].” Hoi Chi Leong, anterior subdirector da DSRT, sobe agora de cargo, mas assumindo apenas o lugar de director substituto pelo período de seis meses. Ontem, até à hora do fecho desta edição, não foi possível ao HM obter qualquer reacção da parte de Tou Veng Keong.

TIAGO ALCÂNTARA

Das comunicações para as obras públicas

Tou Veng Keong

BEBÉ CEGA PRECISA DE OPERAÇÃO NOS ESTADOS UNIDOS

A causa pública de Agnes Lam CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

GNES Lam, presidente do movimento Energia Cívica de Macau e candidata às eleições nas últimas legislativas, organizou ontem uma conferência de imprensa para apresentar o caso da bebé Choi Ka Ka, com dez meses de idade. Tendo-lhe sido detectadas duas doenças poucos dias depois de nascer, e que afectam gravemente a visão, Choi Ka Ka está quase cega. “Não consegue gatinhar porque não consegue ver bem o que está à sua frente, quando, normalmente, os bebés com seis meses já conseguem gatinhar”, disse Agnes Lam. A também docente da Universidade de Macau (UMAC) organizou o evento para chamar a atenção pública sobre o problema e fez um pedido. Espera que o Governo possa ajudar a custear as despesas de Choi Ka Ka na operação nos Estados Unidos. “A operação custa cerca de 400 mil dólares de Hong Kong, mas a situação de Ka Ka exige que ela faça operações contínuas. Macau

tem muitos exemplos de doentes transferidos para os Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong ou mesmo o continente.” Agnes Lam disse ainda que “os médicos de Hong Kong já confirmaram que Ka Ka tem de submeter-se a esta operação, mas os Serviços de Saúde (SS) insistem que não a podem fazer e recusam fazer a transferência para os Estados Unidos”.

ACUSAÇÕES

A docente acusa os serviços públicos de serem pouco

transparentes e de não terem critérios de avaliação claros. Os SS já emitiram um comunicado em que dizem “prestar atenção” ao caso mas recusam uma intervenção cirúrgica pouco “segura”. Agnes Lam levou várias cartas dos hospitais de Hong Kong para comprovar a necessidade da bebé. “Já entregámos uma carta ao hospital Conde de São Januário e ao secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, e esperamos que possam reconsiderar que o

hospital em Nova Iorque é o mais indicado.” Os pais da bebé afirmaram que a operação pode ser marcada em Novembro mas esperam que o Governo possa ajudar no financiamento. Para já, estão abertas duas contas para donativos, em patacas e dólares de Hong Kong, no Banco da China e Banco Nacional Ultramarino (BNU). Os SS, ao fecho desta edição, garantiram que tudo farão para que a menina seja tratada.

Macau recebe congresso da União Internacional dos Advogados

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ACAU vai acolher entre 31 deste mês e 4 de Novembro o 57.º congresso da União Internacional dos Advogados (UIA), para o qual são esperados mais de mil profissionais de todo o mundo, informou a organização. Advogados de diferentes latitudes, incluindo nove representantes de Portugal, vão reunir-se em Macau para debates sobre a sua actuação quando são confrontados com casos de corrupção, o tema principal do congresso, definido como “extremamente actual”. Esta é a primeira vez, em mais de oito décadas, que o congresso da UIA acontece na China, como sublinham o presidente da UIA, Jean-Marie Burguburu, e o presidente do congresso de 2013, Jorge Neto Valente, que preside à Associação dos Advogados de Macau, nas suas respectivas mensagens de boas-vindas constantes do programa do evento. Além de “A corrupção e o advogado” - a sessão dedicada ao tema principal que vai contar com mais de uma dezena de oradores,

de Macau, França, Hong Kong, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Espanha, Holanda, Suíça e Turquia, outras questões legais vão ser abordadas, como sejam o investimento e a celebração de contratos de produção na China. A fim de cobrir estes e outros temas, estão previstas a realização de aproximadamente 30 sessões científicas. Mais de 300 conferencistas internacionais farão apresentações ao longo de três dias, os quais irão “proporcionar conhecimentos, compartilhar experiências e apresentar vários pontos de vista sobre temas relacionados com o direito comercial, direitos humanos e prática jurídica comum”, salienta a organização. Criada em 1927, a UIA figura como a mais antiga associação profissional, com vários milhares de membros individuais, bem como mais de 200 associações de advogados, organizações ou federações (que representam quase 200 milhões) de mais de 110 países e territórios.


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ENTREVISTA PSICÓLOGA ALERTA PARA OS DESEQUILÍBRIOS PSICOLÓGICOS E EMOCIONAIS NA SOCIEDADE

“Cria-se uma ansiedade que não é normal” A habitação é um problema transversal à sociedade. E provoca em adultos e crianças, agora também pertencentes à classe média alta, desequilíbrios emocionais, sobretudo, nos que se encontram em espera por um apartamento social. O alerta chega da psicóloga Verónica Madruga, psicóloga clínica, que, ao HM, diz já ter assistido a vários casos de ansiedade anormal RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

Fala-se muito da falta de profissionais qualificados na área de saúde, entre os quais, psicólogos. Há de facto dificuldade em trazê-los a Macau? Ou a aposta não é grande por parte do Governo? Macau é um sítio muito particular. Está agora a reconhecer a importância da psicologia e nisso vai começando a reconhecer a importância da neuropsicologia. É importante termos profissionais na área que procurem, que não estejam só preocupados com o dia-a-dia mas no futuro para ajudar a prevenir doenças mentais [ver texto abaixo]. Há de facto falta de profissionais na área e os poucos que existem já estão distribuídos pelo Governo ou pelas instituições. Mas são muito poucos e precisamos de uma equipa multidisciplinar que acompanhe os nossos pacientes e as pessoas para acabar com o estigma da doença mental. É preciso fazer uma parte preventiva, tanto nas escolas como nas instituições, Governo e comunidade. Qualquer pessoa pode ter uma doença mental, seja depressão, ansiedade crónica. Quais os entraves à contratação de profissionais de fora, nomeadamente, a portugueses? Sim, não entendo porque abrem concursos a profissionais portugueses se à partida já vão ficar limitados porque não sabem a língua chinesa. Sinto-me limitada por não saber a língua. Mas a língua pode ser de facto um entrave entre o paciente e o médico. Ou há forma de ultrapassá-lo? O nosso trabalho de facto está mais limitado em termos de língua. Em termos terapêuticos precisamos de perceber o paciente o que não invalida também termos oportunidades porque temos muitos portugueses no território. Muitos a procurar ajuda. E querem também falar para profissionais portugueses. A barreira que nos põem na língua também deve haver o reverso na moeda. Quais os factores que contribuem em Macau para a predominância destas doenças mentais? Hoje há muito stress relacionado com a habitação social, por exemplo. De dois em dois anos têm de

mudar de casa porque as rendas aumentam. Isto pode proporcionar desequilíbrios psicológicos e emocionais. Há pessoas que começam por desenvolver uma ansiedade normal que depois vira patológica. Tudo é inconstante. E é algo em que o Governo pode intervir. Estes problemas advindos da falta de habitação social afectam a sociedade de forma transversal? Afecta tanto os adultos como crianças. Há falta de identidade. Não sentem a casa com dela. Não se identificam. Não há um ambiente relaxante. Cria-se uma ansiedade que não é normal. E inclusive ataques de pânico. Afecta as crianças porque conhecem as pessoas que moram à volta e fizeram uma rede social e criaram bases afectivas. E têm de estar sempre a reconstrui-las. Não querem investir emocionalmente na própria casa. E já não é a classe média baixa mas alta também. Têm estes transtornos e já nem sabem lidar com eles e como procurar ajuda. Não há grupos de apoio. De que forma o Governo poderia prevenir este problema a nível clínico? Há falta de psicólogos em todas as áreas, principalmente nos serviços públicos, no hospital e centros de saúde, outros departamentos e também organizações. Privilegiam os assistentes sociais mas são áreas de intervenção diferentes. Seria impor-

tante ser criada uma infra-estrutura que possa colocar uma equipa multidisciplinar que possa intervir nas escolas. Tem de haver transparência e comunicação. Falo especificamente de uma plataforma para se encaminhar as pessoas e dando-lhes a possibilidade de pesquisarem por profissionais competentes. Outros dos problemas, para várias classes, é a falta de regulação dos profissionais. Os psicólogos não fogem à regra... Sim. Não há ordem dos psicólogos. Só existe uma associação de psicologia para a comunidade chinesa. Não há um lugar físico. O que mostra que ainda há muito trabalho pela frente. Era importante que a nossa prática fosse regularizada através de uma ordem para não haver outros profissionais a praticar na nossa área. Deveria haver um grupo de apoio, um suporte ético e deontológico. E, por exemplo, no hospital não reconhecem o psicólogo, apenas o terapeuta. Se quisermos fazer uma prática de psicologia, propõem que nos inscrevamos nos Serviços de Finanças como terapeuta. A profissão então não é de todo reconhecida em Macau? A profissão é reconhecida na educação mas não em práticas privadas. Em papel, temos de ser terapeutas. Isso para mim é frustrante e mostra que temos de trabalhar em conjunto.

tivação de alguns alunos. Na adolescência nota-se muito a relação com os pares: o bullying, há adolescentes cruéis e há pouco espaço de manobra para lidar com esta problemática. Nos adultos é a ansiedade e as depressões. Há uns anos havia muitos casos com esquizofrenia. E o que contribuiu para estes problemas? Às vezes os problemas de aprendizagem, por exemplo, não são detectados atempadamente. E carregam na criança uma negatividade, sem se aperceberem, debilitam-lhes a auto-estima. E depois podem originar transtornos de conduta. Nos adolescentes, os pais muitas vezes tentam proporcionar uma qualidade de vida em termos materiais. É preciso saberem dizer não. Não há criança feliz sem regras e horários.

Depois de ter trabalhado no Be Cool, e agora exercendo clínica privada, quais as maiores problemáticas que vê em Macau? Em termos de crianças, as maiores problemáticas são os transtornos de défice de atenção e hiperactividade. A auto-estima baixa e a falta de mo-

Os casinos têm trazido mais problemas familiares? Muitos pais trabalham por turnos, nomeadamente, a comunidade filipina. Não se vê. E sentem necessidade afectiva. E é uma realidade relativa ao mundo dos casinos sobretudo. Macau é pequeno e muito competitivo. Trabalham demais e não têm horário para chegar a casa. É difícil haver tempo de qualidade com os filhos. Há muito foco no trabalho. É preciso desenvolver estratégias que ajudem os pais a pararem um bocadinho e estarem atentos a eles próprios.

Alunos de psicologia industrial da USJ visitaram hospital público F

ORAM oito os alunos que se juntaram no hall de entrada do São Januário para conhecerem na prática o mundo das disfunções cerebrais e doenças neurológicas. Estudam na Universidade de São José (USJ), no quarto ano do curso de psicologia, variante industrial, e quiseram “conhecer a aplicação das principais técnicas em neurologia” e “experienciar o ambiente em que os pacientes são sujeitos aos exames, de modo a orientá-los e acompanhá-los de forma mais eficaz em consulta de avaliação neuropsicológica”, explica a professora de neuropsicologia do comportamento, Verónica Madruga. Este foi, de resto, o primeiro contacto directo dos estudantes com a prática hospitalar numa colaboração que se iniciou este ano entre a USJ e o hospital público. O HM quis acompanhar a visita de estudo mas foi inviabilizado pela direcção hospitalar. No entanto, ao falar com os alunos, posteriormente, pôde perceber a sua vontade de virem a colaborar na área de neurologia nos Serviços de Saúde (SS) embora, segundo a académica, não haja ainda lugar a desenvolver trabalho na área da neuropsicologia. “Segundo o doutor Fernando Matias, que nos recebeu nesta visita, a parte de neurologia ainda

é muito pequena aqui no hospital. Têm só duas salas e uma parte em que é preciso investir no futuro é ter uma secção de neuropsicologia que não existe no hospital. Seria interessante porque são abordagens complementares e é importante serem trabalhadas em conjunto. Noutros países, o neurologista e o neuropsicólogo trabalham muito em equipas multidisciplinares para completar o tratamento e a reabilitação do paciente.”, explica. “São pacientes que nunca vão recuperar, a maior parte deles, a 100%. Mas que pode haver um grande ganho cognitivo se houver essa complementaridade entre disciplinas.” Yuki, 21 anos, relata o que viu dentro do consultório. “Os quatro pacientes com quem contactámos têm demência e dificuldades motoras numa das partes do corpo. E têm dificuldade em levantar os braços que são controlados pela parte oposta do cérebro. O médico mostrou-nos os TAC’s e a parte do cérebro que não funciona”, explica. “[Esta visita] ajudou-nos a perceber melhor o problema e a ter mais curiosidade de aprender mais”, adiantou. “Eles têm dificuldade de comunicar com as outras pessoas e exprimirem o que sofrem”,

complementou Luke, 22 anos. “Eu tentaria encaminhar o paciente para a área de psicologia. E gostaria de ter boas competências de futuro para os ajudar com as técnicas que aprendi ao longo deste anos”, sem esconder que de futuro gostaria de trabalhar no Instituto de Acção Social. Para Kyle, 21 anos, a oportunidade de vir ao hospital é “muito importante” e perceber in loco os exames e métodos que não conseguimos perceber tão bem na universidade. “Conseguimos perceber como um paciente se sente em ambiente de hospital e sob tratamento e, à medida que vão melhorando ou piorando, quais os seus estados de espírito”, frisa. Unanimemente, os três alunos não escondem que se tivessem a oportunidade de fazerem um estágio no hospital, não hesitariam a candidatar-se. Até porque, como conta Verónica Madruga, é muito importante que haver o acompanhamento da família, que “não sabe lidar com o Alzheimer, com a epilepsia, nem com doenças cardiovasculares, para os fazer perceber como ajudar os familiares nestas “doenças tão incapacitantes”. Para tal, frisa, o trabalho de um neuropsicólogo, especificamente para estas doenças, é essencial. – R.M.R.


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CHINA

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PEQUIM MANTÉM SONHO ESPACIAL, DEZ ANOS APÓS MISSÃO DO PRIMEIRO ‘TAIKONAUTA’

Prestígio militar e económico

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EZ anos depois de ter enviado o primeiro astronauta (‘taikonauta’ em chinês) para o espaço, a China mantém um ambicioso programa espacial, que rende ao país prestígio militar e económico, enquanto a concorrente americana,

NASA, está paralisada por causa da crise orçamentária. A 15 de Outubro de 2003, o astronauta Yang Liwei orbitou 14 vezes a Terra a bordo de uma nave Shenzhou 5 em 21 horas, abrindo o caminho da China para a exploração do cosmos. Mais de 40 anos depois

do voo histórico do soviético Yuri Gagarin, esta façanha fez da China o terceiro país, depois de URSS e dos Estados Unidos, a ser capaz de realizar um voo espacial tripulado. Desde então, o país enviou dez astronautas - oito homens e duas mulheres - ao espaço em cinco missões,

assim como um módulo espacial colocado na órbita da Terra, o Tiangong-1. O regime, que financia o programa supervisionado pelo Exército investindo milhões de patacas, considera que se trata de um sinal importante do novo estatuto internacional do país, de seu domínio tec-

Oito mortos em naufrágio de cargueiro chinês na Coreia do Sul

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ITO membros da tripulação de um navio de carga propriedade de uma empresa chinesa morreram depois do barco onde seguiam ter afundado ao largo do porto sul-coreano de Pohang devido à agitação do mar, revelou ontem a guarda-costeira daquele país asiático. O cargueiro, de 8.641 toneladas e registado no Panamá, afundou-se na terça-feira quando levava a bordo 19 tripulantes durante uma tempestade e quando aguardava a entrada no porto de Pohang para descarregar. “Oito

corpos foram recuperados, oito pessoas sobreviveram e três estão ainda desaparecidas”, disse um porta-voz da guarda-costeira sul-coreana à agência AFP. A imprensa chinesa assinalou que 18 dos 19 membros da tripulação eram chineses, incluindo o comandante que está entre as vítimas mortais. A agência Xinhua revelou que um dos elementos da tripulação era vietnamita. O navio, CHENGLU15, era propriedade da empresa chinesa Lishen International Shipping Group Corp.

nológico e também da capacidade do Partido Comunista de modificar o destino de uma nação outrora castigada pela pobreza. As suas ambições terminarão no dia em que um chinês pisar a superfície da Lua, antecedido até o fina deste ano pela aterragem na lua de um veículo exploração automatizado. Uma quarta instalação de lançamento será inaugurada dentro de dois anos e ainda será concluída a construção de uma estação espacial que será posta em órbita ao redor da Terra, a Tiangong-3. Durante o mesmo período, a Estação Espacial Internacional, desenvolvida pelos Estados Unidos, Europa, Rússia, Japão e Canadá, será abandonada depois de 20 anos de serviços.

MODIFICAÇÃO DOS CENTROS DE PODER

Esta coincidência simbólica pode reflectir também o deslo-

camento dos centros de poder no mundo na próxima década. O rápido desenvolvimento do programa espacial chinês contrasta profundamente com o dos Estados Unidos, que lançou seu último foguete espacial em 2011 e cujos projectos para o futuro são, por enquanto, vagos. Na semana passada, os organizadores de uma conferência da Nasa anunciaram que os funcionários já não tinham acesso às mensagens electrónicas, devido à crise orçamental que afecta o governo americano. Grande parte da tecnologia usada na exploração espacial tem repercussões militares, segundo os especialistas. Mas a China também obteve outros benefícios, menos visíveis. “Na Ásia, a China é considerada a líder regional da área espacial, o que rende ao país um verdadeiro prestígio militar e económico”, afirmou Joan Johnson-Freese, encarregada de assuntos de segurança no Colégio de Guerra da Marinha em Newport, e especialista em actividades espaciais chinesas. “No resto do mundo, a vantagem económica para a China é não ser considerada capaz de produzir apenas roupa barata”, acrescentou. A China ainda está longe das conquistas de Estados Unidos e da ex-União Soviética - embora tenha aprendido com os dois territórios – e ainda faltam anos para o lançamento da sua estação espacial. Enquanto isto, Yang Liwei, general e vice-director da Agência Chinesa encarregada de programas tripulados, recebe actualmente solicitações de países em vias de desenvolvimento que querem enviar astronautas à órbita do planeta. “Gostaríamos de treinar astronautas de outros países e organizações que têm este desejo e adoraríamos realizar missões para astronautas estrangeiros”, declarou, em Setembro, durante um seminário em Pequim organizado pela ONU e pela China sobre tecnologia espacial. O Paquistão já indicou que quer estar entre os primeiros. O programa espacial chinês, previsto para os próximos 30 anos, baseia-se “numa vontade política que não tem que responder a um eleitorado para perdurar, algo que, evidentemente é muito mais difícil para as democracias”, afirmou Johnson-Freese.


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CONDENADOS AGENTES DA POLÍCIA INTERNA DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

Penas de entre quatro e 14 anos de prisão S EIS agentes, que torturaram até à morte um responsável chinês, foram condenados a penas de entre quatro e 14 anos de prisão, num processo raro que ilustra os abusos da polícia interna do Partido Comunista chinês. Os seis acusados, incluindo cinco membros da comissão disciplinar do PC chinês, foram considerados culpados de “ferimentos voluntários”, por um tribunal de Quzhou (leste da China). Os acusados afogaram a vítima, obrigando-a a manter a cabeça numa banheira de água gelada. “O tribunal anunciou os seis veredictos de culpabilidade a 30 de Setembro, com sentenças de prisão de entre quatro e 14 anos, para os seis homens”, declarou à agência noticiosa francesa AFP Wu Pengbin, advogado da família da vítima, identificada como Yu Qiyi, de 42 anos. Os veredictos não foram divulgados na imprensa oficial chinesa. Um outro advogado da família Yu, Si Weijiang, precisou que os seis condenados

iam recorrer do veredicto e da sentença. “Eles não aceitam nem o veredicto, nem a sentença”, declarou. Yu, engenheiro chefe numa sociedade estatal da localidade de Wenzhou, na província de Zhejiang (leste), foi detido, no início de Março, pela polícia interna do PC chinês, de acordo

com os procedimentos reservados aos membros do partido único, por suspeita de infracções num contrato de aquisição financeira. Este processo tornou evidentes algumas práticas da polícia interna do PC, sob as ordens da comissão central de inspecção disciplinar, o órgão mais discreto, mas

também o mais temido do partido. Este “braço armado” opera no âmbito de um procedimento baptizado como “shuanggui” - ou “regra dupla” - que permite a detenção de um membro do partido, em segredo e até seis meses sem a intervenção de um advogado, sem direito

a comunicar com a família e fora do sistema judicial. A “regra dupla” designa um local e um tempo específico dados ao suspeito para confessar o próprio crime, momento após o qual os métodos de interrogatório se tornam “mais musculados” e incluem privação de sono, pressão psicológica e física.

Os locais de detenção são secretos e especializados, frequentemente com um aspecto banal, e podem situar-se em repartições administrativas ou empresas. Consoante os casos, uma vez obtida a “confissão”, os membros do PC detidos são entregues às autoridades judiciárias, que aplicam as condenações decididas pelo partido. Este sistema reflecte a supremacia do PC no aparelho judicial. No caso de Yu Qiyi, os interrogatórios não produziram uma confissão e, por isso, foi submetido a tortura. O suspeito foi despido e submerso repetidamente numa banheira cheia de água gelada, até que deixou de se debater, noticiou o jornal Jinghua Shibao, que citou um relatório do gabinete do procurador. A autópsia mostrou que Yu “ingeriu líquidos”, que causaram uma falência pulmonar e a morte, de acordo com o relatório do médico legista, reproduzido pelo jornal.

Inflação com subida controlada

Muçulmanos chineses celebram Festa do Sacrifício

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primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse que a inflação está a subir de forma controlada. Para além disto, o primeiro-ministro chinês disse que é improvável que faça alguma recomendação para mudar a política monetária no curto prazo, informou a agência de notícias estatal Xinhua. De acordo com a publicação, Li afirmou que o governo chinês pode manter o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dentro da faixa de 3,5%. Em Setembro, o CPI avançou para 3,1% em relação ao mesmo período do ano passado, após ter registado uma alta de 2,6% em Agosto, informou o escritório de estatísticas do país na segunda-feira. As expectativas do mercado sinalizavam uma subida de 2,9%. Em Julho, o primeiro-ministro chinês afirmou que o governo se concentraria na reestruturação económica e na reforma, desde que os indicadores de crescimento e emprego não voltassem a recuar dos seus limites mais baixos e que a inflação não ultrapassasse o seu limite superior.

ILHÕES de muçulmanos de toda a China e do resto do mundo celebraram esta terça-feira a Festa do Sacrifício, também conhecida como Eid al-Adha, em que se abatem carneiros e outros animais. Na madrugada de terça-feira, os muçulmanos das regiões autónomas Uigur de Xinjiang e da Etnia Hui de Ningxia e de outras áreas, reuniram-se nas mesquitas com vestuários festivos. Zhang Xueyi, um muçulmano de 65 anos, foi a uma mesquita em Yinchuan, capital de Ningxia, para participar na oração, levando um carneiro comprado na segunda-feira ao imam para o abater depois da cerimónia. Na Festa do Sacrifício as famílias reúnem-se e o carneiro é o principal prato na mesa. “Apesar de nem todos os meus quatro filhos estarem aqui hoje, preparei o carneiro para eles para celebrarem a festa nas suas próprias

casas”, disse Zhang. A China tem mais de 20 milhões de muçulmanos. A religião é popular entre cerca de dez grupos étnicos incluindo Uigur, Hui e o grupo cazaque.


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POESIA

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

Breve resumo do prefácio do livro, lido pelo autor durante a apresentação

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Á no texto poético que se oferece à tradução uma dupla transcendência:

A. A TRANSCENDÊNCIA PRÓPRIA DO SIGNO.

Esta transcendência responde à pergunta : O que é que isto diz? Ou melhor: O que é que isto significa? Neste caso o signo na sua dupla articulação de significante e significado abre-se através da polissemia semântica a uma transcendência que lhe é própria. Estamos ainda em circuito fechado. No domínio de uma techné, de um tipo de conhecimento quase empírico. Eu digo quase e com propriedade, pois nunca é apenas assim. Só a tradução de palavras uma a uma ou de um texto técnico (mas absolutamente técnico, o que também nunca existe) é que devolveria noutra língua uma versão original sem errâncias. Um signo traduz-se por outro signo escrito noutra língua enformado ele pela mesma trama de ambiguidades. Verter noutra língua é fixar um significado entre muitos significados possíveis e isso opera sempre uma redução e um desvio. O conjunto do texto pode reduzir a margem de erro ou ampliá-la infinitamente.

B. A TRANSCENDÊNCIA DO SENTIDO.

POEMAS DE TAO YUANMING FORAM ONTEM APRESENTADOS NA FUNDAÇÃO RUI CUNHA

“Muito, em aparentemente tão pouco”

É

assim que o autor da versão portuguesa dos “Poemas de Tao Yuanming”, Manuel Afonso Costa, classificou o poeta chinês que viveu entre os séculos IV e V, ontem, na apresentação do livro na Fundação Rui Cunha. “Aparentemente tão pouco pois a sua obra é curta e pouco variada, muito porque nessa escassez e repetição repete-se obsessivamente uma contradição, um paradoxo mesmo.”

Os “Poemas de Tao Yuanming”, impressos em livro co-editado pelo Instituto Cultural e pela Livros do Meio, mostram, a grosso modo, um poeta que vive entre o cá e o lá, “é como se dois Tao Yuanming se enfrentassem em toda a sua obra”, ou seja, a sua luta permanente entre o trabalhador na cidade e a libertação no campo que tanto ambicionava. E terá sido essa sua luta interna que o terá levado a escrever. “Repare-se que não considero

que existisse um conflito entre o funcionário e o artista num plano prático e exterior, posto em cena, ou seja meramente fenomenológico. Não, o problema é muito mais dramático porque é essencialmente de natureza ontológica. Tao Yuanming deveria ser um pai de família, ganhar a vida como funcionário, por exemplo, só que na sua alma habitava um pária, um marginal.” Bucólico, pouco emotivo, franco. Talvez sejam estes os

grandes adjectivos para descrever Tao Yuanming. Aliás, Manuel Afonso Costa, acredita mesmo que “era seguramente um poeta avesso ao sentimento e à obscuridade”, pelo que “na tradição chinesa opõe-se geralmente Tao Yuanming a Xie Lingyun”. Tao Yuanming viveu num período conturbado da história da China e a sua poesia reflecte uma vida que se pretende retirada do bulício e dos jogos de interesses. Pou-

co conhecido na sua época, o poeta viria a ser consagrado séculos mais tarde, durante a dinastia Song, constituindo desde então uma referência fundamental para escritores e leitores chineses. “. Na verdade ninguém antes de Tao promoveu tanto os valores da vida retirada e quem quer que o tenha feito depois, foi à sombra do seu exemplo e da sua obra”, referiu ainda o professor universitário. - G.L.P.

Esta transcendência responde à pergunta verdadeiramente fantástica: O que é que isto quer dizer? E é fantástica porque jamais perceberemos o que é que o verbo querer está ali a fazer se justamente não abandonarmos o domínio linguístico do significado para nos situarmos no plano hermenêutico do sentido. É que o verbo querer introduz num domínio que pensávamos ser apenas do conhecimento positivo a dimensão de uma vontade, como se um texto ou mesmo um simples lexema nunca pudessem ser completamente separados de uma qualquer intencionalidade. O que é que isto quer dizer significa infinitamente mais do que o que é que isto significa ou o que é que isto diz. O querer introduz um deus ex machina. Nada menos do que um sujeito.

C. O POETA E O HOMEM

Deve ficar claro que desde o princípio da minha relação


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simultaneamente com o texto poético e com o Tao Yuanming sujeito histórico, intelectual e moral (do qual a sua poesia é a expressão que melhor permite alcançá-lo) foi sempre a pessoa, o sujeito, o indivíduo que mais me interessou. Portanto, muito mais do que a positividade do texto, de resto aparente, preocupou-me sobretudo a unidade de sentido em que o texto é sempre muito mais do que uma colecção de signos. O texto na sua globalidade, volto a repetir, remete sempre para uma dupla exterioridade, ou para uma dupla transcendência: “por um lado a transcendência de um significado (ou de um referente) e por outro a transcendência da intenção de um sujeito, que necessariamente lhe subjaz”.

D. O LUGAR DE TAO YUANMING NA HISTÓRIA DA POESIA CHINESA

Haverá provavelmente uma afirmação que se pode fazer sem correr grandes riscos, a de que Tao Yuanming é o mais aclamado poeta chinês anterior à grande época poética da História da China que foi o período da Dinastia Tang. É um dado adquirido que entre os séculos VII e X (618-907), a China conheceu o apogeu de uma tradição poética que contudo possuía já todos os seus alicerces. E um desses alicerces foi sem dúvida o grande Tao Yuanming. O poeta da reclusão cultivou todos os grandes temas da tradição poética chinesa e fê-lo em grande estilo. É portanto também um dado adquirido que antes da época que imortalizou figuras como Li Bai, Wang Wei, Bai Juyi, Du Fu, Han Shan, Jia Dao, Li He, e cito apenas os

mais consensuais, costumam referir-se sempre dois grandes poetas, que podem ombrear pela qualidade da obra com estes grandes vultos. Estou a referir-me ao poeta Qu Yuan que viveu entre os séculos IV e III anteriores à nossa era; e claro a Tao Yuanming que viveu como se sabe entre os séculos IV e V da nossa era.

E. RECEPÇÃO

A vida literária de um poeta, o seu lugar no panteão dos deuses humanos, é sempre uma questão de recepção. As vicissitudes da recepção procuram e encontram ou não um lugar nesse panteão. No caso de Tao Yuanming isso é absolutamente evidente. Durante alguns séculos o poeta de Lu Shan foi simplesmente esquecido. Os poetas da dinastia Tang e sobretudo os poetas da dinastia Song deram a Tao Yuanming uma segunda vida.

F. POETA DO RETIRO E DA RECLUSÃO

De todos os elementos estruturantes da sua obra, evidencia-se essa constante obsessão pelo retiro ou reclusão (Yin). Este foi também o elemento mais evidenciado pela recepção à obra de Tao Yuanming feita

durante a dinastia Tang pelos próprios poetas dessa época gloriosa, o que não significa que tivessem seguido o poeta nesse ideal, pois oscilaram muito, por constrangimento relativamente às obrigações e deveres da vida pública, já que não o podiam seguir na íntegra. Mas o que era um problema para os Tang deixou de o ser para os Song, uma vez que para estes havia consonância entre uma filosofia do retiro e as bases filosóficas que segundo eles estruturavam a poética de Tao Yuanming, ou seja, neste caso, o carácter próprio do poeta. À medida que Tao Yuanming foi sendo descoberto, o homem e a sua obra e sobretudo em particular o Yin (reclusão), foram-se tornando também elementos estruturantes da vida moral dos literatos chineses. Na verdade ninguém antes de Tao promoveu tanto os valores da vida retirada e quem quer que o tenha feito depois, foi à sombra do seu exemplo e da sua obra.

F. TAO YUANMING E O SEU CLASSICISMO

Por mim diria que Tao Yuanming, mais do que pretender ser um grande poeta, que contudo foi, pretendeu sobretudo deixar um legado, um testemunho moral, ao mesmo tempo que percebeu, que esse testemunho teria que ser indissolúvel da escrita e aí sim lucidamente à escrita tudo sacrificou, quer dizer não foi directamente à escrita, a escrita foi instrumental relativamente ao testemunho cívico, ético e moral. Tao Yuanming é muito, em aparentemente tão pouco. Aparentemente tão pouco pois a sua obra é curta e pouco variada, muito porque

nessa escassez e repetição repete-se obsessivamente uma contradição, um paradoxo mesmo. E diria ainda, mais do que um paradoxo e do que uma contradição, é como se dois Tao Yuanming se enfrentassem em toda a sua obra: o funcionário chinês que lhe estava destinaPUB

do e o eremita que a sua alma ambicionava. Repare-se que não considero que existisse um conflito entre o funcionário e o artista num plano prático e exterior, posto em cena, ou seja meramente fenomenológico. Não, o problema é muito mais dramático porque é essencial-

mente de natureza ontológica. Tao Yuanming deveria ser um pai de família, ganhar a vida como funcionário, por exemplo, só que na sua alma habitava um pária, um marginal. E foi essa marginalidade constitutiva que o levou à escrita. Tao Yuanming não é um poeta muito emotivo como Bai Juyi por exemplo, as características essenciais da poética do poeta da reclusão foram a evenness, blandness, naturalness, e finalmente a directness, ou seja, uniformidade, insipidez, naturalidade e franqueza. Aos poucos fui interiorizando que Tao Yuanming era seguramente um poeta avesso ao sentimento e à obscuridade. O movere e o delectare não eram o seu forte até por que não era esse o seu programa. Na tradição chinesa opõe-se geralmente Tao Yuanming a Xie Lingyun, nos termos em que podemos opor um clássico a um maneirista ou a um barroco ou mesmo a um poeta romântico. E é disso que se trata, em minha opinião. Macau, 16 de Outubro de 2013 Manuel Afonso Costa


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PORTUGAL

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PRINCIPAIS MEDIDAS DO ORÇAMENTO DO ESTADO FUNÇÃO PÚBLICA - Saiba como vão ficar os salários na função pública - Função pública e pensionistas continuam a receber subsídio de Natal em duodécimos - Governo convida funcionários públicos a trabalharem a tempo parcial - Mais de metade do corte na despesa com pessoal é no ensino básico e secundário - Prémios de desempenho serão desbloqueados na função pública

PENSIONISTAS - Função pública e pensionistas continuam a receber subsídio de Natal em duodécimos - Pensões do Estado abaixo de 5000 euros ficam a salvo da CES - Idade da reforma passa para os 66 anos em 2014

IMPOSTOS - Governo dá prémios até 10 milhões a quem pedir facturas - Governo não mexe no IVA na restauração - Ter carro a gasóleo vai ser mais caro em 2014 - Fisco vai passar a cobrar multas nos transportes - Governo aumenta imposto extraordinário sobre o sector bancário - Fundos de investimento imobiliário perdem 50% da isenção de IMI e IMT - Encargos das empresas com carros de serviço podem aumentar até 35% - Taxa sobre o sector energético pretende arrecadar 153 milhões de euros - Governo limita-se a abrir a porta à regulamentação do jogo online - Imposto sobre bebidas espirituosas aumenta 5% - Governo alivia carga fiscal para rendimentos mais altos - Receita fiscal do IVA é a única que desce em 2014 - Governo quer mais casos com pena por crimes tributários

MINISTÉRIOS - Entrada de mais agentes na PSP e GNR só com a autorização das Finanças - Cultura terá 198 milhões de euros em 2014 - Ministério dos Negócios Estrangeiros avança com rescisões por mútuo acordo - Justiça com menos 95 milhões de euros para o próximo ano - Dinheiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia descerá 4% em 2014 - OE prevê redução de 30% do pessoal civil da Defesa até 2015

EDUCAÇÃO - Instituições de ensino superior vão ficar isentas de cativações - Ensino superior com corte de 4% - OE prevê menos 500 milhões para o ensino básico e secundário

SAÚDE - SNS vai ter menos 300,4 milhões de euros no próximo ano - Novos médicos podem ser obrigados a permanecer pelo menos três anos no SNS - Taxas moderadoras não aumentam nos centros de saúde

EMPRESAS PÚBLICAS - Privatização da REN será concluída em 2014 - Taxa para financiar RTP sobe para 2,81 euros mensais - NAV mantém excepção aos cortes salariais - Empresas públicas com prejuízos não vão pagar complementos de pensões - OE limita subida da dívida nas empresas públicas a 4% - Swaps do Santander com perdas potenciais de 1100 milhões

AUTARQUIAS - Autarquias vão receber menos 70 milhões de euros em 2014 - Juntas contam com mais 75 milhões de euros em 2014 - Autarquias que contratem sem autorização sofrem cortes nas transferências do Estado

ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2014 PREVÊ CORTES NA FUNÇÃO PÚBLICA

165 mil com redução salarial P ELA primeira vez, em 2014, mais de 260 mil funcionários públicos serão confrontados com um corte salarial e cerca de 165 mil verão a redução mais do que duplicar face à situação que enfrentam desde 2011. O novo plano de cortes salariais, confirmado na terça-feira pelo Governo, afectará mais de 90% dos trabalhadores do Estado, quando até aqui apenas 50% estavam abrangidos. E 2014 poderá não ser o último ano de cortes salariais. O aviso foi deixado pela ministra das Finanças: as reduções salariais no Estado serão mantidas “até que existam condições para aumentar os salários”. “O ajustamento é transitório, mas não anual”, fez questão de sublinhar Maria Luís Albuquerque, durante a conferência de imprensa para apresentar o Orçamento do Estado (OE) para 2014. A proposta prevê uma redução remuneratória de 2,5% a 12% para os salários brutos (antes de qualquer desconto) entre 600 e 2000 euros e, a partir deste valor, o corte que se aplica à totalidade do salário fixa-se em 12%. Isto significa que, em relação ao corte em vigor - que

Cortes no IC IPOR sem comentários

poupa os salários abaixo de 1500 euros e que se situa entre 3,5% e 10% para os salários acima desde valor -, verifica-se um acréscimo da penalização para a generalidade dos funcionários. No caso dos funcionários que ganham entre 1500 e 2500 euros, o corte aplicado mais do que duplica. Por exemplo, para um salário bruto de 2000 euros, este ano o corte remuneratório é de 3,5%, correspondente a 70 euros. Em 2014, salta para 12%, ou seja, 240 euros. O alargamento do universo de trabalhadores abrangidos terá como resultado uma poupança, no final do próximo ano, de 643 milhões de euros. Um valor bastante superior aos 499 milhões avançados na semana passada pelo primeiro-ministro.

PROTEGER SALÁRIOS BAIXOS

Ontem, o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, explicou que a preocupação do Governo foi proteger os salários “efectivamente mais baixos” até 600 euros e, ao mesmo tempo, “repartir de forma mais justa e equitativa a redução da despesa”. Rosalino justificou que a me-

O documento preliminar do Orçamento de Estado para 2014 em Portugal prevê um corte no financiamento do Instituto Camões (IC) em 7,8 milhões de euros, sendo que 4 milhões dizem respeito à rede do ensino do português no estrangeiro. Apesar do IC ser um dos principais associados do Instituto Português do Oriente (IPOR), o seu director, João Laurentino Neves, não se quer pronunciar sobre o assunto. “Somos uma instituição autónoma e o IC é um dos associados. O plano de actividades (do IPOR) está feito, o orçamento está em aprovação para 2014 e não me posso pronunciar sobre matérias que sejam da gestão interna de outra instituição”, disse ao HM. - A.S.S.

dida parte de três pressupostos: a necessidade de reduzir a despesa estrutural, a indicação dada pelo Tribunal Constitucional de que as medidas têm de ser progressivas e transitórias e, finalmente, dar consequência aos estudos de comparação com o privado, que apontam para a existência de um prémio salarial para funções de menor exigência e que as remunerações associadas a funções de maior complexidade tendem a ser inferiores face ao privado. O relatório que acompanha o OE acrescenta outra explicação para o reforço dos cortes salariais e do número de trabalhadores envolvidos: o acórdão do Tribunal Constitucional que chumbou os despedimentos de funcionários públicos após a passagem pelo regime de mobilidade. Isso “impossibilitou o Governo de actuar sobre o número de trabalhadores que não sejam comprovadamente necessários para o exercício de funções no Estado”, lê-se no documento. A poupança a este nível reduz-se, assim, dos 119 milhões (Maio) para 59.

TESOURA EM RISTE

Mas os cortes podem não ficar por aqui. Chegou a estar em cima da mesa um corte definitivo nos salários no Estado, através de uma revisão da tabela única. Mas os riscos constitucionais implícitos numa medida desta natureza levaram o Governo a optar por uma solução transitória, embora não isenta de riscos. Hélder Rosalino deixou em aberto a possibilidade de virem a ser levadas a cabo novas alterações à política remuneratória do Estado ao longo do próximo ano. Para já, o objectivo do Governo é integrar na tabela única, em vigor desde 2009, “um conjunto de trabalhadores de carreiras especiais” que continuam fora e criar uma tabela única de suplementos. Quanto a outras alterações, frisou, só depois de estar concluída a análise da informação sobre remunerações recolhida junto dos vários serviços e empresas públicas: “É um trabalho que está em curso e que pode levar ou não a alterações da política remuneratória do Estado.”

Pensões da CGA Manhão quer esperar pela votação final

Outra das conclusões preliminares do orçamento para o próximo ano prevê que os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA) estejam sujeitos a apenas um corte nas suas reformas: ou pagam a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) ou sofrem os cortes normais previstos devido à transferência destas pensões para o regime de Segurança Social. Ao HM, Francisco Manhão, presidente da Associação dos Pensionistas, Reformados e Aposentados de Macau (APOMAC), lembra que os reformados de Macau já pagam o CES neste momento. Mas prefere esperar pela votação final na Assembleia da República. “O que se fala mais são as pensões de sobrevivência, que podem sofrer cortes entre 12 a 35%. É prematuro falar sobre isto.” Manhão acredita que a mudança do conteúdo do orçamento é uma das hipóteses. “Pode ser que a oposição ou mesmo os sindicatos possam recorrer ao Tribunal Constitucional.” - A.S.S.


VIDA

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ONU MILHÕES TÊM PROBLEMAS ALIMENTARES

JAPÃO MÉDICO VIU DOENTES, INFECTADO COM TUBERCULOSE

ERCA de 60% das mais de 2.000 milhões de pessoas que padecem de má nutrição em todo o mundo estão na região Ásia-Pacifico, assinalou hoje a ONU no Dia Mundial da Alimentação. Em comunicado divulgado em Banguecoque, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), precisou que na região Ásia-Pacifico deverá acabar totalmente com a fome em 2025. O director da FAO para a região, Hiroyuki Konuma, alertou também que a inflação afecta as classes mais pobres e dificulta o fim da má nutrição. «Os altos preços dos alimentos, que são 50% mais altos em termos reais comparativamente há 10 anos, aumentam a vulnerabilidade dos pobres», disse o mesmo responsável. Além dos problemas de fome, o mundo registam também 1.400 milhões de pessoas com excesso de peso, das quais 500 milhões são obesas e correm sérios riscos de contrair doenças não contagiosas, acrescentou Hiroyuki Konuma referindo-se a problemas como a diabetes ou a hipertensão. EM todo o planeta, uma em cada oito pessoas e um em casa quatro crianças com menos de cinco anos, padece de

M médico japonês infectado com tuberculose examinou mais de 600 doentes sem utilizar uma máscara de protecção, revelaram ontem as autoridades japonesas. O médico, na casa dos 50 anos, dirige uma clínica na cidade de Ito, centro do arquipélago, e começou a ter sintomas da doença em meados de Agosto, mas enfrentou o problema como uma simples constipação, disse a autoridade nipónica de saúde. O médico continuou a dar consultas sem utilizar uma máscara de protecção até ser diagnosticado com tuberculose em meados do mês. Durante o tempo em que começou a ter manifestação da doença até que esta fosse diagnosticada, o clínico teve contacto com 658 pessoas, incluindo familiares, pessoal da clínica e mais de 600 pacientes. De acordo com as autoridades de saúde do Japão,

O estado da nutrição C

má nutrição, enquanto 165 milhões de crianças nunca desenvolveram o seu potencial intelectual e físico devido à carência de nutrientes. O Dia Mundial dos Alimentos marca o 68.º aniversário da fundação da FAO na cidade canadiana do Quebec, a 16 de Outubro de 1945.

Irresponsabilidade em Ito U que se escusaram a revelar o nome da clínica e do médico, foram enviadas cartas a todos os pacientes e que apenas entre 10 a 15% das pessoas possuem sintomas após terem sido contagiadas com tuberculose. Após o contágio, os sintomas de tuberculose podem

demorar entre dois a três meses a manifestarem-se. O médico em causa foi, entretanto, hospitalizado. Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que 87% das pessoas diagnosticadas com tuberculose foram tratadas com sucesso em 2010.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 22/P/2013 PARA A “OBRA DE REMODELAÇÃO DO CENTRO DE SAÚDE DE NOSSA SENHORA DO CARMO NA TAIPA” 1. 2. 3. 4. 5. 6.

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Entidade que põe a obra a concurso: Serviços de Saúde. Modalidade de concurso: Concurso Público. Local de execução da obra: Edifício do Lago, Taipa. Objecto da Empreitada: Obra de Remodelação do Centro de Saúde de Nossa Senhora do Carmo da Taipa. Prazo máximo de execução: 210 dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de noventa dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa do Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução provisória: $1 448 200,00 (um milhão, quatrocentas e quarenta e oito mil e duzentas patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço Base: não há. Condições de Admissão: Serão admitidos como concorrentes as entidades inscritas na DSSOPT para execução de obras, bem como as que à data do concurso, tenham requerido a sua inscrição, neste último caso a admissão é condicionada ao deferimento do pedido de inscrição. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Local: Sessão de Expediente Geral dos Serviços de Saúde, que situa no r/c do Edifício do Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora limite: dia 2 de Dezembro de 2013 (segundafeira), até às 17:45 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data do acto público de abertura das propostas do concurso público, será adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Local, dia e hora do acto público: Local: sala “Museu” situada junto ao Centro Hospitalar Conde de São Januário; Dia e hora: dia 3 de Dezembro de 2013 (terça-feira), pelas 10:00 horas. Em caso de encerramento dos Serviços Públicos da

Região Administrativa Especial de Macau, em virtude de tempestade ou motivo de força maior, a data do acto público de abertura das propostas do concurso público, será adiada para o primeiro dia útil seguinte, à mesma hora. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas os documentos apresentados no concurso. 14. Visita às instalações: Edifício do Lago, Bloco I, Taipa, no dia 23 de Outubro de 2013, às 15:45 horas, para visita ao local da obra a que se destina o objecto deste concurso. 15. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do processo: Local: Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar. Hora: horário de expediente (Da 9:00 às 13:00 horas e das 14:30 às 17:30 horas), local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde. Preço: $1 026,00 (mil e vinte e seis patacas). 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: Preço razoável Plano de trabalhos Programa de Trabalhos Prazo de Execução Experiência em construção Integridade e honestidade

50% 15% 5% 5% 20% 5%

17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes poderão comparecer na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, a partir de 16 de Outubro de 2013 e até à data limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau , aos 10 de Outubro de 2013. O Director dos Serviços Lei Chin Ion


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CULTURA

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públicos sobre a situação de tesouraria da Cinemateca, com Seixas a dizer que a instituição não tinha condições para funcionar no mês seguinte. O problema foi solucionado com uma dotação extraordinária de 700 mil euros do Fundo de Fomento Cultural, que nos dois meses anteriores tinha já alocado 400 mil euros ao Museu do Cinema.

REALIDADE E LEI

ASSEGURADO ORÇAMENTO ANUAL COM FUNDO DE FOMENTO CULTURAL

Cinemateca perde um milhão A Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema vai contar com 1,3 milhões de euros do Fundo de Fomento Cultural em 2014, disse ao jornal Público a direcção da instituição na noite em que a proposta de Orçamento do Estado (OE) revela que a despesa prevista da Cinemateca é de 3,3 milhões de euros. Menos um milhão do que em 2013. Nos mesmos mapas, em 2014, o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) terá uma despesa de 20,149 milhões de euros, menos 1,8 milhões do que em 2013. O secretário de Estado da

Cultura tinha prometido há uma semana uma solução financeira para a Cinemateca no OE, deixando em aberto se haveria também uma alteração que inscrevesse definitivamente o orçamento da instituição na lei geral. A directora da Cinemateca, Maria João Seixas, disse a noite passada que a tutela comunicou à instituição que “em 2014, para além da previsão da receita em quebra da taxa [cobrada aos anunciantes na televisão], haveria pela primeira vez inscrito para orçamento da Cinemateca 1,3 milhões de euros do Fundo de Fomento Cultural”, decisão de

Jorge Barreto Xavier que deixou os membros da direcção “mais confiantes e aliviados”. Questionada sobre se era esta a solução esperada para dar mais estabilidade à Cinemateca, afectada por um problema de suborçamentação crónica na última década, Seixas saudou “a decisão do secretário de Estado de manter a Cinemateca como instituto público e com esta dotação”. Questionado sobre a necessidade de mais mudanças no modelo estatutário da Cinemateca, o seu vice-director José Manuel Costa chama a atenção para o facto de a conversão da instituição

em Entidade Pública Empresarial (EPE), prevista no decreto-lei n.º 208/2012, ter ficado suspensa. Na comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, o secretário de Estado negou ter a intenção de transformar a Cinemateca em EPE. José Manuel Costa frisou que, no “curto prazo”, o planeamento de 2014 “fica minimamente garantido” e que se torna possível “manter as rotinas base da Cinemateca, nas áreas da divulgação e da conservação”. E promete: “Vamos fazer mais para conseguir mais receita própria adicional.” Em Agosto, soaram alarmes

O problema financeiro crónico da Cinemateca reside num desequilíbrio entre a realidade e a lei. A Lei do Cinema (55/2012) estabelece, num modelo que já data da década de 1970, que a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM) é financiada em parte por receita própria e em parte pela receita da cobrança da taxa de 4% paga pelos anunciantes sobre a publicidade exibida na televisão portuguesa. A Cinemateca recebe 20% da receita dessa taxa sobre a publicidade televisiva, que está em quebra nos últimos anos. De acordo com Maria João Seixas, o peso dessa taxa no orçamento da Cinemateca é muito superior a 50% — e, segundo disse o secretário de Estado no Parlamento, registou-se uma quebra de 50% na receita daquela taxa entre 2008 e 2013. Ela chegou a representar muito mais de três milhões de euros e este ano estima-se que “não chegue sequer aos dois milhões”, como disse Seixas em Agosto. Barreto Xavier admitiu aos jornalistas que o valor deve diminuir em 2014. Segundo o OE, a receita prevista para a Cinemateca é de 3,5 milhões de euros e o Fundo de Fomento Cultural deve ter uma receita de 24,1 milhões de euros — dos quais 1,3 milhões estão prometidos à Cinemateca. Em Agosto, o alerta de Maria João Seixas gerou uma petição online, uma concentração e dois projectos de lei (PCP e Bloco de Esquerda) e um projecto de resolução (PS) que foram chumbados pela maioria PSD/CDS na sexta-feira passada no Parlamento. As propostas do PS e do PCP consagravam uma solução para a Cinemateca no OE. Outro dos tópicos levantados no debate público gerado pela situação da Cinemateca — e focado no projecto de lei do Bloco de Esquerda — é a possibilidade de a taxa anual, instituída pela primeira vez na Lei do Cinema de 2012, que visa financiar em grande parte o ICA e os apoios públicos à produção cinematográfica, passar a sustentar também a Cinemateca. Contudo, essa taxa (cerca de 11 milhões de euros em 2013) não foi ainda paga pelos operadores de televisão por subscrição — o prazo limite era Julho —, podendo existir uma longa batalha legal em torno da mesma.


cultura 15

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AS CINQUENTA SOMBRAS DE GREY APÓS A DESISTÊNCIA DO ACTOR CHARLIE HUNNAM

Universal Studios procuram novo Grey

O

actor que iria personificar a personagem Christian Grey na adaptação cinematográfica de As Cinquenta Sombras de Grey, Charlie Hunnam, anunciou ontem a desistência da sua participação no filme. Segundo o jornal The Guardian, não aguentou a pressão e o mediatismo desde que aceitou o papel. PUB

O mesmo artigo sugere que a decisão de Hunnam pode ter sido influenciada por problemas com o guião. Antecipando futuros problemas, a Universal Studios contratou o argumentista de Closer, Patrick Marber, para retocar o argumento original. De acordo com o Hollywood Reporter, os candidatos mais

prováveis para substituir Charlie Hunnam são Alexander Sarsgard, da série True Blood, e Jamie Jamie Dornan, da série britânica The Fall. Contudo, a Universal pondera também recuperar os candidatos anteriores à sua primeira escolha para o papel de Christian Grey. O norte-americano

Garrett Hedlund, protagonista de Tron: Legacy, o brítânico Theo James, da série The Inbetweeners, e ainda Christian Cooke, também britânico, da série Trinity, foram os actores que perderam o papel para Charlie Hunnam. Apesar dos atrasos provocados pela desistência do actor, o filme, realizado por Sam Taylor-Johnson, mantém a estreia marcada para 2014. A adaptação do livro As Cinquenta Sombras de Grey, lançado em 2011 e publicado em Portugal pela Lua de Papel, conta a história da virgem Anastasia Steele, estudante de literatura, e do dominador Christian Grey, um CEO milionário norte-americano adepto de práticas BDSM (bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo). Grey deseja que Anastasia seja submissa, enquanto ela sonha com o príncipe encantado. Este será o primeiro de uma trilogia que entrará em produção cinematográfica brevemente.

Neozelandesa Eleanor Catton ganhou o Man Booker Prize aos 28 anos

A escritora neozelandesa Eleanor Catton tornou-se nesta terça-feira, aos 28 anos, a distinguida mais nova com o Man Booker Prize, o galardão literário mais prestigiado do Reino Unido, com a sua novela The Luminaries. O romance é centrado na figura do aventureiro Walter Moody e tem por pano de fundo a corrida ao ouro na Nova Zelândia em meados do século XIX. O presidente do júri, Robert Macfarlane, descreveu o livro, de 832 páginas, o mais longo dos que já ganharam o prémio, como “deslumbrante”. Catton tinha 25 anos quando começou a escrever o livro e 27 quando o terminou. A duquesa da Cornualha, mulher do Príncipe Carlos, entregou à autora o prémio de 50 mil libras, que é considerado a maior honra literária britânica.


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DESPORTO

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Aviso Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia para 2014 – Selecção na RAEM Por Despacho do Chefe Executivo de 12 de Março de 2008, foi autorizado ao FDCT para promover na RAEM da recomendação dos Prémios Nacionais na áreas de Ciências e Tecnologia, ficando assim, notificados os interessados de que poderão candidatar-se através da seguinte forma:

(1.)

Objectivo O Conselho de Estado da República Popular da China institui o Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, tendo como objectivo: (i) Incentivar cidadãos, organizações que dão contribuições notáveis às actividades do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Mobilizar a iniciativa e criatividade dos trabalhadores nas áreas das ciências e da tecnologia; (iii) Acelerar o desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (iv) Aumentar a capacidade integrada do Estado.

(2.)

Categoria O Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia consta de cinco prémios: (i) Prémio Supremo Nacional das Ciências e da Tecnologia; (ii) Prémio Nacional das Ciências Naturais; (iii) Prémio Nacional da Invenção da Tecnologia; (iv) Prémio Nacional do Progresso das Ciências e da Tecnologia; (v) Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia. Compete ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia a coordenação dos trabalhos de recomendação dos cincos prémios acima referidos. As recomendações serão entregues ao Gabinete para os Trabalhos de Incentivo às Cièncias e Tecnologia do Departamento das Ciências e da Tecnologia para efectuar a avaliação.

(3.)

Qualificação da candidatura (i) De forma relevante, contribuir para a descoberta científica, invenção tecnológica ou promoção do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Os cidadãos chineses que sejam residentes da RAEM e correspondam às condições estabelecidas no «Regulamento da Premiação Nacional das Ciências e da Tecnologia» (incluíndo os residentes permanentes e indivíduos que tinham adquiridos o direito de residência na RAEM, mas não têm o direito de residência permanente), ou outros indivíduos de nacinalidade chinesa que estejam em exercício da investigação científica e do desenvolvimento tecnológico na RAEM. (iii) Os candidatos para o Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia, devem ser estrangeiros ou organizações estrangeiras que prestam serviço na RAEM ou terem feito contribuição para as actividades do progresso das ciências e da tecnologia. As condições específicas de cada prémio podem ser consultadas na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. (www.fdct.gov.mo/ tc/national_award.asp)

(4.)

Forma da candidatura (i) As pessoas interessadas em candidatar-se ao Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, podem descarregar a apresentação de recomendação e os detalhes dos prémios respectivos na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, e preencher devidamente o requerimento de candidatura e anexos ; (ii) Após a avaliação feita pela Unidade, compete à Unidade a seleccinar a qual se destaca, para recomendar ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, não se aceita o requeimento individual; (iii) O número de cada categoria de premiação recomendado por cada Unidade não pode ser superior a dois.

(5.)

Data do requerimento A partir de 17 de Outubro de 2013 até 19 de Dezembro de 2013.

(6.)

Consulta Endereço: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 411-417, edifício Dynasty Plaza, 9.º andar. Telefone:28788777; Fax:28722681 Correio electrónico:sedc@fdct.gov.mo

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Tong Chi Kin 17 de Outubro de 2013

GOLFE TORNEIO DA MACAU BUSINESS COM 28 EQUIPAS

Sete edições de caridade U M total de 28 equipas compostas por 84 jogadores participam a 25 de Outubro na sétima edição do torneio da Caridade da revista Macau Business, uma publicação privada que nos últimos seis anos distribuiu cerca de 280.000 euros em apoios sociais. Em declarações à agência Lusa, Paulo Azevedo, proprietário do grupo media “De Ficção”, que publica a Macau Business, e presidente da Associação dos Leitores da Revista de Negócios de Macau, explicou que ao longo dos últimos seis anos, foram entregues a associações locais escolhidas pelos participantes no torneio cerca de 2,8 milhões de patacas, tudo sem “qualquer tostão atribuído pelo Governo de Macau”. “Penso que esta iniciativa é o exemplo de como a sociedade civil se pode unir em projectos de algum fôlego sem ter de andar a pedir esmola ao governo de Macau”, sublinhou Paulo Azevedo que reside em Macau há duas décadas. Para o dono da Macau Business, cujo grupo edita ainda um jornal em língua inglesa, uma revista económica em chinês e uma revista de “life style” em inglês e chinês, “duas décadas de Macau é tempo suficiente para perceber que até instituições de solidariedade social com actividade de relevo têm de ter capacidade de ‘lobby’ de

forma a poderem pagar parte dos seus custos operacionais”. Mas, salientou, “como algumas dessas instituições não têm essa sorte, organizações como a nossa - e felizmente que há várias - sempre que podem vão ajudando o melhor que sabem”. Apesar das dificuldades, Paulo Azevedo está satisfeito com o resultado e com a resposta que o tecido empresarial de Macau dá à iniciativa da Macau Business já que em três semanas esgotaram o máximo de 28 equipas possíveis no torneio o que significa que o torneio de golfe com fins sociais “já integra o calendário de acções das empresas que pretendem ter um papel activo na sociedade de Macau ajudando os mais desfavorecidos”. Além da participação de jogadores que integram a equipa de golfe dos Special Olimpics de Macau, o torneio de 2013 está inserido no circuito internacional da cidade suíça de Lugano o que significa que os vencedores do torneio irão representar Macau na fase final do torneio suíço em 2014 com os vencedores de torneios semelhantes de países como, entre outros, Portugal, Itália, Espanha ou Argentina. O torneio da Macau Business disputa-se numa ronda a decorrer no Ceasars golf club com os prémios a serem atribuídos num jantar de gala no Westin Resort da ilha de Coloane.

Ciclismo Rui Costa no top-10 do ranking UCI

Tudo definido no ranking UCI World Tour, com o actual campeão do mundo e português Rui Costa a garantir a 9.ª posição e 352 pontos, depois de ter sido 10.º em 2012 (320) e 43.º em 2011 (101 pontos), e a sua equipa, a espanhola Movistar, a garantir o primeiro lugar colectivo, seguida da Sky e Katusha. O espanhol Joaquin Rodriguez, da equipa Katusha, assumiu-se como o grande vencedor da tabela anual, com um total de 607 pontos, seguido de Chris Froome (SKY), com 587, e Alejandro Valverde (MOV). com 540. Já vencedor em 2010 e 2012, o catalão de 34 anos também conhecido por ‘Purito’ alcança assim a sua terceira liderança, com a particularidade de nunca ter ganho qualquer das três grandes Voltas (foi 2.º no Giro de 2012, 3.º no Tour 2013, nas Vueltas 2010 e 2012, a par do 2.º lugar no Mundial 2013 e do 3.º em 2009). Dos restantes cinco portugueses participantes no World Tour, Tiago Machado terminou em 146.º (11 p), enquanto Sérgio Paulinho, Bruno Pires (TST), Nelson Oliveira (RLT) e Ricardo Mestre (EUS) não somaram qualquer ponto. Por nações, o 1.º lugar foi de Espanha, seguida da Itália e da Colômbia, sendo Portugal 16.º entre os 35 países que pontuaram. Já no Europe Tour, o líder é Riccardo Zoidl (GMS), com 531,5 pontos, sendo Fábio Silvestre (LET) em 62.º lugar e 135,67 pontos o melhor português. Por equipas a Europcar comanda com 1471,6 pontos, a OFM-Quinta da Lixa, no 27.º lugar, foi a melhor nacional.


FUTILIDADES

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TEMPO

MUITO

NUBLADO

[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:30 18:00 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) Montra do Lilau (Repetição) Vingança Telejornal TDM Talk Show Conta-me História Caminho das Índias TDM News Herman 2013 Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 14:00 14:35 15:35 16:05 17:00 17:25 17:40 18:20 19:10 20:00 21:15 22:05 22:20

Telejornal Madeira Poplusa Moda Portugal Bom Dia Portugal Linha da Frente Vida Animal em Portugal e no Mundo Portugueses Pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Laura, A Inquietação de Estar Viva Jornal da Tarde O Preço Certo Tec@ Net Portugal no Coração

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THE BEST PLAN IS NO PLAN [C]

DIANA

Um filme de: Patrick Kong Com: Sammy Sum, Justin Cheung, Hanjin Tan, Shiga Lin 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 2

GRAVITY [B]

Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 16.30, 21.30

RUSH [3D] [C]

Um filme de: Ron Howard

41 - HBO 11:40 Sherlock Holmes: A Game Of Shadows 13:45 28 Days 15:30 Something New 17:10 How To Lose A Guy In 10 Days 19:00 Stealth 21:00 Contraband 22:50 Boardwalk Empire 23:50 Young Adult 42 - Cinemax 12:45 Above The Law 14:20 Drop Zone 16:00 Spartacus 19:04 Wonder Woman 20:15 Mad Max Beyond Thunderdome 22:00 The Raven 23:50 Paranormal Activity 3

10.8

TUDO À GRANDE

BAHT

0.2

YUAN

1.3

Cineteatro Com: Chris Hemsworth, Daniel Bruhl 19.15 SALA 3

DIANA [B]

Um filme de: Oliver Hirschbiegel Com: Naomi Watts, Naveen Andrews 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O Foto: Facebook

• Quer dizer. Estes marmanjos gostam de chatear um gajo que está mal estacionado. Correm Macau inteiro – vão a ruas, ruelas, becos e esquinas – à procura de motas e carros para multar e depois gostam de ter uma vidinha à grande. Onde está o exemplo? Que eu saiba, o Código da Estrada é claríssimo: um carro de polícia ou bombeiros, ambulâncias e afins só podem “transgredir” se forem em missão urgente de socorro.

30 - FOX Sports 13:00 (LIVE) Kolon Korea Open Day 1 16:00 Asian Fishing Championships 16:30 (Delay) PGA Grand Slam Of Golf 2013 Final Round 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 National League Championship Series 2013 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Thursday Fight Night With UFC 23:00 The Ultimate Fighter

40 - FOX Movies 12:20 The Sixth Sense 14:10 Enough 16:05 Cloudy With A Chance Of Meatballs 17:35 Grown Ups 19:20 Six Days, Seven Nights 21:00 The Watch 22:40 Men In Black 00:20 The Other Guys

EURO

] C I N E M A SALA 1

31 - STAR Sports 13:00 Rolex Spirit Of Yachting 2013 13:30 Smash 2013 14:00 European Le Mans Series 2013 15:00 Supermoto Of Nations - Highlights 15:30 Smash 2013 16:00 Sports Max 2013/14 17:00 Rolex Spirit Of Yachting 2013 17:30 Smash 2013 18:00 V8 Supercars C’ship Series 2013 - Highlights 19:30 MotoGP World Championship 2013 Highlights Malaysian Motorcycle Grand Prix 20:30 Total Rugby 21:00 2 Wheels 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Total Rugby 22:30 2 Wheels 23:00 MotoGP World Championship 2013 Highlights Malaysian Motorcycle Grand Prix

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17

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O DOUTOR GLAS • Hjalmar Soderberg

«Como em Eugénie Grandet de Balzac e em Washington Square de Henry James, mas desta vez misturado com uma sensibilidade semelhante à de Strindberg e de Ingmar Bergman. É assim possível ter uma ideia da força e sinceridade desta obra-prima no Norte da Europa.» [Susan Sontag] INGREDIENTE SECRETO • Henrique Sá Pessoa

“Ingrediente Secreto” é uma obra singular, no catálogo dos livros de culinária em Portugal, pelos seus 13 ingredientes e 6 receitas em torno de cada um. Este é o primeiro volume de receitas do afamado programa «Ingrediente Secreto», do Chef Henrique Sá Pessoa. São 78 receitas inesperadas e imprevisíveis que cortam com a rotina e estimulam a imaginação gastronómica. Uma aventura culinária para apimentar o dia-a-dia e dar asas à fantasia. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

POR MIM FALO

Pu Yi

Os carnavais desta vida Os jornais de ontem contaram-nos que no domingo há carnaval. Acontece na praça do Tap Seac e pretende servir de sensibilização para a segurança rodoviária, sendo que este ano o foco principal são as passadeiras. Olhando para os números, que o HM publicou numa notícia na edição de ontem, a situação em Macau não é para brincadeiras: desde 2012 até Setembro deste ano, foram passadas mais de 800 multas a condutores que não pararam nas passadeiras. Estes números são um indício da existência de uma falta de civismo e cultura presente nos condutores locais, algo que não é, directamente, culpa do Governo. Mas depois convém analisar bem o sistema de ensino da condução local. Actualmente uma pessoa faz o seu exame teórico e depois tem de esperar seis meses até poder começar a pegar num carro. Nesse tempo, é mais que normal que esqueça parte da teoria que aprendeu. A questão que se coloca é quando vão ser criadas mais escolas de condução, com mais profissionais, para que o ensino da condução tenha a sua qualidade garantida. A má condução não é apenas uma queixa minha: é parte integrante do dia-a-dia local. A maior parte dos condutores dos autocarros parece que transportam outra coisa que não pessoas atrás de si, aceleram em espaços pequenos e com curvas. Os carros é o que se vê. Tudo isto num espaço congestionado, onde não há o mínimo de coordenação de trânsito e de estradas. Era bom que o carnaval de domingo resolvesse o carnaval que todos os dias acontece nas ruas de Macau.


18

OPINIÃO

A

José Luís Peixoto in Visão

NTES de chegar ao mercado de Bandim, no centro de Bissau, já tinha reparado nas nuvens. Enormes, grossas, esculpidas em branco puro, a contrastarem com todas as cores do chão: a terra vermelha, rasgada por faixas de lama brilhante, e o lixo de cores desmaiadas, apodrecidas, castanhos tristes. Sobre isto passavam mulheres a levarem todo o tipo de volumes à cabeça: caixas, latas, baldes. As cores dos tecidos que usavam eram vivas como se ardessem, azul a arder, verde a arder, amarelo a arder. Às vezes, quando vistas de frente, essas mulheres tinham um par de pezinhos espetados sobre as ancas. Quando vistas por trás, lá estava o rosto da criança, de face espalmada sobre as costas da mãe, a escutar-lhe a respiração, com o corpo moldado pela faixa que as unia. Bandim anoitecia e, talvez por isso, notava-se uma pressa, uma febre. Muitas mãos escolhiam de montes de sapatos usados, todos diferentes. Nesse mesmo passeio, os corpos caminhavam desencontrados, tentavam desviar-se uns dos outros à última hora e, com frequência, não conseguiam. Esbarravam com os cotovelos, com os ombros, com os joelhos. Seguíamos à distância de nos cheirarmos. Pelo meio, homens com carrinhos de mão cheios de qualquer peso. Às vezes, durante minutos contados, algum

cartoon por Stephff

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

Guiné-Bissau desses encostava-se e ficava a ver o movimento, orgulhoso do seu carrinho de mão. Na estrada, um pouco abaixo do passeio, pessoas em cadeiras de rodas passavam a pedalar com as mãos à frente do peito. Logo atrás, entre táxis amolgados a apitarem sem descanso, os toca-toca, pintados de amarelo e azul, paravam onde calhava. A porta de trás abria-se de repente, como se tivesse levado um pontapé desde o interior, talvez tivesse. Saía um e entravam meia dúzia ou todos os que quisessem, havia sempre lugar. Esses toca-toca iam para o Aeroporto, para São Paulo, para o Bairro Militar ou para o Enterramento. E, de repente, a noite. Num canto, uma sombra zangada com o telemóvel, a gritar em crioulo. Noutro canto, outra sombra a gritar sem que se percebesse para quem, para ninguém quase de certeza. E os contornos da multidão desenhados pelos faróis dos carros. Gente a conversar comigo no meio, através de mim. Às vezes, eu a desviar-me de algum jato de cuspo que tivesse sido lançado para o lado, entre os dentes. A pouca luz era ainda suficiente para ver os pequenos montes de vegetais sobre tabuleiros de lata. Algumas vendas com os balcões cobertos por uma rede de ferro, iluminadas desde o interior por candeeiros a gás, a venderem latas pobres e caixas de fósforos, saquinhos de óleo de

Numa rua de terra, senti agarrarem-me na mão e levarem-me o telemóvel. Corri alguns passos atrás desse vulto, mas vieram mais por trás. Agarrei a carteira e puxaram-me de todos os lados. Um deles deu-me um murro no nariz e na boca para me fazer largá-la. Não conseguiu palma e de molho picante, com letreiros toscos a dizerem “há cana bordão”, sumo de caju fermentado, alcoólico. E a pressa de toda a gente era cada vez maior. Alguém me despejou um alguidar de água negra sobre os pés. Saído do meio da multidão, um homem com uma perna encolhida e torta avançava com desenvoltura impressionante, apoiando-se num pau grosso, a remar no chão.

E foi como se o céu rebentasse. Os trovões pareciam chegar desde o fundo da terra. A chuva caia como de fosse disparada, atirada com maldade, descarregada. As gotas davam chapadas onde batiam. Apagaram-se os fogareiros de assar espetadas de carne seca e maçarocas de milho. Encostei-me a uma parede, com as goteiras a escorrerem diante de mim e de outros que ainda tinham apanhado lugar, com camisolas de algodão grosso, atravessadas por suor e terra. Os carros apitavam desesperados. A chuva parecia querer lavar tudo, purificar tudo. Quando os relâmpagos riscavam o céu, era como se, por instantes, fosse dia pálido e cinzento. Nessa trégua, podia ver-se uma multidão de rostos abrigados nos destroços de Bandim. Quando acalmou, a noite era opaca. Poucas luzes, excepto os relâmpagos, a afastarem-se, a desenharem altas copas de árvores de encontro ao horizonte. Tranquilo, talvez a sorrir, eu regressava cheio de imagens. Então, numa rua de terra, senti agarrarem-me na mão e levarem-me o telemóvel. Corri alguns passos atrás desse vulto, mas vieram mais por trás. Agarrei a carteira e puxaram-me de todos os lados. Um deles deu-me um murro no nariz e na boca para me fazer largá-la. Não conseguiu. Eram uns cinco ou seis e desapareceram na escuridão. Quando cheguei à luz, tinha a camisola e as mãos cheias de sangue. A ferida no nariz não doía muito, estava meio dormente, só começou a doer mais tarde. Está a doer agora. Sei bem que os finais costumam encerrar uma conclusão mas, neste momento, não sei o que pensar. Só sei que foi assim que aconteceu.

A DÍVIDA


opinião 19

hoje macau quinta-feira 17.10.2013

Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

Num suicida, a esperança não é a última a morrer.

LEOCARDO

A

população de Macau está cada vez mais revoltada com os táxis. Quer dizer, há os que estão revoltados e expressam o seu descontentamento, e há os que comem e calam, que são a maioria, infelizmente. Assim como os restantes problemas que prejudicam directamente a sua qualidade de vida, como a especulação imobiliária ou a falta de um segundo hospital público, por exemplo, as gentes de Macau encolhem os ombros, e soltam um mui fatalista: ”O que é que eu posso fazer?”. Sozinho, nada, lógico, mas é para isto que elegemos, escolhemos, apontamos ou como no caso de Macau “oferecem-se” servidores públicos, que se encarregam de garantir que se cumprem as funções mais básicas para fazer uma cidade moderna funcionar. Da mesma forma que contamos com a água que nos sai da torneira, com a luz eléctrica quando ligamos o interruptor, do autocarro que pode chegar atrasado, mas chega, devíamos contar também com um serviço de táxis decente. É difícil de entender como é que se resgata uma companhia de autocarros falida sem pestanejar, mas hesita-se tanto na hora de pôr ordem nos táxis. Quem tem à mão de semear uma forma de desabafar, faz isso mesmo: desabafar, o que não resolve nada mas pelo menos alivia um pouco da frustração. Recentemente tivemos um editorial do director deste jornal a servir-se da ironia para apelar às tríades que resolvam a anarquia que reina entre os taxistas, e há duas semanas na concorrência lemos um episódio que aconteceu com um dos colunistas, um senhor já com uma certa idade. Esse incidente em particular demonstra bem o carácter vampiresco de muitos dos taxistas do território. Quando descobriram que podiam cobrar o dobro, o triplo ou dez vezes mais por um serviço que por lei tem o preço estabelecido por um taxímetro, enlouqueceram. Afinal estes tipos do continente não se importam de pagar 200 patacas por uma “corrida” que normalmente ficaria por 30 ou 40. “Então deixa-me apanhar só estes gajos”, diz-lhes a lógica da batata. Os residentes? Que comprem um carro. Ou vão a pé, que faz bem à saúde. Nem todos os taxistas são maus, egoístas, mercenários desprovidos de sentimentos que ignoram uma grávida a quem acabou de re-

WIKTOR NAJBOR, SETE BANDIDOS DO MAR AMARELO

Os piratas do carro preto

Ainda me lembro de quando cheguei a Macau, quando a bandeirada era sete patacas e o taxímetro pulava 90 avos depois dos primeiros não-sei-quantos metros. Era possível ir do Colégio D. Bosco à Praia Grande por menos de 10 patacas bentar as águas e precisa urgentemente que a levem ao hospital para apanhar um “tailoque” com pinta de endinheirado que está à porta do casino disposto a pagar um pintor só para ir até à sauna do outro lado da rua. Tenho dois taxistas na família, e são gente honesta, que normalmente apanham qualquer um que lhes faça sinal, cobram a tarifa que o taxímetro marca, e preferem ficar em casa quando há tufão. Tudo depende de factores como o dia, a hora ou o local onde nos encontramos.Apanhar um táxi no centro num Sábado à noite ou em dias feriados é como procurar uma agulha no palheiro, e nesse caso entra ainda o factor sorte. E convém desconfiar; encontrar facilmente um táxi nestas circunstâncias pode implicar uma “proposta indecente” da parte do motorista, que só aceita levar o passageiro ao seu destino mediante um preço muito acima do normal, e até do razoável. Há cerca de dois anos conheci quatro turistas brasileiros, dois casais, que encontrei uma noite no meio do Largo do Senado por

acaso, com um ar perdido. Ofereci-me para ajudá-los, e perguntaram-me o caminho para as Ruínas de S. Paulo. Perante um pedido tão simples, ofereci-me para lhes fazer de cicerone, e afinal eram apenas cinco ou dez minutos a pé de onde nos encontrávamos. Pelo caminho contaram-me que trabalhavam numa empresa multinacional em Guangzhou, e que esta era a primeira vez que vinham a Macau. Antes de chegarmos ao maior símbolo de Macau, perguntaram-me como se ia dali para a fronteira das Portas do Cerco, e “se era muito longe”. Quis saber com que urgência precisavam de chegar a esse local, e disseram-me que iam passar a noite em Zhuhai, e tinham até hotel marcado. Era Sábado, quase onze da noite, e a fronteira fechava em pouco mais de um hora. A única solução era encontrar um táxi. O agradável passeio nocturno até S. Paulo tornou-se uma corrida contra o tempo. Chegados às ruínas da igreja, tiraram algumas fotografias, e não demoraram mais de dois minutos. Nem se aproximaram da escadaria. A

bairro do oriente busca desesperada por um táxi levou-nos até ao antigo Hotel Lisboa, onde finalmente avistamos um carro preto encostado perto da entrada principal, motorista no interior, luz vermelha tapada com o cartão de “fora de serviço”. Perguntei ao taxista se podia levar aquelas pessoas até às Portas do Cerco, deixando bem claro desde o início o carácter de urgência. Fez um ar de nojo, bufou, fez caretas como se tivesse a sofrer de prisão de ventre, e disse ser “impossível” satisfazer o meu pedido. Parecia que lhe tinha pedido para me levar à Somália, ou para um bairro onde decorria naquele momento um apocalipse zombie. Insisti, dizendo-lhe que os turistas tinham meia-hora para atravessar a fronteira, e abanou a mão direita, como quem diz “Portas do Cerco nunca! Antes a morte que tal sorte”. Uma das senhoras brasileiras avançou e ofereceu-lhe 150 patacas, e subitamente as Portas do Cerco passaram de teatro de guerra ao sítio mais normal do mundo. “No problem”, entrem lá que se vai fazendo tarde. Durante a breve despedida os brasileiros deixaram-me saber que na China “também é assim”; se a situação requer que se negoceie, não há outra escolha. No caso deles, era pagar 150 por uma viagem que custaria 30 em circunstâncias normais, ou passar a noite ao relento em Macau até que a fronteira reabrisse, mais de sete horas depois. Agora pergunto eu: tem mesmo que ser assim? Não é possível encontrar um táxi para atender a uma situação urgente sem se sujeitar à roubalheira? E quem não tiver 100 ou 200 patacas, gastou o dinheiro todo em Macau e precisa de regressar ao continente ou a Hong Kong com urgência? Será preciso morrer alguém para que se faça qualquer coisa? Desde quando é que os táxis se tornaram “carros particulares” ao serviço de quem paga mais, completamente indiferentes ao taxímetro que indica o preço justo por cada viagem? Se na China “é assim”, este é um exemplo que não devemos importar. Ainda me lembro de quando cheguei a Macau, quando a bandeirada era sete patacas e o taxímetro pulava 90 avos depois dos primeiros não-sei-quantos metros. Era possível ir do Colégio D. Bosco à Praia Grande por menos de 10 patacas. Nos tempos de crise, como aquando da epidemia de SARS, bastava levantar a mão para tapar o rosto quando se espirrava para pararem dois táxis à nossa frente. Hoje se nos deitamos no meio da estrada eles passam-nos por cima. Será que é preciso outra crise para que os taxistas se lembrem da sua nobre missão, da sua função tão útil de dar uma “boleia” de vez em quando à malta que, como eu, não tem carro? Se isso vier a acontecer, e espero bem que não, ninguém vai ter pena deles.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 17.10.2013

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

U

M dia depois das Obras Públicas terem dito que as obras de renovação do templo budista Iok San são ilegais, eis que Shi Jie Sheng, presidente da Associação Centro Budista de Macau (ACBM), responsável pelo templo, veio pedir desculpa pelos conflitos ocorridos no último festival dos antepassados Chong Yang. Recorde-se que muitas famílias, que queriam velar os seus parentes falecidos, tomaram conhecimento de que os memoriais tinham sido mudados de sítio sem sua autorização. À TDM, Shi Jie Sheng admitiu que existiu falhas no tratamento dos memoriais e prometeu restaurar o lugar original de todos os memoriais. Disse ainda que quando essa reorganização acontecer vão ser feitas cerimónias solenes, por forma a dar “tranquilidade aos antepassados e facilidades aos descendentes”. A associação adquiriu o templo em Novembro do ano passado. O seu presidente explicou que, como o anterior responsável não transferiu as informações dos donos dos memoriais, a associação só conseguiu colocar um aviso de que o templo seria PUB

TEMPLO IOK SAN ADVOGADO DIZ QUE MEXER EM MEMORIAIS VAI CONTRA A LEI

Responsável do pede desculpa

uma conferência de imprensa no próximo Sábado.

VIOLAÇÕES DA LEI EM CASA

renovado, sem ter entrado em contacto com as famílias. Tratou-se, neste caso, de uma “negligência não intencional” e que tudo aconteceu por falta de comunicação. Quanto às obras de renovação, serviriam para

“melhorar o ambiente do templo” e que havia “muitas térmitas, que bloqueavam todos os sítios”. Sobre o aviso de ilegalidade da DSSOPT emitido esta segunda-feira, o responsável diz que já tirou fotos para a deslocação dos

memoriais, bem como os respectivos códigos, e que se houver alguma perda, ele assume toda a responsabilidade. A associação promete ainda publicitar no jornal todos os nomes dos familiares envolvidos, bem como realizar

Citado pelo jornal Ou Mun, o advogado Miguel de Senna Fernandes disse que, de acordo com os casos normais, a mudança dos memoriais e memoriais precisa de ser feita mediante consenso entre os responsáveis do templo e dos familiares dos falecidos. Cabe ao templo a responsabilidade de avisar e explicar a situação de mudança às famílias, caso contrário incorre numa violação contratual e até do Código Civil. Outro advogado, Hong Weng Kuan, disse à mesma publicação que embora Macau ainda não tenha uma lei especifica que regule a localização dos memoriais, os contratos celebrados entre os familiares e os donos dos templos devem ser respeitados. O advogado disse ainda que deveria ser feita uma lei especifica de protecção aos memoriais e memoriais privados.


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Hoje Macau 17 OUT 2013 #2955 by Jornal Hoje Macau - Issuu