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Hoje Macau 16 SET 2011 #2455

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEXTA-FEIRA 16 DE SETEMBRO DE 2011 • ANO XI • Nº 2455

Ter para ler

TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 32 HUMIDADE 50-90% • CÂMBIOS EURO 11.1 BAHT 0.3 YUAN 1.3

A INTEGRAÇÃO NO DELTA E OUTRAS INIQUIDADES • PÁGINA 21

Paul Chan Wai Chi

A SOBREVIVÊNCIA DOS TRABALHADORES DOS MÉDIA

Autoridades de Macau sem saber como lidar com Macao Dragon

Dragão queima Governo

Oficialmente, o Executivo de Macau ainda não foi notificado sobre a insolvência e o encerramento das operações da Macao Dragon, a companhia de ferries de baixo custo que operava a partir da Taipa. Apanhadas de surpresa, as autoridades locais apresentaram medidasde curto prazo e ainda não sabem se podem avançar para alguma acção judicial por incumprimento de contrato. No meio da confusão, há ainda quem, no Gabinete do Secretário para as Obras Públicas e Transportes, não se tenha apercebido da tempestade no mar. > PÁGINAS 6 E 7

Carta de condução

QUANDO A LÍNGUA, OU A FALTA DELA, É UM OBSTÁCULO • PÁGINA 9

• PÁGINA 23

OPINIÃO

Carlos Morais José

Macau como plataforma

CHINA E PORTUGAL NÃO SE ENTENDEM • PÁGINA 8


SEXTA-FEIRA 16.9.2011 www.hojemacau.com.mo

2 QUATRO CONDENADOS À MORTE POR TERRORISMO Quatro pessoas “envolvidas em dois ataques terroristas mortais” no Xinjiang, região autónoma do noroeste da China de maioria muçulmana, foram condenadas à morte, disse ontem a imprensa oficial. Duas outras pessoas, descritas como “cúmplices”, foram condenadas a 19 anos de prisão, indicou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. Os ataques, que causaram 17 mortos, ocorreram em Julho passado em Hotan e Kashgar. Foi a segunda vaga de violentos incidentes no Xinjiang depois dos tumultos étnicos de Julho de 2009 em Urumqi, a capital da região, que causaram quase 200 mortos. Segundo o site citado pela Xinhua, os tribunais de Hotan e Kashgar consideraram os réus “culpados de envolvimento em organizações terroristas, fabrico ilegal de explosivos, homicídio e fogo posto”. CRIANÇAS ENVENENADAS POR CHUMBO Famílias residentes num subúrbio industrial da cidade chinesa de Xangai dizem que as crianças estão a sofrer envenenamento por chumbo oriundo de diversas unidades fabris da zona. De acordo com a agência Associated Press, as autoridades de Xangai não comentaram ainda a acusação das famílias do distrito de Kanghua New Village que garantem que exames recentes mostram que muitas das crianças registam níveis de chumbo no sangue dez vezes superiores aos legalmente permitidos. A fonte da contaminação não é imediatamente identificada, mas o bairro foi construído há 15 anos para albergar famílias que abandonaram o campo para dar lugar a um parque industrial onde predominam peças automóveis, baterias e fábricas de produtos electrónicos. CHINA NÃO REAGE A PRESSÕES Jiang Shixue, subdirector do Instituto Europeu da Academia Chinesa de Ciência Social, acredita que o a valorização do yuan é o caminho certo para a China. O responsável alerta, no entanto, que Pequim não reage a pressões dos outros países. “A China não vai fazer nada sobre pressão externa. Se a China quer elevar a moeda é porque entende que é bom para o país”. Jiang Shixue diz não ter dúvidas que a China vai superar os Estados Unidos e tornar-se a primeira economia mundial, só não se sabe quando. Jiang Shixue concorda com o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, sobre a necessidade de o país ter de mudar o modelo de crescimento que usa desde os anos 80 para se afirmar como a primeira economia mundial. Assim, o aumento da eficiência no uso de recursos naturais é um dos objectivos que o continente tem de cumprir, bem como não dar demasiada confiança ao mercado global, mas olhar mais para a economia interna.

ACTUAL Chineses solteiros pagam até 50 mil yuans por esposas virgens

Quando o dinheiro também compra as mulheres

O

desequilíbrio de géneros na China obriga os 18 milhões de solteiros chineses a viajar para países como Vietname e Brunei em busca de esposas, as quais chegam a valer 50 mil yuans se forem virgens. Os abortos selectivos de meninas na sociedade também agravam a situação de desequilíbrio. A perspectiva é que em 2020 a China tenha 24 milhões de pessoas solteiras, já que para cada 116 homens nascem 100 mulheres. No resto do mundo, a proporção é de 103 homens para cada 100 mulheres. Por conta dessa situação, alguns solteiros chineses optam por viajar para países como o Vietname para comprar mulheres. Nesse país, existem agências especializadas em oferecer esposas a partir de 7000 yuans. Detalhe: o cliente ainda tem um atestado de garantia que varia de três meses a um ano, caso a mulher queira fugir. Para as vietnamitas, que são as mais cotadas, casar-se com um chinês significa fugir da pobreza e da baixa posição social. Para elas,

os chineses são como os americanos são para as chinesas, ou seja, uma fonte segura de vida confortável e segura. Por sua vez, os homens chineses também optam pela compra de mulheres para não precisar corresponder às inúmeras exigências das mulheres chinesas, que procuram homens que ofereçam uma casa, um veículo e um salário fixo elevado. Segundo um relatório do portal chinês “Souhu Jiaodian” - sobre o custo de um casamento nas maiores cidades da China, elaborado a partir de uma pesquisa feita pela Internet -, em Pequim, por exemplo, é preciso em torno de 3 milhões de yuans para garantir uma esposa. A pesquisa leva em conta o custo aproximado de uma casa de 80 metros quadrados, despesas com decorações, artigos para o lar, carro, festa de casamento e lua-de-mel na Europa, além de tudo que foi gasto durante o período de namoro. Após todos esses cálculos, pagar uma quantia de 7000 a 50 mil yuans para comprar uma esposa que, segundo os seus vendedores,

será carinhosa e boa, motivou muitos chineses. Há uma pressão pessoal e familiar muito forte na China para comprar uma casa e conseguir uma mulher. Natural da província de Guangxi, Hong Lin, 22 anos, operário e cujo salário mensal é 3000 yuans, contou ao portal “Global Times” porque foi buscar uma mulher no Vietname: “Para alguém como eu é muito difícil conquistar uma mulher chinesa. Eu não queria mais ficar sozinho”. Assim como Hong, muitos chineses pobres partem para o sudeste asiático em busca de comprar uma mulher. Na visão delas, os chineses são ricos e, por isso, aceitam casar-se imediatamente. No entanto, muitos destes casamentos comprados são feitos sem o consentimento das futuras mulheres, que são raptadas das suas famílias e obrigadas a casarem-se para, em muitas ocasiões, acabarem maltratadas e prostituídas. Com casamentos comprados e forçados, muitas mulheres após um curto tempo ao lado “marido”, fogem. Em Shuangfeng, na província central de Hunan, muitos habitantes ficaram sem as esposas. As mulheres, que foram adquiridas por preço médio de 6000 yuans, desapareceram juntas deixando para trás cerca de 50 chineses. A fuga colectiva das esposas revelou um possível acordo firmado entre a empresa vendedora e as mulheres vendidas que, desta maneira, poderão ser revendidas e lucrar em dobro com o valor da transacção. Por conta desse motivo, os novos compradores a exigem garantias da empresa. Segundo a Federação de Mulheres Chinesas, na cidade fronteiriça de Guangxi, que possui 120 mil habitantes, vivem 1,6 mil mulheres vietnamitas, sendo que 647 não possuem nenhuma formalidade legal.

AMOR E SEXO SÃO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS NO ENSINO DA CHINA

Ajudar os jovens a perceber A

disciplina de “psicologia do amor e do sexo” serão obrigatórias nas universidades chinesas em virtude das novas exigências de saúde mental publicadas pelo Ministério da Educação do país asiático, informou nesta quarta-feira o jornal “Beijing Times”. Os cursos foram desenvolvidos para ajudar os estudantes a

“aprender sobre a fisiologia e a psicologia sexual, compreender a psicologia da paixão e do sexo e ajudar a manter uma consciência saudável sobre o sexo e as perspectivas no amor”, informa o jornal. Apesar das reformas económicas e das rápidas mudanças que a China vive, sua sociedade é ainda muito conservadora

quanto à família. Nas últimas décadas, no entanto, aumentaram o número de relações antes do casamento e também o índice de gravidez entre as jovens, por isso os centros educativos superiores começaram a incluir nos últimos dez anos algumas matérias sobre educação sexual. A nova matéria está a ser

implantada depois do Ministério da Educação ter detectado entre os estudantes universitários sete problemas psicológicos, entre os quais destaque para a “psicologia do amor e do sexo” e as relações interpessoais. As outras dificuldades encontradas são relacionadas à dura concorrência entre os estudantes em busca de um bom emprego, como “o planeamento dos estudos e da carreira, o desenvolvimento de habilidades, a psicologia da aprendizagem, o controle do stress e como enfrentar as frustrações”.


Juízes com 25 e 26 anos são uma aberração do sistema, por mais valor que os indivíduos em questão possuam. O primeiro sinal que os “miúdos” deram é muito mau: aceitaram o lugar. Por isto já se pode aquilatar o seu grau de inconsciência. Tivessem os “meninos” alguma consciência cívica, que também falta a quem os nomeou, e teriam recusado gentilmente o cargo que lhes é proporcionado por um sistema jurídico em delírio. Ao aceitarem provam que ainda não estão à altura de o desempenhar. Carlos Morais José P. 21

A

S igrejas na China estão a transbordar à medida que se multiplica o número de cristãos no país. No passado, a repressão política levou muitos a se converterem em segredo. Seriam as conversões actuais uma reacção ao capitalismo selvagem? É impossível dizer ao certo quantos cristãos existem hoje na China mas ninguém nega que o número cresce rapidamente. O Governo diz que são 25 milhões - 19 milhões de protestantes e seis milhões de católicos. Fontes não oficiais dizem, no entanto, que os números oficiais são modestos demais. Entre as estimativas independentes, as mais conservadoras apontam para uma número em torno de 60 milhões. Muitos acreditam que aos domingos haja, nas igrejas da China, mais fiéis do que em todas as igrejas europeias somadas. Os novos cristãos podem ser encontrados em vilarejos no interior e também nas grandes cidades, onde vivem os jovens de classe média. A estrutura do cristianismo chinês é complexa. Durante todo o século 20 na China, ele foi associado ao “imperialismo ocidental”. Após a vitória dos comunistas, em 1948, missionários

Igrejas chinesas têm hoje mais fiéis do que as europeias somadas

Santo domingo cristãos foram expulsos do país, mas o cristianismo continuou a ser permitido em igrejas aprovadas pelo Estado - desde que essas igrejas se mantivessem fiéis, primeiramente, ao Partido Comunista. Para o líder Mao Tsé Tung, no entanto, religiões eram um “veneno”. Sob o seu comando, a Revolução Cultural das décadas de 1960 e 1970 tentou erradicá-las. Forçados a praticar a sua religião em segredo, os cristãos chineses não apenas sobreviveram. Agora, com os seus próprios mártires, os fiéis multiplicaram-se em número e fervor. Desde a década de 1980, quando crenças religiosas voltaram a ser permitidas, as igrejas oficiais estão a conseguir cada vez mais espaço próprio. Elas são subordinadas à Administração do Estado para Assuntos Religiosos. Estão proibidas de tomar parte em qualquer actividade religiosa fora dos locais designados ao culto e têm de aderir ao slogan

“Ame o país - ame a sua religião”. Em troca, o Partido promove o ateísmo nas escolas mas compromete-se a “proteger e respeitar a religião até o momento em que a religião por si só desapareça”. Tanto protestantes quanto católicos estão divididos, na China, entre igrejas oficiais e não oficiais. A Associação Patriótica Católica, aprovada oficialmente, nomeia os seus próprios bispos e não tem permissão de manter qualquer contacto com o Vaticano, embora os católicos estejam autorizados a reconhecer a autoridade espiritual do papa. Mas existe no país uma Igreja Católica extra-oficial, maior, que conta com o apoio do Vaticano. Pouco a pouco, Vaticano e Governo tentam chegar a um acordo. Bispos ordenados são hoje reconhecidos por ambas as partes, nenhuma admitindo uma soberania maior da outra. Nos últimos meses, no entanto, as autoridades voltaram

a adoptar uma linha mais dura, ao fazer ordenações de bispos contra a vontade do Vaticano. Revidando, o Vaticano excomungou um desses bispos recém-ordenados. Nas montanhas a oeste de Pequim, na vila de Ho Sanju, uma igreja católica erguida no século 14 recebe fiéis até hoje. A fé robusta dos que frequentam a igreja, muitos deles já idosos, resistiu à invasão japonesa e à Revolução Cultural. O hospital da vila é administrado por freiras, uma delas da Mongólia - onde há uma grande concentração de católicos. É em vilas como essa que a Igreja Católica recruta jovens que receberão treino para a vida religiosa. A Igreja Protestante oficial, por sua vez, cresce ainda mais rápido do que a católica. Numa manhã de domingo de Páscoa, no centro de Pequim, uma igreja celebrou quatro missas. Todas estavam lotadas, com mais de 1500 fiéis. Quantidades como essa, no entanto,

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significam pouco em comparação ao número de fiéis que frequentam as chamadas “igrejas domésticas”. Clandestinas, essas igrejas espalham-se pelo país e incomodam a igreja oficial - que teme que o fervor inspirado por essas igrejas provoque uma reacção do Governo chinês. O que as autoridades consideram inaceitável é a recusa, pelas igrejas domésticas, em aceitar qualquer forma de autoridade oficial sobre elas. O Estado teme a influência do evangelismo americano e, de facto, a liturgia de algumas das igrejas domésticas tem natureza semelhante. Mas, em muitos outros aspectos, o movimento das igrejas domésticas parece ser, em grande parte, um fenómeno tipicamente chinês, carismático, energético e jovem. Uma jovem cristã com bom nível educacional descreveu a sua igreja dessa forma: “Temos 50 jovens profissionais nesta igreja. Todos trabalham muito, não têm tempo para actividades sociais. Mas na igreja as pessoas sentem um calor, sentem-se bem-vindas. Sentem que as pessoas amam-nas de verdade, então querem fazer parte da comunidade, muitos vêm por isso”. Aos poucos, o Estado procura incorporar o cris-

tianismo na sua “grande ideia” de uma “sociedade harmoniosa” - o slogan que domina a vida pública chinesa. Mas se há uma questão que com certeza preocupa as autoridades é a razão pela qual tantos voltam-se para a religião. Hoje, fala-se muito a respeito de uma “crise espiritual” na China. A frase foi usada até pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Os mais velhos puderam acompanhar de perto como uma sociedade regida por dogmas marxistas e leninistas transformou-se num modelo dos mais viscerais do capitalismo selvagem. Para os jovens que lutam para enriquecer, a confiança nas instituições e a confiança entre indivíduos e entre diferentes gerações está a ser erodida. Um dos mais importantes filósofos da religião no país, o professor He Guanghu, da Universidade Renmin, em Pequim, disse que para essas pessoas, o culto aos bens materiais tornou-se o único propósito de suas vidas. “Acho muito natural que muitas outras pessoas não se satisfaçam (...) e saiam em busca de algum significado para as suas vidas”, disse He Guanghu. “Por isso, quando o cristianismo entra nas suas vidas, elas agarram-no com força”.


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ENTREVISTA

Hanna Batoréo, coordenadora do Simpósio dedicado à Língua Portuguesa em Timor-Leste

“Ensino do português como língua oficial

Hanna Batoréo é docente na Universidade Aberta de Lisboa e foi também a coordenadora do Simpósio dedicado à Língua Portuguesa em TimorLeste, que teve lugar no território este mês. Em entrevista que surge como comentário ao artigo do Hoje Macau sobre a questão da abolição do português no ensino básico timorense , a académica analisa os prós e contras da implementação da língua lusa, sem esquecer a perspectiva de Timor-Leste

Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

C

OMO pode ser visto o ensino da Língua Portuguesa em TimorLeste? A questão do ensino da Língua Portuguesa em Timor-Leste só pode ser abordada tendo em conta a actual e real situação da Língua Portuguesa no país. A complexidade da temática origina várias discussões e causa muitos desentendimentos, se não for acompanhada com rigor e conhecimento da situação vivida actualmente pelo povo timorense. Mas quem fala português em TimorLeste? Se consultarmos a Wikipédia, no artigo dedicado às línguas de TimorLeste, deparamos com a informação de que actualmente cerca de 25% dos timorenses falam português. No entanto, na discussão que se segue encontramos o seguinte comentário: “Actualmente cerca de 25% dos timorenses falam português só nos sonhos de alguns fazedores de relatórios

da Cooperação Portuguesa….” Os cientistas, no entanto, aconselham prudência e cálculos realistas: tanto o professor Ivo Castro, linguista da Universidade de Lisboa, como o professor Luiz Filipe Tomaz, historiador da Universidade Católica Portuguesa, advertem que esta percentagem baixa na realidade para cinco ou seis por cento. A verdade é que não dispomos ainda dos dados do último censo e os dados que citamos podem ser apenas aproximados, mesmo que o número dos falantes de português tenha vindo a subir nos últimos anos. Essa é uma problemática no que diz respeito ao uso real do português? Tendo em conta o uso real da Língua Portuguesa remetida apenas a um pequeno número de falantes, estamos perante uma situação em que cerca de um milhão de habitantes de TimorLeste fala cerca de 20 línguas locais (os números variam segundo os autores, as fontes e os cálculos que são feitos para distinguir as línguas dos seus dialectos), assim como pelo menos quatro outros idiomas utilizados ao nível de

contactos transnacionais e internacionais, o que remete para uma situação de plurilinguismo. Assim, o português, junto com o tétum (praça), língua franca de quase todo o território do país, são garantidas na Constituição da República Democrática de Timor-Leste, de 2002, como as duas línguas oficias do país, enquanto o inglês e o indonésio são garantidas como línguas de trabalho. Está claro para que cada um desses idiomas serve? Na prática, não parece ser fácil definir em que situações cada um destes idiomas deve ser utilizado. Seria de esperar, por exemplo, que as línguas oficias, com base na letra da Constituição, servissem para os contactos internacionais com governos de outros países, com instituições e organizações internacionais. No entanto, segundo a Agência Lusa, em Junho, o Parlamento de Timor-Leste aprovou uma resolução para que as Nações Unidas e a União Europeia utilizassem o português ou o tétum no relacionamento institucional com as autoridades timorenses, visto que a língua utilizada na prática tem sido o inglês. O deputado do CNRT Arão Noé justificou que “nos países da CPLP a documentação é escrita também em Português, e unicamente em TimorLeste é que esses documentos são só escritos em inglês (...). Para dignificar a nossa identidade, os documentos que circulam no nosso país devem ser escritos em português”. Se, por um lado, esta notícia é positiva e demonstra que as decisões do Parlamento vão no sentido de fortalecer a posição do português como língua oficial em Timor, por outro lado não se entende a razão por que se deve reforçar o que está garantido há quase dez anos pela Constituição com uma resolução extra do Parlamento. E aí, que problemas podem ser apontados? O problema é que a lei nem sempre tem o seu reflexo na realidade timorense: é preciso lutar para que o português seja, de facto, utilizado como uma língua

“Seria de esperar, por exemplo, que as línguas oficias, com base na letra da Constituição, servissem para os contactos internacionais com governos de outros países, com instituições e organizações internacionais”


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implica lutar para que esta seja veicular” “O problema é que a lei nem sempre tem o seu reflexo na realidade timorense: é preciso lutar para que o português seja, de facto, utilizado como uma língua oficial em TimorLeste, ao lado do tétum, conforme previsto na Constituição, e que este estatuto não se cinja apenas para uma lei teórica”que acaba por não ter o seu reflexo na realidade”

oficial em Timor-Leste, ao lado do tétum, conforme previsto na Constituição, e que este estatuto não se cinja apenas para uma lei teórica”que acaba por não ter o seu reflexo na realidade. Mas podemos assumir que o português não é falado no quotidiano? E qual o seu papel então? Se assumirmos que o português em Timor-Leste não é, de facto, falado no dia-a-dia, mas deve ser defendido e promovido como a sua língua oficial, conscientemente escolhida para tal pelo seu povo em reconhecimento do papel que ela teve na criação da cultura e identidade timorenses, estaremos inclinados, também, para defender que, hoje em dia, não é propriamente objectivo dos portugueses encher as ruas de Timor de português, conforme defende no seu recente livro “Língua

Portuguesa em Timor-Leste” o estudioso Nuno Carlos de Almeida, depois de ter passado quatro anos como agente de ensino de Língua Portuguesa no território timorense. É preciso garantir a utilização do português em Timor-Leste? Dada a realidade plurilingue do país e a sua necessidade de desenvolver bons contactos internacionais, tornase importante que o estatuto de português como língua oficial seja, de facto, garantido na realidade e que este estatuto e a prática dele proveniente permitam pensar na imprescindibilidade do ensino da Língua Portuguesa em TimorLeste. Assim, trabalhar para ensinar português como língua oficial implica, consequentemente, lutar que ela seja a língua veicular do ensino neste país, de preferência ao longo de todo o processo educativo. Se assim for, devem ser reunidas todas as forças para garantir que o ensino em português seja feito ao longo de todo o percurso. É este o interesse dos portugueses que têm vindo a investir há dez anos no processo. Mas agora fala-se em abolir o português no ensino básico... Segundo fontes oficiais, a reforma no ensino básico timorense que pretende abolir a Língua Portuguesa nos primeiros anos do ensino (e não em todo o ensino, como erradamente se tem vindo a inferir da notícia publicada no Portalingua) pode vir a pôr em causa o envio de mais de uma centena de professores de português, que nos últimos anos têm vindo a assegurar o ensino da língua aos professores timorenses do primeiro ciclo. Esta vertente da cooperação tem absorvido grande parte do esforço orçamental que Portugal reserva para Timor-Leste, principal destinatário da cooperação portuguesa no seio da CPLP. Podemos ver essa situação como uma perspectiva da parte ‘portuguesa’. Como caracterizar o ponto de vista de TimorLeste? Existe o outro lado da questão que é preciso ter em consideração; trata-se da perspectiva timorense, aparentemente diferente do ponto de vista europeu. Se a Língua Portuguesa não é falada nas casas timorenses - onde se falam predominantemente as línguas locais e/ ou o tétum-praça veicular -, as crianças que entram na escola, onde a língua oficial é o português, acabam por ser alfabetizadas e escolarizadas numa língua que não é a sua língua materna. Esta discrepância entre a língua materna das crianças e a língua adoptada

pela escola para os fins oficiais pode constituir um grande entrave do ponto de vista psicolinguístico na luta pelo sucesso escolar, fenómeno bem conhecido por todos os países em que o plurilinguismo constitui a realidade vivida no dia-a-dia. O que pode ser feito para contornar esse problema? Em alguns dos países bilingues ou plurilingues - tal como se tem vindo a observar ao longo dos anos no caso de Cabo Verde - propõe-se, por exemplo, a introdução da alfabetização na língua materna, com o intuito de garantir maior sucesso escolar desde o princípio de escolarização da criança, optando-se pela introdução da língua oficial só a partir de uma etapa mais avançada da escolarização. No entanto, a verdade é que, em Timor-Leste, esta solução, apoiada em fundamentos PUB

psicolinguísticos, bem como em preocupações educacionais na mira do combate contra o analfabetismo e insucesso escolar do país, parece entrar em choque com os compromissos políticos previamente assumidos e formalmente garantidos pela Constituição. Como evitar esse confronto entre os dois tipos de língua? Para evitar o presumível confronto entre as necessidades e direitos das crianças timorenses à escolarização nas melhores condições linguísticas possíveis, por um lado, e a letra da Constituição, que garante ao português o papel de língua oficial e, por conseguinte, veículo da educação, por outro, é de esperar que sejam tomadas decisões políticas adequadas para salvaguardar o bem e os interesses de todas as partes envolvidas.


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POLÍTICA

Governo ainda não foi notificado sobre encerramento e insolvência da Macao Dragon

Tudo às aranhas

A versão não coincide entre Governo e Macau Dragon, a companhia de ferries que anunciou falência na noite de quarta-feira. Se a Macao Dragon fala de incumprimentos por parte do Governo, o Executivo delega as responsabilidades para a segurança e afirma não confiar na empresa de ferries. Até a noite de ontem, nenhuma autoridade local ou de Hong Kong tinha sido notificada directamente pela empresa. Há solução a curto prazo, mas ninguém sabe onde param os responsáveis da Dragon nem o que fazer contra eles Joana Freitas*

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

TÉ ontem à noite nem Governo nem passageiros tinham recebido qualquer anúncio oficial sobre o encerramento da Macao Dragon, a operadora de ferries que viajava a baixo custo da Taipa para Hong Kong e no sentido inverso. “Ainda não recebemos nenhum documento oficial sobre a situação da companhia Macao Dragon”, frisou Susana Wong, directora da Capitania dos Portos (CP), numa conferência convocada às pressas depois das notícias sobre o fim das operações. Mais de 150 mil bilhetes foram vendidos antecipadamente e ainda não se sabe se os passageiros afectados terão direito a um reembolso. Até amanhã, a CotaiJet, outra das operadoras na Taipa, comprometeu-se a dar

apoio aos clientes da Dragon e transportá-los nos trechos já comprados de acordo com a sua disponibilidade de assentos e sem taxas adicionais. O Conselho de Consumidores não parou de receber queixas de residentes e turistas sobre a suspensão repentina, enquanto que a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não teve nenhuma notificação de empregados residentes de Macau a serem apanhados no meio da tormenta. A companhia tem um quadro de cerca de 1500 empregados e há salários em atraso. Susana Wong afirmou que o Governo soube da insolvência da transportadora através da imprensa de Hong Kong, “por volta das dez da noite” de quarta-feira, e foi pelas oito da manhã de ontem que falou aos jornalistas no Terminal Marítimo Provisório da Taipa. “Até

MAIS UM CASO NO TURISMO DO TERRITÓRIO

Depois do caso da Viva Macau, a companhia aérea que, em 2010, lhe viu ser retirada a licença pela a Autoridade de Aviação de Macau, este é mais um caso que pode denegrir a imagem do território como o tão almejado “centro de turismo e lazer internacional”. Ainda assim, João Costa Antunes, director dos Serviços de Turismo, mostra-se confiante e discorda que esta situação prejudique a RAEM. “Macau é um porto em franco desenvolvimento e por isso existem regras de segurança. Se os operadores tiverem de deixar de funcionar [por não as cumprirem] é sinal que o padrão de qualidade que é exigido serve para garantir a segurança. Penso que se for bem analisado, a imagem do destino sairá reforçada porque significa que existem em Macau regras técnicas sobre a prioridade, que é a segurança dos passageiros. Isto pode fazer com que os visitantes se sintam mais seguros ainda”, frisou o responsável.

agora não tivemos contacto com a Macao Dragon, mas vamos tentar continuar a contactar os responsáveis, e acompanhar a situação de acordo com a lei”, ressalvou Susana Wong. Contactada pelo Hoje Macau, a CP continuava sem conseguir chegar à fala com a operadora de ferries na noite de ontem. Tanto em Macau, como em Hong Kong os telefones da transportadora encontravam-se desactivados. Por não ter ainda nenhuma notificação oficial, o Executivo de Macau ainda não avaliou a possibilidade de levar a Dragon à tribunal por incumprimento de obrigações. “Essa foi uma questão que ainda não tivemos tempo de averiguar. De qualquer forma, vamos consultar o nosso departamento jurídico amanhã [hoje] para avaliarmos se esse será um passo a ser dado”, informou a porta-voz do organismo. Susana Wong referiu que o

Governo iria agir de acordo com a legislação e que os procedimentos iam ser avaliados.

FALTA DE CONFIANÇA

O Governo afirma que a “CP não tem confiança na Macao Dragon”, devido a acidentes com os barcos no início das operações, apesar de ter validado a licença à companhia, em 2010, por esta ter cumprido todos os requisitos necessários. “Foi concedida a licença à empresa devido a terem cumprido regulamentos administrativos, por exemplo, a companhia de navegação tem de apresentar um plano de emergência e operação e a sua capacidade de navegação, bem como ter capitais”, explicou Susana Wong, acrescentando no entanto “que a questão da segurança foi um ponto preocupante” no início da actuação da Macao Dragon. Este é o motivo pelo qual o Governo afirma não ter permitido a subida da lotação de passageiros nos ferries da empresa. Já a Macao Dragon aponta o dedo ao Executivo da RAEM e afirma ter pedido insolvência devido à falta de cumprimentos pela parte da Administração. Nas janelas dos guichets da companhia, no terminal marítimo provisório da Taipa, está colado um comunicado que responsabiliza o Governo do território de nada fazer para reverter a baixa afluência de passageiros. De acordo com o docu-

EMPRESA COM DÍVIDAS

Segundo a imprensa chinesa, a Dragon terá dívidas no valor de cerca de 10 milhões de dólares de Hong Kong, onde se incluem um milhão e meio de dólares de ordenados em atraso. O contabilista da empresa afirma que os pagamentos aos funcionários serão feitos em primeiro lugar e que, posteriormente, a empresa vai lidar com as outras dívidas. Não estão especificadas quais são estas. A situação da empresa está agora nas mãos da Deloitte - especialista em aconselhamento financeiro - que vai agora investigar se houve fraude por parte da Macao Dragon, antes de anunciar falência. Isso porque a transportadora não suspendeu a venda de bilhetes ao ver que já não estava em condições de operar.

mento, os barcos da Dragon podem transportar 1.152 pessoas, mas a CP só permite que a companhia deixe embarcar um máximo 750 pessoas entre Hong Kong e Macau e 600 na rota inversa. No entanto, fontes oficiais revelaram que a empresa estava a operar com apenas entre 30 a 50% da quota autorizada de passageiros, considerando estranho que a transportadora agora se queixe de não poder levar mais gente a bordo.

DE BILHETE COMPRADO

Ontem, pelas nove da manhã, cerca de uma dezena de passageiros fazia fila para entrar no primeiro barco da Dragon que os levaria à Disneylândia de Hong Kong, numas férias de quatro dias.

Todos foram apanhados de surpresa enquanto esperavam do lado do terminal vedados por uma fita de segurança. “Fomos avisados pelo nosso guia. Quando chegamos aqui ele viu que havia um problema com os ferries”, explicou aos jornalistas um dos passageiros. O grupo tinha adquirido um pacote promocional numa agência de viagens, que incluía um bilhete de ida e volta na Dragon e entradas de quatro dias para o resort da Disneylândia da região vizinha. “Ontem, pensávamos que estava tudo pronto para partirmos. Agora, esta situação influencia tudo, temos menos horas para ficarmos no nosso destino”, queixou-se um passageiro. Entretanto desviado para

DESINFORMAÇÃO NO GABINETE DO SECRETÁRIO

Contactados na noite de ontem pelo Hoje Macau, os porta-vozes do Gabinete do Secretário para as Obras Públicas e Transportes, Lau Si Io, não estavam a par da situação. “Não fomos ainda notificados pela Macao Dragon? Não sabia disso”, referiu um deles, comprometendo-se a estar melhor informado sobre o processo durante o dia de hoje.


GOVERNO EM FÓRUM DO GRANDE DELTA

Uma delegação de Macau liderada pelo chefe do Executivo vai participar, entre terça-feira e sábado, no VII Fórum para a Cooperação e Desenvolvimento da Região do Grande Delta do Rio das Pérolas, em Nanchang, capital de Jiangxi. Esta edição do fórum é organizada em conjunto pelas nove províncias e pelas duas Regiões Administrativas Especiais de Macau e de Hong Kong (grupo “9+2”) em colaboração com o Governo da província chinesa de Jiangxi. A cooperação e o desenvolvimento no Delta do Rio das Pérolas na nova era constitui um dos temas a abordar durante o Fórum.

um local dentro do terminal, mas vedados pela fita na mesma, o grupo ficou a aguardar a decisão da agência de viagens que se comprometeu a resolver a situação. Ainda assim, até a tarde de ontem nada tinha sido resolvido. Até às 17h00, o Conselho de Consumidores recebeu 32 queixas, envolvendo um total de 428 bilhetes válidos para a viagem de ferry desde a RAEM à RAEHK, num montante global de 24.000 patacas. Mas muitos mais bilhetes foram vendidos. A Groupon, uma empresa de vendas promocionais online, por exemplo, comercializou cerca de 150 mil bilhetes de ida e volta para os dois trajectos operados pela companhia. Nenhum deles pôde, contudo, ser aproveitado, já que só estariam válidos a partir de ontem e até ao próximo ano. A Groupon afirmou que nada podia fazer enquanto a operadora não lhe transferisse o dinheiro para ser devolvido aos lesados. Até ontem, a única solução para os passageiros que ficaram apeados foi comprar bilhetes de outras companhias por conta própria ou embarcar na CotaiJet sem custos adicionais. O Governo afirmou ter pedido às outras operadoras para aumentar o número de lugares durante os próximos dias, de forma a dar conta de todas as viagens. Em comunicado de imprensa, a CotaiJet informou que está a disponibilizar transporte em ambas as direcções para os clientes em terra. - *com L.C. e V.A.

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SEPULTURAS | PEREIRA COUTINHO PEDE ACÇÃO AO CHEFE DO EXECUTIVO

Marques, Chan, as sepulturas e a legalidade Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

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relatório sobre as polémicas sepulturas perpétuas do Comissariado Contra a Corrupção é peremptório: “Suspeita-se que a autorização da atribuição de sepulturas tenha tido como contrapartida a oferta de vantagens ou tenha sido realizada sob instruções superiores”, pode ler-se na página 88. O deputado da Assembleia Legislativa (AL) José Pereira Coutinho agarra-se nessa e noutras conclusões para interpelar o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, quanto à resolução “imparcial e credível” da questão das campas. Pereira Coutinho não desiste e pede mais investigação sobre a atribuição “ilegal” das dez sepulturas perpétuas pela ex-Câmara Municipal Provisória de Macau, colocando a secretária para Administração e Justiça (SAJ), Florinda Chan, como a grande responsável por toda a ilegalidade. “Do extenso relatório, extrai-se que estão directamente envolvidos no presente escândalo a actual secretária para a Administração e Justiça e uma assessora do seu gabinete”, pode ler-se no documento enviado a Chui Sai On. Mais, Pereira Coutinho acusa Florinda Chan de “usar o seu poder na qualidade de SAJ para convencer o público de que tal facto era legal”. “Com isso evitou a declaração de nulidade do Regulamento Interno de 14 de Dezembro de 2011, pois a tal declaração afectaria a sepultura da mãe da sua assessora e sua amiga de longa data”, afirmou o deputado ao Hoje Macau. Outra coisa que é clara para Pereira Coutinho é o facto de as actas camarárias terem de ser apresentadas à tutela para aprovação. “Sempre foram porque é que estas não seriam?”, questionou o deputado. De facto, a páginas tantas do relatório do CCAC pode ler-se que “de acordo com as declarações do presidente da ex-Câmara Municipal as decisões do organismo tinham de ser apresentadas à entidade tutelar para a respectiva homologação”, o que para Pereira Coutinho é claro. “A decisão tomada pelo presidente tinha de ser homologada sob pena de não produzir efeitos externos”, referiu.

Nas páginas 88 e 89, o CCAC refere mesmo que Sales Marques, então presidente da ex-Câmara, disse que “as deliberações camarárias são submetidas à entidade tutelar para homologação e com o apoio dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP)” e estas devem, de acordo com o n.º 5 do artigo 12.º da Lei n.º 24/88/M, “ser remetidas à entidade tutelar no prazo de cinco dias após a sua aprovação”.

SALES MARQUES VS. FLORINDA CHAN

Para o legislador, está-se perante um “incumprimento cabal da entidade tutelar”, que acusa de não ter cumprido o princípio da legalidade. Com a investigação do CCAC, Pereira Coutinho depreende que as actas chegaram à tutela mas que esta “ou não procedeu à respectiva apreciação, ou procedeu a uma apreciação deficiente, não tendo detectado qualquer problema”. “Neste caso, a entidade tutelar deveria assumir a respectiva responsabilidade”, escreve o deputado na sua interpelação. Contudo, Pereira Coutinho, contra a palavra de Sales Marques, pondera a possibilidade de a Câmara Municipal não ter entregue as respectivas

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Aviso

Avisa-se a todos que a lista dos candidatos da entrevista profissional respeitante ao recrutamento de 6 lugares de Técnico Superior de 2ª classe, 1º escalão (Área de Planeamento Urbanística ou Arquitectura), desta Direcção de Serviços encontra-se afixada no rés-do-chão das instalações da DSSOPT, sitas na Estrada D. Maria II, Edifício CEM, e ainda disponível para consulta no nosso website (http://www.dssopt.gov.mo). Em caso de dúvidas, queiram contactar durante o horário de expediente a Srª Chan (8597 7611) ou Srª Leong (8597 7683).

O Director dos Serviços, Jaime Roberto Carion 9/9/2011

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actas para apreciação da tutela, o que levaria a que fossem assacadas responsabilidade exclusivamente ao seu presidente. “No entanto a entidade tutelar teria o dever de pedir a submissão das respectivas actas por parte da entidade tutelada e não o fez”, referiu a acrescentar: “O referido relatório conclui, por exemplo, que ‘no uso de poderes de tutela, a entidade tutelar não conseguiu garantir o cumprimento rigoroso do princípio da legalidade por parte da entidade tutelada’”. O próprio relatório “não chega a uma conclusão efectiva” porque “a existência de diversas irregularidades na atribuição de sepulturas contraria os esclarecimentos prestados”, consta na interpelação. “As investigações não podem ficar por aqui. Há que apurar as verdadeiras responsabilidades, mesmo dez anos depois. E não concordo, portanto, com a decisão do Chefe do Executivo de solicitar à SAJ o desencadeamento de qualquer tipo de inquérito uma vez que a titular da pasta está directamente envolvida no presente escândalo.” Pereira Coutinho lembrou ainda que a conduta do SAJ configura um crime nos termos do artigo 347.º do Código Penal, de abuso de poder “que ainda não prescreveu”.


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SOCIEDADE

Relações luso-chinesas precisam que Macau promova mais o conhecimento mútuo

Falta entendimento entre China e Portugal Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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XISTE actualmente uma falta de entendimento mais profundo entre China e Portugal que está a impedir que sejam maximizadas as relações bilaterais e com os países lusófonos. Quem o disse foi Jiang Shixue, director interino do Instituto Europeu da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em declarações proferidas durante o Fórum de Cooperação Económica da Juventude Sino-Portuguesa. Para Macau se estabelecer como plataforma comercial da China com as nações de expressão portuguesa, acrescentou, o trabalho é ainda insuficiente na promoção do conhecimento mútuo luso-chinês. Actualmente não há muito entendimento de Portugal por parte da China, nem muito entendimento da China por parte de Portugal, afirmou Jiang Shixue. Alguns

produtos portugueses têm uma certa competitividade no mercado internacional, mas não têm promoção suficiente na China Continental, o que leva a que os residentes possam não ter muito co-

Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

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saga continua entre a Las Vegas Sands Corp e Steve Jacobs. Desta vez o episódio conta novas acusações ao ex-director executivo - alegadamente sobre o roubo de uma grande quantidade de informações confidenciais da empresa, que recusa devolver. A nova queixa foi feita pelos advogados da companhia norte-americana esta semana no Tribunal de Clark County District. Os defensores de Jacobs negam as acusações, conforme noticiou o jornal “Las Vegas Sun”. As informações, que supostamente estão em posse de Jacobs, incluem vários relatórios e dezenas de e-mails, alguns deles enviados para o ex-director e pelos advogados Sands China, ainda no tempo em que trabalhava na empresa. As suspeitas da Las Vegas Sands começaram depois de ter revelado e admitido publicamente que Jacobs tinha consigo cerca de 11 gigabytes

nhecimento acerca de Portugal. Jiang deu o exemplo do vinho português, muito famoso noutros países, mas que teria certamente um grande desenvolvimento se conseguisse abrir as por-

tas do mercado da China. Sem a devida promoção, os consumidores chineses acabam por se voltar para os vinhos franceses, que conhecem mais, e só muito raramente é que ouvem

falar de vinhos portugueses. Ajudar os consumidores chineses a adquirirem um maior conhecimento de produtos portugueses pode ser uma grande ajuda para o desenvolvimento económico

de Portugal, defendeu o estudioso. O desenvolvimento da China tem proporcionado uma grande oportunidade para o futuro da juventude de Macau e de Portugal, o que acentua ainda mais a importância da função de plataforma de Macau, considera Jiang Shixue, que lançou um repto aos jovens de Macau e Portugal: agarrem as oportunidades oferecidas pelo rápido desenvolvimento da China para expandir ainda mais no futuro as relações económicas. Macau, reconhece Jiang Shixue, já obteve algum sucesso no caminho da sua transformação em plataforma comercial entre a China e os países lusófonos, mas há ainda muito trabalho a fazer no campo da cooperação, pelo que mais actividades como o fórum em causa seriam bem-vindas para incentivar a comunicação entre ambas as juventudes e maximizar a vantagem do território.

LAS VEGAS SANDS ACUSA JACOBS DE ROUBAR INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL

Uma maleta secreta com 11 gigabytes de documentos obtidos na Las Vegas Sands, Sands China e/ou Venetian Macau. Relativamente aos relatórios, segundo o Las Vegas Sun, o acusado terá admitido que estes estavam sob confidencialidade advogado-cliente. Um dos advogados de Steve Jacobs afirma que o seu cliente pode eventualmente estar sob a posse de documentação, mas defende que é um curso normal de quem exerce funções numa empresa – o que não implica roubo. Os advogados de acusação refutam e dizem que o ex-director acredita que não é obrigado a manter sigilo dos documentos, que tem em

sua posse, visto não ter assinado nenhuma termo de confidencialidade. A divulgação das informações podem incorrer em sanções graves, podendo a empresa ser penalizada por expor informações

com dados de Macau, violando a lei da região. “A lei de Macau prevê sanções graves em tais circunstâncias”, cita ao jornal uma fonte da Sands. A empresa exige que o material seja devolvido, estando

já uma audiência marcada para 18 de Outubro. A novela da demissão do ex-director executivo teve início no ano passado, quando este processou a Las Vegas Sands e a subsidiária Sands China Ltd., sob argumento de um despedimento sem justa causa e por difamação pública por parte de Sheldon Adelson, patrão da operadora norte-americana. Jacobs anexou como prova de difamação entrevistas do ex-patrão publicadas na imprensa americana, que, de forma geral, acusam o ex-director de querer extorquir mais dinheiro à empresa e de ter negociado assuntos internos sem autorização superior. Adelson terá reagido, dizendo que Steve Jacobs estaria a usar mentiras infundadas para justificar as razões que levaram à sua demissão.


SS ENCOMENDAM 108 MIL DOSES DE VACINAS CONTRA A GRIPE

Os Serviços de Saúde iniciaram ontem a vacinação gratuita contra a gripe sazonal para grupos de alto risco, tendo encomendado para o efeito 108 mil doses do medicamento. A vacinação gratuita destina-se aos residentes com menos de 18 anos, bem como aos com idade igual ou superior a 60 anos, a portadores de doenças crónicas, bem como ao pessoal de lares e creches e das instituições de ensino primário e secundário. Os alunos do ensino primário e secundário, sob a concordância dos pais, e o pessoal das respectivas instituições podem submeter-se à vacinação colectiva.

lia.coelho@hojemacau.com.mo

Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfico (DSAT) diz que existe pelo menos uma escola de condução que ensina em português. O Hoje Macau tentou marcar aulas em língua portuguesa, mas não conseguiu sequer resposta no idioma luso a um pedido de informação pelo telefone. Do outro lado da linha responderam quando o idioma das perguntas foi o cantonês. Aulas de código em língua portuguesa não há, em inglês as que existem são pouco fluentes. Em português podem ser requeridas apenas aulas de condução, o código é estudado pelo manual em casa. O exame é de escolha múltipla e tem opção bilingue. Em Macau, todos os meses, cerca de 690 pessoas estão aptas a conduzir, segundo dados revelados pela entidade responsável pelo tráfego. Relativamente ao número de pessoas que passaram nos exames e conseguiram obter licença para conduzir nos últimos cinco anos, verificou-se um aumento nos anos de 2008 e 2009, mas um decréscimo em 2010. Até 25 de Agosto deste ano, passaram na prova prática 10.112 pessoas, de acordo com fonte da DSAT. Estavam registadas em Macau, até ao dia 26 do mês passado, 213.144 cartas de condução válidas no território. O Governo estima que haja este ano um aumento ligeiro nas pessoas que estão preparadas para passar no exame de condução e fiquem habilitadas a ter licença. O aumento da procura deve-se sobretudo ao facto de as aulas de condução estarem também abrangidas pelo programa de aperfeiçoamento contínuo promovido pelo Governo – uma

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ÃO há números exactos, mas somam-se aos montes. Adolescentes estão a abandonar a escola porque estão muito ocupados com o seu vício de jogar e navegar na Internet. O alerta é dado pelo Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais, que tem notado um número cada vez mais crescente de jovens que não querem sair de casa devido ao vício. São pessoas introvertidas, que não gostam de dar nas vistas e trocam todos os programas sociais por um bom computador. O Instituto de Acção So-

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Só há um professor de condução em Macau a falar português

Lia Coelho

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Quando se quer conduzir... bolsa de 5000 patacas que cobre as despesas didácticas, mas exclui as taxas dos exames. Existem na região 35 escolas e 340 instrutores creditados para ensinar – mas só há um profissional que fala português.

GUIAR NAS RUAS DE MACAU

Ter autorização para conduzir na RAEM implica burocracia, guias temporárias (de seis meses a um ano) e para um portador de carta de condução portuguesa poder conduzir motas tem de passar novamente por

aulas e exames. Segundo uma lei portuguesa aprovada há mais de dois anos, quem tem carta na categoria B e é maior de 25 anos pode automaticamente conduzir motociclos até 125 cilindradas sem precisar de voltar ao banco da escola. No entanto, por cá o diploma não é aceite. A carta de condução portuguesa não é válida em Macau e para adquirir a permissão para circular nas estradas da região ao volante de um carro ou de uma mota

Número de pessoas que passaram no exame prático ANO NÚMEROS 2011 10.112 (até 25 de Agosto) 2010 15.301 2009 16.727 2008 15.568 2007 13.276

tem três hipóteses possíveis: ir à ao departamento de trânsito da Polícia de Segurança Pública e pedir uma guia provisória; trocar a carta portuguesa pela de Macau, com um custo de 1000 patacas e um exame médico; ou ter uma licença internacional de condução emitida pelos países e regiões que façam parte da Convenção sobre o Trânsito Rodoviário de Genebra – Portugal está na lista, segundo o site da direcção responsável pelos assuntos de tráfego. O pedido de troca de carta de condução estrangeira obedece o consagrado na legislação do trânsito rodoviário e respectivo regulamento administrativo e deve ser devidamente reconhecida pelos cartórios notariais da RAEM, pela Embaixada ou Consulado da República Popular da China.

ADOLESCENTES VICIADOS NA INTERNET E EM JOGOS ABANDONAM ESCOLA

Muito ocupados para irem às aulas cial (IAS) comprometeu-se a estudar o fenómeno, conhecido pelo nome japonês de “hikikomori” (isolamento), há mais de um ano. O objectivo era entrevistar uma série de jovens entre os 12 e os 24 anos para avaliar o seu grau de dependência das novas tecnologias e verificar se o problema se está a tornar uma preocupação de

saúde pública. No entanto, nenhum resultado foi ainda anunciado. Na China, pelo menos 33 milhões dos jovens admitem serem completamente viciados e dependentes do computador para viver, apresentando sinais de abstinência quando se vêem privados do seu uso. “A aflição da tecnologia moderna, se não

for uma desordem, precisa ser tratada para ajudar a promover o uso saudável da Internet entre os jovens”, destaca Shen Jie, professor da Academia Chinesa. Para resolver o problema com o “vício”, existem mais de 300 instituições na China com foco no tratamento desse tipo de doença. Apesar de falta de nú-

meros em Macau, o Gabinete Coordenador pede aos pais para prestarem mais atenção ao comportamento dos filhos, especialmente se trabalham muitas horas fora de casa. A maior parte dos jovens que está a ser ou já foi acompanhado pelo Gabinete acredita que falta comunicação dentro de casa e que não tem o apoio necessário para

prosseguir com os estudos. Um assistente social da instituição está a acompanhar, por exemplo, o caso de uma criança que nunca quer sair de casa para ir às aulas. Não colabora nada o facto de, na escola, haver sinais de ‘bullying’ e incompatibilidades. O pequeno acha que ir às aulas é um desperdício de tempo, que poderia estar a ser investido a navegar pela Internet. Por isso, disse à família que quer desistir da escola e que, caso seja forçado a lá ir, pensa em fugir de casa. – V.L.


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SOCIEDADE

RESERVAS CAMBIAIS AUMENTAM 44,6% EM AGOSTO

As reservas cambiais de Macau atingiram 238,9 mil milhões de patacas, no fim de Agosto, mais 44,6% face ao período homólogo de 2010, segundo as estimativas preliminares divulgadas ontem pela Autoridade Monetária local. Já face aos dados corrigidos do mês anterior, em que as reservas cambiais atingiram 231,8 mil milhões de patacas verificou-se uma subida de 3,1%. A taxa câmbio efectiva da pataca, que mede as paridades cambiais contra as divisas dos principais parceiros comerciais, ponderadas pelas suas quotas relativas do comércio, foi de 86,34 em Agosto, sofreu diminuições de 0,39 pontos e 4,50 pontos percentuais relativamente ao mês precedente e ao período homólogo de 2010, respectivamente.

Ameaçava mulheres e taxistas com faca para levar dinheiro e telemóveis

Roubava para jogar Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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M homem suspeito de vários assaltos com arma branca foi detido pela Polícia Judiciária (PJ). O suspeito, um residente local de 37 anos, terá executado, por vezes na companhia de outros parceiros (há mais dois suspeitos ainda a monte), sete roubos em que ameaçou com uma faca as vítimas, mulheres ou taxistas, para lhes roubar o dinheiro. Interrogado pela PJ, o assaltante terá admitido trabalhar no departamento de vigilância de um casino, e que todo o dinheiro roubado

terá sido posteriormente perdido no jogo. Tudo terá começado no dia 7 de Maio, quando o duo de criminosos apanhou um táxi perto do edifício Mei Keng Garden, junto à Rotunda do Estádio. Enquanto o motorista conduzia, os suspeitos usavam uma faca para o ameaçar, forçando-o a levar o táxi até uma área descampada próxima à Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental de Macau. Os assaltantes ataram então as mãos do taxista, que ficou preso dentro do porta-bagagens do carro, e levaram o seu cartão de Multibanco (ATM), com o qual fizeram um levantamento de sete mil patacas,

fugindo a seguir do local no próprio táxi. O motorista conseguiu escapar quando a dupla parou num semáforo, apanhou outro táxi e tentou persegui-los, mas acabou por os perder de vista. O suspeito detido só voltaria a actuar passados mais de dois meses, quando realizou (na companhia de outro parceiro) uma série de três assaltos a lojas entre os dias 7 e 29 de Julho, sempre usando uma faca para ameaçar as lojistas e levando dinheiro (45.500 patacas no total) e os telemóveis das vítimas. Num desses assaltos, a vítima foi também forçada a entregar o cartão ATM que os suspeitos usaram para levantar 10 mil

patacas (incluídas no montante total referido). No dia 30 de Julho, em plena luz do dia (por volta das 14h) uma mulher estacionava o carro perto da Rua de Santa Clara, quando o suspeito agora detido, desta vez a actuar sozinho, infiltrou-se na viatura e voltou a usar a velha ameaça da faca. Bolsa e telemóvel não chegaram para saciar o assaltante que, pegando no volante, levou a vítima até uma caixa ATM, obrigando-a a levantar mais 2300 patacas. Uma tentativa frustrada de repetição deste mesmo tipo de roubo PUB

ANÚNCIO HM-2ª vez 16-09-11

Execução Por Custas (Apenso) nº. CV2-04-0033-LAC-B 2º Juízo Cível

Exequente: MINISTÉRIO PÚBLICO. Executada: FÁBRICA DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO KUOK HONG, LIMITADA, com sede em Macau na Rua Ribeira do Patane, nºs 157 a 159, Edifício Industrial Iao Keong, 7º andar “H-1”. *** Correm éditos de trinta (30) dias, contados da segunda e última publicação do anúncio, notificando a executada FÁBRICA DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO KUOK HONG, LIMITADA, melhor identificada acima, de todo o conteúdo da petição inicial destes autos, do despacho proferido a 17/01/2011 que ordenou a penhora do valor remanescente no processo CV2-03-0049-CEO a favor da executada, bem como da realização da penhora no dia 02/03/2011. Fica a executada notificada para, querendo, no prazo de dez (10) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar a quantia exequenda de MOP$18.470,00 e acréscimos legais, ou deduzir embargos à execução ou oposição à penhora, e ainda requerer a substituição do bem penhorado por outro de valor suficiente, tudo conforme no artº 820º do C.P.C.M., sob pena de, não o fazendo no referido prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Os duplicados da petição inicial encontram-se aguardados nesta secretaria do 2º Juízo Cível, poderão ser levantados nas horas normais de expedientes. Macau, aos 01 de Setembro de 2011. ***

ANÚNCIO HM-2ª vez 16-09-11 Acção de Interdição nº. CV1-11-0024-CPE

açou a mulher colocando-lhe a faca no pescoço, o assaltante não esperava que a vítima se assustasse ao ponto de saltar do carro em andamento e aos gritos. Um polícia fora de serviço que passava pelo local ainda tentou prender o suspeito, mas este fugiu. Mas a PJ recuperou as roupas usadas por ele no crime, perto da Estrada de S. Francisco. A vítima escapou ilesa e sem prejuízos. Não convencido com esse aviso, o assaltante insistiu dias mais tarde no mesmo método, a 13 de Setembro, por volta

das 7h perto da Avenida do Coronel Mesquita. Desta vez, os bens roubados incluíam um relógio e jóias, em perdas que ascenderam às 40 mil patacas. O suspeito abandonou a faca e o telemóvel roubado perto da Rua da Madre Terezina. A PJ viria a deter o suspeito no dia seguinte, por volta das 13h, perto da sua residência, onde foram encontrados alguns dos bens que pertenciam às vítimas. O suspeito será encaminhado para o Ministério Público para ser julgado por assalto à mão armada, sequestro, fraude e posse de arma ilegal. A PJ está ainda à procura de outros dois suspeitos que terão participado nalguns destes crimes.

1º Juízo Cível

Requerente: MINISTÉRIO PÚBLICO. Requerido: WU LAI FAN. *** A MERITÍSSIMA JUIZ DO 1.º Juízo CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.: FAZ SABER que, foi distribuída ao 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO contra WU LAI FAN, do sexo feminino, natural da China, nascida a 28/11/1967, filha de WU WENG CHEONG e de LEONG SAM NOI, titular do B.I.R.M. n.º 7446231(8), residente em Macau no Centro de Santa Margarida sito na rua de Tin Chon povoação de Cheok Ká, para efeitos de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, aos 13 de Maio de 2011. ***

apareceu como uma espécie de aviso ao bandido, no dia 9 de Setembro, às 9h, perto da Rua de Santa Clara. Quando entrou no carro e ame-

MACAU DISTINGUIDO PELA INTERNATIONAL MASTERS OF GAMING LAW

A International Masters of Gaming Law, uma associação sem fins lucrativos que junta advogados do sector do jogo, reguladores e executivos dos operadores distinguiu Macau como regulador do ano, confirmaram à agência Lusa dirigentes da associação. De acordo com fontes contactadas pela agência Lusa a decisão da associação fica a dever-se à evolução legislativa em Macau relativa ao sector do jogo e ao trabalho desenvolvido pelo regulador junto dos operadores. O prémio atribuído a Macau será entregue em Outubro ao director dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos durante uma reunião da associação que decorrerá em Las Vegas. Além de Macau, a International Masters of Gaming Law reconheceu também, para o continente americano, o departamento de controlo do jogo no estado norteamericano do Nevada, a Comissão de jogo San Manuel Tribal na Índia e a Direcção-geral de Jogo da Espanha, relativamente à Europa. Para a associação, os galardoados de 2011 reflectem a “a melhoria da regulamentação mundial” do sector do entretenimento. Macau é a capital mundial do jogo em termos de receitas brutas dos casinos, possui 34 espaços de jogo e seis operadores no mercado. Com impostos directos de 35% sobre as receitas brutas, cerca de quatro por cento de impostos indirectos e uma série de taxas por cada mesa e máquina em funcionamento nos espaços de jogo, a economia de Macau está fortemente dependente das receitas dos casinos que, no entanto, registam anualmente crescimentos muito fortes.


DESPORTO

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Depois de escrever história na F3, Edoardo Mortara pode regressar à Guia

Bom filho à casa volta? Sérgio Fonseca e Cheong Chi Wai info@hojemacau.com.mo

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DOARDO Mortara escreveu história o ano passado no Grande Prémio de Macau, ao tornar-se o primeiro piloto a vencer a corrida de Fórmula 3 pela segunda vez. E o piloto que defendeu as cores da Volkswagen nas corridas de monolugares e agora pertence aos quadros da Audi Sport poderá estar de volta ao Circuito da Guia novamente este ano. Segundo o que o Hoje Macau apurou, a um dia do fecho das inscrições nas corridas de suporte, a Associação Geral Automóvel de Macau- China (AAMC) deverá ter já recebido o formulário de inscrição do jovem piloto ítalo-suíço de 24 anos para a Taça GT Macau. Contratado em 2011 pela marca germânica dos quatro anéis para correr no Campeonato Alemão de Turismos, mais conhecido pela sua sigla DTM, Mortara deixou de lado o sonho de ingressar na Fórmula 1 para progredir na estrutura desportiva do Grupo VAG e, na prova do território do próximo mês de

Novembro, deverá conduzir um Audi R8 LMS GT3 assistido pela própria fábrica. Mortara será o “ponta-de-lança” na ofensiva montada pela própria Audi Sport, que vê no mercado asiático um potencial enorme para vender as duas viaturas de competição. Em paralelo, a Audi Japão também irá inscrever o seu R8 LMS GT3 na corrida da RAEM. Visto que Mortara não participou em nenhuma corrida do campeonato “GT Asia Series” esta temporada, a sua inscrição terá que ser validada pelo comité organizador. Contactada pelo Hoje Macau, a Audi Sport escusou-se a comentar a possibilidade de Mortara regressar a Macau com as cores do construtor automóvel de Ingolstadt.

PORTUGUÊS PROCURA CARRO

O lisboeta César Campaniço não irá alinhar na corrida do Campeonato do Mundo FIA de Viaturas de Turismo (WTCC), como fez o ano passado, pois o piloto português não acredita que o seu BMW 320si. “Este ano não correrei com o BMW, já que com a introdução dos motores 1.6

turbo, o meu carro já não se adequa ao WTCC”, disse Campaniço ao site português especializado SportMotores.com. Campaniço acrescentou ainda está tentar a participação em Macau, mas com um GT, tal como fez em 2008. Com uma corrida do Campeonato de Portugal de GT marcada para o fim-de-semana anterior ao Grande Prémio, o piloto luso terá que arranjar uma alternativa ao seu Audi R8 LMS.

QUATRO PILOTOS DE MACAU APURADOS

Segundo os critérios de selecção da AAMC para os pilotos do território, que obrigavam à participação em uma das seis provas pré-seleccionadas, existem quatro pilotos qualificados para a Taça GT Macau. O português Rodolfo Ávila e o radicado na Austrália Keith Vong têm apuramento directo por terem participado nas corridas de Ordos e Sepang da Taça Porsche Carrera Ásia. Já Diana Rosário e Ivo Yiu carimbaram o passaporte para o Grande Prémio por terem participado numa corrida de GT de nível amador organizada em Xangai no mês de Agosto.

RONALDO AGASTADO COM ENTRADAS DURAS E ASSOBIOS DO PÚBLICO

“Assobiam-me porque sou bonito, rico e um grande futebolista” C

RISTIANO Ronaldo criticou duramente a arbitragem do Dinamo Zagreb-Real Madrid e comentou os apupos dos adeptos do adversário. “Será porque sou bonito, rico e um grande futebolista. É por terem inveja de mim. Não tenho outra explicação”, disse o português. O avançado do Real Madrid, alvo preferido do público adversário quando a equipa joga fora do Santiago Bernabéu, ficou insatisfeito com uma entrada dura de Jerko Leko, que obrigou o português a ser suturado com três pontos no tornozelo direito. “Não entendo. Fala-se de protecção aos bons jogadores, mas eu não tenho nenhuma. Espero que este árbitro não nos volte a apitar, porque é uma vergonha”, disse no final do encontro de quarta-feira à noite (madrugada

de quinta em Macau), referindo-se ao norueguês Oddvar Moen. O Real Madrid saiu vitorioso da Croácia (0-1, golo de Dí Maria), mas nem isso acalmou o jogador madeirense, que considerou que tem um tratamento diferente em relação a outros jogadores. “A verdade é que não entendo nada. As arbitragens, o “fair play” de que tanto fala a UEFA, a protecção dos jogadores mais técnicos... Fico triste porque os árbitros dizem que vão proteger os jogadores mais técnicos. A uns não se lhes pode nem tocar, mas a mim podem dar patadas”. As duras críticas à arbitragem neste discurso a quente de Ronaldo poderão ser analisadas pela UEFA, que em ocasiões anteriores, mas especialmente quando se trata de treinadores, sancionou a pessoa em causa.

ARGENTINA-BRASIL FALHA NAS EXPECTATIVAS DOS ESPECTADORES A primeira mão do Superclássico das Américas, prova disputada entre as selecções de futebol da Argentina e do Brasil, terminou com um empate a zero. O jogo foi disputado no Estádio Mario Kempes, em Córdoba, na Argentina. A segunda mão está marcada para o próximo dia 28, em Belém, Brasil. Esta competição só envolve jogadores que actuam nos respectivos campeonatos nacionais, uma vez que ocorre fora das datas oficiais da FIFA para encontros internacionais. O Superclássico das Américas é o herdeiro da Copa Roca, prova que foi disputada 11 vezes entre os dois países entre 1914 e 1976. O Brasil venceu oito vezes e a Argentina quatro - a vitória na edição de 1971, depois de dois empates, foi dividida.


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CULTURA

Exposição “9/11+10” reflecte sobre a verdade

Arqueologias de Setem Carlos Picassinos info@hojemacau.com.mo

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UNCA, provavelmente, em tempos mais chegados um acontecimento terá gerado uma profusão de olhares tão intensos quanto o derrube das Torres Gémeas, em Setembro de há dez anos. A tal ponto que hoje, à distância de uma década, não será arriscado identificar o efeito perverso que uma tal fractura no curso da História pós-muro de Berlim obteve na eliminação do significante pelo seu próprio significado. Vale mais hoje o arquivo de leituras e interpretações que se fizeram do acontecimento do que o acontecimento em si, mais a escavação do que o artefacto, mais a Arqueologia do que a História. Isso mesmo pode ser observado na exposição “9/11+10”, patente na Livraria Portuguesa, na primeira reflexão colectiva em Macau a propósito do assunto. Não se trata ali de um discurso específico sobre o desaparecimento físico das Torres Gémeas. O que cada uma das propostas tenta iluminar é o mundo produzido pela destruição de um dos símbolos da cidade-símbolo que é Nova Iorque. Será uma tarefa piedosa para tão singela mostra na Livraria Portuguesa, mas é a proposta que o curador José Drummond decidiu plasmar no texto que escolheu para o catálogo. “O repto que lancei aos artistas foi o de reflectirmos de que modo a nossa cultura do olhar e do pensamento se alterou desde a terça-feira de 2001 e, na minha óptica, o resultado revela uma variedade de medias e de intenções que apelam a uma consciência conjunta que evolui para expressões individuais[...] carregadas de um sentimento humanista”. Ainvocação dos novos mestres da suspeita também lá está: Baudrillard e os simulacros, Slajov Zizek e o niilismo. “A realidade e a simulação de Baudrillard foi reforçada e o paradigma do real e do falso ganhou novos contornos como muito bem esclarece Zizek no seu livro ‘Welcome To The Desert Of the Real’”, continua José Drummond.

Os dez artistas participantes nesta colectiva assumem o fardo do 11 de Setembro com variações sobre o parque temático em que o ataque às torres se transformou. João Vasco Paiva, com um registo sonoro e duas fotos de uma performance, inscreve-se nessa linha de dúvida sobre a verdade e a simulação, recuperando ainda, inédito, o aspecto sexual que atravessa o acto de violência. As fotos, em colaboração com a artista chinesa Tan Xue, diz João Vasco Paiva, “referem-se a uma performance na qual eu lanço um papagaio de papel com a forma de uma ave de rapina e este é, literalmente, atacado pelas aves de rapina verdadeiras que se encontram na ilha de Lamma. O ataque das aves de rapina, cujo o ninho se encontra perto de minha casa, não se sabe se foi de origem territorial ou sexual”. As fotos da performance “não se relacionam exactamente com os acontecimentos de 11 de Setembro mas sim com a sua mediatização. Nela procuro salientar o facto de que a veracidade de qualquer pedaço de informação está limitado ao meio com que foi documentado e é apresentado”. Essa nebulosa atravessa também o trabalho de Hugo Pinto “September”: “são duas fotografias aparentemente neutras que, com a narrativa e o contexto criados com o 11 de Setembro, adquirem uma determinada carga simbólica. O impacto do 11 de Setembro neste domínio do entendimento e da percepção, até do Outro, foi particularmente evidente nos tempos imediatamente posteriores à tragédia, quando uma espécie de medo e paranóia levou à propagação de estereótipos e preconceitos”, nota.

EMPENHADOS E HUMANISTAS

Politicamente mais empenhado, e mais desassombrado, Rui Rasquinho, numa ilustração digital sem título, evoca a tensão étnica entre os chineses han e a minoria muçulmana uighur, de 2009, em Urumqi, na província autónoma de Xinjiang. “Houve um aproveita-

mento po legitimida da popul (Turquistã pela RPC dez anos étnicos e r Hoje Mac Lorenc ces”, do 1 estilhaços psicológic enorme e cada um. U garrafa de ços da gar modo a da espaço. Cr ficou grav que ainda maneira m Num r mond asso Torres Gém prestar o m nos esque vimos ass esperança humanos, de melhor cer o mal e expõe “Wa no local e n nhado de u energia ma Setembro” mais não d resposta ao “9/11+ nímia que estamos d estamos n que signifi compreen necessaria porque o chosa e q compreen ser reduzi e mais hip


GONÇALO M. TAVARES E JOÃO TORDO FINALISTAS DO PRÉMIO PORTUGAL TELECOM As obras “Uma Viagem à Índia”, de Gonçalo M. Tavares e “As Três Vidas”, de João Tordo fazem parte das dez obras escolhidas para o prémio que este ano está na 9.ª edição e que contempla romance, conto, poesia, crónica, dramaturgia e autobiografia, escritos em língua portuguesa e publicados no Brasil. As outras são de escritores brasileiros: “Em Trânsito”, de Alberto Martins; “O Homem Inacabado”, de Donizete Galvão; “Nada a Dizer”, de Elvira Vigna; “Cidade Livre”, de João Almino; “Ribamar”, de José Castello; “Minha Guerra Alheia”, de Marina Colasanti; “Modelos Vivos”, de Ricardo Aleixo e “Passageiro do Fim do Dia”, de Rubens Figueiredo.

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das imagens

mbro

olítico da China que ganhou ade internacional na repressão lação muçulmana de Xingjian ão Oriental, território anexado C nos anos 40). Nestes últimos, intensificaram-se os conflitos religiosos na região”, afirma ao cau. ce Chan Ka Cheong, com “Pie11 de Setembro, retém os seus s. “Pem todos um enorme efeito co como se se tivesse dado uma explosão dentro do cérebro de Utilizei, por isso”, aponta, “uma e Coca-Cola, e fotografei pedarrafa sobre um fundo negro de ar ideia de que ainda flutuam no reio que foi este efeito que mais vado na memória das pessoas e a lá permanece, mesmo que de muito subtil”. registo mais pessoal, José Drumociou o seu aniversário à data das meas. “No meu trabalho pretendo meu tributo às vitimas (…). Não eçamos que quando nascemos sociados a um sentimento de a e que esse facto nos eleva como , acreditando que somos capazes r. Que somos capazes de reconhee elevar o bem”. Pakeong Sequeira Watch out! My attack”, produzida na data da inauguração, acompaum efeito áudio “para libertar uma mais intensa em memória do 11 de ”, como afirma no catálogo. Mas diz porque não foi possível obter o contacto feito pelo Hoje Macau. +10” é, na verdade, uma metoe nos interroga em que ponto desta história. E em que ponto na capacidade de olhar o mundo, fica hoje saber e o que significa nder esse mundo. A resposta é, amente, parcelar, fragmentada Tempo é uma criatura capriqualquer tentação utópica de nsão total, há dez anos, voltou a ida àquele minuto mais soberbo pócrita da “história mundial”.

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IDEIAS

文子 Wen Zi

A COMPREENSÃO DOS MISTÉRIOS

CAPÍTULO 163 Lao Tzu disse: a via dos ministros é discutir o que é correcto e gerir adequadamente; tomar a dianteira na execução das coisas, tomar conta dos seus empregos e compreender claramente o seu papel de modo a trabalhar com resultados eficazes. Assim, há ordem quando os soberanos e os ministros escolhem caminhos diferentes e desordem quando escolhem o mesmo caminho. Quando cada um deles descobre o que é bom para si e gere as responsabilidades necessárias, aqueles que estão por baixo têm uma forma de beneficiar dos serviços uns dos outros. Os galhos não podem ser mais espessos

Há ordem quando os soberanos e os ministros escolhem caminhos diferentes e desordem quando escolhem o mesmo caminho.

do que o tronco, os ramos não podem ser mais fortes do que a raiz. Isto significa que há um modo segundo o qual o leve e o pesado, o grande e o pequeno, se regulam uns aos outros. Quanto aos que atingem poder de autoridade, aquilo que detêm é muito pequeno, mas a sua presença é enorme; aquilo que guardam é muito limitado, mas o que controlam é vastíssimo. Uma árvore gigantesca pode suportar uma casa enorme devido à sua força; uma pequena fechadura pode controlar o abrir e fechar por se encontrar num lugar essencial. Se as directrizes imperativas forem promulgadas de modo a que aqueles que as seguem delas beneficiem e aqueles

que a elas se opõem sejam infelizes, então, todos escutarão e obedecerão. A promulgação de directrizes e a aplicação de proibições recebem o seu poder das massas. Os justos não podem beneficiar a todos; mas quando beneficiam uma só pessoa, todos os seguem. Os violentos não podem magoar a todos, mas quando magoam uma só pessoa, todos se revoltam contra eles. É por isso que é imperativo examinar cuidadosamente as questões do que fazer e não fazer, do que abandonar e do que deixar estar. Tradução de Rui Cascais Ilustração de Rui Rasquinho

O texto conhecido por Wen Tzu, ou Wen Zi, tem por subtítulo a expressão “A Compreensão dos Mistérios”. Este subtítulo honorífico teve origem na renascença taoista da Dinastia Tang, embora o texto fosse conhecido e estudado desde pelo menos quatro a três séculos antes da era comum. O Wen Tzu terá sido compilado por um discípulo de Lao Tzu, sendo muito do seu conteúdo atribuído ao próprio Lao Tzu. O historiador Su Ma Qian (145-90 a.C.) dá nota destes factos nos seus “Registos do Grande Historiador” compostos durante a predominantemente confucionista Dinastia Han. A obra parece consistir de um destilar do corpus central da sabedoria Taoista constituído pelo Tao Te Qing, pelo Chuang Tzu e pelo Huainan-zi. Para esta versão portuguesa foi utilizada a primeira e, até à data, única tradução inglesa do texto, da autoria do Professor Thomas Cleary, publicada em Taoist Classics, Volume I, Shambala, Boston 2003. Foi ainda utilizada uma versão do texto chinês editada por Shiung Duen Sheng e publicada online.


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15 p er sp ect i va s Jorge Simão

A natureza da ciência “Naturam expellas furca, tamen usque recurret (Mesmo que expulsemos a natureza com uma forquilha, ela saberá regressar). Horácio, Epístolas, I.x.24

A

década de 1950 foi considerada como um período de optimismo considerável. Nos países mais desenvolvidos da Europa, actualmente Estados-membros da União Europeia, fizeram-se esforços para resolver os problemas nos bairros de latas, da insegurança, da falta de acesso ao campo para actividades de lazer e das injustiças criadas pelos privilégios existentes no domínio educativo. Nos estabelecimentos de ensino secundário, as oportunidades de estudar “Ciências” foram acolhidas com entusiasmo. Abria-se um mundo totalmente novo na física, na química e na biologia. Havia uma noção do átomo, existiam novos conceitos do material genético, o ADN, e conseguia-se abordar as complexas propriedades dos elementos de uma forma sistemática que começava a fazer sentido. Passados sessenta, quando a nossa apreciação dos fenómenos da natureza, dos “quarks” às estrelas e do gene à biosfera, é espantosa, muitos são os alunos que se afastam das disciplinas de ciências físicas ensinadas nos estabelecimentos de ensino secundário dos mesmos países, e de outros que lhes copiaram o exemplo. Existe sempre a tendência instintiva de copiar o mau em detrimento do bom, dado que o excelente passou a ser um mero idealismo. Entre o mau e o bom conseguiu-se um entendimento tácito das sociedades de atingir a mediocridade. Só se tem valor sendo o mais medíocre possível. Tudo isto, reflecte-se no número cada vez menor de candidaturas aos cursos de Engenharia e de Física na maioria das universidades. Quer os governos, quer as universidades consideram que esta tendência é indesejável, os primeiros porque sabem que não favorecem o desenvolvimento da indústria e a produção de riqueza, e as segundas porque sentem que corresponde a um desperdício de oportunidades de passar aos muitos interessantes progressos proporcionados pela actividade de investigação. Os motivos são vários e um deles de extrema relevância reside na falta de professores bem qualificados e cientificamente motivados, imputável ao facto de vários investigadores de física serem atraídos por empregos melhor remunerados na indústria ou no mercado financeiro. A tendência não tem paralelo na biologia e nas ciências do ambiente. As tentativas feitas para inverter esta tendência através do ensino da tecno-

logia nas escolas primárias de alguns desses países como o Reino Unido, revelaram impactos pouco significativos. Eram medidas que tinham certamente por objectivo tratar os sintomas sem averiguar as causas, como muitas das vezes acontece até na clínica médica mais avançada e prestigiada. O que nunca se admitiu, é que a forte deslocação para a “Biologia” e para as “Ciências do Ambiente” pode ter razões mais profundas, que o montante de uma transferência bancária de pagamento de remuneração. Procurá-las exige que se recorra ao raciocínio dos que alguma coisa pensam para além das trivialidades mundanas, com base naquilo que os estudantes dizem quando chegam à universidade, e que se avalia a situação actual do nosso planeta. Esta análise revela-nos que o que é rejeitado não é a ciência em si, mas a manipulação de que tem sido alvo. O modo como a ciência é aplicada no domínio da tecnologia material e social favorece uma organização da sociedade que beneficia uma minoria em detrimento da maioria. Apesar do cinismo ser cada vez maior, muitos jovens e alguns adultos reagem contra esta situação, apresentando argumentos de ordem moral.

Se considerarmos que a ciência é tudo o que pode ser examinado segundo essa perspectiva, então não nos afastaremos dela. Na realidade, dadas as interrogações que são levantadas pelos jovens pode até haver uma aproximação. Os jovens, como sempre, desejam ardentemente descobrir a verdade das coisas e fazem-no numa gama de áreas disciplinares convencionais Muitos jovens consideram que a ciência é a forma através da qual os recursos do planeta têm sido explorados, mais do que um meio de entendê-los e utilizá-los com bom senso. Acreditam que a subordinação da ciência, criou problemas ambientais cuja solução é cinicamente evitada por aqueles que os criaram. Consideram que muitos dos povos do mundo, são vítimas de uma grande injustiça e reagem contra essa situação, porque sentem que começam também a ser prejudicados. Essa é a consciência de que o princípio

da sustentabilidade não é uma mera utopia, mas para ser implementado e executado, enquadrando legislações desde a área económica, passando pela área educacional e terminando na área ambiental de forma séria. Verifica-se cada vez mais que o actual mundo tecnológico não consegue apoiar os valores que gostaria de defender. Por isso votam com os pés, quando escolhem os cursos ou pior ainda, quando os cursos os escolhem, porque se chegou a esta paranóia “deseducativa” ou “desinstrutiva” (educação é diferente de instrução) e muitas vezes, voltam-se para o misticismo ou para a fantasia, para superarem o tremendo abismo que existe entre a realidade à sua volta, e o tipo de mundo em que gostariam de viver e que cada vez parece mais distante. Assim, existem duas questões a analisar. A primeira, é de como alargar a ciência num contexto mais amplo e a segunda, quais as formas mais adequadas de organizar a sociedade do futuro. A ciência não é verdadeiramente o conjunto das áreas compartimentadas da física, química, biologia, geologia e o resto, que representam as exigências territoriais de determinados grupos de pessoas. Nenhuma dessas áreas, designadas no século XIX e no início do século XX, tem fronteiras que sejam relevantes para o nosso século. Nem existe qualquer linha divisória que as separe inevitavelmente de outras áreas, também com designações artificiais, como a psicologia, a sociologia, a história, a filosofia ou a ética. No passado, existiam hierarquias de percepções de valor que ordenaram determinadas áreas. Na realidade, continuam a existir muitos preconceitos. O que aparentemente pode ser estabelecido com imparcialidade, é sobrevalorizado em relação ao que implica um forte envolvimento humano. Estas classificações, e o conceito de que a ciência é isenta de valor, têm impedido que haja um entendimento mais completo. Também tem favorecido a exploração da física e da biologia, na medida em que fortalecem as hierarquias que valorizam mais uma determinada disciplina pela sua capacidade de criar riqueza, o que revela igualmente, o nível de exploração do ambiente que foi atingido. No entanto, o que existe é uma perspectiva científica diferente, que valoriza, na

formação da opinião, uma rigorosa verificação cruzada de informação, sempre que é possível confirmar as previsões através de experiências ponderadas e afastar certas convicções, quando se provam que estavam erradas. Esta perspectiva é usada por todos os tipos de pessoas, que investigam fenómenos naturais e humanos e que podem ter a designação convencional de historiadores, antropólogos ou químicos. Richard Feynman, classificado por alguns como um simples físico, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1965, captou talvez melhor que ninguém a natureza do processo verdadeiramente científico, quando afirmou que a ciência é uma forma de ensinar como se conhece qualquer coisa, até que ponto as coisas se conhecem (porque nada é conhecido em termos absolutos), como se lida com a dúvida e com a incerteza, quais são as regras da evidência, como se pensa nas coisas para se fazerem juízos, como distinguir a verdade da fraude e da aparência. Se considerarmos que a ciência é tudo o que pode ser examinado segundo essa perspectiva, então não nos afastaremos dela. Na realidade, dadas as interrogações que são levantadas pelos jovens pode até haver uma aproximação. Os jovens, como sempre, desejam ardentemente descobrir a verdade das coisas e fazem-no numa gama de áreas disciplinares convencionais. Em última análise, como todos nós, pretendem compreender-se a si próprios, e à sua relação com o mundo que os rodeia.


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PERFIL

Kayleigh Porter

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Wendy Grahman

WENDY GRAHMAN E KAYLEIGH PORTER | TREINADORAS DE CÃES

Paixão transformada em empresa Lia Coelho

lia.coelho@hojemacau.com.mo

Poderíamos estar a entrar num dos cenários dos 101 dálmatas ou até mesmo no argumento de um filme natalício. Mas aqui não há Cruellas, nem um casal a quem dois cães juntaram. Nesta estória, passada em Coloane, existe Kayleigh Porter, a filha e Wendy Grahman, a mãe, e uma paixão que se transformou em negócio de família. Depois de terminar os estudos, Kayleigh começou a trabalhar num café. Cansada e a querer mais da vida viu no melhor amigo do homem a fórmula para dar um rumo à vida. E assim foi, aos 19 anos formou a única empresa em Macau, que treina cães, a “Walkies Limited”. A família de Kayleigh Porter trocou a Escócia por Macau há dez anos. A primeira treinadora de cães no território diz que agora que pode decidir não pensa voltar à terra dos kilts. “Tinha 11 anos quando tive que me que mudar com a família, agora posso decidir e quero ficar por cá”, conta Porter. A inspiração para a empresa teve três nomes - Jager (um lavrador), Jyny (um pastor alemão) e Jack (um jack russel) – e foram eles que receberam o Hoje Macau em casa da família escocesa. Relaxados, talvez pela sonoridade das gaitas de foles vinda do interior do lar, ou porque estão bem treinados, os três cães, que deram o mote ao negócio, mostraram o que aprendem com a dona. O amor pelos animais mostrou-lhe assim o caminho a seguir: “Sempre gostei de cães. Tinha os meus e trabalhava com eles e apercebi-me que ninguém fazia isso aqui, então achei que seria uma boa ideia promover este tipo de serviço”, respondeu de imediato a

jovem treinadora. No momento fazem parte da família 13 cães. Faltava em Macau, ela e a mãe criaram. Apesar de Wendy confessar que ao início não ter sido fácil e exigir alguns sacrifícios, as duas empresárias consideram agora ter sido uma boa aposta e um investimento proveitoso. “Agora temos mais clientes, porque as pessoas começam a conhecer-nos e a saber dos serviços que prestamos”, conta Wendy Grahman. Os primeiros a requerer os serviços foram os vizinhos. A publicidade foi e continua a ser feita pelo “passa a palavra” e pela qualidade do serviço que vai ganhando também ele fama, tal como afirma a mãe. O treino é feito à porta de casa, num espaço livre e sossegado, que permite aos animais treinar em liberdade. Tal como uma ida à escola, os cães têm níveis e cada um tem o seu tempo de aprendizagem, como explicou Wendy. Num primeiro nível pratica-se a obediência – um treino básico, com a duração de 15 dias - uma média do tempo necessário de aprendizagem. O terraço de casa serve de canil, onde se hospedam os “alunos”. Nas palavras da mãe, adestrar e controlar animais nem sempre é tarefa simples, por isso exige paciência, perseverança e dedicação. “Às vezes vemos pessoas a passear os seus animais sem os conseguirem controlar. E é isso que tentamos ensinar, a gerir a agressividade, a sentar e a obedecer ao dono”, afirma a filha. As trelas são um utensílio essencial, cuja distância de quem os passeia vai sendo aumentada à medida que o cão vai ficando mais domado.

Durante um treino vimos que é o tom de voz e os gestos das instrutoras que os cães seguem e obedecem. O louvor é a primeira recompensa dada, caso eles demorem mais a aprender ou a respeitar as ordens, são-lhes dadas gratificações - em forma de comida. Depois do treino básico há o estágio mais avançado – o comportamento social – educar as condutas sociais dos animais. Nesta fase tenta-se incutir no animal uma convivência com outros cães, o reagir às pessoas e ao medo e mostrar-lhes o que é aceitável ou não. O trabalho é feito com dois ou três cães ao mesmo tempo, “para lhes mostrar que se pode trabalhar em harmonia”, revela a mãe. Os passeios também não faltam “até porque têm que pôr em prática os ensinamentos adquiridos”, comenta Wendy Graham. Kayleigh Porter faz dos treinos o seu trabalho a tempo inteiro. A mãe continua a ser contabilista, treinadora só a part-time. Tal como faltava o serviço, também a formação na área tem que ser fora das fronteiras asiáticas. A Irlanda foi o primeiro destino para iniciar os estudos. Primeiro foi a filha, depois seguiu-se a mãe. Em seis meses concluíram aquele que seria o primeiro curso a habilitá-las como treinadoras certificadas. Sempre que podem rumam ao Reino Unido para frequentar novos cursos. “Temos que nos ir mantendo actualizadas acerca do que se passa, dos novos tipos de produtos que aparecem no mercado, e novas técnicas que melhorem o serviço que prestamos”, referiu Wendy. Ainda este mês voltam a Inglaterra para mais um. Além de aumentar o grau de formação, as

duas empresárias têm em vista expandir o negócio, que se tem sido cada vez mais requisitado. Kayleigh tem um sonho: criar uma escola de cães para as pessoas que não querem enviar os seus animais para uma “escola”, possam elas próprias ir aprender a lidar com os seus animais de estimação. No ar ficou ainda o desejo de ver em Macau uma loja com os materiais necessários para o tipo de serviço que prestam, visto que na região também não existe. “As trelas compramos aqui, mas o resto dos materiais têm que ser importados dos Estados Unidos”, sublinha a também contabilista. Entre a oferta de produtos as duas empresárias têm ainda a aromaterapia e massagens. “Queremos que os donos vejam, que podem fazer mais pelos seus animais, que dar um simples banho. Com massagens os cães ficam mais relaxados e mais dóceis”, menciona Wendy. Um negócio de família, que segundo as duas pode ainda ser expandido e quem sabe não se estende aos irmãos de Kayleigh, que tal como conta a mãe, orgulhosa, dizem querer seguir. O conselho deixado por Wendy é para se ter atenção na hora de escolher um cão: “Se as pessoas querem ter um cão têm que o fazer com sabedoria. É preciso ver o tipo de cão que se adequa à família, às suas necessidades e à casa, principalmente se for um apartamento”. Na maioria das vezes, nas palavras da contabilista, as pessoas nem sempre o fazem e o pior é não reconhecerem a má decisão, descurando na forma correcta de cuidar dos animais.


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Cineteatro | PUB

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SALA 1

LOVE IN SPACE [B] FALADO EM PUTONGHUA Um filme de: Wing Shya, Tony Chan Com: Aaron Kwok, Rene Liu, Eason Chan 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

HORIZONTAIS: 1-UNIAM. CERNE. 2-F. PROTEGE. C. 3-ALEA. R. UNTO. 4-NA. MOEDA. AA. 5-ARA. UME. RIR. 6-IDAS. LIAM. 7-CAI. OCA. SAI. 8-ID. LUISA. DD. 9-NOTE. A. PROA. 10-T. REFREIO. D. 11-ACIMA. COLHE. VERTICAIS: 1-UFANA. CINTA. 2-N. LABIADO. C. 3-IPE. ADI. TRI. 4-ARAM. A. LEEM. 5-MO. OUSOU. FA. 6-TREM. CIAR. 7-CE. DELAS. EC. 8-EGUA. I. APIO. 9-REN. ROL. 10-N. TAIMADO. H. 11-ECOAR. IDADE.

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

Su doku [ ] Cruzadas

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

THE WHISTLEBLOWER [C] Um filme de: Larysa Kondracki Com: Rachel Weisz, Vanessa Redgrave 14.30, 16.30, 21.30 SALA 3

SALA 2

RISE OF THE PLANET OF THE APES [B]

Um filme de: Lone Scherfig Com: Emma Morley, Jim Sturgess, Patricia Clarkson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 19.30

ONE DAY [B]

HORIZONTAIS: 1-Aproximavam. A parte interior e mais dura do tronco das árvores. 2-Preseva. 3-Alameda. Banha de porco, por derreter. 4-Sódio (s.q.). Numerário, dinheiro. Autores (abrev.). 5-Parte acessória da coisa a que está aderente. Pedraume. Manifestar o riso. 6-Viagens. Fazinha a leitura. 7-Desaba. Que não tem miolo. Retira-se. 8-Idem (abrev.). Nome de mulher. Consoante repetida. 9-Observe, anote. Parte anterior do navio. 10-Aquilo com que se refreia. 11-Em grau ou categoria superior. Separa da planta (flores, folhas ou frutos). VERTICAIS: 1-Muito alegre, satisfeita. O que rodeia alguma coisa. 2-Que apresenta a forma de dois lábios. 3-Peúva. Juntei. O m. q. tris (Pref.). 4-Cultivam. Estudem. 5-Montão. Atreveu-se. Nota musical. 6-Carruagem, cmbio. Remar para trás. 7-Nome de letra. Daquelas. Era-Cristã (abrev.). 8-Fêmea do cavalo. Planta faseolácea. 9-Pessoa, coisa (Arc.). Chefe etíope. Lista. 10-Manhoso, velhaco. 11-Repercutir. Número de anos.

[ ] Cinema

[Tele]visão www.macaucabletv.com TDM 13:00 13:30 14:30 19:00 19:30 20:25 20:35 21:00 22:00 22:58 23:00 23:30 01:50 02:30

TDM News - Repetição Jornal das 24h RTPi DIRECTO Ásia Global (Repetição) Amanhecer Acontecimentos Históricos Telejornal Jornal da Tarde da RTPi JK Acontecimentos Históricos TDM News The Insider (O Informador) Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

15:00 15:24 15:54 18:00 19:00 21:00 21:30 22:00

INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 A Verde e a Cores 15:00 O Humor e a Cidade 15:30 Especial Saúde 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Quem Quer Ser Milionário – Alta Pressão 19:00 Resistirei 18:45 Kampung Portugis, O Bairro Português 19:00 Luís de Matos – Ministérios 20:00 Jornal Da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Próxima Paragem 22:30 Coutos e Coutadas 23:15 Festa das Vindimas - Alentejo TVB PEARL 83 06:00 Bloomberg West 07:00 First Up 07:30 NBC Nightly News 08:00 Putonghua E-News 09:00 CCTV News - Live 10:00 Market Update 10:30 Inside the Stock Exchange 11:00 Market Update 11:30 Inside the Stock Exchange 11:32 Market Update 12:00 CCTV News – Live 13:30 Market Update 14:00 Inside the Stock Exchange 14:03 Market Update 15:58 Inside the Stock Exchange 16:00 Angelo Rules 16:30 Chuggington 16:55 Chuggington Badge Quest 17:00 Escape from Scorpion Island 17:30 Timmy Time 18:00 Putonghua News 18:10 Putonghua Financial Bulletin 18:15 Putonghua Weather Report 18:20 Financial Report 18:30 Green Challenge: Golfing World 19:00 Global Football 19:30 News At Seven-Thirty 19:50 Weather Report 19:55 Earth Live 20:00 Money Magazine 20:30 Summer Fun: Junior MasterChef Australia 21:30 Weekend Blockbuster: There Will Be Blood 22:30 Marketplace 22:35 Weekend Blockbuster: There Will Be Blood 00:50 The CEO Connection and World Market Update 00:55 News Roundup 01:10 Earth Live 00:15 Dolce Vita 01:45 Project Runway 02:35 State of Style 03:00 Bloomberg Television 05:00 TVBS News 05:30 CCTV News ESPN 30 13:00 13:30 15:30 18:30 19:30 20:00 20:30 21:00 22:00 22:30 23:00 23:30

Geico PBA Team Shootout Len European Diving Championships MLB Regular Season 2011 Tampa Bay Rays vs. Boston Red Sox (Delay) Baseball Tonight International 2011 (LIVE) Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Global Football 2011 Beach Soccer Worldwide Miami Cup 2011 Brazil vs. Spain Sportscenter Asia Football Asia 2011/12 Global Football 2011 Geico PBA Team Shootout

STAR SPORTS 31 12:00 Rugby World Cup 2011 Russia vs. USA 14:00 Gp3 Series 2011

Inside Racing 2011 Rugby World Cup 2011-Match Day Highlights (LIVE) Rugby World Cup 2011 New Zealand vs. Japan British Touring Car Championship 2011-Hl Rugby World Cup 2011 Tonga vs. Canada Football Asia 2011/12 (LIVE) Score Tonight Rugby World Cup 2011 New Zealand vs. Japan

STAR MOVIES 40 12:20 Still Waiting... 13:50 Shanghai Knights 15:45 From Paris With Love 17:20 Post Grad 18:55 Percy Jackson & The Olympians 21:00 You Again 22:55 A Dangerous Man 00:30 National Security HBO 41 12:00 14:15 16:00 18:00 20:15 22:00 23:30

The New World A Perfect Getaway Coming To America About Schmidt I Love You, Man The Hangover Sex And The City 2

CINEMAX 42 12:30 14:30 16:00 17:35 20:15 21:45 22:00 23:35

Gran Torino Kinjite Five Million Years To The Earth House Of Wax Ice Twisters Epad On Max 128 Gunfighter’S Moon Hard Target

MGM CHANNEL 43 13:00 The Tempest 14:30 Saving Jessica Lynch 16:00 Until September 17:45 Malone 19:15 House of Games 21:00 Johnny Be Good 22:30 Loch Ness 00:15 Love Field DISCOVERY CHANNEL 50 13:00 Mythbusters 14:00 Auction Hunters 14:30 First Time Filmmakers Vietnam 15:00 Build It Bigger 16:00 Mega Builders 17:00 Dirty Jobs 18:00 How It’s Made 18:30 How Do They Do It? 19:00 How Stuff Works 20:00 Extreme Forensics 21:00 Mythbusters 22:00 I (Almost) Got Away With It 23:00 Solved 00:00 Mythbusters NATIONAL GEOGRAPHIC CHANNEL 51 13:00 Chef On the Road 14:00 Word Travels 15:00 Breakout

16:00 17:00 18:00 19:00 20:00 21:00 22:00 00:00

Outbreak Investigation Caught In The Act Fish Warrior Seconds From Disaster War Secrets: Italy’s Forgotten Invasion Hunter Hunted Taboo Hunter Hunted

ANIMAL PLANET 52 13:00 Dark Days In Monkey City 13:30 Echo And The Elephants Of Amboseli 14:00 Nick Baker’s Weird Creatures II 15:00 Wildwives Of Savannah Lane 16:00 Mekong: Soul Of A River 17:00 Animal Cops Phoenix 18:00 Meerkat Manor 19:00 Night 20:00 Dark Days In Monkey City 20:30 Echo And The Elephants Of Amboseli 21:00 Must Love Cats 22:00 Mekong: Soul Of A River 23:00 Animal Cops Phoenix 00:00 Meerkat Manor HISTORY CHANNEL 54 13:00 Modern Marvels 14:00 Comic Book Superheroes Unmasked 16:00 Swamp People 17:00 IRT Deadliest Roads 18:00 Modern Marvels 19:00 UFO Hunters 20:00 Swamp People 21:00 American Restoration 22:00 Crucifixion 00:00 IRT Deadliest Roads BIOGRAPHY CHANNEL 55 13:00 I Survived 14:00 Relapse 15:00 Private Chefs Of Beverly Hills 16:00 Trauma: Life In The E.R. 17:00 Flip This House 18:00 Sell This House 18:30 Billy The Exterminator 19:00 Relapse 20:00 My Ghost Story 21:00 Celebrity Ghost Stories 22:00 Beyond: Messages from 9/11 23:00 I Survived ...9/11 AXN 62 12:15 13:05 14:00 14:55 15:45 16:35 17:25 18:15 19:10 20:05 20:35 21:05 22:00 22:55 23:50

CSI: Ny The Guardian Spring Wipeout The Amazing Race CSI: Ny Ncis: Los Angeles Leverage CSI: Crime Scene Investigation The Challenger Muaythai Criss Angel Mindfreak Ebuzz Leverage The Defenders CSI: Crime Scene Investigation House

STAR WORLD 63 12:10 The Bachelorette 13:05 Grey’s Anatomy 14:00 The Gates 14:55 Traffic Light 15:25 Glee 16:20 Ugly Betty 17:15 Got To Dance UK 18:10 The Bachelorette 19:05 How I Met Your Mother 19:30 Traffic Light 20:00 Grey’s Anatomy 20:55 The Gates 21:50 Glee 22:45 The Bachelorette 23:40 How I Met Your Mother 00:05 Grey’s Anatomy

(MCTV 54) History Channel 19:00 UFO HUNTERS Informação Macau Cable TV


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OPINIÃO

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21 ed i t or i a l Carlos Morais José

A integração no delta e outras iniquidades Esta semana alguém falou da integração de Macau na região do Delta, esse famoso plano de reajustamento das potencialidades da província de Guangdong, Macau e Hong Kong incluídos. E, neste mirabolante projecto, alguém aventou igualmente a inutilidade do aeroporto da RAEM. Ora cá está. Eis-nos chegados ao sintoma que é também um dos busílis da questão. Existem pois umas cabeças pensadoiras que, feitas as contas (as deles) poderão rapidamente chegar à conclusão de que Macau não deveria ter um aeroporto próprio, mas ser servido por um outro aeroporto desta área, eventualmente Zhuhai. Percebe-se o raciocínio e como ele interessa aos nossos ilustres vizinhos. E percebe-se também como tal seria dramático para Macau, como tal significaria uma perda de autonomia, entre outros aspectos. Mas o que talvez fique mais claro, quando escutamos estas opiniões, é o comportamento de quem dirige a Air Macau e outros departamentos afectos à aviação, no sentido de despromover a companhia de bandeira da RAEM e o tornar cada vez mais coxo o aeroporto local. Com certeza que não se esperava inocência deste lado. Como não se poderia esperar que o gato permanecesse para sempre escondido somente com as “normais” incompetências de fora. Pelos vistos, os homens escolhidos pela CCAC têm, aparentemente, uma missão bem definida: limitar o crescimento da Air Macau e do aeroporto, de tal modo que quando for dada a ordem para o seu desaparecimento tal não faça confusão a ninguém. A pista da Ponta da Cabrita poderá, talvez, vir a servir unicamente jactos privados de casinos ou jogadores, mas não a população ou outro tipo de turistas. Esta “racionalização” do espaço aéreo do Delta, certamente que apoiada nas mais modernas “pesquisas científicas”, não é mais que uma violação subreptícia dos princípios que norteiam a Declaração Conjunta e a própria Lei Básica. Mas o que interessa isso a quem, na verdade, não está a servir o país mas uns mandarins endinheirados ali do outro lado da Portas do Cerco e, provavelmente, alguns “colaboracionistas” destes? Muito pouco e, afinal, não estaremos a jogar as regras plenas do mercado? Não é este um dos resultados do segundo sistema? Não, não é. E não é porque, acreditem ou não, o segundo sistema baseia-se primeiro em valores e só depois na busca ilimitada do lucro e um dos valores lhe que preside passa precisamente pelo desenvolvimento da autonomia de Macau e não pela sua dissolução

Os homens escolhidos pela CCAC têm, aparentemente, uma missão bem definida: limitar o crescimento da Air Macau e do aeroporto, de tal modo que quando for dada a ordem para o seu desaparecimento tal não faça confusão a ninguém. A pista da Ponta da Cabrita poderá, talvez, vir a servir unicamente jactos privados de casinos ou jogadores, mas não a população ou outro tipo de turistas na província de Guangdong. Trata-se aqui de respeitar a palavra dada, escrita e assinada, e não de se justificar com exigências de mercado que, no fim, sabemo-lo bem unicamente visam servir interesses privados. De facto, o modo quase suicidário como a Air Macau é gerida parece indicar o caminho escolhido pelos seus gestores, nomeadamente o da sua dissolução, indiferenciação, no imenso trafego aéreo chinês. Se não como se explicaria o facto das rotas da companhia cada vez mais voltarem as costas à internacionalização e os seus aviões serem “emprestados” a outros interesses? A estratégia parece bem montada e leva o aeroporto no tsunami. Compreende-se a necessidade que existe, num grande país como a China, de racionalizar as relações entre províncias e regiões. Mas aqui a questão, para além do

c a rtoon por Steff

respeito pelos direitos históricos garantidos e reconhecidos, trata-se de saber quem está efectivamente a lucrar com estes planos que, infelizmente, tendem a atacar gravemente a autonomia de Macau e os interesses legítimos da sua população. * Juízes com 25 e 26 anos são, no meu entender, uma aberração do sistema, por mais valor que os indivíduos em questão possuam. O primeiro sinal que os “miúdos” deram é muito mau: aceitaram o lugar. Por isto já se pode aquilatar o seu grau de inconsciência. Tivessem os “meninos” alguma consciência cívica, que também falta a quem os nomeou, e teriam recusado gentilmente o cargo que lhes é proporcionado por um sistema jurídico

em delírio. Ao aceitarem provam que ainda não estão à altura de o desempenhar. Por outro lado, em nome da “simplificação” pretende-se alterar parte do Código de Processo Penal, nomeadamente o que concerne os processos sumários. A palavra, quando inserida no contexto judiciário, assusta-me. Começo já a pensar nas futuras vítimas da “simplificação”. Como cidadão, entendo que a aplicação de uma qualquer pena por qualquer crime, é algo de muito sério independentemente da sua extensão. E se considerarmos as molduras penais verificaremos que o âmbito dos crimes que poderão passar a ser julgados em processo sumário aumentará consideravelmente. Ora uma condenação sumária poderá estar dependente unicamente de um “flagrante delito”, testemunhado por um qualquer cidadão, sem possibilidade de fase de instrução, como pretende a nova lei? Bom, as portas da prisão ficam assim mais perto de todos nós e isso é provavelmente o que deseja quem gosta de viver numa sociedade fundamentalmente coerciva, de bufos e bófias, cujos poderes se vêem assim reforçados. Infelizmente, a História conta-nos que é preciso controlar muito bem as “boas intenções” destes senhores. Sob a pena de descobrirmos de repente que por aqui num inferno.

PETRÓLEO LÍBIO


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OPINIÃO

22 ca r t a a o d i r ect or “FALA PORTUGUÊS?” Exmo. Sr. Director, O IPOR, a Universidade de Macau e até o Instituto Politécnico de Macau facultam aulas em Língua Portuguesa. Quem sabe afirma que é a sétima (ou em alguns casos, quinta) mais falada no mundo. No 10 de Junho (dia de Camões de Portugal e das comunidades portuguesas), enquanto as crianças da Escola Portuguesa dançam o Malhão, os seus pais bebem copos de vinho (de castas portuguesas) em casa do Sr. Cônsul. Fazem grandes discursos sobre a diáspora de uma língua cada vez mais importante no mundo dos negócios e de como a China tem investido na aprendizagem desse mesmo idioma. Os portugueses residentes em Macau orgulham-se, em geral, de viverem numa cidade chinesa onde diariamente se fala a sua língua materna. De facto ela tem uma importância tão grande que até na própria Lei Básica esta salvaguardado que o português é a segunda língua oficial da RAEM. Para nós todos estes jantares, discursos em datas importantes e inaugurações onde o nosso Chefe do Executivo nunca vai, são suficientes. E o Governo conta com isso. A verdade é que o Governo conta que toda esta aparência de que a língua é respeitada

chegue para nos contentar. O mais grave é que têm razão. No nosso pequeno canto, lemos os nossos jornais, ouvimos a nossa televisão e vamos buscar as crianças à escola onde elas aprendem a geografia no nosso país. O nosso país é Portugal, portanto o que se vai passando na cidade onde os nossos filhos nasceram e vivem e, quem sabe, vão viver, pouco nos interessa. Se não fosse assim veríamos o que se passa todos os dias que passam sobre 1999. E o que se passa é o desrespeito cada vez maior que os não falantes do cantonense/ mandarim sofrem. Desrespeito esse que não se limita à comunidade portuguesa mas se alarga muitas vezes ate à própria comunidade de etnia chinesa, onde a língua chinesa é muitas vezes falada mas não escrita. Não bastam os reclames luminosos mal escritos nem os anúncios e avisos do próprio Governo que pouco se esforça para ver as calinadas que dá, o dia-a-dia traz informações que simplesmente não chegam a quem não fale a primeira língua oficial. É de sublinhar que em tempo nenhum a Administração Portuguesa se preocupou com estes assuntos. Caso esteja interessado nos “cursos de aprendizagem contínua” verá que nenhum deles é leccionado em português e muito

poucos, dois ou três, em inglês. Se quiser obter informações sobre os passes de autocarro, verá que o seu sítio é todo escrito em chinês com o que eles chamam de “highlights in English”, que não tem quase nenhuma informação. Caso esteja a tirar a carta de condução, saberá que o sistema informático usado tem apenas uma versão Beta (incompleta, ainda por finalizar) em português que contém bastantes erros que, inclusive, dificultam a compreensão das questões. Mas o que importa é que tenhamos empregos assegurados e que haja burocracia suficiente e um número razoável de media na língua de Camões, isso é que nos traz confiança e satisfação. Isso e os bolos do Ou Mun sem os quais Macau não existira. É preciso que nos preocupemos com a realidade de uma terra onde afinal pertencemos. Também somos de cá e foi Macau que escolhemos para nos fixarmos, por todas estas razões já não chega ficarmos ao canto. Se o fizermos também não há-de haver quem zele por interesses que, bem vistas as coisas, até nem são só nossos. Fala português? Falo sim, e você? Raquel Dias


Ciclone

A justiça é a empregada de limpeza da lei. E a lei é cega.

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Por Fernando

OPINIÃO

u m g r i t o n o d eser t o

A sobrevivência dos

trabalhadores dos média A Lei Básica de Macau e a de Hong Kong estipulam que o sistema e estilo de vida devam manter-se inalterados durante 50 anos após a Transferência. Ainda assim, uma década volvida, os passos dados pelos governos dessas duas regiões parecem ter mudado algumas coisas, sendo os meios de comunicação de massas uma matéria sensível. Macau era alegadamente conhecida como sendo uma “região semi-liberada” nos tempos da administração portuguesa, antes da Transferência. A política do Governo em relação aos média era mais próxima da do Ocidente e não se atrevia a impor demasiadas restrições aos trabalhadores da comunicação social. O Governo dava patrocínios ou subsídios aos média para ajudá-los com as despesas de publicação. Os média recebiam o apoio financeiro, mas mantinham o olhar crítico sobre as acções do Governo. Após a Transferência, o Governo da RAEM introduziu algumas mudanças nos critérios para os meios de comunicação receberem patrocínio, mas tudo correu bem até que a qualidade e o prestígio da administração do Governo começaram a declinar. A sociedade chinesa é muito peculiar no que toca às “relações entre as pessoas”. Como Macau é uma sociedade caracterizada pela política de grupo, as gentes acabam por estar muito inter-relacionadas. As pessoas evitam falar sobre as más práticas umas das outras e preferem antes falar sobre as suas boas acções. Deixam sempre algum espaço para os outros respirarem. Pelo contrário, o trabalho dos média preocupa-se com a verdade dos factos e segue os princípios de imparcialidade, justiça e abertura. Não há prática de favoritismo envolvida e os média, em princípio, noticiam tudo o que seja verdade. Notícias de todo o tipo podem ser reveladas desde que respeitem a justiça pública, sem qualquer necessidade de esconder informação. Mas pode o predomínio das “relações” coexistir com “factos e verdade”? Isso realmente depende da mentalidade dos administradores e da determinação dos trabalhadores da comunicação social, sobretudo em tempos em que o Governo atravessa uma crise administrativa. Ultimamente, as célebres observações

sobre a “sombra negra” feitas pelo comissário de polícia de Hong Kong e a demissão de dois chefes do departamento de informação Asia Television (ATV) mostraram-nos o tipo de atitude adoptada pelos altos-responsáveis da administração e das empresas em relação aos média. É correcto e adequado para a polícia levar a cabo as suas tarefas, mas foi imprudente por parte da polícia tentar privar os média da cobertura de histórias. O chefe da empresa tem poder absoluto sobre a contratação e dispensa de funcionários, mas a liberdade editorial e de imprensa não podem sofrer interferências. Hong Kong não se pode ver livre das tais sombras negras e os despedimentos são factos. Mas terá Macau um cenário mais optimista? Pode dizer-se que, desde que o caso Ao Man Long veio à tona, o prestígio do Governo de Macau caiu drasticamente, ao mesmo tempo que o Governo dava cada vez mais assistência financeira ou subsídios aos média, com toda a sua boa fé, acompanhada de um aumento no controlo e regulação. A demarcação de uma zona destinada à cobertura mediática durante os protestos, a série de incidentes ocorridos na TDM, as revisões propostas à Lei de Imprensa e

Como Macau é uma sociedade caracterizada pela política de grupo, as gentes acabam por estar muito inter-relacionadas. As pessoas evitam falar sobre as más práticas umas das outras e preferem antes falar sobre as suas boas acções. Deixam sempre algum espaço para os outros respirarem à Lei de Radiodifusão e a dita “postura de não tomar qualquer posição pré-definida” mostram que o Governo tenciona oferecer um cuidado especial aos média. Antigamente, o subsídio atribuído aos meios de comunicação independentes pela administração portuguesa tornava possível a sua sobrevivência. Mas hoje, o actual Governo não acabou com esse subsídio, mas inventou muitos outras maneiras de patrocinar os média, por exemplo, com os anúncios públicos ou material promocional do Governo, que valem uma fortuna em di-

Paul Chan Wai Chi*

nheiro! Um jornalista revelou recentemente que a Fundação Macau pretendia patrocinar alguns periódicos ou publicações para que publicassem a sua edição especial sem quaisquer condições prévias. A Fundação Macau apenas se preocupa com a quantidade e não com a qualidade ou com o conteúdo dos periódicos ou publicações. Essa ideia parece não interferir com a autonomia dos média, de forma superficial, mas no fundo a cobertura noticiosa ficará limitada e reduzida. Quanto mais os meios de comunicação recebem do Governo, mais se tornam dependentes do Governo, e mais rápida é a degeneração da liberdade noticiosa e da autonomia dos média. No final, o caminho que encontram para sobreviver é tornarem-se meios de comunicação privados do Governo. Qual é a intenção por trás de tudo isto? O bem-estar da sociedade? Ou a sobrevivência dos média? Conheci um colunista que morreu recentemente. Em tempos, defendia a liberdade de imprensa e justiça social. Denunciava os erros administrativos do Governo todos os dias, por escrito ou em intervenções orais. Até que, por fim, do jornal para o qual trabalhava pediram-lhe que passasse a dar um contributo semanal, em vez de diário, com a desculpa de que o periódico precisava de uma reestruturação gráfica. Frustrado com tal pedido, decidiu deixar de escrever e encontrar outras formas de ganhar a vida. Afinal, a suavidade é conducente ao enriquecimento. Se um operador desagrada ao grande chefão, isso não é bom para ele e para a sua busca de qualidade de vida. Quanto aos operadores dos média e se irão ou não sucumbir ao poder e influências, isso depende dos seus valores éticos e preferências. Se os trabalhadores dos média devem obedecer aos seus empregadores, isso depende dos seus meios de subsistência. O exemplo que trouxe no parágrafo anterior não é um incidente do passado que apenas acontecia em Hong Kong ou Macau. É um caso que possivelmente se repetirá nos nossos dias e num futuro próximo. Os trabalhadores dos média têm de sobreviver com dignidade. *Deputado e presidente da Associação Novo Macau Democrático

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Lia Coelho; Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


Lai Kin Hong pode substituir Chu Kin no TUI GOLFO PÉRSICO | PAÍSES QUEREM MOEDA ÚNICA As monarquias do Golfo Pérsico estão a preparar a criação de uma região monetária e correspondente moeda comum, apesar da actual crise no sistema financeiro internacional e da “guerra das moedas” mundial. Quatro países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait e Qatar, assinaram em 2009 um acordo sobre a criação de uma união monetária. O lançamento da moeda única dos CCG, que controlam 45% das reservas mundiais de petróleo, esteve previsto para 2010. Final de 2013 é agora a data considerada pelos analistas como mais provável. INGLATERRA CONDENADO POR GOZAR COM MORTE Um jovem britânico de 25 anos foi preso por usar as redes sociais para gozar com a morte de vários adolescentes. Sean Duffy entrava nas páginas de homenagem a adolescentes falecidos e deixava comentários a gozar com a situação. O tribunal condenou-o a 18 semanas de prisão por provocar sofrimento às famílias e amigos. Duffy foi ainda sentenciado com uma proibição de aceder e criar qualquer conta nas várias redes sociais por cinco anos.

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Juiz de sobreaviso

O

presidente do Tribunal de Segunda Instância (TSI), Lai Kin Hong, está na linha da frente para substituir o juiz do Tribunal de Última Instância (TUI) Chu Kin, que ainda permanece internado na China continental depois de um grave acidente de viação na província de Guangdong. De acordo com o jornal “Macau Daily Times”, Chu Kin será provavelmente substituído uma vez que o seu estado de saúde não teve quaisquer melhoras nas últimas semanas. Lai Kin Hong é o candidato mais provável para suceder a Chu Kin, relata o “Macau Daily Times”, que obteve a informação junto de fontes conhecedoras do processo. Contudo, contactado por aquele jornal, Lai recusou-se a fazer qualquer comentário afirmando que não era o momento adequado para fazê-lo. O jornal também tentou confirmar a situação junto

do TUI mas o porta-voz apenas salientou: “As regras de substituição dos juízes são muito claramente definidas na ‘Lei de Bases da Organização Judiciária.” A lei-quadro, publicada em Dezembro de 1999, afirma que “na sua ausência, impedimento ou incapacidade” os juízes do TUI são substituídos por “altos magistrados em serviço no Tribunal de Segunda Instância”. O acidente Chu Kin tem deixado temporariamente o TUI com apenas dois juízes, Sam Hou Fai e Viriato Manuel Pinheiro de Lima. Mas há quem defenda que até três juízes é um número reduzido. “Não é suficiente. Deveria haver mais juízes para permitir um debate mais amplo e uma maior pluralidade de ideias”, referiu o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Jorge Neto Valente.

POPULAÇÃO ACHA QUE TRÂNSITO ESTÁ PIOR Com o novo modelo de transportes públicos a funcionar há mais de um mês, a Associação de Nova Visão de Macau (ANVM) resolveu ir apurar o grau de satisfação da população. Os resultados da sondagem mostram que a maioria dos entrevistados considera não ter havido qualquer melhoria no serviço de autocarros em geral e que o trânsito em geral está pior. Os cidadãos mostraram-se assim pouco convencidos com o novo sistema de autocarros públicos e nada agradados com o desempenho da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Das três companhias agora a operar o serviço, a que foi menos pontuada foi a Reolian, a nova operadora a actuar em Macau. A ANMV entrevistou por telefone 897 residentes nos dias 10 e 11 de Setembro para apurar o nível de satisfação dos residentes com o novo modelo de serviço. Desses, 56,41% afirmaram usar o autocarro como principal meio de transporte. O novo sistema de autocarros públicos levou uma cotação média de 4,27 pontos, numa escala de zero a 10. O desempenho da DSAT levou ainda menos – 4,22 pontos. Entre as operadoras, a Transmac foi a preferida, com 5,57 pontos, seguida da TCM (5,01) e da Reolian (3,8). Mais de metade dos inquiridos (51,95%) consideram que os engarrafamentos nas ruas de Macau estão piores do que antes, por haver mais autocarros a circular. – V.L.

BILHETES PARA DANÇAR NO LÓTUS Nick Warren, DJ, produtor e músico com quase um quarto de século de carreira e uma legião de fãs, toca amanhã em Macau integrado na programação do Clube Lótus “24 DJs do Top 100 Mundial em 2011”, no Venetian. O HOJE MACAU TEM PARA LHE OFERECER QUATRO PARES DE BILHETES para o ‘live act’ de Nick Warren, que tem lugar amanhã a partir da meia-noite no Lótus (5.º andar da ala norte do Venetian). Os quatro primeiros leitores a deixarem um ‘post’ a manifestarem a intenção de assistir ao ‘show’ na página oficial do Hoje Macau no Facebook serão contactados pela produtora 3 sided square e terão em seu nome convites duplos cm direito a bebida à porta do Clube amanhã à noite. Boa sorte!


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Hoje Macau 16 SET 2011 #2455 by Jornal Hoje Macau - Issuu