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Hoje Macau 16 AGOSTO 2021 #4832

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ERIC LAFFORGUE

LGBT

E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE PÁGINA 4

Nº 4832 SEGUNDA-FEIRA 16-8-2021 DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

AS NOVAS OPORTUNIDADES PÁGINA 5

DESIGN

20 ANOS DE MACAU EM LISBOA EVENTOS

OPINIÃO

CASA DE MACAU AO ABANDONO ANDRÉ NAMORA

hoje macau

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KYO AZUMA

MOP$10

APOSTAS DESPORTIVAS

Não venhas tarde Dizem os Serviços de Saúde de Macau a todos aqueles ligados ao ensino não superior (alunos, professores ou funcionários) que vivam em Macau, Zhuhai e Zhongshan. O regresso ao local de residência terá de ser feito duas semanas antes do início do novo ano lectivo, anunciado para o mês de Setembro, em virtude do novo surto de covid-19 detectado a 3 de Agosto. PÁGINA 2


2 especial covid-19

16.8.2021 segunda-feira

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ENSINO ALUNOS E DOCENTES TÊM DE CHEGAR 14 DIAS ANTES DO INÍCIO DAS AULAS

Sempre a aprender

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S Serviços de Saúde (SSM) anunciaram que os alunos, professores e funcionários do ensino não superior que vivam em Macau, Zhuhai e Zhongshan estão obrigados regressar aos respectivos locais de residência 14 dias antes do início das aulas em Macau, agendadas para Setembro A medida anunciada na sexta-feira, no decurso da conferência de imprensa diária dos SSM continua a estar relacionada com o novo surto de covid-19 detectado no dia 3 de Agosto em Macau que resultou, até ao momento, na confirmação de quatro casos da variante Delta, dois dos quais, os pais da família, detectados pelas autoridades de Zhuhai. "Temos muitos alunos, professores e funcionários que passam pelas fronteiras de Macau todos os dias", vindos de Zhuhai, Zhongshan e outras localidades, afirmou, segundo a agência Lusa, Kong Chi Meng, subdirector dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). Aqueles que tenham regressado a Macau depois de 6 de Agosto, provenientes de regiões localizadas fora da província de Guangdong, estão obrigados a fazer um teste de ácido nucleico até cinco dias antes do início das aulas

TIAGO ALCÂNTARA

Alunos, docentes e funcionários do ensino não superior que vivam em Macau, Zhuhai e Zhongshan devem voltar aos seus locais de residência 14 dias antes do início das aulas. Foi anunciada uma campanha de vacinação nas escolas para alunos entre os 12 e os 17 anos. Reabertura de espaços de diversão continua sem data

e a apresentar o código de saúde com resultado negativo, indicou o mesmo responsável. Por seu turno, os alunos do ensino superior deverão regressar às aulas em formato 'online', mas as medidas serão idênticas, caso passem a ser presenciais, acrescentou Kong Chi Meng.

Só com autorização

Durante a conferência de imprensa, o coordenador do plano de vacinação, Tai Wa Hou, anunciou também que será lançada uma campanha de apelo à vacinação nas escolas no início do ano lectivo, dedicada principalmente aos alunos entre os 12 e os 17 anos.

Apontando, segundo um comunicado pelo Centro de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus, que faltam ainda definir os detalhes concretos em

“Temos muitos alunos, professores e funcionários que passam pelas fronteiras de Macau todos os dias, vindos de Zhuhai, Zhongshan e outras localidades.” KONG CHI MENG DSEDJ

que decorrerá a vacinação das escolas, o responsável frisou, contudo, que esta só poderá acontecer mediante a autorização dos encarregados de educação. De acordo com Tai Wa Hou, dado que “o serviço de vacinação será realizado durante o horário escolar” e que os encarregados de educação estarão a trabalhar nesse momento, está a ser analisado a nível jurídico, a melhor forma de os alunos menores apresentarem o termo de consentimento devidamente assinado pelos encarregados de educação. O coordenador do plano de vacinação revelou igualmente que ainda não há data para a reabertura dos espaços de diversão e desporto, encerrados desde o passado dia 5 de Agosto. Para Tai Wa Hou, os espaços só voltam a receber visitantes quando o risco de contágio por covid-19 em Macau for nulo. “Depende muito da situação nos próximos dias. Temos que fazer uma avaliação genérica e integral de todos os factores de prevenção e controlo da pandemia. Se o risco já não existir e já for possível voltar à normalidade então, em princípio, a medida de encerramento poderá ser levantada”, disse o responsável segundo o canal português da TDM-Canal Macau. Pedro Arede

TESTES HOMEM QUE ATACOU AGENTES ARRISCA MAIS DE CINCO ANOS DE PRISÃO

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contra a covid-19 durante o período de testagem em massa da população. Já no posto, e após ter sido GCS

caso de um residente que insultou e atacou funcionários dos Serviços de Alfândega num posto de testagem na Taipa foi encaminhado para o Ministério Público (MP), podendo o arguido vir a ser condenado a uma pena superior a 5 anos de prisão. Segundo o MP, o caso ocorreu no posto do Terminal Marítimo da Taipa no passado dia 10 de Agosto, para onde o homem foi levado pela polícia, após não ter realizado o teste

testado, o homem recusou-se a esperar pelo resultado do exame, dando início às agressões.

“Repentinamente [o arguido] ficou emocionalmente desequilibrado durante a espera, insultou e empurrou várias vezes dois funcionários dos Serviços de Alfândega que, entretanto, o vieram aplacar e cuidar”, pode ler-se em comunicado. De seguida, ignorando os avisos das autoridades, o homem tentou fugir da zona de espera e “atacou dois funcionários que o impediram de cometer tal infracção”, provocando ferimentos na cara e da-

nos nos óculos a um deles. O residente é suspeito da prática dos crimes de resistência e coacção, injúria agravada, dano, e desobediência qualificada sendo puníveis, respectivamente, com pena de prisão de 4 meses e 15 dias a 5 anos ou com pena de multa, e em caso de cúmulo jurídico, até com a soma das penas aplicadas a cada um dos crimes em causa. P.A.

Transfusões Centro passa a ter serviços de vacinação

A partir de hoje, o Centro de Transfusões de Sangue passa a disponibilizar serviços de vacinação dedicados exclusivamente a dadores. Desta feita, para os dadores de sangue que não necessitem de pagar pela vacinação será disponibilizada apenas a vacina da Sinopharm, devendo os interessados deslocar-se ao Centro de Transfusões de Sangue, de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 18h00, sábado entre as 10h00 às 17h30 e domingo, entre as 11h00 às 16h30.

SSM APENAS 65% DE PESSOAL MÉDICO VACINADO

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coordenador do plano de vacinação, Tai Wa Hou revelou na passada sexta-feira que a taxa de vacinação entre os profissionais dos Serviços de Saúde é de cerca de 65 por cento. Segundo o responsável, o pessoal médico tem a responsabilidade e o dever de dar exemplo à população, assumindo a toma da vacina em primeiro lugar. “Os profissionais da linha da frente, especialmente os médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da área da saúde devem ser um exemplo para mostrar que a vacina é segura e eficaz para combater a covid-19. E também têm esse dever de serem os primeiros vacinados”, referiu Tai Wa Hou segundo o canal português da TDM-Rádio Macau. Ao mesmo tempo, o médico assegurou que a vacina não será obrigatória para o pessoal médico e que os profissionais com risco mais elevado de contágio serão submetidos a testes de ácido nucleico. Quanto à taxa de vacinação entre os profissionais de saúde dos Hospital Kiang Wu e Hospital Universitário do MUST, Tai Wa Hou apontou que é também de cerca de 65 por cento. Até às 16h00 de sexta-feira, a percentagem de vacinação em toda a população era de 44,2 por cento e a taxa de vacinação entre os funcionários públicos é de cerca de 40 por cento. Em termos de vacinas dadas, foram administradas 547.953 doses, num total de 302.079 pessoas vacinadas, das quais, 54.396 com a primeira dose e 247.683 pessoas com as duas doses da vacina. P.A.


segunda-feira 16.8.2021

Perante as incertezas que o novo surto de covid-19 colocou no início do novo ano lectivo, Lam Lon Wai defende a introdução de melhorias ao sistema “fragmentado” de ensino à distância da DSEDJ. Para o deputado, o organismo deve aprender com as boas práticas do Interior da China e disponibilizar mais recursos pedagógicos online a alunos e docentes

N LUSA | TATIANA LAGES

O seguimento das implicações que os novos casos de covid-19 começam a ter no início do próximo ano lectivo, o deputado Lam Lon Wai mostra-se preocupado com as lacunas do sistema de ensino à distância implementado nas escolas de Macau desde o

política 3

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EDUCAÇÃO LAM LON WAI QUER OPTIMIZAÇÃO DO ENSINO À DISTÂNCIA

Sem sair de casa

o Projecto Pedagógico sejam convidados para dar aulas ou responder às dúvidas dos alunos online”, detalhou.

A melhorar

Recorde-se que desde o final de 2020 as escolas de Macau têm à sua disposição uma plataforma online do universo WeChat desenvolvida pela Tencent, apelidada de WeCom que permite, não só a comunicação entre professores, funcionários, alunos e encarregados de educação, mas também a concretização do ensino à distância propriamente dito.

“Apesar de a DSEDJ ter preparado conteúdos e uma rede de recursos pedagógicos, o conteúdo é fragmentado e pouco sistemático.” LAM LON WAI DEPUTADO

final de 2020 pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). No imediato, e para evitar que os alunos sejam afectados por “problemas emocionais” e fiquem “viciados” na internet ou em videojogos, Lam Lon Wai defende que a DSEDJ deve disponibilizar mais recur-

sos de aprendizagem online. Isto, para que os alunos “continuem a estudar durante as férias de Verão” e se preparem para o próximo ano lectivo. Na possibilidade de o agravamento da situação epidémica ditar a preponderância do ensino à distância, Lam Lon Wai defende que o Governo deve pôr os olhos na platafor-

Zonas Vermelhas Sulu Sou pede melhorias nos testes

Sulu Sou interpelou o Governo sobre a necessidade de melhorar processos na testagem à covid-19 e na monitorização das zonas do território com código de saúde vermelho. “Como pode o Governo reforçar o seu apoio aos residentes das áreas com código de saúde vermelho, respondendo com precisão às suas questões e necessidades e prestando atenção à sua condição física e mental? Como preparar-se para uma eventual necessidade de aumento da área com código de saúde vermelho?”, questionou. “Alguns residentes das zonas com código de saúde vermelho queixam-se de apoio insuficiente, falta de informação e atraso na emissão dos certificados de isolamento”, apontou o deputado. Sulu Sou questiona também se será possível ter planos prévios para a possibilidade de se realizar outra testagem em massa, a fim de “reduzir as perturbações” registadas na primeira acção e “alcançar prevenção e controlo precisos”.

ma lançada pelo Ministério da Educação da China que disponibiliza gratuitamente aos alunos do ensino primário e secundário do Interior, “recursos de aprendizagem online de alta qualidade”. “Apesar de a DSEDJ ter preparado conteúdos e uma rede de recursos pedagógicos, o conteúdo é fragmen-

Entretenimento Ho Ion Sang quer reabertura de espaços

O deputado Ho Ion Sang exige que o Governo apresente datas de reabertura dos espaços de entretenimento após encerramento devido ao surto comunitário de covid-19. Segundo o jornal Ou Mun, o deputado lembrou que já foi decretado o fim o estado de prevenção imediata e que a testagem em massa da população não revelou qualquer caso positivo. Para Ho Ion Sang, a continuação do encerramento destes estabelecimentos pode fazer com que mais pequenas e médias empresas sofram um impacto negativo nos seus negócios.

tado e pouco sistemático”, pode ler-se numa interpelação escrita do deputado. “Esperando que a DSEDJ se empenhe mais na (…) diversificação e inovação do modelo de ensino online e, tendo em conta as experiências do Interior da China, sugiro que os docentes de Macau distinguidos com Prémios para

Subsídio a cuidadores IAS revê projecto em Novembro

O Instituto de Acção Social (IAS) vai rever o projecto piloto de atribuição de subsídio a cuidadores informais. A informação consta da resposta a uma interpelação escrita de Sulu Sou. “Em Novembro de 2021, o IAS, após a conclusão do projecto-piloto, vai proceder à revisão do mesmo através da experiência, nomeadamente no que concerne à apreciação de casos, o instrumento de avaliação, definição de critérios de avaliação económica e conteúdo concreto de prestação de cuidados.” Hon Wai, presidente do IAS, assegura ainda que “desde o lançamento desta política que não foi recebida nenhuma reclamação apresentada por requerentes”. Relativamente à criação de um centro de apoio a cuidadores na zona sul no final de 2020, e até Maio do corrente ano, foram prestados serviços de cuidados domiciliários, enfermagem e reabilitação para cerca de 270 utentes de serviço. Além disso, “o centro está também a desenvolver acções de apoio a cuidadores”, acrescentou o responsável.

Para Lam Lon Wai a plataforma disponibilizada pela DSEDJ tem “espaço para melhorias”, defendendo que o organismo deve continuar a recolher opiniões e sugestões das escolas, a comunicar com a empresa responsável pelo desenvolvimento da plataforma e ainda, a aperfeiçoar o modelo de ensino à distância entretanto implementado. Perante as incertezas impostas pelo novo surto de covid-19, o deputado questiona ainda o Governo sobre a forma como irá apoiar os alunos e docentes transfronteiriços num regresso às aulas sem problemas. Pedro Arede (com N.W.)


4 sociedade

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LGBT CASAL GAY DE CIDADÃOS DE TAIWAN E MACAU CASOU SEXTA-FEIRA

Até que a morte os separe Um casal homossexual composto por um cidadão de Taiwan e outro de Macau contraiu matrimónio em Taipé na sexta-feira, após vencer um processo histórico, que anulou a interdição a casamentos com estrangeiros de territórios onde o casamento ‘gay’ é ilegal. A Associação Arco-Íris de Macau destacou a importância do momento e felicitou o casal

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histórico nó está dado. Na sexta-feira, um residente de Macau e um cidadão de Taiwan casaram-se, oficializando o primeiro matrimónio entre um cidadão da Formosa e um estrangeiro natural de um território onde o casamento gay não é reconhecido legalmente, depois de uma intensa batalha judicial. Recorde-se que Taiwan tornou-se em Maio de 2019 o primeiro território da Ásia a legalizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. No entanto, a lei estipula que os taiwaneses podem casar com estrangeiros do mesmo sexo, desde que sejam provenientes de um país onde o casamento homossexual é também permitido. Ting Tse-yen e o seu parceiro, Leong Chin-fai, de Macau, intentaram uma acção judicial contra esta restrição e acabaram por ganhar o processo. A excepção atribuída pelo tribunal só se aplica ao casal, sendo que outros casais estrangeiros do mesmo sexo terão que abrir processos semelhantes. “Esta é uma primeira vitória. Outros casais estrangeiros ainda não podem casar-se e nós pedimos total reconhecimento”, disse Ting, de 29 anos. “Esperamos que isto torne o Governo ciente da necessidade de igualdade”, afirmou Leong, de 33 anos. A decisão que ordena ao Governo o registo do casamento entre pessoas do mesmo sexo foi proferida em Maio pelos tribunais.

Dois anos de noivado

A boa nova foi recebida com jubilo pela Associação Arco-Íris de Macau. Anthony Lam, que preside à associação de defesa dos direitos LGBT no território, afirmou que a notícia do matrimónio deixou todos os membros

Cheoc Van Quatro detidos depois de lancha atracar na praia

Os Serviços de Alfândega apanharam quatro homens que tentavam fugir à Polícia Marítima de Zhuhai, acabando por dirigir a lancha em que seguiam a alta velocidade para a Praia de Cheoc Van. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a embarcação foi detectada pelos Serviços de Alfândega através do sistema de monitorização da orla costeira, o que levou as autoridades a enviar para a área lanchas de patrulha e uma equipa de drones. Quando as autoridades chegaram à zona, os suspeitos estavam em fuga, mas com o auxílio da Polícia de Segurança Pública acabariam por ser detidos.

Administração Pública Edifício da Rua do Campo reabre hoje

da Arco-Íris “entusiasmados e animados”. “Tanto quanto sabemos, este foi o primeiro casamento do género em Taiwan, de natureza interjurisdicional entre pessoas do mesmo sexo”, acrescentou o activista. Reconhecendo que em Macau não foram feitos progressos em direcção à legalização do casamento

“O casamento é um direito humano básico e é inimaginável que, por ser originário de um determinado país, o parceiro seja discriminado.” VICTORIA HSU ADVOGADA DO CASAL

entre pessoas do mesmo sexo, a associação salienta que o casamento é um direito e uma opção pessoal. “Cada indivíduo tem a liberdade de escolher se quer casar, e ter o direito a fazê-lo quando desejar”, refere Anthony Lam. Além de salientar o marco histórico que representa o matrimónio entre Ting e Leong, por trazer para a ribalta casos de pessoas que estão em situação semelhante, a Associação Arco-Íris de Macau desejou ao casal “uma maravilhosa vida conjunta, repleta de amor”. Importa recordar que em 2019, os dois homens solicitaram que o seu casamento fosse registado, mas o pedido foi rejeitado. “Esperámos dois anos e finalmente podemos casar-nos”, disse Ting.

O casal foi co-fundador de uma associação que visa ajudar mais de 100 taiwaneses cujos parceiros vêm de países onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é legal, incluindo a China continental, o Japão, a Tailândia e o Vietname. “O casamento é um direito humano básico e é inimaginável que, por ser originário de um determinado país, o parceiro seja discriminado”, disse a advogada do casal, Victoria Hsu. A ilha está na vanguarda dos direitos dos homossexuais. Em 2019, 200.000 pessoas participaram da Marcha do Orgulho de Taipé para celebrar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Desde a entrada em vigor da lei, cerca de 6.000 casais oficializaram a sua união.

Após a limpeza e desinfecção, o Edifício Administração Pública, na Rua do Campo, “está em condições de retomar integralmente o seu funcionamento interno”, com os serviços a serem retomados a partir de hoje. A Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça especifica que o “2.º Cartório Notarial, pela Conservatória do Registo Civil, pela Conservatória do Registo Predial e a Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis” voltam a estar abertos ao público. O edifício foi encerrado na passada quinta-feira, depois de ter sido tornado público que um doente diagnosticado com covid-19 foi ao 2.º Cartório Notarial, no 3.º andar do edifício. Como tal, o Instituto para os Assuntos Municipais mandou uma empresa especializada proceder à limpeza e desinfecção integral do edifício e aos Serviços de Saúde submeteram todos os trabalhadores que trabalham no edifício a teste de ácido nucleico.

Cultura FRC e IPOR assinaram memorando

A Fundação Rui Cunha (FRC) assinou na última quarta-feira um memorando de entendimento com o Instituto Português do Oriente (IPOR) “com vista à cooperação em projectos futuros, designadamente actividades culturais e formativas, que conduzam à valorização da sociedade de Macau na sua diversidade e ao reforço do diálogo cultural entre os povos da China e dos países de língua portuguesa”. O memorando visa dar início à “realização de cursos de formação, projectos de investigação, produção de materiais didácticos, acesso a bibliotecas e centros de documentação, promoção de actividades conjuntas, entre outras possibilidades”. Este acordo tem a duração de três anos.


segunda-feira 16.8.2021

sociedade 5

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IC Obras na Fortaleza da Nª Sra. Da Guia começam hoje

Arrancam hoje as obras de renovação da parede e manutenção dos pavimentos da Fortaleza da Nª Sra. da Guia. Segundo uma nota de imprensa do Instituto Cultural, “o prazo de execução da obra é de cerca de 100 dias, prevendo-se a sua conclusão em meados de Novembro”. Além disso, serão anunciadas “em tempo oportuno” as datas de reabertura da Fortaleza, da Capela de N.ª Sr.ª das Neves e do Farol, que se encontram temporariamente encerrados ao público devido à pandemia.

Economia Associação diminui previsão de prosperidade

O último relatório da Associação Económica de Macau que traça a previsão de crescimento económico e do índice de prosperidade no território reviu em baixa as estimativas para o período entre Agosto e Outubro. Segundo o jornal Ou Mun, a associação deu uma pontuação para o período entre Agosto e Outubro que coloca a economia local num nível “mau”, atribuindo o resultado à variante Delta do coronavírus, que continua em expansão global, incluindo no Interior da China. Face à forte possibilidade de aplicar mais restrições transfronteiriças, a economia local pode sofrer devido à dependência de visitantes do Interior da China. Por outro lado, a Associação Económica de Macau apontou que os quatro casos locais de covid-19 tiveram maior impacto na recuperação económica do que o verificado entre Maio e Junho quando a circulação com Guangdong foi afectada devido à descoberta de casos positivos na província vizinha.

AMCM Reservas cambiais aumentam 0,1 por cento entre Junho e Julho

Dados da Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelam que as reservas cambiais da RAEM foram de 209,9 mil milhões de patacas em Julho, valor que representou um aumento de 0,1 por cento face a Junho, quando as reservas cambiais chegaram a 209,8 mil milhões de patacas. No final de Julho as reservas cambiais registaram cerca de 11 vezes em relação à circulação monetária, aponta uma nota de imprensa. Quanto à taxa de câmbio efectiva da pataca, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 103,3 em Julho, um crescimento de 0,85 pontos e quebra de 3,92 pontos, respectivamente, sobre os dados do mês anterior e relativos a Julho de 2020. A AMCM assegura que tais dados implicam que “globalmente a pataca tenha subido mensalmente face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau”, embora tenha registado uma quebra anual.

APOSTAS DESPORTIVAS ADVOGADOS DEFENDEM NOVA LEGISLAÇÃO

Os outros jogos

Os advogados Pedro Cortés e Luís Machado defendem, num artigo publicado no portal Lexology, que Macau deve ter um novo quadro regulatório sobre apostas desportivas, que possibilite a entrada no sector de mais operadoras e crie uma nova fonte de receitas de jogo

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S autoridades de Macau devem rever a legislação relativa às apostas desportivas. É esta a ideia deixada pelos advogados Pedro Cortés e Luís Machado no artigo “Sports betting in Macau – opportunity to change the games” [Apostas desportivas em Macau - oportunidade para alterar os jogos], publicado no portal Lexology. “Os recentes desenvolvimentos no mercado de apostas desportivas em todo o mundo, especialmente nos EUA, podem ter impacto no que deveria ser a diversificação das oportunidades de jogo disponibilizadas pelas operadoras de jogo de Macau”, pode ler-se. Os autores do artigo defendem que as operadoras têm feito uma “sensata interpretação” da lei em vigor, destacando o exemplo do

campeonato do mundo da FIFA em 1998. “É agora tempo de introduzir uma nova lei e rever a actual legislação das apostas desportivas, expandido o número de operadoras bem como os desportos onde as apostas são permitidas.” Desta forma, “uma nova política” e também “um novo regime legal” podem “prevenir os residentes e turistas de Macau de apostarem em plataformas legais estrangeiras e ilegais”. Numa altura em que o sector do jogo enfrenta o problema da quebra de receitas devido à

pandemia, que afastou visitantes do território, Pedro Cortés e Luís Machado acreditam que as apostas desportivas podem “constituir uma nova fonte de receitas para a região, diversificado o mercado de jogo e, de certa forma, trazer novos tipos de negócios a Macau, incluindo empresas de tecnologia (um mercado com crescimento expectável nos próximos anos)”.

Fracas receitas

O artigo, publicado na quinta-feira, recorda o facto de o segmento das apostas desportivas

“Apesar de estes valores poderem parecer insignificantes, comparando com os obtidos pelos jogos de casinos, as apostas desportivas não foram afectadas pela pandemia da mesma forma que foram os casinos.”

no território representar uma fatia “insignificante” no “bolo” das receitas do jogo. No ano passado, as apostas em jogos de futebol e basquetebol registaram apenas 543 milhões de patacas, enquanto que no primeiro trimestre deste ano foram de 151 milhões. No entanto, destacam os autores, as quantias envolvidas nestas apostas “foram mais significativas”, ou seja, 5,731 milhões de patacas no ano passado e 1,725 milhões nos primeiros três meses deste ano. Os advogados recordam também que a pandemia acabou por causar um impacto menos significativo nesta área. “Apesar de estes valores poderem parecer insignificantes, comparando com os obtidos pelos jogos de casinos, as apostas desportivas não foram afectadas pela pandemia da mesma forma que foram os casinos”. Os juristas referem também a última revisão contratual entre o Governo e a concessionária Macau Slot Co Ltd., que entrou em vigor no passado dia 6 de Junho, e que introduziu “um desenvolvimento importante - a alteração de um modelo exclusivo de concessão, operado por uma única entidade, para um modelo de concessão que permite mais do que uma concessionária nas lotarias desportivas”. O primeiro contrato firmado com a Macau Slot data de 1989 sendo que, em 1998, aquando do campeonato do mundo de futebol, a concessionária conseguiu autorização para explorar apostas desportivas nesse segmento. Andreia Sofia Silva


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16.8.2021 segunda-feira

Esboços além-fr DESIGN EXPOSIÇÃO EM LISBOA REVELA PROJECTOS LOCAIS FEITOS NOS ÚLTIMOS 20 ANOS

“Here and There” [Aqui sição que estará patente ano na Roca Lisboa Gal James Chu e Emanuel B trabalhos de marcas e em arquitectura e ao design nes Lab, Soda Panda ou entre outras

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evolução do design feito em Macau nos últimos 20 anos pode agora ser vista em Lisboa no espaço Roca Lisboa Gallery. “Here and There” [Aqui e Ali] é o nome da mostra que, ao mesmo tempo, celebra os 35 anos de existência da Associação de Design de Macau, fundada pelo artista macaense António Conceição Júnior e actualmente presidida por Chao Sio Leong. A mostra conta com a curadoria de Emanuel Barbosa, da Associação Cultural Portuguesa (ACPT) e James Chu, director do Macau Design Center, duas entidades que há muito colaboram uma com a outra. Ao HM, Emanuel Barbosa falou de uma mostra “eclética” onde entram nomes como a Lines Lab, ligada ao design de moda, Soda Panda, LBA - Architecture & Planning, atelier de arquitectura de Rui Leão e Carlotta Bruni, entre outras entidades. “É uma selecção muito eclética porque mostra um bocado de tudo. É uma representação muito grande dos sócios das empresas e da asso-

CINEMA FESTIVAL DE LOCARNO PREMEIA REALIZADOR ABEL FERRARA E UMA COMÉDIA ASIÁTICA

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MA comédia asiática coproduzida pela Indonésia, Singapura e Alemanha e o cineasta norte-americano Abel Ferrara foram os grandes vencedores da 74.º edição do Festival de Cinema de Locarno, que terminou sábado na Suíça, que também distinguiu uma curta-metragem brasileira. O galardão Leopardo de Ouro foi atribuído à co-

média “Vengeance is Mine, All Others Pay Cash”, obra assinada por Edwin, um dos cineastas mais reconhecidos na Indonésia. Segundo o júri do certame, a comédia premiada “regressa aos filmes de acção das décadas de 80 e 90" e "explora o masculino e o feminino num mundo machista". Outro dos principais galardões do festival, o prémio

para melhor realizador, foi atribuído ao cineasta norte-americano Abel Ferrara pela obra “Zeros and Ones”, uma coprodução da Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos da América. “O cinema mantém-nos jovens e livres, é uma poderosa ferramenta quando a usas com boas intenções”, afirmou Abel Ferrara, presente em Locarno, ao receber o prémio.

O filme chinês "Jiaoma tanghui" (“A New Old Play”, na tradução em inglês), de Qiu Jongjiong e coproduzido por Hong Kong e França, arrecadou o prémio especial do júri. No palmarés do festival destaque ainda para a obra do brasileiro Leonardo Martinelli “Fantasma Néon”, que foi distinguido com o prémio Leopardo de Ouro

para a melhor curta-metragem internacional. Na programação e a concurso no festival, que começou no passado dia 4 de Agosto, constavam vários portugueses, como o realizador Samuel Barbosa que estreou em Locarno o documentário "A Távola de Rocha". "Hotel Royal", de Salomé Lamas, no concurso de 'curtas' de autor da secção "Pardo

di domani" ("Leopardo de Amanhã"), e a trilogia "Pathos Ethos Logos", com mais de dez horas de duração, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, fora de competição, foram os outros nomes nacionais presentes no certame, cuja 75.ª edição será realizada entre 3 e 13 de Agosto de 2022. A actriz Leonor Silveira estava entre os jurados da competição internacional.


segunda-feira 16.8.2021

ronteiras

e Ali] é o nome da expoe até Janeiro do próximo llery. Com curadoria de Barbosa, a mostra revela mpresas locais ligadas à n, como é o caso da Liu Macau Design Center, ciação. Cobre arquitectura, design de interiores, de produto, design gráfico, multimédia. [A exposição] é interessante por causa disso”, disse. A primeira vez que os designers de Macau viram o seu trabalho exposto em Portugal foi em 2019 na Casa do Design de Matosinhos, no norte do país. Mas agora impôs-se a necessidade de expor na capital portuguesa. Se no início o design local contava com inspiração portuguesa, as

“É sempre importante manter a troca cultural entre Macau e Portugal, e através do design conseguimos encontrar ainda influências da cultura portuguesa, o que faz com o que nosso design seja diferente.” JAMES CHU CURADOR

Zeros and Ones

coisas mudaram muito nos últimos anos, confessa Emanuel Barbosa. “Nota-se uma evolução muito grande. Com o mercado chinês, e também [devido à proximidade] com Hong Kong, os estúdios de Macau estão com muito trabalho e com uma dinâmica enorme, por isso é importante vermos em Portugal esse crescimento. Há 20 anos o design em Macau era muito influenciado pelo que se passava em Portugal. Agora já não é o caso, e isso torna a exposição muito interessante.” Para Emanuel Barbosa, o design feito no território apresenta características muito próprias, graças a esta mistura de culturas de que Macau é feito. “As influências são as mesmas um pouco por todo o mundo, mas estando Macau tão próximo da China nota-se que o trabalho desenvolvido é muito próprio, porque nem é design chinês nem é aquele que costumamos ver no mundo ocidental. Faz uma ponte entre as duas coisas.”

Que futuro?

eventos 7

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James Chu adiantou que a preparação para esta exposição teve início em 2019, por ocasião do 20º aniversário de transferência de soberania de Macau, mas a pandemia fez adiar o projecto para este ano. “Com o apoio do Instituto Cultural queríamos ter a oportunidade de mostrar o design feito nos últimos 20 anos em Portugal. Como curador posso dizer que é sempre importante manter a troca cultural entre Macau e Portugal, e através do design conseguimos encontrar ainda influências da cultura portuguesa, o que faz com o que nosso design seja diferente daquele que é feito noutras cidades chinesas.”

“Com o mercado chinês, e também [devido à proximidade] com Hong Kong, os estúdios de Macau estão com muito trabalho e com uma dinâmica enorme.” EMANUEL BARBOSA CURADOR

Além de olhar para o passado, esta mostra quer também perspectivar o futuro e o caminho que os designers locais ainda têm de percorrer. Para James Chu, esta “não é uma questão para ser pensada apenas pelos designers, mas também para merecer a atenção do Governo, educadores e políticos. Não tenho uma resposta, mas acredito que eles tenham as suas próprias opiniões”, frisou. Citado no catálogo da exposição, Chao Sio Leong, presidente da Associação de Design de Macau, lembrou que esta iniciativa contém “trabalhos representativos das empresas de design de Macau nos últimos vinte anos”. “Portugal é o berço da cultura, arte e vida de Macau que se integra com harmoniosamente a cultura nativa tradicional Chinesa. Esta é a vantagem diferenciadora de Macau e fazemos questão de continuar perto dos nossos amigos portugueses para partilhar as nossas conquistas”, acrescentou. A exposição abriu portas no passado dia 29 de Julho e estará patente até Janeiro do próximo ano. Andreia Sofia Silva

Vengeance is Mine, All Others Pay Cash

Do bairro social aos palcos mundiais

Lura celebra vinte e cinco anos de uma carreira feliz

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cantora Lura comemora este ano 25 anos de uma carreira que a levou de um bairro social aos principais palcos mundiais, sempre com “o amor, a força da mulher e o respeito” como fontes de inspiração. No palco “mágico” do lisboeta Chapitô, onde Lura cantou pela primeira vez, vestindo “um macacão amarelo-torrado e sem noção do que podia acontecer”, a cantora de origem cabo-verdiana partilhou as memórias deste quarto de século que passou “a correr” e durante o qual aprendeu, inovou e cresceu. Em entrevista à agência Lusa, recordou os primeiros tempos em que trocou o certo de uma vida académica pelo incerto da vida de artista, para receio da família que, no entanto, sempre a apoiou, como faz questão de sublinhar. O percurso começou no bairro social de Outurela, concelho de Oeiras, onde o “dom” da sua voz deu as voltas a um destino que a condenava a não ir a lado nenhum e que a levou a dar a volta ao mundo, a cantar. “Eu tenho uma história, da qual me orgulho, que é o facto de eu ter vindo de um bairro social e eu penso que é o que é mais marcante na minha carreira, na minha vida e na minha pessoa”, referiu. E acrescentou: “Sou a primeira filha de uma mãe que criou quatro filhos sozinha, com imensas dificuldades, sempre com muita humildade e que, de repente, tenho o dom da voz e esta voz leva-me ao mundo”. Lura quer que o seu percurso seja um exemplo e encoraje os jovens de bairros sociais, ou não: “Às vezes, pessoas que têm tudo para dar certo não dão por vários motivos e, de repente, uma pessoa que à partida não iria a lado nenhum, vai longe. E para mim foi muito longe e espero ainda ir mais além. Foi fantástico, as portas que se foram abrindo por causa deste

dom que descobri, mas também muito trabalho e persistência”. O seu dom, que surpreendeu o mundo musical ao cantar, aos 21 anos, a canção “Nha Vida” (“Minha Vida”), em 1996, encantou Cesária Évora, com quem Lura viria a cantar uma música de sua autoria – “Moda Bô” (“Como Tu”, em crioulo). Lura nunca mais parou desde então, pisando palcos em todos os continentes, fazendo duetos e arriscando sonoridades, ao mesmo tempo que se apaixonava pela terra que sempre conheceu, sem nunca ter conhecido: Cabo Verde. “Estar em Cabo Verde foi um turbilhão de sentimentos. Deixei de ter aquela visão apenas romântica sobre Cabo Verde e passei a conhecer um país real, uma cidade real [Praia, ilha de Santiago] e passei a conhecer a realidade de Cabo Verde. Fiquei ainda mais apaixonada pela mulher, pela força da mulher cabo-verdiana, pelas capacidades dela junto da família e do papel que ela tem na família e na sociedade, obviamente”, traduzidos na canção “Maria Di Lida”. Em Cabo Verde, prosseguiu, “é tudo muito mais intenso e mais pequeno” “Mal saía à rua, é como se estivesse no palco (…). Vamos à inauguração de uma exposição e está lá toda a gente. À noite, vamos tomar um copo e está lá toda a gente”, contou.

Festa no Coliseu

“Tentei sempre realizar os principais sonhos, que era cantar, transmitir alegria, dar o meu melhor em palco e ter alguma conexão com as pessoas, com o público. E fui feliz nesta descoberta, neste processo criativo, aprendendo com os erros e com a vida”. Fiel ao que desde sempre a tem inspirado – o amor, a força da mulher e o respeito pelo próximo –, Lura promete continuar a arriscar na música, tal como no funaná “Alguém di Alguém” (2018), em que juntou sonoridades electrónicas, a par dos tradicionais ferro e gaita. Com um novo álbum a caminho, Lura tem utilizado os meios digitais para ir desvendando um pouco o véu do novo trabalho e dessa forma revelou que o batuco estará presente. A festa dos 25 anos de carreira será feita no Coliseu dos Recreios de Lisboa, com um espectáculo a 12 de novembro, que marcará também o regresso da artista aos palcos para matar as saudades, que já são “muitas”.


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DEFESA RÚSSIA QUER EXPANDIR COOPERAÇÃO MILITAR COM A CHINA

Encosta-te a mim O ministro da Defesa russo saudou sexta-feira a realização de exercícios militares conjuntos com a China, considerando tratar-se de um sinal da cooperação cada vez mais estreita entre as forças armadas dos dois países. “Atingimos um elevado nível de cooperação entre as nossas forças armadas em terra, no ar e no mar. Expandi-la é uma parte importante das nossas actividades futuras”, disse Sergei Shoigu num encontro com o seu homólogo chinês, Wei Fenghe, citado pela agência EFE. Shoigu deslocou-se à China para assistir ao encerramento dos exercícios militares conjuntos, que decorreram na Região Autónoma de Ningxia (Noroeste). A Rússia enviou para a China caças Su-30SM e uma unidade de infantaria motorizada para os exercícios militares conjuntos. Shoigu assinalou que esta foi a primeira vez que tropas russas participaram em exercícios conjuntos em território chinês, o que disse reflectir um “novo nível” de cooperação militar, em benefício da estabilidade regional e global. Numa declaração sobre o exercício, o Ministério da Defesa russo citou Wei Fenghe a dizer que a iniciativa visou aumentar a capa-

ANA MARIA NORONHA Falecimento A família de Ana Maria Noronha, filha de Luíz Libanio Noronha e Jacinta da Silva Noronha tem o penoso dever de informar que esta sua ente querida faleceu no dia 12 de Agosto de 2021 no Centro Hospitalar Conde de São Januário após uma prolongada e dolorosa enfermidade. Deixou os pais, irmãos, cunhadas e sobrinhos. Mais se comunica que o velório terá lugar na Capela da Casa Mortuária Diocesana de Macau no dia 19 de Agosto de 2021 (Quinta-feira), devendo ser celebrada uma missa de corpo presente pelas 20:00 horas do mesmo dia. No dia seguinte, 20 de Agosto de 2021 (Sexta-feira) será também rezada uma missa, pelas 11:00 horas, na mesma Capela da Casa Mortuária Diocesana de Macau, seguindo o corpo para a China onde decorrerá a cremação. A família enlutada agradece penhorada e antecipadamente a todos que queiram estar presentes nesses piedosos actos.

SHENYANG CHEFE DA POLÍCIA ATINGIDO POR CAMPANHA ANTICORRUPÇÃO

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Sergei Shoigu, ministro da Defesa russo “Atingimos um elevado nível de cooperação entre as nossas forças armadas em terra, no ar e no mar. Expandi-la é uma parte importante das nossas actividades futuras.”

cidade de “responder conjuntamente aos riscos e desafios”, e não era dirigida contra nenhum país terceiro.ARússia e a China realizaram uma série de exercícios nos últimos anos, incluindo com aviões de combate e navios de guerra. Em Dezembro de 2020, bombardeiros russos e chineses de longo alcance realizaram uma missão de patrulha conjunta sobre os mares do Japão e da China Oriental. A região onde decorreram os exercícios desta semana localiza-se a leste de Xinjiang, onde a China foi acusada de ter detido mais de um milhão de uigures e membros de outras minorias muçulmanas, no âmbito de uma campanha que Pequim afirma ser contra o terrorismo e o extremismo.

Laços pessoais

Xinjiang partilha uma fronteira de menos de uma centena de quilómetros de extensão com o Afeganistão, onde os rebeldes talibãs assumiram o controlo de grande parte do

território na sequência da retirada das tropas norte-americanas. A Rússia tem procurado expandir os laços com a China à medida que as suas relações com o Ocidente se têm deteriorado por questões como a anexação da Crimeia, na Ucrânia, em 2014, ou acusações de ataques de pirataria russa e interferência em eleições. O Presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, desenvolveram fortes laços pessoais para reforçar uma “parceria estratégica” entre os antigos rivais comunistas, uma vez que tanto Moscovo como Pequim enfrentam tensões crescentes com o Ocidente. Apesar de a Rússia e a China terem sempre rejeitado a possibilidade de uma aliança militar, Putin disse, no Outono passado, que tal perspectiva não podia ser totalmente descartada. Putin observou também, em Outubro, que a Rússia tem partilhado tecnologias militares altamente sensíveis com a China que ajudaram a reforçar significativamente a sua capacidade de defesa.

chefe da polícia da cidade de Shenyang, nordeste da China, foi colocado sob investigação, anunciou sexta-feira o Partido Comunista Chinês, referindo-se a mais um alto quadro a ser atingido pela campanha anticorrupção do Presidente Xi Jinping. A Comissão Central de Inspeção e Disciplina, órgão anticorrupção do Partido, disse, em comunicado, que Yang Jianjun, que é também vice-presidente da câmara da cidade, é suspeito de cometer “graves violações da disciplina e da lei”, os termos oficiais usados em casos de corrupção na China. A mesma nota disse que Yang está a cooperar com os investigadores, mas não deu detalhes. Com cerca de 9 milhões de habitantes, Shenyang é um importante centro da indústria pesada chinesa, mas, como grande parte do nordeste da China, entrou em declínio à medida que cidades costeiras, como Xangai e Shenzhen, se transformaram em centros de finanças e alta tecnologia. A cidade já foi conhecida pelo crime organizado, inclusive durante os anos em que Yang ocupou vários cargos de segurança pública na província de Liaoning, da qual Shenyang é capital. A província também foi anteriormente uma base de poder para Bo Xilai, um antigo rival de Xi Jinping, e que foi condenado à prisão perpétua por acusações de corrupção, em 2013, no maior escândalo político da China em décadas. O incidente de Bo incluiu a condenação da sua mulher e de um ex-alto cargo da polícia de Liaoning.

HONG KONG COLIGAÇÃO QUE PROMOVEU PROTESTOS ANUNCIA DISSOLUÇÃO

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Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH), uma coligação que promoveu os grandes protestos pró-democracia em Hong Kong em 2019, anunciou ontem a dissolução do movimento, justificada pela repressão das autoridades contra a contestação. “A sociedade civil enfrenta desafios

de uma dificuldade sem precedentes”, disse o movimento em comunicado. Fundada em 2002 e defendendo a não-violência, a CHRF esteve na organização dos maiores

protestos em Hong Kong, incluindo os de 2019 que, por vezes, reuniram mais de um milhão de pessoas na cidade de 7,3 milhões. As manifestações, por vezes violentas, levaram Pequim a agir, para recuperar o controlo da cidade. A maioria dos ativistas da CHRF foram detidos e encarcerados, incluindo os

antigos líderes da CHRF Jimmy Sham e Figo Chan. Cerca de 30 outras organizações da sociedade civil já se dissolveram, de acordo com uma contagem feita pela agência de notícias France-Presse (AFP). Foi o que aconteceu a 10 de Agosto com o maior sindicato de Hong Kong, o Sindicato dos Professores

Profissionais, com 95.000 membros, que também tinha desempenhado um papel importante no movimento pró-democracia. Alguns dias antes, os meios de comunicação estatais chineses tinham publicado artigos sobre o sindicato, chamando-lhe um “tumor maligno que deve ser removido”.


segunda-feira 16.8.2021

JOSÉ SIMÕES MORAIS

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Aviso de incêndio por telefone

Durante muitos anos fomos colectando pelos jornais as notícias sobre os incêndios em Macau, mas nunca apareceram outros avisos senão os dos sinos e os dos dois tiros seguidos de pólvora seca provenientes da Fortaleza do Monte. Assim acreditámos serem estes os únicos meios de alerta da população até que, a 12 de Novembro de 1916 n’ O Progresso, um artigo com o título O Sinal de Incêndio escrito por um assinante deste jornal nos alertou para a existência de outro aviso, mas como esse não ecoava pela cidade nunca era referido. Ainda a 10 de Setembro esse jornal referia: <o telefone do subúrbio da Areia Preta não funciona como reclamam os habitantes daquele subúrbio. Se um dia acontecer alguma desgraça, por falta de comunicações rápidas...>; não entendemos onde queria chegar. Mas ao ler O Sinal de Incêndio: “Como se sabe, a maior parte da população de Macau é chinesa e entre ela lavra grande descontentamento por não se fazer na Fortaleza do Monte o sinal de incêndio como era costume. Eles querem saber quando há incêndio e qual o local, a fim de ali correr e observar, pois estão convencidos de que, pelo actual sistema, os incêndios não têm pronto socorro e as casas ardem com grande prejuízo dos haveres dos seus proprietários. Dizem eles e com razão, que os telefones nem sempre funcionam bem, principalmente em tempo de humidade, havendo mesmo ocasiões em que não respondem ao aviso nem à pergunta e por isso, a notícia do incêndio não pode ser tão rápida como os tiros na Fortaleza do Monte, que estando no centro da cidade e em ponto elevado domina toda a cidade e dá por isso, com maior rapidez conhecimento a todos do incêndio e do local; desta falta resulta a convicção de que ardem muitas casas sem o devido socorro. Quem restabelecer, pois, o antigo sinal de incêndios, conquistará a simpatia da população chinesa e de parte do resto dos seus habitantes, por saberem que a notícia é mais rápida não só do incêndio como da sua localização, com o sinal de tiros no Monte.” Ainda a 12 de Novembro, o jornal referia um estudo para o estabelecimento de uma rede telefónica em Macau destinada apenas aos estabelecimentos militares e das estações policiais e de incêndios, mas para as repartições públicas continua tudo como dantes. O Progresso a 26 de Novembro

congratulava-se: “Consta-nos que foi restabelecido o antigo costume de dar sinal de incêndio por meio de tiros na fortaleza do Monte”, terminando assim o conflito entre Governo e população chinesa. TARDIO SINAL O telefone (电话, electricidade – falar, Tin-vá em cantonense) foi inventado por volta de 1860 por António Meucci, e usado apenas dentro de sua casa. Mais tarde, em 1870 vendeu o aparelho a Alexander Graham Bell, que o patenteou a 14 de Janeiro de 1876 nos Estados Unidos da América. Um ano depois aparecia já em Portugal e a primeira rede de

ESTES PRÉMIOS DE SEIS PATACAS PARA A PRIMEIRA BOMBA A CHEGAR AO LOCAL DE INCÊNDIO E DE QUATRO PATACAS PARA A SEGUNDA TIVERAM ORIGEM, REFERE GONZAGA GOMES, NUMA PRÁTICA ANTIGA, SEGUNDO A QUAL A BOMBA QUE CHEGASSE PRIMEIRO <RECEBIA, COMO RECOMPENSA, UM MAGNÍFICO LEITÃO ASSADO E DOIS ALMUDES DA MELHOR AGUARDENTE CHINESA, CUSTEADOS ENTRE OS MORADORES DA RUA VITIMADA PELO SINISTRO>

telefones pública foi inaugurada em Lisboa a 26 de Abril de 1882, data em que na China a Great Northern Telegrafh Company da Dinamarca criou para Xangai a primeira rede de telefones manuais. Em Macau é publicado o Regulamento geral para o serviço da linha telefónica a 2 de Outubro de 1887 assinado pelo Governador Firmino José da Costa e logo no Boletim da Província de Macau e Timor de 10 de Novembro de 1887 o bacharel António Marques de Oliveira, procurador dos negócios sínicos e administrador da comunidade chinesa, referia em Edital: “Tendo S. Exa. o Governador da província adoptado convenientes providências, para que os sinais de incêndio, sejam feitos com prontidão, aproveitando-se para os avisos o vantajoso serviço da rede telefónica; e convindo que todos os habitantes da cidade tenham conhecimento dos locais em que há estações telefónicas, a fim de poderem, logo que tenham notícia de se manifestar qualquer incêndio ir aí dar parte, como é de esperar que não deixe de fazer todo o indivíduo dotado de sentimentos benfazejos, ao menos, quando não encontre guarda, patrulha, oficial de diligências administrativo, ou china de quarto, para os quais este serviço é obrigatório: por isso faço público que as estações telefónicas são as seguintes: Quartel de Santo Agostinho (estação central), Palácio do Governo, Quartel dos Mouros, Quartel da Flora, Quartel de S. Francisco, Portas do Cerco (no quartel do destacamento), Monte (na fortaleza desse nome), fortalezas da Guia, Bomparto e Barra e Capitania do Porto. Macau, 2/11/1887”. Na mesma página aparecia o Edital de Leôncio Alfredo Ferreira, administrador do concelho de Macau, a referir: “Por ordem superior, faço saber: Que tendo sido sempre tardio o sinal dado pela fortaleza do Monte, por ocasião de incêndios na cidade e seus subúrbios, são por isso avisados todos os moradores deste concelho, que, logo que tenham conhecimento de qualquer incêndio, o comuniquem à primeira patrulha que encontrarem, ou o

participem à estação policial, ou telefónica mais próxima”. No Boletim da Província de 8 de Dezembro de 1887 lê-se, vir a Inspecção de Incêndios de Macau <participar que no dia 3 do corrente pelas 4h 15’ da tarde, a Fortaleza do Monte deu o sinal de incêndio e indicou o bairro de S. Lourenço, por aviso telefónico recebido da estação central. Compareceram doze bombas e ganharam o prémio, a do chinês Vong-Yeng-Tac-Tom e a da Inspecção dos Incêndios em segundo lugar>. Estes prémios de seis patacas para a primeira bomba a chegar ao local de incêndio e de quatro patacas para a segunda tiveram origem, refere Gonzaga Gomes, numa prática antiga, segundo a qual a bomba que chegasse primeiro <recebia, como recompensa, um magnífico leitão assado e dois almudes da melhor aguardente chinesa, custeados entre os moradores da rua vitimada pelo sinistro>. Ainda antes da chegada a Macau de Abreu Nunes, registou-se a 15 de Novembro de 1893 um incêndio que deflagrou no Bairro de S. Domingos; as casas queimadas foram 17, além de quatro alpendres com 99 divisões, que serviam de açougue, ardendo o Mercado de S. Domingos. Era inspector dos incêndios o Sr. Pessoa e provou-se não estarem os serviços de incêndio devidamente organizados e o material muito deteriorado pois, as mangueiras deitavam esguichos por vários pontos, perdendo-se muita água. Sobre os primórdios dos Bombeiros em Macau, assunto aqui tratado há já alguns artigos, muito fica por escrever, restando por agora prestar homenagem a estes beneméritos lutadores que, nas palavras de Carvalho e Rego, “para salvar os seus semelhantes se sacrificam heroicamente expondo por vezes a própria vida contra a força e violência dos terríveis elementos.” Não só no combate aos incêndios, como no socorro em casos de sinistro “o bombeiro acode; lá o vemos na derrocada, nas ruínas que o desmoronamento produziu soterrando em seus escombros pobres vítimas.” Percebíamos agora o silêncio nos jornais sobre o aviso de incêndio feito por telefone desde 1887, pois apenas por via interna era comunicado e assim, não escutado pela população e jornalistas em Macau e daí ficar sem ser noticiado a existência deste silencioso meio.


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“THE MEYEROWITZ STORIES” | NOAH BAUMBACH

Esta comédia dramática é a panaceia ideal para quem tem saudades dos velhos filmes de Woody Allen. Realizada por Noah Baumbach e com um elenco de luxo, encabeçado por Dustin Hoffman, Adam Sandler, Ben Stiller, Elizabeth Marvel e Emma Thompson, “The Meyerowitz Stories” é um filme profundamente familiar e nova-iorquino. Com a narrativa a circular em torno da personagem do patriarca, um esquecido guru artístico protagonizado por Dustin Hoffman, “The Meyerowitz Stories” é um divertido e comovente somatório de traumas familiares reprimidas, que encontram libertação num problema de saúde. João Luz

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André Namora

CASA DE MACAU PARECE ABANDONADA

QUANDO A revolução do 25 de Abril de 1974 veio para rua festejar a liberdade que não se sentia há cerca de quarenta anos, passei pelo largo do Príncipe Real, em Lisboa, e vi uns rapazolas, para não lhes chamar uns nomes muito feios, que atiravam para a rua o mobiliário e outros bens da Casa de Macau. Um absurdo que nada tinha a ver com a revolução que se vivia no país, onde a hora era de festejo. Alguns desses rapazolas, em vez de serem presos, foram para Macau e nunca mais ouvi falar deles, mas tenho os seus nomes na minha agenda. Pensei que a Casa de Macau tinha terminado os seus dias de convívio e de acções culturais que promoviam o nome da comunidade macaense. Mas, há dias, ao visitar Lisboa, passei pela avenida do aeroporto e vi uma vivenda linda que tinha um letreiro junto do portão de entrada que dizia “Casa de Macau”. Fui investigar que imóvel era aquele? Qual não foi o meu espanto quando me disseram que aquela vivenda luxuosa estava praticamente abandonada depois de ter sido adquirida pelo Governo de Macau, durante a última administração portuguesa chefiada pelo general Vasco Rocha Vieira. Disseram-me que vieram muitos milhões de euros de Macau para que o imóvel ficasse a pertencer à comunidade macaense residente em Portugal. A vivenda transformada em Casa de Macau parece que abriu as portas para uns almoços com um número ínfimo de sócios, a maioria composta por senhoras macaenses já de certa idade. Que a Casa de Macau nunca procurou contactar com muitas famílias macaenses e com cidadãos que

continuam a amar e a ter saudades de Macau pelos anos que lá viveram. Ora, uma atitude de gestão desse tipo devia levar à imediata demissão. Na pesquisa que realizei sobre uma instituição que devia ser acarinhada e promovida na sociedade portuguesa, como é a Casa de Macau, informaram-me que presentemente o presidente da instituição é um senhor chamado Faustino que esteve no Turismo em Macau e na delegação de Macau sob administração chinesa que desenvolveu a sua actividade na avenida 5 de Outubro, em Lisboa. Pois, o senhor Faustino devia imediatamente realizar um levantamento exaustivo das pessoas que nasceram e viveram em Macau. Procurar realizar um inventário que o levasse a convidar toda essa gente para sócios da Casa de Macau. E a partir daí, pensar na dinamização do nome de Macau por todo o Portugal através de iniciativas levadas a efeito nas instalações da Casa de Macau. Por Macau, passaram pintores, escritores, poetas de renome, jornalistas, arquitectos, engenheiros, cozinheiros, empresários, historiadores, que muito mereciam que as suas obras ou as suas histórias fossem patenteadas na Casa de Macau. Temos de nos lembrar que Macau foi e é parte da história de Portugal. Que o nome de Macau não pode ser abandonado, especialmente, existindo uma instituição que custou aos macaenses milhões de euros e que está praticamente abandonada sem levar a efeito reuniões, exposições, palestra, seminários, convívios onde impere a culinária macaense e outras actividades que demonstrem que Macau continua vivo no

A dinamização da Casa de Macau com eventos de valor e bem promovidos a nível nacional é algo que se impõe. Macau merece não ser esquecido quando deu tanto a Portugal

coração dos portugueses que conheceram aquele enclave português inserido no Império do Meio. O senhor Faustino tem uma grande responsabilidade depois de ter aceitado ser o presidente da Casa de Macau. Tem de se compenetrar que não pode fazer na Casa de Macau o que fez na 5 de Outubro, onde pessoas com mais de 20 anos de vivência de Macau lhe foram pedir patrocínio para escreverem livros sobre Macau e este mesmo senhor assobiou para o lado, porque o que lhe interessava eram as feiras de turismo que lhe proporcionavam benesses para a promoção do seu currículo de carreira. Quando me informaram da nova administração da Casa de Macau, acrescentaram-

-me logo, que ainda ninguém sabe que o senhor Faustino é o novo responsável por um marco tão importante da cultura macaense. Temos em Macau os mais diversos artistas plásticos, alguns dos melhores do mundo, por que não convidar alguns a expor as suas obras na Casa de Macau em Lisboa? Por que não convidar as cozinheiras e pasteleiras macaenses a virem a Lisboa para nos fazer saborear os seus pitéus excelentes? Por que não convidar historiadores, escritores e até antigos governantes que têm abordado a temática macaense ao longo das suas vidas e na Casa de Macau palestrarem sobre as suas experiências? A dinamização da Casa de Macau com eventos de valor e bem promovidos a nível nacional é algo que se impõe. Macau merece não ser esquecido quando deu tanto a Portugal. É a hora de renascer o seu nome através de uma Casa de Macau que tem todas as condições para ser um vector de promoção de 500 anos de história digna e que nunca deixou o nome de Portugal nas ruas da amargura. O senhor Faustino que se lembre que Macau deu-lhe tudo o que é hoje e que a sua compensação para com o nome de Macau está agora nas suas mãos no sentido de realizar um trabalho que promova e que mantenha os laços de fraternidade que sempre existiram entre portugueses metropolitanos e macaenses. A Casa de Macau em Lisboa tem de passar a ser uma virtude constante do que foi e é Macau. Caso contrário, que se transforme o imóvel de luxo numa casa de repouso para os idosos que viveram e amam Macau. *Texto escrito com a antiga grafia


‘‘O carácter é a energia surda e constante da vontade.’’ PALAVRA DO DIA

Henri Lacordaire

segunda-feira

16.8.2021 episódio 58

O Jogo das Escondidas um folhetim por Fernando

AFEGANISTÃO MINISTRO PROMETE TRANSIÇÃO PACÍFICA DE PODER

Pânico em Cabul

O

ministro do Interior afegão, Abdul Sattar Mirzakwal, afirmou ontem que uma “transferência pacífica de poder” para um governo de transição terá lugar no Afeganistão, onde os talibãs estão prestes a assumir o controlo total do país. “Os afegãos não devem preocupar-se (...) Não haverá nenhum ataque à cidade [de Cabul]. E haverá uma transferência pacífica de poder para um governo de transição”, disse Mirzakwal numa mensagem de vídeo. Em pouco mais de uma semana, os talibãs tomaram controlo de praticamente todo o país, tendo ontem elevado para 26 o número de capitais de província, de um total de 34, sob seu domínio. Cabul, a única grande cidade nas mãos do Go-

verno, está rodeada pelos talibãs, que têm ordens para não entrar à força, segundo um porta-voz dos insurgentes, porque está a ser negociada uma transição de poder. A situação é de pânico em Cabul, com as autoridades afegãs a pedirem a todos os funcionários que abandonem os seus postos de trabalho e vão para casa, enquanto lojas e bancos estão encerrados e o trânsito paralisado por fortes engarrafamentos. Trabalhadores em pânico abandonaram os gabinetes governamentais e helicópteros começaram a

aterrar na Embaixada dos Estados Unidos, à medida que os militantes apertavam mais o seu controlo sobre o país. Três oficiais afegãos disseram à agência Associated Press que os combatentes estavam nos distritos de Kalakan, Qarabagh e Paghman, na capital. “Os talibãs entraram esta manhã na cidade de Jalalabad sem combater e a província foi-lhes entregue sem luta, como resultado da mediação dos líderes”, disse à agência espanhol, Efe, um funcionário do Governo da

província de Nangarhar, da qual Jalalabad é a capital, pedindo anonimato. “Uma vez que a capital, Cabul, é uma cidade grande e densamente povoada, os ‘mujahedin’ do Emirado Islâmico [como os talibãs se autodenominam] não pretendem entrar na cidade pela força ou lutar, mas sim entrar em Cabul pacificamente”, afirmaram os insurgentes. Para tal, “estão em curso negociações para assegurar que o processo de transição seja concluído em segurança, sem comprometer a vida, a propriedade e a honra de ninguém,

PAPA APELA AO DIÁLOGO E CESSAR-FOGO O papa Francisco mostrou-se ontem preocupado com a situação no Afeganistão, após a chegada dos talibãs a Cabul, apelando ao cessar-fogo e ao início do diálogo. “Associo-me à preocupação unânime sobre a situação no Afeganistão. Peço que orem a Deus para que o barulho das armas cesse e para que possam ser encontradas solu-

ções numa mesa de diálogo”, afirmou o chefe da igreja católica, no final da oração do Angelus, na Praça de São Pedro. Conforme apontou Francisco, “só assim, a população martirizada do país – homens, mulheres, crianças e idosos -, poderão regressar às suas casas para viver em paz e segurança, no pleno respeito mútuo”.

Japão Chuvas e mau tempo levam mais de um milhão a abandonar as casas

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Mais de um milhão de pessoas abandonaram as suas casas na zona oeste do Japão, após enchentes e deslizamentos de terras provocaram, pelo menos, uma morte e dois desaparecidos. As autoridades de Hiroshima e do Norte da ilha de Kyushu emitiram o nível mais alto de alerta face às chuvas intensas que se fazem sentir na

região, recomendando a cerca de 1,4 milhões de residentes que deixassem as suas casas. A televisão local divulgou imagens de resgates em botes salva-vidas nas ruas submersas da cidade de Karume. Uma mulher de 59 anos morreu e dois elementos da sua família estão desaparecidos em Unzen, Nagasaki, após duas casas terem sido

e sem comprometer a vida dos moradores”. Um oficial afegão adiantou à agência Associated Press (AP) que negociadores talibãs estavam a dirigir-se para o Palácio Presidencial para preparar uma transição pacífica do poder.

Resgate em curso

Este fim de semana, grande parte dos 4.000 militares norte-americanos que o Pentágono decidiu enviar para a capital afegã para retirar a maioria do pessoal da embaixada dos EUA e cidadãos afegãos chegou a Cabul. Outros países como o Canadá, Alemanha, Reino Unido e Espanha anunciaram também a próxima operação de resgate de alguns dos seus funcionários da embaixada e outros cidadãos afegãos e suas famílias que trabalharam lado a lado com eles durante as últimas duas décadas. As autoridades russas não prevêem evacuar a sua embaixada em Cabul, adiantou um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, citado pela agência Interfax.

soterradas na sequência de um deslizamento de terras. A previsão meteorológica indica que as fortes chuvas vão continuar durante vários dias em grande parte do Japão. “Foram registados níveis de precipitação sem precedentes”, apontou um funcionário da agência japonesa de meteorologia, Yushi Adachi, em conferência de imprensa.

Sobral

- Para Fu Xian? - Alguns. Ele sofreu uma derrota. Mas não morreu. Voltará mais forte, não tenhas dúvidas. Agora está desconfiado de todos. E o alemão quer a sua heroína. Ou o valor dela. Não sei o que poderá acontecer, pelo que o melhor é afastar-me uns tempos. Tenho uma boa desculpa. Fu Xian quer que eu lhe faça um serviço. - Vais ver a tua amada? Benedito levantou a cabeça e fulminou o tenente com o olhar: - De que estás a falar? - Da menina Mariana da Conceição. De Singapura, ou da Malásia. Não sei. Dizem-me apenas que é muito bela. Benedito piscou os olhos. O seu rosto pareceu, de repente, ter mais linhas a marcá-lo. Perdeu alguma da flexibilidade que o caracterizava. - Nada temas, Benedito. Sei que não acreditas em mim, mas eu prometo silêncio. - Porque não acreditaria em ti? - Porque as pessoas não têm fé. Benedito fitou-o severamente. Como se tivesse sido ameaçado com uma faca. - Eu tenho fé. - Tens? Alguma vez tiveste? - Sou jesuíta. Padre. - Achas que, se acreditarmos em tudo o que dizes, ainda és padre e tens fé? Não irás para o inferno? - Não estamos todos no inferno? Amoroso fez um sorriso velado e misterioso. - Estamos. Mas nem tudo tem de ser sofrimento e culpa. Benedito sussurrou: - Estou cansado. Até demasiado cansado para responder a essa pergunta. Esfregou os olhos antes de continuar: - Tenho muitas notícias sobre João Carlos da Silva. A sua vida. Foi-me contada por alguém que passou por aqui, e no meio da bebida, foi-me abrindo as portas para conhecer um homem que parecia transparente. Que aparentava ser apenas um secretário do Governo e que tinha tido um desgosto de amor depois da mulher não se ter adaptado a Macau e ter rumado a Portugal. - Quem te contou? - Um homem de Macau. Que foi amigo do senhor Silva. E, sobretudo, seu credor. - E então? - Então, a vida do senhor Silva é mais complexa. Veio efectivamenre para aqui, casado com a senhora Gertrudes de Albuquerque. Uma católica muito piedosa, que passava a vida na Igreja. Os primeiros meses foram suportáveis, até que o senhor Silva começou a jogar e a perder. Com isso destruiu o património da mulher. Esta, incapaz de o conter, desapareceu. (continua)


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Hoje Macau 16 AGOSTO 2021 #4832 by Jornal Hoje Macau - Issuu