TERÇA-FEIRA 16 DE JULHO DE 2019 • ANO XVIII • Nº4331
CAEAL
PROCURA-SE DEPUTADO PÁGINA 4
MOP$10 PUB
RÓMULO SANTOS
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
PROTECÇÃO CIVIL
LEVE EQUILÍBRIO PÁGINA 6
ARTM
LIÇÕES DE VIDA
hojemacau
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LUSA
PÁGINAS 8 E 9
Palavra de Pansy HO IAT SENG É A “PESSOA CERTA” PARA GOVERNAR MACAU, DE ACORDO COM A EMPRESÁRIA PANSY HO. A BILIONÁRIA FILHA DE STANLEY HO ACREDITA QUE O EX-PRESIDENTE DA AL TEM QUALIDADES PARA MOBILIZAR AS NOVAS GERAÇÕES. EM RELAÇÃO À FUTURA ATRIBUIÇÃO DE LICENÇAS DE JOGO, PANSY HO CONSIDERA QUE O GOVERNO PODE EXIGIR MAIS RESPONSABILIDADES ÀS CONCESSIONÁRIAS. GRANDE PLANO
2 grande plano
16.7.2019 terça-feira
SJM
OA MILAGRE QUE É “Precisamos de um Chefe do Executivo que consiga mobilizar, encorajar e convencer a nova geração. E penso que [Ho Iat Seng] é a pessoa certa.” PANSY HO EMPRESÁRIA
Na AL, “viu e estudou os problemas que Macau enfrenta, (…) sabe de experiência directa quais são os problemas”, começou por explicar a empresária. Pansy Ho sublinhou que Ho Iat Seng chegará ao cargo numa nova era, com melhores acessibilidades a servirem Macau, perante o desafio e oportunidade que representa a criação da metrópole mundial da Grande Baía, e também com grandes reservas financeiras à disposição. Sobre este último ponto, uma das herdeiras do império do jogo de Stanley Ho é clara: o desafio hoje não é mais “fazer mais dinheiro, mas como fazer melhor uso dele e dos recursos”.
UMA NOVA ERA
Mas o “assunto crítico” é “o futuro da próxima geração de Macaenses”, até porque “esta-
mos agora numa encruzilhada”, sustentou. “Continuamos a dizer que queremos reposicionar Macau, diversificar Macau, combater a dependência da economia da indústria do jogo”, bem como “agarrar a oportunidade da Grande Baía”, recordou, para concluir que tal não será conquistado por “uma mão-cheia de investidores”. “Será a nova geração de Macau a fazer a diferença”, defendeu. “Precisamos de um Chefe do Executivo que consiga mobilizar, encorajar e convencer a nova geração. E penso que [Ho Iat Seng] é a pessoa certa”, declarou. A empresária disse ainda que Macau, após ter construído um ‘milagre’ turístico, tem agora de afirmar-se como ‘resort’ integrado e ‘crescer’ para o projecto chinês da Grande Baía. “Há uma limitação de espaço e Macau precisa de crescer para a Grande Baía”, acrescentou, referindo-se ao projecto de Pequim de criação de uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província chinesa de Guangdong. A Grande Baía é uma região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20. Macau não tem o mesmo estatuto comercial e financeiro de Hong Kong, mas tem mais-valias ao nível geográfico e de posicionamento em áreas como o turismo integrado, indústrias criativas, medicina tradicional chinesa e plataforma cultural, destacou Pansy Ho que, desde 2018, é embaixadora da Organização Mundial do Turismo, agência especializada da ONU. “Macau tem a capacidade de se tornar num ‘resort’ integrado”, de se apresentar como tal, mas tem de “ser capaz de se expandir e crescer para a Grande Baía”, defendeu a multimilionária. Este já não é o tempo “dos ‘manda-chuvas’ a realizarem investimentos bilionários”, mas “das centenas de milhares de pessoas que estiveram expostos ao desenvolvimento” e que podem singrar profissionalmente para além dos casinos, “no retalho, no turismo
LUSA
empresária Pansy Ho, filha do magnata do jogo Santley Ho, disse à Lusa que o ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL) de Macau Ho Iat Seng é a pessoa indicada para ocupar o cargo de chefe do Governo. “É a pessoa certa”, afirmou em entrevista a multimilionária que lidera um grupo com investimentos em Macau, Hong Kong e China na área do imobiliário, transportes, hotelaria e construção civil, quando se está a pouco mais de um mês das eleições para Chefe do Executivo, agendadas para 25 de Agosto. Uma das accionistas de referência da Sociedade de Jogos de Macau e da MGM China, disse estar convencida de que Ho Iat Seng é capaz de liderar a nova geração para uma nova era de gestão de recursos.
PANSY HO DIZ QUE HO IAT SENG É A PESSOA CERTA PARA CHEFE DO EXECUTIVO
de negócios de eventos e até nas artes”, afirmou. “Não é menos do que um milagre que um local sem grandes atracções turísticas naturais se tenha conseguido transformar desta forma num período de apenas 20 anos”, frisou a empresária, defen-
dendo que Macau não precisa do dinheiro extra das taxas turísticas, num momento em que o Governo estuda o assunto. “Sabemos que o trabalho que temos pela frente é fazer de Macau um destino mais atractivo na área de Turismo de Negócios e Even-
tos”, superar “a forte fundação que construímos [indústria do jogo]]” e “sermos capazes de, pelo menos, atrairmos mais viajantes asiáticos”, defendeu. Pansy Ho sublinhou que “não se deve pensar em menos turistas, mas em os distribuir por diferentes
grande plano 3
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MACAU
Uma nova era de desenvolvimento traz a Macau desafios para os quais Ho Iat Seng, enquanto Chefe do Executivo, é a solução. A ideia foi defendida pela empresária Pansy Ho, que considera também que ao sector do jogo podem ser exigidas mais responsabilidades no momento de atribuição das licenças de exploração exploração do jogo em Macau, não ceder à tentação de mudar simplesmente as ‘caras’ e a convicção de que os investidores norte-americanos não serão excluídos devido à guerra comercial EUA/China são algumas das ideias expressas pela filha mais velha do magnata do jogo Stanley Ho sobre as novas licenças a atribuir pelo Governo em 2022.
“Não é menos do que um milagre que um local sem grandes atracções turísticas naturais se tenha conseguido transformar desta forma num período de apenas 20 anos.” PANSY HO EMPRESÁRIA
As recentes movimentações que protagonizou no início do ano, relacionadas com duas sociedades fundadas pelo pai, nada têm a ver com questões relacionadas com os investidores norte-americanos, garantiu aquela que é copresidente e accionista de referência da MGM China, que resultou de uma parceria entre a empresária e a norte-americana MGM Resorts para explorar casinos em Macau. “No passado, a estrutura montada não era propícia a uma gestão eficiente e é por isso que temos de estar preparados”, afirmou, ela que, em Janeiro, anunciou uma aliança com a Fundação Henry Fok para garantir o controlo da SJM Holdings Ltd e da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM).
atracções”, garantindo que “fiquem mais dias em Macau”. Ou seja, “devemos e temos de começar a falar (…) como integrar chegadas e distribuir turismo em Macau”, disse a empresária que pertence à direcção da sociedade que gere o aeroporto internacional de Macau,
e que detém participações em companhias de transporte (ferries, helicópteros e autocarros) entre Hong Kong e Macau.
MAIS EXIGÊNCIAS AO JOGO
Entretanto, o Governo de Macau deve exigir mais da indústria do
jogo, apontou a Pansy Ho, acrescentando que a Sociedade de Jogos de Macau (SJM) está a preparar-se para a atribuição das licenças em 2022. Menor preocupação com o número de concessões a atribuir, manter os actuais promotores na
Pansy Ho defende que o Governo não deve ficar preso a um eventual número de licenças a atribuir, mas ser capaz de definir o caminho e exigir a prestação de contas aos concessionários
Segundo os analistas, em causa está a luta pelo poder por aquele que é o maior império do jogo em Macau, criado por Stanley Ho que, até ao final de 2001, beneficiou do facto de deter o monopólio da concessão dos casinos no território. Em 2018, a irmã e parceira de negócios de Pansy Ho passou a ocupar a presidência da SJM Holdings, na qual também pontua a quarta mulher de Stanley Ho, Angela Leong, directora executiva, e importante accionista individual, mas que poderá ver reduzida no futuro a sua influência na gestão da empresa. “Vamos entrar num processo de voltar a licitar nos próximos dois a três anos e é por isso que é mais crítico agora que a empresa tenha uma direcção certa e uma estratégia bem definida para o futuro”, sublinhou. A origem do capital e a nacionalidade dos investidores não é para Pansy Ho um potencial problema a considerar: “Se [os candidatos] responderem aos critérios e às exigências, acredito que não haverá uma deliberada exclusão”, sustentou. A empresária defende que o Governo não deve ficar preso a um eventual número de licenças a atribuir, mas ser capaz de definir o caminho e exigir a prestação de contas aos concessionários. Depois, explicou, “todos os que se chegarem à frente têm de demonstrar que são capazes de trazer “algo extra a Macau”. Pansy Ho disse acreditar que, do ponto de vista do mercado, os concessionários têm menos de cinco anos para responder a uma segunda fase de diversificação e defendeu que os actuais devem manter-se, pela experiência que acumularam, pelo que investiram e para acautelar qualquer mudança abrupta na indústria do jogo em Macau. Em Maio, o Governo avisou que as futuras concessionárias do jogo vão ser obrigadas a promover outras indústrias e a assumir mais responsabilidades sociais, algo que ficará plasmado nas exigências do concurso público em 2022.
4 política
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AL JUIZ TONG HIO FONG PRESIDE À COMISSÃO DAS ELEIÇÕES DE NOVEMBRO
Em busca do substituto de Ho
F
OI ontem publicado em Boletim Oficial (BO) o despacho, assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, que determina a composição da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), que irá coordenar as eleições
Além de ser o deputado mais antigo da AL, uma vez que desempenha essas funções desde 1991, Kou Hoi In é também delegado de Macau à Assembleia Popular Nacional e presidente da Associação Comercial de Macau. Chui Sai Cheong deverá manter-se no cargo de vice-presidente, adiantou ainda a emissora, não se esperando que chegue à presidência por ser irmão do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On.
GCS
No dia 24 de Novembro será escolhido um novo deputado que irá ocupar o lugar deixado vago por Ho Iat Seng, que renunciou à presidência do hemiciclo para ser candidato a Chefe do Executivo. O juiz Tong Hio Fong volta a presidir à Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa para a escolha de um novo deputado pela via indirecta, em substituição de Ho Iat Seng, que se candidata às eleições para o Chefe do Executivo. O juiz Tong Hio Fong, do Tribunal de Segunda Instância (TSI), volta a presidir à mesma comissão que dirigiu em 2017, aquando
O juiz Tong Hio Fong, do Tribunal de Segunda Instância (TSI), volta a presidir à mesma comissão que dirigiu em 2017, aquando da realização das eleições legislativas
PUB HM • 2ª VEZ • 16-7-19
Proc. Execução Ordinária nº.
CV3-19-0026-CEO
3º Juízo Cível
EXEQUENTE: HOI MAN PAK, residente em Macau, na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º600E, Centro Comercial First International, 19º andar. ----------------------------------------------EXECUTADA: CHIANG ISABEL, ora ausente em parte incerta, com última residência conhecida em Macau, na Avenida Dr. Sun Yat Sen, nºs 17-49, Edifício Kingsville, LR/C, Taipa. -------*** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm ÉDITOS DE TRINTA (30) DIAS, a contar da data da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, citando, a executada acima identificada para no prazo de VINTE (20) DIAS, decorridos que sejam os dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$34.015.592,73 (trinta e quatro milhões, quinze mil, quinhentas e noventa e duas patacas e setenta e três avos), e demais acréscimos legais, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de não o fazer ser devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora e seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. --------------------------------------Consigna-se que é obrigatória a constituição de advogado, artº.74º. do citado diploma, caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo. -------------------------------------------------------------------------------------Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente. -------------------------------------------------------------------------------------------------Caso a citanda pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverá dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Alameda Dr. Carlos D’ Assumpção, nº 398, Edf. CNAC, 6º andar, Macau, para apresentar seu pedido, sendo que poderão pedir esclarecimentos através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@caj.gov. mo. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------Para o efeito, terá de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro. -----------------------------------------------------------Macau, 25 de Junho de 2019 *** O Juiz,
deputado está marcada para o dia 24 de Novembro, também de acordo com um despacho publicado ontem em BO.
MAIS DINHEIRO PARA CANDIDATO
Para esta eleição, cada candidato pode gastar até um máximo de 3.549 milhões de patacas, valor que também foi fixado em despacho. A saída
de Ho Iat Seng da AL não só obriga à eleição de um novo deputado como leva também à escolha de um novo presidente, algo que acontece amanhã. Até ao momento têm sido apontados para a presidência do hemiciclo os nomes de Kou Hoi In e Chui Sai Cheong, apesar da TDM Rádio Macau ter noticiado que Kou Hoi In deverá ser o escolhido.
A deputada Chan Hong, eleita pelo sector dos serviços sociais e educação, deverá ser promovida a primeira secretária da Mesa. Para o lugar de segundo secretário deverá ser escolhido o deputado Ho Ion Sang, que representa a União Geral das Associações dos Moradores. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Metro Ligeiro Chui Sai On e convidados deram uma volta experimental na Linha da Taipa
Chui Sai On esteve ontem de visita ao Parque de Materiais e Oficina do Metro Ligeiro, projecto que arrancou antes do início do seu mandato como Chefe do Executivo e que ainda não está em funcionamento. Inicialmente, em 2007, previa-se que o projecto estivesse concluído em 2011, mas depois de quase 12 anos as operações só deverão arrancar por volta de Dezembro. O líder do Governo experimentou a viagem entre o
Parque de Materiais e Oficina e a estação do Oceano. Durante a visita, segundo o comunicado oficial, Chui Sai On “mostrou interesse” no horário do metro, nas ligações a Seac Pai Van e na estação do Hospital das Ilhas, onde vai funcionar o Instituto de Enfermagem do Kiang Wu, com ligações à família do líder do Governo. Ainda segundo o comunicado, Chui Sai On esteve acompanhado por vários titulares de altos cargos.
GCS
ANÚNCIO
da realização das eleições legislativas. Seguem-se Lai U Hou, delegado do Procurador, o presidente do Instituto para os Assuntos Municipais, José Tavares, Kou Peng Kuan, director dos Serviços de Administração e Função Pública, e Victor Chan, director do Gabinete de Comunicação Social. A data para a eleição do novo
política 5
terça-feira 16.7.2019
ACTIVISMO AI WEIWEI DEFENDE QUE MACAU E HONG KONG NÃO SERÃO PARTE DA CHINA
“Será uma luta dura”
O artista e dissidente político Ai Weiwei está em Portugal, onde planeia realizar a primeira exposição. Em declarações à RTP, o activista/artista declarou que os conflitos em Hong Kong têm também uma ligação ao Ocidente e defende que as duas regiões administrativas especiais nunca vão fazer parte da China
Legislação Ng Kuok Cheong quer Lei Sindical este ano
O deputado Ng Kuok Cheong quer que Chui Sai On faça uma consulta pública e apresente uma proposta de Lei Sindical até ao final do seu mandato, que termina a 19 de Dezembro deste ano. É este o conteúdo da última interpelação escrita do membro pró-democrata, que foi divulgada ontem. Ng defende que de forma a evitar atrasos face às regiões vizinhas, como Taiwan e o Interior da China, que urge a aprovação de uma Lei Sindical, ainda durante este ano. Outro dos aspectos abordados é o estudo encomendado a uma associação liderada por Kevin Ho, a troco de 800 mil patacas. Ng Kuok Cheong recorda que o Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), através do coordenador Wong Chin Hong, havia prometido um resultado até ao final do segundo trimestre, depois de problemas técnicos com um questionário. Contudo, até agora ainda não foram divulgados quaisquer resultados, o que mereceu críticas do deputado. Sobre este aspecto, Ng Kuok Cheong sublinha que o estudo está a ser pago pelo erário público. PUB
EDITAL
A
I Weiwei fez declarações em Portugal sobre a actual situação política em Hong Kong. De passagem pelo país, o artista e dissidente político chinês disse à RTP ser pouco provável que as regiões administrativas especiais venham, um dia, a integrar a China. “Não acho que Hong Kong e Macau venham a fazer parte da China”, declarou. “Os conflitos entre a China e Hong Kong não são apenas entre a China e Hong Kong, mas entre a China e o mundo ocidental. Será uma luta dura”, acrescentou. No fim-de-semana a região vizinha voltou a ser palco de confrontos e protestos, numa altura em que a situação parece não ter fim à vista. De acordo com o jornal Financial Times, a Chefe do Executivo, Carrie Lam, terá mesmo pedido a sua demissão junto do Governo Central, mas Pequim não terá aceite. Actualmente a residir em Berlim, Alemanha, Ai Weiwei
garantiu à RTP que tão depressa não irá voltar ao seu país. “Sou um cidadão chinês, mas agora doze dos meus advogados estão presos. Acho que é perigoso regressar.” Num artigo de opinião publicado no jornal The New York Times, na passada sexta-feira, intitulado “Pode a resistência de Hong Kong vencer?”, Ai Weiwei falou da situação em Hong Kong e das razões que levam os jovens a ir para as ruas protestar. “Deveríamos questionar porque é que os jovens de Hong Kong estão a fazer este tipo de coisas. Para o mundo, a transferência de soberania de Hong Kong pode ser apenas uma nota de rodapé, mas para estes jovens um regresso à China significa tudo.”
O artista e dissidente escreveu também que esses mesmos jovens olham hoje para a China como “uma fábrica para o mundo”. “A China tem mais riqueza e influência do que tinha há três décadas. A sua economia está interligada com a economia mundial, e visa expandir a sua influência através da ambiciosa política 'Uma Faixa, Uma Rota'. Mas a sua riqueza foi construída com base em baixos salários dos trabalhadores migrantes oriundos dos campos, falta de protecção e de sindicatos e ausência de liberdade de imprensa ou do Estado de Direito”, adiantou no mesmo artigo.
ESTREIA EM PORTUGAL
Ai Weiwei está em Portugal onde está a planear a sua pri-
“Não acho que Hong Kong e Macau venham a fazer parte da China. Os conflitos entre a China e Hong Kong não são apenas entre a China e Hong Kong, mas entre a China e o mundo ocidental.” AI WEIWEI À RTP
meira exposição no país, ainda que, à RTP, não tenha adiantado mais detalhes. “Preocupo-me sempre com as condições locais, a cultura, a história e com a actual situação política. Gostaria de mostrar o artesanato português, a tradição, mas claro que com outra interpretação.” Nos últimos tempos o artista chinês tem abordado temas europeus, como é o caso dos refugiados. Um dos seus trabalhos mais recentes é, precisamente, um barco insuflável gigante com bonecos, para retratar o drama de milhares de pessoas que, com frequência, atracam nas fronteiras da Europa vindos de zonas em conflito. Nesse sentido, Ai Weiwei considerou Portugal “uma sociedade aberta em questões de emigração”, com “um grande potencial para trabalhar com a arte”. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Edital n.º : 47/E-BC/2019 Processo n.º : 93/BC/2019/F Assunto: Início da audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Rua da Harmonia n.os 45-49, Edf. Poly Garden (Bloco 3), parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar L, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que ficam notificados o dono da obra e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada: Infracção ao RSCI Obra e motivo da demolição Construção de um compartimento Infracção ao n.º 4 do artigo cobertura metálica, suporte 10.º, obstrução do caminho 1.1 com metálico, portão metálico e de evacuação. paredes em alvenaria de tijolo. 2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservarse permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 8 de Julho de 2019 O Director de Serviços Li Canfeng
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Muito ponderados Gabinete de secretário para a Segurança defende Lei da Protecção Civil GCS
U
M A solução com limitações rigorosas, adaptada à situação de Macau e com penas mais leves e equilibradas. Foi desta forma que o Gabinete do secretário para a Segurança definiu em comunicado de imprensa, publicado no portal online, a nova proposta do artigo 25.º da Lei de Protecção Civil, que foi apresentada na semana passada. “Na elaboração do artigo 25.º [...] não só foram ponderadas as experiências de muitos países e regiões, como também se adaptaram as soluções à situação real da sociedade de Macau, introduzindo limitações rigorosas nos aspectos do pressuposto temporal e da amplitude de punibilidade, bem como do conteúdo de informação”, consta no texto publicado ontem. Por este motivo, o gabinete de Wong Sio Chak defende que o novo texto defende “ao máximo a liberdade de expressão do público” e prevê “molduras penais globalmente mais leves e equilibradas, com definições claras sobre as situações de agravação e atenuação das condutas”.
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de prisão. Mesmo assim, França, Islândia e Suíça não tem penas agravadas. O caso da Índia, que tinha sido dado como exemplo no início, não foi explorado neste comunicado. A utilização do exemplo indiano tinha sido criticada pela Associação Novo Macau, devido a inconstitucionalidade.
MUDANÇA DE PARADIGMA
Na comparação com as regiões do Interior da China, Taiwan, Coreia do Sul, França, Suíça, Islândia e Hungria a pena máxima
base de Macau é das mais baixas, com dois anos. A mais alta apresentada é de 3 anos. No entanto, no que diz respeito à agrava-
ção de penas, Macau tem 4 anos, enquanto outras jurisdições têm penalizações mais pesadas, por exemplo, Taiwan tem pena
O texto foi publicado depois de na sexta-feira ter havido um recuo do Governo, com a apresentação de uma nova proposta. A versão mais recente define que o crime é praticado quando, “quem, enquanto se mantiver o estado de prevenção imediata ou superior, [...] com intenção de causar pânico público, produzir e disseminar informações falsas relacionadas com o conteúdo ou situações de incidentes súbitos com natureza pública e as respectivas operações de respostas, objectivamente suficientes para causar o pânico público, é punido com pena de prisão até 2 anos ou multa até 240 dias”. A proposta deixou cair a criminalização da elabora-
ção, difusão ou transmissão de “notícias falsas, infundadas ou tendenciosas”. Além disso, passa a haver dolo na intenção de causar pânico, o que não era exigido para haver crime. Com as alterações há igualmente uma penalização para os agentes que estejam na origem deste tipo de crime, que poderão ser penalizados com quatro anos de prisão. Na versão inicial, o castigo era apenas de 3 anos. O gabinete de Wong Sio Chak emitiu ainda outro comunicado a acusar “várias interpretações” na internet e na comunidade de serem “obviamente inconsistente com as expressões” utilizadas na norma, assim como inconsistentes com “a intenção legislativa”. Contudo, o gabinete não menciona que houve uma alteração do texto da legislação, nem indica se considera as críticas “inconsistentes” face à primeira ou segunda versões do artigo. João Santos Filipe
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terça-feira 16.7.2019
Faleceu Marinho de Bastos
No passado domingo, Joaquim Leonel Ferreira Marinho de Bastos morreu de doença prolongada em Lisboa, cidade onde residia. Nascido em Lisboa em 28 de Fevereiro de 1947, passou a infância e juventude em Angola, Lobito. Cursou Economia em Lisboa no então Instituto Superior de Economia e Gestão. Em 1971 casou com Isabel Alves, natural de Macau,
e nesse mesmo ano mudou-se para a Cidade do Nome de Deus. Na administração pública do território ocupou cargos de relevo como Director dos Serviços de Finanças, director dos Serviços de Economia e Director dos Serviços de Turismo. Foi um dos fundadores do IPIM. A partir de 1987 ingressou nos quadros da então CEE, tendo trabalhado no Conselho Europeu até à sua reforma em 2012. Deixa três filhas e sete netos. Foi também durante vários anos colaborador do Hoje Macau, onde publicou muitas das suas interessantes memórias da vida de Macau e da Europa.
ENSINO GOVERNO ACTUALIZA APOIOS
F
ORAM ontem publicados em Boletim Oficial (BO) dois despachos que actualizam os montantes a atribuir pelo Governo às escolas para a manutenção da escolaridade obrigatória, e também para as propinas. Ao nível dos apoios concedidos para propinas aos alunos, a partir do dia 1 de setembro deste ano, no ensino infantil é atribuído um montante anual de 20.300 patacas ao invés das actuais 19.140 patacas. No ensino primário o Governo passa a conceder 22.490 patacas em vez das actuais 21.320, enquanto que no ensino secundário os alunos recebem 24.810 patacas, em vez das 23.800 patacas que são concedidas actualmente. A actualização destes montantes diz respeito a uma medida anunciada pelo
Chefe do Executivo, Chui Sai On, nas últimas Linhas de Acção Governativa para este ano. No que diz respeito aos subsídios para a escolaridade gratuita, o despacho determina que “para as turmas dos ensinos infantil e primário, cujo número de alunos seja igual ou superior a 25 e não exceda os 35, os montantes são fixados, respectivamente, em 1,013 e 1,111 milhões de patacas”. Já no que diz respeito ao ensino secundário geral o montante é fixado em 1,343 milhões de patacas também para turmas que tenham entre 25 e 35 alunos. O despacho dá ainda conta do montante de 1,523 milhões de patacas para turmas do ensino secundário complementar para turmas com igual número de alunos.
OBRAS DSAT INCAPAZ DE EXPLICAR CÁLCULOS SOBRE REDUÇÃO DE 50 %
É só fazer contas
Governo diz que vão ser realizadas 21 obras nas grandes vias do território em Julho e Agosto. O número é “mais ou menos” o mesmo do que o ano passado, mas o Executivo defende que há uma redução de 50 por cento face “aos anos anteriores”. Porém, os responsáveis da DSAT não foram capazes de apresentar os cálculos da conta
O
número de obras durante Julho e Agosto nas principais artérias de Macau vai ser de 21, de acordo com a apresentação da Direcção de Serviço para os Assuntos de Tráfego (DSAT). O valor foi apresentado ontem numa conferência de imprensa em que o Governo, representado por Mok Soi Tou, Chefe de Divisão de Coordenação da DSAT, afirmou haver uma redução de 50 por cento no número de obras. “Este ano, semelhante ao ano passado, decorrem 21 obras viárias que envolvem as vias principais durante o período de férias de Verão. Uma redução de quase 50 por cento quando com-
parado com anos anteriores”, foi assim, em comunicado, que a DSAT apresentou o balanço dos trabalhos, durante a conferência de imprensa. Contudo, quando questionado sobre os anos que estavam a ser comparados, Mok deixou claro que o ano passado não entrava nas contas, mas não conseguiu explicar os cálculos nem os anos que estavam a ser comparados. A única referência a qualquer outro período comparado foi 2017, quando foram feitas cerca de 30 obras durante o Verão. Contudo, uma redução de 30 para 20 obras aproxima-se ao valor de 33 por cento. Apesar da insistência dos jornalistas, os poucos dados mencionados
não permitem chegar ao valor de 50 por cento.
GRANDE IMPACTO
No que diz respeito aos trabalho nas principais estradas, Mok Soi Tun frisou o facto do Governo evitar que os trabalhos seja feitos durante o período escolar. “Temos vindo a fazer obras diferentes ao longo do ano. Somente aquelas obras com maior impacto é que concentramos nos meses de Julho e Agosto”, sustentou. Entre os trabalhos contam-se obras na Rua do Campo, que só deverão afectar a zona dos passeios, assim como as repavimentações da Praça de Jorge Álvares e Praça de Ferreira do Amaral. “Sabemos que a Praça Ferreira do Amaral vai ter obras
de repavimentação do IAM e o objectivo é fazer os trabalhos no período nocturno para não causar tanto impacto para a população.A Praça Ferreira do Amaral e a Avenida Jorge Álvares são estradas muito utilizadas pelos autocarros por isso não quisemos fazer as obras durante o período escolar”, apontou o Chefe de Divisão de Coordenação da DSAT. Também a Avenida do Ouvidor Arriaga vai sofrer obras, relacionadas com a criação de um corredor exclusivo para autocarros. Contudo, Mok garantiu que os efeitos para o estacionamento nocturno nesta avenida vão ser mínimos. As obras apresentadas incluem ainda a repavimentação da estrada para o Grande Prémio de Macau, mas apenas nas zonas em que se considera que o asfalto não cumpre os padrões internacionais de segurança para este tipo de eventos. Ainda em relação ao Grande Prémio, o responsável disse acreditar que o muro da Estrada de Cacilhas, que sofreu uma derrocada em Maio, será reconstruído a tempo do evento. A obra de reconstrução deverá ser adjudicava até ao final do mês. Para todo o ano de 2019 foram apresentados 298 pedidos de obras viárias, o que representou uma redução de três por cento face aos 307 projectos pedidos em 2018.
Mok deixou claro que o ano passado não entrava nas contas, mas não conseguiu explicar os cálculos nem os anos que estavam a ser comparados
João Santos Filipe joaof@hojemacau.com
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O triunfo do humanismo TOXICODEPENDร NCIA MODELO DE TRATAMENTO DA ARTM ELOGIADO PELO GOVERNO CENTRAL
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Após uma visita à ARTM, o responsável pela Comissão Nacional de Controlo de Narcóticos da China não poupou elogios à forma humana como a problemática é abordada em Macau. O representante do Governo Central apontou a necessidade de levar este tipo de tratamento para o continente
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modelo de tratamento e reinserção social de toxicodependentes em Macau pode ser “exportado” para a China. A informação foi dada ontem pelo responsável da Comissão Nacional de Controlo de Narcóticos da China, Andy Tsang, numa visita à Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM), em que argumentou que o trabalho efectuado pela instituição liderada porAugusto Nogueira é uma referência além-fronteiras. “Fiquei particularmente agradado por saber que têm um programa personalizado para cada indivíduo e que tratam cada um dos pacientes como um indivíduo. Foram além da abordagem mais humanista. Um grande progresso”, apontou Andy Tsang em conferência de imprensa depois da visita às instalações em Coloane. “Acredito que este é um dos motivos porque os visitantes estrangeiros vêm cá e têm um intercâmbio com a associação”, acrescentou. Foi para o mesmo efeito que Tsang esteve na ARTM. “As autoridades da China vêm a Macau buscar uma melhor abordagem no tratamento de toxicodependentes e é também a razão para eu estar aqui.
“Não vemos sentido no regresso à prisão devido a casos relacionados com consumos antigos ou pequenos roubos devido ao consumo. São coisas pequenas, insignificantes.” AUGUSTO NOGUEIRA PRESIDENTE DA ARTM
Estou a tentar ver o trabalho que está a ser feito e que pode ser levado para o interior da China. Sei que há delegações da China que querem visitar Macau porque têm aqui as melhores práticas no tratamento e reabilitação”, afirmou. O responsável do Governo Central apontou ainda que a questão do consumo de drogas no continente está a afastar-se da criminalização, começando, lentamente, a ser visto como uma questão de saúde. “Na China estamos também a começar a encarar o tratamento em comunidade terapêutica”, disse acrescentando que esta medida está em consonância com as tendências internacionais que compreendem “o consumo mais como um problema de saúde”.
MOTIVO DE ORGULHO
Para Augusto Nogueira, a visita de um representante do Governo Central à ARTM é motivo de profundo regozijo. “Para nós, é um orgulho ter uma pessoa com a categoria doAndy Tsang a visitar a ARTM, porque demonstra que estão a par do trabalho que temos vindo a fazer nos últimos anos”, disse aos jornalistas. Com este intercâmbio, o responsável espera que se estabeleça uma “partilha mútua” que permita “aprender com muita coisa que existe na China”. O reverso também se aplica, podendo as autoridades nacionais “tirar algo de positivo que possam colocar em prática na China mesmo perante o contexto e as dificuldades que são muito diferentes das de Macau”. De acordo com Tsang, existem cerca de 4,5 milhões de toxicodependentes no continente. A este respeito,Augusto Nogueira recordou um centro que visitou recentemente no continente com “cerca de 4000 pessoas”. “Torna-se bastante difícil controlar esta número de pessoas, tendo em conta um sistema igual ao nosso, portanto tem de haver outo método. Mas tudo é possível”, disse. Apesar da dificuldade em aplicar um modelo como o da ARTM na China, quer por falta de recursos quer pelo excesso de população que precisa de ajuda, Andy Tsang não afastou a possibilidade deste tipo de tratamento vir a ser adoptado por algumas regiões mais desenvolvidas economicamente, frisou. Andy Tsang termina hoje a visita de dois dias ao território, depois de conhecer as instalações da ARTM e de ter reunido com o Instituto de Acção Social (IAS). Tsang é ainda candidato oficial, proposto pelo Governo Central, ao cargo de director executivo no departamento das Nações Unidas sobre drogas e crime. A decisão da ONU deverá ser conhecida em Dezembro.
DIFICULDADES A SUPERAR
Apesar dos elogios e resultados os utentes da ARTM ainda enfrentam alguns obstáculos após cumprirem
o programa de tratamento de 12 meses. A preocupação de Augusto Nogueira prende-se com aqueles que, devido a processos judiciais pendentes, são obrigados pela justiça a regressar à prisão.
“As autoridades da China vêm a Macau buscar uma melhor abordagem no tratamento de toxicodependentes e é também a razão para eu estar aqui.” ANDY TSANG DIRECTOR ADJUNTO DA COMISSÃO NACIONAL DE CONTROLO DE NARCÓTICOS DA CHINA
Para Augusto Nogueira, “o tratamento deve ser sempre a prioridade”. “Custa-nos, como instituição que ajuda pessoas, ver muitas vezes o nosso trabalho ser avaliado ou não ser agraciado. Quando vemos pessoas que acabaram o tratamento e que, devido a casos pendentes, são obrigadas a ir para a prisão quando já finalizaram aqui o processo de recuperação”. A solução, apontou o responsável, passaria por “mais tolerância”, nomeadamente por parte dos juízes que tratam destes casos. “São pessoas recuperadas e que já podem estar a trabalhar. Achamos que deveria haver maior tolerância e que estas pessoas deveriam ser reconhe-
cidas pelo esforço que fizeram. Não vemos sentido no regresso à prisão devido a casos relacionados com consumos antigos ou pequenos roubos devido ao consumo. São coisas pequenas, insignificantes”, referiu.
NOVOS HORIZONTES
Entretanto, e para melhor promover a reinserção social dos seus utentes, a ARTM tem um plano de aproveitamento das casas que constituem o complexo da antiga leprosaria de Ká Hó. “Aqui por detrás existe a antiga leprosaria e esperamos que haja um desenvolvimento das casas antigas dessa área”, disse acrescentando que a intenção da ARTM seria “ter lá uma espécie de coffee shop ou um bar”. Além deste plano, seria ainda objectivo da ARTM “usar uma daquelas casas para exposição de trabalhos de criativos e artistas que tenham dificuldade em expor nos circuitos normais aqui em Macau”. Desta forma seria dada oportunidade aos utentes para exibirem os seus trabalhos e também a outros artistas que queiram iniciar as suas carreiras”, referiu. A situação é particularmente importante nos casos que envolvem pessoas com mais dificuldade de reinserção social e que poderiam beneficiar com este tipo de empresas sociais. “O desenvolvimento das chamadas empresas sociais é algo que aqui na ARTM também estamos a tentar fazer para podermos dar apoio às pessoas que passam por nós e que têm 40, 50 anos, ou que estão sozinhas, e logo têm mais dificuldades de reinserção na sociedade”, esclareceu Augusto Nogueira.
A par dos benefícios aos utentes da instituição, este tipo de aproveitamento daquela área de Ká Hó, “seria ainda uma forma de atrair as pessoas a deslocarem-se ali onde teriam uma zona de lazer” e um sítio para beber um café. Algo que Augusto Nogueira considera que seria bom para residentes e para o turismo.
Desde que ocupou as novas instalações em Coloane, em 2016, a ARTM recebeu cerca de 70 utentes, com uma média de ocupação de 30 pessoas. Destes, 20 saíram com emprego A ideia já foi apresentada ao Governo, há dois anos, mas continua a aguardar aprovação. Desde que ocupou as novas instalações em Coloane, em 2016, a ARTM recebeu cerca de 70 utentes, com uma média de ocupação de 30 pessoas. Destes, 20 saíram com emprego daquela instituição após conclusão do programa de reabilitação e reinserção social. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
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Mús e ad EXPOSIÇÃO ILUSTRAÇÕES
IC ABERTAS CANDIDATURAS A ESPECTÁCULOS PARA O FAM 2020
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Instituto Cultural (IC) lançou ontem o convite para a entrega de propostas para espectáculos a incluir no programa do 31º Festival deArtes de Macau (FAM), que terá lugar em Maio de 2020.As associações artísticas e culturais sem fins lucrativos, registadas na Direcção dos Serviços de Identificação, ou os indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos e Bilhete de Identidade de Residente válido, podem apresentar as suas candidaturas até ao dia 16 de Agosto de 2019. Os trabalhos seleccionados farão parte do cartaz de espectáculos do próximo ano, uma iniciativa que pretende “promover o desenvolvimento das artes locais e disponibilizar uma plataforma de artes performativas” que facilite o intercâmbio de grupos artísticos. Para atrair mais espectáculos criativos, com características locais, foi acrescentada a ópera cantonense às categorias já existentes, que abrangiam o teatro, a dança, os espectáculos infantis e outras artes performativas multimédia. Na avaliação das propostas, segundo informa o IC em nota de imprensa, “será dada prioridade a trabalhos centrados nas preocupações da população local, na paisagem urbana actual, em teatros interdisciplinares que alterem a relação tradicional do público com os actores, produções inspiradas no património cultural imaterial local ou nas artes performativas tradicionais chinesas”. Paralelamente, a Mostra de Espectáculos ao Ar Livre também acolherá propostas criativas. O regulamento de apresentação das propostas e o boletim de inscrição podem ser descarregados na página electrónica do IC, entidade organizadora do evento. R.M.
“Highway Stars Vincent Cheang motas, moda par Isto é, as mais re
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ORAM muitos os amigos e convidados que se juntaram a Vincent Cheang na inauguração da sua primeira exposição a solo de obras de ilustração e design de moda, na galeria de arte da Creative Macau que aconteceu no passado dia 11 de Julho. “Highway Stars” é o título da mostra que revela outra faceta do artista que nos habituámos a conhecer à frente do projecto LMA – Live Music Association. As peças expostas remetem para o mundo do rock & roll, dos músicos e das bandas, das guitarras, das motas e corridas, só faltando o asfalto e o cheiro a gasolina. São 17 desenhos de ilustração cheios de adrenalina e um vídeo do ‘making of’ de alguns deles. Há ainda 5 casacos de cabedal, que fazem parte da colecção de moda da marca “Worker Playground”, criada por Vincent Cheang em 2010, outra actividade a que se dedica na área da “street fashion” masculina. Os trabalhos aqui reunidos foram criados entre 2016 e 2019, explicou Vincent ao HM, contando que há toda uma colecção em falta nesta mostra, os seus ídolos da música que foi pintando desde que frequentou o curso superior de Design Gráfico do Instituto Politécnico de Macau, nos idos anos 90. “Já nessa altura queria muito fazer uma exposição, mas era jovem e havia muita burocracia administrativa para montar um evento destes. Eu só queria desenhar e, como ninguém me ajudou a fazer a exposição, acabei por desistir”. Mas continuou a ilustrar os seus ídolos preferidos. Alguns desses
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sica, motas drenalina DE VINCENT CHEANG NA CREATIVE MACAU ATÉ 24 DE AGOSTO
s” é o título da primeira mostra individual de g. A exposição reúne ilustrações sobre música, ra motards e, sobretudo, grandes lendas do rock. ecentes, porque às antigas perdeu o rasto quadros estão hoje no seu estúdio, mas outros acabaram por se perder. “Dessa colecção inicial faltam muitos dos meus quadros. Deixei-os na antiga Rádio Vila Verde”. Depois de mais de 20 anos a trabalhar na rádio, na altura de sair não trouxe as obras que ali tinha nas paredes e, passado este tempo todo, não faz ideia onde possam estar ou se ainda existem. “Naquela altura eu era muito novo e pensava: perdi-os, tudo bem, não há problema. Mas, depois de quase trinta anos, tenho pensado muito nisso e agora sinto a falta deles!”, justifica o artista. Se na actual mostra estão alguns dos seus ídolos musicais – porque só pinta bandas e artistas de que gosta – como Lou Reed, Kurt Cobain, Keith Flint dos Prodigy, Alice in Chains, Stone Temple Pilots ou Daft Punk, ficaram a faltar os desaparecidos Miles Davis, John Lee Hooker, o rapper Guru (da banda de hip-hop Gang Starr) ou mesmo a cantora e compositora inglesa Kate Bush.
PERDIDOS E ACHADOS
É por isso que anda há algum tempo com a ideia de criar uma instalação com o título “Lost and Found”, “para encontrar a arte que perdeu. “Se alguém souber onde estão as obras, por favor digam-me!”. No futuro talvez venha a incluir esse projecto, mas para já pode ser uma coisa interactiva. “Pode ser que as pessoas se lembrem ‘oh, eu já vi esta imagem em algum lado ou em casa de alguém’. E talvez façam posts no Facebook ou no Instagram, quem sabe?”.
A exposição “Highway Star” abriu portas na quinta-feira e, até sábado, Vincent Cheang já tinha vendido seis quadros e um casaco de cabedal. O interesse despertado pelas peças levou o artista a pensar em exibir mais design e merchandising da sua marca “Worker Playground”, um nome que tem origem no antigo Campo dos Operários, localizado onde hoje se ergue o Casino Grand Lisboa. Era um local muito central onde costumava passar tempo quando era criança, daí a relação sentimental da etiqueta que então criou e que simboliza a sua inspiração na cultura de rua. Os blusões de cabedal são criações nos estilos rocker e motard, com ilustrações nas costas relacionadas com
Em exposição estão alguns dos ídolos musicais de Vincent Cheang – porque só desenha bandas e artistas de que gosta – como Kurt Cobain, Keith Flint dos Prodigy, Lou Reed, Alice in Chains, Stone Temple Pilots ou Daft Punk
as suas paixões pela música e pelas máquinas, sejam elas motas, carros de corrida ou aviões. Uma das peças exibe, aliás, “uma pintura que fala da história da aviação de Macau. Desenhei um avião muito antigo, de 1948, que foi o primeiro avião de Macau. Chamava-se Miss Macau e tem uma história muito interessante”, contou ao HM.
GENTE COM PINTA
Afinal, tudo interessa e inspira Vincent Cheang. “Há uns dias atrás comecei a ter ideias para a minha próxima exposição de arte”, revelou. Então? “Sim, já estou a planear o meu próximo projecto, gostaria de desenhar pessoas “cool” de Macau. Pessoas locais interessantes que eu quero apresentar e também conhecer. Alguns músicos, alguns artistas, talvez também alguns dos meus amigos. Podem ser fotógrafos, designers de moda, pintores, coleccionadores, corredores de carros, por exemplo”. Mas acrescenta que ainda não definiu um prazo para este projecto. “Tenho que amadurecer a ideia, antes de começar. Leva o seu tempo”. Até lá, está na altura de passar pela galeria da Creative Macau e ver as lendas do rock em “Highway Star”, título da mostra e de uma das canções dos Deep Purple, gravada em 1972. Se o dia da inauguração foi bastante concorrido, Vincent Cheang quer que a data de encerramento também o seja, no dia 24 de Agosto. E está já a planear qualquer coisa, “não sei ainda o quê”, mas vai haver festa. Reservem o dia na agenda. Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
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ECONOMIA CRESCIMENTO NO SEGUNDO TRIMESTRE É O MAIS BAIXO EM QUASE 30 ANOS
Uma questão de ritmo A economia chinesa cresceu, no segundo trimestre deste ano, ao ritmo mais lento das últimas três décadas, segundo dados ontem divulgados, ilustrando o fim do ciclo que transformou um país pobre e isolado na segunda maior economia mundial
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Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 6,2 por cento no segundo trimestre, menos 0,5 pontos percentuais, face ao mesmo período de 2018, e menos duas décimas do que no trimestre anterior, segundo os dados oficiais ontem divulgados. Trata-se da taxa de crescimento mais baixa desde que o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês começou a publicar os dados, em 1992, no início de três décadas de crescimento económico que transformaram a China. A contração, em Junho, das exportações, um dos principais motores da economia chinesa, foi a principal causa do abranda-
mento. O consumo doméstico e o sector imobiliário permaneceram resilientes, mas a economia acabou por sofrer o impacto de uma guerra comercial com Washington, que começou no Verão passado e se tem vindo a agravar. As vendas a retalho aumentaram 8,4 por cento, no conjunto da primeira metade do ano, com o ritmo de crescimento a abrandar uma décima no segundo trimestre, face aos três meses anteriores.
EM QUEDA
Nos primeiros seis meses do ano, o investimento em fábricas, imóveis e outros activos fixos aumentou 5,8 por cento - uma subida de 0,2 por cento, face ao período entre Janeiro e Maio -,
reflectindo os esforços de Pequim para estimular a economia, incluindo reduzir as restrições no acesso ao crédito e aumento do investimento público. “Nós prevemos que a economia continue a fraquejar”, considerou Julian Evans-Pritchard, economista para a China na consultora Capital Economics. “Olhando para o futuro, duvidamos que os dados, melhores do que o esperado para Junho, marquem o início de uma recuperação”, acrescentou. A ascensão ao poder de Donald Trump nos EUA ditou o início de uma guerra comercial entre Washington e Pequim, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.
O porta-voz do GNE, Mao Shengyong, disse que a redução na carga fiscal, no início do ano, ajudou a estimular a economia a evitar a pressão externa. “O crescimento económico da China depende cada vez mais da procura doméstica, sobretudo do consumo”, afirmou. A economia chinesa teve um período de abrandamento, após as sanções económicas impostas por países ocidentais, na sequência da sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, esmagado na noite de 3 para 4 de Junho de 1989, mas recuperou a partir de 1992. A economia voltou a desacelerar durante a crise financeira asiática, no final da década de 1990, e após a crise financeira global de 2008.
Julian Evans-Pritchard “Prevemos que a economia continue a fraquejar. Duvidamos que os dados, melhores do que o esperado para Junho, marquem o início de uma recuperação”
Taiwan Partido da oposição escolhe candidato pró-China
O principal partido da oposição em Taiwan escolheu ontem um autarca populista e pró-China para ser o candidato à corrida presidencial de 2020, em detrimento de um governante que costuma atacar Pequim. O Partido Nacionalista escolheu Han Kuo-yu para concorrer contra Tsai Ing-wen na eleição de Janeiro. Han Kuo-yu derrotou o ex-presidente da Foxconn Technology e bilionário Terry Gou nas primárias do partido. Han foi eleito autarca de Kaohsiung em Novembro, com promessas de melhorar a economia local. Em Março, assinou acordos com quatro cidades chinesas para vender produtos agrícolas taiwaneses no valor de 165 milhões de dólares.
COMÉRCIO TROCAS COM PAÍSES LUSÓFONOS AUMENTAM
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S trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa atingiram, entre Janeiro eAbril, 46,26 mil milhões de dólares, anunciaram as autoridades chinesas. De acordo com as estatísticas dos serviços da Alfândega chineses, publicadas no sábado, este valor representou um aumento de 11,99 por cento em relação a igual período do ano anterior. Entre Janeiro e Abril, as importações da China de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste cifraram-se em 33,73 mil milhões de dólares, mais 15,89 por cento em termos anuais homólogos. Já as exportações chinesas para o bloco lusófono foram de 12,53 mil milhões de dólares, um aumento de 2,68 por cento relativamente ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros quatro meses do ano, o Brasil manteve-se como o principal parceiro da China, com trocas comerciais no valor de 34,38 mil milhões de dólares, segundo os mesmos dados publicados
no site do Fórum Macau. A segunda maior economia do mundo comprou ao Brasil produtos avaliados em 24,44 mil milhões de dólares, mais 23,97 por cento do que no mesmo período homólogo, enquanto os brasileiros compraram à China bens no valor de 993,48 milhões de dólares, o que corresponde a aumento anual de 1,04 por cento. Entre Lisboa e Pequim, nos quatro primeiros meses de 2018, as trocas comercias cifraram-se em 211,78 milhões de dólares. A balança comercial é favorável à China em cerca de 73,3 milhões. Só em Abril, o volume das trocas comerciais entre os países lusófonos e Pequim subiu 24,19 por cento, face ao mês anterior, para 12,56 mil milhões de dólares. Neste mês de referência, a China importou dos países de língua portuguesa bens avaliados em 9,24 mil milhões de dólares - um aumento de 32,28 por cento face a igual período de 2018 - e exportou para o bloco lusófono mercadorias no valor de 3,32 mil milhões de dólares, mais 6,15 por cento do que em Abril de 2018.
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HONG KONG PEQUIM NÃO ACEITOU DEMISSÃO DE CARRIE LAM, ESCREVE FINANCIAL TIMES
Partir em caso de emergência De acordo com o jornal Financial Times, Carrie Lam terá pedido a demissão do cargo de Chefe do Executivo na sequência da vaga de protestos que tem assolado Hong Kong. Pequim não aceitou o pedido de Lam. Entretanto, foram detidos quase 40 manifestantes depois de confrontos com a polícia em Sha Tin
várias ocasiões nas últimas semanas”, citando duas fontes próximas do processo. Uma das fontes, que o jornal afirma ter conhecimento directo da situação, revelou que o Governo Central terá dito a Carrie Lam que teria de se manter no cargo “para resolver a confusão que criou”. “Ninguém mais pode resolver a confusão e ninguém quer ocupar o cargo”, adiantou a mesma fonte. Em declarações ao South China Morning Post, o director do gabinete da Chefe do Executivo, Eric Chan Kwok-ki, afirmou que a informação veiculada pelo Financial Times não tem qualquer fundamento. “A Chefe do Executivo nunca apresentou demissão, ou colocou o seu lugar à disposição. Nunca!, referiu.
em Sha Tin, no norte de Hong Kong. De acordo com o jornal South China Morning Post, que cita fonte hospitalar, pelo menos 22 pessoas - entre activistas e polícias - foram hospitalizadas na sequência dos confrontos. Duas encontram-se em estado crítico e quatro em estado grave.
“A Chefe do Executivo nunca apresentou demissão, ou colocou o seu lugar à disposição. Nunca!” ERIC CHAN KWOK-KI DIRECTOR DO GABINETE DA CHEFE DO EXECUTIVO
RUAS AO RUBRO
O motivo para a alegada tentativa de saída de cena de Carrie Lam a que se referiu o artigo do jornal económico britânico prende-se com a vaga de protestos que tem marcado o quotidiano da região vizinha. Aliás, no domingo, na sequência da manifestação em Sha Tin, mais de 20 pessoas ficaram feridas, seis com gravidade, e 37 foram detidas após confrontos entre manifestantes e a polícia de Hong Kong, noticiou ontem a imprensa local. Os confrontos ocorreram ao final do dia, quando a polícia começou a dispersar os manifestantes após um protesto pacífico que reuniu milhares de pessoas
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EQUIM não aceitou o pedido de demissão da Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, apresentado no contexto dos recentes protestos relacionados com a lei da extradição, de acordo com informação veiculada pelo jornal Financial Times. A notícia foi avançada este domingo, dá conta que a Chefe do Executivo quis demitir-se “em
Em declarações à imprensa na manhã de ontem, o comissário da polícia Stephen Lo condenou de forma veemente as acções dos manifestantes, que classificou de “bandidos” e considerou serem responsáveis pelas “cenas caóticas” de domingo em Sha Tin. “A multidão perdeu o controlo e o seu comportamento foi horrível”, disse Lo. Por seu lado, alguns deputados acusaram a polícia de recorrer a “tácticas violentas” no centro comercial New Town Plaza - principal palco dos confrontos - tendo bloqueado manifestantes que apenas queriam deixar o local.
Região Economia Empresários sul-coreanos apelam ao boicote de produtos japoneses
FILIPINAS SURTO DE DENGUE JÁ FEZ 456 MORTOS
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S Filipinas declararam ontem estado de alerta nacional devido a um grave surto de dengue, com mais de 106 mil casos registados no primeiro semestre do ano e 456 mortos, a maioria crianças com menos de cinco anos. A propagação do dengue naquele país asiático aumentou 85 por cento comparativamente a igual período do ano passado, informou em conferência de imprensa o ministro da Saúde filipino, Francisco Duque. O responsável esclareceu que não se trata
ainda de uma epidemia a nível nacional, mas que já se verifica uma epidemia em pelo menos quatro regiões do centro do país. Neste sentido, Duque anunciou que o Ministério da Saúde activou o “código azul” - alerta nacional - para monitorizar a situação em conjunto com o Gabinete Nacional de Redução do Risco de Desastres. As Filipinas sofreram uma queda acentuada na taxa de vacinação, uma descida causada, em parte, pelo escândalo da Dengvaxia,
uma vacina contra a dengue que foi administrada nas escolas entre 2016 e 2017 e está ligada à morte de várias crianças no país. Em vários países do Sudeste asiático, como a Malásia, Vietname, Camboja e Singapura, o número de casos de dengue duplicou comparativamente com o período homólogo do ano passado. Com o grave surto registado nas regiões vizinhas, as autoridades de Macau já elevaram também o risco de uma epidemia no território e apelaram à prevenção.
Segundo o último balanço dos Serviços de Saúde, divulgado a 10 de Julho, a região administrativa especial já registou oito casos importados desde o início do ano. No final do ano passado, Macau contava com 188.480 trabalhadores não-residentes, o maior número desde que há registos, sendo uma esmagadora maioria proveniente das Filipinas e do Vietname.
Dezenas de proprietários de pequenas empresas sul-coreanas manifestaram-se ontem em Seul para exigirem boicotes aos produtos japoneses, num protesto contra a decisão de Tóquio de restringir exportações de alta tecnologia da Coreia do Sul. Durante o protesto de ontem, o presidente da Korea Mart Association, Kim Sung-min,
pediu aos lojistas que boicotassem a distribuição de produtos japoneses até que Tóquio anulasse as restrições impostas e apresentasse um pedido de desculpas. A Coreia do Sul está preocupada com o reforço do controlo de exportação japoneses de fotorresistentes e outros materiais sensíveis que são usados principalmente no fabrico de semicondutores e monitores que podem prejudicar a economia do país, muito dependente das exportações. A medida do Japão alimentou a ira pública na Coreia do Sul, onde muitos entendem que o Japão ainda não reconheceu totalmente a responsabilidade pelas atrocidades cometidas durante a ocupação do país entre 1910 e 1945.
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Tudo o que amei, amei sozinho
Compositores e Intérpretes através dos Tempos Michel Reis
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Jacques Offenbach (1819-1880)
Concerto-opereta para Violoncelo
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SSINALAM-SE este ano 200 anos do nascimento do compositor e violoncelista romântico francês Jacques Offenbach, nascido Jakob Eberst em Colónia no dia 20 de Junho de 1819, é um paladino da opereta e precursor do teatro musical moderno. Offenbach aprendeu as primeiras noções de música com o seu pai, Isaac Ben-Juda (1779-1850), chazan (cantor) da sinagoga da cidade. Aos doze anos de idade, era já um violoncelista exímio, razão pela qual a sua família decidiu enviá-lo para Paris, onde receberia uma melhor educação musical. Após um ano de estudos, o jovem músico passou a actuar na orquestra do Théâtre Nationale de l’Opéra-Comique, quando desenvolveu uma parceria musical e uma grande amizade com o pianista e compositor Friedrich von Flotow. Nessa altura, adoptou uma nova identidade e trocou o seu apelido para Offenbach, em homenagem à cidade natal de seu pai, Offenbach am Main. Referido pela crítica como o “Liszt do violoncelo”, Offenbach, de um virtuosismo literalmente diabólico, não só se dedicou a compor várias obras para esse instrumento, como participou de uma série de concertos nas principais capitais europeias, inclusive com o próprio Franz Liszt, para além de Anton Rubinstein e Friedrich von Flotow. Na corte londrina, apresentou-se perante a Rainha Vitória I e o príncipe Alberto. Frequentemente se esquece que o compositor foi um dos maiores virtuosos do violoncelo da sua época, antes de alcançar a fama de criador da opéra-bouffe (ópera cómica) francesa. Foi também Offenbach quem apresentou as sonatas para violoncelo de Beethoven à França. Muito maior do que sua alegria de se apresentar como executante, no entanto, foi a sua paixão pela composição. Assim, desde cedo, escreveu uma quantidade impressionante de obras para o seu instrumento favorito. Muitas peças menores, mas também grandes frescos como a Danse Bohémienne, a Grande Scène espagnole e, acima de tudo, o Grand concerto pour violoncelle et orchestre (também conhecido como Concerto militaire). Partes deste último trabalho foram estreadas num concerto que Offenbach deu no dia 24 de Abril de 1847 na Salle Moreau-Santi, em Paris. É muito provável que Offenbach tenha tocado o seu concerto noutras ocasiões, mas apenas uma actuação adicional no dia 24 de Outubro de 1848 é documentada de forma confiável. Posteriormente, um século
passaria antes que Jacques Brindejont-Offenbach, neto do compositor, confiasse ao violoncelista Jean-Max Clément os esboços de piano e a partitura do primeiro andamento. Clément copiou o início do trabalho do original, infelizmente suprimindo várias passagens que o próprio Offenbach havia deixado de fora nas suas apresentações. Começou a reconstruir o trabalho, orquestrando os dois últimos andamentos a partir dos esboços de piano. Nem Clément nem Brindejont-Offenbach sabiam que os manuscritos do Andante e do Rondo finale (inteiramente compostos e orquestrados por Offenbach) seriam encontrados nos arquivos da família. Como
Apesar da sua popularidade, o Concerto militaire é um índice revelador da negligência a que Offenbach foi votado
esses documentos não traziam títulos, e porque Offenbach havia modificado substancialmente as aberturas desses dois andamentos, era difícil estabelecer a relação entre as partes individuais do quebra-cabeças. Como a edição de Clément era extremamente desequilibrada e incompleta, não teve, como uma versão apócrifa do concerto, grande sucesso. Entretanto, os bens de Offenbach, e com eles os manuscritos dos três andamentos, foram espalhados aos quatro ventos. Foi por sorte que se descobriu o manuscrito completo do segundo andamento no Arquivo Histórico da Cidade de Colónia e do Rondo finale na Biblioteca do Congresso, em Washington. O manuscrito do primeiro andamento foi adquirido pela Bibliothèque Nationale de France, depois de ter passado um longo período na colecção de um eminente maestro. Paralelamente, foi encontrado o material completo do primeiro andamento, que havia sido empregue na estreia parisiense, na posse da família Offenbach. Essas fontes, portanto, nunca foram completamente avaliadas e, acima de
tudo, não foram reconhecidas como partes em falta do Concerto militaire. E, no entanto, tudo parecia tão óbvio, particularmente no que diz respeito ao Adagio, que é mais ou menos idêntico aos esboços que Clément empregou, mesmo que a partitura definitiva seja mais desenvolvida. E no que diz respeito ao terceiro andamento: embora certos temas se desviem inteiramente dos esboços, há outros que são idênticos em forma nas duas fontes. Significativa, no entanto, é a semelhança e consistência do timbre orquestral, das tonalidades e, acima de tudo, do carácter uniforme das diferentes secções da obra, o carácter que Offenbach descreveu como “militar”. Na verdade, dificilmente pode ser mais militar do que neste andamento - às vezes muito resplandecente e alegre, às vezes inquietante, se não para dizer doloroso - no qual Offenbach antecipa certas reviravoltas de frase Mahlerianas. Quando reunimos todas essas fontes espalhadas e as avaliamos como um todo, elas encaixam-se para formar um importante trabalho do repertório do violoncelo, uma obra que difere significativamente daquilo que até então era apresentado como uma tentativa de reconstrução. Apesar da sua popularidade, o Concerto militaire é um índice revelador da negligência a que Offenbach foi votado, pois, embora a obra tenha sido composta provavelmente em 1847 e o compositor tenha falecido em 1880, a publicação da edição definitiva de Jean-Christophe Keck da partitura, baseada nos manuscritos da obra de Offenbach, publicada pela editora Boosey & Hawkes, só ocorreria em 2004. Até lá, o trabalho era apenas “conhecido”” na reconstrução - orquestração, recomposição e arranjo - do violoncelista Jean-Max Clément. A edição definitiva de Jean-Christophe Keck revela uma obra substancial confeccionada com uma invenção espirituosa, sentimento rico, humor fino, e uma elegância e uma escrita para o violoncelista que raia o impossível. Associado ao finale correcto, um Rondo de cerca de 20 minutos torna nítida a designação “militaire” de Offenbach – o material de repetição, repleto de tambores de parada, possui uma jactância militar que prefigura as referências militares de operetas futuras. SUGESTÃO DE AUDIÇÃO DA OBRA
• Jacques Offenbach: Grand concerto pour violoncelle et orchestre • Edgar Moreau, cello, Les Forces Majeures, Raphael Merlin – Hyperion, 2019
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ROUPA SUJA Antønio Falcão
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ÃO vai acabar já, diz-se que ainda vai durar um par de décadas ou pouco mais. O sopro. Durante o intervalo, coisas estranhas acontecem. Algumas, apenas rasto de ideias. Outras, materializam-se sem entendimento. Indiferente, o argumento diário continua a ser escrito. Quem segura a pena? Sentado à mesa, a separar palavras: bonitas para um lado, feias para o cesto da reciclagem, para que possam ter outra vida. O pensamento surge, murmura e apoquenta-se. Faltam ligaduras. Mas isso também se arranja no mercado dos domingos. O indispensável visco que liga a semente ao solo e forma um texto comprido. Com vírgulas extraviadas. Que atravessam ruas. Materializando, a coisa vai. É país, empresa, aplicação. Um bocado de lata? Não se pode dizer ao certo. Ouve-se falar. Vê-se. Para que a nação avance, o poder está caído para um dos lados. Seres ímpios e invisíveis. Maquinismos que contêm todo o conhecimento e riqueza. Não são homens em cima de guindastes, são aquilo a que chamam números, ou contas de somar. O valor está sempre a subir, como o brilho que ilumina a ignorância. A. B. C. É esta a sigla. Das cronografias. Só uma, para começar. Conceberam essa coisa a que não puseram nome, mas a que todos chamam de Centro. É uma experiência. Como o vulcão ou o colapso de uma mina. Aí, nesse lugar, espaço aborrecido e desmesurado, fica o âmago de tudo. Foi assim que escreveram no livro das cobranças. Teologia base: o âmago de tudo. Medula, talento, clave. Um parafuso no meio do solo. Pense-se num lugar, escolhido com o dedo na esfera a girar: aqui! E o imaculado cosmos nasce. O meio onde se dividem as frequências. É linguagem encriptada, não compreensível na totalidade. Deve deixar-se assim, com pontas soltas e nada em claro, como segurança para o imprevisível. Olhos menos bem-intencionados afloram tentações suicidas. Medo, muito medo. O meio. Na grafia chinesa é um pequenino rectângulo horizontal com um traço vertical que atravessa exactamente o ponto central, deixando uma mão cheia de pixéis de cada lado a cobrir o espaço vazio. Para esta determinada posição, no Centro, convergem milhões de seres vivos munidos de razão desviados dos seus caminhos através de cartografia digital, contradizendo as indicações boca-a-boca. Mapas da Google, da Apple, da Microsoft e outras versões open source, assim como as aplicações que os usam, ou os guias Michelin que se desdobram igualmente com as mãos, prestam indicações desacertadas. A todos eles, num
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Isto não está a correr nada bem ANTØNIO FALCÃO
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raio de cem ou mais quilómetros, essa é outra incógnita, foi dito que era preciso passar por ali. Que passando por ali, pelo âmago de tudo, se encontrava o melhor itinerário. O mais rápido, o mais interessante para a vista. Ao chegarem, atraídos por um magnetismo raro, que lhes empurra as hormonas para fora da tampa, os condutores ou transeuntes desvairados, param. Fazem-no sem juízo aparente. Os carros avariam, a gasolina falta, não há como evitar a necessidade desmesurada de aliviar a bexiga, que emerge sem aviso. Por todas as razões a direcção é aquela. O trânsito é imenso, todas as estradas confluem para o mesmo ponto, exactamente onde está o parafuso, simbolicamente encriptado e colocado como a marca do caos, só para se ter a certeza de que existe. Um ponto no meio de lugar nenhum. Um campo vazio com milhares de toneladas de pavimento onde todos confluem. O primeiro viajante reza, os outros ressoam e transcrevem as coordenadas. Fazem contas à vida. Despedem-se das famílias. Perdendo a compreensão, não chegam a entranhar. Os que regressam, não voltam a ser iguais. O resultado não favorece ninguém. Alguns ainda gritam pela mãe. Engarrafamento milenar.
Outro exemplo, um restaurante. Fica na Metrópole. Projecto pioneiro deixado nas mãos da robótica e da Inteligência Artificial. A polémica estalou quando foi anunciado que neste empreendimento, área com vários milhares de metros quadrados, não iria existir um único empregado. Espaço amplo, como se sugere. No meio – pequeno rectângulo com traço por cima –, fica a cozinha. Eixo autónomo que roda sobre si como os dias que passam, lá em cima, no fuso do guindaste. Lugar ermo, aparafusado, onde por meio de refrigeração severamente controlada se guardam os ingredientes possíveis para a elaboração de todas as gastronomias. Armários metálicos e gavetas desenhados na perfeição. Aqui, por uma equação liminar é possível preparar qualquer receita, ao gosto de cada cliente. O código está aberto. A preferência é executada através de uma aplicação móvel, que acompanha, examina e notifica, sem esquecer o instante mais residual, o batimento cardíaco de cada bálsamo, a desagregação visceral a determinado elemento, a mais oculta agitação do palato. Tudo é contabilizado. A escolha criteriosa do que se vai comer só é efectuada nas primeiras ocasiões, a partir daí a processo de cálculo que navega
no dispositivo sugere e, por critério pleno, acerta. Acerta sempre. Conhece o mais íntimo desejo, aquele ainda não presente na consciência. Representações animadas com a volumetria ideal completam o processo. Imaginação lúdica. Um oceano cresce nas membranas gustativas. O cliente chega, pára à porta do restaurante e a viatura é prontamente recolhida no tapete rolante, para um lugar na rede de estacionamento horizontal e vertical. Lá dentro, já configurado pelo engenho que traz no bolso, encaminha-se para a sua mesa, seguindo indicações cintilantes no chão por entre o labirinto de mesas. A aterragem ocorre sem turbulência. Os passageiros batem palmas. A ergonomia do assento vai sendo melhorada a cada utilização, eliminando desconfortos e aperfeiçoando posturas. Todo o ambiente conferido ao lugar da refeição é recolhido do imaginário. Aromas, sensações, reminiscências oníricas. Traduzidos em calorias, proteínas e nutrientes. A aplicação é configurada de modo a repercutir o gosto do utilizador, não esquecendo desprazeres e alimentos passíveis de rejeição física. Mas até aqui, ao longo dos tempos, o mecanismo vai agregando novos elementos, necessários para a melhoria física e uma saúde melhor, combatendo maus hábitos e ânimos rasos. We are what we eat. As rotinas alimentares traçam o gosto e o desgosto. Uma câmara com reconhecimento facial cria padrões de satisfação e proporciona ajustes em tempo real. A miríade de opções é infinita. Na cozinha, um bailado de braços robóticos sincroniza-se entre si, recolhendo os alimentos frescos, cortados na altura, os refrigerados e os naturais. Corte e temperaturas ideais, fornos e dispositivos a vapor. O resultado é encaminhado para as mesas por uma tapeçaria rolante. Apurado a cada garfada, a escolha e o resultado são sempre perfeitos para o cliente, estabelecendo um padrão biográfico sem igual. As quantidades são ajustadas às necessidades e à purificação da alma. O restaurante também une e proporciona associações entre os utilizadores, juntando-os à mesma mesa. Para os mais ávidos ou solitários, uma companhia virtual que ouve e dialoga é a opção a tomar. De igual modo, o conhecimento flui, proporcionado tempo de qualidade. Nada é desperdiçado. O piscar de olhos. Eficiência energética, estrito controle de produtos e despesa nula com funcionários, minimizam os custos deste prazer gastronómico. No final, a conta é debitada na aplicação e o transporte está à porta. Na segunda oportunidade a primeira impressão é sempre revigorada. O carro não avaria, a gasolina não falta. O cliente volta para novo fluxo de indicações boca-a-boca. Haveria mais para dizer. Ainda não foste à Metrópole? Então estás à espera de quê?
O pensamento surge, murmura e apoquenta-se. Faltam ligaduras. Mas isso também se arranja no mercado dos domingos. O indispensável visco que liga a semente ao solo e forma um texto comprido. Com vírgulas extraviadas. Que atravessam ruas.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 17
terça-feira 16.7.2019
A mulher sem tempo
Contos para normais
U
M dos mitos em que eu ainda acreditava quando cheguei ao Brasil era o de que os brasileiros são nossos irmãos, de que gostam de nós. Para além das piadas que contam de nós, que pode não ser medida de coisa nenhuma, e de ainda nos verem como colonizadores, que pode ser apenas sinal de desatenção, nos mundiais de futebol, de modo geral, torcem contra a selecção de Portugal. Um português normal até aguenta que se riam dele, que o julguem erradamente, mas torcerem contra nós pela Espanha, ou pelos EUA é dose que não aguenta. Já com quatro anos de Brasil, em Floripa, depois de duas horas numa “jam session” com um guitarrista de blues, o “cara” vira-se para mim e diz; “tu até que é legal”. Para portuga, faltou dizer, mas estava implícito, e não era brincadeira. Pois nunca se brinca com o silêncio. Isto vem a propósito dos enganos com que se vive. Alguns não têm importância nenhuma, como o do mito de que os brasileiros gostam de nós, como nós gostávamos deles até nos invadirem a costa, mas outros há que são mais prejudiciais. Clô era professora de inglês e julgava-se cantora. Viveu a sua vida dando aulas como modo de sobrevivência, sem sequer investir muito nisso, sem investir em mais nada, até os seus relacionamentos amorosos e de amizade derivavam de julgar que um dia seria uma grande cantora. Na verdade, ela tinha boa voz e era afinada, mas não conseguia cantar com ninguém, nem com ela mesma, se se acompanhasse ao violão. Só “a capella” conseguia cantar uma música. Como gravava as suas sessões em casa, a solo, percebia que a sua voz era boa e afinada, e resultava daí que culpabilizava todos os músicos de não conseguirem acompanhá-la. Quando a conheci, Clô já tinha mais de quarenta anos e cantava desde a adolescência, numa contínua interrupção de projectos musicais. Evidentemente, à medida que ia envelhecendo, e os possíveis músicos para a acompanharem também, o desfecho dos projectos era mais rápido, nunca passavam do primeiro ensaio, pois a experiência fazia os outros compreenderem imediatamente o que acontecia. Clô não tinha tempo. Só sozinha, por um mistério do universo, conseguia sentir o tempo como parte da música. Acompanhada não tinha tempo nenhum. Dito assim até tem alguma poesia, mas numa sala de estúdio ou num palco a poesia dá lugar a uma enorme frustração. À altura que a conheci, já havia a possibilidade de gravar em muito boas condições, mesmo sem um grande estúdio. Identificado o problema, mas sem lho dizer, pois isso era impossível – como
ABOUT TIME, DANIELLE-NELISSE
Paulo José Miranda
dizer a alguém que se julga bonita que é feia? – gravei-a a cantar duas músicas sozinha. Mais tarde, no estúdio, gravei as guitarras e o baixo. Depois pedi a um amigo para gravar a bateria. Tudo muito pouco convencional, mas resultou. Aquilo que fiz como um agrado, por amizade, acabou por se tornar no pior que lhe podia ter feito. Agora, quando se ouvia a voz dela, com a banda toda certa por trás, não havia quem não quisesse tocar com a Clô, acabando por alimentar-lhe o mito de que era uma
Infelizmente, uma vida não tem modo de se ver a si mesmo errada. estaque
grande cantora. Se antes não adiantava dizer-lhe que nunca poderia cantar ao vivo, com quer que se fosse – nem em “playback”, pois ela teria outros tempos para além ou aquém do tempo do “playback” –, agora era impossível que não se considerasse a cantora que sempre julgou que era. Sem querer, com a melhor das intenções, acabei por contribuir para que o mito crescesse, apagando de vez a possibilidade da Clô se ver na realidade. Só depois compreendi porque é que os seus amigos nunca lhe tinham feito aquilo que eu fiz, de gravar em estúdio uma banda por cima da voz dela: eles compreendiam que isso não ia ajudar a Clô, pelo contrário. Hoje a Clô ainda continua a viver como se fosse uma grande cantora e que por uma ou outra razão ninguém con-
segue ou quer tocar com ela. Irá viver a vida convicta de que o seu mito pessoal de grande cantora é verdade, assim como a maioria dos portugueses acreditando que os brasileiros gostam deles, só por serem portugueses. Infelizmente, uma vida não tem modo de se ver a si mesmo errada. Muitas pessoas neste planeta – as que são privilegiadas, que não pensam apenas em como conseguir água e comida para sobreviver – de um modo ou de outro vivem seus pequenos mitos, que determinam toda a sua vida. Clô continuará a cantar sem tempo, sem ninguém, não fazendo esforços por mais nada, vendo em si mesma aquilo que não é. Ainda que tardiamente, sem querer contribuí para isso. Mas não quero contribuir para o mito da irmandade dos brasileiros com os portugueses.
TEMPO
POUCO
?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09 EXPOSIÇÃO | “CABEÇAS FELIZES” Praça Jorge Álvares | Até 15/08 EXPOSIÇÃO | “DE HOLLYWOOD AO MÓNACO”” Galaxy Macau | Até 28/08 EXPOSIÇÃO | “ENCONTRO INESPERADOS” City of Dreams | Até 31/08
EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM ESPECTÁCULO | FUERZA BRUTA WAYRA MGM Theatre | Até 4 de Agosto
Cineteatro
C I N E M A
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49 4 2 5 1 70 67 36 3 8 6 0 98 29 2 15 1 4 37 3 3 67 06 0 28 2 19 1 5 4 31 3 7 4 9 8 06 20 2 5 M I N0 2 76 M 4 5 0 3 96A X9 23837 H 8 U1M 28 2 1 57 45 4 93 9 6 0 67 46 4 8 3 1 0 95 29 2 5 39 3 01 0 86 28 2 74 7 2 1 65 6 37 43 4 8 90 9 80 98 29 2 4 7 5 13 1 6
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PISCINA DO BAIRRO 41
3
THE WHITE STORM 2 DRUG LORDS TOY STORY 4 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Colley 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2
SPIDER-MAN: FAR FROM HOME [B] Um filme de: Jon Watts Com: Tom Holland, Samuel L. Jackson,
5 89 7 51 • 78 60 03 4 32 6
2 9 4 8 0 25 4 6 9 5 3 47 17E U 21R92O 26 82 78 0 8 56 1 7 3 3 4 60 59 15 1
81 38 3 2 6 71 0 3 25 4 0 9 499 .40 80 17 1 54 5 7 92 98 9 6 6 75 7 23 82 8
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6 6 9 3 1 5 4 2 7 7 5 2 8 7 6 3 1 9 2 7 4 0 9 2 8 5 6 8 0 1 2 4 3 6 9 5 BAHT 0.26 YUAN 1.17 3 4 8 9 0 1 2 7 3 5 3 7 6 5 8 1 0 2 9 8 CÃO 5 7 3 0 9 4 1 VIDA DE 0 1 0 4 2 9 5 6 8 1 2 6 1 8 7 0 3 4 A DEMISSÃO 4 9 3 5 6 4QUE 7 8 0
NÃO ACONTECE
40
3 0 9 76 47 4 8 2 15 1 2 4 93 9 5 06 0 7 1 8 78 27 92 9 5 01 30 63 6 4 5 61 76 7 0 83 48 4 2 9 15 1 83 48 74 97 9 20 2 6 78 7 1 94 29 2 5 60 6 3 24 2 0 5 3 6 7 19 1 8 0 30 3 2 78 97 9 1 45 64 6 6 14 1 20 82 8 73 7 9 5 6 48 24 12 71 37 93 9 5 0 1 69 6 87 58 5 42 4 0 3 9 50 35 63 46 24 12 1 8 7 82 8 4 1 9 3 5 76 7 0 1 61 6 0 25 82 8 7 93 49 4 37 3 25 62 06 10 1 48 4 9 93 9 8 41 04 0 6 72 7 5 60 76 37 3 1 49 54 85 8 2 7 92 69 6 3 45 84 8 0 1 9 9 5 8 04 20 2Em 6Mandeville, 07 0 uma 91 9aproveita 1 73no 7 4 5 8 família 6 3as cheias 2 Estado norte-americano do Louisiana,
provocadas pelo Furacão Barry para usar a rua como piscina. Este furacão foi o primeiro da época a atingir o Louisiana.
1 7 8 54 65 6 9 0 2 32 93 9 06 80 8 47 14 1 6 06 40 14 1 2 53 75 87 98 5 2 3 97 19 1 0 6 4 9 8 36 3 7 24 2 1 5 57 5 01 0 8 39 3 62 6 48 54 95 9 1 60 36 73 7 0 0 1 52 5 4 87 8 9 63 4 4 6 20 32 53 15 1 8 79 3 9 87 8 6 42 4 5 0 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 41
3 5 9 8 0 4 2 6 7 1
42
42
5 5 2 39 17 48 80 54 71 3 6 6
46 0 3 31 4 8 05 7 9 12
PROBLEMA 42
14 8 26 63 39 47 80 92 5 71
91 5 2 6 3 4 8 9 0 87
39 7 0 2 1 5 6 3 4 58
73 1 54 80 62 39 17 06 8 45
87 9 5 58 6 3 31 0 2 94
8 6 71 45 50 12 93 84 7 9
02 3 7 4 5 1 9 8 6 30
0 4 8 9 7 6 2 5 1 3
45
A situação política em Hong Kong está longe 9 de 4 ter0fim1à vista 7 e6a situa5 8 ção pode ter implicações na relação 7 3tem5com9outros 0 países 1 2do4 que a China Ocidente, 8 ainda 6 4que5já se2tenha 9 perce0 7 bido que nem sempre a comunidade 2 1 8 6 3 7 9 5 internacional dá a devida a devida 3 2 a1questões 8 6 políticas 0 4 9 importância ou de 6 direitos humanos quando 5 9 4 8 3 1 se2 trata da China. Agora é o Financial 2 5 que8 Carrie 6 1 Times0que7vem3escrever Lam até se quis demitir, mas a China 4 9 7 0 1 5 3 6 não deixa. Depois de ter dado uma 5 0onde2 chorou 7 9e falou 4 8do3 entrevista seu amor por Hong Kong, 1 8 6 3 4 2a Chefe 7 0 do Executivo quis sair depois de ter largado a bomba. Se a China não aceita47 a sua demissão, a governante mais não pode fazer do que retirar 1 2de lei 5 da8extradição, 0 7 4e é3 a proposta se quer3manter o mínimo 0 7 6 1 de5ordem 8 9 e de estabilidade na região. É certo 6 4altura 3 destas, 7 9a0 que, numa saída2da1 governante e o agendamento 9 8 4 5 2 1 de0no-6 vas eleições poderia ser ainda mais 0 8 3política 7 2 caótico5no 9 meio6da confusão que já2se vive 3 1em 4Hong 5 Kong. 8 6Os0 jovens saíram à rua onde clamam não 4 7 2 3 6 9 5 8 só pelo fim da lei da extradição, mas 8 por 6 mais 9 democracia, 2 7 4 e1tão5 também depressa não vão sair de lá. Atirem, 0 1 8 9 4 6 3 7 por isso, a proposta de lei para um 7 5ninguém 0 1 se3lembre 2 9 lugar onde de a4 ir buscar. Andreia Sofia Silva
EURO TRUCK SIMULATOR 2 | SCS SOFTWARE (2012)
É um jogo de simulação de camiões, viciante, diz quem já experimentou. O jogador cria uma empresa e instala-se ao volante. Depois é viajar pela Europa fora e disfrutar de magníficas paisagens, enquanto faz a entrega de mercadorias e capitaliza o negócio, para adquirir novas viaturas e contratar mais motoristas, num ciclo vicioso que promete muitas noites sem dormir. São milhares de quilómetros de estrada a percorrer, sem cometer infracções de trânsito ou danificar a carga, que pode ir dos guindastes e helicópteros até ao peixe congelado ou ao ácido sulfúrico. O jogo existe para PC e Mac, mas é aconselhado um comando de consola universal, ou a compra de um volante, para ficar mesmo agarrado. Raquel Moz
Jake Gyllenhaal, Zandaya 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3
THE WHITE STORM 2 DRUG LORDS [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Herman Yau Com: Andy Lau, Louis Koo, Michael Min 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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70 57 4 4 3 8 8 1 6 2 6 0 - 9 5 %8 5 6 3 3 09 1 1 4 2 45 89 8 07 60 40
UM JOGO HOJE
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S U D O K U
18 (f)utilidades
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Scott Olson
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terça-feira 16.7.2019
macau visto de hong kong
DAVID CHAN
ARAtodos os estudantes do ensino secundário de Hong Kong o dia 10 de Julho é um marco importante, porque é nesse dia que são anunciados os resultados dos exames finais de curso, designados por HKDSE. Deste resultado depende o futuro dos estudantes. Os que passarem continuam rumo à Universidade, os que não passarem rumam em direcção ao mundo do trabalho. Dos exames deste ano destacaram-se 12 campeões. Os ditos campeões são alunos que ficam classificados em primeiro lugar em pelo menos sete disciplinas. Ao contrário dos anos anteriores, dois destes campeões não vieram das escolas tradicionalmente mais importantes. Esta mudança demonstra que os resultados dependem em muito do empenho dos estudantes. Quem trabalha com afinco tem necessariamente boas notas. Às escolas, aos colegas e aos pais cabe o papel de formação e encorajamento, o papel de apoio aos candidatos. Mas o mais importante é o esforço de cada um. Esperemos que esta mudança sirva para que os estudantes, que não frequentam as escolas mais afamadas, compreendam a importância do empenhamento pessoal. Esta é a grande verdade. O HKDSE é um exame público. Os enunciados são criados pela Autoridade de Examinação de Hong Kong. As grandes vantagens do exame público são a objectividade e a equidade. É muito difícil haver fugas dos conteúdos destes enunciados. Usar os mesmo critérios de avaliação para todos, faz com que a credibilidade dos exames seja bastante elevada. Em Macau, para acesso às quatro Universidades, existe apenas um exame conjunto. Futuramente o exame de acesso à universidade irá fundir-se com o exame final do secundário e terá a sua importância acrescida. Este ano, apresentaram-se 56.000 candidatos ao HKDSE. Nos anos 80, apenas existia o Exame de Certificação Educativa de Hong Kong (HKCEE – sigla em inglês). O exame actual, o HKDSE, ainda não tinha surgido. Todos os anos, cerca de 130.000 candidatos participavam no HKCEE. Nesta época, quando o candidato falhava o exame, tinha de repeti-lo no ano seguinte ou ingressar directamente no mundo do trabalho. Hoje em dia a situação é muito diferente. Actualmente, quando o estudante não tem resultados satisfatórios, embora não possa ingressar directamente na Universidade, tem a possibilidade de aceder a um progra-
LEON ZERNITSKY
P
Somos campeões
ma de equivalências onde pode obter um bacharelato e futuramente uma formatura universitária. À medida que o tempo passa o sistema educativo muda. Quanto mais facilitado for o acesso às universidades, menos valor terão os cursos superiores. Nos anos 80 um curso superior dava acesso imediato a uma posição bem remunerada, os licenciados passavam a pertencer à classe média e construiam uma vida confortável. Podiam comprar casa, carro e criar uma família. Mas hoje em dia, quer seja em Macau ou em Hong Kong, quem é que pode atingir esse nível de vida quando acaba a Universidade? A popularização do ensino superior provocou a sua própria desvalorização e os estudantes deixaram de acreditar que o curso lhes vá proporcionar um bom futuro.
Esta situação acaba por desencorajá-los e isso ressente-se nos estudos. Não se aplicam o suficiente porque não acreditam que o seu esforço vá verdadeiramente dar frutos e acabam por sair da Universidade mal preparados. Se uma geração com poucos
Em Macau, para acesso às quatro Universidades, existe apenas um exame conjunto. Futuramente o exame de acesso à universidade irá fundir-se com o exame final do secundário e terá a sua importância acrescida
conhecimentos vier a ocupar lugares de destaque, que tipo de sociedade nos espera? O principal objecivo da Universidade é a formação de pessoas especializadas de forma a permitir o bom funcionamento da sociedade no seu todo. A conjuntura social não pode ser controlada pela Universidade, mas os factores que a condicionam afectam directamente o desempenho académico dos estudantes. Se as condicionantes actuais se mantiverem, é pouco provável que o desempenho académico em termos globais melhore e, em última análise, a vítima da situação será a sociedade em geral. Cumprimentemos os campeões que obtiveram as melhores notas nos exames; no entanto, e ao mesmo tempo, devemos reflectir sobre os resultados académicos em termos globais.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
“Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.” Jean-Paul Sartre
PALAVRA DO DIA
Saúde Detectado nono caso importado de febre de dengue
HONG KONG DEPUTADOS APELAM AO DIÁLOGO APÓS PROTESTOS DE DOMINGO
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EPUTADOS de Hong Kong dos dois lados do espectro político, pró-democracia e pró-China, apelaram ontem ao diálogo como resposta aos recentes confrontos violentos entre polícia e manifestantes. A manifestação de domingo no distrito de Sha Tin, em Hong Kong, foi pacífica durante a maior parte do dia, mas o clima de tensão aumentou quando as autoridades começaram a dispersar as multidões nas ruas, depois do anoitecer. Alguns manifestantes abrigaram-se num complexo de lojas, onde estes e a polícia se agrediram com chapéus-de-chuva e bastões. Tanto os deputados pró-democracia como os que apoiam o Governo central liderado pelo partido comunista da China realizaram ontem conferências de imprensa para abordarem os confrontos. “Ambos os lados têm de se chegar à frente e estabelecer canais de comunicação”, disse o deputado pró-Pequim, Starry Lee. “Eu penso (que Carrie Lam) e também o gabinete responsável devem responder a este problema. Caso contrário, Hong Kong será o perdedor e nenhum cidadão de Hong Kong quer ver isto repetir-se outra e outra vez”, acrescentou. A deputada pró-democracia, Claudia Mo, descreveu o conflito recente como “a maior crise política e governativa que Hong Kong alguma vez enfrentou”. “Hong Kong teve dificuldades em lidar (com a situação). Nós apelamos, mais uma vez, para que Carrie Lam dê a cara e enfrente o povo”, disse Mo.
terça-feira 16.7.2019
À margem da lei China mantém familiares de activista uigur em detenção extrajudicial – AI
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Amnistia Internacional (AI) denunciou ontem que as autoridades chinesas mantêm detidos, sem acusação formal, trinta familiares de Rebiya Kadeer, activista da minoria étnica chinesa uigur que vive nos Estados Unidos. “A data exacta em que foram levados não é clara. No entanto, assume-se que foram arbitrariamente detidos em campos de doutrinação política e correm risco de sofrer tortura e outros maus-tratos”, disse a organização de defesa dos Direitos Humanos, em comunicado. Pequim enfrenta crescente pressão diplomática devido às acusações de que mantém detidos cerca de um milhão de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, em
centros de doutrinação política na região do Xinjiang, extremo noroeste do país. Ex-detidos afirmam que foram forçados a criticar o islão e a sua própria cultura e a jurar lealdade ao Partido Comunista Chinês (PCC), numa reminiscência da Revolução Cultural (1966-1976), lançada pelo fundador da República Popular da China, Mao Zedong. “Muitos dos detidos são atacados porque foram encontrados a orar, possuem livros religiosos, viajaram para o exterior ou têm familiares a viver além-fronteiras”, revela a AI. As autoridades de Xinjiang detiveram irmãs, irmãos, filhos ou netos de Kadeer, visando “silenciar” a activista, acusa. A organização não-governamental apela ainda ao Presidente chinês, Xi Jinping, que
liberte de forma “incondicional e imediata” os membros da família Kadeer, a menos que haja provas credíveis suficientes de que estes cometeram um crime reconhecido internacionalmente. Rebiya Kadeer, que integrou a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo da China, foi presa em 1999 e condenada a oito anos de prisão por “roubar segredos de Estado”. Em Março de 2005 foi libertada e exilou-se nos Estados Unidos. Desde então, a AI diz que a sua família “tem sido perseguida pelas autoridades”. Kadeer tem feito campanha pela libertação dos seus familiares e pediu ao Congresso e ao Governo dos Estados Unidos que abordem o seu caso com o Governo chinês.
Os Serviços de Saúde registaram ontem um novo caso de febre de dengue, elevando para nove o número de casos ‘importados’ desde o início do ano, e voltaram a apelar à prevenção. Em comunicado, as autoridades informaram que o paciente, um residente de 44 anos, esteve na Tailândia entre 3 e 7 de Julho, tendo apresentado os primeiros sintomas três dias após o regresso a Macau, a 10 de Julho. A febre já desapareceu e o paciente encontra-se internado, mas estável, segundo a mesma nota. Desde o início do ano, os Serviços de Saúde diagnosticaram nove casos de febre de dengue importado: quatro do Camboja, dois da Malásia, um das Filipinas, um de Singapura e um da Tailândia. Nas Filipinas, as autoridades declararam ontem estado de alerta nacional devido a um grave surto de dengue que já provocou, desde o início do ano, pelo menos 456 mortos, a maioria crianças com menos de cinco anos. A propagação do dengue naquele país asiático aumentou 85 por cento comparativamente a igual período do ano passado, com mais de 106 mil casos confirmados.
ÍNDIA DESMORONAMENTO DE PRÉDIO FAZ PELO MENOS DOZE MORTOS
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M prédio de três andares desmoronou após chuvas torrenciais que atingiram uma região montanhosa do norte da Índia no domingo, matando pelo menos doze pessoas, disseram ontem as autoridades. Mais de uma dezena de soldados estão entre as 31 pessoas resgatadas após o desmoronamento do prédio na cidade de Solan, a 310 quilómetros a norte de
Nova Deli. A polícia indicou que entre os mortos estão 11 soldados do exército e um civil. A maioria das vítimas estavam sentadas num restaurante localizado no piso térreo do prédio quando este desabou. O oficial dos bombeiros Raja Ram Bhagate declarou que entre os soldados do exército faziam uma festa no restaurante localizado no piso térreo
do prédio quando desmoronou. Os corpos de 11 soldados, além de um civil, foram recuperados dos escombros de um prédio de três andares que desabou após as chuvas de monção atingirem uma área no norte da Índia, anunciaram ontem as equipas de resgate. Gaurav Srivastav, funcionário da Força Nacional de Resposta a Desastres (NDRF, sigla em inglês),
disse que os socorristas continuam a procurar por duas ou três pessoas ainda desaparecidas depois do colapso do edifício. Mais de 70 equipas de resgate da NDRF e 40 bombeiros têm limpado os escombros, usando máquinas de terraplenagem, perfuradores e cortadores de gás com o objectivo de encontrar as pessoas soterradas.
O desmoronamento de edifícios é comum na Índia durante a estação das monções de Junho a Setembro, quando fortes chuvas enfraquecem as fundações de estruturas mal construídas. No ano passado, mais de 1.200 pessoas morreram e a região indiana de Kerala sofreu suas piores inundações em quase 100 anos.