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Hoje Macau 16 NOV 2015 #3454

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Director carlos morais josé

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

s e g u n d a - f e i r a 1 6 d e n o v e m b r o d e 2 0 1 5 • ANO X V • N º 3 4 5 4

hojemacau

Paris não arderá O islamofascismo atacou os nossos quotidianos. Em França, no Líbano, no Iraque. Ao mesmo tempo. O mundo vai responder. Mas ainda não sabemos como. A opinião de Rui Flores na página 22 grande plano

Salas VIP

ONU

A exigência de ser A diminuição do número de salas VIP faz levantar sobrolhos e baixar expectativas. Mas quem percebe da poda garante que o grande negócio vai continuar.

pub

reportagem Páginas

8-9

Jason Chao em Genebra Página 11

h

A Europa eAmélia o seu rapto Vieira

Alexis Tam

LAG 2016

Raimundo do Rosário

São muitas Em busca promessas da eficácia perdida por cumprir política Páginas

4-5


grande plano Q 2

uinta-feira, Beirute, no Líbano, mais de 200 feridos, alguns deles graves, e 43 pessoas mortas. Sexta-feira, manhã: Bagdade acorda com a morte de pelo menos 18 pessoas e com outras 41 feridas. O dia 13 à noite, em Paris, fica marcado pela morte de 129 pessoas e mais de 300 feridos, uma centena em estado grave. São os números dos mais recentes ataques do auto-proclamado Estado Islâmico (EI), que conduziu dezenas de ataques terroristas em diferentes locais do globo no fim da semana. O Líbano ainda chorava as vítimas - depois de dois ataques separados numa mesquita e numa padaria no bairro de Burj al Barajneh, em Beirute, onde dois bombistas suicidas foram os perpetradores do mais violento atentado no país desde 1990 -, quando Bagdade acordou com um militante do EI a fazer-se explodir num funeral de um voluntário das forças militares que combatem o grupo. À noite, o terror espalhava-se em Paris: pelo menos 129 mortos, entre os quais um português de 63 anos e uma luso-descendente com 34, 352 feridos, 99 em estado grave. Oito terroristas, sete deles suicidas, usaram cintos com explosivos para levar a cabo os atentados, depois de terem disparado aleatoriamente contra pessoas em bares e restaurantes com armas automáticas. Morreram, segundo fontes policiais francesas, mas não sem antes provocarem o caos em seis locais diferentes da cidade, como a sala de espectáculos Bataclan e o Estádio de França. Um dos bombistas tinha nacionalidade francesa, sendo que o pai e o irmão estão detidos e buscas decorrem nas suas casa. “O promotor de Paris, François Molins, disse que um dos terroristas do Bataclan foi identificado através de impressão digital como um francês de 29 anos, nascido em Courcouronnes, a sul de Paris, que estava identificado por delitos menores e que era seguido desde 2010 por ligações com jihadistas radicais”, pode ler-se na imprensa. Pelo menos 20 estrangeiros estão identificados como tendo morrido durante os ataques. A França decretou o estado de emergência e restabeleceu o controlo de fronteiras na sequência daquilo que o Presidente François Hollande classificou como “ataques terroristas sem precedentes no país”. Hollande prometeu guerra contra o EI, de forma “implacável”.

“O início da tempestade”

Os ataques à volta do mundo têm todos a mesma justificação: além de serem “em nome de

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Estado Islâmico ataca em Beirute, Bagdade e Paris. “É só início da tempestade”

Em nome de um deus

Beirute

Alá”, servem para “vingar” o profeta e aquilo que o EI considera ser um insulto à sua fé. Num comunicado, traduzido na íntegra pelo jornal i, os militantes dizem que isto é apenas o início de uma maior tempestade que aí vem e, nas redes sociais, admitem que Washington, Lon-

Bagdade

dres e Roma são os próximos alvos a atacar. “(...) Num ataque abençoado por Alá, que facilita as suas causas, um grupo de soldados crentes no califado, a quem Alá deu poder e vitória, teve como alvo a capital da abominação e da perversão, aquela que carrega a

China solidária com a França

O

governo da China afirmou que está “profundamente comovido” e “condena firmemente os ataques terroristas”. “O terrorismo é o inimigo de toda a humanidade e a China apoia firmemente a França nos seus esforços para combater o terrorismo”, disse Hong Lei, porta-voz do ministério das Relações Exteriores. A China transmite “profundos pêsames” a França, completou. Eventos como os ataques em Paris tornaram crucial para as economias mais importantes do mundo ficarem fortes e aumentarem a sua solidariedade, afirmou no sábado o vice-ministro das Finanças da China, Zhu Guangyou. “Embora reconheçamos os riscos colocados pelo terrorismo e o seu grande impacto negativo sobre o desenvolvimento económico, devemos dar a nossa devida resposta a isso”, disse Zhu. “Devemos trabalhar juntos, temos de melhorar a nossa solidariedade.”

bandeira da cruz na Europa, Paris. Um grupo que se divorciou da vida avançou contra o inimigo, buscando morte no caminho de Alá, resgatando a religião, o Profeta e os seus aliados e humilhando seus inimigos”, pode ler-se no comunicado, que acrescenta que o Bataclan foi atacado devido à

“festa de perversidade” que lá acontecia – era um concerto da banda de metal Eagles of Death Metal – que o Estádio de França foi um alvo por “o imbecil do Hollande” participar no evento. O EI fala em “louvor e mérito de Alá” pelos ataques e deixa um aviso: “França e aqueles que seguem este caminho têm de saber que continuam a ser os principais alvos do Estado Islâmico e que continuarão a sentir o odor da morte por terem tomado a frente da cruzada, por terem insultado o nosso profeta, por se terem gabado de combater o Islão em França e por atacarem os muçulmanos no califado com os seus aviões (...). Este ataque é apenas o começo de uma tempestade e um aviso para aqueles de vós que querem aprender a lição.” França, recorde-se, foi um dos países que avançou com bombardeamentos na Síria.

Macau “indignado”

O Governo de Macau manifestou “indignação” pelos atentados de


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silencioso

Muçulmanos em todo o mundo criticam atentados

Muçulmanos em todo o mundo fizeram questão de invadir as redes sociais criticando os atentados levados a cabo pelo Estado Islâmico e ressalvando que estes não são feitos em nome de uma fé verdadeira. Além de comentários individuais, também a campanha “Not in My Name” tem merecido destaque. Esta engloba muçulmanos do Reino Unido, que se juntam para repudiar os ataques terroristas do EI. Também ontem, o imã da Mesquita Central de Lisboa, Sheik David Munir, condenou os ataques em Paris, enquanto cerca de 30 pessoas ligadas ao Partido Nacional Renovador (PNR) se manifestavam à porta daquele templo. “Ficámos chocados e tristes, como qualquer pessoa de bom senso. O mais chocante para um muçulmano é que quem fez aquilo seja também muçulmano, porque Islão significa Paz”, afirmou. “Não temos culpa do que se passou lá [em Paris], também estamos tristes e fizemos orações pelas vítimas”, disse.

Turquia Mais um atentado do EI

Um militante do Estado Islâmico (EI) fez-se explodir durante uma operação da polícia turca, no sábado, na cidade de Gaziantep, na fronteira com da Turquia com a Síria, ferindo quatro polícias, um dos quais em estado grave. Durante o assalto realizado pela polícia anti-terrorista a um apartamento de um bairro da cidade, um bombista suicida accionou os explosivos atados ao corpo. A cimeira do G20, onde estão presentes alguns dos principais chefes de Estado mundiais, está a decorrer na Turquia. As autoridades turcas tinham morto quatro suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico dias antes do ataque.

França pede reunião dos ministros do Interior da UE paris

Paris, em que morreram pelo menos 127 pessoas, e expressou solidariedade com as famílias das vítimas. “O Governo da Região Administrativa Especial de Macau está atento aos ataques terroristas ocorridos em Paris, França, na noite do dia 13 de novembro, manifestando surpresa e indignação em relação ao incidente e expressando solidariedade para os familiares das vítimas”, lê-se num comunicado. O executivo de Macau, uma região chinesa com administração especial, lançou, por outro lado, um “alerta de segurança de viagem a França”, seguindo as recomendações da embaixada da China em Paris. O executivo de Macau garante, ainda, que apesar de o território ser “uma região com baixo risco de ataques terroristas, os serviços de segurança têm aplicado as disposições e executado a lei de forma a enfrentar possíveis situações de risco”.

Além disso, “as autoridades de Macau e das regiões vizinhas têm trocado informações, de forma estreita, sobre o trabalho contra o terrorismo” e “têm-se reunido, de forma regular, e realizado simulacros bilaterais, tomando medidas efectivas para prevenir todos os tipos de criminalidades terroristas”. Ontem, até ao fecho desta edição, nenhum residente de Macau pediu ajuda ao Governo, sendo que “nenhum grupo de excursionistas foi afectado por qualquer ataque”. O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) já emitiu alerta de segurança de viagem a França e apela aos residentes de Macau que pretendem viajar até lá para reconsiderarem os planos de viagem. Aos eventuais residentes de Macau que estejam em França, o Governo pede que não deixem as suas casas. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A França pediu ontem a realização em Bruxelas de uma reunião extraordinária dos ministros do Interior da União Europeia (UE) a 20 de novembro, próxima sexta-feira, para “reforçar” a luta anti-terrorista depois dos atentados de Paris. Em comunicado, o ministro francês responsável pela administração interna, Bernard Cazeneuve, deu conta do pedido de reunião considerando que o “combate” ao terrorismo “deve ser fortalecido a todos os níveis e particularmente ao nível europeu e internacional”.

Quatro feridos portugueses tiveram alta

O secretário de Estado das Comunidades revelou ontem que quatro portugueses feridos nos atentados de sexta-feira em Paris “já tiveram alta” e um outro “permanece internado”, mas que o seu estado de saúde “não é grave”. Sábado, José Cesário confirmou a morte de dois portugueses, um homem, de 63 anos, vítima do atentado ocorrido junto ao Estádio de França, e uma mulher, luso-descendente, nascida em França em 1980, que estava na sala de concertos Bataclan, alvo do atentado mais mortífero na noite de sexta-feira na capital francesa. Quanto ao português que ainda se encontra internado num hospital parisiense, José Cesário adiantou que o mesmo, nascido a 5 de junho de 1980, será hoje visitado pelos responsáveis do Consulado de Portugal em Paris.


política

Oito meses não só não foram suficientes para Alexis Tam cumprir as promessas como, dizem alguns deputados, há pastas em pior situação do que estavam, como a Educação e a Saúde

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Assuntos Sociais e Cultura Alexis Tam ainda tem muito por cumprir

Muita promessa, pouca uva amigos. Dar a face e fazer coisas implica dizer que o trabalho deste ou aquele está errado. Aqui não se faz isso”, argumentou. Muito coisa está mal, diz, e as promessas de Alexis Tam não passaram, para Cheong, disso mesmo. “A atribuição de apoios para as questões sociais é outro problema. Só se dá ao amigos, os outros ficam de fora. Eu tenho consciência que não recebo apoios porque critico o Governo, digo o que está mal. Se eu fosse como outros que dizem sempre que está tudo bem talvez tivesse apoio”, lamenta, sem apontar o que pode esperar das LAG para 2016, que Alexis Tam vai apresentar no próximo mês.

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lexis Tam tentou mas não conseguiu. A análise é dos deputados Au Kam San e Pereira Coutinho, bem como de Alberto Cheong, da área da solidariedade social. No entanto, é salientado um esforço, apesar de não ter conseguido atingir os seus objectivos. Agora resta esperar por amanhã, dizem, para saber o conteúdo, as eventuais novidades, das Linhas de Acção Governativa (LAG). “[Alexis Tam] teve um desempenho positivo, não nego. Acho que tomou decisões rápidas, mas foi muito mais subjectivo do que objectivo”, apontou Au Kam San.

Tratar da Saúde

A pasta da Saúde é um dos problemas mais evidentes. Quem o diz é o deputado José Pereira Coutinho, que não tem dúvidas quanto ao prazo de melhoramento imposto por Alexis Tam nos Serviços de Saúde: “Nunca deveria ter existido este tempo de tolerância, o director deveria ter sido demitido de forma imediata”. O Secretário dera um ano a Lei Chin Ion para apresentar mudanças. Para o deputado, nada foi resolvido e o sistema de saúde, tanto para utentes como profissionais, conseguiu ficar “pior do que já estava”. A concordar com isto está Au Kam San, que defendeu que esta é uma das áreas mais carente de soluções, logo seguida da Educação. Também a situação dos idosos continua a ser um problema para Alexis Tam resolver. “Não há lares suficientes, não há creches suficientes”, aponta o deputado, também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública.

Educação coxa

A fraca aposta na educação é possível de ver através da qualidade dos cursos, diz ainda. “As licenciaturas [em Macau] são demasiado facilitadas, as universidades parecem empresas e isso coloca em causa a qualidade do ensino. Tirar um curso aqui é fácil. Já para não falar da falta de preparação dos alunos

Pouca crença, muitas dúvidas

em termos linguísticos, não falam Mandarim, têm um péssimo Inglês. Então do Português nem é preciso dizer nada”, remata. A atribuição dos apoios à formação foi também um dos pontos referidos por Pereira Coutinho na sua análise. “Há ilegalidades atrás de ilegalidades. Há funcionários públicos que criam empresas para que lhes sejam atribuídos subsídios. Ou até outros exemplos, como o caso da Universidade de São José. Então o Governo atribui 250 milhões de patacas e agora todo o processo está em litigioso. Onde está a fiscalização do erário público?”, argumenta. A falta de uma aposta na formação política é outra das lacunas nas políticas de Alexis Tam, como frisa o deputado. “Os jovens não sabem o que é política, não sabem fazer

política. Se perguntarem a alguns jovens o que se faz na Assembleia Legislativa eles não sabem. Em Macau não se ensina política, basta olhar para Hong Kong, que tem um departamento de política, aqui mistura-se a política com a Educação Cívica que são coisa completamente distintas”, aponta Pereira Coutinho, frisando que as “famílias já perceberam que é melhor mandar os filhos estudar para outros países”.

Amiguismo militante

“Aqui não nos falta dinheiro. A nossa situação económica pode permitir um desenvolvimento muito bom do território, com boas condições. Mas isto não acontece. [O Governo] não ouve as pessoas, não quer ouvir opiniões diferentes nem pensar de forma diferente.

Não aproveita a diversidade de experiências culturais que aqui tem, como as pessoas que estudaram nos Estados Unidos da América, a comunidade portuguesa, ou aqueles que se formaram em Inglaterra. Não. Aqui só interessa a opinião dos próprios governadores. E é a única coisa que conta”, dispara Albert Cheong, presidente da Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Visual. Questionado sobre as promessas avançadas por Alexis Tam, Albert Cheong não tem dúvidas. “Nunca se fará nada. Aqui todos se conhecem, são todos amigos e culturalmente não damos a face. Dar a face implica assumir que algumas coisa está errada. Os cargos do Governo são ocupados por pessoas que se conhecem, que são

O que está dito, está dito Esta é uma das pastas mais complicadas, pela acumulação de áreas a tratar ou simplesmente pelos problemas estruturais que apresenta. Alexis Tam assumiu, há oito meses, o fardo de tratar da Saúde, Educação e Cultura e as promessas foram muitas durante a apresentação das LAG para o ano que decorre. Educação. O Secretário prometeu apostar na língua portuguesa, transformando

Macau “numa base de formação na região da Ásia-Pacífico”, promovendo também a formação de docentes de língua em causa e a criação de mais cursos relacionados com as duas línguas oficiais de Macau. Um desenvolvimento do regime de avaliação do ensino superior e um reforço da educação nacional marcaram presença na lista de promessas. Saúde. Alexis Tam repetiuse na promessa da construção

do Hospital das Ilhas e na criação de mais lares para os idosos que continuam a penar numa lista de espera quase infindável. A pasta da Saúde foi, durante a apresentação das LAG um dos temas mais mencionados pelos deputados e o próprio Secretário, tendo inclusive garantido que Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS) não “arrumasse a sua casa”, num prazo de um ano, seria despedido. A actualização dos montantes

Cumprir aquilo que disse é a chave para o futuro, conforme apontam os analistas. Albert Cheong não tem grandes expectativas para a apresentação das LAG para o próximo ano, mas ainda assim acredita que a resolução das situações passará por “ouvir quem tem críticas a fazer, quem tem opiniões a dar”. Para Pereira Coutinho tudo é muito duvidoso. “É melhor esperar para ver”, diz, sendo que o que é mais preciso “é resolver o que ainda está mal” ou aquilo que está claramente “a piorar”. O deputado Au Kam San defende que Alexis Tam e a sua equipa precisam de reunir esforços na pasta da Saúde. “Há muitas coisas a melhorar, admito que Alexis Tam tentou fazer muito, e fez algumas coisas, mas não foi o suficiente. Sei que já foi feito algum recrutamento, os horários já foram alargados, mas nada disto é suficiente. É preciso melhorar mais”, explicou ao HM. Uma boa aposta tanto na saúde como na educação irá evitar “erros passados”. Filipa Araújo (com Tomás Chio)

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

do subsídio para idosos e de invalidez foram outras promessas avançadas, assim como atingir as 10 mil vagas nas creches do território. Turismo. Alexis Tam prometeu um Plano Geral do Desenvolvimento do sector, algo que até ao momento não aconteceu. Em Abril, cem dias depois de assumir o cargo, Alexis Tam garantiu que caso não cumprisse as funções apresentaria a sua demissão. “Prometo que se não fizer bem [o meu trabalho] voume demitir do cargo”, disse

durante a apresentação das LAG. Oito meses depois, “o trabalho ainda nem a meio vai” e a situação de Macau “está cada vez pior”, conforme classificam os analistas ouvidos pelo HM.


política 5

Terrenos, habitação, trânsito. É nestas áreas que Raimundo do Rosário deverá focar a sua atenção nas LAG 2016. Mas o que se pede é, sobretudo, maior eficácia e capacidade de realização

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aimundo do Rosário, Secretário para as Obras Públicas e Transportes, terá de apresentar soluções para quase tudo nas novas políticas das suas Linhas de Acção Governativa 2016, no próximo mês. Mas duas associações do sector e o director-executivo da CESL-Ásia, António Trindade colocam o dedo na ferida: antes de apresentar medidas para a falta de habitação, de terrenos ou o excesso de trânsito, Raimundo do Rosário terá de trazer maior eficácia ao Governo. “Tenho a expectativa de se poder começar a implementar, de facto, políticas. Tem-se falado de várias questões, de repente falam-se dos terrenos e das infra-estruturas públicas, que são claramente insuficientes e que precisam de uma actualização. Mas das ideias às concretizações vão normalmente cinco a sete anos. Espero que, pelo menos, seja o primeiro dos próximos cinco anos”, disse António Trindade ao HM. Para o responsável da CESL-ÁSIA, “é preciso maior eficácia”, começando pela “decisão” de se fazer as coisas. “Não é compreensível que os projectos sejam adjudicados e depois demoram 20 anos a concretizar, como é o caso do metro ligeiro ou do Terminal do Porto Exterior”. Addy Chan, da Associação de Engenheiros de Macau, defende que o Governo deve resolver o problema do tráfego e dos terrenos. “Esperamos que possa criar um sistema mais completo e padronizado. Na maior parte dos casos um dirigente tem uma ideia e outro já tem uma ideia diferente e depois o progresso é bastante lento. Se todos puderem seguir os padrões, o Governo pode iniciar os trabalhos de forma mais rápida”, explicou ao HM. Tong Ka Io, presidente da Associação Iniciativa de Desenvolvimento Comunitário de Macau, espera do Secretário um foco “na habitação pública, terrenos e transportes”. “O Governo não está a dar resposta às expectativas das pessoas e esperamos que esse seja o foco dos debates. Não será fácil, porque

Obras Públicas Pedida mais eficácia e concretização de políticas

Pôr as mãos na massa desde o início, em 2010, com o primeiro mandato de Chui Sai On, já se havia prometido medidas nestas áreas, mas ao longo destes anos não temos visto nenhum progresso e a situação até piorou. Espero que o Governo possa fazer melhor”, apontou Tong Ka Io.

Melhores resíduos

Para António Trindade, o Executivo deve promover a construção

de mais infra-estruturas para o tratamento de resíduos aquando das LAG para 2016. “Deveria começar-se pelas questões das infra-estruturas de resíduos, esgotos e resíduos sólidos. Devo lembrar que nos últimos 20 anos a única infra-estrutura que teve alguma obra útil foi a Central de Incineração, com a expansão, e nada mais aconteceu de relevante. E a cidade mais do que duplicou em

“Devo lembrar que nos últimos 20 anos a única infra-estrutura que teve alguma obra útil foi a Central de Incineração e nada mais aconteceu de relevante. E a cidade mais do que duplicou em termos de habitantes e crescimento económico” António Trindade CESL Asia

termos de habitantes e crescimento económico, o que tem impacto no ambiente e na vida das pessoas”, apontou. Trindade diz que a tutela das Obras Públicas e Transportes deve potenciar os recursos, ao invés de manter o atraso nos trabalhos. “Há muitas coisas por fazer, mas não pode haver desculpa de não haver recursos humanos suficientes. Em vez de expressar [ideias], deve pôr as pessoas que existem a concretizar as obras políticas. Macau está melhor e há que potenciar os recursos que temos e esse é o grande desafio do engenheiro Raimundo do Rosário. E é o mesmo desafio que temos nas empresas e que ouvimos as pessoas dizerem todos os dias.”

O atraso dos terrenos

Se todos esperam novas medidas para que a população tenha maior

acesso à habitação, a verdade é que os processos relacionados com os terrenos concessionados e não desenvolvidos estão longe de estar concluídos. “Os assuntos não foram criados pelo engenheiro Raimundo do Rosário, mas por todos nós, e não podemos esquecer que [ele] esteve 15 anos fora. Em relação aos terrenos, não tem propriamente questões técnicas, mas legais e políticas económicas e sociais. Os terrenos não vão estar disponíveis nos próximos anos, já que os casos estão a ir para a justiça”, lembrou António Trindade. Também Addy Chan lembra o tempo que a população terá de esperar até ver novos edifícios a serem construídos nestes terrenos. “O Secretário tem feito as coisas de forma bastante sólida e indo ponto a ponto. Na questão dos terrenos, sabemos que vai demorar muito tempo até que todos os problemas sejam resolvidos. Mas a questão é quanto tempo vão demorar com esse problema”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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política 7

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s Serviços de S a ú d e ( SS ) afirmam que já inspeccionam os salões de beleza com serviços de medicina estética “de forma activa”, estando a estudar a elaboração de um regulamento para essa área. Contudo, as deputadas Wong Kit Cheng e Chan Hong revelam-se insatisfeitas com a explicação dada e defendem que estes locais deveriam ser devidamente credenciados. Além disso, dizem, os seus profissionais deveriam estar sujeitos à futura Lei do Erro Médico, para evitar incidentes em cirurgias até tratamentos como injecções de botox. Chan Hong pede mesmo que seja criada uma lei especializada para a supervisão da medicina estética. “Caso os tratamentos a laser, com agulhas ou lipoaspirações não sejam considerados procedimentos médicos, a Lei do Erro Médico não vai conseguir regulamentar a medicina estética. É preciso os SS esclarecerem este assunto”, apontou ao jornal Ou Mun. As duas deputadas já interpelaram o Governo sobre o assunto em Setembro do ano passado, questionando a fiscalização existente na área e pedindo uma separação clara da medicina estética face aos restantes serviços de beleza. Lei Chin Ion, director dos SS, apontou, em resposta às interpelações, que já desde 2012 ao ano passado, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) fez 168 inspecções, tendo sido descobertos sete salões de beleza com oferta de tratamentos ilegais e importação ilegal de medicamentos. Este ano foram feitas 23 inspecções, tendo sido descoberto um caso de fornecimento ilegal de medicamentos. Foi aplicada uma coima, uma vez que estes casos são tratados como infracções administrativas. Wong Kit Cheng disse ao jornal Ou Mun que estes dados são insuficientes para um prazo de três anos. “Em Hong Kong já aconteceram várias mortes depois da realização de lipoaspirações, mesmo em estabelecimentos licenciados. A sociedade começa a duvidar da credibilidade dos médicos de medicina estética”, disse a deputada, que defende a credenciação para os cirurgiões plásticos.

Medicina Estética SS falam em regulamentação. Deputadas criticam resposta

A acreditação do botox

“Actualmente os salões e centros de beleza têm licenças emitidas pelo IACM, mas não são qualificados para fornecer servi-

ços que envolvam processos médicos, não podem vender ou administrar medicamentos, nem realizar cirurgias. Se quiserem fazer isso,

Cancelada visita de Rui Moreira a Macau

O Consulado-Geral de Portugal em Macau confirmou ontem que a visita oficial do presidente da Câmara Municipal do Porto a Macau e China, Rui Moreira, foi cancelada devido ao falecimento do Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, Paulo Cunha e Silva. Em Macau estava agendada uma recepção de boas-vindas no dia 20 de Novembro na residência consular. O Consulado pede desculpas e agradece a compreensão “para esta imprevisível e triste situação”.

devem pedir aos SS ou serem operados por médicos registados. Caso contrário, devem ser multados e assumir responsabilidade

criminal”, disse Wong Kit Cheng. Entretanto, Lei Chin Ion afirmou que vai criar um grupo especializado para o

estudo da regulamentação da medicina estética no território. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

Paulo Chan na Inspecção de Jogos a partir de 1 de Dezembro

E

stá oficialmente anunciada a substituição de Manuel Joaquim das Neves por Paulo Martins Chan, no cargo de director da Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). A escolha – que já tinha sido avançada pela Rádio Macau há duas semanas – foi tornada oficial depois de Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, ter ouvido opiniões do procurador-geral, Ip Son Sang, e de ter tido a aprovação do Chefe do Executivo. “Vamos, através de comissão de serviço, [nomear] o procurador adjunto Paulo Martins Chan para director da Inspecção de Jogos. Queria anunciar-vos essa informa-

ção”, disse Lionel Leong, acrescentando que o ainda procurador-adjunto do Ministério Público inicia funções a 1 de Dezembro. A experiência no MP e nas áreas jurídica e linguística são as bases para a escolha de Paulo Chan, sendo que Lionel Leong está já à espera que Paulo Chan “possa contribuir para a aplicação e aperfeiçoamento da lei e responder às novas exigências da sociedade” na área do Jogo. “Especialmente no que se refere aos métodos de aperfeiçoamento da legislação e à execução das tarefas a realizar de forma a garantir a regulamentação da indústria do Jogo, assim como um desenvolvi-

mento saudável e contínuo”, acrescentou o Secretário. Lionel Leong assegurou ter procurado primeiro um substituto dentro da própria Direcção. De acordo com o Governo, foi Manuel Neves quem “sugeriu a aposentação”. O ainda director da DICJ deixa o lugar que ocupou mais de dez anos a 27 de Novembro, antes mesmo da revisão intercalar dos contratos de jogo. Paulo Chan é actualmente procurador-adjunto, tendo representando o Ministério Público em casos conexos ao do ex-Secretário Ao Man Long, condenado por corrupção, incluindo o chamado caso La Scala. J.F.


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jogo

Já não é novidade que os negócios das salas VIP diminuíram de forma relevante. Mas como será o futuro? Apesar das operadoras de Jogo não quererem salas VIP nos novos empreendimentos, especialistas asseguram a sua notoriedade acabará por se manter

E

mbora as receitas de Jogo tenham caído durante 17 meses consecutivos, a indústria continua a crescer. Prova disso é a abertura do empreendimento da segunda fase da Galaxy ou do Macau Studio City, bem como os projectos das grandes operadoras de Jogo que vão abrir no Cotai, incluindo o Parisian, o Wynn Palace, o MGM Cotai e o Lisboa Palace. A desistência das salas VIP tornou-se mais evidente quando o mais recente hotel-casino, o Studio City, abriu sem a presença de nenhuma destas salas de grandes apostas. Kuok Chi Chong, presidente da Associação de Mediadores de Jogo e Entretenimento de Macau, revelou ao HM que inicialmente estava previsto a Melco Crown negociar com três ou quatro donos de grande salas para abrir salas VIP no espaço, acordo que acabou por nunca acontecer por opção da própria operadora. “As operadoras de Jogo agora acham que não é apropriado investir em salas VIP, então não o fazem. E os negócios concentram-se apenas nas zonas de massa. Para

“Em toda a indústria de Jogo, as salas VIP não podem simplesmente deixar de existir. Podem existir casinos que não tenham salas VIP, mas em contrapartida estas existem noutros” Billy Song Associação de Jogos com Responsabilidade de Macau

mim, não é um grande problema”, apontou. Além do Studio City, como já avançado pelo HM, a directora geral da Sociedade de Jogo de Macau (SJM), Angela Leong, afirmou que não está previsto criar salas VIP no novo projecto de Jogo no Cotai, o Lisboa Palace. A empresa fundada por Stanley Ho quer focar-se mais nos elementos de intercâmbio das culturas ocidentais e orientais. Conceito semelhante foi também opção do director-geral da MGM Resorts, Jim Murren, que defendeu que “não vai voltar ao caminho das salas VIP” no novo empreendimento da MGM no Cotai. O responsável afirmou ainda que o casino ocupa apenas 15% da área do empreendimento.

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Menos salas VIP não espelha menor importância das altas

O outro lado da

O melhor caminho

Para Kuok Chi Chong é “óbvio” que as operadoras de Jogo estão atentas ao melhor caminho para atingir mais lucros. “Não me estranha quando elas alteram a estratégia de funcionamento”, afirmou. Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, concorda com que as operadoras de Jogo não precisem de investir neste tipo de salas, que implicam uma grande quantia de dinheiro, pois uma zona comum é um investimento mais baixo. No entanto, considera que há a possibilidade, no caso de se criarem este tipo de salas, de revitalizar este tipo de sector, transformando-o. “É possível que, de forma temporária, o mercado se foque nas zonas de massa, mas quando a economia melhorar – ou deixar de apresentar quedas – existe espaço para que estas salas não terminem. Porque o facto é que existem jogadores ricos e este tipo de jogador não aposta cem ou 200 dólares de Hong Kong como os jogadores comuns”, rematou.

A outra face

Para Billy Song, director daAssociação de Jogos com Responsabilidade de Macau, existe a necessidade real da existência das salas VIP no mercado local. Song diz mesmo que essa percentagem irá crescer. “Em toda a indústria de Jogo, as salas VIP não podem simplesmente deixar de existir. Podem existir casinos que não tenham salas VIP, mas em contrapartida estas existem noutros”, argumentou. Billy Song nota ainda que em casinos de outros países foram também criadas salas VIP, algo que mostra, na sua opinião, que para a indústria de Jogo de todo o mundo as salas VIP ocupam um lugar importante e de claro destaque. Kuok Chi Chong indica que o número de mesas de Jogo autorizado pelo Governo é também uma das considerações para se criarem ou não mais salas VIP. “No caso do Studio City, o Governo apenas autorizou 250 mesas de

Jogo. Se fossem criadas quatro salas VIP, estas podiam levar 80 mesas, o que leva as operadoras a pensar que fica demasiado espaço por utilizar. Assim, a possibilidade seria a de só considerar a criação de salas com a cooperação com os promotores de jogo VIP, quando existissem mesas de jogo a mais”, explicou. Este promotor de Jogo afirma ainda que muitos proprietários de salas VIP já estão a tentar diminuir os custos devido à diminuição das receitas. E, também, porque querem ver o que aí se avizinha. “A proporção das receitas das salas VIP caiu de 80% para 56% em re-

lação a todas as receitas de Jogo. Já foram fechadas muitas salas VIP e estamos numa fase de observação. Não podem abrir novas salas VIP com as receitas actuais”, indicou. Kuok avançou que, segundo os dados das associações de Jogo, até Julho, existiam 148 salas VIP. Contudo, segundo “informações internas”, nos últimos meses fecharam cerca de 20 salas. Mesmo assim, as licenças de promotores de jogo não tiveram uma diminuição acentuada: o que estes fazem agora é cooperar com outras salas VIP ao invés de abrirem as suas. Assim, podem só abrir um bal-

cão, mantendo o mesmo tipo de negócio e poupando nos custos”, acrescentou.

Comuns vs. VIP

Questionado sobre a capacidade dos casinos manterem os lucros só com zonas de massa, Billy Song defende que, para as operadoras de Jogo, o lucro das zonas comuns poderia ser maior do que o das salas VIP. Isto porque, explica, as zonas comuns são de operação directa e não precisam de dividir os lucros com mediadores - ou os promotores de Jogo - das salas VIP. Até agora, contudo, o volume das receitas das salas VIP tem


jogo 9

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Vai fumar para outro lado

apostas, dizem especialistas

ficha

K “Embora actualmente a proporção das receitas de zonas comuns e das salas VIP esteja próxima, ou seja 50%-50%, isto aconteceu não por causa de um aumento do dinheiro feito nas zonas de jogo de massa, mas sim por causa da queda das receitas das salas VIP. No ano passado, o aumento das receitas nas zonas comuns de casinos foi muito pouco - apenas 2% a 3% -, altura em que os lucros das salas VIP caíram de forma intensa”, disse Billy Song.

Uma nova tendência

sido maior do que o das zonas comuns, algo que contribuía para o desejo de abrir mais salas. Essa tendência baixou, é verdade, mas ainda não consegue, actualmente, ser maior do que os lucros das salas de massa.

Para Billy Song, a substituição apesar da recente tendência em desenvolver zonas comuns e criar “salas VIP das próprias operadoras de Jogo” nos casinos que vão nascer no Cotai, será sempre muito difícil a substituição completa das salas de altas apostas pelas salas de massa. Mas só por serem modelos “completamente” diferentes. “Apesar de oferecer os mesmos serviços, a flexibilidade e o funcionamento são diferentes, bem como a reacção dos clientes. Mesmo entre as salas VIP das operadoras e as privadas, há diferenças, já que as segundas ganham mais clientes”, indicou. “Agora, [os jogadores] já não vêm a Macau com a mala cheia de dinheiro, mas os clientes sabem escolher quais as salas VIP de maior confiança e que mantêm o entretenimento”, explica Kuok Chi Chong. Contudo, olhando para o futuro, o responsável considera que a queda das receitas das salas VIP já está mais estável e que os negócios das salas VIP irão manter-se como estão actualmente. Kuok aponta ainda que o maior problema das salas VIP é recuperar o dinheiro emprestado aos clientes. Algo muito difícil, diz, já que muitas salas VIP emprestaram demasiado dinheiro quando as receitas são boas. Depois, são as próprias operadoras que precisam de fazer uso do seu dinheiro para pagar eventuais dívidas. “Fecharam muitas salas VIP, mas não foram apenas as de pequena dimensão. Conheço muitas salas VIP pequenas que não empresta-

ram dinheiro sem o devido controlo e agora conseguem sobreviver sem dificuldades, ao contrário de algumas grandes salas”, disse. Para Nelson Kot, as salas VIP vão conseguir manter a sua posição, mas só depois de haver um ajustamento na economia. Depois desta fase, as salas mais financiadas terão uma maior capacidade de funcionamento, ao contrário das mais fracas, ou daquelas que funcionam de forma ilegal. “É impossível manter as salas VIP apenas com a angariação de capital de investidores”, disse, adiantando contudo que “as salas VIP que tenham capacidade financeira verdadeira vão conseguir sobreviver, já que existem os clientes que são realmente ricos e que gostam de jogar nestas salas.”

Extra jogo, mais dinheiro?

Actualmente, tanto o Governo como as operadoras de Jogo estão focados em desenvolver os factores extra-jogo nos projectos novos. Mas, para Kuok Chi Chong, estes elementos ainda não estão completamente maduros. “A economia de Macau depende ainda muito do Jogo porque o imposto pago ao Governo é muito alto. Posso dizer que o Governo não investiu nada [na indústria de Jogo] e, mesmo assim, ganha 40% do lucro total das receitas. Então questiono-me: qual é a percentagem do imposto do sector de turismo, de retalho e de restauração [nas receitas do Executivo]? Não ocupa mais de 10%”, argumentou. Nelson Kot considera ainda que para que os casinos possam fazer dinheiro com os elementos extra-jogo, é preciso que os próprios

“Conheço muitas salas VIP pequenas que não emprestaram dinheiro sem o devido controlo e agora conseguem sobreviver sem dificuldades, ao contrário de algumas grandes salas” Kuok Chi Chong Associação de Mediadores de Jogo e Entretenimento de Macau

casinos subsidiem os mesmos e que atraiam os clientes dos casinos a divertirem-se sem terem de ir parar às mesas ou slot-machines. “Para sobreviver de forma autónoma, só com estes elementos extra-jogo, é muito difícil e é quase impossível em Macau, a não ser que desenvolvam um grande parque temático estilo Ocean Park ou Disneyland, como em Hong Kong. Mas em Macau ainda não temos isso e, até que tenhamos essa possibilidade, ainda não conseguimos escapar totalmente à dependência do Jogo”. O HM tentou saber se as operadoras Wynn Macau e Sands China consideram criar salas VIP nos futuros projectos no Cotai, mas até ao fecho da edição não foi possível obter qualquer resposta. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

uok Chi Chong afirma que as salas VIP conseguem manter os negócios mesmo que a economia caísse de forma grave. No entanto, a medida do Governo em relação à proibição total de tabaco nos casinos pode fazer com que os proprietários de salas VIP se prefiram retirar daqui para outros países com casinos, onde não há essa proibição. “Os operadores dos casinos de países vizinhos já estão a atrair [os promotores de jogo] para criar salas VIP lá, com condições melhores do que Macau. Pelo menos, não proíbem o tabaco. Temos a responsabilidade de alertar o Governo de Macau sobre isso, mas caso este queira manter a mesma atitude, nós, operadores, só podemos ir para outros sítios onde exista mais espaço de sobrevivência”, alertou. Kuok avançou ainda que são países como as Filipinas, Coreia de Sul, Austrália, Nova Zelândia, Camboja, Vietname e Singapura que estão, actualmente, a fazer frente a Macau. “Quando sabem que não podem fumar nos casinos de Macau, os jogadores preferem ir a outros sítios, isso também acontece com os promotores de jogo, é óbvio”, explica, reiterando que todos os operadores esperam que se criem salas de fumo nos casinos.


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Sociedade

O IAS está a pensar criar um sistema em regime de hipoteca que permita aos idosos proprietários de habitações na região receberem apoios do Governo. Vivem no seu lar, mas esta fica prometida ao Executivo

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Idosos Governo pondera apoio através de sistema hipotecário

A casa ou a vida

empregue para ajudar a sua família. Outra das sugestões do IAS é ajudar idosos que vivam em habitações degradadas e bairros antigos.

Cada vez mais

O

Governo está a ponderar criar um sistema hipotecário para ajudar os residentes idosos que tenham uma casa em sua posse, mas não detenham fundos suficientes para acabar de a pagar ou para se sustentar. De acordo com a explicação do chefe de departamento do Instituto de Acção Social (IAS), Choi Siu Un, a ideia é criar um mecanismo em que o Governo coopere com instituições bancárias para fornecer ajudas aos mais idosos que tenham casas em seu nome. “Também pensámos em ter um sistema de hipoteca destinado à

população idosa, ou seja, a proprietários idosos de habitação (...) para lhes assegurar um local enquanto os anos passam”, disse. Este é um dos resultados do Mecanismo de Protecção de Idosos, que, segundo responsáveis do IAS, terá Março como data limite para a entrega da publicação dos resultados da consulta pública a

que foi sujeito. As habitações são dadas como garantia, podendo os seus proprietários lá continuar a viver com a ajuda das referidas instituições. A ideia é que as casas fiquem em posse do Executivo quando os idosos falecerem e caso o montante acordado inicialmente não tenha sido fornecido ao idoso por inteiro em vida, continuará a ser

Moçambique assina memorando com IFT

O mundo é uma ervilha

O

governo de Moçambique pretende assinar um Memorando de Entendimento com o Instituto de Formação Turística no âmbito da formação de pessoal moçambicano em Macau e vice-versa. A ideia, avançou a Vice-Ministra da Cultura e Turismo de Moçambique, Ana Comoane, é encontrar em Macau aquilo que o país africano ainda não tem. “Neste momento temos um ensino de qualidade, mas é ainda uma formação teórica, falta-nos a plataforma de treino”. Essa tem sido “uma preocupação”, nomeadamente para o sector privado, acrescentou a responsável. “Precisamos de aproveitar a parceria com Macau, que já tem bastante experiên-

cia nesse campo, para nos desenvolvermos. As intenções foram bem acolhidas” e agora resta esperar. A conversa de Ana Comoane com os média teve lugar à margem de um seminário sobre Turismo, Convenções e Exposições entre a China e os países lusófonos. A organização ficou a cabo do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa, pelo que estiveram presentes representantes do sector privado e público de Timor, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, Portugal e China. Um dos intervenientes da plateia questionou os representantes da Guiné-Bissau – que conta com mais de 80 ilhas virgens – acerca da ideia de serem criadas parcerias no âmbito da concessão e empréstimo de terrenos a empresas chinesas. Isto para, de acordo com o interveniente chinês que falou em Português, ali desenvolver uma série de complexo turísticos com a assinatura do continente. Em Macau estiveram, até ontem, vários representantes para publicitar os tipos de turismo oferecidos pelos diferentes países. Moçambique veio exactamente em busca de investimento para a construção de vários complexos turísticos, alguns até mesmo com casinos integrados. L.S.M.

A esperança média de vida da população de Macau situa-se nos 84,6 anos de idade, mas há um ponto que obriga a uma melhoria dos serviços e instalações oferecidos aos mais velhos: é que a percentagem de população envelhecida está a crescer. De acordo com Choi Siu Un, “não há profissionais suficientes na área da Terapia Física e da Terapia da Fala”. No entanto, o mesmo responsável assegurou que estão reunidos os esforços para proceder ao aumento de pessoal destas especialidades. “Não temos número suficiente de trabalhadores em Macau”, disse. “Temos que partilhar a responsabilidade, com a sociedade, de cuidar da população idosa”, acrescentou.

Instalações mais tarde

O IAS já havia anunciado a criação de três novas instalações para ido-

IAS Jovens devem pl anear reforma O chefe de Departamento de Solidariedade Social do Instituto de Acção Social (IAS), Choi Sio Un, defendeu que os jovens devem começar a planear já a sua vida futura, por forma a diminuir a dependência na velhice em relação à família e sociedade. “Os jovens devem ter a capacidade para resolver os problemas, enfrentar as adversidades e atingir os objectivos”, apontou.

sos, mas uma delas só ficará pronta em 2017. “Uma delas será na Taipa e outra só fica pronta em 2017”, adiantou o chefe de departamento. Segundo um comunicado entregue aos média após a reunião, um dos pontos da agenda tem que ver com o serviço de cuidados domiciliários. A ideia é aumentar, “dos actuais 550 para os 700 o número de utilizadores dos serviços ao domicílio” e de 250 para o dobro da quota de cuidados de dia e serviços de apoio de enfermagem aos idosos. Também o número de vagas oferecidas por lares deverá aumentar de 1700 para 2500. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Ip Peng Kin acredita ser capaz de liderar Gabinete

Dentro da mesma área O ainda presidente do Fundo de Segurança Social (FSS), Ip Peng Kin, foi promovido para a posição de Chefe do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura devido à sua “experiência” profissional e acredita ter capacidade para o cargo. “Sou funcionário público há muitos anos. O Secretário escolheu-me, primeiro, porque havia esta vaga e também porque reconhece as minhas capacidades. Trabalho nesta área há vários anos, em posições de direcção, e estive sempre a realizar trabalhos conjuntos, em comissões, nomeadamente nas áreas do desporto, cultura e turismo. Portanto, conheço esses assuntos”, começou por dizer aos jornalistas, na sexta-feira. A razão é simples: houve uma vaga, segundo Ip Peng Kin, e esta pareceu uma boa altura para mudar de ares. “Trabalho há muitos anos no Governo e, neste momento, o Secretário pediu que aceitasse [o cargo] para continuar a estar dentro dos Assuntos Sociais e Cultura”. O ainda presidente vai continuar a lidar com assuntos como “desporto, saúde, turismo e educação”, desta vez mais de perto. “O Secretário confia nas minhas capacidades e daí ter surgido o convite”, adiantou o responsável, embora não tenha avançado ainda quais as pastas prioritárias da área, ja que diz que precisa de “se inteirar e conversar” com Alexis Tam primeiro.

A notícia sobre a mudança de cargo de Ip Peng Kin foi anunciada na passada quinta-feira, de acordo com a Rádio Macau. Ip vai continuar em funções no FSS até final da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG). As declarações foram feitas à margem de uma reunião da Comissão para os Assuntos do Cidadão Sénior. O próximo a ocupar a presidência do FSS é Io Kong Io, ainda presidente do Instituto de Acção Social (IAS), que prometeu “dedicar-se aos novos trabalhos” que terá pela frente. L.S.M.


sociedade 11

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Criar uma lei que regule o assédio sexual e garantir que os acordos de extradição vão respeitar a lei local no que diz respeito à pena de morte, tortura e prisão perpétua. Eis os pedidos da Associação Novo Macau à ONU

ONU Jason Chao envia directrizes sobre extradição e assédio sexual

Sozinho em Genebra Hoje Macau

há algum tempo e a Convenção tem pontos específicos que determinam que deveríamos providenciar uma forma legal a pensar nas vítimas”, disse Scott Chiang. “Parece que preferem modificações ao Código Penal do que ter uma lei avulsa e nesse ponto de vista acham que é a forma mais correcta. Mas também leva mais tempo e é mais complexo, porque envolve uma série de coisas, tratando-se de uma lei de grande dimensão. Por isso é que consideramos que deveria ser feita uma lei”, referiu. A ANM pede ainda que sejam criados grupos nas empresas que possam receber queixas e tratar dos casos de assédio dos funcionários. Em relação à Lei da Violência Doméstica, em análise no hemiciclo, a ANM alerta para que casais do mesmo sexo também sejam abrangidos. Na resposta do Governo à ONU, foi garantido que entre 2005 e 2014 houve 57 queixas de tortura apresentadas ao CCAC, sendo que apenas cinco estão a ser investigados.

J

ason Chao, membro da direcção da Associação Novo Macau (ANM), já está em Genebra para participar em mais uma reunião da Comissão contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU), a qual decorre esta semana. Ontem, a ANM apresentou em conferência a agenda que vai levar à Suíça, relacionada com o assédio sexual e os acordos de extradição que o Governo está a negociar com Hong Kong e China continental. A ANM teme que os mesmos não respeitem a jurisdição local no que diz respeito a questões como a tortura nas prisões, pena de morte e prisão perpétua. “Temos a China, com um sistema legal muito diferente, e onde há muitos crimes que não existem aqui, e depois temos Macau e Hong Kong com sistemas jurídicos diferentes. Deveríamos estar atentos a isso. Se existir alguém condenado à pena de morte na China, Macau deveria rejeitar isso, é muito simples. Mas segundo o actual mecanismo, não há nada que reforce este princípio”, apontou Scott Chiang, presidente da Associação.

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A ANM exigiu junto da ONU que esta “peça ao Governo de Macau para revelar a informação completa do acordo com Hong Kong”, para além de exigir ao Executivo que “garanta que não há pessoas extraditadas para outras regiões cujas sentenças não são permitidas na lei de Macau”, lê-se no comunicado. Alertando para relatos de tortura nas prisões chinesas e tendo em conta que “a pena de morte mantém-se como uma forma de punição legal, sem sinais de ser abolida”, a ANM considera que “o risco de tortura ou a pena de morte aos quais os arguidos poderão estar

sujeitos se forem deportados para a China podem nunca ter constituído uma preocupação para o Governo de Macau”. O presidente da ANM alertou ainda para o facto de Macau ter o artigo 23 da Lei Básica legislado, referente aos crimes cometidos contra o Estado, ao contrário de Hong Kong. “Macau e Hong Kong têm estado em conversações sobre este acordo, mas não sabemos detalhes específicos. Estamos preocupados com o facto de não incluir a dupla criminalidade no acordo, o que deveria estender o artigo 23 de Macau a Hong Kong, iria efectivamente deixar Macau pedir a Hong Kong

São Januário Documentos perdidos causam despedimentos

D

ois trabalhadores da limpeza do Centro Hospitalar Conde de São Januário foram despedidos depois de lhes terem sido imputadas responsabilidades no caso dos documentos perdidos na rua. O anúncio foi feito pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que disse, no sábado, que os Serviços de Saúde (SS) apresentaram o relatório de investigação sobre o caso dos documentos com dados pessoais de doentes que foram encontrados espalhados na rua, no mês passado.

“Foi confirmado que dois trabalhadores de limpeza não seguiram as instruções de trabalho durante o tratamento de lixo. O Secretário concorda com a punição sugerida pelo director dos SS, da demissão dos dois trabalhadores”, pode ler-se num comunicado. Alexis Tam falava na cerimónia de abertura do 62º Grande Prémio de Macau, mas não adiantou se mais responsabilidades iriam ser apuradas, nomedamente da direcção e chefia. O Secretário assegurou, contudo, que

os SS levam “com seriedade os relatórios médicos dos doentes, pelo que a população não necessita de estar preocupada”. Os cerca de uma centena de documentos encontrados na Avenida Doutor Rodrigo Rodrigues eram requisições de análises clínicas e terão voado de um saco que ia num camião do lixo. Os documentos deveriam ter sido destruídos, de acordo com o hospital, ou colocados num saco especial caso isso não fosse possível, mas tal não aconteceu. J.F.

para extraditar toda a gente”, disse Scott Chiang. A ANM alerta ainda para o facto de na região vizinha “existirem formas de punição que não estão contempladas no Código Penal de Macau”. “Em Macau a pena máxima de prisão é de 30 anos, enquanto que a pena de morte e prisão perpétua são expressamente proibidas. Em Hong Kong, a prisão perpétua é permitida.” Em relação ao assédio sexual, a ANM volta a pedir a criação de uma lei avulsa, em vez da revisão do Código Penal. “Neste momento não há uma lei que puna este tipo de acção. A sociedade tem vindo a discutir isso

Insatisfeitos com a DSEJ A ANM organizou na passada sexta-feira uma conferência de imprensa onde se revelou insatisfeita com as explicações dadas pelos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), no âmbito de mais um relatório de auditoria à atribuição de subsídios. Segundo a Rádio Macau, a Novo Macau pede que a DSEJ assuma responsabilidades pelas falhas e diz “não estar satisfeita com a repetição dos problemas dentro dos serviços”.

Hotéis Taxa de ocupação pode cair durante GP

A

taxa de ocupação dos hotéis pode vir a cair durante o período do Grande Prémio. O facto de não ser uma altura de férias públicas e devido à inauguração de novos hotéis que trazem mais quartos são algumas das justificações apontadas por Wu Keng Kuong, presidente da Associação de Indústria

Turística de Macau, para tal. “No passado era muito difícil reservar quartos em Macau. Agora é mais fácil porque existem mais hotéis – passámos de dez mil para 30 mil quartos – há também mais competitividade e por isso os preços caem, isto aumenta a possibilidade de atrair mais turistas. Preços mais baixos, mais turistas”, defendeu o presidente ao jornal Ou Mun. Wu espera que o Governo Central possa promover e aumentar as visitas individuais de

zonas mais afastadas do interior da China. “As excursões normais são entre Macau e Hong Kong, mas depois do acidente que levou à morte um turista, o número tem baixado. Se tivermos mais turistas individuais da China o número total de turistas poderá manter-se”, disse, indicando que ainda não há um número previsto para o número de visitas ou de ocupação de hotéis durante o Grande Prémio, que acontece já no próximo fim-de-semana. T.C.


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eventos

hoje macau segund

Teatro CCM acolhe peça infantil interactiva em Janeiro

A fragilidade vista de cima O Centro Cultural de Macau (CCM) traz ao território “Farfalle” – borboleta em italiano –, uma peça infantil interactiva que conta a história da vida das borboletas e o seu ciclo. Em palco entre os dias 13 e 17 de Janeiro, funde dança, arte contemporânea e tecnologias digitais num mundo no qual “as crianças são convidadas a pisar o palco para brincar e interagir com imagens no espaço teatral que dá asas à sua imaginação”. De acordo com a organização, a peça pretende aguçar o gosto dos mais novos pela dramaturgia. “A experiência é possível graças a sensores instalados numa plataforma especialmente construída, levando performers e público a passear num cenário projectado de imagens botânicas e sons da floresta tropical”, esclarece o CCM.

“Farfalle” é da autoria da companhia italiana TPO, “pioneira na criação de teatro infantil interactivo”, que desde cedo tem vindo a produzir peças com alto teor de conservação do meio ambiente. Em funcionamento desde 2000, a TPO veio a Macau em 2012 para apresentar “Saltbrush”, um espectáculo que mostrava a arte aborígene australiana e dava a conhecer o conceito de beleza natural. O próximo ano é já de movimento para o colectivo, que vai correr mundo numa digressão. A começar em França, saltam para Hong Kong para voltar a ter espectáculos na Europa. A seguir a Macau seguem-se peças novamente em França, outras em Itália, na Noruega, na China e, finalmente, na Austrália. Em palco serão apresentados cerca de nove espectáculos diferentes que

contam histórias de e para crianças. A linguagem é universal, já que as imagens, o cenário digital, o movimento e a mímica desempenham um forte papel. Liderada pelos directores artísticos Francesco Gandi e Davide Venturini pelos designers digital e de som Elsa Mersi e Spartaco Cortesi e pelo engenheiro Rossano Monti, a companhia italiana funciona no teatro Fabbrichino, situado na localidade de Prato. O “Farfalle” acontece às 19h30 de sexta-feira e às 11h00 e 15h00 de sábado e domingo. Os bilhetes custam 180 patacas e podem ser adquiridos online ou no CCM. Recomendado para maiores de três anos de idade, dura 45 minutos e acontece no pequeno auditório.

À venda na Livraria Portuguesa Santa Isabel – Rainha de Portugal • José Miguel Pero-Sanz D. Isabel, infanta de Aragão, é conhecida na História de Portugal e de Espanha pelo seu modelo de «rainha santa» que deve viver e exercer o seu poder num contexto de profundo catolicismo, ainda que marcado por complexos problemas morais e pelas nem sempre fáceis relações entre o Papado e os reinos cristãos. Elaborada com base em rigorosas fontes históricas e historiográficas, esta biografia lê-se como um romance, proporcionando uma visão muito precisa de um período histórico palpitante e descrevendo a vida de uma rainha da Idade Média que se esforça por ser coerente com a sua fé num contexto pessoal e histórico tão complexo como apaixonante e decisivo.

Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Mostra de filmes, conversas e muita festa. É em Dezembro. A organização do concurso Sound & Image Challenge lança uma semana dedicada à Sétima Arte. Os eventos são no Teatro D. Pedro V e no Cinema Alegria. A entrada é livre

Sound & Image Challenge Creative e IEE

Luzes, a

D

e 1 a 5 de Dezembro, o Teatro D. Pedro V vai transformar-se numa sala de cinema. A Creative Macau e o Instituto de Estudos Europeus (IEEM) organizam, durante uma semana, um festival dedicado à visualização de filmes, todos finalistas do concurso Sound & Image Challenge, lançado durante este ano. Mas a organização não se fica por aqui e apresenta ainda workshops e dos quatro cantos do mundo chegam documentários, animação, ficção e publicidade. Para além disto, este ano o concurso deu asas à imaginação e vai dar uma oportunidade a cantores e bandas locais. Algo que vai permitir a visualização de videoclips feitos com música composta por músicos de Macau. A abrir a semana, na terça-feira dia 1 de Dezembro, está a cerimónia de abertura do Festival, que arranca com o concerto do quarteto New Music Hong Kong Ensemble, com hora marcada para as 19h00. Segue-se a projecção

do documentário “Retrospectiva”, da própria organização, e entregas de prémios, além da projecção dos trailers dos filmes finalistas do concurso em todas as categorias. O evento, que tem entrada livre, continua no dia 2 de Dezembro com uma actividade especial: a mostra de filmes vencedores do 12º Black & White International Audiovisual Festival 2015. A partir das 15h00, podem ser vistos os filmes “Preto ou Branco”, de Alison Zago, do Brasil, “Cabeza de Caballo”, do espanhol Marc Martinez, e ainda o documentário alemão “Sorrounded” e a animação espanhola “Canis”, entre outros.

O festival de Macau entra em cena às 19h00 – estendendo-se até às 21h00 – com as melhores curtas de Ficção. “Still in Time” (Espanha), “The fantastic love of Beeboy and Flowergirl” (Alemanha), “Laura” (Espanha), “The Purplish love” (Hong Kong) e “The Wall” (França). Há ainda oportunidades para troca de impressões com os realizadores antes e depois da sessão. O dia 3, quinta-feira, arranca com os finalistas do concurso Volume do Sound & Image Challenge deste ano. Videoclips de bandas locais vão poder ser vistos das 15h00 às 16h00. “Sleepwalker”, de Forget the G, “Odyssey”, dos

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Restaurante Canibal • Gabriel Magalhães Pode existir um restaurante canibal no Portugal actual? Pode, de facto. Dois amigos, Susana, uma rapariga que estuda cinema e veste sempre de preto, e Gustavo, rapaz particularmente sorridente e especialista em informática, vivem a aventura inquietante de descobrir um restaurante antropófago na cidade do Porto, que surge associado a um projecto de investigação universitário apoiado por um conhecido programa da União Europeia, o que lhe dá uma cobertura legal. É possível rirmo-nos da crise? É. As páginas deste romance, que constitui uma sátira divertida e um livro do mais puro humor negro, pretendem ajudar o leitor a encontrar o seu caminho rumo à felicidade no meio da crueldade contemporânea.


eventos 13

da-feira 16.11.2015

IEEM lançam festival cinematográfico de 1 a 7 de Dezembro

acção e prémios Concrete/Lotus, “Romantic Film”, de Crosshair e “Business Suit Morning Struggle”, dos Turtle Giant, foram algumas das músicas escolhidas por realizadores de Macau e Espanha para a produção de videoclips. Das 19h00 às 21h00 seguem-se os documentários merecedores de destaque no concurso deste ano. “A journey”, “Aldona”, “Yaar”, “Bad Boy Breathing” e “Hide and Seek” são os nomes das películas desta categoria, trazidas até Macau por realizadores da Bélgica, Espanha, Polónia e Dinamarca.

Falar de Macau e de cinema

O festival continua na sexta-feira, das 15h00 às 21h00,

pub

com um destaque especial: Macau Cultural Identity traz ao grande ecrã filmes que se focam nas mais bonitas e tradicionais características de Macau. Destaques para os fil-

Simpósios

mes “The Identity of the Egg Tart”, de Kenny Leong, “The Other Half”, do realizador português João Luís, e “Jason Lei”, de Pharrel Ho. Seguem-se as curtas de

Dia 5 de Dezembro Teatro D. Pedro V

• 10h00 às 12h00 “Programação, Apresentação e Entrega à Audiência” (Álvaro Barbosa, reitor da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José, Mário Dorminsky, fundador e director do Fantasporto, João Francisco Pinto, director de programas da TDM) • 13h30 às 15h30 “Contar histórias com a câmara” (Zhang Zeming, realizador, produtor e guionista, Albert Chu, realizador e presidente da Associação CUT, Gonçalo Ferreira, colorista para Motion Pictures, Margarida VilaNova, actriz, Ivo Ferreira, realizador)

Animação - que integraram a competição deste ano e que chegam todas da Europa – e as películas da categoria de Publicidade, que apresentam, entre outras, “What Makes Hong Kong Asia’s World City”, de João Seabra, e “Anti-Smoking PSA”, do local Cheok Wai Lei. Mas o fim-de-semana vai dar que falar e não só por causa dos filmes. A Creative e o IEEM trazem ainda simpósios com entrada livre, a terem lugar no sábado no Teatro D. Pedro V, e a exibição de um filme antes da entrega dos prémios aos vencedores do Sound & Image Challenge. (ver caixa) Nesse mesmo dia está marcada ainda uma ‘after-

-party’, a partir das 22h30, na Live Music Association, com Djs locais e bandas cujas músicas foram seleccionadas para os videoclips finalistas e vencedores. O festival continua no sábado e no domingo, mas no Cinema Alegria, a partir das 16h00 e até às 19h15. Aqui serão mostrados todos os filmes vencedores do Sound & Image Challenge. A Creative convida ainda o público a votar no seu filme preferido, de forma a que também a audiência possa participar na escolha de um dos prémios a atribuir. Os prémios – que contam com o patrocínio do BNU, Fundação Oriente e Macaulink – totalizam 83 mil patacas. Do júri do concurso fazem partes nomes como Alice Kok, James Jacinto, Rui Borges, Yves Sonolet, Vicent Cheong, Miguel Khan, Zhang Zeming, João Francisco Pinto e Mário Dorminsky, todos da área do Cinema, Artes e Música. Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Vong Chi Hang expõe “Trivialidades” no MAM

O artista local Vong Chi Hang prepara-se para apresentar a sua mostra original, “Trivialidades”, que inaugurou na passada sexta-feira e se prolonga até 13 de Dezembro, no Museu de Arte de Macau (MAM). Em exposição vão estar pinturas do autor, que se licenciou em Belas Artes na Universidade Nacional de Artes de Taiwan e que já fez parte do Salão de Outono em 2013, mostra que pretende dar a conhecer jovens talentos locais. As suas obras são maioritariamente constituídas por pinturas a lápis de carvão e de cor para criar desenhos “baseados na técnica de composição e pincelada da pintura tradicional chinesa”, segundo informa o comunicado da organização.


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China

hoje macau segunda-feira 16.11.2015

Fauna Diminuiu para metade a população de vertebrados

BRICs reúnem à margem do G20

Banco quase capitalizado O Banco dos Brics está quase pronto para a acção. Mas o terrorismo dominou a reunião das cinco maiores economias emergentes

para que ele entre em funcionamento. A capitalização do banco deve ocorrer até Janeiro. No início do ano que vem devem ser feitas as primeiras operações”, adiantou. De acordo com Conzendey, neste encontro os cinco integrantes dos Brics aproveitaram para trocar avaliações e alinhar posições sobre os temas do G20, além de avaliar o andamento das iniciativas de cooperação dentro do bloco. Neste sentido, o embaixador citou iniciativas como o próprio Banco dos Brics e o acordo de contingente de reservas, assinado pelos cinco países em Julho do ano passado, em Fortaleza, e que permitirá o socorro financeiro mútuo para sanar problemas ou flutuações no balanço de pagamentos de qualquer dos integrantes.

O

terrorismo dominou os discursos dos líderes do grupo dos cinco maiores países emergentes do mundo - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - na abertura da reunião dos Brics realizada nesta manhã em um hotel na cidade turca de Antália. A presidente Dilma Rousseff citou nominalmente o Estado Islâmico e o classificou de organização terrorista. Já o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu cautela e lembrou que nem todo “refugiado por ser marcado como ligados ao terrorismo”. Rússia, China e Índia também expressaram condolências e

pediram uma acção conjunta contra o terror.

Em Janeiro haverá dinheiro

As primeiras operações do Banco dos Brics devem acontecer no início de 2016, afirmou o subsecretário-geral de assuntos económicos financeiros do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey. O embaixador informou que uma equipa já trabalha em

Xangai (China) – onde será a sede da entidade – preparando as políticas básicas da instituição. Segundo afirma, a previsão é que a capitalização do banco ocorra até Janeiro do ano que vem. “O acordo entrou em vigor na metade do ano [2015]. E agora já existe uma equipe contratada, actuando em Xangai, para preparar as políticas básicas do banco necessárias

China avisa Organização Mundial do Comércio

O barato sai caro A

China disse aos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), incluindo União Europeia e Estados Unidos, que as queixas sobre as suas exportações de baixo custo terão que atingir um patamar mais elevado a partir de Dezembro de 2016, disse um enviado de Pequim na reunião da OMC. Desde que ingressou na OMC em 2001, a China frequentemente foi alvo de reclamações de que suas exportações estão a ser “dumped” ou vendidas a preços injustamente baixos nos

mercados internacionais. Sob as regras do comércio mundial, países importadores podem colocar tarifas punitivas sobre bens que são suspeitos dessa prática. Normalmente, tais queixas são baseadas na comparação com os preços domésticos no país exportador. Mas os termos de adesão da China afirmam que – como o país não é uma “economia de mercado” – outros países não precisam utilizar os preços domésticos chineses para justificar suas acusações sobre o “dumping”, mas podem utilizar outros argumentos.

O representante da China na reunião da OMC da passada semana disse que a prática é “ultrapassada, injusta e discriminatória” e que, sob os termos de adesão, o país vai ser automaticamente tratado como uma “economia de mercado” após 15 anos, o que significa 11 de Dezembro de 2016. Todos os membros da OMC terão que parar de usar os seus próprios cálculos a partir dessa data, disse o representante da China, cujo nome não foi revelado pela autoridade da OMC que falou à imprensa.

Banco dos Brics. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), nome oficial do Banco dos Brics, entrou oficialmente em operação em Julho deste ano, logo após a VII reunião da cimeira do grupo em Ufa, na Rússia. A entidade terá como objectivo financiar projectos de infraestruturas e desenvolvimento sustentável nos cinco países integrantes e noutros países pobres e em desenvolvimento.

A

população de vertebrados na China, que inclui pássaros, mamíferos, anfíbios e répteis, diminuiu quase para metade nos últimos 40 anos, indica um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em Inglês). “A China experienciou uma das maiores perdas de biodiversidade a nível mundial”, lê-se no documento, elaborado em conjunto com o Conselho da China para a Cooperação Internacional no Meio Ambiente e o Desenvolvimento. O relatório, citado

pela agência oficial chinesa Xinhua, indica ainda que a pegada ecológica, que mede a pressão humana sobre a natureza, era em 2010 o dobro da biocapacidade disponível na China. A fragmentação e perda do habitat natural, alterações climatéricas, invasão de espécies exóticas, poluição e doenças são as principais causas deste declínio, que só no caso dos anfíbios e répteis alcançou os 97,44%. Já a população de pássaros manteve-se relativamente estável, durante o mesmo período, aumentando cerca de 43% no virar do século, graças “ao crescente número de reservas naturais e leis de protecção e regulação”, refere a Xinhua.

16 mortos em deslizamento

As autoridades chinesas elevaram ontem para 16 o número de mortos num deslizamento de terras no leste do país, enquanto 21 pessoas continuam dadas como desaparecidas. Apenas uma pessoa foi resgatada até ao momento na sequência do aluimento de terras ocorrido na noite de sexta-feira na província de Zhejiang, onde avalanches de lama e a queda de rochas soterraram 27 casas, após intensas chuvas na região. Mais de 2300 membros de equipas de salvamento, com a ajuda de cães, prosseguem com as operações de busca pelos desaparecidos.

Bombardeiros dos EUA voam perto de ilhas artificiais

Legalidade, dizem eles D ois bombardeiros B-52, das forças armadas dos Estados Unidos, voaram perto de um grupo de ilhas artificiais construídas pela China nas disputadas águas do Mar do Sul da China, informou, esta quinta-feira, o Pentágono. O exercício, descrito como de “liberdade de navegação” pelo porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA Peter Cook foi realizado na noite de 8 para 9 de Novembro a 12 milhas náuticas das ilhas. O mesmo responsável assegurou que a aviação norte-americana leva a cabo voos no “espaço aéreo internacional constantemente”. Durante a operação, o exército chinês contactou os

bombardeiros via rádio, tendo ordenado que “se afastassem das ilhas”, mas os aviões dos EUA ignoraram o pedido. “Ambos os aviões prosseguiram a sua missão sem incidentes e sempre com absoluto respeito pela lei internacional”, apontou o porta-voz da marinha dos EUA Bill Urban, que qualificou o sucedido como “uma missão de rotina no espaço aéreo internacional”. A operação militar teve lugar uma semana antes do presidente norte-americano, Barack Obama, coincidir com o líder chinês, Xi Jinping, na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, que se realizará nas Filipinas.

A tensão regional tem aumentado desde que a China transformou os recifes da zona - também reivindicados por uma série de países vizinhos em pequenas ilhas capazes de acolher instalações militares. Washington tem afirmado repetidamente que não reconhece a reivindicação chinesa de soberania sobre as águas territoriais em torno das ilhas artificiais. No mês passado, um navio de guerra norte-americano navegou dentro do perímetro de 12 milhas náuticas em torno do recife Subi, nas ilhas Spratly, um arquipélago reclamado total ou parcialmente, pela China, Filipinas, Brunei, Malásia, Vietname e Taiwan.


Região

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Japão Níveis de radioactividade junto de Fukushima analisados pela AIEA

Estrôncio e Césio baixinhos A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) afirmou ontem que os níveis de radioactividade nas águas próximas da central nuclear de Fukushima são “muito baixos” e destacou a fiabilidade das medições realizadas pelo Japão. A garantia foi dada pelos responsáveis por um relatório da AIEA destinado a avaliar a qualidade das análises de radioactividade levadas a acabo por laboratórios japoneses e pela própria operadora da central nuclear, a Tokyo Electric Power (TEPCO), o qual foi apresentado hoje na capital japonesa. “Para os radioisótopos que analisámos, os níveis de radioactividade são muito baixos”, referiu um dos especialistas autor do relatório, David Osborn, ao expor as conclusões da AIEA em conferência de imprensa. O estudo baseia-se nos dados sobre os níveis de Estrôncio-90, Césio-137 e Césio-139 em amostras de água e em sedimentos marinhos, recolhidos em diversos pontos da costa do Oceano Pacífico junto à central nuclear de Fukushima, gravemente danificada pelo sismo seguido de tsunami de 11 de Março de 2011. Apesar de a presença destes radioisótopos nos pontos analisados ser “ligeiramente elevada”, os

níveis de radioactividade estavam “muito abaixo” da originada por radioisótopos naturais, assinalou Osborn. O especialista explicou que se tratam de radioisótopos antropogénicos, ou seja, produto da actividade humana, e neste caso emanados pela central nuclear após o acidente.

“No ambiente marinho também se podem encontrar outros radioisótopos de origem natural, como o urânio e o polónio”, recordou Osborn. Não obstante, sublinhou que o principal objectivo de estudo não “era avaliar o impacto radiológico” da catástrofe de Fukushima,

Suposições em vasta área

A

laboratórios japoneses com as de outros 15 centros internacionais, e não falou de uma margem de diferença “significativo”, disse. O especialista do organismo com sede em Viena também elogiou o trabalho do Governo japonês e da operadora da central, considerando que tem sido “proactivo e transparente” na hora de fornecer dados sobre os níveis de radioactividade. Na próxima semana, outra equipa da AIEA vai começar a analisar as medições da radioactividade em produtos da pesca japonesa, com o objectivo de publicar um relatório similar em Fevereiro de 2016. O acidente na central de Fukushima foi o pior desde o de Chernobil (Ucrânia) em 1986 e as suas emissões e derrames ainda mantêm afastadas cerca de 70 mil pessoas e afectaram gravemente a pesca, a agricultura e a pecuária na região.

Sismo de magnitude 7 atinge Japão

Coreia do Norte pode estar a preparar lançamento de míssil

Coreia do Norte interditou a navegação nas águas do leste do país o que, a par com outros indícios, poderia significar que prepara um novo lançamento de míssil balístico na zona, informaram ontem fontes de Seul. O regime norte-coreano decretou a medida para as imediações de Wonsan, na costa sudeste, a pouco mais de uma centena de quilómetros da fronteira com a

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Coreia do Sul, e local habitual de testes de mísseis. A proibição de navegação, em vigor desde 11 de Novembro e até 7 de Dezembro, aplica-se a uma “vasta área” das águas da zona, o que, segundo os serviços de inteligência de Seul, indicia um “teste de lança-mísseis Scud e outro novo tipo de míssil balístico”, declararam fontes governamentais à agência Yonhap. As mesmas fontes assinalaram a possibilidade de Pyongyang dis-

parar um míssil balístico submarino similar ao que testou em Maio, que foi o primeiro lançamento de um projéctil do tipo por parte do Exército norte-coreano. Além disso, imagens de satélite recolhidas pelos serviços de informação sul-coreanos mostraram que a Coreia do Norte realizou preparativos neste sentido ao instalar uma plataforma de lançamento na doca de Sinpo, na costa leste do país, segundo a citada fonte de Seul. Desde o último episódio de tensão entre as duas Coreias, em Agosto, Pyongyang decretou a proibição de navegação em águas do leste do país por várias ocasiões e destacou plataformas de lançamento na zona, mas não efectuou nenhum. Norte e Sul continuam tecnicamente em guerra, uma vez que a Guerra da Coreia (1950-53) terminou com a assinatura de um armistício, nunca substituído por um tratado de paz definitivo.

sem “garantir a precisão dos dados recolhidos” por laboratórios japoneses e pela operadora da central nuclear. “Neste sentido, podemos garantir que os dados são muito precisos”, realçou Osborn. AAIEA comparou as medições realizadas por uma dezena de

Esta sexta-feira o sul do Japão foi atingido por um sismo de magnitude 7.0, segundo indicou o Centro de Estudos Geológicos dos Estados Unidos. O epicentro registou-se a 160 quilómetros da cidade de Makurazaki, no sudoeste do país. O Centro de Tsunamis do Pacífico indicou contudo que não há risco da ocorrência de tsunami.

Tailândia Quatro mortos em atentado

Q

uatro pessoas morreram e outras tantas ficaram feridas na sequência da explosão de uma bomba no sul da Tailândia, informou a polícia este fim-de-semana. A explosão ocorreu ao final do dia de quinta-feira num posto de controlo no distrito de Khok Pho, na província de

Pattani, tendo causado a morte de quatro homens budistas com idades entre 43 e 54 anos. Os quatro feridos continuam hospitalizados, disse Uthai Thipsopa, coronel da polícia local, à agência AFP a partir do local da explosão. Mais de 6400 pessoas, na sua maioria civis, morreram no sul da Tailândia desde que o movimento separatista muçulmano voltou a pegar nas armas em 2004. Os ataques com armas ligeiras, homicídios e atentados com explosivos nas províncias de Yala, Pattani e Narathiwat acontecem a um ritmo quase diário, não obstante o destacamento de um grande dispositivo das forças de segurança, composto por cerca de 40 mil efectivos, e a declaração de estado de excepção desde 2005. Os rebeldes denunciam a discriminação que sofrem por parte da maioria budista da Tailândia e exigem a criação de um Estado islâmico que integre estas três províncias que configuravam o antigo sultanato de Pattani, anexado pela Tailândia há um século.


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artes, letras e ideias

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J

ing Hao “Bifa Ji”

Notas Sobre o Método do Pincel

Os pinheiros1 podem crescer tortuosos,

respeito]. Por vezes os pinheiros são pin-

mas não caem artificiosamente; eles en-

tados como altivos velhos dragões ou ser-

contram-se por vezes em grupos densos,

penteantes dragões jovens, com os ramos

por vezes espalhados, e não são verdes

e as folhas em confusão. Estes não pos-

nem azuis. Eles são aprumados desde que

suem a ressonância espiritual dos pinhei-

nascem, os rebentos que saem dos seus

ros. A tuía (também designada como arbor

corações não são de um género abatido,

vitae orientalis)3 cresce muitas vezes torcida

a sua força masculina fá-los solitários e

e ondulante, a sua folhagem é abundan-

altivos. Mesmo quando os seus ramos

te mas não tem flores; as suas articulações

crescem para baixo, e se inclinam em di-

são regulares e as suas veias seguem o sol.

recções opostas, nunca caem para o chão;

As folhas assemelham-se a fios enlaçados

eles parecem dividir a floresta em estra-

e os ramos são como o tecido de linho ou

tos horizontais sucessivos. E então …são

cânhamo. Por vezes são pintadas como

como a brisa do «homem virtuoso» que

serpentes ou como seda macia, ou podem

é «como o vento2» [quando passa sobre

estar virados sem qualquer razão. Estes es-

as cabeças humildemente inclinadas em

tão todos errados.

1. O pinheiro da China, Pinus massoniana, em cantonense designado Ma Mei Chong (in Catálogo de Plantas de Macau, Câmara Municipal das Ilhas e Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, Macau, 1991, p.25)) ocupará um lugar ímpar na pintura de paisagem chinesa. Michael Sullivan escreve: «é a única árvore no reportório do pintor Chinês que se tornou num género em si própria» e não apenas pela «riqueza das associações morais e literárias mas devido ao seu próprio aspecto e forma, ao seu tronco erecto ou poderosamente

retorcido e articulado com as fortes acentuações nas articulações.» in Chinese Landscape Painting, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, 1980, p. 142. 2. Citação dos «Analectos» de Confúcio. 3. A Thuja orientalis ou Biota da China, da família Cupressaceae, a que pertencem, por exemplo, os ciprestes comuns nos cemitérios românticos europeus, é uma árvore conífera de folhas perenes. Em cantonense é designada Pin Pak (in Catálogo de Plantas de Macau, Op. Cit., p. 25).


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artes, letras e ideias 17

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração


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Amélia Vieira

O

EUROPA 2015 Marc chagall, Sobre a cidade

s mitos são como os sonhos, no dizer de Calderon de la Barca: “eles sempre têm razão e não há maior dor que a de não poder amar”. Nós, paradoxalmente, nascemos numa cultura de Amor, na tradição judaico-cristã. O facto de parecer ter sido um insucesso deve-se mais aos novos preconceitos que ao registo da herança. Vem isto a propósito da Europa, esse continente de fronteiras fluídas e instante sombrio, da flutuação da sua deriva, do seu rápido desaparecer como modelo de uma virtude já quase esquecida: a soberania. Os europeus já devem estar em minoria nos seus próprios territórios, com populações envelhecidas, uma decadência e esvaziamento notórios. Os europeus são, enquanto população autóctone, uma população doente. Doente animicamente, esvaziada, logo que o mito do dinheiro e da abundância para todos também se foi. Subitamente ficaram mais pobres, e tanto mais pobres porque os grandes mitos se foram, as ilusões e a sua laicidade ajudou a criar esferas de um imenso vazio onde o Catolicismo parece uma ressonância sem sentido. Ficámos mais tristes, mais pobres e não temos Deus. O Diabo em que acreditámos traiu-nos e também não quis saber de nós. Esse belo deus do Capital só quer saber de alguns e iludiu com força mortal os que esperaram o fim das provações. As coisas parecem pacíficas, sim, mas sente-se uma estranha tensão, uma quase nuvem de bolha flutuante que poderá rebentar a um qualquer momento, aquela paz que antecede os grandes temporais. Existe efectivamente um “ vapor” escuro no ar dos céus europeus, para não falar na imensa truculência dos povos a norte, cujo louro define quantas vezes o que tão “civilizadas” estruturas são capazes nos momentos especiais de fazer e pôr em prática. Dois mil e dezasseis vai ser o ano da reedição da tão esperada (imaginem) «Mein Kampf», o grande tratado criminal da era moderna e a negação da nossa identidade humana universal. Esta reedição não será de todo inocente, mesmo com o trabalho explicativo das notas introdutórias, nem ausente de sentido. Num instante destes era tudo o que não precisaríamos, mas a Europa ama os seus Infernos: o editor não tem dúvidas, o texto deve ser publicado – eu sou favorável à publicação de «Mein Kampf» pois é um documento histórico que influenciou milhões de pessoas. Claro, nós nem devemos fazer juízos de valor, História é isso mesmo, e as pessoas como bem sabemos são seres influenciáveis, o que o rebanho pensa não é História, mas sim aquilo que melhor se adapta às circunstâncias

de alguns. No entanto, essa pobre gente pensa que pensa, mas efectivamente há quem a pense melhor: e diz mais: « é preciso deixar algum tempo para esta iniciativa se organizar pois que não se trata de uma iniciativa de mercenários, mas de uma decisão colectiva de historiadores». Nós, leitores, somos como bem se sabe personagens incautas, lemos o que os grandes grupos de “historiadores” acham, porque eles pensam em tudo, as notas vão ser talvez de uma incisiva e subliminar tendência a um nazismo mais limpo, menos húmido, mais seco, rápido e que se não consubstancie nas nossas células nervosas, pois há que secar os pântanos e preparar para o electrochoque de néon que as mentes não mercenárias assim desejam. Talvez que Hitler até seja demasiado grotesco face ao “inteligente” esquema historicista em curso e não passe de um palhaço amestrado e ainda cheio de vastos oceanos de emoções. Nós vivemos nesta Europa e não na outra, aquela que nos dizem outras histórias de encantar, vivemos qualquer coisa entre o impensável fortemente provável, num espaço de tempo tão veloz que melhor será não focarmos demais as atenções: entre o mito da felicidade e as fotos bem-sucedidas, o glamour, e toda essa trapalhada e a vida dos cidadãos, há diferenças maiores que entre a água de Marte e a água da Terra, mas o Sol de facto tapa tudo. Seria de mau gosto não relevar aqui o prazer estético que foi as cabeças com lenços das mulheres islâmicas, lindas, de calças, de tudo o mais, mas castamente e rigorosamente enleadas nas

suas decentes silhuetas. Ao lado da mulher europeia, de cabelos em pé, pintados, despenteados, são figuras dignas de mulher, o não reparar o quanto me faz feliz os judeus ortodoxos passeando-se com os seus tefilins, kiipás, livros de orações, e os islâmicos rezando descalços numa qualquer praça ou estação, é uma paisagem de uma imensa civilidade ao contrário das expressões materialistas de efeito cartesiano. É uma revelação e um maravilhamento. Digo judeus e árabes, dado que não se vêem católicos, freiras, padres, monges, nem se sabe bem o que trajam, no corpo e na alma. As imponentes catedrais não tardarão a ser readaptadas para o Islão (nada que não se tivesse já feito no sentido inverso –bem pensado, aliás, a ver pelo carnaval de imagens e coisas que são típicas manifestações dos povos bárbaros cristianizados), as duas outras religiões são iconoclastas e vão partir a estatuária e deitar para um canto aquela quantidade de abominações que é a representação de Deus em fascículos. Todo o ser que ora é digno de amor. Poder-se-ia pensar numa grande Babilónia, já que somos uma cidade única, as coisas estão unidas umas às outras formando a Cidade, todos juntos repartindo o chão, mas creio que nos abeiramos também de uma supra catástrofe humanitária cujos contornos não nos pode ser dado conhecer. Pareceu-me de uma beleza trágica! Bela, só mesmo a exposição de Chagall, no Museu de Arte Contemporânea de Lille no primeiro dia da apresentação. Todas as mais representativas obras ali estavam à distância de um beijo, ou de uns olhos marejados de quen-

tes lágrimas… a delícia de uma música em forma de pintura e toda a sua orquestração de maravilhoso e santo, de terno e bom, de féerico e onírico; Chagall é um menino, meio anjo, meu homem… As cartas a Man Ray, aos pais… tudo nele é absolutamente Poesia. Ele não esqueceu de reintegrar Jesus na sua tribo e fá-lo com a beleza de um grande artista: integra-o na cena ao lado dos seus. É um movimento espiritual maravilhoso que dá um efeito estético inaudito. Não estamos à espera que tudo numa tela se mova de dentro para fora e de fora para dentro de maneira tão integrada. A dança, a união, os pés sempre no ar (para quem não tem terra, os pés devem de facto ser asas) a imensa ternura do Anjo Azul, o profeta Elias num carro rumo ao céu de fogo a um cantinho da memória das coisas, o rei David, a sua harpa, tudo é música, tudo isto pertence ao sonho profundo onde brota movimento e cor.O seu olhar tão límpido, também- como um girassol- o grande plano do seu rosto iluminando o grave Outono europeu. São estes os maiores momentos. Nada nos surpreende mais do que aquilo que conhecemos ou julgamos conhecer, pois é da intimidade que nasce a voz nascente das coisas transformadas. Se nada conhecemos, nada nos surpreende, porque o novo é em si matéria pobre, precisamos de conhecer para encontrar pontos de surpresa, tanto, que por momentos, pensamos em todas as direcções do real e o que é de facto uma realidade. O deus cornígero que raptou Europa fê-lo por razões sem dúvida apaixonadas… disso nos dá conta a imensa arte pictórica, pondo-a numa posição de quem gosta do dorso do amante raptor. Assim ela me pareceu na sua beleza de velha matrona, ainda lúdica e robusta, mas sem a força de inspirar e de se refazer da “gordura” que foi acumulando na sua própria estrutura. É agora a deusa velha de um panteão de velhos que se entretém vagamente nos últimos deleites, nem que seja um rapto estratégico para alimentar a gula e a luxúria que por vezes ficam ridiculamente mal, mas, que há muito sabe que outras mais belas deusas a substituíram. Neste caso presente, uma ocupação sem freio nos seus domínios e salões onde diz pouco e nada sabe resolver. Estejamos sempre atentos ao Crepúsculo dos Deuses, se o Doutor Fausto nos aparecer não tenhamos medo: ele espera como o deus das auroras, também e mais do que nunca, o seu alvorecer. 30 de Outubro de 2015


desporto

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Rui Pinto

hoje macau segunda-feira 16.11.2015

Pólo Aquático Clube recentemente criado pretende fomentar modalidade

Um sonho dentro de água

Criado em Outubro, o Clube de Pólo Aquático pretende desenvolver a modalidade no território, tendo já participado em algumas competições. Rui Pinto, dinamizador do clube e treinador, garante que os objectivos passam pela profissionalização e treinos diários

H

á cerca de dois anos a criação de um Clube de Pólo Aquático era apenas um sonho. Agora, Rui Pinto deseja profissionalizar um grupo de juvenis e séniores e fomentar a modalidade no território. Criado oficialmente em Outubro, o Clube de Pólo Aquático quer começar a promover torneios e, sobretudo, receber mais apoios. “A criação do clube aconteceu porque felizmente apareceram mais pessoas interessadas, desde crianças a antigos praticantes de pólo aquático em Macau e de Portugal, e fazia sentido desenvolver a modalidade. Fazia sentido criar um clube, se não nunca iríamos passar de um grupo de amigos que iam à piscina divertir-se, sem qualquer objectivo”, disse ao HM Rui Pinto, promotor do clube e um dos treinadores.

A inscrição no Instituto do Desporto (ID) deverá ser realizada em breve e a ideia é o clube arrancar com competições. “Pretendemos organizar torneios, porque só assim pretendemos manter os jogadores mais novos, e sem esses torneios vai ser difícil mantê-los a praticar pólo aquático. Gostávamos de tornar a coisa mais séria, não só no pólo aquático como na natação e até outras variantes da natação, como as provas de águas abertas”, explicou Rui Pinto.

Apesar do pouco tempo de existência, o Clube de Pólo Aquático de Macau já teve a oportunidade de participar em duas edições do torneio de pólo aquático de praia (Pulse International Hong Kong Beach Water Pólo Tournament), onde levaram jogadores juvenis e séniores. “O balanço é positivo, porque conseguimos sair premiados. Mas o principal prémio foi a participação e termos conseguido juntar o grupo e estar este ano no terceiro

Para já o Clube de Pólo Aquático tem tido o apoio da Associação de Natação de Macau para treinar duas vezes por semana, mas o objectivo é criar uma logística que permita à equipa treinar de forma diária

ano, com a ajuda de alguns patrocinadores amigos. Conseguimos que os miúdos participassem e percebessem o que é o pólo aquático, porque até então nunca tinham tido uma competição”, disse Rui Pinto. “Temos como objectivo que a modalidade esteja aberta a toda a gente. Queremos não só tornar a coisa mais real como até mais viável economicamente, porque até agora só conseguimos patrocínios de amigos. E também podermos ter algum apoio para actividades do ID e da Associação de Natação. O mais difícil, há um ano ou dois atrás, era fazer o clube, agora é fazer o clube andar para a frente”, assume.

Treinar todos os dias

Para já o Clube de Pólo Aquático tem tido o apoio da Associação de Natação de Macau para treinar duas vezes por semana, mas o

objectivo é criar uma logística que permita à equipa treinar de forma diária. “Ao início tudo é mais complicado e tivemos que superar alguns obstáculos. Há uma possibilidade de começarmos a treinar todos os dias, mas para isso teremos de ter uma massa humana, de jogadores e treinadores, que estejam presentes todos os dias. Não é fácil, estando a coordenar a equipa dos juvenis e dos séniores, deslocar-me todos os dias à piscina”, garantiu Rui Pinto. O promotor do clube tem sido o principal treinador das equipas, sendo apenas substituído por jogadores mais velhos com alguma experiência na modalidade. Quanto à participação, Rui Pinto frisa que têm surgido caras novas, para além do grupo fixo de atletas. “Temos um número fixo de participantes, tanto juvenis como séniores, e depois há um universo de pessoas que vem ver como é e que depois acaba por desistir, é normal. Quando chega a altura do Verão temos mais participantes, noutras alturas do ano temos menos. Mas esse é o espelho de todas as actividades desportivas de Macau, que são todas um pouco sazonais. As pessoas não se dedicam a uma modalidade por inteiro”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


20 desporto

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Couto confirma

O piloto de Macau André Couto (Nissan) venceu ontem a categoria GT 300 do campeonato japonês de Super GT, após ter sido sexto classificado na última prova, em Motegi. André Couto terminou a última ronda do campeonato japonês, no circuito de Motegi, no sexto lugar, mas o suficiente para conseguir o título de campeão. O piloto de 28 anos assumiu a sua alegria e da sua equipa por vencer um “campeonato muito difícil a nível mundial”, 11 anos depois de ter sido vice-campeão no Japão em GT 300. O piloto, que cumpriu a sua 12.ª temporada em GT no Japão, corre com as cores de Macau e estreouse nesta temporada na equipa Gainer Tanax, ao lado do japonês Katsumasa Chiyo.

Ping Pong Marcos Freitas e Fu Yu nos ‘quartos’

Portugal volta a perder na Rússia e chumba no primeiro teste para o Euro 2016

O eterno problema da fruta Portugal continua sem conseguir vencer na Rússia. Quatro estreias marcam o jogo

A

selecção portuguesa de futebol, com um golo sofrido já perto do final, foi sábado derrotada pela Rússia, por 1-0, num jogo marcado por quatro estreias e alguma falta de capacidade da formação de Fernando Santos. Em Krasnodar, aos 89 minutos, o médio Shirokov marcou o único tento da partida, com um remate já dentro da área, e garan-

tiu à selecção russa uma vitória justa sobre Portugal, que passou grande parte da partida remetido à sua defesa e com muitas dificuldades em conseguir chegar à baliza adversária. Mesmo sem as suas principais figuras, incluindo Cristiano Ronaldo, a selecção lusa podia e devia ter feito mais no Estádio Kuban e só não sofreu um desaire mais expressivo devido à excelente exibição do guarda-redes Rui Patrício, sobretudo na primeira parte. O jogo em Krasnodar acabou por resultar na quarta derrota da ‘era’ Fernando Santos, todas em particulares, depois de França (2-1 em Paris e 1-0 em Lisboa) e Cabo Verde (2-0 no Estoril). Portugal continua sem vencer na Rússia (três derrotas e um em-

pate) e também sem marcar qualquer golo sempre que se desloca a esse país. Como já era esperado, a pouco mais de seis meses da fase final do Europeu de França, Fernando Santos testou algumas soluções, tendo avançado com as estreias de Gonçalo Guedes, que foi titular, Rúben Neves, Lucas João e Ricardo Pereira. O meio-campo também apareceu renovado, com William Carvalho, André André e João Mário, enquanto a defesa acabou por ser o sector mais ‘rodado’, com Pepe e Bruno Alves no centro e Cedric e Eliseu nas alas. Na frente, passado dois anos de ausência, Nélson Oliveira voltou a vestir a camisola das ‘quinas’, mas nos 72 minutos que esteve em

Fernando Santos dixit “O resultado final interessa sempre. No balanço global chegámos atrasados ao jogo. Nos primeiros dez minutos praticamente não existimos. Não conseguimos ter a bola e tivemos dificuldades. Depois a equipa encontrou-se, desinibiuse e teve mais bola. Algumas oportunidades da Rússia foram perdas de bola da nossa equipa. Apesar de não termos estado muito bem nos primeiros dez minutos, nos outros 35 estivemos muito bem. Na segunda parte entrámos razoavelmente bem, mas faltou-nos

a capacidade de chegar à frente. É verdade que a Rússia não teve tantas possibilidades na segunda parte, mas nós tivemos mais dificuldades, não conseguimos chegar à frente com a mesma frequência, o que fez com que o jogo ficasse muito no meio-campo. Podíamos ter feito melhor nesse aspeto, mas o resultado fomos nós que nos penalizámos a nós próprios, porque não é muito admissível sofrer um golo em contra-ataque aos 89. Os jogadores trabalharam, fizeram 35 minutos muito bons, a segunda parte não foi tão bem conseguida,

principalmente em termos ofensivos. De qualquer maneira, o trabalho acabou por ser positivo. Estreámos quatro jogadores e estou muito satisfeito com todos. Procuraram cumprir e jogar desinibidos. Acabámos por jogar com um jogador fixo mais na frente, o teste teve coisas positivas. Estes testes servem exatamente para isso, para experimentar coisas novas. A Rússia demonstrou que tem grandes jogadores, Dzyuba tem grande potencial.”

campo, poucas vezes conseguiu fugir à marcação dos defesas russos. Praticamente no arranque da partida, Rui Patrício impediu Dzyuba de marcar e, instantes depois, viu o avançado do Zenit São Petersburgo acertar com estrondo na barra da baliza. Portugal entrou em campo com muitas dificuldades na luta pelo meio-campo e, mesmo quando conseguia subir no terreno, os homens estiveram quase sempre desacertados, com Nani a ‘agarrar-se’ muito à bola e Gonçalo Guedes notoriamente ansioso com a estreia. Depois de Rui Patrício ter impedido novamente o golo da Rússia, desta vez a remate de Shirokov, Portugal finalmente incomodou Akinfeev, já perto do intervalo, com Gonçalo Guedes e depois João Mário a obrigarem o guardião russo a ‘sujar’ o equipamento, naquela que foi a melhor fase da seleção lusa em todo jogo. Na segunda parte, Portugal aproximou ainda mais os seus blocos, dando pouco espaço aos jogadores russos, uma solução que acabou por tornar a equipa ainda mais inofensiva na frente. Exceção feita a um remate ‘venenoso’ de João Mário, aos 87 minutos. Quando já era certo o ‘nulo’, Shirokov aproveitou alguma desconcentração da defesa portuguesa e bateu Rui Patrício, depois de uma excelente assistência de Dzyuba. Lusa

Marcos Freitas e Fu Yu qualificaram-se ontem para os quartos de final dos torneios de singulares do Open da Suécia, prova do circuito mundial de ténis de mesa que se disputa até domingo em Estocolmo. Em singulares masculinos, Marcos Freitas, quinto cabeça de série, venceu Kwan Kit Ho, de Hong Kong, por 4-2, e joga ainda hoje as meias-finais frente ao chinês Jingkun Liang. No quadro feminino, Fu Yu, que é 25.ª cabeça de série, impôs-se à polaca Li Qian, 30.ª da hierarquia, por 4-0, defrontando agora na meia-final a chinesa Yuling Zhu.

Ogier mantém a liderança do Rali da Grã-Bretanha

O francês Sébastien Ogier (Volkswagen), já virtual tricampeão mundial de ralis, manteve ontem, no final da segunda etapa, a liderança do Rali da Grã-Bretanha, ultima prova do Campeonato do Mundo da modalidade (WRC), a decorrer até domingo no País de Gales. À entrada para a terceira e última etapa, a realizar domingo, Sébastien Ogier lidera a prova com 31 segundos de vantagem sobre o segundo classificado, o britânico Kris Meeke (Citröen), e 56,5 segundos sobre o terceiro, o seu colega de equipa norueguês Andreas Mikkelsen. Ogier, que esta manhã se mostrou perturbado pelos vários atentados registados na noite de sexta-feira em Paris, admitiu alguma falta de concentração, mas que decidiu continuar em prova como forma de homenagem as vítimas. O francês chegou a perder momentaneamente a liderança para o britânico Kris Meeke, quando sofreu um atraso provocado pelo acidente do belga Thierry Neiville (Hyundai), mas a classificação acabaria por ser revista.


( F ) utilidades

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75-95%

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Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre

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Cineteatro

O que fazer esta semana Diariamente

8.59

yuan

21

1.25

Cinema

Sala 1

Return of the cuckoo [B]

Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Patrick Kong Com: Chi Lam Cheung, Charmaine Sheh, Joe Chen, Nancy Sit 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 2

Spectre [b]

Filme de: Sam Mendes Com: Daniel Craig, Cristoph Waltz, Lea Seydoux 14.00, 16.45, 21.30

She remembers, he forgets [b]

Falado em Cantonês Legendado em Chinês e Inglês

Filme de: Wong Say Ping Com: Miriam Yeung, Jan Lamb 19.30 Sala 3

Our times [b]

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Roufu, Wang Qianyuan 14.15, 19.00

Go away mr.tumor [B]

Falado em Mandarin Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Han Yan Com: Fay Bai, Daniel Wu 16.45, 21.30

Exposição de Zhou Chunya MAM Entrada livre

Aconteceu Hoje

16 de novembro

Nasce a UNESCO

Exposição “Refugiados de Xangai” Arquivo Histórico de Macau Entrada livre Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre Exposição “Salão de Outono”, obras de 29 artistas locais (até 28/11) Fundação Macau Entrada livre

U m d i sco h oj e “Ma Fleur” (The Cinematic Orchestra, 2007) The Cinematic Orchestra é jazz e electrónica. É o silêncio dos dias de chuva e a euforia dos dias de sol. “Ma Fleur” é um álbum maduro que conta com mais de sete anos de existência. Poucas faixas - as necessárias para nos rendermos a todas as emoções por transmitidas. De origem britânica, o grupo surge em 1999 pelas mãos de Jason Swinscoe. Bateria, um DJ, cordas, pianos e instrumentos de sopro, tais como o saxofone conduzido pelo incrível Tom Chant, marcam presença neste grupo que conquistou o público desde o primeiro momento. “To built a home” é a música que para além de abrir o álbum, abre também a semana com a premonição de momentos grandiosos. Filipa Araújo

Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas

• A 16 de Novembro de 1945 é criada a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), uma organização fundada em Paris com o objectivo de contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações. As atividades culturais procuram a salvaguarda do património cultural, o estímulo da criação e a criatividade e a preservação das entidades culturais e tradições orais, assim como a promoção dos livros e a leitura. A UNESCO promove a livre circulação de ideias por meios audiovisuais, fomenta a liberdade de imprensa e a independência, o pluralismo e a diversidade dos meios de informação, através do Programa Internacional para a Promoção da Comunicação. O principal objectivo da UNESCO é reduzir o analfabetismo no mundo. Para isso, financia a formação de professores e uma das suas actividades mais antigas é a criação de escolas em regiões de refugiados. Na área da Ciência e Tecnologia a UNESCO promoveu pesquisas para orientar a exploração dos recursos naturais. Outros programas importantes são os da protecção do património cultural e natural do mundo, além do desenvolvimento dos meios de comunicação. A UNESCO surgiu ainda no tempo da Liga das Nações que criou uma comissão em 21 de Setembro de 1921, para estudar a questão da Educação e Cultura. Outras organizações foram criadas, mas o seu trabalho foi interrompido com o início da Segunda Guerra Mundial. Até Outubro de 2009, a UNESCO contava com 193 Estados-membros, sete membros associados e dois observadores. A 16 de Novembro de 1965, a Venera III, uma sonda atmosférica, foi lançada da URSS para Vénus. Pesava 958 quilos. No seu histórico, ficou marcado que as comunicações foram perdidas um pouco antes da entrada na atmosfera. Ela teve problemas e não retornou à Terra, permanecendo em Vénus. Neste dia, em 1998 nove pessoas morrem durante manifestações em Jacarta, na Indonésia. Os estudantes pediam reformas no país

fonte da inveja

A impermanência é a única constante.

João Corvo


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opinião

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Rui Flores

ruiflores.hojemacau@gmail.com

dissonâncias

O

s atentados de sexta-feira, 13, em Paris, são um ataque aos valores que têm marcado a União Europeia. São um tiro brutal aos direitos humanos, à liberdade de movimentos, à democracia, à tolerância. Os ataques, alegadamente perpetrados por comandos do Estados Islâmico, poderiam ter como intenção punir os governantes franceses pelas intervenções militares na Síria e no Mali. Poderiam. Pelo menos essa foi a argumentação usada no comunicado dito oficial. Mas o pior dos efeitos vai sentir-se no interior da própria União Europeia. A reacção imediata dos novos governantes polacos, algumas horas depois dos atentados da noite de sexta-feira, afirmando que já não iriam aceitar as quotas europeias de refugiados, é apenas um sinal do que aí vem. Receia-se o pior. O terror vai passar a fazer parte do dia-a-dia dos europeus. Isso é cada vez mais evidente. Aquela sensação única de liberdade, de segurança, de tolerância, a que nos habituamos nas últimas décadas, vai sofrer um revés profundo. O discurso pró-securitário, contro “o outro”, o “anormal”, vai ganhar terreno. Combater essa mensagem, fácil, de que “os outros” são os culpados de todos os males da nossa vida, requer persistência, requer visão de longo prazo. Os tempos de hoje, marcados pelo discurso de consumo imediato, tendente a reforçar pequenas vantagens competitivas que nos garantam um posto,

cartoon por Stephff

Luchino Visconti, La terra trema

Uma Europa que treme

uma eleição, não são os mais apropriados para uma cultura de esperança. Essa verve contra “o outro” já estava bem presente no discurso mediático desde que a Europa se tornou numa espécie de última tábua de salvação para quem foge da guerra no Médio Oriente, das perseguições étnicas ou da pobreza extrema em África. A tentação é fácil. E vai dar os seus frutos. A extrema-direita – com a honrosa

excepção portuguesa – tem estado a ganhar terreno nas últimas eleições no interior da Europa. Foi assim na Grécia e na Áustria. Nas recentes eleições legislativas na Polónia, por exemplo, a esquerda nem ao Parlamento chegou. Com a Frente Nacional em alta, liderada pela mais “domesticada” Marine Le Pen, as eleições regionais do próximo mês poderão significar, uma vez mais, o crescimento da intolerância. Contra “o outro”, o “estranho”, o “desconhecido”. O mundo está mais perigoso. Segundo os dados estatísticos da Universidade do Maryland, o número de atentados terroristas desde o 11 de Setembro de 2001 aumentou exponencialmente. Nove vezes! A Global Terrorism Database revela que em 2001 houve 1882 atentados, quando em 2014 esse número chegou aos 16,818. Esta contabilidade ainda não inclui, naturalmente, os atentados contra o Charlie Hebdo ou os de sexta-feira passada. As intervenções no Iraque, na Líbia ou Síria terão seguramente contribuído para este fenómeno. Embora em muitos casos, a Europa tenha apenas apoiado os Estados Unidos da América nesta senda de resolver os problemas lá fora, para que eles não nos cheguem cá dentro, o que é facto é que, depois de 14 anos de guerra contra o terrorismo, o terror está cada vez mais perto de nós, no centro da Europa. As soluções não estão na ponta de uma qualquer varinha mágica. Aliás, a cada dia que passa, a cada nova tentativa de acolher o outro, de propiciar uma integração mais efectiva, sem guetos nem favores, vão se esgotando fórmulas. Neste mundo global, as comparações são fáceis. Essas, sim, estão na ponta de um qualquer clique de rato. E a internet está disponível em todo o

Se a Europa não for capaz de se unir – os líderes europeus têm-no mostrado nos últimos meses que de facto essa é uma tarefa muito complexa – a União, tal como a conhecemos, poderá ter os dias contados mundo. A ideia que há um exército imenso de possíveis mártires dispostos a imolar-se por uma qualquer causa – jovens desempregados, sem perspectivas de futuro, sem educação formal, sem possibilidade de serem – torna o planeamento da luta contra os terrorismos uma tarefa quase impossível. A imprevisibilidade do próximo ataque, quando é de dentro da “fortaleza” europeia que vêm algumas das principais ameaças, vai levar ao reforço inexorável da componente securitária dos Estados europeus. E isso é uma fatalidade. O medo não é bom conselheiro. Mas os próximos tempos, de impotência, contra o Estado Islâmico, de intolerância, contra “o outro”, poderão ditar o fim de uma certa era. Desde a sua criação, a Europa tem sido um espaço de tolerância, de estabilidade, de desenvolvimento. Os 70 anos de paz na Europa estão ameaçados como nunca estiveram. Se a Europa não for capaz de se unir – os líderes europeus têm-no mostrado nos últimos meses que de facto essa é uma tarefa muito complexa – a União, tal como a conhecemos, poderá ter os dias contados.


opinião 23

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David Chan*

Plagiomas

N

o passado dia 11, o website “ejinsight.com”, de Hong Kong, publicou um artigo onde se anunciava que o Vice-Presidente, e Administrador, da Universidade Lingnan, de Hong Kong, o Sr. Herdip Singh, está sob suspeita de plágio. A sua tese de doutoramento, em gestão de empresas, é muitíssimo semelhante a uma tese de mestrado, apresentada pelo estudante chinês Wu Chunshui, na Universidade Sueca de Lund, em 2010. Singh fez o doutoramento em 2013, na Universidade Tarlac State. Sediada nas Filipinas, a Tarlac State, tem interesses financeiros no “Lifelong College” de Hong Kong. A tese de Singh tem o seguinte título: “Implicações da Gestão Comercial, uma análise dos modelos de gestão de empresas, em Hong Kong e na China Continental”. A tese é composta por 102 páginas. Um repórter do jornal de Hong Kong, “Apple Daily”, colocou os conteúdos da tese de Singh na pesquisa do Googgle. E o que é que apareceu? A tese de Wu. Posteriormente a apresentação de Singh foi entregue ao Sr. Matts Karreman, que tinha sido orientador da tese de Wu, e que confirmou que este tinha sido seu aluno em 2010. O sr. Matts Karreman utilizou o software para detecção de plágio, da Universidade de Lund, para verificar a tese de Singh. Descobriu que as duas apresentações eram iguais em 96%. Seguidamente, afirmou: “A semelhança é perturbadora”. Singh recusou-se a prestar declarações ao jornalista do Apple Daily. A Universidade Lingnan reagiu de imediato a esta situação. Anunciou a criação de um comité para investigar o assunto. No entanto, quinta-feira passada, a Associação de Estudantes, declarou que o comité não é suficientemente independente, porque Singh será investigado pelos seus colegas. A Associação de Estudantes já tinha solicitado a suspensão de funções de Singh e a instauração de um processo de investigação. Alguns estudantes da Lingnan sentem que esta situação esconde uma farsa, já que o plágio é absolutamente proibido na Universidade. O caso de Singh é complexo. Na última quarta-feira, dia 11, o website www. post852.com, fez saber que o director do Lifelong College, o sr. Alex Lee Yee Lik, é também um dos directores do Conselho Administrativo da Universidade Lingnan. O Lifelong College está, actualmente, sob suspeita de cometer fraude para atrair mais alunos. Trata-se de falsificar a data de inscrição, antecipando-a largamente, desta forma, o tempo de formação necessário é consideravelmente reduzido.

macau visto de hong kong

harry potter

legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

Só para dar um exemplo, suponhamos que um estudante obteve a sua graduação em Dezembro de 2013 e, que o tempo de formação que aparece no certificado, é de três anos e meio. No entanto, falsificando a data de admissão, o tempo efectivo em que esteve a estudar, pode ter sido apenas, de um ou dois meses. Usando esta técnica, o estudante forma-se num ápice. Depois da descoberta do caso de Singh, os diplomados da Universidade Tarlac State vão estar sob suspeita. Na quinta-feira, dia 12, o website de Hong Kong “apple.nextmedia.com”, anunciava ter descoberto que Sisley Choi See Pui, 1ª Dama do concurso Miss Hong Kong 2013, se tinha inscrito em Outubro de 2013 na Universidade Bulacan State, nas Filipinas, e que se tinha graduado em… Dezembro de 2013. Como já tinha sido referido, existem interesses económicos entre esta Universidade e o Lifelong College,

É preciso não esquecer, se tiver produzido 99 textos académicos, e apenas um for plagiado, então, todos serão considerados plágios

de Hong Kong. Quando o jornalista foi a casa de Sisley para a entrevistar, a mãe da jovem bateu-lhe com a porta na cara. O website “apple.nextmedia.com” apurou ainda que, pelo menos, cinco dos professores efectivos da Universidade de Hong Kong, Shue Yan, se terão formado na Bulacan State. Os estudantes experimentam um sentimento de desconfiança. Obter um doutoramento implica um grande esforço. Requer muito estudo. Mesmo que o tema não seja particularmente complexo, escrever uma tese é sempre difícil. Os critérios objectivos, que permitem ser bem-sucedido, são, muitas vezes, difíceis de identificar. Se o orientador nos diz que a tese não está bem e que, assim vamos chumbar, podemos, simplesmente, não saber como resolver a situação; e talvez tenhamos de reescrever tudo de início, ou mesmo, de desistir. É por este motivo que muita gente considera o doutoramento uma tarefa muito difícil e, como tal, não está disposta a fazê-lo. Por causa de toda esta dificuldade, muitas pessoas são levadas a cometer plágio. Plagiar é copiar, fazer crer que conteúdos escritos por terceiros, são da nossa autoria. É academicamente desonesto. Plagiar é estritamente proibido, quer seja professor, ou estudante, é uma atitude desonesta e é uma barreira ao desenvolvimento do conhecimento.

A reputação é um factor importante para todos os académicos. Mas, se algum deles se vir envolvido num caso de plágio, certamente que deixará de ter qualquer futuro na Academia. É o tipo de mancha que o dinheiro não consegue lavar. Neste contexto, a certificação académica, a nota dos exames e, outros documentos relevantes, não parecem reflectir o percurso académico correcto, quer a nível da duração, quer a nível dos resultados. A veracidade destes documentos torna-se duvidosa. É necessário que os envolvidos avancem com uma explicação. Em Hong Kong, se se provar que o conteúdo de um certificado não é verdadeiro, os envolvidos podem ser acusados de falsificação de documentos. A pena máxima vai até 14 anos de prisão. É preciso não esquecer, se tiver produzido 99 textos académicos, e apenas um for plagiado, então, todos serão considerados plágios. É expectável que se venha a saber que muitas outras personalidades de destaque se formaram, quer na Universidade Tarlac State, quer na Bulacan State. Esta caso ainda não está encerrado. Fiquemos atentos aos seus desenvolvimentos. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Elas não dão por ela

O

Índice de Felicidade das Mulheres de Macau, realizado pela Associação Geral das Mulheres de Macau, registou uma ligeira diminuição face a 2012. Os resultados, citados pelo jornal Ou Mun, revelam que factores como o ambiente familiar ou o trabalho podem estar na origem desta maior infelicidade. A vice-presidente da Associação, Un Sio Leng, explicou que das mais de 1200 mulheres entrevistadas, a média do índice atingiu 7,11 pub

pontos, de 0 a 10, numa nota que está no nível “médio alto”. “[Os resultados] acompanham o desenvolvimento da economia de Macau. O modelo de vida alterou-se, sobretudo das mulheres, e muitas precisam de trabalhar por turnos. É muito comum existirem famílias em que tanto a mãe como o pai precisam de trabalhar. No actual ambiente social, as mulheres podem acumular muita pressão”, referiu Un Sio Leng. A responsável garantiu ainda que em Macau “raramente” se fazem estudos especializados

S

sobre o sentimento de felicidade das mulheres. O último inquérito realizado pela Associação Geral das Mulheres foi em 2012, com um índice de 8,36 pontos. Este ano o inquérito revela que as mulheres estão mais satisfeitas com o ambiente familiar e o intercâmbio social. No entanto, mais de 60% das entrevistadas consideram que não conseguem desenvolver as suas capacidades por completo, sendo que 58% revela estar a enfrentar a pressão da maternidade. Mais de 80% das mulheres acha difícil equilibrar a profissão e família, sendo que 37% apresenta problemas de insónias e 23% dizem estar sempre deprimidas. A Associação Geral das Mulheres de Macau sugere que o Governo descubra o potencial das mulheres, melhorando as políticas de fertilidade e dando mais apoios à classe média. Isso poderia fomentar uma competitividade justa entre as mulheres, para que haja uma maior promoção, diz. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

ão seis os recursos indeferidos pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI), relativamente à caducidade de terrenos não aproveitados no tempo estipulado. A Fábrica de Isqueiros Chong Loi, a Sociedade Fomento Predial Predific Lda, Sociedade Fomento Predial Socipré Lda, Companhia de Investimento Predial Pak Lok Mun Lda e Companhia de Investimento Predial Hoi Sun, Lda e a Sinca – Sociedade de Indústrias Cerâmicas, Limitada foram as concessionárias que avançaram com os recursos, depois de verem caducadas as suas licenças. Os terrenos em causa situam-se na Taipa. Analisando os processo em causa, o TSI considerou que os prejuízos que as requerentes alegaram, “consistentes nos lucros cessantes e a perda de chance, são, pela sua natureza

gcs

Terrenos Tribunal de Segunda Instância indefere recursos de concessionárias

Inquérito mulheres de macau estão mais infelizes

estritamente económica, sempre susceptíveis da quantificação e ressarcimento pecuniário e não podem ser considerados como difíceis de reparar, pelo que não está verificado o requisito” para que vencem o recurso. Assim, com base nisto, o TSI “indeferiu o pedido de suspensão da eficácia do despacho” do Governo, que declarou a caducidade das terras. F.A.

Instituto de Acção Social detecta creche ilegal

O Instituto de Acção Social (IAS) detectou ontem um centro de educação pré-escolar que funcionava também como creche de forma ilegal. De acordo com um comunicado, o local não tinha autorização para ser creche e foi, por isso, multado. Este centro foi apanhado numa das “várias inspecções surpresa” que o IAS levou a cabo e poderá ter de pagar uma coima até às 20 mil patacas.


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Hoje Macau 16 NOV 2015 #3454 by Jornal Hoje Macau - Issuu