DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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´ E CONTRAS DE UMA INDUSTRIA ´ ´ E´ VICIO ´ JOGO PROS QUE TAMBEM Estudo revela males sociais que afectam os que cá vivem e os que por cá passam.
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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REPORTAGEM PÁGINAS
hojemacau
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Ter para ler
PATRIMÓNIO EDIFÍCIO QUASE DEMOLIDO PASSA A SER CLASSIFICADO
O AUTO DA BARCA
A casa da Rua da Barca, que por engano viu um dos seus pisos ser demolido, pode agora vir a ser classificada como património cultural. O processo terá de estar concluído nos próximos doze meses. Um drama com final feliz. PÁGINA 6
ASSÉDIO SEXUAL
O medo mora no campus PUB
SOCIEDADE PÁGINA
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JUSTIÇA A REBENTAR PELAS COSTURAS
Na abertura do Ano Judiciário, o presidente da Associação de Advogados de Macau, Jorge Neto Valente, volta a denunciar a falta de magistrados no sector e alerta para a degradação de qualidade na Justiça. O presidente da AAM pede ainda juízes temporários e a revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária. SOCIEDADE PÁGINA
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REPORTAGEM
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
jogo em Macau traz, à primeira vista, várias vantagens económicas e sociais para o território, mas nem tudo são rosas para os residentes, que todos os dias palmilham as ruas da cidade. De acordo com um estudo conduzido em 2011, por três académicos da Universidade de Macau, da Universidade de Viena e do Instituto de Formação Turística, de Macau, as principais consequências negativas do jogo – e da construção de casinos – são o abandono escolar, o aumento da percentagem de vício e da taxa de criminalidade, o desenvolvimento desenfreado de construção e consequente diminuição de número de espaços verdes e, finalmente, os problemas de tráfego e a diminuição de lojas de menor dimensão. A solução para parte destes problemas passa, primeiramente, pela aplicação de medidas governamentais de controlo das rendas de casa e de incentivo à formação profissional longe das mesas e fichas de jogo.
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JOGO CONSEQUÊNCIAS DE UMA INDÚSTRIA QUE VEIO PARA FICAR
Nem tudo o que luz é ouro A expansão do jogo em Macau é tida por muitos como benéfica. No entanto, o pano esconde verdades menos felizes, sendo o abandono escolar e o aumento das rendas apenas dois dos males. A solução, defendem alguns académicos, passa por aperfeiçoar os serviços de aconselhamento psicológico, criar medidas de controlo de rendas e melhorar as ofertas de formação profissional “Impactos sociais do jogo em Macau: uma análise qualitativa” refere ainda a deterioração da qualidade de vida como outro dos impactos. A par disso, estão as consequências positivas do Governo ter aberto a porta a outras operadoras para além da Sociedade de Jogos de Macau, liberalizando assim o mercado dos casinos.
PARA QUÊ ESTUDAR?
Uma das ideias mais generalizadas entre os jovens do território é a de que trabalhar nos casinos é mais benéfico
“Várias das pessoas que nos procuram, com problemas matrimoniais, pertencem ao sector do Jogo ou relacionados e têm horários rotativos” FILOMENA IP Representante da associação Movimento Católico de Apoio à Família
do que completar o ensino secundário e ingressar no ensino superior. De acordo com dados de Junho passado, da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos
(DSEC), o salário médio de um ‘croupier’ ronda as 17530 patacas. Os mesmos dados avançam que, há cerca de três meses, havia 25727 ‘croupiers’ empregados, comparando com os 18684 do mesmo período de 2010. Há quatro anos, o valor médio para um ‘croupier’ ao final do mês era de 13590 patacas. Assim, torna-se fácil compreender porque é que os jovens do território optam por estar nas mesas de jogo – função para a qual não é necessária formação secundária ou universitária –, ao invés de
ingressar no ensino superior para exercer uma profissão eventualmente menos bem paga. Dados avançados pela Direcção de Serviços para a Educação e Juventude mostram mesmo que mais de meio milhar de alunos abandonaram o ensino secundário no ano lectivo de 2002/2003, coincidindo com a abertura do mercado do Jogo. “A principal razão para este facto prende-se com as boas perspectivas de emprego nesta indústria, particularmente porque se trata de empregos bem pagos em casinos, como é o caso dos ‘croupiers’”, mencionam os académicos responsáveis pelo estudo já referido. Os dados da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), relativos aos primeiros seis meses deste ano, mostram que apenas 3000 dos mais de 460 mil residentes estavam desempregados. A mesma entidade avança ainda que 15% das pessoas à procura de emprego são licenciadas, apenas 1% possuindo grau de mestre.
ENTRE MARIDO E MULHER, O JOGO METE A COLHER
Também a estrutura familiar tem vindo a sofrer com a
reportagem 3
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PALIATIVOS O estudo de 2011 avança algumas medidas que podem ajudar a atenuar os efeitos negativos do Jogo na sociedade local. Curiosamente, muitos deles estão já a ser resolvidos pelo Executivo, ainda que com demoras e deslizes nos orçamentos inicialmente previstos, como são a construção do metro ligeiro, uma maior facilidade na passagem da fronteira para a Ilha da Montanha e Zhuhai, ou os planeamentos urbanos de que minorem os impactos da construção na cidade. No que diz respeito às lojas tradicionais, o estudo conclui que é dever do Executivo subsidiar os pequenos negócios e oferecer formações de gestão e empreendedorismo. “Os políticos e deputados devem reconhecer que os pequenos e médios negócios desempenham um papel fulcral do desenvolvimento sustentável do turismo” e diversificação da oferta hoje em dia existente. Por outro lado, talvez a solução para a diminuição dos divórcios e problemas familiares passe igualmente por uma eventual reformulação dos horários dos funcionários dos casinos, algo que os trabalhadores do sector têm vindo a reivindicar há já vários meses, através de manifestações e entrega de cartas às operadoras e ao Executivo.
indústria do jogo, nomeadamente para as famílias que têm membros empregados em casinos com horários flexíveis. Prova disso mesmo é o aumento da taxa de divórcios registada desde 1990, ano em que houve apenas 95 divórcios, comparando com os registados 475 em 2004 e os mais de 1100 no ano passado. A representante da associação Movimento Católico de Apoio à Família, Filomena Ip confirmou ao HM que grande parte das famílias que procuram aconselhamento junto da associação estão, de alguma forma, relacionadas com a indústria. “Várias das pessoas que nos procuram, com problemas matrimoniais, pertencem ao sector do Jogo ou relacionados e têm horários rotativos”, começa por explicar. “Na grande maioria dos casos, os problemas têm que ver com escassez de tempo para estar com o cônjuge, ou seja, falta de comunicação, especialmente quando trabalham em horários completamente diferentes”, continua Ip. No entanto, o Jogo não afecta apenas a relação entre marido e mulher. Também os filhos parecem sofrer com o emprego dos pais. A representante do centro referiu que os horários flexíveis implicam, muitas vezes, menos tempo para os mais novos, o que pode interferir no seu crescimento e aprendizagem. A opinião é igualmente partilhada por Leong Kai Yin, sociólogo do Instituto Politécnico de Macau (IPM). Numa entrevista dada ao jornal Ponto Final em Maio de 2012, o académico refere que várias crianças afirmam que “os casinos são bons locais para trabalhar” e os bons ordena-
dos são a justificação para este tipo de pensamento. “Muitas vezes os pais não falaram com eles sobre isso, mas eles aprendem-no através do comportamento dos pais. Acabam por não desenvolver padrões morais”, começa Leong por dizer.
EXPORTAÇÃO DE MALES
Finalmente, um dos problemas sociais mais graves e prementes da indústria do Jogo: o vício e outros problemas relacionados, que destroem contas bancárias e até famílias, provocando depressões e, em alguns casos, o suicídio. No entanto, este
“A grande maioria das pessoas que visitam os casinos de Macau são chineses do continente, de Hong Kong e de Taiwan. Assim, o território é, essencialmente, exportador de males sociais e problemas de Jogo para estes países, a partir do momento em que os turistas voltam para os seus locais de origem” DESMOND LAM Professor da UM
poderia ser um problema transversal a qualquer país ou sociedade, mas é em Macau que mais se faz sentir, nomeadamente quando comparando com outras regiões. Segundo dados do estudo anteriormente referido, Hong Kong e Singapura tinham, em 2008, taxas de dependência do jogo de 4,5% e 2,9%, enquanto Macau registava 24 mil casos de vício de, o que representa mais de 24 mil pessoas. O facto dos casinos serem a principal atracção de Macau, explicou o professor da UM, Desmond Lam, faz com que os turistas estrangeiros “levem” consigo a epidemia que muitos consideram ser o Jogo. “A grande maioria das pessoas que visitam os casinos de Macau são chineses do continente, de Hong Kong e de Taiwan. Assim, o território é, essencialmente, exportador de males sociais e problemas de Jogo para estes países, a partir do momento em que os turistas voltam para os seus locais de origem”, explica o académico.
PROBLEMAS A MAIS NA IDADE DOS CASINOS
Embora o abandono escolar, os problemas familiares e o vício sejam os mais visíveis na sociedade vigente, existem outros que afectam não só quem está relacionado com o sector, mas toda a população. O progressivo aumento das rendas de casa, a ausência de espaços verdes, o número excessivo de turistas, a falta de recursos humanos devidamente qualificados e a diminuição do número de pequenos negócios são cinco dos outros problemas identificados. No entanto, a solução – se é que existe – parece não residir na indústria, mas sim no próprio Governo, que deverá facilitar a vida aos seus residentes. Há mesmo quem seja mais pessimista relativamente a esta questão, como Desmond Lam. O também professor de Marketing considera que “neste momento, não há solução possível”, pelo menos não a curto prazo. “Tendo em conta a eminente abertura de vários mega resorts, não me parece que o problema se resolva brevemente”, acrescentando que “a mão do Governo é definitivamente necessária” para solucionar um problema que considera “grave” e “impossível de ser resolvido somente pelas operadoras”.
Emprego que vicia U M estudo de Irene Wong e Pui Sze Lam, que incluiu 15 trabalhadores de operadoras, faz referência à facilidade com que os ‘croupiers’ e outros funcionários dos casinos podem tornar-se dependentes do Jogo. Os resultados de “Stresse laboral e problemas de jogo relacionados entre funcionários chineses dos casinos em Macau”, são claros: os ‘croupiers’ do sexo masculino e que tenham interesse por actividades relacionadas com Jogo, ambicionem tornar-se ricos e tenham acesso a empréstimos e promoções de casinos,
são um dos grupos mais propícios à dependência do jogo. Curioso é, então cruzar os números. Se, por um lado, mais de 25 mil residentes no território são ‘croupiers’ e este mostra ser um grupo de risco, tudo aponta para um aumento exponencial do número de pessoas viciadas no jogo no futuro. Há, no entanto, quem já esteja preparado para esta situação, como é o caso das várias associações de aconselhamento existentes em Macau. Em declarações ao HM, o presidente da Caritas, Paul Pun, referiu que, dos mais de 16 mil pedidos de
ajuda feitos no ano passado, 2% deles foram para esta organização. Também uma porta-voz da Casa de Vontade Firme – do Instituto de Acção Social – referiu terem sido recebidos 379 pedidos durante todo o ano passado, tendo sido dado aconselhamento a cerca de 52 pessoas. Os valores dos primeiros nove meses deste ano mostram que houve 37 pessoas alvo de ajuda psicológica devido ao jogo. De acordo com Filomena Ip, os sessões de aconselhamento têm em vista uma cura progressiva e integram, várias vezes, familiares e amigos do doente.
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POLÍTICA
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REFORMA POLÍTICA NOVO MACAU PEDE PRESSÃO DA AL
CECÍLIA LIN
cecília.lin@hojemacau.com.mo
A
Associação Novo Macau vai entregar uma carta à Assembleia Legislativa (AL) hoje sobre a reforma política. O grupo quer pedir ao órgão legislativo para pressionar o Governo a iniciar a reforma política o mais depressa possível. O presidente da associação, Sou Ka Hou, disse ao HM que, desta vez, a associação quer uma reforma mais “avançada” do que a que se fez sentir há dois anos e que acrescentou mais cem lugares na comissão que elege o Chefe do Executivo e mais dois deputados directos.
Renovação “avançada” dente da ANM, acrescentando, contudo, que sabe que, para isto acontecer, tem de se mudar a Lei Básica, que tem, actualmente escrito, que a maioria dos deputados tem de ser eleita. Recorde-se que as eleições podem, contudo, ser indirectas – ou seja através de associações. “Por mim, acho que nenhuma lei é impossível de alterar”, afirmou Sou Ka Hou.
“Sobre os deputados na AL, já não pedimos apenas que o número dos deputados directos passe a metade do número dos deputados no geral, mas pedimos agora que todos os deputados sejam directos”
SUFRÁGIO E DIRECTOS
O voto individual volta a ser o assunto de eleição do grupo pró-democrata. “Queremos um sufrágio universal onde todos residentes tenham direito a apresentar um candidato e em que cada um tenha direito ao voto para escolher o Chefe do Executivo”, diz Sou Ka Hou ao HM. A constituição da AL também não fica de fora, com um pedido exuberante: “sobre os deputados na AL, já não pedimos apenas que o número dos deputados directos passe a metade do número dos deputados no geral, mas pedimos agora que todos os deputados sejam directos”, revela o presi-
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Conselho Executivo anunciou ontem ter concluído a discussão sobre a criação de uma lei que vai regular a utilização de energia solar. De acordo com um comunicado ontem emitido pelo Governo, o Conselho Executivo concluiu o Regulamento de Segurança e Instalação das Interligações de Energia Solar Fotovoltaica. De acordo com o que diz o Executivo, no projecto estão previstos “os requisitos para a instalação de sistemas fotovoltaicos e as condições técnicas que devem ser observadas aquando da ligação à rede pública de electricidade”.
SOU KA HOU Presidente da ANM
ENERGIA SOLAR UTILIZAÇÃO E AUTORIZAÇÃO REGULADA POR LEI
A favor da energia limpa A futura lei irá determinar que é a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) quem deve aprovar os pedidos para a instalação dos equipamentos de energia solar, sendo também o organismo responsável pela fiscalização do cumprimento da lei.
TESTES E ESTUDOS
O regulamento tem vindo a ser elaborado desde 2011,
data em que o Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) realizou “testes de sistemas de produção de electricidade fotovoltaica em diferentes locais”, tendo sido feitos estudos. A ideia é que se garanta que a energia eléctrica de Macau se mantenha segura “quando os sistemas fotovoltaicos forem ligados à rede pública de
energia eléctrica” e para que “tal não afecte a segurança e a estabilidade do fornecimento de electricidade”. Tendo ainda como base os exemplos de Hong Kong, Taiwan ou interior da China, o Executivo considerou que “o ambiente geográfico de Macau é semelhante ao das regiões vizinhas”, tendo ainda sido tidos como exemplo todos os aspectos técnicos.
CONFLITOS ENTRE A ASSOCIAÇÃO E DEPUTADOS Na terça-feira passada, realizouse uma reunião da direcção da ANM, com Sou Ka Hou a admitir ao HM que teve de responder a uma carta de Ng Kuok Cheong e Au Kam Sam, os dois deputados democratas, que lançaram no domingo passado um documento sobre as finanças da associação e do escritório dos deputados. Na carta aberta dos deputados, era dito que estes queriam separar as contas da associação, devido aos subsídios que o Governo dá aos escritórios dos deputados. Sou Ka Hou assegura que os dois deputados tomaram a decisão da separação financeira si próprios, apesar de o presidente da associação já ter afirmado muitas vezes que não concorda. “Além disso, desde o ano passado, a ANM só conseguiu ter dois cargos na AL, sendo que o dinheiro que os dois deputados entregam à associação não aumentou, mas as despesas de consumo andam a subir nos últimos anos. Os deputados pararam de dar dinheiro à associação, o que não ajuda ao desenvolvimento a longo prazo da ANM.” Sou Ka Hou insiste que os dois devem continuar a entregar uma parte do subsídio dos deputados à ANM, associação da qual começaram por fazer parte, sendo que, quando o escritório dos deputados tiver dificuldades financeiras, a associação também dará apoio.
DSEJ Alunos devem conhecer vários sistemas políticos
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Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) acredita que os alunos devem conhecer outros sistemas políticos. Numa conferência de imprensa que decorreu na tarde de ontem, e citada pela Rádio Macau, a chefe do Departamento de Juventude da DSEJ, Un Hoi Cheng, afirmou que é importante cultivar nos jovens um “raciocínio independente”, defendendo ainda que os estudantes de Macau devem conhecer os sistemas políticos diferentes dos da RAEM. Instada a comentar sobre o anúncio recente de que as escolas de Macau iriam ter a disciplina de Educação Cívica e que esta inclui Educação Patriótica, a responsável assegurou que é preciso cultivar
nos estudantes um raciocínio independente. “Um aspecto muito importante é que nós temos de ensinar os nossos jovens a terem uma educação cívica básica. Como conhecer os sistemas políticos dos países estrangeiros, certos valores sociais, para que conheçam melhor os valores cívicos. Queremos que a nossa juventude tenha educação neste sentido. Quanto ao conteúdo geral, relativamente ao civismo e moral das crianças, quando falamos da educação moral, queremos que sejam pessoas mais sérias e que possam aceitar os outros que são diferentes em relação a nós”, afirmou a chefe de departamento, citada pela rádio.
política 5
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OU Hou In apelou ontem ao Executivo que tenha em conta a necessidade de se estudar a implementação de medidas, para evitar conflitos sociais assim que entrar em vigor a Lei do Salário Mínimo. O deputado eleito pela via indirecta em representação dos sectores industrial, comercial e financeiro considera que isto pode vir a acontecer. O problema principal, diz o deputado, é que não se deve pensar apenas nos números e valores que o salário mínimo vai implicar, mas também no ‘sofrimento’das associações de condomínios, que vão ter de implementar os salários para os trabalhadores de limpeza e segurança. “A questão é que não são apenas os números, mas
LEI DO SALÁRIO MÍNIMO KOU HOU IN QUER EVITAR CONFLITOS SOCIAIS
Para além dos números
O deputado alerta para as dificuldades que as associações poderão vir a enfrentar para pagar salários
A questão é que não são apenas os números, mas também as associações. O Governo e os membros da 3ª. Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) precisam de fazer considerações com cuidado, a fim de evitar conflitos sociais por causa da nova lei PUB
também as associações. O Governo e os membros da 3ª. Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) precisam de fazer considerações com cuidado, a fim de evitar conflitos sociais por causa da nova lei”, disse o deputado, que também é empresário.
PONTO DA SITUAÇÃO
Falando na qualidade de deputado, Kou Ho In disse ainda ao diário de língua chinesa que, durante a primeira sessão legislativa da AL, visitou dezenas de associações comerciais e industriais, tendo “visto quais são as dificuldades das Pequenas e Médias Empresas (PME)”, sendo que “nas intervenções antes da ordem do dia e interpelações orais” vai voltar a
apresentar esses problemas nos plenários da AL. O deputado disse ainda que o seu escritório andava a auxiliar patrões das PME a
resolver conflitos laborais. O principal problema apontado é que os patrões podem não conseguir pagar os salários exigidos aos funcionários, fazendo com que estes se revoltem contra os patrões. Kou Hou In sublinhou ainda que vai continuar a pedir ao Governo para fortalecer o auxílio às PME, por forma a resolver a falta de mão-de-obra, para que se possa melhorar a competitividade das empresas locais e promover a diversificação das indústrias.
TIAGO ALCÂNTARA
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
TIAGO ALCÂNTARA
CECÍLIA LIN
Pequim flexibiliza negócios com Macau
O Governo Central anunciou que vai aumentar, em 55%, a percentagem de participação de empresas de Macau e Hong Kong em parcerias conjuntas em Guangdong, que envolvam processamentos de dados ou transacções online. De acordo com notícia avançada pela revista Macau Business, o website do Governo confirma que tal medida vai ao encontro dos mais recentes acordos de parceria económica assinados entre o continente e as duas regiões administrativas especiais.
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SOCIEDADE
Depois de um engano, o prédio que quase foi demolido na Rua da Barca poderá agora ser classificado como património cultural. A decisão sem data fixa para ser conhecida, vai incluir uma consulta pública num prazo de doze meses
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PATRIMÓNIO IC CLASSIFICA EDIFÍCIO PARCIALMENTE DEMOLIDO
Afinal a casa não vai abaixo classificação do edifício”. Segundo o também arquitecto, apesar de o prédio não se integrar no âmbito da zona de protecção do património cultural, tem características que podem reflectir a situação antiga da vida da população. “Este tipo de edifício era comum na década de 60 do século passado, desde a zona da Barca até à Avenida Horta e Costa sendo, contudo, hoje em dia, muito raro”, disse. O Conselho explicou que a protecção deverá ser alargada à zona que envolve o prédio da Rua da Barca, até porque, segundo o arquitecto, “para além da protecção do imóvel em questão, [a protecção] deve ser considerada integrada na malha urbana da zona em geral, em particular na praça que lhe faz fronteira”.
FILIPA ARAÚJO
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
O
prédio na Rua da Barca que viu um dos seus pisos demolido erradamente – e que integrava a lista dos edifícios em mau estado de conservação desde 2006 – poderá ser agora classificado como património cultural. Isso mesmo informou o Conselho do Património Cultural, ontem, em conferência de imprensa. A acontecer pela primeira vez em Macau, o processo de classificação irá iniciar-se nos primeiros meses do próximo ano e, segundo a Lei de Salvaguarda do Património Cultural, terá que ficar decidido num prazo de 12 meses.
PRIVADOS SEM INTERFERÊNCIA “O processo de classificação começará no início do ano e terá que estar terminado dentro do
prazo estipulado pela lei, ou seja, em 12 meses”, esclareceu o vice-presidente do Conselho, Guilherme
CUIDAR DA PAISAGEM Em discussão na 4ª reunião plenária ordinária do Conselho do Património Cultural esteve também o projecto do metro ligeiro nas zonas dos Lagos Nam Van e Sai Van. Os membros do grupo mostraram-se preocupados quanto às questões paisagísticas do local. “Os membros disseram que, nesta zona, não devemos resolver apenas o problema da estação da zona de Nam Van, mas que toda a zona deve ser analisada em coordenação com a paisagem envolvente. Haverá uma análise sobre a questão paisagística da zona”, explicou Ung Vai Meng.
Ung Vai Meng. O também presidente do Instituto Cultural (IC) adiantou ainda que será aberta uma consulta pública, antes de ser tomada qualquer decisão, para recolher as opiniões da população sobre o edifício.
PROTECÇÃO GERAL
Para o porta-voz do Conselho do Património Cultural, Carlos Marreiros, “para o Conselho, foi positivo que o IC levasse a cabo a iniciativa do procedimento de
Recorde-se que este edifício quase sofreu uma demolição na íntegra, algo que foi evitado depois de muita polémica provocada por vários urbanistas e especialistas da área. Situação que está resolvida, segundo o Conselho, que durante a conferência explicou que foi possível recuperar a parte que tinha sido demolida por engano. Ung Vai Meng explicou ainda que a prioridade é a protecção do prédio e que o recurso do proprietário
INSTITUTO CULTURAL ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS NO CENTRO HISTÓRICO
À descoberta de “pontos culturais” FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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presidente do Instituto Cultural (IC), Guilherme Ung Vai Meng referiu ontem que poderão vir a ser levadas a cabo escavações arqueológicas na zona do Centro Histórico, para que sejam descobertos “mais pontos culturais” no local. Ung Vai Meng assegurou que vão existir mais medidas de controlo da quantidade de pessoas junto das
Ruínas de São Paulo, até porque os residentes têm mais consciência de que é preciso proteger o património. Em declarações ao programa Macau Talk do canal chinês da rádio, o presidente do IC – a par do chefe do Departamento do Património Cultural, Cheong Cheok Kio – foi questionado por um ouvinte sobre o facto de haver cada vez mais turistas e um maior fluxo de pessoas na zona das Ruínas de São Paulo.
Ung Vai Meng assegurou que, caso as multidões comecem a ser “demasiado grandes”, então vão ser implementadas medidas de controlo na zona.
TOCA A ESCAVAR
O responsável assegurou ainda que está a ser ponderada a hipótese de se fazerem mais escavações arqueológicas na zona do Centro Histórico, de forma a descobrir outros objectos de interesse cultural. Recorde-se que, desde há qua-
tro anos, que se tem descoberto artefactos na zona junto às Ruínas, sendo alguns deles porcelanas chinesas raras. Já Cheong Cheok Ki, por sua vez, apontou que as autoridades vão monitorizar de forma próxima a situação das Ruínas de São Paulo, utilizando sistemas tridimensionais para fiscalizar eventuais mudanças na estrutura do monumento, para que sejam tomando medida de protecção em caso de necessidade.
privado do edifício não vai interferir no procedimento de classificação. Na lista para a classificação estão também outros edifícios, ainda que o Conselho não tenha avançado quais, argumentando que, para já, não existem decisões a esse respeito. Se as autoridades precisarem de 12 meses para terminar a avaliação ao processo de classificação, então a decisão final pode ser conhecida apenas em 2016.
“Este tipo de edifício era comum na década de 60 do século passado, desde a zona da Barca até à Avenida Horta sendo, contudo, hoje em dia, muito raro ” CARLOS MARREIROS Porta-voz do Conselho do Património Cultural
Ontem à noite, um dos proprietários do número 1 da Rua da Barca, Lau Chao Lam, disse considerar que seria melhor demolir o edifício, justificando que “embora o património possa ser restaurado, será apenas uma imitação”. Apesar de tudo, Lau espera que o Governo avise o mais rápido possível qual o destino do edifício, adiantando que, mesmo que o Governo dê uma indemnização, este terá de ser um assunto que deverá ser bem discutido.
PUBLICIDADES E OBRAS ILEGAIS De acordo com o presidente do Instituto Cultural, foram detectadas mais de duas dezenas de casos de publicidade ilegal e foram emitidas mais de 40 ordens de embargo de obras. Ung Vai Meng afirmou ontem que as tabuletas de publicidade são também parte da gestão do Centro Histórico, até porque cabe ao IC evitar que haja influências na paisagem do património cultural. “Desde a entrada em vigor da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, em Março deste ano, o IC, em conjunto com outros departamentos, fiscalizou 110 vezes tabuletas de publicidade dentro do Centro Histórico e descobrimos 23 casos ilegais deste tipo. Emitimos [ainda] 48 ordens de proibição de obras.”
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JUSTIÇA JORGE NETO VALENTE PREVÊ DEGRADAÇÃO DE QUALIDADE
“Toda a gente está no limite de esforço” Na sessão solene de abertura do Ano Judiciário, o presidente da Associação dos Advogados de Macau voltou a frisar a falta de magistrados, que, diz, nem conseguem acompanhar o aumento dos processos. Neto Valente defende a revisão da Lei de Bases da Organização Judiciária e pede juízes temporários andreia.silva@hojemacau.com.mo
lhorado muito, mas usa os mesmos números que eu. Ele acha que tem havido um melhor desempenho, mas não posso concordar. Se os atrasos já existiam antes de terem aparecido meia dúzia de novos magistrados, agora que entraram mais dois mil processos, e não entraram, nem vão entrar, novos magistrados, como se vai resolver o problema?”, questionou.
GCS
ANDREIA SOFIA SILVA
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problema repete-se a cada abertura d o Ano Judiciário, mas continua por resolver. Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM), voltou ontem a frisar no seu discurso que a falta de magistrados vai provocar um decréscimo de qualidade na justiça. Tudo porque já se atingiu um limite. “Não são só os magistrados do Ministério Público (MP) que estão cansados”, disse Neto Valente à margem do evento, numa referência ao discurso de Ho Chio Meng, o procurador. “Toda a gente está no limite de esforço para tratar dos processos. Os magistrados estão todos a rebentar pelas
FAZER COMO NA COMMONWEALTH
costuras, porque não chegam”, defendeu. No discurso, Neto Valente frisou que a justiça
NOVAS INSTAL AÇÕES PARA TRIBUNAIS Neto Valente, presidente da AAM, começou o seu discurso a criticar a actual falta de condições dos tribunais. “As instalações são deficientes e inadequadas ao uso por todas as pessoas que têm de as utilizar. A situação actual é pouco menos que deprimente. Ao fim destes anos todos, continuam a falar de condições condignas para os tribunais, sem uma solução definitiva no horizonte próximo.” Ho Chio Meng, procurador, disse ainda que se “deve concretizar o mais depressa possível a construção do novo edifício do MP para contornar a situação de dispersão dos seus serviços e constante aumento de rendas”.
“ADMINISTRAÇÃO NÃO É COMPLEMENTO DA FACULDADE” Neto Valente comentou ainda os elevados chumbos no Concurso Centralizado para a Função Pública, em que apenas um de entre 500 candidatos a um lugar como jurista entrou. “Penso que desses 500, apenas 380 foram a exame e a maior parte deles são estudantes de Direito da China, de Taiwan, de Hong Kong e também há de Macau - da MUST, que, como o nome indica, estudam tecnologia e não Direito de Macau – e os que sobram da Universidade de Macau, que não serão tantos. E além disso haverá dificuldades do próprio exame. Mas temos de ver que a Administração não é um complemento da faculdade e quando recruta funcionários para trabalharem como juristas, não é como quem vai entrar para aprender. Queriam um teste americano só com quadradinhos, com sim ou não? Assim é mais fácil de acertar. Houve ainda alguma dificuldade na gestão do tempo, mas isso faz parte da vida”, defendeu.
continuará a ser lenta, e, provavelmente, de pior qualidade. “Os números são eloquentes: com o aumento da quantidade de processos novos nos tribunais e no MP, a acrescer aos milhares de processos que transitam do ano anterior, os atrasos não se recuperam”, disse Neto Valente, lembrando ainda que “o corrente ano não mudará o estado das coisas”.
NÚMEROS QUE NÃO MENTEM
Sam Hou Fai, presidente do Tribunal de Última Instância (TUI), apresentou um cenário menos negro no seu discurso, mas não deixou de chamar a atenção para o facto do TUI ter recebido, no ano de 2013/2014, 150 processos, “número que é o mais elevado de todos os anos”. Também na área laboral, “o número dos processos aumentou significativamente”, sendo que “o número dos processos crimes começou a registar grandes aumentos ao longo dos últimos anos”. Ho Chio Meng, procurador, admitiu que há poucos funcionários e muitos processos. “Andamos todos cansados de tratar desses processos e não temos
“Os números são eloquentes: com o aumento da quantidade de processos novos nos tribunais e no MP, a acrescer aos milhares de processos que transitam do ano anterior, os atrasos não se recuperam” NETO VALENTE Presidente da AAM
tempo para outra coisas”, disse ainda o procurador-geral da RAEM. Em resposta a Sam Hou Fai, Neto Valente referiu que “o presidente do TUI tem sempre um discurso
mais optimista e acha que se, não vivemos no melhor dos mundos, vivemos quase”. Neto Valente diz que esta não é a sua perspectiva. “Ele diz que temos me-
CHEFE DO EXECUTIVO ASSEGURA MELHORIAS Chui Sai On fez questão de salientar que, desde o estabelecimento da RAEM, e ao longo de 15 anos, o Governo “tem defendido escrupulosamente o princípio da independência do poder judicial e o princípio do primado da lei”, e mantém-se empenhado em promover o conhecimento generalizado das leis junto da população e em impulsionar o desenvolvimento do sistema jurídico. O Chefe do Executivo não deixou de frisar que a “independência judicial é a base fundamental para se alcançar a equidade, a justiça e a alta eficiência do sistema judicial” e que, por isso, vai haver “um contínuo aperfeiçoamento do sistema judicial”. Por fim, o Chefe do Executivo, referiu ainda que o Governo continuará a apoiar os órgãos judiciais, no âmbito da melhoria das instalações e equipamentos, no reforço da formação dos funcionários de justiça, no desenvolvimento dos recursos humanos e na assimilação de tecnologias e modelos de gestão mais avançados.
Neto Valente chamou a atenção para o facto dos actuais juízes não terem tempo para fazerem formação. Ho Chio Meng disse mesmo que Agosto, mês de férias do pessoal, é a altura escolhida para que os juízes possam frequentar esses cursos. “O grave não é apenas o número de processos, é que os juízes são seres humanos e têm de estudar. As questões que vão para os tribunais são cada vez mais complexas. Provavelmente vai haver pior qualidade da justiça”, apontou o presidente da AAM. Neto Valente defendeu, por isso, que seja feita “uma reforma profunda da Lei de Bases da Organização Judiciária”, que tenha em conta “o aumento do número de juízes do TUI, a par com o alargamento das suas competências, o estabelecimento de um período probatório no inicio da carreira”. Também Ho Chio Meng referiu que “a reforma jurídica é um assunto inevitável”. O presidente da AAM defendeu ainda a implementação de um modelo que já acontece nos países que pertencem à Commonwealth. “Como não há magistrados, não querem admitir uma coisa muito simples, que era arranjarem magistrados temporários que viessem cá fazer formação e desimpedir processos”, concluiu.
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ASSÉDIO SEXUAL ANM PEDE CERCO MAIS APERTADO ÀS UNIVERSIDADES
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O campus do medo
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Associação Novo Macau (ANM) lançou ontem uma carta aberta ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, onde pede às autoridades que prestem mais atenção aos casos de assédio sexual que se passam em Macau e, nomeadamente, nas universidades. O pedido surge depois de, alegadamente, uma aluna ter sido assediada sexualmente na Universidade de Macau (UM). De acordo com a carta enviada ao HM pela associação, uma aluna da UM foi vítima de assédio sexual por parte de um professor do continente, sendo que já foi feita uma queixa à direcção da instituição, onde é referido não só o nome do académico, mas o da aluna. “O professor em questão foi suspenso por 12 dias, sem direito a salário”, lê-se na carta. “Tendo em conta que não há qualquer lei de combate ao assédio sexual ou atentado ao pudor, as vítimas têm, muitas vezes, receio de apresentar queixa por causa da pressão e os violadores acabam sempre por fugir à responsabilidade”, continua a ANM. A associação apontou ainda que as instituições de ensino superior do território não são semelhantes às das
Depois de um alegado caso de assédio sexual na Universidade de Macau – que levou à suspensão de um professor, de acordo com a Associação Novo Macau – a associação pede um cerco mais apertado às instituições de ensino superior, até porque não há uma lei que regule estes crimes
regiões vizinhas, que têm comissões independentes para combater este tipo de abuso, bem como grupos em
CPU pede integração de prédio no património
favor da igualdade de sexo, ou comissões permanentes de aconselhamentos destinadas aos alunos.
“[Não há organizações] que façam investigações sobre casos de assédio sexual antes que estes cheguem até
às autoridades competentes. Isto deve acontecer, a fim de garantir que o campus tenha um ambiente seguro
“Tendo em conta que não há qualquer lei de combate ao assédio sexual ou atentado ao pudor, as vítimas têm, muitas vezes, receio de apresentar queixa por causa da pressão e os violadores acabam sempre por fugir à responsabilidade” COMUNICADO DA ASSOCIAÇÃO NOVO MACAU
O Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) voltou ontem a reunir, tendo sido discutidos nove projectos. Um deles é um prédio situado na Rua Ferreira do Amaral, que muitos membros do CPU consideraram ser necessário voltar a integrar a lista dos edifícios históricos a proteger. O edifício em causa deixou de ser classificado em 1992, por isso o Instituto Cultural (IC) foi inquirido a dar explicações. O projecto de reconstrução da Escola Pui Tou também esteve em discussão, tendo sido pedidas mais explicações ao Executivo. Vong Kuok Ieong, director de outra escola, disse que a falta de espaços no ensino é uma questão séria para muitas escolas locais.
Índice de Preços Turísticos sobe 4,89%
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Índice de Preços Turísticos de Macau, que reflecte a variação de preços dos bens e serviços adquiridos pelos visitantes, subiu 4,89% no terceiro trimestre do ano e numa comparação anual para 135,14 pontos, foi ontem anunciado. A subida do índice ficou a dever-se aos aumentos dos preços do alojamento em hotéis, serviços de restauração, vestuário e das malas, sustentam os Serviços de Estatística. Nos dados
divulgados é apontada uma subida dos preços de 8,85% no vestuário e calçado, de 7,97% na restauração e de 6,29% no alojamento. Já os transportes e comunicações reflectiram uma baixa de 4,6% nos seus preços. Face ao segundo trimestre do ano, o Índice de Preços Turísticos cresceu 1,21%, com as subidas de 3,46% na restauração e de 3,29% no alojamento, um reflexo de aumentos durante as férias de Verão. Ainda face ao segundo trimestre do
ano, os Serviços de Estatística identificaram descidas de 1,36% nos transportes e comunicações, de 1% nos produtos alimentares e de 0,66% nas bebidas alcoólicas e tabaco, potenciados pelas quedas dos preços dos bilhetes de avião, dos pastéis e doces e no vestuário de Verão. Nos últimos quatro trimestres e face aos quatro trimestres imediatamente anteriores, o Índice de Preços Turísticos subiu 6,19%.
e de igualdade de sexos”, pede a ANM. A associação considera mesmo que estes actos vão contra “os princípios humanos básicos internacionais”.
APERTAR O CERCO
A carta enviada a Cheong U surge, de acordo com o colectivo de activistas, da necessidade de criar uma legislação única que combata os crimes de assédio sexual e atentado ao pudor. A ANM questionou ainda o Executivo sobre os dados actuais referentes aos casos de assédio sexual. “Porque é que as instituições de ensino superior de Macau não tomam a experiências das regiões vizinhas como exemplo, a fim de criar uma comissão independente para combater este crime, bem como uma outra para defender a igualdade de sexos?”, questionam. A associação pró-democrata perguntou ainda ao Executivo se será considerada a criação desde mecanismo a longo prazo nos estabelecimentos de ensino da RAEM e se o mesmo não será feito pelo próprio Governo. Isto é, se o Executivo pondera a criação de uma comissão do género, mas de foro público. O HM tentou contactar a UM para confirmar o incidente de assédio sexual, mas não foi possível obter resposta até ao fecho desta edição.
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TIAGO ALCÂNTARA
KÁ HÓ ASSOCIAÇÃO CRITICA MEDIDAS DE CONTROLO À POLUIÇÃO
“Ineficazes e preguiçosas” A associação Choi In Tong Sam acusa o Governo de implementar medidas insuficientes para melhorar a qualidade do ar que se respira na vila de Ká Hó IMOBILIÁRIO PREÇOS CAEM PELA PRIMEIRA VEZ EM DEZ ANOS
Uma nova oportunidade? CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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preço de habitação caiu pela primeira vez desde há dez anos, disse ontem o presidente da direcção do Grupo Macore, Leong Meng Fai, um grupo com negócios na área do imobiliário. O preço do mercado imobiliário caiu, estes dois últimos meses, entre 6% a 7%. Ainda assim, tendo em conta o bolo total, foram menos as casas vendidas durante 2014. O presidente prevê que, no total, este ano só cerca de oito mil casas terão sido vendidas, o que representa o menor número nos últimos dez anos. O facto deve-se aos altos preços da habitação, mas não só. Citado pelo jornal Ou Mun, Leong Meng Fai afirma que a queda das receitas do Jogo não influencia em quase nada o mercado imobiliário e defende que a poupança dos residentes já aumentou muito nos últimos anos, pelo que a maioria, diz, tem uma boa capacidade financeira. Contudo, “os clientes” assustaram-se com as quebras nas receitas do Jogo, diz, e, ao mesmo tempo, os bancos apertaram mais as taxas para os empréstimos
hipotecários. Isso, diz, resulta num menor número de pessoas a comprar casa. “Alguns bancos, este ano, cortaram o período de empréstimo de 30 anos para 25 ou 20 anos. Algumas casa sem elevador apenas obtêm um empréstimo de 40% a 50% face ao preço geral.”
MAIS DINHEIRO PARA HABITAÇÃO
Apesar das descidas na compra de casa, o sector bancário de Macau concedeu em Agosto o equivalente a cinco mil milhões de patacas em novos empréstimos à habitação, uma subida homóloga de 51,7%, mas menos 8,3% do que em Julho deste ano. Os residentes locais, com um total de 4.664,1 milhões de patacas, assumiram as maiores despesas, que traduzem um crescimento de 41,4% face a Agosto de 2013 e uma queda de 13,4% relativamente a Julho deste ano. Já os não residentes pediram 383 milhões de patacas de crédito, mais 27% face ao mês anterior e mais 2.997,8% contra Agosto de 2013. Cerca de um quarto do dinheiro dos novos empréstimos destinava-se a pagar unidades não completas em edifícios em construção.
ILHA DA MONTANHA COM POTENCIALIDADE Recentemente, muitos projectos na Ilha da Montanha começaram a ser vendidos, refere ainda Leong Men Fai, situação que afectou a venda de casas em Macau, porque com cerca de três a cinco milhões patacas já se pode comprar uma casa nova em Hengqin. Leong considera que nos próximos anos ainda vai haver mais projectos a ser vendidos na Ilha da Montanha, pelo que este local vai ser a nova escolha dos residentes.
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
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vice-presidente da Associação Choi In Tong Sam, Lam U Tou, criticou ontem as medidas de controlo da poluição implementadas pelo Governo em Ká Hó, em Coloane. O responsável considera que as medidas não mostram uma grande capacidade de resolução total do problema. Lam U tou afirmou que, mesmo existindo regulamentos que permitam controlar e melhorar o ar da vila de Ká Hó, essas medidas são apenas “critérios mínimos” e não mostram grande poder de solução. Lam U Tou voltou a criticar que o que o Governo fez para melhorar a poluição do ar não atinge as expectativas dos moradores. “Mesmo depois de entrarem em vigor os limites de emissão de poluentes
atmosféricos e normas de gestão de instalações dos estabelecimentos industriais de produção de cimento, em Junho deste ano, acho que, pela minha observação no terreno, não estão a surtir efeito”, começou por dizer. “A medida de regar o asfalto
não é suficiente porque a água rapidamente se evapora e há sempre demasiadas poeiras”, afirmou o vice-presidente ao Jornal do Cidadão.
A DESCAIR
Lam considera ainda que as medidas de controlo e super-
“Mesmo depois de entrarem em vigor os limites de emissão de poluentes atmosféricos e normas de gestão de instalações dos estabelecimentos industriais de produção de cimento, (...) não estão a surtir efeito LAM U TOU Vice-presidente da Associação Choi In Tong Sam
visão da poluição do ar estão mais “preguiçosas”, depois da visita de Chui Sai On, Chefe do Executivo, ao local. “O Governo prometeu melhorar a questão da poluição, mas não tem um mecanismo regular de publicação de mensagens que permitam esclarecer as dúvidas de residentes e nunca foram publicados os resultados e o progresso da implementação das regras. Isso mostra que o Governo está a quebrar a sua promessa e que a sua governação não é pública, nem transparente”, acusou. Uma reportagem do HM em Ká Hó dava conta que alguns dos residentes se sentiam mais satisfeitos com as medidas contra a poluição, mas também havia quem apontasse o dedo, considerando que as medidas não estavam a ter efeito e que até estavam a ser reduzidas. Lam U Tou concorda e pede ao Governo que pondere de forma cautelosa o problema da existência da fábrica de cimento no local, sugerindo que os estabelecimentos industriais de alto nível de poluição devem estar concentrados numa mesma zona.
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CONVITE O INSTITUTO INTERNACIONAL DE MACAU (IIM) tem o prazer de convidar para o lançamento da obra “BAMBU QUEBRADO”, de Maria Helena do Carmo A obra será apresentada pelo Prof. Jorge Cavalheiro
UM DIA SEM VER • A Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Problemas Visuais organizou uma activada para assinalar o Dia Internacional da Bengala Branca, que faz 50 anos. O grupo reuniu-se junto à igreja de São Lourenço e propôs às pessoas sem problemas visuais que assumissem o lugar inverso. Com uns óculos que não lhes permita ver, os participantes sentiram em primeiro plano as dificuldades sentidas pelos cegos. O deputado Chan Meng Kam e vários funcionários públicos não ficaram indiferentes e marcaram lugar na actividade. Albert Cheong, presidente da associação, disse ao HM que o “saldo é muito positivo” reforçando que a “população precisa deste tipo de actividades para perceber as dificuldades dos cegos”.
Será apresentada também a revista “ORIENTE/OCIDENTE” do Instituto Internacional de Macau, em um novo formato Local: Instituto Internacional de Macau Rua de Berlim, Edf. Venus Court, 240 2.º andar, (NAPE) Data: 17 de Outubro de 2014 Hora: 18H00 Telefone: 2875-1727 Fax: 2875-1797 E-mail: iim@iimacau.org.mo
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EVENTOS
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Albergue SCM Cerâmica com Kristina Mar Kristina Mar apresenta, de 28 de Outubro a 10 de Novembro, um workshop de cerâmica no espaço do Albergue SCM. A ceramista portuguesa, que reside no Japão, vai ensinar as técnicas básicas da arte da cerâmica. O curso decorre de segunda a sábado, tendo um total de 40 horas. O custo é de 500 patacas e as aulas serão leccionadas em inglês. As inscrições estão abertas até ao dia 22 de Outubro.
Cáritas Bazar Solidário em Novembro
Como tem sido hábito, a Cáritas de Macau irá organizar mais um Bazar Solidário nos dias 1 e 2 de Novembro, sábado e domingo. Serão mais de 80 entidades representadas, junto aos lagos Nam Van. No local, haverá barraquinhas com comida, roupas, acessórios e jogos. A 45ª edição do evento pretende angariar fundos para a associação e assim auxiliar as muitas famílias que recorrem a este grupo.
DOCLISBOA DOCUMENTÁRIOS SOBRE AI WEI WEI E PROTESTOS EM HONG KONG
A história através de 250 filmes O HALLOWEEN GALAXY COM ACTIVIDADES E FESTAS ESPECIAIS
Uma semana assustadora Máscaras, maquilhagens e menus especiais para celebrar a “Noite das bruxas”
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Galaxy irá levar a cabo um conjunto de actividades para todos aqueles que queiram passar uma noite assustadoramente divertida no Halloween. No dia 31 de Outubro, o China Rouge vai abrir as suas portas de forma gratuita a todos aqueles que forem mascarados e maquilhados de forma assustadora. Já os que preferirem
ir sem máscara terão que pagar 380 patacas para entrar, com oferta do cocktail “Yelloween”. De acordo com a organização, o tema escolhido para este ano é “The Halloween Haunted Chamber” e o evento tem início às 21h00.
PIRATAS NO STARWORLD
Já o StarWorld Hotel, mais precisamente o Whisky Bar, também será palco de uma festa sob o tema “The Pirate Halloween Party”, onde vai ser premiado o melhor disfarce. O prémio é nada mais nada menos que um tesouro no valor de duas mil patacas. A abertura da festa está prevista para as 17h00. No local haverá ainda um momento de entretenimento com a estreia do filme de terror “Zombie Fight Club”.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA CONTOS E LENDAS DE MACAU • Alice Vieira Plano Nacional de Leitura. Livro recomendado no programa de Português do 4º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III.
DO CINEMA À COMIDA Desde ontem que o Galaxy é palco do Macau Horror Film Festival, que decorrerá até ao dia 2 de Novembro. Muitos são os filmes que irão passar nas telas do cinema do complexo, tais como “Annabelle e Dracula Untold”. Uma maratona de terror também está prevista, com o “Horror Movie Marathon”, a decorrer no dia 31 de Outubro e com início às 21h30 e até ao amanhecer. Os bilhetes têm um custo de 200 patacas. A gastronomia também será alvo de criatividades de meter medo. Os espaços Cascades e o UA Galaxy Cinemas irão ter disponíveis menus dedicados ao Halloween. O espaço Cascades terá o menu “Cascades Halloween Cake Selection” com ofertas de sobremesas “Spooky Eyes on a Spoon” ou o bolo de chocolate “Zombie’s hand”, cada um a 35 patacas. No UA Galaxy Cinemas os chefs criaram vários menus de pôr os apreciadores gastronómicos aos gritos.
DocLisboa, o maior festival português dedicado ao documentário, começa na quinta-feira e com uma programação de 250 filmes, que pretende colocar o espectador perante a História, em muitos casos, de acontecimentos recentes. O festival, que vai na 12.ª edição, começa com uma dupla abertura, onde se destaca um documentário sobre o artista plástico chinês e activista Ai Wei Wei. No Cinema São Jorge, passa “Ai Wei Wei Apppeal 15,220,910.50” e na Culturgest, antestreia “Praça”, de Sergei Loznitsa, sobre os protestos no ano passado em Kiev, na Ucrânia.
ESTREIAS PARA TODOS OS GOSTOS
Até ao dia 26, o DocLisboa propõe 40 estreias mundiais e internacionais, como “Father and sons”, de Wang Bing, e vários ciclos temáticos, como a retrospectiva da obra do realizador holandês Johan Van Der Keuken e o programa “neo-realismo e novos realismos”, com obras de Luchino
Visconti, Nelson Pereira dos Santos, Dino Risi, Vittorio di Sica, Pedro Costa ou Michelangelo Antonioni. Do documentário como testemunho de momentos históricos, o DocLisboa exibirá, por exemplo, “German concentration camps factual survey”, filme sobre a libertação dos campos de concentração nazis, que foi recentemente restaurado pelo Imperial War Museum, do Reino Unido, assim como “Night will fall”, de André Singer, sobre o mesmo tema. Destacam-se ainda os registos de protestos, um pouco por todo o mundo, reunidos na sessão “Fuck the system”, no dia 23, e que inclui curtos filmes feitos em Hong Kong, mas também no Chile, no Brasil, em Espanha e em Lisboa, com a curta “Todos os Rios vão dar ao Carmo”.
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LES HALLES AS DELICIOSAS RECEITAS, DICAS E TÉCNICAS DA COZINHA BISTRÔ • Anthony Bourdain Antes de espantar o mundo com os campeões de vendas Cozinha Confidencial e A Cook’s Tour, Anthony Bourdain passou anos a servir da melhor comida de cervejaria francesa em Nova Iorque. Com uma atmosfera descontraída e terra a terra, o Les Halles enquadra-se perfeitamente no estilo de Bourdain: é um restaurante onde nos podemos vestir à nossa vontade, falar alto, beber um copo de vinho a mais e passar um bom bocado com os amigos.
VIVER NO FIM DOS TEMPOS • Slavoj Zizek Para o autor de Bem-Vindo ao Deserto do Real, o capitalismo global está a chegar à sua crise final. Slavoj Žižek aponta os quatro cavaleiros deste futuro apocalipse: a crise ecológica mundial; os desequilíbrios do sistema económico; a revolução biogenética; e as divisões sociais explosivas.
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CHINA
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Suspensos seis agentes após agressão
HONG KONG 45 DETIDOS EM MADRUGADA DE CONFRONTOS A agitação regressou às ruas da ex-colónia britânica com a polícia e os S violentos con- ram numa das ruas próximas madamente 150 agentes da frontos que ti- do complexo que alberga a polícia anti-motim regressamanifestantes veram, a noite sede do Governo e o Con- ram ao local para desimpedir passada, Hong selho Legislativo (LegCo, as ruas, onde centenas de a envolveremKong como palco, com a po- parlamento) de Hong Kong. manifestantes pernoitavam. se naqueles Polícias e estudantes lícia a recorrer a gás pimenta Ao início da madrugada, para dispersar centenas de activistas do movimento envolveram-se em confronque foram os manifestantes, resultaram ‘Occupy Central’ forçaram tos, com os agentes, munidos em 45 detidos, informaram a retirada de várias dezenas de bastões, a recorrerem mais violentos as autoridades. de agentes, os quais se viram novamente ao uso de gás confrontos desde A polícia voltou a re- encurralados por centenas de pimenta para dispersar os correr ao gás pimenta para manifestantes que consegui- manifestantes que recusavam o início dos dispersar centenas de mani- ram cortar o tráfego e montar retirar-se, num dos mais violentos incidentes registados festantes que pouco antes da barricadas na via. protestos meia-noite se entrincheiraCerca das 03:00, aproxi- desde o início dos protestos
No calor da noite O PUB
Os agentes da polícia de Hong Kong suspeitos de agredir o manifestante pró-democracia e membro do Partido Cívico Ken Tsang foram suspensos das suas funções, depois da divulgação de um vídeo onde se pode ver a alegada agressão. As imagens da estação de televisão TVB mostram seis polícias à paisana a agredir um homem que acaba por cair no chão após uma série de pontapés. “A polícia está preocupada com este incidente e vai abrir uma investigação independente”, disse o secretário para a Segurança, Lai Tung-kwok. “Os agentes implicados neste incidente foram suspensos das suas funções”, acrescentou. O líder estudantil Joshua Wong declarou que os manifestantes perderam toda a confiança na polícia. “O que a polícia deveria fazer era escoltar o manifestante até ao carro, e não levá-lo para longe e atingi-lo com pontapés durante quatro minutos”, afirmou.
Amnistia Internacional condena
Amnistia Internacional (AI) juntou-se ao coro de condenações da alegada agressão a Ken Tsang, membro do Partido Cívico, pela polícia de Hong Kong. “Os agentes da polícia de Hong Kong envolvidos na agressão de um manifestante pródemocracia, já detido, têm de enfrentar a Justiça”, afirmou a organização em comunicado citado pelo jornal South China Morning Post. Mabel Au, directora da AI de Hong Kong, disse que tudo aponta para um “ feroz ataque contra um homem detido que não representava ameaça para a polícia”, apelando a uma investigação imediata. “Todos os indivíduos envolvidos em actos ilegais devem ser acusados”, defendeu. “Dá-me a volta ao estômago pensar que há agentes da polícia em Hong Kong que sentem que estão acima da lei”, sublinhou a responsável, exigindo ainda a libertação dos 45 manifestantes detidos esta madrugada.
pró-democracia na antiga colónia britânica e que resultou em 45 detidos, dos quais 37 homens e oito mulheres.
POLÍCIA COM VANTAGEM
Aviso Faz-se público que, por despacho de S. Ex.a o Chefe do Executivo, de 15 de Julho de 2014, e nos termos do disposto na Lei n.º 14/2009 (“Regime das carreiras dos trabalhadores dos serviços públicos”) e no Regulamento Administrativo n.º 23/2011 (“Recrutamento, selecção, e formação para efeitos de acesso dos trabalhadores dos serviços públicos”), se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de um lugar de motorista de ligeiros, 1.o escalão, da carreira de motorista de ligeiros, em regime de contrato por assalariamento do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais. Aviso de abertura foi publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.° 42, II Série, de 15 de Outubro de 2014. O prazo para a apresentação de candidaturas é de vinte dias, a contar do primeiro dia útil ao da publicação do presente aviso no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau. Os candidatos devem preencher a “ficha de inscrição em concurso” aprovada pelo Despacho do Chefe Executivo n.º 250/2011 (pode ser requisitada na Imprensa Oficial ou descarregada na página electrónica daquela entidade pública) juntamente com o arquivo associado, e apresentá-la, no período definido, durante o horário de expediente (segunda-feira a quinta-feira, 9:00 – 13:00; 14:30 – 17:45; sexta-feira, 9:00 – 13:00; 14:30 – 17:30), para este Gabinete, sito na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edifício China Plaza, 13.º andar, A-F, em Macau. Para mais informações é favor consultar o site deste Gabinete http://www. gpdp.gov.mo. A Coordenadora Chan Hoi Fan 10 de Outubro de 2014
A polícia recuperou o controlo da Lung Wo Road, a poucos metros do gabinete do chefe do Executivo, Leung Chin-Ying, acabando com a breve ocupação, apesar das barricadas erguidas no dia anterior.
45 detidos
37
homens e 8 mulheres
Ontem a polícia de Hong Kong conseguiu fazer regressar à normalidade algumas das ruas tomadas pelos manifestantes ao eliminar dezenas de barricadas em três zonas onde os activistas têm acampamentos há 18 dias. A actuação policial obedece a uma operação para ‘limpar’ as ruas de barricadas e restabelecer o tráfego rodoviário, iniciada na madrugada de segunda-feira e na qual participam 1.700 agentes.
Pequim diz que democracia não é desculpa para “comportamentos ilegais”
A democracia deve basear-se no Estado de Direito e não pode ser desculpa para “comportamentos ilegais”, lia-se ontem num comentário publicado no Diário do Povo, jornal do órgão central do Partido Comunista chinês, em referência aos protestos em Hong Kong. O comentário assinala o firme apoio de Pequim ao Governo de Hong Kong e ao seu chefe do Executivo, CY Leung, reiterando que os protestos “estão condenados ao fracasso”. “A estabilidade é boa, o caos é um desastre”, adverte-se no mesmo artigo, em que se insiste que “os diferentes pedidos sobre o desenvolvimento democrático de Hong Kong podem ser manifestados através de formas legais”. O Diário do Povo atribui os protestos “a um grupo reduzido” entre a população de Hong Kong, superior a sete milhões de habitantes. “A democracia deve basear-se na lei, não na ditadura de uma minoria, e muito menos numa desculpa para um grupo diminuto”, frisa.
a revolta do emir
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Pedro Lystmann
UM BÁRBARO NA ÁSIA HENRY MICHAUX
P
EGO de novo no livro de Henri Michaux sobre a sua digressão asiática, sempre consciente do tempo que já passou sobre o seu lançamento e admirativo de quem não tem medo das generalizações ou, até, de questionar a pertinência do seu esforço. Esta já não é, à superfície, a nossa Ásia. Mas esta é, ainda, muito a nossa Ásia, e nós somos todos forçados, consciente ou inconscientemente, à viagem. É um prazer continuar a reler um livro que não levamos muito a sério mas que por vezes contém avisos irrecusáveis. É um livro suspeito se pensarmos que este demonstra a ilusão de uma compreensão. Acrescente-se que estas considerações utilizam benefícios retirados das que o próprio autor ofereceu 35 anos após a composição do livrinho. Ao longo da sua leitura ficamos, ao mesmo tempo, plenamente convencidos (eu fiquei) da grande humildade de Michaux. Um Bárbaro na Ásia não é o seu único livro de viagens. Resulta de uma viagem cumprida em 1931. Ecuador, um outro, centra-se na América Central. Gosto de um homem que interrompe os seus estudos universitários, em Medicina, para se tornar embarcadiço e ver o mundo, contra a vontade de seu pai. O seu universo poético particular tem origem certa nas suas viagens, nos seus estudos e, já numa idade avançada, no consumo de drogas alucinogéneas. Complementam-se com uma obra gráfica, pictórica, vasta e extremamente sedutora, numa margem muito própria do surrealismo e de autores como Klee. O livrinho inclui comentários sobre vários países: a Índia, a China, o Japão e a Malásia e a Indonésia, o primeiro ainda sob o domínio britânico, o segundo fechado e pobre, o terceiro a atravessar uma fase de entusiasmo militarista, e a Malásia, como a Índia, britânica. Nas páginas dedicadas à Índia, as mais abundantes, a vontade de compreender é comovente, mas cada frase, tentante, esforçada, mal consegue esconder a incompreensão. Pode pensar-se que esta é a melhor forma de elogio, e que mais do que compreender, a melhor forma de amar é apenas desejar. Ao contrário do que acontece com alguma da sua poesia mais conhecida, muito fluida, quase fluvial e dialogante,
as observações da viagem surgem quase a medo, quase, por um lado, como que por obrigação e, por outro, como expressão desse enorme desejo. Provavelmente, o que nos falta a nós, ocidentais, é aceitar a frouxidão a que Michaux se refere a propósito da Índia, a frouxidão de não saber e de não contestar, de nos deixarmos abandonar a “aceitar tudo cegamente”. Ao dizer [a propósito dos indianos] que “todas as acções são sagradas. Ao pensar nelas procura-se que mantenham a relação com o Todo”, estaria Michaux
mos habituar-nos a comer só arroz, a deixar de fumar, a não beber vinho nem qualquer espécie de álcool, a comer pouco. (…) Mas estar rodeado de fealdade é a última das austeridades. (…) Neste povo velho de três mil anos, o rico tem ainda o gosto de um arrivista”. Michaux vê o chinês com uma propensão muito menor para o sagrado. Este, prático, ocupar-se-á apenas dos demónios e da sua capacidade para o mal que lhe pode causar. As observações sobre os chineses, anteriores ao comunismo, são muito mais
PROVAVELMENTE, O QUE NOS FALTA A NÓS, OCIDENTAIS, É ACEITAR A FROUXIDÃO A QUE MICHAUX SE REFERE A PROPÓSITO DA ÍNDIA, A FROUXIDÃO DE NÃO SABER E DE NÃO CONTESTAR, DE NOS DEIXARMOS ABANDONAR A “ACEITAR TUDO CEGAMENTE” certo? Eu gostaria que estivesse. Esteja ou não, o seu desejo de pensar deste modo já é ser um pouco indiano. Assim, “ao fazer amor com a mulher, o hindu pensa em Deus, de que ela é uma expressão e uma parcela”. Vivendo em Macau, rodeado de casinos feios, é divertido ler a indignação que o espectáculo da fealdade causa em Michaux. Parece ser o que lhe custa mais perdoar ao indiano: “Nas Índias, pode-
benevolentes do que aquelas que dispensa aos indianos, com quem parece travar uma pequena guerra surda particular. Os chineses, a quem faculta vários elogios*, parecem distantes, opacos e possuídos de uma cortesia lunar que afasta o desejo de confronto. No entanto, é aos indianos, um povo que vê como um povo solar e fonte de inúmeras irritações, que Michaux dedica mais escrita. No chinês, o autor de Um Bárbaro na
Ásia viu essencialmente o sentido prático, o gosto pela imitação**, a razoabilidade, o inclinação para o labirinto, a falta de espanto e a exibição da aparência (contra toda a evidência em contrário) da harmonia e do equilíbrio. “Os chineses detestam-nos, a nós, esses malditos topa-a-tudo que não podem deixar nada tranquilo”. As opiniões sobre o Japão são as que o autor mais repudiou posteriormente, informado pela história do pós-guerra. O Japão que Michaux conhecera transformou-se e, numa pequena nota datada de 1984, Michaux reconhece-o humildemente. Este Japão é enfermiço e tuberculoso, os seus habitantes servidores e seguidistas, demasiadamente fracos para se oporem ao zeitgeist militarista e nacionalista dos anos 30. Este é o único dos países visitados que o autor claramente rejeita – para mais tarde se redimir e admitir o erro. Nem na sua música, no seu teatro, na sua beleza natural ou nas suas mulheres encontra, de início, que elogiar. Especialmente irritante é a sua incompreensão primeira da música e do teatro, que não deixa de elogiar em expressões chinesas e indianas. É também em relação aos japoneses que toma o povo como mais idêntico, sem dar conta das diferenças que nota em variadíssimas zonas da Índia e até da China. Ao contrário, na apreciação feita aos malaios, javaneses, balineses, tudo é aceite sem restrições, o que faz pensar que o Japão lhe causou uma epidérmica má vontade logo desde o início. Este livro contém inúmeros ensinamentos, o menor dos quais não será o de promover, na escrita do livro de viagens, a humildade. Outro consistirá em admitir que, por outro lado, o excesso e a impertinência, e até mesmo uma certa dose de desonestidade, constituem o caminho certo para um abandono arrogante e divertido.
* à música, à língua, ao pacifismo, à habilidade, à astúcia, às mulheres, à arte de se esquivarem e ao jeito para o comércio. ** deve espantar tanto o chinês o europeu não imitar como ao indiano espanta que o europeu não adore.
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Wall Street Journal
JACQUELINE ROQUE A POLÉMICA MUSA DE PICASSO DAVID DOUGLAS DUNCAN
Jacqueline atrás da câmara com Picasso (1957).
É
impossível pensar em Picasso sem visualizar as mulheres que ele amou, torturou e pintou, como Fernande Olivier, cujos traços distorcidos estão para sempre associados ao início do cubismo, ou Dora Maar, frequentemente retratada a chorar, ou Marie-Thérèse Walter, cuja face e corpo foram violentamente retalhados pelo artista durante a sua fase surrealista. “Para mim, existem apenas dois tipos de mulheres — deusas e capachos”, disse à parceira Françoise Gilot, segundo as suas memórias contidas na autobiografia publicada em 1964, Life with Picasso (Vida com Picasso, em tradução livre, sem edição em português). Desde a morte de Picasso, em 1973, os trabalhos que surgiram dessas relações — e as histórias por trás delas — alimentaram inúmeras exposições em galerias e museus. Só nos últimos três anos, a Gagosian Gallery, em conjunto com o biógrafo de Picasso, John Richardson, montou duas ex-
posições aclamadas em Nova Iorque, Picasso and Marie-Thérèse: L’amour fou (Picasso e Marie-Thérèse: O amor louco, em tradução livre), em 2011, e Picasso and Françoise Gilot, em 2012. (No dia 28 de Outubro, a galeria abrirá a exposição Picasso & the Camera, com curadoria, como as outras, de Richardson.) Agora, a Pace Gallery, de Nova Iorque, que também já promoveu várias exposições de Picasso, está a organizar duas extensas mostras sobre o menos celebrado e mais controverso de seus amores, Jacqueline Roque, uma mulher divorciada de cabelos escuros e 45 anos mais jovem que o artista, que se tornou sua segunda esposa em 1961. Esta relação durou mais de duas décadas, até à morte de Picasso, aos 91 anos, o que torna Jacqueline o seu relacionamento mais duradouro e a sua musa mais constante. Mesmo assim, Jacqueline inspirou poucas exposições. A última foi em 2006, no Kunstmuseum Pablo Picasso, em Münster, Alemanha.
Isto reflecte, em parte, o fato de a obra produzida na fase mais madura de Picasso ser frequentemente considerada irrelevante e kitsch. Mas passaram-se décadas desde sua morte, e o trabalho produzido quando este estava com Jacqueline começa a ser ardentemente desejado pelos coleccionadores. A Pace Gallery, que desde 1981 já organizou sete mostras da sua obra tardia, espera apresentar ao público a mulher que foi indiscutivelmente o mais importante amor da vida de Picasso. Num ensaio de 1988, Richardson apelidou os últimos anos de Picasso de L’Époque Jacqueline (A Era Jacqueline). “É tão livre e cheio de amor”, diz Carmen Giménez, curadora do museu Guggenheim e especialista em Picasso, sobre o trabalho do mestre neste período. “Jacqueline trouxe-lhe paz.” A escassez de exposições sobre Jacqueline pode estar ligada ao papel ambíguo que desempenhou para a família e os amigos de Picasso. Logo de
início, ganhou a reputação de ser manipuladora, avarenta e conivente, porque se colocou entre Picasso e Gilot. Uma vez instalada na La Californie, a vila do artista em Cannes, protegeu a privacidade de Picasso com unhas e dentes, afastando até os seus filhos e netos para que ele pudesse concentrar-se no trabalho. Depois da morte de Picasso, Jacqueline permaneceu reclusa durante três anos, reaparecendo apenas para discutir com os herdeiros do pintor sobre a distribuição da herança. Em 1986, ainda consumida pela dor da perda de Monseigneur, como ela o chamava, Jacqueline suicidou-se com um tiro no castelo de Mougins, tornando-se mais uma pessoa do círculo íntimo de Picasso a morrer tragicamente. (Walter enforcou-se em 1977; Paolo, filho do primeiro casamento com a bailarina Olga Khokhlova, bebeu até morrer, em 1975; e o filho de Paolo, Pablito, cometeu suicídio depois de ser proibido por Jacqueline de participar do funeral do avô.) A relação dos dois — e o comportamento misterioso de Jacqueline, retratada em mais de 125 obras de arte — será revivida na mostra Picasso & Jacqueline: The Evolution of Style (Picasso & Jacqueline: A evolução do estilo), na Pace Gallery, de 31 de Outubro a 10 de Janeiro de 2015. A exposição terá todo o tipos de obras, de pintura e escultura a desenhos, cerâmicas e fotografias. “Há mais retratos de Jacqueline do que de qualquer outra mulher na vida de Picasso”, diz Arne Glimcher, fundador da Pace. “O leque de interpretações da sua imagem é impressionante. Seleccionamos obras representativas de todos esses momentos, desde o início, quando ele a desenhava como Ingres, até o fim de sua vida, quando sua obra foi marcada por um expressionismo selvagem. Pode-se observar a transformação do seu estilo tardio através dos retratos de Jacqueline.” Glimcher trabalhou na mostra durante cinco anos com Catherine Hutin, filha de Jacqueline, que agora está perto dos 70 anos e vive em Paris. Hutin viveu com o casal e, depois da morte da mãe, ficou com grande parte da herança de Picasso. Embora Hutin não fosse filha de Picasso, Glimcher ressalta que “ela viveu durante mais tempo com ele que qualquer um de seus outros filhos
artes, letras e ideias 15
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ARNE GLIMCHER, FUNDADOR DA PACE
e observou a execução de seu trabalho mais do que qualquer outra pessoa, além de Jacqueline”. A exposição, dividida entre os dois espaços da Pace em Nova York, também incluirá o trabalho do fotojornalista da revista Life David Douglas Duncan, que começou a fotografar o casal em 1956, quando apareceu sem avisar em La Californie e fotografou Picasso na banheira. Em pouco tempo, Duncan ganhou carta-branca para acompanhar o artista com a câmara até o fim dos
seus dias. As fotos da exposição, 56 ao todo, mostram o casal junto, fazendo caminhadas e até de mãos dadas logo depois de se terem casado em segredo. Aos 98 anos, Duncan não tem paciência com os críticos de Jacqueline. “Ela fechou a maldita porta para manter as pessoas longe. Ela provavelmente adicionou 15 anos à vida dele.” A história começou em 1952, quando o artista, então com 72 anos e uma das pessoas mais famosas da França, encontrou Jacqueline, na época com 27 anos, num estúdio de cerâmica em Vallauris. Picasso estava a produzir peças de cerâmica e ela era uma vendedora. Embora ainda estivesse a viver com Gilot, cortejou Jacqueline, desenhando uma pomba branca com giz na parede da sua casa e enviando-lhe rosas vermelhas. Os amigos de Picasso não a viam como alguém à altura do pintor, disse um deles, segundo a biografia de Richardson sobre os anos em que passou como membro do círculo mais íntimo de Picasso. Quando Gilot, aparentemente sem saber do novo afecto, deixou Picasso um ano depois, Jacqueline sofreu durante as tentativas de reconciliação do casal, assim como com os casos do artista com outras mulheres. Mas acabou por vencer, basicamente porque era totalmente reverente. Segundo a historiadora de arte Barbara Rose, uma das colaboradoras do catálogo da Pace, Jacqueline “pensava que ele era Deus e ele pensava que era Deus. Os dois estavam apaixonados por ele”. Talvez seja por isso que, durante os anos que passaram anos juntos, Picasso tornou-se ainda mais prolífico que o normal, com Jacqueline alegremente negligenciando a sua própria filha para administrar a casa, monitorar a vida social do artista e passar horas no estúdio.
‘La tête de la femme’ (Cabeça de mulher), de Picasso (1960)
DAVID DOUGLAS DUNCAN
Jacqueline com lenço na cabeça posando em frente ao seu retrato (1960).
Comovido pelo seu perfil clássico, os olhos amendoados e os seus exóticos traços, Picasso incluiu-a na sua reformulação dos trabalhos dos mestres franceses e espanhóis como Manet e Velázquez, que se tornou uma obsessão nos seus anos finais. Numa pintura de 1954, Jacqueline avec une écharpe noire (Jacqueline com uma echarpe negra), ela aparece com um lenço na cabeça que sugere um véu muçulmano, sorrindo enigmaticamente — uma interpretação moderna, inspirada no orientalismo, da pintura La dama del armiño (Mulher com abrigo de pele), de El Greco. No fim desse ano, o hábito de Jacqueline de se arrastar pelo chão inspirou-o a incorporar a forma da esposa numa série de 15 pinturas que desconstruíram as Femmes d’Alger (Mulheres de Argel), de 1834, de Eugène Delacroix. (A exposição terá uma sala cheia de desenhos, rascunhos e pinturas feitas por Picasso sobre o tema.) Jacqueline também aparece em outras homenagens, como a reinterpretação “sexual” em estilo cubista, de 1961, do quadro Le Déjeuner sur l’herbe (Almoço na relva), de Manet, feito em 1863, e as gravuras eróticas de 1968 conhecidas como Suíte 347, em que Picasso retrata o pintor renascentista Raphael e sua modelo, La Fornarina, fazendo amor. Mas também representou Jacqueline como ela mesma, esculpindo a sua imagem em bronze e em lâminas de metal pintadas, além de a desenhar a ler, brincando com os filhos, ou acariciando o seu gato. No geral, mesmo nas caracterizações sexuais ou agressivas de Picasso, as obras possuem uma qualidade serena e alegre. Talvez seja porque, como recorda Duncan, o amor de um pelo outro sempre foi muito evidente. “Eles amaram-se desde a primeira vez que se encontraram até o dia em que morreram.”
NO FUNERAL DE JACQUELINE, DUNCAN COLOCOU UMA FOTOGRAFIA NO CAIXÃO: TIRADA EM 1962, MOSTRA O CASAL SENTADO NA ESCADA DE LA CALIFORNIE. ATRÁS DELES, UM RETRATO DELA QUE PICASSO TINHA ACABADO DE PINTAR. ESTÃO ANINHADOS, A RIR, À ESPERA QUE A PINTURA SEQUE DAVID DOUGLAS DUNCAN
“HÁ MAIS RETRATOS DE JACQUELINE DO QUE DE QUALQUER OUTRA MULHER NA VIDA DE PICASSO. O LEQUE DE INTERPRETAÇÕES DA SUA IMAGEM É IMPRESSIONANTE. SELECCIONAMOS OBRAS REPRESENTATIVAS DE TODOS ESSES MOMENTOS, DESDE O INÍCIO, QUANDO ELE A DESENHAVA COMO INGRES, ATÉ AO FIM DA VIDA, QUANDO A SUA OBRA FOI MARCADA POR UM EXPRESSIONISMO SELVAGEM. PODE-SE OBSERVAR A TRANSFORMAÇÃO DO SEU ESTILO TARDIO ATRAVÉS DOS RETRATOS DE JACQUELINE”
E hoje um retrato desse amor repousa com eles no túmulo onde estão enterrados em Vauvenargues, o château do casal em Provença. No funeral de Jacqueline, Duncan colocou uma fotografia no caixão: tirada em 1962, mostra o casal sentado na escada de La Californie. Atrás deles, um retrato dela que Picasso tinha acabado de pintar. Estão aninhados, a rir, à espera que a pintura seque.
DESPORTO
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Av i s o Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia para 2015 – Selecção na RAEM Por Despacho do Chefe Executivo de 12 de Março de 2008, foi autorizado ao FDCT para promover na RAEM da recomendação dos Prémios Nacionais na áreas de Ciências e Tecnologia, ficando assim, notificados os interessados de que poderão candidatar-se através da seguinte forma: (1.)
Objectivo O Conselho de Estado da República Popular da China institui o Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, tendo como objectivo: (i) Incentivar cidadãos, organizações que dão contribuições notáveis às actividades do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Mobilizar a iniciativa e criatividade dos trabalhadores nas áreas das ciências e da tecnologia; (iii) Acelerar o desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (iv) Aumentar a capacidade integrada do Estado.
(2.) Categoria O Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia consta de cinco prémios: (i) Prémio Supremo Nacional das Ciências e da Tecnologia; (ii) Prémio Nacional das Ciências Naturais; (iii) Prémio Nacional da Invenção da Tecnologia; (iv) Prémio Nacional do Progresso das Ciências e da Tecnologia; (v) Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia. Compete ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia a coordenação dos trabalhos de recomendação dos cincos prémios acima referidos. As recomendações serão entregues ao Gabinete para os Trabalhos de Incentivo às Cièncias e Tecnologia do Departamento das Ciências e da Tecnologia para efectuar a avaliação. (3.)
Qualificação da candidatura (i) De forma relevante, contribuir para a descoberta científica, invenção tecnológica ou promoção do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Os cidadãos chineses que sejam residentes da RAEM e correspondam às condições estabelecidas no «Regulamento da Premiação Nacional das Ciências e da Tecnologia» (incluíndo os residentes permanentes e indivíduos que tinham adquiridos o direito de residência na RAEM, mas não têm o direito de residência permanente), ou outros indivíduos de nacinalidade chinesa que estejam em exercício da investigação científica e do desenvolvimento tecnológico na RAEM. (iii) Os candidatos para o Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia, devem ser estrangeiros ou organizações estrangeiras que prestam serviço na RAEM ou terem feito contribuição para as actividades do progresso das ciências e da tecnologia. As condições específicas de cada prémio podem ser consultadas na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. (http:// www.fdct.gov.mo/state-awards)
(4.)
Forma da candidatura (i) As pessoas interessadas em candidatar-se ao Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, podem descarregar a apresentação de recomendação e os detalhes dos prémios respectivos na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, e preencher devidamente o requerimento de candidatura e anexos ; (ii) Após a avaliação feita pela Unidade, compete à Unidade a seleccinar a qual se destaca, para recomendar ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, não se aceita o requeimento individual; (iii) O número de cada categoria de premiação recomendado por cada Unidade não pode ser superior a dois.
(5.)
Data do requerimento A partir de 16 de Outubro de 2014 até 28 de Novembro de 2014.
(6.)
Consulta Endereço: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 411-417, edifício Dynasty Plaza, 9.º andar. Telefone:28788777; Fax:28722681 Correio electrónico:sedc@fdct.gov.mo O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai 14 de Outubro de 2014
TAÇA DE PORTUGAL PORTO-SPORTING CONCENTRA ATENÇÕES
Sábado escaldante O “clássico” FC Porto-Sporting, que promete ser ainda mais “escaldante” do que o habitual, concentra as atenções da terceira eliminatória da Taça de Portugal em futebol, que se disputa entre sexta-feira e domingo. O embate do Estádio do Dragão, no sábado, deixará a prova privada de, pelo menos, um “grande”, logo na primeira ronda em que participam os clubes da I Liga, no mesmo dia em que o Benfica, detentor do troféu, tem um desafio teoricamente mais acessível, em casa do Sporting da Covilhã. Se um confronto entre “dragões” e “leões” promete sempre “temperaturas” elevadas, o “termómetro” deste “clássico” da Taça de Portugal promete subir, depois da guerra de palavras lançada pelo presidente do Sporting. Bruno de Carvalho criticou o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, e disse que as coisas só podem correr pior no Estádio do Dragão se sair de lá morto. O clube portuense respondeu com actos, exigindo o pagamento antecipado dos bilhetes, sem possibilidade de devolução. Sem jogadores lesionados, nem suspensos, as equipas treinadas pelo espanhol
Julen Lopetegui e Marco Silva devem apresentar-se na máxima força, depois de um interregno de duas semanas para os jogos das seleções nacionais, que também não trouxeram novas “baixas”.
VANTAGEM DA CASA
Os “azuis e brancos” detêm clara vantagem nos confrontos directos para a Taça de Portugal: em 21 eliminatórias, qualificaram-se 13 vezes, contra oito do Sporting, e, dos 15 jogos realizados no Porto, venceram 10, empataram dois e perderam apenas três. Se forem contabilizadas também as partidas realizadas no Estádio José Alvalade, a vantagem do clube portuense esbate-se significativamente, pois, em 36 jogos, 13 terminaram com triunfo do FC Porto e 11 com vitória da equipa lisboeta, tendo-se registado ainda 12 igualdades. Enquanto os técnicos de FC Porto e Sporting devem apresentar as suas melhores equipas, espera-se que Jorge Jesus, treinador do Benfica, poupe vários habituais titulares na partida com o Sporting da Covilhã, nono classificado na II Liga.
OUTROS PROGNÓSTICOS
Apesar de se ter apurado sempre que defrontou o Sporting da Covilhã para a
Taça de Portugal, o Benfica ganhou apenas um dos quatro encontros naquela cidade serrana, o último dos quais em 1959, beneficiando dos resultados obtidos em casa, numa altura em que a prova se disputava a duas mãos. O Rio Ave, finalista vencido na época passada, na qual perdeu no Estádio Nacional por 1-0 frente ao Benfica, reúne todas as condições para prosseguir na competição, visitando o Coimbrões, que alinha no campeonato nacional de seniores. Além do FC Porto-Sporting, há apenas mais um embate entre primo-divisionários, a recepção do Vitória de Setúbal ao Arouca, numa fase em que ainda restam quatro “sobreviventes” dos distritais: Alcains, Real Massamá, que defrontam o Sporting de Braga e o Gil Vicente, ambos da I Liga, Serzedo e Amora. Das restantes equipas do escalão principal, o Boavista e o Penafiel foram sorteados com adversários, teoricamente, mais complicados, o Desportivo das Aves e o Tondela, ambos da II Liga, com os restantes a medirem forças com equipas do campeonato nacional de seniores.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
23
MAX
29
HUM
55-85%
•
EURO
10.1
BAHT
0.2
CORO GULBENKIAN APRESENTA “MÚSICA PORTUGUESA DOS SÉCULOS XVII E XX” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 120 a 250 patacas
JUON - THE BEGINNING OF THE END [C]
Um filme de: Phillip Noyce Com: Brenton Thwaites, Odeya Rush, Jeff Bridges 14.15, 16.00, 17.45, 21.30
FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 19.45
ANNABELLE [C]
Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 19.30
“PINKTOBER” APRESENTA 80 & TAL – CONCERTO DE SOLIDARIEDADE PARA VÍTIMAS DO CANCRO DA MAMA Hard Rock Café, 21h15 150 patacas, com oferta de uma t-shirt
SALA 3
WHIPLASH [C]
SALA 2
LET’S BE COPS [C]
Um filme de: Damien Chazelle Com: Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoist 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Um filme de: Luke Greenfield Com: Jake Johnson, Damon Wayans Jr. 14.15, 16.05, 17.55, 21.30
ACONTECEU HOJE
1.3
O QUE FAZER ESTA SEMANA
THE GIVER THE GIVER [B]
?
YUAN
• Hoje
SALA 1
17
• Amanhã FESTIVAL DA LUSOFONIA (ATÉ DOMINGO) Casas-museu da Taipa Entrada livre
16 DE OUTUBRO
• Sábado LAURIE ANDERSON APRESENTA “A LINGUAGEM DO FUTURO” (FIMM) Fortaleza do Monte, 20h00 80 patacas ORQUESTRA DE MACAU APRESENTA “MEDITADOR” Centro Cultural de Macau, 20h00 80 a 200 patacas
Nascem os escritores Oscar Wilde e Günter Grass • Hoje é dia de assinalar o nascimento de dois grandes nomes da literatura mundial: o irlandês Oscar Wilde e o alemão Günter Grass, que nasceram a 16 de outubro. Oscar Wilde nasceu em Dublin, a 16 de Outubro de 1854, foi um escritor irlandês, criado numa família protestante, sendo que se converteu ao catolicismo. Viveu em Londres e, em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local. Regressa a Inglaterra e casa-se com Constance Lloyd, filha de um rico advogado de Dublin, indo morar em Chelsea, um bairro de artistas londrinos. Em 1892, dá início a uma série de bem sucedidas histórias, que são considerados clássicos da dramaturgia britânica da actualidade. Wilde foi pioneiro na criação de filmes de drama e de acção. Com o reconhecimento da elite literária, adopta hábitos de vida marcados pela excentricidade. Três anos mais tarde, após três julgamentos, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão, pela prática de “actos imorais com diversos rapazes”. Suspeitava-se que Wilde fosse amante de Lorde Alfred Douglas. E foi precisamente o pai de Douglas que levou o escritor a tribunal. Depois da condenação, o talentoso escritor viu a reputação e a saúde serem consumidas de forma drástica. Apesar de tudo, foi na cela que escreveu algumas das grandes obras, ‘De Profundis’, ‘A Alma do Homem sob o Socialismo’ e a ‘Balada do Cárcere de Reading’. Wilde foi libertado no dia 19 de Maio de 1897. Mudou-se para Paris, onde morou numa residência humilde. A produtividade literária foi extremamente reduzida, no resto da sua vida. Oscar Wilde morreu de um ataque de meningite – agravado pelo álcool e pela sífilis – no dia 30 de Novembro de 1900. Também a 16 de Outubro, mas em 1927, nasce Günter Grass, um intelectual, romancista, dramaturgo, poeta e artista plástico alemão. Grass recebeu o Nobel de Literatura de 1999, sendo reconhecido como um dos principais representantes do teatro do absurdo da Alemanha.
SECRET ISLAND PARTY 2014 Hong Kong, sítio a designar após a compra de bilhete Todo o dia
• Domingo ORQUESTRA CHINESA DE TAIPÉ APRESENTA “BRILHO DESLUMBRANTE” Centro Cultural de Macau, 20h00 80 a 200 patacas
U M D I S C O H O J E “PURE HEROINE” (LORDE, 2013) Actualmente, é quase “perigoso” dizer-se que há um artista melhor do que todos os outros, porque o mundo está cheio deles e a única coisa a fazer é ir escrutinando, aos poucos e poucos. No entanto, talvez Lorde seja, tal como os críticos mundiais a apelidaram, uma das artistas-revelação de 2013, ano em que lançou o seu primeiro álbum, cujo single “Royals” chegou já a várias tabelas musicais internacionais. A artista é, hoje em dia, conhecida por recusar a colaboração de Justin Bieber e outros artistas cujos trabalhos não vão ao encontro das suas ideologias e estilo. Lorde não se deixa ficar por um género musical apenas, aliando sons electrónicos à sua voz feminina, sem nunca se esquecer de dar significado às suas músicas através das letras, escritas pela própria. “Pure Heroine” é o seu primeiro álbum, que nos traz músicas como “Team” e “Tennis Court”. - Leonor Sá Machado
João Corvo
fonte da inveja
Freud explica, dizem. Mas quem explica Freud?
SECRET ISLAND PARTY 2014 Hong Kong, sítio a designar após a compra de bilhete Todo o dia
• Diariamente FESTIVAL DE GASTRONOMIA MACAENSE (ATÉ 5 DE NOVEMBRO) Hotel Four Seasons, Cotai 18h00 às 22h00 498 patacas por adulto, 249 para crianças até aos 12 anos EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre “VIAGEM À TERRA DOS SONHOS” DE SU JIAN LIANG (ATÉ DIA 23/10) Galeria da Fundação Rui Cunha Entrada livre EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar Entrada livre WORLD PRESS PHOTO (ATÉ 2 DE NOVEMBRO) Casa Garden Entrada Livre
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OPINIÃO
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LEOCARDO
bairro do oriente
I LOVE LUCY
A ditadura da democracia
G
OSTAVA de começar por contar um episódio que se passou comigo durante um fim-de-semana que passei em Guangzhou, estava em finais de 1999, se não estou em erro. Visitava a cidade na companhia de uma amiga ali residente, e aproveitando essa vantagem optava por me deslocar nos transportes públicos, ou de metro, que na altura tinha sido recentemente inaugurado, ou de autocarro. E foi num das curtas viagens neste último que aconteceu algo curioso; vinha de pé a conversar com a minha cicerone, quando noto que todos os restantes passageiros nos olhavam, e quando digo “olhavam” quero dizer “fitavam”, sem qualquer pudor, como se quisessem deixar bem claro que eu era a razão da sua curiosidade. A minha parceira aparentava estar um pouco embaraçada, temendo que eu, a quem ela tinha convidado, desprezasse a atitude dos seus compatriotas, e de facto naquela situação só haviam duas saídas: ou ignorava, ou demonstrava desconforto, o que em qualquer das situações daria a entender ressentimento da minha parte. Assim optei por uma terceira via: cantei o tema “Baila Me”, dos Gypsy Kings, acompanhado de palmas. Nesse momento as mulheres voltam-se para a frente de repente, como se nunca estivessem estado interessadas, enquanto os homens sorriam, e começavam a dar-me o meu espaço – estavam todos “servidos”. Este sorridente incidente serve para demonstrar que nem tudo o que nos ensinaram sobre tolerância e respeito pela diferença é definitivo. Aqui há uma conclusão que se pode tirar em dois segundos sem ser necessário qualquer método científico, estudo de
opinião ou medição do grau de acidez: eu sou um ocidental, sou diferente, venho de um mundo que nada tem a ver com aquele, e é suposto manifestar comportamentos inaceitáveis para os padrões da cultura chinesa, e de preferência com uma boa dose de extravagância, para satisfazer o publico mais exigente. No fim vão todos para casa, convencidos que tudo o que aprenderam sobre a civilização ocidental estava certo afinal valeu mesmo a pena comprar a série completa das aventuras do Mr. Bean. A civilização milenar chinesa transmitiu de geração para geração durante séculos certos conceitos que para nós, “bárbaros” ocidentais, são difíceis de assimilar, e nem o mais dedicado ou erudito dos sinólogos chega a entender certas valências que apenas a consanguinidade transporta de pai para filho, e de filho para neto; podem-se apanhar todos os ovos e metê-los no mesmo cesto que ficou a faltar um. Qual? “Aquele que estava escondido”. Mas como era possível apanhá-lo se estava escondido? Exactamente. E isto tudo para dizer que há coisas que não entendemos porque não é suposto nos serem dadas a entender. Não me peçam para dizer quais, que não sou capaz. Não sou nem nunca serei capaz, e propor-me a resolver um enigma de 5000 anos que se vai tornando ainda mais difícil de resolver a cada duas peças que consigo juntar é tirar a arrogância da toca, esfolá-la, curti-la e andar com ela ao pescoço. E quem melhor para ostentar a arrogância que os Estados Unidos, que garantem ao império do meio que a democracia é a cura para todos os males, desde o síndroma do partido único até à ditadura encravada. E como sabem eles isso? Porque já praticam a modalidade há 200 e tal anos, e nunca provaram outra coisa. É verdade que tiveram os seus altos
Que tal substituir essa coisa do partido único, que já cheira a mofo, por uma “democracia parlamentar”? É simples: consiste de meia dúzia de corporações a mandar em tudo, “lobbies” que fazem a ligação entre o poder e os que se portam bem, atendendo assim às suas necessidades, e mesmo que haja quem não esteja satisfeito tem “liberdade de expressão”, podendo assim rir dos gajos quem mandam, enquanto estes riem deles, e no fim todos riem! e baixos, e ganharam um número respeitável de inimigos, mas quem possivelmente pode odiar o “berço da democracia”? Ora, os “inimigos da liberdade“, lá está: árabes, comunistas, índios, escravos africanos... Foi então que alguns académicos em Hong Kong decidiram que a melhor forma de trazer esta receita para sarar o mal do totalitarismo no mais populoso país do mundo seria usar a RAEHK, onde são permitidas liberdades que
o continente não tem, como laboratório. Faz sentido; logo que estes sete milhões de “oprimidos pelo regime” aceitem a nova ordem, os outros mil e tal milhões caem como tordos. E aqui temos o cenário ideal, pois segundo um desses teóricos da democracia americana, que assistiu de perto a revoluções recentes, como a final do Superbowl ou a corrida aos saldos do Wall-Mart, “se a Mongólia, com uma economia menos competitiva, conseguiu implantar um regime democrático, porque não Hong Kong, uma grande praça financeira?”. Já se sabe que para os americanos pouco importa se estamos a falar da Mongólia, Hong Kong ou Botswana: todos querem ser iguais à América, todos querem cartões de crédito, roupas de marca, tota-tola e malbóros. Ai já têm isso tudo? Então que tal substituir essa coisa do partido único, que já cheira a mofo, por uma “democracia parlamentar”? É simples: consiste de meia dúzia de corporações a mandar em tudo, “lobbies” que fazem a ligação entre o poder e os que se portam bem, atendendo assim às suas necessidades, e mesmo que haja quem não esteja satisfeito tem “liberdade de expressão”, podendo assim rir dos gajos quem mandam, enquanto estes riem deles, e no fim todos riem! É só rir. E a este ponto já me estão a acusar de ser contra o movimento “Occupy Central” em particular e contra a democracia em geral. Quanto ao primeiro não sou contra nem a favor, pois nunca fiquei a saber qual era o fim. Democracia, dizem vocês? A ideologia ou o sistema? Se for a ideologia, tudo bem, qualquer criança de quatro anos ou ave psitaciforme consegue debitar chavões como “poder exercido pelo povo” ou “vontade da maioria”, mas se me falarem de “sistema democrático”, a coisa muda de figura. É que para se chegar a esses píncaros, é necessário algo que se chama “consciência democrática”, que consiste aceitar todas as opiniões – mesmo as que vão contra o próprio conceito de democracia. Quando se tenta impor a democracia através de um movimento que representa uma minoria, utilizando para o efeito a “desobediência civil” inspirada em Gandhi, e mesmo assim se entra em confronto com as autoridades, deixem-me dizer-vos que é um mau começo. Nem as imposições, nem as minorias são uma base sólida para se começar uma democracia, e Gandhi não chegou lá andando à porrada com a polícia. E quem propõem para dirigir esta “democracia à chinesa”? O adolescente Joshua Wong ou aquele gajo super-coerente, o “long-hair”, que se opõe a uma ditadura de matriz marxista-leninista mas ostenta a imagem de Che Guevara na camisola, personagens uni-dimensionais, tal como o “kwai-lou” que ia naquele autocarro em Guangzhou há 15 anos? E quanto aos tipos que agora estão no poder, o que vão fazer com eles? Metê-los na prisão ou fazer a coisa mais democrática, que seria realizar eleições em conjunto? Prisão? Pois, pois, já entendi. Prisão em democracia é melhor do que numa ditadura. Então não, coração.
DIÁRIO DE BORDO
hoje macau quinta-feira 16.10.2014
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POR CARLOS MORAIS JOSÉ
ANTÓNIO SILVA/LUSA
ontem macau
AFONSO Dhlakama, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), exerce o seu direito ao voto nas eleições de Moçambique, ontem. Cerca de 10,9 milhões de eleitores poderão escolher um novo Presidente da República, uma nova Assembleia da República, com 250 assentos, e 811 membros das assembleias provinciais.
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“Não há professores de Ensino Especial suficientes, porque esta foi uma aposta que nunca foi feita. No que nos diz respeito, somos nós que temos de procurar os professores e só temos direito a um professor, não nos dão subsídio para mais” ZÉLIA MIEIRO • VICE-PRESIDENTE DA EPM SOBRE O ENSINO ESPECIAL
“Sinceramente, é irrealista esperar que o Comissariado de Auditoria supervisione passo a passo a forma como o dinheiro é gasto” HO WENG ON • COMISSÁRIO DE AUDITORIA SOBRE OS APOIOS FINANCEIROS A ASSOCIAÇÕES
“Estamos preocupados que a Lei [de Combate à Violência Doméstica] sofra de falhas fundamentais e não disponibilize protecção adequada” COLIGAÇÃO ANTI-VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
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“[Não há organizações] que façam investigações sobre casos de assédio sexual antes que estes cheguem até às autoridades competentes. Isto deve acontecer, a fim de garantir que o campus tenha um ambiente seguro e de igualdade de sexos” Comunicado da ANM |P.8
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édito
Os teimosos O CASO das legislação sobre violência doméstica tornou-se num daqueles exemplos de teimosia por parte do Governo e de quem o rodeia que roça o incompreensível. Existem nove associações locais, coligadas para enfrentar a teimosia governamental. Mas tal não chega. São pessoas de todas as etnias, religiões e extractos sociais, fazendo com que nunca uma questão social tenha tanta representatividade como esta. Mas isso não é suficiente para este Governo. Para além da gente local, existe o mundo, as organizações internacionais, a opinião pública mundial, o caminho inevitável deste tipo de legislação. Mas isso não comove os nossos governantes que gostam de ficar “orgulhosamente sós” e ser os últimos a passar o Rubicão. Se no caso da habitação, até se compreende que o Governo não queira mexer nas rendas (porque as suas famílias e amigos têm altos interesses investidos no imobiliário), no caso da violência doméstica escapa-me a teimosia porque não estou a imaginar o dr. Chui Sai On ou o dr. Cheong U a dar valentes surras nas suas amoráveis e dedicadas esposas. Teimosias à parte, sabem o que custa mais nisto tudo? É que estamos perante casos em que as marcas não são apenas físicas. Não se trata de ser assaltado e levar uma estalada ou um murro do ladrão, de alguém com quem não temos qualquer ligação afectiva. Não. Neste caso, trata-se de ser espancado por uma pessoa que se ama. O que confunde tudo, o que remete para a própria culpa. E deixa marcas profundas para a vida ou o que resta dela. Mas o Governo entende, teimosamente, talvez para não perder face, que devemos continuar a assobiar para o lado.
hoje macau quinta-feira 16.10.2014
Texas Segundo caso de contágio por ébola
Um segundo trabalhador dos serviços de saúde do hospital Texas Health Presbyterian foi infectado com o vírus do ébola, segundo revelou o Departamento de Saúde do Texas. A identidade deste segundo paciente ainda não foi revelada, no entanto esta pessoa também tratou do liberiano Thomas Duncan, infectado com ébola e que acabou por falecer na semana passada. Este paciente foi imediatamente isolado, depois de relatar febre na terça-feira, segundo explicou um porta-voz do Departamento de Saúde do Texas, em comunicado. Já esta semana o mesmo hospital tinha confirmado que Nina Pham, uma das enfermeiras que esteve destacada para tratar o liberiano Thomas Eric Duncan, tinha contraído o vírus. Estão ainda sob vigilância 48 pessoas que contactaram com Thomas Duncan. Segundo a Organização Mundial da Saúde já morreram 4.447 com ébola.
cartoon
VIOLÊNCIA POLICIAL
por Stephff
A
China Oito mortos e 18 feridos em confrontos
Pelo menos oito pessoas morreram e outras 18 ficaram feridas durante confrontos entre operários da construção e moradores na província chinesa de Yunnan, no sul do país, informaram as autoridades através da Xinhua. O conflito ocorreu nas obras de um centro logístico na localidade de Fuyou, de acordo com fontes municipais citadas pela agência oficial chinesa. Seis dos mortos eram operários da construção civil, enquanto os outros dois faziam parte dos moradores da zona com os quais se envolveram em confrontos. Dos 18 feridos, dez permanecem hospitalizados, um dos quais em estado grave. As autoridades locais estão a investigar as causas do incidente, tendo advertido que irão tomar “medidas duras” contra os responsáveis.
Coreias Primeira reunião de alto nível em sete anos
As duas Coreias iniciaram ontem a sua primeira reunião militar de alto nível em sete anos durante a qual vão debater os recentes conflitos bilaterais, disse fonte do parlamento sul-coreano à agência Yonhap. O encontro, que começou às 10:00 na aldeia fronteiriça de Panmunjeom, tem como objectivo discutir a disputada fronteira marítima do Mar Amarelo e o envio de balões com panfletos propagandísticos por activistas sul-coreanos para o Norte, informou a Yonhap. Segundo a mesma fonte, o regime de Kim Jong-un “não pretende tornar pública” a reunião, pelo que os ministérios da Unificação e da Defesa de Seul recusaram pronunciar-se oficialmente.
Toyota Chamadas à revisão 1,75 milhões de viaturas
CHINA 82 MILHÕES ABAIXO DO LIMITE DA POBREZA
As outras grandezas De acordo com os critérios internacionais o número sobe para cerca de 200 milhões de pessoas a viver com menos de 1,25 dólar por dia
M
AIS de 82 milhões de chineses vivem na pobreza, com menos de um dólar por dia, apesar dos vários anos de crescimento constante que transformou a China na segunda economia mundial. De acordo com a definição
do governo chinês, a pobreza caracteriza-se por um rendimento anual inferior aos 2.300 iuanes (295 euros), o que corresponde a menos de um dólar por dia. No final do ano passado, 82 milhões de chineses - numa população total de 1,36 mil milhões - viviam sob este limite, afirmou
«A maioria desses chineses vive em zonas de risco de terramotos ou com infra-estruturas muito precárias, o que complica os esforços para tirá-los da pobreza» ZHENG WENKAI Encarregado de desenvolvimento
à imprensa o encarregado de desenvolvimento, Zheng Wenkai. O Banco Mundial considera, por sua vez, que o limite da pobreza está em 1,25 dólar por dia: isso quer dizer que 200 milhões de chineses estão na pobreza, se levarem em conta os «critérios internacionais», comentou Zheng. «A maioria desses chineses vive em zonas de risco de terramotos ou com infra-estruturas muito precárias, o que complica os esforços para tirá-los da pobreza», assegurou. Na China, o país mais povoado do mundo, o PIB por habitante era de apenas 6.767 dólares no ano passado, ou seja, 13% do produto interno bruto dos EUA, segundo o jornal oficial chinês Global Times. O crescimento económico chinês - que chegou a 10% anuais, e agora está em torno dos 7,5% - não impediu as desigualdades. Segundo um estudo da Universidade de Pequim, 1% das famílias controla um terço da riqueza do país. Por outro lado, 25% das famílias chinesas mais pobres têm apenas 1% da riqueza chinesa.
Toyota anunciou ontem a chamada à revisão de 1,75 milhões de viaturas em todo o mundo devido a defeitos que representam risco de incêndio ou ameaçam afectar o desempenho dos travões. O construtor automóvel japonês identificou três problemas nos veículos, os quais envolvem diversos modelos de carros, incluindo a sua luxuosa marca Lexus. Um dos defeitos prende-se com uma peça, de forma desadequada, do sistema de travões, a qual pode alterar a sensibilidade do pedal ao longo do tempo – um problema que afecta um universo de 802 mil viaturas, a maioria no Japão e na China. “O travão não se torna eficaz, mas o desempenho pode começar a degradar-se progressivamente”, informou a Toyota através de um e-mail. Outro problema, que diz respeito ao tubo de fornecimento de combustível de 759 mil viaturas, incluindo vários modelos Lexus e Crown Majesta, pode elevar o risco de incêndio “na presença de uma fonte de ignição”. Mais de metade dos carros afectados foi vendida nos Estados Unidos. Um defeito com 109 mil carros no Japão relacionado com a placa de sucção de combustível também representam risco de incêndio, indicou a firma. “A Toyota não tem conhecimento de qualquer incêndio, acidente, ferimentos ou mortes” relacionados com os defeitos identificados, garantiu. O anúncio da surge cerca de quatro meses depois de a Toyota ter chamado à revisão 2,27 milhões de veículos em todo o mundo devido a falhas no sistema de ‘airbag’. Desde o início do ano, a Toyota recolheu quase 11 milhões de viaturas em todo o mundo.