Skip to main content

Hoje Macau 16 JAN 2014 #3012

Page 1

MOP$10

Q U I N TA - F E I R A 1 6 D E J A N E I R O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 0 1 2

hojemacau

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

COOPERAÇÃO • Índia procura oportunidades nos países de Língua Portuguesa

Lu Chang-Shui, representante de Taiwan na RAEM

PÁGINAS 2 E 3 PUB

CRÍTICAS À INVESTIGAÇÃO E PENAS MAIS PESADAS ALEGAÇÕES FINAIS PÁGINA 6

• ALTOS DIRIGENTES

Mak Soi Kun preocupado com formação POLÍTICA PÁGINA 4

• JOGOS DA LUSOFONIA

Futebol procura bons resultados DESPORTO PÁGINA 16

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Jogo na ilha não afectará Macau

• JULGAMENTO ETAR

PUB

ENTREVISTA

PÁGINA 5


2

ENTREVISTA

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

LU CHANG-SHUI, CHEFE DA DELEGAÇÃO ECONÓMICA E CULTURAL DE TAIWAN FALA SOBRE NOVO CASINO

“Jogo em Taiwan não vai influenciar Foi no passado dia 2 que o hemiciclo de Taiwan aprovou disposições legais que permitem a abertura de um casino no arquipélago Matsu. Mas Lu Chang-Shui, chefe da delegação económica e cultural de Taiwan em Macau, acredita que os casinos da RAEM não vão perder terreno

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Aprovadas as disposições na proposta de lei, como é que avalia a competição que possa existir entre Taiwan e Macau? Primeiro temos de ver que, das 114 disposições da proposta de lei, apenas 31 foram aprovadas. Há 83 por aprovar e a comissão tem de fazer reuniões para discutir estas disposições. Se houver mais polémica, os partidos vão discutir os resultados da comissão na assembleia, com a apresentação do seu presidente. Quanto todos os partidos chegarem a um acordo, então a proposta alterada ainda vai ser discutida mais duas vezes. Até aprovarmos todas as disposições ainda vamos ter de esperar algum tempo, e a criação de um casino não vai acontecer agora.

Mas acredita que a criação do jogo em Matsu pode trazer um grande impacto ao jogo em Macau? Acho que não. Matsu é pequeno e é difícil desenvolver a indústria à mesma escala que existe aqui. Mas os investidores de Macau podem investir em Matsu, porque já têm experiência, e assim podemo-nos ajudar mutuamente nas nossas economias. Ambos ganhamos. Porque é que esta lei vem definir a criação do jogo apenas nas ilhas? Isso faz parte das 31 disposições já aprovadas. Taiwan tem três arquipélagos principais, que são Penghu, Kinmen e Matsu. O arquipélago de Matsu é o mais pequeno e mais desenvolvido. Fazer apostas de jogo em Taiwan é ilegal neste momento, mas a proposta de lei quer descriminalizar o jogo nas ilhas. Isto porque em 2012 a população das ilhas Matsu votou sim num referendo sobre a criação do primeiro casino na Ilha Formosa. As ilhas de Penghu também foram a votação em 2009, mas não houve aprovação por parte da população. Conside-

ro que a população chinesa ainda têm diferentes opiniões face ao jogo. Uma parte das pessoas pensa que o jogo não traz efeitos positivos para a sociedade, mas devido à boa experiência de Macau, os residentes de Matsu querem usar a indústria do jogo para desenvolver a economia. Isto porque Matsu

hábitos do dia-a-dia, segurança e valores sociais. Mas o jogo não vai ser o único elemento nas ilhas Matsu, como é no Cotai. Vamos ter mais hotéis com pacotes familiares e também temos a paisagem das nossas ilhas, e tudo isso são elementos não ligados ao jogo, tal como aqueles que o Governo da

Antes de 2008, quando as relações entre China e Taiwan não eram tão boas como agora, Macau tinha um papel importante na ligação entre as duas partes é o arquipélago mais pobre, e o jogo pode ajudar a desenvolver os meios de transporte e outras infra-estruturas. A electricidade, o aeroporto, o óleo e ligações portuárias estão em escassez. Mas o jogo já trouxe alguns efeitos negativos à sociedade de Macau. O Governo de Taiwan não tem esta preocupação? O jogo não é o único elemento que trouxe efeitos negativos à sociedade. Desenvolveu a economia, que trouxe a inflação e o aumento dos preços no mercado imobiliário, por isso trata-se de um fenómeno normal. Acontece que Macau desenvolveu-se muito rapidamente e isso trouxe efeitos negativos que o Governo da RAEM ainda não conseguiu resolver. O Governo de Taiwan está a aprender com a experiência da RAEM, nas questões do ambiente, mudanças nos

RAEM está a incentivar a que as empresas de jogo tenham. Taiwan pode aprender com a RAEM a criar um regime de cobrança de impostos. Acredito ainda que a segurança em Macau não ficou pior desde a liberalização do jogo. Mas o jogo não pode evitar o surgimento de casos de lavagem de dinheiro. Macau depara-se com esta possibilidade, como é que o Governo da Ilha Formosa vai tratar desta situação? Uma regulação financeira eficaz é muito importante. Penso que o mecanismo de mediação do jogo funciona bem em Macau, até porque as receitas de jogo vêm principalmente das salas VIP. É isso que o Governo de Taiwan tem de aprender. O Governo tem de considerar o controlo da parte financeira, para evitar que acções ilegais aconteçam debaixo das mesas de jogo. Já referiu que Matsu é um pequeno arquipélago. Como deverão ser encontrados os re-


entrevista 3

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

cursos humanos suficientes para os casinos? Taiwan tem recursos humanos suficientes e, para já, acho que não vai ser um problema. Como a economia de Taiwan não está numa boa fase, acredito que muitas pessoas da Formosa queiram trabalhar nas ilhas Matsu.

HOJE MACAU

a economia de Macau” Em relação às ilhas Kinmen, pode também ter casinos no futuro? A população de Kinmen nunca votou em relação a este tema. E não necessitam, porque a economia de Kinmen está numa boa fase. Matsu tem menos recursos. O jogo pode trazer efeitos negativos, mas foi uma escolha do povo de Matsu.

Isso poderá ter uma ligação ao sistema educativo de Macau? A taxa de licenciados em Macau é apenas de 20%. Mas a culpa não é de Macau, temos de ter paciência. Constatei também que os residentes mais velhos lembram-se dos antigos valores da cidade antes da liberalização do jogo. Temos de pensar nisso, mas não está no âmbito do meu trabalho (risos). Mas penso que Taiwan pode aprender com a experiência de desenvolvimento de Macau, e Macau também pode aprender com Taiwan.

A COMUNICAÇÃO ENTRE MACAU E TAIWAN

Disse recentemente que este ano iria fortalecer a comunicação entre as associações de Taiwan e Macau. Como é que isso pode ser feito? Estou neste cargo há dez meses e sempre participei nas actividades das associações. Macau não tem partidos, mas tem associações activas na política. Quero fortalecer as comunicações com Taiwan, e não apenas entre associações. Quero usar a nossa função de gabinete de ligação, para satisfazer os pedidos das associações de Macau, contactar departamentos do Governo ou empresas, e até instalações públicas, como o hospital. Antes das eleições para a Assembleia Legislativa (AL) de Macau aprendi que aqui é necessário mais um hospital, e se as associações quiserem fazer uma visita aos hospitais de Taiwan, podemos coordenar o trabalho. Queremos criar uma plataforma, e fazer com que a ligação e cooperação entre Taiwan e Macau fique normalizada e institucionalizada. Até agora isso não tem acontecido? Antes a situação política era especial. Dou como exemplo a assinatura dos contratos das linhas aéreas entre Taiwan e Macau, que foi feita através de empresas privadas. Isso não é normal, deveria ter sido algo assinado entre os dois governos. Não estamos a dizer que o Governo pode fazer tudo, mas quando o povo precisar de nós, estamos do seu lado para disponibilizar os nossos serviços. Parece que desde que tomou posse que as questões entre Taiwan

O povo de Macau é como o de Taiwan: simpático, simples e hospitaleiro. Não é como o povo de Hong Kong, mais urbanizado, ou o povo do continente, que têm falta de confiança no outro. Mas noto que em Macau há falta de voluntários. Em Taiwan, em todo o lado, mesmo no Governo, há voluntários para ajudar os residentes a preencherem documentos, a servirem a sociedade. Mas isso depende do desenvolvimento social. O desenvolvimento económico de Macau já ultrapassou os limites do modelo de crescimento económico, mas a culpa não é de Macau. Quando entro em restaurantes ou supermercados as atitudes dos empregados não são as melhores. Pagamos a taxa de serviço e a atitude do empregado não é boa. Mesmo no nosso escritório, queremos oferecer o melhor serviço à população.

Como avalia o desempenho dos estudantes de Macau na Formosa? Do que tenho conhecimento os estudantes de Macau são bons, e uma das razões tem a ver com o facto do ambiente em Taiwan não ter tantas diferenças face a Macau. Muitos dirigentes do Governo da RAEM licenciaram-se nas universidades de Taiwan. Estas são mais internacionais, e estou a elogiar Taiwan porque sou de lá. Mas a verdade é que vale a pena estudar em Taiwan.

e Macau ficaram mais fáceis de resolver. Sim, é verdade. Houve o fim da aprovação das escolas para que os alunos de Macau pudessem estudar em Taiwan e passou a existir o reconhecimento mútuo de alguns diplomas universitários. Antes de 2008, quando as relações entre China e Taiwan não eram tão boas como agora, Macau tinha um papel importante na ligação entre as duas partes. Agora esperamos fortalecer

mais as ligações entre Macau e Taiwan, mas sempre a considerar os interesses do povo. Actualmente existe por ano cerca de um milhão de turistas de Taiwan para Macau, mas apenas cem mil de Macau para Taiwan. Ainda não podemos resolver todas as questões entre duas partes. Como avalia a actual situação de Macau? O que falta, para além do bom panorama económico?

Quando entro em restaurantes ou supermercados as atitudes dos empregados não são as melhores. Pagamos a taxa de serviço e a atitude do empregado não é boa

Acredita que pode ser criada uma política para que os licenciados de Macau procurem emprego lá, à semelhança de Hong Kong, que tem medidas semelhantes para os estudantes do continente? Já temos uma política para os licenciados estrangeiros que queiram procurar emprego, estando sujeitos a um limite mínimo de salário. Mas este nível não é muito alto. Mas a questão é que com uma boa economia os estudantes preferem regressar e procurar emprego em Macau. Há ainda muitos estudantes que levam os seus namorados e parceiros para Macau e Taiwan perde recursos humanos desta forma (risos).


4

POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

MAK SOI KUN QUESTIONA FORMAÇÃO DOS ALTOS DIRIGENTES

O deputado está preocupado com a formação dos dirigentes e quer saber quem vai substituir os que se preparam para sair

TIAGO ALCÂNTARA

Quem vai ocupar as cadeiras?

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

Governativa (LAG) para este ano, que o Governo dá atenção à formação dos seus dirigentes e que já foram iniciados uma série de cursos, incluindo a cooperação com Singapura e Xangai. Mas, mais do que isso, Mak

Mak Soi Kun quer saber se o Governo dispõe de sucessores suficientes para ocuparem todos os cargos de direcção e departamentos ou se, como foi dito nas LAG, só agora existe a formação dos novos dirigentes PUB

BAIRROS ANTIGOS SI KA LON E O PROGRESSO DO REGIME

Qual é o caminho? O deputado Si Ka Lon, número dois de Chan Meng Kam, entregou uma interpelação ao Governo onde questiona o rumo a ser dado ao novo reordenamento dos bairros antigos, uma vez que, segundo as suas previsões, os prédios que hoje têm 30 anos vão passar a ser considerados antigos rapidamente, o que acrescenta maiores necessidades de preservação. “Até Setembro do ano passado, Macau tinha cerca de 4101 prédios com mais de 30 anos. Entre 1980 e 1999 foram construídos entre 200 a 400 prédios, e foi a época em que foram construídos mais edifícios em Macau. Isso significa que nos próximos anos vão existir mais prédios antigos. Estes edifícios vão concentrar-se essencialmente nas zonas do bairro do Iao Hon e da rua da Praia do Manduco.” De frisar que o Governo criou uma comissão para o ordenamento dos bairros antigos em 2005, mas a proposta de lei foi retirada

TIAGO ALCÂNTARA

O

deputado Mak Soi Kun questiona, na sua mais recente interpelação, a formação dos altos dirigentes do Executivo, mostrando-se descontente com a última resposta que obteve sobre o assunto, da parte da secretária para a Administração e Justiça. Florinda Chan terá dito, no âmbito do debate sobre as Linhas de Acção

Soi Kun considera importante saber qual a reserva de talentos de que o actual Governo dispõe. “A Secretária respondeu com muitas palavras, mas a resposta não serviu para a minha pergunta. Agora o Governo está a falar da criação de três planos para atrair os talentos, para que estes voltem a servir Macau, mas não seria mais importante existir um plano para a formação dos talentos que já existem?” O deputado apresentou ainda os exemplos do presidente do Instituto de Habitação (IH), que já anunciou a sua reforma, e ainda o cargo do secretário Lau Si Io, dos Transportes e Obras públicas, do qual já foi referido que não existe sucessor. Quanto ao comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP), que se vai reformar em Fevereiro, o cargo vai ser ocupado através de uma promoção. Desta forma, Mak Soi Kun quer saber se o Governo dispõe de sucessores suficientes para ocuparem todos os cargos de direcção e departamentos, ou se, como foi dito nas LAG, só agora existe a formação dos novos dirigentes. O deputado refere o caso do IH, pedindo mais explicações quanto à aparente falta de pessoas para suceder a essa posição.

da Assembleia Legislativa (AL) no ano passado. Si Ka Lon questiona ainda qual o progresso da revisão da proposta de lei e quando é que o regime pode regressar ao hemiciclo, exigindo prioridade em todo o processo. O deputado lembra que será difícil lidar com o regime de propriedade na questão do ordenamento dos

bairros antigos, e considera que, à semelhança de Hong Kong, deveria ser criada uma direcção do ordenamento urbanístico. Tudo para haver um trabalho mais focado na questão dos bairros antigos. “Em 2007 o Governo da RAEM visitou a direcção de Hong Kong, será que pode aprender alguma coisa com essa experiência?” - C.L.


política 5

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

LUSOFONIA CONGRESSO INTERNACIONAL QUER JUNTAR ÍNDIA AO MERCADO

Rita Santos pede mais promoção para Goa, Damão e Diu ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

Índia quer ir para além das cooperações bilaterais que possui com países de língua portuguesa, e, por isso realizou-se, nos dias 14 e 15, o congresso internacional “Índia e o Mercado Lusófono”, com organização da Sociedade Lusófona de Goa (SLG). Questionada sobre o papel que a Índia pode desempenhar neste contexto, uma vez que Macau já possui a função de plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, Rita Santos, secretária-geral adjunta do Fórum Macau, prefere destacar a importância das regiões de Goa, Damão e Diu, por ainda ter falantes de português. “É precisa uma maior promoção, porque poucas pessoas conhecem as oportunidades de investimento. Pessoalmente não conheço. Por isso digo que é precisa uma maior promoção para atrair investidores para lá, porque é um

ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

E

STÁ concluída a discussão da proposta de lei que determina que o Chefe do Executivo passe a ganhar, sem direito a retroactivos, mais de 269 milhões de patacas por mês, e os secretários 187 milhões de patacas. O parecer jurídico deverá ser assinado na manhã de hoje. Contudo, os deputados da terceira comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) não levantaram a questão da criação de um regime de responsabilização para os titulares dos principais cargos, assunto que já tinha sido abordado em reuniões anteriores. “Nenhum dos membros da comissão colocou essa questão do regime. O regime de responsabilização deve ser resolvido com uma proposta de lei no futuro. Também é uma questão importante, mas deve ser tratada de forma autónoma”, apontou o deputado indirecto Cheang Chi Keong, presidente da

ponto de cooperação com a China. É precisa uma cooperação da parte do Governo local e dos investidores”, disse ao HM. Rita Santos frisou ainda as cooperações a nível desportivo e cultural que têm acontecido e da ligação que as três regiões da Índia têm com Macau, nomeadamente através do Núcleo de Animação Cultural de Goa, Damão e Diu.

A PLATAFORMA INDIANA

À agência Lusa, Aurobindo Xavier, presidente da SLG, disse que o congresso pretendeu ser “uma oportunidade para criar uma plataforma comum entre a Índia e esses países”, a fim de ser “um aglutinador para que os diversos participantes empresariais tenham contactos directos”. “Já existe uma relação bilateral entre a Índia e cada um dos países de língua oficial portuguesa, mas o que não existe, e é esse o foco do nosso congresso, é uma plataforma comum entre a Índia e os países lusófonos, como existe a confederação

Chegou ontem ao fim o congresso internacional intitulado “Índia e o Mercado Lusófono”, que pretende uma maior aproximação comercial ao mundo da CPLP. A secretária-geral adjunta do Fórum Macau diz que é preciso dinamizar as oportunidades de investimento nas três ex-colónias portuguesas do país

empresarial dos países lusófonos, no âmbito da CPLP, ou seja, não há uma cooperação entre a Índia e os lusófonos como um todo.” No encontro estiveram reunidas empresas e diversas entidades de Angola, Moçambique, Portugal e Brasil, e também da própria Índia, tudo para se estabelecer um “contacto directo” para a criação de “futuros negócios”. Mais do que contactos estreitos entre empresários, o congresso promoveu ainda a realização de diversas palestras, cujas temáticas abordaram diversas perspectivas socioeconómicas dos países falantes de português. Segundo Aurobindo Xavier, a Índia tem seguido “uma intensiva busca de negócios em cada um dos países lusófonos, particularmente os maiores (Brasil, Angola e Moçambique) porque descobriu que esse eixo no hemisfério sul traz vantagens em termos de cooperação bilateral e exploração dos recursos naturais desses países”. O responsável pela SLG deu ainda como exemplo o facto de “5% das necessidades petrolíferas da Índia serem provenientes de Angola, embora isso não esteja reflectido nas estatísticas oficiais porque os negócios são feitos através de empresas intermediárias provenientes de países terceiros” e lembrou os “vários acordos bilaterais” estabelecidos com Moçambique.” Os acordos comerciais existem também com Portugal e Guiné-Bissau.

CONCLUÍDA ANÁLISE DOS AUMENTOS DO CHEFE DO EXECUTIVO E SECRETÁRIOS

Responsabilização para as calendas terceira comissão permanente encarregue da análise do diploma. No último encontro o deputado referiu que a comissão considerava ser “necessário concluir o quanto antes o regime de responsabilização e de desempenho dos altos cargos do Governo, por forma a melhorar o funcionamento da Administração”. Esta actualização salarial abrange um total de 149 pessoas e vai custar aos cofres do Executivo, por mês, cerca de 1,270 milhões de pata-

cas. Por ano, serão gastos mais 17 milhões com estes aumentos salariais. Numa reunião onde estiveram presentes Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública, e Vitória Cardoso, dos Serviços de Finanças, foram lembradas as actualizações salariais efectuadas na Função Pública entre 2008 e 2010. No total, os funcionários foram aumentados seis vezes, com actualizações

a variarem entre 10 a 40%, conforme as carreiras.

“INSUFICIÊNCIAS” NO SECTOR PÚBLICO

Apesar da conclusão do processo, os deputados não

deixaram de lembrar a necessidade de mudanças na Função Pública, por considerarem que existem “insuficiências na prática”. “Se no futuro houver condições há que melhorar alguns aspectos, que

têm a ver com as habilitações académicas e com o prémio de antiguidade. Achamos que quando o Governo reunir condições há que melhorar esses aspectos por forma a rentabilizar a equipa dos funcionários públicos. Acho que há espaço para melhoria, quando houver essa possibilidade, claro, por forma a aperfeiçoar o regime da Função Pública”, disse Cheang Chi Keong.

PUB

AVISO ISENÇÃO DE IMPOSTO DO SELO SOBRE TRANSMISSÕES DE BENS De acordo com o disposto no artigo 13º do Orçamento da Região para o ano de 2014, aprovado pela Lei nº 13/2013, os bens imóveis adquiridos com destino à habitação, até ao valor de $3 000 000,00 (três milhões de patacas) encontram-se isentos, no referido ano, de imposto do selo sobre transmissão de bens, pelo que se comunica o seguinte: I. Para beneficiar da isenção do referido imposto do selo, devem os contribuintes apresentar requerimento em conformidade, junto da Direcção dos Serviços de Finanças, desde que preencham os seguintes requisitos: 1. sejam residentes permanentes da Região Administrativa Especial de Macau, maiores de idade, e, 2. não sejam proprietários, no ano de 2014, de qualquer bem imóvel (tais como: bens destinados a habitação, a comércio, a escritório, a indústria, a estacionamento de veículos motorizados, etc.), na Região Administrativa Especial de Macau, salvo casos em que se detenha apenas um imóvel destinado ao estacionamento de veículos motorizados. II. Considera-se proprietária a pessoa singular que tenha adquirido bens imóveis por qualquer um dos documentos considerados como fonte de transmissão para

efeitos fiscais, independentemente do registo de aquisição na Conservatória do Registo Predial. III. Quando for adquirido por um casal e o regime de bens adoptado for o da comunhão geral, da comunhão de adquiridos ou da participação nos adquiridos, desde que no ano de 2014 nenhum deles seja proprietário de qualquer imóvel, salvo casos em que se detenha apenas um imóvel destinado ao estacionamento de veículos motorizados, é atribuído o direito à isenção atrás mencionada. IV. A transmissão de bens imóveis a terceiro que não seja por motivo de sucessão hereditária, no period de 3 anos contados da data da concessão da isenção, determina a caducidade da mesma, devendo o seu beneficiário, antes daquela ocorrer, proceder ao pagamento do imposto do selo que seria devido nos termos gerais. V. Os contribuintes que obtiveram o beneficio fiscal desta natureza em anos anteriores, não têm direito à isenção atrás mencionada. Aos 6 de Janeiro de 2014. A Directora da DSF Vitória da Conceição


6

SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

ETAR ALEGAÇÕES FINAIS DECORREM COM MP A PEDIR CONDENAÇÃO DE TODOS E DEFESA A CRITICAR INVESTIGAÇÃO

A queimar os últimos cartuchos

sendo uma pessoa importante no mundo dos negócios.

TIAGO ALCÂNTARA

O MP não só quer que todos os oito arguidos do caso La Scala e ETAR sejam condenados, como o sejam crime a crime. A defesa começou ontem as alegações finais, numa audiência que serviu e muito para criticar tanto a investigação, como os procedimentos judiciais

DIREITOS “LIMITADOS”

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

Ministério Público (MP) pediu ontem a condenação de todos os oito arguidos que estão a ser julgados pelo caso La Scala e pelo caso das ETAR, no Tribunal Judicial de Base. Mas, em dia de alegações finais do julgamento que dura já há meio ano, a defesa – ontem apenas na voz de Pedro Redinha e Joana Teixeira – aproveitou não só para contrariar o procurador, como para criticar a forma como foram conduzidas as investigações. Para Pedro Redinha, defensor do director da Waterleau, Luc Vriens, a tese de corrupção activa – um dos crimes por que o seu cliente responde – poderá estar errada. O arguido vem acusado de, alegadamente, ter pago vantagens a Ao Man Long, ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, para vencer o concurso internacional de gestão, manutenção e operação das ETAR do Posto Transfronteiriço de Macau e da segunda fase da de Coloane. Redinha evoca os depoimentos em audiência dos investigadores do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), para explicar que há também a possibilidade de Luc Vriens ter sido vítima de extorsão. “Os depoimentos dos investigadores mostram que, durante a investigação, sempre partiram do critério de corrupção e sempre esse pressuposto.” O advogado continua, dizendo ainda

que os próprios investigadores admitiram que nunca se ponderou a possibilidade de que Luc Vriens pudesse ter sido vítima desse crime “porque nunca foi apresentada queixa”. O defensor contesta. “Não tinham elementos [de que pudesse ter havido extorsão], porque nunca os procuraram. São, no mínimo, tristes e deprimentes os depoimentos destes investigadores do CCAC”, frisou, acrescentando ainda que “ouvir que a vítima poderia fazer queixa do governante é poético”. Redinha diz que, em causa, estava o vencer ou perder um concurso internacional , mas, mais do que isso, Luc Vriens estava perante o mais alto representante das Obras Públicas do Governo da RAEM. “Não se apresenta uma denúncia do Governo, muito menos quando é a palavra de um empresário contra a de um governante.”

TESTEMUNHA “CAMALEÃO”

Pedro Redinha não se fica por aqui. Além de recordar testemunhos de

Não se apresenta uma denúncia do Governo, muito menos quando é a palavra de um empresário contra a de um governante PEDRO REDINHA Defensor de Luc Vriens, sobre hipótese de extorsão por Ao Man Long

pessoas que não conseguiam responder directamente às perguntas, o causídico vai mais longe e cita o dicionário para caracterizar Pun Pou Leng, antiga coordenadora-adjunta do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. “O MP escolheu uma testemunha camaleão, que muda interesseiramente de opiniões.” A crítica chega para contrapor o que disse Paulo Chan, procurador-geral do MP: Pun Pou Leng terá dito em declarações ao organismo que só escolheu o consórcio da qual fazia parte a Waterleau porque Ao Man Long o referenciou. Contudo, em audiência, a testemunha mudou as declarações, dizendo que Ao apenas falou na empresa de Vriens numa conversa ocasional

e que nunca foi pressionada para a escolher. Redinha referiu ainda que Luc Vriens desconhecia que as empresas a quem fez pagamentos eram de Ao Man Long, uma vez pensava que, “directa ou indirectamente”, as empresas estavam ligadas a Chiang. Estas, recorde-se, eram empresas ‘off-shore’ controladas pelo ex-secretário, para onde seriam feitos os pagamentos de subornos. “Pedro Chiang era, aos olhos do meu cliente, um respeitado empresário de Macau e eles também tinham outros projectos tanto cá, como no Camboja.” Os pagamentos, diz o defensor, eram de consultadoria. Foi ainda Ao Man Long quem apresentou Luc a Chiang, disse Redinha, como

Paulo Chan, do MP, pediu que o tribunal não condenasse os arguidos por crimes cometidos de forma continuada, mas sim crime a crime. Isto, porque a forma continuada é mais favorável a quem responde em tribunal. “Estavam a agir de forma independente e em alturas diferentes. Sabemos que o caso chamou a atenção, porque envolveu terrenos de interesse público, valores elevados, altos cargos. Afectou a confiança da população no Governo e no mundo, por isso, o colectivo deve aplicar pena adequada a esses efeitos.” Apesar de defender que o seu cliente não deve ser condenado, Pedro Redinha não deixou de criticar a justiça, pela forma como se conduziram os julgamentos. “Ao invés de ter sido instaurado um processo a Ao Man Long em conjunto com os empresários envolvidos, foram divididos: um para o governante e outro para os empresários. Essa separação dos processos levou a que factos imputados a Luc Vriens já tenham sido dados como provados, sem que Luc tivesse tido oportunidade de se expressar. A Ao Man Long não interessava o crime de extorsão, porque seria pior que a corrupção. Isto originou uma grave limitação do direito de defesa dos empresários.” A falta de fundamentos da acusação foi um dos motivos mais evocados pelos advogados para contestar tudo o que o MP diz que os arguidos fizeram. Também Joana Teixeira, que defende Chan Ying Lung, gerente-geral adjunto do Departamento de Engenharia Civil da Companhia de Construção e Engenharia Civil China – parte do consórcio com a Waterleau – fez uso deste factor. “Não consta qualquer imputação de crimes a Chan Ying Lun no relatório final do CCAC. Nem por isso o MP fez mais investigação e deduziu a acusação sem factos.” Tanto Luc Vriens, como Chan Ying Lun vêm acusados de corrupção activa e branqueamento de capitais. Uma das contestações de Joana Teixeira é ainda o facto do seu cliente nunca ter tido qualquer função de administração na empresa. Um dos investigadores do CCAC disse inclusive em tribunal que Chan Ying Lun só foi investigado porque um outro arguido falou no seu nome. As alegações finais continuam amanhã e cada advogado tem duas horas para apresentar argumentos.


sociedade 7

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

ILHA DA MONTANHA EMPRESA QUER FAZER PROJECTO PARA EXPOSIÇÃO LUSÓFONA

A lusofonia vai a Hengqin CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

V

ÃO continuar hoje a ser avaliados os 36 projectos apresentados para a ilha da Montanha, depois esta análise ter começado já ontem. Finalmente, a lusofonia apresentou-se: a empresa Grupo Nova Estrela de Macau planeia um projecto que vai envolver não só artistas locais, como de países de língua portuguesa. A ideia é oferecer 10 mil metros quadrados para que possam ser feitas exposições e intercâmbios dos produtos. A empresa planeia investir cerca de 4,95 mil milhões de yuan num hotel de cinco estrelas com 240 mil metros quadrados. Destes, 10 mil vão ser para estas exposições de obras de artistas lusófonos. “Macau tem indústrias únicas e precisa de atrair

mais investidores das pequenas e médias empresas para desenvolver a diversificação industrial”, disse o director da empresa, Fong Sing Tong.

A presidente da Associação das Indústrias Culturais e Criativas, Wang Nuo, acredita que Macau tem vários talentos que estudam na área das indústrias

culturais e criativas em países estrangeiros. Para a responsável, Hengqin é uma plataforma ideal para os projectos locais entrarem no mercado internacional. O Governo da RAEM disse que vai ter o resultado das avaliações dos projectos ainda neste trimestre, mas apenas entre dez a vinte podem entrar na Ilha da Montanha. Uma outra empresa, a Winfully Building Material Co. Ltd, espera também investir 200 milhões de yuan para desenvolver um centro de logística de materiais de construção. “As renda são caras em Macau, mesmo tendo dinheiro. Não há espaços grandes para colocar os materiais de construção. Esperamos podemos entrar na Ilha da Montanha para termos mais vantagens”, referiu o director do projecto, Chao Kuok Weng.

Nomeada advogada para averiguações no Turismo

Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) o despacho do secretário Cheong U que determina a nomeação da advogada Marta Mourão Teixeira como instrutora de um processo de averiguações aberto pela Direcção dos Serviços de Turismo. Segundo o BO, esse mesmo processo terá sido aberta pela sua directora, Helena de Senna Fernandes, no passado dia 21 de Novembro, mas até ao momento não são conhecidos mais pormenores do processo. Contactada pelo HM, Marta Mourão Teixeira afirma não saber mais informações. “Tratam-se de processos altamente sigilosos e não posso identificar partes do processo e o seu conteúdo”.

Reserva cambial de Macau estimada em 129 mil milhões de patacas

Índice de Preços Turísticos subiu 6,33% no quarto trimestre

Tung Sin Tong Não há condições para criar lares de idosos

A

O

A

S reservas cambiais de Macau foram estimadas em 129 mil milhões de patacas no final de Dezembro, menos 2,7% do que no ano passado, revelam dados oficiais ontem divulgados. De acordo com as estimativas preliminares da Autoridade Monetária de Macau, as reservas cambiais do território verificaram em Dezembro uma subida de 1,9% relativamente aos dados rectificados de Novembro, fixados em 126,6 mil milhões de patacas. No final de 2013, as

reservas cambiais representaram cerca de 15 vezes a circulação monetária da Região Administrativa Especial chinesa. A taxa de câmbio efectiva da pataca - que mede as paridades cambiais contra as divisas dos principais parceiros comerciais, ponderadas pelas suas quotas relativas do comércio - foi de 96,71 em Dezembro, o que traduz uma diminuição de 0,22 pontos face a Novembro e de 0,14 pontos em relação a Dezembro de 2013.

Índice de Preços Turísticos (IPT) em Macau registou no quarto trimestre de 2013 um aumento de 6,33% em termos anuais para 142,26 pontos, impulsionado sobretudo pelas subidas dos preços do alojamento e restauração, foi ontem divulgado. De acordo com os dados dos Serviços de Estatística e Censos, registaram-se “subidas notáveis” no índice de preços do alojamento - mais 13,32% -, alimentação, bebidas alcoólicas e tabaco (mais 8,36), e restauração (mais 6,53%). Já o índice de preços da secção bens e serviços desceu 6,06% em termos anuais. Em 2013, o Índice de Preços Turísticos (IPT) médio foi de 132,76 pontos, representando um acréscimo de 6,80%, em termos anuais. Foram registadas subidas de 10,50% no vestuário e calçado, de 9,68% no alojamento, e de 9,15 na alimentação, bebidas alcoólicas e tabaco, enquanto o índice de preços dos bens e serviços diminuiu 3,56% face ao ano de 2012. O IPT reflecte a variação de preços dos bens e serviços adquiridos pelos visitantes que entraram em Macau.

Associação de Beneficência Tung Sin Tong está a planear visitar 32 instalações de serviços aos idosos e deficientes no ano novo chinês. O presidente da associação, Chui Sai Cheong, recordou que o primeiro centro de serviço para idosos da associação na Areia Preta já inaugurou no ano, mas ainda estão a ser feitos pedidos para mudar uma das propriedades pertencentes à Tung Sin Tong para poder construir um centro de serviços de idosos.

Está previsto que, em nove meses, a associação tenha a aprovação dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Contudo, o presidente negou a possibilidade de se criar um lar para idosos, por este precisar de mais espaço ao nível do terreno. Se o Governo conceder uma terra ou der autorização para que se possa usar espaço na habitação pública para criar um lar, a associação tem vontade de aceitar o negócio, assegura Chui.


8

CHINA

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

CARRO MAIS SEGURO DA EUROPA EM 2013 É... CHINÊS! Apesar deste sucesso, os mercados para automóveis chineses são ainda fora da Europa e dos EUA

Os frutos do investimento

A

China está em todas esta semana: enquanto o robô Yutu continua a sua missão na Lua, o Qoros 3, aqui na Terra, foi apontado como o carro mais seguro da Europa em 2013. O título foi dado pelo instituto Euro NCAP, que avalia a segurança dos carros vendidos na Europa. A China já produz carros seguros, como os BMW e Audi ali produzidos. Mas é a primeira vez que uma marca chinesa se destaca ao nível da segurança. De acordo com o instituto independente que promove testes de impacto, o Qoros mostrou-se “extremamente robusto” ao ser submetido a colisões frontais, laterais e traseiras. O modelo superou outros oito carros de marcas tradicionais, como o Mercedes CLA, o Toyota Corolla e os novos Citroën C4 Picasso e Peugeot 308. Todos conquistaram cinco estrelas (a nota máxima), mas só o chinês teve índice de 95% em protecção para adultos.

PROJECTO AMBICIOSO

A desconhecida Qoros é fruto de uma parceria entre a estatal chinesa Chery e a empresa Israel Corporations. As duas uniram-se em 2007 com o ambicioso projecto de ser o primeiro fabricante chinês a vender na Europa. Desde o lançamento da marca, no Salão de Genebra, em Março

do ano passado, que a Qoros já mostrava que era diferente. Tanto que seu sedã foi escolhido para ser capa do “Revue Automobile”, tradicional catálogo anual suíço que traz as fichas técnicas de todos os carros do mundo. Por enquanto o carro é vendido apenas na Eslováquia, por cerca de 200 mil patacas — na versão com motor 1.6 turbo. O objectivo é ganhar mais mercados em 2014 e fazer frente ao VW Jetta, Ford Focus entre outros. A evolução recente das marcas chinesas é fruto de altos investimentos. Com o maior mercado automóvel do mundo e muito dinheiro, a estratégia é levar profissionais conceituados para trabalhar no Oriente. Não é raro que os departamentos de tecnologia, design e segurança rece-

bam cheques em branco. O Qoros 3, por exemplo, foi desenvolvido por engenheiros alemães e chineses. Outra fonte de conhecimento são as aquisições de marcas ocidentais. A chinesa Geely, por exemplo, adquiriu a Volvo em 2010. A marca sueca é, há décadas, referência mundial em segurança.

SEM MERCADO NOS EUA

Já nos EUA a conversa parece ser bem diferente. Enquanto os principais executivos da indústria automobilística mundial desembarcam em Detroit esta semana para um dos mais importantes encontros do sector, o executivo chinês Wang Shunsheng estará num torneio de ténis de mesa em Dubai patrocinado pela sua empresa. “Não vamos a Detroit este

Bancos estrangeiros optimistas com crescimento a longo prazo

S

EGUNDO o relatório anual divulgado pela PricewaterhouseCoopers (PwC, na sigla em inglês), intitulado “Bancos estrangeiros na China”, a maioria dos bancos com capital estrangeiro está optimista com o crescimento chinês a longo prazo. O relatório considera também que a reforma chinesa vai criar mais oportunidades aos bancos estrangeiros e estabelecer uma plataforma de competição ainda mais justa. A China tem considerado liberalizar ao mercado a taxa de juros, especialmente taxa de depósito. Para a PwC, isto

vai influenciar o lucro dos bancos chineses, mas também apresentará uma oportunidade para os bancos estrangeiros. Neste contexto, o bom nível de administração de risco e a abundante experiência na inovação de produtos financeiros dos bancos estrangeiros vai aumentar a competitividade destes bancos no mercado chinês. Ainda segundo o relatório, os bancos estrangeiros estão a planear oferecer serviços para a reestruturação e internacionalização das empresas nacionais, para além de desenvolverem mais serviços financeiros.

ano”, disse Wang, líder de negócios internacionais da Guangzhou Automobile Group, o sexto maior fabricante de carros da China. Entrar no mercado dos Estados Unidos “requer muito estudo e investigação e ainda estamos nesse processo”. A GAC Motor não é a única fábrica chinesa que não participará do Salão do Automóvel de Detroit este ano. Pela primeira vez desde que a Geely Automobile Holdings Ltd., participou no salão, em 2006, nenhum fabricante chinês estará no evento este ano. Stephen Dyer, sócio da consultoria A.T. Kearney em Xangai, disse que os mercados dos EUA, Canadá e Europa ainda representam o “Santo Graal da validação” dos fabricantes de automóveis

chineses. “Depois de investidas iniciais nestes mercados, diversas marcas aprenderam em primeira mão como é difícil entrar [nesses mercados] do ponto de vista regulatório, isto além de terem um produto competitivo”, disse Dyer. Uma marca chinesa que pode ser a próxima a tentar entrar no mercado norte-americano é a BYD Co., na qual o bilionário Warren Buffett é um investidor minoritário. No começo de Janeiro, a marca anunciou planos de lançar cerca de quatro modelos nos EUA até 2015. Mas não é a primeira vez que ela anuncia sua entrada no mercado norte-americano. Em 2010, a empresa afirmou que lançaria um carro totalmente eléctrico nos EUA, mas depois abandonou a ideia. A BYD também não irá a Detroit. Bill Russo, presidente da firma de consultoria automobilística Synergistics Ltd., disse que estabelecer presença no mercado americano demanda investimentos pesados, algo que poucas empresas privadas chinesas são capazes de fazer. “Não conheço nenhuma empresa vinda de um mercado doméstico altamente fragmentado como o da China que foi bem sucedida na globalização”, disse Russo. A Great Wall Motor Co. , uma das mais bem sucedidas marcas de automóveis da China, informou que não exibirá seus carros no Salão de Detroit devido à sua estratégia. E a Geely afirmou que está a concentrar-se nos mercados onde já tem presença, mas que pode um dia reconsiderar os EUA. Paul Haelterman, vice-presidente da IHS Automotive, disse que os chineses têm oportunidades de curto prazo que são mais atraentes que o mercado super-competitivo dos EUA. As prioridades são a América Latina, o Sudeste Asiático, a Rússia e até África antes de considerar seriamente os EUA ou Canadá, disse.

Comércio China-Taiwan cresceu 16,7% em 2013

O

comércio entre o continente chinês e Taiwan cresceu 16,7% em 2013, somando cerca de 1,4 bilião de patacas, com um saldo largamente favorável à ilha, anunciou

ontem o Governo chinês. O excedente comercial de Taiwan em relação ao continente chinês atingiu as cerca de 850.000 milhões de patacas, precisou Ma Xiaoguyang, porta-voz do Gabinete do Conselho de Estado chinês para os Assuntos de Taiwan. O comércio bilateral equivale a mais de um terço das trocas comerciais entre a China e o seu maior parceiro, a União Europeia, que no ano passado somaram cerca de 4,1 biliões de patacas. Em 2013, o número de voos semanais directos aumentou de 616 para 670 e subirá para 828 num futuro próximo, disse também o porta-voz.


china 9

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

MAIOR FLUXO DE SEMPRE DE PASSAGEIROS NA FESTA DA PRIMAVERA 2014

Uma velha dor de cabeça A partir desta quinta-feira, a China estará perante o maior fluxo de passageiros da história durante a Festa da Primavera, o ano novo lunar chinês. Segundo as previsões oficiais, cerca de 3,6 mil milhões de pessoas vão deslocar-se para se reunirem com a família nas terras natais, mais 20 milhões do que no ano passado. Apesar do rápido desenvolvimento dos meios de transporte do país, é difícil para muita gente encontrar um bilhete para voltar para casa. O vice-director do Comité de Desenvolvimento e Reformas da China, Lian Weiliang, destacou as medidas tomadas para atender à procura : “Trabalhámos para promover o potencial de todos os meios de transporte. Vamos ter 2667 comboios

por dia, mais 300 do que o habitual. O número de voos também cresceu para aproximadamente 10 mil por dia. E no sector rodoviário, vamos ter 265 autocarros diariamente para atender às necessidades.” Para facilitar a compra de bilhetes, o departamento ferroviário promoveu vários canais de compra, via tele-

móvel, internet e telefone. Para aqueles que não tenham acesso aos novos meios, na sua maioria trabalhadores migrantes, as autoridades adoptaram medidas especiais exclusivas. O vice-gerente da Companhia Nacional Ferroviária, Hu Yadong, falou sobre as medidas adoptadas: “Para os comboios provisórios, cujos passageiros

Diaoyu Taiwan reitera que é território chinês

O porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado da China, Ma Xiaoguang, reiterou ontem em Pequim em conferência de imprensa que a ilha Diaoyu e as suas adjacentes são território chinês desde a antiguidade. O porta-voz afirmou que os compatriotas através do Estreito de Taiwan e a comunidade internacional perceberam claramente que o Japão provocou a contenda em relação às ilhas Diaoyu para intensificar a tensão e prejudicar a paz e a estabilidade da região. Os compatriotas através do Estreito de Taiwan são responsáveis pela salvaguarda da soberania chinesa e a integração territorial e devem esforçar-se em conjunto para garantir os interesses globais e fundamentais da nação chinesa, disse.

REGIÃO DUAS ESTRANGEIRAS DENUNCIARAM VIOLAÇÕES NA ÍNDIA

Espancadas e violadas U MAturista dinamarquesa denunciou ter sido violada por oito homens em Nova Deli e uma cooperante alemã apresentou uma queixa por agressão sexual num comboio no sul da Índia, informou ontem a polícia. A mulher dinamarquesa de 51 anos disse que foi espancada, roubada e violada na terça-feira por um grupo de oito homens no centro da capital indiana, disseram fontes policiais à estação NDTV, citada pela agência Efe. Segundo o relato da turista à polícia, os homens levaram-na para um lugar isolado onde a violaram, depois de a

mulher lhes ter perguntado pela direcção do seu hotel, após perder-se na zona comercial de Connaught Place, no centro de Nova Deli. Os violadores roubaram o dinheiro e um iPad à mulher, segundo a acusação.

Depois da agressão sexual, a mulher conseguiu chegar ao seu hotel e o director do mesmo chamou a polícia. As forças de segurança indianas interrogaram 15 suspeitos pela agressão sexual, segundo a NDTV. Além deste caso, uma cooperante alemã de 18 anos denunciou que foi violada num comboio que seguia para a cidade de Chennay, no estado de Tamil Nadu, no sul do país. De acordo com fontes policiais citadas pela NDTV, a violação ocorreu na noite de 10 de Janeiro, quando a jovem dormia. As forças de segurança detiveram um suspeito.

são na maioria trabalhadores migrantes, temos medidas de compra antecipada ou compra em grupo. Se o número de passageiros for acima de cinco pessoas, já podem comprar os bilhetes como um grupo. “ A dificuldade de conseguir um bilhete na véspera do ano novo lunar chinês é um velho problema e dor de cabeça das autoridades dos transportes. O responsável do departamento ferroviário, Hu Yadong, confessou que ainda não tem uma solução para a questão. “A capacidade dos transporte ferroviário está a aumentar. Estamos a fazer todos os possíveis para tentar resolver o problema, que atenuará de certa maneira a tensão durante a Festa da Primavera.” PUB

iPhones China Mobile encomenda mais de um milhão

A

S expectativas estão altas para o início das vendas do iPhone 5S na China pela empresa estatal China Mobile, a maior operadora chinesa, na sexta-feira. A empresa encomendou 1,4 milhão de aparelhos da empresa para o lançamento, segundo o Wall Street Journal. O número é expressivo e indica uma imensa procura pelos telefones da marca no País. Por outro lado, ainda não se sabe se esta tendência irá será sustentável porque não há ainda números de uma segunda encomenda da empresa para os próximos meses. A empresa de investigação Piper Jaffray, projecta, porém que as vendas do smartphone da Apple na China possam chegar às 17 milhões de unidades em 2014. Já a Gartner, indicou que a Apple vendeu 18,5 milhões de iPhones na China nos primeiros nove meses de 2013, uma subida de 28% em comparação ao mês anterior. A operadora China Mobile fechou um acordo com a Apple no mês passado para oferecer o Iphone aos seus 760 milhões de clientes. Até então, o telefone só era vendido por operadoras menores como a China Unicom e a China Telecom. Por ser a maior operadora do país, a China Mobile deve ajudar a elevar a participação da Apple no mercado chinês, actualmente, de 6%.


10 publicidade

hoje macau quinta


EVENTOS

a-feira 16.1.2014

O

Museu de Arte de Macau, MAM, inaugurou ontem a Exposição de Ilustrações de Hong Kong-Macau onde são apresentadas 76 obras de dez ilustradores com estilos distintos, metade de Hong Kong e a outra metade de Macau, informa o comunicado de imprensa da organização. Segundo o Curador da mostra, Weng Chiao, a ilustração é uma representação visual de textos, histórias, ideias, conceitos ou abstracções, sendo amplamente utilizada para determinados mercados e audiências, bem como para fins específicos.As ilustrações podem apresentar muitas formas, entre elas, o álbum de ilustrações e a banda desenhada ou imagens artísticas e ilustrativas apresentadas em jornais, revistas, guias e publicidade, pode ler-se no texto descritivo da exposição. As ilustrações são imagens descritivas e narrativas que comunicam visualmente com os vários utilizadores e, por isso, transmitem as mensagens de forma muito mais eficaz a um público mais vasto quando comparadas com outras formas de arte. Além disso, a aplicação das modernas tecnologias digitais à ilustração facilitou muito o desenvolvimento desta forma de arte, como podemos ver hoje em dia através dos diversos géneros de ilustrações – sejam imagens cuidadosamente delineadas ou apontamentos e desenhos realistas ou expressionistas - que se desenvolvem e crescem, relativamente à expressividade de utilização destes elementos artísticos no

ILUSTRAÇÕES DE HONG KONG E MACAU NO MUSEU DE ARTE

Narrativas simples, “provocatórias e sedutoras” que respeita a forma, a linha, a cor e a organização espacial, e também os meios usados, bem como a disposição das páginas e a composição do texto e das imagens, acrescenta Weng Chiao. A exposição exibe principalmente obras de narrativa simples, com estilos muito próprios, diz o curador, que apresenta os perfis dos trabalhos dos ilustradores começando pelos de Hong Kong: Chow Lee apresenta uma narração gráfica de relações lésbicas persistentes, melancólicas, contudo com algo de onírico (‘uma mulher ama outra mulher’) onde o realismo é integrado na abstracção através da montagem. Tom Lau apresenta ilustrações compactas, ordenadas, contudo realistas, concebidas para fins diferentes. Sindy Lau expõe ilustrações elegantes, não adulteradas, apresentando um panorama de Hong Kong, uma metrópole com uma floresta de arranha-céus. Harvey Chan propõe ilustrações figurativas realistas e expressionistas em vários estilos. Por último, Pucky Leung mostra ilustrações a aguarela, luminosas e sonhadoras, gentis

e encantadoras em cores ricas e suaves. Sobre os ilustradores de Macau presentes na mostra, diz Weng Chiao : Stephen Chung apresenta selos subordinados ao tema do desporto que ele criou para os Correios de Macau, especialmente os selos comemorativos do jubileu de diamante do Grande Prémio

Estados Unidos e China prolongam prazo de restrição de entrada de património cultural chinês em território americano O Departamento de Estado norte-americano declarou que vai prolongar o prazo de vigor do memorando de Restrição da Entrada de Patrimónios Cultural Chinês nos EUA. Segundo o documento, todos os artigos antes da Dinastia Tang e as obras

chinesas de escultura e fresco com mais de 250 anos estão proibidas de entrar no território norteamericano. Os EUA só poderão comprar ou introduzir património cultural da China com a autorização das autoridades chinesas. Os EUA são um dos principais importadores

do património cultural da China. Desde 1998, os governos norteamericano e chinês começaram a cooperar para evitar o contrabando e as vendas ilegais das relíquias. Para tal, as duas partes assinaram um memorando em Janeiro de 2009.

PUB

11

de Macau. Eric Fok mostra a “Série Paraíso”, criada com base em paisagens regionais e urbanas para explorar as importantes relações entre as pessoas, as cidades e a terra que poderiam ter existido, podem e poderão existir, ao longo da história – ontem, hoje e amanhã; algumas das obras estiveram na Exposição de Ilustradores de Bolonha, Itália, em 2013. Un Chi Wai apresenta ilustrações simples, contudo interessantes, reveladoras da mente infantil. Lam Ieong Kun exibe obras que ilustram a opinião dos cidadãos sobre o mundo moderno, com uma imaginação ilimitada e vigorosa. Por último, Yolanda Kog concebe ilustrações consistentes e suaves, plenas de serenidade, solidão e sensibilidade, compondo um diálogo inspirador entre a arte e uma alma silenciosa. A exposição apresenta ilustrações diversificadas, provocatórias e sedutoras com estilos distintos, criadas por ilustradores de destaque, mostrando as suas perspectivas únicas e uma imaginação ilimitada, finaliza o curador. A mostra ficará em exibição no MAM até ao próximo dia 20 de Abril.


h

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

ARTES, LETRAS E IDEIAS

12

N

UMA concorrida assembleia geral, a Associação Faro 1540 aprovou por unanimidade, no dia 17 de Dezembro, a decisão de pedir à Universidade de Oxford que devolva a importante colecção de incunábulos que pertenceu ao bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas, saqueada do Paço Episcopal, em 1596, pelo aristocrata e corsário inglês Robert Devereux, 2.º conde de Essex. Criada em 2009 e vocacionada para a defesa do ambiente e do património, a Faro 1540 (o nome evoca a data de elevação a cidade da actual capital algarvia) enviou já a sua petição à Universidade de Oxford – a cuja biblioteca, a Bodleian Library, Devereux doou os livros pilhados –, e também ao Governo britânico e ao Palácio de Buckingham, residência oficial da rainha em Londres. Além de pedir a devolução da biblioteca do bispo – cerca de 90 volumes –, a associação solicita ainda o regresso do único exemplar conhecido daquela que será a mais antiga obra impressa em Portugal: uma versão hebraica do Pentateuco (compilação dos primeiros cinco livros da Bíblia) impressa em Faro, no ano de 1487, pelo tipógrafo judeu Samuel Gacon. O dito exemplar está hoje na British Library, a biblioteca nacional do Reino Unido, e Bruno Lage, presidente da associação farense, admite que o volume possa ter integrado o saque do conde de Essex, ainda que reconheça não existirem provas que confirmem essa hipótese. “Foi quase de certeza pilhado nessa época, mas não se pode afirmar que estava no espólio do bispo”, disse o responsável da Faro 1540, observando que este exemplar do Pentateuco “tem um valor simbólico muito elevado para Faro, mas é apenas mais um livro para os ingleses”. A petição, que a associação também fez chegar ao secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, à Câmara Municipal de Faro e ao actual bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, termina com um voto de confiança nas instituições inglesas: “Estamos certos de que as autoridades britânicas saberão reconhecer a justiça da nossa pretensão e que farão justiça a um país amigo (onde vigora entre os dois países a mais antiga aliança diplomática do mundo) e a uma cidade que se orgulha da sua história milenar e do seu contributo para a cultura portuguesa e europeia.” Se se vier a provar que o optimismo da Faro 1540 foi precipitado e os livros continuarem onde têm estado ao longo dos últimos 400 anos, a petição,

Luís Miguel Queirós*

divulgada na imprensa local e nacional, terá servido pelo menos para chamar a atenção dos farenses para a história da sua cidade. “Depois de aparecerem as notícias, percebemos que muita gente, em Faro, desconhecia este episódio”, diz Bruno Lage.

Robert Devereux roubou a biblioteca de Faro

DEVOLUÇÃO

AS ARMAS DO BISPO

Nem as autoridades portuguesas nem as inglesas responderam até agora à associação algarvia. A Secretaria de Estado da Cultura confirmou a recepção do documento, mas adianta apenas que este será “oportunamente analisado”. Já a Universidade de Oxford não esclarece se recebeu a petição e limita-se a informar que “não fará, neste momento, qualquer declaração ou comentário”. De resto, mesmo que considerasse o assunto passível de ponderação, não seria muito provável que pudesse desde já responder positivamente ao pedido da Faro 1540, uma vez que este não foi, por enquanto, assumido pelo Estado português, e não é sequer claro a que concreta instituição deveria a universidade entregar os livros, caso admitisse devolvê-los. Foi também pedida à Bodleian Library uma relação dos livros que pertenceram indubitavelmente à biblioteca do bispo D. Fernando Martins Mascarenhas, mas não recebeu ainda resposta a esta solicitação. Note-se que a petição não inventaria os títulos em causa, adiantando apenas que a colecção é “constituída por 65 títulos (num total de 91 volumes)”. Bruno Lage adianta ainda a informação de que 43 desses títulos seriam obras de carácter teológico – oito dos quais relativos a S. Tomás de Aquino – e 18 teriam natureza jurídica. Num extenso artigo dedicado ao episódio do saque da biblioteca do bispo do Algarve, Peter Kingdon Booker, um inglês residente em Portugal que se tem dedicado ao estudo e divulgação da história algarvia, adianta que, além destes 65 títulos, que ostentam as armas do bispo gravadas a ouro, a biblioteca de Oxford possui ainda um outro livro e um manuscrito que apresentam dedicatórias a D. Fernando Martins Mascarenhas. Também estes foram doados por Essex ao seu amigo Thomas Bodley, que estava então a refundar a biblioteca da universidade inglesa, pelo que não há grandes dúvidas de que terão sido pilhados na mesma ocasião. O texto de Booker, publicado no site da Algarve History Association, chama ainda a atenção para o facto de não ser certo que estes livros constituam a totalidade dos que Essex trouxe de Faro, quer porque o conde pode ter conservado alguns, quer porque a bi-

blioteca do bispo pode não ter sido o único local da cidade onde Devereux pilhou livros. E antes de atacar Faro, em Julho de 1596, Devereux já saqueara a cidade espanhola de Cádis, de onde igualmente trouxera alguns livros que depois ofereceu a Thomas Bodley. Booker precisa que a doação do aventureiro inglês à Bodleian Library totalizou 176 títulos, correspondentes a 215 volumes. Se as armas do bispo garantem a proveniência das obras que as exibem, a ausência delas não assegura que não tenham sido igualmente pilhadas do Paço Episcopal. Algumas poderiam ter pertencido, sugere Bruno Lage, ao predecessor de D. Fernando Mascarenhas, o bispo D. Jerónimo Osório.

O ATAQUE A FARO

Robert Devereux, 2.º conde de Essex

Quando se dá o ataque do conde de Essex, Faro era cidade há pouco mais de meio século, por foral de D. João III, e só em 1577 recebera a sede do bispado


artes, letras e ideias 13

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

algarvio, até então localizada em Silves. E Portugal estava submetido desde 1580 ao monarca castelhano, o que recomenda que se avalie este episódio no contexto do conflito entre Inglaterra e Espanha, que tivera um momento marcante em 1588 com a derrota da chamada Armada Invencível de Filipe II, e que iria prolongar-se pelos primeiros anos do século XVII. O que não invalida o facto de Essex, como Devereux era conhecido em Inglaterra, ser mais um corsário, um aventureiro, do que propriamente um oficial devotado ao cumprimento escrupuloso das ordens da rainha. Espécie de playboy quinhentista, foi durante muito tempo o favorito de Isabel I e, embora esta tivesse mais 34 anos do que ele, os historiadores acreditam que terá sido também seu amante. Indisciplinado por natureza, a rainha tratava-o com indulgência, mas Essex irritou-a ao casar-se sem a sua bênção, e voltou a irritá-la quando assinou,

PORTUGAL ESTAVA SUBMETIDO DESDE 1580 AO MONARCA CASTELHANO, O QUE RECOMENDA QUE SE AVALIE ESTE EPISÓDIO NO CONTEXTO DO CONFLITO ENTRE INGLATERRA E ESPANHA

sem autorização, uma trégua com o líder da sublevação irlandesa. A gota de água foi a tentativa de golpe de Estado que o conde liderou em 1601, tentando tomar Londres. O facto de em tempos lhe ter dado o seu coração, não impediu Isabel de lhe reclamar a cabeça: Robert Devereux foi a última pessoa a ser decapitada na torre de Londres. E tendo em conta que só em 1600, um ano antes de perder literalmente a cabeça, doou a Thomas Bodley os livros que roubara no Algarve, foi uma sorte que a valiosa colecção do bispo acabasse na biblioteca de Oxford. Se Essex tivesse esperado um pouco mais, não se sabe que destino poderia ter tido o espólio de um aristocrata caído em desgraça e executado. Juntamente com o conde de Nottingham, Devereux liderou as tropas que desembarcaram perto de Faro, na barra então chamada Ferrobilhas, no dia 23 de Julho de 1596. Os ingleses dirigiram-se à cidade, que encontraram mal defendida, já que boa parte da guarnição fora enviada a reforçar as defesas de Lagos. Depois de ter conseguido um valiosíssimo saque em Cádis, que atacara no início desse mesmo mês de Julho, Essex ficou deveras desapontado com a pouca riqueza que encontrou em Faro, e terá sido por isso que, irritado, mandou atear uma série de fogos, que destruíram igrejas e conventos e deixaram a cidade em muito mau estado. Um “triste incidente que mancha a memória das boas relações que Portugal mantém com a Inglaterra desde a assinatura do Tratado de Windsor” em 1386, lê-se na petição enviada às instituições britânicas pela Faro 1540. E a própria Bodleian Library, num conjunto de documentos nos quais apresenta a sua colecção de incunábulos, refere o assalto a Faro como um “ataque corsário” (“buccaneering raid”). E diz expressamente que Essex “saqueou” (“looted”) a biblioteca do bispo. Caso a Universidade de Oxford se venha a sentir obrigada a responder a esta petição, é improvável que tente defender a legitimidade das acções do conde de Essex à luz do conflito anglo-espanhol. Mas há vários argumentos que pode esgrimir em favor da conservação dos livros em Oxford, e o texto de Peter Kingdon Booker já adianta alguns deles. Booker conta que conheceu em 2007 uma inglesa, a quem trata apenas pelo nome próprio Dorothy, que já então andava a tentar convencer a Bodleian Library a devolver os livros saqueados por Essex em Faro. Dorothy cedeu a Booker as cartas que recebeu de um responsável da biblioteca de Oxford, nas quais este defende que a devolução generalizada de peças como estas levaria a que as bibliotecas e museus em

todo o mundo entrassem num período de tumulto. Lembrando que os séculos XVI e XVII assistiram a grandes convulsões políticas, o bibliotecário, cujo nome Booker não cita, recorda que algumas das obras da biblioteca original de Oxford estão hoje em São Petersburgo ou em Roma. E conclui (na transcrição de Booker): “Se virmos estes volumes como parte de uma vasta colecção europeia, não pode ter importância em que zona da Europa estão, desde que sejam bem preservados, que a sua localização seja conhecida e que estejam disponíveis para consulta.” É claro que, estando assegurado que os livros disporiam de idênticas condições em Faro, se poderia observar que o mesmo argumento, na sua indiferença por comezinhas questões de propriedade, deveria levar os responsáveis pela Bodleian Library a considerar que não havia nenhum motivo importante para os manter em Oxford. Embora a biblioteca não pareça ter disponível no seu site uma lista dos livros provenientes da colecção do bispo, a consulta dos catálogos de incunábulos permite ir encontrando alguns, como uma compilação de obras de Guilelmus Alvernus – ou seja, o teólogo e filósofo escolástico Guillaume d’Auvergne (c.1180-1249), bispo de Paris –, cuja “encadernação do século XVI” tem gravadas, reza a respectiva descrição, “as armas de Fernando Martins Mascarenhas, bispo de Faro, às quais foi sobreposto, em ambas as capas, o brasão da Bodleian Library”. Outro exemplo é o das Visiones de Cataldus Parisius Siculus, um humanista siciliano que viveu e ensinou em Portugal a partir dos finais do século XV. O livro foi impresso em Lisboa, em 1500, pelo impressor e tradutor Valentim Fernandes, natural da Morávia. Chegado a Portugal em 1495, Fernandes, editor do livro de Marco Polo e correspondente de Albrecht Dürer, foi uma das figuras mais importantes dos primórdios do livro impresso em Portugal. Para lá da relevância da obra, este é um caso interessante por se tratar de um volume que não exibe as armas do bispo, mas que, mesmo assim, os próprios bibliotecários de Oxford admitem que possa ter-lhe pertencido. Os registos de doações indicam que a Bodleian terá recebido dois exemplares deste livro, mas apenas um chegou ao presente. E não se sabe se o que se conserva foi comprado com o auxílio de uma mecenas, Alice Chamberlain, ou se é “o exemplar de Fernando Martins Mascarenhas, bispo de Faro, doado por Robert Devereux”. *In Público (texto editado)


14

h

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

José Goulão

SHARON

A

RIEL Sharon, ex-primeiro ministro de Israel, morreu com as mãos manchadas de sangue de milhares de inocentes. O secretário geral das Nações Unidas chamou-lhe “herói”, com a nuance de ser “um herói para o seu povo”, isto é, acobardou-se nas palavras que deveria usar, no cargo que ocupa, para qualificar um cabo militar e um chefe político que fez carreira a violar resoluções da ONU e direitos humanos. Um pouco por todo o mundo, através do monstruoso aparelho de propaganda que não apenas distorce como chega a inverter a realidade, aparece agora quem se esforce por reescrever a história recorrendo ao método viciador de fazer da morte numa borracha que apaga defeitos e crimes. Ariel Sharon não foi um homem de paz, muito menos um herói. Ariel Sharon foi um homem da guerra, da morte e da recusa dos direitos humanos como forma de fazer política, e foi também um cobarde – como todos os que usam e abusam do poder e da força contra os inocentes e os indefesos. Ariel Sharon não foi o “homem de paz” que ordenou a retirada de Gaza e a saída dos colonos israelitas deste territó-

rio palestiniano. Fê-lo sim, mas não em nome da paz. Olhem para a situação em que está a Faixa de Gaza: uma terra que apodrece, onde se morre da agressão externa e das carências internas provocadas por um cerco cruel e interminável. As decisões de Sharon transferiram os soldados israelitas para o lado de fora do cerco e determinaram a saída dos colonos para que pudesse ser implantada a nova estratégia de guerra que existe desde então. Em vez de uma ocupação passou a ser uma lenta liquidação, uma tortura permanente de milhão e meio de pessoas. Ariel Sharon foi o homem da invasão do Líbano em 1982, uma guerra que pretendia “relâmpago” e na qual, ao fim de mais de 80 dias, não conseguiu alcançar todos os objectivos. Num país com a capital arrasada e dezenas de milhar de mortos depois – civis na sua esmagadora maioria - estabeleceu-se um acordo, com mediação dos Estados Unidos, para interromper a matança. Sharon, contudo, não saciara a sede de sangue e, numa acção de vingança ao estilo das hordas nazis, o “herói” decidiu quebrar o cessar-fogo patrocinado pelo seu maior aliado e permitiu que os soldados sob o seu comando cercassem os campos de refugiados palestinianos de Sabra e Chatila, onde mi-

ARIEL SHARON PARTIU SEM QUE CHAMADA COMUNIDADE INTERNACIONAL TIVESSE MEXIDO UM DEDO PARA AVALIAR SE OS SEUS ACTOS ERAM PASSÍVEIS DE SER CONSIDERADOS CRIMES DE GUERRA E CONTRA A HUMANIDADE lícias fascistas libanesas – na verdade um corpo do exército israelita – chacinaram milhares de pessoas indefesas e expatriadas, principalmente mulheres, velhos e crianças. Um inquérito oficial em Israel comprovou as responsabilidades de Ariel Sharon na matança. O “herói” pareceu retirar-se, mas dez anos depois, com Benjamin Netanyahu e Isaac Shamir, estava à cabeça das manifestações de colonos e bandos de arruaceiros, em Jerusalém, que antecederam o assassí-

nio do primeiro ministro Isaac Rabin e, através dele, do processo de normalização de relações entre israelitas e palestinianos. Daí, Sharon catapultou-se para primeiro ministro, onde congelou as negociações ditas de paz e acelerou a colonização, a lenta anexação que impede qualquer respeito pelos direitos dos palestinianos. Provocou situações que forçaram os palestinianos à segunda Intifada, as suas políticas encorajaram os sectores anexionistas do Grande Israel, do fundamentalismo religioso, da xenofobia, da transformação de Israel num Estado de muros, bantustões e apartheid. Esta é a herança de Sharon. Ariel Sharon partiu sem que chamada comunidade internacional tivesse mexido um dedo para avaliar se os seus actos eram passíveis de ser considerados crimes de guerra e contra a humanidade. A Justiça esqueceu-se dele e, sobretudo, da memória e das razões das suas vítimas. Sharon, sendo quem foi, fazendo o que fez, esteve acima da lei, do direito internacional e nunca deixou de pertencer à elite dos dirigentes democratas e do “mundo livre”. Assim não se estranha que a democracia, liberdade e direitos humanos sejam palavras ocas nas bocas dos chefes mundiais.


artes, letras e ideias 15

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

BASTA...

Tradução de Antonio Miranda basta nada quero mais da morte nada quero mais da dor ou sombras basta meu coração é esplêndido como uma palavra meu coração tornou-se belo como o sol que sai voa canta meu coração é desde cedo um passarinho e depois é o teu nome teu nome se eleva todas as manhãs esquenta o mundo e declina solitário em meu coração sol em meu coração.

JUAN GELMAN

Morreu um grande poeta argentino. Mas a sua poesia, marcada pela resistência à ditadura, que lhe roubou um filho, ficará para sempre. Tinha 83 anos. Juan Gelman (1930-2014)

FOTO

Na fotografia que teus olhos tornam doce há teu rosto de perfil, tua boca, teus cabelos, mas quando vibrávamos de amor debaixo da maré da noite e do clamor da cidade teu rosto é uma terra sempre desconhecida e esta fotografia o esquecimento, outra coisa.

ANIVERSÁRIO

respiraria/rua/onde agora cai a tristeza?/e chove?/ a mãe trouxe a tarde/ vou manchar as toalhas/com certeza/ e adoraria o repto que vai me passar/suavíssima/ revolvendo minha alma com a colher da sopa/ a última coisa que fez antes de morrer foi esticar um fiozinho para me pôr ao sol

LIMITES

Quem disse alguma vez: até aqui a sede, até aqui a água?Quem disse alguma vez: até aqui o ar, até aqui o fogo? Quem disse alguma vez: até aqui o amor, até aqui o ódio? Quem disse alguma vez: até aqui o homem, até aqui não? Só a esperança tem os joelhos nítidos. Sangram.

A MÃO

não ponhas a mão na água porque se vai como peixe/ não ponhas a água na tua mão porque virá o oceano e a margem depois/ deixa a tua mão assim/ no seu ar nela/ sem começo/ nem fim.


16

DESPORTO

JOGOS DA LUSOFONIA MANUEL CUNHA INTEGRA EQUIPA TÉCNICA DA SELECÇÃO DE FUTEBOL

MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

O

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

futebol é a disciplina desportiva em que a costela lusófila de Macau é mais visível. No leque dos 20 atletas convocados para representar a selecção da Região Administrativa Especial na 3.ª edição dos Jogos da Lusofonia há dois futebolistas com nome e sangue português, mas no grupo de trabalho orientado por Leung Sui Wing a presença lusa não se cinge a Iuri Capelo – a participação do atleta do Macau e Benfica está ainda envolta em dúvida – e a Eduardo António Tong. Em Goa, a selecção de futebol do território terá o português Manuel Cunha como fisioterapeuta. Antigo praticante de futsal, Cunha tem acompanhado de perto o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses pelas selecções jovens do território e acredita que o colectivo da RAEM que vai disputar a competição na antiga colónia portuguesa pode

À procura de bons resultados vir a surpreender: “Enquanto não houver jogos, enquanto não houver resultados, no meu entender, o ouro tem de ser sempre o objectivo. Eles têm noção de que Portugal não vai e Cabo Verde, que defendia o ouro e o estatuto de campeão também não vai. Estou confiante de que esta selecção pode garantir uma boa classificação. Só depois poderemos perceber se dá ou não dá para uma medalha, mas isso depois depende muito da sorte e do trabalho que eles fizerem dentro de campo”, defende o fisioterapeuta. Para Manuel Cunha, a selecção de Macau escalonada para disputar a competição em Goa é uma das mais equilibradas que vestiram a camisola do emblema do Lótus na última década. No entender do

fisioterapeuta do grupo de trabalho orientado por Leung Sui Wing o espírito de entrega e o sentido de combatividade são duas das principais armas de que dispõem os jogadores do território. O antigo atleta – que envergou entre outras a camisola da formação de futsal do Boavista – reconhece que falta cultura táctica ao futebol do território, mas acredita ainda assim que a selecção pode compensar uma tal fragilidade com a velocidade e a resistência de alguns dos seus jogadores: “Uma grande vantagem que eles têm, os jogadores de futebol de Macau, prende-se com a rapidez que incutem ao jogo. Podem não ter um porte muito forte, mas rápidos eles são. Correr, eles correm. Cansar, não é fácil

cansá-los. Toda a gente diz que os miúdos não têm muita cultura de futebol, mas eles não se cansam e correm até ao final do jogo. A nível de preparação física acho que eles estão bem preparados”, afiança Manuel Cunha.

AUSÊNCIAS NOTADAS

A ausência de formações como Portugal, o Brasil e Cabo Verde, defende Cunha, é para os atletas de Macau ao mesmo tempo uma benesse e uma maldição. O fisioterapeuta da Selecção do território acredita que o abandono de portugueses, brasileiros e cabo-verdianos exponencia as possibilidades da formação do Lótus poder vir a assinar um brilharete no torneio, ao mesmo

tempo que rouba interesse e importância à prova: “Os países que neste momento vão falhar a competição estão muito bem classificados nos rankings internacionais. A experiência que um jogador de Macau teria a jogar contra ou com estas equipas – eu já digo com porque a nuance é importante – teria sido muito boa para a cultura táctica e futebolística destes jovens jogadores”, remata. O pontapé de saída no Torneio de Futebol da terceira edição dos Jogos da Lusofonia está agendado para o próximo domingo. A competição disputar-se à nos estádios Pandit Jawaharlal Nehru, em Fatorda e Tilak Maidan, na cidade de Vasco da Gama.

RODOLFO ÁVILA DEVERÁ REPETIR TAÇA PORSCHE CARRERA ÁSIA EM 2014

No bom caminho SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo

A

PÓS ter terminado no 3.º lugar da Taça Porsche Carrera Ásia em 2013, Rodolfo Ávila deverá continuar pela quinta temporada consecutiva no campeonato promovido pela Porsche China no continente asiático. “Está tudo bem encaminhado e espero ter notícias para breve”, disse Ávila ao Hoje Macau. Depois da estreia na Taça Porsche Carrera Ásia em 2009, Ávila tem sido presença regular no troféu monomarca da casa alemã na Ásia, tendo finalizado entre os três primeiros classificados nas três últimas temporadas. “Nos últimos quatro anos representei o Team Jebsen e cumpri quase todos os objectivos. Só não vencemos o campeonato ainda, mas em 2012 ficamos a um ponto só do título. A nossa relação é muito boa e o Team Jebsen tem como tradição apoiar os pilotos locais. Naturalmente ambas as partes gostariam de continuar esta parceria de sucesso em 2014 e é nesse sentido que temos trabalhado nesta paragem de Inverno”, esclareceu o piloto de 26 anos.

A Taça Porsche Carrera Ásia arranca no segundo fim-de-semana de Março em Sepang, na Malásia, com o dia oficial de testes, estando a primeira prova agendada, para o mesmo circuito, no final de Março, no fim-de-semana do Grande Prémio de Fórmula 1. Se em 2013 a competição visitou a RAEM no âmbito do 60.º aniversário do Grande Prémio de Macau, com uma corrida extra-campeonato, este ano o calendário provisório não inclui o Circuito da Guia. A temporada 2014 terá também a particularidade da Porsche introduzir na Ásia um novo modelo na sua competição, o 991, que irá render o “velhinho” 997. Os bons resultados de Ávila na Taça Porsche Carrera Ásia não têm passado despercebido e não foi por acaso que o piloto português de Macau fez na época transacta algumas provas do “Malaysian Super Series”, tendo inclusive vencido a segunda corrida da temporada aos comandos de um protótipo Radical SR8. “Tenho recebido algumas propostas de outros campeonatos, o que é normal quando os resultados são positivos. Por exemplo, recebi recentemente um

convite para fazer o Asian Le Mans Series, com convite extensivo às míticas 24 horas de Le Mans. Porém, este tipo de projectos, com

dimensão verdadeiramente internacional, obrigam que os pilotos tenham apoios fortes e todos nós sabemos quanto é difícil encontrar

esse tipo de apoio em Macau, principalmente para provas além-fronteiras”, explicou Ávila que admite não excluir “participar nou-

tros campeonatos este ano, mas só se tiver verba para o fazer, com condições e com garantias de trazer para casa um bom resultado.”


FUTILIDADES

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

11

MAX

18

HUM

45-80%

•

EURO

10.8

BAHT

0.2

YUAN

17

1.3

POR MIM FALO Pu Yi

SALA 2

GIRL IN THE SUNNY PLACE [B] (FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Miyazaki Hayao 14.30, 19.15

AS THE LIGHT GOES OUT [B] SALA 1

CONTROL [C]

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Kenneth Bi Com: Daniel Wu, Yao Chen, Simon Yam, Leon Dai 14.30, 16.15, 18.00, 21.30

THE LEGEND OF HERCULES [C] Um filme de: Renny Harlin Com: Kellan Lutz, Gaia Weiss 19.45

(FALADO EM CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Derek Kwok Com: Nicholas Tse, Shawn Yue, Simon Yam, Hu Jun, Bai Bing 16.45, 21.30 SALA 3

HOURS [B]

Um filme de: Eric Heisserer Com: Paul Walker, Genesis Rodriguez 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

Português timorense Artista inspira-se em “caca de pombo” para fazer jóias • A artista Frances Wadsworth-Jones, de Londres (Inglaterra), teve uma inspiração insólita para uma nova linha de jóias. Ela criou broches usando como “modelo” as marcas deixadas pelas fezes de pombo. Sim, tipo aquelas que quando vamos na rua, por azar, estamos sujeitos a apanhar vindo do “céu”, mais concretamente das entranhas do pombo. Frances afirmou que gostou da ideia de que a pessoa fica com sorte após ser “bombardeada” por uma ave. Então, a artista começou a fotografar fezes de pombos pelas ruas de Ealing, subúrbio londrino onde vive, a fim de “pesquisar” as cores e os formatos ideais para as jóias. “É preciso senso de humor para usá-las”, disse ela à BBC. Cada peça da colecção “Heaven Sent“, que contém pedras preciosas e semipreciosas, podem chegar a custar o equivalente a 30 mil patacas.

Idosos usam preservativos para aliviar dores nos joelhos • O governo da África do Sul tem incrementado os esforços para conter o alastramento da Sida no país. Um deles é a ampliação da distribuição gratuita de preservativos. Só que muitos dos preservativos distribuídos à população estão a ser usados para outro fim: combater as dores decorrentes de artrite nos joelhos. De acordo com Candith Mashego-Dlamini, chefe de saúde de Mpumalanga, os idosos estão a esfregar os preservativos nos joelhos a fim de aliviar o sofrimento causado pela doença crónica. As pessoas acreditam que o lubrificante que os preservativos contém lhe pode trazer benefícios. “Não é a cura para a minha artrite, mas faz a dor diminuir”, disse uma idosa da Cidade do Cabo, segundo os site “Times Live”. Além de “remédio” para artrite, os preservativos também estão a ser usadas no país africano para limpar CD’s e dar brilho aos sapatos.

OH GODFREY... Aos 29 anos, o modelo e actor taiwanês Godfrey Gao apresenta uma forma invejável. Resultado disso é a sua ligação à marca Louis Vuitton. Nascido em Taipé, filho de uma malaia com um chinês, Godfrey cedo escolheu o Canadá como sua casa. Ali estudou na Universidade do Norte de Vancouver e conseguiu os melhores trabalhos na área da moda e da TV. Percebe-se que não deve ter sido difícil...

fonte da inveja

E não há machado que corte o nariz ao parlamento?

João Corvo

Ontem vi um comunicado da agência Lusa e gostei muito do que li. Dizia que o Instituto Camões, agora chamado Camões IP, e a Universidade Nacional de TimorLeste concordaram em criar um Instituto da Língua Portuguesa no país. Aplaudo a iniciativa, mas não deixo de a considerar tardia. Só agora é que esta entidade pública em Portugal se lembra de celebrar um protocolo desta natureza, e que pode ter uma importância significativa para o futuro? Quais foram os entraves que impediram o nascimento deste projecto nos anos anteriores? Mas mais do que isso, importa ver como é que o português se vai expandir em TimorLeste, por comparação a Macau. Sendo línguas oficiais dos dois países, importa ver como vai sendo tratada, fomentada junto dos alunos, nas escolas. Macau sofre hoje de uma falta de harmonização de políticas ligadas ao português, falha que tem sido apontada por vários deputados do hemiciclo. Há escolas que ensinam, outras não. Uns dizem que deveria ser obrigatória, outros dizem que é muito difícil de aprender e que, por isso, deve ficar na área das disciplinas opcionais. O Governo coloca hipóteses no ar, sem nada de concreto. Enquanto isso, a Escola Portuguesa de Macau e o Instituto Português do Oriente vão fazendo o seu trabalho. Mas Macau é a plataforma com os países de língua portuguesa, e é Pequim que o diz. Posto isto, deve olhar com atenção para os progressos feitos em Timor e olhar para si próprio. Analisar, comparando. E sobretudo, tentando ir mais além.


18

OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

carta ao director

Nova contestação ao controverso subsídio de residência Exmo Sr. Director do Jornal Hoje Macau. A questão colocada pela deputada Melinda à Florinda Chan, digníssima Secretária para Administração e Justiça, não nos parece correcta, nem deixa de ser censurável a resposta desta última. Isso porque havia sido a Entidade Tutelar para a Economia e Finanças, quem, entretanto, havia pronunciado o seu despacho de concordância com o que lhe vinha proposto pela Directora dos Serviços de Finanças, no sentido de manter o indeferimento dos recursos hierárquicos, interpostos do seu despacho que negou provimento aos requerimentos de concessão do subsídio de residência, previsto no artigo 10, no. 1 da Lei no.2-2011. Deste modo, não lhe era devido responder à interpelação, formulada na Assembleia. A sua resposta foi mesmo reprovável, e decorre da simples questão de que “os aposentados ou pensionistas que subscreveram o regime de Portugal não podem ser contemplados com subsídio porque a lei da RAEM, apenas, beneficia os trabalhadores da RAEM”. Mas, para o efeito, o assunto conheceu excepção, como veremos! Esse despacho negativo e desigual, prestado pelos Serviços de Finanças recaiu, tão-somente, nos pedidos que seguiram os anteriores, que obtiveram deferimento, muito embora os requerentes estivessem todos nas mesmas condições de merecerem igual tratamento. Pois, eram todos ex-funcionários (...) de Macau, que de regresso de Portugal, requereram o subsídio de residência. E essa diferença tanto bastou para contrariar o espírito do no.1 do artigo 203º do ETAPM1, que se transcreve no capítulo das observações. Por outro lado, os decretos-leis2, que concederam esses direitos aos referidos ex-funcionários (...) de Macau, para fixarem a sua residência em Portugal, já haviam caído em desuso e jamais teriam podido impor restrições no caso de regressarem a Macau como, por exemplo, retirarem-lhes esses subsídios de residência, só pelo facto de se terem aproveitado do direito de viagens e transportes do mobiliário, que foram custeados pelo governo de Macau. Aliás, nem o previam as ditas leis. Ora, enquanto esta disposição legal do arto. 203 do ETAPM não tivesse sido revogada, os ditos ex-funcionários, reformados e, bem assim, os pensionistas da C.G.A., que regressaram, por motivos vários, a Macau para fixar a sua residência definitiva, não lhes era possível ser recusada a concessão dos respectivos subsídios, ora previstos no no. l do arto. 10 da Lei no. 2-20ll. Assim, nem todos tiveram a dita de o obter, face ao artigo 24º. da Lei no. 2-2011, que dizia ter revogado o art. 203 do ETAPM (!). Nestes termos, e por uma questão de poupança de verbas orçamentais(!), segundo cremos, a Direcção dos Seviços de Finanças bem

1- Tem a seguinte redacção o artigo 203 do Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública de Macau (EPAPM) – “Os funcionários e agentes em efectividade de funções, desligados do serviço para efeitos de aposentação ou aposentados, que residam em Macau e recebam, total ou parcialmente, vencimento, salário ou pensão por conta do Território têm direito a um subsídio de residência [ sendo que a pensão que recebem da C.G.A proveio do dinheiro do Território de Macau ou seja da futura RAEM[. Por isso, dando uma melhor interpretação ao citado dispositivo legal, não podem os citados aposentados, reformados e pensionistas perder o direito ao subsídio de residência, porque uma vez que tenham regressado ao Território, continuam a ser ex-funcionários e pensionistas da RAEM. Há ainda que ter em consideração que, muito embora os verbos estejam colocados no conjuntivo presente, têm aqui um sentido futuro. Por esta razão, há que ter ainda em atenção que esse dispositivo legal do artigo 203 não pode ser revogado nem, simplesmente, derrogado pelo artigo 24 da nova lei em questão.

pôde desatender uma série de pedidos de concessão de subsídios de residência, que a seguir deram entrada nesses Serviços. Ora, se estes pedidos tinham em vista a obtenção do subsídio previsto na lei e os requerentes estavam todos em idênticas circunstâncias, não se compreende que (os primeiros que requereram, tivessem sido beneficiados), sendo certo que todos prestaram longos anos de serviço na administração pública de Macau, e uma vez que o disposto do artigo 24º da dita Lei no. 2-2011, não podia ter efeitos retroactivos, porque acabaria por criar conflitos de interesses, que estavam defendidos; sendo assim, insiste-se em saber se chegada a ocasião de serem, igualmente, beneficiados todos esses ex-servidores da função pública de Macau, a Administração Pública da RAEM recusa a dar-lhes igual tratamento, e isso tanto mais nos indigna, quando se sabe que os preços de rendas de casa tem vindo a subir, vertiginosamente, perante a passividade do Governo. Em face dos citados decretos-leis, e dessa apressada e tendenciosa revogação, prevista pelo art. 24º da Lei no. 2-2011, é que, como vinhamos dizendo, os restantes ex-aposentados, ex-reformados de Macau e pensionistas da C.G.A. que também regressaram, definitivamente, ao território, perderam, de forma pouco razoável, esse igual direito. Mas, não é verdade que a pensão dos referidos ex-aposentados, (...) continua a ser paga pela C.G.A., cujo dinheiro proveio do orçamento do Território de Macau, hoje, Governo da RAEM? Mas, leia-se melhor o dispositivo legal do artigo 203º do ETAPM, que abaixo transcrevemos, para percebermos que não podia nunca ter-lhes sido retirado esse benefício, que requereram. Antes de mais, as suas pretensões saiem reforçadas pela (redacção do artigo 10º- e seus números)3 que abaixo se transcrevem da citada Lei. Logo, interpre-

tando melhor a disposição do citado artigo 203º da ETAPM, que se aplica nos casos futuros, teremos de concluir que devem os citados requerentes, sem exepção, ter o seu direito ao subsídio de residência nos termos das disposições legais vigentes. Assim e em abono da verdade, esta disposição legal do artigo 203º do ETAM não deve nem pode entender-se revogada para os efeitos do artigo 10º - no. 1 da lei no. 2-2011. Donde, a Administração Pública da RAEM, jamais podia denegar aos restantes requerentes o direito a subsídios de residência, cujas condições eram idênticas às dos primeiros, que foram beneficiados. Daí que tudo isso teria de se processar com base na previsão do citado artigo do ETAPM. Assim sendo, devem todos ter, igualmente, esse direito ao subsídio de residência requerido, o qual cai perfeitamente na previsão do artigo 10-no.1, que se conjuga com a tipicidade do citado artigo 203 do ETAPM. Porém, temos, uma vez mais, a dizer que esse benefício, com que contavam os ex-funcionários (...) do Território de Macau, hoje, da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) não podia nunca ter sido preterido, sem prejuízo de serem afastados os seus interesses defendidos pelo citado dispositivo legal do ETAPM, que deve continuar vigente. Pelas razões expendidas, temos de entender que o dispositivo legal do artigo 24º. da Lei No. 2-2011 não pode revogar a disposição do artigo 203º do citado ETAPM, que dá esse direito aos ditos ex-funcionários (...) da Administração Pública de Macau e por isso da RAEM. (E foi assim que se fez justiça da RAEM no território de Macau). Com os respeitosos cumprimentos, de Manuel de Senna Fernandes.

2 - 0s decretos-leis concederam, incondicionalmente, aos aposentados, reformados e pensionistas o uso do direito de viagem para a fixação de residência em Portugal e bem assim o dinheiro para o transporte de mobiliario e demais bagagem. Donde, uma vez regressados definitivamente a Macau, não podem perder o seu direito de obter o subsídio de residência. Até porque as ditas leis haviam caido em desuso. 3 - 1. Os trabalhadores dos serviços públicos que se encontrem em efectividade de funções ou desligados do serviço para efeitos de aposentação, bem como os aposentados, incluindo os magistrados aposentados, têm direito a um subsídio mensal de residência, nos termos previstos na presente lei, ainda que existam, entre eles relações de parantesco e residam na mesma moradia. 2. Não têm direito ao subsídio de residência aqueles que habitem em moradia do património da RAEM ou de qualquer outra pessoa colectiva de direito público ou que recebam mensalmente subsídio para arrendamento ou equivalente.

O HOJE MACAU ERROU N. D.: Vimos por este meio pedir as nossas sinceras desculpas ao presidente da Associação de Advogados de Macau e distinto causídico Jorge Neto Valente por ter ser referido como ex-presidente do Clube Militar, numa reportagem ontem publicada neste jornal. Na verdade, Jorge Neto Valente foi, durante um período, presidente da Mesa da Assembleia Geral da referida instituição e não presidente da direcção. Envergonhados pelo erro cometido, esperamos assim reparar o nosso engano em relação a uma personalidade pela qual temos a mais alta estima e consideração.


opinião 19

hoje macau quinta-feira 16.1.2014

LEOCARDO

bairro do oriente

A felicidade atinge-se quando tudo o que tu pensas, dizes e fazes estão em perfeita harmonia. Gandhi

H

ARMONIA, uma palavra que nos habituámos a escutar com frequência por estas bandas, que apenas pela sua sonoridade já indicia que se trata de algo positivo. Todos queremos harmonia, concordância, cooperação, com todos a puxarem para o mesmo lado, ou a empurrar na mesma direcção. Mas a harmonia é uma utopia; pode ser alcançada a alguns níveis, como quando a banda toca toda no mesmo tom, o vento assobia por um renque de árvores impecavelmente alinhadas, quando o pintor combina as cores e cria uma obra de arte. Uma harmonia onde existem excluídos, não é harmonia. Apelar à “harmonia” onde existe desarmonia é tapar o sol com uma peneira, uma estratégia suja de quem está a ganhar – ou pensa que está a ganhar. É como estar em vantagem a meio da partida e pedir ao árbitro que apite para o fim. É chegar a meio do livro de rescrever o fim que nunca foi lido. É abrir todas as portas da felicidade menos uma, e tentar convencer as massas de por detrás dessa não há nada que valha a pena. Os proxenetas da harmonia declaram a guerra, incitam ao ódio, cometem massacres, e quando chegam onde querem apelam à “harmonia”, com a esperança de não terem de provar do seu amargo veneno. Vetam ao ostracismo todos os que se opõem ao seu conceito corrupto de harmonia, apontando-lhes o dedo e convocando os mais ingénuos para que o sigam, fazendo-os acreditar que pode existir harmonia para uns e desarmonia para os outros que não lhe compram a banha da cobra. É uma paz podre. Podre como as pessoas que a tentam impingir. *** Hipócritas! bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim. Mateus 15:7,8 O hipócrita tem sempre uma agenda, e não dá ponto sem nó. O hipócrita não tem amigos: tem uma bolsa de valores, subindo ou descendo a cotação conforme lhes convém. Os que se cansam dos malabarismos do hipócrita viram-lhe as costas, e ele apressa-se a dizer raios e coriscos de quem lhe descobriu a careca, para ganhar vantagem numa eventual lavagem de roupa suja. Quem se cansa das piorreias do hipócrita veta-o ao desprezo, mas ele não

HENRI MATISSE, HARMONIA EM VERMELHO

H de harmonia, H de hipocrisia

entende isso, pois tem as vistas curtas e uma língua viperina. No processo não se inibe de exibir a sua dislexia, de que se orgulha, e não admite sequer que lha apontem. Se alguém disser: Eu amo Deus, mas continuar a detestar o seu irmão na fé, é um mentiroso; porque se não amar o seu irmão, que está ali diante dos seus olhos, como poderá amar Deus que nunca viu? João 4:20 O hipócrita não tem valores, convicções ou preconceitos, pois isso são conceitos que requerem o mínimo de coerência. Tanto beija um chimpanzé por o achar parecido com ele, como dá um pontapé a outro igual porque “tem o nariz esborrachado” – tudo depende que fim lhe pode o chimpanzé ajudar a atingir. O hipócrita vai ao funeral de alguém que sempre desprezou, faz uma cara de plástico, e lamenta-se pelo “coitado”, convencido que no fim os deuses lhe deram razão pelo simples facto dele continuar vivo, e o outro não. Diz cobras e lagartos de quem mal conhece ou de quem não o está para aturar, porque se recusa a prestar a devida vassalagem quando os seus caminhos eventualmente se cruzam. O hipócrita não é rei de coisa nenhuma, mas tem o rei na barriga. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mateus 6:2

Os hipócritas, quando dão, fazem questão que todos fiquem a saber que dão, e que sem eles o objecto da sua pressuposta generosidade morreria de fome. Os hipócritas não dão sem segundas intenções, e julgam-se amos e senhores de quem estão a ajudar. Os hipócritas chamam de “ingratos” a quem ajudaram mas ficou farto da sua pantominice, mesmo que estes nada lhe devam ou que em tempos o tenham também auxiliado. Quando deve a alguém, diz as piores barbaridades dessa pessoa, mas sempre em surdina, pois tem complexos de inferioridade e de culpa mas não quer “parecer ingrato”. “Parecer” é o verbo que o hipócrita mais conjuga. Para o hipócrita, mesmo a pessoa que ele mais admira além dele próprio tem sempre um defeito, ou cometeu uma falta grave, que

“Parecer” é o verbo que o hipócrita mais conjuga. Para o hipócrita, mesmo a pessoa que ele mais admira além dele próprio tem sempre um defeito, ou cometeu uma falta grave, que o hipócrita, “nunca nos dias da sua vida” cometeria

o hipócrita, “nunca nos dias da sua vida” cometeria. Como são hipócritas, os “dias da sua vida” já chegaram ao fim um sem número de vezes. Talvez por isso se julguem imortais. Não tenho convívio com gente falsa nem com hipócritas. Salmos 26:4 Os hipócritas, tal como os mentirosos, deixam-se apanhar com facilidade, especialmente se forem maus hipócritas – e maus mentirosos. Têm uma soberba que os leva a pensar que conseguem enganar meio mundo, mas afundam-se ainda mais no lodo quando teimam em não dar crédito a quem tentam ludibriar. Os hipócritas julgam estar sempre no controlo da situação, mas deixam sempre ruir a frágil fundação da torre das suas farsas, muito devido à sua gritante falta de etiqueta e de bom gosto. Não sentem remorsos, até porque escrevem “remorços”, que rima com tremoços, que é o que lhes servem com cerveja, mesmo que tenham pedido caviar e champanhe: têm sempre o que merecem. Quando lhes cai a máscara reagem a quente e fazem uma fuga para a frente, pois não aceitam ser denunciados. Com a arrogância a sair-lhes em catadupa pelos poros da pele flácida, diz que “não devem satisfações a ninguém”. Não devem, nem dão. Satisfação é uma palavra que não entra no dicionário do hipócrita, assim como classe, humildade, respeito, graça, e muitas mais que não são da família de hipócrita.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 16.1.2014

Portugal Cobrança coerciva de impostos atinge valor recorde

Dados do Ministério das Finanças divulgados esta quarta-feira mostram que a cobrança coerciva de impostos atingiu um valor recorde. A Administração Tributária cobrou mais de 1.918 milhões de euros de dívidas fiscais que se encontravam execução. Note-se que este valor fica 73% acima do objectivo do governo, que era de 1,1 mil milhões de euros. Segundo a nota do ministério, o anterior valor mais elevado tinha ocorrido em 2007, quando a cobrança coerciva ascendeu a cerca de 1.6 mil milhões de euros. O montante ajuda a baixar a meta do défice para 2013. «O resultado da cobrança coerciva de 2013 representa um contributo fundamental para assegurar um sistema fiscal mais justo e equitativo na conjuntura económica e financeira que o país atravessa», refere o comunicado do ministério.

Quénia Quatro julgados pelo ataque a centro comercial

Teve início, esta quarta-feira, o julgamento de quatro homens acusados de «apoio a um grupo terrorista», pelo alegado envolvimento na organização do ataque contra um centro comercial de Nairobi, no passado mês de Setembro. Os indivíduos, de origem somali, não são acusados de participar no comando islâmico que realizou o assalto, mas sim de o apoiarem, revelou a acusação. Os quatro declaram-se inocentes. O ataque, que durou quatro dias e fez 67 mortos, foi reivindicado pelos radicais islâmicos somalis al-Shabaab, que disseram que este foi uma represália pela intervenção militar queniana no sul da Somália desde o final de 2011.

Rússia Deputados só devem fazer sexo de três em três meses

Quatro relações sexuais por ano. Esta é a proposta do vicepresidente do parlamento russo Vladimir Zhirinovsky. «No início deste ano vamos introduzir normas para a actividade sexual: uma vez a cada três meses», disse Zhirinovsky esta terça-feira. O também líder do Partido Liberal Democrático revelou a frequência ideal de sexo está entre as três a quatro vezes por ano, porque, alega «menos é melhor». O objectivo é lutar contra a forma como a juventude olha para o sexo, explicou: «Sob a influência da pornografia e diversos filmes frívolos, a geração mais jovem tem interiorizado a norma de que mais é melhor».

cartoon

Snowden vai integrar direcção da Freedom of the Press

por Stephff

ELEIÇÕES

FUTURO PATRÃO CHINÊS DA CAIXA-SEGUROS PREVÊ BOAS NOTÍCIAS

Assinalável aumento de lucro O consórcio chinês Fosun, vencedor da privatização da Caixa-Seguros, anunciou ontem estar a prever um “assinalável aumento dos lucros” em 2013, devido em parte ao “rápido desenvolvimento” da sua actividade seguradora, mas não precisou o respectivo montante. O aumento previsto “deve-se sobretudo ao firme crescimento dos lucros nas operações industriais e ao rápido desenvolvimento da sua actividade seguradora”, diz o Fosun num comunicado enviado à agência Lusa em Pequim. Trata-se ainda de “uma estimativa” e foi divulgada dois dias depois de um responsável de uma agência de notação ter afirmado que a compra de 80% da Caixa Seguros “excede as capacidades de liquidez” do grupo. Em 2013, o Fosun “expandiu os seus investimentos no mercado secundário”, nomeadamente nos sectores bancário, energia e turismo, “o que proporcionou potenciais ganhos de investimento e contribuiu, entretanto, para a liquidez do grupo”, salienta o comunicado Fonte do Fosun contactada

Guo Guangchang

pela Lusa disse que o grupo “não responderá” à agência de notação Moody’s e garantiu que “a sua potência financeira é boa”. O consórcio chinês, que já detém participações em três seguradoras, ofereceu 1.000 milhões de euros por 80% das empresas da Caixa-Seguros (Fidelidade, Multicare e Cares), considerada líder do sector em Portugal. Citando o presidente do grupo, Guo Guangchang, o comunicado descreve aquela aquisição como “um sólido e significativo passo do Fosun na sua evolução para um modelo de investimento ao estilo de Warren Buffet”. A vice-presidente da agência de notação Moody’s, Lina Choi, afirmou na segunda-feira a um jornal de Hong Kong que aquela operação “excede as fontes de liquidez do Fosun e a liquidez gerada internamente” pelo grupo. “Presumimos, por isso, que a empresa necessitará de financiamento externo, disponha de alguns dos seus investimentos ou as duas coisas. Essas possibilidades, a confirmarem-se, poderão enfraquecer a sua liquidez e perfil

financeiro”, disse Lina Choi ao South China Morning Post. Posteriormente, o CEO do Fosun, Liang Xinjun, declarou ao mesmo jornal que o grupo “dispõe do capital adequado” para concretizar a compra de 80% da Caixa Seguros e que “não há motivo para preocupações”. “As agências de notação preferem que as empresas deixem o dinheiro nos livros de contabilidade e não toquem nele. É o caminho mais seguro, mas os que investem nos nossos títulos querem que nos desenvolvamos”, disse Liang Xinjun. Também na segunda-feira a Standard % Poor’s ameaçou cortar o ‘rating’ da Fosun nos próximos três meses devido à aquisição da Caixa Seguros, dizendo que a empresa não tem financiamento para pagar os mil milhões de euros acordados com a CGD e provavelmente terá de se endividar para o fazer. A agência considera que o conglomerado tem uma estratégia de expansão “agressiva” e sublinha os muitos investimentos e aquisições, em diversas áreas e regiões geográficas, nos últimos 12 meses.

O antigo analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden vai integrar, a partir de Fevereiro, a Freedom of the Press, fundação criada pelo homem que divulgou os chamados «Papéis do Pentágono» sobre a guerra do Vietname, Daniel Ellsberg. «Snowden é a quintessência do informador norte-americano e um herói pessoal para mim», declara Daniel Ellsberg, num comunicado publicado na página da fundação. Na mesma página, Edward Snowden, que se encontra exilado na Rússia, assumese honrado por servir a liberdade de imprensa e afirma que «graças ao trabalho da imprensa livre, se a NSA não responde perante o Congresso terá de responder aos jornalistas e, em último caso, ao povo». «O jornalismo não é possível se os repórteres e as suas fontes não puderem comunicar de maneira segura», defendeu Snowden.

Sudão do Sul Ban Ki-moon condena “roubo” de ajuda humanitária O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou o exército e os rebeldes do Sudão do Sul pela suposta «requisição de veículos humanitários e roubo de stocks de alimentos e outros materiais de ajuda humanitária». Segundo o porta-voz de Ban Ki-moon, Martin Nesirky, as forças do Governo e as forças antigovernamentais que «têm levado a cabo «ataques contra civis, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU serão perseguidos e as Nações Unidas continuarão a proteger activamente os civis». Estas declarações surgiram na terça-feira, depois de dezenas de civis que estavam refugiados num acampamento da ONU terem ficado feridos em combates entre as forças do presidente, Salva Kiir, e os rebeldes liderados pelo antigo vicepresidente, Riek Machar.

Actriz porno teme pela vida devido a mamas gigantes

Elizabeth Starr, atriz pornográfica de 44 anos, teme pela sua vida devido aos enormes implantes mamários que colocou. Há anos, Elizabeth sujeitou-se a um procedimento ilegal para colocar os implantes e começou a ter problemas saúde daí advindos, temendo pela própria morte, escreve o jornal Mirror. Os seios de Elizabeth são tudo menos convencionais e os soutiens têm de ter copa O. Os implantes são do tipo string, o que significa que continuam a crescer. Estes implantes são feitos de polipropileno, material que absorve água e fluidos corporais, aumentando o seu tamanho.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 16 JAN 2014 #3012 by Jornal Hoje Macau - Issuu