˜
˜ DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
PORTUGAL/CHINA
Sem ofensa
SAÚDE
Pelo seguro
RÓMULO SANTOS
GRANDE PLANO
QUINTA-FEIRA 15 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4352
PÁGINA 4
HONG KONG
Modo de pausa PÁGINA 13
MOP$10
OPINIÃO
Ao que interessa SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA
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hojemacau
Convite à vela A polémica instalou-se nas redes sociais. Um anúncio anónimo convida os cidadãos de Macau a participarem numa vigília silenciosa, em protesto contra a violência policial em Hong Kong. A publicação gerou controvérsia e levou mesmo ao aparecimento de um movimento em sentido contrário. A polícia confirma ter recebido o pedido de manifestação, mas até ao momento não adiantou se vai dar luz verde. PÁGINA 5
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À DERIVA GISELA CASIMIRO
BREXIT E GEOFAGIA ANTÓNIO CABRITA
CATCH, TRUMPUTIN E O KITSCH LUÍS CARMELO
2 grande plano
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ROFESSORA de relações internacionais na Universidade de Coimbra (UC) e especialista em assuntos relacionados com a China e Macau, Carmen Amado Mendes falou esta terça-feira em Lisboa numa palestra promovida pelo espaço Casa Ninja e que teve como tema “O investimento da China nos países de língua portuguesa”. À margem do encontro, a académica disse ao HM que, em matéria de direitos humanos, os parceiros lusófonos da China nunca quiseram por em causa a relação diplomática estabelecida, pelo que preferem o silêncio face a muitas questões. “Não tem havido interesse por parte destes países em referir a questão dos direitos humanos. Por parte dos países africanos as razoes são óbvias, porque eles próprios tem problemas a este nível e a relação foi estabelecida do ponto de vista das elites que se protegem mutuamente e que fazem as negociações, muitas vezes, sem terem consideração os interesses da população.” No que diz respeito a Portugal, Carmen Amado Mendes recorda que “sempre houve uma preocupação muito grande em não ofender a parte chinesa, mas é uma questão que vem da nossa história”. Neste sentido, a professora universitária dá o exemplo de Macau. “A nossa presença em Macau, com excepção de alguns episódios críticos da história, foi sempre uma presença muito passiva ou muito reactiva relativamente ao que o lado chinês nos ia permitindo ou às portas que se iam abrindo. Penso que nenhum líder português vai querer algo que belisque ou possa beliscar a relação com a China.” Recentemente, o semanário Expresso noticiou a tomada de posição de Portugal sobre à situação em Xinjiang. A notícia, com o título “Costa irrita Pequim ao defender uigures”, dava conta de que Portugal é um dos Estados-membros da União Europeia “que querem que ‘as autoridades chinesas respeitem os direitos dos uigures e de outras minorias da província de Xinjiang’”, numa iniciativa feita “no âmbito do Conse-
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DIREITOS HUMANOS
COM PINCAS ` “As autoridades chinesas conhecem as posições de Portugal a respeito das questões dos Direitos Humanos. Conhecem também a convergência da posição portuguesa com a da União Europeia” RESPOSTA DO MNE AO HM
ACADÉMICA DIZ QUE PORTUGAL NÃO QUER “BELISCAR” RELAÇÃO COM A CHINA
Carmen Amado Mendes, professora na Universidade de Coimbra, defendeu ao HM, referindo-se à área dos direitos humanos, que “sempre houve, do ponto de vista de Portugal, uma preocupação muito grande em não ofender a parte chinesa”. Portugal condenou, de forma multilateral, a situação em Xinjiang no contexto das Nações Unidas e dificilmente o irá fazer de forma bilateral, adiantou a académica. Carmen Amado Mendes diz ainda que o proteccionismo no Brasil face à China é anterior a Jair Bolsonaro lho de Direitos Humanos das Nações Unidas”. O mesmo jornal adiantou que o facto de Portugal ter tomado uma posição “terá irritado as autoridades de Pequim, que se sentiriam protegidas de críticas pelos avultados investimentos chineses em Portugal sem sectores como a banca, energia, seguros e saúde”. Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) em Portugal referiu ao Expresso que “as autoridades chinesas conhecem as posições de Portugal a respeito das questões dos direitos humanos”, sendo que é uma área em que os dois países “tem posições distintas”. Carmen Amado Mendes destaca o facto de essas “manifestações acontecerem num contexto multilateral”, pois, a nível bilateral, “as
coisas são feitas de forma a que não constituam um entrave ao bom relacionamento”. “Essas declarações são sempre feitas em contexto que não põe em perigo o bom relacionamento bilateral, essa é a preocupação principal de Portugal”, acrescentou.
REACÇÃO “NÃO É TARDIA”
O posicionamento dos Estados-membros da UE e os argumentos constam de uma carta datada de 22 de Julho e que será tornada publica quando o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos assim o entender, disse o MNE em resposta escrita ao HM. O ministério liderado por Augusto Santos Silva entende que esta tomada de posição “não foi tardia”. “As autoridades chinesas conhecem as posições
de Portugal a respeito das questões dos Direitos Humanos. Conhecem também a convergência da posição portuguesa com a da União Europeia e ambos, Portugal e China, sabem que este é um domínio em que as posições dos dois países são distintas. Recorda-se que a UE e a China têm um diálogo regular sobre Direitos Humanos e que ainda na última Cimeira de Abril reafirmaram a importância que concedem a tal diálogo”, adiantou o MNE na mesma resposta. Questionado sobre se esta tomada de posição pode vir a afectar o relacionamento bilateral entre a China e Portugal, ou potencialmente afastar investimentos do país, o MNE rejeitou essa possibilidade. Andreia Sofia Silva
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quinta-feira 15.8.2019 HOJE MACAU
Proteccionismo pré-Bolsonaro “Não podemos generalizar o investimento chinês nos PALOP”
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ARMEN Amado Mendes alertou ainda para o facto de “o contexto diplomático ter mudado” entre a China e o Brasil com a tomada de posse do Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, mas defende que o proteccionismo económico sempre foi adoptado pelo país. “Esse proteccionismo é muito anterior a Bolsonaro. Poderia não ser visível do ponto de vista diplomático mas era muito visível quando falávamos com pessoas de topo, por exemplo na Federação das Indústrias de São Paulo ou com uma série de instituições do Governo brasileiro que tinham a seu cargo a relação com a China. Na própria Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), ou no Conselho Empresarial Brasil-China, há décadas que se faz a advocacia de medidas proteccionistas.” Carmen Amado Mendes destaca o facto das autoridades brasileiras terem alterado a lei de terras para evitar que empresários chineses adquirissem terrenos para a produção de soja. Ainda assim, “não nos podemos esquecer que a China e o Brasil precisam um do outro no contexto internacional da sua afirmação enquanto potências emergentes”. “Isso ficou muito visível desde a criação do grupo dos BRICS, que foi uma ligação que estes países aproveitaram do ponto de vista diplomático e foi uma ideia que foi lançada com motivações puramente financeiras pela Goldman Sachs, mas que os países aproveitaram porque que isso lhes traz visibilidade no plano internacional.”
GRUPO DOS TRÊS
Carmen Amado Mendes, professora universitária “Sempre houve uma preocupação muito grande em não ofender a parte chinesa, mas é uma questão que vem da nossa história”
Carmen Amado Mendes defende que o investimento chinês nos países de língua portuguesa é diferenciado, estabelecendo três grupos distintos de países: de um lado, os africanos, do outro o Brasil e Portugal, e depois Timor-Leste. “Não podemos generalizar o investimento chinês nos países de língua portuguesa,
porque é distinto. Temos, por um lado, os países africanos e Timor, e, por outro lado, o Brasil que compete com a China no mercado interno e critica imenso a China pela exportação de produtos manufacturados, nomeadamente no ramo automóvel, o que acaba por competir ou impedir o desenvolvimento das empresas brasileiras.” A docente universitária acredita que “o investimento da China nestes três grupos de países vai-se ajustando às imposições que estes países fazem face à presença chinesa”. “Só o comportamento destes países dirá o que vai acontecer no futuro”, frisou.
AJUDAR A CHINA FORA DELA
No que diz respeito aos países africanos, o investimento chinês tem vindo a fazer-se de outra forma. “Até ao momento o investimento que a China tem feito nos países de língua portuguesa tem sido ditado pelos padrões estabelecidos pela própria China. Isto é principalmente visível nos países africanos, em que foi a China que ditou as regras do jogo, estabeleceu um modus operandi muito próprio, com o modelo em que constrói infra-estruturas em troca de recursos naturais, levando mão-de-obra.” Com este modelo, a China encontrou “uma
forma de combater o desemprego interno, com uma preocupação social evidente, pois ao exportar a sua mão-de-obra, exporta os seus materiais de construção, o que faz com que continue a promover o desenvolvimento da China fora do próprio país.” “Isto foi definido pelo lado chinês e aceite pelo lado africano talvez por não existir uma alternativa viável para a construção dessas infra-estruturas, por falta de massa crítica, de recursos humanos, de capacidade de organização”, adiantou Carmen Amado Mendes. A professora universitária, que falou ontem no espaço Casa Ninja, em Lisboa, denota uma “apatia” na sociedade civil em Portugal no que à China diz respeito. “Acho importante debatermos estas questões em Portugal porque noto que há uma diferença enorme entre a sociedade civil portuguesa e a de Macau. Parece que há um desinteresse ou uma grande apatia em relação às questões da China, apesar do forte investimento chinês em Portugal. Daí que tenha aceite falar neste debate. Em Portugal falta debater este tema e está na altura da sociedade civil ser alertada.” A.S.S.
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SEGURO UNIVERSAL DE SAÚDE ESTUDO REVELA QUE POPULAÇÃO PREFERE O SISTEMA ACTUAL
Como está , está muito bem
A
maioria dos inquiridos de entre a população local está satisfeita com o actual sistema de apoio a cuidados de saúde. A ideia é tirada dos resultados preliminares de um estudo sobre a implementação de um seguro de saúde universal no território, que está a ser desenvolvido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST na sigla inglesa). “De acordo com os dados preliminares da pesquisa, a maioria dos entrevistados prefere manter o actual sistema gratuito de cuidados médicos”, apontam os Serviços de Saúde (SS), em resposta a uma interpelação do deputado Sulu Sou acerca da implementação de um seguro universal de cuidados médicos. Os SS esperam ainda que “os resultados possam servir de referência para análise de políticas” no âmbito da saúde.
CUSTOS PARTILHADOS
Para o Governo “o objectivo do sistema universal de garantia de cuidados de saúde é a inclusão de todos os residentes num quadro unificado de seguro médico” em que exista a partilha das despesas resultantes de doença “entre todos” – Governo e população - até porque se trata de uma matéria “também da responsabilidade da sociedade”. Desta forma, é necessário que “Governo e cidadãos reúnam fundos em conjunto”. Dentro do campo do seguro médico, uma das características principais, defendem os SS, “é a igualdade e direitos e obrigações”, ou seja, “aqueles que pagarem o prémio do seguro médico, mesmo tendo o direito ao reembolso das despesas, têm também que continuar a suportar algumas despesas médicas”. Para já, Macau dispõe de “um sistema de regalias, com uma ga-
TIAGO ALCÂNTARA
Os resultados preliminares de um estudo da MUST sobre a implementação do seguro universal de saúde revelam que a maioria dos inquiridos prefere o actual sistema de apoio médico, afirmam os Serviços de Saúde
rantia de acesso a cuidados de saúde abrangente e com mais cobertura”, isto porque também permite o acesso a tratamento especializado gratuito dos grupos vulneráveis da população, aponta o Governo. Por outro lado, uma vez que o sistema de garantia de cuidados de saúde universal cobre “uma vasta gama de questões” e dado “o seu profundo impacto”, especialmente sobre aspectos económicos, só poderá ser implementado “com consenso social”, acrescentam os SS. Os resultados finais do estudo que está a ser levado a cabo pela MUST deverão ser conhecidos no quarto trimestre deste ano.
INTENÇÕES DE HO
Entretanto, o seguro universal de saúde pode se implementado
pelo Governo liderado por Ho Iat Seng. O objectivo é transferir a procura dos residentes dos serviços públicos para entidades privadas. “Se tivermos um seguro médico podemos então desviar
“Aqueles que pagarem o prémio do seguro médico, mesmo tendo o direito ao reembolso das despesas, têm também que continuar a suportar algumas despesas médicas.”
alguns serviços para o sector privado. Assim, reduz-se a pressão económica” dos residentes, disse Ho na apresentação do programa político no passado sábado. Para já, o futuro Chefe do Executivo não se compromete porque é “apenas um candidato” e só quando formar Governo pode avançar com medidas, evitando assim ser criticado. Na resposta a Sulu Sou, os SS recordam ainda que a esperança média de vida no território voltou a atingir um novo pico no ano passado, passando a ser de 83,7 anos, estando o território “nos primeiros lugares a nível mundial”. Sofia Margarida Mota
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SERVIÇOS DE SAÚDE
DSAL REVISTAS INSTRUÇÕES PARA PATRÕES E EMPREGADOS DURANTE TUFÕES
E
M resposta a uma interpelação escrita por Ella Lei, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) refere que iniciou uma revisão às instruções sobre “aspectos a ter em conta pelas partes laboral e patronal em situações de tufão, chuvas
intensas, trovoadas e storm surge”. Este conjunto de sugestões foi elaborado para alertar empregadores e trabalhadores que “devem acordar previamente e estabelecer por iniciativa própria a organização adequada e viável do trabalho quando se verificam
condições atmosféricas adversas”. Na realidade, o Governo deixa para as partes da relação laboral as decisões quanto à forma como o trabalho decorre na circunstância de tufão. Como medida de salvaguarda, a DSAL refere que “antes e depois da passagem de tempesta-
des tropicais, divulga atempadamente informações para relembrar aos empregadores que devem ter em atenção os direitos e interesses laborais. Apesar da relativa discricionariedade neste aspecto, a DSAL recordou à deputada Ella Lei, ligada aos
Operários, que quando estiver hasteado o sinal 8 de tempestade tropical ou superior, o empregador está obrigado por lei a adquirir uma apólice de seguro de acidente de trabalho a favor do trabalhador, além de organizar o transporte do funcionário de forma a garantir
a sua segurança. Se não for possível assegurar transporte, ou “devido a dificuldades reais”, o empregador deve ser “compreensivo para com as dificuldades reais ocorridas, considerando neste caso a ausência do trabalhador como falta justificado”.
Eleições CE Aliança de Povo apresentou sugestões a Ho Iat Seng
Medidas para resolver os problemas de habitação e transportes, mais assistência médica e um regime de segurança social mais abrangente são as principais sugestões feitas pela Associação Aliança de Povo de Instituição de Macau ao único candidato ao cargo de Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. Numa missiva entregue na passada terça-feira ao futuro Chefe do Executivo, o organismo fez saber os resultados das opiniões que recolheu junto da população acerca das áreas em que é urgente a intervenção do próximo Governo. Dentro dos aspectos gerais, os inquiridos pela associação apontaram ainda especificamente que esperam que o novo Executivo avance com o aumento das pensões para idosos e para a criação e um sistema de seguro de saúde.
Concertação Social Ip Sio Kai assume lugar de membro efectivo
O deputado Ip Sio Kai foi designado por despacho do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, como membro efectivo do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS), para representar as organizações dos empregadores, em substituição de Kou Hoi In que foi eleito presidente da Assembleia Legislativa no mês passado. A nomeação, assinada a 6 de Agosto, foi ontem publicada em Boletim Oficial. O mandato de Ip Sio Kai, segundo informa o mesmo despacho, termina no dia 16 de Abril de 2020. O deputado, eleito por sufrágio indirecto pelo sector industrial, comercial e financeiro, é vice-director-geral da sucursal do Banco da China em Macau, acumulando ainda os cargos de presidente da Associação de Bancos de Macau, Associação das Ourivesarias de Macau e de vice-presidente da Direcção da Associação Comercial de Macau.
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quinta-feira 15.8.2019
Cartaz de discórdia
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Cidadão anónimo convoca vigília no Leal Senado contra a violência policial em Hong Kong
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NTEM de manhã começou a circular nas redes sociais um cartaz a convocar os residentes para uma vigília silenciosa contra a violência policial em Hong Kong. A realizar-se, a vigília terá lugar no Leal Senado, na próxima segunda-feira, a partir das 20h. O Corpo de Polícia de Segurança Pública confirmou ter recebido o pedido de manifestação ontem por volta das 15h30. Até à hora do fecho da edição, as autoridades policiais ainda não tinham revelado se vão permitir ou recusar o pedido. Além do cartaz ser anónimo, sem referência a qualquer associação local, a mensagem em cantonense sublinha que a vigília tem fins pacíficos, é uma manifestação razoável e racional face ao que se passa na região vizinha. Outro aspecto mencionado é que apesar das posições políticas de cada um, a favor ou contra a lei da extradição, ou com uma visão positiva ou negativa sobre a actuação do Governo de Carrie Lam, a violência
policial deve ser condenada por todos. A publicação levantou alguma polémica e troca de comentários mais acesos e motivou até um contra-cartaz. Depois do meio-dia de ontem, outra publicação passou a circular nas redes sociais com um carimbo a dizer “rejeitar” em cima do cartaz original. Na publicação que rejeita a vigília, alguns internautas comentaram que o protesto só trará confusão a Macau e que será essa a intenção. Em resposta, houve quem argumentasse que se uma vigília silenciosa tem capacidade para desequilibrar a harmonia local, então a estabilidade política e social de Macau é mais frágil do que parece. Foi também lembrado a quem se opôs à realização de um protesto contra a violência policial em Hong Kong que a Lei Básica garante aos residentes “liberdade de expressão, de imprensa, de edição, de associação, de reunião, de desfile e de manifestação”.
SULU SOU POR ARRASTO
À medida que o cartaz se tornava viral, passou também
A publicação levantou alguma polémica e troca de comentários mais acesos e motivou até um contra-cartaz. Depois do meio-dia de ontem, outra publicação passou a circular nas redes sociais com um carimbo a dizer “rejeitar” em cima do cartaz original
a ser difundido um rumor de que Sulu Sou estaria por trás da vigília, acompanhado por uma foto com o pró-democrata a distribuir panfletos. O deputado viu-se forçado a publicar na sua página de Facebook um desmentido, negando qualquer envolvimento pessoal e da Associação Novo Macau na vigília, assim como o conhecimento da identidade do autor do cartaz. “Um grupo de WeChat está a dizer que distribuí panfletos esta manhã na zona da Praia do Manduco a propósito de uma vigília a realizar no dia 19 de Agosto sobre a situação de Hong Kong. Venho por este meio declarar que isto é um rumor, uma ficção, e que não tem nada a ver comigo ou com a Novo Macau”, referiu o pró-democrata. O deputado esclareceu que a foto em que aparece a distribuir panfletos foi tirada numa acção de divulgação do referendo que a Nova Macau está a promover sobre o sufrágio universal para o cargo de Chefe do Executivo. No entanto, Sulu Sou recorda que os cidadãos de Macau têm todo o direito a expressar as suas opiniões através de marchas, vigílias e outras formas de protesto, desde que o façam dentro da lei. João Luz
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ELEIÇÕES LEONEL ALVES DEFENDEU SEPARAÇÃO DA PROVEDORIA DE JUSTIÇA DO CCAC
Conselhos a Ho Iat Seng
Ho Iat Seng reuniu ontem com membros da comunidade lusófona no âmbito da campanha para as eleições do Chefe do Executivo. José Pereira Coutinho foi um dos presentes e disse que Leonel Alves propôs a separação da provedoria de justiça do Comissariado contra a Corrupção. A necessidade de mais bilingues e a preservação de Coloane também foram abordados SOFIA MARGARIDA MOTA
M total de onze membros do Colégio Eleitoral que vai escolher o próximo Chefe do Executivo, e que também pertencem às comunidades portuguesa e macaense, reuniu ontem com o único candidato nestas eleições, Ho Iat Seng. José Pereira Coutinho esteve presente, mas optou por não falar, pois quis dar a oportunidade a outros participantes. Um deles foi o ex-deputado e advogado Leonel Alves, que defendeu que o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) não deve continuar a ter funções de provedor da justiça. “Ele referiu que muitas pessoas não apresentam queixas na Provedoria da Justiça pois pensam que apresentam queixas no CCAC. Na Assembleia Legislativa sempre defendi que a Provedoria de Justiça deveria ser separada do CCAC, e o próprio Ho Iat Seng concordou com essa ideia”, disse Pereira Coutinho. O HM tentou chegar à fala com Leonel Alves, mas não foi possível estabelecer contacto. Apesar de ser conselheiro das comunidades portuguesas, Pereira Coutinho optou por não falar de eventuais problemas sentidos pelos portugueses radicados em Macau. “Esses problemas tenho-os transmitido nos últimos 20 anos, nos encontros com o Chefe do Executivo. Quis deixar que os outros falassem.”
PRESERVAR COLOANE
Outra das figuras presentes foi Casimiro Pinto, secretário-geral adjunto do Fórum Macau, que falou da importância de formar mais quadros bilingues. “Macau tem um papel de plataforma e acho que é extremamente importante continuar a reforçar o ensino das línguas chinesas e portuguesa e formar bilingues, não apenas para desempenhar funções como intérpretes-tradutores, mas também como intermediários na área jurídica ou do comércio”, disse ao HM. Ho Iat Seng “mostrou abertura” perante a ideia, uma vez que, na sua campanha, já realizou visitas a várias escolas do território. “Ele concordou
O
único candidato a Chefe do Executivo reuniu ontem com a Associação Geral Mulheres de Macau (AGMM). A presidente do Conselho Executivo da associação, Lam Un Mui, no encontro com Ho Iat Seng, expressou sua expectativa nas políticas públicas do próximo Governo da RAEM no sentido de serem implementadas mais medidas para apoiar a construção de uma família harmoniosa. Acerca da igualdade entre os dois géneros, Ho
José Pereira Coutinho, sobre a proposta de Leonel Alves“Ele referiu que muitas pessoas não apresentam queixas na Provedoria da Justiça pois pensam que apresentam queixas no CCAC”
que é importante o ensino de línguas desde a infância e que este é um trabalho contínuo e importante”, acrescentou Casimiro Pinto, que espera mais encontros do género além do período de campanha eleitoral. O arquitecto Carlos Marreiros também marcou presença e falou
da importância de preservar Coloane enquanto último pulmão da cidade. “Preocupei-me com Macau no geral, falei do plano director do território e da manutenção da ilha de Coloane como um dos pulmões da cidade. Deve existir um plano que não permita
Ho entre elas
Candidato recebido na Associação Geral Mulheres de Macau
Iat Seng disse que Macau já é muito justo nas medidas para homens e mulheres, mesmo no mercado laboral. Porém, como as mulheres têm mais tarefas em casa, como a criação dos filhos e o trabalho doméstico, talvez isso conduza a menor disponibilidade em comparação
com os homens no local de trabalho. Ho Iat Seng disse que, neste momento, na Assembleia Legislativa há 6 deputadas, e que no Comité Permanente da Assembleia Popular, se exige uma proporção de, pelo menos, um terço de membros do sexo feminino.
edifícios com mais de dois a três metros de altura com uma arquitectura integrada.” Além disso, o arquitecto defendeu o uso de energias renováveis e de águas pluviais para a irrigação dos parques. “São coisas que não custam muito e que são difíceis
No que diz respeito a estatuir um tempo de amamentação, o candidato disse que não tem conhecimento profundo sobre o tema, mas que é uma situação à qual se deve prestar atenção pela possibilidade de contribuir para o aumento da taxa de natalidade. Sobre o subsídio de nascimento aos trabalhadores, Ho Iat Seng disse que em Macau há muitas famílias em que ambos os cônjuges trabalham, e que há muitos problemas que provocam pressão psicológica nos
de implementar na península de Macau, mas nos novos aterros e nas ilhas é possível”, rematou.
casais, como a tendência de casamentos arranjados, o pouco tempo para estarem juntos devido à carga horária de trabalho, que podem levar a conflitos que, por certo, contribuem para a elevada taxa de divórcio. Como tal, “muitos consideram que criar filhos pode trazer muitos problemas e preferem ter um animal de estimação”, frisou o candidato. Quanto à diminuição de imposto para aliviar os encargos das famílias numerosas, o candidato afirmou que Macau é um
Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
lugar de baixos impostos, uma situação diferente do que acontece em países de Europa que têm capacidade de efectuar reembolso fiscal e proporcionar subsídios com o imposto recebido. O candidato referiu ainda que é difícil passar a responsabilidade social para as empresas locais, e espera que a questão do nascimento possa ser decidida subjectivamente por cada grupo familiar. Juana Ng Cen
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JUSTIÇA CUNHADA DE STANLEY HO ABSOLVIDA EM CASO DE SUBORNO
Amor e uma cabana Cheyenne Chan, cunhada de Stanley Ho, e Wilson Fung, antigo vice-secretário do Governo de Hong Kong, foram absolvidos dos crimes de suborno, num processo que implica concursos públicos, um romance extraconjugal e uma entrada choruda para a compra de um apartamento. Fung foi condenado por conduta imprópria SCMP
empresária de Macau Cheyenne Chan, cunhada do magnata Stanley Ho, foi absolvida num processo em que era acusada de subornar um antigo vice-secretário da tutela do trabalho e desenvolvimento económico. O ex-governante, Wilson Fung, foi, no entanto, condenado por conduta imprópria em cargo público por não ter declarado o óbvio conflito de interesses ao Executivo. Fung, de 55 anos, foi absolvido do crime de aceitar suborno enquanto titular de cargo público. O processo teve como foco um apartamento nos Mid-Levels em Central, comprado há 15 anos pelo ex-governante da região vizinha, para o qual a empresária de Macau Cheyenne Chan, 63 anos, contribuiu com a entrada no valor de 510 mil HKD. A aquisição do imóvel aconteceu quando Wilson Fung estava no ponto mais alto da sua carreira no Executivo de Hong Kong e tinha a seu cargo decisões importantes relacionadas com direitos de tráfego aéreo e políticas da área da aviação, entre Abril de 2003 e Julho de 2006. Segundo o South China Morning Post, o tribunal deu como provado que Fung aceitou os 510 mil HKD a 28 de Setembro de 2004, enquanto aceitou candidaturas de companhias detidas por Cheyenne Chan, que incluíam propostas para contratos com o HK Express (comboio que liga Central ao Aeroporto de Hong Kong), e para novas rotas aéreas com destino a Guangzhou e Shenzhen. A empresária de Macau era proprietária de uma empresa de helicópteros.
A aquisição do imóvel aconteceu quando Wilson Fung estava no ponto mais alto da sua carreira no Executivo de Hong Kong O caso veio a lume depois de um jornal local ter revelado que a esposa de Wilson Fung, que é hoje em dia a número dois da secretaria dos Assuntos Internos do Governo de Hong Kong, teria permutado imóveis com uma empresa de Cheyenne Chan. Um deputado pró-democrata denunciou o caso ao organismo da região vizinha equivalente ao Comissariado contra a Corrupção. O legislador acabaria por ser condenado a quatro meses de prisão por quebra do segredo de justiça.
DE PERDIÇÃO
No momento da leitura da sentença, de acordo com o
Tráfico Residente de Hong Kong apanhado com cocaína
Um indivíduo de Hong Kong, com 56 anos, foi detido ontem pelas autoridades policiais por suspeita de tráfico de droga. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a polícia recebeu uma denúncia que levou à detenção de um homem suspeito na zona do Centro Internacional de Macau, junto ao Casino Golden Dragon. O indivíduo tinha em sua posse 22 pacotes com cocaína, mais precisamente 18,73 gramas, que no mercado negro terão um valor de 57 mil patacas. O suspeito confessou o crime e justificou a conduta com problemas pessoais que o levaram à necessidade de angariar “dinheiro rápido”. Como pagamento para a actividade ilegal, foi-lhe o pagamento de 100 HKD por cada pacote de droga vendido. De acordo com as autoridades, o homem terá entrado em Macau mais de dez vezes desde Julho, facto que leva a crer estar envolvido no tráfico de droga há sensivelmente dois meses. O sujeito tem um passado de abuso de estupefacientes, mas não consome desde 2017.
South China Morning Post, ao ouvir que tinha sido absolvido de receber suborno, Fung humedeceu os lábios, enquando Chan agradeceu à equipa de advogados. De seguida, os arguidos trocaram um sorriso. A cumplicidade entre Cheyenne Chan e Wilson Fung foi um dos temas abordados ao longo do processo, com a revelação de que ambos mantiveram uma relação extraconjugal entre Dezembro de 2003 e Abril de 2016. O juiz considerou também a hipótese de o casal de amantes ter acordado que o pagamento da entrada para o apartamento serviria de recompensa dos lucros que Fung ajudou Chan a obter numa transacção imobiliária. O argumento da defesa eliminava a acusação dos 510 mil HKD terem sido pagos em relação às funções públicas de Fung.
João Luz
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TERRAS GOVERNO RECUPERA PARCELA NO PORTO EXTERIOR
O
Governo recuperou um terreno, cedido por arrendamento à sociedade Good Harvest-Comércio e Fomento Predial, na Zona de Aterros do Porto Exterior – ZAPE. De acordo com um despacho do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, publicado ontem em Boletim Oficial, a parcela, junto ao Jai Alai tem uma área de 2 782 m2 estava destinado a habitação com a construção de um edifício
de 22 pisos - duas torres assentes sobre um pódio com 4 pisos, dois dos quais em cave destinada às finalidades de habitação, comércio e estacionamento. No entanto, a empresa concessionária não cumpriu com os objectivos estabelecidos e não aproveitou o terreno dentro do prazo estipulado pelo Executivo. O despacho de caducidade foi emitido pelo Chefe do Executivo a 19 de Julho e a sociedade tem agora 15 dias para reclamar da decisão.
Também na área dos terrenos, um outro despacho de Raimundo do Rosário aponta a cedência gratuita ao Governo, “livre de quaisquer ónus ou encargos” de uma parcela com 944 m2, e uma terra contígua, com a área de 4 m2, para ser anexada, ambas destinadas a manter o «Mercado Municipal da Taipa». A parte remanescente do terreno, com a área de 80 m2, destina-se a via pública. S.M.M.
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MACAENSES ENCONTRO ANUAL INCLUI APRESENTAÇÃO DA GRANDE BAÍA
TIAGO ALCÂNTARA
quinta-feira 15.8.2019
O
Encontro das Comunidades Macaenses deste ano vai incluir uma apresentação do Plano de Desenvolvimento da Grande Baía, um concurso de culinária e uma visita a uma cidade chinesa, apontou ontem Lionel Alves durante o encontro entre a Comissão Organizadora do Encontro das Comunidades Macaenses e o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, refere um comunicado. O programa está a ser preparado para o evento em que se espera um número recorde de participantes de “fora de Macau”. A organização estima uma participação de mais de mil pessoas representantes de 13 Casas de Macau espalhadas pelo Mundo. Alexis Tam não deixou de referir a importância do Encontro das Comunidades Macaenses para o desenvolvimento local. “O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura reconheceu a importância deste reencontro de filhos da terra e da oportunidade de dar a conhecer a realidade e o enorme desenvolvimento de Macau”, refere a nota enviada à comunicação social. O secretário sublinhou que “o progresso que certamente Macau continuará a alcançar contará, por certo, com o contributo e o empenho dos macaenses que cá estão e dos que quiserem regressar”.
AMCM Reservas cambiais aumentaram ligeiramente
A Autoridade Monetária de Macau (AMCM), divulgou ontem as estimativas preliminares das reservas cambiais da RAEM, que se cifraram em 167 mil milhões de patacas no final de Julho de 2019, valor que representa um crescimento de 0,3 por cento em relação aos dados rectificados de Junho, quando atingiram 166,4 mil milhões de patacas. No final do mês passado, as reservas cambiais de Macau eram cerca de dez vezes superiores à circulação monetária. A taxa de câmbio efectiva da pataca, ponderada pelas suas quotas do comércio, foi de 106,9 em Julho de 2019, o que representou um crescimento de 0,16 pontos e 2,10 pontos, respectivamente, sobre os dados do mês anterior e relativos a Julho de 2018. Como tal, globalmente, a pataca subiu face às moedas dos principais parceiros comerciais de Macau.
“Nós respeitamos todas as recomendações e opiniões da OIT”, disse, acrescentando que “neste momento a criação da lei do salário mínimo respeita a lei de Macau”.
SALÁRIO MÍNIMO DSAL DIZ QUE EXCLUSÃO DE EMPREGADAS DOMÉSTICAS É CONSENSUAL
Conselhos ignorados
As recomendações da Organização Internacional do Trabalho no sentido da inclusão das trabalhadoras domésticas na lei do salário mínimo universal não são relevantes para Macau, afirmou ontem a subdirectora da DSAL. Para a responsável, o mais importante é que a decisão do Governo vá de encontro à vontade da população, disse Ng Wai Han, no programa Macau Fórum
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Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) considera que as críticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) pela exclusão das empregadas domésticas na proposta de salário mínimo universal, não se aplicam a Macau. A ideia foi defendida ontem pela subdirectora dos Serviços para os Assuntos Laborais, Ng Wai Han, no Macau Fórum. “Nós respeitamos todas as recomendações e opiniões da OIT”, disse, acrescentando que “neste momento a criação da lei do salário mínimo respeita a lei de Macau”. De acordo com a responsável, a decisão de exclusão desta faixa de trabalhadores foi ao encontro da vontade social, uma vez que
foi tomada depois de auscultar a população. “Depois de ouvir as opiniões da consulta pública decidimos não incluir estes trabalhadores na lei”, apontou. De acordo com Ng, as convenções da OIT não se aplicam ao território. Por outro lado, e apesar do salário mínimo não ser aplicável aos trabalhadores domésticos, a DSAL promete tomar medidas de protecção para estes profissionais e “vai ter em conta o salário proposto”. “Actualmente, a média da remuneração dos trabalhadores domésticos é de 4100 patacas e o subsídio de alojamento é pago à parte, mostrando que o mercado laboral mantém uma segurança básica nos rendimentos dos trabalhadores domésticos”, referiu, apontando que “mesmo que
a lei do salário mínimo não seja aplicada a esta população, não quer dizer que eles não tenham nenhuma garantia salarial”.
ILEGAIS OCULTOS
O combate do Governo aos trabalhadores ilegais tem sido pouco eficaz, admitiu Ng Wai Han, referindo que uma das grande dificuldades é conseguir comprovar este tipo de infracção, uma vez que “é difícil para as autoridades recolher provas”. Para que esta situação seja ultrapassada, Ng apelou à ajuda da população no sentido de denunciar as situações suspeitas de trabalho ilegal com o maior número de detalhes possível de modo a “aumentar o sucesso das operações”. Em 2015, o número de trabalhadores ilegais era de 1200.
No ano passado, o número caiu para 800 pessoas nesta situação, tendo as autoridades procedido a 300 inspecções. Ng Wai Han disse ainda que a DSAL vai manter os mecanismos de troca de informações e as operações conjuntas com os agentes de Corpo de Polícia de Segurança Pública, com a Polícia Judiciária e com outras entidades envolvidas. Entretanto, o Governo admitiu anda não ter conhecimento dos conteúdos do estudo que encomendou para avaliar a viabilidade da criação da lei sindical, apesar dos resultados já se encontrarem, há cerca de dois meses, no Conselho Permanente de Concertação Social. Juana Ng Cen com Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
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15.8.2019 quinta-feira
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A arte e
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Edição comemorativa de “A Menina do Mar” no final do mês
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Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner, vai ter uma edição comemorativa da obra, composta por livro, CD e DVD, que será lançada a 30 de Agosto em Lisboa, no âmbito do centenário do nascimento da autora. De acordo com a editora Valentim de Carvalho, a reedição daquele que foi o primeiro livro infantil de Sophia de Mello Breyner (19192004), publicado em 1958, terá lugar na Festa do Livro, no Palácio de Belém. Em 1961, a Valentim de Carvalho apresentou a leitura dramatizada do original de “A Menina do Mar”, encenada por Artur Ramos, com interpretações de Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta, e música de Fernando Lopes-Graça. Este ano, no quadro das comemorações da escritora e poetisa, a empresa irá disponibilizar uma edição inédita e única de “A Menina do Mar”, onde ao texto original (sob autorização da Porto Editora) acrescenta nova capa e ilustrações de Beatriz Bagulho, a reedição em CD da leitura de 1961, e o DVD do espectáculo gravado ao vivo no Teatro Municipal São Luiz em Fevereiro deste ano, criado por Carla Galvão, Filipe Raposo e Beatriz Bagulho, com música criada por Filipe Raposo a partir de música de Bernardo Sassetti. “Diferentes leituras, diferentes gerações e diferentes métodos de revisitar um texto fundador, que está no mar com saudades da terra, na terra com saudades do mar. E que, por artes de fantasia, ou da poesia, faz do rapaz solitário e da
menina órfã uma unidade anunciada, forte como um polvo, sábia como um caranguejo e feliz como um peixe”, escreve no prefácio da obra o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. A edição estará à venda na Festa do Livro em Belém, a partir do dia 30 de Agosto, com distribuição para as lojas na semana seguinte.
CELEBRAR A POESIA
O centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner, que se assinala este ano e que contou com eventos realizados também em Macau, tem seguido uma programação variada em Portugal, com actividades como a dança, o teatro, o cinema, e alguns encontros de reflexão. As iniciativas começaram em Janeiro, no Centro Cultural de Belém, com o projecto de dança “O Cavaleiro da Dinamarca”, pela Escola de Dança do Conservatório Nacional, a partir de um conto de Sophia para a infância. Das celebrações fazem também parte um colóquio internacional, que decorreu em Maio na Fundação Calouste Gulbenkian, e um concerto no Teatro Nacional de São Carlos, no Outono, previsto precisamente para o dia do aniversário de Sophia, que nasceu no Porto, a 6 de Novembro de 1919. Está agendado ainda um ciclo de cinema na Cinemateca Portuguesa, com alguns dos filmes preferidos da escritora. Sophia de Mello Breyner Andresen, considerada um dos nomes maiores da poesia portuguesa do século XX, morreu em 2004, em Lisboa, aos 84 anos.
POETAS E PINTURA
Sob o tema “Poesia Lírica”, a exposição integrou o 2º “Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, apresentando mais de 90 obras destacadas da colecção MAM, criadas por 60 autores que se estabeleceram ou exibiram os seus trabalhos em Macau – chineses, macaenses e portugueses – desde a década de 1980. São pinturas a óleo, acrílicos e aguarelas, gravuras de técnica mista, esculturas e instalações “que reflectem a criatividade dos artistas contemporâneos, bem como ricas
EXPOSIÇÃO YAO FENG DÁ WORKSHOP DE POESIA NO
O poeta Yao Feng foi convidado pelo MAM inspirada na pintura da exposição “Poesi até 4 de Novembro. O evento será em chi GONÇALO LOBO PINHEIRO
A escolha para Sophia
RAÇAS à poesia, você morreu sem a morte. Graças à poesia, você encontrou uma lâmpada para suportar o peso da sombra. A poesia é o único que lhe resta, sendo uma possibilidade dentre as impossibilidades”. As palavras de Yao Feng são um excerto da poesia que escreveu, inspirada no quadro sobre a vida do poeta português Camilo Pessanha, pintado pelo artista e arquitecto local Carlos Marreiros. O poema é um exemplo do que vai acontecer na oficina criativa de “Poesia inspirada na Pintura”, marcada para dia 24 de Agosto, no Museu de Arte de Macau (MAM), e apresentada por Yao Feng, pseudónimo artístico do professor Yao Jingming, também director do departamento de português da Universidade de Macau. A ideia partiu do MAM, que convidou o conhecido poeta e professor a lançar um repto em língua chinesa aos Amigos do Museu, para que se inspirem num dos quadros da exposição “Poesia Lírica – Trabalhos de Artistas de Macau e Portugal”, patente ao público desde 13 de Julho até 4 de Novembro de 2019, e escrevam um poema alusivo ao tema da pintura escolhida. Ou mais, não há limite. Os textos devem ser enviados por email para o Museu até dia 21 de Agosto. Yao Feng fará a triagem dos trabalhos na preparação do workshop de dia 24, onde irá procurar despertar, incentivar e orientar a veia criativa dos participantes, num encontro de ideias e sensibilidades que pode até ser o início de uma forma diferente de se estar vida. “Acho que cada pessoa é um poeta potencial, essa capacidade poética pode estar a dormir em cada pessoa, mas então basta acordá-la”, respondeu o professor ao HM. A inspiração é, por vezes, o que falta. Daí a iniciativa do MAM, em que Yao Feng vai orientar os participantes “no uso da sua imaginação, despertada pelas obras de que mais gostaram, para criarem poemas integrando as conotações da pintura na poesia, expressando sentimentos induzidos pela arte”, conforme divulga a organização do evento.
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quinta-feira 15.8.2019
e a palavra
O MUSEU DE ARTE DE MACAU
M para fazer uma oficina criativa de poesia, no dia 24 de Agosto, ia Lírica – Trabalhos de Artistas de Macau e Portugal”, patente inês, mas fica a sugestão da visita para quem ainda não foi
conotações culturais chinesas e portuguesas”. A singularidade da mostra é a inclusão de sete poemas, da autoria de quatro poetas locais, que estabelecem uma relação com as obras expostas. O MAM convidou, na altura, além de Yao Feng, também Wong Man Fai, Ling Gu e Un Sio San, estando os poemas igualmente em exibição nas línguas chinesa e portuguesa. “Quatro palavras sobre Camilo Pessanha” foi a proposta de Yao Feng para a exposição, partindo da pintura de Carlos Marreiros sobre o poeta simbolista português, nascido em 1867, que viveu e trabalhou no território entre 1894 e 1926, onde viria a falecer. O poema é sobre fases da vida – que passam pelas palavras “amor”, “mar”, “arte” e “poesia” – do renomado autor de “Clepsidra”, obra traduzida para chinês pelo próprio professor.
MILAGRE DA POESIA
O workshop de poesia a partir da pintura será uma continuação desta ideia do MAM, que se estende agora à população interessada. É a primeira vez que Yao Feng faz uma oficina criativa com o Museu, mas o exercício não difere muito do que acontece na sua sala de aulas. “De facto, já tenho feito isto com os meus alunos, eu gosto sempre de dar um tema, ou uma palavra que seja muito usada e nada criativa, para que os alunos escrevam uma frase ou um verso, mas com uma linguagem criativa”, dá como exemplo.
“Acho que cada pessoa é um poeta potencial, essa capacidade poética pode estar a dormir em cada pessoa, mas então basta acordá-la.” YAO FENG É que “a palavra é capaz de fazer milagres”, descrever e tornar “uma coisa muito comum, muito banal, numa coisa fantástica”. Como acredita e gosta de partilhar com os seus formandos, “na poesia o improvável pode acontecer”. O workshop é gratuito, organizado em língua chinesa, e terá um limite de 20 participantes. A inscrição deverá ser feita online no sítio electrónico do Museu. A comunidade portuguesa pode, também, aproveitar a sugestão e visitar a mostra em busca de inspiração poética. “Aprender a observar, a olhar o mundo com olhos poéticos, também é importante para o dia a dia, porque traz novidades, traz mais beleza para a nossa vida pessoal”, é a proposta deixada por Yao Feng. Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
NOTRE-DAME MINISTÉRIO DA CULTURA ANUNCIA QUEDA DE PEDRAS DO TECTO DA CATEDRAL
O
Ministério da Cultura da França informou ontem que várias pedras caíram do tecto em forma de abóbada da catedral de Notre-Dame, depois da onda de calor do mês passado, e que são urgentes novos esforços de estabilização para evitar mais danos. Um responsável do ministério disse ontem que as pedras caíram depois de as temperaturas atingirem um recorde de 42,6 graus Celsius em Paris no final de Julho. O funcionário disse que o calor secou rapidamente o betão que mantinha as pedras no tecto e aparentemente contribuiu para a queda das pedras. O dano não é grave, mas a catedral do século XII continua em risco de um possível colapso, disse o funcionário, sob anonimato, citado pela agência de notíciasAFP. O trabalho dentro da catedral foi suspenso devido à preocupação com a contaminação por chumbo. O ministério quer acelerar os esforços para limpar detritos perigosos e escorar a estrutura da catedral, gravemente danificada no incêndio de abril. Ocorrido em 15 de Abril, o incêndio que atingiu a emblemática catedral situada em Paris provocou a libertação para a atmosfera de várias toneladas de partículas de chumbo, tendo sido verificado, em vários locais nas imediações do monumento, níveis de concentração deste metal considerados prejudicais para a saúde pública. Os trabalhos de remoção do chumbo tóxico disperso pelo incêndio ocorrido na Catedral começaram na terça-feira, num ambiente de críticas locais pelos atrasos em tomar medidas preventivas. Os trabalhos - que envolvem um total de 10 mil metros quadrados - deverão mobilizar vários processos de descontaminação e vão continuar até 23 de Outubro, segundo as autoridades.
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15.8.2019 quinta-feira
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 37/P/19
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 38/P/19
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e Instalação de Equipamentos Cirúrgicos de Laser de Hólmio e de Laser de Túlio aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP46,00 (quarenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e instalação de quatro caldeirões a vapor de 200 litros aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP39,00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo).
As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 13 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 17 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019.
Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 19 de Agosto de 2019, às 10,00 horas, para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 19 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 20 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP28.000,00 (vinte e oito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.
ANNOUNCEMENT 1. Objective: 2. Procuring entity: 3. Address of procuring entity: 4. Works, goods and services to be procured: 5. Location of service provision: 6. Conditions of entry:
7. Method for obtaining tender documentation: 8. Tender submission location and deadline: 9. Tender opening location and time:
Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019.
O Director dos Serviços Lei Chin Ion
O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Anúncio 【N.º 201908-1】
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 39/P/19 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação do Serviço de Manutenção e Reparação do Sistema de Combate a Incêndios aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 74,00 (setenta e quarto patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes nos seguintes horários e locais, para efeitos de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso: Horários
Locais
do Departamento de Às 10,00 horas do dia Entrada e Equipamentos do Centro 19 de Agosto de 2019 Instalações Hospitalar Conde de São Januário Às 15,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde do Tap 19 de Agosto de 2019 Seac Às 10,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde dos 20 de Agosto de 2019 Jardins do Oceano Às 15,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde da Areia 20 de Agosto de 2019 Preta (Hac Sa Wan) Às 10,00 horas do dia Entrada do Posto de Saúde de Coloane 21 de Agosto de 2019 (Lou Wan) As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 17 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 18 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), a DSSOPT vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para as zonas não abrangidas por plano de pormenor mas inseridas nos lotes abaixo indicados: - Processo N.º: 85A398, Rua de S. Roque no 43-Macau; - Processo N.º: 90A032, Estrada Coronel Nicolau de Mesquita nos 62-154, Estrada Padre Estevão Eusébio Situ no 50 e Beco da Pérola nos 29-97- Taipa; - Processo N.º: 91A262, Terreno junto à Rua do Regedor-Taipa; - Processo N.º: 95A111, Terreno junto à Avenida Marginal do Lam MauLote A-Macau; - Processo N.º: 97A035, Avenida de Luís de Camões nos 21-27-Coloane; - Processo N.º: 98A015, Terreno junto à Avenida Marginal do Lam MauLote F-Macau; - Processo N.º: 2014A010, Rua Formosa nos 16-16A-Macau; - Processo N.º: 2015A055, Pátio da Espadana no 8-Macau; - Processo N.º: 2017A068, Terreno junto à Avenida do Infante D. Henrique-Macau; - Processo N.º: 2018A015, Terreno situado na Zona A das Novas Zonas Urbanas-Lote A7-Macau. Para efeitos de referência, os projectos de PCU para as zonas dos lotes supracitados que não estão abrangidas por plano de pormenor já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http://urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 15 de Agosto de 2019 e 29 de Agosto de 2019. Caso os interessados e a população queiram apresentar as opiniões sobre os referidos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor, deverão preencher o formulário O011,o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning.dssopt.gov.mo ou www. dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: - Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis - Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) - Fax: 2834 0019 - Email: pcu@dssopt.gov.mo Serão consideradas as opiniões respeitantes aos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor elaborados para os lotes, quando forem apresentadas de acordo com as exigências acima indicadas. Para mais informações podem pesquisar o website http://urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queiram contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 9 de Agosto de 2019 O Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Subst.o Shin Chung Low Kam Hong
10. Validity period of the tender: 11. Provisional guarantee: 12. Definitive guarantee: 13. Service period: 14. Selection criteria:
15. Additional information:
16. Base price:
Open invitation to one tender. Macao Science Center Limited. Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Service of Security for Macao Science Center 2020 and 2021 PA-19-098 Macao Science Center. - Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited. - And fulfill the requirement of the Law n.º 4/2007 of Macao. Interested parties can send in your request through email to tender@msc.org.mo and please attach with commercial registration documents & contact details. Location: Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Deadline: Science Center. 17th September, 2019 at 5:00 pm (Macao time). Location: Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Time: The first working day after the deadline or 18th September, 2019 at 3:00 pm (Macao time). Bidders or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. If bidder or its representative cannot be present in the Tender Opening, and clarification is required, Tender Opening Committee will send a notification letter to the bidder. The bidder must present a clarification letter and send back to the Tender Opening Committee before the deadline specified in the notification letter .The qualified list of bidders will be released afterwards. 90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures). Exempted. 10% of the total contract value by bank guarantee. 2 years. Please refer to Chapter IV. Technical Requirement document, tender to be evaluated according to the following criteria: a) Price (50%) b) Quality (Please refer to Chapter II Tendering Procedure “article 10” for details) (25%) c) Experience and Competence (Please refer to Chapter II Tendering Procedure “article 10” for details) (25%) All related information will be uploaded to Macao Science Center website (http://www.msc.org. mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information. No base price. Macao Science Center Limited 15th August, 2019
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quinta-feira 15.8.2019
HONG KONG CONFIRMADOS CINCO DETIDOS APÓS CONFRONTOS NO AEROPORTO
Pausa na contestação
Num dia sem incidentes, nem manifestações, a polícia veio confirmar a detenção de cinco pessoas na sequência dos tumultos verificados na terça-feira no aeroporto internacional. Entretanto, alguns jovens manifestantes não identificados pediram desculpa pelos transtornos causados nos últimos dias anunciando que iriam suspender, por agora, os protestos
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Quando questionados sobre as razões que motivaram o seu envolvimento no movimento pró-democracia, 87 por cento falaram da anulação da lei de extradição, 95 por cento apontaram o seu desagrado com a atuação da polícia nas manifestações e 92 por cento pediram a criação de uma comissão independente de inquérito sobre a violência policial.
polícia de Hong Kong confirmou ontem a detenção de cinco pessoas na sequência dos confrontos registados entre as forças policiais e manifestantes pró-democracia no aeroporto internacional da região vizinha. O porta-voz da polícia local, Mak Chin-ho, precisou que os cinco homens detidos, com idades compreendidas entre os 17 e os 28 anos, são acusados de promover uma manifestação ilegal. Dois dos detidos são igualmente acusados de agredir um elemento das forças policiais e de possuir armas ofensivas, segundo a mesma fonte. O porta-voz admitiu a possível detenção de mais suspeitos, incluindo activistas que agrediram um polícia da unidade antimotim durante os incidentes registados terça-feira à noite no aeroporto de Hong Kong. A lei do território prevê sentenças de prisão perpétua para as pessoas que cometam actos violentos ou actos que possam interferir na segurança do tráfego aeroportuário e do aeroporto. “A polícia promete a todos os cidadãos de Hong Kong que tomaremos as medidas para levar todos os culpados à justiça”, concluiu o porta-voz, em declarações à comunicação social.
PIOR REGISTO
Hong Kong, antiga colónia britânica, está a atravessar a sua pior crise política desde a sua transferência para as autoridades chinesas em 1997. Nos últimos dois meses, o território tem sido palco de manifestações quase diárias que muitas vezes têm degenerado em confrontos entre as forças policiais e activistas mais radicais.
“A polícia promete a todos os cidadãos de Hong Kong que tomaremos as medidas para levar todos os culpados à justiça.” MAK CHIN-HO PORTA-VOZ DA POLÍCIA
EM ESTUDO
A grande maioria dos manifestantes pró-democracia são estudantes universitários, cerca de metade são homens na faixa etária dos 20 anos e quase todos admitem que odeiam a polícia, segundo um estudo ontem divulgado pelas agências internacionais que traça o perfil dos activistas que têm estado envolvidos nestas últimas 10 semanas de protestos em Hong Kong. O estudo, desenvolvido por investigadores de quatro universidades do território, envolveu entrevistas a mais de 6.680 pessoas ao longo de 12 acções de protesto de diferentes tipos, de grandes manifestações a iniciativas de menor dimensão.
MANIFESTANTES PEDEM DESCULPA
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anifestantes em Hong Kong pediram ontem desculpa pela perturbação causada no aeroporto da cidade na segunda e terça-feira, num dia sem registo de manifestações ou incidentes, noticiou ontem a imprensa local. Na declaração, assinada e emitida por “um grupo de cidadãos de Hong Kong que quer liberdade e democracia”, sem qualquer outra identificação, os manifestantes lamentaram a reacção que consideraram excessiva de alguns indivíduos, na terça-feira, sem referirem incidentes específicos, de acordo com o jornal South China Morning Post (SCMP). “Pedimos a vossa compreensão e o vosso perdão enquanto jovens de Hong Kong que continuam a lutar em defesa da liberdade e da democracia”, podia ler-se num correio electrónico citado pela imprensa local. O mesmo “grupo de cidadãos” indicou que ia suspender, por agora, os protestos no aeroporto.
Iniciada em Junho contra um projeto-lei de alteração, entretanto suspenso, à lei da extradição (que visava permitir extradições para Pequim), a contestação nas ruas generalizou-se e ampliou as suas reivindicações, denunciando agora o que os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” e uma ingerência da China nos assuntos internos daquele território. A demissão da chefe do Governo, Carrie Lam, que conta com o apoio da China, é uma das exigências dos manifestantes pró-democracia. Desde a passada sexta-feira, os manifestantes pró-democracia têm estado concentrados junto do aeroporto internacional de Hong Kong, situação que obrigou, na segunda e na terça-feira, ao cancelamento de centenas de voos.
AVIAÇÃO CATHAY PACIFIC ANUNCIA TER DESPEDIDO DOIS PILOTOS
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transportadora aérea Cathay Pacific anunciou ontem ter despedido dois dos seus pilotos, numa altura em que a companhia de Hong Kong está a ser pressionada por Pequim para sancionar os funcionários que apoiam os manifestantes pró-democracia. Num comunicado, a empresa precisa que os dois pilotos foram demitidos “nos termos e condições do seu contrato de trabalho”. “Um é alvo de um processo judicial. O outro utilizou inapropriadamente informações da companhia”, adianta. O primeiro piloto terá sido acusado do crime de “revolta”, passível de uma pena de até 10 anos de prisão, pela participação nos protestos, que já registaram episódios de violência entre manifestantes e agentes antimotim. A Cathay Pacific tinha advertido na segunda-feira os seus
27.000 funcionários de que poderiam ser demitidos se apoiassem ou participassem nas “manifestações ilegais” em Hong Kong. A direcção-geral da aviação civil chinesa exigiu na sexta-feira à Cathay os nomes dos funcionários nos voos para a China ou que atravessem o seu espaço aéreo, indicando que os que apoiam o movimento pró-democracia não seriam autorizados. No sábado, a transportadora aérea anunciou a suspensão de um piloto acusado de ter participado em manifestações e a demissão de dois outros funcionários, sem indicar a razão. Segundo media de Hong Kong, os dois empregados teriam divulgado o itinerário de uma equipa de futebol da polícia do território que se deslocava para a China continental. Num outro comunicado, a Cathay Pacific indica que nos últimos dias foram suspensos 272 dos seus voos e afectados “mais de 55.000 passageiros”, o que considera “inaceitável” e prejudicial à “reputação geral de Hong Kong”.
Tencent Lucros de grupo sobem 25 por cento
O grupo chinês Tencent, que detém a maior rede social da China e é uma das dez empresas no mundo com maior capitalização de mercado, anunciou ontem um aumento dos lucros de 25 por cento, entre Janeiro e Junho. Em conjunto com os serviços de pagamento digitais, os jogos para dispositivos móveis têm sido os principais propulsores do aumento dos lucros, que se fixaram nos 51.346 milhões de yuan. A firma recuperou, depois de, no ano passado, o Governo chinês ter suspendido novas licenças para jogos eletrónicos. Até Junho, o resultado operacional bruto fixou-se nos 66.215 milhões de yuans. O produto mais conhecido da Tencent, o aplicativo de mensagens instantâneas WeChat atingiu quase 1.133 milhões de usuários no final de Junho, mais 75 milhões desde o ano passado.
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estendais Gisela Casimiro
“À
deriva e sem motor” é como, nas notícias, descrevem o barco resgatado pela polícia marítima portuguesa ao largo de Lesbos (Grécia) estes dias. De cinquenta migrantes, metade são crianças. Pergunto-me se ainda se recordam de quando eram apenas pessoas. A maioria das mulheres são afegãs. Não raras vezes, os maridos ficam para trás e enviam esposas e crianças primeiro. Os milhares de euros necessários para esta viagem deveriam garantir coletes salva-vidas e barcos de qualidade. Porém, os migrantes são apenas fontes de rendimento para facilitadores que recebem o seu quinhão sempre, independentemente de quem chega ou não vivo, ou onde. Normalmente, é escolhido um homem ao acaso para comandar cada barco. São-lhes dadas instruções e luzes que devem seguir. Cabem sempre mais do que deveriam, nos barcos, no mar, no campo. Entre noites frias e dias quentes, lutas entre afegãos, iranianos e africanos, nem o campo pode ser considerado seguro. O racismo existe também aqui. E o suicídio. A esperança de sair do campo e chegar à última fase, a do país longínquo com o qual se sonha, no qual pensam poder tornar-se cidadãos,
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Os pássaros nascem na ponta das árvores
À deriva e sem motor
é o que mantém estas pessoas vivas. No entanto, nenhum voluntário se atreve a dizer-lhes que, muitas vezes, nesses países, ninguém quer recebê-los. De outro modo, o que lhes restaria? Não nos vemos há muito tempo. Diz-me que se despediu no dia anterior. Dou-lhe os parabéns. Poderia dizer que me surpreende ouvir falar do seu próximo destino, mas não realmente. Fala-me da formação que teve recentemente na Estónia e sobre o que vai fazer durante seis meses no Uganda. Sentirão todos os alemães esta culpa, esta necessidade de compensar pelo passado do seu país? Qual é realmente a diferença entre campos de concentração e campos de refugiados? Conversamos sobre as duas se-
manas a colaborar com uma ONG que providencia uma refeição quente, banhos, roupa interior limpa a mulheres e crianças refugiadas. Rapazes até aos dez anos, também. Fazem-se tantas viagens quanto possível logisticamente, em carrinhas de nove lugares, do campo para o edifício da organização. Por vezes há risos e dança. A expressão inglesa mais popular, a forma de tratamento predilecta é Ma friend. Trocam-se histórias e costumes. Muitas destas esposas casaram aos quinze anos. Avaliam-se maridos pelo número de filhos. Espanta-as que algumas das voluntárias, tendo passado os trinta e cinco, não tenham nem uma coisa nem outra. A minha amiga é loira de olhos azuis, fisi-
Nem países nem ilhas nem campos parecem poder conter tantas vidas quantas as que os mares vão engolindo e velando. A ONU considera esta a pior tragédia até então. Mas quantas vidas mais se perderam, se perderão entretanto, nas notícias que nunca conseguiremos actualizar?
camente bem diferente de Carola Rakete. E o que importa isso? Há activistas mais focados na cor de pele de quem, reconhecendo o quão boa a sua vida é, decide abdicar de parte dela para ajudar os outros. Quem é salvo/ajudado, não quer saber de cores. Essas questões ficam para quem tem tempo a perder. O turismo em Lesbos escasseia mas é ainda desesperadamente necessário, numa altura em que consciência cívica e lazer parecem dois pólos opostos. A praia ainda é paradisíaca. Nela, podemos fazer o mesmo que em quase qualquer outra. Lesbos só não se terá tornado uma Chernobyl, provavelmente, porque os campos de refugiados ficam longe da praia, de outro modo não teríamos já influencers de smartphone em riste, tirando selfies sobre um fundo de burcas e olhares tristes? Não duvido que esse dia chegue, em que lugares destes, já desabitados, se tornarão cenários de campanhas de moda, de anúncios, de vlogs. E como fica quem nasceu e cresceu em Lesbos? Ainda se lembrarão de quando a ilha era conhecida por Sapho? “Durante três anos confiei no mar para me levar à segurança. Porém o mar traiu-me”, desabafa um residente do campo Moria, considerado o pior do mundo, à BBC, de lágrimas nos olhos. A seu lado, a menina de olhar impávido tem agora a cabeça na mesa e as mãos juntas. Estar no campo não significa ter paz mas sim alopecia, envelhecimento precoce, doenças de pele e respiratórias. Uma das mulheres entrevistadas declara que ela e as suas crianças estão sempre preparadas para fugir a qualquer momento. Ficamos a saber que é preciso ir para a fila do pequeno-almoço às 3 da manhã, e à hora a que regressam à sua tenda, já é hora de almoço. Duas horas é quanto estas pessoas têm, na sede da Shower Power, para trocar por um momento a sua vida actual por higiene, privacidade, água limpa, champô, roupas lavadas e cheirosas, enquanto alguém lhes toma conta das crianças e brinca com elas, faz tricô, lhes pinta as unhas ou entrança o cabelo. Duas horas para poder voltar a ser só uma pessoa, quem sabe das que cantam no chuveiro. Entretanto, mais dois barcos sofreram um naufrágio na costa da Líbia: 70 mortos e 100 desaparecidos, no mínimo. Nem países nem ilhas nem campos parecem poder conter tantas vidas quantas as que os mares vão engolindo e velando. A ONU considera esta a pior tragédia até então. Mas quantas vidas mais se perderam, se perderão entretanto, nas notícias que nunca conseguiremos actualizar? As pessoas continuam a ser a derradeira fronteira umas das outras. Enviado da minha vida privilegiada e segura.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 15.8.2019
diário de Próspero
António Cabrita
O Brexit e a geofagia
U
MA crónica é uma Bola de Berlim, às vezes tem creme, outras não. Na Ilha do Farol o vendedor, trajado de branco como um enfermeiro, fazia ecoar praia fora o seu pregão: Bolinhas, Bolinhas! Uma Bola de Berlim - com creme (é a gadelha) - parece o Boris Johnson, aquela que caiu na areia depois de alguém ter gritado Tubarão e o pânico assarapantar os veraneantes. Quando os mais atrevidos voltaram, um puto ranhoso topou a bola, felicitou-se e apanhou-a, devorando-a. Melhor: absorto pela sua sorte era-lhe indiferente que a areia se misturasse, ou antes, se sobrepusesse ao açúcar. Bola de Berlim crocante. Averiguo no Google, que males causará ingerir areia, e descubro esta reportagem da moçambicana Anchieta Maquitela, de 2014, que pico pelo inédito e por justificar o ar prazenteiro do puto ranhoso: «O consumo de areia virou moda em Maputo. As pessoas consomem areia na via pública, no interior dos “chapas” (…) a indústria de venda e consumo de areia está a ganhar terreno na província e cidade de Maputo (sic). Nas ruas, nas paragens e em frente das escolas, é comum a presença dos funis de papel branco cheios de areia. Se antes comer areia era hábito entre as mulheres grávidas, para remediar a falta de ferro, agora virou moda e até homens consomem a areia. Há três anos que Sitoe, por dia, acaba três a quatro funis: “No princípio, tive dificuldades, doía-me o estômago, tinha dificuldades de defecar, mas já estou viciado”. Por sua vez, para Alice Das Dores o vício começou aos 15 anos, tendo agora 22: “Esta areia tem um sabor incrível. Não sacia, mas traz um conforto à alma quando o desejo bate.”. Diz Angélica Sitoe, 44 anos, vendedeira de lençóis no mercado Xipamanine: “A areia não tem gosto. Consumo por capricho”. Para Angélica, o que incentiva os jovens é o baixo preço, “Por mais que queira resistir não consigo. Sempre caio na tentação”. A areia é extraída em Marracuene, a 30 quilómetros da capital. As mulheres pilam, seleccionam, põem nas bacias e vendem-na ao preço de 50 meticais. A seguir é submetida a um processo de transformação que passa pela adição de sal, incluindo a cozedura que dura entre duas e três horas. Logo a areia é peneirada para retirar a mais grossa. Para dar gosto, coloca-se sal de cozinha e segundo algumas fontes, sabão ou detergentes.» Nunca dei conta, mas amanhã começam as aulas: vou perguntar aos meus alunos. E percebo melhor a alegria do puto e porque votaram os conservadores britânicos em Boris Johnson.
Continua a reportagem: «No mercado, as vendedeiras de areia colocam o produto em recipientes abertos e manipulam-na sem luvas. Teresa Francisco, mãe de dois filhos, vende areia no mercado Xipamanine, arredores da capital: “É vantajoso comercializar areia porque é rentável, não apodrece, os ratos não consomem, e muito menos as crianças em casa”, explica.» Confesso que este trecho me desconcerta. Se está na moda, não percebo a falta de sentido de oportunidade das crianças (serão abúlicas?) e como a Teresa Francisco não ocorre a poupança em tomates e feijão se as habituasse a consumi-la. Retomemos: «Por sua vez, Rosa Moiane também vendedeira do mercado Xipamanine e mãe de dois filhos disse que faz este negócio
O problema colocase quando as pessoas consomem terra como se fosse moda, sem prestar atenção às condições nada higiénicas do processo de preparação
desde 2011, e que com o dinheiro que ganha com a venda de areia sustenta os seus filhos e ajuda o seu marido que é guarda-nocturno e não recebe quase nada. Contudo, Rosa reclama do aumento no custo do transporte e do número crescente de vendedeiras de areia na cidade. “Dizem que este negócio mata e que devemos procurar fazer outros mas já experimentei vender tomate e cebola, e não deu certo”, concluiu.» E, agora, a reportagem permite-nos aprender, pelo menos a mim, que nunca me tinha debruçado sobre estas práticas: «A geofagia (comer terra) é uma prática culturalmente sancionada, e portanto não é considerada um distúrbio”. Está documentado desde a pré-história, e a época dos faraós do Egipto. É um hábito com muitas variantes em sua prática e com diversos significados: nutricionais, psicológicos/psiquiátricos, terapêuticos, antropológicos, místico/religiosos e antropológicos. “Na selva amazónica, por exemplo, por não ser fácil conseguir-se sal, grupos indígenas realizavam uma peregrinação anual em busca da terra salgada. No Peru e Escandinávia a argila é material comestível. Em algumas regiões de África a prática da geofagia está associada à crença de que durante o primeiro trimestre da gestação diminui as náuseas e estimula a secreção láctea quando o bebé nascer”, lê-se no documento.
A causa básica da geofagia é desconhecida, sendo que a deficiência de ferro no consumidor é a mais divulgada. Outros estudos relacionam a geofagia com a deficiência de zinco ou com as deficiências nutricionais múltiplas. O problema coloca-se quando as pessoas consomem terra como se fosse moda, sem prestar atenção às condições nada higiénicas do processo de preparação.» E, pronto, fim de citação, e afinal o Boris Johnson – que pelo contrário tem visíveis hábitos de higiene e daí a sua franja tão loura como o creme da mais estival Bola de Berlim – sempre teve razão: há saída para o Brexit e finalmente as praias do Reino Unido vão ser um sucesso digno de lambões. O género humano consegue invariavelmente colocar-se um passo adiante das malditas circunstâncias, e eu, como um George Orwell de segunda, hei-de fazer o relato dessas comezainas dos súbditos de Sua Majestade. Confesso até que estou disposto a propor a Boris um ”piqueno” negócio: cones de língua da sogra, com areia de Brighton tratada – polvilhada de sal, dentes de alho e salsa picados e uma colher de molho de soja. Embora sem descurar a vigilância quanto à restituição dos direitos aos meus amigos moçambicanos, pois, por muito que custe ao novel primeiro-ministro, esta solução não foi dele.
GETTYIMAGES/BILL PUGLIAN
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retrovisor Luís Carmelo
M
AL abriu em Junho passado a cimeira do G20 em Osaka, logo Trump apareceu, no seu jeito de incontido prestidigitador, a pedir a Putin para não interferir nas eleições americanas de 2020. Um teatro assim, produzido debaixo da mesa dos matraquilhos, tem o humor ao nível dos irmãos metralha. Até porque toda a gente já aprendeu a reconhecer os desviços penianos do marionetista nos acenos da marioneta. O tosco domínio da imaginação faz lembrar aquele delicioso texto de Barthes sobre o facto de o catch (texto que em 1957 abria Mythologies; wrestling na tradução inglesa) não ser um desporto, mas antes um espectáculo. Tal como o strip-tease, que sugere o apimentado palpite do sexo sem o ser, o wrestling sugere a avidez do desporto embora não passe de uma táctica espectacular ao serviço de um (tão perverso quanto) tácito empate. Aqui a manobra é a mesma: falar como se estivéssemos à mesa do café ou no FB a exercitar a imbecilidade natural, mas com o objectivo de dissuadir a ferida, de sacudir a mouche e de ludibriar as borbulhas às tabuadas. Quando eu era criança, qualquer futuro era melhor do que tudo aquilo que se passava à minha volta. Logo que a revolução cruzou o país, o futuro parecia querer emergir das pedras da calçada como uma corça que não sabe bem em que direcção correr. Mais tarde, chegou o tempo dos cartazes que diziam - aliás gritavam - "Eu-
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Catch, o Trumputin e o kitsch histórico ropa Connosco" e o futuro começou a cheirar a croissants, a rendimento mínimo mas também às enviesadas cartilhas do FMI. Nos alvores da década de oitenta, o futuro soube ainda sorrir por cima da agonia comunista e olhou com desusada esperança para a rosácea do federalismo. Quando a última década do século passado se encontrou com o 11 de Setembro, o futuro libertou um cheiro amargo a paiol. Mas nada que fizesse temer um bom mortal lusitano, sobretudo se tivesse escutado a virilidade do Padre António Vieira a pregar que “uma das felicidades que se contava entre as do tempo presen-
O pior é se, um dia, este tipo de catch ou de wrestling, que é o trampolim do verdadeiro e perigoso kitsch, se transforma em pólvora e a desarrumação no Golfo Pérsico vence os tapumes, as paredes de água e as frases sensaboronas
te, era acabarem-se as comédias em Portugal” (Sermão da Sexagésima, IX), adágio que prenunciou o afundamento (ou a crise, se se preferir) dos idos de 2008 a 2011. Fosse como fosse, apesar dos Obamas, das utopias federalistas com que Kant tanto sonhou e do coração de ouro de Steve Jobs, o boom das tecnologias não foi capaz de acossar nacionalismos, migrações humilhadas e hackers qb. e foi por isso que o final da segunda década deste século acabou por trazer consigo, entre muitos outras, as encenações Trump, Brexit e Bolsonaro. Um verdadeiro tufão que teve - e continua a ter - como base um enorme fastio e o esgotamento das soluções políticas clássicas. Poucos conseguirão definir com clareza o tempo que estamos a viver - o sorriso de Xi Jinping parece levitar sobre essa perdição e muitos chegam a arder nas palavras com que o tentam. Ou, dito de outro modo bem mais avisado, pois um padre impõe sempre o seu respeitinho - “O definir-se foi declarar a sua essência: o arder foi provar a definição" (Sermão do Mandato). Quando há dias ouvi Trump a pedir a Putin para não se meter (onde já se meteu e atascou até ao pescoço), ocorreram-me aqueles cenários caóticos que, ao fim e ao cabo, fazem parte de um mundo arrumadinho (em que as regras entre senhorio e inquilinos estão escritas em contrato bem escondido num cofre sem quaisquer segredos). Desde os anos oitenta que retenho o que Kundera escreveu acerca do kitsch em A Insustentável Leveza do Ser
(1984). Há coisas que a memória guarda, outras não. O primeiro de Maio soviético ou a música de fundo de um restaurante de luxo (suíço) eram exemplos romanescos que o autor dava para explicar essas simetrias açucaradas, onde tudo aparecia arrumadinho apenas na fachada: sem pó e sem grandes distracções. O pior é se, um dia, este tipo de catch ou de wrestling, que é o trampolim do verdadeiro e perigoso kitsch, se transforma em pólvora e a desarrumação no Golfo Pérsico vence os tapumes, as paredes de água e as frases sensaboronas. Com as devidas diferenças, há qualquer coisa na boçalidade de Trump que evoca a tibiez de Arthur Chamberlain, recém-chegado de Munique em Setembro de 1938, quando levantava no ar o papel de um (ilusório) tratado de paz. Já Nietzsche avisara, em Para Além de Bem e Mal (1886, §262) que os “incuráveis medíocres” aparecem e subsistem aos “pontos de viragem da história” enquanto - compreenda-se a “ironia” - porta-vozes da “única moral que poderia ainda ter algum sentido”. Esta prática de catch ou de wrestling é perigosa. Se é verdade que todas as actividades humanas, ao perderem a sua função mais imediata, se podem transformar em jogo, caso do uso da linguagem, da guerra, da caça ou do amor, não é menos verdade que um jogo não se força ou simula por muito tempo, pois, ao fim e ao cabo, depende sempre de regras muito claras e não da ventilação assistida aos irmãos metralha.
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Diariamente
VIDA DE CÃO
INTER-NACIONAL 1
EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria | Até 22/09
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8 2 6 4 7 5 1 4 0 7 4 9 8 1 5 2 6 7 3 8 0 0 2 5 4 8 7 3 5 4 5 2 6 7 1 9 0 1 9 2 6 A extradição do espanhol Carlos García Juliá, condenado por participar no massacre de advogados de esquerda cometido em Madrid, em9 1977, foi autorizada terça-feira 6 na 1 5 pelo Supremo 2 Tribunal 8 do Brasil.
EXPOSIÇÃO | “O VAGABUNDO” Casas da Taipa – Exterior | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | “JARDIM DAS DELÍCIAS TERRENAS” Wynn Macau | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | “CONTEMPLAÇÃO DA BONDADETERNA” Museu de Arte de Macau | Até 6/10 EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” Museu de Artes de Macau EXPOSIÇÃO | “INSIGHT: DELPHINE RICHER’S SOLO EXHIBITION” Armazém do Boi | Até 18 de Agosto
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Cineteatro 3 6 4 3 1 2 7 0 8 5 9
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C I N E M A
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7 9 4 5 0 6 8 1 3 2
4 8 2 9 0 7 5 3 1 9 1 0THE MOVIE: 4 8NOBITA’S 2 DORAEMON CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION 6 3 [B]9 7 4 FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Shinnosuke Yakuwa 0 6 5 2 7 14.30, 16.30,19.30 2 AT9REST [C] 6 0 1 BODIES FALADO EM CANTONENSE 8 EM7CHINÊS1E INGLÊS4 5 LEGENDADO Um filme de: Renny Herlin Com:9 Nick Cheung, 2 Richie8Jen, Yang3Zi 6 21.30 3 4 0 5 8 LITTLE Q [B] 5 1 7 6 3 FALADO EM CANTONENSE SALA 1
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LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Law Wing Cheong
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5 6 3 1 7 6 0 THE4ANGRY8BIRDS2MOVIE 2 Simon Yam, Gigi Leung, Him Law, 3Com: 7 Yeung,6Angela9Yuen 5 Charlie 14.30, 19.30, 21.30 1 5 8 2 0 TOY STORY 4 [A] 8FALADO4EM CANTONENSE 9 3 1 Um filme de: Josh Cooley 716.30 3 5 4 8 2THE ANGRY 9 0BIRDS6MOVIE32 [B] 0FALADO 1EM CANTONENSE 7 5 4 Um filme de: Thurop Van Orman 14.30, 16.30,19.30 9 2 1 7 6 SCHINCHAN 2019 [B] 4CRAYON 2 0 9 FALADO8 EM CANTONENSE SALA 3
Um filme de: Masakazu Hashimoto 21.30
ASSASSINO VOLTA A CASA 2 0 6 9 5 2 4 3 7 8 1
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 2
As autoridades brasileiras atenderam assim ao pedido do Governo espanhol sobre a extradição do ex-militante do partido de extrema-direita Força Nova, um dos autores do massacre em que três advogados trabalhistas, um estudante de direito e um funcionário administrativo foram assassinados a tiro
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Julia Roberts desempenha 3 o 1papel5 de0Katherine 2 6 Watson, uma professora 4 7de Arte 8 5que 3é de9História convidada a dar7 aulas6num 5 3 0 1 colégio só para mulheres e 4 regras 2 8muito 1 rígidas 3 9e com tradicionais. 2 0 9 Com 4 espírito 8 7 livre e uma forma muito 8 5 de 1 dar 6 aulas, 4 2 peculiar depressa Katherine 6 7 3 9 0 se5 torna um incómodo e uma novidade por pôr em causa o papel que a mulher deve ter na sociedade e a necessidade 8 0de desenvolvimento 9 1 7 3 pessoal das suas alunas. 4 filme 6 7que,5apesar 0 de8 Um se passar na década de 50, 5 3 2 0 1 9 ainda revela muito sobre os dias 2 de1hoje6no que 8 à condi5 4 ção feminina diz respeito. 9 7 4 3 2 6 Andreia Sofia Silva
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S U D O K U
O QUE FAZER ESTA SEMANA
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Hoje, esta coluna saco de pulgas é dedicada a um dos mais ouvidos cha2 vões locais despegados da realidade: A internacionalidade 2 4 de6Macau. 7 Com 5 um 1 passado, relativamente recente, em que 8 de contacto 0 entre 3 foi6uma1cidade ponto Ocidente e a hermética 6 e misteriosa 4 China, Macau tem vindo progressivamente 5 3 em 4 si1mesma. A administra7 9 2 a fechar-se ção2portuguesa abdicou dessa função, batendo recordes de ingerência, numa 4 em que Hong Kong não passava altura de 3 um enorme ilhas dispersas 6 1 pântano, 5 2 7 4 com aldeias de pescadores. Hoje em 0 3Macau dia, apesar dos discursos vazios, é tudo menos internacional. O pendor 8 4 3 9 7 global apenas se pressente nos negócios, e mesmo 0 assim timidamente. 9 7 5 O6amor à 8 pátria é de tal ordem assolapado, que mesmo projectos como a Grande Baía, com 4 pretensões de atingir a escala global e competir com outras zonas (muito mais 8acabam 9 5 4por09deixar 84 cair 1 o inter 7 27 abertas), em internacional. Tudo é absolutamente 0 36 8 2 67 48 73 1 91 nacionalista. O projecto de integração é isso mesmo, 6 1um73processo 5 2de35osmose, 9 0 apesar de se falar muito da capacidade de 71de investimento 95 80 2 internacional 0 64 47 e 39 atracção do9 papel 4de Macau 0 1 nesse 3 objectivo. 9 5 6Sin- 70 ceramente, não vejo de que forma Macau 7 Shenzhen, 6 4 8por 18 5 2 3 3 5 que é mais internacional exemplo. 52 Hoje 48 em 01 dia9restam 1 as 87ruínas, 36 65 a arquitectura, os vestígios portugueses 2 de 64 nata 8 e3pouco 91 mais. 5 4 como o0pastel Tudo vem com5 72 é visto 00 2 8 o8resto 5 6que3 6 1de 4 fora 3 intensa suspeita e a cidade mundial de 7 encerra-se 9 40 5em 0 82 7e lazer 5 si2mesma, turismo1 celebrando o provincianismo. João Luz
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7 LISA 4 |312012 27 | MIKE 03 85NEWELL 6 9 74 O1SORRISO DE MONA 7 9 1 97 0 70 58 6 81 4 63 8 9 51 39 2 4 17 50 8 2 3 2 5 0 4 15 74 9 2 3 15 4 9 87 64 23 3 1 48 70 05 81 6 0 39 25 87 6 9 16 08 52 8 7 6 2 7 5 99 42 0 1 6 94 5 1 48 85 7 3 20 43 2 6 5 4 30 7 04 67 5 99 8 0 1 69 86 20 31 5 7 99 0
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5 4 6 2 5 3 0 9 7 6 8 2 4 1 3 0 9 1 7 8 6 4 2 1 3 9 2 6 1 7 0 8 4 5 3 9 2 7 4 8 9 6 5 1 4 6 7 8 4 8 3 2 5 9 0 1 6 7 8 5 3 4 0 2 1 6 7 3 9 0 7 1 6 5 3 4 2 8 9 0 6 1 5 2 3 4 7 0 8 0 5 1 8 4 9 0 2 1 6 3 7 5 7 9 0 6 5 1 3 8 3 1 6 8 2 4 0 7 5 4 8 3 1 9 2 6 4 2 1 0 8 3 9 5 9 2 0 5 1 7 6 9 2 3 1 5 7 0 8 4 9 8 6 5 2 7 4 3 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Sofia Margarida 8 Mota 5 Colaboradores 9 7 0 0Castro8Caeiro; 6 António 9 Falcão; 7 5 1 Gonçalo 2 Lobo Pinheiro; João0Paulo3Cotrim;7José9Drummond; 6 5 8 2 Amélia6 Vieira; António Cabrita;3 António Gisela4 Casimiro; José Navarro 4 deSérgio 7Andrade; 3 José9Simões 8 Morais; 5 Luis Carmelo; Michel 9 Reis; 2 Nuno4Miguel 1 Guedes; 6 Paulo 0 José 3 Miranda; 7 5Paulo8Maia e Carmo; Rita Taborda 5 Duarte; 4 2Rui Cascais; 3 1Rui Filipe 9 Torres; 0 7 Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 6 0 1 2 4 3 1 5 7 8 4 2 9 6 0 3 1 6 8 7 4 0 2 9 de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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18 opinião
1. Reforma da Administração Pública: saúde-se quanto ao essencial o que o candidato disse sobre esta matéria. Há muito que a Administração Pública cresce sem que preste, salvo cada vez mais raras excepções, um melhor serviço aos cidadãos. O serviço tem vindo a piorar, mais moroso, excessivamente burocratizado e muitas vezes com exigências sem cobertura legal que não fazem qualquer sentido. Já estivemos melhor. É evidentemente necessário melhorar a formação dos funcionários, incluindo no domínio das línguas oficiais (são duas), aumentando o grau de exigência e de transparência das decisões, responsabilizando dirigentes superiores e intermédios. Informatizar procedimentos e racionalizar, diminuindo o número de direcções de serviços, institutos e comissões. Será um bom princípio. 2. Habitação: trata-se de uma área crucial da acção governativa. Muita da contestação social tem resultado da falta de alternativas condignas e a preços suportáveis para a generalidade dos cidadãos. É necessário construir mais e melhor, com preços acessíveis e cujo custo corresponda efectivamente ao que se constrói. A recorrente má qualidade da construção, que tem estado na origem de
Vamos ao THE STANDARD
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candidato único ao quinto mandato de Chefe do Executivo (CE) da RAEM, Ho Iat Seng, veio finalmente apresentar as linhas mestras do seu programa político-eleitoral. Falou, respondeu a algumas questões, umas mais pertinentes do que outras, sorriu muito, deixou a opinião pública com um conjunto de ideias daquilo que virá a ser o fio condutor do seu programa de governo para os próximos anos. Importa agora passar em revista as principais ideias que resultaram do seu encontro com os membros da Comissão Eleitoral na perspectiva dos direitos e interesses dos residentes de Macau, ou seja, aqueles que serão os destinatários da sua futura boa ou má governação, o que em muito dependerá daquilo que se mostrar capaz de fazer e da equipa que formar.
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quinta-feira 15.8.2019
SÉRGIO DE ALMEIDA CORREIA
que interessa inúmeras queixas e processos judiciais, e os preços elevadíssimos da habitação, tanto para vender como para arrendamento, não se devem só à escassez de terrenos. A má gestão que deles foi feita pelas entidades públicas, a corrupção que já levou à cadeia altos dirigentes, e a ganância especulativa da protegida elite empresarial e política fizeram o resto. O sucesso da sua acção passará por aqui e pela forma como se mostre capaz de controlar especuladores, construtores e mediadores imobiliários. 3. Transportes: é hoje um dos cancros da RAEM, também eles com um longo historial de desperdícios e má gestão. Carreiras de autocarros às moscas, outras superlotadas e a qualquer dia ou hora, longos tempos de espera, veículos altamente poluentes, condução aos soluços, desrespeito pelos peões e pelas regras de circulação nas rotundas, táxis praticamente inexistentes e ineficientes, motoristas rudes, ordinários, mal-educados e pouco prestáveis, sem conhecimentos linguísticos numa cidade que se quer virada para o turismo, desrespeitando as regras da condução. O candidato mostrou estar sensibilizado para estes problemas. Esperemos pela concretização do programa pois que as Direcções de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e dos Serviços para os Assuntos de Tráfego são das que têm dado maiores provas de ineficiência. 4. Lei Sindical: o candidato confessou uma vergonha há muito conhecida, a de que a RAEM é a única região da China sem uma lei sindical. Deixou a ideia de que vai avançar rapidamente com a regulamentação de um dos direitos fundamentais da Lei Básica e que 20 anos depois, vergonhosamente, continua a aguardar concretização. O actual CE e todos aqueles que chumbaram os projectos anteriormente apresentados devem ter ficado com as orelhas a arder devido ao mau serviço que prestaram a Macau e à RPC nesta matéria. 5. Proteccionismo laboral: o candidato não se comprometeu. Fez muito bem, mas não pela peregrina razão de que poderia ser criticado pela sociedade. No segundo sistema a crítica faz parte das regras do jogo, não é crime, e quando fundamentada é um exercício saudável de cidadania, um contributo para o progresso. Seria bom que frisasse que o segundo sistema e as necessidades da
Espera-se que o candidato Ho Iat Seng, futuro CE, não se esqueça de que a boa governação é que trará consigo o bem-estar aos residentes e a satisfação ao povo. O patriotismo chegará por acréscimo. Nenhum patriota, por mais convicto, talentoso e delirante, resistirá eternamente à má governação, à falta de transparência, à falta de respostas e de prestação de contas, ao nepotismo, à corrupção e ao autoritarismo policial desenfreado RAEM em matéria de pessoal qualificado não podem ficar reféns da falta de qualificação e de brio profissional de alguns trabalhadores residentes. A incompetência é sempre má, ainda mais se for residente porque temos de conviver com ela. Ainda que a deputada Song Pek Kei possa não perceber isto, a incompetência não pode ser protegida só por ser local. 6. Turismo e turistas: dizer que o número de turistas é exagerado para a dimensão da RAEM já todos se tinham apercebido, com excepção da DST que deve achar normal um cidadão andar nas ruas em manada, aos encontrões e a levar com as malas dos “turistas” nos pés e tornozelos. Mas se limitar o número de entradas não for solução, vai-se então aguardar para ver como o candidato irá fazer a quadratura do círculo de maneira
O candidato Ho Iat Seng, futuro CE da RAEM, tem o dever, este sim patriótico, de nos fazer esquecer a última década de incompetência política e governativa. E não pode cometer em Macau os erros que se viram, e vêem, em Hong Kong. Um lençol pelo qual estamos todos a pagar: a RPC, HK e a RAEM
a que a entrada de “turistas” do Continente não continue a prejudicar a qualidade de vida dos residentes e a baixar o nível do turismo que por cá temos. 7. Reforma democrática: uma singela declaração de intenções que precisa de ser concretizada. Não acredito em milagres, muito menos por acto magnânimo do CE da RAEM. Não é pelo facto de os poderes coloniais não terem legado o sufrágio universal e directo que os residentes de Macau e Hong Kong e as futuras gerações têm de ficar limitados nos seus sonhos ou penar pela falta de exigência cívica dos seus antepassados. Convém, no entanto, recordar que, de acordo com a LB a iniciativa da mudança não tem de partir de Pequim. Tanto quanto à alteração da metodologia para escolha do Chefe do Executivo como para a constituição da Assembleia Legislativa a iniciativa deverá ser de Macau, com as alterações aprovadas por 2/3 da AL e a merecerem a concordância do CE. O Comité Permanente da APN será depois informado das alterações, para efeitos de ratificação e de registo, consoante seja o caso. O candidato não pode colocar as coisas ao contrário se não quiser ficar na história por ter sido ele quem deu o golpe de misericórdia na tão maltratada autonomia da RAEM. 8. Cidade verde: é algo pelo qual todos esperam e anseiam. A má qualidade do ar e das águas circundantes não depende só de Macau, embora muito possa e deva ser feito para atalhar aos dislates (crimes?) que se cometeram ao logo dos anos em matéria ambiental. Da patente falta de higiene urbana à autorização da entrada e circulação de autocarros e táxis poluentes, enganando-se os cidadãos quanto ao tratamento das suas águas e à capacidade da ETAR de Macau, deixando-se os peixes morrer, permitindo que as suas escassas praias se tornassem em vazadouros de detritos, onde toda a espécie de fungos, bactérias e vírus se podem reproduzir, tudo foi possível sem que ninguém fosse responsabilizado. Ficamos a aguardar que o candidato se deixe de generalidades e passe às acções para atalhar a estes problemas e reduzir os espaços de reprodução de roedores e baratas. 9. Jogo: pouco ou nada disse para além do óbvio. Será necessário aguardar para se perceber como pretende aumentar a competitividade do sector e melhorar a explo-
ração dos jogos de casino num local que é só o mais competitivo do mundo na sua área de negócio e destronou Las Vegas. 10. Justiça: estranha-se a ausência de uma agenda nesta matéria, tantos e tão graves são os seus problemas. Das conservatórias aos notários públicos, cujos prazos são terceiro-mundistas. No prospecto que distribuiu, o candidato refere singelamente “prosseguir com a construção do sistema jurídico” e “salvaguardar o poder judicial independente”, mas estranhamente mistura estes dois pontos com o reforço da interacção e da “cooperação entre o Executivo e o Legislativo”. Ainda mais, pergunto eu? Mas que tem isto a ver com os tribunais, com a justiça? Existe uma coisa chamada separação de poderes e há respostas que urgem. Para primeiras impressões dir-se-ia que o candidato tomou boa nota dos tópicos. Aguardam-se também desenvolvimentos em matéria de saúde, educação e segurança, precisando de fazer uma revisão do seu programa depois de ouvir as críticas. Desenvolvendo-o, dando-lhe consistência através da apresentação de propostas credíveis e exequíveis, expurgando-o de banalidades, ao mesmo tempo rodeando-se de gente qualificada, de quem compreenda o princípio “um país, dois sistemas” e, em especial, o funcionamento do segundo sistema. Espera-se que o candidato Ho Iat Seng, futuro CE, não se esqueça de que a boa governação é que trará consigo o bem-estar aos residentes e a satisfação ao povo. O patriotismo chegará por acréscimo. Nenhum patriota, por mais convicto, talentoso e delirante, resistirá eternamente à má governação, à falta de transparência, à falta de respostas e de prestação de contas, ao nepotismo, à corrupção e ao autoritarismo policial desenfreado. O patriotismo sempre casou mal com a má governação. E se imposto pela força, num cenário de falta de respostas, nunca será genuíno. O candidato Ho Iat Seng, futuro CE da RAEM, tem o dever, este sim patriótico, de nos fazer esquecer a última década de incompetência política e governativa. E não pode cometer em Macau os erros que se viram, e vêem, em Hong Kong. Um lençol pelo qual estamos todos a pagar: a RPC, HK e a RAEM. Resta saber até quando e com que custo final em matéria de autonomia, direitos, liberdades e qualidade de vida.
A finalidade da arte é a paz. Seamus Heaney
PALAVRA DO DIA
Japão Ciclone tropical Krosa a caminho
CHINA PRODUÇÃO INDUSTRIAL CRESCE AO RITMO MAIS LENTO DESDE 2002
O ciclone tropical Krosa estava ontem a aproximar-se das costas do Japão, onde as autoridades alertaram os cidadãos para os riscos de chuvas diluvianas e de ventos violentos. Às 01:00, esta depressão encontrava-se pelo menos a 300 quilómetros a sudeste da ilha de Tanegashima, situada a sul das principais ilhas do arquipélago japonês. Estas últimas deverão ser directamente atingidas esta quinta-feira. As previsões apontam para chuvas torrenciais, com elevado risco de inundações, marés de tempestade e aluimentos de terra, de acordo com os especialistas da agência de meteorologia japonesa. As empresas de transportes decidiram já anular várias ligações aéreas e ferroviárias de alta velocidade, previstas durante o dia, e também para esta quinta-feira.
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ritmo de crescimento da produção industrial da China foi, em Julho, o mais lento dos últimos 17 anos, acompanhando a tendência de outros indicadores económicos, à medida que Pequim trava uma guerra comercial com Washington. No mês passado, a produção industrial registou um aumento homólogo de 4,8% por cento, em Julho, menos 1,5 pontos percentuais do que no mês anterior, disse o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês. Trata-se do ritmo de crescimento mais lento desse Fevereiro de 2002. Segundo a consultora britânica Capital Economics, os dados mostraram que a desaceleração da economia chinesa está a acentuar-se e prevê um “abrandamento mais acentuado no horizonte”. “Os dados sugerem que o crescimento económico enfrenta renovadas pressões negativas. Mesmo com políticas fiscais mais favoráveis, a actividade da construção permanecerá sob pressão nos próximos trimestres, quando o recente ‘boom’ do desenvolvimento imobiliário relaxar”, considerou o analista Julian Evans-Pritchard, num relatório. O analista da Capital Economics acrescentou prever uma desvalorização futura da moeda chinesa, o yuan, mas que dificilmente compensará o arrefecimento da procura global ou o aumento das taxas alfandegárias sobre produtos chineses, impostas pelos Estados Unidos. “Como resultado, esperamos nova desaceleração da actividade económica, no próximo ano”, concluiu Evans-Pritchard.
quinta-feira 15.8.2019
Eles andam aí Imagens de satélite mostram polícia e militares próximos de Hong Kong
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MAGENS de satélite ontem difundidas mostram veículos do exército e da polícia chineses reunidos em Shenzhen, cidade que faz fronteira com Hong Kong, palco há dois meses de protestos antigovernamentais. De acordo com as imagens, difundidas pela Maxar Technologies, veículos militares e de segurança estão estacionados no Centro de Desportos da Marinha de Shenzhen, na fronteira com Hong Kong. Um comunicado da polícia chinesa, difundido pela imprensa, informou que mais de 12 mil policias estão reunidos em Shenzhen, para exercícios antimotim. Os exercícios são parte dos preparativos de segurança para o 70.º aniversário da República Popular da China, em 1 de Outubro. “O exercício será realizado para aumentar o moral das tropas, praticar e preparar a segurança das celebrações e manter a segurança política nacional e a estabilidade social”, disse a polícia. Também a imprensa oficial chinesa advertiu que os manifestantes em Hong Kong caminham para “a autodestruição”, ao mesmo tempo que são divulgados vídeos
com veículos militares a aproximarem-se da fronteira da cidade. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu na rede social Twitter que foi informado pelos serviços secretos norte-americanos de que tropas chinesas estão a ser transferidas para a fronteira com Hong Kong.
PRIMEIROS SINTOMAS
Na terça-feira, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, disse à imprensa que “actividades ilegais em nome da liberdade” estão a prejudicar o Estado de Direito na região administrativa especial chinesa, e que a recuperação do centro financeiro asiático pode demorar muito tempo.
Um comunicado da polícia chinesa, difundido pela imprensa, informou que mais de 12 mil policias estão reunidos em Shenzhen, para exercícios antimotim
O Governo chinês afirmou esta semana que há “sinais de terrorismo” nos protestos antigovernamentais em Hong Kong, agravando assim o tom sobre as manifestações. Entre a opinião pública chinesa, exposta nos últimos dias a uma intensa campanha mediática sobre os manifestantes em Hong Kong, repetem-se os apelos, através das redes sociais, para uma intervenção das forças armadas chinesas no território. Inicialmente, as autoridades chinesas optaram por censurar qualquer informação sobre os protestos, que decorrem há dez semanas, mas, nos últimos dias, optaram por caracterizá-los como tumultos violentos, perpetuados por mercenários pagos por forças externas. Críticas aos manifestantes e demonstrações de apoio a uma intervenção do exército foram ontem quase o único tópico partilhado por utilizadores do Wechat, a principal rede social da China. Facebook, Twitter ou Instagram estão banidos da rede chinesa, a maior do mundo, com cerca de 710 milhões de utilizadores.
Coreia do Norte Voos para Jinan retomados
A transportadora aérea norte-coreana efetou o primeiro voo em três anos entre Pyongyang e Jinan, capital da província de Shandong, no nordeste da China, foi ontem noticiado. De acordo com a agência noticiosa EFE, que cita dados do portal Flightradar24, a Air Koryo, que tinha operado a rota Pyongyang-Jinan durante três meses em 2016, efectua actualmente quatro ligações regulares entre a capital norte-coreana e Pequim, Xangai, Shenyang e Dalian. A última ligação foi reactivada em Julho, depois da visita, um mês antes, do Presidente chinês, Xi Jinping, a Pyongyang, naquela que foi também a primeira deslocação em 14 anos de um chefe de Estado da China à Coreia do Norte.
Paquistão PM responde com avisos à Índia
O Paquistão responderá a qualquer agressão da Índia sobre a Caxemira paquistanesa, alertou ontem o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, após os indianos retirarem o estatuto especial que existia para a Caxemira indiana. “Os militares paquistaneses têm informações sólidas de que (os indianos) pretendem fazer alguma coisa na Caxemira paquistanesa”, disse Khan num discurso em Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa. “Decidimos que se a Índia cometer alguma violação, vamos lutar até o fim. Está a chegar o momento de vos ensinar uma lição”, acrescentou. As tensões entre os dois vizinhos aumentaram depois de a Índia ter revogado, há dez dias, a revogação da autonomia constitucional do estado de Jammu-Caxemira, medida explosiva que visa colocar a região sob uma tutela mais direta de Nova Deli e que o Paquistão considerou “ilegal”.