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Hoje Macau 15 AGO 2011 #2432

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 15 DE AGOSTO DE 2011 • ANO X • Nº 2432

Ter para ler

TEMPO POUCO NUBLADO MIN 27 MAX 33 HUMIDADE 55-85% • CÂMBIOS EURO 11.4 BAHT 0.3 YUAN 1.3

Assembleia Legislativa

Deputados criticam facilitismos e duplicação de subsídios a associações

AU KAN SAN ATIRA TODOS OS DARDOS CONTRA LAU SI IO • PÁGINA 4

Estourar o dinheiro até à exaustão São convívios, banquetes e reuniões pagos com pipas de dinheiro que saem dos cofres públicos. Os democratas denunciam que há 4000 associações a pedir subsídios aqui e acolá e que dezenas de milhões de patacas são gastas todos os anos com futilidades e luxos. Os deputados pedem uma melhor fiscalização do erário público para acabar com o comportamento de novo-riquismo. > PÁGINA 5

Pequim

O PORTUGUÊS QUE CONHECE TODOS OS SEGREDOS DA CIDADE PROIBIDA. EM CHINÊS SIMPLICADO E TRADICIONAL • PÁGINAS 2 E 3

Inflação

CHUVA DE CRÍTICAS POR MEDIDAS SUPERFICIAIS • PÁGINA 6

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SEGUNDA-FEIRA 15.8.2011 www.hojemacau.com.mo

ACTUAL

HOJE MACAU

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Português investiga há décadas os Ming e os Qing

Viagem aos arquivos da Cidade Proibida Maria João Belchior info@hojemacau.com.mo

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E manhã ao final da tarde, todos os dias, durante três anos. Rui Magone, professor com 46 anos, descreve os anos de investigação nos Arquivos da Cidade Proibida em Pequim, como parte do trabalho para a tese de doutoramento. Sinólogo de profissão e paixão, Rui Magone é um dos portugueses que há mais tempo se dedica à China. Desde 1986 a estudar a língua e a história, hoje lê fluentemente chinês, clássico ou moderno, caracteres tradicionais ou simplificados. Já passaram 26 anos desde que se propôs a aprender a China clássica. A tese de doutoramento, que durou de 1996 a 2001, debruçou-se sobre

um tema que cria interrogações – o exame imperial de 1685.

OS CLÁSSICOS CONFUCIONISTAS

Porquê 1685 parece ser a pergunta natural. Mas ao falar com o professor percebe-se que a complexidade está no sistema de exames, tendo o ano sido escolhido como resultado de muitas horas a ler testes em chinês. Quando chegou a Pequim para a investigação, já conhecedor do país onde viveu de 1986 a 1988, percebeu que a Cidade Proibida guardava muito mais documentos do que pensara. E que o esperavam longas horas de leitura. “Lia, relia e copiava à mão porque tirar fotocópias dos documentos era muito caro”, conta. “Os documentos que circula-

vam entre o centro do Império, Pequim, e a periferia que eram as regiões, estão hoje no arquivo da Cidade Proibida”, explica. “Há documentos de todos os formatos em papel antigo, escritos à mão, uns de maneira regular e outros em caligrafia, e alguns são muito difíceis de ler.” A maior parte são folhas estreitas, em caracteres tradicionais, num chinês clássico e na vertical, no sentido da direita para a esquerda. Rui Magone conhece ainda a biblioteca do museu do palácio onde estão os livros imperiais. A percorrer documentos de 1600 a 1700, o investigador terá reescrito 10 a 20 mil páginas de chinês clássico. O século XVII marca o fim da dinastia Ming e o início da Qing. E Rui Magone leu um século

de informação sobre os exames que versavam sobre os clássicos confucionistas. “Os quatro livros clássicos – Analectos, Mencius, O Livro do Meio, e A Grande Doutrina – eram os principais daquele sistema, aos quais se juntava o Livro das Mutações”, explica. Os exames dirigidos a quem queria ascender a mandarim, os oficiais da burocracia imperial, aconteciam a cada três anos. Alguns tentavam a vida toda sem nunca conseguir entrar. “Começavam a nível local e inicialmente iam dois milhões ao teste”, conta Rui Magone. “À segunda parte, ao nível provincial, passavam cerca de 30 mil. Desses, ao nível metropolitano passavam 1500 e ao nível do palácio restavam 300.” Todos os que chegavam ao

exame final entravam na burocracia imperial.

A CHINA DO IMPERADOR KANGXI

Representante Manchu, Kangxi era o imperador no ano 1685. Imperador de 1661 a 1722, foi o que esteve mais tempo no poder durante a dinastia Qing. Estima-se que a China, constituída por 18 províncias, tivesse 150 milhões de habitantes. Rui Magone, conhecedor dos corredores da Cidade Proibida onde poucos entram, refere o imperador Kangxi como “muito interessado na cultura chinesa, mesmo sendo manchu, e um conhecedor da China clássica”. No último nível dos exames, na prova mais alta, era o Imperador que fazia as perguntas. “Uma pergunta podia


Não é totalmente injusta a ideia de que o Verão e, em particular, o mês de Agosto, são períodos de tempo pouco propícios a grandes debates ou reflexões. Daí a consagrada designação, na sua pouco utilizada versão portuguesa, de estação tonta. Não deixa, assim, de ser algo surpreendente para alguns, entre os quais confesso que me encontro, regressar a Macau e verificar que a nossa agenda política foi, neste período, tão marcada pela questão da reforma do sistema político. José I. Duarte, P. 15

Rui Magone conhece ainda a biblioteca do museu do palácio onde estão os livros imperiais. A percorrer documentos de 1600 a 1700, o investigador terá reescrito 10 a 20 mil páginas de chinês clássico. O século XVII marca o fim da dinastia Ming e o início da Qing. E Rui Magone leu um século de informação sobre os exames que versavam sobre os clássicos confucionistas ser – o que pensam das fronteiras do nosso território, devem expandir-se ou ficar como estão?”, conta o professor português, residente em Berlim. Os temas dos exames no palácio eram sempre políticos e os candidatos tinham de escrever um ensaio final. A média de idade de quem entrava rondava os 40 a 45 anos. Sendo uma meritocracia, não havia ligações a estatuto social para se candidatar ou entrar. Mas, como o investigador salienta, quem vinha de famílias de letrados ou com relacionamentos com estas, teria mais facilidade nos estudos clássicos. “Era preciso ter muito saber”, acrescenta o professor. A actual Cidade Proibida visitada por milhões de pessoas tem pouco a ver com a construção inicial de 1420. Apesar de datar da época Ming, a maior parte dos edifícios no seu interior é Qing. A última dinastia da China imperial ficou marcada pela presença dos Jesuítas na corte imperial. E entre estes, vários portugueses. Em conjunto com o professor Henrique Leitão da Universidade de Lisboa, Rui Magone tem um outro projecto para decifrar o que se escrevia na China no século XVII sobre astronomia.

OS 12 CÉUS JESUÍTAS

“Foi o primeiro texto importante sobre astronomia europeia publicado na China”, conta o professor. Tian Wen Lue, ou o “Epítome de Questões sobre os Céus” foi publicado em 1615 em Pequim e escrito pelo jesuíta português Manuel Dias Júnior. “É um documento em chinês clássico para o qual Manuel Dias Júnior teve a ajuda de colaboradores chineses.” O documento de algumas páginas, que tem uma das versões originais na Biblioteca do Vaticano, foi redigido pelo jesuíta

como explicação dos Céus para os chineses. Henrique Leitão, historiador das Ciências e professor da Universidade de Lisboa e especialista em Ciências Jesuíta, está a comentar a tradução juntamente com Rui Magone, responsável por traduzir a obra. Através da Universidade de Lisboa e da Academia Chinesa das Ciências, os dois professores estão perto de terminar o projecto que começou em 2006. Depois de revista a tradução ao nível científico, será publicada em inglês. “É um texto muito bem escrito e que pode ser lido ainda hoje sendo interessante para historiadores da Ciência em todo o mundo”, descreve Rui Magone. O Jesuíta

português contava os doze Céus dos Jesuítas, uma ideia que dividia o Universo entre o céu máximo que era o paraíso e o céu mínimo que era a terra. Entre um e outro havia outros dez céus. A riqueza histórica Qing, uma dinastia Manchu com forte presença de Jesuítas na corte imperial, é evidenciada também pelo contacto entre o Ocidente com o Oriente. Depois de ler um século de informação, o investigador português continua apaixonado pela história daquela época. “Por vezes as pessoas olham a Cidade Proibida com uns olhos orientalistas, como um palácio que ficou sempre da mesma maneira, não teve evolução ou desenvolvimento”, diz. “Há uma

ideia que a China imperial não mudava, que não tinha aspectos modernos e só em 1840, com a Guerra do Ópio que a China começou a transformar-se”, acrescenta.

ENTENDER A CIDADE PROIBIDA

Uma ideia que não está certa e que, em conjunto com outros académicos, colegas que leccionam na Alemanha, Rui Magone acredita que pode ser desconstruída. Um projecto sem fim é o que o professor chama ao novo trabalho que o vai trazer de volta aos arquivos imperiais. “Queremos reconstruir o horizonte epistémico da China Imperial, reconstruir como funcionava o império, o que fazia o imperador na Cidade Proibida,

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3 como era o dia a dia lá dentro, que problemas havia, que imagem é que a população tinha da Cidade Proibida, como é que a noção de Cidade Proibida foi construída na mente europeia através dos relatos dos jesuítas.” Para isto, os investigadores irão reler novamente todas as informações dos anos que vão de 1600 a 1700. “É um período que definimos”, diz Rui Magone, “o que não quer dizer que se houver um documento muito importante de alguns anos antes ou depois, não seja levado em conta”, termina. Essencial é reler a história para a poder entender. E no final haverá livros para sair. Rui Magone tem um projecto-piloto em que vai analisar os 36 exames do palácio entre 1600 e 1700. Há muita documentação e o português quer dedicar-se a entender os pormenores das provas, como é que se passavam, quais eram as pessoas que estavam envolvidas, como é que avaliavam os exames, qual o papel que o imperador desempenhava nas provas, ou seja, fazer uma história muito detalhada dos exames no palácio imperial de 1600 a 1700.

A riqueza histórica Qing, uma dinastia Manchu com forte presença de Jesuítas na corte imperial, é evidenciada também pelo contacto entre o Ocidente com o Oriente. Depois de ler um século de informação, o investigador português continua apaixonado pela história daquela época Quantas horas mais faltam a ler documentos clássicos e a decifrar caracteres, o investigador não sabe. As estatísticas de quantas pessoas viveriam na Cidade Proibida durante aquele século não são convincentes do ponto de vista histórico. Entre mandarins, eunucos, concubinas, há todo um universo de relacionamentos humanos a estudar sobre aqueles que viviam à volta dos Imperadores. Rui Magone resume a ideia “o que queremos com o projecto é dizer – bem, se calhar não era uma China moderna mas era uma China que funcionava. E depois saber como é que ela funcionava e se também havia desenvolvimento, evolução.” E conclui “estamos a tentar construir uma narração diferente da história da China imperial”.


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4 Au Kan San imparável, Lau Si Io sem vontade de falar e muita controvérsia na aprovação da Lei da Habitação Económica. Ainda assim, o diploma passou na especialidade e 4000 fracções públicas podem, finalmente, ser entregues

POLÍTICA Diploma da Habitação Económica passa na Assembleia Legislativa

Aprovado a muito custo

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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OI o terceiro e mais conturbado ponto da ordem do dia, no plenário de sexta-feira na Assembleia Legislativa (AL). A proposta de Lei da Habitação Económica foi aprovada em especialidade, mas com artigos votados em separado sob constante escrutínio dos deputados. Au Kam San dominou o plenário, numa espécie de frente-a-frente com Lau Si Io, secretário para os Transportes e Obras Públicas. A abertura do concurso público para as candidaturas às habitações económicas é decidida por Chui Sai On, algo que não agradou ao deputado democrata. Au Kam San criticou o facto de esta decisão “depender da vontade do Executivo” e não assentar em prazos. “Se o senhor Chefe do Executivo quiser abrir um concurso público de dez em dez anos as pessoas têm de esperar”, ironizou o deputado. Mas foi o sorteio informático que sugeriu mais distúrbios no plenário. Segundo o diploma, os candidatos a habitação económica são graduados de acordo com o agregado, tendo prioridade as famílias com idosos ou deficientes. Em caso de empate, a ordenação é feita por sorteio informático. “Com esta ordenação as probabilidades são maiores nos casinos”, ironizou Au Kam San. O deputado democrata critica o facto de este ser um sistema “completamente aleatório” e que “pode dar azo a outro tipo de situações”. Au Kam San refere-se, por exemplo, à possibilidade de os funcionários do Instituto da Habitação (IH) - os responsáveis pelo sorteio informático - poderem interceder junto dos dados para favorecer determinados candidatos. José Pe-

reira Coutinho partilha da opinião: “O sorteio informático vai mostrar falta de transparência, há funcionários do IH que são pagos por empresas privadas, como podemos garantir justiça?”, questionou. Para Lau Si Io não há dúvidas. O secretário afirmou, em resposta aos deputados, que o sistema “é operacional e viável”, que o Governo de Macau o implementou “tendo por base as experiências vizinhas” e que “vai ser assegurada, com a ajuda de terceiros, a transparência do processo”. Para o chefe de departamento do IH, a nova forma de ordenação “é mais simples” e faz com que

os nove meses necessários anteriormente para elaborar a lista de candidatos sejam encurtados. Ainda assim a ideia não agradou aos deputados e tanto Au Kam San como Pereira Coutinho voltaram a questionar o representante da DSSOPT, agora mais direccionados para o problema do sistema ser supervisionado por terceiros. “Tenho medo desse tipo de fiscalização”, disse Au Kam San, sendo logo acompanhado por Coutinho. Para Au Kam San, além destes problemas, o sistema informático não é viável em Macau, devido a “não prestar confiança à população do território”.

Ainda assim, o artigo foi aprovado, mesmo com cinco votos contra e uma abstenção.

FALTA DE GARANTIAS

A nova lei não contempla a reserva ou a garantia de terrenos disponíveis para as futuras construções, algo que inquieta Au Kam San. O deputado também interpelou Lau Si Io sobre a quantidade de fracções reservadas para os candidatos com requisitos especiais – a lei prevê que, em casos de catástrofes ou de desocupação forçada, os cidadãos tenham direito a comprar este tipo de fracções. Sem grandes esclarecimentos

MAIS TRÊS LEIS APROVADAS NA ESPECIALIDADE

Com menos controvérsia, foram aprovadas na especialidade as leis relativas à Alteração do Orçamento para 2011, o Regime Jurídico de Reserva Financeira e o Regime de Subsídio de Invalidez e Cuidados de Saúde Gratuitos para os portadores de deficiência. Sem quaisquer votos contra, a última lei chamou apenas a atenção de Ho Ion Sang, que considera que todas as formalidades para a obtenção de subsídio – todos os portadores têm de se submeter a avaliação e só depois lhes é concedido apoio financeiro – “atrasam os trabalhos de retroactividade e originam algumas dificuldades”. Iong Kong Io, presidente do Instituto de Acção Social (IAS) frisou, no entanto, que os 6659 pedidos de avaliação de deficiência já recebidos poderão ser concluídos até ao final do ano e que 1284, ou seja 18,4%, se “encaixam nas candidaturas”. O responsável lembrou que ainda restam quatro meses e que o IAS está a receber apoio dos serviços médicos do território. “Os casos avaliados estão a aumentar, temos confiança que podemos concluir o processo até ao fim do ano”. Já Ng Kuok Cheong deixou explícito o desejo de que os idosos não percam o direito a outros apoios, com a entrada em vigor deste novo regime. “Há idosos que estão a trabalhar e que conseguem quatro mil patacas. Espero que não recebam por uma mão e percam pela outra”, disse o democrata. O Regime de Reserva Financeira passou também sem grandes distúrbios, apenas com Paul Chan Wai Chi relembrando a necessidade de contenção nas despesas com os serviços da Administração Pública e Au Kam San a notar a necessidade de ser elaborada uma Lei Quadro de Orçamento, de forma a que entidades competentes possam fiscalizar as finanças públicas.

da parte do secretário para as Obras Públicas, que apenas garantiu que o Governo iria disponibilizar terrenos suficientes e que iria “ser estudada a questão das reservas”, Au Kam San insistiu. “As pessoas com esses requisitos especiais desconhecem quantas fracções existem para elas. Esses números são apenas controlados pelo Governo, que só futuramente vai estudar a questão”, acusou o democrata. Lau Si Io defendeu que fazer uma estimativa do número desses cidadãos era algo difícil. “Não tenho esses números, mas este é um trabalho contínuo e vamos satisfazer as necessidades da população na medida do possível, assim que estiverem concluídas todas as habitações teremos mais números”,frisou o secretário. Também a implementação de validade para as listas de candidatura - que obriga a nova inscrição quando terminam as fracções disponíveis - foi alvo de queixas da parte dos deputados. Ng Kuok Cheong acredita que esta é uma regra injusta, “porque as pessoas podem nunca mais ter uma fracção”. O deputado dá mesmo um exemplo: uma pessoa que reúna condições num momento, pode ter alterado a sua estrutura familiar ou mesmo ter falecido na altura em que se deverá inscrever outra vez. “Isto é arrastar o problema, o candidato está na lista de espera e tem de voltar a candidatar-se. O Governo está a esquivar-se das responsabilidades, quando a pessoa deixa de ter necessidade já não tem que dispensar uma fracção”, acusa o democrata. Au Kam San recorda que Chui Sai On disse que ia ser determinado tempo de espera e acusa Lau Si Io de estar a contrariar o Chefe do Executivo. O deputado compara mesmo a situação de espera para a obtenção de casa à situação caótica dos autocarros e atira: “há pessoas que podem ficar a vida toda sem direito a uma fracção”. O secretário para as obras públicas explicou que a previsão do número de habitações públicas não poderia ser lançado agora, já que dependia “de factores externos como os preços do mercado privado”. Para Paul Chan Wai Chi e Ho Ion Sangue a situação actual é tão grave que os deputados afirmam


NOVO PRESIDENTE NA COMISSÃO EXECUTIVA DO BNU

O administrador da Caixa Geral de Depósitos Pedro Cardoso foi nomeado presidente da Comissão Executiva do BNU Macau. Pedro Cardoso, que nos últimos anos foi, em Lisboa, administrador da Caixa Geral de Depósitos, accionista único do Banco Nacional Ultramarino, deixa agora a capital portuguesa para assumir a liderança do banco co-emissor de moeda em Macau, substituindo Artur Santos, há um ano no cargo. O BNU fechou 2010 com um resultado líquido de 373,1 milhões de patacas, mais 16,6% do que em 2009.

que as pessoas elogiam a Administração Portuguesa neste sentido. “Na Administração Portuguesa sabia-se quantas fracções iam ser disponibilizadas, agora não”, frisa Ho Ion Sang.

SEM LUCROS?

A questão do pagamento de compensação ao Governo em caso de alienação da fracção ao mercado privado roubou mais alguns minutos à aprovação final da lei. Mais uma vez os três deputados

anteriores se manifestaram contra a decisão do Executivo, alegando que os candidatos não pretendem obter lucros com as vendas das casas, mas que o fazem por motivos de mudança na estrutura do agregado, devido, por exemplo, à chegada de filhos. Para Au Kam San é a Administração quem pretende lucrar. Lau Si Io não quis comentar o assunto, mas o artigo relativo a esta obrigação passou em plenário com cinco votos contra.

O facto dos edifícios destinados à habitação pública serem construídos apenas pelo Governo não foi muito bem aceite por Au Kam San, que caracterizou a situação como “uma porta que se fecha”, não apenas às empresas de construção, mas também à oportunidade de existirem diferentes modelos e soluções para as habitações económicas. Entre outros, também os limites e declarações dos rendimentos dos candidatos foram votados em

separado com três votos contra dos democratas e uma abstenção.

FINALMENTE AS CASAS

Apenas pelo facto de a distribuição das habitações depender da aprovação da Lei da Habitação Económica é que o diploma passou em plenário. Mesmo assim, parte dos deputados consideram que a lei não concretiza as promessas do Executivo e que traz mais dificuldades do que resoluções. Por isso mesmo, o pedido de revisão da lei ficou já explícito na AL.

DEPUTADOS CRITICAM FALTA DE CONTENÇÃO DO GOVERNO EM GASTOS

O síndrome do novo-riquismo H

Á mais de 4000 associações cívicas que pedem apoios financeiros ao Governo. Ainda que apoiem a Administração, o esbanjamento do erário público é um facto. E, muitas vezes, os financiamentos são pedidos em duplicado, dada a quantidade de serviços públicos responsável por esses apoios. Chan Meng Kam interveio no período antes da ordem do dia no plenário de sexta-feira da Assembleia Legislativa (AL), para dar a conhecer estes e outros gastos excessivos da Administração. Segundo o deputado, as reuniões e actividades anuais destas associações são “às centenas”, originando, simultaneamente, gastos que atingem “as dezenas de milhões de patacas”. Fundamentando a sua intervenção em pesquisas, Chan Meng Kam frisa, por exemplo, que em 2007 foram realizados 280 seminários, mas nunca houve qualquer divulgação de quanto erário público foi dispendido. Outra questão, continua Chan Meng Kam, prende-se, por exemplo, com apoios em duplicado. “Como muitos serviços públicos concedem apoios financeiros, algumas associações deitam o barro à parede e apresentam pedidos de apoio a vários serviços para a realização de uma reunião”, aponta o deputado, acrescentando que algumas delas conseguem mesmo apoios financeiros em duplicado. Chan Meng Kam utiliza os exemplos de apoios concedidos pela Fundação Macau, Fundo de Cultura, Fundo de Turismo, Serviços de Saúde, Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Instituto de Acção Social e Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental - que financiaram 170 conferências no valor de 29 milhões de patacas o ano passado -, para demonstrar o “excesso” de gastos. É que dentro destes eventos incluem-se tomadas de posse, atribuições de prémios ,festejo de aniversários e o problema reside em que o erário público serve para pagar as despesas de viagens dos participantes de fora. “Quando é Macau a convidar os participantes para reuniões, e as despesas são pagas pelo território, isto significa que Macau tem dinheiro ou que somos pacóvios?”, ironiza Chan Meng Kam. O deputado diz entender ser inevitável

as celebrações ou cerimónias, mas não compreende porque têm estas de ser “realizada em lugares luxuosos como o Venetian ou o Wynn, desperdiçando pipas de dinheiro do erário público”. Chan Meng Kam pede ainda ao Governo informações sobre os resultados das palestras que se realizaram na RAEM sobre o “Aquecimento Global” e “Comentário sobre as respostas do Chefe do Executivo na sessão de perguntas e respostas do plenário”. “Quais os resultados dos estudos e as vantagens para a sociedade”, questiona.

O deputado diz ainda que as associações que recebem apoios financeiros constantes o fazem sob qualquer justificação e realizam, ainda assim, todos os anos as mesmas actividades sob os mesmos, gastando milhões de patacas.

GOVERNO SEM NOÇÃO

Au Kam San acredita que a Administração deveria ter mais consciência do futuro económico da RAEM. Em plenário, na sexta-feira, o deputado democrata disse que “a economia de Macau ergue-se em alicerces inseguros”,

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5 Com a entrada em vigor da lei, a 1 de Outubro deste ano, “o Governo iniciará imediatamente o trabalho da atribuição e venda de habitação económica na Rua de Tranquilidade do Hipódromo”, frisou Lau Si Io. Começam, assim, a ser distribuídas as quatro mil fracções já concluídas e pode dar-se início à venda antecipada das habitações no lote TN27 da Taipa. Até 30 de Junho de 2011, 11.636 agregados familiares estavam na lista de espera para obtenção de habitação económica.

uma vez que quase 80% das receitas provêm da China continental, quer a nível de jogo, quer de turismo. “Em Macau, quer as receitas do jogo, quer o florescimento económico estão erigidos com base na sangria de um valor superior a 100 mil milhões em moeda estrangeira, o que faz gerar corrupção, falência de empresas privada, (…) na China.” O democrata acredita que nenhum desenvolvimento financeiro pode perdura dependendo de outra economia, mas acusa o Governo de não estar atento ao fenómeno. “A pujança económica que agora se vive em Macau, pode não permanecer eternamente imutável. Para qualquer Administração isto deveria estar mais claro”, alerta. Ainda assim, acusa Au Kam San, o que nos deparamos é com o crescente aumento da máquina administrativa, que “cresce à medida das receitas do jogo”. O deputado dá como exemplo a criação da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), cuja “falta de conhecimento sobre a área de tutela faz com que tudo seja levado a auscultação pública, até a necessidade de se fazer um relatório de avaliação ambiental”, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, “que gastou muito dinheiro mas que não resolveu os problemas de trânsito”, e da Direcção dos Serviços de Regulação das Telecomunicações, que continua sem resolver os conflitos entre anteneiros e TV Cabo, mesmo tendo sido criada para esse fim. Recorde-se que ainda recentemente foram alargadas as divisões dos Serviços da Administração Pública, tendo sido criados mais de 300 novos postos de trabalho, o que perfaz um total de 33 mil funcionário públicos no território. Au Kam San relembra “que as despesas do pessoal são regulares e fixas e não podem ser reduzidas”, para questionar a necessidade de mais unidades e trabalhadores nos departamentos públicos. Na intervenção do deputado teve ainda lugar o metro ligeiro. Au Kam San avisa que as despesas da primeira fase do novo sistema de transporte do território se vão situar nas cerca de 16 mil milhões de patacas – quando apenas foi dito à população que iriam ser gastos 4,2 mil milhões. O democrata acredita que os avançam projectos com estimativa orçamental pouco rigorosa porque “há dinheiro a mais e, logo, não é preciso pensar antes. Para Au Kam San, “este é o pensamento típico de quem enriqueceu de repente”. - J.F.


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SOCIEDADE

Especialistas cobram medidas anti-inflação do Governo

Isenção de impostos e mais apoios Virginia Leung

virginia.leung@hojemacau.com.mo

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OM a inflação a roçar os 6% - atingiu 5,65% no mês passado – especialistas da área económica acusam o Governo de não ter ainda um plano claramente definido para combater os efeitos deste lobo mau e classificam as medidas anunciadas por Chui Sai On na semana passada, durante um plenário na Assembleia Legislativa, de superficiais e de curto prazo. Sandro Kou, director-executivo da Nova Juventude Chinesa de Macau, diz que a prosperidade económica da RAEM deveria incentivar mais medidas económicas para travar os efeitos colaterais da subida do Índice de Preços no Consumidor (IPC), que no mês passado atingiu um número não visto há 30 meses. Para o economista, o Executivo deveria concentrar-se em dar ainda mais apoios às faixas mais carenciadas da população, mas não só. “Deveria haver isenção de impostos para jovens casais, para os agregados com crianças recém-nascidas e para as famílias que têm idosos a seu cargo”, apontou o responsável durante um fórum realizado ontem pela Associação para discutir medidas anti-inflação. Para Joey Lao Chi Ngai, presidente da Associação de Ciências

Económicas de Macau, não basta apenas atribuir subsídios pela população. É preciso reconhecer e combater na fonte o problema. “Considero que a prioridade deveria ser a análise dos factores que fazem com que a inflação suba a esse ritmo em Macau. Todos sabemos que se deve a factores externos, já que o território está totalmente dependente de bens importados. Uma das opções para travar o problema seria a indexação

da pataca a outra moeda”, disse o economista. Segundo o especialista, a pataca – que está indexada ao dólar de Hong Kong e, automaticamente, ao dólar norte-americano – está cada vez mais desvalorizada e assim continuará até 2013, prevê. “É muito provável que a valorização do yuan nos mercados internacionais puxe para baixo o dólar norte-americano. Isso faz com que a pataca caia também e torne a vida

“Na semana passada, quando Chui Sai On compareceu à Assembleia Legislativa, repetiu as mesmas medidas de sempre. Nenhuma delas é realmente uma forma relevante de se combater o problema” LARRY SO

IRMÃ DE STANLEY HO PEDE INVESTIGAÇÃO DOS DIRECTORES DA SJM

Winnie Ho desconfiada W

INNIE Ho quer saber se os directores da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) são “apropriados [para o cargo] e credíveis”. A irmã de Stanley Ho, fundador da empresa, pediu à reguladora da Bolsa de Valores de Hong Kong para verificar a idoneidade das pessoas que assumem a responsabilidade da SJM. A notícia foi avançada na sexta-feira pelo jornal “South China Morning Post” e dava conta que o advogado de Winnie Ho teria enviado uma carta à “Hong Kong Securities and Futures Commission” e à “Hong Kong Exchanges and Clearing”, empresas responsáveis pela regulação das bolsas de mercado, a 14 de Junho. A carta apontava como passíveis de investigação o próprio Stanley Ho, a filha Pansy Ho, a quarta mulher do magnata – e deputada da

RAEM – Angela Leong e Ambrose So, director executivo da empresa de Macau. A disputa entre os dois irmãos já não é nova e soma agora mais uma polémica. Winnie Stanley já interpôs mais de 30 processos em tribunais na vizinha RAEHK e em Macau contra o irmão, acusando-o de tentar eliminá-la como accionista da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM). Winnie Ho tem sido ainda constantemente impedida de participar em reuniões da empresa, uma vez que nenhum dos directores a considera como accionista. Na carta enviada pelo advogado, a irmã de Stanley Ho acusa os directores da SJM de não cumprirem as suas funções “com competência, honestidade e justiça” e questiona a sua “reputação, carácter de fiabilidade e integridade”. Ainda segundo o diário de Hong

Kong, Ambrose So terá dito ser-lhe impossível comentar sobre o assunto à imprensa, “uma vez que desconhecia o conteúdo das queixas”.

MAIS TERRA À VISTA

Ao invés disso, o director-executivo da SJM frisou que a empresa ainda aguarda a reposta do Governo sobre a concessão de terrenos no Cotai – onde aguardam igualmente a Wynn e a MGM Macau. Por outro lado, Ambrose So disse que a SJM continua a aguardar a resposta do Governo sobre a sua aplicação para uma parcela de terra no Cotai “. Sem avançar com mais pormenores e adiando mais notícias para o final do ano, Ambrose So deixou ainda em aberto a hipótese de investir na Ilha da Montanha. A SJM não tem, no entanto, qualquer plano ainda definido. - J.F.

da população, que compra tudo da China, mais difícil. Por isso, se continuarmos com a indexação actual não conseguiremos saltar deste ciclo tão rapidamente.” Há seis trimestres a RAEM vem registando um crescimento de dois dígitos no seu Produto Interno Bruto (PIB). “A economia de Macau não pára de dar sinais de boa saúde. Por outro lado, contudo, há a inflação a puxar-nos para baixo”, considerou Joey Lao. “Com tal crescimento económico tão acelerado, é natural que haja um estímulo ao consumo. As pessoas têm mais dinheiro e gastam mais. Consequentemente, os preços sobem e aparece a inflação.” O economista acredita que pôr um pé no travão no crescimento não seria um mau caminho para reduzir a inflação em Macau. “O Governo deveria ter um nível de planeamento que possibilitasse controlar a economia, de forma a desacelerar o crescimento. Para controlar a inflação, é também preciso estabilizar o investimento directo, a macroeconomia e o crescimento do PIB”, explicou Joey Lao. Larry So, professor do Instituto Politécnico de Macau (IPM), também esteve presente na troca de opiniões e relembrou uma antiga promessa do Chefe do Executivo. “O Governo assumiu publicamente que assim que a inflação atingisse os 5% haveria uma série de medidas para aliviar as consequências. Na semana passada, quando Chui Sai On compareceu à Assembleia Legislativa, repetiu as mesmas medidas de sempre. Nenhuma delas é realmente uma forma relevante de se combater o problema”, disse. O professor afirmou que o Executivo prometeu mundos e fundos aos mais pobres e que, agora, sem nenhuma medida específica, as pessoas sentem-se enganadas e estão insatisfeitas com a Administração. “O Executivo deve mostrar mais coragem e mais proactividade”, lançou Larry So. O académico sugere que as autoridades da RAEM abram o leque de importadores, de forma a incitar a competitividade e fazer os preços caírem. “O Governo deveria ser mais rápido nesta acção básica. O que vemos são oficiais passivos, à espera que as coisas aconteçam. O que é que eles esperam?”


DOIS JOVENS DETIDOS POR SUSPEITA DE TRÁFICO DE DROGA

O Corpo de Polícia de Segurança Pública deteve dois jovens, um de 20 e outro de 22 anos, por suspeita de tráfico de droga. A detenção ocorreu na madrugada de sexta-feira para sábado, depois de uma equipa de operação “stop” ter estranhado o comportamento dos jovens que seguiam numa mota. Após uma perseguição e buscas às casas dos suspeitos, os agentes apreenderam mais de 170 gramas de ketamina e mais de 100 comprimidos de Nimetazepam. Durante o interrogatório, um dos suspeitos confessou que os dois tinham combinado juntar dinheiro para traficar drogas. Os jovens compraram os estupefacientes na China através de um amigo, por um total de 8500 yuans. Depois, empacotavam a droga em Macau, para ser vendida em estabelecimentos nocturnos.

Vanessa Amaro

vanessa.amaro@hojemacau.com.mo

H

Á cada vez mais cidadãos a denunciarem possíveis violações de dados pessoais. Segundo o relatório referente a 2010 do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais (GPDP), houve um acréscimo de 34% no número de processos investigados, sendo que a maioria deles originou-se a partir de queixas individuais. Os visados foram maioritariamente entidades

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Residentes estão a denunciar mais casos de violação de dados pessoais

Com as antenas ligadas privadas (66%), seguidos de organismos públicos (22,7%) e, por fim, de indivíduos (11,3%). Só o sector financeiro foi responsável por mais da metade das queixas. Os residentes questionam, sobretudo, a troca de informações pessoais por entidades bancárias e empresas

de promoção e publicidade. Depois de concluídas as investigações, no entanto, o GPDP arquivou 55,8% das reclamações devido ao facto das alegações não estarem comprovadas. Do total, 20,9% dos acontecimentos relatados pelos residentes acabaram por confirmar-se.

MOTORISTAS E TRANSMAC CHEGAM A UM ACORDO PARCIAL

Paninhos quentes da DSAL O

S trabalhadores querem aumentos salariais e regalias. A companhia está preocupada com a fuga da mão-de-obra. Perante ameaças dos motoristas da Transmac de dificultarem a circulação dos autocarros, a Direcção dos Serviços para os Assuntos laborais (DSAL) foi obrigada a intervir para servir de mediadora no conflito de interesses de patrão e empregados. Num comunicado divulgado na sexta-feira, após uma reunião com todas as partes envolvidas, a DSAL aponta que os trabalhadores estão a exigir regalias que estão fora da Lei das Relações de Trabalho. O problema começou a 1 deAgosto, data da estreia do novo modelo de funcionamento dos autocarros. Os motoristas da Transmac rebelaram-se no início deste mês e ameaçavam parar o serviço caso não tivessem os salários aumentados e a manutenção da antiguidade, por considerarem que com o novo modelo também as suas condições de trabalho haviam mudado. Os trabalhadores batiam sobretudo numa única tecla: queriam receber imediatamente os prémios de antiguidade como se tivessem sido despedidos, de forma a começar do zero o novo contrato da companhia. No entanto, o artigo 70.º da Lei das Relações de Trabalho sustenta que a indemnização por despedimento é paga ao trabalhador quando por iniciativa do empregador é resolvida a relação de trabalho. “Outro dos atritos prende-se ao facto de haver condutores de autocarro com mais de 65 anos sem a licença de condução de pesados emitida pelo Governo.Assim sendo, essa faixa de trabalhadores acabou por ficar afastada dos volantes e exige o pagamento de uma indemnização por um facto que, consideram, é alheio à sua vontade. “Nos termos da Lei das Relações de Trabalho, a perda da qualidade de condutor corresponde à caducidade do contrato de trabalho, sendo que, na cessação da relação de trabalho por caducidade, não é paga qualquer indemnização ao trabalhador”, explicaram os responsáveis da DSAL. Perante esta situação, a Transmac propôs então aos

No ano passado, o organismo avançou com a investigação de 63 casos, o que mostra uma evolução positiva quando comparados aos 47 de 2009 ou aos 35 de 2008. Tirar fotografias de um trabalhador que está a dormir durante o expediente não é, por exemplo, nenhuma violação de dados pessoais. A vítima foi queixar-se ao GPDP e à DSAL depois de ter sido despedida com base nas imagens. Acontece, porém, que o empregador terá alertado o trabalhador para tal comportamento abusivo, prometendo documentar-se com fotos quando o apanhasse a cochilar no local de trabalho. Prometido e feito. PUB

trabalhadores acima dos 65 anos duas opções: a cessação da relação de trabalho e o regime de previdência. Se o trabalhador concordar com a primeira opção, é despedido pela operadora e recebe a respectiva indemnização. Com a escolha do regime de previdência, válida para todos os trabalhadores no activo independente da idade, o trabalhador e o empregador pagam proporcionalmente a contribuição e após a cessação da relação de trabalho, o trabalhador tem direito a receber um montante nos termos das respectivas disposições e em função da sua antiguidade. A Transmac garante que os valores então poupados podem começar a ser levantados pelos trabalhadores passados três anos da criação do fundo. A DSAL acredita que ambas as propostas da Transmac “são mais favoráveis do que as garantias essenciais dos trabalhadores previstas na Lei das Relações de Trabalho vigente”. Ainda assim, o organismo propôs que se faça a contagem da antiguidade dos trabalhadores e que se informe formalmente os envolvidos sobre os valores a receber. A explicação, salvaguarda a DSAL, deve constar num documento que possa ser lido e relido pelos trabalhadores e que seja cumprido futuramente pela companhia. No próximo dia 26, trabalhadores, patrão e DSAL voltam a sentar-se à mesa para mais uma discussão. O objectivo é encontrar um consenso definitivo e pôr fim às ameaças. – V.A.

O GPDP avaliou a reclamação do homem despedido e não encontrou nenhuma violação de dados pessoais. A publicação de editais das Obras Públicas a avisar os proprietários sobre a descoberta de obras ilegais – e consequentemente a exigir a demolição – também não é nenhum crime. Um casal formalizou uma reclamação junto ao GPDP por não ter gostado de ver o seu nome publicado nos jornais. Análises feitas, o organismo concluiu que as Obras Públicas informaram previamente as vítimas que os seus nomes seriam publicitados em caso de não avançarem com a demolição no prazo estipulado. Tratando-se de

uma prática administrativa e formal, não há nada de errado com o anúncio. Por iniciativa própria, o GPDP avaliou se os bancos do território transmitem informações pessoais dos seus clientes a terceiros com a finalidade de promoção. Todas as instituições foram chamadas a pronunciar-se e juraram que não transferiam os dados a terceiros. Depois de também contactar com a Autoridade Monetária de Macau e com o Comissariado de Dados Pessoais de Privacidade de Hong Kong, verificou-se que não havia nenhum tratamento ilegítimo dessa natureza. O processo foi então arquivado.


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vida

ÁFRICA DO SUL MOBILIZA

Os soldados não contam senão com a camuflagem e africanos. Desde Abril, os soldados do exército regular missão combater a caça ilegal, cada vez mais profissio noite, com óculos de visão nocturna, fuzis de assalto A

O A globalização de todos os males Sismo e tsunami no Japão criaram icebergues gigantes na Antárctida

tsunami que devastou o Japão a 11 de Março chegou à Antárctida. Imagens de satélite mostram que uma vaga atingiu a plataforma de gelo Sulzberger e criou novos icebergues gigantes, com uma área duas vezes superior à área de Manhattan. O maior dos novos icebergues tem 6,5 por 9,5 quilómetros e cerca de 80 metros de espessura, segundo uma equipa da NASA (agência espacial norte-americana) que analisou as imagens captadas pelo satélite Envisat da Agência Espacial Europeia (ESA) que, todos os dias, reúne imagens da Antárctida. Os novos icebergues totalizam uma superfície duas vezes superior à área de Manhattan, exemplifica a NASA. Kelly Brunt e a sua equipa conseguiram observar, pela primeira vez, os efeitos de um sismo e tsunami na formação de icebergues, escreve a NASA em comunicado. A 11 de Março foi registado um sismo de magnitude 9 na escala de Richter, ao largo da costa do Japão, que gerou vagas com vários metros de altura. Estas propagaram-se para Sul pelo Oceano Pacífico, ao longo de 13.600 quilómetros, até chegar à Antárctida, mais especificamente à plataforma de gelo Sulzberger, 18 horas depois. Vários

USO EXCESSIVO DE ‘SMARTPHONES’ AUMENTA RISCO DE DOENÇAS DEGENERATIVAS

Nova doença: síndrome do iPhone U

M número cada vez maior de residentes de Hong Kong está em risco de desenvolver uma doença que os médicos chamam de “síndrome do iPhone”, devido ao uso excessivo de ‘smartphones’. A Associação de Quiropráticos de Hong Kong aponta que os médicos estão a registar mais e mais casos de pessoas com uma série de sintomas derivados da má postura durante o uso de iPhones ou consolas de jogos portáteis. As vítimas são principalmente jovens na casa dos 30 anos – ou até mais novos – com dores normalmente associadas a pacientes de meia idade. Dores no pescoço, nas costas, nos ombros e nos dedos são os sintomas mais comuns, que, sem tratamento, podem derivar em tensão muscular, dor crónica e danos a longo prazo irreversíveis, como artrite e esporões ósseos que devem ser extraídos com cirurgia. “Todas essas doenças são

generativas e estavam antes associadas a pessoas na casa dos 40 e 50 anos. Mas ultimamente estamos a ver um número crescente de jovens

de 30 anos ou menos com tais problemas. Denominamos o novo problema de ‘síndrome do iPhone’”, explicou Sophia Ng Mo-tack, presidente da

associação, ao jornal “South China Morning Post”. “Vemos pessoas nos transportes públicos a usar os seus iPhones, a enviar mensagens ou a jogar, enquanto se está em movimento. Para não desequilibrar, têm de segurar com a mão livre nas barras. As cabeças estão sempre tombadas e os ombros em curva. Uma postura muito má.” O simples facto de segurar o telemóvel com uma mão e usar a mesma para escrever mensagens ou jogar faz com que os dedos fiquem numa posição pouco natural, causando um esforço extra no polegar e podendo levar a tensão muscular e tendinite. “O primeiro sinal desta nova doença é um cansaço dos músculos do pescoço e dos ombros. Se esta má postura não for corrigida de imediato, a dor espalha-se e, a longo prazo, transforma-se numa artrite degenerativa”, explicou a especialista. “Se

as pessoas usarem ambas as mãos, aquela com que se segura o telemóvel estará sob maior pressão, devido à força extra no pulso.” Josephine Ip Wing-yuk, professora do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade de hing Kong, também confirma que há cada vez mais afectados pela “síndrome do iPhone”. Entre 10 a 20% dos pacientes que Ip atende têm problemas decorrentes da utilização excessiva dos ‘smartphones’. “É um mal crescente e mostra-se ainda mais grave quando combinado com o uso de computadores. A principal queixa começa com o polegar. É uma doença que leva semanas para tratar. Caso não seja tratada, tem uma resposta inflamatória e o corpo assume-a como uma fibrose, com hipóteses altas de tornar-se uma dor constante e repetitiva.”

Clic eco

REGRESSAR À NATUREZA • Uma ornitóloga segurava ontem um Budapeste. A ave, que esteve ferida,


A EXÉRCITO PARA PROTEGER RINOCERONTES

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as armas para proteger-se dos predadores e, principalmente, dos caçadores ilegais, que dizimam, mês após mês, os rinocerontes sulr sul-africano estão mobilizados ao longo da fronteira com Moçambique, no parque nacional Kruger, no nordeste do país. Têm como onal e organizada, que alimenta o mercado asiático com os chifres dos animais, transformados em pó. Eles atravessam a fronteira à AK-47 (Kalachnikov) e de caça. Os guardas encontram, às vezes, mensagens com ameaças, escritas na areia.

Planeta em números

100

milhões de dólares (790 milhões de patacas) é quanto os Estados Unidos irão investir em acordos com proprietários de quintas na Florida para que estes comprometam-se a cuidar das terras abrangidas pelo Parque Nacional Everglades, uma ampla região pantanosa subtropical de grande importância ambiental.

icebergues soltaram-se e flutuam agora no Mar de Ross. As ondas teriam apenas cerca de 30 centímetros de altura quando chegaram à plataforma mas, segundo a ESA, a sucessão de várias ondas causou perturbação suficiente para criar icebergues. “Estes acontecimentos na Antárc-

tida demonstram que as observações de satélite são essenciais para compreender os mecanismos e os efeitos associados a catástrofes naturais”, comentou Henri Laur, da ESA, em comunicado. A ligação entre o tsunami e a criação de icebergues foi publicada esta segunda-feira na revista Journal of Glaciology pela equipa de Kelly Brunt, do Goddard Space Flight Center, em Maryland.

ck ológico

m bufo-pequeno (Asio Otus) nas planícies húngaras em Hortobagy, a 200 quilómetros de , foi recuperada e marcada com uma anilha antes de ser devolvida à natureza.

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EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA VAI RASTREAR ACIDIFICAÇÃO NO OCEANO ÁRCTICO

Fazer contas às alterações C

IENTISTAS do Serviço Geológico dos Estados Unidos vão embarcar esta semana numa expedição para monitorar as tendências de acidificação no oceano Árctico relacionadas com emissões de carbono. Os pesquisadores vão passar sete semanas em um navio ‘quebrador’ de gelo da Guarda Costeira para chegar o mais próximo possível do pólo Norte com a finalidade de obter amostras e testar indicadores químicos de acidificação. As emissões de carbono vêm sendo responsabilizadas pela alteração da química dos oceanos, por deixá-los mais ácidos, o que torna mais difícil a sobrevivência e proliferação de peixes e outras espécies marinhas. Segundo afirmou em entrevista à Reuetrs a oceanógrafa Lisa Robbins, do Serviço Geológico e uma das integrantes da expedição, o oceano Árctico é considerado especialmente vulnerável à acidificação por causa das temperaturas frias e o já baixo nível de saturação com cálcio. A pesquisa é parte de uma expedição conjunta EUA-Canadá iniciada no ano passado para estudar áreas pouco conhecidas do Árctico. Robbins disse que ainda há poucos dados recolhidos sobre acidificação desse oceano, se comparado com águas marinhas em zonas tropicais e temperadas. A acidificação oceânica é um processo pelo qual as

águas absorvem dióxido de carbono da atmosfera, provocando alterações químicas no equilíbrio ácido-alcalino, ou nível de PH, o que deixa o oceano mais ácido. Como os oceanos actualmente absorvem mais de um quarto dos gases de efeito estufa presentes na atmosfera, aumenta cada vez mais a preocupação com a acidificação e seus efeitos na vida marinha, explicou Robbins. “Pode haver redução da formação do casco em alguns organismos. A acidificação poderia obstruir o crescimento de várias formas de vida marinha, do plâncton para cima. Isso afecta toda a cadeia alimentar”, explicou. De acordo com o Serviço Geológico, a expedição terá sete dias de duração e será coordenada pela Guarda Costeira dos dois países. Deve começar hoje em Barrow, a cidade que fica no ponto mais ao norte nos Estados Unidos.

TRANSPORTE MARÍTIMO BRITÂNICO NÃO QUER REDUZIR EMISSÕES

Não queremos ser como os outros O

sector do transporte marítimo britânico rejeitou firmemente entrar no comércio de emissões europeu, para reduzir os poluentes na atmosfera. “O sistema de comércio de emissões da União Europeia não vai funcionar para o transporte marítimo”, disse ao jornal “The Guardian” Mark Brownrigg, director-geral da Câmara britânica para o transporte marítimo. “Não se adequa. Não é um sistema global, e a navegação é.” No entender de Brownrigg, se os navios vierem a ser incluídos no comércio de emissões, como a Comissão Europeia pretende, então as embarcações vão começar a abastecer-se de combustível em portos não europeus. Depois das fábricas, os aviões foram os seguintes a entrar no sistema europeu de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE). Em 2005, a Comissão Europeia revelou que os navios também seriam incluídos naquele sistema. Mas os planos foram sendo sucessivamente adiados e o sector quer outras soluções. “Este é um debate internacional complexo e precisamos da participação de todos, incluindo do sector dos transportes marítimos, para encontrar uma solução genuína. E deve ser à escala global, através da Organização Marítima Internacional, e não regional”, salientou o responsável. Segundo o jornal, recentemente o sector adoptou novos padrões para a eficiência dos combustíveis que utiliza, que permitirão uma redução das emissões poluentes. AOrganização Marítima Internacional estima que em 2007 o transporte marítimo internacional tenha emitido 870 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), ou seja, 2,7% das emissões totais de CO2 emitidas nesse ano.

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CULTURA

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Memórias de imigrantes portugueses nos EUA em exposição em Lisboa

Um Portugal que vive na terra dos sonhos A exposição que se estreou em ruas norte-americanas chegou ao Museu da Electricidade, em Lisboa. O pedaço de Portugal que vive além fronteiras é levado por Margarida Correia

S

ÃO álbuns, fotografias, recortes de jornais, medalhas, livros e muitos discos. Alguns espalhados pela casa, outros dispostos como se de um museu se tratasse. É uma visita aos cantos à casa de qualquer lar tipicamente português. A única diferença é que fora de portas está um mundo totalmente à parte, outra cultura, outra sociedade. O bairro de Parkville, em Hartford, é só um de muitos bairros norte-americanos onde é possível entrar na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, assistir a um espectáculo de folclore ou ouvir cantar o fado. Uma portuguesa a viver em Nova

Iorque retratou a vida de uma comunidade “orgulhosa mas que vive dentro do seu próprio círculo”.

DAS CASAS PARA AS RUAS

Foi em Setembro de 2008 que Margarida Correia iniciou o projecto. A bater de porta em porta, a pedir licença para entrar e vasculhar os baús de recordações. Margarida viajou rumo a Nova Iorque para tirar um mestrado em Fotografia mas “foi ficando”. Mais tarde entrou em contacto com a Real Art Ways, um centro de artes que já tinha sido uma antiga fábrica de máquinas de escrever - onde trabalhavam

muitos portugueses. Quando o centro demonstrou interesse em saber mais sobre a comunidade portuguesa, que estava ali, literalmente, ao virar da esquina, a fotógrafa entrou em cena. “Comecei a falar com as pessoas e tentar perceber de onde é que elas vinham”, conta Margarida. “Esta é uma comunidade muito particular que vem da região centro do país e que a maior parte emigrou nos anos 60.” Talvez por isso, como indica, as pessoas tinham uma memória em comum. A praia da Nazaré era quase sempre referida como a memória visual mais querida. No Verão de 2009, o New World Parkville estreou-se precisamente neste bairro. Era um outdoor da Nazaré que abria alas às ruas onde tocava música tradicional

portuguesa nas lojas e onde se podiam apreciar capas de discos antigos em postes de iluminação. Por falta de meios e de autorizações da câmara só uma pequena parte do projecto foi exposto. De lado ficaram retratos de personagens e as suas memórias.

A REVOLVER O PASSADO

Manuel Gaspar, Maria Alves e Adelaide Vida. Três nomes muito portugueses, que viveram a língua, a música e a religião em solo americano. O primeiro apresentou “A Hora da Saudade” durante mais de 30 anos. Na exposição, é junto ao seu retrato que podemos comprovar a variedade musical do programa de rádio: há discos de Amália, Roberto Leal e Quim Barreiros. É o radialista que

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INSCRIÇÕES PARA AS PROVAS DO 58.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU Inscrições para as seguintes provas: Início das inscrições: Fim das inscrições:

15 de Agosto de 2011 15 de Setembro de 2011

Em relação aos Regulamentos Desportivos das corridas, favor de redigir à Página Electrónica do Grande Prémio de Macau www.macau.grandprix.gov.mo Local das inscrições: Associação Geral de Automóvel de Macau – China Avenida da Amizade, nº 207, Edifício do Grande Prémio (R/C do Torre de Controle) Horário de funcionamento: De Segunda-Feira a Sexta-Feira, das 09:30h às 13:00h, 14:30h às 18:30h (excepto aos Sábados, Domingos e feriados Públicos) Para informações poderá ligar para o seguinte número de telefone: (853) 28726578

confirma que a sua casa é o “Palácio das Necessidades”, com medalhas, figuras e bandeiras por toda a parte. Noutra casa, foi JoãoAlves que forneceu todo o registo documental da sua mãe e fadista, Maria Alves. Nascida em Hartford cantava de lenço negro e cruz ao peito mesmo quando acompanhada pela sua banda, os “Latin Kings”. Mais organizada é Adelaide Vida que tem as recordações concentradas num álbum. Aqui há pedaços do “Luso-Americano”, um jor-

nal dedicado aos emigrantes portugueses. Também são muitas as imagens da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, onde Adelaide foi voluntária em acções de beneficência. A religião tem uma grande presença no registo documental. Entre uma série de fotografias destaca-se um homem alto e bem parecido que sorri para a procissão: é Ted Kennedy em pleno bairro português.

E PORTUGAL ALI TÃO PERTO

A melancolia imensa de imagens amareladas ilustradas por vozes que cantam o fado é quebrada por uma zona reservada ao presente. Retratos de jovens e adultos primeiro vestidos a preceito com trajes típicos e depois, na mesma posição com a sua roupa do dia-a-dia. A ideia para o duplo retrato não surgiu logo no início Quando Margarida visitou o Clube Português (onde se organizam festas e jantares da comunidade) os jovens estavam vestidos a preceito. Só quando os viu depois, de roupas informais, decidiu fazer o paralelo. A mesma posição, luz e fundo. A roupa diferente: de Portugal aos Estados Unidos num clique.

DESCOBERTOS EM MORA SEIS MENIRES EM FORMA DE CRUZ Um conjunto de seis menires dispostos em forma de cruz foi identificado na primeira semana de Agosto por uma equipa de investigadores da Universidade de Évora no concelho de Mora. Numa primeira observação - que vai requerer uma análise mais aprofundada - a arqueóloga Leonor Rocha, que coordena a investigação, classifica o novo achado como “um novo monumento megalítico” que poderá não ter paralelo na Península Ibérica ou mesmo na Europa. Contudo, não é possível afirmar, neste momento, que se trata de “um recinto megalítico propriamente dito”, prossegue Leonor Rocha. Mas “se vier a confirmar-se que a disposição que os menires apresentam à superfície é a mesma dos alvéolos de implantação, então estar-se-á perante um monumento único a nível peninsular”. A descoberta deu-se num sítio conhecido como Anta da Cruz na freguesia de Brotas. Quatro dos menires têm um alinhamento norte-sul, estando os restantes dois no alinhamento este-oeste. A sua disposição “parece formar uma tipologia desconhecida” no contexto do megalitismo de menires no Alentejo, assinala a arqueóloga, que tem vindo a desenvolver projectos de investigação no concelho de Mora com apoio da câmara local. Três deles “estão decorados com covinhas”, que, num dos casos, parecem representar um símbolo solar. No entanto, só com posteriores escavações é que se pode vir a confirmar se os menires não foram deslocados anteriormente ou se, pelo contrário, a disposição

que apresentam é aquela em que foram originalmente colocados. Os arqueólogos pretendem também saber se o granito de que são constituídos é o mesmo do afloramento sobre o qual se localizam. Para chegarem a uma conclusão vai ser feita uma amostragem. “Aparentemente” o novo achado arqueológico “não estará ligado a rituais funerários”, observa Leonor Rocha. Mas como apenas para 2012 estão programadas mais sondagens no local, só então se poderá confirmar uma tal hipótese. Outra associação que se espera que possa vir a ser feita será entre os menires e algum povoamento do Neolítico, dada a existência de afloramentos graníticos na zona da descoberta. A arqueóloga explica que a descoberta foi fruto do acaso. Apesar de fazer investigação há mais de 20 anos no concelho de Mora, nunca fora ao marco geodésico da Anta da Cruz. Na passada semana a equipa de investigadores da Universidade de Évora fez um desvio no percurso que seguiam no levantamento da zona em estudo. “Quando lá chegámos, vimo-los [aos menires] deitados”, com a configuração em cruz. A dedução foi imediata: a designação Anta da Cruz - que não corresponde a nenhum achado arqueológico anterior - é muito antiga. Já na década de 1970 tinham sido identificados dois recintos megalíticos no concelho, Vale d”El Rei e Fontainhas. As últimas descobertas deste tipo no distrito de Évora datam de 1999, no concelho de Montemor-o-Novo.


LARS VON TRIER NÃO DÁ MAIS CONFERÊNCIAS DE IMPRENSA

O cineasta Lars von Trier disse que não volta a dar conferências de imprensa, depois do escândalo que provocou em Cannes ao mostrar simpatia por Hitler, o que lhe valeu ser considerado pela direcção do festival como “persona non grata”. “Não darei mais conferências de imprensa, é tudo”, assegurou ao diário francês “Libération”, numa alusão ao cineasta norte-americano autor de “A árvore da vida”, filme premiado com a palma de ouro no certame deste ano. Em Maio passado, Trier incendiou o festival de Cannes - em que concorreu pela palma de ouro com “Melancholia” - durante um encontro com os jornalistas. “Eu entendo Hitler, embora considere que fez coisas erradas, claro. Só estou a dizer que entendo o homem. Não é aquilo a que chamaríamos um bom tipo, mas simpatizo um pouco com ele”, declarou então.

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Banksy ajuda a bater recorde do MoCA

“Não se deve pagar para ver graffiti”

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exposição sobre graffiti e arte urbana que esteve patente no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles (MoCA), que inclui trabalhos de Banksy, alcançou o maior número de visitas de sempre naquele espaço. O artista britânico foi um dos seus fiadores. O museu anunciou na semana passada que 201.352 pessoas visitaram a exposição “Art in the Streets”. A exposição, que esteve acessível ao público desde Abril até segunda-feira passada, ultrapassa o recorde estabelecido em 2002, quando 195 mil pessoas viram uma retrospectiva do trabalho de Andy Warhol. “Art in the Streets” esteve mais quatro semanas em exibição que a exposição de Warhol e tinha entrada gratuita às segundas-feiras, razões que poderão ter ajudado os artistas urbanos a destronarem o ícone da pop arte

em matéria de audiências. A instituição avançou com uma média de 4000 visitas nos dias em que não se pagava, e 2486 nos restantes dias da semana. O último dia foi o mais concorrido, atraindo 8424 visitantes. A juntar-se a estes números, a instituição informou também que perto de 2500 pessoas se inscreveram como novos membros, durante o período da exposição. Banksy é um dos que colabora em “Art in the Streets”, juntamente com outros artistas, como por exemplo Shepard Fairey e Space Invader. Para além de apresentar alguns dos seus trabalhos, o aclamado artista britânico foi um dos fiadores da exposição, permitindo que existisse um dia de entrada gratuita. “Acho que não se deve pagar para ver graffiti. Deve pagar-se apenas quando se quer livrar deles”, disse Bansky em comunicado.

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CINEMA | PORTUGUÊS DISTINGUIDO EM LOCARNO

Tocha ardente O

português Gonçalo Tocha recebeu ontem, domingo, a Menção Especial do Júri da Competição Cineastas do Presente, do Festival de Cinema de Locarno, por “É na Terra não É na Lua”, um documentário sobre a ilha do Corvo, nos Açores. “Liberdade”, co-realizado por Gabriel Abrantes, recebeu um prémio na secção “Pardi di Domani”. Tocha estreou-se com “Balaou”, melhor longa portuguesa no Indie Lisboa 2007. Regressou agora, quatro anos depois de

partir pela primeira vez para o Corvo, com um filme, “É Na Terra Não É Na Lua”, exibido no Festival de Locarno. Será depois no Corvo, em data a definir, que Gonçalo Tocha, realizador sem produtora, irá estreá-lo em sala. Filmado em Luanda, “Liberdade” é co-realizado pelo norte-americano Benjamin Crotty. Já no ano passado Gabrile Abrantes tinha sido distinguido no mesmo festival por “A History of Mutual Respect”, co-realizado por Daniel Schmit.

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei nº. 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Estrada Marginal da Ilha Verde, n.os 996 a 1056 (Edifício Mei Lok Garden); - Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, n.os 472 a 490, Rua Três do Bairro Va Tai, n.os 1 a 13, Rua Va Tai, n.os 5 a 11 e Praça das Portas do Cerco, n.os 2 a 40 (Edifício Jardins do Mar do Sul – Bloco I); - Praça das Portas do Cerco, n.os 50 e 94, Istmo de Ferreira do Amaral, n.os 133 a 145, Rua Va Tai, n.os 6 a 12 e Rua Três do Bairro de Vai Tai, n.os 15 a 27 (Edifício Jardins do Mar do Sul – Bloco II); - Rua do Mercado de Iao Hon, n.os 524 a 568, Avenida da Longevidade, n.os 200 a 250, Rua Direita do Hipódromo, n.os 4 a 48 e Rua da Tribuna, n.os 332 a 386 (Edifício Lok Fu Garden). 2. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias após a recepção da notificação do pagamento, ou, até 30/08/2011, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício Finanças, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 18 de Julho de 2011. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


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DESPORTO

Mundial sub 20 | Portugal bate Argentina e está nas meias-finais

Um jaguar? Um canguru? Não! É o Mika

P

ORTUGAL surpreendeu a favorita Argentina e garantiu um lugar nas meias-finais do Campeonato do Mundo de sub-20 de futebol, após vencer a equipa sul-americana na marcação de grandes penalidades, com Mika a ser o herói nacional. Após o 0-0 verificado no tempo regulamentar e no prolongamento, num jogo em que as duas equipas arriscaram pouco ou nada, Portugal esteve com um pé fora do Mundial, devido à falta de pontaria de Danilo e Roderick na marcação de penaltis, mas Mika e o poste da baliza garantiram a vitória lusa por 5-4. Em Cartagena, o guarda-redes do Benfica voltou a ser decisivo, desta vez na lotaria dos penaltis com duas defesas do outro mundo: a primeira a impedir a eliminação de Portugal e a segunda a garantir a passagem à próxima ronda. A equipa treinada por Ilidio Vale, que viajou para a Colômbia sem grandes esperanças de chegar longe

na prova, deixou pelo caminho a mais que favorita Argentina, selecção que tem um grande historial nos sub-20 e se sagrou campeã mundial por seis vezes. Nas “meias”, a selecção nacional vai encontrar o vencedor do jogo entre França e Nigéria.

cipalmente por culpa de Danilo e Pele. Os dois médios criaram uma barreira intransponível em frente à defensiva portuguesa e fecharam todos os caminhos para a baliza de Mika. Na frente, Nelson Oliveira e Caetano foram incansá-

O guarda-redes do Benfica voltou a ser decisivo, desta vez nos penaltis, com duas defesas do outro mundo: a primeira a impedir a eliminação e a segunda a garantir a passagem à próxima ronda Após a má imagem deixada frente à Guatemala nos quartos de final, nada fazia prever que Portugal tivesse arte e engenho para fazer frente àArgentina, mas acabou por surpreender e muito. A equipa lusa, que venceu pela última vez o Mundial de sub-20 em 1991, com a denominada “geração de ouro”, subiu ao relvado do Estádio Olímpico Jaime Morón León muito bem estruturada, não dando espaço às principais figuras dos argentinos, prin-

veis e o pequeno avançado do Paços de Ferreira protagonizou mesmo a melhor oportunidade de todo o encontro, ainda na primeira parte, e só não marcou devido a uma fantástica defesa do guarda-redes Andrada. As duas equipas arriscaram pouco e só na segunda parte é que se voltou a assistir a novo lance de perigo, desta vez com Iturbe, jogador do FC Porto, a obrigar Mika a uma defesa de recurso. Com o passar o tempo,

mais parecia que as duas equipas tinham assinado um acordo de “cessar fogo”, tal era o receio de sofrer um golo, aliado ao crescente cansaço físico de muitos dos jogadores. Só no prolongamento é que Rafael Lopes, que entretanto rendeu o esgotado Caetano, quase que marcou, com o guarda-redes da Argentina, a meias com o poste, a impedir o sucesso luso. Sem golos em 120 minutos, a decisão da eliminatória teve que passar pela marcação de grandes penalidades, que acabaram por ser dramáticas. AArgentina colocou-se a vencer por 3-1, depois de Danilo e Roderick terem falhado, mas o poste impediu que Gonzalez Pirez fosse herói dos sul-americanos, passado logo a vilão. Depois Mika entrou em cena. O guarda-redes com nome de cantor defendeu o remate de Ruiz, que daria também a qualificação à Argentina, e depois fez a vida negra a Tagliafico, carimbando a passagem de Portugal às “meias”.

SPORTING E SPORTING DE BRAGA TAMBÉM NÃO FORAM ALÉM DE UM EMPATE NA ESTREIA

A jornada dos empatas O

Sporting deu, no sábado, corpo à tendência de ainda nenhuma equipa ter conseguido vencer neste arranque da Liga portuguesa de futebol e também não foi além de um empate a 1-1 com o Olhanense, em Alvalade. Depois de o Benfica ter empatado a 2-2 com o Gil Vicente, em Barcelos, e de o Sporting de Braga ter saído com um nulo na deslocação ao Rio Ave (0-0), também o Sporting foi incapaz de vencer na estreia, o que acontece pela terceira época consecutiva. O escândalo chegou mesmo a pairar no Estádio deAlvalade, onde o Sporting esteve em desvantagem desde os 29 minutos, devido ao golo marcado por Wilson Eduardo, jogador emprestado pelos “leões”.

O Sporting chegou ao golo da igualdade pelo russo Izmailov, aos 77 minutos, e num “pressing” final esteve perto de chegar ao triunfo.

BRAGA A ZERO

Em Vila do Conde, Rio Ave e Sporting de Braga iniciaram a sua participação na edição 2010/2011 da Liga com um empate 0-0, numa partida em que se notou que as duas equipas ainda têm algum trabalho pela frente. O Sporting de Braga apresentou-se para este arranque do campeonato com um “onze” renovado em relação à temporada passada, onde apenas Hugo Viana e Alan transitaram do plantel anterior. Em sentido inverso, os vila-condenses surgiram apenas com

um reforço – Pateiro – na equipa inicial, demonstrado maior fluidez no entrosamento coletivo, que lhes valeu uma entrada no jogo conseguida. Alan e Pizzi, já perto do final, ainda tentaram inverter a igualdade, com duas iniciativas individuais, mas numa altura em que o Rio Ave já tinha percebido como segurar, com afinco, o empate.

BENFICA DECEPCIONA

Na sexta-feira, no jogo que marcou o arranque da Liga 2011/12, o Benfica não foi além de um decepcionante empate a 2-2 com o recém-promovido Gil Vicente, em Barcelos, depois de ter estado a vencer por 2-0. A “tradição” de não vencer voltou a cumprir-se pela sétima vez

consecutiva no arranque do campeonato do Benfica, que esteve a vencer por 2-0, com golos de Nolito e Saviola, mas o Gil Vicente reduziu a diferença antes do intervalo, por Hugo Vieira, e já na segunda parte, empatou por Laionel. Laionel dá “mesmo galo” ao Benfica já que o jogador repetiu a graça do jogo da primeira jornada do ano passado, no Estádio da Luz, quando marcou o golo da vitória da Académica de Coimbra (2-1). Ontem realizaram-se os jogos Marítimo–Beira-Mar, Feirense–Nacional, Vitória de Setúbal-Paços de Ferreira, Vitória de Guimarães–FC Porto, e na hoje disputa-se o União de Leiria–Académica. Os jogos começaram depois da hora de fecho desta edição.

CAMACHO ASSINOU ONTEM COM A CHINA O espanhol José Antonio Camacho, que já treinou o Benfica e o Real Madrid, assinou hoje um contrato de três anos com a selecção de futebol da China, que quer lutar pelo apuramento para o Mundial 2014. Camacho, de 56 anos, vai substituir o chinês Gao Hongbo, que foi o mais jovem treinador da selecção da China, com 45 anos, depois de ter sido demitido em Fevereiro do Osasuna, de Pamplona. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, Camacho, que já treinou também a selecção da Espanha entre 1998 e 2002, deverá ser apresentado à equipa chinesa a 22 de Agosto em Kunming, 11 dias antes do jogo contra a Singapura, de apuramento para o Mundial 2014. Na primeira e única participação no Mundial, em 2002, a China não venceu nenhum jogo.


[f]utilidades Cineteatro | PUB SALA 1

THE FORTUNE BUDDIES [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Chung Shu Kai Com: Eric Tsang, Cho-Iam Wong, Siu Cheung Yuen 14.15, 16.00, 17.45, 21.45

[ ] Cinema

Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 19.30

Um filme de: Raja Gosnell Com: Hank Azaria, Neil Patrick Harris 14.15, 18.00, 19.45, 21.45

SALA 2

CARS 2 [A]

RISE OF THE PLANET OF THE APES [B]

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: John Lasseter 14.15, 16.00, 18.00, 19.45

Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 16.00

THE SMURFS [A]

VERTICAIS: 1-Apelido. Registo do que se tratou numa reunião (pl.). 2-Nome grego do deus do Amor (Mit.). Implorar. 3-Género de família das crucíferas (Bot.). 4-Governanta. Ofício (Suf.). Caminho (abrev.). 5-Peça da charrua onde entra a cavilha (Prov.). Cama de lona. 6-Cidade da Babilónia. A última letra do alfabeto grego. Consoantes iguais. 7-Relato por escrito de uma assembleia. Alcunha que os ingleses puseram ao natural dos EUA do Norte. 8-Abismo (Fig.). Unidade de trabalho em todas as suas formas. Umas (Arc.). 9-Abalada com o estrondo. 10-Instrumento cortante com cabo. Soltar ais. 11-Recurso para tribunal superior. Cerimónia eucarística.

SOLUÇÕES DO PROBLEMA

Su doku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Declama. Aguçam, amolam. Nota musical. 2-Autor (Suf.). Pinta, sinal. Aprovado (abrev.). 3-Que fica na direcção de um pólo. Faça traços. 4-És-sueste (abrev.). Filtra. Semelahnte. 5-Dão pios. Érbio (s.q.). 6-Lugar onde cai a cinza, no fogão (pl.). 7-Concede. Tartamuda. 8-O m. q. cóio. Ilha de Inglaterra. Presenteai. 9-Mudança. Que pessoas, que coisas?. 10-Maneira de escrever o plural da letra A equevalente à forma ÁS. Exerce actividade. Elas. 11-Estrôncio (s.q.). Prives da vida. Dues-Sol, no antigo Egipto.

HORIZONTAIS: 1-LE. AFIAM. FA. 2-OR. MOSCA. AP. 3-POLAR. TRACE. 4-ESE. COA. TAL. 5-S. PIAM. ER. O. 6-CINZEIROS .7-A. DA. GAGA. M. 8-COI. MAN. DAI. 9-TROCA. QUAIS. 10-AA. ACTUA. AS. 11-SR. MATES. RA. VERTICAIS: 1-LOPES. ACTAS. 2-EROS. C. ORAR. 3-LEPIDIO. 4-AMA. INA. CAM. 5-FORCAZ. MACA. 6-IS. OMEGA. TT. 7-ACTA. IANQUE. 8-MAR. ERG. UAS. 9-ATROADA. 10-FACA. S. AIAR. 11-APELO. MISSA.

SOLUÇÃO DO PROBLEMA DO DIA ANTERIOR

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Um filme de: Rupert Wyatt Com: James Franco, Freida Pinto, John Lithgow 21.45 SALA 3

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição

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23:45

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Wolf at the Door

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OPINIÃO

SEGUNDA-FEIRA 15.8.2011 www.hojemacau.com.mo

15 n a m a r g em José I. Duarte

Sufrágio universal,

educação e ignorância N ÃO é totalmente injusta a ideia de que o Verão e, em particular, o mês de Agosto, são períodos de tempo pouco propícios a grandes debates ou reflexões. Daí a consagrada designação, na sua pouco utilizada versão portuguesa, de estação tonta. Não deixa, assim, de ser algo surpreendente para alguns, entre os quais confesso que me encontro, regressar a Macau e verificar que a nossa agenda política foi, neste período, tão marcada pela questão da reforma do sistema político. Este é seguramente um tema para todas as estações e, julga-se, não deixará de reaparecer noutras ocasiões. Mas, mesmo sem fazer grande esforço, dos ecos que a comunicação social proporcionou, resulta justificarem-se alguns comentários. É evidente que a questão da reforma política, seja qualquer for a orientação e evolução que venha a ter, é um tema com o qual poucos outros podem ombrear em relevância para o futuro da RAEM. Que não é novo, ninguém contestará. Que tem múltiplas dimensões – método de eleição dos órgãos de poder, relações e repartição de poderes entre estes, participação dos cidadãos nos processos de decisão, autonomia dos órgãos de controlo, para mencionar apenas os mais óbvios - também ninguém disputará. Todavia, o debate deste tema, se de debate se pode realmente falar, arrasta-se sem evolução aparente. Parece uma ‘performance’ pós-moderna, em que os actores repetem até à exaustão – a sua ou a da assistência, isso não está previamente definido - as suas deixas. Assim, alguns deputados, ocasionalmente, interpelam o governo e perguntam: “Como vai isso da reforma política? E o governo, através de um funcionário de serviço, quando lhe parece propício, responde: “Ah, isso só quando houver consenso!” Esta é a primeira e principal linha de força: sem consenso, não se passa nada (que não se esteja já passando, diria um comentador mais exigente). Agora: consenso a propósito exactamente de quê, envolvendo quem, obtido por que processo, em que horizonte temporal, isso nunca parece ocorrer que seria apropriado clarificar. Ou seja, o regime está congelado enquanto se espera um mirífico consenso, venha lá ele donde vier. Assim, o

É evidente que a questão da reforma política, seja qualquer for a orientação e evolução que venha a ter, é um tema com o qual poucos outros podem ombrear em relevância para o futuro da RAEM. Que não é novo, ninguém contestará assunto não se situa no domínio da interacção dos diversos agentes sociais na promoção dos seus interesses particulares ou colectivos – isto é, da política, propriamente dita – mas parece relevar de uma qualquer pragmática criogénica – congele-se a coisa enquanto se espera que uma qualquer tecnologia futura proporcione o tão esperado consenso. Sem dor, de preferência. Aguardemos sentados. Uma segunda linha de argumento, ge-

ralmente subordinada da anterior, é a de que o povo de Macau não tem educação suficiente para o sufrágio universal. Ora aqui, parecem conglomerar-se várias ideias ou preconceitos, de forma implícita. Primeiro, que a democratização se identifica com o sufrágio universal. Ora, isto não poderia ser mais redutor. De facto, esta identificação empobrece e limita o debate. Por um lado, porque se é verdade que é difícil equacionar um regime democrático sem a existência do sufrágio universal, este, por si só, não é mais do que um instrumento. A democracia não se esgota num qualquer processo de sufrágio universal, nem por si só ele a garante. Mais do que um acto, o que está em causa é um processo, um método de resolução de conflitos e de legitimação do exercício do poder. E, por outro lado, é perfeitamente possível conceber a evolução da sociedade para formas mais democráticas de funcionamento do seu sistema político, mesmo antes da

consagração do sufrágio universal como método de eleição para alguns ou a maioria dos órgãos de poder. O regime não tem que ficar à espera que este ou aquele órgão sejam eleitos por sufrágio universal para se tornar mais aberto, transparente ou participativo. Amalgamar as questões, pois, não ajuda à reflexão ou ao debate sobre elas; e se não resultar de ignorância efectiva sobre as múltiplas dimensões do tema, pode mesmo ser interpretado como uma forma deliberada de os viciar e limitar. Segundo, a questão da educação como condição da democratização causa, até por ser tão frequente, grande perplexidade. Gostaria que alguém apresentasse os fundamentos teóricos e o suporte empírico para esta tão comum asserção. É que quem acha isto tem a obrigação de explicitar qual é o grau de educação que permite a alguém ou a alguma sociedade aspirar ao exercício dos direitos (e deveres) de cidadania democrática. Como se determina (e quem o faz) esse limiar de educação que permite passar, qual ritual iniciático, da servidão inelutável ao privilégio da liberdade? Em que fundamentos ou achamentos da ciência política, da sociologia, da psicologia, ou de qualquer outro ramo do conhecimento, encontra respaldo este argumento? E que exemplos concretos podem ser chamados à colação? Quando, ao contrário, parece ser verdade que qualquer um de nós, sem fazer esforço de monta, pode pensar em contra-exemplos. Isto é, casos de sociedades onde coexistem ou coexistiram elevados níveis de educação e de autoritarismo, para não dizer, nalguns casos, de pura barbárie. E inversamente, identificar casos em que valores e práticas da democracia se implantaram em sociedades cujos níveis de educação não podiam nem podem, por nenhum padrão, ser consideradas educadas ou letradas. E, finalmente, em palavras mais chãs, este argumento é como se nos dissessem: “Eh pá! Essa coisa da democracia era fantástica, era mesmo o que nos dava jeito, se este pessoal de Macau não fosse um bando de ignaros! Agora, enquanto eles não se educarem, não!” Não há ninguém que se sinta ofendido com isto?

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Vanessa Amaro Redacção Gonçalo Lobo Pinheiro; Joana Freitas; Patrícia Ferreira: Rodrigo de Matos; Virginia Leung Colaboradores António Falcão; Carlos M. Cordeiro; Carlos Picassinos; José Manuel Simões; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Correia Marques; Gilberto Lopes; Hélder Fernando; Jorge Rodrigues Simão; José I. Duarte, José Pereira Coutinho, Marinho de Bastos; Paul Chan Wai Chi; Pedro Correia Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; António Mil-Homens; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Laurentina Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Av. Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600 E, Centro Comercial First Nacional, 14º andar, Sala 1407 – Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


cartoon

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por Steff

NORUEGA BREIVIK RECONSTITUI MASSACRE O autor confesso do ataque na ilha de Utoya, na Noruega, em que foram mortas 69 pessoas, voltou, este sábado, ao local do massacre com a polícia para reconstituir o percurso do tiroteio. Anders Behring Breivik foi levado pela polícia ao local do crime, por onde caminhou amarrado por uma corda e vestido com um colete à prova de bala. Durante oito horas, o autor do massacre fez uma reconstituição dos acontecimentos do dia 22 de Julho, que terá sido gravada pelas autoridades para ser apresentada em tribunal. Seis embarcações e um helicóptero da polícia vigiaram a ida de Breivik à ilha de Utoya.

CENSOS FALSOS ENTREVISTADORES ATACAM EM MACAU A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) já recebeu queixas de residentes que foram alvo de fraude por parte de falsos entrevistadores dos Censos. O esquema tem-se mostrado simples e eficaz: alguns indivíduos fingem ser trabalhadores dos Censos, entram nas casas para fazer a entrevista ou pedem o número de telefone para realizar-se o inquérito. O organismo voltou, portanto, a frisar que nenhum entrevistador faz inquéritos pela via telefónica e pede às famílias que confirmem a identidade do trabalhador, que deverá estar munido de camisola oficial, cartão de identificação e pasta com o logótipo dos Censos. DALIAN PROTESTO RESULTA EM CONFRONTOS COM POLÍCIA Várias pessoas concentraramse ontem em frente à sede do Governo municipal de Dalian, no leste da China, para exigir a retirada de uma fábrica petroquímica da região, protesto que culminou em confrontos com a polícia. Com a passagem do tufão Maifa na região na semana passada, o dique de protecção ficou danificado e levou a trabalhos de emergência para conter o derramamento de químicos tóxicos, o que teria graves consequências ambientais. Centenas de agentes da polícia foram mobilizados para o local do protesto e envolveramse em confrontos com os manifestantes, sem registo de feridos, noticiou a imprensa oficial.

INGLATERRA CENSURA CONTRA REDES SOCIAIS A declaração do primeiroministro britânico, David Cameron, no Parlamento a respeito da possibilidade de restrições às redes sociais e sistema de mensagens de telemóveis, a fim de impedir que novas manifestações se propaguem pela web, foram criticadas por especialistas do mundo inteiro. Segundo os estudiosos, a medida, classificada como censura, não é condizente com a tradição histórica de liberdade de expressão no país. Quando os protestos no mundo árabe explodiram, que foram possíveis principalmente por causa da organização massiva realizada pelo Twitter e Facebook, o mundo ocidental, inclusive David Cameron, exaltaram a coragem dos árabes em confrontar a forte censura a que eram submetidos, e o poder de liberdade dos média sociais.

Deputados descontentes com legislação lenta

A passo de caracol

Desde o estabelecimento da RAEM que não há qualquer avanço na reforma política. A acusação é feita por Ng Kuok Cheong, que diz ainda ser este o motivo pelo qual a Administração é alvo de duras críticas. Ung Choi Kun e Mak Soi Kun aliam a voz à do deputado democrata para frisar os atrasos nas alterações às propostas de lei projectadas para este ano Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

É

“surpreendente” o facto de as propostas de lei seleccionadas como projectos prioritários nas Linhas de Acção Governativa deste ano estarem a deixar de cumprir, uma após outra, os prazos fixados. Quem o afirma é Ng Kuok Cheong. O deputado democrata fez uso do período antes da ordem do dia no plenário de sexta-feira, um dia depois de Chui Sai On ter estado presente na Assembleia Legislativa (AL), para fazer alguns apontamentos ao estado da legislação do território. Ng Kuok Cheong fala, por exemplo, na “Alteração à Lei de Declaração de Rendimentos e Interesses Patrimoniais”, que devia ter sido entregue no primeiro trimestre à apreciação dos deputados na AL, e na proposta de lei sobre o “Regime de Previdência Central”, que deveria ter sido submetida no segundo. No entanto, acusa “nenhuma foi submetida a este órgão legislativo, nem sequer qualquer justificação”. O deputado aponta ainda que, entre outras quatro propostas que deveriam ter ficado concluídas nos primeiros seis meses deste ano, esteve também o “Regime Jurídico de Reserva Financeira”, aprovado

apenas na sexta-feira passada – e dois meses depois. Ung Choi Kun quis aliar-se à causa e criticou a decisão da Administração em deixar para o último dia antes das férias legislativas, que começam hoje, a análise de quatro propostas de lei. Para o deputado esta é justificação suficiente para a necessidade de melhoria no ordenamento jurídico. Ung Choi Kun acredita que existe “falta de clareza nas opções legislativas” e afirma que os problemas com os articulados das leis são contornados com “alterações substanciais” e acrescento de artigos às versões originais, ao invés de melhorias no próprio texto. Para o deputado há ainda outra agravante – muitas das propostas não reflectem os resultados das consultas públicas. “Muitas das opções largamente aceites pelos professores não foram introduzidas na Lei do Quadro Geral do Regime do Pessoal Docente do Ensino Particular Não Superior”, aponta. Também Mak Soi Kun frisou que a taxa de conclusão das propostas de lei planeadas para as LAG deste ano “não atingiu sequer os 50%”. O deputado disse que de 15 diplomas fixados para entrarem em apreciação da AL, apenas sete foram concretizados. Mak Soi Kun e Ng Kuok Cheong evocaram essencialmente as

propostas relativas aos terrenos e construções. Se para o primeiro, “deve estudar-se a fixação do plano de reforma jurídica para o próximo ano, nomeadamente em assuntos como a Administração Predial e a Compra e Venda de Fracções em Construção – cujas leis estão muito desactualizadas”, para Ng Kuok Cheong é a revisão do Método de Determinação do Montante do Prémio de Concessão que deve ter prioridade. Segundo deputado, esta era uma revisão que deveria ter ficado concluída no primeiro trimestre do ano, algo que não aconteceu e origina, por isso, a que o “Governo esteja a tratar dos casos de terrenos por aproveitar segundo o método actual que está desactualizado”. Mak Soi Kun acredita que o Governo deve fixar uma calendarização de médio e longo prazo para aperfeiçoar o sistema jurídico e Ng Kuok Cheong diz mesmo ter alertado o Governo para o facto dos prazos de análise às propostas estarem a ficar para trás através de uma interpelação escrita. Sem ter obtido ainda qualquer resposta, o deputado democrata acusa a Administração: “É lastimável que a AL tenha decidido não tratar dessa interpelação, dando lugar a que os membros do Governo não assumissem as responsabilidades no momento decisivo”.

CUBA CASAMENTO ENTRE TRANSEXUAL E HOMOSSEXUAL Um homossexual e uma transexual casaram-se no sábado em Havana, Cuba, captando a atenção da comunidade gay local, dezenas de curiosos e jornalistas estrangeiros. Wendy Iriepa, uma transexual de 37 anos, e Ignácio Estrada, um activista homossexual de 31 anos seropositivo, apareceram em público vestidos de branco. Ela com um ramo de rosas vermelhas nas mãos e ele com uma gravata vermelha. Desafiando a chuva, a noiva chegou ao Palácio dos Matrimónios a bordo de um automóvel descapotável, vermelho, dos anos 50, vincando que era “o dia mais feliz de toda a sua vida”. EUA ADOLESCENTE DETIDO POR TRIPLO HOMICÍDIO Uma norte-americana, de 16 anos, foi detida e acusada de triplo homicídio. A adolescente, que assassinou uma mãe e dois filhos e incendiou a casa para encobrir as mortes, confessou os crimes às autoridades. A detenção ocorre quase três meses depois dos corpos de Amanda Doss, de 34 anos, Texas Johnson, de 8, e Guinivere Doss, de 11, terem sido retirados dos escombros fumegantes da sua casa em Bowie County, no Estado norte-americano do Texas. As autópsias confirmaram que as três vítimas morreram de ferimentos violentos antes do incêndio, que os investigadores acreditam ter sido ateado para destruir as provas do triplo homicídio.


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Hoje Macau 15 AGO 2011 #2432 by Jornal Hoje Macau - Issuu