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Hoje Macau 15 MARÇO 2022 #4968

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HOJE MACAU www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

TERÇA-FEIRA 15-3-2022

Nº 4969

MOP$10

UMA FAIXA, UMA ROTA

A DIPLOMACIA DE XI JINPING GRANDE PLANO

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

À procura de reforços

ESTUDO

EM VOLTA DO ABUSO INFANTIL PÁGINA 7

Num ponto estão todos de acordo: a economia local precisa de reforços. Para Ho Iat Seng, é “imperativo” tirar partido de Henqing e concluir a nova lei do jogo. Já o trio de deputados, Nick Lei, Lo Choi In e Ella Lei, ataca a instabilidade económica reclamando aumentos nos vales de saúde e uma nova ronda do cartão de consumo.

CHINA | COVID-19

CCCM | PINTURA

O TEMPO E A ESTRATÉGIA

EVENTOS

UCRÂNIA

NUNO BARRETO, MESA COMUM

PÁGINAS 4-5

VISÕES DE MACAU

PÁGINAS 10-11

CHERNOBYL SEM ENERGIA

PUB

PUB.

ÚLTIMA


2 grande plano

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15.3.2022 terça-feira

À maneira de Xi Jinping

UMA FAIXA, UMA ROTA UM PROJECTO QUE É UM “MODELO PARADIGMÁTICO DA ‘XIPLOMACIA’”


terça-feira 15.3.2022

grande plano 3

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Num artigo recentemente publicado na revista do Instituto Português de Relações Internacionais, da Universidade Nova de Lisboa, o investigador e professor catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa, Luís Tomé, defende que o projecto “uma faixa, uma rota” é um dos mais “emblemáticos” da era Xi Jinping, um “modelo paradigmático” e um “poderoso instrumento” para reforçar a presença de Pequim a nível regional

Q

UAL a estratégia que Xi Jinping pretende levar a cabo no país para os próximos tempos a nível diplomático? Nesta nova era em que a China cimenta progressivamente o seu poder a nível mundial, o projecto de “uma faixa, uma rota” torna-se cada vez mais importante. Esta é uma das conclusões do artigo “A grande estratégia da China de Xi Jinping: Objectivos, poder nacional abrangente e políticas”. Luís Tomé considera que este projecto “é a mais emblemática das iniciativas” da China de Xi Jinping, sendo este um “modelo paradigmático da ‘xiplomacia’” e um “poderoso instrumento para reforçar a cooperação de Pequim com países e grupos regionais”. No artigo, publicado na última edição da revista do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, dedicada à China, pode ler-se que a iniciativa “uma faixa, uma rota” contribui “para a China de Xi diversificar rotas de abastecimento e escoamento, aumentar o seu peso económico, comercial e financeiro sobre os países e as regiões envolvidos e, naturalmente, incrementar a sua influência política e os seus fins geo-políticos e geoestratégicos”. O catedrático exemplifica com o facto de o país “ter mais portos no seu território do que qualquer outro país do mundo”, além de que “as empresas chinesas, na sua maioria estatais ou controladas por Pequim, já investiram e adquiriram direitos de exploração em mais de 100 portos de 60 países”, como é o caso de Hambantota, no Sri Lanka, ou Gwadar, no Paquistão. O artigo denota que o projecto de “uma faixa, uma rota” é um dos exemplos de como a China tenta “socializar as suas ideias e promover as suas mensagens”. Luís Tomé frisa que os EUA têm a percepção do poder que constitui este projecto político e do “poderoso instrumento que representa na grande estratégia da China”. Neste sentido, chegou a ser anunciada a ideia de desenvolver uma iniciativa semelhante à “uma faixa, uma rota” mas a Ocidente.

Bom sucesso

Para Luís Tomé, a “xiplomacia”, conceito desenvolvido ao longo do artigo, tem por objectivos a “manutenção do ‘papel dirigen-

te’” do Partido Comunista Chinês (PCC) em prol da construção de um “socialismo com características chinesas”, bem como da “realização do comunismo. Xi Jinping pretende também “preservar a soberania chinesa contra as ‘ingerências externas’ nos seus ‘assuntos internos”. Em matéria diplomática, o Presidente chinês luta para “manter a integridade territorial, incluindo nos mares da China do Sul e Oriental” e concluir a “unificação da China” face à questão de Taiwan. A ideia é que a China possa “restaurar a sua posição central” na diplomacia mundial, adquirir uma “posição dominante” e “reformar a ordem mundial e a governação global”. O académico defende que “a China de Xi antecipou no tempo alguns objectivos traçados anteriormente e delineou novos num ambicioso plano” que ficaria ligado ao centenário do PCC, celebrado no ano passado, e da China Popular, em 2049.

“A grande estratégia da China de Xi para a ‘Nova Era’ parece estar a ser bem-sucedida, acelerando o crescimento do seu poder nacional abrangente e elevando-se à categoria de nova superpotência.” “A outrora imagem geral da China de ‘panda benigno’ reparte-se agora com outra de ‘dragão ameaçador.’” LUÍS TOMÉ PROFESSOR CATEDRÁTICO UA

Nesta “Nova Era”, na qual Xi Jinping acredita que o país “já alcançou o grande objectivo associado ao primeiro centenário de 'completar a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos’”, parte-se para uma nova fase marcada pela ideia de “construção de um país socialista moderno”. Para Luís Tomé, “a grande estratégia da China de Xi para a ‘Nova Era’ parece estar a ser bem-sucedida, acelerando o crescimento do seu poder nacional abrangente e elevando-se à categoria de nova superpotência”. Além disso, a ‘xiplomacia’ “tem tido êxito na angariação de parceiros e acordos de comércio livre e na promoção da sua influência nas instituições internacionais” através da presença em organizações criadas por “americanos e aliados” dos EUA, como é o caso da Organização das Nações Unidas ou do Fundo Monetário Internacional, mas também com a criação de “novos quadros e mecanismos centrados na China”.

Desafios maiores

Nestes novos tempos Xi Jinping parece ter adoptado uma postura diferente em matéria diplomática em relação aos seus antecessores, como denota o autor do artigo. “A China de Xi abandonou a postura de low profile inerente à ‘estratégia dos 24 caracteres’ dos seus antecessores desde Deng Xiaoping para adoptar uma estratégia muito mais assertiva, desafiadora e mesmo confrontacional, tentando acelerar a obtenção dos seus fins”, pode ler-se. Esta estratégia, anunciada por Deng Xiaoping em 1990, referia-se às ideias de “observar calmamente; conservar a nossa posição” e um envolvimento “prudente” nos assuntos internacionais. As autoridades acreditavam, à época, que deveriam “esconder as suas capacidades e esperar a sua vez”, com um perfil diplomático discreto e “nunca reclamar a liderança”. Actualmente “a China de Xi parece imparável, mas são muitos os desafios que enfrenta, interna e externamente. O novo estatuto de superpotência atrai amigos, mas também acarreta custos e a atenção de rivais”. Além disso, esta postura “está a provocar reacções

adversas numa magnitude que talvez Pequim não tenha antecipado”, existindo uma tentativa de contenção por parte dos EUA.

O académico defende que “a China de Xi antecipou no tempo alguns objectivos traçados anteriormente e delineou novos num ambicioso plano” que ficaria ligado ao centenário do PCC Luís Tomé apresenta como exemplos a suspensão do acordo de investimentos entre a China e a União Europeia ou algumas críticas internacionais às políticas de Pequim. Neste contexto, “a grande estratégia da China de Xi parece ter ido longe demais e depressa demais”, uma vez que “a outrora imagem geral da China de ‘panda

benigno’ reparte-se agora com outra de ‘dragão ameaçador’”.

Relação pragmática

No que diz respeito às relações entre a China e a Rússia, e numa altura em que decorre a invasão na Ucrânia, Luís Tomé defende que estas se intensificaram desde a anexação da zona da Crimeia pelos russos, em 2014. “A Rússia é o principal fornecedor de energia e de armamento à China, e essa articulação estratégica e militar envolve também pressões que parecem combinadas no timing de Moscovo sobre a Ucrânia e de Pequim sobre Taiwan, como aconteceu na Primavera e no Outono de 2021”. Está em causa uma “quase aliança RPC-Rússia” que não acontece por ambos os países serem “membros de uma ‘internacional autocrática’ mas por considerarem que isso serve os seus respectivos objectivos geopolíticos: conter a supremacia dos Estados Unidos, dividir o Ocidente e as potências democráticas, suprimir influências políticas liberais nas organizações e convenções internacionais e alterar a ordem mundial”, aponta o artigo. Andreia Sofia Silva


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ECONOMIA HO DIZ QUE SITUAÇÃO É “BASICAMENTE ESTÁVEL”, APESAR DE INCERTEZAS

Estavelmente básico

O Chefe do Executivo considera que perante as “incertezas” económicas, a competitividade global da RAEM precisa de um reforço. Segundo Ho, num ano “crucial”, é “imperativo” que Macau tire partido de Hengqin, aposte nas indústrias emergentes e que o Governo conclua a nova lei do jogo para promover o chamado “Turismo+” “Devemos consolidar e aperfeiçoar as indústrias tradicionais e, de acordo com o objectivo da construção de um centro mundial de turismo e lazer, devemos promover a revisão do ‘regime jurídico da exploração de jogos de fortuna ou azar em casino’, aprofundar a integração intersectorial do ‘Turismo +’ e intensificar a integração entre a indústria do turismo e as indústrias conexas tais como convenções e exposições, big health, desportiva, comércio electrónico e as indústrias cultural e criativa”, sublinhou.

GCS

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Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, considera que, apesar das incertezas existentes em torno das perspectivas económicas, a situação de Macau é “basicamente estável” e que há sinais de “recuperação e desenvolvimento”. Por isso, apontou perante o Conselho para o Desenvolvimento Económico, a dinâmica de desenvolvimento e a competitividade de Macau precisam de ser “reforçadas” e a pandemia enfrentada de forma “activa” e prudente. “A situação socioeconómica actual é basicamente estável e a economia local apresenta gradualmente sinais de recuperação e desenvolvimento”, começou por dizer durante o discurso proferido ontem. “No entanto, as perspectivas económicas permanecem rodeadas de incertezas associadas à inconstância da situação epidémica nas regiões adjacentes, pelo que devemos continuar a enfrentar activa e prudentemente a epidemia”, acrescentou. Num ano que considera “crucial” para Macau, Ho Iat Seng reiterou ser essencial que o território aproveite as oportunidades do desenvolvimento nacional, seja capaz de implementar as medidas definidas no “2.o Plano Quinquenal” e aposte na construção da zona de cooperação de Hengqin, sem perder de vista a diversificação da economia local. Contudo, para que isso seja realidade, o Chefe do Executivo

Aproveitar a maré

Ho Iat Seng, Chefe do Executivo “A situação socioeconómica actual é basicamente estável e a economia local apresenta gradualmente sinais de recuperação e desenvolvimento.”

considera que “a dinâmica de desenvolvimento e a competitividade global da economia de Macau necessitam de ser reforçadas”. Quanto à receita para o sucesso, esta deverá incluir a

revisão da nova lei do jogo, o aperfeiçoamento das “indústrias tradicionais” e a maior integração entre o turismo e outros sectores como o desporto, a cultura, o comércio electrónico e a saúde.

Para Ho Iat Seng, Macau deve ser ainda capaz de promover “proactivamente” outros sectores emergentes como a medicina tradicional chinesa, a indústria financeira moderna e da tecnologia de ponta. Segundo o Chefe do Executivo, para tal, é “imperioso” aproveitar “plenamente” o posicionamento estratégico de Macau no projecto de cooperação em Hengqin. “Devemos impulsionar de forma pragmática a construção da Zona de Cooperação Aprofundada, potenciar as vantagens singulares de Macau, reforçar constantemente o papel de Macau na ‘dupla circulação’ económica do país e melhorar a integração na conjuntura do desenvolvimento nacional”, referiu. Pedro Arede

PARAOLÍMPICOS HO IAT SENG DÁ OS PARABÉNS À COMITIVA CHINESA

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Chefe do Executivo da RAEM enviou uma carta à comitiva olímpica chinesa pela participação e resultados alcançados nos 13º Jogos Paraolímpicos de Inverno, afirmando que “os atletas chineses trabalharam e lutaram muito

para vencer 18 medalhas de ouro, 20 de prata e 23 de bronze”, arrebatando um total de 61 medalhas. Ho Iat Seng destacou o facto de que “a história da participação da China nas paraolimpíadas de Inverno, é uma honra para a pátria e para a

população chinesa, facto que deu cor a Pequim, cidade organizadora de dois jogos olímpicos”. O desempenho da selecção nacional “difundiu o espírito desportivo da China e olímpico, mostrou o estilo e o nível competitivo da nova era de atletas

chineses com deficiência”, destacou o governante. O Chefe do Executivo congratulou ainda as autoridades chinesas pela realização bem-sucedida dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que “fortaleceu bastante a nossa confiança para a concre-

tização da grande revitalização da nação chinesa e mostrou a imagem transparente, próspera, aberta e de esperança do País e da população na promoção de uma comunidade que tem como objectivo comum a humanidade”. J. L.

RECUPERAÇÃO SECRETÁRIO ALERTA PARA INCERTEZA E FACTORES EXTERNOS

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secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong alertou ontem para as “grandes incertezas” que o ritmo da recuperação económica de Macau irá continuar a enfrentar a curto prazo. Além do impacto da pandemia de covid-19 nas regiões vizinhas e a nível mundial, segundo o secretário, estão também em causa “complexidades geopolíticas e macroeconómicas externas”. Quanto à implementação de novas medidas de apoio à população e dinamização da economia, Lei Wai Nong referiu que estão a ser avaliadas e preparados planos preliminares de resposta. “O Governo da RAEM está a acompanhar de perto a evolução da conjuntura económica, empenhando-se em fazer bem os trabalhos relativos à dinamização da economia, estabilidade do emprego e garantia da qualidade de vida dos cidadãos, avaliando, em tempo oportuno, as eficácias das políticas e medidas de modo a preparar a tempo planos preliminares de resposta”, disse ontem por ocasião da primeira reunião plenária de 2022 do Conselho para o Desenvolvimento Económico. Além disso, o secretário acredita que “com as perspectivas de crescimento ao longo prazo da economia do país”, Macau irá acelerar “com certeza” o ritmo da reconversão e recuperação económica. A reunião de ontem contou ainda com o ponto de situação do trabalho efectuado no ano passado pelo chefe da Secção para o Estudo das Políticas da Diversificação Adequada da Economia, Sio Chi Wai, a chefe da Secção para o Estudo das Políticas de Recursos Humanos, Iong Weng Ian e o chefe da Secção para o Estudo das Políticas do Desenvolvimento da Economia de Bairros Comunitários, Chui Sai Peng. P. A.

Vistos Chan Pou Sam defende negociação com autoridades centrais

O membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais, Chan Pou Sam, considera que o Governo da RAEM não deve limitar os vistos familiares sem negociar com o Governo Central. De acordo com as restrições mais recentes, os titulares do visto familiar só podem entrar ou sair do território três vezes diariamente, antes de lhes ser exigido um novo teste de ácido nucleico. A medida deixou Chan Pou Sam preocupado, que defendeu a necessidade de prudência na forma como se aplicam restrições e destacou a importância destes vistos, atribuídos por motivos familiares. Por outro lado, Chan alertou para a necessidade de cautela ao aplicar medidas fronteiriças porque estas envolvem políticas nacionais e que as pessoas podem ter outros motivos, além do comércio paralelo, para circularem entre Macau e Zhuhai.


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ECONOMIA PEDIDOS AUMENTOS DO VALE DE SAÚDE E NOVO CARTÃO DE CONSUMO

Um trio de ataque

Ella Lei quer acabar com monopólio da MacauPass nos autocarros

H

RÓMULO SANTOS

Uma “coligação” de deputados de associações tradicionais pediu ao Governo que abra os cordões à bolsa e atenue o sofrimento económico dos residentes. Nick Lei, Lo Choi In e Ella Lei solicitaram um conjunto de medidas de apoio, que incluem cartão de consumo, aumento do vale de saúde e auxílio ao emprego Á coisas que não acontecem por acaso. A primeira página de ontem do jornal Cidadão publicou sugestões de deputados ligados às comunidades de Fujian, Jiangmen e Operários, respectivamente os recém-eleitos Nick Lei e Lo Choi In, e a deputada Ella Lei. Os três representantes de associações tradicionais convergem na opinião de que chegou a altura de o Governo da RAEM mostrar pro-actividade no apoio a quem mais tem sofrido com a crise económica motivada pela pandemia. O deputado e presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau, associação ligada à comunidade de Fujian, entende que o Executivo liderado por Ho Iat Seng deve preparar o lançamento de apoios económicos, nomeadamente uma nova ronda de cartões de consumo, caso a economia não melhore no segundo semestre do ano. Nick Lei recordou os recentes dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos que deram conta da subida do desemprego para apontar a falta de eficácia dos cursos de formação subsidiada a capacitar residentes com valências que se traduzam em empregabilidade. Também os estágios de alunos universitários, em empresas da Grande Baía, não aliviaram o desemprego entre os mais jovens. O deputado recordou a mensagem do Executivo nas Linhas de Acção Governativa sobre a continuidade de apostas em cursos vocacionais e no aumento das capacidades profissionais que tornem os residentes mais competitivos. Neste domínio, Nick Lei acha que o Governo deve optimizar e rever as políticas de

Nick Lei entende que o Executivo liderado por Ho Iat Seng deve lançar mais apoios económicos, nomeadamente uma nova ronda de cartões de consumo, caso a economia não melhore no segundo semestre do ano

apoio ao emprego, se não o fizer e repetir as velhas práticas apenas obterá os mesmos resultados que se traduzem no aumento do desemprego.

A uma só voz

A deputada da Federação das Associações dos Operários de Macau concorda com o reforço de apoios económicos, mas sugeriu ao Governo de Ho Iat Seng que procure garantir a empregabilidade preferencial de residentes, face a não-residentes. Ella Lei destacou as vagas de desemprego que assolaram os sectores da

restauração e construção civil e alertou para a situação e incerteza que se vive no panorama económico de Macau, face aos surtos de covid-19 que se verificam em Hong Kong e Guangdong. Além de defender a aprovação de medidas de auxílio monetário a cidadãos e empresas, Ella Lei destaca o facto de a antecipação da distribuição do cheque pecuniário aliviar um pouco o segmento da sociedade que pedia mais uma ronda de cartão de consumo com urgência. Por seu turno, a recém-eleita deputada Lo Choi In, ligada à as-

sociação de Jiangmen focou mais a sua intervenção nos vales de saúde. Dando como exemplo as políticas sociais de Hong Kong, onde os residentes têm direito a vales de 2.000 dólares de Hong Kong, a deputada sugeriu o aumento da comparticipação anual para 1.000 patacas, e a possibilidade de os vales de saúde poderem ser usados para adquirir seguros. Quanto ao âmbito de aplicação, a legisladora da bancada de Zheng Anting entende que os vales de saúde devem permitir um maior apoio a instituições privadas. João Luz e Nunu Wu

Consumo Leung Mei Leng elogia nova Lei de Protecção Leung Mei Leng, membro da Associação Bom Lar, considera que o Governo deve ser mais activo na verificação dos preços dos bens de consumo e no controlo das práticas de mercado, para garantir uma concorrência efectiva. A posição foi tomada ontem, a pensar na data de hoje em que se comemora o Dia Mundial do Consumi-

Caminhos do futuro

dor. Por outro lado, a representante da associação, e ex-candidata à Assembleia Legislativa na lista de Wong Kit Cheng, elogiou a nova Lei de Protecção dos Direitos e Interesses do Consumidor, que entrou em vigor no início do ano, por considerar que esta veio proteger melhor os interesses dos consumidores em Macau.

A

deputada Ella Lei defende a necessidade de introduzir novas formas de pagamento electrónico nos autocarros, além das existentes, MPay e MacauPass, que pertencem à empresa detentora do MacauPass. O pedido foi feito através de uma interpelação dirigida ao Governo e revelada ontem. De acordo com a deputada, apesar de no último trimestre do ano passado ter havido mais 56 milhões de transacções com pagamentos electrónicos, os autocarros apenas aceitam uma única plataforma. Nesse sentido, Ella Lei considera que os terminais dos autocarros devem acompanhar o desenvolvimento e aceitar plataformas como o sistema de pagamentos móveis do Banco da China, Simple Pay ou Union Pay QuickPass. No documento, Ella Lei recorda que no passado a Autoridade Monetária de Macau tinha prometido fazer um estudo sobre a viabilidade de introduzir outros meios pagamentos electrónicos nos autocarros, mas até hoje ainda não se conhece o resultado.

Presos ao passado

Actualmente, quem utiliza o MPay tem um desconto no preço do bilhete, a ser pago pelo Governo. O mesmo acontece com os utilizadores do MacauPass, desde que o utilizador tenha feito o registo junto do Governo, para que o Executivo possa controlar o percurso diário das pessoas, em caso de infecção de covid-19. Na interpelação, a deputada quer ainda saber se forem implementados outros meios de pagamento electrónico, as plataformas vão igualmente oferecer o mesmo tipo de desconto. Sobre o pagamento dos transportes públicos, Ella Lei aproveitou para criticar o sistema do Metro Ligeiro. O meio de transporte mais caro da RAEM, está suspenso desde Outubro para a substituição de cabos, mas apenas aceita como formas de pagamento a compra em dinheiro vivo e um cartão pré-pago, fornecido pela própria empresa. Ella Lei considera que estas formas de pagamento não são viáveis, e pede ao Executivo para ponderar a utilização das plataformas aplicadas nos autocarros, igualmente no metro. J.S.F.


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DESEMPREGO LEONG SUN IOK QUER MAIS FORMAÇÕES SUBSIDIADAS

Uma espécie de trabalho Com o desemprego a atingir níveis preocupantes nos últimos anos, o deputado dos Operários pede ao Governo que tenha em consideração quem está sem trabalho há mais tempo. Leong Sun Iok defende que estas pessoas tenham acesso a mais formações subsidiadas

O

deputado Leong Sun Iok está preocupado com o desemprego de longa duração e quer que o Governo aumente a frequência com que os desempregados podem participar em subsidiadas. O pedido foi feito em interpretação escrita, divulgada ontem, pelo legislador ligado à Federação das Associações dos Operários (FAOM) de Macau. Uma das indústrias em que o deputado espera ver mais medidas é a do turismo. Desde que o Interior suspendeu a emissão de vistos de turismo para grupos, o sector atravessa uma crise que parece não ter fim à vista. Também o prolongamento da crise, com profissionais a deixarem a área de negócios, leva Leong Sun Iok a avisar que o “desenvolvimento sustentável” do sector está em risco. “Devido aos anteriores incidentes em Hong Kong e ao impacto da pandemia que dura há mais de dois anos, o ambiente para os guias de turismo e actividades relacionadas sofreu um impacto muito severo”, começou por explicar Leong. “Sem medidas mais fortes para garantir a sobrevivência do sector e a

S novos empréstimos hipotecários para habitação aprovados pelos bancos de Macau cresceram 40,4 por cento em Janeiro deste ano, em comparação com o mês anterior, atingindo um total de 3,5 mil milhões de patacas. Dados revelados ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM) indicam que entre os novos empréstimos para habitação no mês em análise, 99,3 por cento foram contraídos por residentes, segmento que cresceu 41,5 por cento para um total de 3,48 mil milhões de patacas. O segmento de não residentes contraiu 34,6 por cento para 24,5 milhões de patacas.

Perguntas que se impõem

Num contexto difícil, Leong deixou duas perguntas ao Executivo de Ho Iat Seng: “Considerando o impacto contínuo da pandemia, e as necessidades da sociedade, será que podem tomar medidas para responder às carências reais da sociedade? Será possível aumentar o número de vezes que os desempregados de longo termo se podem candidatar às formações subsidiadas?”, questionou. Actualmente, os desempregados de longo termo podem fazer duas formações subsidiadas por ano. No entanto, mesmo que não encontrem trabalho não podem fazer outros cursos. Além das formações subsidiadas, Leong Sun Iok pretende que o Governo crie programas com investimento público, em que paga aos desempregados para desempenharem certas tarefas. O objectivo é criar mais oportunidades de trabalho: “Será que o Governo pode criar mais trabalhos pagos para que os desempregados tenham mais rendimentos e manter o nível de vida anterior?”, perguntou. Apesar das sugestões, Leong Sun Iok deixou elogios aos esforços do Executivo para combater a pandemia e proteger os residentes. No final do ano passado, a taxa de desemprego era de 3,1 por cento, a maior taxa registada em Macau desde o final de 2009. João Santos Filipe

Leong Sun Iok, deputado “Sem medidas mais fortes para garantir agora a sobrevivência do sector do turismo [...] pode haver um impacto negativo no processo de recuperação.”

HABITAÇÃO EMPRÉSTIMOS CRESCERAM 40% EM JANEIRO

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formação destes profissionais, incluindo os guias do turismo, pode haver um impacto negativo no processo de recuperação e no desenvolvimento saudável do turismo futuro”, justificou.

Durante o período entre Novembro do ano passado e Janeiro de 2022, o número médio mensal de novos empréstimos hipotecários para habitação aprovados atingiu 3,1 mil milhões de patacas, o que representou um aumento de 14,6 por cento em relação ao período entre Outubro e Dezembro de 2021. Em relação aos empréstimos em que foram dadas como garantia fracções autónomas

em edifícios em construção, a AMCM indicou que os bancos aprovaram em Janeiro um total de 756,9 milhões de patacas em empréstimos, o que representou uma subida de 90,1 por cento em relação ao mês anterior. A subida é ainda maior na comparação com o período homólogo de 2021, quando este tipo de empréstimo para a habitação cresceu 134,6 por cento. O caso muda de figura no segmento de empréstimos comerciais para actividades imobiliárias, com a AMCM a dar conta de uma quebra de 70,6 por cento entre Janeiro e o mês anterior, para um total de 3,23 mil milhões de patacas. J. L.

COMÉRCIO MENOS MIL EMPREGOS NO FIM DE 2021

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emprego no comércio por grosso e a retalho registou, no último trimestre do ano passado, uma quebra de 1,7 por cento face ao período homólogo. A informação foi revelada ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), em comunicado. O comércio por grosso e a retalho empregava no final do ano passado 62.624 trabalhadores, o que significa que se perderam mais de 1.000 empregos face ao final de 2020, quando estavam empregadas cerca de 61.560 pessoas no sector. Apesar da redução de trabalhadores, a estatística

indica que os salários cresceram 3,9 por cento face a Dezembro de 2020, para cerca de 13.980 patacas por mês. O sector mais afectado pela destruição de emprego foram as “actividades de segurança”. No final do ano passado, esta actividade empregava 13.028 funcionários, menos 3,6 por cento do que no final de 2020, quando o número de empregados era 12.559. No total, os dados da DSEC, permitem calcular que foram destruídos 469 postos de trabalho. No sentido contrário, os salários conheceram

um crescimento de 2,2 por cento, para 13.580 patacas por mês. No pólo oposto, o número de empregados no sector das actividades de tratamento de resíduos sólidos e líquidos públicos teve um crescimento de 1,7 por cento para 956 trabalhadores. Porém, neste sector, houve os ordenados diminuíram 3,6 por cento. “Os trabalhadores a tempo inteiro tiveram uma remuneração média de 18.020 patacas em Dezembro de 2021, equivalendo a uma descida de 3,6 por cento, em termos anuais”, informou a DSEC.


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CPSP Agride segurança e urina em átrio de edifício

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) deteve um trabalhador da construção civil após este ter agredido um segurança e urinado no átrio de um edifício industrial. Segundo o CPSP, após ter consumido bebidas alcoólicas na companhia de um amigo, o suspeito de 40 anos dirigiu-se ao edifício onde trabalhava e começou, desde logo, por socar o segurança de 22 anos que estava no local. Não satisfeito, depois de ferir fisicamente o segurança, o homem urinou no átrio do edifício e provocou estragos em vários equipamentos. Após a detenção, o homem confessou o crime e foi obrigado a pagar 3.000 patacas pela limpeza do espaço.

Acidente Ventoinha solta-se e atinge cliente

Uma mulher teve de ser transportada para o Hospital Conde São Januário, após ter sido atingida por uma ventoinha que se soltou num restaurante. A notícia foi relatada ontem pelo Jornal Ou Mun, que indicou que o restaurante em causa está situado na Taipa. O episódio aconteceu às 18h30 de domingo, e quando os bombeiros chegaram ao local prestaram os primeiros socorros à vítima, de 23 anos, que foi levada para o hospital. Apesar do impacto, e de ter sofrido uma contusão na cabeça, a mulher esteve sempre consciente. Segundo o jornal Ou Mun, as autoridades ainda estão a investigar a razão do acidente.

USJ / ISPA Aprovado mestrado em Neurociências

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Ao Ieong U, aprovou a criação do curso de mestrado em Neurociências e Comportamento, a ser ministrado, simultaneamente, pela Universidade de São José (USJ) e pelo Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA). Da informação, publicada ontem em Boletim Oficial, consta ainda a aprovação do plano de estudos do curso que tem a duração de dois anos e será ministrado, presencialmente, em Portugal e Macau em língua inglesa. Para a conclusão do curso é necessária a obtenção de 40 unidades de crédito. Os estudantes que concluam o curso e preencham os requisitos de graduação podem obter o grau de mestre, atribuído conjuntamente pela USJ e pelo ISPA.

Habitação Social Concluída avaliação de candidaturas de 2017

O Instituto de Habitação (IH) anunciou ontem o fim da apreciação das candidaturas a habitação social de 2017, preparando-se para a fase preliminar de atribuição de casas ao primeiro grupo de agregados familiares “em meados do corrente ano”. Das 6.355 candidaturas apresentadas, até ontem foram considerados habilitados para receber a fracção 3.810 agregados familiares, o que corresponde a cerca de 60 por cento das candidaturas apresentadas. Desde universo de propostas aprovadas, 140 famílias “celebrarão sucessivamente contratos de arrendamento”. O IH informa ainda que 2.510 famílias não reuniram os requisitos exigidos e que “cerca de 30 agregados estão em fase dos procedimentos jurídicos”. Em 20 de Agosto de 2020, o IH concluiu a apreciação da habilitação das 3.184 candidaturas, das quais, 2.242 foram admitidas, 805 foram indeferidas por não reunirem os requisitos e 137 desistiram do concurso ou estão em fase dos procedimentos jurídicos.

O Governo “tem feito um esforço e um bom trabalho” para melhorar a sinalização de casos de abuso infantil, sobretudo comparando com o panorama na China

ESTUDO MAIS DE 80% SABE IDENTIFICAR E REPORTAR CASOS DE ABUSO INFANTIL

Pequeno grande passo

Um inquérito realizado pela psicoterapeuta Donatella Maschio, em parceria com várias associações de Macau, revela que 82 por cento dos inquiridos tem consciência do que constitui um caso de abuso infantil e sabe como reportá-lo às autoridades. Cerca de metade dos inquiridos, recebeu formação na área. Governo recebe resultados deste estudo em Abril

U

M estudo desenvolvido pela psicoterapeuta Donatella Maschio procurou saber qual é a percepção dos que trabalham com crianças sobre casos de abuso infantil. Os resultados preliminares mostram um cenário positivo, uma vez que 82 por cento de um total de 78 inquiridos sabe identificar um caso de abuso infantil e reportá-lo às autoridades. O inquérito, foi realizado por Donatella Maschio em parceria com associações como o Centro do Bom Pastor ou a Associação para a Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau, entre outras, e dado a conhecer num encontro que decorreu, a 28 de Fevereiro, na Universidade de São José. Ao HM, a psicoterapeuta disse que os resultados finais serão apresentados ao Governo em Abril. “Há, na generalidade, um entendimento, por parte dos inquiridos, do que constitui um

caso de abuso infantil”, afirmou. Quanto à formação para lidar com este tipo de situações, cerca de 70 por cento respondeu que recebeu formação fora das organizações onde trabalha. Para Donatella Maschio, professores ou assistentes sociais terão sido os principais alvos destas acções, embora haja uma grande parte dos trabalhadores que não frequentou qualquer curso. “A minha percepção, face aos resultados, é que o Instituto de Acção Social terá sido a entidade responsável por estas acções de formação”, adiantou.

“Bom trabalho” do Executivo

O inquérito foi realizado através do Google de forma anónima, “totalmente desligado das organizações, o que foi importante porque todos sentiram que podiam expressar livremente as suas opiniões”, disse Donatella Maschio. No que diz respeito ao abuso sexual infantil, cerca de 50 por

cento dos inquiridos garantiu não ter recebido formação específica. “É cultural não se falar deste tipo de situações. Há metade dos inquiridos, como assistentes sociais, que recebeu formação, mas temos outro grupo de pessoas, onde se incluem as empregadas domésticas, que não recebeu qualquer formação.” Donatella Maschio adiantou que o próximo passo será mostrar este inquérito às escolas, alertando para o facto de, na comunidade escolar, haver linhas orientadoras para a resposta a estes casos, ao contrário das associações que trabalham com crianças. “As organizações não terão um sistema de formação com linhas orientadoras e esta é uma questão à qual temos de dar atenção.” Ainda assim, a autora do inquérito destaca que o Governo “tem feito um esforço e um bom trabalho” para melhorar a sinalização de casos de abuso infantil, sobretudo comparando com a actual situação na China.

“Este é um trabalho sempre em progresso, porque em todos os países se coloca esta questão. Sou do Reino Unido e neste momento, sobretudo devido à pandemia, com as pessoas confinadas em casa, têm ocorrido casos graves de abusos. E isto num país onde existe um sistema de apoio social em funcionamento há várias décadas.” Sobre o futuro, Donatella Maschio espera que possa haver uma concertação entre as várias entidades, como escolas, Governo e justiça, para reforçar as acções de formação nesta área. “As leis existem, mas a questão é como deve ser implementado um sistema de formação por parte do Governo. O sistema deve ser revisto, mas não é uma medida simples, leva o seu tempo e exige muito esforço”, rematou. Andreia Sofia Silva


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Macau a dois t CCCM PINTURA DE MARCIANO BAPTISTA E NUNO BARRETO EM ANÁLISE

Marciano Baptista

Nuno Barreto

De uma “Macau em vias de extinção” re dos finais do século XIX, passamos para dental e um período de enorme mudança A investigadora Maria João Castro, da U rência do Centro Científico e Cultural d

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S pinturas de Macau da autoria de Marciano António Baptista e de Nuno Barreto apresentam duas visões completamente diferentes do território em períodos distintos, nos finais do século XIX e nos anos 90 do século XX. A investigadora Maria João Castro, da Universidade Nova de Lisboa, abordou o tema no último ciclo de conferências da Primavera do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) dedicado a Macau. “As características mais marcantes destes dois artistas relacionam-se com a estética da sua obra e reflectem, de diferentes modos, duas visões da colónia do império português”, começa por dizer a académica ao HM. No caso de Marciano António Baptista, que viveu entre 1826 e 1896 e foi aluno do pintor inglês George Chinnery, acabou por desenvolver “técnicas e feições próprias”. “Os seus esboços e aguarelas são especialmente precisos no que concerne ao detalhe e carregam a marca do seu mes-

tre. A sua pincelada mostra-se de cunho claramente chinês, mas em combinação com técnicas ocidentais de perspectiva linear e coloração”, acrescenta Maria João Castro. Com as pinturas de Marciano António Baptista olhamos “uma Macau em vias de extinção”, do tempo em que existiam “pagodes, fortalezas e juncos de diferentes tipos”, mas onde também se avistavam “navios a vapor, simbolizando o século XX que se aproximava”. Nas telas observa-se “uma Macau idealizada, exótica, pitoresca, cujas telas condensam uma pincelada orientalizante de um território em extinção, devolvendo o olhar nostálgico de um território cuja vivência anunciava novos ventos”.

Outro imaginário

Relativamente à obra de Nuno Barreto, pintor nascido em 1941 e falecido em 2009, podemos observar uma “atmosfera e envolvência completamente distintas”. "O pintor viveu em Macau durante duas décadas, tendo pintado uma Macau

UCRÂNIA CELEBRIDADES APELAM A SOLIDARIEDADE EM ENTREGA DE PRÉMIOS EM HOLLYWOOD

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ICHAEL Keaton, Billy Crystal, Maria Bakalova e Hannah Waddingham apelaram à solidariedade para com a Ucrânia, alvo de uma invasão russa, durante a entrega dos prémios da Associação de Críticos, que decorreu esta segunda-feira . “Quero reconhecer a bravura do povo da Ucrânia, que está a defender o seu direito à independência e democracia”, disse a atriz Maria Bakalova, conhecida pelo seu papel

em “Borat Subsequent Moviefilm”, antes de apresentar um dos prémios da noite em Los Angeles. “Espero realmente que possamos juntar-nos e dar início a uma nova era de intercâmbio cultural e artístico entre a Europa de Leste e Hollywood, que tem sido uma força fundamental de criatividade”, continuou. “Aminha mensagem vai para o povo ucraniano: nós estamos a ver-vos. Nós estamos convosco. Os nossos corações estão convosco”.

Michael Keaton, que já tinha falado em apoio à Ucrânia durante os prémios SAG, no final de Fevereiro, voltou a fazê-lo ao receber a estatueta de Melhor Actor em Minissérie ou Filme para Televisão, por “Dopesick”. “O que vou dizer sobre as coisas que se estão a passar no mundo, que já mencionei anteriormente, é agradecer ao companheiro actor presidente Zelensky”, disse Keaton. “Continuem a lutar”.

Também Hannah Waddingham, que recebeu o prémio de Melhor Actriz Secundária em Comédia por “Ted Lasso”, apelou à solidariedade. “Seria negligente da nossa parte não nos focarmos na coisa mais importante que está a acontecer no mundo neste momento”, disse a actriz. “Os nossos irmão e irmãs – e para mim mais importante, os bebés da Ucrânia – estão a ser dizimados numa torrente pútrida de abuso.

Pensem neles e dêem o mais que possam”, afirmou. Billy Crystal, que recebeu o Prémio Carreira da Associação de Críticos, usou o discurso de agradecimento para contar que as suas avós eram ucranianas, de Odessa e de Kiev, e fugiram para os Estados Unidos para escapar à perseguição contra os judeus. “Rezo para que, de alguma forma, possa voltar a haver riso e alegria nessa parte do mundo”, disse o actor e comediante.


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tempos

etratada nos quadros de Marciano António Baptista, datados a as telas de Nuno Barreto que reflectem um estilo mais ocia no território, quando a administração passou a ser chinesa. Universidade Nova de Lisboa, abordou o tema numa confede Macau

Maria João Castro

já distante da idealização da província do extremo oriente do império português de Marciano [António Baptista], ou seja, a pintura macaense de Barreto reflecte o seu tempo: a

Com as pinturas de Marciano António Baptista olhamos “uma Macau em vias de extinção”, do tempo em que existiam “pagodes, fortalezas e juncos de diferentes tipos”

passagem da administração do território para as autoridades chinesas e um traço de cunho nitidamente ocidental”, frisou. Para a investigadora, “esta particularidade faz com as suas obras mais marcantes e emblemáticas retratem não só o fim do império português como uma visão pós-colonialista de vincado cunho global”. “A Macau de Nuno Barreto é uma província moderna, uma cidade plena do século XX e que o artista pinta frequentemente de modo abstracto ou numa figuração muito própria que tem em atenção uma plasticidade profundamente ocidental. De certa forma, os seus quadros também reflectem o fim de um tempo, constituindo alegorias ao fim da administração portuguesa do território.” Neste momento, está patente no Museu do Oriente, em Lisboa uma exposição dedicada às obras de Nuno Barreto, intitulada “Beber da Água do Lilau”. Maria João Castro denota que só agora é que a obra deste pintor “começa a ecoar pelos espaços culturais transnacionais”.

Além disso, “a obra de MarcianoAntónio Baptista só quase um século depois foi estudada e mostrada convenientemente”. Maria João Castro considera que “as autoridades de Macau têm patrocinado a divulgação pontual da cultura sino-lusa no território, mostrando não a obra dos artistas desaparecidos como promovendo a viagem de artistas portugueses contemporâneos para expor no antigo território português, ou patrocinando pequenas residências”. “Isto parece-me importante e significativo”, notou. Além destes dois pintores, Maria João Castro destaca o trabalho de Fausto Sampaio, que deixou “testemunhos de um olhar cruzado entre Oriente e Ocidente numa produção pictórica profundamente rica e diversa”. Maria João Castro é doutorada em História da Arte Contemporânea e investigadora integrada do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Andreia Sofia Silva

Com vista para o lago Exposição de Denis Murrell a partir de hoje na Fundação Rui Cunha

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galeria da Fundação Rui Cunha (FRC) recebe a partir de hoje, às 18h30, a exposição “The Tai Heng Paintings”, do pintor australiano Denis Murrell, composta por 11 novas obras que vão estar patentes até 19 de Março. O pintor radicado em Macau regressa à galeria da FRC com “11 pinturas abstractas de grande dimensão e porte”. Segundo o próprio, “passaram-se dez anos desde que não pintava grandes telas, porque não tinha espaço para fazê-lo”. A FRC escreve que o projecto foi “possível com o apoio da sua amiga e agente Suzanne Watkinson, que disponibilizou uma fracção do Edifício Tai Heng – na zona dos Lagos Sai Wan da península de Macau – para ser usado como estúdio, de onde o pintor avista uma grande parte da cidade e onde revelou ter-se inspirado para criar as suas obras mais recente”. Os quadros que vão estar patentes a partir desta tarde resultam da “experiência contínua de quase 33 anos com técnicas de pintura abstracta, a partir de materiais e suportes diversos”.

Passar conhecimento

Além da criação artística, Denis Murrell tem dedicado

o seu tempo a ensinar alunos locais as técnicas que aplica nas suas obras, nomeadamente através do uso da tinta acrílica, pigmentos naturais à base de água, tinta da China e papel absorvente sobre tela. Denis Murrell nasceu nos arredores de Melbourne, Austrália, a 2 de Março de 1947. Durante 14 anos foi professor de Inglês na Papua Nova Guiné e depois na Austrália, antes de se mudar para Macau em Fevereiro de 1989. Por cá desenvolveu uma carreira artística reconhecida e premiada, que viria

a culminar numa extensiva exposição sobre a sua obra, realizada em Novembro de 2012 no Museu de Arte de Macau, que reuniu muitos trabalhos que Denis Murrell doara ao longo dos anos àquela instituição. Entretanto, em paralelo com a exposição “The Tai Heng Paintings”, o pintor irá realizar uma visita guiada e comentada, onde falará do seu trabalho e responderá às questões dos visitantes no próximo sábado, 17h na Galeria da FRC, antes do encerramento da mostra.


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Sem mudanças à

FOXCONN SURTO FECHA FÁBRICAS EM SHENZHEN

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Foxconn anunciou ontem a suspensão temporária das operações nas fábricas da empresa de tecnologia taiwanesa em Shenzhen, cidade do sudeste da China onde foi decretado um confinamento devido a um surto de covid-19. "Graças à diversificação dos nossos polos de produção na China, ajustámos a linha de produção para minimizar o potencial impacto", disse um porta-voz da empresa, citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post. O porta-voz da maior fabricante de iPhones do mundo não revelou qualquer data para a retoma das operações em Shenzhen. Os cerca de 200 mil trabalhadores das duas fábricas da Foxconn em Shenzhen serão obrigados a submeter-se a testes de covid-19, juntamente com outras medidas destinadas a tentar impedir que sejam infetados. A Foxconn, uma das principais fornecedoras da gigante de tecnologia norte-americana Apple, abriu a primeira fábrica na China há 34 anos em Shenzhen, embora nos últimos anos tenha desviado parte da produção para outras áreas do interior da China continental, onde os salários são mais baixos. A empresa taiwanesa abriu a maior fábrica de iPhones do mundo em Zhengzhou, capital da província central de Henan. Os 17 milhões de habitantes de Shenzhen, que liga Hong Kong ao sul da China, foram colocados em confinamento no domingo, após a notificação de 66 novos casos de covid-19. As autoridades ordenaram aos habitantes da cidade, que abriga as gigantes tecnológicas Huawei e Tencent, que permaneçam em casa para controlar um surto da variante Ómicron que, nos últimos dias, já levou ao encerramento de lojas não essenciais e restaurantes.

Apesar do agravamento da situação, com o país a atravessar a maior crise pandémica desde o aparecimento do novo coronavírus, cientistas dizem não ser ainda o momento de alterar a estratégia

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epidemiologista chinês Zhang Wenhong afirmou ontem que “não é o momento” para debater a política de tolerância zero à covid-19 da China, numa altura em que o país enfrenta o maior surto da doença, desde 2020. Numa mensagem difundida através da rede social Weibo, Zhang explicou que o país asiático deve “aproveitar este período como uma oportunidade para desenhar estratégias anti-pandemia mais sábias, completas e sustentáveis”. Zhang admitiu que a China atravessa o momento “mais difícil” desde que a pandemia eclodiu, no início de 2020. Desde o início do mês, o país passou de 119 para 3.122 casos diários. Apesar da extensão dos surtos, o epidemiologista salientou que a “virulência do coronavírus diminuiu”, acrescentando que as “pessoas com imunidade normal e que receberam uma dose de reforço não terão problemas”. Zhang assegurou que se a China - que mantém as suas fronteiras praticamente fechadas a estrangeiros não residentes há dois anos, e exige uma quarentena mínima de 14 dias para quem entra no território – se abrisse aos estrangeiros, “aumentaria o número de casos num período muito curto e o sistema médico nacional ficaria

sobrecarregado”, causando “danos irreparáveis” à sociedade. Wang Guangfa, especialista no sistema respiratório que foi um dos primeiros a visitar Wuhan, durante o primeiro surto de covid-19, em Janeiro de 2020, explicou este fim de semana que a variante Ómicron, já dominante no país asiático, significa que há mais casos assintomáticos, “tornando difícil detectar os infectados a tempo”. Wang, citado pelo jornal oficial Global Times, acrescentou que a proporção relativamente baixa de vacinados entre os idosos “ainda é um dos maiores problemas”. O especialista disse ter esperança de que o número de casos “se reduza significativamente em duas

Zeng Guang, ex-chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, afirmou recentemente que as “restrições não durarão para sempre” e que a China “vai apresentar o seu roteiro para coexistir com o vírus na altura apropriada”

semanas” e previu que o país volte aos zero casos no espaço de 28 dias.

A seu tempo

Cidades como Shenzhen e Changchun estão actualmente sob confinamento parcial ou total,

devido ao aumento do número de infeções entre a sua população. Nas últimas semanas, algumas vozes na China sugeriram um possível ajuste à estratégia de zero casos de covid-19, que envolve, além dos confinamentos,

MONGÓLIA INCÊNDIO EM FÁBRICA DE QUÍMICOS FAZ SETE MORTOS

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ELO menos sete pessoas morreram ontem num incêndio numa fábrica de produtos químicos no norte da China, informou ontem a televisão estatal CGTN. O incêndio ocorreu de madrugada na cidade de Baotou, região da Mongólia Interior, e foi extinto cerca de uma hora depois. O fogo surgiu durante um processo de dessulfuração nas instalações,

operadas pelo grupo Shandong Guoshun, informou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. As causas do incidente ainda não foram apuradas, segundo as autoridades da Mongólia Interior. Este tipo de acidentes é frequente no sector químico chinês, onde as regulações continuam a ser fracas, apesar das medidas aprovadas nos últimos anos.

Em Fevereiro, cinco pessoas morreram e outras oito ficaram feridas, depois de inalarem gases tóxicos, num acidente ocorrido numa fábrica de fibras químicas, na cidade de Jilin, no nordeste do país. Em 2019, uma explosão numa fábrica de produtos químicos na província de Jiangsu, leste da China, provocou 78 mortos, resultando na inspecção de todas

as fábricas de produtos químicos do país. Em 2015, duas explosões nas instalações químicas da zona portuária da cidade de Tianjin, nordeste da China, provocaram pelo menos 165 mortos e causaram prejuízos de mais de mil milhões de dólares.


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COVID-19 ESPECIALISTAS INSISTEM NA POLÍTICA DE ZERO CASOS APESAR DE NOVOS SURTOS

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China acusou ontem os Estados Unidos de “desinformação”, depois de a imprensa norte-americana ter avançado que Moscovo pediu ajuda militar e económica a Pequim, em resposta às sanções ocidentais contra a guerra na Ucrânia. “É completamente falso, é pura desinformação. A China declarou clara e consistentemente a sua posição sobre a crise na Ucrânia. Desempenhamos um papel construtivo e avaliamos a situação de forma imparcial e independente”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, em conferência de imprensa. “Denegrir a posição da China não é aceitável”, acrescentou. Segundo funcionários norte-americanos, citados pela CNN e pelo The New York Times, a China pode já ter dado uma resposta. Se Pequim prestar assistência,

Era da “desinformação” China nega que Rússia tenha pedido apoio militar

isso poderia mudar a “posição das forças” no terreno e contrabalançar as duras sanções impostas à economia russa pelo Ocidente. Porta-vozes chineses reiteraram que a

China se opõe a sanções unilaterais porque “não trazem paz e segurança”, mas sim “sérias dificuldades económicas” para “os habitantes dos países afectados”.

A China e a Rússia “sempre mantiveram uma cooperação sólida no campo da energia” e “vão continuar a realizar uma cooperação comercial que inclui gás e petróleo”, explicou Zhao, acrescentando que as trocas ocorrerão num espírito de “respeito e benefício mútuos”. Representantes dos governos dos Estados Unidos e da China vão reunir esta segunda-feira, em Roma, para discutir o impacto da invasão russa da Ucrânia na segurança da Europa e do mundo. Adelegação dos EUA vai ser liderada pelo conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan. A delegação chinesa é encabeçada por Yang Jiechi, director do Gabinete da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC).

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HONG KONG ONG BRITÂNICA INSTADA A FECHAR 'SITE'

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restrições nas viagens internas e testes em massa sempre que um caso é detetado. O epidemiologista Zeng Guang, ex-chefe do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, afirmou recentemente que as “restrições

não durarão para sempre” e que a China “vai apresentar o seu roteiro para coexistir com o vírus na altura apropriada”.

MA organização não governamental (ONG), sediada no Reino Unido, prometeu ontem não permanecer em silêncio depois de o Governo de Hong Kong ter pedido o encerramento do 'site', que acusou de pôr em perigo a segurança nacional chinesa. Esta é a primeira vez que uma organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos estrangeira, a Hong Kong Watch, indicou ser alvo da Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, imposta por Pequim em 2020, na sequência de protestos antigovernamentais, em 2019. O gabinete de segurança de Hong Kong acusou o grupo de "conluio com forças estrangeiras para pôr em perigo a segurança nacional", de acordo com um email, enviado em 10 de Março e agora publicado no 'site' do Hong Kong Watch. O crime, um dos quatro previstos na Lei de Segurança Nacional, implica penas que vão até à prisão perpétua.

BANCO TAI FUNG, S.A. Macau (Número do Registo 576 SO) CONVOCATÓRIA É convocada a Assembleia Geral Ordinária deste Banco, para se reunir no dia 30 de Março do corrente ano (quarta-feira), pelas 10:30 horas, na sede social estabelecida em Macau, na Alameda Dr. Carlos d`Assumpção nº 418, 21º andar, Edifício “sede do Banco Tai Fung”, com a seguinte ordem de trabalhos:

No e-mail, o Gabinete de Segurança afirmou que a "Hong Kong Watch fez lóbi junto de países estrangeiros para impor sanções ou bloqueios à China e Hong Kong". O chefe da polícia de Hong Kong também tinha enviado um aviso no mesmo dia, pedindo ao grupo que retirasse todas as publicações do seu website. "Se não o fizer, serão tomadas novas medidas (...) sem mais aviso prévio", avisou o Gabinete de Segurança, que não respondeu ao contacto da agência de notícias France-Presse.

1. Aprovação do Balanço e das Contas do referido Banco, respeitante ao exercício findo em 2021, do relatório do Conselho de Administração, do parecer do Conselho Fiscal e do relatório dos auditores externos; 2. Distribuição de resultados e de dividendos; 3. Eleição dos Presidentes da Assembleia Geral, Membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal; 4. Contratação de auditores externos: 5. Emissão de obrigações; 6. Outros assuntos de interesse para o Banco. Nos termos da lei, o relatório do Conselho de Administração, o Balanço e as Contas, o parecer do Conselho Fiscal e o relatório dos auditores externos, respeitantes ao exercício findo em 2021, encontram-se depositados na sede do Banco para consulta dos sócios. Macau, 15 de Março de 2022 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral HO HAO VENG


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NOTIFICAÇÃO EDITAL (notificação de sanção)

Nº:14/2022

Lei Sio Peng, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, manda que se proceda, nos termos dos artigos 14.º e 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com o n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, à notificação do infractor da Notificação n.º IA-126/2022/DIT, CHAN HOK LEONG, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, proceder ao pagamento da multa aplicada na referida notificação, no valor de MOP$6.000,00 (seis mil patacas), por prática das infracções nos termos do n.º 3 do artigo 26.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da contratação de trabalhadores não residentes”, e artigo 20.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da contratação de trabalhadores não residentes”, conjugado com n.º 6 do artigo 63.º da Lei n.º 7/2008 – “Lei das relações de trabalho”, e a multa aplicada conforme os termos do n.º 3 do artigo 32.º da Lei n.º 21/2009 – “Lei da contratação de trabalhadores não residentes”, e alínea 4) do n.º 2 do artigo 88.º da Lei n.º 7/2008 – “ Lei das relações de trabalho”. Deve o infractor efectuar ao pagamento da quantia em dívida ao trabalhador não residente ZHU, WEIQUAN, dentro do mesmo prazo, no valor total de MOP$30.500,00 (trinta mil e quinhentos patacas). Por outro lado, devendo, nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do atrás citado prazo, fazer prova do pagamento efectuado. O infractor acima mencionado poderá, dentro das horas normais de expediente, levantar as cópias do despacho, a notificação e as guias de depósito, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo-lhe também facultada a consulta do processo n.º 537/2021, mediante requerimento escrito. Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação do documento comprovativo do pagamento efectuado, implica a remessa por este DIT, nos termos legais, das cópias dos respectivos documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coersiva à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para ser efectuada à cobrança coersiva. Nos termos dos artigos 145.º, 149.º e 155.º do CPA, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, o infractor pode impugnar a referida decisão da Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, pelos seguintes meios: a) No prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante reclamação para a Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho; b) No prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia seguinte ao da publicação do presente notificação edital, mediante recurso hierárquico necessário para o Director dos Serviços para os Assuntos Laborais. A decisão punitiva acima referida não é susceptível de recurso contencioso. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 8 de Março de 2022. A Chefe do Departamento, Lei Sio Peng

Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 4/E-OI/2022 : 117/OI/2016/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) : Estrada dos Cavaleiros n.ºs 103 a 109, Edf. Arco Íris, parque de estacionamento, Macau.

Lai Weng Leong, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 04/SOTDIR/2022, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 7, II série, de 16 de Fevereiro de 2022, faz saber que fica notificada a empresa comercial矩記香(澳門)食品貿易行, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal: 1.1

Obra Fechamento dos lugares n.ºs 1 e 2 do parque de estacionamento para veículos do edifício (n.º policial 103) com paredes em alvenaria de tijolo e instalação de elementos salientes na parede exterior.

2.

Nestas circunstâncias e nos termos dos artigos 52.º, 53.º e 65.º do RGCU, ordena à infractora que proceda à demolição da obra ilegal referida no ponto 1 e à reposição das partes afectadas de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços ou que entregue o respectivo projecto de legalização, e informa que incorre em infracção sancionável com multa de 1 000,00 a 20 000,00 patacas.

3.

Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M de 11 de Outubro, a interessada pode apresentar a sua defesa por escrito e demais provas para se pronunciar sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer as diligências complementares referidas no ponto 4, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data da publicação do presente edital.

4.

A interessada pode mandar demolir a obra acima indicada por sua iniciativa, no entanto, deve apresentar nesta DSSOPT o respectivo pedido de demolição, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria.

5.

O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 9 de Março de 2022 Pelo Director dos Serviços, Subst.º O Subdirector Lai Weng Leong

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A Cidade Interior de Tai Hao ling JOSÉ SIMÕES MORAIS Estamos em Huaiyang a visitar o Templo Mausoléu de Tai Hao ( 太昊陵) e depois de percorrer a Cidade Exterior, após subir os cinco degraus e atravessada a Porta Tai Ji (Apogeu Supremo a reger a ordem do Universo), chegamos à Cidade Interior. Entramos para um pátio com edifícios laterais e em frente o Templo Tong Tian, havendo na parte Sudoeste a Torre do Tambor e a Sudeste a Torre do Sino, ambas com dois andares e uma altura de 11,2 chi (3,73 m), construídas no ano de 1456 e refeitas em 2001. O som do tambor desperta a curiosidade pois é tocado de uma forma obsessiva. O tambor, de um tamanho inferior aos existentes nas torres dos tambores de muitas cidades, serve agora apenas para fins comerciais, tal como o pequeno sino colocado no andar superior da torre a Sudeste. O sino fundido em 1445, durante a Dinastia Ming, era tocado no princípio da manhã como sinal à população do começo do dia. À noite, o som do tambor anunciava ter o dia terminado. Tambor e sino serviam para comunicar com os habitantes, dando-lhes as horas e instruções consoante eram tocados. Em ambos os lados da praça existiam 42 quartos (lang fang) onde na nossa primeira visita se encontrava uma exposição de esculturas e em tempos antigos serviram como locais reservados aos oficiais quando vinham prestar homenagem a Fu Xi. Avançamos para Tong Tian Dian (统天殿), o pavilhão central e o mais importante do templo apresenta o melhor trabalho de arquitectura de todo o recinto. O edifício começou a ser construído em 1437, durante a Dinastia Ming, sendo reparado em 1985 e em 1998. Conta com cinco salas em largura e três em profundidade e tem o telhado feito de telhas amarelas, símbolo apenas dos imperadores, havendo no topo do lado Leste oito dragões e para Oeste, oito fénix. Os caracteres 统天 (Tong Tian) provêm do livro Yi-Xici xia 《易 系辞下》 e o significado pode ser para Tong, o de unificar e Tian, tudo o que existe no Universo, significando juntos o comando de todas as coisas na Terra.

Dentro, a meio desse enorme salão, um altar tem ao centro a grande estátua dourada de Fu Xi, uma produção recente de 2004, representando-o com duas protuberâncias na cabeça e roupas feitas de folhas e na cintura uma pele de animal. Se em 1968 a estátua de Fu Xi era de madeira, quando o edifício foi reparado em 1985 passou a ser de argila. Em todas as imagens onde está representado tem entre as mãos um Xian Tian Bagua Tai Ji, octógono prato com os trigramas colocados em redor do Tai Ji. No altar a ladear Fu Xi duas imagens de seus ajudantes, a da esquerda Zhu Xiang [da tribo Dragão Voador (FeiLong shi, 飞 龙氏)], encarregue de registar os acontecimentos históricos, sendo um dos primeiros a gravar na carapaça da tartaruga, ou nos ossos de bovinos, sinais que vieram a dar os caracteres, pois até aí, os registos ficavam apenas assinalados por nós numa corda e os factos eram perpetuados oralmente. À direita, Hao Ying, da tribo QianLong shi, o criador de um dos primeiros calendários, o Xiang xing (象形), usando imagens pictográficas. Em torno das paredes interiores, enormes lajes de pedra gravadas em 1998 com dezasseis desenhos a narrar a História da vida de Fu Xi, desde a nascença até à morte. No tecto encontram-se representados os 64 hexagramas (que combinam em pares os oito trigramas), apesar de nos livros antigos aí fazerem referência à existência de 28 Xing Xiu (星宿), 28 constelações

EM AMBOS OS LADOS DA PRAÇA EXISTIAM 42 QUARTOS (LANG FANG) ONDE NA NOSSA PRIMEIRA VISITA SE ENCONTRAVA UMA EXPOSIÇÃO DE ESCULTURAS E EM TEMPOS ANTIGOS SERVIRAM COMO LOCAIS RESERVADOS AOS OFICIAIS QUANDO VINHAM PRESTAR HOMENAGEM A FU XI

do Céu (Tian) a permitir perceber as coordenadas para a localização e o movimento da Lua e dos planetas do sistema solar. Outrora, aqui havia também no meio da sala uma estátua do Dragão-cavalo (Long Ma) que traz o Bagua e conhecido por Si Bu Xiang (quatro animais indefinidos, a parecer ser um, mas não o que à primeira vista parece) e ainda o Livro de Pedra chamado YuYeShiShu 《玉页石书》. Encontramos estes dois últimos mais tarde no Templo de Fu Xi, na cidade de Tianshui em Gansu. Na parte de trás do altar, já na sala do fundo, gravados em madeira quatro douradas figuras masculinas com uma figuração ligada às suas funções, sendo a do lado direito, XiangLong shi (quem protegia a população dos animais ferozes), seguindo TuLong shi (ligado à agricultura), ShuiLong shi (a tomar conta das questões da água) e JuLong shi (construtor das habitações). Na primeira visita, virada para a porta traseira, ainda no interior, uma escultura de Nu Wa acompanhada por uma série de crianças representadas nuas, sendo vestidas com um avental vermelho a cobrir os órgãos genitais. Na nossa segunda visita estas imagens tinham sido retiradas. SISTEMA DE CASAMENTOS Seguindo para o Pavilhão Xian Ren, nos muros laterais do pátio encontram-se, para Oeste a Porta Si Xiang (四象, Quatro Estações) e a Leste, abre-se a Porta Liang Yi (两仪), que significa yin e yang, ou Terra e Céu e para Yi, a correspondência de Mutações. A placa em frente à porta prossegue com as explicações. Yi (mutação) tem Tai Ji (Apogeu Supremo a

reger a ordem do Universo), sendo Liang Yi a união de dois princípios representado por um círculo dividido em duas partes iguais, yin, a parte escura e yang, a parte clara. Liang Yi produz quatro Xiang (quadrantes), que dão os oito Gua (trigramas). Filosofia explicada por Fu Xi com os trigramas por ele criados, a partir da combinação feita com três linhas, inteiras (yang yao) e ou quebradas (yin yao), e daí os oito trigramas colocados em torno do Tai ji pela ordem da representação que lhes deu e conhecida por xiantian bagua (先 天 八卦). Entramos pela Porta Liang Yi e no lado esquerdo do pequeno pátio está um nicho com a imagem de Yue Fei e em frente cinco figuras ajoelhadas. A estátua do general Yue Fei já não era a mesma existente no ano anterior. O Pavilhão Xian Ren (显仁殿), edificado durante a Dinastia Ming e em 1990 reconstruído, tem a escultura dourada de Nu Wa levando ao colo na mão direita um bebé e na esquerda, a pedra para reparar o Céu quebrado no confronto entre dois deuses. No exterior do Pavilhão, na parte Nordeste da base de pedra, uma das pedras tem um orifício onde as mulheres aí colocam os dedos, passando de seguida a mão no bolso. Conta a história de há cinco milénios, que a meio da Primavera Fu Xi convocava as raparigas e rapazes das diferentes tribos para se juntarem, havendo no centro do recinto do encontro uma pedra com um buraco e se os jovens gostassem um do outro, tocando no orifício tornavam-se marido e esposa. O sistema de casamento foi um dos legados de Fu Xi e nessa cerimónia era oferecida carne de veado. Desde então, o costume tornou-se prática corrente, mas desvirtuado, a crença popular deu-lhe outro simbolismo, pois se os pais ou avós tocassem na vagina da filha ou neta, esta tornar-se-ia mais inteligente e saudável. Em frente, no muro lateral estão dispostas em fila placas de pedra com caracteres gravados, estelas deixadas por oficiais nas visitas, onde muitos são os peregrinos a tentar aí colar moedas pressionando-as e em alguns casos isso acontece. Por vezes, alguns pelo constante falhanço deitam saliva nas moedas a ver se pegam.


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DRIVE TO SURVIVE | NEXTFLIX | 2021

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Desde sexta-feira que está disponível a nova temporada da série Drive to Survive, que incide na temporada de 2021 de Fórmula 1. Como esperado, o duelo entre Lewis Hamilton e Max Verstappen é a principal atracção da série, assim como o ambiente de cortar à faca entre os directores das respectivas equipas, lideradas por Toto Wolf, no caso da Mercedes, e Christian Horner, na Red Bull. Os 10 episódios são fáceis e cheios de emoção, mesmo quando se conhece o desfecho. Porém, o ponto negativo, é que no final fica a sensação de que o modelo da série está esgotado e que há alguma repetição face ao passado. João Santos Filipe

C I N E M A

SALA 1

THE BATMAN [C]

THE BATMAN [C]

SALA 2

SALA 3

Um filme de: Mark Williams Com: Liam Neeson, Aidan Quinn, Taylor John Smith, Emmy Raver-Lampman 14.30

Um filme de: Kenneth Branagh Com: Gal Gadot, Annette Bening, Armie Hammer, Litita Wright 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 14.30, 17.45, 21.00

BLACKLIGHT [C]

Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 16.30, 19.45

DEATH ON THE NILE [C]

3 5 4 9 8 1 6 2 THE BATMAN 7 6 9 1 0 4 2 5 3 7 4 0 Propriedade 1 2 5Fábrica de8Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 2 7 Nunu 4 3 Julie Oyang; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; www. 7 3 9 Bicho; 0 Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Paul Chan Wai Chi; Paula hojemacau. Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 2 8 7 0 5 1 com.mo Morada Pátio da Sé, n.º22, Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 5 3 54

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terça-feira 15.3.2022

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macau visto de hong kong

opinião 15

David Chan

ANJOS DE BRANCO HAN ZHENG, Vice-Primeiro Ministro da República Popular da China, declarou que, aparentemente, um hospital privado de Hong Kong se estava a recusar a tratar doentes com febre, o que viola o juramento dos Anjos de branco. Han Zheng disse que espera que esta notícia não se confirme. Este incidente provocou uma ampla discussão em Hong Kong. Algumas pessoas acreditam que a recusa de tratar estes pacientes vai contra a ética médica, mas a Federação de Hospitais Privados afirmou que tudo está a decorrer de acordo com as directrizes do Governo. Podemos imaginar como será difícil alguém chegar com febre ao hospital e ser recusado. Num noticiário da Hong Kong TV, foi divulgado o caso de uma mulher que se dirigiu a um hospital privado às 3.00 h da manhã, porque o filho estava com 40º de febre, e que se viu obrigada a voltar para trás. Mesmo antes de sair do hospital, a mulher disse ao filho: “Quando cresceres, tens de estudar muito para seres médico. E não podes ser um médico que não salve as pessoas.” Este noticiário também divulgou que, segundo um inquérito, apenas 4 clínicas, de um total de 20, estavam dispostas a tratar pacientes com febre e, mesmo assim, só se o resultado de um teste rápido à COVID desse negativo. 13 clínicas não responderam e 3 afirmaram recusar-se a tratar doentes com febre. Actualmente existem cerca de 15.000 médicos em Hong Kong, dos quais 55 por cento trabalha no sector privado e 45 por cento no público. De acordo com este inquérito, apenas cerca de metade dos médicos de Hong Kong está disposta a tratar pessoas infectadas com o coronavírus. Em resposta, a federação concordou que é dever dos Anjos de Branco salvar vidas e disse que os hospitais privados agem de acordo com as políticas do Governo, mas que terá havido um mal-entendido causado por uma transmissão de informação imprecisa. O vírus propaga-se pelo ar. Para tratar dos infectados, os hospitais têm de ter enfermarias de isolamento, mas alguns privados têm poucas enfermarias nestas condições e muitas já estão lotadas. Os hospitais privados podem ser processados se não oferecerem aos doentes protecção adequada e admitir doentes infectados com COVID nas enfermarias normais pode ser muito arriscado. Alguns hospitais privados salientaram claramente que a recusa de admitir doentes com febre estava de acordo com as orientações que o Governo tinha dado na altura. Alguns médicos do sector privado afirmaram que, na medida em que os médicos do sector público estão sobrecarregados, se eles também forem infectados, as consequências serão inimagináveis.

Actualmente, a situação epidémica em Hong Kong é aterradora. Se os médicos se recusarem a tratar doentes, não será isso uma violação da ética médica?

Os noticiários também divulgaram que o Governo de Hong Kong cedeu terrenos aos hospitais privados a preços muito baixos, ou mesmo gratuitamente. O contrato estipulava que estes hospitais devem reservar 20 por cento de camas para o sector público, no entanto esta cláusula foi anulada depois de 2011. Desta forma,

muitas pessoas pensam que os hospitais privados deveriam desempenhar um papel mais activo na pandemia, já que o Governo lhes cedeu os terrenos em condições muito favoráveis. O Governo de Hong Kong não obriga os hospitais privados a tratar pacientes com febre. O objectivo é concentrar os doentes em unidades hospitalares e tratá-los uniformemente. Esta prática impede a propagação do vírus, mas agora que a epidemia atingiu um estado crítico os hospitais públicos deixaram de ser suficientes para resolver o problema. Combater a epidemia é o dever de todos e os hospitais privados devem tratar os pacientes com febre e os pacientes infectados com o vírus. Os hospitais privados podem receber doentes infectados com COVID desde que as suas instalações de isolamento sejam melhoradas. Além disso, o sector privado tem menos médicos do que o sector público. O que está aqui em causa é a necessidade de colocar o sector privado a auxiliar o sector público no combate à epidemia.

Qual é o papel dos médicos do sector privado no contexto da epidemia em Hong Kong? Devem tratar os doentes nos hospitais públicos ou nos hospitais privados? Ou devem seguir as directrizes do Governo e tratar apenas doentes transferidos de hospitais públicos que não sofram de COVID? Ou deverão fechar as clínicas por um período de tempo curto? Para já, não é fácil dar uma resposta, mas é certo que desde o primeiro dia em que ingressaram na Faculdade de Medicinal, os médicos sabem que têm o dever de salvar vidas. O vírus sofre mutações todos os dias e todos os dias os médicos têm de enfrentá-lo. Actualmente, a situação epidémica em Hong Kong é aterradora. Se os médicos se recusarem a tratar doentes, não será isso uma violação da ética médica? Médicos que não tratam doentes com febre e doentes infectados encontram-se em todo o lado, não só em Hong Kong. Por uma questão de bem-estar social, como exigir que estes médicos tratem doentes com febre e com COVID não é uma questão fácil de resolver.

Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


‘‘Use a sua luz, mas diminua o seu brilho.’’ PALAVRA DO DIA

SMG SISMO DE MAGNITUDE 4.1 SENTIDO EM MACAU

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M sismo de intensidade 4.1 na escala modificada de Mercalli foi sentido ontem em Macau por volta das 2h30 da madrugada. De acordo com os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG), o epicentro do abalo foi registado na latitude norte 22.51 e longitude leste 115.04, a cerca de 156 km leste-nordeste de Macau, localizado Área do mar de Huizhou, em Cantão. Segundo a TDM- Rádio Macau, houve pelo menos cinco pessoas a sentir o sismo em Macau que entraram em contacto com os SMG para relatar sobre o incidente. Já em Hong Kong, localizado a 92 km do epicentro, foram recebidos 8.000 relatos. Em ambos os territórios não há vítimas ou danos de maior a registar. A Escala de Mercalli tem 12 níveis, cuja intensidade é classificada conforme o nível dos danos em edifícios e efeitos sobre as pessoas provocados pelo abalo sísmico. Segundo a escala, o nível 4 dita que a “maior parte das pessoas que estavam dentro da casa e algumas pessoas estavam ao ar livre, podem sentir a vibração”, estruturas erguidas “vibram ligeiramente” e “janelas, portas e pratos chocalham”. Desde 1983, foram registados 43 sismos de magnitude 3,0 ou superior num raio de 200 km de Macau. O último sismo sentido, registado, foi um sismo de magnitude de 2,2 que ocorreu a 22 de Abril de 2020 nas águas a leste de Zhuhai, Guangdong, a cerca de 21 km a sudoeste de Macau. P.A.

LC Benfica com mais opções para jogo com Ajax

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O Benfica treinou ontem no centro de estágios do Seixal com quase todos os futebolistas disponíveis, antes de viajar para Amesterdão, onde defronta hoje o Ajax, em jogo da Liga dos Campeões. Na sessão, o treinador Nélson Veríssimo voltou a contar com o avançado Yaremchuk, recuperado de uma gripe, bem como com os defesas Otamendi e Gilberto, que, devido a problemas físicos, também falharam o jogo de sexta-feira com o Vizela (1-1). Fora das opções continuam Rodrigo Pinho, Lucas Veríssimo e Seferovic, a recuperarem de lesões mais prolongadas. A equipa ‘encarnada’ viajou ontem para a capital holandesa, onde defronta esta terça-feira o Ajax, em jogo com lotação esgotada na Arena Johan Cruyff, da segunda mão dos oitavos de final da ‘Champions’. No primeiro jogo, no estádio da Luz, registou-se um empate a dois golos.

terça-feira

15.3.2022

Lao-Tse

Cortes de alta tensão Central nuclear de Chernobyl tem fornecimento de energia novamente cortado

CHINA BRUXELAS TEME EFEITOS DAS NOVAS MEDIDAS DE CONFINAMENTO

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Ukrenergo “Antes que a energia fosse plenamente restaurada, as forças de ocupação danificaram-na novamente.”

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Ucrânia acusou ontem o exército da Rússia de ter cortado novamente o fornecimento de energia à central nuclear de Chernobyl, localizada ao norte de Kiev e sob controlo dos russos desde os primeiros dias da guerra. As autoridades ucranianas disseram no domingo que haviam restaurado o fornecimento de energia à antiga central nuclear, que garantiria a segurança dos resíduos radioactivos armazenados no local. “Entretanto, antes que a energia fosse plenamente restaurada, as forças de ocupação danificaram-na novamente”, declarou ontem o distribuidor de energia ucraniano Ukrenergo na rede social Facebook. O distribuidor afirmou que os seus técnicos repararam a linha de alta tensão que fornecia electricidade à central de Chernobyl e à cidade de Slavoutitch, que foi cortada na passada quarta-feira. Entretanto, a linha foi novamente danificada, declarou ontem o distribuidor de energia,

referindo que terá de enviar novamente os seus funcionários ao local para “reparar este novo dano”. “Um fornecimento de energia estável evitará a repetição do desastre de Chernobyl”, argumentou a companhia de energia. Por enquanto, Moscovo não respondeu a esta nova acusação. Após o anúncio do primeiro corte de energia por Kiev, a Rússia declarou que houve uma “provocação” por parte das forças ucranianas. O reactor número quatro da central nuclear de Chernobyl explodiu em 1986, causando o pior desastre nuclear civil da história. Os outros três reactores da central foram gradualmente desligados após o desastre, o último em 2000. No entanto, ainda é necessário um sistema movido a electricidade para arrefecer os 20.000 conjuntos de resíduos radioactivos armazenados na piscina da central nuclear. Por outro lado, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) declarou, na

quarta-feira, que dado o tempo decorrido desde o acidente de 1986, “a carga térmica da piscina e o volume da água de refrigeração são suficientes para garantir uma retirada eficiente do calor sem electricidade”.

Contas por fazer

A guerra na Ucrânia, que entrou ontem no 19.º dia, provocou milhares de mortos e feridos, mas o número preciso está ainda por determinar.As informações sobre baixas militares e civis indicadas por cada uma das partes carecem de verificação independente. A ONU contabilizou cerca de 600 civis mortos e mais de mil feridos até ao fim de semana, mas alertou que o número deverá ser substancialmente superior. Mais de 2,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia para países vizinhos desde o início da guerra, naquela que já é considerada a prior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, disse ontem que se as medidas de confinamento impostas em várias cidades da China se prolongarem, devido a surtos de covid-19, haverá consequências económicas na Europa, que se somarão ao impacto da guerra na Ucrânia. “Se for para durar, terá repercussões”, alertou em entrevista à rádio France Inter, referindo-se aos confinamentos que foram decretados em áreas urbanas chave para a produção de componentes estratégicos de exportação, como semicondutores. Breton destacou as fortes restrições que as autoridades chinesas estão a impor na província de Guangdong, que faz fronteira com Macau, e que concentra a indústria de electrónica do país (ver pgs 10-11). TambémnacidadedeChangchun, no nordeste, e em Xangai, a “capital” económica do país asiático, vários bairros foram confinados. A população local foi aconselhada a não deixar as cidades, excepto por motivos essenciais. Desde o início do mês, a China passou de 119 para 3.122 casos diários. O comissário europeu salientou que, na situação actual, só contando com o impacto da guerra na Ucrânia, a economia europeia pode perder um ponto percentual de crescimento e a inflação subirá. Mas ressalvou que a incerteza é grande e é “muito difícil” fazer previsões. “Teremos de ser bastante flexíveis” na gestão da situação, afirmou. O comissário disse que é “melhor que as taxas [de juro] não subam demasiado”, apesar de que em 2022 ainda haverá uma inflação “muito importante”.


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Hoje Macau 15 MARÇO 2022 #4968 by Jornal Hoje Macau - Issuu