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terça-feira 15 de dezembro de 2015 • ANO Xv • Nº 3474
hojemacau
Agência Comercial Pico • 28721006
Sozinhos em casa Contextos familiares atribulados, falta de amigos e comportamentos anti-sociais levam a que muitos jovens se fechem num mundo onde,
ng kuok cheong
antónio falcão
pub
Director carlos morais josé
Correio vigiado Página 4
opinião
Fazer filmes
tânia dos santos
para alguns, a internet é a única via “aberta” ao exterior. Nos últimos cinco meses, Macau recebeu 15 pedidos de ajuda de “jovens anónimos”.
h Amour Fou
grande plano
boi luxo
lei de terras
Polémica revisão Página 5
diário de bordo
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ontem macau
“As mulheres precisam desta lei [da violência doméstica] como crime público, para terem a certeza, por exemplo, que mesmo que não denunciem o agressor alguém o poderá fazer e nunca partirá delas. Alguém está com elas, elas não estão sozinhas”
hoje macau terça-feira 15.12.2015
Membros da fraternidade Alpha Phi Omega desfilam em redor de edifícios escolares nas Filipinas, durante a “Oblation Run” anual, uma corrida que acontece dentro da Universidade das Filipinas em Diliman, Manila. Cerca de 20 membros da APO correm nus para chamar a atenção da sociedade sobre a corrupção no Governo e os direitos do povo indígena Lumad. EPA/MARK R. CRISTINO
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horah
Christiana Ieong • Presidente do Zonta Club de Macau
“Para a RAEM, o primado da lei é um valor essencial, assim como o cumprimento rigoroso da lei é o princípio básico para a governação. Por isso, no que diz respeito ao caso do Pearl Horizon, o Governo tentou maximizar o espaço de manobra dentro da lei, mas não se pode ultrapassar a lei apenas por um incidente” Chui Sai On • Chefe do Executivo
“Vamos criar condições para podermos posteriormente criar uma comissão de dopagem. Na antiga legislação não tínhamos este tipo de poder para executar todas as questões relacionadas com o doping e passámos todas essas questões para as federações internacionais. Com esta nova legislação vamos poder adoptar novas medidas para o controlo anti-dopagem. Vamos criar uma comissão para regulamentar isto” José Tavares • Presidente do ID
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“O maior problema é a identificação dos estudantes, pois os que têm passaporte português são considerados estudantes internacionais, mas estudam em Taiwan na qualidade de chineses ultramarinos” Sou Ka Hou, ex-presidente da Associação Novo Macau, sobre as dificuldades de jovens de Macau a estudar em Taiwan | P.4
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; Aurelio Porfiri; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos; Thomas Lim Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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hoje macau terça-feira 15.12.2015
S
ó durante os últimos cinco meses, o Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui já recebeu 15 casos de “ jovens anónimos”– jovens problemáticos, que se fecham em casa, e outros que são viciados na internet – havendo ainda mais seis em avaliação. A maioria dos casos vieram de pedidos de ajuda dos pais, sendo que os responsáveis da associação entendem que a questão tem que ver com contextos familiares complicados. Os jovens anónimos caracterizam-se por adolescentes com tendência para não sair de casa e não ter vida social, sendo alguns deles viciados na internet e utilizadores frequentes de salas de chat e jogos online. O HM quis saber mais sobre esta realidade e Cabell Hoi, chefe dos serviços da associação, referiu que, até Dezembro, o Gabinete recebeu 15 casos – sete jovens anónimos e oito viciados na internet – e seis casos ainda não confirmados sob avaliação. “São três jovens com idades compreendidas entre os dez e os 15 anos. Outros seis deles têm entre 16 e 20 anos, cinco têm entre 21 e 24 anos e um outro é mais velho”, começou por dizer. “De entre esses 15 casos, apenas um deles envolve uma rapariga”, continuou. Carson é um dos assistentes sociais da linha frente a contactar com os jovens anónimos e explica que o primeiro passo é tentar criar relações com eles.
Elogiar para fazer viver
O programa piloto para ajudar jovens anónimos e viciados na internet a minorar a dependência foi lançado em Agosto deste ano e conta com o apoio do Instituto de Acção Social (IAS), além dos Serviços Sociais Sheng Kung Hu, que dizem que fazer actividades é um dos primeiros passos para tal. “Por exemplo, fomos ao festival de gastronomia, jogámos basquetebol e computador com os adolescentes. Os serviços são feitos de forma personalizada, dependendo das suas necessidades.
Recebidos 15 pedidos de ajuda de “jovens anónimos” em cinco meses
Sem face há décadas Através dos processos de criação de relações percebemos o que os jovens gostam de fazer, ou o que gostariam de fazer, mas nunca fizeram”, exemplifica Carson. “Assim damos-lhes mais energia positiva e confiança, elogiamo-los”, sublinha o responsável. Além disso, Carson conta que é muito importante fazer companhia aos jovens anónimos, algo justificado pela constante necessidade que têm de apoio. “Às vezes as famílias pedem-lhes que procurem emprego, mas não têm uma rede à volta, podem não ter confiança em seguir em frente para a entrevista de emprego”, diz, acrescentado ainda que é necessário “encorajá-los” e aconselhá-los, chegando mesmo a ser preciso fazer o acompanhamento na entrevista. Carson refere também que os serviços do Gabinete não se ficam por aí, abrangendo também os pais. “Não basta que os assistentes
sociais contactem os jovens, até porque a esmagadora maioria do tempo é passado com a família, pelo que o apoio desta é muito importante”, confessa Carson ao HM. “Às vezes os membros das famílias preocupam-se muito com a situação, precisam também de aconselhamento emocional e temos de os visitar e conversar com eles”, indicou. As visitas periódicas também são importantes, sendo que a frequência mensal é uma das necessidades.
Grandes dificuldades
Questionado sobre a motivação dos jovens em pedir ajuda, Cabell afirma que a maioria dos casos veio de denúncias feitas pelos pais ou foram transferidos de outras entidades como do IAS. “Quando recebemos pedidos dos pais, normalmente, a situação já é grave, com casos de filhos que não saem de casa, nem contactam
com outras pessoas. Só quando conseguimos fazer uma visita domiciliar e falar com os jovens é que o programa de ajuda realmente tem início”, frisa. Na verdade, a aceitação destes casos pela associação só acontece quando estes são realmente graves. “No início não nos deixaram sequer entrar em casa, tínhamos que voltar mais vezes e às vezes não podemos usar directamente o papel de assistente social, temos que mudar e tornarmo-nos amigos deles”. Nalgumas situações, os adolescentes já comunicavam com os assistentes, mas dispensavam a intervenção no seu dia-a-dia. Carson avançou que até ao momento apenas um jovem viciado na internet rejeitou a ajuda dos assistentes. “Foi a tia de um rapaz de 14 anos que nos pediu ajuda, mas quando fomos lá a casa, a mãe rejeitou abrir a porta. Neste caso, como a família não quer que ajudemos e acredita que não é grave, apenas observamos a situação de longe e damos a situação como encerrada, se não forem detectados incidentes”, disse.
O choque do real
O que mais chocou a chefe dos serviços foi o facto dos jovens anónimos poderem não ser completamente anti-sociais. Ainda que correspondam à imagem de jogador compulsivo de computador, alguns deles são até informados acerca das notícias da actualidade e de assuntos sociais. Outros criam redes de amigos nas redes sociais, mas nunca frente a frente. O objectivo disto, esclarece a responsável, é sempre o de evitar o choque com a realidade. “Muitos jovens fogem de más relações ou discussões com as famílias. Noutros casos é na escola que não têm amigos”, explica. “Fecham a porta do quarto, podem não só ir à internet, mas também ver televisão ou fazer outras coisas que os seus familiares desconhecem. Descobrimos que, no caso dos jovens anónimos, muitos dos contextos familiares são complicados”, lamenta. O alerta principal para detectar se um jovem deve ser considerado “anónimo” é a reclusão doméstica por pelo menos um mês com um elevado grau de desconexão social. E um mês pode significar apenas o início. “Há casos de pessoas que não saem de casa há mais de três meses e até mesmo anos, como o de um jovem com mais de 20 anos que permaneceu anónimo durante dez anos”, conta ao HM.
hoje macau
Não saem de casa e, alguns, são viciados na internet. Os jovens anónimos continuam a ser um problema, tanto que - em cinco meses - quem os apoia já recebeu mais de uma dezena de pedidos de ajuda
grande plano
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“Há casos de pessoas que não saem de casa há mais de três meses e até mesmo anos, como o de um jovem com mais de 20 anos que permaneceu anónimo durante dez anos” “Muitos jovens fogem de más relações ou discussões com as famílias. Noutros casos é na escola que não têm amigos” Cabell Hoi Chefe dos erviços da Associação Sheng Kung Hui
Segundo a responsável, este só abandona o domicílio para ir ao supermercado, mas a ajuda da família livrava-o quase sempre de ter que sair. Embora o público-alvo deste programa vá dos dez aos 24 anos, a associação confessa estar a tratar do caso de uma pessoa com 40 anos. “Mesmo que não esteja na nossa rede de idades, esperamos poder continuar a observá-lo, pois não queremos excluir o caso devido à idade”, disse Cabell. A chefe referiu que ainda não consegue analisar as causas concretas do problema. No entanto, revelou que 2016 e 2017 vão ser anos de estudos mais avançados, que servirão para perceber bem as razões e tendências por detrás deste fenómeno social. Os últimos dados mostram que Macau conta com cerca de 70 jovens anónimos e mais de mil adolescentes em risco de caírem nessa situação. Flora Fong
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Política
Quem enviar emails ao deputado Ng Kuok Cheong receberá uma mensagem de volta a dizer que o email não foi entregue. Mas isso não corresponde à verdade: segundo o deputado pródemocrata, é apenas sinal de que a sua conta de correio electrónico pessoal está a ser vigiada
hoje macau terça-feira 15.12.2015
Ng Kuok Cheong vigiado por “entidades” desconhecidas
Estou de olho em ti
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ou Ka Hou, ex-presidente da Associação Novo Macau (ANM), sugeriu ao Governo local que clarifique a identificação dos jovens de Macau que estudam no ensino superior de Taiwan, exigindo ainda uma simplificação dos processos. Numa carta enviada ao Jornal do Cidadão, Sou Ka Hou explica que recebeu muitos pedidos de informação de estudantes chineses ultramarinos de Taiwan sobre a sua identificação e como podem lidar com os processos burocráticos. Segundo o jornal, “muitos estudantes de Macau têm passaporte português por causa dos pais e aqueles que querem estudar em Taiwan têm de participar no exame de admissão, sendo que precisam de assinar
Não sou o único
Ng Kuok Cheong é membro da Associação Novo Macau (ANM), entidade que este ano pediu uma investigação independente ao Ministério Público (MP) sobre o alegado interesse das autoridades policiais locais na aquisição de equipamento multimédia de espionagem, informação avançada pela Wikileaks. Aos jornalistas, Jason Chao, membro da direcção da ANM, disse recear que os activistas pró-democratas poderiam ser um dos alvos. “Não posso rejeitar essa possibilidade. O que dizemos ao público é baseado nos documentos que vemos no Wikileaks. Não temos provas, mas não posso recusar essa possibilidade. Pessoalmente acredito nisso”, rematou.
“As autoridades que estão a supervisionar o meu email podem ser da China, dos Estados Unidos, ou podem até ser autoridades locais. Não consigo identificar qual é e contra quem posso aplicar uma acção legal”
O
e-mail pessoal do deputado Ng Kuok Cheong está a ser vigiado por uma ou várias entidades ainda não identificadas pelo membro da Assembleia Legislativa (AL) e ligado ao campo pró-democrata. A informação surge na entrevista cedida por Ng Kuok Cheong à revista Macau Business e foi confirmada ao HM. “Há muitos anos que isto acontece, mas só o ano passado é que a polícia me disse que a minha conta de email estava a ser vigiada por outras entidades e disseram para me informar junto da CTM para fazer algo em termos técnicos. Mas ainda querem saber o que ando a fazer. Estou confiante de que só perdem o interesse quando eu sair da política”, disse Ng Kuok Cheong ao HM. O deputado ainda não avançou com nenhuma acção legal por desconhecer a entidade que estará a supervisionar o seu e-mail. “As autoridades que estão a supervisionar o meu email podem ser da China,
facto da sua mensagem não ter sido entregue ao ou aos destinatários”.
dos Estados Unidos, ou podem até ser autoridades locais. Não consigo identificar qual é e contra quem posso aplicar uma acção legal. O ano passado, as autoridades policiais alertaram-me que poderia ser uma entidade estrangeira, mas não
identificaram nenhuma”, apontou o deputado. “Querem saber aquilo que eu ando a fazer, mas não me importo com isso. Isto causa-me alguns transtornos, porque às vezes as pessoas enviam-me emails, eu recebo-os, mas essas pessoas rece-
bem um email de volta a dizer que eu não consigo receber [as mensagens]”, revelou Ng Kuok Cheong. Na revista Macau Business pode ler-se que o autor da entrevista recebeu vários e-mails de volta que diziam “Desculpe informá-lo do
Taiwan Alunos prejudicados por terem passaporte português
Maldita identidade uma declaração que comprove o nascimento em Macau”. Por serem portadores de passaporte português, estes alunos precisam de entregar uma prova em como os seus documentos foram feitos antes de 1999, ano da transfe-
rência de soberania de Macau para a China. Contudo, “o departamento de emigração não implementou esta medida com os mesmos padrões nos últimos 16 anos”. “À maioria dos estudantes com passaporte português não tem sido pedida a prova para o exame, mas nos últimos dois anos o departamento executou a medida com muito rigor. Normalmente os estudantes só entregam a prova com a orientação da Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) e enviam-na para o departamento de emigração, mas não
existem instruções claras para eles e o processo é um pouco complicado, causando um problema de dupla identidade, de Macau e de Portugal”, escreve Sou Ka Hou na sua carta.
Abandono forçado
O antigo presidente da ANM disse ainda que “o maior problema é a identificação dos estudantes, pois os que têm passaporte português são considerados estudantes internacionais, mas estudam em Taiwan na qualidade de chineses ultramarinos”. O activista e estudante
Contactado pelo HM, o deputado Au Kam San, parceiro de Ng Kuok Cheong no hemiciclo, revelou que não sabe se o seu email está ou não a ser vigiado. “Não me importo com isso, porque não tenho segredos. Mas é possível que isso esteja a acontecer”, concluiu. Andreia Sofia Silva (com Flora Fong) andreia.silva@hojemacau.com.mo
defende que muitos deles foram forçados a deixar os estudos na Universidade de Taiwan “por causa do problema da nacionalidade”. Sou Ka Hou frisou ainda que existem rumores de que “os funcionários do departamento de emigração de Taiwan terão dito aos estudantes que o problema se iria resolver caso estes abandonassem a sua identidade portuguesa”, o que terá causado confusão aos alunos. Estudante na Ilha Formosa, Sou Ka Hou rematou que “o Governo deve resolver este problema antes da realização do exame de admissão, clarificando a identidade destes alunos e deve discutir com Taiwan para se avançar com a simplificação do processo”. Tomás Chio
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política 5
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Lei de Terras Gabriel Tong quer revisão imediata
com a apresentação de um projecto de revisão, assegura, vai fazê-lo. Questionado sobre as declarações de Gabriel Tong, o deputado desviou o assunto e definiu o seu foco. “O que importa é mudar a lei para que sejam evitados casos futuros”, apontou.
agradar a todos. Au Kam San não acredita que rever seja a solução, para este e outros casos, portanto, diz, não pode estar de acordo com a ideia de Gabriel Tong e Lau Veng Seng. “Adicionar esta cláusula trará problemas para o futuro. É preciso notar que o período de 25 anos para a concessão dos terrenos não foi definido na revisão [em 2013]. Já existia. É um princípio muito claro e nada deve ser mudado. Avançar com uma revisão assim, com esta rapidez, é dar a oportunidade às concessionárias para poderem ocupar de novo os terrenos e daqui a uns anos voltarmos ao mesmo lugar - o não aproveitamento dos mesmos”, argumentou o deputado ao HM. A solução passa, diz, por uma boa gestão do problemas. “Concordo com o Governo, na vontade expressa de retirar os terrenos e colocá-los a concurso, mas também existe a possibilidade de permuta de terrenos como solução”, apontou.
Claro que não
Interesse público
Aqui e agora, já
A ideia é clara: a revisão da Lei de Terras deve avançar no imediato ou ter efeitos retroactivos. Quem o defende é Gabriel Tong, advogado dos proprietários do caso Pearl Horizon. Já Lau Veng Seng reforça a necessidade de revisão para evitar problemas futuros. Pereira Coutinho e Au Kam San estão contra
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abriel Tong, deputado e advogado dos pequenos proprietários do Pearl Horizon, obra do Grupo Polytec, quer rever a Lei de Terras e já. Tong explicou ao HM que, apesar de já existirem efeitos retroactivos na actual lei e no caso da autorização de renovação após o termo da concessão, é preciso mais. Gabriel Tong defende que a lei deve ser revista e que esta revisão deve acontecer e entrar em vigor antes da caducidade do caso que defende – a 25 de Dezembro. O deputado explica que só é necessário adicionar a norma de transição, defendida por diversos deputados, como Lau Veng Seng. Norma que permitirá aos concessionários acabar as construções depois da caducidade do terreno. Garantindo que não tem qualquer interesse pessoal no caso do Pearl Horizon, Gabriel Tong fala em justiça. “Não tenho propriedades, não tenho familiares que sejam proprietários, não conheço ninguém da construtora, nunca falei com ninguém. Recebi um telefonema de uma proprietária a chorar e eu sou humano, compreendo a situação [dos proprietários]”, argumentou ao HM.
são sirva para casos no futuro. É o que diz Lau Veng Seng, que até já sugeriu que poderia vir a entregar um projecto de revisão. “É uma forte possibilidade”, diz Lau Veng Seng quando questionado sobre a provável apresentação de um projecto de revisão. Apesar de não querer confirmar por agora, o deputado diz que está a ser realizado um estudo para perceber a situação. Quando tiver de avançar
A possibilidade de rever uma lei revista em 2013, com entrada em vigor em Março de 2014, não parecer
Será esta uma questão de interesse público que mereça uma urgente revisão à lei? É que pergunta José
Proprietários do Pearl Horizon acampados
Bases de bases
Sim, mas no futuro
A revisão da lei tem sido pedida por alguns deputados para resolver a questão do Pearl Horizon – cuja caducidade termina este mês sem que o prédio esteja pronto -, mas outros defendem apenas que a revi-
• Os compradores de fracções do edifício Pearl Horizon estão acampados à porta dos escritórios do Grupo Polytec, na Areia Preta, e prometem não sair. Manifestam-se por causa do problema recente da confirmação de que o Governo vai reaver o terreno no final do mês sem que o prédio esteja pronto.
ATFPM Debate com jovens sobre condições para o futuro
A
Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) realiza hoje um encontro entre jovens e o presidente, José Pereira Coutinho, para debater “sobre o futuro”.
Pereira Coutinho. A resposta é, para o deputado, clara: não. Au Kam San apoia: não existe interesse público. “Em primeiro lugar é preciso ver, de acordo com a lei vigente, se a questão do Pearl [Horizon] pode ser resolvida. (...) Em segundo lugar, não concordo com o facto da Lei de Terras, cuja tinta ainda não está seca, já estar a ser alvo de intenções de revisão. Por último, há uma questão muito importante que é o interesse público. É preciso definir correctamente o que é de interesse público e saber se estas pessoas [proprietárias] correspondem ao interesse público”, argumentou. O Governo deve, diz Pereira Coutinho, arranjar uma solução para os proprietários “tendo a lei em vigor como meio”.
“A nossa Associação tenta, de forma periódica, falar com os jovens sobre os temas que mais os preocupam. O que vai acontecer é uma troca de opiniões, uma conversão com os jovens de Macau sobre os temas sociais e políticos que mais os preocupam”, indicou Pereira Coutinho ao HM.
O presidente explica que “são muitas as dúvidas que chegam à ATFPM” desta faixa etária. “Chegam-nos vários pedidos de esclarecimento e ajuda sobre diversos temas. Falamos de tudo, tendo sempre como base a importância de responder às perguntas dos jovens, saber o que os
preocupa, o que eles têm em mente”, explica. Com uma postura de “abertura total”, como diz o também deputado, o encontro pretende dar respostas às preocupações dos jovens de Macau, passando-lhes a mensagem da “necessidade de uma maior atenção às questões sociais” do território.
Relativamente às alegações de alguns deputados, durante do debate das Linhas de Acção Governativa do sector dos Solos, Obras Públicas e Transportes, de que há normas da Lei de Terras que violam a Lei Básica, Pereira Coutinho mostra desconhecimento sobre o assunto. “Gostaria muito, efectivamente, de saber quais são essas normas, alegadas pelos deputados, que violam a Lei Básica. Eles não explicaram. A Lei Básica é clara, os solos pertencem ao Estado e é o Governo que os deve gerir da melhor forma. Portanto, em último caso não se podem ignorar as normas da Lei Básica para encontrar uma solução para actuais problemas”, rematou.
A habitação é o tema mais questionado pelos jovens, diz Pereira Coutinho. “A habitação é de facto a temática mais falada pelos jovens. A maneira como os salários estão a progredir faz com que dificilmente tenham capacidade de comprar uma casa no sector privado, porque os preços da habitação estão ainda num patamar fora do alcance dos jovens, mesmo que estes trabalhem dez ou
Filipa Araújo
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15 anos. Nem assim vão conseguir comprar casa e isso preocupa-os ”, indicou. O sector do trabalho é a segunda maior preocupação dos jovens, segundo indica o representante da ATFPM, argumentando que o crescimento dos trabalhadores não residentes torna “evidente o não aumento dos salários”. O encontro decorre nas instalações da Associação e começa às 18h30. F.A.
sociedade
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Direcção dos Serviços de Alfândega (DSA) e a Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e da Água (DSAMA) são os dois organismos públicos envolvidos em alegados casos de corrupção detectados pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Segundo um comunicado, a primeira situação diz respeito a um crime de corrupção passiva praticado por um inspector alfandegário, que terá ajudado um visitante que tentava entrar em Macau com uma quantia de dinheiro superior ao permitido por lei. O caso passou-se no posto fronteiriço do Cotai. “Um indivíduo que actua nos casinos, ao tomar conhecimento que um seu cliente fora interceptado na fronteira, terá contactado um outro indivíduo que também actua nos casinos, bem como um chefe de apelido Wong do Estabelecimento Prisional de Macau e estes terão entrado em contacto com um inspector dos SA, o arguido de apelido Lok, solicitando-lhe auxílio para que aquele cliente saísse do posto alfandegário, mediante a promessa da oferta de “dinheiro de gorjeta” como contrapartida desse auxílio. De seguida, o inspector alfandegário de apelido Lok aproveitou as suas competências para interceder na saída do referido visitante”, explicou o CCAC. Em causa estarão crimes de corrupção passiva para acto ilícito e de corrupção activa, sendo que o Ministério Público (MP) continua a investigar o caso. Ao arguido foi suspenso o exercício das funções e a obrigatoriedade de apresentações periódicas às autoridades.
Maus exemplos
Já no crime que envolve a DSAMA, está em causa uma chefia que terá incorrido nos crimes de corrupção
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tiago alcântara
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CCAC Detectados dois casos de corrupção na Função Pública
Interesses e manobras passiva para acto ilícito e de abuso de poder. “O CCAC descobriu que, no período entre os anos de 2012 e de 2015, outra chefia dos mesmos
serviços tinha repetidamente aproveitado o seu poder, solicitando e recebendo, de um responsável da operadora de transporte marítimo
de passageiros envolvida, a oferta de bilhetes de jetfoil, alojamentos de hotel, comida e bebida em restaurantes e outras vantagens ilícitas, bem
Esposa de trabalhador falecido discorda de rel atório André Cheong, Comissário contra a corrupção, afirmou que não vai publicar o relatório da investigação interna à morte de um funcionário do Comissariado contra a Corrupção (CCAC), que se suicidou em Outubro. Cheong considera que o relatório deve ser mantido interno “devido à privacidade”. A esposa discorda do documento e diz querer continuar a apurar as causas da morte. Segundo o Jornal do Cidadão, André Cheong afirmou ontem que o CCAC já concluiu a investigação interna e que o relatório foi entregue ao Chefe do Executivo, à Comissão de Fiscalização da Disciplina do CCAC e à família do funcionário. O organismo diz mesmo que tem contactado com a família para tratar dos assuntos, mas que, para respeitar a privacidade da
morte, não pode publicar o conteúdo do documento sobre o suicídio. Pun Fung Cheng, esposa do funcionário - que já entregou uma carta em Novembro à Assembleia Legislativa (AL) para tentar apurar as circunstâncias da morte do marido - afirmou ontem ao HM que o relatório da investigação a que André Cheong se refere não merece a sua concordância. “Desde que pedi mais pormenores até ao momento, [o CCAC] não me contactou. Estou à espera de mais uma resposta, porque não concordo com o relatório e quero se apure melhor o caso”, disse a esposa. André Cheong disse ontem que vai responder às suspeitas da família do funcionário através da Assembleia Legislativa, mas não avançou data para tal.
como exigindo postos de trabalho nessa empresa para seus familiares e amigos”, explica o comunicado. Além disso, “foi solicitado que algumas lojas no Terminal Marítimo do Porto Exterior fossem reservadas para o comércio dos seus familiares e amigos”, diz o CCAC. Na investigação foi verificado ainda que o arguido aproveitou repetidamente as suas competências para ajudar na ocultação do incumprimento por parte daquela operadora das orientações e normas estabelecidas pela DSAMA, evitando-se assim as sanções que lhe deveriam ser aplicadas”. Segundo a publicação Macau Concelears o caso referente à DSAMA está relacionado com Wong Kam Fai, ex-subdirector do organismo, e com Tong Vun Ieong, ex-director do Departamento de Actividades Marítimas. Tanto a DSAMA, como os SA já responderam, dizendo que colaboram na investigação e que contra os funcionários decorre um processo disciplinar. Andreia Sofia Silva
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Índice de Felicidade População menos feliz. A culpa é da queda das receitas
Por que não se enchem os casinos? A
população local está não só menos feliz, como também sofre mais de stress. Estas são conclusões de um estudo feito pelo Instituto Politécnico de Macau durante o passado mês de Novembro. Joey Lao, professor responsável pelo estudo, explicou que a diminuição do grau de felicidade entre os habitantes locais está directamente relacionada com a queda das receitas dos casinos. É que este factor desencadeia problemas económicos globais, mas também para as famílias, sem esquecer que pode interferir nos números de desemprego. “Houve uma queda significativa nos números registados no ano passado”, começou Lao por dizer ontem, enquanto anunciava os resultados. Macau encontra-se em 18º lugar no Índice de Felicidade da OCDE, com 6,89 pontos.
Os grupos mais afectados por esta tendência são os solteiros, cidadãos com um background académico menos forte, casais com filhos, os jovens e os mais idosos. Por quê? A resposta é simples: acreditam que a queda das receitas trará austeridade económica e uma série de outros problemas como falta de oferta de emprego ou cortes nos salários. No entanto, Joey Lao acrescenta que “Hong Kong está um pouco pior do que nós” em termos de felicidade dos seus habitantes. Naquela região vizinha, a subida mais visível refere-se à propensão dos jovens para se envolverem e se interessarem por questões relacionadas com as políticas praticadas na RAEHK.
Na linha da frente
Apontado como primeiro problema pela população – há já vários anos – está a
questão dos transportes. O mesmo estudo sugere, assim, uma série de medidas que devem ser empregues pelo Governo para colmatar os problemas. Nesta matéria, as soluções podem passar por criar “diferentes rotas para o trabalho, escola e casa”, ou minorar o número de obras nas estradas da cidade. Em seguida, Joey Lao fala da urgência em pedir ajuda ao Governo Central. Mas só se as receitas continuarem a descer. “É preciso pedir ao Governo Central que emita mais opiniões ao Governo de Macau”, explicou. Para o académico, “se houver uma descida de 10% a 20% na economia, vai ser mesmo preciso implementar mais medidas”. O Governo Central já disse que o iria fazer. Só não disse como. Leonor Sá Machado
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A
Consulasia - Consultores de Engenharia e Gestão, Limitada vai ser a empresa responsável pela revisão do projecto do Parque de Materiais e da Oficina do metro ligeiro. A empresa já tinha concorrido – através da operadora mãe, a Consulgal - à construção da primeira fase do metro com a MTR, a empresa detentora do metropolitano de Hong Kong. Um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, e assinado pelo Chefe do Executivo, dá conta que a Consulasia vai receber cerca de 35 milhões de patacas pelo serviço, tendo como missão “rever e ajustar” o projecto. A Consulasia é uma empresa com raízes lusitanas que se estabeleceu em Macau há mais de uma década.
Metro Consulasia revê e ajusta projecto do parque e da oficina
Vamos lá limar arestas
A empresa de engenharia e gestão Consulasia vai rever o projecto do parque e da oficina do metro ligeiro, depois de ter sido anunciado que a obra vai ficar a cabo de uma nova construtora. O Governo fez ainda uma alteração ao pagamento das carruagens da Mitsubishi: este vai ser realizado até 2027
A Consulasia vai receber cerca de 35 milhões de patacas pelo serviço, tendo como missão “rever e ajustar” o projecto O parque de materiais e a oficina do metro ligeiro tem causado polémica devido aos constantes atrasos, que fizeram com que as carruagens não possam sequer ser armazenadas em Macau. A discordância entre as empresas responsáveis pela construção e o Governo não ajudou a resolver o problema, sendo que, agora, o projecto vai ser construído por outra companhia. No segundo semestre do próximo ano o Governo vai abrir um novo concurso para a construção destas infra-
-estrutura, que deveria já estar concluída. Um total de 13,9 milhões de patacas vai ser pago ainda este ano à Consulasia, sendo que a empresa recebe a última tranche do pagamento em 2019. Este é o
ano em que Raimundo do Rosário prevê que o metro da Taipa entre em operação.
Pagamentos extensivos
No Boletim Oficial de ontem ficou ainda a saber-se que o Governo
alterou o escalonamento do pagamento fixado no contrato com a Mitsubishi para a aquisição das carruagens adicionais. Ainda que o montante se mantenha o mesmo do início – 822 milhões de patacas -, o pagamento para “a aquisição
Branqueamento de capitais Participações sobem 3,8%
A
s autoridades registaram, no primeiro semestre do ano, 910 participações de transacções suspeitas de branqueamento de capitais e/ou financiamento de terrorismo, uma subida de 3,8% face ao período homólogo de 2014. Dados publicados pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF) indicam que, do universo de 910 participações entre Janeiro e Junho - mais 33 do que na primeira metade de 2014
–, 60 foram enviadas para o Ministério Público para investigação. A indústria do Jogo manteve-se como a actividade que deu origem ao maior número de denúncias (682 ou 74,9% do total), seguindo-se o sector financeiro, da banca e segu radoras (219 ou 24,1%). As restantes (9 ou 1%) foram apresentadas por outras instituições. O total de participações de transacções suspeitas de branqueamento
de capitais e/ou financiamento de terrorismo tem vindo a subir ao longo dos últimos anos. O número aumentou de 725 em 2007 para 1840 em 2012. Com efeito, em 2013 diminuiu para 1595 denúncias, mas voltou a subir para 1812 em 2014. Os sectores referenciados, como os casinos, são obrigados a comunicar às autoridades qualquer transacção de montante igual ou superior a 500 mil patacas.
Marcha de Caridade angaria 16,5 milhões A Lei sobre a Prevenção e Repressão do Crime de Branqueamento de Capitais está a ser revista há anos, com o objectivo de observar padrões internacionais que podem mexer nos limites das transacções, mas ainda não há data para a revisão do diploma.
A Marcha de Caridade por Um Milhão, organizada pela Associação de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, conseguiu angariar 16,5 milhões de patacas, um valor ligeiramente superior ao do ano passado. Cerca de 40 mil pessoas participaram na marcha, que aconteceu no domingo e contou com a presença de representantes do Governo.
Empresa ligada ao metro ganha concurso para Seac Pai Van A Sociedade de Consultadoria em Engenharia Civil Limitada, cujo director é Chan Mun Fong, ganhou o concurso público para a elaboração do projecto dos equipamentos de tráfego e sociais do lote CN6b do complexo de habitação pública de Seac Pai Van, em Coloane. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o valor do projecto cifra-se nos 7,8 milhões de patacas. A Sociedade de Consultadoria em Engenharia Civil Limitada já está ligada a algumas obras do metro ligeiro, sendo esta uma das empresas que fiscalizou as obras do parque de materiais e da oficina. O seu director, para além de docente na Universidade de Macau, é ainda membro de vários conselhos consultivos.
dos comboios adicionais, equipamentos, sobressalentes e serviços de manutenção” vão ser pagos até 2027. A justificação do Governo prende-se com a “força do progresso dos trabalhos ajustados” para as alterações ao período de pagamento. A empresa japonesa recebeu 205 milhões em 2013, sendo que vai receber 287 milhões em 2017, estes os maiores valores a ser pagos de uma só vez. O restante dinheiro vai ser entregue até daqui a 12 anos. Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
CCSC continua na Central de Incineração de Ká-Ho
O Consórcio CCSC – Incineração de Resíduos de Macau vai continuar a prestar serviços ao nível da Embalagem de Cinzas Volantes Solidificadas – Central de Incineração de Resíduos Sólidos. O despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO) revela que o contrato ficará orçado em pouco mais de 4,8 milhões de patacas.
eventos
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Orquestra de Macau realiza pela primeira vez um concerto de Ano Novo “ao estilo vienense”. Intitulado “Viena Estrelada - Concerto de Ano Novo”, e integrado no Ciclo Produções Especiais, o evento tem lugar no dia 30 de Dezembro no Centro Cultural de Macau (CCM), contando com o maestro vienense Martin Sieghart. Sieghart “foi convidado para dar as bênçãos de Ano Novo aos entusiastas de música a fim de enriquecer a aura festiva da cidade”, explica a organização, o Instituto Cultural (IC). Os bilhetes já estão à venda e
custam entre cem a 350 patacas, sendo que o concerto está marcado para as 20h00. A tradição do concerto de Ano Novo tem origem em Viena, capital da Áustria, significando o início de um novo ano com música “relaxante e esplêndida”. Um dos eventos mais atractivos em todo o mundo, o anual concerto de Ano Novo em Viena é transmitido na televisão em mais de 40 países para milhões de espectadores. A Orquestra de Macau vai associar-se ao maestro austríaco para apresentar pela primeira vez em Macau este concerto, que a organização diz ser “ao estilo puro de Viena”. No concerto serão executadas várias obras-primas de Johann Strauss II, incluindo “O Morcego”, “Uma Noite em Veneza”, assim como obras tradicionais como as “Mil e Uma Noites”, a valsa “Danúbio Azul” e a valsa “Sphärenklänge”, entre outras.
Política de Consumo na China em debate na UM
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Universidade de Macau (UM) recebe esta quarta-feira um seminário intitulado “Política de Consumo na China: Novas tendências e desafios”, o qual faz parte de um projecto de investigação do docente Fernando Dias Simões, intitulado “Política de Consumo na China: Proteger os cidadãos, reforçar o mercado interno e construir uma civilização ecológica”. O projecto conta não só com participações de académicos da UM como de docentes de outras universidades, como é o caso do Instituto de Direito da Academia Chinesa das Ciências Sociais ou a Universidade Chinesa de Hong Kong. Temas como a protecção do consumo, desenvolvimento sustentável ou políticas co-
merciais e de investimento serão debatidos na palestra, que dura todo o dia. À tarde decorrerão ainda debates sobre as questões de propriedade intelectual ao nível do consumo, com a presença de James Cooper, da Califórnia Western School of Law. O docente Fernando Dias Simões organiza esta palestra em conjunto com Paolo Davide Farah, da Universidade de West Virgínia e Julien Chaisse, da Universidade Chinesa de Hong Kong.AGlobal Law Initiatives for Sustainable Development (gLAWcal), do Reino Unido, também faz parte do comité organizador. Mo Shijian, director da Faculdade de Direito da UM, fará um discurso de abertura. A entrada é livre e o seminário começa às 9h00.
“Coloane Blissful Market” de amanhã até depois de Março
O sucesso do que é O primeiro mercado de produtos orgânicos e artesanato de Macau deverá continuar a realizar-se em Coloane depois de terminado o período experimental. Ao fim de quatro edições, o balanço feito por Marisa Randles, co-fundadora do evento, é positivo. Tanto, que amanhã o evento se realiza novamente
T
odas as terceiras quartas-feiras de cada mês o Grand Coloane Resort abre-se à comunidade e aos amantes de produtos vindos da mãe natureza. Desde o 18 de Novembro que o “Coloane Blissful Market”, organizado pelo restaurante vegetariano The Blissful Carrot, acontece em Coloane e amanhã volta ao espaço. Findo o período experimental, a 16 de Março do próximo ano, espera-se que continue.
À venda na Livraria Portuguesa
“Teremos de avaliar a aceitação do público, mas neste momento [pensamos que] o mercado vai continuar. Tudo depende do que a comunidade achar e até dos planos que o hotel tem para o espaço, mas espero que continue a ser um sucesso”, explicou ao HM Marisa Randles, uma das organizadoras do evento. No “Coloane Blissful Market” não existem produtos processados ou cheios de químicos. A ideia é que legumes, frutas e outros pratos sejam confeccionados com os ingredientes mais frescos. Com música e espectáculos ao vivo, o público pode ainda ter acesso a artesanato local, incluindo vários workshops.
Sendo um espaço aberto a candidatos que tenham coisas para mostrar ou vender, o mercado está sempre disposto a receber novas propostas. “Temos actualmente quatro workshops e vamos ter mais no futuro. Também há
várias pessoas interessadas nos eventos de Janeiro e Fevereiro e temos alguns pequenos comerciantes que vêm de Hong Kong. Esperamos que nesses meses tenhamos mais bancas de produtos”, disse Marisa Randles.
CCM Concerto de Ano Novo com maestro austríaco
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Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
“Paul Cézanne”, seguido de “O Que Ele Me Disse...” • Joachim Gasquet, Élie Faure Élie Faure (1873-1937) um médico, mas sobretudo escritor que em jornais, revistas e livros pensava a arte, toda a arte, como “o grande mistério da transposição lírica”, e os homens como “construtores” obscuros com um esforço colectivo ignorado, responsável pelo aparecimento dos espíritos superiores no mundo. […] O texto “Paul Cézanne” é de 1914 e está entre os que dedicou a notáveis “construtores do mundo”, ou seja, a autores de “um trabalho de organização esboçado numa sociedade
destruída”. Joachim Gasquet (1873-1921) deixou na literatura francesa uma imagem quase esquecida de poeta lírico, tendo chegado a dizer-se que a mais forte desde Victor Hugo. […] Só era um dia mais velho do que Élie Faure, mas os seus pulmões – roídos pelo gás clorídrico dos ataques químicos da primeira Guerra Mundial – reduziram-lhe a vida a quarenta e oito anos, os últimos passados numa luta sem êxito pela sobrevivência. […] Embora Cézanne fosse amigo de infância do seu
pai, Joachim só o conheceu em Abril de 1896 (o ano do retrato onde hoje o vemos, exposto na Galeria de Arte Moderna de Praga e com um aspecto difícil de associar aos vinte e três anos de idade que nessa altura ele tinha). Entre os dois houve um convívio intenso, os quatro anos de encontros e cartas que veremos reflectidos em “O Que Ele Me Disse…”, aos quais outros se sucederam de relativo afastamento até ao desacordo político que em 1904 definitivamente os separou.
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orgânico
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ndy Hung, apelidado de “primeiro profissional certificado da LEGO na China”, vai organizar um workshop sobre trabalhos feitos com estas peças. Este vai realizar-se no piso 0 do Museu de Arte de Macau (MAM), nos dias 20 de Dezembro, 17 de Janeiro e 21 de Fevereiro, com duas sessões gratuitas a cada domingo. A ideia é que o artista ajude os participantes do workshop a “conceber um pequeno modelo da LEGO sobre a temática da arquitectura da Cidade Proibida”, em Pequim. A aula vai acontecer em consonância com a mostra “O Palácio Magnificente – Arquitectura Imperial da Cidade Proibida”, uma exposição que apresenta a forma de construção de edifícios oficiais no continente. “O objectivo é dar a conhecer a estrutura arquitectónica das edificações chinesas (madeira) através da concepção e construção de um modelo LEGO”, lê-se no website do MAM. O MAM abre 30 vagas para cada dia e aconselha a que os interessados se inscrevam o mais depressa possível, uma vez que o facto
MAM Criativo da LEGO organiza workshop
Peças a ajudar à festa
de ser gratuito pode acelerar o preenchimento total dos lugares no workshop.
A tempo inteiro
Andy Hung tem até um website dedicado à sua mestria, onde pode ler-se que é curador de uma série de exposições baseadas na LEGO. “Andy Hung é um artista a tempo inteiro que
trabalha exclusiva com tijolos da LEGO, sendo curador de exposições da marca e parceiro em vários centros comerciais, instituições governamentais e algumas outras marcas”, explica o website. O autor, nascido em Hong Kong, teve mostras que já contaram com mais de cinco milhões de pessoas, tendo es-
tado também em Macau com uma exposição em LEGO sobre o território. Hung é responsável por uma série de obras originais, como são o urso LOTSO, a representação de um restaurante de Xangai, de um autocarro da Transmac ou até do Principezinho. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Pacheco Pereira e Isabel Pires de Lima em Serralves Até agora o balanço traçado é positivo. “As pessoas normalmente optam mais pelos produtos orgânicos e o que disponibilizados são produtos da época. Algumas pessoas preferem as tendas de artesanato, ou simplesmente para desfrutar do espaço, por ser um lugar óptimo para trazer as crianças e a família”, referiu a co-organizadora.
Lugar de união
Mesmo com a promessa de continuação no futuro, ainda é impossível a organização do mercado mais dias por semana. “Para já somos apenas dois que coordenamos o mercado e para expandi-lo por mais dias teríamos de ter mais pessoas a colaborar”, referiu Marisa Randles, que garantiu estar sempre disposta a encontrar novos fornecedores. “Estamos à procura de pequenos fornecedores de produtos orgânicos da China para podermos expandir o mercado, há algumas pessoas que conhecemos e com as quais poderemos colaborar no futuro. Não queremos produtos caros, queremos coisas que sejam em conta”, frisou.
A criação do primeiro mercado orgânico no território não foi feita apenas a pensar nos alimentos e na arte, mas também no público. “Percebemos que era algo que as pessoas estavam à procura, porque há imensos mercados deste género em todo o mundo e são locais onde as pessoas e as comunidades se podem juntar e onde existem vários produtos. Estamos focados em disponibilizar produtos orgânicos e artesanato. É uma boa forma de juntar as pessoas e Macau, apesar de ser um sítio pequeno e com muitas comunidades, acaba por causar algum isolamento nas pessoas, que ficam mais ligadas a um grupo pequeno de amigos ou colegas. Queremos de certa forma celebrar as coisas diferentes que estão disponíveis no mercado, desde música à arte”, rematou Marisa Randles. O mercado de amanhã conta com música ao vivo, além das bancas do costume e dos workshops, que vão da pintura à confecção de alimentos e à construção de espanta-espíritos. O evento está marcado para as 17h00 e tem entrada livre. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
Ministério da Cultura anunciou esta segunda-feira que designou para a administração da Fundação de Serralves o historiador José Pacheco Pereira e a antiga ministra da Cultura Isabel Pires de Lima. Numa nota à imprensa um dia depois da reunião do responsável da Cultura, João Soares, com o presidente do Conselho de Administração da fundação, Luís Braga da Cruz, o ministério recordou que “cabe ao ministro da Cultura a competência própria para escolher e nomear dois membros do Conselho de Administração da Fundação de Serralves”.
“Os dois nomeados são intelectuais portuenses de reconhecido mérito”, sublinhou o comunicado do Governo, que salientou que João Soares informou Braga da Cruz, a terminar funções na presidência da Fundação de Serralves este mês, de tal decisão. No começo do mês foi anunciado que a actual vogal do Conselho de Administração da Fundação de Serralves Ana Pinho Macedo Silva havia sido nomeada como presidente daquele órgão para o mandato entre 2016 e 2018. Como recorda a página de Serralves na Internet, de acordo com os estatutos da fundação, “o Conselho de Administração é composto
por nove membros, sendo um presidente, três vice-presidentes e cinco vogais”, com a designação de novos administradores a efectuar-se “por voto secreto e maioria absoluta”, sendo que a “escolha dos membros é da responsabilidade do próprio conselho, com a excepção de dois, nomeados sempre pelo Estado”. No Conselho de Administração do triénio entre 2013 e 2015 os representantes do Estado eram Rui Manuel Campos Guimarães, vice-presidente daquele órgão e membro da Comissão Executiva, e a eurodeputada socialista Elisa Ferreira.
Pintura Suposto Rembrandt em Portimão
Um investigador acredita ter descoberto um quadro de Rembrandt, ou pintado por um discípulo, numa colecção do acervo do Museu de Portimão, mas o director da instituição duvida que se trate de um quadro original do pintor holandês. O quadro, de pequenas dimensões, que representa uma cena bíblica, foi arrematado pelo museu de Portimão em leilão, no ano de 2006, por 780 euros, e faz parte de uma colecção de vinte pinturas que pertenceram a Manuel Teixeira Gomes, escritor e antigo Presidente da República, natural daquela cidade, eleito para o cargo em 1923. No museu de Portimão, onde já esteve exposto, embora esteja actualmente em reserva, o quadro está identificado com o título «Senhora, ancião e menino» e é atribuído à escola francesa do século XIX, mas, segundo disse à Lusa o investigador José Pacheco, existe no Museu Albert & Victoria, em Inglaterra, um quadro original de Rembrandt que é «gémeo» deste, embora com outro título.
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hoje macau terça-feira 15.12.2015
Activista julgado por “incitar o ódio étnico”
Fosun diz que futuro será mais centrado na China
A crescer por dentro O presidente do Fosun, detentor de várias empresas em Portugal e que esteve nos últimos dias incontactável, disse ontem, em Xangai, que o futuro do grupo chinês vai passar por uma maior aposta na China. “Apesar dos investimentos em todo o mundo, o crescimento do Fosun está enraizado na China”, afirmou Guo, que participou ontem na reunião anual da empresa, citado pelo jornal oficial China Daily. “A estrutura futura do grupo deve ser capaz de demonstrar as vantagens em estar enraizada na China”, frisou. O milionário, que esteve nos últimos dias “a cooperar com as autoridades chinesas numa investigação judicial”, segundo um comunicado da empresa, disse ainda que o grupo Fosun se quer converter numa estrutura mundial mais organizada.
“A estrutura futura do grupo deve ser capaz de demonstrar as vantagens em estar enraizada na China” Guo Guangchang Presidente do grupo Fosun
De acordo com os dados compilados pela agência Bloomberg até Julho, o consórcio privado chinês, dono do Club Mediterranee, anunciou 10 aquisições num total de 6,4 mil milhões de dólares, grande parte fora da China.
Em Portugal, além da Fidelidade e da Espírito Santo Saúde, reconvertida em Luz Saúde, o Fosun detém uma participação de 5,3% na REN (Redes Energéticas Nacionais) e foi um dos candidatos à compra do Novo Banco, até as negociações terem sido suspensas pelo Banco de Portugal.
Incógnitas
Guo foi, alegadamente, detido na quinta-feira à chegada a Xangai num voo proveniente de Hong Kong, segundo escreveu a agência oficial chinesa Xinhua, que não confirmou se o empresário está a ser investigado ou a prestar assistência numa investigação. Com uma fortuna pessoal de 6,61 mil milhões de euros, Guo Guangchang é o 11.º homem mais
U
Acções em baixa As acções do Fosun International, empresa matriz do grupo chinês Fosun, que detém em Portugal a seguradora Fidelidade e a Espírito Santo Saúde, fecharam ontem a cair 9,45% na bolsa de Hong Kong. Os títulos do grupo estiveram suspensos na sextafeira, nas praças financeiras chinesas, após o presidente, Guo Guangchang, ter sido dado como incontactável.
rico da China, segundo dados publicados pela revista norte-americana Forbes. Até ao momento, o Fosun não detalhou o motivo pelo qual o multimilionário chinês está a cooperar com as autoridades.
m dos mais conhecidos activistas pelos direitos humanos na China foi hoje a julgamento, acusado de “incitar o ódio étnico” e de “provocar querelas e conflitos”, segundo revelou o seu advogado, citado pela agência France Presse. A agência francesa escreve que, alegadamente, a polícia envolveu-se em confrontos com vários apoiantes de Pu Zhiqiang que se reuniram à porta do tribunal, enquanto vários cibernautas chineses se mostraram críticos da decisão de Pequim. Pu Zhiqiang, que foi advogado de vítimas de condenação a trabalhos forçados e do artista e dissidente chinês Ai Weiwei, foi detido há um ano e meio, a meio de uma campanha repressiva sobre os dissidentes em todo o país. De acordo com o advogado de Pu, Mo Shaoping, o dissidente poderá enfrentar uma pena de prisão até oito anos. No centro das acusações estão sete mensagens de Pu no seu ‘blog’ pessoal, incluindo uma em que questiona a veracidade de uma informação avançada pela imprensa estatal chinesa sobre um alegado ataque à faca perpetuado por terroristas da região do Xinjiang, maioritariamente habitada por muçulmanos. Vários polícias e homens não identificados vestidos à civil ten
taram expulsar o diplomata sénior norte-americano Dan Biers, que lia um comunicado em frente ao tribunal, criticando o julgamento. “Advogados e líderes da sociedade civil, como Pu, não deviam ser alvos de contínua repressão, mas antes estar livres de contribuir para a construção de uma China próspera e estável”, afirmou o diplomata, citado pela AFP. “Pedimos às autoridades chinesas que libertem Pu Zhiqiang e apelamos à China que defenda os direitos civis fundamentais”, acrescentou. Pu, 50 anos, é a mais recente vítima de uma campanha lançada sobre os críticos do Partido Comunista Chinês, que resultou já em centenas de detidos e dezenas de condenados.
Alibaba vai pagar 242 ME pelo South China Morning Post O gigante chinês da Internet Alibaba vai pagar 2,06 mil milhões de dólares de Hong Kong pelo South China Morning Post, publicado em Hong Kong, informou ontem o jornal. Alibaba “acordou a compra do grupo editorial (SCMP) pelo valor de 2.060.600.000 dólares de Hong Kong”, refere o comunicado enviado à bolsa de Hong Kong. O gigante chinês da Internet Alibaba anunciou na sexta-feira que iria comprar o South China Morning Post (SCMP), garantindo que manterá a
objectividade da publicação, face a receios de que poderá perder a sua voz independente. A compra ocorre após semanas de especulação sobre o futuro do jornal publicado na região chinesa com administração especial, escrito em inglês, e de preocupação sobre se se tornará um porta-voz do Governo de Pequim. A preocupação com a liberdade de imprensa em Hong Kong tem crescido após ataques a jornalistas, relatos de pressões das autoridades sobre os editores e uma cada vez maior autocensura.
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MACAU ANGLICAN COLLEGE
PARENTS ARE WELCOME TO ATTEND A PARENTS’ INFORMATION MEETING FOR ENROLING NEW K1 PUPILS FOR SEPTEMBER 2016 AT MACAU ANGLICAN COLLEGE AV. PADRE TOMÁS PEREIRA, NO. 109-117, TAIPA, MACAU THIRD FLOOR, SCHOOL HALL ON TUESDAY, DECEMBER 15th 2015, 7:30 P.M. *Four new K1 classes commence in September 2016. *100 places will be offered to new K1 pupils aged 3, in 4 classes of 25. *English and Putonghua are the main languages of instruction. *Creative teaching styles; child centred learning. *MAC Registration Documents Submission Days: February 1,2,3 & 4 2016 *Assessment Days: March 2016 (Details to follow).
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 676/AI/2015 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LUO LIXIA, portadora do Salvo-Conduto de Dupla Viagem da R.P.C. n.° W74222xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 98/DI-AI/2014, levantado pela DST a 14.08.2014, e por despacho da signatária de 27.08.2015, exarado no Relatório n.° 529/DI/2015, de 19.08.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 80, Edf. Kam Fung Tai Ha - Kam Fung, Bloco 1, 8.° andar A, onde se prestava alojamento ilegal.-----------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -----------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Novembro de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
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hoje macau terça-feira 15.12.2015
Mulher de Bo Xilai vê pena de morte comutada para prisão perpétua
Epílogo de um caso fatal A mulher de um antigo alto funcionário chinês viu comutada a pena de morte para prisão perpétua no caso do assassínio de um empresário britânico, noticia ontem a imprensa local. Gu Kailai, mulher de Bo Xilai, foi condenada à morte em 2012 pelo assassínio de Neil Heywood, que fora, até então, uma pessoa muito próxima da família e a comutação da pena foi decretada pelo Supremo Tribunal de Justiça da China, após um pedido nesse sentido apresentado pela defesa. O caso ligado a Gu Kailai causou um escândalo político e levou à queda do marido, um líder carismático mas polémico, e provocou profundas divisões no Partido Comunista chinês antes da reforma geracional efectuada em 2012. Bo Xilai ficou então impedido de subir na hierarquia do partido até que as acusações pub
pendentes sobre a mulher fossem esclarecidas e acabou por ser sentenciado a prisão perpétua depois de terem sido provados, em 2013, os crimes de suborno, desvio de fundos e abuso de poder. Um ano antes, em 2012, Wang Lijun, “braço direito” de Bo Xilai, foi também condenado, mas a 15 anos de prisão, por ter dado cobertura a Gu Kailai ao assassínio de Heywood, entre outras acusações. Antes de ser detido, Wang Lijun terá tentado entrar no Consulado dos Estados Unidos em Pequim para pedir asilo, mas acabou por não ser atendido. Segundo a imprensa chinesa de ontem, o STJ comutou também a pena de morte, sus-
pensa, decretada em 2013, ao antigo ministro dos Transportes Ferroviários na sequência de acusações de corrupção. Na China, a comutação de pena de morte em prisão
Gu Kailai, mulher de Bo Xilai, foi condenada à morte em 2012 pelo assassínio de Neil Heywood
perpétua tem sido comum, variando, porém, depois, o tempo de detenção. A lei prevê que uma pena de morte por assassínio não possa ser comutada para penas de 20 anos de prisão efectiva, embora haja algumas situações em que os advogados de defesa conseguem obter sentenças menos pesadas.
Ponderada oferta de serviços legais em inglês em todo o país
A
s autoridades judiciais da China estão a considerar oferecer serviços legais em língua inglesa em todo o país, visando apoiar os estrangeiros que lidam com o sistema chinês, depois dos resultados positivos observados em Xangai e Yiwu. “É necessário estabelecer à escala nacional uma plataforma de serviços judiciais em inglês e estamos a considerá-lo”, disse um magistrado chefe do Tribunal Popular Supremo da China, Jiang Qibo, citado pelo jornal oficial China Daily. A ideia surge numa altura em que os casos judiciais envolvendo pessoas ou empresas estrangeiras crescem na China, evidenciado os obstáculos em lidar com as leis e procedimentos legais, que não estão traduzidos para idiomas estrangeiros. Jiang explicou que em Pudong, o distrito de
Xangai que sedia várias multinacionais, e na cidade de Yiwu, um importante destino do investimento externo, na costa leste da China, já se implementaram medidas para apoiar os litigantes estrangeiros. Entre outras medidas, alguns tribunais oferecem diversos documentos legais traduzidos para o inglês e, até, para o árabe, e foi criada uma base de dados com intérpretes especializados. Jiang avançou que vão ser estudadas algumas dessas medidas para estabelecer uma plataforma unificada em inglês à escala nacional, e não só nas zonas costeiras, principais receptoras do investimento estrangeiro.
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hoje macau terça-feira 15.12.2015
artes, letras e ideias
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luz de inverno
Boi Luxo
Amour Fou, Jessica Hausner, 2014
É
fácil ver Amour Fou como semelhante a Lourdes (2009), o anterior filme de Hausner. Existe nos dois, central a todos os sentimentos que estes filmes da realizadora austríaca demonstram, uma doença que os corrói. Nada de espantoso que se mostrem duas histórias com este tipo de semelhança. O que me enche de alegria é que em Amour Fou permaneça a encenação que tornara Lourdes um objecto de encantadora decepção. Ainda hoje não percebo bem o que é Lourdes e quais são as suas intenções. As críticas, facilmente observáveis, que faz a alguns religiosos ou ao sistema que explora as aparições da virgem da lenda cristã, são de uma polidez que não afastam a dúvida que desde cedo se instala no filme e que o marca indelevelmente. Hannah McGill escreve (Sight and Sound, Dezembro 2015): “the wheelchair used by Christine in Jessica Hausner’s Lourdes (2009) is the site of a miracle, a fraud or an extraordinary coincidence.” Amour Fou tem o que Lourdes tem, se bem que a expressão da doença não seja neste último filme tão visível como o é na demonstração da paralisia causada por esclerose múltipla que condiciona a vida quotidiana de Christine. Mas, afinal, a sua doença poderá ser, como o tumor ou a úlcera de Henriette, tão real como imaginária. O Abandonado em Amour Fou é o pobre Heinrich (Heinrich von Kleist, o autor de Die Marquise von O, livro que é
referido várias vezes ao longo do filme como exibição de um comportamento que pode causar escândalo). A extrema melancolia e tristeza que o aflige e que o eleva, de início, a uma posição de importância dramática, erode-se lentamente à medida que as circunstâncias se alteram e aparece quase como objecto de ridículo. Hausner, cruel, não parece deixar que von Kleist se exiba como um romântico convincente – e este impedimento é da mesma ordem que a da decepção que percorre Lourdes. Nem todos, contudo, entenderão as evoluções deste grupo de amigos como tendo qualquer humor. Neste filme de 2104, à melancolia que acomete Heinrich e depois Henriette e, de certa forma, toda a família, juntam-se as visíveis críticas que se dirigem ao conservadorismo social da Alemanha (Berlim) dos anos dez do século XIX, visível no carácter intransigente da mãe, granítica ao ponto da caricatura, no racionalismo avesso a qualquer voo de imaginação do Sr. Vogel, o marido, cuja tolerância aos possíveis transportes sentimentais ou poéticos da esposa, no entanto, o cobrem de uma benevolência também caricaturizada, e nas inconveniências que um modelo social rígido impõe à opção de uma vida mais liberta e menos humilhada por estes constrangimentos. Heinrich tem um plano para libertar Henriette da humilhação causada pela convenção.
Alguns lembrarão como em Die Marquise von O (deve ver-se o filme de Eric Rohmer com Edith Clever) a intransigência moral é um mal que leva a trama a uma atmosfera de intensa opressão (no tratamento que os pais e irmão da Marquesa dispensam à filha num momento de sofrimento e dúvida). É à volta do contrato que Heinrich deseja celebrar primeiro com a sua prima Marie e, posteriormente, com Henriette, um pacto de morte conjunta, que todo o filme gira. Apenas Heinrich, o poeta e prosador propenso ao desgosto pelo mundo, e mais tarde Henriette, possuidora de dotes musicais suficientes para ser vista como uma alma artística, se mostram sensíveis a este cenário. A história tem como aspecto, constantemente, um fundo de profunda e dolorosa banalidade e domesticidade. É assim que Henriette Vogel canta (Mozart e Beethoven), como uma amadora, aplaudida por uma plateia imóvel e convencional onde a enigmática criada surge como uma presença fantasmagórica quase irreal. Uma das cenas mais divertidas do filme é a em que Heinrich tenta, pela segunda vez, convencer a atraente prima Marie, agora noiva de um francês (horror, país de onde chegam ideais de um sistema fiscal a impor na Alemanha que levanta sérias dúvidas entre o aborrecido círculo dos Vogel), a cumprir de vez o pacto de morte. “Concordo que a vida não tem sentido e as pessoas são cruéis
mas não há necessidade de deixar que isso o incomode assim tanto” – diz-lhe a cativante prima Marie (Sandra Hüller). Apenas Henriette poderá desejar e compreender a sedução do medo, como se depreende de uma das conversas que mantém, logo no início, com o poeta a propósito do destino funesto da Marquesa de O. Amour Fou conta com uma alta vantagem, um extremo rigor na composição dos vários quadros que compõem a história, de que resulta um filme muito belo e a que se juntam as vozes urgentes e por vezes lamentosas do texto. À austeridade dos interiores e ao tom tenebrosamente ameno dos exteriores onde praticamente não se vêem céus, acrescenta-se um cuidado minucioso no tratamento cromático (e nos arranjos florais, mais exuberantes no início do filme do que no fim). A celeridade das vozes, off e directas, uma característica muito própria da prosódia de certo cinema de língua alemã, trazem a Amour Fou uma urgência dramática e romântica que coloca as suas personagens à beira constante do perigo. Amour Fou acaba com o espectáculo das duas figuras mais brancas e mais enigmáticas da história, a espectral serva criada à imagem de Vermeers e a pequena Pauline Vogel a quem cumpre agora continuar os espectáculos de canto amador. Que outros males, reais ou imaginários, e que outras imagens (depois destas tão belas) nos trará no futuro Jessica Hausner?
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0.22
Cineteatro
O que fazer esta semana
yuan
13
1.24
Cinema
Point Break Sala 1
Point break [c]
Filme de: Ericson Core Com: Luke Bracey, Edgar Ramirez, Teresa Palmer 14.30, 16.30, 21.30
Point break [3D][c]
Filme de: Ericson Core Com: Luke Bracey, Edgar Ramirez, Teresa Palmer 19:30 Sala 2
Keeper of Darkness [c] Falado em Cantonense Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Nick Cheung
Amanhã
Com: Nick Cheung, Kuo Tsai Chieh, Louis Chueng, Sisley Choi 14.30, 16.30, 21.30 Sala 3
initiation Love [b]
Falado em japonês Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Yukihiko Tsutsumi Com: Shota Matsuda, Atsuko 14:30, 16:30, 21:30
The Crow’s Egg [A]
Falado em Tamil Legendado em Chinês e Inglês Filme de: Manikandam M. Com: Ramesh, Vignesh 19.30
Blissful Market Coloane Grand Coloane Resort, 17h00 Entrada livre Seminário sobre Políticas de Consumo na China Universidade de Macau, 9h00 Entrada livre
Quinta-feira
Aconteceu Hoje
Abertura de exposição sem tema Armazém do Boi, 15h00 Entrada livre
Nascem Eiffel e Niemeyer
Sexta-feira Filmes para crianças - “Home Alone” Grand Coloane Resort, 18h00 Entrada livre, mas com registo
Diariamente Exposição Casal Notável – artefactos de Sun Wan, segunda filha de Sun Yat Sen Museu de Macau Entrada livre
U m l i v r o h o j e “Macau - O livro dos nomes” (Carlos Morais José, 2010)
Exposição “A Jornada de Um Mestre” Albergue SCM Entrada livre Exposição “Aguadas da Cidade Proibida” (até 07/2016) Museu de Arte de Macau (MAM) Entrada a cinco patacas Exposição “Salpicos” de Sofia Bobone Fundação Oriente, Casa Garden Entrada livre
15 de dezembro
É um livro sobre amor, mas não um amor qualquer. É um livro sobre amar em Macau, este lugar onde o amor é - além de mais mágico do que em qualquer outro lugar - trágico. “Macau – O livro dos nomes” não é um mero esboço sobre determinados lugares que por cá existem. É um livro escrito nesses lugares, onde se misturaram emoções e sentimentos, pensamentos e reflexões mais profundas. Sobre as memórias que esses espaços trazem ao autor, ainda que estas sejam diferentes – ou talvez não tanto – do que todos nós sentimos quando pisamos os mesmos sítios. Joana Freitas
• A 15 de Dezembro de 1907 nasce Óscar Niemeyer, arquitecto considerado um dos maiores expoentes do movimento moderno da América Latina. Anos antes, em 1832, nascia Alexandre Gustave Eiffel. Niemeyer ficou mais conhecido pelos projectos de edifícios cívicos para Brasília, bem como pela sua colaboração no grupo de arquitectos que projectou a sede das Nações Unidas em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A sua exploração das possibilidades construtivas do cimento armado foi altamente influente na época, tal como na arquitectura do final do século XX e início do século XXI. Elogiado e criticado por ser um “escultor de monumentos”, Niemeyer foi um grande artista e um dos maiores arquitectos da sua geração. Já Alexandre Gustave Eiffel foi um engenheiro francês que participou na construção da Estátua da Liberdade em Nova Iorque e da Torre Eiffel de Paris. O pai de Eiffel construiu uma sólida fortuna pessoal e Eiffel terminou os estudos em 1855, formando-se em Engenharia Química. Iniciou a sua carreira trabalhando numa empresa belga de construção de caminhos-de-ferro. Em 1856, Eiffel conheceu Charles Nepveu, empresário especialista em construções metálicas. Aos 26 anos, Gustave chefiou o seu primeiro grande trabalho construindo a ponte ferroviária em Bordéus. Na construção, Gustave utilizou pela primeira vez, a técnica de fundação de ar comprimido na execução de estacaria de fundação. Chegou a viver em Portugal, em Barcelinhos, de onde projectou as construções em Portugal que lhe estão associadas, como a Ponte D. Maria Pia, no Porto, o Mercado Municipal em Olhão, entre outras. Neste dia, em 37 nasce Cláudio César, imperador de Roma. Em 1572 o historiador português Damião de Góis é condenado à prisão perpétua pela Inquisição. Em 1993, a Lista de Schindler, um grande sucesso de Steven Spielberg retratando o Holocausto, estreia nos cinemas norte-americanos.
João Corvo
fonte da inveja
Comporta-te, quando estás sozinho, como se estivesses acompanhado e, quando estás acompanhado, como se estivesses sozinho.* *Paráfrase de Pitigrilli
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opinião
hoje macau terça-feira 15.12.2015
Tânia dos Santos
sexanálise
George Lucas, star wars
taniarsdossantos@gmail.com
Fazer filmes
D
iz a sabedoria popular: se estás a fazer um filme estás a fazer um drama. Fazer filmes na vida real (como profissionais) estende-se para além de um género cinematográfico e expressa-se pela panóplia de emoções humanas que gostamos de exercitar. Se a vida imita a arte ou se a arte imita a vida, parece-me uma discussão desnecessária porque procurar a unidireccionalidade dos factos não me faz muito sentido. Um sistema bidireccional é-me mais simpático. Mas talvez seja porque vejo demasiados filmes, e é uma tão confortável forma de passar tempo, que é inevitável não nos sentirmos num. Até agora não conheci ninguém que não tivesse uma fantasia romântica baseada num filme (ou livro, para os mais tradicionais), ou não tivesse um ideal de homem ou de mulher que já não tivesse sido retratada por uma personagem cinematográfica, carregada fisicamente por um actor ou actriz lindos de morrer. Para as idiossincrasias dos relacionamentos amorosos e do sexo, não há ninguém como o Woody Allen. Ele diverte-nos com um neuroticismo que roça o adorável e o irritante. Com tantos filmes realizados, é claro que ele cai em fórmulas repetidas, mas que têm entretido gerações de homens e mulheres pelo mundo fora. Sobre sexo, amor, paixão, relacionamentos e tesão. Pessoalmente, tenho constantes momentos de clarividência com o
Woody, não sei como é que é com o resto do mundo: eu sinto-me compreendida nas suas particularidades e generalizações. Nos últimos filmes a estereotopia tem-me chateado um pouco, à excepção do Blue Jasmine que se demarca pela depressão genialmente representada e de uma forte presença feminina, que se caracteriza pela profundidade psicológica da personagem, algo raramente visto nos seus filmes. Poucas são as personagens do Woody que se tornam memoráveis, exceptuando talvez a Annie Hall e o Alvy Singer. O Woody é sobre os encontros, desencontros, compreensão, desentendimentos e homens e mulheres à luz da psicanálise. Retratos amorosos nova-iorquinos e de uma ou outra capital europeia. A beleza da sua cinematografia vem dos momentos dialógicos. Reflectindo no trabalho realizado pela Cate Blanchett a dar vida a Jasmine encontrei-me a divagar sobre as mulheres no cinema. Essa forma artística que tenta
imitar a vida com o twist das especiarias cinematográficas, tenho que cair no meu discurso bélico pela igualdade de géneros! E para isso apoia-me o teste que mede o machismo cinematográfico. Uma cartoonista decidiu por graça criar uma cena entre duas mulheres que discutem os filmes que querem ver, uma afirma: ‘Só vejo filmes onde haja mulheres a ter uma conversa entre elas que não seja sobre homens’. O teste estabeleceu-se e popularizou-se como o teste Bechdel-Wallace. Claro que não foi redigido por uma equipa de investigadores e não detém validade científica no verdadeiro sentido do termo. Mas a verdade é que são poucos os filmes que encaixam neste critério, e por isso extrapolaremos que o retrato generalizado é de mulheres que só falam de homens e não são capazes de ter uma conversa sobre assuntos mais socialmente relevantes. Jean-Luc Godard, por exemplo, de quem gosto mas com laivos de irritação, é um
“Não estou a fazer filmes quando digo que, nos episódios IV, V e VI da Guerra das Estrelas, as intervenções femininas não duram muito mais do que um minuto (exceptuando as da Princesa Leia). E mais: em toda a saga, não há uma única conversa entre duas mulheres (outro que chumba no teste Bechdel-Wallace!). Esperemos que o The Force Awakens venha mudar isso”
realizador que fez parte do desenvolvimento da nouvelle vague francesa, movimento artístico caracterizado pela reintepretação das convencionais técnicas cinematográficas para a altura. Um ultraje pela caracterização feminina! Digo eu, que vi alguns filmes onde as mulheres eram lindas, sonsas, ingénuas e com tiradas literárias de quem fez doutoramento em estudos clássicos. Pelo menos não falam muito de homens, mas raramente as vemos a interagir com o sexo que não seja o masculino (chumba no teste Bechdel-Wallace!). Ou seja, sinto-me na posição de me queixar da objectificação feminina Godardiana e de outras, porque apesar de fantasticamente misteriosas e literárias, não conseguem transpor a realidade feminina. Estes são alguns (muito poucos) apontamentos de algum descontentamento da minha parte na visualização de filmes. É que esta tendência cinematográfica tem como resultado a surpresa sempre que uma caracterização feminina é de significância, porque infelizmente trata-se de uma raridade. A sério, não estou a fazer filmes quando digo que, nos episódios IV, V e VI da Guerra das Estrelas, as intervenções femininas não duram muito mais do que um minuto (exceptuando as da Princesa Leia). E mais: em toda a saga, não há uma única conversa entre duas mulheres (outro que chumba no teste Bechdel-Wallace!). Esperemos que o The Force Awakens venha mudar isso. E já agora, que a indústria cinematográfica também.
opinião 15
hoje macau terça-feira 15.12.2015
José Pacheco Pereira
in Sábado
O tempo das bibliotecas privadas está a acabar
P
elo trabalho que tenho tido de salvar livros e papéis, posso perceber algumas tendências da relação das pessoas com os livros, e ver o modo como, na substituição das gerações, numa elite letrada e educada, algumas coisas estão a mudar. É ainda uma observação muito impressionista, mas penso que fundada. Resumindo e concluindo: está a morrer uma geração que tinha muitos livros, pequenas e médias bibliotecas, e a geração dos seus filhos e netos não sabe o que há-de fazer com aquilo que herda. Não digo isto em sentido pejorativo, até porque seria contra o meu interesse próprio, pois tenho recebido muitas ofertas de bibliotecas, algumas integrais, e compreendo bem demais como os livros se podem tornar um ónus para os mais novos, que não têm condições, nem casas, nem interesse em os manter. Mesmo que os mantivessem, seriam bibliotecas mortas, sem ser usadas ou alimentadas. E uma biblioteca para ser viva precisa de alimento, de livros novos. Muita gente pensa que uma casa sem livros, ou quase sem livros, como muitos jovens têm, é o resultado de uma substituição de uma tecnologia por outra. Não precisam de livros em papel porque está “tudo” na Internet, e há ebooks, e podem ler no telemóvel, no tablet, no ecrã do computador, tudo o que querem, de graça e sem ocupar espaço nas casas cada vez mais exíguas. Não penso isso, não penso que a substituição da leitura física dos livros em papel, por livros no Kindle, ou em qualquer outro suporte, é comparável ou é uma mera substituição de suporte. É outra coisa. É verdade que mais gente lê hoje do que no passado, com a democratização do ensino e o avanço da escolarização. Mas haver mais gente a ler, não significa que se reproduzam o mesmo grau qualitativo de leitura, de necessidade de leitura, de intensidade de leitura, o hábito quase quotidiano de ler e de ler durante um tempo que hoje seria tido por “muito tempo”. A verdade é que as pessoas estão a ler de forma diferente, mas também é verdade que estão a ler menos porque, se não fosse assim, se podiam “desfazer” das pesadas bibliotecas de seus pais, mas estariam a fazer a sua, uma estante ou duas, de livros realmente lidos, ou seja, teriam mais livros do que têm. Leitores dedicados, com a mesma pulsão do passado, em ecrã, ainda é uma maravilha que está para aparecer. Duas horas a ler um romance, era um tempo trivial de leitura há 40 anos. Quem é que está duas horas diante de um ecrã a ler Balzac, Faulkner, Roth ou Coetzee? E utilizo deliberadamente estes exemplos, porque quem lê estes autores lê-os em livro,
até porque, razão grande, é mais cómodo. E também não me parece que façam o mesmo a ler literatura policial, ou ficção científica ou romances cor-de-rosa, num ecrã. Não escrevo isto por qualquer nostalgia do cheiro dos livros ou da textura do papel. Percebo que há vários tipos de livros que são substituídos com vantagem por um ecrã, e o hipertexto dá uma dimensão completamente nova a um certo tipo de leitura, introduzindo volume e dimensão espacial à folha fixa do papel. Manuais técnicos, livros de referência, enciclopédias (em parte), livros técnicos, cada vez têm mais sentido apenas em versão electrónica. Poemas, artigos, pequenos contos, rápidos, também não fazem grande diferença. O tempo que se demora a ler é um factor. Como é um factor a fluidez da leitura de ficção, que é linear e não se coaduna com o volume do hipertexto. Mas digam-me quantos dos leitores deste artigo, novos ou velhos, leram alguma vez Eça de Queirós, Cardoso Pires, Saramago, Esteves Cardoso, Margarida Rebelo Pinto, num ecrã?
cartoon por Stephff
“A máquina livro tem respondido muito bem ao nosso corpo. Tão cedo não será substituída. As razões por que as pessoas lêem menos e lêem pior são outras. Estão na sociedade, não nas tecnologias” Coloquem-se a ler um livro de papel ou a ler um livro no ecrã. O texto é o mesmo, mas há várias coisas que fazemos, mesmo inconscientemente e que se fazem melhor num livro em papel do que num ecrã. Uma delas é, por exemplo, folhear, e folhear não é “procurar” como se pode fazer facilmente com um motor de busca, aí o ecrã tem vantagem, mas andar para trás e para a frente à procura de uma frase, um nome de uma personagem, uma descrição.
A favor do livro em papel jogam as nossas limitações físicas e psicológicas. E, enquanto elas não forem superadas por qualquer método que nos faça poder ver ao mesmo tempo mais espaço do que o que existe num ecrã de telemóvel, ver bem em letra pequena, estar confortavelmente horas diante de um ecrã, o livro mantém vantagem. E mesmo os jovens que estão o dia todo dependurados num telemóvel não estão a ler, mas a receber e a mandar mensagens, a ver filmes no YouTube, ou a jogar. Por isso, a tese da substituição para explicar a desaparição dos livros nas casas parece-me errada. A gente não tem os olhos que quer, nem os ouvidos, nem a cabeça. Todos temos regras que estão inscritas no nosso corpo. As máquinas ajudam, mas não acabam com essas limitações. A máquina livro tem respondido muito bem ao nosso corpo. Tão cedo não será substituída. As razões por que as pessoas lêem menos e lêem pior são outras. Estão na sociedade, não nas tecnologias.
acordo climático
hoje macau terça-feira 15.12.2015
O Zenit São Petersburgo, orientando por André Villas Boas, é o adversário do Benfica nos oitavos de final da Liga dos Campeões, segundo ditou o sorteio realizado esta segunda-feira em Nyon (Suíça). Actual campeão da Rússia, o Zenit conta nas suas fileiras com várias caras conhecidas do futebol português, nomeadamente Luís Neto, Javi García, Witsel, Danny e Hulk. Dado importante para esta eliminatória poderá ser o facto de as competições na Rússia entrarem agora na habitual pausa de inverno, com o próximo jogo do Zenit a estar marcado para 27 de Fevereiro, já depois do encontro da primeira mão com o Benfica, a realizar no Estádio da Luz (16/17 ou 23/24 de Fevereiro).
sorteio Gent (Bel)
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Wolfsburgo (Ale)
Roma (Ita)
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Real Madrid (Esp)
PSG (Fra)
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Chelsea (Ing)
Arsenal (Ing)
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Barcelona (Esp)
Juventus (Ita)
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Bayern (Ale)
PSV (Hol)
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Atlético Madrid (Esp)
Benfica (POR)
-
Zenit (Rus)
D.Kiev (Ucr)
-
Manchester City (Ing)
Galgos Cães “não precisam de passaporte”, diz IACM
Ordem para entrar O s galgos que têm estado a chegar a Macau exportados da Austrália não estão entrar na RAEM de forma ilegal. Quem o diz é o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), que esclarece numa resposta ao HM que estes cães não precisam do passaporte de corrida para entrar no território. Na sexta-feira, recorde-se, o HM escrevia – com base numa reportagem da ABC australiana – que galgos que são demasiado “lentos” para correr na Austrália estavam a ser exportados para Macau. Fruto de uma investigação de meio ano, que contou com “provas” da associação Animals Australia em Macau, China e Vietname, um relatório apontava que há dezenas de treinadores e donos de cães a exportá-los para a Ásia. A actividade não é, por si, ilegal, mas é proibido enviar os animais sem que estes tenham um passaporte. Do lado daAustrália, quem for apanhado a enviar os cães sem esse passaporte é punido. Já o IACM explica que estes animais não necessitam de passaporte para entrar no território, o que faz com que a actividade seja legal na RAEM. “Um passaporte de corrida para um cão de corrida não é um documento requerido quando os animais são importados por Macau”, esclarece o instituto numa resposta ao HM. “O IACM é responsável pela inspecção à saúde dos cães de corridas e pela quarentena quando vêm para Macau.” De acordo com a lei, como indica o instituto, todos os cães têm de requerer um pedido de importação e tem de ser emitido um certificado de saúde internacional. “O cão é inspeccionado à chegada ao aeroporto ou às fronteiras e tem de estar de boa saúde e livre de qualquer sintoma de doenças”, acrescenta o IACM, que
KELSEY WILHELM
Benfica Zenit é o adversário nos oitavos de final da Champions
“Um passaporte de corrida para um cão de corrida não é um documento requerido quando os animais são importados por Macau. O IACM é responsável pela inspecção à saúde dos cães de corridas e pela quarentena quando vêm para Macau”
explica que a vacina anti-rábica é obrigatória trinta dias antes do animal chegar.
Sentença de morte
A Austrália baniu a emissão de passaportes para a exportação de galgos para Macau, devido à falta de condições da RAEM. Para a Animals Australia, o envio destes animais para o território é o mesmo que sentenciá-los à morte. As más condições oferecidas aos galgos não são novidade para os residentes de Macau, tanto que a ANIMA – Sociedade Protectora dosAnimais e outras associações da área estão constantemente a fazer pedidos para que o espaço feche e para que os cães possam ser adoptados. Contudo, os animais que estão a ser exportados para Macau podem entrar sem o passaporte, algo que não impede, portanto, que a lei australiana seja quebrada: os galgos precisam de passaporte para sair do país, mas em Macau não precisam dele para entrar. O presidente da ANIMA – Sociedade Protector dos Animais relembrou a semana passada ao HM que a sociedade está a cooperar com a Animals Australia sobre o caso e disse ainda que a ANIMA vai “escrever uma carta ao primeiro-ministro australiano para contar as más condições do Canídromo e para pedir a proibição de exportação de animais” para a RAEM. “Estamos fartos de pedir ao Governo [de Macau] para não autorizar mais a importação de animais, mas o Governo leva tempo a decidir”, disse, na altura, Albano Martins. Entretanto, a Qantas, companhia de bandeira da Austrália, já disse que vai acabar com o transporte destes galgos para a Ásia, depois de ter visto a reportagem da ABC sobre o assunto. De acordo com a cadeia de televisão, a Greyhounds Australasia e a Animals Australia pediram ao Ministro da Agricultura Barnaby Joyce para impedir a exportação, mas este “ainda não agiu”. Os animais chegam a ser comprados por um mínimo de 16 ou 19 mil dólares de Hong Kong em hasta pública, podendo os valores chegar aos 80 mil.
Resposta do IACM
China aplica novas directrizes na luta antiterrorista
O ameaça de suicídio
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• Mais um funcionário tentou ontem saltar de uma plataforma do Hotel Palácio Imperial Beijing. Este não é o primeiro caso a acontecer, sendo que a justificação se prende com o facto de, desde Outubro, cerca de 30 trabalhadores estarem a queixar-se de salários em atraso há mais de dois meses. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) afirmou que já está a acompanhar os casos e que alguns já foram entregues para tratamento em tribunal.
Governo chinês formulou novas directrizes nacionais para coordenar as forças de segurança e “fazer frente às mudanças na luta contra o terrorismo, tanto no plano doméstico, como no internacional”, avançou ontem a imprensa estatal. O chefe da segurança no país, Meng Jianzhu, disse que Pequim está a coordenar os seus esforços na luta antiterrorista com a comunidade internacional, depois do au-
mento do número de ataques terroristas em solo chinês, organizados além-fronteiras, através da ‘internet’. Meng falava numa conferência de imprensa em Urumqi, a capital da província do Xinjiang, palco de tensões entre a minoria muçulmana uigur e as autoridades chineses, e onde, segundo Pequim, operam grupos terroristas influenciados por ‘jihadistas’ estrangeiros. Uma das novas directrizes consiste
em fortalecer os serviços de informações chineses, integrando a informação compilada no Xinjiang com o sistema nacional, avançou Meng. O responsável chinês afirmou que 98% dos ataques terroristas no Xinjiang foram interceptados durante a sua fase de planificação e que as autoridades querem desmantelar mais células antes que estas possam perpetuar actos terroristas.
Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo