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SUFRÁGIO UNIVERSAL
Protestos em dia de visita presidencial A vinda de Xi Jinping a Macau está oficialmente confirmada. A Associação Novo Macau espera autorização para se manifestar.
URBANISMO
Catorze anos Acreditação está a combater nas mãos do Governo a droga O Conselho que deverá emitir as cédulas profissionais para arquitectos e engenheiros é na sua maioria constituído por membros do sector público.
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hojemacau RAEM 15 ANOS OS PRIMEIROS PASSOS
Admirável Jogo novo A celebração dos 15 anos da transferência de Macau para a China está à porta. Durante os próximos cinco dias relembram-se os acontecimentos que marcaram o período entre 1999-2014. Em cada dia percorremos três anos da História desta região especial. PÁGINAS 2-3
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S E G U N DA - F E I R A 1 5 D E D E Z E M B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 2 3 4
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PÁGINA 6 BA DA SHAN REN
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Ba Da Shan Ren entre os Ming e os Qing
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RAEM 1999-2002
15 AN S
CRONOLOGIA
2000
• Cidadãos com passaporte de Taiwan vão “necessariamente deixar de poder entrar em Macau com passaporte da ilha, uma vez que Macau pertence à China” • As exportações para Portugal deixam de ser primordiais, depois de “um movimento de contentores intenso” em 1999. A “exportação para outros mercados” começou de imediato a ser explorada • Edmund Ho apoia ponte Hong Kong – Macau. “Os responsáveis de Macau e Hong Kong têm falado no assunto e seria benéfico para todos.” • Raimundo Arrais do Rosário (indigitado este ano como novo Secretário para as Obras Públicas e Transportes) é nomeado como representante permanente de Macau na Organização Mundial do Comércio • Inauguração do Hotel China • China oferece uma ursa para fazer companhia ao urso Bo Bo, do Jardim da Flora. A ursa viria a morrer mais tarde. Bo Bo ainda vive. • Manuel Geraldes, tenente-coronel do Exército Português, porta-voz das Forças de Segurança em Macau e delegado da ICEP em Macau, acusado de ter cometido o crime de peculato • Inaugurado Posto Fronteiriço da Flor de Lótus e Ponte de Flor de Lótus • Palácio da Praia Grande passa a ser sede do Governo • CEM reduz as tarifas da luz em 4,3% • Instituto Cultural anuncia que vai dar prioridade à divulgação da cultura chinesa • Inquérito do IFT indica que comunicação e aparência dos taxistas recebe nota negativa de turistas e residentes • Rita Santos deixa a presidência da ATFPM, entregue a José Pereira Coutinho • Disciplina de Português deixa de ser obrigatória na UMAC • AL instala-se perto dos Lagos Nam Van, onde ainda se mantém • TV Cabo chega e oferece 40 canais televisivos • IPM assegura que a aposta no ensino do Português era para continuar • Poluição ambiental de Macau é motivo de preocupação • Governo anuncia liberalização do mercado das comunicações móveis, monopólio da CTM • Deputados autorizados a interpelar o Governo • Pavilhão onde decorreu a cerimónia de transição é deitado abaixo por “não ser considerado seguro” • Começa a ser ponderada a liberalização da internet • Barracas da Ilha Verde são deitadas abaixo (mais tarde regressam, para serem deitadas abaixo em 2011)
2001
• Aprovada criação dos Serviços de Polícia Unitários • Reserva financeira atinge os 10,6 mil milhões. Hoje tem mais de 240 mil milhões • CEM anuncia instalação da rede de fibra óptica • Inauguração da Torre de Macau • Lançada a primeira pedra da MUST • Lei Chin Ion, actual director dos Serviços de Saúde, nomeado director do São Januário • Abertura de uma nova rota marítima Hong Kong-Macau • Aprovada alteração do Código Penal que introduz a figura de inimputabilidade • Rita Santos nomeada directora municipal pela Câmara Municipal de Macau Provisória • CAM vê contrato prorrogado por mais 25 anos • Lançamento do dicionário de patuá “Maquista Chapado” • IACM é criado • Colhereiros de cara preta dados como em risco de extinção • Criados três grupos de trabalho para resolver problemas de saúde
2002
• Anúncio de construção do Grand Lisboa no Campo de Futebol dos Operários • Fundação Jorge Álvares começa a funcionar apesar de toda a polémica • Governo promete reabilitar São Lázaro • José Chu toma posse como director dos SAFP • Criada Fundação Henry Fok • Governo anuncia que não serão construídos aterros para o metro ligeiro e que este vai ser de superfície e passar pela ponte Sai Van • Governo anuncia que “Mercado da Taipa” afinal não vai ser destruído, depois de ter sido anunciada a construção de um Centro Cultural no seu lugar • 1ª. Comissão Permanente da AL pedia revisão de Lei do Orçamento para mais fiscalização dos deputados • Ano Judiciário abre com críticas à falta de magistrados e profissionais experientes • Casino Flutuante muda para o Fai Chi Kei, para dar lugar à Doca dos Pescadores
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
EM dias de celebrações, é inevitável que o passado nos bata à porta da memória. Por isso mesmo, a fazer 15 anos desde que a transferência de soberania de Macau para a China aconteceu, relembramos o que
mereceu ser destacado nas páginas dos jornais. Do Macau Hoje ao Hoje Macau, de 1999 a 2014, passeámos nas notícias para lhe mostrar o que, nestes 15 anos, se manteve igual, o que mudou, o que era
TRANSFERÊNCIA DE SOBERANIA OS PRIMEIROS TRÊS ANOS
Nasce a RAEM. As polémicas e a liberalização do Jogo JOANA FREITAS
Joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
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primeiro dia do novo milénio prenuncia um futuro próspero para Macau”, dizia Edmund Ho na passagem de ano de 1999 para 2000. Talvez o então Chefe do Executivo da RAEM já adivinhasse que, à porta, estaria a liberalização do Jogo, o levantar da economia e o início de uma caminhada que colocaria muito dinheiro nos cofres do Governo. O ano de 1999, especialmente o mês de Dezembro, foi motivo de inseguranças e medos por parte de portugueses e macaenses. Depois, surge a questão da nacionalidade – a escolha entre ser chinês ou português – e uma golpada na imagem de Portugal devido ao rombo de 50 milhões de patacas dos cofres da Fundação para o Desenvolvimento de Macau, pelo último Governador português, Vasco Rocha Vieira. Entretanto, na RAEM, “bandeiras e símbolos chineses” começam a ser hasteados nos edifícios governamentais. Os funcionários públicos passam a ser identificados com nomes portugueses e chineses. Edith Silva, presidente
da Escola Portuguesa de Macau, dizia-se confiante no futuro. Dois anos mais tarde, em 2002, inicia-se a especulação em torno da mudança de instalações.
JUSTIÇA E VIOLÊNCIA
Numa altura em que uma refeição completa num restaurante português rondava as “58 patacas”, dizia-se necessário rever os grandes Códigos legislativos. A reforma legislativa era um do cavalos de batalha de deputados e Governo. Em Macau ainda decorriam processos das seitas e violência nas ruas. E conseguia-se ver casos de violência no Estabelecimento Prisional de Macau. Ainda no arrefecimento da condenação de Wan Kuok Koi, líder da 14K, as Nações Unidas aceitam uma queixa de Pedro Redinha, advogado de ‘Dente Partido’ sobre alegadas ilegalidades no julgamento. No mesmo ano em que Cheong Kuok Vá anuncia que a criminalidade violenta aumentou em 15%, dá-se o rapto do advogado Neto Valente. Os raptores não chegaram a pedir qualquer resgate. Quanto à prisão de Coloane, “estava a lotar” e já em 2001 e 2002, Cheong Kuok Vá pedia uma nova prisão. A violência doméstica
já era problema e pedia-se o reforço das leis.
O NASCIMENTO DO DRAGÃO
Num ano em que as páginas dos jornais escreviam que “Lauryn Hill dominou os grammy americanos” e em que a Torre de Macau ainda estava a meio de ser “a oitava maior do mundo”, Stanley Ho, que detinha o monopólio dos casinos do território, começa a ser confrontado com a possibilidade da liberalização do Jogo. “Recuperação da economia é prioridade”, assegurava o Governo em 2000. Em 2001, mais de cem empresas manifestaram interesse em apostar em Macau. No mesmo ano, três foram escolhidas: Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Galaxy e Wynn. Na altura, Stanley Ho era confrontado com protestos dos seus trabalhadores, que temiam ser despedidos ou ver os seus salários a não ser pagos. Ao mesmo tempo que Ho assegura que “se recebesse a sua licença” ninguém ia ser despedido, David Chow, que viu em 2000, ser dada luz verde à construção da Doca dos Pescadores, alertava: as operadoras que ganharem as licenças “vão precisar de tempo para compreender a cultura local”. E mais: o empresário pedia que fossem cobrados impostos a
dobrar aos “promotores de Jogo” estrangeiros, algo em que o Governo não cedeu. Falava-se ainda na transmissão do Casino Lisboa para as mãos do Governo, uma hipótese que ficou fora de questão, no mesmo ano em que Winnie Ho e Stanley Ho estiveram em tribunal devido a confrontos sobre a STDM. Ho, que dizia em 2002 que cabiam apenas mais quatro casinos em Macau, apresentara um projecto que mostrava um casino da SJM com montanha russa, marina e parque temático.
TODOS A BORDO
Em Janeiro de 2000, um dos primeiros “prenúncios” da Administração era o aumento de turistas chineses em Macau. Sob o título “Turistas da China serão cada vez mais” adivinha-se um “aumento de 100%” na entrada de visitantes do continente: três milhões poderiam visitar a RAEM só em 2000. Até então, os números cingiam-se a 1,3 milhões de chineses que entraram em Macau no derradeiro ano sob administração lusa. As contas diziam que, no total, foram 7,6 milhões os turistas que cá chegaram. Os números vão aumentado de ano para ano. De turistas “que ficavam planta-
Ilha da Montanha: sonho desde 2002
A
S autoridades de Macau começaram a estudar o desenvolvimento da Ilha da Montanha já em 2002. A ideia era desenvolver “um pólo turístico” para ser desenvolvido em conjunto. Os responsáveis dos dois lados asseguravam que “iria ser fácil” a concretização desse projecto, ainda que se tivesse de pedir autorização ao Governo Central, de forma a que as regras também não fossem “tão rígidas” do lado de lá da fronteira. Na mesma altura, empresários das indústrias têxteis e de outras ainda comuns em Macau, pediam ao Governo que as fábricas não passassem para Henqgin, de forma a que não se perdesse as indústrias para o continente. A ideia destes empresários era que as fábricas fossem todas colocadas na Ilha Verde, onde barracas foram desmanteladas um ano antes.
raem 15 anos 3
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
para ser e não foi. Ou o que ainda está por acontecer e o que, simplesmente, ficará no passado. Nos próximos cinco dias, o HM faz a selecção do que mais marcou a actualidade da RAEM nos últimos
15 anos, sendo que, a cada dia, serão abordados três anos. E, porque se começa pelo princípio, fique hoje com os anos de 2000 a 2002, bem como com um leve cheirinho de 1999.
O QUE ELES DIZIAM...
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Podemos não ser indispensáveis, mas temos de demonstrar que somos úteis” Leonel Alves, advogado e deputado, sobre os macaenses em 2000
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A ditadura foi um regime apertado para o anterior Governo (...) e os Secretários-adjuntos daquela altura executaram apenas as políticas escolhidas pelos anteriores governadores” Stanley Au, na AL, onde era deputado, critica a administração portuguesa
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Macau irá consolidar a sua economia liberal, através de uma maior defesa da propriedade intelectual e da liberalização do mercado das concessões exclusivas” Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, 2001
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Tenho fortes dúvidas sobre a possibilidade de pôr toda a gente [da comunidade portuguesa] em volta de um projecto desses. Como é que essa entidade assumiria publicamente a representatividade dos portugueses de Macau?” Jorge Rangel, sobre a possibilidade de se criar um porta-voz que representasse a comunidade em Macau
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Foram resolvidos problemas de carências da cidade, alargado o leque de actividades culturais, para além de ter melhorado a imagem de Macau no estrangeiro” José Luís Sales Marques a fazer um balanço do trabalho da Câmara Municipal de Macau Provisória
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Não queremos o aumento de tarifas [de 10 patacas], porque a economia de Macau não está a atravessar a melhor fase” Tony Kuok, presidente da Associação do Mútuo Auxílio dos Condutores de Táxi, em 2002
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A Torre de Macau não vai ter casino” Pansy Ho, proprietária, em 2002. Actualmente, a Torre conta com um casino Mocha
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dos nos autocarros enquanto outros iam às compras”, passamos a ter turistas que só compram.
MARCHAR, MARCHAR
É certo que Macau viu a sua maior manif desde 1999 ainda recentemente, mas em 2000, além de activistas que ainda hoje estão activos, houve mais gente a sair às ruas da já RAEM. “Mais de 500 trabalhadores da construção civil manifestaram-se contra o desemprego junto às instalações do Governo, o que culminou em confrontos com a polícia”, anunciava uma manchete do Macau Hoje do ano 2000. Num período em que a taxa de desemprego atingia os 6,7% e a população era de 438 mil pessoas, o Governo anunciava ser intolerante face a manifestações ilegais. Mas estas continuavam, organizadas pela União Geral dos Operários. E, se ao longo dos anos, há coisas que não mudam, nada que sirva de melhor exemplo do que o facto de que estes trabalhadores também saíam à rua para
pedir o fim da importação de mão-de-obra estrangeira. “Principalmente filipina”. Entre boas notícias da altura - como o facto de André Couto “ter regressado aos grandes dias” nos anos 2000 – havia os problemas ainda hoje comuns: as ruas de Macau já ficavam inundadas sempre que chovia. Mas nem a chuva demoveu as manifestações, que se repetiram, até que o Governo decidiu “rever a lei de importação de mão-de-obra” e dispersar os manifestantes com gás lacrimogénio “pela primeira vez desde 1966”.
PRIORIDADES
Em 2000, Edmund Ho concretizava um dos pontos ditados pela sabedoria popular: um homem tem de “plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho”. Na Taipa, ilha onde o rural ainda era superior ao cimento, o então Chefe do Executivo plantou “o marco de uma nova era”. Não sabemos se a árvore ainda lá está, mas sabemos que Chui Sai On anunciava que todas as especificidades de Macau iriam ser “bem preservadas,
para que fosse uma verdadeira cidade de cultura”. Ao mesmo tempo, o na altura Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura tinha de lidar com uma Saúde em muito mau estado no qual, personalidades defendiam, “não havia confiança”. No ano em que o Governo liberaliza o mercado das telecomunicações móveis, é anunciado o regresso de Alberto Lisboa, actual treinador da selecção de hóquei, para “salvar” a equipa do território.
COTAI, A MUDANÇA CONSTANTE
Ao Man Long era Secretário para os Transportes e Obras Públicas quando, em 2000, lançou a primeira pedra daquela que seria a Avenida Nossa Senhora da Esperança, a “base” dos aterros entre a Taipa e Coloane. Aqueles que iriam criar a, na altura chamada, “Cidade do Cotai”. Se agora, as luzes dos casinos impedem que o Cotai durma, não eram esses os planos iniciais do Governo para aquela zona. “O coordenador do Gabinete para o Apoio ao Desenvolvimento dos Aterros
Taipa-Coloane da Cidade de Cotai revelou que os 700 hectares da Cidade deverão estar suficientemente desenvolvidos para albergar uma população de 150 mil pessoas dentro dos próximos 15 anos”, podia ler-se numa notícia do Macau Hoje do final do ano 2000. Era o “Cotai do Futuro”. Em 2002, é lançada a primeira pedra de um projecto que nunca chegou a acontecer: o “Satellite TV City”, uma cidade áudio-visual que iria ter um mega-projecto de produção televisiva. A empresa, eSun Holdings, assegurava cerca de dois mil postos de trabalho. Falava em importar areia de Zhongshan devido à qualidade do terreno de Macau. Prometia a capacidade de gravar cinco mil horas de programação por ano e que ficaria pronta em 2004. O terreno era de uma empresa que tinha o conhecido empresário Ng Fok na direcção. Resta saber que mudanças terá o Cotai em 2003. E o resto. É que, se em 2002, “a RAEM passou o baptismo de fogo”, como dizia Edmund Ho, ainda há mais para vir.
É bom que [as tríades] mantenham ‘low profile’. As coisas não se resolvem à força, nem cacetada. (...) A polícia não vai tolerar casos semelhantes aos do passado” Cheong Kuok Vá, Secretário para a Segurança, em 2001
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A RAEM não se pode dar ao luxo de perder a língua portuguesa” Lei Heong Iok, presidente do IPM, em 2002
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Sinto um profundo desgosto” Charters de Almeida, autor das Portas do Entendimento sobre a degradação do monumento, em 2002
244 54% milhões de patacas
foi a queda no número de espectadores
foi quanto custaram
do Centro Cultural de Macau em 2001,
as comemorações
numa altura em que a exploração
da transferência
estava entregue à Bel Canto
SABIA QUE... • Há um asteróide chamado “Estrela Macau”, que foi descoberto por astrónomos chineses em 1997? Em 2000, Edmund Ho recebeu um certificado que atesta isso mesmo da parte de Lu YongXiang, presidente da Academia de Ciências da China. O “Estrela Macau” situa-se entre Marte e Júpiter • O orçamento da RAEM para o ano 2000 não subiu acima dos 12 milhões de patacas? Actualmente, o orçamento ronda os mais de 150 milhões de patacas. • As obras públicas e privadas foram a arma escolhida pelo Governo para solucionar o problema da falta de emprego em Macau, em 2002?
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POLÍTICA
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
ASSOCIAÇÕES QUEREM MANIFESTAR-SE DURANTE VISITA DE XI JINPING
Transferência com vozes de protesto
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
É
já na próxima sexta-feira, 19, que Xi Jinping, presidente chinês, chega a Macau para uma visita oficial que marca os 15 anos de transferência de soberania do território para a China. Depois dos rumores, a confirmação oficial chegou este fim-de-semana. Segundo uma nota emitida pelo gabinete do porta-voz do Governo de Macau, citada pela agência Lusa, “o Secretário-geral do Partido Comunista da China, Presidente da República Popular da China e Presidente da Comissão Militar Central da República Popular da China, Xi Jinping, estará, nos dias 19 e 20 de Dezembro, em Macau, para partici-
Lei Kin Ion também quer protestar no dia 20
ção por altura do aniversário da transferência de soberania todos os anos”, referiu ao HM. Questionado se este protesto poderá ter uma maior força, depois dos acontecimentos protagonizados pelo movimento Occupy Central, em Hong Kong, Bill Chou negou qualquer tipo de influência. “Vamos apenas pedir o sufrágio universal em Macau, mas não temos nada a ver com o movimento Occupy Central e com o que tem acontecido em Hong Kong. Temos organizado também protestos no passado que não têm nada a ver com esses movimentos”, explicou.
TIAGO ALCÂNTARA
Está confirmada a visita oficial do presidente chinês à RAEM. À semelhança dos outros anos, a Associação Novo Macau quer liderar um protesto a favor do sufrágio universal, mas as autoridades ainda não confirmaram o pedido de manifestação
NEGAS NA FRONTEIRA?
par nas actividades comemorativas do 15º aniversário do retorno da Região Administrativa Especial de Macau à pátria, assim como na tomada de posse do 4º Governo”. Xi Jinping deverá participar num Sarau Cultural e num jantar de boas-vindas. Depois de assistir à tomada de posse dos novos membros do Governo e do Conselho Executivo, Xi Jinping regressa no dia 20 a Pequim.
À ESPERA DE RESPOSTA
Fora da agenda oficial, a visita do presidente chinês poderá ficar
O activista Lei Kin Ion também deseja organizar um protesto por ocasião da visita de Xi Jinping a Macau, em nome da associação de cariz político “Partido dos Trabalhadores”. O activista referiu este facto na sua página pessoal no Facebook, tendo depois confirmado ao HM que já foi enviado o pedido à Polícia de Segurança Pública, que ainda não terá respondido. Lei Kin Ion também vai protestar a favor do sufrágio universal para as eleições do Chefe do Executivo e Assembleia Legislativa, exigindo ainda um calendário para a habitação pública e o aumento do número de casas.
marcada por protestos organizados por associações locais, nomeadamente a Associação Novo Macau (ANM) e o grupo Macau Consciência. Contudo, o pedido oficial ainda não foi aceite por parte da Polícia de Segurança Pública (PSP), apesar de ter sido feito há quase um mês. “Perguntaram-nos se íamos entregar uma carta ao Governo, respondi que não. Depois disseram-nos que teriam de avaliar a agenda oficial da visita do presidente chinês, e até então
não houve mais respostas”, disse ao HM Sou Ka Hou, presidente da ANM. À semelhança do que aconteceu em 2009, aquando da visita de Hu Jintao, a manifestação irá servir para apelar à implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e por uma reforma política. Bill Chou, vice-presidente da ANM, disse estar confiante de que o pedido de protesto será aceite. “Acreditamos que a polícia vai aceitar o pedido para a manifestação. Fazemos uma manifesta-
“Vamos apenas pedir o sufrágio universal em Macau, mas não temos nada a ver com o movimento Occupy Central e com o que tem acontecido em Hong Kong” BILL CHOU Vice-presidente da ANM
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vice-presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, Zhang Rongshun, disse ontem ser necessário “esclarecer” os residentes de Macau e Hong Kong sobre o princípio de “Um país, Dois Sistemas”. É que segundo notícia do jornal South China Morning Post, o representante considera que há, nas duas regiões especiais administrativas, quem ainda não se tenha apercebido que vive numa mesma nação, ainda que sob sistema e poderes diferentes.
Em declarações ao HM, Sou Ka Hou falou de alguns residentes de Hong Kong cuja entrada em Macau foi negada. Trata-se de duas pessoas que participaram nos protestos liderados pelo Occupy Central, cuja entrada no território foi autorizada em Outubro. Seguem-se dois jornalistas do jornal Apple Daily, incluindo um fotógrafo, bem como dois estudantes universitários que não pertencem a qualquer associação ou organização. “Pelas informações que recebi, já houve dez pessoas cuja entrada foi proibida em Macau, mas todas estas pessoas já tinham conseguido entrar em Macau”, explicou o presidente da ANM. Citado pela imprensa chinesa, Wong Sio Chak, ainda director da Polícia Judiciária (PJ) e futuro Secretário para a Segurança, negou existir uma “lista negra” de pessoas cuja entrada na RAEM é proibida, tendo apenas frisado que as autoridades policiais vão seguir as informações com vista à manutenção da segurança pública. O ainda director da PJ referiu não poder dar mais informações ao público se há de facto o risco de perturbação da ordem pública por parte destas pessoas.
APN Mais esclarecimentos sobre “Um país, dois Sistemas” “Depois da transição, as pessoas de Macau e de Hong, bem como as do continente, vivem [agora] sob a mesma bandeira nacional. Há, no entanto, algumas pessoas em Macau e em Hong Kong que ainda não sabem qual é o sentimento de estar numa só nação”, disse Zhang ontem, na conferência anual da Associação de Estudos de Hong Kong e Macau, em Shenzhen.
“A sociedade de Hong Kong faz uma interpretação totalmente diferente da do continente. Isso requer que prestemos atenção e expliquemos melhor”, continuou Zhang, dois dias antes da desmobilização final dos manifestantes do movimento Occupy Central. Quando questionados sobre a eventualidade do sistema de sufrágio directo nas eleições para o Chefe do Executivo de Hong Kong em 2017, tanto o Governo
Central como o da região vizinha responderam que tudo teria que estar de acordo com a Lei Básica e o quadro da reforma eleitoral de Pequim. “Nem todos os cidadãos e estudantes tiveram aulas detalhadas sobre a Lei Básica ou a ideologias por detrás da sua redacção”, explicou a deputada de Hong Kong, Starry Lee Wai-king. É, para a representante, necessário focar a educação deste assunto nas escolas.
política 5
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
CHUI SAI ON VAI CONTROLAR NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS
A ainda Secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, falou à imprensa chinesa durante a Marcha de Caridade para Um Milhão, frisando que ainda não tem planos concretos para quando deixar o Governo. Contudo, Florinda Chan referiu que gostaria de se dedicar ao voluntariado religioso. Em relação ao trabalho feito nos últimos 15 anos, Florinda Chan disse que fez o que estava ao seu alcance, mas que existe sempre espaço para melhoria. “Considero que não fiz quaisquer abusos da posição para a qual fui nomeada pelo Governo Central e Chefe do Executivo. Espero que a nova Secretária se possa esforçar”, disse Florinda Chan, esperando que Sónia Chan Hoi Fan possa acompanhar o processo de consulta pública sobre o Regime de Garantias dos titulares dos principais cargos.
Lionel Leong prevê receitas de Jogo de 20 mil milhões
O Secretário indigitado para a pasta da Economia e Finanças, Lionel Leong Vai Tac, disse ontem à margem da Marcha de Caridade por Um Milhão que as receitas do Jogo no próximo trimestre de 2015 não deverão ultrapassar as 20 mil milhões de patacas. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, Lionel Leong Vai Tac falou de um “ajustamento” no quarto trimestre, lembrando que o pico das receitas foi de 38 mil milhões no primeiro trimestre do ano passado. Em relação à agenda enquanto Secretário, Lionel Leong Vai Tac prometeu dar atenção ao ajustamento das receitas do Jogo, lembrando que “a economia de Macau deve demonstrar mais confiança, especialmente quando, em termos gerais, as coisas não corram tão bem”. Lionel Leong prometeu ainda não levar a cabo grandes mudanças em termos de funcionários no seu gabinete, esperando uma boa transição em relação aos mandatos de Francis Tam.
Medicina Wong Kit Cheng pede base de médicos especialistas
Wong Kit Cheng vai enviar uma carta aberta ao Governo a pedir a promoção do desenvolvimento dos serviços de saúde locais. No documento, pede ainda a criação de uma base de dados de médicos de diferentes especialidades. A deputada referiu que a Universidade de Macau (UM) está a criar um centro de formação de médicos, onde espera que seja possível proceder à formação de especialistas. Tudo isto, escreve na carta, porque acredita que tal medida pode ajudar a aumentar o nível de tecnologia e qualidade de Medicina, bem como a reservar talentos nesta área para o complexo dos serviços de saúde do Cotai. Wong Kit Cheng disse que, actualmente, o tempo de espera para uma consulta de especialidade é longo e faltam recursos humanos com qualidade profissional. A deputada acrescentou ainda que a criação de uma base de formação de profissionais médicos pode ajudar a promover o reconhecimento dos médicos especialistas no território.
As declarações de Chui Sai On surgem à margem da Marcha da Caridade por Um Milhão que reuniu cerca de 40 mil pessoas
O
Chefe do Executivo, Chui Sai On, garantiu ontem aos jornalistas que nos próximos cinco anos “o Governo vai controlar o número total de funcionários públicos”, sendo que “não espera que o orçamento com esta matéria registe um grande crescimento”. À margem da 31ª edição da Marcha de Caridade por Um Milhão, o Chefe do Executivo frisou ainda que “o pessoal das Forças de Segurança e da área da saúde são importantes para os serviços públicos, por isso o recrutamento deve ser ponderado de acordo com a realidade”. Chui Sai On promete apresentar dados mais concretos aquando da divulgação do relatório das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2015, algo que acontece em Março. Recorde-se que o orçamento para 2015 prevê a contratação de mais 2.200 funcionários públicos, o que representa um aumento de orçamento na ordem das três mil milhões de patacas.
TIAGO ALCÂNTARA
Florinda Chan quer dedicar-se ao voluntariado
Recrutamento e realismo
ATERROS DENTRO DO PREVISTO
Em relação à zona A dos novos aterros, está a ser planeada conforme o calendário inicial, sendo
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milhões de patacas angariadas durante o a Marcha da Caridade por Um Milhão
que o complexo habitacional de Seac Pai Van poderá servir como exemplo para as futuras casas públicas a serem construídas nessa zona, disse Chui Sai On, citado por um comunicado oficial. “A zona A dos novos aterros é muito importante para o desenvolvimento sustentável de Macau” e que por isso o Governo “tem auscultado todas as opiniões no
processo de consulta pública, aproveitando as experiências aquando do planeamento da habitação pública de Seac Pai Van, a fim de melhorar e aperfeiçoar a construção da zona A dos novos aterros”, referiu. O Chefe do Executivo referiu ainda que “os trabalhos do planeamento e consulta da zona A dos novos aterros seguem de forma programada e
de acordo com a calendarização de trabalho do governo”. Chui Sai On participou em mais uma edição da Marcha da Caridade por Um Milhão organizada pela Associação de Beneficência dos Leitores do Jornal Ou Mun, na qual terão participado 40 mil pessoas, tendo sido angariadas mais de 16 milhões de patacas. - A.S.S.
Li Gang apela à diversificação económica
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I Gang, director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, também participou na Marcha para a Caridade por Um Milhão, ocorrida ontem. Aos jornalistas, Li Gang voltou a falar da necessidade da diversificação económica em Macau, defendendo que a existência de uma única indústria “pode fazer com que Macau tenha prosperidade, mas que também possa sofrer consequências negativas”. Lembrando o surto de pneumonia atípica, que abalou China, Macau e Hong Kong nos anos de 2002 e 2003, Li Gang referiu que com esses acontecimentos “a economia pode deixar de registar um crescimento e se o principal sector de actividade
sofrer prejuízos, os cidadãos também vão ser vítimas”. Por isso, Li Gang pede que haja “um desenvolvimento saudável do sector do Jogo”, mas com a promoção de uma economia diversificada, com a aposta nas áreas financeiras, na plataforma de serviços e comércio com países de língua portuguesa, medicina ou indústrias culturais e criativas. O director do Gabinete de Ligação disse ainda que Macau tem limitações em termos de área geográfica, e que se tiver mais ligações a terrenos do continente, tal como já acontece com a Ilha de Hengqin, Nansha e Jiangmen, isso poderá trazer mais garantias ao território. - C.L.
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hoje macau segunda-feira 15.12.2014
URBANISMO ACREDITAÇÃO DEPENDENTE DO GOVERNO PREOCUPA DEPUTADOS
Auto-regulação vai ter de esperar Os deputados concluíram a análise do Regime de qualificações nos domínios de construção urbana e urbanismo. Arquitectos e engenheiros devem ver a sua cédula profissional emitida por um Conselho que tem mais membros do sector público do que do privado ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
E
STÁ concluída a análise na especialidade do novo sistema de acreditação profissional para engenheiros e arquitectos. Os deputados da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) assinaram na sexta-feira o parecer
jurídico referente ao novo Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e urbanismo. Contudo, permanecem dúvidas quanto à independência do Conselho de Arquitectura, Engenharia e Urbanismo (CEAU), o qual será responsável pelo processo de acreditação dos profissionais. Ou seja, a comissão, liderada pela deputada Kwan Tsui PUB
ANÚNCIO
HM - 1.ª vez - 15.12.14
Proc. Execução Ordinária nº.
CV3-13-0011CEO 3º Juízo Cível
EXEQUENTE: MELCO CROWN JOGOS (MACAU) S.A., sociedade comercial com sede em Macau, na Avenida Dr. Mário Soares, n.º 25, Edifício Montepio, 1º andar, Com. 13.-----------------------------------------------------------EXECUTADOS: MACAU ZHE JIANG PROMOÇÃO DE JOGOS – SOCIEDADE UNIPESSOAL LIMITADA, sociedade comercial com sede em Macau, na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, n.º 600-E, Edf. Centro Comercial First Nacional, 12º andar, Apt. 05; e JIANG DAGONG, ora ausente em parte incerta, com última residência conhecida no Hotel Trader, 101, Middle Jinshan Road, Cidade de Linhai, República Popular da China.-------------------------*** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm ÉDITOS DE TRINTA (30) DIAS, a contar da data da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, citando, o executado JIANG DAGONG, para no prazo de VINTE (20) DIAS, decorridos que sejam os dos éditos, pagar ao exequente a quantia de MOP$35.041.497,14 (trinta e cinco milhões, quarenta e uma mil, quatrocentas e noventa e sete patacas e catorze avos), acrescida de juros e custas, ou no mesmo prazo, deduzir oposição por embargos ou nomear bens à penhora, sob pena de não o fazer ser devolvido à exequente o direito de nomeação, seguindo o processo os ulteriores termos até final à sua revelia, com a advertência de que é obrigatória a constituição de advogado, caso sejam opostos embargos ou tenha lugar a qualquer outro procedimento que siga os termos do processo declarativo.-- Caso o citando pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverá dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 1.º andar, Macau, para apresentar seu pedido, sendo que poderá pedir esclarecimentos através do telefone n.º 2853 3540 ou correio electrónico info@caj.gov.mo.----- Para o efeito, terá de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro. Tudo conforme melhor consta do duplicado da petição inicial que neste 3º Juízo Cível se encontra à sua disposição e que poderá ser levantado nesta Secretaria Judicial nas horas normais de expediente.--------------------------------------------Macau, 30 de Outubro de 2014
REGIME REVISTO DAQUI A DOIS ANOS A proposta de lei prevê ainda que o regime de acreditação seja revisto dois anos após a sua entrada em vigor, algo considerado importante pelos deputados. “A comissão considera relevante que seja avaliado o impacto que o regime ora aprovado terá na sociedade local e a sua eficácia em alcançar os objectivos pretendidos. Esta actividade de monitorização deve ser permanente”, pode ler-se no parecer.
Hang, receia que o sector não seja auto-regulado, por ser “um órgão cujas decisões dependem, em última instância, da vontade do Governo, uma vez que os seus representantes estão necessariamente em maioria”. “A opção política da constituição de um órgão administrativo, em detrimento de um modelo de auto-regulação pela própria classe profissional, suscitou dúvidas aos deputados. Em particular, o facto de a proporção dos representantes da Administração Pública ser maior constituiu motivo de preocupação quanto à independência do CAEU na tomada de decisões”, pode ler-se no parecer. O Governo garantiu que a total independência, a acontecer, não será nesta fase. “O proponente informou que não é sua intenção que o Conselho, nesta fase, seja um órgão independente e totalmente desvinculado da liderança do Governo. Quanto à possibilidade do conselho funcionar, no futuro, de forma indepen-
dente, é um assunto que está dependente da evolução do sector e da análise do funcionamento do órgão ora criado”, descreve o parecer. As novas regras para se exercer engenharia, arquitectura ou trabalhos de fiscalização de obras em Macau determinam que os profissionais, que devem ser residentes da RAEM, tenham de ter licenciatura, mestrado ou doutoramento na área e realizar um estágio de dois anos, a tempo inteiro,
ou de cinco anos a tempo parcial. O profissional terá depois de realizar exames de admissão e ter a cédula emitida pelo CAEU.
MISTÉRIO NA ESCOLHA DOS MEMBROS
Outra das questões levantadas pelos deputados prende-se com os critérios para a escolha dos membros do CAEU, permanecendo dúvidas sobre as qualificações para avaliar profissionais. “Os deputados manifestaram igual preocupação com o facto de a proposta de lei ser omissa quanto aos critérios a observar na escolha dos membros do CAEU ao nível da sua representatividade e qualificações, assim como quanto ao número de membros a compor o conselho”, refere o documento. Da parte do Governo, ficou a promessa de se “efec-
tuar uma selecção cautelosa dos candidatos a integrar o Conselho”. Foi ainda dito que “as habilitações académicas, a experiência profissional e as capacidades técnicas serão factores prioritários a considerar, por forma a evitar que aquele órgão integre membros cuja qualificação profissional seja inferior à dos requerentes e não consiga dar cobertura a todas as áreas de especialização”.
“Quanto à possibilidade do conselho funcionar, no futuro, de forma independente, é um assunto que está dependente da evolução do sector” PARECER DA 1.ª COMISSÃO PERMANENTE DA AL
Caberá ao CAEU grande parte das decisões referentes ao processo de acreditação, sendo que o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) terá a última palavra sobre os processos. Contudo, grande parte das competências do Conselho serão reguladas mais tarde através de regulamentos administrativos, o que levou os deputados a questionar se isso “pode afectar a compreensão e integralidade” da proposta de lei aquando da entrada em vigor. Mas o Governo disse que, no máximo, serão criados três regulamentos administrativos. A proposta de lei terá a sua votação final no plenário agendado para o dia 17.
FISCAIS DE OBRAS PRIVADAS COM TERMO DE RESPONSABILIDADE Uma das novidades introduzidas com o novo Regime de qualificações nos domínios da construção urbana e urbanismo prende-se com a obrigatoriedade dos fiscais das obras no sector privado serem obrigados a assinar um termo de responsabilidade. Tal regra já existe nas obras públicas. “O Governo referiu ainda que pretende com esta proposta de lei introduzir uma nova exigência aos técnicos responsáveis pela fiscalização: a obrigatoriedade de subscrição de um termo de responsabilidade, aquando da apresentação do pedido de licença para a realização de obras privadas”, refere o parecer. Nas reuniões entre deputados e Executivo, ficou
claro que essa nova regra, caso a proposta de lei seja aprovada, pretende evitar novos casos de prédios em riscos de queda, tendo sido apresentado o exemplo do edifício Sin Fong Garden. “Na última reunião que a comissão realizou com o Governo, discutiu-se a questão da optimização do regime de fiscalização das obras de construção civil, a fim de evitar o reaparecimento de problemas de segurança de edifícios verificados no passado, nomeadamente o caso do edifício Sin Fong Garden, que causaram impactos negativos incalculáveis para a sociedade”, conclui-se. - A.S.S.
SOCIEDADE
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ARTM 14 ANOS AUGUSTO NOGUEIRA FALA DE MUDANÇAS NO CONSUMO
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O jogo do rato e do gato
H
Á 14 anos atrás, nascia em Macau a Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau (ARTM), destinada a ajudar aqueles que estavam dependentes do consumo de droga, mas o arranque não foi fácil. “Passámos por várias dificuldades no início de aceitação até da parte do Governo, e acabámos por nos afirmar como uma instituição sólida e de apoio com bastante sucesso entre os toxicodependentes. Isso fez com que a ARTM se tenha tornado numa voz e numa opinião, ao sermos convidados para diversas comissões do Governo na área da droga e da prevenção ao HIV”, disse Augusto Nogueira, presidente da entidade, ao HM. “Muitas pessoas passaram por nós, muitas estão bem, muitas infelizmente não estão, mas ficamos orgulhosos por todas as pessoas que passaram por nós e que singraram na vida. Vamos continuar a ajudar todos aqueles que nos procuram”, disse ainda. 14 anos depois, a ARTM tem hoje dois centros de tratamento, para homens e mulheres. Faz a distribuição de seringas, prevenção
A Associação de Reabilitação dos Toxicodependentes de Macau celebra 14 anos de vida com a certeza de que é uma “instituição sólida”. Augusto Nogueira fala do decréscimo no consumo de heroína e da adaptação aos novos estupefacientes sário o apoio de escolas e das famílias. “O combate à droga é um jogo do gato e do rato. A polícia e o Governo tentam minimizar a todo o custo a entrada das substâncias em Macau e os traficantes fazem o contrário. Mas nada é perfeito, há sempre trabalho para fazer e tudo vai mudando, porque hoje os consumos são diferentes e as abordagens também. Há que trabalhar e alertar as pessoas”, acrescentou o presidente da ARTM.
GUERRA À HEROÍNA nas escolas, faz parte da Comissão de Luta contra a Droga e do HIV. Augusto Nogueira diz que o trabalho de combate e prevenção à droga está a ser feito tanto pelas associações como pelo Governo, mas que é sempre neces-
“Muitas pessoas passaram por nós, muitas estão bem, muitas infelizmente não estão, mas ficamos orgulhosos por todas as pessoas que passaram por nós e que singraram na vida” AUGUSTO NOGUEIRA Presidente da ARTM
Augusto Nogueira fala das bem sucedidas medidas de combate adoptadas pelas autoridades policiais, o que fez diminuir o consumo de heroína. “As novas medidas, como a colocação das máquinas de raio-x no aeroporto, têm sido bastante eficazes para evitar a entrada da heroína em
DEFICIENTES MACAU “SEM BARREIRAS ARQUITECTÓNICAS”
Em busca de um novo ambiente LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O WiFi GO Mais 20 novos pontos de acesso
O sistema de banda larga sem fios WiFi GO, tem, a partir de hoje, 20 novos pontos de acesso. Isso mesmo confirmou a Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações (DSRT) ontem, em comunicado. Até Outubro passado foram efectuadas 15 milhões de entradas na internet através deste serviço e a DSRT assegura que estarão então em funcionamento um total de 164 pontos de acesso. No mesmo documento, prometem ainda ter elevado a eficácia e rapidez da linha de internet, devido ao aumento do número de utilizadores.
território vai acolher, entre os dias 14 e 16 deste mês, uma delegação de 80 pessoas de 10 países em vias de desenvolvimento para a realização de um seminário sobre como criar um “ambiente sem barreiras arquitectónicas”. De acordo com comunicado do Instituto de Acção Social (IAS), Macau deverá servir de exemplo no que diz respeito à estruturação de uma cidade própria para a deslocação de cidadãos portadores de deficiência. Presentes estarão também representantes das Nações Unidas, do interior da China, de Hong Kong e do território. Será ainda realizada uma visita de estudo “por forma a conhecer a experiência de Macau na criação” de uma
cidade deste género. A iniciativa foi organizada pela Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia e Pacífico e pela Federação de Deficientes da China. Tudo isto, assegura o IAS, está a ser feito para ir ao encontro de um dos objectivos da Estratégia de Incheon, o terceiro plano decenal de acção sobre as pessoas com deficiência, que deverá ser cumprido até 2022. A Estratégia de Incheon dita que seja implementado, a partir deste ano, um projecto de promoção da Acessibilidade das Pessoas com Deficiência. A visita ao território está integrada no percurso que leva a delegação a Guangzhou e Hong Kong, entre 10 e 19 deste mês, para seminários sobre o mesmo tema. O seminário na RAEM vai acontece no Sheraton Macao Hotel, pelo que em seguida a
delegação deverá visitar o sistema de circulação pedonal da Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança, da habitação pública do Fai Chi Kei, entre outros locais.
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Macau. Isso fez com que tenha havido uma redução substancial no consumo de heroína”, explicou. “Notámos uma redução enorme no consumo de heroína, o ano passado tínhamos distribuído cerca de 45 mil seringas, este ano só distribuímos oito mil. Isso também mostra o bom trabalho que tem sido feito pelo Governo no combate”, disse Augusto Nogueira. Questionado sobre a possibilidade dos novos horários das fronteiras virem a provocar um aumento do tráfico e do consumo, Augusto Nogueira descarta a ideia. “Não acredito que isso possa ter uma influência muito grande no consumo e no tráfico. É natural que possa haver algum aumento, mas de certeza que a polícia está atenta. Esperamos que instalem as máquinas de raio-x”, frisou. Para os próximos anos, a ARTM assume pretender ajudar todos aqueles que baterem à sua porta, adaptando-se aos novos tempos e a novos desafios. “Temos de mudar o nosso plano terapêutico para que possamos responder a estas novas drogas, antes tínhamos um plano de tratamento de um ano, mas agora vamos ter de o tornar mais curto e incisivo, porque é tudo diferente”, exemplificou Augusto Nogueira.
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Os habitantes do bairro da Areia Preta esperam há dez anos que o Governo cumpra a promessa de reconstrução das habitações
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IAO HON MORADORES QUEREM RECONSTRUÇÃO DOS EDIFÍCIOS
Por uma nova vida
pediram que tal voltasse a ser discutido. “Instamos o Governo a proceder à reconstrução em vez de apenas fazer manutenção. Os edifícios já estão tão estragados que a manutenção não chega”, reclamaram no passado sábado. “A manutenção é inútil, é gastar o dinheiro público, entende?”, continuaram os moradores daquela zona a frisar, citados pelo Ou Mun.
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
S moradores do bairro Iao Hon querem que os edifícios deste local sejam reconstruídos ao invés de serem apenas alvo de manutenção. Um grupo dos moradores do Iao Hon realizou uma palestra este sábado, que serviu para os moradores exporem as suas queixas relativamente ao facto daquele bairro não ter ainda sido reconstruído. A promessa do Governo, asseguram, foi feita há mais de dez anos. Segundo o estudo feito aos sete prédios antigos do Iao Hon, realizado pela Associação de Confraternização dos Moradores do Bairro do Antigo Hipódromo Areia Preta e Iao Hon de Macau, 70% edifícios não tem portões ou ferro ou foram destruídos, 40% dos medidores de água estão com problemas, há 416 locais com vergas de betão expostas através de buracos na parede. De acordo com notícia do jornal Ou Mun, o Instituto de Habitação (IH) também esteve presente na palestra e apresentou os planos de financiamento e empréstimo aos moradores sobre a manutenção dos prédios. No entanto, os que ali moram parecem querer mais, já que consideram
À ESPERA
“Instamos o Governo a proceder à reconstrução em vez de apenas fazer manutenção. Os edifícios já estão tão estragados que a manutenção não chega” REPRESENTANTE DOS MORADORES
que os planos para manter os edifícios ficam aquém das suas expectativas. A mesma notícia informa que a reconstrução dos bairros antigos foi apresentada por Edmund Ho, antigo Chefe do Executivo na
sua campanha de reeleição. Não há, contudo, qualquer novidade sobre o assunto. No ano passado, o Governo recuou com a proposta da lei de Reordenamento dos Bairros Antigos na Assembleia Legislativa (AL) e os moradores
O representante do IH no local disse que a proposta de manter os edifícios não resolver todos os problemas de uma vez, mas é já uma ajuda que o Governo pode dar, já que não pode intervir nas unidades de habitação privadas. Nestes casos, o único auxilio que pode ser prestado pelo IH é ao nível do vazamento de água. A associação dos moradores espera que o Governo possa resolver estes problemas do bairro Iao Hon como se de um caso especial se tratasse. Ao Ou Mun, estes mostraram-se confusos e preocupados com questões de segurança, bombeiros e saúde. “Os moradores esperam que a reconstrução dos bairros antigos possa mudar totalmente a sua qualidade de vida e o facto do Governo ter retirado a proposta da lei da AL deixou-os muito desapontados. Esperamos que o Governo ouça as opiniões do povo para reiniciar o plano, acelerar a reconstrução dos bairros antigos e permitir que a reconstrução do Iao Hon tenha uma base legal”, referiu mesmo Cheng Lai Ha, directora da associação.
Profissionais de aconselhamento descontentes com profissão
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M inquérito intitulado “Restrições e intenção de mudança de trabalho dos profissionais de aconselhamento a estudantes”, feito pela União Geral das Associações de Moradores (UGAMM), revela que a maioria dos profissionais deseja abandonar a profissão. Os dados, publicados na imprensa chinesa, revelam que 82% dos entrevistados, de um
total de 155 pessoas, pensaram em mudar de emprego nos últimos três meses, sendo que a maioria já dá aconselhamento profissional a estudantes há cinco anos. “Identidade profissional confusa”, “ausência de uma carreira ideal” e a “falta de sistema de formação” são as principais razões apontadas pelos entrevistados para quererem mudar de emprego.
As principais causas de descontentamento são os baixos salários praticados, as pressões do trabalho e a falta de orientação na carreira. Lam Ka Lai, chefe de aconselhamento do Centro de Serviços Integrais de Jovens da UGAMM, disse que é necessário criar um regime de acreditação para estes profissionais, bem como criar cursos de formação. - F.F.
Convento Ilha Verde PJ nega intervenção de seitas
A revista Next, publicada em Hong Kong, avançou a semana passada que os conflitos de propriedade no convento jesuíta da Ilha Verde teriam a intervenção da seita 14 K, de Pan Nga Koi. À margem da Marcha de Caridade por Um Milhão, o ainda director da Polícia Judiciária (PJ), Wong Sio Chak, disse à imprensa chinesa não existir informações da ligação do conflitos a seitas. O futuro Secretário para a Segurança disse ainda estar “confiante de que a polícia terá capacidade para manter a ordem na sociedade”. Wong Sio Chak explicou que o Governo sempre garantiu o desenvolvimento dos terrenos de acordo com a lei, com a cooperação com a polícia. “As seitas de Macau tornaram-se discretas depois da transição, e as suas actividades também estão escondidas. Mesmo que aconteça alguma coisa, a polícia e as entidades judiciais vão tratar seriamente do caso”, apontou.
UM quer criar centro de formação de medicina
Deng Chuxia, o novo director da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Macau (UM), disse ao jornal Ou Mun que existe a intenção, por parte desta instituição, em criar um centro de formação de medicina, por forma a oferecer formação aos médicos de Macau. Contudo, Deng Chuxia garantiu que o Governo ainda não discutiu com a UM a possibilidade de criar uma faculdade de medicina. O futuro centro de formação de medicina fará, segundo Deng Chuxia, uma coordenação com os hospitais de Macau, por forma a dar resposta às vagas de médicos que necessitam de ser preenchidas e as especialidades onde existe maior necessidade de formação. O director da faculdade garantiu que o novo centro poderá ser construído no próximo ano, estando prevista a primeira vaga de formação de médicos em 2016. Esta é apenas uma ideia inicial da UM, disse Deng Chuxia, não tendo sido discutidos mais detalhes com o Executivo.
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IMPACTO AMBIENTAL INCLUIR PATRIMÓNIO HISTÓRICO
A bem da cultura
A lista experimental de avaliação de impacto ambiental da DSPA não contempla o património. O facto foi já criticado pelo sub-director do Centro de Política de Sabedoria Colectiva, Leong Hong Sai
ANÚNCIO COMISSÃO DO GRANDE PRÉMIO DE MACAU Angariação de patrocínio dos carros de segurança, médico, intervenção rápida e oficiais para os 62.o e 63.o Grande Prémio de Macau
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
A
Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) já publicou no seu website a “lista classificativa de projectos que precisam de se sujeitar à avaliação de impacto ambiental”, a título experimental. Tudo para que se implemente, no futuro, as regras para a elaboração dos relatórios de impacto ambiental. Contudo, a lista foi criticada por Leong Hong Sai, sub-director do Centro de Política de Sabedoria Colectiva. Em declarações à imprensa chinesa, o responsável defendeu que devem ser incluídas avaliações ao património histórico de Macau e o impacto paisagístico de alguns edifícios. Leong Hong Sai lembrou que a lista apenas contempla lugares como instalações de fornecimento de água, rodovias, espaços de indústria e transfronteiriços, mas nada refere sobre o património,
A Comissão do Grande Prémio de Macau tem a honra de convidar todas as entidades interessadas no Patrocínio dos carros de segurança, médico, intervenção rápida e oficiais para os 62.° e 63.o Grande Prémio de Macau para apresentarem uma proposta de angariação de patrocínio. Processo da Angariação:
ao contrário do que acontece em Hong Kong, Taiwan e na Europa.
LIGAR AO EXTERIOR
O sub-director deu mesmo uma sugestão de maior ligação do trabalho da DSPA, a este nível, com as regras internacionais, bem como com a Lei do Planeamento Urbanístico e Lei de Salvaguarda do Património Cultural. Para Leong Hong Sai, o Instituto Cultural (IC) poderia fazer uma avaliação do património existente, enquanto que caberia à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Trans-
A lista apenas contempla lugares como instalações de fornecimento de água, rodovias, espaços de indústria e transfronteiriços, mas nada refere sobre o património, ao contrário do que acontece em Hong Kong, Taiwan e na Europa
O presidente da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau, Alvis Lo, encoraja a que os jovens locais aproveitem oportunidades com a Cooperação entre Guangdong e Macau. “Muitos jovens voltaram para Macau depois de estudarem no estrangeiro, mas não conseguem arranjar um emprego que faça uso das suas capacidades. Assim, estes devem ter uma visão mais alargada e procurar oportunidades que envolvam assuntos do continente, contribuindo com os seus esforços na cooperação entre o interior da China e Macau”, disse o responsável. Alvis Lo acrescentou ainda que é preciso fortalecer o ensino do português no território e reservar mais talentos bilíngues, de forma a promover a plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
complementares, encontra-se patente na Comissão do Grande Prémio de Macau, sita na Av. da Amizade n.º 207, Edifício do Grande Prémio, onde correrá os seus termos o procedimento administrativo de selecção. Nos dias úteis e durante o horário normal de expediente pode ser examinado e levantadas cópias do mesmo, desde a data da publicação do presente anúncio até ao dia 23 de Janeiro de 2015.
Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Comissão do Grande Prémio de Macau, sita em Macau, na Avenida da Amizade n.º 207, Edifício do Grande Prémio, até às 17.30 horas do dia 23 de Janeiro de 2015.
Sessão de esclarecimento: Terá lugar às 10.00 horas, do dia 18 de Dezembro de 2014, do Edifício do Grande Prémio de Macau.
Local, dia e hora do acto público do angariação de patrocínio: Local: Comissão do Grande Prémio de Macau; Dia e hora: 26 de Janeiro de 2015, pelas 10.00 horas. Os proponentes deverão fazer-se representar no acto público de abertura das propostas para apresentação de eventuais reclamações e/ou esclarecimento de dúvidas acerca da documentação integrante da proposta. Esclarecimentos: HOJE MACAU
Português Alvis Lo quer ensino da língua para mais novos
O processo da presente angariação, incluindo o seu programa e demais documentos
portes (DSSOPT) a avaliação do impacto paisagístico dos edifícios. O responsável acredita que, se os trabalhos forem desenvolvidos pelos diversos departamentos do Governo, o processo poderá ser “complicado” e “incomodar os residentes”, pelo que é fundamental incluir estas áreas na lista classificativa de futuras avaliações, para “evitar a falta de comunicação entre os departamentos”. Segundo a lista publicada no website da DSPA, lugares como hospitais, fábricas, postos transfronteiriços, o canídromo ou espaços de tratamento de resíduos, entre outros, poderão ser alvo de avaliações e relatórios de impacto ambiental. Sem especificar em concreto lugares históricos, a lista diz ainda que poderão ser incluídos “outros projectos de estabelecimento, parcial ou totalmente localizados em reservatórios, lagos, colinas, zonas ecológicas ou de reserva”.
Quaisquer esclarecimentos sobre a presente angariação de patrocínio poderão ser solicitados à Comissão do Grande Prémio de Macau através dos seguintes números de telefone: 87962 242 ou 87962 210.
A Comissão do Grande Prémio de Macau, aos 11 de Dezembro de 2014.
O Coordenador João Manuel Costa Antunes
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EVENTOS
FADISTA LIANA ESTREIA ESPECTÁCULO NA UNIVERSIDADE DE PEQUIM
Uma primeira vez para tudo A
fadista portuguesa Liana actuou na passada sexta-feira, para um público de cerca de 200 estudantes naquela que foi a sua estreia na capital chinesa, na Universidade de Línguas e Cultura de Pequim. O concerto, intitulado Sons de Portugal, pretendia dar a mostrar a música portuguesa aos estudantes desta instituição de ensino. “Foi muito bonito poder estar a falar português com tantas pessoas no meio da China”, disse a cantora no final do evento. De acordo com notícia da agência Lusa, também estiveram presentes o Embaixador de Portugal, Jorge Torres-Pereira, e um vice-reitor da universidade, Cao Zhiyun.
VANTAGENS LUSÓFONAS
Esta é uma das cinco universidades de Pequim com licenciaturas em português, mas há mais duas que também ensinam português como língua opcional. Não contando com Macau, em toda a China há mais de
vinte universidades onde se pode aprender a língua de Camões. “Há cada vez mais interesse da China e das empresas chinesas em mercados onde se fala português. Aqueles que aprendem português têm mais facilidade em encontrar emprego”, afirmou o embaixador Torres-Pereira. De acordo com um professor chinês, este foi o primeiro concerto de Fado alguma vez realizado numa universidade da capital. O evento contou ainda com a participação de estudantes portugueses e chineses que recitaram poemas dos autores lusos, Sophia de Mello Breyner Andresen e Fernando Pessoa. Estes, por sua vez, estão integrados no curso de chinês do Instituto Politécnico de Leiria, cujo segundo ano é feito nesta universidade da capital da China. “Espero que este evento contribua para impulsionar as relações culturais com os países de língua portuguesa”, disse o vice-reitor da universidade. - HM/Lusa
hoje macau segund
A cerimónia anual que celebra a diversidade do território contou, segundo a organização, com cerca de 80 mil espectadores
FOLCLORE E D
LEONOR SÁ MACHADO
Leonor.machado@hojemacau.com.mo
A
festa anual Desfile por Macau, Cidade Latina teve início às 16 horas de ontem, nas Ruínas de S. Paulo. Pela escadaria e calçada portuguesa daquela zona passaram vários grupos artísticos, perfilados de dançarinos e outros artistas portugueses. Às 16.30 horas já a praça do Leal Senado estava cheio de visitantes, incluindo turistas norte-americanos e uma esmagadora maioria do interior da China. Todos eles se postavam frente ao ecrã gigante colocado naquele lugar pelas entidades organizadoras. A iniciativa contou com a participação de mais de 50 grupos performativos que dançaram, cantaram e fizeram malabarismo das ruínas, até ao Tap Seac, passando pela zona do Albergue SCM. Os colectivos eram provenientes de todo o mundo, incluindo Argentina, Brasil Cuba, Itália, Panamá, Equador, França e Espanha. De acordo com o Instituto Cultural, a entidade organizadora da festa, foram mais de 80 mil os espectadores no local e que assistiram ao evento em directo, na televisão. Rua acima, o trânsito de pessoas fazia-se com dificuldade e os acessos estava congestionados pela amálgama de gente, sedenta por participar nesta festa anual. O HM percorreu as ruas e conseguiu falar com Megan, uma jovem do Texas que está de
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NOCTURNO EM MACAU • Maria Ondina Braga
CULTURA DESFILE POR MACAU, CIDADE LATINA AQUECEU O D
“Porque construída sobre um poço de águas ácidas, a casa-das-professoras de Santa Fé, os gatos a rondarem-na nas noites de cio. As mesmas noites em que Ester, a única ali não chinesa, encontra o seu conforto na contemplação da carta de Lu Si-Yuan, carta que aliás nunca chegará a ler: ‘(...) ia desenrolando a folha de papel de arroz, ia-a estendendo na mesa dos livros, aspirava-lhe o perfume. A ressaltar do fundo branco, os ideogramas a tinta-nanquim como um baixo-relevo - linhas regulares, a prumo, linhas deitadas e paralelas em pauta de música, e arcos, e ângulos, e asas. Uma arquitectura. Um templo de nove pisos e nove vezes nove empenas a perscrutar os ares. Um bosque de bambus depois das chuvas’”. Este belo romance que mereceu o Prémio Eça de Queirós situa-se na Cidade do Santo Nome de Deus de Macau nos anos sessenta, na casa-das-professoras de um colégio de meninas
passagem pelo território com a família. “Vim simplesmente ver como acontece um evento cultural típico em Macau e, até agora, estou a gostar”, disse. De olhos postos no grande ecrã, alguns munidos de pe-
quenas bandeirolas, pinturas faciais e chapéus comemorativos feitos de papel, todos pareciam estar a apreciar a enchente de cor e luz que este desfile trouxe a Macau. Questionada sobre a lógica do
nome escolhido – Desfile por Macau, Cidade Latina – para o evento, Megan desconhece a sua origem, mas “foi uma boa opção”, confessa, já que conta com a participação de grupos artísticos dos quatros
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
SILÊNCIO • Shusaku Endo
Silêncio, cuja acção decorre no século XVII, conta-nos a história de um missionário português envolvido na aventura espiritual da conversão dos povos orientais, o qual acaba por apostatar, após ter sido sujeito às mais abomináveis pressões das autoridades japonesas, para evitar que um grupo de fiéis seja por ordem delas torturado até à morte. Antes de chegar ao Japão, a sua viagem leva-o a Goa, depois a Macau e, finalmente, a Nagasáqui e Edo, em etapas que pouco a pouco o transportam a esse Oriente hostil, onde no entanto já se contam alguns milhares de convertidos à fé católica. Aí descobre, na luta contra as pessoas e o ambiente adversos, a verdadeira fé, liberta de todo o aparato externo, eclesiástico ou mundano. E aí acaba por experimentar a derradeira solidão, que é o destino daqueles que quebram a comunhão com o que mais profundamente marca a sua identidade.
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DIA
DIVERSIDADE
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Cardo-mariano Nome botânico: Silybum marianum (L.) Gaertn. = Carduus marianus L. Família: Asteraceae (Compositae). Nomes populares: Cardo-de-Santa-Maria; Cardo-leiteiro. Originário da região mediterrânica, o Cardo-mariano cresce em solos secos e pedregosos, impondo-se na paisagem pelo seu aspeto resistente e espinhoso; pode atingir mais de 1,5 metros de altura, sendo um dos maiores e mais elegantes cardos. Apresenta grandes folhas, brilhantes e verdes, ornamentadas de branco, e as flores dispõem-se em capítulos terminais de cor púrpura-violácea. Diz a lenda, que as suas manchas brancas são gotas de leite que caíram da Virgem Maria enquanto dava de mamar ao seu Filho, quando fugia da perseguição de Herodes. Cultivado como planta medicinal desde a Idade Média, era utilizado para aumentar a secreção de leite às parturientes e amas-de-leite; só mais tarde, o médico alemão Johann Gottfried Rademacher (1772-1850) o recomendou no tratamento das doenças hepáticas. Atualmente é uma planta muito investigada e apreciada, sendo empregue um dos seus constituintes, a silimarina, em medicina alopática. Em fitoterapia são usados os frutos.
cantos do mundo. “Talvez a opção de incluir ‘latina’ no nome do festival se deva ao facto de ser uma festa com muita cor e música, o que pode remeter para os países latinos”, colmatou.
te, preferiu ficar-se pelo Leal Senado, não vá a multidão itinerante impossibilitar que Wong veja todo o festival em tempo real. O desfile findou na praça do Tap Seac, por volta das
FESTA “MUITO BOA”
Por ali, palhaços e outros mascarados vão metendo conversa com os presentes, que querem, a todo o custo e fazendo fila, tirar fotografias para eternizar o momento. Wong é residente no território e também aprecia este tipo de eventos. “É uma festa muito boa, porque mistura as culturas oriental e ocidental num só espaço”, salientou. De chapéu em ris-
“É uma festa muito boa, porque mistura as culturas oriental e ocidental num só espaço” WONG Residente
19 horas, sendo este acompanhado em directo em três línguas: mandarim, cantonês e português. É que um dos objectivos para a realização do certame é precisamente a comemoração da transferência de soberania, que tem lugar anualmente, a 20 de Dezembro. Sunny e Winnie são duas pequenas meninas de Foshan, cidade situada na província de Guangdong. “Estamos em Macau para o fim de semana e aproveitámos para ver o desfile”, referiu o pai das duas. À porta dos acesso para as ruínas, um grupo de quase 100 pessoas esperava impacientemente 20 minutos para entrar na zona festiva.
COMPOSIÇÃO Silimarina, considerada um flavonoide, é na realidade uma mistura de três isómeros de flavonolignanos; flavonoides, lípidos, vitamina E, fitosteróis, um princípio amargo, ácidos orgânicos, poliinas, proteínas, mucilagem em baixo teor, histamina, tiramina, óleo essencial e tanino. AÇÃO TERAPÊUTICA Uma das mais poderosas plantas protetoras sobre o fígado, o Cardo-mariano fortalece a membrana das células hepáticas dificultando a entrada de substâncias potencialmente agressoras, ao mesmo tempo que promove a saída de substâncias tóxicas e regenera as células danificadas; desta forma pode retardar o aparecimento dos sintomas de uma intoxicação ou até mesmo anulá-los, sendo um antídoto particularmente eficaz contra as toxinas do Amanita phalloides, o mais tóxico dos cogumelos. Tem ainda atividade anti-inflamatória e antioxidante. Tem sido utilizado na drenagem do fígado por má alimentação, abuso de álcool ou
medicamentos, fígado gordo, hepatites agudas ou crónicas, intoxicações alimentares, ingestão acidental de venenos e cirrose hepática. Esta erva promove ainda a produção e secreção de bílis e favorece a digestão, aumentando o apetite e a capacidade física, e é laxante, pelo que tem sido empregue na anorexia, náuseas, vómitos e enjoos por movimento, más digestões com sensação de enfartamento e azia, flatulência, dores de estômago, mau funcionamento da vesícula (vesícula preguiçosa) e cálculos biliares. OUTRAS PROPRIEDADES Como antioxidante, o Cardo-mariano tem sido usado na prevenção do cancro e como adjuvante no seu tratamento, reduzindo os efeitos secundários da quimioterapia e aumentando a qualidade de vida dos pacientes. Como antialérgico, tem indicação na rinite, asma e urticária. Depurativo, o Cardo-mariano favorece igualmente a eliminação das toxinas pelos rins e pele. Tradicionalmente tem sido ainda empregue nas enxaquecas, varizes, nevralgias, ausência de fluxo menstrual, hemorragias uterinas, para estimular a lactação nas lactantes, nas afeções do baço, colesterol elevado e diabetes. COMO TOMAR • Uso interno Infusão: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente, 10 a 15 minutos de infusão. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia. Como a silimarina não é solúvel em água, a infusão torna-se pouco eficaz como protetor hepático e anticancerígeno; para estes efeitos devem ser utilizadas outras preparações. Em ampolas, xarope, tintura, cápsulas, drageias e comprimidos. Nos casos de envenenamento por cogumelos, administra-se a silimarina por via endovenosa em urgência hospitalar. As folhas tenras e sem espinhos, bem como o coração das alcachofras, podem ser ingeridos em saladas. PRECAUÇÕES A planta fresca pode provocar dermatites de contacto. Quando tomado em concomitância, pode interagir com a iombina e fentolamina (efeito antagonista). Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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CHINA
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
VINCENT YU
OCCUPY ÚLTIMO ACAMPAMENTO DESMANTELADO HOJE
Capítulo final
O derradeiro passo para pôr fim aos protestos pacíficos que duram há mais de dois meses na antiga colónia britânica deverá ser hoje dado
O
último acampamento dos manifestantes integrados no movimento Occupy Central, situado em Causeway Bay, deverá ser desmantelado hoje. Para isso, as autoridades mobilizaram mais de 100 agentes, disseram as forças policiais à agência Lusa. O acampamento encontra-se situado numa zona comercial e com grande densidade populacional e houve mesmo quem começasse a abandonar o local durante o dia de ontem, devido ao facto de aí terem vários dos seus bens pessoais de mais de dois meses de ocupação. O porta-voz da polícia, Steve Hui, fez o anúncio no sábado numa declaração em que realçou a ocupação “ilegal” que provoca “complicações sérias” na circulação de pessoas e veículos. “A polícia deve despejar a zona para que seja permitido o regresso à normalidade”, acrescentou Hui que advertiu também que aqueles que não abandonarem a zona de forma voluntária serão detidos embora a polícia garanta “não usar a força” para com os que abandonem o local voluntariamente. Um total de 209 pessoas foram detidas por resistir de forma pacífica à “limpeza” de Admiralty, ainda que a maioria tenha sido colocada em liberdade durante essa mesma noite. Para a operação
de segunda-feira, a polícia mobilizou centenas de agentes, como revelou ontem o diário de Hong Kong, South China Morning Post. Este será, de acordo com a Lusa, o último passo para o fim dos protestos “pacíficos” que duram já desde Outubro. As tentativas de negociação entre os líderes do movimento e o Governo da região determinaram que poderá haver um sufrágio directo em 2017, ainda que os governantes sejam escolhidos por Pequim. As autoridades chinesas decidiram esse caminho, mas os candidatos a líder do Governo terão, primeiro, de conquistar o apoio de uma comissão eleitoral, que Pequim consegue controlar, e só depois, entre os eleitos, será escolhido um pela população.
ACADÉMICOS OPINAM
De acordo com a Lusa, o director do Centro de Estudos Franceses sobre a China Contemporânea em Hong
Kong, Sebastian Veg, disse que “Pequim não quer fazer concessões substanciais” e o mesmo confirma o editorial do jornal China Daily o Governo Central “nunca fará concessões” no que diz respeito a questões de princípio. Tudo isto, acrescenta o editorial, vem minar os objectivos da revolução dos chapéus-de-chuva. Também o politólogo do território vizinho, Willy Lam, considera que o protesto massivo poderá vir a ter um efeito inverso daquele desejado pelos manifestantes, “acelerando a mudança da equação um país, dois sistema, para um país, um sistema”, assim dando a entender que poderá vir a ser imposto o sistema político do Partido Comunista Chinês. Para Veg, tudo isto apenas permitiu que os participantes do Occupy Central imaginem uma “influência mais aberta” no que diz respeito ao grupo de trabalho que vai escolher os candidatos a Chefe do Executivo da RAEHK em 2017.
LIBERTADOS Os 247 manifestantes pró-democracia, detidos na quinta-feira em Hong Kong, durante uma operação de desimpedimento das ruas, já foram libertados, avança a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong. Alguns, incluindo os 15 deputados pró-democratas e o líder estudantil Alex Chow, não pagaram fiança e não estão obrigados a apresentarem-se à polícia, apesar de as autoridades se reservarem o direito de vir a apresentar queixa. Outros, diz a RTHK, tiveram de pagar uma caução e terão de se apresentar, mais tarde, à polícia. - HM/Lusa
Investigadores anti-corrupção no Parlamento
O
principal órgão de fiscalização de casos de corrupção da China disse sexta-feira que vai enviar, pela primeira vez, os seus investigadores ao Parlamento, numa forma de demonstrar o domínio do partido nos órgãos do Estado. Todas as estruturas governativas da China, dos órgãos legislativos ao Governo e exército, são controlados pelo Partido Comunista. No entanto, esta é a primei-
ra vez que a Comissão Central de Disciplina vai enviar “supervisores” à Assembleia Popular Nacional (APN), disse Chen Wenqing, um dos responsáveis pelo organismo anti-corrupção, num comunicado publicado online. “Alguns casos de corrupção descobertos nos últimos anos têm causado um impacto negativo na sociedade e, por isso, é necessário e urgente fortalecer a supervisão” das agências, explicou.
Além da APN, os investigadores vão também supervisionar seis outras agências públicas, incluindo órgãos responsáveis por avaliar o desempenho dos dirigentes e decidir promoções, e o Departamento de Propaganda. A instalação de gabinetes da Comissão Central de Disciplina nas sete organizações tem o objectivo de “intensificar concretamente a supervisão sobre líderes e membros de departamentos
relevantes”. Os “supervisores” vão focar-se na investigação de possíveis más condutas ou ilegalidades por parte de dirigentes, tendo acesso às contas das agências e aos relatórios sobre as actividades e finanças pessoais dos funcionários e seus familiares, indica a agência Xinhua. A campanha anti-corrupção na China começou quando Xi Jinping subiu à presidência do país e já levou à detenção de centenas de quadros dirigentes, alguns de nível ministerial.
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Segundo banco privado autorizado a operar
A nova medida que deverá entrar em vigor a partir de 1 de Janeiro visa combater o extremismo religioso
As autoridades reguladoras chinesas deram luz verde ao início das operações do segundo banco privado do país, o Webank, no âmbito do processo de reforma do sector financeiro. A decisão da Comissão reguladora da Banca da China (CRBC), revelada pela agência Xinhua, acontece depois do organismo ter autorizado recentemente a criação de cinco bancos privados. O accionista maioritário do banco é o gigante Tencent, a maior companhia de serviços de internet para telefones móveis da China, com sede na Zona Económica Especial de Shenzhen, adjacente a Hong Kong. O novo banco terá um capital de 3.000 milhões de yuan e prevê uma actividade centrada na banca privada e corporativa e operações internacionais, refere a comissão. A criação de novos bancos privados integra um programa piloto para continuar com a liberalização do sector financeiro do país e também aumentar e facilitar o acesso ao crédito das pequenas empresas.
A
S autoridades de Urumqi, capital do Xinjiang, região do noroeste da China, de maioria muçulmana, vão proibir o uso de burcas em locais públicos, para “combater a propagação do extremismo religioso”, anunciou sexta-feira a imprensa oficial chinesa. A proibição, que deverá entrar em vigor no próximo dia 01 de Janeiro, foi aprovada pelo Comité Permanente da Assembleia Popular de Urumqi, o órgão legislativo local. Peça de vestuário que cobre todo o corpo das mulheres, incluindo o rosto e os olhos, a burca não faz parte da tradição uigure, a maior etnia do Xinjiang, mas o seu uso tem aumentado desde 2012, disse um investigador citado pelo Global Times. “A nova legislação visa ajudar o governo a gerir esse fenómeno e, mais importante do que isso, a impedir a propagação de ideias extremistas”, afirmou o investigador, Pan Zhiping, da Academia de Ciências Sociais do Xinjiang. Segundo o director do Gabinete de Assuntos Religiosos da Escola Central do Partido Comunista Chinês, Jin Wei, as burcas são “uma restrição aos direitos das mulheres”. As burcas “não têm nada a ver com uma vida feliz”, disse o Diário do Xinjiang, o órgão oficial do governo daquela Região Autónoma da China. Um outro académico ouvido pelo Global Times admitiu que a
A
polícia de Zhaoqing, na província continental chinesa de Guangdong, sul do país, deteve um jovem filantropo que se dedicava durante o dia a trabalhos de beneficência e, à noite, a roubar edifícios de luxo, revelou a agência Xinhua. O caso do “Robin dos bosques” chinês começou no início deste ano, quando um residente denunciou à polícia o roubo de numerosos objectos de valor da sua propriedade, como jóias, ouro e um tablet.
XINJIANG USO DE BURCAS VAI SER PROIBIDO
Mulheres sem restrições proibição do uso de burcas se estenda a outras cidades do Xinjiang.
COMBATE QUE SE REPETE
As restrições à prática do Islão no Xinjiang não são novas. Este ano, os funcionários públicos, estudantes e professores daquela região foram proibidos de jejuarem durante o dia durante o mês do Ramadan. O governo chinês responsabi-
liza “extremistas religiosos ligados à Al-Qaeda” e “separatistas radicados no estrangeiro” pela vaga de atentados que nos últimos anos tem abalado o Xinjiang. Em Maio passado, um atentado suicida com explosivos num mercado de Urumqi, a capital do Xinjiang, causou 43 mortos Situado a mais de dois quilómetros de Pequim, o Xinjiang é um território quase 17 vezes
“A nova legislação visa ajudar o governo a gerir esse fenómeno e, mais importante do que isso, a impedir a propagação de ideias extremistas” PAN ZHIPING Da Academia de Ciências Sociais do Xinjiang
maior que Portugal e apenas 23,5 milhões de habitantes, muito rico em recursos minerais, que confina com o Afeganistão, Paquistão e várias ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central. Os uigures, etnia de religião muçulmana e cultura turcófona, constituem 46% da população, mas há cerca de meio-século ultrapassavam os dois terços. Entretanto, milhares de famílias han, a principal etnia da China, começaram a radicar-se no Xinjiang, e hoje constituem já cerca de 40% da sua população. Na capital, Urumqi, ultrapassaram mesmo os uigures. Oficialmente, em toda a China há cerca de 21 milhões de muçulmanos, correspondendo a menos de 2% da população do país.
Guangdong “Robin dos bosques” detido
As autoridades locais registaram o caso e, foram apercebendo-se, de outros roubos idênti-
cos, nomeadamente em prédios das classes mais abastadas. As investigações con-
cluíram que o suspeito entrava nas casas pelas condutas de gás e sempre às primeiras horas da noite. Apesar de não detalhar a investigação, a polícia explicou ter descoberto a vida dupla de Yu, um jovem de 27 anos, de família da classe média, que confessou ter roubado artigos com um valor aproximado a 500.000 yuan em cerca de duas
dezenas de casas e desde Novembro de 2013. O agora detido, apelidado de “chefe Yu” pelos seus familiares, era conhecido pela sua dedicação às pessoas mais desfavorecidas e deslocava-se diariamente a instituições de caridade. Desde o final de 2013 que Yu vivia num hotel de luxo e frequentava clubes e hotéis de requinte durante a noite, momento em que abandonava a sua ‘pele’ de boas maneiras para viver uma vida dupla como ladrão de casas.
Rio artificial de 1.400 quilómetros já corre
Um rio construído artificialmente durante 11 anos na China e com um custo de 81 mil milhões de dólares, começou sexta-feira a bombar água do sul para o norte do país, anunciaram as autoridades locais. O controverso Projecto de Diversificação de Água Sul-Norte pretende, através de canais e fluxos de água, levar quase 10 mil milhões de metros cúbicos por ano do sul para o norte do país, onde a falta de água crónica afecta as populações e as empresas. Obrigando a deslocar 330 mil pessoas, o elemento central deste projecto custou 33 mil milhões de dólares. O fluxo de água estendese por mais de 1.400 quilómetros, e as autoridades esperam que a água comece a chegar a Pequim dentro de 15 dias. O Projecto, que deverá no total ter três rotas de água e um custo total de 81 mil milhões de dólares, é no entanto alvo de muitas críticas, por causa do nível de poluição envolvido e pela diminuição das chuvas no sul, que afectará, a prazo, o fornecimento de água ao norte do país.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Rui Cascais
BA DA SHAN REN BA DA SHAN REN, VIAJANTES NUM BURRO
BA DA SHAN REN, PINHEIRO
O ESPELHO QUEBRADO DA TRADIÇÃO
B
A Da Shan Ren integra em si as tensões que nasceram da transição violenta da Dinastia Ming para a Dinastia Qing. Essa passagem constituiu na vida pessoal do pintor, como na vida do Império, uma ruptura que iria ter consequências não só políticas e sociais como também estéticas. O espelho da tradição artística chinesa, nomeadamente no que se refere à pintura, estilhaçou-se pois a emergência do indivíduo se configurava no horizonte de uma forma nova que inauguraria experiências de criação fora da convenção já milenar, sancionada pelas instituições da sociedade chinesa, da entrega de testemunho de mestre a discípulo. O abandono a que Zhu Da se vota, desde logo trocando o nome por uma espécie de título auto conferido, coloca-o nas margens do fazer artístico, nas margens da experiência religiosa e nas fronteiras da comunidade que, através da tragédia pessoal, havia deixado de fazer sentido. Sentido encontra-o o pintor na construção de uma crítica não só ao Império e à nova Dinastia
mas à própria existência, uma crítica configurada talvez no abandono e na impermanência, tal como surge neste poema anónimo da Dinastia Yuan: Quando era jovem escutava-a no pavilhão das cantoras Onde, à tarde, lanternas vermelhas iluminavam as cortinas de seda. Depois, escutei-a nos barcos, sobre os vastos rios, com o grito do corvo no vento de Outono. Agora, cabelos brancos, escuto-a entre os monges. Alegria, tristeza, reunião, separação passam indiferentes. Possa a chuva cair sobre os caminhos, gota a gota, durante toda a noite. Zhu Da ( 1626- 1706) era um descendente de Zhu Yuanzhang, fundador da Dinastia Ming, e cresceu em Nanchang, na província de Jiangsu. Enquanto rapaz, Zhu Da estudou poesia e arte, mas a sua existência tranquila
terminou quando os Manchús tomaram Nanchang no ano de 1645 e a família de Zhu, que contava agora dezanove anos, foi forçada a tomar refúgio nas montanhas. A série de infortúnios que se abateram sobre a sua família roubaram a vida a seu pai, a sua mãe e ao irmão e determinaram a escolha de uma existência monástica. Zhu Da muda definitivamente o seu nome para Ba Da Sha Ren ( Homem das Oito Grandes Montanhas) e inicia-se na prática do budismo Chan ( dhyana, em sânscrito) que enfatiza a meditação e a atenção como formas de atingir a iluminação, relegando o ensinamento das escrituras para um plano muito afastado. A experiência directa do real e a intuição súbita da sua natureza estão no centro desta prática que procura uma sintonia total com pedagogia de Sakyamuni, praticando o ensinamento despido da ganga animista e popular que havia contaminado o Budismo no seu caminho para oriente. O segundo elemento que informa a sua visão é o Taoísmo, pelo qual se interessa próximo dos trinta anos de idade. Este interesse, que o levou a frequentar
o templo taoísta de Qingyunpu, prende-se com uma viragem na direcção da natureza - lugar de energias e fluxos de energia - e num desejo de a representar na sua pureza e na sua contingência, para além, portanto, das fórmulas estabelecidas, das normas de academia, do jugo da moralidade retórica e ritual da sociedade chinesa. No entanto, a sensibilidade extrema de Ba Da Shan Ren, não se deixaria conquistar nem pelo austero desprendimento budista, nem pela demanda de harmonia do Tao. Conta-se que um dia, ao ouvir rumores de que alguns dos seus poemas teriam sido usados por um oficial para louvar os governantes Ching, Ba Da Shan Ren terá enlouquecido perdendo o controle das suas emoções, chorando e rindo alternadamente. Se, apesar disto, a sua lucidez não se perdeu, como demostra a ironia das suas obras, o espelho estava definitivamente quebrado: Ba Da Shan Ren abdica do uso da linguagem. As pinturas de Ba Da Shan Ren aparecem, aos olhos do público, e mesmo aos dos seus pares, como estranhas e
artes, letras e ideias 15
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Carlos Morais José
• variedade de estilos • individualismo, liberdade artística • revitalização de certos aspectos estéticos e éticos dos secs. XIII e XIV • oposição à arte derivativa • importância da caligrafia como recurso de redução de ambiguidade. Apesar do seu método se basear em técnicas da pintura tradicional estes elementos que caracterizam o seu fazer, como o de outros artistas seus contemporâneos, são índices inequívocos de ruptura. Um famoso pintor posterior, Zheng Banqiao, disse das pinturas de Ba Da Shan Ren que estas continham mais lágrimas que traços de pincel e tinta da china.
A QUEDA DOS MING, O ADVENTO DOS QING
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ESDE o primeiro quartel do século XVII que os governantes da dinastia Ming experimentavam grandes dificuldades em controlar o país. Depois de um período de grande florescimento no início do século, no qual se assistiu à introdução de novas plantas vindas da América como o milho, a batata doce e o amendoim, a população quase duplicou. As actividades económicas diversificavam-se, a riqueza provinha agora mais do comércio e das indústrias manufactureiras e menos da agricultura. A entrada de grandes quantidades de prata no país resultou num enorme boom económico e financeiro. Mercadores, banqueiros e homens de negócios constituíam agora uma nova classe emergente de fortuna considerável. Ao mesmo tempo, os gostos refinavam-se e o consumo subia em flecha. As novas classes juntavam-se aos nobres, partilhavam dos seus hábitos caros e comportamentos decadentes. As artes decorativas floresciam, construíam-se palácios luxuosamente decorados, os homens enveredavam por uma vida de luxúria e dissipação. No entanto, a burocracia estatal aumentava e não acompanhava o correr da História, revelando um imobilismo que se viria a revelar fatal. A verdade é que o gigantismo do edifício burocrático (um enorme sorvedouro de riqueza) aliado a inesperados esforços de guerra, como na Coreia contra os Japoneses, tinha esvaziado os cofres do Estado. O governo central via-se impotente para responder às catástrofes naturais, como a “Pequena Glaciação” que gelou todos os lagos e afectou decisivamente as colheitas, impondo uma vastíssima onda de fome e desespero entre o povo. A riqueza não era partilhada, o imperador não conseguia (nem parecia interessado) controlar os privados. A fome acendia por todo o lado focos de revolta. Desertores e soldados desempregados formavam grupos de rebeldes que pilhavam as aldeias, perante a ineficácia e desnorte do exército imperial. Dia após dia, ano após ano, estes exércitos de rebeldes iam ganhado cada vez mais acólitos. Em 1636 dois líderes tinham emergido: Li Zicheng, um ex-pastor, chefiava um grande número de homens no Norte; e Zhang Xianzhong, um ex-soldado, que semeava o pânico entre o
verno central cobrar sequer os impostos normais quanto mais preparar-se para campanhas militares. Entretanto, em 1644, os rebeldes de Li Zicheng, que detinham já o controlo total das províncias de Hubei, Henan e Shaanxi, avançaram através de Shanxi e Hebei até às portas de Pequim. O exército imperial fugiu ou rendeu-se. Em desespero de causa, o último imperador Ming cometeu suicídio. Nos momentos finais, Chongzhen mandou reunir o seu conselho, cujos membros se mantiveram em silêncio sendo que muitos choravam, para dar as suas últimas ordens e indicações. Depois, embriagado, e após de ter arranjado a fuga de dois filhos que se sumiram disfarçados, arrastou-se trôpego pelos corredores do palácio exigindo às mulheres o suicídio. De madrugada, subiu a uma pequena colina nas traseiras do palácio e enforcou-se. No seu fato de seda amarela e púrpura deixou escrita a seguinte mensagem:
RETRATO DO IMPERADOR KANGXI
deslocadas. Os pássaros e peixes nas suas imagens surgem sempre de cabeça erguida, por exemplo. Os seus olhos desenhados em exageradas dimensões - por vezes mesmo de formato quadrado- demonstrando as emoções do artista. As suas amargas experiência pessoais, e o seu ódio aos governantes Qing, emergem em toda a linha e definem o seu estilo distinto. O seu “Retrato de Pavões” apresenta dois pássaros agachados num rochedo de forma estranha e em instável equilíbrio. Os pavões são extremamente feios, com estranhos e grandes olhos. Cada um apresenta três penas de cauda como os símbolos usados nos chapéus dos oficiais Ching. O poema que acompanha a pintura ajuda a esclarecer esta mordaz crítica. As plumas são usadas para ridicularizar os oficiais imperiais; a estranha e instável rocha significa que a Dinastia Qing não possuía fundações firmes e, mais tarde, ou mais cedo cairia. Tal como Yuan-chi (1641-1707), Gong Xian (1619-1689) e Hong-Ren (1610-1673) para citar os mais relevantes, a pintura de Zhu Da pode ser pensada de acordo com as seguintes linhas:
Eu, fraco e de pouca virtude, ofendi o Céu; os rebeldes tomaram a minha capital porque os meus ministros me enganaram. Morro com vergonha de enfrentar os meus antepassados. Dispo o meu fato imperial e com o cabelo em desalinho sobre a face, deixo aos rebeldes o desmembramento do meu corpo. Não os deixem fazer mal ao meu povo!
Rio Amarelo e o Rio Yangzi. Por todo o império alstrava a revolta, quer nos campos quer nas cidades, o que tornava ainda mais difícil a tarefa aos colectores de impostos. O Estado empobrecia a olhos vistos e perdia o controlo da situação. Por outro lado, o facto de os Japoneses terem fechado os portos aos estrangeiros de Macau e as más relações dos Chineses com os Espanhóis nas Filipinas tinha interrompido o fluxo de entrada de prata na China, o que acarretou, primeiro, o açambarcamento do precioso metal, seguido do açambarcamento de cereais (provocando o aparecimento de epidemias de fome artificiais) e, em segundo lugar, uma apreciável deflação, espalhando a pobreza. Neste contexto, a que se juntava um inevitável sentimento de revolta popular, tornou-se impossível ao go-
A Leste, na província de Sichuan, os rebeldes de Zhang Xianzhong eram responsáveis por enormes matanças na conquista das cidades de Chongqing e Chengdu, que acabaram por conquistar. Ambos os líderes rebeldes proclamaram a fundação de novas dinastias, mas foi glória de pouca dura. Do lado Norte da Grande Muralha, um outro povo aguardava o momento certo para reclamar o trono do Dragão. Ainda em 1644, os Manchús atravessaram a Grande Muralha e tomaram Pequim, com ajuda de alguns generais Ming que queriam expulsar os rebeldes da capital, na esperança de que os Manchús depois retirassem. Puro engano. Já constituídos em dinastia de seu nome Qing (Pura), os homens do Norte instalaram-se firmemente no poder que só abandonariam em 1911, já decadentes como os seus antecessores. Para já a China ia ficando aos pucos nas mãos destes “estrangeiros”.
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Atribuição de subsídio a pilotos locais participantes nas corridas no exterior em 2015 Os interessados podem apresentar o requerimento, a partir do dia 9 de Dezembro de 2014 até ao dia 15 de Janeiro de 2015, na Comissão do Grande Prémio de Macau. I. Requisitos do pedido e critérios de atribuição do subsídio que se passam a citar: 1. O requerente, ao abrigo do n.o 1 do artigo 34.o do Decreto-Lei n.o 67/93/M, de 20 de Dezembro, deve satisfazer uma das seguintes condições: 1) Ser natural da Região Administrativa Especial de Macau (R.A.E.M); 2) Ser de nacionalidade portuguesa ou chinesa e ter na R.A.E.M. a sua residência há mais de 1 ano; 3) Residir na R.A.E.M. há, pelo menos, 3 anos. 2. O requerente deve, ainda: a) Ser sócio da Associação Geral de Automóvel de Macau, China (AAMC), e ser portador de todas as licenças legais e indispensáveis para a participação em corridas no exterior, bem como obter a representividade da AAMC; b) Ter terminado e obtido classificação oficial nas corridas do Grande Prémio de Macau (GPM) realizado no ano de 2014. 3. A atribuição de subsídio em 2015 será limitada à participação em corridas homologadas pela Fédération Internationale de Motocyclisme (FIM) ou pela Fédération Internationale de l’Automobile (FIA), devendo estas competições no exterior ser do mesmo tipo e de nível equivalente ao da efectivamente participada pelo piloto requerente no GPM em 2014 (motos, carros de turismo ou fórmula 3). A atribuição está sujeita aos seguintes padrões de avaliação: 1) Classificação geral numa das corridas do Grande Prémio de Macau realizado no ano de 2014 (em comparação com o resultado dos primeiros 3 classificados na mesma corrida), analisando o nível de competição do requerente nestas corridas; 2) Classificação geral do requerente nas corridas realizadas no exterior (em comparação com o resultado dos primeiros 3 classificados da mesma corrida), analisando-se o nível de competição do requerente nestas corridas; 3) Potencialidade de desenvolvimento do requerente no desporto motorizado (incluindo idade, etc.); 4) Importância e popularidade da corrida em que irá participar, analisando-se o nível de competição do requerente em diferentes tipos de corridas, internacionais ou regionais; 5) Efeito promocional e divulgação de Macau. 4. A atribuição será calculada com base na percentagem correspondente à participação efectiva nas corridas declaradas pelo piloto no pedido de atribuição de subsídio no ano de 2014. II. Documentos a apresentar com o formulário especial para a atribuição de subsídio a pilotos locais participantes nas corridas no exterior: 1) Carta de pedido, indicando obrigatoriamente o valor do subsídio requerido; 2) Plano de actividades (incluíndo a designação, datas, locais e os nos. das corridas no exterior da RAEM e respectivas mangas); 3) Mapa pormenorizado das despesas previstas; 4) Curriculum vitae do requerente; 5) Cópia do B.I.R. do requerente; 6) Cópia do cartão de sócio na Associação Geral de Automóvel de Macau, China; 7) Cópia de todas as licenças legais e indispensáveis para a participação em corridas no exterior da RAEM; 8) Documento comprovativo da obtenção de representatividade da Associação Geral de Automóvel de Macau, China; 9) Prova de participação obrigatória e obtenção de resultados oficiais das corridas do Grande Prémio de Macau no ano de 2014; 10) Prova da classificação final e oficial do requerente obtida em corridas realizadas no exterior da RAEM no ano de 2014. III. Qualquer alteração às informações apresentadas deve ser comunicada dentro do prazo de 30 dias a contar da apresentação do pedido de subsídio, com declaração expressa do motivo justificativo, findo o qual, salvo comprovadas situações de cancelamento por parte da organização do evento ou motivos de força maior, o piloto terá necessariamente que concretizar as restantes corridas que no pedido de atribuição de subsídio declarou ter a intenção de participar, para lhe ser reconhecido o direito à sua percepção. Atribuição dos subsídios em 2015 seja concedida na seguinte forma: • Após a análise do pedido, ser concedido 50% do subsídio autorizado sendo os restantes 50% concedidos após a conclusão da participação na corrida declarada (com partida efectuada) e apresentação do respectivo relatório. (O subsídio será calculado de acordo com a participação efectiva em cada evento) • Caso se venha a confirmar que a corrida participada não foi a corrida declarada no pedido, os restantes 50% do subsídio não serão atribuídos e o montante já recebido, deve ser reembolsado. Endereço da Comissão do Grande Prémio de Macau: N.o 207, Av da Amizade, Edif. do Grande Prémio de Macau. Telefone: (853) 87962200 ou 87962204.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
MUITO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
15
MAX
20
HUM
60-90%
•
EURO
9.9
BAHT
0.2
?
YUAN
Com: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Emily Watson, Charlie Cox 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
EXODUS: GODS AND KINGS [C] Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 14.30, 21.00
• Sexta-feira
“THE SMURFS” AO VIVO EM PALCO – “THE SMURFS SAVE SPRING” (ATÉ DIA 21/12) The Venetian Theatre, 15h45 e 19h45 Preço dos bilhetes: $100 Mop / $200 Mop / $300 Mop
SALA 3
EXODUS: GODS AND KINGS [3D] [C]
THE BEST OF ME [B]
Um filme de: Ridley Scott Com: Christian Bale, Joel Edgerton, Sigourney Weaver 18.00
Um filme de: Michael Hoffman Com: Michelle Monaghan, James Marsden, Luke Bracey 14.30, 21.30
SALA 2
BIG HERO 6 [B]
THE THEORY OF EVERYTHING [B]
Um filme de: Don Hall, Chris Williams 16.45, 19.30
Um filme de: James Marsh
1.2
O QUE FAZER ESTA SEMANA
THE THEORY OF EVERYTHING SALA 1
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• Sábado DJ D-WAYNE SOBE AO PALCO (COM REMIXES DE TIËSTO, ENRIQUE IGLESIAS AND JENNIFER LOPEZ) Club Cubic, City of Dreams
Entrada a $250 Mop
• Diariamente
ACONTECEU HOJE
EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
15 DE DEZEMBRO
Nasce Niemeyer, o arquitecto de um mundo feliz • Hoje é dia de lembrar Oscar Niemeyer, arquitecto brasileiro que deixa marca na sua arte, pela notável obra que o eterniza. Mas Niemeyer será também recordado como um homem simples, que se dizia feliz por ajudar o próximo. Neste dia, nascem Nero e Eifell e morrem Pero Vaz de Caminha e Walt Disney. Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de Dezembro de 1907, data que hoje se assinala. Tornou-se célebre pela notável obra que espalhou pelo mundo, sobretudo no Brasil. Porém, mesmo depois do reconhecimento mundial, não colocava a arquitectura no centro da sua vida. Privilegiava a família, os amigos, e preocupava-se por ajudar na construção de um mundo melhor. Dizia que a arquitectura não era a sua profissão, mas um passatempo. Sentia-se feliz por ajudar o próximo. O arquitecto brasileiro morreu a 5 de Dezembro de 2012, no Hospital Samaritano, devido a problemas de desidratação, decorrentes da insuficiência renal de que padecia. Partiu aos 104 anos, a 10 dias de completar o 105.º aniversário. Teve uma vida longa, curta de mais para os homens singulares. Está sepultado no Rio de Janeiro, no cemitério São João Baptista. O seu saber permanece perene, em cada edifício que arquitectou. Uma curiosidade histórica junta Niemeyer a outro grande nome das Artes: Walt Disney. Ambos nasceram a 15 de Dezembro, ambos morreram a 5 de Dezembro. É a ciência dos números a juntar nomes imortais. Nasceram neste dia Nero, imperador romano (37), Gustave Eiffel, engenheiro e arquitecto francês que projectou a Torre Eiffel (1832), Antoine Henri Becquerel, físico francês (1852), Josef Hoffmann, arquitecto checo (1870), Oscar Niemeyer, arquitecto brasileiro (1907), António Garcia Barreto, escritor português (1948), e Don Johnson, actor norte-americano (1949).
EXPOSIÇÃO PÁSSAROS DE MACAU, DE JOÃO MONTEIRO (ATÉ DIA 29/12) Consulado-geral de Portugal em Macau Entrada livre
H O J E H Á F I L M E “HUNGER GAMES” (GARY ROSS, 2012) O início da saga “Hunger Games” é o retrato de um mundo futurista, onde a sociedade está dividida em 12 Distritos e a capital, sendo inspirado pelos livros de Suzanne Collins. Ao catapultar a actriz Jennifer Lawrence no papel de Katniss Everdeen, a protagonista, a obra mostra, através de belíssimos efeitos especiais e um enredo credível, o fosso económico e de regalias numa sociedade sedenta de regras. Donald Sutherland é Snow, o presidente da cidade e quem preconiza a necessidade dos Jogos da Fome, onde 24 homens e mulheres, escolhidos aleatoriamente através de sorteio, têm que sobreviver até ao final da competição onde resta apenas uma pessoa. O filme tem, claro, interessantes reviravoltas e prometer apaixonar todos os fãs de sci-fi e fantasia. Embora “Hunger Games” vá beber muito à irrealidade e aos efeitos especiais, a moral e a mensagem sociais estão bem presentes naquele que é apenas o primeiro de dois outros já lançados.- Leonor Sá Machado
João Corvo
fonte da inveja
A certeza é o fim de um caminho,
mas os caminhos nunca têm fim.
EXPOSIÇÃO OBRAS-PRIMAS RUBRAS: PEÇAS DE LACA DO REINADO DO IMPERADOR QIANLONG – MUSEU DO PALÁCIO IMPERIAL (ATÉ DIA 08/03) Museu de Arte de Macau
Entrada livre EXPOSIÇÃO “REGIÃO OBSCURA” DE HEIDI LAU Museu de Arte de Macau Entrada livre COTAI WINTER (PISTA DE GELO E ACTIVIDADES) Venetian Macau, todo o dia Entrada livre
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OPINIÃO
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
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ANTO em Hong Kong como em Macau, há um tipo de restaurante que oferece ambos os estilos ocidentais e orientais. Aí pode apreciar-se uma grande variedade de comida chinesa e ocidental. Os exemplos típicos de comida chinesa tradicional são o arroz chao chao ( 炒飯) e a massa frita (炒麵). Se quiserem gozar pratos ocidentais ao mesmo tempo, podem encomendar “borscht” (羅宋 湯), bife com alho e molho de pimenta (洋 葱汁) ou com molho de cebola (蒜茸黑椒 汁). Todos os pratos servidos nestes “restaurantes ocidentais e orientais” (茶餐廳) não são caros e são ao mesmo tempo deliciosos. Uma das características mais importantes destes estabelecimentos é a sua eficácia. A comida tem de ser preparada o mais brevemente possível e apreciada no mais curto espaço de tempo disponível. Tendo em conta que Hong Kong é um sítio frenético, torna-se necessário ser eficaz ou poupar tempo em outras actividades de maneira a deixar mais espaço aberto para o horário de trabalho. Assim, o design destes restaurantes obedece a esta exigência. Todos os talheres ou chopsticks são colocados numa gaveta situada debaixo da mesa. A sua distribuição não fica ao cargo dos empregados de mesa mas cai sim sobre a responsabilidade dos próprios clientes. O “restaurante ocidental ou oriental” é geralmente de dimensões reduzidas. Não é um café propriamente dito pois isso implicaria a maioria do seu menu oferecer sempre café, sandes e outros aperitivos. Os cafés propriamente ditos são lugares geralmente mais tranquilos onde se costuma proceder à leitura de jornais e revistas. Mas estes “restaurantes ocidental ou oriental” visam a poupança de tempo, onde tudo se passa muito rapidamente. Estes atributos particulares são reconhecidos pelo Hong Kong Tourism Board (香港旅遊發展局), que os apelida de “E/W (Eastern and Western) Restaurant”. Mas nos últimos anos estes atributos têm vindo a mudar. No dia 3 de Dezembro de 2014, o jornal de Hong Kong “Sun” publicou um artigo sobre as novas regras de funcionamento do restaurante “SeaView Congee Shop (海景粥店), em Mongkok, Hong Kong, que passaram a incluir: 1. Devido ao número limitado de lugares e à renda elevada, os clientes estão proibidos de observar vídeos. 2. Os clientes estão também proibidos de jogar jogos electrónicos nestas instalações. De acordo com a mesma fonte, e de acordo com a entrevista concedida por Choi, o responsável da “Sea View Congee Shop”, “o nosso restaurante foi recomendado por
CHARLIE CHAPLIN, THE GOLD RUSH
As regras dos restaurantes ocidentais e orientais
algumas revistas de viagens da Tailândia, o que nos trouxe muitos clientes da China, da Malásia e da Tailândia. Recentemente, temos vindo a descobrir clientes que jogam cartas e ou que vêem filmes aqui. Isso faz com que muitas pessoa não tenham lugar para se sentarem. A nossa renda mensal é muito elevada, custando agora 400 mil dólares de Hong Kong”. De modo a garantir que hajam suficientes clientes, as regras acima estipuladas foram implementadas há cinco anos atrás. Diferentes estabelecimentos adoptam diferentes estratégias. Outro restaurante do
género optou em vez por aplicar os seguintes regulamentos: - 1 dólar de Hong Kong será cobrado por cada lenço de papel usado - não peça direcções para lugar algum Além destas regras, uma série de outras foram também implementadas e não é possível definir todas aqui. As respostas dos clientes a estes novos regulamentos variaram. Alguns responderam que “a vossa loja está correcta. Se um cliente precisar de mais de uma hora para acabar o seu almoço, então deve dirigir-se a
As leis não podem impedir o aumento dos preços e das rendas. Da mesma maneira, as leis não podem estipular o tempo utilizado para as nossas refeições
um dos restaurantes mais caros em Central em vez de frequentar este tipo de estabelecimento. Este tipo de restaurante só pode fazer lucro nas horas de almoço e de jantar. Ver vídeos ou jogar jogos de computador faria com que estes restaurantes perdessem muito dinheiro”. “Como um cliente, percebo que passaria mais tempo a jogar este tipo de jogos do que a comer”. “Este é o resultado de “Land and the Ruling Class in Hong Kong” , (hegemonia imóvel), (地產霸權). Isto causa rendas mais elevadas e leva à redução do tempo disponível para gozar as refeições”. Outros porém perguntaram “porque é que não posso comer e jogar jogos ao mesmo tempo? Eu tenho de alimentar a minha galinha electrónica”. Ou então “o que é que acontece se eu não respeitar estas regras? Mostre-me por favor. Se vocês querem que um cliente se vá embora o mais depressa possível, por favor indiquem o melhor tempo para comer no vosso restaurante”. Outros clientes ficaram mesmo zangados e partiram pratos e outra loiça enquanto discutiam com a gerência da loja. Obviamente que não há uma só solução para resolver este problema. Como é que é possível impedir um cliente de ver vídeos ou de jogar jogos electrónicos enquanto goza as suas refeições? O website “digitaltrends” publicou uma solução no dia 17 de Janeiro de 2012. Aí, Brain Perez, um americano residente na Califórnia, desenvolveu um jogo electrónico para impedir responder a chamadas telefónicas ou a mensagens quando o seu utilizador se encontra a comer num restaurante. A aplicação chama-se “Called Phone Stack” mas de início foi apelidada de “Don’t ne A Di*k During Meals With Friends”. A maneira de jogar este jogo é muito simples. Quando o utilizador começa o seu almoço ou jantar, deixa o seu telemóvel na mesa. A primeira pessoa que agarrar no telefone perde o jogo e tem de pagar a refeição aos outros participantes. Brain disse ao jornal “New York Daily” que a razão que o levou a desenvolver este tipo de aplicação foi o facto de “não querer ser aquela pessoa que vai para a rua conhecer outras pessoas e passa o tempo todo agarrado ao telemóvel”. A lei pode indicar os procedimentos que devem guiar o nosso comportamento na sociedade. Mas as leis não podem impedir o aumento dos preços e das rendas. Da mesma maneira, as leis não podem estipular o tempo utilizado para as nossas refeições. Talvez esta aplicação chamada “Called Phone Stack” possa impedir pessoas de jogar jogos, ver vídeos ou responder a chamadas durante essas alturas. Se quisermos ter um local e uma duração confortável para gozar a nossa comida, então o preço das rendas deve ser tomado em consideração. Se os “restaurantes ocidental e oriental” conseguirem controlar bem o custo da sua operação, os seus clientes saem beneficiados. Se decidirmos que os assuntos sociais devem ser resolvidos por fórmulas sociais em vez de por leis, vamos poder recuperar a nossa qualidade de vida. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
DIÁRIO DE BORDO
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
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POR CARLOS MORAIS JOSÉ
ontem macau
OS PAÍSES participantes na Cimeira do Clima, no Perú, decidiram este domingo que todos terão de aprovar medidas para combater o aquecimento global. Entre eles, os países desenvolvidos comprometeram-se a reduzir as emissões e a contribuir com cem mil milhões de dólares de ajuda anual aos países do Sul, até 2020
horah
“Temos em vigor o regime da Função Pública do tempo da Administração portuguesa, quando o objectivo era proteger os funcionários públicos. Mas na sociedade actual, onde se exige eficiência, existe demasiada protecção”
HOJE MACAU
TONG NOI TONG • Comentador de assuntos sociais e políticos, sobre o Regime da Função Pública
“Muitos defendiam que deveria haver uma total renovação dos membros, mas eu não esperava mudanças. Não penso que haverão grandes mudanças ao nível da concepção de políticas” LARRY SO • Académico, sobre a nova composição do Conselho Executivo
“O Governo não cumpriu nenhuma das sugestões da ONU” JASON CHAO • Sobre o balanço dos Direitos Humanos na RAEM
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“Vamos apenas pedir o sufrágio universal em Macau, mas não temos nada a ver com o movimento Occupy Central e com o que tem acontecido em Hong Kong.” Bill Chou, vice-presidente da ANM, sobre o protesto agendado para dia 20 | P. 4
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@ hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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édito
A China e o racismo UM DOS pontos em que a China persistentemente ataca os Estados Unidos a propósito dos direitos humanos é o racismo. De facto, os EUA são ainda um país dividido entre etnias, nunca tendo constituído uma sociedade uniforme ou, se quisermos, pacífica e harmoniosa. Os direitos dos afro-americanos, por exemplo, são ainda espezinhados, um século e meio depois do fim da escravatura, como os acontecimentos recentes vieram demonstrar. No entanto, terá o País do Meio de ter cuidado com as pedras que atira não vão elas aterrar sobre o próprio telhado. E para isso convinha fazer uma enorme campanha de informação no seio do seu povo para explicar umas verdades científicas que escamoteariam algumas opiniões menos sólidas que são comuns entre os chineses. A verdade é que todos os povos são etnocêntricos (que é uma maneira suave de classificar o racismo) mas é sobretudo nos momentos de afirmação que essas características têm tendência a emergir. Veja-se a Alemanha dos anos 30. Ora, como se sabe, a China atravessa um período de afirmação no contexto mundial, recuperando o lugar que os seus números obviamente lhe proporcionam. Por outro lado, na falência da ideologia comunista, o governo tem compreensivelmente realçado valores nacionalistas como cimento do seu povo. O que é um jogo perigoso. Se quiser dotar-se de uma postura diferente na cena internacional, o governo de Pequim não pode esquecer, apesar do nacionalismo inevitável, o internacionalismo, ou seja, a igualdade fraterna dos povos e a capacidade comum a todos os seres humanos de criar as suas próprias opções. Os homens não são todos iguais, mas as capacidades de um em nada são inferiores às capacidades de outro. Tudo depende do contexto e das necessidades dele decorrentes. Por isso, não pode existir diferenciação a partir de etnias ou da genética.
hoje macau segunda-feira 15.12.2014
cartoon por Stephff
ABECONOMIA OU NÃO-ABECONOMIA
Couto penalizado perde título de campeão André Couto perdeu o título de campeão asiático da Audi R8 LMS, depois de ter sido penalizado na prova deste sábado em Abu Dhabi. Couto acabou por ficar em segundo lugar no campeonato.O piloto de Macau foi penalizado em 25 segundos por ter saído de pista durante uma ultrapassagem e, depois, por não ter cedido passagem ao principal rival, Alex Yoong. Na classificação da prova de sábado, André Couto caiu da segunda posição para a nona, depois na penalização. Nesta temporada, Alex Yoong foi o vencedor da competição asiática com 189 pontos, seguido de André Couto com 177.
NANJING XI JINPING DEFENDE QUE TÓQUIO DEVE ASSUMIR MASSACRE
História com memória
Na cerimónia que assinalou o aniversário daquele que foi um dos massacres mais atrozes da história da China, Xi Jinping pressionou, uma vez mais, o regime nipónico a assumir as suas responsabilidades
O
Teresa Almeida é campeã do mundo de bodyboard
A portuguesa Teresa Almeida sagrou-se nesta sexta-feira campeã do mundo de bodyboard, ao vencer a final disputada a quatro nos campeonatos que decorreram no Chile. Na derradeira etapa, a atleta natural do Vimeiro levou a melhor sobre a venezuelana Yuleiner Gonzalez, a francesa Anne Cecile Lacoste e a brasileira Neymara Carvalho para conquistar a medalha de ouro no escalão feminino. Outros portugueses estiveram em destaque na competição, com Madalena Guerra a conquistar a medalha de bronze feminina em sub-18 e Miguel Adão a conseguir um 4.º lugar nos homens na mesma categoria. Um total de 170 atletas de 24 países disputaram o mundial, que se realizou este ano na Playa Cavancha, na estância balnear chilena de Iquique.
Presidente chinês, Xi Jinping, instou ontem o Japão a reconhecer a sua responsabilidade na matança na cidade de Nanjing, cometida por tropas nipónicas entre 1937 e 1938 durante a qual mais de 300.000 pessoas foram assassinadas, segundo os números chineses. “A História não aceitará aqueles que negam o massacre de Nanjing”, afirmou Xi Jinping na sua intervenção na cerimónia oficial que assinala o 77.º aniversário do início do massacre. Apesar de, desde 1945, Tóquio já ter pedido perdão em várias ocasiões pelo “sofrimento” provocado pelas suas políticas nos anos 30, a China e a Coreia do Sul não perceberam as palavras japonesas como um pedido de desculpas suficientemente completas e sinceras. Xi Jinping salientou que os “crimes não devem ser esquecidos” e recordou que desde o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os tribunais internacionais culparam o Japão do massacre em Nanjing, uma cidade situada no leste da China e que
actualmente tem oito milhões de habitantes.
A ÁRVORE E A FLORESTA
Apesar de salientar que há ainda, no Japão, quem se recuse a admitir responsabilidades nas atrocidades japonesas e nos crimes de guerra cometidos, Xi Jinping estendeu também a mão a Tóquio. “O facto de um punhado de militares ter começado uma guerra não é razão para odiar uma nação”, disse o Presidente chinês
ao salientar que na China “não se assinala o massacre com ódio” e que China e Japão “devem ser países amigos”. Em 1937 o exército japonês invadiu Nanjing e nas seis semanas seguintes os seus soldados incendiaram, sequestraram e violaram milhares de mulheres, matando ainda entre 150.000 a 340.000 pessoas, segundo fontes distintas. Na cerimónia de ontem, seis representantes da cidade soltaram 3.000 pombas em sinal de paz. O aniversário do massacre decorre este ano num clima menos tenso entre os dois países depois da reunião, no início de Novembro, entre o Presidente chinês e o primeiro-ministro Shinzo Abe, em Pequim.
“A História não aceitará aqueles que negam o massacre de Nanjing” XI JINPING Presidente da China
Japão Shinzo Abe vence eleições
O
partido do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe conseguiu ontem uma larga vitória nas eleições legislativas no Japão, onde a escolha se tornou um referendo a favor ou contra a sua política económica. De acordo com as estimativas da cadeia de televisão pública NHK, o Partido Liberal Democrata (PLD, de direita), obteve entre 275 e 306 dos 475 lugares do parlamento, e poderá conservar os dois terços da câmara baixa com o seu aliado do centro. Este partido terá conquistado, por seu turno, entre 31 e 36 lugares de deputados. A vitória da formação de Shinzo Abe não constitui uma surpresa, devido à divisão da oposição. De acordo com a NHK, o Partido Democrata do Japão, (PDJ, centro esquerda), segunda formação do país, não recolheria mais do que entre 61 e 87 lugares, falhando a margem da esperada centena. O primeiro-ministro tinha reiterado, durante a campanha para as eleições, que a taxa de desemprego tinha baixado e que os salários começaram a aumentar, defendendo que a política económica que liderou deveria continuar. “As ´abenomics´ [conjunto de medidas económicas de Abe] são a única via”, disse em várias entrevistas. Cerca de 150 milhões de japoneses foram ontem chamados às urnas para votar, mas a participação foi fraca durante o dia devido às condições atmosféricas difíceis em parte do país.
Mulher que morre de cancro e poupa bebé comove chineses
O sacrifício de uma apresentadora de televisão chinesa que morreu de cancro depois de ter recusado quimioterapia para poupar o feto que transportava suscitou sexta-feira reacções emotivas de milhões de internautas na China. Qiu Yuanyuan morreu na quartafeira, aos 26 anos, exactamente 100 dias depois de ter tido o bebé. O 100.º dia de vida de um bebé é tradicionalmente festejado na China. Pouco depois do início da gravidez, foi-lhe diagnosticado um cancro do útero, que recusou tratar através de quimioterapia para preservar a saúde do futuro bebé e o tumor espalhou-se. O seu gesto tocou profundamente os chineses, mais de 10 milhões dos quais reagiram na Sina Weibo, o equivalente na China da rede social de mensagens curtas Twitter. No entanto, muitos dos internautas não se mostram de acordo com a opção tomada por Qiu Yuanyuan.