MAR DE OPORTUNIDADES
RÓMULO SANTOS
GCS
GRANDE BAÍA
MOP$10
SEGUNDA-FEIRA 15 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4153
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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BALANÇOS E VONTADES
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hojemacau
BETSY
h MIGUEL DE SENNA FERNANDES
Ciclo preparatório
Analistas e deputados dividem-se nas expectativas e projecções que fazem sobre os trabalhos que agora recomeçam no hemiciclo. Numa coisa, no entanto, parecem concordar: o ciclo de Chui Sai On, prestes a terminar, será determinante para a próxima sessão legislativa. GRANDE PLANO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
RÓMULO SANTOS
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AGNES LAM
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divididas
quanto ao sucesso dos processos legislativos “Esta sessão marca o último ano do mandato de Chui Sai On e, como tal, a AL terá uma actividade na mesma linha, a fazer um pouco uma leitura guiada das ideias do actual Governo e das suas opções, sem levantar grandes ondas.” ARNALDO GONÇALVES COMENTADOR
AL
ASSEMBLEIA A
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ANALISTAS E DEPUTADOS PROJECTAM A PRÓXIMA SESSÃO LEGISLATIVA
CHO que a Assembleia Legislativa não vai fazer nada, especialmente neste próximo ano”. A afirmação é de Camões Tam. O analista político não acredita que a sessão legislativa, que começa amanhã traga, para já, decisões importantes. Um dos motivos para o relativo impasse prende-se com o facto de 2019 ser o último ano do Governo liderado por Chui Sai On. “Todos os deputados vão estar preocupados com quem vai ser o próximo Chefe do Executivo, de modo a perceberem quais os interesses que podem ter em comum para agir em conformidade.” Por outro lado, segundo o também académico, há ainda outras questões para a inactividade legislativa que se prendem com a construção de infra-estruturas que facilitem a circulação de pessoas entre Macau, Hong Kong e o continente, directrizes vindas do Governo Central. “Em Hong Kong, os trabalhos neste sentido estão muito mais avançados, especialmente com a ligação por comboio rápido com a China. Macau ainda não acabou os trabalhos de modo a melhorar as suas estruturas, o que tem que ser feito”, refere. Já o analista político Larry So considera que, tratando-se do último ano de Chui Sai On à frente do Executivo, “a finalização dos processos legislativos que estão na agenda da AL, e que têm sido adiados de sessão em sessão, de ano em ano, como se fosse uma tradição, vão ser alvo de alguma pressão para avançarem com mais rapidez”, diz. Entretanto, o Regime Jurídico da Intercepção e Protecção de Comunicações é apontado por Larry So como “importante, controverso” e um dos diplomas que pode marcar a próxima sessão legislativa. “É uma proposta que interfere com a privacidades das pessoas e mesmo com a liberdade de imprensa. Vai ser das mais relevantes na AL e que pode causar mais polémica”, sublinha. Segundo o analista político, o regime de acreditação dos assistentes sociais será a maior prioridade deste momento. “Tem
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Começa amanhã mais uma sessão legislativa. Na agenda da primeira reunião plenária da AL constam votações na generalidade de sete propostas de lei. O volume de trabalho parece avultado, mas analistas e deputados têm opiniões
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de ser aprovado ainda este ano de 2018, porque é uma matéria que a população espera há muto tempo que seja definida”. A par do processo legislativo, Larry So defende que os destaques da agenda política do próximo ano vão ser dirigidos às medidas de integração regional. “A política da Grande Baía, se não avançar com propostas legislativas, vai pelo menos marcar certamente presença na apresentação das Linhas de Acção Governativa”, refere o académico.
SEM ONDAS
Um período de calma é a forma como o comentador Arnaldo Gon-
çalves projecta a próxima sessão legislativa. “Vejo um próximo período de actividade da AL muito tranquilo, sem grandes problemas, em que a ala pró-democrata vai fazendo um pouco o contraponto”, começa por dizer. O que vai acon-
“As expectativas são péssimas face ao gradual enfraquecimento da assessoria da AL.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
tecer é difícil de prever até porque “esta sessão marca o último ano do mandato de Chui Sai On e, como tal, a AL terá uma actividade na mesma linha, a fazer um pouco uma leitura guiada das ideias do actual Governo e das suas opções, sem levantar grandes ondas”, aponta. Para Arnaldo Gonçalves, os deputados não vão tomar iniciativas de relevo e “os trabalhos vão andar ao sabor e à cadência das propostas do Governo preparando-se para as mudanças que irão acontecer já no início de 2019”, explica, referindo-se ao final do mandato do actual Chefe do Executivo, Chui Sai On. O analista considera que o início
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MORNA
da Função Pública de Macau (ATFPM), José Pereira Coutinho. “Estou curioso para ver o que vai acontecer com a ATFPM, com os recentes processos relativos à criptomoeda em que, tanto Pereira Coutinho como Rita Santos estão envolvidos e que de alguma forma belisca a imagem das duas figuras mais ligadas a esta associação”, diz. Para Gonçalves, os processos podem fazer com que a actividade política de Coutinho fique “um pouco condicionada ou limitada”. Nesse sentido, o analista ressalva que não acredita que o deputado tenha perdido a confiança política por parte de quem o tem apoiado.
LEI DE TERRAS
Apesar de não estar na agenda, Larry So considera que a probabilidade da Lei de Terras voltar ao hemiciclo é grande. “A pressão da comunidade é muito forte neste sentido e penso que alguns dos legisladores vão tentar interferir e fazer pressão, quer declaradamente quer nos bastidores, para que trazer o diploma novamente a discussão, porque se trata de um assunto que tem de ser revisto”.
“Quando os assuntos dizem respeito a liberdades pessoais e assuntos sociais há sempre muita polémica e penso que estas vão ser as matérias mais debatidas.” AGNES LAM DEPUTADA
do próximo ano será o momento em que “se tornará claro quais serão os candidatos a Chefe do Executivo. Logo que essa questão seja ensaiada, começa a dança de quem poderá ser secretário”. A preocupação acerca de quem vai assumir funções no próximo Governo será mais importante que qualquer trabalho legislativo, aponta. A secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan e o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, são as figuras que Arnaldo Gonçalves prevê que permaneçam em funções depois de Chui, até porque “os trabalhos que
estão neste momento a desenvolver poderão ter continuidade”. Ainda neste sentido, as propostas legislativas ligadas a questões de segurança interna, à circulação de informação na internet e à intercepção de comunicações vão
“Acho que a Assembleia Legislativa não vai fazer nada, especialmente neste próximo ano.” CAMÕES TAM COMENTADOR
ser pastas geridas com cuidado de modo a não provocar “clivagens”. As decisões acerca destas matérias, considera, vão acabar por ser “empurradas para o final do próximo ano porque o maior receio que a elite chinesa de Macau tem é que qualquer situação se torne num percalço e que chame a atenção do Governo Central para a falta de capacidade na gestão destes processos.” Como tal, “vai haver imenso cuidado no primeiro semestre de 2019”. Paralelamente, o comentador revela curiosidade em relação ao papel do deputado que dirige a Associação dos Trabalhadores
Arnaldo Gonçalves entende que a legislação que regula as terras “é das mais complicadas” do ordenamento jurídico de Macau, motivo pelo qual não vislumbra uma forma para que se concretizem possíveis alterações. Segundo o comentador, há dois interesses que se contrapõem e antagonizam. “Por um lado, o facto da terra ser propriedade da China através da RAEM e por outro, o facto da exploração económica desse bem patrimonial ser feito através dos privados que querem, naturalmente, que a exploração se faça nas melhores condições e com o maior lucro”. São “dois valores jurídicos incompatíveis”, acrescenta. Para Arnaldo Gonçalves, o Governo nunca deveria deixar de accionar o mecanismo de reversão quando um terreno não é explorado de acordo com o contrato celebrado, defendendo que “é um problema de legalidade na própria aplicação da lei”.
VISTA POR DENTRO
Por seu turno, os deputados ouvidos pelo HM divergem das opiniões externas e projecções para a próxima sessão legislativa.
José Pereira Coutinho mostra-se preocupado já com a primeira reunião plenária devido à quantidade de propostas que vão ser submetidas a aprovação na generalidade. “As expectativas são preocupantes. Por um lado, veja-se a pressa do Presidente da AL em querer aprovar sete projectos de relevante importância para a vida dos cidadãos. Pergunto como os deputados podem interpelar em tão pouco tempo tantos projectos”, refere. Para o tribuno, Ho Iat Seng deveria agendar em separado os vários projectos tendo em conta a complexidade, urgência “e o esforço que os deputados têm de fazer para cumprir com as suas responsabilidades”. Recorde-se que para amanhã, além da proposta relativa ao sistema de transporte de metro ligeiro e do diploma referente ao Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), os deputados vão apreciar a proposta de lei da cibersegurança, bem como o regime legal da qualificação e inscrição para o exercício de actividade dos profissionais de saúde. Na agenda consta ainda o diploma que prevê a actualização dos índices mínimos das pensões de aposentação e de sobrevivência; o que revoga o regime geral da actividade ‘offshore’, bem como o que determina a não vigência de leis e decretos-leis publicados entre os anos 1988 e 1999. Terá ainda lugar a apresentação, por membros do Governo, do relatório sobre a execução do Orçamento de 2017 e do relatório de Auditoria da Conta Geral de 2017. Tudo isto num plenário em que será também submetido a votação um projecto de simples deliberação relativo à proposta do Orçamento Privativo da Assembleia Legislativa para 2019. Em suma, “as expectativas são péssimas face ao gradual enfraquecimento da assessoria da AL”, justifica Pereira Coutinho, mostrando algum temor quanto à possibilidade de o objectivo do próximo ano legislativo ser “aviar leis”. Coutinho lamenta ainda que “a maioria dos deputados não levante questões de constitucionalidade e compatibilidade das leis que vão estar em análise”.
MUITO TRABALHO
Já Agnes Lam prevê uma sessão legislativa “muito ocupada”, em que a AL vai ter de lidar com questões polémicas. Para a deputada, os diplomas que podem levantar mais controvérsia são os que vão regular a intercepção de comunicações e o regime legal da qualificação e inscrição para o exercício de actividade dos profissionais de saúde. “Quando os assuntos dizem respeito a liberdades pessoais e assuntos sociais há sempre muita polémica e penso que estas vão ser as matérias mais debatidas”, aponta. Sofia Margarida Mota
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COOPERAÇÃO ROSÁRIO LANÇA POLÍTICA DE GRANDES OBRAS EM PROL DA INTEGRAÇÃO
Chuva de oportunidades
Qualquer cidade da Grande Baía à distância de uma hora, uma maior cooperação entre as polícias de Macau, Hong Kong e Cantão e oportunidades, principalmente para os mais jovens. Foram estas as mensagens deixadas pelos secretários do Governo no fórum sobre o projecto nacional de cooperação regional
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ODAS as onze cidades da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau a uma hora de distância. É este um dos grandes objectivos dos governos envolvidos na iniciativa e Macau vai investir nas grandes infra-estruturas para completar o seu papel. O cenário foi traçado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, durante o “Fórum de Juventude sobre Construir em Conjunto a Grande Baía”, no sábado. Na sua intervenção, Raimundo do Rosário destacou o objectivo de construir vias de comunicação para que “as ligações entre as várias cidades da Grande Baía se façam apenas em uma hora”. Neste sentido, o secretário prometeu que a RAEM vai “construir
várias infra-estruturas e proceder aos respectivos estudos com o objectivo de uma coordenação conjunta, incluindo a construção de um novo posto fronteiriço Macau-Guangdong”. No entanto, não foi especificada a localização desta futura fronteira. Por outro lado, o secretário avançou com a possibilidade de serem construídas ligações ferroviárias de alta velocidade, interurbanas ou de metro ligeiro, com a condição de antes serem realizados estudos.
Raimundo do Rosário avançou com a possibilidade de serem construídas ligações ferroviárias de alta velocidade, interurbanas ou de metro ligeiro, com a condição de antes serem realizados estudos
Fórum Macau Conferência ministerial adiada para 2020 A sexta conferência ministerial do Fórum Macau, prevista para o próximo ano, foi adiada para 2020 para “não coincidir com eventos de alto nível”. “A próxima estava agendada para 2019, mas
Por sua vez, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, defendeu que a zona da Grande Baía traz novos desafios ao nível da segurança e que as polícias de Macau, Hong Kong e Cantão lançaram um novo programa de cooperação nesse sentido. Segundo Wong, esta é a forma encontrada para modernizar as polícias das três regiões, assim como “o intercâmbio, a comunicação e a coordenação”, ao mesmo tempo que se implementam mecanismos de resposta conjunta para crises. Wong Sio Chak diz que
esse é o ano da eleição do Chefe do Executivo e também dos 20 anos da transição de Macau para a China”, afirmou a secretária-geral adjunta do Fórum Macau, Glória Batalha, em declarações
na sexta-feira à Rádio Macau, à margem da cerimónia de emissão da colecção filatélica do 15.º aniversário do Fórum Macau e de prova de gastronomia dos países de língua portuguesa com a pre-
esta alteração vai contribuir para “um ambiente melhor de segurança para a prosperidade e de condições de vida e de emprego para os jovens que estão interessados em integrar o desenvolvimento da Grande Baía”. Finalmente, o secretário fez questão de frisar que a segurança exige consciência e responsabilidade dos habitantes da RAEM.
TOCA A APROVEITAR
No que diz respeito aos discursos dos restantes secretários, Sónia Chan, Alexis Tam e Lionel Leong, a tónica foi a mesma: oportunidades. A secretária para a Administração e Justiça pediu aos jovens que reforcem os conhecimentos dos diferentes sistemas jurídicos para aproveitarem “as oportunidades da integração regional”.
sença dos chefes convidados. O Fórum Macau, criado em 2003 por Pequim, reúne-se a nível ministerial habitualmente a cada três anos. A mais recente conferência ministerial teve lugar em Outubro
de 2016 e fez convergir em Macau os primeiros-ministros da China e de Portugal, Li Keqiang e António Costa, respectivamente, bem como representantes de alto nível dos países de língua portuguesa.
Também o secretário para a Economia e Finanças destacou que a Grande Baía “oferece muitas oportunidades” e que os jovens devem confiar nas suas capacidades, “quando vão à procura de emprego ou realizam inovação”. Se para Sónia Chan e Lionel Leong dizem que vão ser criadas oportunidades, Alexis Tam considera que já foram desenvolvidas. Um feito que para o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura foi alcançado com “a cooperação de todos os sectores sociais” e que poderão ser aproveitadas pelos que forem “quadros qualificados com sentimentos patrióticos, responsabilidades social e competitividade”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
CHANCELA DE XI
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projecto da Grande Baía é tido como uma iniciativa apadrinhada por Xi Jinping e Chui Sai On destacou esse facto logo no discurso de abertura do evento. Segundo o Chefe do Governo local, a “Grande Baía é uma estratégia nacional projectada, planeada e promovida pessoalmente pelo Presidente Xi Jinping, e é uma iniciativa importante para executar correcta e plenamente”. Ainda de acordo com Chui, a “Grande Baía traz para Macau oportunidades de desenvolvimento sem precedentes”.
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GOVERNO GABINETE DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SAI DA TUTELA DA ECONOMIA E FINANÇAS
Nas mãos da segurança
Da Economia e Finanças para a tutela da Segurança. O Gabinete de Informação Financeira (GIF), criado em 2006, vai mudar de alçada. Para o economista António Félix Pontes, o essencial é que seja garantida a sua autonomia
O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, está a equacionar uma lei para evitar o aumento do consumo de álcool entre os jovens. Segundo Tam, o consumo de bebidas alcoólicas pode ser feito de forma moderada, mas entre os mais novos é necessário mais cautela, uma vez que pode resultar em casos de alcoolismo. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o secretário abordou igualmente o tabagismo e defendeu que devido à introdução de leis mais restritivas, nos últimos anos, tem vindo a diminuir entre os mais jovens. Contudo, Alexis Tam diz que todo este combate contra o tabagismo não pode ser feito de uma única vez e que vai levar mais tempo.
Difamação Wong Sio Chak sem comentários sobre Au Kam San
O secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, escusou-se no sábado a comentar a possibilidade de ser instaurado um processo por difamação contra o deputado Au Kam San que acusou as autoridades de realizarem escutas ilegais. Wong Sio Chak afirmou não ser adequado falar neste momento, dado que a PJ está a analisar a situação, acreditando que muito em breve serão divulgadas informações relativas ao caso. Na semana passada, Au Kam San afirmou que não vai pedir desculpa pelas declarações que proferiu, tal como exigiu a PJ sob pena de avançar com um processo contra o deputado.
Comunicações Sobe levantamento de sigilo
No ano judicial 2016/2017, o Juízo de Instrução Criminal (JIC) recebeu 572 processos relativos a escutas ou acesso a outros registos de comunicação protegidos por lei, mais 74 por cento, comparativamente a 2014/2015 noticiou a Rádio Macau. A tendência de aumento não tem, contudo, sido acompanhada por um maior número de investigações, de acordo com a emissora, que cita relatórios do ano judiciário, editados pelo gabinete do presidente do Tribunal de Última Instância.
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Saúde Combater alcoolismo jovem
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Gabinete de Informação Financeira (GIF) vai passar a funcionar sob alçada da tutela para a Segurança, embora mantenha inalteradas as suas competências. Reforçar a coordenação com os órgãos de execução da lei, nomeadamente no âmbito da troca de informações figura como o objectivo da mudança anunciada pelo Conselho Executivo na sexta-feira. “Face à experiência acumulada, acrescida da opinião das organizações internacionais à avaliação do GIF no passado, o Governo considera que o GIF deve reforçar a coordenação com os órgãos competentes de execução da lei na área de segurança, nomeadamente no âmbito da troca de informações”, refere a nota. Isto “para atender à tendência do desenvolvimento da criminalidade transnacional e melhor identificar os riscos decorrentes do branqueamento de capital externo, para melhorar ainda mais a coordenação do combate a estes crimes específicos”, complementa. A mexida vai ocorrer em breve, dado que a alteração ao regulamento administrativo sobre a organização, competências e funcionamento dos serviços e entidades públicos tem entrada em vigor prevista no dia seguinte ao da sua publicação em Boletim Oficial.
“O fundamental é que se garanta independência e autonomia operacionais.” ANTÓNIO FÉLIX PONTES ECONOMISTA
Criado em 2006, o GIF é a unidade responsável pela recolha, análise e disseminação da informação relacionada com a comunicação de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo. Com efeito, desde que foi instituído, manteve sempre a natureza de equipa de projecto. Em declarações aos jornalistas, este sábado, Wong Sio Chak, repetiu os argumentos apresentados para justificar a transferência do GIF para a dependência hierárquica da secretaria que lidera, sustentando que a mexida visa reforçar a eficiência em matéria de prevenção e combate aos crimes financeiros.
GARANTIA DE AUTONOMIA
O economista António Félix Pontes não vê problemas na alteração, dado que figura como uma das soluções preconizadas para este tipo de unidade de informação financeira. “O fundamental é que se garanta independência e autonomia operacionais ao organismo que trata da recepção e tratamento das transacções consideradas suspeitas”, afirmou ao HM o também presidente do Instituto de Formação Financeira. Aliás, como observou, tal segue a fórmula adoptada em Portugal e Hong Kong. “Em Portugal, a unidade de informação financeira está integrada, desde 2002, na Polícia Judiciária, e tem grande autonomia [e] em Hong Kong é gerida conjuntamente pela polícia e pela alfândega”, explicouAntónio Félix Pontes. “O que interessa, esteja onde estiver a unidade de informação financeira, é estar livre de qualquer ingerência política, administrativa ou de qualquer outra natureza”, vincou. Diana do Mar
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15.10.2018 segunda-feira
Anúncio de Reclamação de Veículo Por ter violado o artigo 36.º do Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento - Estacionamento Abusivo nos Auto-silos, o seguinte veículo já foi removido para o parque de depósito de veículos em Cotai. Para esse efeito, Os donos de carros, por favor, vão rapidamente à Caixa do Parque de Estacionamento onde o carro está para tratar do processo de tirar o carro . Se não for reclamado no prazo de 90 dias, o veículo é considerado abandonado. Nota: Em caso de falta de pagamento, nos termos do artigo 48.º do Regulamento do Serviço Público de Parques de Estacionamento - Constituição do Débito Relativo à Taxa, a presente companhia irá recorrer a procedimento judicial para reclamar a respectiva quantia. O presente anúncio deixa de produzir efeito se a respectiva formalidade já tiver sido efectuada. Número de Matrícula (Automóveis ligeiros): Auto-Silo da Alameda Dr.Carlos d’ Assumpção: MW-2798 Para mais informações, por favor ligue para: 28921480 / 68279269 Sunlight Gestão de Propriedades e Facilidades, Lda.
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2018, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos que contacte a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85995343 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 28 de Setembro de 2018 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong
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Agnes Lam fez ontem o balanço do seu primeiro ano no hemiciclo e revelou vontade de apresentar um projecto de lei. Apesar de ainda não ter decido o âmbito do diploma, os temas da protecção do ambiente e assédio sexual estão no topo da agenda da deputada
Ano novo, lei nova lei, deve existir sempre “contacto físico de natureza sexual através de partes do corpo ou objectos”, sem que tenha sido criminalizado o assédio verbal. Outras das áreas a que Agnes Lam promete dar atenção é o ambiente. “Também ao nível da protecção ambiental precisamos de uma nova lei e iremos propor algo nesse sentido”, revelou a deputada. É de salientar que a Lei de Bases do Ambiente, em vigor desde os anos 90, ainda não foi revista. A deputada defendeu ainda que outra das suas prioridades em termos
REFERE não dar notas a si própria e até defende que deve melhorar em alguns aspectos. Agnes Lam deu ontem uma conferência de imprensa de balanço do seu primeiro ano como deputada, na véspera do arranque de mais uma sessão legislativa, que começa amanhã com a realização de uma sessão plenária. Agnes Lam revelou vontade de apresentar um projecto de lei, mas ainda não definiu uma área concreta. “Estou a pensar apresentar um projecto de lei da minha autoria, estou a analisar o sistema e como a minha proposta pode ser sugestiva. Estamos a estudar várias possibilidades, e uma delas está ligada com os vários casos de assédio sexual a que temos assistido nos últimos tempos. Isso vai originar uma mudança e exige muito diálogo com o Governo.” A revisão do Código Penal, que criou o crime de importunação sexual, entrou em vigor o ano passado. Esse crime passou a ter uma moldura penal de um ano de prisão ou multa de 120 dias, mas, à luz da
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G N E S Lam, deputada à Assembleia Legislativa, participa, no próximo dia 3 de Novembro, numa palestra sobre a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau organizada pela Associação de Ciência Política de Hong Kong. Além de Agnes Lam, participam Jorge Rangel, presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), o jornalista José Carlos Matias e os académicos Sonny Lo e Ming K. Chan. De acordo com o programa do fórum, os quatro
legislativos será o regime legal da qualificação e inscrição para o exercício de actividade dos profissionais de saúde, que já deu entrada na AL para votação e discussão. “Temos de avaliar, pois há algumas questões que podem ser controversas. Quando falamos desta lei está em causa o conhecimento profissional. O estabelecimento de um melhor sistema de saúde está relacionado com essa lei. Essa será a minha prioridade.” Como este é o último ano de actividade da AL com Chui Sai On no cargo de Chefe do Executivo
(as eleições acontecem no próximo ano), Agnes Lam deixou claro que deseja que os projectos já em curso tenham continuidade, para que não haja mais atrasos.
“Também ao nível da protecção ambiental precisamos de uma nova lei e iremos propor algo nesse sentido.” AGNES LAM DEPUTADA
SOFIA MARGARIDA MOTA
P
AL AGNES LAM REVELA INTENÇÕES DE APRESENTAR PROJECTO DE LEI
APOSTA NA ÁREA SOCIAL
A dias de apresentação das Linhas de Acção Governativa, Agnes Lam disse esperar que grupos vulneráveis sejam mais apoiados, sobretudo as crianças com necessidades educativas especiais. “Chui Sai On vem da área social, e esse sector teve bastantes melhorias nos últimos dez anos, com a atribuição de vários subsídios, além de que foram iniciados muitos programas de ajuda às minorias. As crianças com necessidades educativas especiais são um dos grupos que mais precisa de apoio porque não podemos deixar que os pais se sacrifiquem em prol da sua formação e educação. Eles necessitam de muitos serviços públicos e apoio social e isso exige boas políticas. Espero que Chui Sai On preste atenção a esta questão.” Durnte esta sessão legislativa será votada e discutida a proposta de lei da cibersegurança. Neste âmbito, Agnes Lam defende que os direitos individuais, como a liberdade de expressão, devem ser protegidos. “A coisa mais importante na qual temos de prestar atenção é garantir que a liberdade individual e os direitos humanos ou pessoais não são alterados, e temos de garantir o equilíbrio nessa matéria. É dever dos deputados recordar o Governo da necessidade de protecção desses direitos.” Além disso, “o Governo precisa de garantir que há transparência no processo de intercepção de comunicações, e que o público está protegido”, rematou a deputada. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Diálogos regionais Hong Kong recebe palestra sobre a Grande Baía
participantes vão “delinear as ligações humanas, as vantagens sócio-culturais e as fortes raízes históricas que vão levar à fundação do soft-power que irá facilitar a integração regional na zona do Delta do Rio das Pérolas através de diversos projectos transfronteiriços no contexto da Grande Baía”. Será também estabelecido um quadro comparativo
“Tendo em conta as infra-estruturas que estão em construção, e todos os trabalhos que têm vindo a ser planeados, espero que não fiquem suspensos até à eleição do próximo Chefe do Executivo, para que não seja tudo alterado e discutido de novo e se demore mais cinco anos a implementar.”
quanto à cooperação entre Macau, China e os países lusófonos e a baía de São Francisco, nos Estados Unidos, tendo em conta o investimento que aqui se fez na área da alta tecnologia.
DESTAQUE LOCAL
A conferência organizada pela Associação de Ciência Política de Hong Kong irá também abordar vários
ângulos da política local. Albert Wong, que se apresenta como académico independente, vai falar da temática “Um País, Dois Sistemas na prática de Macau: alguns casos de estudo”. De acordo com o programa, Albert Wong vai referir
alguns casos ocorridos após a transição de soberania de Macau que revelam uma mudança de paradigma. “Macau, um território que depende em larga medida dos turistas do continente, vivenciou recentemente reacções inesperadas no que diz respeito às políticas ligadas ao continente”, lê-se no comunicado que apresenta o evento. O autor dá como exemplo, entre outros, a aposta que o Governo quer fazer na implementação da educação patriótica nas escolas.
Jean A. Berlie, da Universidade de Educação de Hong Kong, vai falar da questão “Macau e Timor-Leste: Local e Global”, enquanto Bruce Kwong, professor da Universidade de Macau (UM), apresenta um estudo sobre “Legislação bilingue no sistema trilingue da RAEM”. Brian Ho, também professor universitário na UM, vai abordar a “Gestão de crises e melhoria da governação: os casos dos tufões Hato e Mangkhut em Hong Kong e Macau”. A.S.S.
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HABITAÇÃO FUTUROS MORADORES DE EDIFÍCIO NO BAIRRO DA ILHA VERDE SAEM À RUA No ano passado, o Tufão Hato danificou o prédio que, ainda hoje, continua com obras de reparação e sem entrega das habitações. No final, os participantes deixaram uma data de entrega. carta ao Chefe do Executivo, através de um dos funcionários Ontem, entre 140 da Sede do Governo. De acordo com uma das pese 200 futuros soas ouvidas pelo canal chinês da Rádio Macau, a saída à rua moradores do justificou-se com o facto de estar à edifício de habitação espera de há mais de 10 anos para receber a habitação económica. económica do Por este motivo, o manifestante que perdeu a confiança Bairro da Ilha Verde afirmou nas capacidades do Executivo para resolver os problemas da manifestaram-se sociedade e levantou dúvidas contra a falta de sobre se o tufão não foi apenas uma desculpa para cobrir outros informação quanto atrasos nas obras. Ao mesmo tempo, a residente ao andamento ouvida pelo Ou Mun Tin Toi defendeu que o Executivo devia dar dos trabalhos HOJE MACAU
Esperar pela sorte grande
E
NTRE 140 e 200 pessoas participaram ontem numa manifestação contra o Governo, devido à falta de informação quanto à data para o fim das obras de reparação de um edifício de habitação económica na Ilha Verde. Os futuros moradores ainda não sabem quando podem habitar as fracções. O prédio estava em fase de vistoria no ano passado, mas sofreu vários danos com a passagem do tufão Hato. Ontem, num percurso que começou no Tap Seac e terminou à frente da Sede do Governo, os demonstrantes apelaram à definição de uma data para a
A residente ouvida [...] defendeu que o Executivo devia dar um subsídio às pessoas que estão à espera de habitação económica e que precisam de pagar renda
um subsídio às pessoas que estão à espera de habitação económica e que precisam de pagar renda. A moradora disse ainda que, ao longo deste período de espera, teve várias vezes de mudar de habitação, porque os proprietários das casas onde tem vivido exigem a sua saída para poderem cobrar uma renda mais alta.
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA
No final, a PSP declarou que destacou 30 agentes para acompanhar a manifestação e que tudo decorreu dentro da normalidade, com as pessoas a comportarem-se de forma correcta. Como acontece nestas situações, o número de agentes à paisana com câmaras de filmar não foi revelado. A manifestação que terminou por volta das 16h contou também com a participação dos deputados eleitos pelo sufrágio directo da Federação das Associações dos Operários de Macau, Ella Lei e Leong Sun Iok. Segundo o Governo, o Edifício Bairro da Ilha Verde estava em fase de vistoria e recepção, o que implica que seria ocupado brevemente, quando foi afectado pela passagem do Tufão Hato.
Economia Investimento directo externo caiu 79,9 por cento O investimento directo do exterior em Macau sofreu uma queda de 79,9 por cento em 2017, atingindo 3,01 mil milhões de patacas. Segundo a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a descida ficou a dever-se à redução do montante reservado para o reinvestimento, causada pela acentuada distribuição de dividendos por parte das empresas
concessionárias do jogo, e ao reembolso de empréstimos junto dos investidores directos do exterior e das sociedades parceiras externas. Em termos de fluxos por actividade económica, os sectores financeiros e da construção registaram em 2017 valores de 5,37 mil milhões e de 1,13 mil milhões de patacas, respectivamente, enquanto o jogo teve um valor negativo (-3,05
Devido às inundações naquela zona, foi necessário proceder à limpeza, reparação e reabilitação do edifico que estava quase concluído. De acordo com a informação que foi tornada pública, a “maior parte” dos equipamentos
mil milhões de patacas). A maior parte do investimento directo do exterior em Macau chegou das Ilhas Virgens Britânicas (6,11 mil milhões), da China (3,56 mil milhões) e de Hong Kong (3,33 mil milhões). O rendimento do investimento directo do exterior cifrouse em 58,65 mil milhões de patacas, traduzindo uma subida de 20,4 por cento face a 2016.
electromecânicos acabou danificada pelas inundações. Em 11 de Setembro do ano passado, o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) afirmava que estava a trabalhar para apressar as reparações, mas até
ao momento não há informação sobre a entrega das fracções. João Santos Filipe
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Ponte do Delta Simulacro de incêndio no posto fronteiriço O posto fronteiriço, situado na ilha artificial da Ponte do Delta, gerido conjuntamente pelas autoridades da RAEM e de Zhuhai, foi palco na sexta-feira de um exercício de combate a incêndio e evacuação. O simulacro, para o qual foram mobilizadas 218 pessoas, “terminou com sucesso, tendo atingido os resultados previstos”, indica um comunicado dos Serviços de Polícia Unitários (SPU), que coordenaram a operação. Na sequência do simulacro, as partes
vão agora “discutir formas de aperfeiçoamento do mecanismo de coordenação e comunicação e planear a realização de outros tipos de exercícios que visam elevar a capacidade de resposta a emergências, a fim de assegurar a segurança dos residentes e turistas que irão utilizar o posto fronteiriço” da Macau-Zhuhai da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. É de salientar que a infra-estrutura estratégica ainda não tem data de abertura.
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segunda-feira 15.10.2018
Desporto Centro Nordeste da Taipa renovado
O Centro Desportivo Nordeste da Taipa, que fica situado no antigo Campus da Universidade de Macau, vai ser reconstruído. A revelação foi feita pelo presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun, ao canal chinês da Rádio Macau, que disse ainda que o Governo vai apostar em optimizar os restantes espaços para a prática desportiva, ao mesmo tempo que há um maior aproveitamento dos terrenos onde os pavilhões estão construídos.
A
utilização das redes sociais, como o facebook, para a disseminação de notícias sobre Macau feitas por jornalistas ou simples cidadãos está a despertar uma geração mais jovem para o activismo político. É esta uma das principais conclusões de um artigo escrito por dois académicos da Universidade Sun Yat-sen, Lin Zhongxua e Zhao Yupei, sobre a ligação entre o jornalismo e o activismo SoMoLo, com o título “A caminho do jornalismo SoMoLo e activismo SoMoLo: um estudo de caso das práticas digitais dos internautas de Macau”. O jornalismo e activismo SoMoLo são conceitos académicos que definem um tipo de jornalismo e de activismo que se destacam por três pilares: o social (SO), por focarem temas da comunidade, móvel (MO), de dispositivos móveis e novas tecnologias, e ainda a componente local (LO), uma vez que é feito por e para locais, independentemente de serem jornalistas. Em Macau a ligação entre as duas actividades nasce pelo facto de portais como o All About Macau, Macau Concealers, ou outra páginas sobre transportes e trânsito, terem resultado em cidadãos mais activos politicamente e actividades nas ruas. Os casos concretos estudados são as páginas criadas para divulgar notícias e outras informações sobre o trânsito e atitude de condutores, que em 2012 impediram o aumento dos preços pretendidos pelas operadoras, a situação das telecomunicações, que em 2012 resultou numa manifestação contra a CTM, e ainda o donativo de 100 milhões de yuan da Fundação de Macau à Universidade de Jinan, naquela que foi uma das maiores manifestações do últimos anos e terminou com condenações em tribunal de activistas pró-democratas.
DE PASSIVOS A ACTIVOS
“Tradicionalmente, Macau tem sido normalmente descrita como uma ‘aldeia pacífica’ com cidadãos harmoniosos, marcados pela compreensão e preocupação mútua, que adoram harmonia social e odeiam conflitos sociais, tido como maus a protestar”, apontar os autores. “No entanto, com a emergência do jornalismo SoMoLo e do activismo SoMoLo estes
Sede do Governo Abertura ao público a 27 e 28
A Sede do Governo vai estar aberta ao público nos próximos dias 27 e 28. O tema da exposição de flores será “O Feiticeiro de Oz”. Durante a visita, residentes e turistas podem ainda assistir a uma série de espectáculos, nomeadamente, da Banda da PSP e do Coro Juvenil de Macau. A Sede do Governo vai estar aberta das 09h às 18h, sem pausa para almoço.
ACTIVISMO TECNOLOGIAS LEVAM A ACORDAR POLÍTICO DE UMA NOVA GERAÇÃO
Despertar consciências
As novas plataformas digitais e o facto de qualquer pessoa poder divulgar informações sobre os assuntos que mais preocupam a população, e que muitas vezes ficam de fora dos órgãos de comunicação tradicionais, está a criar uma nova geração mais crítica e activa a nível político
cidadãos passivos dotaram-se de um pró-activismo online que os tem dotado de um poder para alterar o status quo da política local a pouco e pouco – embora seja demasiado cedo para poderem estar optimistas do seu sucesso”, é defendido. Neste jornalismo e activismo político, que recorre às redes sociais, é frequente a utilização do humor como forma de crítica, através de textos ou manipulação de imagens. Um fenómeno que os autores identi-
ficam como comum a Macau, Hong Kong e ao Interior da China. Por outro lado, o estudo destaca também que apesar de muitos dos tópicos abordados nas diferentes páginas do facebook e portais atraírem um grande interesse dos internautas, que nos principais
órgãos de comunicação social eram tratados como temas menores. Para o despertar das consciências políticas é igualmente sublinhada a importância da utilização das novas tecnologias. “Esta geração de nativos digitais é mais activa e criativa na produção e
“Existem sinais da emergência de uma nova geração política que [...]representam o acordar político em Macau e um ponto de viragem na política local.”
consumo de jornalismo SoMoLo e na mobilização e organização de activismo SoMoLo [...] mas, estas alterações de comportamento não se limitam apenas ao jornalismo e activismo, existem sinais da emergência de uma nova geração política que, para alguns académicos, representam o acordar político em Macau e um ponto de viragem na política local”, é concluído. João Santos Filipe
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10 eventos
NUNO CERA
15.10.2018 segunda-feira
N
UNO Cera, que já esteve no território na altura da transferência de administração, passou um mês em Macau a explorar a cidade através da captura de imagens. A oportunidade surgiu na sequência da primeira residência artística promovida pela Associação Cultural Babel, apoiada pela Fundação Oriente, e permitiu ao artista trabalhar e viver durante um mês no território. A estadia revelou-se com um interesse acrescido, visto poder testemunhar com este regresso, as mudanças “drásticas” que se deram a nível de paisagem e urbanismo. “Estive há 18 anos em Macau, durante a transferência de administração, por isso tenho a possibilidade de fazer uma comparação em que registo uma cidade que se
Cidade desfocada FOTOGRAFIA PROJECTO DE NUNO CERA REVELA OS PARADOXOS DA PAISAGEM LOCAL
Termina hoje a primeira residência artística promovida pela associação cultural Babel que levou o artista visual Nuno Cera a trabalhar e viver durante um mês em Macau. Da experiência por cá vivida, em termos conceptuais, o artista destaca o confronto entre o novo e o velho e o choque identitário em que a cidade vive
transformou totalmente com os novos territórios ou com toda uma zona do Cotai que na altura não existia”, começou
por contar ao HM. Aliás, é o crescimento da urbe que tem pautado muitos dos projectos a que o artista se dedica.
Dentro do trabalho que tem vindo a desenvolver, intitulado “Futureland”, Nuno Cera fotografou Istambul,
Cairo, Dubai, Los Angeles, Cidade do México, Xangai, Hong Kong, Jacarta e Mumbai.
EUA FAMÍLIA DE PRINCE PEDE A TRUMP QUE NÃO USE A MÚSICA DO CANTOR
A
família de Prince pediu ao Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, que deixe de usar a música do cantor, falecido em 2016, durante os seus comícios, como tem ocorrido por várias vezes. “Os herdeiros de Prince nunca deram a sua autorização ao Presidente
Trump ou à Casa Branca para utilizar as canções de Prince e pedem que parem imediatamente qualquer utilização”, escreveu na rede social Twitter Omarr Baker, meio-irmão de Prince Rogers Nelson, de seu verdadeiro nome. Solicitado pela France-Press a comentar, a comissão de campanha de
Trump não respondeu. Vários meios de comunicação norte-americanos avançaram que a equipa de campanha de Trump teria usado a canção emblemática de Prince ‘Purple Rain’ em vários comícios. Este é o mais recente caso de uma longa lista de artistas cujos herdeiros,
ou eles próprios, solicitaram a Trump que não utilize a sua música durante os seus comícios. Rolling Stones, Adele, Neil Young, R.E.M., Aerosmith ou Queen, bem como os herdeiros de George Harrison, denunciaram o uso das suas obras durante as reuniões republicanas.
Do trabalho realizado em Macau, Nuno Cera destaca o confronto entre os diferentes tempos das construções que
eventos 11
segunda-feira 15.10.2018
HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Buxo
ocupam o território, sendo que as fotografias que tem feito “abordam em particular esta questão em que o novo e o velho estão ao mesmo tempo muito próximos e muito distantes”, explicou. A exploração da urbe está presente no trabalho de Nuno Cera desde o tempo em que viveu na Amadora. “Sendo um subúrbio de Lisboa, em que se sente a periferia e o suburbano”, o afastamento do que está central levou o artista “ao encontro das coisas que estão à margem”. Foi também nessa altura que se começou a interessar por arquitectura, nomeadamente “do que transmite e das sensações que lhe estão associadas”. Relativamente ao que sentiu em Macau, Nuno Cera destaca “uma certa decadência que implica o conceito de passagem do tempo, de sujidade e que tem um valor que por vezes pode ser bastante estético e romântico”. Por outro lado, é um território que possibilita uma experiência “quase distópica, não real que transmite a sensação de uma identidade que não é muito óbvia””.
O PODER DO ARTIFICIAL
Os edifícios dos casinos não passaram indiferentes ao
olhar do artista que inaugurou o programa de residência da Babel. “Não podia deixar de destacar toda aquela artificialidade, todo o capitalismo e esta atracção pelo consumismo que me interessa em especial até pela contraposição com outros locais que existem no território”, refere o artista. O resultado deste trabalho vai ser dado a conhecer através de uma exposição que se realiza em Maio do próximo ano. Na mostra vai estar patente a convivência entre os diferentes “mundos que habitam a cidade e a relação entre a natureza e o urbano na sua dualidade e contraste”. Do trabalho que desenvolveu pela região, constou ainda a deslocação a Hong Kong e a Cantão o que enriqueceu os interesses e resultados. “Foram locais onde tive experiências urbanas muito intensas, foi muito interessante ver como Cantão está a crescer e a desenvolver-se e como a sociedade se relaciona com isso”. Em Hong Kong, a circulação de pessoas foi um dos aspectos que mais impressionou a lente de Nuno Cera, nomeadamente pela necessidade de vários tipos de passagens para se chegar aos locais numa
cidade vertical em que se anda muito em plataformas. Da experiência que tem no trabalho sobre cidades, Nuno Cera revelou a tendência dos centros urbanos se tornarem cada vez mais parecidos entre si. “Obviamente que há aspectos que identificam cada um dos locais, mas há cada vez mais muita coisa muito parecida, como se fosse uma espécie de globalização da urbe”. Apesar da curiosidade pela vertente humana que as cidades integram, as pessoas ficam de fora das imagens de Nuno Cera. “Tenho sempre um certo pudor em fotografar pessoas directamente. Acho que vou contra a sua privacidade”, esclareceu. O projecto que se debruça sobre o território vai, em princípio, chamar-se “Blured City” – cidade desfocada “mas pode ainda mudar”, apontou. O título, para já provisório, faz sentido para o artista uma vez que “Macau é uma cidade desfocada porque tem duas identidades que estão em confronto e em que se perde um pouco de uma identidade original”. Sofia Margarida Mota
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O Buxo cresce nas montanhas e regiões elevadas da maior parte da Europa Central e Meridional, Norte de África e Oeste da Ásia. É uma planta de grande rusticidade, adaptando-se a vários tipos de solo, temperatura (tolera até -20ºC) e luz, que habita charnecas, matos e bosques. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore sempre-verde, de crescimento lento, com casca rugosa e acinzentada, que pode alcançar mais de 5 metros de altura e viver mais de 500 anos; os ramos, pubescentes quando jovens, encontram-se densamente cobertos de pequenas folhas reluzentes, coriáceas e ovais, de uma intensa cor verde-escura na página superior e verde-amarelada na inferior; as flores pequenas, amareladas e apétalas, são polinizadas por insectos e estão agrupadas em glomérulos na axila das folhas; o fruto é uma cápsula seca globular, com 3 pequenas saliências, que se abre de forma explosiva quando maduro, libertando 6 sementes negras e brilhantes. É uma planta resistente à poluição urbana e atractiva para as abelhas pela quantidade de pólen que produz. Planta bíblica, o Buxo tem, desde a Antiguidade, uma grande reputação não só como planta ornamental como também pela sua madeira. É uma das espécies mais cultivadas em jardins, principalmente em topiária (a arte de adornar os jardins), pois permite o corte de modelação produzindo sebes, labirintos, figuras geométricas e outras de maior complexidade. A sua madeira, densa, dura, flexível e duradoura, de textura fina e cor amarelada, é utilizada no fabrico de pequenos utensílios, ferramentas e instrumentos musicais, em escultura e em marchetaria. Na região de Miranda do Douro é tradicionalmente usada em cabos de navalhas e ponteiras de gaita-de-foles. Enquanto planta medicinal, o Buxo tem uma utilização de vários séculos, tendo sido mencionado por diversos autores, como Santa Hildegarda ou John Gerard. No entanto, actualmente é pouco usado devido à sua toxicidade. Em fitoterapia são usadas as folhas e, menos vezes, as cascas da raiz e a madeira. Composição Alcalóides esteroídicos, entre os quais o mais activo é a buxina, de carácter amargo; óleo essencial, resinas, ceras, gomas, taninos, vitamina C e clorofila. Sabor muito amargo. Acção terapêutica Com uma acentuada acção febrífuga (faz descer a febre), o Buxo induz a
sudação libertando através da pele as toxinas acumuladas, combate as bactérias e tonifica o organismo; detém ainda as doenças recorrentes, como a malária, prevenindo o regresso de novas crises. Tradicionalmente, tem sido usado no tratamento da malária como um substituto da quinina, e também na gripe, pneumonia, tuberculose, lepra, tétano, sífilis e doenças febris em geral. Considerado um tónico amargo, esta erva aumenta a produção de bílis pelo fígado e contrai a vesícula, melhorando o seu esvaziamento no duodeno; apresenta propriedades laxativas e, em doses mais elevadas, purgativas; provoca ainda a expulsão dos vermes que parasitam o intestino. Tem sido recomendado nas perturbações da vesícula biliar (vesícula preguiçosa), obstipação, para facilitar a evacuação em caso de hemorróidas e na parasitose intestinal. Com actividade sobre o sistema nervoso, o Buxo possui uma certa capacidade narcótica e sedativa; tem sido prescrito em algumas afecções neurológicas e psiquiátricas, como a epilepsia ou histeria, e em situações de nervosismo e insónia. Outras propriedades Em uso externo, tem sido utilizado na alopécia e queda de cabelo, por nalguns casos fazê-lo crescer, na dermatite seborreica do couro cabeludo, psoríase, erupções cutâneas e como anti-séptico na cura de feridas. Como tomar Uso externo: Em ampolas capilares e champôs, para fortificar o cabelo e reduzir a sua queda; também em champôs para os cabelos oleosos. Precauções O Buxo é uma planta tóxica, especialmente as folhas e a casca do tronco. Em doses elevadas pode provocar vómitos, espasmos digestivos, diarreias sanguinolentas e perturbações nervosas (tremores, perda de coordenação, vertigens, convulsões) e, em casos severos, coma e morte devido a paralisia respiratória. Embora não se conheçam casos de intoxicação mortal em humanos, foram descritos casos de intoxicação em bovinos, cavalos e cães. As preparações comercializadas para uso externo são seguras. Ainda assim, a aplicação tópica pode ocasionar dermatites de contacto. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
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15.10.2018 segunda-feira
O
Brasil e China celebram este ano três décadas de cooperação bilateral na área de satélites e o director da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, afirmou ter também em vista projectos futuros com Portugal. “O nosso relacionamento com Portugal, na área espacial, sempre foi muito pretendido. Portugal, há cerca de três anos, começou a pensar seriamente em desenvolver um programa espacial, envolvendo a Europa, mas procurou-nos (ao Brasil) também. Nós achamos esse projecto muito bom, uma oportunidade de retribuir o facto dos portugueses terem descoberto o nosso país”, afirmou José Raimundo Coelho, em entrevista à agência Lusa. O director da Agência Espacial Brasileira (AEB) adiantou que a oportunidade de parceria com Portugal já deu os primeiros passos, com a criação de um centro de desenvolvimento na área espacial nos Açores. José Raimundo Coelho disse ainda que, no momento, Portugal encontra-se a “atender uma chamada pública” que a Agência Espacial Europeia lançou, e espera que o Brasil possa ajudar nesse projeto.
ESPAÇO BRASIL CELEBRA TRINTA ANOS DE PARCERIA COM A CHINA
Satélites unidos
A cooperação entre as duas nações já permitiu a produção de cinco satélites sino-brasileiros. O sexto lançamento deverá acontecer em 2019. Na calha está também uma parceria com Portugal “Essa seria uma forma de começarmos um projecto espacial com Portugal. Se não acontecer dessa maneira, o Brasil vai batalhar para que aconteça de outra forma”, afirmou o diretor da AEB, que confidenciou à Lusa ter ascendência portuguesa.
LAÇOS FORTES
No entanto, se as relações entre o Brasil e Portugal, na área espacial, ainda estão a começar, com a China a ligação já está bem consolidada, celebrando 30 anos de colaboração. A parceria, conhecida como Programa Cbers (sigla em inglês para Programa Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), permitiu a produção de cinco satélites sino-brasileiros [pertencentes à China
Ténis Djokovic bate Coric e vence Masters de Xangai
O tenista sérvio Novak Djokovic, terceiro jogador mundial, conquistou omtem o torneio Masters 1.000 e Xangai, na China, ao bater na final o croata Borna Coric, 19.º e ‘carrasco’ de Roger Federer nas meias-finais. Djokovic, que somou o quarto título em Xangai e o 32.º Masters 1.000 da carreira, superou Coric em dois ‘sets’, pelos parciais de 6-3 e 6-4, num embate que durou uma hora e 36 minutos. O sérvio só enfrentou
e ao Brasil] de recursos terrestres. O sexto equipamento, o Cbers-4A, tem o seu lançamento previsto para o próximo ano, na cidade de Taiyuan. Coordenado pela Agência Espacial Brasileira e pela Administração Nacional Espacial da China, o programa permitiu o desenvolvimento de um sistema completo para o fornecimento de imagens gratuitas a ambos os países e a mais de 20 nações da América do Sul, do sul de África e do sudeste asiático. Para José Raimundo Coelho, esta parceria duradoura não podia ter melhores frutos: “Os resultados são excepcionais. Os brasileiros e os chineses já conversavam sobre a possibilidade de
um ponto de ‘break’ ao longo de todo o encontro, no sexto jogo do segundo ‘set’, mas conseguiu anulá-lo, numa semana em que venceu os seus 47 jogos de serviço. Com os resultados de Xangai, Djokovic vai ascender ao segundo lugar do ‘ranking’ mundial, por troca com Federer, e colocar-se a apenas 35 pontos do líder, o espanhol Rafael Nadal, que também é o recordista de torneios Masters 1.000, com 33.
colaboração desde o ano de 1984, só que num outro segmento da área espacial”, disse. No início, “os chineses já estavam um pouco avançados em relação ao Brasil, mas não muito, e isso foi óptimo, porque se estivessem muito avançados, essa união de esforços e competências não daria os resultados que acabou por dar”, afirmou o diretor da AEB. Ao longos das últimas três décadas, foram lançados com sucesso o Cbers-1 (1999), Cbers-2 (2003) e Cbers-2B (2007). O Cbers-3 teve uma falha ocorrida no lançamento em Dezembro de 2013. O Cbers-4 foi lançado em Dezembro de 2014 e continua em operação. O sexto satélite está em fase de testes e é desenvolvido em
conjunto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial. Um dos pontos mais importantes do programa Cbers é a distribuição das imagens geradas pelos satélites, cobrindo as áreas ambientais e agrícolas. A distribuição das imagens é gratuita e, actualmente, mais de 20 mil instituições brasileiras já receberam o material. O Cbers-4A irá garantir a continuidade do fornecimento de imagens para monitorizar o meio ambiente, a expansão da agricultura e das cidades. “Todas as pessoas do mundo podem precisar de usar (estas imagens). Por exemplo, se precisar de melhorar alguma infraestrutura, o governo (brasileiro) exige que se apresente imagens de satélite. Para se fazer uma escritura de um terreno, eles pedem imagens de satélite”, garantiu José Raimundo Coelho, assegurando que a distribuição dessas imagens é totalmente gratuita. Estando o Brasil a atravessar um atípico período eleitoral, o director da Agência Espacial Brasileira assumiu que espera que o novo Presidente da República brasileiro apoie o desenvolvimento espacial no país. “Essa é uma esperança constante nossa, de que todos os governos apoiem e reconheçam a importância que essa área tem para o país. Isso não quer dizer que esse apoio já tenha ocorrido no nível que devia. Nós temos muitas queixas a esse nível”, explicou. “Tentamos usar exemplos de países que dão a devida importância à área espacial para sensibilizar o nosso governo. Às vezes conseguimos, outras vezes não”, lamentou.
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segunda-feira 15.10.2018
Hong Kong Ex-deputada pró-democracia afastada de eleições
O Governo de Hong Kong rejeitou, na sexta-feira, a candidatura de uma ex-deputada pró-democracia às eleições do Conselho Legislativo, decisão imediatamente contestada por activistas e grupos de direitos humanos. De acordo com o jornal South China Morning Post, Lau Siu-lai foi impedida de concorrer às eleições do Conselho Legislativo, no próximo dia 25 de Novembro, por já ter defendido a autodeterminação da região administrativa especial chinesa. A organização não-governamental (ONG) Hong Kong Watch, que monitoriza as liberdades e o Estado de direito no território, referiu que a decisão comprova que existe “uma avaliação política de candidatos de quem Pequim não gosta” que “viola o direito de participar em eleições justas e livres”. Na noite de sexta-feira, Lau e uma dúzia de activistas pró-democracia protestaram no exterior da sede do Governo de Hong Kong e marcharam até ao gabinete da Chefe do Executivo do território, de acordo com o mesmo jornal.
EUA Steven Mnuchin desvaloriza aflições com guerra comercial
O secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, desvalorizou sábado as preocupações amplamente expressas sobre o impacto das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China na economia mundial. Em Bali para o encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, Mnuchin disse ainda aos jornalistas que a possibilidade do gigante asiático retaliar contra os EUA com títulos do Tesouro “não lhe tira o sono”. Na terça-feira, o FMI publicou as novas projeções macroeconómicas, que apontam para uma redução na expansão da economia global (3,7% em 2018 e 2019), como consequência das dúvidas provocadas pelas tensões económicas entre Washington e Pequim. O governador do banco central da China, Yi Gang, descreveu o proteccionismo e as tensões comerciais como “grandes riscos” para a economia mundial. O Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, juntamente com uma série de outras reuniões financeiras, acabou este fim-de-semana.
HONG KONG SECRETÁRIO DESCONHECE DATA DE ABERTURA DE NOVA PONTE
Faça-se luz
Depois de Chui Sai On ter admitido, há cerca duas semanas, desconhecer a data de abertura da ponte que vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, chegou agora a vez do secretário para os Transportes da antiga colónia britânica afirmar não fazer ideia de quando terá lugar a inauguração da maior travessia marítima do mundo
O
secretário para os Transportes de Hong Kong afirmou desconhecer quando a ponte que liga a cidade a Macau e a Zhuhai vai abrir à circulação, desmentindo que a abertura ocorra no final deste mês. “[Sobre a abertura] da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau no final deste mês, devo dizer que, para mim, isto é uma novidade. Não tenho qualquer ideia de quando a ponte vai abrir” à circulação, declarou Frank Chan Fan, no final de um programa de rádio em que participou no sábado, de acordo com o jornal South China Morning Post. O secretário para os Transportes e Habitação da antiga colónia britânica afirmou que as três cidades continuam à espera que o Governo central dê “luz verde” para a inauguração. Há 15 dias, à margem da cerimónia do 69.º aniversário da implantação da República Popu-
O
primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, visita este mês a China, naquela que será a primeira viagem oficial de um responsável nipónico ao território chinês em sete anos, foi sexta-feira divulgado. A visita de Shinzo Abe, que irá decorrer de 25 a 27 de outubro, pretende marcar um novo clima das relações entre os dois rivais regionais. Os laços bilaterais entre Tóquio e Pequim ficaram fortemente abalados em 2012, depois de o Japão ter anunciado a nacionalização de um grupo de ilhas
lar da China, também o chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, admitiu aos jornalistas desconhecer a data de abertura e indicou que a mesma será divulgada “em tempo oportuno”. As autoridades de Hong Kong, Macau e Zhuhai realizaram, no final do mês passado, três dias de testes na ponte. Os resultados destes testes foram enviados para Pequim e deverão determinar a data de abertura, indicou o diário.
O secretário para os Transportes e Habitação da antiga colónia britânica afirmou que as três cidades continuam à espera que o Governo central dê “luz verde” para a inauguração
EM GRANDE
Considerada a maior travessia marítima do mundo, a ponte é um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província chinesa de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing). A estrutura principal mede 29,6 quilómetros, com uma secção em
ponte de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros, numa extensão total de 55 quilómetros. A construção começou em 2011 e previa-se a abertura para 2016, mas vários problemas, como acidentes de trabalho, uma investigação de corrupção, obstáculos
Novo estímulo PM japonês na China para marcar clima das relações bilaterais
desabitadas no Mar do Leste da China, reivindicadas pela China, desencadeando violentos protestos no território chinês. As ilhas no centro da disputa de anos são designadas pelos japoneses como Senkaku e conhecidas na China como Diaoyu. Apesar das estreitas ligações económicas, muito chineses têm um sentimento de ressentimento em relação ao Japão, uma vez
que os dois países têm uma longa história de conflitos, nomeadamente a tomada nipónica das principais cidades chinesas no período anterior à Segunda Guerra Mundial. As autoridades de Pequim também advertem regularmente para o ressurgimento do militarismo japonês.
PARA A HISTÓRIA
O anúncio da visita de Shinzo Abe à China surge após uma
técnicos e derrapagens orçamentais obrigaram a um adiamento da inauguração. De acordo com o South China Morning Post, a ponte, que vai ser de livre circulação (sujeita a quotas), custou aos três governos cerca de 1,9 mil milhões de euros.
deslocação ao Japão, em Maio passado, do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. É expectável que o Presidente chinês, Xi Jinping, anuncie uma deslocação ao Japão num futuro próximo. Quando assumiu durante um ano a chefia do governo japonês, entre 2006 e 2007, Shinzo Abe escolheu a China para a sua primeira viagem ao exterior como primeiro-ministro. Na altura, essa viagem também foi considerada histórica para as relações entre os dois países. Em 2012, Shinzo Abe voltou a ser eleito para o cargo de primeiro-ministro.
Yoshihiko Noda, que assumiu a chefia do governo nipónico entre 2011 e 2012, foi o último primeiro-ministro do Japão a visitar o território chinês. Na altura, a visita de Estado de dois dias, que decorreu em Dezembro de 2011, estava originalmente destinada a melhorar os laços bilaterais, mas ficaria marcada pelo clima de incerteza provocado pela morte nesse mesmo mês do então líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, segundo noticiou na ocasião o jornal norte-americano The New York Times.
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Betsy
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ETICULOSAMENTE, o seu pincel deslizava sobre a borda da sua pálpebra esquerda. Aquele tom preto reluzente dava-lhe finalmente a satisfação que já não conhecia havia algum tempo, depois de tanto vasculhar por todas as casas de cosméticos do burgo. Agora sim, os seus olhos destacavam-se claramente. Como ele gostava deles. Mirou-se ao espelho. A sua nudez denunciava a leveza do seu corpo delgado, de pele alva amarfinada, de seios pequenos, braços esguios, dedos de fada, sobre pés de menina. Dava graças ao Divino que a aspereza da sua vida fora benevolente ao seu corpo elegante, que não carecia de veste alguma para se enaltecer. Nessa última noite da sua vida, Betsy preparava-se religiosamente para o evento mais importante da sua existência. Dera tantas voltas e finalmente chegara o momento que tanto sonhara. Iria ser a noite. A maquilhagem, o cheong-sam (1), as unhas de rubro escuro, de comprimento conservador, o penteado clássico a Audrey Hepburn, os saltos, tudo previsto até ao pormenor. À medida que a escovinha de rimmel levantava as pestanas, o coração batia a um ritmo que não conhecia, como se vivesse dentro de um corpo alheio. Uma ponta de saliva crescia no canto dos seus lábios por pintar. Lábios de malabarismos que tanto prazer lhe dera. Sorriu, quando se lembrara da noite duas semanas volvidas, em que Terrence lhe dissera que era altura de a apresentar à sua mãe. Nessa noite, ele saiu da sua casa às duas da manhã, mas ela não dormiu. A adrenalina atingia níveis pouco usuais, o seu coração pulsava a ritmo mais forte. Uma nova prova se avizinhava. Recordara que no passado, por duas vezes tivera a experiência da noite decisiva. Dois homens que supostamente iriam pôr fim à sua vida sub-canina e sem sentido, não lograram cumprir o desiderato. Ricky empresário de sucesso de Hong Kong, viúvo de sessenta e dois anos e sem filhos, depois de lhe ter oferecido um anel de diamante, morre de ataque cardíaco no momento em que lhe iria pedir a mão. Seguiu-se Jason que se arrogava de dono de uma sala VIP de um casino, que lhe levara a viajar pela Europa fora, a alojara em hotéis estrelados e a deliciou em restaurantes michelânicos. O casório teria acontecido se ele não tivesse que se pôr em debandada. Soube-se depois que afinal era mero “bate-fichas” e surripiara dinheiro do seu patrão, um sujeito que fazia tão bem as contas, quanto resolvia os problemas de desvios a tiro e facada. E antes de se ir embora “por tempo que ele próprio não sabia quanto”, pediu-lhe o anel de diamante, para comprar o seu bilhete de avião.
15.10.2018 segunda-feira
Não posso adiar o amor para outro século. Não posso
Miguel de Senna Fernandes
in Crónicas à Sexta
no último dia da sua vida
Por duas vezes tivera de regressar à realidade depois de sonhar alto, por uma vida condigna, de civilidade, sem problemas de renda, cheiros hediondos de dejectos no corredor do seu prédio, gente sub-humana, camafeus, agiotas e pregos. Por duas vezes chorara pela sua sina de calvário e se revoltara contra a injustiça do Divino que recaíra sobre ela, pobre rapariga de quase trinta anos que apenas suspirava por um lugar ao sol. Betsy nascera Pek Si. Os pais, oriundos de uma aldeia nos limítrofes de Foshan, Província de Cantão, entraram em Macau clandestinamente, onde se estabeleceram no “bairro de lata” então ainda existente na zona norte da cidade. Ele conseguiu um emprego na construção civil, transportando tijolos e ela como lava-loiças de vários estabelecimentos de comidas da zona. Já nessa altura os ilegais estavam sob controlo apertado das autoridades policiais. Era usual verem os seus vizinhos serem caçados e recambiados para lá das Portas do Cerco. Mas, sem drama algum, pois ao cabo de um mês acabariam por se re-introduzirem em Macau de uma ou doutra forma. Ele não teve tanta sorte, porém, quando o mal se abatera sobre si num dia em que ele trepava pela estrutura de bambu, transportando os usuais quilos de tijolo acima. O assalto de pânico não distinguia vítimas e ele descontrolou-se, caindo do segundo piso. Não morreu, mas de maca saía escoltado de Macau, para nunca mais poder regressar. Pek Si, não frequentou a escola como as crianças normais de Macau, não envergou uniformes limpos passados a ferro, nem teve mãe para lhe fazer festinhas. Conheceu quatro paredes num cubículo de lata, onde se penduravam também utensílios vários, desde tesouras, panos de limpeza e canecas de lata para água e escovas de dentes. O papel de jornal era a coisa melhor que se podia ter, pois servia de tapa-buracos, toalha de mesa, limpa-
-vidros e reforço de cobertor em tempos de frio húmido e implacável do Inverno. O odor a almíscar, mesclado com o de gengibre e peixe da noite anterior, o ar quente que não circulava, era assim na cela que se chamava casa. De nada lhe valeu a “Operação Dragão” (2) em 1990, destinada a reconhecer
Teria que dar um salto para um mundo fora do de Pek Si. De se chamar outra coisa. Betsy foi o que ouvira numa noite de devaneio, quando um bife a chamara no meio de copos, piropos e apalpadelas. Nunca mais respondera a quem pronunciasse o seu nome de origem. Deixou crescer o seu cabelo para além dos ombros, passou a usar roupa mais ajustada e saltos altos. Os seios eram pequenos, mas sabia como compensá-los com a flexibilidade das suas ancas. Aos dezasseis anos virou boneca da noite
os imigrantes ilegais que o Governo de Macau na altura levara a cabo. Apesar de ter conseguido obter um documento de identificação, de ser já gente, as condições de vida não alteraram. A mãe continuou a lavar loiça e ela crescendo em paredes meias com a qualidade de vida, com a qual nunca comungara e sempre a fugir-lhe a meros centímetros de distância. Dinheiro passou a ser uma razão de ser, porventura a mais importante. Não compra a felicidade, estava enjoada de ouvir, mas era fundamental para a atingir. Preferiria estar doente sendo rica, a sadia sendo pindérica. É deprimente ser pobre, chorava para os botões. Teria que dar um salto para um mundo fora do de Pek Si. De se chamar outra coisa. Betsy foi o que ouvira numa noite de devaneio, quando um bife a chamara no meio de copos, piropos e apalpadelas. Nunca mais respondera a quem pronunciasse o seu nome de origem. Deixou crescer o seu cabelo para além dos ombros, passou a usar roupa mais ajustada e saltos altos. Os seios eram pequenos, mas sabia
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
segunda-feira 15.10.2018
Surpreendeu-se quando deu por si a chorar, não de tristeza, mas de desespero de quem se quer livrar dum como compensá-los com a flexibilidade das suas ancas. Aos dezasseis anos virou boneca da noite. Viu muito homem, na maioria estafermos e cretinos. Só com Ricky Lam e Jason Chiu, pôde experimentar o que era uma vida de gente, de ser servida com amabilidades e deferências. Limpeza. Sofreu muito quando a sorte lhe fora travada por duas vezes a milímetros do seu alcance. Entrou em estado de luto por uma semana, e quando acordou ao sétimo dia, olhou para o sol, apontou-lhe o dedo e bradou: “Ainda não acabou!” De facto não seria assim que previra o seu fim. Por duas vezes a hora lhe fintara, para descobrir que afinal ainda não chegara. Esboçou um sorriso, ajeitou os seus sedosos cabelos lisos, arrebitou os seios e, meneando as suas ancas experientes, caminhou para a frente em antecipado desafio à sorte ainda por vir. E conheceu Terrence. Com trinta e três anos, era filho único de uma família distinta de Macau e Hong Kong. Aluno de Harvard, com brilhante mestrado em gestão de empresas, fino nos modos, voz mansa e de trato fácil. Houve uma altura em que até se sentia inferiorizada a seu lado, porque achava não ter a sua categoria e que só lhe faria figura triste. Mas, docilmente ele aplacava os seus temores e lhe dizia que não se importunasse com questões falsas. Foi num caraóque com amigos, aos quais se juntaram outros amigos, reunindo-se todos numa única sala de canto. Ele destacava-se, não por falar muito ou de ser o engraçado da turma, mas pela simplicidade de um homem que atraía respeito. Não cantaram. Falaram é muito no meio da barulheira e da desafinação descarada dos comparsas. E continuaram a falar depois sentados à beira do mural da Meia Laranja, cada um com a sua lata de cerveja, sobre tudo o que trivialmente vinha à cabeça. As horas batiam três, ele levou-a de carro até a casa. Aí pôde ver que não era um borra-botas. O automóvel era lindo, a cheirar cabedal novo. Nunca esteve num Bentley, mas sabia que era muito mais distinto que um Mercedes ou BMW. Pela primeira vez não esperou que ele subisse. O seu trato era tão reconfortante que preferiu voltar a vê-lo no dia seguinte. E mais dias seguintes vieram. Enquanto os outros dois apenas a conheciam na cama, este dava-lhe chão para caminhar. Pela primeira vez, também, sentira que havia algo tão importante como o dinheiro. E quando dera por isto, já ela o amava perdidamente. Não frequentaram restaurantes requintados. Ela preferia levá-lo a conhecer a comida de rua, sentados em banquinhos
emplastro agarrado ao corpo. Betsy era uma invenção, uma via que se transformou num beco. Toda a sua vida fora uma miragem sem contornos. Não podia continuar a viver, porque nunca devia ter nascido no passeio partilhando o pote de carneiro cozido servido com fu-ü (3), nas noites gélidas do Inverno. Mas nessa noite, a última da sua vida, iria passar pelo teste da sua existência. Ela sabia que não seriam favas contadas, não se casaria com Terrence sem mais nem menos. Toda a sua vida foi construída de provações e era mais uma por onde passaria. Malgrado, não sabia que era a mais importante. Iria encontrar-se com a pessoa de uma importância gigante para Terrence. A mãe era uma mulher de maneiras aprumadas, com “postura imperial” como alguns conhecidos seus diziam. Naturalmente graciosa, Mabel fazia questão em se vestir bem. Mesmo nas situações mais triviais ela escolheria roupa que, sem destoar a informalidade da ocasião, evidenciaria a elegância que encarnava. Todas as semanas estaria no seu cabeleireiro, para manter o seu penteado enformado. Não era muito conversadora, mas o sorriso era garantido para todos com quem se relacionava. De estatura média, delgada de pele muito clara e lisa, aos sessenta, as suas faces mantinham o rosado jovem, duma senhora delicada, à qual os anos passaram à ilharga. Uma ou outra ruga, no canto dos seus olhos, não alteravam a jovialidade da sua aparência. Continuava “bela como nos tempos de ouro”, como suspiravam nostálgicos os cavalheiros que a conheceram jovem. Apreciava a serenidade nas pessoas e o sentido de oportunidade de cada um. “Sem nos trairmos, somos todos circunstanciais”, dizia amiúde. Uma mulher de personalidade ferro, que nunca precisou de levantar a voz, Mabel tinha um jeito sedutor de manifestar a sua autoridade e desagrado, e atingia o alvo com pontaria de alfinete, mantendo intacta a sua calma e timbre. Haveria que saber interpretar as suas pausas descompassadas, acompanhadas do seu olhar fixo e enigmático sorriso. Não se abria com facilidade, mas Terrence lembrava-se de tantas ocasiões, mesmo já homem feito, em que se deleitava nos braços da mãe que lhe fazia festinhas na testa, cantarolando-lhe “Yeh Loi Heong…Yeh Loi Heong” (4) uma melodia de Xangai que aprendera em miúda, ao som do piano na telefonia. Betsy ouviu tudo isso como uma criança diante de um conto de embalar
e apaixonou-se por essa figura que por sinal também lhe será importante um dia. Dias a fio, tomou notas e memorizou tudo o que era preciso saber sobre Mabel. Até, sem querer, já ensaiava poses de elegância, tentando reproduzir a sua mulher de referência. Nessa derradeira noite da sua vida, estava pronta. Olhou para o espelho e pôde constatar a sua postura de classe com que ela vestira. Tudo ao pormenor estudado com dias de antecedência. Não era ela, mas gostou do que vira e a vontade de ser o que estava diante dos seus olhos crescia. Suspirou, tinha que ter calma.
O seu coração ribombava. Terrence segurou-lhe a mão, mas ela recusou. Ainda não era altura. Mabel conversava com o gerente do restaurante, sorvendo o seu chá. Estava de cheong sam verde com tons de jade. Seus olhos abriram-se ante o deslumbramento que Betsy lhe causara, percorreram por todos os cantos da sua aparência. Terrence encontrara uma modelo, dizia para si. Os gestos da Betsy eram brandos e pausados, sem pressa alguma. Evitou gesticular em demasia as suas mãos, mas apenas o necessário para realçar essa ou aquela ideia. Ombros sempre rectos acompanhando a sinuosidade do seu dorso. Tinha iniciativa de conversa, mas sempre a propósito dos comentários que Terrence fazia. Betsy estava tão à-vontade que se até se esquecera de que estava sob escrutínio. O olhar de Mabel brilhava a todos os detalhes que ela lhe dava. Terrence
estava feliz, ao presenciar a intensidade da interacção entre estas duas mulheres mais importantes da sua vida. O jantar decorreu conforme o previsto, sem falhas. Cumprira com mestria tudo o que foi combinado. A mãe, todo o tempo muito cordial, mas reservada. Sempre preferiu ouvir a falar. De olho atento, o seu sorriso era doce e meigo, os seus gestos limitavam-se ao mínimo como um menear da cabeça, um franzir da testa, um trejeito leve dos seus lábios, em reacção deste ou daquele comentário que se fazia ao longo da conversa amena da noite. “Estou muito feliz por ter esta oportunidade de a conhecer. O Terrence fala-me tanto de si e consigo agora perceber a razão por que ele tem a grande admiração pela senhora.” Betsy ensaiou com timidez um cumprimento. “Terrence conhece muito bem a sua mãe”. Riram-se todos, e Terrence aproveitou a boa disposição e pousou a sua palma sobre a mão débil de Betsy. “Conhece tão bem, que sabe do que gosto. Cresceu atencioso para as coisas da mãe até ao ínfimo pormenor. Coitado dele, pelos inúmeros sermões que aturou de mim.” Mais uma ronda de risada e a noite prometia. Betsy ria de coração, agora liberta de tensão. Via em Mabel a dignidade de uma mulher simples e afável. Era isso que ela gostaria de ser. “Há alguma coisa que ele não saiba de si?” aventurou-se Betsy, apoiada agora do sorriso confiante de Terrence. Mabel sorriu para o vácuo. De repente, tudo parou, nem música de fundo se ouvia. “Claro.” Pausou e depois prosseguiu. “Não sabe que a sua mãe também pode ter várias faces, fruto de muitas vidas que teve. Não sabe que a sua mãe vê o que anda a tramar e a combinar com outros para lhe agradar. Oh, como amo o meu filho, que quer sempre a sua mãe feliz. Só que muitas vezes isso tem um preço, que é o de estar preso por algo que afinal não é bom para si. Eu, como mãe, naturalmente sofrerei.” “Não entendo o que está a dizer” sorriu Betsy ainda na onda da boa disposição reinante. “Entendes sim, e muito. Tens uma escola de invejar, fizeste tudo com fina arte. Mas falhaste num pormenor. Foste perfeita demais.” “Mãe… o que se passa?!”. Mabel ignorou o filho e fixou-se em Betsy. “Estudaste muito bem a lição e deste todos os passos até ao ínfimo pormenor. É a tua experiência da vida que falta a muita gente. Confesso que gostei do teu profissionalismo, fizeste tudo do agrado de qualquer pessoa. Mas, menina … não é assim que se conquista. O meu filho não é um troféu e eu não sou parva.” “Mas … Deve haver um equívoco. Que mal fiz eu?” . Estava atónita. (Continua na página seguinte
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Mabel retorquiu com um sorriso. Não deixava dúvida de que algo de mal se seguia. “Escolheste vestir a roupa que não é tua. Foste tudo menos tu própria. Não tenho tempo para estas coisas. Se queres roubar, é na rua e não na minha cara. Betsy, volta para casa e aprende melhor a lição. Tiveste a sorte de o Terrence ser meigo e inexperiente. Mas o azar teu é teres de enfrentar uma mãe-galinha como eu. Levantou-se. “O jantar foi bom e a companhia agradável. Mas, não desejo repeti-lo. Terrence telefona ao Ah-Seng para vir buscar-me”. Saiu do restaurante. Terrence largou logo a mão de Betsy. Era visível a sua aflição perante a situação com que não contava. Doía-lhe presenciar a rejeição da mãe. Nunca lhe tinha acontecido isso. “Peço desculpa, isto não devia acontecer. Volto daqui a pouco, juro!” E desapareceu. Ainda ficou por mais dez minutos. Sem fala. Por fim, saiu do restaurante, sem saber se Terrence voltara como prometera. Que importava mais, se estava tudo dito? Nunca ligou para essas coisas do destino, mas começara por acreditar que era esse o seu. Não estava com raiva, o seu coração até palpitava normalmente. Sentiu era o vazio que sugava para si a sua existência, a sua razão de ser. O vazio que vinha da desilusão, da fraqueza de Terrence perante o seu próprio destino. Da sua condição de dependência dessa rocha que ela pensava que fosse. Ele foi a primeira pessoa por quem lutaria mesmo que fosse pobre. Respirava tenuemente enquanto caminhava pelas ruas húmidas, ante olhares de curiosos ou de indiferentes. Na Meia Laranja, tirou os saltos e lançou-os para longe. Não tinha forças para gritar como gostaria. Mas não havia mais nada por que gritar, nem revolta, nem nojo de si. Recordou as palavras de Mabel e concordara com elas: andou a cobrir-se com a roupa dos outros, como andou sobre saltos dos outros. Nada sobre o seu corpo era dela. Ela própria era um enfeite para o deleite de olhos alheios. Lançou os brincos para o lago. Queria fazer o mesmo com o seu penteado, com as suas unhas, com a sua maquilhagem. Surpreendeu-se quando deu por si a chorar, não de tristeza, mas de desespero de quem se quer livrar dum emplastro agarrado ao corpo. Betsy era uma invenção, uma via que se transformou num beco. Toda a sua vida fora uma miragem sem contornos. Não podia continuar a viver, porque nunca devia ter nascido. E essa fora a última noite da boneca que vestira tudo para estar junto à vitrina. E prosseguiu a sua caminhada, mergulhando-se no escuro da madrugada. No dia seguinte, transeuntes encontraram um cheong sam, uma pulseira, no mural enquanto pousavam uns saltos, um aqui outro acolá, sobre as rochas existentes no lago. Ninguém soube decifrar esse enigma, nem tão pouco dizer quem os usara. Quem se importaria? Nunca mais se ouvira falar de Betsy. Onze meses passaram. Os seus dedos continuavam delicados e lindos, assim como as unhas, agora mais curtas e sem
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verniz. Pressionavam os botões da caixa de registo das compras que se sucediam peça por peça, ante o olhar enfadado e impaciente dos clientes enfileirados. Com o seu cabelo negro segurado dentro dum boné, ela executava a tarefa maquinalmente, sem pestanejar, sem abrandar ritmo. Apenas falava quando lhe perguntavam algo ou quando tinha de usar o intercomunicador. Quem a conheceu não mais a reconheceria, se não fossem os seus olhos grandes e despertos que continuavam a irradiar algo excitante, apesar da nova vida radicalmente oposta à que levara. As faces apresentavam agora um rosado sobre as maçãs. Sem qualquer pintura, os olhos eram mais meigos, que espelhavam vulnerabilidade, mas sempre determinantes. Os seus lábios ganharam mais escarlate e destacavam-se nesse seu novo semblante, mesmo sem batom. De ganga e sapatilhas era esse
o seu visual diário com que um novo universo de gente a identificava. E “Ah Pek”, o seu nome de guerra. No seu íntimo, resignara-se de que a tal hora sua não chegará jamais, pois afinal nunca teria sido sua. Malgrado, de modo algum aceitaria sair de Macau de maca. Aqui passou a ser a sua terra. “Pek Si!”, o chamamento quebrou-lhe o fio do pensamento. Não era de homem que a conhecia, ademais, ninguém se lhe referiria nesse nome. Quis ignorar, mas traiu-a a sua cabeça quando lentamente girou para reconhecer a origem. E ficou tensa. A fila do seu balcão não parava de crescer e a pessoa não parava de a olhar. Não teve outra solução que chamar a sua colega para a substituir por um momento, para poder atendê-la. O silêncio manteve-se durante alguns segundos. “Custou-me a encontrar-te, mas há meses que soube onde trabalhavas. Não vim antes, quis observar mais.” Pek Si manteve-se muda, atenta ao que se lhe seguiria. Já se tinha habituado a isso, esse tempo todo. “Terrence não sabe que estou aqui. Aliás, há muito que não falamos. Peço apenas que me escutes até o fim. Prometo que não me verás nunca mais”. Concordou. Mabel não quis olhá-la quando principiou. “A minha vida nem sempre foi de sol. Conheci bem o cheiro da rua, pois vim de lá. Isso, também o Terrence não sabe.” Pek Si de olhos fixos, não esperava isso dela. “Sei o que é fome e das manhas que temos de engendrar para sacar mais. Sei da memória que temos de conservar boa para mantermos a peta para o dia de amanhã e outros mais que lhe seguirão” sorriu. “Gastamos o tempo a escolher a nossa roupa, para nos despirmos num ápice, porque ele está com pressa. Fazemos o beicinho no momento certo e fingimos tão bem o prazer que eles nos dão. Bem sabendo que na cama ninguém nos vence, temos de saber ser frágeis e estar à mercê. No entanto, ninguém tem culpa da nossa condição, a escolha foi nossa. Tive sorte porque consegui uma passagem para a ribalta. Não sei se amei o pai do Terrence, nem sei se devia ter-lhe agradecido por aquilo que me deu, mas eu fiz o meu trabalho e ele compensou-me. Fui uma mulher à altura dele ou pelo menos como ele esperava de mim. Deixei intacta a dignidade da sua família, mesmo depois da sua morte. Fi-lo sentir-se marido honrado, apesar das fragilidades que também teve. Podia sentir-me realizada. Todavia, o que me perturba, é que não devia viver disso,
Sem qualquer pintura, os olhos eram mais meigos, que espelhavam vulnerabilidade, mas sempre determinantes. Os seus lábios ganharam mais escarlate e destacavamse nesse seu novo semblante, mesmo sem batom. De ganga e sapatilhas era esse o seu visual diário com que um novo universo de gente a identificava. E “Ah Pek”, o seu nome de guerra
da mentira. Embora me seja tão difícil largar mão daquilo que me custou a vida a conseguir, o meu começo estava errado. Com Terrence, pude novamente escolher. E assim, dei-lhe o que de melhor soube dar. Decência e razoabilidade. Não iria alimentar mais um estafermo, pois estafermos fazem nascer mulheres como nós, que criamos outros estafermos. É um ciclo vicioso, sabes? Quis fazer dele um homem. E um homem não deve querer mulheres como nós. Todavia, o amor não tem razão. Ele venda-nos os olhos e nos atira para o abismo abaixo. Como ele te adora. A sua apatia perante tudo não me deixa dúvidas. Quando eu te vi, julgava saber com quem estava a lidar. Achei-te artista que não me iludirias. É que somos da mesma gente, menina, exalamos rua. Não queria que ele sofresse com a mentira dos outros. Estava tão certa de que irias destruí-lo. É coisa de mãe, Pek Si. E os filhos são a nossa fraqueza. Mas, o tempo tem destas coisas, contraria as nossas certezas. Ele deu-me a conhecer que o meu filho terá de sofrer por si, pela escolha que fizer. Ele quis amar-te. E o tempo também me disse que estava errada a teu respeito. Escolheste sem troco romper com o passado e renasceste. Isto é garra que muita mulher não tem. A minha foi-se-me, depois de tantas decisões desacertadas que achei correctas. Um dia serás mãe e verás …” “Um dia serei como você, minha senhora”. Pek Si interrompera sem a desafiar, embora não tinha nada mais a perder em se sentir à altura de Mabel. “Lutarei para poder escolher. E os meus filhos conhecerão o preço da dignidade. Porém, sem as minhas garras. Eles terão que escolher por si. Enterrei Betsy, mas não me envergonho dela. Faz parte de mim, foi a minha vida e aprendi a viver com ela.” Mabel assentiu. “Obrigado. Morrerei infeliz se não pudesse dizer isso tudo. Não te vou maçar nunca mais” Olhou fixamente nos olhos de menina de Pek Si e afagou-lhe o ombro. “Que linda que estás. Como o Terrence gostaria de voltar a ver-te. Eu também.” Não respondeu logo. Mas os mesmos olhos comprimiram ao esboçar um sorriso, como há muito não fazia. De facto, o seu semblante desnudado de qualquer maquilhagem, faziam-na mais bela. Mais ela. “Vou pensar”. “Acho uma bela escolha.” Sorriu também Mabel antes de entrar no automóvel que estava à sua espera. (1) Cabaia chinesa. (2) Operação do Governo de Macau, em Março de 1990. destinada inicialmente a resolver o problema de pais indocumentados de cerca de 4000 crianças e que resultou em verdadeira amnistia a todos que se apresentassem a registo. (3) 腐乳 tofu fermentado e depois embebido numa solução de sal, vinho de arroz, vinagre, com uma mistura de malagueta picada. Servido em cubos, é um condimento muito apreciado em pratos fortes de inverno, como carneiro cozido. (4) Ye Lai Xiang (夜來香), o jasmim da noite. Título de uma canção chinesa muito em voga dos anos quarenta do século passado, metáfora que exprime a saudade por um amor perdido.
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Paulo Maia e Carmo texto e ilustração
Num poema de Li Shangyin
L
I Shangyin (813-858), o eminente poeta da dinastia Tang, reconhecido pela precisão da linguagem em claras e elegantes imagens e pela alusão elíptica a ilícitos casos amorosos, é por outro lado, um exemplo de como os poetas contribuíram de modo decisivo para o intangível processo de identificação, de pertença a um conjunto de valores que se estende no tempo, apesar da imensa diversidade, descontinuidade e rupturas que se foram sucedendo ao longo do tempo. Essa impressão de persistência foi sendo transmitida não só por artefactos ou pela arquitectura mas sobretudo pelos referentes constantes das montanhas e rios, o que chamamos a paisagem e a sua expressão na pintura; e pela linguagem,
descobrindo pelo caminho até chegar junto de um lago chamado Yaochi, designação de uma pedra de jaspe colorida, também referida como jade. Num palácio que está junto dele, vai encontrar Xiwangmu, a Rainha-Mãe do Oeste. Tal como relatado nas Histórias do Rei Mu, escrito durante o período dos Reinos Combatentes (475221 a. C.), depois da troca de presentes seguiu-se um grande banquete onde foram servidos os mais inacreditáveis manjares após o que os dois monarcas fizeram promessas de um breve reencontro. Mas não sucedeu. No regresso os seus ministros queixaram-se da depredação do tesouro causada por uma viagem demasiado longa e dispendiosa e o rei Mu nunca regressaria. É este incidente que Li Shan-
«Em Yaochi, o lago de jade, Mu a bela mãe, abre a janela,/ Será a voz dela que canta esta ‘canção do bambu amarelo’ que afasta da terra toda a tristeza?/ Num só dia os oito cavalos percorreram cem mil li,/ Como poderia o rei Mu saber que não iria voltar?» nas suas formas criativas da caligrafia e da poesia. É essa repetida apropriação criativa do passado que o poeta faz presente num poema intitulado, pela leitura dos dois primeiros caracteres, Yaochi, o nome de um mítico lago onde se desenrola um encontro irrepetível. O quinto monarca da dinastia Zhou do Oeste (Séc. XI-771 a. C.), o rei Mu ficaria conhecido por uma incrível viagem ao Ocidente. Teria partido de perto de Luoyang seguindo para norte até Shanxi, pelo vale do rio Amarelo (Huanghe) continuando por Qinghai até à região hoje designada como Xinjiang. Trata-se de uma enorme distância, incrível para um viajante do seu tempo mas não menos incríveis foram as maravilhas que foi
gyin relata na forma clássica do jueju, quatro linhas de sete caracteres, que recriamos em português: «Em Yaochi, o lago de jade, Mu a bela mãe, abre a janela,/ Será a voz dela que canta esta ‘canção do bambu amarelo’ que afasta da terra toda a tristeza?/ Num só dia os oito cavalos percorreram cem mil li,/ Como poderia o rei Mu saber que não iria voltar?» Um memorável encontro guardado na memória intangível como esse outro misterioso encontro do rei Salomão com a rainha do Sabá (1Reis, 10) que, segundo alguns, estará na origem de um dos mais belos poemas de amor da cultura do Ocidente, onde está escrito que «As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios o poderiam submergir.» (Cant. 8, VII)
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VENOM [C] Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
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SALA 3 SALA 2
PROJECT GUTENBERG [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 14.15, 16.45, 21.45
GINTAMA 2: RULES ARE MADE TO BE BROKEN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS
A SIMPLE FAVOR [C] Um filme de: Paul Feig Com: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding 14.30, 16.45, 21.30
JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN [B] Um filme de: David Kerr Com: Rowan Atkinson, Olga Kurylenko, Emma Thompson 19.30
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A vontade que nestes dias há com fartura para limitar as liberdades individuais e levar pró-democratas para os tribunais continua a faltar para resolver o problema dos taxistas. Um vídeo que circulava ontem nas redes sociais mostrava, mais uma vez, um taxista a recusar levar as pessoas que estavam na longa fila de espera na Torre de Macau. Contudo, depois de uma conversa de breves segundos com uma outra pessoa que estava mais à frente, não demorou a aceitar o cliente. A impressão que fica é que essa pessoa deve ter pago os famosos “presentes”, que ficam tão bem nas apps locais. E que os criadores destas apps dizem à boca cheia que são legais, perante a passividade da DSAT que se limita a dizer que “vai acompanhar de perto” o assunto. Traduzindo, não vai fazer nada mas sempre disse qualquer coisa. Como também a app envolve gente importante do território, o melhor é mesmo ficar quieto. Não se vá incomodar alguém e ver uma promoção no governo bloqueada porque não se agradou a determinado empresário. Os dias passam e este é um problema para o qual não se encontra resolução.Anteriormente Wong Sio Chak disse que precisa da nova lei para combater o fenómeno. O diploma está actualmente na AL e tem algumas alterações que envolvem uma discussão profunda. Porém, a penalização para apps tipo Uber vão ter com a nova lei penalizações muito mais duras do que os taxistas. Estes vão poder cometer toda uma série de infracções graves, antes de serem realmente punidos. É compreensível, são um sector cheio de gente séria e não merecem a desconfiança da população. Mas não deixo de me interrogar: se a infracção fosse de um qualquer democrata, alguém acredita que o Governo não arranjava logo um enquadramento legal para aplicar uma sanção dura? João Santos Filipe
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6 84274 7 9 5 3 3 9359 5 6 1 8 2 7 7 1 4 5 2 38968 7867 652 5 4 391 1 58398 9 6 472 4 2 9 1 3 7 856 9 984 8 72612 1 5 2 62 6 1 354 597 9 5 3 7 918 146 4 PROBLEMA 14
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 13
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S U D O K U
Cineteatro
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PROBLEMA SEM RESOLUÇÃO
Diariamente
EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA Albergue SCM | Até 21/10
YUAN
VIDA DE CÃO
CONCERTO COM LI ANJI & LU BUSAN Live Music Association | Das 21h00 às 00h00
EXPOSIÇÃO “CHAPAS CÍNICAS” Museu das ofertas sobre a transferência da soberania de Macau | Até 7/12
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BROKEN SWORD CHARLES CECIL5(1996) 9 |6 1 8 7
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opinião 19
segunda-feira 15.10.2018
reencarnações
O
que aproxima Werner Heisenberg, nobel da física, aos galgos que correram na pista do Canídromo? Qual a semelhança entre a matéria escura (em inglês dark matter) e Centro Internacional de Realojamento de Galgos de Macau? Bem, a infra-estrutura intencional de que se fala desde que terminou a concessão da Yat Yuen interage menos com a realidade, como a concebemos, do que qualquer partícula que só actua em termos gravitacionais, como uma espécie sombra teórica. A matéria escura está lá, apesar de não ser apreendida pelos sentidos imediatos. Não carece de fé para existir, uma vez que os efeitos da sua existência são registados por vestígios evidentes. Mas, apesar do mistério que encerra, este mistério da física moderna é bem mais real que a badalada solução alternativa apresentada como a próxima casa dos reformados cães de corrida a caminho da adopção. No início do século passado, Heisenberg mandava abaixo as fundações da física clássica com uma teoria que tinha a imprevisibilidade no cerne das características de partículas e elementos atómicos. Quase cem anos depois, o Governo e a Yat Yuen trazem para a gestão municipal o princípio da incerteza da mecânica quântica. Para onde vão os galgos da Canídromo quando deixarem de correr? Esta questão continua por responder, quase três meses depois do fim da concessão. O edifício que deveria receber o Centro Internacional de Realojamento de Galgos de Macau está num terreno concessionado com finalidade industrial, o que representa um berbicacho legal. Foi também sugerido alojar os animais em dezenas de moradias privadas, numa alusão clara ao psicadelismo urbano, uma modalidade de urbanismo que me parece que acabei de inventar. Ah, esperem, lembrei-me agora do edifício ao lado da Casa de Lou Kau. Ainda assim, a sobriedade venceu o surrealismo e procurou-se outro terreno. Neste momento da narração do desespero para encontrar um sítio para alojar mais de 500 cães, importa recordar que o dia do fim da concessão há muito que era conhecido. Prosseguindo o calvário logístico, chegou-se à conclusão que o melhor sítio para alojar os galgos seria em Coloane. Porém, a proximidade do terreno apontado para o possível destino dos animais, até serem adoptados, com um asilo para idosos deitou por terra mais uma possibilidade. As instalações não garantiam as condições necessárias e, pior que tudo, a decisão foi protestada pelos utentes do Asilo Vila Madalena. E todos sabemos como o Governo responde
Galgos e a incerteza NATA ZAIKINA
JOÃO LUZ
a reacções póstumas a decisões executivas. Lá arrepiou pêlo e voltou à casa partida com o rabo entre as pernas. Aparentemente, e apesar de toda a preocupação revelada pelos residentes de Macau quanto ao destino dos galgos, ninguém os quer por perto. Apesar de terem estado instalados mais de meio século numa das zonas mais populosas da cidade, desde que a concessão chegou ao fim os galgos passaram a ser a pior de todas as
Quase cem anos depois, o Governo e a Yat Yuen trazem para a gestão municipal o princípio da incerteza da mecânica quântica
vizinhanças, talvez só comparável a crematórios e armazéns de substâncias perigosas. A questão que agora se levanta é qual o próximo destino para acolher os animais e qual a razão para o chumbo desse lugar. De forma a derreter os relógios que marcam as horas noticiosas, sugiro instalar os galgos nos estaleiros de Lai Chi Vun. A medida, influenciada pela escatológica pena de Artaud, e que não é para ser levada a sério, tem o mesmo peso que qualquer outra apresentada até agora. Em comum têm a ineficácia em termos de deliberação executiva, e serem dois tópicos que revelam a filosofia de catavento nesta peculiar forma de governar. Seja como for, a batata quente canina será passada de sítio em sítio sem, qualquer vestígio de capacidade decisória, ou respeito pelos animais que apenas conhecem a vida de cativeiro.
Entretanto, em Macau há outros seres que clamam habitação. Aliás, tecto com dignidade é assunto recorrente no território onde se arrendam lugares em beliches. A cidade foi feita para apostar, seja nos casinos ou no imobiliário, doa a quem doer. Como venho de um país que, por razões que me escapam, decora as entradas das habitações com galgos de louça, proponho que se contemplem 500 felizes famílias de Macau com a fantástica oportunidade de acolher um ex-campeão nas suas salas. Proponho definição, permanência, resolução, coragem e uma decisão que não mude com as marés. Proponho governação com vigor, firmeza e pelo menos um simulacro de convicção de competências, proponho um Executivo que actue com a determinação que emprega na exponencial vertigem da vigilância.
O jogo é um corpo-a-corpo com o destino. PALAVRA DO DIA
Anatole France
FURACÃO LESLIE RAJADA DE 176 KM/H FOI A MAIOR REGISTADA EM PORTUGAL
Toca a todos Governo admite potencial impacto da guerra comercial no jogo
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ARÁBIA SAUDITA RECUSADAS SANÇÕES E “ACUSAÇÕES FALSAS”
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MA rajada de vento atingiu os cerca de 176 quilómetros por hora no sábado à noite na Figueira da Foz, valor mais elevado registado em Portugal, indicou ontem o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Numa nota publicada no ‘site’, o IPMA adianta que a estação de Figueira da Foz/Vila Verde registou às 22:40 de sábado uma rajada de cerca de 176 quilómetros por hora, valor atribuído a um fenómeno designado por ‘sting jet’. O IPMA frisa que a rajada observada no sábado na Figueira da Foz constitui o valor “mais elevado registado em estações da rede meteorológica nacional”, sendo o máximo anterior de 169 quilómetros por hora, a 17 de outubro de 2015. O IPMA explica que o ‘sting jet’ é uma forte corrente descendente que, por vezes, se desenvolve no bordo oeste de depressões extratropicais, podendo alcançar a superfície. Nestes casos, as rajadas podem ser superiores a 150 quilómetros por hora numa área reduzida, tipicamente situada a sudoeste do núcleo da depressão. A designação de ‘sting jet’ decorre do facto de a assinatura deste fenómeno em imagens de satélite e radar se assemelhar à da cauda de um escorpião (sting). O IPMA indica ainda que se observou um fenómeno semelhante em Portugal Continental a 23 de dezembro de 2009, mas na altura não esteve associado a uma depressão resultante da transição de ciclone tropical para depressão extratropical, como se verificou no sábado. A passagem do Leslie por Portugal, no fim-de-semana, provocou um morto, 28 feridos ligeiros e 61 desalojados. O distrito mais afectado pelo Leslie foi o de Coimbra, onde a tempestade, com um “percurso muito errático”, se fez sentir com maior intensidade, segundo o comandante nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
segunda-feira 15.10.2018
A
guerra comercial entre a China e os Estados Unidos pode vir a beliscar o principal motor da economia de Macau: o jogo. É o que reconhece a Direcção dos Serviços de Economia (DSE), em resposta a uma interpelação escrita do deputado Pereira Coutinho, garantindo estar a acompanhar os potenciais consequências para o território. Embora do ponto de vista comercial antecipe um impacto “limitado” decorrente da disputa entre a China e os Estados Unidos, a DSE reconhece a possibilidade de um efeito dominó a outras áreas económicas da China,
passível de trazer “factores de incerteza para a confiança dos investidores e a estabilidade do mercado de capital circulante”. Neste sentido, admite a possibilidade de que a vontade de consumir e viajar dos residentes da China “seja afectada”, o que constituirá, muito provavelmente, uma situação nada benéfica para o sector do jogo e turismo de Macau”.
OLHO VIVO
“O Governo continuará a prestar estrita atenção às últimas informações” e “às demais políticas restritivas aplicadas, procedendo ininterruptamente à avaliação dos impactos que as mesmas
“O Governo continuará a prestar estrita atenção às últimas informações” e “às demais políticas restritivas aplicadas, procedendo ininterruptamente à avaliação dos impactos que as mesmas poderão trazer para Macau nas vertentes económicas e comercial.” DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE ECONOMIA
poderão trazer para Macau nas vertentes económicas e comercial”, diz a mesma resposta, datada de Agosto. Indicando que “vai manter uma comunicação estrita com os operadores dos sectores para conhecer mais rapidamente as implicações da disputa comercial para as empresas locais”, a DSE promete ainda “facultar-lhes, em tempo oportuno, apoios mais apropriados”, embora sem concretizar. Já do ponto de vista do comércio, a DSE nota ser “limitado” o impacto da imposição de tarifas até 25 por cento por parte dos Estados Unidos, dado que China e Macau constituem duas zonas aduaneiras autónomas distintas. Assim, prevê “ser pouco significativo o impacto directo nas exportações locais para os Estados Unidos”, embora antecipe que as mercadorias com destino àquele país por via de Macau venham inevitavelmente a ser afectadas”, ainda que seja preciso mais tempo para apurar a extensão das implicações. D.M.
Arábia Saudita recusou ontem que lhe venham a ser impostas sanções, depois da ameaça dos Estados Unidos de um “castigo severo”, que fez a bolsa saudita cair 7%, no âmbito do caso do desaparecimento de Jamal Khashoggi. Khashoggi, jornalista saudita crítico do príncipe herdeiro auto-exilado nos Estados Unidos, deslocou-se na semana passada ao consulado saudita em Istambul e nunca mais foi visto. Fontes policiais citadas pela imprensa turca afirmaram que o jornalista foi morto no consulado, o que é negado pelas autoridades sauditas. No sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu que a Arábia Saudita possa estar por detrás do desaparecimento do jornalista Jamal e advertiu que, se for esse o caso, haverá um “castigo severo”. Em resposta, Riade afirmou ontem “rejeitar inteiramente qualquer ameaça ou tentativa de a enfraquecer, seja através de ameaças de sanções económicas, do recurso a pressão políticas ou da repetição de acusações falsas”. Se for alvo de sanções, prosseguiu em comunicado divulgado pela agência oficial SPA, responderá “com sanções ainda maiores”, apelando que seja tido em conta que “a economia do reino tem um papel vital e influente na economia global”. O comunicado foi divulgado depois de a bolsa de Riade ter caído 7% no primeiro dia de operações da semana.
Costa Alterações no Governo reforçam política económica
O primeiro-ministro, António Costa, afirmou ontem que as mudanças agora introduzidas no seu Governo pretendem assegurar uma “dinâmica renovada”, com “reforço da política económica” e prioridade concedida à “transição energética na mitigação das alterações climáticas”. Esta posição consta de uma nota do líder do executivo enviada à agência Lusa, na qual António Costa elogia o trabalho dos ministros cessantes da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral. Idêntico agradecimento pelo primeiroministro já tinha sido feito ao ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na sexta-feira. “Quero agradecer muito reconhecido a Luís Felipe Castro Mendes, Adalberto Campos Fernandes e Manuel Caldeira Cabral o espírito de missão e compromisso de serviço público com que exerceram as funções ministeriais que amanhã [hoje] cessarão”.