DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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Q U A R TA - F E I R A 1 5 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 9 3
EDUCAÇÃO
ENSINO ESPECIAL
O Governo diz que Macau tem professores suficientes, mas directores de escolas privadas queixam-se da falta de docentes e afirmam mesmo que esta é a maior falha do sistema. REPORTAGEM PÁGINAS 2-3
hojemacau
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Relatório na ONU SOCIEDADE PÁGINA
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MANIFESTAÇÕES
CONFISSOES´ DE UM COMISSARIO ˜
O responsável do Comissariado de Auditoria, Ho Weng On, admitiu que é impossível controlar todos os detalhes sobre os gastos públicos. “É irrealista esperar que o CA supervisione passo a passo a forma como o dinheiro é gasto”, confessou Ho Weng On, apelando a que os departamentos façam também a sua avaliação e gestão de contas. PUB PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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ESTUDO PÁGINA PUB
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AUDITORIA ADMITIDAS DIFICULDADES PARA SUPERVISIONAR FUNDOS PÚBLICOS
Porque protesta o povo? 4
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REPORTAGEM
hoje macau quarta-feira 15.10.2014
ENSINO ESCOLAS DIZEM NÃO ESTAR PREPARADAS PARA RECEBER ALUNOS COM DEFICIÊNCIA
A precisar de uma atenção especial Dias depois do Governo ter afirmado que Macau tem professores suficientes na área do ensino especial, eis que três directores de escolas privadas vêm dizer que essa é a maior falha do sistema, a par da ausência de materiais próprios. O director do Colégio Mateus Ricci diz que a maioria das escolas rejeita os alunos porque não tem capacidade para os receber ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
RTIGO número dois de uma lei com 18 anos de existência: um aluno com necessidades educativas especiais em Macau deve ter “acesso a equipamentos especiais de compensação”, “adaptações do ambiente físico escolar”, “adaptações curriculares”, “adequação na organização de classes ou turmas”. No caso de um aluno com dificuldades motoras, psico-neurológicas ou de visão, entre tantas outras patologias, isso significa que a escola onde vai ter aulas tem de se adaptar às suas necessidades, promovendo materiais e docentes especializados.
Contudo, apesar da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) ter afirmado esta semana que os directores das escolas têm sido sujeitos a um processo de sensibilização para aceitar este tipo de alunos, a verdade é que muitas escolas privadas dizem que
não estão preparadas para integrar nas suas turmas alunos que não aprendem à mesma velocidade dos outros estudantes. Tal opinião tem o padre Luís Sequeira, director do Colégio Mateus Ricci, e também membro do Conselho de Educação para o En-
“Aceito que o Governo está a ajudar, mas dizer-se que as escolas não querem, não me parece correcto. Sentem que não têm capacidade para ajudar. Nem todas as escolas têm condições financeiras, ou estruturas físicas, ou professores, uma vez que não existem muitos” PADRE LUÍS SEQUEIRA Director do Colégio Mateus Ricci
sino Não Superior. “Aceito que o Governo está a ajudar, mas dizer-se que as escolas não querem, não me parece correcto. Sentem que não têm capacidade para ajudar. Nem todas as escolas têm condições financeiras, ou estruturas físicas, ou professores, uma vez que não existem muitos”, disse ao HM. “As escolas não estão adaptadas e há uma grande necessidade de professores”, acrescentou ainda o sacerdote.
NÚMEROS QUE NÃO BATEM
Depois dos responsáveis da DSEJ terem confirmado ainda que Macau possui actualmente o número suficiente de docentes virados para a educação especial, a verdade é que no terreno as coisas não funcionam assim. Números oficiais
apontam para a existência de 109 docentes, para um universo de cerca de mil alunos. Cerca de 28 escolas privadas têm as chamadas turmas integradas. “Esse é um problema da RAEM”, diz mesmo Zélia Mieiro, vice-presidente da Escola Portuguesa de Macau (EPM), que actualmente conta com 14 alunos deste género integrados em turmas, com apenas um professor do ensino especial. “Não há professores do ensino especial suficientes, porque essa foi uma aposta que nunca foi feita. No que nos diz respeito, somos nós que temos de procurar os professores. Só temos direito a um professor, não nos dão subsídio para mais. Estamos com 547 alunos e ainda só temos direito a um professor que
reportagem 3
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alunos dentro de uma sala de aula não permite que se vá tão longe”, rematou.
HOJE MACAU
INTEGRAÇÃO E MUDANÇAS
ZÉLIA MIEIRO Vice-presidente da Escola Portuguesa de Macau
está repleto de alunos. Se tivermos mais alunos, mais complicado se torna”, explicou Zélia Mieiro ao HM. Também Paul Pun, supervisor na Escola da Caritas de Macau, especializada em ensino especial, e director da Escola São João de Brito, privada, fala das mesmas lacunas. “Essa não é uma questão, é a realidade. Não há professores suficientes. E mesmo os que existem têm de ser especialistas. Os professores têm alguma formação, mas depois não praticam o que aprendem”, defendeu o também secretário-geral da Caritas em Macau.
ACEITAR, SIM, MAS COM DIFICULDADES
Não são de agora os sinais externos de que há algo que é necessário fazer para mudar o Ensino Especial em Macau. Em 2011, um estudo do Instituto de Educação de Hong Kong dava conta de que o ensino na RAEM tinha revelado, até à data, “um desenvolvimento e dimensão bastante satisfatórias”. Contudo, um inquérito feito a 44 escolas mostrava que “se a comunidade não for capaz de atingir um consenso na inclusão, pode haver uma série de dificuldades no processo”, disse à agência Lusa Sin Kuen Fung, um dos investigadores responsáveis pelo estudo. Para além disso, “devido às barreiras do ambiente e falta de profissionais, muito trabalho deve ser planeado com antecedência”, sendo que “a compreensão, recursos e serviços” dos directores das escolas e professores “não são adequados”. Por isso, o estudo do instituto em Hong Kong aponta para a necessidade de melhorias “no desenvolvimento curricular e de recursos, ensino na sala de aula e colaboração em equipa”. No caso das escolas contactadas pelo HM, existe a aceitação deste tipo de alunos, mas as dificuldades
para lidar com as suas necessidades também existem. “Não sei porque é que as outras escolas não aceitam, mas sei que há dificuldades em aceitar”, aponta Paul Pun. Na Escola São João de Brito existem actualmente 13 alunos integrados em turmas normais. “Muitas vezes os alunos têm problemas emocionais e psicológicos, que podem disturbar outros alunos. Mesmo que o Governo queira que as escolas aceitem os alunos, têm de providenciar formação a professores e funcionários, bem como adquirir material adequado, para receber essas crianças. Na São João de Brito encontramos dificuldades, mas queremos proteger os seus direitos e aceitamo-los na escola. Mas seria importante que as escolas não fossem tão selectivas na hora de recrutar alunos”, explicou o secretário-geral da Caritas. Apesar das dificuldades, a EPM afirma-se “pioneira” na recepção
de alunos com estas necessidades, uma vez que tem matriz portuguesa. “Estamos sempre prontos a receber essas crianças e temo-nos estado a apetrechar para isso. Mas não é um processo fácil, e só a partir do momento em que tivemos um professor do ensino especial é que começámos a desenvolver mais projectos. Não tínhamos conhecimentos”, disse Zélia Mieiro, que também fala da quase inexistência de materiais específicos em língua portuguesa. A vice-directora fala ainda da exposição à qual muitas escolas privadas estão sujeitas. “Em termos de resultados finais nos exames, ficamos mais expostos, porque esses alunos, apesar de terem algumas medidas de apoio - mais tempo para o exame, leitura dos enunciados -, os resultados não são muito famosos. Há escolas que não gostam de se expor dessa maneira, porque são escolas privadas, querem ter bons resultados, e a existência desses
A COMPONENTE PSICOLÓGICA O padre Luís Sequeira lança ainda o alerta: para além das necessidades educativas especiais ditas comuns, com deficiências motoras ou psíquicas, há cada vez mais alunos com problemas psicológicos e emocionais, com origem na família, que não têm apoio na escola por falta de reacção a esse problema. “Cada vez mais sinto a necessidade de que a psicologia e a neurociência sejam mais estudadas e aplicadas no sistema educativo de Macau. Há uma insuficiência ao nível de professores formados. Tem crescido o número dos assistentes sociais, mas precisamos muito de conselheiros psicológicos. Os problemas familiares têm uma dimensão muito grande e isso ainda é insuficiente. Não digo que não se esteja a fazer um esforço, e concretamente do Governo, mas estamos muito aquém”, apontou. O director do Colégio Mateus Ricci chama mesmo a atenção para a fraca resposta das universidades locais.
“Na linha da Psicologia, Macau está muito limitada. As universidades não nos estão a dar homens e mulheres que sejam professores capazes de enfrentar a problemática psicoafectiva que se torna mais acentuada nas escolas”, esclareceu. Apesar de não saber quantos alunos com necessidades educativas especiais tem o Colégio Mateus Ricci, o membro do Conselho de Educação para o Ensino Não Superior afirma que o colégio foi “dos primeiros” a ter uma equipa de psicólogos e assistentes sociais a tempo inteiro. “Estamos sempre atentos aos alunos com necessidades de inserção social, com famílias disfuncionais. Sentimos a necessidade de ter uma equipa de psicólogos e assistentes, como condições estruturais para as escolas para fazer isso. Sempre dei lugar à psicologia e ao apoio personalizado no colégio, e ao contacto com as famílias”, disse Luís Sequeira ao HM.
Se Paul Pun acredita que ainda é preciso melhorar o ambiente escolar e de integração que se proporciona a estas crianças, o padre Luís Sequeira acredita que uma mudança estrutural não pode ser feita já. “As grandes reformas de estruturas com os seus diversos aspectos não é uma coisa que se faça em dois dias ou em dois anos. Houve uma evolução, mas os problemas surgem à medida que se avança. Toda a estrutura escolar de Macau precisa de investir muito mais e sobretudo nos professores. Há ainda na instrução da educação uma necessidade mais de psicologia e ciências humanas. Tem de ser um trabalho, que é lento, mas tem de ser perseverante”, concluiu. De frisar que, actualmente, a DSEJ dispõe do Fundo de Desenvolvimento Educativo para dar apoio financeiro aos projectos que as escolas possam vir a ter neste sentido. O Centro de Apoio Psico-Pedagógico e de Ensino Especial
GONÇALO LOBO PINHEIRO
“Não há professores do ensino especial suficientes, porque essa foi uma aposta que nunca foi feita. No que nos diz respeito, somos nós que temos de procurar os professores. Só temos direito a um professor, não nos dão subsídio para mais”
providencia acções de formação nesta área. Em Julho deste ano, foi noticiado que a DSEJ iria investir cerca de 5,3 milhões de patacas no acompanhamento destes alunos. Foram ainda contactadas outras escolas privadas e especializadas no ensino especial, mas não foi possível obter esclarecimentos até ao fecho da edição.
“Na linha da Psicologia, Macau está muito limitada. As universidades não nos estão a dar homens e mulheres que sejam professores capazes de enfrentar a problemática psicoafectiva que se torna mais acentuada nas escolas” LUÍS SEQUEIRA Padre
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POLÍTICA
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ESTUDO MANIFESTAÇÕES ALTERARAM-SE DEVIDO A QUADRO SÓCIO-ECONÓMICO
Os últimos anos registaram momentos de mudança para Macau e as suas gentes. A sociedade do território está agora mais activa, mais preocupada e quer fazer-se ouvir. Cada vez mais jovens e adultos, seja por que motivo for, saem à rua, indica um estudo de Tsoi Weng Kwan FILIPA ARAÚJO
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
A
S pessoas estão a sair cada vez mais à rua em forma de protesto e por diferentes motivos. Pelo menos, é o que afirma um estudo levado a cabo pelo académico e técnico do Centro de Estudo da Fundação Macau, Tsoi Weng Kwan, e publicado na mais recente revista da Administração. O estudo debruça-se sobre a alteração de comportamento da sociedade de Macau depois da transição de soberania para a China. O autor defende que, depois desta passagem - e com todas as alterações sentidas – as coisas mudaram. A abolição do monopólio do sector do Jogo e a implementação da política de concessão de vistos individuais por parte do Governo Central são alguns dos exemplos dados por Tsoi para explicar que “os movimentos sociais [em Macau] foram ajustados na sequência das mudanças registadas no âmbito das
HOJE MACAU
Outros tempos, outras vontades
suas circunstâncias sócio-económicas, demonstrando uma tendência e mudanças bem diferentes do passado”. O académico dá como exemplo as várias datas do ano que passaram a ser dias convencionais de desfiles e manifestações: o 1º de Maio, Dia do Trabalhador, o 1 de Outubro – que celebra a Implantação da República Popular da China - ou até o 20 de Dezembro, dia em que se assinala o estabelecimento da RAEM. Apesar da baixa actuação de movimentos sociais, segundo o estudo, entre os anos de 2009 e 2011, o autor defende que, a partir do ano de 2012, esses movimentos cresceram e tornaram-se “mais frequentes”.
“De entre estas acções, os desfiles e manifestações contra a contratação de croupiers não residentes organizados pelas associações de agentes do sector do Jogo tiveram uma maior dimensão nos recentes anos, contando com uma participação de cerca de três mil pessoas, número que foi superior ao dos participantes no desfile de 1 de Maio de 2007”, argumenta.
GENTE NOVA
Tsoi Weng Kwan, doutorado em Estudos de Sistemas Políticos da China e do Estrangeiro, avança ainda que os “grupos que participaram em desfiles nos recentes anos são mais variados do que os dos anos anteriores”.
MENTORES DIVERSOS O estudo de Tsoi Weng Kwan aponta ainda uma maior diversificação no tipo de pessoas que organizam as manifestações. Relativamente aos organizadores destes movimentos sociais, diz o académico, também se nota uma alteração de comportamento. “As associações emergentes dos trabalhadores, dos pró-democratas e de cuidado na vida da população deram lugar a associações de diversa natureza, incluindo associações emergentes da juventude e associações regionais que cuidam dos interesses comunitários”, aponta, sem esquecer também os movimentos organizados através da internet que, diz, “estão também na moda”. Para o autor, há também uma alteração em relação à estruturação das corporações organizadoras dos movimentos sociais, pois esta encontra-se cada vez mais “liberalizada” e “diversificada”, na sequência “da maior diversificação dos participantes em movimentos sociais e das suas pretensões”.
“Os movimentos sociais [em Macau] foram ajustados na sequência das mudanças registadas no âmbito das suas circunstâncias sócio-económicas, demonstrando uma tendência e mudanças bem diferentes do passado” TSOI WENG KWAN Académico e técnico do Centro de Estudo da Fundação Macau
Para Tsoi, em anos passados, as massas que mais se manifestavam eram da classe dos trabalhadores, desempregados das camadas mais baixas e os seus familiares, “que lutavam pela reunião familiar dos filhos maiores, que se encontram no interior da China para serem residentes da RAEM”. Actualmente, explica, esse grupo deixou de estar sozinho e muitos são os que se unem, principalmente jovens. Desde 2007, escreve Tsoi, que “os jovens passaram a ser um grupo predominante na participação dos movimentos sociais, bem como profissionais como professores, assistentes sociais, médicos e jornalistas”.
DIFERENTES MOTIVOS
O que leva estes grupos à rua é também um ponto de análise e pesquisa do estudo analisado pelo HM. Segundo o académico, os temas e
pretensões dos manifestantes têm sofrido alterações ao longo dos últimos anos. Para o técnico da área de investigação da política e elites de Macau, o que essencialmente leva os ma-
nifestantes à rua tem a ver com a vida da população e o emprego. “Por exemplo, o combate ao trabalho clandestino e a redução dos trabalhadores não residentes (TNR)”, relembra. Contudo, defende então o autor que, “enquanto as manifestações realizadas até à transferência da soberania ou nos primeiros anos após a reunificação se focaram na vida da população e no emprego”, regista-se actualmente uma maior diversificação dos temas dos movimentos sociais realizados nos recentes anos. Motivos como o desenvolvimento do sistema político, o ambiente da comunidade, a liberdade de imprensa, a execução de diplomas legais, a protecção dos animais, entre outros, são os que, segundo o estudo, levam as pessoas do território às ruas. De lembrar a manifestação de Maio contra o Regime de Garantia dos Titulares dos Principais Cargos que reuniu mais de 20 mil pessoas e que conseguiu fazer com que a proposta caísse e as constantes marchas pelos animais. Mas Tsoi chama a atenção para algo mais: “A par disso, o que merece atenção é que as manifestações realizadas em 2013 tendem a ter temas uniformizados que incluem protestos contra a fixação em Macau de alunos não residentes, protestos contra a contratação de croupiers não residentes, protesto contra algumas normas da Lei da Actividade de Mediação Imobiliária, provocado pela execução do novo diploma legal, bem como a luta pela feitura de legislação para a protecção de animais para prestar atenção aos direitos dos animais”, argumenta.
MAIS SOCIEDADE CIVIL Da análise que faz ao comportamento da sociedade de Macau, o autor defende que é possível verificar que houve evolução e características devido às manifestações. Diz Tsoi Weng Kwan que estas manifestações “têm consideráveis impactos em relação à evolução da sociedade civil”. O académico defende ainda que a transferência de soberania “assinala a mudança de identidade política dos residentes”, sendo que estes passaram a assumir o papel de protagonistas “dotados de faculdades de participar na vida política e possuidores do direito do voto e do direito de eleger e ser eleitos”. “Macau é uma sociedade civil em crescimento”, defende, argumentando que “a institucionalização dos movimentos sociais - através da optimização da estruturação dos órgãos consultivos e dos processos de consulta – contribuirá para assimilar algumas opiniões no processo da definição de políticas públicas”. Algo que, segundo o estudo, fará com que a população possa ter acesso a um modelo diversificado de participação, “deixando de depender do seu único meio ‘eficaz’ - movimentos sociais - para articular os seus interesses e manifestar a sua insatisfação”.
política 5
hoje macau quarta-feira 15.10.2014
Ho Weng On, comissário de Auditoria, explica que não se pode esperar que o organismo consiga fiscalizar ao detalhe as aplicações de fundos públicos. O responsável apela a mais atenção da parte do Governo e garante fiscalização imparcial
AUDITORIA DIFICULDADES COM EXAMES DE DINHEIROS PÚBLICOS
“É irrealista esperar que supervisionemos tudo”
“Sinceramente, é irrealista esperar que o CA supervisione passo a passo a forma como o dinheiro é gasto”, disse o comissário à TDM. Instado a comentar sobre se houve gastos de dinheiro excessivos no Concurso Centralizado de Ingresso na área jurídica da Função Pública – onde apenas passou um candidato -, Ho Weng On rejeitou tecer comentários, fazendo apenas um apelo. “O essencial é que todos os departamentos sejam disciplinados nas operações que fazem e utilizem os recursos públicos de forma adequada e de acordo com a lei, para que tudo seja feito como deve ser”, sublinhou.
“Sinceramente, é irrealista esperar que o CA supervisione passo a passo a forma como o dinheiro é gasto”
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
O
responsável do Comissariado de Auditoria (CA), Ho Weng On, disse na segunda-feira passada que o organismo que dirige dá muita atenção à utilização de dinheiros públicos, mas admite que é muito complicado fazer uma monitorização detalhada. O comissário considera mesmo impossível monitorizar todos os detalhes em que é utilizado dinheiro público e diz que os departamentos também devem avaliar e fazer uma gestão das suas contas. Dias depois do Comissariado contra a Corrupção ter descoberto dois casos de burla para a obtenção de dinheiros públicos – um relativo à Fundação Macau e outro à Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental -, Ho Weng On diz publicamente que “não é realista” esperar que o CA consiga supervisionar todas as aplicações dadas a dinheiro do Governo.
FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
O
deputado Au Kam San criticou a existência de lacunas no mecanismo de financiamento do Governo que, segundo o próprio, permitem que as associações recorram de forma fraudulenta aos diversos apoios financeiros. Por isso mesmo, o deputado apela ao Executivo para fazer, de facto, uma supervisão às associações candidatas a estes subsídios. Au Kam San afirma ainda, numa interpelação escrita, que, os casos recentes de fraude cometidos por um
HO WENG ON Responsável do Comissariado de Auditoria
O Comissário também rejeitou falar sobre a questão dos “autocarros fantasma” – veículos descobertos a circular vazios para receberem os subsídios do Governo -, dizendo apenas que o CA vai continuar a prestar atenção a todos os casos que digam respeito ao organismo. Ho diz ainda que, enquanto for comissário, não vai tecer comentários caso a caso, mas manter-se neutro e imparcial porque, avança, a fiscalização é para todos.
DSPA MAIOR EXAME AO FUNDO DE PROTECÇÃO AMBIENTAL A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) assegurou ontem que vai apertar o cerco de fiscalização no que diz respeito ao Fundo para a Protecção Ambiental e de Conservação Energética (FPACE). Isso mesmo, confirmou a entidade, serve para “garantir uma utilização apropriada do apoio financeiro concedido”. Para que tudo corra dentro dos conformes, o
organismo governamental assegurou fiscalizar todo o processo de candidatura ao financiamento, bem como fornecer instruções e apoio aos requerentes “para que esses conheçam os seus direitos e deveres de modo a evitar a prática de actos ilegais”, lê-se em comunicado. O anúncio surge depois do CCAC ter detectado, na semana passada, um caso de burla e falsificação de
documentos que envolvia a obtenção de subsídios a partir deste fundo por três residentes de Macau e um de Hong Kong. A DSPA aproveitou ainda para referir que qualquer infractor terá que enfrentar as consequências, nomeadamente o cancelamento do apoio financeiro ou restituição do valor, podendo ainda ser responsabilizado civil e criminalmente. - L.S.M.
AU KAM SAN LACUNAS NOS APOIOS FINANCEIROS POSSIBILITAM ENGANOS
Mãos largas e bolsos cheios presidente de uma entidade associativa e por um funcionário público, mostram que existem problemas e defeitos no mecanismo de financiamento. O relatório de auditoria sobre a atribuição de apoios financeiros a associações pela Fundação Macau, divulgado pelo Comissariado da Auditoria em 2012, foi ainda um dos argumento usados pelo deputado. Au Kam San diz que também o organismo
que controla as contas públicas menciona que existem vários problemas e lacunas no funcionamento e supervisão de apoios prestados pela Fundação Macau, uma das maiores entidades na hora de entregar apoios. A Fundação Macau já se comprometeu a controlar melhor as contas, mas Au Kam San considera ainda que, embora os candidatos precisem de declarar caso estejam a candidatar-se a
vários fundos, nem sempre é possível examinar com seriedade os pedidos.
EXCESSO DE CARGA
O deputado supõe que, talvez devido ao grande número de pedidos que a Fundação Macau recebe anualmente, seja difícil examinar com seriedade todos os pedidos, o que permite aos candidatos esconder intencionalmente as ilegalidades e às associações acumular vários apoios. O deputado sugere, então,
que o Governo crie um mecanismo de coordenação de apoios às associações e que altere também o “modelo de pensamento”, justificando este pedido com o facto de “ser muito comum associações amigas” do Governo receberem o maior apoio financeiro”. Au Kam San defende que o Governo deve manter uma postura de tratamento igual para com todas as associações e consolidar de forma natural a supervisão deste tipo de apoios.
6 política
hoje macau quarta-feira 15.10.2014
A professora de Economia da Universidade de Jinan, Feng Xiaoyun, acusa a RAEM de andar atrás de Hong Kong, desperdiçando assim as oportunidades do acordo por não ter em conta as necessidades específicas do território FLORA FONG
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ACAU não tem lutado pelo que é seu noAcordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre o interior
CEPA ACADÉMICA DIZ QUE MACAU DESAPROVEITA ACORDO
Macaquinho de imitação a mão-de-obra, e ainda de capacidade competitiva.
IMPULSO AO ÊXODO
da China e Macau (CEPA). Quem o diz é uma professora da área de Economia da Universidade de Jinan. Feng Xiaoyun considera que Macau, ao longo dos dez anos em que o acordo CEPA está em vigor, não está a aproveitar as oportunidades. Mais ainda, a académica critica Macau por andar constantemente atrás de Hong Kong: se o território vizinho faz um pedido ao Governo Central, Macau faz, a seguir, o mesmo PUB
pedido sem ter em conta as necessidades reais locais.
MIMETISMOS
Feng Xiaoyun diz que Macau sofre de um problema de “parasitismo” face a Hong Kong e sugere ao sector comercial da RAEM que apresente os seus próprios pedidos ao Governo Central, de forma a que este “perceba” as necessidades do território. Feng Xiaoyun referiu ao Jornal Ou Mun que a coope-
ração de Hong Kong, Macau e Guangdong já entrou numa fase muito importante, mas que as pequenas e médias empresas de Macau, por exemplo, nem sabem que direitos têm no âmbito do acordo. A académica explica que como a economia da RAEM depende de uma grande indústria – a do Jogo -, o espaço de desenvolvimento das empresas locais é limitado, sendo que estas carecem de benefícios e recursos, como
Xiaoyun salienta ainda discordar com a ideia de impulsionar a diversificação da economia através da entrada de empresas locais no interior da China, uma medida que tem vindo a ser tomada pelo Governo constantemente. “Caso todas as empresas se desenvolvam no interior da China, então as empresas locais serão cada vez menos”, frisou. Para Feng Xiaoyun, o que vale a pena sublinhar é que as associações comerciais de Macau não sabem que têm direito para apresentar pedidos de apoio financeiro no âmbito do CEPA e que Macau não deve andar, constantemente, atrás de Hong Kong. Até porque, diz, cada território tem as suas necessidades.
Xi Jinping vem a Macau em Dezembro
O presidente chinês vem a Macau em Dezembro, confirmou a Rádio Macau. Xi Jinping vai estar presente na cerimónia de tomada de posse de Fernando Chui Sai On, eleito para um segundo mandato como Chefe do Executivo. O Chefe de Estado deve também participar nas cerimónias de celebração dos 15 anos do estabelecimento da RAEM, diz ainda a rádio. Esta é a primeira vez que Xi Jinping visita o território, depois de ter sido eleito para o cargo de presidente da China, em Março do ano passado – antes, esteve em Macau na qualidade de vice-presidente.
FUNÇÃO PÚBLICA DSEJ ADMITE AUMENTO DE RECURSOS HUMANOS
Tudo dentro da normalidade HM-2.ª Vez 15-10-14
ANÚNCIO
Execução de Sentença sob a Forma Sumária (Apenso) nº
CV2-05-0055-CAO-A
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.
2º Juízo Cível
O
TIAGO ALCÂNTARA
Exequente: SIO CHONG MENG / 蕭頌銘, de sexo masculino, residente em Macau, na Travessa da Sé, nº 10, r/c “B-C”. Executados: YUEN WAI NANG / 袁偉能, de sexo masculino, a última residência conhecida em Hong Kong, Causeway Bay, 5-19, Jardine´s Bazaar, Capitol Centre, 904-6; TANG KUOK FAI / 鄧國輝, de sexo masculino, residente em Macau, na Av. do Coronel Mesquita, nº 1B-ID, Kam Kun Kok, 1º andar A. *** Correm éditos de trinta (30) dias, contados da segunda e última publicação do anúncio, notificando o executado YUEN WAI NANG acima identificado, de todo o conteúdo da petição inicial destes autos, e do despacho que ordena a penhora da quantia de cinco mil setecentas e sessenta e cinco patacas (MOP5.765,00) na conta do Banco da China, S.A. Sucursal de Macau da sociedade por quota unipessoal “栢榮建材工程”, em representação do executado Yuen Wai Nang, da realização da mencionada penhora em 12 de Maio de 2014, bem como para, querendo, no prazo de dez (10) dias, decorrido que seja o dos éditos, pagar a quantia exequenda de MOP2.691.258,49 e acréscimos legais, ou deduzir embargos à execução ou oposição às penhoras, e ainda requerer a substituição do bem penhorado por outro de valor suficiente, tudo conforme no artº 820º do C.P.C.M., sob pena de, não o fazendo no referido prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Os duplicados da petição inicial encontram-se aguardados nesta secretaria do 2’ Juízo Cível, poderão ser levantados nas horas normais de expedientes. Macau, aos 26 de Setembro de 2014.
Governo alertou a Direcção de Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) para a necessidade de uma redução do orçamento nos próximos anos, mas Leong Lei, directora do organismo, assegura que ainda não é possível fazer isso. Leong Lai disse ontem que iria haver uma redução no orçamento, mas que, comparativamente a este ano,
ainda teria de haver um aumento nas contas da DSEJ. Tudo, porque, apesar de haver redução no recrutamento de funcionários, os recursos humanos em si ainda iriam aumentar. “Principalmente, vamos reduzir o número de recrutamento dos funcionários da Direcção. Esperamos poder usar tecnologia nova para aliviar a pressão dos recursos humanos”, afirmou a directora da DSEJ à TDM, acrescentando que também vai reduzir a despesa
administrativa através do “princípio de gestão financeira prudente”. “Quando falamos em reduzir não significa que vamos reduzir os recursos humanos, mas sim reduzir os recrutamentos dos recursos, ou seja, o número de recursos humanos ainda vai aumentar”, sublinhou. Leong Lai considera que a política da educação não vai sofrer grandes influências desta acção, especialmente no ensino gratuito ou outros grandes projectos de educação. Anteriormente, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, apontou que, no futuro, o Governo vai controlar os orçamentos em geral, para que não aumentem, e também controlar o aumento de recursos humanos.
PLANEAMENTOS
Ontem, contudo, o Secretário Cheong U afirmou ao canal chinês da Radio Macau que, neste momento, ainda não pode revelar o orçamento do próximo ano. Mas o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura acredita que a Administração Pública vai seguir a ordem do Chefe do Executivo para planear o trabalho do próximo ano. Cheong U apontou ainda que a nova biblioteca precisa de mais recursos humanos e, por isso, o Governo vai fazer um tratamento adequado quando precisar de limitar o número de recrutamentos.
hoje macau quarta-feira 15.10.2014
A
Coligação Anti-Violência Doméstica de Macau enviou um relatório à Organização das Nações Unidas (ONU), alertando para o que considera serem fragilidades da futura lei sobre a matéria, que é esperada ainda para este ano. “Estamos preocupados que a lei sofra de falhas fundamentais e não disponibilize protecção adequada”, diz o grupo no relatório a que a agência Lusa teve acesso. A Coligação, composta por nove grupos cívicos ligados ao apoio social, insiste na importância de classificar a violência doméstica como crime público, uma opção que o Governo tem vindo a afastar, apesar de ainda não ter apresentado uma proposta final - o diploma é esperado até ao final deste ano. O relatório pretende esclarecer a organização internacional quando esta se prepara para discutir oficialmente, entre 20 de Outubro e 7 de Novembro, a aplicação da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher. Além de receber informação oficial dos Estados signatários das convenções, o comité dos Direitos Humanos analisa também relatórios alternativos de organizações civis no terreno. O desenvolvimento de legislação sobre esta matéria foi um dos pontos essenciais na lista de questões endereçadas pela ONU no início do ano.
CENÁRIO NUBLADO
A Coligação considera que o cenário em Macau continua lúgubre, uma vez que “uma em cada dez mulheres já experienciou violência doméstica, quer por abuso físico, psicológico ou sexual”. O grupo afirma também que a falta de legislação adequada e de pessoal das forças de segurança formado para lidar com estes casos “cria barreiras e impede as vítimas de procurar ajuda”. O grupo, de que fazem parte a directora do Centro Bom Pastor, Juliana Devoy, que apoia vítimas de violência doméstica, e a académica Cecilia Ho, especialista em questões sociais e das minorias, tem-se reunido com o Governo para discutir os contornos da lei. Um dos pontos de preocupação prende-se com a definição “pouco clara” de “doméstica” já que, de acordo com a informação que dis-
SOCIEDADE
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA RELATÓRIO NA ONU SOBRE FRAGILIDADES DA LEI
História interminável
A Coligação Anti-Violência Doméstica de Macau enviou um relatório à ONU onde chama a atenção da organização internacional para possíveis fragilidades que a nova lei possa vir a ter. O ‘timing’ deve-se ao facto de a ONU começar a discutir na próxima semana a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher
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põem, os membros da Coligação afirmam que a futura lei só vai abranger a violência conjugal e entre pais e filhos, excluindo-se relações entre irmãos ou cunhados. “Não são tidas em conta as desequilibradas relações de género e a natureza vulnerável da ‘esfera doméstica’”, afirma ainda o relatório.
O NOME DAS COISAS
O termo “violência” também não está claramente definido, considera a Coligação. “O diploma e a consulta pública focam-se primariamente no abuso físico. A violência psicológica, sexual e económica é largamente omitida”, lê-se no relatório que destaca, pelas informações disponíveis, que casos de “violação no casamento” não são incluídos. O grupo sublinha que a classificação da violência doméstica como crime semi-público “põe o ónus da prova nas vítimas e torna a recolha de evidências de actos de violência psicológica e económica virtualmente impossível”.
A Coligação, composta por nove grupos cívicos ligados ao apoio social, insiste na importância de classificar a violência doméstica como crime público Após uma extensa campanha pelo “crime público” organizada por grupos cívicos, o Instituto de Acção Social declarou que estava a ser estudada esta tipificação para actos de agressão continuados, apesar de o conceito não ter sido desenvolvido. A coligação insta a ONU a encorajar Macau a “definir de forma clara os termos ‘violência’ e ‘doméstica’, aderindo a padrões internacionais, a criminalizar toda a violência doméstica como crime público e a educar operadores de Direito, agentes da autoridade e assistentes sociais no sentido de não tolerarem a violência doméstica”. - HM com Lusa
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O acordo que permitiria a constituição de escritórios de advocacia nas cidades de Shenzhen, Cantão e Zhuhai é inviável para Macau. É o que dizem Paulino Comandante, da AAM e o académico Iau Teng Pio
hoje macau quarta-feira 15.10.2014
ADVOCACIA PARCERIA COM HONG KONG E CHINA NÃO SE ADEQUA A MACAU
Diferenças e critérios ria, ainda experimental e anunciada pela província de Guangdong em Agosto passado, visa permitir que advogados das três regiões possam abrir escritórios de advocacia nas cidades de Shenzhen, Cantão e Zhuhai. No entanto, Paulino Comandante, da AAM, considera que a medida não se enquadra na situação real do sector em Macau. “O regulamento dita que cada escritório deve ter dez ou mais advogados licenciados,
o capital de criação da empresa deve ser, no mínimo, de cinco milhões de reminbis e que cada parceiro não deve ter capital inferior a 30% do total”, refere Comandante.
POUCAS BENESSES
O representante da associação de advogados local explica, assim, que “poucos escritórios existentes em Macau têm estas condições”. Além de considerar que os custos de entrada neste mercado são elevados,
“O regulamento dita que cada escritório deve ter dez ou mais advogados licenciados, o capital de criação da empresa deve ser, no mínimo, de cinco milhões de reminbis e que cada parceiro não deve ter capital inferior a 30% do total. (...) Poucos escritórios existentes em Macau têm estas condições”
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vice-presidente da Associação dos Advogados de Macau (AAM) e o académico Iau Teng Pio consideram que a medida de parceria conjunta de escritórios de advocacia de Hong Kong, Macau e do continente não é viável no território. Um dos argumentos dados é o custo elevado da entrada neste negócio. Esta parce-
PAULINO COMANDANTE Vice-presidente da Associação dos Advogados de Macau
PARQUE INDUSTRIAL FALTA DE TRABALHADORES ATRASA ABERTURA DE FRONTEIRA
Quando abrir é para todos CECÍLIA LIN
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EGUNDO o jornal Ou Mun, as autoridades de Zhuhai revelaram ontem que as obras da fronteira do Parque Industrial Transfronteiriço estão atrasadas e só irão terminar a meio de Dezembro. Só depois disto, é que a fronteira irá ser temporariamente ajustada para servir os residentes, os TNR em Macau, turistas e alunos.
É o que diz um outro anúncio que dá conta que, afinal, esta fronteira vai ser disponibilizada para todos e não apenas para os TNR, como estava inicialmente pensado.
MÃO-DE-OBRA, PRECISA–SE
De acordo com o diário, as autoridades de Zhuhai realizaram três reuniões nos últimos dias para ouvir as opiniões de TNR, alunos e representantes do sector do Turismo sobre a questão da fronteira. A conclu-
são é clara: a falta de recursos humanos ainda é a maior dificuldade para que Zhuhai consiga abrir a fronteira para os TNR – como inicialmente prometido -, enquanto os outros postos, como o das Portas do Cerco – estão fechados, da meia-noite às sete da manhã. As autoridades de Zhuhai afirmaram ainda que, depois das obras na fronteira, poderão utilizar o posto cerca de 12 mil pessoas, durante o período da noite.
Uma outra alteração surgiu ainda após a reunião. É de lembrar que o Governo afirmou que apenas os TNR e alunos poderiam usar a fronteira durante a noite, mas depois de ouvir as opiniões dos vários sectores, o Executivo aprovou que todas as outras pessoas poderiam utilizar o posto. Esta mudança, contudo, é apenas temporária, até que o novo canal da Ilha Verde entre em vigor. Durante a sessão de consulta, as autoridades de Zhuhai receberam várias opiniões para melhorar os serviços de autocarros fora da fronteira em Macau e Zhuhai, algo que está difícil de acontecer devido à falta de recursos humanos. Esta é, segundo as autoridades, uma questão que requer a maior necessidade de resolução. Zhuhai já se comprometeu a tentar recrutar mais pessoas.
Comandante afirma ainda que o sistema não traz benefícios reais para o sector local. A AAM espera ainda que, caso o sistema de parceria seja alterado no futuro, seja dada mais atenção à característica bilingue do território. “Acredito que, juntamente com a oferta de espaço na Ilha da Montanha, se possa, através desta medida, elaborar um regulamento adequado para Macau”. Tudo isto, avançou, deverá ser feito através da língua portuguesa, em última análise, desenvolvendo o próprio sector da advocacia do território. Também o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, Iau Teng Pio, espera que o Governo e os advogados locais possam intervir na elaboração da medida. “Acho que é necessário discutir os detalhes de funcionamento e é importante que o nosso sector consiga divulgá-la”, diz, acrescentando que “o facto do plano ter, ou não, sucesso, vai depender do nível de participação do sector”. Além disso, o professor da UM avançou ainda que o facto dos profissionais poderem sair de Macau pode ser positivo, devido à eventual visibilidade dada. - F.F.
MIF Portugal ocupa 70% do espaço do pavilhão lusófono
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ORTUGAL vai liderar o grupo de países lusófonos que marcará presença na 19ª edição da feira de negócios multi-sectorial de Macau, contando com 70% dos 1600 metros quadrados que o pavilhão lusófono ocupará. De acordo com um comunicado de imprensa da Associação de Jovens Empresários Portugal – China (AJEPC), que coordena o pavilhão, no mesmo espaço estarão, para além de Portugal, a Guiné Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Angola, Timor-Leste e Brasil, entre 23 e 26 de Outubro, em cinco cidades chinesas. Portugal representa 70% do pavilhão
com empresas de diversas áreas, destacando-se os sectores Agro-alimentar, Serviços, Soluções energéticas, Turismo e Música, lê-se no comunicado, que informa ainda que a presente edição da Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês) adopta como tema “Cooperação - Chave para Oportunidades de Negócio”. A representação da Cultura portuguesa ficará a cargo do projecto musical Cantos do Mar, “que integra a Missão empresarial até 3 de Novembro tanto em Macau como em Zhuhai, Shenzen, Jiangmen, Foshan, Pequim, entre outras cidades por anunciar”, conclui o comunicado.
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JOGO QUEDA DAS RECEITAS INFLUENCIARÁ EMPREGO, DIZEM ESPECIALISTAS
À espera do próximo ano... e de Pequim CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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queda das receitas do Jogo nos últimos quatro meses vai influenciar de forma negativa o emprego em Macau, defendem deputados e académicos. Tal facto deve-se, dizem, a existir menos clientela nas lojas de luxo e de menos jogadores nas salas VIP dos casinos. Especialistas da Universidade de Macau (UM) consideram que, no próximo ano, poderá voltar a haver um aumento na receita do Jogo, devido aos projectos do Cotai começarem a estar concluídos, mas se há quem diga que as quebras das receitas não trazem complicações ao território, há quem pense o contrário. Lao Chi Ngai, professor de Economia da UM e presidente da Associação Económica de Macau, disse ao jornal Ou Mun que a chave para as receitas reside nas políticas feitas por Pequim. Segundo o académico, Pequim tem uma posição política mais “cautelosa e conservadora” quando se assinalam aniversários de transição de números gordos – como é este ano, 15 anos. “Além disso, este ano o continente leva a cabo um forte combate à corrupção e também ajustou a política dos vistos, o que leva a que este fenómeno do Jogo seja normal”, salienta, referindo-se ao corte de vistos para Hong Kong e, consequentemente, Macau de grupos excursionistas. Lao Chi Ngai mostra-se, contudo, optimista face ao próximo ano: devido à construção dos projectos do Cotai, diz, haverá mais oferta de emprego no sector do Jogo, que vai continuar a liderar o crescimento económico em Macau, defende.
ESPERANÇA NA RESERVA FINANCEIRA
Por outro lado, o deputado Si Ka Lon avisa o Governo a aproveitar bem a reserva financeira actual. O deputado diz que é nesta reserva que pode residir o futuro da economia de Macau. Si Ka Lon considera que a desaceleração económica
Segundo alguns deputados e académicos, a esperança de um novo aumento de receitas reside nos novos projectos do Cotai e nas políticas do continente
no continente é a principal razão do declínio das receitas do Jogo em Macau, mas diz que o fenómeno é normal e o que mais importante é o desenvolvimento sustentável no futuro. “Chui Sai On prometeu nas campanhas que o novo
Governo vai estudar a criação de um Fundo de Desenvolvimento e Investimento, assim aproveitando bem a reserva financeira. Espero que o Governo possa acompanhar activamente esta possibilidade”, frisa o deputado.
“Este ano o continente leva a cabo um forte combate à corrupção e também ajustou a política dos vistos, o que leva a que este fenómeno do Jogo seja normal” LAO CHI NGAI Professor de Economia da UM e presidente da Associação Económica de Macau
OUTUBRO MANTÉM TENDÊNCIA DE DESCIDA O sector do Jogo deverá cumprir em Outubro o quinto mês consecutivo de quedas homólogas da receita, com vários operadores contactados pela Lusa a estimarem a descida entre os 10 e os 13%. Em Outubro de 2013, os casinos de Macau apuraram o seu segundo melhor mês em receitas brutas com o registo de 36.477 milhões de patacas, mas para o mês de Outubro deste ano, fontes da Sociedade de Jogos de Macau, a empresa fundada por Stanley Ho que em Setembro ‘caiu’ para o terceiro lugar do ranking de operadores, e da Melco Crown, liderada por Lawrence Ho, filho de Stanley Ho, estimam uma queda face a 2013 também acima dos 10% e que poderá atingir, pelo menos, os 13%. “Ainda estamos muito no início do mês, mas com os resultados da Semana Dourada de feriados acreditamos que as receitas de Outubro irão registar uma melhoria face aos últimos quatro meses, mas que em termos homólogos vão continuar a registar uma quebra e novamente acima dos 10%”, disse à agência Lusa um elemento da SJM. Caso se confirme o pior cenário apresentado - 13% de quebra homóloga - a receita acumulada nos primeiros dez meses de 2014 atingiria pouco mais de 307.600 milhões de patacas, mais cerca de 3,5% do que nos primeiros 10 meses de 2013.
A mesma opinião tem Lao Chi Ngai, que aponta que este Fundo deve ser iniciado em breve. O académico diz que a reserva financeira do Governo tem mais de 400 mil milhões patacas, o que é uma boa oportunidade para criar este investimento. Lao explica que, como a quantidade é grande, é “difícil perder o dinheiro”, mas “fácil de ganhar”. E mostra-se optimista: como o investimento nos projectos do continente vai ser feito pelo nome da RAEM, o Governo Central vai ter de criar algumas políticas a favor de Macau e não vai
deixar que o Governo perca dinheiro, assume.
REDUZIR PRESSÕES
Outro académico, Eilo Yu, professor de Administração Pública concorda que o Governo deva aproveitar melhor o dinheiro que tem. Apesar de dizer que, sempre que há crises ao nível da economia, se começa a falar de aumentar o investimento, o professor defende que há outras possibilidades para se poupar. “Quando a economia entra num período de consolidação, deve estabelecer-se um sistema financeiro mais científico, para o Governo
saber como aproveitar bem o dinheiro público”, começa por dizer, apontando que esta é a altura certa para fazer a reforma administrativa e cortar lugares que não são necessários, até porque “o salário dos funcionários públicos ocupa uma grande parte das despesas correntes”, diz, acrescentando, contudo, que os salários também têm de ser aumentados. Eilo Yu recomenda ao Governo que preveja um crescimento limitado das receitas e que dê prioridade aos planos mais importantes, a fim de reduzir a pressão sobre as finanças públicas.
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Agência Comercial de Importação e Exportação Un Tat Limitada Rua Cinco do Bairro da Areia Preta, n.o 3, Edifício Weng Fong, 10. o andar A REGISTADA NA CRCBM SOB O Nº 14014, CAPITAL SOCIAL: MOP$180.000,00 Para os efeitos tidos por convenientes, anuncia-se que, por deliberação da Assembleia Geral extraordinária realizada em 31 de Agosto de 2014, foi decidido, por unanimidade dos sócios, dissolver e encerrar a liquidação, a partir da referida data, da sociedade comercial por quotas denominada “Agência Comercial de Importação e Exportação Un Tat Limitada”, com sede em Macau, na Rua Cinco do Bairro da Areia Preta, n.o 3, Edifício Weng Fong, 10. o andar A, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o nº 14014, com o capital social de MOP$180.000,00, tendo o respectivo registo sido requerido em 22 de Setembro de 2014. Macau, aos 15 de Outubro de 2014.
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EVENTOS
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HOJE NA CHÁVENA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Boldo Nome botânico: Peumus boldus Molina Família: Monimiaceae. Nomes populares: Boldo-do-Chile; Boldo-verdadeiro. O Boldo é uma bonita e pequena árvore ou arbusto, sempre-verde, que pode atingir os 5 ou 6 metros de altura, nativa dos Andes chilenos. Apresenta folhas elíticas, coriáceas e quebradiças, com os bordos ligeiramente curvados para baixo, evidenciando a contraluz vários pontinhos translúcidos – são glândulas repletas de óleo essencial; as flores brancas ou amareladas, em forma de sino, nascem aos cachos; os frutos são pequenas bagas de cor verde-amarelada comestíveis. Remédio tradicional para os índios Mapuches ou Araucanos, povos indígenas do centro e sul do Chile e Argentina, o Boldo era uma planta muito apreciada e usada como digestivo e tónico do estômago, no reumatismo e para combater os parasitas intestinais e a malária. Com a colonização europeia da América a sua fama ultrapassou fronteiras, sendo actualmente uma planta medicinal de grande prestígio. São usadas as folhas. COMPOSIÇÃO Cerca de vintes alcaloides (boldina), glicósidos, flavonoides, taninos e óleo essencial; contém ainda glúcidos, lípidos e minerais (cálcio, manganésio). Aroma intenso lembrando o da Hortelã, sabor aromático. ACÇÃO TERAPÊUTICA Planta com acção electiva sobre o fígado e vesícula, o Boldo aumenta a produção de bílis no fígado e favorece o seu esvaziamento pela vesícula; torna a bílis mais fluida reduzindo a tendência para a formação de cálculos e atenua de forma gradual as cólicas biliares devido à sua actividade analgésica e anti-espasmódica; alivia ainda as perturbações digestivas associadas ao mau funcionamento biliar. É uma planta muito usada para proteger o fígado dos danos causados por má alimentação ou toma de medicamentos, e em caso de hepatite, congestão hepática e cirrose (como adjuvante); é igualmente utilizada no mau funcionamento da vesícula (vesícula preguiçosa), litíase e nas enxaquecas relacionadas com a disfunção biliar. Planta amarga, o Boldo melhora o apetite
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e favorece a digestão, aumenta a secreção de sucos gástricos, tonifica o estômago, diminui os espasmos gastrintestinais, é um laxante suave e ajuda a expulsar parasitas intestinais. Falta de apetite, digestão lenta ou difícil, amargos de boca, sensação de peso no estômago, distensão abdominal após as refeições, cólicas gastrintestinais e obstipação são outras das suas indicações. OUTRAS PROPRIEDADES Diurética e anti-séptica urinária, esta planta tem sido tradicionalmente usada nas infecções urinárias e reumatismo; aumenta ainda a eliminação da ureia. As pessoas que necessitem de emagrecer têm no Boldo um bom aliado: além de desintoxicar o organismo pela sua acção sobre o fígado, intestinos e rins, esta planta aumenta a produção de uma hormona segregada pelo tecido adiposo, a adiponectina, que regula o metabolismo e auxilia à perda de peso. Níveis mais elevados desta hormona no sangue, além de estarem associados a uma menor reserva de gordura corporal, protegem o organismo da diabetes tipo 2, obesidade, aterosclerose e síndrome metabólica, que constituem factores de risco para as doenças cardiovasculares. COMO TOMAR • Uso interno Infusão: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 2 a 4 chávenas por dia, antes das refeições. Em ampolas, tintura, xarope, cápsulas e comprimidos, o Boldo integra diversas fórmulas para a desintoxicação do organismo, perturbações digestivas, afecções do fígado e vesícula, obstipação e emagrecimento. As folhas são usadas como especiaria na cozinha sul-americana. PRECAUÇÕES Contra-indicado durante a gravidez, lactação, em crianças com idade inferior a 12 anos e em caso de obstrução das vias biliares. Na litíase biliar usar só com supervisão de um profissional de saúde. Os tratamentos não devem ultrapassar as 4 semanas. Não ultrapassar as doses recomendadas; em doses elevadas pode provocar vómitos, espasmos no estômago e efeitos sobre o sistema nervoso central (adormecimento e paralisia). Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
UMAacção conjunta entre o Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais, o Centro Pompidou e aAlliance Française, o Museu de Arte de Macau irá inaugurar a exposição “Arena d’Arte – Projecto do Centro Pompidou”. O momento cultural é considerado a primeira exposição mundial de educação artística apresentada em Macau. A exibição é orientada e planeada por artistas e pessoal da área de educação do Centro Pompidou e tem como foco três momentos de actividades artísticas dedicada às crianças. O objectivo principal da educação artística não é ensinar o lado profissional, mas permitir que as crianças consigam assumir várias perspectivas de processo de “olhar as coisas”, explorando
MUSEU DE ARTE DE MACAU EXPOSIÇÃO A
Para miúd
O projecto, criado pelo Centro Pomp novos outras perspectivas no process a sensibilidade individual e abrindo p
O projecto concebido pelo Centro Pompidou tem como objectivo central estimular a compreensão das crianças sobre os ideais criativos dos artistas, promover a observação e contemplação e estimular a sua imaginação e criatividade” COMUNICADO DA ORGANIZAÇÃO
Pintura Liang Jiang no Museu Memorial Lin Zexu
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IANG Jiang inaugurou ontem a sua exposição de pintura, com o seu nome. O artista é natural de Luo Ding, em Guangdong, e completou os estudos universitários no curso de Pintura a Óleo do Instituto de Belas-Artes de Guangzhou e os estudos de pós-graduação no Instituto
de Artes da China, obtendo os graus académicos de Mestre e de Doutor em Artes. As suas obras foram expostas na Galeria de Belas Artes da China, Galeria Artística Yanhuang, Museu Nacional da China e em galerias estrangeiras, sendo coleccionadas por várias instituições.
Nos últimos anos, fez várias exposições individuais. Liang Jiang é investigador da Galeria de Belas-Artes da China, do Instituto Nacional de Pintura da China e do Departamento de Pintura e Caligrafia do Instituto Central de Estudos de Cultura e História e desempenha, ainda, vários cargos em instituições e organizações de belas-artes, tanto nacionais como locais. Foi Sub-director da Galeria de Belas-Artes da China e Director do Centro de Belas-Artes do Instituto de Estudos de Artes da China. A Exposição de Pintura de Liang Jiang reúne 35 obras seleccionadas pelo artista e está patente na Sala de Exposição do Museu Memorial Lin Zexu de Macau até sexta-feira, das 9h00 às 18h00. A entrada é gratuita.
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ARENA D’ARTE
dos e graúdos
pidou, pretende dar a conhecer aos mais so de “olhar as coisas”, estimulando portas para novas descobertas
Halloween Festa Hed Kandi volta a Hong Kong a sensibilidade de observação e de descoberta. “O Museu estará transformado num autêntico espaço de diversão, onde as crianças e pais vão embarcar numa jornada criativa através de três conjuntos de jogos artísticos. O projecto concebido pelo Centro Pompidou tem como objectivo central estimular a compreensão das crianças sobre os ideais criativos dos artistas, promover a observação e contemplação e estimular a sua imaginação e criatividade”, pode ler-se no comunicado de imprensa. Este processo permitirá às crianças descobrir um maior número de possibilidades, e de forma criativa, para a resolução de possíveis problemas futuros. Da exposição fazem também parte três workshops, gratuitos, sendo eles, Material para projecção, Objectos e Desvios e Mecacollages, a decorrer entre 26 de Outubro a 30 de Novembro. A exposição é de entrada gratuita e termina a 4 de Janeiro de 2015.
Design Associação local assina contrato com Alibaba
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EPOIS da assinatura de um acordo de cooperação com a capital chinesa, na área do design, a Associação de Designers de Macau criou uma marca agora integrada no gigante chinês da internet Alibaba. O colectivo foi também convidado a participar na Semana de Design de Pequim, que teve lugar na última semana de Setembro. A participação do território no evento engloba ainda o Projecto de Estreitamento de Desenvolvimento de Talentos na área do Design. A mesma associação assinou ainda outro acordo para o lançamento de
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA E SE EU GOSTASSE MUITO DE MORRER • Rui Cardoso Martins Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte. Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo. Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão.
uma marca única, a “Design More”, e a cooperação entre as duas cidades deverá oferecer serviços de promoção de produtos de Macau e Pequim. Além disso, o território está ainda a estudar as diversas oportunidades de negócio no núcleo do Centro de Design de Macau. A ideia é, de acordo com um comunicado, atrair empresas estrangeiras para se estabelecer localmente.A“Design More” está pensada para oferecer serviços de marketing, promoção, venda online e de trocas comerciais através da plataforma online chinesa, Tmall – operada desde 2008 pela Alibaba.
A festa Hed Kandi – original do Reino Unido – volta a Hong Kong neste Halloween, dia 31 de Outubro, ao clube nocturno Zuma, situado no centro comercial Landmark. Neste momento, os bilhetes para o evento custam 400 dólares de Hong Kong e incluem duas bebidas na festa que abre portas às 22 horas de sexta-feira. A Hed Kandi, que dura até às quatro horas da manhã, vai contar com a participação do DJ Stuart Ojelay e o saxofonista Benjammin, que deverão animar a noite mais assustadora do ano. A Hed Kandi tem vindo a ser realizada em Hong Kong e Macau há já vários anos, tendo já tido lugar na piscina do hotel Venetian, no Verão de 2009. O preço dos bilhetes deverá aumentar com a aproximação da data, alterandose para 500 dólares de Hong Kong na última semana e 650 dólares à porta. Contudo, haverá ainda oportunidade para os mais atrasados: a partir das duas horas da manhã, a entrada custa 350 dólares de Hong Kong, com direito a uma bebida.
USJ e Maria José de Freitas na Creative Macau
A arquitecta Maria José de Freitas vai apresentar “Making Of”, uma exposição que pretende mostrar como é feito um projecto de arquitectura desde a sua concepção até ao produto final. A mostra, patente na Creative Macau entre 29 de Outubro a 8 de Novembro, deverá integrar elementos como o trabalho de equipa, o esforço e as discordâncias entre os vários membros, bem como os sucessos, de modo a atingir o referido produto final. “Making Of” pretende dar aos visitantes uma noção de como é feito um projecto, esclarecendo os principais desafios de um arquitecto perante uma cidade em constante moção. Os alunos da licenciatura de Comunicação e Média, da faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José (USJ), também vão apresentar trabalhos seus entre os dias 12 e 29 de Novembro, no mesmo local. As produções deste ano abrangem as áreas de fotografia e fotojornalismo, design gráfico, animação, produção de vídeo e áudio. A entrada na exposição é livre e serve para dar a conhecer as várias áreas leccionadas no curso de Comunicação e Media.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
A CHAVE DE CASA • Tatiana Salem Levy Audaciosa, Tatiana Salem Levy, sobrepõe uma narrativa de viagem a uma história de paralisia. Um corpo que percorre a Turquia na esperança de encontrar uma casa de família e um corpo que jaz e sofre numa cama. Um paralelo tão contraditório como as confissões que lemos, confissões sobre um amor que vai sobrevivendo graças a instantes de delírio sexual, em que tudo é permitido, aliados a momentos de medo. E, ao mesmo tempo, por entre narrativas ficcionais e memorialísticas, a figura maternal, a mãe que se ama, a mãe que já morreu mas que se quer ressuscitar, a mãe de que se precisa.
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CHINA
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UM RISCO DE REPETIÇÃO DE TIANANMEN O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, considera “possível” que os protestos pródemocracia na antiga colónia britânica acabem como na Praça de Tiananmen, com a repressão do movimento estudantil há 25 anos. “É possível, porque nós temos de lidar com gente estúpida: tanto em Pequim como em Hong Kong”, afirmou, em entrevista à agência Lusa, Joseph Zen Ze-Kiun. Joseph Zen, assume-se “incrédulo” com a forma como as autoridades do governo de Hong Kong têm lidado com os protestos que duram há três semanas e que passaram para as bocas do mundo desde 28 de Setembro, quando a polícia usou gás lacrimogéneo contra os manifestantes, na sua maioria estudantes. “O maior erro [do governo de Hong Kong] foi ter desprezado as inúmeras vozes que se começaram a insurgir há bastante tempo”, avaliou. O Executivo de Leung Chun-ying, também conhecido por CY Leung, “não teve em conta os promotores de “Occupy Central”: isso foi o início de tudo”, reiterou. A forma “tonta” como lidaram com os estudantes foi, na opinião do bispo emérito, o segundo erro: “Os estudantes iniciaram algo que, de forma nenhuma, pode ser acusado por lei. Foi ridículo deterem-nos e manterem-nos sob custódia durante mais de 40 horas”. “E o último erro foi usar gás lacrimogéneo. É incrível. Erro após erro, eles são responsáveis pela situação actual”, sustentou, ao frisar que a população aguarda até à data um pedido de desculpas.
CARDEAL APOIANTES DOS PROTESTOS EM HONG KONG SÃO HERÓIS
Xeque de bispo
O cardeal Joseph Zen Ze-kiun elogia os financiadores dos protestos e alerta para os riscos de repetição de Tiananmen, ao mesmo tempo que apela a uma maior contenção nas acções dos estudantes
O
cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, diz desconhecer quem “alimenta” os protestos, mas reclama o título de “herói” para todos os que contribuem com donativos ou dinheiro. Como se de uma mini-cidade se tratasse, no principal local de protestos instalado há mais de três semanas junto à sede do governo e parlamento de Hong Kong, em Admiralty, não falta nada para um jovem sobreviver nas ruas. Há água e comida, nas casas de banho todo o tipo de produtos de higiene, tendas, capas para proteger da chuva, livros para passar o tempo. Toda uma logística que depende em boa parte dos dona-
tivos dos residentes, embora se desconheçam as grandes fontes de financiamento. “Não sei nada das doações. Estou só surpreendido com a quantidade de materiais, até pessoal médico se voluntariou. E nos últimos dias as pessoas estavam a limpar o local. Isto é maravilhoso”, observou o cardeal Joseph Zen à agência Lusa, dizendo desconhecer a origem do dinheiro, embora aponte a iniciativa de particulares. “Penso que é ridículo o governo questionar a fonte. Muitos contribuíram”, frisou, defendendo que quem dá dinheiro a uma causa tão nobre merece ser honrado e que “é estúpido” que alguém suspeite que o dinheiro
vem dos Estados Unidos. “Nós temos dinheiro em Hong Kong”. Para o cardeal, trata-se de defender os valores e o modo de vida da cidade. “Se o chefe do Executivo é apontado por Pequim, como
“Só o poder e o dinheiro mandam em Hong Kong. E nós não queremos ser escravos desse dinheiro e do poder” CARDEAL JOSEPH ZEN ZE-KIUN Bispo emérito de Hong Kong
o apoio dos abastados da região, então não há forma possível de mantermos os nossos valores porque só o poder e o dinheiro mandam em Hong Kong. E nós não queremos ser escravos desse dinheiro e do poder”. “A igreja católica [em Hong Kong] emitiu, há mais de um ano, direcções muito sensatas a apoiar a democracia, a apoiar o diálogo. E depois de tanto tempo se não atinge nada de concreto, outras opções como o ‘Occupy Central’ também são razoáveis”, recordou o bispo emérito.
LIBERDADE DE ACÇÃO
“Isto não é encorajar ninguém a fazer nada, mas deixar à consciência de cada um fazer o que acha bem”,ressalvou. Para Zen, os católicos foram muito activos no movimento, independentemente de os promotores do “Occupy Central” – dois professores e um pastor baptista – não professarem a mesma religião. “Colaborámos bem. Não somos líderes do movimento, mas demos um contributo muito importante: encorajámos a união de todas as forças e as pessoas a irem votar no referendo informal do “Occupy Central” [sobre o método de votação para eleger o chefe do Executivo], que foi um grande sucesso”, acrescentou.
MAIOR PONDERAÇÃO Os estudantes de Hong Kong devem ser mais ponderados na linguagem que usam, defende o cardeal Joseph Zen Ze-kiun, advertindo que a escalada dos protestos é incompatível com o princípio da não-violência. “Eles devem ter cuidado e não usar de forma leviana a expressão ‘vamos intensificar a acção’. O que querem dizer com isso? Uma escalada significa elevar para o nível da força. Mas qual é a nossa força? É a força da paz, da razão, a coragem”, afirmou “É verdade que há duas noites o governo rompeu o diálogo com os estudantes e que foi possível chamar milhares às ruas novamente, mas quantas vezes o vão conseguir?, questionou. Crente de que ao mudar para uma “estratégia mais sensata”, as pessoas vão responder às convocatórias para uma acção de grande escala, o cardeal nascido em Xangai e com experiência da China e de Hong Kong, aposta em continuar os protestos mediante “acções simbólicas”, de pequena dimensão. “Penso que os estudantes devem ouvir mais as pessoas e não só seguir a sua ideia”, analisou. “Muitas pessoas têm feito a mesma sugestão, mas com diferentes intenções. Eu faço-o por uma questão de estratégia em primeiro lugar, e por uma questão de segurança. Penso que os estudantes não gostam de colocar a segurança em primeiro lugar: estão prontos para morrer, mas na verdade isso não representa nenhuma vantagem para a causa”, analisou.
DESPORTO
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MACAU E SINGAPURA EMPATARAM A DOIS GOLOS
Igualdade com sabor a vitória MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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OI apenas um empate, mas foi celebrado como se de uma vitória se tratasse. A selecção de futebol de Macau alcançou ontem no relvado do Campo da Universidade de Ciência e Tecnologia um dos melhores resultados da sua história recente, ao empatar a duas bolas com a actual titular da Taça Suzuki, a selecção de Singapura. Orientado por Bernd Stange, o onze da cidade-estado deslocou-se ao sul da China para preparar o assalto à revalidação da Suzuki Cup mas sai de Macau sem grandes razões para sorrir. Depois de ter sido derrotada por duas bolas a uma por Hong Kong, Singapura procurava rectificar o desaire frente à selecção do território e foi com um tal propósito em mente que entrou no desafio. Mais acutilante e melhor organizada, a formação do território criou a primeira grande oportunidade logo aos quatro minutos, mas o surpreendente Ho Man Fai defendeu para fora das quatro linhas um remate de um dianteiro adversário, antes de evitar com uma palmada que Singapura fizesse estragos na sequência do pontapé de canto que se seguiu. O guarda-redes da Selecção do Lótus voltou a brilhar aos nove minutos, ao negar nova boa jogada de ataque do onze visitante. O grupo de trabalho às ordens de Leung Sui Wing só respondeu à passagem do minuto doze, numa tentativa tímida de contra-ataque que não chegou sequer a penetrar a grande área à guarda de Sunny bin Abdullah. A primeira grande oportunidade de que Macau dispôs acabaria por surgir pouco depois, com Chan Man a ganhar em velocidade ao lateral esquerdo de Singapura, a puxar a bola à linha e a fazer um passe atrasado para
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USOFONIA em Macau é sinónimo de ritmos quentes e noites frescas junto às Casas Museu da Taipa, mas o mais afamado arraial popular do território também se faz de outras nuances, nomeadamente de pontapés na bola. O certame dá o mote a um dos mais competitivos torneios de futebol não-associativo da RAEM, uma prova que agrega formações em representação das comunidades
Leong Ka Hang, que se deixa desarmar pela defesa adversária sem conseguir sequer ensaiar um remate. Á segunda tentativa de Chan Man pela ala direita do ataque do território, Sunny bin Abdullah respondeu com a primeira defesa que efectuou no desafio. Macau parecia reclamar algum ascendente sobre o rumo do desafio, mas a resposta de Singapura dificilmente se poderia afigurar mais letal. Aos 22 minutos, Khairul Kamal Mohammad tirou proveito da condescendência da defesa do território e desfeiteou Ho Man Fai com um remate produzido à entrada da pequena-área de Macau. Embalada pelo golo, a formação visitante quase apontou o segundo tento do desafio à passagem da meia hora de jogo, num fulminante cabeceamento ao ferro da baliza do conjunto às ordens de Leung Sui Wing. Na resposta, Chan Man força Sunny bin Abdullah a uma defesa atenta e na recarga o macaense Vinício Morais Alves não conseguiu enquadrar o remate com a baliza adversária. O onze do território acabaria por pagar cara a falta de eficácia, ao permitir que o endiabrado Khairul Kamal Mohammad apontasse o segundo golo da noite à passagem dos 36
minutos. O dianteiro dos leões do Singapura aproveitou os espaços concedidos à entrada da área pela defensiva local e bateu Ho Man Fai pela segunda vez com um remate colocado. A recta final da primeira parte foi de algum aperto para as hostes do território, com Ho Man Fai a produzir uma série de boas defesas e a impedir que o grupo de trabalho orientado por Bernd Stange dilatasse mais ainda a vantagem de que dispunha no placard. Ao intervalo, a formação visitante vencia por dois tentos de diferença e poucos acreditariam numa remontada da selecção do território, mas foi um onze do Lótus transfigurado, aquele que se apresentou em campo na segunda parte, no estádio de Ciência e Tecnologia. Aos cinco minutos, Vinício Morais Alves foi o porta-voz de uma nova dinâmica
em termos ofensivos, ao rematar com estrondo ao ferro da baliza à guarda de Sunny bin Abdullah. Com uma maior sanha na etapa complementar, Macau acabaria por reduzir ao53 minutos, com Leong Ka Hang a responder a uma boa solicitação de um colega de equipa e a isolar-se na frente de ataque, antes de bater o guarda-redes de Singapura com um remate cruzado. O onze visitante respondeu quase de imediato, mas o incontornável Ho Man Fai impediu, com uma defesa elástica, que os “leões” fizessem mais estragos. A um quarto de hora do final, Nicholas Torrão teve nos pés uma oportunidade de ouro para garantir a igualdade, mas Sunny bin Abdullah negou o golo ao avançado do Benfica de Macau. A selecção orientada por Leung Sui Wing desperdiçou uma oportunidade importante no derradeiro
minuto do tempo regulamentar, com Leong Ka Hang a isolar-se novamente, mas a falhar desta feita o enquadramento com a baliza adversária. A igualdade acabaria, no entanto, por se materializar momentos depois, na sequência de novo contra-ataque irrepreensível por parte do grupo de trabalho do território. Marcou Nicholas Torrão, batendo Sunny bin Abdullah. O encontro terminou pouco depois e as bancadas do campo da Universidade de Ciência e Tecnologia explodiram em regozijo. Celebrada como se de uma vitória se tratasse por parte dos adeptos de Macau, a igualdade foi assimilada como se de uma derrota se tratasse por parte do seleccionador de Singapura: “Apenas posso dizer que o resultado é uma surpresa e uma surpresa pouco agradável para nós. Controlamos na primeira parte, mas não conseguimos exercer o mesmo domínio na segunda e acabamos por permitir dois golos de contra-ataque que não poderíamos ter sofrido em nenhuma circunstânci. Empatamos, mas o empate teve sabor a derrota”, reconhece o alemão Bernd Stange.
ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL NÃO CONFIRMA POSSIBILIDADE
Naturalizados na Selecção? A
Associação de Futebol de Macau poderá a curto e médio trecho vir a solicitar o contributo de alguns dos atletas estrangeiros que alinham na Liga de Elite, a principal prova do desporto-rei do território. A surpreendente revelação foi ontem feita por Nicholas Torrão, autor do golo que garantiu o empate a duas bolas no frente-a-frente com a selecção de Singapura. O avançado da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau, que alinhou
nas selecções jovens do território e marca presença regular nas convocatórias de Leung Sui Wing deixou claro que no futuro poderá não ser o único jogador nascido fora de Macau a envergar a camisola da Selecção do Lótus: “A selecção de Macau sempre teve uma grande abertura face à utilização de atletas naturalizados e esta tendência foi interrompida há alguns anos, mas pelo que sei poderá ser reatada dentro em breve. Neste momento, estão a ser analisados os
processos de jogadores portugueses e brasileiros que alinham na Liga de Elite e que no futuro poderão vir a ser chamados a dar o seu contributo à Selecção de Macau. Creio que a equipa só ficaria a ganhar”, sustenta Nicholas Torrão. Confrontados com a revelação, os responsáveis pela Associação de Futebol de Macau excluem uma tal conjectura, ainda que reconheçam que o organismo terá abordado a possibilidade junto da Confederação Asiática
TORNEIO DA LUSOFONIA ARRANCA HOJE EM COLOANE
Em português nos defrontamos de matriz portuguesa que residem no território. A edição de 2014 da competição arranca ao final da tarde hoje com a realização dos desafios da primeira fase da competição referentes ao grupo A. O Torneio da Lusofonia, que volta a ter as insta-
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lações do Parque Desportivo de Hac Sa, em Coloane, como palco arranca com o desafio entre o Brasil e uma formação em representação de Angola e de São Tomé e Príncipe e meia hora depois, por volta das 20 horas, é a vez da selecção mista de
Macau e Goa defrontar um conjunto estruturado tendo por base representantes das comunidades de Timor-Leste e da Guiné Bissau que têm o território como casa. As quatro formações que integram o Grupo A – Brasil, Angola/São Tomé, Macau/
Goa e Timor-Leste/Guiné Bissau – revezam-se depois, até todas se terem defrontado. Amanhã é a vez de se disputarem os encontros referentes ao grupo B da competição, com Portugal e a República Popular da China a abrirem as hostilidades. Para além
de Futebol. Chan Keng Hou, director técnico da Associação, não confirmou a hipótese da selecção de Macau poder voltar a abrir as portas a estrangeiros e defende que naturalizar um jogador não é tão simples como parece: “As regras da FIFA são muito específicas sobre quem pode ou não pode jogar. No caso do Nicholas Torrão é diferente, porque ele já jogava nas selecções jovens de Macau antes da transferência de soberania”, remata o dirigente. - M.C.
dos cincos de Portugal e da China, as contas do grupo B integram ainda formações em representação das comunidades moçambicana e cabo-verdeana radicadas em Macau. Os dois primeiros classificados de cada uma das poules garantem a presença nas meias-finais da competição, agendadas para domingo, dia em que também será conhecido o nome do vencedor da competição. - M.C.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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WANG CHONG
王充
OS DISCURSOS PONDERADOS DE WANG CHONG
Sobre a morte – 6 Os mortos não podem transformar-se em fantasmas e como tal, tão pouco são capazes de cognição. Como prová-lo? Pelo facto de, antes do nascimento, não sermos dotados de cognição. Antes do nascimento, o homem confunde-se com os fluidos originais; depois de morto, aí regressa. Os fluidos originais são vagos e difusos e os fluidos humanos confundem-se com eles. Antes do seu nascimento, o homem é incapaz de cognição e, ao morrer, regressa a esse estado original de não-cognição. Como poderia, então, ser dotado de percepção [após a morte]? Se o homem é dotado de percepção e inteligência, é por ter nele os fluidos das Cinco Virtudes, as quais dependem, por sua vez, dos Cinco Órgãos do corpo [fígado, coração, baço, pulmões e rins]. O homem mantém a sua inteligência enquanto os órgãos se mantêm intactos; mas, uma vez danificados, cai na confusão, ou seja, torna-se estúpido. Ao morrer, os Cinco Órgãos se putrefazem e as Cinco Virtudes vêem-se privadas da sua base: a sede da inteligência é destruída e aquilo que formava essa inteligência deixa [o corpo]. O corpo necessita de fluidos para se formar, e os fluidos necessitam de um corpo para que exista inteligência. No mundo, não encontramos nenhum fogo que arda só por si [sem se alimentar de combustível]: como poderiam então, privados de corpo, baseados na sua própria força, os fluidos subtis ser capazes de cognição? Tradução de Rui Cascais | Ilustração de Rui Rasquinho
Wang Chong (王充), nasceu em Shangyu (actual Shaoxing, província de Zhejiang) no ano 27 da Era Comum e terá falecido por volta do ano 100, tendo vivido no período correspondente à Dinastia Han do Leste. A sua obra principal, Lùnhéng (論衡), ou Discursos Ponderados, oferece uma visão racional, secular e naturalista do mundo e do homem, constituindo uma reacção crítica àquilo que Wang entendia ser uma época dominada pela superstição e ritualismo. Segundo a sinóloga Anne Cheng, Wang terá sido “um espírito crítico particularmente audacioso”, um pensador independente situado nas margens do poder central. A versão portuguesa aqui apresentada baseia-se na tradução francesa em Wang Chong, Discussions Critiques, Gallimard: Paris, 1997.
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No mundo, n茫o encontramos nenhum fogo que arda s贸 por si.
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ORQUESTRA FILARMÓNICA DE SÃO PETERSBURGO APRESENTA “CONTOS DA RÚSSIA” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 300 a 680 patacas
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Cineteatro
O QUE FAZER ESTA SEMANA • Hoje
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YUAN
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CINEMA
ANNABELLE SALA 1
ANNABELLE [C]
THE MAZE RUNNER [B]
Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 14.30, 19.30, 21.30
CORO GULBENKIAN APRESENTA “MÚSICA SACRA DO ALTO BARROCO AO ROMANTISMO FRANCÊS” (FIMM) Igreja de São Domingos, 20h00 Entrada com bilhete gratuito (pré-marcação)
Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 19.30
THE MAZE RUNNER [B]
Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 16.30
SALA 3
JUON - THE BEGINNING OF THE END [C] FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 14.30, 16.30, 19.3, 21.30
SALA 2
DRACULA UNTOLD [C]
• Amanhã
Um filme de: Gary Shore Com: Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance 14.15, 16.00, 17.45, 21.30
CORO GULBENKIAN APRESENTA “MÚSICA PORTUGUESA DOS SÉCULOS XVII E XX” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 120 a 250 patacas
ACONTECEU HOJE
“PINKTOBER” APRESENTA 80 & TAL – CONCERTO DE SOLIDARIEDADE PARA VÍTIMAS DO CANCRO DA MAMA Hard Rock Café, 21h15 150 patacas, com oferta de uma t-shirt
15 DE OUTUBRO
• Sexta-feira
FESTIVAL DA LUSOFONIA (ATÉ DOMINGO) Casas-museu da Taipa Entrada livre
Nasce a escritora Agustina-Bessa Luís
• Sábado
LAURIE ANDERSON APRESENTA “A LINGUAGEM DO FUTURO” (FIMM) Fortaleza do Monte, 20h00 80 patacas ORQUESTRA DE MACAU APRESENTA “MEDITADOR” Centro Cultural de Macau, 20h00 80 a 200 patacas
• Domingo
ORQUESTRA CHINESA DE TAIPÉ APRESENTA “BRILHO DESLUMBRANTE” Centro Cultural de Macau, 20h00 80 a 200 patacas
• Diariamente
FESTIVAL DE GASTRONOMIA MACAENSE (ATÉ 5 DE NOVEMBRO) Hotel Four Seasons, Cotai 18h00 às 22h00 498 patacas por adulto, 249 para crianças até aos 12 anos
H O J E H Á F I L M E
EXPOSIÇÃO “BEYOND PIXELS” DE VICTOR MARREIROS (ATÉ DIA 31/12) Signum Living Store, Rua Almirante Sérgio Entrada livre
“CONTROL” (ANTON CORBIJN, 2007) Um documentário a preto e branco que conta a história da banda inglesa Joy Division e da forte e enigmática personalidade de Ian Curtis, o seu vocalista que se suicidou com 23 anos. Excelentes interpretações numa película que retrata uma das mais importantes bandas do século XX. - Andreia Sofia Silva
“VIAGEM À TERRA DOS SONHOS” DE SU JIAN LIANG (ATÉ DIA 23/10) Galeria da Fundação Rui Cunha Entrada livre EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar Entrada livre WORLD PRESS PHOTO (ATÉ 2 DE NOVEMBRO) Casa Garden Entrada Livre
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João Corvo
• A 15 de Outubro, recorda-se Agustina-Bessa Luís, uma das escritoras portuguesas mais consagradas, com uma obra notável, inspirada pelo romantismo de Camilo Castelo Branco. Agustina-Bessa Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922. Membro de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho, desde muito jovem se apaixonou pelos livros, fascinada pela biblioteca do avô materno, de onde constavam obras dos melhores autores ingleses e franceses. Viaja para o Porto em 1932, para prosseguir os estudos, mudando-se para Coimbra em 1945, onde residiu cinco anos. Regressa à cidade do Porto em 1950, onde fixa residência, corria o ano de 1950, dois anos depois de se estrear como romancista, com o livro ‘Mundo Fechado’. Em 1954, publica ‘A Sibila’, que lhe permite conseguir o reconhecimento da crítica literária (hoje, este trabalho já atingiu a 25.ª edição). O romance atinge um sucesso imediato, graças à originalidade da escrita de Agustina-Bessa Luís, autora que se insere na corrente neo-romântica, influenciada pela obra de Camilo Castelo Branco. Agustina-Bessa Luís escreveu ainda peças de teatro e guiões para televisão. Diversos romances foram adaptados para o cinema, pela mão do realizador Manoel de Oliveira, de quem é amiga. A autora conjugou a actividade literária com diversas outras funções, ligadas à sociedade e às artes. Foi directora do diário portuense O Primeiro de Janeiro e entre 1990 e 1993 directora do Teatro Nacional de D. Maria II, em Lisboa. Assinou mais de 50 obras, desde romances, contos, peças de teatro, crónicas de viagem, livros infantis e biografias. Com 81 anos, conquistou, em 2004, o prestigiado Prémio Camões, por “traduzir a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora, assim contribuindo para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”, de acordo com o júri. Hoje, assinala-se o aniversário de Agustina-Bessa Luís.
fonte da inveja
O ideal do ego é um ego com ideal ou um ideal sem ego?
ócios / negócios
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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A pequena sala de cor branca e vermelha já se viram nascer projectos de design gráfico da empresa Mamilk Studio ou roupas desenhadas pela estilista Ana Cardoso, que assina com a marca Anna Noir. Foram assim os primeiros 12 meses de vida da Macau Designer’s Corner, um projecto concebido pelo também designer, mas de interiores, João Telhado, residente em Macau há cerca de 30 anos. “É um espaço que idealizei para fazer uma partilha, porque percebi que há uma grande dificuldade por parte dos profissionais em encontrar um espaço para trabalhar”, disse ao HM, garantindo que o aumento das rendas foi a grande razão que esteve por detrás da iniciativa. “É um mal geral em Macau e investi neste espaço para poder ajudar pessoas que estejam a começar ou que estejam com dificuldades em encontrar um espaço”, disse João Telhado. A renda é paga pelo designer de interiores, que recebe depois uma avença que inclui não só o aluguer do espaço por cada empresa como o pagamento de despesas adicionais. João Telhado garante que a Macau Designer’s Corner pode acolher entre cinco a seis empresas. “Temos disponibilidade física, é um espaço aberto em que temos de mudar a disposição conforme as necessidades. Há regras de utilização, em termos de horários. Organizamos uma agenda para depois não nos atropelarmos todos aqui dentro”, explicou o designer. Estando neste momento “numa fase de manutenção”, uma vez que o Mamilk Studio e a marca Anna Noir saíram da avenida Sidónio Pais, João Telhado afirma já ter recebido algumas propostas de empresas de áreas como a inovação ou a electrónica. Em Novembro, a Macau Designer’s Corner prepara-se para atravessar uma nova fase. “Vou renovar um pouco, fazer manutenção”, apontou João Telhado.
“NÃO TEM SIDO FÁCIL”
Ao fim de 12 meses, João Telhado tem uma certeza. “Não tem sido fácil manter o projecto. Tentamos, dentro das possibilidades, que o espaço se mantenha vivo. Tenho conseguido pagar as contas e o espaço, mas ainda não comecei a pagar o investimento.
Temos muitas empresas e pessoas a fazer muitas coisas, e bem, e algumas podem ser muito úteis para Macau. Podem ajudar a desenvolver o território e a suprir a grande carência que é a mão-de-obra Mas também não é um projecto para ter lucros fáceis ou a curto prazo. É mais uma forma de tentarmos dinamizar a vida das pessoas que precisam de ajuda”, garante. João Telhado gostaria de utilizar a Macau Designer’s Corner para mostrar o que de melhor se faz em Portugal para além dos vinhos e produtos alimentares, já conhecidos de todos.
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HOJE MACAU
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MACAU DESIGNER’S CORNER JOÃO TELHADO, CRIADOR
UM ESPAÇO DE PARTILHA
João Telhado é designer de interiores e há um ano concretizou um sonho antigo: a abertura de um espaço onde várias empresas do sector pudessem trabalhar. Assim nasceu a Macau Designer’s Corner, que deverá receber novos inquilinos já em Novembro
“Temos muitas empresas e pessoas a fazer muitas coisas, e bem, e algumas podem ser muito úteis para Macau. Podem ajudar a desenvolver o território e a suprir a grande carência que é a mão-de-obra”, frisou. Para já, o projecto ainda não foi muito publicitado e tem passado de boca em boca, mas João Telhado gostaria de criar várias Macau Designer’s Corner pela cidade. “Adoraria ter a capacidade de expandir este negócio para fazer uma espécie de cadeia de Macau Designer´s Corner ou criar outros “Corner”, onde os espaços pudessem ser partilhados por quem quisesse. Em Macau poderá ser uma solução, porque há muitas oportunidades para fazer isso. Existem espaços lindíssimos que poderiam ser recuperados. Poderiam ser espaços de actividades públicas, apesar de terem negócios privados”, frisou João Telhado.
“MACAU NÃO PODE SER SÓ ISTO”
Tendo em mente o projecto da LX Factory existente em Lisboa, João Telhado não duvida que Macau poderia ter mais espaços do género, onde empresas, independentemente de trabalharem no ramo criativo ou não, possam partilhar o espaço e despesas. “Esta ideia não fui eu que inventei, já existe nas principais capitais europeias. Penso que há algumas tentativas [para estabelecer espaços criativos], mas, por exemplo, há edifícios no Porto Interior que estão completamente abandonados. Penso que se poderiam fazer coisas lindíssimas em Macau, onde há ainda há lugares que têm um encanto”, apontou. Para isso, não são apenas os designers que se devem unir, defende João Telhado, mas também associações e entidades do sector e até o próprio Governo. “Se conseguíssemos, com a ajuda do Governo ou outra ajuda, ir bater às portas certas, podíamos fazer coisas em Macau para além de distribuir fichas de jogo e desta máquina de fazer dinheiro que Macau é. Macau não pode ser só isto. Este é uma espécie de grito de socorro, porque estamos a ser sufocados”, rematou. A Macau Designer’s Corner fica na Avenida Sidónio Pais.
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OPINIÃO
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HUGO PINTO
próximo oriente
Zonas de desconforto
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M Hong Kong, os protestos entraram na terceira semana e não há fim à vista. Numa teimosa medição de forças, manifestantes e governo têm mantido o impasse, sem sinal de cedências, de diálogo ou confiança mútua, as condições que poderiam resultar numa solução do interesse de todos. Tudo ao contrário do que Michael C. Davis, professor da Universidade de Hong Kong, especialista em lei constitucional, deseja e aconselha num artigo publicado no South China Morning Post, na última sexta-feira, o dia para o qual estavam marcadas as conversações entre os estudantes e a secretária-chefe, Carrie Lam, e que acabariam por ser canceladas unilateralmente pelo governo. Michael C. Davis acredita no valor de um “diálogo sincero e construtivo”. Nesse sentido, recomenda que os estudantes insistam que a negociação assente na Lei Básica, imposição continuamente defendida pelo governo. “Sufrágio universal é mais do que ‘uma pessoa, um voto”, diz, lembrando que, “tal como tornou claro o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas, para que um processo eleitoral com um sufrágio universal possa ser qualificado de democrático, aos eleitores tem que ser dada liberdade de escolha numa eleição competitiva”. Ao excluir-se da nomeação do comité eleitoral o campo pró-democrata, que “tem conseguido, de forma consistente, entre 55 a 60 por cento do voto popular” nas eleições para o Conselho Legislativo, a proposta de lei apresentada por Pequim “falha o compromisso da Lei Básica sobre o sufrágio universal”, que fala, como gostam de dizer os que andam sempre com o credo na boca, numa “nomeação [de candidatos] por parte de uma comissão largamente representativa”. Michael C. Davis lembra também a promessa de alto grau de autonomia dada ao governo de Hong Kong, um modelo que “depende” da defesa dessa autonomia feita pelo próprio Executivo, o que “inclui proteger valores essenciais como a democracia, direitos humanos e o primado da lei”, sem os quais não há baixo ou alto grau de nada. No entanto, a única coisa que vemos o governo de CY Leung defender é a posição de Pequim. Que autonomia? Em Hong Kong, deveria estar a debater-se como permitir que uma reforma política vá ao encontro dos padrões defendidos pelas Nações Unidas e pela população que não abdica das exigências que faz, tal como devia estar sob consideração a realização de uma nova consulta pública sobre a reforma política, face às críticas generalizadas acerca da falta de pluralismo e de manipulação de opiniões.
Em vez de trocas de acusações espúrias, o debate deveria ser acalentado com realismo e centrar-se no que objectivamente poderá ser conseguido: “aumentar a base constituinte da comissão de nomeação e baixar o limiar para nomeação”, as duas possibilidades mais óbvias e pragmáticas (até no China Daily, um dos jornais oficiais do regime, já se admitiu haver “espaço para aperfeiçoamento” nestas questões), de modo a garantir uma eleição igualitária e justa. Que nada disto esteja ainda a ser discutido, ao fim de mais de duas semanas de protestos, é motivo de apreensão e de profundo desânimo. Esperar que os protestos sejam vencidos pelo cansaço não é estratégia, é simplesmente não saber o que fazer, até porque as ruas bem podem voltar a ser poluídas e ocupadas pelo trânsito, que o desejo de uma verdadeira reforma dificilmente será apagado. Mais do que um problema de CY Leung, isso será uma questão para Xi Jinping resolver. O desconforto será partilhado por todos. * A Xinhua, a agência de notícias estatal chinesa, decidiu ouvir Rocha Vieira a propósito dos protestos de Hong Kong. O “último governador português de
Macau”, claro, está contra o movimento “Occupy Central”, porque “se continuar a haver agitação e violência, Hong Kong verá prejudicada a sua estabilidade e desenvolvimento, a vida normal das pessoas e a imagem internacional do território”.
Esperar que os protestos sejam vencidos pelo cansaço não é estratégia, é simplesmente não saber o que fazer Rocha Vieira também falou sobre liberdade. O general, que governou Macau entre 1991 e 1999 sem dar entrevistas aos media locais e num período em que aumentaram os processos relacionados com acusações de abuso de liberdade de imprensa (só entre 1991 e 1995, 24 casos chegaram aos tribunais), considera que “expressar diferentes opiniões é sinónimo de liberdade”, algo que diz só existir “quando respeitamos os outros através do diálogo e do entendimento mútuo”. Continuando o pensamento, o antigo governador português diz acreditar que “apenas a forma prudente de pensar da
cultura chinesa”, escreve a agência, mais “o diálogo e o entendimento, podem ajudar a resolver os problemas”. Uma das conclusões do estudo mais completo (o único?) realizado sobre Macau, “Macau: O Pequeníssimo Dragão”, nos anos antes da transferência de Administração, declara que o governo português do território “nunca se mostrou interessado em incentivar qualquer movimento democrático que emergisse na sociedade”, agindo, assim, em “consonância” com Pequim, que sempre procurou “neutralizar qualquer foco de oposição à sua política”. Era a “atitude de acomodação portuguesa face a Pequim”, escrevem os autores do estudo, Boaventura Sousa Santos e Conceição Gomes, a propósito da estratégia de “cooperação” e “entendimento total” com a China. Esta memória do tempo em que, entre a Administração portuguesa, se defendia que “mais do que jornalistas, Macau precisa é de patriotas”, e em que se lembrava (?) aos jornalistas portugueses que “antes de serem jornalistas são portugueses”, ajuda a perceber o legado do défice democrático. Ajudará, também, a perceber porque é que a Xinhua quis ouvir Rocha Vieira. A “acomodação” é a de sempre. O general, no remanso do seu recolhimento, ajusta-se sem o menor esforço ou desconforto à narrativa do Governo Central. Há coisas que nunca mudam. Na China, é assim que está bem.
opinião 19
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Rui Tavares
in Público
Agora sem rodinhas A troika, no fundo, ajudou o governo a aprender a governar. Agora que a troika saiu, é nada certo que o governo tenha aprendido — ou queira aprender
JAMES CLAVELL, TO SIR, WITH LOVE
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premissa de partida desta crónica é a seguinte: a relação entre a troika e o governo foi, nos últimos três anos, um pouco como a relação entre as rodinhas de apoio e as bicicletas das crianças. A troika, no fundo, ajudou o governo a aprender a governar. Agora que a troika saiu, é nada certo que o governo tenha aprendido — ou queira aprender. Sem rodinhas de apoio, as guinadas são evidentes. Uma parte do governo quer continuar como no tempo da troika, outra parte acha que já pode fazer malabarismos, e alguns ministros já se estamparam. Fiel ao seu estilo, o primeiro-ministro finge que não vê o problema e segue em frente. Isto tem implicações para duas coisas importantes no nosso futuro próximo: quando vamos chegar a eleições, e em que estado chegamos lá. A primeira deveria ser resolvida pelo bom senso. Tudo aconselha a que as eleições sejam antecipadas para antes do Verão de 2015. Por um lado, o esgotamento e desorientação do governo. Por outro lado, o tempo de que precisamos elaborar um orçamento democraticamente legitimado, a tempo para 2016. Por um terceiro lado, o facto de os quatro anos deste governo se cumprirem em Junho de 2015. Por outro lado ainda, a necessidade de dar tempo à formação de um novo governo com um renovado mandato democrático a tempo das negociações do “semestre europeu”, a partir de Outubro/ Novembro de 2015. O argumentário a favor de eleições antecipadas é um polígono. Dois pontos adicionais apenas. Como pode este governo insistir no cumprimento das metas orçamentais e na integração das políticas nacionais no quadro europeu, e depois deixar que o próximo governo se apresente diminuído, com um orçamento preparado por um governo de gestão, no momento de defender perante as instâncias europeias políticas que provavelmente não são as suas? (Sabemos a resposta: este governo até prefere que seja assim). E como podemos querer preparar o país para a renegociação do quadro financeiro europeu, que decorrerá principalmente em 2016 e que terá de ser preparada em 2015, sem um governo (de preferência novo) com uma estratégia europeia (de preferência nova) que possa tirar o máximo partido dos fundos europeus que vão determinar a maior parte do investimento disponível até quase 2020? É absolutamente aconselhável que o país possa, em eleições, escolher as grandes opções para esse novo ciclo.
Precisamos definitivamente de largar as rodinhas e escolher o nosso caminho. O caos na justiça e na educação não é um bom prenúncio para o nosso próximo ano. O país está exausto desta governação desgastada e não encontra já justificação para o seu prolongamento. Pedro Passos Coelho está acossado pelo caso Tecnoforma e espera que o prolongar da governação lhe dê o tempo suficiente para recuperar com políticas eleitoralistas. A guinada nesse sentido eleitoralista invalida, ao mesmo tempo, os argumentos de continuidade que o governo poderia apresentar. Quando se torna claro que um governo já não está interessado nos problemas do país mas apenas concentrado em resolver os seus próprios problemas, só há uma decisão a tomar: marcar eleições.
cartoon por Stephff
PILHAS
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau. com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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CARITAS BANCO ALIMENTAR CHEGA AO FIM, MAS IAS PROMETE CONTINUAR
Passagem de testemunho Conselheiro de Estado chinês visita EUA
O conselheiro de Estado chinês Yang Jiechi vai visitar os Estados Unidos ainda este mês a convite da administração norte-americana, informou ontem a Xinhua. Segundo a agência oficial chinesa, Yang Jiechi vai trocar impressões com os Estados Unidos sobre as relações bilaterais e abordar também focos de preocupação comuns tanto regionais como internacionais, anunciou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hong Lei em comunicado, sem especificar as datas da visita. As duas maiores potências mundiais acordaram, este domingo, fazerem uma boa preparação para a visita do Presidente norte-americano, Barack Obama, a Pequim, no próximo mês de Novembro, por ocasião da cimeira de líderes da Associação de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC). O consenso foi alcançado entre o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, durante uma conversa telefónica, da iniciativa do chefe da diplomacia americana, informa a Xinhua.
O serviço assegurado durante três anos pela Caritas deverá continuar a funcionar sob a égide do Instituto de Acção Social FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
O
Banco Alimentar da Caritas, um serviço de fornecimento temporário de alimentos pelo qual a associação foi incumbida através do Instituto de Acção Social (IAS), vai terminar no final deste ano. O IAS garante que o serviço vai continuar, ainda que sob a sua
alçada. Paul Pun, director da organização, acredita que os pedidos de ajuda vão aumentar. Num balanço sobre o final do serviço prestado, o director da Caritas, referiu ao canal chinês da Rádio Macau que, desde o funcionamento do serviço, há três anos, mais de 4800 famílias foram ajudadas. Paul Pun diz mesmo que nunca pensou que tantas pessoas precisassem deste serviço, mas prevê que o número de pessoas com esta necessidade irá continuar a subir. “Como o índice da inflação não pára de aumentar, os residentes de Macau estão sob uma grande pressão, por isso, acho que as pessoas com rendimentos baixos vão continuar a ser muitas, o que vai fazer com que haja mais pedidos de ajuda do nosso serviço”, frisou.
MISSÃO CUMPRIDA
Um dos recorrentes ao banco alimentar disse à rádio que
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o serviço o ajuda a aliviar a pressão económica que sofre desde há dois anos. “Em 2012, a minha capacidade de visão diminuiu devido a um acidente e na altura enfrentei uma grande dificuldade económica e pedi ajuda ao Centro do Serviço de Fornecimento Temporário da Caritas. Consegui, assim, resolver o problema das refeições diárias”, explicou. Relativamente à renovação do serviços de fornecimento de alimentos, o IAS referiu que “espera que o serviço possa continuar”, aliviando assim as
dificuldades sentidas pelas famílias de Macau. O organismo garante ainda que irá fazer uma revisão total, no final do ano, sobre a eficiência e eficácia deste serviço, prevendo que possa continuar a disponibilizar alimentos aos que mais precisam durante o próximo ano.
“Como o índice da inflação não pára de aumentar, os residentes de Macau estão sob uma grande pressão, por isso, acho que as pessoas com rendimentos baixos vão continuar a ser muitas, o que vai fazer com que haja mais pedidos de ajuda do nosso serviço” PAUL PUN Director da Caritas
KIM JONG-UN REAPARECE EM PÚBLICO DE BENGALA
Segredos de líder O
reaparecimento parece tão misterioso como o desaparecimento. Após 40 dias sem ser visto em público, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, foi fotografado numa visita a um novo centro residencial científico e um novo instituto de energia da academia das ciências. Vinha apoiado numa bengala, e os media estatais que relataram a visita não indicaram quando tinha sido feita a visita, nem deram qualquer explicação para o seu desaparecimento anterior. As imagens mostram uma típica “visita de orientação de campo” do líder norte-coreano, rodeado
pela habitual entourage de generais e responsáveis do partido. As imagens publicadas no jornal oficial do partido, Rodong Sinmun, mostravam apenas o detalhe da bengala, mas a causa não era referida no texto. A última vez que Kim Jong-un tinha sido visto em público fora a 3 de Setembro, num concerto com a sua mulher. A ausência – especialmente porque falhou o aniversário da fundação do partido no poder, e não apareceu também na comemoração do dia fundação do país – motivou especulação sobre se teria sido vítima de uma doença grave ou de um golpe, e se estaria ainda
no poder num dos regimes mais fechados do mundo.
ACEITAM-SE PALPITES
Esta não foi a primeira vez que Kim desapareceu, mas o facto de ter falhado as duas datas foi especialmente notado. Entre os rumores para a ausência estavam problemas ortopédicos, que o uso da bengala parece ter confirmado. Apenas há especulações, que vão desde o ter-se magoado num tendão durante um exercício militar em que resolveu participar até problemas causados ou piorados pelo seu visível excesso de peso (aparentemente propositado para aumentar a parecença com o avô, o fundador da dinastia ditatorial do país comunista). “Independentemente de que ferimento tenha tido, não há qualquer indicação de que esteja a perder poder, ou que esteja a ser desafiado por alguém no poder”, comentou Paik Hak-soon, perito em Coreia do Norte do Instituto Sejong (perto de Seul). “Está tudo normal.”