PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
MOP$10
Ter para ler
DIRECTOR CARLOS CARLOS MORAIS MORAIS JOSÉ JOSÉ •• TERÇA-FEIRA TERÇA-FEIRA 15 15 DE DE OUTUBRO OUTUBRO DE DE 2013 2013 •• ANO ANO XIII XIII •• Nº Nº 2953 2953 DIRECTOR
ENTREVISTA
• SIN FONG GARDEN
Governo encomenda estudo à UMAC PÁGINA 9
• NOVA TAIPA
O PROFESSOR MANUEL AFONSO COSTA E A POESIA CHINESA
ASSINATURAS CONTRA O AUMENTO DO PREÇO DO CONDOMÍNIO PÁGINAS 14 E 15
PÁGINA 8
EXPLORAÇÃO INFANTIL ONU arrasa RAEM. Governo defende-se como pode
Que caminho, Macau? O relatório do Comité dos Direitos da Criança da ONU não foi nada simpático para Macau. Aliás, contém mesmo acusações graves de lenocínio e trabalho infantil. Para as Nações Unidas, o território tem um “sério” problema em mãos que “parece estar vinculado aos casinos”. Especialistas ouvidos pelo HM dizem que o problema são a “falta de recursos
especializados” e “planos concretos” por parte do Executivo, que consideram “estar à deriva”. O Governo já assumiu uma posição pública e, mesmo estando “consciente” de que a RAEM tem problemas ao nível do tráfico de pessoas – até dos mais novos – para exploração sexual, não aceita que Macau seja um lugar de trabalho infantil. PÁGINAS 2 E 3
ACADÉMICO AFIRMA QUE CHINA “NÃO QUER SER SUPERPOTÊNCIA” PUB
PÁGINA 5
• ECONOMIA CHINESA
Senhor Liu, o visionário dos próximos 10 anos PÁGINA 10
2
EXPLORAÇÃO
hoje macau terça-feira 15.10.2013
I N F A N T I L
RELATÓRIO DA ONU SOBRE TRÁFICO SEXUAL INFANTIL VISTO À LUPA
Um Governo sem planos nem especialistas O mais recente relatório do Comité dos Direitos da Criança das Nações Unidas é arrasador: não só há casos de exploração sexual infantil em Macau como os casinos acabam por contribuir indirectamente para o problema. O trabalho infantil também existe. O Governo diz estar “consciente” do problema, embora recuse alguns conteúdos do relatório. Especialistas ouvidos pelo HM dizem que não há medidas concretas nem organismos especializados para lidar com este tipo de casos ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
S dúvidas não existem junto dos peritos do Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas (ONU). Não só o turismo sexual com menores é considerado um problema “sério” em Macau, como o tráfico e rapto de crianças para exploração sexual têm vindo a aumentar. Entretanto, a agência Lusa avançou que desde 2008 já foram identificadas 34 vítimas menores de tráfico de pessoas para exploração sexual e até laboral. A contribuir para esta problemática estão os casinos, ainda que de forma indirecta. Kirsten Sandberg, um dos peritos da ONU, disse que “o problema parece estar vinculado aos casinos, os quais financiam em grande parte as despesas do Governo. Os casinos atraem este tipo de
O problema parece estar vinculado aos casinos, os quais financiam em grande parte as despesas do Governo. Os casinos atraem este tipo de negócios, aumentando as possibilidades para jovens serem explorados sexualmente KIRSTEN SANDBERG ONU
negócios, aumentando as possibilidades para jovens serem explorados sexualmente”. Através de um comunicado oficial, citado pela agência Lusa, o Executivo diz estar “consciente” que a RAEM “não está imune ao flagelo mundial que é o tráfico de pessoas e que o facto de ser uma cidade de turismo e lazer potencia o crime de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual”, mas salienta que o crime é “transnacional” e afecta “todas as jurisdições”. Contudo, há diversos pontos rejeitados pelo Executivo, nomeadamente a existência de casos de tráfico para exploração laboral. Quanto aos casos de tráfico de pessoas, mesmo com crianças, são todos para efeitos de exploração sexual. Segundo a Lusa, o Governo diz “desconhecer as fontes que afirmaram as afirmações e conclusões” do comité e “estranha o seu conteúdo, designadamente a suspeita de casos de rapto de menores para fins de exploração sexual ou laboral”. “O Governo de Macau lamenta a falta de denúncia de suspeitas ou casos dessa natureza às autoridades locais pelas fontes do comité”, refere ainda.
“MAIOR EFICÁCIA DA INVESTIGAÇÃO”
Para o Executivo, a detecção de mais casos de tráfico é sinónimo de “maior eficácia da investigação e do controlo das autoridades face a um crime complexo e organizado” e que “depende bastante da colaboração das vítimas na identificação dos agentes”. Foi ainda reiterado que não só nenhum caso de exploração sexual de mulheres em casinos foi notado, como a nova lei que proíbe a
exploração infantil 3
hoje macau terça-feira 15.10.2013
entrada a menores de 21 anos em espaços de jogo serve de “medida preventiva”. É ainda garantido que a grande preocupação é o tráfico de pessoas e de menores, uma vez que a “prostituição (...) não é um crime”. Para o futuro, fica a promessa de “continuar de forma empenhada a lutar contra este flagelo, reforçando a acção e os meios das autoridades policiais e dando toda a assistência possível à vítima”. De frisar que o comité controla a aplicação pelos países das disposições presentes na Convenção sobre os Direitos da Criança e dos protocolos sobre envolvimento de crianças em conflitos armados, prostituição e pornografia infantil.
COMISSÃO DEFENDE-SE
O actual organismo público que acompanha os casos de tráfico humano é a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico Humano (CAMDTP), coordenado pela Polícia Judiciária (PJ) e Polícia de Segurança Pública (PSP). À Lusa, a CAMDTP defende-se da ONU ao afirmar que houve condenações o ano passado, uma vez que o relatório diz que não há acusações dos autores dos crimes. Num artigo
O
HM mostrou as conclusões do relatório a dois académicos e dois especialistas da área social. A maioria aponta para duas acusações: há falta de recursos especializados e planos concretos para seguir. Cecília Ho, docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM) e especialista em assuntos sociais, não vê “o Governo a ter qualquer plano para criar um mecanismo que envolva as questões ligadas à criança ou uma política. Os Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) deveriam dar mais atenção a este assunto”, afirma ao HM. “Macau não criou um mecanismo de recolha dos dados sobre exploração sexual e abusos contra as crianças, bem como o número de investigações e sanções aos autores do crime. Este sistema poderia ajudar o público a monitorizar o trabalho do Governo.” Cecília Ho lembra ainda que Código Penal diz que o abuso sexual de crianças é um crime semi-público, o que significa que se a vítima tiver menos de 12 anos o “guardião, como o pai ou mãe, vão tomar a decisão de manter a acusação”. “É ridículo que se o autor do crime for o pai da criança, então cabe à mãe tomar a decisão e não uma autoridade pública. Por isso é que o relatório que há uma baixa taxa de acusações nestes casos.”
FORMAÇÃO PRECISA-SE
A docente do IPM olha para o sistema de ensino e lembra que
ALGUNS PONTOS DO RELATÓRIO O documento do comité da ONU não esquece os desenvolvimentos na matéria levados a cabo pelo Governo do continente, mas os avisos à China e a Hong Kong em matéria legislativa e de práticas políticas são uma constante. Ficam aqui alguns tópicos.
[A RAEM] não está imune ao flagelo mundial que é o tráfico de pessoas e que o facto de ser uma cidade de turismo e lazer potencia o crime de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual EXECUTIVO DE MACAU de 2012 publicado pelo HM, a CAMDTP disse ter encaminhado um caso para tribunal, mas não especificou o número de pessoas condenadas. Mas de onde provém as crianças para tráfico? Os peritos dizem que vêem de toda a Ásia, incluindo Macau e o continente. A presidente do Comité não exclui a hipótese de
as redes de tráfico destas crianças estarem relacionadas com as mesmas redes que levam empregadas domésticas das Filipinas para Macau e Hong Kong. Benyam Dawit Mezmur, vice-presidente do comité, disse mesmo que “informações recolhidas indicam que o Governo não leva a sério este problema”, acrescentou.
APONTADA FALTA DE RECURSOS ESPECIALIZADOS E PLANOS CONCRETOS
Executivo à deriva é necessário formação de profissionais, nas escolas e ao nível da assistência social. O mesmo pensa Paul Pun, secretário-geral da Caritas. “Os assistentes sociais não têm formação específica e não sabem identificar os casos. Eles próprios deveriam ter a iniciativa e aprender em como identificar os casos de abuso sexual.” Paul Pun pede ainda a criação de uma nova vertente para a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico Humano, “focada nos casos de crianças vítimas deste tipo de crime”, um “sub-comité”. Já Bill Chou, académico da Universidade de Macau (UMAC)
e especialista em Administração Pública, afirma que o Executivo “ainda não tem qualquer comissão especializada relacionada com os direitos humanos”, algo em que deveria apostar. O secretário-geral da Caritas disse ainda ao HM que a comunidade escolar e social deve estar atenta ao problema, com ou sem relatório da ONU. Mas vai mais longe. “O público de Macau pode não ter a noção que este tipo de casos acontecem em Macau. Podem pensar que há casos de abusos sexuais em famílias, num contexto de violência doméstica, mas não sabem que há crianças envolvidas neste tipo de casos.” - A.S.S.
EXPLORAÇÃO L ABORAL: LEI AJUDOU Face às acusações de exploração de crianças para trabalho, o HM contacto Miguel Quental, assistente da UMAC na área. Este disse que a nova lei veio ajudar a travar novos casos. “A lei antiga deixava muito a desejar, mas penso que na lei nova já há um grande esforço do Governo para melhorar as situações. Se depois não há controlo, já é um bocadinho diferente. Mas ao nível dos menores houve uma preocupação grande do legislador em evitar essas situações de trabalho infantil. Tanto é que para os contratos tem de haver autorização da DSAL, dos representantes do menor. Parece-me um bocadinho estranho porque a nova lei já abarca muitas coisas e já me parece que está mais de acordo com aquilo que são as orientações da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, disse ao HM.
• “O comité recomenda que Hong Kong e Macau adoptem uma política compreensiva para com as crianças e, na base dessa política, devem desenvolver uma estratégia com objectivos claros e coordenar planos para acções de implementação da convenção, e alocar recursos humanos, financeiros e técnicos” • “China, Hong Kong e Macau devem definir estratégias orçamentais para crianças com menos vantagens ou em situações vulneráveis que possam necessitar de medidas sociais, como as crianças de minorias étnicas, portadoras de deficiência e emigrantes” • “Macau e Hong Kong devem criar uma base de dados e analisar todas as informações recolhidas tendo em conta o progresso na realização dos direitos das crianças, designando políticas e programas para implementar a convenção” • “Hong Kong deve criar uma comissão da criança ou outra instituição independente sobre os direitos humanos com um claro objectivo de monitorizar os direitos e providenciar recursos adequados a nível financeiro, humano e técnico” • “(O comité) preocupa-se ainda com a justificação providenciada pela RAEM para providenciar informação quanto à implementação prática do artigo 2 da Convenção, quanto ao facto de não existir nenhumas queixas na lei relacionadas com a discriminação. O comité lembra a RAEM que a ausência de queixas formais não significa que as crianças não são discriminadas e recomenda que a RAEM disponibilize informação de forma activa e que leve a cabo medidas legislativas e políticas para eliminar todos os tipos de discriminação” • “Baixa taxa de perseguição de casos de exploração sexual contra crianças na China e ausência de queixas na RAEM, o que origina a impunidade dos agressores. O acesso limitado à justiça, abrigo, serviços médicos e conselho psicológico para as crianças vítimas de abuso sexual segundo a jurisdição em vigor na China, Hong Kong e Macau” • “Hong Kong e Macau devem desenvolver uma estratégia nacional para responder às necessidades das crianças vítimas de exploração sexual, incluindo formação especifica para os profissionais” • “Aumentar os recursos e os serviços, incluindo o conselho psicossocial e educação parental, e treinar os profissionais que trabalham com crianças” • “O comité recomenda à RAEM reforçar os esforços para providenciar o atendimento nas escolas e programas para adolescentes grávidas, promover a educação de qualidade para aumentar a motivação dos alunos” • “Tomar imediatamente como prioritárias as questões da corrupção e da impunidade em Macau, através de investigações rigorosas sobre as cumplicidades nas queixas por funcionários do Governo” • “O comité pede à RAEM para proibir e abolir o uso da prisão solitária contra crianças e que as remova imediatamente dessas celas”
4
POLÍTICA
Herdeiro da Casa Real portuguesa na MIF
O herdeiro da Casa Real portuguesa, D. Duarte Pio, chega hoje a Macau a convite de algumas empresas que participam na feira Internacional da cidade, disse à agência Lusa Luís Oliveira Dias, representante do Duque de Bragança. Luís Oliveira Dias, explicou que D. Duarte estará em Macau ao longo da semana em contactos com os empresários que estarão presentes na Feira Internacional de Macau e que a 17 de Outubro encontra-se “com os amigos” locais num jantar no Clube Militar da cidade. “Vai ser um encontro de amigos como acontece regularmente nas passagens de D. Duarte em Macau”, explicou Luís Oliveira Dias. Depois de Macau, D. Duarte ruma a Timor-Leste para se inteirar de um projecto agrícola de cariz social que está a desenvolver no país, acrescentou o mesmo responsável.
Cônsul de Portugal nomeado para Fórum Macau
O cônsul-geral de Portugal em Macau foi nomeado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros como representante nacional no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Fonte do Fórum Macau disse à agência Lusa que o nome de Vítor Sereno está confirmado como o representante português naquele organismo e que a decisão “potencia a importância que o país dá ao Fórum e a Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa”. “Com esta iniciativa, Portugal está a dar um sinal político muito forte da importância que dá ao Fórum Macau, ao mesmo tempo que tem demonstrado uma aposta clara no mercado de Macau e da China como parceiros fundamentais do seu desenvolvimento e da recuperação económica que o país pretende concretizar”, disse a fonte, sob anonimato. Já o cônsul português, Vítor Sereno, disse apenas “assumir mais esta responsabilidade com o sentido de Estado que a sua função de cônsul-geral já lhe confere”. “Como cônsul-geral do meu país, tudo farei e todas as tarefas assumirei que sejam úteis a Portugal e proporcionem todos os caminhos para que sejamos capazes de ultrapassar as dificuldades e assumirmo-nos como uma Nação com potencialidades e com conhecimentos divulgados e reconhecidos em todo o mundo, porque Portugal tem hoje um ‘know-how’ em várias áreas que em muito podem ajudar até os países mais desenvolvidos”, disse. Até agora, Portugal tem sido representado no Fórum, que celebra este ano 10 anos de existência, pelo delegado local da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e que, na nova organização representativa, irá coadjuvar o cônsul-geral. O nome de Vitório Cardoso, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), chegou a ser apontado como o representante de Portugal, mas acabou por não ser confirmado.
hoje macau terça-feira 15.10.2013
AL REPRESENTATIVIDADE FEMININA É A MAIS ELEVADA DESDE 2001
Mais poder para elas A Assembleia Legislativa de Macau, que inicia funções na próxima quarta-feira, conta com a maior representatividade feminina desde 2001, com sete mulheres num universo de 33 deputados, perfazendo um quinto do novo hemiciclo. A maioria das mulheres (cinco) conquistou um assento através do sufrágio universal, com a eleição por sufrágio indirecto a figurar como a outra via de entrada (duas), dado que, ao contrário de 2009, a lista de deputados nomeados pelo chefe do executivo não contemplou qualquer representante do sexo feminino. Além de reflectir a maior representatividade feminina desde a criação da Região Administrativa Especial, o novo hemiciclo apresenta, a este nível, uma diferença significativa face ao elenco da anterior legislatura. Agora, existem sete elementos do sexo feminino num total de 33 deputados (21,2%), enquanto em 2009 eram apenas quatro mulheres num universo de 29 (ou seja, 13,7%), o que mostra uma diferença nas taxas de representatividade feminina de sete pontos percentuais, de
acordo com os dados compilados pela agência Lusa. A presença feminina no hemiciclo para os próximos quatro anos apenas encontra paralelo com o período 2005-2009, altura em que ‘elas’ também constituíam um quinto da Assembleia Legislativa (20,6%, eram seis em 29). Já em 2001-2005 perfaziam 18,5% do hemiciclo, dado que eram cinco em 27.
Das sete mulheres que integram o novo elenco, três foram reeleitas por sufrágio universal: Kwan Tsui Hang, Angela Leong e Melinda Chan. A estas somam-se Song Pek Kei e Wong Kit Cheng (ambas eleitas pelo sufrágio universal) e Lei Cheng I e Chan Hong (ambas da via indirecta). Dos 33 deputados que compõem a Assembleia Legislativa,
apenas nove são caras novas, já que se contabilizam 24 reeleitos ou reconduzidos (no caso dos nomeados pelo chefe do executivo). A média etária dos deputados ronda os 52 anos, à semelhança do que se verificou na legislatura anterior: Song Pek Kei (28 anos) é o rosto mais jovem e Vítor Cheung Lup Kwan (75 anos) mantém o título do mais velho. Em termos de naturalidade, mais de metade nasceu em Macau, mas a diferença não é muito expressiva. De acordo com os dados compilados pela agência Lusa, no caso dos deputados eleitos, sete dos 14 que compõem a ‘bancada’ da via directa e sete dos 12 da indirecta são da ‘terra’. A Assembleia Legislativa de Macau vai passar a contar com 33 deputados, 14 dos quais eleitos pelo sufrágio universal e 12 pela via indirecta (pelas associações) - mais dois por cada uma das vias -, mantendo-se o figurino dos sete deputados nomeados pelo chefe do executivo. A V legislatura tem início amanhã, dia 16, com um plenário reservado à eleição do presidente, vice-presidente e 1.º e 2.º secretários. - Lusa
Revertidos 53 terrenos ocupados ilegalmente desde Março de 2009
Executivo pondera mudanças na lei dos croupiers
A
D
Administração de Macau reverteu, desde Março de 2009, um total de 53 terrenos ilegalmente ocupados, com uma área global de cerca de 220.000 metros quadrados, o equivalente a cerca de 30 campos de futebol, foi hoje divulgado. Nos últimos anos, a Administração tem combatido “severamente” os actos de ocupação ilegal, “o que não só permitiu refrear estas infracções”, mas também possibilitou que os terrenos fossem entregues aos serviços para o “devido aproveitamento ou para servir de reserva”, realça, em comunicado, a Direcção dos
Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). O Governo de Macau criou um grupo interdepartamental com a missão de “combater” a ocupação ilegal de terrenos, o qual deu início, em Março de 2009, às acções de despejo. Segundo a DSSOPT, alguns dos terrenos revertidos foram ou estão a ser aproveitados para a construção de habitação pública, para a extensão da rede e acessos viários, foram colocados ao serviço do “arranjo paisagístico” ou usados para “zonas de lazer”. A escassez de terrenos figura como um dos principais problemas de Macau.
EPOIS da manifestação que levou os croupiers à rua contra a possibilidade dos não residentes poderem a vir realizar este trabalho, Chui Sai On admitiu publicamente que a lei poderá ser revista. À margem de uma ocasião pública, o Chefe do Executivo disse que a actual política “permite que apenas os residentes (possam) assumir o cargo de croupier nos casinos (e que esta) não será alterada, mas tendo em conta as opiniões a favor da via legislativa, como forma de regulamentação, o Governo irá dar início a um estudo sobre a matéria”, aponta um comunicado. Contudo, Chui Sai On lembrou
que “a elaboração de um regime carece de tempo”, não tendo adiantado, para já, nenhum calendário. A manifestação organizada pela Forefront Macau Gaming não deixou Chui Sai On indiferente. “O Governo sempre respeitou as manifestações dos residentes, desde que sejam realizadas de forma civilizada, pacífica e legal. Estou atento à situação e espero que as operadoras da indústria do jogo apoiem os residentes no desempenho das suas funções, e que através da formação (possam) progredir na carreira na área de chefia.”
política 5
hoje macau terça-feira 15.10.2013
“CHINA NÃO QUER SER SUPERPOTÊNCIA”, DIZ ACADÉMICO DA UNIVERSIDADE DE HONG KONG
O mundo vive hoje sob o G1,5 Edward Chen Kwan-Yiu acredita que o mundo é hoje dominado por duas economias a oriente e ocidente, mas são os Estados Unidos que dominam, porque a China não quer, para já, assumir as responsabilidades de uma superpotência. O professor do centro de estudos asiáticos da Universidade de Hong Kong diz mesmo que o RMB não vai ser moeda internacional nos próximos tempos ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
N
UMA altura em que muitos analistas dizem que a China está muito perto de ultrapassar os Estados Unidos, Edward Chen Kwan-Yiu vem dizer o contrário. Este académico da Universidade de Hong Kong, que falou numa palestra dos 29 anos da Macau Management Association (Associação de Gestão de Macau), acredita que o mundo não é hoje dominado pelo chamado G2, mas sim pelo G1,5. “O mundo vai continuar dominado pela China e pelos Estados Unidos nos próximos 20 ou 30 anos. Agora podemos chamar de G2 – não a Europa, não o Japão, mas apenas a China e os Estados Unidos. Mas os líderes chineses não querem que este grupo seja chamado de G2, porque a China não quer ser a super potência nesta altura, porque, como os seus líderes disseram recentemente, a posição de super potência traz responsabilidades. A China não quer essas responsabilidades. Então a melhor maneira para descrevermos hoje os países
não é utilizando a expressão G2, mas sim G1,5, e esta expressão foi criada por mim. O meio fica para a China, enquanto que o um é dos Estados Unidos.” Edward Chen, que coordena o cento de estudos asiáticos da Universidade de Hong Kong e foi presidente da Universidade Lingnan entre 1999 e 2007, apresentou cinco tendências globais para o mundo em que vivemos hoje. Quis ainda explicar “quais as implicações que estas tendências (podem ter) para fazer negócios na Ásia”. Para este académico, a Ásia é hoje a China mais dez. Neste grupo de dez, entram países como a Indonésia, Singapura ou Filipinas. “Será então a China que, com mais dez, farão parte deste sólido motor de crescimento nos próximos dez, vinte ou mesmo trinta anos. E não esperamos muito mais do Japão. Acredito que vai continuar com um crescimento brando.”
RMB NÃO INTERNACIONAL
Em relação à moeda, Edward Chen não duvida de que o dólar norte-americano vai continuar a liderar os mercados. “Não vejo o dólar americano a descer. Vai sofrer oscilações, mas não uma grande quebra. Vai manter-se como a grande moeda internacional, talvez a única. A razão é simples, e não tem a ver com o facto da moeda americana ser forte. A razão é porque não há (uma moeda) substituta.” “Podíamos falar do japonês Ien, mas não, de maneira nenhuma. O Euro não pode substituir o dólar. O que sobra é a nossa moeda, o RMB, mas não pode ser o substituto para o dólar americano num futuro próximo. A moeda será mais internacional, mas há um longo caminho a percorrer. Uma moeda internacional tem três funções, mas o RMB só desempenha duas, porque não está ainda internacionalizada. Não há uma abertura total em termos de capitalização”, disse o académico. A manutenção do poder da moeda americana irá, na sua opinião, manter a situação financeira mundial estável. “A crise europeia não vai trazer uma crise em todo o mundo. Mas mais do que estas crises e a instabilidade é importante olhar para o papel do dólar americano. Enquanto o dólar americano se mantiver como a moeda mais importante eu não acredito que haja uma grande crise financeira.” Não só o dólar vai crescer como deverá crescer entre 2 a 3%. “Sinceramente não acredito que haja
A China não quer essas responsabilidades. Então a melhor maneira para descrevermos hoje os países não é utilizando a expressão G2, mas sim G 1,5, e esta expressão foi criada por mim. O meio fica para a China, enquanto que o um é dos Estados Unidos EDWARD CHEN professor da Universidade de Hong Kong
uma grande quebra no dólar, pelo que podemos continuar a manter uma postura confortável e segura em relação aos Estados Unidos.”
ÁSIA COOPERANTE, MAS COMPETITIVA
Se na América Latina o Brasil é o espelho do crescimento, tal como a Angola o é em África ou a Alemanha na União Europeia, a China não é o único país a ser o símbolo do crescimento asiático. Os restantes dez países têm vindo a assumir o seu papel e estão para ficar. “Temos hoje um crescimento muito diferente, temos dois poderes e um deles está na Ásia. A questão é como é que a Ásia continua a crescer, e fá-lo enquanto região. Olhando para o mundo, vemos muitos países a crescer individualmente, e estão tão optimistas quanto a Ásia. Quando eu digo que a Ásia está a crescer como um todo, falo de uma cooperação muito próxima mas ao mesmo tempo da existência de uma
competitividade entre os países asiáticos. Eles crescem como uma equipa”, explicou Edward Chen. “Quando olhamos para todos os acordos de cooperação vemos dez países mais a China. A nível comercial temos de falar da China, Coreia e Japão. E nos últimos anos têm sido estes três de forma repetida. Mas no ano passado surgiu a Índia e a Austrália. Estão a trabalhar juntos mas também competem entre si”, acrescentou.
A ECONOMIA DOS RECURSOS NATURAIS
No seu discurso proferido perante uma plateia de empresários, deputados e membros do Governo, Edward Chen não esqueceu de referir que hoje assistimos cada vez mais ao poder das economias com recursos naturais vastíssimos. “Quais as implicações desta nova economia? Entramos num esquema de recursos naturais. Hoje a digitalização já não é tão importante quanto os recursos
naturais, porque vamos precisar deles. A tecnologia é fácil de criar, a produção está estabelecida e pode ser aprendida. Mas os recursos naturais já não hoje tão acessíveis. E aqui entram os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) – porque são os países ricos em recursos naturais. Então os recursos naturais estão a tornar-se na nova economia, e não a tecnologia.” Mas há ainda as Novas Economias Industrializadas (NIE, em inglês), como Hong Kong, Taiwan, Singapura. “Hoje regiões mais pequenas como estas, e onde se pode incluir Macau, não podem ser vistas de lado. Podemos ver os países ricos em recursos naturais. Mas temos os novos recursos naturais – hoje não bastam os profissionais e especialistas, precisamos de alguém que possa criar e pensar, mais do que fazer. Então a grande procura está nos recursos humanos. Temos um consumidor mais educado.”
6
SOCIEDADE
RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo
O
S desafios encarados no dia-a-dia por cegos e deficientes visuais não são novos. E teimam em permanecer. Atravessar uma estrada sem sinais sonoros é, no mínimo, arriscado. Subir para um autocarro sem saber se é aquele que o levará ao destino é quase impraticável. Entrar num elevador sem ajuda para carregar no botão - ou sair no piso correcto sem uma voz a avisar - são missões praticamente impossíveis. Talvez pouca gente se lembre de pensar nas dificuldades que encara uma pessoa que nasceu ou ficou com a visão afectada. Mas são muitas. Mais do que as que se podem imaginar. “Até hoje, não consigo sair de casa sozinho porque há muitos sítios inacessíveis”, explica Winky Wong, vice-presidente Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Visual, invisual há apenas seis anos, com cerca de 26 anos. “Só metade das passadeiras com semáforos têm sinais sonoros. Alguns motoristas não respondem quando lhes é perguntado o número de autocarro. Há muitas dificuldades em metermo-nos num transporte público sozinhos”, salienta o licenciado em psicologia pela Universidade de São José, hoje a frequentar o mestrado. Se para Wong a vida académica, apesar das adversidades, foi bem sucedida com a ajuda de materiais e equipamentos adaptados. Nem todos parecem ter as mesmas oportunidades. Amy Mo, assistente social na mesma associação, fundada em Julho de 2001, explica que a educação é precisamente uma das batalhas que travam porque, em resumo, as escolas não estão preparadas nem tampouco os professores e funcionários para acolher deficientes visuais e nem todos podem ter os equipamentos electrónicos de preços avultados para acompanharem as aulas. “Há softwares no computador que os ajudam a aprender. Por exemplo, o computador pode ler os seus materiais se a professora os providenciar de forma digital para acompanharem a matéria com antecedência. Existe um sistema electrónico de leitura até de materiais que são descarregados porque é feito um scan que o computador lê”, explica Mo. Mas as escolas não provi-
hoje macau terça-feira 15.10.2013
DEFICIENTES VISUAIS NÃO TÊM EQUIPAMENTOS PRÉ-FINANCIADOS DE APOIO À APRENDIZAGEM
Pare, escute e ajude No Dia Mundial de Bengala Branca, instituído há 43 anos como símbolo de independência, liberdade e confiança; em Macau a discriminação ainda impera. O HM falou com a Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Visual para conhecer as dificuldades que enfrentam, nomeadamente, no campo da educação
CENTRO DE EDUCAÇÃO SEM ESPAÇO A Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Visual quis criar um centro educativo para cegos de modo a ensiná-los tarefas diárias, como cozinhar ou lavar a roupa, para que tenham a possibilidade de viver autonomamente. No entanto, para já ainda nada foi conseguido. As rendas altas e os alugueres provisórios não ajudam à criação deste espaço. “Pedimos apoio ao Governo mas as rendas são altas e mesmos que encontremos um lugar, temos de obedecer a tantos requisitos do Governo. Alguns senhorios não querem arrendar por muitos anos. Mas apenas por dois ou três. Mas se gastarmos dinheiro a fazer a remodelação não dá para nos mandarem embora ao fim de tão pouco tempo. Têm de arrendar por 5 a 10 anos. Temos de arranjar uma localização e preço ajustados”, explica Amy Mo, assistente social da associação.
MENINA INVISUAL PRECISA DE OPERAÇÃO Uma criança de apenas 10 meses foi detectada com microftalmia e anoftalia poucos dias depois de nascer, ou seja, doenças que lhe afectam fortemente a visão. Os Serviços de Saúde dizem estar a prestar atenção ao caso mas não apoiam para já uma intervenção cirúrgica pouco “segura, confiável e sólida” que médicos em Hong Kong e na China recomendaram e dizem poder ser feita em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Os pais, porém, procuram algum apoio financeiro do Governo para as sucessivas operações que possam vir a ter lugar através da petição. O “Acto de salvar uma criança”, criada através de uma página no Facebook, e divulgada no fimde-semana nas ruas junto da comunidade, espera juntar várias assinaturas para alterar a postura do Governo.
UM DIA NA PELE DE UM INVISUAL Ontem muitos cidadãos quiseram pôr-se na pele de um invisual e sentir os desafios que estes enfrentam diariamente. A actividade, organizada pela Associação de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência Visual e pelo grupo Energia Cívica, reuniu cerca de centena de pessoas no Leal Senado onde andaram com vendas nos olhos. “É tão assustador. é tudo tão escuro. Sinto-me muito sozinho. Sinto-me impotente.” Estas foram algumas reacções que a Amy Mo recolheu dos participantes. A assistente social acredita que é preciso consciencializar mais as pessoas mas, ainda assim, que a população parecer “mais consciencializada e os pais dos deficientes visuais procuram mais ajuda”, evidencia.
denciam estes equipamentos. E o Governo pouco ajuda na sua aquisição. “Muitos estudantes têm dificuldades financeiras. Como é que podem comprar este “ferramenta de apoio” (como lhe chamamos)? A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) precisa de olhar para o rendimento dos pais para providenciarem este apoio. Ou sugere que comprem primeiro para depois serem reembolsados. Mas como é que eles conseguem o dinheiro para pagar primeiro?”, questiona a assistente social. Há, no entanto, o caso de escolas integradas que providenciam os sistemas de apoio mas depois não ensinam a usar. O que torna os mesmos equipamentos “inúteis”. E outras obrigam a que os alunos aprendam Braille. Mas Amy Mo explica que “a maioria dos
deficientes visuais não sabem Braille”, apenas os cegos desde a nascença aprenderam quando pequenos, ou seja, apenas 10 a 20% do total. “Mas quem fica cego com problemas de visão depois da infância ou juventude não aprende porque já sabe os caracteres chineses e é-lhes mais difícil aprender”, revela.
ESCOLA POUCO ACESSÍVEL, SOCIEDADE POUCO EDUCADA
Winky Wong lembra que apenas alguns deficientes visuais têm oportunidade de integrar as escolas. Por exemplo, dos cerca de 50 membros da associação só dois estão no ensino secundário porque poucas escolas aceitam estes alunos. A discriminação começa a ser sentida logo quando lhes é negada a aprendizagem. Mas, mesmo quando não são excluídos, a verdade é que podem ser negligenciados
pelos próprios professores e funcionários. “O departamento de educação especial do Governo tem um fundo para as escolas integradas para prestarem alguma assistência aos deficientes visuais mas o trabalho não é muito rigoroso e não está a funcionar porque muitos alunos têm medo de falar. E também a cultura tradicional faz com que não se consigam pronunciar quando recebem assistência financeira”, explica Mo. A cultura tradicional chinesa parece ser uma característica que funciona duplamente contra si. Eles habituam-se ao silêncio. A sociedade foi ensinada a virar-lhes as costas. É Amy Mo quem o diz. As atitudes de exclusão repetem-se ainda que a sociedade seja hoje “mais internacional” e “ocidentalizada” que no interior da China. “Na cultura chinesa, se és cego ou tens uma deficiência visual é como se tivesses pouca sorte e não querem estar perto de ti. Eles pensam que atrai desgraça ou infortúnio [...] A sociedade financeiramente está óptima mas culturalmente muitas pessoas ainda carregam tradições antigas e não percebem que ser cego não é apenas uma condição. As pessoas têm de entendê-las. E ajudarem-nas a ter educação, por exemplo”, anuncia.
Actualmente, a associação estima que haja perto de 1200 deficientes visuais embora não haja números oficiais. Existe apenas um número de requerimentos a apoios sociais que faz levantar uma estimativa. Muitos também têm “vergonha de se assumir” como deficientes visuais. E preferem livrar-se do estigma da “bengala e dos óculos”, por isso, aparentam-se como qualquer outra pessoa. É preciso dar mais oportunidades de educação a eles mas também à comunidade. Já o Governo tem de “mudar a sua política”. “Tem de ter um transporte mais acessível [actualmente só o autocarro 4 tem mensagens sonoras de sinalização de abertura e feche de portas]. Tem de arranjar luzes especiais à entrada e saída de escadas. Os elevadores também têm de ter mais som a anunciar os andares, sobretudo, nos serviços públicos. E também na entrada dos mesmos. Tem de haver normas de construção dos novos prédios com infra-estruturas mais acessíveis não apenas para os cegos para os deficientes motores e não só. hotéis e casinos”, enumera Amy Mo. “Muitas pessoas estão a chegar a Macau e os turistas poderão ser também deficientes visuais. Temos de ter estradas e transportes mais acessíveis”, alerta.
sociedade 7
hoje macau terça-feira 15.10.2013
SETE MIL MEMORIAIS DE ANTEPASSADOS MOVIDOS NO TEMPLO IOK SAN DEIXARAM POPULAÇÃO IRRITADA
Mudanças em tempo de Chong Yang CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
D
URANTE o festival Chong Yang, os chineses costumam visitar os antepassados nos templos da cidade. Em Macau, porém, este feriado não correu como esperado. No domingo, quando alguns dos residentes de Macau visitaram o templo budista Iok San, na Rua do Almirante Costa Cabral, não conseguiram encontrar as caixas que lembram a memória dos familiares já desaparecidos, o que levou a que algumas pessoas chamassem a polícia ao local. A gerência do templo explicou que a mudança de lugar destes objectos deve-se à renovação do templo. Uma “alteração” que envolveu 70% dos dez mil memoriais existentes pelo que nem todos os cidadãos conseguiram ser avisados. Mas as vítimas não aceitam a explicação. A gerência, porém, disse estar disposta a explicar-se melhor numa conferência a ter
lugar no próximo sábado, altura em que o responsável Shi Jie Sheng estará de volta a Macau. Os cidadãos questionaram, ainda assim, a razão pela qual a gestão do templo não “usou publicidade nos jornais nem pro-
videnciou qualquer contacto para os cidadãos”. Por outro lado, os residentes mostraram receio de que este “gesto” cause azar para os seus antepassados. O membro do conselho executivo da Fundação Macau Au Weng
PUB
NOTIFICAÇÃO EDITAL (Acidente de Trabalho – pagamento das multas)
N.º 99/2013
Considerando em revelar ser impossível notificar, nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 52/99/M, de 4 de Outubro, do artigo 68.º e do n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, O Sr. TAM MENG, entidade do empregador do ex-trabalhador residente IAM WAI MENG, pessoalmente, por ofício, telefone, ou outra forma, sobre a violação da infração do artigo 25.º do Regime Jurídico da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, e para efeito ao Regime de procedimento da aplicação da respectiva multa, Lurdes Maria Sales, Chefe do Departamento da Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), notifica, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do CPA, o aludido infractor, do teor da decisão sancionatória em causa. Dado exposto por ter comprovado a acção do notificado Sr. TAM MENG, entidade empregador do ex-trabalhador residente IAM WAI MENG, bem como a culpa do aludido infractor, referente à pena de multa de MOP$2.500,00 que lhe foi aplicada por despacho da Chefe do DIT, de acordo com as alínea c) do nº 1 do artigo 66.º do Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto e nos termos do artigo 70.º do mesmo Decreto-Lei, a multa aplicada reverte para o Fundo de Segurança Social. Informa-se ainda que, nos termos do n.º 2 do artigo 17.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com as alíneas a) e b) do n.º 2 do artigo 145.º e os artigos 149.º e 155.º do CPA, o acto administrativo em causa pode ser impugnado, no seguinte: a) Mediante reclamação para o autor do acto (O Chefe do DIT), no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação; ou b) Mediante recurso hierárquico necessário para o superior hierárquico do autor do acto (Director da DSAL), no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do dia seguinte ao da presente notificação. Por outro lado, nos termos do n.º 4 do artigo 150.º, conjugado com o n.º 1 do artigo 156.º do CPA, o direito acima referido é exercido por meio de requerimento, no qual deve ser exposto os fundamentos (de facto e de direito), juntando os documentos considerados convenientes, não sendo o acto acima mencionado susceptível de recurso contencioso. Mais fica notificado que, nos termos dos n.ºs 1 e 2 do artigo 15.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 – Normas de Funcionamento das Acções Inspectivas do Trabalho, conjugado com o artigo 69.º do Regime Jurídico da Reparação por Danos Emergentes de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 40/95/M, de 14 de Agosto, o aludido infractor deve, no prazo de 15 (quinze) dias, a contar da data da publicação da presente notificação edital, comparecer na DSAL para o levantamento da guia de pagamento da multa e proceder ao seu pagamento. Fica ainda notificado que, nos 5 (cinco) dias subsequentes aos do prazo acima referido deverá entregar nestes serviços, documento comprovativo do pagamento, sob pena de as cópias de todos os documentos acompanhadas do comprovativo de cobrança coerciva serem remetidos à Repartição das Execuções Fiscais da Direcção dos Serviços de Finanças para, ser efectuada a cobrança coerciva nos termos legais. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 4 de Outubro de 2013. A Chefe do Departamento, Lurdes Maria Sales
Chi foi uma das “vítimas”. Irritado porque todas as semanas visita os seus antepassados no templo mas nunca o avisaram das mudanças, Au apelidou a atitude dos responsáveis do templo de “ridícula”. “É uma falta de respeito para com am-
bos, cidadãos e seus antepassados”, disse à imprensa chinesa. O membro de Conselho Executivo do Governo Leong Heng Teng e director dos Serviços para os Assuntos de Transportes Wong Wan também se deslocaram ao templo para se porem ao correntes da situação. Wong Wan admitiu que não conseguiu encontrar todos os seus antepassados. Devido à polémica de que foi alvo, o templo disse num aviso que fecharia as portas durante o festival Chong Yang. No entanto, ontem manteve-se fechado apenas até às 11h50, hora em que abriu portas. Segundo o jornal Ou Mun, a Associação Centro de Budista de Macau adquiriu o templo em Novembro do ano passado, por isso, não tem as informações dos familiares dos memoriais. No entanto, sabe que o templo comprou no continente caixas grandes e dispendiosas para servirem de memoriais mas o material ainda não chegou a Macau, por isso, precisa de esperar mais dois meses.
8 sociedade
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
N
A sexta-feira passada, os vogais da comissão de condomínio Amasio Agostinho e Thomas Kuan começaram a recolher assinaturas dos proprietários contra o aumento de preço de condomínio na ordem dos 50 a 75%. As faixas de protesto foram penduradas nas entradas de todos os 13 blocos, bem como à entrada e à saída do estacionamento. Porém, as mesmas foram retiradas por duas vezes, na sexta-feira e sábado, pelos seguranças do condomínio, pelo que Kuan chamou a polícia e as faixas voltaram a ser penduradas, pois o conflito entre a comissão de condomínio e os proprietários ainda não acabou. “Há cada vez mais proprietários que concordam connosco e assinam contra o aumento de preço de condomínio. Não estamos contra o aumento mas o aumento não pode ser tão alto”, disse Kuan, que foi vogal de comissão desde o seu estabelecimento em Novembro do ano passado. Os seguranças da empresa de gestão disseram estar a obedecer a uma ordem da empresa e que terão, alegadamente, sido pressionados pelo presidente da comissão Mok Cam Heng a tirar as faixas. Kuan e Agostinho contestam a acção e dizem ter direito a pendurar os seus bens no edifício público para fazerem avisos aos moradores. “É a nossa propriedade e não pode ser destruída por ninguém”, disse Amasio Agostinho. Depois da mediação da polícia, as faixas foram penduradas outra vez. O presidente Mok atendeu a
hoje macau terça-feira 15.10.2013
NOVA TAIPA RECOLHA DE ASSINATURAS PARA INVALIDAR AUMENTO DO PREÇO DE CONDOMÍNIO
Boicote à comissão
chamada do HM no sábado mas recusou admitir se foi ele a autorizar os seguranças. A comissão mudou os estatutos em Abril. O antigo presidente Amasio Agostinho, funcionário público reformado, acusou o presidente actual Mok Cam Heng de usar a comissão para interesses pessoais. Segundo indica Agostinho, Mok convida sempre a mesma empreiteira “cara” a fazer as obras na urbanização, a fim de ganhar comissões. O HM ligou ao senhor Mok por duas vezes, na quinta-feira e no sábado, mas o presidente não respondeu directamente às questões do nosso jornal nem nunca demonstrou muita disponibilidade para escalpelizar estas acusações de que é alvo. Mok referiu que sempre que o edifício precisa de recrutar uma
empresa para qualquer obra é feito um concurso público.
ASSEMBLEIA DOS PROPRIETÁRIOS EM RISCO
Segundo dados na Internet, a Urbanização Jardim Nova Taipa é um projecto feito pela Hopewell Holding Ltd., Shun Tak Holdins Ltd. e a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau. Muitos defendem que o projecto é de Stanley Ho. A urbanização tem 2,228 apartamentos e cerca de 2,100 estacionamentos. Agora, os edifícios têm a maior comissão de condomínio que há memória em Macau. No passado dia 4, uma carta aberta escrita por um grupo de proprietários acusou a comissão de condomínio de sempre querer alterar
a empresa de gestão mas sem uma razão plausível. Os proprietários também não se mostram satisfeitos com o aumento do preço de condomínio, uma vez que a comissão não representa a vontade da maioria. A carta recomenda os proprietários a não assistirem à Assembleia Geral do Condomínio do Edifício Jardim Nova Taipa nos próximos dias 19 e 20, por forma a que a comissão não aprove nenhuma decisão devido à falta de presenças dos proprietários. Têm de participar pelo menos 25% dos proprietários nas reuniões para que se possam tomar decisões, ou seja, deverão estar presentes 500 proprietários nas reuniões do próximo fim-de-semana.
RECEITAS DA ADMINISTRAÇÃO CUMPRIDAS EM 98,3 % NO FINAL DE SETEMBRO
De vento em popa O
FALECIMENTO
JOANA MARIA DA CONCEIÇÃO XAVIER AZINHEIRA GABRIEL A família de Joana Maria da Conceição Xavier Azinheira Gabriel informa que esta faleceu, dia 12, no Centro Hospitalar Conde São Januário, com 84 anos, vítima de doença súbita. As cerimónias fúnebres realizam-se amanhã, quarta-feira, dia 16, pelas 20h, no Centro Mortuário Católico da Diocese de Macau. Será realizada também, em princípio, uma missa de corpo presente na capela do Cemitério São Miguel Arcanjo na quinta-feira, dia 17, pelas 11h. O horário e localização serão confirmados amanhã. A família enlutada, filhos, netos e bisnetos, agradecem antecipadamente a presença nas cerimónias.
orçamento de Macau estava cumprido, ao nível da receita, em 98,3% no final de Setembro quando os Serviços de Finanças registavam a entrada nos cofres públicos de 113.106,3 milhões de patacas, indicam dados oficiais. Os dados, publicados na página oficial dos Serviços de Finanças, apontam para receitas globais de mais 20,5% do que nos primeiros nove meses de 2012 e a traduzirem uma execução de 98,3%. As receitas correntes totalizavam 109.470,9 milhões de, mais 16,7% do que entre Janeiro e Setembro de 2012 e a reflectirem uma execução de 97,5% do previsto para os 12 meses do ano. Nas receitas correntes, os impostos directos estavam contabilizados em 96.085,9 milhões de patacas, mais 15,9% do que no mesmo período do ano passado e a totalizarem
96,6% do previsto para 2013, enquanto os impostos directos sobre o sector do jogo, no valor de 35%, contribuíram com 92.726,2 milhões de patacas, mais 16,3% do que em 2012 e a corresponderem a 98% do previsto. Os impostos directos sobre o sector do jogo, pagos no mês seguinte ao mês de referência, têm um peso muito significativo nas receitas da administração de Macau e traduzem 96,5% dos impostos directos, 84,7% das receitas correntes e 81,98% das receitas totais.
Já as despesas totais aumentaram apenas 10,3% para 35.694,3 milhões de patacas e estão concretizadas em 47,8% do previsto com as despesas correntes a somarem 32.998,5 milhões de patacas, ou mais 32,4% e a representarem 59,5% da execução. Os Investimentos do Plano (PIDDA) continuam em forte queda, apesar de obras de grande envergadura como o metro ligeiro ou o terminal marítimo da Taipa, foram contabilizados em 2.062,7 milhões de patacas, menos 60,9% do que nos primeiros nove meses de 2012 e traduzem uma execução de apenas 11,5%. Entre receitas e despesas, a Administração de Macau tem um saldo positivo no orçamento de 77.412,1 milhões de patacas, um valor 25,8% superior ao apurado nos primeiros nove meses de 2012 e a traduzir 191,4% do previsto para todo o ano de 2013.
sociedade 9
hoje macau terça-feira 15.10.2013
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
polémicacontinua a estalar para os lados do edifício habitacional Sin Fong Garden. Desta vez, e depois de um primeiro relatório, o Governo decidiu avançar com mais um estudo, desta vez elaborado pela Universidade de Macau (UMAC). Em comunicado, o grupo interdepartamental aponta que “atendendo às aspirações dos condóminos, veio a Administração encomendar à UMAC a realização conjunta, com os especialistas dos territórios vizinhos, um estudo e investigação complementar, no sentido de analisar as causas do incidente”. Tal acontece porque “os condóminos e as partes interessadas consideram que o relatório de investigação realizado pela Universidade de Hong Kong não é ainda completo, por isso veio o grupo de trabalho adjudicar à UMAC” o estudo em causa. Entretanto, a última reunião, onde esteve presente Lau Si Io, secretário para PUB
CHUI SAI ON DIZ QUE SEGURANÇA É O MAIS IMPORTANTE
UMAC vai estudar Sin Fong Garden as Obras Públicas e Transportes, serviu ainda para os moradores manifestarem o desejo de que o Executivo “resolva com a maior brevidade possível a questão, em particular os trabalhos de reconstrução”. Até porque “não foi ainda possível às partes interessadas alcançarem o consenso”. O comunicado explica que “houve ainda condóminos que solicitaram a elevação do montante do subsídio de habitação e a resolução da questão do estacionamento”.
CHUI SAI ON PREOCUPADO
Entretanto, o Chefe do Executivo falou sobre a questão à margem de uma cerimónia pública, tendo dito que a missão do Executivo é “garantir a segurança dos residentes daquele edifício e dos que habitam nos arredores”, segundo um comunicado oficial.
Chui Sai On disse ainda que “as autoridades competentes estão ainda a acompanhar o assunto”, sem esquecer que o “Governo vai,
conforme os procedimentos administrativos, exigir responsabilidades legais”. O Chefe do Executivo lembrou que, segundo o
actual Regulamento Geral de Construção Urbana, “o edifício Sin Fong Garden não foi classificado como uma construção em ruína
ou perigosa pelos serviços responsáveis pela tutela das Obras Públicas. No entanto, devido à estrutura do edifício ter sido danificada e depois realizadas obras de consolidação, considera-se que, por enquanto, não se encontra em condições de habitação.” Recorde-se que os moradores quiseram realizar uma manifestação recentemente mas que a mesma acabou por não acontecer por questões de marcação do percurso com a PSP. Para já, a espera parece continuar para os lados do Sin Fong Garden, com o Governo a apelar aos moradores “para, tendo em conta a segurança pública, não entrarem no edifício, de modo a não afectar a estabilidade e a precisão dos dados levantados pelos instrumentos de monitorização”. Apesar do aviso, muitos moradores já tentaram fazê-lo.
10
CHINA
hoje macau terça-feira 15.10.2013
LIU, O HOMEM RESPONSÁVEL POR REDEFINIR A ECONOMIA
Visão para os próximos dez anos E M Maio, quando Tom Donilon, na época conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, voou para Pequim para organizar uma conferência entre os dois países, não agendou uma reunião com um dos homens mais importantes na definição do futuro do país asiático. O líder chinês Xi Jinping fez imediatamente notar que tinha sido uma falha. “Este é Liu He”, disse Xi para Donilon, apontando para um assessor ao seu lado, um homem alto, com ar de académico. “Ele é muito importante para mim”, disse Xi, segundo algumas autoridades que testemunharam a conversa. O trabalho de Liu consiste em elaborar uma visão da economia que vai orientar a China nos próximos dez anos. A comitiva de Donilon marcou um encontro com Liu nessa mesma noite, informaram as autoridades. A China está a voltar-se para Liu, de 62 anos — um homem discreto, funcionário do Partido Comunista, conhecido pelos colegas e pelos líderes ocidentais como um reformista da economia—, para comandar a implantação do mais recente plano económico chinês. Este deve ser revelado no próximo mês numa sessão de porta fechada com as 450 principais autoridades do Partido. A sessão, realizada a cada cinco anos, no passado já foi palco para o anúncio de algumas das maiores mudanças económicas da China. O encontro deste ano é crucial devido aos temores de que a economia chinesa esteja perdendo seu ímpeto. No segundo trimestre, o PIB subiu 7,5% na comparação com um ano antes, desempenho menor que o aumento de 14,8% no segundo trimestre de 2007. Os economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que, sem mudanças substanciais nos próximos cinco anos, o crescimento chinês pode cair para uma média de 4% ao ano até 2030. O objectivo das mais altas autoridades chinesas, repetido por Xi e outros, é tentar criar uma economia mais parecida com a dos EUA: promover uma cultura de consumo, incentivando os cidadãos a comprar mais carros, roupas, electrodomésticos e produtos electrónicos, que hoje a China exporta, e ao mesmo tempo incentivar empresas privadas inovadoras. Seria uma ruptura com a antiga fórmula chinesa de depender das exportações baratas e de grandes investimentos domésticos na construção de estradas, caminhos de ferro e até mesmo novas cidades. Como obstáculos a este caminho,
estão os grandes beneficiários do antigo modelo de crescimento do país onde se incluem as empresas estatais e os governos locais, que beneficiam dos empréstimos do Estado. A escolha de Liu como o principal arquitecto do novo plano económico, confirmada por uma série de autoridades, académicos e outros chineses, aumentou as esperanças de que os reformadores orientados para o mercado saiam vitoriosos. Desde os anos 90 que Liu tem vindo a defender políticas baseadas no mercado, apesar das objecções de autoridades do governo que prefeririam o estilo maoísta de quotas de produção. “Liu He é um exemplo do pragmatismo chinês”, diz Michael Spence, economista da Universidade de Nova Iorque, vencedor do Prémio Nobel,
a quem Liu tem pedido aconselhamento. “Ele acha que os mercados são mecanismos importantes para fazer as coisas de forma eficiente”, diz, mas “para ele [os mercados] não são uma religião”. Numa resposta por e-mail ao The Wall Street Journal, o gabinete de Liu afirmou: “O director Liu He acredita que há muitos mal-entendidos sobre o seu papel na elaboração das políticas económicas da China. Na verdade, as políticas económicas chinesas são feitas através de um sistema colectivo de tomada de decisão, e o papel desempenhado por qualquer indivíduo é bastante limitado”.
INCERTEZAS
Não é ainda claro até onde a China vai chegar com o seu novo plano
económico. Académicos chineses e autoridades ocidentais a par de propostas analisadas por Liu e outros dizem acreditar que as mudanças mais prováveis virão do sector financeiro. Estas mudanças são consideradas cruciais para aumentar a concorrência no sector financeiro, actualmente dominado por quatro enormes bancos estatais. Os bancos concedem financiamentos fáceis para imensas empresas estatais, que dominam sectores como o de energia, transportes e commodities. Liu e os seus aliados acreditam que dando um papel maior ao capital estrangeiro e fazendo os bancos competirem nas taxas de juros, entre outras mudanças, isto canalizaria mais dinheiro
para empresas privadas de alta tecnologia e serviços, ajudando a reformular a economia. O poder formal de Liu vem da sua recente nomeação para a direcção do Gabinete do Grupo Central de Liderança para Assuntos Económicos e Financeiros. O gabinete assessora Xi e os outros seis membros do Comité Permanente do Politburo, a autoridades suprema da China. Mas o que dá maior poder a Liu talvez seja a sua antiga ligação com Xi, que conheceu em 1960, quando os dois eram colegas na Escola Média 101, em Pequim. Liu faz parte do círculo mais íntimo de Xi e acompanhou-o numa importante visita ao Sul da China no ano passado. Mas Liu ainda é pouco conhecido fora dos portões fechados de Zhongnanhai, bairro da liderança chinesa em Pequim. Com formação em política económica em universidades chinesas, fez o mestrado em Administração Pública na Escola John F. Kennedy, da Universidade Harvard, diplomando-se em 1995. Galgou os degraus da poderosa Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o velho órgão estatal de planeamento que ainda precisa de aprovar os grandes investimentos, e ajudou a organizar os planos quinquenais que fixam as metas económicas para o país. O desafio mais urgente de Liu é supervisionar a elaboração do plano de reformas a ser anunciado em Novembro. Montou sete “grupos de pesquisa” para examinar questões como a liberalização financeira, a política fiscal, desregulamentação, a urbanização e os direitos sobre a terra, diz Cheng Li, estudioso da China no instituto Brookings, centro de estudos de Washington. No sector financeiro, Liu pode contar com poderosos aliados, em especial o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, com quem trabalhou durante anos. Em Junho, os dois trabalharam com Xi para reduzir os empréstimos para o sector financeiro paralelo, as chamadas instituições bancárias “sombra”, cujos financiamentos a imóveis e projectos de infra-estrutura em situação problemática, temem os economistas, podem criar dívidas incobráveis e gerar uma crise financeira. Liu também apoiou os planos de Zhou para permitir que os estrangeiros possam investir mais na China e que os chineses comuns possam investir no exterior. Liu é paciente, diz Huang, economista da Universidade de Pequim, e as autoridades chinesas estão dispostas a usar vários métodos para amenizar a oposição à reforma. “Esta é a natureza da reforma gradual”, diz Huang.
china 11
hoje macau terça-feira 15.10.2013
EXPORTAÇÃO DE CALÇADO PORTUGUÊS PARA FORA DA UE AUMENTOU
Mercado chinês ganha força A S exportações portuguesas de cal çad o p ara fora da União Europeia já cresceram este ano cerca de 40% e, entre os mercados emergentes, a China “é cada vez mais importante”, disse este domingo à agência Lusa um responsável do sector. “Mundialmente, em termos de qualidade e de preços, estamos no pelotão da frente”, afirmou o director comercial da Associação Portuguesa de Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Sucedâneos (APICCAPS), Pedro Silva, a propósito da última edição da “Micam Xangai”, que terminou domingo na capital económica da China. Trata-se de um dos mais prestigiados certames do sector, organizado pela Feira de Milão e a Associação Italiana de Fabricantes de Calçado, e contou com uma participação recorde de empresas portuguesas: 16. “Há um grande apetite pelos produtos europeus”, realçou Pedro Silva acerca do mercado chinês. Na sexta-feira, dia da abertura do certame de Xangai, o presidente da APICCAPS, Fortunato Frederico, disse que a China já é “um mercado promissor” para o calçado
Pequim opõe-se a discriminação de cientistas devido à sua nacionalidade
Um porta-voz da Associação de Ciência e Tecnologia da China afirmou sábado que não é razoável negar a oportunidade aos cientistas de participar em intercâmbios internacionais com base na sua nacionalidade. Recentemente, foi recusado o pedido de seis cientistas chineses para participarem numa reunião sobre o projecto do telescópio espacial Kepler, que será realizada nos Estados Unidos no próximo mês. O caso chamou a atenção internacional. A comunidade científica expressou o seu descontentamento face à acção discriminatória. De acordo com o porta-voz, a exploração espacial é um empreendimento da humanidade e o intercâmbio académico é o motor da promoção da inovação e do progresso científico. O porta-voz disse esperar que os EUA possam solucionar adequadamente o caso para desempenhar um papel construtivo na abertura e cooperação científica.
Chancelaria chinesa reafirma o princípio de uma só China perante Europa
português e, dentro de dois a três anos, será mesmo “uma referência”. “Este mercado vai explodir”, afirmou Fortunato Frederico. A APICCAPS reúne cerca de 700 empresas, que produzem anualmente cerca de 70 milhões de pares de sapatos: “95% dos quais para exportação”, referiu o director comercial da associação. As exportações de calçado português para a China triplicaram nos últimos quatro anos, devendo exceder as cerca de 220 mil milhões de patacas em 2013, pela primeira vez. “O sucesso do calçado é um bom exemplo
e prova de que não estamos a chegar tarde à China”, comentou o delegado da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Xangai, Filipe Santos Costa. “Com a ascensão de centenas de milhões de chineses à classe média há aqui um grande mercado para os produtos de consumo portugueses”, acrescentou. António Almeida, Calçado Trópico, Cidicalfe, Ferreira Avelar & Irmão, Fly London, J Moreira, Mário Cunha & Filhos, Marisport, PTFTR, Qualishoe, Qu-On Around You, Rondoshoes, Ropar, Rumisi, Ten Toes
Trading e TOEFL foram as empresas portuguesas representadas no certame. Pelas contas das alfândegas chinesas, nos primeiros oito meses de 2013, as exportações portuguesas de calçado para a China somaram cerca de 148 mil milhões de patacas, contra as cerca de em 78 mil milhões de patacas em todo o ano de 2010. No conjunto, “as nossas exportações, entre Janeiro e Agosto, aumentaram 6,5%, mas para os mercados fora da União Europeia o aumento foi de cerca de 40%”, precisou o director comercial da APICCAPS.
INFLAÇÃO SUBIU PARA 3,1% EM SETEMBRO
Efeito da Semana Dourada O Índice de Preços no Consumidor da China (IPC), um dos principais indicadores da inflação, subiu para 3,1% em Setembro, mais 0,5 pontos percentuais do que no mês anterior, anunciou ontem o Gabinete Nacional de Estatísticas do país. Um perito do Gabinete atribuiu a subida ao aumento dos preços nos produtos alimentares devido ao efeito das férias (a semana dourada de 1 a 8 de Outubro) e também das cheias e inundações que afectaram algumas regiões da China. Os produtos alimentares, que representam um terço do cabaz com base no qual é calculado o IPC, subiram 6,1% em relação
a Setembro de 2012, precisou a mesma fonte. Desde o início do ano, o crescimento médio do IPC manteve-se nos 2,5%, abaixo da meta de 3,5% preconizada pelo governo. A China é a segunda maior economia do mundo, a seguir aos Estados Unidos. O seu crescimento tem vindo a abrandar, mas deverá continuar acima dos 7% em 2013. Segundo prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI), este ano, a economia chinesa deverá crescer 7,6%, uma descida de 0,1 pontos percentuais em relação a 2012, que foi já o mais baixo da última década, mais de o dobro da média mundial, estimada em 2,9%.
A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, pediu este sábado que a Europa respeite o princípio de uma só China e trate de forma prudente os assuntos relacionados com Taiwan. O Parlamento Europeu aprovou no dia 9 deste mês uma resolução que permite as relações comerciais entre a União Europeia e Taiwan e pediu que a Comissão Europeia inicie negociações com Taiwan sobre as garantias de investimento e a entrada no mercado. Perante isto, a diplomata chinesa reafirmou que a questão de Taiwan é um assunto interno da China e que o governo chinês se opõe firmemente a uma intervenção externa. Hua Chunying salientou que a China apoia o comércio não-governamental entre a UE e Taiwan, mas que se opõe a relações oficiais. Hua disse esperar que o parlamento europeu actue de forma a favorecer o relacionamento saudável entre a Europa e a China.
PUB
NOTIFICAÇÃO N.º 01/GAD/2013 Não sendo possível notificar o interessado Huang Jinrong ( 黃金榮), titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 14228**(*), por ofício, via telefone nem por outro meio, de acordo com o previsto nos artigos 10.º e 58.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifico, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º e dos artigos 93.º e 94.º do mesmo Código, que tendo sido declarada, em 17 de Janeiro de 2012, a caducidade da autorização de residência que lhe foi concedida, deixou de ser complacente com os requisitos previstos no n.º 2 do artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 23/2002 a partir dessa data e caducou-se de imediato o seu Bilhete de Identidade de Residente Não Permanente, sendo, por isso, que não possui o estatuto de residente permanente, por não reunir os requisitos definidos na alínea 2) do n.º 1 do artigo 1.º do Lei n.º 8/1999. Nestes termos, o interessado deverá entregar dentro de 10 dias, contados a partir do dia seguinte ao da publicação da presente notificação, audiência escrita, a fim de se poder pronunciar sobre o referido assunto. Poderá o interessado dirigir-se nas horas de expediente à sede da DSI, sita na Avenida da Praia Grande n.os 762-804, Edif. “China Plaza” , 1.º andar, para entrega da audiência escrita, podendo ainda fazer a marcação prévia para a consulta do processo, caso necessário, através do tel: 83940592. A falta de entrega de audiência escrita dentro do prazo acima indicado, sem qualquer justificação, pressupõe que, apesar de notificado, nada tem a declarar, sobre o assunto sobredito. Para informação mais detalhada, queira entrar em contacto com a Sr.ª Lo (83940553) e a Sr.ª Leong (83940592). Macau, a 15 de Outubro de 2013. O Director dos Serviços de Identificação, Lai Ieng Kit
12
TRADIÇÃO
hoje macau terça-
JOSÉ SIMÕES MORAIS info@hojemacau.com.mo
U
MA lenda diz ter Mazu chegado à Baía de A-Má e, por isso, o nome de Macau está ligado à deusa pois, quando os portugueses aqui chegaram e ao perguntar como se chamava o local, ouviram da boca dos locais o som de Amagao, que significa Baía de A-Má. É a única cidade cujo nome está ligado a A-Má, o que lhe traz uma especial protecção. Mazu é o nome por que é conhecida fora de Macau A-Má, sendo este um diminutivo de Neang Má. A terra natal de Mazu é a ilha de Meizhou, em Putian na província de Fuquiam, onde nasceu a 23 do terceiro mês lunar no ano de 960 ou 968, tendo passado desta vida em 29 de Fevereiro de 987. Sentada, subiu ao Céu como Rainha e na dinastia Qing foi elevada a Imperatriz Celeste (Tian Hou). Deusa, pois durante a sua vida terrestre relegou a materialidade em favor do espírito, concentrando-se pela bondade a ajudar os aflitos a não morrer nas águas. Durante um sonho, estando a salvar o pai e um irmão de se afogarem, foi acordada a meio pela mãe e por isso, só conseguiu colocar o irmão num lugar seguro. Ao ser despertada da transe, largou o pai tendo este desaparecido nas águas. Mazu aparece muitas vezes aos marítimos que se encontram em situação de aflição e por ela protegidos, nenhum mal acontece às suas embarcações, mesmo quando estão no meio de grandes tempestades. Conta a história que Mazu, ainda uma simples mortal, quis viajar e após a recusa de muitos capitães em a transportarem nos seus navios, pois não tinha dinheiro, conseguiu por fim um lugar numa embarcação. Já em alto mar, levantou-se uma violenta tempestade, que afundou todos os juncos excepto o que a transportava, tendo o capitão percebido ter sido a protecção daquela donzela, de olhar vago e místico, que os salvara de naufragarem. Ao chegarem a Haojing, nome da península de Macau até à chegada dos portugueses, o barco atracou em frente da Barra e Mazu, com o pé esquerdo descalço, pois tinha perdido o sapato ao entrar na embarcação, após desembarcar subindo a colina, desapareceu sem deixar rasto. Um comerciante, companheiro de viagem, seguindo-a foi encontrar numa das pedras, já a meio do promontório, uma estátua de madeira e por que tinha a imagem um pé sem o sapato percebeu ser aquela divindade a donzela, cuja alma se desprendera dos laços terrestres. A Mazu, que os havia salvo da tormenta e os conduzira em segurança a este porto, erigiram aí um templo. Por tal, crêem os devotos que a capela do segundo plano da colina encerra o corpo da Soberana do Céu. Ao templo em honra de Neang Má chamou-se Ma-Kok-Miu (Tem-
ESTE ANO, AS FESTI
Mais um plo do Promontório de Má). Esta é a versão de Luís G. Gomes, contada em “Curiosidades de Macau Antiga”.
A CULTURA MAZU
Com uma longa história, a Cultura Mazu tem raízes profundas nos habitantes de Macau, que trazem no seu coração a deusa A-Má, como se pôde
Conta a história que Ma mortal, quis viajar e apó capitães em a transport pois não tinha dinheiro, um lugar numa embarc mar, levantou-se uma vi que afundou todos os ju transportava, tendo o ca a protecção daquela don místico, que os salvara d
tradição 13
-feira 15.10.2013
Sudeste da Ásia. Em Macau as celebrações começaram em 2001 e a província convidada para colaborar foi Fuquiam. Este ano, 2013, as festividades em Macau estiveram ligadas com Hunan. No cume do monte de Coloane encontra-se a estátua de Mazu com 19,99 metros de altura e feita com 120 blocos de jade branco. Foi construída para celebrar a data do ano de transferência da Administração portuguesa para a chinesa, tendo a cerimónia de inauguração acontecido no dia nove do nono mês lunar de 1998. Esta data foi escolhida pois foi o dia em que Mazu foi elevada a deusa. Já a construção do templo conhecido como Tian Hou Gong terminou em 2003. Situado a meio da colina, aí decorreram as cerimónias de abertura das festividades, que se iniciaram às dez da manhã e duraram até ao meio-dia e meia. Muitas foram as estátuas de outros deuses que vieram prestar homenagem à deusa, algumas de Macau, outras de Taiwan e de Fuquiam. O discurso em honra de Mazu foi a parte mais importante da cerimónia, conjuntamente com as oferenda e os sacrifícios por todos os que tomaram parte nas celebrações.
IVIDADES EM MACAU ESTIVERAM LIGADAS COM HUNAN
m ano sobre protecção de Mazu confirmar na procissão realizada na tarde de Domingo no Bairro do Fai Chi Kei. Mas não é só nesta cidade que se venera a deusa dos mareantes já que, em todo o mundo existem 5 mil templos a Mazu e há mais de 200 mil devotos. A Cultura Mazu começou na dinastia Song e com os mongóis da
azu, ainda uma simples ós a recusa de muitos tarem nos seus navios, , conseguiu por fim cação. Já em alto iolenta tempestade, uncos excepto o que a apitão percebido ter sido nzela, de olhar vago e de naufragarem
dinastia Yuan devagar foi evoluindo, tendo atingido o apogeu na dinastia Ming, quando o Grande Almirante Zheng He, antes de partir para as suas viagens marítimas intercontinentais, passava pelo templo de Mazu em Fuquiam e aí lhe pedia protecção. Por isso Mazu é parte integrante da cultura dos Oceanos na China,
estando ligada às viagens oceânicas realizadas pelos chineses. Segundo um ditado chinês “Antes de existir um porto, existe um templo a Liang Liang” (Templo a Mazu). Todas as aldeias piscatórias ao longo da costa chinesa tinham um templo a Mazu e quando na dinastia Song se voltou a investir
nas viagens oceânicas, quatro desses pequenos portos usados pelos locais pescadores evoluíram e tornaram-se grandes portos, alguns com estaleiros para navios de grande porte. Depois, continuando nessa senda e aproveitando boas enseadas, foram construídos novos portos, entre os quais Tianjin, onde no maior templo a Mazu no Norte da China, conhecido por Liang Liang Gong, em 28 de Setembro de 2012 foi inaugurada a mais alta estátua de Mazu do mundo, com 42,3 metros. Também cada vez que um barco acabado de construir era colocado na água, uma reprodução em miniatura ia para no templo de Mazu, com a finalidade da deusa o proteger com a sua divina providência, bom tempo e para as viagens marítimas correrem sem problemas. Em Outubro de 2009, a Cultura Mazu tornou-se Património Intangível da UNESCO e realiza-se para ligar a China Continental, com Macau, Taiwan e os países do
Com uma longa história, a Cultura Mazu tem raízes profundas nos habitantes de Macau, que trazem no seu coração a deusa A-Má, como se pôde confirmar na procissão realizada na tarde de Domingo no Bairro do Fai Chi Kei. Mas não é só nesta cidade que se venera a deusa dos mareantes já que, em todo o mundo existem 5 mil templos a Mazu e há mais de 200 mil devotos Na parte da tarde houve uma procissão com todas essas estátuas e figurantes que, num longo cortejo, partiram da Baía Norte do Fai Chi Kei e chegaram ao Parque do Mercado de Iao Hon. Aí se encontravam muitos crentes que fizeram oferendas a A-Má e a todos os deuses. Estes ficaram aí até às 23 horas, quando as estátuas regressaram aos seus templos. Fica assim Macau mais um ano sobre protecção de Mazu.
14
ENTREVISTA
hoje macau terça-feira 15.10.2013
MANUEL AFONSO COSTA SOBRE A POESIA CHINESA
“É uma gigantesca celebração hagiográfica Manuel Afonso Costa é poeta, professor universitário e fez a versão portuguesa da obra “Poemas de Tão Yuanming”, que será lançada amanhã, pelas 18h30, na Fundação Rui Cunha CARLOS MORAIS JOSÉ info@hojemacau.com.mo
Que razões levam um poeta português a interessar-se pela poesia chinesa, tão distante do contexto cultural onde inicialmente se formou? Desde há uns quarenta anos que me interesso por poesia, oriunda seja de onde for. Quando não tinha capacidade financeira para comprar livros de poesia, comprava os jornais diários de Portugal nos dias em que havia suplemento literário. Ainda hoje me lembro que o suplemento literário do Diário de Notícias era ao domingo, como mais tarde o Diário, a Capital era à quarta feira e o Diário de Lisboa era à quinta, tal como o Diário Popular. Depois quando podia, embora sempre com dificuldades, comprava tudo o que aparecia e este tudo é quase literal e significava muitas vezes imensos sacrifícios. Na altura, quem dirigia o Suplemento da Capital era a Maria Teresa Horta. Ainda me lembro, era um suplemento azul e nele apareceram os primeiros poemas do “Sob Sobre Voz” do João Miguel Fernandes Jorge e um elogio do Ruy Belo à poesia deste, na época, jovem poeta. Rezava mais ou menos assim: A poesia de João Miguel Fernandes Jorge tem grande futuro pois situa-se no estrito plano do significante. Não deixa de ter piada, uma vez que a poesia de Ruy Belo foi sempre uma poesia do significado. O Ruy Belo convivia com o João Miguel e com o Joaquim Manuel Magalhães na praia da Consolação, que por via disso se tornou uma praia um pouco mítica para mim. Enfim, depois juntou-se ao grupo o António Franco Alexandre e o Hélder Moura Pereira e os quatro jovens publicaram os célebres poemas do cartuxo, uma vez que os poemas eram vendidos em papéis amarrotados metidos dentro de um cartuxo, como aqueles que naquele tempo
existiam nas mercearias para aviar o açúcar, o arroz ou o sal por exemplo. Depois da Poesia 61, o Cartuxo foi a maior revolução na poesia portuguesa contemporânea. Para mim é claro. Penso que o Cartuxo muito ficou a dever, contudo a Ruy Belo. A Ruy Belo e à tradição poética inglesa. Não nos podemos esquecer que tanto João Miguel Fernandes Jorge como Joaquim Manuel Magalhães eram alunos de Germânicas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e que Magalhães, por exemplo, fez na altura uma tese sobre Dylan Thomas. Na mesma época eu fui a Paris pela primeira vez e comprei a antologia de poesia chinesa da Gallimard. Comprei, tal como fui comprando outras antologias de múltiplas tradições poéticas. Mas a verdade é que de todas as antologias aquela a que voltei mais vezes foi à poesia chinesa. E a esse facto não é estranha a minha biografia pessoal, pois a minha vinda para Macau em 1993 potenciou essa antiga paixão. Durante muito tempo alimentei-me quase exclusivamente das antologias e depois aos poucos fui obtendo as obras dos grandes poetas chineses, em versões sobretudo francesas, mas também algumas publicadas em Macau e em particular nas edições dos Livros do Meio com tradução de António Graça de Abreu. Finalmente há na minha aproximação contínua à poesia chinesa, a partir de uma certa altura, um interesse que também é pragmático. Eu fui-me expressando, eu próprio, poeticamente falando, cada vez mais de uma forma que acho familiar com a poesia chinesa. Encontra similitudes entre a poesia chinesa e a ocidental? E que principais diferenças apontaria? A tradição poética chinesa é poderosa, porém a tradição poética europeia é talvez mais variada. E é esta imensa
variedade da poesia europeia que acaba por conectar com todas as tradições. Isto terá, aliás uma explicação histórico-civilizacional. A história da Europa é seguramente a história mais cosmopolita, onde a mestiçagem cultural mais se fez sentir e onde a diáspora permanente acabou por enriquecer todas as artes, e em particular a poesia. A Europa contactou com todas as grandes civilizações e de todas recebeu poderosos estímulos. O que acabo de dizer parece-me inegável e em minha opinião isto não só não contém sombra de eurocentrismo, como será até a marca de maior humildade da cultura europeia. Há contudo uma variedade que é constitutiva da poesia europeia, e que é independente das influências externas. Na génese da poesia europeia, isto é na cultura greco-latina encontramos logo prefigurados todos os desenvolvimentos posteriores... Portanto, correndo alguns riscos, atrever-me-ia a dizer que, com todo o respeito, a maior diferença entre a poesia europeia e a poesia chinesa radicaria na maior variedade da primeira. Em boa verdade esta variedade seria também o reflexo e a consequência da própria variedade de culturas e de identidades regionais e locais. A Europa é um verdadeiro mosaico de povos e culturas, de idiossincrasias geográficas e étnicas. E penso que não estou senão a dizer aquilo que toda a gente sabe e que é de uma evidência meridiana. Que lugar considera ter a poesia na cultura chinesa? Será de algum modo comparável ao que se passa no Ocidente? Esse é um tema francamente complexo, para o qual julgo não estar em condições de falar sem receio e com conhecimentos suficientes. Mais por intuição do que por qualquer outro tipo de certeza, atrevo-me a pensar que a poesia na China ocupava um lugar importantíssimo e até no plano institucional. Na complexa orgânica da formação das carreiras públicas tudo leva a crer que a poesia desempenhava um papel nuclear e axial. Talvez por dois motivos essenciais: Por um lado porque uma parcela muito importante da cultura chinesa no sentido da sua memória e das suas tradições
aparece indelevelmente associada à obra de grandes poetas. E isso até permite compreender porque é que a poesia chinesa é tão auto-referencial. Por outro lado porque a poesia deve ter aparecido num determinado momento como a forma ideal para fazer passar os ideais cívicos, éticos e morais que deveriam enformar a vida colectiva. E é por exemplo essa a perspectiva que eu tenho da própria poesia de Tao Yuanming. Isso também aconteceu no ocidente. A poesia primitiva guardava uma memória da comunidade divulgada através, por exemplo, dos aedos, dos vates e dos druídas. E no princípio ela era indissociável das narrativas de fundação e de muitos rituais iniciáticos, aparecendo ligada à música por exemplo, onde poderia ter uma função de catarse ou até mesmo orgiástica. Penso que na cultura chinesa a poesia como que se laiciza e seculariza muito cedo, prestando-se mais a um papel cívico, cultural, no sentido de memória e estando assim ligada a uma paideia chinesa muito secular e pouco religiosa. Mas muito estranhamente a poesia europeia, depois de uma primeira fase em que é muito holista, digamos assim, rapidamente se separa do religioso e do orgânico (comunitário) para se tornar numa actividade muito pessoal e expressiva. Isto estará seguramente associado às sucessivas revoluções individualistas que começaram na Europa muito cedo e até com o próprio advento do Cristianismo. A subjectividade expressiva triunfa na poesia europeia precocemente. Portanto, e para responder à sua pergunta apesar da reserva que estabeleci há pouco, diria que a poesia desempenha um papel social (social no sentido lato, no sentido em que toda a história e toda a cultura é social) diferente na Europa e na China. Na Europa depois de um curto período de tempo em que aparece diluída no complexo das narrativas cosmológicas e cosmogónicas, sem autono-
mia portanto, rapidamente, com as primeiras revoluções individualistas, se desliga desse universo compósito e heterogéneo para se tornar uma voz própria de indivíduos individualmente considerados, se me for perdoada a tautologia. O individualismo grego e o individualismo cristão realizaram essa metamorfose. Já a poesia chinesa é desde os primórdios muito alusiva e respeitadora das tradições e sobretudo lugar de sedimentação da história, da cultura e dos exemplos. A poesia chinesa é uma gigantesca celebração hagiográfica sem santos.
verdade é que a sua inadequação à vida pública, o seu mau feitio, pode até dizer-se assim, as suas obsessões morais, um enorme orgulho centrado no valor da arte e da poesia em particular e ainda o culto pela ociosidade fizeram com que eu perdesse de facto o pudor e me atrevesse a considerar o poeta de Lu Shan do século IV como muito próximo de mim.
Como surgiu o seu interesse, em concreto, pela obra de Tao Yuanming? Quando li os primeiros poemas de Tao Yuanming justamente sobre o regresso a casa e
Quais as características que considera fundamentais na sua voz poética e qual a sua importância no contexto da poesia chinesa? Bom, aqui não posso deixar de referir o que disse no prefácio à obra, a saber que de todos os elementos estruturantes da sua obra, se evidencia uma constante obsessão pelo retiro ou reclusão (Yin). Este foi também o elemento mais
ao campo percebi de imediato uma sensibilidade que o colocava no seio de um paradigma existencial com o qual eu simpatizo muito. E estou a pensar numa espécie de lathe biosas epicurista. O que quer dizer, vida discreta, simples, longe da multidão. Depois, à medida que avançava para dentro do universo temático do poeta ia reforçando este sentimento inicial. Apesar da qualidade literária e poética da sua obra o que se adensava dentro de mim era uma familiaridade com a maior parte das suas preocupações e anseios. Eu começava a gostar ainda mais do poeta do que da sua poesia. E não pude furtar-me ao sentimento de que estava na presença de uma alma gémea, que me seja perdoada a imensa presunção. Mas a
evidenciado pela recepção à obra de Tao Yuanming tanto pelos poetas Tang como pelos poetas Song. Muitas vezes, ao ler Tao Yuanming, eu cheguei a sentir que nele se exercitava uma aversão pela cidade e pelas actividades tipicamente urbanas. Outras vezes pareceu-me que em Tao Yuanming haveria também uma espécie de auto-consciência pragmática de que o regresso ao campo poderia favorecer e potenciar as energias criativas, no caso dele poéticas sobretudo, e nesse enquadramento psicológico, muito particular, poderíamos falar mesmo de uma Pastoral On The Self, que na Europa culmina no século XVIII mas que teve em Petrarca provavelmente o primeiro teórico e a primeira forma de realização. Um ponto parece-me seguro,
entrevista 15
hoje macau terça-feira 15.10.2013
sem santos” a poesia de Tao Yuanming possui dois ingredientes que fazem o seu encanto relativo: por um lado, ela é dotada de um carácter muito clássico, na nossa acepção ocidental, uma vez que é sempre muito do domínio do docere, o que significa que é sempre muito didáctica, sentenciosa, descritiva, pedagógica mesmo e, sendo assim, pouco emotiva, e talvez mesmo excessivamente conformada com o logos e com uma ideia de clareza substantiva mas, ao mesmo tempo e paradoxalmente, a sua poesia é, por outro lado, essencialmente subjectiva, no plano em que é muito auto-referencial. A importância da poesia de Tao Yuanming na história da poesia chinesa está fixada. A recepção da sua obra pelos grandes poetas da dinastia Tang e da dinastia Song não alimenta segundas interpretações. Ele é o grande precursor destas duas plêiades de poetas clássicos. Descreve-nos Tao Yuanming como alguém que proclama a vida retirada e simples. Encontra paralelismos na poética ocidental? Muitos. O tema do retiro e da vida retirada é extremamente rico na poesia europeia. Assim de repente posso lembrar algumas modalidades temáticas do paradigma originário. Podemos falar de um retiro bucólico, que literariamente está indexado à écloga e ao idílio, ou seja à vida pastoril. As bucólicas de Teócrito são o texto fundador e aí a ligação é ainda muito estreita com a vida campestre na perspectiva de uma pastorícia. Bucólica vem de boukolikos que justamente quer dizer, guardador de gado, pastor, que por sua vez vem de boukolos (gado). A obra de Teócrito é uma obra rude e nada sublimada. Com Virgílio o bucolismo começa a operar a sua migração para o registo próprio do idílio e da écloga, na acepção mais vulgar. Depois enfim o tema passará, na maior parte dos casos, ao longo dos século XVII e XVIII a tornar-se um pastiche ao qual já nada corresponde. Mas o tema do retiro pode ligar-se à ideia de pastoral geórgica. A geórgica pressupõe o trabalho rural, a exploração da terra, e na tradição cristã anda muito ligado à ideia adâmica de que viverás com o suor do rosto. A
geórgica é uma dimensão da vida rural muito enformada pela ideia de queda, uma vez que a bucólica seria sobretudo ociosa e contemplativa. Eu, pessoalmente, gosto das duas, a bucólica quando ganha uma verdadeira dimensão anacreôntica e a geórgica quando exprime um sentido da regeneração pelo trabalho da terra. A minha poesia é mais geórgica do que bucólica. Descendo de camponeses sem terra, assalariados portanto, e guardo até hoje o carácter santificado dos rituais das sementeiras e das colheitas.
Muitas vezes o mais importante é aquilo que o poeta diz ou quis dizer e menos o modo como o disse. Respeitei o mais possível este objectivo Há ainda a considerar o Beatus Ille horaciano, que se aparenta à geórgica, pois há trabalho, suor portanto. Feliz aquele que longe dos negócios, tal como os homens de antigamente dedica o seu tempo a trabalhar os campos paternos com os seus próprios bois, livre de toda a usura, etc. É Horácio no seu melhor. De todas as formas de retiro aquela com que mais simpatizo é contudo a que se imortalizou através do célebre e mais uma vez horaciano hoc erat in votis. Os meus desejos, quais são!? Modernamente o retiro tornou-se mais pragmático evoluindo no sentido de uma pastoral on the self conjuntural e episódica. Tao Yuanming só viria a ser realmente reconhecido séculos depois da sua morte. Por que razão? Sinceramente não tenho certezas sobre isso! Mas talvez que entre outras explicações o facto de a sua obra ter sido produzida numa das mais agitadas e inseguras épocas da história da China, verdadeira Idade Média da história da China, tenha dificultado e atrasado a sua recepção. Talvez!
Quais as principais dificuldades que encontrou para realizar este trabalho? A maior dificuldade foi sem dúvida fixar para cada verso uma versão. E encontrar o termo justo entre o respeito pelo que o poeta disse, o que terá querido dizer e aquilo que ficaria melhor segundo uma estética mais atraente para os leitores contemporâneos. Penso hoje que as melhores soluções, eu acabei por encontrá-las quando me foi possível comparar traduções de línguas diferentes, como o francês, o espanhol, o italiano e o inglês. Nos casos em que esta variedade me faltou eu arrisquei menos o que talvez seja compreensível. Se traduzir é sempre trair, interessa trair o menos possível e dar o poeta do modo mais atractivo. Há, implícitos, dois perigos que são bem evidentes. Consagrar uma voz rigorosa mas muito pouco interessante, ou mesmo chata, perdoe-se o plebeísmo, não me parece que lhe faça justiça. Consagrar uma voz atraente mas sem correspondência com o conteúdo real dos seus poemas, afigura-se-me grave. O equilíbrio é sempre difícil e precário. Eu sei que o poeta disse aquilo que eu fixei uma vez que submeti sempre os poemas a uma leitura prévia a conhecedores da língua chinesa. A partir daí experimentei e arrisquei sem entrar em grandes aventuras. Os poemas devem ser lidos de um modo lento respirando com regularidade onde na maior parte dos casos a respiração se torna evidente, pois o poeta é muitas vezes de uma excessiva prolixidade. Mas se eu por uma questão puramente estética sonegasse alguns versos que a um leitor dos nossos dias poderiam parecer desnecessários estaria a adulterar a obra e até o poeta. Convém não perder de vista um dado importantíssimo. Tao Yuanming é um poeta do docere e assim no seu caso um trabalho de poda seria abusivo e inaceitável. Penso que se percebe bem o que estou a dizer. Alguns poemas de Tao Yuanming andam perto da prosa poética e sendo assim qualquer trabalho de embelezamento formal poderia distorcer o conteúdo, que volto a repetir é muitas vezes o mais importante. Muitas vezes o mais importante é aquilo que o poeta diz ou quis dizer e menos o modo como o disse. Respeitei o mais possível este objectivo. Mas quando foi possível, sem distorção, oferecer o poeta numa prosódia elegante na nossa língua, não hesitei. Mas nem sempre o consegui. Tenho consciência disso. Não se pode, nem se
deve esquecer que a língua de chegada acaba por ser o que mais conta no trabalho de tradução. É afinal o que fica para os leitores nesta língua, que tudo ignoram da outra, a língua de partida. Pessoalmente, o que ganhou com o seu trabalho sobre a obra deste poeta? Entrei um pouco mais dentro deste gigantesco edifício que é a tradição poética chinesa. E sabe-se como através da poesia chinesa é também na cultura chinesa, na história da China e na alma do povo chinês que estamos a entrar. Mas confesso, sinto-me a anos luz ainda de poder compreender todo o alcance desta enorme aventura, e há infelizmente limitações que não posso ultrapassar, com muita pena minha. Acha que o convívio com a poesia chinesa vai, de algum modo, influenciar a sua própria escrita? Já influenciou. O meu último livro de poesia intitulado Caligrafia Imperial E Dias Duvidosos, contém um conjunto de poemas em que através de transliterações diversas eu gloso os famosos textos do Quadro dos Tributários do Imperador Qian Long. E o PUB
meu próximo livro que sairá em 2014 e que se intitula Memórias Da Casa da China E De Outras Visitas contém poemas que saíram na Revista de Cultura e que acentuam uma técnica de construção do poema aparentada às técnica chinesas. Pelo menos eu assim o penso. O Manuel Afonso Costa tem leccionado na universidade em Macau. Quais são os seus próximos projectos? Gostava de me fixar em Macau por uns anos. Para isso seria necessário ter em Macau uma ocupação a tempo inteiro, de preferência numa das muitas instituições de ensino superior, uma vez que agora estou em tempo parcial, o que é insuficiente para os meus objectivos. Já houve hipóteses e continua a haver, mas nada se concretizou até ao momento. Se não se concretizarem num tempo relativamente próximo, regressarei a Portugal. Como vê o actual momento da poesia em Língua Portuguesa em Macau, Portugal e nos Países Lusófonos? Bom, esta é a pergunta mais melindrosa para mim. Mas não fujo à resposta e serei
sincero como faço sempre questão; mas inverto a ordem da pergunta. Em Portugal, com a autoridade que me dá o facto de criticar aquilo de que não gosto, a poesia está viva e recomenda-se. Não tenho a mínima dúvida, a par de mais quatro ou cinco grandes tradições poéticas, Portugal pode apresentar hoje em dia uma plêiade de poetas notáveis. Relativamente à poesia que se faz em Macau, o que eu tenho a dizer é que, e já nos anos 90 eu possuía este tipo de entendimento do fenómeno, com três ou quatro honrosas excepções, a poesia escrita em língua portuguesa não deveria ter sido publicada, mas a verdade é que não foi assim e portanto temos de gramar com umas coisas que envergonham desde logo quem as publica, mas também quem as promove. Ter-me-ão passado pelas mãos umas quatro ou cinco dezenas de livros de poesia (pretensamente) e eu penso que não mais do que uns cinco ou seis livros seriam publicáveis, se houvesse critério e seriedade, além disso um número muito elevado é simplesmente indigente. Mas como não há critério, nem vergonha, vale tudo ... E mais não digo...
16
CULTURA
hoje macau terça-feira 15.10.2013
EMPRESA PORTUGUESA “JUMP WILLY” ENTRA EM HONG KONG COM OLHOS POSTOS NA GRANDE CHINA
Criatividade lusa A “Jump Willy”, empresa com capital 100% português na área da criatividade, acabou de dar o “salto” para Hong Kong, com os olhos postos nos gigantes mercados do interior da China e da Ásia. “Já havia uma série de trabalho na Ásia e depois o mercado na nossa área é bastante bom e tem vindo a crescer muito, pelo que fazia todo o sentido”, disse à agência Lusa João Seabra, um dos sócios fundadores da empresa que se dedica à pós-produção na área da animação (3D e efeitos visuais) e composição musical, trabalhando em publicidade, cinema e videojogos. A abertura oficial do escritório teve lugar no final de Setembro, apesar da constituição formal, em Maio, na antiga colónia britânica, para onde João Seabra distinguido, no ano de 2009, pela União Europeia com o prémio de Jovem Talento Criativo Europeu - também decidiu ‘transferir’ a sua vida. Fundada em 2007, a “Jump Willy”, que exporta mais de metade da sua produção quase desde o arranque, expandiu-se para Londres - mas acabou por fechar - e, há três anos, abriu em Los Angeles (EUA), onde funciona a composição musical, a “especialidade” de Pedro Marques, o outro sócio. A ideia de estender a criatividade lusa à Ásia começou a ser ‘cozinhada’ há cerca de um ano, já depois de a “Jump Willy” ter
começado a trabalhar com marcas daí oriundas. Para o também professor de animação 3D na Universidade de São José, em Macau, a entrada no interior da China “será o progresso natural das coisas”, pelo que, embora se tenha acabado de instalar em Hong Kong, não descarta a hipótese, se a experiência correr bem, de uma presença física em Xangai, onde tem e continuará a ter reuniões, das quais resultaram já parcerias com produtoras. Embora a animação “esteja por todo o lado” na Ásia “há muito espaço para entrar quando pomos a oferta em relação à dimensão do mercado” e, por outro lado, apesar de haver “muita produção técnica, há pouca qualidade conceptual”, o que explica o facto de se valorizarem muito as empresas internacionais, sobretudo as europeias, porque a escola criativa “é muito forte”, disse João Seabra à Lusa. “Eles são muito bons tecnicamente, mas depois é sempre a mesma coisa. Comparativamente aos asiáticos, podemos até não ser incríveis, mas o nosso grande ‘asset’ [activo] não é a técnica, mas a criatividade” e na Ásia há um “défice grande” a esse nível, avaliou. Dotada de uma carteira de clientes que inclui dezenas de marcas de todo o mundo, desde a BMW, à Lexus, passando pela H&M até à Super Bock, a “Jump Willy”, com uma dúzia de
funcionários, também opera, em menor dimensão, na área institucional, estando, neste momento, a terminar um vídeo promocional para a iniciativa governamental “Ano da Arquitectura Portuguesa”, encomendado pelo Instituto Camões. Em Portugal “sempre foi difícil penetrar bem no mercado” nomeadamente por ser um país pequeno e por a empresa se encontrar no Porto, pelo que a clientela foi “sempre residual”, explicou o empresário. “Desde que abrimos toda a nossa estrutura era virada para fora: Nunca tivemos um ‘site’
ALMODOVAR ACUSA O GOVERNO DE QUERER “EXTERMINAR” CINEMA
À beira de um ataque de nervos
em português”, exemplificou. No entanto, “sempre tivemos muito orgulho de ser uma empresa portuguesa”, ressalvou. Sob o chapéu da “Jump Willy”, incubada na Universidade Católica do Porto, nasceram dois projectos empresariais - “We Came From Mars” e “Uou” marcas criadas como plataformas independentes. A primeira dedica-se aos jogos para telemóveis, enquanto a segunda está focada no treino, formação e ’coaching’ para apresentações, trabalhando com grandes empresas, com destaque
O
para a Sonae, que absorve 90% da produção da “Uou”. Em curso, estão projectos com a Icon, produtora de Macau, com a qual João Seabra tem trabalhado, com a Air Macau, o lançamento do jogo infantil didáctico “Mr. Walter” e o ‘rebranding’ (relançamento da marca), no próximo ano, da Universidade de São José (USJ). Em Dezembro, a USJ vai organizar uma formação avançada destinada a profissionais, a qual será certificada por João Seabra, que, segundo o próprio, é um dos poucos instrutores da sua área no mundo.
cineasta Pedro Almodovar acusa o Governo de Madrid de querer “exterminar” o cinema espanhol, depois de ter sido anunciado que o sector terá novos cortes no Orçamento do Estado para 2014. Almodovar escreveu um artigo intitulado “Cinema espanhol. A extinção”, que publicou no site Infolibre. es, no qual critica a “subida brutal” do IVA de 08% para 21% este ano. “Todas as previsões feitas na altura desta subida, que o público se afastaria das salas de cinema, que muitas salas iriam fechar, confirmaram-se, excepto as do Governo, que pensava que desta forma ia aumentar as receitas”, escreve o cineasta de 64 anos. “Se o resultado é contrário à suas previsões, por que
razão os ministros do sector e o Governo em geral se mostram tão eufóricos? Só pode haver uma resposta: porque eles estão a punir o cinema espanhol até que não reste mais nada. Porque tudo segue um rigoroso plano de exterminação”, acusa o realizador de “A lei do desejo” e “Mulheres à beira de um ataque de nervos”. Segundo Almodovar, a Direita espanhola jamais perdoou ao sector cinematográfico a mobilização de 2003 contra a guerra no Iraque, na qual a Espanha participou, quando o Governo conservador era liderado por José Maria Aznar. “Desde o ‘Não à Guerra’, o cinema espanhol tornou-se na besta negra dos Governos do Partido Popular”, afirma o realizador de “Tudo Sobre Minha Mãe”.
cultura 17
hoje macau terça-feira 15.10.2013
JOÃO TORDO, O PRIMEIRO AUTOR PORTUGUÊS NUMA “RESIDÊNCIA LITERÁRIA” EM XANGAI
Escritor viajante ANTÓNIO CAEIRO Agência Lusa
C
OMO os personagens dos seus livros, o romancista João Tordo viaja muito. Agora está na China, pela primeira vez, a convite da Associação de Escritores de Xangai. “Quando cheguei não tinha ideia nenhuma da China. Vim completamente virgem, mesmo à procura do choque cultural”, contou o escritor à agência Lusa. Situada na foz do Yangtze, Xangai é a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, com cerca de 23 milhões de habitantes. João Tordo chegou no final de Agosto, no âmbito
O
do programa de “residências literárias” lançado em 2008 pela Associação de Escritores de Xangai e que reuniu este ano oito autores de outros tantos países, do México à Austrália. O autor de “As Três Vidas”, o romance que proporcionou a João Tordo o Prémio José Saramago, em 2009, foi o primeiro escritor português convidado. Nos contactos com escritores chineses, Tordo constata “uma grande curiosidade acerca do Ocidente”, mas não propriamente um desejo de “ocidentalização”: “Não me parece que Xangai queira ser como Hong Kong”. O escritor português descobriu também “semelhanças incríveis”. Referindo-se
grupo de teatro em patuá Doci Papiaçam di Macau sobe ao palco a 26 de Outubro no teatro do complexo Venetian para celebrar os 20 anos do grupo e recordar vários momentos de peças passadas. “Esta celebração vai ser diferente porque não vamos apresentar uma peça nova, mas vamos recordar três momentos de peças apresentadas anteriormente, vamos recordar vídeos já apresentados e um sortido de imagens gravadas ao longo destes 20 anos”, explicou o encenador do grupo, Miguel Senna Fernandes, sem, contudo, revelar as peças ou os vídeos que serão apresentados e exibidos para criar “expectativa” a quem assistir. Ao longo do espectáculo come-
a Chen Cun, autor de um romance já traduzido em inglês (“The Elephant”), salientou: “É um escritor que podia ter nascido ao meu lado. Gostamos dos mesmos autores e abordamos a literatura da mesma maneira”. “Por causa do Nobel”, Portugal é logo associado a Saramago, mas fora dos círculos intelectuais, Cristiano Ronaldo é o nome mais conhecido: “À saída do meu prédio, há um placard com a cara do Ronaldo a fazer publicidade de um champô”, contou. Durante a “residência literária” em Xangai, que decorre até ao fim de Outubro, Tordo tem também trabalhado num novo romance, o sétimo, que deverá ser publi-
cado na próxima primavera. “Passa-se na Galiza, vai a Londres e ao Canadá, e volta a Lisboa”, adiantou. “Viajar, para mim, é fundamental. Os protagonistas dos meus romances também estão sempre a viajar e a partir”. Viajar faz parte do seu processo criativo (“preciso de conhecer um lugar para poder escrever sobre ele”, diz), mas é mais do que isso: “O escritor é um viajante. E se quer vender livros,
tem que estar numa tournée constante”. João Tordo, nascido em 1975, faz também traduções, ensina escrita criativa e escreve guiões para televisão. As vendas de livros já representam, contudo, metade dos seus rendimentos: “Antes dos 40 anos, já não é mau!”. “O Livro dos Homens sem Luz” (2004) foi o seu primeiro romance. O mais recente, “O Ano Sabático”, saiu em Fevereiro passado.
E Xangai? Também irá entrar um dia na geografia literária de João Tordo? “Só escrevo sobre os sítios depois de já não estar lá”, responde. Entretanto, vai “tomando notas e, sobretudo, observando”. “Uma coisa que me faz confusão, aqui, é a obsessão com os telemóveis”, realçou. “Já estive em muitos sítios e nunca vi nada assim. No metro ou na rua, as pessoas estão sempre a mandar mensagens”. A China é o maior mercado mundial de smartphones, estimando-se em 26,6 milhões a média de aparelhos vendidos mensalmente no país: “Até nos bares e restaurantes, há grupos de quatro ou cinco pessoas todas agarradas ao telemóvel. Parece que é difícil estar com outras pessoas sem ser através do telemóvel”. De resto, João Tordo considera que “Xangai é uma cidade magnífica”. “Arrependo-me de não ter vindo mais cedo à Ásia”, acrescenta.
DOCI PAPIAÇAM DI MACAU COMEMORAM 20 ANOS NO PRÓXIMO DIA 26
Recordar é viver no palco do Venetian morativo dos 20 anos, intitulado “20 anos. Dalé Más”, o Doci Papiaçam di Macau apresenta ainda um novo filme que vai “parodiar” a comunidade macaense, disse Miguel Senna Fernandes. “Somos macaenses, entre macaenses num espectáculo macaense. Por isso, vamos falar de nós e brincarmos também um pouco com a nossa comunidade”, explicou. Apesar do novo formato de espectáculo, Miguel Senna Fernandes acredita que aqueles que assistirem “não vão sair desilu-
didos porque são bons momentos que serão recordados e faz sempre bem recordar o passado”. Para o futuro, ou para a próxima participação no Festival de Artes de Macau em 2014, Miguel Senna Fernandes cumpre a regra, ou a tradição, de não ter ainda nenhum tema definido e lembra que ainda faltam quase três meses para acabar 2013. “Só depois da festa de natal da Associação dos Macaenses é que podemos começar a pensar num tema, mas vamos cumprir a tradição, vamos falar, ouvir as
pessoas, começar a escrever e depois vamos ajustando todo o espectáculo à medida que forem escolhidas as personagens e o texto for saindo”, garantiu. Depois de ter recebido, a título individual, uma comenda de mérito das mãos do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas pelo trabalho em prol da defesa do patuá, Miguel Senna Fernandes que além de encenador é também responsável de, praticamente, todos os textos dos Doci Papiaçam di Macau, prepara-se também
para receber em nome do grupo o Prémio Identidade do Instituto Internacional de Macau. “São distinções que nos orgulham, mas são para um conjunto de pessoas que ao longo destes 20 anos participaram de uma forma ou de outra na construção de cada espectáculo porque além daquilo que é visível no palco interpretado pelos nossos ‘actores’ há todo um trabalho atrás e antes das apresentações que é fundamental para que tudo corra bem na hora de subir ao palco”, concluiu.
PUB
Aviso Aviso de Mudança de Instalações Informa-se que a partir do dia 8 de Outubro de 2013 o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) passa a funcionar nas novas instalações do 13º Andar do Edifício FIT (Financial & Information Technology) situado no Lago Nam Van Quarteirão 5 Lote A, com o número de telefone 87913333 e mantendo-se os endereços email inalterados. RAEM, aos 8 de Outubro de 2013 Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa do Governo da Região Administrativa Especial de Macau Rita Santos
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 10 de Setembro de 2013, e nos termos definidos na Lei n.º 14/2009 (Regime das Carreiras dos Trabalhadores dos Serviços Públicos) e no Regulamento Administrativo n.º 23/2011 (Recrutamento, Selecção, e Formação para Efeitos de Acesso dos Trabalhadores dos Serviços Públicos), se acham aberto os concursos comuns externo, de ingresso, de prestação de provas, para o preenchimento das seguinte vagas: 6 vagas de técnico de 2ª classe, 1º escalão (área do planeamento urbanístico / da arquitectura); 1 vaga de técnico de 2ª classe, 1º escalão (área de relações públicas); 1 vaga de técnico de 2ª classe, 1º escalão (área de gestão de biblioteca); 1 vaga de letrado de 1ª classe, 1º escalão (área de português); 5 vagas de intérprete-tradutor de 2ª classe, 1º escalão (área de línguas chinesa e portuguesa); 10 vagas de fiscal técnico de 2ª classe, 1º escalão; 2 vagas de motorista de ligeiros, 1º escalão; 1 vaga de operário qualificado, 1º escalão (área de reparação de automóveis e motociclos).
Para mais informações, queiram consultar os avisos de abertura do concurso, publicados no Boletim Oficial da RAEM n.º 39, II Série, de 25 de Setembro de 2013, ou nesta Direcção de Serviços, sita na Estrada de D. Maria II, n.º 33, R/C, durante o horário de expediente, e visitar o website desta Direcção de Serviços www.dssopt.gov.mo. Em caso de dúvidas, queiram contactar durante o horário de expediente com a Srª Chim através do nº de telefone 8597 7652 ou a Srª Tam através do nº de telefone 8597 7694. Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, aos 17 de Setembro de 2013.
O Director dos Serviços Jaime Roberto Carion
18
DESPORTO
hoje macau terça-feira 15.10.2013
FUTEBOL SUB-19 FECHAM FASE DE QUALIFICAÇÃO SÓ COM DERROTAS
Triste adeus ao Asiático MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
T
RÊS jogos, três derrotas, zero golos marcados, catorze sofridos. A Selecção de Sub-19 que representou Macau no torneio de qualificação para o Campeonato Asiático da categoria encerrou as contas do certame no quarto e último lugar do grupo I. Depois de ter perdido por seis bolas a zero frente ao Japão na ronda inaugural da competição, a formação orientada por Tam Iao San não conseguiu evitar dois novos desaires, primeiro frente à anfitriã República Popular da China e depois no frente-a-frente contra a Malásia. A Selecção do território despediu-se do certame frente à congénere malaia, naquele que seria à partida o mais acessível dos desafios que a formação do Lótus teria de disputar na cidade continental de Jiaxing. À entrada para a última ronda da fase de qualificação, o colectivo malaio somava por derrotas os encontros disputados contra chineses e nipónicos e no braço-de-ferro com o onze da RAEM não perdoou. A forma-
ção orientada por Aminuddin Bin Hussin inaugurou o marcador logo aos doze minutos, numa iniciativa concluída pelo avançado Alif. Irfan dilatou a vantagem do colectivo malaio dez minutos depois, antes de Arif também deixar a sua marca no desafio, ao apontar o terceiro tento do encontro à passagem da primeira meia hora de jogo. Aos 34 minutos, Mohamad Raphi Bin Azizan construiu o folgado resultado com que a partida seguiu para intervalo. Com a vitória praticamente garantida, a Selecção da Malásia entrou de forma mais relaxada na etapa complementar e só a nove minutos do fim do tempo regulamentar conseguiu fazer mexer novamente o placard. O suplente Amirul encerrou o andamento do marcador ao concluir com acerto uma boa jogada de ataque do onze malaio. O triunfo da Malásia pouco mais fez do que confirmar o último lugar da Selecção do território, dois dias depois da formação orientada por Tam Iao San ter garantido um resultado promissor frente à República Popular da China. No duelo com a congénere do Continente, a Selecção de Macau conseguiu
repudiar o estigma e a humilhação de nova goleada, encaixando uma derrota por três bolas a zero. Mais do que minimizar o impacto do resultado, o onze do Lótus conseguiu adiar o primeiro tento do desafio até aos 54 minutos, quando Tang Shi bateu Lo Weng Hou pela primeira vez. O golo teve o condão de roubar momentaneamente o norte aos atletas do território e a formação da República Popular da China aproveitou a desorientação para duplicar a vantagem no minuto seguinte, numa jogada concluída pelo capitão Wang Jinxian. Wei Jingzong selou o andamento do marcador aos 67 minutos, consolidando o triunfo dos Sub-19 da China. A Selecção do Continente discutiu, de resto, com o Japão o triunfo no Grupo I de apuramento para a fase final do Campeonato Asiático do próximo ano, não conseguindo melhor que uma igualdade a um golo. O resultado bastou, no entanto, para colocar a China na fase final da competição, com o estatuto de melhor segundo posicionado da fase de qualificação. A fase decisiva do Campeonato Asiático de Sub-19 disputa-se em Abril do próximo ano, no Myanmar.
PUB
HM-1.ª vez 15-10-13 Acção Ordinária n.º
ANÚNCIO CV2-13-0066-CAO
2º Juízo Cível
AUTORES: MIU KOK KONG, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau na Rua de Évora, no. 78 a 134, Flower City – Edifício Péonia, 12º andar O; MIO VUN SIN também conhecida como MIO VUN SIN, de nacionalidade chinesa, viúva, residente em Macau na Rua de Coimbra, no. 24, Edifício Flower City Lei Ing, 23º andar L, Taipa; MIU KOK KUN, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau na Rua da Doca Seca nos. 8 a 124, Edifício The Praia, 52º andar N; MIU, CHUN, de nacionalidade chinesa, viúva, residente em Macau na Rua de Coimbra, no. 24, Edifício Flower City, Lei Seng, 23º andar L; CHAU, KAI ON, de nacionalidade chinesa, viúvo, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; CAHU, LAI SIM, de nacionalidade chinesa, viúva, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; CHAO PENG CHIO, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; CHAN CHAU, LAI HA, casada, de nacionalidade chinesa, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; CHAU LAI PENG, de nacionalidade chinesa, viúva, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; CHAU, LAI WAN BERNADETTE, casada, de nacionalidade chinesa, residente em Macau na Estrada de D. Maria II, no. 15, Edifício Golden Sea, 10º andar “B”; FOON SHUI KIM, de nacionalidade chinesa, viúva, residente em Hong Kong, Flat 4, 14/F, LUEN GAY APTS, 124-134 BELCHERS ST, WESTERN DIST; MOU LOK SUM, casado, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, Flat 4, 14/F, LUEN GAY APTS, 124-134 BELCHERS ST, WESTERN DIST; e MOU LOK KIN, solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, residente em Hong Kong, Flat 4, 14/F, LUEN GAY APTS, 124-134 BLECHERS ST, WESTERN DIST. RÉUS:
Herdeiros Incertos de CHOI-CAI-CHOU, de nacionalidade chinesa, residente que foi Macau em local que se desconhece; e Demais interessados incertos;
FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando os réus, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos, de ACÇÃO ORDINÁRIA acima identificados, apresenta pelo autor, com a cominação de que a falta de contestação não importa serem considerados reconhecidos os factos articulados pelo autor, e, ao contestar, é obrigatória a constituição de advogado, nos termos dos artigos 406º e 74º do Código Processo Civil. Na qual o autor pede que a presente acção seja julgada procedente por provada e, consequentemente: Declarar-se, para todos os efeitos legais, nomeadamente de registo, como os titulares do domínio útil do prédio sito em Macau, com o nºs 26 e 28 da Rua dos Mercadores (Taipa), com a área de 70m2, que confronta a NR/NW com a Travessa dos Mercadores SE com a Rua dos Mercadores e SW com a Rua dos Mercadores nº 24 (nº4815), descrito na Conservatória do Registo Predial sob o nº 4823, a fls. 177 verso, do livro B21, foreiro à R.A.E.M., conforme inscrição nº 270, a fls. 86, do livro FK1, inscrito na matriz predial urbana sob o nº 40432, por o haverem adquirido por usucapião. Tudo como melhor conta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua disposição. Aos 26 de Setembro de 2013.
HM-1.ª vez 15-10-13
Despejo n.º
Autora: Réu:
ANÚNCIO C1-10-0188-CPE
1º Juízo Cível
Companhia de South Bay Centro Limitada (南灣中心有限公司), com sede em Macau, na Avenida do Nordeste, s/n, Lote P, Edifício “I”. -----------------------CHOW, CHI HO, (周之豪) solteiro, maior, de nacionalidade chinesa, com última residência conhecida em Hong Kong, 9D, 165 Ichois St Ye Ennedy Town Hong Kong, ora ausente em parte incerta. -----------------------------------------------
FAZ-SE SABER que pelo 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o Réu Chow, Chi Ho (周之豪) para no prazo de QUINZE DIAS, findo o dos éditos, querendo contestar a acção supracitada, na qual a Autora pede que a presente acção ser julgada procedente, por provada e, em consequência: ------------------------------------------------------------------a) Ser decretada a cessação por resolução do contrato de arrendamento com fundamento na falta de pagamento das rendas; e -------------------------------------------------------------b) ser o Réu condenado a pagar à Autora, as rendas vencidas de Junho a Dezembro de 2006; de Janeiro a Dezembro de 2007 e de Janeiro a Março de 2008, montante de HKD189,200.00, bem como as despesas com o condomínio vencidas de Julho a Dezembro de 2006; de Janeiro a Dezembro de 2007 e de janeiro a Março de 2008, no montante de MPO$27,004.00 e respectivos juros de mora calculados desde a data do seu vencimento até à data do efectivo e integral pagamento.-------------------------------------------------------------------------------------Tudo como melhor consta do duplicado da petição inicial arquivado neste Juízo e que será entregue ao citando, logo que solicitado, e de que a falta de contestação, em caso de revelia absoluta, não importa o reconhecimento dos factos articulados pela Autora.-------------------------------É obrigatória a constituição de advogado caso seja deduzida contestação. (art.º 74º do C. P.C.M.).-------------------------------------------------------------------------------------------------------Caso pretenda beneficiar do regime geral de apoio judiciário, deverá dirigir-se ao balcão de atendimento da Comissão de Apoio Judiciário, sito na Rua do Campo, n.º 162, Edifício Administração Pública, 1.º andar, Macau, para apresentar o seu pedido, sendo que poderá pedir esclarecimentos através do telefone n.º 28533540 ou correio electrónico info@caj.gov.mo. Para o efeito, terá de comunicar ao processo a apresentação do pedido àquela Comissão, para beneficiar da interrupção do prazo processual que estiver em curso, nos termos do n.º 1, do art.º 20.º, da Lei 13/2012, de 10 de Setembro.------------------------------------------------------------------*** RAEM, 30 de Setembro de 2013.
HÓQUEI EM PATINS MACAU TERMINA EM 16.º E PORTUGAL É CAMPEÃO
Objectivos cumpridos A
Selecção de Macau de hóquei em patins terminou, com uma derrota, a participação no Mundial sub-20 da modalidade, que se disputa na Colômbia, mas com objectivos cumpridos e o nome de Macau honrado. “Fica a sensação que podíamos fazer um lugar melhor, mas fizemos melhor que o objectivo pois não ficámos em último”, disse à agência Lusa António Aguiar, presidente da Associação de Patinagem de Macau, após a derrota com a Índia por 5-4, no jogo para os 15.º e 16.º lugares. António Aguiar explicou que os jogadores de Macau estavam a perder por 5-2 a cinco minutos do fim e ainda recuperaram para 5-4, mas “já não chegou”. “Aprenderam muitíssimo e ganharam excelente competitividade. O nome de Macau foi, devidamente, honrado”, garantiu. Depois de uma vitória por 10-0 com a Costa Rica, os jogadores de Macau estavam animados, mas não conseguiram impor o seu jogo. “Os jogadores estão tristes porque sabem e sentem que podiam ter conquistado um lugar melhor e, de facto, podiam, mas deram tudo e quase conseguiram. Até neste aspecto aprenderam
um pouco mais”, afirmou António Aguiar. A formação de Macau partiu para a Colômbia para aprender já que os jogadores, todos entre os 14 e os 17 anos, estavam longe do primor técnico dos seus adversários e a própria Associação de Patinagem o frisou, salientando apenas que a ida ao Mundial pretendia apenas dar experiência competitiva aos jogadores. Apenas um jogador, Bruno Pereira, capitão de equipa, tinha experiência internacional, após a participação no campeonato asiático da modalidade.
PORTUGAL NA FRENTE
A Selecção portuguesa de hóquei em patins sagrou-se campeã do mundo na categoria de sub-20 ao derrotar por 4-1 a Espanha na final da competição. Ao intervalo, Portugal vencia por 2-0 e a seis minutos do fim estava a ganhar por 4-0, consentindo apenas um golo a dois minutos do final. De acordo com os responsáveis da Selecção de Macau presentes no torneio, Portugal dominou sempre enquanto a Espanha apostava no contra-ataque, mas a defesa nacional não cometeu qualquer erro, afastando sempre as ofensivas espanholas.
VIDA
hoje macau terça-feira 15.10.2013
ALZHEIMER REVELADOS AVANÇOS NA PREVENÇÃO DA DEGENERAÇÃO NEUROLÓGICA
Cura do cada vez mais perto U MA substância produzida na universidade de Leicester, Inglaterra, testada em ratinhos, revelou-se extremamente eficaz na prevenção da morte das células cerebrais, associada a doenças como o Alzheimer, Parkinson e Huntington, avançou a BBC esta quinta-feira. Ainda que o composto não possa, para já, ser usado em humanos, esta descoberta, publicada na revista científica «Science Translational», pode ser um passo fundamental para empresas farmacêuticas desenvolverem um medicamento que possa curar a degeneração neurológica. A degeneração celular acontece quando as células são atacadas por um vírus, o que leva a uma acumulação de proteínas virais, e para impedir a disseminação do vírus, a célula atacada deixa de produzir proteínas. Mas muitas doenças degenerativas implicam a criação de proteínas «defeituosas» ou deformadas, que ao permanecerem mais tempo nas células, PUB
acabam por desligar completamente a produção de proteínas levando à morte da célula. Quando isto acontece em vários neurónios no cérebro, pode conduzir à perda de movimentos e memória, ou mesmo matar, dependendo da doença. O que o composto aplicado conseguiu foi «desligar» este sistema de defesa natural e assim impedir a degeneração dos neurónios. Os ratinhos que receberam o tratamento, e que eram portadores da doença neuro degenerativa dos priões, não mostraram qualquer sinal de tecido cerebral destruído. Já os que não receberam o composto acabariam por morrer após 12 semanas. «Eles estavam extremamente bem, foi extraordinário», disse à BBC a coordenadora da pesquisa, Giovanna Malluci. «O que é realmente animador é que pela primeira vez um composto impediu a degeneração dos neurónios.» «Ainda não é o composto que se usaria em pessoas, mas significa que podemos fazê-lo, e isso já é um começo».
No entanto, os efeitos secundários foram um problema, com o medicamento a atuar, não apenas no cérebro dos ratinhos, mas também no pâncreas, o que conduziu ao aparecimento de uma forma leve de diabetes e perda de peso.
Um medicamento que possa ser usado em humanos terá de atuar somente no cérebro, no entanto este é um ótimo ponto de partida para as empresas farmacêuticas começarem a trabalhar num medicamento.
19
Investigador português distinguido em simpósio internacional
Um investigador da Universidade do Minho foi distinguido com o Melhor Poster num simpósio internacional nos Estados Unidos ao apresentar antenas para micro dispositivos implantáveis no corpo humano que permitem intervir rápida e eficazmente no diagnóstico e tratamento de doenças. Em comunicado enviado à agência Lusa, a Universidade do Minho (UMinho) explica que o prémio atribuído Paulo Anacleto, investigador do Centro Algoritimi da Universidade do Minho (UMinho), foi entregue no âmbito do certame “Microsystems Technology: Fulfilling the Promise”, em Gaithersburg, no qual o português apresentou a investigação “3D SelfFolding Micro-Antennas”. Paulo Anacleto está a desenvolver antenas para micro dispositivos médicos implantáveis em órgãos do corpo humano, o que permitirá ao paciente e ao médico terem acesso imediato a parâmetros fisiológicos e cardíacos, através do telemóvel ou computador. “Estas micro antenas cabem num cubo com 0,5 milímetros de aresta e poderão ser integradas no sistema de comunicação entre o dispositivo médico implantado e um dispositivo externo com capacidade para receber sinais de radiofrequência”, explica Anacleto.
20 publicidade
hoje macau terรงa-feira 15.10.2013
FUTILIDADES
hoje macau terça-feira 15.10.2013
21
TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 24 MAX 28 HUM 65-95% • EURO 10.8 BAHT 0.2 YUAN 1.3
[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:30 17:30 18:30 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00
TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) TDM Desporto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Entrevista Irmãos e Irmãs Sr.4 Caminho das Índias (India - A Love Story) TDM News Portugal Aqui tão Perto Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO
RTPi 82 14:00 14:35 15:05 15:30 16:00 17:00 17:20 18:05 18:55 21:00 21:55 22:20
Telejornal Madeira Solares de Portugal Iniciativa O Nosso Tempo Bom Dia Portugal Grande Reportagem-Sic 2012 Portugueses Pelo Mundo O Teu Olhar (Telenovela) Futebol: Selecção Nacional (Sub 21) Jornal da Tarde Profissões Portugal Vai a Jogo
[
] C I N E M A SALA 1
30- FOX Sports 13:00 Sydney Darts Masters 2013 15:00 Itu World Triathlon Series - Hamburg 16:30 Issf Shooting World Cup 2013 17:00 National League Championship Series 2013 19:00 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 My Beautiful Game 21:00 Singha Football Crazy 21:30 Liga Bbva 2013/14 Highlights Levante Vs Real Madrid 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 The Ultimate Fighter 23:30 UFC 166 Primetime 31 - STAR Sports 13:00 Planet Speed 2013/14 13:30 Motorsports@ Petronas 14:00 FIA F1 World Championship 2013 Raceday Japanese Grand Prix 14:45 FIA F1 World Championship 2013 Main Race Japanese Grand Prix 16:45 FIA F1 World Championship 2013 Chequered Flag Japanese Grand Prix 17:30 International Motorsport News 2013 18:30 Rolex Grand Slam Of Show Jumping 19:00 Motorsports@ Petronas 19:30 MotoGP World Championship 2013 Main Races Malaysian Motorcycle Grand Prix 21:00 Golf Focus 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Singha Football Crazy 22:30 Golf Focus 2013 23:00 Nanshan China Masters - Day 4 Highlights 40 - FOX Movies 11:30 Taken 2 13:05 Mr. Bean’S Holiday 14:40 Safe 16:15 Kung Fu Hustle (Mand) 17:55 Scary Movie 4 19:20 The Watch 21:00 The Other Guys 22:50 The Walking Dead 00:25 The Book Of Eli 41 - HBO 12:00 Safe House 13:55 Seattle Superstorm 15:20 Finding Forrester 17:35 Muppets From Space 19:05 Charlie And The Chocolate Factory 21:00 Underworld: Awakening 22:30 Serangoon Road 23:30 Rock Of Ages 42 - Cinemax 12:20 Super 8 14:10 Saturday Night Fever 16:00 Once Upon A Time In The West 18:40 Purgatory 20:15 Catwoman 22:00 Fright Night 23:55 Rest Stop
RUSH [C]
Um filme de: Ron Howard Com: Chris Hemsworth, Daniel Bruhl 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
GRAVITY [B] CAPTAIN PHILLIPS
Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 14.30, 18.15, 21.45
Cineteatro
CAPTAIN PHILLIPS [C] Um filme de: Paul Greengrass Com: Tom Hanks 15.50
GRAVITY 3D [B]
SALA 3
ABOUT TIME [B]
Um filme de: Richard Curtis Com: Rachel McAdams, Domhnall Gleeson, Bill Nighy 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Um filme de: Alfonso Cuarón Com: Sandra Bullock, George Clooney 20.00
M A C A U [ S Ã ] A S S A D O A PENSAR EM 2014
Foto: Mário António Lameiras
• E para que, principalmente durante a Semana Dourada, as pessoas não andem para aí, em qualquer esquina, a largar os seus dejectos, já houve quem se adiantasse e colocou uma sanita na rua. Se calhar, uma ideia para o Governo ter em conta. Porque não instalar casas de banho públicas, que até podem ser de moedinha como existem noutras partes do mundo – lembro-me da cidade de Coimbra, por exemplo, que implementou esse mecanismo ainda nos anos 80.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA DOMINE O SEU METABOLISMO • Mariska Van Aaist, Jillian Michaels
Jillian Michaels, a conhecida guru do Biggest Loser, sempre foi teimosa e persistente. Apesar disso, e por causa do seu sistema endocrinológico, tornou-se uma adolescente obesa. Determinada a emagrecer, atacou os quilos a mais com horas infindáveis de ginástica. Anos mais tarde, depois de muita pesquisa científica (a autora é doutorada em Química), descobriu que todo aquele trabalho de ginásio tinha sido desnecessário. Afinal, poderia perder muito mais peso com muito menos esforço: bastava dominar o metabolismo. Foi uma revelação para Jillian, e vai ser uma revelação para si. Se quer perder peso, ter uma barriga lisa, uma pele radiosa e olhos brilhantes, o segredo está nas hormonas. Mas como? É simples, a especialista em fitness criou para si um programa em três passos. Primeiro, remova as toxinas que lhe provocam o descontrolo hormonal. Depois, e com os alimentos certos, ponha a funcionar os genes que queimam as gorduras. E, para acabar em beleza, reequilibre todo o seu corpo para acelerar o metabolismo e acabar com os quilos a mais.
EMIGRANTES • Shaun Tan
Emigrantes em busca de um futuro melhor, refugiados políticos, deslocados de guerra... Esta novela gráfica sem palavras de Shaun Tan é uma magistral homenagem a todos aqueles que empreenderam uma viagem, física e existencial, definitiva nas suas vidas. O autor privilegia o desenho sobre a palavra, deixando as imagens falarem por si mesmas. Trata-se de ilustrações sem cor, em tom de sépia, evocando fotografias antigas, e de um surpreendente realismo que se mescla com a fantasia e a metáfora visual. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
POR MIM FALO
Pu Yi
Há interesses em todos os lados Enquanto os residentes andam a pedir casas públicas ao Governo, por não terem uma habitação sua, os que moram nos edifícios privados têm os seus problemas. Os que moram na Nova Taipa é disso exemplo. Trata-se de um edifício construído por Stanley Ho e que está sempre com problemas de infiltração. Os moradores protestam face os aumentos já anunciados do condomínio e revoltam-se contra o seu presidente. De facto, criar uma comissão de condomínio deveria ser uma coisa positiva, pois iria servir para resolver os potenciais conflitos entre os moradores e a empresa de gestão do prédio. Contudo, quando uma comissão procura garantir os seus próprios interesses e daqueles que a compõem, tal resulta numa situação facilmente evitável e que pode causar ainda mais conflitos. Como eu sou um gato, custa-me a entender como é que os seres humanos se organizam neste coisa de comissões de condomínio. Isto porque eu não pago nada pela minha residência, e até a minha comida é oferecida pelos meus tios na redacção. Mas os humanos têm de pagar o condomínio todos os meses, embora o serviço oferecido não seja bom. Eu acho que os seres humanos fazem muita coisa inútil, e o condomínio é apenas um exemplo. Voltando à polémica da Nova Taipa, acredito que há interesses que foram afectados por diferentes opiniões, mas não sei de quem. Os proprietários dos apartamentos não concordam com o aumento do condomínio, e dizem que o seu presidente quer negociar com a empresa do prédio. Há ainda quem acuse o Instituto da Habitação de ter ganhos com a situação. O pior é que em Macau não há uma lei que regule todas as situações acima mencionadas e mantém-se a impunidade.
22
OPINIÃO
hoje macau terça-feira 15.10.2013
Há ladrões bons e ladrões maus? in Jornal de Notícias
M Estado de direito rege-se por princípios. Uma república das bananas sobrevive sem rei nem roque, apunhalando os seus cidadãos comuns sempre e quando for essa a conveniência dos interesses instalados. Custa admiti-lo, mas o Portugal de hoje descarta princípios basilares. O estatuto de país falido tende a ser justificação para falta de palavra e honradez, como se as decisões arbitrárias, sustentadas por um discurso demagógico e fomentador de lutas entre gerações ou classes socioeconómicas, fossem via para resolver os problemas. Consta de qualquer manual político: os impostos são a forma transversal e justa de proceder a equilíbrios na sociedade, transferindo valor económico e condições sociais dos mais para os menos abastados. Em Portugal, infelizmente, está a enveredar-se por surripiar aos mais fracos - até no poder reivindicativo. O que se está a passar no âmbito da Segurança Social é paradigmático de um país governado por gentalha capaz de tudo.
cartoon por Stephff
Custa admiti-lo, mas o Portugal de hoje descarta princípios basilares. O estatuto de país falido tende a ser justificação para falta de palavra e honradez, como se as decisões arbitrárias, sustentadas por um discurso demagógico e fomentador de lutas entre gerações ou classes socioeconómicas, fossem via para resolver os problemas
PAUL CHARLES, O LADRÃO
U
Fernando Santos
O PRAZO
Não obstante pagarem impostos, milhões de cidadãos (e empresas) contribuíram durante dezenas de anos para os cofres da Segurança Social e da CGA, sob um contrato através do qual entregaram o esforço do seu trabalho convencidos de uma série de garantias: subsídios de doença e de desemprego, reforma e, já agora, pensões de sobrevivência. Mês a mês, descontaram uma percentagem para cada uma dessas alíneas, longe de imaginarem a hipótese de serem alvo de terrorismo. E no entanto... O caso das pensões de sobrevivência atribuídas a 850 mil portugueses espelha bem o estado a que chegou o país. Apoiado por bandos de irresponsáveis politicamente corretos, o Governo anuncia cortes e tenta justificá-los em nome de uma pseudomoral: a de que, por exemplo, quem recebe dois ou três mil euros - e entregou em tempo oportuno dinheiro ao Estado a justificá-los agora - vai ficar sem uma parte. Isto é: não é tolerável roubar a carteira a um viúvo pobre mas é possível - desejável - fazê-lo a um viúvo rico! Descobriremos um dia destes, enfim, haver ladroagem boa e ladroagem má. O que se está a passar é do domínio da mais absoluta rapina, material e moral. O(s) Governo(s), a começar pelo de Paulo Portas, pode(m) tentar disfarçar, mas sem defesa possível. Tem em curso a implosão da Segurança Social, enveredando por princípios assistenciais dispensáveis. Uma contribuição paga de boa-fé jamais deve ser substituída pela admissão de condições de recurso. P.S. - O leitor subscreve um depósito a prazo com um banco a troco de x de juros anuais. Se amanhã o banco lhe disser que deixa de lhe pagar os tais juros, que tal? E se a subscrição de uma apólice de seguros automóvel for suspensa e a companhia vinculada lhe exigir que prove ser pobrezinho sob pena de não ter direito a ser indemnizado por lhe terem sacado o autorrádio? Como classificaria? É isso. Não há ladroagem de primeira e de segunda.
opinião 23
hoje macau terça-feira 15.10.2013
Ricardo Pinho
disse-me um passarinho...
twitter.com/ricardo
Todos os cuidados são paliativos.
HELDER FERNANDO
à flor da pele
I Multiplica-se o número de académicos chineses a criticarem a forma como nestes últimos anos a RAEM é conduzida oficialmente. Naturalmente, para quem vai observando o dia a dia da região e reparando em nomeações, convites, critérios de distribuição de dinheiros e atribuição de negócios, conteúdo dos discursos “políticos” e da generalidade de perguntas e respostas, as críticas regulares vindas de diferentes áreas académicas, não fornecem propriamente novidades.Alguém dúvida que a RAEM “é uma sociedade controlada e gerida por homens de negócios e”, de certo modo, “pelos casinos”? Apesar de há longo tempo Macau se apresentar ao exterior como aglomerado com pendor internacional, pelas origens de alguns dos seus residentes, pelas origens dos negócios aqui estabelecidos, pela nítida tolerância cultural, incluindo a religiosa – esta é uma matriz secular – estas questões de competências, opções e estilos governativos, devem, fundamentalmente, fazer parte importante, mesmo de rotina, do debate cultural e político, da permuta de opiniões entre os naturais, dinamizado pelas suas estruturas associativas e pelas suas elites, por exemplo, mas não apenas. Incluindo o saudável hábito de ser matéria também de cavaqueira nas suas tertúlias muito próprias. Não estou certo que faça - com a frequência e com a atenção que umas 600 mil pessoas deviam merecer. II Vivemos sendo ultrapassados em todos os minutos. Os avanços parece que imparáveis das tecnologias provocam constantemente a queda de muitas barreiras. Num instante erguem-se megacidades, transformam-se indústrias, os meios de comunicação ao dispor possuem recursos espantosos que apenas os néscios incompetentes, medrosos de serem ultrapassados, têm pavor em evoluir e potencializá-los de facto; as transmissões estão a moldar o mundo aceleradamente. É a tal globalização já sem travões. Claro que o chavão - que afinal nunca foi - da exploração capitalista selvagem, o sistema que alastra pelos continentes e que só pensa em tirar vantagem de tudo e de todos, carrega sobre as populações utilizando os suspeitos do costume, os naturais agentes com discurso parvo e inculto.
JOHN TRUMBULL, DECLARAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
Pensamento único
Nos dias de hoje, certamente que nas sociedades com algum grau civilizacional ou de crescimento, não existe uma concepção de vida ideal. Está quase tudo em movimento permanente, até o Universo. Aumentam todos os dias as expectativas. Proporcionalmente, diminui a confiança dos cidadãos nos seus regentes Como é banal e como convém. Esses fulanos e fulanas odeiam que “sempre que o homem sonha o mundo pula e avança”. III Exteriorizar pensamentos e vontades continua a ser perigoso. Propor mudanças
significativas, mesmo nos locais próprios, também. Há sociedades que estão a ser desconstruídas em favor de exércitos de cidadãos de pensamento único que é exactamente o não ter pensamento algum. O tal padrão dos normalizados, plasticizados sem coluna, sempre de bem para cima e abusos de poderzinhos para baixo; ou, para
disfarçar, serpenteados salamaleques com o veneno dos sem alma, fingindo-se de bem com tudo e todos. E vão espalhando a ideia de que, quem discorda ou não segue o seu reles figurino, é subversivo. Semeiam que os diferentes deles são tipos perigosos, não convêm. Ou convém mesmo eliminar. Quer o prezado leitor exemplos? Um dia destes falamos. Nos dias de hoje, certamente que nas sociedades com algum grau civilizacional ou de crescimento, não existe uma concepção de vida ideal. Está quase tudo em movimento permanente, até o Universo. Aumentam todos os dias as expectativas. Proporcionalmente, diminui a confiança dos cidadãos nos seus regentes. A esperança, essa, é, perdoe o leitor, a fé maior. E nem precisa que alguém a transforme em divindade.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau terça-feira 15.10.2013
PUB
CASO MADDIE SCOTLAND YARD PUBLICA RETRATO DE NOVO SUSPEITO
O rosto prioritário A
Scotland Yard divulgou, esta segunda-feira, dois retratos-robô de um homem que considera prioritário identificar no âmbito da investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann, há seis anos em Portugal. Os retratos foram desenhados com base em depoimentos e descrições de duas testemunhas diferentes, que terão visto o homem na zona da praia da Luz, no Algarve, onde a criança inglesa desapareceu, naquele dia, a 3 de Maio de 2007. O homem foi descrito como sendo de raça branca, com cabelo curto castanho e estatura média, idade entre os 20 e os 40 anos e cara sem barba, refere a Scotland Yard num comunicado da Polícia Metropolitana. A equipa que está a efectuar uma revisão do caso está a concentrar atenções naquilo que terá acontecido no espaço temporal em que terá sucedido o “rapto”, considerando assim “bastante mais significativos” os depoimentos destas testemunhas. “Embora este homem possa ou não ser a chave para desbloquear esta investigação, encontrá-lo e falar com ele é vital para nós”, afirmou o detective Andy Redwood, citado pelo comunicado. Os dois retratos serão mostrados, esta segunda-feira à noite, no programa Crimewatch da estação pública BBC, dedicado à emissão de apelos públicos para obter informação relativa a crimes em investigação pela polícia. Na emissão, além de Redwood, serão entrevistados os pais da criança, Kate e Gerry McCann, e mostrada uma reconstituição do que terá acontecido naquela noite
para tentar estimular pessoas com informação sobre este homem, a contactar a polícia. No programa será feito também um apelo às pessoas que tenham estado na Praia da Luz ou perto e que não tenham sido interrogadas pela polícia, a passar informação relevante sobre o caso. O apelo público será feito pela Scotland Yard em programas equivalentes em canais televisivos da Alemanha, Holanda e Irlanda. O detective encarregado pela investigação diz que pretende fazer o mesmo em Portugal. “Isto está longe de ser de ser a nossa única linha de investigação e haverá mais retratos robô de outras pessoas, que também temos interesse em identificar. Essas pessoas foram vistas no dia do desaparecimento de Madeleine ou nos dias anteriores”, vincou o detective. A polícia britânica diz ter a trabalhar nesta investigação, denominada “Operation Grange” cerca de 35 pessoas, contando ainda com seis elementos da directoria de Faro da Polícia Judiciária destacados para assistir nas diligências necessárias. Além de Portugal, as autoridades britânicas enviaram cartas para outros 30 países a pedir informação sobre pessoas e estão a analisar dados de telemóveis identificados como tendo estado na zona e hora do desaparecimento de Madeleine. Quarenta e uma pessoas foram classificadas pela Scotland Yard “de interesse” para a investigação, das quais um número indeterminado de portugueses e 15 britânicos, sobre as quais a polícia pensa existirem “razões para desconfiar”, nomeadamente antecedentes relacionados com pedofilia.
Nobel da Economia para Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller
O prémio Nobel da Economia 2013 foi atribuído a Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller, revelou, esta segunda-feira a academia sueca. Os três economistas norte-americanos foram distinguidos pela Academia Real das Ciências da Suécia devido à sua «análise empírica do preço dos activos». O Prémio das Ciências Económicas era o único Nobel de 2013 que ainda não tinha sido divulgado.