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TERÇA-FEIRA 15 DE JANEIRO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4211
Licença para operar
GRANDE BAÍA
PORMENORES EM FEVEREIRO PÁGINA 4
A Universidade de Ciências e Tecnologia está, desde ontem, autorizada a facultar a primeira licenciatura em medicina do território. O projecto, no entanto, não reúne consenso: há quem aplauda a aprovação do Governo e quem questione a qualidade do curso que surge, no sector privado, em antecipação ao plano da Academia Médica anunciado por Alexis Tam.
TURISMO
CIDADE ABERTA PÁGINA 6
CHINA
A BATER RECORDES PÁGINA 10
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
GRANDE PLANO
2 grande plano
15.1.2019 terça-feira
ENSINO
TRATAR-NOS DA L EITURAS de medicina obrigatória, bio-medicina e sistema respiratório, preparação de proficiência clínica, linguagem e técnicas de comunicação e medicina alternativa. São estas algumas disciplinas que fazem do currículo da primeira licenciatura em medicina do território, que irá funcionar na Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa). A licenciatura terá a duração de cinco anos, com mais um ano de estágio. A formação em medicina surge, assim, antes do projecto da Academia Médica, uma ideia que está actualmente em estudo no Conselho para os Assuntos Médicos e que foi anunciado por Alexis Tam, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.
“Espero que a universidade possa aproveitar esta oportunidade e empenhar-se bem nos trabalhos de criação da Faculdade de Medicina, para responder às expectativas da população.” CHAN IEK LAP MÉDICO E DEPUTADO
Quem está contente com esta aprovação é Chan Iek Lap, médico pediatra, mas também deputado eleito pela via indirecta pelo sector profissional. “No passado, numa sessão plenária da Assembleia Legislativa (AL), onde esteve presente o Chefe do Executivo, sabia que a MUST tinha apresentado o pedido para ter uma licenciatura em medicina há cerca de três anos e que, nessa altura, continuava sem resposta do Governo. Aí fiz a questão ao Chefe do Executivo [Chui Sai On] e obtive uma resposta positiva”, frisou. Chan Iek Lap confessou ao HM que tem vindo a acompanhar este dossier e espera “que a uni-
GOVERNO APROVA PRIMEIRA LICENCIATURA EM MEDICINA DO TERRITÓRIO
versidade possa aproveitar esta oportunidade e empenhar-se bem nos trabalhos de criação da Faculdade de Medicina, para responder às expectativas da população”. O deputado estima que a MUST demore entre três a cinco anos até receber os primeiros alunos, uma vez que terão de ser recrutados professores de diferentes áreas para constituir o corpo docente do curso. As previsões de Chan Iek Lap parecem, no entanto, estar erradas, uma vez que, de acordo com um comunicado divulgado pela MUST apenas em língua chinesa, a universidade espera receber o primeiro grupo de estudantes já em Setembro, ainda a tempo de ingressar no ano lectivo 2019/2020. Chan Iek Lap disse ainda compreender que este curso surja primeiro no ensino superior privado, deixando para segundo plano o projecto público anunciado por Alexis Tam. “O alvo de alunos [que a MUST e a Academia Médica] vão receber é bem diferente. A Faculdade de Medicina da MUST vai receber finalistas de cerca de 70 escolas secundárias de Macau. Se calhar, no início, recebe 50 alunos, e depois recebe cerca de uma centena, ou mais. Serão necessários professores e a construção de um edifício, além de ser necessário também alargar as áreas da MUST. Não se tem coragem para fazer tudo isso antes do pedido ser aprovado pelo Governo”, explicou ainda.
OS QUE CRITICAM
Rui Furtado, ex-presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa de Macau, questiona a rentabilidade e idoneidade da nova licenciatura. O médico, a exercer no privado, depois de anos a trabalhar no Centro Hospitalar Conde de São Januário, chega mesmo a defender que seria melhor estabelecer parcerias com universidades em Hong Kong para que os alunos de Macau estudassem lá medicina. “Vão fazer o curso na MUST, e do que conheço do hospital universitário não tem condições para o fazer, mas pode ser que as criem. Continuo a achar que era muito mais fácil criar condi-
ções para as pessoas fazerem a licenciatura em Hong Kong, era reconhecida a idoneidade dos cursos e as pessoas de Macau ficavam mais bem servidas.” Rui Furtado acrescenta ainda que se este curso “não vale a pena” se servir apenas como resposta aos alunos de Macau. “Para o número de pessoas que irá fazer o curso, não estou a ver como vão fazer. Um curso de medicina tem necessidades que não são iguais a
“Vão fazer o curso na MUST, e do que conheço do hospital universitário não tem condições para o fazer, mas pode ser que as criem.” RUI FURTADO MÉDICO E EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS DE LÍNGUA PORTUGUESA
um curso de direito ou de gestão. Tem de ter uma base técnica e um hospital reconhecido e idóneo, e depois tem de ter a possibilidade de dar os cursos nos anos clínicos.” O médico destaca a necessidade de existirem doentes com patologias diversificadas para que os alunos possam ter experiência com diferentes diagnósticos. “Não vejo isso numa população como a de Macau. Mas vamos ver como vão organizar isso.”
grande plano 3
terça-feira 15.1.2019
SAÚDE
É no sector privado, e não no público, que nasce a primeira licenciatura em medicina de Macau. De acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial, a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau está autorizada a operar o curso que terá a duração de seis anos. Contudo, alguns profissionais do sector questionam a qualidade e eficiência do curso desta licenciatura é que ela tenha qualidade. Não me choca [que seja primeiro criado o curso no privado], porque o projecto público deve ter condições que a Administração não tem. Não estou a ver como é que o sector público o iria fazer.”
ACADEMIA EM STANDBY
“Pode ser na MUST ou na Universidade Cidade de Macau. Não temos médicos referenciados como professores, implica muito dinheiro. E ao fim de quatro ou cinco anos a procura está esgotada.” FERNANDO GOMES MÉDICO E PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE
O sexto ano será de estágio, e para Rui Furtado a maior questão não é onde ele será realizado. “O problema dos estágios é que não são mais do que medicina tutelada, e quando as pessoas os vão fazer já tiveram uma parte prática que lhes permite fazer essa medicina tutelada. O meu problema são os anos clínicos.” Fernando Gomes, presidente da Associação dos Médicos dos Serviços de Saúde de Macau (SSM),
confessou ao HM que este curso será “um sorvedouro de dinheiro”. “Temos é de formar mais especialistas. Todos os anos são formados médicos fora de Macau e esses podem sempre regressar. Porque se vai então criar um curso de medicina? Para mim é um sorvedouro de dinheiro, ponto final. Quantas pessoas vamos formar por ano? Em quatro ou cinco anos vai-se esgotar a procura por esse curso em Macau.”
Para Fernando Gomes, o problema não está no local em que é estabelecida a licenciatura. “Pode ser na MUST ou na Universidade Cidade de Macau. Não temos médicos referenciados como professores, implica muito dinheiro. E ao fim de quatro ou cinco anos a procura está esgotada.” Rui Furtado defendeu também que os SSM não têm capacidade para administrar cursos numa academia médica. “O importante
Uma das últimas reuniões do Conselho para os Assuntos Médicos aconteceu em Julho do ano passado. À altura foi garantido que a futura Academia Médica será “uma instituição de formação, subordinada ao subsistema da direcção dos SSM”.“Como ainda não existe o regime de inscrição de médicos especialistas, os finalistas dos cursos de formação que serão administrados pela Academia Médica apenas possuem qualificação profissional, não podendo exercer actividades como médico especialista”, explicam os SSM em comunicado. Além disso, “estes médicos só poderão exercer a profissão de médico especialista após solicitarem a inscrição de médico especialista aos SSM quando estiver aprovado o Regime Legal da Qualificação e Inscrição para o Exercício de Actividade dos Profissionais de Saúde.” Actualmente, este diploma encontra-se a ser analisado pelos deputados na especialidade. No futuro, a Academia Médica “será responsável por definir e publicar formação especializada, provas e critérios de acreditação de qualificação, bem como apreciar o reconhecimento dos primeiros académicos que sejam formadores”. A academia terá um conselho profissional, com funções de órgão decisório, que inclui quatro faculdades: a de Medicina Interna (com um total de 18 especialidades), Cirurgia (com 13 especialidades), Faculdade de Medicina Comunitária (com três especialidades), e Faculdade de Medicina de Suporte, com a inclusão de seis especialidades, como patologia clínica, medicina legal e medicina nuclear, entre outras. Andreia Sofia Silva (com V.N.)
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15.1.2019 terça-feira
GRANDE BAÍA VICE-PM APONTA FINAL DE FEVEREIRO PARA DIVULGAR PLANOS
Terra à vista
O vice-primeiro-ministro chinês, Han Zheng, revelou que Pequim deu luz verde para a divulgação do plano concreto do projecto da Grande Baía. Os detalhes do programa de integração devem ser conhecidos entre o final de Fevereiro e o início de Março
N
“
ENHUM detalhe ou assunto, inclusive a protecção ambiental, ficará para trás neste plano que engloba tudo”. As palavras são Han Zheng, vice-primeiro-ministro chinês, citado pelo South China Morning Post. O responsável, que se debruça sobre os assuntos de Macau e Hong Kong, adiantou que foi dada luz verde para divulgação do documento oficial do planeamento do projecto da Grande Baía Guangdong - Hong Kong – Macau. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal da região vizinha, a divulgação do plano surge na sequência “extensivas consultas aos Governos locais”. Zhang Xiaoming, director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês, adiantou que o ano passado foi marcado pelo “grande progresso” nos trabalhos de planeamento. Em entrevista à televisão estatal CCTV no sábado, Zhang declarou que chegou a altura das autoridades se focarem na implementação das políticas de integração. Para Macau estão destinados papéis bastante familiares ao abrigo da Grande Baía, nomeadamente cumprir a função de cidade de turismo internacional e de plataforma comercial com os países de língua portuguesa. Em relação às outras três principais cidades abrangidas
– Hong Kong, Guangzhou e Shenzhen – cabe à outra região administrativa especial a função de centro internacional financeiro e comercial, assim como a missão de manter o estatuto de “hub” de transportes da região. Além disso, Hong Kong será a cidade na Grande Baía com a responsabilidade de assegurar serviços de comércio, finanças e logística para mercados “premium”. Guangzhou ocupará o papel da principal cidade nacional do interior, enquanto Shenzhen terá a seu cargo a inovação tecnológica.
QUANDO E O QUÊ
No que diz respeito a datas concretas para a divulgação do plano, o South China Morning Post aponta o dia 21 de Fevereiro como uma possibilidade forte, ou antes das reuniões anuais das mais altas esferas legislativas e consultivas chinesas marcadas para 5 de Março. Os detalhes que se aguardam são fruto da resolução de um mar de problemas técnicos, nomeadamente em questões jurídicas devido às discrepâncias entre os três ordenamentos jurídicos. Como tal, no final de Novembro, Sónia Chan mencionou a cooperação judicial no âmbito da Grande Baía. “Num primeiro passo, queremos fazer uma comunicação entre Guangdong, Hong Kong e Macau em matéria judicial. No futuro, quando for divulgado o planeamento da
Identificação Quase 6 mil de Macau, Hong Kong e Taiwan autorizados a residir em Pequim Chen Jining, dirigente autárquico da cidade de Pequim, referiu que foram tratados cerca de 5,9 mil casos de autorização de residência para os residentes de Hong Kong, Macau e Taiwan em 2018 na capital chinesa, e mais de 600 talentos do exterior obtiveram direito à residência per-
manente na China. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, durante a cerimónia de inauguração da reunião da Assembleia Popular de Pequim, o dirigente adiantou que este ano a cidade vai empenhar-se em disponibilizar mais canais para importar talentos internacionais.
Han Zheng, vice-primeiro ministro chinês “Nenhum detalhe ou assunto, inclusive a protecção ambiental, ficará para trás neste plano que engloba tudo.”
Grande Baía, e se for necessário o nosso apoio a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça vai proceder à revisão dos regimes em termos de colaboração judiciária”, frisou a secretária para a Administração e Justiça. Independentemente do que ficou firmado entre as regiões administrativas especiais e as cidades de Guangdong, Zhang Xiaoming entende que de acordo com as novas circunstâncias, Hong Kong e Macau vão manter os seus estatutos e posições intactas.
EXEMPLO JAPONÊS
O projecto da Grande Baía Guangdong - Hong Kong – Macau tem sido inúmeras vezes
20 MIL PEDIRAM IDENTIDADE CHINESA E
m entrevista à televisão estatal CCTV, Zhang Xiaoming, director do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado chinês, revelou quase 20 mil residentes de Macau pediram o cartão de identidade chinês, abrindo portas a uma vasta gama de apoios sociais. Em Hong Kong, quase 100 mil residentes pediram o mesmo documento de identificação. A “contabilidade” abrange o período temporal desde que a iniciativa foi lançada em Setembro último.
comparado a Silicon Valley. No entanto, a inspiração para a iniciativa parece estar a oriente, nomeadamente na Área da Baía de Tóquio. Aproveitando o momento de alívio nas tensas relações com o Japão, os principais actores políticos da região preparam uma visita oficial à capital nipónica em Abril. A novidade foi adiantada ao South China Morning Post por Jonathan Choi Koon-shum, presidente da Guangdong - Hong Kong - Macao Bay Area Entrepreneurs Union, que está a preparar um fórum de intercâmbio onde vão participar Chui Sai On, Carrie Lam e Ma Xingrui, Governador da província de Guangdong.
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terça-feira 15.1.2019
CRIME PEDIDO COMBATE AOS DELITOS LIGADOS AO JOGO
RAEM 20 ANOS SULU SOU PREOCUPADO COM CUSTOS DAS COMEMORAÇÕES
Festim de patacas
W
ONG Kit Cheng quer mais medidas de combate aos crimes ligados ao jogo, de acordo com uma interpelação escrita assinada pela deputada. Para Wong, o crescente número de delitos associados aos casinos preocupa a sociedade, como tal são necessárias mais medidas. A também presidente da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar avança com sugestões, entre elas o aumento da comunicação entre associações e assembleias de gestão de condomínio, assim como o policiamento comunitário. Por outro lado, “como vários dos crimes ocorridos são transfronteiriços e muitos criminosos são do exterior, as autoridades devem impedir estas pessoas de entrar no território para resolver o problema a partir da fonte”. Para este efeito, a deputada sugere que o Executivo reforce a cooperação com as autoridades do
O aumento da despesa a pretexto de comemorações como o 20.º aniversário da RAEM preocupa o deputado Sulu Sou que quer saber como vai o Governo impedir um eventual desperdício do erário público Interior da China e de Hong Kong, bem como com os serviços de migração. Wong Kit Cheng adiantou ainda que além dos crimes ligados ao jogo, a população está preocupada com a prostituição que causa “incómodos graves aos moradores nos bairros antigos”, pelo que espera que o Governo retome acções de fiscalização para prevenir o aumento desta actividade. Nesta matéria, a deputada sugere mesmo que se proceda a revisão legislativa de modo a permitir que a prostituição seja devidamente definida e que lhe sejam aplicadas sanções. V.N.
Q
UANTO vai custar aos cofres públicos assinalar os 20 anos de vida da RAEM? A pergunta é do deputado Sulu Sou que, numa interpelação escrita, pede ao Governo que faculte garantias de que não haverá lugar para um eventual desperdício do erário público. Antecipando “avultadas despesas” com as múltiplas actividades a pretexto das comemorações do 20.º aniversário da RAEM, tanto por parte de serviços públicos, como de organismos autónomos, como de instituições e associações financiadas pelo Executivo, Sulu Sou entende que as contas merecem “análise” de modo a evitar um cenário de despesismo. Dado que, à luz do Orçamento para 2019, o aumento dos gastos é “transversal” a diversos serviços públicos e organismos autónomos, o deputado pede uma estimativa global sobre o montante a ser despendido para assinalar a efeméride. Neste âmbito, Sulu Sou dá exemplos concretos, como o Gabinete de
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OSÉ Pereira Coutinho quer saber que medidas o Governo vai tomar para garantir o controlo de qualidade dos alimentos vendidos em Macau. Este é o objectivo de uma interpelação escrita em que o deputado questiona o Executivo sobre as “medidas que vão ser implementadas pelas entidades responsáveis para que haja informação mais detalhada dos produtos alimentares destinado aos consumidores no domínio da qualidade e aptidão para
serem consumidos, rotulagem quanto à produção, ingredientes adicionados, corantes, elevando-se os actuais parâmetros de segurança alimentar”. A par desta matéria, Pereira Coutinho pretende obter mais informações sobre operações de fiscalização. De acordo com o deputado, “desde 2014 que o Conselho de Consumidores tem estado a reforçar a cooperação em matéria de formação e troca de informações com a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica de Portugal com o objectivo de proteger os direitos e a segurança dos consumidores”. No entanto, para o deputado “a rotulagem dos géneros alimentícios é pouco apertada e não permite rastrear a origem dos produtos nomeadamente saber quem foi o produtor, qual o lote, quando e onde foi produzido e em que condições foram armazenadas até venda ao consumidor. Ou seja, saber todos os passos percorridos desde a produção até ao consumidor”. S.M.M.
entre outros, por causa das obras de melhoria e de renovação no Centro Cultural e no Museu de Macau, também para eventos relacionados com o 20.º aniversário da RAEM.
PAGAR A DOBRAR
A par do receio de “duplas despesas” devido “à falta de coordenação” entre serviços, o deputado coloca também a tónica no financiamento. “Como é que o Governo vai fiscalizar e garantir que a realização das actividades de comemoração do retorno pelas associações e instituições, financiadas pelo Governo, observe o princípio do não desperdício do erário público?”, questiona Sulu Sou. O deputado indagou ainda como irá o Executivo assegurar que “um mesmo projecto não seja financiado duplamente por diferentes fundos da RAEM”. Diana do Mar
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RÓMULO SANTOS
ALIMENTOS COUTINHO QUER MAIS CONTROLO DE QUALIDADE
Protocolo, Relações Públicas e Assuntos Externos, cujo valor orçamentado sobe “drasticamente” 100 milhões de patacas (ou 131,5 por cento) para 176,5 milhões de patacas, um aumento justificado com a preparação de uma série de eventos alusivos à data redonda da transferência do exercício de soberania, a 20 de Dezembro, segundo indica o deputado. Segundo o deputado este caso não é o único, dado que o orçamento da Delegação da RAEM em Pequim também cresce 11 milhões para 33,9 milhões, ou seja, mais 50,4 por cento devido a actividades para comemorar os 20 anos da RAEM, mas também os 70 anos da República Popular da China. A lista de entidades públicas que viram o orçamento ‘engrossar’ não pára por aqui, como observa o deputado: O Fundo do Desporto vai ter mais oito milhões, devido às reparações de que vai ser alvo a Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental, enquanto o Instituto Cultural, cujo orçamento leva um reforço de quase 180 milhões,
Sulu Sou “Como é que o Governo vai fiscalizar e garantir que a realização das actividades de comemoração do retorno pelas associações e instituições, financiadas pelo Governo, observe o princípio do não desperdício do erário público?”
6 sociedade
15.1.2019 terça-feira
A directora da DSAT vincou igualmente que eventuais taxas só serão aplicadas depois de se estudar muito bem os exemplos onde medidas semelhantes foram aplicadas.
MAIOR CAPACIDADE
Em relação ao número de turistas que entraram em Macau em 2018, o número vai ultrapassar os 35 milhões, porém vai ficar abaixo dos 36 milhões de visitantes. “Não chegou aos 36 milhões, mas o número final ultrapassou o anterior recorde [32,6 milhões] e as nossas expectativas. No ano passado fazíamos uma previsão de aumento entre três e cinco por cento, mas até ao fim do ano passado, salvo erro, foi um aumento de nove por cento”, revelou.
“A entrada livre de pessoas é uma forma de medir a abertura da cidade [...] É um tipo de medida que tem de ser estudado com muito cuidado.” MARIA HELENA DE SENNA FERNANDES
TURISMO LIMITAR ENTRADA DE TURISTAS AFECTA IMAGEM INTERNACIONAL DE MACAU
Conter ou não conter?
Directora dos Serviços de Turismo diz que eventual taxa de entrada ou saída do território vai ser estudada, mas realça que a medida não tem sido utilizada nas diferentes regiões como forma de controlar o número de turistas
A
directora dos Serviços de Turismo (DST), Maria Helena de Senna Fernandes, diz que a limitação do número de visitantes é uma possibilidade, mas avisa que a medida vai afectar a imagem internacional de Macau. Além disso, para a responsável pela DST, existe ainda o desafio de definir os critérios de entrada e a forma como as decisões são comunicadas às pessoas. “A limitação do número de turistas é uma possibilidade. Mas se olharmos para a aplicação deste tipo de medidas, como é que estabelecemos quem é que pode entrar em Macau? Qual vai ser o critério? E como dizemos às pessoas que
umas podem entrar e outras não?”, questionou Senna Fernandes, à margem do lançamento do evento demonstração culinária de Cidades Criativas da UNESCO, que decorre este fim-de-semana, no espaço Anim’Arte Nam Van.
“A entrada livre de pessoas é uma forma de medir a abertura da cidade. A adopção de uma medida deste género [limitações na entrada] pode ter um outro tipo de influência sobre a imagem de Macau. É um tipo de medida que
ALGUMAS QUEIXAS SOBRE HOTEL 13
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este momento, o Hotel 13 está aberto, mas apenas para convidados. O facto de ainda não ter havido uma abertura para o público gerou queixas em Macau. A situação foi explicada por Maria Helena de Senna Fernandes. “Neste momento só fizeram a abertura informal, ou seja é só para convidados. Mas eles têm licença para operar, desde o ano passado, e estão a funcionar legalmente”, começou por dizer. “Também recebemos algumas queixas sobre este tipo de funcionamento”, admitiu. Em relação à data oficial de abertura, a responsável da DST explicou que vai ter uma reunião “brevemente” com o hotel e que espera que a data de abertura seja revelada.
tem de ser estudado com muito cuidado”, avisou. Em relação a uma eventual taxa de entrada ou saída do território para os turistas que não fiquem durante uma noite em Macau, como tinha sido sugerido pela deputada Agnes Lam, Maria de Helena de Senna Fernandes mostrou-se reticente. “Estamos atentos a esta situação. Também o Japão optou por aplicar uma taxa de saída para visitantes e mesmo para a própria população [...] Mas os nossos estudos mostram que este tipo de taxas, neste momento, não são para evitar a entrada de pessoas na cidade. São mais para possibilitar da recolha de dinheiro para um melhor desenvolvimento das cidade, nas infra-estruturas”, justificou.
Este aumento foi motivado pela nova ponte, mas existem dúvidas sobre se o efeito vai durar, após passar o factor novidade. “Sobretudo em Novembro e Dezembro houve aumentos de mais de 10 por cento por causa do efeito da nova ponte. Temos de ver até quando o efeito vai continuar. Ainda estamos numa fase de novidade”, clarificou Maria Helena de Senna Fernandes. Sobre a introdução de plataformas como a Grab ou o regresso da Uber a Macau, a directora da DST sublinhou ainda que qualquer alternativa às estruturas actuais tem de cumprir com a lei. João Santos Filipe
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CECÍLIA TSE A MELHORAR
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esde 14 de Junho do ano passado que a vice-director da DST, Cecília Tse Heng Sai, está de licença sem vencimento devido a doença. O prazo aprovado prolonga-se até 13 de Junho do próximo ano. Ontem, Maria Helena de Senna Fernandes abordou a situação: “Não me cabe dizer qual é a situação [de Cecília Tse]. Mas tenho-me cruzado com ela e está muito melhor. Não sei se está recuperada, mas vejo que a condição é muito boa”, disse Maria Helena de Senna Fernandes. Sobre um eventual regresso antes do tempo, a responsável da DST deixou o ónus da decisão para a colega: “O fim da licença sem vencimento depende dela”, frisou.
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terça-feira 15.1.2019
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PROXIMADAMENTE 900 idosos aguardam actualmente por uma vaga num lar subsidiado pelo Governo. Segundo dados facultados pelo Instituto de Acção Social (IAS) ao HM, o tempo de espera ronda um ano e meio. A lista de espera deve, no entanto, continuar a engrossar em linha com o crescente envelhecimento populacional, na medida em que, à luz de projecções oficiais, a população idosa deve ascender a 16,3 por cento até 2025, tornando Macau numa sociedade envelhecida. Actualmente, um em cada dez habitantes têm idade igual ou superior a 65 anos. Para aliviar a pressão, o IAS recorda que dá a possibilidade aos idosos que integram a lista de espera de utilizarem os serviços de cuidados diurnos e domiciliários ou de ingressarem temporariamente em lares não subsidiados “de acordo com as suas necessidades concretas”. Macau dispõe actualmente de 21 lares para idosos, que oferecem um total de 2.300 vagas, dos quais 11 são subsidiados (1.800 vagas). Este ano vai ser aberto mais um lar subsidiado pelo Governo, que irá disponibilizar 140 vagas. D.M.
CRIME “AMIZADE” COM LUI CHI WOO USADA PARA BURLAS EM HONG KONG
Gato por lebre
quisesse investir mais dinheiro, era possível aumentar a qualidade da comida, disponibilizando produtos de luxo como vieiras, entre outros, e gerar lucros ainda maiores. Assim, a mulher aceitou aumentar o investimento para 210 mil dólares.
THE STRAITS TIMES
APOIO SOCIAL 900 IDOSOS AGUARDAM POR VAGA EM LARES
Um “empresário” de Hong Kong terá prometido um contrato de limpeza a uma das burladas, que seria obtido devido à relação de amizade com o fundador do grupo Galaxy
COMIDA BARATA
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nome do fundador da concessionária Galaxy, Lui Chi Woo, foi utilizado em fraudes na região vizinha. A informação foi relatada, ontem, pelo diário Apple Daily que referiu que um homem de 28 anos, chamado Patrick Lo, afirmava ser amigo próximo do empresário da Galaxy, de forma a tentar convencer as vítimas. Segundo o caso relatado ontem, o homem abordou uma mulher, identificada como Carol, nome falso por questões de anonimato, e sugeriu-lhe um investimento de 2 milhões de dólares de Hong Kong, numa empresa de limpeza de hotéis. Patrick Lo prometeu à vítima que a sua amizade com Lui Chi Woo lhe poderia garantir contratos de fornecimento de serviços de limpeza em alguns hotéis, com os lucros da empresa a serem dividos pelos dois. Perante esta proposta, a mulher acabou mesmo por transferir o montante para a conta pessoal do indivíduo. Só que o contrato de prestação de serviços, que alegadamente seria arranjado devido à amizade entre o homem e Lui Chi Woo, acabou por nunca chegar. Mas este não foi o único “negócio” em que o indivíduo burlou
Lui Chi Woo
a vítima. Foi na sequência de outro investimento, em stands de comida, que Carol percebeu que estava a ser enganada. Os dois
O Apple Daily conta que houve pelo menos outros 13 casos semelhantes, que envolverão um montante superior a 10 milhões de dólares de Hong Kong
conheceram-se no ano passado, por acaso, num parque público de Hong Kong. Nessa altura, após uma conversa de circunstância, Patrick Lo apresentou-se como especialista da restauração e falou do seu alegado passado na indústria. Após a troca de alguns contactos e visitas sobre perspectivas de negócios, em Fevereiro, Patrick Lo fez a seguinte proposta à vítima: a mulher investia cerca de 100 mil dólares de Hong Kong, num stand do Festival de Comida de Hong Kong, e os lucros eram a dividir pelos dois. Segundo Lo, o retorno estava garantido, mas se Carol
Porém, no primeiro dia do evento, Carol reparou que a qualidade da comida não era a prometida. Em vez de comida de luxo, e numa altura em que também já tinha começado o investimento para a empresa de limpeza, Patrick Lo apenas disponibilizou comida barata de Taiwan. A partir desse momento, os contactos entre Carol e o parceiro começaram a ser impossíveis, com Patrick a rejeitar qualquer chamada telefónica e ainda a bloquear a vítima nas redes sociais. Sem alternativa, Carol apresentou mesmo queixa junto das autoridades e percebeu que tinha sido burlada em ambos os negócios. Ao Apple Daily, o Grupo K. Wah, conglomerado a que pertence a concessionária Galaxy, negou a existência de qualquer ligação entre o empresário Lui Chi Woo e o burlão. A empresa prometeu ainda tomar uma acção legal caso se prove que as acções de Patrick Lo resultaram em danos na reputação e financeiros para a K. Wah. Além da história relatada, o Apple Daily conta que houve pelo menos outros 13 casos semelhantes, que envolverão um montante superior a 10 milhões de dólares de Hong Kong. João Santos Filipe
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PATRIMÓNIO IC REPORTA À POLÍCIA VIOLAÇÃO A EMBARGO DE OBRAS NO TEMPLO DE KUN IAM TONG Instituto Cultural (IC) informou ontem a polícia sobre a violação à ordem de embargo às obras levadas a cabo recentemente pelo Templo de Kun Iam Tong. Em comunicado, o IC indica que,
após as obras ilegais, o organismo emitiu uma ordem de embargo, a qual o responsável do templo prometeu respeitar rigorosamente, num encontro mantido na quarta-feira. No entanto, após uma inspecção ao
local no fim-de-semana, o IC descobriu que as obras continuavam em curso, causando danos no edifício patrimonial. Uma violação que, sublinha, constitui ilícito criminal, pelo que o IC reportou ontem os
factos às autoridades. Na mesma nota, o IC reitera que irá acompanhar estritamente o assunto e tomar diligências para efectivar as responsabilidades legais do templo na sequência da violação à ordem de embargo.
TIAGO ALCÂNTARA
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8 eventos
15.1.2019 terça-feira
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ACAU vai acolher, no próximo fim de semana, uma demonstração culinária ao ar livre protagonizada por mais de 30 ‘chefs’ de 20 cidades criativas da UNESCO, anunciou ontem o Instituto Cultural (IC). O evento é um dos destaques do “Fórum Internacional de Gastronomia”, que se realiza no território entre os dias 19 e 21 de Janeiro, dando a conhecer ao público “as novas gerações de artes culinárias das diferentes geografias”, indicou o IC em comunicado. Enquanto anfitrião, Macau irá realizar cinco demonstrações culinárias, conduzidas por três ‘chefs’ locais. Além da região administrativa especial chinesa
– que celebra este ano o 20.º aniversário – também estarão representadas no evento cidades do interior da China, Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Turquia, Espanha, Noruega, Suécia, Itália, Colômbia, México, Brasil, Panamá e Estados Unidos. As demonstrações têm lugar no próximo sábado e domingo, no espaço Anim’Arte Nam Van. Macau entrou para a Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) na área da Gastronomia a 31 de Outubro de 2017, tornando-se na terceira cidade na China, a seguir a Chengdu e Shunde, a conquistar tal feito.
RÓMULO SANTOS
GASTRONOMIA ‘CHEFS’ DE CIDADES CRIATIVAS JUNTOS EM DEMONSTRAÇÃO CULINÁRIA Após o reconhecimento, foi lançado no início de 2018 o “Ano da Gastronomia de Macau”, uma iniciativa inserida num plano a quatro anos para “forjar uma Cidade Criativa” à boleia da designação recém-atribuída. Realizado pela primeira vez em 2016, quando Macau preparava a candidatura à Rede de Cidades Criativas de Gastronomia da UNESCO, o Fórum Internacional de Gastronomia pretende ser “uma plataforma de relevo para intercâmbio e exploração de iniciativas de colaboração entre Macau, outras Cidades Criativas de Gastronomia, profissionais e académicos do ramo”.
Fundação Rui Cunha “Matineés musicales” no próximo sábado A galeria da Fundação Rui Cunha, abre portas, no próximo dia 19, às 16 horas, para uma tarde de música que conta com a participação de jovens artistas do Moon Memorial College da Universidade de Macau. “Matineés musicales” é o concerto que integra o programa de
apresentação de música e artes do colégio e será “uma oportunidade para este grupo de jovens multitalentosos e músicos iniciantes, de partilhar esta sua paixão comum pela música com o público”, refere a organização em comunicado. O evento tem entrada gratuita. PUB
Símbolos d
EFEMÉRIDE ASSOCIAÇÃO PROMOVE CONCURSO PARA ELEGER NOVOS
A Associação de Intercâmbio de Cultura Chinesa vai assinalar o 20º aniversário da RAEM com a criação de oito pontos panorâmicos que sejam exemplo do desenvolvimento. Para o efeito, a entidade lança um concurso para escolher uma de vinte sugestões
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O ano em que se comemoram os 20 anos de transferência de administração da RAEM, a Associação de intercâmbio de Cultura Chinesa vai promover um concurso para reconhecer mais oito pontos panorâmicos no território. O objectivo é definir os oito locais que mais reflictam a evolução de Macau ao longo destas duas décadas. A organização começou a trabalhar no projecto emAgosto do ano passado e foram ontem divulgados os 20 locais que vão a concurso. Os eleitos são a Fortaleza do Monte, o Jardim de Camões, a Colina da Pena, os Lagos Nam Van e Sai Van e a
eventos 9
terça-feira 15.1.2019
Viagem intemporal António Conceição Júnior fala de “Episódios da Vida Cultural de Macau no Século XX”
de progresso
S PONTOS PANORÂMICOS
Torre de Macau, a praça Flor de Lótus, a Praça de Santo Agostinho, a igreja de São Lázaro, a Rua da Felicidade, a Casa do Mandarim, O Centro de Ciência de Macau, a Praça das Portas do Cerco, a Praça do Senado, a Travessa da Paixão, o Centro Ecuménico Kun Iam, a Rua do Cunha, a Cotai Strip, a vila de Coloane, a Rocha do Dragão a Universidade de Macau e a mais Ponte HKZM.
“Os oito locais vencedores vão ainda protagonizar a marca local enquanto destino turístico e servir de inspiração para produtos a ser criados pelas indústrias criativas ”, refere a associação na apresentação do evento.
PARTICIPANTES PREMIADOS
As votações decorrem a partir do próximo dia 15, vão até ao dia 28 de Fevereiro
“Os oito locais vencedores vão ainda protagonizar a marca local enquanto destino turístico e servir de inspiração para produtos a ser criados pelas indústrias criativas.” ASSOCIAÇÃO DE INTERCÂMBIO DE CULTURA CHINESA
e são abertas a residentes e a não residentes, maiores de 12 anos. Os menores de idade têm que apresentar autorização dos encarregados de educação. Os participantes habilitam-se ainda , com o seu voto a participar em dois sorteios onde podem vir a ser premiados. A celebração da transferência de administração já é um hábito da Associação de intercâmbio de Cultura Chinesa. A primeira iniciativa teve lugar no 10º aniversário da RAEM com o lançamento do concurso “Canção de Macau”. Já no 15º aniversário a mesma entidade lançou um livro de fotografia do território sob o olhar de profissionais de Taiwan.
Fundada em 2005, a Associação de Intercâmbio de Cultura Chinesa tem desenvolvido o seu trabalho tendo em conta a posição de Macau enquanto plataforma de comunicação entre a China e o mundo. Neste sentido, é seu objectivo “unir a comunidade chinesa que se encontra espalhada por todo o mundo e promover o entendimento mútuo em campos como a arte, cultura, sociologia ou tecnologia”. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
GONÇALO LOBO PINEHRIO
A
rúbrica “Serões com História” promovida pela Fundação Rui Cunha vai abrir o ano de 2019 com “Episódios da Vida Cultural de Macau do Século XX”, uma palestra a cargo de António Conceição Júnior. A iniciativa tem lugar no próximo dia 21, pelas 18h30 e vai trazer à Praia Grande uma viagem pelas “escolhas pessoais” do orador acerca da temática. Ao HM, Conceição Júnior admite que “nunca ninguém conhece toda a vida cultural de uma cidade, sobretudo num lugar no mínimo bi-cultural” e Macau não será excepção visto que apresenta “momentos e períodos mais ricos e outros de maior pobreza da vida intelectual”. Por outro lado, “os períodos têm uma tendência para a alternância, sempre ligados à história do território”, acrescentou o orador. A título de exemplo, Conceição Júnior refere períodos históricos que marcaram a cultura de outros locais. “Os impulsos sociais e económicos são determinantes. A China dos Tang ou o Renascimento são exemplos de picos na história da China e da Itália”, disse. Questionado sobre a evolução dos episódios culturais no território, Conceição Júnior ressalva que “as perspectivas dependem muitas vezes de onde se está, se numa ‘trin-
cheira’ ou em campo aberto”, tendo em conta a sua vasta experiência profissional na área. Recorde-se que o orador foi director do Fórum de Macau, Chefe dos Serviços Recreativos e Culturais e Consultor Cultural do Leal Senado.
PLANO REAL
Para Conceição Júnior, a cultura deve não deve ser encarada como “transcendência, como alguns imaginam, mas antes um conjunto de actos de maturidade decorrente da bagagem cultural de cada um”. O facto de ser um produto concreto também não a remete para a formalidade e muito menos para “a prática burocrática”. “Há um grande equívoco quando se pensa que a oficialização da cultura é que é. Não é verdade”, até porque “nenhum autor, intelectual ou artista de qualidade pode ser ‘atropelado’pelo que é oficial. A cultura não é oficial, está longe de ser propriedade de alguém ou de algo. A cultura não é um despacho, nem um exercício burocrático, e muito menos a burocracia pode ser uma canga”, remata. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
Distinção Tertuliano de Senna Fernandes embaixador de gastronomia no sul da China
Tertuliano de Senna Fernandes foi distinguido como embaixador de gastronomia no sul da China, segundo um comunicado enviado ontem à comunicação social. A distinção é o resultado do concurso
“King of Gastronomy in South of China” organizado pela Estação de televisão de Zhujiang e pelo Comité de Cantão. Foi há 14 anos que o ‘Chef’ Tertuliano de Senna Fernandes começou a fazer formações na área da gastronomia na República Popular da China, tendo trabalhado no continente e, posteriormente, em Macau. “A sua notoriedade levou a que começasse a ser convidado a participar em vários eventos tornando-se cada vez mais conhecido no meio, com a particularidade de ser o único macaense de ascendência portuguesa”, aponta um comunicado. Tertuliano de Senna Fernandes é Presidente da Associação de Gastronomia Internacional de Macau, instituição que se encontra na rede das Cidades Criativas da Ásia.
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15.1.2019 terça-feira
Apesar da tensão provocada pela guerra comercial entre os dois gigantes económicos mundiais, o superávit chinês com os Estados Unidos registou, em 2018, valores nunca antes atingidos
O
ECONOMIA EXPORTAÇÃO ABRANDA. SUPERAVIT COM EUA ATINGE RECORDE
Um super-valor os lucros da indústria registaram a primeira queda homóloga, de 1,8 por cento, desde Dezembro de 2015, e as vendas a retalho, o principal indicador do consumo privado, recuaram para 8,1 por cento, o ritmo mais lento desde Maio de 2003. O abrandamento coincide com o espoletar de uma guerra
comercial com Washington. Os Governos das duas maiores potências mundiais impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico, nomeadamente o plano "Made in
China 2025", que visa transformar as empresas estatais do país em importantes actores globais em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos. Os EUA consideram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os compromissos da
ritmo de crescimento do comércio externo global da China desacelerou, em 2018, enquanto o excedente da balança comercial do país com os Estados Unidos aumentou, para um novo máximo, apesar das disputas comerciais com Washington. No conjunto, as exportações da China registaram um crescimento homólogo de 7,1 por cento, para 2,5 biliões de dólares, depois de terem crescido 7,9 por cento, em 2017. As importações avançaram 12,9 por cento, para 2,1 biliões de dólares, após um aumento de 15,9 por cento, no ano anterior. O superavit do país com o resto do mundo fixou-se nos 352 mil milhões de dólares. O abrandamento na procura global por produtos chineses ocorre numa altura em que o Partido Comunista Chinês se depara com outros indicadores económicos negativos. No terceiro trimestre de 2018, a segunda maior economia mundial cresceu 6,5 por cento, o ritmo mais baixo dos últimos dez anos. Na totalidade do ano, as vendas de automóveis no país caíram 5,8 por cento, para 22,35 milhões de veículos, no primeiro declínio anual desde 1990. No mês passado, a actividade da indústria de manufactura da China contraiu-se pela primeira vez, em 19 meses, enquanto em Novembro,
U
M tribunal no leste da China julgou ontem por poligamia um agente imobiliário que se casou com três mulheres, em três anos, e conseguiu que morassem a menos de um quilómetro umas das outras. O homem, de 36 anos e natural da província de Henan, centro do país, vivia na cidade de Kunshan, em Jiangsu, e duas das três mulheres foram anteriormente suas clientes. Identificado pelo tribunal como Zhang, o homem casou com a primeira mulher em Kunshan, em 2015. O segundo
NOVOS RISCOS
As exportações chinesas para os EUA subiram 11,3 por cento, em termos homólogos, para 478.400 milhões de dólares, enquanto as exportações norte-americanas para o país aumentaram 0,7 por cento.
323,3 mil milhões de dólares, superavit comercial da China com os EUA em 2018
Já em Dezembro, as exportações para os EUA contraíram 3,5%, em comparação com o mesmo período do ano passado, depois de as taxas alfandegárias sobre cerca de 200.000 milhões de dólares de bens chineses terem entrado em vigor, no mês anterior. O porta-voz das alfandegas chinesas, Li Kuiwen, admitiu em conferência de imprensa que o ambiente externo é "complicado e austero". Li considerou o aumento do "proteccionismo e unilateralismo", uma possível desaceleração no crescimento global e um declínio no investimento internacional como os principais riscos para o comércio chinês.
Sem mãos a medir Homem julgado por poligamia após manter casamentos com três mulheres vizinhas
casamento foi na sua cidade natal, em Henan, e o terceiro na cidade natal da mulher, na província de Anhui. O crime não foi imediatamente descoberto porque as autoridades dos Assuntos Civis destas províncias não partilham do mesmo banco de dados, segundo a imprensa de Jiangsu. Zhang ganhava o equivalente a vários milhares de
China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa. As autoridades norte-americanas temem ainda perder o domínio industrial global para um país visto como rival estratégico, e cujo crescente poder na Ásia tem causado erosão na influência dos EUA na região. Ainda assim, o superavit comercial da China com os EUA atingiu o valor recorde de 323,3 mil milhões de dólares, em 2018.
euros por mês e sustentava todas as suas três "famílias", segundo relatos da imprensa. Ele arranjou forma de as três esposas viverem num raio de cerca de um quilómetro e conseguia passar tempo com as três, enquanto fingia viajar em trabalho. Durante três anos, Zhang conseguiu segurar os três
relacionamentos, uma situação que o deixou "cansado", admitiu em tribunal. "Eu gostava dele porque ele era um homem de palavra: cuidava bem do seu negócio e era muito carinhoso e cuidava de mim onde quer que eu fosse", afirmou a sua segunda esposa, identificada pelo tribunal como Chen. Aterceira esposa disse que o homem lhe ligava e enviava mensagens frequentemente.
PRINCÍPIO DO FIM
Mas o esquema de Zhang começou a desmoronar-se
em março de 2017, quando a sua segunda esposa encontrou mensagens íntimas entre ele e outra mulher. Quando ele lhe disse que ia viajar em negócios, ela seguiu-o até um complexo residencial vizinho e apanhou-o com a primeira esposa. Numa outra ocasião, Chen notou que Zhang estava constantemente a rejeitar uma chamada. Ela memorizou o número e entrou mais tarde em contacto, descobrindo que o destinatário era a terceira
mulher, grávida de um filho de Zhang. A primeira esposa divorciou-se de Zhang. As outras duas denunciaram-no à polícia, em Março do ano passado. Em Novembro, Zhang foi acusado de poligamia, uma ofensa criminal na China punível com até dois anos de prisão. Zhang alegou em tribunal não saber que manter vários casamentos constituía crime. "Vou viver com quem me perdoar e me receber depois de cumprir a minha pena", disse.
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terça-feira 15.1.2019
O
Governo chinês defendeu ontem a reputação da gigante das telecomunicações Huawei, após a detenção do director de vendas da empresa na Polónia, acusado de espionagem e, entretanto, despedido. "É um caso individual, esperamos que o lado polaco possa organizar visitas consulares, e que o julgamento decorra de acordo com a lei, e respeite os direitos e interesses legítimos da pessoa envolvida", disse a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying. O governo polaco anunciou, na sexta-feira, as detenções do cidadão chinês Wang Weijing e do polaco Piotr D., um antigo funcionário dos serviços secretos da Polónia, que trabalhou, no passado, na empresa
Defesa cerrada Governo defende reputação da Huawei após detenção de director na Polónia
de telecomunicações Orange, e que é também acusado de espionagem. Wang era o responsável pelas vendas da divisão da Huawei na Polónia e, segundo a sua página oficial na rede Linkedin, trabalhou como assistente do cônsul geral chinês na cidade de Danzigue, durante mais de quatro anos, antes de entrar para os quadros da Huawei. Questionada sobre as notícias de que a Polónia está a considerar restringir o uso dos produtos da Huawei em organismos públicos do país, a porta-voz defendeu a empresa chinesa.
“Apenas através dos factos e evidências podemos julgar quais são as empresas que representam uma ameaça à segurança nacional; acredito que a reputação da Huawei é reconhecida pelos seus parceiros e esperamos que as partes relevantes possam parar de difamar e coibir a Huawei e outras empresas chinesas.” HUA CHUNYING PORTA-VOZ DO MINISTÉRIO CHINÊS DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS
"Apenas através dos factos e evidências podemos julgar quais são as empresas que representam uma ameaça à segurança nacional; acredito que a reputação da Huawei é reconhecida pelos seus parceiros e esperamos que as partes relevantes possam parar de difamar e coibir a Huawei e outras empresas chinesas", acrescentou a porta-voz. O Governo chinês permanecerá em contacto com as autoridades polacas para acompanhar o caso, depois de membros da embaixada chinesa na Polónia se terem reunido na sexta-feira passada com membros do ministério polaco dos Negócios Estrangeiros, disse.
PORTA DE SAÍDA
A gigante das telecomunicações anunciou, entretanto, a demissão de Wang, no fim de semana, apontando que as "suas alegadas acções não têm nada a ver com a empresa", e lamentou que "o incidente em questão tenha prejudicado a reputação da Huawei". "A Huawei cumpre com todas as leis e regulamentos vigentes nos
países onde opera, e exigimos que todos os funcionários cumpram com as leis e regulamentos dos países onde residem", defendeu a empresa em comunicado. Os escritórios da Huawei e da Orange em Varsóvia foram alvo de buscas por membros da agência de contra-informação e de segurança nacional da Polónia, no âmbito da investigação, segundo as autoridades polacas.
O caso ocorre depois de, no início de dezembro, a diretora executiva da Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida no Canadá a pedido dos Estados Unidos. As autoridades dos EUA pediram ao Canadá que detivesse Meng por suspeita de que a Huawei tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.
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15.1.2019 terça-feira
HONG KONG PROVA DE AUTOMOBILISMO EM RISCO
Com fim à vista
Durante anos foi o sonho de muitos em Hong Kong, mas quatro anos depois, está a um passo do colapso. No próximo mês de Março e pela terceira vez, a ex-colónia inglesa organiza a sua prova de automobilismo, o “Hong Kong E-Prix”, um evento apenas para carros eléctricos e pontuável para o Campeonato do Mundo FIA de Fórmula E. Contudo, o contrato existente entre a Formula E Holdings e as entidades da RAE vizinha ainda não foi renovado e a continuidade do evento está posta em causa
A
renovação do contrato está dependente dos resultados das negociações em curso e uma decisão final está pendente da viabilidade económica do evento em torno do circuito citadino gizado pelo arquitecto português Rodrigo Nunes. Fonte conhecedora das negociações em curso disse ao HM que “provavelmente haverá uma decisão no próximo mês, mas tudo depende das alternativas que serão apresentadas para travar os prejuízos”, sendo
que uma das possibilidades “será encontrar um forte patrocinador para equilibrar as contas”. A competição de carros eléctricos sob a égide da Federação Internacional do Automóvel (FIA) tem um novo promotor para as provas chinesas e este poderá ter uma última palavra. Em declarações ao portal e-racing365, Alejandro Agag, fundador e director executivo do campeonato, afirmou que “o nosso promotor local na China, que é a Enova e que é propiedade da Yungfeng Capital, decide PUB
onde as corridas têm lugar dentro de certos parâmetros na China. Nós vamos ter esta época uma corrida em Sanya e estamos a pensar noutra corrida no Interior da China.” O empresário espanhol que edificou o campeonato e um dia pensou em organizar uma corrida de Fórmula E em Macau referiu também que os parceiros chineses têm
interesse em manter a prova no actual traçado de 1.86 quilómetros, que tem o local de partida na Lung Wo Road, em Admiralty. “Eles [Enova] gostam de Hong Kong e nós também gostamos de Hong Kong, mas é muito caro estar lá. Portanto, há outras opções. Mas também há hipóteses de ficar em Hong Kong,” acrescentou Agag, que admitiu que “estamos no meio de negociações, portanto é difícil saber.” Com um orçamento aproximado superior a 150 milhões de Hong Kong dólares, o evento organizado pela Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA) teve no seu primeiro ano um prejuízo de 50 milhões de dólares de Hong Kong. As duas primeiras edições foram realizadas no mês de Outubro, mas a proximidade com o Grande Prémio de Macau, que se realiza anualmente em Novembro, e alterações no calendário da competição onde corre o jovem luso António Félix da Costa passaram a prova da temporada 2018/2019 para o mês de Março.
PROBLEMA DE ESPAÇO
Não menos problemática é a falta de espaço para aumen-
tar o perímetro do circuito numa área já por si congestionada de edifícios e numa altura em que o campeonato requer uma extensão maior para os seus circuitos, com a chegada de mais construtores automóveis e equipas. Lawrence Yu Kam-kei, o presidente da Associação Automóvel de Hong Kong (HKAA), disse na passada
“Eles [Enova] gostam de Hong Kong e nós também gostamos de Hong Kong, mas é muito caro estar lá. Portanto, há outras opções. Mas também há hipóteses de ficar em Hong Kong,” acrescentou Agag, que admitiu que “estamos no meio de negociações.” ALEJANDRO AGAG FUNDADOR E DIRECTOR EXECUTIVO DO CAMPEONATO DE FÓRMULA E
semana ao South China Morning Post que “precisamos de estender o circuito para 2.2 quilómetros na próxima temporada, quando mais duas equipas vão participar no E-Prix. O circuito existente ficará demasiado cheio se aumentar o número de equipas.” O responsável da HKAA disse também que se vai sentar com o Governo local para procurar alternativas, pois a Estação de Hong Kong ocupa a parte oriental do traçado e não pode ser encerrada durante os dois dias do evento devido às ligações com o aeroporto. Uma solução poderá passar por prolongar o circuito até Wan Chai, pois a primeira parte, na Lung Wo Road, não pode seguir pela parte do túnel, tendo anteriormente a FIA recusado um traçado proposto nessa zona devido às altas velocidades que os carros poderiam atingir. A colocação de chicanes, para abrandar os carros, é uma solução a apresentar à FIA.
MENOS BILHETES
Depois de uma primeira edição aquém das expectativas, a segunda edição da prova teve uma receita maior, com oitenta e sete por cento dos lugares disponíveis a serem ocupados. Porém, o número de bilhetes disponíveis para edição deste ano do “Hong Kong E-Prix” será reduzido em cinquenta por cento. Na pretérita edição, realizada em 2017, seis mil bilhetes foram colocados à venda, mas este ano o circuito vai perder a bancada da Lung Wo Road, que dará lugar à area de paddock do troféu monomarca Jaguar I-PACE eTROPHY que será a única prova de suporte da Fórmula E em Hong Kong. Apesar deste corte substancial na bilheteira, os organizadores do evento esperam compensar, enchendo todas as outras bancadas e aumentando as actividades paralelas, convidando o público a comprar ingressos na E-Village e na nova zona de entretenimento ‘Formula E World’, que irá servir de expositor da história das corridas do campeonato, do desenvolvimento da tecnologia e que passará uma mensagem de sustentabilidade. Sérgio Fonseca
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terça-feira 15.1.2019
Gotas caem separando-nos do mundo
Amélia Vieira
Ímpar
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«Numero deus impare gaudet»
F
RASE romana que diz que os deuses amam os números ímpares, crendo então na forte probabilidade do Ano inaugural vir a ser amado por eles e talvez por todos nós. Nós, que gostamos de coisas e pessoas ímpares, pois sem dúvida que essa particularidade nos encanta e perturba muito mais que ser par, mesmo que de paridades se viva e de tráfico comercial, também, dado que: “ao par é sempre mais barato”. Mas o que é certo é que não há nada que resulte bem sem essa imponderabilidade dos ímpares, mesmo nas nossas comuns associações que não raro esbarram para sociedades aos pares, a par, e que param. O movimento. Esbarra com toda a orientação que inove a vida de modo a saber e poder ser vivida, impõe-nos funções que pouco se contornam, daí, o par explodir, ser de natureza destrutiva e de iguais desfechos. O Ano abre então neste nosso calendário, fechando a década, com o luminoso dezanove, mas, como penúltimo, ímpar, único, como súmula do ciclo quase findo, nestes períodos contemplamos a veracidade desta matéria mesmo que uma década após tendemos a esquecer. «Yung e o Tarô uma viagem arquetípica» um plano de estudo que foi feito para alcançar o conhecimento dos arcanos menores do Tarot de Marselha, composto por vinte e duas cartas, falará da jornada do herói até ao número dezanove que é o que nos interessa agora analisar, o Sol! Remetendo-nos de início para os Contos da Inocência de Blake há uma luz que nos apazigua e convida ao retorno a uma zona pouco experienciada na esfera de evolução em que nos encontramos. A noção apolínea do Ano agora em curso é um convite a todo esse diálogo de elementos não só apaziguadores como inversores a toda a ofensa severa face à natureza das coisas. Se todas as espécies de neuroses são as sombras agarrando-nos para sobreviverem a estranhas dimensões através dos nossos frágeis seres, este ano, talvez seja bom pensar nalguma providencial queda das suas influências, dado que o Sol atingindo o zénite as fulmina. Saídos das eras das molduras- de molduras penais, das molduras sociais, das molduras de ser, das molduras dos grupos, fomos saindo devagar das agrestes derivas de um processo duro e insano, e o nosso ser mais íntimo deixou de olhar de olhos abertos o grande espectro da intensa luz, feridos nos grandes cativeiros que a vida ganhara brilhos tremendos.
Pode ser de ora avante um convite ou apenas uma simples nota que convém registar, que o paradigma humano, esse, se transformou, e anos bons aconteceram, “annus horribilis” pares, ímpares, primos, mas poucos nos dão de facto a alegria de um número assim, e se falarmos de uma convenção, então poder-se-ia afirmar também que tudo o é, com a grave incerteza de não se saber se algumas nos repõem a alegria, só quando as convenções se ajustam ao hábito a natureza das coisas pode ser modificada. Solar, leva-nos para casa na ideia de habitat amplo e requintado- viver num solar- ao
mesmo tempo existe neste nomear a ideia de jardim, e o jardim faz parte da estrutura simbólica do significado do arcano que nos despe dos restos mortais dos andrajos costumeiros e nos coloca livres e nus num espaço deleitoso. Entrar num mundo cercado pode significar aqui, segurança, vimos como o desventrar dos espaços ameaçaram os nossos equilíbrios e nos fizeram sentir invadidos, como a transfusão de muitos corpos habitando os mesmos lugares transformou o chão em palcos de guerra, recolher ao instante feliz não será por isso um mal, nem ousar retirar
Atravessemos o tempo com algumas reformas e mudanças na jornada do caminhante que somos, deixemos o dia lavado, as coisas ditas, as formas ser, e quando tudo for restaurado nos subtis equilíbrios, esperemos o Sol
dele todos os que o profanam na sua primeira dimensão psíquica de paraíso. De qualquer das formas há que a ele regressar. Há prerrogativas que se firmam como segredos, silenciosamente. Após toda a névoa de uma mente que não fixou um saber libertador entraremos na experiência directa com a recuperação de uma energia renovável, cuja vontade é olhar, ficar, e viver toda a alegria das coisas ao redor. Hoje mesmo havia a tal neblina fria que nos inunda de um mistério antigo, coisas de quando ainda gravitávamos na escuridão ...nós, a quem nascem guelras nos momentos em que precisamos de processar a água atmosférica e que fomos criando lianas nos fundos da alma...! Atravessemos o tempo com algumas reformas e mudanças na jornada do caminhante que somos, deixemos o dia lavado, as coisas ditas, as formas ser, e quando tudo for restaurado nos subtis equilíbrios, esperemos o Sol . Ele vai levar-nos para Casa. Fala o número, Jung, e este instante da Criança Eterna.
TEMPO
C H U VA
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FRACA
O QUE FAZER ESTA SEMANA Sexta-feira
UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00 WORKSHOP COM PUN-LEUNG KWAN Cinemateca Paixão | 10h00
Sábado
CONCERTO COM OS ALUNOS DO MOON CHUN MEMORIAL COLLEGE Fundação Rui Cunha | Das 16h00 às 17h00 WORKSHOP COM PUN-LEUNG KWAN Cinemateca Paixão | 22h00 CONCERTO NOISE ON SITE 8 LLLSD LIVE (SWEDEN) + SPECIAL GUESTS Live Music Association | Das 21h00 às 00h00
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FRINGE | MÚSICA URBANA INTERACTIVA Praça Jorge Álvares | Até 27/01
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O CARTOON STEPH 41
8 69 26 2 4 3 5 3 1 0 15 1 3 7 8 0 6 8 6 9 2 9 3 8 47 4 09 1 0 1 6 5 2 2 52 05 0 1 9 6 9 8 4 8 3 7 26 9 2 5 9 1 5 7 1 7 0 3 4 0 4 8 73 17 9 1 5 9 6 5 6 9 9 43 4 5 6 5 2 7 8 1 7 0 1 7 7 0 81 28 2 54 5 9 3 74 7 95 39 3 6 2 80 8 1 6 02 0 8 73 47 4 5
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EXPOSIÇÃO | “A STATE OF BLISS” DE ZHAO QIAN Fundação Rui Cunha | Até 21/01
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EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02 EXPOSIÇÃO | JARDIM BRILHANTE Museu de Arte de Macau | Até 24/02
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EXPOSIÇÃO | “REENCARNAÇÃO” DE ALLEN WONG Creative Macau
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C I N E M A
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48 4 9 0 5 3 1 7 2 7 6 17 0 2 2 3 71 67 06 4 0 4 8 5 9 5 4 2 95 39 63 0 6 0 7 1 8 5 5 81 08 0 7 6 9 7 9 5 2 4 5 4 3 2 2 M I N65 416534 M3A X1 781997 29H U2M0 7 0 - 995 % 9 97 8 9 2 8 2 0 6 1 3 6 5 3 5 4 4 4 09 30 3 84 78 7 15 61 6 2 8 8 6 5 17 21 42 84 8 0 3 9 1 1 6 0 0 1 56 95 29 32 3 4 78 7 73 7 2 8 4 5 9 06 0 1 93
7 4 5 3 8 2 0 6 1 9
87 8 02 0 5 1 3 5 3 6 9 6 3 69 6 5 4 0 1 8 1 2 7 60 6 89 8 4 7 4 2 3 5 3 4 3 21 2 5 0 7 6 0 6 9 8 6 74 7 0 3 2 0 2 1 8 9 8 2 5 91 39 3 7 6 7 0 4 1 30 4 3 4 6 9 8 9 2 7 5 59 5 8 27 2 41 4 03 0 5 41 4 9 8 6 07 0 32 72 7 60 36 3 5 9 5 1 4 1 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 41
4 2 1 9 5 0 7 6 3 8
UM LIVRO HOJE
1 56 5 2 49 38 43 4 9 56 94 9 06 70 7 7 1 38 53 5 2• 7 E51U0R5O0 3 8 60 16 1 6 2 73 47 4 05 0 49 34 3 40 24 2 1 98 9 75 7 8 12
40
40
42
42
5 75 4 2 7 48 1 61 36 0 80 3 3 19
DE
Diariamente
Cineteatro
37
2 6 8 0
61 2 19 4 06 98 5 73 0 37
7 9 0 5 74 6 43 8 52 1
6 54 1 05 30 19 98 7 42 3
PROBLEMA 42
2 30 6 89 27 3 94 1 5 8 8 5 27 0 3 1 9 42 4 6
81 3 14 38 2 0 9 5 6 47 70 93 82 6 7 5 1 64 59 18
98 6 51 63 5 9 7 2 0 34 37 69 08 3 2 4 0 96 85 51
9 12 5 06 91 8 20 4 7 3 3 6 40 7 1 2 4 59 8 5
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15.1.2019 terça-feira
4 83 8 0 5 4 8 6 1 2 7 3 9 0 75 7 2 1 4 3 9 2 5 82 8 31 3 6 4 90 9 1 0 6 7 8 93. 26684 B8A H T 0 . 27 5 2 Y4U 0 A N9 7 9 25 2 3 1 5 8 6 0 1 59 5 0 8 1 3 4 VIDA DE CÃO 9 6 7 5 2 28 2 67 6 6 5 0 1 7 59 5 3 7 LUFADA DE 1 60 6 4 8 9 2 4 3
AR FRESCO
4 1 7 0 69 5 82 3 18 6 2 01 4 29 98 76 37 5 13 0
30 7 3 2 06 74 58 69 1 25 45 0 36 2 59 07 3 18 1 94
63 8 9 1 0 27 5 76 94 2
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S U D O K U
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14 (f)utilidades
9 8 5 1 4 3 6 0 7 2
9 7 2 5 6 4 6 8 7 3 5 9 81 . 13 9 1 2 4 0 7 2 6 1 0 3 4 9 8 0 1 5
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Este domingo assisti ao concerto de Joyce 3 no6Centro 5 Cultural 1 9 de2Macau 7 8 DiDonato (CCM), um evento que serviu para ce4 8 7 0 2 3 1 6 lebrar o 20º aniversário desta instituição. 6 apreciadora 7 9 5de canto 1 0 Não sendo lírico,3fui 4 assistir ao concerto por mera curiosidade, 0 4 8 2 3 9 5 7 como tantas vezes faço, para descobrir 1 3Às vezes 6 surpreendo-me 4 5 7 0 coisas novas. pela 2 positiva, outras nem tanto. Este concerto 7 9 2 8 0 6 4 3 simboliza o bom trabalho que o CCM tem feito ao 9 longo2destes 1 anos 3 a6nível5cultural. 8 0 Os espectáculos estão quase sempre cheios, 8 5 0 7 4 1 6 9 o que demonstra uma enorme procura por coisas 5 novas, 0 4que9representem 7 8 uma 2 1 verdadeira lufada de ar fresco. A direcção 2 1 3 6 8 4 9 5 do Instituto Cultural (IC) tem sofrido várias mudanças num curto espaço de tempo, mas a gestão do CCM parece manter-se incólume a essas polémicas, garantindo a qualidade 8 de1sempre 7 da4sua 0programação. 2 3 9 Vinte anos depois, um projecto daAdminis9 6 3inaugurado 5 2 às 8 0da 4 tração portuguesa portas transferência de soberania de Macau para 4 9 1 0 6 7 8 3 a China está aí para durar, representando 7no 5que à2representação 3 8 1cultural 6 0 um oásis diz respeito que é procurado por todos, 1 7 5 8 9 0 2 6 portugueses e chineses. Podemos criticar 2 internacionais 3 0 6 e4latinas 9 e7os 5 as paradas concertos esquisitos que de vez em 3 8 6 9 5 4 quan1 2 do acontecem na praça do Tap Seac, que 2 a4quem 1 tenta 7 estudar 6 5ou 8 tiram o 0 silêncio ler na biblioteca 6 0 pública. 9 7 Alguns 3 5poderão 4 1 considerar isso cultura, mas não é o caso. 4 se8passa 2 para 1 os3lados9do 7 Cultura5 é o que CCM. . Andreia Sofia Silva
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KAPUSCINSKI, A HISTÓRIA DO GRANDE REPÓRTER DO SÉCULO XX | ARTUR DOMOSLAWSKI | 2019
THE POOL SALA 1
MORE THAN BLUE [B] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Gavin Lin Com: Jasper Liu, Ivy Chen 14.30, 21.30
THE POOL [C] FALADO EM TAILANDÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Ping Lumpraploeng Com: Theeradej Wongpuapan, Ratnamon Ratchiratham 16.30, 19:30 SALA 2
Com: Yuki Yamada, Asuka Saito, Honoka Matsumoto, Takara Sakumoto 14.30, 16.30, 21:30
BUMBLEBEE [B] Um filme de: Travis Knigth Com: Hailee Steinfeld, John Cena, Jorge Lendeborg Jr 19:15
Polémico pelas alegadas invenções que depositou nas suas reportagens, o polaco Ryszard Kapuscinski teve uma vida cheia como repórter, que é contada neste livro de Arthur Domoslawski, já lançado em Portugal pela editoraAssírio eAlvim. Domoslawski é também ele próprio um jornalista e decidiu lançar-se
na tarefa de explicar a vida do homem que juntou o jornalismo à literatura nos seus textos e que desbravou caminhos difíceis, associados ao período do pós-colonialismo em África. Com esta biografia, descobrimos o que é verdade e mentira na obra de Kapuscinski. Andreia Sofia Silva
SALA 3
A DOG’S WAY HOME [A] Um filme de: Charles Martin Smith Com: Bryce Dallas Howard, Ashley Judd, Alexandra Shipp 14.30, 16.30, 21:30
YOU ARE THE APPLE OF MY EYE [B]
RALPH BREAKS THE INTERNET: WRECK-IT RALPH 2 [A]
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS/INGLÊS Um filme de: Yasuo Hasegawa
FALADO EM CANTONÊS Um filme de: Rich Moore, Phil Johnson 19.15
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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terça-feira 15.1.2019
macau visto de hong kong
DAVID CHAN
LING HUA, O OLHO NO CÉU
Brinquedos perigosos
N
O passado dia 8, durante cerca de hora e meia, o tráfego aéreo foi suspenso em Heathrow, por ter sido avistado um drone a voar nas proximidades do Aeroporto. O porta-voz local declarou que tinha havido um esforço conjunto com a polícia de forma a impedir qualquer tipo de ameaça à segurança operacional do aeroporto. Por esse motivo, os voos foram todos cancelados enquanto decorriam as investigações. O Aerpporto de Heathrow é o aeroporto mais movimentado de toda a Europa, com mais de 210.000 passageiros em trânsito diariamentPouco tempo depois, no dia 19, o incidente repetiu-se no Aeroporto de Geely, obrigando ao encerramento das pistas durante três dias consecutivos. A paralização do aeroporto afectou 140.000 passageiros. As autoridades não conseguiram identificar a pessoa responsável pela operação dos drones, e ninguém assumiu a responsabilidade dos incidentes. O porta-voz do Aeroporto de Geely declarou ao Times que foram gastas milhões de libras em equipamentos anti-
-UAVcontra drones, à escala militar, mas não revelou mais detalhes. A polícia que se encontrava no Aeroporto de Heathrow declarou que os seus elementos estavam equipados com um sistema transmissor em rede, portátil e desenhado especificamente para lidar com situações relacionadas com drones. Este sistema em rede permite capturar os drones que se encontram a voar nas imediações. O sistema defensivo contra a intrusão de drones está montado noutros aeroportos britânicos. Designado por SkyWall 100 defense system, funciona através de um transmissor que se coloca ao ombro que permite paralizar o drone, lançando de seguida um dispositivo munido de uma rede, que o captura. Depois de apanhado na rede, o drone é trazido para baixo com a ajuda de um pequeno pára-quedas, que se abre para amenizar o impacto com o solo. Os episódios relacionados com drones parecem nunca mais ter fim. A 27 de Outubro, num sábado, celebrava-se a 10ª edição da “Hong Kong Wine and Food Tour”, animada por uma
exibição de drones. Mal o espectáculo começou, tinham decorrido apenas 30 segundos, foi suspenso. A assistência estranhou o ocorrido. O sistema informático detectou uma “anomalia” na exibição dos drones. O fornecedor declarou que o sinal apresentava fortes perturbações. Os drones estavam “desobedientes”. Receberam imediatamente ordem de regresso à base. Nos Estados Unidos, em Agosto, na cidade de Maryland, três homens usaram um drone para tentar introduzir produtos ilegais na prisão de Cresaptown. Em Julho, também nos EUA, um drone foi usado para transportar droga para dentro dos muros da Mansfield Correctional Institution (uma prisão no Ohio). O pacote foi largado dentro do estabelecimento correccional. No entanto, não foi apanhado pelo destinatário, mas sim por outro recluso. O episódio deu origem a um motim. No final, 200 prisioneiros foram revistados, descobrindo-se que alguns estavam na posse de drogas. Todas estas histórias demonstram que, se não houver um controlo eficaz dos drones,
Se não houver um controlo eficaz dos drones, poderemos enfrentar situações bastante complicadas. O Governo da RAE de Macau emitiu, em Setembro de 2016, a ordem administrativa No. 62/2016, uma emenda ao Regulamento de Navegação Aérea para regular a circulação de drones. É uma norma bastante restritiva ao tráfego de drones, o que é positivo
poderemos enfrentar situações bastante complicadas. O Governo da RAE de Macau emitiu, em Setembro de 2016, a ordem administrativa No. 62/2016, uma emenda ao Regulamento de Navegação Aérea para regular a circulação de drones. É uma norma bastante restritiva ao tráfego de drones, o que é positivo. No entanto, os drones continuam a voar por cima das nossas cabeças. Para garantir a segurança de todos seria melhor criar ainda maiores restrições. A saber: O sistema de registo devia ser obrigatório. Qualquer pessoa que compre, venda, dirija, ou seja proprietária de drones, devia estar registada no sistema informático central. Sempre que haja qualquer problema, será fácil descobrir a sua origem. O operador de drones deve também possuir uma licença. Para tal, será necessário ser submetido a formação e a um exame. Disso pode depender a segurança do público. O controlo remoto de aparelhos voadores pode sempre ser potencialmente perigoso. Os seguros são uma das melhores ferramentas para cobrir eventuais danos de terceiros. Por isso os utilizadores de drones deviam ser obrigados a ter os aparelhos segurados. Os eventos que impliquem grande concentração de pessoas, como competições e espectáculos aéreos, deverão ser regulados pela legislação. Em locais onde se junte muita gente deve ser proibida a utilização de drones.
Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
A paixão destrói mais preconceitos do que a filosofia. Denis Diderot
PALAVRA DO DIA
Nuvem assassina O
terça-feira 15.1.2019
ATMOSFERA ELEVADOS NÍVEIS DE POLUIÇÃO FAZEM SOAR ALARMES NA ÁSIA
O departamento de produção real de chuva e aviação agrícola afirmou estar a preparar dois aviões para criar chuvas artificiais entre terça e sexta-feira, se as condições forem adequadas. O problema da poluição do ar na Tailândia tende a aumentar e a diminuir em parte dependendo da época do ano. Pralong Dumrongthai, chefe do departamento tailandês de controlo da poluição, disse que
as soluções de longo prazo incluiriam a mudança para o uso de veículos eléctricos e gasolina de melhor qualidade, acrescentando que os padrões climáticos indicam que Banguecoque pode permanecer com má qualidade do ar até três meses.
MAIS DO MESMO
Também em Seul, capital da Coreia do Sul, registou-se um nível
EPA-EFE
S elevados níveis de poluição atmosférica estão a aumentar o alarme na Ásia, levando Banguecoque a distribuir máscaras e preparar chuvas artificiais para limpar o ar poluído e Seul a reduzir a circulação automóvel e a produção industrial. "Admito que estas são soluções temporárias, mas temos de fazer isto. Outras medidas de longo prazo também serão implementadas", referiu ontem o general da polícia de Banguecoque, Aswin Kwanmuang, numa reunião do exército, polícia do departamento de controlo da poluição. Uma nuvem de ‘smog’, uma combinação de poeira de construção, poluição automóvel e outros poluentes, permanece nos últimos dias sobre Banguecoque devido aos padrões climáticos predominantes, levando a qualidade do ar a níveis prejudiciais. O departamento tailandês de controlo da poluição indicou que estão a ser distribuídas cerca de 10.000 máscaras, pulverizadas águas para ajudar a assentar poeira e ainda um reforço do controlo de quando os camiões podem usar as ruas da cidade. Cerca de metade dos elevados níveis de PM 2,5, partículas minúsculas que podem obstruir os pulmões, foi devido às emissões de gasóleo, explicou aquele departamento.
Uma nuvem de ‘smog’, uma combinação de poeira de construção, poluição automóvel e outros poluentes, permanece nos últimos dias sobre Banguecoque devido aos padrões climáticos predominantes, levando a qualidade do ar a níveis prejudiciais
recorde de poluição atmosférica, após o índice PM 2.5 atingir 188 microgramas por metro cúbico, segundo dados recolhidos por estações de medição na capital sul-coreana. Este volume é o mais alto registado na cidade desde que as medições começaram em 2015, excedendo o recorde anterior (99 microgramas registados em 25 de março do ano passado) e mais do que sete vezes o nível de 25 microgramas recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a agência de notícias Yonhap, a poluição forçou o governo metropolitano a activar o protocolo por níveis prejudiciais, o que obrigou metade dos carros registados em Seul a não circularem, enquanto o Ministério do Meio Ambiente instruiu as fábricas termoeléctricas localizadas perto de Seul a reduzir sua produção para 80%. O governo indiano anunciou no domingo um programa de cinco anos para reduzir a poluição do ar em até 30% em relação aos níveis de 2017 nas 102 cidades mais afectadas do país. Os principais objectivos incluem a redução da queima de resíduos de campo, lenha e carvão, a limpeza da energia térmica e emissões de automóveis e a produção de tijolos, altamente poluente, e controlo da poeira da construção.
'BREXIT' GARANTIAS DA UE PODEM NÃO CHEGAR PARA CONVENCER DEPUTADOS
A
PUB
S garantias oferecidas ontem pela UE sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) poderão ser insuficientes para convencer os deputados a aprovar o acordo na terça-feira, admitiu a primeira-ministra britânica. "As cartas publicadas hoje [ontem] têm força legal e devem ser usadas para interpretar o significado do Acordo de Saída", vincou Theresa
May, num discurso em Stoke-on-Trent, no centro de Inglaterra. Porém, também admitiu compreender que "as novas garantias jurídicas e políticas contidas nas cartas de Donald Tusk e Jean-Claude Juncker não vão tão longe quanto alguns deputados gostariam". Os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu dirigiram ontem uma carta à primeira-ministra britâ-
nica na qual insistem que não estão "em posição de acordar o que quer que seja que altere ou seja inconsistente com o Acordo de Saída" celebrado entre os 27 e o Reino Unido. Ainda assim, reafirmam que, se porventura o ‘backstop' fosse alguma vez activado, total ou parcialmente, sê-lo-ia "apenas de forma temporária", até as partes chegarem a um acordo definitivo "que assegure a ausência
de uma fronteira física na ilha da Irlanda numa base permanente". Os esclarecimentos feitos por Bruxelas resultam de uma troca de cartas com a primeira-ministra britânica, através da qual Theresa May tentou sensibilizar os líderes europeus para a necessidade de esclarecimentos sobre alguns pontos no Acordo de Saída. Em resposta a jornalistas após o discurso em
Stoke-on-Trent, Theresa May disse ter feito contactos nos últimos dias e que continua a tentar convencer mais deputados do valor do acordo de saída. "Há deputados que reconhecem a importância da decisão e dizem agora que vão votar a favor do acordo, quando antes tinham manifestado dúvidas", revelou, mas não se mostrou confiante sobre se o documento vai ser aprovado na terça-feira.
ZIMBABUÉ PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS AGRAVAM CRISE
C
ENTENAS de pessoas concentraram-se ontem nas ruas da capital do Zimbabué, Harare, e na cidade de Bulayo para protestarem contra a subida dos preços dos combustíveis decretada pelo Presidente Emmerson Mnangagwa, num clima social cada vez mais tenso. Os manifestantes começaram a juntar-se ainda de madrugada e ergueram barricadas de pedras e pneus em chamas, relataram os jornalistas da agência francesa AFP. “Estamos fartos de sofrer, Mnangagwa falhou!”, desabafou um manifestante na capital. O Presidente tem sido abertamente criticado pela sua incapacidade de vencer a crise. Nos últimos 20 anos, a economia do Zimbabué não parou de encolher, estrangulada financeiramente pela falta de liquidez e inflação galopante. A situação piorou nos últimos meses quando começaram a escassear os bens essenciais, a começar pelo petróleo. Os veículos formaram longas filas de quilómetros em frentes aos postos de abastecimento de combustível vazios. Numa rara intervenção televisiva, Mnangagwa anunciou no sábado à noite que os preços da gasolina iriam aumentar duas vezes e meia, para reduzir o consumo e os negócios ilícitos relacionados com as divisas locais, as “notas de obrigação”. Num ambiente já tenso, a medida incendiou ainda mais os ânimos. A Confederação de Sindicatos do Zimbabué (ZCTU) pediu à população que parasse de trabalhar até quarta-feira, lançando um apelo nas redes sociais: “Já sofremos bastante, chegou a hora de acabar com a loucura”.