Director carlos morais josé
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s e g u n d a - f e i r a 1 4 d e s e t e m b r o d e 2 0 1 5 • ANO X V • N º 3 4 1 4
mcdonald’s
Cama dos pobres
comunidade cônsul descarta criação de conselho consultivo
O povo aqui ˜ tao perto A criação de um Conselho Consultivo no Consulado está prevista na lei portuguesa. No entanto, a formação de um grupo para dar pareceres sobre matérias que afectam a comunidade lusa nunca viu a luz do dia. Vítor
Sereno, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong afirma ser desnecessária a criação de mais um órgão burocrático, preferindo manter um diálogo permanente com diversas associações. Um caminho mais eficaz, diz.
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Agência Comercial Pico • 28721006
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reportagem
opinião
Drones sem lei Variáveis da estabilidade da RAEM david chan
sérgio de almeida correia Páginas 18-19
saúde
Médicos e enfermeiros política página
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hqualidades Assumir shitao
reportagem
Confundidos com jogadores, turistas ou vítimas de uma noite de copos, muitos são os sem-abrigo que escapam aos olhos de quem não quer ver. O IAS admite não saber dos casos de mais de uma dezena de pessoas que dormem, todos os dias, na rede de restaurantes McDonalds
“E
u tenho autorização para estar aqui”. Esta foi a primeira frase que Chan disse ao HM assim que interrompemos o seu sono. Depois de tranquilizada a questão, Chan contou-nos que “há mais de seis meses” que dorme no McDonalds da Rua do Campo. Aproveitando o facto do mais famoso restaurante de fast food estar aberto durante 24 horas, Chan, de 58 anos, vai para ali dormir. “Eu pedi ao gerente para estar aqui”, reforçou uma vez mais. Chan não tem trabalho e ainda não tem idade para receber a reforma. Quando questionado sobre se tinha casa, Chan não negou. “Tenho, na zona norte. Mas não consigo dormir lá”, explicou.
“Há pelo menos quatro pessoas que dormem cá todos os dias. Alguns chegaram há dois meses e outros estão há mais. E também temos outros que passam aqui dois ou três meses depois desaparecem durante algumas semanas ou até um mês inteiro e voltam” Lorna Funcionária de um dos restaurantes da McDonalds
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Restaurantes da McDonalds são dormitórios para muitos sem-abrigo
O tecto que não
Entre momentos de silêncio e fechar de olhos, Chan lançava breves descrições do espaço a que chama de casa. Sem janelas, sem canalização e sem um sistema de ventilação para os dias quentes desta Macau, aquele residente prefere trocar o silêncio de uma zona que muitas vezes parece morta, pelo cheiro de hambúrgueres e batatas fritas. “Às vezes como batatas, são boas”, diz-nos ensonado. Quando questionado se já tentara pedir ajuda ao Instituto de Acção Social (IAS), Chan conta que recebe “pouco mais de duas mil patacas” por mês. “Não quero que eles saibam onde eu moro”, contou ao HM, indicando que a habitação de legal pouco tem, correspondendo a uma das mais problemáticas situações que o Governo tem para resolver no território. O dia é passado entre as ruas e os parques desta cidade que nunca dorme. “Não faço nada de especial”, diz, desvalorizando. Sem querer mais interromper um sono que nos parecia profundo, passámos para a mesa do lado onde dormia um jovem de 20 anos. Ao acordá-lo, o olhar desconfiado tornou-se evidente. “Não quero falar”, disse-nos com um gesto de desagrado. Decisão que pouco durou. Em pouco minutos, Chi Kuan percebeu que não pertencíamos ao Governo, nem à polícia. “Sim, estou a dormir aqui há duas semanas”, avançou. Uma “grande discussão” com a sua família fez com que o jovem desempregado saísse de casa. “Não quero voltar e como não tenho para onde ir, venho dormir para aqui”, contou. Questionado sobre a possibilidade de receber ajuda do IAS, Chi Kuan admitiu não saber que o Governo poderia ser a solução. Ainda desconfiado, o jovem garantiu que iria procurar ajuda, mas até lá, o McDonalds é a “residência” improvisada. “Dorme aqui sempre muita gente”, tentou justificar.
Um roteiro negro
Percorrendo o roteiro de quatro restaurantes da cadeia americana, excluindo a Taipa e o Cotai, que estão abertos 24 horas, o segundo ponto de paragem foi a Avenida 24 de Junho, junto ao casino MGM. No restaurante com dois andares, seguimos para o segundo por ser mais recatado. À nossa direita encontrava-se um casal a degustar a refeição e poucas mesas à frente dois homens a dormir, um sobre a mesa e outro
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“Mesmo estando fechado aos clientes e com as luzes desligadas, aqui [no segundo piso] podem dormir e nós continuamos a trabalhar lá em baixo” Lorna Funcionária de um dos restaurantes da McDonalds
esticado no banco. As tentativas para partilharem a sua história não tiveram o fim pretendido e a observar-nos estava Lorna, a funcionária que preparava o andar para o encerramento. “Depois da meia-noite fechamos este andar e só fica a funcionar o de baixo”, explica-nos. Lorna é natural das Filipinas e trabalha naquele estabelecimento há quatro anos. “Aqueles”, indicou apontando para os dois homens com quem acabáramos de falar, “não costumam andar por cá. Nunca os tinha visto”, continua. Confrontada com a existência de sem-abrigo, a jovem funcionária não hesita em detalhar. “Sim, eu já os distingo muito bem, percebe-se logo quando são turistas, jogadores ou sem-abrigo, até pelo cheiro”, conta. Mas há outro factor – talvez o mais importante – que faz separar o turista que apenas ali está umas horas para descansar, do sem abrigo: a frequência. “Há pelo menos quatro pessoas que dormem cá todos os dias. Alguns chegaram há dois meses e outros estão há mais. E também temos outros que passam aqui dois ou três meses depois desaparecem durante algumas semanas ou até um mês inteiro e voltam”, relata. O aspecto descuidado, com roupas sujas e repetidas, faz com que a equipa perceba que aquelas pessoas entraram no seu local de trabalho com um objectivo apenas: descansar durante algumas horas. Os motivos são desconhecidos, até porque os empregados não fazem perguntas. “Não falamos com eles, fingimos que não sabemos o que vêm fazer. Mas deixamos que subam para o segundo andar. Mesmo estando fechado aos clientes e com as luzes desligadas, aqui [no segundo piso] podem dormir e nós continuamos a trabalhar lá em baixo”, explica.
“É completamente ilegal”, frisou o gerente do restaurante, sem querer adiantar mais informações. “Ele não quer problemas e por isso não gosta de falar, ele diz sempre que não podemos deixar que os sem-abrigo ou até turistas durmam nas mesas, mas o que é que vamos fazer? Sabemos que eles não têm outro sítio para ir”, acrescenta Lorna. Questionada sobre a apresentação dos casos aos IAS a resposta foi clara: “não, nunca fizemos isso”.
Histórias antigas
Na outra ponta da cidade, no Fai Chi Kei, numa mesa ao canto direito junto à grande janela que acompanha todo o restaurante, um idoso, “com mais de 60 anos”, dormia entre as folhas de um jornal e cadernos rabiscados. “Hoje não quero falar, morreu uma pessoa de quem eu gostava muito, hoje estou triste, não quero falar”, disse-nos enquanto desembrulhava um lenço de papel. Foi Man, um funcionário do turno da noite, que partilhou a história do “idoso de cabelo branco”. “Trabalho aqui há dois anos e todas as noites ele dorme aqui. Chega por volta das 22 horas e vai embora de manhã, escreve muita coisa e depois dorme. Também come, às vezes”, relata. Pormenores não sabe muitos, até porque “o senhor não fala muito”. Mas sabe que mora na zona. “Ele tinha uma casa, não sei se tem agora. Toma banho e troca sempre de roupa, mas é aqui que dorme, sempre”, acrescenta. O “senhor de cabelo branco”, conforme é tratado pelos funcionários, não é o único que ali dorme. “Agora, desde há dois meses, vem todas as noite uma mulher. É idosa. Tem mais de 65 anos. Vem tarde e dorme até muito tarde. Uma vez a nossa gerente pediu para ela ir embora, já era meio-dia”, conta. Ainda poucas informações existem sobre a senhora, mas Man conta que não tem casa e “encontrou aquele restaurante para dormir”. A viagem faz-nos seguir para a última paragem: o McDonalds da Areia Preta. Ao contrário do que se esperava, ali passam a noite três pessoas fixas. “Às
“Não os vamos mandar embora e, se eles gostam de dormir aqui, pelo menos não estão lá fora, à chuva ou ao calor” Lawrence (nome fictício) Funcionário de um dos restaurantes da McDonalds
vezes vêm mais, mas é muito raro. Temos três que todos os dias – e eu já cá trabalho há dois anos – estão aqui. Já tentámos falar com eles, mas os três têm doenças mentais e vivem no mundo deles. Dois dormem, a mulher não, nunca dorme e fala sozinha a noite toda”, explica-nos o funcionário responsável pelo turno da noite, Lawrence (nome fictício). Para o funcionário “não há forma de resolver a questão” e a equipa também não se importa. “Não os vamos mandar embora e, se eles gostam de dormir aqui, pelo menos não estão lá fora, à chuva ou ao calor”, remata. Questionado sobre as possibilidades de acolhimento que o IAS oferece, o jovem responde: “estes não são sem-abrigo normais, eles têm deficiências, estão num centro durante o dia, ou andam por aí a vaguear. A senhora troca sempre de roupa e sabemos que ela tem acompanhamento. Mas os dois idosos, e um deles tem mais de 80, nem sempre trocam de roupa. O máximo que podemos fazer é deixá-los estar aqui e mesmo assim já estamos a ir contra as regras”, remata.
Sem saber, nada a fazer
Confrontado com a existência de pessoas a dormir em restaurantes, neste caso no McDonalds, o IAS explica que sempre que tem conhecimento dos casos “dá seguimento de imediato”, através do encaminhamento dos mesmos pelas autoridades policiais e outros serviços públicos. Os casos são muitas vezes, indica, alertados pelos próprios cidadãos ou pelo “serviço extensivo ao exterior realizado pelos Centros de Acção Social do IAS e pelas organizações não-governamentais”. Ainda assim, sobre os
casos de sem-abrigo nos espaços de fast food, o IAS não confirma se sabe deles. Números oficiais indicam que neste momento existem nove casos, em todo o território, de pessoas sem-abrigo que estão a ser acompanhadas pelas entidades competentes. É da competência da Casa Corcel a prestação de acolhimento temporário aos sem-abrigo, entidade que é gerida pela Cáritas de Macau que, por sua vez, recebe um subsídio regular atribuído pelo IAS. “[A Casa Corcel] proporciona não só o serviço de acolhimento temporário às pessoas de situações de sem-abrigo, mas também o serviço de aconselhamento extensivo àquelas que dormem na rua” e que, por livre vontade, não querem sair. Em Fevereiro do presente ano, numa reportagem do HM, Olívia Ip, uma das três assistentes sociais da Casa Corcel, indicou que os problemas económicos, o aumento do custo de vida e, por sua vez, das rendas da habitação estavam a aumentar o número de sem-abrigo. “Há cada vez mais pedidos de alojamento temporário de pessoas que estão com muitas dificuldades em pagar as suas rendas”, disse ao HM. Na altura a Casa Corcel prestava apoio a 43 sem-abrigo, número que até Junho aumentou para 49. “De acordo com os dados estatísticos recolhidos até Junho de 2015, estão registados 46 utentes que usufruem dos serviços de alojamento na Casa Corcel e três utentes que usufruem do serviço de alimentação por preferirem não estar no referido centro de acolhimento”, indicou. Para além do serviço de acolhimento temporário, o IAS proporciona ainda alimentação, serviços de duches e de lavagem de roupas aos seus utentes. Filipa Araújo (com Flora Fong) filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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Política
A proposta de alteração à Lei do Erro Médico está quase concluída e será entregue à AL brevemente. A confirmação parte de Lei Chin Ion, director dos SS. Vai ser o reclamante o responsável por comprovar a existência de erro médico
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alteração à proposta de Lei do Erro Médico está quase concluída e a entrega à Assembleia Legislativa está para breve, confirma o director dos Serviços de Saúde (SS), Lei Chin Ion. A lei, recorde-se, foi aprovada em 2013 e os deputados ainda não receberam a proposta revista pelo Governo, depois de esta ter estado a ser discutida na especialidade. “A alteração da proposta da lei entrou já na fase final e está quase concluída, prevendo-se que seja entregue com a maior breve à Assembleia Legislativa para discussão”, garante um comunicado dos SS. O anúncio foi feito no passado sábado, durante uma conferência de
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s cidadãos estrangeiros com formação em Enfermagem poderão ser impedidos de exercer funções a título permanente, já que a sua presença no território enquanto profissionais só será válida mediante convite. O anúncio é de Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SS). Segundo um comunicado de ontem dos SS, a estes cidadão não será permitida a inscrição para a realização do exame de acreditação. “Foi retirada a parte sobre a participação de residentes não permanentes no exame de acreditação”, informam os SS. Lei Chin Ion explica que as alterações tiveram em conta as “disposições mais controversas”. O mesmo documento explica que foram feitas alterações ao Regime de Qualificação e Inscrição dos Profissionais de Saúde, tendo sido eliminada a participação de estrangeiros no exame que é agora obri-
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Erro Médico Diploma concluído “em breve”, diz Governo
Era uma vez uma aprovação
imprensa. O coordenador do Gabinete Jurídico dos Serviços de Saúde, RuiAmaral, aponta a obrigatoriedade das provas de erro médico serem apresentadas pelo reclamante com um dos pontos fulcrais do diploma. “Em primeiro, é o ‘ónus da prova’, cabe ao reclamante apresentar as provas e, durante a investigação, a Comissão de Perícia Médica irá colaborar com o reclamante”, destacam os SS em comunicado. É de sublinhar que estes pontos convergem com aquilo que o Governo considera serem os mais importantes ao “nível técnico”.
Mais um grupo
Atão discutida criação de uma Comissão de Perícia Médica segue mesmo para a frente e esta vai contar com a presença de especialistas do exterior
convidados pelo Executivo, “no sentido de assegurar o nível de perícia médicos em casos de erro médico”. Nova é a introdução de um Conselho para a Resolução de Litígios, grupo responsável por coordenar a comunicação entre as duas partes, quando estas optarem pela resolução directa do caso. O quarto ponto referido é o estabelecimento de um Seguro da Responsabilidade Civil para Profissional de Saúde. Tal, justifica, deve ser de compra obrigatória por parte de “todos os profissionais de saúde” no sentido de se protegerem de eventuais acusações. Fica ainda decidido que as especialidades de Obstetrícia, Ginecologia e Cirurgia Geral têm um risco mais alto por serem mais complexas que as restantes. A proposta de Lei do Erro Médico foi aprovada pela na ge-
neralidade na AL em Outubro de 2013, mas só agora os SS anunciam a sua conclusão.
Erro de diagnóstico que sai caro
A Lei do Erro Médico tem suscitado uma série de opiniões e discórdia, com representantes de várias associações médicas a questionarem a legitimidade da responsabilização dos profissionais de saúde em casos de denúncia de erro médico por parte dos doentes. Só este ano, 11 associações juntaram-se para mostrar o seu desagrado perante o conteúdo da proposta de lei. Um dos casos mais debatidos remonta a Junho passado, quando dois médicos do Hospital Kiang Wu foram condenados pelo crime de ofensa à integridade física. De acordo com as associações, a condenação oficial destes profissio-
nais vai fazer com que os restantes médicos implementem medidas de auto-proteccionismo. Ainda na semana passada o deputado Cheang Chi Keong se queixava da demora na entrega desta proposta à AL, durante o balanço dos trabalhos da passada sessão. “Entendemos os atrasos na proposta devido às mudanças dos titulares dos principais cargos, mas é raro uma Comissão não ter ainda recebido uma nova proposta depois de se ter concluído as discussões na especialidade”, frisou Cheang Chi Keong. “Os assessores jurídicos da AL já apresentaram as cláusulas que os deputados sugeriram ao Governo em Março, mas é lamentável que até ao momento não haja novidades” afirmou.
SS Enfermeiros estrangeiros só poderão trabalhar mediante convite
Controvérsias controversas gatório para o cumprimento destas funções na RAEM. Também a cláusula relativa aos tipos de licença existentes foi alterada, havendo apenas três em vez de quatro. As mudanças determinam, assim, que qualquer enfermeiro não residente fica elegível para trabalhar no território apenas a título de “licença limitada” e mediante convite. Este tipo de licença inclui a antiga
licença precária. “Foi reduzido de 4 tipos de licença para 3 tipos, integrando a licença precária na ‘licença limitada’ para ser aplicável aos profissionais de saúde não residentes na RAEM”, lê-se no comunicado. Ao contrário da proposta inicial, o exame é agora obrigatório para todos aqueles que pretenderem ser enfermeiros no território. No entanto, Lei Chin Ion
afirma que o novo documento prevê casos excepcionais, onde os profissionais que tenham já capacidade e competência comprovadas ficam isentos da realização do tal exame. Estes terão, contudo, que ser submetidos a análise pela Comissão do Regime. É igualmente eliminada a classificação de “enfermeiro registado” A questão dos seguros de responsabilidade para
os profissionais de saúde passa a estar no âmbito da Lei do Erro médico, “pelo facto de causar divergência e controvérsia sobre a sua aquisição”. Foi retirada a alínea que obriga à realização de um estágio para quem exerce funções há menos de um ano na RAEM. No entanto, o estágio continua a ser obrigatório para os recém-diplomados, mas os finalistas locais dos cursos
Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
de enfermagem, farmácia e área laboratorial verão o seu tempo de estágio encurtado, “dado que os mesmos já têm conhecimento sobre o ambiente local de prestação de cuidados de saúde”. O novo documento tem uma postura mais aberta quanto aos enfermeiros sem licenciatura: “irão ser consideradas as hipóteses de realização de formação e exames para os enfermeiros que não possuam o grau de licenciatura, oferecendo-lhes oportunidades de mobilidade ascendente nas carreiras”. L.S.M.
Diploma em consulta pública até 15 de Outubro O Conselho para os Assuntos Médicos realiza uma consulta pública sobre o Regime de Qualificação e Inscrição para o Exercício da Actividade dos Profissionais de Saúde, com fim previsto para 15 de Outubro. Esta dura um mês a partir de amanhã e prevê questões relativas à qualificação profissional, realização de exames de admissão e estágio, entre outras. “De acordo com estes serviços, não parecem existir ‘normas muito rigorosas nem limitações concretas’ ao nível da renovação da licença e do código deontológico a seguir por estes profissionais”. Esta é, assim, uma das falhas que os SS pretendem ver colmatada com um novo regime. 1As apreciações sobre os dados obtidos devem ser compiladas num relatório em meados de Novembro.
política 5
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Cônsul não cria Conselho previsto na lei, mas tem outras opções
“Entendi que podia haver algo mais eficaz”
O
Tiago Alcântara
Cônsul português, Vítor Sereno, optou por não levar adiante a criação de um Conselho Consultivo no interior do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, por considerar desnecessária a criação de mais um órgão e de mais burocracia. A criação deste grupo está prevista na lei portuguesa, que rege as representações lusas fora do país, mas Sereno assumiu um outro formato para o grupo. Formato que diz ser mais eficaz. Segundo o artigo 16 do Regulamento Consular - de 2009 – 180 dias após o início das funções do Cônsul, há que criar o chamado Conselho Consultivo da área consular, a quem compete produzir
consegue reunir com mais de 25 pessoas em vez das apenas 12 ditadas na lei. “[Assim] não há necessidade de institucionalizar mais um órgão que, a meu ver, só viria trazer confusão e burocratizar o meu relacionamento com a comunidade.” Vítor Sereno faz ainda questão de salientar que, além destas reuniões levadas a cabo por si próprio, há ainda o grupo de conselheiros das comunidades portuguesas, cujos objectivos, diz, são “em grande parte” coincidentes com o descrito para o Conselho Consultivo. “[Eles] assistem também às referidas reuniões por mim promovidas e foram eleitos com uma larga margem eleitoral, ao contrário de outras zonas do mundo”, frisa.
Gonçalo Lobo pinheiro
Está na lei portuguesa a criação de um Conselho Consultivo dentro do Consulado de Portugal, mas Vítor Sereno optou por não o criar. Isto porque, diz, a possibilidade de falar com mais pessoas representativas da comunidade, mais vezes e com maior proximidade dos portugueses é mais eficaz e menos burocrática do que o que vem na lei
Em contacto
O responsável pela representação consular de Portugal em Macau diz ainda acreditar que esta é uma forma fácil de resolver problemas directamente com a comunidade e promover resoluções. Até porque, frisa, os contactos com representantes da comunidade portuguesa são normais.
informações e pareceres sobre as matérias que afectem os portugueses no local e ainda elaborar e propor recomendações face às políticas dirigidas às comunidades portuguesas. Este Conselho seria presidido pelo Cônsul, sendo que dele fariam parte o assessor consular e até 12 elementos “representativos da comunidade portuguesa”, nomeados pelo próprio responsável consular. Ora, a ideia não agrada a Vítor Sereno, que explica ao HM a razão. “Não sendo tradição, mas principalmente por entender que 12 membros escolhidos de forma individual e exclusiva pelo Cônsul a reunirem apenas três vezes por ano é muito limitativo da representatividade da comunidade
“Tenho-me reunido de forma mensal ou bimensal, em diálogo permanente, com um conjunto significativo de representantes de associações portuguesas e de matriz portuguesa”
portuguesa nas duas regiões administrativas especiais, entendi que o espírito que presidiu à sua criação poderia ser cumprido de um modo mais eficaz, mais participativo e, sobretudo, mais regular”, começa por indicar Sereno. Assim, Sereno considerou desnecessário complicar o sistema, tendo inclusive comunicado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que não ia criar o Conselho. A alternativa é outra. “Como é do conhecimento público, tenho-me reunido de forma mensal ou bimensal, em diálogo permanente, com um conjunto significativo de representantes de associações portuguesas e de matriz portuguesa”, explica, acrescentando que, desta forma,
Segurança Social Contribuições continuam a gerar discórdia
A entidade patronal e a empregadora continuam a não chegar a acordo sobre o valor que caberá a cada parte relativamente ao aumento do montante das contribuições para o regime de segurança social. Uma vez mais, e depois de longas horas de discussão, continua sem existir concordância sobre o montante que empregados e empregadores devem dar para que o regime funcione sem a necessidade de injecção de capital pelo Governo. “Ambas as partes chegaram a um consenso em relação ao aumento para 90 patacas. Mas quanto à proporção
da contribuição, não houve consenso”, disse à Rádio Macau Lionel Leong, à margem do encontro com o Conselho Permanente Concertação Social, que pouco útil se mostrou. Indicando ainda que neste momento vive-se uma “situação de ajustamento económico”, o Secretário colocou ainda no ar a questão sobre se “será adequado aumentar o montante das contribuições”. Lionel Leong disse que o Governo tem de “estudar” de forma cautelosa. “Vamos recolher opiniões”, explicou o Secretário.
“Não há necessidade de institucionalizar mais um órgão que, a meu ver, só viria trazer confusão e burocratizar o meu relacionamento com a comunidade.” “Não deixei, sempre que a situação o aconselhou, de promover contactos e auscultar a sensibilidade de diversas personalidades da comunidade portuguesas dos mais variados sectores de actividades”, diz, acrescentando estar confiante que “estas acções têm permitido uma estreita articulação da acção do cônsul para com a comunidade, como se pretende no Regulamento [Consular]”. Sereno aponta ainda que têm decorrido desta forma de fazer as coisas diversas iniciativas dirigidas aos portugueses que cá vivem. Ao que o HM apurou, nunca terá sido criado o Conselho Consultivo no Consulado em Macau desde que foi adoptada a lei, em 2009. Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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sociedade
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Droga Cartéis colombianos podem estar a usar casinos de Macau
Wynn Desvio de dinheiro de sala VIP apresentado às autoridades
Uma sala VIP da Wynn controlada pela Dore viu serem desviados cerca de dois mil milhões de dólares de Hong Kong por uma contabilista da empresa. Os lesados já se manifestaram em frente à operadora, Lionel Leong pediu uma investigação à DICJ e a Dore apresentou queixa à polícia
L
ionel Leong afirmou já ter pedido à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos uma investigação sobre o caso do promotor de jogo que desviou milhões de dólares do casino da Wynn. Também a empresa promotora, a Dore Entertainment, já veio a público dizer que apresentou queixa à polícia sobre a funcionária que terá desviado o dinheiro. O caso veio à luz do dia na semana passada, quando mais de 30 pessoas se queixaram junta da Wynn por não conseguirem aceder ao seu dinheiro “depositado” numa sala VIP controlada pela Dore dentro do casino. Estas pessoas afirmaram haver pelo menos 60 vítimas com depósitos que ascendem pelo menos a 700 milhões de dólares de Hong Kong.
tiago alcântara
As tramas de uma contabilista
Contudo, um relatório da Daiwa Capital Markets, que trabalha para a Dore, foi tornado público na semana passada, anunciando que a empresa promotora de jogo poderá ter perdido até dois mil milhões de dólares de Hong Kong. O montante certo, diz ainda a empresa, é difícil de contabilizar.
Fraude severa
Entretanto, numa declaração emitida pela Dore, a empresa – sociedade unipessoal – confirmou que a contabilista chefe da empresa, de nome Chao Ioc Mei, “terá utilizado
Um relatório da Daiwa Capital Markets, que trabalha para a Dore, foi tornado público na semana passada, anunciando que a empresa promotora de jogo poderá ter perdido até dois mil milhões de dólares de Hong Kong a sua função e autoridade para prejudicar gravemente o interesse e dignidade da empresa”, tendo ainda “iniciado algumas actividades sem autorização e fora da suspeita da empresa”. Como se pode ler na declaração, a que o
Lionel Leong não afasta rever legisl ação Depois de questionado sobre o caso do junket do casino Wynn que desviou dinheiro do casino, o Secretário para a Economia e Finanças disse apenas não fechar a porta a possíveis revisões à legislação ligada ao Jogo. Sem dar garantias, Lionel Leong disse que esta é uma situação que pode vir a acontecer, se necessário, mas não teceu comentários específicos sobre o caso. “Temos uma lei para controlar os promotores de Jogo. Quanto à questão de saber como podem ser aperfeiçoadas as leis, especialmente para garantir o desenvolvimento saudável da indústria do Jogo, temos de acompanhar [a situação] e, caso necessário, introduzir alterações na legislação”, afirmou.
UM Número de alunos estrangeiros aumenta face a 2014
O
número de estudantes internacionais a ingressar neste ano lectivo na Universidade de Macau é de 300, verificando-se um aumento face ao ano passado. De entre os 1700 novos alunos aceites – entre um universo de nove mil - 300 deles são provenientes da Austrália, da Malásia, da Coreia do Sul, Mongólia, Timor-Leste, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Taiwan e Hong Kong. “A UM espera que esta diversidade internacional do corpo estudantil venha criar uma atmosfera multicultural vibrante no campus”,
refere a universidade em comunicado. Cerca de 12 destes novos estudantes entraram através do programa da Bolsa Grand Lotus, que determina a isenção de realização de testes e a possibilidade
de ter tutores nas suas faculdades de entrada. Outros 45 entraram através das bolsas Golden Lotus e Silver Lotus. A UM recebeu cerca de nove mil pedidos de inscrição, mas apenas 1700 tiveram oportunidade de completar uma licenciatura nesta instituição de ensino. Outros sete alunos tiveram a sua entrada aprovada através da bolsa de atletas renomados, que “pretende encorajar estes alunos a continuar os seus estudos, motivando-os a ultrapassar os seus próprios recordes, tanto atlética como academicamente”.
HM teve acesso – e datado de 11 de Setembro - o caso é tido pela empresa como “severo” e que envolve “fraude” pelo que foi feita queixa na polícia. Segundo o Jornal Ou Mun, uma vítima de apelido Tong que trabalha também como junket, afirmou que as vítimas têm prova dos depósitos e que tinha confiança na empresa. No entanto, depois de acontecer o incidente, as vítimas pediram explicação e o levantamento de dinheiro à sala VIP, que respondeu apenas “estar em reunião com a administração” e não poder resolver o problema. Outra vítima com apelido Chan afirmou que tem um depósito de 30 milhões de dólares de Hong Kong na mesma sala VIP e nunca se preocupou por a empresa “ser experiente em Macau”. A Dore Entertainment entrou no mercado de Macau em 2006 e, de acordo com o seu registo na Bolsa de Valores de Hong Kong, foi a primeira a ser escolhida como promotora das salas VIP pela Wynn Macau. O HM tentou entrar em contacto com a Wynn, mas não foi possível até ao fecho desta edição. Também não foi possível obter reacção da DICJ, por ser domingo. No sábado, os lesados apresentaram as suas queixas por carta à Wynn, numa espécie de manifestação em frente à operadora. Joana Freitas (com Flora Fong) joana.freitas@hojemacau.com.mo
Cartéis de droga colombianos podem estar a usar os casinos de Macau para fazer lavagens de dinheiro. É o que indicam documentos de um tribunal norte-americano, que diz que os grupos “utilizaram casinos chineses” para tal. Visto ser Macau o único local da China onde existem casinos e jogo legais, o território será o local “provável”, como indica a TDM. Três colombianos e uma mulher de Hong Kong foram acusados de “operarem em casinos chinesas”, via Cantão, sendo que cinco mil milhões de dólares de negócios de droga terão sido encobertos. Apenas um dos quatro acusados compareceu em tribunal. A mulher de Hong Kong enfrenta 20 anos de prisão, depois de se ter declarado culpada. As autoridades de Macau não quiseram comentar o caso à TDM. O HM tentou pedir esclarecimentos ontem, mas devido a ser domingo não foi possível.
Jogo Croupiers mudam de funções sem aviso prévio
O chefe da Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo de Macau, Pak Kin Pong, afirmou que existem croupiers que mudaram de trabalho sem que lhes tenham sido alteradas a remuneração ou as regalias. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o chefe revelou que existem membros da Casa que se queixaram de ter visto a sua posição e funções dentro da empresa alteradas, sem aviso prévio. Alguns deles foram mandados para a parte de hotel quando trabalhavam no casino e vice-versa. No entanto, Pak destacou que as operadoras não deram formação laboral aos funcionários. Embora se tenha mostrado crítico quanto a esta mudança de funções destes trabalhadores, o representante não vê este acto com preocupação, já que, disse, os croupiers continuarão a ser precisos, com a abertura de uma série de novos casinos no Cotai.
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Turismo Directora da DST desvaloriza quebra do número de visitantes
subdirectora dos Serviços de Turismo (DST), Cecilia Tse, afirmou ontem que o sector do turismo não está a sofrer com a queda no número de visitantes. Cecilia Tse rejeita a possibilidade da indústria estar em crise, assegurando que não vai ser necessário rever o orçamento do organismo. “Os nossos projectos de divulgação e promoção nesta segunda metade do ano estão dentro do orçamento apresentado para este ano, não precisamos aumentá-lo. Apenas fazemos uma gestão flexível do dinheiro e até atrasámos ou cancelámos actividades promocionais e reduzimos despesas que consideramos não serem urgentes”, disse a subdirectora, em declarações à Rádio Macau. “Por isso, não precisamos aumentar qualquer orçamento para reforçar a realização das actividades de divulgação”, explicou. A responsável adian-
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Se uma descida não assusta muita gente... A
“Os nossos projectos de divulgação e promoção nesta segunda metade do ano estão dentro do orçamento apresentado para este ano, não precisamos aumentá-lo” Cecilia Tse Subdirectora dos Serviços de Turismo
tou que a cidade continua a ser um ponto preferido de visita para os turistas e, argumentou, “vários hotéis e projectos de grande dimensão, que vão ser concluídos progressivamente entre a segunda metade deste ano e 2016” determinam isso mesmo. “O período médio de permanência dos hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros indica que Macau continua a ser atractiva enquanto cidade de turismo”, acrescentou Cecilia Tse. A número dois da DST aproveitou para referir a presença de Macau no top 10 dos destinos recomendados de uma revista da área. As declarações da responsável surgem depois de Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura se ter mostrado igualmente confiante nos números, prevendo mesmo que a percentagem de turistas vão aumentar durante a segunda metade de 2015. L.S.M.
Capacidade para mais de 500 mil turistas por dia
O Gabinete do porta-voz do Executivo assegurou ontem que a cidade tem capacidade para receber o actual número de visitantes que chegam diariamente. De acordo com comunicado, o Gabinete garante a eficiência dos serviços de passagem nas fronteiros, da gestão do tráfego automóvel e de questões de segurança. O mesmo documento aponta para uma média diária de 430 mil entradas de turistas na RAEM, com os valores de Janeiro a Agosto a apontarem para 540 mil indivíduos num só dia. Em jeito de tranquilizar a população, o Gabinete informa que pode fazer uso de informações do departamento de tráfego para ajustar roteiros de viagem, de forma a evitar a sobrelotação de certas zonas, o que por sua vez garante um dia-a-dia normalizado para os cidadãos.
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A renovação da licença do Jockey Club não teve em conta as condições a que estão sujeitos os cavalos que vivem no espaço, avança a Rádio Macau, que apurou que o Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças não fez qualquer pedido ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), organismo responsável por inspeccionar os locais que têm animais de corridas. Numa resposta escrita, o IACM confirma que, “recentemente, não recebeu qualquer pedido por parte de outros serviços públicos”. A renovação da licença foi feita na segunda-feira, em Boletim Oficial, tendo uma duração até 31 de Agosto de 2017. As condições degradadas são conhecidas do público, depois de terem sido publicadas pela imprensa local e de Hong Kong, sendo que houve já queixas da queda de um tecto que levou à lesão de um animal. De acordo com a rádio, o IACM esteve no Jockey Club no dia 20 de Agosto, para uma visita de carácter “rotineiro” e o organismo não faz comentários sobre a alegada falta de condições dos estábulos.
TV Cabo Pagamento de indemnização não veio de “reserva financeira”
O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, garantiu que o pagamento da indemnização à TV Cabo foi retirado da rubrica dedicada às “despesas comuns” do orçamento da RAEM, não tendo sido necessário ir ao cofre buscar o dinheiro. Instado a comentar o pagamento feito pelo Executivo à TV Cabo, à margem de uma cerimónia pública, o Secretário assegurou que “o montante foi suportado pela rubrica de despesas comuns do orçamento sem haver necessidade de recorrer às reservas financeiras”. O Governo viu-se obrigado a pagar 200 milhões de patacas à TV Cabo pelos prejuízos que causou ao aceitar a retransmissão ilegal de canais pelos chamados anteneiros, já que a empresa tinha um contrato de exclusividade. A decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI) era irrecorrível, como avançou há meses o Ponto Final.
Canídromo Secretário pediu estudo sobre impacto na comunidade
Decisões dependentes Lionel Leong pediu um estudo sobre o impacto do Canídromo na comunidade. Este poderá ajudar a decidir a renovação do contrato de concessão ou o término do mesmo. A ANIMA diz-se confiante com o fim do espaço
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Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, afirmou ter pedido um estudo sobre o impacto do Canídromo na comunidade residente no local onde se encontra a infra-estrutura. A informação foi dada aos jornalistas depois de una reunião com o Conselho Permanente de Concertação Social, na passada sexta-feira, sendo que Lionel Leong não adiantou data para a conclusão do estudo. “Já dei instruções à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos para pedir a uma instituição académica que faça um estudo, para saber se a permanência do Canídromo pode trazer impacto ou não para as zonas em redor, para as pessoas que vivem na zona. Depois deste estudo, vamos decidir. O processo está a andar, está em curso, o estudo já está em fase de encomenda”, disse aos jornalistas, citado pela Rádio Macau. Não se sabe qual a instituição académica que está a fazer o estudo, que deverá conter ainda, de acordo com a TDM, o impacto que a existência destas corridas de apostas tem na zona do Fai Chi Kei, um dos locais residenciais mais populosos. Ainda assim, as opiniões podem não ficar apenas pela instituição académica, já que,
KELSEY WILHELM
Jockey Club Novo contrato sem parecer sobre animais
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“Já dei instruções à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos para pedir a uma instituição académica que faça um estudo, para saber se a permanência do Canídromo pode trazer impacto ou não para as zonas em redor, para as pessoas que vivem na zona” Lionel Leong Secretário para a Economia e Finanças
em comunicado, Lionel Leong assegurou que a renovação do contrato de concessão do Canídromo “carece de auscultação de opiniões abrangentes, nomeadamente dos residentes, comerciantes e turistas da zona”.
ANIMA confiante
A licença de exploração do Canídromo tem sido alvo de intensa discussão, levando até a própria Sociedade Protectora dos Animais de Macau - ANIMA, com o apoio de associações locais e internacionais, a ter entregue uma petição, no final de Julho, exigindo a não renovação da licença. O contrato com o Canídromo termina no final do ano e a ANIMA acredita que o Governo vai ter “o bom senso” de encerrar o Canídro-
Metade por metade Um inquérito do Centro da Política da Sabedoria Colectiva que questionou cerca de mil pessoas mostra que as opiniões sobre a permanência do Canídromo são “metade a favor e outra metade contra”. Segundo o Jornal Ou Mun, o subdirector do Centro, Loi Man Keong referiu que, depois de uma análise preliminar ao inquérito, a proporção de opiniões da permanência e do fecho do Canídromo são equivalentes, uns preferindo manter por achar esta uma memória colectiva, outros a dizer que não querem o ruído e a falta de espaço na zona. O inquérito vai ser publicado oficialmente no final do mês de Setembro.
mo. Albano Martins, presidente da ANIMA, disse à TDM que está à espera disso. “O Secretário sabe qual deve ser a resposta e acredito que um académico com dois dedos de testa saiba exactamente qual é a resposta, não tem sentido, com a falta de espaço que a cidade tem, ter animais a ocuparem instalações com muitas centenas de milhares de metros quadrados”, começou por dizer. “Noventa e cinco por cento é decisão do Governo em ter coragem de dizer ‘não’ a alguns interesses, alguns dos quais demasiado cinzentos para o gosto da comunidade”.
Centro modal no local
Dois membros do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) esperam que o Governo possa transformar o Canídromo num centro modal de transportes ou em instalações para desporto e cultura. Em declarações ao Jornal Ou Mun, Lam Iek Chit e Ben Leong sugeriram alterar as funções do espaço já que, considera Lam, o negócio das corridas de galgos já não está a corresponder às necessidades económicas, além de que as associações de animais continuam a apontar que os galgos estão em sofrimento e a crueldade contra animais já não é aceite pela maioria de pessoas, pelo que acha necessário “desistir” do conceito de corridas de apostas. O responsável acrescentou que, como na zona norte existem muitas edifícios habitacionais, vai existir uma grande necessidade de instalações públicas e transportes,
“O Secretário sabe qual deve ser a resposta e acredito que um académico com dois dedos de testa saiba exactamente qual é a resposta, não tem sentido, com a falta de espaço que a cidade tem, ter animais a ocuparem instalações com muitas centenas de milhares de metros quadrados” Albano Martins Presidente da ANIMA
pelo que o espaço poderá ser melhor aproveitado. Lam Iek Chit dá como exemplo a mudança dos actuais terminais de autocarros do Fai Chi Kei e Iao Hon para o local, aliviando as estradas ocupadas actualmente pelos terminais. Ben Leong, também presidente da Associação de Arquitectos de Macau, concorda em não se renovar o contrato do Canídromo, pedindo para o espaço centros de actividades comunitárias, espaços desportivos e parques de estacionamento. Flora Fong
Flora.fong@hojemacau.com.mo
Filipa Araújo
Filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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s resultados da consulta pública sobre o destino do edifício do antigo Hotel Estoril mostram que o Governo ouviu a maioria das pessoas quando decidiu, na semana passada, retirar o painel de azulejos do edifício. A maioria disse querer que o local seja reaproveitado enquanto centro recreativo para os jovens, mas representantes da área da Educação e vários jovens mostraram desagrado na manutenção do painel de azulejos da fachada. E tudo devido ao Feng Shui, filosofia de origem chinesa vastamente que determina sorte ou azar de acordo com o posicionamento de objectos, entre outras premissas. “Tanto o sector educativo como um número considerável de jovens manifestaram a sua discordância em relação à manutenção do painel após as obras de requalificação”, refere o Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, em comunicado. Parte das opiniões expressaram igualmente vontade de retirar o painel de azulejos, recolocando-o num museu para apreciação dos turistas, sem que perturbasse o novo design e propósito do Hotel Estoril, “algo que o Governo também considera viável” e que já disse que iria fazer. Em declarações à imprensa, o responsável mostrou-se agradado com as opiniões expressas durante a consulta pública, uma vez que são conducentes com as do Governo. O edifício está abandonado há vários anos e a intenção é ali construir um centro de actividades culturais, recreativas e desportivas para os mais novos, lá integrando o Conservatório de Macau, “a fim de proporcionar um espaço favorável à educação nas artes para os jovens locais, assim como para o seu desenvolvimento físico e mental”.
Há espaço para todos
O Conservatório não vai apenas servir para os alunos inscritos nas aulas desta escola, mas também para actividades musicais dos residentes ou associações. Serão ainda, “de acordo com as estimativas preliminares técnicas” do Secretário, criados mais mil lugares de estacionamento num auto-silo de
Hotel Estoril Retirada do painel satisfaz a população
A culpa é do Feng Shui A maioria das pessoas que opinou acerca do destino do Hotel Estoril está a favor do reaproveitamento do local em prol dos jovens e da cultura, mas quis mesmo banir os azulejos da fachada, como anunciou Alexis Tam na semana passada. E tudo devido ao Feng Shui
três andares, de forma a facilitar o tráfego automóvel naquela zona. “É de acreditar que de entre outros planos de requalificação, este será o mais adequado e vantajoso em termos de benefícios sociais e maior bem-estar para a população”, destaca o Gabinete. A piscina, no entanto, será reconstruída, uma
vez que a sua arquitectura está, na opinião do Governo, “ultrapassada”, e as suas instalações “muito envelhecidas e danificadas”, razão pela qual se vai optar pela transformação do local numa piscina que esteja aberta 365 dias por ano. A ideia não é nova, mas só agora o plano se torna mais con-
Habitação Queda nos empréstimos hipotecários
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s bancos de Macau aprovaram em Julho 465,6 milhões de euros em novos empréstimos hipotecários para habitação, uma queda de 23,9% face ao mesmo mês de 2014, mas mais 6,6% do que em Junho deste ano. De acordo com dados divulgados pela Autoridade Monetária de Macau, em Julho os residentes de Macau contraíram obrigações na forma de empréstimos hipotecários de 4047,6 milhões de patacas,
menos 24,8% face ao mesmo mês de 2014. Já comparativamente ao mês de Junho deste ano, o capital solicitado registou um aumento de 6,3%. Os não residentes contraíram empréstimos de apenas 143,5 milhões de patacas em Junho, mais 20% face ao mesmo mês do ano passado e mais 13,8% do que em Junho do corrente ano. O saldo bruto dos empréstimos hipotecários para habitação totaliza-
va 167.022 milhões de patacas, mais 0,9% do que em Junho e mais 18,6% do que em Julho do ano passado. As responsabilidades contratuais dos residentes eram de 157.270 milhões de patacas, mais 1% do que em Junho deste ano e mais 18,7% do que em Julho de 2014, enquanto os não residentes tinham dívidas de 9752 milhões de patacas, mais 0,7% do que em Junho e mais 16,8% do que em Julho de 2014.
creto. “Nem a distribuição de espaços nem as suas instalações conseguem satisfazer as exigências modernas e assim, entende-se necessário a transformação do local numa piscina que esteja aberta durante todo o ano, permitindo aos cidadãos usufruir de uma instalação desportiva com condições de
Pedida classificação como património Uma actividade de recolha de assinaturas a favor da classificação do antigo Hotel Estoril como património cultural foi convocada por uma associação local de planeamento urbanístico. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, defende que “respeita a ideia”. A associação chama-se Root Planning e lançou a actividade numa página do Facebook até ao dia 17 deste mês, sendo que a petição da classificação do antigo Hotel Estoril como património cultural será depois entregue ao Instituto Cultural (IC). “De acordo com a Lei da Salvaguarda do Património Cultural, cada residente de Macau pode apresentar a sua sugestão de classificação de património. A Root Planning já elaborou um documento de justificação do pedido, esperamos que os interessados concordem e assinam a petição [para depois fazermos algo]”, disse ao Jornal Ou Mun Alexis Tam. O Secretário mostrouse satisfeito com a atitude da associação e diz que já pediu ao IC atenção ao caso.
qualidade”, aponta o comunicado, notando que a piscina tem já 63 anos de existência. Nas mesmas declarações, o Secretário afastou a possibilidade de ali ser construído um museu de Jogo de fortuna ou azar, como algumas opiniões sugeriram. Isto porque, de acordo com Alexis Tam, o local foi abandonado enquanto albergava um casino, salas de sauna, dança, karaoke e hotel. O mesmo comunicado ressalta a opinião, que diz ser de “um reputado arquitecto local”, do edifício ter já perdido a “sua alma e carácter” por estar muito danificado. Alexis Tam confirmou que foram já realizadas 20 reuniões com vários sectores sociais, incluindo sessões de auscultação pública. As opiniões restantes serão analisadas depois do próximo dia 20. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
Investimento na Educação vai ser reforçado
Chui Sai On quer reforçar o investimento na Educação na RAEM. Foi na passada quinta-feira que o responsável mostrou que o reforço do investimento neste sector era uma das prioridades da acção governativa. Neste sentido, o Chefe do Executivo prometeu “empenho e rapidez” na “construção de um mecanismo eficiente de longo prazo para a educação” e formação de talentos. Tudo isto, acrescenta o CE no mesmo documento, envolvendo a “promoção do desenvolvimento do ensino especial e do ensino técnico-profissional”, entre outras questões. As declarações tiveram lugar durante o jantar de convívio da Associação de Educação de Macau, por ocasião do Dia do Professor, celebrado no mesmo dia. Além de congratular os professores locais pelo alegado esforço na promoção de um melhor sistema educativo, Chui Sai On lembrou ainda o aperfeiçoamento contínuo de diplomas legais na RAEM. “Aperfeiçoamos continuamente a base legal relativa ao ensino e adoptamos medidas de incentivo para reforçar o reconhecimento das funções dos professores e melhorar o seu desenvolvimento profissional”, disse o líder do Governo no seu discurso.
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Cinema Programa experimental na Cinemateca Paixão
E tudo o Centro Históric
É sob o mote do 10º aniversário do Centro Histórico que o IC piloto para dar vida nova à Cinemateca Paixão. A experiência a exibição de “Guia in Love” e a indústria cinematográfica tem reservar salas no local até Dezembro
O
Instituto Cultural (IC) arranca hoje com um programa piloto na Cinemateca Paixão, na Travessa da Paixão, junto às Ruínas de S. Paulo. O programa dura até 31 de Dezembro e oferece à indústria cinematográfica e associações locais a oportunidade de colocarem em acção os seus projectos, reservando o espaço para esse efeito. O programa experimental prevê a exibição, hoje, de um filme realizado por um artista
local. “Guia in Love” é o nome do filme que estreia o projecto, marcado ainda por uma série de actividades abertas ao público até final do ano. O cinema localiza-se num edifício com três andares e tem diferentes funções como armazenamento de documentos ligados à indústria de filmes, empréstimos de livros e apreciação crítica de cinema. O rés-do-chão reserva-se à bilheteira e às salas de cinema, incluindo ainda uma sala de controlo, inicialmente utiliza-
da para a exibição de filmes sobre arte e cultura. O primeiro andar disponibiliza material sobre filmes locais, como são periódicos e revistas e o escritório fica no segundo piso. “O estabelecimento da Cinemateca pretende promover a cultura cinematográfica em Macau, cultivando a crítica e fornecer uma escolha diversificada de películas”, informa o IC.
Um filme para lembrar
“Guia in Love” é uma obra realizada no território por Sam
Música Orquestra de Macau em digressão mundial até 24 deste mês
Mostrar a cidade ao mundo A
Orquestra de Macau (OM) partiu na passada quinta-feira numa digressão mundial que dura até ao próximo dia 24, série que inclui a participação no festival mundial de música Brucknerfest Linz. A OM tem ainda concertos marcados na Áustria, Suíça, Hungria e outros países, “divulgando assim a cultura e artes de Macau perante o público europeu”, explica o IC em comunicado. O mesmo organismo afirma que a “OM tem assumido o papel de embaixadora cultural de Macau” desde a sua criação. Até 2014, realizou,
de acordo com o IC, concertos em mais de 40 cidades da China, sendo o primeiro colectivo musical a percorrer todo o país. Já nesta digressão pela Europa, a Orquestra sobe a palcos internacionais, participa em múltiplos espectáculos significativos e leva ao exterior quatro programas diferentes especialmente criados para a ocasião”, avança a organização, constituída pelo IC e pelos Serviços de Turismo. Este fim-de-semana foi passado na Áustria, enquanto no próximo dia 17 ocupam um palco na cidade austríaca
de Erl, passando para Zurique no dia seguinte. A 20 de Setembro marcam presença na Liszt Ferenc Zeneművészeti Egyetem, em Budapeste, e a 21 realizam o seu último concerto da digressão, de volta à Àustria. O colectivo será conduzido pelo maestro principal da OM, Lu Jia, mas conta também com a presença de Leong Hio Ming, vice-presidente do IC.
De Brucknerfest Linz, com amor
O convite para a actuação da OM veio directamente da direcção do festival Brucknerfest Linz, que ficou com este
À venda na Livraria Portuguesa Viver Mais e Melhor • Filipa Vacondeus
Comer bem é saber escolher, sem abdicar do sabor e do prazer de comer. Esquecer o prazer de comer? Nem pensar! Escolha apenas viver melhor. Todos os dias tomamos decisões em relação à nossa alimentação e à da nossa família. Muitas vezes, como adultos responsáveis pela alimentação de outros, determinamos o que os nossos cônjuges, filhos e netos comem, ou seja, contribuímos decisivamente para a forma como vivem e crescem. Em Viver Mais e Melhor, o talento gastronómico e os conhecimentos nutricionais aparecem de mãos dadas, provando claramente que é possível ter uma alimentação cuidada e manter o prazer de comer. São também aqui apresentadas receitas particularmente adequadas às pessoas com doenças muito comuns: a diabetes, a hipertensão, o colesterol, a gota e os problemas gastrointestinais. Entre numa vida mais saborosa e saudável, repleta de receitas simples e acessíveis.
nome devido ao seu criador, um compositor do século XIX natural desta cidade, Anton Bruckner. Presente estará também uma orquestra do continente, pelo que a OM surge na qualidade de agrupamento representante do país na série de actividade “Foco na China”. O grupo local apresenta-se em palco com o pianista Zhang Haochen e Wu Wei, “dando a conhecer os êxitos a nível musical da China contemporânea”. A OM convidou ainda Sophia Feinga Su para actuar na digressão. Sophia é uma violinista local com apenas 15 anos de idade. L.S.M.
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Manual de Nutrição Infantil • João Breda, Ana Lúcia Silva, Ana Rito
Composto por actividades, fichas práticas, dicas, imagens apelativas, e todas as informações que deve saber sobre nutrição infantil, este livro é um instrumento único para os vários públicos a que se destina: pais, professores e alunos. Com este livro a tarefa de educadores e educandos será muito mais facilitada e até mais divertido no que toca a falar sobre nutrição infantil. Um tema cada vez mais importante no crescimento dos seus filhos e dos seus alunos e durante o seu processo de aprendizagem. Pois de pequenino se torce o pepino! E se apreende a comer bem!
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Concerto Violinista Gidon Kremer traz “Piazzolla” a Macau
C cria um programa a arranca hoje, com m porta aberta para Leong, com actores de Macau e Hong Kong, incluindo Vivian Chan e Terence Chui. Também a banda sonora conta com o tema “Goodbye My Love”, do produtor local Joe Lei. Trata-se de uma película dentro do género de comédia romântica com passagens em locais históricos da cidade. O filme arranca com um triângulo amoroso entre uma jovem e dois rapazes que são amigos desde pequenos, até que a paixão assola dois deles. Entrelaçadas estão várias outras histórias de amor, a não perder, mais que não seja pelo background cultural que oferecerem.
O cinema localizase num edifício com três andares e tem diferentes funções como armazenamento de documentos ligados à indústria de filmes, empréstimos de livros e apreciação crítica de cinema A sua realização é organizada pela Associação Cultural de Filmes e Produções Televisivas de Macau, sendo que a estreia deverá contar com uma série de representantes desta indústria. O IC assegura ainda que a população pode contar com a organização de workshops e outras actividades aberto ao público entre Outubro e Dezembro, que são anunciadas mais perto da data de realização. A partir de hoje e até Dezembro a bilheteira estará aberta para que os interessados possam reservar espaços com o objectivo de lá realizarem actividades. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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hamam-se “Máscaras e Rostos” e “Novas Estações” e são os dois concertos que Gidon Kremer apresenta em Macau, juntamente com a Kremerata Baltica. Conhecido como um dos mestres do violino, Kremer foi convidado pelo Instituto Cultural (IC) para estar presente no XXIX Festival Internacional de Música de Macau (FIMM). Nos dias 12 e 13 de Outubro, pelas 20h00 horas, no Centro Cultural de Macau, o vencedor dos Concursos internacionais Queen Elisabeth, Paganini e Tchaikovsky actua em dois espectáculos únicos. “Gidon Kremer ficou conhecido como o ‘Violinista do Diabo’, em
2001, sendo considerado que ninguém consegue explorar os sentimentos mais profundos da música de Piazzolla como ele, que obteve ainda um prémio UNESCO do Conselho Internacional de Música”, refere a organização. O programa do concerto “Máscaras e Rostos” inclui Frates, a obra mundialmente célebre de Arvo Pärt, o Concertino para Violino e Cordas de Mieczyslaw Weinberg e excertos de A Arte da Instrumentação. Contudo, a sua atracção principal é um projecto de vídeo conjunto intitulado “Rússia: Máscaras e Rostos”. No XXIX FIMM, Gidon Kremer faz-se acompanhar pela Kremerata Baltica, uma orquestra que já percorreu meia centena de países. Este conjunto conta com colaborações com alguns dos mais ilustres solistas e maestros, incluindo Sir Simon Rattle, Vladimir Ashkenazy, Vadim Repin e Yo-Yo Ma, entre outros, “tornando-se numa das melhores orquestras de câmara a nível internacional”, como indica a organização. Os bilhetes estão à venda por preços que vão das 200 às 300 patacas.
Morreu Delfina Cruz
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elfina Cruz morreu na terça-feira, dia 8, em Paris, vítima de doença prolongada. A actriz estava em França de férias com a filha, Maria Custódia Amaral. Daniel Martins, relações públicas e amigo de Delfina Cruz, contou ao Correio da Manhã que a actriz lutava contra um cancro da mama há mais de um ano e também estava deprimida por não conseguir arranjar trabalho.
“Estava muito mal”, revelou Daniel. A notícia só foi conhecida na sexta-feira e apanhou de surpresa amigos e colegas de profissão. “Era uma pessoa humilde que gostava muito de aprender”, recorda a actriz Irene Cruz, que, nos anos 60, assistiu à estreia de Delfina Cruz na companhia liderada por Henrique Santana. “Era uma actriz de muita qualidade”, acrescenta. Já Nicolau Breyner diz que a morte da actriz, que conheceu “ainda muito miúda”, é “uma grande perda”. “Foi uma belíssima colega de trabalho, incapaz de levantar problemas, cumpridora e muita segura”, realça o actor, que contracenou com Delfina Cruz em ‘Eu Show Nico’ (emitido em 1988, na RTP). Simone de Oliveira recebeu a notícia com “a maior das mágoas”. “Estava longe de saber que ela não estava bem”, revela a cantora e actriz.
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Académico China não pode carregar expansão da economia mundial
Todo o peso do mundo
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m professor de uma das mais prestigiadas escolas de gestão chinesas considerou que a China não pode acarretar a responsabilidade pela expansão da economia mundial, como tem feito desde a crise financeira de 2008. “A China precisa de tempo para renovar as suas instituições e remodelar a sua economia”, escreveu Giles Chance, da Guanghua School of Management da Universidade de Pequim
(Beida), num artigo publicado sexta-feira no China Daily. Chance admite que o impacto global da transição do modelo de crescimento do país, visando maior ênfase no consumo doméstico, em detrimento das exportações e investimento, “terá alguns aspectos negativos a curto e médio prazo”. “A mudança de uma economia gerida pelo Estado para um modelo em que o mercado desempenha um papel decisivo vai demorar
anos e trará mais volatilidade e incerteza económica e financeira”, acrescentou.
Efeito dominó
Em Agosto, a China reduziu o valor do yuan em relação ao dólar em mais de 3% no
espaço de dois dias, conduzindo a uma queda abrupta nas bolsas de todo o mundo, com os investidores pessimistas em relação à segunda maior economia do mundo. Aquele professor considera que “o único evento com um efeito comparável ao reajustamento do yuan, nos mercados internacionais, é a decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos em aumentar a taxa de juro de referência para o país”. “Isto demonstra o enorme significado que a China ganhou no dia-a-dia das pessoas em todo o mundo”, referiu. No primeiro semestre de 2015, o Produto Interno Bruto chinês subiu 7%, face a 2014 - o valor mais baixo desde 2009 -, exactamente dentro da meta fixada pelo Governo.
“A mudança de uma economia gerida pelo Estado para um modelo em que o mercado desempenha um papel decisivo vai demorar anos e trará mais volatilidade e incerteza económica e financeira” Giles Chance Guanghua School of Management da Universidade de Pequim
O comércio externo da China, um dos principais motores da sua economia, caiu 9,7% em Agosto, face ao mesmo mês de 2014, um decréscimo superior ao registado em Julho (8,8%).
Cidadão raptado pelo EI parece ser natural de Pequim
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China disse sexta-feira que é provável que a organização extremista Estado Islâmico (EI) tenha sequestrado um cidadão do país, e que vai iniciar uma “resposta de emergência”, sem avançar mais detalhes. O grupo ‘jihadista’ disse na quarta-feira que mantém reféns um cidadão chinês e um norueguês e exigiu um resgate, sem especificar o valor. “As investigações iniciais indicam que a aparência de um dos cidadãos coincide com um natural de Pequim que desapareceu além-fronteiras”, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, em conferência de imprensa. Trata-se de um consultor, de 50 anos, chamado Fan Jinghui.
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O porta-voz recusou dizer se Pequim vai ou não pagar um resgate, frisando apenas que as autoridades chinesas iniciaram o “mecanismo de resposta de emergência”, para lidar com a crise. A China “acredita que o que o grupo extremista tem feito coloca-o como um inimigo de todos”, escreve sexta-feira o China Daily, em editorial. Em Março, as autoridades chinesas anunciaram a detenção de vários grupos de alegados terroristas que lutaram com o EI e regressaram depois à China, sem avançar quantos. A China não faz parte da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, e que integra mais de 60 países, entre árabes e ocidentais, contra as posições ocupadas pelo EI no Iraque e na Síria. pub
COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º 4 do ponto 5.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nºs 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista provisória dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2015, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Em caso de dúvidas, agradecemos o contacto com a CRAC, durante as horas expediente, através do telefone número 85995343 ou 85995344.
Direcção dos Serviços de Finanças, aos 27 de Agosto de 2015 O Presidente do Júri, Iong Kong Leong
Refugiados China “aberta” para diálogo com UE
A China assegurou “estar aberta” a comunicar com a União Europeia (UE), sobre a crise dos refugiados, e disse que a solução para os fluxos migratórios passa por mecanismos bilaterais e multilaterais. “É preciso resolver alguns problemas de fundo, como a instabilidade económica, entre outras coisas, nos países de origem”, disse um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, numa conferência de imprensa em Pequim. “Cremos que a UE gerirá esta crise de forma adequada, mantendo a segurança regional e a estabilidade”, acrescentou. Na semana passada, um editorial da agência oficial chinesa Xinhua, sob o título “os Estados Unidos deveriam assumir a responsabilidade pela crise humanitária dos refugiados na Europa”, apontava a culpa às intervenções norte-americanas na Síria, Líbia, Iraque e Afeganistão. “Parece que Washington ainda não se deu conta da sua obrigação moral em solucionar a crise e atacar a raiz do problema”, frisou a Xinhua.
Produção industrial aumenta 6,1% em Agosto
A produção industrial da China aumentou 6,1% em Agosto face ao mesmo mês do ano passado, ligeiramente acima do registado em Julho, foi ontem anunciado. Segundo a agência nacional de estatística chinesa, a produção industrial, ou a produção total menos os custos das matériasprimas e da mão-de-obra, aumentou 6% em Julho deste ano face ao mesmo mês de 2014. A agência nacional de estatística afirma que o aumento de 0,1 pontos resultou do crescimento de sectores industriais chave como o da tecnologia de ponta.
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Obama considera inaceitáveis ataques informáticos
Barragem da fertilidade Segundo o relatório interino da Gezhouba, os projectos da empresa além-fronteiras aumentaram em 134% para 65,9 mil milhões de yuan, nos primeiros seis meses do ano, face ao mesmo período de 2014.
O
Presidente norte-americano considerou na sexta-feira que os ataques informáticos feitos pela China “não são aceitáveis” e que o iria dizer ao seu homólogo chinês, quando este visitar a Casa Branca no final do mês. Barack Obama acrescentou que irá procurar um entendimento com Xi Jinping sobre regras de conduta para procurar impedir uma escalada no assunto. “Garanto-vos que podemos ganhar se tivermos” de lançar ataques informáticos, disse. A visita de Estado do Presidente Xi Jinping, cuja data exacta ainda não foi anunciada, deverá ocorrer em torno de 25 de Setembro, alguns dias antes do início da Assembleia geral da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque. A recente piratagem dos dados pessoais de vários milhões de empregados federais norte-americanos, atribuída à China por vários meios de comunicação dos EUA, reavivou um assunto que tem envenenado as relações entre os dois países. Um dirigente norte-americano confirmou no final de Agosto que os EUA estavam a preparar sanções económicas contra pessoas e organizações chinesas suspeitas de ligação aos ataques informáticos a alvos norte-americanos. Durante uma reunião com dirigentes chineses, no final de Junho, Obama tinha mencionado este assunto espinhoso, bem como o da “militarização” do Mar do sul da China que, segundo Washington, Pequim está a fazer. Na altura, apelou à China para que “tome medidas concretas que reduzam a tensão”.
Segundo o relatório interino da Gezhouba, os projectos da empresa alémfronteiras aumentaram em 134% para 65,9 mil milhões de yuan, nos primeiros seis meses do ano, face ao mesmo período de 2014
Angola impulsiona lucros de grupo chinês
Grandes projectos
O
gigante estatal chinês Gezhouba Group anunciou um aumento homólogo dos lucros no primeiro semestre deste ano, de 8,12%, impulsionado pela construção de uma central hidroeléctrica
em Angola, no valor de quase 4.000 milhões de euros. Trata-se da nova barragem de Caculo Cabaça, na bacia do médio Kwanza, que deverá estar concluída num prazo de 80 meses e terá uma capacidade instalada de 2.171 MegaWatts (MW).
A obra, financiada pelo Banco de Comércio e Indústria da China, prevê a edificação de túneis, trabalhos de construção civil, fornecimento, instalação e testes de equipamentos electromecânicos, e foi classificada como estratégica pelo governo de Angola.
Além da central eléctrica em Angola, o documento destaca a construção de uma estação de tratamento de águas residuais no Egipto no valor de quase 900 milhões de euros. O grupo Gezhouba, que foi responsável pela construção da central hidroeléctrica da barragem das Três Gargantas, na China, é a 44ª maior construtora do mundo, segundo a revista Engineering News-Record. Segundo fontes chinesas, o montante dos empréstimos e linhas de crédito concepub
Chinês acusado de ser mentor de atentado na Tailândia
A
polícia tailandesa obteve uma ordem de prisão de um cidadão chinês que considera o ‘cérebro’ do atentado à bomba do passado 17 de Agosto num templo de Banguecoque que causou 20 mortos e uma centena de feridos. O suspeito é Abudureheman Abudusataer, conhecido por “Ishan”, oriundo da região chinesa de Xinjiang, onde reside a minoria uigur que tinha saído da Tailândia um dia antes do atentado, segundo o diário The Nation. A ordem foi emitida depois de “Ishan” ter sido identificado como o autor intelectual do atentado por Yusufu Miereli, um dos detidos por alegada ligação ao ataque. Um tribunal da capital tailandesa aprovou o pedido de prisão de “Ishan” com base em acusações de conspiração para obter material militar sem autorização. Várias testemunhas disseram à polícia que
o suspeito estava num apartamento de um subúrbio de Banguecoque, onde também pernoitou Mieraili, e foi detida outra pessoa, Adem Karadag, que tinha dezenas de passaportes turcos falsos e material para fabricar explosivos. A polícia indicou que Mieraili, detido na fronteira com o Camboja com um passaporte que situa o local de nascimento em Xinjiang, confessou que deu a bomba à pessoa que executou o atentado e que foi captado por câmaras de segurança. Além de Ishan, a polícia deu ordem de prisão para outras 11 pessoas, a maioria estrangeiros. As autoridades tailandesas insistem em vincular o atentado ao crime organizado apesar de a investigação policial alimentar a hipótese de uma represália pela deportação, em Junho, de uma centena de uigures para a China.
Doze mortos em acidente com autocarro em Henan
Doze pessoas morreram sexta-feira e outras 19 foram hospitalizadas devido a um acidente com um autocarro na província chinesa de Henan, no centro do país. O acidente aconteceu numa auto-estrada, durante a madrugada, quando o autocarro capotou, devido ao piso escorregadio. Um camião embateu, em seguida, contra o veículo, segundo as autoridades locais, citadas pela agência oficial Xinhua. Nove pessoas morreram no local do acidente e outras três perderam a vida no hospital, onde também se encontram 19 feridos em situação estável. Os condutores dos dois veículos estão sob custódia da polícia, enquanto decorrem as investigações.
didos pela China a Angola desde 2004, através de vários bancos estatais, ronda os 15 mil milhões de dólares. Depois de a guerra civil em Angola ter acabado, o país asiático tornou-se um dos principais actores da reconstrução do país, nomeadamente das suas estradas, caminhos-de-ferro e outras infra-estruturas.
HM-1ª vez 14-9-15
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AUTOS DE INTERDIÇÃO
CV3-15-0029-CPE 3º Juízo Cível
REQUERENTE: CHIM POU LIN.-----------------------------REQUERIDO: SOU KUN IAN.--------------------------------*****
FAZ-SE SABER que, foi distribuído neste
Tribunal, em 10 de Julho de 2015, um Processo de Interdição, com o número acima indicado, em que é Requerido, SOU KUN IAN, residente em Macau, na Avenida Dr. Francisco Vieira Machado, nº 85, Bloco 1, Bai Yuen Garden, 16º andar “D”, para efeito de ser decretada a sua interdição por anomalia psíquica.------------------------------------------Macau, 08 de Setembro de 2015.
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artes, letras e ideias
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Shitao
Propósitos Sobre a Pintura do Monge Abóbora Amarga
Capítulo XVIII Assumir as Suas Qualidades (Continuação)
A água não é desprovida nem de acção nem de qualidades. No que diz respeito à água; pela Virtude, ela forma a imensidade dos oceanos e a extensão dos lagos; pela Rectidão, ela encontra a humildade descendente e a conformidade à etiqueta; pelo Dao, ela move sem trégua as suas marés; pela Audácia, ela franqueia a sua marcha decidida e o seu ardor impetuoso; pela Regra, ela apazigua em uníssono os seus turbilhões; pela Penetração, ela realiza a sua remota plenitude e o seu acesso universal; pela Bondade ela cumpre o seu jorro claro e a sua pureza fresca; pela Constância, ela conduz sem falta o seu curso para Leste1. Se a água, cujas qualidades são assim visivelmente manifestadas nas vagas do oceano e na profundidade das baías, não regularizasse o seu comportamento sobre elas, como é que ela poderia assim envolver todas as paisagens do mundo e atravessar a Terra com as suas artérias? Aquele que não poder trabalhar senão a partir da montanha e não a partir da água, estará como que engolido no meio do oceano sem conhecer a margem, ou mais ainda, será como a costa que ignora a existência do oceano. Portanto, o homem inteligente conhece a margem ao mesmo tempo que se deixa levar pelo curso da água2; ele escuta as fontes e compraz-se à beira da água3. Não é preciso nada menos que a experiencia da montanha para ver a amplidão do mundo, Não é preciso nada menos que a experiência da água para ver a grandeza do mundo; É preciso que a montanha se aplique à água para que se revele o derramamento universal; É preciso que a água se aplique à montanha para que se revele o abraço universal.
(continua)
1 - Ryckmanns: «Sabe-se que todos os rios da China correm para Leste.» 2 - Nas «Conversações» de Confúcio: «O mestre encontrando-se na margem do rio disse: “Ela corre assim, sem tréguas, dia e noite!”» (Lunyu, IX, 17) 3 - Também nas «Conversações»: «O homem inteligente compraz-se à beira da água». (Lunyu, VI, 23)
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artes, letras e ideias 15
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
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Amélia Vieira
SANTO OFÍCIO
O
draconismo severo tem sido um hábito mormente gentil numa terra morna com mecanismos impiedosos. Mecanicamente verboso com tendências mórbidas a extrapolar a sua escala de acção, numa continuidade diluída em outras coisas, como o dislate, a delação, o disfarce e a corrupção, muitas vezes alienado, pois nada se trata com a precisão dos casos simples. Não é fácil portanto o desapego a um «Santo Ofício» umbilical, de teor complexo e bizarramente amarfanhado em brumas. A repressão inquisitorial deu azo a um recalcamento dos afectos que levam a um siso, também ele difuso… sisando muito a propósito de nada, numa esteira de saúde pública doente de todo na sua invenção dos males. Recuemos ao século dezoito e ao disparate guardado nas Arcádias, como a vida de Filipe Elísio, o poeta, pois foi a sua mãe que o traiu num processo quase macabro. Filipe Elísio foi um maravilhoso poeta helenístico que, ao serem-lhe atribuídas afirmações heréticas e a leitura de livros proibidos, lhe fora movido um processo duro, em que o poeta ao encetar a fuga não mais viria ao país. Foi amigo de Lamartine e, após o indulto de D.Maria I, acabou por não regressar devido à maquinação dos seus inimigos que numa irracionalidade ilimitada o haviam de perseguir até ao fim. Por isso, e quando escutamos agora a essência das coisas, nós ainda as vemos como reflexos que trespassam o fino asfalto da consciência; sempre a mesma mordaça, aquela forma de reduzir o outro ao nível de um perseguido, persecutoriamente e visceralmente inimigos nem se sabe bem de quê, num local pequeno cujo alongamento pode muito bem ferir de morte um outro e cujo conteúdo de zelo passa indiscriminadamente por punir. Filipe Elísio está publicado no «Parnaso Lusitano» da Arte Poética Portuguesa . Grande trabalhador da língua que o tempo pareceu esquecer, não sendo redimido, como tantos outros, pelo erro da expulsão. De uma forma mais ténue, estamos mais ou menos nestes beirais, a sociedade portuguesa filtra-se quase sempre nas elites sem expressividade para ser representativa do que quer que seja. Por outro lado, são eles que ainda firmam os “guetos”, os esquecimentos estratégicos por onde sempre passará a sua influência de uma hidra sem rosto. Não é por isso, na escala da Paz, aquele lugar seguro que almejam as
gentes, bem pelo contrário: há dramas inconfessáveis em cada beiral das vidas, que só não são confessáveis porque de nada serve, não se vê o movimento para a interajuda como resolução social, é preciso saber isto e calar. A escola do fascismo mais não foi que o prolongamento, não sei se com mães delatoras ou não mas, pelo menos, com familiares muito próximos. O imaginário do fantástico talvez até seja limitado para entender tais psiques pois que qualquer metamorfose é sem dúvida mais simples que esta chaga aberta na mente e “modus-vivendi” de um Povo. Por três homens que vi dignos de estima, vi mil malvados Judas. Avarentos, filautes, vis sejanos. Cavernas de calúnia, sem pesar me despeço; e, se o previra Rejeitar entrar na orbe. Um excerto do seu epitáfio. Todos os dias há processos e proibições, como seja a última de não se poder ser fotografado ao lado de alguém sem o seu consentimento para passar
a publicado, das mães que são presas porque fogem com os filhos num enquadramento de fragilidade social de arrepiar, de não se ousar pronunciar o nome de um adversário, de coisas absolutamente estarrecedoras e impróprias para uma mente sã. E uma sociedade civilizada. Voltou o gene obscurantista como se dormisse à espera de um acordar tão óbvio quanto impossível de combater. Direi que num clima destes, em que cada um se espreita pelas piores razões, apetece nunca mais vir, caso se vá para um outro lado, impelido por um tentáculo sem freio. Questionar estes assuntos é tão tabu quanto inimaginável, convém sempre dar a impressão que o futuro é agora, e que se ultimam os preparos de uma Humanidade melhorada. Mas não nos enganemos: ela é apenas o lado que ressurge do tempo das perseguições. A Justiça é quase plenária, está cada vez mais ao serviço de coisas morais face ao conteúdo da matéria, as pessoas agora podem aventurar-se na prática do abominável. Quem não tem para onde ir, sentindo-se a mais, vê melhor um desti-
no ameaçador, uma mórbida onda de desproteção maciça e de negrume. Os grandes ideais ainda foram no tempo em que se comiam bifes e as barbas suavam nos Verões. Não há tempo a perder para começar a dizer o óbvio, com o risco de nada mais se poder dizer do que aquilo que não é óbvio e nos deixarão. E com toda esta imensa nuvem de chumbo lendária nos queremos entender nos interstícios destes sinais. Com o tempo aprendemos que o medo é uma ausência de generosidade. E que não a ter, contribui para uma escalada onde ninguém fica a salvo, quase como um excesso de zelo movediço que faz asfixiar o seu autor. Olhamos e reparamos que há sombras… sombras e com elas espectros invencíveis. Agora é altura de rasgar os autos porque a Fé se busca em outras paragens. Sem mais nada que a incerteza, a diferença pode constituir de novo a culpa formada para se actuar, e, até, nos fazer migrantes engalanados a salto em buscas de novas paragens.
( F ) utilidades
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17
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Cinema
Maze Runner Sala 1
Lançamento do livro “Direito do Jogo em Macau”
Maze Runner: The scorch Trials [c]
ALL you need is love [b]
Filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario 14.30, 16.30, 19.35, 21.30
Falado em cantonês com legenda em chinês e inglês Filme de: Richie Ren Com: Richie Ren, Shu Qi, Ti Lung 14.15, 21.30
Sala 2
Love Detective [c]
no escape [c]
Fundação Rui Cunha, 18h30
Filme de: John Erick Dowdle Com: Owen Wilson, Pierce Brosnan, Lake Bell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Entrada livre
Sala 3
Falado em cantonês legendado em chinês e inglês Filme de: Wong Pak-Kei Com: Ivana Wong, Pakho Chau, Ram Chiang 16.30, 19.30
Sábado Seminário “Género e Guerra” Universidade de Macau, 15h00 Entrada livre Espectáculo de fogo-de-artifício Torre de Macau, 21h00 Entrada livre
Diariamente Exposição “Tensão de Talento” (até 15/11) Museu de Arte de Macau
Aconteceu Hoje 14 de SETEMBRO Morre Grace Kelly
Entrada livre Exposição de Arte Africana (até 1/10) Casa Garden Entrada livre
U m a s é r i e h o j e “Seinfeld” (1989 – 1998) Exposição “Macau 5.0” de Gonçalo Lobo Pinheiro (até 10/10) Consulado Geral de Portugal Entrada livre Exposição “Discovering Manuel Vicente” (até 10/10) Macau Design Centre Entrada livre Projecto Influxus 2015 (até 23/09) Babel Entrada livre Exposição “Saudade” (até 30/9) MGM Macau Entrada livre “A Arte de Imprimir” (até Dezembro)
Esta é sem dúvida a série de todas as sérias já transmitidas. Bom humor, actores escolhidos a dedo e caracterização genuína são alguns dos ingredientes que tornaram ‘Seinfeld’ uma das séries mais elogiadas de sempre, conquistando o topo das melhores séries. Larry David e Jerry Seinfeld são os autores dos guiões que ainda hoje fazem com que várias cadeias televisivas internacionais repitam as suas temporadas. Elaine, a única mulher do grupo, acompanha George, Jerry e o inesquecível Kramer. Um quarteto que mora na casa dos trinta, com vidas de qualquer comum mortal, carregadas de normalidade e excentricidade. Com típicas neuroses e muito humor, estes quatro amigos constroem uma história ao longo de nove temporadas. Foi em 1998 que mais de 75 milhões de espectadores – só nos Estados Unidos - assistiram ao último episódio. Ainda hoje está para ser escrita uma série com humor de tanta qualidade como em ‘Seinfeld’. O clássico dos clássicos. Filipa Araújo
Centro de Ciência de Macau
• Em 14 de Setembro de 1982, morreu em Monte Carlo a esposa do príncipe Rainier, em decorrência de acidente de carro sofrido na véspera. A norte-americana ficara famosa no cinema com seu nome de solteira, Grace Kelly. O mundo assistiu consternado à cerimónia fúnebre em homenagem à princesa de Mónaco, em 14 de Setembro de 1982, solidarizando-se com o príncipe Rainier e seus filhos. Por ironia do destino, um automóvel causara a sua morte, ela que dizia não gostar de conduzir nenhum tipo de carro. O acidente aconteceu na véspera, na perigosa estrada ao longo da costa monegasca. A princesa Grace e a filha Stephanie, então com 17 anos, iam da casa de praia ao palácio quando o carro se desgovernou numa curva, caindo num penhasco de 40 metros. Um jardineiro que trabalhava no local onde o carro caiu, conseguiu apagar o fogo no veículo e salvar a adolescente, porém a princesa só pôde ser resgatada mais tarde pelos bombeiros. Inicialmente, as notícias tentavam disfarçar. “A soberana está inconsciente, mas a recuperar”, informavam os assessores da família. A confirmação da morte espalhou-se como uma bomba no mundo, causando especulações: a menor Stephanie teria estado ao volante, tratar-se-ia de um atentado da máfia, a princesa teria conduzido embriagada? A versão oficial da morte só foi divulgada muito tempo depois. A família Grimaldi insistiu que Grace sofrera um derrame cerebral enquanto dirigia, perdendo o controlo do veículo. A elegância e beleza de Grace Patricia Kelly fizeram dela um mito e um ideal feminino na década de 1950. A maioria de seus parceiros na tela, como Cary Grant, James Stewart e Alec Guinness, também tentaram conquistá-la na vida real, mas ela insistia em preservar a sua vida privada. E, correspondendo ao ideal feminino da época, casou, teve filhos e transformando-se numa bem comportada princesa.
Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
fonte da inveja
Não manhã (ou madrugada) à aurora. Ela ficaria ofendida.
João Corvo
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opinião
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David Chan* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
O
website “wikipedia.org” define Veículo Aéreo Não Pilotado (VAPN) da seguinte forma: “Um VAPN, vulgarmente conhecido por drone e, também designado pela International Civil Aviation Organization (ICAO) por aparelho aéreo comandado à distância, é um aparelho voador sem um piloto a bordo”. O voo é controlado de forma autónoma quer por computadores a bordo, quer por controlo remoto de um piloto em terra ou a bordo de outro aparelho. A ICAO classifica os veículos aéreos não pilotados em duas categorias ao abrigo da Circular 328 AN/190: • Aparelhos Voadores Autónomos – actualmente considerados não regulamentares devido a questões legais e de segurança • Aparelhos Pilotados à Distância – sujeitos à regulamentação civil sob a alçada da ICAO e da Autoridade Aeronáutica Nacional em causa.” Possivelmente os VAPNs não serão muito comuns em Hong Kong nem em Macau, ao contrário do que acontece nos EUA. No passado dia 25 de Agosto, o jornal de Hong Kong “Sing Tao” publicou um artigo onde se referia que nos EUA, em Maryland, três homens tentaram usar um drone para introduzir substâncias ilegais na prisão de Cresaptown. O caso ocorreu cerca das 20h de 22 de Agosto último. Dois polícias descobriram dois homens do lado de fora da prisão. Estavam a usar um drone para tentar introduzir drogas, material pornográfico (販賣色情光碟) e outro tipo de mercadorias na prisão. Os polícias prenderam os dois homens e desmontaram o esquema dentro da prisão. Os homens foram acusados de tentativa de tráfico de droga, posse ilegal de armas, entre outras.
cartoon por Stephff
Stanley Kubrick, 2001: A Space Odyssey
Veículos aéreos não pilotados
No entanto este não é o primeiro caso do género nos EUA. A 5 de Agosto deste ano, o website de Hong Kong “apple. nextmedia” já tinha alertado para o facto destes drones, ouVANPs, estarem a ser usados para introduzir drogas e outros produtos na Instituição Correccional de Mansfield (uma prisão no Ohio, EUA). Este último caso deu-se por volta das 14.30h de 27 de Julho último. Um drone sobrevoou os portões da prisão e largou uma porção de material. Este material era destinado ao prisioneiro A, mas foi recolhido pelo prisioneiro B. Os tumultos desencadearam-se (暴动). Por fim 200 prisioneiros foram submetidos a inspecção de pessoas e bens . Foram encontradas drogas na posse de alguns deles. A partir destes dois casos, podemos antever que o uso destes drones para fins criminosos poderá vir a ser uma tendência a nível mundial. E porquê? Simplesmente porque no momento da ocorrência o criminoso está a controlar o drone afastado da cena do crime. A polícia pode impedir
Pontapés
o drone de perpetrar o crime, mas terá dificuldade em prender o criminoso. A partir do momento em que este descobrir que a polícia interceptou o drone, pode fugir. A possibilidade de fuga dos criminosos aumenta. É por este motivo que estão desejosos de usar drones para introduzir drogas nas prisões. Possivelmente, no futuro, os drones poderão ser usados para cometer crimes mais graves, por exemplo, bombardear instalações governamentais, etc. Por vezes perguntamo-nos: a lei existia antes do crime, ou o crime já existia antes da lei? A resposta a estas perguntas pode-se encontrar a partir destas duas pequenas histórias. Nestes casos o crime surge antes da lei. De momento não existe uma lei adequada para regular o uso dos drones. E não existir uma lei é problemático para a nossa sociedade. No crime tradicional, por exemplo, assassínio, o criminoso usa uma faca para matar. O criminoso e arma estão juntos. Mas nestes casos que envolvem drones, a arma está longe do criminoso. Existe a possibilidade de o drone ser controlado por mais do que uma pessoa. Para evitar este género de crimes é necessário legislação adequada. De acordo com a tecnologia actual os VANPs podem ser produzidos a partir de dois processos diferentes, digital e analógico. Na produção digital, cada VAPN tem o seu próprio número de série. O número de série é o Bilhete de Identidade do VAPN. Os controladores remotos emparelham com cada um destes aparelhos. Presume-se que na produção, cada controlo é desenhado para apenas fazer funcionar num único aparelho. No entanto o ponto crítico pode ter sido ultrapassado. Se o criminoso for suficientemente inteligente pode produzir dois ou mais controlos. Estes vários controlos remotos podem todos emparelhar com o drone e fazê-lo funcionar e, portanto, vários controlos podem fazer funcionar um único VANP. O criminoso pode então distribuir vários controlos por várias pessoas e, se estas pessoas estiverem todas na cena do crime, é muito difícil para a polícia provar quem é que efectivamente cometeu o crime. Se a polícia não puder provar quem é o
verdadeiro culpado o caso tem de ser encerrado. Se o VAPN for produzido de forma analógica é controlado por um comando de sinal análogo. O drone não terá número de série. Supondo que existem dois controlos remotos, X e Y, estarão ambos na mesma frequência eléctrica. X e Y são manipulados por John e Mary respectivamente. Se o sinal emitido pelo comando X for superior ao do comando Y, mesmo que Mary já estivesse primeiro a comandar o drone, John pode privá-la desse controlo, e passar a comandar ele próprio o drone. John pode parar o VANP, colocar droga lá dentro, e controlar o aparelho para introduzir droga na prisão. Como Mary tem o comando Y, e John tem o comando X, podem ambos controlar o drone desde que consigam emitir um sinal mais forte que o outro. Será muito difícil para a polícia afirmar se foi John ou Mary quem introduziu a droga na prisão. A situação pode ainda ser mais complicada do que o caso indicado.
“Será necessária uma legislação especial para impedir o uso dos drones em actividades criminosas, particularmente, em Hong Kong e em Macau. Estas duas cidades têm muitos edifícios altos e com imensas lojas” Hoje em dia a maior parte dos VANPs é controlada por sinais digitais e alguns são comandados directamente por telemóveis. Também não será fácil identificar os comandos dos drones nestes casos, já que em Hong Kong e em Macau, não existe registo telefónico obrigatório. Por isso pode ser usado um telefone não registado para controlar um drone. Podemos portanto concluir que será necessária uma legislação especial para impedir o uso dos drones em actividades criminosas, particularmente, em Hong Kong e em Macau. Estas duas cidades têm muitos edifícios altos e com imensas lojas. Uma das possibilidades passa pela instalação de uma câmara no drone e controlá-lo para sobrevoar as janelas das casas de banho e fotografar o interior. Praticar este tipo de crimes é fácil, mas para a polícia é difícil encontrar os culpados. Se isto se verificar então a nossa sociedade vai estar em apuros. Conselheiro Jurídico da Associação de Promoção do Jazz de Macau
opinião 19
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Michael Apted, Amazing Grace
Sérgio de Almeida Correia
Sobre a estabilidade da RAEM
E
m Ciência Política há várias formas de encarar o conceito de estabilidade. Para um autor como Bruce Russett, a medida da estabilidade é vista através do número médio de anos que os executivos permanecem em funções. Esta ideia tende a ser confundida com a de longevidade e, como sublinhou, Hurwitz, é falaciosa, pois pode levar a que qualquer mudança seja vista como sinal de instabilidade, o que muitas vezes não é verdade. Também a definição operacional do politólogo Jean Blondel tende a ligar a estabilidade à longevidade ou à duração dos governos. Outra visão é a que define a estabilidade por apelo ao conceito de legitimidade, e em que aquela é entendida não apenas como uma situação de ausência de fenómenos negativos, mas como a que goza de aceitação e apoio. Um outro autor, Claude Ake, considera a estabilidade como um padrão de ausência de mudanças ou alterações estruturais num quadro de continuidade. Para este autor, “there is political stability to the extent that members of society restrict themselves to the behavior patterns that fall within the limits imposed by political role expectations. Any act that deviates from these limits is an instance of political instability.” (A definition of Political Stability, 1975, Comparative Politics, Vol. 7, 2, 273). E logo a seguir escreve que “determinar a extensão da estabilidade política implica a identificação sistemática das regularidades e irregularidades do fluxo de trocas políticas” (tradução do signatário). A visão que aqui mais nos interessa é a que olha para o conceito de estabilidade política como um conceito multifacetado implicando a consideração de diversas variáveis,
conceito que não se basta com uma simples medição quantitativa. Hurwitz sintetiza isto afirmando que existe um consenso básico sobre o que a estabilidade política significa e que isso quer dizer ausência de violência, longevidade governamental, ausência de mudanças estruturais, legitimidade e um processo de decisão efectivo (Contemporary Approaches to Political Stability, Comparative Politics, 1973, Vol. 5, 3). E sobre o que seja esta última variável, este autor remete para Eckstein, esclarecendo que o termo efectivo representa a acção política entendida no seu próprio sentido, como a “prossecução dos objectivos comuns ou em ajustamento de uma alteração de condições”. Ou seja, uma intervenção quando os objectivos não estejam a ser atingidos. Posto isto, verifica-se que o discurso político dos governantes da RAEM repete, invariavelmente e até à exaustão, a necessidade de manutenção da estabilidade, política e social, como garantes de altos níveis de crescimento económico. Não há dúvida que qualquer que seja a perspectiva que se adopte em matéria de estabilidade política, concluir-se-á que, seja pelo prisma da manutenção das condições estruturais de governo, da ausência de violência ou da longevidade dos executivos, a RAEM tem estabilidade política. Porém, admitindo que a estabilidade não é um objectivo em si mesmo, já que a estabilidade política só por si não fomenta desenvolvimento nem a prosperidade da comunidade, importa perceber se há estabilidade social. E se, havendo, há um processo de decisão efectivo, capaz de introduzir ajustamentos sempre que ocorra uma alteração de condições propiciadora da instabilidade, como é aquela que se está a viver pela incerteza da evolução económica e da “crise” das receitas do jogo.
Quanto a estes pontos, é difícil aceitar que haja hoje estabilidade social na RAEM propiciadora do desenvolvimento económico e de mais prosperidade. Do mesmo modo, tenho sérias dúvidas que exista um poder de decisão efectivo, neste sentido de ser capaz de fazer os ajustamentos necessários. A estabilidade, se adoptarmos a posição de que se trata realmente de um conceito multifacetado, implica que também se preste atenção a estas duas variáveis. E também que se olhe para fora do restrito círculo do poder formal, executivo e legislativo, e se avalie no terreno se a estabilidade existe.
“A estabilidade sem frutos não serve para nada. A estabilidade de que a R.A.E.M. goza tem de servir para alguma coisa. Tem de servir para melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos, cimentar a autonomia e prosperar” Encurtando razões: é difícil aceitar que exista na RAEM estabilidade social propiciadora do desenvolvimento económico e de elevados padrões de vida, quando a sua sociedade vive permanentemente na incerteza. Incerteza quanto às suas condições de vida quotidianas e de projecção do futuro, digo eu. Porque é impossível planificar o futuro ou encontrar condições de estabilidade
numa terra onde se impõe a particulares e a empresas um padrão de contratos de arrendamento que os obriga a mudar de casa ou de instalações de dois em dois anos. Ou, então, a sujeitarem-se a aumentos de renda que representam cinco a dez vezes o valor registado para a inflação no ano anterior. Como é impossível haver estabilidade para projectar o futuro quando um importador tem de andar sempre com o armazém às costas ou quando as suas importações estão dependentes dos cartéis locais e do valor das comissões pagas a intermediários de cada vez que fazem uma encomenda. E é evidente que nenhuma empresa tem estabilidade e um clima laboral favorável se a mão-de-obra de que precisa para funcionar e prestar um serviço de qualidade depende da impunidade das agências de emprego, da pressão exercida por estas e da incerteza de se conseguir contratar e manter o pessoal de que se necessita. Que estabilidade profissional e familiar pode ter um trabalhador deslocado que, fazendo falta à RAEM, para poder trabalhar tem de viver em condições miseráveis para sustentar agências que com todo o descaramento lhe pedem milhares de patacas para tratar das autorizações e licenças e que depois, durante meses e anos, vivem das comissões pagas pelos salários desses desgraçados? E tudo ainda se torna mais aberrante quando se convive com isto, quando as queixas são recorrentes e se vêem recém-chegados novos-ricos, esquecidos das suas origens, a manifestaram-se contra estrangeiros e por um maior proteccionismo numa terra que se quer moderna, civilizada e cosmopolita. Com este clima, natural será que haja quem duvide da capacidade de intervenção política sobre o eixo da decisão efectiva. Ao anúncio regular de novas medidas, de introdução de melhorias aqui e ali e, ultimamente, pedidos de desculpas pelos erros, pelas derrapagens financeiras e atrasos das obras, logo se aditam novas promessas sem que se vislumbre o cumprimento das anteriores, nem mudanças, também estas efectivas, na qualidade de vida e no tecido económico e social. A degradação das condições para se fazer turismo e circular em Macau é um exemplo. A actual insistência na diversificação só terá sentido se houver uma efectiva capacidade de intervenção do Executivo. Se por parte deste existir vontade de intervir em tempo útil para corrigir as muitas e actuais disfunções. Quanto mais adiada for essa acção, mais difícil será propiciar condições de diversificação económica e de estabilidade – social, profissional e empresarial – que cumpram com as expectativas de desenvolvimento e de qualidade de vida da população. A estabilidade sem frutos não serve para nada. A estabilidade de que a R.A.E.M. goza tem de servir para alguma coisa. Tem de servir para melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos, cimentar a autonomia e prosperar. E não para ir acomodando os recados de Beijing. O resto é conversa.
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hoje macau segunda-feira 14.9.2015
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Taça GT baixo número de construtores
E são cinco A
Federação Internacional do Automóvel (FIA) queria sete construtores a participar na Taça do Mundo FIA de GT, que terá como palco o Grande Prémio de Macau, mas só cinco aceitaram o desafio. Na sexta-feira, a federação internacional comunicou que a Aston Martin, Audi, McLaren, Mercedes e Porsche inscreveram-se na competição que se pretende assumir como uma das mais importantes do panorama global das corridas de carros de Grande Turismo e que será disputada entre os próximos dia 19 e 22 de Novembro entre nós. De fora e por razões diversas, entre elas a obrigatoriedade de pagar 30 mil euros de inscrição, ficaram a Bentley, BMW, Ferrari, Lamborghini, Lexus, Dodge e Nissan. Christian Schacht, Presidente da Comissão de GT da FIA, mostrou-se mesmo assim bastante satisfeito com o apoio reunido: “Estamos muito satisfeitos por termos recebido inscrições de cinco dos mais famosos construtores automóveis de competição do mundo neste primeiro evento. Isto é resultado de duas histórias de sucesso: o conceito FIA GT3 usado na maioria dos campeonatos de GT do mundo e o lendário Grande Prémio de Macau”. O dirigente da federação internacional aproveitou também para dizer que “graças ao estatuto do Grande Prémio de Macau e aos direitos de transmissão assinados pelo AAMC, o evento terá um impacto a nível mundial, e com o seu formato sprint, espectadores e adeptos terão a oportunidade de ver um espectáculo magnifico”. A prova tem um triunvirato a liderar a organização – a Associação Geral Automóvel de Macau-China (AAMC), a FIA e a SRO, o grande responsável pelo sucesso mundial da filosofia GT3 e promotor das séries europeias Blancpain GT. Com a Aston Martin e a McLaren inscritas na competição, existe
a possibilidade de Portugal estar representado na Taça do Mundo FIA de GT, uma vez que Pedro Lamy é piloto oficial da primeira e Álvaro Parente da segunda. Recentemente, Parente admitiu ao HM que gostaria de estar presente na prova do Circuito da Guia. “É evidente que gostaria de estar presente. O traçado da Guia é fabuloso, muito exigente e onde o piloto pode fazer a diferença, o que entusiasma qualquer um”. Já Lamy, que na década de noventa foi 2º classificado na prova de Fórmula 3 do território, terá mais dificuldades, visto que tem obrigações no Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC) no Bahrein, neste mesmo fim-de-semana. A corrida está aberta a 28 concorrentes, sendo que os restantes, aqueles não nomeados pelos cinco construtores envolvidos, deverão ser provenientes de competições locais. Por outro lado, a FIA não irá permitir a presença de pilotos classificados pela FIA como “Platina” ou “Ouro”, em viaturas que não sejam destas cinco marcas, mas permitirá que pilotos amadores ou pilotos classificados como “Bronze” e “Prata” o possam fazer. Recorde-se que o piloto de Macau André Couto, o único piloto do território que até agora mostrou publicamente interesse em participar nesta corrida, está classificado como “Ouro”. As cinco marcas têm até ao dia 25 do presente mês para nomearem os seus três pilotos. A lista de inscritos da prova será conhecida a 7 de Outubro na habitual Conferência de Imprensa de apresentação do Grande Prémio de Macau. Sete dias antes será revelado o nome do fornecedor exclusivo de pneus do evento. Entretanto, os prémios monetários, que vão até ao décimo classificado, já são conhecidos: 12 mil dólares norte-americanos para o piloto vencedor e 30 mil para o construtor que sair vitorioso deste confronto. Sérgio Fonseca
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