DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
QUARTA-FEIRA 14 DE AGOSTO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4351
MOP$10
EMIGRANTES
VOTOS SEM FORÇA
hojemacau
GRANDE PLANO
Defeitos de fabrico PÁGINA 4
ENFERMEIROS
PROBLEMA GLOBAL PÁGINA 5
Ho Iat Seng e Sulu Sou encontraram-se ontem pela primeira vez em período eleitoral. A reforma política esteve no centro da discussão entre o candidato a
Chefe do Executivo e o deputado pró-democrata.Apesar do consenso alcançado, Ho Iat Seng não se comprometeu com caminhos a tomar rumo à democracia.
JUNKETS
VIP’s da casa PÁGINA 8
FELIX WONG/SOUTH CHINA MORNING POST
PÁGINA 7
h
ESCRITO NO MURO LI HE
BOCA DE INCÊNCIO JOÃO PAULO COTRIM
INFELICIDADE NUNO MIGUEL GUEDES
EMERGÊNCIAS
Novas medidas PÁGINA 9
HONG KONG | OS INSUBMISSOS PÁGINAS 12-13
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Primeiro encontro
CONSUMO
2 grande plano
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ESTUDO
A CULPA E DOS VOTO DOS EMIGRANTES PORTUGUESES COM MENOR REPRESENTATIVIDADE NAS ELEIÇÕES
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Um estudo desenvolvido por académicos portugueses conclui que o voto dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo continua a ter um menor peso face aos votos dos que residem em Portugal. Há limites na sua representatividade e falhas que continuam por colmatar à luz das divergências e interesses políticos, o que origina uma elevada abstenção
“N
OVAS eVelhas Rotas da Emigração – Futuros Incertos na Periferia da Europa” é o título do mais recente estudo sobre a emigração portuguesa desenvolvido pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Um dos capítulos conclui que os partidos políticos portugueses contribuem para a ausência de reformas do sistema eleitoral, nomeadamente no que diz respeito ao voto dos emigrantes, o que explica a elevada abstenção registada nos últimos anos em eleições para a Assembleia da República e Presidência da República portuguesa.
“Os principais actores políticos não reconhecem a autonomia do voto externo com respeito ao sistema eleitoral interno, relegando este problema para um debate generalizado sobre as necessidades de melhoria da representatividade política a um nível nacional.” ESTUDO ISCTE
Além disso, o trabalho, desenvolvido pelos académicos Marco Lisi, da Universidade Nova de Lisboa, Ana Maria Belchior, Manuel Abrantes e JoanaAzevedo, também conclui que existe menos representatividade do voto dos emigrantes face aos que residem em Portugal. O estudo revela que “dois grandes problemas afectaram a completa inclusão e igualdade da representação política dos emigrantes”, tal como “a falta de representatividade do sistema eleitoral, por um lado, e as limitações e incongruências impostas pelos métodos de voto, por outro”. “Devido ao número de emigrantes portugueses que vivem nos dois distritos extraterritoriais e o baixo número de deputados eleitos nestes distritos, o princípio de proporcionalidade não foi devidamente respeitado”, lê-se ainda. Neste sentido, “estas questões tiveram importantes implicações no nível de participação dos cidadãos portugueses que vivem no estrangeiro, que tem registado um decréscimo significativo nas últimas décadas”, acrescenta o trabalho, consultado pelo HM. Os autores defendem que “há limites ao nível da representatividade dos emigrantes, nomeadamente em termos de participação, proporcionalidade e eficácia dos métodos de voto”. “Devido à falta de reformas compreensivas, o voto no exterior e as sucessivas reformas tem sido caracterizadas por várias questões problemáticas, especialmente ao nível dos procedimentos de voto. O que tem implicações sig-
nificativas na efectividade do voto dos emigrantes”, acrescenta-se.
PEQUENOS SEM HIPÓTESE
Para os autores, o facto de os portugueses residirem no estrangeiro pode explicar as razões para a desproporcionalidade. “A decisão pode ser explicada pelo medo da grande comunidade de emigrantes portugueses ficar em posição de eleger uma grande proporção de deputados, o que poderia ser injusto tendo em conta que os eleitores emigrantes não vivem no seu país.” O estudo revela ainda que as leis actuais impossibilitam que candidatos de partidos mais pequenos sejam eleitos pelos eleitores que residem fora do país. “A elevada desproporcionalidade dos distritos extraterritoriais significa que é impossível
“Dois grandes problemas afectaram a completa inclusão e igualdade da representação política dos emigrantes. A falta de representatividade do sistema eleitoral e as limitações e incongruências impostas pelos métodos de voto.” ESTUDO ISCTE
eleger representantes dos partidos políticos mais pequenos. Apenas os dois maiores partidos conseguem fazê-lo”, neste caso, o PS ou o PSD. Os investigadores realizaram entrevistas com deputados da Assembleia da República portuguesa
eleitos pelo PS e PSD e muitos deles “indicaram que os distritos eleitorais para o voto externo necessitam de ser alvo de uma reforma para melhorar a representatividade dos emigrantes”. Contudo, “não existe consenso sobre a melhor forma de
grande plano 3
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PARTIDOS
reforçar a ligação entre deputados e emigrantes”.
PESO PARTIDÁRIO
Ao nível das eleições para os órgãos políticos em Portugal, Macau regista sempre elevadas abstenções,
o que obrigou o anterior cônsul de Portugal em Macau, Vítor Sereno, a criar uma campanha em prol do recenseamento. Os autores deste trabalho académico apontam as quezílias entre partidos e os diferentes interesses como um dos entraves ao desenvolvimento dos modelos de voto. “Os partidos políticos foram actores cruciais para determinar o conteúdo do sistema de voto eleitoral e a sua (possível) reforma. As grandes razões por detrás das dificuldades da reforma do sistema não se prendem apenas com a 'constitucionalização' das leis eleitorais, mas também com o conflito entre os principais partidos políticos e os direitos de sufrágio dos emigrantes.” Actualmente, quem vive no estrangeiro vota de maneira diferente, consoante se tratarem de eleições legislativas ou presidenciais. Há muito que se fala na total adopção do voto electrónico, mas tem demorado a ser uma realidade. “Tem existido uma forte divergência entre os actores políticos e as linhas partidárias, sobretudo no que diz respeito aos métodos de voto”, apontam os académicos. “Tradicionalmente, enquanto o PS e os partidos de esquerda radicais (PCP e BE) tem favorecido o voto pessoal, o PSD e o CDS-PP têm mostrado uma maior abertura, defendendo o voto postal e, mais recentemente, a adopção do voto electrónico. Neste sentido, as considerações estratégicas representam uma importante barreira contra as melhorias do sistema de voto externo.” Os investigadores concluem que “os principais actores políticos não reconhecem a autonomia do voto externo com respeito ao sistema eleitoral interno, relegando este problema para um debate
generalizado sobre as necessidades de melhoria da representatividade política a um nível nacional”. Há ainda a questão da fraca mobilização dos emigrantes para a política portuguesa, o que justifica elevados níveis de abstenção registados no exterior. “O impacto limitado do voto dos emigrantes nos resultados finais das eleições, os baixos níveis de mobilização da sociedade civil e as características da emigração portuguesa – em termos socioeconómicos e distribuição geográfica – ajudam a explicar porque é que a reforma do voto externo tem sido bloqueada pelos interesses dos partidos políticos.”
INCONGRUÊNCIAS DO VOTO
O facto de se votar de maneira diferente, seja por voto postal ou através da ida às urnas, também constitui um problema aos olhos dos investigadores. “A implementação deste procedimento de voto (por correio) tem sido problemática, com vários casos de práticas ilegais, sobretudo onde notáveis locais ou estruturas partidárias se conseguem organizar para votar de forma colectiva. Além disso, o facto de se adoptarem diferentes procedimentos entre as eleições legislativas e presidenciais faz com que a prática do voto exterior seja incongruente”, lê-se no documento.
O facto de se votar de maneira diferente, seja por voto postal ou através da ida às urnas, também constitui um problema aos olhos dos investigadores Apesar das inúmeras falhas, a comunidade de emigrantes portugueses representa uma importante fatia de eleitores. Dados recolhidos pelo Observatório da Emigração, baseados nas últimas estimativas da ONU, mostram que, em 2015 o número de emigrantes nascidos em Portugal ultrapassou os 2,3 milhões de pessoas, em que cerca de 22 por cento dos cidadãos portugueses nasceram fora do país, dados estes relativos a 2017. “Contudo, se considerarmos os descendentes dos emigrantes, as comunidades portuguesas residentes no estrangeiro consistem em cerca de cinco milhões de pessoas. De acordo com dados de 2017, há 1.375 milhões de cidadãos portugueses a residir no estrangeiro com potencial direito de voto”, lê-se ainda neste estudo. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
4 política
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O bónus da falta de prova
FORMAÇÃO DSAL CONTINUA A OUVIR OPINIÕES PARA REVER LEIS DE 1996
TIAGO ALCÂNTARA
CONSUMO LEI VAI FACILITAR RECLAMAÇÃO DE BENS COM DEFEITO DE FABRICO
A
Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) “tem ouvido continuamente opiniões de vários sectores e instituições relevantes” para analisar o regime de formação profissional em Macau, sem referir qualquer avanço no sentido de estar a produzir um texto que actualize as disposições da antiga legislação em vigor. Não fica claro que exista já alguma proposta para substituir as anteriores leis. A DSAL respondeu ontem à interpelação de Leong Sun Iok, que questionava o Governo sobre quando pretendia rever os três diplomas, datados de 1996, que regulam o regime de formação profissional no mercado de trabalho. O documento escrito, apresentado pelo deputado a 31 de Maio de 2019, indagava ainda sobre o financiamento do Fundo de Segurança Social (FSS) para programas de formação profissional, que nos últimos anos foi “fraco”, apesar de existir
Os bens defeituosos vão poder ser reclamados pelo consumidor sem a obrigação do ónus de prova de que o dano vem de fabrico, porque a proposta de lei já presume essa situação nos primeiros seis meses desde a aquisição. Os consumidores têm um prazo de 30 dias para apresentar queixa quando detectam a inconformidade
O
S consumidores que adquirem bens defeituosos ou danificados podem reclamar durante um ano, sem obrigação de provar as queixas nos primeiros seis meses. O ónus da prova só recai sobre o consumidor a partir do segundo semestre de garantia de um ano, uma decisão assumida pelo Governo na discussão de ontem da proposta de “Lei de protecção dos direitos e interesses do consumidor”. Na reunião da 1ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), os deputados discutiram o equilíbrio da relação jurídica entre o consumidor e o operador comercial, de forma a clarificar os direitos e obrigações, os prazos de reclamação ou denúncia do contrato comercial, a culpa e a responsabilidade, bem como o papel do Conselho de Consumidores (CC) no apoio e acompanhamento dos processos. Para Ho Ion Sang, presidente da 1ª comissão, “de acordo com esta proposta de lei, a falta de conformidade do bem de consumo com o contrato, que se manifeste no prazo de 6 meses a contar da data de entrega do bem de consumo, presume-se que já existia no momento da sua entrega, sendo o consumidor dispensado de o provar”. Mas
se esta inconformidade ou defeito “se manifestar depois de 6 meses, a contar da data de entrega do bem, cabe ao consumidor provar que já existia no momento da sua entrega”, explicou. No entanto, o operador comercial não é à partida considerado “culpado” nesta proposta, ao contrário do regime do Código Civil, mas “tem de assumir a sua responsabilidade” na resolução do conflito, “independentemente de ter ou não culpa”. Assim, os consumidores têm um ano para apresentar queixa, que deve ser feita no prazo de 30 dias a partir da observação do defeito. O Conselho de Consumidores assume o acompanhamento do processo, em que o consumidor deverá apresentar detalhes sobre o contrato de aquisição, “o facto ilícito, o dano sofrido e o nexo de causalidade entre o facto e o dano.
MULTAS POR DEFINIR
Após o apuramento da situação – com o CC como entidade mediadora no conflito, de
modo gratuito e sem prejuízo de o processo poder correr por outras vias legais –, os consumidores terão quatro hipóteses de ver ressarcidos os seus direitos: através da reparação, substituição, diminuição do preço, ou rescisão do contrato de venda, sem custos. Esta escolha dependerá da negociação e do tipo de bem em causa, não estando ainda definido quem decidirá qual a solução. O operador também vai poder apresentar provas de
O operador comercial não é à partida considerado nesta proposta como “culpado”, mas “tem que assumir a sua responsabilidade” na resolução do conflito, “independentemente de ter ou não culpa”
que a queixa não coincide com a verdade, nos casos em que haja deterioração ou defeito causado pelo consumidor ou por situações externas, evitando eventuais abusos por parte dos consumidores, que possam prejudicar, por exemplo, pequenas e médias empresas. Falta ainda definir as multas ou sanções para os operadores que recusem compensar os consumidores pelos bens danificados. Esta informação não está incluída na proposta, nem os procedimentos de actuação. Os deputados esperam que o Governo apresente estas e outras respostas na próxima reunião, agendada para amanhã, o dia de encerramento desta sessão legislativa. Raquel Moz
raquelmoz.hojemacau@gmail.com
uma dotação específica para esse efeito. Na resposta agora divulgada, a DSAL refere que “neste momento” está a “recolher as opiniões dos serviços de justiça, serviços de ensino e dos organismos consultivos da área de desenvolvimento de talentos sobre a revisão da legislação da formação profissional”. O texto refere ainda que está em preparação neste momento um diploma da DSEJ, sobre o “Regime do ensino técnico-profissional”, cujo relatório final da consulta pública foi divulgado em Janeiro de 2019, não se tratando exactamente da mesma coisa. Sobre o FSS, a DSAL afirmou que o apoio previsto para a formação profissional é destinado “exclusivamente para desempregados”, para facilitar a sua reintegração no mercado de trabalho, mas como “o ambiente socioeconómico de Macau tem melhorado nos últimos anos”, o número de pedidos de subsídio “tem descido gradualmente”. R.M.
CEM Lam U Tou quer que o Governo explique adjudicação directa
O presidente da Associação da Sinergia de Macau, Lam U Tou, comentou ontem ao jornal Ou Mun que a atribuição directa do “Contrato de Concessão do Serviço Público de Gestão das Galerias Técnicas” à CEM “é razoável”, por ser um dos principais fornecedores locais e com maior experiência no ramo, mas acrescentou que o Governo vai ter de explicar à população porque dispensou a realização do concurso público. “Se não há nenhum problema com esta decisão, por que não explica tudo ao público?”, questionou o dirigente da associação, para quem a solução das galerias deverá ser também progressivamente implementada nos bairros antigos. Por sua vez, Leong Sin Man, membro do Conselho do Planeamento Urbanístico, apoiou a assinatura do contrato com a companhia eléctrica local, salientando as vantagens da instalação subterrânea de galerias técnicas na resolução do problema da abertura frequente de buracos para reparação de infra-estruturas básicas, reduzindo a pressão do tráfego nas estradas. Além disso, Leong pede a divulgação do planeamento do espaço subterrâneo e a construção de galerias técnicas na zona A dos novos aterros.
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E
M Março deste ano, José Pereira Coutinho assinou uma interpelação escrita a questionar o Executivo quanto à contratação de enfermeiros ao exterior. Além disso, o deputado que preside àAssociação de Trabalhadores da Função Pública de Macau lembrou as declarações do director dos Serviços de Saúde (SS) em que afirmou que “as instituições locais de formação de enfermeiros não conseguem providenciar número suficiente de enfermeiros para suprir as necessidades do sector privado”. Ontem foi divulgada a resposta dos SS ao deputado, onde se pode ler que “a escassez de enfermeiros é um problema global” e que “as instituições médicas por todo o mundo enfrentam a mesma situação”. Ainda assim, o Executivo refere os esforços feitos para planear ajustes à distribuição de recursos humanos de forma a apropriá-los à procura. Nesse sentido, os SS argumentam que “em 2018, a proporção de enfermeiros em Macau atingiu 3,7 por 1.000 habitantes, representando um aumento significativo comparativamente
Mal que toca a todos Governo justifica escassez de enfermeiros com problema global
Os próprios serviços [de saúde] admitem que o panorama da formação de enfermeiros em Macau, feitas as contas entre admissões e conclusão do curso, “não é ideal” e que “é um desafio atrair jovens para seguirem a carreira de enfermagem”
aos 2,2 enfermeiros por 1.000 habitantes no ano 2000. Em simultâneo, o Governo enumera os esforços despendidos em formação local de pessoal de enfermagem, apesar dos resultados não serem totalmente satisfatórios. “Todos os anos há 180 vagas para matrícula, mas apenas 80 por cento são preenchidas, e o número de finalistas do curso é de apenas 60 por cento do total de vagas, ou seja, pouco mais de 110”, lê-se na resposta dos SS. Os próprios serviços admitem que o panorama da formação de enfermeiros em Macau, feitas as contas entre admissões e conclusão do curso, “não é ideal” e que “é um desafio atrair jovens para seguirem a carreira de enfermagem”. No entanto, entre o pessoal de enfermagem que trabalha em instituições médicas privadas mais de 70 por cento licenciou-se em Macau, algo que poderá melhorar com a entrada em funcionamento do Instituto de Enfermagem no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas”.
acrescentam que nos hospitais públicos a proporção de enfermeiros por camas é de 1 por cada 6. Uma situação geral “melhor do que a de instituições médicas privadas e de regiões vizinhas”, ou seja, no que toca ao serviço público, os SS esclarecem que não é necessário recrutar enfermeiros ao exterior. Outra questão levantada pelo deputado foi o recrutamento por aquisição de serviços de 30 enfermeiros aposentados ou desvinculados, algo que os SS justificam com a circunstância de responder “à tendência de gripe naquela altura”. Ainda em relação ao recrutamento de trabalhadores não residentes para funções de enfermagem, os serviços revelam que em Março deste ano havia 97 TNR enfermeiros e 1.877 assistentes dentários, assistentes de enfermagem, assistentes de serviços de saúde, entre outros trabalhos de apoio.
QUESTÃO DE PROPORÇÃO
João Luz
info@hojemacau.com.mo
Na resposta à interpelação de Pereira Coutinho, os SS
PUB
ANÚNCIO Concurso Público n.º 001/DOI/2019
ANÚNCIO Concurso Público n.º 002/DOI/2019
“Aquisição do serviço de manutenção de software de sistemas Oracle e Microsoft para o Instituto para os Assuntos Municipais”
“Aquisição de plataforma de sistema de gestão de informação geográfica para o Instituto para os Assuntos Municipais”
Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM, tomada em sessão de 26 de Julho de 2019, se acha aberto o concurso público para a “Aquisição do serviço de manutenção de software de sistemas Oracle e Microsoft para o Instituto para os Assuntos Municipais”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes quiserem, podem descarregar os documentos acima referidos, sendo também da sua responsabilidade a consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 17h00 do dia 5 de Setembro de 2019. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo, sito no rés-do-chão do Edifício do IAM, e prestar uma caução provisória de MOP 100.000,00 (cem mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação deste Instituto, sita na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edf. China Plaza, 6.º andar, Macau, pelas 10h00 do dia 6 de Setembro de 2019. Aos 7 de Agosto de 2019
Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais do IAM, tomada em sessão de 26 de Julho de 2019, se acha aberto o concurso público para a “Aquisição de plataforma do sistema de gestão de informação geográfica para o Instituto para os Assuntos Municipais”. O programa de concurso e o caderno de encargos podem ser obtidos, todos os dias úteis e dentro do horário normal de expediente, no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, ou descarregados de forma gratuita através da página electrónica deste Instituto (http://www.iam.gov.mo). Se os concorrentes quiserem, podem descarregar os documentos acima referidos, sendo também da sua responsabilidade a consulta de actualizações e alterações das informações na nossa página electrónica durante o período de entrega das propostas. O prazo para a entrega das propostas termina às 17h00 do dia 17 de Setembro de 2019. Os concorrentes ou seus representantes devem entregar as propostas e os documentos no Núcleo de Expediente e Arquivo, sito no rés-do-chão do Edifício do IAM, e prestar uma caução provisória de MOP 40.000,00 (quarenta mil patacas). A caução provisória pode ser entregue na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM, sita na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, r/c, Macau, por depósito em dinheiro, cheque ou garantia bancária, em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais”. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no auditório da Divisão de Formação e Documentação deste Instituto, sita na Avenida da Praia Grande, n.º 804, Edf. China Plaza, 6.º andar, Macau, pelas 10h00 do dia 18 de Setembro de 2019. O IAM realizará, no mesmo local, uma sessão de esclarecimento relativa a este concurso pelas 10h00 do dia 28 de Agosto de 2019. Aos 6 de Agosto de 2019.
A Administradora do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Isabel Jorge www. iam.gov.mo
A Administradora do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Isabel Jorge www. iam.gov.mo
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14.8.2019 quarta-feira
CHINA LIFE INSURANCE (OVERSEAS) CO., LTD. MACAU BRANCH
RELATÓRIO DE AUDITOR INDEPENDENTE SOBRE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS PARA À GERÊNCIA DA CHINA LIFE INSURANCE (OVERSEAS) COMPANY LIMITED – SUCURSAL DE MACAU (SOCIEDADE POR ACÇÕES DE RESPONSABILIDADE LIMITADA, REGISTADA EM REPÚBLICA POPULAR DA CHINA) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da China Life Insurance (Overseas) Company Limted – Sucursal de Macau (a «Sucursal») relativas ao ano de 2018, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 11 de Abril de 2019, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31
de Dezembro de 2018, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações na conta de sede e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas.
Para a melhor compreensão da posição financeira da Sucursal e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangido pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria. Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young - Auditores Macau, aos 11 de Abril de 2019
RELATÓRIO DE ACTIVIDADES Com o elevado reconhecimento e o apoio dos clientes locais, a Sucursal de Macau da China Life Insurance (Overseas) Company Limited (doravante designada por “Sucursal de Macau”) auferiu 7,99 mil milhões de patacas em termos de prémios no ano de 2018, e registou um lucro depois de impostos de 265 milhões de patacas. O montante total de investimento por parte das sucursais de Macau e Hong Kong no Projecto de Pre-IPO da Lung Ming Mining Co., Ltd (adiante denominada por “Lung Ming Mining”) foi 200 milhões de dólares americanos. Em 2016, a Companhia transferiu o saldo total do investimento da sucursal de Hong Kong na Lung Ming Mining à de Macau, sendo 339 milhões de patacas de quotas e 895 milhões de patacas de empréstimos. Devido à mudança violenta da situação económica global, a queda significante do preço do minério de ferro bem como o ambiente não satisfatório de investimento do mercado global de capitais, Lung Ming Mining não conseguiu ser listada em bolsas de valor como esperado. Tomando em conta a incerteza da recuperação do investimento no Projecto da Lung Ming Mining e no
princípio da prudência operacional e financeira, as provisões para a depreciação de activos relativamente a esse investimento ficaram 508 milhões de patacas no ano em apreço. Em 2017, a companhia devolveu à sucursal de Hong Kong o saldo de 470 milhões de patacas do Projecto de Pre-IPO da Lung Ming Minin. Em 2018, as provisões para a depreciação de activos, relativamente a investimento em acções de Lung Ming Mining, da Sucursal de Macau, foram 219 milhões de patacas e o saldo contabilístico passou a ser 178 milhões de patacas nos finais deste ano. Foi criado um grupo de trabalho destinado à efectuação da comunicação activa com Lung Ming Mining e à tomada de medidas eficazes para aumentar a recuperação do investimento, não excluindo a possibilidade de continuar a depreciação nos próximos anos e a de afectar os lucros da companhia. No entanto, mesmo nas situações mais desfavoráveis, i.e., a previsão para a depreciação do saldo total do investimento neste projecto, a nossa companhia irá manter a boa solidez financeira e a capacidade suficiente de liquidação.
Estamos em Macau há 29 anos, com a filosofia corporativa de “Lifelong Promise, Lifelong Partner”, conseguindo o activo total de 56,4 mil milhões de patacas até aos finais do ano de 2018. Foram atribuídas à China Life Insurance (Overseas) Company Limited o rating A11 da Solidez Financeira de Seguros pela Moody’s e o rating A2 do Crédito de Emitente de Moeda Local a Longo Prazo e da Solidez Financeira de Seguradora pela Standard & Poor’s. Tendo os activos de quase 4 trilhões de RMB nos finais de 2018, a companhia-mãe China Life Insurance (Group) Company ocupa o número 42 das 500 maiores companhias do mundo. No futuro, iremos continuar a envidar todos esforços no sentido de proporcionar aos cidadãos de Macau serviços de boa qualidade de seguros de vida e contribuir para o desenvolvimento e construção de Macau para retribuir o apoio e a confiança dos clientes. 1 até a 13 de Março de 2019 2 até a 29 de Novembro de 2018
política 7
quarta-feira 14.8.2019
O
primeiro encontro entre o deputado pró-democrata Sulu Sou e o único candidato ao cargo de Chefe de Executivo, Ho Iat Seng, teve lugar ontem, ao final da tarde. A reforma política foi o grande tema em discussão, sem que, no entanto, o futuro governante tenha deixado qualquer promessa concreta nos passos a tomar no caminho para a democracia. “Queríamos enfatizar a necessidade da reforma política”, apontou Sou após o encontro com o ex-presidente da Assembleia Legislativa. “Partilhámos as nossas opiniões e chegámos a um consenso básico da reforma política”, disse acrescentando que “o primeiro passo tem de ser dado pelo Chefe do Executivo”. A reforma rumo a um sistema mais democrático está prevista na Lei Básica e “o primeiro passo tem de ser dado pelo Governo da RAEM com a apresentação de uma proposta à Assembleia Legislativa (AL). Só depois é que se pode avançar para aprovação por parte do Governo Central”, sublinhou. “Nós sabemos que a decisão final é do Governo Central, mas queremos que o Governo da RAEM faça aquilo que tem a responsabilidade de fazer”, reiterou aos jornalistas. Por parte de Ho Iat Seng, não foi dada qualquer garantia. “Não houve qualquer promessa durante a reunião e nós vamos continuar a
U
M inquérito levado a cabo pela Associação da Visão do Povo, presidida pela deputada Song Pek Kei, conclui que os novos imigrantes não se sentem plenamente integrados na sociedade de Macau em termos sociais, tendo o nível de integração de baixo nível atingido 47,4 por cento das respostas. No que diz respeito à participação social, atingiu a fasquia dos 2,1 por cento. No entanto, no que diz respeito à integração económica e cultural, os resultados foram os mais elevados no seio dos novos imigrantes, tendo chegado ao “alto grau de integração”, variando entre 40 a 60 pontos. Cerca de 80 por cento dos inquiridos são oriundos do interior da China. Muitos
ELEIÇÕES HO IAT SENG E SULU SOU DISCUTIRAM REFORMA POLÍTICA
Occupy Central, a situação foi mencionada no encontro. Mas, para Sulu Sou “o Governo Central confia mais em Macau do que em Hong Kong e nós estamos em condições de pôr em prática a reforma política”.
A necessidade de se avançar para a reforma política em Macau marcou o encontro de ontem entre Sulu Sou e Ho Iat Seng. Apesar de ambas as partes concordarem que se trata de uma medida prevista na Lei Básica, e que cabe ao Chefe do Executivo tomar a iniciativa, Ho não deixou promessas
MAIOR PRESENÇA
Sem compromissos
Sulu Sou, deputado “Nós sabemos que a decisão final é do Governo Central, mas queremos que o Governo da RAEM faça aquilo que tem a responsabilidade de fazer”
pressionar”, sublinhou o pró-democrata. Recorde-se que na apresentação do seu programa político no passado sábado, o único candidato aos mais alto cargo do governo defen-
deu “uma mudança gradual” rumo à reforma democrática. Ainda segundo Sulu Sou, o candidato mencionou na reunião de ontem que o actual Governo tentou avançar para um novo
sistema político junto de Pequim, de forma informal. “O Governo actual já tentou lutar por uma reforma política com o Governo Central, mas não foi bem-sucedido”, apontou.
Um pé dentro, outro fora Imigrantes sentem-se pouco integrados na sociedade de Macau
deles vieram para Macau devido ao casamento com residentes, por terem outros familiares no território, pelas oportunidades de emprego ou de investimento. No total, foram realizados 740 inquéritos.
Neste sentido, a deputada Song Pek Kei defende que o Governo deve formular uma nova política em prol de uma melhor integração social dos imigrantes, uma vez que as actuais medidas são fragmentadas,
existindo um baixo nível de planeamento face aos novos imigrantes. “Nas próximas Linhas de Acção Governativa é necessário elaborar um programa de aperfeiçoamento das políticas de integração social
Apesar de Ho Iat Seng não ter associado directamente a relutância de Pequim no avanço democrático em Macau aos acontecimentos de 2014 em Hong Kong que levaram ao movimento
tendo em conta as experiências das regiões vizinhas”, defendeu a deputada, que disse ainda que poderia ser criada “uma instituição especializada que reforce a coordenação e promova as políticas de integração”.
DOS OBSTÁCULOS
Song Pek Kei acrescentou que, embora em Macau
Na reunião de ontem o pró-democrata pediu também a Ho Iat Seng para que, enquanto Chefe do Governo, possa estar mais presente na AL, nomeadamente nas reuniões plenárias. Como ex-deputado e ex-presidente do órgão legislativo onde desempenhou funções durante dez anos, “Ho Iat Seng compreende totalmente que os deputados queiram que o Governo seja monitorizado pela AL”. Em resposta à solicitação, Ho “prometeu considerar” estar mais disponível perante os legisladores. No que respeita a medidas para melhorar as condições de habitação dos jovens, Sulu Sou considera que também neste ponto as ideias são semelhantes às do candidato. Para Sou é natural que não se possam resolver os problemas nos próximos cinco anos, mas pode começar-se a estudar medidas para o futuro. “Ho Iat Seng também mencionou que as fracções no mercado privado são demasiado caras para os jovens”, apontou. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
exista segurança e um bom sistema de segurança social, questões como a linguagem, relações interpessoais, qualificações académicas e competências laborais acabam por ser “muitos desfavoráveis” à integração e ao desenvolvimento social, causando “incómodo” aos imigrantes. Um outro resultado mostra ainda que as mulheres ocupam a fasquia dos 58,1 por cento do grupo dos novos imigrantes. “Enquanto estiverem em situações precárias estas mulheres não se atrevem ou não sabem como pedir auxílio, o que gera situações de abusos emocionais ou até casos de violência doméstica e de pressão familiar”, rematou a deputada. J.N.C.
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14.8.2019 quarta-feira
Jogo condicionado Protestos no aeroporto de Hong Kong com impacto nos casinos
O
JOGO JUNKETS DE MACAU IMPEDIDOS DE LEVAR CLIENTES VIP PARA O EXTERIOR
Trancado a sete chaves
Os junkets que operam em Macau estão impedidos de levar apostadores chineses para casinos no estrangeiro. A decisão da Direcção de Inspecção de Coordenação de Jogos vem de encontro à postura tomada por Pequim de tentar evitar lavagem de dinheiro e promover o crescimento da indústria do jogo de Macau
N
A semana passada, a embaixada chinesa nas Filipinas demonstrou em a preocupação face ao forte investimento de sites e casinos filipinos para atrair apostadores chineses. O foco no mercado chinês, de acordo com a embaixada em Manila, “coloca um severo risco à supervisão e segurança financeira da China, ao ajudar apostadores a escapar ao controlo de fluxo de capitais. O puxão de orelhas foi também para dentro, com a ameaça de penalizações a empresas chinesas, a menos que “parem de imediato as suas actividades ilegais”. Como tal, era uma questão de tempo até o Governo de Macau agir. Assim sendo, junkets que operam na RAEM não podem atrair apostadores VIP para mer-
cados exteriores. De acordo com a agência Bloomberg, a Direcção de Inspecção de Coordenação de Jogos (DICJ) decidiu proibir a “exportação” de clientes do sector VIP para mercados como as Filipinas. A regra imposta pela DICJ ainda não foi tornada pública e só é conhecida devido a testemunho anónimos de fontes ouvidas pela Bloomberg e pelo portal GGRAsia.
LAVANDARIA GLOBAL
Apesar do caracter algo simbólico do comunicado da Embaixada chinesa em Manila, segue uma linha de ataque de Pequim aos esquemas internacionais de lavagem de dinheiro, como as apostas remotas, ou seja, o jogo que permite apostas numa mesa em que o apostador não está.
O controlo do Governo Central tem sido contornado por operadores de jogo que estabelecem empresas offshore em países como as Filipinas de forma a continuarem o foco no mercado chinês. Recentemente, os junkets a operar em Macau estiveram
O controlo do Governo Central tem sido contornado por operadores de jogo que estabelecem empresas offshore em países como as Filipinas de forma a continuarem o foco no mercado chinês
debaixo de olho das autoridades do continente devido ao alegado envolvimento na promoção de jogo offshore, através de subsidiárias externas criadas para o efeito. Neste aspecto, o Suncity Group foi um dos visados, inclusive pela DICJ, por suspeitas de promover o jogo online no Interior da China. Esta forma de jogar facilita ao apostar a transferência de largas somas de dinheiro sem ter de revelar a identidade. Os junkets facilitam todo o processo através das ligações a operações no exterior. Aliás, de acordo com uma fonte anónima próxima do Suncity, e citada pelo portal CalvinAyre, desde que o grupo deixou de aceitar apostas remotas, os lucros caíram 10 por cento, uma parcela considerável, tendo em conta que o grupo factura anualmente 230 mil milhões de dólares.
NTEM e na segunda-feira o Aeroporto Internacional de Hong Kong encerrou devido a protestos no local, algo que poderá ter impacto no turismo de curta duração de Macau. A tese é da consultora financeira Nomura, de acordo com a GGRAsia. "Esperamos que o fecho do aeroporto de Hong Kong exerça pressão sobre os visitantes que se dirigem a Macau por um curto período de tempo”, referem os analistas Harry Curtis, Daniel Adam e Brian Dobson citados pela mesma fonte. No entanto, “o impacto deve ser transitório e as visitas para Macau deverão ser recuperadas assim que o aeroporto reabrir”, acrescentaram. Recorde-se que a maioria dos jogadores dos casinos locais são turistas, e que muitos chegam a Macau através do aeroporto da região vizinha. A Sanford C. Bernstein Ltd sublinha que o impacto negativo dos protestos de Hong Kong é notório. “Estamos a começar a registar o impacto negativo dos protestos em Hong Kong com a interrupção dos transportes, o que está a criar um movimento contrário à China e à região (e às visitas a Macau)”, apontou a consultora. Também a Wynn Macau Ltd admitiu durante uma teleconferência com analistas de investimentos – a existência de um impacto negativo para o sector do jogo devido à interrupção dos transportes causada pelos protestos em massa em Hong Kong. “Quando são cancelados centenas de voos e surge relutância em viajar, há motivos para achar que isso terá impacto no negócio”, disse o director, Matt Maddox.
SEM FIM À VISTA
O presidente da Wynn Macau Ltd, Ian Coughlan, acrescentou na mesma altura que “o que está a acontecer em Hong Kong certamente se vai reflectir nos negócios a curto prazo”. “Houve uma interrupção no movimento de pessoas entre Hong Kong e Macau e parece que vai continuar nas próximas semanas pelo menos”, acrescentou o responsável. Por outro lado, há ainda quem defenda que em Macau não existe correlação directa entre o número de turistas e as receitas de jogo, na medida em que uma das grandes fontes de apostas é o sector VIP, que envolve elevadas quantias, mas poucos jogadores. No entanto, de acordo com as últimas estatísticas de jogo, o sector de massas tem contribuído mais para os lucros das operadoras. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
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quarta-feira 14.8.2019
Segundo dados revelados ontem pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP, foram detectados em Julho 81 trabalhadores ilegais pelas autoridades. Em longo do mês passado, a CPSP, em conjunto com a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, realizou 669 fiscalizações a locais de trabalho.
Acolhimento aperfeiçoado
O
Instituto de Acção Social lança novo mecanismo de abertura de centros de emergência
TIAGO ALCÂNTARA
CPSP Em Julho foram detectados 81 trabalhadores ilegais
Instituto de Acção Social vai lançar o “Mecanismo da abertura de dois níveis dos centros de acolhimento de emergência”. A medida vai ser posta em prática já na passagem do próximo tufão pelo território e tem como objectivo “aperfeiçoar de forma contínua a organização de reassentamento em caso de emergência”, aponta o organismo em comunicado, acrescentando que pretende ainda “prestar serviços e apoios adequados para os utentes”. O primeiro nível é accionado quando o sinal de número 8 ou superior for içado, e corresponde à abertura de quatro centros de acolhimento de emergência – O Centro de Abrigo de Vento da Ilha Verde, o Campo dos Operários da Associação Geral dos Operários de Macau, o Centro de Acção Social da Taipa e Coloane (Sucursal da Taipa) e a Escola Superior das Forças de Segurança de Macau. Durante o período da abertura de 1.º nível, são disponibilizados nos referidos centros, água potável, bolachas e massas
instantâneas, para responder às necessidades dos utentes.
TUDO CONTROLADO
Já o mecanismo da abertura de 2.º nível acontece durante a passagem de tufões sob aviso de Storm Surge Laranja ou superior e quando o Governo promulgar a evacuação
em caso de emergência de cidadãos que se encontrem nas zonas baixas. Nestas circunstâncias, serão abertos os 17 centros de acolhimento de emergência e os 4 locais de encontro e de permanência para evacuação de emergência. Durante a abertura de 2.º nível são também dispo-
nibilizados aos utentes água para beber, bolachas, bolos, comida enlatada, aveia, arroz cozido, colchões, sacos de dormir, cobertores, e estarão disponíveis estruturas de higiene e outras comodidades como casa de banho, camas, cadeiras de rodas, equipamentos para pessoas com de-
ficiência auditiva e cartões de telecomunicações. Para cinco dos centros de acolhimentos de emergência, são destacados funcionários de saúde e de enfermagem dos Serviços de Saúde, e ainda equipamentos médicos. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
PUB
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 37/P/19
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 38/P/19
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 39/P/19
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o «Fornecimento e Instalação de Equipamentos Cirúrgicos de Laser de Hólmio e de Laser de Túlio aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP46,00 (quarenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo).
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e instalação de quatro caldeirões a vapor de 200 litros aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP39,00 (trinta e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www. ssm.gov.mo).
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 29 de Julho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação do Serviço de Manutenção e Reparação do Sistema de Combate a Incêndios aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Agosto de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 74,00 (setenta e quarto patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes nos seguintes horários e locais, para efeitos de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso:
As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 13 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 17 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Os concorrentes devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 19 de Agosto de 2019, às 10,00 horas, para visita de estudo ao local da instalação dos equipamentos a que se destina o objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 19 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 20 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP28.000,00 (vinte e oito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Horários
Locais
do Departamento de Às 10,00 horas do dia Entrada e Equipamentos do Centro 19 de Agosto de 2019 Instalações Hospitalar Conde de São Januário Às 15,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde do Tap 19 de Agosto de 2019 Seac Às 10,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde dos 20 de Agosto de 2019 Jardins do Oceano Às 15,00 horas do dia Entrada do Centro de Saúde da Areia 20 de Agosto de 2019 Preta (Hac Sa Wan) Às 10,00 horas do dia Entrada do Posto de Saúde de Coloane 21 de Agosto de 2019 (Lou Wan) As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 17 de Setembro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 18 de Setembro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Agosto de 2019. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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14.8.2019 quarta-feira
ASSÉDIO SEXUAL CANTOR ESPANHOL PLÁCIDO DOMINGO ACUSADO POR NOVE MULHERES
A ópera do malandro Oito cantoras e uma bailarina afirmaram ter sido importunadas sexualmente pelo cantor espanhol. Testemunhos de mais de 30 pessoas ligadas ao meio musical confirmam já ter assistido a comportamentos incorrectos do tenor. O poder de Plácido Domingo e o receio de represálias profissionais terá levado a que apenas a meio soprano Patricia Wulf tenha dado a cara, mantendo-se as outras alegadas vítimas no anonimato indústria musical, desde cantoras a músicos de orquestra, passando por professores de canto e administradores, confirmaram ter testemunhado comportamentos impróprios de índole sexual por parte do espanhol de 78 anos. Uma das mulheres que acusam Plácido Domingo de assédio sexual contou à AP que o espanhol enfiou a mão
dentro da sua saia e três outras acusam-no de as ter beijado à força em camarins, num quarto de hotel e num almoço. “Um almoço não é algo estranho”, disse uma das cantoras. “Alguém a tentar segurar a tua mão durante um almoço de negócios é estranho – ou a colocar a sua mão no teu joelho. Ele estava sempre a tocar-te de
alguma maneira e sempre a beijar-te”. Das nove pessoas que acusam o cantor, apenas a meio soprano Patricia Wulf aceitou divulgar o seu nome, tendo as restantes pedido anonimato por temer represálias profissionais e pessoais. Sete das nove mulheres disseram acreditar que as carreiras sofreram por terem
rejeitado os avanços sexuais de Plácido Domingo. Uma delas disse que teve relações sexuais com o cantor em duas ocasiões e que, numa delas, quando Plácido Domingo saiu do quarto, deixou uma nota de 10 dólares na cómoda: “Não quero que te sintas como uma prostituta, mas também não quero que tenhas de pagar para estacionar”.
REDE DE PODER
Contactado pela AP, Placido Domingo não respondeu às questões específicas sobre as acusações, declarando que “as alegações destas pessoas, cujo nome não é divulgado e que remontam até há 30 anos, são profundamente perturbadoras e - da forma como são apresentadas – imprecisas”. “Ainda assim, é doloroso ouvir que posso ter incomodado alguém ou causado desconforto, não importa há quanto tempo e apesar das minhas melhores intenções. Acreditei que todas as minhas interações e relações foram sempre bem-vindas e consensuais. Quem me conhece ou trabalhou comigo sabe que não sou alguém que intencionalmente magoasse, ofendesse ou embaraçasse outra pessoa”,
JACQUELYN MARTIN
O
cantor espanhol Plácido Domingo terá assediado sexualmente várias mulheres e usou a sua posição para as punir quando o recusavam, tendo a agência de notícias Associated Press divulgado ontem relatos de profissionais do meio a confirmar estes comportamentos. Numa extensa investigação por parte da agência norte-americana, oito cantoras e uma bailarina disseram ter sido assediadas sexualmente por Plácido Domingo, numa série de acontecimentos que ocorreram ao longo de três décadas, em espaços que incluíam companhias de ópera onde o cantor ocupava cargos de direcção. Muitas dizem ter sido avisadas por colegas para nunca ficar a sós com Domingo. Seis outras mulheres relataram à AP avanços que lhes causaram desconforto, em particular uma cantora que Plácido Domingo repetidamente convidou para sair, depois de a ter contratado para uma série de concertos na década de 1990. Adicionalmente, quase 30 outras pessoas ligadas à
Patricia Wulf
BIENAL DE VENEZA 2020 CANDIDATURAS ABERTAS PARA PAVILHÃO DE MACAU
O
Museu deArte de Macau (MAM) anunciou ontem que estão abertas até 25 de Setembro as candidaturas para apresentação de propostas para o Pavilhão de Macau-China na 17ª Bienal de Arquitectura de Veneza, que se realiza em Maio de 2020. O tema da Bienal é “Como iremos viver juntos?” e conta com a curadoria de Hashim Sarkis, Director da Escola de Arquitectura e Urbanismo do Instituto de Tecno-
logia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. A representação de Macau no Pavilhão de Macau-China cabe ao Museu de Arte de Macau, sob a alçada do Instituto Cultural (IC), em colaboração com a Associação dos Arquitectos de Macau e com a equipa que for escolhida através deste concurso público. As equipas concorrentes deverão ser constituídas por dois membros,
no mínimo, com um curador e um ou mais expositores, todos maiores de 18 anos e portadores de Bilhete de Identidade de Residente Permanente de Macau. É obrigatório um dos membros da equipa ter formação académica em Arquitectura ou Planeamento Urbano, não havendo restrições quanto à formação dos outros elementos da equipa. O júri será composto por arquitectos locais e estrangeiros, e
por representantes do IC. A equipa seleccionada será anunciada no mês de Outubro, podendo receber um valor máximo de 600 mil patacas para cobrir os custos de produção, bem como apoio para o transporte entre Macau e Veneza e alojamento para três pessoas no máximo. A Bienal de Arquitectura de Veneza, que se realiza desde 1980, é um dos eventos de arquitectura mais influentes do mundo.
Quase 30 outras pessoas ligadas à
acrescentou o cantor, que diz que “as regras e padrões” de hoje são “muito diferentes do que foram no passado”. A influência do cantor no meio – membro do conjunto de Três Tenores, com José Carreras e Luciano Pavarotti, director-geral da Ópera de Los Angeles, presidente da Europa Nostra, presidente da administração da Federação Internacional da Indústria
eventos 11
quarta-feira 14.8.2019
indústria musical, desde cantoras a músicos de orquestra, passando por professores de canto e administradores, confirmaram ter testemunhado comportamentos impróprios de índole sexual por parte do espanhol de 78 anos
Fonográfica e responsável pelo concurso Operalia, que se realizou em Lisboa no ano passado – é tamanha que só Wulf aceitou dar a cara em declarações à AP. Muitas das pessoas admitiram sentir-se fortalecidas pelo movimento #MeToo e decidiram que a maneira mais eficaz de atacar a má conduta sexual na indústria era denunciar o comportamento
da figura mais proeminente da ópera.
LISTA NEGRA
Em Agosto do ano passado, o maestro titular da Orquestra Real do Concertgebouw, na Holanda, Daniele Gatti, foi afastado do cargo, depois de reveladas acusações de que teria atacado duas mulheres no seu camarim. Meses depois, foi contratado para a Ópera de Roma.
Outro maestro, Charles Dutoit, foi afastado de várias orquestras com quem colaborava na sequência de denúncias de conduta imprópria ao longo de mais de duas décadas. Passado pouco tempo, tornou-se maestro convidado da Filarmónica de São Petersburgo. Também James Levine foi pela Ópera Metropolitana de Nova Iorque, sem que se conheçam novas ocupações do maestro.
Em Dezembro de 2017, as pessoas que denunciaram casos de assédio e abuso sexual, num movimento colectivo denominado #MeToo, surgido nos Estados Unidos, foram nomeadas “Personalidade do Ano” pela revista norte-americana Time. Um dos casos mais mediáticos envolveu o produtor norte-americano Harvey Weinstein, acusado de assédio e abuso
sexual por mais de 80 mulheres, entre as quais várias estrelas de Hollywood, como Gwyneth Paltrow,Ashley Judd eAngelina Jolie. Depois destas denúncias, através de investigações pelo jornal The New York Times e a revista The New Yorker, e que levaram Harvey Weinstein a ser despedido da empresa que cofundou e à sua expulsão de várias associações e organizações, nomeadamente daAcademia de
Hollywood, outros casos foram surgindo. Entre os acusados de assédio e abusos sexuais, mas também de má-conduta sexual, estão atores como Kevin Spacey e Dustin Hoffman, o ex-presidente da Amazon Studios Roy Price, os realizadores Brett Ratner e James Toback, os jornalistas Charlie Rose, Glenn Thrush e Matt Lauer, o fotógrafo Terry Richardson e o comediante norte-americano Louis C.K..
AUSTRÁLIA ESCRITOR CURDO DETIDO EM CENTRO DE IMIGRANTES VENCE PRÉMIO LITERÁRIO
O
jornalista e escritor curdo-iraniano Behrouz Boochani, detido há seis anos num centro de imigrantes, foi distinguido com o National Biography, um dos prémios literários mais importantes da Austrália, anunciou ontem a organização. Boochani, que se encontra em instalações definidas para imigrantes na ilha de Manus - ao norte de Papua Nova Guiné -, escreveu, através de mensagens da rede social whatsapp,
o livro “No Friend But the Mountains: Writing from Manus Prison” (“Sem amigos, apenas as montanhas: Escrevendo a partir da prisão de Manus”, em tradução livre). A obra, que retrata a experiência do jornalista e activista defensor dos direitos humanos no centro para imigrantes que a Austrália tem em Manus - onde aguarda ser recebido por outro país - é descrito pelo júri como um testemunho da resistência.
O livro “é profundamente importante (...) como um testemunho (...) uma demonstração do poder salvador da escrita como um acto de resistência”, sublinha a Biblioteca Estatal de Nova Gales do Sul, que outorga o prémio. “Não quero falar de literatura, só quero dizer que penso na comunidade literária como parte da sociedade civil da Austrália, é parte da nossa resistência contra o sistema, e creio
que é muito valiosa”, disse, numa mensagem reproduzida pela organização do galardão. Com o mesmo livro, Behrouz Boochani recebeu em Fevereiro o Prémio Literário Premier da Austrália, na categoria de não ficção, organizado pelo The Weeler Centre. O centro de detenção de Manus encerrou em 2017, mas Boochani faz parte de um grupo de 600 homens que permanecem na ilha em
campos de refugiados sem poder ir à Austrália, que recusa acolher os imigrantes que tentam entrar no país por via marítima.
12 hong kong
14.8.2019 quarta-feira
O
S manifestantes que voltaram a paralisar o aeroporto de Hong Kong disseram ontem à agência Lusa que a erosão económica, sobretudo no sector do turismo, é uma das apostas para pressionar o Governo a aceitar as suas reivindicações. “Não nos estão a dar alternativas. Este é um caminho, mas a culpa é do Governo. Tivemos milhões nas ruas, mas agora é que parece que estão a reagir” por causa do impacto e da visibilidade do protesto naquele que é um dos mais movimentados aeroportos do mundo, disseram à agência Lusa vários manifestantes que pediram para não serem identificados, com medo de retaliações por parte das autoridades. Ao quarto dia de protesto no aeroporto, com centenas de voos cancelados pelo segundo dia consecutivo, o Governo de Hong Kong anunciou ontem um inquérito formal para investigar as circunstâncias nas quais uma mulher foi atingida gravemente num olho em
HONG KONG MANIFESTANTES APOSTAM NA EROSÃO ECONÓMICA PARA PRESSIONAR GOVERNO
A esfregar sal na ferida
frente à esquadra de Tsim Sha Tsui no domingo, e que se tornou num símbolo da brutalidade policial.
Confrontada com perdas no sector do turismo, que também já estão a afectar Macau, a chefe do GoverPUB
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO Torna-se público que, de acordo com o Despacho de 5 de Agosto de 2019 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação do serviço de realização do Espectáculo de Lançamento de Fogo-de-Artifício no Dia da Fraternidade Universal. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, encontrando-se o referido processo igualmente patente no website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), podendo os concorrentes fazer “download” do mesmo. O limite máximo do valor global da prestação de serviço é de MOP1.300.000,00 (um milhão e trezentas mil patacas). Os pedidos de esclarecimento devem ser feitos por escrita e apresentados até ao dia 27 de Agosto de 2019 pelas 17:45 na área dos Avisos Públicos do website da Indústria Turística de Macau (http://industry.macaotourism.gov.mo), as respectivas respostas também serão publicadas no mesmo website. Critérios de apreciação das propostas e percentagem:
Critérios de adjudicação Preço A quantidade de disparos Criatividade - Descrição do tema do espectáculo de fogo-de-artifício - Utilização de tecnologia nova (descrição de utilização de criatividade ou produto específico, ou descrição de efeitos espectaculares) - Descrição do plano do lançamento e dos seus efeitos - Descrição do equipamento a ser utilizado Maior garantia de segurança e eficiência na prestação do serviço - Plano de transporte dos materiais pirotécnicos - Plano do lançamento - Plano de segurança na operação do lançamento - Mapa do traçado do local do lançamento Experiência do concorrente
Factores de ponderação 20% 20% 20%
30%
10%
Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:45 horas do dia 9 de Setembro de 2019, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais de RAEM ou em inglês, prestar a caução provisória de MOP26.000,00 (vinte e seis mil patacas), mediante 1) depósito em numerário à ordem do “Fundo de Turismo” no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem do “Fundo de Turismo” (número da conta:8003911119) 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. Acto público do concurso, no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício Hotline, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 10 de Setembro de 2019. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o prazo de entrega das propostas e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 7 de Agosto de 2019.
A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes
no de Hong Kong advertiu ontem que a violência das manifestações pró-democracia está a empurrar o território “para um abismo e mergulhar a sociedade (…) numa situação preocupante e perigosa”. As palavras de Carrie Lam e as declarações do porta-voz chinês do Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau, Yang Gang, que denuncia “os primeiros sinais de terrorismo” cometidos por “radicais” são encarados com alguma indiferença pelos jovens manifestantes. No aeroporto, passeiam-se sentados em carrinhos que deveriam transportar bagagens, empunham cartazes nos quais se denuncia a brutalidade policial, exibem palas que cobrem um dos olhos, tingidas de vermelho, e garantem que vão marcar presença em mais uma grande marcha promovida pela Frente Cívica de Direitos Humanos, agendada para domingo à tarde.
EM QUEDA
Os protestos em Hong Kong duram há mais de dois meses, têm sido marcados por violentos confrontos entre manifestantes e a polícia, com recentes dados a apontarem para um impacto económico na indústria de viagens na ex-colónia britânica. Na quinta-feira, o Governo de Hong Kong informou
que a chegada de turistas caiu 26 por cento no final do mês passado em relação ao mesmo período de 2018 e que continua a cair em Agosto, sendo que o sector de viagens representa 4,5 por cento da economia da cidade. O impacto pode ser tão mau ou pior do que em 2003, aquando do surto da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS), afirmou o presidente do Conselho da Indústria de Viagens, Jason Wong Chun-tat. Wong disse que os cancelamentos podem reduzir em 40 por cento as receitas de hotéis em Agosto, comparativamente ao mesmo período do ano passado.
DANOS COLATERAIS
Hong Kong vive um clima de contestação social após a apresentação de uma pro-
“Não nos estão a dar alternativas. Este é um caminho, mas a culpa é do Governo. Tivemos milhões nas ruas, mas agora é que parece que estão a reagir.” MANIFESTANTE
posta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental. A proposta foi, entretanto, suspensa, mas as manifestações generalizaram-se e denunciam agora uma “erosão das liberdades” na antiga colónia britânica. Aquele que é o único candidato a chefe do Governo de Macau disse que os protestos em Hong Kong estão a afectar o turismo no território e admitiu que a manter-se a tendência a cidade pode “enfrentar um grande problema”. Há algumas influências. (...) O número de turistas está a reduzir”, afirmou Ho Iat Seng, numa conferência de imprensa que serviu para apresentar o programa político. “Se a situação de Hong Kong continuar assim, no segundo semestre se calhar vamos enfrentar um grande problema”, admitiu. A ligação marítima entre Macau e o aeroporto internacional de Hong Kong, efectuada habitualmente ao início da noite, foi ontem cancelada pelo segundo dia consecutivo. João Carreira Lusa
hong kong 13
quarta-feira 14.8.2019
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Polícia entra no aeroporto
Um contingente da polícia entrou pelas 22:45 locais no aeroporto internacional de Hong Kong. Os manifestantes, que se encontravam no terminal 1, na zona onde se efetuam os ‘check-in’, tentaram bloquear sem êxito as entradas na zona central, usadas pela polícia para entrar no edifício. Centenas de jovens rodearam os agentes para tentar bloquear o acesso àquela zona, recorrendo aos carros de transporte de bagagem do aeroporto e com algumas grades, que limitam habitualmente os balcões das companhias aéreas.
ANNOUNCEMENT
No calor da revolta
Passageiros defendem manifestantes e criticam cancelamento de voos
A
S férias podem estar comprometidas, os dois dias de espera fazem ‘mossa’, mas vários passageiros retidos no aeroporto de Hong Kong defenderam ontem os manifestantes e afirmaram que o protesto “pacífico e ordeiro” não justifica o cancelamento de voos. No meio de algum caos pouco habitual num dos mais movimentados aeroportos do mundo, debruçados nos balcões das companhias aéreas, os passageiros tentam perceber quando poderão viajar. Henry Chan, que tentou partir na segunda-feira para Melbourne, onde vive, voltou a ficar em terra devido aos protestos pró-democracia que, depois de dois meses a paralisarem o centro da cidade, ‘acamparam’ no aeroporto internacional. Há horas no aeroporto, há demasiado tempo no balcão da companhia, Chan desiste e, com o dedo em riste apontado às funcionárias, desabafa, num discurso acalorado captado pelos telemóveis dos manifestantes, com direito a palmas no final: “Isto é um
protesto pacífico e ordeiro, não há razão nenhuma para os voos serem cancelados, isto é uma vergonha e a culpa é das autoridades”. Natural de Hong Kong e a viver em Melbourne, Austrália, o seu apoio vai para os protagonistas dos protestos que se queixam da erosão da democracia no território administrado pela China, que se queixam da violência policial, e querem a retirada integral da lei da extradição e a demissão da chefe do Governo, Carrie Lam. “Ontem [segunda-feira] estavam mais do que hoje. Isto não faz sentido nenhum. O que está por detrás desta ideia de cancelar os aviões?”, questionou o jovem, em declarações à agência Lusa.
PARA RECORDAR
A uma vintena de metros, uma passageira com cerca de 50 anos, rodeada de bagagens, agarrada a meia garrafa de vinho já consumida, dá um inusitado ‘sermão’ a um grupo de jovens manifestantes que se sentaram a descansar momentaneamente num dos cantos do aeroporto. “Vocês são jovens. Não podem estar cansadas. Vão
lá para o meio gritar. Não têm 50 e 60 anos. Não fiquem aí sentadas no chão”, disse a mulher que devia viajar à noite para Xangai, oriunda do Reino Unido, para se encontrar com o noivo, a poucos dias do casamento. “Lembrem-se do dia de hoje. Lutem hoje e as vossas vidas podem melhorar um pouco mais dentro de alguns anos”, foi repetindo a passageira às jovens, de preto, de máscaras e munidas de cartazes, até estas se retirarem, aparentemente para o coração do protesto. Outra passageira, Wendy Liang, deveria ter partido na segunda-feira de férias para a Austrália, mas sem sucesso. A sua revolta combina a frustração de ficar em terra nos primeiros dois dias de férias com a certeza de que o número de manifestantes, mas sobretudo a natureza pacífica do protesto de hoje (ontem) não justifica o cancelamento do seu voo pelo segundo dia consecutivo. “São jovens e completamente pacíficos. Por que estão a decidir cancelar [os voos]? Não entendo”, disse, corada do calor e da indignação. J.C. (Lusa)
1. Objective: 2. Procuring entity: 3. Address of procuring entity: 4. Works, goods and services to be procured: 5. Location of service provision: 6. Conditions of entry: 7. Method for obtaining tender documentation: 8. Tender submission location and deadline: 9. Tender opening location and time:
10. Validity period of the tender: 11. Provisional guarantee: 12. Definitive guarantee: 13. Service period: 14. Selection criteria:
Open invitation to one tender. Macao Science Center Limited. Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Service of Cleaning for Macao Science Center 2020 and 2021 PA-19-109 Macao Science Center. Registered supplier under relevant categories of Macao Science Center Limited. Interested parties can send in your request through email to tender@msc.org.mo and please attach with commercial registration documents & contact details. Location: Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Deadline: Macao Science Center. 13th September, 2019 (Friday) at 5:00 pm (Macao time). Location: Avenida Dr. Sun Yat-Sen, Macao Science Center. Time: The first working day after the deadline or 17th September, 2019 (Tuesday) at 3:00 pm (Macao time). Bidders or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. If bidder or its representative cannot be present in the Tender Opening, and clarification is required, Tender Opening Committee will send a notification letter to the bidder. The bidder must present a clarification letter and send back to the Tender Opening Committee before the deadline specified in the notification letter. The qualified list of bidders will be released afterwards. 90 days starting from the date of tender opening (the validity period may be extended according to the Tender Procedures). Exempted. 10% of the total contract value by bank guarantee. 2 years. Please refer to Chapter IV. Technical Requirement document, tender to be evaluated according to the following criteria: Price 50% Quality ( Please refer to Chapter II Tendering Procedure “article 10” for details) 50%
15. Additional information:
16. Base price:
All related information will be uploaded to Macao Science Center website (http://www. msc.org.mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information. No base price.
Macao Science Center Limited 14th August, 2019
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14.8.2019 quarta-feira
Um rio é a infância da água
A Poesia Completa de Li He
題 趙 生 壁 大婦然竹根,中婦舂玉屑。 冬暖拾松枝,日煙生蒙滅。 木蘚青桐老,石井水聲發。 曝背臥東亭,桃花滿肌骨。
Escrito no Muro da Casa de Zhao A tua esposa mais velha queima raízes de bambu, A tua segunda esposa reduz o jade a pó.1 Para aquecer o inverno, apanhas galhos de pinheiro, Mal apercebida, uma névoa fina na face do sol. Plátanos verdes de musgo, Rumor de água numa fonte de pedra. De sol nas costas, estendes-te no pavilhão oriental, Flores de pessegueiro cobrem-te a carne e os ossos.
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A metáfora é que uma cozinha e a outra pisa o arroz (num almofariz de jade).
Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quarta-feira 14.8.2019
Diário de um editor João Paulo Cotrim SANTA BÁRBARA, LISBOA, 10 AGOSTO Tropeço em velho texto que se aplica e auto-confirma. «A única verdade que vos posso contar é a de não estar preso a esta ou aquela mentira. Cultivo tantas, como em jardim botânico de espécies em vias de propagação. A mentira é uma infestante. Arde nos interiores, dá cor aos litorais, esconde no seu bojo líquido as areias e as dunas. As mentiras têm desertos nos bolsos. Só se descobre uma notícia se ela se confessar. Gosto muito das minhas mentiras. Algumas alimentam-se de moscas e obrigam-me a sair pela manhã para terem o que comer. Outras enchem-se com o ar verdadeiro das noites longas. Outras ainda sanguessugam imagens de televisão: anúncios, documentários e programas de culinária. Todas me escravizam com o trabalho de lhes oxigenar o sangue. Ando há tempos a roçar o abismo. Confesso que me protejo do mundo com a música que não sei tocar. Bebo demais e sei de menos. Não faço o suficiente para dizer que tenho uma vocação. Não escrevo diários e não me exponho, a não ser no disparate. Manipulo como animal de feira o lugar-comum. Sento-me nas frases como se estivesse cansado. E estou cansado nas coisas como se estivesse doente. Acham que sou engraçado e sei. Sou um ignorante melancólico. Acham que me disponho aos outros e faço. Afinal cultivo o meu umbigo em uma preguiça infindável.» HORTA SECA, LISBOA, 11 AGOSTO Cultivei, em tempos, no Expresso, uma leira de prosa onde procurava colher as palavras que actualidade atirava ao ar, ilustrada pelo mano Tiago [Manuel] (que ilustra algures a página com uma inédita destinada a «assessor de imprensa»). O nevoeiro pôs-me a folhear as páginas do dicionário perdido, para me garantir ao ouvido que o passado custa a deixar o ouvido. Arranquei umas da letra p, de pequeno possível. «PANDEMÓNIO - Milton criou a palavra para dar nome à morada apalaçada de Satã, em Paraíso Perdido. Significa agora uma mistura confusa de pessoas ou coisas. À primeira vista, assemelha-se bastante ao nosso quotidiano. Também se aplica à uma associação de pessoas para praticar o mal ou promover desordens e balbúrdias. Moraremos no condomínio aberto do demónio tendo por vizinhos um gang, duas claques e três máfias? «PANTANAS - No singular é lamaçal, atascadeiro, um grande pântano. Mas ouvir, a propósito da vida ou do orçamento, das eleições e do país, que «isto está de pantanas» deve-se ao facto de estamos perdidos ou com o negócio a correr mal. Também pode ser, singularmente, um salto lateral em que as mãos tocam no chão enquanto o corpo executa meia-volta. «PAPAGAIO DE PIRATA - Segundo a oralidade brasileira, dona e senhora de belas imagens, classifica o assessor político ou de imprensa que surge amiúde no enquadramento televisivo de um político (eleito ou em campanha), em geral logo atrás por sobre o ombro. Não confundir com emplastro. «PERCEPCIONAR - O mundo anda perigoso, por isso nos gritam a cada minuto esta exigência de percepcionar as ameaças. Não chega o uso dos sentidos para as perceber ou uma qualquer capacidade para as compreender, temos que as percepcionar. Como a percepção também inclui nos seus sentidos o efeito mental de representar os objectos, muito provavelmente paira por aqui um aviso acerca de obstáculos no caminho. Ou serão buracos? «PINDÉRICO - No entendimento burlesco das coisas é alguém magnífico e excelente, de altíssima qualidade. Mas afinal resume-se a indivíduo pobre, mal vestido, sujo e magro, ainda que teime em fazer figura. Quantas candidaturas políticas, programas de televisão, romances e figuras públicas nos surgem assim, sonsos e ensossos?
Boca de Incêncio «PLAYER - «Este player pode play discos», ou seja, este jogador pode jogar discos. In Manual de Instruções de DVD. «PODER - «Desligue o poder quando a unidade não é usada». E não se esqueça: «gire em torno do poder», que é como quem diz, em inglês, turn on the power. in Manual de Instruções do mesmo DVD. «POPULARES - Eles acodem aos eventos no plural e logo deixam de ser povo, gente comum, pessoas simples, para se transfigurarem em anónimos ferozes, turbamulta de um só rosto brutal, cuspindo insultos. Nalguns casos trazem ao palco a ignorância em estado natural e, portanto, totalitário. Noutros desejam a violência cobarde, uma justiça feita pelas mesmas mãos que poderiam ter corajosa e solitariamente evitado a desgraça. Mais do que figurantes, são actores do circo mediático. E representam-nos bem. «PRAGA - O homem vermelho de raiva soergueu-se na janela do automóvel em andamento e gritou: «Que tenhas um acidente!» Era uma praga, uma velha imprecação desejando males, no caso, a outro condutor mais lento, mais azelha ou apenas mais respeitador. As estatísticas mostram que, devido à velocidade ou à mentalidade, a morte nas estradas é um desastre, um flagelo, enfim, uma maldição das antigas. Não virão todas do Egipto, não serão ervas daninhas ou uma multidão de gafanhotos, mas elas andam por aí: são as lojas dos chineses, para uns, para outros a delinquência juvenil; para estes o futebol, para aqueles as seitas religiosas. Traz consigo o cheiro de outros tempos, este pedido com instância, esta súplica a uma entidade superior para que faça mal a alguém em nosso nome. Rogar uma praga é requerer um serviço com ponto de exclamação, reencaminhar em direcção concreta um mal que anda por aí à solta, indicar ao outro o caminho do inferno. A mais comum e prática talvez seja o básico «vai para o diabo!» Mas, além de o gritar, é preciso acreditar. Os irlandeses, povo de mar e literatura, não se li-
mitavam a atirar frases do tipo «que tenhas uma morte horrível!» ou «que o diabo te asfixie!». Apanhadas as pedras que eram empilhadas em forma de fogueira, ajoelhavam-se e tratavam de inventar sofrimentos, terminando o ritual dizendo «até que estas pedras peguem fogo». Cada qual com sua praga, as pedras eram atiradas para longe. Imagino o sucesso que seria a venda de calhaus com maldição incluída... À falta disso, podemos sempre contar com o fogo das palavras. Roga-se apenas alguma criatividade. Na tradição judaica há imprecações sugestivas: «Que te caiam os dentes todos menos um, e que esse te doa!» De Espanha, vem boa imagem: «Que engulas um pavão e que todas as penas se transformem em lâminas de barbear!» «PRESTAÇÃO - Na televisão, que é afinal a superfície do nosso mundo, os sumo-sacerdotes da opinião pública avaliam continuamente a prestação dos gestores públicos e semi-públicos, assessores e magistrados, políticos e eleitos, dos governadores e governantes, enfim, daqueles que deveriam estar obrigados a fornecer-nos explicações. As prestações dos avaliados como dos avaliadores raramente são prestáveis pelo que não saldam o crédito que lhes damos. A culpa é nossa. «PUM! – Segundo o Morais, dicionário que merece tratamento por tu, é a voz para queda, explosão ou disparo de um tiro. Por detrás da onomatopeia nem por isso violenta para queda, explosão ou disparo, esconde-se ainda o traque, como todos sabemos, ventosidade anal acompanhada de ruído. Embora não encontre registo, nem no Novo Dicionário de Calão, do Afonso Praça, sei que em paragens a norte, se usa apenas «pu», o que lhe retira alguma percussão. Mais colorido é o uso infantil de «pusete». A geografia mexe muito com as palavras. Por exemplo, em francês, este som diz-se «prout», mas deve soltar-se de igual modo. Discreto. «PUNHO - «Sonho com uma língua cujas palavras, como punhos, quebrassem queixos...» Cioran, Cahiers 1957-1972, Gallimard.
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RELATÓRIO DE ACTIVIDADES EM MACAU No ano de 2018, a Manulife Macau logrou manter um crescimento das suas actividades na ordem de dois dígitos, com o valor total dos prémios de seguro a ultrapassar 691 milhões de patacas, um aumento de 29% em comparação com o ano de 2017. O valor dos prémios das novas apólices de seguro individual ultrapassou 254 milhões de patacas, representando um aumento de 56% face ao valor do ano de 2017. Em Abril de 2018, a Manulife recebeu o Prémio Extraordinário (“Superior Award”) de Marca de Seguros de Elite de entre os Prémios de Serviços de Elite de Macau (“Macau Elite Service Award 2018”), organizados pelo Jornal Exmoo News, a empresa foi ainda distinguida com o Prémio de Excelência em “Responsabilidade Social Empresarial” da 6.ª edição dos Prémios de Negócios de Macau (“2018 Business Awards of Macau”) que teve lugar no dia 15 de Novembro do mesmo ano, sendo a única seguradora de Macau premiada, o que demonstra claramente o reconhecimento e confirmação do público da boa imagem criada e notável contributo ao longo dos anos. Este ano, a Manulife Macau, com a entrada no 22.o ano de actividades em Macau, irá prosseguir com o desenvolvimento de novos produtos de seguro e financeiros para satisfazer as necessidades dos clientes, assim como prestar, com profissionalismo e dedicação, serviço à população de Macau, proporcionando boas e abrangentes soluções financeiras e para a aposentação.
RELATÓRIO DE AUDITOR INDEPENDENTE SOBRE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS RESUMIDAS Para os Administradores da Manulife (International) Limited: (sociedade de responsabilidade limitada, registada em Bermudas) Procedemos à auditoria das demonstrações financeiras da Manulife (International) Limited, Sucursal de Macau (“Sucursal de Macau de Manulife”), relativas ao ano de 2018, nos termos das Normas de Auditoria e Normas Técnicas de Auditoria da Região Administrativa Especial de Macau. No nosso relatório, datado de 16 de Abril de 2019, expressámos uma opinião sem reservas relativamente às demonstrações financeiras das quais as presentes constituem um resumo. As demonstrações financeiras a que se acima se alude compreendem o balanço, à data de 31 de Dezembro de 2018, a demonstração de resultados, a demonstração de alterações na conta de sede e a demonstração de fluxos de caixa relativas ao ano findo, assim como um resumo das políticas contabilísticas relevantes e outras notas explicativas. As demonstrações financeiras resumidas preparadas pela gerência resultam das demonstrações financeiras anuais auditadas a que acima se faz referência. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas são consistentes, em todos os aspectos materiais, com as demonstrações financeiras auditadas. Para a melhor compreensão da posição financeira da Sucursal de Macau de Manulife e dos resultados das suas operações, no período e âmbito abrangidos pela nossa auditoria, as demonstrações financeiras resumidas devem ser lidas conjuntamente com as demonstrações financeiras das quais as mesmas resultam e com o respectivo relatório de auditoria.
Bao, King To Auditor de Contas Ernst & Young – Auditores Macau, aos 16 de Abril de 2019
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quarta-feira 14.8.2019
Divina Comédia Nuno Miguel Guedes
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A infelicidade como uma das belas artes
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INHA-ME prometido, a bem dos leitores e da minha própria saúde, fazer uma pausa nas crónicas menos luminosas e existenciais. Mas o universo encarrega-se de não nos deixar fugir ao que somos. Assim foi, e neste caso da pior maneira: perdemos David Berman, poeta e um dos maiores escritores de canções das últimas três décadas. Para mim e para muitos terá sido como perder um amigo próximo. Ainda mais porque todos andávamos maravilhados com o seu regresso, após uma década de ausência. O álbum Purple Mountains (do colectivo com o mesmo nome, veículo musical para as palavras de Berman) é uma obra-prima. Negra e luzidia, é certo; mas um regresso extraordinário, as marcas do antigo fundador dos Silver Jews a brilharem no fundo do mar. Só que a questão era essa: era para o fundo que Berman sempre quis que olhássemos. Estupidamente ou não, entre os vários lamentos e extraordinários tributos que fizeram ao homem, não me saía da cabeça a história de Steven Bradbury. Para quem não conhece, eu conto: Bradbury foi um patinador no gelo, na modalidade de velocidade em pista curta, que venceu da forma mais improvável a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. Depois de várias eliminatórias em que conseguiu ir sendo apurado de forma medíocre ou por desqualificação de concorrentes, Bradbury chegou à final – e vence-a porque os outros patinadores se envolveram numa queda colectiva, restando-lhe deslizar de forma serena até à meta. Durante alguns dias lutei comigo próprio para tentar descobrir a razão desta imagem recorrente mas aparentemente tão distante do que estava a sentir. Percebi quando comecei a revisitar, de forma mais calma, a obra de Berman. Desde o princípio que as suas canções são sobre os patinadores que caíram naquela elipse gelada e sobre quem vence daquela maneira. Berman escrevia sobre a vida do ponto de vista do perdedor e sempre com a consciência de que mesmo quando se vence, é o acaso que é a lei. Sim, sim: Random Rules, uma das mais famosas canções dos Silver Jews. Na minha opinião, Berman conta-se entre os grandes cronistas da infelicidade, uma arte nobre e difícil. Não o ser infeliz, nem a tristeza – isso são temas que atravessam desde há muito a música popular, de Hart a Porter, a
Cohen ou Curtis. O que Berman descrevia era a própria infelicidade, algo diferente e mais profundo; e como outros grandes chegava a rir-se dela. Um pouco como o risus purus de Beckett ou o optimismo desesperado que Francis Bacon dizia colocar nas suas telas. Uma constatação da miséria mas também um humor de condenado na masmorra. Os versos de Berman são alta-
mente citáveis e precisaria de duas crónicas para poder esgotar os melhores. Isso dá-lhe uma capacidade aforística que não é só mera catarse: é trabalho, vontade de criar a linha perfeita. Numa vida atormentada por dependências, abandonos amorosos, má relação com o pai e uma terrível depressão, era capaz de escrever coisas como “In 1984 I was hospitalized for approaching per-
Berman conta-se entre os grandes cronistas da infelicidade, uma arte nobre e difícil. Não o ser infeliz, nem a tristeza – isso são temas que atravessam desde há muito a música popular, de Hart a Porter, a Cohen ou Curtis. O que Berman descrevia era a própria infelicidade, algo diferente e mais profundo
fection”, o verso de abertura do já citado Random Rules. Neste disco a luz negra foi mais longe enquanto que, por contraste, a estrutura musical e produção são mais acessíveis e complexas. As canções são demasiado perto do osso, sabemo-lo sempre. E mesmo assim cantamos com gosto o refrão contagioso que diz “All my happiness is gone”. A morte de Berman tornou este Purple Mountains o mais belo dos testamentos musicais, só comparável ao último disco de Leonard Cohen. Mas haverá sempre a nuvem terrível do absurdo da vida e o desespero de um homem que depois de regressar resolve deixar este mundo. “The dead know what they’re doing when they leave this world behind”, assegura-nos no belíssimo Nights That Won’t Happen. Pois sim, mas quem me dera que isso servisse de consolo, David. Quem me dera.
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TEMPO POSSIBILIDADE DE TROVOADAS MIN 28 MAX 34 HUM 60-95% • EURO 9.04 BAHT 0.26 YUAN 1.14
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” Casas Museu da Taipa | Até 22/09
VIDA DE CÃO
QUE GRANDE CHATICE
EXPOSIÇÃO | “CABEÇAS FELIZES” Praça Jorge Álvares | Até 15/08 EXPOSIÇÃO | “DE HOLLYWOOD AO MÓNACO”” Galaxy Macau | Até 28/08 EXPOSIÇÃO | “ENCONTRO INESPERADOS” City of Dreams | Até 31/08
EXPOSIÇÃO | “INSIGHT: DELPHINE RICHER’S SOLO EXHIBITION” Armazém do Boi | Até 18 de Agosto
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Cineteatro
C I N E M A
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MAR DE INFÂMIA 1
A organização humanitária espanhola Open Arms denunciou ontem o “abandono” pela Europa do seu navio com 151 migrantes a bordo no centro do Mediterrâneo, enquanto espera há 12 dias por um porto para o desembarque. A organização não-governamental (ONG) lamentou esta situação nas suas redes sociais e disse que "cada dia que passa é mais difícil". "É o infame silêncio da Europa. A falta de humanidade e empatia torna-os mais culpados", censurou a organização.
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5 DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION SALA 1
CRAYON SCHINCHAN 2019 [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Masakazu Hashimoto 14.15
TOY STORY 4 [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Josh Cooley 16.00
LINE WALKER 2 [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊSE E INGLÊS Um filme de: Jazz Boon Com: Nick Cheung, Louis Koo, Francis Ng 17.50, 19.45, 21.45
SALA 2
FAST & FURIOUS: HOBBS & SHAW [C] Um filme de: David Leitch Com: Dwayne Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Vanessa Kirby 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3
DORAEMON THE MOVIE: NOBITA’S CHRONICLE OF THE MOON EXPLORATION [B] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Shinnosuke Yakuwa 14.30, 16.30,19.30
THE LION KING [A] FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Jon Favreau 21.30
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seus e de uma história que descobriu, desen5 cantada num antigo filme, através do qual 4desenrolando 0 65 36 28 92 09 o5nofoi velo das suas origens. 7 5 3 1 9 6 0 Andreia Sofia Silva
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S U D O K U
EXPOSIÇÃO | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU NACIONAL DE ARTE DA CHINA” MAM
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“Bem podem ir para a rua, vão conseguir alguma coisa?” “Tu já viste isto, agora fazem esta greve? E as pessoas?” Estas são algumas das frases ou questões que tenho ouvido ou lido nas redes sociais, não só sobre a greve dos motoristas que se vive em Portugal, mas também sobre o que se está a passar em Hong Kong. São dois mundos diferentes, bem sei, mas repare-se no pensamento que está por detrás disto: mais vale estar calado e não ir contra a ordem estabelecida porque depois o aeroporto para, a economia mexe, o combustível não chega para todos e o dia-a-dia normal agita-se. É importante uma manifestação, fazer-se ouvir, marcar 7a diferença, sempre de maneira ponderada, com objectivos concretos e 1 3bem9definida. 5 2Caso7contrá0 8 uma agenda rio, para que serviram as revoluções? 2 6 7 8 9 0 4 3 Para que serve legislar-se o direito à 8 3 6 à5liberdade 4 9de 1 greve, 0 à manifestação, expressão? Já não vale a pena 4 5 0 1 8 3 lutar 7 6 por nada e ficarmos à mercê de um 4 não 7 concordamos? 6 1 3 5 sistema9com2o qual Seremos 6 apenas 7 1lutadores 4 3de Facebook 8 5 2 e do Twitter, escondidos por detrás de 8 0 5 2 4 9 6 7 um ecrã, apontando o dedo sem nada 8 apoiar? 3 0Com 2 a 1luta 4 fazer e5sem9nada de uns ganham-se os direitos de 3 1 2 9 7 6 todos. 8 0 Os meios não justificam os fins, mas 7 pelas 4 6quais0 se1devem 5 lutar 2 9 há coisas sempre. Andreia Sofia Silva
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3 A TOCA DO LOBO 8 |7 0 9 3 2 5 6 CATARINA MOURÃO | 2015 9 3 4 5 8 0 1 6 2 2 1 2 4 5 6 9 7 3 8 6 0 9 7 4 5 1 8 6 2 6 3 1 8 7 9 0 4 7 5 8 0 2 3 4 9 0 4 9 6 3 1 0 2 5 5 9 8 1 4 5 6 0 7 7 0 1 7 2 9 8 3 4 1 5 3 2 6 7 4 8 1
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opinião 19
quarta-feira 14.8.2019
FRANCISCO LOUÇÃ in Esquerda.net
Um Presidente que sabe ser reles
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O comentar o encerramento da investigação sobre o atentado que teria sofrido há meses, Bolsonaro insultou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, por não ter autorizado a escuta do telefone do advogado do homem preso pela tentativa de crime (e que foi entretanto considerado judicialmente inimputável). Nisso só temos o Bolsonaro tradicional. Mas acrescentou uma frase que incendiou o Brasil: “Um dia, se o presidente da Ordem quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade.” O pai de Santa Cruz militava contra a ditadura, em 1974 foi capturado e logo morto. O assassínio está documentado, e há uma semana o Governo actual confirmou, em atestado de óbito, que se tratou de “morte não natural,
violenta, causada pelo Estado brasileiro”. Se podemos perguntar porque é que o Presidente evoca este assassínio a pretexto de uma questão judicial 45 anos mais tarde, registemos a crueldade de ameaçar um advogado com uma falsificação sobre a morte do seu pai. Por isso, alguns dos aliados de Bolsonaro reagiram com surpresa e mágoa. Dória, governador de São Paulo e um dos primeiros dirigentes do PSDB a apoiar o actual Presidente, veio dizer que “não posso silenciar diante desse facto. Eu sou filho de um deputado federal cassado pelo golpe de 1964 e vivi o exílio com meu pai”. Outros também protestaram.
Bolsonaro usou o assassinato de um opositor à ditadura para tentar amesquinhar o filho, presidente da Ordem dos Advogados, e respondeu às críticas com novas declarações protegendo a história da ditadura
Bolsonaro reagiu anulando um encontro com um ministro francês e organizando uma transmissão em directo nas redes sociais do seu corte de cabelo para fazer novas declarações. Segundo a sua versão, “não foram os militares que mataram ele”, foi a sua própria organização. Como é que sabe? Ora, conversava com outros militares. E “estávamos em guerra”, diz o Presidente, voltando a lembrar o seu herói, o coronel Ustra, o homem que torturou aquela jovem de 22 anos que se chama Dilma Rousseff. Só que, neste caso, a sua historieta é verificável: o relatório RPB 655, do Comando Costeiro da Aeronáutica, comprova que Fernando Santa Cruz foi preso pelo regime em 22 de Fevereiro de 1974 e executado. Aqui temos como se pode chegar tão baixo: um ex-oficial durante o regime militar sabe das condições em que foi assassinado um opositor, usa esse episódio dezenas de anos mais tarde para amesquinhar o filho, presidente da Ordem dos Advogados, e responde às críticas com novas declarações protegendo a história da ditadura. Este é o homem que diz ter sido convidado a fazer uma visita oficial a Portugal em 2019.
Se tens raciocínio e coração, mostra apenas um deles. Friedrich Holderlin
PALAVRA DO DIA
LONDRES INTERVENÇÃO MUSCULADA DE PEQUIM SERIA “UMA CATÁSTROFE”
GALAXY RECEITAS DIMINUÍRAM NO PRIMEIRO SEMESTRE
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grupo Galaxy Entertainment anunciou ontem receitas líquidas de 26,1 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro semestre, menos sete por cento comparativamente ao período homólogo de 2018. De acordo com o comunicado divulgado pelo grupo, o EBITDA ajustado (lucros antes de impostos, amortizações e depreciações) diminuiu 4 por cento em termos anuais tendo registado 8,3 mil milhões de dólares. No segundo trimestre deste ano, o EBITDA ajustado foi de 4,3 mil milhões o que comparativamente ao mesmo período do ano passado, representa uma subida de 9 por cento. Entretanto continua a registar-se o aumento das receitas provenientes do jogo de massas, que no primeiro semestre cresceram 8 por cento, registando uma receita bruta de 14 mil milhões de dólares de Hong Kong entre os meses de Janeiro e Fevereiro de 2019. “Em termos gerais, o mercado em Macau continua relativamente estável, apesar de um decréscimo no volume do segmento VIP, devido à crescente concorrência regional, às actuais tensões comerciais e ao abrandamento da economia chinesa. Continuamos a redireccionar os nossos recursos de modo a alcançar o melhor uso e a concentrarmo-nos no alargamento da margem do negócio de massas”, afirmou o presidente do grupo Galaxy Entertainment, Lui Che Woo, de acordo com a nota enviada. S.M.M.
quarta-feira 14.8.2019
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Questões de estatuto Ministro dos Negócios Estrangeiros indiano reúne com líderes chineses em Pequim
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S representantes máximos diplomáticos da Índia e da China reuniram ontem, em Pequim, depois de Nova Deli ter revogado o estatuto especial da região da Caxemira, parte da qual a China reivindica como sua. A agência noticiosa oficial Xinhua informou ontem que o ministro indiano dos Negócios Estrangeiros, Subrahmanyam Jaishankar, disse que Pequim espera que a Índia “desempenhe um papel constructivo na paz e estabilidade regional”. A Xinhua citou Jaishankar a afirmar que a Índia “respeitará o consenso alcançado com a China sobre a manutenção da paz na fronteira e continuará a trabalhar com a China para resolver adequadamente a questão das fronteiras por meio de consultas”. China e Índia, ambas potências nucleares, partilham uma fronteira com 3.500 quilómetros de extensão, a maioria contestada. Diferendos territoriais levaram a um conflito, em 1962, que causou milhares de mortos. Em 2017, as forças armadas de ambos entraram num impasse de 10 semanas, no estado vizinho do Butão. A China reivindica cerca de 90.000 quilómetros quadrados de território no nordeste da Índia, enquanto Nova Deli acusa a China de ocupar 38.000 quilómetros quadrados do seu território no
planalto de Aksai Chin, no oeste dos Himalaias, incluindo a região de Ladakh, que Nova Deli tornou, este mês, num território separado do resto da Caxemira. A visita à China do ministro indiano ocorre pouco depois do homólogo do Paquistão -principal rival da Índia e um aliado próximo da China -, ter também visitado Pequim. O Paquistão procura apoio chinês na abertura de um inquérito das Nações Unidas sobre a revogação pela Índia da autonomia da Caxemira e a sua divisão em dois territórios federais: Jammu e Caxemira e Ladakh. As autoridades indianas argumentam que o estatuto especial da Caxemira cultivou um sentimento separatista, suscetível de ser explorado pelo Paquistão, e que estava a atrasar o desenvolvimento económico da região. A agência noticiosa indiana Press Trust of India informou que Jaishankar disse ao homólogo chinês, Wang Yi, que as medidas legais em relação à Caxemira são questões “internas” da Índia, que não dizem respeito à China. O ministro também reuniu com o vice-presidente chinês, Wang Qishan, um dos principais assessores do Presidente da China, Xi Jinping, para questões económicas e de política externa.
DIVIDIR POR DOIS
A Caxemira indiana está sob um bloqueio de segurança sem prece-
dentes, para evitar a agitação social, após o anúncio das decisões. A região dos Himalaias é reivindicada na íntegra pelo Paquistão e pela Índia e dividida entre ambas as nações. O Paquistão revelou que está a considerar uma proposta para abrir processo no Tribunal Internacional de Justiça contra a decisão da Índia. Islamabad, que já travou três guerras contra a Índia, duas das quais por causa de Caxemira, considerou ilegal a decisão e, na quarta-feira, expulsou o embaixador indiano e pôs fim ao comércio bilateral. Na quinta-feira, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, esteve em contacto, via telefone, com os seus homólogos da Índia e do Paquistão, defendendo “uma solução política bilateral”. Caxemira é dividida entre a Índia e o Paquistão, duas potências nucleares que já travaram duas guerras pelo domínio daquele estado. Os dois países disputam a região montanhosa na totalidade, desde a partição subcontinente, em 1947, no final da época colonial britânica. Diferentes grupos separatistas combatem, há várias décadas, a presença de cerca de 500 mil soldados indianos na região, para exigir a independência do território ou a integração no Paquistão. Dezenas de milhares de pessoas, na grande maioria civis, morreram no conflito.
MA intervenção musculada por parte da China para acabar com as manifestações pró-democracia em Hong Kong seria “uma catástrofe”, afirmou ontem Chris Patten, o último governador britânico daquele território. “É muito, muito contraproducente para o Governo chinês dar a impressão de que terá de considerar outros métodos caso esta situação não se resolva rapidamente”, disse Patten, que foi o 28.º governador britânico de Hong Kong, em declarações à rádio pública britânica BBC. “Nós sabemos quais têm sido esses outros métodos na história da China”, referiu o político, numa referência à repressão exercida pelas forças chinesas na praça de Tiananmen em Pequim em Junho de 1989. Para Chris Patten, uma intervenção desse tipo seria “uma catástrofe para a China, e é claro também para Hong Kong”. Nesse sentido, o político, que foi governador de Hong Kong entre Julho de 1992 até ao fim da administração britânica a 30 Junho de 1997, lançou um apelo para um “processo de reconciliação”. “Hong Kong está à beira do abismo, mas isso está a acontecer em parte porque o Governo (...) se recusa a abandonar explicitamente o projecto-lei e a estabelecer uma comissão de inquérito” sobre a violência policial exercida contra os activistas e denunciada por estes, referiu Chris Patten. O último governador britânico de Hong Kong pediu ainda ao primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, para assumir uma posição mais firme em relação a Pequim.