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Hoje Macau 14 MAI 2019 # 4287

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

h

MOP$10

TERÇA-FEIRA 14 DE MAIO DE 2019 • ANO XVIII • Nº 4287

GUERRA SANTA

UM SONHO PELA REALIDADE

AMÉLIA VIEIRA

GUERRA COMERCIAL

TOMA LÁ DÁ CÁ

PAULO JOSÉ MIRANDA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

hojemacau

ÚLTIMA

O preco ´ da mentira Espalhar boatos pode vir a ser punido com três anos de prisão. A proposta de lei de bases da protecção civil esteve em discussão no Conselho Executivo e prevê que a propagação

EMPREGADAS DOMÉSTICAS

A nova escravatura PÁGINA 8

ESTRADA DE CACILHAS

MURO VEIO ABAIXO PÁGINA 9

de rumores falsos que possam causar pânico na sociedade seja objecto de acção penal. O diploma segue agora para votação na Assembleia Legislativa.

BENFICA DE MACAU

Nervos em franja

GCS

PÁGINA 7

PUB

PÁGINA 17

CHUI SAI ON

ACORDOS EM LISBOA GRANDE PLANO E PÁGINA 4


2 grande plano

“Considero que, em Lisboa, os impostos são pesados.” WU ZHIWEI EMPRESÁRIO

Sobre a última visita do Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, à China, o empresário alertou para o facto de ainda não ter existido uma concretização daquilo que foi dito. “De certeza que há consequências positivas da visita, mas nós, no sector empresarial, ainda não fomos informados das políticas concretas (que serão tomadas). Através das intervenções fiquei com a sensação de que ambas as partes estão a apoiar muito esta iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, apontou. Na China, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu mais investimento chinês na chamada economia real, mas para Wu Zhiwei é

NA LINHA DA CHUI SAI ON EM PORTUGAL EMPRESÁRIO E MEMBRO DO CCPPC PEDE APROXIMAÇÃO A LISBOA

Wu Zhiwei, empresário e vice-presidente da Câmara de Comércio Luso-Chinesa em Lisboa, estreou-se este ano na exportação de vinho para Macau. O empresário deseja pagar menos impostos em Portugal e poder, um dia, viajar directamente de Macau para a capital portuguesa. Wu foi um dos empresários ouvidos pelo HM, num encontro com jornalistas ao abrigo da visita de Chui Sai On a Portugal

HOJE MACAU

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compra da Quinta de Alenquer concretizou-se em 2015, mas só agora o negócio começa a dar frutos. “Amplo” e “Pugnaz” são as garrafas de vinho produzidas pelo empresário Wu Zhiwei, custam cerca de mil patacas cada uma e a primeira encomenda chegou ao território no início do mês. Wu Zhiwei, presidente do Modern City Development Group, saiu de Macau há vários anos para investir em Portugal, sem recorrer ao programa dos Vistos Gold, mas assegura que só em 2014 lhe pareceu viável investir em Lisboa. Por ocasião da visita de Chui Sai On, Chefe do Executivo, a Portugal, o empresário falou com os jornalistas, espelhando uma relação económica entre os dois territórios que se tem vindo a fortificar ao longo dos anos. Em entrevista na delegação económica e comercial de Macau em Lisboa, Wu Zhiwei admitiu que gostaria de pagar menos impostos em Portugal. “Considero que, em Lisboa, os impostos são pesados. Como empresário de Macau e português ultramarino, espero que os governos das duas partes façam mais esforços para fazer políticas correspondentes aos nossos negócios para diminuir os nossos impostos”, disse.

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grande plano 3

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FRENTE preciso reforçar a comunicação entre os dois países. “As duas partes têm de fomentar a comunicação. Em primeiro lugar, para saber quais os passos a tomar ou carências para ambos os países. Por exemplo, saber como funciona o mercado dos vinhos e de produção de matérias-primas e produtos agrícolas em Portugal, e quais as necessidades do mercado da China. Sei que, actualmente, os produtos da

China são mais exportados para Portugal do que o contrário”, exemplificou.

VISTOS E O TEMPO

Wu Zhiwei assegurou, de acordo com a sua experiência na vice-presidência da Câmara de Comércio Luso-Chinesa, que a maior parte dos empresários de Macau em Portugal trabalham no sector hoteleiro ou turístico, sem esquecer o imobiliário. No seu caso, o objectivo da

sua empresa passa pela diversificação do investimento na Quinta de Alenquer, para que se transforme não apenas num lugar de produção vinícola, mas também um hotel e local de atracção turística. Além disso, Wu Zhiwei quer desenvolver a sua própria marca de vinhos, criticando o facto de, nos últimos anos, o sector português não ter feito a devida promoção dos produtos na China. “Como estou a fazer a operação da quinta, quero promover e construir uma boa marca e fazer mais promoção, para que o nível de conhecimento no mercado chinês seja mais elevado”. Questionado sobre a actual política dos Vistos Gold, Wu Zhiwei alertou para a necessidade de se aumentar o tempo de permanência mínimo dos investidores em Portugal. “Só as pessoas que tem capacidade económica de pagar 500 mil euros é que podem obter um Visto Gold. Acho que o actual requisito de permanência, no âmbito desta política, é curto. Para o primeiro ano, o investidor precisa ficar em Portugal sete dias consecutivos, nos anos seguintes pelo menos 14 dias. Penso que se poderia aumentar esta permanência para um mês ou mês e meio, porque se uma pessoa permanecer mais tempo pode aprofundar o conhecimento sobre o país, e isso traz interesse no investimento.”

VOO MACAU-LISBOA

O empresário reforçou ainda a importância vital de se criar uma ligação aérea entre Lisboa e Macau. “Fiz muitas viagens e isso leva muito tempo e gostava muito que no aeroporto de Macau houvesse um voo directo para Lisboa. Isso chegou a ser incluído no plano do Governo da RAEM e foi alvo de muitas conversações durante um período, mas no

final não foi concretizado. Neste âmbito, os transportes são muito importantes.” Wu Zhiwei é também delegado pela província de Anhui à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), e, nesse contexto gostaria de aprofundar a ligação com Portugal. “Quero fazer uma introdução dos empresários de Anhui a Portugal para saber se há oportunidades de cooperação no futuro. Na reunião da CCPPC de Anhui em 2017, fiz uma intervenção para que os dois governos aumentem esforços para promover o intercâmbio no âmbito da política ‘Uma Faixa, Uma Rota’. O ano passado houve uma delegação empresarial de Anhui para fazer as visitas.”

Chui Sai On reúne hoje com António Costa e ao final do dia tem um encontro marcado com estudantes de Macau que se encontram em Portugal ao abrigo das bolsas de estudo concedidas pelo Governo da RAEM Lily Ieong, presidente da Associação de Cultura Chinesa, está em Portugal há mais de dez anos. A empresária, casada com um engenheiro civil português que conheceu em Macau e mãe de dois filhos, dedica-se a importar para Portugal mobiliário chinês antigo. Com os proveitos desse negócio, compra instrumentos musicais chineses e financia espectáculos de dança, que diz serem cada vez mais populares em Portugal. Os bailarinos que angariou são, sobretudo, estudantes chineses ou de Macau. Em Portugal desde sábado, Chui Sai On reúne hoje com o primeiro-ministro português António Costa e ao final do dia tem um encontro marcado com estudantes de Macau que se encontram em Portugal ao abrigo das bolsas de estudo concedidas pelo Governo da RAEM. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Lições e recados para o Chefe Estudantes de Macau em Lisboa destacam importância da visita de Chui Sai On

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ATARINA Choi está em Lisboa a estudar e é um exemplo entre os muitos estudantes da RAEM que se formam em Portugal ao abrigo de uma bolsa de estudos. A frequentar um mestrado em português na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, a estudante namora com um madeirense e dá aulas não só de português a estudantes com um nível inferior ao dela como também ensina chinês e espanhol. Para Catarina Choi, a visita de Chui Sai On a Portugal equipara-se à de Marcelo Rebelo e Sousa à China em termos de importância. Relativamente ao trabalho do ainda Chefe do Executivo, a estudante destaca as políticas na área da educação. “Por mim e pelos menos colegas posso dizer que Chefe do Executivo fez um bom trabalho na área da educação porque temos muitas saídas e opções. Os estudantes têm mais facilidades para estudar fora.” Catarina Choi tem um teste pela frente e, por isso, não pode estar presente no encontro que Chui Sai On tem marcado para hoje com estudantes de Macau em Portugal. Ainda assim, a mestranda gostaria de questionar o Chefe do Executivo sobre a necessidade de maior flexibilidade no acesso ao mercado laboral em Macau. “Gostava de saber se o Governo vai abrir mais caminhos para

os jovens qualificados. Muitas vezes acabamos o curso, mas ainda temos de fazer uma espécie de exame para mostrar que temos determinadas capacidades. Penso que este passo não seria necessário”, frisou. Mingo é outro dos alunos abrangidos pelos bolsas de estudo financiadas pelo Governo da RAEM, estando actualmente no terceiro ano da licenciatura em Direito da UCP. Antes de ir para Portugal, e tal como Catarina Choi, Mingo fez um curso intensivo de português no Instituto Português do Oriente (IPOR). Em Lisboa, é vice-presidente da Associação de Estudantes Luso-Macaenses, algo que o fez aproximar mais de uma nova realidade académica. Sobre a visita de Chui Sai On a Portugal, Mingo destaca o que a integração regional de Macau no Delta do Rio das Pérolas pode trazer aos actuais estudantes. “A relação entre Macau, China e Portugal está na moda, tendo em conta o projecto da Grande Baía e a existência do Fórum Macau. Enquanto estudantes, ainda não percebemos muito bem o que está a acontecer, mas o Chefe do Executivo está em Portugal e penso que este é um acto que mostra mais confiança para nós. Mostra que no futuro podemos participar nesse grande projecto que é a Grande Baía.” A.S.S.


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VISITA CHEFE DO EXECUTIVO REÚNE COM EMBAIXADOR DA CHINA EM LISBOA

O encontro secreto GCS

O Chefe do Executivo chegou a Lisboa este sábado e reuniu com o embaixador chinês em Portugal, Cai Run, sem que os jornalistas tivessem conhecimento. Durante o encontro, Chui Sai On destacou o trabalho feito pelo Estado português junto dos jovens empreendedores

Macau em Lisboa e no Porto até domingo, bem como as recentes visitas dos presidentes chinês e português a Portugal e à China podem contribuir para impulsionar o desenvolvimento da cooperação entre os dois países. Por sua vez, Cai Run disse que Portugal “dá grande importância às várias áreas da construção do projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, para que a sua participação não só ofereça novas oportunidades na cooperação entre Macau e Portugal como também contribua para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia de Macau”. O embaixador chinês em Lisboa frisou também que, “nos últimos anos o Governo e várias empresas de Macau iniciaram projectos de cooperação em Portugal, criando delegações e sucursais, o que demonstra um destaque do papel de Macau como a ponte na relação entre a China e Portugal, bem como o desempenho das suas funções de plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa”.

“DENSO RELACIONAMENTO”

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HEGOU no sábado a Lisboa e reuniu com Cai Run no domingo, mas os jornalistas só tiveram conhecimento do encontro através de um comunicado oficial. A reu-

nião de Chui Sai On, Chefe do Executivo da RAEM, com o embaixador chinês em Portugal serviu para destacar o que tem sido feito no âmbito da parceria económica entre os dois países, com particular destaque para o

papel de Macau. Chui Sai On “elogiou o trabalho realizado por Portugal relativamente ao empreendedorismo dos jovens, destacando que a delegação do Governo da RAEM pretende observar e conhecer melhor esta

matéria, bem como reforçar o intercâmbio nesta área”, pode ler-se no comunicado. Na mesma nota, as autoridades de Macau citam o embaixador Cai Run a sublinhar a convicção de que a presença da delegação de

O Chefe do Executivo tem hoje marcado um encontro com o primeiro-ministro português, António Costa. Neste aspecto, uma nota oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, citada pela Lusa, dá conta que a “visita tem como objectivo o aprofundamento do já denso relacionamento existente com Macau, resultante de laços históricos significativos e da sólida vontade da República Portuguesa e da República

Popular da China em dar-lhes continuidade”. Durante a visita, realizar-se-á a sexta Comissão Mista Portugal-RAEM, co-presidida pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e pelo Chefe do Executivo da RAEM. Nesta reunião são acompanhados dois temas principais: “as relações económicas entre as duas partes, tendo em perspectiva as relações entre a China, Portugal e os demais países de língua portuguesa; as relações nas áreas da língua, da cultura e da educação, tendo em conta Macau como plataforma de difusão da língua portuguesa para toda a Ásia”, pode ler-se na informação facultada pelo MNE.

Chui Sai On “elogiou o trabalho realizado por Portugal relativamente ao empreendedorismo dos jovens, destacando que a delegação do Governo da RAEM pretende observar e conhecer melhor esta matéria Após a reunião da comissão está prevista a assinatura de acordos. O Governo de Macau ainda organiza, em Lisboa, uma exposição fotográfica para comemorar o 20.º aniversário do estabelecimento da RAEM, que se assinala este ano.

AL SULU SOU ACUSA ASSESSORA DE IGNORAR PEDIDO DE ASSISTÊNCIA LEGAL

A Juristas Leonel Alves nega discriminação de portugueses

O advogado Leonel Alves negou a existência de discriminação contra os cidadãos portugueses na Assembleia Legislativa. As declarações foram prestadas ontem, segundo o canal chinês da Rádio Macau. Quando abordou o despedimento dos juristas Paulo Cardinal e Paulo Taipa, Alves negou ter conhecimento sobre o caso, lamentou que os contratos não tivessem sido renovados, mas apontou que os portugueses ou os chineses locais recebem o mesmo tratamento. Ao mesmo tempo, o membro do Conselho do Executivo lamentou a falta de talentos locais, principalmente na área do Direito.

assessora da Assembleia Legislativa (AL), que alegadamente acusou Paulo Cardinal de passar documentos secretos a Sulu Sou, terá ignorado os pedidos de assistência legal do deputado, mesmo depois de o seu nome ter sido sugerido ao pró-democrata por Ho Iat Seng. O caso aconteceu em Novembro de 2017 e foi partilhado por Sulu Sou na sexta-feira, como comentário à entrevista de Paulo Cardinal ao HM. Segundo o deputado, a abordagem à assessora foi feita por aconselhamento de Ho Iat Seng, mas a profissional

terá deixado durante dias o membro da AL sem resposta. “Em Novembro de 2017, quando a Assembleia Legislativa recebeu a carta do tribunal a exigir um voto de suspensão do meu mandato, encontrei-me de imediato com o presidente Ho. Ele sugeriu-me que contactasse essa senhora para efeitos de assistência legal e foi o que fiz”, começou por escrever Sulu Sou. “Durante alguns dias não recebi qualquer resposta. Mais tarde ela disse-me que não me tinha respondido porque, naquela noite, se tinha esquecido de levar o telemóvel para casa”, acrescentou.


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JOGO LIONEL LEONG QUER MAIS RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS NOVAS CONCESSÕES

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IONEL Leong, secretário para a Economia e Finanças actualmente a desempenhar funções de Chefe do Executivo interino, reuniu ontem com Manuel de Lemos, presidente da Confederação Internacional das Misericórdias (CIM). De acordo com um comunicado oficial, Lionel Leong referiu que “o Governo da RAEM, tal como tem vindo a fazer até à presente data, continuará a apoiar as instituições de solidariedade de cariz associativo na realização das suas actividades de caridade e de assistência social, esperando que, através da cooperação estreita e da conjugação orgânica entre o Governo e as instituições cívicas, assim como do aperfeiçoamento, qualitativo e quantitativo, dos trabalhos de assistência social, as três partes - a sociedade, o Governo e as associações de solidariedade - fiquem todas beneficiadas”. Manuel de Lemos adiantou que “no momento em que se celebra o 450.º aniversário da fundação da Santa Casa da Misericórdia de Macau, vai ser realizado o 12.º Congresso da Confederação Internacional das Misericórdias que terá, pela primeira vez, lugar na Ásia, fazendo ainda votos do estreitamento da cooperação com o Governo da RAEM para impulsionar, em conjunto, as acções de assistência social”.

Chegarem-se à frente

As novas concessões de exploração de jogo podem exigir mais requisitos de responsabilidade social às operadoras, revelou Lionel Leong. O secretário destacou ainda a diversificação económica como trunfo essencial para enfrentar flutuações internacionais

magnata Stanley Ho, e de subconcessão da operadora MGM que agora passam a terminar em 2022, a par com as restantes concessionárias que operam em Macau. Para Lionel Leong, esta medida vai “beneficiar a uniformização do concurso público e o Governo terá algum espaço e tempo para realizar o respectivo processo de forma ordenada, evitando qualquer negligência”

GCS

MISERICÓRDIAS SECRETÁRIO DESTACA APOIO SOCIAL DO GOVERNO

“As futuras empresas de jogo irão assumir mais responsabilidades sociais bem como promover outras indústrias e o crescimento contínuo de elementos além do jogo.”

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S novas concessões de jogo devem exigir mais às operadoras no que diz respeito a responsabilidade social. A ideia foi deixada pelo secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, à margem de um evento oficial que decorreu no passado sábado. “As futuras empresas de jogo irão assumir mais responsabilidades sociais bem como promover outras indústrias e o crescimento contínuo de elementos além do jogo”, terá dito Lionel Leong, citado por um comunicado oficial. O secretário referiu ainda a importância da diversificação da economia local, em especial

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especialista em direito do jogo Jorge Godinho defende que o Governo de Macau deveria alargar o número de concessões de casinos em 2022, quando terminam as licenças das actuais operadoras. “Existem operadores que estão a funcionar debaixo do guarda-chuva de outras que deveriam ser autonomizadas”, disse Jorge Godinho à margem do lançamento do livro “Os Casinos de Macau”, do qual é autor. Recorde-se que actualmente existem três concessionárias (Sociedade de Jogos de Macau, Galaxy e

LIONEL LEONG SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS

“face à mudança do ambiente económico a nível mundial”. O governante apontou a velha meta como resposta ao “aumento das incertezas e as variações constantes “, apontadas para o ano de 2019. Para amenizar o impacto destas circunstâncias no território, é necessário elaborar legislação que contemple as indústrias emergentes. O objectivo

é “atrair mais investidores para reforçar a capacidade de diversificação adequada das indústrias, competitividade e resiliência da economia de Macau.

DAR TEMPO

O secretário recordou ainda a prorrogação dos contratos por mais dois anos da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), fundada pelo

Em expansão

Macau deve alargar número de concessões do jogo em 2022

Wynn resorts) e três subconcessionárias (Venetian, MGM Resorts e Melco). “É preciso dimensionar os projectos, é preciso ver as conjunturas económicas e é preciso perceber exactamente quem se propõe a fazer o quê”, disse Jorge Godinho, acrescentando que não sabe se deveriam “ser seis ou mais [concessionárias], provavelmente deveriam ser mais porque talvez deva haver qualquer coisa nova para oferecer”, apontou.

Entretanto, o Governo já garantiu que não quer prolongar mais o prazo dos contratos de concessão do jogo no território e prometeu um concurso público em 2022. “Vai ter de haver concurso, provavelmente em 2021, para que em 2022 comecem as novas concessões”, considerou o especialista. Quanto “às condições concretas ainda é um bocadinho cedo para serem anunciadas”, já que

O projecto de cooperação regional da Grande Baía Guangong-Hong Kong-Macau não ficou de fora das declarações do governante que revelou que a secretaria que tutela “irá desenvolver novas áreas dedicadas aos jovens e às pequenas e médias empresas de Macau de forma a certificar a sua integração e partilha dos lucros no desenvolvimento da Grande Baía”.

“o caderno de encargos provavelmente [só] será anunciado pela nova administração” em 2020 ou em 2021 e que este ano há eleições para Chefe do Executivo. Na opinião de Jorge Godinho, no caderno de encargos devem constar as obrigações de diversificação por parte das operadoras.

CONCORRÊNCIA CALMA

Em relação à concorrência na área do jogo com outros países asiáticos (como Singapura e Filipinas), Jorge Godinho não se mostra muito preocupado com as possíveis

Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

repercussões em Macau: “Há uma expansão regional do jogo mas a verdade é que não vemos um impacto muito negativo em Macau”, disse. O especialista fez uma analogia com o que se passou nos Estados Unidos com a liberalização do jogo para outras regiões que não Las Vegas. “No início havia só Las Vegas e não havia casinos em mais lado nenhum, depois começaram a abrir, mas Las Vegas soube sobreviver e soube adaptar-se a essa nova concorrência”, disse.


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Os órgãos de comunicação social, por terem as suas normas bem definidas através da lei de imprensa e da radiodifusão, não têm as suas competências previstas na lei de bases da protecção civil

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propagação de rumores falsos pode ser punível até três anos de prisão de acordo com a actual versão da proposta de lei de bases da protecção civil. O Conselho Executivo terminou a discussão do diploma que segue para a Assembleia Legislativa para votação na generalidade. Três anos de prisão é a pena a que se sujeita quem propagar rumores falsos e, com isso, “causar efectivamente pânico social, afectar as acções das autoridades da Administração Pública ou os conteúdos dos rumores serem susceptíveis de criar convicções erradas de que tais informações têm origem nas autoridades”, revela o Conselho Executivo em comunicado. O diploma define ainda que o crime contra a segurança, ordem e paz públicas que abrangem a divulgação de informações consideradas falsas pelas autoridades é

PROTECÇÃO CIVIL RUMORES PODEM LEVAR A PENAS ATÉ TRÊS ANOS DE PRISÃO

Pensar duas vezes

Os rumores podem vir a ser punidos com penas de prisão de três anos. A punição consta da proposta de lei de bases da protecção civil e abrange a informação falsa capaz de criar o pânico social. O Conselho Executivo terminou a discussão do diploma que segue agora para a Assembleia Legislativa punível com pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias.

EVACUAÇÃO OBRIGATÓRIA

A proposta permite ainda a evacuação forçada, autorizada pelo Chefe do Executivo, de pessoas que tenham a vida em risco quando declarado o estado de prevenção imediata ou superior. Com a entrada em vigor do novo regime,

o Chefe do Executivo, enquanto autoridade máxima da protecção civil no território, tem ainda poderes para decretar a racionalização da fruição de serviços públicos e do acesso a bens de primeira necessidade, o encerramento de organismos públicos e privados e de postos fronteiriços. De acordo com a mesma fonte, a classificação de “in-

FSS Proposta de lei prevê transferência de 3 por cento O Conselho Executivo terminou a discussão da proposta de lei que prevê a transferência de 3 por cento do saldo do orçamento central, de cada ano económico, para o Fundo da Segurança Social (FSS). O objectivo é fazer face às crescentes exigências provocadas pelo envelhecimento populacional, aponta o organismo em comunicado. A medida foi tomada tendo em conta estudos realizados pelo Executivo que indicaram que “dado o envelhecimento da população da RAEM

no futuro, a um ritmo acelerado, e por conseguinte ao ajustamento positivo do montante da pensão para idosos, os encargos do FSS tenderão a aumentar de ano para ano”, o que torna “imperativo a disponibilização de mais fontes de receitas”. Por conseguinte, a proposta do Governo “visa a criação do mecanismo das dotações de verbas a transferir regularmente para o FSS, de forma a garantir o funcionamento sustentável do regime de segurança social de Macau”, refere a mesma fonte.

cidentes súbitos de natureza pública” classificam-se por ordem de gravidade crescente em cinco estados: moderado, prevenção, prevenção imediata, socorro, catástrofe e calamidade. A par destas medidas, o Chefe do Executivo, “dependendo da situação real de segurança no momento na zona afectada” pode ainda “suspender a realização e

actividades de entretenimento, de jogos de fortuna e azar, entre outras de grande envergadura”.

PARTILHA DE INFORMAÇÃO

Já os trabalhadores da administração pública, as entidades responsáveis pela radiodifusão televisiva e sonora e os dirigentes de entidades privadas que exerçam a sua actividade a título de

concessão de exploração ou de licenciamento vão estar “obrigados à prestação de ajuda nas operações a serem efectuadas”. Esta medida prende-se com o desenvolvimento do policiamento inteligente e integra “a partilha de dados e informações para que sejam utilizados nas operações de protecção civil”. Os órgãos de comunicação social, por terem as suas normas bem definidas sobre a divulgação de informação através da lei de imprensa e da radiodifusão, não têm as suas competências previstas na lei de bases da protecção civil. Segundo a proposta do Governo, o Comando de Acção Conjunta, responsável pela estrutura de protecção civil, deixa de ser dirigido pelo Comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários e passa a ser dirigido pelo próprio secretário para a Segurança. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Apoio Pecuniário Distribuição de cheques começa a 2 de Julho

Os cheques pecuniários começam a ser distribuídos no próximo dia 2 de Julho, anunciou o Conselho Executivo na passada sexta-feira. Este ano, depois da promessa de aumento feita pelo Chefe do Executivo na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2019, o montante do apoio pecuniário passa a ser de 10 mil patacas para os residentes permanentes. Os cheques dos residentes não permanentes vão ser no valor de 6 mil patacas. A novidade deste ano, cabe aos menores que passam a poder receber a comparticipação através de conta bancária, desde que registados no banco. O orçamento para implementar a medida é de cerca de sete mil milhões de patacas.


8 sociedade

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“Escravatura moderna” é o termo que a Amnistia Internacional usa para classificar a situação das empregadas domésticas em Macau. A falta de regulamentação que defenda as trabalhadoras, as regras de emigração a que estão sujeitas, aliadas a muitas horas sem descanso, são as justificações apontadas

EMPREGADAS DOMÉSTICAS AMNISTIA INTERNACIONAL ALERTA PARA SITUAÇÕES DE ESCRAVATURA

Correntes do século XXI

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organização não-governamental Amnistia Internacional (AI) considera que a exploração das empregadas domésticas, em Hong Kong e Macau, é uma “escravatura moderna”. A ideia é fruto da investigação que a organização tem vindo a desenvolver acerca da situação dos trabalhadores domésticos em Hong Kong e em Macau, em que “existem algumas semelhanças”. “Os trabalhadores domésticos migrantes podem ficar presos em ciclos de exploração que equivalem a escravatura moderna”, aponta. “Somos discriminados, não temos direitos, nem sistema de saúde e ninguém nos ouve”, disse à Lusa a presidente do Sindicato Verde dos Trabalhadores Migrantes das Filipinas em Macau, Nedie Taberdo. Pouco mais de 450 euros por mês, é o que pedem de salário mínimo as associações de empregadas domésticas, num território considerado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como o segundo com o maior rendimento 'per capita' do mundo e que para o próximo ano passará a ser o primeiro, destronando o Qatar, subindo para os 124 mil euros, quase o triplo da média das economias mais avançadas como a Austrália,

Estados Unidos, Áustria, Reino Unido e China.

LEGISLAÇÃO DE PARTE

Também fonte da organização não-governamental Human Rights Watch, que identifica de “problema global” a situação dos trabalhadores domésticos migrantes na Ásia, na África Oriental e no Médio Oriente, disse que “os trabalhadores domésticos correm um alto risco de trabalhar excessivamente por longas horas, sem descanso, e por uma fracção do salário mínimo”. “As lacunas na protecção legal tornam mais fáceis para os empregadores abusarem dos trabalhadores, e mais difícil para os trabalhadores

conseguirem ajuda”, argumentou a Human Rights Watch. Por outro lado, a AI identificou como o principal problema a “falta de regulamentação e regulação das agências de colocação de trabalhadores domésticos migrantes”, principalmente oriundos da Indonésia. Durante a pesquisa que a AI fez em Hong Kong constatou que estas “agências estão rotineiramente envolvidas no tráfico de

Santa Casa da Misericórdia Nova creche prevista para 2020 O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCM), António José de Freitas, referiu em entrevista à TDM – Rádio Macau que espera a abertura de uma

nova creche em 2020, mais concretamente em Setembro. O novo espaço está previsto para a Avenida da República, nas instalações que foram da Cruz Verme-

lha. Se o projecto avançar, esta será a segunda creche da SCM no território além da que funciona no NAPE desde 2002. De acordo com o site da SCM, a creche diri-

trabalhadoras domésticas migrantes, explorando-as em condições de trabalho forçado” e que são “compelidas a trabalhar em situações que violam os seus direitos humanos e do trabalho”. Nesta investigação, a AI diz ter descoberto casos de “confisco de documentos de identidade e restrições à liberdade de movimento”. Em Macau, é relativamente comum as famílias empregarem

As “agências estão rotineiramente envolvidas no tráfico de trabalhadoras domésticas migrantes, explorando-as em condições de trabalho forçado.” AMNISTIA INTERNACIONAL

gida pela Irmã Isabel Marreiros acolhe, neste momento, “258 crianças com idades compreendidas entre os seis meses (15 vagas) e os três anos de idade (243 vagas)”.

uma trabalhadora doméstica a tempo inteiro e parte delas reside mesmo em casa dos patrões. “Queremos que o trabalho doméstico seja respeitado, com um contrato normal para podermos ter uma vida decente”, contou à Lusa a presidente do Sindicato Progressistas dos Trabalhadores Domésticos de Macau, Jenny Simeon, denunciando ainda a existência de “empregadas a ganhar 2.000 a 3.000 patacas mês”. Filipinos, indonésios, vietnamitas, nepaleses e tailandeses estão entre os grupos mais desprotegidos em Macau. O contrato das empregadas domésticas é feito através de uma agência, ou entre o patrão e a trabalhadora, sendo que, na prática, o empregador fica com o poder de cancelar a autorização de permanência no território à trabalhadora. “Se o nosso empregador quiser acabar com o nosso contrato, nós perdemos o nosso ‘blue card’ (permissão de residência através de um contrato de trabalho) e temos de começar do início outra vez”, explicou Jenny Simeon. Os trabalhadores não-locais têm de regressar ao seu país de origem por seis meses em caso de cessação do contrato e em casos excepcionais, como despedimentos sem justa causa, têm seis meses para encontrar um novo trabalho em Macau, mas sempre na mesma área. “Para eles [patrões] nós não somos humanos, não entendem as nossas dificuldades e é por isso que não nos respeitam”, acusou Jenny Simeon.

GOVERNO DESINTERESSADO

As duas dirigentes associativas apontaram ainda a falta de interesse demonstrada pelos deputados e governantes de Macau em solucionar o problema e em proporem alterações à lei que protejam os direitos das trabalhadoras domésticas, um salário mínimo digno e ainda um aumento no subsídio de habitação, que neste momento se cifra em cerca de 500 patacas por mês. “Desde que cheguei a Macau, há 15 anos, a economia melhorou muito, mas nada mudou”, disse Nedie Taberdo, que pede há vários anos um aumento do subsídio de habitação para cerca de 1500 patacas por mês. Jenny Simeon garantiu ter já estado em reuniões com os dois principais deputados pró-democratas em Macau, Sulu Sou e José Pereira Coutinho, sobre o salário mínimo. “Foram muito simpáticos, mas disseram que nada podiam fazer”, disse.


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Um muro na Estrada ESTRADA DE CACILHAS OBRAS DE ESCAVAÇÃO CAUSAM DERROCADA de Cacilhas desabou na sexta-feira, quando decorriam obras de instalação uma retroescavadora, e aconteceu concluídas nos próximos dias, o devido às águas da chuva, que foi de esgotos. Não num muro onde decorriam obras de mesmo não deverá acontecer com identificada após uma operação instalação de esgotos, encomenda- todos os trabalhos necessários com de rotina. houve feridos a das pelo Instituto para os Assuntos o muro que desabou. Estas repararegistar, mas a Municipais (IAM). ções mais profundas vão demorar QUATRO NO LOCAL De acordo com o presidente do cerca de dois meses. Segundo um dos trabalhadores circulação vai IAM, José Tavares, após o acidente “Todo o projecto de restauro no local, ouvido pela TDM, a as primeiras obras de reparação poderá demorar até dois meses. derrocada aconteceu por volta das continuar vedada avançaram de forma urgente e Vamos ter de abrir um concurso 15h00, quando as obras estavam devem manter-se durante esta se- para essa reparação e esperamos concluídas. Foi também por esse ao trânsito durante mana: “Esperamos que o projecto conseguir a acabar a obra em dois motivo que nenhum trabalhador de emergência que atribuímos à meses”, informou Tavares. ficou soterrado. mais alguns dias

Final com estrondo

U

M A derrocada na sexta-feira, por volta das 15h00, levou ao encerramento ao trânsito na Estrada de Cacilhas, que só deverá reabrir ao longo da semana. A situação não causou feridos, apesar de ter envolvido

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Instituto Cultural (IC) diz que o caso da muralha vandalizada da Fortaleza do Monte está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ) e que em causa estão práticas que constituem uma infracção à Lei de Salvaguarda do Património Cultural. Foi desta forma que o Governo reagiu ao caso da muralha riscada com caracteres chineses, que tinha sido relevado na quinta-feira anterior, nas redes sociais.

empresa de engenharia consiga fazer as reparações mais urgentes. Eles vão remover as pedras e a terra que caíram na estrada e consolidar a área para estabilizar o muro. É um trabalho que leva entre três dias a uma semana”, explicou José Tavares, no sábado, citado pela TDM. Se a limpeza e abertura da estrada ao trânsito devem ficar

De acordo com a informação oficial, as obras estavam a decorrer depois de em Abril terem sido detectadas infiltrações no muro,

“Quando a derrocada aconteceu ninguém estava a usar a retroescavadora. Já tínhamos saído da obra e deixámos a retroescavadora no local.” TRABALHADOR DA OBRA

Caso de polícia

Fortaleza do Monte vandalizada. PJ investiga

“As inspecções preliminares do Instituto Cultural indicam que a parede foi riscada com um objecto duro, que causou danos à superfície da muralha. O IC enviou o caso para a Polícia Judiciária e os actos praticados envolvem infracções à Lei da Salvaguarda do Património Cultural”, pode

“Terminámos o trabalho e fomos embora. Quando estávamos a deixar o local o muro começou a ceder. Começámos logo a pedir aos

ler-se na resposta do IC, enviada ao HM. “As pessoas envolvidas nestes actos podem ser chamadas para responder criminalmente”, foi acrescentado. Na quinta-feira foram divulgadas fotografias online em que uma parte da muralha da Fortaleza do Monte aparecia vandalizada. Em

causa está o aparecimento de alguns caracteres em chinês simplificado, tipo de escrita utilizada principalmente Interior da China, que foram raspados na muralha. Em relação aos danos feitos, o IC diz que “vai começar os trabalhos de reparação o mais depressa possível, em coordenação com a investigação”.

MAIS PROMOÇÃO

Por outro lado, o IC deixou um apelo para que as pessoas

carros na estrada que parassem”, afirmou o trabalhador ouvido pela TDM. “Quando a derrocada aconteceu ninguém estava a usar a retroescavadora. Já tínhamos saído da obra e deixámos a retroescavadora no local”, acrescentou. Até ontem os problemas que estiveram na origem do desabamento não era conhecidos, contudo o Laboratório de Engenharia Civil (LEC) está a fazer uma investigação para apurar o sucedido. Um dos desafios das futuras obras passa pelo facto da zona da Colina da Guia ser protegida. No entanto, o Instituto Cultural não anteviu grandes problemas, desde que a zona seja mantida com o aspecto original. “A opinião do IC sobre aquela área, que não é exactamente património, mas uma zona tampão, é que a paisagem deve ser mantida. Ou seja, a nossa opinião é que após a reparação a parte externa da parede tem de ser igual ao que existe agora”, explicou Deland Leong, vice-presidente do IC.

respeitem o património cultural e denunciem imediatamente qualquer acto que possa constituir um ataque: “O IC é o responsável pelo património e apela à população que valorize e proteja o valioso património cultural de Macau. No caso de serem detectados comportamentos que destruam bens culturais, deve contactar-se imediatamente o Instituto Cultural ou a Polícia”, apela o IC. O organismo liderado por Mok Ian Ian prometeu ainda

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

trabalhar para aumentar a consciência da população para o valor patrimonial. “O IC vai continuar a promover através dos vários canais a consciencialização da população para a protecção do património cultural. Ao mesmo tempo, vai reforçar a inspecção dos lugares com valor cultural e trabalhar com a população para proteger o património”, foi prometido. J.S.F.


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14.5.2019 terça-feira

Um passado p CINEMA TURISMO DE MACAU DEU PRÉMIOS NO INDIELISBOA 2019

DE LOS NOMBRES DE LAS CABRAS, DE SILVIA NAVARRO E MIGUEL G. MORALES

Os prémios do Festival de Cinema IndieLisboa 2019, em cartaz de 2 a 12 de Maio, foram anunciados no domingo passado, após mais de 250 filmes exibidos. O Turismo de Macau também atribuiu prémios para as melhores curtas de documentário, ficção e animação

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16ª edição do Festival de Cinema Independente de Lisboa – IndieLisboa 2019 –, que decorreu entre 2 e 12 de Maio na capital portuguesa, anunciou no passado domingo os vencedores das categorias em competição, entre 250 películas de géneros, formatos e origens diversos. “De Los Nombres De Las Cabras”, de Silvia Navarro e Miguel G. Morales, foi o vencedor do Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa, um documentário espanhol de 2019, “pela sua rica e intrincada investigação do recente passado colonial, pela interacção com tempos antigos e tradições das ilhas das Canárias, através de imagens de arquivo escolhidas e montadas com perícia, do som de entrevistas e de uma paisagem sonora imersiva”, segundo a avaliação do júri internacional. Os mesmos jurados atribuíram ao filme português “Past Perfect, de Jorge Jácome, o Grande Prémio de Curta Metragem, depois de ter passado em Fevereiro pelo Festival de Cinema de Berlim e em Março pelo Festival New Directors / New Films de Nova Iorque. A fita do jovem realizador, que nasceu em Viana do Castelo em 1988 e cresceu em Macau até 1999, é um documentário ficcional e experimental de 23 minutos que partiu da peça de teatro “Antes”, de Pedro Penim, para ser reescrita e visualmente readaptada às suas interrogações pessoais no contexto cinematográfico. O júri considerou que “o filme fala da nostalgia e da emoção, perguntando-se se os sentimentos eram mais imediatos e autênticos no passado.

CONCURSO CURTAS SOBRE CIDADE SAUDÁVEL ATÉ 31 DE MAIO

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prazo de inscrição para o Concurso de Produção de Curtas-metragens, organizado pela Comissão para a Cidade Saudável de Macau e lançado na passada sexta-feira, dia 10, termina no próximo dia 31 de Maio de 2019. A participação está aberta a todos os

residentes, em duas categorias: Estudantes do Ensino Secundário Geral e Complementar, e Público maior de 18 anos. O objectivo da iniciativa é promover uma melhor compreensão da importância da saúde e implementar hábitos

mais saudáveis junto da população, através de uma alimentação cuidada, exercício físico adequado, redução do stress, do fumo de tabaco e do consumo de álcool, entre outras medidas que podem servir como ideias para os temas dos filmes concorrentes.

Cada participante deve submeter em CD-Rom a sua proposta de curta-metragem, com duração total entre 3 e 8 minutos, juntamente com o formulário que pode ser descarregado no website dos Serviços de Saúde de Macau. A avaliação dos tra-

balhos apresentados decorrerá entre 1 e 20 de Junho e a cerimónia de atribuição dos prémios será no dia 30 de Junho. Os primeiros classificados em cada categoria vão receber prémios de 15 mil patacas (Estudantes) e 30 mil patacas (Público).


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perfeito Com várias camadas formais e com momentos sempre surpreendentes, parcialmente com humor, parcialmente mordaz mas frequentemente muito emotivo, o filme deixou um forte rastro em nós.” A mais recente película de Jorge Jácome segue-se a trabalhos também premiados, que fizeram o seu circuito em vários festivais, como “Flores” de 2017, “A Guest + A Host = A Ghost” de 2015 ou “Plutão” de 2013.

lugar como mulher na sociedade. “Ficámos fascinados desde o início pela sua caligrafia cinematográfica. O filme cativa-nos pelo óptimo ritmo e pela abordagem visual”, foi a opinião dos jurados. E o melhor documentário curto foi alcançado por “Swatted”, de Ismaël Joffroy Chandoutis (França, 2018), com 21 minutos de uma narrativa bem construída, a partir de

HONRAS LOCAIS

O Turismo de Macau, que é responsável pela exibição de filmes realizados por autores do território numa secção paralela do IndieLisboa, tem também o mérito de atribuir três prémios especiais para as melhores curtas-metragens de animação, documentário e ficção internacionais. O prémio para cada um dos trabalhos foi cerca de 4.500 patacas (500 euros). O galardão para a melhor animação coube este ano a “Guaxuma”, de Nara Normande (Brasil/França, 2018), um filme de 14 minutos sobre memórias de infância à beira-mar e amizades na areia da praia. “Um filme sensível sobre uma história pessoal. O realizador guia-nos com perícia através desta viagem, com a aplicação de várias técnicas e estéticas. O filme encantou-nos e puxou-nos para dentro da história“, refere a avaliação. A melhor ficção foi para “The Girl With Two Heads”, de Betzabé Garcia (Reino Unido, 2018), onde em 13 minutos é explorada a questão da representação e da autoconsciência do corpo, através de uma personagem enquanto ela procura definir a sua visão de feminilidade e o seu

vídeos de youtube e testemunhos de vítimas de assédio online. “O filme dá-nos a dimensão e o potencial do mundo de hoje e para onde se pode ir. Uma investigação maravilhosa, montada e narrada de forma sedutora e inteligente, construindo e desconstruindo a nossa realidade em 20 minutos”, elogiou o júri. O Festival IndieLisboa 2019 encerrou com o novo filme de Nadav Lapid, “Synonymes”, que venceu o Urso de Ouro em Berlim 2019.

PAIXÃO EM JUNHO

O IndieLisboa anunciou já o programa de cinema português em Macau, durante as festas populares. A mostra vai decorrer entre 21 e 23 de Junho, de sexta a domingo, na Cinemateca Paixão

No âmbito das festas que celebram o “Mês de Portugal na RAEM”, o IndieLisboa anunciou já o seu programa de cinema português no território. A mostra vai decorrer entre 21 e 23 de Junho, de sexta a domingo, na Cinemateca Paixão, com o apoio da Fundação Oriente e da Casa de Portugal. No cartaz das exibições estão as longas “A Dama de Chandor” (1999) de Catarina Mourão, “Bostofrio, où le ciel rejoint la terre” (2018) de Paulo Carneiro, e a “Peregrinação” (2017) de João Botelho. Entre as curtas estão obras aclamadas pela crítica internacional em diversos festivais, como “Miragem Meus Putos” (2017) de Diogo Baldaia, “Amor, Avenidas Novas” (2018) de Duarte Coimbra, “Nyo Vweta Nafta” (2017) de Ico Costa, ou “3 Anos Depois” (2018) de Marco Amaral, entre outros. Arealizadora Catarina Mourão, autora de filmes como “A Toca do Lobo” (2015) e o mais recente “O Mar Enrola na Areia” (2018), vai estar presente no território, onde organizará workshops com cineastas locais. Raquel Moz

raquelmoz.hojemacau@gmail.com

PALESTRA QUE FUTURO PARA A MANIPULAÇÃO GENÉTICA?

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Fundação Rui Cunha realiza amanhã, pelas 18h30, uma conferência sobre “Engenharia Genética: O Futuro da Medicina na Região da Grande Baía”, com os professores da Universidade de Macau, Ren-He Xu, da Faculdade de Ciências Médicas, e Vera Lúcia Raposo, da

Faculdade de Direito, como oradores convidados. A discussão não é nova, mas voltou às manchetes dos noticiários quando, em Novembro de 2018, o cientista chinês He Jiankui, da Southern University of Science and Technology (SUSTech) de Shenzhen, anunciou ter manipulado com su-

cesso os genes de vários embriões, que poderão dar origem aos primeiros bebés geneticamente modificados no mundo. As reacções e críticas vieram reacender a questão no plano internacional, levantando dúvidas científicas, legais e éticas, quanto aos perigos e benefícios para o futuro da medicina.

Outro debate que se impõe é a consolidação da posição chinesa na liderança do investimento científico e da investigação em engenharia genética, com o centro de pesquisa científica da cidade de Shenzhen como a grande referência na região da Grande Baía.

De Macau para Cannes Plataforma 1220 pede produções locais com 90 minutos ou mais para integrar lista de distribuição

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HAMA-SE 1220 e é uma plataforma integrada de distribuição na área do cinema e televisão que existe em Macau desde 2017. Este ano a 1220 volta a participar no Festival de Cinema de Cannes e, nesse sentido, está a aceitar produções locais para integrarem a sua lista de distribuição. A 1220 aceita filmes de 90 minutos ou mais que “estejam de acordo com os padrões internacionais dos filmes de longa duração”. São também aceites documentários de 60 minutos O objectivo é criar uma “promoção das produções de vídeo de Macau e mostrar ao mundo o poder da criatividade e da tecnologia que existe em Macau”, aponta um comunicado. A presença em Cannes visa “criar mais oportunidades para a distribuição de produções locais, enquanto que, ao mesmo tempo, permite que estas produções cheguem a diferentes investidores e à indústria internacional”. A 1220 providencia serviços de edição, mistura, trabalhos de cor em cinema e pós-produção para realizadores locais. Nos últimos dois anos esta plataforma tem estado presente em eventos de cinema de cariz internacional, como o Festival Internacional de Cinema e Mercado de Televisão de Hong Kong (FILMART, na sigla inglesa), bem como os festivais de cinema de Busan, na Coreia do Sul, e Mercado do Cinema Americano, entre outros. Essa presença será renovada este ano. “Tentámos vender as nossas produções locais ao mesmo tempo

que fizemos a promoção das filmagens e da tecnologia de pós-produção que existe em Macau”, aponta a empresa num comunicado. Esta fez um trabalho de distribuição com o documentário “As Crónicas de Wu Li no Colégio de São Paulo” ou o mais recente filme de Thomas Lim, “Sea of Mirrors”, entre outros.

INDÚSTRIA EM CRESCIMENTO

Lok Wong, director da 1220, está expectante relativamente aos filmes que venham a ser integrados na lista de distribuição que irá marcar presença em Cannes. “A 1220 está sempre a tentar levar a indústria mais adiante de uma forma mais comercial, para que possamos ter uma 'verdadeira indústria'”, disse ao HM. “As pessoas podem criar filmes e ganhar dinheiro com isso, para que haja uma maneira mais sustentável de desenvolver a indústria. Uma vez que a indústria cinematográfica é recente, os realizadores necessitam de ser apoiados de diversas formas”, assegurou. O director da 1220 assegura que o cinema em Macau “está a desenvolver-se de uma forma positiva”, uma vez que existem “muitos realizadores que fazem cinema a tempo inteiro e que trabalham em diferentes projectos, pelo que o mercado está a tornar-se mais maduro”. Além disso, “o número de filmes e curtas-metragens tem vindo a crescer ano após ano, e com o apoio do Governo, a indústria cinematográfica de Macau vai continuar a crescer e a gerar mais produtos comerciais”, rematou Lok Wong. A.S.S.


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14.5.2019 terça-feira

UE INTERESSES NACIONAIS DIFICULTAM “VOZ COMUM” FACE À ASCENSÃO DA CHINA

A orquestra desafinada A crescente intervenção chinesa na política global e os diversos interesses nacionais dos países europeus levam o velho continente a classificar o gigante asiático simultaneamente como parceiro e adversário

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NALISTAS apontam dificuldades na União Europeia (UE) em desenvolver uma política comum para a China, face aos diferentes interesses nacionais nas relações com Pequim, cuja política externa tem revelado inédita assertividade e crescentes ambições geoestratégicas. “É quase impossível para a União Europeia (UE) ter uma política comum para a China”, afirmou, em Pequim, o antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus português Bruno Maçães. O ex-governante, que falava durante a apresentação do seu livro “Belt and Road: A Chinese World Order”, numa livraria da capital chinesa, lembrou que os países do sul da Europa se sentem injustiçados pelo que consideram “regras parciais” dentro da UE. “É muito tentador para esses países usar a China para con-

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China teme que “caos” político na Europa leve o continente a tornar-se mais “defensivo” face à crescente assertividade chinesa no palco internacional, após as eleições europeias, comprometendo uma parceria “vital” para preservar o multilateralismo, disse um analista. “O que mais receio é que após as eleições para o Parlamento Europeu, o caos político na zona euro leve a Europa a isolar-se do resto do mundo”, afirmou à Lusa, em Pequim, Shi Zhiqin,

Theresa Fallon “A bem-sucedida estratégia de Pequim e a sua política económica criaram divisões que tornam difícil à Europa falar a uma só voz.”

trabalançar o poder da Alemanha”, notou. “Não comprem essa ideia de que todos na Europa são europeus a pensar no continente: temos rivalidades históricas prontas a serem reabertas e revistas”, acrescentou. Alemanha e França, que nas últimas décadas beneficiaram das ligações comerciais a Pequim, pressionam agora por critérios de selecção mais rigorosos para os investimentos chineses no continente, à medida que o país asiático assume o desejo de ter maior papel

na governação dos assuntos globais e de competir nos sectores de alto valor agregado. Outros países vêem nos planos chineses uma oportunidade, o que, em alguns casos, tem dificultado uma tomada de posição comum face à China. “A bem-sucedida estratégia de Pequim e a sua política económica criaram divisões que tornam difícil à Europa falar a uma só voz”, descreveu Theresa Fallon, diretora do Centro de Estudos para a Rússia, Europa e Ásia em Bruxelas. “À

Temores sínicos

Pequim receia que “caos” político após eleições resulte em Europa mais “defensiva”

investigador no Centro de Política Global Carnegie-Tsinghua, onde dirige o programa Relações China - União Europeia (UE). Outrora dominada por questões comerciais, a relação entre China e UE assume hoje crescente complexidade, à medida que Pequim reclama um papel mais central na governação dos assuntos

globais, estendendo a sua influência ao sul e leste do continente. Mas, numa altura em que os Estados Unidos rompem compromissos internacionais sobre o clima, comércio ou nuclear, a UE tenta também preservar, na sua parceria com a China, uma ordem internacional assente no multilateralismo, enquan-

medida que a ambição da China colide com o sonho europeu, testemunhamos uma corrosão dos valores europeus, com estados-membros da UE a lutarem pelo dinheiro chinês e, finalmente, enfraquecendo a ligação transatlântica”, descreveu. Fallon exemplificou com os casos húngaro e grego: em Março de 2017, Budapeste recusou assinar uma declaração conjunta da UE sobre a alegada tortura de advogados na China; no mesmo ano,

Atenas bloqueou um comunicado a criticar o historial de abusos dos Direitos Humanos no país asiático. “O maior medo da UE é acordar tarde demais para o desafio colocado pela China”, resumiu.

NOVO IMPÉRIO

Bruno Maçães citou o mais recente documento da Comissão Europeia sobre a estratégia para a China, como um sinal das dificuldades em definir uma política comum. O texto, que define uma nova “perspectiva estratégica” no contexto do “crescente poder económico e influência política da China”, retrata o país simultaneamente como “parceiro de cooperação”, “parceiro de negociação”, “rival económico” e “adversário sistémico”. “O documento consegue incluir todo um vasto leque de definições”, notou. No espaço de uma década, enquanto as economias europeias estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos e dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas. Acompanhando este desenvolvimento, Pequim abdicou do “perfil discreto” na sua política externa, cultivado durante décadas, e passou a assumir uma política externa mais assertiva. Bancos e outras instituições do país estão a conceder enormes empréstimos para projectos lançados no âmbito do gigantesco plano de infraestruturas “Uma Faixa, Uma Rota”, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas e linhas ferroviárias ao longo do sudeste asiático, Ásia Central, África e Europa. O objectivo é “redesenhar o mapa da economia mundial” de forma a “colocar a China no centro”, repondo a “visão antiga do país sobre si mesmo, como nação universal”, descreveu Maçães. Trata-se de um projecto “muito ambicioso” e um desafio à ordem mundial definida pelo Ocidente, disse.

to classifica o país asiático como rival, em questões económicas ou de segurança (ver texto principal).

OBJECTIVOS COMUNS

Um documento produzido pela Comissão Europeia, no mês passado, lembrou que o gigante asiático “não pode mais ser visto como um país em desenvolvimento”. “Começou-se recentemente a perceber que [a ascensão da China] representa não só um desafio para a unidade europeia, mas também para a prosperidade europeia”, afirmou

Janka Oertel, pesquisador no Programa para a Ásia do Fundo Alemão Marshall dos Estados Unidos. “Washington decidiu enfrentar agressivamente as práticas económicas chinesas, enquanto a Europa está a tentar atingir o mesmo objectivo através de meios mais elegantes”, disse.

Shi Zhiqin reconheceu que os dois lados têm “ideias diferentes” sobre “certos aspectos” da globalização, mas reiterou que “ambos estão comprometidos” com uma ordem mundial “baseada em regras”, uma “economia global aberta” e a “reforma da OMC [Organização Mundial do Comércio]”. Pequim e Bruxelas “concordam” na oposição ao unilateralismo e proteccionismo, afirmou. “Se o sistema global quiser sobreviver às mudanças tectónicas, a parceria China UE precisa de ser um dos seus pilares”, defendeu.


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terça-feira 14.5.2019

ENSINO UNIVERSITÁRIO PRIMEIRA FACULDADE DE PORTUGUÊS QUER “APROFUNDAR” CONHECIMENTOS

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primeira faculdade dedicada ao português na China continental quer complementar o ensino da língua com conhecimentos “mais aprofundados” sobre os países lusófonos e “aumentar o intercâmbio internacional”, revelou ontem à agência Lusa a directora. “É um passo natural, que nos permitirá ter mais recursos, mais possibilidades e mais alunos e professores”, explicou a directora da recém-formada Faculdade de Estudos Hispânicos e Portugueses, da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (Beiwai). A nova instituição nasce da elevação do estatuto do mais antigo departamento de ensino do português na China continental, aberto em 1961, implicando um aumento do orçamento para contratação de corpo docente e organização de actividades e palestras. Até 1999, apenas a Beiwai e a Universidade de Estudos Internacionais de Xangai ofereciam licenciaturas em português. Desde então, as instituições de ensino superior

da China continental a incluir licenciaturas em português aumentaram de três para 25. No total, mais de 1.500 estudantes chineses frequentam agora cursos em português. O estabelecimento de uma faculdade permitirá, no entanto, “construir um sistema de conhecimento mais aprofundado, mais sistemático”, sobre a lusofonia, detalhou Patrícia Jin. “Com esta evolução, abriremos mais cadeiras, em cinco área de estudo: linguística, tradução, literatura, ciência política, economia e comércio”, explicou. “Os alunos terão uma parte obrigatória e central, ensinada em português, mas também acesso aos cursos de outras faculdades”, disse. A aposta da ‘beiwai’ reflecte a crescente necessidade da China em formar melhores quadros para trabalhar com os países de língua portuguesa, face à evolução das trocas comerciais, que só em 2018 se cifraram em 147.354 milhões de dólares, um aumento de 25,31 por cento, em termos homólogos.

HONG KONG SURTO DE PESTE SUÍNA OBRIGA AUTORIDADES A ABATER 6.000 PORCOS

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S autoridades de Hong Kong preparam-se para abater 6.000 porcos, depois de terem detectado o primeiro caso de pesta suína africana no território, num matadouro perto da fronteira com a China, foi sábado noticiado. “Todos os porcos no matadouro em questão serão abatidos a fim de reduzir o risco de propagação do vírus”, declarou sexta-feira a secretária para a Alimentação e Saúde daquela região, Sophia Chan, citada por agências internacionais. Segundo a responsável, o porco contaminado foi importado da província chinesa de Guangdong. Desde que foi inicialmente detectado no início de Agosto, no nordeste da China, o surto

espalhou-se já pelas 30 províncias e regiões da China continental. Centenas de milhares de porcos foram já abatidos. A carne de porco é parte essencial da cozinha chinesa, compondo 60 por cento do total do consumo de proteína animal no país. Dados oficiais revelam que os consumidores chineses comem mais de 120 mil milhões de quilos de carne de porco por ano. A flutuação do preço daquela carne é, por isso, sensível na China e o Governo guarda uma grande quantidade congelada para colocar no mercado quando os preços sobem. No final do ano passado, as autoridades chinesas autorizaram três matadouros portugueses a exportar para o país. Profissionais do sector estimam que, até ao final do ano, as exportações portuguesas para a China se fixem em 15.000 porcos por semana, movimentando, no total, 100 milhões de euros.

G20 TRUMP E XI JINPING DEVEM REUNIR PARA DISCUTIR “GUERRA COMERCIAL”

De olhos nos olhos

Após o aumento norte-americano das taxas alfandegárias de 10 por cento para 25 por cento, na sexta-feira, sobre produtos chineses avaliados em 200 mil milhões de dólares, é expectável que Donald Trump e Xi Jinping se encontrem no fim de mês de Junho, em Osaka, no Japão, à margem da Cimeira do G20

O

S Presidentes norte-americano e chinês devem encontrar-se à margem da cimeira do G20, marcada para 28 e 29 de Junho, num encontro bilateral para abordar o impasse nas negociações comerciais, adiantou o conselheiro económico da Casa Branca. “As probabilidades de o Presidente Trump e do Presidente Xi Jinping se encontrarem no decurso dessa cimeira são provavelmente grandes”, declarou Larry Kudlow à cadeia de televisão norte-americana Fox News, adiantou a AFP. Os negociadores chineses e americanos reuniram-se na quinta-feira e na sexta-feira, mas não houve qualquer acordo, com Washington a acusar Pequim de ter feito marcha-atrás em vários pontos discutidos ao longo de vários meses de conversações destinadas a selar um acordo comercial entre as duas principais potências económicas do mundo. O Presidente americano aumentou a pressão, subindo na sexta-feira as taxas alfandegárias de 10 por cento para 25 por cento sobre importações

chinesas no valor de 200 mil milhões de dólares, mesmo com a presença de uma delegação chinesa liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu em Washington. No total, há actualmente cerca de 250 mil milhões de dólares em produtos chineses sobretaxados pelos Estados Unidos, mas Trump já ordenou o início do processo para aplicar as mesmas taxas às restantes importações chinesas, no valor de 300 mil milhões de dólares. “Achamos que os chineses ainda não foram longe o suficiente. Temos que esperar para ver, as negociações vão continuar. Precisamos de qualquer coisa

“As probabilidades de o Presidente Trump e do Presidente Xi Jinping se encontrarem no decurso dessa cimeira são provavelmente grandes.” LARRY KUDLOW CONSELHEIRO ECONÓMICO DA CASA BRANCA

mais clara, e, até a termos, vamos manter as tarifas aduaneiras”, disse Kudlow à Fox News, acrescentando que os EUA não podem “aceitar qualquer recuo”. Adiantou ainda que não existe qualquer plano concreto ou definitivo sobre a continuação das negociações.

EM ABERTO

A China convidou o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, e o representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, para uma visita a Pequim, mas não foi definida data. Donald Trump continua a garantir que as suas relações pessoais com o homólogo chinês permanecem fortes, apesar do bloqueio nas negociações. Os EUA exigem uma redução do seu enorme défice nas trocas comerciais com a China, de 378 mil milhões de dólares em 2018, “mudanças estruturais”, como o fim da transferência forçada de tecnologia, a protecção da propriedade intelectual americana, assim como o fim das subvenções chinesas a empresas de Estado. A cimeira do G20 decorre em 28 e 29 de Junho em Osaka, no Japão.


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Amélia Vieira

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EPOIS de assistirmos incautos à "matança da Páscoa" em vários locais do mundo durante o tempo litúrgico desta, a nossa atenção volta-se também para o efeito do ciclo de terror que julgáramos sanado. A grande noite da História das Guerras Santas, voltou como um tecido híbrido, é certo, todo ele deslocado, mas suficientemente emblemático para não esquecermos o que lhe está subjacente. Mesmo durante a Segunda Guerra Mundial foi questão que nunca colheu adeptos, o Governo alemão, laico, enaltecido com práticas mágicas que pareceu até retirar-lhe o efeito de culpa, gravitava em torno de uma brutalidade instintiva por onde não passou, talvez, complexas tradições humanas. Ou seja, a atenção para com elas era mínima, o desrespeito absoluto, e todos estavam

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Subiste à glória pela escada abaixo

Guerra Santa

em Guerra não pelas práticas religiosas, mas por causa da supremacia maníaca de um povo. Até aqui não se nos afigurava nada do género que pudesse de novo fazer reviver a prática já ultrapassada do sangue, a morte tinha então contornos novos, tão novos, que ainda agora nos emudecem, mas eis senão quando, o mais antigo efeito se nos impõe: a guerra sangrenta, as matanças que jorram sangue, as religiões que sangram e fazem sangrar. Este estado recente das coisas é tão velho que julgáramos já esquecido. Recordo-me então de René Daumel e da sua «A Guerra Santa», um texto gnóstico, ele que começou por ser um poeta surrealista amigo de Breton e de toda uma herança de vanguarda, escreve este texto com a parcimónia dos que quase renegam a causa primeira, descrevendo áreas absolutamente iluminadas sobre

o grau de transcendência de uma revolta (se tal possa ser assim descrito) pois que para alcançar o pleno aspecto da definição poética ele terá necessariamente de visitar o texto sagrado. É portanto avesso ao chamado código literário e às faíscas soporíferas das fantasias de cada um, abeirado na essência primeira, busca o ser, a nossa Humanidade, no vazio silencioso das coisas. É um superlativo anunciador que se intui no extremo de uma condição e que não tem medo das palavras e dos diversos códigos que elas transmitem. Procura a limpidez, austero, é no entanto sensível e raro, contido e forte, quer a brancura de um entendimento; «Falarei para me chamar a mim à guerra santa. Falarei para denunciar os traidores que eu próprio alimentei. Falarei para que, aquilo que eu disser, envergonhe as minhas ações, até que um dia, uma paz blindada de trovoada reinará nos aposentos do eterno vencedor. E porque empregarei a palavra de guerra, e esta palavra de guerra não passa hoje de um simples ruído que as pessoas instruídas fazem com as suas bocas, porque agora, ao empregá-la, é uma palavra séria e carregada de sentido, saber-se-á que falo a sério e que não são vãos ruídos que faço com a minha boca». Parece-nos uma demonstração demasiado críptica para um entendimento simples ou uma manifesta indignação por tudo o que sobra de bem estar perante os que a olham sentados nos seus delírios e que insistem em nada entender que os comprometa. Mas estamos talvez bem mais amuralhados do que alguma vez supuséramos. Nós, que não vamos aos Templos, morremos agora por causas desconhecidas às mãos dos motes de poemas fatais?! Em todo o caso são os homens que matam: e que temos nós todos a ver com a poesia? Também já nada. E qual? Também não sabemos. Entendemos vagamente que os interesses geram revoltas, mas, quem está já interessado em nós? Presumimos que muitos, mas pode não ser assim. Ignorámos todos na nossa marcha vitoriosa de forma vária e há um dia em que um deus ou um demónio, surge para nos falar, e neste caso as respostas ainda não estão prontas porque sem nos darmos conta fomos ficando sem elementos de versificação. Há sempre um lado morto que ressuscita, uma antecâmara fechada que vem pedir resgate, e a nossa culpa continua a ser, nenhuma, pois que os que agora caem em nada contribuíram para tais fins. A expressão contra, é agora arbitrária, Mesquitas, Igrejas, Sinagogas, uma demonstração de insanidade talvez só comparada às invasões de Tito, são atacadas como peça única. Por incrível que nos possa parecer é mais ou menos aqui que estamos, e, o que os últimos

Muito deixámos de ver por força das «Luzes» e das iluminações a vapor que fez a cegueira avançar como uma conquista que todos tinham de seguir, porém, aqui chegados, é bom lembrar que há aspectos que nos acordam para ver. «Porque num verdadeiro poema as palavras transportam as suas coisas». É duro lembrar. É duro esquecer séculos lutaram para desviar a rota do sangue, atribuindo novos ciclos de conquistas não menos mortais é certo, aqui, rejuvenesce o espectro da velha "santidade" mote e acção para a chacina. Seja o que for, ninguém está preparado para isto, para um discurso entendível, uma compenetração capaz. - O quê, Deus outra vez? - Talvez. Convém não nos desvincularmos do circuito da Civilização que fomos sendo, não havendo no entanto Civilizações profanas, quanto muito, mais animistas. Ainda a abstracção para nos alongar o espectro da memória e da lembrança, já que no ponto incognoscível ainda arde em nós palavras que dizem ter gerado o Homem, ou caminharemos para uma incomunicação plausível tornando-nos o mais conseguido dos paradoxos. E ainda diz Daumal: «Das outras guerras não falarei - as que se suportam- não falarei. Fala de sacrifício quem, por motivo nenhum cortaria o dedo mínimo, fala de conhecimento quem, se disfarça perante si próprio, tal como a grande doença é tapar de palavras para não ver». Muito deixámos de ver por força das «Luzes» e das iluminações a vapor que fez a cegueira avançar como uma conquista que todos tinham de seguir, porém, aqui chegados, é bom lembrar que há aspectos que nos acordam para ver. «Porque num verdadeiro poema as palavras transportam as suas coisas». É duro lembrar. É duro esquecer.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

terça-feira 14.5.2019

Contos para normais Paulo José Miranda

C

ONHECI Renato no Rio, no quintal de um amigo comum, numa roda de samba. Renato tinha 23 anos, cursava engenharia informática e estava disposto a dar um ano da sua vida pela oportunidade de fazer parte da bateria da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, a famosa verde e rosa. “Engenharia é realidade, meu sonho é o samba!” E tocar tamborim na Mangueira, um Carnaval que fosse, fazia parte desse sonho. Trancou a matrícula na faculdade. Disse aos pais que carioca não nasceu pra paulista. E a mim, nessa noite, disse-me que “foi assim que Jamelão começou, a tocar tamborim na Mangueira”. Nessa altura, eu ainda não conhecia esse famoso sambista. Nascido e criado no Rio, Renato sabia tudo de samba. Sabia, tocava e cantava. Não havia explicação que me desse que não fosse musical. Eu falava de uma canção e ele imediatamente cantava. Se estivesse sem instrumento, era uma colher e um copo, ou uma caixa de fósforo, que serviam para acompanhar a sua voz. Para ele, o samba não era música, era religião, sentido de vida. “Pode-se viver sem quase tudo, mas não se pode viver sem samba.” O samba de que me falava e cantava era o samba-canção. Gostava de Carnaval por causa da bateria, mas a paixão era aquele samba fora da estação: o Jamelão, o Cartola, o Nelson Cavaquinho, o Noel Rosa. “Se gosta de Chico, tem de ouvir Noel Rosa, cara! Muito do Chico vem do Noel.” De imediato pediu o violão e tocou “Conversa de Botequim”. Foi ali, naquele quintal, que ouvi pela primeira vez Noel Rosa. E, claro, sorri, não só pela beleza da música, da interpretação, mas porque me lembrei de imediato da música do Chi-

Troco um sonho pela realidade co “Meu Caro amigo”. Uma noite, num botequim em Botafogo, fomos ver um grupo de moças a tocarem chorinho. A namorada do Renato, a Flávia, tocava flauta transversal. A meio do show, chamaram Renato para se juntar a elas. Tal como nos comentários à volta, o cara arrasou no cavaquinho. Tocou um brasileirinho pra nenhum Waldir Azevedo botar defeito. Não sabia que o chorinho era outra das suas paixões. Acabara de chegar no Rio e ainda julgava que samba e chorinho podiam ser parentes afastados. Saímos dali e fomos para a Praia Vermelha, junto ao Círculo Militar, para uma das rodas de samba mais famosas do Rio. Renato puxou-me pra junto dele, apontou para o negão que comandava a roda, e disse-me “aquele ali, com mais anos do que se podem contar, vive na Rocinha e tocou com Cartola”. Não tardou para Renato ser convidado a juntar-se a eles, no meio de todos aqueles veteranos do samba. Durante a noite iam chegando músicos,

tocando junto e todo mundo dançando. A mulher do negão que tocou com Cartola, comandava uma venda de cachaça, caipirinhas, cerveja e pastéis. O mundo se acabava naquela praia, entre samba, bebida e o corpo a corpo. Saí mais algumas noites com eles, pela Lapa, Botafogo, Praia Vermelha. As noites eram música, cachaça e cerveja. Aprendi mais sobre samba nessas noites do que no resto da minha vida. Meses depois deixei o Rio. Os anos passaram por mim e as cidades também. Poucos meses antes de voltar para Portugal, em Curitiba, encontrei Flávia num show de chorinho. Fui falar com ela, animado, emocionado. Não se lembrava de mim, até que falei no Renato. Aí, sim, lembrou-se das nossas noites no Rio. Perguntei por ele, pelo Renato. Disse-me que acabaram a relação logo depois. “O Renato? Soube que foi para os States trabalhar numa multi-nacional.” Eu sorri triste e escapou-se-me da boca a expressão da derrota máxima “tornou-se paulista”.

Saí mais algumas noites com eles, pela Lapa, Botafogo, Praia Vermelha. As noites eram música, cachaça e cerveja. Aprendi mais sobre samba nessas noites do que no resto da minha vida


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desporto 17

terça-feira 14.5.2019

Tailândia André Couto no pódio

A dupla André Couto/ Chen Weian (Audi R8 LMS) somou um terceiro lugar na ronda dupla do Campeonato Blancpain GT World Challenge, que se disputou no Circuito Internacional Chang, na Tailândia, depois de ter arrancado do 18.º lugar da grelha de partida. Na primeira corrida do fim-de-semana, no sábado, a dupla registou uma desistência, quando seguia num sexto lugar e foi obrigada a desistir, com problemas mecânicos. No final, André Couto considerou a prestação “um resultado muito bom para a equipa”.

Liga chinesa Hulk dá vitória

Um golo do antigo avançado do FC Porto Hulk, aos 90+11 minutos, garantiu domingo ao Shanghai SIPG, treinado pelo português Vítor Pereira, o triunfo sobre o Shandong Luneng, por 2-1, na nona jornada da Liga chinesa de futebol. O campeão em título entrou da pior forma no encontro, sofrendo um golo logo no primeiro minuto, marcado por Roger Guedes e, já na segunda parte, ficou reduzido a 10 elementos, por expulsão de Wei Zhen, aos 71. Mesmo em desvantagem numérica, o conjunto de Xangai chegou ao empate, aos 74 minutos, através de Elkeson, cabendo a Hulk consumar a reviravolta, na transformação de uma grande penalidade, aos 90+11. A formação de Vítor Pereira mantém-se no segundo lugar da Liga chinesa, com 22 pontos, a cinco do líder Beijing Guoan, que bateu por 3-0 o Shenzhen FC.

CTCC Azar para Rodolfo Ávila

O

director técnico do Benfica de Macau, Duarte Alves, afirmou que não vale a pena continuar no futebol local sem que haja uma mudança de postura da Associação de Futebol de Macau (AFM). O desabafo foi feito nas redes sociais depois do treinador-jogador Cuco ter sido atingido na cara por Diego Patriota, jogador do Chao Pak Kei, na quinta-feira à noite. Na sequência do lance, Cuco teve de ser transportado para o hospital e suturado na cara. “O futebol de Macau chega a este ponto. Vale mesmo a pena continuarmos a ajudar a levar o nome do futebol de Macau mais longe?”, começou porque questionar. “Uma agressão intencional, as imagens não mentem. O árbitro nem sequer pára o jogo... quanto mais penalizar o agressor. A expressão do agressor diz tudo”, acrescentou. O responsável pelo Benfica de Macau queixou-se depois da falta de condições de segurança para a modalidade e atacou os árbitros, por serem duros com as críticas

BENFICA DE MACAU DUARTE ALVES DIZ QUE FUTEBOL LOCAL “NÃO VALE A PENA”

Por arames O responsável do Benfica de Macau afirma que futebol local não vale a pena se não houver uma mudança de postura. Em causa está o lance em que o jogador-treinador das águias Cuco se queixa de ter sido agredido verbais, mas deixarem passar o que considerou uma “agressão” em claro. “O nosso jogador teve de ser levado ao hospital. Não há ambulância no estádio. Os árbitros erram, deixam a integridade física dos atletas em risco, e saem impunes. Nós no banco e em campo se levantamos

um pouco a voz, somos expulsos. Não é a primeira vez que nos acontece, e os outro clubes queixam-se do mesmo”, relatou. No comentário em que desabafou com a situação, Duarte Alves diz que se a AFM não alterar a sua postura face ao desporto, não vale a pena continuar. “É

“É isto o que os responsáveis do desporto e do futebol em Macau querem? Para a AFM, a indiferença prevalece. Assim não vale a pena...” DUARTE ALVES BENFICA DE MACAU

isto o que os responsáveis do desporto e do futebol em Macau querem? Para a AFM, a indiferença prevalece. Assim não vale a pena....”, escreveu. Depois de no ano passado ter participado na fase de grupos da Taça AFC, o Benfica de Macau desinvestiu do projecto para o futebol local, o que faz com que esteja longe da liderança da Liga de Elite, em contraste com o que aconteceu nos cinco anos anteriores em que as águias se sagraram campeãs. Mesmo na partida de quinta-feira à noite,

o Benfica de Macau não conseguiu melhor do que o empate 1-1 diante do Chao Pak Kei, líder isolado do campeonato. No entanto, a partida ficou marcada pelo lance que obrigou Cuco a ser substituído aos 59 minutos.

CHAO PAK KEI LIDERA

Após 13 jornadas e o empate diante do Benfica de Macau, o C.P.K. é o líder da Liga de Elite com 32 pontos. No segundo lugar está o Ching Fung, que bateu o Sporting de Macau por 4-2, com 28 pontos e o pódio termina com o Benfica, com 23 pontos. Monte Carlo (21 pontos), Ka I (20), Hang Sai (15), Sporting (14) e Polícia (10) ocupam as restantes posições. Já nos lugares de despromoção à 2.ª Divisão estão o Tim Iec (9) e os Sub-23 (3). Os próximos jogos estão agendados para amanhã, nos únicos jogos realizados esta semana, com a Polícia a ter pela frente o Monte Carlo. Já o Tim Iec defronta os Sub-23. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Rodolfo Ávila (VW Lamando) somou um 12.º lugar e uma desistência na primeira ronda do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), que se disputou este fim-de-semana no Circuito Internacional de Guangdong. Na primeira corrida, um acidente com o safety acabou por afectar o piloto de Macau, que ainda recuperou até ao 9.º lugar. Porém, na última volta foi atingido por um concorrente, o que fez com que caísse para 12.º. O mesmo aconteceu na corrida de domingo, quando seguia em 3.º e foi empurrado por um adversário para fora da pista, o que fez com que ficasse preso na gravilha. “Não vou comentar o acidente, mas o resultado foi desapontante, porque hoje tinha carro para, pelo menos, ficar confortavelmente num lugar do pódio. Apesar do fim-de-semana não ter corrido como gostaria, ao menos mostrámos que temos andamento para lutar pelos lugares cimeiros”, disse Rodolfo Ávila, em comunicado. A próxima ronda do campeonato decorre no fim-de-semana de 1 e 2 de Junho no Circuito Internacional de Xangai.

Liga NOS Benfica quase campeão

O Benfica colocou-se domingo a um ponto de conquistar o seu 37.º título de campeão nacional de futebol, ao vencer fora o Rio Ave por 3-2, em encontro da 33.ª e penúltima jornada. Rafa, aos três minutos, João Félix, aos 45+2, e Pizzi, aos 56, apontaram os tentos dos ‘encarnados’, que somaram o 18.º jogo consecutivo sem perder (17 vitórias e um empate), em 18 jogos sob o comando de Bruno Lage, e o oitavo triunfo consecutivo. Pelo conjunto de Vila do Conde, que se manteve com 42 pontos, no oitavo lugar, marcaram Tarantini, aos 50 minutos, e o suplente Ronan, aos 84. Os ‘encarnados’, que passaram a contar 84 pontos e 99 golos, só precisam de empatar na recepção ao Santa Clara, numa última ronda em que o ainda campeão FC Porto, que está a dois pontos, é anfitrião do Sporting, terceiro.


18 (f)utilidades

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Diariamente EXPOSIÇÃO 50 | EXPOSIÇÃO “BELEZA NA NOVA ERA: OBRAS-PRIMAS DA COLECÇÃO DO MUSEU 8 1DE ARTE 6 DA 9 CHINA” 7 0 3 4 NACIONAL MAM 2 7 5 1 6 4 8 3

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EXPOSIÇÃO | “100TH ANNIVERSARY 3 FOURTH 2 4MOVEMENT 1 7IN CHINA” 9 8 OF 0 THE MAY IFT4 6 1 8 2 3 5 0

9 0 7 5 8 6 4 1 1 6 7 5 5 9 | DESENHOS 4 7 DA3RENASCENÇA 1 6 2 EXPOSIÇÃO MAM | Até 30/06 6 8 3 0 4 5 2 9 EXPOSIÇÃO | “PHOTO-METRAGENS” 8 BARROS 2 0 9 DE 7 JOÃO 5 MIGUEL Oficinas Navais nº1 1 2 0 3| Até 02/06 9 8

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8 4 5 6 2 1 9 4 7 6 3 5 0 8 2 1 5 3 1 2 4 7 6 0 Cineteatro 1 9 0 8 6 2 4 3 3 0 7 9 9 5 8 7

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Julian Assange, esperando que o suspeito possa comparecer em tribunal antes de o crime prescrever, em 2020. “Decidi hoje [ontem] reabrir o processo”, anunciou Eva-Marie Persson, procuradora-adjunta, durante uma conferência de imprensa em Estocolmo.

6 3 6 1 9 1 85 48 04 0 7 0 8 2 8 9 3 6 47 4 51 4 5 4 7 1 0 7 0 2 8 69 6 7 3 0 5 4 1 4 62 6 89 4 1 0 2 9 0 39 3 56 5 8 9 6 7 6 8 2 5 8 0 5 0 1 43 6 5 8 5 7 4 7 1 3 2 90 0 8 0 4 6 7 2 9 7 9 53 15 2 3 5 3 8 6 9 71 7 4 1 7 9 3 7 4 3 4 50 5 28 2 SOLUÇÃO DO PROBLEMA 57

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0 4 6 7

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3 6 4 LIVRO 6 5 7 9 5 1HOJE 9 1 2 UM 1 3 5

8 8 1 7 2 6 0 3 4 5 5 2 9 2 8 0 8 7 4 37 3 16 Todos sabemos que muitas das sitodos5os dias 0 1 3de 4 9têm 8 a sua 9 6 2 3tuações 51 dose de absurdo e tragicomédia. 4 8 0 Prado 3 1 92 3 6 1consegue Miguelanxo pa- 9 5 7 gar nelas e e fazer a sua projecção 6 5 2 5 0 9 7 0 7 8 1 34 em cada ilustração e balão que escreve. “Quotidiano 1 74 9 4 2delirante” 53 85 é08 60 aquele livro de banda desenhada 7 4se0ter1 4 1 2É 9uma2espécie 56 5 3 para à mão. de meditação cheia de humor 5 3que8 olhemos 3 1 para 6 o que 0 97 9 5faz2 com que muitas com um 0 1 9 6vezes 83 nos 78chateia, 57 5 04 sorriso. É também o nosso próprio espelho capaz de reflectir a nossa cumplicidade com os delírios de todos os dias. Miguelanxo Prado não engana e volta a marcar esta publicação com o seu traço inconfundível e sarcasmo próprio. Sofia Margarida Mota

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PROBLEMA 58

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3 12 05 30 29 86 57 61 78 4

Macau não tem um parque natural decente – não estão aqui incluídos os trilhos - mas tem um belíssimo campo de golf. Uma extensão enorme, verdinha, com uns lagos aqui e acolá. Um espaço que deve servir uns quantos turistas talvez. Não sei, porque por cá nem se fala nele. E é pena. Num lugar com tanta escassez de espaço e tanta necessidade de lugares mais verdes para a própria população, seria interessante perceber as mais valias daquele mini paraíso com entrada limitada e que, ao que aparenta, tem pouco movimento. Seria bom perceber quais as vantagens desta valência, que mais parece ser um desperdício de recursos. Aqui, onde não há extensões relvadas para que se possa descansar, onde não há lugares, verdes e grandes, para se fazer um piquenique, onde não há espaços em que os miúdos se possam deixar correr pela terra fora, há este, que tem todas as características físicas necessárias, mas que não é acessível. Numa terra em que a mãe pátria é dada como exemplo, é uma pena que nestas coisas não se tenha como tal. Será que os nossos governantes nas suas imensas idas a Pequim, nunca deram uma voltinha por Houhai, nunca se perderam num descanso tranquilo no parque de Sunlitun? Será que é assim ao difícil priorizar necessidades? Tanto lazer nas bocas, tanto ambiente nos slogans e tanta despreocupação no real. Que se lixe o campo de golfe. Sofia Margarida Mota

7 69 54 6 21 8 3 2 0 85

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S U D O K U

TEMPO

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6 QUOTIDIANO DELIRANTE | MIGUELANXO PRADO

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4 3 2 5 1 8 7 9 0

THE HUSTLE SALA 1

SALA 2

FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 14.15, 19.30

Um filme de: Anthony and Joe Russo Com: Robert Downey Jr, Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson 14.30, 17.45, 21.00

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] AVENGERS: ENDGAME [B]

POKÉMON DETECTIVE PIKACHU [B] FALADO EM INGLÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Rob Letterman Com: Ryan Reynolds, Justice Smith, Kathryn Newton, Suki Waterhouse 21.30

SALA 3

THE HUSTLE [B] Um filme de: Chris Addison Com: Anne Hathaway, Rebel Wilson 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

terça-feira 14.5.2019

macau visto de hong kong

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Direitos dos animais (I)

OUBE-SE há cerca de duas semanas que o Governo de Hong Kong está a preparar uma revisão da legislação sobre protecção aos animais, nomeadamente para combater comportamentos crúeis. Em Macau, a Lei de Protecção dos Animais é relativamente recente. Esta é uma boa oportunidade para analisarmos a legislação das duas cidades e vermos o que cada uma delas pode aprender com a outra. Em Hong Kong, a "Lei de combate à Raiva" e os "Regulamentos sobre Animais Perigosos" destinam-se a promover a vacinação dos cães e o uso de trela em locais públicos, de forma a evitar que alguém possa ser mordido. O principal objectivo destas leis é garantir que os animais não constituam uma ameaça para a saúde nem para a segurança do público. A salvaguarda dos direitos dos animais não tem sido até agora uma preocupação. A protecção dos direitos dos animais centrou-se na legislação contra a crueldade. Exemplo disso é a Lei para a Prevenção da Crueldade para com os Animais, publicada em 1935 e elaborada de acordo com o Acto 1911 de Protecção dos Animais, britânico. Esta lei estipula que o tratamento cruel ou negligente, que causa sofrimento desnecessário, é ilegal e pode ser punido com uma multa até $200.000 e pena de prisão até três anos. Mas, desta vez, o Governo de Hong anunciou que irá introduzir alterações à lei. A primeira irá incidir na secção 56 da Legislação de Circulação Rodoviária. A alteração exige que o condutor que atropele cavalos, vacas, burros, ovelhas, porcos (excepto javalis), cabras, cães ou gatos, deve parar de imediato e comunicar o acidente à polícia num espaço de 24 horas. Se estas medidas forem tomadas, a hipótese de sobrevivência do animal atropelado aumenta significativamente. Por seu lado, o Parágrafo 1 do artigo 3 do MAPL estipula: Maus tratos a animais 1. É proibido o tratamento de animais por meios cruéis ou violentos ou por meio de tortura, que lhes inflijam dor e sofrimento. Embora o artigo condene a crueldade, a violência e a tortura não específica o que considera como tal. Por exemplo, o atropelamento e abandono de um animal pode ser

CAROL SCHIFF

DAVID CHAN

considerado cruel, violento ou uma forma de tortura? Haverá necessidade que a lei seja mais específica e se venha a debruçar sobre a intencionalidade ou a não intencionalidade nestas circunstâncias? É considerado como crueldade, violência ou tortura, embora não só, pontapear, bater e provocar ferimentos ou mutilações. O Artigo 25 do MAPL estipula: Artigo 25.º Crime de crueldade contra animais Quem, com a intenção de infligir dor e sofrimento a animal, o tratar por meios cruéis ou violentos ou por meio de tortura, que resultem em mutilações graves, perda de órgãos importantes ou morte, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com multa até 120 dias. Embora a lei não enumere os comportamentos específicos que provocam estas

Hoje em dia, nos países dos continentes europeu e americano a legislação de protecção animal já não se limita a condenar os maus tratos e a negligência. A lei estipula o “dever de cuidar” para proteger os direitos dos animais

consequências, condena todos os actos que as provoquem. Claro que enumerar comportamentos específicos seria exaustivo. Na sociedade actual, os meios pelos quais a violência, a crueldade e a tortura se exercem são inumeráveis. Embora a lei actual contemple um vasto leque de comportamentos, não quer dizer que esteja preparada para lidar com novos comportamentos crúeis, violentos e perversos que possam surgir no futuro. Os animais não falam e, como tal, não se podem queixar. Por isso, a lei tem de definir muito bem o que são actos de crueldade, violência e tortura, para que possam ser convenientemente punidos. É possível implementar a protecção dos direitos dos animais. Hoje em dia, nos países dos continentes europeu e americano a legislação de protecção animal já não se limita a condenar os maus tratos e a negligência. A lei estipula o “dever de cuidar” para proteger os direitos dos animais. É disso exemplo o Acto 2006 de Bem-Estar Animal, que foi acrescentado à legislação do Reino Unido em 2006. O “Dever de Cuidar” estipula que os donos têm de dar garantias de possuir os meios necessários para prover às necessidades básicas dos animais ao seu cuidado; além disso garante que os agentes das autoridades possam intervir sempre que um animal é encontrado em situação deficitária, como forma de prevenir tragédias futuras. É precisamente neste ponto que irá incidir a alteração à lei de protecção aos animais em Hong Kong.

Professor Associado do IPM • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog


Imaginar é subir um tom na realidade. Gaston Bachelard

MACAU CRESCIMENTO ECONÓMICO REVISTO EM BAIXA

ÓBITO MORREU A ACTRIZ DORIS DAY

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Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia de Macau em 2019 e recomendou novas políticas fiscais para reduzir a dependência das receitas do jogo, lê-se num relatório. Em Fevereiro, o FMI já baixara a estimativa de crescimento da economia do território para este ano em um ponto percentual, para os 5,5 por cento. Agora, prevê 4,3 por cento em 2019 e 4 por cento a médio prazo. Entre elogios ao desempenho das políticas governativas ao nível económico, pela prudência traduzida nas reservas financeiras e esforço de diversificação da indústria, o FMI deixa algumas recomendações e alerta para riscos externos. Por um lado, aconselha as autoridades de Macau a criarem uma agenda fiscal capaz de reduzir a dependência das receitas do jogo, que chegam a representar quase 80 por cento do que é arrecadado. Por outro, recomenda mais investimento público e maior despesa na área social (na educação e no apoio a idosos), o que permitiria promover a diversificação da economia, bem como a inclusão social, respectivamente. O agravamento da tensão comercial China/Estados Unidos volta a ser mencionado como um dos riscos com “impacto significativo” no território, já que colocaria em risco o fluxo de turistas do Interior da China e o investimento das três operadoras de casinos norte-americanas que exploram o jogo em Macau. Entre as ameaças, o FMI destacou ainda a crescente competitividade na indústria do jogo na Ásia, com os emergentes mercados de Singapura, Filipinas, Japão, Vietname e Coreia do Sul.

terça-feira 14.5.2019

PALAVRA DO DIA

“A adição de taxas alfandegárias não resolve nada”, disse Geng Shuang pedindo que os EUA colaborem no sentido de encontrar benefícios mútuos

CHINA RETALIA E AUMENTA TARIFAS DE IMPORTAÇÕES AMERICANAS

Quem vai à guerra

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China anunciou ontem que aumentará as suas tarifas sobre a importações de produtos dos EUA no valor de 60 mil milhões de dólares, a partir de 1 de Junho, em retaliação contra idênticas medidas norte-americanas. A Comissão de Tarifas do governo chinês anunciou ontem que vai cumprir a ameaça de retaliar contra o aumento de tarifas de importações chinesas por parte dos EUA, que arrancaram sexta-feira, com aumentos de tarifas de 10 por

cento, 20 por cento ou até 25 por cento sobre importações de produtos norte-americanos (ver página 13). O Presidente dos EUA, Donald Trump, tinha ordenado um aumento de tarifas de 10 por cento a 25 por cento sobre cerca de 300 mil milhões de euros de produtos importados da China, considerando que uma escalada de taxas alfandegárias seria mais danosa para os chineses do que para os norte-americanos. Trump tinha aconselhado a China a não retaliar contra essa medida, mas o porta-voz do Ministério

dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, disse ontem que “a China nunca cederá a pressões externas”. “Já o tínhamos dito antes: a adição de taxas alfandegárias não resolve nenhum problema”, explicou o porta-voz do governo chinês, pedindo que os EUA colaborem no sentido de encontrar um acordo de benefícios mútuos.

SEM SUCESSO

Ontem, Donald Trump, na sua conta pessoal da rede social Twitter, já tinha lamentado que os chineses tivessem recuado na elaboração

de um novo acordo, referindo-se à ronda de negociações que aconteceu nas duas passadas semanas, com delegações dos dois países a reunir-se em Pequim e Washington. As reuniões foram inconclusivas e revelaram um impasse no conflito comercial entre as duas maiores potências económicas mundiais, que se arrasta há cerca de dois anos. Entre as principais divergências à volta do novo acordo comercial, encontram-se os temas da protecção dos direitos de patentes e da transferência forçada de tecnologia.

actriz norte-americana Doris Day, conhecida pela participação em filmes como “Pijama para Dois” e “O Homem que Sabia Demais”, morreu ontem, aos 97 anos, na sua casa em Carmel Valley, Califórnia, anunciou a sua fundação. Segundo a Doris Day Animal Foundation, a actriz, “que se encontrava acompanhada dos seus amigos mais próximos, beneficiou das melhores condições físicas, para a sua idade, até ter contraído uma pneumonia, recentemente”. Nascida em Cincinnatti, nos Estados Unidos, em 3 de Abril de 1922, descendente de imigrantes alemães, Doris Day - Doris Mary Kappelhoff - participou em mais de 60 filmes e séries de televisão, ao longo de quase quatro décadas, afirmando-se entre as mais conhecidas actrizes e cantoras dos chamados “anos de ouro de Hollywood”, após a II Guerra Mundial. Na televisão distinguiu-se com o The Doris Day Show, uma série de comédia que protagonizou durante mais de 120 episódios, do final dos anos de 1960 a 1973, altura em que abandonou a representação. Em 1978, criou a Doris Day Animal Foundation, para defesa dos direitos dos animais, que dirigiu até perto da morte.

CRIME SUSPEITO DE FILMAR MULHER COM TERMO DE IDENTIDADE E RESIDÊNCIA

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homem que na semana passada foi detido por ter, alegadamente, filmado com o telemóvel uma mulher na casa de banho está proibido de entrar em lavatórios e vestiários femininos e de contactar a vítima. Estas são as principais consequências das medidas de coacção aplicadas pelo Juiz de Instrução Criminal, que também decretou o termo de identidade e residência e prestação de caução,

“no sentido de evitar que perturbe o decurso do processo e volte a praticar actividades criminosas da mesma natureza”. O caso aconteceu na semana passada, depois do sujeito em questão ter sido apanhado a usar o telemóvel para filmar, em segredo, uma mulher a fazer necessidades na casa de banho de um centro comercial na zona norte da península. De acordo

com um comunicado do Ministério Público (MP), a ofendida descobriu que alguém a estava a filmar quando viu um telemóvel na parte de baixo da divisória, facto que levou a mulher a participar a ocorrência às autoridades. “Posteriormente, a polícia identificou o arguido e deteve-o, tendo, ainda, sido encontrada, no seu telemóvel, uma grande quantidade de fotografias e vídeos de

mulheres, obtidas secretamente”, lê-se no comunicado do MP. O arguido está acusado do crime de devassa da vida privada, punido com pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias mesmo que as fotografias ou vídeos não sejam divulgadas, ou mostradas a terceiros. O MP irá continuar a investigar o caso, inclusive para aferir a identidade de outras vítimas.


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Hoje Macau 14 MAI 2019 # 4287 by Jornal Hoje Macau - Issuu