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Hoje Macau 14 MARÇO 2022 #4967

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CHEQUES

ABRIL, PATACAS MIL PÁGINA 5

HOJE MACAU Nº 4968

SEGUNDA-FEIRA 14-3-2022 MOP$10

APN | ECONOMIA

ABRANDAR O RITMO

HOJE MACAU

GRANDE PLANO

O MERCADO QUE PRECISAMOS SUPLEMENTO

TURISMO

MORTINHOS POR VISITANTES PÁGINA 6

CHINA

MAIS PORTAS FECHADAS

Sem direito de resposta

Ao fim de mais de três meses de pedidos de esclarecimento sobre a instalação de grades em saídas de emergência no edifício da Assembleia Legislativa (AL), nem os Serviços de Obras Públicas, nem a própria AL, adiantaram qualquer explicação, limitando-se a “empurrar” o caso de um lado para o outro. O arquitecto do projecto, Mário Duque, volta a alertar para questões de segurança e fala de quebra do princípio de boa-fé.

PÁGINAS 10-11

PÁGINA 7

SEMANA CULTURAL CHINESA

FIM DE FESTA EVENTOS

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JORGE NETO VALENTE

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ


2 grande plano

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14.3.2022 segunda-feira

A

China, que tem vindo a apresentar um rápido desenvolvimento nas últimas décadas, vai ter dificuldade «em manter» um crescimento elevado, advertiu na sexta-feira o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, num contexto em que “as incertezas estão a aumentar”. O país já está a preparar-se para um abrandamento do crescimento, tendo estabelecido uma meta de “cerca de 5,5 por cento” para este ano, no que será o ritmo mais lento para a China desde o início dos anos de 1990, excluindo o período covid-19. A China tinha estabelecido um objectivo de crescimento de “pelo menos 6 por cento” no ano passado, atingido pelo país graças a um efeito de recuperação ligado à covid-19. “A nível global, manter um crescimento médio a elevado para uma economia desta dimensão [como a chinesa] é um grande desafio”, admitiu Li Keqiang, aos jornalistas, à margem do fim da sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), que terminou oficialmente na quinta-feira. Com a pandemia, uma recuperação da epidemia na China e a guerra na Ucrânia, “a economia está a enfrentar novas pressões descendentes”, advertiu Li, sem mencionar explicitamente estes factores, mas com uma referência a “vários ambientes complexos em mudança e incertezas crescentes”. No encerramento da sessão anual da 13.ª APN, foi divulgado, no sábado, um relatório do Conselho de Estado que traça as metas do país para este ano. Além do crescimento de 5,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), estima-se que o país possa vir a criar 11 milhões de novos empregos nas zonas urbanas, mantendo o desemprego nas cidades abaixo dos 5,5 por cento. O documento aponta também como metas “um crescimento da riqueza pessoal [de cada cidadão] em linha com o crescimento económico”, além de lutar por um “crescimento sustentável do volume e da qualidade das importações e exportações”. Pretende-se também que haja “um equilíbrio básico na balança de pagamentos”. Em matéria ambiental, o Governo chinês pretende garantir “uma crescente melhoria do ambiente” bem como “uma redução continuada das descargas de grandes poluentes”. “Este objectivo de crescimento económico baseia-se essencialmente na manutenção da estabilidade do emprego, na garantia das condições básicas de vida e na defesa contra riscos”, lê-se no relatório.

Prudência é a palavra

O cumprimento destas metas só poderá ser feito se o país levar a

APN

Pé no travão LI KEQIANG ALERTA PARA DIFICULDADES EM MANTER CRESCIMENTO ECONÓMICO ELEVADO

Concluída a sessão anual da 13.ª Assembleia Popular Nacional, a China traçou o objectivo de crescimento económico de 5,5 por cento ao ano, mas o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, não ignorou as dificuldades. O relatório sobre o trabalho do Governo, aprovado na sexta-feira, dá conta da “tripla pressão” que o país enfrenta resultante de “constrangimentos na procura” e das “perturbações no fornecimento” de bens


segunda-feira 14.3.2022

cabo “políticas macroeconómicas prudentes e efectivas”, a fim de dar “energia” aos mercados. São também importantes “políticas estruturais que possam facilitar um fluxo regular da economia”. Além disso, “devem ser implementadas políticas nas áreas da ciência e da tecnologia”, bem como “reformas e políticas de abertura” em prol do desenvolvimento. Para este ano, “os fundamentos da economia mantêm-se inalterados e irão garantir um crescimento a longo prazo”. O relatório do Conselho de Estado dá conta que existem no país “condições favoráveis para um desenvolvimento sustentado”. Ainda assim, e apesar de serem “reconhecidas as conquistas” do país, existe “clareza quanto aos problemas e desafios que enfrentamos”. O problema da pandemia é referido no documento, enquanto o país mantém a sua política de zero casos. «Tem sido lenta a recuperação da economia mundial e os preços dos bens mantêm-se elevados e sujeitos a uma flutuação. Todos estes factores, fazem

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com que o ambiente externo seja crescentemente volátil e incerto.” A nível interno, “a China está sob uma tripla pressão com constrangimentos na procura,

a existência de perturbações no fornecimento [de bens] e fracas expectativas”. “Os casos locais de covid-19 continuam a ocorrer de forma esporádica. A recuperação do consumo e do investimento tem sido lenta. É cada vez mais difícil manter um crescimento sustentado em matéria de exportações, o fornecimento de recursos energéticos e matérias primas mantém-se inadequado, e aumentou a pressão da inflação em relação aos produtos importados”, lê-se ainda. Neste sentido, o documento dá conta de que sectores como a hotelaria, retalho, cultura, turismo ou transportes “têm uma grande capacidade de emprego”, embora tenham sido “severamente afectados pela pandemia”. “As políticas de apoio a estas empresas irão continuar a fim de garantir que estes sectores enfrentam estes tempos desafiantes com boas perspectivas”, acrescenta-se. Há ainda “dificuldades” sentidas por quem trabalha por conta própria ou por quem tem o seu próprio negócio. “É mais difícil a missão de estabilizar o emprego. A nossa capacidade de apoiar a inovação tem falhas em sectores chave. Os desequilíbrios orçamentais em alguns governos locais tornaram-se mais notórios e há potenciais riscos em sectores económicos e financeiros. Em áreas que são importantes para o bem-estar da população, há várias questões que têm de ser resolvidas.” Em matéria governamental, o relatório dá conta que “há espaço para a melhoria do trabalho do Governo”, uma vez que se mantêm “formalidades desnecessárias e burocracia”. Uma das bandeiras do Governo nos últimos anos, a corrupção, “mantém-se um problema comum em alguns sectores”.

Sim à poupança

O relatório divulgado por Li Keqiang deixa claro que a poupança é a palavra de ordem para este ano, estando em marcha um plano para o uso de fundos governamentais para “estimular e expandir um investimento efectivo”

O relatório divulgado por Li Keqiang deixa claro que a poupança é a palavra de ordem para este ano, estando em marcha um plano para o uso de fundos governamentais para “estimular e expandir um investimento efectivo”, com a alocação de 3.65 triliões de yuan em obrigações para os governos locais poderem investir em projectos de renovação e construção de novas áreas de infra-estruturas públicas. Em matéria de contas públicas, o Governo promete manter “o cinto apertado”, mantendo um equilíbrio entre os gastos governamentais e o investimento. A ideia chave é que os governos provinciais e regionais têm de “economizar onde seja possível”. Desta forma, serão proibidos “os gastos excessivos e supérfulos”. “Vamos evitar a construção de novos edifícios governamentais que violem os regulamentos, e não

MACAU E HONG KONG O relatório divulgado pelo Conselho de Estado contém também um parágrafo dedicado a Macau e Hong Kong. É referido que deve ser seguido “o princípio de que Hong Kong e Macau devem ser governados por patriotas”, sendo que Pequim apoia plenamente “que os governos destas duas regiões administrativas especiais mantenham uma governação com base na lei”. “Vamos ajudar Hong Kong e Macau a responder à pandemia da covid-19, a desenvolver as suas economias e a melhorar o bem-estar das suas populações. Vamos ver estas duas regiões a integrarem-se melhor no desenvolvimento geral do país, mantendo uma prosperidade de longo prazo e estabilidade”, lê-se no documento, que dá ainda conta da importância de manter e cumprir o princípio “um país, dois sistemas”. Com base nisto, é importante “que as pessoas de Hong Kong administrem Hong Kong, e que as pessoas de Macau administrem Macau, ambas com um elevado grau de autonomia”.

serão tolerados projectos feitos por vaidade. Quem violar a disciplina fiscal ou desperdice fundos públicos será investigado e severamente punido. Devemos garantir que os nossos fundos preciosos são usados em áreas que têm problemas de desenvolvimento e na resolução das necessidades básicas da população.”

“A recuperação do consumo e do investimento tem sido lenta. É cada vez mais difícil manter um crescimento sustentado em matéria de exportações.” “Quem violar a disciplina fiscal ou desperdice fundos públicos será investigado e severamente punido.” RELATÓRIO DO CONSELHO DE ESTADO

De um conjunto de seis linhas de acção traçadas, constam a prioridade dada ao emprego e implementação de uma “política monetária prudente”. Para apoiar as empresas, será lançado um novo pacote de políticas fiscais. “Vamos continuar a adoptar passos temporários e medidas institucionais, bem como aplicar políticas em prol da redução de impostos”, pode ler-se. Andreia Sofia Silva

China e EUA precisam de “dialogar mais” para encarar “desafios globais”

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ASHINGTON e Pequim devem “dialogar mais” num contexto de “crescentes desafios globais”, disse sexta-feira o primeiro-ministro chinês, na conferência de imprensa no final da sessão anual do Assembleia Nacional Popular. “A China e os Estados Unidos precisam de mais diálogo e comunicação. As portas estão abertas e não devem ser fechadas ou apostadas numa dissociação. Ambos os lados devem respeitar as preocupações e interesses um do outro e lidar com as diferenças de forma racional e constructiva”, afirmou Li Keqiang. “A competição” entre os dois países devia ser “saudável e justa”, acrescentou o responsável, e salientou que as relações bilaterais, “apesar dos seus altos e baixos nos últimos 50 anos”, deviam avançar. Além da análise da situação económica e social do país, Li abordou também a guerra na Ucrânia, um conflito sobre o qual a China está “profundamente preocupada”. “A China vai continuar a trabalhar com a comunidade internacional e a desempenhar um papel positivo no restabelecimento da paz. Apoiamos todos os esforços nesse sentido. A prioridade é evitar que as tensões aumentem ainda mais ou que fiquem fora de controlo. São necessários mais esforços para que a Rússia e a Ucrânia continuem a negociar e alcancem um cessar-fogo”, afirmou. Li salientou que Pequim está empenhada em ajudar “a prevenir uma crise humanitária” e que o país asiático vai continuar a cooperar com outras nações “com base no respeito mútuo”, numa referência às relações bilaterais com a Rússia, uma vez que isto “traz estabilidade ao mundo”. Para o primeiro-ministro chinês, as sanções ocidentais contra Moscovo “vão prejudicar a economia global”, sublinhando que os esforços para manter “a estabilidade”, depois de três anos de pandemia da covid-19, são necessários neste momento. Sobre Taiwan, cuja soberania Pequim reivindica, Li disse que a China vai sempre opor-se a “actividades separatistas que procuram a ‘independência’” da ilha. Lusa


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JOGO RECUSADA OBRIGATORIEDADE DE ADMINISTRADORES-DELEGADOS CHINESES

Já basta como está Um deputado colocou em cima da mesa a obrigatoriedade de os administradores-delegados das concessionárias serem de nacionalidade chinesa, mas o Executivo não vê, por agora, essa necessidade

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Governo não tem intenções de obrigar os administradores-delegados das concessionárias a terem nacionalidade chinesa. A garantia foi deixada nas reuniões com os deputados no âmbito dos trabalhos de análise da nova Lei do Jogo na especialidade. O tema tinha sido levado para a 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa por um dos deputados, que defendia que os delegados deveriam ser obrigados a ter nacionalidade chinesa. No entanto, os representantes do Executivo consideram que tal não é necessário. “A lei não faz exigências de nacionalidade, só exige que o administrador-delegado tem de ser residente permanente”, esclareceu

vo. Seguidamente, apenas podem colocar 30 por cento do capital social no mercado. “Creio que o limite de 30 por cento de entrada na bolsa tem uma explicação. Se todas as acções, ou a maioria, fossem colocadas na bolsa e pudessem ser adquiridas por terceiros, então deixava de fazer sentido atribuir as concessões do jogo, porque poderiam ser compradas”, justificou Chan Chak Mo.

“A lei não faz exigências de nacionalidade, só exige que o administrador-delegado tem de ser residente permanente.” o presidente da comissão, Chan Chak Mo, citando a posição do Executivo. “Segundo o Governo, por enquanto, basta ser residente permanente”, reiterou. Chan Chak Mo esclareceu ainda que “o administrador-delegado” vai assumir “o papel de ligação entre a concessionária e o Governo”, e ser residente é tido como um requisito “suficiente” pelos membros da comissão permanente. Segundo os legisladores, o principal é mesmo que o delegado tenha como residência habitual a RAEM, para poder fazer a ligação entre as empresas do jogo e o Executivo. Na sexta-feira, foi ainda revelado que todas as concessionárias enviaram opiniões para a comissão da Assembleia Legislativa sobre a

nova lei do jogo. Um dos assuntos mais focados, foi a necessidade de prestar novos esclarecimentos sobre o património e as áreas do jogo que têm de ser entregues ao Executivo no fim da concessão. Porém, o Governo considera que a matéria é clara.

Bolsa só com autorização

Outro dos assuntos em discussão, foi a entrada em bolsa das concessionárias do jogo. As operadoras actuais têm empresas cotadas em bolsa, mas são as empresas-mãe, ou seja, as proprietárias das concessionárias. A nova lei vai permitir a entrada em bolsa das concessionárias, mas com duas limitações. Em primeiro lugar, precisam de pedir autorização ao Chefe do Executi-

ATFPM QUASE 4 MIL REELEGERAM PEREIRA COUTINHO

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S corpos dirigentes da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) foram reeleitos no sábado para o triénio entre 2022 e 2025, com a recondução da lista liderada por José Pereira Coutinho, como presidente da direcção, e Rita Santos, presidente da mesa da Assembleia Geral. O sufrágio contou com a participação de 3.847, com 3.822 votos válidos na única lista concorrente, 13 votos nulos e 12 votos em branco. Quanto aos restantes dirigentes associativos, Maria Leong Madalena irá presidir ao

Conselho Fiscal, Che Sai Wang, Leong Veng Cahi, Melina Tam Leng I, Pauline Lai Pou San ficam como vice-presidentes da direcção. No cargo de vice-presidentes da mesa da Assembleia Geral ficam Xeque Harun Hamja e António Augusto Carion, enquanto os vice-presidentes do Conselho Fiscal ficam a cargo de Yen Kuacfu e Alexandre Maria Azedo Victal. No rescaldo da reeleição, Pereira Coutinho garantiu que a direcção continuará a “lutar para garantir a estabilidade dos postos de trabalho da função pública

e no sector privado e ser uma efectiva ponte de ligação com o Governo”. Enquanto deputados, Coutinho e Che Sai Wang vão exigir a construção de “moradias para os trabalhadores da função pública, reivindicar pensões de aposentação e sobrevivência para todos os funcionários públicos, atribuir as 7.000 patacas do Fundo de Previdência Central para idosos”. Os representantes comprometeram-se também com a luta por apoios a desempregados, criação de mais postos de trabalho para jovens e ajuda às PMEs.

CHAN CHAK MO PRESIDENTE DA 2.ª COMISSÃO PERMANENTE DA AL

Na reunião, ainda estiveram em cima da mesa os artigos que impedem qualquer accionista de uma concessionária de ter mais de cinco por cento noutra concessionária. A comissão acredita que a questão vai ser difícil de fiscalizar, mas o Executivo insiste que é um princípio a implementar. Neste aspecto, Chan Chak Mo revelou que os representantes do Executivo reconheceram que lei não estava bem redigida, pelo que se vai melhorar a formulação nas reuniões técnicas, entre assessores da AL e dos Governo. João Santos Filipe

Natalidade Lei Chan U justifica baixa taxa com poucos casamentos

O deputado Lei Chan U considera que o facto de em 2021 Macau ter registado a mais baixa taxa de natalidade desde 2005 “não é motivo para excessos de ansiedade”, mas, se a tendência de mantiver, terá de ser endereçada com políticas do Governo. O vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) emitiu ontem um comunicado a relacionar o número baixo de nascimentos em 2021 com a “redução acentuada” de casamentos em 2020. O deputado afirma que existe uma elevada correlação entre a taxa de nascimento e o número de primeiros casamentos. “Devido ao impacto da pandemia, o número de casamentos baixou significativamente em 2020”, para 2.754, uma quebra de 26 por cento em relação a 2019. Lei Chan U destaca que no ano passado foram registados 3277 matrimónios, uma subida anual de 19 por cento e que, como tal, “é expectável que a taxa de natalidade suba este ano”.

Vong Keng Hei defende princípio patriotas a governar Macau

Vong Keng Hei, presidente da Associação de Intercâmbio e Promoção Jurídica de Macau, considera que a RAEM tem de seguir as orientações do Governo Central, apresentadas durante a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, e proteger o princípio Macau Governada por Patriotas. Segundo Vong Keng Hei, filho do deputado e advogado Vong Hin Fai, o caminho deve ser feito seguindo os trâmites legais, o que pode obrigar a revisão das leis em vigor. Nas últimas eleições legislativas, a comissão eleitoral, nomeada pelo Chefe do Executivo, já excluiu candidatos que considerou não serem patriotas, com base em opiniões políticas expressadas. Além deste aspecto, Vong considerou importante que a comunidade local aproveite as oportunidades no âmbito da Grande Baía e na zona de cooperação com Hengqing. Na opinião do também advogado, a Ilha da Montanha vai ser a nova casa dos residentes de Macau, que devem mudar-se para aproveitar as novas oportunidades.


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política 5

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COMPARTICIPAÇÃO PECUNIÁRIA CHEQUES CHEGAM A PARTIR DE 1 DE ABRIL

No antecipar está o ganho TURISMO LEI DO IMPOSTO VAI SER MODIFICADA

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Governo vai rever a Lei do Imposto de Turismo para clarificar que tanto os bens como os serviços ligados à indústria hoteleira estão sujeitos ao pagamento do imposto. A lei actual só define o que os serviços prestados dentro dos hotéis estão sujeitos ao imposto, o que tem levado a vários casos nos tribunais da RAEM. Com a alteração, fica mais claro que os bens, como a venda de bilhetes de barco ou de avião, produtos cosméticos ou até revistas ficam igualmente sujeitos ao pagamento. Ainda de acordo com a proposta, que tem de passar pela Assembleia Legislativa, “os hotéis de duas estrelas, alojamentos de baixo custo, estabelecimentos de refeições simples, quiosques das áreas de restauração, estabelecimentos de bebidas e estabelecimentos de comidas” vão ficar isentos. O objectivo passa por promover o turismo de baixo custo na RAEM. Quando apresentada a nova medida, Iong Kong Leong, director dos Serviços de Finanças, explicou que as alterações vão resultar numa perda de receita para os cofres da RAEM de 700 mil a 800 mil patacas, de acordo com os dados entre 2020 e 2021, que reflectem os impactos da pandemia.

Além de apresentar o calendário para a distribuição do “cheque”, o Conselho Executivo apresentou os programas dos vales de saúde e o subsídio de aquisição de material escolar para estudantes do ensino superior

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Plano de Comparticipação Pecuniária, vai começar a ser distríbuido para as contas dos residentes a partir de 1 de Abril, à semelhança dos últimos dois anos, desde que começou a pandemia da covid-19. O calendário da distribuição foi revelado na passada sexta-feira, após uma conferência de imprensa organizada pelo Conselho Executivo. Com cada residente permanente a receber 10 mil patacas e os não permanentes a receberem 6 mil patacas, o Governo estima que a medida custe ao erário público 7.230 milhões de patacas. Ainda de acordo com a informação apresentada na sexta-feira, há 690 mil residentes permanentes e 42 mil não-permanentes que podem levantar os respectivos montantes. De acordo com o calendário, a 1 de Abril começam a ser feitas as transferências bancárias para os residentes que recebem subsídio para idosos, pensão de aposentação e pensão de sobrevivência. Depois, no dia 4 de Abril, chega a vez dos residentes beneficiários do apoio económico do Instituto de Acção Social. Os que recebem o subsídio de invalidez e aqueles que registaram a recepção da devolução de impostos ou demais pagamentos a cargo da DSF por transferência bancária têm o pagamento feito a 6 de Abril. No dia seguinte, chega

distribuição devem dirigir-se aos serviços públicos, para consultar o processo e perceber o que sucedeu.

Vales de saúde e apoio a estudantes

O registo para receber o subsídio de 3.300 patacas para os alunos do ensino superior arranca a 26 de Abril e prolonga-se até 10 de Junho

a vez dos docentes que recebem subsídio para o desenvolvimento profissional, e ainda dos alunos bolseiros. Quanto às restantes pessoas, que recebem por transferência bancária vão ter o montante depositado nas respectivas contas ao longo do mês de Abril.

Cheques só em Maio

Quem opta por receber o apoio através do tradicional cheque vai ter de esperar um pouco mais. É a partir de 4 de Maio que os cheques começar a ser enviados para os nascidos até 1964.

Para o extracto dos residentes nascidos entre 1965 e 1983 os cheques começam a ser enviados no dia 11 de Maio. A 18 de Maio, os pagamentos começam a ser feitos para os nascidos entre 1984 e 2004 e a 25 de Maio chega a vez dos residentes nascidos entre 2005 e 2012. As pessoas nascidas entre 2013 e 2021 são as últimas para quem é enviado o pagamento, que começa a ser distribuído a 30 de Maio. Segundo a informação oficial, no caso de os residentes não receberem o cheque no prazo de 10 dias úteis a contar do primeiro dia da

Aconferência de sexta-feira foi igualmente utilizada para a apresentação do programa dos vales de saúde, para utilizar nas clínicas privadas locais. Entre 1 de Maio deste ano e 30 de Abril de 2024, cada residente permanente vai ter um apoio de 600 patacas para gastar na saúde. A medida deve custar aos cofres da RAEM cerca de 432,7 milhões de patacas, mas o montante pode não ser utilizado na totalidade. Segundo Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, entre 2019 e 2020, apenas dois terços do montante para o programa dos vales de saúde foi utilizado. O montante para o pograma mais recente, que vai decorrer até Abril deste ano e que começou em 2021, ainda não está disponível. Quanto ao programa de subsídio para aquisição de material escolar para estudantes do ensino superior, referente ao ano de 2021/2022, o registo online arranca a 26 de Abril e prolonga-se a 10 de Junho. O subsídio tem o valor de 3.300 patacas e deve abranger cerca de 31 mil alunos. Ao contrário dos anos anteriores, a entrega do subsídio está dependente da apresentação de documentos que comprovem que se frequenta os respectivos cursos do ensino superior. João Santos Filipe

DESEMPREGO DADOS DOS SERVIÇOS PARA OS ASSUNTOS LABORAIS LONGE DA SITUAÇÃO REAL, RON LAM

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deputado Ron Lam considera que os dados da taxa de desemprego fornecidos pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) não correspondem à situação real do território,

por deixarem de fora os residentes desempregados que moram no Interior da China. Segundo o deputado, a inclusão de residentes que moram fora de Macau, acabaria por revelar uma taxa

de desemprego superior a 4,1 por cento e um número de novos desempregados superior a 7.000, de acordo com os dados divulgados no último trimestre de 2021. Num artigo publicado no jornal Son Pou, Ron

Lam criticou ainda o facto de as operadoras de jogo acolherem ainda 18.740 trabalhadores não residentes (TNR), quando cerca de 3.000 trabalhadores locais terão perdido o seu posto de trabalho no sector. Isto,

apesar de 8.311 TNR terem ficado igualmente desempregados. Perante este cenário, o deputado acusa a DSAL de falta de “eficácia” e “honestidade” pela má gestão dos seus próprios recursos

humanos e por estarem previstas apenas 690 vagas dedicadas a residentes locais na feira de emprego a ter lugar no final de Março.


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TIAGO ALCÂNTARA

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CEM Quase 90% dos clientes satisfeitos com serviços

Um inquérito da Companhia de Electricidade de Macau (CEM) concluiu que 89,5 por cento dos clientes estavam satisfeitos com o serviço prestado no ano passado. Os resultados foram apresentados durante uma reunião da Comissão de Ligação da CEM – Clientes, e o inquérito teve por base entrevistas a 1.000 consumidores, realizadas entre Junho e Agosto do ano passado. Na apresentação, uma representante da empresa, Wu Shaoyun, considerou que o nível de satisfação é um novo recorde, e uma subida de 0,9 por cento face ao ano anterior. A responsável destacou também que as avaliações da estabilidade do fornecimento e da viabilidade do fornecimento alcançaram taxas de aprovação de 97,8 por cento e 97,5 por cento, respectivamente.

Segurança Viaturas e motoristas cumprem critérios

Maria Helena de Senna Fernandes “Temos de ser pacientes e continuar a demonstrar que Macau é uma cidade segura.”

M

ACAU precisa de mais visitantes, mas o regresso de excursões vindas da China ainda está longe, apesar de 80 por cento da população estar vacinada contra a covid-19, reconhece a responsável pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST). “No ano passado estivemos muito perto de retomar as excursões organizadas, mas infelizmente nessa altura houve uns pequenos surtos em Macau”, disse Maria Helena de Senna Fernandes, na sexta-feira, à agência Lusa. Desde Outubro que a região não regista quaisquer casos locais de covid-19, mas o Interior registou na sexta-feira mais de mil infecções locais, pela primeira vez em dois anos. “Continuamos a tentar retomar as excursões, mas ainda estamos algo distantes dessa meta”, afirmou Senna Fernandes. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou na quinta-feira que mais de 547 mil pessoas – mais de 80 por cento da po-

TURISMO AUTORIDADES IMPLORAM POR MAIS VISITANTES PARA RELANÇAR ECONOMIA

Quem espera, desespera Maria Helena de Senna Fernandes reconhece que Macau está a sofrer com o novo normal e admite que são precisos “desesperadamente” mais turistas. Por outro lado, deixou o aviso: sem visitantes, os “tempos vão continuar a ser muito difíceis” pulação de Macau – já recebeu pelo menos uma dose de uma vacina contra a covid-19. Senna Fernandes garantiu que o Governo central não estabeleceu qualquer meta de vacinação para a retoma das excursões. “Temos de ser pacientes e continuar a demonstrar que Macau é uma cidade segura”,

disse a directora da DST, após um seminário sobre o futuro do turismo na região após a pandemia.

Staycation não é solução

Durante o seminário, a responsável pelo turismo admitiu que Macau “precisa desesperadamente de mais visitantes, de uma forma mais estável e sustentável, sem os altos

e baixos causados pelos surtos” de covid-19. As medidas tomadas para encorajar residentes locais a ficaram em hotéis locais “não são uma solução a longo prazo”, reconheceu. “Se não conseguirmos retomar outros sectores de turismo, os tempos vão continuar a ser muito difíceis”, confessou Senna Fernandes.

A directora da DST lembrou que as agências de viagens e os guias turísticos estão há dois anos praticamente sem trabalhar e que, devido à baixa taxa de ocupação, “é hoje possível ficar num hotel cinco estrelas por 100 patacas”. Em 2022, a região vai realizar eventos de promoção turística em Wuhan, Changsha, Qingdao, Zhengzhou, Tianjin e Xiamen, seis cidades da China continental “com voos ou ligação por comboio de alta velocidade a Macau”, explicou a responsável. Em Maio vai acontecer a segunda Gala de Drones de Macau, com 880 drones. “A primeira edição, em Dezembro, tinha só 300, por isso vamos poder passar de padrões a duas dimensões para três dimensões”, disse Senna Fernandes. Pelo contrário, a edição deste ano do Fórum de Economia de Turismo Global – que foi cancelado em 2021 – deverá passar de 27 e 28 de Abril para Junho, devido à vaga de infecções por covid-19 em Hong Kong, acrescentou a directora da DST.

Em resposta a interpelação escrita de Ron Lam sobre o camião dos bombeiros que capotou junto ao edifício do jornal Ou Mun, o Gabinete do Secretário para a Segurança assegurou que, tanto os motoristas como as viaturas do Corpo de Bombeiros (CB), cumprem à risca todos os critérios de segurança exigidos. Nomeadamente, detalhou a chefe do Gabinete, Cheong Ioc Ieng, todos os motoristas do CB são obrigados fazer uma formação inicial rigorosa e a cumprir vários momentos de examinação ao longo de sete anos antes de começarem a conduzir os respectivos veículos. Sobre o acidente propriamente dito, Cheong Ioc Ieng indicou que o motorista está actualmente impedido de conduzir e que o veículo foi entregue à Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) para avaliação. A mesma responsável assegurou que o CB está neste momento à procura de uma equipa de peritagem independente para fazer uma avaliação “objectiva” do caso e que os resultados serão anunciados assim que forem conhecidos.

Crime Espanca homem para cobrar dívida e é preso

Um homem de 45 anos, proprietário de uma empresa de engenharia, foi detido na sexta-feira depois de alegadamente ter espancado um indivíduo que lhe devia dinheiro. Segundo a versão da Polícia Judiciária, o proprietário da empresa de engenharia emprestou, em 2017, cerca de 250 mil patacas a um outro homem, que geria uma companhia de obras de renovação. Na origem do empréstimo esteve o facto do gestor da empresa de obras de renovação ser incapaz de pagar os salários aos trabalhadores, o que o levou a recorrer a um empréstimo. Contudo, depois de pagar uma parte da dívida, o gestor falhou o pagamento do restante dinheiro. Por esse motivo, nos últimos anos foi várias vezes alvo de espancamento pelo suspeito. Durante este período, o devedor viu ainda a família ser ameaçada, além de ter sido obrigado a reconhecer uma dívida de 1,8 milhões de patacas. A vítima apresentou queixa da situação, o que levou a PJ a deter o alegado agressor, que negou ter praticado qualquer crime.

Animais Associação defende recolha e esterilização

O presidente da Associação de Macau para a Melhoria Social e do Quotidiano, Chan Pou Sam, alertou o Governo para a necessidade de controlar o número de cães abandonados em Hác Sá e Ká Ho. As declarações do conselheiro do Instituto para os Assuntos Municipais foram citadas na sexta-feira pelo jornal Cheng Pou, e surgem numa altura em que a RAEM atravessa um novo pico de abandono de animais, devido à crise económica. Segundo Chan, o aglomerado de cães vadios é propício ao desenvolvimento de doenças, que podem tornar as consequências de um ataque a pessoas bem mais graves. No entanto, o presidente da associação é contra o abate indiscriminado dos animais, e, como alternativa, defende que o Governo recolher e esterilizar os cães, que depois podem ser devolvidos à natureza.


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AL GOVERNO SEM RESPOSTA SOBRE GRADES EM SAÍDAS DE EMERGÊNCIA

Silêncio ensurdecedor IAM RUA DE PEDRO COUTINHO VAI SER REPAVIMENTADA

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Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) irá repavimentar a Rua de Pedro Coutinho e as vias envolventes, entre amanhã e sexta-feira durante a noite, das 19h30 às 07h. As obras durante o período nocturno têm o fim de minimizar o impacto no trânsito e na população. A obra consiste na remoção do pavimento de betume e na repavimentação com betão betuminoso e betão armado em alguns lugares de estacionamento. O IAM adiantou que antes do início dos trabalhos foram contactadas companhias concessionárias para “execução antecipada de trabalhos como fornecimento de energia eléctrica, colocação de tubagens e cabos de telecomunicações e reparação dos esgotos nas vias, com vista a evitar a repetição de escavações no futuro”. O troço da Rua de Pedro Coutinho entre a Avenida de Horta e Costa e a Avenida do Ouvidor Arriaga ficará vedado ao trânsito das 19h30 de amanhã às 07h de quarta-feira. O troço entre a Avenida do Ouvidor Arriaga e a Avenida do Coronel Mesquita será encerrado ao trânsito das 19h30 de quarta-feira às 07h do dia seguinte. Os lugares de estacionamento para automóveis e motociclos, zonas de carga-descarga e tomada-largada de passageiros e lugares de estacionamento reservados ficarão proibidos entre amanhã e o próximo sábado.

Jogos Nacionais Lista de modalidades confirmada este ano

O presidente do Instituto do Desporto estima que a lista de modalidades em competição nos Jogos Nacionais de 2025 serão reveladas ainda este ano. Pun Weng Kun frisou também que o Governo não irá construir novas estruturas e que as actuais correspondem aos requerimentos exigidos para os jogos nacionais. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o dirigente indicou que o território tem capacidade logística para organizar o evento e que os pavilhões vão ser equipados com instalações que correspondam às diferentes modalidades. Macau vai coorganizar os 15º Jogos Nacionais da China em 2025 com a província de Guangdong e Hong Kong.

Após vários pedidos de esclarecimento, tanto a DSSOPT como a Assembleia Legislativa não comentaram a instalação de grades nas saídas de emergência do edifício legislativo. Mário Duque, autor do projecto da AL, aponta que, além de atentar contra as normas de segurança, o caso viola o princípio da boa-fé. O arquitecto enviou uma carta a Raimundo do Rosário sobre o caso

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Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e a Assembleia Legislativa (AL) escusaram-se a esclarecer as razões e os procedimentos da instalação de grades nas janelas do rés-do-chão do edifício da AL e encaminharam, mutuamente, novos pedidos de explicação entre si. Quase três meses depois, nenhum dos organismos respondeu às questões do HM. Recorde-se que a DSSOPT avançou e concluiu a instalação das grades, bloqueando assim duas saídas de emergência do edifício, sem o aval do arquitecto responsável pelo desenho da AL, Mário Duarte Duque. Além disso, a obra teve início dois meses antes do pedido de parecer enviado no dia 25 de Novembro, pela DSSOPT, ao autor do projecto. Questionada no dia 8 de Dezembro de 2021 sobre a obra “73/2021”, dada, já na altura, como concluída e designada por “Obras de Melhoramento AGO 2021”, onde não constam descrições nos campos “Objectivo” e “Características”, a DSSOPT sugeriu ao HM que solicitasse informações à AL. Contactada nos dias 16 de Dezembro de 2021 e 4 de Fevereiro de 2022, a AL acabaria por responder no dia 7 de Fevereiro de 2022, apontando ter solicitado à DSSOPT para dar seguimento ao caso. “A Assembleia Legislativa contactou a DSSOPT, a qual irá dar seguimento ao assunto”, pode ler-se na resposta enviada ao HM. Contactada novamente a DSSOPT, e também o Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, respectivamente nos dias 7 e 28 de Fevereiro, os esclarecimentos foram novamente remetidos para a AL. “À semelhança da resposta dada recentemente pela DSSOPT, relativamente às seguintes questões, propomos a V. Exa. que solicite informações à Assembleia Legislativa”, disse o Gabinete do Secretário para os Transportes

e Obras Públicas no dia 28 de Fevereiro. Durante um contacto telefónico estabelecido no mesmo dia para dar seguimento à questão, o Gabinete do Secretário apontou, por fim, “não haver desenvolvimentos a acrescentar sobre a matéria”. Do pedido de esclarecimento constavam questões relacionadas com o objectivo da instalação do gradeamento, as condições de segurança da AL após o bloqueio das saídas de emergência e a conclusão da obra antes de o arquitecto ter tido oportunidade de responder ao parecer enviado pela DSSOPT.

Faroeste administrativo

Contactado pelo HM, Mário Duque reiterou que a instalação das

grades nas saídas de emergência da AL atenta contra as normas de segurança e prudência e o interesse “legítimo e directo” dos autores da obra de arquitectura, e que a forma como a DSSOPT lidou com

“A cultura administrativa da DSSOPT é como o aquecimento global. Só se resolve quando os agentes adoptarem os comportamentos que se impõem, face ao estado das coisas.” MÁRIO DUQUE ARQUITECTO

a situação, retirou “boa-fé ao procedimento”, indo, por isso, contra o próprio Código de Procedimento Administrativo. “[O caso] atenta contra as normas de prudência e de segurança, ordenamento administrativo e interesses directos e legítimos, cujo tratamento por parte da DSSOPT configura verdadeiras faltas funcionais, as quais vêm sendo admitidas ao abrigo do estado da cultura administrativa do organismo”, começou por apontar. “A cultura administrativa da DSSOPT é como o aquecimento global. Só se resolve quando os agentes adoptarem os comportamentos que se impõem, face ao estado das coisas”, acrescentou. O arquitecto, considerou ainda que as circunstâncias do caso vão também contra a protecção da confiança dos cidadãos, ou seja aquilo que diz ser “o mínimo de certeza e segurança que as pessoas devem poder depositar na sua ordem administrativa”. Como exemplo de incumprimento do princípio da boa-fé, Mário Duque indicou o facto de ter recebido um pedido de parecer sobre o projecto, depois de as obras já terem sido iniciadas e concluídas. “Quem consulta alguém, suscita a confiança de querer ouvir, para depois melhor decidir. Neste caso, quer ouvir de quem melhor conhece as características da obra, ou seja, do seu autor, para sobre ela se aconselhar, ao abrigo de um interesse directo e legítimo. O procedimento de consulta em causa (…) não foi apto, nem de boa-fé”, vincou. Por isso mesmo, e perante aquilo que considera ser a “cobertura conveniente” que o departamento jurídico da DSSOPT tem dado às modificações do projecto original da AL ao longo do tempo, o arquitecto revelou ter enviado uma carta ao secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, a pedir supervisão e esclarecimentos.

Pedro Arede


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Fechados em XANGAI INFECÇÕES AUMENTAM LEVANDO A RESTRIÇÕES NO ACESSO

O governo da cidade [Xangai] ordenou que ninguém saia de casa a menos que seja necessário e o serviço de autocarro intermunicipal foi ontem suspenso

HONG KONG APELO A ESFORÇOS CONJUNTOS PARA MELHORAR SITUAÇÃO PANDÉMICA

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pandemia da covid-19 ainda está a atingir Hong Kong, mas a situação melhorará com os esforços conjuntos dos departamentos e agências governamentais da Região Administrativa Especial, garantiu o chefe-executivo da Autoridade Hospitalar, Tony Ko Pat-sing. Em entrevista exclusiva à Xinhua, o responsável disse que a principal diferença entre a actual quinta onda de infecção por coronavírus em

Hong Kong e as anteriores é que a variante ómicron altamente transmissível é agora dominante. Observando que a mais recente onda da covid-19 colocou pressão sobre o sistema de saúde da região, Ko explicou que actualmente os hospitais públicos estão com falta de pessoal e não há camas de isolamento suficientes para o número crescente de pacientes. Apesar de enfrentar uma carga de serviço pesada, a

equipa médica dos hospitais públicos está a trabalhar muito e ninguém está a descurar os seus deveres com medo de infecção, elogiou Ko. Mais de 98% dos funcionários da Autoridade Hospitalar foi vacinado contra a covid-19. "Fomos apoiados por todo o país nos últimos dois anos e estamos mais do que adequados em termos de equipamentos de protecção, por isso sentimo-nos muito

aliviados", acrescentou. Ko disse que a Autoridade Hospitalar está a tentando ao máximo reduzir a mortalidade em pacientes, os casos graves e a transmissão do vírus. "Primeiro recrutamos colegas aposentados, enquanto convidamos médicos que trabalham em hospitais privados para se juntarem a nós para resolver a escassez de funcionários", ressaltou Ko, acrescentando que aumentou o número de hos-

pitais públicos convertendo internamentos gerais em internamentos de isolamento. Além disso, o governo de Hong Kong anunciou na quarta-feira que o Hospital Queen Elizabeth seria convertido num hospital designado para pacientes com covid-19, o que Ko disse ser muito importante. O Queen Elizabeth é o maior hospital geral de Hong Kong e está localizado no centro da região, com um grande número de camas.


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casa

Com o número de infeccões a aumentar em diversos pontos do país, as autoridades reforçam as medidas de tolerância zero e ordenam às populações de várias cidades que não saiam de casa

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M surto do coronavírus SARS-CoV-2 no nordeste da China fez ontem triplicar as infecções e as autoridades chinesas intensificam medidas de controlo da doença, como a suspensão do transporte de autocarro para Xangai. Embora seja baixo, o número de casos de covid-19 na China comparado com o de outros países, o país enfrenta o pior surto da doença em dois anos, mantendo uma estratégia de “tolerância zero” que encerra temporariamente cidades para isolar pessoas infectadas, apesar do custo económico que acarreta. Segundo dados do governo, 1.938 novos casos foram registados na parte continental da China nas 24 horas anteriores à meia-noite de sábado, mais do triplo do total do dia anterior. Cerca de três quartos (1.412 casos) ocorreram na província de Jilin, no nordeste da China, onde o acesso à metrópole industrial de Changchun foi suspenso na sexta-feira e as famílias foram instruídas a ficar em casa. Em Hong Kong, o governo do território registou 15.789 novos casos, quase metade do total de sábado. A líder do território, a executiva-chefe Carrie Lam, alertou sábado para a possibilidade de

não ter ainda passado o pico deste último surto de covid-19. A China, onde os primeiros casos de coronavírus foram detectados no final de 2019 na cidade central de Wuhan, registou um total de 4.636 mortes desde o início da pandemia, de 115.466 infecções confirmadas.

Em combate

Ontem, 831 novos casos foram registados em Changchun, 571 na capital da província vizinha de Jilin, 150 na cidade portuária oriental de Qingdao e 60 em Shenzhen, o centro de negócios adjacente a Hong Kong. As autoridades de Jilin estão a intensificar as medidas de combate à doença depois de concluírem que a resposta anterior estava a ser inadequada, segundo o vice-diretor da Comissão de Saúde provincial, Zhang Yan. “O mecanismo de resposta de emergência em algumas áreas não é suficientemente sólido”, afirmou Zhang em conferência de imprensa, de acordo com uma transcrição divulgada pelo governo chinês. Em Xangai, uma das cidades mais populosa da China, com 24 milhões de habitantes, o aumento do número de casos no último surto de covid-19 foi de 15, para 432. O governo da cidade ordenou que ninguém saia de casa a menos que seja necessário e o serviço de autocarro intermunicipal foi ontem suspenso. “Aqueles que vêm ou retornam a Xangai devem ter um relatório negativo de teste de ácido nucleico dentro de 48 horas antes da chegada”, lê-se num comunicado das autoridades de saúde da cidade, citado pela Associated Press. Também ontem, alguns moradores de Cangzhou, no sul de Pequim, receberam ordem para ficar em casa após terem sido registados nove casos de infecção por covid-19, segundo um aviso do governo chinês.

UCRÂNIA PEQUIM APOIA MOSCOVO SOBRE LABORATÓRIOS DE ARMAS QUÍMICAS

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China apoia as alegações da Rússia sobre presumíveis laboratórios de armas químicas e biológicas na Ucrânia, que seriam apoiados por Washington, uma questão analisada sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos já negaram as acusações da Rússia e as Nações Unidas declararam que ainda não receberam informações sobre as alegações que, se-

gundo a agência Associated Press, se disseminaram por todo o mundo como "notícia falsa". O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China repetiu esta semana as acusações da Rússia e pediu uma investigação sobre os alegados laboratórios montados na Ucrânia. "Esta operação militar russa revelou os segredos sobre os laboratórios dos Estados Unidos na Ucrânia sendo que este assunto

não pode ser tratado de forma superficial", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês. Moscovo declarou que as forças russas no terreno encontraram provas das "tentativas precipitadas de ocultar a investigação sobre a existência de armas biológicas na Ucrânia". Na quinta-feira, Igor Kirilliv, responsável russo pela protecção a radiações

e armas químicas e biológicas disse que laboratórios financiados pelos Estados Unidos em Kiev, Kharkiv e Odessa estão a desenvolver meios para atingirem "russos e outros eslavos". O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov fez acusações no mesmo sentido. O Pentágono já negou as acusações afirmando que a Rússia usa armas biológicas e químicas contra os próprios cidadãos russos e

que "no mínimo" encorajou o regime de Damasco a usar este tipo de armamento contra a população civil na Síria. A Rússia, a República Popular da China e os Estados Unidos são signatários das convenções internacionais contra o uso de armas químicas e biológicas. O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também já disse que as informações sobre os laboratórios "são falsas".

Jogos Paralímpicos PCCh e Conselho de Estado felicitam delegação chinesa

O Comité Central do Partido Comunista da China e o Conselho de Estado do país enviaram uma mensagem de parabéns à delegação chinesa pelo "melhor desempenho da história" nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Beijing 2022, concluídos este domingo. A delegação conquistou 18 medalhas de ouro, 20 de prata e 23 de bronze e ficou em primeiro lugar no quadro de medalhas, tanto na contagem de ouro como na geral, alcançando os melhores resultados da história da participação do país nos Jogos Paralímpicos de Inverno. A delegação conquistou a glória para a China e para o povo chinês e fez importantes contribuições para o sucesso dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Beijing, diz a mensagem.

Defesa China e Índia em reunião militar de alto nível

O Ministério da Defesa Nacional da China anunciou que a 15.ª ronda da Reunião de Nível de Comandantes dos Corpos de Exército China-Índia foi realizada na sexta-feira no lado indiano do ponto de encontro da fronteira Moldo-Chushul. Os dois lados prosseguiram a discussão da ronda anterior, realizada em Janeiro, para a resolução das questões relevantes ao longo da Linha de Controlo Real (LCR) no Sector Oeste das áreas fronteiriças China-Índia, disse o ministério em um comunicado, citado pela Xinhua. Os dois responsáveis tiveram uma troca de opiniões detalhada sobre a matéria, de acordo com a orientação fornecida pelos líderes dos dois países para trabalhar para a resolução das questões restantes o mais rápido possível, acrescentou. Os dois lados reafirmaram que tal resolução ajudaria a retomar a paz e a tranquilidade ao longo da LCR no Sector Oeste e facilitaria o progresso nas relações bilaterais. Os dois lados concordaram também em manter a segurança e a estabilidade no terreno no Sector Oeste nesse particular, destaca o comunicado.

MNE Maioria dos cidadãos chineses já saiu da Ucrânia

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Zhao Lijian, afirmou na semana passada que a grande maioria dos cidadãos chineses que estava na Ucrânia foi evacuada, incluindo mais de 100 estudantes de Sumy, uma cidade fronteiriça ucraniana que sofre com intensos combates. "Mais uma vez, quero lembrar aos poucos cidadãos chineses que permanecem na Ucrânia que se mantenham seguros, reforcem as precauções e preparações de segurança e mantenham contato com a embaixada chinesa e o consulado-geral lá", disse Zhao, acrescentando que as autoridades diplomáticas e as missões consulares chinesas continuarão a fornecer protecção e assistência consular.


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XUNZI

O Rei Xiaocheng e o Lorde Linwu perguntaram, “Podemos saber quais são as vias e práticas a estabelecer, para se conseguir obter poderio militar de um verdadeiro rei?” Xunzi disse, “Tudo o que depende dos generais e comandantes que te servem, grande rei, é uma questão secundária. Peço que me permitas falar dos feitos que conduzem os eis e senhores feudais à força ou à fraqueza, sobrevivência ou destruição, e sobre as circunstâncias que os conduzem à segurança ou ao perigo. Se o senhor for uma pessoa de mérito, o seu estado será bem-ordenado. Se o senhor for uma pessoa incapaz, o seu estado será caótico. Se exaltar o ritual e valorizar yi [justiça], o seu estado será bem ordenado. Se diminuir o ritual e desprezar yi, o seu estado será caótico. Um estado bem ordenado é forte. Um estado caótico é fraco. São estas as raízes da força e da fraqueza.

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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

Um Debate Sobre Questões Militares Quando aqueles que se encontram em posições superiores podem ser tomados como exemplo, então os subordinados podem ser bem utilizados. Quando aqueles que se encontram em posições superiores não podem ser tomados como exemplo, então os subordinados não podem ser bem utilizados. Quando os subordinados podem ser bem utilizados, o estado é forte. Quando os subordinados não podem ser bem utilizados, o estado é fraco. Estas são as regras da força e da fraqueza. Exaltar o ritual e basear o sucesso em feitos [militares] é o melhor. Segue-se a atribuição de grandes compensações enquanto ainda se valoriza aquilo que é próprio. Dar valor aos feitos enquanto se despreza aquilo que é próprio é o pior. Estas são as categorias gerais aplicáveis à força e à fraqueza. Aquele que aprecia os homens bem-criados será forte. Aquele que não aprecia os homens bem-criados será fraco. Aquele que cuida do povo será forte. Aquele que não cuida do povo

PARTE III

será fraco. Aquele cujas ordens de governação são fiáveis será forte. Aquele cujas ordens de governação não são fiáveis será fraco. Aquele cujo povo é coordenado será forte. Aquele cujo povo não é coordenado será fraco. Aquele cujas recompensas são grandes será forte. Aquele cujas recompensas são pequenas será fraco. Aquele cujos castigos inspiram espanto será forte. Aquele cujos castigos inspiram desdém será fraco. Aquele cujo equipamento, provisões, armas e armaduras forem de boa qualidade, completas, fáceis de usar e eficazes será forte. Aquele cujo equipamento, provisões, armas e armaduras estiverem podres, em desalinho, e não forem fáceis de usar nem eficazes será fraco. Aquele que entende o uso da força militar como uma matéria grave será forte. Aquele que entende o uso da força militar como uma matéria de somenos será fraco. Onde a autoridade brota de uma só fonte existirá força. Onde a autoridade brota de duas fontes existirá fraqueza. Estas são as regras da força e fraqueza.”

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


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ARTES, LETRAS E IDEIAS

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A floresta fria de Luo Zhichuan PAULO MAIA E CARMO texto e ilustração

«Nuvens continuam a filtrar as águas que brotam no sopé da montanha,/ E os pinheiros antigos da era Tianjian (502-20) conservam-se verdejantes./ Se fosse possível fazer reviver o mosteiro Fuyan, que bom seria/ Escutar aquele som das nascentes, à sombra dos pinheiros que emolduravam o seu portão da montanha.»

Li Longji (685-762) o imperador Xuanzong (r. 712-756) fundou em Chang’an no século oito, uma Academia com funções de secretariado, arquivo e interpretação dos Clássicos de Confúcio que serviriam de base ao exame que ajuizaria quais os funcionários que podiam exercer funções na burocracia imperial. Uma instituição a qu deu o nome de Hanlin, «Floresta de pincéis», uma metáfora que utiliza o conjunto das árvores que, unidas, formam a floresta como significando um grupo coeso de pessoas cujo poder provém dessa união. O uso da floresta como metáfora e personalização era uma linguagem reconhecível a que o historiador Liu Zheng (11291206) aludiu: «Os sentimentos de montanhas e rios, ervas/ E árvores, não estão longe dos experimentados por humanos./ E é errado pensar neles como não sensíveis:/ Que um rio fique seco em tempos de desordem é uma reacção natural, expectável.» Essa personificação simbólica da natureza, está naturalmente plasmada na pintura. De entre os vários sub-géneros da pintura, há um que é designado por uma expressão que em pinyin é idêntica à da Academia imperial, hanlin: que é aqui «floresta fria» e que é uma das feições distintivas das pinturas dos mestres dos Song, Li Cheng e Guo Xi. Já na dinastia Yuan, um pintor chamado Luo Zhichuan (c.1265-c.1320) oriundo de Qingjiang (Jiangxi) parecia ter um carácter que se identificava e coincidia não apenas com

o aspecto das suas obras. As poucas pinturas dele que hoje se podem observar são paisagens de Inverno, não possuem inscrições e apenas o seu carimbo confirma a autoria. Ausente de tratados de pintura, é pelas palavras dos que o conheceram que se pode divisar a sua personalidade. Chao Wen, um funcionário seu amigo de Jiangxi, descreveu uma conversa com Luo Zhichuan: «Tendo-lhe perguntado que mestre seguiu na pintura que acabara de fazer, respondeu: Uso os meus olhos como as mãos; e as miríades de coisas entre o céu e a terra são o meu mestre. Assim consigo perceber o seu sentido e a sua ordem interna. Para as suas formas, tomo a manifestação visível mas particularizando a superfície aparente. Quando a pintura está completa, eu não sei se ela se assemelha a uma paisagem verdadeira ou não.(…)» Liu Shen (1268-1350) escreveu numa paisagem sua: «O vento castiga a árvore pequena e a velha não tem folhas,/ Perto, a margem cobre-se da neblina e nuvens do entardecer./ Um homem montado num jumento aponta para um edifício alto e parte,/ Ele não sabe em que casa vai passar a noite.» Noutra pintura sua, Corvos em velhas árvores (rolo vertical, tinta e cor sobre seda, 131,5 x 80 cm, no Metmuseum) anoitece e dezenas de corvos, no seu simbolismo variante mas que desperta sempre um sentimento angustiante, sobrevoam árvores onde se abrigam dois faisões dourados, símbolos da constância e da firmeza; poderia a floresta fria entre eles ser o seu juiz?


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THE HOST | BONG JOON-HO

Lançado em 2006, “The Host”, de Bong Joon-ho), é um filme que foge aos moldes tradicionais dos filmes de monstros, típico do imaginário surreal do realizador de “Parasite”. Um enorme despejo de resíduos tóxicos no Rio Han leva à mutação de um peixe que se transforma num monstro que se alimenta de pessoas, armazenando-as numa galeria de esgoto. Este acidental Frankenstein químico acaba por unir uma família disfuncional na luta para salvar uma menina das catacumbas do monstro. Destaque para a interpretação de Song Kang-ho, presença habitual nos filmes de Bong Joon-ho como “Snowpiercer” e “Parasite”. João Luz

C I N E M A

SALA 1

THE BATMAN [C]

THE BATMAN [C]

SALA 2

SALA 3

Um filme de: Mark Williams Com: Liam Neeson, Aidan Quinn, Taylor John Smith, Emmy Raver-Lampman 14.30

Um filme de: Kenneth Branagh Com: Gal Gadot, Annette Bening, Armie Hammer, Litita Wright 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 14.30, 17.45, 21.00

BLACKLIGHT [C]

Um filme de: Matt Reeves Com: Robert Pattinson, Andy Serkis, Jeffrey Wright, Zoe Kravitz 16.30, 19.45

DEATH ON THE NILE [C]

4 1 0 3 9 8 9 3 5 1 2 7 7 8 6 9 5 4 0 5 1 2 3 6 THE BATMAN 2 6 8 7 4 0 8 7 9 0 1 5 de Notícias, 6Propriedade 2 3 Fábrica 4 8 9 Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 5Julie9Oyang; 2 Paulo 6 Maia 0 e3Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 1Paul4Chan7Wai 8Chi; Paula 6 2Bicho; Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 3Morada 0 Pátio 4 da5 Sé,7n.º22,1Edf. Tak Fok, R/C-B, Macau; Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo


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ai, portugal, portugal

André Namora

O RIDÍCULO QUE VEM DA GUERRA OS MEUS amigos leitores podem não acreditar, mas aconteceu. Mais de dois milhões de ucranianos deixaram o seu país e passaram a ser considerados refugiados em vários países europeus. Na passada quinta-feira chegou um avião ao aeroporto de Lisboa com o mísero número de 250 pessoas. Bem, nem imaginam, o ridículo foi chocante. De repente, vimos um monte de gente a subir as escadas para o interior do avião. Logo indagámos quem seria aquela gente toda? Era o Presidente Marcelo acompanhado de alguns ministros e os curiosos do costume. Que facto ridículo, primeiramente porque se trata de um número ínfimo de ucranianos que chegaram na maioria jovens ucranianas com crianças, segundo vêm cansados e traumatizados sonhando em sair rapidamente da aeronave e serem instalados em locais decentes, em terceiro lugar conhecem lá o Presidente Marcelo e os ministros e, muito menos estarem no avião com crianças cheias de fome a ouvir discursos dispensáveis e absolutamente desnecessários numa língua da qual não compreendem uma sequer palavra. Mas, por que será que os políticos gostam de mostrar que fazem alguma coisa? Quando o país está quase na bancarrota sem poder abastecer os seus carros e camiões devido aos preços dos combustíveis insuportáveis, simplesmente porque os governos sempre quiseram ganhar fortunas com impostos na venda dos combustíveis. Mas, a propósito da chegada de refugiados concordamos e damos todo o nosso apoio. No entanto, não podemos deixar de salientar que as instituições portuguesas de apoio social têm um comportamento execrável e deplorável. Cada refugiado, mesmo aqueles que chegaram há meses de outros destinos que não a Ucrânia, têm recebido mil euros mensais, uma casa do Estado e apoio gratuito à saúde. Tudo estaria muito bem, se o nosso vizinho não tivesse de receber apoio dos amigos para sobreviver. Ele tem pedido à Segurança Social, ele tem enviado emails para governantes, para a Câmara Municipal, para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e recebe sempre uma resposta negativa. O nosso vizinho já passou fome. Já lhe levámos várias vezes comida e medicamentos, alguns amigos já lhe enviaram dinheiro para fazer frente às suas despesas, mostrou-nos um dia o extrato bancário e era em negativo de mais de 700 euros. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é a organização em Portugal mais chocante e reprovável. Recebe milhares de milhões de euros das apostas no Euromilhões e da raspadinha, mesmo assim nega apoio social a quem tem uma reforma de 280

Em Portugal existe uma guerra, um outro tipo de guerra, uma luta contra a sobrevivência, especialmente no seio da classe média

euros. Isto é inacreditável. Quando vimos o Presidente da República subir as escadas de um avião que chegou com refugiados da Ucrânia, obviamente que pensámos em acto contínuo que o professor Marcelo Rebelo de Sousa só conhece o seu povo para dar abraços, beijos e tirar selfies. O Presidente Marcelo não faz a mínima ideia que mais de metade da população portuguesa está a sofrer. Depois da pandemia veio o desemprego e foram-se as poupanças. As casas de penhores podem testemunhar a quantidade de ouro que têm recebido daqueles que já não têm possibilidade de comprar seja o que for. Os políticos portugueses têm fundamentalmente de se começar a preocupar muito seriamente com os bairros de lata, com a classe média cada vez mais no limite da pobreza, com as reformas miseráveis, com as mães que têm de ser ajudadas pelos seus pais a fim de poderem comprar leite, roupa

e fraldas para os seus bebés. Os canais de televisão não param diariamente de abordar a guerra na Ucrânia. Em Portugal existe uma guerra, um outro tipo de guerra, uma luta contra a sobrevivência, especialmente no seio da classe média. Pergunta-se onde está o apoio social para os portugueses quando uma Santa Casa da Misericórdia nega esse apoio depois de verificar que o cidadão está mesmo em dificuldades, depois do cidadão provar que são os amigos que o ajudam, depois de provar que tem zero euros no banco, depois de apenas conseguir consumir uma refeição por dia. Que faz a Santa Casa a tantos milhões de euros, se um velhote para ir para um lar ainda tem que entregar toda a sua reforma. Os portugueses que vivem bem, que têm propriedades, que são empresários ricos, têm de se convencer que a sua solidariedade pelos pobres tem de começar, que têm de deixar de assobiar para o lado quando os seus vizinhos venderam o carro, algumas mobílias valiosas, todas as joias e nunca mais os viram no supermercado. A propaganda televisiva tem mencionado até à exaustão a solidariedade pela Ucrânia para onde têm partido camiões e carrinhas cheios de géneros alimentícios, cobertores, carrinhos de rodas, muletas e o nosso vizinho nem tem dinheiro para comprar uma bengala. Apelamos apenas aos políticos e governantes portugueses que terminem com as acções ridículas em aeroportos e aterrem na realidade que os rodeia.


‘‘A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência heróica.’’ segunda-feira PALAVRA DO DIA

Giacomo Leopardi

Covid-19 Quatro casos assintomáticos vindos do estrangeiro

S.F. EXPRESS ENVIOS DE E PARA MACAU SUSPENSOS

As autoridades de saúde deram ontem conta da detecção de quatro casos importados de infecção assintomática em residentes de Macau provenientes de Singapura, Myanmar, Estados Unidos e Austrália. Além destes casos, encontrados depois de testarem positivo no teste de ácido nucleico, um residente de Macau proveniente do Dubai foi classificado como caso de recaída e não foi incluído nos dados estatísticos. A residente proveniente de Singapura tem 33 anos de idade e foi vacinada com o fármaco da BioNTech em Julho e Agosto de 2021. Ainda em Singapura, antes de voar para Macau, apresentou um teste de ácido nucleico negativo, mas à entrada na RAEM testou positivo. Um caso cujo quadro clínico e historial é paradigmático e semelhante aos restantes. Todas as pessoas infectadas encontram-se isoladas no Centro Clínico de Saúde Pública.

U

MA multinacional de correio rápido chinesa disse terem sido suspensos, desde sexta-feira, em Macau e Hong Kong todos os envios de e para a China, devido às medidas de controlo contra a covid-19. A decisão da S.F. Express, a segunda maior empresa de serviços de entrega expresso na China, surgiu depois de terem sido registados nove casos de covid-19 em Hangzhou, capital da província chinesa de Zhejiang, no sudeste do país. Todos os doentes são trabalhadores num centro de trânsito expresso da empresa, naquela cidade, indicaram as autoridades de Macau, em comunicado. "Esta situação revela que fazer compras em plataformas eletrónicas" implica "o risco de serem contaminados" pelo SARS-CoV-2, afirmou, na mesma nota, o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. O Centro pediu ainda aos residentes para que manuseiem com cuidado, os produtos adquiridos por correio, enumerando vários cuidados a tomar. Em Janeiro, as autoridades sanitárias do território tinham já pedido à população para receberem menos encomendas pelo correio, depois de, na altura, a China ter ligado recentes casos da doença a encomendas chegadas do estrangeiro.

Nova Deli Pelo menos sete mortos em incêndio

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Pelo menos sete pessoas morreram sábado e 31 habitações precárias foram consumidas pelas chamas num incêndio que deflagrou no nordeste da capital da Índia, de origem ainda desconhecida. As forças de segurança de Nova Deli disseram na rede social Twitter que "15 unidades dos bombeiros foram mobilizadas juntamente com pessoal da polícia para trabalhos de salvamento e evacuação", e indicaram estarem agora a trabalhar no "fornecimento de comida e abrigo às pessoas deslocadas". Incêndios, deslizamentos de terras e outros acidentes semelhantes são comuns na Índia, frequentemente devido ao mau estado das infraestruturas e à falta de manutenção, factores alimentados pela corrupção e práticas ilegais. De acordo com os últimos dados oficiais disponíveis, foram comunicados 13.099 incêndios na Índia em 2018 em edifícios governamentais, escolas, residências e outros locais, que resultaram na morte de 12.748 pessoas e em 777 feridos.

14.3.2022

Zhuhai 41 casos de moeda excessiva à entrada

Em 11 de Março, foi identificado o 41.º caso de transportação de moeda excessiva para o exterior neste ano, divulgado pela Alfândega de Gongbei. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, a Alfândega de Gongbei detectou que a imagem anormal na máquina do raio-x quando um visitante do interior da China estava a passar pela máquina. O pessoal da Alfândega de Gongbei descobriu 40 mil dólares de Singapura, que têm um valor de 186,6 mil renminbis, no saco de tiracolo do homem.

Dos quatro continentes Portugueses de fora da Europa já podem pedir registo de nascimento ‘online’

O

S portugueses que vivem fora da Europa podem solicitar ‘online’ o registo de nascimento e a nacionalidade portuguesa para os filhos, anunciaram os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça na sexta-feira. Segundo um comunicado conjunto, ficam abrangidas as comunidades da diáspora portuguesa nos quatro continentes: Europa, África, América e Ásia. Os cidadãos nacionais aí residentes ficam com a possibilidade de pedir ‘online’ o registo de nascimento e a atribuição da nacionalidade portuguesa para os seus filhos nascidos há menos de um ano, de forma gratuita e sem deslocações ao posto consular, prossegue a nota. O registo ‘online’ de nascimento está agora disponível em

todos os países de língua oficial portuguesa, incluindo ainda o território de Macau, e em vários países cujo idioma oficial é a língua inglesa, francesa ou espanhola, perfazendo um total de 58 países. O acesso ao registo ‘online’ de nascimento é feito no Portal da Justiça (https://nascimento. justica.gov.pt/). Para submeter o pedido é necessário juntar o

Segundo um comunicado conjunto, ficam abrangidas as comunidades da diáspora portuguesa nos quatro continentes: Europa, África, América e Ásia

documento comprovativo do nascimento, emitido pelo hospital ou pela maternidade onde o parto ocorreu, e o registo de nascimento local. O registo de nascimento ‘online’ foi lançado em Portugal em 13 de Abril de 2020. A 21 Dezembro do mesmo ano este serviço ‘online’ passou a abranger o registo de cidadãos portugueses nascidos em França e no Reino Unido e, em Novembro de 2021, foi alargado a todos os países da União Europeia. Segundo os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Justiça, entre Dezembro de 2020 e Fevereiro de 2022 foram submetidos no estrangeiro, por via ‘online’, 777 pedidos de nacionalidade e registo de nascimento.

Fronteira Mais de três passagens por dia só com teste no local

As pessoas que, com visto de visita familiar, entrem três ou mais vezes em Macau no mesmo dia, pelas Portas do Cerco ou pelo Posto Fronteiriço Qingmao, serão sujeitas a partir de hoje a teste de ácido nucleico e devem aguardar resultado no local. O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus justificou a medida com a redução de “eventuais riscos epidemiológicos causados pela circulação frequente de pessoas nas Portas do Cerco ou no Posto Fronteiriço Qingmao”. A obrigação mantém-se “independentemente da data de recolha de amostra indicada no seu certificado do resultado negativo de teste de ácido nucleico”. Os testes de ácido nucleico no momento de entrada em Macau são pagos pela pessoa. As autoridades acrescentam que o resultado do teste não será exibido no Código de saúde e que podem levar até 12 horas para serem conhecidos, “devendo os indivíduos estarem preparados para esta espera antes da entrada em Macau”.


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Hoje Macau 14 MARÇO 2022 #4967 by Jornal Hoje Macau - Issuu