AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUARTA-FEIRA 14 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4173
ASSEMBLEIA
FAOM em pé de “guerra” PÁGINAS 4-5
OBRAS | MONG HÁ
SÓ MAIS UNS MESES
ÚLTIMA
Júlio
O cabaret
h GISELA CASIMIRO h JOÃO PAULO COTRIM
Para lá do sexo
OPINIÃO TÂNIA DOS SANTOS
hojemacau 40 ANOS DE ABERTURA
Febre de Deng
Em 40 anos, a China passou de uma nação isolada e subdesenvolvida para um país com um papel determinante no crescimento económico mundial. Economistas falam do impacto em Macau da abertura e das reformas implementadas por Deng Xiaoping, em 1978, e postas em prática ao longo das últimas quatro décadas. GRANDE PLANO DUARTE DRUMOND BRAGA
PESSOA E O ORIENTE EVENTOS
COMÉRCIO NA CHINA
Tigres e rinocerontes a salvo
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14.11.2018 quarta-feira
40 ANOS DE ABERTURA ECONÓMICA
“A CHINA ERA DE U Foi há 40 anos que a China se abriu ao mundo graças às políticas de Deng Xiaoping, que introduziu a economia de mercado ao sistema socialista. Em Macau, as autoridades portuguesas sempre olharam com timidez para as possibilidades de cooperação empresarial, apontam economistas. A nível político, Leonel Alves recorda a criação de uma lista única com portugueses e chineses para as eleições
S
AÍDA de um período conturbado da história, marcada pela Revolução Cultural e o Grande Salto em Frente, políticas de Mao Tse-Tung, a China abriu-se para o mundo nos anos 80, para não mais voltar ao passado. De país subdesenvolvido passou a uma nação com classe média, cada vez mais milionários e um crescente leque de países estrangeiros ligados pelo comércio externo. Oficialmente, o plano de reformas económicas foi aprovado em 1978 no XI Comité Central do Partido Comunista Chinês. Com essa medida, Deng Xiaoping introduzia uma economia de mercado, mantendo o socialismo como regime político. Foi também nessa altura que o sul da China sofreu um brutal crescimento económico, com o estabelecimento das Zonas Económicas Especiais (ZEE), em cidades como Shenzhen e Zhuhai. A abertura a capitais e empresas privadas permitiu o aumento de salários e consequentemente de maior consumo interno. Segundo a sua Constituição, a China é "um Estado socialista,
liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa". Na prática, o país adopta um modelo que designa de "Socialismo com características chinesas": a iniciativa privada e o investimento estrangeiro são permitidos, mas os sectores chave da economia permanecem sobre "controlo estatal". Albano Martins, economista, chegou a Macau em 1981 e visitou a China pela primeira vez em 1982. Desse tempo recorda um país “de uma só cor”, pois quase
“Creio que em termos de parcerias estratégicas passou a haver mais dinâmica com o governador Carlos Melancia e Rocha Vieira. Os outros não tinham ainda essa visão.” ANTÓNIO FÉLIX PONTES ECONOMISTA
A POSTURA TÍMIDA DE MACAU AO “MILAGRE CHINÊS”
todas as pessoas envergavam ainda as tradicionais vestes comunistas, à boa maneira de Mao Tse-Tung. “A pobreza era genérica, havia uma grande sensação de que era tudo mais ou menos igual, o atraso era notório, mas as pessoas não aparentavam ser infelizes. Havia, de certo modo, uma igualdade nas pessoas, porque a riqueza não era muita”, contou ao HM. Numa altura em que o primeiro Mcdonald’s acabava de abrir em Shenzhen, e quando a bicicleta era o principal meio de transporte para muitas famílias, os estrangeiros eram ainda estranhos aos chineses. “A China era um país subdesenvolvido. Quando entrei percebi que aquela era a primeira vez que viam uma pessoa branca. Os meus filhos eram apalpados pelas pessoas porque achavam-nos esquisitos. A zona de Cantão era um mar de bicicletas e quase não se podia andar nas ruas”, recordou o economista, que visitou o país inserido numa delegação económica de Macau com “pessoas ligadas ao mundo da política chinesa de Macau”. “Tivemos o primeiro olhar de como era a China nessa altura”, contou, mas já então se notavam sinais de que todo o crescimento económico acarretava efeitos negativos para alguns. “Cheguei a ir várias vezes às cidades inseridas nas ZEE e notei uma diferença, pois havia pessoas a pedir esmola na rua, o que não era tolerável naquela altura. Comecei a sentir que o crescimento se fazia de forma brutal, mas a distribuição estava muito longe de poder agradar. Ainda hoje é profundamente desigual.”
CONTRIBUTOS LOCAIS
António Félix Pontes chegou a Macau em 1980 para trabalhar no Instituto Emissor de Macau, que mais tarde seria transformado na Autoridade Monetária e Cambial de Macau. Na época, “a China era um país muito pobre, subdesenvolvido, e na parte da banca e dos seguros era tudo muito incipiente”, lembrou ao HM. “As pessoas ainda andavam vestidas à Mao Tse-Tung. Já fui à China mais de 23 vezes, essencialmente a Pequim, e naquela época só havia na capital dois ou três hotéis. A política era muito fechada.”
Anos depois, o advogado e ex-deputado Leonel Alves não tem dúvidas de que não só este cenário se dissipou, como a China hoje tem provas dadas do poder económico que conseguiu no quadro internacional. “A China hoje é uma das potências mais importantes do mundo, tem a maior fábrica do mundo, é um player internacional com crescente importância”, defendeu. Hoje, com a implementação de políticas como “Uma Faixa, Uma Rota”, a China “entrou numa nova era”. Leonel Alves entende que, hoje em dia, o país é encarado pela comunidade internacional como “pacífico e um país que tenta ajudar todos
os países em desenvolvimento a proporcionar às suas populações melhores condições de vida”. Esta segunda-feira, por ocasião das cerimónias de celebração dos 40 anos da Abertura e Reforma económica, o presidente chinês,
“A China era um país subdesenvolvido. Quando entrei percebi que aquela era a primeira vez que viam uma pessoa branca.” ALBANO MARTINS ECONOMISTA
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UMA SO COR” ´
Xi Jinping, garantiu que Macau e Hong Kong vão ser parte integrante da política de expansão da abertura ao mundo. Para Leonel Alves, os dois territórios também, à época, “contribuíram enormemente para este virar de página da história da China”. “O impacto directo [da abertura e reforma] sempre foi em proporção directa com o tamanho de Macau, e houve um maior impacto do lado de Hong Kong, que sempre foi um centro internacional de comércio.”
SEM ESTRATÉGIA
Se hoje Portugal e China têm estreitas relações comerciais e diplomá-
ticas, o mesmo não acontecia na era de Deng Xiaoping, pois apenas em 1979 houve um restabelecimento dessas ligações. Em Macau, os sucessivos governadores portugueses nunca apostaram em parcerias empresariais com as cidades chinesas que se desenvolviam do outro lado da fronteira. “A impressão que tive é que a administração portuguesa não queria saber absolutamente nada do que se estava a passar do outro lado”, apontou Albano Martins. Ainda assim, “havia curiosidade em ver, porque a China era outro país, não o longínquo Portugal ou a minúscula Macau. Mas não havia políticas nem ideias tendo
em conta a abertura da China e o desenvolvimento”. Para Albano Martins, a própria história do território “mostra que
“O impacto directo [da abertura e reforma] sempre foi em proporção directa com o tamanho de Macau, e houve um maior impacto do lado de Hong Kong.” LEONEL ALVES ADVOGADO E EX-DEPUTADO
a Administração portuguesa do território nunca fez nada de concreto para aprofundar as relações económicas com a China”. Nesta fase registou-se, contudo, algum desenvolvimento de um grupo de empresários “de boas famílias”, sendo que “alguns deles tinham interesses políticos, eram representantes da própria China, e fizeram o seu percurso através deste desenvolvimento”. António Félix Pontes referiu que apenas os governadores Carlos Melancia e Vasco Rocha Vieira tiveram alguma visão estratégica neste sentido. “O primeiro governador que apanhei foi Melo Egídio. Nunca vi da parte dos governadores qualquer manifestação de desagrado, bem pelo contrário. Havia uma visão muito optimista dos acontecimentos que estavam a ocorrer na China.” “Creio que em termos de parcerias estratégicas passou a haver mais dinâmica com o governador Carlos Melancia e Rocha Vieira. Os outros não tinham ainda essa visão”, acrescentou. No período do governador Almeida e Costa, que esteve em Macau de 1981 a 1986, “houve algumas convulsões internas e não teve tempo para olhar para a China”. Leonel Alves prefere destacar o facto de, com a abertura económica da China, se ter dado início ao processo de transição de soberania de Macau. “As autoridades portuguesas agiram sempre no sentido de uma colaboração, e não nos podemos esquecer que as relações diplomáticas entre os dois países se restabeleceram tardiamente.” A fase de abertura do país acabaria por coincidir com o arranque das negociações para a entrega de Macau, uma vez que a Declaração Conjunta foi assinada em 1987. “A cooperação a nível institucional dos dois governos [Portugal e China] foi muito importante para o sucesso da transição e interesses portugueses em Macau”, concluiu Leonel Alves. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
CRONOLOGIA • Em 1978 é aprovado o programa de reformas económicas no XI Comité Central do Partido Comunista Chinês, onde se propôs a implementação do “socialismo com características chinesas” • Em Agosto de 1980, foram aprovados os regulamentos da província de Guangdong para o estabelecimento de zonas económicas especiais • Em 1981, apenas uma em cada 170 lares urbanos tinham uma televisão a cores. Ter uma televisão em casa era motivo de ostentação, sobretudo quando um homem pedia alguém em casamento • Com a abertura a indústrias estrangeiras, ter uma televisão, um frigorífico e uma máquina de lavar era quase obrigatório na casa de uma família de classe média • Em Setembro de 1987, foi concedida maior autonomia à província de Hainão, que é hoje a maior zona económica especial da China • Em 1990 abriu o primeiro Mcdonalds em Shenzhen, onde os novos ricos costumavam ficar nas filas durante horas a falar com amigos, a discutir negócios ou até em encontros. Ter um Volkswagen Santana era sinónimo de estatuto social • Em 2001 que a China aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre 2001 e 2017, a importação de bens e serviços por parte da China foi duas vezes superior à média mundial • Adopção do 10º Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Económico e Social • Em 2010 Xangai recebeu a Expo Mundial • Em 2013, a China estabeleceu, de forma experimental, a primeira Zona de Comércio Livre em Xangai, que registou uma expansão em termos de dimensão nos anos seguintes e que atraiu várias multinacionais estrangeiras
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Zangaram-se as comadres
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S deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) lançaram ontem um ataque concertado ao Executivo de Chui Sai On, que acusaram de ignorar feriados e herança cultural local, em prol dos interesses do patronato. Em causa está a proposta “três em quatro”, que visa criar um mecanismo para três em quatro feriados obrigatórios possam ser gozados em dias de feriados não-obrigatório, sem qualquer pagamento extra das empresas e patrões. Os dias abrangidos pela medida são o feriado da Fraternidade Universal (1 de Janeiro), Cheng Ming, Bolo Lunar e Chong Yong. Caso patrões e trabalhadores cheguem a um acordo, três destes dias podem ser gozados durante outros feriados não-obrigatórios. Com esta medida, o Governo espera que as empresas possam implementar maior “flexibilidade” na gestão dos recursos humanos. Ao mesmo tempo, o Executivo prevê a redução de custos, uma vez que os patrões deixam de ter de pagar pelo trabalho em três dias de feriado obrigatório. Entre os deputados da FAOM, Ella Lei foi a primeira a falar e defendeu que o “desenvolvimento económico não é um pretexto para enfraquecer as garantias dos trabalhadores”. Depois acusou a Administração de Chui Sai On de estar ao serviço dos patrões: “Agora, o Governo já nem tolera os poucos 10 dias de feriados obrigatórios, e recorre a todas as soluções possíveis para reduzir as compensações pelo trabalho prestado em três feriados. Isto é inaceitável!”, atirou.
Trânsito Ponte HKZM gera críticas
Ella Lei mencionou ainda o facto do Governo estar a virar costas às tradições chinesas: “Despreza-se a transmissão dos costumes chineses e das tradições culturais, o que contraria a política do país”. A legisladora deixou depois outra mensagem para Chui Sai On: “Produzir leis não é o mesmo que negociar numa feira”, atirou.
GCS
FERIADOS FAOM DECLARA “GUERRA” AO GOVERNO POR FAVORECIMENTO DO PATRONATO
VALORES DE XI JINPING
A mesma linha de argumentação foi utilizada pelo colegas de bancada da deputada, nomeadamente Lei Chan U, Lam Lon Wai e Leong Sun Iok. Os três deputados mencionaram mesmo declarações do presidente Xi Jinping, sobre a necessidade de enaltecer os valores laborais, assim como a cultura chinesa. Também os quatro deputados apontaram para o facto de desde 1989, quando Macau ainda estava sob Administração Portuguesa, não ter havido aumento no número de feriados. Outro aspecto mencionado visou a negociação entre as partes. Os deputados da FAOM, apoiados por Sulu Sou no pedido para que o Governo retire esta parte do diploma, defenderam que em caso de negociação o patronato é sempre a parte mais forte e que, como tal, consegue impor a sua vontade. “Para assegurar a sua ‘tigela de arroz’, muitas vezes o trabalhador só pode engolir tratamentos injustos ou até ilegais”, resumiu o mais jovem deputado da AL.
Ho Ion Sang e Au Kam San criticaram ontem a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau devido à falta de ligações à Península de Macau e aos engarrafamentos causados na Areia Preta, na zona da Rotunda da Pérola Oriental. Por sua vez, o deputado Si Ka Lon apontou baterias ao facto do posto fronteiriço não ter infra-estruturas complementares, como restaurantes ou lojas de conveniência. Além disso, o deputado criticou o facto da estrada que liga a Zona A e a Ilha Artificial carecer de sinalização e ter apenas uma faixa de rodagem para cada lado, o que em caso de acidente pode congestionar o trânsito.
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
Ella Lei, deputada “Agora, o Governo já nem tolera os poucos 10 dias de feriados obrigatórios, e recorre a todas as soluções possíveis
Estacionamento Angela Leong sugere construção de parques automáticos Apesar dos esforços do Governo para aumentar o número de locais de estacionamento, Angela Leong diz que o problema só se poderá resolver com parques automáticos, ou seja, aqueles em que os veículos são deixados numa plataforma que depois os arruma automaticamente em diferentes pisos. “O Governo tem de prestar atenção à falta de lugares de estacionamento, para garantir o equilíbrio dos direitos e interesses de todos os utentes da via pública”, afirmou a deputada eleita pela via directa. “Muitos residentes consideram que [o estacionamento disponível] é pouca sopa para muitos monges”, acrescentou.
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Ella Lei, Leong Sun Iok, Lei Chan U e Lan Lon Wai exigiram ao Executivo de Chui Sai On a retirada da proposta que prevê que três feriados obrigatórios possam ser gozados em dias de feriados não-obrigatórios. O bloco dos Operários acusou mesmo o Governo de não respeitar a cultura chinesa
Apoio Social Chan Hong justifica violência com “pressão”
A deputada Chan Hong explicou a agressão de uma assistente social à pessoa que tinha sob os seus cuidados como resultado da “pressão” do trabalho. A afirmação foi feita durante uma intervenção antes da ordem do dia em que pedia melhores condições para as assistentes sociais, a bem da harmonia da sociedade. “Quando as pessoas estão constantemente sob pressão ficam exaustas e podem ter quebras psicológicas. Por isso devemos dar atenção à saúde física e psicológica dos cuidadores. Aliás, aconteceu um caso de uma assistente social que, devido à pressão, ralhou e bateu na pessoa que estava ao seu cuidado”, afirmou Chan, que é vice-directora de uma escola. “É extremamente importante ensinar aos assistentes sociais métodos para reduzir a pressão, e a Administração deve avançar com medidas para os ajudar, com vista à construção duma sociedade harmoniosa”, acrescentou.
CCAC Wong Kit Cheng diz que relatórios são ignorados
para reduzir as compensações pelo trabalho prestado em três feriados.”
Embarcações Lei aprovada com abstenção
A nova Lei do Registo de Embarcações foi aprovada, ontem, na generalidade com 30 votos a favor e uma abstenção, do deputado José Pereira Coutinho. O novo diploma foi justificado pela secretária para a Justiça e Administração, Sónia Chan, com a necessidade de responder à “gestão e utilização” dos 85 quilómetros quadrados da área marítima de Macau. Outro dos objectivos do diploma prende-se com a “protecção do direito à propriedade privada e ao respeito pelo princípio da consensualidade no Código Civil”. Durante a discussão no plenário, Sónia Chan disse que após a entrada em vigor da lei o Governo vai adoptar uma postura de diálogo com os proprietários de embarcações, para que o registo decorra sem problemas.
A deputada Wong Kit Cheng acusou ontem os serviços públicos de ignorarem os relatórios do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) e Comissariado de Auditoria (CA), principalmente na altura de assumirem responsabilidades. “Muitos serviços públicos não dão importância aos problemas apontados nos relatórios, não os resolvem. Limitam-se a responder que ‘concordam’ e que ‘vão acompanhá-los’, e não tomam medidas para os resolver, afectando directamente a concretização dos resultados dos relatórios do CCAC e do CA e, pior ainda, a credibilidade do Governo”, afirmou a legisladora. Uma das secretarias visadas pelas crítica foi a da Economia e Finanças, que tem à frente o secretário Lionel Leong. Wong entende que faltam mecanismos para obrigar os políticos a corrigirem os erros, o que faz com que os serviços façam “o que bem entendem e não assumam as suas responsabilidades”.
Conflito geracional
Alterações à lei que regula acesso a fracções económicas aprovadas
A
Assembleia Legislativa aprovou ontem na generalidade a proposta de lei que regula a venda de habitações económicas, com os votos contra dos democratas Sulu Sou, Ng Kuok Cheong e Au Kam San. O facto das pessoas com idades entre 18 e até os 25 ficarem barradas do acesso aos concursos gerou várias críticas por parte deputados de diferentes quadrantes. As primeiras críticas foram de Sulu Sou, deputado com 27 anos, o mais novo do hemiciclo. Na sua intervenção, o legislador contextualizou a situação da geração mais nova e o facto da habitação económica ser vista como a última esperança. “A geração anterior conseguiu uma casa, mas agora pede às gerações mais novas para que não tenham pressa. Nesta questão não se trata de ter pressa. O problema é que, na situação actual, tendo em conta a mediana dos salários de 20 mil patacas por mês, isso não chega para pagar sequer a entrada de uma casa”, afirmou Sulu Sou. “Só é possível aceder ao mercado privado se estas pessoas não comerem nem gastarem qualquer centavo do salário durante cinco meses. Mesmo assim são precisos cinco meses para pagar 3 metros quadrados de uma casa…”, exemplificou. O deputado revelou também que recebeu várias queixas de pessoas com idades
Plenário Sistema de voto com falhas
inferiores a 25 anos, após ter sido divulgada a intenção de colocar a idade mínima para o acesso a este tipo de habitação. “Após a proposta ter sido apresentada pelo Conselho Executivo, recebi queixas de muitas pessoas sobre este problema”, disse Sulu Sou. “Mas as pessoas com 18 anos têm todos os direitos, não precisam de autorização dos pais para se casarem, podem abrir um negócio, têm de pagar impostos, mas depois ficam excluídas das candidaturas. Isto é discriminação”, acusou. Segundo o democrata da Associação Novo Macau também são poucas as pessoas com menos de 25 anos que conseguem ter acesso a habitação económica. Com base nos concursos anteriores, o legislador disse que apenas 0,05 por cento das pessoas a quem foram atribuídas habitações tinha menos de 25 anos. O cenário de discriminação foi rejeitado pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, que definiu a escolha como política. “Não é discriminação, nem menosprezo por essas pessoas. É uma opção política. Se mantivermos a idade de 18 anos como limite para participar, a procura vai ser muito maior”, explicou o secretário.
SEM PRESSÃO
As críticas de Sulu Sou tiveram eco em outros de-
Na votação das alterações à proposta de lei da habitação económica houve um erro do sistema que impediu que os votos de Chan Chak Mo e Ho Ion Sang fossem contados. A proposta acabou aprovada com 26 votos a favor e três votos contra, quando deviam ter sido 28. No final, os dois deputados fizeram declarações de voto a referir este aspecto e o presidente da AL, Ho Iat Seng, reconheceu a necessidade de chamar um técnico, também pelo facto do sistema ser novo.
putados de vários quadrantes políticos, como Wong Kit Cheng, Ho Ion Sang, Ella Lei e Angela Leong que sugeriu a criação de um novo tipo de habitação só para os jovens. A proposta foi prontamente recusada por Raimundo do Rosário. “Actualmente, não temos habitação económica nem habitação social em quantidade suficiente. Então como podemos pensar em novos tipos de habitação pública?”, questionou. Foi também sugerida a criação de um mecanismo permanente de candidatura para a habitação económica, com o fundamento de que sem pressão o Governo não teria motivação para apressar os trabalhos. Uma sugestão igualmente recusada pelo secretário. “Se mantivermos uma lista de espera e com um calendário definido, vamos criar uma grande pressão para o futuro Governo. A curto e média prazo, não é realista criar esse mecanismo a não ser que seja só letra morta para constar na lei”, respondeu. “Se assumisse qualquer promessa sobre o tempo para a entrega de habitações económicas estava a ser irresponsável”, sublinhou Raimundo do Rosário. A excepção às críticas esteve na bancada dos deputados nomeados pelo Chefe do Executivo. Ma Chi Seng e Iau Teng Pio fizeram questão de vir a público defender a proposta. J.S.F.
Construção Mak Soi Kun entende que a qualidade melhorou
Segundo o deputado e empreiteiro Mak Soi Kun a construção das habitações públicas está muito melhor que no tempo da Administração Portuguesa. “Agora as casas têm revestimento duplo. A construção da habitação pública está melhor. Na altura anterior à transição, os depósitos da água da sanita eram feitos de plástico e as janelas eram feitas de ferro, que enferruja mais depressa. A construção da habitação pública está muito melhor”, afirmou o candidato mais votado nas últimas eleições legislativas.
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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 25/P/18 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 8 de Outubro de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento de Material de Consumo Clínico para o Serviço de Nefrologia dos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 14 de Novembro de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 46,00 (quarenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no página dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 17 de Dezembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 18 de Dezembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 8 de Novembro de 2018.
Assine-o NOTIFICAÇÃO EDITAL
N.° 45 /2018
(Solicitação de comparência do trabalhador) Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e n.° 2 do artigo 72.° do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, notifica-se PANTOJA, MARVIN KENNETH ALETA, ex-trabalhador da “小廚外賣屋”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do dia seguinte à da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.° andar, Macau, a fim de prestar declarações no processo n.° 1776/2017, proveniente da queixa apresentada pelo notificado nestes Serviços em 26/07/2017, e relativamente às matérias de descanso semanal, descanso anual, horas extraordinárias e despesas do repatriamento. Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais — Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 7 de Novembro de 2018. A Chefe do Departamento, Lai Kin Lon
O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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ECONOMIA DEPUTADOS QUEREM SABER QUANDO TERMINA O REGIME OFFSHORE
Questão de seis meses
DICJ Pedida proibição de uso de telemóveis na lei
Direito Aprovados 56 advogados no curso de notários
Foram aprovados 56 candidatos que frequentaram o curso de notários que terminou em Julho, de acordo com o canal de rádio da TDM. A formação de notários teve a participação de 126, sendo que houve desistências, candidatos excluídos por excesso de faltas e outros que não compareceram nas duas provas exigidas. A lista dos candidatos aprovados deve ser publicada hoje, em Boletim Oficial, aponta a mesma fonte, sendo que no anúncio de abertura do concurso o Governo indicou que seriam atribuídas 40 licenças. Este foi o sexto curso, desde a criação dos notários privados, nos anos de 1990. Actualmente, há 57 advogados que exercem as funções de notário.
O
A OCDE deu até 30 de Junho de 2021 para Macau terminar com os benefícios fiscais atribuídos às offshore, mas a proposta do Governo prevê o final da actividade seis meses antes. Os deputados da 3ª Comissão Permanente querem saber a razão ANTÓNIO FALCÃO
O director da Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), Paulo Martins Chan, afirmou ontem que pretende clarificar a instrução relativa à proibição de uso de telemóveis nas mesas de jogo e inclui-la na proposta de alteração à lei sobre o condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos. Este diploma encontra-se actualmente em análise em sede de especialidade na Assembleia Legislativa.
S deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa querem saber a razão que levou o Governo a estabelecer o dia 31 de Dezembro de 2020 para o final do funcionamento das empresas “offshore” em Macau, e não o dia 30 de Junho, que foi estipulado como prazo final para esse efeito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “Porque é que neste artigo o Governo definiu o prazo de 1 de Janeiro desse ano? Há uma divergência de seis meses e queremos saber a razão para isso”, disse ontem o presidente da 3ª Comissão Permanente, Vong Hin Fai. A medida consta da proposta de alteração do decreto que põe fim aos benefícios fiscais às empresas “offshore” no território. Vong adiantou ainda que os deputados receberam opiniões dos empresários do sector, mas que ainda não tem conhecimento do seu conteúdo. No entanto, admitiu que a antecipação do fim dos benefícios fiscais antecipadamente vai ter consequências. “Esta mudança causa impactos no sector, até porque se trata de uma diferença de meio ano e os resultados para quem está envolvido vão ser diferentes”, apontou o deputado.
A CAMINHO DO FIM
Número de funcionários públicos aumentou
O número de funcionários públicos cresceu 11 por cento desde o ano de 2010 até 2018. A informação foi dada ontem pelo presidente da 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa Chan Chak Mo, depois da reunião de análise da proposta de execução orçamental de 2017. Os deputados da comissão estão preocupados com os gastos com salários da função pública e pediram justificações ao Governo para o aumento de trabalhadores no sector. O Executivo afirmou, de acordo com Chan, que a abertura do novo posto fronteiriço e a melhoria dos Serviços de Saúde implicaram a contratação de funcionários. Em custos, o aumento médio anual de despesas com a função pública no período considerado foi de 1600 milhões de patacas.
A questão foi levantada ontem, pelos deputados na primeira reunião da comissão para discutir a proposta para a revogação do decreto-lei que estabelece o regime geral de benefícios fiscais destas empresas, criado em 1999. A revogação do regime jurídico das actividades “offshore” é alargada aos respectivos diplomas complementares e serão estabelecidas disposições transitórias. A proposta tem como objectivo corresponder às responsabilidades de Macau para com a OCDE no combate da erosão das bases tributárias e à transferência de lucros. De acordo com o relatório divulgado pela organização internacional, o regime da actividade “offshore” em Macau é um sistema fiscal potencialmente prejudicial, devendo ser cancelado o referido regime de benefício fiscal até ao dia 30 de Junho de 2021. De acordo com Vong Hin Fai, o parecer referente a esta proposta deverá estar pronto até ao final de Dezembro deste ano. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
A revogação do regime jurídico das actividades “offshore” é alargada aos diplomas complementares. Serão estabelecidas disposições transitórias
8 sociedade
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portal da Teledifusão de Macau (TDM) está bloqueado no Interior da China por ter “conteúdos que violam as leis e regulamentos nacionais”. É esta a razão apresentada quando um utilizador recorre ao motor de busca chinês Baidu para aceder ao site da empresa que é detido maioritariamente pelo Governo de Macau. De acordo com o relato de duas pessoas ao HM, ontem de manhã, quer através do portal de busca Baidu ou do browser Safari não era possível fazer a ligação ao site. No último caso, ou seja utilizando o safari, o utilizador é apenas confrontado com a informação que “não é possível fazer a ligação”. Mas quando a tentativa de estabelecer a ligação é feita através da plataforma chinesa surge mesmo um aviso que alerta o utilizador para o facto de estar a tentar aceder a um portal que dissemina informação ilegal. “Esta página pode ter conteúdos que violam as leis e regulamentos nacionais. Há o risco de divulgar informação ilegal ou de enganar os consumidores através de publicidade falsa”, pode ler-se no aviso do Centro de Segurança da Baidu. “Para evitar perdas pessoais, recomendamos que visite o portal de forma cuidadosa”, é acrescentado. No mesmo aviso do Centro de Segurança da Baidu surge depois uma opção que permite ao utilizador ligar-se à TDM, o que acaba por não ser possível para quem se encontra no Interior da China. O mesmo aviso está também disponível para os internautas em Macau que tentem aceder à TDM através do Baidu. Mas nesta situação, quando o utilizador faz a ligação não recomendada pelo Centro de Segurança da empresa chinesa, a ligação é concretizada e os conteúdos aparecem disponíveis. Por outro lado, o acesso aos jornais de Macau em língua
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TDM PORTAL DA ESTAÇÃO VÍTIMA DA FIREWALL NO INTERIOR DA CHINA
Jardins Proibidos
Está a tentar a aceder a “conteúdos que violam as leis e regulamentos nacionais”. É esta a explicação do Centro de Segurança da Baidu para quem tenta ligar-se no portal da TDM no Interior da China. Quando o acesso é feito com outras plataformas, a ligação simplesmente é rejeitada
UM Concurso de eloquência em português realiza-se amanhã
O Departamento de Português da Universidade de Macau vai organizar o XVI Concurso de Eloquência em Língua Portuguesa para estudantes universitários de Macau. O evento, que se destina a estimular o estudo da língua portuguesa e a premiar os melhores alunos, terá lugar amanhã pelas 9h30. Organizado anualmente, o concurso tem como objectivo fornecer uma plataforma para os alunos universitários locais das licenciaturas em Português mostrarem a sua competência linguística. Este ano, quatro instituições de ensino superior local (UM, Instituto Politécnico de Macau, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e a Universidade de São José), participam no concurso com os seus melhores alunos de português, indica um comunicado da UM.
portuguesa está disponível sem qualquer restrição.
“UMA NOVIDADE”
Confrontado com esta realidade, o presidente da Comissão Executiva da TDM, Manuel Pires, admitiu não ter conhecimento da situação: “Está a dar-me uma novidade. Fiquei algo surpreendido”, afirmou. “Mas sabemos que cada local tem os suas critérios e directrizes”, acrescentou. Em relação à mensagem que consta no Centro de Segurança do Baidu, Manuel Pires negou que a TDM emita informação falsa e atirou a responsabilidade da mensagem inteiramente para a plataforma chinesa. “O que os portais fazem não é da nossa responsabilidade. Se eles optam por colocar essa mensagem quando se tenta aceder... a verdade é que o operador nunca nos deu qualquer satisfação para isso”, justificou.
“O que os portais fazem não é da nossa responsabilidade. Se eles optam por colocar essa mensagem quando se tenta aceder... a verdade é que o operador nunca nos deu qualquer satisfação para isso.” MANUEL PIRES PRESIDENTE COMISSÃO EXECUTIVA DA TDM
Por outro lado, Manuel Pires clarificou que a aplicação móvel da TDM não está disponível no Interior da China, assim como o sinal dos canais de televisão da emissora pública de Macau. A Grande Firewall da China é uma ferramenta de censura para controlar a informação que as pessoas no Interior do país podem aceder ou partilhar online. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
PEARL HORIZON POLYTEX CONTESTA ARRESTO DE BENS
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Polytex vai contestar o arresto de bens, decretado recentemente pelo Tribunal Judicial de Base (TJB), afirmou ao HM o advogado da promotora do complexo habitacional “Pearl Horizon”. “A Polytex está agora processualmente a deduzir oposição, a aduzir argumentos para confirmar que não existe o chamado justo receio de dissipação de bens”, realçou Leonel Alves.
“Estranhamente” o TJB acolheu o pedido de arresto sem audiência prévia, ou seja, sem o contraditório, apontou o advogado, sublinhando que “será agora exercido dentro
do prazo processual previsto por lei”. “É claro como água que se [a Polytex] quisesse dissipar os bens tê-lo-ia feito já há anos”, sustentou. De recordar que o TJB aprovou um pedido de 70 lesados do Pearl Horizon e ordenou a aplicação da medida cautelar de arresto, envolvendo quatro lojas e 200 lugares de estacionamento no condomínio “La Baie Du Noble”, na Areia
Preta. A medida encontra-se relacionada com o processo de restituição do montante pago para aquisição de fracções do complexo habitacional que nunca chegou a ser erguido. A informação foi avançada na sexta-feira num encontro entre o grupo de investidores e seis deputados à Assembleia Legislativa (Si Ka Lon, Chan Hong, Ella Lei, Wong Kit Cheng, Ho Ion Sang e Song Pek Kei). J.L.
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Infra-estruturas Apresentada planta de canalizações subterrâneas
A Direcção dos Serviços de Cartografia e Cadastro (DSCC) anunciou ontem ter lançado, no mês passado, a planta de canalizações subterrâneas, em linha com o anunciado nas Linhas de Acção Governativa para 2018 no âmbito da área de Transportes e Obras Públicas. Desde ontem os serviços podem utilizar o sistema das informações geográficas de canalizações subterrâneas urbanas, que contém nove tipos de dados de canalizações, designadamente da electricidade, de gás natural, de água canalizada, de água reciclada, de telecomunicações, da TV cabo, de instalações ambientais e equipamentos de fiscalização do tráfego.
Ponte HKZM Documentário exibido pela primeira vez na MUST
“Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau” titula o documentário, de aproximadamente 70 minutos, que estreou ontem na Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST, na sigla inglesa). A exibição do filme, para uma audiência de cerca de 400 estudantes, contou com a presença do subdirector do Gabinete de Ligação da China em Macau, Xue Xiaofeng, e com o vice-director da Autoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, Yu Lie. Segundo um comunicado da MUST, após a estreia, o documentário vai ser mostrado nas escolas primárias e secundárias de Macau. As filmagens para o documentário, produzido por uma série de canais televisivos, incluindo o Discovery, começaram em Fevereiro do ano passado, acompanhando as empresas e os operários da linha da frente da infra-estrutura inaugurada a 22 de Outubro.
Jeremy Lei “As operadoras reservam-se o direito de planear o seu funcionamento nestas alturas e os trabalhadores não podem solicitar qualquer folga nestes dias.”
Está agendada para o próximo domingo uma manifestação dos trabalhadores do jogo contra o regime de substituição de feriados. No mesmo dia, vai ser entregue na sede do Governo uma petição a apelar ao aumento salarial entre os cinco e os seis por cento
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Associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores do Jogo, presidida por Cloee Chao, está a organizar um protesto para o próximo domingo. Em causa está a legislação que regula o trabalho nos dias de feriado obrigatório e
JOGO PROTESTO CONTRA A SUBSTITUIÇÃO DE FERIADOS ESTE DOMINGO
Folgas trocadas que permite a troca destes dias de folga por outros. De acordo com o vice-presidente da associação, Jeremy Lei, a selecção de feriados que podem ser gozados pelos trabalhadores é um recuo nos direitos de quem trabalha. O desagrado com esta medida é manifestado pela maioria dos funcionários do jogo, apontou o responsável, até porque não podem sequer pedir folga nessas datas. “As operadoras reservam-se o direito de planear o seu funcionamento nestas alturas e os trabalhadores não podem solicitar qualquer folga nestes dias”, disse Lei ao HM. Por outro lado, a substituição de feriados pode ainda prejudicar o salário dos funcionários visto que não vão ser pagos a triplicar, como seria previsto nestas situações. A alternativa de pagamento, e caso não substituam o feriado
obrigatório por um outro dia de folga, será o pagamento a duplicar, esclareceu Lei.
DA DISCRIMINAÇÃO
Outra questão que preocupa os funcionários do sector é a proibição de entrada dos trabalhadores do sector nos casinos fora do horário de trabalho. Para Jeremy Lei trata-se de “uma medida discriminatória para com estas pessoas”. A proibição é baseada num relatório do Instituto de Acção Social (IAS) que, para o responsável, não apresenta dados objectivos acerca dos malefícios do jogo para os trabalhadores do sector. Lei justifica a subjectividade dos dados do IAS com a reduzida amostra em que se basearam. “ O IAS recolheu apenas os dados de cerca de 100 pessoas o que não é suficiente”, disse. A associação Novo Macau para os Direitos dos Trabalhadores de
Jogo sugere que os funcionários sejam impedidos de entrar nas áreas de apostas mas que possam frequentar o espaço dos casinos dedicados ao comércio. No próximo domingo será ainda entregue no edifício da Sede do Governo uma petição com cerca de 1000 assinaturas em que é pedido o aumento dos salários dos trabalhadores dos casinos. Este ano as operadoras aumentaram os salários dos seus funcionários em cerca de 2,5 por cento, mas não é suficiente, considera Lei. O objectivo da associação é conseguir aumentos entre os cinco e os seis por cento. Para o protesto do próximo domingo, Jeremy Lei prevê que o número de participantes supere as expectativas, esperando cerca de duzentos manifestantes. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
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SOFIA MARGARIDA MOTA
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eu vou buscar ao ópio que consola, um Oriente ao oriente do Oriente.” Este verso, que abre “Opiário”, é uma das referências orientais mais explícitas na obra de Fernando Pessoa. Ainda assim, não falta levante à longitude do poeta, apesar do carácter abstracto e mental do Oriente de Pessoa. Este é o epicentro de “As Índias espirituais. Fernando Pessoa e o Orientalismo português”, livro de autoria de Duarte Drumond Braga, que será lançado antes do Natal com a chancela da Tinta da China. A obra, versão simplificada da tese de doutoramento do académico, reflecte uma multiplicidade de orientalismos, obedecendo à pluralidade de vozes do universo pessoano. “Há momentos em que Pessoa recorre a um imaginário oriental, por exemplo, quando fala da cultura árabe em textos fragmentários. Ele usa isso como argumento para defender um certo espírito peninsular, ibérico”, explica o autor. Noutros momentos, fala da Índia, da novidade e da descoberta que encerra o subcontinente. Nessa acepção, Pessoa revela outro tipo
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LIVRO DUARTE DRUMOND BRAGA DESVEND
O académico Duarte Drumond Bra e o Orientalismo português”, obra festação intelectual, difusa, despro O livro tem lançamento previsto a de orientalismo de “tradição mais imperial, colonial portuguesa, algo que também transparece em Álvaro de Campos nalguns poemas como o Opiário”. Seguindo a linha pessoana, e de acordo com Duarte Drumond Braga, é difícil dar unidade às várias referências orientalistas na obra do poeta, excepto o facto de ser um tema que este descobre em segundo grau e de ter uma condição interior, intelectual, desligada do espaço. Ao contrário do Oriente de Camilo Pessanha, expe-
rimentado pessoalmente na Ásia, o de Pessoa é interiorizado através da literatura. “Ao longo do Livro do Desassossego é dito muitas vezes que a viagem, antes demais, é interior. O acto de viajar, ver paisagens é uma actividade que para este Pessoa é um tanto ao quanto secundária”, teoriza o autor. Duarte Drumond Braga entende que o autor de “Tabacaria” sempre esteve mais interessado na capacidade de criar paisagens, em vez de as percepcionar no exterior.
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Desfile Abertas inscrições para ‘workshops’ Estão abertas as inscrições para ‘workshops’ organizados no âmbito do Desfile Internacional de Macau, que tem lugar a 16 de Dezembro, anunciou o Instituto Cultural (IC), em comunicado. O primeiro, intitulado “Papel Ilimitado”, ministrado pelo grupo Projectos de Intervenção Artística (PIA), de Portugal, vai ter lugar
nos dias 22, 23, 26 e 28 de Novembro, das 19h30 às 22h. Já “Truques de Circo”, a decorrer a 10 e 11 de Dezembro, entre as 20h e as 21h30, vai contar com Lívia Matos, do Brasil. Ambos vão acontecer no edifício do Antigo Tribunal. As vagas dos ‘workshops’ serão atribuídas de acordo com a ordem de inscrição.
UM Orquestra de Macau actua amanhã
A Orquestra de Macau vai apresentar amanhã, o Concerto Universitário. O espectáculo, agendado para as 19h30, vai ter lugar no Centro de Actividades Estudantis da Universidade de Macau. Fundada em 1983, a Orquestra de Macau é uma orquestra profissional dependente do Instituto Cultural.
TIMC Weng Wen e Pet Conspiracy no cartaz Wang Wen, o conhecido grupo chinês de pós-rock, e Pet Conspiracy, a banda do continente conhecida pela sua sonoridade electro-punk, juntam-se ao cartaz da edição deste ano do This is My City Festival (TIMC) que acontece entre os dia 22 e 25 de
Novembro. Weng tem concerto marcado em Macau a 24 e Pet Conspitracy a 25, ambos nas Oficinas Navais 2. Estes nomes juntam-se a Re-TROS, Celeste Mariposa, Dj Kitten e Wu Tiao Rien, num cartaz que se estende por Zhuhai, Shenzhen e Macau.
Gastronomia DST e IFT em feira de Valência
aga é o autor de “As Índias espirituais. Fernando Pessoa a que traz à luz do dia o oriente pessoano. Uma maniovida de espaço, ao contrário do Oriente de Pessanha. ainda antes do Natal, com a chancela da Tinta da China “Mas isto é um dos Pessoas, não é o Pessoa”.
PLANO IMAGINADO
“Este orientalismo é sempre muito cerebral, muito irónico, não é uma necessidade literal de um exotismo. Por exemplo, no “Livro do Desassossego” há pequenas passagens sobre a China, em que fala de porcelanas chinesas e da ideia da paisagem perfeita chinesa.” Este tipo de referências são entendidas pelo autor como ironização da forma exótica com que o ocidente via tra-
dicionalmente o oriente. Um dos exemplos que o académico destaca nesta “espécie de paródia de exotismo” é a repetição três vezes da palavra oriente no “Opiário”. Apesar das visões díspares entre o oriente de Pessanha
(decadente e presente) e o de Pessoa (fragmentado e ausente), existiram pontos de contacto entre os dois grandes vultos da poesia portuguesa. Camilo Pessanha foi convidado por Pessoa para colaborar na revista Orpheu,
“O orientalismo do Pessoa [comparado com Camilo Pessanha] é mais abstracto, mental, não está inscrito num espaço, é mais fragmentado e heterogéneo.” DUARTE DRUMOND BRAGA ACADÉMICO E AUTOR
facto comprovado com uma carta enviada para Macau e que espelha o imenso respeito que os modernistas sentiam por Pessanha. Apesar do contacto, o orientalismo de Pessanha passa muito pela cultura chinesa, “mais na prosa, até nos ensaios, do que propriamente nos poemas”. Por outro lado, “o orientalismo do Pessoa é mais abstracto, mental, não está inscrito num espaço, é mais fragmentado e heterogéneo”, desvenda Duarte Drumond Braga. Não obstante as diferentes naturezas, o académico encara os poetas como “os dois grandes nomes de uma tradição portuguesa que se vai sempre colhendo coisas à Ásia. Apesar de no Pessoa ser um interesse entre muitos outros e no Camilo Pessanha ser central”. Duarte Drumond Braga está a fazer um pós-doutoramento na Universidade de Macau e amanhã apresenta na Universidade de São José, às 18h, uma palestra intitulada “Literaturas em rede: a produção literária de língua portuguesa de Goa em contacto”. João Luz
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público os ingredientes, técnicas de confecção e o contexto cultural fruto do intercâmbio das culturas oriental e ocidental. Outras cidades presentes no Palco da Rota da Seda foram Shunde (China), Jeonju (Coreia do Sul), Dénia (Espanha), Östersund (Suécia), Tsuruoka (Japão) e Hatay (Turquia).
Ruínas de S. Paulo Vedadas para inspecção
O acesso à frente das Ruínas de S. Paulo (incluindo o Museu de Arte Sacra e Cripta) esteve vedado ontem ao público, entre as 8h e as 18h, informou, em comunicado, o Instituto Cultural (IC). O encerramento serviu para se proceder à remoção de ervas daninhas e à inspecção de estátuas de bronze na fachada do principal monumento de Macau. IACM
te interior
DA O ORIENTALISMO DE FERNANDO PESSOA
A Direcção dos Serviços de Turismo e o Instituto de Formação Turística participaram numa feira de gastronomia em Valência, Espanha, para promover a cultura gastronómica de Macau em conjunto com outras Cidades Criativas da UNESCO em Gastronomia ligadas à Rota da Seda. Na feira, denominada “Gastrónoma 2018”, que decorreu entre domingo e ontem, foram realizadas duas sessões de demonstração e degustação da cozinha macaense, conduzidas pelos chefs de Macau, David Wong e Hans Lee Rasmussen, que prepararam ‘minchi’, apresentando ao
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IMPRENSA POLÍCIA DETÉM ESTUDANTES MARXISTAS E ACTIVISTAS
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LEI SUSPENSA MEDIDA QUE PERMITIA COMÉRCIO DE ANIMAIS EM VIAS DE EXTINÇÃO
O tigre e o rinoceronte Depois de muitos protestos de organizações de defesa dos direitos dos animais, o Governo voltou atrás e decidiu suspender, para análise, a alteração que poderia permitir que caçadores furtivos e contrabandistas comercializassem partes de tigres e rinocerontes
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China suspendeu a alteração à lei que permitiria o comércio de produtos feitos à base de partes de tigres e rinocerontes em perigo de extinção, após o protesto de vários grupos de defesa dos animais. A agência noticiosa oficial Xinhua citou ontem Ding Xuedong, funcionário do Conselho de Estado, que informa que a alteração que permitiria o comércio de chifres de rinoceronte e ossos de tigre, sob “circunstâncias
especiais”, foi “suspensa para análise”. “Os departamentos relevantes do Governo chinês vão em breve continuar a organizar campanhas especiais de combate focadas em travar o comércio ilegal de rinocerontes, tigres ou produtos derivadas destes animais”, afirmou Ding, citado pela agência. “Vamos lidar com acções ilegais de forma rigorosa”, acrescentou. A agência detalha que a interdição total da importação e exportação de partes daqueles animais, que estão
em perigo de extinção, ou o seu uso na medicina tradicional chinesa, vão-se manter. Ding não esclareceu se a suspensão significa que a decisão pode ser revogada.
QUESTÃO DE IMAGEM
Ossos de tigre e chifres de rinoceronte são usados na medicina tradicional chinesa, apesar da falta de evidência sobre a sua eficácia no tratamento de doenças e do impacto na vida selvagem. No mês passado, as autoridades afirmaram que
iriam permitir o comércio à base de partes do corpo de tigres e rinocerontes, sob “circunstâncias especiais”, levando a protestos de grupos de defesa dos animais. O Fundo Mundial para a Natureza considerou que a decisão de Pequim iria ter “consequências devastadoras a nível global”, ao permitir que caçadores furtivos e contrabandistas se ocultassem por detrás do comércio legal. O Partido Comunista Chinês raramente responde à pressão internacional, e a decisão parece reflec-
tir preocupações sobre a reputação do país como apoiante da preservação do ambiente. A China é já um dos principais destinos para partes de animais em risco de extinção, incluindo marfim e pele de elefante, ou carne e escalas de pangolim. Em 2016, o Fundo Mundial para a Natureza e o Global Tiger Forum contabilizaram cerca de 3.890 tigres, em todo o mundo. Estimativas apontam para menos de 30.000 rinocerontes.
TAIPÉ MUSEU NACIONAL DO PALÁCIO RENOVADO ENTRE 2020 E 2023
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Museu Nacional do Palácio de Taipé, que abriga os tesouros artísticos imperiais chineses, vai ser renovado entre 2020 e 2023, num investimento de cerca de 304 milhões de euros, anunciaram ontem as autoridades de Taiwan. A renovação para transformar o museu numa atracção turística mundial vai ser total e algumas das obras vão ser transferidas para
a sua sede no sul da ilha, indicou em comunicado a porta-voz do Governo, Kolas Yotaka. “O Museu Nacional do Palácio não será fechado ao público e a sua sede no sul vai continuar a expandir e a enriquecer a exposição”, disse. Taiwan prevê que o plano integral de renovação custe perto de 304 milhões de euros, de acordo com o mesmo comunicado.
“Estima-se que o número de turistas que visitaram o museu de 2008 a 2014 foi de 26,7 milhões. Em 2020, em conjugação com os Jogos Olímpicos de Tóquio, poderemos atingir cerca de 5,4 milhões de visitantes e em 2024 os seis milhões”, apontou Yotaka. O Museu Nacional do Palácio de Taipé abriga uma colecção permanente de mais de 697.490 peças
de arte, incluindo os principais tesouros artísticos dos imperadores chineses. A maioria das peças foi levada da Cidade Proibida de Pequim para Taiwan pelo governo do general Chiang Kai-shek, quando as tropas nacionalistas se refugiaram na ilha, após terem sido derrotadas pelas forças comunistas lideradas por Mao Zedong em 1949.
MA dezena de estudantes marxistas e activistas laborais foram detidos, nos últimos dias, em várias operações policiais levadas a cabo em diferentes campus universitários da China, avançou ontem a imprensa de Hong Kong. Pelo menos doze pessoas foram detidas em rusgas policiais em campus universitários em Pequim, Xangai, Shenzhen ou Cantão, este fim de semana. Citada pela agência EFE, a organização China Labour Bulletin (CLB) afirmou ontem que os detidos são activistas laborais e estudantes que se definem como marxistas e defendem publicamente os direitos dos trabalhadores. Um vídeo difundido nas redes sociais mostra três homens - aparentemente polícias à paisana - a imobilizar um estudante no chão e a levá-lo de seguida. O movimento ficou conhecido pelo seu apoio às reivindicações dos trabalhadores da Jasic Technology, que tem laços próximos ao Partido Comunista Chinês. Desde Maio, os trabalhadores da empresa, que tem sede em Shenzhen, reclamam a formação de um sindicato livre e democrático, depois de a empresa ter despedido os trabalhadores mais críticos. Em Julho, a polícia prendeu 30 trabalhadores, que relataram terem sofrido tortura sob custódia. Os estudantes e outros trabalhadores reuniram-se à porta da esquadra da polícia para exigir a sua libertação. As represálias das autoridades geraram uma onda de indignação entre jovens marxistas chineses em todo o país, segundo a CLB, que defende os direitos dos trabalhadores chineses. Segundo a sua Constituição, a China é “um Estado socialista, liderado pela classe trabalhadora e assente na aliança operário-camponesa”. Na prática, o país adopta um modelo que designa de “Socialismo com características chinesas”: a iniciativa privada e o investimento estrangeiro são permitidos, mas os sectores chave da economia permanecem sobre “controlo estatal”.
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quarta-feira 14.11.2018
NATO APELO À ADESÃO A TRATADO DE CONTROLO DE ARMAS NUCLEARES
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secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, criticou ontem o programa de desenvolvimento de mísseis de médio alcance da China, apelando ao país para aderir ao tratado internacional de controlo deste armamento. “Vimos que a China investiu fortemente em armas novas e modernas, incluindo mísseis, e a metade dos seus mísseis violaria o tratado INF (Intermediate Nuclear Forces) se a China fosse signatária”, disse Jens Stoltenberg numa entrevista à cadeia de televisão pública alemã ZDF. Stoltenberg fazia referência ao tratado sobre armas nucleares de médio alcance (INF), assinado em 1987 pelos então dirigentes norte-americano e soviético, Ronald Reagan e Mikhaïl Gorbatchev, que visa eliminar os mísseis lançados a partir do solo e com um alcance entre 500 a 5.500 quilómetros. “Somos favoráveis ao alargamento deste tratado de forma a que a China também possa fazer parte”, disse. O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou recentemente a retirada do seu país deste tratado, alegando violações do acordo por parte da Rússia e evocando os programas de armamento da China como fundamentos. Relativamente a Moscovo, os Estados Unidos questionam o novo sistema russo 9M729, mísseis disparados a partir de um dispositivo terrestre e cujo alcance ultrapassa, segundo Washington, os 500 quilómetros, o que Moscovo desmente. “A NATO não vê uma nova corrida ao armamento, mas estamos muito preocupados com os novos mísseis russos. São móveis, podem transportar cargas nucleares e podem atingir cidades da Europa central como Berlim”, assinalou Stoltenberg.
Laços reforçados com Alemanha
Altos funcionários do Governo chinês reuniram-se na segunda-feira em Pequim com o ministro dos negócios Estrangeiros da Alemanha, Heiko Maas, para discutir as relações bilaterais. Durante a reunião, o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, disse que desde o estabelecimento da parceria estratégica entre a China e a Alemanha em 2014, os dois países têm vindo a realizar frequentemente intercâmbios de alto nível, e a reforçar significativamente a confiança mútua. Liu, também membro do Politboro do Comité Central do Partido Comunista da China, expressou a esperança de que os dois lados possam aproveitar as oportunidades para expandir continuamente a cooperação em várias áreas e melhorar o desenvolvimento económico de ambos os países. Maas disse que o lado alemão atribui grande importância ao desenvolvimento das relações com a China, aprecia a política de abertura chinesa, e está pronto para aprofundar a cooperação bilateral pragmática e a salvaguardar em conjunto o sistema multilateral global.
Devido à baixa procura, em Setembro e Outubro os proprietários tiveram de fazer “grandes promoções”, incluindo oferecer carros na compra de habitação ou baixar os preços até 30 por cento, o que levou a protestos dos anteriores compradores, que pagaram preços mais altos
CICC MERCADO IMOBILIÁRIO VAI ENFRENTAR RECESSÃO EM 2019
Motor gripado
Um dos principais motores da economia do país pode vir a sofrer, no ano que vem, uma recessão, segundo as previsões do banco estatal de investimento. Pela primeira vez, nos últimos cinco anos, as vendas de propriedades devem abrandar
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mercado imobiliário chinês vai enfrentar uma recessão em 2019, segundo um relatório publicado ontem pelo banco estatal de investimento Corporação Internacional de Capital da China (CICC), confirmando o receio de vários analistas. O documento prevê um “decréscimo significativo” das vendas, investimento e novas construções, no próximo ano, o que já levou mui-
tas promotoras a cancelar a compra de terrenos, face à contração do mercado. Pequim “deve alterar as políticas destinadas a arrefecer o mercado imobiliário”, recomenda a CICC, nomeadamente através da redução do valor mínimo de entrada na compra de um imóvel, facilitar o acesso ao crédito e reduzir as taxas de juro. A mesma nota refere que, devido à baixa procura, em Setembro e Outubro os proprie-
tários tiveram de fazer “grandes promoções”, incluindo oferecer carros na compra de habitação ou baixar os preços até 30 por cento, o que levou a protestos dos anteriores compradores, que pagaram preços mais altos. Os últimos dados revelam uma queda homóloga do investimento no sector imobiliário de 8,9 por cento, em Setembro, e 9,2 por cento, em Agosto. A CICC considera “provável” que a venda de propriedades na China
“abrande [em 2019], pela primeira vez em cinco anos”, apontando para uma queda de 10 por cento, tanto no volume de vendas como nos preços. O investimento e as novas construções também devem registar uma queda de 5 por cento e 10 por cento, respectivamente, aponta.
RISCOS E DESPERDÍCIOS
O mercado imobiliário é um dos principais motores de crescimento da economia chinesa e os
economistas temem que sinais de sobre-endividamento dos construtores abalem o sistema financeiro do país. No espaço de uma década, enquanto as economias desenvolvidas estagnaram, a China construiu a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, mais de oitenta aeroportos e dezenas de cidades de raiz, alargando a classe média chinesa em centenas de milhões de pessoas. No entanto, segundo a agência suíça Bank for International Settlements (BIS), durante o mesmo período, a dívida chinesa quase duplicou, para 257 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Um dos efeitos mais visíveis do desperdício gerado por uma década de crescimento assente na construção são as mais de 50 milhões de casas vazias, cerca de 22 por cento do imobiliário urbano no país, de acordo com um estudo a nível nacional, designado China Household Finance Survey “Os principais agentes económicos e financeiros da China não abordaram as perspectivas de arrefecimento no mercado imobiliário”, afirmou o CICC. Também um relatório publicado na semana passada pela agência de avaliação de risco Standard & Poor’s (S&P) indica que o preço do imobiliário na China atingiu o seu valor máximo e pode cair até cinco por cento, em 2019. A agência adverte que as cidades pequenas são “muito mais vulneráveis” a uma possível desaceleração, que poderá fazer com que passem “rapidamente” de “motores de crescimento” a “travões ao crescimento”. Para os promotores imobiliários chineses, os grandes riscos são a “liquidez e refinanciamento”, lê-se no relatório, que aponta para um “panorama de financiamento mais desfavorável em anos”.
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estendais Gisela Casimiro
“It has been a beautiful fight. Still is.”Bukowski Em memória de Júlio Ávila
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mercearia chinesa da minha rua fechou. Não aceitavam cartão, nem de pagamento nem de desconto. Mas sorriam sempre, embora nunca perguntassem pelo contribuinte na factura. É verdade que, nos últimos tempos, já só lá ia para comprar melancia, quartos de, a noventa e nove cêntimos o quilo e todo o sabor do mundo. Um sabor rosa-vivo simples, a única coisa que me apetecia, por vezes, comer. Melancia que levei para casa, para o trabalho, para a praia. Que comi sozinha e partilhei. Triângulos e triângulos de consolo e doçura. Arestas, faces e vértices que não magoavam, e de que era segura a repetição. Não sei o que dizer mais do que sei o nome da tua avó, que te ofereceu melancia cortada aos cubos no que agora lhe deve parecer ter sido ainda outro dia. Não tenho avós há muito tempo, e pergunto-me se a tua terá ouvido falar da Björk, que também sabe uma ou outra coisa sobre melancias. E lágrimas. Conseguiste. Que o carro passasse na inspecção. Conseguiste. Que a vida deixasse de passar por ti e te magoasse. Tu
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já tentaste praticar o bem fazendo mal?
Júlio tentaste e não falhaste. Aprendeste o nó que desfez os teus, não importa se nos deixou um permanente. Ninguém deveria poder dizer que nos desapontaste. Contigo fui turista e visitei uma igreja, partilhei a mesa do almoço, a vista do miradouro do Outeiro da Memória, a melhor amiga, uma grande moca, gargalhadas, o teatro, a escrita, o peso da vida. Trazias uma t-shirt azul no dia em que te conheci. Letras em degradê laranja e amarelo, calções e chinelos. Éramos quatro. Mesmo nessas fotografias desfocadas, continuamos a ser quatro. Eu estou do lado de cá, mas senti-me em casa convosco. Lembro-me de não estar bem, de ser a única desabituada à altitude. Lembro-me de que, no último ano, todos quise-
ram deixar de estar aqui, tentaram e quase conseguiram. E pergunto-me se algum dia vocês, desculpa - se eles se vão habituar à vida. Pergunto-me se alguém mais vai conseguir. E dou por mim a rever conversas e a enviar mensagens e a querer marcar viagens. Quem me dera ter voltado aí. Agora sei que nunca vou sair. Os pêsames pesam. Os meus sentimentos também. Seremos sempre demasiado novos para estas coisas. Ser millennial não nos dá um certificado de saber lidar consigo mesmo ou com os outros, com o quão pouco sabemos uns dos outros e sobre nós mesmos. Vivemos em excesso de informação não relevante e em carência de quase tudo o resto. Vivemos em estado de depressão e
Os pêsames pesam. Os meus sentimentos também. Seremos sempre demasiado novos para estas coisas. Ser millennial não nos dá um certificado de saber lidar consigo mesmo ou com os outros, com o quão pouco sabemos uns dos outros e sobre nós mesmos. Vivemos em excesso de informação não relevante e em carência de quase tudo o resto
de distracção, mas tu sabias estas coisas. Tu sabias de ti. Tu prestavas atenção. Saber muito pouco de alguém e ainda assim ser de repente a pessoa em quem mais pensamos, e isto servir para nós e para os outros. Ir de casa para o trabalho, da terapia para os medicamentos, de mal a pior, de millennial a memorial. Deixar de ter um nome para passarmos a ser também um evento, uma descrição, uma memória. Fazer um testamento real para a persona virtual. Estar sempre a um ecrã de distância das nossas pessoas preferidas, até de nós mesmos. Sim, porque deveríamos saber ser uma das nossas pessoas preferidas. Tu certamente o és, serás para muitos, serás para sempre. Onze, catorze, quinze, dezasseis. Um dia para nascer e três para morrer. Mil novecentos e oitenta e seis. Dois mil e dezoito. Abril, Outubro e trinta e dois anos e meio entre eles. Nasceste, cresceste, viveste, morreste. Tu estiveste aqui. Tu estavas, realmente, vivo. Ficaste mais quando foste embora, tu que já eras tão grande. Tu não desapareceste. Obrigada por tudo o que escreveste. Esperarmos que as pessoas que gostam de Júlio encontrem algum conforto ao visitar o seu perfil, para relembrar e celebrar a sua vida. It has been a beautiful life. Still is.
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Diário de um editor João Paulo Cotrim
Vestir de negro
FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA, ÉVORA, 13 OUTUBRO Convive com o a do Pedro [Proença], esta exposição dedicada ao «Grupo 8», conjunto artístico dos anos 1970 que projectava a sua identidade a partir do Alentejo. António Palolo foi membro e dele, Joaquim Tavares, o curador, escolheu telas cinza, talvez reverso iluminado das cores primitivas que o tornaram dos pintores mais imitados. Anunciava-se tempestade, mas não ali, no conforto climatizado do museu, parede negra e luz baixa de acentuar mistérios, obscuridades. Aquele cinzento magnetizou-me, logo deixou de ser apenas cor, ganhou textura, uma pele áspera e cortes a desenhar meridianos, cicatrizes que a fornecem de carnes. Estamos nisto: extrair da cor uma qualquer razão. Nem que seja para vestir. CLUBE ESTEFÂNIA, LISBOA, 1 NOVEMBRO Certo e sabido: a vida não se deixa prender nos calendários. Ou seja, o espírito fin de siècle está a explodir-nos agora nas mãos. A religião feita refém da loucura sanguinária. A economia feita máscara dos meta-estados corporativos. A política entregue à violência da estupidez. A arte virada do avesso a patinhar nas tripas. Em fundo, o desespero que atira gente ao nada, ao nada feito mar ou muro. Gente que se atira ao nada, entorpecente e narcótico. «Três actores, três músicos, uma personagem discreta, mas omnipresente: a morte», assim se apresenta na «inútil» folha de sala do «Cabaret Macabro», que o Valério [Romão] escreveu para a Marta [Lapa] encenar. Com excepção da senhora da gadanha, que usa cabeleira, e apesar atração inevitável pela perfeição do triângulo, a afirmação não se confirma. O autor do texto começa cedo a ser invocado, contrariado, maltratado, fazendo-se afinal benquisto do princípio ao fim, ou não tivesse esculpido o texto durante os ensaios. Também a encenadora se faz personagem, primeiro interpretada pela Carla Galvão, para depois sair mesmo da sombra para fazer o que faz bem: questionar tudo, baralhar e voltar a dar. Estamos, pois, em plena desconstrução, essa noção tão cara à nouvelle cuisine. Iniciada na folha de sala, não mais útil que pastilha elástica sob a cadeira, diz ele. O autor-a-fingir-que-não-o-quer-ser usa bem a bisnaga vira-bicos, e põe a Margarida Cardeal e o Vitor Alves da Silva a questionarem o «processo», a discutir tudo e mais alguma coisa, acompanhados, como se de fado se tratasse (e trata!), pelo [Carlos] Bica, pelo Lucius Omnibus e o Pedro Moura. «Como é que a arte contemporânea reflecte o actual sistema de labirintos simultâneos a que parece corresponder o mundo actual?» O meio artístico – por ideal romântico? – vê-se sobejamente maltratado e
logo curado, como agora se diz das exposições, para sinónimo de escolha e arrumação. Nem escaparam os abysmados, esses que praticam activamente e para desconhecimento geral a subtil arte do cabaret e o encantatório tratamento por mano. Não tanto desconhecido, que passa amiúde alguéns mais alheios em busca de encosto. A girândola vai rodando sobre si própria, e nem precisa parar para deixar entrar assuntos sérios, íntimos até. Para nos chamar à voragem. Só que as expectativas, se não a esperança, parecem mortas e enterradas no negro do fundo-cenário (até das fotos que autor também assina, algures nesta página). O Valério, que usa cartola, desenha a luz com o negro. E nem as canções nos salvarão. Ou salvam? No dia da estreia, o cabaret agudizou-se em seguida, prolongando a «proceça», e confirmando a realidade: «what could permitting some prophet of doom/ To wipe every smile away/ Life is a cabaret, old chum/ So come to the cabaret.» LISBOA, 3 NOVEMBRO Se quisermos ter exemplo na ponta da língua de que o 25 de Abril acabou sendo revolução, apesar de não ter começado por sê-lo, basta aduzir a rede nacional de bibliotecas de leitura pública. São mais de 300 corações espalhados pelo país mais obscuro a bombar sangue, a trocá-lo por oxigénio, a produzir palavras, imagens, pensamentos. Nalguns destes lugares, a vida mudou, a morte cedeu. Sou testemunha, disso e do facto de muito devermos
à força de vontade da Maria José Moura (1937-2018) este aumento das possibilidades. A morte toca menos quem soube espalhar vida. BARRACA, LISBOA, 7 NOVEMBRO Andam por aí vozes que, de tão doutas ficam burras. Sabem tudo sobre tudo, mas sobretudo sobre edição. Sabem bem o que deve ser feito e até como. Cospem cânones na vez de expectoração. Por serem do contra, agora que é fácil e custa pouco, ganham automática razão. Costume de largo espectro, não fazem, basta-lhes escrever sobre. As enormidades do que dizem procurando fátuos likes, além do pressuposto ideológico e moral que querem impôr, resulta da ignorância, além de endémica má-fé. Livro simples, como este que agora lançamos, «As Constituições Perdidas de Aristóteles», esconde processo – próximo do cabaret . Mas interessa? Começa logo pela vontade e horas investidas na tradução pelo mano – olha outro… – António [de Castro Caeiro]. E na paciência: há muito que estava pronto a sofrer os tratos do prelo, mas circunstâncias várias retardaram-no. Até que um trabalho de outra natureza iluminou a colecção que, afinal, se quer bífida, traduções de um lado, ensaios sobre os clássicos, do outro. Depois, já que o primeiro esforço resulta informe, sobretudo devido ao carácter fragmentário e científico da obra, houve que arrumá-lo em partes, pensar em apêndices e notas, enfim, decidir se a colecção cresce no sentido da divulgação ou dos circuitos especializados. A revisão me-
rece, também por isto, revisão. Desembocamos, então, nas conversas com o Miguel [Macedo], das quais resultará objecto, no caso com meia sobrecapa, sobrepondo apenas em metade da capa cor forte e outra tipologia, mais carregada. Este jogo, que se prolonga no miolo e no logótipo com outros expedientes gráficos, propõe esta ideia de fenda, que resulta de cruzamento abrupto entre o passado e o presente, entre elegância e arrojo. O essencial do trabalho de arqueologia destes textos reside na urgência de sentidos que escapam aos tempos. O futuro, tal como se nos apresenta hoje, precisa de se atirar de cabeça aos clássicos. Neste caso, além de questões fundadoras do nosso direito, que estão ameaçadas, também pelas de identidade. O que faz de nós comunidade? Como manter-nos comunidade viva e convivial, na vez de moribunda e despedaçada por cegos antagonismos? Nas apresentações, manda o protocolo, não se fala destes assuntos. O livro existe para além da forma e os processos, estamos aqui para congregar leitores. O Carlos [Querido], em Óbidos, e agora o Ricardo Araújo Pereira, não fizeram outra coisa se não ensinar cavalos a tocar flauta. «Contava-se que os Sibaritas chegaram a um tal ponto de devassidão que até traziam os próprios cavalos para os jantares. Estes, mal ouviam entoar a flauta, erguiam-se apoiados nas patas traseiras e com as dianteiras dançavam como quem marca o ritmo com as mãos.» CASA DA CULTURA, SETÚBAL, 9 NOVEMBRO Esta «filosofia a pés juntos» faz-se no terreno pesado da educação. De súbito, o António [de Castro Caeiro], mesmo após dia inteiro de aulas na escola, que não significa «tempo livre» como outrora, consegue atingir a leveza e inspirar uma plateia. Como os atletas para o combate, procuremos a disciplina de um treino, por via do estudo e da conversa. Para acrescentar cor no arco-íris das possibilidades. A vida toda feita brincadeira de crianças, outro modo de dizer paideia.
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DIVINA COMÉDIA Nuno Miguel Guedes
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14.11.2018 quarta-feira
O tempo: modos de usar
ABEMOS isto: o tempo é uma invenção humana. É uma medida de mortalidade e esperança, de legado e exemplo. Precisamos dele porque a memória que o alimenta é a nossa maior e melhor característica civilizacional, o que realmente nos distingue dos outros animais. A arte, a cultura, o progresso – nada seria possível sem essa consciência do que foi e como foi. Tantas vezes o desprezamos, mesmo assim. Tantas vezes o culpamos, clamando como o personagem de Shakespeare que a vida é apenas sua escrava e que por isso o tempo tem de parar. E então inventamos modos de usar que nos dão essa ilusão de um tempo circular e perfeito. Isso é particularmente visível nestes dias, em que o ritmo da nossa existência é frenético, bombardeado por informação e miríades de estímulos do exterior que ninguém consegue controlar a menos que se converta a um qualquer tipo de ascetismo. O tempo tornou-se o nosso maior luxo. A celebração de efemérides – da passagem redonda dos dias – é a resposta
laica e quotidiana às antigas festas religiosas que existem desde o nascer da Humanidade. Começa pelo nosso próprio aniversário, passando por datas históricas universais ou dirigidas a um grupo particular de pessoas. São feitas de pretextos grandiosos e importantes – como aconteceu há dias com a celebração dos cem anos do Armistício – e de outros mais triviais, como o aniversário da edição de um livro ou disco que amamos e que os anos pouparam. E por vezes – tantas vezes – isso é o que verdadeiramente nos comove. É pouco? Não. Uma história próxima, recente e verdadeira para o justificar: imaginem um inveterado hedonista, uma daquelas pessoas que acredita sinceramente que a vida foi inventada para ele e flutua graciosamente pelas agruras com um sorriso nos lábios. Conheço alguém assim. Chamemos-lhe António e estaremos a fazer bem. António nunca tinha conhecido grandes dores, nem sequer aquelas que advêm das inevitáveis perdas que viver sempre traz. Até há pouco: encontrei-o sorumbático, à beira
da apatia. A aura de felicidade que sempre exibia sem pudor tinha-se apagado misteriosamente. Como bom amigo perguntei o que tinha acontecido, como poderia ajudar. «A X. saiu de casa. Ontem». Para que o leitor possa continuar a seguir esta pequena narrativa convirá dizer que “X” era o amor deste meu amigo. E sobretudo que a perda desse amor nunca lhe tinha passado pela cabeça. António sofria como todos sofremos: sozinho. Como desconfio bastante da minha sabedoria nestes affaires du coeur, sugeri-lhe quase a medo: «Vai ouvir o Only The Lonely do Sinatra. Comigo resultou. Ainda resulta. Não resolve mas ajuda». António olhou-me perplexo mas prometeu que iria fazê-lo. Aqui chegados preciso confessar o meu estatuto de inveterado sinatrófilo. O homem conhece-me melhor do que qualquer indivíduo, graças ao que cantou e como cantou. Mas isso seria assunto para outra crónica (ou um livro, ou vários). O disco que António foi ouvir pela primeira vez é uma das obras-pri-
mas da música popular. Trata apenas de solidão, melancolia e tristeza. De perda de quem mais amamos, de amores chorados ao fundo do balcão e confessados ao barman que quer fechar o bar. Sinatra conheceu bem essas matizes de azul de que é feita a solidão amorosa. E aqui canta-a magnificamente, numa voz de fumo que nos embala e ajuda a compreender. Sempre com uma extraordinária dignidade e em algumas canções com um humor triste e auto-depreciativo. Nos momentos mais escuros emerge triunfante do próprio desespero. E isto é possível porque Sinatra viveu tudo, ganhou e perdeu tudo e a sua arte é feita dessa matéria-prima indizível mas que qualquer um reconhece. Dias depois voltei a falar com António. Disse-me que tinha ouvido o disco e que ficou espantado com a sua verdade e actualidade. Que ainda chorava a perda de X. mas que já não estava sozinho. Agradeceu-me e informou-me da efeméride: Only The Lonely faz sessenta anos em 2018. O tempo pode ser tão bom quando se deixa usar.
desporto 17
quarta-feira 14.11.2018
D
GP MACAU DAN TICKTUM QUER ENTRAR NO CLUBE RESTRITO
Mente tranquila partes. Se tentares apressá-lo, o mais provável é que faças alguma coisa tonta”. Ticknum não teve um fim-de-semana particularmente fácil na Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 em 2017 e o triunfo caiu-lhe do céu na última volta quando o arquiduque austríaco Ferdinand Habsburg e o brasileiro Sérgio Sette Câmara colidiram na última curva da corrida. “O ano passado foi tudo um pouco desastroso até à última corrida”, relembra Ticknum, que salienta nunca ter baixado os braços: “Quando se
trata de Macau, tudo pode mudar muito rapidamente e nunca podemos desistir.” Depois de ter sido temporariamente considerado este ano pela Red Bill para um volante na Toro Rosso no mundial de Fórmula 1, Ticknum vai tentar em Macau desforrar-se de uma temporada no
europeu de Fórmula 3 onde, contra as expectativas, perdeu o título para Mick Schumacher.
RED BUL DÁ-TE DOIS
A Red Bull estreia este fim-de-semana entre nós um novo piloto. O estónio Juri Vips de 18 anos junta-se à academia de pilotos da
“Sei o que esperar. É o meu terceiro ano aqui e tenho que encarar (o GP) como um plano e cumpri-lo por partes. Se tentares apressá-lo, o mais provável é que faças alguma coisa tonta.” DAN TICKTUM PILOTO
marca de bebidas energéticas que possui duas equipas de Fórmula 1 e fará a sua primeira corrida com a Red Bull na sua primeira visita ao Circuito da Guia. “De certa forma, eu vou um pouco às cegas porque nunca cá estive”, admite Vips que também conduzirá um monolugar Dallara-Volkswagen da equipa Motopark. Vips nunca esteve em Macau antes, mas é um especialista em circuitos citadinos e conquistou a sua primeira vitória na categoria no circuito citadino alemão de Norisring, no mês de Junho passado. “Não há nada melhor que ter um bom companheiro de equipa. Com a vitória do Dan o ano passado e a experiência da equipa em Macau, devo ter tudo que preciso”, conclui confiante o quarto classificado do europeu de F3. Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
ID
AN Ticknum encara com muita tranquilidade este seu regresso ao Circuito da Guia. O piloto da Red Bull Junior Team vai tentar igualar o feito de Edoardo Mortara (2009/10), António Félix da Costa (2012/16) e Felix Rosenqvist (2014/15). Para isso, terá de vencer pela segunda vez o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3. Nesta sua terceira visita à RAEM, o piloto inglês da equipa Motopark sacode a pressão e o favoritismo que lhe é naturalmente atribuído. “Claro que podem dizer que tenho pressão sobre mim, porque estou a regressar como vencedor, mas eu não olho para isso assim”, diz o jovem de 19 anos. “Estou de mente tranquila. Sei o que esperar. É o meu terceiro ano aqui e tenho que encarar (o GP) como um plano e cumpri-lo por
O
treinador português Vítor Pereira apontou ontem a consistência do Shanghai SIPG ao longo da época como fundamental para quebrar com sete anos de hegemonia do "todo-poderoso" Guangzhou Evergrande na Superliga chinesa, ao sagrar-se campeão. "Fomos consistentes: do ponto de vista ofensivo e defensivo, fomos uma equipa equilibrada", afirmou Vítor Pereira à agência Lusa, poucos dias após se sagrar campeão, no seu primeiro ano na China, um título inédito para o Shanghai SIPG e que pôs fim ao domínio do Guangzhou Evergrande na prova máxima do país. O técnico observou que "só quem está aqui na China é que entende a dimensão do
Ser constante
Vítor Pereira diz que consistência foi a chave do sucesso do campeão Shanghai SIPG
feito”. “O Guangzhou é, de facto, o todo-poderoso da China, campeões durante sete anos consecutivos, com largos anos de trabalho e
jogadores com muita qualidade. Entre os jogadores chineses da minha equipa, nenhum tinha sido campeão”, lembrou. O técnico português, que em Dezembro de 2017 sucedeu ao compatriota André Villas-Boas no comando do Shanghai SIPG, lembrou ainda que a sua equipa conseguiu colmatar algumas carências do plantel recorrendo à polivalência dos jogadores. "Nunca tivemos muitas soluções em termos de número de jogadores, vivemos muito da polivalência, tive um jogador que jogou nas
posições quase todas e foi assim que fomos colmatando esse problema", disse. Vítor Pereira tornou-se o terceiro treinador luso a conquistar o título em três países, juntando-se a Artur Jorge, campeão em Portugal (FC Porto), França (Paris-Saint Germain) e Arábia Saudita (Al-Hilal), e José Mourinho, campeão em Portugal (FC Porto), Espanha (Real Madrid), Inglaterra (Chelsea) e Itália (Inter Milão).
SEM ARREPENDIMENTOS
O treinador, natural de Espinho e com 50 anos, disse não estar "nada arrependido" de ter rumado à China, onde o Governo está a impulsionar o futebol, visando elevar a seleção chinesa ao estatuto de grande potência.
"É um campeonato muito mais competitivo do que aquilo que eu imaginei. Tem jogadores de qualidade, cada vez mais, porque a China tem capacidade para investir", afirmou. O técnico disse ainda ser bem tratado em Xangai, a capital económica do país, onde "não falta nada" e sente que o seu trabalho é valorizado: "Sinto-me bem. Vivo bem. Estou numa cidade onde, como nas grandes cidades europeias, não falta nada, apesar de estar numa cultura diferente. "Estou interessado em continuar, o clube também está: não esperou pelo fim para manifestar esse interesse. Há dois meses, já tinham manifestado todo o interesse para eu continuar. Isso revela também respeito e consideração", disse.
Portugal Selecção prepara duelos
A seleção portuguesa começou ontem a preparar os embates com Itália e Polónia, os últimos de 2018 e do grupo 3 da Liga A da Liga das Nações, com um treino na Cidade do Futebol, em Oeiras. Na segunda-feira, o médio André Gomes foi dispensado da concentração devido a lesão, deixando o seleccionador nacional com 24 jogadores disponíveis para os duelos com italianos e polacos. Portugal defronta a Itália em 17 de Novembro, bastando-lhe um empate para vencer o grupo e qualificar-se para a ‘final four’ – que deverá organizar, em Junho de 2019 -, mas mesmo uma derrota em Milão poderá ser rectificada três dias mais tarde, a 20 de novembro, quando receber a lanterna-vermelha e já despromovida Polónia, em Guimarães.
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TEMPO
MUITO
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NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje APRESENTAÇÃO DO LIVRO “MACAU, 1
DEPOIS DO ADEUS”, DE ARNALDO GONÇALVES 1 4Rui7Cunha0| Das218h30 9 às820h306 Fundação
9 6 8 3 5 7 4 0 Amanhã 6 “VALE 3 0DE BONECAS 4 1 8 TEATRO OU LIFE AFTER THE HAPPY ENDING” 5 8 9 2 7 1 Pensão San Va | 20h30
5 7 6 3 3 9 2 5 8 6 1 4 Sexta-feira 7 0 6 1 4 5 2 9 TEATRO “VALE DE BONECAS O 4 AFTER 5 THE 3 HAPPY 6 ENDING” 0 2 9 1 U LIFE Pensão San Va | 20h30 8 2 1 7 9 3 0 5 0 7 5 8 6 4 3 2 Sábado CONCERTO SHEIK OF SWING 2 1 4 9 3 0 7 8 Live Music Association | Das 22h00 à 1h00
5 1 2 0 7 3 8 4 9 6
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Venetian 7 3Expo2Hall F4| Até031/121
6 9 8 5 5 6 SALÃO 8 DE9OUTONO 1 3 2 7 0 4 EXPOSIÇÃO Casa Garden | Até 30/11 2 0 7 5 3 4 8 1 9 6 9 8 | PAISAGEM 6 1 MUTANTE 4 7 3 0 5 2 EXPOSIÇÃO Museu 3 de4Arte9de Macau 2 8| Até 010/02/2019 5 6 7 1 1 7 “THE 5 CITY 0 IN MY 6 HEART” 9 4 3 2 8 EXPOSIÇÃO Armazém 0 2do Boi 1 | Até 3 18/11 5 6 7 8 4 9 8 9DREAMS 4 IN6THE7FALL 5OF RUA1 DOS2ERVANÁRIOS” 3 0 “FINDING Até4Dezembro 1 3 8 9 2 0 5 6 7 6 5 0 7 2 8 9 4 1 3 9 0 6 2 3 5 1 8 4 7
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PATRICK SALA 1
CODE BLUE: THE MOVIE [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masaki Nishiura Com: Yamashita Tomohisa, Aragaki Yui,Toda Erika 14.30, 19.15, 21.30
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 16.45
HALLOWEEN [C] Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 19.30
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 4
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4 3 LIVRO 9 2 1 HOJE 8 7 5 UM 6 8 0 5 7 4 9 3 2 6 1 8 5 0 3 9 1 2 0 6 7 4 8
“Macau depois do adeus” 7 4o mais 3 recente 9 0 livro 5 8 titula de Arnaldo Gonçalves. A 8 9 6 0 4 7 1 obra, que agrega um con1 7de reflexões 5 3 do 2 autor 6 4 junto ao longo da última década 0 2 7 4 9 3 5 e meia no território, vai 5 apresentada 1 8 6 hoje 3 pelas 9 2 ser 18h30 na Fundação Rui 9 0 2 7 8 1 6 Cunha por Paulo Cardinal 5 4Amaro. 1 6O livro 2 0 e3Vanessa figura, nas palavras do autor, como o testemunho de um português, que chegou a Macau pela primeira vez há 30 anos, sobre a forma como se desenrolaram os primeiros anos da Região Administrativa Especial de Macau. Diana do Mar
3 5 4 1 8 7 2 6 9 0 6 1 4 2 3 9 8 0 5 7
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PROBLEMA 5
11 8 0 5 6 7 1 3 2 9 4
2 9
3 3 0 9 9 . 0 8 B A H T 0 . 4 7 4 2 41 9 3 3 8 1 6 VIDA DE CÃO 6 5 1 8 6 0
48 0 6 3 21 09 7 2 4 75
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16 7 4 79 5 0 61 3 8 82
60 8 5 1 59 47 2 6 3 94
99 75 7 4 0 1 3 8 52 46
7 03 98 2 6 5 4 31 69 0
1 2 69 26 14 83 95 00 7 8
4 6 3 0 8 2 9 7 5 1
26 2 4 09 1 5 78 3 0 57
78 4 47 1 23 60 5 56 2 99
7 40 8 75 4 9 91 2 33 6
3 31 2 40 6 8 07 9 94 5
60 8 09 4 95 46 2 11 7 83
19 7 1 86 8 3 64 0 5 32
4 56 3 2 80 77 9 5 68 1
01 3 75 68 2 4 86 97 9 40
7 4 1 3 2 6 5 9 0 8
9 2 8 0 4 5 1 7 6 3
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O MOMENTO DO ANO
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8 que o Chefe do ExecutiÉ4já amanhã vo, Fernando 8 0 7 4 0 9 1 Chui 6 Sai 5 On, 4 apresenta 3 3 9 as Linhas de Acção Governativa 1 8para2 o próximo 7 9 3ano.8 1As6ex- 5 (LAG)3 pectativas 3 9 2 5 6– talvez 0 8 por2 serem 1as 7 derradeiras – são ainda mais baixas, 0 menos 2 4 7do3meu1ponto 9 de 5 vista, 8 1 0 pelo em linha, aliás, com o desencanto 6 2 5 6 8 7 2 9 7 0 5 4 1 sentido ao longo dos últimos anos 6 4 9 8 0de políticas 1 8 7es- 2 devido3à ausência 9 7 truturais. 1 Os8discursos 2 4 6 refrescam-se, 5 5 4 9 3 trocam-se umas palavras por outras, 5 7 9 4 0 3 3 0 6 2 6 8 arrastam-se promessas no tempo. 4 9 3 5ou 6 7vai ficando 6 2 para 0 4 O5 fundamental trás, 9 como 7algo1tão4elementar 8 2 0 8 3 como 5 6 o salário mínimo, ou nem sequer tem lugar entre centenas de páginas, como a obrigação constitucional 6 10 de regulamentar o direito à greve. 1 0 9 5traz8cifrões 6 3 A4 maioria das 2 medidas carimbados, saltando à vista os 8 0 5 9 3 7 6 4 3 8 0 9mi- 1 2 lhares de milhões em apoios finan2 6embora 5 5 7reconheça 0 0 1 a legítima 3 4 8 ceiros, validade de muitos, como os destina4 9 2 9 8 4 3 8 7 5 2 6 dos às famílias carenciadas, embora 4 5 1fiquem 6 muito 8 7 9 aquém 4 3do 0 os valores que serão 2 6 0 as7reais3necessidades. 4 4 1 Cada 8 9 um sabe as linhas com que se cose e 2 7 6 3 políticos 9 4 1 7deviam 6 5 2sabê-lo 0 8 5 os líderes 5 8do 8 3 melhor que 6 ninguém. História 4 0 5 9 2À 2 9 7 1 caberá julgar o contributo que 9 2 8 9 6 7 5deram 1 4 para esta terra, enquanto a nós resta1 (in) 6 conformados 2 6 0 2 7 4 3 viver 5 1 0 -nos somente com isso. Diana do Mar 12
4 3 DEPOIS DO ADEUS” 1 9 | ARNALDO 2 5 7GONÇALVES 4 8 0 “MACAU 8 9 1 6 3 7 5 2 0
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SALA 3
HICHKI [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Siddharth P Malhotratiqua Com: Rani Mukerji 14.30, 16.45, 19.15
SALA 2
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B]
Um filme de: Mandie Fletcher Com: Beattie Edmondson, Ed Skrein, Tom Bennett, Jennifer Saunders 14.30, 16.30, 21.30
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 21.30
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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opinião 19
quarta-feira 14.11.2018
sexanálise
TÂNIA DOS SANTOS
Pra lá do sexo GUSTAVE COURBET, WOMAN WITH A PARROT
S
EXO é sexo. E há alturas que o sexo não é só sexo. Isto claramente reflecte a minha posição não binária de que a cabeça e o corpo não são duas entidades separadas. A verdade é que tudo afecta tudo, para ser assustadoramente generalista. O sexo leva com os nossos desejos, anseios, capacidades íntimas, medos e terrores. Se há gente que não vê isso talvez seja porque não lhe presta a devida atenção, porque gosto de acreditar que isto faz sentido para alguns, ou talvez para muitos. O corpo que carregamos não deve ser visto como um simples organismo biológico. A vida tem-me ensinado que corpo reage às ameaças do corpo e às da mente também. Apesar de alguma investigação apontar para a complicada relação corpo e mente, há outra que diz que não está
cientificamente provado que o stress, por exemplo, afecte negativamente a saúde física. Com as dificuldades pela libertação do sexo das amarras de (tantas) sociedades até ditas progressivas, apercebo-me que a libertação sexual – como uma actividade não demonizada e de satisfação e prazer pessoal e/ou colectivo – põe em causa o que as sociedades modernas muito forçosamente querem manter: a exaltação do físico, biológico, mensurável e real em detrimento da mente, do pensamento, da sensação ou da emoção. Parece que estou a colocar isto de forma simplista para insinuar uma resposta simplista também, mas não é esse o objectivo. Não estou a defender a recusa total da procura do que é real. Se tento simplificar certas ideias é só porque quero torná-las inteligíveis. Já aqui referi como há estudos que mostram que a disfunção sexual masculina pode ser tratada com terapia, e este é só um exemplo. Esta ideia de que a mente precisa de atenção também, é de alguma forma polémica, mesmo que não seja visível. Isto porque o legado do iluminismo e da era da razão arrasou com qualquer forma
mais experiencial dos fenómenos. Virámos a atenção para aquilo que é cientificamente relevante para a nossa existência - como se nos regêssemos por forças e vectores energéticos como os da Física (não sei se estarão cientes que há quem diga que a psicologia é ciência e há quem diga que não). Contudo, esta não é uma atenção descabida, principalmente nos dias que correm de ‘pós-verdade’, em que não há nada que nos valha senão a procura incessante pelos factos e pelas medições objectivas. Só que essa obsessão traz outros problemas: como é que medimos, resolvemos e compreendemos aquilo que não vemos? Será que a invisibilidade reduz-se à pura inexistência? Claro que me farto de falar do sexo e do prazer sem limites que só é atingido quando alinhamos o nosso corpo, a nossa mente, e o nosso espírito, se quiserem. Porque o sexo serve de metáfora para tudo, o sexo como produção biológica, cultural e social é uma dimensão entre muitas que nos torna absolutamente humanos. A humanidade que pressupõe aceitação, amor e tolerância, características essas impossíveis de medir com régua e esquadro.
Estou a usar o sexo como pretexto para falar da saúde mental porque, na verdade, vejo mais incentivos à não-aceitação do que à aceitação. Quando queremos carregar um corpo sexual ele não precisa de ser só um corpo, precisa de disponibilidade para aceitar tudo aquilo que o sexo quer ensinar-nos. E frequentemente esbarramos com as caixinhas definidoras do que é aceitável. Ai os pêlos, ai as celulites, ai as vulvas, ai os pénis, ai as expectativas heteronormativas. Não precisamos só de um corpo - precisamos de coragem para mostrar um corpo. Precisamos de coragem para abrir a possibilidade de criar e ser intimidade. Já que foi o dia da saúde mental e eu não opinei atempadamente, aqui vai tardiamente. O sexo já foi a cura dos males neuróticos mas também pode ser a causa e processo dos mesmos males. Já que o sexo nos despe, literal e simbolicamente, só espero que comece a ser óbvia a ligação que o nosso corpo precisa de prazer, e a nossa profundidade psicológica também. O sexo é só mais um pretexto, entre muitos, para escrever e reflectir acerca da saúde mental e do bem que nos fazia se tivéssemos mais espaço para cuidar do nosso íntimo ser.
O desejo floresce, a posse faz murchar todas as coisas.
quarta-feira 14.11.2018
GCS
Marcel Proust
PALAVRA DO DIA
Guia Futuro do Circuito vai ser tema de várias palestras
ENCONTRO EUA E JAPÃO DEBATEM COMÉRCIO BILATERAL E DESNUCLEARIZAÇÃO
O arquitecto Rui Leão e os historiadores João Guedes e Vicent Ho vão realizar esta quarta e quinta-feira palestras sobre o futuro do circuito da Guia. Organizadas pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau (APDCGM), por ocasião do segundo aniversário, as palestras vão ser apresentadas em português, chinês e inglês, estando previstas mais sessões nos dias 19 e 20 de novembro. O piloto André Couto vai também marcar presença no evento, estando prevista uma sessão de autógrafos. Na segunda-feira, a APDCGM inaugurou a segunda edição da exposição colectiva “O Circuito da Guia como Património Mundial da UNESCO”, que apresenta trabalhos de 20 artistas e que estará patente ao público até 21 de Novembro próximo.
O
PUB
comércio entre os Estados Unidos e o Japão e os avanços no processo de desnuclearização na Coreia do Norte dominaram ontem a reunião entre o vice-Presidente norte-americano e o chefe do Governo japonês. Antes do encontro, Mike Pence disse a Shinzo Abe que vai acompanhar as negociações comerciais bilaterais, que os dois países já concordaram em realizar. Washington tem manifestado a necessidade de Tóquio reduzir o excedente comercial com os Estados Unidos. No início de Outubro, os EUA e o Japão concordaram em iniciar negociações para um novo acordo comercial, indicou o Presidente norte-americano, Donald Trump, após um encontro com Abe, à margem da assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque. Em relação a Pyongyang, os dois responsáveis reiteraram a vontade de cooperarem no processo de desnuclearização da Coreia do Norte. Depois de Tóquio, Pence viaja para Singapura, onde participa na cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Na próxima semana, o vice-Presidente norte-americano estará, mais uma vez, a representar Donald Trump na cimeira de Cooperação Económica Ásia-Pacífico. Mike Pence indicou que os dois responsáveis vão debater “progressos na desnuclearização da península coreana”, sublinhando que os Estados Unidos apoiam o compromisso do Japão para uma região Índico-Pacífico aberta e livre, de acordo com a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP). Os dois lados também deverão debater a influência regional crescente da China, disseram responsáveis japoneses.
EUROPA MERKEL DEFENDE QUE UE DEVE “CRIAR UM VERDADEIRO EXÉRCITO” Raimundo do Rosário “A reavaliação demora pouco tempo. Mas o processo vai levar alguns meses. Após a reavaliação haverá uma nova adjudicação e teremos de celebrar um novo contrato. Esta parte burocrática é capaz de levar uns meses.”
Atrasos inevitáveis Novo processo para a adjudicação das obras em Mong Há vai levar meses
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secretário para os Transportes e Obras Públicas reconheceu que a anulação do concurso público da empreitada de construção da Habitação Social de Mong Há (fase 2) e de reconstrução do pavilhão desportivo vai resultar num atraso de meses para as obras. Em declarações exclusivas ao HM, Raimundo do Rosário explicou que os trabalhos já estão parados e que agora vai ser necessária uma nova análise por parte do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) das propostas que tinham sido apresentadas. “Como houve duas propostas que não deviam ter sido aceites, e uma delas foi a do adjudicatário, tivemos que mandar parar as obras. Agora vamos reavaliar as propostas que foram apresentadas no concurso público e propor a obra a quem ficar
em primeiro lugar”, disse Raimundo do Rosário, ontem, após o final da sessão da Assembleia Legislativa. “A reavaliação demora pouco tempo. Mas o processo vai levar alguns meses. Após a reavaliação haverá uma nova adjudicação e teremos de celebrar um novo contrato. Esta parte burocrática é capaz de levar uns meses”, acrescentou. Ao HM, Raimundo do Rosário admitiu que não é capaz de prever o tempo necessário, mas deixou a promessa de que tudo vai ser feito para que o processo da nova adjudicação da obra leve “o menor tempo possível”.
CONCORRÊNCIA DESLEAL
Com a suspensão das obras, o Governo cumpre uma decisão do Tribunal de Última Instância (TUI), que determinou a exclusão do concurso público da adjudicatária, ou sejam o consórcio
Companhia de Construção de Obras Portuárias Zhen Hwa, Limitada/Companhia de Construção & Engenharia Shing Lung. Na origem da decisão do TUI está o facto de um dos accionistas da empresa Shing Lung, com o nome Long Kuok Keong, ser igualmente o único accionista de uma outra empresa, a Long Cheong, que também participou no mesmo concurso público e que terminou no terceiro lugar. Por esta razão, o TUI considerou que o facto do accionista surgir em duas propostas diferentes constitui acto susceptível de “falsear as condições normais de concorrência”, o que de acordo com a lei das obras públicas obriga a que sejam rejeitadas as candidaturas apresentadas. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
A
chanceler alemã,Angela Merkel, defendeu ontem no Parlamento Europeu que a Europa precisa de se defender e deve trabalhar para vir a criar “um verdadeiro exército europeu”. “Temos cooperação ao nível ao militar, e isso é muito bom, mas o que devemos fazer, e isto é muito importante, é trabalhar na visão de um dia criarmos um verdadeiro exército europeu”, disse a chanceler alemã no seu discurso sobre o Futuro da Europa. A afirmação suscitou aplausos, mas também apupos dos eurodeputados, mas Merkel considerou um “óptimo” sinal estar “aborrecer algumas pessoas no Parlamento”, que antes tinha descrito como o maior parlamento do mundo. “Só podemos defender os nossos interesses quando agimos juntos. O tempo em que podíamos contar com outros ficou para trás”, afirmou. A chanceler evocou palavras do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sobre como a existência de “um exército europeu mostraria ao mundo que nunca mais haveria guerra na Europa”. “Podemos ser um bom complemento à NATO, podemos trabalhar com a NATO com um exército europeu”, afirmou, explicando que um exército europeu integraria a Aliança Atlântica como actualmente a integram forças nacionais dos Estados-membros. “Seria muito mais fácil cooperar connosco”, acrescentou. O objectivo de um exército europeu foi evocado pela chanceler como um de três exemplos em que Merkel considera que a UE tem de mostrar “tolerância e solidariedade”, o foco da sua intervenção no PE: as migrações, a política externa e de segurança e o crescimento económico.