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Hoje Macau 14 OUT 2016 #3675

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SEXTA-FEIRA 14 DE OUTUBRO DE 2016 • ANO XVI • Nº 3675 PUB

hojemacau

MOP$10 AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

HOJE MACAU

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

GOVERNO

Um elefante chamado PLP PÁGINA 4

ANABELA CANAS

Rosa e perfume www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

ANABELA CANAS

TAILÂNDIA

ERA UMA VEZ UM REI PÁGINA 17

MINISTRO GARANTE APOIO DA FUNDAÇÃO MACAU À ESCOLA PORTUGUESA

`˜ A licao de Tiago

Ao contrário de Nuno Crato, Tiago Brandão Rodrigues não engoliu uma vassoura. Na sua passagem por Macau, falou com dirigentes, professores e alunos. Dos primeiros garantiu financiamento, aos segundos prometeu apoio e aos terceiros fez perguntas e pediu cartas. Um sucesso! EVENTOS GRANDE PLANO

MULAS

A droga dos outros PÁGINAS 8-9

OPINIÃO

Cidade Visita ISABEL CASTRO

PAUL CHAN WAI CHI


2 GRANDE PLANO

MINISTRO DA EDUCAÇÃO FUNDAÇÃO MACAU CONTINUA A FINANCIAR EPM

HOJE MACAU

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ESCREVE-ME UMA CARTA

Tiago Brandão Rodrigues conversou com alunos em três escolas, garantiu uma Escola Portuguesa nos mesmos moldes financeiros, desejou mais ligações com liceus que ensinam mandarim. E pediu cartas, muitas cartas

E Nuno Crato foi um ministro da Educação discreto quando da sua passagem pelas escolas de Macau, em 2014, o actual Tiago Brandão Rodrigues foi o oposto. Na Escola Portuguesa de Macau (EPM), o actual ministro da Educação falou com as crianças, sentou-se ao seu lado nas salas de aula e na biblioteca, enquanto estas discutiam filosofia. Questionou os pequenos filósofos sobre quem seria o rosto de chapéu preto colado na parede. Um aluno chamou Picasso a Fernando Pessoa. Aos alunos, o ministro deixou ainda um repto: “Quero que mandem todos uma carta a dizer aquilo que pensam sobre a poesia, para a Avenida Cinco de Outubro, em Lisboa. Fico à espera das vossas cartas.” Nos andares superiores, Tiago Brandão Rodrigues visitou aulas de Biologia e Química, áreas que lhe são próximas (é cientista, com doutoramento em bioquímica) e até interrompeu por breves minutos um jogo de voleibol, que decorria no campo exterior, para olhar de perto a grandiosidade do Casino Lisboa. Após a visita, ficaria decidido, numa reunião com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que a Fundação Macau (FM) vai continuar a apoiar a EPM como tem feito nos últimos cinco anos, mantendo-se o mesmo molde de financiamento, ou seja, nove milhões por ano. “O doutor Alexis Tam mostrou todo o interesse e garantias de continuação da participação da FM no projecto da EPM. A RAEM acredita que a EPM é uma mais-valia para o território e garantiram a continuidade do apoio, o que é importante.Até ver, (o apoio) mantém-se nos mesmos moldes”, confirmou aos jornalistas Tiago Brandão Rodrigues. O ministro da Educação, que deixa hoje Macau, reuniu na manhã de ontem com os responsáveis da Fundação EPM, com a Associação para a Promoção da Instrução dos Macaenses (APIM) e ainda os dirigentes das associações de pais e estudantes. “Areunião com a fundação EPM foi importante. Foram reconduzidos os mesmos membros e foram dadas todas as condições para que o projecto da fundação possa continuar. Queremos criar condições para uma maior presença dos membros da direcção aqui na RAEM, para que o projecto pedagógico e global da EPM possa continuar a ser uma referência e uma ponte importante na valorização da língua portuguesa em Macau, China e continente asiático”, acrescentou.

UM DESAFIO NA FLORA

Atarde de ontem ficou reservada para os mais pequenos. No jardim de in-


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fância D. José da Costa Nunes, Tiago Brandão Rodrigues foi acompanhado pela nova directora do espaço, Lola Flores do Rosário, sentou-se no chão e observou a leitura de livros, fazendo perguntas aos pequenos curiosos. Na Escola Primária Luso-Chinesa da Flora, Tiago Brandão Rodrigues começou por distribuir vários livros, incluídos no Plano Nacional de Leitura em Portugal, e deixou um desafio à direcção da instituição para que possam ser estabelecidos “laços com escolas portuguesas que estão ávidas por manter ligações a escolas de outras regiões, como é este o caso”. “Temos em Portugal a funcionar um projecto piloto do ensino do mandarim, que está no segundo ano lectivo e que vai durar três anos. Temos neste momento 11 professores chineses a ensinar mandarim em 12 escolas, em todo o território nacional, e esse número vai duplicar no próximo ano. Gostava de vos desafiar a criar pontes com

essas escolas, terei todo o gosto em dar-vos o contacto das escolas, que eu sei que têm a vontade de ter essas ligações. Quem sabe um dia uma delegação da escola pode ir a Portugal e vice-versa”, afirmou o ministro da educação perante uma plateia de professores e da própria directora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Leong Lai.

“Vi projectos pedagógicos de excelência, comparados aos melhores projectos onde já estive, que prepara os alunos para frequentarem as melhores universidades”

Tiago Brandão Rodrigues passou ainda pelo consulado-geral de Portugal em Macau e pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), tendo garantido aos jornalistas que as instituições educativas de matriz portuguesa estão preparadas para formar as próximas gerações. “Vi projectos pedagógicos de excelência, comparados aos melhores projectos onde já estive, que prepara os alunos para frequentarem as melhores universidades”, assumiu. O balanço da visita a Macau é positivo. “Tivemos a oportunidade de criar pontes importantes e solidificar as que já existem, a fim que haja um compromisso comum para que esta relação se possa densificar. Tudo para alavancar Macau como um ponto virtual, para que língua portuguesa possa ser cada vez mais uma língua da cultura, dos negócios e de trabalho”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

GOVERNO PORTUGUÊS PODERÁ APOIAR OBRAS NA EPM

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ministro da Educação garantiu que o governo português poderá apoiar o projecto de ampliação da Escola Portuguesa (EPM), ainda que não tenha sido avançado uma data para o arranque das obras. “A EPM está a preparar os estudos para verem o que querem fazer e a tutela em Portugal vai estar atenta e ajudar na medida do possível, conforme as necessidades. Existe uma vontade para a ampliação da escola e nós estamos atentos a essa vontade. Ajudaremos na medida do possível a que seja uma realidade. Existe um trabalho de preparação, que tem de ser associado a um projecto pedagógico. Existe um aumento do número de alunos e é importante que a EPM continue a fazer o seu trabalho de forma serena e tranquila”, confirmou. Tiago Brandão Rodrigues disse ainda que o Estado português vai manter o financiamento à EPM em percentagens semelhantes às que são garantidas pela FM. “Há uma percentagem de paridade e é nesse sentido

que continuaremos a trabalhar, para que a tutela, o ministério da educação, comparticipe de igual modo como está a FM a participar, e para que possamos criar pontes. Tudo para que o projecto da EPM possa ser uma mais valia não só para a comunidade portuguesa que vive em Macau mas também para os chineses que vivem no território”, concluiu. O ministro da Educação recusou estabelecer uma comparação no financiamento feito às outras escolas portuguesas espalhadas pelo mundo, garantido que a EPM não é a única a ser financiada pelo Governo local. “A configuração é múltipla. A EPM tem uma criação jurídica, através da sua fundação, que não é semelhante à escola de Díli ou de Maputo ou à recém-criada escola portuguesa da cidade da praia (em Cabo Verde). O financiamento está adaptado às condições do país em que se inserem as escolas e não têm de existir comparações. Servem o mesmo principio, a valorização do ensino do português.” A.S.S.

DESPORTO ESCOLAR PORTUGAL E MACAU UNEM ESFORÇOS

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ministro da Educação confirmou também a colaboração que irá ser feita no sentido de promover mais o desporto escolar em Macau, uma vez que o ministério de Tiago Brandão Rodrigues inclui a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto. Segundo um comunicado divulgado ontem, o Governo de Macau espera que Portugal possa apoiar “a formação de docentes de língua portuguesa e de professores e monitores na área do desporto escolar e desporto adaptado, bem como na produção

de estatísticas educativas de apoio à gestão do sistema educativo”. Para além disso, Macau espera que “no âmbito da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Tóquio”, que o território e Portugal possam “trabalhar juntos no aproveitamento de todas as sinergias da Região, que possam beneficiar a preparação dos atletas”. Quanto à Subcomissão da Língua Portuguesa e Educação deverá ser realizada uma “segunda reunião em breve, em Lisboa, em data a fixar”.


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GCS

POLÍTICA

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NQUANTO decorria o Fórum Macau e depois de Li Keqiang ter deixado o território, Chui Sai On sentou-se à mesa com os representantes das delegações dos Países de Língua Portuguesa que cá chegaram para a 5ª Conferência Ministerial. Também António Costa, primeiro-ministro português, se encontrou com o líder do Executivo, para um balanço sobre o papel da RAEM como plataforma. António Costa e Chui Sai On trocaram impressões sobre o reforço da cooperação bilateral, com o Chefe do Executivo a manifestar-se “muito satisfeito” pelo facto de Costa ter liderado uma comitiva na visita ao território, para participar no Fórum, indica um comunicado oficial. Chui Sai On, que visitou Portugal há cerca de

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Fórum CHUI SAI ON ENCONTROU-SE COM COSTA E DELEGAÇÕES DOS PLP

Na hora da despedida Um balanço breve mas esclarecedor do papel de Macau e do “empurrão” dado pela China nas relações com os Países de Língua Portuguesa dois meses, relembrou as reuniões com o governo do país sobre a questão da cooperação. Até porque o primeiro-ministro Li Keqiang, assegura, “deixou instruções claras” sobre o assunto, durante a sua estadia em Macau. “O território tem de desenvolver bem as suas vantagens únicas, o papel de plataforma e ainda Macau como um Centro”, frisou Chui Sai On no en-

ACAU vai enfrentar desafios a vários níveis, mas pode apresentar sugestões para os resolver junto do Governo Central. É a mensagem que deixa Li Keqiang aos principais quadros dos órgãos administrativo, legislativo e judiciário da RAEM, num encontro que aconteceu na quarta-feira. “Li Keqiang mencionou que Macau, no processo do futuro desenvolvimento, irá encontrar várias dificuldades, contradi-

contro onde deixou ainda a mensagem de que “acredita que com o pleno apoio [da China] a Macau poderá desenvolver eficazmente o mecanismo de cooperação económica e comercial multilateral, promovendo o desenvolvimento conjunto da China interior, dos países lusófonos” e do próprio território. António Costa respondeu na mesma moeda: o Fórum Macau desempenha

um papel fundamental no impulsionamento da cooperação comercial e económica entre estes países, disse de acordo com o comunicado, e ficou “muito satisfeito pela China reconhecer Macau como ponte de cooperação”, principalmente porque a presença de Li Keqiang, considerou o primeiro-ministro português, “é uma prova de reconhecimento do papel de Macau como

plataforma e do apoio dado a Macau”.

FORMAÇÃO NA AGENDA

Chui Sai On não esqueceu também as delegações dos PLP presentes no Fórum, tendo oferecido um almoço onde assegurou que esta edição do Fórum Macau vai elevar o nível de cooperação, já existente, com países como Cabo Verde e Timor.

É melhor esperar sentado Macau deve apresentar sugestões a Pequim, diz Li Keqiang

ções, desafios, mudanças de ambiente exterior, bem como solicitações diversificadas no interior”, aponta um comunicado oficial. O Primeiro-Ministro deixou, ainda assim, uma mensagem de esperança, ao assegurar que o “Governo Central continuará a apoiar a

governação das autoridades locais”, principalmente se a RAEM pedir esse apoio. “O Primeiro-Ministro considera que a RAEM deve enfrentar os seus desafios, sobre os quais pode apresentar sugestões e opiniões directamente junto do Governo Central. Macau tem

sido governada firmemente de acordo com a Lei Básica, cuja autoridade é respeitada por toda a sociedade e que tem implementado a mesma lei como garantia de desenvolvimento”, frisou antes de partir para Pequim, depois de uma primeira visita ao território. J.F.

Em encontros com o Primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, o Primeiro-ministro de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, e o Ministro de Estado, coordenador dos Assuntos Económicos e ministro da Agricultura e Pescas de Timor-Leste, Estanislau Aleixo da Silva, Chui Sai On fez questão de frisar as áreas de cooperação mais importantes com cada um. “O Chefe do Executivo mencionou a existência de investidores da China interior e de Macau [interessados em Cabo Verde] e desejou muito sucesso no incremento da economia. Acrescentou que, na área de formação, Macau não poupa esforços para prestar todo o apoio, a fim de reforçar a relação entre os dois territórios e procurar mais espaço de cooperação”, frisa o comunicado do Governo. O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Ulisses Correia e Silva, disse que na segunda visita a Macau, sentiu grandes mudanças locais e fez questão de destacar o turismo como a principal indústria do desenvolvimento de Cabo Verde. Já o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, disse que o Fórum Macau contribui muito para o crescimento dos países lusófonos, nomeadamente Moçambique. “Destacou a participação de nacionais moçambicanos, no passado, em acções de formação, realizadas em Macau, nas áreas jurídica, científica e tecnológica, e enalteceu a importância para o progresso da industrialização de Moçambique, já que existe necessidade de muitos quadros qualificados. No futuro, espera ainda possa realizar mais cursos de formação nas diversas áreas, a fim de reforçar a relação entre os dois territórios”, indica o comunicado. J.F.

CHUI SAI ON A CAMINHO DE NANCHANG

O Chefe do Executivo, Chui Sai On, parte hoje para a cidade de Nanchang, na província chinesa de Jiangxi, onde vai participar na Reunião Conjunta dos Dirigentes Executivos da região do Delta do Rio das Pérolas, para se reunir com várias autoridades homólogas envolvidas, aponta um comunicado oficial. A comitiva integra também o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong.


5 POLÍTICA

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Kwan Tsui Hang FORMAÇÃO DE TALENTOS DEVE SER PRIORIDADE

Muito parra, pouco eficácia

Chegou a hora: temos de fazer qualquer coisa O

Mak Soi Kun compara salários da administração com o PIDDA

O

Para que as medidas de apoio anunciadas por Li Keqiang tenham resultados efectivos é necessário que a RAEM dê prioridade à formação de talentos e jovens capazes de agarrar e desenvolver oportunidades. Esta é a premissa deixada pela deputada Kwan Tsui Hang, que alerta para a passividade do Executivo

TIAGO ALCÂNTARA

primeiro passo a ser dado para o melhor aproveitamento das medidas anunciadas de apoio do Governo Central à RAEM é o investimento de esforços na formação de talentos. A ideia é adiantada por Kwan Tsui Hang ao jornal Ou Mun, em que a deputada expressa uma preocupação crescente com a dependência de Macau de mão-de-obra vinda do exterior, facto que está a “estrangular o território e a impedir o seu desenvolvimento”. Na mesma publicação, Kwan Tsui Hang elogiou as funções essenciais das medidas anunciadas pelo Primeiro-Ministro, Li Keqiang, em empenhar esforços na implementação do papel de Macau como plataforma comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa e que manifestam a intenção clara de desenvolver os serviços financeiros e de cooperação empresarial, tanto a nível cultural como em actividades ligadas ao empreendimento jovem. No entanto, e para que se alcance o almejado sucesso, a deputada considera que é necessário preparar pessoas com espírito de inovação e empreendedorismo, capazes de aproveitar as oportunidades vindouras. “É essencial a criação de um ambiente social que integre talentos com competências desenvolvidas no que respeita à capacidade de impulsionar o desenvolvimento económico de Macau”, sublinha Kwan Tsui Hang. A importação de trabalhadores não residentes e a baixo custo foi também

uma preocupação manifestada pela deputada que considera que o território não tem dado a devida importância à formação de profissionais. Para Kwan Tsui Hang o foco tem sido uma aposta na quantidade ao invés de atentar na qualidade, tão essencial ao desenvolvimento sustentável. A deputada diz que foi deixado ao acaso a questão de quantos talentos tem a RAEM nas áreas relacionadas com as línguas, comércio ou Direito.

NECESSÁRIO PENSAR EM MACAU

O Governo não ficou isento de crítica sendo considerado o grande responsável pala inacção contínua no que respeita à diversificação da economia local. “O Executivo tem dado apoio aleatório às empresas que se desenvolvem apenas para proveito próprio”, ilustra a deputada enquanto adianta que “não há a tomada efectiva de medidas específicas que digam respeito à RAEM, nem a novas indústrias, sendo que a diversificação só tem sido apoiada no acrescentar de actividades não associadas ao jogo pelas próprias operadoras”. Por outro lado, o apoio financeiro ao desenvolvimento comercial não tem qualquer orientação, considera Kwan Tsui Hang, que salienta o desgoverno que existe na apreciação do crescimento do turismo que não apresenta características “saudáveis”. A deputada questiona como é que desta forma poderá o turismo ser um alicerce da economia da terra. Angela Ka (revisto por SM) info@hojemacau.com.mo

Governo está a gastar excessivamente com o seu pessoal. A crítica ao Executivo é feita pelo deputado, Mak Soi Kun que considera que, ainda assim, a falta de eficiência e de qualidade dos serviços públicos continuam a deixar a população descontente. Em interpelação ontem enviada ao Governo, o deputado aponta o aumento contínuo das despesas que têm sido feitas com o pessoal da função pública e que representam as execuções legislativas mais rápidas por parte do Governo. Em 2010 foram gastos 9,2 mil milhões de patacas, em 2014 o valor subiu para os 15 mil milhões e em 2015 para os 17 mil milhões. Mak Soi Kun compara os valores com os do o aumento da despesa pública com o Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA): em 2010 foram despendidos 4,9 mil milhões de patacas, em 2011 o núPUB

mero quase duplica para 8,9 mil milhões, valor que acaba por ser manter em 2015. Estes dados, para o deputado, revelam que o investimento no crescimento é, de longe, inferior às despesas com os funcionários públicos. Mak Soi Kun alerta ainda para a insatisfação da população, salientado que, segundo as queixas a que tem acesso, o aumento de gastos não corresponde a um crescendo na qualidade dos serviços ou da eficiência administrativa. O deputado deixa no ar algumas questões entre elas, “se esta carência no regime administrativo governamental é reflexo de que uma parte dos funcionários está muito ocupada enquanto que a outra estará demasiado relaxada” referindo-se à possibilidade de que as repartições púbicas possam estar a fomentar incompatibilidades nos recursos humanos e a repetição de funções desnecessárias em alguns dos departamentos. A.K. (revisto por SM)


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8 SOCIEDADE

DROGA MAIS DE 120 QUILOS FORAM APREENDIDOS A MULAS ESTRANGEIRAS EM SEIS ANOS

PRAIA DO MULEDO Macau continua a ser um ponto favorito de passagem para as mulas de droga, ainda que os números tenham baixado. Em quase seis anos, mais de 120 quilos de droga foram apreendidos, mais de meia centena de estrangeiros detidos e milhões circularam nas fronteiras da RAEM a troco, às vezes, de quase nada

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M 2013, a Polícia Judiciária fazia aquela que seria a maior apreensão de droga desde a transferência de soberania. Mais de 50 quilos de cocaína, avaliados em mais de 200 milhões de patacas, vinham embrulhados em papel químico desde São Paulo, no Brasil. A droga, pertencente a um grupo de crime organizado internacional, era “quase 100% pura”, mas não era para cá ficar. O destino: as Filipinas. Dois anos depois, a história repetia-se, com um caso ao qual foi dado o título da segunda maior apreensão de droga desde a existência da RAEM. Oriunda da Turquia, a cocaína – que acabaria por ser, segundo a PJ, a droga mais encontrada nas mulas que usam o território como ponto de passagem – seguia para outros destinos. Desde 2010 a Agosto de 2016, as Forças de Segurança já detiveram 61 pessoas estrangeiras a tentar entrar na RAEM com estupefacientes. Os dados das autoridades, fornecidos ao HM, apresentam ainda outros números – como o facto de terem sido apreendidos mais de cem quilos de droga durante estes anos.

PROBLEMA DE TRÁS

Já em 2008, as autoridades tinham referido ter “consciência” que Macau funciona como ponto de passagem para o tráfico. Uma fonte da PJ, que fala em anónimo ao HM, explica que a questão se prende, sobretudo, com o facto do território estar perto de países asiáticos onde o consumo é mais alto do que na RAEM e em Hong Kong. As viagens de avião “baratas” também são ponto de preferência para quem opta por cá passar com estupefacientes na bagagem ou no corpo. Mas não só. “Nos últimos anos, o Aeroporto Internacional de Macau tem registado um aumento significativo no

número de passageiros e aeronaves que o utilizam, permitindo ligações fáceis com o resto do mundo através de alguns aeroportos vizinhos”, começa por explicar a PJ, em resposta às questões do HM. “É o caso do de Bangecoque, Singapura, Kuala Lumpur, Pequim, Xangai e outros. É assim mais uma rota possível para fazer chegar os estupefacientes à região.” As autoridades concordam com a fonte do HM: há, realmente, um constante aumento da procura, particularmente da cocaína, que “faz com que mais correios de droga tenham que vir para esta região” da Ásia. Alguns optam por vir por Macau.

DINHEIRO QUE FALA

A maioria dos casos encontrados na RAEM, assegura esta mesma fonte, são perpetrados por pessoas ligadas a associações criminosas – fazem-no, normalmente, a troco de dinheiro, às vezes por apenas 1000 dólares de Hong Kong. A fonte do HM explica também que, antigamente, a passagem pelas fronteiras era mais fácil, o que levava a que mais pessoas se “habituassem” a usar o território para as suas mulas.

A maioria dos casos encontrados na RAEM, assegura esta mesma fonte, são perpetrados por pessoas ligadas a associações criminosas – fazemno, normalmente, a troco de dinheiro, às vezes por apenas 1000 dólares de Hong Kong

Em 2010, Wong Sio Chak, o agora Secretário para a Segurança que era, à data, director da PJ, falava num encontro de ano novo lunar sobre uma subida “ligeira” em relação ao número de crimes de tráfico de droga. Mas deixava um alerta: o crescimento em relação ao número de casos que envolvem o transporte de droga em corpo humano que passaram pelo Aeroporto Internacional de Macau “continua a ser bastante preocupante” e merecia a “atenção contínua” das autoridades. Foi, sobretudo, a partir daqui que a situação começou a tornar-se mais complicada para os correios de droga: a PJ começou a destacar mais efectivos para o Aeroporto, reforçou a colaboração com outras instituições policiais e anunciou a intenção de adquirir um aparelho de Raio X detector de estupefacientes. O aparelho acabou por ser comprado. E os números podem ser prova dos resultados.

NÚMEROS QUE DESCEM

Se em 2010 o número de estrangeiros detidos ascendeu aos 17, tendo sido verificado o mesmo número em 2011, esse valor desceu para três em 2012. Voltou a subir (sete) em 2013, desceu para quatro no ano seguinte e no ano passado voltou a chegar aos seis. Só este ano, em oito meses, foram detectadas seis pessoas. E todos estes números dizem respeito apenas a estrangeiros: “não são residentes da RAEM, da RAEHK ou cidadãos da China continental”. A Polícia Judiciária assegura que a maioria da droga apreendida a correios de droga é a cocaína. Só este ano, entre os mais de 14,5 quilogramas de droga apreendidos, a maioria era “branca”. Em Abril, por exemplo, na bagagem de uma venezuelana foi encontrada cocaína num valor estimado de 12 milhões de patacas. A suspeita de 26 anos, enfermeira, entrou em Macau vinda da Tailân-

A PJ começou a destacar mais efectivos para o Aeroporto, reforçou a colaboração com outras instituições policiais e anunciou a intenção de adquirir um aparelho de Raio X detector de estupefacientes dia, tendo sido detida no aeroporto. Adquiriu as drogas no Brasil, tendo voado da Etiópia para a Tailândia. Chegou a Macau com destino a Hong Kong. Recebeu 2500 dólares norte-americanos para custear a viagem, sendo que, após a transferência das drogas, poderia receber seis mil dólares americanos. Em Agosto, o “pó” voltou a dar que falar, quando a PJ apreendeu

quase dez quilos de cocaína num saco de um colombiano, que transportava mais de quatro quilos, num valor de mercado de cerca de 13 milhões de patacas. Foi ao Brasil da Colômbia para levantar droga, tendo depois viajado com a mercadoria num voo de Dubai para Banguecoque e dali para Macau, sendo que iria sair para outra região vizinha.


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SOCIEDADE

Chegou a Macau com destino a Hong Kong. Recebeu 2500 dólares norte-americanos para custear a viagem, sendo que, após a transferência das drogas, poderia receber seis mil dólares americanos Em seis anos, as autoridades caçaram 123,6 quilos de estupefacientes em bolsos de mulas. A maioria da droga apreendida destinava-se a outros destinos “e não a Macau”, como garante a PJ ao HM. E o uso do território como ponto de passagem não agrada aos agentes da autoridade – tanto que a revisão da Lei de Combate à Droga, já aprovada na generalidade, se tem em conta os casos de tráfico.

O diploma prevê um aumento das penas mínimas para os casos de tráfico – além, apesar das críticas, das penas para o consumo –, ainda que a lei datada 2009 parecesse estar a ser bem-sucedida no combate, como o próprio Executivo chegou a admitir.

PENAS QUE SOBEM

Para “reprimir de forma eficaz” o tráfico, é sugerido no novo diplo-

ma o aumento do limite mínimo da pena, que passa de três para cinco anos de prisão. No caso de “acto de tráfico ilícito” a moldura penal sobe de quatro de seis anos e no caso de serem “plantas e substâncias como os barbitúricos de acção lenta com efeitos antiepiléticos ou ansiolíticos” sofreram um aumento no limite mínimo de seis meses para um

ano. O limite máximo mantém-se nos 15 anos e a PJ continua a reforçar a cooperação, até porque muitas vezes a chegada de mulas é reconhecida por denúncias que já vêm de fora. Tudo isto com base num estudo do Grupo Especializado para a revisão da Lei de Combate à Droga, que diz que o combate ao tráfico faz-se através do aumento

das penas para que os custos para os traficantes sejam mais elevados. E tudo porque o funcionamento durante 24 horas dos postos fronteiriços “favorece este tipo de situações”. Joana Freitas

Joana.freitas@hojemacau.com.mo


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Custódia não oficial

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Junket de Macau que fugiu com dinheiro está no Vietname

Anúncio Aquisição do equipamento académico de realidade virtual do Instituto Politécnico de Macau

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M antigo junket de Macau, desaparecido desde 2014, depois de alegadamente ter desviado fundos dos investidores, foi encontrado no Camboja, revelou a World Gaming Magazine (WGM). De acordo com a revista especializada, a informação foi avançada pela Macau Gaming Information Association (MGIA), que indicou que o antigo angariador de grandes apostadores para os casinos foi levado para Ha Long Bay, no Vietname, onde se encontra sob ‘custódia’ de representantes dos credores. Huang Shan é suspeito de ter protagonizado um dos golpes mais mediáticos

CONCURSO PÚBLICO N.O 05/DOA/2016

Faz-se público que, de acordo com o despacho de 29 de Setembro de 2016, do Exm.o Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a « Aquisição do equipamento académico de realidade virtual do Instituto Politécnico de Macau ». 1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Objecto do Concurso: Aquisição do equipamento académico de realidade virtual do Instituto Politécnico de Macau 4. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas.

6. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação ( para garantia do contrato).

conturbado provocado por diversos factores, desde o golpe de confiança infligido por uma série de desfalques às crescentes restrições de movimentos de capital da China, passando pelo abrandamento económico chinês e a campanha anti-corrupção lançada por Pequim. Embora sem o fluxo de outrora, o segmento VIP ainda gera mais de metade das receitas dos casinos de Macau, capital mundial do jogo e o único lugar na China onde os casinos são legais. As receitas do jogo, pilar da economia de Macau, estiveram em queda durante mais de dois anos, de Junho de 2014 a Agosto deste ano. LUSA/HM

INCÊNDIO À ENTRADA DE AUTO-SILO DE PAK WU HOJE MACAU

5. Garantia provisória: $19 000,00 (dezanove mil patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau

que minou a confiança nos junkets ao ter alegadamente fugido com um valor estimado na altura em até dez mil milhões de dólares de Hong Kong. O caso ocorreu em Abril de 2014, nas vésperas da primeira queda das receitas dos casinos de Macau. Accionista do grupo Kimren – que operava na altura salas VIP nos casinos Grand Lisboa, StarWorld, Altira e MGM - é suspeito de ter enganado os investidores oferecendo-lhes retornos mais elevados comparativamente a outros junkets. Peças fundamentais nos casinos, dada a tradicional elevada dependência do segmento VIP, os junkets têm atravessado um período

7. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. 8. Local, data e hora de explicação: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data :10H00, 17 de Outubro de 2016. 9. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 28 de Outubro de 2016, antes das 17H30. 10. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data :10H00, 1 de Novembro de 2016. 11. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Global (35%) - O grau de cumprimento dos requisitos específicos e funcionais (35%) - Serviço de garantia, apoio e manutenção (15%) - Fomação (10%) - Prazos de entrega (5%) 12. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2a feira a 5a feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Telefone: 8599 6287, 8599 6178, 8599 6123 Macau, aos 5 de Outubro de 2016 O Presidente em Exercício, Im Sio Kei

• Um incêndio aparatoso no Auto-Silo de Pak Wu, nos Lagos Nam Van, perto do Centro Comercial Yaohan, levou à chamada dos bombeiros. Ao que o HM apurou, um carro esteve

na origem do incêndio, ainda que não se saibam detalhes. No local eram mais de uma dezena de soldados da paz que combatiam as chamas, ajudados por três carros e

duas ambulâncias. O fogo deflagrou por volta das 17h00, mas não houve feridos. Cerca de 30 pessoas foram retiradas do edifício, mas ninguém se mostrou indisposto.


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SOCIEDADE

IFT DE MÃOS DADAS COM A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE TURISMO

Autonomia e bom senso O IFT conquista uma maior autonomia para criar os seus próprios centros de formação e aprovar currículos. A medida integra uma alteração regulamentar que tenciona dar mais qualidade à formação de mão-de-obra recursos humanos do sector, sendo que a execução dos respectivos projectos de cooperação são da responsabilidade do IFT. Por outro lado, tendo em conta que os cursos ministrados na Escola de Turismo e Indústria Hoteleira do IFT não são cursos de ensino superior, e os respectivos cursos de curta duração carecem de adaptações feitas em tempo útil para adequar às mudanças da sociedade, a presente alteração prevê a aprovação dos planos curriculares por parte do Conselho Técnico e Científico do IFT, de modo a simplificar os procedimentos administrativos inerentes. Foi também ontem alterado o decreto-lei que regula as agências de viagem e a profissão de guia turístico com uma mudança de nome. A Direcção dos Serviços de Turismo alterou a sua denominação em língua inglesa de “Macau Government Tourist Office” para “Macao Government Tourism Office”, pelo que a nova medida que entra em vigor a 1 de Novembro de 2016.

TIAGO ALCÂNTARA

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Instituto de Formação Turística (IFT) já pode criar centros que tenham como objectivo a investigação, estudo e formação específicos, possibilitando assim o desenvolvimento dos projectos de cooperação entre a entidade e a Organização Mundial de Turismo. Este é o resultado do fim da discussão do projecto de regulamento administrativo relativo à alteração ao Decreto-Lei n.º 45/95/M, que criava o Instituto de Formação Turística e que vai permitir, agora, mais apostas na educação e formação, bem como a autonomia, por parte do IFT, para avançar em projectos de investigação em articulação com as estratégias de desenvolvimento social e político definidos para a área do Turismo. A medida acontece após a assinatura do “Memorando de Entendimento entre a RAEM e a Organização Mundial de Turismo”, que prevê a união de esforços de modo a alcançar o desenvolvimento sustentável da indústria do Turismo. Para o efeito, o Memorando prevê a mútua cooperação, de modo a melhorar a qualidade dos

Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

CONFIANÇA DOS CONSUMIDORES (QUASE) EM ALTA

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índice de confiança geral dos consumidores locais 2016 aumentou no 3º trimestre em 3,77%, o que demonstra uma recuperação para os 85,67%. A informação é dada a conhecer por uma nota de imprensa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), que revela os resultados do inquérito relativo à confiança dos consumidores da RAEM. Entre os sub-índices analisados, “a economia local”,

depois de ter caído em dois trimestres consecutivos, subiu substancialmente e apresenta um crescimento de 14,23%. O seu valor localiza-se, actualmente, quase nos 100% com números na ordem dos 98,02%. Segundo a mesma nota de imprensa, os dados demonstram que o pessimismo macroeconómico está a desaparecer. A “aquisição das habitações” é o indicador que conta com valores mais baixos de entre os índices analisados,

com a confiança a cair 13,23% para os 59,27%. Inversamente, a “situação de emprego” registou um valor de mais de 100% de confiança com um índice de 102,48% que representa um aumento em 7,92%, o que demonstra o optimismo crescente. Já no que respeita à confiança no “nível dos preços” os valores voltam a cair ligeiramente com 74,39% numa queda de 0,90%. O inquérito envolveu entrevistas feitas a 1005 residentes com idade superior a 18 anos. A.K./S.M.

JOVEM QUE MATOU GATO CONDENADO A PRISÃO

Chan Hou Ieong, residente de Macau que foi expulso pela Universidade de Taiwan por ter morto dois gatos, foi ontem condenado pelo tribunal da Formosa a seis meses de prisão por cada um dos assassinatos, num cúmulo jurídico de dez meses de prisão, e a uma multa de 350 mil dólares de Taiwan. O jovem matou dois gatos em Dezembro do ano passado e em Agosto deste ano. O procurador pediu ao juiz a condenção a 12 meses, mas Chan Hou Ieong implorou a diminuição de sentença por ter sido já expulso pela universidade.

Ao lado de Pequim

Edição deste ano da MIF tem Portugal como país parceiro

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edição deste ano da Feira Internacional de Macau, de 20 a 22 de Outubro, tem Portugal como “país parceiro”, estando previsto um seminário para apresentar o país como “plataforma atlântica” para investimentos na Europa, foi ontem anunciado.AMIF (a sigla em Inglês por que é conhecida a feira de negócios de Macau) estreia nesta 21.ª edição a figura do “país parceiro”, que terá direito a um “pavilhão temático” na entrada do espaço, ao lado do pavilhão da “cidade parceira” (Pequim). No total, os dois pavilhões dos parceiros terão 800 metros quadrados, “mostrando a cultura, a história e divulgando informações sobre o ambiente de investimento e a situação económica mais recentes destes dois locais, de forma a que os visitantes sintam os carismas de Portugal e de Pequim logo que entrem”, segundo divulgou num comunicado o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM), a entidade que organiza a MIF. A MIF contará ainda com uma “exposição de produtos e serviços” dos países lusófonos e um pavilhão de mostra e venda de produtos dos países de língua portuguesa. No ano passado, Portugal teve na MIF a sua maior representação de sempre, com 120 empresas dentro de um total de 133 entidades nacionais, quase o dobro de 2014. Este ano, a MIF conta com a participação de mais de 50 países e regiões, representados em mais de 1600 stands, segundo o comunicado de do IPIM. Do programa da 21.ª MIF, disponível na página oficial da feira na internet, fazem ainda parte fóruns e conferências, incluindo um seminário organizado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AIECP), dedicado ao tema de Portugal como “plataforma atlântica” para investir na Europa. LUSA/HM


12 EVENTOS

TAM CHI CHUN ENCENADOR DE “SONHO DE UM AROMA”, PRIMEIRA ÓPERA DE CÂMARA DE MACAU

É hoje apresentada a primeira ópera de câmara feita em Macau. “Sonho de Um Aroma” está no Teatro D. Pedro V pelas 20h00, no âmbito do Festival Internacional de Macau, para mostrar o quotidiano de uma sociedade que acompanha o romance entre um homem chinês e uma mulher portuguesa no século XVI, numa produção a cargo da prata da casa. Tam Chi Chun é o encenador local que participa na iniciativa, que considera representar um marco nas artes feitas no território PUB

Integra a primeira ópera de câmara de Macau e a sua primeira produção... Todos os anos o cartaz do FIMM engloba a apresentação de óperas vindas de vários locais. Este ano, e para comemorar o trigésimo aniversário do evento, penso que a organização encontrou a data mais adequada para inserir uma ópera local. Até agora, as produções de ópera locais têm sido feitas em colaboração com a China continental e mesmo com outros países, o que também nos tem trazido muita experiência. Mas agora é a “nossa vez”. Por outro lado, apesar de estar a participar nesta primeira produção de ópera enquanto encenador, não sou, nem me vejo, como profissional do género. Acima de tudo, sou encenador de teatro que aplicou os conhecimentos e os desenvolveu neste estilo particular. A peça que vão apresentar é uma história de amor entre um homem chinês que se apaixona, em Macau, por uma mulher portuguesa. Um reflexo de Macau?

Penso que actualmente Macau mantém essa tradição multicultural, mas mais do que entre Portugal e China, convivemos também com as Filipinas, Indonésia ou Austrália. Nesta história que se reporta a 400 anos, é realmente a interacção entre a China e Portugal que assume maior relevo, mas é também, e acima de tudo, uma viagem à vida quotidiana daquela época e que comporta um forte traço humanista e de representação social. Quais as expectativas para o futuro das produções em Macau? Com este primeiro passo e o trabalho que tem sido desenvolvido já se sente que há pessoas que estão muito interessadas em colaborar e que são oriundas de áreas diferentes, desde músicos a dramaturgos. Por outro lado, e neste momento, estamos todos muito nervosos com esta estreia. Temos que o fazer e fazer bem, de modo a que possamos mostrar e representar este salto nas produções locais e poder começar a investir na ópera de câmara local. E este é um espectáculo que, de

SOFIA MOTA

“Gostaria que a RAEM fosse

alguma forma, dita o futuro, por ser o primeiro. Que desafios maiores encontrou neste projecto? Sou encenador de teatro e a ópera tem a componente dramática. O que sinto, pessoalmente, é que neste tipo de trabalho as dificuldades de representação estão associadas ao esforço que é exigido, por exemplo a nível do canto. Aqui, os intervenientes em palco são cantores e actores ao mesmo tempo. Como encenador, tenho que

conjugar as vozes com os gestos. É muito bonito, mas é um grande desafio. Para interpretar e representar uma ópera é necessário encontrar uma nova linguagem de representação. Há que ter ainda em atenção o uso do palco que, neste caso, também é particular. Encontrar uma linguagem para transferir a ideia musical ao espaço e movimento foi outro desafio em que, aqui, os cantores ainda podem ser encarados como bailarinos porque os movimentos representam e

EQUIPA DE BARCOS-DRAGÃO DO HM VENCE EM HONG KONG

• A equipa de barcos-dragão do HM, liderada por Vincent Vong, venceu quatro corridas na Corrida Internacional dos Barcos de Dragão de Shau Kei Wan de HongKong.Aequipaconseguiuumsegundo-lugar,duas terceiras e uma quarta posição. O treinador Vincent

Vong agradeceu aos atletas que participaram, considerando que obtiveram estes resultados graças à sua dedicação e desportivismo. “Desta vez, as equipas do barco do dragão dos outros países e regiões eram melhores que antes. Começámos o treino já em Março

deste ano e os atletas conseguiram sustentar os treinos duros”, referiu, acrescentando que a equipa do HM participou, só este ano, em cerca de 40 competições em Xangai, Guangzhou, Huizhou, Douzhong, Hong Kong e Macau sempre com “bons resultados”.


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e mais competitiva” e de muito rigor que tem contribuído para o estatuto do género.

acompanham a música. A ópera precisa de transformar e conjugar diferentes formas de arte e acho que é esta característica multi-artística PUB

Como é que aparece a ópera na vida do encenador de teatro? Não gosto de ópera desde sempre (risos). Há uns anos encarava este género como uma representação aborrecida por ser lenta e, talvez, por não a entender. Agora sinto o oposto. Esta é uma arte que me permite usufruir de uma maior liberdade de encenação. Por outro lado, e ao contrário do teatro realista, por exemplo, na ópera afastamo-nos do mundo real e é criado um mundo mais exagerado acompanhado de vozes lindíssimas. O que mais me impressiona, é que aqui são histórias absolutamente irreais em que a encenação, tenta, de

alguma forma, dar um carácter real. Entre a encenação de teatro e de ópera, para onde pende o coração? Para mim a ópera é uma forma de teatro. Com esta experiência em particular, gostava de no futuro repetir encenações deste género, especialmente aqui em Macau. Outra coisa que me atrai é a possibilidade de juntar outras músicas ao teatro em si. Fazer música em teatro. Não é teatro musical, mas utilizar outros registos, como por exemplo recorrer ao uso de instrumentos que não se limitassem à orquestra. Experimentar a marimba talvez. Tem formação da Academia de Xangai, trabalhou no continente, passou por Berlim e agora está de regresso à terra

onde é director do Teatro Experimental de Macau. Como é que está a ser o regresso a casa? O que tento encontrar aqui é a minha satisfação pessoal. Claro que gostaria que a RAEM já tivesse um ambiente mais competitivo, mas isso ainda não se encontra. Passei dez anos fora e agora gostaria de me reencontrar aqui em Macau. Voltei para encontrar a minha posição em casa. Mas ainda falta muito. Falta uma educação para a arte. Acho que neste momento, se falarmos de actores, o que se encontra aqui é gente à procura de sucesso, da fama em formato “fast food” e não de um trabalho contínuo e com qualidade. Gostava que isso começasse a mudar. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

EVENTOS

“ACREDITAR NA ARTE” CONTINUA NO NAM VAN

A exposição “Acreditar na arte” vai continuar patente no Café do Instituto de Formação Turística (IFT), nos Nam Van, até 5 de Dezembro. A iniciativa integra obras de professores e alunos da Escola de Artes do Instituto Politécnico de Macau (IPM) que juntam as suas criações para dar a conhecer o que se faz na formação artística na RAEM. O nome da exposição, adianta a organização, tem por base a palavra “acreditar” numa dupla direcção. Por um lado, é o crer na própria criação artística enquanto integração de criação de ideias e concretização com o recurso aos materiais, num processo que envolve racionalidade e sensibilidade, por outro, o acreditar no trabalho conjunto de alunos e professores como motor artístico. A mostra integra a iniciativa dedicada à revitalização das margens do lago com o projecto Anim’Arte Nam Van e o espaço que a acolhe pretende ser, mais do que um lugar para comer e beber, um sítio capaz de promover outras formas de cultura.

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA FEIRA DE ARTESANATO DO TAP SEAC

Estão já abertas as inscrições para a Feira de Artesanato do Tap Seac, que se realiza entre 17 e 20 de Novembro. Os interessados em ocupar os stands da Feira, para “apresentarem as suas marcas e venderem produtos originais”, podem inscrever-se até às 18h00 horas do dia 26 de Outubro. A Feira de Artesanato do Tap Seac conta com 240 stands e, além da presença de participantes culturais e criativos locais, serão também convidados artistas e entidades culturais e criativas do interior da China, Hong Kong, Taiwan e Malásia. Serão ainda realizados concertos e workshops.


14 EVENTOS

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LMA DEDICA DOIS CONCERTOS AO DRUM & BASS E À ELECTRÓNICA

A festa ainda mexe

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Live Music Association vai fechar, mas não sem antes nos dar muita música. Hoje e na próxima sexta-feira a agenda está preenchida no espaço da Coronel Mesquita, com duas festas dedicadas ao Drum & Bass e à música psicadélica electrónica. No dia 21, a LMA apresenta “Future Psicadelica”. Com organização da International Artists Association (IAA), os Based on Kyoto trazem um concerto integrado na sua tour pela Ásia. Daichi e Dubmarronics, elementos da banda, dividem-se em Dj/produtor e guitarrista, para mostrar o que fazem desde 2006. “Uma variedade de música que vai do House, ao Ambiente, do Soul à Electrónica” é o que prometem, já que do seu repertório saem não só sons originalmente produzidos, como composições únicas de guitarra e pedais. Para aquecer antes do concerto, chegam os Djs Ryoma e Burnie, ambos de Macau. Já nesta sexta-feira, a LMA quer “ligar o Drum & Bass”, com Daniel Power, Turner e Zuju. A partir das 22h00, a “LMA X Un-

chained – Turn on the Drum and Bass” recebe o DJ Zuju, de Macau. Experiente na área desde 1999, Photon foi “um dos primeiros Djs” a trazer os sons deste género ao território. Membro do grupo electrónico “Doctor”, lançou um álbum experimental em 2004, chamado “OD”. Segue-se Dj Turner, que chega do Reino Unido e de Xangai, para abrir depois o palco a Daniel Power. Natural de Londres, Power cresceu na “mais diversa e brilhante cena musical underground”, tendo experiência nos mais diversos estilos de música. Prefere House, Techno e Drum & Bass, o Dj residente no Clib Bang, de Shenzhen, já percorreu vários festivais da China, como o The Bond Art & Music Festival 2015, One Love Music Festival 2015 e o Honeyfest 2015. A festa continua no dia 22, com Elenore (Brit-Rock), e a 28, com Cuarteto Tanguero (Tango), entre outros espectáculos. Os bilhetes para hoje e para a próxima sexta-feira custam 120 patacas e 150 patacas, respectivamente, com uma bebida de oferta.

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já amanhã que inaugura no espaço Anim’Arte Nam Van a exposição “Termas do Sylviye”, organizada pelo Instituto Cultural (IC) e pela Associação dos Artistas de Belas-Artes de Macau. A exposição, dedicada ao tema “Desejo”, contém cerca de 50 obras da autoria de Sylviye Lei Ieng Wai e dos seus alunos, num total de 14 artistas. Os quadros pretendem transmitir ao publico as várias percepções do desejo “através da imaginação e dos diversos estilos, principalmente em pintura a óleo sobre a tela”. Os autores das obras não

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Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

GALERIA DOS NAM VAN RECEBE EXPOSIÇÃO “TERMAS DO SYLVIYE” são apenas artistas plásticos, trabalhando também nas áreas da medicina, banca e educação, sem esquecer a Função Pública ou a área académica e os casinos. Com entrada gratuita, a exposição estará patente no novo espaço cultural dos lagos Nam Van até ao dia 15 de Novembro. Enquanto isso, a sala número um da mesma galeria vai continuar a receber a exposição “Passando e Olhando – exposição de arte de um jovem artista”, a qual foi prolongada até ao dia 31 de Dezembro deste ano. Os horários de abertura das galerias funcionam entre as 11h00 e as 22h00.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A MÁSCARA DE ÁFRICA • V. S. Naipaul

Mais do que um livro de viagem, “A Máscara de África” observa os efeitos da crença no curso civilizacional africano: os animismos indígenas, as religiões Cristã e Muçulmana, o culto dos líderes, e os mitos da história. Com início no Uganda, no centro do continente, a viagem de Naipaul passa pelo Ghana, pela Nigéria, Costa do Marfim e acaba onde acaba o continente – na África do Sul. Centrado no tema da crença – nunca negligenciando as realidades políticas e económicas sempre que relevantes - Naipaul examina a condição frágil, mas duradoura, do velho mundo da magia. E para se testemunhar a ubiquidade do rito ancestral e dar uma ideia do poder de que se reveste, é necessário recuar até à origem de tudo – é esse o objectivo a que Naipaul aqui se propõe.

CARMINHO, ARTISTAS DE MACAU E A HISTÓRIA DA PIPA NO FIMM

DOCUMENTÁRIO ESTREIA NA CASA GARDEN

“Portugueses em Macau” é o nome do filme que vai ocupar a tarde de sábado, na Casa Garden. Um produção da portuguesa Livre Meio, a película integra uma projecto maior constituído por cinco documentários e que terminará em 2019 com o vigésimo aniversário da transferência do território. A ideia é, de uma forma abrangente, fazer um apanhado, em todas as suas vertentes, das interações culturais vividas na RAEM. O evento tem hora marcada para as 16h30 e conta com entrada livre.

30ª edição do Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) continua este fim-de-semana, numa série de concertos que vão da ópera ao Fado. A portuguesa Carminho sobe, amanhã, à Fortaleza do Monte, pelas 20h00 para um espectáculo dedicado àquele que é um dos estilos musicais que mais caracteriza Portugal. A cantora – considerada uma das vozes mais talentosas e inovadoras da sua geração – apresenta em Macau o seu terceiro álbum, “Canto”, depois de dois que atingiram a platina. Carminho foi premiada em 2013 como “Melhor Intérprete Individual” nos Globos de Ouro e estreia-se agora no FIMM. Os bilhetes custam 150 patacas. Hoje e amanhã é tempo de “Sonho de Um Aroma”, a primeira ópera de câmara feita em Macau. Uma história de amor entre um oficial chinês e uma mulher portuguesa, que se debruça sobre o dramaturgo responsável por “Pavilhão das Peónias”. Conduzida pelo maestro Francis Kan e encenada por Tam Chi Chun, esta é a estreia de uma ópera de câmara made in Macau e ocupa o palco do Teatro D. Pedro V, pelas 20h00. Os bilhetes custam entre 200 a 250 patacas. O fim-de-semana fica completo com “A História de Pipa”, uma performance do grupo de cordas Zhang Hong Yan, do interior da China. Sábado e domingo, sempre às 1gh00, os artistas apresentam um dos mais famosos instrumentos chineses num alinhamento que promete vários tipos de música, da tradicional à contemporânea. Com a própria Zhang Hong Yan, famosa “pela expressividade sentimental”, o espectáculo – que acontece no Pavilhão do Jardim Lou Lim Iok - dura mais de uma hora e os ingressos estão à venda por 150 patacas. J.F.

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O SEGREDO DA BASTARDA • Cristina Norton

Na ilha da Madeira, na segunda metade do século XIX, Eugénia Maria desespera com o estado de saúde da sua filha Isabel, de quinze anos, vítima de tuberculose: esta encontra-se cada dia mais fraca e o veredicto do médico não inclui a promessa de melhoras. Para a animar, a mãe resolve contar-lhe o segredo da própria paternidade, sobre o qual Isabel nunca deixara de fazer perguntas. Baseando-se em factos reais, depois de uma pesquisa de cinco anos nos lugares onde viveu Eugénia de Meneses, consultando espólios de várias famílias documentos sobre a época, Cristina Norton brinda-nos com um romance histórico notável, onde o rigor convive com um humor e uma legibilidade capazes de prender o leitor até à última página.


15 CHINA

hoje macau sexta-feira 14.10.2016

XI PEDE UMA “CHINA SEGURA”

O presidente chinês, Xi Jinping, pediu uma governação social mais forte e inovadora e ressaltou a necessidade de melhorar os sistemas de modo a evitar e prever riscos. “Mais esforços devem ser feitos para construir uma China segura e fortalecer a consciencialização da população sobre segurança”, disse Xi. Segundo o presidente, os funcionários de assuntos políticos e legais têm de se concentrar na solução dos problemas mais sérios e a inovar os métodos de governação social, obtendo melhores resultados. Ao assinalar os esforços por um governo integrado e aberto entre vários departamentos, Xi pediu atenção ao Estado de direito e inovação tecnológica e “uma maior capacidade de prever e evitar todos os tipos de riscos”. O presidente pediu ainda aos comités do Partido e governos de todos os níveis que dêem atenção ao trabalho da governação social e sublinhem a responsabilidade dos líderes em garantir a segurança e o desenvolvimento a nível local.

VENDAS DE AUTOMÓVEIS CRESCERAM

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S vendas de automóveis na China, o maior produtor e comprador de veículos desde 2009, cresceram em Setembro ao ritmo mais rápido dos últimos três anos, revelou hoje a Associação de Fabricantes de Automóveis da China (CAAM). No conjunto, venderam-se 2,56 milhões de automóveis no país asiático, no mês passado, um aumento de 26,1%, em termos homólogos

(comparação com o mesmo período do ano passado). Em agosto, as vendas aumentaram 24,2%, para 2.07 milhões de unidades. O crescimento do mercado automóvel chinês tem acelerado, nos últimos cinco meses, à medida que a economia da China revela sinais de estabilização. “A produção e vendas aumentaram ambos de forma relativamente rápida”, frisou a CAAM. As vendas de

veículos de passageiros registaram o maior aumento, detendo agora uma quota de mercado superior em 4%, face ao mesmo mês de 2015. Dados oficiais revelaram que a actividade manufactureira na China obteve a maior subida em quase dois anos, em agosto passado, enquanto o principal indicador da inflação aumentou ao ritmo mais lento dos últimos quatro anos.

PEQUIM PODE USAR BASE DAS LAJES PARA PESQUISA CIENTÍFICA

Um adeus americano

VIVA A PRIVACIDADE

O órgão de assuntos políticos e jurídicos do Partido Comunista da China (PCC) pediu às empresas que protejam as informações privadas das pessoas e avisou que punirá severamente quem as divulgar. Numa reunião nacional sobre a gestão de segurança pública, o Comité dos Assuntos Políticos e Jurídicos do Comité Central do PCC disse que os sistemas de trocas devem melhorar e realizar nos registo os nomes reais dos utentes de telemóveis. A decisão foi tomada no contexto de uma campanha nacional contra a rápida expansão dos crimes pela internet e telefone, que já causaram consideráveis prejuízos económicos e instabilidade social. O comité reiterou que empresas de telefone, internet e bancos devem realizar avaliações de segurança antes de lançar serviços e produtos. As que não o fizerem serão punidas. Também pediu que o Supremo Tribunal Popular, Suprema Procuradoria Popular e Ministério da Segurança Pública emitam uma regra e interpretação jurídica para resolver dificuldades na colecta de provas e recuperação do dinheiro roubado em crimes pelo telefone. Um sistema confidencial deve ser criado para regulamentar instituições e funcionários que tenham acesso a informações privadas, acrescentou.

PEQUIM OPÕE-SE A PRÉMIO DE UIGUR SEPARATISTA

A China expressou na quarta-feira uma “forte insatisfação” pelo Prêmio Martin Ennals ser concedido ao professor separatista uigur Ilham Tohti. O condenado à prisão perpétua, por actividades separatistas em 2014, foi anunciado como o vencedor do prémio na terça-feira em Genebra. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, sublinhou que as provas da actividade criminosa de Ilham são sólidas. “Enquanto professor, apresentava suspeitos terroristas e extremistas como heróis e enganava e incitava certas pessoas à participação em actividades separatistas no Turquistão Oriental.” Ilham Tohti planeou e organizou uma série de actividades criminosas separatistas, acrescentou. O portavoz disse o julgamento de Ilham foi realizado “com estreita observância da lei chinesa e que os assuntos internos e a soberania judicial da China não podem sofrer interferência.” Geng informou que a presença do alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad, na cerimónia vai contra os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas” e “interfere nos assuntos internos da China”.

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primeiro-ministro português, António Costa, admitiu que a base aérea das Lajes pode ser usada pela China se os Estados Unidos não renovarem o acordo de exclusividade, mas apenas para fins científicos e não militares. “Temos um acordo com os Estados Unidos, e queremos continuar com esse acordo, mas respeitamos a decisão” dos norte-americanos, disse António Costa numa entrevista difundida hoje pela agência de informação financeira Bloomberg. “A base

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chefe da aldeia chinesa de Wukan, Lin Zuluan, eleito através de sufrágio directo, após uma rebelião popular, numa experiência inédita na China, desmentiu a confissão feita no mês passado de que tinha aceitado subornos. Segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, Lin, que foi condenado a 37 meses de prisão, negou ter recebido 600.000 yuan. Lin compareceu na quarta-feira perante o

nos Açores é muito importante em termos militares, mas também em termos de logística e tecnologia e pesquisa nas águas profundas e de alterações climáticas”, disse António Costa. Perante a insistência do jornalista da Bloomberg sobre a utilização da base aérea pela China, Costa admitiu: “Claro que é uma boa oportunidade para criar uma plataforma de pesquisa científica e estamos abertos a cooperação com todos os parceiros, incluindo a China”. O primeiro-ministro vincou, no entanto, que “o uso militar da

base não está em cima da mesa, o que está em cima da mesa é reutilizar a infra-estrutura para fins de pesquisa”. “Seria uma enorme pena não usar a infra-estrutura, e se não para fins militares, porque não para pesquisa científica”, questionou o chefe do Executivo no final da entrevista.

MO MAN TAI

Antes, já António Costa tinha garantido que Portugal não tem qualquer problema com os investimentos chineses, que classificou de muito positivos para a economia. “Portugal tem sido

sempre uma economia aberta, e o investimento chinês tem sido muito positivo, particularmente no sector financeiro, mas também na energia e noutros, por exemplo, o investimento chinês permitiu recapitalizar os nossos bancos”, disse António Costa. Sobre a banca, disse aliás que “no final do ano esperamos ultrapassar os problemas com os bancos” e ter “uma solução com crédito malparado”. Questionado sobre se está confortável com a diversidade de áreas em que o investimento da segunda maior economia do mundo tem estado a ser feito, António Costa disse sentir-se “bastante confortável” e exemplificou que também há investimento avultado de Espanha e Angola. “Queremos uma economia aberta, queremos diversificar as fontes de investimento, e vemos isso como uma vantagem e não como uma desvantagem”, vincou o chefe do Governo. Questionado sobre as consequências da saída do Reino Unido da União Europeia, Costa disse estar “confiante de que as relações centenárias entre os dois países vão permanecer fortes”.

Democracia incómoda Ex-chefe de aldeia desmente confissão de subornos

juiz, mas nenhum jornalista obteve autorização para assistir ao julgamento, enquanto na zona em redor do tribunal foram impostas amplas medidas de segurança, descreve o diário de Hong Kong. O antigo chefe de Wukan foi detido, em Junho passado, por alegado desvio de fundos públicos, dias após ter

anunciado nas redes sociais que iria organizar uma petição ao governo local contra a apropriação ilegal de terras. Lin foi nomeado chefe local, em 2012, depois de encabeçar os protestos contra o então chefe da aldeia, um homem de negócios que era acusado de roubar terras para as vender a promotores. Em 2014, foi reeleito com

5.000 de 8.000 votos possíveis. A sua detenção motivou protestos diários em Wukan, durante três meses, com os manifestantes a apelar à sua libertação. Ao fim dos primeiros dias, Lin surgiu num vídeo a confessar ter aceitado subornos - um método muito utilizado nos últimos meses pelo regime chinês em casos

polémicos. À semelhança de ocasiões semelhantes - algumas ocorridas com cidadãos estrangeiros - os seus familiares afirmaram duvidar da autenticidade das suas palavras. A população em Wukan, cujo feito inédito na China de ter derrubado os dirigentes comunistas e organizar eleições mereceu destaque na imprensa internacional e chinesa, crêem que Lin é inocente e vêem o processo judicial como uma ferramenta para o retirar do poder.


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Aquisição de Dois Autocarros para o Instituto Politécnico de Macau Concurso público n.º 03/DOA/2016 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 28 de Setembro de 2016, do Exm.o Senhor Secretário para Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a « Aquisição de Dois Autocarros para o Instituto Politécnico de Macau ». 1. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. 2. Modalidade de concurso: Concurso Público. 3. Objecto do Concurso: Aquisição de Dois Autocarros para o Instituto Politécnico de Macau 4. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 5. Garantia provisória: $27 600,00 (vinte e sete mil e seiscentas patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau 6. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). 7. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. 8. Local, data e hora de explicação: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data :10H00, 14 de Outubro de 2016. 9. Local, data e hora do limite da apresentação das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data: 27 de Outubro de 2016, antes das 17H45. 10. Local, data e hora da abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Hora e Data :10H00, 28 de Outubro de 2016. 11. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço (35%) - Responder aos requisitos (40%) - Garantia/ Serviços-pós-venda (10%) - Prazo de entrega de bens (10%) - Outras condições (5%) 12. Local, hora e preço para exame do processo e obtenção da cópia do processo: Local de exame: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau. Local de obtenção: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luis Gonzaga Gomes, em Macau, mediante o pagamento de MOP100,00 (cem patacas). Hora: de 2a feira a 5a feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45. 6a feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30. Telefone: 8599 6123, 8599 6178, 8599 6287 Macau, aos 5 de Outubro de 2016 O Presidente em Exercício, Im Sio Kei


17 REGIÃO

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Velhos hábitos morrem devagar Corrupção em Timor-Leste é “endémica” e afecta vários serviços públicos

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corrupção nos departamentos governamentais, administração pública e outros organismos é “generalizada” e pode mesmo ser considerada “endémica” em Timor-Leste, segundo um relatório preparado para o executivo timorense. O relatório, divulgado esta semana pelo Ministério da Justiça, sublinha haver uma “perceção geral de que muita da corrupção está relacionada com pequenos subornos pagos para facilitar a obtenção de serviços públicos básicos”. Ainda assim, refere que “a corrupção de alto nível predomina nos Ministérios das Finanças, da Educação, da Saúde e do Interior, envolvendo sobretudo aquisições e obras públicas, áreas nas quais os sistemas e controlos sobre as despesas estão mal concebidos e mal implementados”. As conclusões fazem parte do relatório de “Avaliação Nacional de Riscos de Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo” em Timor-Leste, que acompanha o Plano Estratégico Nacional de Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo (2016 - 2020). Os documentos foram preparados pela Comissão Nacional para a Implementação das Medidas Destinadas ao Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo (CNCBC) e divulgados esta semana

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pelo ministro da Justiça, Ivo Valente. “Se, por um lado, a quantidade de práticas de corrupção é, sem dúvida, mais expressiva entre os funcionários mais jovens, que procuram complementos aos seus salários, por outro, a corrupção de alto nível concentra-se muito mais naqueles que ocupam cargos de maior senioridade, que são os responsáveis diretos pelas decisões relacionadas com a alocação e desembolso de fundos governamentais”, refere o relatório. “A ausência de dados específicos sobre a extensão das práticas de corrupção impossibilita avaliar a verdadeira dimensão da ameaça do branqueamento de capitais. Contudo, tendo em conta o facto de que a corrupção se ramifica ao longo do setor público, alcançando os mais altos cargos da administração, a ameaça é, sem dúvida, muito séria e pode ser encarada, com um elevado grau de certeza, como a principal fonte de proventos de origem criminosa em Timor-Leste”, sublinha. Segundo o documento, desde 2011 a Comissão Anticorrupção (CAC) investigou um total de 437 casos de corrupção, a maior fatia por abuso de poder (127) e apropriação indevida de bens públicos (92). Há ainda casos investigados diretamente pelo Ministério Público, que não estão neste relatório, explica o texto.

EZ pessoas morreram na quarta-feira no oeste da Birmânia em confrontos entre homens armados e o exército, que foi enviado para a zona depois de um ataque à polícia fronteiriça, noticiou ontem a imprensa estatal. Os confrontos ocorreram no distrito de Maungtaw, no estado de Rakhine, quando um grupo de soldados foi atacado durante um patrulhamento na mesma zona onde no domingo houve três ataques na fronteira com o Bangladesh. Noutra zona do mesmo distrito, outro grupo de cinco atacantes disparou contra um posto fronteiriço e queimou

Tailândia MORREU O REI BHUMIBOL ADULYADEJ

Grande luz que se apaga

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dança de um dreno. Durante os últimos meses, o palácio real publicou regularmente comunicados sobre o estado de saúde do rei, que sofria de insuficiência renal. Nos últimos dois anos, Bhumibol Adulyadej esteve quase sempre hospitalizado devido a infeções bacterianas, dificuldades respiratórias, problemas cardíacos e hidrocefalia - acumulação de líquido cefalorraquidiano no cérebro.

rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, morreu ontem aos 88 anos, anunciou o palácio real, num culminar de uma série de problemas de saúde que se arrastavam há quase um ano. “Às 15:52, morreu pacificamente no hospital Siriraj”, refere um comunicado. “A equipa médica foi inexcedível, mas a sua condição deteriorou-se”, acrescentou a nota do palácio real. Todas as cadeias de televisão interromperam a emissão e transmitiram um anúncio especial, que começou com imagens a preto e branco do rei. Um homem, de fato e camisa pretos, leu a mesma declaração, divulgada minutos antes. A 9 de Outubro, o palácio real tinha anunciado que o estado de saúde do monarca tailandês “não estava estabilizado” e tinha sido colocado sob respiração assistida, depois de a tensão arterial ter baixado quando estava a ser preparado para diálise e mu-

ADORADO E VENERADO

Bhumibol Adulyadej chegou ao poder em 9 de Junho de 1946, depois da morte do irmão mais velho, o rei Ananda Mahidol, vítima de um acidente com arma de fogo, no palácio real de Banguecoque. O acidente ficou até hoje por explicar. No início do reinado, já depois da abolição da monarquia absoluta no país, em 1932, o papel do rei foi ensombrado por uma série de líderes militares fortes. Mas com o apoio de outros membros da família real e alguns generais, Bhumibol Adulyadej fortaleceu o papel da monarquia, com uma série de visitas às províncias mais remotas e através de numerosos projectos de desenvolvimento agrícola. Apresentado como um semideus e benfeitor da nação, as suas imagens são omnipresentes no país e o culto da personalidade foi reforçado após o golpe de Estado de 22 de Maio de 2014, realizado pelos militares em nome da defesa da monarquia. Sem qualquer prerrogativa constitucional, Bhumibol

Nos Balcãs da Ásia Dez mortos em novos confrontos na Birmânia

25 casas de um bairro onde se estavam escondidos antes de fugirem. Os distúrbios em Maungtaw já causaram 40 mortos entre polícias, militares, atacantes e moradores na zona. Nos últimos anos houve em Rakhine vários casos de violência entre a perseguida minoria muçulmana ‘rohingya’ e a maioria budista. As autoridades detiveram seis pessoas, duas na segunda-feira e quatro

no dia seguinte, relacionadas com os ataques aos postos fronteiriços. Mais de um milhão de ‘rohingya’ vivem em Rakhine. Esta minoria vive na Birmânia desde há séculos, mas os seus membros não são reconhecidos como cidadãos do país, sendo considerados imigrantes bengalis. Cerca de 120 mil vivem confinados em 67 campos daquele estado, com restrições, desde 2012, quando uma onda de violência causou 160 mortos.

Adulyadej exerceu uma enorme autoridade moral e foi sempre visto como a única personalidade capaz de unir os tailandeses. Oficialmente, o rei está acima da política, mas Bhumibol interveio em alturas de grande tensão - 1973, 1981 e 1992 -, assistindo a numerosos golpes militares, 19 constituições e ainda mais primeiros-ministros, para encontrar soluções não-violentas em algumas crises. Alguns críticos contestaram esta versão e argumentaram que Bhumibol Adulyadej apoiou golpes militares e, por vezes, não denunciou violações dos direitos humanos. Cada vez mais fraco e doente, o rei assistiu em Maio de 2014 a mais um golpe de Estado, que colocou no poder o general Prayuth Chan-o-cha. Três meses depois, em

Agosto, o rei apoiou formalmente Prayuth no cargo de primeiro-ministro. Nascido em Cambridge, Massachusetts (Estados Unidos), Bhumibol Adulyadej viveu e estudou na Suíça até final da Segunda Guerra Mundial. Em 2006, recebeu do então secretário-geral da ONU Kofi Annan o primeiro prémio de mérito de Desenvolvimento Humano. Bhumibol Adulyadej era o monarca há mais tempo no poder e venerado na Tailândia, onde é visto como uma figura unificadora no país marcado por rivalidades políticas. O herdeiro do trono da Tailândia é o príncipe Maha Vajiralongkorn, de 64 anos, que tem vivido grande do tempo no estrangeiro e não tem gozado do mesmo consenso que o seu pai. Há quem preveja tempos difíceis no reino do Sião.

PUB HM • 2ª VEZ • 14-10-16

ANÚNCIO Acção de Interdição CV2-16-0090-CPE 2º Juízo Cível

Requerente: O MINISTÉRIO PÚBLICO. Requerido: Fong Tai Kuan (馮大群), maior, residente no Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior Pou Tai, sito na Rua do Minho, edf. de Serviços de Apoio ao Cidadão, Macau. *** FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra Fong Tai Kuan (馮大群), para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica. Macau, aos 29 de Setembro de 2016. *****


h ARTES, LETRAS E IDEIAS

18

A empregada de uma vida inteira do senhor e da senhora do lado, ambos do partido, três filhos. Um casal. Antes de se desfazer a coligação, muito cedo. E ficou para sempre o mesmo silêncio insólito, ou talvez por isso, numa casa de três crianças. A senhora a chegar sempre tarde do trabalho do partido. E aquele silêncio insólito. E a Francelina, nortenha de bigodinho leve, muito gordinha, de alcofa de legumes, a subir infalivelmente as escadas do terceiro andar, todas as manhãs, expelindo violentamente o ar, ruidosa e esforçada como uma máquina a vapor. Todos os dias. E aquela casa de três crianças silenciosas, que sempre permaneceu como prestes a habitar, meio vazia de tudo, como se tivessem acabado de se mudar de uma outra vida. Mas não. Ou como se houvesse algo indefinidamente adiado. Convidavam-me a andar de triciclo na casa vazia. E a cozinha, como a nossa, sempre invisível lá muito para o fundo do corredor, teria sempre um cheiro bom e quente de sopa acabada de fazer. E temperada com azeite ao arredar. Era o que me consolava de uma certa tristeza e silêncio que se destilava daqueles meninos. Que pessoas serão, hoje…Margarida, João, Madalena. Ainda me lembro. E a Francelina. Que, podia dizer-se, não desenvolvia muito, mas não falhava uma manhã às pequenas coisas, nem os ingredientes da sopa e era uma locomotiva naqueles dias. Deles. Está bem. Rosalina. Sempre escreveu rosas, ou onde ficámos? E ela, de olhos em alvo, sempre, olhe faz lembrar o meu nome. Tudo, penso, faz lembrar tudo. Ou tantas coisas. Rosas é sempre bonito, diz. Maravilhosas, penso, mas a tentação de lhe lembrar Hiroxima e Vinícios de Moraes. Mas ia provocar-lhe um brilho pluvioso no olhar inocente de tudo. Porque a canção é linda e fala de rosas em que ela não pensou. Como uma espécie de combate entre cicatrizes. A rosa simbólica de “O Principezinho”, inteligente, sedutora, alma, coração e vida, e a outra. Esqueço a menina Rosalina, que nunca soube como se chamava, e a máquina de escrever amarelo muito pálido que ficou lá atrás. E penso, como em tantos momentos me apeteceria andar de olhos fechados pela rua do meu dia, dos dias todos da minha rua de andar pelos dias. Para evitar o visível e mais, muito mais do que o invisível. E que quando entendi que não se pode ser feliz deixei de ser infeliz por isso e passei a somente ser infeliz pelas outras coisas. Sobretudo as pequenas coisas que são a célula de outras maiores, e que são teoricamente fáceis. Mais fáceis.

De fazer. De não fazer. As que são domináveis, e que são construtivas. Pequenas como anti-corpos. No fundo, as pequenas coisas objectivas e definidas. Visíveis por detrás do invisível. O invisível manto de sentidos, de nuances de um real em mutação. Ou continuar a pensar que o fundamental é invisível aos olhos. O invisível. E de novo, pensar nesse precário equilíbrio sempre a reajustar-se a um novo centro de gravidade. Arredado em cada lufada de vento. Com Partículas. Microrganismos nefastos ou irrelevantes. Tudo o que traz de visível e invisível. E aí como em tudo sobra a certeza de que há que saber abstrair do invisível possível. Como da impermanência existencial. Como a da família, da amizade. Das estruturas sociais. Teorias em que nos afundamos a precisar de oxigénio contínuo. A finitude. Aquilo que não se vê em nós. Como se não existisse para que tudo o resto valha a pena. Estações a suceder-se para sempre. Por exemplo. Alternadas e sucessivas. Como o olhar. Sobre tudo. Excepto um prisma de cristal. Em que ângulo após ângulo, sempre se obtém o mesmo arco-íris. Porque é da natureza da luz, ser branca. E divisível na refracção, numa miríade de cores. Todas. Menos aquelas que estão lá, invisíveis aos olhos humanos. Mas estão lá. Afinal. Infra e ultra coloridas de invisibilidade. Úteis. E nesse olhar múltiplo que não se pode deixar de ter, apesar de tudo, por vezes dar uma demão de rosa e outra de perfume. Girar os olhos sem esquecer. Mas pensar também que, de vez em quando, sempre, algumas vezes mais do que outras, ou bem lá no fundo, afinal, “ l’important c’est la rose, c’est la rose, l’important”. E de repente sinto-me ridícula de tanto que isto soa hippie. Mas eu nasci nos anos deles. É natural. Era a contracultura necessária. E mesmo hoje e de uma forma ainda muito mais complexa. Ban the bomb. A adivinhar qual. E a caminhar de memória de música em música. Passando por Edith Piaf. E depois: “Uma rosa de vocabulário escolhido Rosa, onde o preto devia estar Uma rosa mais ou menos muda… …de plástico japonês De Noel, parece mas não é Denúncia e do medo de me amar Língua rosa em boca amarela Desbotada não…fere a vista” Ivan Lins em “Rose Music” no álbum “Beauty” de Sakamoto. Tantas rosas quantos olhares. Mesmo num dia de chuva como hoje. De outono instalado para ficar. Só até ao inverno.

ANABELA CANAS

H

OJE choveu, finalmente. Seria chuva ácida? Como ácidos pensamentos que nos assaltam por vezes, mesmo ante as coisas belas. Ponha rosas, e ponha flores. Mas não é a mesma coisa? Os olhos em alvo, as unhas em riste. As mãos simétricas suspensas sobre a máquina de escrever pintada de amarelo muito pálido. Não é relevante, penso, digo. Depois eu escrevo outra coisa qualquer. Das rosas. Da rosa de Hiroxima. O mesmo desabrochar irreprimível e inconsciente. A mesma beleza insuportável. O mesmo perfume entranhado para sempre na pele dos sentidos. Na pele de diferentes sentidos, claro. Os sentidos em leque a partir de qualquer botão. Premido quase sem pensar, acredito. Pela ordem das coisas da natureza, intocado. Ou pela ordem fria e cega. Cegamente seguida. E o momento depois. Alguém por detrás do botão sentiu talvez nada. Ainda com o indicador no ar. E a rosa já no ar em crescendo. A desabrochar. E depois, pelos anos fora em erupções cutâneas e sub-cutâneas. Rosas. Depois da rosa. Anti-rosa atómica. Como o disse Vinícios. Sem perfume, sem rosa, sem nada. A menina Rosalina. Das unhas pontiagudas e trabalhosas em riste. Reciclei-a de um centro de imagiologia onde transcrevia laboriosa e distraidamente relatórios gravados de exames. Em que escrevia indiscriminadamente Não existem sinais de malignidade, em massas opacas ao exame, ou Existem sinais de malignidade. Em massas. Opacas na imagem. Enfim. Mais não, menos não. Era o que pensava. Se pensasse. Pensei, convém-me. Afinal, de sentidos incontornavelmente divergentes já se faz a escrita por si só. Querendo ou não fazendo questão, mais ainda. Convém-me. E ali está. De unhas eventualmente naturais, compridas e pontiagudas em riste, a escrever com as quatro polpas dos dedos muito separados e a dar estalinhos nas teclas por engano do gesto. Ou da palavra esquecida, esse desprezável não, que me deixou durante muitos dias a fazer disposições mentais testamentárias para uma eventualidade. Depois não era nada a mais do que a palavra desprezada, e acrescentada depois ao relatório. O que estava dito e o que não estava escrito na ausência do não. Desculpas, e tal. Enfim. Escreveu rosas, Francelina? Rosalina. Diz de olhos em alvo. Mas não é a mesma coisa? Eu. Prefiro o meu nome. Ela. Ficava-me a ganhar pontos na memória das coisas boas com o outro. Penso, derivando para o prédio.

Uma demão de rosa,


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de tudo e de nada

um toque de perfume

Anabela Canas


20 OPINIÃO

hoje macau sexta-feira 14.10.2016

contramão

isabelcorreiadecastro@gmail.com

WIM WENDERS, WINGS OF DESIRE (1987)

M

ACAU não é fácil. Não é fácil para quem é de cá, não é fácil para quem chega, não é fácil para quem vai contando os anos de vida ao ritmo das edições do Grande Prémio. Ou da apresentação dos relatórios das Linhas de Acção Governativa. Presumo que as outras cidades sejam igualmente difíceis para quem vive nelas, mas acontece que não vivo nas outras cidades: é aqui que sou. Para quem veio de fora e já conta alguns anos disto, houve um momento – ou vários – de dúvida sobre a lógica da continuidade por cá. Mas há um momento – e não vários – em que é preciso decidir, para ser possível viver em paz com quem se foi, com quem se é e com aquilo que se pretende ser. Estar aqui e noutro sítio qualquer ao mesmo tempo não dá jeito e tem efeitos extraordinariamente prejudiciais, sobretudo para a alma, que fica desasada. Que se decida onde se quer estar, hoje, mesmo que a decisão não dure mais do que as vinte e quatro horas do dia e, nas vinte e quatro horas seguintes, se faça a mala e se apanhe um barco para longe, muito longe. As cidades são como as pessoas, porque são feitas de pessoas. E porque são feitas de pessoas, convém que as cidades tomem decisões sobre as pessoas que nelas vivem. Cidades indecisas geram cidadãos confusos, causam situações desagradáveis, porque a incerteza é chata, mói devagarinho. Cidades sem um projecto tornam-se insuportavelmente insulares, arredondam-se e fecham-se. Não têm qualquer serventia. Macau teve um problema grave de indecisão com a transferência de administração – um dilema que, de certo modo, continua por resolver, embora atenuado pelo discurso oficial da harmonia e coisa e tal. Nos anos que se seguiram a 1999, quem cá estava e lidava com a teoria política (e com a prática política) tinha a clara sensação de não saber para onde é que tudo isto ia. A cidade. As pessoas. As pessoas na cidade. Os portugueses daqui e os portugueses que para aqui vieram. Os bois pelos nomes: foi preciso Pequim bater o pé e inventar um desígnio que vários bons rapazes da política local não estavam dispostos a aceitar. Pequim deu um murro na mesa, deu força ao Chefe do Executivo de então e tomou-se uma decisão para a cidade: Macau ia ser um plataforma entre a China e a lusofonia, pelo que a lusofonia da terra e das pessoas era para preservar. Todos nós sabemos que a China não precisa de Macau para chegar ao Brasil,

A cidade dos outros

ISABEL CASTRO

Cidades indecisas geram cidadãos confusos, causam situações desagradáveis, porque a incerteza é chata, mói devagarinho. Cidades sem um projecto tornam-se insuportavelmente insulares, arredondam-se e fecham-se. Não têm qualquer serventia para aterrar em Luanda ou em Cabo Verde. E todos nós sabemos também que é fraco o lado visível de mais de uma década de fórum sino-lusófono. Mas quem cá está e se lembra do quão indecisa andava a cidade no início do milénio sabe que há figuras de estilo que são muito mais do que palavras, apesar de, como figuras de estilo que são, não entrarem na contabilidade dos negócios.

Esta semana, Macau voltou a ser uma cidade virada para a lusofonia, com ministros e políticos e empresários e muita gente vinda de fora, dos países onde se fala português e do país onde se fala um chinês com diferente significado do chinês local. Li Keqiang passou por cá para recordar que as dúvidas mal resolvidas na cabeça de certos bons rapazes devem ser resolvidas quanto antes, porque Pequim inventou um projecto para Macau que vai além

das fichas de jogo em dólares de Hong Kong que se atiram nos casinos da cidade. De Portugal também veio gente: Lisboa quis trazer um primeiro-ministro para a ocasião. No meio dos discursos de circunstância, entre a retórica politicamente correcta e as intenções de aproximação à China, a ideia que muitas vezes falha a quem parte da Portela e aterra ali em Chek Lap Kok: os portugueses que aqui estão, que aqui vão sendo, interessam. E porque interessam, que se acarinhem. Macau não é fácil e há alturas em que as decisões pessoais não bastam: é bom que quem manda na cidade e que aqueles que, mesmo ao longe, vão olhando para ela nos digam o que querem de nós, porque inventar solitariamente destinos para cidades arredondadas nunca fez bem a ninguém.


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OPINIÃO

um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI

BERNARDO BERTOLUCCI, THE LAST EMPEROR (1987)

O

Chefe do Conselho de Estado, Li Keqiang, esteve esta semana de visita a Macau para participar na cerimónia inaugural da 5ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau. Apesar da visita ter durado apenas três dias, a cidade foi muito agitada pela sua presença. Todos os locais onde se deslocou foram, literalmente, invadidos por multidões. Mas na realidade estas massas de gente eram “multidões organizadas”. Os veículos foram impedidos de estacionar e circular para deixar as ruas livres. Até o Túnel do Monte da Guia ficou silencioso. Na ópera tradicional chinesa, encontramos histórias sobre imperadores e comissários imperiais que se disfarçavam de pessoas comuns para viajar de forma incógnita pelo País e investigar casos de corrupção entre os altos funcionários. Quando estes altos funcionários eram presos, a audiência aplaudia alegremente por ser esse o seu maior desejo, ou seja, ver os vilões serem apanhados e punidos. No entanto, estes funcionários corruptos nunca são apanhados nem presos na vida real. Encontram-se sempre em posições de liderança e experienciam um sentimento de superioridade, uma herança que lhes ficou da classe burocrática da China feudal. Ninguém tem coragem suficiente para se libertar das regras subentendidas da burocracia, nem mesmo na China continental, que é, como todos sabemos, um País que se pretende socialista. Contas feitas, apenas uma meia dúzia se atreve. Hu Yaobang, foi um deles, mas acabou por ter de se demitir do cargo de Secretário Geral do Partido Comunista. No artigo “Lembrar o Regresso de Yaobang à cidade de Xingyi”, escrito por Wen Jiabao, antigo Chefe do Conselho de Estado, este relata-nos as palavras sentidas que Hu Yaobang um dia lhe dirigiu, “Encarrego-te de uma missão, Jiabao. Mais logo, vais levar contigo alguns camaradas e irão visitar aldeias da periferia para investigarem o que por lá se passa. Mas, não te esqueças, nunca informes os funcionários locais da tua ida”; “os quadros com posições de liderança devem visitar pessoalmente as bases da sociedade para investigar e recolher informações. Devem tentar compreender o sofrimento das massas, ouvir a sua voz e recolher matéria de interesse em primeira mão. Para quem está em posições de chefia, não existe maior perigo do que o divórcio da realidade”. Continuando no artigo, podemos ainda ler, “estas palavras sentidas e cheias de significado do Camarada Hu Yaobang têm ecoado no meu espírito ao longo dos anos”. No entanto, quando Wen Jiabao visitou

Visita a Macau Se Li Keqiang quiser realmente saber como vivem as gentes de Macau, deve considerar seguir o exemplo dos comissários da antiga China, que se disfarçavam de gente vulgar e se misturavam com o povo para ficarem a conhecer o seu modo de vida Macau, há muitos anos atrás, o traçado do seu itinerário esteve muito aquém do que era reclamado por Yaobang. À medida que a data da visita de Li Keqiang se foi aproximando, os pontos de entrada em Macau, quer terrestres quer marítimos, passaram a estar fortemente vigiados para prevenir toda e qualquer ameaça. A 5 de Outubro, um ex-activista de Hong Kong, actualmente realizador independente, quando estava a sair do ferry foi impedido de entrar em Macau, onde se dirigia para participar num workshop sobre produção de video-clips. As autoridades macaenses invocaram o Artigo 17 da Lei de Bases da Segurança Interna da Região Administrativa Especial de Macau, onde se pode ler, “constituam ameaça para a estabilidade da segurança interna” para proibir a sua entrada. Foi informado de que, se quisesse vir a Macau teria de voltar “depois de 13 de Outubro”. A visita de Li Keqiang deixou a administração de Macau “à beira de um ataque de nervos”. Num ambiente tão controlado, o que é que Li Keqiang pode realmente ver e ouvir? Em Macau, existem muitos sítios dignos de ser visitados, nomeadamente o Terminal Marítimo de Pac On, o Sistema de Metro Ligeiro em Taipa, o Mercado Provisório do Patane, o Complexo Municipal de Serviços Comunitários da Praia do Manduco e a Fábrica de Panchões Iec Long. No entanto, nenhum destes locais estava incluído no itinerário de Li Keqiang. Os encontros do Chefe do Conselho de Estado foram também sujeitos a apertado controle, fossem eles com representantes dos diferentes sectores sociais, ou com cidadãos comuns. Alguns órgãos da imprensa independente pediram autorização para cobrir de perto esta visita. Mas as zelosas autoridades governamentais alegaram que “a quota de coberturas já está atribuída” e rejeitaram o pedido. Se Li Keqiang quiser realmente saber como vivem as gentes de Macau, deve considerar seguir o exemplo dos comissários da antiga China, que se disfarçavam de gente vulgar e se misturavam com o povo para ficarem a conhecer o seu modo de vida. É difícil saber se tem vontade, ou suficiente coragem, para o fazer! Ex-deputado e membro da Associação Novo Macau Democrático


22 (F)UTILIDADES TEMPO

POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

ABERTURA DA EXPOSIÇÃO “LOST IN THE MOBIUS - TAIWAN E MACAU” Armazém do Boi (até 20/11)

Amanhã

MIN

23

MAX

29

HUM

70-90%

•

EURO

8.81

BAHT

WORLD PRESS PHOTO Casa Garden

EXPOSIÇÃO DE PINTURA LUSÓFONA Clube Militar (até 23/10) EXPOSIÇÃO “O ARAUTO DOS TEMPOS: O POETA F. HUA-LIN” Academia Jao Tsung-I (até 13/11)

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “MEMÓRIAS DO TEMPO” Macau e Lusofonia afro-asiática em postais fotográficos Arquivo de Macau (até 4/12) ESCULTURA “LIGAÇÃO COM ÁGUA” DE YANG XIAOHUA Museu de Arte de Macau (até 01/2017) EXPOSIÇÃO “EDGAR DEGAS – FIGURES IN MOTION” MGM Macau (até 20/11)

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 98

PROBLEMA 99

UM LIVRO HOJE

C I N E M A

CELL SALA 1

CELL [C] Filme de: Tod Williams Com: John Cusack, Samuel L. Jackson, Isabelle Fuhrman, Stacy Keach 14.30, 16.30, 21.30

MISS PEREGRINE’S HOME FOR PECULIAR CHILDREN [B] Filme de: Tim Burton Com: Eva Green, Samuel L.Jackson, Judi Dench, Asa Butterfield 19.15 SALA 2

THE ACCOUNTANT [C] Filme de: Gavin O’Connor

Com: Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “ROSTOS DE UMA CIDADE – DUAS GERAÇÕES/QUATRO ARTISTAS” Museu de Arte de Macau (até 23/10)

Cineteatro

1.19

VIVA PORTUGAL!

Diariamente

EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE ARTISTAS DE MACAU IACM (até 30/10)

YUAN

AQUI HÁ GATO

SIMPÓSIO SOBRE CINEMA NA CHINA (CREATIVE MACAU) Auditório do Museu de Arte de Macau, 10h00

EXPOSIÇÃO DE PINTURA “INSPIRAÇÃO INOVADORA”, DE MAK KUONG WENG Jardim Lou Lim Iok (até 16/10)

0.23

Sou chinês e não percebo muito bem o que é isso de falar português. Afinal, Portugal fica tão longe e parece estar tão perto. Por aqui, andam muitos a dizer que temos de ter relações com os países que falam esta língua comum a todos quantos trabalham aqui na redacção. Eu, pessoalmente, gosto muito desta língua pois é em português que me dão comida e me fazem festas, algo que muitos dos meus compatriotas de Macau ainda não perceberam. Foi preciso vir um senhor de Pequim, ao que parece importante, para os meus conterrâneos conseguirem meter na cabeça que se comem bem há muito tempo isso deve-se ao facto dos portugueses aqui terem permanecido alguns séculos. Na verdade, eu não quero saber deles. Sou gato e independente, como sabem. Mas não desdenho do prato que todos os dias põem à frente do meu focinho. E também não cuspo, não urino nem defeco nesse mesmo prato. Ao contrário do que vejo e oiço alguns dos ricaços desta terra fazerem. Coitados! Eu vejo o meu caso: não fosse o enquadramento afectivo (legal) que os ditos portugueses aqui deixaram e ainda estaria naquele gatil ordinário onde nasci. Miava muito e comia pouco. Confesso que não percebo nada ou pouco desta gente. Mas isso não me interessa: enquanto a comida for chegando, sinto-me feliz. Não tenho de caçar ratos, nem ter cuidado com os cães. Não sei bem o que isso é mas dá-me jeito levantar um cartaz onde está escrito a letras gordas: Viva Pu Yi Portugal!

“BYAKUYAKOU (JOURNEY UNDER THE MIDNIGHT SUN)” (HIGASHINO KEIGO, 1999)

A história começa em Outubro de 1973 quando acontece um homicídio num edifício abandonado na cidade de Osaka – o patrão de uma loja de penhores foi esfaqueado. Um mês depois, com a morte de dois dos suspeitos principais do caso, este permanece sem resolução devido à falta de provas. Desde então, Yoji Kirihara, o filho da vítima, e Yukiho Karasawa, a filha de um dos suspeitos parece caminharem separados percursos de vida. Mas crimes misteriosos continuam à sua volta… Angela Ka

SALA 3

MR. RIGHT [C] Filme de: Paco Cabezas Com: Sam Rockwell, Anna Kandrick,Tim Roth 14.15, 17.50, 21.30

SADAKO VS KAYAKO [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Koji Shiraishi Com: Mizuki Yamamoto, Tina Tamashiro, Masanobu Ando 16.00, 19.30

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Angela Ka; Andreia Sofia Silva; Sofia Mota Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


23 hoje macau sexta-feira 14.10.2016

PERFIL

LAURENTINA DA SILVA, PRODUTORA DE EVENTOS CULTURAIS

L

“Já não se sonha em Macau”

AURENTINA da Silva é “orgulhosamente” macaense. Nascida e criada em Macau, lamenta nunca ter saído da terra para conhecer as suas raízes lusas. “Sempre vivi aqui, nunca daqui saí e tenho pena por não conhecer a terra do meu pai e as minhas origens portuguesas, pelo que a ideia que tenho daquele país é apenas das histórias que o meu pai contava”, explica ao HM. Enquanto filha da terra, sente-se um verdadeiro fruto da mistura de culturas. “Também tenho a cultura chinesa muito vincada por causa da minha mãe e no fundo não sou nem uma coisa nem outra e ao mesmo tempo sou as duas.” Laurentina da Silva festeja com a mesma intensidade as duas grandes festas da família, uma de cada cultura: “Festejo sempre o Natal e o ano novo chinês e nem podia ser de outra maneira. São duas datas muito importantes para mim, precisamente porque sou filha deste cruzamento.” O dia-a-dia da macaense é passado a lidar com arte. Trabalha na Fundação Rui Cunha e faz a ponte entre linguagens, a chinesa e a portuguesa, no que respeita à produção de exposições e

eventos. “Finalmente tenho um trabalho ligado à arte”, desabafa enquanto explica que na sua formação na Escola Portuguesa de Macau fez o secundário na área artística, mas a vida não permitiu o seguir dos estudos. A paixão pelas “coisas bonitas” sempre a acompanhou e vem desde pequena. “Gosto de criar coisas”, explica Laurentina da Silva. Numa viagem às memórias, a jovem vai a um infância em que via a mãe a costurar e com o tempo e a proximidade começou a interessar-se pelo ofício. Na adolescência pediu para que lhe ensinasse os dotes da agulha e dedal e começou a fazer roupas para si e para quem quisesse. De tal forma que quando casou foi ela que fiz os vestidos das amigas.

AS LÍNGUAS APROXIMAM

Paralelamente, Laurentina Silva é uma poliglota. Nasceu bilingue a comunicar entre o Português e o Cantonês. Apesar de nunca ter tido ensino oficial de Mandarim, a infância encarregou-se de a amestrar na escrita e leitura de caracteres por obrigação materna. “A minha mãe obrigou-me a aprender caracteres e eu tinha que passar horas a fazer cópias, porque é a única maneira de os

memorizar”, relembra ao pensar nos dias, não tão felizes, de calo no dedo. “Nas férias, por exemplo, tinha, diariamente, que decorar um número de caracteres que a minha mãe definia e não podia sair de casa sem os saber.” Se na altura foi duro, agora Laurentina da Silva “agradece”. Na oralidade, percebe-se o sotaque de Taiwan, num Mandarim mais doce. “Gostava de ver programas daquela região e fui assim que fui aprendendo a falar”, confessa. Mas a formação linguística continua, porque “falando em diferentes idiomas, não só as oportunidades de emprego se abrem, como as relações sociais também podem ser mais e melhores”, como explica. Foi assim que o Inglês, disciplina a que não era muito boa na escola, também foi desenvolvido e, recentemente, resolveu abraçar o Coreano, porque “conhecimento não ocupa espaço”. Macau, a terra que a viu nascer e onde vive é, actualmente, sentida com um ligeiro amargo de boca. “Já não se sonha em Macau”, afirma com tristeza ao olhar para o crescimento do território e as suas consequências. Macau deixou de ser um sítio pequeno onde as pessoas são próxi-

mas, agora é um lugar em que os jovens se desinteressam porque pensam que têm o futuro assegurado com um trabalho no Governo ou nos casinos, ilustra a macaense com alguma tristeza. Mas nem tudo são espinhos e o crescimento galopante da terra fez com que “mais pessoas conhecessem Macau”. Outro aspecto de relevo e que acompanhou a evolução da terra foi a criação de mais empregos e uma maior acessibilidade a determinados cargos por parte dos locais. “Antigamente quem não soubesse Português não tinha acesso a determinados empregos e agora isso já não é assim, o que faz com que as pessoas de cá tenham outras oportunidades.” Mas Laurentina continua a sonhar e os desejos que tem não se desvinculam da sua própria identidade. “Gostava que Macau protegesse o Patuá por ser um dialecto de cá e porque transmite esta coisa do que é ser macaense”, remata. Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


“ ONU GUTERRES ACLAMADO SECRETÁRIO-GERAL

O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi ontem aclamado como novo secretário-geral das Nações Unidas, numa sessão da assembleiageral da ONU que ratificou a escolha feita pelo Conselho de Segurança em 5 de outubro. Reunido em plenário, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o órgão que agrega os 193 Estados do mundo confirmou o que se previa, formalizando a eleição do ex-altocomissário para os Refugiados como novo secretário-geral da organização internacional, a entrar em funções a partir de 1 de Janeiro de 2017. O presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson, destacou, por seu lado, a «evolução» no processo de eleição, «que ficou mais transparente».

CALDO VERDE ENTRA NO MENU CHINÊS

O caldo verde deu este mês um salto para a globalização, ao entrar no menu do Element Fresh, uma cadeia com 34 restaurantes espalhados por toda a China. Trata-se de uma versão adaptada daquela receita do Minho, servida com uma dúzia de rodelas de chouriço e a couve-galega substituída por uma variante local. Em vez da tradicional tigela de barro, o caldo verde do Element Fresh vem num prato de porcelana e, obedecendo ao paladar chinês, o ‘chef’ capricha na pimenta. O preço - cada porção custa 59 yuan - é também ‘adaptado’ à realidade da emergente classe média local. Ainda assim, “vende-se muito bem”, garantiram dois empregados de mesa do Element Fresh de Taikoo Li, um dos centros comerciais mais movimentados de Pequim.

PARTIU DARIO FO

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O escritor e dramaturgo italiano Dario Fo, prémio Nobel da Literatura em 1997, morreu nesta quinta-feira, aos 90 anos. Tinha sido internado há doze dias num hospital de Milão devido a complicações respiratórias, de que sofria há já algum tempo. Numa entrevista, em 2015, justificava porque era escritor e ainda actor, pintor, cantor, compositor e encenador: “A minha perspectiva é a dos homens do Renascimento, capazes de olhar o todo.” Era ainda um destacado activista político, conhecido pela sua oposição ao antigo primeiro-ministro de direita Silvio Berlusconi e que o levou mesmo a candidatar-se, em 2006, com 80 anos, à Câmara de Milão.

sexta-feira 14.10.2016

Em troca segura/a gente emudece/ao ver/o tufão estrebuchar/na bravura/ endiabrada/e a força da prece/do mar naufragado/na nossa janela” António Correia

BOB DYLAN GANHA NOBEL DA LITERATURA

O zénite da canção

O

Prémio Nobel da Literatura foi esta quinta-feira atribuído em Estocolmo a Bob Dylan. O músico norte-americano tornou-se o 113.º escritor a receber o mais cobiçado prémio literário do planeta. “Por ter criado novas formas de expressão poética no quadro da grande tradição da música americana”, foi assim que a Academia Sueca justificou a entrega do Nobel ao cantor norte-americano. É o primeiro norte-americano a ganhar o prémio desde Toni Morrison, em 1993. Mais relevante, porém, é o facto de, depois de vários anos em que o seu nome foi avançado como possível vencedor, a atribuição do Nobel a Dylan servir como legitimação literária da canção popular, de que o cantor de Blowing in the wind é um dos maiores representantes. Não por acaso, Sara Danius, Secretária Permanente da Academia Sueca, reconhecendo que a distinção de alguém cujo ofício é o das canções pode ser controverso, manifestou a esperança de a Academia não ser criticada pela escolha. “The times they are-a changing, perhaps” (“Talvez os tempos estejam a mudar”), afirmou, citando o título de uma das mais famosas canções de Dylan. Nascido em Dulluth, no Minnesota, a 24 de Maio de 1941, Bob Dylan foi uma figura fulcral na revolução musical e cultural da década de 1960. Partindo da tradição folk, blues e country americanas, mas transportando-a para uma nova era de convulsão política e agitação social, levou a palavra, como nunca antes, para o centro da criação pop. Assinou 37 álbuns desde a estreia homónima em 1962. Fallen Angels, editado em 2016, é o último até ao momento. Tecnicamente, esta não é a primeira vez que um músico é distinguido com o Nobel da Literatura. Em 1913, o indiano Rabindranath Tagore recebeu a distinção. Bob Dylan, porém, é o primeiro Nobel da Literatura cujo ofício se centra num

campo exterior ao literário. Isso mento por Alfred Nobel para explicará não só a surpresa com sua atribuição. “Na verdade, a que o anúncio do prémio foi re- história do prémio literário surge cebida, mas também a polémica como uma série de tentativas que se desencadeou, com várias de interpretar um testamento vozes a questionarem a justiça impreciso na sua formulação”, lê-se no site da Academia. da distinção. Na nota biográfica emitida Poucos terão sido mais cáusticos que o romancista escocês pela instituição, acentua-se Irvine Welsh. “Sou fã de Dylan, que as letras de Dylan “têm mas isto é um prémio nostálgico sido continuamente publicadas mal amanhado, arrancado das em novas edições, sob o títupróstatas rançosas de hippies lo Lyrics. Enquanto artista, é senis e gaguejantes”, escreveu extraordinariamente versátil; na sua conta de Twitter. Salman tendo estado activo enquanto Rushdie não podia estar mais em pintor, actor e guionista”. A nota desacordo. Igualmente no twitter, despede-se apontando que “a defendeu o prémio em três frases: sua influência na música con“De Orfeu a Faiz, canção e poesia temporânea é profunda, e ele é têm estado intimamente ligados. alvo de um fluxo contínuo de Dylan é o brilhante herdeiro da literatura secundária”. Inicialmente próximo da tradição dos bardos. Uma grande escolha”. Entre uma posição e tradição da canção de protesto de outra, não falta naturalmente o Woody Guthrie, algo aprimorado humor. O escritor americano Ja- nos clubes folk extremamente son Pinter, por exemplo, tem uma politizados de Greenwich Visugestão a fazer: “Se o Bob Dylan llage, Nova Iorque, Bob Dylan pode ganhar o Prémio Nobel da recusou ser preso no altar de Literatura, então julgo que Ste- “voz de uma geração” a que foi phen King dever ser eleito para erguido. A sua música e as suas letras, inicialmente primorosos o Rock’n’Roll Hall of Fame”. O nome a que chegaram os retratos sociais e denúncia podezoito membros da Academia lítica arrancados à história das MOSS APARECE MOLTO BELLA da velha América e à SuecaKATE foi, porém, consensual. E, canções NA VOGUE ITALIANA DESTE MÊS apesar de inusitado na história realidade nas ruas que o envoldo Nobel, estará de acordo com viam, foram ganhando uma nova os critérios vagos, considera a dimensão à medida que se virava Academia, deixados em testa- para si próprio e procurava uma expressão indidivual em que a liberdade poética surgia torrencial, surreal, revolucionária tendo em conta o que era habitual até então na música popular urbana - exemplo magistral disso é a sua trilogia clássica da década de 1960, formada por Bringing It All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965) e Blonde on Blonde (1966). O final da década traria nova inflexão de rumo, com o mergulho nas raízes e nas mitologias da música americana selado nas famosas Basement Tapes gravadas com a The Band em 1967 e editadas em 1975 ou, simbolicamente, no dueto com Johnny Cash, emGirl from the north country, que abre Nashville Skyline (1969).

LISBOA BIOMBO NAMBAN VAI A LEILÃO

Um biombo Namban da segunda metade do século XVIII é um dos lotes que vai a leilão na próxima semana, em Lisboa, ao lado de outras peças, como um óleo da Escola Portuguesa do século XVII. A leiloeira não revelou o preço de licitação do biombo de duas folhas, que representa a chegada da “Nau do Trato” ao Japão, em têmpera sobre papel de amoreira forrado a folha de ouro, com estrutura em madeira e reverso em papel decorado com padrão geométrico, e moldura em madeira lacada com ferragens em cobre dourado, segundo dados da Veritas Leilões. “O preço está sob consulta directa à leiloeira”, disse à Lusa fonte da empresa, acrescentando que, “actualmente, conhecem-se cerca de cem exemplares distribuídos por museus e colecções privadas de todo o mundo”. O biombo é proveniente de uma colecção particular.

OBRIGADO JOANA

A Joana Freitas participou hoje pela última vez na feitura deste jornal. Durante seis anos, foi uma jornalista exemplar, incansável, uma inexcedível profissional, que ascendeu por mérito próprio da redacção à edição, apesar da sua pouca idade. O Hoje Macau teve a sorte de contar com ela ao longo destes anos, mas a vida é mesmo assim: composta de mudança e agora espera-a uma nova aventura na TDM, onde poderá desenvolver ainda mais o seu talento que, acreditamos, ser capaz de ultrapassar o relativo anonimato do jornalismo escrito e espraiar-se pelo som e pelas imagens. Muito obrigado, Joana. Por tudo aquilo que fizeste e inspiraste, pelas ideias que partilhaste e pelo trabalho que realizaste. Ficamos mais pobres. Ainda bem que não vais para longe. Esta porta estará sempre aberta para ti.

BEM VINDA ISABEL

A partir de segunda-feira, regressa ao Hoje Macau a jornalista Isabel Castro para assumir o lugar de editora. Depois de ter sido directora do jornal Ponto Final e de uma passagem pela Rádio Macau, locais onde espalhou o seu profissionalismo e competência, regressa agora ao HM, onde já anteriormente trabalhara. Muitos a conhecem das suas intervenções desassombradas no programa Contraponto da TDM. Apesar de aqui assinar, há algum tempo, uma coluna de opinião, a verdade é que tínhamos saudades do seu trabalho, do seu estilo e camaradagem. Felizmente, está de volta. Bem vinda, Isabel.


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Hoje Macau 14 OUT 2016 #3675 by Jornal Hoje Macau - Issuu