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Hoje Macau 13 MAIO 2022 #5006

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HOJE MACAU

ENTREVISTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

Verde esperança A partir de segunda-feira, quem vier de Hong Kong passa a ter código de saúde verde, após cumprir a quarentena. A medida de 7 dias de auto-gestão de saúde deixa de estar em vigor, ao contrário do isolamento que se mantém nos 14 dias. No entanto, as autoridades dizem estar a fazer “uma avaliação” da situação. “Sabemos que algumas regiões vizinhas reduziram o período de observação médica e estamos a avaliar o resultado”, disse Leong Iek Hou, do Centro de Contingência. PÁGINA 7

FIC

UM FUNDO PERDIDO PÁGINA 4

ANA JACINTO NUNES

Nº 5007

MOP$10

AO ENCONTRO DO MUNDO

QUE ANIMAL É ESTE?

CARLOS MORAIS JOSÉ

FRANCISCO RICARTE

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SEXTA-FEIRA 13-5-2022

DORA NUNES GAGO

OPINIÃO

TONS DE ABORTO

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PUB.

TÂNIA DOS SANTOS

EXPOSIÇÃO

VOLTA À ÁSIA EM 80 FOTOS EVENTOS


2 entrevista

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DORA NUNES GAGO

13.5.2022 sexta-feira

“Gostava que o leitor encontrasse esperança”

A ex-directora do departamento de português da Universidade de Macau lança amanhã em Lisboa o livro de contos “Floriram por engano as rosas bravas”. Segundo a autora, a obra resultou de uma sucessão de idas e vindas a Macau, da inspiração em vultos culturais como Camilo Pessanha e Maria Ondina Braga, mas também da vontade de estabelecer uma ligação com a realidade noticiosa local

“Floriram por engano as rosas bravas” contem alguns contos que já foram publicados. Porquê lançar agora esta obra? Não foram muitos publicados. Se calhar, no leque de 24 contos, seis tenham sido publicados, pelo que a grande maioria são textos inéditos. Esta é uma colectânea que fui organizando nos últimos seis anos. Recordo-me que o primeiro conto foi escrito no Ano Novo Chinês de 2016. No fundo acaba por ser um registo dos últimos dez anos de vivências em Macau e na Ásia, pois comecei a trabalhar na Universidade de Macau em Fevereiro de 2012. Fiz alguns rascunhos de situações que vivi e conheci, como viagens, e alguns contos baseiam-se em notícias de jornais, como é o caso do suicídio da então directora dos Serviços de Alfândega [Lai Man Wa], nos Ocean Gardens, ou aquele caso da morte do meio irmão do presidente da Coreia do Norte que foi assassinado em Kuala Lumpur e que viveu em Macau [Kim Jong-nam]. “A Roleta da Vida” é um conto sobre alguém que perdeu tudo num casino. Foi um trabalho feito ao longo do tempo, até que vi que era altura de juntar tudo e publicar.

Decidiu então pegar em assuntos do quotidiano e adaptá-los à literatura. Como foi o processo criativo de unir realidade e ficção? Essa junção aconteceu de forma muito natural. Escrevo há muitos anos e a escrita e a literatura sempre foram, para mim, uma forma de olhar o mundo e também de me tentar integrar nele. Foi um pouco isso que tentei fazer através desses contos, tentar perceber melhor as diversidades culturais que existem em Macau e integrá-las em mim. Daí que acaba por ser quase inevitável essa junção dos mundos. Quando se sentava para escrever, que temas da actualidade local lhe despertavam mais a atenção do ponto de vista literário? Sempre me interessei por tudo. Uma boa história pode surgir no momento mais inesperado. Não procurei nos jornais ou em meu

AUTORA

redor temas específicos. Por exemplo, a investigação que tenho feito na universidade, que tem muito a ver com imagens do estrangeiro e relacionadas com exílio, talvez tenha sido um pouco condicionada por isso. Mas interessam-me sobretudo temas sociais, que tenham a ver com cultura e sociedade. Tudo depende de como as coisas vão surgindo e do que despertam em mim.

Porquê o género conto? Tenho uma colectânea de poemas completa e também estou a escrever algumas crónicas, que irei publicar em breve. O romance está ainda numa fase inicial porque exige outro tipo de trabalho, não é apenas inspiração, mas o trabalho textual tem de ser mais persistente e exigente, algo que não tenho conseguido conciliar com a minha profissão. O conto, por ser uma narrativa mais breve, e por ter um princípio, meio e fim, e porque naturalmente sempre tive mais tendência para ser sintética do que analítica, foi o género em que me senti mais à vontade.

“Uma boa história pode surgir no momento mais inesperado (...) interessam-me sobretudo temas sociais, que tenham a ver com cultura e sociedade.” O título da obra remete para um poema de Camilo Pessanha. Pessanha é, aliás, uma grande influência para este livro, tal como Maria Ondina Braga. No caso do verso de Pessanha é curioso porque gostei muito dele e andava dentro de mim há muitos anos, há mais de 30 anos talvez, desde que li o poema. De repente, achei que esse verso fazia sentido porque está incluído num poema que fala de questões como a brevidade da vida, os desencontro, as ilusões e desilusões. É um poema simbolista com uma

temática muito densa e que achei que se encaixava muito bem nesta colectânea. Quanto à influência da Maria Ondina Braga, sempre me identifiquei muito com a sua obra. Cheguei a conhecê-la pessoalmente num encontro de escritores, nos anos 90. Foi engraçada


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a minha entrada na sua obra. Em 1991, quando era aluna da Universidade de Évora, ganhei um prémio de escrita que incluía uma viagem a Macau. Quando regressei a Évora fui à livraria do centro comercial e havia lá um livro da Maria Ondina Braga, o “Nocturno em Macau”. Tinha acabado de sair. Identifiquei-me muito com esse romance e parecia que dava resposta a um certo fascínio que tinha sentido por Macau. A partir daí comecei a ler muita coisa sobre a autora e a nível de investigação também tenho escrito muita coisa sobre ela. Tem sido uma presença forte na minha vida. No prefácio é referido o lado de exilado de Pessanha, que morre em Macau, dependente do ópio.

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“Macau é um território muito complexo, é um espaço geograficamente pequeno mas que tem dentro dele muitos mundos e culturas.” Há também esta relação com Pessanha? Camilo Pessanha é uma figura muito relevante na literatura portuguesa. É o nosso grande poeta simbolista e deixou uma grande influência na literatura portuguesa, nos modernistas, em Fernando Pessoa, por exemplo. Tendo este livro Macau como um dos cenários e estando Pessanha tão ligado a

Macau, Pessanha é um autor que não se pode ignorar quando se fala de Macau e quando referimos o Oriente. É uma presença muito interessante. O primeiro conto é “A Chegada” e depois termina com o conto “A Partida”. Há aqui a ideia de distância, de exílio, de ligação a uma terra que se ama mas não se conhece? É verdade. Esta ideia de exílio colocou-se ainda mais nestes dois anos com a questão da pandemia, pois não pude ir a lado nenhum. Foi viver numa bolha à parte do mundo, uma bolha que fica longe. Outra das mensagens muito presente no livro é o contraste entre culturas e línguas.

“Escrevo há muitos anos e a escrita e a literatura sempre foram, para mim, uma forma de olhar o mundo e também de me tentar integrar nele.”

Sim. É também uma questão muito relevante em Macau, a questão linguística e as dificuldades que muitas vezes existem para se comunicar. Mas a literatura está sempre aberta às interpretações e cada leitor pode descobrir mensagens diferentes. Mas o que eu gostava realmente que o leitor encontrasse é a mensagem de esperança, mesmo nos momentos mais complicados e difíceis. Tentei em muitos contos apontar essa ideia de esperança. Este livro mostra uma percepção do que é Macau? Talvez. Macau é um território muito complexo, é um espaço geograficamente pequeno mas que tem dentro dele muitos mundos e culturas. Ao mesmo tempo é também um espaço em constante mudança, mas suponho que, pelo menos, o leitor fica com uma imagem de alguns aspectos relevantes do território. Este livro vai ser editado em Portugal. Sente que existe interesse das editoras portuguesas relativamente a Macau e ao Oriente, sobretudo na literatura? O panorama editorial em Portugal é complicado porque há imensas editoras e existe a sensação de que todos são escritores. Isso tem-se sentido muito nos últimos tempos, e faz impressão porque é um país onde não há muitos leitores. Creio que ainda há algum interesse pelo Oriente, porque continua a ser um mundo um pouco misterioso, apesar das viagens e da banalização. Que cenário traça em termos de edição de livros e produção literária em Macau, em língua portuguesa? Creio que esse mercado estará vivo mas começa a ressentir-se com a saída de estrangeiros, nomeadamente portugueses. Um dos problemas que vejo no mercado literário em Macau é a circulação dos livros fora do território. Andreia Sofia Silva


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públicas e contratação pública”. Iong Kong Leong, director da DSF, apresentou o funcionamento desta direcção de serviços em Macau, sendo que ficou prometida a continuação, entre as duas partes, de “um contacto estreito com vista a assegurar a plena coordenação no âmbito de políticas financeiras e fiscais”.

FIC DETECTADAS ANOMALIAS E FALTA DE FISCALIZAÇÃO EM FINANCIAMENTOS

Bater no fundo

Inundações Kai Fong querem mão pesada para descargas ilegais Com o objectivo de combater as inundações no Porto Interior, o vice-presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Marginal (Kai Fong), Chu Hou Iun, sugeriu que o Governo aumente as sanções para os responsáveis por efectuarem descargas ilegais nas águas residuais. Citado pelo jornal Ou Mun, Chu Hou

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Comissariado da Auditoria (CA) emitiu ontem um relatório muito pouco abonatório em relação à forma como o Fundo das Indústrias Culturais (FIC) atribui os financiamentos. Após elencar uma série de anomalias, o regulador coloca mesmo em questão a capacidade do FIC para atingir os objectivos a que se propõe. “Para que o dinheiro público, que é limitado, seja apropriadamente utilizado para alcançar as políticas e objectivos definidos, é necessária uma boa e activa gestão”, aponta o CA. Ao longo da auditoria, foram detectadas anomalias nos apoios durante o período entre 2013 e 2020, envolvendo perto de 40 milhões de patacas, nem todos com o mesmo grau de gravidade. A entidade fiscalizadora indica que “em nove projectos [foram detectadas] situações flagrantes de transacções com partes relacionadas”, envolvendo um total de 23,8 milhões de patacas. No relatório é referido “que o Fundo das Indústrias Culturais [FIC] nunca chegou a tomar medidas quanto aos casos de conflitos de interesses nesse tipo de transações”. Aliás, a entidade liderada por Ho Veng On concluiu que “muitos dos problemas e sinais evidentes foram ignorados pelo FIC” e que isso “demonstra que a atitude passiva do organismo auditado foi a principal causa dos problemas detectados”.

Milhões e milhões

Comissariado da Auditoria “Relativamente ao mecanismo de fiscalização estabelecido, constataram-se deficiências em certos procedimentos, e que o FIC, para além de não a ter corrigido atempadamente, deixou a situação piorar.”

O Comissariado da Auditoria aponta falta de fiscalização e anomalias na atribuição de verbas através do Fundo das Indústrias Culturais. O relatório, divulgado ontem, indica terem sido encontradas “situações flagrantes de transacções com partes relacionadas”, envolvendo quase 24 milhões de patacas

O CA revela que começou por analisar o mecanismo de verificação das despesas com vista a examinar a gestão efectuada pelo FIC. “Relativamente ao mecanismo de fiscalização estabelecido, constataram-se deficiências em certos procedimentos, e que o FIC, para além de não a ter corrigido atempadamente, deixou a situação piorar”. Aentidade fiscalizadora detectou também anomalias quanto à legalidade de despesas no arrendamento, o que resultou no “desperdício do dinheiro público aplicado pelo FIC”, explicitando que os “apoios financeiros destinados a rendas custaram ao erário público quase 15,8 milhões patacas”. O relatório analisou a atribuição de apoios a 316 projectos entre Outubro de 2013 e Junho de 2020, no valor total de 517,9 milhões de patacas. João Luz com LUSA

Iun recordou que as inundações no Porto Interior são potenciadas pelas descargas feitas pelos restaurantes e estaleiros de construção, que acabam por entupir os esgotos. Dado que os infractores podem ter que pagar multas entre as 2.000 e 10.000 patacas, o responsável defendeu que o Governo deve aumentar as sanções.

RÓMULO SANTOS

Hengqin Dirigentes da Zona de Cooperação visitam DSF Uma delegação da direcção dos serviços de finanças da Zona de Cooperação Aprofundada com Hengqin, liderada por Wang Chenhui, visitou esta quarta-feira a Direcção dos Serviços de Finanças. O objectivo desta visita foi “promover o intercâmbio e cooperação Macau e Hengqin”, tendo sido debatidos assuntos como “finanças

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Tudo como dantes Governo garante que espectro do imposto de turismo não será alargado

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PESAR de o novo diploma que regula o imposto de turismo prever a tributação de estabelecimentos dedicados à venda de bens e, não só, de serviços, o Governo assegurou ontem que a alteração à lei não irá implicar um alargamento do âmbito de incidência sobre os agentes sujeitos à cobrança do imposto. A revelação foi feita ontem perante os membros da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que concluiu ontem a análise na especialidade à “Alteração ao Regulamento do Imposto de Turismo”. Segundo Vong Hin Fai, deputado que preside à comissão, isso quer dizer que lojas e outros estabelecimentos dedicados à venda de artigos localizadas no interior dos resorts, não terão de pagar imposto de turismo, desde que sejam independentes do hotel. “O imposto de turismo incide sobre os bens fornecidos e serviços prestados directa ou indirectamente. Manifestámos a nossa preocupação com o facto de essa alteração poder alargar o âmbito da incidência real [do pagamento do imposto]. No entanto, com a sua explicação, o Governo descansou a comissão, dizendo que esse alargamento (…) não vai acontecer e deu como exemplo os estabelecimentos localizados nos resorts que há em

Macau”, começou por dizer o deputado. “Quando há estabelecimentos nos resorts que vendem artigos de desporto, roupa ou (…) prestam serviços, há a possibilidade de esses bens ou serviços estarem sujeitos à tributação do imposto de turismo. O Governo explicou que quando se trata de estabelecimentos autónomos da unidade hoteleira ou dos resorts em termos de espaço (…), de acordo com o regulamento do imposto de turismo, estes não estão necessariamente abrangidos”, acrescentou.

Por exclusão de partes

Além disso, frisou o deputado, a proposta de lei concretiza que health clubs, espaços de massagem, karaokes e saunas estão entre os estabelecimentos sujeitos ao pagamento do imposto de turismo e que, por isso, “outros estabelecimentos que não estejam especificamente indicados (…) não estão abrangidos pela incidência real” do diploma. Durante a reunião de ontem, Vong Hin Fai partilhou ainda que, dado que o Governo não faz a cobrança do imposto de turismo desde 2020 devido à pandemia, a comissão alertou o Executivo para “estar atento” ao processo de regulamentação para que a sua aplicação seja a “melhor” assim que situação epidémica atenuar. Pedro Arede


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política 5

GCS

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Enfermagem Wong Kit Cheng pede salários semelhantes entre privado e público

A deputada Wong Kit Cheng defendeu ontem a redução do fosso entre os salários e benefícios das enfermeiras que trabalham no sector público e as do sector privado. Numa mensagem que assinalou o Dia da Enfermagem, que se celebrou ontem, Wong, que também é enfermeira, considerou importante valorizar uma profissão com um impacto social muito grande e que é fundamental para a prevenção, tratamento e reabilitação dos cidadãos da RAEM. A deputada, ligada à Associação das Mulheres, valorizou ainda o trabalho das profissionais, que disse estarem sob forte pressão nos últimos anos devido aos trabalhos contra a pandemia e à falta de mão-de-obra na RAEM. “É uma pressão física e mental muito grande, que mostra cada vez mais a falta de recursos”, afirmou.

Denge Ngan Iek Hang quer medidas para eliminar mosquitos

O deputado Ngan Iek Hang perguntou ao Governo se pode seguir o exemplo de Hong Kong em termos de medidas de prevenção e eliminação de mosquitos. Em interpelação escrita, o deputado perguntou se a RAEM pode implementar as mesmas medidas, permitindo à população conhecer dados sobre concentração de mosquitos. Ngan Iek Hang apontou também que várias zonas usam técnicas inteligentes para a prevenção e eliminação de mosquitos, por isso, perguntou ao Governo se tem planos para usar tecnologias como inteligência artificial e mega-dados para emitir sistemas de alertas. O deputado recordou ainda uma interpelação no passado em que o Governo considerou a necessidade de melhorar o combate à eliminação de águas estagnadas nas habitações. Nesse sentido, Ngan Iek Hang pediu um ponto da situação e perguntou o que foi feito para aumentar a eficácia.

Leong Hong Sai “Se alguns dos trabalhadores do sector da distribuição foram infectados, a população fica preocupada porque vai dificultar muito a distribuição dos alimentos pelas diferentes casas.”

CONFINAMENTO LEONG HONG SAI PEDE TESTES AO ABASTECIMENTO DE COMIDA

A pintar o pior cenário O deputado dos Moradores defende que o Governo tem de testar a rede de distribuição de produtos, uma vez que a maioria dos alimentos é importada, e em caso de confinamento podem surgir problemas

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O âmbito da política de zero casos e das medidas de confinamento, que podem obrigar os residentes a ficarem trancados em casa durante semanas, o deputado Leong Hong Sai apelou ao Governo para testar a resistência das redes de abastecimento de comida. Segundo os planos apresentados pelos Serviços de Saúde, em caso de surto comunitário o Dome vai acolher as pessoas para isolamento. Contudo, se o número de infectados ou contactos próximos exceder a capacidade, está previsto que a cidade feche e as famílias permaneçam isoladas em casa. Um dos membros do agregado familiar deverá ser autorizado a sair para

fazer compras de bens de primeira necessidade. Com base nestes planos, Leong Hong Sai defendeu que o Governo deve garantir que o abastecimento de alimentos à RAEM não é afectado. “Se alguns dos trabalhadores do sector da distribuição forem infectados, a população fica preocupada porque vai dificultar muito a distribuição dos alimentos pelas diferentes casas”, afirmou o deputado, citado pelo jornal Cheng Pou. Face a este cenário, Leong “sugeriu às autoridades que formulem um plano muito claro para o trabalho de logística e que organizem as tarefas pelos diferentes agentes da indústria”.

Como parte da sugestão, Leong pediu também para que sejam feitas simulações de diferentes cenários, testes de stress, cálculo de riscos, assim como a possibilidade de serem feitas diferentes bolhas, entre os trabalhadores.

Medidas especiais

O legislador ligado à Associação dos Moradores defendeu ainda a necessidade de refinar os planos sobre os grupos vulneráveis, como as crianças. Leong mostrou-se preocupado com as situações em que as famílias monoparentais têm um dos membros infectados, o que pode deixar as crianças sem acompanhamento. Por isso, o deputado considera que o Executivo tem de definir

estes pormenores muito bem, para estabelecer locais de acolhimento das crianças. No âmbito dos grupos que consideram ter maiores fragilidades, o deputado quer ainda saber como vai ser feita a desinfecção dos transportes públicos. Neste capítulo, o legislador considera que é importante implementar planos de cooperação com as associações tradicionais e as instituições de ensino, que podem ajudar nestes processos e ainda ensinar os mais velhos a fazerem testes rápidos de covid-19, uma forma de teste que ainda não é utilizada na RAEM. João Santos Filipe

NECESSIDADES ESPECIAIS HO ION SANG PEDE INSTALAÇÕES PARA FAMÍLIAS NA ILHA DA MONTANHA

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deputado Ho Ion Sang quer saber se o Governo vai construir instalações para pais e filhos com necessidades especiais na Ilha da Montanha. O pedido foi revelado ontem e consta de uma interpelação escrita sobre o Novo Bairro de Macau, em Hengqin.

Anteriormente, foi anunciado que a RAEM iria financiar a construção de casas e instalações comunitárias. Mas, alguns pormenores ainda não são conhecidos, e o deputado eleito indirectamente pelo sector da educação pediu esclarecimentos.

“Sabemos que o Novo Bairro de Macau em Hengqin vai ter escolas, centros de saúde e centros comunitários. Será que as autoridades vão considerar instalar igualmente instituições com capacidade para tratar de crianças com necessidades especiais e apoiar os pais?”, perguntou.

A Associação do Moradores, que Ho Ion Sang, representa está actualmente presente na Ilha da Monta-

nha e em Zhuhai. À semelhança do que acontece em Macau, se o Governo optar por abrir estes centros, a associação poderá assumir a prestação de serviços, a troco do pagamento de subsídios. Porém, o modelo de gestão não é indicado na interpelação.

Na mesma interpelação, Ho Ion Sang reconhece a falta de terapeutas em Macau, por isso, quer saber como se pode contribuir para ajudar estas crianças. Entre as sugestões apresentadas, Ho pergunta se é possível estabelecer cooperação com grupos de teatros locais. J. S. F.


6 sociedade

GALAXY RECEITAS DO PRIMEIRO TRIMESTRE CAEM QUASE 20%

Nuvens negras TIAGO ALCÂNTARA

A Galaxy Entertainment Group registou quebras de receitas de 19,5 por cento durante o primeiro trimestre de 2022, em relação aos primeiros três meses do ano passado. Apesar dos resultados, o CEO do grupo encarou a intensificação do movimento de visitantes durante os feriados deste mês como um sinal de retoma

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“Pagámos os dividendos especiais de $0,30 por acção a 29 de Abril de 2022. Isto atesta a nossa confiança a longo prazo em Macau, a nossa força financeira e o potencial de ganhos futuros enquanto navegamos por mares afectados por ventos pandémicos.”

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S primeiros três meses de 2022 foram particularmente penalizadores para a indústria do jogo. Os resultados do primeiro trimestre do ano da Galaxy Entertainment Group, apresentados ontem à bolsa de valores de Hong Kong, atestam a tendência negativa. A concessionária registou 575 milhões de dólares de Hong Kong (HKD) de ganhos antes de amortizações, depreciações, juros e impostos (EBITDA), resultado que representa um declínio de 33,1 por cento em relação ao período homólogo de 2021, e uma quebra de 44,9 por cento em relação ao trimestre anterior. As receitas dos primeiros três meses de 2022 totalizaram 4,1 mil milhões de HKD, menos 19,5 por cento em relação ao primeiro trimestre de 2021 e menos 13,7 por cento em relação ao quarto trimestre de 2021.

LUI CHE WOO CEO DA GALAXY

Durante o período em análise, as receitas líquidas apuradas no jogo caíram 24,8 por cento em termos anuais, para 2,9 mil milhões de HKD. A quebra em termos trimestrais ficou-se pelos 10,9 por cento. Ainda assim, o CEO do grupo, Lui Che Woo, destacou sinais de retoma do sector no comunicado enviado à bolsa e aos accionistas da Galaxy.

“Embora tenhamos experimentado um aumento modesto nas visitas durante os feriados de Maio, reconhecemos que ainda se mantém muito abaixo dos níveis pré-pandémicos”, começou por contextualizar. Porém, Lui Che Woo sublinhou a importância da maior actividade nos resorts integrados do grupo, incluindo nas unidades hoteleiras e restaurantes. “Acreditamos ser um bom pressá-

gio para a futura recuperação de Macau, na medida em que assinala um aumento da procura reprimida em relação ao lazer, turismo e viagens”, apontou.

Tempos que se avizinham

Apesar dos resultados desanimadores, o líder da Galaxy salienta a solidez contabilística do grupo empresarial, mesmo durante um “período desafiante”, reportando

EXPORTAÇÕES EMPRESÁRIOS PREOCUPADOS COM FALTA DE MÃO-DE-OBRA

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um saldo líquido de tesouraria de 24,5 mil milhões de dólares norte-americanos. Motivo pelo qual o CEO da Galaxy Entertainment Group reitera a continuidade dos investimentos da Galaxy “no futuro de Macau”. Lui Che Woo destacou também o retorno recebido pelos accionistas, enquanto factor que comprova a solidez financeira do grupo. “Temos o prazer de informar que pagámos os dividendos especiais previamente anunciados de $0,30 por acção a 29 de Abril de 2022. Isto atesta a nossa confiança a longo prazo em Macau, a nossa força financeira e o potencial de ganhos futuros enquanto navegamos por mares afectados por ventos pandémicos”, afirmou.

insuficiência de trabalhadores foi a principal preocupação dos empresários exportadores que participaram no Inquérito de Conjuntura ao Sector Industrial Exportador referente ao último trimestre de 2021, de acordo com a Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT).Apossibilidade de falta de mão-de-obra foi indicada como o maior receio de 49,2 por cento dos inquiridos, com 39 por cento a elencarem “preços elevados das matérias-primas” e “preços mais competitivos praticados no estrangeiro” como um problema, e 21,9 por cento afirmou temer “insuficiente volume de encomendas”.

Ainda no capítulo do mercado de emprego, a DSEDT indica que durante o período em análise o número de trabalhadores da indústria transformadora para exportação registou uma ligeira descida de 1 por cento face ao trimestre anterior e descida de 2 por cento em comparação com o período homólogo de 2020. Neste domínio, os sectores de produtos farmacêuticos e de equipamentos electrónicos/eléctricos registaram maior procura de trabalhadores. Quando questionados sobre perspectivas de exportações para os próximos seis meses, os empresários que anteciparam uma perspectiva optimista subiram para

30,3 por cento no trimestre em análise, representando um acréscimo de 22,7 pontos percentuais face ao 3.º trimestre de 2021 (7,6 por cento) e um acréscimo de 1,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2020 (28,9 por cento). Em relação aos mercados de destino, os empresários destacaram que os Estados Unidos e a União Europeia são os “mercados de destino das exportações com performance relativamente melhor, apresentando um índice de 29,8 por cento e 25,7 por cento, respectivamente”. A performance do mercado de outros países da região Ásia-Pacífico e de Hong Kong foi menos favorável. J.L.

O optimismo do CEO da Galaxy não é ilimitado, reconhecendo que potenciais novos surtos de covid-19 “podem ter impacto no desempenho financeiro” do grupo. Em relação ao processo de renovação das licenças de jogo, Lui Che Woo afirmou que o grupo solicitou a extensão da concessão até 31 de Dezembro deste ano. Além disso, o director reitera que a Galaxy “continua a apoiar o processo regulamentar em Macau, incluindo as iniciativas legislativas relacionadas com o sector do jogo”. João Luz

Justiça TJB emite sentença em chinês e não prolonga prazo de recurso

Apesar de ter escrito uma sentença em chinês com mais de 99 páginas para um caso com um advogado que domina o português, o Tribunal Judicial de Base (TJB) recusou estender o prazo para a apresentação do recurso, de acordo com o portal da revista Macau Business. O

caso envolve a empresa Asia American Entertainment, que pretendia uma compensação de pelo menos 60 mil milhões de patacas da Sands China, devido à quebra de um contrato, no âmbito do concurso de atribuição das licenças de jogo. Na primeira decisão, o tribunal decidiu que a Sands China não tinha de pagar qualquer compensação. Agora, para justificar a recusa do prolongamento do prazo, o tribunal terá argumentado que apesar de a lei atribuir igual dignidade aos idiomas, os juízes utilizam a língua que bem entenderem.


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COVID-19 QUEM VEM DE HONG KONG TERÁ CÓDIGO VERDE APÓS CUMPRIR QUARENTENA

Uma mudança de cores

A partir da meia-noite da próxima segunda-feira, deixa de ser obrigatório, para quem viaja de Hong Kong, o cumprimento de sete dias de auto-gestão de saúde com as restrições actuais, uma vez que estas pessoas terão código de saúde verde ao longo desse período. A larga maioria dos casos positivos é detectada nos primeiros sete dias de quarentena, porém, o isolamento mantém-se em 14 dias SOFIA MARGARIDA MOTA

“abrandamento da situação epidémica de Hong Kong” é uma das razões pelas quais as autoridades de saúde decidiram que, a partir da meia noite da próxima segunda-feira, 16, deixe de ser obrigatório o cumprimento, por parte de quem viaja de Hong Kong para Macau, da realização da auto-gestão de saúde de sete dias. Nesse período, o código de saúde deixa de estar amarelo e passa a cor verde, o que permite uma maior circulação no território. No entanto, é obrigatório realizar testes de despistagem à covid-19 a cada dois dias. Apesar desta alteração, as autoridades permanecem irredutíveis numa mudança do período de quarentena de 14 dias, ainda que a maior parte dos casos de covid-19 sejam detectados nos primeiros sete dias. Os dados foram anunciados ontem por Leong Iek Hou, coordenadora do Centro de Coordenação e de Contingência do novo tipo de coronavírus, na habitual conferência de imprensa sobre a pandemia. “Desde o início da pandemia que 75 por cento dos casos importados são detectados no prazo de sete dias. Do quarto ao sétimo dia são detectados 16,8 por cento dos casos, e depois 6,4 por cento entre o oitavo e décimo dia. Do 11.º ao 14.º dia são detectados 1,7 por cento”, frisou. Não há dados relativos ao número de casos diagnosticados.

sociedade 7

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“Com a variante Ómicron, observamos que o período de incubação é cada vez mais curto. Estamos a fazer uma avaliação. Não me recordo da última vez que detectámos um caso positivo no décimo dia, mas vamos fazer uma

CÓDIGO DE SAÚDE SEGUNDA PARTE Já está em andamento a segunda fase da afixação dos códigos de saúde em estabelecimentos, e que inclui mais locais que não foram integrados na primeira fase. Desta forma, e segundo um comunicado ontem divulgado, os estabelecimentos devem imprimir e afixar o código de saúde até ao próximo dia 31. Cabe à Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) notificar os estabelecimentos ou associações abrangidas por esta segunda fase, devendo as mesmas registar-se no portal da DSI, em https://webservice.dsi.gov.mo/AssoSurvey/. Será depois enviado, no dia útil seguinte, o link da plataforma para o descarregamento de código QR de estabelecimento, e a conta para a pessoa de contacto, para que a mesma possa aceder à conta e descarregar o código de estabelecimento através do link. Na mesma nota, lê-se que a primeira fase da implementação dos códigos de saúde foi concluída em Janeiro, mas “há ainda alguns tipos de estabelecimentos na comunidade que estão em risco, mas que não foram incluídos na primeira fase”. Mais de 30 mil locais já têm o código relativo à 2.ª fase do programa.

comparação com os dados dos últimos seis meses”, adiantou a responsável. Leong Iek Hou frisou também que está a ser analisada a possibilidade de reduzir os dias da quarentena. "Sabemos que algumas regiões vizinhas reduziram o período de observação médica e estamos a avaliar o resultado. Queremos equilibrar as medidas e reduzir a inconveniência para as pessoas.”

Dúvidas nos hotéis

Outra das alterações anunciadas ontem, prende-se com o facto de os Serviços de Saúde de Macau (SSM), em cooperação com a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), passarem a coordenar a marcação de quartos de hotel para a quarentena de todos os que viajam do Interior da China. Estes “não

têm de fazer a marcação antecipada”. Já para quem viaja de outras regiões o cenário é bem diferente. Actualmente, apenas é permitido marcar um quarto com a antecedência de cerca de um mês, mas Leong Iek Hou garantiu ontem que “é permitida a marcação de hotéis até Agosto”, sendo que os

“Com a variante Ómicron observamos que o período de incubação é cada vez mais curto. Estamos a fazer uma avaliação.” LEONG IEK HOU CENTRO DE COORDENAÇÃO E DE CONTINGÊNCIA

residentes podem “comunicar directamente” com as entidades hoteleiras. De momento existem quartos suficientes, assegurou a responsável. No entanto, a médica admitiu não saber quantos residentes poderão viajar para Macau nos próximos meses, em consonância com o número de quartos disponíveis. “Os hotéis estão a tratar da marcação dos quartos aos poucos e a cada mês dão resposta a quem reservou. Não sei quantas pessoas vão regressar em Agosto, pois o residente pode prever viajar para Macau e não o fazer. Para quem já reservou os quartos estamos a tratar dos casos passo a passo e pedimos paciência." Andreia Sofia Silva

DOCENTES SEM FAMÍLIAS As autoridades não vão permitir, para já, que os docentes ou pessoal de gestão escolar do estrangeiro tragam as suas famílias quando vierem trabalhar para o território. “Até agora recebemos nove pedidos que ainda estão a ser analisados. Apenas vamos autorizar a entrada dos docentes e não das suas famílias. Teremos de observar a situação epidémica e, passo a passo, ajustar as nossas medidas”, disse Leong Iek Hou. “Neste momento daremos prioridade ao pessoal docente de que carece Macau e vamos ouvir as opiniões dos serviços de educação”, adiantou. Quanto à vinda de empregadas domésticas das Filipinas, no âmbito do programa piloto, foram recebidos 12 pedidos até ao momento, tendo sido aprovados oito. Os restantes casos não “são qualificados” devido à ausência da toma de algumas doses da vacina contra a covid-19.


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Um total de 80 fotografias tiradas por Francisco Ricarte desde 2007 em Macau e vários locais da Ásia compõem a nova exposição que estará patente na Casa Garden a partir de amanhã. “ASIA.FAR” revela o olhar sensorial do fotógrafo e que constitui, acima de tudo, um exercício de memória e de reflexão

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M olhar não é sempre igual, muito menos a memória. Quantas vezes voltámos a pousar os olhos em imagens tiradas num outro tempo, que hoje têm outro sentido? Este foi o ponto de partida para a nova exposição que Francisco Ricarte, arquitecto e fotógrafo, apresenta, a partir deste sábado, na Casa Garden. “ASIA.FAR” é o nome da mostra e espelha a sua essência: o olhar de Francisco António Ricarte (FAR) sobre Macau e os diversos locais da Ásia que tem visitado desde 2007. Francisco Ricarte deixa de antemão um aviso: esta não é uma exposição com fotografias turísticas, mas sim imagens que revelam uma outra sensibilidade. É, acima de tudo, uma “interpretação da Ásia aos olhos de um indivíduo”, contou ao HM. “Este exercício de memória sofre alterações e há aspectos que adquirem um outro significado, e é essa ideia que eu quis trabalhar, fazendo uma releitura dos registos fotográficos que fiz desde 2007 até este ano. Seleccionei um conjunto de imagens em que procurei demonstrar a minha sensação e percepção dos vários espaços visitados e como me marcaram inicialmente e ao fim de uns anos. Este foi o ponto de partida para esta exposição”, acrescentou Ricarte. Macau é, como não poderia deixar de ser, ponto de destaque para esta mostra. Há “duas linhas principais”, revelando-se “o foco na natureza, o património natural muito rico do ponto de vista visual” e depois a densi-

As imagens “vão variando, no sentido em que no início somos contaminados quando chegamos à Ásia e a Macau, pelas cores e pelos cheiros”

Horizontes da memória FOTOGRAFIA “ASIA.FAR”, DE FRANCISCO RICARTE, INAUGURADA ESTE SÁBADO


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A mulher e a obra Graça Morais feliz com ‘honoris causa’ da universidade da sua região

dade populacional, o urbanismo intenso, os prédios altos. “Há também elementos físicos e mais contemporâneos, ligados à densidade e nas visões correntes que temos de Macau. Essa é uma série que designei como ‘Conheça os vizinhos’, e que traduz essa hiper-realidade que temos à nossa volta”, destacou.

Uma Ásia “especial”

“ASIA.FAR” revela também os locais que mais marcaram Francisco Ricarte, contando-se imagens de lugares como Hue, no Vietname. “Outro é um lugar fantástico e soberbo que é Angkor Wat, no Cambodja, que deixa qualquer pessoa sensibilizada. Mas há também outros locais como Banguecoque, uma primeira viagem que fiz ao Tibete, quando fui ao norte do Vietname, a Sapa. Não posso deixar de referir Japão e a cidade de Quioto que é uma lição de estética e de beleza.”

Francisco Ricarte já nos habituou a apresentar muitas das suas fotografias a preto e branco, mas desta vez revela-se a cor, numa exposição que não tem um tema específico. “A exposição anterior que fiz foi mais temática, baseada num determinado contexto e realidade. Revelava uma visão muito particular e pontual. Este é um exercício sobre a memória dos espaços que me marcaram.” “Ao mesmo tempo que reconhecemos na Ásia a vibração da cor, também podemos reconhecer a intensidade dos negros, do claro e do escuro, dos contrastes, as sombras, o que é mais percebido e não visto. Esta exposição poderá dar lugar a esse entendimento”, adiantou Ricarte. Ao olhar para o trabalho fotográfico que fez nos últimos anos, Francisco Ricarte reconhece que evoluiu como fotógrafo, apesar de não ter pretensões. “Mal seria se

assim não tivesse acontecido. Não tenho a pretensão de fazer coisas perfeitas mas a preocupação de fazer o exercício do olhar, a forma como vejo as coisas. Essa é a preocupação que foge da visão imediatista daquilo que é só curioso e típico. Procuro fugir disso e que as minhas fotografias traduzam algo mais emotivo e sensorial. Não são fotografias turísticas mas traduzem, sim, sentimentos sobre determinados aspectos.” É por isso que, em “ASIA. FAR”, as imagens “vão variando, no sentido em que no início somos contaminados quando chegamos à Ásia e a Macau, pelas cores e pelos cheiros, pela exuberância do que vimos, mas lentamente assimilamos esses factores e procuramos transformá-los e criar uma outra percepção”. A exposição é inaugurada amanhã às 17h30 e poderá ser vista até ao dia 19 de Junho. Andreia Sofia Silva

MIGUEL BALTAZAR

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artista Graça Morais, no dia em que recebeu o doutoramento ‘honoris causa’, agradeceu o reconhecimento pela universidade da sua região, Trás-os-Montes, e disse que vai retomar a pintura depois de um período de “reflexão” provocado pela guerra na Ucrânia. “Significa muito, honra-me muito, deixa-me muito contente porque é o reconhecimento da minha obra e da minha pessoa.AUniversidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é a universidade da minha região, porque nasci aqui perto”, afirmou à agência Lusa. Graça Morais nasceu no Vieiro, aldeia do concelho de Vila Flor, no distrito de Bragança, a cerca de 60 quilómetros de Vila Real, onde quarta-feira recebeu o doutoramento ‘honoris causa’. Na cerimónia que decorreu na aula magna da academia transmontana, marcou presença o primeiro-ministro, António Costa. Antes, a artista recebeu um telefonema do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. A pintora disse ter ficado contente porque são duas pessoas que estima. Aos 74 anos, Graça Morais torna-se na segunda mulher a ser distinguida com o doutoramento ‘honoris causa’ pela UTAD, depois de, em 2018, ter sido atribuído à escritora Agustina Bessa-Luís. “Ainda me honra mais, porque a Agustina Bessa-Luís é um grande vulto da nossa cultura, é uma grande escritora e era uma grande amiga minha. Eu acho que este olhar sobre a obra de uma mulher é importantíssimo e é muito raro nas universidades, sobre uma artista, é mais sobre mulheres ligadas a outras áreas”, referiu. Aartista diz que é um reconhecimento importante à sua obra e a si, enquanto mulher, e que espera que, a partir de ago-

ra e cada vez mais, as mulheres comecem a “ser reconhecidas por entidades tão importantes como as universidades”.

De volta ao trabalho

Depois de um período de “grande reflexão” em que entrou quando começou a guerra na Ucrânia, Graça Morais quer retomar a sua obra. Estes tempos, contou, “não foram muito produtivos”, embora tenha estado envolvida “em vários assuntos”, entre eles o painel de azulejos que vai ser inaugurado este mês, em Almeida, de homenagem “ao nosso sábio” Eduardo Lourenço. “Porque esta guerra criou em mim um sentimento de espanto, revolta e ao mesmo tempo de medo, porque é muito perto de nós, as pessoas que fogem estão vestidas como nós, as pessoas que ficam são muito pobres. Nós vemos aquelas mulheres e é realmente a pobreza máxima que ficou naquele país ou as mulheres mais heroicas que ficaram ao lado dos homens”, apontou. São, na sua opinião, “exemplos de grande heroísmo que aquelas mulheres estão a dar ao mundo”.

Do conhecimento

A artista não acredita “na inspiração” e conta que tudo

o que faz “tem a ver com olhar o mundo, pensar o mundo, reflectir”. “E depois obedeço a grandes necessidades que estão relacionadas com a minha forma de ver, de viver como mulher, mas sobretudo com a cultura que eu fui adquirindo ao longo da vida, aprendendo muito com outros grandes mestres, lendo, vendo cinema”, acrescentou. Isto porque, na sua opinião, a “pintura não vive isolada”. “Nós vivemos de pequenas coisas, de pequenos contactos com pessoas e objectos e com seres até animais, mas também com a arte global, com o conhecimento, por isso a importância das universidades”, frisou. E continuou: “É através do conhecimento que o espírito das pessoas pode enriquecer, ficar mais crítico e menos permeável aos populismos, menos permeável a seres detestáveis e perigosíssimos como o Putin. Há ‘Putins’ em todos os países, não podemos é deixá-los chegar ao Governo, temos que lutar contra isso”. Com mais de 50 anos de vida artística, Graça Morais é considerada uma “das grandes referências na história da arte contemporânea europeia”.

Bel Canto Recital junta alunos da UPM e Associação Vocal de Macau A partir das 17h00 de amanhã, a Fundação Rui Cunha (FRC) irá acolher o “Recital Conjunto de Bel Canto & Universidade Politécnica de Macau”. Integrado na série de concertos musicais “Os Sons da Praia Grande”, do programa do evento co-organizado pela Associação Vocal de Macau, fazem parte a soprano Ziqi Zhao, Yirong Wang e Yuan Tao, os tenores Liangyi Chen e Yuzhuo Zhang, acompanhados ao piano por May Poon, professora do Curso de Música da Universidade Politécnica

de Macau e a pianista Irene. O recital de amanhã irá contar ainda com a presença da oboísta Jiahui Lu, que irá interpretar um tema clássico de Robert Schumann. Além deste, a audiência poderá também apreciar peças musicais de compositores como Vincenzo Bellini, Huang Zi, Clara Schumann, Giacomo Puccini, Johannes Brahms, Ruggiero Leoncavallo, Changqun Ao, Francis Poulenc, Tianhe Chen, Rui Zhang, Giuseppe Verdi, Gabriel Fauré e Yongxi Huang. A entrada é livre.


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STADOS Unidos e China entraram ontem em desacordo no Conselho de Segurança da ONU sobre as tensões na península coreana, com Washington a defender mais sanções internacionais contra a Coreia do Norte e Pequim a pressionar por alívio. “Devemos fortalecer o regime de sanções e não estar interessados em flexibilizar as sanções”, disse a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, que convocou o Conselho de Segurança para debater o assunto e está a pressionar o órgão de 15 membros para fortalecer as sanções contra a Coreia do Norte. Já a China e a Rússia pretendiam aliviar, para fins humanitários, as pesadas sanções económicas internacionais impostas em 2017 à Coreia do Norte, afectando as suas exportações de carvão, ferro, têxteis ou produtos pesqueiros e as suas importações de petróleo. “Estamos a chegar ao fim das negociações” sobre o projecto de texto norte-americano “e não podemos esperar por

ONU EUA E CHINA EM DESACORDO SOBRE SANÇÕES À COREIA DO NORTE

Nações desunidas Zhang Jun embaixador chinês na ONU “Não queremos sanções adicionais que possam forçar qualquer um dos lados a tomar acções mais proactivas. Falar é melhor do que uma acção coerciva.”

um teste nuclear” para “falar a uma só voz, devemos agir hoje”, insistiu Linda Thomas-Greenfield, apoiada nesse sentido pelo Japão. Washington considera que está iminente um teste nuclear na Coreia do Norte.

Por sua vez, o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, disse que “a possibilidade de uma escalada é preocupante” e pediu “a todas as partes que exerçam moderação e mantenham o diálogo”.

Questionado após a reunião sobre o risco de outro teste nuclear norte-coreano, o diplomata da China respondeu: “É claro que ninguém gosta de testes nucleares” e “o que a China quer evitar é um novo teste nuclear”.

“É por isso que não queremos sanções adicionais que possam forçar qualquer um dos lados a tomar acções mais proactivas. Falar é melhor do que uma acção coerciva. Já vimos tantas medidas coercivas em todo o mundo, na Síria, no Iraque e no Afeganistão. Viram bons resultados? O que vimos é apenas sofrimento humanitário”, disse Zhang Jun. A vice-embaixadora russa Anna Evstigneeva também defendeu a resolução proposta com a China e pediu que seja retomado o diálogo.

Venham mais três

Já ao fim do dia, foi anunciado que a Coreia do Norte teria realizado mais um teste com mísseis balísticos. A Coreia do Norte realizou novos testes de mís-

seis balísticos, informaram ontem as autoridades sul-coreanas, precisando que o regime de Pyongyang disparou três mísseis balísticos. “Três mísseis balísticos de curto alcance foram disparados desde Sunan, a norte de Pyongyang”, informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, acrescentando que os projécteis atingiram as águas do Mar do Leste, também chamado de Mar do Japão.

“Devemos fortalecer o regime de sanções e não estar interessados em flexibilizar as sanções.” LINDA THOMAS-GREENFIELD EMBAIXADORA NORTE-AMERICANA NA ONU

O Ministério da Defesa do Japão também confirmou os disparos e a guarda costeira deste país emitiu mesmo um alerta.

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COVID-19 PEQUIM OFERECE APOIO A PYONGYANG PARA ENFRENTAR SURTO AVISO

COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana. Localização dos terrenos: - Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, n.ºs 70 a 106, Rua de Foshan, n.ºs 134 a 138, Praceta de 1 de Outubro, n.º 59 e Praça de D. Afonso Henriques, n.ºs 171 a 249, em Macau, (Edifício Hotel Beverly Plaza); - Estrada Marginal do Hipódromo, n.ºs 115 a 133, Rua Alegre, n.ºs 11 a 103, Rua do Mercado de Iao Hon, n.ºs 64 a 108 e Rua da Saúde, n.ºs 8 a 92, em Macau, (Edifício Hong Lok Sun Chuen); - Rua da Doca dos Holandeses, n.ºs 49 a 101 e Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 379 a 417, em Macau, (Edifício Industrial Chong Fong); - Rua de Afonso de Albuquerque, n.º 5A, em Macau. 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Serviços da RAEM das Ilhas, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 29 de Abril de 2022. O Director dos Serviços de Finanças Iong Kong Leong

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China ofereceu ontem apoio à Coreia do Norte para combater um surto inédito de covid-19, depois de Pyongyang ter confirmado o primeiro caso de contaminação no país. Desde o início da pandemia, detectada inicialmente na China, no final de 2019, o regime norte-coreano recusou as ofertas de vacinas da China, Rússia e Organização Mundial da Saúde (OMS). No início de 2020, o país optou por fechar ainda mais as suas fronteiras e enviar estrangeiros, incluindo diplomatas, para casa. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, ordenou ontem medidas de “confinamento” em todo o país, depois de o país ter diagnosticado o seu primeiro caso oficial de contágio, segundo a imprensa oficial. A diplomacia chinesa manifestou a sua “compaixão” face à situação sanitária do país vizinho,

onde nenhum dos 25 milhões de habitantes está vacinado. “Como camarada, vizinha e amiga, a China está pronta para prestar o seu total apoio e assistência [à Coreia do Norte], na sua luta contra a epidemia”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian. A China é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial da Coreia do Norte. Nos anos 1950, os dois países lutaram juntos contra os Estados Unidos. Nos manuais escolares chineses, a “Guerra da Coreia” é designada “Guerra para Resistir à Agressão Imperialista Americana e Ajudar a Coreia”. Pequim opõe-se ao programa nuclear norte-coreano, mas pede o relaxamento das sanções internacionais contra Pyongyang. A província chinesa de Jilin, que faz fronteira com a Coreia do Norte, é uma das mais afectadas pelo ressurgimento de surtos de covid-19 na China. Pequim colocou grande parte da província em confinamento, sob a sua política de ‘zero casos’, o que também levou ao bloqueio de Xangai, a ‘capital’ financeira do país, e outras cidades importantes.

HONG KONG CHINA EXPRESSA OPOSIÇÃO A CRÍTICOS DA DETENÇÃO DE CARDEAL ZEN

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China expressou ontem “firme oposição” à enxurrada de críticas do Ocidente, após a detenção, no dia anterior, em Hong Kong, do cardeal Joseph Zen, de 90 anos, e outros proeminentes activistas do movimento pró-democracia. “Os indivíduos envolvidos são suspeitos de conspirar com países ou forças estrangeiras para colocar em risco a segurança nacional - um acto de natureza grave”, disse um porta-voz do Gabinete do Comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na Região Administrativa Especial. Em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros lembrou que Hong Kong é “uma sociedade regida pela Lei” e que “nenhum indivíduo ou organização pode estar acima da Lei”. “Todas as actividades ilegais serão punidas”, disse. “Opomo-nos firmemente a quaisquer actos de difamação do Estado de Direito de Hong Kong e à interferência nos assuntos de Hong Kong”, defendeu. O cardeal católico pró-democracia foi detido na terça-

-feira em Hong Kong e libertado mais tarde sob caução. A cantora Denise Ho, detida ao mesmo tempo, foi igualmente libertada sob fiança. Aagência católicaAsianews, que citou fontes locais e vários meios de comunicação de Hong Kong, apontou que a detenção “estava relacionada com a gestão do Fundo 612”, uma organização que, até ao seu encerramento, ajudou milhares de manifestantes envolvidos nos protestos de 2019. As autoridades detiveram Zen e Denise Ho juntamente com outros promotores do fundo, que deixou de funcionar em Outubro do ano passado, entre os quais a conhecida advogada Margaret Ng e o académico Hui Po-keung.


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antropofobias

CARLOS MORAIS JOSÉ

ANA JACINTO NUNES

A existência de seres problemáticos — cujas características os excluem das espécies registadas e que apresentam a aparência de uma mistura, uma intersecção, uma singular junção de atributos de várias espécies — tem desde sempre intrigado a humanidade e dado aso a inúmeras teorias sobre as possíveis origens destes seres, amiúde classificados como “monstros”. Poderá, por exemplo, a união entre espécies diferentes revelar-se, nalguma circunstância, frutífera? Eis uma pergunta que tem atormentado os sábios já que a experiência é frágil a responder, pois se dificilmente conseguiremos obter resultados do cruzamento de um cão com uma galinha; por outro lado, dificilmente se explica também a existência de criaturas híbridas: fenómenos amplamente registados, descritos por textos antigos ou modernos, e mesmo conservados em redomas de vidro, em laboratórios ou gabinetes de curiosidades. É prática generalizada, em quase todas as culturas, classificar o que não é símile, o inesperado, o inusitado, como aberração ou erro da Natureza, não perguntando se não será porventura o nosso olhar demasiado domesticado para aceitar o estranho como novidade ou progresso e ele em nós provocar, antes de mais, horror, medo e desejo de destruição. Na montanha Yaoguang, por exemplo, existe um ser chamado huahuai que se confundiria com um homem, não fossem as enormes cerdas de javali, abundantes no seu corpo. Dele se conta habitar em grutas, onde adquiriu o hábito de hibernar. Ninguém refere em que parte da montanha vive o huahuai: se ocupa as grutas da vertente sul, onde abunda o jade, ou se prefere a encosta norte, onde vulgarmente desponta o ouro. Nesta região é muito arreigada a crença segundo a qual quando um huahuai é avistado tal significa que em breve haverá um recrutamento dos homens e dos rapazes para servirem nas grandes obras do império ou participarem nalguma daquelas guerras que os senhores, de tempos a tempos, gostam de orquestrar. Não é, por isso, um animal muito querido dos camponeses.

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O huahuai O huahuai parece ser o resultado do cruzamento de ser humano com porco selvagem, mas há muito se sabe que essa escabrosa união é, inevitavelmente, infértil. Persiste assim o mistério. Poderá o huahuai ser um descendente daquela tribo de homens transformados em porcos pelo Deus do Corão? Ou poderemos admitir, noutro registo menos mítico, a existência de várias linhas na evolução das espécies, não limitando ao símio a origem do homem, mas alargando a possibilidade de evolução a

SERÁ ENTÃO O HUAHUAI UM ELO, UM ENTE DE TRANSIÇÃO, ENTRE UM JAVALI E UM OUTRO TIPO DE HOMEM A HAVER?

outras espécies e admitir que, tal como o símio, também se poderão um dia tornar humanas? Curiosamente, é o que parece propor Mao Zedong, também ele leitor do Clássico das Montanhas e dos Mares: “Não poderão os cavalos, as vacas e as ovelhas evoluir? Só os macacos poderão evoluir? E poderá ser, além disso, que de todos os macacos só uma espécie possa evoluir e todas as outras sejam incapazes de o fazer? Daqui a um milhão de anos, dez milhões de anos, cavalos, vacas e ovelhas continuarão a ser os mesmos que os de hoje? Penso que eles continuarão a mudar.” (Sobre questões da filosofia) Será então o huahuai um elo, um ente de transição, entre um javali e um outro tipo de homem a haver? E não vemos nos nossos campos, ruas e praças, por vezes, homens e mulheres cujas feições imediatamente lembram as de um suíno? Doutras vezes, (oh quantas vezes, demasiadas, tal não já

aconteceu...) quando olhamos as feições de um grupo de humanos de forma mais atenta, damos por nós num zoológico diversificado, onde parecem proliferar descendentes de diferentes espécies, semiocultas nas faces mas, ainda assim, claramente distinguíveis se alvos de um olhar sofisticado. Apesar da nossa contemporânea vaidade, o actual estado do saber ainda denota uma regular impotência, mesmo quando procura responder a questões que ao longo de milénios ribombam nas mentes mais atrevidas. Na montanha Yaoguang, o huahuai, aparentemente indiferente a problematizações científicas e filosóficas, sem se exprimir em qualquer linguagem conhecida, prossegue calmamente a sua vida, emitindo de quando em vez uns sons, uns estalos, similares aos da madeira partida. Alguns crêem neles pressentir uma profunda tendência para a melancolia.


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XUNZI O poder do estado de Qin em inspirar temor faz tremer a todos em redor dos quatro mares e a sua força ameaça os estados centrais. Contudo, as suas inquietações e trabalhos são incontáveis. Cheio de apreensão, teme constantemente que todos debaixo do Céu se unam e combinem para o esmagar. Sendo esse o caso, o que poderá fazer para lidar com isso? Eis o que digo: deverá cercear o seu uso do poder que inspira temor e regressar a um comportamento cordato, empregando pessoas exemplares, probas, íntegras, dignas de confiança e dedicadas a se aperfeiçoarem, usandoas para trazer ordem a todos debaixo do Céu. Ao fazê-lo, Qin deve permitir que tais pessoas exemplares participem na governação do estado, endireitando o que está torto e deliberando sobre os assuntos da sua capital Xianyang. Quanto àqueles que obedecerem, esses devem ser deixados em paz, sendo executados só aqueles que desobedecem. Se as coisas assim forem, as suas ordens serão executadas por toda a parte sem que tenha de enviar os seus soldados fora das suas fronteiras. Se as coisas assim forem, mesmo que se fizesse construir em honra do estado de Qin um Pavilhão de Luz1 no exterior das suas fronteiras e os senhores feudais lá fossem chamados para deliberar sobre assuntos da corte, essa empresa poderia ser bem-sucedida. Na nossa era, dedicarmo-nos a aumentar o nosso território não é tão bom quanto dedicarmo-nos a aumentar a nossa fiabilidade O Marquês de Ying perguntou a Xunzi: “Desde que chegaste a Qin, o que foi que viste?” Xunzi respondeu: “Vi que tem fortificações e defesas formidáveis, que a sua configuração e posição são

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ELEMENTOS DE ÉTICA, VISÕES DO CAMINHO

O Estado Forte vantajosas, que tem excelentes montanhas, florestas, rios e vales. Vi que beneficia em abundância dos recursos que o Céu dá. A sua configuração predispõe-no à vitória. Quando franqueei as suas fronteiras e observei os seus costumes, vi que o povo comum é simples2 e que a sua música e canções não são perversas nem corruptas. As suas roupas não são provocativas. Temem muito a quem manda e são obedientes. São tal como era o povo de tempos antigos. Nas suas cidades e departamentos oficiais, vi que os cem tipos de funcionários se comportam com solenidade, sendo todos reverentes, contidos, honestos, respeitadores, leais,

dignos de confiança e livres de tacanhez. São tal como eram os funcionários de tempos antigos. Ao entrar na capital e observar os seus oficiais e grandes ministros, vi que saem dos seus locais oficiais e se dirigem a casa e que saem de suas casas e se dirigem aos seus locais oficiais – não há negócios privados entre eles. Não conspiram. Não formam grupos de interesse. Mantendo a sua distância, são todos inteligentes, compreensivos e sem preconceito. São tal como eram os grandes ministros de tempos antigos. Quando observei a sua corte, vi que a forma de ouvir e deliberar sobre os cem assuntos é tal que nenhum caso

PARTE VII

fica por resolver. Procede com tranquilidade, como se nada houvesse para pôr em ordem. É tal como era a corte de tempos antigos. Por isso, Qin tem sido vitorioso há quatro gerações e tal não se deve à sorte, mas às preparações que fez. Foi isto que vi. Estar tranquilo, mas conseguir gerar ordem; agir com contenção, mas cuidar de todos os detalhes; ser livre de preocupações, mas conseguir feitos meritórios – estas coisas são o pináculo da boa governação. O estado de Qin decerto assim parece, porém, há ainda algo que teme. Qin combina todos os feitos que mencionei e possuí-os totalmente. Contudo, se os compararmos com os feitos e fama dos verdadeiros reis, a distância a que se encontra é deveras enorme. Porquê? Será por Qin não ter qualquer ru [erudito]? Por isso se diz: ‘Aquele que os tem de uma forma pura será um verdadeiro rei; aquele que os tem de forma adulterada será um tirano e aquele que nenhum tem perecerá’. Talvez seja isto o que falta ao estado de Qin.”

1 - O míng táng 明 堂 , Pavilhão de Luz (ou Pavilhão Brilhante) era um edifício utilizado pelos reis dos Zhou para tratar de assuntos oficiais. A ideia aqui é a de que, reformando-se inteiramente, o estado de Qin poderia então assumir verdadeiramente o manto da dinastia Zhou e ser tão forte e seguro que conseguiria mesmo instalar a corte fora das suas fronteiras. 2 - Aqui, Segndo o tradutor inglês, Xunzi usa a palavra pǔ 樸 “simples”, num curioso eco do Daodejing.

Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, a par do próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


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0 4 8 5 7 21 12 8 30 99 2 64 4 5 70 0 2 6 5 7 9 86 61 43 1 37 95 9 89 0 4 www. 3 58 74 0 hojemacau. com.mo 2 6 13 36 0

33 3 2 4 0 6 1 5 7 9 8

35 5 0 4 6 3 1 7 9 2 8

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6 9 8 3 5 2 7 4 0 1 9 3 2 4 0 7 8 1 6 5

9 7 0 5 2 3 8 1 6 4 4 9 6 0 2 5 1 7 8 3

C I N E M A

BOJACK HORSEMAN | RAPHAEL BOB-WAKSBERG | 2014

SALA 1

DOCTOR STRANGE IN THE MULTIVERSE OF MADNESS [B]

O protagonista que empresta o nome à série é Bojack, um cavalo falante que calhou ser um actor de sucesso e habita num mundo onde seres humanos coabitam com todo o tipo de animais personificados. Bojack Horseman é uma série de animação produzida pela Netflix que assume uma crítica mordaz ao estilo de vida das celebridades de Hollywood. O sarcasmo, que não hesita em aparecer representado em referências do mundo real, estende-se aos hábitos da sociedade moderna, onde Bojack se vê assolado por fantasmas do passado, prazeres passageiros e todo o tipo de crises existenciais.32 Bojack Horseman tanto é sinónimo de comédia como de tragédia. 5 6 1 2 8 9 0 7 Pedro Arede

7 8 6 3 8 6 5 2 8 8 7 1 3 0 0 9 1 1 4 4 9 0

Um filme de: Sam Raimi Com: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 2

AMBULANCE [C]

Um filme de: Michael Bay

Com: Jake Gyllenhaal, Yahya abdul-Mateen II, Eiza Gonzalez 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 SALA 3

MY BEST FRIEND’S BREAKFAST [B] FALADO EM PUTONGHUA, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ryan Tu Com: Eric Chou, Moon Lee 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

5 6 2 3 7 9 3 4 9 4 39 65 0 8 8 2 9 1 4 3 7 0 6 5 7 0 6 12 58 4 7 0 3 9 5 6 4 8 1 2 3 1 02 9 8 26 4 7 6 8 3 5 2 1 0 9 AMBULANCE 5 7 8 9 4 7 3 1 2 9 5 0 1 7 6 3 4 8 08 34 13 49 2 5 1 8 4 3 9 0 5 6 2 7 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais 0 4 8 2 5 8 0 6 7 6 3 0José7Editores 2 João 4 Luz; 8 José 5 C.9Mendes 1 Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede, Nunu Wu Colaboradores Anabela Canas; António Cabrita; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Gonçalo Waddington; José Simões Morais; 6Julie2Oyang; 7 Paulo 5 Maia 15 e3Carmo; Rosa Coutinho 3 Cabral; 4 2Rui Cascais; 6 7Sérgio 8 Fonseca; 1 9 Colunistas 5 0 André Namora; David Chan; João Romão; Olavo Rasquinho; 0 6 1Paul8Chan9Wai2Chi; Paula 4 6Bicho; Tânia dos Santos 9 Grafismo 5 7 Paulo 4 Borges, 0 1 Rómulo 3 2Santos8 Agências 6 Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare 0 1 8 7 4Morada 7 Pátio 5 da 8 Sé,9n.º22,0Edf. Tak Fok, R/C-B, 0 Macau; 1 8 5 6 2 9 4 7 3 Telefone 28752401 Fax 28752405; e-mail info@hojemacau.com.mo; Sítio www.hojemacau.com.mo 4 3 9 4 1 5 9 8 6 0 2 3 7 1 5 3 9 4 8 6 2 0 7

8 6 2 4 3 7 9 0 1 5 8 7 0 3 5 9 2 6 1 4

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34 7 8 0 4 3 5 1 2 9 6

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14 carta ao director

13.5.2022 sexta-feira

www.hojemacau.com.mo

Senhor director...

Até podia pedir um direito de resposta, não só por ser antiga aluna da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas até, e tão somente, por ser mulher. A opinião publicada neste jornal a 10 de Maio de 2022, cujo autor André Namora é um “desconhecido”, não pode passar sem uma nota de repulsa. E muito me apraz que já alguém o tenha feito. Julgava eu que esta lógica primitiva de colocar a culpa nas mulheres já estaria fora da equação quando caminhamos para fechar o primeiro quarto do século XXI, mas não. Mais chocante ainda é o juízo de carácter que o autor faz aos professores catedráticos, numa lógica bafienta e indecente de colocar sempre os docentes em posição de superioridade moral relativamente aos discentes. Tantas lutas travei eu naqueles bancos da faculdade contra essa filosofia que asfixia os alunos. O assédio está na moda, diz o autor. Tanta vezes já troquei argumentos sobre o fenómeno #metoo que veio confundir cavalheirismo e sedução com discriminação e assédio, mas tudo isto se resolveria com a noção das linhas

vermelhas. O problema do bom senso está aqui: ainda há quem pense desta forma torpe. Dissecar as inúmeras afirmações insidiosas que constam do artigo é um exercício inútil porque creio que a esmagadora maioria dos leitores sentiu a mesma repulsa que eu. Uma última nota para a gravidade do texto publicado do ponto de vista da verdade, esse parâmetro sagrado do jornalismo. É que o autor confunde opinião com “investigação” e o jornal pode e deve fazer esse escrutínio antes de publicar. As afirmações graves que constam do artigo, e que o autor pretensiosamente apresenta como testemunhos de uma situação vergonhosa que se passa numa faculdade em Portugal, mascaram-no de “jornalista”, sendo que o texto apresenta um modelo híbrido e perigoso. Fica aqui o apelo público ao Director do Hoje Macau para que não permita que textos como o publicado por este autor faça parte das páginas do seu jornal. Opinião não é discriminação e a liberdade de expressão não se conquistou para isto. Sandra Lobo Pimentel

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Notificação n.º 21 /DLA/DHAL/2022

Notificação n.º 22 /DLA/DHAL/2022

Considerando que não se revela possível notificar o interessado, por ofício, telefone ou outras formas previstas no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, da decisão administrativa, notifico, pela presente, ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código, o interessado, do seguinte:

Considerando que não se revela possível notificar o interessado, por ofício, telefone ou outras formas previstas no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, da decisão administrativa, notifico, pela presente, ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código, o interessado, do seguinte:

Nome do estabelecimento

Endereço

Titular

TRAVESSA DOS ESTABELECIMENTO DE ALGIBEBES, N.º 2, R/C, 張富 COMIDAS TENG KEI MACAU

N.º da licença administrativa 317/1997

1. Nos termos do artigo 131.º da Lei n.º 8/2021 - Lei da actividade dos estabelecimentos da indústria hoteleira, que altera a alínea e) do n.º 1 e o n.º 2 do artigo 31.º do Decreto-Lei n.º 16/96/M, a licença pode ser cancelada “a pedido do proprietário do imóvel onde se insere o estabelecimento, mediante a apresentação à entidade licenciadora de prova que ateste que o titular da licença deixou de ter o direito ao gozo do local”. 2. Tendo este Instituto confirmado com provas bastantes que o estabelecimento de comidas supramencionado (ESTABELECIMENTO DE COMIDAS TENG KEI) deixou de ter o direito ao gozo do local, no uso das competências conferidas pelo Despacho n.º 04/VPW/2021, exarado pela Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, O Lam, em 30 de Novembro de 2021, publicado na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, de 29 de Dezembro de 2021, conjugados com o n.º 1 de artigo 31.º do Decreto-Lei n,º 16/96/M, alterado pelo artigo 131.º da Lei n.º 8/2021, o signatário decidiu, por despacho exarado em 27 de Abril de 2022, cancelar a licença administrativa do estabelecimento supracitado. Se o interessado não concordar com a decisão de cancelamento da licença administrativa acima mencionada, nos termos dos artigos 145.º, 148.º, 149.º, do n.º 2 do artigo 155.º e dos n.os 1 e 3 do artigo 163.º do Código do Procedimento Administrativo, poderá apresentar reclamação ao autor do acto, no prazo de 15 dias contados a partir do dia seguinte à data da publicação da presente notificação e/ou, apresentar recurso hierárquico ao Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, no prazo previsto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, sem prejuízo da aplicação do artigo 123.º do Código do Procedimento Administrativo. As pessoas com legitimidade podem ainda interpor recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da RAEM contra o acto administrativo acima referido dentro do prazo e com as condições previstos nos artigos 25.º a 28.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M. Para consulta e mais informações sobre o respectivo processo, o interessado ou qualquer indivíduo que prove ter legitimidade em conhecer informações mais pormenorizadas poderão dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762-804, Edifício China Plaza, 2.º andar, zona B do Centro de Serviços do IAM, Macau. Aos 27 de Abril de 2022 O Chefe do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento Fong Vai Seng www. iam.gov.mo

Nome do estabelecimento

Endereço

AVENIDA DA AMIZADE, NO. ESTABELECIMENTO DE 1309, CENTRO COMERCIAL COMIDAS KAM CHOI WONG CHONG FOK, R/C F, MACAU

Titular

N.º da licença administrativa

耿懿

63/2011

1. Nos termos do artigo 131.º da Lei n.º 8/2021 - Lei da actividade dos estabelecimentos da indústria hoteleira, que altera a alínea e) do n.º 1 e o n.º 2 do artigo 31.º do Decreto-Lei n.º 16/96/M, a licença pode ser cancelada “a pedido do proprietário do imóvel onde se insere o estabelecimento, mediante a apresentação à entidade licenciadora de prova que ateste que o titular da licença deixou de ter o direito ao gozo do local”. 2. Tendo este Instituto confirmado com provas bastantes que o estabelecimento de comidas supramencionado (ESTABELECIMENTO DE COMIDAS KAM CHOI WONG) deixou de ter o direito ao gozo do local, no uso das competências conferidas pelo Despacho n.º 04/VPW/2021, exarado pela Vice-Presidente do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, O Lam, em 30 de Novembro de 2021, publicado na Série II do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 52, de 29 de Dezembro de 2021, conjugados com o n.º 1 de artigo 31.º do Decreto-Lei n,º 16/96/M, alterado pelo artigo 131.º da Lei n.º 8/2021, o signatário decidiu, por despacho exarado em 27 de Abril de 2022, cancelar a licença administrativa do estabelecimento supracitado. Se o interessado não concordar com a decisão de cancelamento da licença administrativa acima mencionada, nos termos dos artigos 145.º, 148.º, 149.º, do n.º 2 do artigo 155.º e dos n.os 1 e 3 do artigo 163.º do Código do Procedimento Administrativo, poderá apresentar reclamação ao autor do acto, no prazo de 15 dias contados a partir do dia seguinte à data da publicação da presente notificação e/ou, apresentar recurso hierárquico ao Conselho de Administração para os Assuntos Municipais deste Instituto, no prazo previsto no artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, sem prejuízo da aplicação do artigo 123.º do Código do Procedimento Administrativo. As pessoas com legitimidade podem ainda interpor recurso contencioso para o Tribunal Administrativo da RAEM contra o acto administrativo acima referido dentro do prazo e com as condições previstos nos artigos 25.º a 28.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M. Para consulta e mais informações sobre o respectivo processo, o interessado ou qualquer indivíduo que prove ter legitimidade em conhecer informações mais pormenorizadas poderão dirigir-se à Divisão de Licenciamento Administrativo do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento, sita na Avenida da Praia Grande, n.os 762804, Edifício China Plaza, 2.º andar, zona B do Centro de Serviços do IAM, Macau. Aos 27 de Abril de 2022 O Chefe do Departamento de Higiene Ambiental e Licenciamento Fong Vai Seng www. iam.gov.mo


sexta-feira 13.5.2022

opinião 15

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sexanálise

Tânia dos Santos

A MATERNIDADE E OS VÁRIOS TONS DE ABORTO

PASSADO UM fim de semana a celebrar as mães na maior parte do mundo, também veio a avalanche de medo trazido por um rascunho do supremo tribunal americano insinuando diminuir os direitos das mulheres no país. Claro que qualquer questão americana é mais instigadora de debate e consternação do que em qualquer outro local do mundo – reconheço a tendência. Mas retirar o direito constitucional ao aborto não deixa de ser um retrocesso atroz. Um retrocesso que muitos receiam que esteja a abrir precedentes para reverterem outras leis que se prestam à dignidade e bem-estar humanos. Ademais, Portugal também não está livre de certas ideias absurdas. Ainda esta semana se revelou uma proposta para penalizar equipas médicas que tenham utentes que interrompam voluntariamente a gravidez, ou que contraiam uma doença sexualmente transmissível. Este é um claro incentivo para que as equipas médicas não ofereçam apoio a quem realmente precisa. Ainda para mais, este é um contexto onde utentes já reclamaram a forma como os profissionais de saúde oferecem comentários de responsabilização e culpabilização no que toca a estes temas – que são absolutamente desnecessários. Tantas mulheres ao longo do tempo nos partilharam as histórias dos seus abortos ilegais: as celebridades, como agora publicamente relatam, bem como as mulheres da nossa família. Elas reiteram que o aborto é tão natural como o tempo. Sempre existiu,

O poder da decisão da maternidade não pode ser contaminado pela opinião e regulação dos outros - como se as mulheres não fossem capazes de gerir as suas próprias vidas

o reconhecimento da escolha das mulheres em relação ao seu corpo é que não. Mesmo que o aborto esteja constitucionalmente contemplado, como é o caso de certos países no mundo, o tema continua a ser fracturante, cheio de polémica e tensão. No cerne da questão está a procura por controlar os úteros das mulheres. Ora porque acham que a maternidade é uma fórmula sagrada – sem nunca reflectir sobre as sérias

carências de boas condições para garanti-la por muitas mulheres no mundo. Ora porque querem negar o direito à maternidade por um bem maior, como se assistiu na China. Refiro-me especialmente aos abortos forçados às centenas de milhares de mulheres desde 1980. Uma filha ou filho que talvez fossem desejados, mas que tiveram que desaparecer sob o pretexto da política do filho único. São muitos os espectros sócio-políticos que usam o aborto como ferramenta para controlar as mulheres. Claro que para descomplicar a maternidade e para acomodar a liberdade individual, é preciso descomplicar a sexualidade também. O que impede um olhar reflexivo sobre o sexo e a maternidade são uns tais valores morais, que, honestamente, já nem percebo de onde vêm – certamente que não virão de direitos humanos. Por mais natural que a fisiologia da maternidade seja, um útero que se expande, um ser que cresce, o parto ou o aleitamento, as condições de vida das mulheres para a receber não são ‘naturais’ nem ‘óbvias’. Em casos mais extremos o sexo e a maternidade também fazem parte de relações abusivas, precoces, ou de violência. São tantas as situações que não vale a pena descrevê-las ao pormenor. Não há um perfil típico para quem queira interromper uma gravidez ou avançar com ela. O poder da decisão da maternidade não pode ser contaminado pela opinião e regulação dos outros - como se as mulheres não fossem capazes de gerir as suas próprias vidas.


‘‘Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.’’ PALAVRA DO DIA

Thomas Fuller

A Com o objectivo de promover a integração de deficientes e aprofundar a compreensão da sociedade perante pessoas com deficiência mental, uma equipa de voluntários do BNU participou no passado domingo num “workshop” de caridade sob o tema “Play Unified Play Sports Charity”, organizado pela Macau Special Olympics (MSO). De acordo com um comunicado oficial, a actividade foi conduzida por voluntários do BNU e estudantes da MSO e abrangeu dois temas, nomeadamente a criação de sabonete artesanal e de trabalhos em couro. Além disso, durante o workshop, o BNU doou 15.000 patacas para apoiar os serviços prestados a pessoas com deficiência mental.

Creches Vagas provisórias vão ser descontinuadas

Tendo em conta a redução da procura por vagas nas creches subsidiadas, Wong In Leng, responsável da divisão de Serviços para Crianças e Jovens do Instituto de Acção Social (IAS), revelou que a medida excepcional de aumento provisório de vagas vão ser descontinuadas a partir de 30 de Junho de 2022. Em declarações ao canal chinês da TDM-Rádio Macau, Wong In Leng explicou que o número de vagas actualmente disponíveis são “suficientes” e que este ano, apesar de haver menos 300 vagas, a nova creche de Mong-Há, com entrada em funcionamento prevista para o terceiro trimestre de 2022, irá oferecer 130 vagas. Recorde-se que a medida que permitiu às creches subsidiadas oferecer até duas vagas provisórias entrou em vigor em Julho de 2014 e que, aquando do seu término, o número máximo de alunos por turma passa a ser de 28. Desde 2014, cerca de 26 crianças beneficiaram anualmente da medida.

Finlândia Rússia ameaça com medidas de retaliação

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A Rússia avisou ontem a Finlândia de que será forçada a tomar medidas de retaliação, “tanto técnico-militares como outras”, se violar as suas obrigações jurídicas internacionais e aderir à NATO. “A adesão da Finlândia à NATO causará sérios danos às relações bilaterais Rússia-Finlândia (…). A Rússia será forçada a tomar medidas de retaliação, tanto técnico-militares como outras, a fim de pôr termo às ameaças à sua segurança nacional que surjam a este respeito”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. O comunicado foi divulgado poucas horas depois de o Presidente e a primeira-ministra da Finlândia terem anunciado o seu apoio à adesão do país nórdico à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). O pedido de adesão deverá ser anunciado oficialmente no domingo.

As autoridades decretaram que todos os distritos da capital vão adoptar as mesmas restrições aplicadas nos distritos de Chaoyang, Shunyi e Fangshan, onde foi decretado o teletrabalho e foram encerrados restaurantes, ginásios e outros estabelecimentos As autoridades decretaram que todos os distritos da capital vão adoptar as mesmas restrições aplicadas nos distritos de Chaoyang, Shunyi e Fangshan, onde foi decretado o teletrabalho e foram encerrados restaurantes, ginásios e outros estabelecimentos.

13.5.2022

PEQUIM MAIS MEDIDAS DE PREVENÇÃO E RESTRIÇÕES DE SAÍDA

Cidade proibida REUTERS

Inclusão BNU e Macau Special Olympics unidos em workshop

S autoridades chinesas anunciaram ontem que as medidas adoptadas em vários distritos de Pequim para prevenir a propagação da covid-19 vão ser alargadas a toda a capital, depois de o país decidir restringir as viagens dos cidadãos chineses além-fronteiras. A capital chinesa diagnosticou 64 novos casos, entre quarta e quinta-feira, elevando o número total de infecções, desde o início do surto actual - em 22 de Abril - para 1.094.

sexta-feira

Foi ainda anunciada nova ronda de testes PCR, para os próximos três dias. Os serviços de estadia e lazer situados na periferia da cidade foram suspensos. O porta-voz do governo municipal, Xu Hejian, pediu aos cidadãos que não prestem atenção aos rumores sobre um “bloqueio silencioso da cidade”, depois de multidões terem acorrido aos supermercados, antes

da conferência de imprensa das autoridades de saúde locais. O rumor sobre um possível confinamento total da cidade circulou nas redes sociais chinesas.

Daqui não sais

A Administração Nacional de Imigração anunciou, entretanto, que vai restringir as viagens dos cidadãos chineses ao exterior por “motivos não essenciais”.

Esta medida ocorre nove meses depois de a autoridade de imigração ter restringido a emissão e renovação de passaportes para viagens “não urgentes e desnecessárias”. Com estas decisões, o Governo chinês reafirma a sua política de ‘zero covid’, que resultou em medidas extremas de confinamento em Xangai, a “capital” económica da China, que perduram há quase dois meses.

ÓBITO "FIGURA INCONTORNÁVEL DO JAZZ", PAULO GIL MORRE AOS 84 ANOS

P

AULO Gil, que nasceu em Lisboa em novembro de 1937, começou a interessar-se por jazz aos 6 anos, recordou a Câmara Municipal do Seixal, que organiza o Seixal Jazz, festival do qual foi director artístico desde a sua criação, em 1996, e durante 17 edições. No ano passado, no 25.º aniversário do festival, foi homenageado pela Câmara “por ajudar a criar e a fazer do SeixalJazz uma referência a nível nacional e internacional”. A autarquia, em comunicado, recordou que Paulo Gil, “figura incontornável do jazz nacional”, estudou música com, entre outros, Fernando Lopes-Graça e Jorge

Costa Pinto, e frequentou a Academia de Amadores de Música. Paulo Gil foi baterista de jazz, tendo constituído, com o pianista Marco Resende e o contrabaixista Bernardo Moreira,

o Bossa Jazz Trio. No final da década de 1960, “criou música original para filmes e para apoio a sessões de poesia de Manuela Machado e Mário Viegas e leitura de textos de Alexandre O’Neill”. Em 1978, passou a organizar e produzir concertos de jazz e festivais. Paralelamente, nas décadas de 1970 e 80, foi responsável pela edição de jazz e música clássica na editora Valentim de Carvalho. Paulo Gil era o sócio número 3 do Hot Clube de Portugal. Numa publicação divulgada ontem na página oficial do clube na rede social Facebook, a sua presidente, Inês Homem Cunha,

recordou “o lugar do Paulo Gil” na sala da Praça da Alegria. "Todos os dias entrava antes da hora. Batia à porta ruidosamente e ia directo ao seu lugar. Dava um jeitinho à mesa e sentava-se estrategicamente, na última ponta do sofá, num ângulo preparado com cuidado. Daí falava com os músicos, cantava, esgrimia baquetas imaginárias, dava indicações a quem estava a tratar do som. Era quase como estar no palco. Em pouco dias alguém vai entrar, um turista, um distraído, e vai sentar-se naquele lugar. Mas de hoje em diante há um espaço que vai ficar vazio", partilhou Inês Homem Cunha.


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Hoje Macau 13 MAIO 2022 #5006 by Jornal Hoje Macau - Issuu