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Ter para ler
Director carlos morais josé • quarta-feira 13 de março de 2013 • ANO XII • Nº 2810
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Venham mais cinco (séculos)
Rota das letras
os turistas em macau
Alexandra andou atrás de Wenceslau
A Pressão que vem de fora
Páginas 8 e 9
centrais
CASAMATA DE COLOANE
tráfico humano
Deputado fala em “reconsideração” do Governo
Evitar polémicas
A dica é do deputado Chan Chak Mo: “Se houver muita polémica junto da opinião pública, o Governo deve reconsiderar”. Esta é a posição do legislador face à crescente discórdia em torno da fortificação colonial de Coloane. “Tendo em conta o interesse público e o aspecto ambiental”, o Executivo deve decidir se há lugar ou não à construção de um prédio habitacional de 30 andares no terreno onde se situa a histórica casamata. Seja como for, o deputado sempre lembra que tudo não passa de um negócio privado. Página 3
Governo acredita que aparecerão vítimas masculinas Página 5
Urbanismo
AL quer conhecer as orientações das Obras Públicas Página 2
código de processo penal
Hoje Macau em pequim
David Chow homenageado por diplomatas Página 4 pub
Recurso judicial para governantes pode ser realidade Página 4
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política
quarta-feira 13.3.2013
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que diz respeito ao interesse público do diploma. “Se calhar o Governo precisa de intensificar o conteúdo dessas questões. O conceito de facto é difícil de definir, depende da situação. É um assunto que tem grande importância para a sociedade de Macau.”
Ligar os diplomas
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Deputados desconhecem orientações para projectos urbanos
s deputados da 2.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) discutiram ontem a proposta de lei do planeamento urbanístico e consideram que querem conhecer primeiro as actuais orientações seguidas pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) para projectos urbanísticos. “As orientações e princípios vigentes sobre o planeamento urbanístico não estão
publicados e sabemos que antes da entrada em vigor dos planos director e pormenor a DSSOPT continua a aplicar as orientações vigentes. Não sabemos quais são esses prin-
Andreia Sofia Silva
O
Comissão pede ligação entre três propostas de lei cípios já existentes. Temos de pedir ao Governo para as publicar, e inclusivamente para que nos faculte um calendário para saber quando vão ser implementados”, explicou
o deputado Chan Chak Mo, presidente da comissão. Quanto aos novos plano director e plano pormenor, a serem criados através de regulamento administrativo,
não existe ainda qualquer calendário para a sua criação, declarou. Os deputados querem ainda ver “algum conteúdo” na proposta de lei no
Outro assunto debatido na reunião diz respeito à necessidade de ligar as três propostas de lei que estão ligadas ao planeamento urbano, nomeadamente a da salvaguarda do património e a lei de terras. “Quer os deputados quer a assessoria jurídica entendem que há que existir uma articulação entre as três propostas em termos de terminologias e conceitos. A lei do património faz referência ao planeamento urbanístico e temos de ver qual é a hierarquia entre os planos da DSSOPT e os pareceres emitidos pelo Instituto Cultural (IC), se este parecer é ou não vinculativo, ou se prevalece sobre os planos urbanísticos.”
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Administração terminou Fevereiro com saldo orçamental de 19,5 mil milhões
Torneira continua bem aberta HM - 1ª vez 13-3-13
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Proc. Acção Ordinária n.º
CV1-12-0105-CAO
1º Juízo Cível
AUTORAS: MUI SEONG NGO, casada; ----------------------------------------- HONG SUT FAN, solteira, maior; ---------------------------------- HONG KA LENG, solteira, maior; e ------------------------------- HONG KA MAN, solteira, maior, todos residentes em “澳門慕 拉士大馬路1-B,錦興大廈1樓AA座”. ------------------------------------------RÉUS: Herdeiros Incertos de Hung Man Yau; e -------------------------------- Interessados Incertos.-------------------------------------------------------- FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando os réus Herdeiros Incertos de Hung Man Yau e Interessados Incertos, acima identificados, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos, de ACÇÃO ORDINÁRIA, acima identificados, apresentada pelas autoras, na qual as autoras pedem que deve a presente acção ser julgada procedente, por provada, e as autoras declaradas titular do direito de propriedade sobre a fracção autónoma designada por “AA1”, para habitação, do Prédio “錦興” sito em Macau, com os nºs 2 a 12 da Rua Um do Bairro da Areia Preta, e nºs 1 a 1-E da Avenida de Venceslau de Morais, descrita na Conservatória do Registo Predial de Macau sob o nº 20538, a fls 4v do livro B45, e inscrita na matriz predial sob o nº 036380, por o ter adquirido por usucapião, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua disposição, sendo obrigatória a constituição de advogado, nos termos do artigo 74º do Código de Processo Civil, caso contestem.------------------------------------------------------------------ Os citandos ficam advertidos de que a falta de contestação não importam a confissão dos factos articulados pelos autores, caso os mesmos permaneçam na situação de revelia absoluta. ---------------------------------------- Aos 05 de Março de 2013.
O
Governo de Macau terminou Fevereiro com um saldo orçamental positivo de 19,5 mil milhões de patacas, mais 15,4% face ao período homólogo do ano passado, segundo dados oficiais. No final de Fevereiro, o executivo da Região Administrativa Especial chinesa viu o seu saldo orçamental positivo superar os 17 mil milhões de patacas registados no mesmo mês de 2012, mas o seu crescimento representou este ano um desaceleramento face ao forte aumento
de 46,7% verificado no mesmo período de 2012 face a 2011. De acordo com os dados provisórios dos Serviços de Finanças, o saldo orçamental positivo da Administração de Macau ultrapassou no final de Fevereiro o valor das despesas, que ascenderam no mesmo período a 3,6 mil milhões de patacas, mais 25,3% face a 2012. Já as receitas do Governo de Macau aumentaram 16,8% para 23,2 mil milhões de patacas face a uma subida de
27% no mesmo período de 2012 face a 2011, continuando, no entanto, a fazer aumentar o saldo positivo do orçamento. As receitas correntes totalizaram no final de Fevereiro 22,8 mil milhões de patacas, mais 15,3% do que no período homólogo de 2012, enquanto as receitas de capital ascenderam a 336,3 milhões de patacas, o que traduz um forte aumento de 930,6% em relação ao ano anterior, em que aumentaram apenas 8,4%. A principal fonte das receitas do Governo de Macau continua a ser os impostos directos sobre o jogo, equivalentes a 35% da receita bruta do sector, que atingiram 19,8 mil milhões de patacas no final de Fevereiro, mais 13% face ao mesmo mês do ano passado. Apesar de os impostos directos sobre o jogo terem superado os 17,5 mil milhões de patacas arrecadados pela Administração de Macau no final de Fevereiro de 2012, registou-se um desaceleramento do seu crescimento, face à subida de 29,2% que verificaram no mesmo mês de 2012 face a 2011. O Governo de Macau prevê terminar a execução orçamental deste ano com um total de 41.080,7 milhões de patacas, previsões que, normalmente, são ultrapassadas. - Lusa
quarta-feira 13.3.2013
Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo
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han Chak Mo, deputado pela via indirecta à Assembleia Legislativa (AL), considera que o Governo deveria “reconsiderar” a futura construção de um prédio habitacional com cerca de 30 andares em Coloane, onde se situa a histórica casamata. Contudo, lembra que o processo “tem de ser feito segundo a lei”. “Se a zona tem um pedaço de terreno privado, e se a aprovação já foi feita, são as regras que estão na lei e não acredito que o Governo possa mudar. Mas claro que se houver muita polémica junto da opinião pública, o Governo deve reconsiderar. Tendo em conta o interesse público e o aspecto ambiental, o Executivo poderia reconsiderar”, apontou, à margem da comissão permanente sobre a futura lei do planeamento urbanístico. Questionado sobre uma possível intervenção do Instituto Cultural (IC), Chan Chak Mo é peremptório em dizer que “se a lei exigir a opinião dos departamentos públicos, o IC deve dar opinião. Se não foi exigido, não deve dizer nada, porque não deve interferir nos negócios privados”. Este ponto é, aliás, apontado como um dos entraves à intervenção governamental. “A diferença é que essa pessoa detém a propriedade daquele pedaço de terra, não é do Governo. Segundo a lei, enquanto proprietário, eu tenho os meus direitos. É uma sociedade capitalista. Se na fase de aprovação do projecto o Governo disser que o planeamento não deve avançar, o proprietário tem ainda direito de avançar para os tribunais.” Quanto à possibilidade de troca de terrenos, o de-
política
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Governo deve “reconsiderar” em caso de polémica, diz Chan Chak Mo
A casamata da discórdia
“Se houver muita polémica junto da opinião pública o Governo deve reconsiderar”. É esta a opinião do deputado Chan Chak Mo sobre a possível construção de um edifício habitacional em Coloane, mas lembra que as regras do mercado e a lei têm de ser tidas em conta. À margem da ANP, em Pequim, os delegados falaram do caso
Mercado de Sai Van não avança, diz deputado Chan Chak Mo disse ainda “não acreditar” que o projecto do mercado nocturno junto ao lago Sai Van vá ser feito, “porque há muita polémica”. “Não seu, eu não sou o Governo. Não digo que o desenho do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) seja o ideal, mas Macau precisa de um espaço como esse.” Quanto ao local, tem de ser aquele, porque “não há mais espaços”. “As pessoas falam muito na diversificação económica, mas não estamos a fazer isso, apenas a falar sobre isso. O Governo não está a fazer nada. Muitos dizem que as operadoras de jogo são as únicas que conseguem ter acesso aos terrenos, mas quando o Governo tenta fazer algo quanto ao sector privado todos dizem que não. Então como podemos ser o centro mundial de turismo e lazer? Não acredito que consigamos.”
putado considera dificil de existir. “Em caso de acordo, não acredito que o Governo consiga encontrar um pedaço de terra ajustável.”
“Preservação” falada à margem da APN
No âmbito da Assembleia Popular Nacional (APN),
a decorrer em Pequim, os delegados eleitos por Macau falaram sobre o caso. No geral, defendem a preservação de um espaço com 80 anos de história. “Temos de encontrar um equilíbrio, não podemos só pensar no desenvolvimento económico, a nossa história precisa de ser
preservada”, disse a deputada Ho Sut Heng, citada hoje no portal do jornal South China Morning Post. Já o deputado José Chui Sai Peng salientou que esta questão realçou o problema da falta de terrenos em Macau. Estes dois representantes de Macau na APN chinesa,
a par de Kou Hoi In, também deputado, sugeriram que a opinião pública e o valor histórico deverão ser factores a ter em conta na decisão de preservação ou não de um monumento ou casamata, em vez do facto de se tratar de uma infra-estrutura militar.
Da parte do IC, este não garantiu a preservação da fortificação histórica, tendo apenas dito que já ouviu “diferentes vozes e opiniões” e que destacou “pessoal para conduzir uma inspecção ao local”, lembrando que vai “agir de acordo com as suas atribuições”. - * com Lusa
Macao Tri-decade Action Union garantiu participação nas próximas eleições legislativas
Lista contra a corrupção mas sem candidato Cecília Lin
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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Macao Tri-decade Action Union afirmou ontem que ia participar nas eleições legislativas embora ainda não haja um candidato decidido. No dia em que vice-presidente Cheong Hoi Gun entregou uma carta ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC) - para reprimir a corrupção ou fraude no
acto eleitoral das próximas eleições de 15 de Setembro - revelou a intenção da sua associação de candidatura ao canal chinês da Rádio Macau. O responsável disse que ainda não decidiu a estrutura da equipa e ainda está a preparar os nomes dos candidatos, uma vez que acredita que com maior concorrência vai ser benéfica para as novas eleições. “A sociedade é diversa e é bom ter
mais uma voz como nós. Queremos fazer bem o que fazemos, para ter o apoio da sociedade. As acções feitas por nós no passado podem mostrar a nossa posição politica.” Nas acções passadas, a associação atendeu a assuntos sociais, como o caso da Rua do Padre João Clímaco, quando os vendedores tradicionais foram obrigados a sair da terra onde já tinham trabalhado há várias décadas. “Queríamos quebrar o
sistema de injustiça”, disse Cheong Hoi Gun. Na carta ao CCAC, a associação considera que a sua actuação não “teve o efeito desejado no trabalho das eleições passadas”, já que os grupos gastavam dinheiro em viagens, banquetes de aniversário, reuniões dos funcionários, festivais a fim de proporcionar presumíveis benefícios e subornos aos seus eleitores. Situações a que o CCAC não
conseguiu apurar, evidencia o vice-presidente da Macao Tri-decade Action Union, numa altura em que o Chefe do Executivo aprovou já um despacho que permite às listas gastarem um orçamento máximo de 5,6 milhões de patacas em campanha eleitoral. “Pedimos ao CCAC que use bem os novos meios comunitários e façam bem a promoção contra o suborno, em fim de ajudar a ser uma eleição justa e limpa.”
política
quarta-feira 13.3.2013
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A actual lei determina que os casos ligados a membros do Governo sejam julgados em Última Instância, sem direito a recurso. Tanto o próprio Executivo como os deputados consideram que tal deve mudar e falaram do caso de Ao Man Long como exemplo
Pedida revisão rápida da Lei das Bases de Organização Judiciária
Deputados querem governantes com direito a recurso Como exemplo, foi referido o caso do ex-secretário para as Obras Públicas e Transportes, Ao Man Long, condenado pelo TUI no âmbito de um processo de corrupção. “Desde a ocorrência do caso Ao Man Long que sentimos a necessidade de rever a LABOJ. O Governo poderia acelerar os trabalhos para a revisão da LABOJ, para a atribuição de mais direitos, como o de recurso”, acrescentou o deputado. “O Governo referiu nas Linhas de Acção Governativa, mas até ao momento não houve uma auscultação”, disse ainda.
Tiago alcântara
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Andreia Sofia Silva
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s deputados da 3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL), defendem a revisão urgente da Lei de Bases de Organização Judiciária (LBOJ), que determina as competências dos tribunais, para que os governantes envolvidos em processos possam ter acesso a recurso judicial. Actualmente isso não acontece porque os casos que envolvem o Chefe do Executivo, secretários ou o presidente da AL são da responsabilidade do Tribunal de Última Instância
Conversão de nomes (TUI). “Todos têm direito a recurso, independentemente se for o Chefe do Executivo ou os secretários. Mas temos de alterar a LABOJ. Os representantes do Governo e membros da comissão entendem
que se deve atribuir o direito de recurso a estas figuras”, explicou Cheang Chi Keong, presidente da comissão encarregue de analisar a revisão do Código do Processo Penal (CPP).
Esta questão das competências surgiu devido ao debate sobre as opiniões recolhidas sobre a revisão do CPP. Umas delas partiu da Associação dos Advogados de Macau (AAM), que disse que era necessário mudar o nome de Tribunal
Superior de Justiça para Tribunal de Segunda Instância (TSI), com base na lei de reunificação que determina a mudança de termos depois da transferência. A AAM lembrou que se o julgamento de determinados casos passar para a alçada do TSI, aí haverá lugar a recurso. “Entende a AAM que o tribunal superior irá passar os casos para o TSI e aí admitir a possibilidade de recurso. E a questão está aqui. Uma opinião na reunião disse que os casos ligados ao Chefe do Executivo, secretários e presidente da AL, segundo o TUI, não têm recurso, e que teríamos de colocar os casos no TSI, para permitir essa oportunidade”, explicou ainda Cheang Chi Keong. Fora esta questão, os deputados demoraram cerca de três horas a discutir um punhado de artigos no CPP. Amanhã decorre mais uma sessão de trabalhos na AL.
David Chow homenageado em Pequim por estreia na CCPPC
De Macau à capital Joana Freitas, em Pequim joana.freitas@hojemacau.com.mo
É
hoje macau
a estreia de David Chow como delegado de Macau na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) e o Hoje Macau acompanha o empresário da RAEM, em Pequim. Numa capital que nos recebe com cinco graus, a noite de hoje promete ser longa para o responsável da Doca dos Pescadores.
Mais de 50 diplomatas - entre embaixadores, cônsules e delegados - de diversos países juntam-se num jantar buffet que terá como objectivo “homenagear David Chow” pela entrada na CCPPC, órgão do Governo Central encarregue de debater questões sociopolíticas. O evento, que se realiza na embaixada do Camboja em Pequim, foi organizado também como forma de agra-
decimento a David Chow, que, no ano passado, juntou o mesmo grupo de diplomatas na Doca dos Pescadores. Ainda fresco no que toca a ser delegado de Macau na CCPPC, David Chow já mostra, contudo, ter a ideia da lusofonia e de Macau como plataforma para os países de língua portuguesa como um dos seus primeiros objectivos. Ontem, o dia serviu para receber alguns dos convidados de Macau para a cerimónia, no hotel Legendale, no centro de Pequim. O Legendale, pertencente a David Chow, foi construído em 2008 e reúne algumas características da cultura da RAEM. Na entrada, além de um restaurante português que confecciona os famosos pastéis de nata, também existe um espaço dedicado ao Turismo de Macau, onde hóspedes e visitantes podem encontrar informações sobre o território e uma imitação da conhecida calçada portuguesa.
Fundação Macau melhorou os serviços do pedido de Apoio Financeiro
Mudança de paradigma N
ormas muito rigorosas a fim de tratar das respectivas formalidades é a grande novidade para quem pretende pedir apoio financeiro à Fundação Macau (FM). Por forma a pôr em prática uma auditoria de acordo com o parecer proferido pelo Comissariado da Auditoria (CA), a FM publicou,
recentemente, um conjunto de novos modelos de Impressos, relativos à regulamentação das informações a prestar pelos requerentes, e como se processa a respectiva apreciação e autorização desses mesmos pedidos de Apoio Financeiro. Foram organizadas, para o efeito, dez sessões de workshop a fim de apre-
sentar e promover a utilização destes impressos. A FM procurou esclarecer as questões acerca do prazo para a apresentação dos requerimentos e dos relatórios, as formalidades sobre os pedidos de autorização prévia para as alterações introduzidas à proposta original, entre outras situações.
quarta-feira 13.3.2013
sociedade
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Não há homens vítimas de tráfico humano, ainda assim o IAS tem secção masculina no abrigo
As razões não são claras mas acredita-se, dado o crescente aumento de homens objecto de tráfico com fins laborais no mundo, que o motivo para a criação de uma secção masculina no Centro de Abrigo para Vítimas de Tráfico Humano é fruto de prevenção. O Instituto de Acção Social, no entanto, ainda não recebeu nenhum destes casos e a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico Humano confirma a inexistência de vítimas do sexo masculino Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
A
Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico Humano (CAMDTP) garante que até ao momento não se registam vítimas de tráfico humano do sexo masculino. O Instituto de Acção Social, no entanto, já criou uma ala de acolhimento para homens no seu Centro de Abrigo para Vítimas de Tráfico Humano. “A fim de cooperar de forma plena com os trabalhos de protecção das vítimas do tráfico humano, bem como aperfeiçoar os respectivos serviços de abrigo, o Instituto de Acção Social (IAS) criou em 2012 a secção para abrigo das vítimas masculinas do tráfico humano que inclui dois quartos e uma sala de actividades podendo alojar ao mesmo tempo seis vítimas masculinas e fornecer em tempo oportuno serviços de abrigo aos necessitados”, confirmou em resposta ao Hoje Macau o organismo presidido por Iong Kong Io. A questão prende-se numa altura em que os números deste crime aumentam no território. No ano passado, houve 15 casos de tráfico humano em 2012, confirmados pelo Ministério Público (MP), mais quatro casos do que no ano anterior e apenas mais um do que em 2010. Apesar de não se ver uma “diferença quantitativa óbvia”, tal como indica em resposta escrita a CAMDTP, os números disparam na tabela quando se fala em vítimas, segundo já tinha apurado o Hoje Macau junto do Gabinete do Coordenador de Segurança. Segundo dados policiais, houve 31 vítimas do sexo feminino em 2012, mais 18 vítimas do que em 2011 e, segundo dados cedidos pela Polícia Judiciária no último ano, 2012 consegue ainda superar 2010 - o pior ano de que há registo, desde que em 2008 entrou em vigor a lei
de combate ao crime de tráfico de pessoas – em sete vítimas. Mas a criação de uma nova ala para novos casos que envolvem vítimas do sexo masculino torna-se prudente tendo em conta os últimos dados avançados pela Organização Internacional de Migrações e o Gabinete da ONU sobre Drogas e o Crime. De entre os 12 a 27 milhões de vítimas de tráfico, terceiro maior crime mundial, existe um aumento
tiago alcântara
Exploração sexual (para já) só no feminino
registado do número de homens que são objecto de tráfico com fins laborais. Também de acordo com o último relatório do Observatório de Tráfico de Seres Humanos em Portugal, no ano passado aumentou a
sinalização de portugueses homens vítimas de tráfico para exploração laboral no estrangeiro, tendência já registada em 2011 (17 portugueses vítimas no estrangeiro). “Com a cooperação dos representantes
da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e os do Gabinete de Recursos Humanos, foram determinadas já as medidas para combater os trabalhos forçados, em especial, identificar as eventuais vítimas junto a trabalhadores não residentes, e proceder à propaganda sobre seus deveres e direitos”, indica ainda a CAMDTP. A Comissão disse ainda estar atenta à evolução do tráfico humano, alertando para a prevenção mas também usando de operações conjuntas com outras regiões e países, designadamente sob a questão do crime transfronteiriço de tráfico de pessoas. “Recentemente, em colaboração com o Ministério de Segurança Pública da China, foram detidos 10 arguidos de crime de tráfico de pessoas e salvas seis vítimas do sexo feminino.” Além destes dados, a CAMDTP avançou ainda os números dos últimos cinco anos. “Foram descobertos 59 casos de tráfico de pessoas, todos em relação com a exploração sexual, tendo libertado 85 vítimas e detido 53 arguidos.
Verificação de documentos
Ainda na última semana, a Polícia de Segurança Pública afirmou que repatriou 107 “turistas” continentais por andarem envolvidos nas actividades de compra e venda de notas comemorativas em frente aos bancos do território. Ontem, o Hoje Macau deu de caras com um polícia a verificar os vistos dessas mesmas pessoas, que permaneciam junto do Banco da China. O polícia referiu ao Hoje Macau que estava a fazer a verificação diária. - C.L.
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China quer promover a liderança e descarta comparações com Ocidente
Não há cá imitações
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novo presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês (CPCPC), Yu Zhengsheng, comprometeu-se ontem a “promover firmemente a liderança do Partido Comunista”, afirmando que a China “não imitará os sistemas políticos ocidentais”. “Precisamos de seguir mais rigorosamente a via socialista do desenvolvimento com características chineses, não imitar, em
nenhumas circunstâncias, os sistemas políticos ocidentais, e aderir sempre à orientação política correcta”, disse Yu Zhengsheng no encerramento da sessão anual da CPCPC, uma espécie de senado, com cerca de 2.200 delegados. Yu Zhengsheng, 68 anos, “número 4” da hierarquia do Partido Comunista Chinês (PCC), substituiu Jia Qinglin, que completou o segundo e ultimo mandato à frente da CPCPC. “Temos
de promover firmemente o papel dirigente do PCC, aderir e melhorar ao sistema de cooperação e consulta multipartidária sob a liderança do PCC”, defendeu Yu Zhengsheng. A eleição de Yu Zhengsheng, realizada na segunda-feira à tarde, foi o primeiro ato da renovação dos titulares dos principais órgãos do Estado agendada para a temporada parlamentar em curso em Pequim. Até ao final da semana,
os cerca de 3.000 delegados da Assembleia Nacional Popular, o “supremo órgão do poder legislativo” na China, vão escolher nomeadamente o Presidente da Repúbli-
ca, o Primeiro-ministro e os vice Primeiros-ministros. Yu Zhengheng dirigia a organização do PCC em Xangai antes de ascender ao Comité Permanente do
Politburo do partido, em Novembro passado. Aquele órgão, com apenas sete elementos, é a cúpula do poder na China. Cerca de 40% dos delegados à CPCPC não são filiados no PCC. Entre as figuras públicas que fazem parte da Conferência sobressaem o basquetebolista Yao Ming, o actor de Hong Kong Jackie Chan, o realizador Feng Xiaogang e o romancista Mo Yan, galardoado o ano passado com o Prémio Nobel da Literatura. Na segunda-feira, os delegados da CPCPC elegeram também 23 vice-presidentes da organização, entre os quais Edmund Ho, o primeiro Chefe do Executivo de Macau depois do território passar para a administração chinesa, em Dezembro de 1999. - Lusa
hoje macau
Alunos chineses de Belas Artes pintam azulejos portugueses Joana Freitas, em Pequim
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Os azulejos chegaram brancos, mas depressa se encheram com pinturas cuidadosamente feitas por alunos da Universidade de Belas Artes de Pequim. No restaurante Camões, no hotel Legendale, situado na capital chinesa, são diversas as pinturas que dão cor ao nome do poeta português. Desde excertos do famoso “Os Lusíadas”, passando por retratos do próprio Luís Vaz de Camões e da sua adorada Dinamene, são mais de uma dezena as largas colunas de azulejos que decoram o espaço. Feitos pelas mãos de alunos orientais, os desenhos foram copiados de pinturas portuguesas. No azul e branco que os distingue do pouco que resta das paredes descobertas dos dois pisos do restaurante, podem ainda encontrar-se representações das Ruínas de São Paulo, de Macau, e da Universidade de Coimbra, em Portugal. Por mares nunca dantes navegados estão ainda retratadas as caravelas portuguesas e o poeta que, dizem, salvou a nado o manuscrito que descrevia os Descobrimentos. O Hoje Macau mostra-lhe algumas das pinturas que atravessaram fronteiras.
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rota
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Português de três continentes na Biblioteca da Universidade de Macau
As histórias em segunda mão Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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oou a viagem mas foi apenas uma “visita das letras lusófonas” à Universidade de Macau (UMAC). Autores de Angola e Moçambique, caso de José Eduardo Agualusa e Paulina Chiziane, respectivamente, bem como de Portugal - Valter Hugo Mãe e Dulce Maria Cardoso - falaram ontem para uma plateia de jovens chineses falantes de Língua Portuguesa, num debate organizado pelo Festival Literário de Macau. As leituras da literatura actual e clássica, os livros e a sua repercussão bem como a identidade de um povo por meio de um livro foram temas dominantes. Mas a rota feita pelos livros foi sem dúvida a mais acarinhada. Os estudantes do departamento de português da UMAC ditaram as questões predominantes de debate, por isso, foi lá que se interrogou a mais-valia de um livro em segunda mão. As respostas foram unânimes mas, todas elas, recordaram de alguma forma episódios de vida. “Acho muito interessante um livro que passou por várias mãos porque tem esta camada de sucessivas histórias. Um livro de cada vez que é lido é recriado”, avaliou primeiro Agualusa, escritor do último “Teoria Geral do Esquecimento”. “Gosto muito desta ideia de clubes que deixam livros esquecidos e que viajam pelo mundo e pode-se seguir através da Internet a viagem do livro e as pessoas que o leram. Eu já fiz isto”, partilhou. Por sua vez, Valter Hugo Mãe, embora comprador de livros usados e gastos, falou da intimidade
das
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mos, circulávamos, roubávamos e confesso, de vez em quando passo naquele lugar, e digo: ‘gostaria tanto que o homem estivesse vivo para lhe agradecer a oportunidade que me deu de roubar os livros porque acho que ele sabia’”, recordou a escritora moçambicana, em género de confissão, deixando aberta a janela do confessionário para mais uma. “Eu pior do que a Paulina, continuo a roubar. Só que agora roubo de forma mais sofisticada, roubo na Internet. Agora tenho muito poucos livros físicos”, revelou Dulce Maria Cardoso, levantando duas novas questões. E os direitos de autor neste caso? Serão substituídos os livros impressos ou continuarão a existir?
E os direitos virtuais?
“A favor de uma língua franca” À margem do evento, Dulce Maria Cardoso fez saber a sua posição dentro de portas sobre a importância de vir a existir uma língua franca, nomeadamente, o inglês. “Quer queiramos quer não é uma língua que nos aproxima. Eu já me teria perdido quarenta vezes em Macau mas mesmo assim com o inglês é difícil. Evidentemente que não há milagres, enquanto não tivermos poderes telepáticos temos de ter uma língua franca”, frisou. Não só porque ajuda nas direcções a tomar noutros países, como também ajudaria a resolver conflitos de uniões económicas e políticas territoriais. “É o problema da construção da União Europeia: nós não nos entendemos porque não falamos a nossa língua (...) Uma língua franca não nos fazia mal nenhum”, defendeu.
no contacto com o livro e de como isso o leva a ter pudores face à passagem desse testemunho. “Sublinho muito os meus livros e tenho alguma dificuldade depois
em emprestá-los porque não gosto nada que vejam o que sublinhei ou anotei. Acho que me coscuvilham e eu não gosto que me coscuvilhem daquela forma, muito menos em
relação às leituras”, revela o autor de “A Mar Arte”. “Nunca ponho o nome nos meus livros. Se quero abdicar do livro digo que era de uma prima minha, e ela é que sublinhou aquilo tudo”, confessou, soltando o riso da plateia.
Ladrões no auditório
Mas dona das gargalhadas altas de quem assistia à conferência no auditório da STDM, na biblioteca da UMAC, foi Paulina Chiziane. “Quando era muito mais jovem, devia ter os meus 12 ou 13 anos, a caminho de casa para a escola havia uma livraria e o dono da livraria era um senhor muito gordo e velho que passava a vida sentado. Entráva-
O debate seguiu-se com opiniões mais ou menos discordantes sobre o assunto e prolongou-se até à hora de almoço, em duas horas de debate. À primeira pergunta, Dulce Maria Cardoso confessa-se sem medo. “Antes pelo contrário, leio e acho que é inevitável. Teria adorado, enquanto estudante, que houvesse suportes digitais porque não teria de certeza o problema de costas que tenho hoje (...) Há livros que como objecto são lindíssimos mas esses continuarão a existir. Não é ‘ou’, tem de ser ‘e’”. Valter Hugo Mãe concorda com a mesma inevitabilidade: “O livro vai ser digital, o mercado vai abdicar de fazer livros”. Mas Agualusa entende que os direitos poderão ser respeitados na Internet, onde já não haverá intermediários, um “optimismo” não partilhado pelos parceiros de mesa. “A verdade é que os direitos não funcionam na versão papel. Raramente o mercado responde à qualidade literária. E fazer depender uma obra de arte do mercado é de alguma forma tentar o impossível”, justificou Maria Dulce Cardoso.
Inaugurada exposição de fotografias de Jorge Amado no Albergue
“Aqui estamos, meu pai e eu, na rota da literatura”
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élia Gattai, mulher do escritor brasileiro Jorge Amado, não se considerava uma fotógrafa excepcional, mas os retratos que tirou ao seu marido e aos momentos de vida em comum acabaram por originar numa exposição biográfica permanente que actualmente está patente na sede da fundação do escritor, no Brasil. Agora, essa exposição também estará disponível deste lado do mundo, no Albergue SCM, no âmbito do festival Rota das Letras.
A inauguração contou com a presença de Paloma Amado, filha do escritor. “Aqui estamos, meu pai e eu, na rota da literatura. Estou muito feliz por estar em Macau, e ainda mais com esta homenagem”, disse no inicio de um discurso escrito onde se falou das histórias, livros e momentos que povoaram a vida de um dos maiores escritores brasileiros, cujas histórias acabaram por serem adaptadas para telenovelas.
A ligação da China com Jorge Amado existiu, e por duas vezes. “Sempre desejou vir a Macau onde se fala português, e conhecer a China. O medo que sempre sentiu dos aviões não o atrapalhou. Era um medo real e terrível, mas nunca foi pretexto para deixar de escrever e fazer as viagens necessárias”, contou Paloma. Das duas vezes que veio à China, uma delas foi com o escritor chileno Pablo Neruda.
Falou-se ainda do universo de Amado nos caminhos da tradução, tendo Paloma Amado anunciado que estão na calha mais títulos em mandarim. “Recentemente assinámos contrato com uma editora chinesa e novas edições devem surgir”. Estas deverão acompanhar os dez títulos que já existem, onde se incluem as famosas obras “Gabriela Cravo e Canela”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Tocaia Grande”, entre outros. - A.S.S.
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rota
das
letras
Alexandra Lucas Coelho, escritora e jornalista
Andreia Sofia Silva
Muito habitacional? Não é uma questão de ser habitacional. Aquilo é um delírio, uma fantasia, que mistura Las Vegas com Dubai, Disneylândia, com ficção científica e Guerra das Estrelas. Acho que isto é uma escala que não tem nada a ver com Las Vegas, é outra coisa. E entre Taipa e o Largo de Santo Agostinho, onde estive, são dois mundos totalmente diferentes. A possibilidade de, num dia, eu acordar na Guerra das Estrelas e depois ir tomar café ao Largo de Santo Agostinho e estar naquela calçada portuguesa é fantástico. As relações entre Portugal e Macau agora estão mais intensificadas do ponto de vista económico e até político. Como olha para essa nova fase de relacionamento? Não sei absolutamente nada sobre isso (risos). O meu olhar não vai por aí. Eu moro no Rio de Janeiro
tiago alcântara
J
Primeiras sensações da estadia em Macau? Como é estar nesta terra onde ainda se fala português? Nunca tinha estado no extremo oriente, e vou aproveitar este convite para iniciar uma viagem na China. Para mim Macau é o princípio de uma viagem. Acho que a forma como estou a andar pela cidade já tem um pouco a ver com isso. Tenho um projecto de escrever um relato de viagem, não sei exactamente como é que vai ser. Hoje (segunda-feira) foi o primeiro dia em que pude andar pela cidade, e a forma como estou a tentar entrar em Macau tem muito a ver com isso, com identificar pistas, caminhos para poder perceber este universo e este lugar. Decidi andar atrás de Wenceslau de Moraes, e então andei de um lado para o outro, as ruas onde ele morou, o seminário onde ele ensinou, estive numa biblioteca a ler cartas dele. Isto é só para dar um exemplo de que provavelmente ainda não vi muitos dos pontos obrigatórios de Macau, porque eu acho que estava à procura de portas para fazer uma viagem aqui. Estou a dormir na Taipa, um delírio, nunca vi nada assim.
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“Decidi andar atrás de Wenceslau de Moraes”
andreia.silva@hojemacau.com.mo
ornalista desde 1989, na rádio e depois no diário português Público, Alexandra Lucas Coelho deixou o real que cheira a folhas de jornal e a acontecimentos que se sucedem uns atrás dos outros para abraçar outro real – o dos livros, sem regras, sem pressas. Em entrevista ao Hoje Macau, uma das convidadas do festival Rota das Letras frisou que a grande reportagem “nunca fez tanta falta” no mundo globalizado e que a densidade do Rio de Janeiro, onde vive há dois anos, lhe mudou a percepção desta viagem
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neste momento, nem sequer estou em Lisboa há dois anos e meio. Não sigo muito de perto sequer o noticiário português. O que eu vou fazer na China não é sequer jornalístico, não vou fazer reportagem. Vou fazer crónicas para o Público e para o Globo, e vou tentar fazer este livro, que não sei o que será. Essa preparação mais jornalística não a fiz. Não sei como estão as relações entre Portugal e Macau, confesso (risos). Espero que estejam bem. Pode ser então um distanciamento do jornalismo, mantendo, apesar de tudo, alguma relação? Não sinto que me esteja a desligar do jornalismo. Sinto que o meu foco não é o jornalismo diário, além de que neste momento nem estou a morar em Portugal. O meu encontro com Macau e com a China é moldado por muitas realidades, e uma delas é o facto de eu vir do Brasil. É um país também com uma dimensão continental, obviamente que não se compara com a China, mas em que a China tem sempre um contraponto económico, e é sempre interessante. Portanto o meu olhar sobre a China será certamente diferente face a uma portuguesa que vem directamente de Lisboa. É um lugar já atravessado por outras coisas, é um olhar que tem a ver com o facto de eu viver no Brasil, de ter viajado no Afeganistão, na Sibéria. Países que historicamente têm relações com a China e tudo isso entra na forma como eu entro aqui e vou entrar na China. Como é que é estar no Brasil nesta fase de grande crescimento económico... Não tão grande como o chinês. (risos) Mas também está a caminhar nesse sentido. Como é estar lá neste momento? É um momento de eixo. O que eu acho que é mais interessante neste momento da vida brasileira é sentir que o Brasil pode caminhar para várias direcções ao mesmo tempo. Há uma dimensão de inspiração muito grande, com tudo o que tem a ver com a forma como o Brasil vive os seus cruzamentos múltiplos. O facto de ser um país com uma feliz mistura não só entre raças mas religiões e contextos culturais. Há uma dimensão de convívio e cruzamento na sociedade brasileira que é muito inspiradora, e que eu sinto que poderia ser mesmo para conflitos muito complexos, como por exemplo o conflito israelo-palestiniano. As relações entre árabes e judeus, descendentes de árabes e judeus, no Brasil são muito interessantes. Para além disso, o Brasil conseguiu esta coisa extraordinária em que, de repente, dezenas de milhões de pessoas emergem da pobreza e há um estado que se multiplica não
continua a ser o mesmo: é o real. Não me vejo a escrever histórias de ficção científica. Já esteve em muitos cenários de guerra. Sentiu medo, ou que, de certa forma, não conseguia fazer algum tipo de trabalho, por algo que não conseguia dominar ou contornar? Medo sim, é inevitável e faz parte, e pode ser até perigoso não ter medo. Temos consciência de quando as situações são perigosas, desde que isso não nos paralise. O jogo aí é poder tomar uma decisão, poder saber até onde vamos e o não ir para a frente é um risco que vale ou não a pena correr. O ideal não é uma situação de total...
só na assistência, que está a tentar fazer a transição para a educação e o ensino alargado à população, e esse será o verdadeiro estado de Direito, um Brasil verdadeiramente democrático. Ao mesmo tempo é um país muito complexo, onde ainda sobrevivem heranças quase feudais, que tem a ver com o domínio colonial, pós-colonial e depois os tempos da ditadura militar. Há zonas do Brasil que ainda são controladas por famílias. Convivem fenómenos muito complexos.
Não sei como estão as relações entre Portugal e Macau, confesso (risos). Espero que estejam bem Como por exemplo? Há estruturas que ainda não foram ultrapassadas, há racismo. É muito complexo, mas é por isso que é interessante viver este momento no Brasil. Porque há também uma emergência de uma sociedade civil que está a conhecer os seus direitos, em que todas as peças se estão a mover em muitas direcções. Mas também há problemas ambientais muito complicados, a Amazónia está a ser desmatada, há barragens que estão a ser construídas. As coisas nunca são preto ou branco, e é bom evitar esse discurso de que o Brasil é fantástico e é um país em crescimento. Está-se a acabar com a pobreza, sim, mas há muitas forças ainda que resistem, que se mantém. Falou da viagem que fez ao Afeganistão. Também esteve no México, em muitos outros lugares, como Jerusalém. Mas qual foi o lugar que mais a marcou? Essa pergunta é sempre muito difícil.
Marcaram-na em fases diferentes? Os lugares são diferentes e estamos neles em alturas diferentes da nossa vida. Eles relacionam-se de forma diferente com aquilo que nós somos. O Rio de Janeiro é a cidade que eu neste momento conheço melhor, a seguir a Lisboa. E além do Rio, Jerusalém. São as duas cidades que fazem parte da minha intimidade, a par com Lisboa. Então por motivos completamente diferentes da minha vida são dois pólos centrais. Tudo o resto marcou-a, mas a um nível mais inferior? Não gostaria de colocar as coisas assim. Porque a nossa identidade está em movimento e vai sendo acrescentada de cada vez. Cada viagem que eu fiz foi importante para mim. A viagem ao México foi a viagem talvez mais transformadora para mim mais do que a viagem ao Afeganistão. Porquê? Porque o México é um lugar realmente mágico. Foi o único lugar onde eu tive a sensação que os tempos coexistem: passado, presente e futuro. Há algo que se liga de uma forma misteriosa e não cronológica, como estivéssemos numa espécie de buraco negro onde tudo acontece, tudo é presente. A viagem ao México foram três semanas como se tivessem sido três anos. Tive muita sorte, encontrei muita gente. Mas isso em todas as viagens. As viagens são sempre esses acasos que nos levam de pessoa em pessoa. Escolher é difícil.
A liberdade de um romance Porquê romances agora, nesta fase da sua vida? Eu comecei a sentir...não quer dizer que eu não vá fazer outras coisas, aliás este livro que eu vou fazer na
China não é um romance. Não sei bem o que será, mas também não vai ser nada parecido com o que eu fiz antes. Primeiro porque me interessa fazer coisas diferentes de cada vez. Eu fiz um romance que era uma experiência, que tinha muito a ver com a minha vida, uma tentativa de lidar com experiências minhas. O que eu estou a escrever agora é um romance sobre o Rio de Janeiro que não tem nada a ver. A tentativa é sempre a mesma captar um determinado momento e lugar, tocar o real de certa forma. O romance permite uma liberdade diferente, o jornalismo tem um protocolo a que nós temos de obedecer, essas regras estão estabelecidas. Para mim a diferença entre jornalismo e literatura não é que um é ficção e outro realidade. O que me interessa é captar o real. Mas é uma diferença de liberdade – no jornalismo eu não sou inteiramente livre, respondo perante editores e leitores. No romance eu posso fazer o que eu quiser, em ultima análise só respondo por mim própria. Sentiu que queria essa liberdade. Senti sim, eu quero ter essa liberdade.
Há estruturas que ainda não foram ultrapassadas, há racismo. É muito complexo, mas é por isso que é interessante viver este momento no Brasil Já estava de certa forma cansada da pressão, das rotinas? Não sei se cansada é o termo. Eu gosto da ideia de podermos ir experimentando formas diferentes de olhar para as coisas, e de tentar tocar no real. Então eu vou experimentando. Mas o meu foco
Posso fazer tudo e consigo fazer tudo. Não conseguimos. O que eu sinto que me acontece quando estou em reportagem é que há um estado de alerta completamente diferente. A forma como eu ando na rua, olho para as coisas e de como a realidade me cerca. Há uma concentração que nos ajuda a tornar mais aguda a nossa intenção. E nós podemos decidir: eu vou entrar neste carro que eu não sei onde me vai levar, ou eu vou ali mais à frente, ou não. Mas muitas vezes tem a ver com a intuição. Às vezes enganamo-nos, e corremos um risco para nada, ou vice-versa. A Grande Reportagem ainda faz falta? A Grande Reportagem faz falta. Diria num mundo globalizado onde as pessoas vão online e não têm muito tempo. Por isso mesmo é que faz falta. Num mundo globalizado onde as pessoas não têm tempo e têm dez mil coisas e vêm cinco minutos de cada coisa, faz muita falta que se possa fazer um mergulho vertical, para que se possa entender uma realidade. Isso é muito diferente de tudo o que nos passa à frente. Se calhar até é o contrário: a Grande Reportagem nunca fez tanta falta. Estamos sempre a navegar de uma coisa para outra, a lógica de um telejornal onde as coisas estão sempre a passar. A reportagem é ficarmos num sítio e desacelerarmos, olhar, podermos ouvir. É um contraponto como se calhar nunca foi: nunca tivemos a realidade tão rápida, então se calhar nunca tivemos necessidade de parar. Claro que é difícil captar as pessoas e encontrar novas formas de contar as histórias, porque as pessoas têm milhões de estímulos. Mas isso é um desafio para quem escreve. Mas é preciso pensar em várias formas, não estagnar, quebrar uma espécie de senso comum, surpreender. Nunca será uma coisa para toda a gente.
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Cecília Lin
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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elevado número de turistas nas ruas de Macau tem gerado polémica, dado que muitas vozes começam a contestar a qualidade de vida de quem vive no território e se a RAEM tem, de facto, capacidade para continuar a receber milhões de visitantes todos os dias. No inicio deste ano, a nova directora dos Serviços de Turismo (DST), Helena de Senna Fernandes, fez um discurso a pensar na qualidade do turismo que se faz no território. “Não podemos estar sempre a procurar ter mais turistas em Macau, porque temos de aumentar a qualidade do serviço e ao mesmo tempo atrair turistas que contribuam mais para Macau.”
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O que os residentes pensam sobre o elevado número de turistas
A “pressão da vida” causa
Depois de Francis Tam, secretário para a economia e finanças, ter dito em Pequim que Macau precisa de melh Macau falou com quatro residentes para perceber como olham para o excesso de visitantes. O secretário consi Numa altura em que a fasquia anual das visitas atinge cerca de 28 milhões de pessoas, o Hoje Macau foi tentar compreender qual a percepção que os residentes têm face a que nos visita. Os quatro residentes com quem falámos não duvidam: a qualidade de vida piorou. “Antigamente havia mais espaços de lazer, mas agora há turistas em todo o lado. Penso que não podemos receber
mais turistas, a cidade está a explodir”, defende Oliver Lei, funcionário público que vive em Macau há mais de trinta anos, tendo testemunhado todas as suas mudanças. Apesar de morar fora do circulo turístico, Oliver sente muito a pressão trazida pelos turistas. “Os preços dos produtos estão cada vez mais altos e a inflação tem, de certa forma, uma ligação com a chegada dos turistas”. Raimundo Chang, advogado residente, concorda.
“Nas outras cidades ditas turísticas, existem zonas diferentes para locais e outras para turistas, e os produtos também são diferentes. Mas aqui em Macau o preço dos produtos são diferentes, porque para turistas normalmente é mais caro. Mas isso traz consequências negativas para quem cá vive, porque nós residentes temos de comprar os produtos mais caros do que antes.” Quanto aos hábitos sociais e culturais dos turistas oriundos do continente, também causam descontentamento.
“Passam nas ruas sem tomar qualquer atenção aos carros que passam, e atravessam com a luz vermelha”, reclama Oliver Lei, que diz que “têm de observar as regras”. Já Raimundo Chang dá outro exemplo. “Há crianças que fazem xixi nas ruas, e os seus pais olham apenas para o lado. Não sabem utilizar as casas-de-banho das lojas”.
Há quem concorde com os vistos individuais
Rosa Choi, funcionária numa empresa de seguros, tem uma opinião mais positiva quanto à política de vistos individuais. “Essa política trouxe efeitos
positivos para a economia, por isso concordo com ela. Se não houvesse tantos turistas a fazerem compras nas lojas de luxo e a consumir nos restaurantes e nos casinos, não haveria tantos lucros para a sociedade”, aponta. Contudo, há o reverso da medalha: os seus hábitos sociais. “Não gosto nada quando os turistas cospem no chão. Os residentes também fazem a mesma asneira, mas parece que esse costume é pior nos turistas vindos do continente. Atiram o lixo para o chão, em vez de ser para o caixote do lixo.” Cristiano Cheong, aluno
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horar as suas políticas e fomentar os turistas focados em actividades de lazer, e não apenas em jogo, o Hoje idera que mais turistas é o desejo dos residentes, mas todos mostram opinião contrária de mestrado, recorda um episódio que o marcou. “Encontrei uma vez pessoas que estavam a mostrar publicidade de pornografia no iPhone. São essas pessoas que têm vistos individuais e que vêm cá fazer negócio.” Para Cristiano, o desenvolvimento económico não anda a par da oferta de serviços para quem cá mora. “Temos turistas a mais e os recursos não chegam para todos. Eu moro na Taipa e antes tinha menos pessoas. Agora, não consigo encontrar um lugar para almoçar ou jantar num restaurante, porque estão sempre cheios. Com tanta
gente eu tenho dificuldade em andar na rua.” Apesar disso, frisa que não é uma boa ideia dar um travão à política de vistos individuais. “70% a 80% dos sectores dependem dos turistas, e se pararmos essa política os residentes vão perder os seus trabalhos.” Oliver Lei concorda e fala de uma “pressão de vida” causada pelas mudanças na sociedade, ao nível das “necessidades básicas, como o vestuário, a alimentação, a habitação e o tráfego. Agora, com a inflação, o elevado
preço da habitação e as dificuldades no trânsito, a vida ganhou essa pressão. O Governo deveria resolver isso. Se não, a sociedade vai enfrentar mais problemas”.
O aumento dos crimes
O estudante de mestrado considera ainda que o aumento dos turistas trouxe um aumento do crime. “Já vivo cá há sete anos, e sinto que desde há dois anos para cá aumentou o crime nos autocarros.” Neste ponto, aponta também o dedo aos não-residentes. “Com mais obras em Macau, há
Francis Tam quer mais turistas para lazer O secretário para a economia e finanças, Francis Tam, fez ontem declarações em Pequim sobre a política de vistos individuais, tendo sublinhado que o desenvolvimento do turismo não pode ser apenas em números, e que o Governo da RAEM deseja mais turistas para lazer, para que usufruam do património local. “Queremos mudar os tipos de turistas. Ser um centro mundial de turismo e lazer é um desejo de todos os residentes de Macau”, disse ao canal chinês da TDM. “Primeiro temos de ajustar a estrutura da indústria, e depois ajustar o tipo de turistas. Estamos a fazer um esforço para transformar Macau num centro mundial de turismo e lazer, em vez de ser apenas um centro mundial de jogo”, acrescentou. Como tal, é objectivo apostar nos segmentos não ligados aos casinos, antes de se mudarem quaisquer politicas quanto aos vistos individuais, disse o secretário, que referiu que as operadoras que apostarem mais em “elementos não-jogo”, não serão esquecidas pelo Governo. - C.L.
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cada vez mais não residentes que trabalham em Taipa e Coloane, e usam os autocarros, o que acho que também aumenta o crime. Uma vez vi um trabalhador não residente da obra junto ao Jockey Club que estava bêbedo e que estava a chatear uma rapariga. Embora ele não seja turista, esse acaba por ser um sinal do desenvolvimento económico e da vinda de muitas pessoas para Macau.” Perante pressões e mudanças drásticas, impõe-se a questão: e se fossem criadas zonas só para turistas, e outras só para residentes? Aqui, o confronto de ideias acontece. “É melhor dividir os turistas e os residentes locais. Por exemplo, os residentes morarem na Taipa, e deixarem os turistas gozarem mais da península”, diz Raimundo Chang. Mas Oliver discorda. “Como sempre morei em Macau, se fosse obrigado a viver na Taipa, iria sentir falta das minhas recordações. Macau é uma cidade muito pequena e não seria bom fazer essa divisão”, aponta o funcionário público.
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Extracto do Aviso de Abertura do Concurso Centralizado de Ingresso Externo (Ref.: Concurso centralizado de ingresso n.º 002-2013-TS-01) Faz-se público que, por despacho do Chefe do Executivo, de 8 de Março de 2013, se encontra aberto o concurso centralizado, de ingresso externo, de prestação de provas, nos termos do disposto no Regulamento Administrativo n.º 23/2011 «Recrutamento, selecção, e formação para efeitos de acesso dos trabalhadores dos serviços públicos», para o provimento de cinquenta e dois (52) lugares vagos e dos que vierem a verificar-se no prazo de dois anos nos serviços públicos, na categoria de técnico superior de 2.ª classe, 1.º escalão (índice de vencimento 430), da carreira de técnico superior, área de informática, nas formas de provimento abaixo descritas: Lugares vagos no quadro ── quarenta e cinco (45); Lugares a preencher em regime de contrato além do quadro ── sete (7). Encontra-se publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 11, II Série, de 13 de Março de 2013, o aviso de abertura do concurso, cujo prazo para a apresentação de candidaturas decorre entre os dias 14 de Março e 2 de Abril de 2013. A admissão ao concurso faz-se mediante a apresentação de requerimento, em impresso próprio, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 250/2011, devendo o mesmo ser entregue, pessoalmente, dentro do prazo indicado e no horário de expediente (segunda a quinta-feira entre as 9,00 horas e as 17,45 horas e sexta-feira entre as 9,00 horas e as 17,30 horas), na Rua do Campo, n.° 162, Edifício Administração Pública, cave 1, Macau. Para facilitar a apresentação de candidaturas e dos documentos necessários, está disponível o serviço de marcação prévia por via Internet. As informações detalhadas sobre a candidatura e os documentos necessários podem ser consultadas na página electrónica desta Direcção de Serviços (http://www.safp.gov.mo/). 8 de Março de 2013
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Cientistas provam que um composto do vinho tinto prolonga a vida e protege da doença
Ratos sujeitos a quantidades regulares equivalentes a seis cafés diários
Cafeína contra doença de Machado-Joseph
À nossa saúde!
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uem diria que quando fazemos um brinde com vinho tinto e entoamos o proverbial “saúde!”, estamos mesmo a falar literalmente? No entanto, é isso que mostra um novo estudo, publicado hoje na revista Science por David Sinclair, da Universidade Harvard (EUA), e colegas - entre os quais duas portuguesas. Em 2006, a equipa de Sinclair publicava os primeiros resultados que sugeriam que o resveratrol, composto presente na casca das uvas, nos amendoins e nos frutos vermelhos, era capaz de prolongar a vida de ratinhos de laboratório. Criou-se então uma empresa, a Sirtris Pharmaceuticals (do grupo GSK), para desenvolver compostos de acção semelhante à do resveratrol. Segundo Sinclair e colegas, o resveratrol agia estimulando a actividade de uma proteína, chamada SIRT1 (sirtuína 1). Mas a seguir, houve quem argumentasse que o resveratrol só agia em presença de compostos sintéticos específicos utilizados nas experiências - ou seja, em condições artificiais. Entretanto, ao longo dos anos, foi-se acumulando uma massa de resultados que indicavam fortemente que em muitas espécies animais, incluindo a nossa, a SIRT1 protege, por sua vez, o organismo de doenças ligadas ao envelhecimento como o cancro, a Alzheimer, a diabetes. Os ratinhos que tomam resveratrol são relativamente imunes aos efeitos da obesidade e da velhice - e o composto aumenta a longevidade de leveduras, nemátodos, abelhas, moscas e ratinhos, lembra um comunicado de Harvard. Como? Melhorando o desem-
É
penho das mitocôndrias, que são as “baterias” das células vivas. Com a idade, elas começam a ter problemas de funcionamento - e o facto de a SIRT1 as conseguir “recarregar” tem efeitos profundos sobre a saúde. Restava, porém, a questão de saber se o resveratrol estimulava mesmo directamente a SIRT1 e tinha efectivo potencial terapêutico, ou se o seu efeito era uma miragem experimental. No novo estudo, os cientistas
põem fim ao debate. Primeiro, mostram que o resveratrol activa a SIRT1 em presença de moléculas naturalmente produzidas pelas células vivas. “Descobrimos uma assinatura da activação que se encontra de facto nas células e que não exige qualquer composto sintético”, diz Basil Hubbard, co-autor, citado pelo mesmo comunicado. Em segundo lugar, identificam, na molécula de SIRT1, o local de acção preciso do resveratrol.
um resultado auspicioso para uma doença neurodegenerativa sem cura. Cientistas da Universidade de Coimbra verificaram que quantidades elevadas de cafeína atenuam os danos causados pelo modelo da doença de Machado-Joseph nos ratinhos. O trabalho foi publicado agora na revista Annals of Neurology, Nélio Gonçalves é o primeiro autor do artigo. A doença de Machado-Joseph deve-se à mutação de um único gene e traduz-se na produção de uma proteína anormal que acaba por se acumular em excesso nas células nervosas, matando-as. O resultado é uma doença progressiva que afecta os movimentos: provoca a perda do controlo das extremidades, rigidez muscular, espasmos, problemas de deglutição, perturbações da visão e descontrolos dos movimentos oculares, perturbações do sono e problemas cognitivos. Os sintomas podem surgir tanto na infância como aos 70 anos e os filhos de uma pessoa com esta doença têm 50% de hipóteses de terem recebido este gene e, por isso, de virem a sofrer do mesmo problema. A doença não é tratável, os medicamentos que estes pacientes tomam servem para controlar alguns sintomas. A equipa da Universidade de Coimbra liderada por Luís Pereira de Almeida e Rodrigo Cunha utilizou um modelo equivalente em ratinhos para estudar esta doença que tem uma prevalência signifi-
cativa em Portugal, especialmente nos Açores. Para isso, utilizou um vírus modificado que desencadeia a patologia no cérebro dos ratinhos. Depois, administrou-se regularmente uma concentração de cafeína equivalente a cerca de seis cafés diários para testar se havia algum efeito. A cafeína exerceu “efeitos protectores, capazes de restabelecer a função [cerebral], por actuar como inibidora desta perturbação nos circuitos neuronais”, explica o comunicado de imprensa sobre a descoberta. A investigação também conseguiu associar o efeito da cafeína ao bloqueio de um receptor neuronal para a adenosina. A descoberta representa “uma peça importante para o complexo puzzle” sobre esta doença, mas os investigadores são prudentes sobre o seu significado. “São necessários mais estudos e ensaios clínicos para confirmar se o alvo molecular é eficaz nos humanos”, defendem Luís Pereira de Almeida e Rodrigo Cunha, sublinhando que “estabelecer prazos para um novo medicamento chegar ao mercado é pura especulação.”
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AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 5/P/2013 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Fevereiro de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento e Instalação de Dois Ventiladores Mecânicos aos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 13 de Março de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $31,00 trinta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral
AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 6/P/2013
destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 10 de Abril de 2013. O acto público deste concurso terá lugar no dia 11 de Abril de 2013, pelas 10,00 horas, na sala de “Reunião” situada na Cave 1 do Centro Hospitalar Conde de S. Januário. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $18 000,00 (dezoito mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.
Serviços de Saúde, aos 06 de Março de 2013. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 1 de Março de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento e Instalação de Um Sistema de Laser de Multi-Comprimento de Onda aos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 13 de Março de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $29,00 vinte e nove patacas), a título de custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral
destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 9 de Abril de 2013. O acto público deste concurso terá lugar no dia 10 de Abril de 2013, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $30 000,00 (trinta mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.
Serviços de Saúde, aos 06 de Março de 2013. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
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Sporting precisa de uma reestruturação, diz Caneira
Formado em Alvalade, Marco Caneira espera que o vencedor das eleições marcadas para o próximo dia 23 possa dar novo rumo ao clube. “O Sporting tem estado fragilizado nos últimos meses, mas espero que, após este acto eleitoral, vença quem vencer, possa tomar outro rumo”, começou por referir o defesa, em declarações prestadas à Antena 1. “O Sporting, como toda a gente sabe, precisa de uma reestruturação quase total para que o clube possa estabilizar e possa estar à altura da sua história”, vincou.
Palermo volta a chamar treinador despedido
Regresso ao ponto inicial. Na sequência da demissão de Gian Piero Gasparini, o Palermo voltou a apostar em Giuseppe Sannino para assumir o comando da equipa. Até aqui tudo normal se o treinador, de 55 anos, não tivesse estado já no comando da equipa no início da época, sendo substituído a 16 de Setembro passado por... Gasparini. Curiosamente Gasparini viria depois também a ser demitido e... novamente colocado no comando no passado dia 24 de Fevereiro, tendo durado apenas duas semanas. O Palermo, onde actua o português Nélson, é actualmente o último classificado da Serie A.
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Benfica Será o sexto treinador a atingir a marca na Luz
Jorge Jesus vai cumprir 200 jogos
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orge Jesus prepara-se para cumprir na quinta-feira, em Bordéus, o 200.º jogo no banco do Benfica. Será o sexto treinador encarnado a atingir essa marca, o segundo português. Janos Biri é ainda o recordista, com 272 jogos pelo Benfica entre 1939 e 1947. Seguem-se Otto Gloria (240), Sven-Goran Eriksson (233), Toni (215) e John Mortimore (203). Jesus, que chegou ao Benfica em 2009 e se pre-
Luiz Carlos confirmado até 2016
O médio brasileiro Luiz Carlos, actualmente a representar o Paços de Ferreira, foi oficializado como reforço do Sp. Braga tendo assinado contrato válido até Junho de 2016, com início a partir do próximo verão. A assinatura do vínculo entre o jogador e o clube bracarense foi dada a conhecer pela empresa que representa Luiz Carlos, através da rede social Facebook, confirmando aquilo que A Bola já tinha noticiado desde o início do mês. Luiz Carlos, 27 anos, chegou a Portugal em 2009 para representar o Freamunde, onde esteve duas épocas, despertando o interesse do Paços de Ferreira. No clube da capital do móvel fixou-se como titular indiscutível.
desporto
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para para chegar ao «top 5», estimando os jogos que faltam para terminar esta temporada, tem para já um registo de 139 vitórias, 31 empates e 29 derrotas. Foi campeão nacional na primeira temporada de vermelho, segundo nas duas seguintes. Nas provas europeias chegou aos quartos de final da Liga Europa em 2009/10, às meias-finais em 2010/11 e aos quartos da Liga dos Campeões em 2011/12. Esta época o Benfica está
Falta passaporte português ao avançado do Benfica
Vitória categórica sobre os Oklahoma City Thunder
Lima não pode jogar por Portugal P
aulo Bento vai divulgar na próxima quinta-feira a lista de convocados da Selecção Nacional para os jogos com Israel (dia 22) e Azerbaijão (dia 26), de qualificação para o Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil. E, nessa lista, não estará Lima. Apesar de já ter manifestado a intenção de jogar pela Selecção Nacional, o avançado brasileiro do Benfica ainda não tem passaporte português. A garantia chega de Pedro Pauleta, director da Federação Portuguesa de Futebol. “A menos que eu esteja enganado, o Lima ainda não tem passaporte português, pelo que não pode sequer ser convocado. Quando tiver, será uma oportunidade para Paulo
Bento, como o foram Deco ou Pepe. Neste momento, a questão nem se coloca. Este processo não irá, aliás, ser acelerado pela Federação», afirmou Pauleta, em declarações ao Blogolo. Apesar de ter manifestado a intenção de jogar com as cores de Portugal, Lima ainda não cumpre todos os critérios para ser cidadão nacional. O avançado de 29 anos ainda não está há seis anos em Portugal, mínimo exigido para solicitar a cidadania. Lima chegou a Portugal em 2003/2004, para representar o Vizela, tendo depois regressado ao Brasil. Voltou ao campeonato português apenas em 2009, para jogar no Belenenses, seguindo-se depois Sp. Braga e Benfica.
nos oitavos de final da Liga Europa e, no plano nacional, luta ainda pelo título de campeão e pela Taça de Portugal. Já foi afastado da Taça da Liga, competição que Jorge Jesus venceu por três vezes na Luz. Jorge Jesus vai tornar-se quinta-feira o sexto treinador a cumprir 200 jogos ao comando da equipa de futebol do Benfica, que se desloca ao reduto do Bordéus, em encontro da segunda mão dos oitavos-de-final da Liga Europa.
Spurs firmes na liderança
E
mbate entre os dois primeiros da Conferência Oeste da NBA na madrugada desta terça-feira. No AT&T Center, no Texas, os San Antonio Spurs receberam e venceram os Oklahoma City Thunder por 105-93 e evitaram que os visitantes os igualassem na liderança da classificação. O brasileiro Tiago Splitter, com um duplo-duplo (21 pontos e dez ressaltos) foi o principal dínamo dos anfitriões, que ainda não contaram com o lesionado Tony Parker.
Do lado dos Thunder, Kevin Durant e Russel Westbrook ainda tentaram contrariar a superioridade adversária. O primeiro conseguiu 26 pontos e o segundo anotou apenas menos um. Por sua vez, o espanhol Serge Ibaka também conseguiu um duplo-duplo (13 pontos e 16 ressaltos). O aproveitamento dos Spurs aumentou assim para 76,6% (49 vitórias e 15 derrotas), enquanto a taxa de sucesso dos Thunder caiu ligeiramente, para os 73,4%, com 47 triunfos e 17 desaires.
pub TRANSMAC — TRANSPORTES URBANOS DE MACAU, S.A.R.L. Convocatória
ANÚNCIO
Faz-se saber que, em relação ao concurso público para «Empreitada de execução do aterro e construção do dique da “Zona E1” dos novos aterros urbanos», publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 4, II Série, de 23 de Janeiro de 2013, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 2.2 do programa do concurso, e foi feita aclaração complementar conforme necessidades, pela entidade que realiza o concurso e juntos ao processo do concurso. Os referidos esclarecimentos e aclaração complementar encontram-se disponíveis para consulta, durante o horário de expediente, no Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, sito na Av. do Dr. Rodrigo Rodrigues, Edifício Nam Kwong, 10º andar, Macau. Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas, aos 6 de Março de 2013. O Coordenador do Gabinete Chan Hon Kit
Nos termos e para os efeitos do artigo 14.º dos Estatutos da Sociedade, é por este meio convocada a Assembleia Geral Ordinária da Transmac – Transportes Urbanos de Macau, S.A.R.L., registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 3053, a fls. 164, do livro C-8, para se reunir no dia 28 de Março de 2013, pelas 12 horas e 30 minutos, na respectiva sede social, sita em Macau, na Estrada Marginal da Ilha Verde, n.º 2, r/c, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Discussão e deliberação sobre o relatório, balanço e contas e o parecer do Conselho Fiscal, referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2012; 2. Eleição da Mesa da Assembleia Geral, do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal para o período de 2013 a 2016; 3. Discussão e deliberação sobre a proposta de aumento do capital social; 4. Alteração parcial do pacto social, dos artigos 4º e 7º e/ou de outros propostos pelos accionistas; 5. Resolução de outros assuntos de interesse da Sociedade. Todos os documentos e informações relacionados com os pontos 1.º a 4.º da agenda, encontrem-se desde já na sede social da Sociedade à disposição dos accionistas para consulta durante o horário de trabalho. Macau, aos 13 de Março de dois mil e treze. A Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Liu Hei Wan.
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cultura
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“Mamã” vence três prémios no Fantasporto
A vez de de Andrés Muschietti Ai Weiwei vai cantar e editar um álbum
O artista chinês Ai Weiwei vai editar um disco, disse ao Guardian. Já o tínhamos visto fazer a coreografia de Gagnam Style, agora o dissidente lança-se como cantor. As letras são suas, as músicas do rockeiro Zuoxiao Zuzzou. “Algumas canções são de heavy metal, outras bem mais punk e outras pop”, disse Weiwei, que pensa já noutro álbum com temas “mais lentos”. A prisão ajudou: “Nunca tinha escutado música, mas durante a minha detenção, os guardas estavam tão aborrecidos que me diziam: ‘Não podes cantar alguma coisa?’” E ele entusiasmou-se.
Danny Boyle prepara sequela de “Trainspotting”
O realizador Danny Boyle está a preparar uma sequela de “Trainspotting” para estrear em 2016, ou seja, na altura em que o filme original completa 20 anos. A fita que reunia os ingredientes drogas, juventude decadente e Edimburgo mereceu muitos elogios da crítica e do público, apesar da polémica que gerou por causa da toxicodependência. Danny Boyle volta à carga e pretende reunir o elenco original, incluindo o actor Ewan McGregor.
O
filme Mamã, de Andrés Muschietti, uma coprodução hispano-canadiana com a chancela de Guillermo del Toro como produtor, venceu os prémios de melhor filme, melhor realizador e melhor actriz (Jessica Chastain, a mesma de A Árvore da Vida e 00:30 Hora Negra) na secção de Cinema Fantástico do 33.º Fantasporto. Mamã, que abriu a principal secção competitiva do festival no passado dia 1, e entrou também esta semana no circuito comercial português (ver crítica no último suplemento Ípsilon), é o desenvolvimento para uma longa-metragem da história de terror gótico que o realizador tinha anteriormente feito numa curta, mostrada no Fantas de 2008. Na mesma secção, o Prémio Especial do Júri foi para O Apóstolo, produção galega assinada por Fernando Cortizo, com música de Philip Glass. O melhor actor foi Toby Jones, em Berberian Sound Studio, de Peter Strickland (Reino Unido); os melhores argumentistas foram
Valentin Mereutza e Alex Schmidt, pelo filme realizado por este último, Forgotten (Alemanha). Já Iron Sky, do finlandês Timo Vuorensola, foi distinguido pelo trabalho do director de fotografia Mika Orasmaa e da sua equipa de efeitos especiais. A lista dos prémios oficiais desta secção conclui-se com a curta-metragem Hotel, do espanhol José Luis Aleman. Os filmes Pietá, do realizador sul-coreano Kim-Ki-Duk, e White Tiger, do russo Karen Shaknazarov, estiveram em
evidência na Semana dos Realizadores. O primeiro arrecadou o Prémio Manoel de Oliveira (melhor filme) e o de melhor actriz (Lee Jung-Jing). White Tiger mereceu os prémios Especial do Júri, de melhor realizador e de melhor actor (Aleksey Vertkov). Ainda nesta secção, o holandês Boudewijn Koole venceu, com Jolein Laarman, a distinção de melhor argumento, por Kaunboy, realizado pelo primeiro. Os prémios Orient Express foram para a Coreia do Sul: The Grand Heist, de Kim-Joo-Ho, foi
o melhor filme, e The Weight, de Jeon Kyu-Hwan, recebeu o Prémio Especial do Júri. Na lista das distinções não-oficiais, o Prémio da Crítica foi para The Seasoning House, do britânico Paul Hyett; o do Público foi para Thale, de Aleksandre Nordaas (Noruega). A direcção do Fantasporto atribuiu ainda o Prémio Carreira ao realizador português António de Macedo, e prestou homenagem a Manoel de Oliveira, na passagem dos 70 anos sobre a estreia de Aniki-Bóbó (1942). Na secção exclusivamente dedicada ao Cinema Português, foi distinguido do documentário de Luís Moya, Mia Mia Sudan Tamam Tamam, sobre o povo do Sudão; e Restart, trabalho colectivo do Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias, de Lisboa (Prémio Escolas de Cinema). O festival tem este sábado à noite a cerimónia de entrega dos prémios, em que será exibido Mamã. Amanhã, os dois auditórios do Teatro Rivoli exibirão uma selecção dos filmes distinguidos.
Realizador norte-americano quer ir até à fronteira indo-paquistanesa
O
Spielberg vai produzir filme em Caxemira
realizador Steven Spielberg planeia produzir um filme - sem no entanto o realizar - que se passa na fronteira entre a Índia e o Paquistão, na região disputada da Caxemira, noticiou, terça-feira, a imprensa indiana. Steven Spielberg, actual-
mente em Bombaim, a capital da industria do cinema indiano, afirmou ao jornal “Times of India” que o filme será produzido pelo seu estúdio DreamWorks e pelo seu parceiro indiano Reliance Entertainment, dirigido pelo magnata industrial Anil Ambani. “Acabámos de
terminar o roteiro de um filme”, disse Spielberg. “Parte do filme passa-se na fronteira indo-paquistanesa de Caxemira. Mas ainda estamos à procura do o elenco, de locais, e de quem vai realizar o filme”, acrescentou. Spielberg, um dos homens mais influentes de Hollywood, pub
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL Contribuição Predial Urbana RECLAMAÇÕES Faz-se saber, face ao disposto no artigo 71.º do Regulamento da Contribuição Predial Urbana, aprovado pela Lei n.º 19/78/M de 12 de Agosto, com nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 19/87/M de 13 de Abril, que, durante o período de 1 a 31 de Março do corrente ano, as matrizes prediais serão postas a reclamação dos contribuintes, podendo estes reclamar contra qualquer inexactidão, porventura, existente na fixação do rendimento, relativamente ao exercício de 2012. O respectivo impresso será fornecido por estes Serviços, no Edifício “Finanças”, no Centro de Serviços da RAEM e Centro de Atendimento Taipa, ou pode ser descarregado através do endereço electrónico www.dsf.gov.mo, podendo ainda o pedido de reclamação acima referido ser apresentado através do serviço electrónico desta Direcção de Serviços. Aos, 22 de Fevereiro de 2013. A Directora dos Serviços, Vitória da Conceição
após uma carreira de 40 anos e 27 filmes, foi visto por um correspondente da AFP a sair dos estúdios de Anil Ambani na tarde de segunda-feira. Também ontem o realizador foi convidado para uma reunião nocturna com realizadores indianos, sendo a
estrela de Bollywood,Amitabh Bachchan, o moderador. Trata-se, segundo a imprensa, da primeira visita do Spielberg a Bombaim, onde foi especialmente para comemorar o sucesso do filme “Lincoln”, co-produzido pela Reliance Entertainment.
Tina Turner é capa da ‘Vogue’ alemã aos 73 anos
É a primeira vez que a cantora posa para a Vogue, considerada a bíblia da moda. Vencedora de quatro Grammys e dona de uma carreira recheada de hits como Let’s Stay Together e We Don’t Need Another Hero, Tina Turner é a estrela do mês de abril da edição germânica da revista. Segundo o site do Daily Mail, as fotografias publicadas na páginas da revista podem desapontar os fãs da cantora, já que as suas famosas pernas, tão exibidas em saias e vestidos curtos no palco, que lhe valeram o titulo de ‘miss hot legs’, estão tapadas. O mesmo site escreve que Tina Turner bate o recorde da mulher com mais idade a aparecer na capa da Vogue. Antes, o título era da actriz Meryl Streep, que posou para a edição norte-americana da revista, aos 62 anos, em Janeiro do ano passado.
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[ ] Cinema
futilidades
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Cineteatro | PUB Sala 2
jack the giant slayer [3d] [B]
OZ: the great and powerful
Um filme de: Bryan Singer Com: Darren Lemke, Christopher McQuarrie, Dan Studney, David Dobkin 14.00, 16.00, 19.45, 21.45
welcome back to beast airline [3d] [A]
Sala 1
9-9-81 [c]
(Falado em thai, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Disspong Sampattavanich, Pirun Anusuriya, Pitak Ruangrojsin, Sut Com: Patthita Attayatomwittaya 14.30, 16.15, 18.00, 21.45
one piece film z [b]
(Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Tatsuya Nagamine 19.45
Um filme de: Beast 18.00 Sala 3
OZ: the great and powerful [3d] [b]
Aqui há gato
Um filme de: Sam Raimi Com: James Franco, Rachel Weisz, Michelle Williams, Mila kunis 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
VERTICAIS: 1-Espécie de cobra (Bras.). Espécie de feijão de Moçambique. 2-Privação (pref.) Serradura. 3-Terreno liso onde se trilham cereais Enxuga. 4-Perverso. Jornada. Tudo o que prejudica ou fere. 5-Um tanto magro. Vós. 6-Ecoa. Vai-te embora!. 7-Tamb∫em (Arc.). Torneis doce. 8-Nome de homem. Varanda. Rio da Suiça que banha Berna. 9-Espécie de palmeira. Funda, inventa. 10-Riça, enruga. Grito. 11-Costumai. O m.q. abismo.
Soluções do problema
Sudoku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Sobressaem. Produziu ebulição. 2-Aliavam. Maus. 3-Vias ladeadas de casas, nas povoações. A língua dos Incas. 4-Deteriora. Cidade da Indica. Nome de homem. 5-Popa. Colérica. 6-Agastado, iracundo. Que tem obesidade. 7-Acomete com ímpeto. Peso bruto (abrev.). 8-Voz imitativa de pancada (Interj.). Pronome pessoal. Vai ao chão. 9-Actuam. Gemer. 1-Raparigas espertas (Gír.). Vás para fora 11-Nome de mulher. Meio diâmetro de uma circunferência.
[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360º (Diferido) 14:45 RTPi DIRECTO 19:00 TDM Entrevista (Repetição) 19:30 vingança 20:30 Telejornal 21:00 Montra do Lilau 21:30 Os Compadres 22:10 Escrito nas Estrelas 23:00 TDM News 23:30 Resumo Liga dos Campeões 23:45 Liga dos Campeões: Barcelona – AC Milão (Repetição) 01:30 Telejornal (Repetição) 02:00 RTPi Directo 03:45 Liga dos Campeões: Málaga – Porto (Directo) 05:45 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM
31 - STAR Sports 13:00 FIM Mx1 & Mx2 World Championship 2013 - Highlights 13:30 Golf Focus 2013 14:00 Furusiyya FEI Nations Cup 2013 15:00 F1 Classics - 2003 Hungarian Grand Prix 16:00 F1 Classics - 2003 US Grand Prix 17:00 Max Power 2013 17:55 (LIVE) AFC Champions League 2013 20:00 500 Great Goals 20:30 FIM Mx1 & Mx2 World Championship 2013 - Highlights 21:00 Smash 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 FIM Mx1 & Mx2 World Championship 2013 - Highlights 22:30 Smash 2013 23:00 One Fighting Championship 40 - FOX Movies 11:15 Home Alone 2 13:15 White Chicks 15:05 Don’T Be Afraid Of The Dark 16:50 The Artist 18:30 Up 20:10 Transporter: The Series 21:00 Did You Hear About The Morgans? 22:45 Zombieland 00:15 One For The Money
RTPi 82 15:00 Telejornal Madeira 15:35 República do Saber 15:50 Viva a Música 16:35 AntiCrise 17:00 Bom Dia Portugal 18:00 Portugal Aqui Tão Perto 18:55 Vingança 19:45 Palácios de Portugal 20:15 Galegos de Cá e Lá 21:00 Jornal Da Tarde 22:15 O Preço Certo 23:05 Ler +, Ler Melhor 23:15 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 13:00 US Open 9-Ball C’ship 2012 15:00 Premier League Darts 2013 16:30 Puerto Rico Open 17:30 Tour Of Oman 2013 18:30 My Beautiful Game - Greatest Saves 19:00 The Football Review 2012-2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 World of Gymnastics 2013 20:30 Chang World of Football 2012/13 21:00 Puerto Rico Open 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 AFC Champions League 2013
41 - HBO 12:55 Country Strong 14:55 The Interpreter 17:00 The Pagemaster 18:20 Turbulence 20:00 Hellboy 22:00 Wanderlust 23:45 Deuce Bigalow 42 - Cinemax 12:45 Ambushed 14:30 Kung Fu: The Legend Continues 16:00 The Viking Queen 17:30 Knight Rider 2000 19:00 All About The Benjamins 20:30 Source Code 22:00 Police Academy 23:25 Spartacus: Vengeance)
HORIZONTAIS: 1-SAEM. FERVEU. 2-UNIAM. RUINS. 3-C. RUAS. INCA. 4-USA. COA. ARI. 5-RE. IRADA. E. 6-IRADO. OBESA. 7-R. ATACA. PB. 8-ZAS. ELE. CAI. 9-AGEM. AIAR. S. 10-MECAS. SAIAS. 11-AMALIA. RAIO. VERTICAIS: 1-SUCURI. ZAMA. 2-AN. SERRAGEM. 3-EIRA. A. SECA. 4-MAU. IDA. MAL. 5-MAGROTE. SI. 6-F. SOA. ALA. A. 7-ER. ADOCEIS. 8-RUI. ABA. AAR. 9-VINA. E. CRIA.10-ENCRESPA. AI. 11-USAI. ABISSO.
À venda na Livraria Portuguesa 7 Anos de Mau Sexo - Crónicas Constrangedoras • Ana Anes
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior
A maior parte das crónicas reunidas neste livro surgiram ao fim de dois anos de muita insistência por parte da autora à direcção do semanário O Independente, onde colaborava há cerca de três anos. Com o término dos suplementos anteriores, que deram lugar ao suplemento Vida, foi possível concretizar o que, mais do que um sonho, foi sempre uma certeza da autora - a de que iria «abanar os alicerces» de algumas mentalidades. Assim foi e, durante cerca de sete meses de duração da rubrica homónima, falou-se semanalmente, sem tabus, de sexo e relacionamentos, obviamente numa perspectiva autobiográfica (e não só, que os amigos deram ajudas preciosas com as respectivas experiências!), com humor, ironia e sentido de oportunidade e actualidade. Para além dessas, o livro reúne igualmente crónicas originais e outras da Perspectiva, da coluna Cambalhotas do Destak e da rubrica A Guerra dos Sexos da Maxmen. As crónicas estão organizadas num sistema crescente de «malaguetas»: as primeiras são relativamente toleráveis, mas para as mais picantes será conveniente prepararem o antídoto!
A Princesa e o Presidente • Valéry Giscard d’Estaing
A Princesa e o Presidente conta a história entre Jacques-Henri Lambertye, Presidente de França, e Patrícia, a Princesa de Cardiff. Nestas páginas, o leitor assiste aos seus primeiros encontros e ao nascimento de um amor que, rapidamente, se tornará o centro das suas vidas agitadas. Tendo como pano de fundo os palácios da república francesa e da monarquia britânica, a aproximação entre ficção e realidade é evidente, fazendo-nos crer que, até hoje, ninguém saberia a verdadeira história de amor daquela que o autor apelida de Princesa de Cardiff.
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Cansado Ando cansado. Cansado de muito fazer. Cansado de nada fazer. Cansado de fazer assim-assim. Na verdade, sinto-me cansado de não ter tempo para me cansar. Esta entrada, meio pseudo-poética, serve apenas para dizer que não tenho tempo nem para cuidar de mim. Acordo cedo, mal durmo. O dia para mim começa cedo. Cheio de coisas para fazer e acaba bem tarde. Pouco tempo tenho para conviver com outros gatos, para arranjar namorada ou, simplesmente, para me olhar ao espelho e dizer: “Olá Pu Yi”. O dia corre de lés a lés, sem que eu possa parar para pensar que acabem de envelhecer mais um pouco. E assim tem sido desde há um ano a esta parte. Tudo em prol do trabalho. Tudo em prol de uma melhor condição. E agora me pergunto? Onde fico eu no meio disto tudo? E a minha saúde? Será justo que tenha de fazer tanta coisa que nem tempo tenha para fazer uma refeição em condições? Ou simplesmente, que me deite da alcofa a ver um pouco de televisão? E ainda dizem que vida de gato é fácil. No meu caso não é, vos garanto. Só eu sei porque que me queixo. É ver o pelo preto a ficar russo, sem que nada possa fazer por isso. E depois ainda tenho o pessoal do jornal a gritar comigo. “Baza Pu Yi”, “Ó Pu Yi”, “Sai daqui Pu Yi” ou “Pára quieto Pu Yi”. Onde está o meu descanso, digamme? Talvez consiga relaxar um pouco, agora, que o jornal se fecha e as pessoas se vão. O espaço é todo meu, até o amanhã começar igual ao dia anterior. Descanso, por favor... Miau!
Pu Yi
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quarta-feira 13.3.2013
A pobreza pode acordar os demónios Fernando Santos in Jornal de Notícias
P
ortugal é uma das peças de um dominó europeu cada vez mais desconjuntado. A postura ao tipo “orgulhosamente sós” não faz nenhum sentido e, por isso, não obstante a economia e as finanças nacionais estarem de pantanas e redundarem em mais e mais empobrecimento e flagelo social dos portugueses, manda o bom senso proceder a uma análise interdependente.
cartoon por Steff
Bem acentuada nos números ontem divulgados pelo INE e de acordo com os quais o PIB retrocedeu 3,6%, qualquer coisa como cinco mil milhões de euros, valor superior aos cortes estruturais a marinar, a desgraça portuguesa é preocupante - mas não é única. Sob o jugo de uns eurocratas bem mandados pela capataz alemã, toda a Europa do Sul regride e ao reforço do contingente de mais pobres e mais desempregados só a teimosia e a ignorância não são capazes de perceber: como uma metástase, a crise e a convulsão social tende a espalhar-se e a afectar a (ir) racionalidade dos chamados países ricos.
Tão correcto como considerar que pior do que um cego é aquele que não quer ver é também admitir mudanças seguindo o prisma segundo o qual só os burros não mudam de ideias.... Os perigos de implosão da actual Europa avolumam-se - e não se ficam, sequer, pelas sucessivas derrotas dos tecnocratas impostos à Democracia e dos quais o afamado Mario Monti é o mais recente espécimen. Por se tratar de um especialista em “flic-flac”, será imprudente valorizar demasiado a carta enviada pelo presidente da Comissão Europeia aos líderes europeus em vésperas
início do conclave para eleger novo Papa
de mais uma cimeira. Registe-se, porém, a sua tese de solicitação de mais “reformas estruturais”, pedindo atenção às “consequências sociais” da actual crise. Os níveis recordes de desemprego em vários países levam Durão Barroso a enfatizar, entre outras políticas, a necessidade de reforço de decisões que levem à competitividade da economia para que se combata sobretudo a falta de trabalho para os jovens (23,6% na UE, 38,6% em Portugal). Assim como assim, dispondo os jovens de mais sangue na guelra, terá sido por medo deles que Jean-Claude Junker, em entrevista à revista alemã “Der Spiegel, deixou um alerta para uma eventual guerra no velho continente? Para o ex-líder do Eurogrupo “quem acredita que a eterna questão da guerra e paz na Europa não pode voltar a ocorrer está completamente errado. Os demónios não desapareceram, estão apenas adormecidos”.
É avisada a posição de Juncker. Se os líderes europeus persistirem em tratar as pessoas como meros números os tais demónios podem acordar. Será uma chatice. Mas Juncker, uma nódoa de influência nos eurocratas, bem pode juntar-se a outras personalidades, como Cavaco Silva, e clamar por entre uns tiritos: “Eu bem avisei”. Já ninguém os ouvirá mas, enfim... É avisada a posição de Juncker. Se os líderes europeus persistirem em tratar as pessoas como meros números os tais demónios podem acordar. Será uma chatice. Mas Juncker, uma nódoa de influência nos eurocratas, bem pode juntar-se a outras personalidades, como Cavaco Silva, e clamar por entre uns tiritos: “Eu bem avisei”. Já ninguém os ouvirá mas, enfim...
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Correia Marques
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a paliçada
“Ir ao correio à meia-noite”
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assam já das cinco da tarde, neste meu ritual de domingo. O isolamento, no meio do verde e do ar (ainda) puro faz-me bem, deixa-me o pensamento livre, enquanto o corpo preguiça. Ah, como é bom aproveitar as coisas boas da natureza e da vida, enquanto elas existem. Sim, enquanto a voracidade dos homens não as substituem pelo betão do cifrão, pela desumana insensibilidade. Adoro o canto modorrento das cigarras que se ouve vindo das árvores de Coloane. Prefiro-o à azafama das formigas em carreiro que, na sua ânsia de amealhar sem parar, tudo carregam para a sua toca: o que precisam e aquilo que já têm de sobra. Acabada a refeição tardia, peço um café, embora de antemão saiba que ele não presta (cheira e sabe a queimado), mas é o pretexto para pedir um «Dimple», que por ser cliente habitual de muitos anos, me é servido de forma generosa. Já bebi (felizmente a vida não me tem sido de todo madastra) uísques melhores. Mas este é, a par do «Old Parr», aquele que melhor me transporta para outros lugares, os sítios da minha juventude nos quartéis. Não gosto de dizer «no meu tempo», porque o meu tempo ainda não acabou, embora tenha a tranquila certeza – certeza mais certa do que Camões ter estado em Macau - de que isso pode acontecer a qualquer momento. Afinal «esta vida são dois dias, um já passou e outro vai a meio», seja qual for a nossa idade. Prefiro dizer em «outros lugares» por onde andei. E onde nasci (lugares de emigração que cheguei a pensar arredados do nosso viver comum mas que a insensatez e a ganância de uns poucos ressuscitaram, como se isso fosse a nossa sina maldita), as «viúvas» de maridos vivos nos brasis, precocemente envelhecidas, quando brejeiramente brincávamos com elas: - «Então tia Maria onde vai a esta hora sozinha?, usavam responder, numa aceitação conformada, embrulhadas no xaile e no lenço pretos: - «Olha filho, na minha idade já posso ir ao correio à meia-noite». Enquanto escrevo este texto, o telefone toca. O indicativo é de Portugal e o meu coração estremece. Estou aqui a oriente, e ainda hoje não sei bem porquê vim aqui parar. Acho, mais do que nunca, que muitas das coisas que nos acontecem na vida não são escolha nossa, estão escritas nos astros. A idade ensina-nos isto. Como nos permite expormo-nos de forma que antes o não fazíamos. Escrever coisas sem nexo (ou talvez não), como estas que uso (e ouso) deixar-vos, por estas páginas. Afinal ao
Agora vai haver eleições e o povo vai julgar a sua herança como político. Como homem, ficará na história porque soube da lei da morte libertar-se, como diria o nosso poeta maior. Enfim, na minha idade, já posso ir ao correio à meia-noite, ou seja, escrever coisas politicamente incorretas telefone era apenas um amigo a perguntar quando vou de férias. Há muito tempo que não falávamos e senti as saudades e o apelo dos cheiros e dos sabores do nosso lugar. Recordei as traquinices de enquanto jovens. Senti a força terna de um abraço. E a vida do rio onde aprendemos a nadar, e apanhávamos peixe à toca. Isto antes de esse mesmo rio ter sido domado pela Barragem dos homens. A minha mãe, felizmente, ainda é viva, mas tem 87 anos e, quando o telefone toca de Portugal, o coração bate mais forte. O António, meu xará, é o meu melhor amigo. Fomos colegas de carteira na escola primária mas, nessa altura, éramos como o gato e o rato.
Fui criado com pai ausente, a visitas esparsas, de ano a ano ou de dois em dois anos. Por isso era a minha mãe que lá em casa impunha a disciplina e, quando ela vinha a saber pelas alcoviteiras que eu me metia em zaragatas, ao chegar a casa era certo e sabido que me presenteava, no mínimo, com um sermão, às vezes com umas sacudidelas do pó dos costados. Isto para além das que apanhava nas brigas, que quem vai à guerra dá e leva. Por isso eu, sempre que podia, evitava o confronto. Mas, ia eu pelos meus 10 anos, numa das suas viagens a Portugal, o meu pai soube duma dessas brigas, chamou-me e, em tom solene, disse-me palavras que (penso eu) marcaram, de forma indelével, a minha maneira de estar na vida: - «Olha filho evita os conflitos mas, se tiver que ser, fica sabendo que antes te quero ver na prisão do que no hospital». E, no dia seguinte, o meu amigo -que na altura ainda não era o meu melhor amigo! - levou uma surra memorável. Em futebolês: aquelas palavras tiveram em mim o efeito de uma chicotada psicológica. Talvez por isso, aprendi a gostar e a respeitar os homens que não viram a cara à luta, ainda que possa não estar totalmente de acordo com eles. E, nos políticos admiro e respeito aqueles que são coerentes na defesa da sua ideologia; não aqueles que só pensam no seu umbigo, fingem ouvir e respeitar a
vontade do povo e tentam agradar a toda a gente. A harmonia social não existe em sociedades injustas, por muito que se tente tapar o sol com uma peneira. Desapareceu, de entre os vivos, Hugo Chávez. Não sei contabilizar o que fez de bom e de errado, porque não conheço suficientemente a realidade do seu país que sempre nos foi transmitida de forma parcial e tendenciosa, seja pelos seus fieis, seja pelos seus detratores. Mas uma coisa é certa, foi um homem de luta e de valores, corajoso, que nunca vergou a cerviz perante os donos do Mundo. Mesmo quando foi derrotado e preso não desistiu. Só a doença o venceu. E mesmo assim não o impediu de, sabendo-se condenado, travar a sua última batalha política e ser reeleito presidente. Tirou, isso é inegável, muita gente da pobreza e investiu na saúde e na educação, dois bens preciosos. Podia ter feito mais? É sempre possível fazer mais pela felicidade dos povos. Agora vai haver eleições e o povo vai julgar a sua herança como político. Como homem, ficará na história porque soube da lei da morte libertar-se, como diria o nosso poeta maior. Enfim, na minha idade, já posso ir ao correio à meia-noite, ou seja, escrever coisas politicamente incorretas. Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Águas de Portugal vai reactivar empresa no Oriente
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Regressar a Timor-Leste
administrador das Águas de Portugal (AdP), Álvaro Castello-Branco, disse hoje à agência Lusa que a empresa vai reactivar a empresa Águas de Portugal Timor para prestar serviços nas áreas de abastecimento, saneamento e recolha de resíduos. “As Águas de Portugal têm cá uma empresa que é a Águas de Portugal Timor, que está desactivada, e a nossa intenção é reactivar a empresa e voltarmos a trabalhar em Timor, quer na área do abastecimento de água, quer na área do saneamento, quer na área do tratamento e recolha de resíduos”, afirmou Álvaro Castello-Branco. O administrador das AdP termina na quarta-feira uma visita a Timor-Leste, que teve início no domingo. “Achámos que o país já tem condições para que pudéssemos vir para cá e, portanto, o objectivo foi relançar a nossa empresa em Timor e fazer com que a empresa volte a ser uma presença portuguesa e um contributo português para o desenvolvimento do país, que começa agora a ter condições para fazer infra-estruturas”, acrescentou.
Segundo Álvaro Castello-Branco, a empresa tenciona, “no prazo de um a dois meses”, ter um director em Timor-Leste para “começar a criar condições para trabalhar”. Durante a estada em Timor-Leste, Álvaro Castello-Branco reuniu-se com vários membros do Governo e com alguns directores-gerais da administração timorense. “Fiquei absolutamente surpreendido do ponto de vista positivo, não só com a vontade que os responsáveis timorenses têm para desenvolver o país, mas também com o trabalho já feito no âmbito do planeamento”, disse. A empresa estatal portuguesa está presente em Angola, Moçambique e no Brasil e tem operações noAzerbaijão e Marrocos.
Merkel contra extensão de prazo concedida a Portugal
A chanceler alemã vai tentar evitar que o Parlamento alemão vote a extensão do prazo para cumprir o pagamento dos empréstimos concedidos a Portugal e à Irlanda. A informação é avançada pelo jornal alemão Handelsblatt, que dá conta de que a coligação governamental liderada por Angela Merkel está a estudar de que forma é possível evitar que a câmara baixa do Parlamento alemão vote a extensão. Segundo a publicação, tal não deve ocorrer uma vez que os países em causa não receberam apenas apoio financeiro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, mas também do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira. Para tal Merkel pode utilizar uma arma que já mereceu críticas da oposição. Tudo porque os ministros das Finanças da União Europeia podem, sem o aval dos parlamentos dos Estados-membros, modificar as condições deste mecanismo permanente de estabilidade. Carsten Schneider, do principal partido da oposição na Alemanha, condenou a possibilidade: «Contornar o Parlamento com recurso a esse tipo de batota é inaceitável.»
Jennifer Love Hewitt admite fazer seguro às mamas por 38 milhões de patacas
A actriz Jennifer Love Hewitt admitiu que poderia fazer um seguro aos seios pela módica quantia de 38 milhões de patacas. A revelação foi feita pela própria numa entrevista ao jornal USA Today. Instada a comentar a possibilidade, Jennifer não se fez rogada e retorquiu: «Primeiro teria de ser convidada por uma seguradora...mas sabe que mais, se me perguntassem se aceitava fazê-lo por 19 milhões de patacas por mama, aceitaria de imediato. Porque não?» A actriz que protagoniza a série «The Client List», onde interpreta uma mãe solteira que trabalha num salão de massagens que dá um «final feliz» aos clientes, apontou depois para os seios e acrescentou: «Estas aqui valem 38 milhões de patacas!»
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quarta-feira 13.3.2013