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Hoje Macau 13 OUT 2017 #3914

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MOP$10

SEXTA-FEIRA 13 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3915

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

TIAGO ALCÂNTARA

hojemacau

CHAMADAS MAIS BARATAS PÁGINA 7

CINEMATECA

DUPLA PAIXÃO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

EVENTOS

MACAU NÃO FALA INGLÊS

misturei “Nunca `

funcões políticas com académicas

GABRIEL TONG DIRECTOR DA FACULDADE DE DIREITO DA UM ENTREVISTA

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PÁGINA 4


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GABRIEL TONG

ENTREVISTA

No domingo, Gabriel Tong deixa oficialmente de ser deputado, após dois mandatos no hemiciclo. Em entrevista, ao HM, o director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau confessa que quer voltar a focar-se mais na carreira de professor e admite estudar a polémica Lei de Terras, numa perspectiva académica, num futuro mais longínquo Deixa oficialmente de ser deputado no domingo. Qual a sua opinião sobre os novos deputados nomeados? Confio nas capacidades dos novos colegas que vão entrar na Assembleia Legislativa. Faz ideia de se afastar da política? Como cidadão vou continuar a acompanhar os assuntos, só que numa posição diferente e com outros olhos. Vai estar disponível para participar em actividades da AL e com o Governo, se lhe pedirem? Neste momento, acho que tudo é possível. Se houver áreas em que o Governo precisa de ajuda e que me interessem, não tenho razões para recusar.

SOFIA MARGARIDA MOTA

DIRECTOR DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE MACAU

“Tentei defender os valores em que acredito”

Vai ter saudades de ser deputado? Não sei, acho que só vou saber responder a essa pergunta no futuro. Na altura de sair, recebeu agradecimentos do Chefe do Executivo? Sim, ele agradeceu-me. Explicou, antes da entrevista, que ainda não está na altura de reflectir sobre o seu percurso político, que precisa de mais tempo. Mas como é que se sente, agora que está de saída? Tentei defender os valores em que acredito e desempenhar o meu papel. Foi uma mais-valia esta oportunidade de participar na elaboração de várias leis? Na política há sempre polémicas, mas é uma experiência muito va-

liosa e que contribuiu para a minha formação como pessoa, pensador do Direito, e que me deixou com outros conhecimentos. Percebo melhor as escolhas legislativas,

“Não vai ser fácil conseguir isso [a acreditação do curso de Direito] brevemente, porque [...] precisamos de ter um certo número de professores doutorados, que não conseguimos contratar de um dia para o outro.”

que muitas vezes são criticadas pelos académicos. Esta experiência deu-me uma perspectiva interna da Assembleia Legislativa, e uma outra compreensão. Sempre valorizou muito a vida académica. Sente-se aliviado, agora que vai ter mais tempo para se dedicar a esta área? Não posso dizer que é um alívio, porque ter tido a oportunidade de participar na política foi uma experiência muito preciosa. Agradeço à sociedade de Macau por me ter proporcionado esta oportunidade tão importante. A Lei de Terras gerou muita polémica, com pessoas descontentes e deputados a dizerem-se engana-

dos. Equaciona fazer um estudo académico sobre o assunto? Um dia vou ponderar sobre esse assunto, mas não será brevemente porque tenho outras prioridades como professor e director da Faculdade de Direito. Mas posso dizer que esta experiência não vai ser em vão, no sentido académico. Quando apresentou uma proposta na AL para alterar a Lei de Terras, um grupo estudantes pediu a sua demissão enquanto académico. As suas opções políticas algumas vez dificultaram as suas funções académicas? Nunca misturei as minhas funções políticas com as académicas. Claro que não deixei de ser a mesma pessoa, mas como professor sem-


3 sexta-feira 13.10.2017 www.hojemacau.com.mo

PERFIL • Gabriel Tong Io Cheng tem 45 anos e nasceu em 1972, em Zhongshan. Vive em Macau desde 1987, e é actualmente o director da Faculdade de Direito da Universidade de Macau, funções que desempenha desde o ano passado. Nos últimos oito anos assumiu também o papel de deputado na Assembleia Legislativa, tendo sido nomeado pelo Chefe do Executivo. É doutorado em Lei Civil e Comercial chinesa, pela Academia Chinesa de Ciências Sociais, tendo completado o mestrado em Direito, na Universidade de Sun Yat-sen, e a licenciatura em Direito, na Universidade de Macau.

bilingues. Essa acreditação seria muito positiva. Acreditação que vai ser alcançada brevemente? Não vai ser fácil conseguir isso brevemente, porque há várias limitações, nomeadamente precisamos de ter um certo número de professores doutorados, que não conseguimos contratar de um dia para o outro. Mas sem dúvida que vamos trabalhar para criar sempre as melhores condições para os nossos alunos. A questão do reconhecimento directo do curso em Portugal, e por inerência na União Europeia, está totalmente afastada? Neste momento um reconhecimento directo já não é possível. Juridicamente e politicamente não é possível. Não é porque tenha havido alterações do nosso lado, mas o reconhecimento directo implicaria que o Direito de Portugal se aplicasse em Macau. Isto, pelo menos neste momento, sem um esforço diplomático entre os dois países torna-se difícil. pre adoptei critérios muito claros, separei as coisas, e empenhei-me ao máximo em ensinar e incentivar os alunos, cumprindo as minhas tarefas da melhor forma que sei. Mas houve esta contestação... Nem todas as pessoas conseguem entender esta capacidade para não misturar as coisas. Há pessoas diferentes e isso gera opiniões diferentes, mas eu considero que o papel de deputado é conciliável com o de académico. Assumiu o cargo de director da Faculdade de Direito e um dos objectivos passa por fazer com que o curso de Direito receba acreditação por parte de entidades em Portugal. Como está o processo?

Para que o curso possa ser acreditado é necessário que preenchamos todos os requisitos exigidos por essas entidades. É um ponto em que ainda estamos a trabalhar e que esperamos alcançar. Estamos a dedicar um grande esforço a este objectivo porque há colegas que usam a língua portuguesa e outros

“Não posso dizer que é um alívio [deixar de ser deputado], porque ter tido a oportunidade de participar na política foi uma experiência muito preciosa.”

Recentemente foi aprovada a nova Lei do Ensino Superior, que alterações podem ser introduzidas nos cursos da Faculdade de Direito? Com estas alterações os cursos e a estrutura dos nossos programas vão ter espaço para evoluir. Por exemplo, acredito que podemos atrair alunos de outras faculdades, que poderão querer fazer uma ou duas disciplinas na área do Direito, mas que não querem fazer um licenciatura na área. E em relação aos mestrados, também espera alterações? Existe uma tendência mundial para que os mestrados apostem mais em aulas, em vez de uma dissertação muito desenvolvida. O mestrado está a tornar-se uma continuação da licenciatura que é concluído com a frequência de muitas aulas. Assim,

estende-se o tempo de formação dos alunos em matérias essenciais. Essas mudanças estão para breve? Neste momento estamos a equacionar a proposta apresentada pelos meus coordenadores, para ver o que precisamos de mudar no nosso mestrado. Como se atrai estudantes para o curso de Direito de Macau, se nada garante que depois de 2049, quando expira a validade da Lei Básica, este Direito continue em vigor? Eu nunca ouvi dizer que o Direito de Macau ia acabar após 2049. Podemos imaginar esse cenário, mas nunca ouvi que ia acabar. Pelo contrário, ouvi muita gente a dizer que em 2049 é uma primeira etapa [de integração], mas que o modo de vida vai continuar.

Que papel pode desempenhar a Faculdade de Direito dentro da Grande Baía? A Grande Baía vai envolver três jurisdições diferentes, a de Macau, Hong Kong e do Interior da China, sendo que há vertentes que vão implicar o Direito e que nem podem funcionar sem ele. É aí que vão surgir as oportunidades. Em colaboração com os colegas da China e de Hong Kong podemos criar um ambiente jurídico favorável ao desenvolvimento da Grande Baía. Desde Julho do ano passado que assumiu as funções de director da Faculdade de Direito. Como está a correr a experiência? É uma posição em que, para ser sincero, me sinto muito confortável e que tenho gostado. Acredito que não vai haver problemas e as coisas estão a funcionar bem.

Não há nada que garanta que a transição não vai ser abrupta... Essa opção não me parece ser do interesse de ninguém. Há uma estrutura social e um tipo de actividades que funcionam há centenas de anos, por isso não me parece que vão ser mudados num instante. Independentemente do que possa acontecer, a vida quer académica, económica, as estruturas do Governo, a banca... Parece-me muito difícil que possamos cortar com esta Era até 2049, sem causar grandes danos. Está convicto que o Direito de Macau vai existir além de 2049? Sim, a vida vai continuar e vai haver uma evolução, um desenvolvimento dentro deste enquadramento jurídico e o Direito de Macau vai continuar a existir. E a Faculdade de Direito tem papel muito importante nesse aspecto. Que papel? As nossas licenciaturas são o mais importante centro de produção dos futuros juristas de Macau, que têm um profundo conhecimento do nosso sistema e das técnicas inerentes ao nosso modo de vida. Temos a responsabilidade de formar essas pessoas. E a renovação dos quadros docentes da Faculdade de Direito, como têm garantindo a renovação para formar esses juristas? Esse é um trabalho muito importante e contratámos recentemente dois docentes. Mas não é muito fácil porque a escolha até tem aumentado mas não é muito grande. Nesta fase queremos contratar jovens porque temos uma equipa docente com muitos profissionais com 40 anos, mas é preciso ter alguém para suceder a estes docentes. Temos de preparar a renovação dos quadros docentes principalmente para o ensino do Direito de Macau.

“Há pessoas diferentes e isso gera opiniões diferentes, mas eu considero que o papel de deputado é conciliável com o de académico.” Esta promoção, sentiu que foi um passo natural na sua carreira académica? Acho que sim. Estou na Universidade de Macau há 20 anos, estudei e trabalhei cá, também estive envolvido em outras posições de direcção, como vice-director, e acompanhei o desenvolvimento da Faculdade de Direito. Quais são as principais diferenças face à posição de vice-director? Tenho de pensar mais e de forma independente sobre o que se pretende para a Faculdade de Direito, e partilhar com os colegas a minha visão para a faculdade. Considero que as pessoas estão a receber bem essas ideias e o ambiente de faculdade é muito bom. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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13.10.2017 sexta-feira

FUNDO DE COOPERAÇÃO INVESTIMENTO EM INDÚSTRIA E ENERGIA EM DESTAQUE

Colaboração milionária Energia e indústria foram ontem as áreas de investimento em foco na acção de promoção do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China Países de Língua Portuguesa, que reuniu em Macau perto de uma centena de participantes

A

acção de promoção do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China Países de Língua Portuguesa que decorreu ontem no território destacou o investimento no sector industrial e energético. Na intervenção inicial, o director dos Serviços de Economia de Macau, Tai Kin IP, afirmou esperar que as empresas do território possam “produzir vantagens multiplicadoras” para a exploração do mercado dos países lusófonos e “ampliar o espaço de desenvolvimento”, nomeadamente nas áreas da energia e da indústria transformadora, em conjunto com as firmas do interior da China. O objectivo desta acção de promoção é apresentar critérios e formas de investimento, procedimentos de candidatura e ambiente de investimento nos países de língua portuguesa aos empresários de Macau, disse. A instalação da sede do Fundo em Macau “contribui para a participação das empresas” locais em projectos realizados em países lusófonos e traz “novos destaques para o desenvolvimento financeiro com características próprias de Macau” e “promove o desenvolvimento diversificado da economia” da Região Administrativa Especial chinesa, acrescentou Tai Kin Ip.

REFORÇO POSITIVO

A iniciativa de cooperação anunciada em 2010, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa viu o seu papel reforçado com o anúncio da instalação do Fundo em Macau, o que contribui para implementar ainda mais o apoio do Estado [chinês] aos trabalhos de construção de Macau como plataforma de serviço para a cooperação comercial entre Pequim e o bloco lusófono. A instalação do Fundo, criado oficialmente em Junho de 2013, foi concretizada já este ano em Macau. A subdirectora do departamento para os Assuntos Económicos e encarregada da divisão de

Castelos no ar

Relatório de habitação pode ser pouco exequível

A

ideia deixada pelo relatório sobre habitação pública em que o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, considera que as 14 mil fracções de habitação pública na zona A dos novos aterros, juntamente com as outras fracções previstas em outras localizações, vão colmatar as necessidade de habitação pública do território pode não ser realista. Em declarações ao jornal Ou Mun, o deputado Si Ka Lon salienta a insatisfação dos residentes quando procuram este tipo de habitação. A razão, sublinhou, tem que ver com a pouca oferta adivinhada para um futuro próximo. De acordo com Si Ka Lon, é fundamental que as autoridades procedam à alteração legislativa necessária. A sugestão do deputado não é nova e Si Ka Lon pretende a instauração de um regime periódico de candidaturas à habitação pública de modo a que haja uma oferta de casas de acordo com a procura. Ainda sobre o mesmo relatório, o deputado lamenta a falta de atenção dada à classe média da população. Trata-se de uma faixa de residentes que não está qualificada para concorrer à habitação social ou pública e não tem nenhuma estrutura legal que a apoie na aquisição ou aluguer de casa.

IMPREVISTOS DE FORA

Comércio do Gabinete de Ligação em Macau, Chen Xing, lembrou que desde a criação deste fundo se registou uma “subida drástica” da cooperação económica entre a China e o bloco lusófono [Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste]. “Muitas empresas de países de língua portuguesa abriram sucursais na China, que também está a realizar muitas obras em países de língua portuguesa, no valor de nove mil milhões de dólares” norte-americanos, disse a responsável, sublinhando que

esta cooperação abrange áreas como a marítima, a tecnologia, os recursos humanos, a financeira e a medicina, entre outras. Com a iniciativa “uma Faixa, uma Rota” e a necessidade de industrialização dos países de língua portuguesa, o Fundo de Cooperação ajuda Macau a desempenhar o papel de plataforma. Pequim estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau, que se

Tai Kin IP, afirmou esperar que as empresas do território possam “produzir vantagens multiplicadoras” para a exploração do mercado dos países lusófonos e “ampliar o espaço de desenvolvimento”, nomeadamente nas áreas da energia e da indústria transformadora

reúne a nível ministerial de três em três anos. Por seu lado, a representante do Fundo, Jin Guanze, destacou os projectos no Brasil, Angola e Moçambique, no valor de 650 milhões de dólares norte-americanos, como resultado da crescente promoção que reforça a capacidade do Fundo, para a qual destacou também a importância do desenvolvimento do projecto de integração regional Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Até Julho passado, as trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa subiram 31,29 por cento, em termos anuais homólogos, atingindo 67,61 mil milhões de dólares, de acordo com dados dos Serviços de Alfândega chineses. O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, seguindo-se Angola e em terceiro lugar Portugal. LUSA

No futuro, e como foi dado a conhecer no relatório desta semana, o Governo prevê que a oferta de casas públicas seja maior do que a procura já dentro de nove anos, sendo que sugere que se “guardem” parte das fracções da zona A dos novos aterros. Sobre isto, Chan Ka Leong, membro do Conselho para os Assuntos de Habitação Pública, lembrou os atrasos nas obras já ocorridos, salientando que “há factores imprevistos durante a construção de habitações”. Chan Ka Leong está preocupado com o plano do Governo com objectivos traçados para menos de uma década e acha que não foram tidos em conta possíveis atrasos futuros. Como tal, sugere que o Executivo continue a trabalhar para a construção das 28 mil fracções públicas na zona A dos novos aterros, e que as autoridades não se esqueçam de complementar as estruturas com um bom planeamento geral que inclua o trânsito.


política 5

sexta-feira 13.10.2017

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AI entrar em discussão na Assembleia Legislativa o regime jurídico de garantias dos direitos e interesses dos idosos. A proposta apresenta algumas novidades como a possibilidade de intervenção por parte do Instituto de Acção Social na mediação de conflitos entre idosos e os seus responsáveis familiares ou institucionais. A ideia foi deixada ontem pela presidente da entidade, Celeste Vong Yom Mui, em conferência de imprensa do Conselho Executivo. “O IAS pode ajudar através da mediação de modo a manter uma relação de harmonia”, disse. A intervenção pode ocorrer em situações de litígio civil entre idosos e os membros das respectivas famílias em matéria de alimentação, habitação ou património, antes de os respectivos processos serem instaurados”, lê-se no comunicado oficial. Esta é uma ajuda especial feita para manter os direitos desta faixa da população quando “se encontra em situação de perigo”. O novo regime jurídico estabelece ainda os direitos da população acima dos 65 anos de idade, e os deveres dos responsáveis pelos seus cuidados. Neste sentido, “tendo em conta os direitos dos idosos à sobrevivência, nomeadamente no que se refere ao vestuário, alimentos, habitação e transportes,

CONSELHO EXECUTIVO APROVADAS PROPOSTAS DE INCLUSÃO SOCIAL

A idade é um posto O regime de garantia dos direitos dos idosos e a proposta que prevê benefícios fiscais às empresas que contratam trabalhadores com deficiência vão entrar em discussão na Assembleia legislativa. O Instituto de Acção Social vai ter um papel mediador nos conflitos dos idosos com os seus responsáveis e o apoio fiscal será de 5000 patacas por trabalhador contratado salienta-se o cumprimento rigoroso dos deveres por parte das pessoas responsáveis”. A premissa tem em conta não só familiares como instituições de cuidados aos idosos que podem vir a ser alvo de processos civis ou até criminais se não cumprirem com os cuidados previstos. As sanções ainda não estão definidas e são um ponto a discutir quando a proposta estiver em debate na AL. O regime jurídico de garantias dos direitos e interesses dos idosos é finalmente levado ao hemiciclo, e tem na sua génese o envelhecimento da população local. Em

2036, 20 por cento dos residentes podem ter mais de 65 anos, pelo que o Governo considera urgente que se tomem medidas de forma a garantir a qualidade de vida desta faixa da população.

BENEFÍCIOS FISCAIS

O Conselho Executivo de Macau anunciou ainda que a proposta de

lei dedicada aos benefícios fiscais na contratação de pessoas portadoras de deficiência também vai dar entrada para discussão na AL “o mais breve possível”, afirmou o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng. A ideia é conceder uma dedução directa nos impostos da entidade empregadora e insere-se nas po-

A proposta apresenta algumas novidades entre as quais a possibilidade de intervenção por parte do Instituto de Acção Social na mediação de conflitos entre idosos e os seus responsáveis familiares ou institucionais

líticas de garantia dos direitos e interesses do emprego das Linhas de Acção Governativa para 2017, anunciadas pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, em Novembro do ano passado Na proposta de lei está previsto que os empresários que contratem portadores de deficiência que “trabalhem, no mínimo e cumulativamente, 128 horas mensais, podem vir a usufruir de uma dedução adicional no valor do imposto, determinado por despacho do Chefe do Executivo, que será publicada em Boletim Oficial”, referiu Leong Heng Teng. O Governo sugere ainda que o montante seja de 5000 patacas por cada contratação. As medidas propostas podem ter efeitos retroactivos, sendo que serão considerados os impostos do ano de 2016 das empresas com funcionários portadores de deficiência. “O disposto na presente proposta de lei aplica-se aos rendimentos gerados a partir de 2016, respeitantes ao imposto complementar de rendimentos e ao imposto profissional”, apontou o porta-voz do Governo. Actualmente, em Macau, há cerca de 325 pessoas deficientes contratadas em 78 empresas, sendo que os portadores de deficiência estão contabilizados em 12000. Sofia Margarida Mota

sofia.mota.hojemacau.com.mo

CANCRO WONG KIT CHENG PEDE MAIS DIAGNÓSTICOS GRATUITOS

A

deputada Wong Kit Cheng enviou uma interpelação escrita ao Governo onde pede mais serviços de diagnóstico gratuitos de cancro para assegurar a saúde da população. Wong Kit Cheng lamenta que os requisitos para participar em rastreios gratuitos sejam demasiado exigentes, uma vez que este tipo de serviço só está disponível a quem tenha entre 60 e 70 anos. A

responsável acredita que este âmbito de idades deve ser alargado para que mais residentes possam participar nos rastreios. Na interpelação, a deputada reeleita, que toma posse esta segunda-feira, entende que algumas instituições locais oferecem gratuitamente serviços de diagnóstico de cancro de mama. Na visão de Wong Kit Cheng, cabe aos Serviços de Saúde

organizarem mais rastreios gratuitos para mulheres com alto risco de desenvolverem a doença, para que possam ser tratadas atempadamente. Por outro lado, a deputada acha que os programas de diagnóstico dos tipos de cancro cervical e colorretal tiveram bons resultados, tendo levado a uma redução da taxa de mortalidade.


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NOTIFICAÇÃO EDITAL N.° 86 / 2017 (Solicitação de comparência de trabalhador) Nos termos das alíneas b) e c) do n.° 1 do artigo 6.° do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo DecretoLei n.° 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.° e o n.° 2 do artigo 72.° do “Código do Procedimento Administrativo”, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, fica WEI, DE, notificado para no prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação edital, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho (DIT) da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sito na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221 a 279, Edifício “Advance Plaza”, 1.° andar, a fim de prestar declarações relativas ao processo n.° 758/2017 que foi instaurado devido à queixa apresentada nestes Serviços pelo notificado, em 31 de Março de 2017, relativas às matérias de salário, descanso anual, trabalho extraordinário e descanso semanal. O Chefe do Departamento, substituto, Lai Kin Lon 6 de Outubro de 2017

NOTIFICAÇÃO EDITAL (Execução coactiva)

N.º89/2017

Lai Kin Lon, Chefe do Departamento de Inspecção do Trabalho, substituto, manda que se proceda, nos termos do n.º 3 do artigo 9.º e artigo 11.º do Regulamento Administrativo n.º 26/2008 - “Normas de funcionamento das acções inspectivas do trabalho”, conjugados com o n.º 2 do artigo 72.º e n.º 2 do artigo 136.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, à notificação do transgressor do Auto de Notícia n.º 101/0708/2017, o Sr. MA KUN IN, proprietário da empresa “MING IAN DECORATION ENGINEERING”, para no prazo de 15 (quinze) dias, a contar do primeiro dia útil seguinte ao da publicação do presente notificação edital, proceder ao pagamento da multa aplicada no aludido auto, no valor de MOP$5,000.00 (cinco mil patacas), por prática da transgressão nos termos do artigo 77.º da Lei n.º 7/2008 - “Lei das relações de trabalho”, e punida nos termos da alínea 5) do n.º 3 do artigo 85.º da Lei n.º 7/2008. Deve o transgressor efectuar ao pagamento da quantia em dívida ao trabalhador LAO SIO SAN, dentro do mesmo prazo, no valor total de MOP$8,500 (oito mil e quinhentas patacas). Por outro lado, deve o transgressor apresentar ao DIT os comprovativos dos pagamentos acima referidos nos 5 (cinco) dias subsequentes ao do termo do prazo acima referido. O transgressor acima mencionado poderá, dentro das horas normais de expediente, levantar as cópias do Auto, a notificação, o mapa de apuramento da quantia em dívida ao referido trabalhador e as guias de depósito, no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, sendo-lhe também facultada a consulta do processo n.º 254/2017, mediante requerimento escrito. Decorridos os prazos acima referidos, a falta de apresentação dos documentos comprovativos dos pagamentos efectuados, implica a remessa por este DIT, nos termos legais, os respectivos documentos ao Juízo. Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 9 de Outubro de 2017. O Chefe do Departamento, substituto, Lai Kin Lon


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CTM CONCESSIONÁRIA PROMETE REVER TARIFAS EM 2018

Facturas amigas A Companhia de Telecomunicações de Macau promete rever os preços de internet e telefone na primeira metade do próximo ano. A partir de 8 de Dezembro, as chamadas internacionais passam a ser mais baratas, com reduções até 45 por cento TIAGO ALCÂNTARA

M Julho, quando os deputados da Assembleia Legislativa concluíram os trabalhos da anterior legislatura, o Governo assumiu que havia margem de melhoria no que diz respeito a uma redução das tarifas por parte da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). A promessa poderá ser uma realidade já no próximo ano, adiantou ontem à imprensa Eliza Chan, porta-voz da concessionária pública de telecomunicações. “A CTM sempre teve uma atitude pró-activa neste sentido. No próximo ano vamos fazer uma nova análise em relação à redução das tarifas e vamos tentar fazer o melhor possível.” A responsável adiantou ainda que, mesmo que não haja uma redução nas facturas de telefone e internet, a CTM sempre oferece pacotes e vantagens mais atractivos aos seus clientes. “Fazemos muitas promoções nos serviços, e além da revisão das tarifas temos diferentes pacotes para responder às necessidades dos clientes e somos mais competitivos.” Se é certo que os clientes terão de esperar até ver uma mudança nos valores das facturas mensais, a verdade é que a CTM vai implementar, já a partir do dia 8 de Dezembro, reduções nas chamadas internacionais, algo que o Executivo também já tinha defendido. O plano de reduções, que podem atingir os 45 por cento, já foi submetido ao Governo, estando ainda a aguardar a aprovação final. Na prática, vai passar a ser mais barato ligar da China para Macau e também de Macau para Portugal e países de língua portuguesa. Uma chamada do continente para Macau poderá custar apenas 1,9 pataca por minuto, quando o preço actual é de 2,53 patacas, uma redução de 25 por cento. Uma chamada de Macau para a China baixa das actuais 4,03 para 1,9 patacas. Os países vão ser divididos em cinco grupos, sujeitos a diferentes tarifas, que vão desde uma a nove patacas por cada minuto de chamada. Telefonemas para a China, Hong Kong e Taiwan vão passar a custar uma pataca por minuto,

enquanto que chamadas para Portugal passam a custar 1,4 pataca por minuto. Chamadas para os países inseridos na política “Uma Faixa, Uma Rota” também estão incluídos nestas reduções.

INFLUÊNCIA NOS LUCROS

Eliza Chan clarificou que, com estas reduções nas chamadas internacionais de quase 50 por

cento (nas chamadas para alguns destinos, as reduções vão até aos 80 por cento), vai existir um impacto negativo nos lucros da CTM. “Para alguns destinos não vai existir qualquer custo. Claro que esta medida vai ter impacto nos lucros, mas esperamos que possamos motivar mais utilizadores a recorrerem a este serviço para reduzir o impacto.”

“A CTM sempre teve uma atitude pró-activa neste sentido. No próximo ano vamos fazer uma nova análise em relação à redução das tarifas e vamos tentar fazer o melhor possível” ELIZA CHAN PORTA-VOZ DA CTM

DSAT Governo admite oito empresas para gerir auto-silos

Decorreu ontem o acto público do concurso público para a gestão de vários parques de estacionamento. Das 12 propostas apresentadas a concurso, a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) apenas aceitou oito, sendo que três empresas ainda necessitam de entregar documentos para concluir o processo, cujo prazo limite é hoje, sexta-feira. As propostas variam entre 1,08 milhões e 5,66 milhões de patacas. A adjudicação tem um prazo de seis anos.

O objectivo destas reduções é responder à procura do sector empresarial, graças às relações económicas com os países de língua portuguesa e a implementação da política “Uma Faixa, Uma Rota”. “Cremos que o sector empresarial vai fazer um maior uso das chamadas internacionais, vai haver uma maior procura, e por isso decidimos fazer esta revisão. Tendo em conta também a política ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e os países de língua portuguesa, queremos chegar a diversos segmentos, para responder a diferentes necessidades”, explicou Eliza Chan. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

PORTAS DO CERCO ESTUDO CONCLUÍDO HÁ CINCO ANOS SEM TRADUÇÃO

O

“Plano Conceptual de Intervenção Urbanística da Zona do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e Envolvente”, concluído em 2012, ficou ontem disponível no website da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), apesar de estar apenas na versão chinesa. O HM tentou, até ao fecho da edição, falar com algum responsável da DSSOPT no sentido de ter acesso a algumas conclusões de um documento com cerca de 600 páginas, sem sucesso. Segundo um comunicado ontem divulgado, “o estudo ficou concluído em 2012 e foi elaborado o respectivo relatório”, além de que “em 2014 [foi elaborado] um relatório complementar”. O documento em questão aborda o planeamento urbanístico da zona envolvente da fronteira com Zhuhai. “Através de um concurso público realizado em 2011, o Governo incumbiu uma entidade especializada de elaborar o estudo”, sendo que, para já, são poucas ou nenhumas as conclusões disponíveis numa das línguas oficiais do território. “Através de uma concepção urbanística geral pretende-se organizar as funções da zona, tais como o aproveitamento dos terrenos, as funções da cidade e a sua paisagem, o metro ligeiro e as infra-estruturas de transportes, o património histórico, o turismo e as instalações comunitárias”, lê-se. Tudo para “reestruturar e melhorar a disposição das instalações do terminal de autocarros das Portas do Cerco e da rede de equipamentos de tráfego desta zona”, remata o comunicado. A.S.S.

Habitação pública Central da CEM demolida em 2018 De acordo com o telejornal chinês da TDM, Edmond Etchri Sassouvi, responsável pelo departamento de geração da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), revelou que existem dificuldades em concluir as obras de demolição da antiga central eléctrica no final de Outubro. Em causa está a passagem do tufão Hato por Macau, que fez com que a demolição da chaminé da central, localizada na avenida Venceslau de Morais, não possa ficar concluída daqui a três meses. Só no quarto trimestre de 2018 é que o terreno passa para as mãos do Governo, para que aí seja construído mais um complexo de habitação pública.


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é a falta de oportunidade para praticar. Esta é uma opinião que tanto Natacha Gonçalves, como a académica e futura deputada Agnes Lam partilham. “Creio que ao nível do secundário, apenas alguns dos nossos estudantes conseguem falar inglês de forma fluente, mesmo nos casos em que as pessoas começam a aprender inglês muito cedo”, afirmou Agnes Lam, ao HM.

LÍNGUA INGLESA RESIDENTES COM DIFICULDADES EM EXAME

Um grande chumbo Entre os examinados de 49 países e regiões, os residentes de Macau tiveram o 48.º pior desempenho, apenas à frente da Indonésia. Os resultados não surpreendem os professores e académicos ouvidos pelo HM sobre o nível de inglês

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NTRE 49 países e regiões, Macau teve o 48.º pior desempenho ao nível dos conhecimentos de inglês para comunicação internacional, atrás do Interior da China, Hong Kong, Coreia do Sul ou Taiwan. A conclusão faz parte do relatório sobre os resultados do Teste de Inglês para Comunicação Internacional (TOEIC, na sigla inglesa), em 2016. O exame TOEIC é composto por uma parte de audição e outra de leitura, com a pontuação máxima a ser de 990 pontos. A média dos candidatos ao exame de Macau não foi além dos 443 pontos, o que representa uma nota de 44,8 por cento.

Apesar do número de locais não ser revelado, o relatório indica que 51 por cento tinha menos de 20 anos. Já 49 por cento das pessoas de Macau que fizeram o exame admitiram que utilizam o inglês em menos de 10 por cento do tempo da vida quotidiana. Ao HM, a professora de inglês Natacha Gonçalves, actualmente na Escola Kao Yp, não se mostrou surpreendida com os resultados. No entanto, sublinhou que em exames semelhantes a este, no-

meadamente os tutelados pela Universidade de Cambridge, os resultados são normalmente muito mais elevados. “Nas escolas chinesas os miúdos fazem muitos exames deste género, principalmente os de Cambridge, que acham que têm uma dificuldade acima da média. Nestes casos eles são muito bem preparados e não acredito que os resultados estejam neste nível”, disse Natacha Gonçalves. Porém, a professora admite que o nível de in-

A média dos candidatos ao exame de Macau não foi além dos 443 pontos, o que representa uma nota de 44,8 por cento

glês em Macau está longe de ser elevado: “Os alunos são muito ensinados através da memorização, mais do que a compreensão. Assim, quando fazem exames para os quais não estão preparados esses resultados baixos são normais, porque o nível de inglês é muito fraco em Macau”, explicou. Ao mesmo tempo, Natacha admite que existe empenho da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e das próprias escolas para alterarem a forma como o inglês é ensinado.

MEDO DE PRATICAR

Outro dos problemas ao nível da aprendizagem da língua inglesa em Macau

“Também o facto de não se usar muito a língua inglesa, nos círculos que frequentam, faz com acabem por não ter oportunidades para praticar e esqueçam o que aprenderam”, frisou. Por outro lado, Agnes Lam diz que em Macau, e devido às influências de Hong Kong, existe uma pressão muito grande para falar inglês de forma correcta. Como resultado, os alunos têm medo de errar e falar inglês de forma rudimentar. “Quando as pessoas não falam inglês, sentem o seu estatuto social em risco, havendo a ideia que não podem aspirar a ser classe média-alta ou alta. É uma pressão que chegou a Macau através da televisão de Hong Kong, mas que faz com as pessoas tenham medo de falar inglês”, explicou a académica. “Sentem que podem perder a face”, acrescentou. Atrás da RAEM só ficou a Indonésia, com uma média de 397 pontos. O país com o melhor resultado foi o Canadá, com uma média de 833 pontos, tendo Portugal ficado em 11.º com 713 pontos. Em relação aos país mais próximos de Macau, a Coreia do Sul ficou no 19.º lugar, com 679 pontos, o Interior da China na 35.º posição com 586 pontos, Taiwan no 40.º lugar, com 534 pontos. Finalmente, Hong Kong alcançou o 42.º lugar, com uma média de 515 pontos. João Santos Filipe

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MIF FEIRA DESTACA RELAÇÕES ENTRE MACAU, GUANGDONG E ANGOLA

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fórum para o comércio e investimento entre Angola, província de Guangdong e Macau vai ser um dos destaques da edição de 2017 da Feira Internacional de Macau (MIF), entre 19 e 21 de Outubro. A 22.ª edição da MIF terá Angola como “país parceiro” e Guangdong como “província parceira”, contando com a presença de empresários e representantes políticos que vão apresentar durante o fórum, no dia 19, os últimos desenvolvimentos económicos e o ambiente de investimentos, indicou, em comunicado, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), responsável pela organização da feira. Além da assinatura de protocolos, o fórum contará com sessões de promoção dos mercados e apresentação de temas empresariais de Angola, Guangdong e Macau enquanto plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os países de língua portuguesa. A 22.ª MIF vai contar com várias zonas de exposição, além de conferências e seminários de promoção sobre diversos temas, bolsas de contactos, destacando-se ainda a mesa-redonda sobre construção de infra-estruturas da província de Jiangsu (leste), Macau e os países lusófonos e a terceira edição do fórum de jovens empresários entre a China e os países de língua portuguesa. O crescente interesse nos produtos e serviços dos países lusófonos levou à criação de um espaço individualizado na MIF, designado como PLPEX (Exposição dos Países de Língua Portuguesa), anunciou à Lusa, em Julho, Glória Batalha, administradora do IPIM. Glória Batalha esclareceu que esta decisão de individualizar e colocar a PLPEX ao lado da MIF é o resultado de um trabalho estratégico de reforçar o papel de Macau como plataforma de cooperação entre a China e o bloco lusófono, como definido por Pequim.


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sexta-feira 13.10.2017

O

aumento das tarifas dos autocarros já anunciado pelo Governo continua a gerar polémica. Ontem a Associação Poder do Povo dirigiu-se às instalações da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) para entregar uma carta sobre a matéria, tendo entregue PUB

Vozes contra tarifas

TIAGO ALCÂNTARA

A saga dos aumentos das tarifas dos autocarros continua. Desta vez foi a associação Poder do Povo a queixar-se da falta de consulta pública sobre o assunto. Ella Lei lembra que esta não é a primeira vez que uma medida é decidida no seio do conselho consultivo do trânsito

Associação Poder do Povo entregou carta na DSAT

também outra missiva junto do gabinete do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. A Poder do Povo considera que o Governo não apresentou justificações aceitáveis para este aumento. Com vista a reduzir o orçamento dos serviços públicos, a associação acha viável que se anulem os subsídios destinados aos residentes não locais, de forma a garantir que os portadores de BIR continuem a ser beneficiados com os subsídios do Governo. Na carta, a Poder do Povo critica também a falta de realização

de uma consulta pública antes da tomada de decisão por parte do Governo. A associação pede que as tarifas dos autocarros só sejam aumentadas após a realização de uma consulta à população.

ELLA TAMBÉM QUER

Ella Lei, deputada reeleita à Assembleia Legislativa (AL), disse ao Jornal do Cidadão que o Governo deve ter em conta as opiniões da sociedade neste campo. A deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) critica o facto das autoridades não terem avançado

Na carta, a Poder do Povo critica também a falta de realização de uma consulta pública antes da tomada de decisão por parte do Governo

com explicações sobre os detalhes da proposta de aumento. Ella Lei lembrou que as últimas decisões avançadas pela DSAT limitaram-se a ser discutidas no Conselho Consultivo do Trânsito e anunciadas junto dos meios de comunicação social, sem qualquer consulta prévia. A deputada considera que é preciso adoptar uma atitude rigorosa no uso de dinheiros públicos, mas as políticas relacionadas com a vida dos residentes não devem ser usadas para esse fim. Ella Lei frisou que o Governo deve proporcionar mais fundos públicos para melhorar as condições de vida da população, tanto no âmbito de transportes públicos como no da habitação. V.N.

Habitação Empréstimos hipotecários em queda

Os novos empréstimos hipotecários para habitação totalizaram 3,2 mil milhões de patacas, em Agosto. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, registouse uma diminuição de 13,6 por cento, refere o canal de rádio da TDM. De acordo com a Autoridade Monetária, os bancos aprovaram 3,1 mil milhões de patacas em novos empréstimos hipotecários requeridos por residentes. O valor concedido a não residentes chegou a 91,7 milhões de patacas. Os novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias atingiram 2,8 mil milhões de patacas, em Agosto. Face ao período homólogo de 2016, verificou-se uma queda de 62,3 por cento. A Autoridade Monetária indica que novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias atribuídos a residentes totalizaram 2,7 mil milhões de patacas. Os não residentes receberam 62,8 milhões de patacas.


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13.10.2017 sexta-feira

Paixão em do

CINEMATECA CINEMA ALEMÃO E LOCAL EM DESTAQUE A PARTIR DE A

Jazz Fundação Oriente recebe banda sueca

Chamam-se “Subfive”. A banda é sueca e coloca Macau como um dos palcos da digressão que passa pelo Oriente e que começou em Hong Kong. A banda de jazz já existe desde 1999 e lidera o panorama dedicado à fusão no mundo escandinavo. Com dois álbuns editados, são as apresentações ao vivo que se destacam na carreira dos “Subfive”. O concerto tem lugar no sábado, às 21h30, na Fundação Oriente.

CEM Feira de energia no Tap Seac

O próximo domingo é a data marcada para a realização da 15a. edição da Feira Recreativa da Energia. O evento, promovido pela CEM, que vai ter lugar na Praça do Tap Seac, tem como tema “Constrói a Tua Casa Inteligente, Usa os Aparelhos Eléctricos de Forma Eficiente” e conta com a participação de catorze escolas secundárias locais. Com a iniciativa, a CEM pretende “aumentar o interesse e o conhecimento dos cidadãos, com destaque para a geração mais jovem, sobre a electricidade e a sua

utilização segura e eficiente”, lê-se em comunicado. Na edição deste ano o tema foi seleccionado de modo a promover a experiência do conceito de ‘casa inteligente’, pretendendo com isso educar os mais jovens a utilizar os aparelhos eléctricos e a conservar energia. Este ano, a feira integra uma “Oficina de Reciclagem” para encorajar os mais novos a reciclar as garrafas de plástico do seu consumo diário, e com elas fazerem utensílios para serem usados em casa e na escola. PUB

Começa amanhã a segunda edição do KINO@Macao17. A inici ano passado. A ideia, refere Rita Wong, é chegar a um público m amanhã, ao ecrã da Cinemateca Paixão. O ciclo é mensal e dá

U

MAedição feita para chegar ao público local é o objectivo da 2ª edição do KINO@Macao17, ciclo de cinema alemão. A iniciativa, a cargo da cinemateca Paixão que, este ano, tem início marcado para amanhã está dividida em três secções. “Nesta edição houve o cuidado de ter em conta a população do território, ou seja, escolher filmes que mais se adequassem ao público local”, disse ao HM a directora executiva da Cinemateca Paixão, Rita Wong. Numa primeira parte vão ser apresentados oito dos últimos filmes alemães realizados por cineastas de renome. “O Meu Encontro Com A Vida”, uma comédia romântica baseada em eventos reais, é um dos destaques de Rita Wong. A secção vai exibir ainda quatro de seis filmes nomeados para a 67ª edição dos Prémios de Cinema Alemão, incluindo os sucessos de bilheteira “Toni Erdmann”, “O Florescer de Ontem”, “Bem-vindos à Alemanha” e “Selvagem”. A selecção teve em conta o público do território e as suas características e interesses. “Temos filmes que abordam o tema da multiculturalidade e que abordam o papel do género, mais concretamente o da mulher”, explica a directora. A segunda secção do festival é dedicada às curtas. Para o efeito, e tal como no ano passado, vão estar no grande ecrã da cinemateca onze filmes experimentais que estiveram presentes na Berlinale Shorts 1&2, três dos quais galardoa-

dos. De acordo com Rita Wong, “a preocupação foi a de trazer realizadores estreantes no que respeita às curtas produzidas na Europa”. Obras primas A terceira e última secção tem os olhos postos nos grandes do cinema alemão. “Sessões Especiais em Macau: Novo Cinema Alemão” traz três clássicos realizados pelos chamados “mestres”. “Fitzcarraldo” (1982) de Werner Herzog, “O Mundo Por Um Fio” (1973), o único filme de ficção científica realizado por Rainer Werner Fassbinder, e “Morte de um Caixeiro” (1985), de Volker Schlöndorff são as películas seleccionadas. Tratando-se de uma corrente marcante no panorama internacional, “a exibição de filmes emblemáticos que a integram pretende trazer ao público local um melhor conhecimento daquilo que é considerado como referência na sétima arte”, aponta Rita Wong. Depois de cada exibição, terá lugar uma tertúlia com o público. O objectivo, explica a directora, é permitir a troca de conhecimentos acerca da história do cinema e das suas influências e promover, desta forma, a criatividade de quem por cá se dedica à realização de filmes para que “possam ficar a conhecer mais acerca deste movimento alemão”. “A participação do público vai ainda proporcionar um ambiente interactivo”, sublinha a directora da Paixão. O Kino deste ano vai contar também com a presença da responsável pelo Goethe-Institut de Hong Kong.

A selecção teve em conta o púb território e as suas característic “Temos filmes que abordam o multiculturalidade e que abord género, mais concretamente o d RITA WONG DIRECTORA EXECUTIVA DA CINEMATECA PAIXÃO


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sexta-feira 13.10.2017

ose dupla

AMANHÃ

iativa deste ano traz alguns aperfeiçoamentos à do mais alargado. “Descobrir Macau” volta, também a conhecer os trabalhos dos realizadores locais

blico do cas e interesses. tema da dam o papel do da mulher.”

O balanço da edição do ano passado é positivo mas foi um momento experimental para que se pudessem fazer melhorias. “Com essa experiência decidimos que este ano o objectivo seria tornar o ciclo mais acessível”, reitera Rita Wong. A Alemanha já tem uma assinatura no cinema, considera, mas é necessário fazê-la chegar a quem vive em Macau. “Em suma, pensamos que com a diversidade de escolha na programação do KINO@Macao17, conseguimos apelar a um novo público”, diz a responsável.

PRATA DA CASA

Também amanhã, tem início a rúbrica mensal dedicada ao cinema feito por realizadores locais. “Começámos em Abril quando abrimos a nossa sala e é um dos destaques da programação da cinemateca”, recorda Rita Wong. A ideia apareceu porque “Macau tem uma produção cinematográfica muito boa mas que não consegue ter um espaço

para ser exibida. Não há uma plataforma para projectar os filmes que são feitos por realizadores locais e que já passaram inclusivamente por festivais”, refere. Com a nova direcção da cinemateca que tomou posse no ano passado, foi imperativo que aquele espaço servisse também de plataforma para mostrar o que é feito por cá. Para a edição de Outubro foram escolhidos quatro filmes, todos de realizadores de Macau que estudaram em Taiwan. O objectivo é promover as produções independentes de forma activa e abrangente, “de modo a que os residentes e visitantes possam conhecer melhor o cinema e a cultura cinematográfica de Macau”. Com entrada livre não há desculpa para que nos próximos dois fins-de-semana não se vá ver os filmes escolhidos para estar no ciclo “Descobrir Macau” em que vão ser projectados os primeiros filmes de Chao Koi Wang, Teng Kun Hou, Lei Ka Wai e Cheong Chi Wai.

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13.10.2017 sexta-feira

HONG KONG CARRIE LAM LIGA RECUSA DE ENTRADA DE ACTIVISTA BRITÂNICO A PEQUIM

SCMP

O Norte é quem mais ordena

A

c h e f e do Governo de Hong Kong, Carrie Lam, ligou ontem a recusa de entrada do activista britânico Benedict Rogers na região a uma eventual decisão de Pequim, num programa da Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK). Benedict Rogers, que é vice-presidente de um comité de direitos humanos do Partido Conservador e

um crítico da China, foi impedido de entrar em Hong Kong depois de aterrar na cidade proveniente de Banguecoque na quarta-feira, dia em que Carrie Lam apresentou as políticas do seu Governo para o próximo ano. Questionada num programa radiofónico sobre se Pequim tinha tomado a decisão de impedir a entrada de Rogers em Hong Kong, Carrie Lam respondeu: “Não posso revelar detalhes, mas de acordo com

imigração”, disse, numa conferência de imprensa após à apresentação das suas primeiras linhas de acção governativa no Conselho Legislativo (LegCo). Carrie Lam lidera o executivo de Hong Kong há três meses, depois de ter sido eleita em Março deste ano.

ECOS DA ILHA

Londres já pediu explicações sobre o impedimento de entrada do activista na antiga colónia britânica.

“Não posso revelar detalhes, mas de acordo com a Lei Básica (miniconstituição), o Governo central é o responsável pelas relações externas. Espero que todos consigam entender isso.”

Rogers viveu em Hong Kong entre 1997 e 2002. Além de criticar a prisão dos activistas Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow, do movimento pró-democracia que tomou as ruas de Hong Kong em 2014, o britânico também manifestou preocupação com o que considera ser a deterioração do princípio “Um país, dois sistemas”, ao abrigo do qual o território goza de elevado grau de autonomia e de liberdades e garantias não observadas na China. O The Guardian citou Rogers a dizer que não lhe tinha sido dada qualquer explicação sobre a recusa de entrada em Hong Kong. “É absolutamente bizarro… Eu recebi um aviso de que isto podia acontecer, por isso estava mentalmente preparado, mas estava à espera que não acontecesse. Sinto-me muito chocado”, disse Rogers ao jornal britânico após ter sido impedido de entrar na Região Administrativa Especial chinesa.

CARRIE LAM CHEFE DO EXECUTIVO DE HONG KONG

MAR DO SUL PRESENÇA NORTE-AMERICANA CRITICADA

Vendas de automóveis aumentaram 2,4% As vendas de automóveis na China subiram 2,4%, durante os primeiros nove meses do ano, em termos homólogos, para 17,15 milhões de unidades, segundo dados ontem divulgados. Em Setembro, as vendas aumentaram 3,3%, para 2,34 milhões de unidades, detalha a Associação de Fabricantes de Automóveis da China. As vendas de carros híbridos e eléctricos

a Lei Básica (miniconstituição), o Governo central é o responsável pelas relações externas. Espero que todos consigam entender isso”. Segundo a Lei Básica, há duas matérias que são da competência do Governo central: as relações externas e a defesa. A imigração é da responsabilidade de Hong Kong. Carrie Lam não respondeu se a decisão da recusa de entrada do activista na região chinesa foi tomada no âmbito das relações externas, mas disse que a Lei Básica de Hong Kong não confere um elevado grau de autonomia em todos os aspectos. “A autonomia [de Hong Kong] não quer dizer tudo, não é isso que está escrito na Lei Básica”, afirmou. “É preciso ver se o processo de imigração envolve relações externas”, disse. Estas declarações no programa radiofónico têm lugar um dia depois de Carrie Lam se ter escusado a comentar o incidente. “Não faço comentários sobre casos individuais de entradas [no território]. Estou certa de que esta é uma questão das autoridades da

subiram 79,1%, durante o mês passado, para 78.000 unidades. Entre Janeiro e Setembro, foram vendidos 325.000 veículos desta categoria, uma subida homóloga de 50,1%. Entre as marcas que divulgaram as suas vendas, a Volvo (propriedade da chinesa Geely) atingiu o maior aumento, de 30%, em Setembro, face ao mesmo mês do ano anterior.

O

Ministério da Defesa Nacional da China expressou na quarta-feira a sua forte oposição à entrada não autorizada de uma embarcação de guerra norte-americana nas águas da China na costa das ilhas Xisha no Mar do Sul da China, indica o Diário do Povo. A força naval da China enviou uma fragata, dois aviões-caça e um helicóptero para avisar a embarcação

norte-americana que se afastasse, indicou o ministério em um comunicado. O destroyer Chafee da armada norte-americana entrou na terça-feira nas águas territoriais da China ao redor das ilhas Xisha, indicou o ministério, que acrescentou que a provocação violou a soberania e a segurança da China, afectou a confiança mútua entre os dois exércitos e a estabilidade regional.

O exército chinês fortalecerá mais sua capacidade de defesa naval e a aérea para salvaguardar a soberania e a segurança, pode ler-se no comunicado. "Trata-se de uma etapa crítica para o desenvolvimento da relação entre os exércitos chinês e norte-americano. Pedimos que os EUA tomem medidas firmes para corrigir os seus erros e injectem energia positiva às relações bilaterais", disse o ministério.

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EDITAL Notificação relativa à audiência sobre reparação de prédio em mau estado de conservação Edital n.º : 42/E-AR/2017 Processo n.º : 13/AR/2017/F Local : Travessa dos Colonos n.ºs 14 - 14D, Edf. Hap Heng, Macau.

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TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

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Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 03/SOTDIR/2017, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 13, II Série, de 29 de Março de 2017, faz saber que ficam notificados os condóminos e os inquilinos ou demais ocupantes do prédio acima indicado, do seguinte: Em conformidade com o Auto de Vistoria da Comissão de Vistoria constante do processo a decorrer nesta Direcção de Serviços, o pilar estrutural e a viga da arcada do prédio acima indicado encontram-se em mau estado de conservação e carecem de reparação, pelo que, nos termos do n.º 2 do artigo 54.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (Regulamento Geral da Construção Urbana) de 21 de Agosto, ficam os interessados notificados da audiência relativa à sua reparação. No uso das competências delegadas pela alínea 12) do n.º 2 do Despacho n.º 11/SOTDIR/2016, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 21, II Série, de 25 de Maio de 2016, o Chefe do Departamento de Urbanização da DSSOPT, Lai Weng Leong, homologou o Auto de Vistoria acima indicado através de despacho de 09 de Outubro de 2017. Notificam-se os interessados que no prazo de 10 (dez) dias, contados a partir da data da publicação do presente edital, devem dar cumprimento à ordem emanada no Auto de Vistoria, ou apresentar no mesmo prazo, conforme o disposto no artigo 94.º do Código do Procedimento Administrativo (CPA), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as alegações escritas relativas à decisão de reparação do pilar estrutural e da viga da arcada do prédio acima indicado, podendo requerer diligências complementares acompanhadas de documentos. Se findo o prazo acima referido os interessados não derem cumprimento à respectiva ordem nem apresentarem quaisquer alegações escritas, tal não afecta a decisão tomada por esta Direcção de Serviços. Além disso, caso necessário, esta Direcção de Serviços aplicará aos infractores a multa estabelecida nos artigos 66.º e 67.º do citado diploma legal. Os interessados podem consultar o processo durante as horas normais de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau. RAEM, 09 de Outubro de 2017

Pelo Director de Serviços O Subdirector Cheong Ion Man


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sexta-feira 13.10.2017

TORNEIO DE FUTEBOL SETE ARRANCA COM “GRUPO DA MORTE”

Bolinha versão light Entre as equipas Benfica, Sporting, Ka I e Chiba apenas duas vão marcar presença nas meias-finais do torneio. A competição que substitui o campeonato Bolinha começa hoje, às 18h30, no Canídromo HM

“A Polícia é uma equipa muito experiente, com jogadores que já estão há muito tempo juntos, quer seja no futebol de sete ou no de 11. Mas estou confiante na equipa, apesar dos jogadores nunca terem estado juntos em competição”, apontou.

JOGADORES NO COMANDO TÉCNICO

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P ÓS várias semanas de incerteza, o futebol de sete regressa a Macau, com o encontro entre Ka I e Chiba, às 18h30, no Canídromo. Esta partida do Grupo B será a primeira do dia, sendo seguido pelos jogos Sporting-Polícia A (19h30), Lam Pak-Polícia B (20h30) e Kei Lun-Monte Carlo (21h30). Ditou o sorteio a criação de um verdadeiro “grupo da morte”, com Benfica, Sporting, Ka I, Polícia A e Chiba a ficarem todos no mesmo lote de equipas. Destas formações três vão ficar de fora nesta fase, sendo que pelo menos Benfica, Sporting, Chiba e Ka I terão fortes hipóteses de se apurar. Para dificultar

A competição vê os atletas das águias Filipe Duarte e Cuco estrearemse na posição de treinadores, que acumulam com a função de jogadores ainda mais a tarefa, as equipas apenas se defrontam uma vez, pelo que não há grande margem pare recuperar de um jogo com um resultado desfavorável. “Olhando para o nosso grupo, percebemos que temos de encarar este torneio jogo-a-jogo. É o grupo mais forte da

competição, mas vamos fazer o melhor possível para nos apurar para a próxima fase”, disse, ontem, José Reis, director do Sporting de Macau, ao HM. “O Benfica vai alinhar na máxima força com os jogadores habituais. Mas também esperamos que o Chiba e o Ka I estejam muito fortes, por isso não faz sentido pensar que só vamos ter dificuldades num jogo”, acrescentou Reis, quando questionado se os encarnados seriam o principal obstáculo ao apuramento. Sobre o encontro com a Polícia A, o membro da direcção do Sporting espera uma partida complicada, e realça a experiência do adversário ao nível da Bolinha.

Devido ao elevado número de jogadores cedidos à selecção de Macau, que perdeu por 4-1 diante da Índia, na quarta-feira, o Benfica não entra em acção já neste fim-de-semana. Contudo também Duarte Alves, administrador do clube, prevê um grupo complicado. “Vai ser um grupo muito interessante em que todos vão tentar alcançar as semifinais. Neste momento ainda é difícil fazer previsões porque ainda não conhecemos bem os adversários. Mas sabemos que qualquer equipa que nos defronta dá o máximo, e nós também vamos dar tudo”, afirmou Duarte Alves, ao HM. A competição vê os atletas das águias Filipe Duarte e Cuco estrearem-se na posição de treinadores, que acumulam com a função de jogadores, uma aposta que já estava prevista para a Bolinha: “Faz parte do desenvolvimento deste projecto que já tem alguns anos. Parte dos jogadores começa a sentir o interesse em expandir o seu envolvimento para a equipa técnica e considerámos ser uma boa altura para o fazer”, explicou Duarte Alves. “É uma aposta na prata da casa”, frisou. Já no Grupo A da competição, que é composto por seis equipas, ditou o sorteio que os clubes Cheng Fung, Kei Lun, Lam Pak, Polícia B, Monte Carlo e Sub-23 tinham de se defrontar. Ao contrário do Grupo B, em que as equipas só fazem quatro jogos, neste lote as formações têm de realizar cinco encontros, passando à próxima fase os dois primeiros classificados. João Santos Filipe

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PSG PRESIDENTE SOB INVESTIGAÇÃO POR SUBORNO A EX-SECRETÁRIO-GERAL DA FIFA

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procuradoria federal suíça anunciou ontem a abertura de processos criminais a Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, por alegados subornos em matéria de direitos televisivos nos Mundiais de futebol de 2026 e 2030. O gabinete do procurador-geral suíço informou que a investigação diz respeito a subornos oferecidos ao antigo secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Jerôme Valcke, no sentido de entregar os direitos ao grupo BeIN, propriedade de Al-Khelaifi. No processo são visados “Jérôme Valcke, o director-executivo do Grupo BeIn Media Nasser Al- Khelaifi e um empresário ligado ao sector dos direitos desportivos”, referem os procuradores federais suíços. As autoridades dizem ainda que Jérôme Valcke foi ouvido ontem e que foram realizadas buscas em propriedades em França, Grécia, Itália e Espanha. Jérôme Valcke, de 56 anos, ex-director de marketing e secretário-geral da FIFA, foi condenado em 16 de Fevereiro de 2016, em primeira instância, a uma suspensão de 12 anos de toda a actividade relacionada com o futebol e, numa segunda, viu a pena reduzida para 10. Na quarta-feira foi ouvido no Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), para o qual recorreu.

Benfica Águias atentas a central Marc Kempf O Benfica anda no mercado à procura de um defesa central para reforçar as opções de Rui Vitória a partir de Janeiro e A BOLA sabe que Marc Kempf é um dos jogadores que está referenciado pelo scouting encarnado. Esquerdino, de envergadura alta e possante fisicamente, Kempf é um dos jovens promissores do futebol alemão e com um trajecto consistente nas seleções mais jovens. Foi, aliás, campeão da Europa em sub-19 e voltou a conquistar o seu segundo título europeu pela seleção germânica, ao ganhar o Europeu sub-21 que se jogou na Polónia. Além das suas caraterísticas enquanto profissional há um outro dado que faz de Kempf um alvo muito apetecível. O jovem está em final de contrato com o Friburgo, ou seja, poderá vincular-se com qualquer outro clube a partir de Janeiro a custo zero.


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13.10.2017 sexta-feira


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Vai tudo dormir... Fico sozinho com o universo inteiro. tonalidades António de Castro Caeeiro

ANSEL EASTON ADAMS, ROAD AFTER RAIN, NORTHERN CALIFORNIA

Auto decepção

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A antiguidade, um dos fenómenos considerados mais estranhos era a auto-decepção. Há várias expressões para formularmos este acontecimento. “Enganamo-nos a respeito de nós próprios”. “Estávamos enganados”. “Foi uma grande desilusão”. “Nunca pensáramos que tal viesse a suceder”. “Estamos na ignorância” tanto que “nem queríamos acreditar”. Em todas as formulações há ambiguidade quanto ao objecto, isto é, quanto ao conteúdo específico da decepção, do engano, da ignorância. Pode ser uma circunstância ou uma situação, circunstância ou situação que podem ser episódicas ou crónicas, avulsas ou continuadas. Há vários exemplos a considerar, dos mais anódinos aos mais complexos e dolorosos. Pensávamos que ia estar bom tempo para a praia e não estava. Pensávamos que a neve para fazer ski ia estar em boas condições. Pensávamos que os resultados eleitorais iam ser uns e foram outros. Mas há também crónicas, como o tempo que passa, que envelhecemos, ou como diz o povo, não estamos a ir para mais novos. Também nos enganamos sobre pessoas. Achamos que são de uma maneira e são de outra. Temos sobre os outros expectativas

baixas e eles superam-nos. Assim como temos grandes expectativas para nos enganarmos. Nós próprios podemos ser essas circunstâncias episódicas e anódinas. Achávamos que conseguíamos ir, mas não fomos. Gostávamos de ser de uma determinada maneira e não somos. Decepcionamos, ferimos, enganamos. Umas vezes sem querer outras vezes por querer, com gosto e com vontade. Mas a auto-decepção dos antigos era mais esquiva. É mais difícil de identificar. É uma decepção que tem origem no si mesmo e que fere ou atinge esse mesmo si mesmo, esse protagonista estranho da vida. Diferente de todos os eus, de todos os eus que cada um de nós é na relação distinta que temos com cada um dos outros. Somos diferentes com todos os nossos amigos ainda que sejamos os mesmos. Somos diferentes com irmãos, irmãs, pais, mães, tios, tias, avós, porque temos uma relação construtivamente diferente com cada um deles. E somos diferentes porque com cada um deles é-nos pedido, exigido, reclamado ou dado sempre o diferente. A auto decepção é a do si, a do “heautos”, uma qualidade estranha do

que é próprio. Qualidade estranha porque é o que cada um de nós propriamente é, não os eus que cada um protagoniza, mas o próprio dos próprios. Simultaneamente é o que está mais afastado de nós, porque não nos tornamos ainda em nós próprios. O si é extenso e prolongado do primeiro ao último instante da nossa vida. Mas o si não é apenas o da realidade, aquele si do indicativo, que foi, é e terá sido. É sempre o agente complexo do condicional. O protagonista do que poderia ter sido e não foi e do que não deveria de todo ter sido e foi mesmo o que aconteceu. O agente do condicional irreal confronta-se com a realidade, sem dúvida. Sabe que o que é é mesmo o que é e o que não é é mesmo o que não é. Mas tem uma ânsia que tudo fosse de uma maneira diferente. Em certa medida o si próprio projecta-se do futuro em direcção ao presente e ao passado. Projecta-se de um modo normal a partir das suas expectativas reais, que haja continuidade, que todos estejam bem e de saúde e o próprio também. Depois projecta-se como num sonho. Tem aspirações e vontades que saem para fora do que é normal. Atira-nos para fora da vigília, eleva-nos

ao horizonte onírico onde podemos dormir acordados. Faz-nos vibrar em dimensões contrárias, diferentes da própria realidade. O si próprio é também o horizonte do inferno e do pesadelo. Leva-nos aos sítios esconsos, aos lugares mais recônditos onde fomos, estivemos e habitamos. Relativamente a esses sítios intoleráveis, o irreal é a realidade. A própria realidade da vida que tínhamos parece ser um sonho que não conseguíamos ver enquanto estávamos a viver a nossa vida despreocupados com o que havia. Do ponto de vista do si, na sua viagem ao pesadelo do inferno, a nossa vida de todos os dias, neutra, passageira, anódina, leve parece ser um horizonte onírico onde viver é quase bom. A auto-decepção resulta nisto: não percebemos bem o que temos nem conseguimos fazer uma avaliação concreta, muito menos não influenciada por nós próprios. Parece que tudo pode ser sempre melhor e que o que há é mau ou aborrecido. Mas quando os factos da vida nos mostram efectivamente sem apelo nem agravo como podem ser as coisas na dimensão onírica do inferno, a vida de todos os dias é o nosso paraíso perdido.


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13.10.2017 sexta-feira

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José Simões Morais

Exames de ingresso ao Liceu

U

MA onda de assaltos à mão armada com revólver realizada por malfeitores, “que fugindo talvez dos antros de Tai Ping Xan de Hong Kong e que vem pagar o abrigo que lhe damos contra a peste negra, cometendo depredações e semeando terror nos ânimos da população chinesa, que está sobressaltada pela impunidade que os criminosos têm até aqui gozado desde o assalto feito à casa do jogo de fantan no Tarrafeiro”, como refere a 4 de Junho de 1894, o Echo Macaense. Tal parece não afectar a comunidade portuguesa, mais preocupada com a ameaça sobre Macau da peste bubónica e em Julho, os jornais, desviando atenções, referem ser importante conhecer as datas dos exames de admissão ao Liceu, para o grande número de jovens a preparar-se, mais se concentrar nos estudos. Os exames finais de instrução primária, que dão acesso ao Liceu, efectuam-se nos dias 10 e 11 de Setembro de 1894 no edifício do antigo Convento de Santo Agostinho. “Funcionaram duas mesas, sendo uma composta do professor do Liceu, o Reverendo Cónego Falleiro, presidente, e dos professores de instrução primária, Rev. Pe. Alves e José Vicente Jorge e a outra, de Sr. João P. Vasco, professor do Liceu, presidente, e dos professores de instrução primária, Rev. P. Costa e Sr. Constâncio da Silva. Foram examinados e admitidos 29 rapazes e quatro raparigas”, segundo o Echo Macaense, que a 10 de Outubro de 1894 refere com o título Os Exames do Liceu, “Depois da instalação do Liceu, vários jovens que tinham feito os seus estudos no Seminário de S. José, requereram para fazer exames no novo estabelecimento escolar, pagando as propinas marcadas na lei. Verificaram-se os exames de algumas disciplinas, sendo uns examinandos aprovados, e outros adiados, sem dar isto lugar a queixa alguma. Aconteceu infelizmente no exame de português, 1.ª parte, que a maior parte dos examinandos foram reprovados, incluindo dois jovens que tinham sido aprovados com distinção e premiados no Seminário de S. José no 2.º ano desta mesma disciplina”. Tal resultado levou os jovens a ficarem “descontentes com este veredictum do júri, que eles classificaram de injusto. Este facto despertou em nós a curiosidade, e levou-nos a ir assistir aos exames da segunda turma. Podemos asseverar que as perguntas feitas pelo júri nem eram difíceis nem caprichosas, e dos três examinandos a cujos exames assistimos, pareceu-nos que dois responderam satisfatoriamente, titubeando às vezes, como era de esperar no estado nervoso

corar e decorar muito, até que possam repetir como papagaios, que só assim conseguirão ser aprovados, embora não tenham digerido o que decoraram”. Camilo Pessanha, ainda antes de chegar a Macau, já a 10 de Janeiro de 1890 criticava severamente o sistema de ensino português: <Cretinizados pelo medo à palmatória e pelo medo ao lente. Cretinizados por um livro abominável em que pretenderam ensinar-nos a ler, e depois pelo trabalho deprimente a decorar os compêndios à pressa, no fim do ano, para ficarmos distintos nos exames>.

FREQUÊNCIA FEMININA NO LICEU

Desde 1894 a 1906 a frequência de alunos a estudar no Liceu variou entre 15 e 37 e segundo António Aresta, “com as cadeiras de língua e literatura portuguesa, língua francesa, língua inglesa, língua latina, matemática elementar, física, química e história natural, geografia e história, filosofia elementar e desenho em que estavam, mas revelando conhecimento suficiente da matéria; e, com certeza, sabiam muito mais de português do que os examinandos de inglês, a cujos exames também assistimos, sabiam desta língua. A impressão que nos ficou destes dois exames a que assistimos foi, que a aprovação no exame do Liceu, tanto em português como em inglês, não tem nenhuma importância prática como garantia de que os indivíduos ai aprovados saibam qualquer destas línguas. (...) A explicação do texto e a composição são pois os critérios por onde se pode aquilatar bem o conhecimento que um indivíduo tem de qualquer língua; mas nos exames de português a que assistimos não se recorreu a estas duas provas práticas, contentando-se o júri com perguntas acerca das definições e regras de gramá-

tica e com a análise gramatical e lógica de um trecho. (...) O exame, pois, é todo teórico. Quanto ao exame de inglês, ficámos ainda mais tristes com o que vimos. (...) Basta dizer que os examinandos nem sabiam ler as palavras mais fáceis, tanto assim que o professor cónego Falleiro não cessava de corrigir a pronúncia a cada momento; e contudo foram aprovados! Foi essa injustificável indulgência no exame de inglês, e no de filosofia, que concorreu muito para exacerbar os ânimos, quando se conheceu do resultado desastroso do exame de português, porque a equidade pedia que não houvesse dois pesos e duas medidas. (...) Se é este o sistema seguido modernamente em Portugal, fique então isto de prevenção para os jovens macaenses, a fim de que, no futuro, se quiserem ser aprovados, tratem de de-

A 28 de Setembro de 1894 é o Liceu inaugurado pelo Governador, mas sem cerimónias solenes devido à família real se encontrar de luto, e começa com 33 alunos, “admitidos 29 rapazes e quatro raparigas”, segundo o Echo Macaense. Após quatro anos de instrução primária, ao aluno que ingressa no Liceu espera-lhe quatro anos para completar o curso geral, que lhe permitirá seguir a carreira comercial, mas se quiser prosseguir os estudos e entrar na Universidade, estudará mais dois anos no curso de letras, ou ciências. Desde 1894 a 1906 a frequência de alunos a estudar no Liceu variou entre 15 e 37 e segundo António Aresta, “com as cadeiras de língua e literatura portuguesa, língua francesa, língua inglesa, língua latina, matemática elementar, física, química e história natural, geografia e história, filosofia elementar e desenho. Para que as meninas tivessem acesso ao Liceu foi necessário efectuar uma sábia engenharia administrativa que consistiu nisto: fundir duas escolas do sexo feminino, nas freguesias da Sé e de São Lourenço, dando lugar a uma nova Escola Central do Sexo Feminino que ministrará a instrução primária elementar, a instrução primária complementar, as línguas inglesa e francesa, português, aritmética, história e geografia. Só assim tiveram acesso a esse novo patamar de escolaridade, o ensino liceal”. No Quartel da Guarda Policial em S. Francisco, a 20 de Outubro de 1894 é inaugurada a Biblioteca da Polícia, criada por uma comissão de oficiais e aprovada pelo Governador Horta e Costa. Já a Biblioteca Nacional de Macau, anexada ao Liceu em 1895, funciona numa sala do decrépito edifício do antigo Convento de Santo Agostinho. O Reitor Dr. Gomes da Silva ao olhar aquelas instalações desadequadas para albergar salas de aulas, o gabinete de física, a biblioteca e o museu..., sem protestar, suporta porque lhe dizem ser provisórias. Mas aconselha a prudência que a mudança de edifício se faça o mais rápido possível.


opinião 17

sexta-feira 13.10.2017

RUI TAVARES in Público

OUVE um tempo em que na nossa península nasceram os que podem ser considerados os três maiores sábios das três grandes religiões do livro. Dois deles em Córdova: primeiro o muçulmano Averróis, nascido em 1126, filósofo da ciência, da tolerância e da educação — incluindo a educação das mulheres —; logo depois em 1135 o judeu Maimónides, médico, filósofo e autor do livro com um dos mais belos títulos jamais imaginados, o Guia para perplexos. O terceiro nasceu nas Ilhas Baleares, talvez em 1315: era o cristão Ramon Llull, matemático, viajante, diplomata e autor de uma novela mística na sua língua materna catalã, o Libre de meravelles (Livro de Maravilhas, em português — esta gente tinha talento para títulos). E houve um tempo, agora mesmo, enquanto se esperava por saber se o governo da Catalunha declarava ou não a sua independência unilateral de Espanha, em que eu só pensava nesse outro tempo em que a nossa península era sábia. Sabem porquê? Porque também houve muitos outros tempos em que a nossa península não foi sábia. Tempos em que cristãos, muçulmanos e judeus se massacraram em vez de se traduzirem, lerem e conversarem como fizeram os nossos três sábios. Tempos da Inquisição. Tempos da Guerra Civil de Espanha. Por isso, enquanto esperava pela declaração (ou não) unilateral de independência, eu só pensava nos tempos em que a nossa península foi sábia, e nos tempos em que ela não soube sê-lo. E que tem um português a ver com isto? Tudo. A península é a nossa primeira casa. Aqui onde escrevo, Lisboa, viveu feliz Cervantes e foi publicado o Quixote no mesmo ano em que saiu em Madrid (a única outra cidade a ter esse magnífico privilégio é Valência, uma cidade de língua catalã). Em Portugal amamos e admiramos os nossos irmãos, irmãs, primos e primas galegos e castelhanos, bascos e andaluzes, catalães e de toda a Espanha. Admiramos Espanha, embora dela não tenhamos querido fazer parte. Não somos parte interessada em que haja (ou não) independência da Catalunha. Mas somos parte interessada, como portugueses e europeus, em que a nossa península saiba ser sábia nestes momentos decisivos. Por isso temos de saber ser contidos, equitativos e portadores de boa vontade. E que é ser sábio nestas circunstâncias em que há duas vontades inamovíveis e contrá-

SENECA

H

A nossa península já foi sábia

rias? Trata-se, é claro, de saber aproveitar todas as oportunidades para o diálogo. Mas trata-se, acima de tudo, de não aproveitar nenhuma das oportunidades que sempre se oferecem para agir de orgulho ferido. Não faltam razões legais, políticas, culturais e económicas para a inflexibilidade — de parte a parte. Não faltam nunca ocasiões para tentar humilhar o outro. É preciso recusá-las a todas. Não é tarde para que o diálogo se faça. As saídas possíveis são muitas: um pacto para realização de um referendo legal, só na Catalunha ou em toda a Espanha; novas eleições na Catalunha ou em toda a Espanha; um roteiro para uma Espanha federal; uma república catalã consensualmente independente ou unida confederalmente a Espanha. O problema não está nas saídas, está nas entradas: quem terá a coragem

E que é ser sábio nestas circunstâncias em que há duas vontades inamovíveis e contrárias? Trata-se, é claro, de saber aproveitar todas as oportunidades para o diálogo de abrir a porta ao diálogo? A decisão anunciada por Puigdemont em Barcelona, — de declarar a independência mas imediatamente suspender os seus efeitos —, pode ser uma porta entreaberta. Se o governo de Rajoy, em Madrid, entender este gesto como oportunidade para abrir o resto da porta e não para a fechar com estrondo, poderemos ter aqui um início de solução.

Ouçamos o mais velho de todos os sábios peninsulares. Também nasceu em Córdova, há pouco mais de dois mil anos: Séneca. Explicou no seu A Constância da Sabedoria (bom título, bom título) que o sábio é aquele que, na verdade, só é vencido pela sua facilidade em sentir-se insultado e a sua vontade de humilhar. Ceder a essas fraquezas é a verdadeira derrota. Resistir ao orgulho, condição para a convivência, a verdadeira vitória. A última frase de Séneca, assim contextualizando o que ele entende como verdadeira vitória (sobre nós mesmos e não sobre os outros) diz assim: “não se dar por vencido é ser mais forte que o destino e, assim, fazer parte da república do género humano”. Ainda vale a pena meditar bem no que queria dizer com isto o mais velho sábio da nossa península, e agir em conformidade.


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

13.10.2017 sexta-feira

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

FIMM | EL FOG – MASAYOSHI FUJITA Edifício do Antigo Tribunal | 20h00

Amanhã

MIN

25

MAX

31

HUM

55-85%

•

EURO

9.23

BAHT

TEATRO | ABERTURA DO “TEATRAU – TEATRO DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” Teatro D.Pedro V JAZZ | SUBFIVE Fundação Oriente | 21h30

O CARTOON STEPH

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “BERLINALE CURTAS I: UTOPIA SEM LIMITES” Cinemateca Paixão | 19h30 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “FITZCARRALDO” Cinemateca Paixão | 21h30 DEBATE | “O NOVO CINEMA ALEMÃO” Cinemateca Paixão | 16h00 às 17h30

DIARIAMENTE

WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até 22/10

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 139

BALLADA – ANIMAMIX ARTE CONTEMPORÂNEA Museu de Arte de Macau| | Até 15/10 EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 Museu de Arte de Macau| | Até 12/11

Cineteatro

C I N E M A

PROBLEMA 140

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau | Até quinta-feira

1.18

NÃO TARDA NADA

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “O MEU ENCONTRO COM A VIDA” Cinemateca Paixão | 16h30 e 21h30

FIMM | “THE ERHU FAMILY” Centro Cultural de Macau | 20h00

YUAN

PÊLO DO CÃO

FIMM | A FRAGANT DREAM – ÓPERA NUM ACTO Centro Cultural de Macau | 20h00

Domingo

0.23

Meu mundo, Que raio de coisa nos havia de acontecer: estarmos assim irremediavelmente separados, incapazes de comunicarmos, sem notícias um do outro. Quanto tempo durará ainda a nossa separação? Bem sei que a culpa é minha, que nunca te devia ter deixado partir. Ou, se quisermos ser justos, não te devia ter posto na rua. Mas tu nem esboçaste um protesto, uma amargura, não discutiste, não me chamaste nomes. Só ficaste calado na minha frente, até começares a fazer a mala. Depois saíste.Ainda fui à janela mas nem sequer te vi a atravessar a rua. Fiquei sozinho, meu mundo, triste. Contudo, pensando bem, eu estivera sempre sozinho. Tu entravas e saías, fazias o que te apetecia, ligavas a televisão, desligavas a televisão, como se eu não estivesse ali ou a minha vontade não importasse. Tudo se passava como se não tivesse nenhuma importância para ti.Sim: tu e sempre tu! Tão importante! Tão arrogante! Tão seguro de seres a coisa melhor à volta do sol! E giras e giras imparável, seguro de ti e ignorante do resto. Tu queres lá saber seja do que for. Basta-te a tua própria beleza, os outros que se arranjem. Mas volta, meu mundo, meu amor, a porta fica destrancada toda a noite e eu ainda só ocupo o meu lado da cama. Volta. Vem e deita-te devagarinho. Não me digas nada. Adormece. Verás que ainda vale a pena acordar perto de mim. Carlos Morais José

NICK CAVE AND THE BAD SEEDS | THE BOATMAN’S CALL | 1997

Há discos que não têm tempo nem momentos para serem ouvidos. Em especial, há “The Boatman´s Call”, uma injecção de arrepios em que Nick Cave mostra, mais até que noutros trabalhos, o que é o amor e a transcendência. Começar uma viagem com “Into my arms” é o melhor acolhimento para um conjunto de faixas que levam ao infinito. Um exemplo perfeito para retratar a beleza da dor e a esperança melancólica. Um disco indescritivel. Sofia Margarida Mota

GEOSTORM SALA 1

GEOSTORM [B] Fime de: Dean Devlin Com: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Daniel Wu 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

BLADE RUNNER 2049 [C] Fime de: Denis Villeneuve

Com: Ryan Golsling, Harrison Ford, Jared Leto, Dave Bautista 14.30, 18.15, 21.15 SALA 3

WHAT HAPPENED TO MONDAY [C] Fime de: Tommy Wirkola Com: Noomi Rapace, Glenn Close, Willem Dafoe 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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HOJE MACAU

sexta-feira 13.10.2017

VITÓRIA MAN, ORGANIZADORA DE EVENTOS

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“Escrever é outra forma de fuga”

sua personalidade leva-a a experimentar vários percursos e caminhos, sem se decidir exactamente qual aquele que gosta mais. Nascida em Macau, Vitória estudou Direito em Portugal, tendo feito a licenciatura e o mestrado na mesma área. Depois trabalhou em Angola como directora comercial de uma empresa. De regresso a Macau, Vitória tem estado ligada a coisas tão variadas como a organização de eventos, traduções para filmes ou de poesia. O facto de fazer coisas tão diferentes traz-lhe uma espécie de conflito interno. “Às vezes sinto-me estranha, porque não sei qual é a minha vida real e a vida de fuga. É uma grande confusão, especialmente aqui em Macau. Tenho mais amigos estrangeiros do que chineses”, contou ao HM. Vitória Man assume que a sua personalidade tem várias valências. “Quando estou no trabalho penso nas coisas de forma prática, não gosto de usar o meu lado artístico. Mas quando saio do trabalho vejo um filme ou faço mais projectos criativos, aí sinto-me melhor.” O contacto com a língua portuguesa surgiu devido ao curso de Direito, mas muito

antes disso Vitória tinha tido os primeiros contactos com o idioma de Camões. Em criança, chegou a viver no Panamá, onde o pai falava espanhol e tinha amigos portugueses e macaenses. Olhando para a Macau dos anos 90, o contacto com a cultura portuguesa também era muito mais fácil do que agora. “Era como se vivesse em Lisboa. Estava sempre com portugueses e macaenses e ouvia muitas línguas diferentes.”

EM MACAU TAMBÉM SE SOBREVIVE

As vivências que experimentou em Angola e Portugal fizeram-na ter diferentes perspectivas de vida. “Estes três lugares são para mim muito diferentes. Costumo dizer que Portugal é para viver, Luanda é para sobreviver e Macau está no meio.” Para Vitória, em Macau também se sobrevive, sobretudo aqueles que são do meio artístico. “Quem está aqui e trabalha na área da criação tem de sobreviver. É quase uma tradição de Macau, as pessoas não são muito criativas. Agora isso está melhor, desde que chegaram mais estrangeiros e desde que

estudantes de Macau foram para outros países estudar.” Em Angola, apesar da pobreza generalizada da população, a necessidade de sobrevivência não representa tristeza. “As pessoas não têm uma vida fácil, mas não pensam tanto e são alegres. Não têm dinheiro então não pensam tanto sobre coisas como ciúmes. Se tiverem umas bebidas e comida, já ficam contentes.” Lá Vitória Man teve um contacto estreito com o mundo empresarial. “A minha vida diária era tratar de negócios e lidar com empresários. Ao fim-de-semana ia a casa da minha amiga portuguesa, para relaxar um pouco. Mas todos os meus amigos eram empresários ou consultores financeiros.” Uma vida bastante diferente daquela que levou em Portugal, onde teve contacto com pessoas do meio artístico, quase de forma espontânea. “Tenho boas memórias, porque quando estava na Europa estava sempre a conhecer pessoas novas. Graças a Deus conheci muitos artistas e fotógrafos, tive uma vida muito interessante. Sair com fotógrafos ou artistas

era um tipo de fuga para mim, porque gosto muito de arte e de escrever.”

O LADO DA ESCRITA

Quando está triste, Vitória Man escreve, tratando-se de um outro acto de fuga. “Escrevo poemas, porque gosto. E sobretudo quando estou triste tenho de escrever, é outra maneira de fuga. Os meus poemas estão muito ligados à natureza humana, e recentemente tentei escrever poemas relacionados com o feminismo nas cidades modernas. Passei por cidades diferentes e sinto que as pessoas nessas cidades têm mentalidades diferentes.” Apesar de gostar de arte, Vitória Man garante que fez a sua formação superior em Direito, porque gosta da lógica. “Quando tenho de resolver um caso sinto-me satisfeita, porque tenho de recorrer aos códigos. Em Macau qualquer pessoa que queira ser bem sucedido no Direito tem de falar bem português, é uma língua que me faz sentir mais calma”, aponta. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


Os abusos dos taxistas escondem outros chupistas Pyongyang ameaça EUA com “chuva de fogo”

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, advertiu que a vontade de Pyongyang é “fazer chover fogo” sobre os Estados Unidos em resposta à retórica bélica do Presidente norte-americano, Donald Trump. O ministro norte-coreano fez o comentário ao receber uma delegação da agência de notícias russa Tass, que visitou Pyongyang, informaram ontem os ‘media’ oficiais. “É a firme vontade de todo o pessoal militar e do povo da República Popular Democrática da Coreia [RPDC, nome oficial do país] fazer chover fogo sobre os Estados Unidos, que falou em destruir totalmente a RPDC”, disse Ri Yong-ho, num comunicado citado pela agência estatal KCNA. Ri também afirmou que o programa nuclear norte-coreano é o “precioso fruto da sangrenta luta do povo coreano pela defesa do destino e da soberania do país face à prolongada ameaça nuclear dos imperialistas norte-americanos, e uma valiosa espada justiceira”.

Índia sexo com esposa menor de 18 anos passa a ser violação

O Supremo Tribunal da Índia ditou ontem que a relação sexual marital com uma mulher com menos de 18 anos constitui violação, uma decisão que os activistas consideram ser um importante passo para pôr termo a casamentos com crianças. A lei indiana definiu 18 anos como a idade mínima para mulheres casarem e para o sexo consentido, mas existem excepções e um homem pode ter relações sexuais, mesmo que forçadas, com uma menina de 15 anos, por exemplo, desde que ela seja sua mulher. O tribunal determinou na quarta-feira que as relações sexuais envolvendo menores de 18 anos são violação. Uma análise dos dados do mais recentes censos nacionais levada a cabo pela iniciativa de jornalismo de dados India Spend, citada pelo jornal The Guardian, estima que perto de 12 milhões de crianças indianas com menos de dez anos sejam casadas. A maioria das meninas são pobres, de famílias rurais com pouco ou nenhum acesso a educação.

Japão Vulcão espalha cinzas por quatro cidades

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Um vulcão no sudoeste do Japão entrou em erupção pela primeira vez em seis anos e estava ontem a expelir cinzas que se espalhavam por quatro cidades. Imagens transmitidas pela emissora japonesa TBS mostram estudantes do ensino primário a usarem capacetes e máscaras durante o caminho até à escola localizada no sopé do vulcão Shinmoedake, com moradores da zona a relatarem ter ouvido tremores procedentes do vulcão, cujas cinzas que expeliu caíram em pelo menos quatro cidades da prefeitura de Miyazaki. O vulcão, situado no limite entre Miyazaki e Kagoshima, entrou em erupção na quarta-feira pela primeira vez em seis anos. As previsões apontam para que o vulcão continue a expelir cinza e potencialmente pedras na sexta-feira, mas as eventuais zonas de risco vão depender nomeadamente de factores como as condições do vento.

Tesoura das ilhas

sexta-feira 13.10.2017

FILIPINAS POLÍCIA SUSPENDE “GUERRA CONTRA AS DROGAS” POR ORDEM DE DUTERTE

Matança muda de mãos

A

p o lícia nacional das Filipinas suspendeu ontem as suas operações na sequência da polémica “guerra contra as drogas” depois de o Presidente do país, Rodrigo Duterte, ter colocado a campanha nas mãos da Agência Antidroga (PDEA). “Delegamos a nossa tarefa à PDEA. Vamos procurar outras coisas para trabalhar, mas drogas por agora não”, declarou o director da polícia nacional, Ronald Dela Rosa, numa conferência de imprensa. De acordo com Dela Rosa, a polícia vai levar a cabo uma “limpeza interna” tendo como alvo a corrupção, depois de vários escândalos que afectaram a imagem das forças policiais na campanha. O Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, atribuiu em exclusivo à agência antidroga do país (PDEA) a liderança da polémica “guerra contra a droga” e afastou a polícia da campanha, após uma onda de escândalos e protestos. Duterte ordenou a todas as entidades do Governo que “reservem à PDEA, como única agência, a gestão das campanhas e operações contra aqueles que, directa ou indirectamente, estejam envolvidos ou relacionados com drogas ilegais”, de acordo com um memorando a que

Duterte ordenou a todas as entidades do Governo que “reservem à PDEA, como única agência, a gestão das campanhas e operações contra aqueles que, directa ou indirectamente, estejam envolvidos ou relacionados com drogas ilegais”

agência de notícias espanhola Efe teve ontem acesso. O memorando especifica que a liderança da PDEA “não significa uma diminuição dos poderes de investigação do Departamento Nacional de Investigação (NBI) nem da Polícia Nacional relativamente a todos os delitos” relacionados com droga.

POPULARIDADE EM QUEDA

A ordem presidencial tem lugar após uma série de escândalos em torno da sangrenta campanha em que mais de 3.900 suspeitos foram abatidos pela polícia.

Estima-se que o número total de mortes seja superior a 7.000 se somados os homicídios de supostos toxicodependentes e traficantes atribuídos a indivíduos ou patrulhas de moradores. A morte de três jovens e outras irregularidades cometidas no âmbito da “guerra contra a droga” nos últimos meses causaram mal-estar na sociedade filipina, algo que se traduziu, no mês passado, na maior manifestação contra Duterte e numa queda do apoio popular ao Presidente – de 78% em Junho para 67% em Setembro.

FOSUN PRESIDENTE SOBE TRÊS LUGARES NA LISTA DOS MAIS RICOS DA CHINA

O

presidente do grupo Fosun, Guo Guangchang, que detém várias empresas em Portugal, subiu três lugares na lista dos mais ricos da China, para a 25.ª posição, segundo a unidade de investigação Hurun. A fortuna pessoal de Guo Guangchang, 50 anos, subiu 40%, face a 2016, para 9.300 milhões de dólares, detalha a Hurun Report Inc. Presidente de um grupo de investimento internacional,

Guo é também um dos 42 multimilionários com assento no principal órgão de consulta do Partido Comunista Chinês e do Governo da China. A Fosun é o maior accionista do banco Millennium BCP e detém a seguradora Fidelidade, o grupo Luz Saúde e uma participação de 5,3% na REN - Redes Energéticas Nacionais. A Hurun Report Inc, uma unidade de investigação fundada em 1999 pelo conta-

bilista britânico Rupert Hoogewerf, publica anualmente uma lista dos mais ricos da China. Xu Jiayin, presidente do gigante chinês do imobiliário Evergrande, ascendeu ao primeiro lugar, com uma fortuna de 43.000 milhões de dólares. Tudo junto, os dez mais ricos da China valem 248.000 milhões de dólares - quase 13% mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) português.


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Hoje Macau 13 OUT 2017 #3914 by Jornal Hoje Macau - Issuu