Director carlos morais josé
www.hojemacau.com.mo
Mop$10
terça-feira 13 de outubro de 2015 • ANO XV • Nº 3432
pedro moutinho
encontro na fortaleza
ias novo regime de apoio não satisfaz privados
A beira ´ do subsidio ´
O novo programa de apoio financeiro do Instituto de Acção Social destinado às instituições sociais privadas parece não convencer os responsáveis de vários organismos do sector. Maiores dificuldades na
contratação de pessoal qualificado e falta de distinção entre os níveis de experiência dos profissionais são algumas das críticas ao futuro regime de subsídio que, dizem, não chega a todos.
Agência Comercial Pico • 28721006
hojemacau
pub
eventos
opinião
Amor de pés tânia dos santos Página 15
turismo
O fermento cultural sociedade página
h
Cinema africano boi luxo
pub
grande plano
6
diário de bordo
‘‘
ontem macau
“A Internacional Risk sublinha que a reputação de Ng e as suas relações são bem mais tóxicas do que as do típico magnata chinês de Macau (…) Recomendamos à Sands que proceda com extremo cuidado em qualquer relação que estabeleça, já que associar-se com ele pode representar um grande risco à reputação”
hoje macau terça-feira 13.10.2015
horah
Uma foto publicada pela Agência de Notícias Central Norte Coreana (KCNA) ontem mostra foguetes a serem lançadas no céu de Pyongyang. O espectáculo marcava o 70º aniversário do partido da Coreia do Norte. No local tocavam os “Chongbong Band”, um grupo de música criado por Kim Jong-un, líder do país EPA/KCNA / SOUTH KOREA OUT
2
• Relatório de empresa de investigação privada de Steve Vickers, antigo chefe do Gabinete de Informações da Polícia de Hong Kong
“A cultura Chinesa coloca muito ênfase na faceta social, pelo que a comparação social de consumo entre amigos é promovida” Kara Chan • Professora da Universidade Baptista de Hong Kong
“Os SS são apenas utilizadores e não sabemos o andamento da obra e a data de construção. O projecto já foi entregue ao GDI. Nós todos somos utilizadores e não somos nós que vamos construir” Alexis Tam • Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, sobre o novo hospital
www. hojemacau. com.mo
“Tendo em conta a escassez de lugares nos parques de estacionamento, os residentes têm novas solicitações quanto à distribuição equitativa e justa destes recursos públicos” Song Pek Kei e Si Ka Lon, sobre a utilização de passes mensais nos parques de estacionamento | P. 5
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
l i g u e - s e • pa r t i l h e • v i c i e - s e
hojeglobal w w w. h o j e m a c a u . c o m . m o facebook/hojemacau twitter/hojemacau
hoje macau terça-feira 13.10.2015
IAS Criado novo regime de apoio. Instituições tecem críticas
Quantidade não é eficácia Executivo – Siu diz que estes profissionais preferem sempre ingressar na Administração. O líder da Associação frisa também que é muito importante classificar os níveis de subsídio prestados pelo Governo para os profissionais que tenham diferentes níveis de experiência. “Actualmente, os profissionais que trabalhem há apenas um ano têm direito ao mesmo subsídio de outros que estejam em funções há dez anos”, explica. “Estes [profissionais] apercebem-se que só vão conseguir ganhar um determinado salário durante toda a carreira e isto não é atractivo o suficiente para que pessoas experientes se candidatem às instituições privadas”, continua. Hetzer Siu queixa-se de que o IAS “não está a fazer uma gestão sustentável” do pessoal. “Estamos desapontados”, destacou. Para a deputada Chan Hong, o novo regime não é suficientemente flexível, pois regulamenta o âmbito de acção e o conteúdo de cada categoria profissional, mas não abrange todas as existentes. Chan exemplifica com o caso dos terapeutas da fala: estes são subsidiados pelo IAS e pela Direcção dos Serviços para a Educação e Juventude (DSEJ), mas o novo regime limita a obtenção de subsídio apenas ao do IAS. O documento também corta as asas a estes profissionais, possibilitando o apoio apenas a crianças com mais de três anos de idade.
tiago alcântara
O IAS já criou um novo regime de apoio financeiro para instituições sociais privadas, mas alguns dirigentes não parecem estar contentes. É que o documento, alegam, vem dificultar a contratação de pessoal experiente e não faz distinção entre diferentes funções desempenhadas
grande plano
O
Instituto de Acção Social (IAS) já criou um novo regime de apoio financeiro para as instituições dos serviços sociais em Macau no sentido de subsidiar, na totalidade, o vencimento do pessoal. O referido regime promove também o “salário duplo” e a criação do regime de previdência para os trabalhadores. Contudo, os líderes de instituições locais discordam da eficácia deste regime, alegando que não traz melhorias aos ordenados dos funcionários e não atrai mais pessoal. Numa resposta dada a uma interpelação escrita de Chan Hong, a presidente substituta do IAS, Vong Yim Mui, admitiu que o actual regime já não é capaz de acompanhar o ritmo de desenvolvimento da sociedade. Vong afirma já ter elaborado a proposta do novo programa de apoio financeiro e organizou várias sessões de apresentação e de consulta junto de mais de 70 associações particulares desde final de 2014. O objectivo é ouvir a opinião da população no sentido de aperfeiçoar o documento. A responsável apontou que o problema mais relevante do actual regime é que o subsídio destinado ao pessoal não abrange todas as categorias de funcionários. A título de exemplo, fala dos trabalhadores contratados pelas instituições, cujo número é superior àquele de quem beneficia do subsídio. Este é, por sua vez, prestado pelo Governo e a sua distribuição pelos trabalhadores deve ser feita e assegurada pelas instituições. As instituições têm liberdade para decidir se querem ou não aderir ao futuro regime. Com a actualização do documento, disse Vong Yim Mui, o número de
3
Atenção às diferenças
pessoal beneficiário do subsídio passará das actuais 2100 pessoas para as 3300, registando-se assim um aumento de 60%. Também o valor anual envolvido no processo passa dos 840 milhões de patacas para os 1130 milhões, sofrendo um acréscimo de 35%. Vong defende que a distribuição do subsídio vai ser racional e equilibrada, já que, através de um modelo de “combinação por custo razoável”, será prestado às instituições um apoio financeiro que permite o seu funcionamento. O subsídio está preparado para abranger chefias, trabalhadores de áreas profissionais, de apoio administrativo e “quadro de pessoal estandardizado” para as instituições do mesmo tipo de serviço, de modo a constituir um critério uniformizado do apoio financeiro ao pessoal, mas não chega a todos.
O IAS também quer lançar um outro apoio pecuniário para promover a atribuição de um “salário duplo”. Este vai constar na criação de um regime de previdência, de acordo com o princípio de “atribuição do apoio mediante a comunicação dos casos concretos.”
Líderes desapontados
O novo regime vai criar cargos subsidiados tais como de supervisor, monitor de serviços ou subchefe, com o objectivo de “permitir a oportunidade de fomentar a promoção”. No entanto, Hetzer Siu, director executivo de Macau Special Olympics não partilha desta opinião. “No sector de reabilitação, não há um aumento óbvio do pessoal, mesmo que o valor de subsídio aumente a remuneração de assistentes sociais com a entrada em vigor do novo regime”, disse o responsável.
Hetzer Siu tem vindo a pedir ao Governo, há vários anos, que diminuísse o fosso de remuneração atribuída aos assistentes sociais do sector público e do privado, decidindo-se apenas pela atribuição de um subsídio directo. No entanto, uma vez que o subsídio mensal máximo de um assistente social privado se mantém nas 29 mil patacas – quantia menor do que o índice salarial previsto pelo
“O IAS não está a fazer uma gestão sustentável do pessoal. Estamos desapontados” Hetzer Siu Director executivo de Macau Special Olympics
Também o secretário-geral das Cáritas de Macau, Paul Pun, discorda da viabilidade sustentável do referido documento. “O Governo unifica o critério de remuneração para os trabalhadores de uma mesma categoria, mas os conteúdos, as dificuldades e os níveis de perigo são diferentes de função para função, é difícil unificar”, justificou. Paul Pun criticou o novo regime de ser restritivo. “Ao longo do tempo, podemos recrutar mão de obra de forma mais flexível com o resto de subsídio fornecido pelo Governo, mas no futuro seremos impedidos de o fazer, porque a norma dita que caso o resto do apoio financeiro vá além dos 15%, as instituições terão que fazer a devolução do valor ao Governo”. Hetzer Siu defende, ainda assim, que a ser implementado, este novo regime devia ter sido posto em prática em Julho passado, mas o IAS promete acelerar o processo para que esteja pronto em Janeiro próximo. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
4
política
hoje macau terça-feira 13.10.2015
Visita Democratas falham encontro com Governo Central
Uma viagem “para perder tempo” hoje macau
Au Kam San e Ng Kuok Cheong foram os únicos deputados do hemiciclo a não marcar presença na delegação da Assembleia Legislativa que desde ontem se encontra em Pequim. O programa inclui seminários sobre Lei Básica e encontros com dirigentes da APN
“Até ao último dia não soubemos qual era o objectivo da visita. Só nos disseram que era uma visita a Pequim e a Hebei. Não vale a pena perder tempo lá”, explicou ainda Au Kam San, dizendo que os dois deputados nunca rejeitaram comunicar com as autoridades do continente.
Descubra as diferenças
Apesar da AL ter disponibilizado o programa aos deputados antes da sua viagem para o continente, o HM sabe que os membros do hemiciclo tiveram acesso a outro programa assim que aterraram em Pequim. Apesar de ser uma agenda um pouco mais detalhada, não existem grandes diferenças em ambos os programas, que inclui encontros e seminários entre os deputados locais e os altos dirigentes do Governo Central.
“Até ao último dia não soubemos qual era o objectivo da visita. Só nos disseram que era uma visita a Pequim e a Hebei. Não vale a pena perder tempo lá” Au Kam San Deputado
A
lguns deputados à Assembleia Legislativa (AL) estão desde ontem em Pequim onde integram uma visita oficial com dirigentes dos principais órgãos políticos do continente.
Contudo, naquela que é a primeira visita oficial do género desde a transferência de soberania, os deputados Au Kam San e Ng Kuok Cheong, do campo pró-democrata, optaram por não marcar presença.
Ao HM, Au Kam San explicou as razões, referindo que a AL não transmitiu o objectivo ou o tema da visita, pelo que aos deputados pareceu apenas uma “viagem simples”. Por isso, ambos dizem ter optado por não desperdiçar o seu
gonçalo lobo pinheiro
Lei de Protecção dos Animais regressa à AL
A
Lei de Protecção dos Animais vai regressar às mãos da 1.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) ainda este mês. Um membro do Con-
selho de Administração do Instituto para osAssuntos Cívicos e Municipais (IACM), Ung Sau Hong, afirmou que a revisão da proposta pelo Governo já está basicamente concluída, pelo que esta pode chegar a meados de Outubro ao hemiciclo. Esta revisão é a última feita pelo Governo, depois da proposta ter sido aprovada na generalidade e ter estado em discussão em sede de especialidade. Apesar das polémicas face às penas atribuídas aos perpetradores de violência contra animais, Ung Sau Hong assegura que a pena máxima de um ano de prisão em caso de maus tratos e morte se vai manter e considera que esta já tem
efeito dissuasor suficiente. Ao jornal Ou Mun, o responsável do IACM frisou que a conclusão da revisão aconteceu no Dia da Protecção Animal, ainda que faltem alguns procedimentos administrativos antes desta ir parar à AL. Agora, a proposta é entregue novamente à Comissão Permanente responsável pela sua análise na especialidade “assim que a próxima sessão comece”, algo que acontece na sexta-feira. Depois de ser novamente avaliada pela Comissão, presidida por Kwan Tsui Hang, será votada na especialidade pelo hemiciclo, o último passo antes de entrar em vigor. F.F.
tempo com a ida a Pequim. “Não é fácil fugir de Macau durante vários dias”, disse ainda o deputado, explicando que diariamente o escritório dos dois membros do hemiciclo é invadido com contactos da população.
Subsídios de invalidez passam para 7500 e 15 mil patacas
O Executivo actualizou os montantes dos subsídios de invalidez normal e especial para as 7500 e para as 15 mil patacas, respectivamente. O anúncio, publicado em despacho de Boletim Oficial, explica que a decisão foi feita após reunião com a Comissão para os Assuntos de Reabilitação. Este subsídio foi criado com o intuito, refere o Instituto de Acção Social no seu website, de apoiar “os indivíduos e famílias que se encontrem em situação de carência, com vista ao estabelecimento da sua função social”, mas também prestar “assistência técnica e apoio de recursos” a instituições de cuidado particulares.
Para hoje está agendada uma visita à Comissão da Lei Básica da RAEM do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), incluindo encontros com Li Fei e Zhang Ronghsuan, dirigentes máximos deste órgão. Vai ainda ser realizado um seminário sobre a Constituição e a Lei Básica da RAEM. Amanhã, quarta-feira, os deputados vão visitar o Comité Permanente da APN em Pequim, onde deverão ser abordadas questões na área legislativa e as medidas de supervisão da cidade. O regresso dos deputados a Macau está agendado para amanhã à tarde. Ontem, segunda-feira, a visita começou na cidade de Langfang, província de Hebei, com a realização de um colóquio com a Comissão Permanente da APN de Langfang. Houve ainda uma apresentação “da situação da integração regional de Pequim, Tianjin e Hebei”, incluindo uma visita “aos projectos de desenvolvimento local de maior relevo”. Na noite de ontem teve ainda lugar um jantar onde discursaram Ho Iat Seng, presidente da AL, e Wang Guangya, Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
política 5
hoje macau terça-feira 13.10.2015
O
s trabalhos da Assembleia Legislativa (AL) vão arrancar na sexta-feira, com uma agenda que conta com a análise pelos deputados de uma proposta de debate. Song Pek Kei e Si Ka Lon são os autores do pedido, que pretende falar de novas medidas para os parques de estacionamento públicos. No pedido de debate dos números dois e três de Chan Meng Kam, os deputados pedem que os responsáveis do Governo e os colegas do hemiciclo discutam a decisão do Executivo de terminar com os novos passes mensais para os parques de estacionamento. “Por forma a aumentar a rotatividade nos parques de estacionamento públicos, o Governo deve ou não cancelar os respectivos passes mensais, permitindo que o público utilize os lugares de estacionamento em causa?”, questionam, numa pergunta que dá o mote para o debate que consideram ser “de interesse público”. Na opinião dos deputados, exposta na nota justificativa, Song Pek Kei e Si Ka Lon consideram que o passe mensal “já não se coaduna com as necessidades reais” de Macau, mas ainda assim querem mais esclarecimentos. “Consideramos necessária a revisão do Regime do Serviço Público de Parques de Estacionamento. Tendo em conta que os referidos passes mensais têm implicações com o interesse público propomos um debate sobre a matéria, na expectativa de promover o aperfeiçoamento do serviço público de parques de estacionamento”, escrevem, acrescentando que “há conflitos de interesses” com a existência de passes mensais. De acordo com dados apresentados pelos dois deputados,
O
Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) prometer “clarificar” com a Direcção dos Serviços de Identificação (DSI) o alegado caso desta entidade estar a tratar os alunos chineses de instituições de ensino locais como imigrantes ilegais. O Coordenador do GAES, Sou Chio Fai, diz ainda não ter “informações actualizadas” que confirmem esta notícia, mas assegura que o seu Gabinete “vai tomar a iniciativa” de tratar, juntamente com a DSI,
AL Arranque tem lugar sexta-feira com proposta de debate em análise
Parques de estacionamento a abrir Depois do término da segunda sessão da AL, os deputados regressam ao serviço no dia 16 e começam com uma sessão plenária que analisa um pedido de debate e o orçamento privativo do hemiciclo para 2016, que sobe 10%. Há ainda reuniões internas de todas as Comissões de acompanhamento marcadas para o mesmo dia da ETAR, onde 96% dos lugares estão reservados aos passes mensais, havendo apenas 14 lugares disponíveis para o público. “Gera conflitos de interesses entre os utilizadores em geral e os detentores dos passes”, escrevem,
há 39 parques de estacionamento públicos que proporcionam 14382 lugares e, em 16 deles, 4500 lugares estão reservados a estes passes
mensais. Noutros 13, a percentagem de lugares reservados é de 50% e “superior”. Um dos grandes problemas reside, contudo, no silo
Proposta de debate de Song Pek Kei e Si Ka Lon
Orçamento sobe 10%
Para Si Ka Lon e Song Pek Kei o Regime tem de ser revisto, uma vez que 12 anos depois da implementação dos passes mensais, o trânsito e a realidade sócio--económica mudaram “significativamente”. “Tendo em conta a escassez de lugares nos parques de estacionamento, os residentes têm novas solicitações quanto à distribuição equitativa e justa destes recursos públicos”, terminam. Este não é o único assunto na agenda dos deputados, que têm ainda para análise e aprovação a proposta do orçamento privativo da AL para 2016. Este terá o valor de 183,9 milhões de patacas e já teve luz verde da mesa da AL, apesar de representar um aumento da despesa em 10,3% face ao deste ano. As despesas principais situam-se na aquisição de bens e serviços, onde a AL pretende gastar mais de 11 milhões de patacas, ou mais 9,21%, devido “a um reforço” nos vencimentos e de subsídios. No mesmo dia estão marcadas reuniões de todas as Comissões de acompanhamento e permanentes para a escolha dos presidentes e secretários dos grupos. Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
Estudantes GAES assegura estar a “clarificar” situação de vistos com DSI
Acabar, formar e ir embora? de quaisquer queixas que possam surgir por parte de estudantes estrangeiros a frequentar instituições de ensino superior locais. A notícia foi avançada na edição da passada sexta-feira do jornal Ponto Final, que dava conta de casos de estudantes estrangeiros a quem esta-
vam a ser dadas 24 horas para deixar a região no caso do seu período de permanência ir além daquele a que o seu curso obriga, mesmo com um visto ainda válido. O caso envolve situações de alunos estrangeiros que, após completarem o curso no qual estavam inscritos em Macau, foram
Capacidade das universidades Na semana passada, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura Alexis Tam mostrou vontade em atrair mais alunos estrangeiros para instituições de ensino superior locais. O Coordenador do GAES, Sou Chio Fai, anunciou que o Gabinete já pediu a uma instituição um plano sobre esta matéria. “Estamos a encomendar um plano – a médio
“Por forma a aumentar a rotatividade nos parques de estacionamento públicos, o Governo deve ou não cancelar os respectivos passes mensais, permitindo que o público utilize os lugares de estacionamento em causa?”
explicando ainda que a grande quantidade de veículos em circulação e as dificuldades em arranjar estacionamento são problemas que afectam os residentes “já há muito tempo”.
e a longo prazo – a uma instituição científica sobre o ensino superior de Macau, mas também tem que ver com o número dos alunos. Neste momento, temos um mecanismo em vigor que é eficaz para gerir os alunos que vêm da China”, acrescentou. Sou prevê que o número de alunos pré-universitários possa descer para metade do número
actual em 2020. “Segundo as nossas previsões, o número de alunos finalistas das escolas secundárias complementares é de cinco mil a seis mil por ano e vai descer até aos 3500 entre 2020 e 2021, mas depois vai aumentar e isto tem que ver com a taxa de natalidade”, disse o Coordenador.
obrigados a abandonar o território em 24 horas, sob pena do seu processo ser encaminhado para a DSI.
Falta de conhecimento
Esta acção conta ainda com o aval das universidades e do Governo, já que as instituições enviam às autoridades a lista de alunos inscritos que se formaram antes do seu visto caducar. De acordo com resposta do Executivo ao Ponto Final, a prática é comum e tem cobertura legal, já que, explicam, o visto caduca com a finalização do curso. No entanto, o mesmo jornal aponta para o total desconhecimento dos alunos sobre esta norma, não sendo estes notificados com antecedência.Alguns dos alunos ficaram mesmo impedidos de
voltar a entrar na RAEM durante um período que pode ir até cinco anos. Até agora, Sou Chio Fai destaca que o GAES não recebeu qualquer reclamação. “Da parte dos alunos não locais, não recebemos qualquer tipo de queixa”, esclareceu ontem à margem de uma conferência do Instituto de Formação Turística. Questionado sobre a legalidade de todo o processo, Sou Chio Fai preferiu não comentar. Pelo menos para já. É que, segundo disse, falta esclarecer toda a situação junto das entidades competentes. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
6
Sociedade
hoje macau terça-feira 13.10.2015
Turismo Chui Sai On quer junção à cultura
A importância de ser Macau Turismo e cultura combinados para um maior crescimento do sector e mais recursos humanos. É o que defende o Governo, no dia em que abriu o Fórum de Economia Global
O
Chefe do Executivo, Chui Sai On, defendeu ontem que é preciso “combinar turismo e cultura” para fomentar o crescimento do sector e “desenvolver os recursos humanos”. O líder do Executivo falava na abertura do 4.º Fórum de Economia de Turismo Global, uma cerimónia que terminou com a assinatura de acordos e de um memorando de entendimento com a Organização Mundial de Turismo para o estabelecimento de um Centro Global para Educação e Formação em Turismo em Macau.
“Temos de combinar turismo e cultura para que isso possa trazer maior crescimento ao sector. O turismo hoje dá-nos muitos desafios e oportunidades e temos de agarrar estas oportunidades, no sentido de desenvolver mais os recursos humanos”, afirmou Chui Sai On. Segundo a informação divulgada à imprensa, “este novo projecto permitirá aprofundar a cooperação entre as partes, providenciar programas de educação e formação, realizar estudos em turismo, bem como oportunidades de estágios para melhorar a qualidade dos recursos humanos de Macau, elevando assim a sua competitividade internacional enquanto destino turístico”. Na cerimónia de abertura, Chui Sai On sublinhou que “os cidadãos de Macau podem usufruir dos frutos do desenvolvimento que o turismo traz à cidade”, observando que a região “tem a vantagem de [ser governada sob o princípio] ‘Um país, dois sistemas’ e de ter registado um desenvolvimento económico muito rápido”.
Olhar para o futuro
“Tudo isto são boas características para podermos construir um centro de turismo internacional e também uma plataforma de par-
“O turismo hoje dános muitos desafios e oportunidades e temos de agarrar estas oportunidades, no sentido de desenvolver mais os recursos humanos” Chui Sai On Chefe do Executivo
cerias económicas entre a China e os países de língua portuguesa”, acrescentou, invocando que já “há bastante cooperação” regional e internacional. Para Chui Sai On, o facto de este fórum ser organizado pela quarta vez em Macau vai permitir “mostrar as
IFT na linha da frente com dois grupos de investigação
Um caminho “óptimo” à vista que incluem a realização de programa educativos e de formação, projectos de investigação turística e criação de programas de estágio”, esclarece o IFT.
Mundo hoje
O
Instituto de Formação Turística (IFT) está a ganhar cada vez mais terreno no mundo da investigação a nível mundial, com a assinatura de um memorando para a criação do Centro Global para a Educação e Formação Turística e o anúncio da criação da Comissão da Aliança Global para a Pesquisa em Turismo (GReAT Alliance, na sigla inglesa). O Executivo assinou ontem um memorando de entendimento com a Organização Mundial de Turismo da ONU para a criação do referido Centro, no qual o IFT deverá desempenhar o papel principal, segundo a presidente do Instituto, Fanny Vong. “Para já, o IFT é o único que está a colaborar”, informou Vong. “Assim que o Centro foi criado, ambas as partes vão trabalhar conjuntamente para implementar projectos
marítima da seda até às nações emergentes da América Latina. “‘Uma faixa, uma rota’ é uma ideia e uma proposta e nós gostaríamos de ver algumas parcerias com os países a nível mundial. Não simplesmente aqueles que estão directamente ligados à rota da seda antiga”, afirmou.
Aresponsável explica ainda que a GReATAlliance – da responsabilidade do IFT – se vai focar precisamente nisso: em debater os principais problemas da actualidade no mundo do turismo através da criação de uma rede de universidades mundial. Coincidência ou não, a verdade é que GReAT quer dizer “óptimo” em inglês, resultado que Fanny Vong diz esperar do trabalho daqui para a frente desenvolvido. “Já temos o nosso próprio centro de investigação, mas sentimos que não é suficiente para fazer face a vários problemas no sector do Turismo, pelo que precisamos de olhar a nível global, convidando vários outros centros de investigação universitários para criar esta aliança”, esclareceu a líder. Em causa está a discussão de assuntos como Turismo e Paz Mundial, Turismo e Afiliação à pobreza. A assinatura do primeiro memorando teve lugar durante a manhã de ontem, no Fórum Global de Turismo e o anúncio da criação da GReAT foi feita à tarde, durante a cerimónia de inauguração oficial do seu novo campus, na antiga Universidade de Macau. Leonor Sá Machado
leonor.machado@hojemacau.com.mo
vantagens de Macau a promover a cultura diversificada e as trocas internacionais”. Já Edmundo Ho, antigo chefe do Executivo de Macau e presidente do fórum, sublinhou que o espectro da cooperação foi estendido desde os países que integram a antiga rota
Edmundo Ho referiu-se em particular aos países parceiros desta edição do fórum – os quatro membros da Aliança do Pacífico: Chile, Colômbia, México e Peru, nações com que a China tem vindo a “aumentar as trocas”. “Esperamos que, ao utilizarmos esta plataforma que é o fórum, possamos ser capazes de promover o turismo entre a China e os países da América Latina e de construir novos interesses para um crescimento ulterior neste sector”, defendeu, apontando o turismo como “o pilar estratégico na economia” chinesa. LUSA/HM
Cooperação regional importa, diz Secretário da OMT
O
Secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT) disse ontem que “a Ásia é o motor do mundo” e sublinhou a importância do turismo cultural e da cooperação para dinamizar o sector de Macau. “Somos um parceiro comprometido com este fórum. E queremos continuar. É muito importante estarmos aqui convosco por três razões. A primeira é que aqui é a Ásia, é o nosso futuro, o futuro do mundo. De facto, a Ásia é o motor do mundo, daquilo que acontece na direcção certa”, disse Taleb Rifai na abertura do 4.º Fórum de Economia de Turismo Global, que decorre até quartafeira, em Macau. “E depois também porque é a China: o futuro da China é o nosso futuro (…) E em terceiro lugar porque é Macau. De facto, Macau é uma história de sucesso dos séculos XX e XXI”, acrescentou. O 4.º Fórum de Economia de Turismo Global tem como tema “Agarrar as oportunidades de ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, tema
que o responsável diz ser muito importante: falta, de facto, ‘Uma faixa, uma rota’ divulgando as novas dinâmicas do turismo global. “O primeiro aspecto é o elemento do turismo cultural e o outro é a cooperação regional. Sem a cooperação regional, [a iniciativa] ‘Uma faixa, uma rota’ não tem grande sentido”, disse. Taleb Rifai recordou que Macau celebra este ano o décimo aniversário desde a inscrição do centro histórico da cidade como património mundial pela Unesco, salientando que essa distinção “traz oportunidades”, mas também implica “uma maior responsabilidade para encontrar o equilíbrio entre o aumento da procura turística e a preservação” desses locais. Além de observar a importância de reforçar a conectividade entre as regiões e países da Ásia-Pacífico, Taleb Rifai apelou à facilitação dos vistos para estimular o crescimento económico e a criação de empregos através do turismo. LUSA/HM
sociedade 7
hoje macau terça-feira 13.10.2015
A
Associação de Confraternização de Reciclagem de Materiais Ecológicos de Macau considera que o futuro do sector é incerto e voltou a acusar o Governo de não adoptar medidas eficazes, mostrando-se contra a recente ideia do Governo em conceder empréstimos com juros baixos. À margem de um fórum organizado pela Associação, os responsáveis pediram a criação de um Fundo de Reciclagem “o mais depressa possível”, aponta o jornal Ou Mun. O evento serviu ainda para discutir as políticas de protecção ambiental e as dificuldades sentidas no sector. Citado pelo Ou Mun, Chan Man Lin, presidente da Associação, avançou que a Direcção dos Serviços para a Economia (DSE) reuniu com a Associação na semana passada, tendo proposto a introdução de um empréstimo com baixos juros para a aquisição das máquinas necessárias. No entanto, o presidente defende que a medida “não é útil”. “Não sabemos até quando conseguimos sobreviver, se fechamos as portas a seguir à compra das máquinas. Se isso acontecer, passamos a ter dívidas com o Governo?”, questionou. Chan Man Lin espera ainda que a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) acelere o estudo sobre a criação de um Fundo de Reciclagem no território, uma vez que o organismo disse precisar de cerca de um ano e meio para desenvolver esse projecto.
Reciclagem Governo apresenta medidas. Associação mostra-se contra
Fundo é o que eles querem
A promotora da greve no sector da reciclagem continua a acusar o Governo de nada fazer e defende que conceder empréstimos com juros baixos, algo apresentado recentemente pelo Governo, não é a solução ideal. Bom mesmo seria criar um Fundo de Reciclagem
falta de armazéns, as elevadas rendas das lojas e a diminuição do preço dos materiais de reciclagem. Depois de uma semana de greve ocorrida no início deste mês, a As-
Cabaz de problemas
No fórum, o presidente reiterou que o sector enfrenta problemas como a
Queixas de consumidores subiram 10% em seis meses
O Conselho dos Consumidores (CC) recebeu mais 10% de queixas na primeira metade do ano, em comparação com igual período do ano passado, sendo que no topo do ranking ficaram as queixas relacionadas com os equipamentos e serviços de telecomunicações. Segundo dados do CC, o organismo tratou mais de 3500 casos, incluindo 887 queixas, 2655 pedidos de informações e 14 sugestões. De entre as queixas, 137 dizem respeito aos equipamentos de telecomunicações, uma subida de 35,6% comparado com o mesmo período do ano passado. Já as críticas em relação ao preço diminuíram para mais de metade. Há ainda 79 queixas dentro que dizem apenas respeito ao tarifário do serviço de roaming. O CC considera que os operadores de telecomunicações devem disponibilizar mais medidas ou informações eficazes para assegurar que os consumidores usam os serviços de forma correcta.
sociação entende que caso volte a acontecer uma greve, a Companhia de Sistemas de Resíduos (CSR), concessionária, só poderá transportar os materiais para os aterros, aumen-
tando a pressão no sistema de recolha do lixo, defendeu Chan Man Lin. Leong Pou U, membro do Conselho Consultivo do Ambiente que também esteve presente no fórum,
O presidente [da Associação de Reciclagem] reiterou que o sector enfrenta problemas como a falta de armazéns, as elevadas rendas das lojas e a diminuição do preço dos materiais de reciclagem
Sete casos de venda de medicamentos sem receita
Os Serviços de Saúde (SS) emitiram ontem um comunicado onde dão conta que apenas sete farmácias venderam medicamentos sem receita médica desde 2013. Foi registado um caso nesse ano, mais três casos o ano passado e três casos nos primeiros três trimestres deste ano, estando já a decorrer os processos sancionatórios contra esses locais. Desde 2013, o Governo já terá efectuado um total de 2116 acções de inspecção às farmácias locais. A lei que regula a venda de medicamentos data de 1990, podendo as sanções variarem entre as duas mil e 12 mil patacas. No mesmo comunicado, os SS ponderam aumentar os valores das multas. “Em referência à experiência de gestão de assuntos farmacêuticos internacionais, na eventual revisão das vigentes legislações de monitorização de medicamento, pretende-se criar sanções mais pesadas para que esta tenha efeitos mais dissuasores”, pode ler-se.
Confiança na economia, emprego e bolsa de valores a cair
O índice de confiança dos consumidores feito pela Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa) a cada três meses revela que os consumidores confiam menos na economia, emprego e investimentos em bolsa de valores, uma quebra de 5% face ao último trimestre. Ainda assim a confiança em relação ao nível de preços e aquisição de habitação aumentou 10%. A MUST revela que o índice de confiança face à economia caiu 13,9%, ao emprego 12% e investimento 14,4%. O inquérito revela que os consumidores confiam mais no nível dos preços, graças a uma subida do índice em 10,5%, bem como na compra à habitação, de 17,4%. Os 28 inquéritos contínuos realizados pela MUST mostram que quanto mais elevado é o nível de educação do consumidor maior confiança expressa nos índices.
diz concordar com as dificuldades do sector, frisando que o actual Fundo para a Protecção Ambiental e de Conservação Energética não consegue abranger as empresas de reciclagem. Apesar disso, Leong Pou U acredita que o Governo tem condições para criar um plano especial para o sector. Flora Fong
flora.fong@hojemacau.com.mo
Transportes Autocarro da TCM incendeia-se
Um autocarro da TCM movido a gás natural incendiou-se, ontem de manhã. O veículo seguia sem passageiros a bordo e o motorista escapou ileso. O fogo deflagrou na parte traseira do autocarro e estará relacionada com um “problema eléctrico” e não com o sistema a gás. O incidente aconteceu perto da rotunda Ferreira do Amaral. Durante cerca de meia hora, a circulação esteve condicionada na zona.
8
eventos
IEEM Workshop de cidadania e identidade cultural
O Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) acolhe, entre os dias 5 e 7 de Novembro, um workshop sobre Cidadania e Identidade Cultural, a ter lugar na Livraria do IEEM. Nos dias 5 e 7, a iniciativa acontece das 18h30 às 21h30 e no dia 7, das 9h30 às 12h30, em língua inglesa. O workshop vai custar 1000 patacas com o professor Thomas Meyer, da Universidade alemã de Dortmund. O curso encontra-se dividido em três diferentes módulos, cada um dizendo respeito aos três dias de duração. Entre as matérias abordadas estão Cultura e Sociedade, Religião e Cultura, Níveis de Identidade Cultural, Culturas Abertas, Valores Sócio-Culturais, Conceito de Cidadania, Política da Cultura Democrática, Política Identitária, entre várias outras. O prazo para a entrega de inscrições termina a 28 deste mês e em caso de dúvidas, o IEEM pede que se contacte Beatrice Lam. Os alunos que estiverem presentes em 80% das aulas terão direito a um diploma.
UM Artistas apresentam concerto sobre cultura tradicional chinesa
Chama-se “Sinfonia de Amor – Uma digressão pela Cultura Chinesa” e é um espectáculo que junta artistas das regiões vizinhas, nomeadamente Mok Warren Wah-Yeun, famoso tenor do interior da China, a Orquestra Sinfónica Evergreen (Taiwan) e o Coro da Universidade de Macau. A ter lugar amanhã, o concerto pretende “divulgar a cultura tradicional chinesa, promover a cultura chinesa no mundo, fomentar os intercâmbios culturais entre os jovens de Macau e do interior da China e incentivar o desenvolvimento das actividades culturais de Macau”. O espectáculo está marcado para as 19h30, na Aula Magna da Universidade N2 da Universidade de Macau, e serão tocadas “as mais belas músicas chinesas numa alusão a uma viagem pela Cultura Chinesa ao longo dos últimos três milénios”, diz a organização.
Madonna Bilhetes para concerto à venda na sexta-feira
Os bilhetes para o concerto da cantora pop Madonna, a decorrer nos dias 20 e 21 de Fevereiro de 2016, no Studio City, começam a estar à venda já nesta sexta-feira, dia 16. O espaço para o concerto, inserido na “Rebel Heart Tour”, terá cinco mil lugares disponíveis e os preços variam entre as 2500 e dez mil dólares de Hong Kong.
hoje macau terça-
É já esta sexta-feira que o fadista português Pedro Moutinho actua na Fortaleza do Monte, no âmbito do Festival Internacional de Música. Há ainda tempo para assistir a dois concertos da Filarmónica da BBC, no CCM
FIIM Pedro Moutinho e Filarmónica da BBC actuam es
O Fado e as “Da
F
ado e orquestra. São estas as duas possibilidades para a sua sexta-feira, ainda que em separado. Em palcos diferentes e à mesma hora, dois grandes nomes da música prometem trazer ao público do Festival Internacional de Músicas de Macau (FIMM) bons momentos. O português Pedro Moutinho é o grande nome do cartaz para o começo de fim-de-semana, trazendo-nos um concerto de Fado em conjunto com o quarteto “Danças Ocultas”. Este grupo, composto por Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Silva e Francisco Silva, “propõe uma abordagem única e altamente original ao acordeão”. Por sua vez, Pedro Moutinho é uma das novas vozes do Fado, contanto já com três álbuns de estúdio e um Prémio Amália. O concerto de Pedro Moutinho tem lugar na Fortaleza do Monte às 20h00, sendo que a entrada é livre, ainda que com lugares limitados.
Outro palco
À mesma hora, mas no Centro Cultural de Macau (CCM),
À venda na Livraria Portuguesa A Primeira Invasão de Portugal 1807-1808 • David Buttery A 1.ª invasão francesa de Portugal, em 1807 - liderada pelo general Junot, um dos mais experientes generais de Napoleão -, foi um acontecimento decisivo na longa e brutal guerra peninsular. Foi a 1.ª campanha que Sir Arthur Wellesley, mais tarde duque de Wellington, liderou na Península. David Buttery estudou esta campanha e oferece-nos uma nova perspectiva. A sua narrativa cobre a totalidade da campanha com vívidos pormenores - o surgimento da resistência popular às forças ocupantes francesas, o despoletar da guerra de guerrilha, as diferentes tácticas dos exércitos opostos, as personalidades contrastantes de Wellesley e Junot, as vitórias aliadas em Roliça e Vimieiro e a infame convenção de Sintra.
terá lugar o concerto Sinfonia N.º 9 “A Grandiosa” de Shubert pela Filarmónica da BBC, do Reino Unido. Considerada uma das melhores
do seu país, a orquestra da BBC tem realizado concertos pelo mundo, estando desta vez presente na RAEM com o maestro Juanjo Mena e o
violoncelista Laslo Fenyo. No dia seguinte, o mesmo grupo apresenta “Variações Enigma”. Ambos os concertos acontecem às 20h00 e os
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
Histórias Secretas de Reis Portugueses • Alexandre Borges, Hugo Rosa Conheça as histórias que a História não inscreveu nos manuais de liceu! Tudo o que de mais curioso ainda há para contar sobre os reis e rainhas portugueses. Além da intimidade, da vida familiar e das desventuras românticas dos soberanos portugueses, mergulhe também nas zonas obscuras da política e seus bastidores.
eventos 9
-feira 13.10.2015
ste fim-de-semana
anças Ocultas”
hoje na chávena Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Perpétua-roxa Nome botânico: Gomphrena globosa L. Família: Amaranthaceae. Nomes populares: PERPÉTUA; PERPÉTUAS; PERPÉTUAS-ROXAS; QIAN RI HONG (em chinês); SAUDADES-PERPÉTUAS.
bilhetes custam entre 150 a 500 patacas. Quinta-feira, dia 15, tem lugar, no CCM, o concerto comemorativo de Xian Xinghai e Liu Tianhua, para celebrar o 70º aniversário da vitória na guerra da resistência contra a agressão japonesa. O concerto, que decorre por volta das 20h00, terá como maestros Wang Aikang, Ho Man-Chuen, Huang Kuang-Yu e Pang Ka Pang. Para o CCM, esta é “uma oportunidade verdadeiramente valiosa para promover o intercâmbio musical entre estas quatro regiões, que partilham uma cultura homogénea e os mesmos antepassados, demonstrando assim a sua afeição pela nação chinesa”. Xian Xinghai nasceu em 1905 e “compôs numerosas obras musicais arrebatadoras ao longo da sua carreira”. “Uma das suas mais conhecidas obras, “A Cantata do Rio Amarelo” constitui um hino de louvor dedicado ao espírito determinado do povo chinês durante a Guerra de Resistência contra a agressão japonesa”, remata o CCM. Os bilhetes custam entre as cem e as 200 patacas. A.S.S.
Não se consegue ficar indiferente perante um campo cultivado de Perpétuas-roxas. O roxo das suas flores contrastando com o verde-claro das suas folhas, proporciona-nos uma paisagem de grande beleza. Esta herbácea, que pode atingir cerca de meio metro de altura, é originária da Índia e China, estando aclimatada no Brasil. Porém, é sobejamente conhecida como planta ornamental, encontrando-se frequentemente em jardins. Embora a cor original da sua flor seja o arroxeado, como alude o seu nome, é actualmente cultivada em diferentes cores: vermelhas, rosas e brancas. Apresenta um caule forte e arroxeado e raízes espessas e lenhosas, embora curtas; as folhas, oval-lanceoladas, são ásperas e encontram-se revestidas de pêlos e, as flores, dispostas em capítulos solitários e globosos, são muito vistosas. Como as suas flores não murcham, a planta adquiriu o nome de Perpétua. E, como não murcham, tornaram-se ideais para adornar os túmulos, simbolizando, por isso, a tristeza e saudade. Mas não só, as Perpétuas são também usadas para fazer colares e grinaldas usados em festas populares. Como planta medicinal, a Perpétua-roxa é tradicionalmente usada em todo o mundo. Na medicina tradicional chinesa é usada para aliviar a tosse e a falta de ar e melhorar a visão. Em fitoterapia são usadas as flores, geralmente secas. Composição Rica em fitoquímicos, a Perpétua-roxa contém vitaminas (A, complexo B, E), minerais (cálcio, ferro, germânio, manganês, potássio, selénio, zinco), vários aminoácidos essenciais, saponósidos e pigmentos antioxidantes. Acção terapêutica Com propriedades expectorantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, a
Perpétua-roxa é uma planta altamente considerada por cantores e actores, a quem torna a voz mais límpida e clara. Afecções das cordas vocais que se manifestam com rouquidão ou afonia são as suas indicações de eleição, sendo ainda muito utilizada na tosse e catarro do fumador, constipação, amigdalite, faringite, laringite e bronquite. Estas flores podem igualmente ser usadas em caso de stress e cansaço, acalmando o sistema nervoso e relaxando os músculos tensos, combatendo as preocupações da mente, a fadiga e a agressividade e favorecendo o sono; estimula ainda a memória, aumentando a concentração e a lucidez. Outras propriedades Esta erva é hipotensora e reduz os níveis de colesterol, sendo também usada na diabetes. Tem propriedades analgésicas, aliviando a dor na artrite, cólicas, inclusive nas dos bebés, e enxaquecas. Como diurética é usada na oligúria (diminuição da excreção da urina). Favorece igualmente a digestão. Antioxidante, a Perpétua-roxa combate o envelhecimento da pele, tonificando-a. As suas pétalas humedecidas e aplicadas por baixo dos olhos dão brilho à pele e combatem as “bolsas” das pálpebras. Como tomar • Uso interno Infusão das flores: 1 colher de sobremesa (3 ou 4 flores) por chávena de água fervente, 10 minutos de infusão. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia, sendo a última ao deitar. Nas afecções das vias respiratórias, adoçar com mel e tomar bem quente. • Uso externo Infusão das flores: a mesma que se toma internamente, adoçada com mel. Fazer gargarejos, 3 ou 4 vezes por dia. O uso externo reforça o uso interno. Precauções Não encontradas na literatura consultada. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.
10 publicidade
hoje macau terรงa-feira 13.10.2015
china
hoje macau terça-feira 13.10.2015
11
Pequim diz não ser bom momento para EUA subirem taxas de juro
Vulnerabilidade e bom senso O Volkswagen vai chamar à revisão quase 2.000 carros
A
Volkswagen anunciou ontem a recolha de quase 2.000 veículos na China – o maior mercado de automóveis do mundo e onde é a marca estrangeira de topo – no âmbito do escândalo da manipulação dos motores diesel. O grupo Volkswagen entregou 3,67 milhões de veículos na China no ano passado, mas a recolha afecta apenas os a diesel importados para o país: 1.946 Tiguan compact SUV e quatro Passat B6, segundo um comunicado da empresa citado pela agência AFP. O fabricante automóvel alemão foi acusado, em meados de Setembro, de falsear o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes
através de um ‘software’ incorporado no veículo. A Volkswagen reconheceu ter falseado os dados e anunciou que 11 milhões de veículos do grupo em todo o mundo têm equipamento que permite alterar o desempenho dos motores em termos de emissões para a atmosfera, um escândalo que levou à demissão do presidente executivo do grupo, Martin Winterkorn, substituído por Matthias Mueller. O fabricante alemão reiterou ontem as informações constantes de comunicados anteriores emitidos pelas suas principais ‘joint-venture’ na China de que nenhum dos veículos que produziram localmente foram afectados.
Trocas comerciais com PLP caíram 24,6% até Agosto
A
s trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa caíram 24,6% até Agosto, fixando-se em 67,83 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais ontem divulgados. Dados dos Serviços de Alfândega da China, publicados no portal do Fórum Macau, indicam que, nos primeiros oito meses do ano, a China comprou aos países de língua portuguesa bens avaliados em 41,9 mil milhões de dólares – menos 31,2% – e vendeu produtos no valor de 25,8 mil milhões de dólares, menos 10,9%. O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com o volume das trocas co-
merciais bilaterais a cifrar-se em 48,9 mil milhões de dólares até Agosto, menos 18,8% face ao período homólogo do ano passado. As exportações da China para o Brasil atingiram 19,8 mil milhões de dólares, traduzindo uma quebra de 12,5%, enquanto as importações chinesas totalizaram 29,08 mil milhões de dólares, reflectindo uma descida de 22,7% em termos anuais homólogos. Já com Portugal, terceiro parceiro da China a seguir a Angola no universo de países de língua portuguesa, o comércio bilateral ascendeu a 3,01 mil milhões de dólares – menos 7,1% –, numa balança comercial favorável a Pequim que vendeu a Lisboa bens na ordem de 1,96 mil milhões de dólares – menos 5,8% – e comprou produtos avaliados em 1,03 mil milhões de dólares, menos 9,5% em termos anuais homólogos.
ministro das Finanças da China defendeu não ser um bom momento para os Estados Unidos aumentarem as taxas de juro, já que deveriam ajudar a economia mundial a fortalecer-se, numa entrevista publicada ontem pelo China Business News. Lou Jiwei, cujas declarações foram também reproduzidas pelo Diário do Povo, no âmbito da assembleia anual conjunta entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM), realizada em Lima, deu a entender que Pequim não vê com bons olhos o impacto que tal medida teria também na China. “A economia norte-americana tem beneficiado da posição [do dólar] no sistema monetário mundial, e tem-se recuperado relativamente mais rápido”, afirmou Lou Jiwei, advogando que “os Estados Unidos deveriam mostrar mais responsabilidade global e ainda não estão em condições para uma subida das taxas de juro”. O vice-presidente da Reserva Federal (Fed), Stanley Fischer, afirmou, este domingo, que o banco central pub
norte-americano prevê uma primeira subida das taxas de juro antes do fim do ano, mas afirmou que essa “previsão” não é “uma promessa”. Nos últimos meses, a Fed tem dado sinais de que pode subir as taxas de juro antes do final do ano, se a economia norte-americana continuar a dar sinais de robustez. As taxas de juro estão próximas de zero desde a crise financeira de 2008.
já que a sua lenta recuperação da crise não está a criar procura suficiente para o resto do mundo. Nesse sentido, e tendo em conta que foram efectuados ajustes ao seu modelo económico, a China poderá, segundo o seu ministro das Finanças, continuar a contribuir para a economia mundial. Lou Jiwei sublinhou, porém, que não será realista esperar que o gigante asiático mantenha o ritmo de crescimento que chegou a registar no passado. O ministro recordou que Pequim tenta transformar a segunda economia mundial, e passar de altamente dependente do investimento estatal a estar mais assente no consumo interno, tendo sido tomadas acções em linha com essa política.
Perigos emergentes
Outro papel
Para o ministro das Finanças chinês, os países desenvolvidos deveriam ter um papel mais activo, liderando o crescimento económico e apoiando as economias em desenvolvimento a levar a cabo os ajustamentos estruturais necessários para crescer,
Segundo analistas, uma subida das taxas de juro nos Estados Unidos, numa altura em que a China cortou as suas, tomou outras medidas de flexibilização monetária e tem a economia em abrandamento, poderia prejudicar o mercado mundial, em particular as economias emergentes mais vulneráveis.
Na China teme-se também que poderia originar saídas de capital e ainda a possibilidade de outros países desvalorizarem a sua moeda para se tornarem mais competitivos. Em declarações ao jornal South China Morning Post, o professor Cao Yuanzheng, da Escola de Economia da Universidade Popular de Pequim (Renmin), considerou que, na realidade, o impacto de uma subida das taxas de juro na economia chinesa é “imprevisível”. “É importante estabilizar as expectativas diante da economia mundial, e já que [a subida das taxas de juro] criaria incerteza, [os Estados Unidos] devem actuar com cautela”, afirmou. Por seu lado, o economista-chefe do Banco de Comunicações da China, Lian Ping, acredita que o impacto da medida está relativamente sob controlo. Isto apesar de ressalvar que, “a longo prazo, não é bom para os Estados Unidos que as economias emergentes continuem débeis”, atendendo a que, “sem um crescimento são dessas nações, a recuperação da economia norte-americana não durará”.
h
hoje macau terça-feira 13.10.2015
artes, letras e ideias
12
luz de inverno
Boi Luxo
A propósito de alguns filmes africanos (I)
O
meu conhecimento do cinema africano é muito escasso. São duas as razões por trás desta falha: o difícil acesso e a pouca informação que existe sobre ele. Confesso que a elas se junta um interesse médio. Tirando Yeelen, de Souleymane Cissé (Mali, 1987) e Yaaba/ Avó, de Idrissa Ouedraogo (Burkina Faso, 1989), que passaram no circuito comercial ou em sessões de cinemateca em Portugal (ou terá sido na televisão?), pouco mais cinema africano (com a excepção de filmes egípcios) me lembro de ter visto durante os meus anos de formação. Assim, as considerações que aqui se tecem devem ser recebidas mais como produto de uma súbita curiosidade do que como produto de um conhecimento aturado. Yaaba é a história da exclusão social de uma velha, Sana, que se torna amiga de um rapaz. É sobre superstição mas contém também apelos à tolerância e à compreensão. O rapaz, Bila, tem um pensamento excêntrico ao que é normal na aldeia – ele é quem tem razão nas questões que excitam o lugarejo e este torna-se um filme amigo, banhado de uma benevolência universal. Yeelen é um filme do Mali que ganhou fama internacional nos anos 80. Também é uma aventura rural e também se debruça, como Yaaba, sobre feitiçaria. Estes dois filmes ajudaram a fixar uma ideia rural (e étnica gira) sobre o cinema africano - pouco conhecido internacionalmente até à altura - que se tem mantido. Já aqui se falou longamente sobre o papel que os festivais de cinema têm tido
na divulgação de cinematografias menos conhecidas a propósito da indiana e da japonesa. O mesmo se aplica às do Senegal, Burkina Faso e Mali. La Noire de... (1966), de Ousmane Sembene, foi provavelmente o primeiro filme da África sub-saariana a alcançar alguma fama internacional e será um dos primeiros filmes feitos por um africano (ou o primeiro). É o primeiro filme de Sembene. A administração colonial francesa manteve até tarde uma interdição de fazer filmes a quem não fosse francês e só nos anos 60 se pode falar verdadeiramente de um cinema africano feito por africanos dos países de expressão francesa (por oposição a um cinema sobre África feito por autores ocidentais que mereceu muitas vezes a censura africana). La Noire de... conta as desventuras de uma rapariga senegalesa enquanto empregada doméstica num país que imaginara belo e acolhedor, a França, mas que acaba por não conhecer por se ver mantida num estado de quase aprisionamento e total objectificação. O filme conta-nos a sua revolta, mostra-nos a sua frustração e interroga-se sobre a identidade de Diouana enquanto servidora. É um filme seco e agreste, engolidor, filmado num preto e branco frio e rugoso e que deixa o espectador num estado de entorpecimento. Não existe aqui qualquer hesitação de primeira obra, esta é uma pequena (55 minutos) obra prima. Não será o último filme de Sembene a dar uma importância central ao destino das mulheres - a par das inevitáveis refe-
rências à venalidade, ao colonialismo e ao neo-colonialismo (o Senegal tornara-se independente em 1960). Em Mandabi (1968) Ousmane tece uma história de humor subtil em que a burocracia e a corrupção se exibem com uma calma morna. Ibrahima recebe um dinheiro de França, de um sobrinho, e antes de o poder levantar é assediado por um grupo crescente de ávidos interesseiros. Arranjar a documentação necessária para poder levantar o dinheiro do sobrinho é a grande tarefa do simples e bondoso Ibrahima. Nesta pequena viagem encontramos a venalidade, a preguiça, o engano, a mendicidade e um sol inclemente. A cada esquina espreita um pequeno ardil para ludibriar o incauto analfabeto. Nem sempre esta técnica - a de estender a crítica a um país através de uma história pessoal quase banal - se alcança com a facilidade com que Ousmane Sembene no-la serve. Xala (1974), outro filme do mesmo autor senegalense, também conhecido como escritor, conta a história de um casamento de um membro proeminente da Câmara de Comércio senegalesa com a terceira mulher. O tom é o tom seguro de quem sabe perfeitamente o que está a fazer. O humor resultante da sua falha sexual para com a terceira mulher acompanha a crítica da europeização da classe dirigente africana. Um dos presentes na festa de casamento, um negro senegalês, afirma que já não passa férias em Espanha porque há muitos negros. O modo como as mulheres escolhem vestir-se, tradicionalmente
ou à europeia, indica, como no cinema japonês e indiano foi marca muito útil, gostos pessoais que mostram a tensão entre o modelo europeu e o modelo local e entre o desejo de afirmação nacional (ou continental) pós-colonialista e a incontornável sedução da europeização. Hadji, o noivo, recusa-se (como recusara outras pequenas sugestões de amigos) a vestir um kaftan e a praticar um ritual tradicional propiciatório de um bom desempenho sexual. As mulheres não deixam de o culpar por não ter aceite praticá-lo. “Vocês têm todos a mania que são europeus” – diz uma delas. Na altura da consumação do terceiro casamento Hadji falha e não há como negar o problema: Hadji tem a xala – é necessário consultar um marabout. Paralelamente à história de Hadji, uma em que as mulheres, muito menos submissas do que de início se poderia pensar, têm uma importância nuclear, mostra-se a corrupção e a prepotência da classe dirigente que - num caso particular, quase cómico - lava o seu Mercedes com Evian. A impotência de Hadji é a impotência do Senegal do pós-colonialismo em constituir-se como uma nação de progresso e transparência 14 anos depois da independência. Como continuaremos a ver na próxima semana, ao falar de Djibril Diop Mambéty, estes são filmes urbanos e sofisticados, longe da impressão rural e paisagística séria que se criou posteriormente a propósito do cinema africano. (continua)
artes, letras e ideias 13
hoje macau terça-feira 13.10.2015
Amélia Vieira
Barca Bela
O
Romantismo não foi entre nós o mais expressivo momento mas, sem dúvida, deixou alguns brilhantes testemunhos, tanto assim que sem ele teríamos perdido muita memória genética da tradição literária portuguesa. O confessionalismo não faz dele um instante “piegas” como muitos acharam, nem o reviver dos gostos medievais um obscurantismo enevoado. Ele foi bastante colorido, pleno de acção, intrépido e revolucionário. Vem da educação arcádica cuja linguagem escrita teve o mérito de se aproximar sempre da linguagem falada do seu tempo. Depois, o conto, as novelas, o romance histórico, conferem-lhe graça e o desligar dos enfadonhos tratados. Falar desta corrente é, como bem se entende logo à partida, falar de Almeida Garrett, que o tempo do início do Outono faz de forma natural assemelhar-se logo às «Viagens na Minha Terra», num deslizar suave por entre os vales… O romantismo sem ultra, o maduro, o das alucinações visuais, das cores e dos sons, mas é nas «Folhas Caídas», agora de Outubro, que a representação do lirismo português abre portas ao entendimento: há tanto nos interstícios das palavras!
– Pescador da Barca Bela onde vais pescar com ela que é tão bela ó pescador? – Quanto pesa uma alma? Vinte e um gramas, dizem, vinte e um séculos para vinte e um gramas romando numa Barca bela! Ela. Mas quem é afinal este “ela” que surge e fala com o poeta? A alma. O poeta dirige-se assim à sua alma na sua Barca, a Barca que tem a vela, a vela que tem a chama, o corpo que tem a alma. A Barca é também um transporte mortuário e relembro «A Barca da Morte» de D.H.Lawrence no poema de dez cânticos e que começa assim: «Agora é Outono, o cair dos frutos e a longa viagem para o esquecimento. É tempo de ir, do adeus ao próprio eu, de encontrar uma saída do eu caído. Já construíste a tua Barca da morte, a tua?». Coisas que o tempo cala porque os tempos apostaram na morte da alma. Mas ela não se cala! E eis que Garrett, agora, na sua Barca, vem lembrar a grande maravilha com o mais requintado tratamento da linguagem falando com a sua própria alma: – «Não vês que a última estrela no céu nublado se Vela? Colhe a Vela, ó pescador!» Esta subtil passagem de velas que não são sinónimas mas que são a mesma es-
sência….. este Velar, esta alma que faz andar a Barca e o nublado da estrela... pois que: «não se enrede a rede nela, que perdido é remo e Vela só de vê-la Ó pescador!» Há que fugir então do canto da sereia, essa ilusão que pode levá-la para o local escuro da sua essência ou fazê-la desaparecer, há que velar, velejando, a alma que vela, a vela que veleja... a anima encontra-se toda aqui! Só animados somos um propósito de viagem, mas animados com aquilo que a própria expressão à alma conduz. Ela é aquela energia que não deve andar “enredada”, que se deve acautelar face à sua natureza etérea, das ilusões do mundo, pois que essa mesma alma pode bem perder-se no assombro da viagem, afundar-se, e não mais animar o viadante. E, tal como Ulisses amarrado às cordas, aqui também surge a advertência: «Inda é tempo, foge dela, foge dela, ó Pescador». Esta alma do poeta é uma amiga simples, ainda não é o espírito, é uma força que surge como conselheira. Esta é uma luta de um pescador com a sua deidade e não a «Rima do Velho Marinheiro», de Colleridge, que por sinal é a obra que muitos acham ser inaugural do Romantismo.
As Barcas, essas, levam os navegantes com a alma deles dentro e sempre ao longo da viagem lhes será mostrada a estrela d’Alva na forma de anjo interno como um espelho… Esta é a vela de ti, a chama que terás que entregar. Escuta o seu conselho e caminha sobre as águas. Talvez tivesse falado com a minha naquele dia… em que … «Vês que vejo a vela verde, vês que sou o tempo e a teia, e que importa se és e não sou uma estátua de areia?!»
Esta é a vela de ti, a chama que terás que entregar. Escuta o seu conselho e caminha sobre as águas. A alma pode cair aos pedaços, ser pressionada a pesos que a atormentam, mas só ela existe para saber ver a bela frase de Rilke «Todo o Anjo é terrível». Ela põe-nos também à prova no limite de todas as coisas. Ela está em guarda. Todos os que foram encontrados depois do Naufrágio estavam numa Barca. Tudo mais tinha perecido.
14
( F ) utilidades
tempo
muito
?
nublado
min
20
max
27
hoje macau terça-feira 13.10.2015
hum
55-80%
•
euro
9.08
baht
0.22
Cineteatro
O que fazer esta semana Amanhã Exposição “Scape”, de Rui Rasquinho (até 31 Dezembro) Signum Living Store, 18h00 Entrada livre
yuan
1.26
Cinema
The walk The intern [b]
Sala 1
The Martian [b]
Filme de: Ridley Scott Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen,Wiig, Kate Mara 14.15, 16.45, 21.45
The Martian 3D [b]
Filme de: Ridley Scott Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen,Wiig, Kate Mara 19.15
Quinta-feira
Palestra “Ciência e Justiça: o caso da Antropologia Forense” Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre
Sala 2
The Walk [B]
Filme de: Robert Zemeckis Com: Joseph Gordan Levitt, Ben Kingsley, Charlotte le Bon 14.30, 16.45, 21.30
Filme de: Nancy Meyers Com: Anne Hathaway Robert De Niro 19.15 Sala 3
Saving Mr. Wu 2 [C]
Falado em Mandarin Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Ruofu, Wang Qianyuan 14.30, 16.30, 21.30
Hotel Transylvania 2 [A]
Falado em cantonês Filme de:Genndy Tartakovsky 19.30
Sexta Semana cultural da China e dos PLP (até 21/10) Secret Island Party Hong Kong Todo o dia, bilhetes a 850 HKD (três dias)
Sábado Filme “Buena Vista Social Club” Largo de Camões, Taipa, 19h30 Entrada livre
Aconteceu Hoje
Domingo
Morre o criador de Popeye
Exposição “Treeplets” - MAP Babel (até 1/11) Universidade de Macau, 17h00 Entrada livre Filme “The Human Scale” - MAP Babel Universidade de Macau, 20h00 Entrada livre
Diariamente Exposição “Aguadas da Cidade Proibida”, de Charles Chauderlot (até 07/2016) Museu de Arte de Macau Entrada a cinco patacas Exposição “Suspensão”, de Hoi Chong (até 31 outubro) Creative Macau Entrad livre Exposição “A Arte da Ilustração em Macau e Portugal” Fundação Rui Cunha Entrada livre World Press Photo Casa Garden Entrada livre Exposição “Tesouros da Ponta do Pincel” (até 17/10) Universidade de Macau Entrada livre Exposição “Tensão de Talento” (até 15/11) Museu de Arte de Macau Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
13 de outubro
U m a s é r i e hoj e “Aquarius” (John McNamara, 2015) Em 1967, Sam Hodiak (David Duchovny) depara-se com uma investigação que o leva directamente a Charles Manson (Gethin Anthony). O sargento de Los Angeles procura por uma jovem desaparecida e descobre que ela é, agora, parte da “família” de Manson, assassino e líder do grupo hippie que o considera um Jesus Cristo reencarnado. A aventura de Sam Hodiak está só a começar, numa série que traça um perfil mais ou menos verdadeiro face à vida de Charles Manson, ainda hoje vivo e a cumprir prisão perpétua na Califórnia. Uma série espectacular e com muito bons actores nos papéis principais. Joana Freitas
fonte da inveja
• A 13 de Outubro de 1938 morre Elzie Segar, criador da personagem “Popeye, the sailorman”, com apenas 43 anos. Segar, em 1929, desenhou Popey num dos seus cartoons. Nascido em Illinois, Elzie Segar era um cartoonista que também tocava bateria e providenciava acompanhamento musical para filmes. Tornou-se cartoonista aos 18 anos, depois de fazer um curso de Cartoonismo por correspondência da W. L. Evans of Cleveland, no Ohio. Mudou-se para Chicago, onde conheceu o editor do jornal Chicago Herald, e em 1916 publicou o seu primeiro cartoon. Depois, para Nova Iorque, onde criou Olívia Palito e Ham Gravy. Popeye só chegou porque era preciso um marinheiro para navegar um barco na história de Segar. Mas o personagem era tão bom que se tornou o principal da história. A palavra “hot-dog” surgiu nos seus cartoons e “Popeye” ajudou a vender tanto espinafre nos EUA que os produtores lhe dedicaram uma estátua de 1,80m. Neste dia, em 1925, nasce Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica. Em 1975 foi eleita líder do Partido Conservador, sendo a primeira mulher a liderar um dos principais partidos do Reino Unido, e em 1979 tornou-se a primeira mulher a ser primeira-ministra do Reino Unido. Ao liderar o governo, Thatcher estava determinada a reverter o que via como o declínio nacional de seu país e as suas políticas económicas centraram-se na desregulamentação do sector financeiro, na flexibilização do mercado de trabalho e na privatização das empresas estatais. A sua popularidade esteve baixa devido à recessão económica iniciada com a crise do petróleo de 1979, no entanto, uma rápida recuperação económica, além da vitória britânica na Guerra das Malvinas, fizeram ressurgir o apoio necessário para sua reeleição em 1983. Thatcher foi reeleita para um terceiro mandato em 1987, mas sua impopular visão crítica à criação da União Europeia fez-lhe perder apoio do seu partido, renunciando aos cargos de primeira-ministra e líder do partido em 1990.
João Corvo
Pouco se aprendeu com o resultado de pedir o impossível.
opinião
hoje macau terça-feira 13.10.2015
Tânia dos Santos
sexanálise
Quentin Tarantino, Death Proof
taniarsdossantos@gmail.com
15
Amor e Dedinhos de Pés
O
romance de Senna Fernandes muito pouco tem que ver com o tópico que tenciono desenvolver. O título, curiosamente, tem bastante. Em continuação do artigo anterior sobre parafilias e a sua potencial normalidade, gostaria de desenvolver um pouco mais a ideia de fetiches. Fetiches, que se incluem na categoria de comportamento sexual desviante, definem-se por uma especial atracção sexual por objectos inanimados, ou partes do corpo. A sua epidemologia é desconhecida, mas a melhor explicação talvez seja baseada no cãozinho de Pavlov: condicionamento clássico. Ou seja, uma excitação sexual que tenha ocorrido mais do que uma vez em concomitância com outro objecto ou situação, passadas suficientes experiências começa-se a atribuir a reacção fisiológica ao objecto que outrora nada tinha que ver com sexo ou a sexualidade do indivíduo. Fetiches, existem muitos, de todos os tipos, sobre todas as coisas. As evidências, contudo, mostram que o fetiche de pés é o mais comum. Por isso a minha mente mal-informada achava que Amor e Dedinhos de pés fossem sobre isso mesmo. Estava enganada.
Há algo de lírico, talvez, se pensarmos que o fascínio pelos pés também é o fascínio pela combinação de ossos e carne que nos liga à Terra, ou que nos mantém ligados a ela
O que é que este fetiche de pés implica: normalmente são mais expressados por homens (pouco registo de mulheres) que veneram e se excitam sexualmente pelo simples vislumbre de um pé, ou dos dois. A interacção sexual pode não passar por mais do que isso mesmo, a de uma mulher com uns pés bonitos e um homem que só está interessado neles. Por isso não há sexo, penetração vaginal, necessariamente. Uma sessão de pés, para os profissionais e mais experienciados, pode ser um fim em si só. Para casais mais arrojados poderá fazer parte de um interessante momento de preliminares. O que envolve esta sessão, como poderão imaginar, é muita veneração de pés, muitos beijos, muitas lambidelas e trincadelas. Poderá incluir uma caminhada sobre o venerador que de muito bom grado servirá de tapete. Quem são estes adoradores de pés, é uma boa pergunta. Visto que se trata do fetiche mais comum, os seus praticantes têm estado por todo lado, há séculos. Há quem desconfie que Goethe, Dostoyevsky, Joyce e até Elvis Presley tenham sido adoradores de pés. Quando e onde é que a moda começou, não se sabe muito bem. Sinólogos dizem que já no tempo da Dinastia Sung, quando o ‘foot binding’ começou a ser uma prática comum, a erotização do pé de lótus (como era chamado) estava bem estabelecida. Os homens que tinham mais queda para estes pés deformados, incluíam nos seus preliminares as práticas que exigiam um protagonismo especial destes membros que nos sustêm. Muitas vezes estes pés eram tingidos de vermelho, para aumentar a sua atractividade. Pés deformados e para além disso, pintados de vermelho. Que bonito. Estes pés eram de tal forma tabu que nos primórdios da pornografia chinesa eram a única zona do corpo que não ficava descoberta, para manter o mistério. Porque já sabemos que
sexo faz-se de mistério, mesmo através de práticas atrozes em nome destes ideais de beleza e erotismo femininos que mudam com a mesma frequência que uma pessoa muda de cuecas. O fetiche de pés de hoje em dia já não passa por isso. Querem-se pés bonitos e bem tratadinhos. Isto é, sem calos, com uma pedicure bem feita, macios. Mas como podem calcular, há gostos para tudo. Talvez seja mais fácil se se deleitarem com uma ilustração do que pés bonitos realmente são. Sugiro, por isso, que consultem o mais contemporâneo, arrojado e assumido praticante de amor aos pés: Quentin Tarantino. Nas suas obras cinematográficas há um gostinho especial em enaltecer os pés das
cartoon
actrizes com que trabalha, erotizando, assim, esta extremidade humana que se julgava ser útil só para nos pormos de pé e usar umas sandálias giras. Amantes de pés, há muitos, de facto. E se homens gostam de um pezinho de mulher, outros homens preferem pezinhos de homem. Há algo de lírico, talvez, se pensarmos que o fascínio pelos pés também é o fascínio pela combinação de ossos e carne que nos liga à Terra, ou que nos mantém ligados a ela. Qual quê, ultrapassaremos o lugar comum de erotização de umas mamas, um rabo ou umas ancas. Os pés é o que mais sofrem, no dia-a-dia frenético que nos obriga a movimento constante, que sejam mimados como cada qual assim o permitir.
por Stephff
hoje macau terça-feira 13.10.2015
Banca Mais de 5 mil milhões para habitação
O
sector bancário concedeu em Agosto o equivalente a 5,58 milhões de patacas em novos empréstimos à habitação, uma subida homóloga de 10,7% após a queda registada em Julho, indicam dados oficiais ontem divulgados. Segundo a Autoridade Monetária de Macau, em Agosto, o sector financeiro local concedeu empréstimos de 5.585,2 milhões de patacas, mais 10,7% do que no mesmo mês de 2014, e mais 33,3% do que em Julho deste ano. Em Julho, os novos empréstimos caíram 23,9% face ao mesmo mês de 2014, apesar da subida de 6,6% e relação a Junho.
Os residentes em Macau, com um total de 3.587,7 milhões de patacas, assumiram as maiores despesas em Agosto deste ano, mas ainda assim menos 23,1% face a Agosto do ano passado e menos 11,4% relativamente a Julho último. Já os não residentes, pediram 1.997,5 milhões de patacas de crédito, representando um crescimento de 421,5% em termos homólogos e mais 1,29% do que em Julho. Até ao final de Agosto deste ano, o total dos empréstimos hipotecários era de 169 mil milhões de patacas, mais 17,4% em termos anuais e mais 1,2% em relação ao mês anterior.
Nobel da Economia para Angus Deaton
Escocês optimista O prémio Nobel das Ciências Económicas de 2015 foi entregue a Angus Deaton, um escocês que tem cidadania norte-americana e britânica e que é professor da Universidade de Princeton, nos EUA. O prémio foi entregue devido ao trabalho de pesquisa de Angus Deaton sobre os temas do “consumo, pobreza e prestações sociais”. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 12 de Outubro, pela Academia Real das Ciências da Suécia. O website da Universidade de Princeton disponibiliza, neste link, os principais artigos científicos de Angus Deaton. O académico tem 69 anos de idade e, ao longo da sua carreira, tem concentrado a sua pesquisa nos temas da saúde, bem-estar e desenvolvimento económico. Numa crítica ao seu recente livro – “The Great Escape” –, o The New York Times escreveu que “a mensagem central de Deaton é profundamente optimista, quase gloriosamente optimista”. A Academia Sueca quis premiar Deaton porque este
“transformou os campos da microeconomia, macroeconomia e desenvolvimento económico”. O trabalho do professor de Princeton ajuda-nos a antecipar três questões cruciais: “Como é que os consumidores distribuem os seus gastos entre diferentes bens?”; “Quanto do rendimento das sociedades é gasto e quanto é poupado?; e “Qual é a melhor medida e a melhor forma de analisar as prestações sociais e a pobreza?”. Angus Deaton, que se doutorou na Universidade de Cambridge, participou, via telefone, na conferência de imprensa em que foi anunciado o prémio. Foi convidado por uma jornalista a comentar a recente crise dos refugiados e disse que esta é o resultado das “barreiras” que existem entre o “mundo pobre e o mundo rico”, ao cabo de “séculos de desenvolvimento desigual”. “A redução da pobreza nos países pobres pode resolver o problema, ainda que não por muito tempo”, respondeu o académico.
pub