DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
RELATÓRIO
Americanos sugerem encontro de políticos dos EUA e Macau POLÍTICA PÁGINA
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ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
A próxima sessão legislativa está à porta e os deputados preparam-se para pressionar o Executivo sobre os temas que querem ver resolvidos. Sem surpresas, habitação, reforma administrativa, finanças e violência sexual são assuntos que marcam a agenda. POLÍTICA PÁGINAS
hojemacau JOVENS PROCURAM CASA EM HENGQIN
MONTANHA ´ MAGICA São cada vez mais os jovens que, perante a impossibilidade de adquirir habitação em Macau, encontram uma solução na Ilha da Montanha, onde os preços são bem mais acessíveis.
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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REPORTAGEM
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TIAGO ALCÂNTARA
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HABITAÇÃO JOVENS VÊEM HENGQIN COMO OPORTUNIDADE PARA COMPRA DE CASA
MAIS VALE IR PARA A ILHA Quando chega a hora de comprar casa, os jovens de Macau bem procuram, mas o que encontram não é animador: raros são os que conseguem comprar um apartamento e os que o fazem optam por prédios velhos e na zona norte da cidade. A Ilha da Montanha está a tornar-se o local mais atractivo, ainda que haja muitos jovens adultos que continuam a viver com os pais FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
C
OMO é que as novas gerações enfrentam os preços do mercado imobiliário? Quem vive em Macau conhece, quase de certeza, como é a situação dos imóveis no território: quatro ou cinco milhões por apenas um apartamento T2, num prédio que por vezes tem mais de 20 ou 30 anos e não tem sequer elevador. Nas fracções maiores e pertencentes aos edifícios mais recentes, os preços podem ultrapassar os dez mil milhões de patacas. Posto isto, não é de estranhar que os resultados do terceiro trimestre do Índice de Confiança dos Consumidores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau tenha indicado que existe uma fraca confiança
dos consumidores na aquisição de imóveis que, por sinal, continua a descer, apresentando uma queda de mais de 1%. Este índice destaca assim um pessimismo, cada vez mais crescente, dos residentes em relação à sua capacidade de compra de casa. O mercado dos imóveis, é então, num território tão pequeno, um mercado doente. Normalmente quem obtém uma habitação são investidores numa faixa etária mais madura, pessoas com famílias já constituídas e com muitos anos de trabalho. Os investidores do interior da China ou do estrangeiro apresentam-se também no grupo de compradores. Mas, e os jovens do território? Ao que o HM conseguiu apurar, estão bastante desmotivados. Edgar Wong, de 23 anos, é um agente da Agência Imobiliária Escrow e referiu ao HM que, mesmo
a trabalhar na área, e por a conhecer tão bem, não pensa em comprar uma habitação em Macau. “Conheço bem o sector, até posso saber as fracções com mais descontos. Mas o problema é que é impossível pagar o custo de um
“Prefiria comprar casa em Portugal, se houvesse possibilidade de emigrar para lá. Recuso-me a comprar casas com este valor, super caras” NUNO LAU
imóvel em Macau. Como é que posso dizer que vou adquirir casa?” O jovem adiantou diz que está à espera dos resultados da candidatura que fez sozinho para a habitação económica. Mas, isso, como tem sido hábito, demora tempo. “Como o Chefe do Executivo disse: ‘espero que os jovens poupem dinheiro para que depois possam comprar uma habitação económica na zona A dos novos aterros’. Eu concordo e é isso que estou a fazer”, explica Edgar. Normalmente, essas casas, contudo, têm listas de espera longas, que vão, por vezes, até dez anos sem que o candidato saiba se tem ou não direito a uma habitação. O jovem agente confirmou ainda ao HM que, devido à inflação, o pensamento dos jovens passa em perceber quais as formas de ganhar dinheiro, o que passa, diz por poupar mais dinheiro. Algo que
não é possível nem com os preços das rendas, nem com a compra de uma casa.
MAIS VALE EMIGRAR
Com apenas mais cinco anos, Nuno Lau, de 27, é contabilista e vive uma fase da vida diferente. Sem irmãos, Nuno ainda vive com os pais e explicou ao HM que não se sente confiante, nem considera que tem capacidade para comprar um imóvel no território, apontando que essa hipótese é mesmo quase “zero”. “Prefiria comprar casa em Portugal, se houvesse possibilidade de emigrar para lá. Recuso-me a comprar casas com este valor, super caras”, defende. Questionado sobre a hipótese de comprar casa na Ilha da Montanha, a resposta do jovem foi rápida: não. “O preço até pode ser mais barato, comparado com os valores de Macau, mas mesmo assim, sendo mais em conta, no estrangeiro a relação qualidade preço é melhor. Portanto, porque é que tenho que comprar casas caras de má qualidade, pequenas e sem conforto?”. A viver com os pais está também Hélder Lei, assistente social de 28 anos, que assumiu que, por
reportagem 3
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jovens de Macau: os jovens que pensem em comprar um imóvel em Macau devem pedir apoio à sua família. “A maioria dos nossos clientes tem mais de 30 anos, ganham um salário fixo e consegue pagar as prestações”, afirma o jovem, adiantando que a agência “tem poucos clientes jovens”. “Ás vezes recebemos visitas de jovens até aos 27 anos, consultam os preços das casas mas nunca chegam a comprar”, conta. O profissional da área diz ainda que o tipo de apartamento que os jovens procuram mais é de dois quartos e em apartamentos antigos. “Nem consideram comprar em edifícios novos porque sabem que é muito mais caro”, explica, clarificando que “os apartamentos entre 4 a 6 milhões de patacas são a principal escolha dos jovens, que também optam pelas zonas do Fai Chi Kei, da Areia Preta, Barra e São Lourenço, excluindo a área da Taipa e Coloane”.
Um dos poucos jovens com um apartamento já em seu nome explica ao HM que o seu investimento se deve ao facto do futuro que o jovem prevê para aquela zona. “Comprei a casa principalmente para viver lá, mas é possível que a longo prazo se torne num investimento”, afirma, acrescentando que a casa teve um custo total de três milhões de renminbis, ou seja mais de quatro milhões de Hong Kong dólares, mas que vale mais a pena do que as casas de Macau. “O pagamento inicial foi com parte do meu dinheiro, mas também da minha família. O preço do
imóvel foi um pouco grande, por ser um andar mais alto”, explica. Tal como se verifica em grande parte dos edifícios de várias andares, o preços das casas aumenta em concordância com o andar. “Por este preço é impossível comprar uma casa com as mesmas condições em Macau, quatro milhões de Hong Kong dólares dão para um T2 num prédio velho”, argumenta. O trânsito também não é visto como um problema para Óscar que afirma que, por não ser necessário ter cartas de condução das duas regiões, é melhor “comprar na ilha do que esperar pelas habitações da zona A”.
VOU MAS É PARA A ILHA
“[É melhor] comprar na ilha do que esperar pelas habitações da zona A” GOMES Agente imobiliário
muito que queira, não tem capacidade de comprar casa. Durante a nossa conversa, o jovem explicou que os preços demasiado altos praticados em Macau não o deixam comprar uma casa e, por isso, essa hipótese nem sequer é colocada em cima da mesa.
O jovem explicou que pondera ir viver para a Ilha da Montanha ou para Zhuhai, depois de se casar e constituir família, não só pelos preços mais baratos mas também pela qualidade de vida. “Se eu for viver para Zhuhai ou para a Ilha da Montanha não é só porque os preços de lá são bem mais baratos, mas porque o ambiente é melhor do que em Macau”, diz Hélder, acrescentando que há menos confusão e mais qualidade de vida.
VER SEM COMPRAR
Gomes tem 22 anos e é agente imobiliário da Centaline. Ao HM, explica o que parece ser o pensamento de grande parte dos
ALTERNATIVAS, MAS SEM EXPECTATIVAS Como alternativa à compra de casa, muitos têm sido os jovens candidatos às habitações públicas. Segundo dados publicados pelo Instituto de Habitação, 20% dos candidatos são jovens entre os 18 e 24 anos e, no final de 2013, entre 12 mil candidatos, cerca de 60% eram jovens entre 20 a 29 anos, em que 77% eram candidatos sozinhos, ou seja com agregado familiar composto apenas por uma pessoa. Valores que segundo a União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM) mostram uma clara falta de confiança na aquisição de casas privadas por parte dos jovens. “Fenómeno que em nada é saudável”, indica a união. Compara-se frequentemente que, nos tempos que correm, conseguir uma fracção no concurso para a habitação económica é o mesmo que ganhar o grande prémio de uma lotaria.
Gomes é peremptório quando questionado relativamente ao mercado imobiliário da Ilha da Montanha: o jovem agente mostrou-se confiante que, até ao final do ano, os automóveis do território possam entrar directamente na Ilha, o que facilita a compra de casa no lado de lá. “Apesar dos nossos clientes serem maioritariamente de meia idade, há jovens que querem comprar a sua habitação e creio que, devido aos preços de Macau, vão mudar o foco de interesse para a ilha vizinha”, explica o jovem, salientando que “com o metro ligeiro, o caminho de Macau para a Ilha da Montanha torna-se mais rápido do que para Coloane”, e que por isso, a ilha de Hengqin será uma boa aposta.
“Se eu for viver para Zhuhai ou para a Ilha da Montanha não é só porque os preços de lá são bem mais baratos, mas porque o ambiente é melhor do que em Macau” HÉLDER LEI Assistente social de 28 anos
Quem confirma a boa aposta é precisamente Óscar Tou, com quem o HM falou. O jovem farmacêutico de 27 anos, que comprou um T3 no edifício MingZhan, um dos prédios mais conhecidos da Ilha da Montanha, assegura-nos que, em apenas um dia, foram vendidos 600 apartamentos no seu prédio.
JOVENS TRABALHADORES PREFEREM FICAR
Jogar em casa P EDRO Lei é um agente imobiliário que trabalha na Agência Iek Hou e, ainda que reforce o que os colegas afirmam – de que poucos jovens compram casa em Macau e que a maioria dos compradores são investidores de meia idade – diz-nos que os jovens preferem ter casa em Macau. Pedro afirma que os jovens trabalhadores de Macau preferem comprar casa no território, por trabalharem aqui, em vez comprar na Ilha da Montanha. “Acredito que os interessados na compra de imóveis na Ilha da Montanha são apenas investidores”, afirma. A mesma opinião tem Helena Cheang, colega de Pedro, que nos conta que o número de clientes jovens a apostar na ilha é muito baixo. “Os nossos clientes jovens devem ser um em vinte e esse
comprador recebe ajuda da família para comprar casa”, conta. A profissional esclarece que as escolhas dos jovens do território passam por edifícios de não mais que cinco andares, por serem “mais baratos”. Também Helena acredita que a Ilha da Montanha é uma área de investimento. “A maioria das compras é para investimento, porque os preços são altos”, diz. A facilidade da condução entre a ilha e Macau apresentada pelos outros entrevistados é desvalorizada pela agente. “Embora se possa conduzir entre a ilha e Macau, quem trabalha em Macau prefere viver no território, sobretudo os residente que trabalham por turnos. Como é que as pessoas passam a fronteira para as suas casas fora dos horários do posto fronteiriço depois da meia noite?”, questiona. - F.F.
POLÍTICA
A próxima sessão legislativa está quase aí e os deputados têm já alguns assuntos em cima da mesa, que querem ver resolvidos até ao final do ano. Temas como a habitação e a reforma da Administração Pública são focos principais, mas as finanças, a violência sexual e os TNR são pontos que chamam a atenção dos membros do hemiciclo
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VIOLÊNCIA SEXUAL E FINANÇAS TEMAS FORTES NA PRÓXIMA SESSÃO LEGISLATIVA
Os suspeitos do costume
durante a campanha eleitoral e, tal como Si Ka Lon, também está preocupada com os gastos “excessivos” do erário público. “É preciso perceber como se pode gerir todo este despesismo e gastos fora de orçamento”, defende. Outro dos assuntos “quentes” será a eventual revisão do sistema de reserva financeira, algo defendido por Si Ka Lon e Gabriel Tong. Si Ka Lon espera que o Executivo seja célere na apreciação da matéria relativa à reserva financeira já que “para um desenvolvimento sustentável, é preciso criar um mecanismo sustentável a longo prazo nesta área”. O mesmo defende também Gabriel Tong, que referiu o assunto várias vezes durante a sessão legislativa passada. Em final de Julho, os deputados da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas defenderam a revisão do regime que regula o sistema financeiro do território e que compreende investimentos estrangeiros. O presidente da comissão, Mak Soi Kun, argumentou que é necessário criar critérios mais claros sobre o emprego do erário público nas reservas financeira e cambial.
GCS
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FLORA FONG
flora.fong@hojemacau.com.mo
LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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UTUBRO marca a data de reabertura da Assembleia Legislativa (AL) e os deputados parecem estar já a postos para dar início à nova sessão. O HM falou com alguns e a conclusão é clara: a grande maioria dos assuntos a ser debatidos a partir deste mês foram já discutidos, mas ainda estão pendentes de decisão. Finanças e violência sexual são os temas preferidos. A Lei do Enquadramento Orçamental – que engloba, entre outras alíneas, a discussão e aprovação do orçamento na AL antes de se iniciar o ano governativo – e o regime de Reordenamento dos Bairros Antigos são apenas dois dos pontos que Si Ka Lon vai levar ao hemiciclo já daqui a alguns dias. Em declarações ao HM, o
HABITAÇÃO E BAIRROS ANTIGOS
“É preciso perceber como se pode gerir todo este despesismo e gastos fora de orçamento” SI KA LON Deputado
deputado diz que é não só “necessário”, mas “urgente” implementar a revisão da Lei de Enquadramento Orçamental, algo que ficou prometido para este ano, mas acabou
REFORMA JURÍDICA PREOCUPA TONG É a reforma jurídica que mais preocupa o deputado directo Gabriel Tong. “Foi uma coisa que já tinha mencionado, mas quero que seja discutido, de modo a tentar convencer o Governo de que a área judiciária tem de andar mais para a frente”, explicou ao HM. Há muitas medidas que Gabriel Tong pretende ver implementadas, como é o caso de mais políticas de protecção dos consumidores. O deputado assegurou ainda que tem muito trabalho pela frente e que procura satisfazer os interesses da população. “Quero trabalhar muito nesta sessão. As pessoas não vão dizer que prometo e não faço”, frisou ao HM.
por não acontecer. “É necessário e urgente fazer a apreciação da lei na AL porque é uma questão que tem que ver com despesas de dinheiro público”, frisou. Recorde-se que a Direcção dos Serviços de Finanças prevê que a revisão fique concluída até ao final deste ano. O deputado refere ainda haver a necessidade de se criar um Fundo de Investimento e Desenvolvimento e de se executar a reforma da Administração Pública o mais breve possível. Esta foi prometida por Chui Sai On durante a campanha eleitoral, sendo que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes vão ser os primeiros departamentos do Governo a sofrer alterações, já anunciadas para o próximo ano. Segundo Si Ka Lon, não é possível haver uma correcta aplicação da legislação se a Administração Pública não for alterada. E o deputado diz que o mesmo deve ser também feito ao regime de
Responsabilização de Titulares de Cargos Públicos.
DINHEIRO A MAIS
Ao lado de Si Ka Lon, está Melinda Chan. A deputada lembra que “é preciso que o Chefe do Executivo cumpra aquilo que prometeu”
Melinda Chan quer ainda levar ao hemiciclo um assunto que faz parte do quotidiano dos deputados e que mais críticas tem recebido: a falta de casas para os residentes devido à escassez de terrenos. Ao HM, Melinda Chan começou por dizer que Chui Sai On havia já anunciado que a zona de aterros no norte da península iria ter mais habitação em 2020, mas sem nunca mencionar o número exacto de fracções que vão ser concluídas ao longo dos anos. “Vou seguir o assunto durante esta sessão. Quero
TNR, PARA QUE VOS QUEREMOS Ella Lei pretende ainda focar-se nos assuntos laborais, como são o problema do salário mínimo e dos trabalhadores não residentes (TNR). Ella Lei lembrou que a proposta do salário mínimo para os trabalhadores de limpeza e de segurança na área de administração de propriedades já foi aprovada e espera que entre em vigor o mais depressa possível. “Já discutimos há tanto tempo e foram expressas muitas opiniões sobre este regime pela sociedade. Agora, o mais importante é racionalizar as coisas que estão menos claras da lei, evitando dificuldades na sua execução. A legislação deve sair o mais rapidamente possível, de modo a assegurar a qualidade de vida dos trabalhadores”, referiu a deputada. Sem levantar totalmente o véu, Ella Lei deixou a promessa de entregar várias interpelações relativas a assuntos laborais e voltou a criticar o que diz ser um número descontrolado de TNR. “Depois de várias críticas por parte da sociedade, apenas agora se decidiu que as operadoras de jogo ficam responsáveis pelo transporte dos seus TNR. É necessário fazer com que o Executivo discuta este problema, que está já a causar vários conflitos sociais e se sente no nível de vida dos residentes”, explicou Ella Lei ao HM.
política 5
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saber quantas casas poderão ficar prontas em 2020. É necessário seguir o assunto, tendo em conta que só temos mais cinco anos antes da data. Parece muito tempo, mas não é”, comentou a deputada. Também o diploma sobre o Reordenamento dos Bairros Antigos está na lista de assuntos dos deputados, com Si Ka Lon a assegurar que será um dos temas preferenciais.
“Quero saber quantas casas poderão ficar prontas em 2020. É necessário seguir o assunto, tendo em conta que só temos mais cinco anos antes da data. Parece muito tempo, mas não é” MELINDA CHAN Deputada
“Os residentes que moram nos bairros antigos não podem esperar tanto tempo para reordenar as suas casas. No entanto, a proposta é cada vez mais complicada”, começa por explicar. “Foi-nos dito que é preciso coordenar com a Lei do Planeamento Urbanístico, Lei de Salvaguarda do Património Cultural e Lei de Terras, mas espero que a reordenação destes bairros possa ser feita o mais rápido possível”. Recorde-se que a Lei de Reordenamento dos Bairros Antigos já foi alvo de duas consultas públicas e já esteve na AL, tendo sido retirada pelo Executivo por ser “complexa”.
VIOLÊNCIA DE TODAS AS MANEIRAS
Já o tema da violência preocupa as deputadas Ella Lei e Melinda Chan. Ao longo desta semana, têm sido várias as interpelações que referem a necessidade de se tornar crime público delitos como o assédio sexual e o atentado ao pudor. Melinda Chan refere-se ao problema da violência sexual como algo “muito importante e urgente”. “É um assunto que levo ao hemiciclo há já vários anos e pretendo que seja discutido na especialidade até ao final deste ano, não do final da sessão legislativa”, frisou Melinda Chan ao HM. Ella Lei considera que deve haver uma maior celeridade na discussão e aprovação do diploma relativo à violência doméstica. De acordo com a também vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), foram realizadas várias consultas públicas que o Executivo prometeu entregar ao hemiciclo e este tema, diz, deveria ser alvo de uma maior preocupação da sociedade.
FUNÇÃO PÚBLICA SAFP GARANTEM NORMALIDADE EM CONCURSO
Mão cheia de incapazes
Kou Peng Kuan garante que tudo correu dentro dos conformes nos exames de acesso a lugares na área jurídica, mesmo tendo apenas entrado um candidato em 500. O subdirector dos SAFP dá a entender que o problema foi mesmo a falta de capacidade das pessoas de Macau LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
subdirector dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), Kou Peng Kuan, garantiu que o concurso público para funcionários da área jurídica correu dentro dos conformes. As declarações do responsável surgem depois de ter sido anunciado que, de 500 candidatos ao Concurso Centralizado de Ingresso para a Função Pública, apenas um passou à segunda fase. À margem de uma conferência de imprensa, Kou Peng Kuan assegurou, repetidas vezes, que os candidatos foram submetidos ao mesmo exame, que foi, posteriormente, avaliado por um júri escolhido através do princípio de “igualdade e justiça imparcial”. Quando questionado pelos jornalistas, o subdirector afastou qualquer possibilidade de falta de qualidade por parte dos membros
do júri, reafirmando que a entrada de apenas um funcionário público nos quadros foi um acontecimento normal. “Nós estabelecemos as perguntas do enunciado [do exame] e o conteúdo em si, também é um modelo para provar se a pessoa tem conhecimentos básicos para desempenhar as funções da área jurídica”, explicou.
REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS
Segundo Kou Peng Kuan é possível concluir que o fenómeno se deve ao facto de “a maioria não conseguir preencher os requisitos estabelecidos pelo júri”, no que diz respeito ao exame de entrada nos quadros. O objectivo de abertura do Concurso Centralizado, disse o responsável, é o de “recrutar pessoas que tenham capacidades para desempenhar os trabalhos de funcionário da área jurídica”. A “exigência” dos critérios foi
o argumento dado por Kou para justificar a entrada de apenas uma pessoa, de um leque total de meio milhar de candidatos. Se, segundo o subdirector, o painel de examinadores é devida-
mente qualificado e “a exigência está de acordo com os trabalhos do dia-a-dia que um jurista da Função Pública precisa conhecer”, então não há margem para dúvidas: parece não haver pessoas com capacidades para ocupar determinados lugares em Macau. Questionado pelos jornalistas sobre a eventual dificuldade em contratar juristas no futuro, Kou preferiu não responder, apenas reafirmando que todos os trabalhadores são recrutados de forma justa e através do regime de contratação centralizada. O responsável voltou, uma vez mais, a contornar a pergunta de um jornalista, quando questionado sobre se os resultados do concursos determinariam falhas no curso de Direito em Macau.
SAFP VÃO SEGUIR EXEMPLOS INTERNACIONAIS De acordo com o subdirector dos Serviços de Administração e Função Pública, Kou Peng Kuan, e os académicos Jun Ma – da Universidade Sun Yat Sen – e Bolong Liu, da Universidade de Macau (UM), a RAEM deverá seguir exemplos internacionais para reestruturar a Administração Pública. Esta tem sido uma medida bastante discutida e anunciada este Verão por Chui Sai On, durante a sua campanha eleitoral para um segundo mandato como Chefe do Executivo. A ideia passa por ouvir a experiência de especialistas internacionalmente reconhecidos, para que estes possam ajudar no planeamento da estrutura da reforma administrativa. De acordo com Bolong Liu, a experiência transmitida por especialistas da Austrália, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Suíça é “bastante útil” para Macau. A notícia foi avançada na passada sexta-feira, quando os representantes anunciavam o programa da conferência sobre Gestão Pública no século XXI, a acontecer na UM, nos dias 16 e 17 de Outubro. A iniciativa vai contar não só com académicos, mas também com membros do Governo, havendo mesmo um painel específico dedicado ao desempenho e melhoria da qualidade laboral dos funcionários, em especial de Macau.
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A
ausência de um calendário de reformas democráticas, recentes ataques à liberdade de expressão e corrupção e lavagem de dinheiro em Macau são fontes de preocupação para deputados dos Estados Unidos, indica um relatório divulgado na quinta-feira. Os EUA sugerem mesmo um encontro entre políticos do país e deputados de Macau. “A Comissão do Congresso recomenda que delegações norte-americanas devem reunir-se com membros da Assembleia Legislativa de Macau, em particular com os deputados eleitos por sufrágio directo, com o Governo, bem como com líderes de organizações cívicas”, pode ler-se no mais recente relatório da Comissão Executiva do Congresso norte-americano sobre a China. Ao contrário de Hong Kong, a Lei Básica da RAEM não prevê o sufrágio universal. Porém, nos termos do Pacto Internacional sobre os Direitos Cívicos e Políticos, Macau deve “estabelecer
“Os membros do Congresso e da Administração são encorajados a (...) incentivar responsáveis do Governo de Macau a começar o processo de transição para um sistema eleitoral baseado no sufrágio universal” RELATÓRIO DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONGRESSO NORTE-AMERICANO SOBRE A CHINA
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EUA DELEGAÇÕES NORTE-AMERICANAS PARA REUNIR COM DEPUTADOS
Pôr aqui o seu pezinho
Os EUA estão preocupados com o facto de não haver sufrágio universal em Macau, quando o território tem, nos termos do Pacto Internacional sobre os Direitos Cívicos e Políticos, de “estabelecer” um calendário de transição para um sistema eleitoral assente nesta forma de votar. No mais recente relatório do Congresso norte-americano, os despedimentos de Eric Sautedé e Bill Chou não ficam de fora
um calendário de transição para um sistema eleitoral assente no sufrágio universal”, tal como já recomendado pela Comissão dos Direitos Humanos da ONU. A Comissão do Congresso insta as autoridades a iniciar esse processo. “Os membros do Congresso e da Administração são encorajados a (...) incentivar responsáveis do Governo de Macau a começar o
processo de transição para um sistema eleitoral baseado no sufrágio universal”, pode ler-se no documento.
LIBERDADES
Outro foco de preocupação prende-se com a liberdade de expressão. O relatório anual elenca nomeadamente dois casos recentes: o referendo informal sobre a eleição
do Chefe do Executivo por sufrágio universal, que resultou em detenções dos organizadores, e o despedimento dos professores de Ciência Política Éric Sautedé, da Universidade de São José, e Bill Chou, que não viu o seu contrato renovado com a Universidade de Macau. A liberdade de imprensa é outro dos assuntos mencionados. “A comissão observou contínuos relatos de auto-censura de jornalistas e preocupação no que toca ao controlo do Governo sobre a televisão e rádio”, indica o relatório que identifica o monopólio da Teledifusão de Macau como problema. Os casinos não ficam, obviamente de fora. O relatório diz que “a corrupção e a lavagem de dinheiro do interior da China através da indústria do jogo de Macau continuam a ser uma fonte de preocupação”, aludindo, neste capítulo, ao recurso a ‘junkets’ e a esquemas fraudulentos com cartões de débito ‘Union Pay’. “Dezenas de mil milhões de yuan terão sido canalizados através de Macau todos os anos.” - LUSA/H.M.
CHAN HONG EDUCAÇÃO ESPECIAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS
Em defesa de um ensino mais justo CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada Chan Hong pede às escolas que participem mais na educação inclusiva, defendendo que a falta de professores de ensino especial leva a que a procura aumente, mas os alunos não encontrem instituições que os queiram acolher. “É previsto que a procura de ensino especial vá aumentar no futuro”, aponta a deputada, que recomenda ao Governo que promova a educação inclusiva e que, ao mesmo tempo, auxilie também as escolas a melhorar as infra-estruturas e a formação de professores. A deputada diz, por exemplo, que se deviam criar directrizes curriculares e
pedagógicas, a fim de incentivar mais escolas a participar nos programas de ensino especial. Dados da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude mostram que o número de alunos de ensino especial já aumentou de 300 no ano lectivo de 2009/2010 para cerca de 700 pessoas no ano lectivo de 2013/2014.
LACUNAS
Segundo o jornal Ou Mun, contudo, agora há apenas 37 escolas em Macau que oferecem vagas para o ensino especial. Chan Hong apontou que a falta de recursos humanos também resulta a que o ensino especial seja pouco popular. “Embora o Governo tenha bolsas especiais para encorajar os graduados a estudar em
cursos de ensino especial, mais de metade dos graduados da escola secundária que estudam nas universidades locais não têm este curso na faculdade. Muitos professores nunca tiraram o curso de ensino especial, por isso é difícil promover este ensino.” A professora e deputada considera que o Governo deveria incluir o ensino especial na formação dos professores do ensino superior de Macau. Por outro lado, Chan Hong considera que a lei sobre o ensino especial - que vai ser revista conforme prometido a semana passada pelo Governo - pode fazer uma reforma curricular completa, dar mais destaque à educação de alunos sobredotados e melhorar o ensino e método de avaliação no ensino especial.
Televisão Mak Soi Kun critica empresa de canais básicos
O deputado Mak Soi Kun enviou uma interpelação escrita ao Governo onde critica a empresa criada pelo Governo para gerir os canais básicos de televisão. O deputado diz que os residentes não sentem a melhoria da qualidade dos canais e dos programas de televisão e, por isso, o deputado questiona a gestão do Governo. Mak Soi Kun pergunta se, de facto, alguma vez houve um plano geral para gerir este serviço de canais televisivos. Mak Soi Kun critica ainda as autoridades por ainda não terem publicado o relatório da segunda fase de estudo dos serviços de televisão e pede ao Governo que explique a razão.
Yunnan Macau já investiu 70 milhões de dólares
Num total de 49 grupos, no âmbito da Manufactura, Saúde e Turismo, o Governo de Macau já aplicou 70 milhões de dólares americanos na província de Yunnan, segundo afirmou a vice-governadora executiva da província, Li Jiang. Durante o 10º Fórum para a Cooperação e Desenvolvimento da Região do Grande-Delta do Rio das Pérolas, no passado dia 11, o Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, e Li Jiang expressaram a vontade em reforçar os votos de cooperação economico-comercial entre os territórios, sublinhando que os esforços realizados até então em muito têm contribuído para criar contactos bilaterais aprofundados nas áreas da Cultura e Economia. O momento foi também marcado pelo agradecimento a Macau pela doação de 100 milhões de patacas para a ajuda às vítimas do sismo em Ludian.
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Wong Kit Cheng pede que se aumente o espectro da consulta e que se faça uma revisão completa do Código Penal, na área de crimes do foro sexual
“Recomendo as autoridades a fazer uma revisão ampla sobre o que falta no Código Penal. Deveria haver uma reforma completa e, através desta reforma, salvaguardar a dignidade da mulher e conter efectivamente os crimes sexuais”
DEPUTADA PEDE CONSULTA PÚBLICA PARA TODOS OS CRIMES SEXUAIS
Sem tempo a perder
CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
deputada Wong Kit Cheng não concorda com a necessidade de se fazer uma consulta pública apenas sobre o crime de atentado ao pudor, conforme anunciou a semana passada a Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e do Direito Internacional (DSRJDI). A deputada diz que a sociedade já mostrou querer que seja considerado crime e diz que levar a cabo uma auscultação pública é perda de tempo. Em declarações ao jornal Ou Mun, Wong Kit Cheng defende, contudo, outra solução: “já que não se pode evitar a consulta pública”, então que se alargue o âmbito da auscultação para se fazer uma revisão completa ao Código Penal, na área de crimes do foro sexual. A ideia de Wong Kit Cheng é, com isto, fazer uma revisão completa às disposições existentes no Código Penal sobre os crimes de assédio sexual, coerção sexual, violação, abuso de menores e atentado ao pudor, entre outros, de forma a resolver as dificuldades dos procedimen-
WONG KIT CHENG Deputada
DEFINIÇÃO É IMPORTANTE O vice-director da DSRJDI, Chan Hin Chi disse este fim-desemana no programa Fórum Macau da TDM que a sociedade está a dar cada vez mais atenção aos crimes de atentado ao pudor e assédio sexual, mas que ainda continuam a existir problemas face a definições e crimes que o Código Penal não abrange. A DSRJDI diz que já concluiu o trabalho de investigação sobre o assunto, mas o responsável considera ser necessário que, no próximo ano, aquando da consulta pública, se inclua a definição de atentado ao pudor para que a sociedade perceba que há uma diferença entre este e outros crimes do foro sexual e na esperança “de buscar o consenso social, aumentando a aceitabilidade do projecto de lei”.
tos aquando de queixas, que originam, diz, atrasos na resolução dos problemas. Atrasos que Wong Kit Cheng faz questão de sublinhar serem causados pelo próprio sistema legal.
CRIME, DIZ ELA
Na semana passada, a DSRJDI disse que iria realizar uma consulta pública sobre o crime de atentado ao pudor no próximo ano, onde se espera saber se este crime - à semelhança do de assédio sexual - vai ser incluído no Código Penal.
Wong Kit Cheng considera que, como tanto o Ministério Público (MP) e a Polícia, como a sociedade concordam que é necessário que este abuso seja crime, não será necessário haver uma consulta pública, porque isso vai atrasar o “processo de criação da legislação”, diz a deputada. Segundo os dados do MP, os crimes relacionados com sexo têm aumentado nos últimos anos, pelo que já foi defendido que é necessário rever a situação actual: se se categorizar
Ministra da Agricultura em Macau
Assunção Cristas, ministra portuguesa da Agricultura, vai estar de visita a Macau no dia 10 de Novembro, avança a rádio Macau. A ministra portuguesa tem ainda encontros marcados para Hong Kong, seguindo depois para uma visita oficial à China. De recordar que em Julho passado, a cooperação entre Portugal e a China saiu reforçada num encontro com o presidente chinês, Ji Xinping, e o viceprimeiro ministro português, Paulo Portas. Na altura foi anunciado que há 30 empresas portuguesas de lacticínios que estão certificadas a exportar para a China, pondo fim a um longo processo negocial que durou 14 meses, escreve ainda a rádio.
estes crimes como semi-públicos, então é difícil às vítimas apresentarem queixa e os criminosos ou passam impunes, ou têm punições mais leves, o que
resulta no aumento destes crimes nos últimos anos. “Recomendo as autoridades a fazer uma revisão ampla sobre o que falta no Código Penal. Deveria ha-
ver uma reforma completa e, através desta reforma, salvaguardar a dignidade da mulher e conter efectivamente os crimes sexuais.”
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NOTIFICAÇÃO EDITAL N.º 71/2014 (Solicitação de Comparência do Empregador)
Nos temos das alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 6.º do Regulamento da Inspecção do Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 60/89/M, de 18 de Setembro, conjugadas com o artigo 58.º e n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se o representante legal do estabelecimento “Cheong Lei Kuok Chai Kuai Pan Vui”, sita na Avenida de Kwong Tung, Hotel Altira, 5.º andar , na Taipa, para no prazo de 10 (dez) dias , a contar do primeiro dia útil seguinte à da publicação dos presentes éditos, comparecer no Departamento de Inspecção do Trabalho, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, n.ºs 221-279, edifício “Advance Plaza”, 1.º andar, Macau, a fim de prestar declarações nos processos n.ºs 617/2014 e 1166/2014, proveniente das queixas apresentadas nestes Serviços em 14/01/2014 e 05/02/2014, pelos trabalhadores Lam Lai Si, Ng Kai Chon, Lam Sin Teng, Wong Tak Chi e Lok Hio Wa, relativamente às matérias de salário em dívida, indemnização por despedimento e aviso prévio. Dicecção dos Serviços para os Assuntos Laborais – Departamento de Inspecção do Trabalho, aos 30 de Setembro de 2014. A Chefe do Departamento Lurdes Maria Sales
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SOCIEDADE
hoje macau segunda-feira 13.10.2014
GOVERNO REJEITA COMPENSAÇÕES PARA QUEM LEVANTAR PENSÕES ANTECIPADAMENTE
Segundo o responsável do Fundo de Segurança Social, Ip Peng Kin, a futura atribuição de compensações a quem levantar previamente a sua pensão de velhice poderá criar conflitos aos olhos da lei CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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Governo não vai dar qualquer compensação aos idosos que decidirem levantar a sua pensão de forma antecipada, caso a pensão de velhice suba de valor. Isso mesmo avançou o presidente do Fundo de Segurança Social (FSS), Ip Peng Kin. Segundo o jornal Ou Mun, o responsável diz que a proposta do Executivo, quando o valor da
GCS
A diferença de cinco anos
se pode comparar os dois tipos de pensões, porque estas precisam de uma contribuição ao regime de segurança social durante o tempo de trabalho. Como, às vezes, as pessoas ficam desempregadas por algum tempo, não vão fazer as mesmas contribuições. “[Isso] também influencia o valor de pensões que se levantam. Por isso, algumas pessoa obtêm mais, algumas menos, não se deveria pensar apenas numa situação”, frisou o presidente.
TRANQUILO POR MEIO SÉCULO
pensão aumentar no futuro, é não dar compensações a quem tenha decidido levantar as pensões antes dos 65 anos. Actualmente, e segundo dados do jornal em língua chinesa, Macau tem mais de 70 mil pessoas a levantar pensões, sendo que cerca de 40 mil fazem o levantamento antecipadamente. Já anteriormente, o deputado Ng Kuok Cheong tinha feito uma interpelação escrita onde questionava se os idosos com pensões antecipadas iriam perder
dinheiro face aos que apenas levantam estas compensações aos 65 anos. Ip Peng Kin aponta que atribuir uma compensação poderá causar conflitos, segundo a lei. Até porque, segundo o Regime da Segurança Social, já há um cálculo especial para a pensão antecipada: se um idoso levanta a pensão aos 60 anos, pode levantar 75% do valor total da pensão, quando, actualmente, e “segundo um cálculo feito no mais recente relatório a ser levado a cabo sobre o Fundo
de Segurança Social (FSS), tendo em conta a inflação, a proporção é de apenas 72%”, começa por explicar o responsável. “Por isso, os idosos que levantam agora já estão a levantar uma proporção mais alta.” Ip Peng Kin diz ainda que não
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mil idosos levantam a pensão antecipadamente
Hoje em dia, o FSS depende sobretudo da receita fiscal do Jogo. Como a receita do Jogo tem registado um declínio contínuo de há meses para cá, há quem receie que possa influenciar a estabilidade do FSS. Ip Peng Kin não concorda. O presidente do FSS estima que, mesmo que a receita do jogo fique reduzida, manterá o nível do ano passado. Ip Peng Kin diz ainda que, no futuro, vai continuar a comunicar com os empregadores e empregados sobre o aumento do valor de contribuição, de modo a que o FSS possa ter um desenvolvimento sustentável. Segundo o presidente, a população de Macau avança cada vez mais para o envelhecimento e, quanto mais residentes houver a levantar as pensões, e se o valor continuar a aumentar, no futuro o FSS poderá correr perigo. Segundo o resultado do relatório mais recente sobre o FSS, contudo, o fundo ainda está em condições de sobreviver durante 50 anos.
Medicina forense Possível colaboração com Portugal
Medicina Especialista diz que Faculdade não é solução
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O
especialista português em Medicina Forense, Duarte Nuno Vieira, esteve no Instituto Politécnico (IPM) para desmitificar algumas ideias da população sobre esta área científica.Ao HM, Duarte Nuno Vieira falou de uma possível colaboração entre Portugal e Macau nesta área, mas não adiantou pormenores sobre o assunto. A convite do IPM, depois de ter ganho o galardão Douglas Medal Award, Duarte Nuno Vieira veio a Macau para falar de Medicina Forense e do facto de, nem sempre, as
coisas acontecerem como nas séries de televisão. “Hoje, as séries tipo ‘CSI’ são um fenómeno transversal em todo o mundo e todas as pessoas vêem e gostam, criando uma imagem, relativamente às Ciências Forenses, que nem sempre corresponde à realidade”, comentou, em conversa com o HM. No entanto, o especialista não descarta o “enorme potencial” desta área de estudos, seja em termos de recursos humanos ou materiais. Esta é, para Duarte Nuno Vieira, uma área em que “o investimento nunca é demais”,
ainda que o especialista entenda que é necessário que todos os países procurem ter, igualmente, algum retorno. Além de professor catedrático do departamento de Ciências Médico-Legais e Éticodeontológicas da Universidade de Coimbra, Duarte Nuno Vieira foi também presidente do Instituto de Medicina Legal durante 13 anos, tendo deixado o cargo no ano passado. - L.S.M.
director da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST), Manson Fok, que é também membro do Conselho para os Assuntos Médicos, disse que a criação de uma Faculdade de Medicina na Universidade de Macau não poderá resolver os problemas existentes em Macau na área da saúde. “Para além da educação clínica propriamente dita, também são necessários cursos básicos de Ciências. Estas questões exigem muitos recursos. Mesmo que Macau consiga oferecer a
mesma preparação a várias dezenas de médicos, a curto prazo, o panorama do território em termos médicos não se deverá alterar muito, a não ser que a qualidade da formação oferecida em Macau seja superior à oferecida pela China continental”, defendeu. Manson Fok diz que a formação de médicos precisa de mais de dez anos, sendo que cinco a sete anos servem para preparar a criação de uma Faculdade de Medicina, caso isso venha a acontecer, pelo que tudo isso não pode ajudar a resolver os problemas urgentes na área
da saúde do território. O especialista aponta que, agora, deveria ser aumentado o reconhecimento e tecnologia dos médicos e criados mais cursos para aumentar o nível dos alunos de Macau graduados no exterior que regressam de faculdades do continente. Manson Fok apontou ainda que a política aplicada em Macau – que não reconhece médicos do exterior - origina dificuldades na atracção de talentos. O director da Faculdade de Ciências da Saúde considera ser necessária uma reforma na área da saúde.
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IAS Mais vagas para idosos e crianças
TABACO MAIS CINCO NOVOS CASINOS COM SALAS APROVADAS
O director do Instituto de Acção Social (IAS), Iong Kuong Io, disse na sexta-feira passada que agora Macau pode vir a ter 2400 vagas para idosos em lares até 2017. Por outro lado, o responsável diz que as autoridades andam a pensar em medidas para acrescentar mais vagas para creches e que, no fim deste ano, as vagas já podem atingir as oito mil, sendo que, na próxima fase, a IAS quer que existam dez mil vagas em 2016.
Lei do Ruído Conselho consultivo apela a critérios mais claros O Conselho Consultivo da zona norte realizou uma conferência de imprensa na quinta-feira passada, altura em que os responsáveis dos Serviços de Protecção Ambiental apresentaram o trabalho relacionado com a Lei do Ruído. Os membros do Conselho criticam o facto de, a seu ver, os critérios sobre a causa e as regras face à emissão de ruídos não serem claros e dizem estar preocupados que, quando a lei entrar em vigor, venha a haver conflitos na sua execução.
Menos malefícios Segundo os Serviços de Saúde, a implementação da proibição de fumo nos espaços de Jogo tem sido bastante positiva
“[Os SS] consideram que a implementação desta medida de proibição de fumar nas áreas comuns de jogo e de todos os casinos tem sido boa”
FILIPA ARAÚJO
filipa.araujo@hojemacau.com.mo
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OS 12 casinos e salas de máquinas que tinham visto as suas propostas de criação de salas de fumo aprovadas juntaram-se, na semana passada, mais cinco novos espaços. Isso mesmo informam os Serviços de Saúde (SS) em comunicado. Da lista fazem agora parte os casinos President, Kam Pek, City of Dreams, Altira e Galaxy Macau. No mesmo comunicado, os SS informam ainda que, desde a entrada em vigor das novas normas que proíbem o fumo nas áreas comuns do jogo - e no âmbito das inspecções conjuntas realizadas pelo Gabinete para a Prevenção e Controlo de Tabagismo dos SS e da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos – foram acusadas 14 pessoas por violação da lei: apenas duas são residentes locais e as restantes são turistas. Os dados referem-se até à passada sexta-feira e, de uma forma geral,
Quanto às multas aplicadas, os dados indicam que cerca de 3725 foram aplicadas a cidadãos residentes (62,4%), 2032 a turistas (34,1%) e 3,5%, ou seja, 210, a trabalhadores não residentes (TNR).
CIBERCAFÉS NO TOPO
os SS “consideram que a implementação desta medida de proibição de fumar nas áreas comuns de jogo e de todos os casinos tem sido boa”.
FEITAS AS CONTAS
Relativamente ao incumprimento da Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, implementada a 1
de Janeiro de 2012, desde o início deste ano que os SS registaram cerca de seis mil casos de infracção, em mais de 205 mil inspecções realizadas a estabelecimentos. Destas infracções, 5967 correspondem a casos de pessoas a fumar em locais proibidos, seis à venda de produtos de tabaco de
ECONOMIA MAIS RECEITAS DE RESTAURANTES E INDÚSTRIA MINERAL
Aumentos sustentados O S resultados do inquérito industrial de 2013 mostram que o número de estabelecimentos e o número de trabalhadores ao serviço destes estabelecimentos se mantiveram quase inalterados nos últimos dois anos. Segundo nota de imprensa da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), no ano passado havia 916 estabelecimentos com 12.987 trabalhadores. No comunicado, a DSEC indica que se registou um aumento de quase
5% nas despesas com o pessoal, fixando-se estas num total de 1,8 mil milhões de patacas, montante bem diferente do valor de produção e receitas que se situou nos 9,5 mil milhões, menos de 1% de aumento comparativamente a 2012. Relativamente aos ramos de actividade económica, o valor de produção e outras receitas das indústrias alimentares e das bebidas cresceu 10,7%, situando-se em 1,7 mil milhões de patacas. Crescimento que, segundo a DSEC, se deve ao aumento do número de
livre acesso e 18 casos de venda de produtos de tabaco que não satisfazem as normas de rotulagem. As autoridades informam ainda que a esmagadora maioria, 93,2% dos infractores, corresponde ao sexo masculino, sendo que as mulheres fazem parte de apenas 6,8% dos casos, com 407 situações de incumprimento.
visitantes que tem subido nos últimos cinco anos. As indústrias de fabricação de produtos minerais não metálicos também aumentou 38,1 %, atingindo de igual forma 1,7 mil milhões de patacas, devido às obras realizadas nas “rodovias e às obras de construção civil do metro ligeiro terem aumentado a procura de cimento e betão pronto”. Sem aumento esteve a indústria do vestuário, que perdeu 19,8% no valor de produção e outras receitas, residindo agora em mil milhões de patacas. Também o ramo de
produção e distribuição de electricidade, gás e água esteve em análise. O inquérito indica que nesta área foram empregues mais 1098 trabalhadores, ou seja, mais 7,6% de mão-de-obra do que o ano passado, “devido à introdução de gás natural nas habitações públicas”. O seu valor de produção também teve uma ligeira perda, cerca de 1%, fixando-se nos 2,6 mil milhões de patacas, queda justificada pela “redução contínua da produção local de electricidade”, segundo a DSEC. - F.A.
Os cibercafés continuam a liderar a lista de estabelecimentos infractores, com um total de 1102 violações à lei registadas, seguindo-se os espaços de máquinas de diversão e jogos em vídeo, com 1082 casos. Parques, jardins e zonas de lazer ocupam o terceiro lugar, com 690 casos. Em termos gerais, desde 2012, que “os agentes de fiscalização de controlo de tabagismo realizaram, no total, 620,397 inspecções a estabelecimentos e registaram 22.319 casos de pessoas a fumar em locais proibidos”, concluem os SS.
“AMEAÇA DE BOMBA” EM EXERCÍCIO NO AEROPORTO
• Um exercício de segurança que teve lugar nos dias 9 e 10 de Outubro no aeroporto internacional simulou a ocorrência de uma “ameaça de bomba”. A ideia foi testar a capacidade de resposta do aeroporto a um eventual incidente do género e a Autoridade de Aviação Civil de Macau assegura que o exercício foi bem sucedido.
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EVENTOS
hoje macau segund
Arquitectura Portuguesas vencem concurso internacional
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S portuguesas Ângela Pinto, Joana Lacerda e Carla Pereira venceram, no final de Setembro, um concurso realizado entre os alunos de um curso de construção de abrigos realizado pela Open University (EUA). Em Dezembro, o seu projecto vai estar em exibição na sede da ONU, em Nova Iorque. As três arquitectas fre-
quentaram, durante o Verão, um curso internacional da Open University cujo projecto final consistia em desenhar um abrigo para situações de emergência (como em casos de desastres naturais ou de guerra). Participaram no curso cerca de 30 grupos compostos, no máximo, por sete alunos. Num comunicado, o grupo de portuguesas explica
que a principal prioridade, ao desenharem este projecto baptizado de Cross Hands, foi criar um modelo “simples e rápido de construir” que fosse também barato graças ao recurso a “materiais pré-fabricados e reutilizados” (como latas de refrigerantes, terra e palha. Por outro lado, o projecto aposta na “flexibilidade” para que os abrigos se possam adaptar às diferentes necessidades dos campos de refugiados, em termos de dimensão e disposição. Assim, as casas têm três módulos distintos que podem ser facilmente acrescentados ou suprimidos, conforme o número de pessoas que abriga e a função que desempenha. Um dos desafios principais que foi lançado às equipas foi criar abrigos com um custo de produção inferior a 1.000 dólares. Os trabalhos finais foram avaliados por um júri internacional que atribuiu o primeiro prémio à equipa portuguesa. PUB
A Secret Island Party Hong Kong está de volta a uma das ilhas do território vizinho, a descobrir no próprio dia, e traz alguns dos mais conceituados músicos e DJ’s do mundo para um festival de dois dias LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
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O próximo fim-de-semana, dias 18 e 19, vai ter lugar a 4ª. edição da Secret Island Party Hong Kong (SIP), um evento que promete muitas novidades - grande parte delas ainda secretas. O SIP, programado com vários meses de antecedência, tem uma particularidade: os convidados desconhecem o local onde a festa vai acontecer, bem
HONG KONG SECRET ISLAND PARTY ESTÁ
O que aco como grande parte das actividades planeadas. O que se sabe, para já, é o programa de festas, que conta com a participação de conhecidos nomes da música electrónica e das pistas de dança. Estes vão animar a ilha secreta das 11 da manhã de sábado às 21 horas de domingo. O festival passa-se na região vizinha, mas nem assim Macau ficou esquecida, marcando presença no evento através da actuação de Devlar, DJ já conhecido de várias casas nocturnas locais, e a banda local Concrete/Lotus. O bilhete, que custa 750 dólares de Hong Kong para os dois dias, inclui a deslocação de Central para o local do evento e uma noite de alojamento.
ACASOS
De acordo com uma entrevista da organizadora do evento, Rachel Frost, à revista Boom, a festa secreta surgiu de forma
“algo imprevista”. Frost trabalhava na área de eventos, na cidade de Manchester, e a sua viagem até Hong Kong estava voltada para o descanso, incluindo mesmo a participação em retiros de meditação e afins. No entanto, a pesquisa por actividades deste género – que levou Frost e um grupo de amigos até à ilha na qual actualmente se realiza a festa – deu que pensar. Depois de marcadas as actividades para um fim-de-semana relaxante na região vizinha, a criadora deste evento secreto apercebeu-se que esta era uma ideia com potencial, tendo começado a primeira edição a vender bilhetes à porta da Marks & Spencer e H&M. “Estávamos a vender bilhetes em forma de pequenos mapas do tesouro fora das lojas. Vendemos 500 bilhetes dessa primeira vez e ficámos espantados. Essa foi a razão que nos levou a fazer a mesma
eventos 11
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ARTISTAS CONFIRMADOS DOMINGO (DO MEIO-DIA ÀS SEIS HORAS DA MANHÃ)
• PALCO BEATROOT A DJ CALLED QUEST (Funk(y) welcome tunes) PARAGON SOUND SYSTEM (Eclético) VISA (DJ) CONCRETE/LOTUS (Duo acústico e electrónico) HIBIYA LINE (Switzerland/Vietnam) BENSON CHOW MACAU (Garagem) HUMMINGBIRD /COOKIE & JACK BYRNE (Garagem) BOOMSMA (House/Techno) MAKESHIFT/DE LA JOEL (House/Electro) RYAN ASH B2B BLAND (House/Techno/Tech House) OCEAN LAM (House/Tech) DJ DEVLAR (House/Tech) DEVIATED (House/breaks) CASEY ANDERSON (Techno/House) BITING EYE (Live Acid, Breakcore, IDM)
Á DE VOLTA
ontece na ilha... coisa seis meses depois, quando vendemos 900”, contou Frost à Boom. Neste caso, não há uma sem quatro e a SIP Hong Kong parece não ter fim, sendo já um dos momentos mais esperados por centenas de pessoas. O espaço do evento estará dividido em várias áreas dedicadas a diferentes actividades. No entanto, desenganem-se aqueles que julgam que a
SIP só tem lugar para graúdos. É que, de acordo com a criadora do evento, domingo vai ser um dia especialmente pensado para relaxar e estará repleto de actividades para os mais novos, uma vez que “as famílias são mais que bem-vindas”. Para além de música e várias actividades para todas as idades, o festival vai providenciar comes e bebes para os dois dias.
Os panfletos publicitários do evento aconselham a que os participantes e “festivaleiros” se apetrechem de máquinas fotográficas descartáveis, garrafa de água reutilizáveis, creme de protecção solar, desodorizante e dinheiro, uma vez que não existem máquinas ATM na ilha. Os bilhetes podem ser comprados através de http:// hushup.hk/sip/.
• PALCO UPPER THE ESMERELDAS (Gypsie) ACRO YOGA AND HULA FUN WITH YOGA BAM BAM AILEEN ALONZO AND DARREN HAYWARD (Alt-Acoustic) SHUMKING MANSION (Indie Rock) NEW TONIC PRESS (Rock) THE RED STRIPES (Ska/Reggae) DAVID BOWIE KNIVES (Sex Rock) LES GROMECHKOS (Ska Rock Gypsy Punk) SUSHI ROBOT (Live DnB) PHAETON WITH MC RV (DnB) MR. LLOYD (DnB) BLOOD DUNZA (Jungle) GROOVE THIEF WITH MC EKORB / NICK CAGE (Bass/Dub)
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA COMPLETE CHAMBER MUSIC FOR VIOLIN • António Fragoso, Carlos Damas A morte de António Fragoso (1897 - 1918) com a idade de 21 anos, roubou um jovem de potencial extraordinário à arte da música nacional. As obras aqui apresentadas revelam um jovem compositor completamente ciente das grandes figuras musicais da época, a influência de Debussy e Fauré, por exemplo, pode ser detectada na Suite Romantique para violino e piano de 1916. Carlos Damas foi professor no Conservatório de Música de Macau, integrou a Orquestra de Macau e participou no Festival de Música de Macau, no Festival de Artes de Macau e no Quinto Festival de Artes da República Popular da China.
CCM Musical sobre Macau para festejar aniversário
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Centro Cultural de Macau (CCM) apresenta, em Dezembro, “Sing High”, um musical original concebido para integrar as comemorações do 15º aniversário do CCM. A produção sobe ao palco do Grande Auditório em dois espectáculos a 6 e 7 de Dezembro. O musical foi criado por Leon Ko e Chris Shum, dupla criativa vencedora dos Cavalos Dourados de Taiwan, e escrito por Candace Chong, dramaturga galardoada pelos Prémios de Teatro de Hong Kong.
O projecto arrancou o ano passado e conta uma história à medida de Macau sobre um jovem que tem o desejo de vencer fora da nossa cidade.A viver uma relação conflituosa com o pai, Cheung cresceu com as memórias da falecida mãe e das promessas de ir viver no estrangeiro. Um dia, o protagonista torna-se maestro de um coro e entra num concurso para representar Macau no exterior, tarefa que não se adivinha fácil uma vez que terá de transformar cantores inexperientes num grupo coral de alto nível. “Sing High” é organizado pelo CCM e apresentado em dois espectáculos em cantonense a 6 e 7 de Dezembro às 20h00. Os bilhetes custam entre 100 a 200 patacas e já estão à venda.
Zombie Walk Mortos vivos unidos pela saúde ocular
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O sábado de 25 de Outubro, a Torre de Macau vai ser assolada por um bando de zombies. Que os mais sensíveis não se assustem, pois trata-se de um evento de caridade e de celebração do Halloween para ajudar a organização sem fins lucrativos Orbis, que defende a saúde ocular. É a primeira vez que Macau acolhe um evento deste género, onde é esperado que centenas de pessoas se mascarem ao estilo de “morto-vivo” por uma causa. Um dos objectivos da Zombie Walk Macau 2014 é conseguir que todos os participantes desliguem os seus telemóveis durante um mínimo de uma hora, de modo a sensibilizar as pessoas para os perigos de determinados hábitos do dia-a-dia. De acordo com declarações da organização no
website oficial do evento, a indumentária requerida pretende chamar a atenção das pessoas para o uso constante de telemóveis, computadores e aparelhos do género. “Hoje em dia, são várias que passam demasiado tempo em frente aos ecrãs para ir à internet jogar, ou mandar mensagens por telemóvel”, começa por avançar o website. “Sem o devido cuidado oftalmológico, estes hábitos quotidianos podem resultar numa variedade de problemas de saúde, desde estrabismo, a dores de cabeça, visão distorcida, ou vista seca”, frisa. A “zombie walk” é marcada por um desfile que sai do Bairro de São Lázaro. Os interessados em participar podem visitar a página www.macauzombiewalk. com para se inscreverem.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
VIERAM COMO ANDORINHAS • William Maxwell Inteligente, subtil e soberbamente escrito, Vieram como andorinhas é um breve romance sobre um rapaz extremamente sensível crescendo numa cidade pacata no estado de Illinois. É um retrato poético e perspicaz de uma família burguesa americana enfrentando os problemas diários da vida durante a pandemia de gripe que matou milhões de pessoas no mundo em 1918-1919. O génio de Maxwell prende-se com a sua capacidade de exprimir emoções profundas e complexas através de observações simples e magnificamente descritas.
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Eliminação das acções ao portador e alterações ao Código Comercial Consulta Pública 2014.10.10 ─ 2014.11.08 Locais para a obtenção do documento de consulta: 1. Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional 2. Direcção dos Serviços de Finanças 3. Direcção dos Serviços de Assuntos de Justiça 4. Centro de Informações ao Público 5. Centro de Serviços da RAEM 6. Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e respectivos Centros de Prestação de Serviços ao Público e Postos de Atendimento e Informação Consulta e descarregamento do documento de consulta: 1. Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional: http://www.dsrjdi.ccrj.gov.mo 2. Direcção dos Serviços de Finanças: http://www.dsf.gov.mo Apresentação de opiniões e sugestões: Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional Correio electrónico: consultation@dsrjdi.gov.mo Fax: (853) 2875 0814 Endereço postal: Alameda Dr. Carlos D’Assumpção, n.º 398, Edifício CNAC, 6.º andar, Macau Direcção dos Serviços de Finanças Correio electrónico: dsfinfo@dsf.gov.mo Fax: (853) 2830 0133 Endereço postal: Avenida da Praia Grande, n.ºs 575, 579 e 585
hoje macau segunda-feira 13.10.2014
CHINA
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Taiwan Dois investigadores morrem em naufrágio
Os membros da seita “Deus Todo Poderoso” foram sentenciados à pena capital por terem espancado até à morte uma mulher que não quis dar o número de telefone
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OIS elementos da milenar seita chinesa Quannengshen (Deus Todo Poderoso em chinês) foram sábado condenados à morte pelo homicídio de uma mulher que se recusou dar-lhes o seu número de telefone. Outros três elementos do grupo religioso foram sentenciados a diferentes penas de prisão. Os principais responsáveis do
TRIBUNAL CONDENA À MORTE DOIS ELEMENTOS DE SEITA RELIGIOSA
Justiça toda poderosa crime - Zhang Lidong e o seu filho Zhang Fan – foram condenados à pena capital, enquanto Zhang Hang e Zhang Qiaolian, da mesma família dos primeiros, sentenciados a penas de, respectivamente dez e sete anos de cadeia. A Lu Yingchun, o Tribunal Popular Intermédio de Yantai, este da China, aplicou-lhe a pena de prisão perpétua. Zhang Fan, Zhang Lidong e Lu Yingchun foram também condenados por violar a lei de actividades religiosas e privados dos seus direitos políticos para toda a vida, acrescenta a sentença judicial.
A SANGUE FRIO
A 28 de Maio desde ano, os cinco condenados e um outro filho de
Zhang Lidong que não foi julgado no mesmo processo por ser menor de idade, espancaram até à morte uma mulher de apelido Wu que pretendiam recrutar para a sua seita, mas esta negou-se a dar-lhes o seu número de telefone para receber informações sobre a actividade do grupo. O homicídio aconteceu num restaurante de uma cadeia de comida rápida em Zhaoyuan, na
província oriental de Shandong e chocou a sociedade chinesa pelas imagens divulgadas na Internet e que foram gravadas por uma pessoa que estava no local. A seita Quannengshen foi criada nos anos de 1990 e defende que Deus regressou à Terra encarnando uma mulher desconhecida nascida no norte da China “para salvar a humanidade pela terceira e última vez”.
A seita Quannengshen foi criada nos anos de 1990 e defende que Deus regressou à Terra encarnando uma mulher desconhecida nascida no norte da China “para salvar a humanidade pela terceira e última vez”
CAMARÕES REFÉNS CHINESES E CAMARONESES LIBERTADOS
Final feliz V
INTE e sete reféns chineses e camaroneses, sequestrados entre Maio e Julho no norte dos Camarões, foram libertados na noite de sexta-feira para sábado, refere sábado o presidente Paul Biya, num comunicado. “O presidente da República dos Camarões, Paul Biya, anuncia à opinião pública nacional e internacional que os 27 reféns sequestrados a 16 de Maio
em Waza (extremo norte do país) e a 27 de Julho em Kolofata foram libertados esta noite pelas autoridades camaroneses”, declarou Biya, na nota divulgada sábado na rádio estatal. “Os 10 cidadãos chineses, a esposa do vice-primeiro-ministro (camaronês) Amadou Ali, o sultão de Kolofata e outros membros de sua família que foram sequestrados, estão são e salvos”, asse-
gurou o chefe de Estado camaronês, sem dar mais detalhes sobre os contornos desta libertação.
BOKO HARAM
Na noite de 16 para 17 de Maio, homens armados
Dois investigadores da marinha de Taiwan morreram e 43 outras pessoas foram resgatadas com vida quando um navio de investigação afundou depois de embater num recife, revelou sábado a guarda costeira da ilha. As equipas de emergência que se deslocaram para o local do acidente não foram capazes de reanimar os investigadores do navio “Ocean Researcher V”, que transportava 27 investigadores e 18 membros da tripulação quando naufragou ao largo das ilhas Penghu na sexta-feira. O navio de 2.700 toneladas embateu num recife o que provocou um rombo e a entrada de água. Todos os elementos a bordo entraram em salva-vidas, mas estes foram virando devido à forte ondulação e vento na zona do acidente. O navio estava numa missão de oito dias depois de ter zarpado na quinta-feira de um porto no sul da Formosa.
atacaram um acampamento de trabalhadores chineses em Waza, matando um militar camaronês e sequestrando os 10 chineses. As autoridades camaronesas atribuíram o rapto
dos chineses aos radicais islâmicos do Boko Haram – grupo rebelde que opera no norte da vizinha Nigéria desde 2009. A 27 de Julho, dois ataques simultâneos, foram igualmente atribuídos ao Boko Haram. A residência local do vice-primeiro-ministro encarregado das relações com o parlamento, Amadou Ali, foi atacada e a mulher do político foi raptada. O sultão de Kolofata, Seiny Boukar Lamine, foi sequestrado no seu palácio, juntamente com membros da sua família. Pelo menos 15 pessoas foram mortas nestes ataques.
Deslizamento de terras mata 19 pessoas
Pelo menos 19 pessoas morreram e duas outras ficaram feridas num deslizamento de terras numa obra numa estrada em Yanan, na província chinesa de Shaanxi, revelou a agência Xinhua que refere um número indeterminado de desaparecidos. O acidente aconteceu às 21:12 de sextafeira quando uma grande quantidade de lamas soterrou oito barracões onde estavam os trabalhadores envolvidos na construção da estrada. Além de nove mortos confirmados no local do acidente, as autoridades chinesas contabilizam ainda outras 10 vítimas mortais que morreram no hospital. Os trabalhadores estavam envolvidos nas obras de ampliação de uma estrada que liga Yanan a Huangling. De acordo com as autoridades locais, antes do início das obras foram realizados estudos geológicos.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Carlos Morais José
TERRITÓRIOS DE ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR
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OR oposição ao studium — grelha semiótica que subjaz a uma fotografia — Roland Barthes referia a existência de um punctum, reintroduzindo, por assim dizer, o indivíduo, quiçá uma subjectividade, na frieza da análise e da crítica estruturalistas. Para o autor d’ A Câmara Clara, o punctum de uma fotografia seria a representação daquela entidade corpórea que esteve ali, defronte à abertura da câmara, emitindo uma radiação que impressionou o filme, mais tarde transladada para o papel e depois para os olhos do espectador “como a luz de uma estrela” que poderá já não existir. É imenso o seu poder afectivo, por oposição ao studium que friamente descodifica e explica a fotografia. O punctum é, afinal, o lugar de adesão à imagem, o detalhe pessoal da fotografia que, a cada um de nós, aflige e cativa. De algum modo, o conceito de punctum parece ser da mesma família que o conceito de aura, de Walter Benjamin, no que partilham de uma visão romântica da arte, que bebe nos textos de Charles Baudelaire sobre a estética. No entanto, na série Territórios de António Conceição Júnior, como anteriormente em Transições, a posição da câmara anula a eficácia dos dois conceitos. E, mais do que para uma estrutura semiótica, as imagens, na sua ductibilidade, remetem para a impermanência: ali nunca esteve nada porque esse ali não existira antes de ser criado pela câmara. Consequentemente, não existem corpos irradiantes porque está ausente, ao limite, qualquer efeito de realidade. Não há punctum: a imagem emancipou-se, rasgou os seus protocolos, quer afectivos, quer estruturais.
É que, na obra de António Conceição Júnior, a fotografia surge como um espaço de problematização do próprio acto artístico, do seu conteúdo técnico, metafísico e estético. Imagens produzidas por um olhar descentrado do quotidiano e avesso ao evento,
propõem-se como índices, não como metáforas, de uma reflexão em forma de percurso por fímbrias do espaço, do tempo, do humano e do natural. Ali se inscreverão uma série interminável de trajectos, de possibilidades, diria mesmo de atentados ao
senso comum e a uma percepção plana do real. Este, na sua factível inexistência, surge reconstruído na imagem, entabulando com o espectador uma imediata conversa, na qual a memória e a imaginação desempenham um papel fundamental. Não é, contudo, para a ideia ou a palavra, para um qualquer logos, que estas imagens remetem. Pelo contrário, escapando à tentação metafórica, estamos perante índices, sintomas, metonímias, que nos agarram por semelhança, num exercício mágico de codificação e contágio.
ENCONTRAMO-NOS AQUI NUMA ESTRANHA FRONTEIRA ENTRE PERCEPÇÃO E IMAGINÁRIO, NO SENTIDO EM QUE SE TRATAM DE IMAGENS QUE, IMEDIATAMENTE, PARTINDO DE UM DISTINTO ENQUADRAMENTO DO OLHAR, IMPELEM A UM PERCURSO METONÍMICO PELA MEMÓRIA Primeiro, a apreensão do detalhe invisível faz ver a fragmentação do mundo apreensível, do Umwelt, e a vigência de outro caminho para a percepção, outros territórios, mapas elaborados por um olhar nómada que uma demanda contagiou. A câmara está longe da realidade quotidiana, aparentemente divorciada do homem, do social, da cultura. Mas, porque num certo sentido a fotografia nunca poderá ser
artes, letras e ideias 15
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realmente abstracta, encontramo-nos aqui numa estranha fronteira entre percepção e imaginário, no sentido em que se tratam de imagens que, imediatamente, partindo de um distinto enquadramento do olhar, impelem a um percurso metonímico pela memória. E há então esses abismos de solicitações, encadeamentos, ramificações, rizomas, nervuras, estranhas baías, fragmentos de velhos mapas, continentes ignorados, pelos quais deambulamos na expectativa de uma resposta interna, do tal milagre — Borges assegura — que não se produzirá, mas onde o jogo de aproximação/distanciamento constitui a condição do sublime e da produção de um acto estético. As imagens que as fotografias de António Conceição Júnior nos propõem parecem ser uma resposta a essa inquietação metafísica relacionada com a dimensão cósmica do ser humano, de seus territórios naturais e artificiais, o repositório dos seus deveres e das suas vaidades. Caso se tratasse de uma genérica inquietação, próxima do conceito budista de dukkha (geralmente traduzido – mal – como sofrimento, mas que estará mais perto de ansiedade, insatisfação), ondularíamos na ordem da cura. Felizmente essa inquietação transmuta-se, na e pela arte, em interrogações nómadas, em afirmação territorial, no desempenho de uma absoluta liberdade. Cada imagem revela uma determinada ordem do olhar e murmura um território: lembra-nos que qualquer um de nós o poderia ter apreendido, que ele estava lá, que o universo se desmembra em mundos semelhantes, em dimensões aparentemente longínquas mas finalmente próximas, que um sentido de Unidade tudo permeia e equilibra. Mas, por outro lado, se o nomadismo é sintoma de liberdade e de inquietação, o que dizer de um olhar que define territórios, cria mundos, encontra semelhanças, pro-
põe índices, um olhar que permanentemente oscila entre criação e transição? Que se inquieta enquanto não define um território outro e lhe proporciona visibilidade? Que esse parto é um instante de felicidade? Que este instante inevitavelmente se esgota e a viagem compulsiva se reinicia? A resposta é, claramente, afirmativa, pois é neste paradoxo, entre a criação de novos territórios e o seu abandono, que se desenvolve a demanda artística, nesta exposição de António Conceição Júnior. Como série, estas fotografias
COMO SÉRIE, ESTAS FOTOGRAFIAS PERDEM À PARTIDA UM ESTATUTO DE CORPUS DEFINITIVO E REMETEM PARA MÚLTIPLAS EXISTÊNCIAS, MÚLTIPLAS VIDAS, EM MÚLTIPLOS LUGARES perdem à partida um estatuto de corpus definitivo e remetem para múltiplas existências, múltiplas vidas, em múltiplos lugares. Existe, portanto, uma relação quase linear
entre nomadismo e uma incessante criação de multiplicidades, fatalmente percorridas pela Unidade mas entre si cindidas e capazes de ofertar diferentes espaços de explanação e resolução. A câmara, enquanto objecto técnico, ilude o mundo e nesse movimento desvela a inesperada luz de certos corpos, as cintilações ou subtis curvas no espaço mas revela, antes de mais, uma semelhança, uma contiguidade inultrapassável, entre o real e a imagem, esse espaço indefinido de onde a imaginação pode, cautelosamente, subtrair uma tímida magia.
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DESPORTO
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WING KEI DESCEU À 2ª DIVISÃO E NGAN IENG VAI DISPUTAR LIGUILHA
Monte Carlo e Ka I confirmam credenciais MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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STÃO definidos os nomes dos semi-finalistas da edição de 2014 do principal Campeonato de Futebol de Sete do território. Depois da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau e do Taxi Chi Iao terem garantido na quinta-feira um lugar na segunda fase da mais popular competição de futebol da RAEM, na sexta-feira foi a vez do Clube Desportivo Monte Carlo e do Windsor Arch Ka I confirmarem a presença mas meias-finais da prova. Orientada por Tam Iao San, a formação “canarinha” não deixou créditos por mãos alheias na sétima e última ronda da fase de grupo da “Bolinha” e manteve o registo imaculado, com um triunfo fácil por duas bolas a zero no braço-de-ferro com o Ngan Ieng. O sete do Monte Carlo confirmou credenciais e garantiu o pleno nos sete encontros da fase regular da prova, com Anderson Braz a marcar os dois golos que valeram ao emblema “canarinho” a sétima vitória noutras tantas partidas disputadas na presente edição da competição. À entrada para a última ronda da fase de grupos do campeonato, o Monte Carlo era a única formação que ainda não tinha desperdiçado qualquer ponto na prova e seis minutos bastaram para perceber que não seria frente ao Ngan Ieng que o sete orientado por Tam Iao San iria somar o seu primeiro descalabro. O emblema “canarinho” não necessitou de
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selecção de futebol de Macau recebe amanhã no Estádio da Taipa a sua congénere de Singapura para um encontro particular que tem por objectivo ajudar a formação da cidade-estado a preparar a participação na fase final da edição de 2014 da Taça Suzuki. A selecção orientada pelo alemão Bernd Stange cumpre desde o início da semana passada um estágio de preparação para o certame na vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong e na passada sexta-feira foi derrotada pelo onze da antiga colónia britânica no primeiro dos dois desafios de preparação que tinha agendados no âmbito da deslocação ao sul da China. Em Setembro, Singapura e Hong Kong tinham empatado sem golos num encontro disputado no estádio Hougang, na vibrante cidade-estado da península malaia.
muito mais do que cinco minutos para saltar para a frente do marcador, com Anderson Braz a dar a melhor conclusão a uma boa jogada de ataque do Monte Carlo e a abrir as portas a um novo triunfo dos líderes da Série B da “Bolinha”. O avançado brasileiro levou a melhor sobre a linha defensiva adversária à entrada da área do Ngan Ieng e bateu o guarda-redes Chui Kam Wai com um remate cruzado. Embalado pelo golo, o grupo de trabalho orientado por Tam Iao San não perdeu tempo e aos onze minutos redobrou a vantagem de que dispunha, com Anderson Braz a fazer esquecer a ausência de Rodrigo Carmo do sete inicial, ao apontar com um remate colocado o segundo tento do desafio. O avançado voltou a ser mais rápido que a defesa do Ngan Ieng e disparou de fora da área com o pé direito para o fundo da baliza à guarda de Chui Kam Wai. O Ngan Ieng ainda ensaiou a resposta por várias ocasiões, mas nunca conseguiu colocar em risco a baliza defendida pelo veterano Domingos Chan e a primazia do Clube Desportivo Monte Carlo. A formação “canarinha” vai agora defrontar nas meias-finais o Taxi Chi Iao, segundo classificado da Série A, atrás da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau.
a duas, num desafio que teve no bechuano Samuel Ramosoeu a sua principal figura. O avançado, nascido no Botswana mas naturalizado sul-africano, marcou seis dos sete tentos apontados pelo Ka I. Coube, ainda assim, ao brasileiro Bruno Figueiredo inaugurar o marcador, aos quatro minutos, antes do “tufão” Ramosoeu devastar a defensiva adversária. Figueiredo bateu Lok Ka On com um remate colocado, antes de Samuel Ramosoeu estender, dois minutos depois, a vantagem do Ka I com um remate à boca da baliza do Meng Ian. Christopher Nwarou ainda re-
duziu para a formação adversária, mas a eficácia ofensiva de Samuel Ramosoeu cedo deixou perceber que rumo levava o desafio. O dianteiro voltou a fazer o gosto ao pé aos onze minutos e concluiu o primeiro dos dois “hat-tricks” que apontou no derradeiro minuto da primeira parte. A etapa complementar trouxe mais do mesmo, com Samuel Ramosoeu a marcar de novo aos 35, aos 42 e aos 49 minutos. Ieong Vai Hou encerrou a contagem já em período de descontos, ao apontar o segundo golo do derrotado Meng Ian.
PRESENÇA ASSEGURADA
Com um lugar cativo na segunda fase da prova está também o Windsor Arch Ka I. A formação orientada por Chan Man Kin não comprometeu na derradeira jornada da fase de grupos e goleeou o Meng Ian Club por sete bolas
FORMAÇÃO DA CIDADE-ESTADO PERDEU COM HONG KONG POR 2-1
Singapura joga amanhã na Taipa Na sexta-feira, em Mong Kok, a história do segundo duelo entre ambas as formações em menos de dois meses escreveu-se com outras nuances, com a selecção da vizinha Região Administrativa Especial a inaugurar o marcador ao fim de apenas sete minutos. Xu Deshuai tirou proveito de um erro da defesa da formação visitante e desfeiteou Izwan Mahbud na baliza de Singapura com um remate colocado. O grupo de trabalho orientado por Bernd Stange respondeu quatro minutos depois por intermédio de Shahfiq Ghani, mas o dianteiro não conseguiu enquadrar o remate com a baliza adversária.
Andy Nagalein dispôs de uma grande oportunidade para marcar o segundo da formação da casa aos trinta e sete minutos, mas Izwan Mahbud respondeu à iniciativa com uma grande defesa. O guarda-redes de Singapura nada pode fazer para negar o golo ao centro-campista Ju Yingzhi pouco depois. O médio marcou na resposta a uma boa solicitação do autor do primeiro golo, Xu Deshuai.
TENTO DE HONRA
A perder por duas bolas a zero, o onze visitante só na recta final da partida conseguiu suavizar os contornos da derrota, com Sharil
Ishak a converter a partir da marca de onze metros, num lance a punir falta de um defesa de Hong Kong sobre Safuwan Bahrudin. Apesar da derrota, o seleccionador de Singapura, Bernd Stange, não se mostrou desagradado com a performance da equipa em Mong Kok, mas amanhã, no estádio da Taipa, quer que o resultado e o desempenho da equipa apontem num mesmo sentido: “Há, obviamente, duas coisas a considerar. Uma é o resultado e a outra é a performance. Penso que o que alcançamos frente a Hong Kong não foi mau de todo, porque dominamos durante a maior parte do encontro e jogamos um
Já com a permanência no principal escalão da “Bolinha” garantida, Lam Ieng e Selecção de Sub-23 empataram a um golo. Os dois tentos foram apontados na recta inicial da segunda parte, com Lam Ka Seng a inaugurar o marcador para a formação da Associação de Futebol de Macau aos 27 minutos, antes do macaense Eduardo Pedro Tong repôr a igualdade no placard dois minutos depois na cobrança bem sucedida de uma grande penalidade. Condenado à despromoção, o lanterna-vermelha Wing Kei despediu-se do convívio dos grandes da “Bolinha” do território com uma derrota por 2-1 frente ao Grupo Desportivo da Polícia de Segurança Pública. O onze das forças de segurança inaugurou o marcador logo aos dois minutos, por intermédio de Herculano Monteiro Soares. O Wing Kei, que não somou qualquer ponto durante a fase regular da competição, ainda conseguiu repôr a igualdade no marcador a sete minutos do fim do tempo regulamentar, mas a dois minutos dos cinquenta Lai Kwok Ho voltou a colocar o Grupo Desportivo da Polícia na liderança do marcador. Com sete derrotas noutros tantos jogos disputados, o Wing Kei não conseguiu evitar a descida ao Campeonato de Futebol de Sete da Segunda Divisão. O Ngan Ieng vai disputar com o Grupo Desportivo Lam Pak e com os dois primeiros posicionados do segundo escalão uma liguilha a quatro que decide quem irá dispurar no próximo ano a principal prova de futebol de sete do território.
futebol que me deixou agradado. Frente a Macau só temos de repetir a receita, ainda que com um resultado a nosso favor”, sublinha o técnico alemão. Quatro vezes vencedora da Taça Suzuki e actual detentora do troféu, Singapura acolhe com o Vietname a fase final da edição de 2014 da competição. A prova, também conhecida como Campeonato de Futebol das Nações do Sudeste Asiático, é este ano disputada pelas duas selecções anfitriãs e pelas formações das Filipinas, da Malásia, da Tailândia e da Indonésia e ainda pelo vencedor do torneio de apuramento para a fase final da competição. A fase de qualificação para o certame arrancou ontem no Laos e para além da formação anfitriã é ainda disputada pelas selecções de Timor-Leste, do Camboja, do Myanmar e do Brunei. - M.C.
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
23
MAX
29
HUM
40-75%
•
EURO
10.0
BAHT
0.2
DUO PARNAS (FIMM) Teatro D. Pedro V, 20h00 200 a 250 patacas
THE MAZE RUNNER [B]
Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 14.30, 19.30, 21.30
Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 19.30
THE MAZE RUNNER [B]
Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 16.30
“PINKTOBER” – FESTA DE CARIDADE DE APOIO À FUNDAÇÃO DO CANCRO DA MAMA DE HK Hard Rock café, 21h15 150 patacas (com oferta de t-shirt)
SALA 3
JUON - THE BEGINNING OF THE END [C] FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 14.30, 16.30, 19.3, 21.30
SALA 2
DRACULA UNTOLD [C]
Um filme de: Gary Shore Com: Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance 14.15, 16.00, 17.45, 21.30
ACONTECEU HOJE
1.3
O QUE FAZER ESTA SEMANA
ANNABELLE ANNABELLE [C]
?
YUAN
• Hoje
SALA 1
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• Amanhã ORQUESTRA FILARMÓNICA DE SÃO PETERSBURGO APRESENTA “ROMANTISMO RUSSO” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 300 a 680 patacas
13 DE OUTUBRO
Nasce Margaret Thatcher, a primeira-ministra que criticava a União Europeia • Hoje é dia de recordar Margaret Hilda Thatcher, que nasceu em Lincolnshire, a 13 de Outubro de 1925. Estudou Ciências Químicas na Universidade de Oxford, mas destacou-se graças a uma carreira política invejável, como primeira-ministra britânica. Esse percurso iniciou-se bem cedo, nas eleições gerais de 1959 no Reino Unido, em que Thatcher foi eleita representante parlamentar pela região de Finchley. Viria a ser nomeada secretária do Departamento de Educação e Habilidades no executivo de Edward Heath, em 1970. Cinco anos mais tarde, é eleita líder do Partido Conservador, tornando-se na primeira mulher a liderar um dos principais partidos do Reino Unido. Em 1979, é eleita chefe do governo, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Nunca uma mulher fora chamada para ocupar o cargo, em toda a Europa. Margaret Thatcher morou no n.º 10 de Downing Street entre 1979 e 1990. Durante os seus mandatos, estava determinada em inverter o que considerava ser o declínio nacional de Inglaterra. Centrou a sua acção na desregulamentação do sector financeiro, flexibilizando o mercado de trabalho e privatizando as empresas estatais. Perdeu popularidade durante a recessão provocada pela crise do petróleo de 1979, mas a vitória britânica na Guerra das Malvinas e a recuperação económica ajudaram à sua reeleição, em 1983. Sobreviveu a uma tentativa de homicídio em 1984 e ganhou a alcunha de ‘Dama de Ferro’. Viria a ser reeleita para um terceiro mandato em 1987, mas sua visão crítica sobre a criação da União Europeia levou-a a perder o apoio do partido. Margaret Thatcher renuncia aos cargos de primeira-ministra e líder do partido em 1990.
João Corvo
• Quarta-feira ORQUESTRA FILARMÓNICA DE SÃO PETERSBURGO APRESENTA “CONTOS DA RÚSSIA” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 300 a 680 patacas CORO GULBENKIAN APRESENTA “MÚSICA SACRA DO ALTO BARROCO AO ROMANTISMO FRANCÊS” (FIMM) Igreja de São Domingos, 20h00 Entrada com bilhete gratuito (pré-marcação)
• Quinta-feira
U M D I S C O H O J E “IN PARALLEL” (ANNEKE VAN GIERSBERGEN, 2009) Anna Maria van Giersbergen é uma cantora, pianista, autora e guitarrista alemã. Atributos não lhe faltam. Depois de abandonar, em 2007, o seu projecto de rock, através de uma banda à qual pertencia, Anneke - assim conhecida - ingressou numa carreira a solo que já conta com mais de três álbuns. Desta vez escolhemos um de 2009, com o cantor e guitarrista inglês Danny Cavanagh. O álbum – In Parallel – é uma verdadeira compilação de melodias cúmplices, harmoniosas e revitalizantes. - Filipa Araújo
fonte da inveja
Pouco se aprendeu com o resultado de pedir o impossível.
CORO GULBENKIAN APRESENTA “MÚSICA PORTUGUESA DOS SÉCULOS XVII E XX” (FIMM) Centro Cultural de Macau, 20h00 120 a 250 patacas
• Sexta-feira FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-museu da Taipa Entrada livre
• Sábado LAURIE ANDERSON APRESENTA “A LINGUAGEM DO FUTURO” (FIMM) Fortaleza do Monte, 20h00 80 patacas ORQUESTRA DE MACAU APRESENTA “MEDITADOR” Centro Cultural de Macau, 20h00 80 a 200 patacas FESTIVAL DA LUSOFONIA Casas-museu da Taipa Entrada livre
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OPINIÃO
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M 9 de Outubro de 2014, o website “house.cnyes.com” publicou uma peça em que anunciava que em Ningbo, na China, o governo subsidiou os estudantes universitários para adquirirem as suas próprias casas (quarto ou apartamento). Se o estudante completou o seu curso nos últimos 10 anos e a sua propriedade tiver até 90 m2, o formado recebe um subsídio de 1% do preço da sua propriedade. Se a área da propriedade tiver entre 91m2 e 140m2, então o governo subsidia 0.75% do valor total da casa. Além de ter de ter completado um curso superior, o candidato aos fundos tem também de ter contribuído para a segurança social por um mínimo de três meses. Se o estudante universitário tiver também um mestrado, não pode receber mais de 3,000 RMB como subsídio para a compra da casa. O mercado imobiliário recebeu esta política de“braços abertos” por acreditar que a medida vai aumentar a confiança dos compradores na aquisição de novas propriedades. Agora, vamos considerar a situação de Hong Kong. A maior parte de nós sabe que as casas em Hong Kong são extremamente caras. O website “jdonline” publicou um artigo no dia 9 de Outubro descrevendo que o preço da propriedade tinha subido cerca de 54%. Esta variação fazia com que a maior parte dos jovens não pudesse obter o seu próprio imóvel. O artigo relatava ainda como o último governador de Hong Kong, Christoper Pat-
cartoon por Stephff
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DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
macau visto de hong kong
As políticas de habitação ten, descreveu as políticas da habitação do território vizinho como as piores em vigor. Isto devia-se ao facto de 10% das receitas do Governo serem provenientes da venda de terrenos, o que dava aos agentes imobiliários mais poder para negociar com as autoridades locais. Para mais, uma grande parte da classe média investia em propriedades. Se o preço destes imóveis tivesse uma descida acentuada, tanto a classe média como os agentes colocavam pressão sobre as autoridades, chegando o próprio Governo a registar perdas nestas situações. Os custos de manutenção de propriedades mais caras ao longo do tempo faziam com que as camadas mais jovens tivessem dificuldade em manter as propriedades, o que por sua vez fazia com que se verificasse cada vez mais insatisfação na sociedade. A situação em Macau é diferente da de Hong Kong, onde a maior parte das receitas das autoridades é proveniente da indústria do Jogo. A variação do preço dos imóveis não tem grande efeito sobre o Governo, mas como no território vizinho, as autoridades são frequentemente pressionadas pelos residentes locais, embora de uma maneira mais fraca. Para um bom exemplo das políticas de habitação praticadas na Ásia, devemos considerar Singapura. No princípio, os regulamentos
A lei pode nos ajudar a distinguir o que está correcto do que está errado, assim como aquilo que constitui um crime. Porém, não tem capacidade de resolver o problema dos preços elevados das casas eram muito semelhantes aos de Hong Kong. Em 1964, o governo de Singapura permitiu a venda de habitações sociais aos seus residentes, mas com condições muito severas.Apenas indivíduos com baixo-rendimento e aqueles que pudessem pagar 20% do preço da casa na primeira instalação estavam habilitados à compra destas propriedades. Porém, desde 1968, os residentes locais podem utilizar os fundos de segurança social para pagar a primeira instalação destas propriedades. Isto resolveu os problemas geralmente relacionados com o primeiro pagamento dos imóveis e fez com que o volume de vendas aumentasse para o dobro.
PESADELO
Na década de 1970, as autoridades locais construíram mais habitações sociais na cidade. Mas não fiquem confusos com o termo “habitação social”. Estas propriedades eram muito bem feitas, sendo comparadas em qualidade com casas privadas construídas por agentes imobiliários. Estas políticas de habitação vieram a resolver os problemas encontrados na classe média e na classe baixa com sucesso. Hoje em dia mais de 85% da população vive em propriedades sociais, enquanto que os 15% restantes reside em casas privadas. As medidas adoptadas em Singapura oferecem um bom termo de comparação. As propriedades destinam-se ao uso dos cidadãos, pois para se obter uma sociedade estável, estes têm de ter os seus próprios espaços para viver e trabalhar. Se parte das propriedades não forem reservadas para fins residenciais, como será possível que os residentes se sintam seguros? E sem segurança, como podem estes sobreviver? Ao mesmo tempo, é preciso satisfazer as necessidades do Governo e garantir que a sociedade seja estável. O jornal macaense “Exmoo” publicou uma notícia no dia 9 de Outubro mencionando que 6,146 aplicações para residências sociais foram apresentadas no ano de 2013. Destas, 20% foram feitas por indivíduos com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos. Este número indicava claramente que maior parte da juventude local estava com dificuldade em obter o seu próprio apartamento. A mesma fonte incluía uma entrevista com Lao, um professor local, que disse que “hoje em dia, uma casa em Macau com 40 anos custa cerca de 3 milhões de patacas. É impossível para os mais jovens adquirirem essa propriedade com as suas poupanças”. Esta declaração exemplifica claramente os problemas que a nossa sociedade enfrenta relativamente à habitação. Se estes obstáculos não forem resolvidos, podem tornar-se num grande problema. Como mencionamos anteriormente, Hong Kong também enfrenta estes problemas de preços demasiado elevados. Como as receitas das autoridades locais dependem muito da venda de terras, o problema é mais difícil de resolver no território vizinho. Neste sentido, Macau é mais feliz do que Hong Kong, pois tem a liberdade de formular as suas próprias políticas de habitação para ajudar todos os residentes locais. Talvez a política de subsídios utilizada em Ningbo possa ser adaptada às duas regiões administrativas especiais. A lei pode nos ajudar a distinguir o que está correcto do que está errado, assim como aquilo que constitui um crime. Porém, não tem capacidade de resolver o problema dos preços elevados das casas. É a responsabilidade dos administradores públicos de formular uma política de habitação que seja prática e construtiva para o uso do público. Nestes casos, as leis são de menor importância. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau
DIÁRIO DE BORDO
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POR CARLOS MORAIS JOSÉ
ontem macau
A GUERRA ALI AO LADO Do outro lado da fronteira, cidadãos turcos assistem à batalha por Kobani, travada entre as forças do Grupo Estado Islâmico e as milícias curdas. Sem grande importância estratégica, a cidade tornou-se hoje numa referência psicológica na guerra contra o islão radical.
horah
A falta de vocação
“A base para um diálogo construtivo foi minada. É impossível realizar uma reunião construtiva amanhã”, CARRIE LAM • SECRETÁRIA-CHEFE DO GOVERNO DA RAEHK
“Fernão Mendes Pinto foi por duas ou três vezes ao Colégio de S. Paulo de Goa na esperança de conseguir reaver o dinheiro que emprestara a S. Francisco Xavier para construção de uma igreja no Japão.” JOSÉ SIMÕES MORAIS • COLABORADOR DO HM
“Todos sabem que os filipinos são bons empregados, nunca dizemos que não aos nossos patrões, (...) queremos ser bons empregados porque não queremos ser despedidos. Sabemos que se alguma coisa correr mal é o filipino que vai embora.” MIKEY • FILIPINO HÁ 11 ANOS EM MACAU
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édito
“Quero saber quantas casas poderão ficar prontas em 2020. É necessário seguir o assunto, tendo em conta que só temos mais cinco anos antes da data” Melinda Chan, deputada | P.4
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É NOTÓRIA a vontade do governo em fazer algo numa área que já bradava aos céus, ou seja, um olhar atento para as zonas históricas de Macau, ameaçadas de submersão pelos casinos gigantones. Pedia-se uma estratégia, um conceito; gritava-se por um conjunto de medidas que garantisse a existência de um núcleo urbano real, para além do plástico do nosso entretenimento. Mas o governo claramente não tem vocação para levar este assunto demasiado a sério como ele exige. A renovação das zonas históricas de Macau não é fácil. Exigiria algo que já deveria ter sido feito há vários anos, a saber, um aprofundado estudo sociológico, histórico e demográfico de cada área da cidade, para compreender em profundidade o sentido das futuras intervenções e suas respectivas consequências. Um assunto desta natureza dificilmente pode ser deixado à iniciativa privada, na medida em que, compreensivelmente, não tem o tipo de sensibilidade nem interesse necessários para que a intervenção respeite todos os elementos em presença. Sem uma análise das condições concretas, rapidamente se amontoarão erros atrás de erros que, mesmo que remendados – e Macau é tão bom a remendar –, não deixarão de causar mossas irremediáveis nas preciosidades que a cidade ainda possui. Claro que a não existir uma estratégia de valorização das pessoas, do factor humano, nos bairros em questão, assistiremos a situações de conflito, de desajuste de interesses. Um dos defeitos mais interessantes deste governo é a confusão quase constante que faz entre pedras e pessoas quando se refere ao património, preterindo as segundas, enquanto as primeiras se mantiverem de pé. Se a inclusão de Macau na lista da UNESCO teve algum sentido positivo, este revelou-se quando o ICM se preocupou em divulgar com alguma intensidade junto da juventude de Macau o património da cidade. Temos de reconhecer que existe hoje um sentido mais autêntico de pertença e identidade, ao qual não está de modo nenhum alheio o facto de Macau ser uma cidade patrimonial com uma história única, quer no seio da China, quer de toda a região. São estas pessoas que hoje têm também de ser consultadas sobre o que esperam da sua cidade e como pensam agir para a tornar num espaço onde história e contemporaneidade se cruzam sem se abafarem e bem pelo contrário se estimularem.
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COREIAS NORTE CANCELA ENCONTROS COM SUL
Tudo como dantes A
Coreia do Norte cancelou sábado reuniões de alto nível com a vizinha Coreia do Sul justificando a decisão com o lançamento de propaganda anti-Pyongyang por parte de Seul. As duas Coreias envolveram-se sexta-feira em troca de fogo de artilharia pesada junto à zona de fronteira quando, aparentemente, uma embarcação do Norte tentava atingir balões com propaganda contra o regime de Kim Jong-un habitualmente lançados a partir do Sul. “Por causa dos actos irresponsáveis e provocantes do regime fantoche … a reunião de alto nível é descartada”, refere uma nota da empresa Uriminzokkiri, o servidor norte-coreano de Internet. Apesar da atitude das autoridades de Pyongyang, a porta ao diálogo não ficou totalmente fechada. “Está dependente dos fanto-
ches sul-coreanos qual o futuro das relações Norte-Sul no futuro”, acrescenta a nota.
AMERICANOS ACUSADOS
O acordo para o regresso às reuniões de alto nível tinha sido concretizado numa visita surpresa das autoridades da Coreia do Norte à parte sul da península para o encerramento dos JogosAsiáticos de Incheon, fazendo aumentar as esperanças num alívio da habitual tensão bilateral. Pyongyang tem repetidamente alertado as autoridades de Seul para que sejam suspensos os lançamentos de balões com aquilo que designa propaganda anti-Coreia do Norte, sublinhando que tais actos poderiam resultar num final “catastrófico” para as relações transfronteiriças. A Coreia do Norte acrescenta, contudo, mais culpados no caso dos balões, nomeadamente o que designa também de “fantoche” Governo norte-americano.
Tailândia Islâmicos queimam seis escolas
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EIS escolas ficaram total ou parcialmente destruídas no sul da Tailândia devido a incêndios provocados por, segundo a polícia, alegados membros rebeldes muçulmanos, revelou ontem a imprensa local. Os ataques ocorreram de madrugada em cinco centros do distrito de Thung Yang Daeng e outro no distrito de Mayo, todos eles na província de Pattani. Todos os colégios ficaram completamente destruídos e as aulas foram suspensas, excepto num deles em que os residentes nas imediações conseguiram extinguir o fogo. Perto de 6.000 pessoas já morreram na violência nas província de Pattani, Yala e Narathiwat desde que o mo-
vimento separatista islâmico retomou a sua actividade em Janeiro de 2004. Os atentados com armas ligeiras e explosivos, bem como os homicídios, repetem-se a um ritmo quase diário na região de maioria muçulmana e etnia malaia, apesar dos 40.000 elementos das forças de segurança e do Estado de excepção. Escolas e professores são alvos habituais dos rebeldes que os consideram instrumentos ao serviço da maioria budista da Tailândia. Os rebeldes denunciam a discriminação que sofrem da maioria budista do país e exigem a criação de um Estado islâmico que integre as três províncias que faziam parte do antigo sultanato de Patanni, anexado pela Tailândia há um século.