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Hoje Macau 13 JAN 2021 #4688

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JUSTIN HO YIN

GCS

SHENZHEN

ENTREVISTA

PÁGINA 5

JUSTIN LANE/EPA

PUB.

ANABELA SANTIAGO

A SAÚDE DA CHINA HO E A LUSOFONIA

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MOP$10

QUARTA-FEIRA 13 DE JANEIRO DE 2021 • ANO XX • Nº4688

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

FRINGE

BAILA COMIGO EVENTOS

hojemacau ANOS

O fim de uma Era O magnata do jogo, ferrenho apoiante de Trump e Netanyahu, Sheldon Adelson, faleceu ontem aos 87 anos. ÚLTIMA


2 ENTREVISTA

ANABELA SANTIAGO DOUTORANDA DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

“Relação da China com OMS não sairá abalada” Esta quinta-feira uma equipa de peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) chega à China para investigar a origem do novo coronavírus. Para Anabela Santiago, doutoranda da Universidade de Aveiro na área das políticas de saúde pública da China, a relação do país com a OMS não sairá afectada e pode até ajudar a pôr um ponto final a muitas teorias da conspiração sobre a covid-19

O que poderemos esperar da visita da OMS à China? O resultado desta investigação poderá alterar a relação da China com a OMS, ou a própria credibilidade da China face às políticas na área da saúde? A visita de um grupo da OMS inclui peritos de várias áreas que podem ajudar, de facto, a elucidar um pouco qual foi a origem deste novo coronavírus, independentemente de ter sido na China ou não. A relação da China com a OMS, e com outras instituições das quais o país faz parte, não sairá abalada por esta visita. Apesar de ouvirmos diariamente nas notícias que a China colocou entraves a esta visita a verdade é que isto não é inédito, e no que toca à China há sempre entraves burocráticos por algum motivo. Esta missão já estava prevista há algum tempo e o atraso deve-se a burocracia com os vistos. Pelo que tenho vindo a estudar, a visita prende-se essencialmente com um espirito de cooperação da comunidade científica, ou seja, [os peritos] não vão lá “pôr a mão na massa”, porque os cientistas chineses têm vindo a fazer isso. O que a OMS vai tentar ver é o que tem sido feito pela comunidade científica chinesa e tentar transmitir isso ao mundo. Vão tentar dar uma certa transparência daquilo que está a ser feito no terreno pelos cientistas chineses e que agora vão ter a colaboração de outros parceiros, sempre numa lógica de cooperação. A OMS vai fazer uma espécie de auditoria,

[O Healthy China 2030] “mostra que já havia uma preocupação com o sector da saúde e este plano também marca uma posição.” [da China]

mas isso não quer dizer que estes cientistas descubram tudo no espaço de poucas semanas. A visita visa também acabar com a especulação que se tem gerado em torno da origem do vírus, com muitas teorias da conspiração associadas à Administração Trump. Sim, penso que será mais nessa perspectiva, de acabar com certos preconceitos, até porque já vários elementos da OMS e da própria equipa que vai estar no local vieram dizer que esta não é uma busca pelo responsável do vírus, porque isso pouco importa nesta fase. Independentemente do resultado que se venha a obter, é importante trazer algumas lições em termos de saúde pública e daquilo que os diversos governos, dos vários países, podem fazer para que isto não volte a acontecer. À China também interessa esta transparência para manter o seu soft power e as suas políticas de ajuda na área da saúde?

ESPECIALISTA DIZ PARA NÃO SE ESPERAR UMA CONCLUSÃO DA VISITA À CHINA

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ale Fisher, presidente da Global Outbreak Alert & Response Network, ligada à OMS, disse esta segunda-feira, na conferência Reuters Next, que não se deve esperar uma conclusão concreta da visita da OMS à China, a propósito da investigação da origem do novo coronavirus. “Estou mais inclinado para que as expectativas face a uma conclusão sejam muito baixas para esta visita. Penso que é uma visita importante mas não se deve exagerar relativamente ao surgimento de um resultado desta vez”, disse, citado pela Reuters. Esta quinta-feira uma equipa de peritos da OMS irá voar para Wuhan a partir de Singapura, confirmou ontem Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. No entanto, ainda não está confirmado se a equipa da OMS terá de fazer quarentena à chegada ao país, não tendo sido também adiantados detalhes da visita.

Sim. A China, como sabemos, tem um sistema político muito fechado em si próprio e não vamos agora tecer juízos de valor. Tem havido muitas vozes que se erguem contra a censura, a tentativa de abafar determinados assuntos, mas isso sempre aconteceu independentemente deste contexto de pandemia. Mas penso que interessa à China trazer evidências científicas para limpar alguma imagem menos boa que possa ter passado para o mundo ocidental e desmistificar tudo isto. Trazer à luz evidências de que o vírus não foi criado em laboratório, por exemplo, e outros aspectos que têm vindo a público. A China depressa conseguiu dar a volta e tirar partido do facto de ter sido o primeiro país onde foram detectados os casos para logo de seguida tomar medidas e até ajudar outros países. Fazer da assistência humanitária uma bandeira.

Recentemente o Conselho de Estado chinês divulgou mais um Livro Branco sobre a cooperação internacional onde a área da saúde surge em grande destaque. Acredita que no contexto da política “Uma Faixa, Uma Rota” a saúde será a área dominante nas relações da China com outros países, nos próximos anos? A pandemia da covid-19 veio também dar mais destaque a esta área? O conceito de “Uma Faixa, Uma Rota” é muito abrangente e é um projecto que inicialmente não tinha tanto foco na saúde. Tinha por base

a criação de infra-estruturas. O que aconteceu é que a pandemia veio dar um grande destaque à área da saúde, daí que a saúde não teria tido tanta preponderância neste projecto como está a ter, é um facto. Todo o programa de “Uma Faixa, Uma Rota” está a ser alvo de reestruturação e não sei se a saúde terá o papel predominante, mas terá sem dúvida um papel importante. Esse programa já não está a ser re-orientado para infra-estruturas físicas, porque muitos dos contratos estão a ser revistos e cancelados, e a China está a tentar re-orientar esta faceta para um desenvolvimento mais digital. A iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” não está posta em causa, mas vai ter de se adaptar às novas circunstâncias. E a Rota da Seda da Saúde vai ter um papel muito importante, até porque falamos também do sector agro-alimentar, à segurança alimentar e de produção de medicamentos.

A China sempre foi encarada como sendo um país com pouca credibilidade nessa área. De certa forma, o país cada vez mais se afasta dessa imagem. Sim, sem dúvida. Podemos fazer a comparação com o surgimento do vírus SARS-Cov-1, em 2003, e vemos uma China muito mais preparada para lidar com crises de saúde pública. Portanto, isso é inegável e a China sempre se pautou por querer passar de um país onde não havia grande investigação científica e onde a formação dos quadros técnicos não era muito avançada, para um país onde o desenvolvimento se baseia na economia e na investigação. O sector da saúde é um grande exemplo disso. Em 2013, quando se criou a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, foi uma maneira de dar corpo ao que o Presidente chamou de “sonho chinês”. A China tem todo o potencial para, do ponto de vista internacional, ser vista como uma potência que ainda não atingiu certos patamares de excelência, mas que caminha a passos largos nesse sentido. Esta iniciativa que eles têm de receber equipas estrangeiras e de enviarem pessoal das


3 quarta-feira 13.1.2021 www.hojemacau.com.mo

suas universidades para o exterior é um sinal de abertura do país. De certa maneira, olhando para a UE, a China ganhou terreno na resposta à pandemia? É evidente que não podemos comparar os números chineses com os europeus porque a popu-

“Podemos fazer a comparação com o surgimento do vírus SARS-Cov-1, em 2003, e vemos uma China muito mais preparada para lidar com crises de saúde pública.”

lação é maior. Do ponto de vista da resposta que é dada, sim. É um assunto um pouco polémico, mas muitos media referem que a medicina tradicional chinesa (MTC) também tem ajudado no combate à covid-19, coisa que não acontece na Europa. Não há evidências científicas nesse sentido, se será a melhor via para o tratamento da doença, se é apenas um cuidado adicional. Mas a China também refere que conseguiu uma resposta eficaz à covid-19 pela via da MTC. A população chinesa também acata melhor regras e o uso de máscara é mais habitual. A MTC tem estado muito presente no discurso político das autoridades chinesas. Mas, ao mesmo tempo, parece que a

“Em termos da relação da China com a OMS e outras instituições das quais o país faz parte não sairá abalada por esta visita.” medicina ocidental está a prevalecer. Até que ponto é que a MTC vai manter o mesmo peso a nível da diplomacia chinesa? Vai haver uma co-existência da MTC com a medicina ocidental, porque a China, apesar de se mostrar cada vez mais aberta a novos conhecimentos com o ocidente, e apesar de haver esta troca de conhecimentos a nível global, o país, por uma questão de herança

cultural, não vai querer abandonar, de todo, a MTC. A MTC nunca vai desaparecer completamente e servirá talvez como um complemento à medicina ocidental. Os chineses encaram isso como uma coisa boa, tanto que a MTC nunca deixou de aparecer nos discursos oficiais. A China tem tentado, nas duas últimas décadas, atingir determinados objectivos de desenvolvimento sustentável segundo a agenda da ONU para 2030, e esse também é um sinal de que se pode contar com o país para assumir uma posição na arena global na área da saúde. Queria também frisar o plano que a China tem a nível interno, o Healthy China 2030, que é um programa do Governo chinês traçado antes da pandemia no sentido de implementar reformas no sector da saúde

ao nível interno. Claro que não há nenhuma nação que pretenda ser um player importante na arena global sem ter primeiro os seus problemas internos resolvidos. O facto de implementarem esse plano, que visa que todos os chineses tenham acesso a cuidados de saúde primários, uma rede eficiente, e que todos tenham acesso a um seguro de saúde, é muito importante. Isso mostra que já havia uma preocupação com o sector da saúde e este plano também marca uma posição. Independentemente da pandemia, a China já queria ser um país com algum destaque na área da saúde. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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13.1.2021 quarta-feira

MACAU-TAIPA LEI CHAN U QUESTIONA GOVERNO SOBRE QUINTA LIGAÇÃO

Em resposta a uma interpelação escrita de José Pereira Coutinho, os Serviços e Saúde (SS) revelaram que até ao dia 23 de Setembro de 2020, foram vacinadas 120 mil pessoas, não tendo havido registo “de qualquer reacção adversa grave após a vacinação”. Recorde-se que o deputado pediu ao Governo mais detalhes sobre a aquisição de vacinas contra a Covid-19 e o plano de vacinação contra a gripe sazonal, referindo as mortes que aconteceram na Coreia do Sul ligadas à sua administração. “Os efeitos secundários têm sido semelhantes às vacinas em geral, principalmente, vermelhidão, dor, erupções cutâneas ligeiras no local da inoculação e normalmente desaparecem após 1 a 2 dias”, pode ler-se na resposta assinada pelo director dos SS, Lei Chin Ion. Sobre a vacina contra covid-19, os SS reiteraram que as 1,4 milhões de doses serão adquiridas “com a maior brevidade possível”.

Vai ou não vai haver? O deputado Lei Chan U, dos Operários, quer saber quais são os planos do Executivo para o túnel subaquático e se o projecto é mesmo para avançar, numa altura em que se pondera a desistência da Zona D dos Novos Aterros

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deputado Lei Chan U interrogou o Governo sobre a construção da quinta ligação entre a Península de Macau e a Taipa, um túnel subaquático que deverá ficar situado ao lado da Ponte Governador Nobre de Carvalho. O assunto foi abordado numa interpelação revelada ontem, em que o legislador ligado aos Operários de Macau recordou que neste momento está em curso um estudo para a elaboração preliminar do projecto com um custo de 100 milhões de patacas. No ano passado, o Governo alterou os planos para os aterros e mostrou-se disponível para abdicar da Zona D dos Novos Aterros, caso conseguisse a ligação entre a Areia Preta e a Zona A dos Novos Aterros. Contudo, a Zona D dos Aterros era essencial para a quinta ligação. Face a este cenário, Lei Chan U diz que o Governo deve fazer um ponto da situação. “O Governo tem sublinhado que a quinta ligação é apenas um projecto a ser estudado, o que mostra que há uma atitude vaga. Por isso quero perguntar, o Governo vê a construção

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ESDE Maio até Dezembro houve três acidentes com trabalhadores no Porto Interior que resultaram em igual número de mortes. Por este motivo, a deputada Ella Lei escreveu uma interpelação a questionar o Governo sobre o andamento das investigações à sequência de ocorrências trágicas. Numa interpelação em que defendeu ser inaceitável que se registem três mortes no espaço de oito meses, Ella Lei indicou que é necessária uma inspecção rigorosa às condições de segurança de trabalho ao nível da inspecção do porto, barcos e da segurança nas operações realizadas com as embarcações. A deputada dos Operários afirmou tam-

TIAGO ALCÂNTARA

Gripe Cerca de 120 mil vacinados sem reacção adversa

Lei Chan U, deputado “Com o crescimento da população nas Ilhas e o rápido desenvolvimento do Cotai, o trânsito nas travessias ficou cada vez mais intenso.”

da quinta ligação como uma prioridade?”, questiona o deputado pró-Governo. A opção de abdicar da Zona D dos Aterros é outro aspecto que também levanta dúvidas ao membro daAssembleia Legislativa. “Apesar de o Governo frisar que a decisão sobre a Zona D ainda não foi tomada, pode haver um grande impacto para a quinta ligação. Por isso, gostava de saber se os estudos que estão a ser feitos apenas consideram que vai haver Zona D ou se estão preparados para que não haja? E quando é que se espera que os estudos estejam concluídos?”, interroga.

PROBLEMAS DE TRÂNSITO

No que diz respeito à ligação, Lei Chan U afirmou que acredita ser uma necessidade e que estava identificada desde 2006, quando a ideia foi apresentada pela primeira vez

durante as Linhas de Acção Governativa. O plano acabou por ser suspenso, mas o deputado acredita que se justifica a construção. “Com o crescimento da população nas Ilhas e o rápido desenvolvimento do Cotai, o trânsito nas travessias ficou cada vez mais intenso, principalmente quando está mau tempo, o que faz com que o trânsito seja um problema sério”, defendeu. “O Governo anterior tinha-se comprometido com o projecto da quinta travessa entre a Zona B e a Zona D dos Novos Aterros e, em 2016, até foi feito um estudo de viabilidade [...] Em Novembro de 2018, foi mesmo atribuído um contrato para a concepção preliminar [...] com um valor de aproximadamente 100 milhões de patacas e um prazo de execução de 800 dias”, acrescentou.

Há lodo no cais

Ella Lei quer saber resultados de investigações a mortes de trabalhadores no Porto Interior

bém que os casos mostram a importância dos responsáveis pelos portos estarem atentos aos procedimentos de segurança e de aplicarem as penas previstas para as diferentes infracções. Segundo o documento, a legisladora admite que a interpelação surgiu após ter recebido várias queixas de moradores para as condições de segurança no Porto Interior, mas que estas queixas são apenas a “ponta do icebergue” dos problemas de segurança, porque, segundo Ella Lei, os principais riscos

passam despercebidos ao cidadão comum.

TRÊS QUEDAS, TRÊS ÓBITOS

As mortes a que se refere a deputada aconteceram todas no último ano e ficaram a dever-se a quedas para o mar. A primeira ocorreu em Maio, quando um trabalhador não-residente do Interior terá escorregado e caído ao mar, já depois de ter terminado o horário de trabalho. A família acredita que o homem terá caído quando já tinha regressado ao barco onde estava hospedado.

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Um mês depois, em Junho, a tragédia aconteceu quando um capitão estava a fazer uma descarga de mercadorias e sofreu uma queda para o mar. O corpo foi recuperado já sem vida. O último dos acidentes, aconteceu no final do mês passado, quando um marinheiro local também caiu ao mar, durante o trabalho no Porto Interior. Face à sucessão de casos, a deputada apelou ao Governo para que revele as conclusões das investigações que deverão estar em curso e pediu para que seja ponderada uma revisão das multas aplicadas, de forma a encorajar as empresas e responsáveis a seguirem as orientações de segurança. Nunu Wu (com J.S.F.)

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política 5

quarta-feira 13.1.2021

H

O Iat Seng defendeu durante um encontro com o secretário do Comité do Partido Comunista da cidade de Shenzhen, Wang Weizhong, que o território deve apostar na exploração dos mercados lusófonos, nomeadamente no desenvolvimento da

LUSOFONIA HO IAT SENG DIZ QUE SHENZHEN DEVE APROVEITAR MACAU PARA EXPLORAR MERCADOS

Cooperar em português indústria da medicina tradicional chinesa. “Em Shenzhen, deve haver muitas empresas que pretendem internacionalização, sendo possível aproveitar o papel de plataforma de Macau para explorar os mercados dos países lusófonos. O Governo da RAEM vai aperfeiçoar de forma constante a sua função de plataforma de serviços para a cooperação empresarial sino-portuguesa”, pode ler-se num comunicado divulgado na segunda-feira à noite, o último dia da visita oficial de Ho pelas cidades da Grande Baía. Ho Iat Seng disse ainda“que Macau está empenhado em desenvolver a indústria da medicina tradicional chinesa e que, no futuro, os medicamentos podem ser registados em Macau e vendidos para a Grande Baía e gradualmente até às outras regiões”. Considerando que os dois territórios podem promover a partilha de recursos educativos no seio da Grande Baía, o Chefe do Executivo espera também reforçar sinergias nos campos da educação, inovação tecnológica e da inovação científica. Ho Iat Seng sublinhou ainda a vontade de reforçar a cooperação bilateral com Shenzhen na dinamização do desenvolvimento do turismo cultural e das indústrias criativas.

GCS

O Chefe do Executivo considera que Shenzhen deve aproveitar as vantagens de Macau para explorar os mercados dos países lusófonos. Do encontro com o secretário do Comité do Partido Comunista da cidade de Shenzhen, Wang Weizhong, ficou ainda a vontade de reforçar sinergias nos campos da medicina tradicional chinesa, educação, inovação tecnológica e inovação científica

está empenhada “na construção de uma área-piloto de demonstração do socialismo com características chinesas” e que a cidade irá colaborar no novo padrão de desenvolvimento da China, ou seja, o mercado interno servirá “como base”, para os mercados interno e

EXEMPLO A SEGUIR

Por seu turno, Wang Weizhong frisou que Shenzhen

PME Executivo diz que já injectou 3 mil milhões no sector

O Governo defende que dos 4,8 mil milhões de patacas gastos no âmbito do cartão de consumo até Novembro mais de 3 mil milhões foram injectados em Pequenas e Médias Empresas (PME). A informação foi reiterada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) numa resposta a uma interpelação do deputado Sulu Sou. No que diz respeito à situação do desemprego, a DSAL diz que está a tentar identificar outros tipos de trabalho que os residentes locais estejam dispostos a realizar, além de esperar que a saída dos trabalhadores não-residentes abram mais oportunidades de emprego para os locais.

externo “se impulsionem mutuamente”. O responsável disse ainda esperar que a cooperação bilateral entre os dois territórios seja alargada “para atingir um padrão de nível internacional” e “aproveitar as vantagens de Macau”, nomeadamente ao nível

“Em Shenzhen, deve haver muitas empresas que pretendem internacionalização, sendo possível aproveitar o papel de plataforma de Macau para explorar os mercados dos países lusófonos.” HO IAT SENG CHEFE DO EXECUTIVO

dos “serviços modernos e inovação tecnológica” e do intercâmbio com os países lusófonos. Recorde-se que durante a visita à província de Guangdong, que teve início na passada sexta-feira, Ho Iat Seng já defendera o reforço da cooperação com cidades da Grande Baía para acelerar o crescimento das indústrias financeira, tecnológica e da saúde. Num momento em que, “para além dos trabalhos de prevenção da pandemia ainda se promove proactivamente a recuperação do turismo”, Macau necessita “de acelerar o crescimento das indústrias da saúde, do

sector financeiro moderno e da tecnologia”, podia ler-se numa nota das autoridades, na qual se citava o Chefe do Executivo. Além de Ho Iat Seng, a delegação de Macau que participou na visita às cidades da Grande Baía, integrou elementos do Executivo, como o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, a chefe do gabinete do líder do Governo, Hoi Lai Fong, e a directora dos Serviços de Turismo, Helena de Senna Fernandes. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

TNR ASSOCIAÇÃO PEDE INCENTIVOS ECONÓMICOS AO GOVERNO

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Associação Macau Oversea Worker Employment Agency sugere que as empresas fiquem isentas de pagar 600 patacas por trimestre por cada trabalhador não-residente do Interior. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, o presidente da associação, Ao Ieong Kuong Kao, considerou que, com as poupanças, as empresas poderiam dar 600 patacas aos TNR de fora de Cantão, num formato parecido ao cartão de consumo, para encorajá-los a ficar durante o Ano Novo Chinês

em Macau. Segundo o presidente da associação o montante serviria para pagar despesas quotidianas dos trabalhadores, como a realização do teste do ácido nucleico. Ao Ieong Kuong Kao disse concordar com o apelo do governo para que se evitem viagens desnecessárias para o Interior durante o Ano Novo Chinês, mas alertou que os TNR que trabalham com ele consideram que ficar em Macau, Zhuhai e Zhongshan é sempre mais caro, porque os preços são mais elevados,

e que também por esse motivo os TNR do Interior preferem regressar aos locais de origem. Segundo a associação, há 110 mil trabalhadores do Interior em Macau na condição de TNR dos quais 40 mil provenientes de províncias que não Guangdong, como Hebei, Liaoning ou Heilongjiang. Ao Ieong Kuong Kao afirmou ainda, segundo a experiência dos anos anteriores que 90 por cento destes TNR costumam celebrar o Ano Novo Chinês nas terras natais.


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13.1.2021 quarta-feira

Malásia Avião fretado levou 50 retidos em Macau

Mais de 50 cidadãos malaios deixaram ontem Macau, num voo charter com destino a Kuala Lumpur, organizado pelo Consulado da Malásia em Hong Kong e Macau. A notícia foi avançada pela Rádio Macau e esta foi a primeira iniciativa do género das representações de Macau e Hong Kong do Governo da Malásia desde o início da pandemia. Além dos 53 malaios, na maioria trabalhadores não-residentes, seguiram a bordo do voo da Air Asia mais três passageiros em trânsito, todos naturais de Singapura. À Radio Macau, Kelvin Tan, da Câmara do Comércio da Malásia em Macau, disse que os repatriados representavam “provavelmente 99,9 por cento” dos TNR malaios retidos na RAEM.

Capitais Denunciadas menos transacções suspeitas em 2020

Apostando numa carta internacional, além da comida portuguesa, o “Roosevelt D’Ouro” pretende “oferecer ao público experiências para todos os gostos”, sendo um restaurante “dedicado à gastronomia portuguesa, salas privadas para eventos ou celebrações à medida”

RESTAURAÇÃO ROOSEVELT COM NOVO RESTAURANTE PORTUGUÊS

Comida D’Ouro

Chama-se “Roosevelt D’Ouro” e é o novo restaurante de comida portuguesa no empreendimento com o mesmo nome. Herlander Fernandes, chefe executivo do espaço, falou da coragem em arriscar num novo projecto numa altura de crise e nas expectativas moderadas para um novo ano com as fronteiras ainda praticamente fechadas

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empreendimento Roosevelt tem um novo restaurante dedicado à comida portuguesa. Fernando Sousa Marques explorava até há bem pouco tempo o espaço Varandas, que foi agora substituído pelo projecto “Roosevelt D’Ouro”, com João Figueiredo e Herlander Fernandes como chefe executivo da cozinha. Ao HM, Herlander Fernandes falou da aposta de risco feita numa altura em que o território continua praticamente fechado ao mundo. “O D’Ouro surgiu como uma oportunidade de negócio que encarei como uma progressão de carreira. Achei que estava no momento de

abraçar um projecto maior, ainda que não fosse a altura ideal. Apesar das condições adversas, não podíamos perder a oportunidade de explorar as possibilidades de um espaço como este”, frisou. Apostando numa carta internacional, além da comida portuguesa, o “Roosevelt D’Ouro” pretende “oferecer ao público experiências para todos os gostos”, sendo um restaurante “dedicado à gastronomia portuguesa, salas privadas para eventos ou celebrações à medida”. Questionado sobre as expectativas para este projecto, são ainda baixas, dada a conjuntura no sector do turismo. “São realistas. Não esperamos que haja grandes

melhorias face ao ano anterior no que diz respeito às restrições nas fronteiras e, consequentemente, no número de visitantes no território.” Nesse sentido, o foco dos promotores do “Roosevelt D’Ouro” será “o mercado local, que nos tem dado um bom feedback nesta fase inicial”. “Sobre esta estratégia temos vários eventos planeados, de forma a solidificar o conceito e trazer uma dinâmica à cidade”, acrescentou.

VARANDAS NÃO RESISTIU

Fernando Sousa Marques parece ter sido uma das vítimas da crise que afectou o sector da restauração da Macau, tendo confirmado ao

HM que actualmente apenas explora o restaurante A Toca, na Taipa. Numa reportagem publicada pelo HM em Fevereiro do ano passado, no início da pandemia, o empresário do sector da restauração confessava que poderia vir a fechar as portas do seu negócio no Roosevelt, dizendo que o apoio concedido pelo Governo não era suficiente. “Para o Varandas, 600 mil [patacas] é muito pouco, pois só com o cancelamento das festas na altura do Ano Novo Chinês perdi um milhão de patacas. Tenho 30 empregados e preciso de os manter. Vou fechar a partir do dia 15 até ao dia 30, depois veremos se a situação melhora”, contou. “Acredito que podem fechar [as pequenas e médias empresas], eu sou um deles também. Acredito que há muita gente que não consegue e desiste, simplesmente. Não digo que o Toca feche, pois consigo aguentar se o senhorio for flexível, e ele tem sido, mas o Varandas tem um custo muito maior. O proprietário tem capacidade para explorar, mas eu não tenho”, disse, na altura. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O número de transacções suspeitas de branqueamento de capitais ou de financiamento do terrorismo denunciadas às autoridades registou uma quebra de 24,4 por cento no ano passado. Segundo os números apresentados pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF) foram sinalizadas 2.224 transacções no ano passado, em comparação com o total de 2.941 reportadas em 2019. No que diz respeito às transacções suspeitas sinalizadas pelas operadoras de jogo, houve uma redução de 698 transacções, de 1.913 em 2019 para 1.214 no ano passado. Já nas instituições financeiras e companhias de seguros a redução foi de 880 para 677 transacções. Só no campo das “outras instituições” é que foi registado um aumento das transacções sinalizadas, que cresceram de 148 em 2019 para 332 no ano passado.

UCM Interior pede mais amor à pátria

O Ministério da Educação pediu à Universidade da Cidade de Macau para insistir na promoção do amor à pátria e reforçar a comunicação com as instituições do ensino superior do Interior, no sentido de promover a integração na Grande Baía. De acordo com uma notícia do jornal Ou Mun, o pedido foi deixado quando Tian Xuejun, vice-ministro da Educação, recebeu uma delegação com os administradores da Universidade de Cidade de Macau, no dia 8 de Janeiro. Tian Xuejun disse ainda pretender que a universidade forme mais quadros qualificados que se empenhem na defesa do princípio “Um País, Dois Sistema”, e que incentive os alunos de Hong Kong e Macau a fazerem intercâmbios no Interior, para conhecerem o país e a Grande Baía. O governante defendeu ainda que a universidade deve concretizar um desenvolvimento maior no seio da Grande Baía, cooperando também com os países da língua portuguesa que participam na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.


sociedade 7

quarta-feira 13.1.2021

Menos sinais de fumo

Cerca de 2.000 infracções relacionadas com tabaco em 2020

O JOGO APANHADO COM HOLOGRAMAS PARA FALSIFICAR FICHAS

Aposta perdida

Um cidadão do Interior foi detido e arrisca-se a passar até 10 anos na prisão por ter cometido uma burla com fichas falsas. O crime, no valor de 190 mil dólares de Hong Kong, foi cometido com a ajuda de outro suspeito que se encontra em fuga

U

M homem com 51 anos foi detido depois de alegadamente ter utilizado e trocado 190 mil dólares de Hong Kong em fichas falsas em casinos no centro de Macau. Anotícia foi avançada pela Polícia Judiciária (PJ) numa conferência de imprensa realizada ontem e o suspeito está indiciado pela prática de burla de valor consideravelmente elevado. O crime terá ocorrido no dia 26 de Outubro, entre as 8h e as 18h, quando o suspeito, e um colega, terão ido a um casino no centro de Macau, tendo utilizado fichas falsificadas. O esquema

foi detectado logo no mesmo dia, quando os trabalhadores começaram a verificar a existência de fichas ilegais com um valor unitário de 5 mil dólares de Hong Kong. Estas foram verificadas não só nas mesas, mas também na tesouraria e nas mãos de outros quatro jogadores. Segundo as contas, as 38 fichas falsificadas encontradas naquele dia resultaram em perdas de 190 mil dólares de Hong Kong. A utilização de fichas falsas alertou os trabalhadores. O indivíduo assim que se apercebeu de que se falava do assunto dentro do casino fugiu e saiu de Macau, assim como o colega.

Com os homens em fuga, as autoridades recorreram ao sistema de videovigilâncias para identificarem os dois suspeitos. Passados uns meses, o sujeito decidiu regressar a Macau, na semana passada, a 8 de Janeiro. Porém, no dia 11 de Janeiro foi interceptado pelas autoridades, após ter entrado num dos casinos do território pela 11h.

CULPA ASSUMIDA

Confrontado pela polícia com as acções anteriores, o suspeito confessou a prática do crime. O cidadão, de apelido Chou, revelou ainda que tinha comprado 150 fichas falsas com o valor

Fogo Registados menos 113 incêndios durante o ano passado No ano passado houve menos 113 incêndios do que em 2019, o que representa uma redução de 12 por cento, de acordo com os dados apresentados pelo Corpo de Bombeiros e citados pelo canal chinês da Rádio Macau. Segundo a informação, os incêndios foram causados principalmente por esquecimentos do fogão ligado, queima de

incenso, velas ou papéis. Já o total de saídas de ambulância, foi de cerca de 36,8 mil vezes por ano, o que também representa uma quebra de cerca de 12 por cento, em termos anuais. Sobre o transporte de casos de suspeita de infecção por covid-19, até dia de Janeiro houve 2489 casos com 3246 pessoas envolvidas.

unitário de 5 mil dólares através da Internet, e que dessas tinha trazido 100 para Macau. Quanto às restantes 50 fichas, indicou que se tinha desfeito delas após ter regressado ao Interior, em Outubro do ano passado. O suspeito foi ainda interrogado sobre o destino dos 190 mil dólares de Hong Kong que as vítimas se queixaram de ter perdido, afirmando ter gasto 100 mil dólares desse montante. Quanto aos restantes 90 mil, Chou disse estar desempregado e ter enviado o dinheiro para uma conta bancária no Interior. Quando foi interceptado o homem trazia ainda consigo dois hologramas com o logotipo da SJM, que as autoridades acreditam ter sido utilizado para falsificar as fichas. Por esse motivo, os materiais foram enviados para o Departamento de Ciência Forense. O outro indivíduo que participou no esquema revelado ontem pela PJ ainda se encontra em paradeiro desconhecido. O caso foi encaminhado para o Ministério Público e o suspeito está indiciado pela prática de valor de consideravelmente elevado, punido com uma pena de prisão que vai de 2 a 10 anos. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

S Serviços e Saúde (SS) revelaram ontem que em 2020 foram registadas 2.345 infracções relacionadas com tabaco, uma descida assinalável em relação ao ano passado, tendo em conta que em 2019 foram assinalados 5.337 casos. Das infracções à lei do tabaco em 2020, 21 casos são referentes ao uso de cigarros electrónicos em zonas proibidas, 22 casos a ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco e um caso de venda de cigarro electrónico. Contudo, devido ao impacto da pandemia, os SS dão nota para uma descida acentuada no número de inspecções realizadas em estabelecimentos. Se em 2019, foram efectuadas 333.646 inspecções, em 2020 esse número caiu para 182.220. De entre os casos detectados em 2020, a esmagadora maioria dos fumadores ilegais (2.169 casos) eram homens (92,5 por cento), ao passo que 7,5 por cento eram mulheres (176 casos). Relativamente à proveniência dos infractores, 1.193 multas foram aplicadas a cidadãos residentes de Macau (50,9 por cento), 956 multas aplicadas a turistas (40,8 por cento) e 196 das infracções foram cometidas por trabalhadores não residentes (8,4 por cento). Além disso, do total dos 2.345 casos registados, 1971 infractores (83,2 por cento) pagaram multa, sendo que em 72 casos foi necessário o apoio das forças de segurança. Já nos casinos, foram realizadas 409 inspecções, tendo sido alvo de acusação, 165 indivíduos que fumavam em locais proibidos. Destas, 155 eram homens e 10 são mulheres. Quanto à proveniência, 106 eram turistas (64.2 por cento), 57 são residentes de Macau (34,5 por cento), dois são trabalhadores não residentes (1,2 por cento).

LEI RECENTE

Recorde-se que desde o dia 1 de Janeiro de 2019, com excepção das salas de fumadores criadas de acordo com as novas normas e permitidas em aeroportos e casinos, é proibido fumar nos recintos fechados públicos em Macau, bem como, o fumo ilegal (incluindo o fumo ilegal de cigarros electrónicos) pode ser multado em 1.500 patacas. No total, até ao dia 31 de Dezembro, os SS receberam 40 pedidos apresentados pelos casinos para a criação de 853 salas de fumadores, das quais 750 salas já foram aprovadas. P.A.


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A menina danca? ` DANÇA FRINGE SAI À RUA PARA ENSINAR MACAU A DANÇAR

FOTOS JUSTIN HO YIN

13.1.2021 quarta-feira

Integrada na 20.ª edição do Festival Fringe, a série “On Site” arranca já na próxima semana, focada em levar a dança contemporânea às ruas de Macau. Para o director artístico da iniciativa, Mao Wei, esta é uma boa forma de ensinar “o que é um espectáculo de dança”. Os nove programas previstos incluem ainda workshops, espaços de conversa, espectáculos de dança, jogos e actuações improvisadas

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ORQUE é que as pessoas querem ir ao cinema ver filmes e não querem ir ao teatro assistir a um espectáculo de dança contemporânea, inclusivamente quando os bilhetes são mais baratos?” A pergunta é de Mao Wei, director artístico da iniciativa “On Site”, uma série de espectáculos dedicados à dança contemporânea, que marcam o início da 20.ª edição do Festival Fringe na próxima semana. Para Wei, uma iniciativa como o “On Site” é extremamente importante para Macau, sobretudo porque “a adesão à dança contemporânea em Macau é muito mais lenta do que nos países americanos ou europeus”. “As pessoas não têm o hábito de ir assistir a um espectáculo de dança, nem conhecimento para deslindar o que significa ‘contemporâneo’ neste contexto. Na minha opinião isto acontece porque, muitas vezes, as pessoas não sabem o que é um espectáculo

de dança, nem o que se passa dentro de uma sala de espectáculos”, disse ontem Mao Wei ao HM, antes de uma conferência de imprensa que serviu para detalhar a programação da série “On Site”. Por isso mesmo, a iniciativa inclui nove programas que prometem transplantar dançarinos de Macau e da China, dos palcos para a malha urbana da cidade. Além de espectáculos de música e dança, estão ainda previstos workshops de prática corporal, espaços de conversa, jogos e actuações improvisadas onde todos podem participar. “Viajante do Corpo” é uma dessas performances que vai tomar as ruas de Macau em quatro geografias diferentes,

“Quando levamos o espectáculo para a frente de edifícios ou vistas e Macau, há uma química diferente.” TRACY WONG CURADORA

nos dias 22 e 23 de Janeiro. Sem iluminação ou cenografia, o Largo de S.Domingos (11h do dia 22), o Largo do Pagode do Bazar (15h do dia 22), o Jardim da Fortaleza do Monte (11h do dia 23) e o terraço da Ponte 9 (15h do dia 23) farão de palco para as interpretações de peças de dança executadas por Lin Ting-Syu, bailarino indicado para o Prémio Artístico Taishin, Yang Shih Hao, artista de roda acrobática, o Ghost Group, grupo de dança contemporânea e outros artistas. Para Tracy Wong, curadora da iniciativa “On Site”, “Viajante do Corpo” é a “introdução ideal para quem não sabe nada de dança contemporânea”, porque, além de ser uma experiência única ao ar livre, tem o condão de aglutinar diferentes estilos de dança. “No teatro só é possível ver o corpo dos artistas, a forma como ele pressente as emoções e o significado dos movimentos. Mas quando levamos o espectáculo para a frente de edifícios ou vistas e Macau, há uma química

diferente (…) é possível apercebermo-nos do panorama geral e sentir o momento por inteiro, o céu, talvez os pássaros e as pessoas à volta”, partilhou com o HM.

IMPROVISOS E PRAZOS DE VALIDADE

Agendado para as 15h00 do dia 21 de Janeiro, a iniciativa baseada no conceito de improvisação “ImprovFlashMob”, pretende propõe que o público se junte ao músico local Bruce Pun, para dar corpo ao som e improvisar danças no largo de S. Domingos. Aberta à criatividade dos particiantes está também a iniciativa “Open Space”, prevista para os dias 22 e 23, e que será um espaço de dança livre ao som de música contemporânea, que ficará, uma vez mais, a cargo de Bruce Pun. Já para “aqueles que depois dos espectáculos ficaram interessados em saber como é que os artistas desenvolvem o corpo ou o próprio conceito artístico”, explica Tracy Wong, estão previstos três workshops entre as 20h30 e as 22h00 dos dias 19, 20 e 21.

As sessões ficarão a cargo de Dong Jilan, Wang Peixian e Allen Zhou. Outro dos destaques, desta vez debaixo do tecto das Oficinas Navais Nº1 do Centro de Arte Contemporânea de Macau, é o espectáculo “Um Passo para o Teatro: Prazo de

Validade”. Com espectáculos agendados para as 20h00 dos próximos dias 22 e 23, a ideia passa, segundo a curadoria, “por abordar a necessidade de aproveitar o momento e de não pensar demasiadamente no futuro”. Conceito que ganha novos contornos, quando en-


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quarta-feira 13.1.2021

LIVROS IIM LANÇA OBRA SOBRE O MISSIONÁRIO JÚLIO MASSA

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Instituto Internacional de Macau apresenta na próxima, terça-feira, dia 19 de Janeiro, o livro “Júlio Augusto Massa – Missionário pensador”. Segundo uma nota oficial divulgada ontem, aquele que é o 12º. volume da colecção “Missionários para o Século XXI”, da autoria do prof. António Aresta, constitui uma biografia do missionário transmontano de Freixo de Espada à Cinta, que chegou a Macau em 1935, tornando-se depois sacerdote e professor interino do Liceu de Macau, leccionando português e latim. Fundador do jornal “O Clarim”, o Pe. Júlio Massa era também “um pensador com grandes afinidades com o existencialismo cristão, entrelaçado com as paisagens exteriores da vida”, que teve sempre Macau no seu imaginário, tendo deixado poemas escritos. Além de contar com transcrições de alguns desses

poemas, o livro “Júlio Augusto Massa – Missionário pensador” conta ainda com testemunhos dos seus alunos, o padre Américo Casado e Eduardo Francisco Tavares, entre outros reunidos e recordados pelos membros da Associação dos Antigos Alunos do Seminário de S. José de Macau e por muitas outras pessoas. No dia do lançamento, a apresentação ficará a cargo de Tereza Sena, investigadora de História, havendo ainda lugar para uma mensagem em vídeo da presidente da Câmara do Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas, terra natal do Pe. Júlio Massa.

PORTUGAL SOCIEDADE DE AUTORES CRIA PRÉMIO CARLOS DO CARMO

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quadrada no actual contexto da pandemia. “A pandemia levou-nos a pensar muito sobre distanciamentos e que tudo na vida tem um prazo de validade, quer seja a comida que compramos ou os telemóveis que usamos. Não vale a pena

pensar quando é que isto vai acabar. Ninguém sabe. É como um relacionamento. É impossível saber durante quanto tempo consegues manter uma relação. Escolhemos este espectáculo para fazer as pessoas pensar sobre o que é o prazo de validade e o que

vem depois disso”, explicou Tracy Wong. Ao longo de toda a iniciativa será ainda possível participar no jogo “Pegadas On Site”, em que os participantes poderão recolher autocolantes que podem ser trocados por bilhetes para o espectáculo “Um Passo para

o Teatro: Prazo de Validade” e para o evento “Espaço de conversa”, onde é possível interagir com artistas. Pedro Arede

pedro.arede.hojemacau@gmail.com

Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) anunciou ontem a criação do Prémio Carlos do Carmo, “a atribuir anualmente ao melhor disco de fado”, numa homenagem ao cantor de “Lisboa, Menina e Moça”, que morreu primeiro dia do ano. O prémio, “ainda sem valor determinado, será entregue autonomamente ou durante a Gala dos Autores Portugueses, por decisão de um júri constituído por nomes destacados dos corpos sociais da cooperativa, que integram personalidades como Rui Vieira Nery, António Victorino d’Almeida, Paulo de Carvalho, Pedro Abrunhosa, Vitorino Salomé, Tozé Brito, António Manuel Ribeiro e Miguel Ângelo, entre outros”, lê-se no comunicado da cooperativa de autores. O galardão é “uma homenagem sentida a um dos maiores intérpretes musicais portugueses de sempre”, afirma a SPA, da qual Carlos do Carmo era cooperador desde 1997 e que, em Maio de 2001, tinha sido distinguido com o Prémio de Consagração de Carreira. Em 2015, Carlos do Carmo recebeu também a Meda-

lha de Honra da SPA, “pela qualidade da sua carreira e também pelo apoio sempre dado à divulgação da obra dos poetas contemporâneos que escolheu”. Além disso, o fadista foi vencedor de um Grammy Latino de Carreira, que recebeu em 2014, entre outros galardões, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, como o Olympia, em Paris, a Ópera de Frankfurt, o Canecão, no Rio de Janeiro, e o RoyalAlbert Hall, em Londres. Carlos do Carmo cantou, entre outros, poemas de Nuno Júdice, Júlio Pomar, Maria do Rosário Pedreira, José Manuel Mendes, Fernando Pinto do Amaral, Joaquim Pessoa e José Luís Tinoco, que também compôs algumas das canções-chave do fadista, como “No Teu Poema” e “Um Homem na Cidade”. Para a SPA, “a morte de Carlos do Carmo [aos 81 anos] foi uma das grandes perdas nacionais neste longo período de confinamento”. Carlos do Carmo despediu-se dos palcos em 9 de Novembro de 2019, num concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.


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Concurso público da empreitada de << Remodelação do Novo Mercado Abastecedor- Armazém Para Divisão de Formação e Documentação no 8 andar>> 1. 2. 3. 4. 5.

DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO Concurso Público n.º 2/CON/DGI/2020 A Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho de 31 de Dezembro de 2020 da Ex.ma Senhora Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para o “Arrendamento do Café do Museu do Grande Prémio de Macau”. 1. 2. 3. 4.

Entidade adjudicante: Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura Entidade responsável pela realização do processo: Direcção dos Serviços de Turismo. Modalidade do concurso: Concurso Público. Objecto: Arrendamento do Café do Museu de Grande Prémio de Macau (doravante designada por Café), para exploração de cafetarias de alta qualidade. 5. Renda base: rendamento mensal base MOP25.000,00 6. Prazo de validade das propostas: O prazo de validade da Proposta é de 90 dias, a contar da data do acto de abertura das propostas do concurso público, sendo prazo prorrogável nos termos no artigo 36.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. 7. Caução provisória: A caução provisória de MOP25.000,00 (vinte e cinco mil patacas), pode ser prestado mediante: 1) depósito em numerário à ordem do Fundo de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem do Fundo de Turismo 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau. 8. Caução definitiva: A caução definitiva correspondente a dois meses de renda. 9. Local para obtenção da cópia e consulta do processo do concurso: Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar Entidade o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de duzentas patacas (MOP200,00); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism.gov.mo , e fazer “download” do mesmo. 10. Local, dia e horário da Sessão de esclarecimento: A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 10:00 horas do dia 19 de Janeiro de 2021. 11. Os pedidos de esclarecimento de quaisquer dúvidas relativas ao conteúdo do processo devem ser apresentados, por escrito, até às 17:45 horas do dia 26 de Janeiro de 2021, na página electrónica da indústria turística da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), na coluna de informação relativas às aquisições, e as respectivas respostas serão publicadas através da página electrónica. 12. Local, dia e horário limite para entrega das propostas: Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 17:00 horas do dia 24 de Fevereiro de 2021. 13. Local, dia e horário do acto de abertura das propostas: O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 5.o andar pelas 10:00 horas do dia 25 de Fevereiro de 2021. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. 14. Adiamento: Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimentom inspecção do local e de abertura das propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. 15. Critérios de adjudicação e factores de ponderação Critérios de adjudicação Factores de ponderação Valor da renda 20% Planos de gestão e de exploração comercia 20% Plano de venda dos produtos 20% Projecto de planeamento do interior do Café 20% Experiências do concorrente 20% Direcção dos Serviços de Turismo, aos 7 de Janeiro de 2021.

A Directora Maria Helena de Senna Fernandes

Entidade adjudicante: Chefe do Executivo de Macau Entidade de concurso: Instituto para os Assuntos Municipais Modalidade do concurso: concurso público. Local de execução da obra: Novo Mercado Abastecedor, Macau. Objecto da empreitada: Remodelação do Novo Mercado Abastecedor- Armazém Para Divisão de Formação e Documentação no 8 andar. 6. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade da proposta é de 90 dias, a contar da data do acto público do concurso, prorrogável nos termos previstos no programa de concurso. 7. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. 8. Caução provisória: seiscentas mil patacas MOP$ 600,000.00, a prestar por depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais, em nome do “Instituto para os Assuntos Municipais do Governo da Região Administrativa Especial de Macau”. Caso seja em numerário, a prestação da caução deve ser efectuada na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do IAM ou no Banco Nacional Ultramarino de Macau, juntamente com a guia de depósito (em triplicado), havendo ainda que entregar a referida guia na Tesouraria da Divisão de Assuntos Financeiros do Instituto, após a prestação da caução, para efeitos de levantamento do respective recibo official. As despesas resultantes da prestação de cauções constituem encargos do concorrente. 9. Caução definitiva: a caução definitiva é de 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, em reforço da caução definitiva a prestar). 10. Preço base: não há. 11. Condições de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. 12. Local, dia e hora limite para entrega das propostas: Núcleo de Expediente e Arquivo do IAM, sito na Avenida de Almeida Ribeiro, n.º 163, R/C , Macau, até às 17:00 horas do dia 10 de Março de 2021 . 13. Local, dia e hora do acto público: Divisão de Formação e Documentação do IAM, sita na Avenida da Praia Grande n.º804, Edifício China Plaza 6º andar, Macau, no dia 11 de Março de 2021 , pelas 10:00 horas. Os concorrentes ou seus representantes deverão estar presentes no acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. 14. Local, dia e hora para exame do processo e obtenção da versão digital do processo do concurso: O projecto, o caderno de encargos, o programa do concurso e outros documentos complementares podem ser examinados, no DEM do IAM, sito na Avenida da Praia Grande n.º517, Edifício Comercial Nam Tung, 18º andar, Macau, durante as horas de expediente, desde o dia da publicação do anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. No local acima referido poderão ser solicitadas até às 17:00 horas do dia 5 de Fevereiro de 2021 , versão digital do processo do concurso ao preço de MOP$ 500.00 por exemplar, ao abrigo do n.º 3 do artigo 52.º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, de 8 de Novembro. 15. Prazo de execução da obra: O prazo de execução não poderá ser superior a 180 dias, contados a partir da data de consignação dos trabalhos. 16. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço global da empreitada e Lista de Preços Unitários......... .................................................60% -Prazo de execução razoável...........................................................................................................10% - Plano de trabalhos..........................................................................................................................10% - Experiência em obras semelhantes..............................................................................................10% -Material.............................................................................................................................................5% - Percentagem de trabalhadores residentes......................................................................................5% 17. Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer no Departamento de Edificações Municipais do IAM, sito na Avenida da Praia Grande n.º517, Edifício Comercial Nam Tung, 18º andar, Macau, a partir de 22 de Fevereiro de 2021 inclusive, e até à data limite para entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, aos 05 de Janeiro de 2021 O Administrador do Conselho de Administração para os Assuntos Municipais Mak Kim Meng www. iam.gov.mo


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quarta-feira 13.1.2021

Cientistas dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietname, Alemanha e Qatar farão ainda parte desta missão

OMS INVESTIGADORES CHEGAM AO PAÍS UM ANO APÓS A PRIMEIRA MORTE

Em busca da origem

Muito aconteceu na China e no mundo desde o primeiro caso de infecção com o novo coronavírus. Esta quinta-feira, chega a Wuhan uma equipa da Organização Mundial de Saúde, que viaja a partir de Singapura, para avaliar a origem da pandemia

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AIS de um ano após a primeira morte provocada pela covid-19, dez investigadores e especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) chegam à China para investigar a origem do novo coronavírus esta quinta-feira, uma semana depois do inicialmente previsto. A missão tem como principal objectivo viajar até Wuhan, onde foram notificados os primeiros casos de covid-19, no final de 2019, e além da OMS integra especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Mundial de Saúde Animal. Cientistas dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca, Austrália, Vietname, Alemanha e Qatar farão ainda parte desta missão. Em Fevereiro e Julho de 2020, duas equipas de especialistas visitaram a China com o mesmo objectivo da actual missão, mas poucos pormenores foram divulgados sobre a origem de um

vírus que já provocou quase dois milhões de mortes entre as cerca de 90 milhões de pessoas que ficaram contagiadas pelos SARS-CoV-2 em todo o mundo. A visita da missão à China, em particular a Wuhan, foi confirmada segunda-feira pelas autoridades de Pequim, depois de, na semana passada, ter sido anulada à última hora por falta das autorizações necessárias por parte de Pequim, tendo agora as autoridades chinesas dado luz verde.

RARA TENSÃO

Na sequência do sucedido, e numa rara demonstração de tensões entre a OMS e o Governo chinês, o director-geral da agência, Tedros Adanon Ghebreyesus, disse

então estar “muito decepcionado” com os obstáculos colocados pelas autoridades chinesas à chegada dos especialistas, para uma missão que sofreu meses de atrasos e tem estado rodeada por secretismo de ambas as partes. Na rede social Twitter, congratulou-se agora com o anúncio feito ontem por Pequim, e disse que a equipa quer “trabalhar com especialistas chineses” no âmbito de uma “missão crucial” para identificar a origem do vírus e a “via de transmissão para a população humana”. Nos últimos meses, Pequim reagiu mal aos pedidos de uma investigação independente, tendo mesmo aplicado sanções comerciais à Austrália, que insistiu nesse sentido em várias ocasiões.

A visita da missão à China, em particular a Wuhan, foi confirmada segunda-feira pelas autoridades de Pequim, depois de, na semana passada, ter sido anulada à última hora por falta das autorizações necessárias por parte de Pequim, tendo agora as autoridades chinesas dado luz verde

As autoridades chinesas, apesar de confirmarem a visita da missão, que está previsto durar entre cinco a seis semanas, não adiantaram quaisquer pormenores sobre o programa, devendo os especialistas cumprir uma quarentena logo que cheguem a território chinês. Os sucessivos atrasos impostos pela China para aceitar uma investigação independente implicam que os primeiros vestígios da infecção sejam bastante complicados de encontrar, sobretudo em Wuhan, cidade que reportou a primeira morte associada ao novo coronavírus a 11 de Janeiro de 2020. Em Wuhan, como noutras partes da China, a pandemia esteve amplamente sob controlo na Primavera e o número nacional de mortos permaneceu oficialmente em 4.634 desde meados de Maio. A China tem sido criticada internacionalmente pela reacção inicial à epidemia, tendo vários médicos de Wuhan que evocaram a existência do vírus sido acusados pela polícia de “propagarem

rumores”, enquanto um jornalista independente que cobria então a quarentena na cidade sido condenado a quatro anos de prisão em fins de Dezembro. Mesmo o nome da primeira vítima mortal da covid-19 continua por conhecer, sabendo-se unicamente tratar-se de um homem de 61 anos que frequentava o mercado Wuhan, considerado como o primeiro grande foco da pandemia e que foi encerrado a 1 de Janeiro de 2020, mantendo-se, de resto, vedado ontem, com as autoridades chinesas a não permitirem a entrada a especialistas independentes. Mais a norte, o país está a confrontar-se nos últimos dias com um ressurgimento epidémico limitado em Hubei, a província em redor de Pequim, com mais de uma centena de contaminações em 24 horas, o número mais elevado a nível nacional desde Julho de 2020. Dezoito milhões de habitantes das duas vastas regiões estão proibidos de sair dos limites das respectivas municipalidades.

Acidente Grupo de 22 mineiros retido em mina de ouro

Um grupo de 22 mineiros está retido há quase 48 horas numa mina de ouro em construção no Leste da China, após uma explosão, informaram na segunda-feira as autoridades chinesas, nas redes sociais. A explosão aconteceu no domingo, numa mina situada em Qixia, na província de Shandong, causando danos graves na escada que dá acesso ao fundo da mina, bem como nos cabos de comunicação. As autoridades não indicaram a profundidade a que se encontram os mineiros. A mina pertence à empresa local Shandong Wucailong Investment. A China é o maior produtor mundial de ouro, com 11 por cento do total mundial extraído em 2019, segundo o Conselho Mundial do Ouro. O país contava com mais de três mil minas de ouro em 2016, de acordo com um estudo dos serviços geológicos chineses.

PUB.

HM • 1ª VEZ • 13-1-21

ANÚNCIO ACÇÃO ORDINÁRIA

CV3-20-0033-CAO

3º Juízo Cível

- AUTORA: 誠光投資有限公司, com sede em Macau no Pátio do Comandante Mata e Oliveira, nº169, Edifício Kam Loi, 2º andar. - RÉUS: 1. Tsang Chuck Hung, feminino, residente em Macau na Rua dos Cules, nº3, 1º andar; 2. Lai Koi Lap, masculino, com última residência conhecida em Macau na Rua dos Cules, nº3, 1º andar, ora ausente em parte incerta; 3. Bunsaen Phannee, feminino, com última residência conhecida em Macau na Rua dos Cules, nº3, 1º andar, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER que, por este Juízo e Tribunal, correm éditos de TRINTA (30) DIAS, contados da segunda e última publicação dos respectivos anúncios, CITANDO os 2º e 3ª Réus acima identificados, para no prazo de TRINTA (30) DIAS, contestarem, querendo, a Acção Ordinária, acima identificada, conforme tudo melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram neste 3º Juízo Cível à sua disposição e que poderão ser levantados nesta secretaria, sob pena de não o fazendo no dito prazo, seguir o processo os ulteriores termos até final à sua revelia. Se não contestarem, não se consideram reconhecidos os factos articulados pela Autora. Consigna-se que é obrigatória a constituição de advogado, no caso de quererem contestar. Em síntese, A Autora, pede que a acção seja julgada procedente, devendo ser declarada a inexistência de qualquer direito dos Réus sobre o prédios nº3-1 e nº32, da Rua dos Cules, correspondente à moradia aí implantada e em consequência: A) Ser declarada nula a inscrição nº257167G, de 07/08/2013, do domínio útil do prédio nº3-2, na quota 455/1000 e 545/1000, respectivamente, a favor da 1ª Ré Tsang Chuck Hung, e do 2º Réu Lai Koi Lap, casado com Bunsaen Phannee, por erro registral, resultante do inventário facultivo que correu termos sob o nºCV1-11-0067-CIV, por morte de Lai Leng, a 21 de Dezembro de 1998; B) Ser ordenada a anexação das descrições sob os nºs 1450 e 19312, por os prédios nº3-1 e nº3-2, terem sido demolidos, dando lugar a um único prédio urbano, apenas, com o nº3-1, constituído por uma moradia, composta de rés-do-chão e dois andares, com a área de 207.96m2. Tudo como melhor consta da petição inicial que se encontra nesta Secretaria à disposição dos citandos.


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UANDO preparámos os meios para sermos um verdadeiro rei, seremos um verdadeiro rei. Quando tivermos preparado os meios para sermos um tirano, seremos um tirano. Quando tivermos preparado os meios para mal sobrevivermos, mal sobreviveremos. Quando tivermos preparado os meios para morrer, morreremos. Alguém que usa um estado de dez mil carruagens [de guerra] é quem lhe estabelece a força, lhe traz boa reputação e faz com que os seus adversários se lhe submetam. O controlo sobre se o estado está seguro ou em perigo, se é bem ou mal governado, está nas suas mãos, não nas de outros. O controlo sobre se me torno um verdadeiro rei ou um tirano, ou sobre se mal sobrevivo, ou vivo em perigo, ou sou destruído, está nas minhas mãos, não nas de outros. Se a nossa força não bastar para intimidar os nossos vizinhos e rivais, e se a nossa reputação não for suficiente para influenciar todo o mundo, tal se deve ao facto do nosso estado ainda não conseguir vingar sozinho – como poderíamos então evitar proble-

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Parti. Mas

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O Governo do Verdadeiro Rei

mas? Quando o mundo se vê ameaçado por estados violentos e os meus aliados fazem aquilo que eu não faria nas mesmas circunstâncias, então, mesmo que diariamente aja e me comporte como um Jie, tal não impede que me possa tornar num Yao. Essas coisas não aumentam o crescimento do mérito e da reputação, nem influenciam a sobrevivência ou a destruição, a segurança e o perigo. Aquilo que determina o crescimento do mérito e da reputação, e onde sobrevivência e destruição, segurança e perigo se decidem – lá é onde a minha alegria e dor e o meu verdadeiro coração residem. Aquele que faz do seu estado o lugar do verdadeiro rei se tornará um verdadeiro rei. Aquele que fizer do seu estado um lugar de perigo e destruição se encontrará em perigo e será destruído. No dia em que se tenham endireitado as coisas, então seremos neutros, sem termos de nos inclinar para um lado nem nos envolvermos nos assuntos das alianças Vertical e Horizontal1. Calmamente travamos o exército e permanecemos em quietude, observando os esta-

Elementos de ética, visões do Caminho PARTE VIII

dos violentos consumando a destruição uns dos outros. Tornamos equilibrados o governo e a educação, inspecionamos os nossos regulamentos e aperfeiçoamos o povo comum: no dia em que o fizermos o nosso exército dominará todos os outros como mais poderoso. Cultivamos ren [humanidade] e yi [justiça], atingimos um carácter exaltado e elevado, corrigimos as leis e padrões, escolhemos os homens bons e meritórios e nutrimos o povo comum. No dia em que conseguirmos estas coisas, a nossa reputação se destacará como a melhor em todo o mundo. Quando o nosso poder é forte, quando os nossos soldados são poderosos, quando a nossa reputação é excelente, nem mesmo Yao e Shun, que unificaram o mundo, teriam algo a acrescentar. Quando aqueles que conspiram pelo poder e usurpação são removidos da corte é natural que se apareçam homens bons e meritórios, homens sagazes e sábios. Quando tornamos equilibrados os castigos e a governação, quando o povo comum é obediente, quando os cos-

tumes do estado estão bem regulados, então os nossos soldados serão poderosos e seguras as muralhas da cidade. E, assim, os estados rivais cederão naturalmente. Quando se trabalham as tarefas fundamentais, quando se acumula riqueza e bens, quando não se esbanja descontroladamente, tal fará com que os nossos ministros e povo comum sigam a ordem apropriada e a justa medida. E, assim, riqueza e bens se acumularão e o estado se tornará naturalmente rico. Quando tivermos dado corpo a estas três coisas2, todo o mundo se submeterá.

1 - A aliança Vertical (norte-sul) foi uma aliança entre estados formada para combater o poder crescente do estado Qin. A aliança Horizontal (esteoeste) foi formada precisamente para defender o estado de Qin. 2 - Ou seja: empregar homens bons no governo, fazer os adversários ceder e enriquecer o estado.

Tradução de Rui Cascais Xunzi (荀子, Mestre Xun; de seu nome Xun Kuang, 荀況) viveu no século III Antes da Era Comum (circa 310 ACE - 238 ACE). Filósofo confucionista, é considerado, juntamente com o próprio Confúcio e Mencius, como o terceiro expoente mais importante daquela corrente fundadora do pensamento e ética chineses. Todavia, como vários autores assinalam, Xunzi só muito recentemente obteve o devido reconhecimento no contexto do pensamento chinês, o que talvez se deva à sua rejeição da perspectiva de Mencius relativamente aos ensinamentos e doutrina de Mestre Kong. A versão agora apresentada baseia-se na tradução de Eric L. Hutton publicada pela Princeton University Press em 2016.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quarta-feira 13.1.2021

logo regressei à dor

Divina Comédia Nuno Miguel Guedes

WESTON MACKINNON

A memória das coisas “[...] esse objeto vale o ar” Clarice Lispector

E

M vésperas de recolher outra vez de forma compulsiva ao meu universo privado, olho em redor. A casa, os objectos que a compõem, escolhidos por mim ou oferecidos por alguém, irão outra vez ajudar-me a encontrar ordem no caos que lá fora permanece. A casa é mesmo o nosso canto do mundo, o nosso primeiro universo e um cosmo na plena acepção do termo, para lembrar de cor o que Bachelard defendia. Cada coisa é mais do que uma coisa: é uma memória, uma vida, nós. Não por acaso recebo uma mensagem de alguém muito próximo que está a terminar uma mudança de casa. Ao arrumar em caixotes brinquedos antigos dos filhos uma das leis da vida é-lhe devolvida com uma força implacável: nada se repete. Daí que este arrecadar de coisas se torne numa provação melancólica e nostálgica que, escreve-me ela, a deixou em lágrimas. São pedaços do que nós fomos que parecem ser arrancados devagar mas inexoravelmente. E é verdade. A relação entre os objectos e a memória há muito que é estudada por disciplinas como a filosofia ou a psicologia. Sejam objectos quotidianos ou relíquias acarinhadas, influenciam de facto a nossa identidade e personalidade porque, entre outras características, são contadores mudos de histórias que por paradoxo nos gritam por dentro. É o confronto com o que fomos e o que somos que liberta o grito e os fantasmas – e isso pode não ser nada fácil dependendo da forma como estamos dispostos a enfrentar essa batalha. A literatura e a cultura popular – radares mais do que precisos da natureza humana – identificaram desde há muito esse conflito. Normalmente para o pior. Veja-se o belíssimo monumento à tristeza e à perda de um amor que é House Is So Sad, de Larkin. A casa é a sinédoque da ausência que dói e cada objecto fere por isso mesmo. Os três derradeiros versos são lapidares: « You can see how it was:/ Look at the pictures and the cutlery./The music in the piano stool. That vase.» As coisas deixam de o ser para se transformarem em

fantasmas do que pôde ter sido e que nos irá assombrar até ao fim. Talheres, uma jarra. Sim, Larkin é amigo. Mas se preferirem modos mais doces de chegar à mesma dor, oiçam por exemplo a extraordinária canção de Elvis Costello e Paul McCartney, incluída no disco do último intitulado de Mighty Like A Rose (1991). A canção chama-se So Like Candy e a letra é provavelmente de McCartney, embora as autorias se diluam. Mas o estilo do baixista dos Beatles é inconfundível: de uma forma cinematográfica, a canção é uma panorâmica lenta sobre uma sala e os objectos lá deixados em sossego que depois de um amor falhado ganham significados absoluto. McCartney (ou Costello) tenta resolver o drama com o humor triste de alguns versos: « Here lie the records that she scratched /And on the sleeve I find a note attached/ And it's so like Candy/ "My Darling Dear it's such a waste" /

She couldn't say "goodbye", but "I admire your taste” ». Apesar do sorriso resignado pela perda de um grande amor que aqui se chama Candy, a dor é a mesma: os objectos tornam-se facas para a alma e para a memória. Nos meus sonhos idealizava uma colaboração entre Larkin e McCartney. A partir desta canção vi que podia descansar. Como escapar a isto? Não sei, mais uma vez. De tantas mudanças que eu não gostaria de ter tido fiquei pelo menos com a gratidão que me vai pacificando e que me diz que há memórias nas coisas e nunca haverá coisas nas memórias. Por isso consigo viver com a bagagem mais leve. Abandonar um objecto nunca significará prescindir daquilo que esse objecto significa. Apenas irá descoisificá-lo de uma vez por todas e arrumá-lo, de forma perene e irredutível, no sítio em que sempre esteve: a nossa vida.

A relação entre os objectos e a memória há muito que é estudada por disciplinas como a filosofia ou a psicologia. Sejam objectos quotidianos ou relíquias acarinhadas, influenciam de facto a nossa identidade e personalidade porque, entre outras características, são contadores mudos de histórias que por paradoxo nos gritam por dentro


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A maior parte do território espanhol encontrava-se ontem debaixo da maior onda de frio das últimas duas décadas, com 12 das suas 17 comunidades autónomas em alerta

8 4 3 6 8 3 0 7

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para temperaturas mínimas extremas de até 16 graus abaixo de zero. Segundo a agência de meteorologia espanhola (Aemet) quatro dessas regiões estão mesmo em alerta ver-

0.27

YUAN

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melho, Madrid, Aragão, Castela-Mancha e Castela e Leão, sendo esta última a maior das comunidades, a mesma dimensão de Portugal com quem faz fronteira.

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LOVE YOU FOREVER [B]

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FALADO EM EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Yoyo Yao Com: Lee Hongchi, Li Yitong 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

8 1 8 5 DEMON 7 SLAYER: 9 THE MOVIE KIMETSU NO YAIBA MUGEN 5 0 TRAIN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Sotozaki9 Haruo 3 8 3 8 1 5 3 6 6 SALA 2

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14.30, 16.45, 17.15, 21.30 SALA 3

THE NEW MUTANTS [B]

5 Um filme de: Josh Boone Maisie Williams, Anya Taylor-Joy 3 Com: 5 7 2 Charlie Heaton, Alice Braga 14.30, 19.30 4 6 8 UNHINGED [C] 2 Um filme de:4 Derrick Borte Com: Russel Crowe 7 16.30,821.30 4 8 7 0 0 5 6 7 4 5 9 1 0 3

UM LIVRO HOJE

RED COLOR NEWS SOLDIER | LI ZHENSHENG, PHAIDON

Este livro de fotografia conta a história de um dos períodos mais negros da história da China, a Revolução Cultural. Através de imagens a preto e branco podemos conhecer mais sobre este período que marcou várias gerações de chineses. A introdução é de Jonathan D. Spence, especialista em história da China. Um livro essencial para se perceber o que a China foi e como evoluiu até aquilo que é hoje. Andreia Sofia Silva

1 8 5 0 2 4 6 7 7 2 7 3 UNHINGED 8 6 1 7 7 5 3 9 8 6 0 2 7 4 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Pedro Arede; Anabela Canas; António Cabrita; António de Castro Caeiro; Ana Jacinto Nunes; Amélia Vieira; Duarte Drumond Braga; Emanuel Cameira; 8 1 2 Salomé Fernandes 9 3 Colaboradores 5

3 www. 7 hojemacau. 9 1 com.mo

Gonçalo M.Tavares; Inês Oliveira; João Paulo Cotrim; José Simões Morais; Luis Carmelo; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rosa Coutinho Cabral; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Teresa Sobral; Valério Romão Colunistas André Namora; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul 2 Chan 0 Wai Chi;1Paula Bicho;4Tânia dos Santos Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de 3 n.º 619, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo Santo Agostinho,


opinião 15

quarta-feira 13.1.2021

RICARDO MOREIRA* in Esquerda.net

10 momentos em que Ventura imita Trump

N

A passada semana assistimos ao culminar de quatro anos de Trump na Casa Branca, com a invasão do Capitólio provocada pelo próprio Presidente cessante. Serão precisos anos, talvez décadas, para curar os Estados Unidos da América do ódio e para o país voltar a discutir os grandes problemas da humanidade, como as alterações climáticas. Mas não foi assim que tudo começou. Tudo começou com a destruição do debate político, e há uma figura em Portugal que tem copiado essa estratégia trumpista nos debates presidenciais: André Ventura. Vejamos 10 questões em que Ventura imitou Trump e como isso pode ser perigoso para o nosso país: Apoio ao golpe Desde Novembro que Trump insiste ter ganho as eleições norte-americanas e, no dia em que Joe Biden ia ser formalmente nomeado Presidente, decidiu fazer um comício em frente à Casa Branca incitando os seus apoiantes a realizarem um ‘golpe’. O resultado foram cinco mortos. André Ventura apoiou a eleição de Trump desde a primeira hora, dizendo mesmo que “se a vitória se confirmar esta madrugada, a democracia vencerá no mundo” e que “se Biden vencer, Deus tenha misericórdia de nós”. Esconder os seus processos com a justiça Trump não pagou impostos ao longo de uma década e, apesar de ter prometido apresentar provas em contrário, nunca apresentou as suas declarações fiscais. Em Portugal, e apesar de questionado por diversas vezes, continuamos sem saber porque é que a Polícia Judiciária fez buscas no gabinete de André Ventura.

Fake news Os assessores de Trump cunharam uma nova maneira de escrever a palavra “mentira” chamando-lhe “factos alternativos”. Durante quatro anos, Donald Trump demonstrou que as fake news eram uma estratégia para se manter no poder. Aliás, continua a pô-la em prática ao afirmar que as eleições foram “roubadas”, narrativa que provocou a invasão do Capitólio pelos seus apoiantes. Já Ventura é capaz de defender tudo e o seu contrário, como ficou provado ao acumular três salários com a função de deputado, apesar de ter prometido que ficaria em exclusividade. Trolls nas redes sociais Nos últimos dias Trump foi expulso do Twitter e Facebook, mas desde sempre que

o Presidente demissionário usou um exército de contas falsas da internet para defender as suas ideias. Em Portugal, várias investigações jornalísticas associam milhares de perfis-fantasma ao partido Chega. Governar para os ricos Com Trump na Casa Branca, os bilionários americanos ficaram mil milhões de dólares mais ricos com os cortes fiscais. André Ventura defendeu em Portugal uma taxa fixa de IRS que, de acordo com o Polígrafo, “beneficia ricos e prejudica as famílias comuns”. Negacionismo das alterações climáticas Graças à acção do Presidente, os EUA saíram do Acordo de Paris e cortaram o financiamento a todas as agências públicas de estudo e combate às alterações climáticas. Já Ventura votou contra todas as moções de saudação da Greve Climática, com milhares de estudantes à porta da Assembleia da

Se já ‘vimos este filme’, conhecemos os perigos que encerra para a democracia e sabemos como acaba, temos a obrigação de não cair na armadilha

República a exigir combate à Emergência Climática. Racismo e xenofobia Trump nunca condenou a violência policial que assassinou George Floyd e outras pessoas negras nos últimos anos nos EUA, mas disse que o movimento Black Lives Matter era um símbolo de ódio. Ventura fez exatamente o mesmo: aquando do espancamento de Cláudia Simões pela polícia, e apesar do agente ter sido constituído arguido pela agressão, o presidente do Chega defendeu que a actuação policial tinha sido “legítima”. E, tal como Trump escolheu os mexicanos para criar um inimigo interno, também Ventura não se cansa de criar estigmas sobre a comunidade cigana. Desvalorização da Covid-19 O Presidente americano decidiu nunca proteger o seu povo da pandemia, desvalorizando o uso da máscara, resistindo às medidas de contenção, atacando as orientações das autoridades de saúde ou mesmo caindo no ridículo de propor a “injecção de desinfectante” no corpo das pessoas para eliminar o vírus. André Ventura também atacou a Directora Geral da Saúde, Graça Freitas, e o Congresso do Chega não cumpriu as normas de segurança. Direitos Humanos Os últimos dias do mandato de Trump foram marcados pela aceleração das execuções

das penas de morte, ao contrário do que era tradição entre presidentes cessantes. Já em Portugal, Ventura tem defendido a prisão perpétua ou a castração química, medidas que vão contra os direitos fundamentais. Apoio dos neonazis David Duke, ex-líder do Ku Klux Klan, manifestou o seu apoio a Donald Trump desde o primeiro instante e sublinhou a importância esmagadora do “voto branco” para a sua eleição. Em Portugal, Ventura é apoiado por Mário Machado, fundador e antigo líder da fação neonazi Hammerskins Portugal. O trumpismo é uma estratégia política, arquitectada primeiro por Steve Bannon (ex-conselheiro de Trump), que destrói o debate político e usa truques para manter a comunicação social a promover constantemente o candidato. Só agora, depois da invasão do Capitólio, é que vimos destacados comentadores e políticos de direita a defender o Presidente americano demissionário, mas em Portugal o trumpismo está bem vivo em André Ventura, como observámos nos debates presidenciais. Por isso, se já ‘vimos este filme’, conhecemos os perigos que encerra para a democracia e sabemos como acaba, temos a obrigação de não cair na armadilha. * Engenheiro e mestre em políticas públicas


“Reformemos as nossas escolas, e não teremos que reformar grande coisa nas nossas prisões.” John Ruskin

PALAVRA DO DIA

SMG Alerta para informações falsas sobre baixas temperaturas

Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) emitiram ontem uma nota onde alertam para a divulgação de informações falsas sobre as baixas temperaturas no período do Ano Novo Chinês, entre os dias 11 e 17 de Fevereiro. “No que diz respeito a informações que circulam na internet sobre temperaturas baixas no período do Ano Novo Chinês, esta direcção vem esclarecer que são baseadas em informações falsas e aconselha à população a não partilhar informações não confirmadas e de fontes não oficiais.” Os SMG explicam também que “ao nível actual da ciência, é ainda um grande desafio prever com precisão as condições atmosféricas para além de dez dias, e quanto mais alargada for a previsão, maior é a incerteza”.

Reino Unido Maior mortalidade desde II Guerra Mundial

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O Reino Unido registou em 2020 o maior crescimento anual de óbitos desde a Segunda Guerra Mundial devido à pandemia covid-19, de acordo com números publicados ontem pelo instituto de estatísticas britânico, o National Statistics Office (ONS). Dados provisórios entre 3 de Janeiro de 2019 e 1 de Janeiro de 2021 apontam para 613.197 mortes em Inglaterra e País de Gales, 14 por cento acima da média dos cinco anos anteriores (537.579). A BBC calculou que, somando os valores da Escócia e Irlanda do Norte, publicados à parte, o valor global para o Reino Unido chega perto de 697.000 mortes, registando um excesso de mortalidade de 91 mil óbitos, equivalente a uma subida de 15 por cento, o maior aumento num período de 12 meses desde 1940.

quarta-feira 13.1.2021

Português Aceites inscrições para curso em Macau e Portugal

A

ÓBITO SHELDON ADELSON, CRIADOR DA MACAU STRIP, MORREU AOS 87 ANOS

Última jogada S HELDON Adelson, histórico proprietário da empresa Las Vegas Sands, representada em Macau pela operadora Sands China, morreu na segunda-feira à noite, hora dos Estados Unidos, com 87 anos. A notícia foi avançada ontem à noite, através de um comunicado da empresa, que aponta complicações no tratamento de um linfoma como a causa do óbito. Nascido em 1933, Sheldon Adelson iniciou-se no empreendedorismo com 12 anos de idade, quando montou em Boston um negócio para a venda de jornais. No entanto, foi em 1988 que o norte-americano enveredou pelo negócio que viria a ser o seu principal caminho para o sucesso, com a compra do Hotel e Casino Sands, em Las Vegas. Na cidade americana, Adelson foi responsável em 1989 pelo conceito inovador que juntou ao negócio dos casinos o sector das exposições, que permitia que os quartos mantivessem elevados níveis de ocupação, mesmo durante os dias da semana. A influência do empresário não se ficou pelos EUA, e Sheldon era o principal proprietário da Sands China, a primeira concessionária de fora a entrar em Macau com a liberalização do mercado do jogo. E a entrada foi feita com estrondo. Além da troca de farpas com Stanley Ho, proprietário da rival Sociedade de Jogos de Macau, a abertura do

primeiro casino da Sands, com o nome da empresa, em Maio de 2004, ficou marcada por uma multidão extensa e muito entusiasta que fez a porta de entrada ceder. No entanto, o principal momento para a empresa terá chegado mesmo em 2007, com a abertura do casino The Venetian, no Cotai, o maior edifício com a maior área do mundo à data da construção. Foi também devido aos investimentos feitos no Cotai, onde a empresa conta ainda com o The Parisian e vai abrir brevemente de forma oficial o The Londoner, que Sheldon Adelson se apelidava como o homem que tinha tido a visão de construir a Cotai Strip. A informação mereceu uma reacção do Executivo de Macau: “O Governo da RAEM recebeu um aviso da Sands China sobre a morte ocorrida hoje [ontem] de Sheldon

Sheldon Adelson deixa a mulher, quatro filhos e um império com casinos nos Estados Unidos, Macau e Singapura, além de uma fortuna avaliada em 33,5 mil milhões de dólares norte-americanos

Gary Adelson, fundador, presidente e gerente da empresa. O senhor Adelson conduziu e desenvolveu a Sands China em Macau. O Governo expressa as suas condolências à família”, constou num comunicado publicado ontem em chinês.

DEFENSOR DA CAUSA ISRAELITA

À margem dos negócios, a vida de Sheldon Adelson ficou ainda marcada pela ligação a Israel, local onde a mulher, Miriam Adelson, nasceu. Descendente de um pai com ascendência judaica, o milionário nunca poupou esforços em prol da agenda do país do Médio Oriente, local onde, segundo a empresa, vai decorrer o funeral. A defesa de Israel foi igualmente um dos motivos apontado pelo milionário para se tornar apoiante do Partido Republicano. Adelson foi um dos principais financiadores do GOP, mesmo quando este apresentou como candidato às presidenciais Donald Trump. Outra das áreas em que Sheldon se destacou, foi a filantropia, nomeadamente no combate às drogas. Uma causa para a qual Sheldon perdeu o filho adoptivo Mitchell. Sheldon Adelson deixa a mulher, quatro filhos e um império com casinos nos Estados Unidos, Macau e Singapura, além de uma fortuna avaliada em 33,5 mil milhões de dólares norte-americanos. João Santos Filipe

info@hojemacau.com.mo

Direcção dos Serviços de Ensino Superior (DSES) está a aceitar candidaturas para mais uma edição da iniciativa “O Ser e Saber da Língua Portuguesa - Curso de Verão em Portugal”, que irá decorrer este ano em duas fases. Podem inscrever-se estudantes portadores do bilhete de identidade de residente de Macau, que frequentem cursos de licenciatura no ano lectivo de 2020/2021, em regime de tempo inteiro, nas instituições do ensino superior de Macau ou no exterior, sem quaisquer conhecimentos prévios da língua portuguesa ou que tenham o nível básico do idioma, bem como outros níveis superiores. A primeira fase desta iniciativa passa pela realização de um curso básico de língua portuguesa, bem como de um exame, existindo turmas em funcionamento em Janeiro, Março ou Junho. Este curso, organizado pela DSES, tem um total de 200 vagas e a duração de 50 horas. A segunda fase desta actividade, será realizada no período do Verão em Portugal, sendo que a DSES ainda irá divulgar o regulamento e disposições “constante a situação da epidemia”. “Dado a evolução contínua da referida epidemia, a DSES irá acompanhar estreitamente a situação, e caso a actividade seja suspensa ou cancelada, a DSES irá, oportunamente, dar essa informação, devendo estar atento às respectivas informações”, informa o organismo.


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Hoje Macau 13 JAN 2021 #4688 by Jornal Hoje Macau - Issuu