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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEXTA-FEIRA 13 DE JANEIRO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3733

BAILADO

Bonecas de sonho

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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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EVENTOS

hojemacau SERVIÇO DE TRANSPORTE EM TEMPO DE BALANÇO

A plataforma de transporte privado fez ontem o balanço de um ano atribulado. Segundo a directora da Uber de Macau, as perspectivas para 2017 são de cresci-

mento e de continuidade do diálogo com o Governo. O Executivo, porém, mantém-se firme na luta contra aquilo que diz ser uma actividade ilegal.

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HOJE MACAU

A UBER CONTINUA

RECUSA DE ENTRADA

ONG’s | CHINA

ALTA PRESSÃO GRANDE PLANO

HONG KONG

Candidata à vista PÁGINA 12

Modo de perguntar h PAULO JOSÉ MIRANDA


2 GRANDE PLANO

ONG’s NA CHINA LEI APONTA PARA CENÁRIO DE FORTE REPRESSÃO

“A PRESSAO TEM SIDO INTENSA” ˜

A lei da gestão das organizações não-governamentais estrangeiras entrou em vigor na China este mês, e o cenário parece negro para as entidades que defendem os direitos dos trabalhadores. Mas Anita Chan explicou ontem, numa palestra na Universidade de Macau, que os trabalhadores estão a começar a protestar sozinhos, graças às redes sociais

A

polémica lei da gestão das organizações não-governamentais (ONG) estrangeiras entrou em vigor este mês na China e a repressão contra estas entidades dedicadas a proteger os direitos laborais parece estar a intensificar-se. É este o retrato feito ontem por Anita Chan, especialista em questões laborais na Ásia e docente na Australian National University, numa palestra dada na Universidade de Macau (UM). Ainda assim, os protestos que os trabalhadores da cadeia Walmart levaram a cabo o ano passado, com recurso ao WeChat e sem uma estrutura por detrás, pode ser o arranque de uma nova fase em termos de luta laboral, defendeu a académica. “Houve cerca de dez mil trabalhadores da Walmart na rua e, para mim, foi um dos maiores protestos na China sem o apoio de uma organização, que contou apenas com a participação das redes sociais. Os trabalhadores da Walmart podem muito bem ser a imagem de uma nova fase.” Isto porque “os trabalhadores começaram a adoptar as suas próprias estratégias”. “Há uma maior consciência dos direitos laborais muito por culpa da educação dada na última década e uma influência das ONG de Hong Kong. Os trabalhadores estão a tomar consciência em relação ao confronto com os patrões e já não querem pessoas de fora a forçá-los a ter uma agenda. A maioria das greves continuam a ser isoladas, mas o acesso fácil às redes sociais [permite isso]”, acrescentou a docente. Anita Chan defendeu que, desde a prisão de Zheng Feyiang (líder do Panyu Worker’s Center, actualmente a cumprir três anos de pena suspensa), que “há novas

relações a emergir entre as ONG e os trabalhadores”. “As ONG tornaram-se espaços de moderação e de apresentação de queixas, mas alguns trabalhadores decidiram apostar nas suas próprias estratégias e organizar as suas próprias greves. As ONG não têm capacidade para mobilizar centenas de trabalhadores para uma greve e marchar para as ruas. O que podem fazer é intervir enquanto grupo. Intervêm nas greves, mas não as organizam, de facto”, explicou.

REPRESSÃO QUE VEM DE LONGE

A história das ONG na China está muito ligada a Hong Kong, cujas relações começaram na década de 80 com o desenvolvimento das Zonas Económicas Especiais de Deng Xiaoping no sul do país. Facilmente os sindicatos de Hong Kong estabeleceram laços com a vizinha Shenzhen, que se espalharam a toda a província de Guangdong. Se a China afirma pretender regularizar as várias ONG existentes no país, por não existir, até então, um quadro legal efectivo, a verdade é que há o receio da sua supressão por dificuldades de financiamento. A Organização das Nações Unidas e os Estados Unidos criticaram fortemente o diploma. “Todas as ONG de trabalhadores estão à espera, não estão certas da extensão de tudo isto e de até que ponto o Governo vai adoptar medidas sérias sobre esta questão. Têm sentido uma pressão intensa. Não se sentem apenas preocupadas com a possibilidade de supressão política, mas também com o fim do financiamento de doadores estrangeiros. Dependem disso para sobreviver.” O actual Presidente da China tem sido acusado de promover uma maior repressão política. “Xi

Jinping acredita que o contacto com as ONG estrangeiras vindas de sociedades democráticas é algo subversivo e vai contra a estabilidade social. Então está a tentar regular esta influência estrangeira. As ONG, a partir deste momento, vão ser reguladas e monitorizadas, e qualquer violação das regras dará origem a multas e detenções. Transferir dinheiro será difícil.” No entanto, as tentativas de silenciamento foram algo que sempre aconteceu de forma pontual, explicou Anita Chan na sua palestra. “Nos últimos anos, as autoridades chinesas têm colocado imensa pressão nas ONG ao prenderem muitos dos seus membros ou ao convidá-los para um yum cha. No início, as ONG recearam estes contactos, há cerca de dez anos estavam bastante preocupadas, mas depois habituaram-se. Isso tornou-se uma espécie de jogo: os contactos fazem-se, mas estão sempre atentos ao que acontece.”

POUCA CORRUPÇÃO

Anita Chan falou ainda dos rumores que existem de que grande parte destas ONG que defendem trabalhadores estão ligadas à corrupção, os quais disse não terem fundamento. “A grande questão que não tem sido abordada nos estudos mais recentes é o financiamento. É algo difícil de discutir. A sobrevivência financeira é tão importante como a sobrevivência política. Infelizmente, o dinheiro está ligado a corrupção, e há rumores de que muitas das ONG laborais são corruptas. Mas, nos últimos 20 anos que passei a analisar as ONG na China, apenas duas revelaram ter ligações corruptas”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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HOJE MACAU

“China não quer lei sindical para Macau” Académica fala de dificuldades de implementação

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“As ONG não têm capacidade para mobilizar centenas de trabalhadores para uma greve e marchar para as ruas. O que podem fazer é intervir enquanto grupo. Intervêm nas greves, mas não as organizam.” ANITA CHAN INVESTIGADORA

“Xi Jinping acredita que o contacto com as ONG estrangeiras vindas de sociedades democráticas é algo subversivo e vai contra a estabilidade social.”

“Há uma maior consciência dos direitos laborais muito por culpa da educação dada na última década e uma influência das ONG de Hong Kong.”

HUMBADA oito vezes na Assembleia Legislativa (AL), pedida por trabalhadores de vários sectores, estudada agora pelo Governo. A lei sindical, cuja implementação está prevista na Lei Básica, continua a ser um osso duro de roer e assim deve continuar. É esta a opinião de Anita Chan, académica de Hong Kong actualmente a residir na Austrália, onde é docente na Australian National University. Especialista em questões laborais, Anita Chan esteve ontem na Universidade de Macau (UM) a dar uma palestra sobre a situação das organizações não-governamentais (ONG) da área laboral na China. À margem do evento, disse conhecer muito pouco sobre a realidade local, mas admitiu dificuldades na implementação da lei. “Uma lei sindical pode conter muitos aspectos, relacionada com a organização das estruturas sindicais, protecção dos presidentes dos sindicatos. Mesmo sem liberdade sindical, esta lei seria útil, mas depois seria impossível voltar atrás. Penso que será difícil para Macau. Se foi difícil para Hong Kong, será difícil para Macau”, referiu. Anita Chan acrescentou ainda que “Macau está mais sob o controlo da China do que Hong Kong”. “É óbvio o que a China não quer que haja uma lei. Penso que é a China que não quer a lei sindical para Macau. E acredito que não tem nada que ver com a existência da indústria do jogo, simplesmente a China não quer sindicatos. Não querem sindicatos autónomos, independentemente do sector em causa. Não se pode dar permissão para a criação de um sindicato sem que outros apareçam”, apontou.

AUSÊNCIA PRÉ-1999

A académica lembrou o cenário de Macau antes da transferência de administração, quando os sindicatos também não estavam legalizados. “Um colega disse-me que existe uma federação [Federação das Associações dos Operários de Macau], mas teria de analisar melhor os detalhes dessa proposta de lei [que foi chumbada na AL]. Se existe uma federação, assumo que seja uma federação oficialmente controlada pela China. A China só tem um

sindicato oficial, mas a China tem uma lei sindical, foi estabelecida há muitos anos, quando a RPC foi criada, em 1949. Antes da transferência, durante a administração portuguesa, também não havia uma lei sindical.” Perante a hipótese de aprovação do diploma, Anita Chan acredita que haverá dificuldades de ordem prática. “Estou certa de que, independentemente da lei ser aprovada ou não, não deverá existir liberdade sindical. Em Hong Kong há essa liberdade, tem um sindicato oficial que é controlado pela China, mas também existem sindicatos independentes.” Anita Chan foi ainda questionada sobre os recentes protestos que têm ocorrido, relacionados com os trabalhadores do sector da construção civil e dos casinos, em que ambos pedem melhores salários e a não importação de trabalhadores residentes. “Se eles vão para a rua é porque a estrutura sindical existente não está a fazer o seu trabalho. Tudo dependerá do contexto da legislação, se diz que não haverá liberdade sindical, então pouco irá mudar. Neste momento não há qualquer lei, mas se a lei disser que não podem existir sindicatos independentes, será pior, porque isso é o que acontece na China.” Com a nova lei das ONG já em vigor, desde o início deste mês, o sector laboral no Continente vai enfrentar novos desafios, apontou a académica. “É por isso que os trabalhadores na China não formam associações independentes, formam ONG, que não são o mesmo que sindicatos. O sindicato oficial na China encara estas ONG como competidores, especialmente quando as ONG falam de negociações salariais. Esse é o trabalho do sindicato, mas o sindicato não fala disso”, concluiu. A.S.S.


4 POLÍTICA

hoje macau sexta-feira 13.1.2017

Não me passas cartão

Leong Veng Chai exige pré-pagamento nos parquímetros

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Aumento de taxas FAOM E ELLA LEI REUNIRAM COM DSAT

Rodas ao rubro

A deputada Ella Lei e outros representantes da Federação das Associações dos Operários de Macau reuniram com o Governo para discutir o aumento súbito das taxas de veículos e motociclos. Criticam a burocracia e temem impacto social e empresarial

O

aumento das taxas de veículos levou ontem membros da Associação Geral dos Empregados do Ramo de Transporte de Macau, ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), a reunir com os responsáveis da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). A deputada eleita por via indirecta que representa a FAOM no hemiciclo, Ella Lei, também esteve presente. O encontro serviu para apresentar queixas sobre o aumento das taxas de inspecções dos veículos e as consequências negativas para os negócios. Ella Lei explicou que o sector dos transportes concorda com a adopção das novas medidas. Contudo, o problema reside no aumento elevado das taxas, o que pode afectar os negócios e causar vários problemas. Lam Hin San, responsável máximo da DSAT, afirmou que a lei é integral e que o organismo teve em consideração os vários factores, mas nada disse quanto ao possível reajustamento da tabela de taxas. O grupo falou também da falta de lugares de estacionamento para os veículos pesados ao longo dos

anos. Os responsáveis da DSAT disseram que, nos próximos dois meses, serão instalados 120 lugares de estacionamento localizados no Parque Industrial da Concórdia, em Coloane. Está ainda a ser pensada a reabertura da zona de estacionamento de pesados junto ao posto fronteiriço no Cotai, bem como a reorganização do aterro perto do MGM, para que possa ser usado pelo sector dos transportes.

NÃO AO “PENSAMENTO BUROCRÁTICO”

À margem do encontro, a deputada Kwan Tsui Hang, também repre-

“O facto de nunca terem sido alteradas as taxas foi responsabilidade do Executivo. Agora decidiu-se alterar tudo de uma só vez.” KWAN TSUI HANG DEPUTADA

sentante da FAOM na Assembleia Legislativa, criticou os ajustamentos feitos pela DSAT, considerando que o Governo pensou o problema “de forma demasiada burocrática”. A deputada considerou necessário o pagamento feito pelos cidadãos, mas “nunca será possível a recuperação dos custos por parte do Governo”. “O facto de nunca terem sido alteradas as taxas foi responsabilidade do Executivo. Agora decidiu-se alterar tudo de uma só vez, e essa operação não foi simpática”, apontou Kwan Tsui Hang. Para a deputada, o Governo deveria estar disponível para aumentar as taxas gradualmente, sendo, na sua óptica, compreensível que tudo esteja a resultar numa revolta social, dado que os aumentos são “demasiado elevados”. Logo após a entrada em vigor das novas tabelas, o Executivo deixou claro não ter vontade de regressar às antigas taxas, tendo afirmado que as actualizações tiveram em consideração o facto de, nos últimos 19 anos, não terem sido alterados os valores em causa. Angela Ka (revisto por A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

deputado Leong Veng Chai interpelou o Governo quanto à necessidade de criar um sistema de pagamento com cartões pré-pagos nos parquímetros espalhados pelo território. O deputado, parceiro de José Pereira Coutinho na Assembleia Legislativa (AL), acredita que este sistema deve ser sido instalado antes do aumento das tarifas. “O Governo deve reconsiderar o assunto e reduzir a taxa de aumento, com vista a atenuar a pressão dos residentes da camada social mais baixa. O Governo deve ainda considerar aumentar as referidas tarifas só depois da implementação do sistema de pré-pagamento, para que os residentes não precisem de transportar uma quantidade enorme de moedas”, pode ler-se. Para o deputado, os actuais parquímetros estão obsoletos. “As empresas responsáveis pela gestão dos parquímetros dispõem de técnicas desactualizadas, que não se coadunam com o uso de cartões pré-pagos, mas só com moedas. Depois da actualização das tarifas, os condutores serão obrigados a transportar uma grande quantidade de moedas, o que é per-

turbante. Há quem aponte ainda que os parquímetros têm uma capacidade limitada ao nível da recepção de moedas, temendo-se que os interesses dos utentes sejam prejudicados.” O deputado lembra que muitos não concordam com os referidos aumentos. “Muitos residentes opõem-se a isto, por entenderem que tal iniciativa vai impulsionar, ainda mais, a subida de preço dos lugares de estacionamento privado, a par de provocar o alongamento das filas para estacionamento nos auto-silos, onde se verifica a insuficiência de lugares. Tal medida não vai ajudar a atenuar a pressão rodoviária, nem aumentar a taxa de rotatividade dos lugares de estacionamento nas vias públicas.” As novas tarifas, que serão totalmente implementadas daqui a dois anos, prevêem que um motociclo passe a pagar duas patacas por hora, por um período máximo de duas horas de estacionamento. Já um automóvel terá de pagar três patacas por hora, com um limite máximo de quatro horas. Os valores de estacionamento podem ir até às 12 patacas por hora, consoante a cor dos parquímetros. A.S.S.

KWAN TSUI HANG QUER MELHORAR INSPECÇÕES DE VEÍCULOS

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deputada Kwan Tsui Hang deseja ver garantido um funcionamento estável dos novos centros de inspecção de veículos no Cotai e Areia Preta. Numa interpelação escrita enviada ao Governo, a deputada afirma ter recebido queixas dos cidadãos que denunciaram problemas na linha de inspecção de veículos, o que fez com que grande parte dos carros que recebem uma manutenção regular não tenha sido aprovada para circulação. “A taxa de reinspecção dos veículos aumentou quatro a cinco vezes. Muitos cidadãos, sobretudo junto do sector da manutenção dos veículos, estão preocupados com a possibilidade de arcar com esse encargo extra, e que é resultado dos problemas na linha de inspecções”, apontou. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) já confirmou que uma segunda inspecção por problemas leves é gratuita, tendo

também negado a existência de irregularidades, já que 90 por cento dos veículos que passam regularmente na inspecção terão sido aprovados. Kwan Tsui Hang considerou a resposta do Governo insatisfatória, alertando para a ausência de recurso, caso o proprietário do veículo não concorde com o resultado da inspecção. A.K.


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POLÍTICA

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Recusa de entrada COUTINHO INCONFORMADO COM RESPOSTA DA PSP

Onde está isso na lei? É a pergunta que o deputado faz para tentar perceber por que as autoridades recusaram fornecer dados estatísticos sobre as pessoas que ficam retidas na fronteira. Pereira Coutinho não compreende o argumento da polícia

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questão tinha sido colocada pela Agência Lusa e a (não) resposta chegou esta semana: as autoridades de Macau recusaram revelar o número de pessoas que proibiram de entrar no território. De igual modo, não dizem as razões pelas quais o fizeram ou a procedência

de quem bateu com o nariz na porta da RAEM, sob o argumento de que essas informações são confidenciais. “Os dados estatísticos de ‘recusas de entrada’ são classificados como dados e informações ‘reservados’, pelo que não há lugar para a sua divulgação”, afirmou a Polícia de Segurança Pública em resposta escrita

enviada à agência de notícias de Portugal. Ontem, numa interpelação escrita ao Chefe do Executivo, Pereira Coutinho manifestou muitas dúvidas sobre o argumento utilizado pela PSP: a classificação destas informações como sendo reservadas. “Os dados referidos são meramente estatísticos e, portanto, sem identificação das pessoas a que se referem, pelo que não se compreende que estejam classificados como reservados”, comenta. Num texto curto, em que apela à clareza na resposta, o deputado àAssembleia Legislativa deixa duas perguntas,

ambas relacionadas com a legislação em vigor no território. “Qual ou quais as disposições legais que impõem ou permitem à PSP classificar estes dados estatísticos como reservados?”, lança. Coutinho quer ainda saber quais as razões “de facto” que justificam esta classificação. “É ela necessária para salvaguardar a segurança interna de Macau? Porquê?”, questiona.

ANTES NÃO ERA ASSIM

No texto que escreveu sobre o assunto, a Lusa recordava que houve tempos em que a postura das autoridades era bem diferente. Pelo PUB

Céu azul, gastronomia e Jogos Olímpicos

Alexis Tam encontra-se em Pequim com dirigentes do Governo Central

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encontro aconteceu na quarta-feira, mas o comunicado oficial só chegou ontem. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura esteve reunido, na capital, com responsáveis dos ministérios da Educação e da Cultura, bem como da Administração Geral do Desporto da China. Trocaram-se ideias sobre as áreas da tutela de Alexis Tam e foi apresentada a candidatura de Macau como “cidade gastronómica”. Falou-se ainda sobre o desenvolvimento do território como “centro de intercâmbio cultural entre a China e os países de língua portuguesa”, e o desenvolvimento de actividades desportivas. Na reunião com o vice-ministro da Educação, foram elogiados os resultados de Macau neste sector. Du Zhanyuan congratulou-se com “a importância dada pelo Governo de Macau à igualdade nas condições de ensino, com uma constante melhoria do ambiente de aprendizagem dos adolescentes, nomeadamente mediante medidas como o projecto ‘obra de céu azul’ e o programa de avaliação PISA”. Já o secretário comentou que “este é o primeiro ano em que aumenta, de forma significativa, o número de estudantes de Macau recomendados para estudarem na China”, tendo-se verificado que a iniciativa “é muito bem acolhida pelas escolas e pelos estudantes” locais.

Alexis Tam referiu ainda que a gastronomia faz parte da cultura chinesa e que Macau está a candidatar-se para entrar na Rede das Cidades Criativas na área da Gastronomia, algo que “beneficiará o desenvolvimento adequado e diversificado da economia local”. Du Zhanyuan “concordou e manifestou total apoio da Comissão Nacional da China para a candidatura de Macau junto da UNESCO”, lê-se no comunicado. Quanto ao encontro com o ministro da Cultura, teve como objectivo promover a criação do Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Luo Shugang prometeu que a estrutura que lidera “vai aproveitar os abundantes recursos culturais do Interior da China para ajudar o Governo da RAEM a criar mecanismos [de cooperação com o espaço lusófono], assim como apoiar a criação do Centro de Intercâmbio Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Por fim, na reunião com o director da Administração Geral do Desporto da China, Gou Zhongwen prometeu “continuar a apoiar o desenvolvimento do sector desportivo de Macau e a participação da RAEM nos Jogos Olímpicos”.

menos durante o mandato do anterior secretário para a Segurança – que terminou em Dezembro de 2014 –, a PSP chegou a divulgar dados sobre as pessoas proibidas de entrar em Macau a pedido dos jornalistas. O impedimento de entrada em Macau acontece com alguma regularidade, com a grande maioria dos casos a serem tornados públicos pelos próprios visados, muitos dos quais políticos ou activistas da vizinha Hong Kong. A PSP não tem por hábito apresentar motivos concretos, invocando, com frequência, razões de segurança.

Na resposta divulgada esta semana, a PSP reiterou que “cumpre a inspecção e o controlo de entradas e saídas” da RAEM em “estrita conformidade” com a lei, e “rigorosamente conforme as disposições legais e de acordo como os procedimentos estabelecidos, para examinar as condições de entrada de todas as pessoas e assim decidir autorizar ou recusar a entrada de visitantes”. Os mais recentes casos de interdição de entrada – pelo menos públicos – ocorreram no último dia de 2016. Dois antigos deputados pró-democracia de Hong Kong, que viajaram separadamente, viram-lhes ser negada entrada sob o argumento de que “constituíam uma ameaça à segurança e estabilidade internas” de Macau, segundo a imprensa de Hong Kong. Isabel Castro (com Lusa)

isabelcorreiadecastro@gmail.com


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hoje macau sexta-feira 13.1.2017

Governo da Região Administrativa Especial de Macau Fundo de Segurança Social Anúncio Nos termos dos artigos 36.º e 38.º da Lei n.º 4/2010, os beneficiários da pensão para idosos ou da pensão de invalidez do Fundo de Segurança Social (FSS), necessitam de efectuar, em Janeiro de cada ano, a prova de vida para fim de manutenção da sua atribuição. Assim, pedimos a atenção dos beneficiários da pensão para idosos e pensão de invalidez que a prova de vida deve ser efectuada durante o referido mês. Este ano, o FSS continua a efectuar a notificação através de mensagens telefónicas. Os beneficiários, desde que concordem com o registo do número de telemóvel no FSS para a recepção de mensagens, vão recebê-las na forma de avisos sobre o tratamento da prova de vida. Assim, em Janeiro, os beneficiários, munidos do seu Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem dirigir-se, pessoalmente, aos quiosques automáticos colocados em 42 locais espalhados por Macau para o efeito, ao posto de atendimento no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, ao Centro de Serviços da RAEM na Areia Preta, aos 4 Centros de Acção Social do Instituto de Acção Social, à Delegação das Ilhas do Instituto de Habitação (Edifício do Largo) ou Delegação de Seac Pai Van do Instituto de Habitação (Edifício Ip Heng), para tratar da prova de vida perante o pessoal do FSS. Os que não podem comparecer por motivos de permanência no exterior, doenças ou dificuldade em movimentar-se, podem delegar outrem a deslocar-se, acompanhado dos respectivos documentos, aos diversos postos de atendimento para tratamento da prova de vida dentro de Janeiro. Para mais informações acerca dos locais de tratamento da prova de vida ou dos documentos necessários a entregar por não poder comparecer pessoalmente, podem telefonar para o n.o 28532850 ou visitar a página electrónica do FSS exclusivamente sobre a prova de vida: http://www.fss.gov.mo/pt/sites/vida. Aos 09 de Janeiro de 2017 O Presidente do Conselho de Administração do FSS Iong Kong Io


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Banda Larga INVESTIGAÇÃO DO CONSELHO DE CONSUMIDORES

Fibra óptica vista à lupa O Conselho de Consumidores levou a cabo uma investigação sobre os planos de Internet da fibra óptica, tendo chegado à óbvia conclusão que só um consumidor informado poderá escolher da melhor forma entre os dois operadores no mercado

C

UIDADO com as promoções. Podem ser aliciantes à primeira vista, mas levar a uma decisão precipitada na altura de escolher um plano de Internet de banda larga em fibra óptica. As óbvias recomendações são do Conselho de Consumidores, que publicaram um relatório onde avaliaram as várias opções oferecidas pelos dois operadores no mercado. De acordo com o relatório do órgão consultivo, a CTM disponibiliza nove planos mensais que oferecem o uso de Internet ilimitado, enquanto a concorrente, a MTel, oferece cinco planos mensais. O documento publicado pelo Conselho de Consumidores fez uma análise comparativa de dois tarifários de 300M, tendo concluído que o plano da MTel traria ao consumidor uma poupança anual de 884 patacas, em relação à concorrente. Outra das conclusões do relatório prende-se com a fidelidade dos clientes, que não mudam frequentemente de fornecedor. Nesse sentido, o Conselho de Consumidores alerta para que

BRIU ontem portas a 13.ª edição do Fórum para a Cooperação Internacional da China (CEFCO, na sigla inglesa), que nos próximos três dias terá lugar no Venetian. A abertura do evento contou com a presença do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, bem como de Yao Jian, vice-

AMBIENTE PILHAS À ESPERA DA COOPERAÇÃO REGIONAL

Há em Macau, neste momento, mais de 140 postos de recolha de pilhas e baterias usadas. O número inclui os 50 depósitos de lixo públicos, bem como vários locais que, nos últimos tempos, passaram a ter equipamentos para a recolha deste tipo de resíduos. De acordo com uma nota à imprensa da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA), é possível depositar pilhas para a reciclagem em todas as zonas da cidade. Os novos postos de recolha podem ser encontrados em vários locais de atendimento dos serviços públicos, em supermercados, em lojas de conveniência, empresas de telecomunicações e bancos. A DSPA explica que houve instituições que pediram mais postos de recolha para poderem colocá-los nas várias sucursais, sendo que a expansão desta rede será feita de “forma gradual”. Quanto ao destino das pilhas e baterias usadas é, para já, o “armazenamento temporário”. Os serviços dizem estar a fazer um esforço para a reciclagem “através da cooperação regional”.

PETIÇÃO TRABALHADORES EXIGEM AUMENTOS À SANDS

haja atenção às cláusulas contratuais e à qualidade dos serviços prestados. Por exemplo, no serviço de diagnóstico e reparação, a CTM oferece gratuitamente a primeira visita ao domicílio de um técnico da empresa, sendo que a partir da segunda visita é cobrada uma taxa de 100 patacas durante as horas de expediente. Fora do horário de expediente a taxa duplica para as 200 patacas.

Este serviço na operadora MTel é gratuito, além de não exigir o pagamento prévio de uma mensalidade como depósito, sendo, no entanto, cobrada uma multa no caso da cessação do contrato por parte do consumidor. Outra diferença substancial é ao nível das taxas de instalação. A CTM cobra 600 patacas para a utilização da rede de fibra óptica existente, sendo que, para uma nova rede, o preço é de 900 patacas. Em contrapartida, a MTel cobra 540 e 810 patacas, respectivamente.

O plano da MTel traria ao consumidor uma poupança anual de 884 patacas em relação à concorrente O órgão consultivo aconselha ainda que os potenciais clientes antes de escolherem um plano se aconselhem com familiares e amigos que já adquiriram serviços de Internet, de forma a tomarem uma decisão mais informada.

NEGÓCIOS MACAU QUER MAIS CONVENÇÕES

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SOCIEDADE

-director do Gabinete de Ligação do Governo Central em Macau. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, o fórum contou, pela primeira vez, com representações de países de língua portuguesa, como Angola, Brasil ou Guiné-Bissau. No seu discurso, Lionel Leong referiu que o evento conta com a

participação de 800 representantes, e que vai servir para abordar os desafios da indústria de convenções e exposições a nível global. O secretário adiantou ainda que Macau irá continuar a seguir a estratégia de “prioridade às convenções”, introduzindo mais projectos de convenções de alta qualidade, apro-

veitando as vantagens únicas do território. Lionel Leong assinou ainda um protocolo com o presidente do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional, Jiang Zengwei, em relação à promoção do desenvolvimento da indústria de convenções e exposições de Macau.

O evento realiza-se pela primeira vez numa cidade fora da China Continental. A edição anterior foi realizada emYinchuan, na região autónoma de Ningxia, tendo atraído a participação de mais de 600 organizadores de eventos, quadros superiores, elites e académicos da indústria de convenções e exposições.

A Associação Poder do Povo (APP) entregou ontem uma petição à Sands China para pedir um aumento salarial de cinco por cento. Na carta endereçada à operadora de Sheldon Adelson, os associados da APP referem que o aumento do nível de vida, consequência da inflação dos últimos anos, aliada aos lucros astronómicos da empresa deveriam resultar num aumento da massa salarial. A missiva exige responsabilidade social ao gigante da indústria do jogo, acrescentando ainda que uma melhor remuneração pode contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços. Ou seja, de acordo com a APP, todas as partes ficariam a ganhar. A exigência do aumento salarial em cinco por cento estendeu-se às restantes cinco concessionárias de jogo. A associação entende que os trabalhadores também merecem gozar os frutos dos lucros que o sector do jogo traz às concessionárias.

PENSÕES SEGURANÇA SOCIAL PEDE PROVA DE VIDA

O Fundo de Segurança Social (FSS) recorda os beneficiários de pensões para idosos, ou por invalidez, para fazerem prova de vida durante o mês de Janeiro. Esta acção tem de ser repetida anualmente, sendo necessário a deslocação pessoal do beneficiário às instalações do Centro de Serviços da RAEM, ou através dos quiosques automáticos instalados em 42 locais espalhados pela cidade. Os quiosque podem ser encontrados no Albergue da Santa Casa da Misericórdia e nos Centros de Acção Social do Instituto de Acção Social, ou na delegação das Ilhas do Instituto de Habitação (Edifício do Largo) e delegação de Seac Pai Van do Instituto de Habitação (Edifício Ip Heng). A sede dos serviços que fazem a prova de vida é na Areia Preta, sendo que os pensionistas devem levar o BIRM válido.


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hoje macau sexta-feira 13.1.2017


9 hoje macau sexta-feira 13.1.2017

“T

EMOS estado em contacto com o Governo local e esperamos continuar num diálogo construtivo.”As palavras são de Trasy Lou Walsh, directora da Uber de Macau, que acrescentou ainda que o crescimento da plataforma é uma tendência mundial que já implicou a alteração da legislação de mais de 100 países. Neste sentido, a Uber confia no poder da satisfação dos seus clientes e nos benefícios que podem trazer ao sector dos transportes da cidade. Em Setembro último, muito se falou sobre o fim da Uber na RAEM, tendo circulado uma petição a favor da plataforma. “Orgulhamo-nos das mais de 23 mil assinaturas que recolhemos em menos de uma semana, são um indicador de que Macau quer mais, exige transportes de qualidade”, comenta Walsh.A directora da Uber espera que a satisfação dos clientes, aliada

Uber BALANÇO DE UM ANO CONTURBADO

Crescimento estrangulado à diversificação da economia, faça os decisores políticos compreender a importância da aplicação. A expansão do turismo a áreas fora do sector do jogo pode ser outra das vias para mostrar que o serviço é essencial à cidade. As intenções são boas, meter mais pessoas em menos carros. Uma meta que responderá a muitos dos mais urgentes problemas de trânsito de Macau. Do excesso de automóveis aos problemas de parqueamento, passando pelas preocupações dos automobilistas com o excesso de multas. Trasy Walsh recorda que, um pouco por todo o mundo civilizado, à medida que a Uber cresce, o número de automóveis comprados diminui. “Quando as pessoas se aperceberem que podem usar a Uber e começar as suas viagens em menos de cinco minutos, a tendência será para uma diminuição do uso do carro”, comenta. A directora crê que esta pode ser uma via para reduzir o número de veículos em Macau. Para tal, o serviço prestado terá de ser de confiança.

ANO NOVO, NOVOS SERVIÇOS

Este ano será lançado em Macau a Uber Assist, que permitirá aos passageiros com dificuldades motoras, e outros tipos de incapacidade, terem um meio de transporte à sua medida. Em parceria com a Caritas, está a ser dada formação a condutores para que estejam habilitados a transportar, por exemplo, pessoas em cadeira de rodas. Também tem sido dada formação básica de linguagem gestual a alguns condutores da Uber. A parceria com a Caritas não se fica por aqui e,

GOVERNO CONTRA-ATACA

N

ão foi preciso esperar pela chegada dos jornais à banca para que o Executivo respondesse à Uber. O Governo local lembrou, em nota de imprensa que, em Outubro, esteve reunido com os representantes da aplicação, reiterando que a Uber não preenche os requisitos legais para operar em Macau. Como tal, a posição do Executivo mantém-se rigorosa, alertando que não permite a exploração ilegal de actividades de transporte de passageiros no território. A posição é justificada como forma de garantir o direito e a segurança dos cidadãos e visitantes. A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego avisa ainda que as autoridades vão continuar “a combater rigorosamente as irregularidades”.

HOJE MACAU

A certa altura de 2016, os condutores da Uber estavam com uma média semanal de multas no valor de um milhão de patacas. Com a entrada em 2017, as perspectivas são de crescimento e de manutenção de diálogo com o Executivo de forma a regularizar o serviço

SOCIEDADE

Trasy Walsh recorda que, um pouco por todo o mundo civilizado, à medida que a Uber cresce, o número de automóveis comprados diminui no espírito do Ano Novo Chinês, está em curso uma campanha que pretende levar um pouco de calor às duas mil famílias apoiadas pela instituição de caridade. A app recolherá doações de clientes, e esses fundos serão usados para comprar roupa e brinquedos para as crianças destas famílias carenciadas. Os condutores de veículos da plataforma têm origem nas mais diversas ocupações. “Muitos colaboradores trabalham na indústria do jogo, desde antigos junkets, dealers, supervisores, ou pessoas cujo trabalho sofre com a sazonalidade”, esclarece Trasy Walsh. Mas não só de empregados ligados ao negócio dos casinos se fazem os condutores da Uber. Podem ser estudantes, agentes de imobiliário, vendedores de seguros, até donos de restaurantes de hot pot durante o Verão, uma iguaria mais apreciada no Inverno.

No início de 2016, o tempo de espera médio por um carro da Uber ultrapassava ligeiramente os oito minutos. Até Dezembro, este PUB

período foi reduzido para menos de cinco minutos, e a meta para o ano que agora começa é baixar da barreira dos quatro minutos.

Ainda no universo dos números, os carros ao serviço da plataforma percorreram três milhões de quilómetros, o suficiente para dar a volta ao mundo 38 vezes. Um dos objectos mais vezes perdidos dos tempos modernos é o telemóvel, o que também acontece, naturalmente, em veículos da Uber. Como tal, foram devolvidos 99 telefones esquecidos em carros da plataforma. No ano passado, o tempo de espera mais curto por um carro da aplicação foi de dois segundos, quase instantâneo, sendo que o utilizador que mais usou a Uber fez 768 viagens, quase duas viagens por dia. João Luz

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CCM BALLET DE HONG KONG APRESENTA NOVA

EVENTOS

O “Quebra-nozes” está, até domingo, no Centro Cultural de Macau. Interpretada pelo Ballet de Hong Kong, a apresentação marca o fim de oito anos de direcção artística da sueca Madelaine Onne. O espectáculo é dirigido a todas as idades, numa recriação do clássico de Tchaikovsky

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA OBRIGASTE-ME A MATAR-TE • Ana Isabel Fonseca, Tânia Laranjo

Esta é a história de Maria. Um relato na primeira pessoa de uma mulher que sonhou com um casamento perfeito e uma vida feliz ao lado de Rui e viveu um verdadeiro pesadelo, entre quatro paredes, durante décadas. Em silêncio, marcada no corpo e na alma pelas mãos, pontapés e palavras malditas do marido, assistindo à violência contra as suas filhas, incapaz de reagir, demasiado assustada, demasiado dependente... até ao dia em que a coragem suplanta a dor e a vergonha, pega numa arma, que mais cedo ao mais tarde a iria matar, e assassina o marido, o pai das filhas, o homem que jurou respeitá-la e amá-la, no cimo de um altar. Esta é a história da Maria, mas poderia ser da Ana, da Sofia, da Francisca, etc... Em 2010 morreram quarenta e três mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal, 29 delas já com queixas apresentadas às autoridades. As jornalistas Ana Isabel Fonseca e Tânia Laranjo lidam diariamente com casos de violência doméstica que acontecem todos os dias no nosso país. Esta é uma viagem a um mundo de dor e sofrimento, de sentimentos e vergonha que não pode deixar ninguém indiferente.

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O PRIMEIRO ALQUIMISTA A IDADE DO BRONZE EM PORTUGAL • Sofia Martinez

Quando a jovem Breia recupera a consciência depara-se com Bran, o grande mestre fundidor da aldeia da Fraga, e Tor, o seu corajoso aprendiz. Estes calcorreavam o vale em busca do precioso minério, para forjar machados de bronze. Breia assusta-se ante os dois estranhos. Sentia ainda o cansaço e o medo de ter sido perseguida durante dias por dois homens que a ameaçavam com os seus machados. Sentia as dores no corpo de ter caído naquele abismo, de onde nunca imaginara poder sair. Mas, ao cruzar os seus olhos com os de Tor, Breia vê nele o seu porto de abrigo, o seu salvador. O mestre fundidor decide adoptar a jovem, que se recusa a dizer o seu nome e a revelar as suas origens, e leva-a para a sua pequena aldeia. Decide chamar-lhe Nan-tai e é com este novo nome que a jovem se adapta à sua nova vida. No entanto, tudo se complica quando o povo do Norte vem à aldeia da Fraga para entregar Raina, a noiva de Binan, o filho do chefe da aldeia. O segredo de Breia seria finalmente descoberto.


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A VERSÃO DO QUEBRA-NOZES

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ADELAINE Onne está de saída da direcção artística do Ballet de Hong Kong, não sem antes passar por Macau para uma apresentação especial do clássico “Quebra-nozes”. “É uma versão diferente porque foi feita especialmente para nós, pelo australiano Terence Kohler, e foi concebida enquanto forma de celebração do Natal. Como em Hong Kong não celebramos, efectivamente, a época, o sentimento foi misto e o resultado foi a construção de uma história passada num mundo de sonho através de uma casa de bonecas”, explicou Madelaine Onne num encontro com a imprensa. A presente edição do “Quebra-nozes” é dirigida a um público vasto MADELAINE ONNE em que as crianças DIRECTORA ARTÍSTICA DO BALLET DE HONG KONG são bem-vindas. No entanto, esta não é razão para que as plateias não sejam preenchidas com adultos. Se a experiência com os mais novos tem sido gratificante, para Madelaine Onne a peça não é menos positiva para os adultos. «Hoje em dia todos temos uma vida cheia de stress, com famílias e trabalho, e também nós precisamos de entrar nos teatros e ver outros mundos”, justificou.

“É uma versão diferente porque foi feita especialmente para nós (...) o resultado foi a construção de uma história passada num mundo de sonho através de uma casa de bonecas.”

DE CAS

ALÉM DO CLÁSSICO

A “bailarina” do “Quebra-nozes” é interpretada por Yao Jin, que veio do Ballet Nacional de Pequim. Para a agora bailarina principal da companhia de Hong Kong, a mudança “concretizou um sonho”. A formação na capital foi de excelência, mas “não era suficiente”. “Queria sair e ter a oportunidade de tocar, de uma forma mais directa, o que vinha da cultura ocidental”, explicou. “Encontrei isso aqui: a companhia integra o factor liberdade e foi aí que consegui juntar a formação clássica a um ballet novo e mais contemporâneo.” Madelaine Onne reitera as palavras da primeira bailarina. Um dos grandes objectivos aquando do ingresso na direcção da companhia, há oito anos, era esse mesmo: possibili-

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tar a criação de um estilo pessoal nos seus bailarinos. “Quando cheguei encontrei profissionais magníficos que se copiavam uns aos outros na perfeição e de onde eu vinha era muito diferente: não tínhamos a mesma excelência técnica e, por isso, éramos obrigados a desenvolver outras capacidades”, recordou. Ryo Kato interpreta o “Quebra-nozes” e não podia estar mais de acordo: “é realmente muito diferente trabalhar aqui.” O bailarino japonês passou por Portugal e pela Rússia ao longo da formação. Do primeiro trouxe a liberdade de movimentos e uma abertura ao ballet contemporâneo; do segundo, a formação clássica tradicional. Agora junta ambas. Para Onne, o desafio de juntar o lado artístico e criativo à perícia era grande, e hoje é possível ver com facilidade o estilo de cada um. Por outro lado, a valência criativa é notória em palco. “Todos os espectáculos são diferentes porque há sempre coisas a acontecer e a serem adaptadas naquele momento.” O caminho não terá sido fácil e levou cerca de dois anos a conseguir sair da cópia para a concriação. “No início eles achavam que eu era louca em pedir para fazerem algo diferente, e hoje tenho de pedir para pararem porque já têm o seu processo criativo individual de forma natural.” Para o efeito, a directora tentou, sempre que possível, trazer coreógrafos que trabalhassem directamente com os bailarinos, com uma peça definida ou com recurso a temas. O desenvolvimento foi significativo e agora, nas digressões, a diferença é reconhecida. O Ballet de Hong Kong conta actualmente com cerca de 50 bailarinos vindos de 11 países. Sem residência, o trabalho é duplamente difícil. “Alugamos estúdios mas, às 18h, temos de sair, o que impede o desenvolvimento de determinadas opções que vão aparecendo”, esclareceu Madelaine Onne. No entanto, a companhia aguarda a concessão de um local de trabalho nos novos espaços de West Kowloon. O “Quebra-nozes” está no Centro Cultural de Macau hoje e amanhã, às 19h30, e domingo às 15h.  

ORQUESTRA DE MACAU BEETHOVEN NO D. PEDRO V “Beethoven e a sua transição” é o nome do concerto que tem lugar amanhã no Teatro D. Pedro V. A cargo da Orquestra de Macau, liderada pela batuta de Lü Jia, serão interpretadas duas das maiores obras do compositor alemão: o Sexteto em Mi bemol Maior e o Quarteto de Cordas n.º 7 em Fá Maior, n.º 1. A organização contextualiza que a carreira artística do compositor divide-se em três períodos, sendo que as composições para quartetos de cordas constituíram um dos expoentes criativos de Beethoven. O Quarteto de Cordas n.º 7 em Fá Maior, n.º 1, “personifica o estilo do período central do compositor com grande vitalidade, tanto em termos de duração como de escala”. Paralelamente, a organização promove um intercâmbio com o violinista Wang Yue e com o chefe de naipe de trompas da orquestra, Wu Tianxia, para uma conversa acerca das composições. A tertúlia está marcada para as 19h15 e o concerto é às 20h.

Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com

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EVENTOS

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Sem palavras Teatro físico na abertura do Fringe

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festival Fringe começa hoje e no cartaz tem o espectáculo “Antiwords” da companhia checa Spitfire. A peça é inspirada nos textos autobiográficos de Václav Havel e retrata a conversa entre dois homens. No entanto, “em vez das duas personagens masculinas, o diálogo é entre duas mulheres”, explicou o director artístico Petr Bohac ao HM. A situação é passada numa cervejaria e representa uma conversa entre um intelectual – proibido de escrever, trabalha numa cervejaria – e o proprietário do estabelecimento. A interacção é absurda, cómica e dramática. Para a actriz Sonia Feriencikova, o que sobressai na peça é o humor que camufla o desenlace final. “É um trabalho com muitas camadas, das mais superficiais às mais profundas”, referiu. O grupo que se dedica à representação do absurdo através do teatro físico assume que esta é uma forma de evitar enganos. “O corpo não consegue mentir. As palavras podem fazê-lo, e com muita facilidade, mas o corpo não”,

defendeu Petr Bohac. Por outro lado, o movimento é uma linguagem universal que não depende de idiomas. Para a actriz, também o corpo é um elemento de comunicação especial que “usa outros níveis de pensamento para comunicar com o público”. A China chegou com as digressões e “Antiwords” permitiu o contacto com públicos diferentes. “Estivemos em Pequim e Xangai, por exemplo, e mesmo dentro do mesmo país, a ‘Antiwords’ teve um acolhimento distinto. Por exemplo, o público de Pequim é muito mais aberto do que o de Xangai, o que é um pouco surpreendente”, considerou o director. No entanto, sublinhou, o mais interessante é que “a audiência chinesa consegue sempre entender muito bem situações que envolvam o absurdo”. A passagem por Macau não acarreta expectativas, mas antes curiosidade. Em cada espectáculo a companhia procura “o contacto com o público numa tentativa de mudar as pessoas”, rematou Petr Bohac. S.M.

CONCERTO “NODAME CANTABILE” COM MAIS UMA APRESENTAÇÃO O concerto dedicado à série japonesa clássica “Nodame Cantabile”, apresentado pela Orquestra de Macau, com data marcada para 21 de Fevereiro, vai contar com uma apresentação adicional. A razão, aponta a organização em comunicado, prende-se com a grande procura de bilhetes por parte da população. A nova data é 10 de Fevereiro e os bilhetes estão disponíveis a partir de segunda-feira. O espectáculo tem lugar no auditório da Torre de Macau, e os bilhetes têm valores entre as 150 e as 250 patacas.


12 CHINA

hoje macau sexta-feira 13.1.2017

HK CARRIE LAM DEVERÁ CANDIDATAR-SE A CHEFE DO EXECUTIVO

Na casa da partida

Secretário de Estado escolhido por Trump critica China

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número dois do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, demitiu-se ontem, uma medida que é assumida como o primeiro passo para apresentar uma candidatura a chefe do Executivo, noticiou o South China Morning Post. A secretária-chefe disse numa reunião à porta fechada que Carrie Lam tinha apresentado a sua demissão formalmente durante a manhã de ontem e que iria entrar na corrida eleitoral, informou o jornal em língua inglesa. Até à data foram apresentadas três candidaturas formais às eleições para chefe do Executivo de Hong Kong, que decorrem no final de Março. Regina Ip, antiga secretária para a Segurança e membro do Novo Partido Popular (New People’s Party), o juiz na reforma Woo Kwok-hing, e Wu Sai-chuen, um ex-membro da Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong [DAB, na sigla inglesa], são os três candidatos que formalizaram as candidaturas ao cargo. O impopular líder da cidade, Leung Chun-ying, também conhecido por CY Leung, e considerado por muitos dos seus críticos como um “fantoche” de Pequim, disse a 9 de Dezembro que deixaria o cargo em Julho e que não voltaria a concorrer ao lugar de chefe do Executivo.

Na segunda-feira seguinte, 12 de Dezembro, o secretário para as Finanças, John Tsang, pediu a renúncia ao cargo – um procedimento entendido como o primeiro passo para avançar com uma candidatura formal –, mas até à data aguarda que o pedido seja aceite por Pequim.

BÊNÇÃO DO NORTE

Segundo a imprensa de Hong Kong, Carrie Lam reúne maior apoio entre as forças pró-Pequim, enquanto John Tsang – apelidado de “Sr. Pringles” pelos órgãos de comunicação local por sua semelhança com a mascote da marca – é visto como uma alternativa mais moderada ao actual líder Leung Chun-ying. Ao abrigo do actual sistema eleitoral, o líder do Governo de Hong Kong é seleccionado por um colégio eleitoral

de 1.200 membros representativos dos vários sectores sociais. Em 2014, Pequim avançou com uma proposta de reforma política que previa a introdução de voto universal para o líder do Governo, mas só depois de os candidatos (dois a três) serem pré-seleccionados por uma comissão de 1.200 membros, vista como próxima de Pequim. A proposta, que ainda em 2014 esteve na origem do movimento Occupy, que durante 79 dias bloqueou as ruas da cidade, foi rejeitada pelo Conselho Legislativo em Junho de 2015. O pacote de reforma política proposto por Pequim acabou por ser chumbado pelo voto contra dos democratas.

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EDITAL

EDITAL

Edital nº Processo nº Assunto

: 2/E-OI/2017 :363/OI/2016/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) Local :Avenida Guimarães, Edf. Jardim Wa bao, Bloco 5, fracção 10.º andar AA (CRP: AA10), Taipa. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados Lei Hou Weng e Cheong Sok Cheng, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as obras não autorizadas abaixo indicadas, as quais infringiram o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que as mesmas são consideradas ilegais: Obra 1.1 Demolição de parte da parede da sala e da porta de correr de vidro da varanda. Demolição de parte da parede do quarto e da casa de banho do quarto para 1.2 ampliação do vão da janela. 2.

Nestas circunstâncias e nos termos dos artigos 52.º e 65.º do RGCU, ordena aos infractores que procedam à demolição das obras ilegais referidas no ponto 1 e à reposição das partes afectadas de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços, e informa que incorrem em infracção sancionável com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas. 3. Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, os interessados podem apresentar a sua defesa por escrito e as demais provas para se pronunciarem sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer diligências complementares, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. 4. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 29 de Dezembro de 2016 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Edital n.º Processo n.º Assunto

: 11/E-BC/2017 : 422/BC/2016/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Locais :Avenida Guimarães, Edf. Jardim Wa bao, Bloco 5, fracção 10.º andar AA (CRP: AA10), Taipa. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados Lei Hou Weng e Cheong Sok Cheng, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as obras não autorizadas abaixo indicadas: Obra de janelas de vidro para 1.1 Instalação fechamento da varanda da fracção. Construção de paredes em alvenaria de e instalação de janelas de vidro 1.2 tijolo na parede exterior junto às janelas do quarto.

Terreno minado

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso ao edifício. Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do acesso ao edifício.

2.

As varandas e janelas são consideradas acessos em caso de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. Os processos podem ser consultados durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 29 de Dezembro de 2016 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

E X Tillerson, escolhido por Donald Trump para chefiar a diplomacia norte-americana, acusou ontem a China de perseguir, nem sempre respeitar compromissos económicos e comerciais e de não usar toda a sua influência para controlar a Coreia do Norte. Numa audição de confirmação no cargo no Senado, Tillerson foi especialmente questionado acerca da sua alegada proximidade com a Rússia, acabou por admitir que os EUA e a Rússia podem ser adversários ou parceiros, mas provavelmente nunca serão amigos. “Não é provável que alguma vez sejamos amigos”, disse. “Os nossos sistemas de valores são completamente diferentes”. Sobre a China, que durante a campanha ficou agastada por declarações de Donald Trump sobre a necessidade de justificar a política de “uma só China” com concessões políticas, económicas e comerciais de Pequim, Tillerson criticou medidas políticas económicas e comerciais chinesas que prejudicam os Estados Unidos. “A China tem mostrado uma predisposição para perseguir com determinação os seus objectivos, o que por vezes a tem colocado em conflito com os interesses norte-americanos. Temos de lidar com o que vemos, não com o que esperamos”, disse. O antigo executivo da petrolífera Exxon criticou igualmente a potência asiática por não ser “um parceiro fiável no uso de toda a sua

influência para refrear a Coreia do Norte”, um aliado próximo de Pequim condenado internacionalmente pelas suas actividades nucleares ilegais. Tillerson frisou no entanto que divergências com a China em determinadas questões não impedem uma “parceria produtiva” noutras áreas.

LIGAÇÕES PERIGOSAS

O empresário, que Trump quer venha a ser o seu secretário de Estado, foi intensamente questionado pelos senadores sobretudo acerca das suas ligações empresariais à Rússia, admitindo que “actividades recentes” de Moscovo contrariam os interesses dos Estados Unidos. Às insistentes questões do republicano Marc Rubio sobre a alegada interferência informática da Rússia numa tentativa de influenciar as eleições presidenciais norte-americanas, Tillerson respondeu que é “razoável pensar” que o Presidente russo, Vladimir Putin, estava a par de tais manobras. O provável futuro secretário de Estado frisou no entanto não conhecer os relatórios dos serviços de informações que alegam essa interferência. Noutro momento da audição, Tillerson criticou o processo de aproximação a Cuba lançado pela administração de Barack Obama, por considerar que, a ser feito, o seu progresso devia ter dependido de “concessões significativas” da parte de Havana em matéria de direitos humanos.


em modo de perguntar

h ARTES, LETRAS E IDEIAS

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Paulo José Miranda

Raquel Serejo Martins

“Os meus poemas são frutos para comer crus” És poeta (acerca do teu livro de poesia, primeiro e até agora único, Aves de Incêndio, escrevi neste jornal esta semana), e escritora. Aliás, tens mais obra de prosa editada do que de poesia, dois romances na Editorial Estampa, A Solidão dos Inconstantes (2009) e Pretérito Perfeito (2013). Assinas ainda uma crónica semanal na revista “Sábado”, onde na realidade escreves pequenos contos. Qual de todas estas actividades é para ti a principal, se é que há uma principal, e não me refiro ao teu trabalho diário, que nada tem a ver com as letras? Nunca pensei nisso e não consigo dizer qual a principal, aviso já que sou óptima a não conseguir explicar as coisas, todavia consigo dizer que o romance me exige mais fôlego, sufoca-me, tenho medo que me falte o ar, o pé, de não me encontrar, é um burilar longo e penoso, processualmente duro. No romance sou escafandrista, enquanto na crónica ou no conto respiro. Muitas vezes chego ao papel já com uma história, com princípio, meio e fim, três linhas de história não mais, depois, aranha competente, vou tecendo a teia, acrescentando pontos ao conto e não são raros os momentos em que consigo divertir-me a escrever, a escolher as palavras, a limar as arestas, a polir e a puxar o lustro aos parágrafos. Já a poesia é um mistério, é um caso sério, é garimpo à procura de minério, de palavras pepitas, palavras que brilham e que juntas fazem luz, mesmo se dolorosas e escuras, a poesia acontece, é um relâmpago e, em consequência, os meus poemas são frutos para comer crus e muitas vezes com casca. E apesar de serem três registos diferentes, parece-me, dizem-me, que a poesia contamina tudo o que escrevo. E como entendes a poesia. De outro modo, imagino que leias e gostes de poesia diferente daquela que escreves, que procuras nos poemas que lês e o que procuras nos que escreves? Uma vez escrevi sob o petulante título Brevíssimo Manual Desconfia do poema se:

Não te corta a respiração Não te sufoca Não te acelera o bater do coração Não te faz sorrir. E, de facto, é mais ou menos isto que eu procuro e quero da poesia, que me encante, que me deixe boquiaberta, que me roube à rotina dos dias. Sendo que, provavelmente, quase de certeza, escrevo por esse mesmo motivo, para roubar-me à rotina dos meus dias, porque são demasiados os dias em que nada disto tem sentido.

“A poesia é um mistério, é um caso sério, é garimpo à procura de minério, de palavras pepitas, palavras que brilham e que juntas fazem luz, mesmo se dolorosas e escuras.”

E como vês a poesia actualmente em Portugal? Achas que se atravessa um período pujante ou antes pelo contrário? Eu tenho um amigo poeta, João Bosco da Silva, que diz que só os poetas compram livros de poesia e é quase verdade. Por outro lado, com base no volume de poesia que vejo circular pelas redes sociais, também me parece que nunca se fez e leu tanta poesia como hoje, assim como, em Lisboa e pelo que sei também no Porto, voltou a ler-se poesia em cafés e bares, e são várias as editoras especialmente vocacionadas para a poesia, o que indicia que a poesia está na moda. E, em estando na moda, há muita gente a escrever má poesia, há um excesso de péssima poesia que fere e prejudica o género, mas também há gente boa a encantar. É que dizer que Portugal é um país de poetas, não quer dizer que todos somos poetas, mas que temos excelentes poetas. Sendo que, obviamente, também me coloco a questão, será que posso chamar poesia ao que escrevo. Sentes que pertences a alguma geração de poetas? Que há essa geração?

“No romance sou escafandrista, enquanto na crónica ou no conto respiro.” Sinto que andamos todos muito sozinhos, ou eu ando muito sozinha, é tão fácil fazer generalizações sem fundamento, pelo que não me reconheço nesse sentimento de pertença, mas dito isto, ultimamente tenho tido a boa ventura de conhecer uns quantos poetas e são pessoas que gosto de abraçar, pelo que melhor adiar a resposta a esta pergunta por uns tempos. E para quando o teu segundo livro de poesia? O meu próximo livro de poesia está na gaveta, tem dentro 100 poemas de amor, e um dia, não sei dizer quando, vai sair da gaveta. Neste momento não tenho pressa em editar, assim como me parece que o Aves de Incêndio ainda precisa de espaço para voar.


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QUELES dias. Sim, aqueles que todos temos. Talvez. A cabeça a explodir de incompreensão e erro. Ou será o coração. Talvez. Ou as vísceras mais abaixo na hierarquia de valores dessa sociedade secreta de funções populares do corpo e lirismos emocionais não se sabe de onde. Que se enovelam como agoniadas de si próprias. E caem umas sobre as outras num tumulto espacial que a pele e todos os ligamentos contrariam afinal. Ou em cima aquele nó fechado de faltar o ar e vemos ao espelho e não está lá. Mas não são as sensações algo de realidade inequívoca em reacção a estímulos? Serão ou não. Talvez dependendo da realidade destes. E que realidade seja essa é inquestionável às vezes. Outras não. E dias em que verificamos que nada explode afinal. Que tudo são imagens e figuras de estilo. E que afinal ardemos simplesmente até ao pó. Passando pelas brasas incandescentes de belas mas em final de existência do fogo vital. Nada explode afinal senão ateado um engenho doméstico e mesmo assim. Sempre possível ficar-se vivo mas sem ver, ou sem pernas para andar, ou sem mãos para tactear as linhas. De uma escrita qualquer. Em que penso onde estará o desamparo maior, se na realidade, se no sonho. Se sonho é um roubo adquirido secretamente e sem documentos. Se a realidade alguma vez teria sido visível sem andares de arranha-céus por ali acima até um ponto indefinido que não é, no entanto, o dito mas a desdita de não se alcançar como limite. Sempre como limiar. E a pensar entre parêntesis que sim, que houve. Não porque sempre se terá sido mais jovem, sempre se terá tido menos vida, sempre se terá tido mais caminho para a frente. Na sua indefinida e feliz e inapropriável extensão. Que tudo permite. Sonhar. Imaginar até. Mas não é essa sobre todas as razões. A razão é uma época dividida em duas que nos calhou cruzar sem aprendizagem. Que não a de cada um em si, sem labirintos nem

zonas proibidas. É o que pode restar de seguro na líquida impermanência de tudo. E no entanto, não sei. Disfarço bem, talvez, mas não faço a menor ideia do que faço aqui. Tudo o que se evola sem remédio, tudo o que passa por cada um como uma aragem demasiado etérea para, cabendo nos dedos, aí se sentir segura. Aí se saber segurar. Tudo o que é invisível. Tudo o que visível não se consegue ler. E mudamos. Vamos metamorfoseando algo impreciso de nós e olhando de revés ou de frente sem antagonismo mas cuidado. Tende-se a perder mais coisas na complexidade com que se apresentam. E fincar os pés no chão para não se ser arrastado pelo que nos tira de nós, não garante que algo de nós não se funda com o chão como um animal aterrorizado que hiberna para não pensar. Ou se enterra no conforto inóspito da terra para esconder a impotência face à dificuldade do caminho. O caminhar pesado e sólido pela vida a dentro. Do cante alentejano. Nos momentos de não fazer. Também. Como os outros, momentos de ser. E lembrei-me desse aspecto particular do cante alentejano. Da terra onde me nascem memórias mas em fuga. Donde retirar com rigor as origens não importa. As raízes, especula-se. São múltiplas, de sagrado e profano entrecruzadas de lugares, tradições. Do canto gregoriano ou das raízes árabes. Aspectos primitivos, ainda, parecem remontar mais lá atrás. Tradição de vozes graves. Vem das entranhas do passado e um dia destes passará a coisa leve para turista ver, como uma parede cega e sem densidade para trás. Ou um prédio de janelas vazias sobre o céu e sem mais do que a fachada à espera de demolição. Não posso dizer que me emocione. Coisa culturalmente incorrecta de se dizer, mas que fazer… Talvez intelectualmente, ainda. Dizer que gosto. Mas de uma maneira muito mental. Emoções fortes mas trabalhadas num apreço de recordação. Não oiço. Nunca oiço nem apetece. De que forma gosto

para além do admirar, difícil fórmula estética de emoção na ausência. Não sei. Uma emoção teórica. Ou talvez o prefira na memória. Não é a embriaguez de outra música. Mas é pujante como um murro em pleno plexo solar aquela ideia de muralha firme de gente de braço dado a avançar lentamente. As passadas conjuntas, a banda compacta de seres enlaçados pelos braços a avançar inexoráveis e lentos. A balançar ligeiramente nesse avanço gradual e pontuado de vozes. Vozes só. A balançar ligeiramente de um lado para o outro segundo a cadência dos passos. Uma coisa da terra e talvez a vencer a imensidão desértica e sedenta dessa terra. E da musicalidade sóbria das vozes tão particulares que nem os instrumentos lhes chegam, a alternar em coro, ou ponto. Em desafio. Vozes respondem a outras. Umas às outras. Com um alto preenchendo as pausas. E é assim que as lembro. As vozes e depois o que lembrei antes. As avós. E tias avós. E irmãs e primas. Amigas. Nos homens não se usava. Mas nelas sim. Sem pudor, nem receio. Como se fosse mais seguro sempre andar ancorada em alguém. Uma na outra. Como se sempre contra um vento mau. Uma maré perigosa. E namorados. E esposos. Dar a mão é bom. Há o tacto. Mas dar o braço é um laço mais próximo e firme. Um ampara o outro. É belo isso. Era belo. E um dia destes aconteceu-me. Conheci uma mulher depois de um tempo talvez amplo de correspondência trocada. Virtual. Mas com o calor e a generosidade algo anacrónicos de um outro tempo de cartas em papel. E um dia veio. Primeiro, não vindo. O tempo a passar. Minutos, meia hora. Uma hora. E eu, ferozmente estoica a pé, a fugir às goteiras da chuva intervalada, à frente da Brasileira, no fundo, no fundo, só para ter a certeza de que não vinha e não havia desencontro possível no não vir. Uma coisa muito minha. E o tempo de pensar toda a irrealidade óbvia de um ser que seria talvez um outro completamente diferen-

ANABELA CANAS

O coro e o ponto - A


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de tudo e de nada

Anabela Canas

queles dias normais te do imaginado e expresso. E, quando já e sempre não esperava e quase nem tinha retrospectivamente esperado, surge bem de perto, sem espaço de recuo para a reconhecer, calorosa, igual e tridimensional, a voz cantada do telefone de Lisboa, e agarrou-se-me ao braço assim, à antiga, pujante, forte e alegremente, e seguimos como se combinado pela rua acima. Uma coisa que não se usa, já. Nunca me vou esquecer. Por mais Atlântico que nos separe nos dias todos da vida. Amigas para sempre se nada se desfizer noutras complexidades da distância, do tempo e da falta dele. E recuei uma geração ou duas, a um espaço estranho de conforto e quase receio. E é nesses momentos que aquele lado em mim, que tenta fazer-se ouvir a dizer “don’t look back, don’t look back”, se rebela e pensa, deixa ver se não me esqueci de nada. Essencial. De mim. A chave do lado de dentro. Neste tempo fatiado, fragmentado e líquido. De realidade mais imatérica do que qualquer fantasia. De intocáveis e impermanentes sonhos que só me dão descanso no sono. Quando vem. Se alguém vir por aí um personagem de figura bem apessoada e olhos e aparência de sono, é favor devolver, que deve ser o meu. Não consigo dormir sem ele. Enquanto isso, sonho. Não errar as estações. E nos intervalos, não sei. Nada. E quando não sei nada só queria dizer coisas bonitas a troar-me aos ouvidos, atordoar-me nelas e embalar-me na ausência de sentidos mais sólidos. Embriagar-me de palavras que existem e se existem basta pensar nelas. Dizê-las, e ganham vida própria de palavras. Reais. A meter medo. Entre todas as possíveis guardadas no dicionário surpreendente em si e mais ainda se o imaginasse feito de conjuntos de duas. E de três. Não avanço mais nem me atrevo a pensar nas possibilidades. Quantos volumes para as entender. Para as desbravar. Como floresta complexa e invencível e que afinal o simples Homem pode erradicar. Como num silêncio, árvore a árvore.


16

h

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José Simões Morais

O auto didacta botânico e naturalista

Alfredo Augusto de Almeida A

LFREDO Augusto de Almeida (1898-1971) é das poucas pessoas que em Macau tem, ou teve, uma estátua. Mas quem reconhece o seu nome? Não foi político, nem exerceu nenhum cargo de governação, assim como não era rico, nem esteve ligado ao comércio. Era um humilde funcionário público, homem autodidacta que gostava de saber, de aprender e ensinar, que se especializou em botânica e com quem muitos estrangeiros, que vinham a Macau, gostavam de falar. Também a ele se deve a recuperação de muitas das pedras pertencentes à História da cidade, atiradas para o lixo depois de partidas. Tetraneto do Primeiro Barão de Porto Alegre, um dos comerciantes de ópio mais ricos de Macau nos inícios do século XIX, Alfredo Augusto de Almeida nasceu em Macau a 21 de Janeiro de 1898 e aqui faleceu a 13 de Novembro de 1971. Era o sexto filho de Carlos Eugénio de Almeida e de D. Adelaide Maria Marques, tendo-se casado na Sé no dia 26 de Julho de 1925 com D. Rosalina Maria Boyol, mas não deixou descendência. Segundo o que refere Jorge Forjaz, “não herdou a fortuna dos seus antepassados e, por isso, foi toda a vida um humilde funcionário público e municipal. Mas herdou as suas virtudes, a sua grandeza de alma e um nobre coração. Filho de Macau, da mais ilustre aristocracia macaense, este homem foi sempre leal e honesto, nobre e respeitador no trato social e amigo da sua terra como poucos. A este botânico e naturalista, os jardins de Macau devem-lhe muito e o da Flora deve-lhe quase tudo, inclusivamente a classificação científica de todas as plantas e animais que lá existiam. Apaixonado pela floricultura e pela ornitologia”, reconstruiu o jardim da Igreja de S. Lourenço em 1935, sob as indicações da Sra. D. Laura Lobato. Depois da II Grande Guerra Mundial, Alfredo Augusto de Almeida, ao serviço do Leal Senado, renovou e transformou o espaço verde do Jardim da Flora, introduzindo novas espécies de flores, árvores de fruto e até uma pequena fauna. “Era um homem que se fez a si mesmo, um self made man, lia e consultava as autoridades em botânica e na arqueologia; por isso o Prof. Williams, de St. Francis Xavier College, perito em bo-

tânica, nunca vinha a Macau que não fosse a sua casa; o mesmo fez sempre o brigadeiro e historiador Sir Lindsay Ride, que tinha por ele o maior apreço; o então Governador Jaime Silvério Marques (1959-1962) correspondia-se frequentemente com este funcionário, a quem tanto apreciara e elogiara durante o seu Governo de Macau”, segundo refere o Padre Manuel Teixeira.

MUSEU ARQUEOLÓGICO DE S. PAULO

Terminamos o artigo da semana anterior com a transferência das lajes sepulcrais, que foram removidas do chão do átrio do edifício do Leal Senado e colocadas no Museu Arqueológico das Ruínas de S. Paulo, instituído pelo então Governador Jaime Silvério Marques (19591962), nele se empenhando com todo o interesse o Sr. Fernando da Silva Amaro. Muito mais tarde, a esposa do então Governador Nobre de Carvalho disse ao presidente da Câmara que removesse as pedras do recinto de S. Paulo para outro local, onde não estivessem expostas às intempéries do tempo. “O presidente deu as suas ordens aos assalariados da Câmara e estes, achando as pedras enormes e muito pesadas, desconhecendo o seu valor histórico, pegaram em marretas e partiram-nas em vários pedaços e lançaram-nas para a doca de Lamau”, como refere o Padre Manuel Teixeira, dizendo ter-lhe sido tal relatado pelo amigo Alfredo de Almeida, que sabia melhor que ninguém o que se passara.

Preparava Sir Lindsay Ride, ex-Chanceler da Universidade de Hong Kong, a obra The Voices of Macao Stones e pediu ao Padre Manuel Teixeira que fizesse a revisão. Foi então que este padre, encontrando grandes lacunas por faltarem as pedras do Museu Arqueológico de S. Paulo, descobriu terem estas daí desaparecido. Procurou o Sr. Alfredo de Almeida e ele, após contar o que ocorrera, levou-os à Doca de Lamau onde andaram à procura das pedras quebradas em 1966. Passaram vários meses nessa tarefa, andando Alfredo de Almeida também a recolhê-las pelas valetas da cidade. Sir Lindsay Ride, em conjunto com o Padre Manuel Teixeira, reuniram pedaço por pedaço até as reconstituir e Almeida incumbiu-se de os cimentar. Mas muitas pedras tinham desaparecido. A 5 de Maio de 1969 fizeram um Ofício ao Governador da Província Nobre de Carvalho onde dão a Voz das Pedras de Macau. “E elas falaram e pediram que transmitisse a V. Exa. o seu pedido: queixam-se de que estão votadas ao abandono, parte na Flora e parte na doca do Lamau, onde se vêem em risco de serem destruídas e levadas para construção de casas”. Assim a pedido do Padre Manuel Teixeira, o Governador de Macau mandou, no início de 1971, colocar na Fortaleza do Monte as pedras históricas recuperadas e o Museu ficou na parada da Fortaleza, à direita de quem entra.

Jardim da Flora

Das muitas pedras que Alfredo de Almeida conseguiu salvar, encontrava-se a cabeça de leão, por onde jorrava a água da Bica do Nilau (Fonte do Lilau), no sopé da Colina da Penha. Devido à sua remodelação daí fora retirada, mas agora está ela de novo desaparecida, restando dessa fonte a cabeça de Neptuno, hoje incrustada no muro do jardim da Casa Garden. Também a estátua de granito dum holandês, que se encontrava na Fortaleza da Guia, foi levada para o Museu Arqueológico das Ruínas de S. Paulo. O corpo aí se manteve, mas a cabeça foi encontrada pelos funcionários das Obras públicas no esgoto da Calçada do Botelho. Almeida reuniu de novo a cabeça ao tronco e a estátua foi para o Jardim da Flora, passando depois para os Jardins da Casa Garden, encontrando-se hoje no Museu do Oriente, em Lisboa. Assim Macau deve bastante a Alfredo de Almeida pela recuperação de muitas das pedras de alto valor arqueológico pertencentes à História da cidade, atiradas para o lixo depois de partidas pois, conseguiu salvar da destruição inúmeras delas. “Oseo Acconci, que tanto o estimava, moldou o seu busto, um mês antes da sua morte, o qual foi colocado no passeio central do Jardim da Flora, com a seguinte legenda: <A Alfredo Augusto de Almeida que em vida tanto amor dedicou a este jardim 1898-1971>”, segundo refere o Monsenhor Manuel Teixeira. Lembro-me de ver esta estátua ainda em 1994 e quando dela de novo me recordei, não a encontrei. Por indicação do Eng. Agrónomo António Paula Saraiva, ela encontrava-se agora no Jardim do NAPE. Bem a procurei, mesmo nas arrecadações do jardim, mas nada, a estátua desaparecera e ninguém sabe dela. NOTA: Antes de encerrar o ano do Macaco no calendário chinês, deixamos aqui corrigido o lamentável erro publicado no artigo de 18 de Novembro de 2016 com o título Gincana de automóveis na Feira de Macau. O primeiro automóvel a circular em Portugal foi adquirido pelo Conde Jorge Avillez que, em Outubro de 1895, (e não em 11 de Outubro de 1914, como por lapso fizemos referência), na sua primeira viagem, que demorou três dias, feita entre Lisboa, onde tinha ido buscar o Panhard and Levassor e a sua casa, em Santiago do Cacém, este aristocrata conduzindo-o a 15 km/h, entre várias peripécias, atropelou um burro, causando-lhe a morte.


17 hoje macau sexta-feira 13.1.2017

contramão

ISABEL CASTRO

(Ainda) Soares

isabelcorrreiadecastro@gmail.com

O

atraso é uma sensação que me persegue mais vezes do que gostaria. Não se trata de um atraso real, aquele que faz com que se lute contra os minutos. É antes uma espécie de atraso na própria existência, como se sentisse que, se tivesse chegado uns anos antes, poderia perceber melhor onde estou. E não só. Não vi Brel. Nem Piazzolla. E não vi Zeca. Foi tudo demasiado antes para mim. Quem já cá estava dirá o mesmo sobre o que não encontrou. Talvez. Cheguei a Macau atrasada. Não tenho ponto de comparação. Nem sempre interessa o exercício do paralelismo, mas há momentos em que me faz falta. Não me emocionei numa noite de Dezembro. Não me fui embora com vontade de ficar. Não sei como era e há dias em que gostava de saber como é que isto tinha sido antes, bastante antes, por curiosidade antropológica e vontade estética. Cheguei tarde. Talvez. Talvez não. No ano em que nasci, Portugal teve quatro governos. Uma confusão dos diabos. Mário Viegas era D. Lucas em O Rei das Berlengas. Elis Regina ainda cantava e foi

a Portugal votar num festival da canção em que José Cid ficou em segundo lugar. Uns meses mais tarde, noutro registo, quase premonitório, aconteceu a primeira greve de jornalistas da rádio. Lou Reed ia já no oitavo disco a solo. Nos Estados Unidos mandava Jimmy Carter, Roman Polanski andava metido em confusões e atravessava o Atlântico, e aparecia nas televisões a Dallas. Já havia algumas preocupações ambientais, mas poucas. Martin Scorsese fazia filmes e Woody Allen também. Não havia Google, nem YouTube, só bibliotecas e livros e vinis. No ano em nasci, a liberdade no meu país era uma coisa recente: cabia nos dedos de uma mão e ainda sobrava um. As mulheres já tinham regressado aos vestidos, apesar de as calças ainda estarem na moda. Os óculos eram de massa, os comícios políticos eram muito animados e todas as famílias aprendiam a ser de qualquer coisa, de direita ou de esquerda, do centro talvez.

Cheguei atrasada ao ano em que nasci. Não me lembro nem da luta pela liberdade, nem da construção da liberdade pela qual se tinha lutado

Cheguei atrasada ao ano em que nasci. Não me lembro nem da luta pela liberdade, nem da construção da liberdade pela qual se tinha lutado. Cheguei tarde e, por isso, tive de fazer o exercício que se impõe aos pouco pontuais: vai ler sobre o que não viveste, sem te esqueceres de viver pelo caminho. Os livros ensinaram-me qualquer coisa. O Google encontra-me os factos, talvez certos, talvez não, do que ando à procura. O YouTube ajuda-me mais, com os concertos que eu não cheguei a ver. E o Brel canta, o Piazzola toca, o Zeca canta mais do que todos, porque canta mais vezes. Li muitos textos esta semana. Vi alguns programas de televisão. Ouvi análises, corri biografias resumidas, passei os olhos com atenção por textos de opinião. Há sempre palavras-chave e chavões na morte. Chateou-me a falta de educação que inunda certos espaços virtuais, mas passei à frente e preferi ver as flores, as fotografias, o passado em que não vivi e que, de repente, me pareceu mais forte e mais terno, mas terrivelmente mais difícil. Esta semana falou-se muito de liberdade. Aquela que era fresca quando nasci. E, por um minuto, muitos minutos, agora e amanhã também, soube-me bem ter chegado atrasada à vida do costume. Porque eu só sei ser livre, não sei ser de outra maneira, nem quero. Sim, (ainda) Soares.

OPINIÃO


18 (F)UTILIDADES TEMPO

C H U VA

hoje macau sexta-feira 13.1.2017

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO “VELEJAR NO SONHO” DE KWOK WOON Oficinas Navais N.º1

?

FRACA

MIN

14

MAX

17

HUM

75-98%

EURO

8.50

BAHT

EXPOSIÇÃO “PÓ E PEDRA” DE RAFAELA SILVA E FERNANDO SIMÕES Fundação Rui Cunha (Até 15/01)

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “33 ANOS NA RÁDIO DO LOCUTOR LEONG SONG FONG” Academia Jao Tsung-I (Até 05/02) EXPOSIÇÃO “52ª EXPOSIÇÃO DO FOTÓGRAFO DA VIDA SELVAGEM DO ANO” Centro de Ciência (Até 21/02) EXPOSIÇÃO “SOLIDÃO”, FOTOGRAFIA DE HONG VONG HOI Museu de Arte de Macau EXPOSIÇÃO “AD LIB” DE KONSTANTIN BESSMERTNY Museu de Arte de Macau (Até 05/2017) PROBLEMA 156

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 155

ARRIVAL SALA 1

ARRIVAL [B] Filme de: Denis Villeneuve Com: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2

CHERRY RETURNS [C] FALADO EN CANTONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Chris Chow Com: Song Jia, Lam Ka Tung, Cherry Ngan, Hu Ge 14.30, 21.30

A STREET CAT NAMED BOB [B] Filme de: Roger Spottiswoode

Com: Luke Treadaway, Joanne Froggatt, Ruta Gedmintas 16.30, 19.30

UM DISCO HOJE

SUDOKU

DE

C I N E M A

1.15

DEBAIXO DO MINTOI

E EXPOSIÇÃO “ÁRVORES E ARBUSTOS DE MACAU” DE CATARINA FRANÇA E MAFALDA PAIVA Instituto Internacional de Macau (Até 13/01)

Cineteatro

YUAN

AQUI HÁ GATO

EXPOSIÇÃO “CHANGE OF TIMES” DE ERIC FOK Galeria do IFT

EXPOSIÇÃO “ART FOR ALL , 9º ANIVERSÁRIO” Macau Art Garden (Até 22/01)

0.22

Adeus dias de sol, pelo menos no contexto soalheiro possível para a região que vive com um capacete atmosférico enfiado até às orelhas. Vem aí o frio, ao que parece, eu não sei o que isso é, sou totalmente insensível a flutuações térmicas. Vivo no ar condicionado, num berço climático que me escuda dos elementos. Mas ouvi dizer que o calor é típico de lugares pouco civilizados, um incentivo à preguiça, hino à lassidão e ao ócio. O que faz todo o sentido. Todo o argumento, mesmo o mais brilhante e eloquente, perde credibilidade quando quem o emite escorre suor. A moleza, nascida do calor, também é um entrave à dinâmica e ao entusiasmo, provoca churrascos e cervejas em esplanadas, gargalhadas e pele à mostra. Tudo coisas pouco produtivas, sem interesse. No entanto, ouvi conversas sobre as vantagens da vitamina D. Parece que o sol ajuda à síntese dessa vitamina, coisa que dá jeito se uma pessoa não quiser ser raquítica, o que, pelo que me deram a entender, pode ser chato. Venham os dias cinzentos para ouvir música deprimente, sonhar com lareiras introspectivas e mais roupa no lombo. Parece que a sensação de agasalho é uma das manifestações de conforto, como usar uma gola alta, ou vestir um casaco. Consigo entender este raciocínio, todo eu sou um casaco, e nem imaginam o conforto que é viver no meu pêlo. Portanto, venha daí o Inverno do nosso contentamento! Pu Yi

DIIV | IS THE IS ARE

Os DIIV são uma das bandas sensação do ano sempre que lançam um disco. O segundo registo, depois de um longo e conturbado período de incubação, veio confirmar a banda como uma certeza no panorama do post-punk, polvilhado por psicadelismo e noise. O disco “Is the Is Are”, de 2016, esteve na lista de álbuns do ano um pouco por todas as publicações da especialidade. Sucessores naturais dos Sonic Youth, seus conterrâneos, os DIIV vivem da criatividade de Zachary Cole Smith. Deste disco destacam-se as músicas “Under the Sun”, “Dopamine”, “Blue Boredom” e “Mire”. A ver vamos se conseguem manter a qualidade dos dois primeiros registos. João Luz

SALA 3

10000 MILES [B] FALADO EN MANDARIM LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Simon Hung Com: Yuan Huang, Megan Lai, Darren Wang 14.30, 16.30, 21.30

SING [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Garth Jennings 19.30

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19 PERFIL

SOFIA MOTA

hoje macau sexta-feira 13.1.2017

TERESA FERNANDES, ESTUDANTE

“Há muita coisa a mudar neste mundo”

T

ERESA Fernandes tem 16 anos e a convicção de que um futuro melhor é possível. A adolescente, que frequenta o 11.º ano na área das Ciências Económicas, não anda a ver o mundo de longe. As acções e decisões que já toma reflectem um olhar atento para as necessidades, actuais e futuras. A escolha académica é também um exemplo disso. Se a prioridade seriam as humanidades, a “economia pode dar mais oportunidades”. “É também uma área que me interessa muito e fundamental na actualidade”, disse ao HM. O objectivo é possuir ferramentas capazes para, na medida do possível, “intervir no mundo e poder trabalhar, por exemplo, em organizações não-governamentais que se dediquem a ajudar quem precisa”. Para a adolescente a saída é clara: “Um economista pode trabalhar em áreas além do universo financeiro e intervir activamente para a justiça”. Teresa Fernandes sublinha que “há muita coisa a mudar neste mundo porque roda tudo à volta do dinheiro”. “Gostava que não houvesse tanta injustiça social, gostava que acabasse o comércio de armas, por exemplo”, diz. No entanto, a esperança é maior que a desilusão: “O

mundo é muito imperfeito mas, se houver mais controlo nalgumas áreas, poderá ser melhor. Isso parte muito de nós enquanto jovens, porque somos o futuro”. E porque o dia de amanhã se prepara hoje, Teresa Fernandes embarcou, no Verão passado, naquela que foi a experiência da sua vida. A mais nova da equipa “Meninos do Mundo” passou uma semana em São Tomé e Príncipe, integrada numa missão de intervenção junto das escolas. A ideia foi dar a conhecer os direitos das crianças porque “elas muitas vezes não sabem que os têm e, se sabem, não sabem quais são”. A experiência não foi a de umas férias num sítio bonito. Foi antes uma realidade que, apesar de mais ou menos esperada, “jamais será esquecida”. Antes de embarcar, fez o trabalho de casa. “Imaginei de tudo um pouco: como vivem as pessoas, o que comem, como me iriam tratar, como seria a pobreza, etc.”, recorda. No entanto, a realidade supera a imaginação, os livros ou os documentários televisivos. “Uma coisa é ver na televisão, outra é ver com os próprios olhos. Ver as coisas à nossa frente muda tudo, dá-nos a verdadeira noção da realidade e isso mudou a minha vida”, considera.

Das diferenças que nota do antes e depois de uma acção humanitária em São Tomé, a maior é o valor dado às coisas que possui. “Aprendi a valorizar o que tenho. Aquilo que as mães dizem desde que somos pequenas, para comer tudo porque há gente a morrer à fome, é verdade”. Na altura não entendia como é que a comida que deixava no prato poderia suprir as necessidades dos outros que, “tão longe”, não tinham com que se alimentar. Agora não tem dúvidas que, “acima de tudo, é uma questão de respeito”. “Depois de São Tomé, não faço questão de ter muitas coisas em casa e não compro por sistema aquilo de que não necessito verdadeiramente.” A adolescente não deixou de fazer a analogia com Macau, “esta bolha que é tão rica”. “Aqui é tudo muito fácil. Viajo, vou a restaurantes, passeio, mas isto é um mundo à parte”, reflecte. Esta, espera, foi a primeira de muitas missões que quer fazer no futuro porque acredita que, “mesmo com tão pouco, é possível mudar alguma coisa”.

FOTOGRAFIAS PARA CONTAR HISTÓRIAS

Da missão ficou uma exposição de fotografia que Teresa Fernandes quer mostrar. “Já

tinha ideia de fazer uma exposição depois da viagem para dar a conhecer a experiência de outra forma. Tive necessidade de guardar aquelas imagens que nos entraram pelos olhos”, recorda. Depois de uma apresentação na Escola Portuguesa, a adolescente tem na mira a Fundação Rui Cunha, a Casa de Portugal ou o Consulado, em suma, “algum lugar visível para partilhar a experiência”. A ideia da fotografia é, para a jovem, “importante para que se possa captar os momentos”. A experiência fica para sempre, “mas as imagens ilustram e comunicam com os outros: é como se fossem um livro”. Mais do que momentos, a exposição foi concebida para criar uma linha de pensamento, para construir uma narrativa. Uma história que “retrate uma realidade distante e muito dura”. “Estamos a falar de pessoas que, apesar de muito pobres, conseguem ter em si a alegria.” Sofia Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


Capacidade alcoolémica é igual para todos ? Atlântido

O

histórico líder comunista chinês Bo Yibo morreu faz domingo dez anos. A China pós-maoista que ajudou a delinear, onde o Estado autoritário se manteve apesar da abertura económica, terá contribuído para a queda do filho, Bo Xilai. Natural da província de Shanxi, noroeste da China, Bo Yibo aderiu ao Partido Comunista Chinês (PCC) em 1925, com apenas 17 anos. Após a fundação da República Popular da China, em 1949, foi nomeado ministro das Finanças e, mais tarde, ocupou o cargo de vice-primeiro-ministro. No entanto, durante a Revolução Cultural (1966-1976), uma radical campanha política de massas lançada pelo líder comunista Mao Zedong, foi preso, acusado de “contra-revolucionário”. Bo, que era um aliado do então Presidente Liu Shaoqi, terá caído em desgraça por apoiar a abertura da China ao comércio com países capitalistas. A sua mulher morreu sob a custódia dos guardas vermelhos, os jovens radicais que constituíam “a vanguarda” do movimento; os filhos foram enviados para o campo “para aprenderem com os camponeses”. Após a morte de Mao, em 1976, Bo Yibo tornou-se um dos “Oito Imortais” - os líderes do PCC que, depois de purgados, retomaram a vida política com a ascensão de Deng Xiaoping, o “arquitecto-chefe das reformas económicas”. Bo Yibo bateu-se então com Deng pela abertura da China à economia de mercado, contra a facção mais ortodoxa do PCC, mas opôs-se sempre a reformas políticas. Em 1987, apoiou a remoção de Hu Yaobang do cargo de secretário-geral do PCC, acusando-o de

LÍDER CHINÊS BO YIBO MORREU HÁ DEZ ANOS

O peso da História promover o “liberalismo burguês”, termo com que se referia à democracia multipartidária. Apoiou também publicamente a sangrenta repressão militar do movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, a 4 de junho de 1989. O seu último legado foi a ascensão política do filho Bo Xilai, até há poucos anos visto como forte

PELO MENOS 36 MORTOS EM INUNDAÇÕES NO SUL DA TAILÂNDIA

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Pelo menos 36 pessoas morreram e uma está desaparecida devido a inundações provocadas pelas chuvas torrenciais que caem no sul da Tailândia desde a semana passada, segundo fontes oficiais. As inundações afectaram cerca de 1,2 milhões de pessoas em mais de 5.200 localidades numa dezenas de províncias, causando danos em 17 edifícios governamentais, 590 estradas e 106 pontes, segundo o último relatório do departamento de Prevenção e Mitigação de Desastres. A água também inundou 25 escolas e 170 templos, igrejas e mesquitas. A província de Nakhon Si Thammarat é a mais afectada, com nove mortos, enquanto em Surat Thani o número de mortos chegou a seis.A junta militar que governa o país enviou um contingente de 4.000 soldados para reforçar os trabalhos de apoio à população, sobretudo em aldeias que ficaram isoladas devidos aos cortes de estradas e danos em pontes.

candidato ao Comité Permanente do Politburo.

A QUEDA DE UM PRÍNCIPE

Bo Xilai, que na década de 1990 dirigiu Dalian, cidade portuária no nordeste da China, foi mais tarde governador da província de Liaoning, antes de ser promovido a ministro do Comércio, em 2004.

Contudo, o homicídio do empresário britânico Neil Heywood, em Novembro de 2011, num hotel de Chongqing, onde era então líder da organização local do PCC, veio pôr termo à sua ascensão. A sua mulher, Gu Kailai, seria condenada à morte pelo envenenamento do empresário. Bo, que tentou encobrir o crime de Gu,

sexta-feira 13.1.2017

foi expulso do PCC em 2012 e condenado no ano seguinte a prisão perpétua por corrupção, desvio de fundos e abuso de poder. Bo era então um dos políticos mais populares do país: assumia-se publicamente como uma espécie de líder da chamada “nova esquerda”, promovia o revivalismo em torno da Revolução Cultural e criticava as crescentes desigualdades sociais.

Após a morte de Mao, em 1976, Bo Yibo tornou-se um dos “Oito Imortais” - os líderes do PCC que, depois de purgados, retomaram a vida política com a ascensão de Deng Xiaoping, o “arquitecto-chefe das reformas económicas.” O filho mais novo, no entanto, estudava em Harvard, nos Estados Unidos, e a mulher tinha vários negócios fora da China com Heywood. A sua queda coincidiu com o XVIII Congresso do PCC, que elegeu a nova liderança chinesa, encabeçada pelo Presidente Xi Jinping, considerado hoje o mais forte líder que a China conheceu nas duas últimas décadas. Em tribunal, Bo Xilai admitiu ter cometido “alguns erros”, mas negou todas as acusações e, numa carta à família difundida na imprensa de Hong Kong, comparou o seu destino ao do pai.

ALMARAZ PORTUGAL VAI AVANÇAR COM QUEIXA CONTRA ESPANHA

O

ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmou esta quinta-feira que vai pedir intervenção da União Europeia, pois a Espanha não vai recuar na intenção de construir um aterro de resíduos nucleares na central de Alamraz, que fica a 100 quilómetros da fronteira de Portugal. Desde Madrid, o ministro confirmou a intenção e a queixa será entregue na próxima

segunda-feira. João Matos Fernandes esteve reunido em Madrid com a sua homóloga espanhola, Isabel GarcíaTejerina, e com o ministro da Energia, Álvaro Nadal, nas instalações do ministério do Ambiente, não tendo, então, sido alcançado um acordo satisfatório para Portugal. «Portugal vai solicitar a intervenção de Bruxelas neste caso. Havendo um diferendo, ele tem de ser resolvido pela Comissão

Europeia, que é quem tem competência para o resolver. Mas fizemos um esforço para chegar a acordo. O que é exigido é que se reconheça que não foi cumprida a directiva de impactos ambientais e temos a fortíssima expectativa que a UE determine que seja feita a avaliação de impactos transfronteriços. Não me preocupa o betão, mas sim que o aterro fica próximo da fronteira e do rio Tejo», disse.

Ao ministro foi dito que a obra já está licenciada, apesar de ainda não ter começado. Cerca de uma vintena de activistas do Movimento Ibérico Anti-nuclear (MIA) manifestou-se ontem em Madrid, em frente ao ministério, contra a construção do aterro, aproveitando a reunião entre os ministros.

Hoje Macau 13 JAN 2016 #3733  

N.º 3733 de 13 de JAN de 2016

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