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Hoje Macau 12 SET 2019 # 4371

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CONSUMO

A CRISE DO PORCO

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GCS

GRANDE PLANO

MOP$10

QUINTA-FEIRA 12 DE SETEMBRO DE 2019 • ANO XIX • Nº4372

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

IAS

AUTOMOBILISMO

PLANO PARA CUIDADORES

COUTO EM NINGBO

PÁGINA 8

PÁGINA 17

UM LUGAR À MESA GISELA CASIMIRO

HOMEM NOVO ANTÓNIO CABRITA

h

POESIA DE GNAISSE PURO? LUÍS CARMELO

hojemacau

Rota do poder PÁGINAS 6-7


2 grande plano

12.9.2019 quinta-feira

ECONOMIA

FEITOS AO BIFE PREÇO DA CARNE DE PORCO GANHA CONTORNOS DE CRISE NACIONAL


grande plano 3

quinta-feira 12.9.2019

Entre os incentivos à produção e as recomendações de saúde para reduzir o consumo, o Governo Central tenta contornar a quebra de stock de carne de porco, em véspera de feriados. Sem sinais de controlo da epidemia de peste suína africana, Pequim vê-se a braços com a fraca modernização de uma indústria largamente nas mãos de pequenas suiniculturas onde a higiene e o controlo de qualidade não são prioridades

A

S contas de mercearia dos chineses já requeriam alguma ginástica devido aos efeitos da guerra comercial e ao abrandamento económico, mas agora junta-se outro factor à equação: os preços da carne de porco que empurraram a inflação para uma subida de 2,8 por cento no mês passado, de acordo com o índice de preços ao consumidor. A escassez levou à subida vertiginosa do preço da carne de porco nos últimos meses, fixando-se hoje em dia em quase mais 50 por cento do que há um ano atrás, de acordo com dados oficiais publicados na terça-feira. À medida que aumentam as frustrações dos consumidores, as autoridades expressam sinais ténues de alarme enquanto tentam conter a doença que está a devastar a população suína chinesa e a causar escassez de carne. O primeiro-ministro Li Keqiang expressou a necessidade de assumir uma “atitude de emergência” para lidar com o assunto. Outros líderes chineses categorizaram o problema como “uma prioridade nacional” e, do que foi tornado público, pelo menos três governos locais recorreram a reservas estratégicas de carne de porco para assegurar as necessidades dos consumidores. Apesar destas medidas, os consumidores estão a ser fortemente afectados, numa altura em que os preços ameaçam a estabilidade dos orçamentos familiares.

Citado pelo The New York Times, Gui Fuyi, um reformado de 69 anos, dispara: “Muito caro, muito caro mesmo! Não consigo pagar este preço”, enquanto passa os olhos pela secção da carne num mercado de Pequim. Nos dias que correm, o reformado confessa que só pode comprar carne picada para fazer dumplings.

Apesar dos esforços das autoridades, padrões de higiene e segurança têm sido difíceis de impor aos milhões de pequenas pecuárias que se espalham por todo o país e de onde provém a maioria da carne de porco produzida Os dados oficiais divulgados na passada terça-feira revelam o fardo que os consumidores chineses estão a pagar, com os preços dos produtos alimentares a subirem 10 por cento, em relação ao ano anterior. Os números relevam que as tensões comerciais com os Estados Unidos vieram avolumar o problema, à medida que se sentem os efeitos das tarifas nos produtos agrícolas e nas rações para animais anteriormente importadas dos Estados Unidos.

“O Governo chinês tem repetido várias vezes que a China consegue aguentar as dificuldades e as repercussões do conflito comercial”, refere Victor Shih, professor da Universidade da Califórnia e especialista em economia chinesa, que acrescenta que, porém, “o que não dizem é que são as pessoas que suportam as consequências”.

FUTURO SOMBRIO

Em várias ocasiões, as autoridades chinesas disseram publicamente que a guerra comercial não iria afectar a oferta de carne de porco. Porém, face às mais recentes tarifas, que entraram em vigor no passado dia 1 de Setembro, Pequim impôs taxas adicionais a produtos norte-americanos como soja, porco, marisco e crude. Perante as estimativas que apontam para que o preço da carne de porco no final de 2019 seja o dobro do preço registado no ano passado, Pequim prepara-se para a tempestade que se forma no horizonte. Há mais de um ano a esta parte que a China tem lutado para conter a epidemia de peste suína, uma doença altamente contagiosa, inofensiva para humanos, mas que mata quase todos os porcos infectados. Em Outubro de 2018, o Governo de Xi Jinping declarou o primeiro foco de epidemia e, desde então, os casos têm-se espalhado por todo o país.

ESTANCAR A FERIDA

De forma a conter o problema, as autoridades chinesas ordenaram aos criadores de porcos que não alimentassem os animais com restos de comida, um meio frequente de contágio uma vez que o vírus consegue sobreviver durante dias nas fezes e na carne não cozinhada espalhando-se a animais saudáveis. Foram também impostas restrições ao nível do transporte de animais, necessidade de quarentena nos locais onde a doença foi detectada e foram inclusive detidas pessoas por comercializarem porcos infectados com peste suína. Apesar dos esforços das autoridades, padrões de higiene e segurança têm sido difíceis de impor aos milhões de pequenas pecuárias que se espalham por todo o país e de onde provém a maioria da carne de porco produzida na China. De acordo com números fornecidos pelo Governo Central, mais de 1,2 milhões de porcos foram abatidos na esperança de conter a epidemia, uma pequena fracção dos 700 milhões de porcos consumidos no ano passado. Uma situação que leva analistas a concluírem que os números oficiais não beliscam sequer a seriedade da epidemia.

Na cidade de Wenzhou, no leste da China, o Governo local anunciou ter uma reserva de carne de porco congelada em quantidade suficiente para dar a cada cidadão 50 gramas diariamente ao longo de 4 dias Agricultores e investidores do sector da suinicultura referem que a maioria dos casos de peste suína africana não são reportados às autoridades, o que resulta na chegada ao mercado de muitos porcos infectados. O The New York Times refere que em muitos casos, tanto agricultores como autoridades, são lentos na resposta ou mostram relutância em assumir o número de infecções nos seus animais. Importa referir que a doença já passou fronteiras para o Vietname, Mongólia e Coreia do Norte, enquanto outros países asiáticos se encontram em estado de alerta de forma a conter um possível contágio.

FERIADOS À PORTA

Numa época em que as famílias chinesas se preparam para a celebração dos feriados do bolo lunar, o preço da carne de porco aumenta ainda mais ajustando-se à expectável procura. Para responder à ansiedade da população, as autoridades locais lutam para encontrar soluções imaginativas. Na cidade de Wenzhou, no leste da China, o Governo local anunciou ter uma reserva de carne de porco congelada em quantidade suficiente para dar a cada cidadão 50 gramas diariamente ao longo de quatro dias. No sul, em Nanning, foi anunciado aos residentes que podem comprar até um quilo de

Ao mesmo tempo que tenta repor o stock de porco, o Governo Central enfatiza as virtudes de cortar na carne de porco. Prova disso é o artigo de primeira página da revista Life Times do Partido Comunista Chinês intitulado “Comer menos carne de porco faz bem”

carne de porco com desconto. Aqui mais perto, na província de Guangdong, os meios de comunicação locais divulgaram o compromisso das autoridades em disponibilizar mais de 3.100 toneladas de carne de porco congelada. Num espectro mais abrangente, o Governo Central anunciou medidas de encorajamento a agricultores e suinicultores com o intuito de aumentar a produção, ou expandir negócios já existentes. Alguns subsídios chegam quase aos 5 milhões de yuan. No entanto, à medida que ainda se vão descobrindo focos de peste, o aumento da produção de animais pode, simplesmente, possibilitar o crescimento da epidemia. Pan Chenjun, analista agrícola da representação de Hong Kong do banco holandês Rabobank, aponta a posição complicada em que Pequim se encontra. “O Governo Central tem em mãos um problema de difícil resolução. Não pode dizer que para controlar a epidemia tem de eliminar a produção.” Independentemente dos incentivos públicos, caberá aos privados a decisão de voltar a apostar na suinicultura, situação complicada uma vez que existe o conhecimento generalizado de que o vírus ainda se encontra activo. Porém, ao mesmo tempo que tenta repor o stock de porco, o Governo Central divulga mensagens a enfatizar as virtudes de cortar na carne de porco. Prova disso é o artigo de primeira página da revista Life Times do Partido Comunista Chinês intitulado “Comer menos carne de porco faz bem”. A culinária baseada no porco faz parte de uma antiga e enraizada tradição chinesa, porém, as autoridades de saúde têm-se multiplicado em alertas para os riscos de colesterol da ingestão em excesso. “Independentemente do preço da carne de porco, a população deve ter cautela com a dieta, comer um pouco menos de porco e mais de carne branca”, alertou Xu Shufang, oficial das autoridades de saúde citado pelo The New York Times. Enquanto os efeitos da guerra comercial se fazem sentir e a produção interna está comprometida, Pequim vira-se para o Brasil e Dinamarca. Na passada segunda-feira, a China adicionou à lista de exportadores aprovados 25 empresas de carne brasileira, elevando para um total de 89 companhias, de acordo com informação veiculada pelo Ministério da Agricultura brasileiro. Por outro lado, emissários do Governo dinamarquês estão de visita a Pequim para negociar o aumento das exportações de carne de porco. João Luz com agências info@hojemacau.com.mo


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12.9.2019 quinta-feira

AVISO ﹝N.º 57/2019﹞ Avisam-se os arrendatários e seus herdeiros abaixo mencionados que os objectos existentes nas fracções ou loja abaixo mencionadas foram, temporáriamente, guardados pelo Instituto de Habitação: HO LON – Estrada Nordeste da Taipa, Habitação Social da Taipa - Edifício Iat Seng, R/C E(Loja), Taipa; MA WAI MENG – Alameda da Tranquilidade, Vai Long Garden, 4.º andar L, Macau; SE SOI KUAN – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, San Seng Si Fa Un, Bloco 17, 7.º andar M, Macau; LEE FAT – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, San Seng Si Fa Un, Bloco 17, 3.º andar H, Macau; LEONG I ON – Estrada Nova da Ilha Verde, Edifício Cheng Nga, 13.º andar B quadro A, Macau; LEI POU HENG – Rua da Fábrica, Edifício Vai Yin, 10.º andar C, Macau; CHE TOU LIN – Rua Norte do Canal das Hortas, Edifício Vai Yin, 25.º andar S, Macau; NG SOI TOU – Rua de Fai Chi Kei, Habitação Social do Fai Chi Kei - Edifício Fai Fu, 11.º andar Z, Macau; LAO KAI CHENG – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, San Seng Si Fa Un, Bloco 8, 9.º andar F, Macau; VONG HOK SENG – Rua de Francisco Xavier Pereira, Habitação Social de Mong Ha - Edifício Mong In , 8.º andar H quadro A, Macau; CHIN SON WAI – Rua de Francisco Xavier Pereira, Habitação Social de Mong Ha - Edifício Mong In , 8.º andar A quadro A, Macau; WON FAT – Rua de Francisco Xavier Pereira, Habitação Social de Mong Ha - Edifício Mong In , 8.º andar A quadro B, Macau; LEI MAN SANG – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 4, 3.º andar H, Coloane; CHEONG CHUN – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 4, 9.º andar E, Coloane; CHEANG CHEK – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, San Seng Si Fa Un, Bloco 17, 15.º andar M, Macau; LEI I – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 4, 4.º andar O, Coloane; CHAN TIM SENG – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 4.º andar X, Coloane; SOU CHONG SAN – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 4.º andar AF, Coloane; KUOK KAM KUAN – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 6.º andar E, Coloane; MOK KIN CHUN – Estrada Nova da Ilha Verde, Edifício Cheng Nga, 22.º andar B quadro B, Macau; CHU CHIO HOI – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 8.º andar H, Coloane; HONG FAI – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 5, 19.º andar F, Coloane; FENG WENGYU – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 6, 9.º andar S, Coloane; NG PUI KUN – Avenida de Lok Koi, Habitação Social de Seac Pai Van - Edifício Lok Kuan, Bloco 6, 16.º andar AF, Coloane; CHANG KUAI HONG – Estrada Nordeste da Taipa, Habitação Social da Taipa - Edifício Iat Seng, Bloco 1, 3.º andar K, Taipa; CHEANG MAN LAI – Avenida de Artur Tamagnini Barbosa, Lei Tat San Chun, Bloco 1, 4.º andar C, Macau; WONG PAK SU – Istmo de Ferreira do Amaral, Bairro Tamagnini Barbosa, Torre C, 16.º andar E, Macau; LEONG TAK WAI – Rua do Padre Eugénio Taverna, Pat Tat San Chun, Bloco B3, Tai Hong Lao, 2.º andar BQ(I), Macau. Caso queiram reclamar os referidos objectos, deverão dirigir-se à Divisão de Fiscalização de Habitação Pública do IH, sita na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edifício Cheng Chong, R/C L, Macau, no prazo de 30 dias, a contar da publicação do presente aviso. Se não reclamarem os objectos acima mencionados dentro do prazo estabelecido, o IH tratará, como melhor entender, os mesmos. Instituto de Habitação, aos 5 de Setembro de 2019 O Presidente, Arnaldo Santos

CSI/csi

ANÚNCIO 【N.º 59/2019】 Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo DecretoLei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notificam-se, por este meio, os representantes dos agregados familiares da lista de candidatos a habitação social abaixo indicados: Nome CHEANG SOU HEONG

N.º do boletim de candidatura

Nome

N.º do boletim de candidatura

31201701306

NG MUI SIO

31201705634

NG CHONG

31201705751

DOS SANTOS FONG LUZIA

31201706646

Após averiguações efectuadas por este Instituto, verificou-se que os representantes dos agregados familiares candidatos a habitação social acima referidos prestaram, até à data do recebimento da chave, declarações inexactas para obterem o arrendamento da habitação. Tendo este Instituto publicado um anúncio na imprensa de língua chinesa e língua portuguesa, no dia 27 de Maio de 2019, a solicitar aos interessados acima mencionados para apresentarem por escrito as suas contestações pelos factos acima referidos no prazo de 10 (dez) dias a contar da data de publicação do referido anúncio, entretanto não os fizeram. Nos termos do artigo 5.º e do n.º 2 do artigo 6.º do Regulamento de Candidatura para Atribuição de Habitação Social, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 296/2009, alterado e republicado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 376/2017, e em conformidade com os despachos do signatário, exarado nas Propostas n.os0724/DHP/DHS/2019, 0726/DHP/DHS/2019, 0729/DHP/DHS/2019 e 0768/DHP/DHS/2019, as respectivas candidaturas foram excluídas da lista geral de espera por IH. Caso queiram contestar a respectiva decisão, nos termos dos artigos 148.º e 149.º e n.º 2) do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, podem reclamar da respectiva decisão administrativa, ao Presidente deste Instituto, no prazo de 15 (quinze) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, a reclamação não tem efeito suspensivo; ou podem apresentar directamente recurso judicial ao Tribunal Administrativo, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de publicação do presente anúncio, nos termos do artigo 25.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro e do artigo 30.º da Lei n.º 9/1999. Instituto de Habitação, aos 9 de Setembro de 2019. O Presidente, Arnaldo Santos

EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto

: 57 /E-BC/2019 : 591/BC/2018/F : Início de audiência pelas infracções às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local : Beco da Alegria n.º 61, Edf. Chong Fok Garden (Nice Court), parte do terraço sobrejacente à fracção 17.º andar G, Taipa. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, faz saber que fica notificada 何倩 儀, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizaram-se as seguintes obras não autorizadas:

1.1

1.2 2.

3.

4.

5.

Obra Construção de um compartimento com suporte metálico, placas de vidro, janelas de vidro, portão de vidro e cobertura de vidro.

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Instalação de um portão metálico.

Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

RAEM, 5 de Setembro de 2019

O Director dos Serviços Li Canfeng

Aviso Avisam-se todos os interessados que estão abertos os concursos de prestação de provas, para o preenchimento dos seguintes lugares, em regime de contrato administrativo de provimento da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, de acordo com as condições referidas no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.°37, II Série, de 11 de Setembro de 2019, e cujo prazo de apresentação das candidaturas termina no dia 3 de Outubro: Carreira de docente do ensino secundário de nível 1, 1.º escalão: - Área do ensino especial – dez lugares (Número de referência: DS03/2019) - Área disciplinar: língua chinesa – um lugar (Número de referência: DS04/2019) - Área disciplinar: língua chinesa – um lugar (Número de referência: DS05/2019*) Carreira de docente dos ensinos infantil e primário de nível 1 (primário), 1.º escalão: - Área do ensino especial – quatro lugares (Número de referência: DP04/2019**) - Área de conhecimentos gerais – um lugar (Número de referência: DP05/2019*) - Área de música – um lugar (Número de referência: DP06/2019) - Área de língua chinesa – cinco lugares (Número de referência: DP07/2019***) - Área de língua chinesa – cinco lugares (Número de referência: DP08/2019) - Área de matemática – um lugar (Número de referência: DP09/2019) - Área de língua inglesa – um lugar (Número de referência: DP10/2019) * Exercer funções na subunidade administrativa. ** Exercer funções de docente em escola oficial ou exercer funções na subunidade administrativa. ***Leccionar a aula em Mandarim. A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, aos 29 de Agosto de 2019. O Director, substituto, Kong Chi Meng (Subdirector)


política 5

quinta-feira 12.9.2019

METRO COUTINHO APONTA ORÇAMENTO EXCESSIVO E FALTA DE TALENTOS

Críticas pesadas

Um projecto que foi planeado há mais de 20 anos e mesmo assim não tem talentos locais formados. Esta é uma das críticas do deputado José Pereira Coutinho que pede a construção de passadeiras aéreas nas estações como as que foram feitas em Banguecoque

O

deputado José Pereira Coutinho lançou ontem várias críticas ao projecto Metro Ligeiro e quer que o Governo apresente respostas a problemas como o orçamento excessivo, a falta de talentos para o projecto e a questão das passadeiras. O ataque ao projecto do Governo faz parte de uma interpelação escrita divulgada ontem pelo legislador ligado à Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). O primeiro aspecto está relacionado com a adjudicação do contrato de operação e manutenção da Linha da Taipa à MTR de Hong Kong, no valor 5,9 mil milhões de patacas. Segundo o deputado, para atribuir uma verba tão elevada, que dá uma média de 900 milhões de patacas por ano, deveria ter sido lançado um concurso público internacional. “Por que razão o Governo não recorreu ao concurso público internacional para a referida adjudicação? O Governo adjudicou o contrato de prestação dos serviços de operação da Linha da Taipa do Metro Ligeiro á MTR e não a outras empresas com experiência. Quais foram os fundamentos para esta adjudicação?”, questiona. Coutinho critica igualmente o facto de se terem gasto 1,4 mil milhões na constituição da Sociedade

do Metro Ligeiro de Macau, mas depois o serviço ter sido adjudicado à MTR.

A

Seguimos instruções

PÓS o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) ter repreendido a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e o Instituto Cultural (IC) sobre a forma como lidaram com o terreno da Colina Ilha Verde, onde há um convento abandonado, a deputada Agnes Lam questionou as Obras Públicos sobre a existência de discrepância entre os diversos planos de urbanização em vigor e a Lei da Salvaguarda do Património Cultural. Porém, na resposta, o organismo sob a tutela do secretário Raimundo Rosário limitou-se a responder que apenas segue as instruções do IC. “Nos termos do quadro legal vigente, o Instituto Cultural é

FALTA DE TALENTOS

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

SOFIA MARGARIDA MOTA

Outra critica prende-se com o facto de o serviço ter sido planeado “há quase 20 anos”, mas durante todo

este tempo não ter havido capacidade para formar quadros locais qualificados para este meio de transporte. “Já se passaram quase 20 anos desde que o Governo apresentou o projecto de construção do Metro Ligeiro, e até ao momento, o Governo continua a afirmar que não

dispõe de pessoa qualificado com experiência na operação do Metro Ligeiro”, aponta. “O Governo deve permitir que seja a Sociedade do Metro Ligeiro de Macau a responsabilizar-se pela operação e manutenção do Metro Ligeiro, para evitar o contínuo abuso do erário público decorrente das adjudicação. Vai fazê-lo?”, pergunta. Por outro lado, o deputado compara o metro com o projecto de Banguecoque e questiona se o Governo vai seguir o exemplo tailandês, em que foram criadas passadeiras aéreas com o metro e que podem ser atravessadas, sem que se tenha de entrar na zona paga. “O Governo vai criar vias pedonais semelhantes debaixo dos viadutos do metro ligeiro, com vista a facilitar as deslocações dos residentes e dos turistas e aproveitar os espaços?”, pergunta.

Pereira Coutinho, deputado “O Governo vai criar vias pedonais semelhantes [às de Banguecoque] debaixo dos viadutos do metro ligeiro, com vista a facilitar as deslocações dos residentes e dos turistas e aproveitar os espaços?”

DSSOPT atira a responsabilidade de “contradições” em terreno da Ilha Verde para o Instituto Cultural

sempre ouvido, antes da DSSOPT iniciar a elaboração do projecto da Planta de Condições Urbanísticas relativas ao Centro Histórico de Macau, a bens imóveis classificados ou a zona de protecção, e neste contexto, é dado o pleno cumprimento do seu parecer”, foi respondido. O documento assinado pelo director substituto da DSSOPT, Shin Chung Low Kam Hong, não responde sobre se efectivamente foi feito um esforço para identificar

e corrigir eventuais contradições entre o que consta nos planeamentos e a lei criada para salvaguardar o património cultural.

FORA DE PRAZO

Sobre o facto de a DSSOPT continuar a utilizar o plano desactualizado de 2010 para a Zona da Ilha Verde, o director explicou que tal se deve à Lei de Salvaguarda do Património Cultural que define que “até à data de entrada em vigor do plano director e dos planos

de pormenor” que os serviços públicos “continuam a aplicar as orientações e princípios previstos e nos planos urbanísticos e estudos sobre o planeamento urbanístico existentes”. Na interpelação enviada pela deputada em Julho, Agnes Lam pretendia igualmente saber qual é o andamento dos trabalhos para a implementação do Plano Director. O plano foi elaborado pela empresa de Ove Arup & Partners e está neste momento a ser alvo de análise interna. Depois dessa fase vai ser revelado publicamente e alvo de uma consulta pública. Este plano será depois utilizado como referência para os planos urbanísticos futuros.

Propriedade intelectual Prometido desenvolvimento na zona da Grande Baía

D

ECORREU ontem, em Macau, o “Simpósio sobre a Propriedade Intelectual no Interior da China, RAEHK, e RAEM 2019”, que reuniu representantes governamentais dos três territórios. Citado por um comunicado oficial, Lau Wai Meng, director substituto da Direcção dos Serviços de Economia de Macau (DSE), garantiu que um dos objectivos é promover um desenvolvimento da propriedade intelectual no contexto da Grande Baía. Neste sentido, a DSE “e os organismos competentes da propriedade intelectual da Grande Baía irão empenhar-se na promoção da inovação tecnológica e da criação, aplicação e protecção da propriedade intelectual”. O objectivo é contribuir “com a força da propriedade intelectual, para a construção do Centro de Inovação Tecnológica Internacional da Grande Baía”. Xu Zhijiang, subdirector do Gabinete de Patentes da Direcção Nacional da Propriedade Intelectual da China, disse que tanto Hong Kong como Macau têm “vantagens específicas nas áreas de finanças, transportes e logística, serviços profissionais e plataforma aberta” pelo que, com o fomento do sector da propriedade intelectual, Macau e Hong Kong podem contribuir “para injectar energia na transformação económica e na promoção das indústrias do país”. David Wong, director do Departamento da Propriedade Intelectual do Governo da RAEHK, lembrou que Hong Kong tem estado “no topo do ranking mundial de competitividade”, graças “ao ambiente privilegiado para negócios, mercado livre e aberto, sistema jurídico sólido e completo e talentos profissionais de serviços com visão internacional”. David Wong garantiu que Hong Kong está aberto a parcerias com Macau e o Interior da China.


6 política GCS

12.9.2019 quinta-feira

O homem do Presidente PEQUIM XI JINPING RECEBE E ELOGIA HO IAT SENG

Xi Jinping recebeu ontem o futuro Chefe do Executivo e deixou rasgados elogios ao contributo de Ho para o País e para Macau. No encontro, pediu a Ho que reforme a estratégia da economia e mantenha a estabilidade da RAEM

U

M homem que sempre foi patriota e que serviu dedicadamente a sociedade de Macau. Foi desta forma, segundo o jornal Ou Mun, que o Presidente Xi Jinping definiu ontem Ho Iat Seng, durante um encontro com o futuro líder do Governo da RAEM.

Depois de um cumprimento público, Xi Jinping endereçou os parabéns a Ho Iat Seng por ter sido eleito o Chefe do Executivo e recordou um passado ligado ao País. Segundo Xi, Ho serviu dedicadamente a RAEM durante vários anos e sempre com um sentimento de Amor pelo País e por Macau, traba-

lhando arduamente nos vários cargos públicos que ocupou, como membro do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e presidente da Assembleia Legislativa. O supremo líder chinês elogiou ainda os grandes esforços de Ho para a reforma do País, para a abertura económica e para a prosperidade

e estabilidade de Macau. Depois, garantiu que Ho tem toda a confiança do Governo Central e o reconhecimento do seu contributo positivo para o país. Em relação à eleição de Ho para Chefe do Executivo, Xi sublinhou a elevada votação, com 392 votos entre os 400 membros do Colégio Eleitoral, o que no

seu entender demonstra o grande reconhecimento dos esforços de Ho por parte da sociedade de Macau. Já em relação às expectativas para a governação de Ho, o presidente apontou o caminho: o futuro Chefe do Executivo vai ter de cuidar da situação da RAEM, sempre com olhos no futuro, e saber

responder às necessidades do desenvolvimento da economia. Finalmente, Xi pediu a Ho Iat Seng que lidere o Governo de Macau e a população num esforço conjunto para reformar e inovar a economia local, fazer um planeamento para uma estratégia de futuro e que continue a por em prá-


política 7

quinta-feira 12.9.2019

Passagem de testemunho Chui Sai On assinou despacho para preparar transição de Governo

O

tica de forma bem-sucedida o princípio Um País, Dois Sistemas.

ENCONTRO COM LI

Também ontem, Ho Iat Seng recebeu das mãos do Primeiro-Ministro Li Keqiang o decreto de nomeação do Conselho de Estado que confirma que vai ser o próximo Chefe do

Li Keqiang revelou acreditar que Ho Iat Seng vai conduzir o Governo da RAEM e todos os residentes num esforço de união com o objectivo de promover novos feitos

Executivo. Segundo o jornal Ou Mun, na cerimónia o futuro líder do Governo afirmou estar honrado e comprometeu-se a fazer tudo para justificar a confiança do Governo Central. Após a entrega do decreto, Li Keqiang tomou a palavra e revelou acreditar que Ho Iat Seng vai conduzir o Governo da RAEM e todos os residentes num esforço de união com o objectivo de promover novos feitos dentro do princípio Um País, Dois Sistemas. O primeiro-ministro fez ainda um balanço do que tem sido a acção do Governo de Macau, sublinhado que desde o retorno à pátria houve um grande progresso a nível económico, que permite melhorar as condições de vida da população. Por outro lado, Li destacou a harmonia social, a estabilidade e o sentimento de confiança e cooperação profunda com o Interior da China. O membro do Governo Central prometeu igualmente que as pessoas de Macau e o Governo vão continuar a ter todo o apoio das autoridades centrais e do País. Durante a cerimónia, que decorreu ontem de manhã em Pequim, na Torre da Luz Púrpura de Zhongnanhai, Ho agradeceu a recepção a Li Keqiang e a nomeação ao Governo Central. O futuro Chefe do Executivo disse ainda sentir-se “profundamente honrado” e afirmou

O futuro Chefe do Executivo disse sentir-se “profundamente honrado” e afirmou que vai trabalhar com um sentido de missão, para cumprir as expectativas e a confiança depositada pelo Governo do País que vai trabalhar com um sentido de missão, para cumprir as expectativas e a confiança depositada pelo Governo do País. Ainda durante a mesma cerimónia, Ho Iat Seng

referiu ir implementar de forma inabalável o princípio “Um País, Dois Sistemas” e seguindo a liderança do Presidente Xi Jinping e do Governo Central. O respeito pela Constituição da República Popular Chinesa e pela Lei Básica foi igualmente referido com um elemento basilar para o desempenho das futuras funções. Já em relação à governação da RAEM, Ho comprometeu-se a unir e liderar todos os residentes de Macau e a focá-los através de um trabalho árduo na manutenção da estabilidade social e no desenvolvimento económico. O líder do Governo prometeu ainda continuar a melhorar as condições de vida da população e criar uma fase no desenvolvimento da RAEM. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

GCS

O supremo líder elogiou os grandes esforços de Ho para a reforma do País, para a abertura económica e para a prosperidade e estabilidade de Macau

Chefe do Executivo em funções, Chui Sai On, emitiu ontem um comunicado a elogiar Ho Iat Seng e a desejar-lhe os parabéns por ter sido nomeado pelo Conselho de Estado como próximo Chefe do Executivo. “Desde o retorno de Macau à Pátria, Ho Iat Seng ocupou importantes cargos públicos para benefício do País e de Macau. Serviu-os sempre sob o espírito de ‘amar a Pátria e amar Macau’. Os seus esforços e contributos estão bem visíveis”, recordou Chui. “O facto de Ho Iat Seng ter sido eleito com um elevado número de votos demonstra a aceitação geral e amplo apoio de que goza junto dos diversos sectores da população”, foi acrescentado. Na mesma mensagem foi igualmente deixado um voto de confiança ao futuro líder do Executivo: “O Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o Governo da RAEM acreditam que, após a sua tomada de posse, Ho Iat Seng certamente conseguirá liderar a nova administração unida com toda a sociedade”, foi dito. “Caminhando firmemente sobre os alicerces construídos durante os vinte anos desde o estabelecimento da RAEM, o responsável será ainda capaz de criar um novo quadro para o desenvolvimento local, acrescentando mais um capítulo à implementação do princípio ‘Um

O EXEMPLO QUE É MACAU

D

urante o discurso na recepção da Ho Iat Seng, Xi Jinping não se esqueceu de mencionar o contributo dos primeiros Chefes do Executivo da RAEM, Edmundo Ho e Chui Sai On. De acordo com as palavras do Presidente, citadas pelo jornal Ou Mun, foi referido que o Governo da RAEM, com Ho e Chui ao leme, conseguiu compreender e implementar correctamente o princípio Um País, Dois Sistemas. Além disso, os anteriores governantes conseguiram igualmente respeitar os direitos consagrados na Constituição e na Lei Básica, ao mesmo tempo que transmitiram os valor do Amor pela Pátria e por Macau. Xi afirmou ainda que Macau tem mostrado o sucesso do princípio Um País, Dois Sistemas, que este é exequível, pode ser implementado com sucesso e é popular junto da sociedade.

País, Dois Sistemas’”, foi acrescentado.

MUDANÇA EM CURSO

Além dos elogios, a mensagem do Gabinete de Chui Sai On revelou ainda que hoje vai ser publicado um despacho que instrui todos os “gabinetes dos secretários, bem como todos os serviços e entidades públicas” a disponibilizarem imediatamente os meios necessários a Ho. “No sentido de oferecer o seu forte apoio a Ho Iat Seng para a organização da nova equipa governativa, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, emitiu o despacho que orienta os gabinetes dos secretários, bem como todos os serviços e entidades públicas a, no âmbito das suas competências, suprirem as necessidades do Chefe do Executivo do V Governo da RAEM, particularmente no que respeita à disponibilização e dotação temporária de recursos humanos, materiais e logística”, é apontado. “Os encargos que não corresponderem às competências dos gabinetes dos secretários, serviços e entidades públicas serão assegurados pelo orçamento do Gabinete do Chefe do Executivo ou por quaisquer outras verbas destinadas pela Divisão de Serviços de Finanças para tais efeitos”, foi ainda clarificado. Ho Iat Seng toma posse a 20 de Dezembro e Chui Sai On deixa o cargo a 19 do mesmo mês, depois de ter cumprido dois mandatos. J.S.F.


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12.9.2019 quinta-feira

DSSOPT Governo recupera terreno em Coloane

Foi ontem realizada uma acção conjunta de desocupação e reversão de um terreno em Coloane, localizado entre a Estrada de Seac Pai Van e Estrada do Campo, e que passa agora para a hasta pública. De acordo com um comunicado oficial, o terreno em causa ocupa uma área de cerca de 53.900 metros quadrados, tendo sido vedado. A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) notificou os responsáveis, em Maio, no sentido de se proceder a uma acção de despejo. Contudo, o prazo de desocupação voluntária chegou ao fim e “não se procedeu à devolução do terreno em causa”, o que obrigou a DSSOPT a intervir.

Economia Novos empréstimos para habitação a cair

De acordo com dados divulgados ontem pela Autoridade Monetária de Macau, os novos empréstimos hipotecários para habitação, aprovados pelos bancos de Macau, desceram em Julho deste ano 21 por cento, em relação ao mês transacto, para um valor de 4,8 mil milhões de patacas. Os residentes representaram 98,6 por cento destes empréstimos, totalizando 4,7 mil milhões de patacas, o que representou uma quebra de 21 por cento. O segmento de empréstimos concedidos a não residentes decresceu 22,2 por cento para 67,1 milhões de patacas.

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ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 41/P/19 Faz-se público que, por despacho de Sua Excelência, o Chefe do Executivo, de 24 de Junho de 2019, se encontra aberto o Concurso Público para o « Fornecimento de Vacinas aos Serviços de Saúde », cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 11 de Setembro de 2019, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP76,00 (setenta e seis patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 11 de Outubro de 2019. O acto público deste concurso terá lugar no dia 14 de Outubro de 2019, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 5 de Setembro de 2019 O Director dos Serviços, Substituto Cheang Seng Ip

SUBSÍDIOS A CUIDADORES ACÇÃO SOCIAL QUER PLANO EXPERIMENTAL EM 2020

Toca a acelerar planos Celeste Vong, presidente do Instituto de Acção Social, disse ontem no programa de rádio Fórum Macau que até finais de Dezembro deverá existir um plano de apoios financeiros a conceder a quem cuida de pessoas dependentes, para ser posto em prática em 2020. Hetzer Siu e Fátima dos Santos Ferreira felicitam a medida

O

Governo promete avançar mais cedo do que o previsto com um plano financeiro de apoio aos que não podem trabalhar para cuidar de dependentes. Celeste Vong, presidente do Instituto de Acção Social (IAS), disse ontem que até final do ano deverá existir um plano inicial para a concessão de apoio, de acordo com a Rádio Macau. O IAS quer, assim, desenvolver um plano sobre o subsídio para cuidadores de deficientes e doentes crónicos até Dezembro, para depois consultar opiniões no início do próximo ano. A medida deve entrar em fase de testes na segunda metade de 2020. As declarações de Celeste Vong foram feitas no programa Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, e pretende-se que o subsídio seja implementado sem que seja necessário

esperar por uma lei. Recorde-se que, em Maio, o Executivo defendeu que ainda não estavam reunidas as condições para implementar esta medida, e que seriam necessários três anos para estudar a matéria. Celeste Vong adiantou, contudo, que o IAS precisa de tempo para estudar a forma como este subsídio vai ser aplicado, uma vez que este terá “carácter permanente”, sendo necessário adoptar alguma “prudência”.

DEFINIR CRITÉRIOS

Contactado pelo HM, Hetzer Siu, presidente da associação

Macau Special Olympics, disse que é necessário avaliar quais os tipos de cuidadores que estarão abrangidos por este apoio. “Apoio qualquer proposta que possa ajudar os cuidadores, mas o Governo deve dar mais detalhes sobre que tipo de cuidador pode ser incluído na proposta”, começou por dizer. “Vão também incluir os cuidadores que são menos necessários? Gostaríamos de saber quais são os critérios. Penso que vão escolher um ou dois tipos de cuidadores para dar apoio”, adiantou.

“Apoio qualquer proposta que possa ajudar os cuidadores, mas o Governo deve dar mais detalhes sobre que tipo de cuidador pode ser incluído na proposta.” HETZER SIU PRESIDENTE DA MACAU SPECIAL OLYMPICS

Fátima Santos Ferreira, presidente da Associação de Reabilitação Fu Hong, defendeu que este apoio é muito necessário, sobretudo “para os pais de portadores de deficiência mental”, uma vez que “muitos deles deixaram de trabalhar para poder cuidar dos seus filhos, e isso vai ajudar muito à economia doméstica”. Outro ponto destacado pela responsável é o facto do IAS ter encurtado o tempo de estudo sobre esta medida. “Inicialmente disseram que tinham de esperar três anos para estudar melhor a questão. É bom que tenham decidido, a título experimental, pôr em prática a medida que é boa para melhorar a situação de quem cuida de deficientes e idosos. Depois, ao longo do ano, podem analisar melhor (a sua implementação)”, rematou. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

TSI Negado recurso a conselheiros das comunidades portuguesas

O recurso interposto por José Pereira Coutinho, Rita Santos e Armando de Jesus no processo em que acusaram de difamação do jornal San Wa Ou foi negado pelo Tribunal de Segunda Instância. Segundo notícia veiculada pelo Jornal Tribuna de Macau, a razão para a rejeição do recurso dos conselheiros das comunidades portuguesas foi a apresentação tardia. O mesmo jornal adianta que a decisão do Tribunal Judicial de base foi dada a conhecer aos conselheiros no dia 26 de Abril e que, a partir dessa data, teriam 10 dias para apresentar recurso. Como o fizeram apenas a 14 de Maio o recurso foi negado. Importa recordar que o jornal San Wa Ou foi absolvido pelo Tribunal Judicial de Base do crime de difamação.


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quinta-feira 12.9.2019

O director executivo da MGM China Holdings espera que as receitas da operadora voltem a cair no segundo semestre de 2019, situação complicada que compara ao que aconteceu em 2014. Ainda assim, Grant Bowie mostra-se confiante quanto aos resultados do próximo ano

MGM BOWIE ESPERANÇADO QUE 2020 TRAGA MELHORES RESULTADOS

Para o ano é que é

HÁ CINCO ANOS

Nos primeiros sete meses do ano, entraram no território mais de 23,8 milhões de visitantes, o que representou um crescimento de 20 por cento em relação ao período homólogo do ano passado. Apesar deste contexto, Bowie traçou uma comparação com o que se passou em 2014, ressalvando que este ano o impacto foi menos severo porque as seis operadoras se precaveram a tempo para a quebra do crescimento das receitas. Em relação ao impacto da turbulência política vivida em Hong Kong no número de visitantes que chegam a Macau, Grant Bowie entende que é “melhor esperar para ver”. De acordo com dados oficiais, as receitas da indústria do jogo caíram 1,9 por cento nos primeiros oito meses do ano, em relação ao mesmo período de 2018, para 198,2 mil milhões de patacas. Números que contrastam com o aumento de 20 por cento de visitantes nos primeiros sete meses do ano para 23,8 milhões de pessoas.

“E

STAMOS dependentes dos mercados. Acho que há muitos desafios globais por ultrapassar e Macau não está imune a essas dificuldades”, referiu o CEO da MGM China Holdings Ltd, Grant Bowie, citado pela TDM. O director da operadora referiu que depois de ultrapassados os “desafios” que se devem estender até ao final do ano, é expectável que os resultados da indústria do jogo melhorem em 2020. Apesar dos alertas, Bowie não esclareceu quais os desafios a que se referiu. “É preciso cuidado, temos de ser diligentes e trabalhar muito para mostrar aos nossos clientes que vale a pena virem a Macau”, acrescentou o CEO da MGM. Apesar do panorama negro deste ano, Grant Bowie está confiante no futuro. “Mantenho o optimismo em relação a 2020. Acho que

quando superarmos todos estes desafios, quando tivermos alguma clarividência e os negócios retomarem a dinâmica, as receitas do jogo de Macau vão voltar a crescer”, projectou o homem forte da MGM. A descida do número de visitantes até ao final do ano é uma possibilidade que Grant Bowie não afasta, no contexto dos inúmeros eventos oficiais programadas para a segunda metade do ano, como o 20º aniversário da RAEM. “Vão acontecer muitas actividades, mas, ao mesmo tempo, a proliferação de eventos oficiais, numa altura histórica tão importante para Macau, pode resultar na quebra de visitantes”, comentou.

João Luz

info@hojemacau.com.mo

Grant Bowie CEO MGM China Holdings “Mantenho o optimismo em relação a 2020. Acho que quando superarmos todos estes desafios, quando tivermos alguma clarividência e os negócios retomarem a dinâmica, as receitas do jogo de Macau vão voltar a crescer.”

MUST JORNAL APPLE DAILY ESCONDIDO E SÓ PODE SER LIDO SOB CONSULTA

A

Rádio Macau noticiou ontem que o jornal Apple Daily deixou de estar disponível para leitura livre na biblioteca da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST). Quem quiser ler o jornal terá de fazer um pedido aos funcionários da biblioteca, sendo que esta

medida vigora desde Agosto. Antes disso, o jornal estava disponível junto a outros jornais de língua chinesa e podia ser consultado livremente, sem o auxílio de funcionários da MUST. O jornal fundado por Jimmy Lai tem mostrado uma postura de apoio ao movimento pró-democracia do

território vizinho. À Rádio Macau, a MUST nega ter feito alterações neste sentido. Já o jornal Apple Daily diz não ter conhecimento do caso, mas admite uma ligação aos recentes protestos de Hong Kong. “Não sei exactamente as razões, mas penso que será

por causa do movimento em Hong Kong. O jornal tem dado muitas notícias sobre a proposta de lei da extradição. Pode ser esse o caso, mas na verdade não sei a razão que estará por detrás”, disse Cheung Kim-hung, administrador do jornal, que já se deparou

com outras práticas semelhantes. “Tenho-me deparado com muitas organizações e clubes privados que só mostram jornais pró-Governo. Não é novo para mim, mas como é uma universidade, acho que os alunos e o pessoal da biblioteca devem

protestar contra esta nova medida, se realmente assim for”. Cheung Kim-hung considera estar em causa “uma restrição à liberdade de imprensa”. De frisar que o jornal é censurado na China, país de onde é oriunda grande parte dos alunos da MUST.


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12.9.2019 quinta-feira

À descoberta do

MAGALHÃES/500 ANOS MNE DIZ QUE EVENTOS VISAM CELEBRAR OCEANOS E CONTACTO EN

INSTITUTO CULTURAL ACEITES CANDIDATURAS PARA SUBSÍDIOS NA ÁREA DA MODA

O

Instituto Cultural (IC) começou ontem a aceitar inscrições para a sétima edição do “Programa de Subsídios à Criação de Amostras de Design de Moda”, sendo que as candidaturas podem ser entregues até ao dia 25 de Outubro. Cada candidato seleccionado poderá receber um subsídio no montante máximo de 170

mil patacas para a produção de amostras e de uma colecção. De acordo com um comunicado, “os candidatos devem submeter desenhos de design de moda inéditos da sua autoria, assim como os formulários devidamente preenchidos”. Posteriormente, “o júri seleccionará um máximo de 15 candidaturas para a

segunda análise com base em seis critérios: criatividade e originalidade, qualidade (materiais e trabalho manual), efeitos visuais globais, potencial de mercado, viabilidade e grau de perfeição do plano de participação em exposições e desfiles da moda e do plano de marketing, bem como a racionalidade orçamental”.

Numa segunda análise, os candidatos recebem um subsídio para produzirem uma amostra “com base nos esboços submetidos na análise inicial”. Serão depois escolhidos oito candidatos, sendo que cada um irá receber até 170 mil patacas de apoio para a produção de uma colecção. Este programa de apoio à indústria da moda

existe desde 2013 e tem como objectivo “cultivar talentos locais em design de moda, incentivar os estilistas a elaborar planos de marketing viáveis e adequados e aumentar a sua popularidade e competitividade bem como impulsionar o desenvolvimento da indústria do design de moda de Macau”.


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quinta-feira 12.9.2019

o novo mundo

NTRE POVOS

O estabelecimento de uma “rede de escolas Magalhânicas” e a realização em Lisboa, em Junho de 2020, da II Conferência das Nações Unidas sobre Oceanos, são alguns dos eventos pensados para celebrar os 500 anos da viagem protagonizada pelo navegador Fernão de Magalhães, disse o ministro Augusto Santos Silva à Lusa

A

celebração do conhecimento, os oceanos e o contacto entre povos são os “temas fortes” das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação, numa lógica de “pensar o passado para projectar o futuro”, anunciou o chefe da diplomacia portuguesa. “As comemorações são circunstâncias que nos convidam a pensar no passado […] para projectar o futuro”, disse Augusto Santos Silva numa entrevista à Lusa a propósito do V centenário da primeira viagem de circum-navegação da Terra, iniciada em 1519 pelo navegador português Fernão de Magalhães ao serviço dos reis de Espanha. A viagem de Magalhães “um grande feito histórico”, que partiu da “mobilização de várias culturas” e “de vário conhecimento científico”, significou “uma descoberta no sentido de procurar descobrir o novo” e “mostrou pela primeira vez que era possível fazer uma travessia marítima a todo o mundo”, características que “são muito importantes para a actualidade”. “Nós, hoje, temos nos oceanos uma das principais agendas que deve mobilizar o mundo. Nós, hoje, dependemos cada vez mais de saber usar o conhecimento e a tecnologia

para servir as pessoas. E nós, hoje, precisamos de descobrir: descobrir o espaço, descobrir a realidade do mundo, descobrir as diferentes culturas, nações e povos e comunicar entre nós”, explicou. Santos Silva frisou que o programa de comemorações foi elaborado em coerência com “as opções essenciais” de Portugal em matéria de política interna e externa e, assim sendo, os oceanos assumem nele um lugar de destaque.

vegação que começará em Espanha, depois Portugal e seguirá para outros países da rota de Magalhães e Elcano, a exposição nacional no Museu Nacional Soares dos Reis a partir de 2020 e a recriação da viagem através de plataformas digitais, “para que as pessoas possam acompanhar dia a dia o que foi a viagem, 500 anos depois de ser realizada”. As comemorações envolvem um programa nacional, ao nível do

PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL

“Um dos projectos mais emblemáticos do programa do Governo para as comemorações é justamente um projecto da sensibilização ambiental em torno do oceano. Não apenas a questão dos plásticos, que é uma questão complexíssima e gravíssima do lixo que os plásticos não reciclados causam no oceano e a perturbação que infligem à vida marinha, mas mais geralmente a sensibilização, sobretudo das crianças e dos jovens, para exatamente esse cruzamento entre a gestão dos oceanos, a preservação ambiental e o combate às alterações climáticas”, explicou. Além desse projeto de sensibilização, que se articula com “outro grande projecto emblemático que é a constituição de uma rede de escolas Magalhânicas”, o programa inclui a realização em Lisboa, em Junho de 2020, da II Conferência das Nações Unidas sobre Oceanos e um concurso de projectos de investigação científica e desenvolvimento tecnológico em torno dos oceanos. “A lógica das comemorações é investir no conhecimento […] favorecer o conhecimento, não só o histórico, como o conhecimento científico actual em torno do oceano e do espaço”, disse Santos Silva.

MOSTRAS EM MOVIMENTO

Em relação ao conhecimento histórico, o ministro destacou a exposição luso-espanhola sobre a circum-na-

Governo e das regiões autónomas, municípios e sociedade civil, e um plano internacional, que passa por um programa conjunto Portugal-Espanha onde se destaca a candidatura a Património Mundial da Rota Magalhães e um estudo conjunto do Instituto Camões e do Instituto Cervantes sobre a projecção global das duas línguas, e pelo envolvimento dos restantes países da rota, do Chile à Namíbia ou do Brasil às Filipinas. A vertente de ligação entre os vários países da rota passará também por iniciativas como a recriação da viagem pelos navios da Marinha portuguesa Sagres e da Armada espanhola Elcano, a criação de uma Rota Magalhães para fins turísticos e o chamado Passaporte de Negócios Magalhães.

INTERESSES COMERCIAIS

A vertente de ligação entre os vários países da rota passará também por iniciativas como a recriação da viagem pelos navios da Marinha portuguesa Sagres e da Armada espanhola Elcano, a criação de uma Rota Magalhães para fins turísticos e o chamado Passaporte de Negócios Magalhães

“Magalhães pode ser, e é, um elemento muito importante de contacto entre, por exemplo, empresas portuguesas e empresas chilenas. É uma das coisas que temos em comum, eles têm o Estreito de Magalhães, sabem bem quem é Magalhães […] Portanto, nós usamos naturalmente estes elementos de contacto, que também servem para estimular as trocas entre os países”, explicou. “Nos dias de hoje, é muito importante que nós oponhamos à ideia de que cada um ganha o que os outros perderem, que o melhor é fechar-se em casa e construir muros altos para os outros não poderem invadir a nossa casa e que o comércio é uma nova forma de guerra. É muito importante que nós oponhamos a essa ideia, a ideia, que aliás é a nossa, de que, pelo contrário, como dizia Camões nos Lusíadas, quem pratica o comércio não quer a guerra e que as nossas casas são casas abertas e frequentarmos as casas uns dos outros é bom para todos”, defendeu.

Albergue SCM Lanternas do Coelhinho regressam a São Lázaro

É já esta sexta-feira que será inaugurada, no Albergue SCM, uma nova edição da exposição “Lanternas do Coelhinho - uma Exposição de Carlos Marreiros e Amigos”, que visa celebrar o 70º Aniversário da República Popular da China e a Celebração da Lua – Festividade do Bolo Lunar 2019”. A exposição ficará patente até ao dia 4 de Dezembro e tem entrada gratuita. Além disso, a iniciativa conta com uma demonstração de caligrafia chinesa, uma performance musical e a oferta de lanternas tradicionais às crianças, entre outras actividades.

FRC Direito Comercial em debate dia 18

“Questões de Direito Comercial – A preferência como limite à transmissão de acções e a garantia flutuante” é o nome da conferência que acontece na Fundação Rui Cunha (FRC) na próxima quarta-feira, dia 18 de Setembro, às 18h30. De acordo com um comunicado, esta palestra tem como oradores Rui Filipe Oliveira, advogado e membro do Conselho Fiscal da Sociedade de Jogos de Macau e Hugo Fonseca, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. O moderador é Luís Pessanha, assessor da Assembleia Legislativa.

Biblioteca do Senado Obras de restauro obrigam a fecho

É já a partir da próxima segunda-feira, dia 16, que a Biblioteca do Senado, localizada no edifício do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) fecha portas para a realização de obras de restauro, que inclui “a renovação da pintura das paredes interiores e a substituição do equipamento de fornecimento de energia e dos aparelhos de ar-condicionado”. O mesmo comunicado dá conta que as obras devem terminar em Janeiro de 2020, sendo que, até lá, a biblioteca estará fechada ao público.


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12.9.2019 quinta-feira

DADOS PROCESSAMENTO EMITE TANTO CARBONO COMO 21 MILHÕES DE CARROS

O preço da vigilância

O

S centros de processamentos de dados da China produziram, em 2018, um volume de dióxido de carbono equivalente ao emitido por 21 milhões de automóveis, segundo um relatório da organização de protecção ambiental Greenpeace divulgado ontem. Os centros armazenam conteúdo electrónico, incluindo emails, fotos e vídeos, e consomem, globalmente, entre 3 por cento e 5 por cento do total da eletricidade, rivalizando com o sector da aviação em emissões de carbono. A China tem uma das maiores indústrias do mundo de processamento de dados, responsável pelo consumo de mais de 2 por cento do total da energia do país, detalha o relatório da Greenpeace.

EM GRANDE

Com cerca de 800 milhões de internautas, a China tem a maior população 'online' do mundo, pelo que a procura por armazenamento de dados continuará a crescer nos próximos anos. O desenvolvimento do 'big data' (processamento de grandes volumes de dados) é uma das prioridades da China, visando modernizar as indústrias nacionais e a administração pública, mas que tem suscitado críticas, por possibilitar ao regime

chinês uma maior vigilância sobre os cidadãos. O país asiático é também o maior emissor de gases poluentes do mundo e prometeu atingir o pico nas emissões de dióxido de carbono até 2030. Nos últimos anos, tem sido de longe o maior investidor

global em energias renováveis, sobretudo solar, mas a maioria destes centros recorre a energia fóssil, sobretudo carvão, detalha a organização de protecção ambiental. "A maioria das instalações está localizada na costa leste, perto de centros

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Execução Ordinária n.º

de negócios, e longe da produção de energia renovável no centro e oeste do país", lê-se no relatório. Entre os 44 centros de processamento de dados analisados pela organização, apenas cinco usam energia renovável. O sector é dominado por firmas nacionais como as gigantes Huawei, Tencent ou Alibaba, mas também a norte-americana Apple, já que os reguladores chineses exigem que as empresas armazenem todos os dados recolhidos na China dentro do país.

HM • 1ª VEZ • 12-9-19

HM • 1ª VEZ • 12-9-19

ANÚNCIO

ANÚNCIO

CV1-17-0102-CEO

1.º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A. (中國工商銀行(澳 門)股份有限公司) , com sede na Avenida da Amizade, 555, Macau Landmark, Torre ICBC, 18.º andar, Macau, registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o nº 610 (SO). Executado: TOO WAI KEI, portador do Bilhete de Identidade de Residente de Macau n.º 1215XXX(X), com última residência na Rua de Coimbra, n.º 388 – Edf. Nova City, Torre 13, 26-andar-C, Taipa, Macau, ora ausente em parte incerta. *** FAZ-SE SABER que pelo 1º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do respectivo anúncio, citando o Executado, supra identificado para querendo, no prazo de VINTE DIAS, findo o dos éditos, deduzir oposição à execução acima indicada ou pagar ao Banco exequente a dívida de capital e juros no montante de MOP214.521,14 (Duzentas e Catorze Mil, Quinhentas e Vinte e Uma Patacas e Catorze Avos), correspondente ao capital (MOP192.669,37) e aos juros já vencidos desde 05-04-2017 até 20.02.2019 (MOP21.726,77), a que acrescerão os juros que se forem vencendo, à taxa anual de 6%, o respectivo imposto de selo que sobre os mesmos incide, bem como as despesas com o protesto da livrança no montante de MOP125,00 (cento e vinte e cinco patacas) e, ainda, as custas ou, em alternativa, nomear bens à penhora suficientes para o pagamento da quantia exequenda, sob pena de, não o fazendo, ser devolvido ao exequente o direito de nomeação, seguindo-se os demais termos até final, tudo como melhor consta do requerimento inicial, cujo duplicado se encontra nesta secretaria à disposição do citando. Mais ainda, que é obrigatória a constituição de advogado caso seja deduzida oposição (art. 74. do C.P.C.M.). Em RAEM, 19 de Julho de 2019

Execução Ordinária n.º

CV1-18-0188-CEO

1.º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A., matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e Automóvel de Macau sob o n.º 610 (SO). Executado: LAO NAM HANG, solteiro, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M., com última residência conhecida em Macau, Avenida 1.º de Maio, n.º 732 – Edifício “The Bayview”, Bloco IV, 31.º andar A, ora ausente em parte incerta. ----*** -----FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando o EXECUTADO acima identificado, para no prazo de VINTE DIAS, findo o dos éditos, pagar a dívida exequenda ao exequente no montante de MOP$14.263.092,12 (Catorze Milhões, Duzentas e Sessenta e Três Mil, Noventa e Duas Patacas e Doze Avos), juros e custas, ou, em alternativa, nomear bens à penhora suficientes para o pagamento da quantia exequenda, ou, querendo, deduzir oposição à execução no mesmo prazo, sob pena de se considerar devolvido ao exequente o direito de nomeação de bens à penhora, tudo como melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta secretaria à disposição do citando. ------------------------------------------------------------------------------E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja deduzida oposição. (art. 74.º do C.P.C.) --------------------------------------------------------------------------Caso seja requerido o apoio judiciário na modalidade de nomeação de patrono, o prazo da contestação/oposição interrompe-se desde a data em que o requerente junte aos autos o documento comprovativo do pedido de apoio judiciário. (art.º 20º da Lei n.º 13/2012) ------------------------------------------------------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., 22 de Julho de 2019. ----------------***

Em cinco anos, o consumo de energia nos centros de processamento de dados do país aumentará em dois terços, para um total de 267 terawatts/hora (TWh) por ano - mais do que o total da energia consumida pela Austrália, em 2018 Os autores do relatório prevêem que, em cinco anos, o consumo de energia nos centros de processamento de dados do país aumentará em dois terços, para um total de 267 terawatts/hora (TWh) por ano - mais do que o total da energia consumida pela Austrália, em 2018. As emissões devem subir das actuais 99 milhões de toneladas de dióxido de carbono para 163 milhões, o equivalente ao produzido por 35 milhões de automóveis. Em 2015, o Governo chinês lançou um programa piloto de centros ‘verdes’ de processamento de dados. O gigante do comércio eletrónico Alibaba inaugurou já um centro que recorre ao uso de energia solar e hidráulica, enquanto a água de um lago evita o sobreaquecimento dos servidores.

Guerra comercial Alguns produtos dos EUA isentados de taxas

A China anunciou ontem que alguns produtos químicos industriais dos Estados Unidos passam a estar isentos de taxas alfandegárias retaliatórias na guerra comercial com Washington, mas que continuará a penalizar a soja e a carne de porco norte-americanas. A lista de produtos norte-americanos que serão isentos de taxas retaliatórias, a partir de 17 de Outubro, e durante um ano, inclui 16 categorias: pesticidas, lubrificantes, produtos farmacêuticos ou graxa industrial. No entanto, Pequim vai manter taxas alfandegárias de até 25 por cento sobre a soja e outros produtos agrícolas oriundos dos Estados Unidos.

Segurança Taiwanês detido por partilhar fotos de polícia

A China confirmou ontem que deteve um homem de Taiwan por alegadamente ter "prejudicado a segurança nacional" ao partilhar fotos da polícia paramilitar chinesa junto à fronteira com Hong Kong no mês passado. Lee Meng-chu está sob investigação por suspeita de envolvimento em actividades criminosas "prejudiciais à segurança nacional", revelou Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Governo chinês, sem avançar mais detalhes. Lee desapareceu em 20 de Agosto, depois de enviar fotos da polícia paramilitar ao prefeito de Fangliao, uma pequena comunidade de pescadores no sul de Taiwan.


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Manifesto democrático Joshua Wong expressa continuação dos protestos em Berlim

O

activista Joshua Wong, fundador do partido de Hong Kong Demosisto, deu ontem uma conferência de imprensa em Berlim onde garantiu que a luta em prol de uma reforma do sistema político na região vizinha deverá continuar, apesar de Carrie Lam ter retirado a proposta de lei da extradição do Conselho Legislativo. “Há 30 anos ninguém conseguia prever que a URSS iria cair. Ninguém iria prever que o Muro de Berlim iria cair. Com a nossa paixão e determinação, apenas queremos que o mundo saiba que a população de Hong Kong merece a democracia. Culpam-me de ser um separatista, mas para ser claro, a população de Hong Kong deseja uma reforma do sistema político. Apenas queremos eleger o nosso Governo e o Chefe do Executivo”, declarou, numa conferência reproduzida pela agência Reuters. Joshua Wong recordou que o sufrágio universal “foi uma promessa feita na mini-constituição de Hong Kong e também na Declaração ConPUB

junta” assinada com o Reino Unido. “Vamos continuar a nossa luta até ao dia em que possamos desfrutar de um sistema”, frisou.

WASHINGTON NA AGENDA

O activista pede que sejam canceladas as exportações de gás pimenta

e material semelhante para Hong Kong, sobretudo depois dos actos da polícia durante os protestos, apelidados de “terror branco”. “Gostaria de expressar aqui as nossas preocupações relativamente ao abuso de poder levado a cabo pela polícia”, disse Joshua Wong,

que relatou ainda casos de assédio sexual alegadamente perpetrados por agentes aquando das detenções de mulheres. Apesar disso, o activista assumiu também a violência levada a cabo por muitos dos manifestantes. “(O Governo) recusou levar a cabo qualquer reforma do sistema político. Admito que a força foi usada pelos manifestantes, mas todos sabemos que as crises políticas devem ser resolvidas com uma reforma do sistema político”, rematou.

“Com a nossa paixão e determinação, apenas queremos que o mundo saiba que a população de Hong Kong merece a democracia.” JOSHUA WONG FUNDADOR DO PARTIDO DEMOSISTO

Depois da viagem a Taiwan e à Alemanha, Joshua Wong desloca-se na próxima semana a Washington. Os manifestantes têm apelado ao Congresso norte-americano que aprove uma lei que exige ao país a certificação anual de que Hong Kong permanece com um alto grau de autonomia em relação à China continental. Se Washington concluir que o grau de autonomia está ameaçado, a cidade pode perder alguns privilégios comerciais com os Estados Unidos. Além disso, o diploma pode levar à possibilidade da perda de activos nos EUA e à proibição de entrada no país dos titulares de cargos governativos de Hong Kong que reprimam a democracia, os direitos humanos ou as liberdades dos cidadãos. A.S.S.


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12.9.2019 quinta-feira

Afrodite, Afrodite, tão humana e sem tempo...

estendais Gisela Casimiro

Um lugar à mesa A minha busca por inspiração foi abruptamente colocada em pausa. Fiquei ali, parada no corredor, a estorvar a multidão que se abastecia de mantimentos como se o fim de semana fosse uma catástrofe e o supermercado o bunker. Li um testemunho sincero, vulnerável, revelador: “assunto delicado e importante.” “Tão brilhante e tão quente. Como sabe a vermelho este café - ” Uma despedida muito após o desaparecimento, com explicações para nós, os leitores. “Deixo um bilhete à porta, junto ao Hades, na esperança de que o cão o não destrua - ” Acontece que me habituara há muito a googlar o nome do ingrediente principal e o do blog, abrindo directamente as páginas que me interessavam, certa de que encontraria ali inúmeras receitas, dicas, dicionários de termos portugueses e brasileiros, curiosidades e histórias de familiares e amigos desta mulher que viveu em França, em Timor, na Terceira. Depois, espreitava as sugestões no fim de cada post. A Elvira (mãe dos blogs portugueses de culinária) lembrava-me a Filipa Vacondeus e o Chefe Silva (mãe e pai da tv e das revistas) por ter-se tornado um clássico. Por ensinar-nos os clássicos. Por ter sempre um nome carinhoso, de alguém que amava, para dar a uma receita em vez do original. “Deve ser isso o que a mantém, A faz vestir-se todos os dias, tomar o cesto das compras, Escolher legumes naquela mercearia: Os minúsculos gestos de que a vida é feita Quando a guerra é ausente”

S

ÃO muitos, para todos os gostos, viciantes, uma pequena escola de culinária. Vão criando versões e reinventando-se uns aos outros. Contam-nos episódios ilustrados ao pormenor por fotografias em que os humanos são secundários e as refeições, o que importa. Fazem-nos companhia. Inspiram-nos. Vêem nascer amizades. A Ana Luísa Amaral tem muitos poemas que são, na verdade, receitas, e os seus poemas estão para a realidade como os blogs gastronómicos estão, bem, para o resto. Já desconfiava da doença, porém nunca poderia adivinhar o resto. O que sabemos, realmente, senão o que as pessoas demonstram? Nas redes, pelo menos. A inevitabilidade de um ocasional revirar de olhos e uma crítica silenciosa quando surgem os moralismos que no fundo só são bons para os outros, sob a forma de posts partilhados. Share it until you make it, talvez. Partilhar para acreditar. Somos da velha escola, do blogspot e do livejournal, mas os flagelos que nos acometem são muito, muito mais antigos ainda e não parecem querer ir a lado algum. Há cinco anos que este blog incontornável não era actualizado. Era como alguém cujo regresso desejamos secretamente mas não acreditamos que aconteça. Alguém com uma presença, um legado tão vincado que é impossível não nos entretermos mesmo na sua aparente ausência. Contar quantas vezes me alimentei e aos meus amigos com as suas receitas revelar-se-ia tarefa impossível.

“Deixa-a lá dentro, cortada, na cozinha, e traz-me só café. Pousa a bandeja ali, e depois vai. Não quero o seu olhar: Recorda-me a prisão que ele habitou (sem ser por mim) e a outra em que eu morei, e onde fiquei, Lembrando o seu olhar.” Estava no supermercado, outro dia, a planear o que iria cozinhar esta semana, não fosse eu viciada em meal prep, mas algo me faltava. Algo que, tantas vezes, encontro no Ponto Espadana, na Smitten Kitchen, no Para Cozinhar, no The Kitchn, no Two Fat Ladies (saudades das originais) onde nem uma receita de caldo mancarra falta, na lista memorável de saladas do Mark Bittman no New York Times. Não desta vez. Abri um blog antigo, fiável, cujos links de receitas partilhei infindáveis vezes, e que, repito, não via posts novos há anos. Mas a verdade é que a última actualização aconteceu há precisamente um ano. “E agora mostras a toda a gente o cesto, e não há sombra.”

Um mês após esse último post, ela deixou-nos. Semanas passaram, no entanto, entre a minha primeira descoberta e a segunda, que me horrorizou ainda mais, quando procurei o seu nome no Google e surgiu o verbo morrer como sugestão complementar de busca. Agora, um ano após a sua partida, queria poder inventar uma receita que a honrasse, confortasse, fizesse dançar e cantar durante a preparação, ver o fuminho a sair delicado e seguro do que quer que estivesse no prato, talvez não um prato mas um tabuleiro de grão-de-bico com chouriço e ovos. Ou uma carne espiritual. Ou a delicadíssima lista que forneceu durante uma entrevista quando lhe perguntaram qual seria a sua última refeição. Não sei se a teve. Não sei se foi exactamente como ela queria. Não sei porque é que nunca lhe escrevi. Não sei se a Ana Luísa Amaral e a Elvira do Elvira’s Bistrot sabiam uma da outra, mas imagino-as a discutir receitas na cozinha e na vida, como nesta conversa imaginada. Não sei porque é que os cancros e as violências domésticas andam de mãos dadas. Mas sei que tudo aquilo foi real. Tudo: a sua dedicação e a nossa admiração. “Vou apagar a luz. Sair da mesa. Ela aguarda. E eu vou - ” Sinto-me como se tivesse chegado tarde, demasiado tarde, a casa. Mas sei que a Elvira terá sempre um lugar à mesa.

Sinto-me como se tivesse chegado tarde, demasiado tarde, a casa. Mas sei que a Elvira terá sempre um lugar à mesa


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

quinta-feira 12.9.2019

diário de Próspero

António Cabrita

O Homem Novo

O

Papa esteve em Moçambique. No seu discurso evocou Eusébio e Lourdes Mutola como dois resilientes e apontou-os como exemplo a ser seguido pelos jovens. Há uma ironia que verruma aqui, embora involuntária, pois o Papa não o saberia: o poder moçambicano gostaria muito de rasurar a memória desses dois “heróis evocados”, na leitura instrumentalista que faz da história, a Eusébio por ser um “traidor-não declarado”, ao preferir continuar a ser português, a Lourdes Mutola porque, de olhos abertos, lhes chamou ingratos e foi viver para a África do Sul com a sua “esposa”. Embora de grande notoriedade, e são uma história de sucesso popular, politicamente são bastardos. Dois anos depois de ter chegado a Maputo, mudei de casa e no outro lado da rua havia um bar que passei a frequentar. Eu e o Mário Coluna, o mítico médio do Benfica no tempo do Eusébio, que fez a escolha contrária à do atacante e voltou para Moçambique depois da carreira, abraçando o país novo. E foi treinador de clubes, e da selecção. Após o que, pela surra, foi colocado na prateleira e passou a ser um reformado de luxo. Quando o conheci, invariavelmente pelas cinco da tarde, estacionava o seu Mercedes diante do bar e aí se sentava emborcando uns sobre os outros, uísques, em conversas que não me pareciam defensivas nem ofensivas. Um dia recebo a encomenda para fazer uma sinopse para um possível filme sobre o Coluna, que teria, diziam-me, um empurrão para a produção do Carlos Queirós, e para apoio deram-me um álbum sobre o futebolista, em que se contava a história da sua vida, e que se chamava O Colosso. Soube então que era assim que ele era chamado em Moçambique: O Colosso. Entreguei o trabalhinho sobre o qual não obtive nem uma palavrinha nem a prebenda, como se nada me tivesse sido encomendado – experiência que, aliás se repetiu. E continuei a ver O Colosso por ali, eu no meu canto com os livrinhos e um uísquinho para duas horas, ele na sua sede escancarada. Um dia sentei-me na mesa ao lado da dele e ao cabo de uma hora de me ver concentrado em letras miúdas não resistiu a meter conversa comigo. E diz-me O Colosso: “Estes pobres, se não fossem os portugueses ainda estavam nas árvores!”, e ao mesmo tempo metia o cartão dele num canto da mesa. Era um ataque forte e pedia contenção na defesa. “Como?”. “…deram cabo de tudo e esqueceram que se não fossem os portugueses ainda viviam nas árvores! O Salazar é que…etc.” Vi-me no papel de fazer a defesa do diabo, “Olhe que os portugueses deixaram noventa por cen-

to de analfabetos…”, ripostei, tentando amenizar-lhe o tom azedo, mesmo que sussurrado. Quando viu que defendia o seu objecto de desgosto, retirou o cartão da mesa, devolvendo-o ao seu bolso, e remeteu-se ao calado de mais um duplo. Eu fiquei desconcertado, por desconhecimento. O Colosso, afinal, sentira-se usado, descartado e de expectativas desiludidas, e até apesar da excelente reforma que lhe dava o estado moçambicano, de ter visto o seu nome atribuído a

uma rua e da Fifa ter apoiado financeiramente a sua Academia de Futebol na vila da Namaacha, a sessenta km de Maputo. Não sei o que se teria passado para que ele - que fora um colaborador das forças que lutavam pela independência do país, antes do 25 de Abril, dando cobertura e tecto a clandestinos que passavam por Portugal no desforço da luta -, trinta anos depois da independência, à primeira oportunidade denunciasse uma tão entranhada nostalgia.

Consterna pensar que depois de 60 anos de revolução cubana e de uma “nueva educacion” tudo está apenas mais “castiço”, tal como constrange constatar que, trinta anos depois da independência, o Papa não teve outros valores moçambicanos para referenciar que o de dois desportistas - um impulsionado pelo Estado Novo e outro fruto da carolice individual

A dignidade de O Colosso, que agiu correctamente no seu devido tempo, não fica beliscada, da situação só ressalta a tremenda contradição entre as expectativas individuais e aquilo que o omnívoro processo dos Estados arma – é inevitável que o Estado se sirva das “suas” figuras; depois ou corrompe-as (não terá sido o caso de nenhum deles) ou as desilude porque rapidamente as faz sentir que foram úteis no “seu” momento mas não providenciais. Pode a “frustração narcísica” – para mais num país que pugnava pelo “Homem Novo” - ser acompanhada de uma declarada rejeição moral sobre os processos políticos, mas, até pela desproporção de forças, é mais raro, sendo mais comum uma conversão religiosa ou a defesa do álcool. O Colosso, nos derradeiros anos da sua vida, passara de médio atacante a defesa central. Recentemente, assisti a alguns filmes realizados por moçambicanos que foram alunos da Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), entre os quais um ironicamente chamado El Hombre Nuevo, de Lara de Sousa. O “Homem Novo” foi um conceito doutrinário comum aos países socialistas, para significar o “segundo nascimento” dos que são membros e co-criadores da nova sociedade socialista. Nesse filme que se passa numa barbearia cubana, el “hombre nuevo” aplica-se a um novo tipo de penteado que apraz muito aos jovens, que nas conversas argumentavam pela “naturalidade” do machismo e do papel viril do homem – apesar do penteado, aquilo pareceu-me muito velho, para lá de idoso, e consterna pensar que depois de 60 anos de revolução cubana e de uma “nueva educacion” tudo está apenas mais “castiço”, tal como constrange constatar que, trinta anos depois da independência, o Papa não teve outros valores moçambicanos para referenciar que o de dois desportistas - um impulsionado pelo Estado Novo e outro fruto da carolice individual. São demasiadas gerações desbaratadas para tão pouco. Fazia parte das premissas das sociedades que promoviam o “Homem Novo” um “Esquecimento Consecutivo”, o que justificará o rol de omissões e o esforço para abafamento dos meritórios que continua a vingar nos países que abraçaram o “socialismo”, onde só o colectivo importa e as personalidades, num momento ou noutro, se tornam incómodas, personas non gratas. Neste sentido, a visita do Papa acabou por ser salutar, mesmo que involuntariamente.


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retrovisor Luís Carmelo

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EM sempre Afrodite terá estado na disposição de dar vida a uma escultura para gáudio dos pigmaliões. Na ausência desse milagre e tal como afirmou Richard Rorty, no início dos anos oitenta, “há pessoas que escrevem como se só existissem textos”, imaginando-se abraçados ao monte de vénus de uma Galateia de mármore. Pobres nenúfares. A noção de texto que Rorty evoca aproxima-se da dos dogmas das religiões do ‘Livro’ que fez do mundo, durante séculos e séculos, uma iluminura escrita. Para o homem medieval, todo o sentido do universo dependia de uma harmoniosa refracção entre textos. Os modernos alteraram a pulsação das coisas, sondaram territórios, interrogaram o que é (e o que não é) o homem, mas não resistiram à tentação de voltar a transformar a palavra em mandamento. Tanto estalinezinho que se pavoneou por essa Europa e por essa Ásia fora nos últimos dois séculos, tendo como refém verbetes limados, frases redondas e suratas definitivas. Esta obstinação de escrever e de ler o mundo como se só existissem textos tem, de facto, marca categórica, fosse a sua origem escolástica, ideológica ou académica. A plenitude que cremos herdar (obsessivamente) do império da es-

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Será a poesia feita de gnaisse puro? crita sempre trouxe consigo esquadrias rígidas. Autores como Sade, Bukowski, Genet ou Céline, que misturaram registos elevados e ditos consagradamente levianos, viram-se amiúde como filhos de uma penitência menor. No penúltimo Livro de A República de Platão, Gláucon reconheceu que a cidade ideal, longamente descrita ao longo dos diálogos da obra, era coisa ‘só de palavras’ (“Referes-te à cidade que edificámos há pouco na nossa exposição, àquela que está fundada só em palavras, pois creio bem que não se encontra em parte alguma da terra” - 592b/ p. 447). O fundamental estaria fora das palavras, seria até anterior a elas e, seguramente, jamais por elas fundado. Se contarmos para trás a mesma distância que vai de Platão até ao nosso

tempo, chegamos à Epopeia de Gilgamesh. Trata-se de um texto inscrito em argilas refundidas com origem na actual região do Iraque que data de antes de meados do terceiro milénio a.C., embora existam compilações conhecidas já do final do segundo milénio a.C.. O relato é um dos primeiros registos escritos da espécie humana. Não lhe pré-existindo uma matriz rígida para replicar (haveria matrizes mitológicas orais, como a de Afrodite que deu vida a Galateia para gozo supremo de Pigmaleão, mas essas sempre foram maleáveis e, portanto, sempre se alteraram no correr dos tempos ao contrário do dogma), o texto ocupa-se das coisas essenciais e não ainda de outros textos ou de idealidades contaminadas.

A grande poesia restitui à fonte o leme perdido pela palavra. Pelo menos é neste tipo de transparência glosada que eu entendo a grande poesia, mesmo quando ela parafraseia as suas merdas, pois, ao fim e ao cabo, somos todos humanos e não génios a apalpar corpos perfeitos esculpidos em gnaisse puro

É por isso que a Epopeia de Gilgamesh é uma história de heróis e de deuses com os sonhos a funcionarem como ignição primordial. O tema de fundo é o da imortalidade, claro está: Gilgamesh bem tenta aceder ao dom da vida eterna, passa por mil obstáculos para o conseguir, mas acaba por se confrontar com o nosso denominador comum mais escandaloso: a mortalidade. O que se torna fascinante, ao longo da leitura, é pressentir a respiração genuína dos humanos de há quase cinco milénios e perceber que o essencial que está em causa é o mesmo que, hoje em dia, ainda nos permite confiar (dir-se-ia mesmo ‘acreditar’) na poesia, porventura o único tipo de texto contemporâneo que, de vez em quando, tenta escapar a outros textos refundando-se radicalmente enquanto se forma e enuncia. A grande poesia restitui à fonte o leme perdido pela palavra. Pelo menos é neste tipo de transparência glosada que eu entendo a grande poesia, mesmo quando ela parafraseia as suas merdas, pois, ao fim e ao cabo, somos todos humanos e não génios a apalpar corpos perfeitos esculpidos em gnaisse puro. Para uma boa leitura da Epopeia de Gilgamesh, aconselho a tradução/versão assinada por Pedro Tamen (Edições António Ramos, Lisboa, 1979).


desporto 17

quinta-feira 12.9.2019

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NDRÉ Couto vai regressar este fim -de-semana ao campeonato TCR China, depois de ter recebido um convite de última hora da equipa Dongfeng Honda Team para conduzir um terceiro Honda Civic Type-R TCR na jornada que se disputa no Ningbo International Speedpark. O piloto português residente em Macau foi chamado pela equipa, que na sua base tem por trás a MacPro Racing, estrutura desportiva de capitais do território por quem Couto conduziu na pretérita edição do Grande Prémio de Macau, para ajudar Daniel Lloyd. O piloto inglês está em segundo no campeonato e precisa de recuperar o maior número de pontos possível sobre o seu adversário directo, o chinês que corre de Audi Huang Chu Han. Couto, que vai ocupar nesta prova o volante que pertencia ao piloto chinês Zou Si Rui, conhece o circuito de Ningbo, a equipa e o carro nipónico, tendo há precisamente um ano se estreado no TCR China, PUB

A pista da felicidade André Couto faz prova em Ningbo para o TCR China

prova principal do calendário nipónico de resistência. Aprova do TCR China em Ningbo faz parte do programa de corridas da visita da Taça do Mundo FIA de Carros de Turismo (WTCR) à China continental.Aprimeira corrida está agendada para o final da tarde de Sábado, enquanto que o segundo embate está agendado para a hora de almoço no domingo.

ÁVILA PRESENTE

nesta mesma pista e com esta mesma viatura, com duas pole-position e duas categóricas vitórias. O piloto luso ainda não anunciou os seus planos para o Grande Prémio em Novembro e esta será a sua primeira prova ao volante

de um carro de Turismo esta época. Couto tem estado a disputar o campeonato japonês Super GT, onde é actualmente o quinto classificado da classe GT300. Aos comandos do Lamborghini Huracan GT3 nº87 da JLOC, devido a problemas

técnicos, Couto foi forçado a abandonar os 300 km de Sugo no pretérito fim-de-semana. A temporada de regresso do experiente piloto de Macau ao Super GT está por agora marcada pelo surpreendente triunfo à classe nos 500 km de Fuji, a

Couto não será o único piloto português da RAEM em pista na prova do TCR China em Ningbo, pois Rodolfo Ávila irá novamente desdobrar-se este fim-de-semana entre o Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC), onde tripula um dos Volkswagen Lamando oficiais, e o TCR China, onde conduz um dos novos MG6 XPower TCR. Se Couto tem ambições a lutar pelos lugares da frente, Ávila e a equipa MG Power deverão concentrar os seus esforços na continuação do desenvolvimento do carro britânico que por não estar ainda homologado carrega com 60 kg de lastro suplementar e não marca pontos para o

Couto, que vai ocupar nesta prova o volante que pertencia ao piloto chinês Zou Si Rui, conhece o circuito de Ningbo, a equipa e o carro nipónico, tendo há precisamente um ano se estreado no TCR China, nesta mesma pista e com esta mesma viatura, com duas pole-position e duas categóricas vitórias campeonato. O MG6 XPower TCR foi apresentado no Salão Automóvel de Xangai no início do ano, tendo sido construído e desenvolvido pelos técnicos da marca na República Popular da China. Sérgio Fonseca

info@hojemacau.com.mo


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2 POUCO

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NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Diariamente 19 EXPOSIÇÃO | ”CORES DA ÁSIA” | CASAS DA TAIPA Galeria 5 |6Até 22/09 9 8

2 4 7 0 1 3 2 1 | “O4VAGABUNDO” 0 7 5 3 6 9 8 EXPOSIÇÃO Casas da Taipa – Exterior 3 0 2 7 8| Até66/109 1 5 4 EXPOSIÇÃO 7 9 | “JARDIM 3 4DAS0DELÍCIAS 1 TERRENAS” 5 8 6 2 Wynn Macau | Até 6/10 6 5 8 1 3 9 4 2 7 0 EXPOSIÇÃO DA BONDADETERNA” 8 7 | “CONTEMPLAÇÃO 1 3 6 2 0 5 4 9 Museu de Arte de Macau | Até 6/10 9 4 0 6 5 7 2 3 8 1 EXPOSIÇÃO | “QUIETUDE E CLARIDADE: OBRAS 9 4 DO 8 MUSEU 1 7 3 6 DE 0 CHEN2 ZHIFO5DA COLECÇÃO DE NANJING” MAM 1| Até817 /11 7 2 9 3 6 4 0 5 4 3 | “HOT 6 FLOWS 5 1– PEARL 0 RIVER 8 9 2 7 EXPOSIÇÃO DELTA ARTS RETROSPECTIVE” Armazém do Boi | Até 13 de Outubro

21 5 6 9 7 1 2 3 0 8 4

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4 1 8 0 3 6 5 7 2 9

Cineteatro 23 1 6 0 3 2 8 4 7 9 5

8 7 4 5 9 3 0 1 2 6

5 9 3 4 6 1 7 2 0 8

8 4 7 2 6 9 0 1 3 5

0 9 6 8 7 3 1 5 4 2

1 3 4 5 2 0 7 8 9 6

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7 5 3 4 8 1 2 9 6 0

C I N E M A

2 1 7 0 8 6 5 9 4 3

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1 5 6 7 8 4 2 0 9 3 5 3 7 4 2 8 1 9 0 6

1 8

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4 0 1 9 9 0 8 3 2 1 0 2 3 9 7 6 9 3 4 7 2 5 1 9 8 5 6 0 8 5 9 4 1 5 6 7 2 9 0 8 3 1 6 4 0 2 6 5 1 1 9 3 0 5 8 5 1 7 6 9 7 6 1 8 9 1 5 8 2 5 2 7 6 3 1 2 4 9 7 5 8 4 0 2 7 Um tribunal escocês considerou ontem ilegal a decisão do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, 7 Unido, mas não ordenou a revogação 3 da suspen6 5 de4suspender 1 8o Parlamento do Reino

são. Três juízes, presididos por Colin Carloway, o mais alto magistrado escocês, inverteram uma decisão anterior, que considerou que os tribunais não tinham o poder de interferir na decisão política do primeiro-ministro, Boris Johnson, de suspender o parlamento.

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8 3 FILME 2 6 7 HOJE 5 0 9 UM 0 5 9 8 2 4 1 6

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Para os verdadeiros fanáticos 7automobilismo 6 1 3 0o Natal 8 4vai do chegar mais cedo com 4 2 5 9 6 1o filme 3 Ford vs Ferrari. A história foca 7 de6 1966 5 das 4 240 horas 8 a9 edição de5Le8Mans, em que pela pri0 1 3 2 7 meira vez um construtor ame2 1venceu 3 4a prova 5 7à geral. 9 ricano Mas com um elenco com Chris 6 0 8 2 1 9 5 Bale e Matt Damon, o filme 9 4Mangold 7 8 vai 6 mais 2 de3 James longe e promete entusiasmar igualmente o grande público. Em Hong Kong a estreia está marcada para 14 de Novembro, se os bombardeamentos da Marvel permitirem deve chegar a Macau na mesma altura. João Santos Filipe

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PROBLEMA 23

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12.9.2019 quinta-feira

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Nos últimos tempos a discussão apaixonada sobre os acontecimentos de22Hong Kong tira-nos o foco de outras questões que 5 afectam 4 6 Macau. 9 No entanto, é inegável que a econo0 por um período 2 de mia está a passar abrandamento e o território 7 0 entrou em recessão técnica. A responsabi8 ligada7ao lidade está 2 longe de4estar Governo 5 de8Macau e2é a9velha histó3 ria: quando a China espirra, Macau 6 5 3 7 constipa-se. Desta vez o problema 4quase 3 exclusivamente 9 1 5 na Guerra 2 0 está Comercial entre a China e os Estados 7 1 Unidos. Só em Macau fala-se de uma 7 de 15 por cento 0 4 no sector quebra do3jogo VIP. O9valor 6 pode 7 4até ser superior. Também em Hong Kong, ainda antes da crise governativa e de representação da população, Carrie 24 Lam já se tinha mostrado preocupada 8 o abrandamento 6 7 económico 0 9do com primeiro trimestre. Claro que 5 2 4 a crise 3 governativa e de representação da 1 7em Hong Kong 3 vai per2 população mitir esconder muita coisa debaixo 7 0 do tapete, mas mesmo os turistas 2 5 de massas têm3menos 7 do mercado dinheiro O yuan tem 9 7 para gastar. 5 3 2 desvalorizado face ao dólar e em 5 e Hong Kong a 2moeda está Macau associada ao por 3 valor do 5 dólar... É 0 isso preciso ter muita cautela nos 0 1 9 4 próximos tempos e com uma certeza: 3 4de 7 6 não 2 nos a economia Hong Kong vai ajudar. João Santos Filipe

FORD VS FERRARI | JAMES MANGOLD | 2019

IT CHAPTER TWO SALA 1

IT CHAPTER TWO [C] Um filme de: Andy Muschietti Com: James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Isaiah Mustafa 14.30, 18.00, 21.00 SALA 2

ABIGAIL [B] Um filme de: Alexander Boguslavsky Com: Tinatin Dalakishvili, Eddie Marsan, Artem Tkachenko 14.30, 16.30, 19.30

ANGEL HAS FALLEN [C] Um filme de: Ric Rowan Waugh

Com: Gerard Butler, Bugran Freeman 21.30 SALA 3

FAGARA [B] Um filme de: Heiward Mak Com: Sammi Cheng, Megan Lai, Li Xiaofeng 14.30, 16.45, 21.30

ONE PIECE STAMPEDE [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Takashi Otsuka 19.30

www. hojemacau. com.mo

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Santos Filipe; Juana Ng Cen; Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gisela Casimiro; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rita Taborda Duarte; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Rodrigues Simão; Olavo Rasquinho; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

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opinião 19

quinta-feira 12.9.2019

MARIANA MORTÁGUA in esquerda.net

As contas da maioria absoluta

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Á depois de o programa apresentado, instalou-se a confusão dos números. Em 31 de Agosto o ministro Mário Centeno falava em duplicar o investimento público quando o PE assegura apenas metade desse objectivo. Confrontado pela imprensa e no debate com Catarina Martins, o PS viu-se obrigado a emitir uma nota de quatro páginas e alguns números em forma de explicação. Nesta espécie de adenda ao programa eleitoral colada a meio da campanha, o PS soma ao previsto no PE mais 200 milhões de investimento público por ano, o que ainda não garante a duplicação prometida por Centeno. Sobre as outras intenções gerais anunciadas no programa, mas sem cabimento nas contas do PE, nada explicou. Confusão de números também na receita fiscal. Na mesma entrevista, Mário

Centeno quantificou as medidas de IRS em 200 milhões. Dias depois, o PS vem subir aquele valor para 400 milhões, o dobro do previsto no PE. É uma parte da "margem financeira para outras medidas", adicionada ao programa em resultado "de um debate profundo e alargado com a sociedade civil". Mas o exemplo mais flagrante é o relativo ao aumento dos salários da Função Pública, congelados há uma década,

O PS quer evitar compromissos claros. O programa eleitoral não concretiza ou quantifica medidas, é um campo de generalidades. Como guia de leitura aponta apenas para o Programa de Estabilidade (PE) para 2019-2023 elaborado pelo Governo, e que o PS assume ser a base do seu programa

mencionado apenas genericamente no programa do PS. Na semana passada, Centeno veio sugerir aumentos à taxa da inflação já em 2020. Mas o PE - que seria a base do programa do Governo não menciona tal aumento. De facto, as contas disponíveis não batem certo: para os próximos dois anos, a verba global do PE para novas contratações e aumentos salariais não cobre metade do necessário só para atualizar os salários atuais à taxa de inflação (prevista no PE em 1,5%). Como será então possível fazê-lo e ainda, como declara o PS no programa, planear o "recrutamento em função das necessidades efetivas de cada área da Administração Pública" (p. 13)? Não se sabe. Sabe-se apenas que o PS se propõe a "revisitar" as carreiras de polícias e militares, professores e enfermeiros, sem dizer quando e como o fará - e quanto cortará nisso. Quem ler o programa do PS encontrará vagos compromissos e contas poucas e contraditórias. Quais são, afinal, as propostas do PS? Não se sabe. O seu programa é um cheque em branco para ser cobrado ao país quando e como Costa entender. Para isso só precisa de uma maioria absoluta.


Uma mulher pequena é muitas vezes uma grande carga. Axel Oxenstiern

PALAVRA DO DIA

JAPÃO REMODELAÇÃO NO GOVERNO

OMC SEUL VAI APRESENTAR QUEIXA CONTRA TÓQUIO

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Governo sul-coreano vai apresentar uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) devido às restrições impostas pelo Japão às exportações de alta tecnologia para a Coreia do Sul. O anúncio foi feito por um funcionário do Ministério do Comércio sul-coreano, Yoo Myung-hee. Tóquio impôs, no início de Julho, limitações aos materiais químicos básicos que as empresas sul-coreanas compram para fabricar ecrãs e ‘microchips’ de memória, alegando razões de segurança. Semanas mais tarde, num alargamento das restrições, o Governo nipónico anunciou que ia retirar a Coreia do Sul da “lista branca” de parceiros comerciais, um estatuto especial que Seul detinha desde 2004, juntamente com um grupo de 26 países. Seul não tardou a aplicar a mesma medida, num novo agravamento da tensão entre os dois países. As autoridades sul-coreanas acreditam que os controlos japoneses são retaliações por decisões judiciais, algo que o Governo japonês já negou. No final de 2018, o Supremo Tribunal sul-coreano determinou que as empresas japonesas presentes na Coreia do Sul tinham de pagar compensações a cidadãos coreanos, ou aos herdeiros, escravizados por aquelas companhias durante a Segunda Guerra Mundial. Com base no tratado de 1965, o Japão, que colonizou a península coreana entre 1910 e 1945, entregou 300 milhões de dólares às vítimas, dinheiro que a ditadura militar de Park Chung-hee não fez chegar a todas, motivo que levou milhares de pessoas a denunciar recentemente a situação às autoridades sul-coreanas.

quinta-feira 12.9.2019

Pontes para o interior Macau negoceia medidas para facilitar acesso ao mercado da Grande Baía

A

S autoridades de Macau e Pequim negociaram ontem medidas para reduzir requisitos de acesso ao mercado da China continental para empresas prestadoras de serviços de Macau, uma medida de integração na Grande Baía. O objectivo é elevar “o nível de liberalização do comércio de serviços (…) e promover a cooperação mais estreita para o desenvolvimento das relações económicas e comerciais das duas partes”, apontou o Governo de Macau em comunicado. As negociações foram encetadas entre o

director do departamento para os assuntos de Taiwan, Hong Kong e Macau do Ministério do Comércio chinês, Sun Tong, e a chefe de gabinete do secretário para a Economia e Finanças, Teng Nga Kan, no âmbito do Acordo de Estreitamento das Relações (CEPA). “A fim de concretizar a plena liberalização do comércio de serviços na Grande Baía”, lê-se na mesma nota, as duas partes negociaram os detalhes do acordo para dinamizar “a implementação pioneira, na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, das políticas de alargamento de

liberalização ao abrigo do CEPA no domínio de comércio de serviços, nomeadamente serviços financeiros, jurídicos, culturais, de turismo, entre outros”. A Grande Baía é uma região com cerca de 70 milhões de habitantes e com um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

TUDO MAIS FÁCIL

O Governo de Macau acredita que as novas medidas vão reduzir ainda mais os requisitos de acesso ao mercado do interior da China,

Pyongyang Kim Jong-un dirigiu teste de "lançador de mísseis" O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisionou na terça-feira o teste de um "lançador múltiplo de mísseis", informou ontem a agência estatal norte-coreana, confirmando os relatos de Seul. O exército sul-coreano já tinha dado conta de um novo lançamento de "projécteis" - um termo pelo qual geralmente se refere

a mísseis balísticos - do país vizinho. Os projécteis de curto alcance voaram cerca de 330 quilómetros antes de caírem no Mar do Japão, também designado como Mar do Leste, de acordo com as autoridades sul-coreanas. Ontem, a agência de notícias KCNA refere que Kim Jong-un conduziu pessoalmente o

teste no terreno e que já está a planear um novo ensaio. O teste de terça-feira foi realizado horas depois de a Coreia do Norte anunciar que estava disposta a voltar às negociações com os EUA sobre o processo de desnuclearização, mas que Washington tem de fazer novas propostas concretas que sejam aceitáveis.

impostos a empresas e prestadores de serviços de Macau”. Com este acordo, os “requisitos de qualificação, percentagem do capital social detido” e o acesso ao mercado vão ser eliminados ou reduzidos, fazendo com que as empresas de Macau tenham condições de acesso facilitadas ao gigante mercado chinês. Esta foi a terceira reunião entre as duas partes em 2019 e, segundo as autoridades de Macau, o consenso foi alcançado para que o acordo sobre Comércio de Serviços no âmbito do Acordo CEPA possa ser firmado “antes do fim deste ano”.

primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, anunciou ontem uma nova remodelação ministerial, da qual se destaca a saída de Taro Kono da pasta da diplomacia e a sua transferência para a pasta da Defesa. A sexta remodelação desde que o primeiro-ministro tomou posse, em Dezembro de 2012, é vista como uma tentativa de renovar a imagem do Governo nipónico de manter políticas comerciais e de segurança voltadas para os Estados Unidos. Com as mudanças de ontem, Abe integra no seu gabinete 13 pessoas que nunca tinham ocupado qualquer pasta. De um total de 19 ministros, apenas dois permanecem na mesma posição. O antigo chefe da diplomacia, Taro Kono, passa para a pasta da Defesa, substituindo Takeshi Iwaya, que assumiu o Ministério na remodelação do ano passado e agora está fora do Governo.

Quem assume a pasta dos Negócios Estrangeiros é Toshimitsu Motegi, o homem que esteve no centro das negociações comerciais com os Estados Unidos. Motegi tem um árduo trabalho pela frente, numa altura de renovadas tensões com a Coreia do Sul, as disputas territoriais com a China e a Rússia e com a Coreia do Norte, devido ao seu programa nuclear. O porta-voz do Governo, Yoshihide Suga, um pilar da equipa, permanece no mesmo lugar, assim como o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Taro Aso. Shinichiro Koizumi, filho do antigo chefe do Governo Junichiro Koizumi, vai para a pasta do Ambiente, e há apenas duas mulheres (Administração Interna e Jogos Olímpicos), embora Abe continue a dizer que quer uma sociedade onde a população feminina “brilhe”.


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Hoje Macau 12 SET 2019 # 4371 by Jornal Hoje Macau - Issuu