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Hoje Macau 12 AGO 2014 #3151

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

TERÇA-FEIRA 12 DE AGOSTO DE 2014 • ANO XIII • Nº 3151

hojemacau BAIRROS ANTIGOS

GOVERNO NÃO SABE POR ONDE COMEÇAR

PENDURADOS Os Bairros Antigos são um novelo que o Executivo não consegue desatar. A legislação foi retirada, vêm aí consultas públicas mas a verdade é que ninguém parece saber pegar num problema fundamental para a vida da cidade.

IMOBILIÁRIO MAIORIA PERTENCE A RESIDENTES, DIZ LAU PÁGINA 5

TURISMO ESTUDO CUSTA QUASE 150 MILHÕES PUB

ÚTLIMA

IEONG MAN TENG Líder dos trabalhadores do jogo

NÃO SOMOS RADICAIS ENTREVISTA PÁGINA

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UNIVERSIDADE BILL CHOU QUER CONSULTA SOBRE CAMPUS DA TAIPA

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OPINIÃO JOÃO MIGUEL BARROS AVISA CHUI SAI ON PÁGINA 19

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006


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ENTREVISTA

hoje macau terça-feira 12.8.2014

No dia 11 de Agosto IEONG MAN TENG, LÍDER DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES DO JOGO de 2013, a Forefront of the Macao Gaming (FMG) realizou uma manifestação de 500 funcionários do jogo contra a política de não residentes a trabalhar em Macau. Um ano depois, mais de mil neste casino). Mas também existem problemas gerais, como por funcionários reúnem- os exemplo o fumo e os tufões. Por isso, vamos apresentar também esta se no escritório da ideia à Wynn. Associação Novo tantas manifestações será Macau (ANM) para Com que as operadoras vão pensar mal de si? assinar um pedido A Wynn tem uma política mais democrática. Até agora, não há nepara as operadoras nhum aviso negativo para mim ou do jogo. Ieong Man ameaça no meu trabalho. Por outro lado, também é mais simpática em Teng é o presidente relação às nossas reivindicações. Na China já estou na lista negra, da FMG, um croupier Sands porque quando ligo pelo meu telemóvel, ninguém atende a chamada. de 28 anos e tem, Se usar outro número, logo atende agora, a experiência um funcionário da Sands. Mas se continuar a ligar por este número, de ser líder de um já mais ninguém vai atender. Neste caso, usando um terceiro número movimento associação a lutar por eles e não nós. tações, já cerca de 17 mil funciode telemóvel, atendem... HOJE MACAU

“Os casinos ignoram deliberadamente os nosso pedidos”

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

As manifestações contra o jogo já passaram de ser uma acção junto a uma operadora de jogo para seis. Primeiro foi apenas contra a Sands China, mas agora é contra todas as operadoras de Macau. Pensaram nisso desde o início? Não. No início era apenas para lutar pelos ‘pit managers’estagiários: queríamos aumentar as condições deste cargo. Mas deu-se um efeito cascata. Planeiam manifestações em cada casino? Isso depende dos pedidos dos funcionários. Por exemplo, alguns não queriam apenas um aumento salarial, mas também a proibição total do tabaco nos casinos e protecções em tempo de tufão. Para estes pedidos gerais, podemos realizar uma manifestação geral, não referida apenas a um casino particular. Além de manifestações, também podemos ter outras maneiras de mostrar as nossas opiniões. Disse que o casino Wynn tem o melhor ambiente para os funcionários, entre as seis operadoras. Então será que não vai haver manifestação contra a Wynn? Admito que no Wynn temos um ambiente melhor (Ieong trabalha

Por que razão não fala com vocês se, em comunicado, a Sands China disse que tem sempre um mecanismo para comunicar com os seus funcionários? (Sorriso) É sempre assim. Mas, de facto, nunca aceitaram ter um encontro connosco. Não conseguimos comunicar com os líderes do casino. Nem uma reunião? Nunca. Os casinos estão a ignorar deliberadamente os nosso pedidos. Não falam directamente connosco. Por isso é que a resposta do casino nunca corresponde aos pedidos dos funcionários. Por que razão é que eles não querem uma comunicação verdadeira? Eles querem que o público pense que nos estamos a revoltar. Se comunicarem connosco e melhorarem as condições no trabalho, os funcionários de jogo vão sempre acreditar em nós e o nosso poder ficará cada vez maior. Por isso, agora, os casinos parecem ter melhorado as condições no trabalho mas, de facto, não. Além disso, no caso do Galaxy, havia uma outra associação que “roubou” o resultado do nosso movimento, um dia antes da companhia anunciar as políticas novas. Assim, os participantes nas manifestações pensam que foi outra

Isto claro que enfraquece o nosso poder. Mas acho que tudo é normal na posição da companhia. Não me vou queixar disso.

Os funcionários do jogo parece m já não ter tanto medo das operadoras. Agora, a maioria das pessoas já não usa máscaras quando participa nas manifestações... Sim, por isso, há cada vez mais funcionários que pensam sair para a rua e participar nas manifestações, que não são acções radicais. Estamos, simplesmente, a mostrar os nossos pedidos. Aliás, os operadores não vão punir os funcionários que participaram nas manifestações, porque isso causaria ainda mais revolta. Os que não participaram nas manifestações também viram aumentado o salário. Alguns pensam que assim não vale a pena participar na vossa acção. Como avalia esta opinião? Entendo essas pessoas. Mas, para mim, eles ainda não entendem a importância do movimento. Não estou preocupado com isso, porque já temos muito apoio. Com o passar do tempo, estas pessoas vão entender melhor o significado do movimento dos trabalhadores. Quantos funcionários já participaram no vosso movimento? Contando com as últimas manifes-

nários de diferentes operadoras de jogo participaram na nossa acção, incluindo na assinatura de um abaixo assinado para fazer reivindicações às operadoras. Actualmente são cerca de 40 mil os funcionários do jogo em Macau. Considera que isso pode-lhe trazer poder político? É fácil que os outros pensem isso, porque o movimento dos trabalhadores sempre atraiu muita gente. Mas eu não penso nisso, quero apenas lutar pelos colegas do sector.

Antes, quando os funcionários tinham dúvidas no trabalho, outros colegas diziam-lhes “isso é normal” e ninguém procurava uma solução. Agora, já há colegas que, quando consideram alguma situação injusta, querem lutar por si próprios

Por que razão se envolveu em lutas sociais? Participei sempre em lutas sociais. Em 2011, comecei a tratar dos assuntos sociais em nome da FMG, mas na nossa primeira acção, em Dezembro de 2011, não havia ninguém a participar. No dia 1 de Maio de 2012, já cinco funcionários do jogo participaram nas manifestações. Em Dezembro de 2012, já houve mais. No ano passado, a 11 de Agosto, saíram cerca de mil funcionários para a rua e contra a política de deixar os estudantes não residentes trabalhar em Macau. No dia 10 de Outubro, foi batido o recorde do número dos manifestantes do jogo. Saíram milhares de funcionários contra a importação de croupiers. Para uma sociedade tão indiferente a assuntos políticos, este número de manifestantes já é considerável... Espero que o nosso movimento faça os residentes perceber que a nossa atitude ajuda a alterar a situação actual. Antes, quando os funcionários tinham dúvidas no trabalho, outros colegas diziam-lhe “isso é normal” e ninguém procurava uma solução. Agora, já há colegas que, quando consideram alguma situação injusta, querem lutar por si próprios. Que época foi mais difícil para o vosso movimento? 2012 foi o mais difícil. Porque não tínhamos financiamento e ainda precisávamos de distribuir os folhetos em todo o lado. Agora, bastou apenas mandar as informações pela Internet e houve milhares de funcionários a vir assinar [o abaixo-assinado]. A situação já mudou. Depois das manifestações em todos os casinos, o que vai fazer? Temos de ouvir as opiniões dos funcionários. Agora as operadoras já usam maneiras administrativas e até políticas para parar a nossa acção. Por exemplo, na segunda manifestação contra a Sands, já houve centenas funcionários que não conseguiram participar por causa de procedimentos administrativos da empresa, que soube que íamos fazer greve nesse dia. Muitos funcionários do jogo não têm mais qualificações. Quando o sector não correr tão bem como agora, o que vão eles fazer? Já pensaram nisso? Sim, entre os jovens há muitos a aproveitar o tempo livre para melhorar a sua qualificação, porque sabem que o sector não vai correr sempre bem. Mas para os de meia idade, como têm que cuidar das crianças e dos assuntos de casa, não têm muito tempo livre para auto-aperfeiçoamento. Acho que o Governo tem a responsabilidade de regular os casinos ou, com os casinos, coordenar o tempo dos funcionários para os ajudar a ter aulas fora do trabalho.


POLÍTICA

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CECÍLIA LIN

cecília.lin@hojemacau.com.mo

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

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menos de uma semana do término de mais uma sessão legislativa, deputados contactados pelo HM fazem um balanço do trabalho feito de Outubro de 2013 a Agosto deste ano e pedem mudanças no hemiciclo. A deputada Kwan Tsui Hang, por exemplo, considera que alguns regulamentos da Assembleia Legislativa (AL) precisam de enfrentar mudanças e alterações. “Na AL há muitos deputados novos, que necessitam de algum tempo para se habituar ao funcionamento do hemiciclo. No entanto, o sistema interno e alguns regulamentos da AL necessitam de ser revistos, bem como as condições das apresentações de interpelações pelos deputados”, começa por dizer Kwan ao HM. “Até [a forma de] debate e de audiências das propostas de lei tem de ser revista, para que o funcionamento do hemiciclo seja mais eficaz.” Também José Pereira Coutinho, pede mudanças no que diz respeito ao funcionamento do hemiciclo, apesar de assegurar ao HM que, no geral, “o balanço é positivo”. Para o deputado - que faz questão de salientar a manifestação em Julho em frente à AL contra a proposta de Lei do Regime de Garantias dos Titulares do Cargo de Chefe do Executivo e dos Principais Cargos – falta cumprir a promessa de que os deputados possam vir a ter trinta minutos para intervenção na AL. “Não há ainda qualquer passo que tenha sido dado para que aumente o tempo de intervenção em dias de sessão legislativa. Todos os anos dizem-nos que temos meia hora, mas a verdade é que só temos 15 minutos”, conta, sublinhando que segundo a sua opinião “o presidente da AL não mostra interesse em alterar esse aspecto”. À semelhança de Pereira Coutinho, Kwan Tsui Hang também critica o facto de algumas alterações prometidas não terem sido ainda levadas a cabo. Embora apresente alguma esperança, a deputada disse ao HM que essas mudanças não deverão ser concluídas nesta sessão legislativa. “Embora a Comissão de Regimento e Mandatos já esteja a investigar os assuntos [a mudar], ainda não entregou nada à AL. Como estamos no primeiro ano da sessão legislativa, e faltam poucos dias para acabar esta sessão, espero que nas futuras três sessões possam haver mudanças e melhorias”, refere Kwan.

O PRESIDENTE MURCHO

Para Pereira Coutinho ficou a faltar “muita capacidade interventiva do presidente da AL”, que não conse-

DEPUTADOS QUEREM MUDANÇAS NO HEMICICLO NA PRÓXIMA SESSÃO LEGISLATIVA

Esta Assembleia é “passiva”

Querem mudanças num hemiciclo que consideram ser passivo. Au Kam San e Kwan Tsui Hang criticam o Governo, que acusam de não os ajudar a produzir um trabalho eficaz, e Pereira Coutinho ressalva a pouca intervenção do presidente guiu, segundo o deputado, “chamar a atenção aos membros do Governo para responder directamente às perguntas dos deputados”. Atitude que não surpreende Coutinho, que defende que o pouco trabalho realizado pelo presidente só demonstra uma coisa: “o presidente quer manter os cincos anos

“O Governo não trata seriamente das interpelações escritas dos deputados. Se as dúvidas e perguntas fossem resolvidas através de respostas do Governo, não iríamos perguntar outra vez. A culpa é do Governo e espero que esta situação possa ser melhorada no futuro” AU KAM SAN Deputado

de próximo mandato do Chefe do Executivo e talvez com base nisso tentar ser o próximo Chefe do Executivo”. À rádio, sobre o mesmo assunto, Pereira Coutinho também criticou o facto de Ho Iat Seng chamar a atenção a alguns deputados quando certos temas estão a ser discutidos, mas não o fazer a outros, que se desviam dos assuntos. Outro assunto “marcante” para Pereira Coutinho é o impedimento que os deputados têm em apresentar propostas da mesma natureza no ano em que o mesmo pedido tenha sido rejeitado, algo que, diz, “só afecta os deputados e não o Governo”. É sinal claro, afirma Coutinho, de “um retrocesso no processo de fiscalização da acção governativa por parte da própria AL”.

ESFORÇOS RECONHECIDOS

Apesar das críticas, para José Pereira Coutinho, os colegas de hemiciclo têm “feito o máximo possível” para um bom trabalho, ainda que o deputado considere que ainda há “uma grande parte que carrega um fardo pesado nas costas” e que tem “muita dificuldade em exercer a função de deputado”, por estar “tão dependente do Governo”.

Também Au Kam San elogia o trabalho das Comissões Permanentes da AL e dos deputados nesta primeira sessão legislativa. “Os deputados foram muito activos, especialmente os directos. Fizeram muitas interpelações e estão sempre seguir os assuntos. Por

outro lado, a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas e a Comissão de Acompanhamento para os Assuntos da Administração Pública fizeram muitas reuniões, mas nesta última sessão quase não realizaram encontros.”

FALTA DE LEIS E DE AUTONOMIA LEGISL ATIVA O Executivo não escapa às críticas dos deputados, pois consideramno responsável pelos atrasos legislativos. Para Au Kam San, por exemplo, o Governo não tem ajudado a que os trabalhos do hemiciclo sejam eficazes. “A AL não tem autonomia legislativa. Tem sempre que esperar que o Governo apresente as propostas da lei. E, se pensarmos, nós deputados, somos passivos, porque se houver alguma lei que é precisa, não a podemos fazer nos próprios. Acho que o mecanismo de comunicação entre o Governo e a AL é muito mau. Já tinha dito antes e até fui [criticado] por outros deputados.” Outro dos problemas apontados pelo deputado da bancada democrata é o facto de os deputados se virem obrigados a fazer interpelações sobre os mesmos assuntos, porque nunca há resoluções para as questões colocadas. “O Governo não trata seriamente das interpelações escritas

dos deputados. Se as dúvidas e perguntas fossem resolvidas através de respostas do Governo, não iríamos perguntar outra vez. A culpa é do Governo e espero que esta situação possa ser melhorada no futuro.” Quando questionada pelas leis que faltam na sociedade, Kwan Tsui Hang é peremptória: existem muitas propostas de lei que ainda não foram entregues à AL. É o caso do Regime Jurídico de Reordenamento dos Bairros Antigos, o Regime de Administração de Condomínios, entre outras “que estão muito ligadas à vida da população e devem ser implementadas mais rápido possível”. Au Kam San concorda na íntegra e acrescenta ainda que a Lei de Enquadramento Orçamental é outra também muito urgente. “Como o Governo cada vez tem mais receitas, uma [nova] Lei de Enquadramento Orçamental também é muito importante para uma melhor organização das finanças públicas.”


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BAIRROS ANTIGOS GOVERNO FAZ “ESTUDO TÉCNICO” E NÃO TEM DATA PARA APRESENTAR NOVA LEI

Pesquisa para sempre

O Governo ainda não tem data para uma nova apresentação do Regime Jurídico do Reordenamento dos Bairros Antigos, votado na generalidade na Assembleia Legislativa em 2011 e retirado pelo Governo em 2013. O Executivo diz estar com dificuldades técnicas e promete auscultação pública LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

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Governo continua sem data prevista para retomar o debate e apresentar a proposta de lei do Regime Jurídico do Reordenamento dos Bairros Antigos. De acordo com resposta da Direcção dos Serviços de Solos, Transportes e Obras Públicas (DSSOPT) ao HM, a ausência de uma data específica para uma nova apresentação do Regime é justificada com dificuldades técnicas que, assegura o organismo, têm de ser primeiramente resolvidas. “Tendo em conta os conteú-

dos amplos do Regime Jurídico do Reordenamento dos Bairros Antigos, o lançamento individual de alguns articulados tem um determinado espaço para o debate e operacionalidade”, começa por salientar a resposta. “A Administração está a estudar tecnicamente a produção legislativa de alguns articulados que mereceram reconhecimento em geral”, lê-se em resposta da DSSOPT. O organismo diz ainda que vai ainda ouvir a opinião dos residentes e “estudar a experiência dos territórios vizinhos”, para redigir melhor o diploma pela segunda vez. O HM não recebeu qualquer

resposta sobre quais os principais obstáculos que o Executivo enfrenta no que diz respeito à redacção da nova versão do diploma e numa possível data para que este volte ao hemiciclo, mesmo depois de ter questionado a entidade responsável, que diz não ter nada mais a acrescentar à resposta dada a este jornal. O Regime Jurídico do Reordenamento dos Bairros Antigos foi a debate à Assembleia Legislativa em Março de 2011, tendo sido aprovado na generalidade. Dois anos depois, em Agosto de 2013, o Executivo decidiu retirar a proposta de lei por considerar que a

GOVERNO PROMETE PARTICIPAR NA RENOVAÇÃO O director dos Serviços de Solos e Obras Públicas garantiu ontem no hemiciclo que o Executivo vai coordenar parte dos trabalhos de renovação dos bairros antigos, com base no futuro Regime Jurídico de Reordeamento dos Bairros Antigos. “Os trabalhos de reconstrução não serão absolutamente entregues aos promotores imobiliários, sem qualquer interferência posterior da Administração. Os trabalhos da definição da zona que será reconstruída ou o critério mínimo para a fixação do

valor da indemnização são trabalhos da iniciativa da Administração e sempre foi frisado que, na reconstrução dos edifícios, a Administração não despenderá vultuosos investimentos do erário público”, garantiu Jaime Carion. Lao Iong, chefe de departamento da DSSOPT, disse mesmo que “se for o Governo a reconstruir os bairros antigos, temos de tomar uma atitude prudente”, referindo-se à necessidade de olhar para a questão do património. Os deputados pediram um calendário concreto para a

apresentação da nova proposta de lei à Assembleia Legislativa, mas Carion apenas garantiu que “a revisão da lei não leva muito tempo”. “Não começámos da estaca zero e já existem normas feitas. Está em estudo a separação da proposta de lei, começando pelos aspectos mais fáceis, passando depois para os mais difíceis. Tudo para permitir a definição dos fundamentos legais para que a realização dos trabalhos sejam mais fáceis”, garantiu o director da DSSOPT.

sua redacção não estava adequada à sociedade actual de Macau e por considerar que havia falta de concordância com os já aprovados diplomas da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, Lei de Terras e Lei do Planeamento Urbanístico. De acordo com a resposta das Obras Públicas, os diplomas “têm uma relação íntima” com este regime dos bairros antigos. Outra das questões que não

ficou resolvida em 2013 tinha a ver com a responsabilização pela demolição, evacuação e reconstrução dos bairros antigos, sendo que as opiniões dividiam-se, com alguns deputados a considerar que estas deveriam ficar sob tutela do Governo e outros preferindo que ficasse à responsabilidade de entidades privadas. O Governo já garantiu participação no processo (ver caixa).

TELECOMUNICAÇÕES PEDIDO MAIS CONTROLO LEGAL ÀS VENDAS POR TELEFONE

Identificar a origem das chamadas FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

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deputado Ho Ion Sang criticou ontem o Gabinete de Protecção de Dados Pessoais (GPDP), por considerar que este não executa a Lei de Protecção de Dados Pessoais de forma eficaz. O deputado assegura que as vendas por telefone e por SMS são cada vez mais usadas e pede, por isso, a criação de um sistema que impeça as empresas de venda ou de marketing aos residentes e a identificação das empresas que fazem estas chamadas.

Ho Ion Sang pede que o GPDP investigue directamente as empresas que recolhem os números de telefone dos residentes para esta utilização “inadequada” e sugere que se tenha como referência as regiões vizinhas na criação de um sistema “Do-Not-Call”, para os residentes que não querem ser incomodados com vendas ou promoções de produtos via telefone. “Se se criar este sistema, podemos proteger melhor as informações pessoais dos residentes. Além disso, poderia criar-se um sistema de licenciamento para as empresas que fazem as

televendas, regulamentando-as para que, quando fazem esses telefones, existam uns números específicos para a identificação de chamadas”, frisou o deputado ao canal chinês da rádio. Também o vice-presidente executivo da Associação de Investigação do Sistema Jurídico de Macau, Hong Weng Kuan, relembrou que o actual Código Penal foi elaborado há já 18 anos, quando o telemóvel “não estava muito na moda”, sendo que, até agora, apenas as chamadas para telefones fixos estão implementadas na lei como distúrbios à vida privada.

“Com o desenvolvimento da sociedade, uma lei deve regulamentar as televendas para telemóveis como crime de distúrbio”, disse, acrescentando que as autoridades devem reforçar a supervisão das companhias de telecomunicação ou implementar medidas legislativas, preenchendo essa lacuna legal para proteger a população dos incómodos. No primeiros meses do ano, a PSP recebeu duas dezenas de queixas devido a estas chamadas, sendo que as autoridades admitem que o problema está a aumentar.


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LEXIS Tam elogia o que considera ser “um grande empenho do Chefe do Executivo” nos trabalhos desenvolvidos nos últimos cinco anos, mas admite que há “algumas insuficiências em certas áreas”. Num comunicado, o porta-voz do Governo diz esperar que os dirigentes possam continuar empenhados nas suas funções no próximo Executivo. Alexis Tam afirmou ainda que “toda a gente reconhece a importância da confiança” e que, caso esta não exista entre o Governo e a população, “os dirigentes do Governo irão enfrentar dificuldades na realização dos trabalhos governativos”. O responsável pede “mais tempo” para que os trabalhos pedidos pela população possam ser desenvolvidos e assegura que o Governo atento aos problemas e reivindicações da população, sendo que “tem planos e projectos que irão ser apresentados e esclarecidos aos residentes, para ajudar a solucionar essas situações”. O responsável admite a subida dos preços das casas, o aumento contínuo da inflação e “outros problemas sociais”.

Aconselhamento psicológico Angela quer mais recursos

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deputada Angela Leong considera que os serviços de tratamento e reabilitação de psicoses, tanto nos Serviços de Saúde, como nas associações sociais, não estão a acompanhar as necessidades actuais. A deputada espera que o Governo dê mais apoios aos doentes do foro psicológico e aos familiares. A deputada espera que o Governo reveja o mais rápido possível os apoios dados aos doentes mentais. A deputada considera ainda que muitos casos de doenças mentais são escondidos e sugere, por isso, que as autoridades reforcem os recursos de aconselhamento psicológico à sociedade. - F.F.

Si Ka Lon “Reservas financeiras não ajudam a diversificar economia”

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deputado Si Ka Ion considera que as formas de investimento da RAEM não são transparentes o suficiente, pelo que, diz, não é fácil, impulsionar a diversificação económica. Numa interpelação oral, Si Ka Long diz que a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) deve mostrar a reserva financeira ao público, publicando “detalhadamente” e para “toda a população” as informações sobre a reserva financeira, como por exemplo os títulos e os investimentos feitos. - F.F.

IMOBILIÁRIO LAU SI IO NÃO PÕE DE LADO NOVAS MEDIDAS PARA BAIXAR PREÇOS

“Maioria dos investidores são de cá” ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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habitação foi mais uma vez o tema dominante da sessão plenária de ontem na Assembleia Legislativa (AL), mas Lau Si Io, Secretário para as Obras Públicas e Transportes, não avançou novas medidas no combate ao aumento dos preços das casas. Contudo, o responsável voltou a frisar que o Governo “não põe de parte a hipótese de implementar outras medidas” no mercado privado. “Estamos preocupados com a estabilidade financeira. Através da restrição dos empréstimos bancários e das fracções em construção, a nossa intenção é evitar empréstimos excessivos para evitar o rebentamento da bolha [imobiliária], que pode afectar o mercado financeiro. Nas regiões vizinhas adoptam-se medidas fiscais para reprimir as necessidades da procura. Se há outras soluções, há, mas tudo tem prós e contras, porque pode ter impacto em outras vertentes”, admitiu o Secretário. Lau Si Io fez ainda questão de afirmar que “os investidores já não são maioritariamente do exterior, mas cá de Macau”, sendo que “os rendimentos dos residentes também se elevaram e isso impulsionou o custo dos imóveis”. O Secretário chamou ain-

GONÇALO LOBO PINHEIRO

Alexis Tam admite problemas sociais e insuficiências

da a atenção para o facto dos factores económicos externos estarem a sofrer alterações. “Vemos tendência de aumento dos juros. Temos de ter cuidado com as oscilações do mercado externo. Os capitais podem não vir do exterior mas localmente, mas num mercado tão pequeno os capitais sofrem a influência dos factores externos”, explicou ainda. Num debate em que quatro deputados apresentaram interpelações orais sobre o tema, pouco mais foi avançado no

hemiciclo. Lau Si Io voltou a referir a necessidade de criação de uma reserva de terrenos e disse que todas as políticas nesta área estão a ser feitas de forma transparente. “O Governo tem realizado estudos aprofundados e vai utilizar de forma prioritária os terrenos para a habitação pública, incluindo os novos aterros urbanos. Há ainda terrenos não aproveitados e não inserimos num plano porque é difícil de controlar o tempo. O Governo é muito transparente.

HABITAÇÃO SOCIAL GEROU 23 PROCESSOS LEGAIS Ieong Kam Wa, presidente substituto do Instituto da Habitação (IH), garantiu ontem no hemiciclo que nos últimos sete meses se registaram 23 processos legais associados a infracções feitas por arrendatários da habitação social. Destes, 22 casos dizem respeito à devolução voluntária das casas e em 11 situações foram enviados ofícios de advertência. De um total de 728 fracções inspeccionadas, em 672 casos não se verificou nenhuma irregularidade.

Peço que nos seja dado algum tempo para desenvolvermos o nosso trabalho e, depois de ouvidas as opiniões, vamos ajustar as políticas”, referiu Lau Si Io, que não respondeu aos pedidos de medidas de habitação para a classe média. Em relação à zona A dos novos aterros, Lao Iong, chefe de Departamento da Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), garantiu que serão criadas “algumas instalações que vão ser como um marco social”, diz, assegurando que haverá uma zona destinada para o desenvolvimento da área da educação e instalações ligadas à saúde. “Vamos maximizar as funções das habitações públicas, com a utilização de melhores materiais. Queremos criar uma zona com qualidade não inferior em relação a outras zonas”, explicou.

REFERENDO IACM RECUSA PEDIDO DE JASON CHAO, QUE VOLTA AO TUI

Siga novo recurso LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

J

ASON Chao vai interpor novo recurso no Tribunal de Última Instância (TUI) contra uma nova proibição do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) sobre a realização de actividades relacionadas com o ‘referendo civil’ que está a ser levado a cabo por três associações pró-democratas. Desta vez, Jason Chao quer que o seu pedido de realização de reuniões seja permitido, já que a resposta por parte do IACM foi novamente negativa. O organismo justifica que não considera as mesas de voto como “reuniões” e, caso a Sociedade Aberta de Macau insista em permanecer com esta mesma nomenclatura, o IACM não vai mesmo permitir a sua realização.

Ao HM, Jason Chao, que preside à Sociedade Aberta de Macau, preferiu não adiantar quais as expectativas relativamente à decisão do TUI, apenas pedindo a todos os cidadãos que aguardem resposta. “Ainda é muito cedo para dizer algo sobre isso. Mas vamos efectivamente interpor novo recurso no TUI e manter a nomenclatura de ‘reunião’”, disse Chao. Embora a hipótese de alteração do nome da actividade tenha surgido, Chao assegurou, em comunicado, que o comité de organização do “referendo civil” não vai alterar o nome da actividade agora conhecida como ‘reunião’ e anteriormente entendida pelo tribunal como ‘sondagem’. De acordo com o acórdão do TUI relativo ao primeiro recurso interposto pela Sociedade Aberta de Macau, o tribunal tem poder para decidir sobre processos que incluem a realização de reuniões e manifestações e é por

isso mesmo que o activista e presidente da associação pretende interpor novo recurso. “A intervenção imediata do TUI justifica-se com o facto de estar em causa o exercício dos direitos fundamentais consagrados na Lei Básica da RAEM, direito de reunião e de manifestação”, lê-se no acórdão do TUI respeitante ao primeiro recurso interposto. A Sociedade Aberta de Macau é uma das organizadoras do ‘referendo’, a par da Macau Consciência e da Juventude Dinâmica de Macau.Aactividade já foi considerada ilegal pelo Executivo e pelo Governo Central. O ‘referendo’– que é, no fundo, uma sondagem – pretende perceber se os residentes querem sufrágio universal para as eleições do Chefe do Executivo em 2019.


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SOCIEDADE

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GÁS NATURAL GOVERNO E SINOSKY SEM ACORDO SOBRE NOVOS PREÇOS

Um plano a conta-gotas

Os novos preços de fornecimento do gás natural ainda estão a ser discutidos pelo Executivo e a empresa concessionária, depois da Sinosky ter expressado dificuldades financeiras quando da publicação do relatório e contas ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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Sinosky e o Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) continuam a negociar uma revisão dos preços do fornecimento de gás natural, algo que a empresa concessionária exigiu aquando da apresentação do plano de abastecimento ao Governo. A garantia foi dada ontem na Assembleia Legislativa (AL) por Arnaldo Santos, coordenador do GDSE. “Não conseguimos definir com a Sinosky os novos preços e estamos a utilizar preços desactualizados. Temos de negociar com a concessionária, esperamos que em breve seja possível definir o preço do gás natural a longo prazo. Estamos à espera de uma solução”, garantiu o responsável. “O preço do gás natural é quase o dobro do praticado em 2007, criando uma situação de inversão de preços de fornecimento de gás da concessionária e levantando dificuldades no

exercício da sua actividade. Sendo que o preço de venda é mais baixo do que da compra, a concessionária vê-se na impossibilidade de suportar os enormes encargos decorrentes do abastecimento de gás às centrais eléctricas”, disse ainda Arnaldo Santos aos deputados. Já em Abril deste ano a Sinosky, aquando da apresentação do relatório e contas de 2013, havia acusado o Executivo de não cumprir a lei do mercado neste aspecto. “O Governo não verificou o preço a cada três anos em conformidade com as disposições do contrato de concessão, nem ajustou atempadamente o preço do gás natural de acordo com as leis do mercado de gás natural da RAEM”, podia ler-se no documento. Por essa razão, a empresa apontava o Governo como sendo o grande responsável por perdas de 27 milhões de patacas em 2013 e perdas acumuladas de 147 milhões desde 2006. Na sessão plenária de ontem, alguns deputados, como Mak Soi Kun, questionaram os prejuízos da

20 AUTOCARROS MOVIDOS A GÁS

Arnaldo Santos garantiu ainda aos deputados que já existem 20 autocarros a funcionar com gás natural, nas carreiras MT3 e MT3U, “cuja expansão futura está prevista”. Para além disso, “alguns casinos estão a considerar trocar parte da sua frota de autocarros de turismo para veículos movidos a gás natural”, confirmou o coordenador do GDSE.

REDE DE GÁS NATURAL EM TAIPA E COLOANE CONCLUÍDA A 49% O coordenador do GDSE confirmou ainda na AL que a rede de fornecimento de gás natural já está concluída a 49% nas zonas de Taipa e Coloane, sendo que “a construção da rede de gasodutos de gás natural nessas zonas urbanas prossegue dentro do planeado”. O Governo mantém ainda 2017 como a data para a conclusão da construção da rede de gasodutos no território, para que toda a população possa ter acesso ao gás natural.

concessionária. “Sabemos que a companhia está a ter prejuízos, será que no contrato há normas sobre o montante de empréstimo que a empresa pode pedir aos bancos?”, questionou o deputado. O Executivo pretende diversificar as formas de produção de electricidade e o recurso ao gás natural é para manter. Mas, o coordenador do GDSE confirmou que a quantidade de energia produzida desta forma irá depender dos futuros preços a pagar pelo gás natural, para que se possa garantir a viabilidade financeira do serviço.

PLANO “ACEITÁVEL”

Recorde-se que a concessionária entregou este ano um plano de execução de projectos e abastecimento ao Governo que não foi aceite, tendo sido considerado “insuficiente”. O segundo plano, entregue com três meses de atraso, foi ontem considerado por Arnaldo Santos como sendo “aceitável”, no que diz respeito à tecnologia e a segurança do fornecimento de gás. Por forma a responder ao plano da Sinosky, o Governo pretende construir mais estações de fornecimento de gás natural nos novos aterros. “Reservamos terrenos na zona A e E nos novos aterros e teremos em cada zona um posto de abastecimento”, garantiu Arnaldo Santos. Contudo, esse plano está dependente da revisão do Regulamento de Construção e Exploração de Postos de Abastecimento de Combustíveis, para que sejam adicionadas normas técnicas e de segurança quanto aos postos de abastecimento de gás natural. Arnaldo Santos confirmou que o a revisão deste regime já está em processo legislativo.

“A produção de electricidade depende apenas de um combustível e o nosso rumo é a diversificação e a introdução de energias limpas, não só através do gás natural mas também da cooperação regional. Queremos diversificar a nossa capacidade de distribuição”, assegurou o coordenador do GDSE.

“Não conseguimos definir com a Sinosky os novos preços e estamos a utilizar preços desactualizados. Temos de negociar com a concessionária, esperamos que seja possível definir o preço do gás natural a longo prazo” ARNALDO SANTOS Coordenador do GDSE

O debate sobre o fornecimento de gás natural aconteceu como resposta à interpelação oral da deputada Kwan Tsui Hang, que acusou o Executivo de falta de estratégia nesta área. “Há que esperar pelos novos aterros urbanos e vai demorar muito tempo. Isso vai afectar toda a estratégia para o planeamento energético. Não estou a ver qual vai ser a calendarização para a implementação dessa política”, frisou a vice-presidente da Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM).


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GRUPO QUER PUBLICITAR PEDIDO DE CONSULTA PÚBLICA SOBRE ESPAÇO DA ANTIGA UNIVERSIDADE DE MACAU

Um grupo organizado por Bill Chou e Rocky Chan pretende juntar pelo menos dez mil patacas para fazer publicidade dirigida ao Governo. O objectivo é pedir uma consulta pública sobre o uso a dar ao velho campus da UM CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

R

OCKY Chan e Bill Chou encabeçam um grupo que se auto-intitula “Grupo de Defesa do Uso do Futuro do Velho Campus

da Universidade de Macau” (UM) e que está a recolher donativos para fazer publicidade em defesa do local. A iniciativa é apresentada como sendo de dois residentes, ainda que estes sejam também conhecidos activistas: Rocky Chan, da Associação Novo Macau (ANM), e Bill Chou, professor da UM que foi suspenso pela instituição. O grupo abriu uma conta no BNU para recolher as doações. O objectivo é recolher fundos para fazer publicidade onde se vai pedir ao Governo que faça uma consulta pública sobre a utilização que vai ser dada ao novo campus da UM, que se mudou completamente para a Ilha da Montanha. “O grupo está a preparar dez mil patacas para colocar uma publicidade nos jornais no início de Setembro, de forma a instar o Governo a fazer uma consulta pública o mais cedo possível sobre o uso do antigo campus. Por este meio, o campus pode ser transferido para uma entidade que o possa utilizar sob os princípios da equidade, transparência e custo-benefício”, descreve a entrada da página no Facebook, onde está a ser

TIAGO ALCÂNTARA

Campus velho mas para as curvas

levada a cabo a angariação de donativos. O grupo tem como objectivo convidar cem residentes a participar na actividade, de forma a que cada um doe cem patacas.

SALVAGUARDADOS

Bill Chou explicou ao HM que fazer publicidade é a melhor forma de pedir uma consulta pública ao Governo, porque, diz, muitas pessoas têm medo de

BILL TEM HORÁRIO PARA O PRÓXIMO SEMESTRE O professor da Universidade de Macau, Bill Chou, que estará suspenso de funções desde o dia 20 até ao fim do mês, revelou ao HM que já foi contactado para leccionar no próximo semestre, na instituição. O académico foi suspenso depois de ter sido acusado pela UM de “impingir aos alunos os seus ideais políticos”. Bill Chou estará suspenso até ao dia em que termina o seu contrato e, apesar de não saber se este será renovado, assegura que, pelo menos, já tem horário de aulas para o próximo semestre. “Estou optimista, mas ainda não sei se o meu contrato de trabalho vai ser renovado com a universidade. Contudo, a minha suspensão não tem razão [de ser]”, reiterou Bill Chou ao HM.

TRANSPORTES PEREIRA COUTINHO PEDE AUTOCARROS MAIS PEQUENOS A CIRCULAR

deputado José Pereira Coutinho quer mais autocarros com dimensões menores a circular em Macau. Isto, porque Pereira Coutinho considera que os autocarros de Macau “são muito grandes” para o tipo de vias e características de tráfego vigentes. “A deslocação dos autocarros pelas artérias da cidade, unida ao congestionamento tem causado graves problemas de atrasos à che-

TIAGO ALCÂNTARA

A favor de dimensões mais reduzidas O

gada às [paragens], assim como na entrega em tempo útil das pessoas aos seus postos de trabalho”, diz ao HM. Para Pereira Coutinho, a solução passa por aumentar o número de autocarros com dimensões mais reduzidas, permitindo uma circulação rápida e eficaz pelas ruas de Macau. “Tal como se faz em Hong Kong”, exemplifica o deputado. “Os autocarros médios [de Hong Kong] comportam um máximo

participar em actividades sociais. Desta forma, por meio de doação, alguém que pretenda participar mas tem medo de o fazer, pode fazê-lo de forma anónima. Mas, a publicidade não é o único truque na manga. “Também vamos entregar uma carta, talvez. Contudo, como o que estamos a fazer já mereceu elogios, já há jornais que nos disseram que podem dar um desconto a esta nossa publicidade. Acho que podemos fazer publicidade em, pelos menos, dois jornais, um chinês e um inglês.” Para já, diz Bill Chou, a publicidade não será feita em português, por falta de meios técnicos para tal. “Vamos ver quanto conseguimos recolher e o que podemos fazer no final.” O prazo para as doações termina a 30 de Agosto. O Governo já garantiu que o velho campus da UM será dedicado ao sector da cultura e da educação, mas ainda não deu mais detalhes sobre quem ocupará o local. Esta semana, Cheong U, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, já disse que o estádio da UM poderá vir a abrir ao público.

de 20 pessoas, alguns até só 16, e fazem um trabalho magnífico, deixam as pessoas a tempo e horas nos seus postos de trabalhos ou outros destinos”, assegura. Questionado pelo HM sobre a reacção de Chui Sai On perante o assunto, uma vez que este foi um dos pedidos feitos pelo deputado, Pereira Coutinho explicou que o Chefe do Executivo “reage sempre positivamente às sugestões apresentadas pelas associações”, ainda que saliente que é preciso não deixar que questões se “percam nos corredores do poder”, para depois o resultado “não ser como uma laranja seca: quando se espreme não deita sumo”. - HM


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SAÚDE DOENÇAS DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA DIMINUÍRAM DE 2012 PARA 2013

Maleitas para todos os gostos Há de tudo: sida, sífilis, dengue, sarampo ou malária, etc.. As doenças de declaração obrigatória – que devem ser comunicadas às autoridades em 48 horas – ascenderam a 4727 casos no ano passado, uma diminuição de 61%. A infecção por rotavírus foi a doença que mais aumentou

D

E um ano para o outro, diminuíram em 61% os casos de doenças de declaração obrigatória em Macau. Em 2013, registaram-se um total de 4727 casos, menos 3032 do que os 7759 casos registados no ano de 2012. Segundo dados estatísticos dos Serviços de Saúde (SS), analisados pelo HM, a influenza – gripe – foi a doença com mais registos: 1034 casos foram declarados aos SS, uma diferença de 3056 casos registados no ano anterior. As doenças de declaração obrigatória devem ser comunicadas às autoridades de saúde denPUB

tro de um período não superior a 48 horas pelas sua gravidade, sendo que estas fazem parte uma lista de quase 80 doenças.

Também a doença de sífilis congénita – que passa da mãe para o feto - registou aumento, atingindo os 62 casos, mais 28 que os registados nos últimos dados

Durante o ano passado, e comparativamente a 2012, Macau contabilizou mais 24 casos de infecções por salmonelas, mais oito casos de tuberculose pulmonar – provocada muitas vezes devidos às más condições de higiene ou ambientais - e 16 casos de tuberculose em outros órgãos, um número semelhante aos casos de escarlatina. Uma das mais severas causas da diarreia e problemas gastro-intestinais é a enterite por rotavírus, que foi a doença que registou o maior aumento de um ano para o outro, atingindo os 225 casos, mais 73 do que no ano anterior. Ao seu lado está a gastroenteropatia aguda

pelo agente de Norwalk, doença da mesma família, com 79 casos declarados. Também a doença de sífilis congénita – que passa da mãe para o feto - registou aumento, atingindo os 62 casos, mais 28 que os registados nos últimos dados. As estatísticas dos SS indicam que o número de intoxicações alimentares caiu, passando de 134 para 92, sendo que 80 destes casos foram declarados só no mês de Setembro. Também o número de casos de varicela diminuiu, tendo sido declarados 245 casos. Outras doenças fazem-se notar nos dados disponibilizados pelos SS, como é o caso da dengue (9), sarampo (3), SIDA (9) e malária (2).

225

casos de rotavírus em Macau, mais 73 que no ano anterior

As doenças de declaração obrigatória permitem que as autoridades de saúde consigam aperceber-se do estado de saúde da população, implementado até medidas para travar novas infecções. - HM


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POPULAÇÃO DE MACAU AUMENTA E NÚMERO DE TNR TAMBÉM

Mais do que as mães Os números avançam ainda que, entre Abril e Junho deste ano, nasceram mais de 1600 bebés e morreram 473 pessoas – menos 76 do que no trimestre anterior. Embora os dados apontem para a diminuição do número de mortes em Macau, a DSEC informou que os tumores, doenças do sistema circulatório e respiratório foram os principais males, contabilizando mais de 350 das mortes. O mesmo documento demonstra ainda que foram realizados mais de dois mil casamentos durante os primeiros seis meses deste ano, ou seja, menos 106 do que no mesmo período de 2013.

TIAGO ALCÂNTARA

O

S dados da Direcção dos Serviços para as Estatísticas e Censos (DSEC) de Junho mostram que há quase mais dez mil pessoas a residir no território, comparativamente aos primeiros três meses do ano. O relatório, referente ao segundo trimestre de 2014, avança que foi dada autorização de residência a 184 pessoas, comparando com as 158 autorizações dadas entre Janeiro e Março deste ano. Foi registada, no total, a existência de 155.300 trabalhadores não-residentes em Macau durante o segundo trimestre deste ano, mais 9618 do que entre Janeiro e Março. Os números apontam ainda para um aumento da população de 614.500 para 624 mil, o que representa um aumento de 9500 pessoas do primeiro para o segundo trimestre. De entre o total, mais de metade são mulheres.

Um total de 11 suspeitos, com idades entre os 20 e 30 anos, foram punidos com caução e proibição de entrada em salas de jogo, segundo nota de imprensa do Ministério Público (MP). Em causa está a suspeita de crime de burla informática de quatro trabalhadores de um casino que supostamente colaboravam com sete jogadores. Os suspeitos são acusados de inserir informações falsas no sistema de apostas no computador para obter ilegalmente pontos para os jogadores em causa. Estes, por sua vez, “trocavam os pontos por quartos de hotel, bilhetes de barco, fichas e cupões de máquinas de jogo”. O casino, que não foi identificado, teve uma perda de 810 mil patacas.

O vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, Lam U Tou, referiu ao canal chinês da rádio que o Gabinete para os Recursos Humanos já autorizou a importação de 190 mil TNR, permitindo que sejam recrutados mais 35 mil TNR. Para o vogal, o “grande número dos TNR tem causado uma sobrecarga em relação à habitação e ao trânsito de Macau. “Acho que as grandes empresas, bem como os projectos no Cotai que ficarão concluídos em 2016, que recrutam um grande número de trabalhadores têm a responsabilidade de resolver estes problemas. Considero que o Governo não está a pensar de forma eficiente no que diz respeito ao planeamento deste assunto”, disse. - F.F.

O

Instituto de Acção Social vai atribuir a segunda fase do Subsídio Especial para a Manutenção de Vida este mês, tarefa que deverá custar 15 milhões de patacas ao Governo e ajudar mais de 3900 famílias. A primeira tranche do subsídio foi entregue a 3813 famílias e custou 14,1 milhões de patacas ao erário público, tendo assim sido despendidos cerca de 29 milhões de patacas para ajudar três grupos considerados vulneráveis - famílias monoparentais ou com elementos portadores de deficiência ou doenças crónicas. Os valores oferecidos nesta segunda fase aumentaram, de modo a fazer face à subida do valor de risco social. Assim, este mês, as famílias mais carenciadas deverão receber entre 2300 e 8900 patacas, dependendo do agregado familiar, que pode ir de um a oito ou mais elementos. No ano passado, os valores oscilavam entre as 2100 patacas – para famílias constituídas por uma pessoa – e 8100 patacas – para famílias com oito ou mais elementos. De acordo com os dados do IAS, o Executivo vai gastar, nesta segunda fase de atribuição do subsídio, mais dois milhões de patacas do que no mesmo período do ano passado, momento em que despendeu 13 milhões de patacas para ajudar 3700 famílias.

O

Governo anunciou que vai lançar um novo programa de apoio à criação de websites destinado às pequenas e médias empresas (PME) em 2015. As empresas que ainda não tenham o seu próprio website, podem receber apoios até às 14 mil patacas, para financiarem despesas no que toca à construção de uma página electrónica, e mais 6000 patacas para a manutenção, durante um máximo de três anos. No caso das empresas que tenham já criado o seu website, o subsídio – que cobre até 70% das despesas efectivamente pagas – pode ir até 50 mil patacas, como forma de cobrir custos de optimização do website já criado. O Plano de Apoio Financeiro a Sítios Electrónicos de Pequenas e Médias Empresas vai depender do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização e deverá permitir que as PME façam uso da internet para fins comerciais. Como premissas, as empresas concorrentes têm que estar registadas nas Finanças e ter menos de cem funcionários ao serviço. No caso da empresa ser detida por

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau vai abrir um curso de mestrado e outro de doutoramento em Design. O anúncio foi feito em Boletim Oficial, pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. O mestrado, com regime presencial, terá a duração de dois anos, é leccionado em inglês e chinês e engloba as especialidades de Gestão de Design, prática de Design de Artes, Protecção de Património Cultural, entre outras. O curso de doutoramento deverá seguir as mesmas regras do mestrado, durando mais um ano para finalização do grau de doutor.

Suspeitos de burla proibidos de entrar em salas de jogo

L AM PREVÊ MAIS PRESSÕES NA HABITAÇÃO E NO TRÂNSITO

Começa nova atribuição de subsídio especial de manutenção de vida

MUST Abertos cursos de Design

PME GOVERNO LANÇA APOIO PARA CRIAÇÃO DE WEBSITES

O que vem à rede... uma pessoa apenas, esta terá que ser residente permanente de Macau, mas no caso de se tratar de uma sociedade, apenas um dos sócios – detentor de

mais de 50% da empresa – tem que ser residente permanente da RAEM. Os Serviços de Economia vão realizar três sessões

de esclarecimento em chinês e português nos dias 20 e 27 de Agosto e 7 de Setembro, na sala de reuniões do serviço, no Banco Luso.


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EVENTOS

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ELLIE GOULDING ACTUA HOJE EM HONG KONG

ROMANCE EDITADO HÁ 60 ANOS É REIMPRESSO EM SETEMBRO

“A Sibila” volta às bancas

obras suas foram adaptadas ao cinema por realizadores como Manoel de Oliveira (“Fanny Owen”, “Vale Abraão”) e João Botelho (“A corte do Norte”). A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004, e o Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, em 2005, , entre outros.

Um espect

MAIS A SEGUIR

O

romance “A Sibila”, de Agustina Bessa-Luís, a celebrar o 60.º aniversário da 1.ª edição, vai ser reimpresso em Setembro, pela Guimarães Editores, em duas versões, uma em capa dura e outra em capa mole. “O romance está esgotado e optámos por o reimprimir numa versão de capa dura, que faz parte da colecção ‘Opera Omnia’ e outra em capa mole, cada uma com uma tiragem de 2000 exemplares”, disse à Lusa fonte do grupo editorial Babel, do qual faz parte a Guimarães Editores. “A Sibila” valeu a Agustina Bessa-Luís os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, em 1954, os primeiros de uma lista de vários galardões atribuídos à escritora, entre os quais o de Romance e Novela, da Associação Portuguesa

de Escritores, em 1983, pela obra “Os meninos de ouro”, prémio que voltou a receber em 2001, com “Jóia de família”. O romance “A Sibila” é protagonizado por Quina e a acção narrativa decorre entre 1850 e 1950, com referências à revolução da Patuleia (1846-1847) e à proclamação da República (1910) e tem como cenário a paisagem de Amarante, região de onde é natural a escritora, nascida há 91 anos em Vila Meã. Também desta autora, na colecção “Opera Omnia”, é reeditado o romance “Os Incuráveis”, publicado pela primeira vez em 1956. O primeiro livro de Agustina Bessa-Luís, “Mundo Fechado”, foi editado em 1948. Desde então, a escritora publicou ficção, ensaios, teatro, crónicas, memórias, biografias e livros para crianças. Várias

Também em Setembro é publicada, pela Guimarães, a antologia de contos “Monte Cativo e outras ficções”, de Jorge de Sena. Segundo a mesma fonte, a editora está “a rever e recuperar todo o espólio do escritor”, falecido nos Estados Unidos, em 1978, sendo de esperar “outras edições” do autor de “Metamorfoses”, “O Reino da Estupidez”, “O físico prodigioso” e do romance “Sinais de fogo”, entre muitas outras obras. Na área de Banda Desenhada, a Arcádia, outra editora do grupo Babel, conta publicar “Portugueses na Grande Guerra”, de Carlos Baptista Mendes, sobre a participação portuguesa na I Grande Guerra (1914-1918). Na colecção “Memórias em Conto Pequeno”, da Verbo, também do grupo Babel, é editado “Lusíadas – o canto maior em conto menor”, de Alexandre Honrado, com ilustrações de Maria João Lopes. “Esta colecção, para crianças a partir dos quatro anos, explica os acontecimentos de uma forma simplificada”, disse a mesma fonte. Ainda na área infanto-juvenil é publicado pela Verbo “As 3 fortunas do Lobo Lobão”, de Cidália Bicho, com ilustrações de Patrícia Furtado. “A autora, professora universitária, é uma especialista na área dos contos tradicionais. Nesta colecção, para maiores de seis anos, a autora simplifica as narrativas tradicionais para os mais novos”, disse a mesma fonte.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA ÁLVARO CUNHAL •José Pacheco Pereira UMA BIOGRAFIA POLÍTICA VOL 2 Este livro descreve a actividade política de Cunhal – essa sempre foi, e é, a intenção original do autor. Muita dessa actividade só se compreende no quadro da história do PCP e da oposição à ditadura, que não está feita de todo e, em alguns casos, está feita ao contrário, para esconder o que aconteceu e não para o revelar. No essencial, o PCP dos anos quarenta é Cunhal, como o vai voltar a ser nos anos sessenta. Por isso, escrever a biografia política de Cunhal é também fazer a história do PCP, nela valorizando o desvio que a personalidade de outros homens trazem ao cânone de Cunhal.

ARTURO SANDOVAL ACTUA NO VENETIAN NO FINAL

Trompete de encantar A

RTURO Sandoval, o famoso músico de jazz cubano, vai dar um concerto no Venetian no dia 30 de Agosto, pelas 19h45. Arturo Sandoval é tido como um dos mais conceituados trompetistas de jazz do mundo, além de ser também conhecido como pianista, compositor e ainda pelas suas incursões na música clássica. Considerado um dos mais dinâmicos e animados mú-

sicos ao vivo, Sandoval já foi visto por milhões de espectadores, fruto das suas participações nos Óscares, Grammies e no Billboard Music Awards. O artista soma também colaborações com Celine Dion, Justin Timberlake e Alicia Keys. O cubano foi nomeado para os Grammies 19 vezes, tendo recebido este prestigiado prémio dez vezes. O seu álbum “Un Siglo de Pasión”

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MARCELO REBELO DE SOUSA • Vítor Matos Marcelo viajou pelo país salazarista com o pai Baltazar, subsecretário de Estado, governador-geral de Moçambique e futuro ministro. Esteve na fundação do Expresso com Francisco Pinto Balsemão. Foi um dos primeiros militantes do PPD. Hoje tem o número três no cartão do partido. Mas esta obra original traz-nos também a visão do homem profundamente católico, divertido e excêntrico, que alimenta a pequena intriga e a grande conspiração, sobre o qual se construíram algumas lendas, algumas delas verdadeiras como a que dorme o mínimo, faz directas a corrigir exames, dita dois textos em simultâneo, ou que escreve com as duas mãos ao mesmo tempo... A sua mãe, Maria das Neves, com quem tinha uma relação profunda, criou-o para altos desígnios. Em Janeiro de 2016 há eleições presidenciais, Marcelo Rebelo de Sousa, um racionalista puro, calculista e com aversão ao risco espera um sinal da Providência divina para se decidir a avançar…


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táculo especial

DE AGOSTO

mereceu o Grammy Latino para Melhor Álbum Tradicional Tropical em 2013, enquanto que a sua compilação “Dear Diz (Every Day I Think Of You)” permitiu que lhe

fosse atribuído o Grammy de Melhor Conjunto Grande de Jazz no mesmo ano. Ainda de acordo com a organização, o músico começou a estudar trompete clássica aos 12 anos, mas foi posteriormente atraído pelo mundo do jazz, tendo-se mais tarde tornado um protegido do mestre Dizzy Gillespie. Os bilhetes para o espectáculo custam entre 180 e 380 patacas.

E

LLIE Goulding, a cantora, compositora e actriz de Inglaterra, vai dar hoje um concerto no Star Hall do KITEC, em Hong Kong, pelas 19h30. Depois do sucesso do seu primeiro álbum “Lights”, que chegou à posição número dois da “Billboard Hot 100”, a cantora lançou em 2012 o seu segundo álbum, “Halcyon”. Recentemente, Ellie Goulding tem ganho notoriedade pelas suas músicas “Burn”, Starry Eyes”, “Anything Could Happen” e “Lights” – além da sua rendição do clássico de Elton Jonh “Your Song” - tendo este ano ganho o prémio de Melhor Artista Inglesa nos BRIT Awards. Até ao final de 2013, a artista vendeu quatro milhões de álbuns e 15 milhões de “singles” pelo mundo fora. Este ano, a cantora tem levado as suas melodias indie e “synth-pop” aos maiores festivais de música do planeta, como Glastonbury e Coachella. Numa recente entrevista à revista 48 Hours, do South China Morning Post, Ellie confessou que se sente “extremamente

concretizada por realizar estes espectáculos”. “No passado, os festivais eram para mim os sítios onde tocavam as melhores bandas e os cantores mais famosos. Agora sou eu que frequento esse circuito”. Quanto à sua primeira actuação no território vizinho, a artista adiantou ter a certeza que o espectáculo de Hong Kong “vai ser especial, porque o que faz um concerto diferente de outro é a audiência”. “Tenho a certeza que os espectadores vão fazer uma grande diferença, visto esta ser a minha primeira visita. Pode ser que me leve a um diferente discurso, visto eu me alimentar sempre pela audiência. Acho que os meus apreciadores sabem que sou um pouco esquisita e estúpida durante os meus ‘shows’. É normal eu dizer as coisas mais estranhas. Algumas das minhas músicas são bastante pesadas, especialmente considerando os temas sobre os quais canto, por isso a minha atitude é um bom contraponto a isso”. Os bilhetes custam 450 dólares de Hong Kong se comprados em avanço e 540 dólares à porta.

EDUARDO SERRA É CANDIDATO AO PRÉMIO CARREIRA IBERO-AMERICANO

Um “currículo ímpar” O director de fotografia Eduardo Serra é o candidato português ao Prémio Carreira Ibero-americano, – Prémio Fénix, que será entregue pela primeira vez na Cidade do México, em Outubro, foi anunciado na sexta-feira. A decisão foi dos membros da Academia Portuguesa de Cinema como reconhecimento pelo “currículo ímpar” do director de fotografia e cineasta, ao longo de quatro décadas, refere um comunicado da Academia. O Fénix foi instituído em 2013 e visa projectar o cinema ibero-americano no mundo, assim como reconhecer o trabalho de quem se dedica às artes cinematográficas na América Latina e na Península Ibérica. O prémio será entregue em Outubro próximo, na Cidade do México, numa cerimónia que conta com 500 convidados, entre os quais realizadores, directores, actores, personalidades da cultura e do espectáculo, entre outros. O evento será transmitido em directo pelo canal de televisão mexicano E! Entertainment, acrescenta o do-

cumento da Academia Portuguesa de Cinema. Eduardo Serra é o único director português de fotografia nomeado duas vezes para os Óscares, na categoria de melhor fotografia: “As asas do amor” (1997), com o qual venceu o Prémio da Academia Britânica de Cinema e Televisão (BAFTA), e “Rapariga com brinco de pérola” (2004). Natural de Lisboa, onde nasceu a 2 de Outubro de 1943, Eduardo Serra instalou-se em Paris, em

1963, depois de se ter envolvido em lutas estudantis quando frequentava o Instituto Superior Técnico. Em 1966, licenciou-se em cinema, em Paris, pela École Louis-Lumière e, em 1970, em Letras – História de Arte e Arqueologia, pela Universidade de Paris-Sorbonne. Começou a carreira profissional no cinema como assistente de imagem, tendo chegado à fotografia em 1980. “Harry Potter e os talismãs da morte”, “Harry Potter e os cálices da morte”, “Therapy”, “O Delfim”, “O judeu”, “Fado”, “Diamante de Sangue”, “Sem sombra de pecado” e “No coração da mentira” são filmes que constam do currículo do director de fotografia. Roman Polansky, Peter Webber, Claude Chabrol, Patrice Leconte, David Yates, Edward Zwick, Carlos Saura e os portugueses João Mário Grilo, Luís Filipe Rocha, Fernando Lopes e José Fonseca e Costa são alguns dos realizadores com os quais tem trabalhado. A Academia Portuguesa de Cinema faz parte do grupo de fundadores dos Prémios Ibero Americanos de Cinema Fénix, criados em 2013.


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CHINA

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AUTORIDADES IMPLEMENTAM MAIS REGRAS PARA REDES SOCIAIS

O que vem na rede não é fixe Um homem escreveu que a polícia matou três pessoas com explosivos. Foi preso. Ainda por cima era mentira

materiais obscenos na internet e também para conter comentários políticos da imprensa que não tenham sido aprovados pelo Estado. O homem foi detido na quinta-feira após escrever no WeChat que três pessoas com explosivos tinham sido mortas a tiro pela polícia junto a um hospital na província de Jiangsu, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

P

OBJECTIVO: DINHEIRO

ELA primeira vez, a polícia chinesa prendeu uma pessoa acusada de disseminar pânico pelo programa de troca de mensagens WeChat, disse a imprensa estatal na sexta-feira. A prisão aconteceu horas depois de a China impor novas regras sobre aplicações de mensagens instantâneas. A medida faz parte da campanha do Governo para reprimir a disseminação de rumores e

A polícia investigou a informação e descobriu que não era verdadeira, disse a agência estatal, acrescentando que o homem confessou ter espalhado a informação para tentar ganhar atenção

400

milhões é o número de utilizadores activos do WeChat

e dar um impulso ao seu negócio de comércio electrónico. Não são claras quais as sanções que este pode vir a sofrer. O WeChat é um aplicação de troca de mensagens da Tencent Holdings, que já viu dezenas de contas de colunistas populares serem fechadas nos últimos meses como parte da repressão do Governo Central à internet. Na quinta-feira, a China impôs novos regulamentos sobre provedores de serviços de mensagens instantâneas e contas que podem enviar mensagens em massa ao seus seguidores, normalmente usados por companhias e pela imprensa. As novas regras exigem que contas públicas que desejem publicar ou republicar notícias políticas precisem de aprovação prévia. O WeChat era visto pelos utilizadores como um refúgio relativamente seguro contra a censura do Governo Central, comparado com outras plata-

formas mais públicas, como microblogs similares ao Twitter, incluindo o Sina Weibo.

O homem confessou ter espalhado a informação para tentar ganhar atenção e dar um impulso ao seu negócio de comércio electrónico Ao contrário do Weibo, o WeChat é usado principalmente para enviar mensagens a outros indivíduos ou pequenos grupos, em vez de grandes audiências. Com cerca de 400 milhões de utilizadores activos mensalmente no final de Março, a aplicação atraiu a atenção do Governo e isso levou à criação dos novos regulamentos.

BAIDU LIMPINHO, LIMPINHO... A China pediu ao Baidu, o principal motor de busca utilizado no continente, que “limpe” os seus serviços de conteúdos eróticos e pornográficos, depois de as autoridades terem encontrado arquivos deste tipo na sua plataforma de armazenamento online. Segundo um comunicado do Escritório Nacional contra a Pornografia e Publicações Ilegais, a advertência à companhia foi originada por várias denúncias de utilizadores, que asseguraram que algumas contas do Baidu Cloud - serviço de armazenamento de conteúdos online, também conhecido como “nuvem” guardam arquivos deste tipo. O documento indica que as autoridades já advertiram à companhia a sua “falta de supervisão” neste serviço e pediram para a mesma “apagar rapidamente todos os arquivos em questão, fechar as contas que tenham guardado estes conteúdos e apresentar um relatório sobre os esforços realizados”, segundo informa a agência oficial Xinhua. As autoridades chinesas anunciaram em Abril o início de uma campanha contra conteúdos pornográficos e eróticos em páginas online que examinaria alguns dos portais mais populares do país, assim como as versões digitais dos mais importantes meios de comunicação social oficiais do estado.


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POLÍCIA INVESTIGA EMIGRANTES QUE NÃO CANCELARAM MORADAS CHINESAS

‘Hukou’ debaixo de lupa A medida vai ajudar a combater a corrupção junto de oficiais que se preparam para fugir para o estrangeiro

A

QUELES que tenham obtido residência ou cidadania no estrangeiro mas que não tenham cancelado o seu registo domiciliário na China – especialmente se alvos de acusações de corrupção – vão estar ainda mais debaixo de olho das autoridades policiais, naquela que é a mais recente medida para combater a corrupção no país, anunciou o Ministério de Segurança Pública.

“Se encontrarmos provas, esses indivíduos podem ser proibidos de voltar a sair da China, caso venham ao país para visitar familiares”, declarou um oficial do Ministério – que pediu para permanecer anónimo – ao China Daily. A polícia vai ainda examinar registos bancários e transacções financeiras, além de contar com a ajuda do público, adiantou o mesmo. Os cidadãos chineses que queiram mudar-se para o estrangeiro são obrigados a cancelar os seus registos domiciliários, ou ‘hukou’, antes de emigrarem. Recentemente, tem havido um surto de emigração principalmente para os Estados Unidos e Canadá, mas muitas destas pessoas não cancelaram o seu ‘hukou’, o que lhes permite gozar de benefícios sociais, como cobertura médica, pensões e educação para crianças. De acordo com as autoridades dos EUA, 35.587 cidadãos chine-

ses decidiram obter a cidadania norte-americana no ano passado, o que representa um aumento de 11% face ao ano passado. Houve também uma subida no número de emigrantes chineses, incluindo alguns acusados de corrupção, que obtiveram autorização de residência ou se tornaram residentes permanentes nos EUA.

Desde 2013 até Junho de 2014, o Ministério cancelou 1,06 milhões de ‘hukou’ que permaneciam ilegalmente registados pelos seus detentores. “Esta medida é um passo importante para combater a corrupção”, afirmou Dai Peng, director do Departamento de Investigação Criminal na Universidade de Segurança Pública. Quando oficias corruptos obtêm autorizações de residência noutros países, estes “mascaram as suas identidades reais, de modo a poder transferir uma grande quantidade de fundos ilegais através da lavagem de dinheiro ou recorrendo a bancos ilegais antes de partirem para o estrangeiro”, acrescentou ainda. Dai Peng sugere que a polícia preste atenção a indivíduos que viajem frequentemente de e para a China, assim como aqueles que enviem transacções avultadas para contas no estrangeiro.

Passageiro força avião a regressar a Hong Kong

Cadeias de restauração obrigadas a revelar fornecedores

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M passageiro exaltado que viajava ontem a bordo de um avião da Virgin Atlantic com destino a Londres obrigou o aparelho a regressar a Hong Kong, depois de ter perdido “o controlo”, disse a polícia. O passageiro de 26 anos, identificado como “Robert” teve um comportamento considerado perturbador depois de o avião estar no ar há mais de uma hora. O avião foi forçado a voltar para Hong Kong, onde aterrou em segurança, informou a companhia aérea. O passageiro foi preso e enviado para o hospital, disseram as autoridades. “O passageiro

estrangeiro chamado Robert, com 26 anos, perdeu o controlo a bordo e não seguiu as instruções do pessoal de voo”, disse um porta-voz da polícia à AFP. “Ele estava a gritar. Quando o voo regressou a Hong Kong, o homem foi detido por violar as regras de segurança da aviação e enviado para o Hospital Princess Margaret”, acrescentou. Um porta-voz da autoridade aeroportuária de Hong Kong disse que o voo VS201, um Airbus A340, tinha partido à meia-noite. Os passageiros do voo foram enviados para hotéis em Hong Kong, tendo viajado na noite de ontem.

INCO cadeias de restauração internacional devem passar a informar a origem dos ingredientes usados nos seus menus em Xangai, depois de um escândalo de venda de carne estragada ter afectado os estabelecimentos no continente, informou ontem o China Daily. As cadeias de restauração são a McDonalds, KFC, Burger King, Dicos e Carls Jr. As autoridades chinesas emitiram a ordem, difundida no fim de semana, depois da descoberta de que a fábrica Husi instalada em Xangai tinha vendido carne podre a alguns estabelecimentos destas empresas.

Quando o escândalo veio a público, no final de Julho, as multinacionais deixaram de usar produtos fornecidos pela Husi e vários executivos da empresa foram detidos. O caso gerou, durante vários dias, problemas de abastecimento em muitos restaurantes das empresas afectadas, com alguns estabelecimentos a deixarem de vender produtos derivados de carne. No caso do McDonalds, o problema também afectou vários estabelecimentos no Japão, onde parte dos panados de frango (McNuggets) vendidos continha carne procedente da fábrica da Husi em Xangai.

Funcionário público embriagado

Um funcionário público que embateu contra um Lamborghini em Lanzhou foi preso por oito meses devido a estar embriagado quando decorreu o acidente, segundo noticiou o jornal Modern Express no domingo. Normalmente, os condutores responsáveis por acidentes só são presos se não pagarem a indemnização normal de 300 mil yuan. Porém, neste caso que envolveu um Lamborghini, o funcionário foi condenado a pagar 800 mil yuan.

Morte de dirigente confirmada como suicídio O jornal Beijing News revelou no domingo que a morte de um dirigente chinês que conduziu o seu carro por um reservatório adentro foi confirmada como um suicídio. Yuan Zhigang, vice-director do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular de Xin’an, foi encontrado morto dentro do automóvel, que estava submergido num reservatório. Depois de uma investigação oficial, a polícia afirmou tratar-se de um suicídio. Muitos residentes locais informaram ao jornal que Yuan havia contraído empréstimos avultados junto dos seus amigos e homens de negócios.

Desastres naturais mataram 302 pessoas em Julho

Os desastres naturais causaram 302 mortos na China durante o mês de Julho, permanecendo ainda 64 pessoas desaparecidas, e afectaram um total de 80 milhões de cidadãos, anunciou o Ministério de Assuntos Públicos no sábado. Mais de dois milhões de pessoas tiveram de ser realojadas devido às intempéries e 781 mil pessoas continuam a depender de assistência de emergência, revelou o Ministério. Os desastres naturais que afectaram a China em Julho englobam tufões, cheias, secas, granizo, terramotos, colapsos de montanhas, desanuviamentos de terra e fogos, tanto em florestas como em planícies.

Mulher defraudada em 14,6 milhões de yuan

Uma mulher foi defraudada em 14,6 milhões de yuan por um homem que afirmou poder salvar o seu marido de uma investigação judicial, de acordo com a edição de domingo do jornal Beijing Times. O marido da vítima foi detido para investigação pelo Comissariado Contra a Corrupção da província de Anhui em 2011. Em Março de 2012, a esposa contactou Ren Pengyu em Pequim, porque este afirmava que podia garantir a libertação do seu marido por uma quantia de 9 milhões de yuan. Quando tal não aconteceu, a mulher denunciou Ren à polícia, que acabou por ser condenado a prisão perpétua por fraude.


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Carlos Carujo

ARTES, LETRAS E IDEIAS

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IN ESQUERDA.NET

MA TRIX E A IMPOSSIBILIDADE DA REVOLUÇÃO A GUERRA ENTRE HUMANOS E MÁQUINAS, COM TODA A SUA DISPARIDADE DE FORÇAS, COLOCA-NOS ABERTAMENTE O PROBLEMA DA REVOLUÇÃO CONTRA O SISTEMA DOMINANTE QUE SE DESENVOLVE NOS DOIS FILMES SEGUINTES. PORÉM, MATRIX, APESAR DAS PROMESSAS INICIAIS, NÃO CONTÉM UMA MENSAGEM REVOLUCIONÁRIA. PELO CONTRÁRIO, TORNA-SE UMA EXPERIMENTAÇÃO DA REVOLUÇÃO IMPOSSÍVEL.

A

O ler um artigo recente do Correio da Cidadania (1) relembrei um filme que há cerca de 15 anos se tornou moda e originou múltiplas leituras. Não procuro colocar em causa o uso que o artigo de Paulo Metri faz do filme Matrix nem a sua analogia com a estrutura do poder mediático no Brasil. O seu artigo acabou por se tornar um pretexto para revisitar o “universo Matrix” a contratempo. Metri, como tantos outros, retém de “Matrix” uma parte da história. Centra-se no domínio dos humanos pelas máquinas que os utilizam como pilhas e mantêm num estado de ilusão total, ligados a um sistema virtual que simula a realidade e indica ainda a existência de resistentes desligados dessa máquina totalitária. A sua descrição termina aqui. Provavelmente porque isto basta para o que pretendia retirar do filme. Fico com a impressão que outros pararam a análise mais ou menos no mesmo ponto talvez por diferentes razões. Mas creio que tais paragens são significativas do que parece ter ficado da trilogia concebida pelos irmãos Wachowski para além da espuma dos dias ou do assombro com os efeitos especiais. Também não sigo várias linhas de análise que seriam interessantes para nos situarmos face a este fenómeno. Não ana-

liso a forma como a cultura mainstream se tornou um bem de consumo e como permanece uma forma de catarse social. Não penso o papel da indústria cinematográfica enquanto instrumento de hegemonia, nem a ironia do blockbuster de Hollywood sobre o controle total da máquina do poder. Não tomo em consideração o estatuto do tempo no capitalismo tardio e a rapidez do consumo que faz com que as informações, as teses e as metáforas artísticas (ou outras) se sucedam a velocidades vertiginosas sem tempo para serem digeridas. Não penso sequer na capacidade de recuperação de um sistema de poder capaz de vender a subversão como um produto. Não escrevo, ainda, para apresentar nenhuma tese particularmente inovadora acerca do filme, nem para fazer a arqueologia das discussões passadas. Trata-se apenas de partir de uma constatação simples: encontra-se em Matrix tanto (a) uma teoria da dominação que se traduz numa crítica à sociedade contemporânea (sem nunca se referir diretamente ao capitalismo, à sociedade de consumo ou à sociedade do espetáculo) quanto (b) uma teoria da resistência que passa sobre uma tese da possibilidade da revolução. E é interessante o sucesso (relativo) da teoria da dominação e o aparente fracasso (ou a muito menor repercussão) da teoria da resistência.

Esta diferença pode-se explicar por vários fatores: porque este fenômeno segue o sucesso diferenciado dos filmes da trilogia e houve um esgotamento evidente da novidade do “universo Matrix”, porque a primeira parte nos deixa envolvidos em mistérios que permitem a exploração da imaginação. E alguns desses mistérios foram mal resolvidos pelas sequelas, porque a teoria da dominação, envolvida no brilho de referências filosóficas reconhecíveis para os iniciados, seria bem mais interessante de debater do que a saga final do herói, das batalhas e da sua libertação falhada como anticlímax.

1- MATRIX E A DOMINAÇÃO Como já foi referido, houve uma profusão de análises sobre o Matrix como sistema da dominação. Descontado o misticismo New Age misturado com a tecnologia de ponta dos efeitos especiais, foram as referências filosóficas que capturaram, em primeiro lugar, as análises. Encontram-se facilmente as referências a Descartes com a sua dúvida hiperbólica colocada na possibilidade do gênio maligno (perante a possibilidade de um Deus Enganador, que nos ludibriasse em todas as impressões, que certeza nos restaria?); a sua tradução contemporânea na experiência mental de Hilary Putnam

do cérebro numa cuba (imagine-se que um cientista louco coloca o nosso cérebro num ambiente em que o mantém vivo e em que o alimenta com impulsos de forma a simular a realidade externa, como poderíamos distinguir entre esta experiência e a nossa vida?); a Platão com a sua Alegoria da Caverna (imagine-se que somos como prisioneiros numa caverna que nunca viram o mundo real, apenas sombras que tomamos como realidade, se alguém for libertado à força o que sentiria ao ver o mundo pela primeira vez?) e, claro, a Baudrillard e ao livro “Simulacro e Simulação”. A referência a Baudrillard é a mais explícita. O livro surge no próprio filme e a frase “bem-vindo ao deserto do real”, com que Morpheus saúda Neo quando este se liberta, é uma referência direta a este. Torna-se, assim, a referência principal para as análises e uma tese central que nos permite ligar o filme não apenas a uma tese sobre o papel ilusório da realidade ou a uma experiência de pensamento sobre os sentidos e/ ou o papel da mente, mas a uma crítica da sociedade atual. Correndo o risco de simplificar demasiado, Baudrillard apresenta o consumismo contemporâneo como um mundo em que a experiência quotidiana é fabricada enquanto simulação da realidade. E, por detrás do simulacro, já não há um real escondido


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pela máscara da aparência, apenas jogos de simulacros em que a cópia dispensa já o original (2). Assim, a imagem teria passado por quatro fases sucessivas sendo: (a) o reflexo de uma realidade profunda; (b) a máscara e deformação de uma realidade profunda; (c) a máscara da ausência de realidade profunda; (d) algo que já não tem relação com qualquer realidade: a imagem seria o seu próprio simulacro puro (3). Para muitos, Matrix procuraria encenar a tese de que tudo é simulacro. Em segundo lugar, para além das referências filosóficas, a metáfora da exploração presente no filme tem ressonâncias marxistas: os seres humanos são utilizados como pilhas das máquinas, uma forma de extração de uma mais-valia absoluta, assim como o trabalho humano é a pilha do sistema capitalista, ao mesmo tempo em que a ideologia e o desejo consumista se apresentam como visões totalitárias que dominam toda a nossa vida. Estranhamento de si, coisificação, reificação, alienação como realidade humana são acompanhados quer pela crença de que tudo está bem e pelos pequenos prazeres do sistema quer por um sistema repressivo. O sentimento de conforto de quem é agido pelas forças ideológicas do sistema contrastaria com a dureza do deserto da realidade de forma que a maioria preferiria a ilusão. Matrix, essa máquina da dominação totalitária que se imiscui não apenas na forma de pensar, mas também na forma de sentir e desejar, existe por causa da exploração direta. Descobrimo-nos assim consumidores permanentemente iludidos, mas também trabalhadores permanentemente explorados. Assim, uma primeira linha de leituras conduziu aos debates sobre qual a “verdadeira” “Filosofia Matrix” (na qual se incluem as tensões entre pós-modernismo e marxismo e entre filosofias e abordagens religiosas do New Age ao messianismo cristão) ou sobre o grau de adequação das imagens à teoria filosófica que lhe estaria subjacente. Uma segunda linha de leituras centrou-se mais na imagem central do sistema de dominação, abstraindo-se das construções teóricas mais elaboradas, tomando o (primeiro) filme como um espelhamento do estado atual da dominação capitalista e procurando divulgá-lo por isso. Interessa-nos aqui mais seguir a pista política do que a filosófica. Bem entendido, esta distinção assim feita é bastante esquemática. Muitas leituras lhes escapam de maneiras diversas. Uma das mais famosas é a de Slavoj Žižek. Este filósofo reconhece no filme o jogo de referências cruzadas, deixadas em aberto, que se exibe como vago e até inconsistente, sublinhando a ideia que Matrix se apresenta como um teste Rorschach, em que cada um projeta o que quiser e que, portanto, a busca da “Filosofia Matrix” se torna um logro. Assim o parece. Mas o filósofo esloveno não fica por aqui e revisita a trilogia à medida que ela foi sendo produzida. Primeiro, no artigo “Matrix ou os dois lados da perversão” (4) , Žižek olha para o primeiro filme sob o signo de Lacan: a ideia do “deserto do Real” e o Matrix como o “grande Outro” permitiriam ler o filme seguindo a distinção de Lacan entre Real, Simbólico e Imaginário. Este “grande Outro” é a ordem simbólica virtual, a rede inconsistente que estrutura a nossa realidade, e Žižek defende que “a tese do Matrix é que o grande Outro está externalizado num megacomputador realmente existente”. Assim, Matrix reduzir-se-ia a mais uma fantasia paranóica de

Hollywood apostada em dar consistência à totalidade simbólica e fá-lo-ia sob o signo da “derradeira fantasia perversa, a noção de que somos derradeiramente instrumentos do gozo do Outro”, ou seja, nós, livres, necessitaríamos da (e gozaríamos com a) fantasia da prisão (5). Posta desta forma a temática, teríamos uma outra alternativa de leitura entre o psicanalítico, o filosófico e o político, que consistiria em esvaziar o potencial subversivo da teoria da dominação de Matrix para a encerrar na indústria da espectacularidade paranóica para entretenimento de massas. Na leitura que entende Matrix como uma típica produção hegemónica de Hollywood e não como uma peça contra-hegemónica que escaparia de alguma forma por entre as mãos do sistema, este não seria assim tão diferente de filmes com Arnold Schwarzenegger em “Terminator” (cuja temática é a resistência humana às máquinas que dominam no futuro) e “Total Recall” (cuja temática é a revolta dos explorados habitantes de Marte) ou o mais recente “Truman Show” protagonizado por Jim Carrey (cuja temática é a realidade enquanto ilusão total: o protagonista descobre que toda a realidade que conhece é, afinal, um reality show transmitido na televisão). O político e o filosófico seriam máscaras pseudo-sofisticadas para encenar o mesmo de sempre, uma revolta espectacularmente deslavada.

2- MATRIX E A RESISTÊNCIA Se Matrix fosse apenas uma teoria da dominação total, seria como que um remake mais elaborado da mensagem do filme “They live” de John Carpenter em que o herói (Nada) descobre uns óculos que mostram a “verdadeira realidade”, na qual os seres humanos são dominados por extraterrestres constituindo todas as mensagens publicitárias e toda a comunicação televisiva em apelos consumistas e à obediência. Até o mesmo Žižek, no seu documentário de 2012, “The Pervert’s Guide to Ideology”, faz uma crítica do filme que, sendo mais positiva do que a que dedica ao Matrix inicial, parece seguir o mesmo roteiro: o filme mostra uma “ordem invisível que sustenta a liberdade aparente”, apresenta a

ideologia através da metáfora dos óculos e a libertação da ideologia como dolorosa e conclui que, tal como Matrix, mesmo quando pensamos que escapamos da ideologia estamos dentro da ideologia. Entre o sinal emitido para a mente e a ligação directa ao corpo, entre a colocação dos óculos e o desligar dos fios, a analogia seria simples. Só que é mais complicado aplicar a analogia aos processos de libertação (em “They live” a libertação acontece simplesmente através de um desligar do sinal) e existe Matrix para além do primeiro filme. E é, aliás, justiça lhe seja feita a Žižek, um dos que se interessa pelas sequelas depois de perdido o brilho mediático inicial da discussão, e quem mais claramente coloca a segunda questão que nos interessa: Matrix não só como teoria da dominação, mas também como teoria da resistência. Depois da exibição do segundo filme, Žižek regressa à carga em “Fantasia Recarregada – Sobre os filmes Matrix” (6), defendendo que o segundo filme é uma metáfora do estado da resistência de esquerda ao capitalismo e dos seus dilemas estratégicos: “será a solução, contudo, arriscar a rebelião total, resignar-se a jogar os jogos locais de ‘resistência’ enquanto se permanece no Matrix, ou até envolver-se numa colaboração transclassista com as ‘boas’ forças do Matrix?” Assim, o filósofo esloveno coloca o sarrafo muito alto antes de conhecer o conteúdo do filme que conclui a trilogia: “este terá de produzir nada menos do que uma resposta apropriada aos dilemas da política revolucionária hoje, um diagrama para o ato político que a esquerda desesperadamente procura”. Claro que, do seu ponto de vista, esta conclusão falhará a vários níveis. Em “Revoluções recarregadas” (7), depois já de assistir ao terceiro filme, Žižek insiste em pormenorizar as inconsistências do filme, acrescentando o óbvio que “o fracasso da narrativa, a impossibilidade de construir uma ‘boa história’, assinala uma falha social mais fundamental”, ou seja, o filme não resolve o que a inteligência colectiva da militância política e social não conseguiu resolver dadas as correlações de forças. Mas regressemos ao enredo para ensaiar clarificar a forma como a teoria da resistên-

cia se coloca no Matrix: depois de resgatado pela resistência que vive na última cidade humana, Neo, o herói, descobre-se como aquele que é esperado, segundo as profecias, para liderar a revolta. Ainda no primeiro filme da saga, esta mitologia do herói e do pequeno grupo de iluminados que escapam ao domínio das máquinas convida-nos a experimentar a possibilidade da rebeldia já enquadrada na forma do individualismo heroico, próprio dos filmes de aventuras e no colectivismo vanguardista da minoria esclarecida. A guerra entre humanos e máquinas, com toda a sua disparidade de forças, coloca-nos abertamente o problema da revolução contra o sistema dominante que se desenvolve nos dois filmes seguintes. Porém, Matrix, apesar das promessas iniciais, não contém uma mensagem revolucionária. Pelo contrário, torna-se uma experimentação da revolução impossível. Regresse-se ainda outra vez ao enredo: o “UM”, o salvador esperado, vem-se a saber, já é uma resposta do sistema. A revolta reduz-se a uma farsa e parece que não se escapa de forma alguma ao totalitarismo. Afinal, o sistema Matrix já tinha tido duas versões anteriores (uma utópica e outra distópica) que falharam, e, mesmo depois de aperfeiçoado, continua a ter falhas: há um conjunto de seres humanos que não se adaptará nunca à simulação. Assim, é o próprio sistema que vai ao ponto de prever o que fazer com esses renegados: deixa-os fugir, criar a sua cidade e esperar pelo seu salvador que de gerações em gerações surge. No momento crucial, este é confrontado com a escolha entre a destruição da resistência e a destruição total da humanidade. A lógica fá-lo-á salvar a humanidade a custas da revolta e, destruídos os excedentes de inadaptados, o ciclo da permanência da mentira continua: ao pseudo-salvador é concedida a possibilidade de libertar alguns seres humanos e continuar o processo. Matrix poderia, pois, ser o nome cínico do eterno retorno da recuperação em que a pseudo-revolta é já uma peça na grande engrenagem desse sistema, que não só não deixa nenhum espaço para que uma alternativa viável se desenvolva como inventa formas de se alimentar da própria tentativa de criação de alternativas. Contudo, a história da impossibilidade da revolução parece ainda quebrada por momentos pela diferença que representa Neo relativamente a tudo isto. Afinal, o herói é uma encarnação anómala do salvador e faz a escolha inesperada: por amor prefere arriscar o futuro da humanidade inteira, possibilidade que a frieza das máquinas parece não contemplar. Esta diferença, que escapa ao domínio “político” da narrativa, é capturada pela narrativa habitual do romantismo de ficção científica: o amor é o que baralha o domínio das máquinas, são os sentimentos que supostamente seriam uma fraqueza face às máquinas que afinal constituem a superioridade humana. Porém, nem a diferença vivida na modalidade “Terminator” acaba por ser suficiente para desestabilizar o sistema. O calor humano não triunfa da frieza maquínica nem a revolução com ele. E aí reside uma diferença importante da série Matrix e uma recaída na perspectiva política. Uma outra diferença que se situa no interior do tradicional enredo político simples da oposição entre dominantes e dominados e que contribuirá decisiva(Continua na página seguinte)


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mente para enterrar a possibilidade revolucionária: o estatuto do vilão maquínico que persegue Neo, o “Agente Smith”, altera-se. De agente repressivo do Matrix, Smith transforma-se em revoltado quando se torna um programa obsoleto que iria ser destruído pelo próprio sistema. É esta revolta que acrescenta o problema do terrorismo (8) à equação revolucionária: não se trata somente de uma dicotomia entre libertação e dominação, a desestabilização do sistema implica a possibilidade da aniquilação total, de uma vitória de forças ainda mais terríveis. Se a história do Agente Smith é uma anomalia brutal do sistema ou se este permanece omnipotente, sendo assim uma outra armadilha do sistema, caberá ao espectador escolher. Certo é que face à ameaça que supostamente poderá destruir ambos os lados da contenda, Neo faz finalmente a escolha que se esperava dele, a escolha de colaborar com o sistema, o que tinha evitado fazer por amor, o que nesta situação implica sacrificar-se, salvar a resistência, mas desistir da revolução. A mensagem libertadora do filme obscurece-se neste ponto. Matrix passa também a poder ser lido como um programa de desistência: face ao terrorismo e dada a impossibilidade da revolução, há que colaborar com o sistema para salvar o mundo. Curiosamente, a primeira parte da trilogia estreia antes dos ataques de setembro de 2001, ao passo que as segunda e terceira partes estreiam imediatamente a seguir. E, apesar do clima político, nem a analogia com o terrorismo que estava na ordem do dia permite aos dois últimos filmes replicar o sucesso dos debates que o primeiro filme despoletou. Da contingência do terrorismo à absolutização da situação, o programa político que desiste da libertação é até apresentado como uma vitória: o sacrifício do herói obtém um “acordo de paz” entre humanos e máquinas que prevê que quem se quiser desligar do Matrix o poderá fazer. Na certeza de que apenas uma minoria o fará e a paz reinará até os humanos livres serem demasiados e ameaçarem as máquinas, seguindo-se provavelmente novo ciclo de guerra. Os humanos libertos celebram o fim da guerra que significa desistir de libertar a maioria alienada e viver separadamente em comunidade, a que se juntam os que no interior do sistema já tenham desenvolvido a intuição (de que forma?) do que seja o sistema de dominação e estejam preparados para serem desligados dele. A revolta das pilhas exploradas é negada pela vanguarda cultural que se contenta com a sobrevivência isolada. A sua “libertação” não consegue apagar o fato de que o preço é a aceitação da exploração das massas, essa exploração que, longe de ser uma simulação, é o dado primeiro de todo sistema político e social em que vivemos. Do ponto de vista “político-estratégico”, a trilogia fica resolvida neste final. Contudo, como narrativa que se quer em aberto, Matrix utiliza constantes interferências à leitura meramente política (do individualismo do herói, ao binarismo romântico, à fusão religiosa) que tanto podem abrir o caminho da identificação como conduzir a curtos-circuitos entre si. E, assim, a tensão sobre a mensagem do filme para além do seu aspecto da revolta fracassada (para quem a queira procurar) não é resolvida e implica uma escolha. Escolhendo a Filosofia do simulacro, tratar-se-ia de desfazer a simplicidade platónica do desvelar dos falsos

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sistemas de dominação em nome da distinção entre aparência e realidade (retratando a passagem das fases 1 e 2 das imagens em Baudrillard para as fases seguintes). Daí as viragens do argumento, sobretudo, as que mostram que revolução é uma farsa e a que mostra que Neo é capaz de realizar o impossível, não só no interior do Matrix, onde aprendeu a “dobrar” as regras da física, mas também fora dele. Onde a Filosofia do simulacro pode ler rebuscadamente que isto indica que, afinal, o “mundo verdadeiro” seria outro simulacro, a religião impõe a sua simplicidade desarmante. O saldo final parece ser favorável a um desânimo político minimalista disfarçado de festa da vitória e a uma religiosidade etérea maximalista, ostentatória da ideologia do sacrifício. Afinal, a revolução, tão indesejável porque perigosa quanto impossível, permanece apenas vagamente como a promessa mística que um dia o iluminado voltará... se for preciso. E Neo é retratado no final como um Cristo. Coloque-se ainda mais uma questão ociosa: afinal que resposta estratégica em concreto é a descrita alegoricamente no filme? Sabendo que não existirá uma resposta direta e que o caminho está armadilhado, exploremos duas possibilidades bem mais pelo que nos dizem sobre a revolução do que pela forma como estão ligadas às películas.

2.1 Tal como se apresenta a teoria da

dominação de Baudrillard, em “Simulacros e Simulação”, também a teoria da resistência poderia ser encontrada na mesma fonte. No final deste livro, o filósofo francês esforçase por afastar as teorias da resistência concorrentes em nome daquilo a que chama o “terrorismo teórico”. Escreve: “contra esta hegemonia do sistema podem exaltar-se as astúcias do desejo, fazer a micrologia revolucionária do quotidiano, exaltar a deriva molecular ou mesmo fazer a apologia da culinária. Isso não resolve a imperiosa necessidade de fazer fracassar o sistema na claridade plena. Isso só o terrorismo o faz”. (9) Na sequência da defesa deste terrorismo teórico, apela-se à “imagem de uma falha em cadeia” uma vez que “só ela mobiliza o imaginário”. Mas numa reviravolta que poderia ser cinematográfica, logo a seguir Baudrillard parece confessar a impotência do seu terrorismo teórico: no mundo pós-moderno já não há radicalidade, nem a morte já tem sentido e “ao niilismo ativo da radicalidade o sistema opõe o niilismo da neutralização”. A desesperança ganha: “estamos na era dos acontecimentos sem consequências (e das teorias sem consequências)”. Nestas circunstâncias, o que fica do terrorismo teórico? Uma ainda mais vaga imagem da sedução, a confissão de inconsequência, a estetização da rebelião necessária, mas fracassada. Será a conclusão de Matrix a poética destes impasses?

2.2 Pode-se escolher uma pista mais ousada: a de que a teoria da resistência apresentada nos filmes antecipa algumas teorias que irão estar na garganta dos movimentos alterglobalização. Recorde-se que 1999, ano de estreia do primeiro filme, é o ano dos protestos de Seattle contra a Organização Mundial do Comércio e que correspondem a uma nova vaga de mobilização social e às suas discussões. Apesar de anacrônico, parece adequado comparar a imagem da cidade de Zion, libertada das máquinas, mas separada do resto da humanidade, à comuna de Holloway, que pretende “mudar o mundo sem tomar

o poder” (2002) e às teorias da fuga como forma de resistência (o livro “Império”, de Negri, também é de 2002). Claro que convém não exagerar na capacidade dos filmes captarem o zeitgeist esquerdista nem tomar demasiado literalmente esta ideia. Mas, como o filme da impossibilidade da revolução nas sociedades contemporâneas, Matrix é tanto uma celebração da fuga para a comuna como uma espécie de exéquias do potencial libertador desta situação: afinal, ao contrário de muitos dos seus defensores, apresenta-a como uma forma de acordo de paz com o sistema e expõe a impossibilidade da fuga massiva enquanto estratégia. Por si só e sem disputa direta com a totalidade do sistema, poucos no interior do Matrix são capazes de atingirem sozinhos a possibilidade de serem desligados. Os outros são abandonados sem remorsos na festa da libertação que procura esquecer pela euforia que a comuna isolada é a ilha que o sistema deixa existir na medida simples em que não coloque em causa o sistema. Derrotada, a possibilidade da revolução parece derrotar também a radicalidade das suas alternativas numa voragem niilista...

3- BENSAÏD E A AVARIA NA MATRIX Concluo, pela parte que me toca, com a escolha de um companheiro que não Baudrillard ou Lacan para me acompanhar no que resta da viagem ao interior do Matrix e à sua tese da impossibilidade da revolução. Escolhi entrar na máquina com Daniel Bensaïd, particularmente através do seu derradeiro “O espectáculo, estádio último do fetichismo da mercadoria – Marx, Marcuse, Debord, Lefebvre, Baudrillard” (10). Neste livro, Bensaïd apresenta-nos uma genealogia da ligação entre as teorias da dominação total do consumismo contemporâneo e as teorias sobre a impossibilidade da revolução, que vai do “círculo vicioso sem saída da dominação (e do fetichismo) absolutos” às suas consequências: “desrealização do mundo”, “eclipse da política” e “impasse estratégico” (e a “postura da radicalidade sem política (entre estética e moralina)” (11). Um conjunto de conceitos que parecem feitos à medida para serem aplicados ao Matrix. Matrix, não interessa se consciente ou inconscientemente, se como sintoma ou espelho das esperanças de libertação do capitalismo, enquadra-se nesta história. E, por paradoxal que pareça, já que se assemelha a um conto revolucionário, Matrix é também, não nos esqueçamos, uma ode ao capitalismo do início do século XXI. De toda a história humana, o sistema escolhe simular aquilo que nomeia como “o auge da vossa civilização”, o capitalismo ocidental. Matrix é, pois, um mundo sem historicidade e sem outras geografias possíveis, uma sociedade que, para além de nos querer impor a ideia de que todo o conflito já é parte do sistema, nos remete para uma situação em que o conflito é impossível. Entra-se na Matrix sempre pela simulação da sociedade norte-americana, entra-se na Matrix e não colocamos a questão da pobreza que parece tão deslocada desta fantasia, ao mesmo tempo em que tão próxima de qualquer perspectiva que se creia emancipatória (se alguém estivesse ligado à máquina sendo pobre que razões teria para continuar ligado?), entra-se na Matrix como se aí, nessa pseudo-realidade desvalorizada, ninguém lutasse. Matrix só se entende enquanto forma de “anulação espetacular do conflito”, ideia uti-

lizada por Bensaïd (e que mais uma vez não se referindo em nada ao Matrix a ele se cola tão bem, filme da guerra permanente que termina na utopia da paz podre). Acontece que a anulação espetacular do conflito foi agora anulada espectacularmente pelos conflitos reais. Matrix avariou. A crise não é uma experiência de Realidade Virtual e, por isso, talvez Matrix não seja filme para acompanhar estes tempos de crise económica de longa duração. A experiência da crise não é facilmente compaginável com a noção do sistema ideológico perfeito e mesmo a manobra de a converter, ela própria, num logro do sistema parece demasiado ficcional. E, no entanto, Matrix ao mesmo tempo, se assim o escolhermos, sussurra-nos desde o seu fracasso que o tempo do “eclipse da razão estratégica” (de que também fala Bensaïd) só pode ter terminado e que nos devemos emaranhar nos dilemas da política sem lhe fugir. O que se impõe agora não cabe na filmologia tradicional: organização, trabalho quotidiano a partir de baixo, sujar as mãos na política. Esta revolução não será cinematografada à moda de Hollywood. Mas isso é defeito do género, por mais inteligente que o roteiro seja...

Notas

1) Paulo Metri, Triste Notícia, disponível em http://www. correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&v iew=article&id=9563:submanchete300414&catid=82:pau lo-metri&Itemid=206 2) “Toda a fé e boa-fé ocidental se empenharam nesta aposta da representação: que um signo possa remeter para a profundidade do sentido, que um sentido possa trocar-se por sentido e que alguma coisa sirva de caução a esta troca – Deus, certamente. Mas e se o próprio Deus pode ser simulado, isto é, reduzido aos signos que o provam? Então todo o sistema perde a força da gravidade, ele próprio não é mais do que um gigantesco simulacro – não irreal, mas simulacro, isto é, nunca mais passível de ser trocado por real, mas trocando-se em si mesmo, num circuito ininterrupto cujas referência e circunferência se encontram em lado nenhum.” Jean Baudrillard, Simulacros e Simulação, Relógio D’Água, 1991. Pag. 13. 3) Idem, ibidem. 4) Philosophy Today, Celina, 1999, volume 43, disponível online em: http://www.egs.edu/faculty/slavoj-zizek/articles/ the-matrix-or-two-sides-of-perversion 5) “Aí reside a intuição correta do Matrix: na sua justaposição dos dois aspetos da perversão – por um lado, a redução da realidade a um domínio virtual regulado por regras arbitrárias que podem ser suspensas; por outro lado, a verdade escondida desta liberdade, a redução do sujeito a uma absoluta passividade instrumentalizada. Por outras palavras, o Matrix acerta mas numa ordem errada (invertida), i.e., nós apenas temos de alterar os termos para ter o verdadeiro estado de coisas. O que o filme nos providencia como a cena do nosso acordar para a nossa verdadeira situação é efetivamente o seu exato oposto, a próprio fantasia fundamental que sustém o nosso ser. Não estamos a sonhar numa Realidade Virtual que somos agentes livres na nossa realidade comum quotidiana, enquanto somos verdadeiramente prisioneiros passivos explorados pelo Matrix no fluido pré-natal; ao invés a nossa realidade é de agentes livres no mundo social que conhecemos, mas de forma a sustentar esta situação, temos de suplementá-la com a repudiada, terrível e iminente fantasia de sermos prisioneiros passivos explorados pelo Matrix no fluido.” Idem. 6) Em Lacan.com. No. 16, 2003, disponível em http://www. egs.edu/faculty/slavoj-zizek/articles/fantasy-reloaded/ 7) Disponível em: http://www.lacan.com/zizreloaded.htm 8) No último dos artigos de Zizek aqui citados, este apresenta uma alternativa à leitura aqui apresentada de que Smith personifica o terrorismo (sendo que a perspetiva do terrorismo tem a seu favor o facto de ser um tema central no “Simulacros e Simulação” de Baudrillard). Para Zizek o “agente Smith” é uma “alegoria das forças Fascistas”: “assim a lição do filme, é, na melhor perspetiva, a de uma luta anti-fascista: os rufias brutais fascistas desenvolvidos pelo Capital para controlar os operários (…) ficam fora de controlo e o Matrix tem de recrutar ajuda dos humanos para os esmagar da mesma forma que o capital liberal teve de recrutar a ajuda dos comunistas, o seu inimigo mortal, para derrotar o Fascismo…” O problema é que o tema do anti-fascismo não foi tematizado pelas forças comunistas como o fim da possibilidade revolucionária da mesma forma como esta é colocada nos filmes. 9) Jean Baudrillard, Simulacros e Simulação, Relógio D’Água, 1991. Pag. 200. 10) Le Spectacle, stade ultime du fétichisme de la marchandise – Marx, Marcuse, Debord, Lefebvre, Baudrillard, Nouvelles Éditions Lignes, 2011. 11) Idem, pags 131 e 132, (anexo “temas”).


DESPORTO

hoje macau terça-feira 12.8.2014

Ivan Cavaleiro culpa Jesus

Ivan Cavaleiro disse sentir mágoa pela forma como saiu do Benfica, culpando Jorge Jesus por não apostar na formação. “Tenho de respeitar as opções de Jorge Jesus, mas sinto alguma mágoa pela forma como saí do Benfica. O presidente [Luís Filipe Vieira] tem apostado forte na formação, mas chega a um ponto que não serve de nada. Se a culpa é do treinador? Acho que sim...”, disse Ivan Cavaleiro, que foi titular, na final do Torneio Teresa Herrera, pelo Deportivo da Corunha, ao qual foi emprestado pelos encarnados por uma temporada. Questionado se Jorge Jesus lhe deu uma justificação, foi claro: “Não falou comigo. Penso que deveria ter sido tratado de outra maneira”. “Agora o mais importante é trabalhar, jogar, provar o meu valor no Deportivo, para que mais tarde possa regressar ao Benfica e ser uma aposta na equipa principal, que é o meu desejo”, referiu. O português ficou surpreendido por ter sido titular nos dois jogos do Deportivo no torneio Teresa Herrera: “Não estava à espera, pois só tinha feito um treino. Agora quero entregar-me ao trabalho e esperar por novas oportunidades”.

Motos Márquez vence Indianapolis O piloto espanhol ganhou o GP de Indianápolis, reforçando a liderança do campeonato. Marc Márquez fez história ao conseguir a sua décima vitória consecutiva, numa corrida em que Jorge Lorenzo (Yamaha) foi segundo, a 1.803s, e Valentino Rossi (Yamaha), terceiro, a 6.558s. O espanhol da Honda venceu o GP de indianápolia, décima prova do Mundial de Moto GP, e deu ao motociclismo espanhol a vitória número 500. Márquez lidera o campeonato, com 250 pontos, Dani Pedrosa é segundo, com 161, e Valentino Rossi, terceiro, com 157.

O Benfica massacrou os vila-condenses mas os seus avançados demoram a encontrar o caminho da baliza

SUPERTAÇA ARTUR OFERECE TROFÉU AO BENFICA

Uma baliza chamada desejo

O

Benficaconquistou no domingo a sua quinta Supertaça em futebol e primeiro troféu da época, ao vencer, em Aveiro, o Rio Ave nas grandes penalidades (3-2), altura em que Artur se “agigantou” e defendeu três remates. A 36.ª edição do troféu que homenageia Cândido de Oliveira - a primeira em oito anos que não contava com o FC Porto, líder desta competição (20 conquistas em 29 participações) - teve direito a prolongamento e a desempate por grandes penalidades, depois de o nulo ter teimado em manter-se. Num jogo em que surgiu um Benfica que procurava, e conseguiu, ainda que a muito custo, relançar-se após a má pré-temporada - perdeu seis dos oito jogos disputados e sofreu mais do dobro dos golos marcados (14 para seis, respectivamente) -, assistiu-se a um verdadeiro “massacre” do clube da Luz sobre a equipa de Vila do Conde. Os benfiquistas, campeões nacionais em título e detentores das Taças da Liga e de Portugal, conquistadas na época passada frente ao Rio Ave, fizeram o que quiseram do meio-campo e da área vila-condenses, mas pecaram, e muito, na finalização.

UM MASSACRE EM VERMELHO

Na primeira parte, o Benfica dispôs de várias situações de perigo logo a abrir o encontro - Luisão (02 minutos), Talisca (03, 11 e 19), Maxi Pereira (09), Salvio (10) e Lima (20) -, mas a mais flagrante foi mesmo quando, aos 24 minutos, Gaitán serviu Eliseu, que, ao cruzar para a área, ofereceu o golo a Salvio, uma vez que Cássio já estava batido, mas “miraculosamente” Marcelo salvou em cima da linha de golo e, na recarga, Salvio permitiu a defesa do guardião vila-condense.

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Até ao intervalo, continuou a dar mais Benfica, muito graças às boas “arrancadas” do “reforço” Talisca, que jogou no apoio a Lima. Já nas faixas, tanto Salvio (cruzamento que Talisca desperdiçou, aos 41) como Gaitán (remate aos 39 minutos) protagonizavam boas oportunidades de golo, mas a bola teimava em não entrar. Foi mesmo preciso esperar pelos “descontos” para contabilizar uma aproximação com perigo por parte do Rio Ave, mas quem a proporcionou foi mesmo o guarda-redes Artur - “herói” no final -, que, numa má finta, quase deixou a bola nos pés do venezuelano Del Valle (45+1). Na segunda parte assistiu-se a mais do mesmo: um Benfica disposto a “arrumar” a discussão, mas despesista no momento de marcar, e um Rio Ave com mais sorte do que engenho, que tentava adiar o desfecho para o prolongamento. Salvio era um dos mais “inconformados”, contabilizando remates falhados aos 55, 62 e 78. O brasileiro Lima, depois de tirar o central francês Prince do caminho, rematou, mas a bola “rasou” o poste do Rio Ave (63 minutos). Também já em desespero até Ruben Amorim disparou de fora da área, obrigando Cássio a uma defesa apertada e já em esforço (72).

FLAGRANTE DESVIO

Do lado oposto, quase que como uma “cópia” da primeira parte, assistiu-se a

uma aproximação perigosa ao fechar os 90 minutos: Del Valle serviu Diego Lopes, mas Luisão, o único “resistente” da equipa “encarnada” que havia vencido a última Supertaça que os benfiquistas contabilizavam

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até hoje (vitória com golo solitário de Nuno Gomes sobre o Vitória de Setúbal, no Estádio do Algarve), evitou o golo vila-condense, sentenciando a ida a prolongamento. Nos 30 minutos adicio-

nais, o Benfica continuou a dominar, ainda que o Rio Ave tenha parecido despertar - talvez “embalado” pela ideia de que estava perto a possibilidade de conquistar o seu primeiro grande troféu a nível nacional, uma vez que o seu currículo só conta com dois títulos de campeão da II Liga - e rondado a baliza contrária. Os vila-condenses dispuseram mesmo de uma flagrante oportunidade de “arrumar” com a questão, quando, a três minutos do apito final, Jardel, ao aliviar a bola, atirou contra a própria barra. No desempate por grandes penalidades, Artur, ao defender três remates (de Tarantini, Diego Lopes e Tiago Pinto), enquanto Cássio só se impôs em uma (falha de Derley), acaba por “oferecer” a taça ao clube da Luz.


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( F ) UTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 31 HUM 75-98% • EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.2

Cineteatro

LÍNGUA DE gATO

CINEMA

LUCY SALA 1

LUCY [C]

Um filme de: Luc Besson Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman 14.15, 16.00, 17.45, 21.45

CAFE • WAITING • LOVE [B]

Pu Yi

Um filme de: Chiang Chin Lin Com: Vivian Chow, Megan Lai, Pauline Lan, Lee Luo 19.30

Dupla personalidade Cada gato tem a sua própria dupla personalidade. Ou bipolaridade, chamemlhe como quiserem. Quando estamos contentes, somos muito fofos para os nosso amigos humanos. Somos amigos da malta e companheiros sempre prontos a ajudar. Pelo contrário, quando ficamos aborrecidos ou chateados, temos sempre a tendência de nos tornarmos violentos e de gostar muito de chatear as pessoas. Não sei se é correcto dizer que tenho dupla personalidade, neste caso, mas acho que não sou só eu. Cada pessoa também tem dupla personalidade. Mesmo uma pessoa muito meiga pode ficar muito zangada e ter alguma reacção que outros nunca poderiam imaginar. Citando o romance Anna Karenina, escrito pelo russo Liev Tolstói: em cada família infeliz há uma tristeza própria. Sobre esta dupla personalidade, ser feliz terá sempre a mesma causa, mas ficar zangado pode ser motivo de várias razões. A dupla personalidade pode ser uma maneira de ser, mas o mais importante é o resultado no fim. Se toda a gente se transforma numa outra pessoa, sem causas óbvias, é difícil falar ou tratar de assuntos com estas pessoas. Por mim, a dupla personalidade pode ser um elemento na nossa vida... mas de certeza que não pode ser uma “melodia” regular no nosso quotidiano.

SALA 2

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE NEWHAUNTS OF EVIL-PEKO AND THE FIVE EXPLORERS [A] FALADO EM CANTONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS

ACONTECEU HOJE

Um filme de: Yakuwa Shinnosuke 14.30, 16.30, 19.30

BREAK UP 100 [B]

Um filme de: Lawrence Cheng Com: Ekin Cheng, Chrissie Chau 21.30 SALA 3

THE FAULT IN OUR STARS [B]

Um filme de: Josh Boone Com: Shailene Woodley, Ansel Elgort 14.30, 19.15, 21.30

BREAK UP 100 [B]

Um filme de: Lawrence Cheng Com: Ekin Cheng, Chrissie Chau 16.45

12 DE AGOSTO

Nasce Miguel Torga, poeta, romancista e ensaísta

U M D I S C O H O J E “CHEAP THRILLS” (JANIS JOPLIN, 1968) Dona de uma voz poderosíssima, Janis Joplin é o significado perfeito da festa permanente que aparentava existir nos anos 1960. Com uma presença louca e eléctrica em palco, a cantora começou por ser a vocalista da banda de rock psicadélico Big Brother and the Holding Company, tendo saltado para a fama também a solo. Considerada como uma das melhores artistas de todos os tempos, Joplin lança “Cheap Thrills” em 1968, presenteando-nos com canções como “Summertime” e “Piece of my heart”, onde a voz única da cantora nos deixa de rastos por mais. - Joana Freitas

• Ao lado da sua campa rasa, em São Martinho de Anta, uma torga jaz a seu lado, em homenagem ao poeta. Miguel Torga nasceu a 12 de Agosto de 1907, naquela freguesia de Sabrosa, e recorda-se hoje. Nasceu Adolfo Correia da Rocha, em Trás-os-Montes, mas tornou-se conhecido na sua arte sob o pseudónimo Miguel Torga, um dos mais importantes poetas e escritores portugueses do século XX. E hoje – dia em que Torga nasceu, em 1907, em São Martinho de Anta, freguesia do concelho de Sabrosa, em Vila Real – recorda-se o poeta, romancista, ensaísta e autor de diversas peças de teatro. Miguel Torga era filho de família humilde e durante a sua adolescência serviu num palácio de gente rica, onde era moço de recados, porteiro, jardineiro, entre outros serviços, como limpezas domésticas. Viajou para o Brasil para trabalhar numa fazenda de um tio, que percebe as capacidades do sobrinho. Com a certeza de que estava perante um “futuro doutor”, o tio patrocina os estudos de Torga, em troca de cinco anos de trabalhos. Em 1928, Miguel Torga entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra – no ano em que publica o seu primeiro livro de poemas: “Ansiedade”. Torga era um crítico da praxe e das tradições académicas – chamava “farda” à capa e batina, de modo depreciativo. Mas amava a cidade de Coimbra, onde exerceu a profissão de médico, a partir de 1939. A obra de Miguel Torga é fiel às origens de um homem humilde, de um adolescente inconformado com a injustiça social, de um jovem que lutou para conseguir ser um “futuro doutor” e de um homem que nunca aceitou a ditadura do general Francisco Franco, o que lhe custou a prisão, em 1940. Publicou mais de 50 livros ao longo de seis décadas e foi por diversas vezes indicado para o Prémio Nobel da Literatura. Aos 87 anos, um cancro trava-lhe a pena, a 17 de janeiro de 1995, dois anos depois do seu último trabalho.

fonte da inveja

Tentar o equilíbrio é uma tentativa apolínea de

João Corvo

auto-controlo e afastamento do mundo. Dyonisos reigns!


OPINIÃO

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João Miguel Barros

jmb@jmbarros.com

2. Comecemos por uma nota introdutória, de natureza conceptual. Administração e Justiça não casam. Estão juntas desde o tempo da governação portuguesa, mas já deveriam ter sido separadas e autonomizadas há muito tempo. Desde logo porque a máquina da Justiça não é, nem pode ser equiparada a um sub-tipo da máquina administrativa, como a longa manus do Governo e do Sistema no controlo e repressão de actividades socialmente censuráveis. O sistema de Justiça, qualquer que seja a forma que o molde, é independente da Administração Pública. Rege-se (ou devia reger-se) por outros princípios. Visa (ou devia visar) fins distintos. Tem (ou devia ter) outras normas procedimentais. A experiência dos últimos anos mostra que há muita coisa para fazer. A nível das mentalidades. Dos procedimentos. Das posturas. Dos resultados. Quer na Administração Pública. Quer na Justiça. Por tudo isso seria muito avisado separar as duas áreas e atribui-las a dois Secretários diferentes, com perfis diferentes, com visões diferentes, com culturas e formação diferentes. 3. Nunca percebi, e tenho-o dito, porque razão é que Macau, sendo tão pequeno, tem uma Administração Pública tão burocratizada, tão incapaz de dar respostas efectivas e em tempo útil a um número significativo de solicitações que lhe chegam. Evoluiu-se para uma Administração de acordo com um modelo da máxima formatação, o que significa seguir um caminho

Administração e Justiça

Take one: apenas sobre a Administração OTTO PREMINGER, ANATOMY OF A MURDER

1. Sou, por natureza, um optimista preocupado. Mas, hoje e neste lugar, cheguei a um ponto em que a preocupação teima em abafar essa réstia de esperança que vive e é apanágio das pessoas que acreditam E, às tantas, pergunto-me se vale a pena esperar que os novos ciclos políticos tenham algum potencial para mudar o estado das coisas. A reeleição de um Chefe do Executivo deveria trazer outros ventos. Desatados os nós dos compromissos silenciosos de uma primeira eleição, um segundo mandato pode ser sempre exercido com muito mais liberdade e independência. Para nós portugueses, mesmo os que por aqui andam há décadas (como é o meu caso) a realidade é sempre um equilíbrio estranho entre a sombra e o corpo que a projecta, ao ponto de muitas vezes não se entender qual delas é a predominante. Quase tudo já era antes de o ser, o que dá pouco alento para a crença fundamentada. Há, aqui, na verdade, uma mão invisível que a todos condiciona, e que não nos traz necessariamente mais felicidade. Em todo o caso, tentando abstrair da inutilidade do exercício, e aproveitando o tempo de colocar ideias em cima da mesa, partilho algumas preocupações em relação a duas áreas específicas: a Administração e a Justiça.

redutor em relação às leis e restringente dos direitos e deveres dos administrados. Se por um acaso do destino (e esses acasos são mais que muitos....) uma determinada situação não couber no formato de um impresso não há direito capaz de ser reconhecido. Como se tal não bastasse, uma maioria significativa dos funcionários agem como se tivessem sido formatados para responderem de forma impessoal, de acordo com um check list de procedimentos desresponsabilizantes, acéfalos, agindo muitas vezes como se fossem os donos e os senhores de uma informação, que é pública e que devia ser acessível a todos os administrados de forma expedita. 4. Nos últimos anos este cenário piorou devido ao caso Ao Man Long (pois, mais uma vez, o caso Ao Man Long!...). O atendimento ao público robotizado e com criatividade zero transformou-se no atendimento robotizado com criatividade zero e pavor máximo. Forçar alguém a explicar o que quer que seja ou a assumir um compromisso mínimo é gerador de pânicos e suores frios. (“- Quando está pronto o pedido de certidão que entreguei ontem?“- Quando estiver nós avisamos” “-Mas tem alguma previsão de data?” “- Não tenho. Mas quando estiver nós avisamos!” “-Essa certidão

é muito urgente para instruir um processo! Com quem posso falar para ver se pode ser passada com urgência?” “-O Chefe não está. Mas não se preocupe que quando a certidão estiver feita nós avisamos.”)

Se me é permitido o conselho: Sr. Chefe do Executivo, preocupe-se, preocupe-se seriamente com a gestão da área da Administração! É preciso colocar uma mão pesada neste estado de coisas. É preciso criar uma administração pública humanizada, diligente, que não seja especialista na arte da desculpa saloia para evitar a eficiência, que não se arraste penosamente no cumprimento rigoroso dos horários de trabalho, que não esteja formatada ao jeito dos impressos que pululam por todos os balcões e serviços. É preciso censurar quem não está imbuído de uma cultura de verdadeiro serviço público, ou seja, de servir as pessoas e os administrados.

E, acima de tudo, é preciso desburocratizar esta máquina pesadíssima, acabar com as taxas de urgência – todas as solicitações deviam ser entendidas como urgentes, mas bem sei que o propósito de se arrecadarem umas verbas adicionais à custa de trabalho normal torna a ideia quase impossível de concretizar! -, dizia, é preciso simplificar e implementar uma cultura de responsabilidade e de verdadeiro serviço público, de responsabilização pelos atrasos, pelo deficiente atendimento. 5. Chegado ao fim deste “pequeno” rosário resta pouco do optimista e fica quase tudo do preocupado. E é preocupado, verdadeiramente preocupado, que deveria estar o actual-futuro Chefe do Executivo, porque assumir este monstro de frente, numa perspectiva positiva, é tarefa só para alguns! E é tarefa para gente nova, sem vícios mentais e com coragem para enfrentar a resistência pacífica que é típica das mudanças. E, já agora, o que não é coisa de somenos, a tempo inteiro, separando de vez a Administração da Justiça! Se me é permitido o conselho: Sr. Chefe do Executivo, preocupe-se, preocupe-se seriamente com a gestão da área da Administração!

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Papa quer ir ao norte do Iraque

cartoon por Stephff

CRISE NO IRAQUE

O papa Francisco gostaria de poder viajar para o norte do Iraque para «partilhar a dor» das milhares de pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus lares fugindo da «violência inaudita» dos jihadistas do Estado Islâmico (EI). O anúncio foi feito hoje numa entrevista divulgada pela Rádio Vaticana ao cardeal Fernando Filoni, enviado pelo pontífice como emissário ao Iraque «com o objectivo de transferir» para os deslocados «o amor» do pontífice e de investir verba não especificada em sua ajuda. «O papa queria estar ali, no Iraque, partilhando a dor das vítimas indefesas de uma cruel injustiça e de uma violência inaudita», referiu.

Estado Islâmico toma Jalawla

Militantes do Estado Islâmico tomaram a cidade de Jalawla, a nordeste de Bagdade, ao amanhecer desta segunda-feira, após semanas de confrontos com combatentes curdos, indicou a polícia. A nova vitória amplia ainda mais as conquistas dos militantes islâmicos, cuja expansão tem alarmado os aliados ocidentais do Iraque. A conquista de Jalawla, a 115 quilómetros da capital iraquiana, ocorreu um dia após um suicida ter matado 10 combatentes curdos no local. Os militantes também tomaram o controlo de duas povoações próximas.

Amnistia denuncia imunidade da NATO

A organização de direitos humanos Amnistia Internacional (AI) denunciou ontem a quase inexistência de processos judiciais e busca de responsabilidades nas tropas da NATO implicadas na morte de «milhares» de civis no Afeganistão. Num relatório de 82 páginas, a organização analisa a imunidade dos soldados dos Estados Unidos, que correspondem à maioria dos militares no país asiático. «As tropas dos Estados Unidos mataram e feriram milhares de afegãos desde a invasão (do Afeganistão em 2001), mas as vítimas ou seus familiares têm muito poucas possibilidades de serem compensados», afirmou o director da AI na Ásia-Pacífico, Richard Bennett.

QUASE 150 MILHÕES PARA INQUÉRITO ÀS DESPESAS DOS TURISTAS

Sempre a bombar O

Governo vai pagar mais de 57 milhões de patacas ao Centro de Pesquisa Macau Lda. para a continuação da prestação de serviços do Projecto de Pesquisa do Inquérito às Despesas dos Visitantes. O anúncio foi ontem feito em Boletim Oficial e mostra que já foi gasto um total de cerca de 145 milhões de patacas desde o primeiro contrato com a empresa. Num despacho assinado pelo Chefe do Executivo, Chui Sai On, é dada a autorização de celebração do contrato com a empresa, sendo que não é a primeira vez que o Centro de Pesquisa Macau

Lda. vê o seu contrato com o Executivo renovado. Foi em 2009 que a empresa, criada no ano anterior, recebeu a primeira adjudicação destes serviços. De acordo com o Boletim Oficial da altura, e num despacho assinado por Edmund Ho, a companhia recebeu 28,5 milhões de patacas pelo mesmo serviço, válido até ao ano de 2011. Neste ano, a Centro de Pesquisa Macau Lda. obteve a renovação do contrato, o que lhe valeu 59 milhões de patacas pelos serviços. Dois anos depois, a mesma empresa recebe novamente a adjudicação do projecto, que lhe vai valer o pagamento de 57,5 milhões

de patacas. Este montante será pago até 2017, de acordo com o Boletim Oficial. A verba despendida para esta empresa é da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, organismo a quem são prestados estes serviços. O inquérito às despesas dos visitantes está relacionado com os gastos dos turistas em Macau por diferentes áreas: per capita, visitantes que chegam pela via marítima, pela via aérea e pelas fronteiras, despesas no jogo, extra-jogo, em doces e lembranças, entre outros. A Centro de Pesquisa Macau Lda. tem como director-executivo Stephen Cheng. - J.F.

Tráfico de órgãos em hospital militar do Camboja

A

polícia do Camboja deteve nove pessoas, incluindo dois generais e três médicos, acusados de integrarem uma rede de tráfico de órgãos que operava num hospital militar de Phnom Penh, informou ontem a imprensa local. O grupo actuava a partir do hospital Phrea Ket Mealea, na capi-

tal, onde extraía rins a pessoas a quem pagava cinco mil dólares, para vendê-los a pacientes chineses por 35 mil a 40 mil dólares, segundo o jornal Phnom Penh Post. Entre os detidos está o director do centro, Ly Sovan, um médico chinês e um grupo de pessoas descritas como sino-vietnamitas num

comunicado da agência municipal contra o tráfico humano citado pelo diário. Todos os detidos foram acusados de tráfico humano ou cúmplices de tentativa de tráfico de pessoas, segundo o comunicado. Este é o segundo caso de tráfico de rins detectado num mês

no Camboja, depois de, em Julho, duas mulheres terem sido detidas por actuarem como intermediárias entre doadores pobres e receptores de famílias ricas internados em hospitais na Tailândia. O tráfico de pessoas é penalizado com pena entre sete e 15 anos de prisão no Camboja.

Hillary Clinton afasta-se de Obama

A ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton distanciou-se pela primeira vez abertamente da política externa do Presidente Obama, defendendo que este devia ter ajudado os rebeldes sírios para deter o grupo terrorista Estado Islâmico que agora ataca o Iraque. Clinton demarca-se da posição do Governo de Barack Obama no Médio Oriente e insiste em que, quando ocupava o cargo de secretária de Estado, defendeu uma alteração na estratégia. A ex-primeira-dama democrata atribui o aumento da influência dos jihadistas na Síria ao “fracasso da Casa Branca” em fazer mais para apoiar outros rebeldes que combateram o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, desde 2011. Segundo a ex-chefe da diplomacia norteamericana, esta estratégia teria ajudado a criar uma tal oposição, difícil de construir devido às constantes divergências entre os sírios exilados e a oposição que ainda se encontra no país. Clinton também se distancia da posição da Administração Obama nas negociações sobre o programa nuclear do Irão e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) e opta por uma posição mais radical. “Sempre estive entre aqueles que sustentam que [os iranianos] não têm direito ao enriquecimento [do urânio]. Ao contrário do que reclamam, não existe tal direito. Isto é absolutamente infundado, não existe tal direito”, sublinhou a possível candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Rui Veloso desiludido com Portugal

Rui Veloso revelou, em entretevista ao Diário de Notícias, que vai fazer uma pausa na carreira por «tempo indefinido», tendo mesmo já desfeito a banda que o acompanhava e recusando agendar concertos. O músico explicou que a principal razão para este interregno se deve à actual situação do país. «Vou parar», disse, porque «é-me difícil aceitar a realidade». O «pai» do rock português disse ainda que fica «à espera que isto um dia tenha compostura e volte aos valores básicos da vida». Um dos alvos das críticas de Rui Veloso são os concursos de talento das televisões. «A música é para todos, mas nem todos são para a música», desabafou. O músico indicou que pretende aproveitar a pausa para dar maior atenção à sua vida pessoal e tentar fazer um balanço da sua vida. «É uma procura para voltar às raízes e uma reavaliação - que todos fazemos numa determinada altura de modo a saber o que a vida realmente é», concluiu.


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Hoje Macau 12 AGO 2014 #3151 by Jornal Hoje Macau - Issuu