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QUINTA-FEIRA 12-5-2022
Nº 5006
MOP$10
HISTÓRIA
UMA AVENTURA MARÍTIMA GRANDE PLANO
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
Sem opções O director dos Serviços de Saúde voltou ontem a defender o caminho traçado pela China no combate à covid-19. Segundo Alvis Lo, esta é a única “opção” para defender a vida dos cidadãos de Macau. As declarações surgiram em resposta às afirmações do líder da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esta terça-feira, de que a estratégia de zero casos era insustentável.
RENMINBI
FORA DE CIRCULAÇÃO PÁGINA 6
HOJE MACAU
PÁGINA 4
FLAUBERT
AMÉLIA VIEIRA
DO POEMA
ANTÓNIO CABRITA WYNN MACAU
CASA A PERDER LI HAO | GT
PÁGINA 7
ESTUDO
ENTRE MORTOS E VACINADOS PÁGINAS 10-11
DOCUMENTÁRIO | FESTIVAL
HISTÓRIAS POR DESVENDAR EVENTOS
2 grande plano
12.5.2022 quinta-feira
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HISTÓRIA
MÁRIO PÓVOA, O PORTUGUÊS PRESO POR NAVEGAR EM ÁGUAS CHINESAS
Em 1965 Mário Póvoa vivia em Coloane e, juntamente com um grupo de chineses, partiu numa embarcação em busca do cadáver do colega, Fat Chun, que havia morrido afogado. Apanhados pelas autoridades por estarem em águas territoriais chinesas, foram interrogados e doutrinados sobre Mao Tse-tung e Chiang Kai-chek. Acabariam por regressar a Macau no dia seguinte. A PIDE, em Portugal, teve conhecimento do caso
A
morte de Fat Chun por afogamento, aos 39 anos de idade, em Macau, no dia 23 de Junho de 1965, provocou um episódio marcante na vida do português Mário Póvoa, então residente em Coloane e natural da freguesia de Noselos, concelho de Moncorvo, em Portugal. Foi no dia seguinte que o português partiu numa embarcação, juntamente com familiares de Fat Chun e mais trabalhadores chineses, em busca do corpo deste homem. No entanto, saídos de Coloane, acabariam por chegar a águas territoriais chinesas e detidos pelas autoridades na ilha de Ma Liu Ho, hoje conhecida como a ilha de Hengqin. Depois de prestadas declarações, voltaram ao território, à época administrado pelos portugueses. O caso foi reportado ao então Ministério do Ultramar e à PIDE-
-DGS [Polícia Internacional de Defesa do Estado - Direcção-geral de Segurança] pelo Governador de Macau em funções, o tenente coronel António Lopes dos Santos. O documento que descreve esta aventura, consultado pelo HM, está hoje guardado no arquivo diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa. Coube a um responsável da Polícia de Segurança Pública (PSP) interrogar, a 27 de Junho, Mário Póvoa sobre o que de facto tinha acontecido. O português, que trabalhava como capataz da brigada da “MEAU”, casado, à época com 36 anos de idade e residente na granja da “MEAU”, explicou tudo ao responsável da PSP. A viagem começou no dia seguinte à morte de Fat Chun, portanto a 24 de Junho, pelas 16h15. Mário Póvoa embarcou com mais 14 chineses com o objectivo de “procurar
um cadáver no mar de Má-Lou Hó”. Fat Chun estava desaparecido desde o dia 23 e esta era já a terceira tentativa para a localização do corpo. O português fez-se então acompanhar por Va Fong, Cheoc Keong, Leong Peng, Vong Leong, Leong In, Sun Chong Seng, Ho Kuang e Chau Kang, “todos operários do Fomento”, bem como de Kong Kao, “peixeiro” e Lai Iong Seng, “operário da obra de ligação”. No mesmo barco seguiam “Ieong Lou, Lai Sio Ieng, Lai Sio Hoi e Chan Iong Cheng, respectivamente, mulher, filhos e prima do afogado”. Às 16h foi avistada a embarcação das autoridades chinesas, descrita como um “barco tipo carga (barco esse de todos conhecido como sendo quem fiscaliza, por parte da China, o estreito entre Coloane e a ilha de Má Liu Ho)”. À PSP de Macau, Mário Póvoa explicou que, “como se encontravam dentro das águas chinesas, rumaram rumo às nossas águas [de regresso a Macau], sendo já dentro destas detidos pelo citado barco”. As autoridades chinesas, no momento da detenção, “lançaram uma amarra à sampana (proa a proa)”, tendo conduzido os tripulantes à “ilha de Má Liu Ho onde chegaram pelas 17h”. “O barco que os deteve é do tipo de barcos que transportam carga entre as ilhas e Macau, tendo uma metralhadora, e nele viajavam três indivíduos fardados”, descreve o documento.
Alimentados e doutrinados
Chegados a território chinês para serem interrogados sobre os motivos pelos quais entraram em águas estrangeiras, Mário Póvoa e os colegas da tripulação deram as devidas explicações e nunca foram maltratados, bem pelo contrário. Não só receberam os alimentos que pediram como foi-lhes entregue o tabaco da marca preferida. “Desde o momento do desembarque foi-lhes dito pelas autoridades locais que estivessem descansados, pois nada de mal lhes aconteceria. Cerca das 20h foi-lhes servido de jantar em conformidade com aquilo que cada um pediu, ten-
NENOTAVAICONTA
Auto da barca Coloane, 1965
do ao declarante [Mário Póvoa] sido servido ovos e uma cerveja depois de instado para que comesse algo, dado não querer comida chinesa.” Ouvidos “três chineses” entre as 21h30 e a 1h, Mário Póvoa deitou-se
À PSP de Macau, Mário Póvoa explicou que, “como se encontravam dentro das águas chinesas, rumaram rumo às nossas águas [de regresso a Macau], sendo já dentro destas detidos pelo citado barco”
por volta das 22h, “sendo-lhes dadas esteiras e cobertas, lamentando as autoridades chinesas não os poderem acomodar melhor”, conforme o relato do português à PSP. No dia 25, logo às 10h, seria retomado o interrogatório até ao meio dia. As autoridades chinesas pretendiam saber o que fazia este grupo de pessoas nas suas águas e porque tinham fugido. O tratamento condigno dado aos detidos manteve-se. À hora de almoço “foi-lhes servida carne enlatada, tendo de novo as autoridades insistido com o declarante [Mário Póvoa] se pretendia qualquer coisa especial para a alimentação”. Nesse momento, o português "pediu tabaco para todos, tendo-lhe sido dados dez maços de tabaco consoante a marca que cada um pediu”.
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de Coloane Os chineses sabiam que em Macau se encontrava em actividade uma rede terrorista que efectuava operações contra alvos no Interior da China, tendo afundado nesse ano, ou no ano anterior, um navio de guerra de grande envergadura
Mas o interrogatório não se ficaria por aqui. As autoridades chinesas decidiram dar ainda uma aula sobre os acontecimentos políticos e sociais que então se viviam, nomeadamente sobre “a miséria do povo no tempo de Chiang Kai-chek” as “dificuldades no começo do regime de Mao Tse-tung”, a “actual igualdade entre cidadãos chineses” e a “não existência de miséria na China”. Mário Póvoa e os seus companheiros ouviram também explicações sobre a “capacidade industrial com a construção de barragens”, tendo sido “citado, por exemplo, uma construção recente” na ilha de Ma Liu Ho. Não faltaram ainda informações sobre a "produção de aviões, bombas teleguiadas e armamento eficaz que está a ser utilizado no Vietname”, país que, à época, vivia uma guerra civil.
Interrogatório nocturno
Mário Póvoa só seria ouvido às 20h, tendo sido questionado sobre “se ele reconhecia ou não que errara
em ir para as águas chinesas”. O português acabaria por afirmar que “fez isso inconscientemente e que foi à procura do cadáver de um homem que com ele trabalhou seis anos”. Assinada uma declaração em como tinham sido devolvidos todos os bens dos detidos, estes regressaram na mesma embarcação à ilha de Coloane, tendo partido às 21h e chegado às 21h20. “À partida foram ajudados pelas autoridades a porem o barco na água, tendo estes, até ao último momento, instado com todos se pretendiam algo de comer antes de embarcarem”, lê-se ainda. Aquando da detenção, não foram utilizadas armas e existiu sempre “liberdade de movimentos”. Com estas informações em cima da mesa, as autoridades portugueses em Lisboa não conseguiram concluir se, de facto, Mário Póvoa e os restantes tripulantes tinham violado o espaço marítimo chinês. “Dada a proximidade da ilha chinesa de Má Liu Ho no local da ocorrência, e a imprecisa definição de fronteira, é difícil afirmar-se, não obstante a constante informação atrás transcrita, que a embarcação tenha penetrado nas águas territoriais chinesas e que foi detida já nas águas territoriais portuguesas”, lê-se numa nota adicional.
O rebentar do 1,2,3
Para João Guedes, jornalista e autor de vários livros sobre a história de Macau, este episódio “ilustra bem o adensar do clima de desconfiança política e militar da China em
Moisés da Silva Fernandes, investigador da história de Macau da Universidade de Lisboa, dá conta que, entre 1950 e 1960 “havia, com uma certa regularidade, estes confrontos transfronteiriços, porque não havia entendimento entre a China continental e a administração portuguesa” quanto à definição das águas territoriais. João Guedes relata mesmo as histórias que ouviu da boca do “senhor Bilro”, que depois de trabalhar como guarda da PSP em Coloane era porteiro da TDM. À época, era a unidade militar do “senhor Bilro” a responsável por acender o farolim da navegação que se encontrava a meio do canal entre Coloane e a ilha da Montanha. “A embarcação com que cumpria essa missão diária era blindada, porque se o não fosse não a poderiam levar a efeito. Isto porque a maior parte das vezes as tropas chinesas postadas na costa do lado oposto abriam fogo contra ela, obrigando os tripulantes a abrigar-se atrás das chapas de aço da protecção para para não serem atingidos.” Segundo João Guedes, "o senhor Bilro dizia que os militares chineses não tinham intenção de matar ninguém (pelo menos nunca o fizeram) mas o tiroteio servia para advertir as autoridades de Macau que o farol só era aceso todos os dias graças à boa vontade da China”.
O caso Salgado
Confrontos durante o 1,2,3
relação a Macau”, e que haveria de “explodir” com os episódios do 1,2,3, em 1966. “O facto de Macau não possuir então águas territoriais agudizava a situação. Além disso, os chineses sabiam que em Macau se encontrava em actividade uma rede terrorista que efectuava operações contra alvos no Interior da China, tendo afundado nesse ano, ou no ano anterior, um navio de guerra de grande envergadura que se encontrava ancorado no porto da cidade de Kong Mun, não longe de Macau.” Segundo João Guedes, o general Kot Siu Wong era o espião chefe dos nacionalistas do partido
Kuomitang em Macau e acabaria por desertar para a China, “levando consigo toda a informação sobre a rede de espionagem que comandava”. O responsável afirma mesmo que “esta acção [de Kot Siu Wong] terá contribuído para o eclodir dos tumultos de 1966”.
O português “pediu tabaco para todos, tendo-lhe sido dados dez maços de tabaco consoante a marca que cada um pediu”
Dos casos mais célebres de detenções de embarcações, conta-se a do capitão Álvaro Salgado. Moisés da Silva Fernandes recorda que este foi capturado no dia 22 de Março de 1952 quando velejava entre a península de Macau e a ilha da Taipa, tendo ficado em cativeiro na China durante 31 meses. Álvaro Salgado só seria libertado a 19 de Dezembro de 1954. “Antes de ser preso, exercia na repartição de Informações do Quartel-General da guarnição militar”, descreve o historiador. João Guedes conta ainda que Álvaro Salgado tinha sido comandante da PSP em Macau e foi preso quando praticava vela desportiva. O vento tê-lo-á levado para as águas chinesas. “Este oficial acabaria por ser acusado de espionagem, tendo estado quatro anos preso em Cantão, depois de ter sido passeado pelas ruas juntamente com outros suspeitos de serem agentes estrangeiros presos com cordas e com cartazes a enumerar os seus alegados crimes contra o povo”, remata João Guedes. Andreia Sofia Silva
4 política
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OMS ALVIS LO NEGA QUE ESTRATÉGIA ‘ZERO COVID’ É “INSUSTENTÁVEL”
Juventude Deputada quer que discurso de Xi seja estudado
Wong Kit Cheng considera que todos os jovens de Macau devem estudar o discurso de Xi Jinping proferido no 100.º Aniversário da Liga da Juventude Comunista da China. Na visão da deputada, o discurso do Presidente chinês foi muito abrangente, e define os padrões exigidos a toda a juventude para a “Nova Era”. Além disso, a deputada de 41 anos, e presidente da Associação Jovem das Mulheres de Macau, afirmou que todo o texto mostra o “carinho, amor e as expectativas ardentes” de Xi em relação à juventude. Nas palavras proferidas durante as celebrações do 5 de Maio, o Presidente desafiou a juventude chinesa a atrever-se e a unificar-se para apoiar o Partido Comunista da China.
Caminho de sentido único Reagindo às declarações do chefe da Organização Mundial da Saúde sobre a insustentabilidade da abordagem “zero covid”, Alvis Lo apontou que a estratégia é a “única opção” para proteger a vida dos residentes de Macau. Com cerca de 10 por cento da população por vacinar, o director dos Serviços de Saúde reiterou que “nesta fase” ninguém será obrigado a tomar a vacina
O
director dos Serviços de Saúde de Macau, Alvis Lo Iek Long, reiterou ontem que a abordagem dinâmica “zero covid” em vigor em Macau e na China é a melhor opção para combater a pandemia e proteger a vida dos residentes. A tomada de posição de Alvis Lo surge após o director-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, ter apontado que a estratégia chinesa de tolerância zero à covid-19 “não é sustentável”. Em declarações à margem do programa “Fórum Macau” do canal chinhês da TDM - Rádio Macau, Alvis Lo começou por dizer que a política de prevenção epidémica da RAEM segue a estratégia geral do Interior da China, não havendo actualmente espaço de manobra para “relaxar” e alterar a abordagem. “Neste momento, a política de infecções zero é a mais adequada para a situação actual de Macau. Nos últimos dois anos, conseguimos proteger a vida dos cidadãos (…) e manter a normalidade das suas actividades”, disse aos microfones da emissora. Vincando mais tarde que a estratégia dinâmica “zero covid” é a “única opção para Macau”, o director dos Serviços de Saúde referiu ainda que o “princípio-chave” da prevenção epidémica passa pela “adaptação às condições e ao contexto local”. “Actualmente, não vemos a possibilidade de alterar esta polí-
do que as medidas para combater a pandemia devem mostrar o “respeito pelos direitos individuais e humanos”. “Precisamos equilibrar as medidas de controlo com o impacto na sociedade e na economia, e isso nem sempre é um equilíbrio fácil”, argumentou.
Vacinação insuficiente
Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde A única forma de proteger a vida normal das pessoas é estar em sintonia com o país e manter a abordagem dinâmica ‘zero covid’.
tica. Se muitas pessoas começarem a morrer devido à covid-19, não sei se a população irá aceitar. A única forma de proteger a vida normal das pessoas é estar em sintonia com o país e manter a abordagem dinâmica ‘zero covid’”, apontou de acordo com o canal chinês da TDM-Rádio Macau. Recorde-se que na terça-feira, Tedros Adhanom Ghebreyesus revelou em conferência de imprensa ter discutido a sustentabilidade da estratégia ‘zero covid’ com especialistas chineses, à luz do comportamento actual do vírus.
“Não achamos que a estratégia de ‘zero covid’ seja sustentável, considerando o comportamento actual do vírus e o que prevemos no futuro”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus citado pela agência Lusa. “Discutimos esta questão com especialistas chineses e indicámos que a abordagem não é sustentável (…) acho que uma mudança seria muito importante”, acrescentou. Também o director de emergências da OMS, Michael Ryan, disse que está na altura de a China repensar a sua estratégia, defenden-
JUVENTUDE HO IAT SENG APRESENTA “QUATRO EXPECTATIVAS” PARA O FUTURO
O
Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, apresentou ontem num discurso oficial as quatro expectativas que deposita quanto ao futuro dos jovens de Macau. Uma delas, passa pela necessidade de os mais jovens saberem “distinguir o que é certo do errado” em matéria
de patriotismo, devendo estes “reforçar a consciência política e sobre a segurança nacional”. Em segundo lugar, os jovens de Macau devem persistir “no auto-aperfeiçoamento e na plena elevação da competitividade”, bem como “na conduta fiel aos valores morais e
estabelecimento de valores correctos”. A quarta expectativa de Ho Iat Seng passa pela necessidade de os jovens “aproveitarem as oportunidades da nova era e a integração na conjuntura do desenvolvimento nacional”. “Na jornada da grande revitalização da nação
chinesa na nova era, os jovens de Macau têm como missão e responsabilidade materializar as expectativas do nosso tempo. Devem manter um espírito aberto, ter a Pátria sempre presente, abrir-se ao mundo, contribuir, de forma exemplar, para o desenvolvimento dos diversos sectores da sociedade, conquistar mé-
ritos e acumular realizações”, disse Ho Iat Seng, no âmbito de um colóquio destinado aos jovens “dos diversos sectores de Macau para a aprendizagem e aplicação dos discursos importantes do Presidente Xi Jinping”.
GCS
O académico Guo Xiaoming, com ligações à Universidade da Cidade de Macau, foi nomeado vogal da Comissão de Classificação de Espectáculos, de acordo com um despacho publicado ontem em Boletim Oficial. Segundo o documento assinado pelo Chefe do Executivo, Guo vai substituir no cargo Zhou Jiangming. Guo Xiaoming é formado pelo Colégio de Huaihua e tem um mestrado e doutoramento em Educação, pelas universidades de Huazhong e Nanjing, respectivamente. Depois de iniciar a carreira no Interior da China, o académico veio para Macau em 2003 para exercer funções na Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude. É conselheiro da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura desde 2018.
RÓMULO SANTOS
Cultura Guo Xiaoming na Classificação de Espectáculos
Durante a emissão do “Fórum Macau”, Alvis Lo Iek Long revelou ainda que a taxa de vacinação da população de Macau com pelo menos uma dose é de 88,4 por cento, faltando ainda vacinar cerca de 10 por cento da população. Além disso, apesar de frisar que a taxa de vacinação dos idosos e doentes crónicos “não é suficientemente elevada”, reiterou que “nesta fase” o Governo não tem planos para tornar a vacina contra a covid-19 obrigatória e que o plano de vacinação continuará a ser promovido de forma “voluntária e opcional”. Por seu turno, o director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, que também marcou presença no programa de ontem, apontou que caso haja um surto de grande escala em Macau, o Governo irá coordenar com as escolas de que forma será feito o ensino online. Isto, tendo em conta que as instalações das escolares terão de ser usadas para apoiar a realização de testes de ácido nucleico à população. Pedro Arede com N.W.
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GALA DE DRONES QUASE UM MILHÃO DE ESPECTADORES NAS REDES SOCIAIS
N
OS primeiros dois fins-de-semana de Maio, o céu nocturno de Macau foi iluminado por espectáculos de drones que atraíram mais de 100 mil pessoas presencialmente, enquanto quase 1 milhão espectadores acompanharam online os shows transmitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) nas redes sociais. A entidade liderada por Helena de Senna Fernandes promoveu os eventos “‘Gala de Drones Brilha sobre Macau 2022’ através de meios online e presenciais, incluindo nas suas contas oficiais no WeChat, Weibo, Xiaohongshu, Douyin, através de líderes de opinião e páginas electrónicas de informações noticiosas”, indicou ontem a DST. A promoção incluiu também a produção de vídeos que divulgaram o evento no Interior da China. Além da publicidade, os oito espectáculos de drones foram transmitidos em directo nas contas oficiais da DST no WeChat e Weibo, e nas suas pági-
nas “Stopover Macao” e “Experience Macao” no Facebook. No total, perto de 950 mil internautas acompanharam os espectáculos pela Internet. Apesar de Macau ser a nível mundial um dos territórios com restrições mais apertadas no combate à pandemia, a DST refere que o sucesso deste projecto consolida “a imagem de Macau como cidade segura e apropriada para visitar, favorável à expansão dos mercados de visitantes, ajudando a impulsionar a recuperação da indústria turística”. Em relação ao número de espectadores presenciais, a DST refere que quando foram apresentados shows de drones, o fluxo de pessoas em torno do Lago Nam Van aumentou 57 por cento em relação aos dias normais. Ao longo das quatro noites do programa, cerca de 103 mil pessoas acorreram ao local para assistir ao evento, o que representa uma média de 26 mil espectadores por noite. J. L.
Covid-19 Residente vinda de HK como recaída
Uma residente de Macau proveniente de Hong Kong acusou positivo num teste de ácido nucleico realizado na terça-feira e foi classificada como caso de recaída, não sendo considerada infecção local por covid-19, informou ontem o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. A residente, com 20 anos de idade, tomou duas doses da vacina de mRNA em Julho de 2021 e tem um certificado de suspensão de vacinação. Na passada terça-feira, a jovem apanhou o autocarro dourado que partiu às 15h de Hong Kong com destino a Macau, possuindo o certificado de resultado negativo do teste de ácido nucleico para covid-19 no prazo de 24 horas após a data da amostragem. Ao entrar, foi sujeita a um novo teste que se revelou positivo e foi encaminhada para o Centro Clínico da Saúde Publica de Alto de Coloane para isolamento médico. Em Março deste ano, a residente foi diagnosticada com covid-19, daí a classificação como recaída.
TURISMO MAIS DE 10% DA POPULAÇÃO ADERIU ÀS EXCURSÕES LOCAIS
Para ficar cá dentro
Desde o início do programa de roteiros turísticos locais deste ano até à passada terça-feira, mais de 72 mil residentes inscreveram-se nos passeios locais. Os pacotes de estadia em hotéis foram os mais procurados, seguidos dos roteiros com itinerários escolhidos pelos próprios participantes
A
T É à passada terça-feira, o programa de excursões locais “Passeios, gastronomia e estadia para residentes de Macau” deste ano somava 72.767 inscrições de residentes, entre os quais 31.999 aderiram às excursões locais, enquanto 40.768 optaram por pacotes hoteleiros. Recorde-se que os primeiros passeios do programa de 2022 começaram no final de Janeiro, oferecendo 35 roteiros. Entre as excursões locais, o programa mais procurado foi “Sentir Macau Ao Seu Estilo”, um roteiro em que os próprios participantes escolhem o itinerário, totalizando 10.318 pessoas inscritas. No segundo lugar do pódio ficou o roteiro “Experienciar a beleza de Coloane”, com 9.352 pessoas inscritas, enquanto as viagens marítimas foram a terceira oferta mais popular, com 5.795 inscrições. Segundo a Direcção dos Serviços de Turismo (DST), em quarto e quinto lugar, em termos de popularidade e adesão,
O programa de roteiros locais procura apoiar a indústria turística, congregando 167 agências de viagens, 481 guias turísticos, 629 motoristas de autocarros turísticos e 70 estabelecimentos hoteleiros
ficam os roteiros “Explorar a cultura de Macau Património Mundial” e “Os segredos do Grande Prémio de Macau”. Em relação à oferta deste ano, a DST destaca o sucesso dos roteiros com programa de escolha própria, enquanto produto turístico que “permite mais flexibilidade”, mas que, ainda assim, 90 por cento dos programas abrange visitas a locais como “Vila de Nossa Senhora de Ká-Hó, uma das oito novas paisagens de Macau – a Vila de Pescadores de Coloane, a Universidade de Macau, entre outros”.
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EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local
Mak Tat Io, Subdirector da Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 05/ DIR/2022, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 15, II Série, de 13 de Abril de 2022, faz saber que ficam notificados os donos das obras e os proprietários, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Local
Sector em crise
A DST sublinha que este mês foi adicionado o roteiro temático de drones, que conta com a presença de um “fotógrafo profissional para acompanhar os grupos e partilhar técnicas de captação de imagens nocturnas”, assim como passeios que incluem contacto com póneis e divertimento num parque aquático. Além de reapresentar Macau à sua população, o programa procura apoiar a indústria turística, congregando o trabalho de 167 agências de viagens, 481 guias turísticos, 629 motoristas de autocarros turísticos e 70 estabelecimentos hoteleiros. Ao mesmo tempo, “promove o aumento da procura interna e o consumo nos bairros comunitários, contribuindo para a recuperação gradual dos sectores relacionados com o turismo”, aponta a DST.
: 28 /E-BC/2022 : 58/BC/2022/F : Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) : Rua da Alfândega n.º 120, Edf. Son Tat, parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar E e escada comum entre os 3.º e 4.º andares, Macau.
1.1 Parte do terraço sobrejacente à fracção 4.º andar E 1.2 Escada comum entre os 3.º e 4.º andares
2.
Infracção ao RSCI e motivo da demolição Construção de um Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, compartimento obstrução do caminho de evacom cobertura cuação. metálica. Instalação de um Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, portão metálico obstrução do caminho de evacuação. Obra
Sendo as escadas comuns e o terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que a DSSCU terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de 4 000,00 a 40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, assim como requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSCU, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 5 de Maio de 2022 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Mak Tat Io
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queda acentuada da taxa de câmbio do renminbi levou a que os multibancos de Macau deixassem de disponibilizar a moeda. Isto, dado que a desvalorização gerou oportunidade de negócio favorável para quem se dedica à troca ilegal de dinheiro no Interior da China. Citada pelo jornal Exmoo, uma fonte que conhece bem o mercado cambial e que optou por não se identificar, explicou que actualmente “este negócio é ainda melhor do que fazer contrabando” e, por isso mesmo, muitas pessoas arriscam vir a Macau trocar dólares de Hong Kong por renminbis (ou fazer essa operação através do multibanco), levando de volta para a China grandes quantidades de dinheiro para trocar novamente por dólares de Hong Kong. “Actualmente, o preço a pagar pelo câmbio [do renminbi] nos bancos de Macau é inferior ao preço praticado no mercado negro na China”, disse. Por exemplo, conta a mesma fonte, à taxa de câmbio em vigor na passada terça-feira
RENMINBI DESVALORIZAÇÃO ACENTUADA ESGOTA MOEDA NO MULTIBANCO
Lucrar com a queda A quebra acentuada da taxa de câmbio do renminbi em Macau levou muitos a cruzar a fronteira para levantar dinheiro e lucrar com o câmbio ilegal no Interior da China. Como resultado, os multibancos de Macau deixaram de disponibilizar renminbis. AAssociação Económica de Macau alerta que a desvalorização do renminbi a longo prazo pode afectar a capacidade de consumo dos turistas era possível trocar em Macau 100 dólares de Hong Kong por 85 renminbis, sendo estes depois trocados de volta por dólares de Hong Kong no mercado ilegal, já na China, por valores entre os 83,7 e os 84 renminbis. A diferença permitiu a quem fez negócio lucrar cerca de um renminbi por cada 100 dólares de Hong Kong trocados no mercado negro.
Menos poder de compra
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HM • 2ª vez • 12-5-22
ANÚNCIO Acção de Processo Comum do Trabalho n.º
LB1-20-0219-LAC
Juízo Laboral
AUTOR: ISSAC CONCEIÇÃO BRAGA, solteiro, maior, portador do passaporte da República Federativa do Brasil, residente em Macau. -----------RÉU: WONG KIN SANG, único sócio da FYB Diversão Limitada (cuja designação anterior era “Dragone Macau Limitada”, titular do passaporte da RAEHK e do bilhete de identidade de residente permanente de Hong Kong, com última residência conhecida em 澳門金峰南岸金柏峰4座17樓 B室。-----------------------------------------------------------------------------------Pedido do valor da indemnização: MOP$429,182.66. ---------------------------*** FAZ-SE SABER QUE, por esta Secção, correm éditos de TRINTA DIAS, contados da segunda e última publicação do anúncio, citando o Réu, WONG KIN SANG, acima identificado para, no prazo de DEZ DIAS, impugnar a decisão que deferiu a substituição da Ré FYB Diversão Limitada, efectuada ao abrigo do disposto no art.º 325º nº 2 do Código Comercial, tudo pelos fundamentos constantes dos autos, cujos duplicados se encontram à disposição do citando nesta Secretaria, que lhe serão entregues nas horas normais de expediente assim que solicitados, seguindo-se com os ulteriores termos do processo até final à sua revelia, caso não responda no referido prazo. -----------------------------------------------------------------------------------A intervenção do citando nos autos implica a constituição de advogado – art.º 74.º do Código Processo Civil de Macau. ---------------------------------Aos 29 de Abril de 2022.
A fonte ouvida pelo Exmoo partilhou ainda que a desvalorização do renminbi pode ser explicada com o facto de a Reserva Federal dos Estados Unidos daAmérica (EUA) ter aumentado as taxas de juros e com os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Além disso, também a redução do número de turistas que entram em Macau terá contribuído para a desvalorização da moeda no território, dado haver menos procura.
“Actualmente, o preço a pagar pelo câmbio [do renminbi] nos bancos de Macau é inferior ao preço praticado no mercado negro na China”
Demografia População com menos 1.500 pessoas no primeiro trimestre Nos primeiros três meses do ano a população de Macau registou uma redução de 1.500 pessoas face ao último trimestre do ano passado. Segundo os dados mais recentes, no final de Março a população era de 681.700 habitantes. Os números foram revelados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos, que justificou a diferença com a “diminuição do número de trabalhadores não residentes
domiciliados em Macau”. A mesma fonte indica que no fim do primeiro trimestre deste ano o número de trabalhadores não residentes (167.738) diminuiu 3.360, face ao fim do trimestre passado. O número de casamentos registados foi de 817 nos primeiros três meses do ano, mais 5, em termos trimestrais. Durante o primeiro trimestre do corrente ano nasceram 1.178 bebés e morreram 610 pessoas.
Zona A Quatro terrenos para escolas O Governo tem destinados quatro terrenos na Zona A dos novos aterros para a construção de escolas, de acordo com a resposta a uma interpelação do deputado Ho Ion Sang. Segundo Kong Chi Meng, director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, quatro terrenos nas zonas centro-norte e centro sul da Zona A dos Novos aterros serão
“destinados a instalações educativas”. Os nomes das escolas não são referidos, nem o número de estabelecimentos de ensino a construir na área. Quando Marcelo Rebelo de Sousa visitou Macau, em Maio de 2019, foi noticiado que haveria um novo pólo da Escola Portuguesa de Macau na zona, a questão não voltou a ter novos desenvolvimentos.
Em declarações ao mesmo jornal, o vice-presidente da Associação Económica de Macau, Henry Lei Chun Kwok, lembrou que devido ao aumento das taxas de juro nos EUA, também a libra britânica e o iene japonês estão em queda. Apontando que a pataca está anexada ao dólar americano, Henry Lei alertou ainda que se a taxa de câmbio do renminbi se mantiver baixa nos próximos tempos, a longo prazo o sector do turismo em Macau pode vir a ressentir-se, dado que o poder de compra e a disponibilidade para consumir dos visitantes chineses será inferior. Nunu Wu e Pedro Arede
O HM ERROU Na edição de quarta-feira do HM, no artigo com o título “CTM espera ser capaz de lançar 5G até ao final do ano”, dizia-se que no final da concessão da CTM todos os activos revertem para a RAEM, à excepção dos investimentos feitos desde 1 de Janeiro de 2022. Erradamente a data apresentada foi 2022, quando se devia ler 2012.
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NUCLEAR DETECTADA FALHA EM MOTOR NA CENTRAL DE DAYA
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S Serviços de Polícia Unitários de Macau (SPU) divulgaram ontem ter recebido na terça-feira um comunicado relativo a uma anomalia operacional na Central Nuclear da Baía de Daya, uma das duas centrais nucleares de Shenzhen. A ocorrência foi detectada durante uma inspecção regular à unidade 2 da central, revelando uma “anomalia na operação de transmissão de sinal do dispositivo de ajustamento de velocidade de um dos motores diesel de emergência”. Segundo os SPU, de imediato os operadores substituíram o dispositivo e o funcionamento normal foi retomado. “Durante as operações, a unidade nuclear manteve sempre condições de segurança”, sublinharam as autoridades. O motor diesel de emergência tem como função principal abastecer energia de emergência, encontrando-se geralmente no estado “hotstandby”. Como a duração da anomalia no dispositivo de ajustamento de velocidade excedeu a definida nas especificações técnicas, a central classificou a ocorrência como incidente operacional de nível 0, “considerado como um desvio”. As autoridades garantem que a “ocorrência não afectou o funcionamento, a segurança da central, a saúde do seu pessoal operacional, da população e do ambiente adjacente à central”. Importa referir que a Central Nuclear da Baía de Daya é uma das duas centrais em Shenzhen, localizada apenas a 1,2 quilómetros de Central Nuclear de Lingao. J.L.
quinta-feira 12.5.2022
TIAGO ALCÂNTARA
FORMAÇÃO SUBSIDIADA INSCRIÇÕES ABERTAS NA PRÓXIMA SEMANA
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A
S inscrições para os cursos de “Formação subsidiada”, que compreende o “Plano de formação subsidiada orientada para o aumento das competências técnicas” e o “Plano de formação subsidiada orientada para a empregabilidade”, vão estar novamente abertas simultaneamente entre os dias 16 e 20 de Maio, ou seja, durante a próxima semana. Devido à situação pandémica, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais apela aos candidatos para tratarem das formalidades necessárias através do sistema de inscrição online no seu site oficial, evitando assim a aglomeração de pessoas. O programa de formação anterior, que terminou a 21 de Abril, lançou “mais de 1.320 vagas para o 'Plano de formação subsidiada orientada para o aumento das competências técnicas', no qual se inscreveram 690 pessoas, quase metade das vagas disponíveis. Para o “Plano de formação subsidiada orientada para a empregabilidade” o número de vagas foi de 1.040, face às mais de 1.430 inscrições. Para seleccionar os candidatos, a DSAL realizou um sorteio e, de seguida, apreciou o mérito da candidatura e a performance em entrevista. J.L.
Fidelidade Lucros cresceram 24 por cento em 2021
As seguradoras Vida e Não-Vida do grupo Fidelidade em Macau obtiveram um lucro agregado de 42,2 milhões de patacas no ano passado, de acordo com um comunicado da seguradora. Apesar do contexto da pandemia-19, este resultado representa um crescimento de 24 por cento face ao ano transacto. “Estamos seguros de que a solidez das seguradoras continuará a merecer a mesma confiança que nos tem sido creditada por todos os nossos clientes e parceiros até aqui”, afirmou Paulo Barbosa, Presidente da Comissão Executiva da Fidelidade. Para este ano, o grupo definiu como objectivo “um crescimento robusto do volume bruto de prémios emitidos em ambas as seguradoras”, com a mantendo a aposta num “desenvolvimento sustentável como principal premissa de gestão”.
JOGO WYNN MACAU COM PREJUÍZO DE 188,45 MILHÕES DE DÓLARES
As dores que persistem Entre Janeiro e Março deste ano, os prejuízos da Wynn cresceram em comparação com o mesmo período de 2021, quando as perdas atingiram 161,2 milhões de dólares americanos
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OS primeiros três meses do ano, a operadora Wynn Macau acumulou prejuízos de 188,45 milhões de dólares. O resultado mostra que a performance da operadora piorou em relação ao mesmo período do ano passado, quando as perdas atingiram 161,2 milhões de dólares. Apesar das dificuldades causadas pelo facto de as autoridades tornarem o mercado inacessível aos clientes do Interior, através da estratégia de zero casos de covid-19, a operadora mostrou-se confiante, por considerar que a procura continua a existir. “Em Macau, no primeiro trimestre, o mercado conti-
nuou a registar um número de visitantes abaixo do potencial [...] e esta tendência continuou no segundo trimestre, com as receitas brutas do jogo de Abril a representarem apenas 11 por cento dos níveis de Abril de 2019”, reconheceu Craig Billings, CEO do Grupo Wynn Resorts, que detém a concessionária Wynn Macau. “Os nossos resultados até esta data reflectem a tendência com uma redução da taxa de ocupação dos hotéis. Mas, também temos momentos que nos encorajam, porque quando mercado está acessível vemos que a procura regressa muito rapidamente e a taxa de ocupação sobre para o nível de 65 por cento a 75 por
cento, como aconteceu durante os feriados recentes [de Maio]”, acrescentou.
Nova Era
Nos últimos meses, a indústria sofreu uma revolução, com as autoridades a “varrerem” o jogo VIP do território, depois de uma campanha contra as principais empresas promotoras do jogo. No entanto, o novo cenário não assusta a empresa, que tem uma grande tradição de apostar no segmento VIP. “A longo prazo estamos muito entusiasmados com as perspectivas sobre Macau, porque existe muita procura na região. O mercados está em
“Em Macau, no primeiro trimestre, o mercado continuou a registar um número de visitantes abaixo do potencial.” CRAIG BILLINGS CEO DO GRUPO WYNN RESORTS
evolução e estamos prontos para nos adaptarmos e fazer crescer os negócios, de acordo com as mudanças”, prometeu Craig Billings. No que diz às relações com empresas de promoção de jogo, as junkets, Craig Billings afirmou que a empresa ainda não acumulou qualquer “exposição material” em relação a créditos que terão ficado por pagar. Em Novembro, o Tribunal de Última Instância decidiu que a Wynn Macau também é responsável por um depósito de 6 milhões de dólares de Hong Kong que tinha sido feito junto da promotora Dore Entertainment, que operava no casino da concessionária. Com o acréscimo de juros de mora, o montante deve rondar os 9 milhões de dólares de Hong Kong. Ao mesmo tempo, o CEO da Wynn Macau afirmou que a operadora está muito contente com a proposta de lei do jogo, que acaba com os casinos satélite e limita as operações de cada junket a apenas uma concessionária. João Santos Filipe
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Fazer ainda
Penny Lam, da da primeira ed documentário p por quem é do estão por conta
A
Penny Lam, curador “Há temas de Macau que são bons para explorar no género documentário, tal como elementos culturais que estão a desaparecer.”
associação Comuna de Han Ian está a organizar a primeira edição de um festival inteiramente dedicado ao género documentário mas com produções sobre o território e feitas por realizadores locais. A primeira edição da Competição do Documentário de Macau, que, além da exibição dos filmes irá incluir uma exposição, decorre em Julho, sendo que as submissões de projectos podem ser feitas até à próxima segunda-feira, dia 16. A organização não tem ainda um local definido para a realização do evento. “Como uma das maiores associações que promove o cinema documental na cidade, a Comuna de Han-Ian tem providenciado uma plataforma para mostrar os trabalhos que são feitos em todo o mundo, procurando uma liberdade criativa nos últimos anos. Esperamos poder estabelecer a primeira competição que se foca apenas nos documentários de Macau, a fim de apresentarmos o trabalho dos realizadores locais de forma profissional”, lê-se numa nota. O júri será composto por realizadores e representantes da indústria do cinema da China, sendo que o documentário seleccionado como “Melhor Filme” irá obter um certificado e um prémio de dez mil patacas, além de ser exibido publicamente. Ao HM, o curador do evento, Penny Lam, explicou que quaisquer residentes de
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er o que a não foi feito DOCUMENTÁRIO COMUNA DE HAN IAN ORGANIZA PRIMEIRO FESTIVAL DE PRODUÇÕES LOCAIS
a associação Comuna de Han Ian, é o curador dição de um festival inteiramente dedicado ao produzido sobre e em Macau e, acima de tudo, território. O objectivo é revelar histórias que ar e mostrar o trabalho de jovens realizadores Macau, mesmo os que vivam no estrangeiro, podem concorrer. De frisar que a Comuna de Han-Ian tem vindo a organizar, desde 2016, um outro evento dedicado ao género documentário, o Festival Internacional do Documentário de Macau, que irá também decorrer em Julho. “Organizamos, desde 2016, este festival, mas este não se foca muito nos documentários produzidos em Macau, porque existem outros eventos nos quais os realizadores participam. Pensei que, com a minha experiência, poderia promover mais os documentários que são realizados em Macau para um nível mais profissional, uma vez que tenho contacto com curadores de outros festivais a nível internacional.” Segundo Penny Lam, a ideia sempre foi “fazer uma competição focada apenas nos realizadores locais, juntamente com um ciclo de exibição de filmes e uma exposição, para mostrar os
“O documentário constitui um bom começo para muitos realizadores locais, porque a produção é mais barata e existe maior liberdade em matéria de conteúdos e filmagens.” PENNY LAM CURADOR
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trabalhos dos participantes junto do público”. O objectivo é atrair “uma grande quantidade de submissões”, incluindo projectos que normalmente são candidatos às competições organizadas pelo Instituto Cultural. “Também espero muitas submissões de realizadores de Macau que vivam fora do território, em Portugal por exemplo, porque não necessitamos que o filme seja filmado em Macau. Podem ser realizadores com ligações a Macau ou então co-realizadores, por exemplo. Estou algo ansioso pelas submissões que serão apresentadas e que tenham sido filmadas noutros países.”
Números “muito bons”
Penny Lam acredita que Macau é, acima de tudo, um território onde há muitas histórias por contar, daí um novo festival fazer todo o sentido. “Há temas de Macau que são bons para explorar no género documentário, tal como elementos culturais que estão a desaparecer. Mas o que espero no futuro é que possa existir maior criatividade na produção de documentários e essa é uma das razões pelas quais eu estou a promover esta competição, porque queremos ver e descobrir até que ponto vai essa criatividade junto dos realizadores locais.” O curador diz ainda que os jovens realizadores têm prestado cada vez mais atenção a este género cinematográfico. “Todos os anos os números relativos ao público [dos nossos eventos] são muito
bons. Acredito que o género documentário tem um impacto positivo não apenas junto do público mas também por parte dos realizadores. Os realizadores de Macau são muito focados neste género e revelam muito entusiasmo, e penso que muitos jovens optam por fazer documentários, porque Macau está a mudar muito rapidamente, mesmo que seja uma cidade pequena.” Desta forma, “o documentário constitui um bom começo para muitos realizadores locais, porque a produção é mais barata e existe maior liberdade em matéria de conteúdos e filmagens”. “Muitas pessoas estão de facto a começar a sua carreira por este género”, frisou Penny Lam. Ainda assim, o responsável da associação Comuna de Han-Ian alerta para os desafios constantes em organizar festivais deste género. “Há o patrocínio do IC mas existem muitas dificuldades em organizar estes eventos porque não há uma grande indústria cinematográfica e não existe, a nível local, uma mentalidade para a realização de um festival de cinema. É difícil para nós encontrar bons parceiros e a equipa para este evento é muito nova, tudo é novo. Temos de fazer muitas tentativas e discutir muitas coisas porque não temos um modelo de evento semelhante que possamos copiar. Não temos experiência e profissionais”, conclui. Andreia Sofia Silva
HOJE TERAPIA Paula Bicho
Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com
Stress
(PARTE III)
• DESCRIÇÃO Diariamente despendemos o nosso capital de energia e, à noite, um sono restaurador proporciona-nos a energia necessária para enfrentarmos um novo dia. Mas nem sempre é assim quando nos sentimos fatigados. A fadiga pode ser um sintoma de diversas patologias, ou ter origem em maus hábitos alimentares (excesso de açúcares, deficiências nutricionais, alergias alimentares, intoxicação), estilo de vida desadequado (excesso de trabalho, maus hábitos de sono, stress, consumo excessivo de cafeína ou de álcool) ou até na toma de alguns medicamentos. Neste caso, convém averiguar a causa de forma a, sempre que possível, ser corrigida ou tratada.
Numerosas plantas medicinais podem ajudar a melhorar os impactos no corpo e na mente provocados pelo stress, sendo de realçar as plantas adaptogénicas. Exercendo a sua acção sobre o sistema neuro-endócrino e imunitário, as plantas adaptogénicas fortalecem o organismo, aumentando a sua capacidade de resistência às doenças, à fadiga e ao stress, e também melhoram a atenção. Desta forma, auxiliam o corpo e a mente a reagir com mais eficácia aos vários agentes stressores – sejam eles factores de origem física, mental, emocional ou ambiental. Além destas, muitas outras podem ser úteis, como por exemplo as plantas com actividade sedativa/calmante, hipnótica (indutora do sono) ou tónica. Vamos conhecer Hoje algumas delas: Ginseng (Ginseng-coreano, Ren shen), Panax ginseng, raízes: Originário do Nordeste da China, Leste da Rússia e Coreia do Norte, onde rareia em estado selvagem, o Ginseng apresenta folhas dentadas e ovais, flores de cor amarelo-esverdeada agrupadas num cacho e raízes antropomórficas; pode crescer até 1 metro de altura. Reputada planta da medicina tradicional chinesa, a sua utilização como remédio remonta há cerca de 7000 anos. Adaptogénico com efeitos tónicos, estimulantes e revigorantes, aumenta a capacidade de resistência do organismo ao stress mental e emocional, bem como à fadiga, à fome e a grandes amplitudes térmicas. Além disso, tem actividade antioxidante e anti-inflamatória, reforça a imunidade e a resistência às infecções, e melhora a destreza mental, sendo ainda um tónico sexual de referência. É muito recomendado para situações de stress, esgotamento nervoso, estudantes em época de exames, desportistas, idosos, pessoas debilitadas pela doença, convalescentes e para aumentar a imunidade no Inverno. Pode ser tomado em cápsulas, comprimidos e tintura, de preferência com extractos padronizados. A raiz é
dispendiosa, pelo que suplementos de qualidade potenciam os resultados. Rodiola, Rhodiola rosea, raízes: Trata-se de uma planta com cerca de 70 cm de altura, caule erecto, folhas verde-claras, pequenas flores amarelas agrupadas em corimbos e rizoma suculento, nativa das tundras e regiões montanhosas da Rússia e Ásia, onde é usada medicinalmente há mais de 3000 anos. Exerce actividade adaptogénica, auxiliando o corpo e a mente a reagir ao stress, melhora o rendimento físico e mental, e beneficia o humor e a vitalidade. Tem igualmente propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, sendo considerada um tónico masculino. Está indicada em caso de stress prolongado, fadiga física e mental, estados de exaustão, como na fadiga crónica e no esgotamento nervoso, estados depressivos e, ainda, para os estudantes em época de exames e desportistas. Pode ser tomada em cápsulas, comprimidos e tintura, de preferência com extractos padronizados. Tulsi (Basílico-sagrado, Manjericão-sagrado), Ocimum sanctum, partes aéreas: Cultivado em redor dos templos, fazendo jus ao seu nome comum, cresce na Índia e outras regiões tropicais da Ásia. Parente próximo do Manjericão ou Basílico (Ocimum basilicum), famosa erva da cozinha italiana, o Tulsi é uma planta aromática com cerca de 70 cm de altura, folhas serradas e cobertas de pêlos finos, e pequenas flores purpúreas ou brancas agrupadas em ramalhetes terminais. Importante planta da medicina ayurvédica, é venerado na Índia, sendo consagrado à deusa Lakshmi, esposa de Vixnu, o deus que preserva a vida. Com acção adaptogénica, tónica e revigorante, ajuda o corpo e a mente a adaptar-se a novas exigências e tensões, aliviando o stress; também protege o coração dos seus efeitos nefastos, reduzindo a pressão arterial, os níveis de colesterol e de açúcar no sangue. Reforça a imunidade e é anti-inflamatório. Pode ser tomado em decocção, cápsulas e pó.
ADVERTÊNCIAS: Este artigo tem como objectivo apenas a divulgação e não deve substituir a consulta de um profissional de saúde, nem promover a auto-prescrição. Além disso, algumas plantas têm contra-indicações, efeitos adversos ou interacções com medicamentos.
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12.5.2022 quinta-feira
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AFP
ESTUDO RISCO DE 1,6 MILHÕES DE MORTOS CASO PAÍS ABANDONE MEDIDAS DE PREVENÇÃO
INFLAÇÃO TAXA FIXA-SE EM 2,1% NO MÊS DE ABRIL
O
índice de preços ao consumidor (IPC), o principal indicador da inflação na China, aumentou 2,1 por cento, em Abril, em termos homólogos, segundo dados oficiais divulgados ontem pelo Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) do país. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), que mede os preços nas vendas por grosso, cresceu 8 por cento, de acordo com a mesma fonte. O IPC avançou 1,5 por cento em Março, mês em que o IPP subiu 8,3 por cento, pelo que os dados de Abril representam uma subida de 0,6 por cento, no caso do primeiro, e uma contração de 0,3 por cento, no segundo. Em ambos os indicadores o resultado é superior ao esperado pelos analistas, que previam um aumento de 1,8 por cento no IPC e de 7,7 por cento no IPP. Segundo o GNE, os preços ao consumidor foram afetados pelas restrições impostas pelas autoridades para conter surtos de covid-19 e pelo aumento dos preços internacionais das matérias-primas. Este último fator também explica a evolução do IPP. Em Março, as autoridades mantiveram a meta de 3 por cento para o avanço do IPC em 2022.
A importância da Segundo um relatório da Universidade Fudan, em Xangai , a baixa taxa de vacinação entre a população mais velha e a menor eficácia das vacinas chinesas estarão na origem da alta taxa de mortalidade, caso as medidas de combate à covid-19 sejam aliviadas
U
M estudo da Universidade Fudan, em Xangai, apontou que a China corre o risco de registar cerca de 1,6 milhões de mortos, caso modere ou reduza as medidas de prevenção e controlo da covid-19. O estudo, revisto por pares, e publicado na revista Nature, concluiu que a variante Ómicron
do coronavírus SARS-CoV-2, altamente contagiosa, ia sobrecarregar o sistema hospitalar do país, devido à baixa taxa de vacinação entre os idosos e menor eficácia das inoculações domésticas. O modelo, desenvolvido em conjunto por especialistas chineses e norte-americanos, sugeriu que o surto causaria 112 milhões de casos sintomáticos, ou 80 casos
Os investigadores estimaram que pessoas não vacinadas, com mais de 60 anos, seriam responsáveis por três quartos (74,7 por cento) das mortes
por mil pessoas, com 2,7 milhões a necessitarem de tratamento em cuidados intensivos. Durante o pico, a procura de cuidados intensivos ia superar em 16 vezes a capacidade actual existente, de acordo com o modelo matemático usado para simular um hipotético surto de Ómicron na China, com base em dados da situação em Xangai (leste).
DIPLOMACIA CHINA E REPÚBLICA DA COREIA IMPULSIONAM COOPERAÇÃO PRAGMÁTICA
O
desenvolvimento integral e rápido nas relações bilaterais com crescentes interesses comuns desde o estabelecimento de relações diplomáticas, lembrou Wang, EPA-EFE
vice-presidente da China, Wang Qishan, em visita a Seul, e o Presidente recém-empossado da República da Coreia, Yoon Suk-yeol, concordaram esta terça-feira em impulsionar as relações bilaterais e a cooperação pragmática. Como representante especial do Presidente chinês, Xi Jinping, Wang participou na cerimónia de posse no mesmo dia. Durante sua reunião com Yoon, Wang transmitiu as cordiais saudações de Xi, informa a Xinhua. A China e a República da Coreia, como vizinhas próximas e importantes parceiras, testemunharam um
acrescentando que face a um mundo cambiante e uma pandemia não vista em mais de um século, fortalecer a cooperação bilaterais é de maior importância para am-
bas as partes, para a região e para o mundo inteiro. A China está disposta a trabalhar com a República da Coreia para elevar continuamente a parceria
cooperativa estratégica para um nível superior e manter-se ao ritmo dos tempos, sublinhou. Por seu lado, Yoon pediu que Wang transmita as suas saudações ao Presidente Xi. Desde o estabelecimento das relações diplomáticas, os dois países testemunharam um rápido progresso no desenvolvimento das relações bilaterais e o comércio bidireccional atingiu um momento histórico apesar da pandemia da COVID-19, apontou Yoon. O governo sul-coreano, com base no respeito mútuo, está disposto a aproveitar o 30.º aniversário dos laços diplomáticos como uma opor-
tunidade para promover uma comunicação estratégica de alto nível e intercâmbios em todos os níveis mais estreitos, reforçar ainda mais os intercâmbios e a cooperação em todas as áreas e fortalecer a amizade entre os povos, para marcar o início de uma nova era para as relações bilaterais, indicou. A República da Coreia está disposta a fortalecer a comunicação e a coordenação com a China para promover conjuntamente a paz, a estabilidade e a prosperidade na Península Coreana, acrescentou.
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seriam tratados com o medicamento antiviral oral Paxlovid, desenvolvido pela farmacêutica Pfizer e aprovado na China, os internamentos e as mortes podiam ser reduzidos em quase 89 por cento, acrescentaram. Para diminuir o número de mortos para um nível comparável à contagem anual de mortes causadas pela gripe sazonal na China, em torno de 88 mil, os investigadores disseram que a adesão à vacina entre os idosos deve atingir 97 por cento, e que mais de metade das infecções sintomáticas deve ser tratada com terapias antivirais. “A longo prazo, melhorar a ventilação, fortalecer a capacidade dos cuidados intensivos e o desenvolvimento de novas vacinas altamente eficazes, com persistência imunológica a longo prazo, seriam as principais prioridades”, disse a equipa.
Do pior
A China está a enfrentar o pior surto de covid-19 desde que conteve os primeiros casos da doença, em Wuhan (centro), em 2020. A campanha de vacinação em massa chinesa assentou nas vacinas desenvolvidas internamente pelas farmacêuticas Sinopharm e Sinovac. Ambas as vacinas oferecem alguma protecção contra doença grave, hospitalização e morte,
No melhor cenário, em que todos os casos sintomáticos seriam tratados com o medicamento antiviral oral Paxlovid, desenvolvido pela Pfizer e aprovado na China, os internamentos e as mortes podiam ser reduzidos em quase 89 por cento
em caso de infecção pela variante Ómicron, de acordo com uma avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), mas têm taxas de eficácia mais baixas do que algumas inoculações utilizadas no resto do mundo. Desde o início da pandemia, o país registou 5.191 mortes e 220.397 casos de covid-19. A doença causou mais de seis milhões de mortos e mais de 510 milhões de infecções em todo o mundo, de acordo com dados da Universidade norte-americana Johns Hopkins.
ELEIÇÕES NEPAL FECHA FRONTEIRAS COM ÍNDIA E CHINA
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Nepal decretou o encerramento das fronteiras internacionais com a Índia e a China durante três dias, até à realização das eleições locais na próxima sexta-feira, as segundas em 20 anos. “Todos os pontos fronteiriços [com a Índia e a China] estarão encerrados desde terça-feira e até sexta-feira, sendo permitidos apenas serviços de emergência”, declarou o porta-voz do Ministério do Interior do país, Phanindra Mani Pokharel. A medida foi considerada pelas autoridades como necessária para prevenir incidentes de segurança durante as eleições locais, que se realizam em 753 entidades por todo o país, com 30 milhões de pessoas, para eleger 35.221 representantes. As autoridades do Nepal, que partilham a fronteira de 1.800 qui-
lómetros com a Índia e quase 1.400 quilómetros com a China, proibiram também a venda de álcool até ao fecho das urnas e a circulação de veículos privados e públicos, com excepção para os de emergência, durante as horas de votação. A Associação de Operadores de LinhasAéreas afirmou em comunicado que todos os voos domésticos permanecerão suspensos na sexta-feira, excepto para operações de salvamento, enquanto os voos internacionais
funcionarão com normalidade. Estas são as segundas eleições locais, desde 2017, em democracia no Nepal e realizam-se apenas alguns meses antes das eleições parlamentares e para as assembleias provinciais, previstas para Novembro. Com o início da guerra civil no país em 1996, que se arrastou durante uma década, as eleições ficaram paralisadas até à instituição do processo de paz em 2008, quando se realizaram eleições para compor a Assembleia Constituinte. Desde então, os sucessivos governos nepaleses dedicaram-se em alcançar um consenso sobre a Carta Magna, finalmente aprovada em 2015, tendo sido relegada para segundo plano, durante vários anos, a convocação de eleições municipais.
Região GETTY IMAGES
vacinação
Os investigadores estimaram que pessoas não vacinadas, com mais de 60 anos, seriam responsáveis por três quartos (74,7 por cento) das mortes, considerando que 52 milhões de pessoas nessa faixa etária não estavam totalmente vacinadas em meados de Março. No melhor cenário, em que todos os casos sintomáticos
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Uma vitória anunciada Ferdinand 'Bongbong' Marcos declara-se "presidente eleito" das Filipinas com mais de 56% dos votos
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ERDINAND 'Bongbong' Marcos, filho do ex-ditador Ferdinand Marcos declarou-se ontem vencedor das eleições presidenciais que se realizaram na passada segunda-feira nas Filipinas, apesar de ainda não serem conhecidos os resultados oficiais. Numa conferência de imprensa ontem em Manila, Vic Rodríguez, o porta-voz de 'Bongbong' Marcos, disse que o candidato se declara "presidente eleito" e que Sara Duterte-Carpio, filha do anterior chefe de Estado Rodrigo Duterte, vai ser vice-presidente das Filipinas. De acordo com os resultados provisórios, Marcos obteve 31 milhões de votos (mais de 56 por cento), o dobro da adversária Leni Robredo, enquanto Duterte-Carpio alcançou os 31 milhões de votos. A contagem dos votos é um processo lento nas Filipinas sendo que o resultado oficial só deve ser conhecido nas próximas semanas. "Os filipinos falaram de forma decisiva: Ferdinand 'Bongbong' Marcos Júnior vai ser o 16.º presidente das Filipinas. Com números históricos, as pessoas usaram o voto para unir a nação. Esta é uma vitória para todos os filipinos e para a democracia", indicou Rodríguez. [Marcos] compromete-se a ser o presidente de todos os filipinos e a procurar consensos nas [actuais] divisões políticas e a trabalhar em conjunto para unir a nação", disse o porta-voz. "'Bongbong' tem interesse em trabalhar em todo o país,
com parceiros e organizações internacionais para enfrentar os problemas críticos que a nação enfrenta e quer começar com soluções", sublinhou Rodríguez. Um dos primeiros actos públicos de Marcos após as eleições foi a visita ao túmulo do pai, sepultado no Cemitério dos Heróis de Manila, onde depositou flores.
Passado foi lá atrás
As imagens da visita ao cemitério foram divulgadas ontem através da conta oficial de 'Bongbong' Marcos na rede social Twitter. A visita ocorre um dia depois de Marcos ter afirmado que vai trabalhar para todos os filipinos pedindo para que não sejam julgados os actos do passado. "Não me julguem pelos meus antepassados mas sim pelas minhas acções", disse Marcos através do porta-voz, Vic Rodríguez, num comunicado lido na noite de terça-feira. O regime do pai, antigo ditador das Filipinas, provocou a morte de três mil pessoas em execuções extrajudicialmente e mandou torturar mais de 35 mil cidadãos. Durante a ditadura (19651986), Ferdinand Marcos desfalcou o Estado em mais de 10 mil milhões de dólares. Recentemente uma campanha de desinformação e propaganda que se prolongou durante os últimos anos tentou branquear o regime autoritário do ditador Ferdinand Marcos.
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AMÉLIA VIEIRA
Ideias feitas à parte, nós vivemos contudo mergulhados nelas. É um impulso orgânico o não perturbar os dias com estratos demarcados onde a crítica demore tempo, que o mais rápido é sempre a frenética indignação ou a quimera robusta das ideias tangíveis (critérios abastecidos por derivas de exacerbadas teorias justiceiras) quantas vezes dadas enquanto acto pusilânime face áquilo que não se encaixa no automatismo do politicamente correcto. Toda a Guerra nos transmite pesar, não devendo pesá-las no entanto como jogos florais. As épocas têm contudo os seus “clichés” sendo alguns intemporais na abrangência de como é, ou deve ser, a demarcação do registo ilustrado do pensamento de cada um. Essas coisas de nós - civilização, que todos humanos somos - e bem mais perto uns dos outros do que humanamente pensamos, destróinos pelo seguidismo seja lá do que for numa qualquer época. «DICTIONNAIRE DES IDÉS REÇUS» é o título do Dicionário das Ideias Feitas que um Flaubert sempre acometido de desprezo febril por todo o “bem-pensante” nos transmite em forma de farsa: ele retira-se dos juízos de valor e de questões de apreciação, mas vamos encontrá-lo na delícia das ditirâmbicas frases que passaram de boca em boca e acabaram como provável anexo do romance «Bouvard et Pécuchet». Flaubert tinha um desprezo genuíno por coisas que todos considerarão da máxima importância, talvez seja um homem demasiado antigo para o pensarmos razoável, ou mesmo atencioso, moderado, que isto há seres que não se subtraem ao regimento dos seus próprios efeitos, mesmo que barricados. Ele não gostava de gostar daquilo que fazia brilhar “a coisa” triste dos indecentes. A indecência é uma espécie de credulidade que se projecta sem noção alguma do seu próprio ridículo, que podendo ser travestido, nada terá a ver com a inesperada transsexualidade de uma «Madame de Bovary». Nesta ronda, o melhor será rodar na enorme paródia, chavões, frases feitas, e acometimentos do seu Dicionário. Os dicionários continuam a ser grandes mestres, e fica aqui plasmado o interesse por tão belos exemplares, que
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12.5.2022 quinta-feira
O dicionário de Flaubert
ao invés de se tornarem matéria morta devem ser reabilitados. Por ordem alfabética vamos ao encontro de todas as designações possíveis, levamos doses de desmerecimento e de incompetência face à veloz capacidade de saber usar a palavra para todos os lados da métrica, estamos suspensos agora na letra L « Leite - Dissolve as ostras. Atrai as cobras....» [e se as cobras tivessem ossos e sofressem de osteoporose?] - P- Púrpura - «palavra mais nobre do que encarnado» Encarnado?- Eh, Vermelho! Encarnado é para quem encarna.
« - D - Dinheiro- » os ministros chamam-lhe vencimentos, os notários emolumentos, os médicos honorários, os empregados ordenado, os operários salário, os criados soldada. - Quase dá gosto uma desgarrada que desentorpeça a triste dicção da língua cada vez mais produzida e falha na sua gene criativa. «Aprendemos a querer-te por tua divina presença!» - Mas quem te fala está, no entanto, preso à circunstância factual, aos insondáveis discursos sem nexo e ao fragmentado conteúdo das necessidades, e quando nos “dicionamos” por aqui, a linguagem que anda
ESTAMOS EM MAIO, E FLAUBERT GOSTAVA DE NOVEMBRO – CONTOS - NÃO SE ESQUECENDO DE REPRODUZIR MUITAS IDEIAS DESTE DICIONÁRIO EM GRANDES GOLFADAS DE NARRATIVA INTRÉPIDA, NÃO RARO ENSIMESMADA, E DE TOTAL HORROR POR TUDO O QUE DE MEDÍOCRE NA VIDA SE INSTALA
por aí fica então ao nível do estrondo da caricatura desses impressionáveis de laboratório que se rebolam de averiguações para dizerem, NADA: «Letra N» Como é bela a natureza! Frase a proferir sempre que uma pessoa passa pelos campos. Estamos em Maio, e Flaubert gostava de Novembro – Contos não se esquecendo de reproduzir muitas ideias deste dicionário em grandes golfadas de narrativa intrépida, não raro ensimesmada, e de total horror por tudo o que de medíocre na vida se instala. Devia ser aqui a anexação de tal depoimento e não teríamos razões para tributar a nossa curiosidade em procuras que nos levem o tempo para nada depois extrair. Mas ele ainda há coisas que nem nos dicionários aparecem: Flaubert morreu a 8 de Maio de 1880, venho de saber. Que coisa é esta? É um contacto improvável a acrescentar para que lhe diga: Afinal « Madame de Bovary, c´est moi» .
quinta-feira 12.5.2022
diário de próspero
ANTÓNIO CABRITA
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Comente-se agora: a) «eufonia». O cisne morre cantando e canta morrendo. Decorre daí a escolha do vocábulo “eufonia” – antecipando o desejo de fusão que a música autoriza -, condicionando o poema, pois obrigá-lo-á ora a rimas soantes ora a aliterações. b) «os Museus de Arte da Europa»: o cisne é um dos animais mais representados no bestiário da pintura europeia.
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A construção do poema
Porque o poema é menos a bisca que o bridge, fui a uma escola explicar a engenharia do poema. Um dia fiquei chocado com uma notícia: por causa do H5N1 (a gripe das aves) os cisnes dos lagos e jardins europeus apareciam mortos. Abri o caderno e verti o seguinte poema: A eufonia dos cisnes infiltrados de H5N1/ invadiu os Museus de Arte da Europa. / Ledos, os guardas e as lídimas, canoras/ guias turísticas, repetem, “eis-nos no debrum // do Casal Ventoso”. Pelo ar, lamenta-se Barroso,/ num francês de estufa, todas as fronteiras, / inclusive as mais abruptas, são porosas. / Quem amnistia a brutal epizootia (frioleiras // de uma tia que arrasta à Casa dos Répteis, / Horácio, o epiléptico?) que lança no Averno / os lagos da Suíça, as margens de salgueiros / onde a súcia gozava estiagem, o pistácio // e o matutino, e ficavam surdos aos ralhos maternos / (e quase alados) os dedos dos petizes? Quem,/ no desatino de uma paixão suicida (Werther / faz duzentos e trinta anos), sacudirá a fogueira // da Europa? Poupem-se ao menos as perdizes!/ Os apoios externos estão garantidos, anunciase/ em Maputo – tudo a postos contra os lampos/ frangos da Nigéria. Entretanto, desatino oportuno, // lambuza-se o vírus nas bibliotecas da Grécia e bica / a polpa exangue dos sonetos de Yeats e Mallarmé. / Rien de rien, meu amor (vê-me, please, s’algum bicho / me picou na nuca), as nossas crias sorvem o seu capilé. // Coisas da Europa caduca - do seu espírito erudito / que, canzoada arrepiada, é hoje pasto para o mosquito / (enquanto a fufa da tia - que raio designa uma epizootia?- / empurra de mansinho o Horácio da balaustrada).
ARTES, LETRAS E IDEIAS
c) “ledo”: risonho, contente, alegre, jubiloso. Mas o adjectivo foi escolhido pela homofonia em relação a Leda, uma rapariga cuja beleza provocou tais convulsões em Zeus, que este se metamorfoseou em cisne para a possuir e fecundar. d) “ledo”, por contiguidade, “metamorfoseou-se” em “lídimo” (legítimo, autêntico), pois as guias-turísticas são quem autenticam as “histórias do lugar”, nas visitas turísticas. Por outro lado, associando “canoras e lídimas” associo, por
RAMON GÓMEZ DE LA SERNA ESCREVEU UMA VEZ UM LONGUÍSSIMO TEXTO SOBRE PREGOS QUE LIDO É UM FABULOSO EXERCÍCIO, MAS QUE NUNCA COLIGIU NA SUA OBRA COMPLETA, PORQUE SENÃO TODAS AS CÓPULAS DARIAM FILHOS, O QUE SERIA UM TREMENDO DISPARATE
extensão, a beleza dos cisnes à das guias turísticas, geralmente belas ragazzas. e) “eis-nos no debrum/ do Casal Ventoso”. Introduzi o vocábulo como rima do 1 de H5N1, mas também como ideia de limite, pois o Casal Ventoso era um bairro de Lisboa de grande degradação. O Casal Ventoso é, aqui, o inverso da ordem dos Museus. f) Barroso: Durão Barroso. Uso a frase dele que a notícia cita para falar da impotência da Europa face à calamidade: «por ar todas as fronteiras são porosas», o que além do mais me permite a aliteração: oso e osa(s). g) Uma palavra que aparecia na notícia e que desconhecia: “epizootia”. Como a desconhecia de todo, uso uma liberdade poética e concedo-lhe um significado meio absurdo: “frioleiras de uma tia – a fufa!-/ que arrasta à Casa dos Répteis, Horácio, o epiléptico?”, que por um lado introduz uma segunda trama no poema e por outro é uma crítica à imprensa sensacionalista que invadiu o quotidiano da Europa. h) «... que lança no Averno/ os lagos da Suíça»: Averno, um dos nomes que se dava ao Inferno na antiga Grécia, e a Suíça é o símbolo da estabilidade burguesa europeia. i) Werther (1774), o primeiro romance burgês original, que cria
o tipo de intelectual burguês jovem desadaptado à sociedade e que entra em conflito por causa da apreciação elevada de si próprio e do desajuste a que o sistema social o obriga, acabando por suicidar-se. j) Um poema circunstancial, que parte de uma simples notícia, pode ser o pretexto para falar (parodicamente) da perda de aura de uma certa ideia de Europa como força civilizacional, o que leva ao comentário irónico (e pessoal, por questões de gosto): «Poupemse ao menos as perdizes!», pitéu gastronómico, vocábulo que mais uma vez não está ali só para rimar com petizes. l) Lampo, parente fonético de frango: “o que vem fora do tempo, temporão”. Uma crítica ao “deixaandar” e à permeabilidade com que em África mais facilmente a perspectiva de um bom negócio para alguns pode fechar os olhos à calamidade pública que a sua execução acarreta. m) «nas bibliotecas da Grécia...»: a mitologia grega legou-nos a lenda de Leda e do Cisne (Zeus), daí que seja nas bibliotecas da Grécia que os cisnes enlouquecidos começaram por esfacelar os poemas de Yeats e Mallarmé. n) A quadra final (depois do descanso privado do capilé, pois o mundo não pode ser só desesperança) reforça a denúncia do estado de absurdo a que as vicissitudes da vida contemporânea nos impelem. O poema brotou de uma notícia de circunstância, mas não prescinde, na sua construção, de um cabedal de referências que fazem parte tanto do sistema cultural em que cresci como de um estranho jogo entre a necessidade e a liberdade, que é o acto criativo. Embora essa cultura me esteja imbuída; o poema foi escrito de impulso, sem preparação prévia: o primeiro rascunho, no café, uma segunda versão quando o passei ao computador. É poema de valia? Nem isso importa. Só publico um terço do que escrevo, o resto é para ginasticar a imaginação. Ramon Gómez de La Serna escreveu uma vez um longuíssimo texto sobre pregos que lido é um fabuloso exercício, mas que nunca coligiu na sua obra completa, porque senão todas as cópulas dariam filhos, o que seria um tremendo disparate.
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CINETEATRO
A CASA DE TARGARYEN | GEORGE R.R. MARTIN E RYAN CONDAL | 2022
C I N E M A
SALA 1
Com: Jake Gyllenhaal, Yahya abdul-Mateen II, Eiza Gonzalez 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
DOCTOR STRANGE IN THE MULTIVERSE OF MADNESS [B] Um filme de: Sam Raimi Com: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong 14.15, 16.45, 19.15, 21.45
Com a chancela da HBO, A Casa de Targaryen é um spin-off da série Guerra dos Tronos. Com o lançamento agendado para Agosto começam a surgir vários trailers, que deixam antever uma série que tem tudo para maravilhar os fãs da Guerra dos Tronos. A acção acontece 200 anos antes dos eventos retratados na série principal, e focam as ligações entre aquela que foi a primeira dinastia dos Sete 31 Reinos e que está intima1mente 0 ligada 4 8 aos 5 dragões. 6 2 3 João Santos Filipe
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SALA 3
MY BEST FRIEND’S BREAKFAST [B] FALADO EM PUTONGHUA, LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Ryan Tu Com: Eric Chou, Moon Lee 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
SALA 2
AMBULANCE [C]
Um filme de: Michael Bay
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macau visto de hong kong
David Chan
PROIBIÇÃO DO ABORTO UMA DAS NOTÍCIAS que recebeu maior destaque a semana passada foi a eminência da aprovação da lei anti-aborto nos Estados Unidos. O website Politico divulgou a proposta de deliberação redigida por um juiz do Supremo Tribunal relativa ao aborto. O Supremo Tribunal afirma que pode ser votada a reversão da deliberação do caso Roe versus Wade, uma decisão que remonta a 1973 e que consagra o direito da mulher à interrupção voluntária da gravidez. Rose Norma McCorvey, engravidou em 1968. Para fazer um aborto legal, foi aconselhada a declarar que tinha sido violada. No entanto, sem uma queixa de violação na polícia, não pôde abortar por esta via. Em 1970, Rose Norma, usando o pseudónimo de Jane Rose, apresentou um processo, alegando que a lei que proibia o aborto violava o seu direito à privacidade. O caso acabou por subir ao Supremo Tribunal. Em 1973, o tribunal deliberou que as mulheres têm direito a interromper a gravidez. O tribunal salientou que o direito das mulheres à prática do aborto está sujeito a um escrutínio rigoroso, com regras diferentes de acordo com três fases distintas de desenvolvimento do feto. A primeira determina que, salvo raras excepções, a interrupção da gravidez só pode ser realizada até às 12 semanas, período no qual a vida do feto é inviável fora do útero. Entre a 13ª e a 23ª semanas o aborto só pode ser realizado se a gravidez ameaçar a vida da mãe. A partir da 24.ª semana, quando o feto já pode sobreviver fora do útero, o aborto é totalmente proibido. Esta deliberação concedeu às mulheres o direito ao aborto, mas a argumentação que a sustenta é discutível. A deliberação apenas define como é que o direito ao aborto é aplicável, mas não define o que é o direito à privacidade, como é que esse direito é apresentado na constituição dos EUA, de que forma é que o direito à privacidade pode conferir à mulher o direito ao aborto, etc. A questão do aborto divide a sociedade americana. O aborto levanta questões morais. No caso de uma gravidez normal, está em causa a saúde da mãe, o direito do feto à vida, e ainda se a mãe tem direito a abortar sem o consentimento do pai. No caso de uma gravidez provocada por violação, está em causa se a mãe quer ou não levar a gravidez até ao fim e se o feto não tem direito à vida por ter sido fruto de uma violação. Ou então se o feto sofrer de uma doença incurável, incompatível com a vida, a mãe tem nesse caso direito a interromper a gravidez, etc. Na medida em que existem muitas condicionantes, e todas as questões são muito controversas, a sociedade só pode usar a lei para determinar o consenso de forma a evitar a recorrência de conflitos. Neste sentido, a lei é apenas uma ferramenta para remediar o
problema, não uma solução. Para resolver o problema moral é necessário o consenso social. Contudo, quando as questões são muito controversas, as opiniões podem dividir-se em partes praticamente iguais, com 49 por cento dos membros do Supremo Tribunal a favor e 51% contra. Estes números apenas reflectem uma formalidade, não um consenso substantivo. Para além das questões legais e éticas, é preciso ter em atenção outro ponto: como é que ocorreu a fuga de informação relativa à proposta do Supremo Tribunal. Durante os julgamentos, as propostas de sentença são escritas pelo juiz responsável e são apresentadas a outros juízes para que emitam a sua opinião. Portanto, o que foi divulgado foi a proposta de alteração e não a decisão final. Embora a decisão final venha a ser publicada para conhecimento público, de acordo com a common law, esta decisão será incluída em relatórios legais para consulta. Esta fuga de informação vai influenciar a opinião pública
Pressionar um juiz para mudar de opinião não está de acordo com o estado de direito. Se os juízes abandonarem o cargo devido à pressão social, em que é que a sociedade se irá transformar? Será isto que as pessoas pretendem?
e vai inevitavelmente colocar pressão sobre os magistrados. Quanto maior for a controvérsia, maior será a pressão. Se os juízes forem submetidos a grande pressão antes das suas deliberações, é fácil que as pessoas suspeitem que a decisão não foi tomada de acordo com a lei, e a independência do poder judicial será questionada. Pressionar um juiz para mudar de opinião não está de acordo com o estado de direito. Se os juízes abandonarem o cargo devido à pressão social, em que é que a sociedade se irá transformar? Será isto que as pessoas pretendem? É difícil para a sociedade chegar a um consenso sobre questões controversas. As leis só podem regular o resultado do consenso, não a solução do problema. Usar a pressão social para envolver juízes em litígios, forçá-los a alterar as deliberações e influenciar a independência do poder judicial é uma violação do estado de direito. Neste caso todas estas atitudes estiveram presentes.
Professor Associado da Escola Superior de Ciências de Gestão/ Instituto Politécnico de Macau • Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau • legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog
‘‘As injúrias são os argumentos daqueles que não têm razão.’’ PALAVRA DO DIA
RÚSSIA MEMBRO DO PUSSY RIOT FUGIU DE MOSCOVO
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Em nome da segurança
Organizadores de vigília sobre Tiananmen em HK acusados de serem “agentes estrangeiros”
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M tribunal de Hong Kong decidiu ontem que os juízes procuradores podem designar os organizadores da vigília anual em memória dos acontecimentos de Tiananmen como "agentes estrangeiros", sem precisar de referir para quem são acusados de trabalhar. A decisão foi motivada por razões de segurança nacional, mas as pessoas visadas consideram que a situação dificulta a preparação da sua defesa, antes do julgamento. Ao longo de 30 anos, a organização Aliança de Hong Kong, agora extinta, realizou uma vigília anual para homenagear as vítimas dos protestos da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989. Estas homenagens foram proibidas desde a entrada em vigor em 2020 de uma lei de segurança nacional imposta por Pequim, em resposta às manifestações pró-democracia em 2019. Depois de terem processado judicialmente a organização
por "incitamento à subversão", o que constitui uma ofensa à segurança nacional, as autoridades ordenaram que a direcção da Aliança de Hong Kong entregasse dados sobre os seus membros, movimentos financeiros e ligações com o estrangeiro. Para fundamentar o pedido, a polícia acusou a Aliança de Hong Kong de trabalhar como "agente estrangeiro", retórica que remete para a afirmação de Pequim de que os protestos de Tiananmen foram fomentados por forças estrangeiras e não por um movimento popular. A recusa em atender a esse pedido levou à prisão, no ano passado,
O julgamento de três funcionários da Aliança, incluindo Chow, está previsto começar em 13 de Julho
Hong Kong Detidos cardeal Zen e outras três pessoas
As autoridades de Hong Kong detiveram ontem o cardeal católico romano Joseph Zen, uma cantora e outras duas pessoas por suspeita de conluio com forças estrangeiras, colocando em risco a segurança nacional da China. O cardeal Joseph Zen, a cantora Denise Ho, a advogada e antiga deputada Margaret Ng e o académico Hui Po-keung foram detidos pela Polícia de Segurança Nacional de Hong Kong, anunciou a organização de defesa de direitos humanos com sede no Reino Unido Hong Kong Watch. Aparentemente, as detenções estão relacionadas com o papel desempenhado por estas pessoas como administradores do Fundo de Auxílio Humanitário 612, uma organização, entretanto extinta, que forneceu assistência jurídica a pessoas que participaram nas manifestações pró-democracia de 2019, que levaram à paralisação da antiga colónia britânica.
CNS
S primeiros-ministros do Japão e da Finlândia, Fumio Kishida e Sanna Marin, expressaram ontem a sua preocupação comum com a invasão da Ucrânia pela Rússia e afirmaram a sua vontade de “responder com firmeza” ao conflito. Durante a sua visita oficial ao Japão, a primeira-ministra finlandesa voltou a sublinhar a disponibilidade para decidir “em breve” sobre uma possível entrada do seu país na NATO, depois do ataque russo à Ucrânia ter mudado a situação de segurança no país nórdico. No final da reunião realizada em Tóquio, em declarações conjuntas à imprensa, os dois líderes mostraram-se dispostos a “agir com convicção e firmeza” face à agressão russa contra o país vizinho, no âmbito da resposta coordenada entre a União Europeia e o G7, do qual o Japão faz parte. O primeiro-ministro japonês afirmou ainda que a situação de segurança na Europa e na região Indo-Pacífico são “inseparáveis”. Tóquio juntou-se às sucessivas rondas de sanções aplicadas pela UE, Estados Unidos e outros países contra a Rússia, e o primeiro-ministro japonês decidiu pôr fim à política de aproximação com Moscovo, na qual o Japão aposta há anos para tentar resolver a sua disputa territorial sobre as ilhas Curilas. Após a invasão russa da Ucrânia, a Finlândia e a vizinha Suécia, que também já foram alvo de agressões por parte de Moscovo no passado, mostraram-se mais dispostas a examinar a sua eventual adesão à NATO, cuja expansão para leste é vista pelo Presidente russo, Vladimir Putin, como uma ameaça. Marin disse no mês passado que o objectivo de Helsínquia é tomar uma decisão antes da cimeira da NATO que terá lugar em Madrid no final de Junho, na qual a Finlândia é convidada. Kishida também receberá hoje em Tóquio os presidentes da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e o Conselho Europeu, Charles Michel, num encontro que também será marcado pela ofensiva militar russa da Ucrânia.
12.5.2022
François Fénelon
GETTY IMAGES
UCRÂNIA JAPÃO E FINLÂNDIA PROMETEM “RESPOSTA FIRME” À INVASÃO
quinta-feira
de cinco líderes da organização, incluindo o vice-presidente Chow Hang-tung.
Riscos e segredos
Durante as audiências preliminares, os advogados de defesa pediram aos procuradores que esclarecessem para quem os arguidos são acusados de trabalhar. Contudo, ontem, o juiz Peter Law argumentou que “a divulgação total de todos os documentos sem dúvida resultaria num risco real de sérios danos à segurança nacional". De acordo com Albert Wong, advogado de defesa, a transparência é necessária porque o tribunal terá de determinar durante o julgamento se a Aliança era realmente um “agente estrangeiro”. O julgamento de três funcionários da Aliança, incluindo Chow, está previsto começar em 13 de Julho.
MAartista do grupo musical de protesto russo Pussy Riot, MariaAliokhina, disse ontem que conseguiu sair da Rússia, depois de enganar a polícia disfarçando-se de distribuidora de refeições. A activista junta-se assim a milhares de russos que deixaram o país desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de Fevereiro. Em Setembro passado, Maria Aliokhina foi condenada a um ano de “restrições” à sua liberdade (controlo judicial, recolher obrigatório noturno, proibição de sair de Moscovo) por ter convocado uma manifestação contra a prisão do principal opositor russo, Alexei Navalny. No final de Abril, a justiça russa endureceu as medidas, substituindo-as por uma sentença de prisão, durante uma audiência à qual Aliokhina não compareceu. Numa entrevista ontem divulgada pelo jornal The New York Times, Maria Aliokhina, 33 anos, disse que conseguiu sair de Moscovo disfarçada de distribuidora de refeições e abandonou o seu telemóvel, para impedir que a polícia a rastreasse. A activista cruzou a fronteira para a vizinha Bielorrússia e uma semana depois conseguiu seguir para a Lituânia. A sua companheira, Lioussia Chtein, também membro integrante do grupo Pussy Riot, colocou uma mensagem na rede social Twitter com uma foto de Maria Aliokhina com o uniforme verde dos distribuidores da empresa Delivery Club, envergando uma bolsa para entrega de refeições nas costas. Aliokhina “não fugiu da Rússia, ela está em digressão”, que começará com um espetáculo em 12 de Maio, em Berlim, para angariar dinheiro para a Ucrânia, acrescentou Chtein na sua mensagem no Twitter.