VALÉRIO ROMÃO HOJE MACAU
THE ASSOCIATED PRESS
OS INFORTÚNIOS DA VIRTUDE
AP/NTB SCANPIX
h
MOP$10
SEGUNDA-FEIRA 12 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4009
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
HO IAT SENG A CE?
Talvez sim, talvez não
PÁGINA 6
ANP APROVOU EMENDA CONSTITUCIONAL
CHINA-VATICANO
PÁGINA 12
GRANDE PLANO
Xi Jinping sem limites
Já cheira a bispo!
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
Decisões perigosas PÁGINAS 4-5,19 E EDITORIAL
PUB
PUB
ROTA DAS LETRAS Foi o Gabinete de Ligação que considerou “inoportuna” a vinda dos escritores Ricardo Pinto, director do Rota das Letras revela quem lhe deu o recado. Hélder Beja, director de programação, está demissionário e a continuidade do festival literário em cima da mesa.
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau
2 grande plano
12.3.2018 segunda-feira
VENHA A NOS O VOSSO REINO ´
DIPLOMACIA 70 ANOS DEPOIS, IGREJA CATÓLICA ENTENDE-SE COM PEQUIM
Depois do corte dos laços diplomáticos entre a China e o Vaticano, que vigora desde os anos 50, a Igreja Católica volta a aproximar-se de Pequim. Entre a necessidade do Partido Comunista Chinês de controlar uma força externa a operar na sociedade e o vasto potencial de evangelização de quase 1,4 mil milhões almas, será firmado um acordo histórico para a nomeação de bispos. Um assunto que tem dividido o Vaticano e Pequim, desde que a Igreja excomungou os bispos nomeados pelo regime comunista poder exterior, que está a coordenar coisas na China, o que para eles é impensável”, afirma à Lusa um padre europeu radicado em Pequim. “Uma das lutas do Governo chinês é exactamente ‘achinesar’ muitos dos conceitos e da lógica das religiões não-asiáticas”, acrescenta. A arquitectura do Seminário Católico da China ilustra esse processo. A igreja, erguida em 2000, é uma construção circular em tijolo vermelho e com um triplo telhado de telhas azuis. Uma espécie de miniatura da Sala da Oração pelas Boas Colheitas, um dos principais templos de Pequim. Apenas os vitrais e uma discreta cruz no topo distinguem esta construção de um qualquer templo taoista; no interior, o altar, elevado por um degrau, é adornado com uma mesa tradicional chinesa de madeira. Um pequeno e discreto crucifixo é a única imagem religiosa aqui exposta. Mas há mais além do que se vê à superfície. Descendo as escadas situadas por detrás do altar e um longo corredor chega-se à cave da igreja, onde, na quase total escuridão, se vislumbram vultos de crentes ajoe-
lhados, em torno de uma imagem de cristo com mais de um metro, erguida por detrás de um altar de pedra.
CRUZES CREDO
Por toda a China, a falta de símbolos religiosos ocultará mesmo WANG ZHAO/AFP/GETTY IMAGES
N
O Seminário Católico da China, o maior convento de Pequim, a figura do papa Francisco surge no hall de entrada de todos os edifícios, numa impressão em cartão, à escala humana, a dar as boas-vindas. “Todos os católicos chineses gostariam que o Papa viesse à China”, conta à Lusa o seminarista Joseph, 28 anos e natural da província de Hebei, norte do país. “Como não pode, trazemo-lo assim aqui”, diz. Pequim e a Santa Sé romperam os laços diplomáticos em 1951, depois de Pio XII excomungar os bispos designados pelo regime comunista chinês. Os católicos do país dividiram-se então entre duas igrejas: a Associação Católica Patriótica Chinesa (ACPC), aprovada por Pequim, e a clandestina, que continuou fiel ao Vaticano. A ACPC gere e financia os seminários chineses, onde são formados as freiras e padres locais, visando assegurar que os católicos do país funcionam independentemente de forças externas e “promovem o socialismo e patriotismo através da religião”. “Para as autoridades chinesas, a igreja católica representa um
“O Governo não gosta da face pública do cristianismo, não quer cruzes espalhadas pelo país.” IAN JOHNSON JORNALISTA RADICADO EM PEQUIM E PRÉMIO PULITZER
o ‘boom’ da fé cristã em curso na sociedade, diz Ian Johnson, jornalista radicado em Pequim há vinte anos e vencedor de um Prémio Pulitzer. “O Governo não gosta da face pública do cristianismo”, opina Johnson. “Não quer cruzes espalhadas pelo país”. O sinólogo italiano Francesco Sisci, especialista nas relações entre Pequim e a Santa Sé, observa o mesmo fenómeno: “O Partido Comunista Chinês não quer que a religião fuja ao seu controlo”. Sisci diz, no entanto, que a liderança chinesa “reconhece a necessidade de religião na sociedade”, mas que se a Igreja católica quiser ser aceite deverá integrar-se na realidade local e “desprender-se de uma simbologia que é estranha à China”. O especialista nas relações entre Pequim e a Santa Sé considera que a assinatura de um acordo entre a China e o Vaticano sobre a nomeação de bispos “não significa” que serão estabelecidos laços diplomáticos. O acordo, que quebra mais de meio século de antagonismo entre Pequim e a igreja católica, “não significa necessariamente que o Vaticano vai cortar relações com
Taiwan”, afirma à agência Lusa o sinólogo italiano, radicado na China há 20 anos. A Santa Sé mantem, desde então, relações diplomáticas com a ilha de Taiwan, onde se refugiu o antigo Governo nacionalista chinês, após a instauração da República Popular, em 1949. Num outro sinal de aproximação, a igreja católica e os comunistas chineses concordaram trocar várias obras de arte para a realização de duas exposições simultâneas, a partir deste mês, na Cidade Proibida de Pequim, e no Museu do Vaticano. Sisci lembra, no entanto, que no que toca às relações diplomáticas, “a China está muito interessada em manter o ‘status quo’”. “Penso que a China não quer de todo antagonizar Taiwan neste momento”, nota Sisci, numa entrevista concedida na sua casa em Pequim, um dos raros ‘siheyuan’ - típicas residências chinesas construídas em torno de pátios espaçosos -, que não foi arrasado para dar lugar a construções em altura.
FORMOSA RELAÇÃO
“Pequim não sabe qual será a reacção caso hostilize Taiwan, que
grande plano 3
segunda-feira 12.3.2018
THE ASSOCIATED PRESS
pode agir de impulso e declarar a independência», acrescenta. A China considera Taiwan parte do seu território, e não uma entidade política soberana, e ameaça usar a força caso Taipé declare independência. Pequim e Taipé concordam que existe uma só
“Existe já um acordo, no qual o Estado [chinês] e a igreja católica reconhecem os bispos.” FRANCESCO SISCI SINÓLOGO ESPECIALISTA NAS RELAÇÕES ENTRE PEQUIM E A SANTA SÉ
China, pelo que os países só podem manter relações diplomáticas com um dos Estados. Na semana passada, independentistas taiwaneses lançaram uma campanha para a celebração de um referendo sobre a independência da ilha, em Abril de 2019, numa altura em que incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificam, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan. Em relação à assinatura do primeiro acordo entre China e Vaticano, o especialista em relações entre Pequim e a Santa Sé vê com bons olhos o marco que rompe com mais de meio século de antagonismo. “Estamos perto”, diz Sisci, numa entrevista à agência Lusa, na sua casa em Pequim, um dos raros ‘siheyuan’ - típicas residências chinesas construídas em torno de pátios espaçosos -, que não foi arrasado para dar lugar a construções em altura. “Acompanho isto há muitos anos. Muitas vezes tratou-se apenas de diálogo, mas nos últimos tempos gerou-se um ‘momentum’”, acrescenta. A divisão esmoreceu nos anos 1980, quando o papa João Paulo II
reconheceu 30 bispos designados pela igreja oficial chinesa. Em 2007, Bento XVI apelou a uma reconciliação entre a igreja clandestina e a oficial, mas em algumas áreas do país continuaram a existir divisões. Sisci, que está radicado na China desde 1988, mas que passou o último ano e meio entre Roma e a capital chinesa, garante agora que a questão da nomeação dos bispos está resolvida.
das relações tem sido o futuro da igreja oficial”, lembra. O italiano nota ainda que o Partido Comunista do Vietname guarda boa memória da igreja católica: “Em muitos aspectos, os líderes [vietnamitas] não foram antagonizados pela igreja, alguns até
EXEMPLO VIETNAMITA
“Existe já um acordo, no qual o Estado [chinês] e a igreja católica reconhecem os bispos”, diz Sisci, que há dois anos realizou a primeira entrevista ao papa Francisco exclusivamente sobre a China. Vários observadores sugerem que o acordo poderá ser semelhante ao assinado em 1996 entre o Vaticano e o Vietname, país vizinho da China e também governado por comunistas. Neste caso, a Santa Sé propõe três bispos a Hanói, e o Governo vietnamita escolhe um deles. Francesco Sisci considera o caso chinês “mais complicado”. “No Vietname, não existia a Associação Patriótica. E aqui, o grande obstáculo à normalização
Se a Igreja católica quiser ser aceite deverá integrar-se na realidade local e “desprender-se de uma simbologia que é estranha à China”
estudaram em escolas católicas”, aponta. Já na China, existe “uma suspeição” face à igreja. “Quando os comunistas tomaram o poder, em 1949, o núncio papal [representante diplomático permanente do Vaticano] ficou em Nanjing [a capital chinesa antes da revolução] e recusou-se a ir para Pequim”, lembra. O Vaticano terá assim tomado partido pelo antigo Governo nacionalista chinês, que se refugiou então na ilha de Taiwan, onde se continua a identificar como governante de toda a China. “Existe esse ressentimento”, conclui Sisci. Após mais de meio século de antagonismo, o Vaticano parece prestes a ceder, com a assinatura de um acordo no qual Pequim terá a última palavra na nomeação dos bispos. O papa Francisco disse já que se dependesse dele “visitaria a China amanhã mesmo”. Para o seminarista Joseph, que sonha ir a Roma ver Francisco, que está prestes a completar cinco anos de eleição, isso seria o concretizar de um sonho. E quando se sugere que, talvez um dia, o papa venha mesmo a ser chinês, os seus olhos brilham e diz: “Nunca se sabe, o mundo dá muitas voltas”.
4 política
editorial
Uma baixa, uma derrota O
A
d i a s do início, o Festival Literário de Macau “Rota das Letras” cancelou a presença de três escritores após ter sido informado “oficiosamente” de que a vinda de Jung Chang, James Church e Suki Kim “não era considerada oportuna” e que, por conseguinte, “não estava garantida a sua entrada no território”. Desconhecia-se, no entanto, a fonte da informação, depois de os secretários para os Assuntos Sociais e Cultura e da Segurança, Alexis Tam e Wong Sio Chak, garantirem não ter conhecimento sobre o caso. Ricardo Pinto confirmou que a referida indicação não veio do Governo de Macau, mas antes “da parte do Gabinete de Ligação”. Contudo, em declarações reproduzidas pela TDM no mesmo dia, sábado, feitas a partir de Pequim, o director do Gabinete de Ligação, Zheng Xiaosong, afirmou desconhecer o caso em torno da Rota das Letras. “Obviamente não íamos colocar os autores convidados na situação de chegarem aqui a Macau e não poderem entrar”, uma vez que havia “grande” a probabilidade de tal suceder, reiterou Ricardo Pinto. Para o director do Festival Literário, esta situação foi uma “surpresa”, atendendo a que “foi a primeira vez” que sucedeu algo do género desde que o Rota das Letras nasceu em 2012. “Para nós foi especialmente desconcertante porque não acho que se justifique em circunstância nenhuma, mas em relação a estes autores ainda menos”, sublinhou.
CONTINUIDADE NA MESA
O cancelamento da presença de três escritores por não estar garantida a sua entrada em Macau vai levar o Rota das Letras a reflectir sobre a continuidade de um evento que conquistou um lugar no calendário cultural. “Depois do que aconteceu, obviamente tudo terá que ser reflectido, repensado e discutido” mais tarde para “ver até que ponto faz sentido continuar com o festival, em que termos, em que circunstâncias, em que
ROTA DAS LETRAS CANCELAMENTOS DE PRESENÇA DE AUTORES DEPOIS DE PRESSÃO DO GABINETE DE LIGAÇÃO
Edito do Ceu ´
´
A indicação de que a vinda de três escritores convidados para Festival Literário de Macau não seria “oportuna” veio do Gabinete de Ligação, afirma Ricardo Pinto, director do evento. A organização do Rota das Letras vai reflectir sobre a continuidade do festival após os recentes acontecimentos que levaram, entretanto, o director de programação a anunciar a sua saída condições”, afirmou o director, Ricardo Pinto, à margem da cerimónia de abertura do Rota das Letras, que arrancou no Sábado e decorre até ao próximo dia 26.
Hélder Beja abandona direcção
Este episódio teve outra consequência: o anúncio de Hélder Beja de que vai abandonar o cargo de director de programação do Festival Literário de Macau imediatamente depois do final da sétima edição, ou seja, no dia 26. “Na qualidade de co-fundador e membro da direcção da Rota das Letras desde a primeira hora, e na sequência dos eventos noticiados nos últimos dias, que culminaram com o cancelamento da presença de alguns autores que se preparavam para participar no festival, considero que na presente conjuntura não tenho condições para continuar”, escreveu num breve comunicado enviado na sexta-feira às redacções. “Foi
“Não há nada que eu possa dizer [sobre o futuro]. Acho que o importante, neste momento, para nós, é que este festival possa ser bem organizado” e ter o “menor
um prazer e um desafio ajudar a criar e a desenvolver a Rota das Letras”, concluiu. Ricardo Pinto tentou demovê-lo no sentido em que, “a ter que tomar essa decisão, o fizesse “o mais tarde possível”, dado que o festival se encontra em curso, mas compreende a decisão. “Também lhe disse que percebo perfeitamente as razões dele. Percebo a frustração que ele sente, comungo dessa frustração e acho que essa frustração sentem-na todas as pessoas que estão envolvidas na organização do festival”, argumentou. “Obviamente irei ter ainda uma conversa com o Hélder depois do festival. Gostaria muito que continuasse”, realçou.
ruído possível depois de todo o que já houve”. Os três escritores em causa são Jung Chang, conhecida principalmente por “Cisnes Sel-
TIAGO ALCÂNTARA
cancelamento da vinda de três escritores ao Rota das Letras, por ser considerada uma presença “inoportuna”, foi imposto ao director do festival através de um “conselho” oriundo do Gabinete de Ligação, que alvitrava a hipótese de lhes ser recusada a entrada na RAEM. Quer o SecretárioAlexis Tam (responsável pela área da Cultura), quer o Secretário Wong Sio Chak, afirmaram desconhecer o assunto. Este último falou mesmo de um “rumor”. Certo é que os escritores não vêm e estamos perante um precedente perigoso e inexplicável. Ou seja: desde quando é que o princípio “Macau governado pelas gentes” caiu em desuso e o Gabinete de Ligação explica aos serviços de imigração quem deve ou não deve entrar na região? Quem governa realmente Macau? E a não ser o Executivo de Chui Sai On, deveremos ouvir o Gabinete de Ligação ou o Ministério dos Negócios Estrangeiros? Quem podemos responsabilizar por decisões como esta que, infelizmente, mancha a imagem de Macau no exterior e desassossega intelectuais e criativos aqui na terra? Na verdade, e poderá ser coincidência, no seu último discurso referente à RAEM, o primeiro-ministro Li Keqiang insistiu no princípio Um país, Dois Sistemas mas ter-se-á esquecido de invocar, como sempre tinha feito, a garantia de que Macau seria governado pelos seus residentes e não por Pequim. Será que algo mudou e não nos disseram nada? Ontem, em pleno segundo dia de programação, o ambiente no Rota das Letras era pesado e, obviamente, o tema geral das conversas passava pelo cancelamento da vinda dos escritores. Uma sombra vergava o ânimo das pessoas e muitas questões sobre o futuro dos nossos quotidianos em Macau, inevitavelmente, foram colocadas. A própria existência do Rota das Letras, um dos mais significativos eventos culturais da RAEM, perante esta baixa, foi questionada e posta em causa. E todos já saímos derrotados: a organização do evento, o público, os escritores, o Governo, o Gabinete de Ligação, a população da RAEM e, sobretudo, a imagem internacional da cidade. Que Macau é este e com que linhas nos cosemos? A Lei Básica é para cumprir ou vai ser alterada? O segundo sistema só existe no plano económico a partir de agora? E o que fazem Chui Sai On e os secretários, que poder realmente detêm? Se as mudanças constitucionais em Pequim já bastavam para causar apreensão, a actual situação em Macau também apresenta contornos inéditos e, porque estamos perante repressão, preocupantes. Precisamos de saber: até quando continuará a liberdade a passar por aqui? Carlos Morais José
12.3.2018 segunda-feira
política 5
segunda-feira 12.3.2018
ENSINO ALEXIS TAM DISCUTE AMOR À PÁTRIA COM MINISTROS CHINESES
O
DSEJ RETIRA PARTICIPAÇÃO
Uma das partes importantes do Festival Literário de Macau é o “Rota das Escolas”, uma iniciativa que tem contado com a coordenação da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Na edição anterior, por exemplo, incluiu cerca de 30 sessões em instituições de ensino oficiais e privadas. No entanto, este ano, segundo revelou o próprio organismo à Rádio Macau, “não consideraram participar nos trabalhos do Festival Literário”,
“Acho que obviamente aqueles (autores) que vêm têm muita qualidade e seguramente muito a dar ao festival. Julgo que seria mau (...) para o público não agarrar esta possibilidade de poder contactar com eles.” RICARDO PINTO
para “evitar afectar as actividades regulares de ensino nas escolas”, atendendo a que a data do Rota das Letras (que se tem realizado quase sempre em Março) se sobrepõe ao período de exames. “O que nos foi informado é que a DSEJ não estava com disponibilidade para fazer a habitual coordenação que, “obviamente, nos facilitava
Wong Sio Chak desconhece “rumor”
Instado a comentar a notícia sobre o cancelamento da participação de três autores do Festival Rota das Letras, o secretário para Segurança afirmou não ter conhecimento sobre a situação. Wong Sio Chak adiantou ainda que contactou com o Corpo de Polícia de Segurança Pública que também afirma não ter informação sobre o assunto. De acordo com comunicado, o secretário para a Segurança frisou que a entrada e a saída do território de qualquer indivíduo é uma questão do foro privado da própria pessoa, pelo que as autoridades policiais nunca divulgam informação sobre a mesma. Por fim, afirmou não saber o motivo para o surgimento de “esse rumor”.
TIAGO ALCÂNTARA
vagens – Três Filhas da China” (1991) e pela controversa biografia “Mao: A História Desconhecida”; James Church, um ex-agente da CIA, autor da série “Inspector O”, uma história de detectives passada na Coreia do Norte; e Suki Kim, sul-coreana conhecida por trabalhar infiltrada, autora de “Without You, There Is No Us” (2014), livro no qual converteu a experiência de ensinar inglês às crianças das elites da Coreia do Norte.
imenso”, comentou Ricardo Pinto. “O nosso contacto com as escolas começou por ser sempre feito directamente – julgo que só há duas edições passou a ser coordenado pela DSEJ”. No entanto, “o facto de a DSEJ não ter, este ano, querido ou podido (...) não impediu que nós tivéssemos feito esse trabalho. Aliás, várias dirigiram-se ao festival no sentido em que pudéssemos levar lá os autores e é isso que vai acontecer”, sublinhou. Apesar dos recentes acontecimentos, Ricardo Pinto tem confiança de que a adesão ao Rota das Letras não vai ser beliscada. “Por uma razão: independentemente de nós termos querido muito que os autores que não vão estar presentes estivessem, também acho que obviamente aqueles que vêm têm muita qualidade e seguramente muito a dar ao festival. Julgo que seria mau para eles sobretudo, mas mau também para o público não agarrar esta possibilidade de poder contactar com eles”, sublinhou.
“O importante, neste momento, para nós, é que este festival possa ser bem organizado e ter o “menor ruído possível depois de todo o que já houve.’’ RICARDO PINTO
Normalmente, o Festival Literário acaba por reunir, em torno das múltiplas iniciativas, entre 10 e 20 mil pessoas ao longo de 15 dias. “Não me parece que esse número seja muito diferente”, disse Ricardo Pinto. “Temos dezenas de autores, incluindo muitos locais também, que em si mesmo são um excelente cartaz para o festival e uma garantia para as pessoas que aqui se dirigirem de que não se arrependerão”, rematou. Diana do Mar
info@hojemacau.com.mo
secretário para os Assuntos Sociais e Cultura reuniu, em Pequim, com o Ministro da Educação, Chen Baosheng e o Ministro da Cultura, Luo Shugang, para trocar impressões sobre o intercâmbio e a cooperação entre Macau e o Interior da China nos âmbitos da educação, cultura, arte, salvaguarda do património mundial e formação de quadros qualificados. De acordo com comunicado, Alexis Tam terá assegurado que “o Governo da RAEM vai reforçar os recursos para construir mais bases para o ensino do patriotismo, história e cultura, de modo a cultivar a qualidade cultural e o sentimento de amor à Pátria entre os jovens de Macau”. Por seu lado, Chen Baosheng afirmou que espera também que Macau fomente, de forma estável, a educação de amor pela Pátria e por Macau, estabelecendo bases para uma prosperidade estável a longo prazo. O Ministro da Educação acrescentou ainda que será aumentado o número de vagas para os estudantes recomendados para satisfazer as necessidades no prosseguimento dos estudos no Interior da China. No que diz respeito à edição de materiais pedagógicos, as duas partes vão manter uma estreita cooperação e trabalhar em conjunto na elaboração de manuais de história para os alunos de Macau, expandindo depois para mais disciplinas. Alexis Tam sublinhou a importância que o Governo da RAEM dá à divulgação da história e a cultura da Pátria. Nesse sentido, serão disponibilizadas mais vagas a jovens de Macau para estágios em entidades e instituições culturais nacionais, provinciais e municipais no Interior da China. O secretário solicitou ainda à Administração Estatal de Património Cultural o envio de especialistas a Macau para ajudar no trabalho da supervisão e formação de quadros qualificados profissionais na área do património. O subdirector da administração manifestou acordo e disse que os serviços do Ministério da Cultura vão dar o acompanhamento devido ao pedido de Alexis Tam.
6 política
O
presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng, mudou de discurso e admite agora que não sabe se vai ser candidato à posição de Chefe do Executivo. No passado, Ho sempre negou que tivesse intenção de se candidatar à posição, mas, no sábado, em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, apenas se limitou a responder que não sabe se vai ser um dos candidatos. Por outro lado, quando questionado sobre eventuais candidatos ao cargo de representante máximo de Macau, o presidente da Assembleia Legislativa assumiu o mesmo discurso, explicando desconhecer quaisquer movimentações nesse sentido. A possibilidade de Ho Iat Seng ser candidato à posição do Chefe do Executivo não é nova. No passado, o presidente da AL foi confrontado por mais do que uma vez com essa possibilidade, mas rejeitou sempre
O
Governo vai mesmo recuperar o terreno na Avenida Kwong Tung, na Taipa, conhecido como Lote BT 11, que estava concessionado à Companhia de Investimento Predial Pak Lok Mun. A decisão do Tribunal de Última Instância, anunciada ontem, coloca um fim na batalha judicial entre o Executivo e a empresa, que durava desde 15 de Maio de 2015. Foram vários os argumentos utilizados pela empresa para evitar a devolução do terreno com um área de 2209 metros quadrados. Entre eles, a empresa defendia uma extensão do prazo por ter havido um erro sobre o número de edifícios a construir na tradução para chinês do despacho da concessão em 1999, que só foi corrigido em 2005.
CANDIDATURA A CE HO IAT SENG DEIXA PARTICIPAÇÃO NA CORRIDA EM ABERTO
Talvez nim a hipótese. Entre os argumentos utilizados, mais recentemente, Ho explicou a tomada de posição com a sua idade (60 anos), que considerou demasiado avançada para o cargo. Porém estas declarações apontam para uma mudança no discurso de Ho Iat Seng. O próximo Chefe do Executivo, que vai suceder a Chui Sai On, vai ser escolhido no próximo ano, altura em que também se celebram 20 anos do retorno de Macau à Pátria. Nessa altura, o presidente da Assembleia Legislativa, que nasceu a 12 de Junho de 1957, vai ter 62 anos. As declarações de Ho Iat Seng foram feitas em Pequim, à margem da participação do dirigente na Assembleia Popular Nacional. O presidente da AL é um dos mem-
bros eleitos por Macau e chefia a comitiva legal.
COOPERAÇÃO POSITIVA
Outro dos pontos abordados por Ho Iat Seng foi a assistência
O próximo Chefe do Executivo, que vai suceder a Chui Sai On, será escolhido no próximo ano, altura em que também se celebram 20 anos do retorno de Macau à Pátria
judicial entre o Governo Central e a RAEM. Nesse capítulo, o presidente da Assembleia Legislativa considerou que as coisas têm corrido bem, principalmente no que diz respeito à comunicação, e que existe uma coordenação muito positiva. No entanto, reconheceu que também há espaço para haver algumas melhorias. Ainda de acordo com o presidente da AL, a vertente que levanta maiores desafios são as leis comerciais, uma vez que envolvem diferentes sistemas. Segundo Ho Iat Seng, esta questão envolve o recurso às leis internacionais, até pelos diferentes sistemas utilizadas nas diferentes regiões. Esta é uma questão cada vez mais importante, até no âmbito do reforço das práticas comerciais entre Macau, o Interior da China e Hong Kong dentro da criação da Grande Baía. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
HOJE MACAU
O presidente da Assembleia Legislativa não sabe se vai ser candidato ao cargo de Chefe do Executivo. No passado, Ho Iat Seng negou sempre a possibilidade. Porém, no sábado, confrontado com o cenário, limitou-se a responder que não sabe se vai ser candidato
12.3.2018 segunda-feira
O seu a seu dono
Governo vence batalha jurídica e recupera terreno
“Esta particularidade não tem nenhuma relevância”, apontam os juízes sobre o sucedido. “Com certeza que a concessionária não andou seis anos sem saber se a concessão abrangia a construção de um ou dois edifícios”, é acrescentado. O TUI considerou também que o prazo de aproveitamento foi de 42 meses a contar a partir de 1999, altura do início da concessão e não da data da correcção, ou seja de 2005. Por outro lado, foi julgado que os procedimentos do Governo cumpriram a lei, apesar
de do despacho da declaração do fim da concessão ter partido do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas e não do Gabinete do Chefe do Executivo. Nesse despacho, o Chefe do Executivo era citado a dizer “Concordo”.
PRAZO IMPERATIVO
Ainda entre os argumentos da Companhia de Investimento Predial Pak Lok Mun, o prazo de 42 meses era “meramente indicativo”. Os juízes do TUI fizeram outra interpretação: “Esta tese, não tem, igualmente,
qualquer base legal e vai contra todos os princípios vigentes em matéria de contratação pública. Como se fosse possível, que um prazo fixado para o particular cumprir o contrato, que outorgou com o contraente público, não fosse imperativo, mas meramente indicativo”, é justificado. Segundo o tribunal e tendo em conta o argumento apresentado: “O particular só cumpria o prazo se quisesse...”. O TUI esclarece igualmente que os prazos das concessões são imperativos e que apenas podem ser suspensos ou prorrogados pelo Chefe do Executivo em condições especiais, nomeadamente quando o não aproveitamento não pode ser imputável ao concessionário. J.S.F.
SEGURANÇA CÂMARAS NOS UNIFORMES DOS POLÍCIAS A PARTIR DE QUARTA-FEIRA
O
secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou ontem que as autoridades já receberam o parecer positivo do Gabinete para a Protecção dos Dados Pessoais sobre a proposta de os uniformes dos agentes da polícia passarem a estar equipados com câmaras de vídeo. As 100 câmaras vão passar a funcionar a partir da próxima quarta-feira. Wong Sio Chak esteve presente, esta manhã, na cerimónia de inauguração do Dia de Convívio entre a Polícia e o Cidadão 2018, no âmbito das comemorações do aniversário do Corpo de Polícia de Segurança Pública. Em declarações à comunicação social no final do evento, revelou que o parecer do Gabinete para a Protecção dos Dados Pessoais sobre a colocação de câmaras de vídeo nos uniformes dos agentes da polícia foi positivo, dando uma opinião favorável sobre esta matéria. O secretário para a Segurança adiantou que os agentes dos comissariados policiais e os do Grupo de Patrulha Especial serão os primeiros a receberem este equipamento. Wong Sio Chak sublinhou que as câmaras serão apenas ligadas em caso de se verificar essa necessidade, tendo sido já elaboradas instruções claras sobre a sua utilização. Além disso, os agentes receberam também devida formação para o efeito. Contudo, segundo comunicado da secretaria, o processo de funcionamento das câmaras, os dirigentes e chefias da Polícia de Segurança Pública irão, constantemente, observar os resultados da utilização e, de acordo com as situações que surgirem com a sua aplicação, avaliar e rectificar insuficiências. Wong Sio Chak acrescentou ainda que a ponderação do aumento do número de câmaras dependerá da situação de execução da lei por parte dos agentes de trânsito e outros.
sociedade 7
segunda-feira 12.3.2018
Ambiente Delegação da Região do Pan-Delta visita Portugal e Alemanha
O objectivo da viagem, que se realiza entre 11 e 19 de Março, é dar início a uma iniciativa que permitirá aos governos das províncias e regiões do PanDelta do Rio das Pérolas, e às empresas do sector da protecção ambiental, fomentar a sua rede de ligações com os países lusófonos e europeus. De acordo com comunicado, a organização de visitas a “cidades ecológicas de Portugal e da Alemanha” se deve ao facto de a Europa ocupa um “lugar de topo no desenvolvimento da indústria ambiental”. Durante a estadia, a delegação será recebida por associações e serviços públicos ligados à área e estão agendadas visitas a empresas que usam tecnologias avançadas no combate à poluição do ar, da água e dos solos, assim como a companhias que fazem tratamento de resíduos.
Ellie Cheng falhou grupo de 12 finalistas
Ellie Cheng, representante da China e de Macau do concurso para transexuais Miss International Queen, falhou o apuramento para as 12 finalistas, mas acabou entre o grupo das 28 melhores classificadas. Na sexta-feira, em Pattaya, a grande vencedora foi a vietnamita Nguyen Huong Giang, que levou para casa um cheque de 117 mil patacas, além dos prémios individuais dos patrocinadores. O concurso é organizado anualmente na Tailândia e tem como objectivo amealhar fundos para ao Fundação Real Contra a SIDA, do país do sudeste asiático. Para participarem, as concorrentes têm de ter nascido com o sexo masculino, mas não lhes é exigido a realização de mudança de sexo.
CÓDIGO CIVIL CLÁUSULA PENAL “MAIS CLARA” DO QUE EM PORTUGAL
O bom aprendiz
António Pinto Monteiro esteve na sexta-feira na Fundação Rui Cunha a falar das particularidades da cláusula penal no Código Civil de Macau que, a seu ver, a tornam mais claro do que o de Portugal. Em causa, a figura que permite fixar, por acordo prévio das partes, as consequências do incumprimento contratual
“E
SSAS particularidades vão ao encontro do que defendi, em 1990, na minha tese de doutoramento. Só que as soluções que advoguei em Portugal precisam de um esforço interpretativo, enquanto em Macau o legislador exprimiu-as claramente na letra da lei. Consigo defendê-las, mas com muito mais dificuldades, embora a jurisprudência siga a interpretação que eu faço”, explicou o professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra ao HM. A primeira particularidade tem que ver desde logo com o facto de o Código Civil de Macau (CCM) consagrar expressamente duas modalidades: as partes podem fixar, por acordo, para o caso de incumprimento, uma indemnização (cláusula penal compensatória) ou sanção (cláusula penal compulsória), por oposição ao de Portugal,
que apenas prevê a primeira. “Na lei portuguesa a cláusula penal está só como indemnização. Mas eu entendo que pode haver sanção ao abrigo da liberdade contratual (em que as partes têm possibilidade de fazerem o que quiserem dentro dos limites da lei)”, sustentou Pinto Monteiro. Esse princípio “justifica que haja outras espécies de cláusulas penais para além da definida”, argumentou. António Pinto Monteiro também confrontou o regime da cláusula penal do Código Civil de Macau com o de Portugal em pontos mais específicos como os problemas do dano excedente, do cúmulo, da falta de culpa e da redução da pena, durante uma sessão que contou com casa cheia. Relativamente ao último ponto, por exemplo, embora ambos os códigos permitam a redução da pena pelo tribunal quando a cláusula penal for manifestamente excessiva (um milhão de patacas quando o
dano é dez mil, por exemplo), há diferenças. “O problema que se coloca é se o tribunal só pode intervir a pedido do devedor ou se o pode fazer oficiosamente, isto é, tomar a iniciativa durante a discussão em tribunal”, sustenta o docente. “A lei portuguesa é omissa, deixa em aberto; enquanto a de Macau diz na letra de lei a pedido do devedor, como eu entendo que deve ser”, afirmou o civilista.
“As soluções que advoguei em Portugal precisam de um esforço interpretativo, enquanto em Macau o legislador exprimiu-as claramente na letra da lei.” PINTO MONTEIRO
Já sobre a indemnização pelo dano excedente, a posição em Macau é “inversa” à de Portugal, realçou Pinto Monteiro. “Se a cláusula penal for de 1000 patacas e o credor tiver um prejuízo de 2000, pode exigir o pagamento de 2000? Na lei portuguesa, não tem direito a fazê-lo, a menos que essa possibilidade tenha sido acautelada”, enquanto “em Macau pode, mas desde que o dano excedente seja ‘consideravelmente superior’”. Um termo que, em contrapartida, “introduz um elemento de incerteza”, tornando a norma menos feliz, indicou o docente, que também dá aulas de mestrado na Universidade de Macau e visita o território, numa base anual, desde 1994.
DE FORA DAS OBRAS PÚBLICAS
Embora seja uma figura de “enorme importância prática” e “amplamente utilizada” em todo o mundo, a generalidade dos contratos de obras públicas de Macau, por exemplo, não inclui cláusulas penais compensatórias. Este tema – recorde-se – esteve na ordem do dia em 2015 após um relatório arrasador do Comissariado de Auditoria (CA) sobre o metro ligeiro. E, no ano seguinte, chegou mesmo a ser objecto de debate na Assembleia Legislativa. Na altura, o Secretário da tutela, Raimundo do Rosário, afastou a sua introdução, defendendo que as multas, previstas no Regime Jurídico do Contrato das Empreitadas de Obras Públicas, eram suficientes para lidar com casos de incumprimento, como atrasos ou derrapagens financeiras. D.M.
8 sociedade
12.3.2018 segunda-feira
O
n o v o Centro de Desenvolvimento da Criança de Macau, da Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (MCDA, na sigla inglesa), está pronto para abrir portas mas sofre com a falta de financiamento e terapeutas. Numa resposta enviada ao HM, o IAS adianta que “financiou na íntegra” o novo centro da MCDA, o que inclui “a despesa despendida na apresentação da planta do novo centro, nas benfeitorias e na aquisição de equipamentos”. O IAS afirma que “o novo centro está dotado de condições para entrar em funcionamento. Assim sendo, depois da entrada em funcionamento do novo centro, o valor do subsídio irá sofrer um aumento, ou seja, cerca de trezentas e cinquenta mil por mês”. Contudo, apesar do aumento prometido, o valor não cobre todos os utentes da MCDA, pois o subsídio é apenas destinado a crianças até 3 anos de idade. Além disso, as 350 mil patacas mensais que a MCDA vai passar a receber quando o centro abrir portas não cobrem os elevados ordenados dos terapeutas. Para o IAS, um terapeuta ganha cerca de 30 mil patacas, enquanto que os profissionais contactados pela MCDA esperam cerca de 50 mil. Ana Rita Amado, coordenadora do novo centro, que deveria abrir em Abril, explicou que o dinheiro não vai chegar para apoiar todas as crianças que precisam dos tratamentos da MCDA. O IAS diz estar à espera que sejam desenvolvidos “formalmente” os serviços, mas a coordenadora diz que a associação tem enfrentado vários bloqueios. “Temo-nos deparado com uma grande dificuldade em recrutar pessoas, sobretudo terapeutas da
“Temos muitas reuniões com o IAS e em nenhum momento nos foi dito que as nossas contas estavam erradas. Há queixas sobre os salários que estamos a oferecer e sobre aquele que estou a receber, mas eu sou presidente e faço mais trabalho, ao nível da contratação de pessoas, preparação de materiais, coordenação de pessoal jovem que temos dentro da associação. Todos os documentos de contabilidade e relatórios enviados ao IAS e Fundação Macau são feitos por mim”, frisou.
REUNIÕES RECENTES
Ana Rita Amado, coordenadora do Centro de Desenvolvimento da Criança de Macau “Temo-nos deparado com uma grande dificuldade em recrutar pessoas, sobretudo terapeutas da fala e ocupacionais. Mesmo pessoas recém-graduadas as expectativas salariais são muito acima daquilo que o IAS financia”
EDUCAÇÃO ESPECIAL NOVO CENTRO NÃO ABRE DEVIDO A FUNDOS INSUFICIENTES
Filhos e enteados
O Instituto de Acção Social garante o aumento de subsídio para a Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau aquando da abertura do novo Centro de Desenvolvimento da Criança de Macau. Este ainda não abriu portas porque não há dinheiro: as 350 mil patacas prometidas destinam-se apenas a crianças até aos 3 anos, além de não cobrir os salários dos terapeutas, rendas e tratamentos fala e ocupacionais. Mesmo pessoas recém-graduadas as expectativas salariais são muito acima daquilo que o IAS financia. Neste momento temos a questão do recrutamento dos terapeutas e tem a ver com todo o processo a que fomos obrigados antes da obtenção da licença”, frisou.
APOIOS DESDE 2009
O IAS explica que, a partir de 2009, “subsídio concedido ao programa de apoio
financeiro especial foi de 90 mil patacas por mês”. Este programa de apoio financeiro especial tinha como objectivo apoiar a MCDA para que esta pudesse desenvolver o “plano de apoio a crianças autistas ou com dificuldades de aprendizagem”, que vai passar a funcionar “formalmente num equipamento social da MCDA”. Em Junho de 2015, “o IAS passou formalmente a atribuir um subsídio para
as actividades da MCDA, num valor aproximado de 43 mil patacas por mês”, além de que “aumentou continuamente o valor do subsídio para o programa de apoio financeiro especial, cujo valor médio mensal do subsídio ronda as 240 mil patacas”. No ano passado, a MCDA recebeu um total de 3,450 milhões de patacas, “sem contar com as despesas decorrentes com a criação do novo centro”, explica
ainda a entidade presidida por Celeste Vong. A MCDA tem vindo a pedir apoios junto da sociedade civil, incluindo casinos, para fazer face a despesas com rendas e com os tratamentos cedidos a crianças com mais de três anos, sem sucesso. Eliana Calderon afirma que têm sido lançadas suspeitas infundadas à direcção da MCDA quanto à gestão do dinheiro, mas a presidente garante que tudo tem sido feito de forma transparente.
O IAS disse ainda que “teve recentemente uma reunião especial com a presidente da MCDA [Eliana Calderon], no sentido de abordar os assuntos inerentes à gestão das actividades e do plano de cooperação entre as duas partes”. Na resposta, é ainda referido que o IAS está atento às 800 crianças em lista de espera para receber apoios por parte da MCDA. “O IAS está bastante atento a essa situação e que procurou por várias vezes inteirar-se junto da MCDA sobre a situação relativa aos membros, de maneira a poder coordenar na elaboração de um projecto de serviços adequado. Contudo, sobre este assunto da lista de espera, o director do conselho directivo da MCDA recusou-se a dar resposta.” Eliana Calderon adiantou ao HM que não entregou a lista de pais e crianças em lista de espera por estar em causa a protecção dos dados pessoais dessas famílias. O IAS “apela às crianças com necessidades educativas especiais e aos seus encarregados de educação que aguardam o respectivo serviço na MCDA para contactarem directamente com o IAS”. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
EDUCAÇÃO REGIME DO ENSINO SUPERIOR ENTRA EM VIGOR EM AGOSTO
O
Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES) revelou em comunicado que ocorreu a primeira reunião do ano que congrega os dirigentes e representantes das dez instituições de ensino superior de Macau. Um dos assuntos em cima da mesa foi a nova realidade trazida pela entrada em vigor do Regime do Ensino Superior, diploma aprovado na especialidade em plenário da Assembleia Legislativa no
passado mês de Julho e que irá entrar em vigor em Agosto. Além da aposta na formação de quadros qualificados, a reunião serviu para se discutir os futuros trabalhos legislativos complementares do Conselho do Ensino Superior, Fundo do Ensino Superior, Regime de Avaliação da Qualidade do Ensino Superior, Regime do Sistema de Créditos do Ensino Superior e Estatuto do Ensino Superior.
A reunião serviu também para inteirar os representantes das instituições de ensino das adaptações que precisam de ser realizadas tendo em conta a entrada em vigor do novo regime. Nomeadamente, revisões estatutárias, a operacionalidade e funcionamento, criação de cursos e qualificação de docentes de acordo com o novo regime. Foi ainda apresentado o “Programa de Prémios para Realizações do Ensino de
Nível Nacional 2018”, uma iniciativa do Ministério da Educação para instituições de ensino superior de Hong Kong, Macau e Taiwan. Este ano, o prémio foca-se nas áreas da ciência e engenharia. Macau terá direito a duas vagas, sendo que o período de candidatura é entre 15 e 30 de Abril. Além disso, foi ainda discutida a questão do hasteamento da Bandeira Nacional nas instituições de ensino de Macau.
sociedade 9
segunda-feira 12.3.2018
HATO DEZ ANOS PARA RECUPERAR ÁREAS FLORESTAIS DA TAIPA E COLOANE
Verde esperança RÓMULO SANTOS
As áreas florestais da Taipa e de Coloane devem precisar de uma década para se recompor totalmente dos estragos provocados pelo tufão Hato. Actualmente, a prioridade vai para as zonas urbanas, onde serão plantadas 2000 árvores até ao final do ano
O
Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) calcula serem precisos dez anos para recuperar as zonas de floresta na Taipa e em Coloane, fortemente atingidas pela passagem do tufão Hato em Agosto. Ao todo, meio milhão de árvores, o equivalente a uma área de 500 hectares, foram afectadas. “Os prejuízos foram tão graves que vai levar anos para se conseguir fazer a recuperação total da zona florestada das ilhas”, afirmou o chefe da Divisão de Espaços Verdes Urbanos do IACM, Ung Sio Wai, apontando que, “em princípio”, devem ser precisos dez anos. Na chamada Semana Verde, iniciativa anual que vai decorrer entre 17 e 25 de Março, vão ser plantadas mil árvores, ou o equivalente a uma área de um hectare, nas zonas florestadas da Taipa e de Coloane, com a prioridade a ser dada ao restabelecimento da paisagem num raio de dez metros dos
dois lados dos trilhos. No entanto, dado que “envolve um trabalho mais complexo e lento”, que exige “limpeza e replantação”, o plano de recuperação propriamente dito arranca vai arrancar apenas em 2019.
MAIS DE 2000 ÁRVORES NAS ZONAS URBANAS
Já nas zonas urbanas vão ser plantadas mais de 2000 árvores até ao final do ano, revelou Ung Sio Wai, durante um encontro com jornalistas que teve lugar na sexta-feira, na Areia Preta, onde estavam a decorrer trabalhos de replantação. “Até ao final do ano, 70 a 80 por cento das árvores destruídas serão replantadas”, garantiu o mesmo responsável. Após a passagem daquele que foi o pior tufão a atingir Macau em mais de meio século, o IACM tratou mais de 17 mil árvores nas zonas urbanas (na península e ilhas), removeu 3500 e endireitou mais de 1000. Segundo Ung Sio Wai, do universo de 555 árvores antigas, houve 44
afectadas pelo Hato, incluindo nove que caíram e tiveram que ser arrancadas. Após a experiência, o IACM, com a ajuda de especialistas da Administração Florestal de Guangdong, decidiu escolher para a replantação árvores “de menor porte”, mas com “características mais robustas”, com maior capacidade de resistência o vento, que vão demorar cerca de três a cinco anos a crescer. “As mudas são essencialmente provenientes da província de Guangdong e foram recomendadas pelo mesmo departamento”, adiantou Ung Sio Wai, dando conta de que, no total, foram seleccionadas 15 espécies. De acordo com o chefe da Divisão de Espaços Verdes Urbanos do IACM, o tufão não colocou sob ameaça nenhuma espécie existente. Contudo, na opinião dos peritos, há árvores que não são muito adequadas para os arruamentos. “Por exemplo, a árvore de Pagoda tem as raízes grandes, mas não vão
a uma profundidade que dê para [a] segurar”, explicou Ung Sio Wai. Durante o processo de replantação, vão ser observados critérios como o reordenamento das ruas, as instalações envolventes das redes de transporte, a segurança de veículos e peões ou a distribuição da rede de esgotos. Além disso, o IACM vai também rever se o local é adequado para a replantação, conforme o número e localização das caldeiras de árvores, pelo que há a possibilidade de algumas poderem continuar cobertas com cimento. Face à dimensão da destruição provocada pelo tufão Hato nas zonas verdes, o orçamento do plano de replantação vai ser gradualmente actualizado. Numa primeira fase, o IACM adquiriu perto de 1500 árvores, as quais vão então ser plantadas em diversos pontos da cidade, sendo o orçamento correspondente de mais de oito milhões de patacas. Macau contava, no final de Janeiro, com 22.343 árvores nas áreas urbanas, de acordo com dados do Sistema de Gestão e Conservação das Árvores. Diana do Mar
info@hojemacau.com.mo
JOGO WYNN RESORTS PEDE EMPRÉSTIMO PARA PAGAR À UNIVERSAL ENTERTAINMENT
A
operadora de jogo Wynn Resorts vai pedir um empréstimo bancário de cerca de 800 milhões de euros para ajudar a pagar uma dívida que tem à Universal Entertainment, devido a um resgate indevido de participações da empresa. A Wynn Resorts, que é uma das concessionárias que operam em Macau, afirmou que o Deutsche Bank já aprovou o empréstimo. A operadora de jogo aceitou, na quinta-feira, pagar cerca de 2,4 mil milhões de euros à Universal Entertainment, devido a um resgate indevido de uma participação de 20%, numa batalha legal que dura desde 2012. O pagamento entre as duas operadores de jogo terá que ser feito até 31 de Março. A empresa está também a enfrentar o escrutínio dos reguladores de jogo em Nevada e Massachusetts e em Macau,
onde a empresa tem dois casinos. As acusações de assédio sexual por parte de Steve Wynn começaram após uma investigação do jornal norte-americano Wall Street Journal que denunciou casos de assédio sexual a muitas mulheres, um dos casos teve de ser resolvido através de um pagamento de cerca de 7,5 milhões de euros a uma mulher. Desde então, grupos de accionistas, bem como funcionários actuais e antigos da empresa, apresentaram acções judiciais contra o bilionário e contra o conselho de administração. Steve Wynn sempre negou veementemente as acusações que o jornal relatou e acusou a sua ex-mulher de estar a orquestrar esta campanha de difamação pública. Steve Wynn renunciou ao cargo de presidente da empresa 6 de Fevereiro.
PUB
Convocatória Ao abrigo dos estatutos desta Sociedade, é por este meio convocada a Assembleia Geral dos Accionistas, para reunir em sessão ordinária, localizado na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, Hotel “Jai Alai”, Macau, no dia 26 do Março de 2018 (segunda-feira), pelas 15:00 horas, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Discussão e aprovação dos relatórios, balanço e contas finais, apresentados pelo Conselho de Administ ração, bem como a aplicação de resultados e o parecer do Conselho Fiscal, referentes ao exercício de 2017; 2. Deliberação sobre remuneração dos membros dos órgãos sociais ; 3. Nomeação dos auditores para o ano de 2018 ; 4. Quaisquer outros assuntos de interesse da Sociedade. Macau, 8 de Março de 2018.
Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Leong On Kei
10 eventos
“M
INHA avó materna – Annie Florence Morbey Ferro (18701952) – contava que, durante a I Guerra Mundial, de casa dela, na cidade do Mindelo, na Rua Poço do Estado, com vista para a baía, assistiu à perseguição de um submarino a um navio mercante que acabou por encalhar a sul da baía do Porto Grande, em São Vicente, próximo da Cova d’Inglésa.” É desta forma que começa o novo livro de Jorge Morbey, intitulado “O ataque de um submarino alemão no Porto Grande de São Vicente durante a I Guerra (1914-1918)”, editado pela Livros do Oriente e que é lançado oficialmente
Estórias de boca em boca
LIVROS JORGE MORBEY DESMISTIFICA LENDA DA ILHA DE SÃO VICENTE, EM CABO VERDE
esta quarta-feira na Fundação Rui Cunha. Em 1917 houve, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, no ano de 1917, um ataque de um submarino alemão a dois cargueiros que transportariam comida do Brasil. O comandante desse submarino ter-se-ia apaixonado por uma cabo-verdiana. O ataque aconteceu de facto, mas todos os restantes elementos se transformaram em lenda que ainda hoje existe na memória colectiva do povo cabo-verdiano da ilha. Foi a avó que contou esta história a Jorge Morbey, que resolveu ir em busca de respostas factuais. “Era uma história que a minha avó me contava porque ela assistiu à cena da varanda da casa dela, na ilha de São
Vicente, em Cabo Verde, onde nasceu. Ela contava-me essa história sem grandes pormenores. Mas a questão que me
“Tenho pena que não tenha sido como a memória mantida pelo povo de caboverdiano durante 100 anos, porque era uma história romântica. Mas não tem qualquer correspondência com a realidade.” JORGE MORBEY AUTOR
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA PORTUGAL DEFINITIVO • António Victorino d’Almeida
«Em “Portugal Definitivo” voltamos a encontrar Marcelino Bandeira, o protagonista dos livros “Coca-Cola Killer” e “Tubarão 2000”, com a única diferença de que se trata agora de um homem velho. Este é o último livro da trilogia que mergulha com graça e inteligência na sociedade portuguesa, que ousa entrar nos bastidores e faz subir ao palco as verdades incómodas do nosso país. Sem hipocrisias nem cinismos.» In Posfácio
levou a abordar este tema e fazer alguma investigação é que o centenário desse acontecimento ocorreu a 2 de Novembro passado. Fez 100 anos esse ataque, 2 de Novembro de 1917.” A efeméride levou Jorge Morbey, historiador e docente da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST), a publicar agora esta obra. “A memória colectiva guarda isso como um acto altruísta do comandante do submarino, que teria afundado os dois cargueiros. Esse evento é guardado na memória colectiva da população da ilha de São Vicente como um acto altamente positivo. Estes supostamente trariam do sul algumas pessoas que vinham da Argentina ou do Brasil, e
efectivamente os dois vinham do Brasil, e a ficção criada pela fome via milho, feijão e elementos básicos da alimentação dos cabo-verdianos que não é verdade.” Morbey destaca que, nessa época, Cabo Verde era um país que sofria bastante com secas e fomes. “Cabo Verde sofreu durante séculos secas e fomes imensas, que levaram
GONÇALO LOBO PINHEIRO
O historiador Jorge Morbey lança esta quartafeira o livro “O ataque de um submarino alemão no Porto Grande de São Vicente durante a I Guerra (1914-1918)”, com a chancela da Livros do Oriente. O autor partiu de uma história de infância e desmistificou uma lenda que há 100 anos persiste no imaginário da população da Ilha de São Vicente
12.3.2018 segunda-feira
a uma grande dizimação da população.” Contudo, o historiador descobriu que não só os cargueiros não transportavam comida como não há registos históricos da ocorrência de um caso de amor. “Analisei os manifestos de carga desses dois cargueiros e limitavam-se a peles e café em grão. Houve mortes e feridos nesses ataques aos navios brasileiros, e tentei descobrir como é que um fenómeno de guerra é transformado num episódio de história que se baseia num romance de amor que teria havido entre esse comandante do submarino alemão e uma cabo-verdiana muito bonita.” Contudo, Jorge Morbey não conseguiu encontrar “nenhum suporte histórico”.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
ESCOLA DE MAGIA • João Miranda
Se gostava de aprender truques de magia fantásticos para surpreender tudo e todos, este livro é para si. De forma clara e simples, o mágico João Miranda irá ensinar-lhe passo a passo e por diferentes níveis de dificuldade ilusões com objectos que poderá facilmente encontrar em sua casa. Fazer aparecer dinheiro, levitar uma carta, transformar água em sumo ou rasgar e reconstituir um jornal, são alguns dos truques de magia que irá aprender.
eventos 11
segunda-feira 12.3.2018
Rota das Letras Liliana Ribeiro ganhou concurso de contos
Liliana Ribeiro foi a premiada portuguesa do concurso de contos do festival literário Rota das Letras, com a história “E se as Pedras”. Huang Hou Bin foi o vencedor, tendo concorrido com o conto em língua chinesa intitulado “Atravessar a Fronteira”. Em inglês sagrou-se vencedor Graeme Hall, com o conto “O Riso do Macaco de Jade”. Além do prémio monetário de dez mil patacas atribuído a cada autor, os três contos são publicados no livro “Seis em Ponto”, lançado ontem durante o festival. Tal como é habitual, todos os anos é lançado um livro que contém não apenas os contos vencedores como contos de autores convidados que experimentam o desafio de escrever sobre Macau. “Seis em Ponto” conta com histórias escritas pelos convidados presentes na última edição do Rota das Letras, como é o caso de Natalia Borges Polesso, que escreveu “Volta”, ou Bruno Vieira Amaral, que assinou “A vida eterna no Rio das Pérolas”.
“Inclino-me para a possibilidade deste fenómeno estar relacionado com o problema da fome e com a psicologia da fome”. Esfomeados, as pessoas terão delirado com aquilo que, de facto, aconteceu, frisou o autor.
sido como a memória mantida pelo povo de cabo-verdiano durante 100 anos, porque era uma história romântica. Mas não tem qualquer correspondência com a realidade.”
PURA FANTASIA
Apesar do lançamento ser feito em Macau, Jorge Morbey acredita que a Livros do Oriente levará o livro a outras paragens. “Provavelmente
O livro tem partes em crioulo cabo-verdiano, que Jorge Morbey domina, uma vez que este recorreu a bibliografia do país sobre este tema, bem como algumas fontes portuguesas. Para chegar a algumas conclusões, a historiador foi buscar informação “a uns estudos iniciados nos Estados Unidos, no final da II Guerra Mundial, e que foram feitos por voluntários que foram submetidos a fomes para ver as reacções deles”. “A única explicação que consigo encontrar aqui é essa obsessão pela comida, foi uma lenda que não tem nada a ver com a realidade. O que existiu foi o afundamento dos dois navios, que ficaram ali...ainda me lembro de restos de um deles encalhados junto à praia, e foi há quatro anos que esses restos foram removidos.” Morbey lamenta que a estória que ouviu da sua avó não tenha acontecido na vida real. “Tenho pena que não tenha
LANÇAMENTOS EM LISBOA E CABO VERDE
“A única explicação que consigo encontrar aqui é essa obsessão pela comida, foi uma lenda que não tem nada a ver com a realidade. O que existiu foi o afundamento dos dois navios, que ficaram ali...ainda me lembro de restos de um deles encalhados junto à praia.” JORGE MORBEY AUTOR
faremos também o lançamento em Lisboa e nas duas cidades principais de Cabo Verde, Praia e Mindelo”, acrescentou. Esta lenda é apenas uma das muitas estórias que permanecem por investigar em Cabo Verde, considera o autor, que tem “uma colecção que, a seu tempo” pretende começar a publicar, relativa à “documentação para a história da ilha de São Vicente, onde eu nasci”. Além da ilha de São Vicente, a ilha do Sal começou a ser povoada no século XIX, tendo ambas se tornado num importante motor económico de Cabo Verde entre a segunda metade do século XIX e os anos 50 do século XX. “Foi a altura em que a navegação começou a ser feita em vapor, e os ingleses estavam a ocupar o mundo todo e tiveram necessidade de estabelecer postos de abastecimento à navegação de carvão e a minha ilha foi escolhida como a primeira base. Isso trouxe uma grande prosperidade e um desenvolvimento acelerado”, lembrou Jorge Morbey. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
PUB
ASSOCIAÇÃO GERAL DE AUTOMÓVEL DE MACAU-CHINA
Inscrição Curso de Formação para os Comissários Desportivos do 65º. Grande Prémio de Macau
Avisa-se a todos os interessados que as inscrições do curso de formação para os comissários desportivos do 65º. Grande Prémio de Macau para o ano 2018 estarão abertas a partir do dia 12 de Março do corrente ano. Os interessados deverão preencher uma ficha de inscrição fornecida pelo AAMC, juntando o Bilhete de Identidade de Residente de Macau e uma fotocópia do mesmo, 2 fotografias a cores e 1 atestado médico passado por médico registado na RAEM, de que o interessado se encontra apto para prestar funções acima referido e entregar até ao dia 29 de Março de 2018 na sede da Associação Geral de Automóvel de Macau - China (AAMC). Data de inscrição: 12 de Março até 29 de Março. Requesitos para a inscrição: - Ter 18 anos de idade completos - Possuír Bilhete de Identidade de Residente de Macau Propina de inscrição: Mop100.00 por inscrição. Para mais Informações, favor de contactar através do número de telefone: (853) 2872 6578 Endereço do AAMC: Avenida Amizade, Edifício do Grande Prémio, Rés-do-chão da Torre de Controle, de fronte ao Terminal Maritimo de passageiros do Porto Exterior. De 2ª. Feira a 6ª. Feira: das 09H30 às 13H00 e das 14H30 às 18H30 (excepto feriados oficiais e tolerância de ponto aprovado pelo Chefe Executivo) Relativamente ao horário do curso de formação para os comissários desportivos, podem encontrar na página electrónica da Associação Geral de Automóvel de Macau – China, www.aamcauto.org.mo
12 china
12.3.2018 segunda-feira
Palmas para Kim e Trump
Pequim saúda encontro entre EUA e Coreia do Norte
O
ASSEMBLEIA NACIONAL POPULAR APROVA PRESIDÊNCIA INDEFINIDA PARA XI
O regresso do mandato celestial
A
sessão plenária da Assembleia Nacional Popular (ANP) da China aprovou ontem uma emenda constitucional que estabelece uma presidência indefinida para o actual chefe de Estado, Xi Jinping. A ANP aprovou com um único voto um conjunto de 21 emendas constitucionais propostas, entre as quais a eliminação do limite de dois mandatos consecutivos de cinco anos para os presidentes do país. O resultado da votação foi de 2.958 votos a favor, dois contra e três abstenções. Outra das alterações aprovadas foi a que inclui as teorias políticas de Xi Jinping sobre o desenvolvimento do “socialismo com características chinesas numa nova era” na Carta Magna chinesa. Numa intervenção após a votação, o presidente da ANP, Zhang Dejiang, destacou a importância de “defender a liderança centralizada e unificada” com Xi Jinping “no seu núcleo”. A actual Constituição chinesa, que entrou em vigor em 1982, foi alterada pela última vez em 2004. A aprovação das emendas constitucionais supõe uma consolidação ainda maior do poder de Xi Jinping, que acaba de terminar o seu primeiro mandato de cinco anos e atinge assim um poder
indefinido que os analistas comparam ao de Mao Zedong. Além disso, o retorno a uma liderança indefinida supõe uma ruptura com o sistema criado por Deng Xiaoping, que estabeleceu um poder mais colegial, com limites temporais para os altos cargos, a fim de evitar os excessos que causaram a acumulação do poder pessoal desmedido durante a época de Mao Zedong (1949-1976). Constitucionalmente, a ANP é o “supremo órgão do poder de Estado na China”, mas cerca de 70% dos seus quase 3.000 deputados são membros do Partido Comunista Chinês (PCC), assegurando a sua lealdade ao poder político. Os deputados são eleitos por cinco anos, a partir das assembleias das diferentes províncias, regiões autónomas, municípios, regiões administrativas especiais e das forças armadas do país, e estão encarregues de aprovar projectos de lei, o relatório do Governo, Orçamento ou o plano de desenvolvimento económico-social. Em mais de meio século de existência, os delegados da ANP nunca rejeitaram um projecto de lei ou documento e, até finais dos anos 1980, as aprovações ocorriam sempre por unanimidade. Foi só em 1988 que, pela primeira vez, um delegado da ANP votou “não”. Também inéditos
foram os três votos de abstenção, ocorridos em 1982. A abolição do limite de mandatos permitirá a Xi Jinping, um dos mais fortes líderes na história da República Popular, ficar no cargo depois de 2023, quando termina o seu segundo mandato. O PCC elimina assim um dos princípios fundamentais da política chinesa nas últimas décadas, que distinguia o regime de Pequim de outros estados autoritários, e que analistas consideram ter sido crucial para a estabilidade política que permitiu à China converter-se na segunda maior economia mundial no espaço de trinta anos. A proposta do Comité Central do PCC foi tornada pública em 25 de Fevereiro, uma semana antes do início da sessão anual da ANP. Citado pela agência oficial Xinhua, Xi Jinping destacou durante um painel de discussão com delegados da Assembleia que a proposta foi “plenamente democrática”, feita “após uma recolha de opiniões a partir de diferentes sectores” e que “ilustra o desejo comum do partido e do povo”. O líder chinês referiu ainda que a emenda constitucional permitirá “modernizar o sistema chinês e a capacidade de governação do país”.
governo da República Popular da China saudou na sexta-feira o anúncio da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, agendada para o mês de Maio. “Saudamos os sinais positivos dados pelos Estados Unidos e pela Coreia do Norte no sentido de um diálogo directo”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Geng Shuang, numa conferência de imprensa semanal, em Pequim. “O próximo passo é a manutenção deste momento positivo, alcançar sinergias para o trabalho conjunto no sentido de restaurar a paz e a estabilidade na península da Coreia”, acrescentou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou o convite do líder da Coreia do Norte para iniciar uma ronda de negociações sobre o programa nuclear norte-coreano. A reunião - ao mais alto nível - foi confirmada pelo conselheiro de Segurança da Coreia do Sul, Chung Eui-yong, durante uma visita à Casa Branca. O local do encontro ainda não foi decidido sendo que o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim não se pronunciou sobre a possibilidade de a reunião se realizar em território da República Popular da China. “A China vai continuar a desempenhar um papel positivo”, na busca de uma solução negociada para a crise, disse Geng Shuang quando questionado sobre a localização da cimeira. O mesmo responsável disse ainda que as partes envolvidas devem mostrar “coragem política e poder de decisão, envolvendo-se em contactos bilaterais e multilaterais”.
Antes do anúncio do encontro de Maio, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês defendeu o princípio da “dupla suspensão”: o fim das manobras militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul na península coreana e, ao mesmo tempo, a paragem dos testes com armamento nuclear por parte da Coreia do Norte.
SANÇÕES ATÉ DESNUCLEARIZAÇÃO
Entretanto, apesar da melhoria nas relações, o Presidente dos Estados Unidos e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, comprometeram-se a manter a pressão e as sanções à Coreia do Norte, caso não sejam tomadas medidas para uma desnuclearização “completa, verificável e irreversível”. “Os dois líderes congratularam-se com a perspectiva de diálogo entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte e prometeram manter a pressão e as sanções até que sejam tomadas medidas tangíveis para uma desnuclearização completa, verificável e irreversível”, disse em comunicado, a Casa Branca, citada pela agência Efe. A conversa telefónica entre Donald Trump e Xi Jinping surge um dia após o Presidente dos Estados Unidos ter aceite o convite do líder norte-coreano, Kim Jong-un, para um encontro. De acordo com o documento, Trump expressou esperança de que Kim Jong-un escolha “um caminho mais brilhante” para o futuro da Coreia do Norte. Porém, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, já havia dito que, até se verificarem “acções concretas” de Pyongyang, o encontro entre os dois líderes não será agendado.
china 13
segunda-feira 12.3.2018
NÃO À GUERRA COMERCIAL COM EUA PORQUE SERIA “DESASTROSO”
Malefício comum
O
ministro chinês do Comércio, Zhong Shan, disse que Pequim não iniciará uma guerra comercial com os Estados Unidos, porque os resultados podem ser “desastrosos”, embora garanta que defenderá os seus interesses. Zhang disse, durante uma conferência de imprensa em Pequim, no âmbito da Assembleia Nacional Popular (ANP), que em guerras comerciais nunca há vencedores, mas apenas resultados “desastrosos” para ambos os países e para o resto do mundo. Embora tenha descartado de início uma guerra co-
mercial, o ministro chinês lembrou que a China pode ter de enfrentar este desafio e defender os seus interesses. Na última quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma nova imposição de 25% para as importações de aço e 10% para as importações de alumínio que afectarão todos os países que as vendem para os EUA, com excepção do México e do Canadá. A decisão de Trump, que argumentou que o aço e o alumínio são “vitais” para a “segurança nacional”, suscitou sérias preocupações sobre uma possível guerra comercial devido a represálias de outros
parceiros comerciais, incluindo a China. O gigante asiático criticou com dureza as novas tarifas que, em sua opinião, terão um “sério impacto” no comércio internacional e solicitaram aos EUA que as retirem “o mais rápido possível”. Por sua vez, a Associação Chinesa do Ferro e Aço (CISA) pediu às autoridades chinesas que respondam a essas tarifas, porque “violam as regras da Organização Mundial do Comércio”, com outras medidas sobre as importações dos EUA. O presidente norte-americano, Donald Trump já tinha afirmado sábado que renuncia aos impostos
sobre as importações de aço e alumínio aplicados à União Europeia, se os 28 abdicarem das barreiras aos produtos dos Estados Unidos (EUA). Os impostos de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre as de alumínio anunciadas por Trump têm sido criticadas pelos europeus e outros parceiros comerciais dos EUA, como o Japão, mas ainda não foi encontrada uma solução nas conversações entre representantes das três partes, em Bruxelas. “A União Europeia, países maravilhosos que tratam muito mal os Estados Unidos no comércio, queixam-se dos impostos sobre o aço e o alumínio. Se eles abandonarem os seus horríveis obstáculos e os seus direitos aduaneiros sobre produtos norte-americanos, nós abandonaremos os nossos. Se não, taxamos as viaturas, etc. Justiça!”, escreveu o presidente na rede social Twitter. Depois do encontro, na capital belga, os europeus manifestaram o seu desapontamento ao representante norte-americano do Comércio, Robert Lighthizer. A reunião incluiu ainda a comissária do Comércio Cecilia Malmström e o ministro japonês da Economia, Hiroshige Seko. O Japão, como a União Europeia, exige isenção dos impostos. Os EUA vão começar a aplicar tarifas aduaneiras de 25% às importações de aço e de 10% às de alumínio dentro de 15 dias, com o Canadá e o México excluídos destes direitos aduaneiros, anunciou na quinta-feira a Casa Branca. Entretanto, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, advertiu os EUA de que as guerras comerciais “são más e fáceis de perder”. Macron também falou com Trump, na sexta-feira, tendo o Presidente francês sublinhado que “tais medidas visando países aliados, que respeitam as regras do comércio mundial, não seriam eficazes para lutar contra as práticas desleais”. Macron preveniu ainda Trump que “a Europa vai responder de forma clara e proporcionada contra qualquer prática infundada e contrária às regras do comércio mundial”.
BANCO CENTRAL QUER INTERNACIONALIZAR A MOEDA
O
Banco do Povo Chinês (banco central) afirmou que a China quer colaborar com os principais mercados de capitais do mundo, visando a internacionalização da sua moeda, o renminbi. A China quer dar “novos usos” ao renminbi, afirmou ainda o governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, numa conferência de imprensa à margem da sessão anual do legislativo chinês. A internacionalização do renminbi é uma prioridade para Pequim,
que quer contrariar a hegemonia do dólar norte-americano e negociar na sua moeda recursos como petróleo e ferro, dos quais é o maior mercado mundial, e facilitar os investimentos chineses além-fronteiras. Em 2016, o renminbi aderiu formalmente ao cabaz de moedas do Fundo Monetário Internacional (FMI), um instrumento criado pela instituição com a finalidade de permitir liquidez aos países membros. Portugal poderá em breve tornar-se
o primeiro país da zona do euro a emitir títulos denominados na moeda chinesa. Zhou, que ocupa o mesmo cargo há 16 anos e deverá retirar-se nos próximos dias, disse ainda que a economia do país dependerá menos das injecções monetárias do banco central, no futuro, mas que isso não implica uma redução da liquidez disponível. O responsável afirmou ainda que a instituição trabalhará no sentido de
abrir a economia. “Permitiremos que instituições financeiras estrangeiras se estabeleçam na China e que as instituições chinesas se convertam em instituições internacionais”, disse. O governador do banco central chinês garantiu ainda que foi alcançada uma estabilização no ritmo de crescimento da dívida do país e destacou o trabalho das autoridades para acabar com sistemas de financiamento ilegais, que funcionam à margem da regulação bancária.
HRW pede acesso ao Tibete
A Human Rights Watch (HRW) apelou à China que permita o acesso de especialistas da ONU ao Tibete para avaliar a situação de tibetanos presos e proibidos de contactar familiares e advogados. “A repressão do Governo chinês contra dissidentes políticos no Tibete justifica as visitas para investigação de especialistas em direitos humanos da ONU”, afirmou a organização de defesa dos direitos humanos, em comunicado. A organização considera ser difícil avaliar quantos tibetanos permanecem presos. Informação sobre condenações e detenções no Tibete está “altamente restringida” e quem disponibiliza informação “corre o risco de ser detido”, denuncia a HRW. “A China devia convidar especialistas em direitos humanos da ONU para avaliar a situação de tibetanos detidos, a quem é negado o contacto com familiares e advogados, e que sofrem maus tratos sob custódia e são condenados injustamente”, afirma a directora da HRW para a China, Sophie Richardson. Em Fevereiro passado, especialistas da ONU pediram a libertação do académico tibetano Tashi Wangchuk, que está detido por alegadamente “incitar ao separatismo”. “As sentenças pesadas contra dissidentes tibetanos pacíficos contradizem as afirmações do Governo chinês, de que estão simplesmente a aplicar a lei”, disse Richardson. No ano passado, investigadores da ONU expressaram formalmente a sua preocupação às autoridades chinesas pela expulsão massiva de monges, no final de 2016, e a demolição de casas, no mosteiro tibetano de Larung Gar en Kandze.
14
h
12.3.2018 segunda-feira
quando a extravagância apregoa lucros o infortúnio espera a sua hora, paciente
WANG YUANQI
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
«Yuchuang Manbi»
Notas Dispersas Sobre Uma Janela Chuvosa
Outrora o meu avô Fengzhang (Wang Shimin), que tinha estudado de modo particular a obra de Ni Yulin (Nizan) e Huang Gongwang, explicou a sua arte com palavras profundas que eu respeitosamente anotei para servir como um guia para os que querem ser conhecedores. Na pintura deve evitar-se a suavidade, moleza a dureza, o pesado e a coagulação (demasiada dureza). Além disso, evitar a pressa e a confusão, evitar a clareza brilhante e o carregado, evitar aglomerações e coisas misturadas em desordem. Não deve ser utilizado sem intenção um bom pincel nem intencio-
nalmente evitar um pincel duro, mas trabalhar diletantemente sem pressão ou pressa. Deve começar-se pelos pontos leves e prosseguir com os pontos mais carregados e ricos, ser superior ao doce e comum, suprimir o delicado e o fraco, e se o trabalho estiver a ficar demasiado duro e pesado, desistir. Mas a partir do momento em que o pincel toca no papel, intencionalmente ou por acaso, deve prosseguir-se virando e cortando com o pincel até mesmo as pontas e as curvas do telhado1, ou seja o acabamento da pintura, sem se tornar escravo do pincel2.
1 - Osvald Sirén nota como a expressão utilizada «gu leng», «as pontas curvas dos telhados», habitualmente uma referência a Pequim, às curvas do Palácio, é usada aqui, naturalmente, no sentido figurado. (The Chinese on the Art of Painting, op. Cit., p.207) 2 - Veículo privilegiado na transmissão da ideia da pintura, o pincel ocupa um lugar inevitável em todos os tratados de pintura. Ele está no segundo dos Seis Princípios de Xie He: «O Método dos Ossos (a estrutura) no uso do pincel», no Bifa Ji de Jing Hao um velho sábio reelabora as «Seis Regras» e coloca-a no quinto lugar. O pintor contemporâneo de Wang Yuanqi, Shitao, escreve no capítulo V, Pincel e Tinta, do seu tratado: «o pincel ao utilizar a tinta deve dotá-la de espírito.» Na formação do pintor serão muitas vezes referidos três graus sucessivos que serão apreciados no modo como ele usa o pincel: primeiro o trabalho revela-se cru, primitivo (sheng); pela prática, nota-se que é hábil, maduro (shou); e no final do processo ele já pode esquecer que está a executar um trabalho e reencontrar a espontaneidade crua (sheng).
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
segunda-feira 12.3.2018
Ofício dos Ossos Valério Romão
D
ESTA feita é Feliciano Barreiras Duarte, recém-empossado secretário-geral do PSD. Ao que parece, este terá não somente mentido no currículo – que já se prontificou a rectificar – como terá forjado uma carta que Deolinda Adão, Professora e Directora Executiva do Programa de Estudos Portugueses na Universidade da Califórnia, embora reconheça a sua assinatura, diz nunca ter escrito. Na missiva, em Português, a Professora Deolinda Adão afirma, em nome da Universidade da Califórnia, Berkeley, que “Feliciano Barreiras Duarte se encontra inscrito na Faculdade como visiting scholar” – um estatuto concedido a professores ou estudantes que visitam a universidade com o propósito de dar aulas, conferências ou investigar em tópicos nos quais o seu trabalho seja de reconhecido mérito. Diz ainda a carta que a mesma Deolinda Adão planeia ser orientadora da tese de doutoramento de Feliciano Barreiras Duarte. O problema dessa carta é que nem dez porcento é verdade, se quisermos glosar Manoel de Barros. A única coisa que a Professora Deolinda Adão reconhece no documento, aliás, é a assinatura. Tudo o mais parece ter sido forjado. Feliciano Barreiras Duarte confessa-se surpreendido. Reitera a sua incompreensão perante as declarações da Professora Deolinda Adão, afirmando que a carta – que ele próprio produziu enquanto prova – terá mesmo chegado dos Estados Unidos, tendo este sempre confiado na sua autenticidade. Percebe-se ao longo das declarações que este tem dado à comunicação social, que o seu estatuto de visiting scholar na Universidade de Califórnia nunca passou de uma ideia avançada pelo próprio e por Manuel Pinto de Abreu (também este professor na Lusófona, onde Feliciano igualmente lecciona). Manuel Pinto de Abreu pertence ao PSD, como Feliciano. Surpresas? Nenhuma. A pedra de toque do despudor total surge quando Feliciano Barreiras Duarte afirma ter pensado em ir para Berkeley mas que nunca pôde concretizar o projecto por não lhe ser economicamente viável.
FRANCISCO GOYA, SABERÁ MAIS O DÍSCIPULO?, GRAVURA
Os nossos minúsculos virtuosos Se atentarmos ao currículo presente no site do parlamento e o compararmos com o aquele que está no DeGóis – um repositório de dados relativos a académicos e investigadores portugueses – notamos algumas diferenças de monta. No currículo que enviou para o parlamento, Feliciano menciona ter um Mestrado em Direito, na vertente de Ciências Jurídicas e Políticas. Naquele que podemos consultar no site do DeGóis, o Mestrado em Direito não existe. O que existe, outrossim, é uma frequência no Mestrado em Sociologia na Universidade de Évora, na variante Poder e Sociedade. Qual destas informações corresponde à verdade? Não sabemos. Na realidade, o comportamento de Feliciano Barreiras Duarte é tudo menos original. Estamos decerto lembrados de José Sócrates e da sua Licenciatura domingueira, só para dar um exemplo. As Autónomas, Independentes e Lusófonas desta vida parecem ter sido criadas não para disponibilizar, por via privada, cursos nos quais os alunos com médias menos satisfatórias poderiam ver realizadas aspirações académicas e profissionais, mas para dar guarida a políticos que, de outro modo, teriam de se conformar com uma titularidade académica abreviada. Se pensarmos que estas criaturas – para além de assumirem competências pedagógicas em áreas nas quais a sua formação é tudo menos clara – mostram uma inteligência tão débil que pensam viver numa época anterior ao Google e têm como aspiração governar-nos, é difícil não sentir um arrepio na espinha. E, simultaneamente e como que numa epifania, compreender uno tenore a história recente do rectângulo, transformado simultaneamente em coutada e em chiqueiro. Feliciano Barreiras Duarte, no fundo apenas um subproduto clássico do pós 25 de Abril, representa aquilo que de mais pernicioso existe na política contemporânea, moldada conceptualmente pela sociedade do espectáculo e do entretenimento: o aparecer tem primazia ontológica sobre o ser e, para quase tudo, como diria o Raposão do Eça, basta ter “a ousadia de afirmar”.
16 publicidade
12.3.2018 segunda-feira
BANCO TAI FUNG, S.A. MACAU CONVOCATÓRIA
EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto
: 8/E-BC/2018 :189/BC/2010/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua da Praia do Manduco n.º 57, EDF. Wan Seng (Bloco 1), parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados o dono da obra ou o seu mandatário e os utentes do local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado se realizou a seguinte obra não autorizada: Obra
Infracção ao RSCI e motivo da demolição
1.1 Construção de um compartimento com cobertura Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de metálica, paredes em alvenaria de tijolo e janelas de evacuação. vidro no local em epígrafe.
2.
Sendo o terraço do edifício considerado caminho de evacuação, deve o mesmo conservar-se permanentemente desobstruído e desimpedido, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores no referido espaço, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desse espaço enquanto caminho de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.
3.
Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício.
4.
Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.
5.
O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).
RAEM, 2 de Março de 2018
O Director dos Serviços Li Canfeng
É convocada a Assembleia Geral Ordinária deste Banco, para se reunir no dia 27de Março do corrente ano (terça-feira), pelas 10:30horas, na sede social estabelecida em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção nº418, 21ºandar, Edifício “sede do Banco Tai Fung”, com a seguinte ordem de trabalhos: 1. Aprovação do Balanço e das Contas do referido Banco, respeitante ao exercício findo em 2017, do relatório do Conselho de Administração, do parecer do Conselho Fiscal e do relatório dos auditores; 2. Distribuição de resultados e de dividendos; 3. Eleição dos Membros do Conselho Fiscal; 4. Contratação de auditores; 5. Outros assuntos de interesse para o Banco. Nos termos da lei, o relatório do Conselho de Administração, o Balanço e as Contas,o parecer do Conselho Fiscal e o relatório dos auditores, respeitantes ao exercício findo em 2017, encontram-se depositados na sede do Banco para consulta dos sócios. Macau, 12 de Março de 2018 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral HO HAO VENG
MONTEPIO GERAL DE MACAU ASSEMBLEIA GERAL CONVOCATÓRIA Nos termos do Artº 34º, nº 1, al. a) dos Estatutos em vigor, convoco a Assembleia Geral Ordinária para reunir na sua sede, sita na Avenida Doutor Mário Soares, nº 25, 3º andar (4º piso) do Edifício “Montepio”, no próximo dia 29 de Março de 2018, pelas 17H15, com a seguinte ordem de trabalhos: 1ª - Discussão e votação do relatório e Conta de Gerência do ano de 2017 e do parecer do Conselho Fiscal; e 2ª - Outros assuntos de interesse da Associação. No caso de não comparecer nesse dia e hora indicados, o número de associados mencionado no nº 1 do Artº 36º, considera-se desde já convocada nova reunião, que se realizará no mesmo local decorrida uma hora, com qualquer número de associados. Montepio Geral de Macau, aos 7 de Março de 2018 A Presidente da Assembleia Geral, Rita Botelho dos Santos
desporto 17
segunda-feira 12.3.2018
Tradição a duplicar
Asiático de Karting abre e encerra temporada na RAEM
O
Kartódromo de Coloane voltará a acolher dois eventos do Campeonato Open Asiático de Karting (AKOC, na sigla inglesa) em 2018, mantendo uma tradição com mais de uma década em que o traçado de Macau abre e encerra a temporada da mais importante competição de karting do continente asiático. A prova de abertura do campeonato asiático será realizada em concomitância com os campeonatos do território, no fim-de-semana de 9 e 10 de Junho. Por seu lado, a prova de encerramento do AKOC está prevista para o fim-de-semana de 8 e 9 de Dezembro. Este evento poderá ser parte integrante do Grande Prémio Internacional de Karting, a exemplo de edições anteriores. O formato deste ano do Grande Prémio Internacional de Karting, co-organizado em anos anteriores pela Associação Geral-Automóvel Macau-China (AAMC), Instituto do Desporto (ID) e Direcção dos Serviços de Turismo (DST), não foi ainda dado a conhecer ao público. O ano passado a prova iria atribuir os títulos CIK FIA Ásia-Pacifico para as categorias KZ e OK, algo que viria a não acontecer a pedido das entidades responsáveis pelo evento no território. Apesar da anulação das corridas que iriam outorgar os títulos dos dois mais importantes campeonatos da federação internacional de karting
FIA MANTÉM TAÇAS DO MUNDO EM MACAU
OK de Genebra
para a região Ásia-Pacifico, a AAMC avançou com a organização da prova, oferecendo uma série de incentivos aos participantes, conseguindo assim reunir cento e vinte concorrentes de catorze países e territórios. Criado em 2002 e com base operacional nas Filipinas, o AKOC tenta agrupar os melhores pilotos e principais categorias de karting neste ponto do globo. Os fins-de-semana de provas compreendem provas as classes Fórmula 125 Open Sénior, Júnior e Veteranos, ROK Sénior e Mini ROK. Para além da RAEM, a competição rainha de karting irá visitar este ano novamente a Carmona Race Track, nas Filipinas, e o Circuito de Kart de Bira, na Tailândia. Anovidade para esta temporada é a presença da Indonésia, um país com uma longa tradição na modalidade, no calendário. O Kartódromo do Circuito Internacional de Sentul, na Indonésia, foi o lugar escolhido para substituir a prova que se disputava previamente em Singapura. Entretanto, a AAMC anunciou o calendário de seis provas dos Campeonatos de Karting e Motociclismo de Macau. O primeiro evento está agendado para o segundo fim-de-semana de Março, prolongando-se os campeonatos até ao mês de Dezembro, sendo que todos os eventos vão ser realizados no kartódromo inaugurado em 1996. S.F.
O Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizado na passada sexta-feira, em Genebra, confirmou a continuidade das Taças do Mundo FIA de GT e Fórmula 3 no Circuito da Guia.
A
PESAR da contestação de alguma imprensa especializada e de alguns construtores menos satisfeitos, amplificada pelos aparatosos acidentes das últimas duas edições, a maioria dos envolvidos na Taça do Mundo FIA de GT expressou interesse em que este título fosse disputado no exigente traçado de Macau, em vez de o ser num qualquer circuito convencional. A posição geográfica de Macau e a importância do mercado asiático para os construtores automóveis, além do evento se ajustar perfeitamente às intenções comerciais e promocionais das marcas, fazem do imperdoável Circuito da Guia o palco preferencial para se disputar
o título mais elevado da categoria FIA GT3. Por seu lado, a continuação da Taça do Mundo FIA de Fórmula 3 no território era esperada, até porque não existe qualquer outra prova extra-campeonato de Fórmula 3 reconhecida pela federação internacional que não aquela que se discute nas ruas do território. A edição deste ano terá uma particularidade, pois poderá ser a última da história da categoria em que estarão em pista monolugares equipados com motores de diferentes construtores. Na reunião da FIA na Suíça ficou decidido a instituição em 2019 do Campeonato FIA de Fórmula 3 que fará parte da plataforma dos fins-de-semana do Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Este campeonato terá
a particularidade de ser realizado com um chassis e um motor único. Esta decisão, que não é consensual no paddock da disciplina, quebra uma velha tradição da Fórmula 3 que sempre foi ao longo da sua história uma categoria que colocou frente-a-frente fornecedores de motores e também de chassis, apesar do jugo da Dallara nas duas últimas décadas. A 65ª edição do Grande Prémio de Macau irá decorrer de 15 a 18 de Novembro. O programa do evento deste ano ainda não foi apresentado, mas para além das duas competições acima citadas, estão igualmente confirmadas as provas da nova Taça do Mundo FIA de Carros de Turismos (WTCC) e o Grande Prémio de Motos de Macau. Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
Consulado vence, Casa de Portugal perde
O Consulado de Portugal venceu, ontem, por 6-1 a formação do Hong Ngai, em jogo a contar para a 2.ª Divisão. O encontro teve lugar no Estádio do Canídromo e os golos da equipa orientada por Rocha Diniz foram apontados por Alexandre Baptista (7 e 55 minutos), Vítor Sereno (20 minutos), Albertino Almeida (71 minutos), Pedro Maia (76 minutos) e Ruan da Silva (90 minutos). O golo do Hong Ngai foi apontado por Mok Weng Kei (84 minutos). Já a Casa de Portugal perdeu por 5-0 diante do Tim Iec, com os golos a serem de Luís Hung (2 minutos), Mak Chi Ieong (12, 45 e 54 minutos) e Lei Chi Seng (19 minutos).
18 (f)utilidades POUCO
?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA
MIN
16
MAX
23
HUM
60-90%
•
31
3
4 11ª BIENAL DE DESIGN DE MACAU Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3
31
7 2 3 4 3 1 6 7 1 5 4 2 Cineteatro C I 6 7 5 3 2 3 1 6 5 4 2 1 4 6 7 5
33
3 4 1 5 7 2 6
35
5 1 3 7 4 6 2
SALA 1
7 6 2 4 3 1 5 2 7 4 5 1 3 6
TOMB RAIDER [C]
2 1 5 7 4 6 3 4 3 6 1 7 2 5
1 3 6 2 5 7 4 7 5 2 6 3 4 1
Um filme de: Roar Uthaug Com: Alicia Vikander, Daniel Wu, Dominic West, Walton Goggins 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
MARK FELT: THE MAN WHO BROUGHT DOWN THE WHITE HOUSE [C]
Filme de: Peter Landesman Com: Liam Neeson, Diane Lane, Bruce Greenwood 14.30, 16.30, 21.30
BLACK PANTHER [B]
Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan,
1 2 7 4N 5 6 3 4 7 3 1 6 5 2 3 6 5 4 2 1 7
6 5 3 2E 4 7 1 6 5 7 3 2 4 1 1 2 7 3 6 5 4
Lupita Nyong’o 19.00 SALA 3
O CARTOON STEPH 32 DE
PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU DO PALÁCIO MAM | Até 11/3
5 4 6 M 1 A 7 3 2 5 2 4 6 1 3 7
6 TOMB RAIDER 4 1 2 5 7 3
AGENT MR. CHAN [C]
FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 14.30, 16.30, 21.30
IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroyuki Hashimoto 19.30
9.93
BAHT
0.25
YUAN
1.27
VIDA DE CÃO
2
6
7
Diariamente
EURO
3 2 1 6 4 5 7
4 1 5 2 3 7 6
5 7 6 1 2 3 4
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 32
1 4 3 7 6 2 5
2 3 4 5 7 6 1
7 6 2 4 5 1 3
6 5 7 3 1 4 2
4 2
4
32 FÁCEIS VITÓRIAS
6 2 5 4
6
4
3
33
3 1 5
3
2
6 5 3
7 5 7 6
1
PROBLEMA 33
1
Wong Sio Chak tem todas as razões para estar contente, após ter somado mais uma vitória pessoal. As celebrações do aniversário da PSP no Tap Seac foram um sucesso e contaram com a participação de várias famílias. Uma estratégia de aproximação à população com bons resultados. Porém, no mesmo fim-de-semana, no universo paralelo dos taxistas continuou tudo na mesma, com queixas sobre cobranças excessivas nas redes sociais e vídeos de taxistas a lutarem com clientes, no meio da estrada. O secretário para a Segurança assumiu o cargo no final de 2014 e tem feito questão de sublinhar que é necessário mudar a lei para aumentar o valor das multas. Faz bem. Mas os anos passam e não há meio da proposta de lei chegar à Assembleia Legislativa. Este é mais um caso demonstrativo da política em Macau. Quando o Governo propõe alterações à lei com impactos para as liberdades 34individuais, nunca há problemas de maior. Quando as propostas vão contra os interesses comerciais de uma parte da população, que lucra de forma ilegal, o Governo mostra-se fraco. Também nestas situações os casos raros de chumbos na Assembleia Legislativa tornam-se reais. O facto do sector dos táxis estar ligado a empresários muito influentes nos corredores do poder tem sido suficiente para bloquear a nova proposta. Mas com 2019 a aproximar-se a passos largos, Wong Sio Chak corre o risco de não conseguir resolver o problema no primeiro mandato. Nesse caso, o desempenho do secretário não vai deixar de ficar marcado por várias vitórias, mas, reconheça-se, que na grande maioria foram as fáceis. João Santos Filipe
2
S U D O K U
TEMPO
12.3.2018 segunda-feira
7
7 4 5
7 6
3
7
6 1
1
5
1
2 3 5
5
6
34
UM FILME 2 3 6 7HOJE 5 4 1 5 7 3 4 6 1
7 6 5 2 1 4
4 1 2 7 5 3
3 4 1 5 2 6
Realizado em 1976, o filme 1900 acompanha a luta entre ideologias de Direita e da Esquerda, em Itália, durante as primeiras décadas do século XX. A acção desenrola-se na região de Emília-Romanha, de onde é natural o realizador, e foca a vida de duas crianças que desenvolvem uma relação de amizade, apesar de fazerem parte de classes sociais distintas. É o contexto familiar que vai fazer com que os dois amigos se vejam em lados opostos, durante o conflito entre patronato e classe operária. Um filme que Bertolucci utiliza para fazer um elogio ao comunismo. Hoje Macau
36
4 3 7 5 2 1 3 7 6 6 4 3 2 5 4 7 1 2 www. 1hojemacau. 6 5 com.mo
2 3 6 1 4 7
1 5 7 6 3 2
6 2 4 3 7 5
1900 | BERNARDO BERTOLUCCI
35
2
7 4 1
5
2 4
5
2
6 1
4 3
36
5 2 3
1
2 3 1 6 1 6 5
5 2 1 6 4 3 6 7 2 5 4 1 1 7 2 5 Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 6Propriedade 1 Fábrica 7 de 3 Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 3José 4 António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia Fonseca;6 Valério5 Romão Colunistas dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 7deSantoredacção 4 e Publicidade 3 2Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
4
opinião 19
segunda-feira 12.3.2018
reencarnações
JOÃO LUZ
Não surpreendido
N
ÃO me arrogo da capacidade de ser particularmente clarividente, ou dotado de percepção que me separa dos comuns mortais. No entanto, há coisas por demais evidentes. Quando cheguei a Macau ouvi de todos os quadrantes que para perceber esta terra teria de cá estar décadas a fio, atravessar várias Eras de conhecimento, até conseguir descortinar as verdadeiras tramas desta grande tragédia operática que dá pelo nome de “Política Local”. Dou essa de desbarato, com fair play, sem repercussões de ego. Ainda assim, quero falar-vos da metáfora da rã em água a ferver. Um caldo progressivamente mais quente, mas condimentado por um salário que não existe nos paladares portugueses e uma vida de conforto que se blinda contra inconvenientes da realidade. Não estamos na Europa, estamos longe dela e das suas suaves panaceias, sabia disso antes de vir. Não é preciso ter assim tanto mundo para sentir o calor do dragão que flameja acima de nós e aquilo de que é capaz tendo em conta a sua história recente. Assumo-me não surpreendido com o fim do limite de mandatos do Xi Jinping, assim como não fiquei surpreso com o que se passou no Festival Rota das Letras.
O poder que não se legitima no povo que deve representar é um poder, naturalmente, amedrontado dos cidadãos e do que possam pensar, ler, ver, consumir, ambicionar. Este será o grande desafio da autocracia chinesa nas décadas futuras. Na ressaca do dinheiro, conquistada a capacidade de quebrar as amarras da pobreza e poder pagar comida e tecto, estas pessoas vão querer pensar livremente, serão inevitavelmente contaminados com o vírus importado tardiamente da Revolução Francesa, com todas as libertinagens do pensamento livre. Esta ambição não tem lugar no mapa, nem no tempo, precede-nos a todos. Resolvida a fome e a casa, resta edificar a biblioteca. A contrarrevolução é um facto incontroverso, tão fatal como o destino, imparável como a água, a terra, o ar que se transforma em belicismo natural. Não fiquei surpreendido. Desde que cá cheguei, um ano e quatro meses, que vejo isto a acontecer. Este é o poder que confunde uma peça jornalística em tempos de eleição com pro-
Não esperem também que verta uma lágrima pela morte de paleolíticas ideologias cimentadas em premissas inumanas. Estes somos nós, em qualquer cultura, em qualquer época. Desde sempre, e para sempre, o poder absoluto vai corromper absolutamente
paganda política. Que equipara repórteres “do exterior”, mesmo que oriundos de uma região irmã, a ameaças à estabilidade social e a um sentido de harmonia fundado no medo profundo. Este é o poder que suspende um deputado por uma ninharia, enquanto acolhe com conforto o conflito de interesses. Onde está a surpresa? Quantas vezes testemunhámos isto na História? Quanto mais absoluto for o poder, menos seguro e cimentado é, por mais décadas que se mantenha às rédeas do destino dos governados, irá sempre temer e não saber lidar com a dissidência ou a crítica. A autocrítica é uma característica só eficaz se houver capacidade para assumir falhas e coragem para as corrigir. O absolutismo é como um gajo vaidoso que teme de morte qualquer olhar atravessado, qualquer esgar de ironia, que corre apavorado do humor e dos espelhos. É cinzento, burocrático e velho à nascença, camuflando fraqueza de espírito com força de músculo. Não esperem também que verta uma lágrima pela morte de paleolíticas ideologias cimentadas em premissas inumanas. Estes somos nós, em qualquer cultura, em qualquer época. Desde sempre, e para sempre, o poder absoluto vai corromper absolutamente. O que esperavam quando temos legisladores a papaguear amor à pátria a cada dez palavras? Pensam que estão a brincar? A abertura não vai acontecer, digo eu do meu inexperiente raciocínio de recém chegado. No fim de contas, dado que se sabe que foi o Gabinete de Ligação que declarou os autores como inoportunos, alguém espera que haja uma alma no Governo que defenda o Segundo Sistema?
O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer. Albert Einstein
PUB
Actriz lamenta poucas heroínas no cinema
A
actriz sueca Alicia Vikander mostrou ontem no México a sua satisfação por ir fazer o papel de Lara Croft, já que disse ter crescido sem referências de heroínas em filmes e jogos vídeo. Na pré-visualização do filme “Tomb Raider”, realizada na Cidade do México, Vikander disse que participar neste filme foi uma experiência “absolutamente fantástica”. “Eu joguei videojogos (do Tomb Raider) quando era mais jovem e vi os outros filmes com Angelina Jolie e, para mim, significa muito
fazer parte deste”, porque crescemos sem ter muitas heroínas em videojogos e na tela”, disse a atriz, que reconhece ter sido sempre fã de filmes de acção. No tapete vermelho, no qual ela apareceu com um simples vestido amarelo, Vikander explicou aos jornalistas como decorreu todo o processo de treino para fazer este filme de acção. “Eu nunca tinha feito nada assim antes, trabalhei com profissionais incríveis durante alguns meses para fazer o melhor que pude”, disse a actriz, e lembrou que é comum
que os actores tenham que aprender “novas habilidades” para representar num filme, nomeadamente tocar um instrumento ou falar um novo idioma. Na pré-visualização, Vikander teve tempo de fazer ‘selfies’ com os seus fãs e também tirou fotografias com um grande grupo de fãs vestidos como Lara Croft. A actriz sueca também assinou alguns ‘DVD’ de outras obras em que participou, como “The Danish Girl”, com o qual ganhou o Oscar de melhor atriz secundária, ou “Ex Machina”.
DONATIVOS NOVO MACAU ULTRAPASSOU 300 MIL
A
campanha de recolha de donativos da Associação Novo Macau ultrapassou a meta inicial de 300 mil dólares de Hong Kong. O objectivo foi concretizado no Sábado. Ontem à noite, numa altura em que ainda faltavam 28 dias para o fim da campanha, a associação pró-Democracia contava com um total de 324 mil dólares em donativos. Segundo os responsáveis da associação pró-democrata, os fundos têm como objectivo o pagamento das despesas operacionais da associação, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento dos salários a dois funcionários e para materiais de campanhas cívicas e de promoção da própria associação. Além desta informação, os pró-democratas publicaram uma mensagem na rede social Facebook em que detalharam os gastos da
campanha eleitoral. Do orçamento de 172,6 mil patacas, a maior parte foi para material de publicidade, cujo montante atingiu as 106,5 mil patacas. Seguiu-se a aquisição de roupa, com gastos de 19,6 mil patacas, serviços de comida, que custaram 11,7 mil patacas, e ainda o pagamento de direitos de autor para as música utilizadas na campanha, que tiveram um custo de 10,4 mil patacas. Entre os gastos detalhados constam ainda serviços de construção (2 mil patacas), pagamento de escritório (2,7 mil), transportes e logística (6,3 mil), recursos humanos (3,6 mil), aluguer de sede (4,8 mil) e serviços profissionais (5 mil). A Novo Macau conseguiu eleger Sulu Sou durante as eleições, depois de ter conseguido 9 213 votos.
PSP Brinquedos à venda na internet
Realizou-se ontem, na Praça do Tap Seac, o Dia de Convívio entre a Polícia e o Cidadão, que contou com a participação de várias famílias locais. Durante o evento foram distribuídos brinquedos, que passadas algumas horas estavam à venda em diferentes páginas do facebook. Por exemplo, um carro miniatura da PSP, do modelo Toyota, estava à venda por 400 patacas. Já os bonecos representativos dos diferentes uniformes e agentes da PSP, eram vendidos pela proposta mais alta. Nos comentários dos artigos, vários utilizadores da rede social manifestaram-se interessados nos brinquedos.
PALAVRA DO DIA
segunda-feira 12.3.2018