DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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TÁXIS
SEPARAR AS ÁGUAS
OS EXCÊNTRICOS DE YANGZHOU PAULO MAIA E CARMO
EU ABREVIADO
VALÉRIO ROMÃO
hojemacau
RÓMULO SANTOS
PÁGINA 5
Bem me quer
HOSPITAL DAS ILHAS
Será que é desta? PÁGINA 4
Fronteira
“medidas benéficas para a população”, destacando, sem supresas, melhorias nos sectores da habitação, dos transportes, da saúde e do ensino.
JOÃO LUZ
GRANDE PRÉMIO DE MACAU
Hong Kong ao ataque PÁGINA 17
FERRIES
VENDAS ILEGAIS PÁGINA 7
SOFIA MARGARIDA MOTA
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JOSÉ ANJOS DIREITO À POESIA ENTREVISTA
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A poucos dias da apresentação das suas últimas Linhas de Acção Governativa, Chui Sai On deixa, para já, a promessa de que irá implementar
OPINIÃO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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SEGUNDA-FEIRA 12 DE NOVEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4171
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JOSÉ ANJOS POETA
O poeta José Anjos esteve em Macau a filmar com João Morais o que será um documentário informal de viagem. Do território leva um sentimento de estranheza que pretende renovar a cada regresso. Entretanto, a poesia que escreve e diz é um acto de sobrevivência e resistência É formado em Direito, exerceu advocacia e agora dedica-se à poesia. Como foi esta transição do Direito à poesia? Acho que o Direito à poesia é fundamental (risos). Nem sei bem, confesso. Nem queria ser advogado, mas acabei por fazer o estágio e gostar muito. Depois fui integrado e iniciei uma carreira que se adivinhava ser para sempre. Acho que foi isso que me assustou. Em Portugal ainda vivemos uma ideia de vida muito linear, quer dizer, as pessoas tornam-se naquilo em que é suposto tornarem-se. Na altura, uma pessoa cumpria aquilo que tinha que cumprir: fazer o curso com bom aproveitamento. Não havia outra opção que não entrar dentro de um túnel gigantesco, tornar-se o melhor possível, cumprir as suas obrigações e depois, na verdade, já não se saía do doutro lado deste túnel. Acho que há pessoas que estão mais preparadas para isso e digo isto com admiração. Quanto a mim, fiz o estágio já a trabalhar praticamente como advogado, fiquei na sociedade de advogados onde estava, depois passei para director jurídico. Aos 29 anos era associado sénior de uma das maiores sociedades de advogados do país. Uma carreia brilhante, mas que não chegava? Sim. Cheguei a um ponto em que olhava à minha volta e pensava
“Escrevo para entender a morte” "agora é isto". Tentava olhar em frente e não conseguia, não me identificava, não havia nada que me fizesse querer. Olhava para as pessoas com quem trabalhava, pessoas maravilhosas, mas não me via a fazer o que elas faziam e a ser quem elas eram com a idade delas. Sentia-me até mal com isso. No fundo, até me sentia bastante egoísta, sentia que não estava a cumprir o que me era suposto e que estava a ter pensamentos proibidos. Quase um ingrato? Exacto, quase um ingrato. Aliás, tanto que deixei a advocacia, mas também fui voltando a ela muitas vezes. Porquê? Era, de facto, aquilo que eu sabia fazer e obviamente que há uma parte do Direito que gosto muito. Mas a advocacia, em si mesma, tem características que são absolutamente contrárias à ideia que temos de uma relação não antagónica com os outros e com o nosso horizonte. A advocacia implica um contencioso, uma negociação que é absolutamente importante nalguns casos porque é preciso pugnar pela justiça em geral, mas também pelos direitos dos clientes em particular. Outras vezes é uma espécie de campo de batalha de egos e vaidades. É preciso criar um cinismo. O cinismo é visto como uma grande qualidade e eu não consigo fazer isso.. O Direito, não especificamente o que é exercido na advocacia, tem outro fundamento, outro substrato de verdade, quase mesmo de ingenuidade. A construção jurídica das sociedades é muito tributária daquilo que é o reconhecimento humano dos direitos do outro. O Direito faz-se através da delimitação negativa do meu espaço da minha esfera jurídica, da minha esfera de acção, enquanto que na advocacia é o contrario: quero aumentar os meus limites, quero aumentar os limites do espaço que habito para lá do dos outros. Daí ser importante o Direito, precisamente para definir onde está este limite, quais são os direitos que são intangíveis e quais são aqueles que devem soçobrar ou
cair perante outros. Esta criação complexa de uma sociedade que funcione de uma forma, dentro dessa hierarquia axiológica móvel, é absolutamente apaixonante.
E a poesia? Já existia? Entretanto, comecei a ler alguma poesia, por volta dos 30 anos, porque me apaixonei. A poesia não está ligada obrigatoriamente à paixão, mas como não tinha tido nenhum contacto com poesia, tirando a que tinha dado na escola, nessa altura comecei a ter e foi quando comecei a escrever e a dizer poemas. Aliás, todas as cartas de amor acabam por ser poemas de certa forma. A poesia permite-me ligar às pessoas e criar em mim pontos de declinação com os outros e de inclinação para com os outros de uma forma não antagónica. Na advocacia era o contrário. Poesia e advocacia acabaram por se tornar incompatíveis. O que lhe trouxe a poesia? Acima de tudo, o que a poesia me permitiu foi a destruição de uma personalidade que tinha criado e que seria aquela que iria habitar até ao fim da vida. A poesia permitiu-me conhecer outra. Somos demasiado complexos e não temos personalidades unívocas. Seria impossível proibir a pluricidade das nossas personalidades. Por isso somos incoerentes, por isso somos instáveis. O Aldous Huxley dizia mesmo que o único homem verdadeiramente estável que ele tinha conhecido era um morto. O José Anjos não é só conhecido pelo que escreve, mas também por colocar os poemas em voz alta em palco. Qual a diferença entre a poesia escrita e a dita para os outros? O Leonard Cohen tem um texto chamado "Como se diz poesia" em que diz que "a língua original do poema é o silêncio". O poema é escrito em silêncio como uma forma de mergulho e isso nunca vai mudar independentemente da forma como entregamos o poema. O poema escrito, o próprio acto de escrever já é uma interpretação, já é uma tradução. O poema faz-se de uma forma intuitiva, mais ou
“Nos espaços onde a poesia é dita, as pessoas conseguem identificar-se mais porque estão mais vulneráveis. Há um contrato implícito das pessoas com o palco, um contrato de atenção e vulnerabilidade.”
menos pensada, mais ou menos sentida, mas é uma coisa interior. Quase podemos dizer que vem de um sítio muito ruidoso dentro de nós, mas consegue sair cá para fora através de um apaziguamento, da organização desse ruído. Através de um silêncio que é construído e depois transformado em algo que cognoscível e que consegue exprimir sentidos e significados que vão para lá do gesto da expressão. Chamo a isso o milagre semântico. Escrevo uma palavra, e para uma pessoa que conheça aquela língua não estou apenas a juntar letras, mas estou a criar um sentido que abre uma porta que permite uma descoberta. A própria palavra, a poesia escrita, já é um caminho para a deturpação e tem que ser mesmo assim. Porque a palavra nem sempre tem um comportamento tão transparente como nós queríamos. Às vezes o equívoco da palavra serve um propósito. A grande tecnologia da linguagem é conseguir contar a história toda sem abdicar da sua ambiguidade. A poesia tenta através da metáfora e de outras figuras de estilo conseguir a transparência da palavra,
“A humanidade é uma coisa insuportável. Ainda mais quando somos bombardeados com todo o tipo de crueldade e com todo o tipo de regressos de coisas horríveis.”
ou seja, renegar a palavra. Um poema nunca é definitivo. E o que acontece quando é dito para os outros? O acto de dizer em voz alta poesia para o público é diferente do acto de dizer em voz alta sozinho. É mais um passo nesta linha de interpretação de algo. Uma interpretação das coisas como se lhes tentássemos dar uma voz para que elas se possam expressar e não o contrário. Não estamos, através do poema, a tentar expressar o que está dentro de nós. Estamos a servir de veículo, a inventar uma linguagem que permite às coisas expressarem-se. Há uma voz dentro das coisas. O leitor é o último degrau deste comboio de interpretação. Sem ele, o poema não existe. Ao dizer um poema cria-se uma urgência na leitura. Há pessoas que quando lêem um poema escrito não sentem nada. Quando o ouvem a ser dito por alguém, de repente abre-se um novo espaço e cria-se uma urgência na leitura. Hoje em dia, temos muito menos disponibilidade para nos sentarmos a ler. Temos uma velocidade interior que faz com que seja mais difícil parar e abrir espaço suficiente para a poesia entrar. Temos também mecanismos de defesa que não deixam as coisas entrarem. Curiosamente, quando estamos a ouvir um poema, estes mecanismos estão muito mais em baixo e a disponibilidade para ouvir é maior. Nos espaços onde a poesia é dita, as pessoas conseguem identificar-se mais porque estão mais vulneráveis. Há um contrato implícito das pessoas com o palco, um contrato de atenção e vulnerabilidade. Aqui a responsabilidade do artista é contemplar a realidade e a sua beleza terrível. Defini-la e torná-la acessível, primeiro a si próprio, como se estivesse a conter uma estrela para depois a poder mostrar aos outros sem que faça mal a ninguém. Há uma violência intrínseca nas coisas que a arte consegue transformar e transmitir com algum sentido. Estamos todos no caminho da autodestruição. A morte é disparada à nascença como um fio esticado. Somos o encaminhamento da morte. Mas, por outro lado, pensar na morte é também
SOFIA MARGARIDA MOTA
ENTREVISTA
3 segunda-feira 12.11.2018 www.hojemacau.com.mo
afastá-la, como afastamos o horizonte. É preciso dar ao horizonte a possibilidade de ele fugir de nós. A autodestruição é uma inevitabilidade. Leio para entender a vida, escrevo para entender a morte. O que nos pode salvar é que podemos escolher a inevitabilidade que nos cabe e podemos ser surpreendidos. A poesia é um acto de resistência? Exactamente. De várias resistências e também de resistência contra aquilo que entendemos que está mal no mundo. A humanidade é uma coisa insuportável. Ainda mais quando somos bombardeados com todo o tipo de crueldade e com todo o tipo de regressos de coisas horríveis. O mundo está muito melhor do que estava e é preciso relembrar isso. Só que nós agora temos muito mais informação.
Temos mais responsabilidades também. Sim, e não estamos preparados para isso. Vivemos uma hiperestesia, principalmente aqueles que têm mais sensibilidade porque não conseguem deixar de ter empatia. O poema também é uma denúncia, uma denúncia daquilo que estou a sentir em relação a qualquer coisa. Mas é uma denúncia também do que está a acontecer e é preciso enunciar isso como algo que é mau. É preciso denunciar os sítios onde falta justiça e humanidade. A poesia tem uma eficácia limitada. Mas tem uma eficácia de criar um espaço em que os outros partilhem do meu pensamento, do meu sentimento e isso ganha força, e às vezes de uma maneira que dá a volta ao mundo e, mais importante, dá a volta ao medo.
“Estamos todos no caminho da autodestruição. A morte é disparada à nascença como um fio esticado. Somos o encaminhamento da morte. Mas, por outro lado, pensar na morte é também afastá-la, como afastamos o horizonte.” Está em Macau a filmar com o João Morais. Qual vai ser o resultado? Queremos fazer um documentário informal. Quando cá estive no ano
passado, saí daqui com a ideia de que não tinha aproveitado para conhecer Macau. Mas gostei muito. Senti um sentimento de estranheza imenso que penso que pode ser o sentimento de estranheza do exílio e que é a mistura de algo que é absolutamente estrangeiro com aquilo que nos é familiar. Isto, mediado pela distância, faz com que esse sentimento fique dentro de nós. Tivemos agora a ideia de fazer um documentário informal, de viagem. Uma espécie de “on the road” para mostrar o que é ir a Macau ou tentar entender o que é Macau sem pretender entender Macau. Tentar ver como reagimos a estas realidades tão díspares num curto espaço de tempo. Isso permite um ímpeto de espanto, uma contemplação emocionalmente relevante sem tentar entender.
O que leva mais daqui? Levo este sentimento de estranheza ainda mais vincado. Esta estranheza é um conceito sempre provisório. Quando percebemos que há certos sentimentos de estranheza que não vão a lado nenhum e que só vão criar ainda mais estranheza percebemos que as coisas não têm que ser entranhadas. Aliás, as coisas devem ser vividas como se fosse a primeira vez sem abdicar da bagagem que trazemos, o que é um pensamento também muito oriental. Nós vamos perdendo isso. Perdemos a capacidade e espanto. O que levo de Macau é este ímpeto de espanto que me permite, no fundo, voltar cá sempre a recomeçar. Sofia Margarida Mota
sofia.mota@hojemacau.com.mo
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HOSPITAL DAS ILHAS CONCURSO PARA O EDIFÍCIO PRINCIPAL ARRANCA “EM BREVE”
GCS
12.11.2018 segunda-feira
Agora é que é Depois das obras do Hospital das Ilhas terem começado pelo edifício do Instituto de Enfermagem – que vai ficar a cargo do Kiang Wu – o Governo vai lançar, “em breve”, o concurso público para a construção do edifício principal. O facto foi revelado por Raimundo do Rosário, em entrevista à TDM
O
concurso público para a atribuição da obra do edifício principal do Hospital das Ilhas vai ser lançado “em breve”. A promessa foi deixada pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, em
INSTITUTO DE ENFERMAGEM CONCLUÍDO EM 2019
A
s obras do Instituto de Enfermagem Kiang Wu, que fica no Hospital das Ilhas, vão ficar concluídas durante o próximo ano. Este facto foi realçado por Tommy Lau, presidente do Conselho de Administração do Instituto de Enfermagem Kiang Wu de Macau, durante uma visita ao Chefe do Executivo. De acordo com Lau, neste momento, estão a ser feitos trabalhos de design do interior do edifício. Chui Sai On fez questão de destacar que este bloco vai ser o primeiro a ser concluído no Hospital das Ilhas e que espera que o edifício “satisfaça as necessidades e crie boas condições para a formação dos profissionais de saúde locais”.
entrevista à TDM, que revelou ainda que o mesmo concurso vai atribuir a edificação de outros dois blocos da estrutura. O projecto do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas tem sete edifícios e neste momento apenas o Instituto de Enfermagem, que vai ser gerido pelaAssociação de Beneficência do Kiang Wu, está em curso. De acordo com as declarações de Raimundo do Rosário, o Governo vai lançar um único concurso público, “em breve”, para a construção de três infra-estruturas: o edifício principal, edifício de administração e multi-serviços e ainda o edifício de apoio logístico. O secretário explicou também que ainda não é possível avançar com uma data para a conclusão das obras, uma vez que a segunda fase ainda nem está em fase de projecto: “O hospital tem duas fases. A primeira fase tem seis edifícios, a segunda fase tem um. A segunda fase ainda não se iniciou, nem sequer o projecto”, afirmou Raimundo do Rosário. “É impossível dar uma data para a conclusão”, admitiu. No capítulo das obras públicas, o governante comentou as críticas que referem que os grandes projectos em Macau são da responsabilidade, quase
Cooperação Macau e Sichuan assinam acordos A RAEM e a província de Sichuan assinaram na sexta-feira dois acordos de cooperação, intitulados “plano sobre o mecanismo de reunião de cooperação entre Sichuan e Macau” e ainda “memorando da primeira reunião de cooperação entre Sichuan e Macau”. Na mesma reunião, que decorreu na sede do Governo, foi também criado o “mecanismo de reunião de cooperação entre Sichuan e Ma-
sempre, das mesmas empresas. Raimundo do Rosário não contestou o facto, mas apontou para um mercado empresarial que não deixa grande margem de manobra. “Nós abrimos os concursos públicos e penso que nunca tivemos dez propostas. Qua-
“Não estava à espera de uma coisa fácil [na posição de secretário], mas penso que [...] houve progressos em quase todas as áreas desta tutela.” RAIMUNDO DO ROSÁRIO
tro, cinco, seis ou sete... e não passa disto. E são as mesmas. Não há muitas empresas nesta área, porque Macau tem sempre um problema, que é a sua escala”, justificou. Sobre o trabalho da tutela em matérias de obras, Raimundo do Rosário revelou que actualmente estão em curso 44 obras com um custo superior a 100 milhões de patacas e que há ainda 34 projectos para serem lançados que também
cau”. Na prática, as duas regiões vão passar a ter, “sempre que necessário”, reuniões de cooperação, além de que esta se irá fazer em diversas áreas, como finanças, investimento e medicina tradicional chinesa, entre outras. Um dos objectivos é “alargar a liberdade de comércio, promover a prosperidade económica e fortalecer a confiança mútua nos assuntos governamentais”, entre outros.
ultrapassaram esse preço. Entre esses projectos poderá estar a futura central para resíduos alimentares, que também foi anunciada pelo secretário.
BALANÇO POSITIVO
Na área dos transportes, o secretário da tutela frisou
que o Governo não abdicou da Linha do Oeste, que vai fazer a ligação até às Portas do Cerco. Porém, a obra não vai arrancar até ao final do mandato de Chui Sai On, e do próprio Raimundo do Rosário. “Neste mandato ficamos pela linha da Taipa, linha de Seac Pai Van, ligação a Macau e linha Este. [...] Não foi decidido continuar nem deixar de continuar; apenas foi decidida uma prioridade e a prioridade foi esta”, explicou. Por outro lado, têm havido críticas ao facto da construção do metro ter começado pela Taipa. Raimundo do Rosário negou responsabilidades nessa questão e recordou que a
obra já tinha iniciado quando assumiu o cargo. Finalmente, o secretário fez um balanço do mandato que iniciou no final de 2014, ao assumir a pasta que pertencia a Lau Si Io. “Eu não estava à espera de uma coisa fácil, mas penso que, com algumas limitações, temos conseguido, no essencial... Houve progressos em quase todas as áreas desta tutela”, disse, durante a entrevista à TDM. “Mas as pessoas, se calhar, querem mais, ou mais depressa, e, às vezes, não conseguimos”, confessou. João Santos Filipe
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política 5
ONU GOVERNO DIZ QUE DISCUSSÃO EM GENEBRA FOI “INTERACTIVA”
GONÇALO LOBO PINHEIRO
segunda-feira 12.11.2018
T
ERMINOU na sexta-feira o terceiro Exame Periódico Universal do Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), realizado em Genebra, onde Macau esteve presente inserida na delegação chinesa. De acordo com um comunicado do gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, “durante a sessão houve uma discussão interactiva”, tendo a delegação da China “apresentado integralmente o sucesso alcançado no país, incluindo a RAEM e Hong Kong, desde a última avaliação em 2013 na área dos direitos humanos”. Apenas dois países questionaram Macau. Os representantes das Filipinas quiseram conhecer as experiências do território no combate ao consumo de droga, tendo a secretária falado do projecto Casa de Educação Vida Sadia, sob alçada do Instituto de Acção Social. Além disso, a Irlanda questionou o território sobre a legislação anti-discriminação implementada pelas autoridades. Sónia Chan “sublinhou ainda que os princípios da igualdade e da não-discriminação estão plasmados em diversos diplomas legislativos da RAEM”. A delegação chinesa respondeu a mais de 300 perguntas submetidas por 150 países, mas o debate ficado marcado pelas questões relativas aos atropelos aos direitos humanos registados na região autónoma de Xinjiang e no Tibete. Além disso, a China foi também bastante questionada sobre a manutenção dos direitos de liberdade de expressão e autonomia do território em relação a Hong Kong. O terceiro relatório de avaliação da ONU relativo à China foi concluído no sábado. O Governo chinês explica que foi “dada alta importância a esta avaliação”, aponta o mesmo comunicado. Este relatório foi preparado por um grupo de trabalho composto pela Hungria, Quénia e Arábia Saudita, sendo agora submetido em Março do próximo ano à Assembleia Geral do Conselho dos Direito do Homem das Nações Unidas para aprovação formal.
TÁXIS PROPRIETÁRIOS DE LICENÇAS QUEREM CRIMINALIZAR “OVELHAS NEGRAS”
Crimes e bandeiradas Representantes de proprietários de licenças de táxis querem que a proposta de lei que vai regular o sector inclua a criminalização penal das “ovelhas negras”. A sugestão visa expurgar da profissão elementos que se comportam como “uma organização criminosa”
H
Á taxistas que se comportam como uma verdadeira associação criminosa e, como tal, devem ser punidos criminalmente. A ideia foi deixada na passada sexta-feira pelas associações de proprietários de licenças de táxis durante a reunião com os deputados da 3ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa, que analisa na especialidade a proposta de lei que vai regular a actividade. “Sabemos que há no sector as chamadas ovelhas negras, ou seja, elementos que de forma organizada praticam infracções”, disse o presidente da 3ª Comissão Permanente, Vong Hin Fai, referindo-se aos comentários deixados pelas duas associações de proprietários. “Muitos destes condutores não são motoristas normais em termos de background. Por isso, estes sujeitos devem ser punidos criminalmente”, acrescentaram, disse Vong.
Para os proprietários de táxis, a penalização com multas não é “suficiente para travar estas ‘ovelhas negras’, e não vai ter efeitos dissuasores”. A solução, de acordo com os representantes dos proprietários de licenças, passa pela responsabilização penal e criminal dos infractores que deve estar prevista na proposta em análise. Uma ideia que não faz sentido, de acordo com o presidente da 3ª Comissão Permanente. “Nós esclarecemos ao sector que, se os infractores
“Sabemos que há no sector as chamadas ovelhas negras, ou seja, elementos que de forma organizada praticam infracções.” VONG HIN FAI PRESIDENTE DA 3ª COMISSÃO PERMANENTE
forem conotados com a criminalidade organizada serão também sujeitos a punição conforme a legislação vigente, sendo possível punir os infractores dentro do regime legal actual do direito penal”, apontou Vong Hin Fai.
LICENÇAS SEGURAS
Os representantes mostraram-se ainda preocupados com o que vai acontecer às actuais licenças sem termo, uma vez que o novo regime prevê que deixem de existir. De acordo com Vong Hon Fai, o Governo já garantiu que estes casos vão permanecer inalterados mesmo com a entrada em vigor da nova lei. O novo regime prevê ainda a exploração da actividade de acordo com o modelo empresarial, com a atribuição de alvarás a não ser dada através de concurso público, um detalhe que não agrada aos representantes do sector que receiam a possibilidade de monopólio na exploração da actividade. A este respeito, Vong Hin Fai revelou
que há deputados da comissão que também não concordam com a ausência de concurso público.
CÂMARAS LIGADAS
Outra sugestão que regressa à discussão em torno da nova lei é a gravação de imagem dentro dos táxis. Os representantes dos proprietários reiteraram a necessidade de gravar em vídeo o que acontece dentro dos veículos para que, em caso de infracção, seja mais fácil a constituição de prova. Segundo os representantes, a necessidade de gravar em vídeo é urgente tanto que, “no passado já houve motoristas que, por sua iniciativa, montaram dispositivos de gravação nos seus veículos”, disse Vong Hin Fai. No entanto, “estes motoristas receberam uma notificação do Gabinete de Dados Pessoais e desinstalaram os dispositivos”, acrescentou. Sofia Margarida Mota
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12.11.2018 segunda-feira
GCS
PEQUIM CHEFE DO EXECUTIVO NO ANIVERSÁRIO DA ABERTURA NACIONAL
O
LAG CHUI SAI ON PROMETE “MEDIDAS BENÉFICAS PARA A POPULAÇÃO”
O nosso benfeitor
Naquelas que serão as últimas Linhas de Acção Governativa de Chui Sai On, prestes a concluir o seu segundo mandato, o Chefe do Executivo prometeu apresentar, na próxima quinta-feira, um programa político com “medidas benéficas para a população”
A
NTES de partir para Pequim, onde participa nas actividades comemorativas do 40º aniversário da Reforma e Abertura Nacional, o Chefe do Executivo, Chui Sai On, falou aos jornalistas sobre o programa das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2019 que apresenta na próxima quinta-feira, 15, na Assembleia Legislativa. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On referiu que as últimas LAG sob sua tutela “focam-se na promoção do desenvolvimento sustentável da economia e no aperfeiçoamento da qualidade de vida da população”. É objectivo do Governo “continuar a promover e melhorar os cinco mecanismos essenciais para o bem-estar da população, os quais despertam o
interesse do público, bem como medidas benéficas para a população”. Nas últimas semanas, o Chefe do Executivo tem vindo a reunir com associações e a recolher opiniões da sociedade para preparar o documento das LAG, tendo concluído que “os problemas que mais preocupam a população são nomeadamente a habitação, transporte, saúde e ensino”.
“Os problemas que mais preocupam a população são nomeadamente a habitação, transporte, saúde e ensino.” CHUI SAI ON
Na área da Função Pública, foi noticiado que Chui Sai On deverá aumentar os salários dos trabalhadores em 3,5 por cento, a partir do dia 1 de Janeiro de 2019.
SEM COMENTÁRIOS
Questionado sobre a revisão da lei das relações de trabalho, no que diz respeito à proposta de selecção de alguns feriados obrigatórios, o Chefe do Executivo apontou que “há dois pontos a serem realçados”. Um deles é que, “mesmo com a revisão da lei, não será alterada o seu objectivo original, incluindo a salvaguarda dos empregadores”, além de que “o Governo está disponível para continuar a auscultar opiniões da sociedade em relação à revisão da lei”. Num comunicado emitido pela Direcção dos Serviços para os As-
suntos Laborais (DSAL) na passada sexta-feira, foi referido que a selecção dos feriados obrigatórios “não muda as disposições sobre a compensação após o trabalho prestado em dias de feriados obrigatórios previstos na actual Lei das Relações de Trabalho”. Dessa forma, “não há lugar à redução dos direitos e interesses dos trabalhadores ao gozo dos feriados obrigatórios”. Chui Sai On foi também inquirido pelos jornalistas quanto ao caso de ilegalidades na atribuição de BIR cometidas por dirigentes do Instituto de Promoção e Comércio de Macau (IPIM). Contudo, como o caso está a ser investigado no âmbito de um processo disciplinar, o governante não quis adiantar mais detalhes. “O Governo não comentará casos que já se encontrem em processo judicial, pelo que é necessário aguardar pela sentença final”, disse, citado pelo comunicado. O presidente do IPIM, Jackson Chang, Glória Batalha Ung e Miguel Ian Iat Chun estão suspensos das suas funções e proibidos de deixar o território, na sequência da suspeita da prática de “crimes funcionais”. O Chefe do Executivo declarou ainda que “após a finalização do processo, o público terá acesso aos procedimentos do julgamento e à decisão final”. A.S.S.
Chefe do Executivo, Chui Sai On, partiu no sábado para Pequim onde vai participar nas actividades comemorativas do 40º Aniversário da Reforma e Abertura Nacional, que decorrem hoje. Citado por um comunicado oficial, Chui Sai On referiu que a delegação de Macau será recebida pelo presidente Xi Jinping e irá participar numa palestra organizada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho do Estado. Sobre a presença na capital chinesa, Chui Sai On referiu que “o Governo está bastante agradecido e satisfeito com o convite para participar neste evento, explicando que o programa das comemorações integra uma actividade destinada especificamente a Hong Kong e Macau”, algo que revela “o prestígio dado pelo país à RAEM”. Relativamente ao projecto da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, o Chefe do Executivo afirmou “ter participado na reunião do Grupo de Líderes responsável pela matéria, e que todos esperam pelo lançamento do planeamento geral” sem, no entanto, ter avançado uma data concreta para o lançamento do projecto de cooperação regional. Chui Sai On acrescentou também que Macau “tem vindo a elaborar uma série de planos para articular com o mesmo”.
sociedade 7
segunda-feira 12.11.2018
Entre quarta e sexta-feira, a PSP e os Serviços de Alfândega foram aos locais de venda de bilhetes de ferry e detiveram cinco pessoas, que tinham 42 bilhetes para venda especulativa. Todos os ingressos tinham sido oferecidos gratuitamente pelos casinos
FERRIES CINCO PESSOAS DETIDAS POR SUSPEITA DE ESPECULAÇÃO DE BILHETES
Terminais da candonga ticos, na sexta-feira registaram-se mais três detenções. O primeiro caso foi detectado pelos agentes dos Serviços de Alfândega, que encontraram um homem com seis bilhetes no Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa. O objectivo do indivíduo era vender os bilhetes que tinha obtido junto dos casinos locais, de forma gratuita. Esses bilhetes acabaram mesmo vendidos
por 140 dólares de Hong Kong, o que indica que a obtenção de um lucro de 840 dólares de Hong Kong. Ainda no mesmo dia, mas no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Exterior, também a PSP procedeu a detenções. Neste caso, duas mulheres, uma local e outra do Interior da China. As duas tinham 17 bilhetes na sua posse e também
neste caso o preço de venda era de 140 dólares de Hong Kong. À semelhança de todos os casos identificados, os bilhetes tinham sido oferecidos de forma gratuita pelos casinos locais. Os cinco indivíduos foram levados ao Ministério Público (MP) e vão responder pela prática do crime de especulação sobre títulos de transporte. De acordo
A
Polícia de Segurança Públicas (PSP) e os Serviços de Alfândega (SA) detiveram cinco pessoas por alegada especulação com os bilhetes de viagens de ferry. A informação foi avançada através de um comunicado da PSP, apenas disponibilizado em língua chinesa, e diz respeito a uma operação conjunta que decorreu entre quarta-feira e sexta-feira da semana passada. Em relação ao primeiro dia das operações, o balanço feito pela PSP revela que foram detidos dois residentes. Os dois indivíduos tinham na sua posse 19 bilhetes de barco, que as autoridades acreditam terem como destino à venda fora das bilheteiras. Segundo a investigação das autoridades, os bilhetes tinham sido oferecidos pelos casinos e os preços originais variavam entre os 100 e 160 dólares de Hong Kong. Se não quinta-feira as operações não tiveram resultados prá-
M
AIS de metade das receitas dos três gigantes norte-americanos do jogo são conseguidas em Macau e não nos Estados Unidos. A Las Vegas Sands, MGM Resorts e o grupo Wynn Resorts, todas elas com investimentos em Macau, apresentaram no terceiro trimestre do ano receitas no território de cerca de 4,05 mil milhões de dólares, um montante que representa 55,6 por cento dos resultados globais que incluem o valor assegurado nos EUA. Ao todo, os três grupos arrecadaram no terceiro trimestre 8,05 mil milhões
APELO ÀS DENÚNCIAS
A situação da especulação de bilhetes de barco não é nova e é frequente a presença de especuladores junto aos locais de venda nos terminais marítimos de Macau e Hong Kong. Em Novembro do ano passado, a directora da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA), Susana Wong, havia comentado este tipo de situações. Na altura, apelou a que as pessoas denunciem as situações, quando se deparam com a venda ilegal.
À semelhança de todos os casos identificados, os bilhetes tinham sido oferecidos de forma gratuita pelos casinos locais “Considero que essa é uma prática ilegal. As pessoas devem queixar-se à polícia quando virem essas situações. Não me parece que a companhia tenha vontade que essa venda aconteça. É um acto ilegal. Tem de haver queixa às autoridades, quando as pessoas virem essas actividades”, afirmou a directora da DSAMA, na altura. Vítor Ng João Santos Filipe
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Sucesso oriental Casinos americanos conseguem metade das receitas em Macau
de dólares nas operações em Macau, Estados Unidos e nos restantes países onde têm investimentos. Dos três, o MGM foi o único que registou mais ganhos nos Estados Unidos do que em Macau: 2,39 mil milhões de dólares ganhos com os 15 ‘resorts integrados’ do grupo nos Estados Unidos, contra 606 milhões nos dois empreendimentos naquele território asiático. Apesar
com a Lei n.º 7/96/M, este crime é punido com pena de prisão “até três anos insubstituível por multa”. A tentativa também é punível.
disso, o ‘resort integrado’ do grupo com mais receitas foi o MGM Macau (434 milhões de dólares). Já a Wynn Resorts registou, em Macau, 76,4 por cento do total das receitas do grupo no terceiro trimestre (1,7 mil milhões de dólares). Finalmente, a Las Vegas Sands obteve 3,37 mil milhões de dólares de receitas. Destas, 63,8 por cento resultam das operações do grupo em Macau.
Nos EUA, o grupo arrecadou 444 milhões de dólares e em Singapura, através do seu ‘resort integrado’ Marina Bay Sands, 766 milhões de dólares entre Julho e Setembro de 2018. “O desenvolvimento do jogo na Ásia esmaga o
resto do mundo”, disse o analista de jogo Grant Govertsen, director-executivo da Union Gaming, no início do mês. Num evento promovido pela Associação Comercial Britânica em Macau (BBAM, na sigla inglesa), Grant Govertsen apresentou dados que estimam que entre 2015 e 2021 vão ser investidos pelos operadores de jogo em Macau mais de 28 mil milhões de dólares em novas infra-estruturas. Destes, mais de 10,5 mil milhões têm origem em investimento norte-americano. Em resposta à Agência Lusa, o fundador da
Newpage Consulting, consultora especializada em regulação de jogos no território, afirmou que no global “as receitas de jogo em Macau são pelo menos três vezes maiores do que em Nevada, Estados Unidos”. Os casinos de Macau apresentaram receitas brutas acumuladas nos dez primeiros meses do ano de 251.383 milhões de patacas, um aumento de 14,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados oficiais divulgados.
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12.11.2018 segunda-feira
OFFSHORES DINHEIRO DE FAMILIARES DE LUÍS FILIPE MENEZES PASSOU PELO BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS EM MACAU
Notas do oriente PEARL HORIZON PROPRIEDADES DA POLYTEX ARRESTADAS
U
M total de 70 lesados do projecto habitacional Pearl Horizon reuniram com os deputados Si Ka Lon, Chan Hong, Ella Lei, Wong Kit Cheng, Ho Ion Sang e Song Pek Kei na passada sexta-feira. Do encontro saiu a informação de que quatro lojas e mais de 200 lugares de estacionamento localizados no edifício La Baie du Noble, na Areia Preta, e propriedade da Polytex, vão ficar arrestados a pedido dos próprios lesados. Segundo um comunicado, o advogado dos lesados apresentou, na reunião, a situação do processo, tendo divulgado que, sob autorização dos lesados , foram levantados procedimentos cautelares no início de Outubro. Na sequência deste pedido aprovado pelo Tribunal Judicial de Base (TJB), serão arrestados estes bens da antiga concessionária do terreno onde iria nascer o projecto habitacional Pearl Horizon, sendo que na próxima fase dar-se-á início à acção principal do processo. Os lesados ter-se-ão mostrado satisfeitos com a aprovação do requerimento de arresto dos bens e manifestaram-se contra a Polytex pelo facto de não assumir as suas responsabilidades e ter respondido de forma negativa. Os seis deputados apelam à Polytex para que assuma as suas responsabilidades e resolva a questão do Pearl Horizon com sinceridade. O comunicado menciona ainda que os lesados que levantaram o processo terão de pagar apenas 100 patacas e que o resto das despesas será paga pelos “indivíduos com coração”, que, de forma voluntária, vão apoiar os lesados. O HM tentou chegar à fala com Leonel Alves, advogado da Polytex, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Vítor Ng (com A.S.S.)
São cerca de 18 milhões de patacas que chegaram a ser depositadas numa conta na sucursal do Banco Comercial Português em 2008. O Ministério Público suspeitou de “vantagens indevidas” aproveitadas por Luís Filipe Menezes, pois o seu pai e filho, titulares da conta, não tinham rendimentos que justificassem esse montante
O
jornal Público noticiou ontem que familiares de Luís Filipe Menezes, político português e ex-líder do Partido Social-Democrata, terão recebido quase dois milhões de euros (cerca de 18 milhões de patacas) num circuito offshore que passou por Macau. Os dois milhões de euros tiveram origem numa sociedade offshore com o nome Longe Company LLC, com sede nos Estados Unidos, mas o jornal não conseguiu apurar a quem pertence
essa empresa. Em Novembro de 2008, o dinheiro foi transferido para uma conta no Banco Comercial Português (BCP) em Macau, aberta dias antes dessa transacção, e que tinha como titular o pai de Luís Filipe Menezes e um dos seus filhos, de nome Pedro. Este montante passou depois para uma outra conta, também no BCP Macau, cujo titular era o advogado Amorim Pereira, que aparece associado a várias transacções. Apesar do pai e do filho de Luís Filipe Menezes serem os titulares da conta, a verdade é que o Minis-
tério Público (MP) não acreditou que o dinheiro fosse deles, após uma análise aos seus rendimentos obtidos ao longo dos anos. O MP sempre questionou a origem do dinheiro, pois tanto o pai como o filho de Luís Filipe Menezes “não apresentavam proveitos que, minimamente, sustentem [o valor de dois milhões de euros]”, escreveu a procuradora do MP numa carta rogatória enviada aos Estados Unidos. Depois de duas transacções feitas para o banco suíço UBS e banco Ing Luxembourg, o dinhei-
ro foi para Portugal, tendo sido depositado numa conta aberta, dias antes, no antigo Banco Espírito Santo (hoje Novo Banco), e terá servido para comprar, em 2012, um apartamento de luxo na zona da Foz, no Porto, onde ainda vive Menezes, e que custou cerca de um milhão de euros. Parte do dinheiro transferido, quase 1.500 mil euros, foi sujeito ao pagamento de impostos. Em Fevereiro de 2016, a Polícia Judiciária afirmou que era “convicção da investigação” que tanto as contas no BES e Luxemburgo eram controladas por Luís Filipe Menezes, que era “o detentor do respectivo controlo por intermédio de Amorim Pereira, procurador da conta com plenos poderes no que respeita a operações bancárias”. O MP considerou ainda que “do confronto de todos os elementos resultam indícios de que Luís Filipe Menezes, em razão do cargo desempenhado [à época era presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia] ou por causa dele, terá auferido vantagens indevidas que escamoteou, canalizando-as, através de seu pai e filho, pelo menos em parte, para conta bancária no exterior”, lê-se na notícia. O caso acabou por ser arquivado por falta de provas porque o MP não conseguiu “obter indícios suficientes da verificação de crime ou de quem foram os agentes”.
‘‘É DO MEU PAI”
O caso acabou por ser arquivado porque o MP não conseguiu “obter indícios suficientes da verificação de crime ou de quem foram os agentes”
Luís Filipe Menezes, que desde 2013 está afastado da política activa, disse que “nunca teve um tostão no estrangeiro”, tendo referido que o montante de dois milhões de euros não tem nenhuma ligação consigo. “O dinheiro é do meu pai. Se tinham alguma dúvida deviam ter chamado o meu pai e a mim e nunca o fizeram”, afirma o antigo presidente do PSD. De facto, nem Menezes, nem qualquer familiar seu foram inquiridos no processo, que nunca teve arguidos. O político explicou que a sua mãe vendeu, em 1971, um colégio por oito mil escudos, o que hoje “seria equivalente a dois ou três milhões de euros”. Mas não explicou porque é que esse valor circulou em várias contas no estrangeiro. O MP nunca encontrou os documentos comprovativos dessa venda inicial, mas apenas de uma outra, posterior, realizada entre a Câmara Municipal de Ovar e o Ministério da Educação. A.S.S.
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segunda-feira 12.11.2018
Identificação obrigatória Alunos do programa de desenvolvimento obrigados a mostrar BIR em todas as aulas
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Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) garantiu que vai proceder a uma maior fiscalização dos cursos de desenvolvimento e aperfeiçoamento contínuo. A medida PUB
vai passar pela obrigatoriedade de apresentação do BIR por parte dos alunos em todas as aulas. Actualmente só é preciso mostrar o cartão de identificação no acto da inscrição sendo que nas aulas é apenas necessária uma assinatura na folha
de presenças. A ideia foi deixada na passada sexta-feira, numa conferência de imprensa organizada pelos serviços em resposta ao caso divulgado no dia anterior relativo a uma burla que lesou a RAEM em 3,1 milhões de patacas.
O caso divulgado pelo Jornal Tribuna de Macau, apontava que, segundo uma investigação da Polícia Judiciária (PJ), três indivíduos passaram por funcionários de uma instituição educativa e conseguiram obter os dados de pessoas num parque situado na zona da Areia Preta. Esses dados pessoais foram depois entregues à instituição que os usou para pedir subsídios relativos ao plano de aperfeiçoamento e desenvolvimento contínuo. A PJ descobriu ainda que a mesma instituição de ensino submeteu 1.623 pedidos de financiamento no âmbito do programa de formação da DSEJ, entre Janeiro a Agosto, e recebeu 3,1 milhões de patacas. A mesma instituição terá ainda falsificado os registos de presença e assinaturas. De acordo com a mesma fonte, a PJ estima que 70 por cento dos cursos ministrados por esta escola dentro do plano do Governo sejam falsos, mas não foi ainda detido nenhum suspeito do estabelecimento de ensino. Já os três suspeitos identificados foram encaminhados para o Ministério Público.
ATENÇÃO REDOBRADA
Na conferência de imprensa do final da semana passada, a DSEJ informou ainda que até ao final do mês passado e no âmbito do progra-
A medida vai passar pela obrigatoriedade de apresentação do BIR por parte dos alunos em todas as aulas. Actualmente só é preciso mostrar o cartão de identificação no acto da inscrição sendo que nas aulas é apenas necessária uma assinatura na folha de presenças ma de desenvolvimento contínuo, efectuou cerca de 2500 vistorias in loco, 18.000 verificações por amostragem e enviou 200 cartas de advertência escrita relativas a cursos que violaram as normas. A entidade submeteu ainda 27 casos aos órgãos judiciais devido “a circunstâncias graves de infracção envolvendo falsificação de documentos, burla e realização fraudulenta de cursos”. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
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12.11.2018 segunda-feira
O homem e o e NOBEL BIOGRAFIA DE SARAMAGO LANÇADA AMANHÃ EM PORTUGAL
Da autoria do jornalista Joaquim Vieira, a primeira biografia do único Nobel da Literatura português é lançada oficialmente em Lisboa. “José Saramago: rota de vida” conta o percurso do autor que nasceu com poucos recursos e que começou a publicar livros já depois dos 40 anos
A
biografia de José Saramago, um retrato do percurso criativo e privado do Prémio Nobel da Literatura Português, já chegou às livrarias e vai ser apresentada amanhã, terça-feira, na Biblioteca Palácio Galveias, em Lisboa. “José Saramago: rota de vida” é o título da biografia, escrita por Joaquim Vieira e editada pela Livros Horizonte, que traça o percurso de uma personalidade única da cultura portuguesa, debruçando-se tanto sobre a sua intensa actividade criativa
como sobre a sua atribulada vida privada, descreve a editora. Único português, até à data, a vencer o Prémio Nobel da Literatura – o que aconteceu há 20 anos - e autor de romances como “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” ou “Ensaio sobre a Cegueira”, Saramago conquistou por mérito próprio “um estatuto de primordial relevo” na História recente, acrescenta. A editora destaca, contudo, que José Saramago trilhou “um caminho árduo” até atingir a consagração, já que nasceu num seio de uma família de trabalhadores rurais ribatejanos, estudou apenas para serralheiro mecânico e fez toda a sua formação intelectual como auto-didacta. O autor manteve-se na obscuridade durante a maior parte da sua carreira, fosse como funcionário de escritório, responsável por uma editora ou até enquanto editorialista, que não assinava os seus textos, e só por volta dos 60 anos ganhou notoriedade como romancista. “É um percurso muito rico de vida, sobretudo porque há uma parte que é menos conhecida das pessoas, porque Saramago praticamente só ganhou projecção aos 60 anos, há todo um percurso de evolução até aí que eu acho fascinante”, disse Joaquim Vieira, em entrevista à Lusa. E explica: “Como é que uma pessoa está na obscuridade durante a maior parte da sua vida e, de repente, começa uma ascensão até chegar ao Nobel? Isso é o que eu acho talvez mais interessante na vida de Saramago, mas interessou-me muito esse primeiro meio século da sua vida, como é que foi a sua formação, para chegar a uma altura e fazer a caminhada para o Nobel”.
OS JORNAIS E O PCP
Viu-se envolvido em polémicas que mobilizaram as atenções nacionais: foi acusado de praticar censura e de afastar jornalistas como director-adjunto do Diário de Notícias. No entanto, ele próprio viria a queixar-se, anos mais tarde, de o Governo lhe censurar um livro, o que o levaria a tomar a decisão de se afastar do país. José Saramago viveu até ao fim dos seus dias na ilha de Lanzarote, em Espanha. Joaquim Vieira refere-se a esse episódio, passado no chamado “Verão quente” de 1975, após o 25 de Abril de 1974, do saneamento de jornalistas que exigiam mais pluralismo, como tendo sido “muito complicado” na
Joaquim Vieira, autor da biografia de Saramago “É um percurso muito rico de vida, sobretudo porque há uma parte que é menos conhecida das pe
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escritor
essoas, porque Saramago praticamente só ganhou projecção aos 60 anos.”
vida de Saramago. Este terá tentado distanciar-se desse acto, afirmando que não tinha responsabilidades. “Mas não é essa a ideia que se tira, quando se investiga o assunto e se fala com pessoas que viveram isso também. A ideia que se tira é que ele teve responsabilidades”, afirma Joaquim Vieira, argumentando, contudo, que é preciso perceber o que se passou, “no contexto da época”. Eram tempos de muita agitação, em que toda a gente tomava posição, e Saramago esteve também envolvido em toda essa agitação, escrevia editoriais que defendiam opiniões “incendiárias no contexto da época do PREC [Período Revolucionário em Curso]”. Na altura, dizia-se que o jornal estava na mão do Partido Comunista Português (PCP) e, de facto, José Saramago era militante do partido. “Só que aqueles editoriais escritos por ele eram mais radicais do que a posição do PCP, o que causou até incómodos ao próprio Partido Comunista”, contou Joaquim Vieira, confessando que desconhecia este pormenor.
AS MULHERES
A biografia de José Saramago revela também um homem com uma relação “um pouco atribulada” com mulheres, com quem teve “muitos actos de sedução ao longo da vida”. “Há muitas histórias de Saramago com mulheres”, histórias que, hoje em dia, na era do movimento '#metoo', possivelmente ganhariam “um outro significado”. “As pessoas farão os seus juízos, não o acuso de assédio, mas descrevo certos episódios e depois as pessoas tiram as suas conclusões”, afirmou Vieira, frisando que nenhuma das pessoas que entrevistou acusou o escritor de assédio, de “maneira explicita”, mas contaram “situações que são um bocado complicadas”. Apesar destes episódios, Joaquim Vieira salienta que “o fundamental” da biografia de Saramago é a obra, a escrita e a literatura. O jornalista, que já foi biógrafo de Mário Soares, ex-presidente da República portuguesa e ex-primeiro ministro, e de Francisco Pinto Balsemão, fundador do grupo de media Impresa, assumiu a empreitada de escrever a biografia de José Saramago, a convite da editora Livros Horizonte, tarefa que lhe demorou três anos de trabalho.
Da Suíça para a China Ilustradora Catarina Sobral distinguida em Xangai
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autora e ilustradora portuguesa Catarina Sobral foi distinguida na China, na Feira Internacional do Livro Infantil de Xangai, com o livro "Comment ça, il a renoncé?", ainda inédito em Portugal. A feira do livro teve lugar no fim-de-semana, tendo anunciado os vencedores dos prémios internacionais para jovens ilustradores, com Catarina Sobral a receber uma menção especial pelo álbum ilustrado "Comment ça, il a renoncé?". O livro foi publicado este ano originalmente pela editora suíça Éditions Notari, e ainda está inédito em Portugal. Ancorada na realidade, esta é uma "história contemporânea, surreal e perturbadora, sobre o tema do desenvolvimento sustentável", refere a editora suíça. Catarina Sobral recebe a menção especial depois de ter sido uma das 50 finalistas ao prémio da feira
literária chinesa, juntamente com a ilustradora portuguesa Carolina Celas, que concorreu com o livro "Horizonte".Teve a obra visual em destaque durante o mês de Outubro no Teatro Luís de Camões - LU.CA, em Lisboa, tem cerca de uma dezena de livros ilustrados, a maioria já traduzidos e editados noutros países, como Coreia do Sul, Japão, Brasil, Espanha e Suíça. Alguns deles, como "Achimpa" e "O meu avô", valeram-lhe prémios internacionais. O livro "Vazio" (2014) deu origem a um filme de animação, o "Razão entre dois volumes", já apresentado em festivais. Recentemente editou o livro "Impossível", sobre a origem do universo, já transposto para palco. A Feira Internacional do Livro Infantil de Xangai, que aconteceu pela primeira vez em 2013, terminou ontem.
CINEMA “PEREGRINAÇÃO” EXIBIDO EM LONDRES INTEGRADO NO ÍNDIE LISBOA
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filme português candidato a uma nomeação para os Óscares, a longa-metragem “Peregrinação”, de João Botelho, vai ser apresentado em Londres na próxima sexta-feira nas sessões do Índie Lisboa, juntamente com mais três curtas-metragens. A longa-metragem adaptou para o cinema episódios do livro "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto, impresso pela
primeira vez em 1614, que relata a presença de portugueses no Oriente através das crónicas de viagens do autor. Além disso, foi parcialmente rodada em Macau. O filme é protagonizado por Cláudio da Silva, à frente de um elenco que inclui ainda, entre outros, Catarina Wallenstein, Pedro Inês, Maya Booth, Cassiano Carneiro, Rui Morisson, Jani Zhao e Zia Soares,
e tem como banda sonora "Por este rio acima", de Fausto, interpretado por um coro masculino. O filme foi escolhido pela Academia Portuguesa de Cinema para a competição de melhor filme estrangeiro, tanto dos prémios Goya (Espanha) como dos Óscares (EUA), cujos vencedores serão conhecidos, respectivamente, em 2 de Fevereiro e 24 de Fevereiro.
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HONG KONG EVENTOS CANCELADOS REACENDEM PREOCUPAÇÃO COM LIBERDADES
Dias sem expressão
A antiga colónia britânica viveu esta semana dias de grande rebuliço, em matéria de liberdade de expressão: a presença do escritor, crítico do Partido Comunista, Ma Jian, inicialmente proibida num festival literário, foi afinal autorizada na sexta-feira. Victor Mallet, editor de notícias do Financial Times, foi impedido de entrar no território, na quinta-feira. No passado fim-de-semana, a mostra do cartoonista Badiucao foi cancelada por questões de segurança AP/VINCENT YU
cancelamento de eventos literários e artísticos e a recusa em permitir a entrada de um jornalista do Financial Times em Hong Kong reacenderam a preocupação com a liberdade de expressão naquele território. Aquando da transferência da administração de Hong Kong em 1997 do Reino Unidos para a China foi prometida uma semi-autonomia durante 50 anos, que lhe permitiria manter os direitos de reunião e liberdade de expressão, mas o suspeito sequestro em 2015 pelas forças de segurança chinesas de editores de trabalhos críticos dos líderes do país e o julgamento de organizadores de protestos anti-Pequim vieram sublinhar as preocupações nesta matéria. Uma decisão de última hora tomada na sexta-feira para restabelecer um evento literário e as recentes pressões de Pequim para impedir actividades da 'sociedade civil' ilustra o debate crescente sobre esta questão, numa semana marcada por novos desenvolvimentos. Um espaço artístico de Hong Kong voltou a permitir ao escritor chinês exilado Ma Jian que falasse num festival literário, depois de cancelar sua presença no início da semana. Ma chegou em Hong Kong no final da tarde de sexta-feira e disse aos jornalistas que uma 'mão invisível' estava a controlar as condições sob as quais ele poderia aparecer. "A palestra, definitivamente, vai acontecer", disse. "Se houver uma única pessoa de Hong Kong que esteja disposta a ouvir, ou um único leitor que me contacte, eu estarei lá", acrescentou. Cerca de duas horas depois, o Festival Literário Internacional de Hong Kong anunciou que o Centro de Património e Artes do Tai Kwun havia decidido permitir que Ma aparecesse, afinal.
depois do Governo se ter recusado a renovar seu visto de trabalho, no que parece ser uma retaliação pelo facto deste ter promovido no Clube de Correspondentes Estrangeiros uma palestra do líder de um partido político, agora banido, que defende a independência do território. A autoridade de imigração de Hong Kong não deu nenhuma explicação para sua expulsão e na sexta-feira respondeu ao episódio com uma declaração na qual garantia "agir de acordo com as leis e políticas" Grupos de jornalistas de Hong Kong enviaram uma carta de protesto ao Governo de Hong Kong sobre a expulsão, afirmando que a decisão prejudica a reputação do território, que deve ser governado pela lei onde a liberdade de expressão é protegida. Grupos de direitos humanos classificaram a rejeição do visto do jornalista como o mais recente sinal da expansão das restrições de Pequim no território.
MOSTRA CANCELADA
"Os princípios da liberdade de expressão e expressão cultural são centrais para nossa missão como festival literário internacional", pode ler-se num comunicado de imprensa
do festival, no qual se pedem desculpas pela incerteza nos últimos dias. Ma, de 65 anos, é conhecido pelos seus romances nos quais critica o Partido
“Os princípios da liberdade de expressão e expressão cultural são centrais para nossa missão como festival literário internacional.” COMUNICADO DO FESTIVAL LITERÁRIO INTERNACIONAL DE HONG KONG
Panamá Acordo para construção de ponte
O Panamá e um consórcio chinês assinaram na sexta-feira um contrato para a construção de uma quarta ponte sobre o canal inter-oceânico, investimento calculado em 1,4 mil milhões de dólares. A cerimónia de assinatura envolveu o Ministério das Obras Públicas e o consórcio Panamá Quarta Ponte, integrado pelas empresas China Communications Construction Company LTD e China Harbour Engineering Company LTD. A ponte vai ser atravessada por veículos automóveis, bem como por uma das linhas do metropolitano. Esta ponte, concebida para ter uma vida útil de 100 anos, vai servir mais de 1,7 milhões de habitantes, indicou o ministério em comunicado.
Comunista da China. Os seus seis romances foram proibidos na China continental e o autor chegou a afirmar que não conseguiu encontrar uma editora de língua chinesa em Hong Kong para publicar o seu trabalho mais recente, "China Dream". O livro, que foi comparado aos trabalhos de George Orwell na sua descrição contundente do governo autoritário, foi publicado em inglês com um desenho
de capa do artista dissidente Ai Weiwei, que também vive fora da China.
OUTRAS PROIBIÇÕES
Já o Financial Times deu conta de que o seu editor de notícias para a Àsia, Victor Mallet, tinha sido barrado na fronteira na quinta-feira quando tentou voltar a entrar em Hong Kong como visitante. O episódio aconteceu depois de Mallet ter sido forçado a deixar Hong Kong
Uma exposição do artista chinês-australiano (conhecido como Badiucao) prevista para 3 de novembro foi cancelada depois dos organizadores terem recebido ameaças "feitas pelas autoridades chinesas relativas ao artista." Hong Kong Free Press, Amnistia Internacional e Repórteres Sem Fronteiras eram os organizadores do evento que, num comunicado conjunto justificaram o cancelamento da exposição com "questões de segurança". Os cartoons de Badiucao satirizam os líderes da China e o estabelecimento de uma sociedade de vigilância. Na sua página na internet, o autor escreve que "usa a sua arte para desafiar a censura e a ditadura na China". Badiucao, que nunca revelou a sua identidade, já tinha afirmado que não marcaria presença na exposição por medo de ser sequestrado.
Pequim EUA devem cessar actos contra “a soberania chinesa”
Os Estados Unidos devem cessar “os actos que minam a soberania chinesa” no mar do Sul da China e as ingerências nas “questões internas chinesas” em matéria de direitos humanos, advertiu sexta-feira um dirigente de Pequim. “A parte chinesa disse claramente que os Estados Unidos devem parar de enviar os seus navios e aviões militares para perto das ilhas chinesas”, disse Yang Jiechi, chefe da diplomacia chinesa, numa conferência de imprensa com o secretário de Estado norte-
-americano, Mike Pompeo, com quem se reuniu. Pompeo disse, na mesma ocasião, que manifestou aos responsáveis chineses a sua “preocupação” com a “militarização” do mar do Sul da China e com a detenção de vários muçulmanos uigures. Os Estados Unidos querem uma cooperação reforçada com Pequim e “não querem uma guerra fria”, mas ainda há “divergências significativas” com a China em relação a determinados assuntos, disse Pompeo, ao lado do seu homólogo chinês.
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segunda-feira 12.11.2018
XI JINPING CHINA E EUA DEVEM AVALIAR CORRECTAMENTE INTENÇÕES ESTRATÉGICAS
ESTUDO PAÍS TEM MAIS DE 50 MILHÕES DE CASAS VAZIAS
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China tem mais de 50 milhões de casas vazias, segundo um estudo a nível nacional prestes a ser publicado, num dos efeitos mais visíveis do desperdício gerado por uma década de crescimento assente na construção. Cerca de 22 por cento do imobiliário urbano na China continua desocupado, revela Gan Li, professor na Universidade de Economia e Finanças de Chengdu, sudoeste da China, e responsável pelo estudo. "Não há outro país no mundo com uma taxa de desocupação tão alta", diz o académico, citado pela agência Bloomberg. Gan considera que um cenário de "pesadelo" pode ocorrer caso o mercado imobiliário comece a apresentar debilidades, o que levaria os proprietários a lançarem-se numa corrida de vendas, levando a uma queda abrupta dos preços. "A China seria atingida por uma inundação de casas a entrarem no mercado", descreve. Milhares de investigadores participaram no estudo, designado China Household Finance Survey, e que abrange um total de 363 condados, distribuídos por todo o país. A taxa de desocupação é praticamente a mesma apurada na edição anterior do estudo, em 2013, de 22,4 por cento, segundo Gan. Na altura, Gan estimou 49 milhões de casas vazias em todo o país. "Hoje, definitivamente há mais de 50 milhões", diz. Um relatório publicado esta semana pela agência de avaliação de risco Standard & Poor's (S&P) indica que o preço do imobiliário na China atingiu o seu valor máximo e pode cair até cinco por cento, em 2019. A agência adverte que as cidades pequenas são "muito mais vulneráveis" a uma possível desaceleração, que poderá fazer com que passem "rapidamente" de "motores de crescimento" a "travões ao crescimento".
Questão de perspectiva Em vésperas do encontro com Donald Trump, no fim do mês, o Presidente chinês reuniu-se com o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger
O
Presidente chinês afirmou sexta-feira que Pequim e Washington devem "avaliar correctamente" as intenções estratégicas de cada um, numa altura de renovadas tensões entre as duas potências, face às ambições tecnológicas e militares da China. Xi Jinping, que vai reunir-se com o homólogo norte-americano, Donald Trump, no final deste mês, falava durante um encontro com o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger. O líder chinês afirmou que Pequim quer resolver os problemas através do diálogo, mas que Washington deve respeitar o percurso do desenvolvimento e os interesses da China. "A China está comprometida a trabalhar com o EUA para alcançar uma cooperação de mútuo benefício, não confrontacional, e com respeito mútuo", afirmou Xi Jinping. As relações entre a China e os EUA atravessam um período de renovadas tensões, depois de Trump ter imposto taxas alfandegárias até 25% sobre quase metade das importações oriundas da China. Em causa está a política de Pequim para o sector tecnológico,
nomeadamente o plano "Made in China 2025", que visa transformar as firmas estatais do país em importantes actores globais em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros eléctricos.
MÁS VIBRAÇÕES
Washington tem ainda reafirmado o seu compromisso em defender Taiwan, que Pequim considera uma província chinesa e ameaça usar a força caso declare independência, e insistido na navegação no Mar do Sul da China, que a China reclama quase na totalidade, apesar do protesto dos países vizinhos.
"Há já algum tempo que existem vozes negativas nos Estados Unidos contra a China, às quais se deve ter atenção", disse Kissinger, de 95 anos, a Xi Jinping, no Gran-
“A China está comprometida a trabalhar com o EUA para alcançar uma cooperação de mútuo benefício, não confrontacional, e com respeito mútuo.”
de Palácio do Povo, em Pequim. Citado pela agência noticiosa Xinhua, o antigo secretário de Estado disse que a China e os EUA deviam usar um "pensamento estratégico" e pôr as coisas em perspectiva, visando entender melhor o outro lado, expandir interesses mútuos e gerir as suas diferenças. Kissinger, que em 1972 negociou um encontro histórico entre o então Presidente norte-americano Richard Nixon, e o fundador da República Popular da China, Mao Zedong, continua a visitar o país asiático frequentemente.
XI JINPING PRESIDENTE DA CHINA
'DIA DOS SOLTEIROS' COMPRAS NO VALOR DE 12,3 MIL MILHÕES DE EUROS EM DUAS HORAS
O
S consumidores 'online' gastaram no domingo mais de 12,35 mil milhões de euros nas primeiras duas horas do 'Dia dos Solteiros', a versão chinesa do 'Cyber Monday', que oferece grandes descontos nas compras digitais. O dia de descontos 'online' na China mereceu mais uma vez grande destaque e atenção por parte do 'gigante' chinês de comércio electrónico Alibaba, que trans-
formou um feriado não oficial para pessoas sem parceiros românticos num verdadeiro prémio anual para as empresas digitais. Uma enorme tela na gala da Alibaba em Xangai mostrou o aumento das vendas em tempo real: dois minutos e cinco segundos após a meia-noite, tinham sido feitas compras no valor de 1,26 mil milhões de euros só na plataforma Alibaba. Uma hora e 47 minutos
depois, esse número aumentou dez vezes. O Dia dos Solteiros começou como um evento celebrado por universitários chineses nos anos 90. Em chinês, é chamado de Duplo 11 (data e mês do ano). O feriado improvisado já foi adoptado pelas empresas de comércio digital e transformado na versão chinesa do 'Cyber Monday' - o dia mais movimentado para compras 'online' nos Estados Unidos. As
plataformas chinesas de comércio electrónico têm sido alvo de críticas ao longo dos anos por venderem produtos de baixa qualidade e falsificados. Hong Tao, professor de economia da Universidade de Tecnologia e Negócios de Pequim, defendeu que o 'Dia dos Solteiros' incentiva os compradores a darem prioridade aos preços em detrimento da qualidade, comprando muitas vezes o que não precisam.
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Sei que estou vivo entre dois parênteses Paulo Maia e Carmo texto e ilustração
Os excêntricos de Yangzhou
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ATTHIAS Grunewald (1480-1528) seria redescoberto para a história da pintura europeia no fim do século dezanove sobretudo pelos pintores do movimento expressionista, fascinados pelas suas figuras de um realismo incómodo e pelas suas cores drásticas. Entre as nove imagens do invulgar painel de altar de Isenheim, a sua obra mais admirada, e que ele terá acabado em 1515, cujas pinturas podem ser viradas como as páginas de um livro, existem duas dedicadas a Santo Antão, figura inspiradora do monasticismo cristão mais radical. São mostrados dois momentos-chave na hagiografia do Santo: a visita que fez a Paulo
tinham dentes como sementes de melão e tinham dedos largos como coxas.» Mas ninguém duvidava que Luo Ping (1733-1799) tinha escapado a um destino funesto: órfão desde tenra idade, começou por se destacar pela sua poesia entre os círculos artísticos da sua cidade de Yangzhou. A florescente cidade situada na embocadura a sul do grande rio Changjiang era já um lugar tocado pelas palavras dos poetas. Dela falaram Li Bai, na célebre despedida a Meng Haoran: «Por entre a névoa e as flores da Primavera desces para Yangzhou», ou Du Mu: «Ao fim de dez anos acordo do meu sonho em Yangzhou/ Tudo o que ganhei foi uma fama de leviano nas mansões ver-
A pintura para Luo Ping foi como um pingo de tinta alastrando, que inundou a sua vida de modo inexorável. Casaria aos dezanove anos com Fang Wanyi (1732-1779) que também se dedicaria à pintura, bem como os três filhos do casal e as Tentações no desertPaulo seria para Antão um exemplo e as tentações o orgulho da provação a que sobreviveu, testemunho da sua originalidade. Grunewald pintou a cena das tentações com um realismo abafante, fazendo demasiado reais as sombrias figuras do assombro. A liberdade criativa de que deu provas, ao desprezar por exemplo as leis da perspectiva, adequa-se ao mistério que rodeia a sua própria pessoa. O seu próprio nome é controverso, poucos factos se conhecem do seu percurso mas ninguém se esqueceu de recordar o seu triste casamento com uma senhora portadora de uma «possessão demoníaca». Luo Ping faria sensação em Pequim ao mostrar um longo rolo onde pintara fantasmas que, segundo dizia, tinha visto com os seus próprios olhos: «alguns
des.» Mas a pintura para Luo Ping foi como um pingo de tinta alastrando, que inundou a sua vida de modo inexorável. Casaria aos dezanove anos com Fang Wanyi (1732-1779) que também se dedicaria à pintura, bem como os três filhos do casal. E naquela cidade, naquele tempo, já existiam outros pintores que se destacaram depois de atravessar grandes tribulações. Entre eles, Jin Nong (1687-1764) que Luo escolheria como mestre e que argumentara que ganhar a vida vendendo as suas pinturas não era nenhuma desonra. Eram palavras inusitadas, como fora a pintura de Grunewald no seu tempo e na sua situação e por isso não admira que Luo Ping, o seu mestre e mais seis pintores de Yangzhou ficassem conhecidos como «os excêntricos», a qualificação desse desejo de liberdade.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
segunda-feira 12.11.2018
Ofício dos ossos Valério Romão
Q
UANDO entro no café e peço uma água das pedras e uma bica, a menina que me atende sorri e eu sorrio de volta. Nenhum de nós imiscua no comércio da vida cotidiana aquilo que de mais pesado e verdadeiro transportamos todos os dias no coração como trocos na algibeira. A maior parte das nossas interacções rege-se pela batuta da cordialidade superficial. Aquilo que somos, aquilo que temos de verdadeiramente único, escondemo-lo. Às vezes, à vista de todos; outras, em sítios de que até nós nos esquecemos. Manda a etiqueta da convivência social que não andemos nus. Não impomos a nossa intimidade física a outrem. É desadequado. É estranho. Há sítios remotos e cercados para onde vão as pessoas que têm vontade de andar em pêlo. Chamam-se colónias de nudistas e praias de nudistas. Com os nossos segredos, é muito assim; não os partilhamos desnecessariamente porque tal seria infringir um código não escrito e, simultaneamente, um sinal de vulnerabilidade e de desequilíbrio. Mas como são esses segredos que, em grande parte, nos defi-
O eu abreviado nem, o seu radical escondimento acaba por no fundo configurar uma forma de mentira socialmente aceitável: respondemos afirmativamente às perguntas cotidianas sobre o nosso bem-estar, negamos a existência de problemas quando nos chamam a atenção pela nossa ausência, divergimos imediatamente de assunto quando confrontados com a possibilidade de alguém adquirir indevidamente informação que não pretendemos transmitir. E todos fazemos isso. O tempo todo, ou quase. Estranha forma de vida, esta, e estranhamente bela. Passamos noventa e tal porcento do tempo a fingir o que
não somos para termos oportunidade de sermos o que somos para pouquíssimas pessoas por pouquíssimo tempo. É como se a vida fosse uma espécie de mina de baixo rendimento onde é necessário processar dezenas de toneladas para obter um mísero grama de ouro. Uma mina com uma rentabilidade tão negativa como a nossa já teria sido fechada. A maior parte de nós, no entanto, opta manter as portas abertas, a despeito de por vezes ter imagens muito claras do logro enorme que são as relações humanas: uma gigantesca teia de formas que supostamente devemos assumir, de acções que supostamente devemos ter,
Passamos noventa e tal porcento do tempo a fingir o que não somos para termos oportunidade de sermos o que somos para pouquíssimas pessoas por pouquíssimo tempo. É como se a vida fosse uma espécie de mina de baixo rendimento onde é necessário processar dezenas de toneladas para obter um mísero grama de ouro
de respostas que supostamente devemos dar. E nada disto é claro, e nada disto está escrito. O código mais complexo e poderoso de regulação social encontra-se ausente de qualquer manual. De vez em quando, somos confrontados com pessoas que, em situações extremas, nos deixam nas mãos muito mais do que aquilo que tínhamos pedido. Que nos emprestam, contra a nossa vontade inicial, parte do peso que carregam e que se dispõem a receber da nossa parte a intolerância e a incompreensão ou a radical bondade de querer ajudar a encontrar no peso e na profundidade uma leveza ou um ângulo que facilite o transporte. A vida que se diz passar à frente dos olhos quando a mente antecipa a morte não corresponde a mais do que meros segundos de experiências vividas. A uma sequência de imagens de que muitas vezes desconhecíamos a importância. O eu tem uma forma de escalonar a grandeza daquilo que vivemos e o cérebro parece ter outra. Ambas correspondem na forma: qualquer vida pode reduzir-se a um filme de 30 segundos. Esses trinta segundos são a sinopse daquilo que de facto nos faz sentir únicos. São os sete ou oito picos de intensidade no sismógrafo existencial que nos definem e definem em grande parte a nossa forma de agir. O resto, o filme em si, é o cotidiano. É a mentira.
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desporto 17
segunda-feira 12.11.2018
GP MACAU SUNCITY RACING TEAM QUE DOMINAR TAÇA DE CARROS DE TURISMO
A armada de Hong Kong
No ano passado o macaense Jerónimo Badaraco venceu a categoria de 1600T, à frente dos Peugeot RCZ. Mas a equipa de Hong Kong volta a apostar forte e está focada em recuperar o ceptro perdido GCS
de um Fiesta ST, depois de no ano passado ter vencido a “ Taça da Corrida Chinesa”.
MAIS CAUTELAS
Jerónimo Badaraco, vencedor em 2017
A
formação Suncity Racing Team parte para o Grande Prémio com a ambição de dominar por completo a Taça de Carros de Turismo de Macau e aponta à vitória nas categorias 1600 Turbo e superior a 1950cc. Na pista da Guia, os três Peugeot Sport RCZ da formação vão tentar roubar a vitória alcançada pelo macaense Jerónimo Badaraco, no ano passado. Na categoria 1600T a formação Teamwork Motorsport, que nesta edição adopta o nome do principal patrocinador, inscreveu três Peugeot Sport RCZ, para Paul Poon, vencedor por seis vezes da categoria, Alex Fung e Andrew Lo. À partida para a prova, Paul Poon, um dos grandes favoritos, acredita que tem todas as chances de alcançar a sétima vitória na
Guia: “Desde que as categorias 1600T e superior a 1950cc começaram a correr juntas que a prova se tornou mais complicada. Mas acredito no trabalho da equipa na preparação dos RCZ e que tenho todas as hipóteses de chegar à sétima vitória”, afirmou o piloto, em declarações ao portal da formação de Hong Kong. “Estou ansioso por finalmente irmos correr no circuito da Guia este fim-de-semana, após uma preparação muito intensa”, acrescentou. A equipa esteve nas últimas semanas no Circuito Internacional de Zhuhai e nas garagens em Cantão a preparar o evento. Além disso
conta nas fileiras, como piloto de testes, com Rob Huff, Campeão Mundial de Carros de Turismo (WTCR) em 2012. Também por esta razão, os outros dois pilotos da formação, Andrew Lo e Alex Fung apontam que os carros da equipa deverão ter uma vantagem face à concorrência. A principal oposição para a formação de Hong Kong deverá partir da equipa Son Veng Racing Team, de Macau, que conta nas fileiras com José Badaraco, Lam Kui Pui, Chan Weng Tong e Wong Chun Hou. Também na categoria vai ainda participar o macaense Hélder de Assunção, aos comandos
No que diz respeito à prova para carros com cilindrada superior a 1950cc, a Suncity Racing Team inscreveu dois veículos. Sunny Wong vai participar aos comandos de um Subaru Impreza. A outra viatura inscrita é um Audi TTRS, que vai ser tripulado por Samson Fung. Nesta categoria as palavras dos pilotos inscritos são mais cautelosas, mas o objectivo é o mesmo: ganhar. “Este ano fizemos uma série de testes muito abrange antes do Grande Prémio. Se olharmos para os resultados dos ano passado, temos potencial para andar a disputar as vitórias”, apontou Fung. “Mas até à primeira sessão de treinos livros, não podemos com certeza definir objectivos”, sublinhou. Já Sunny Wong destacou o facto de estar a conduzir a nova viatura da formação, o Subaru WRX STi: “Estou muito entusiasmado por ir correr com o novo carro que tem tracção integral. Por isso espero utilizar a experiência de 2015 e 2016 para alcançar um resultado que seja fantástico para a equipa”, apontou. A corrida da Taça de Carros de Turismo de Macau está agendada para sábado, com um total de 12 voltas, que decorrem entre as 10h25 e as 11h25.
“Acredito no trabalho da equipa na preparação dos RCZ e que tenho todas as hipóteses de chegar à sétima vitória.” PAUL POON PILOTO
Fun Run Iao Kuan Un e Hoi Long vencem na Guia
O corredor Iao Kuan Un e a atleta Hoi Long foram os vencedores da corrida Fun Run, que se disputou ontem, pelas 6h30, ao longo dos 6,2 km traçado do Grande Prémio de Macau. No total 2 mil pessoas participaram na corrida, ou seja o número de vagas que foi aberto pela organização. Iao Kuan Un foi o mais rápido de todos a cumprir uma volta ao circuito com o tempo de 20 minutos e 05 segundos. Na categoria masculina completaram o pódio Ip Seng Tou, com um tempo de 20 minutos e 53 segundos, e Chan Chong Ip, com um tempo de 20 minutos e 57 segundos. Na corrida feminina, Hoi Long venceu com o tempo de 23 minutos e 9 segundos, sendo seguida por Wu Yang Yang, com 24 minutos e 19 segundos, e Wong San San, que terminou a volta em 24 minutos e 43 segundos.
João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL CANAL ‘11’ NAS OPERADORAS ALTICE, NOS E VODAFONE
O
canal televisivo ‘11’, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), vai ser distribuído pela Altice, NOS e Vodafone, anunciou ontem o organismo que prevê o arranque das emissões para 2019. “O ‘11’ estará a partir
do próximo ano em casa dos portugueses e será um importante instrumento de divulgação e promoção do futebol português e dos seus principais protagonistas, que são os jogadores e os treinadores”, explicou o
presidente da FPF, Fernando Gomes. O canal vai ser dirigido por Nuno Santos e vai dedicar a sua emissão à actividade das diversas seleções masculinas e femininas de futebol, futsal e futebol de praia, mas também aos
treinadores e jogadores portugueses que actuam no estrangeiro, bem como às competições nacionais dos diferentes escalões. No mesmo comunicado divulgado pela FPF no seu sítio oficial na Internet, os
responsáveis da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, NOS, Miguel Almeida, e Vodafone, Mário Vaz, assumiram a satisfação por contarem com a estação televisiva federativa nas suas grelhas.
O organismo deu ainda conta de que o líder federativo e o diretor-executivo da FPF, Tiago Craveiro, debateram com os responsáveis destas três operadoras sobre os desafios comuns ao futebol e ao sector das telecomunicações.
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TEATRO “VALE DE BONECAS OU LIFE AFTER THE HAPPY ENDING” Pensão San Va | 20h30
Sexta-feira
TEATRO “VALE DE BONECAS O U LIFE AFTER THE HAPPY ENDING” Pensão San Va | 20h30 CONCERTO SHEIK OF SWING Live Music Association | Das 22h00 à 1h00
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EXPOSIÇÃO | PAISAGEM MUTANTE Museu de Arte de Macau | Até 10/02/2019 EXPOSIÇÃO “THE CITY IN MY HEART” Armazém do Boi | Até 18/11 “FINDING DREAMS IN THE FALL OF RUA DOS ERVANÁRIOS” Até Dezembro
Cineteatro
1O CARTOON STEPH
C I N E M A
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 1
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5 PATRICK SALA 1
CODE BLUE: THE MOVIE [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masaki Nishiura Com: Yamashita Tomohisa, Aragaki Yui,Toda Erika 14.30, 19.15, 21.30
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 16.45
HALLOWEEN [C] Um filme de: David Gordon Green Com: Lee Curtis, Judy Greer, Will Patton, Nick Castle 19.30
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HICHKI [B]
SALA 2
MY HERO ACADEMIA THE MOVIE - TWO HEROES [B]
Um filme de: Mandie Fletcher Com: Beattie Edmondson, Ed Skrein, Tom Bennett, Jennifer Saunders 14.30, 16.30, 21.30
FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kenji Nagasaki 21.30
PATRICK [A]
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SALA 3
FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Siddharth P Malhotratiqua Com: Rani Mukerji 14.30, 16.45, 19.15
4174 7 0 2 96856 5 9 6 85375 7 4 021 6 340148158 5 792 5 98 29 2 7 61 36 3 0 93 29 2 85 68 6 41 74 7 07 60 6 41 54 5 92 39 3 4 35 63 6 0 92 19 1 8 8 2 71 97 39 03 0 5 64 0 7 5 68 46 4 3 2 19 1241 4 9 3 08768 6
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8 0 02 0 7 5 3 4 8 91 69 9 8 6 41 74 7 3 0 25 3 4 29 2 8 50 5 6 17 1 7 05 0 6 49 4 3 82 0 2 1 53 65 6 7 8 94 98 9 4 6 7 5 1 32 03 1Lançado 50 65 6 4 3 1 no3final8 do9mês2passado, Red Dead Redemption II desenrola-se num cenário western 6 05 70 27 82 98 49 4 1 americano, no ano de 1899, em que o jogador assume a personagem do foragido Arthur Morgan. Com um motor de jogo muito semelhante ao do GTA, o jogador pode desempe3 2o papel 9 7 2de justiceiro, 7 5 6caçando 816 104 nhar criminosos a troco de dinheiro, 0de6fora-da-lei, 4 8 3 4a possibili0 1havendo 3 ou7 5 9 5 dade 4 3 comboios, 9 de6assaltar 4 8 0bancos 5 0 271 ou salões. João Santos Filipe
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5 2 1 9 97 68 74 30 46 3
4 06 18 2 73 40 1 9 7 95 72 80 95 8 09 6 57 3 4 1
2 0 01 3 7 24 35 76 8 9 47 8 29 3 50 4 5 1 2 86
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S U D O K U
Sábado
EXPOSIÇÃO SALÃO DE OUTONO Casa Garden | Até 30/11
1.16
ACTO DE CORAGEM
Quinta-feira
EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12
YUAN
VIDA DE CÃO
APRESENTAÇÃO DO LIVRO “MACAU, DEPOIS DO ADEUS”, DE ARNALDO GONÇALVES Fundação Rui Cunha | Das 18h30 às 20h30
Diariamente
0.24
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Um acto de muita coragem. Agora que a poeira já assentou, é desta forma que encaro a candidatura falhada de Sérgio de Almeida Correia à presidência da Associação de Advogados de Macau (AAM). Numa cidade que é altamente conservadora, com as muitas coisas boas e más que isso acarreta, Sérgio de Almeida Correia teve a audácia de vir a público apresentar um projecto alternativo ao de Neto Valente, o advogado mais influente de Macau nos últimos 30 anos. Não é por acaso que conseguiu que um grande número de advogados apoiasse a sua candidatura, na condição de signatários, como nunca tinha acontecido antes. Contudo, Sérgio de Almeida Correia merece ser elogiado pela alternativa. Por mais qualidade que uma presidência tenha, nada é perfeito. Há sempre espaço para melhorias, principalmente quando as pessoas exercem vários mandatos consecutivos no mesmo cargo. É uma situação que conduz a um natural comodismo. Neste sentido, a candidatura de Sérgio deAlmeida Correia foi 3de discussão 5 8 para 2 uma 6 classe, 0 9que 7 um factor há vários anos apresenta as mesmas queixas. 4 das 1 línguas 0 9é só7um 8exemplo, 5 3 A utilização mas, em surdina, existem também queixas 2 0 6 1 4 5 7 8 da falta de respeito por parte dos tribunais. A candidatura 8 7de Sérgio 3 5de Almeida 9 1Correia 4 2 acabou por não se materializar, mas não 2 indiferente 1 3 e5proporcionou 9 0 6 deixou a7classe a oportunidade para se pensar a condição do 6na RAEM. 4 9 Para8Sérgio 0 de7Almeida 1 5 advogado Correia,0o facto de não ter ido a eleições 8 7 6 1 2 3 4 pode ser uma derrota, mas pelo menos veio a público5e apresentou 9 2 uma 4 alternativa, 3 6 8que 1 ele queria que fosse de consensos. Em vez 1 6a ficar4 quieto 0 e8a criticar 3 2nos 9 de se limitar corredores quem está na AAM, actuou de 9 a3sua consciência. 5 7 2E isso 4 merece 6 0 acordo com todos os elogios. João Santos Filipe
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34RED3DEAD1 REDEMPTION II5| ROCKSTAR 6 8 7STUDIOS 3 0(2018) 9 4 56 5 9 9 2 4 0 1 8 7 6 2 4 0 6 4 7 8 2 9 1 3 17 61 6 3 9 1 5 0 4 6 2 5 8 3 7 1 3 4 6 5 8 0 1 7 2 2 5 0 9 8 6 3 7 0 2 8 0 8 5 1 7 2 4 9 69 6 4 4 3 6 2 9 1 0 5 3 79 7 1 0 2 3 4 7 5 8 8 50 5 8 7 9 6 5 3 2 1
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4 4 3 9 2 1 8 7 5 06 0 0 8 5 7 9 6 1 2 0 86 08 50 5 7 94 39 13 1 2 2 0 3 4 2 1 5 6 7 2 2 6 1 58 05 0 3 9 74 7 7 5 2 1 8 4 7 0 3 47 4 93 9 0 85 8 21 2 6 5 02 0 71 47 4 83 8 69 6 6 9 3 0 7 2 5 4 37 3 24 2 0 96 9 85 8 1 8 9 6 40 74 7 1 2 3 5 7 8 2 4 3 9 1 5 58 5 69 6 1 42 4 70 7 3 1 7 35 23 62 46 4 0 9 8 1 0 6 5 9 4 8 2 20 72 47 4 9 53 65 86 8 1 4 71 7 93 09 0 65 6 82 8 3 4 5 1 8 0 9 6 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia 9 3Ng Colaboradores 5 Vieira; 68Cabrita; 36 9 72Caeiro;7 António 40 Falcão; 0 8 5 6 5 2 1Margarida 7 1Mota;4Vitor 9 5 81 3 29Castro 4 Gonçalo Lobo Pinheiro; 2 6João Paulo 9 Cotrim; 7 0José Drummond; 8 3 1 Amélia António António José Navarro de Andrade; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; 4 1 4 8 3 0 9 3 Fonseca; 6 7Romão 9 2Valério 6 Colunistas 5 António9Conceição 9 Júnior; 0 David 2 Chan; 7 João 8 Romão; 1 Jorge 6 Morbey; 4 35Jorge 3 9 7 0 6 5 3 Sérgio 4 8 Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária 95 9 6 81 3 8 3 4 0 4 2 57www. 3 5 14 61 26 02 0 8 7 9 4 1 8 3 2 6 7 9 hojemacau. com.mo
de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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reencarnações JOÃO LUZ
E
STE país não é para vozes dissonantes, incapaz de lidar com divergência ou crítica. Para apaziguar a soma de todos estes medos, o país forte blindou-se ao pensamento através da doutrina oficial e fechou os olhos ao que se passa no mundo exterior. Em termos físicos, as protecções contra este imenso medo são a fronteira e a força, o equivalente geopolítico a correr para debaixo das saias da mamã. Deng Xiaoping abriu uma fresta da janela do enorme casarão do Império do Meio e tentou recentrar o mundo no grande gigante adormecido, depois do século de humilhação e da revolução que arrastou uma nação milenar para o obscurantismo isolacionista e indigente. No meio desta ideia difusa de abertura há uma força da natureza indiferente à governação de longo-prazo, congressos e ciclos políticos: A liberdade. Como a água, imparável e avassaladora. A prosperidade que hoje em dia se vive na China, que elevou milhões das profundezas da miséria, traz a reboque uma outra fome insaciável que nenhuma doutrina consegue saciar. O
Fronteiras
irresistível apetite por liberdade é a prioridade do povo após a resolução das carências do corpo. Colmatadas as necessidades de tecto e mesa, alimentada a carne, o espírito faminto segue-se. Com dinheiro no bolso e capacidade para viajar e ver o mundo, o chinês deste famigerado ano de 2018 está a milhas de distância dos seus antepassados e quer ser livre. Em Macau e Hong Kong, dois territórios privilegiados por terem historicamente um pé no mundo exterior, cade vez ganha mais força a tentação de correr para o morno amparo do aconchego nacionalista. O sentido de pertença a um planeta condenado a estar interligado não é sedutor para quem interpreta integração como absorção, para quem julga que o retorno à nação-útero, às estranhas da mãe pátria, é o único caminho possível para o futuro. Pelo meio, entoam-se liturgicamente algumas palavras mágicas sobre internacionalização como se o alcance das vistas chegasse muito além das Portas do Cerco.
Por todo o mundo, as fronteiras ganham altura enquanto o humanismo encolhe. Países que se construíram alicerçados em grandes fluxos migratórios sucumbem ao frenesim amedrontado de hordas fantasmas de invasores. Este pânico da invasão é particularmente sentido em países colonizadores, para gáudio dos adeptos da ironia. A falta de noção e vergonha tem destas coisas. A Europa, o continente antigo que atravessa períodos de autofagia periodicamente, sonha em transformar-se numa fortaleza. O berço do humanismo, renascença, iluminismo e da democracia treme de medo perante as consequências do pós-colonialismo e das guerras por petróleo, fechando os olhos às marés de mortos que desaguam nas suas praias. Mesmo quando se fazem pontes, independentemente do propósito político, as restrições e fronteiras são os focos principais das estruturas. Como uma janela que tem o trinco como coração, ou um pássaro que voa com uma pata atada à gaiola. O problema das delimitações que constrangem aquilo que é mais essencial ao ser
Casa com janelas desenhadas nas paredes, amplas portadas de delírio sem vista exterior, trancas, ferrolho duplo e cadeado reforçado. Abrigo blindado contra os perigos dos forasteiros e da liberdade dos moradores, onde o mofo é perfume
humano está no poder indomável do espírito, fluído e selvagem como um leito de um rio que não se acanha em saltar as margens quando é apertado. Hoje podem barrar pessoas pelo pensamento que representam, podem mascarar a palavra e a discórdia como a mais perigosa arma, mas a verdadeira natureza violenta da repressão vem inevitavelmente ao de cima. Depois há aqueles que defendem que devemos compreender a violência e a crueldade do poder que trata os governados como crianças incapazes. Mesmo alguns adeptos da liberdade proclamam que é necessário, mesmo fundamental, perceber e interpretar a barbárie à luz de um sentido paternalista de expatriado que luta por parecer tolerante. A vida é assim, a abertura faz-se devagar, preferencialmente ao dinheiro, que jamais será barrado e para sempre galgará fronteiras sem qualquer problema. Capital tem via verde, acesso vip, mesmo que viaje clandestino. A progressiva democratização é outra fantasia sem qualquer contacto com a realidade, uma vez que a supremacia da fronteira, a natureza do poder que confina e estrangula, não lida bem com antagonismos. Casa com janelas desenhadas nas paredes, amplas portadas de delírio sem vista exterior, trancas, ferrolho duplo e cadeado reforçado. Abrigo blindado contra os perigos dos forasteiros e da liberdade dos moradores, onde o mofo é perfume.
Enquanto se ameaça, descansa o ameaçado. Miguel Cervantes
TAILÂNDIA DETIDO SOLDADO INFECTADO COM HIV POR VIOLAR MAIS DE 70 ADOLESCENTES
No melhor dos mundos Bolsonaro nega problemas com China e diz que quer negociar sem “viés ideológico”
Jair Bolsonaro “Recebi na semana passada o embaixador da China e conversámos bastante. Já recebi também o embaixador dos Estados Unidos da América. (...) Alguns países estão muito felizes com a nossa eleição porque deixarão de fazer comércio com o Brasil com o viés ideológico.”
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Presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, negou na sexta-feira, na sua conta de Facebook, ter problemas com a China e afirmou querer estabelecer comércio com vários países sem “viés ideológico”. “Alguma imprensa fala que vamos ter problemas com a China. Não temos problemas nenhuns com a China. Recebi na semana passada o embaixador da China e conversámos bastante. Já recebi também o embaixador dos Estados Unidos da América. (...) Alguns países estão muito felizes com a nossa eleição porque deixarão de fazer comércio com o Brasil com o viés ideológico”, afirmou Jair Bolsonaro, na sua conta da rede social Facebook. O recém-eleito Presidente disse que deseja que os produtos brasileiros sejam exportados ao melhor preço possível, acrescentando que o país deve tentar “agregar valor” aos produtos. A questão do conflito de ideologias tem sido um ponto em que Bolsonaro tem insistido nas suas manifestações públicas. Durante a tarde de sexta-feira, o antigo capitão do Exército escreveu uma mensagem na sua conta do Twitter em que afirmou que a ausência de viés ideológicos bene-
ficiará o comércio entre o Brasil e outros países. “Após as eleições, grandes empresas já anunciaram milhões em investimentos no Brasil nos próximos anos. É só o começo. Comércio com o mundo todo sem viés ideológico, a somar com a redução de impostos mais a desburocratização, resultará em mais confiança, mais investimentos e mais empregos”, disse o futuro chefe de Estado.
RECADOS SÉRIOS
Foi através da publicação de um editorial no principal jornal estatal chinês, o China Daily, numa versão em inglês, que a China avisou Jair Bolsonaro de que se seguir a linha do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, e romper acordos com Pequim, quem sofrerá será a economia brasileira. De acordo com o editorial, as exportações brasileiras “não ajudaram apenas a alimentar o rápido crescimento da China, mas também apoiaram o forte crescimento do Brasil”. Jair Bolsonaro criticou a China durante toda a sua campanha presidencial. Antes, em Fevereiro, o político da extrema-direita visitou ainda a região de Taiwan, o que não agradou a Pequim.
Para os chineses, as críticas a Pequim “podem servir para algum objectivo político específico”, mas “o custo económico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair da sua pior recessão da história”, pode ler-se no texto publicado no jornal que serve de porta-voz do governo chinês para o mundo e é utilizado para mandar mensagens a parceiros. O editorial do jornal chinês deixou ainda uma chamada de atenção para a importância da China na economia brasileira: “Ainda assim, esperamos que quando ele assumir a liderança da oitava maior economia do mundo, Bolsonaro olhe de forma racional e objectiva para o estado das relações Brasil-China. (...) A China é o seu maior mercado exportador e a primeira fonte comercial”, lê-se. O candidato do Partido Social Liberal (PSL, extrema-direita), Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, capitão do Exército reformado, foi eleito no dia 28 de outubro, na segunda volta das eleições presidenciais, o 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, com 55,1 por cento dos votos, derrotando o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, que obteve 44,9 por cento dos votos.
publicação Meios e Publicidade noticiou que Paulo Rêgo, ex-director do semanário Plataforma, vai deixar de ser vice-presidente da comissão executiva da Global Media, empresa que detém títulos como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias (JN) e O Jogo, entre outros. Contudo, Paulo Rêgo deverá manter-se ligado à empresa mas na qualidade de administrador não executivo. A Meios e Publicidade não conseguiu uma reacção da Global Media, que é detida em 30 por cento pelo empresário de Macau Kevin Ho, CEO da KNJ Investment. Contudo, uma fonte disse que a decisão “foi tomada por consenso entre todos os accionistas”, lê-se na notícia. A comissão executiva da Global Media será composta por Vítor Ribeiro, que se mantém como CEO, e por Guilherme Pinheiro. A Meios e Publicidade escreveu ainda que não deverá ser nomeado mais ninguém para este órgão, sendo que o jornalista Afonso Camões, e ex-director do JN, fica responsável pelas questões editoriais e “operacionais” do grupo. Paulo Rêgo era responsável pela área dos novos negócios e internacionalização, tendo lançado, no espaço de um ano, o projecto V Digital e o Plataforma Media, website que disponibiliza notícias sobre a China, Macau e a lusofonia em português e inglês. O HM tentou chegar ao contacto com Paulo Rêgo, não tendo sido possível estabelecer contacto. PLATAFORMA MACAU
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GLOBAL MEDIA PAULO RÊGO DEIXA VICE-PRESIDÊNCIA DA COMISSÃO EXECUTIVA
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polícia tailandesa deteve um soldado de 43 anos, infectado com o vírus do HIV/Sida, acusado de chantagear e violar mais de 70 adolescentes, informaram sexta-feira as autoridades. De acordo com um comunicado, a polícia local recebeu uma denúncia sobre o suspeito, identificado como Jakkrit, que usava perfis falsos na rede social Facebook e na aplicação móvel de encontros ´gay´ Blued, na qual aliciava as vítimas entre os 13 e os 18 anos e lhe pedia para enviarem fotografias nuas. Depois, ameaçava-as com a divulgação das imagens se estas se recusassem a fazer sexo com ele. O Tenente-Coronel da polícia, Nacharot Kaewpetch, informou que as autoridades descobriram medicação para o tratamento da doença na casa do suspeito, na província de Khon Kaen, nordeste do país. Os testes confirmaram que estava infetado com o vírus. As autoridades suspeitam que possa haver mais vítimas que não tenham apresentado denúncias, disse a polícia tailandesa. Jakkrit está acusado de seis crimes: falsa identidade, sexo com menores com ou sem consentimento, agressão, separação de um menor dos pais sem motivo, chantagem e coacção para realização de actos impróprios, afirmaram as autoridades.
segunda-feira 12.11.2018
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