DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10 REUTERS
SEXTA-FEIRA 12 DE OUTUBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº 4152
hojemacau
GCS
GRANDE PLANO
IDOSOS | DEFICIENTES
PROPÓSITOS DE ALEXIS PÁGINA 5
BOLSAS | CASINOS
QUEBRA DE VALORES
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PÁGINA 8
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Um professor de música, de 78 anos, está a ser investigado por abuso sexual de menores. As alegadas vítimas serão duas irmãs, de 8 e 9 anos, que participaram num programa de actividades recreativas durante o Verão. A queixa foi apresentada pela mãe das crianças, a 4 de Outubro, mas já esta quarta-feira foi apresentada uma terceira denúncia contra o mesmo indivíduo por uma jovem que alega ter sido também abusada há oito anos. PÁGINA 6
AS REGRAS DA VIZINHA
Uma árvore caída h
JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE
Buzinadela h
ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO
Palavras perdidas
OPINIÃO JOÃO ROMÃO
AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006
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Abusos maiores
LAG | HONG KONG
2 grande plano
partilham
alguns problemas e podem encontrar soluções semelhantes, mas há quem defenda que Macau também sabe fazer melhor
LAG
DESCUBRA AS E AS MEDIDAS POLÍTICAS DE HONG KONG E AS LIÇÕES QUE DAÍ PODEM VIR
M territórios densamente povoados a habitação é a primeira necessidade de muitos. No caso de Macau e Hong Kong, há muito que as promessas de construção de habitação pública fazem parte das promessas políticas e dos programas eleitorais. Vai-se construindo, mas não parece ser suficiente, tendo em conta o aumento do custo de vida nas regiões administrativas especiais. É de salientar que Hong Kong é a cidade mais cara do mundo. Esta quarta-feira Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, apresentou as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano, sendo que a habitação foi protagonista de um programa com 244 pontos. Um dos projectos passa pela construção de ilhas artificiais em Lantau, com um total de 1700 hectares, e que ganhou o nome de “Lantau Tomorrow Vision”. Promete dar casa a 1,1 milhões de pessoas, criará muitos empregos e terá um custo para os cofres públicos de 500 mil milhões de dólares de Hong Kong. Carrie Lam também prometeu implementar medidas para banir o uso de talheres de plástico, proibir na totalidade os cigarros electrónicos e reabilitar os antigos edifícios industriais, para que possam dar lugar a novos apartamentos ou serviços sociais. Na área da saúde, as vacinas contra o cancro cervical serão gratuitas para residentes e a licença de maternidade vai aumentar das 10 para as 14 semanas, o mínimo exigido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em Macau as LAG começaram a ser preparadas no passado dia 11, tendo arrancado ontem o processo de consulta das opiniões da sociedade sobre o programa político, prazo que termina no próximo dia 25. Vários analistas defendem que há vários pontos do programa político de Carrie Lam nos quais os governantes de Macau se poderiam inspirar. Na área da habitação, ambos os territórios têm pouca oferta para tanta procura, mas Larry So, analista político, lembra que o processo de reclamação de terra ao mar é bem mais complexo para Macau. “Em Macau não podemos ter o mesmo processo de reclamação de
terra ao mar porque precisamos da permissão do Governo Central, e não podemos decidir uma política desse género tão rapidamente como em Hong Kong, onde esta é uma medida que pode ser votada no Conselho Legislativo. Em termos de acções relacionadas com a habitação, Carrie Lam deu bastante ênfase à habitação social para os residentes de Hong Kong, e é algo que definitivamente o Governo de Macau deveria continuar a defender”, apontou ao HM.
“Em sociedades pós-modernas como Hong Kong e Macau, as pessoas não estão apenas preocupadas com benefícios materiais mas também com alguns valores altruístas.” BILL CHOU PROFESSOR UNIVERSITÁRIO
Larry So espera, aliás, que Chui Sai On possa apresentar novas medidas nesta área. Mesmo que estas sejam as últimas LAG que apresenta na qualidade de Chefe do Executivo. “Certamente que o Chefe do Executivo deve apresentar novas medidas para a habitação, pois é uma área na qual os jovens procuram novas soluções. Buscam casas económicas que possam comprar e que fiquem prontas o mais depressa possível”, apontou Larry So, que falou também do problema do trânsito. “Em Hong Kong estão a tentar fazer-se muitas coisas, Carrie Lam quer diversificar a área dos transportes, e os cidadãos esperam mesmo que o Governo apresente novas medidas para resolver o problema do trânsito, tal como aqui.” O analista político recorda também a semelhança que existe quanto à necessidade de reabilitação dos antigos edifícios industriais. Em Macau existe o Conselho para a Renovação Urbana que tem vindo a abordar essa matéria, mas
são poucos ou nenhuns os edifícios renovados. “Em Macau temos um caso similar e penso que podemos partilhar esta medida e fazer uso destes edifícios e convertê-los para fins sociais ou habitacionais. Não precisamos de implementar exactamente as mesmas medidas, mas podemos partilhar algumas ideias.”
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Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, apresentou esta quarta-feira as Linhas de Acção Governativa da região vizinha para 2019, e que dão à habitação o foco principal. Analistas consideram que os Executivos de Hong Kong e Macau
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MACAU FAZ MELHOR
Eric Sautedé, docente de ciência política que deu aulas na Universidade de São José e que actualmente reside em Hong Kong, defende que as autoridades de Macau têm feito um melhor trabalho na área da habitação pública. Além disso, Sautedé adiantou que o projecto “Lantau Tomorrow Vision” não é, sequer, uma novidade. “É uma verdadeira novela e Ryan Ho [escritor freelancer e estudante de arqueologia marinha] explica isso na sua conta de Twitter, tratando-se de uma história que começou em meados dos anos 80. Longe de ser um plano visionário para a habitação pública de Hong Kong, serve para que os investidores do mercado imobiliário possa encontrar novos contratos frutíferos e trai a incapacidade do Governo de forçar a saída dos verdadeiros rostos do imobiliário dos terrenos não desenvolvidos onde se mantém e onde persiste a pura especulação.” Ryan Ho publicou na sua conta de Twitter que, em 1986, o CEO da Hopewell Holdings, Gordon Wu, “propôs a construção de uma ilha artificial gigante nas ‘águas centrais’ da zona ocidental da ilha de Hong Kong e zona oriental de Lantau. [Tratava-se de] um grande plano que obteve o apoio do magnata do imobiliário, Li Ka-shing”. Contudo, “o plano de Wu falhou no período da Administração colonial, com os argumentos de que o seu custo seria proibitivo e que traria danos irreversíveis ao ambiente. Então fez algo extraordinário: apelou directamente a Londres e Pequim. O projecto acabaria por falhar em prol da oligarquia e dos interesses da região vizinha, escreveu Ryan Ho. Carrie Lam também falou de um estudo sobre os terrenos que permanecem por desenvolver, e que deverá estar pronto em 2020.
Contudo, para Eric Sautedé, “essa promessa de estudar os terrenos não desenvolvidos são apenas palavras: o que se exige é acção, não estudos, mas isto iria contra os interesses instituídos nos Novos Territórios em Hong Kong que são apoiados pelo Governo.” Nesse sentido, “ao nível da habitação pública, acredito que o Governo de Macau tem vindo a fazer um melhor trabalho na
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DIFERENCAS `
nefícios e custos do crescimento económico.” Nesse sentido, “Macau tem de considerar esses valores que são defendidos pela maioria dos residentes antes de distribuir dinheiro, benefícios materiais ou outros na área da segurança social”. Sem isso, “as pessoas de Macau vão sentir que o Governo não lhes dá apoio”, frisou.
MATERNIDADE EXEMPLAR
Na opinião de Eric Sautedé, o aumento da licença de maternidade em Hong Kong de 10 para 14 semanas poderá ser a única lição que Macau poderá retirar das LAG de Carrie Lam. “As 14 semanas são o mínimo recomendado pela Organização Internacional do Trabalho, mas a verdadeira recomendação é de 18 semanas. Em Macau, o que foi introduzido no ano passado foi uma verdadeira desgraça: 14 dias de faltas justificadas além dos 56 dias permitidos por lei. Estamos presos nas dez semanas e apenas oito semanas são pagas.”
“Em Macau temos um caso similar e penso que podemos partilhar esta medida e fazer uso destes edifícios [industriais] e convertê-los para fins sociais ou habitacionais.” LARRY SO ANALISTA POLÍTICO
anulação de concessões que se mantêm inalteradas há bastante tempo”. “Não há, neste aspecto, muito a aprender com Hong Kong, à excepção da maior celeridade de construção e na qualidade das habitações”, acrescentou o académico.
INTERESSES DE ALGUNS
O caso descrito por Ryan Ho leva o professor de ciência política da Universidade Chinesa de Hong Kong
Bill Chou a referir que, tanto em Hong Kong como em Macau há muito que prevalecem os interesses de uma minoria ligada ao meio empresarial e do imobiliário face à maioria que necessita de uma casa para viver. “O plano em Lantau tem a oposição de conservadores, democratas e os seus apoiantes, que defendem que a reclamação de terrenos ao mar vai causar danos ao meio ambiente.”
“Se Ho Iat Seng se tornar no próximo Chefe do Executivo, a situação [relativa ao aumento da licença de maternidade] vai ficar ainda pior.” ERIC SAUTEDÉ ACADÉMICO
Para Bill Chou, “os privilégios das elites mantêm-se intactos enquanto as necessidades do público têm vindo a ser sacrificadas”. “Em sociedades pós-modernas como Hong Kong e Macau, as pessoas não estão apenas preocupadas com benefícios materiais mas também com alguns valores altruístas, tal como a justiça social, protecção ambiental e a distribuição qualitativa dos be-
A culpa, para Sautedé, está nos “lobbies na área empresarial, que são muito fortes em Macau”, além de que a “Federação das Associações dos Operários de Macau nunca se preocupou em apresentar uma nova lei na Assembleia Legislativa”. O académico deixa ainda um aviso: “Se Ho Iat Seng se tornar no próximo Chefe do Executivo, a situação vai ficar ainda pior”. Ao HM, o gabinete do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, adiantou que será dado apoio a uma futura proibição dos cigarros electrónicos no território. Também nesta área não há nada que as LAG de Hong Kong possam trazer de novo, defendeu Eric Sautedé. “Investir na educação é algo muito bom, mas Macau também o tem vindo a fazer . Tendo em conta os cigarros electrónicos, houve uma promessa de banir os cigarros nos casinos em 2015, mas Alexis Tam cedeu às pressões dos lobbies ligados ao sector”, frisou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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O Congresso dos EUA voltou a publicar um relatório sobre a China e aponta vários casos preocupantes “em relação à autonomia de Macau e ao Estado de Direito”. Em resposta, o Governo de Chui Sai On recusa a ingerência de outros países nos assuntos da China e fala em sucesso na aplicação do princípio “um país, dois sistemas”
LIBERDADES JUÍZES PORTUGUESES E ROTA DAS LETRAS EM RELATÓRIO NORTE-AMERICANO
As farpas do costume Macau e uma maior erosão da independência do sistema judiciário da cidade”, é sublinhado. Ainda no campo das propostas do Executivo, o Congresso norte-americano foca a futura lei de cibersegurança, cuja consulta pública já foi realizada. “Se por um lado o Governo terá alegadamente garantido que a lei não vai colocar em causa a liberdade de expressão, os ciberanalistas dizem que com base no reduzido número de ataques cibernéticos em Macau, que esta não é uma lei imperativa. Este aspecto levanta preocupações nas ciberindústrias face à interpretação
e ao impacto da lei”, é apontado no documento.
LITERATURA E SULU SOU
No campo cultural é dado destaque ao caso Rota das Letras, em que quatro escritores foram impedidos de participar, depois de pressões sobre a organização por parte do Gabinete de Ligação do Governo Central. “Em Março de 2008, o Gabinete de Ligação em Macau terá avisado os organizadores de um festival literário em Macau que o Governo não garantia a entrada de vários autores de livros, incluindo a escritora sediada no Reino Unido
e autora de um biografia de Mao Zedong, Jung Chang”, é notado. A menção ao Rota das Letras surge no contexto dos casos, frequentemente referidos nestes relatórios, de pessoas a quem é negada a entrada em Macau, principalmente políticos e activistas pró-democratas de Hong Kong. Sobre o caso do Rota das Letras, o Congresso recorda ainda as palavras do clube literário Pen Hong Kong, que defendeu que a não garantia da entrada no território “viola directamente o direito à liberdade de expressão”. Também na vertente política, o congresso destaca o caso de Sulu Sou,
A
opção legislativa de afastar juízes portugueses dos casos que envolvem segurança nacional e as pressões políticas durante o Festival Rota das Letras para retirar o convite à escritora Jung Chang, que não seria autorizada a entrar em Macau, são dois dos casos que constam no relatório do Congresso dos Estados Unidos da América sobre a China. O documento, apresentado na quarta-feira, sublinha que ao longo do último ano foram propostas várias alterações legislativas que “levantam preocupações em relação à autonomia de Macau e ao Estado de Direito”. O primeiro caso diz respeito à alteração à Lei de Bases da Organização Judiciária, nomeadamente quanto ao afastamento de juízes estrangeiros das questões que envolvem segurança nacional. “Os advogados portugueses mostraram-se alarmados com a proposta e demonstraram receios que possa violar a Lei Básica de
naquela que foi a primeira suspensão de um deputado depois da transição. O Congresso nota também que o legislador viu-se forçado a abdicar do direito de recurso da condenação relacionada com a infracção à lei do direito de reunião e manifestação para poder regressar à Assembleia Legislativa.
RECUSA DE INGERÊNCIAS
Em resposta ao relatório, o gabinete do porta-voz do Chefe do Executivo emitiu um comunicado a denunciar a ingerência dos países estrangeiros no assuntos da China. “O Governo da Região Administrativa Especial de Macau repudia terminantemente o referido relatório, frisando que Macau pertence à República Popular da China e que nenhum país estrangeiro tem o direito de ingerência nos seus assuntos internos”, pode ler-se na resposta.
A menção ao Rota das Letras surge no contexto dos casos, frequentemente referidos nestes relatórios, de pessoas a quem é negada a entrada em Macau “Desde o regresso de Macau à Pátria, o princípio de “um país, dois sistemas” e a Lei Básica têm sido implementados em pleno no território e a RAEM desenvolveu-se e registou resultados notórios”, é acrescentado. Ainda sobre os motivos apontados no relatório, o Executivo considera que “ignora factos”, “tece comentários irresponsáveis sobre a RAEM” e “profere acusações infundadas”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
SEGURANÇA DO ESTADO DIRECTIVAS TRAÇADAS NA PRIMEIRA REUNIÃO DA COMISSÃO DE DEFESA
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EVE lugar no passado dia 5 deste mês a primeira reunião da recém-criada Comissão de Defesa da Segurança do Estado, que teve na agenda, de acordo com um comunicado, “a elaboração do sistema e organização da defesa da segurança nacional que irá servir de orientação para os
trabalhos inerentes a esta matéria”. O Chefe do Executivo, Chui Sai On, esteve presente no encontro que contou com a presença dos secretários para a Segurança, Wong Sio Chak, e para a Administração e Justiça, Sónia Chan. Para o Chefe do Executivo, é prioritário que a comissão “coordene e
reforce a construção do sistema, mecanismo e regime legal de Macau para a defesa da segurança nacional e melhore de forma continuada os trabalhos inerentes a esta matéria”. Chui Sai On também defende a criação de um “sistema de gestão para salvaguardar a segurança
nacional sob uma liderança unificada do Governo”, além de que é “necessário criar e aperfeiçoar o regime legal da segurança nacional, combinando as características de Macau e cumprindo as responsabilidades da lei”. O governante máximo da RAEM também quer que os serviços públicos se
esforcem “para elevar o profissionalismo, desenvolver bem as suas competências funcionais e tomar a iniciativa de trabalho”. Tudo para “prevenir e combater as actividades ilegais e criminosas que ponham em causa a segurança nacional e a estabilidade política e social”. Deve também “elevar-se a
compreensão ideológica”, bem como “estar firme na posição política”. É também necessário, de acordo com Chui Sai On, “intensificar a educação sobre a segurança nacional no seio de toda a sociedade”.
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TABACO COUTINHO QUER CÂMARAS NOS CASINOS PARA IDENTIFICAR INFRACTORES
GCS
sexta-feira 12.10.2018
J
OSÉ Pereira Coutinho quer que as equipas de fiscalização da lei do tabaco recorram a gravações de som e imagem para identificar infracções. Em interpelação escrita, o deputado recorda uma queixa de um funcionário do sector do jogo que denunciou a perda de direitos pela sua oposição à cultura de tolerância ao fumo nas salas VIP e dentro do seu local de trabalho. O deputado recorda a lei que prevê que “o local de trabalho é um dos lugares onde e proibido fumar”. No entanto, segundo a interpelação do deputado, “as concessionárias não cumprem os regulamentos anti tabaco para proteger a saúde dos trabalhadores e dos turistas”. Dada a queixa do trabalhador, Coutinho considera “estranho” que os serviços competentes nunca consultem os registos dos sistemas de vídeo para identificar se há ou não violação da lei. Segundo o trabalhador queixoso, “sempre que o pessoal do gabinete de prevenção e controlo se desloca aos locais em causa para inspecção, encontram locais limpos e sem quaisquer indícios de ali se ter fumado”, lê-se no documento. Para evitar que existam dúvidas, o tribuno sugere que as equipas de inspecção tenham direito a aceder às gravações do sistema de videovigilância para identificar as infracções e quem as comete, aponta. Na mesma interpelação, Coutinho refere ainda os descontos salariais que têm como causa atrasos e faltas em caso de sinal 8 de tufão. Segundo o deputado, cabe ao Executivo aperfeiçoar a legislação para que não existam faltas injustificadas neste tipo de situações. S.M.M.
Alexis Tam “Fizemos a proposta ao Chefe do Executivo para aumentar a pensão dos idosos. Ainda não foi aprovada mas a intenção é que avance. Em breve os serviços competentes vão analisar se é viável ou não.”
ACÇÃO SOCIAL SECRETÁRIO QUER MAIS APOIOS PARA IDOSOS E DEFICIENTES
As prioridades de Alexis
Apoiar os grupos mais vulneráveis da sociedade é a prioridade máxima da secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura para o último ano do mandato do actual Governo. A ideia foi deixada ontem por Alexis Tam, que revelou ainda que vai lutar pela interdição total dos cigarros electrónicos no território
O
secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, revelou ontem que na próxima sessão legislativa a prioridade da tutela que lidera é aumentar o apoio às populações que se encontram numa situação mais fragilizada. “Para o próximo ano, vamos prestar ainda mais serviços para este grupo de pessoas vulneráveis”, disse à margem de um evento. Para o efeito, Tam promete uma série de medidas em que se incluem o alargamento de serviços de saúde para os idosos, não descurando outras faixas da população. O secre-
tário referiu ainda as pessoas com necessidades especiais, enquanto segmento populacional prioritário. “Prestamos muita atenção aos grupos vulneráveis, nomeadamente os grupos de idosos e de deficientes”, sublinhou. No que respeita a políticas que tenham como alvos os residentes idosos, o secretário reiterou a intenção de aumentar as pensões. “Já fizemos a proposta ao Chefe do Executivo para aumentar a pensão dos idosos. Amedida ainda não foi aprovada mas a intenção é que avance. Muito em breve os serviços competentes vão analisar se é viável ou não”, referiu.
A aprovação da medida pressupões um reforço do orçamento da tutela liderada por Alexis Tam. “Sendo nós uma secretaria que presta essencialmente serviços aos cidadãos, precisamos também de mais orçamento e vamos ver se os serviços competentes vão autorizar a dispensa de dinheiro”, explicou.
TABACO NA MIRA
Entretanto, e apesar de considerar que Macau tem uma política para o tabaco já muito restritiva, o governante afirmou que vai lutar pela proibição completa da entrada de cigarros electrónicos no
território. De acordo com Alexis Tam, a proibição da entrada destes produtos em Macau não é da sua tutela, mas que ainda assim vai “lutar para que isso aconteça”, sublinhou. “Macau tem uma política restrita contra o tabaco, a mais rigorosa de sempre, e a partir do próximo ano vai ser ainda mais restrita com a nova legislação relativamente aos casinos. É uma medida política muito forte e rigorosa e que já é um exemplo de referência”, acrescentou Alexis Tam. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
HABITAÇÃO AJUSTAMENTO DE TAXA SOBRE PRÉDIOS ARRENDADOS EM ESTUDO
A
Direcção dos Serviços de Finanças (DSF) está a estudar a hipótese de ajustamento da taxa que incide sobre casas arrendadas a fim de reduzir a diferença em relação à taxação dos prédios não arrendados. O objectivo da medida será incentivar o aumento do número de fracções disponíveis no mercado de arrendamento. Segundo a resposta do Executivo à interpelação escrita da
deputada Song Pek Kei, o director da DSF, Iong Kong Leong, entende que muitas fracções residenciais devolutas no território são segundas aquisições. Como tal, o dirigente é da opinião que a lei que regula o arrendamento carece de revisão de forma a diminuir o número de apartamentos vazios, que são segunda aquisição.
Iong Kong Leong garante ainda que vai prestar atenção às tendências do mercado de arrendamento para ponderar, em momento oportuno, as respostas adequadas por parte do Executivo para fomentar o desenvolvimento contínuo e saudável do sector imobiliário. Relativamente aos apartamentos de primeira aquisição que ainda assim permanecem vazios,
a DSF afirma que vai estar atenta às consequências da imposição de taxas a este tipo de habitações impostas pelo Governo de Hong Kong, nomeadamente quanto à influência da medida nos preços e no volume de fracções disponíveis. Os serviços de finanças esperam, portanto, pelos resultados das políticas de habitação implementadas pelo Executivo da região vizinha
para chegar a uma decisão se vale a pena avançar com uma política de habitação semelhante em Macau. No que toca à hipótese de regulamentar o número de fracções à venda em edifícios que ainda estão em construção, o director da DSF referiu que o Executivo vai rever o regime jurídico da promessa de transmissão de edifícios em construção, que foi aprovado em 2013. V.N. com J.L.
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Pensões ilegais PSP deteve 21 pessoas em dois apartamentos no ZAPE passado sábado, num T3 no ZAPE, onde descobriu cinco pessoas oriundas do continente. Estes declararam que arrendaram o apartamento a uma mulher com mais de 40 anos de idade, cujo nome não sabiam. Mais tarde, a PSP encontrou o responsável pelo apartamento e chegou à conclusão que se tratava de
As autoridades estão a investigar novas denúncias de abuso sexual de menores, após um caso de que terão sido vítimas duas meninas durante actividades recreativas nas férias de Verão
CRIME AUTORIDADES INVESTIGAM ACUSAÇÕES DE ABUSO SEXUAL DE MENORES
A
Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) garantiu ontem estar a acompanhar as denúncias de abusos sexuais recentemente tornadas públicas. O suspeito não é professor do ensino regular nem figura no registo dos formadores do programa de desenvolvimento contínuo, indicou o organismo em conferência de imprensa, dando conta de que os alegados abusos não ocorreram em recintos escolares. O caso remonta ao início das férias de Verão, altura em que um residente, de 78 anos, terá alegadamente tocado nas partes íntimas de duas irmãs, de 8 e 9 anos, após lhes ter pedido para se sentarem no seu colo, durante aulas
uma pensão ilegal. Na passada quarta-feira a PSP dirigiu-se a um outro apartamento T3, localizado no NAPE, na Rua de Pequim, tendo sido detidas 16 pessoas do continente, incluindo uma mulher que arrendava a fracção e que recusou dizer às autoridades o nome da pessoa que a tinha contratado para gerir o espaço.
Ponte HMZ 25 mil podem atravessar, por hora, a fronteira
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve 21 pessoas oriundas do Interior da China em dois apartamentos situados no ZAPE. No seguimento da ocorrência, uma mulher, também detida, foi acusada de gerir uma pensão ilegal. A notícia foi avançada pelo jornal Ou Mun, que escreveu que a PSP iniciou investigações, no
Choi Tat Meng e Luo Ping, membros do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários da Zona Central, fizeram ontem um balanço após uma reunião que contou com a presença de membros do Governo. Segundo os dois membros, as autoridades preveem que nos dias úteis o número de pessoas que passam entre Zhuhai e Macau,
A música mais triste de música e desenho que as meninas frequentavam desde Abril, organizadas por uma entidade particular na freguesia de Santo António. Acusações que, segundo a imprensa, o homem refutou, argumentando tratar-se de contactos normais para as crianças ajustarem a postura de aprendizagem. A mãe das duas meninas apresentou queixa à Polícia Judiciária (PJ) a 26 de Setembro e, uma semana depois, a 4 de Outubro, o homem foi ouvido pela PJ que, entretanto, encaminhou o caso de alegado abuso sexual de crianças para o Ministério Público (MP), desconhecendo-se, porém, que medidas de coacção foram aplicadas.
de acordo com a DSEJ. Em 2015/2016 o número fixou-se em 14, em 2016/2017 três e em 2017/2018 sete. A DSEJ não especificou, no entanto, quantos foram de violação, por exemplo, esclarecendo apenas que nenhum implicou professores. “Não encobrimos nenhum caso”, garantiu. Neste âmbito, a DSEJ destacou a importância de reforçar o “importante” e “contínuo” trabalho da educação sexual. “Realizamos gradualmente esses trabalhos, especialmente para as crianças e famílias para ensinar os pais a ajudar os alunos a auto-protegerem-se”, afirmou Kong Ngai, indicando que serão distribuídos folhetos. Diana do Mar
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ALEXIS TAM INSTA À DENÚNCIA
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Novas denúncias contra o mesmo homem surgiram na noite de quarta-feira, desta feita através das redes sociais, com uma jovem a contar ter sido vítima de abusos sexuais há oito anos. A DSEJ indicou ontem ter comunicado o relato à PJ que, por seu turno, contactou a jovem, cuja idade não foi revelada. A PJ indicou que a investigação se encontra em curso, pelo que, neste momento, não pode facultar mais detalhes.
na nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau possam atingir as dez mil por hora, além de que as pessoas que passam diariamente de Hong Kong para Macau podem atingir as 15 mil. O Jornal de Cidadão escreve também que o número de pessoas que atravessam diariamente a fronteira de Macau na nova ponte pode atingir as 25 mil por hora.
“Nós estamos muito atentos a este casos”, afirmou o subdirector substituto da DSEJ, Kong Ngai, realçando tratar-se de um caso “sério e importante” e que mantém estreito contacto com as autoridades.
Não obstante, o mesmo responsável reconheceu ser “difícil” detectar este tipo de situações, mesmo com “um mecanismo muito rigoroso”. “Os encarregados de educação devem procurar instituições educativas de re-
nome para as actividades recreativas das suas crianças”, recomendou o responsável.
24 CASOS DESDE 2015
Desde o ano lectivo 2015/2016 foram sinalizados 24 casos de abuso sexual de menores,
secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que também condenou ontem o caso, apelou às vítimas, em linha com a DSEJ, para que reportem. “Espero que as vítimas denunciem o seu caso à tutela ou à polícia, porque este tipo de actos são intoleráveis”, disse à margem de um evento, apontando ser preciso punir os autores dos crimes levando-os à justiça. “Vamos envidar todos os esforços para ajudar as vítimas”, salientou, instando ainda os pais a estarem atentos aos sinais dos filhos.
AEROPORTO MAIS DE DOIS MILHÕES DE PASSAGEIROS NO TERCEIRO TRIMESTRE
O
Aeroporto Internacional de Macau (MIA) registou mais de dois milhões de passageiros no terceiro trimestre, um crescimento de 13 por cento em relação a igual período do ano passado, foi ontem anunciado. Entre Julho e Setembro,
foram registados 2,150 milhões de passageiros e 16 mil movimentos aéreos. Só em Julho, o mês “mais movimentado de sempre”, descolaram ou aterraram em Macau mais de 5.700 aviões com 740 mil passageiros, indicou na altura a sociedade
do Aeroporto Internacional de Macau (CAM). Depois de conhecidos os resultados do primeiro semestre, a CAM disse esperar receber mais de oito milhões de passageiros em 2018, mais de meio milhão do que o previsto no início
do ano, estimativa revista em alta devido ao crescimento registado até finais de Junho. Nos primeiros seis meses do ano, o aeroporto registou mais de quatro milhões de passageiros, um aumento de 20 por cento em comparação com o período homólogo de 2017.
Até finais de Setembro, 31 companhias aéreas operavam naquele aeroporto, fazendo a ligação entre Macau e 50 destinos no interior da China, Taiwan, Sudeste asiático e nordeste da Ásia. Para os últimos três meses de 2018, o aeroporto
anunciou seis novas rotas: Daegu (Coreia do Sul) Xian (China), Kunming (China), Koh Samui (Tailândia), Krabi (Tailândia) e Cebu (Filipinas).
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sexta-feira 12.10.2018
SAÚDE ARTM ASSINA PROTOCOLO COM DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA DA USJ
FESTIVAL DA LUSOFONIA ORGANIZAÇÃO ESPERA CERCA 25 MIL PARTICIPANTES
A festa com sotaque
A
Tráfico de droga Dois jovens condenados a penas de prisão
Dois jovens naturais do continente, de 24 e 25 anos de idade, foram condenados a 11 e 9 anos e meio de prisão, respectivamente, pela prática do crime de tráfico de droga transfronteiriço, consumo de drogas e detenção indevida de instrumentos para o consumo. De acordo com o jornal Ou Mun, os condenados prometeram a dois homens transportar drogas da China para posterior venda em Macau. Em Outubro do ano passado, os dois arguidos encontraram-se na zona do ZAPE depois de um deles ter adquirido drogas no interior da China. Posteriormente, dirigiram-se a um casino no Cotai para a venda dos estupefacientes, onde foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) nessa mesma noite, juntamente com três indivíduos que estavam a consumir as drogas. Estes foram condenados a penas de prisão que variam entre os seis e nove meses com pena suspensa, pelo crime de consumo de droga e posse de instrumentos para esse fim.
A organização do Festival da Lusofonia espera acolher cerca 25 mil participantes, entre 19 e 21 de Outubro, informou o IC SOFIA MARGARIDA MOTA
Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) e a Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de São José (USJ) assinaram um protocolo de cooperação com vista ao aperfeiçoamento do apoio psicológico facultado a quem sofre de dependências. Na sequência do acordo, dois docentes do departamento de psicologia da USJ vão acompanhar os cuidados prestados pelos técnicos da ARTM, contribuindo para “aprofundar e melhorar as suas técnicas e as suas abordagens para que possam providenciar um melhor apoio psicológico”, refere o presidente da associação, Augusto Nogueira. A supervisão dos trabalhos da ARTM será realizada em grupo, uma vez por mês, até Fevereiro de 2019, com a possibilidade de ser renovada após avaliação. Na opinião de Augusto Nogueira, este protocolo também é positivo para o departamento de psicologia da USJ “porque lhes vai permitir analisar se aquilo que ensinam é compatível com a realidade dentro de um centro de tratamento”. O dirigente associativo alarga as vantagens e entende que é uma situação “win-win” para ambas as partes. “Estamos muito contentes com este acordo pois permite-nos melhorar ainda mais o nosso apoio às pessoas que consomem drogas”, confessa o presidente da ARTM. O protocolo foi assinado por Augusto Nogueira e pelo Reitor da Faculdade de Ciências Sociais da USJ, Dominique Tyl. J.L.
a presença do artesão Arlindo Moura, da Rota da Filigrana, que concilia esta arte com a cortiça”, enfatizando para a importância desta festa no território “para todos os membros das diversas comunidades lusófonas”.
SABORES TROPICAIS
O
“
evento o ano passado durou 4 dias e teve cerca de 25.000 participantes. Este ano, o evento terá a duração de 3 dias e são esperadas 25.000 pessoas”, apontou o Instituto Cultural (IC), numa nota enviada à Lusa. As autoridades destacaram a longevidade e o sucesso deste
festival: “a primeira edição do Festival da Lusofonia realizou-se em 1998, integrada no programa de actividades que celebra o Dia Nacional de Portugal, a 10 de Junho, em homenagem aos residentes da comunidade de língua portuguesa residentes em Macau pela sua contribuição para o desenvolvimento do território”. Para o IC este festival “ganhou uma tal popularidade” que
“A primeira edição realizou-se em 1998, integrada no programa de actividades que celebra o Dia Nacional de Portugal, a 10 de Junho, em homenagem aos residentes da comunidade de língua portuguesa.” INSTITUTO CULTURAL
já é um dos maiores eventos culturais no território que “contribuiu para a promoção do turismo local e internacional”, devido ao “programa diversificado de actividades, nomeadamente a cultura de cada comunidade residente em Macau, como a gastronomia, música e dança e jogos para todas as idades”. A partir do dia 19 de Outubro, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau vão ter expositores com artesanato e petiscos e bebidas típicas junto às Casas-Museu da Taipa. Em resposta à Lusa, a Casa de Portugal destacou que este ano o espaço luso “vai contar com
Já a Casa do Brasil em Macau aposta no artista brasileiro Fábio Panone Lopes, que trabalha com grafite, para transformar o espaço canarinho numa favela. “Ele vai pintar uma mini favela, que é uma realidade brasileira, para nós mostrarmos que não há só coisas más nas favelas, também há muita coisa boa”, explicou à Lusa a presidente da Casa do Brasil, Jade Martins. A associação guineense escolheu como tema a pesca tradicional daquele país. “Dá-nos a oportunidade de mostrámos a nossa cultura e a forma como as famílias vivem”, apontou a presidente da Associação dos Guineenses, Naturais e Amigos da Guiné-Bissau em Macau, Grazia Lopes. Por outro lado, a associação de Timor-Leste vai apostar na promoção turística do país, especialmente “as praias paradisíacas do ilhéu de Jaco”, porque Timor-Leste, “não é só Díli”, disse a vice-presidente da Associação de Amizade Macau-Timor. A presidente da Associação Amizade Macau-Cabo Verde, Ada Sousa, apontou que este ano o país irá dar ênfase às danças tradicionais do país. Por fim, o presidente Associação Angola-Macau, Alexandre Correia da Silva, preferiu destacar o facto do evento “ser muito importante para a comunidade de Macau” e que no ‘stand’ do país vão estar algumas informações sobre Angola. O Festival da Lusofonia articula-se com a semana cultural da China e países lusófonos, que está a decorrer desde segunda-feira, com a participação de mais de 130 artistas com concertos no Largo do Senado, no coração de Macau, e na Doca dos Pescadores de grupos de Portugal (D.A.M.A), Cabo Verde (Grace Évora e Banda), Angola (Paulo Flores), Timor-Leste (Black Jesuz), Moçambique (Moza Band), Brasil (Banda Circulô), Guiné-Bissau (Rui Sangara), São Tomé e Príncipe (Alex Dinho) e China (Grupo Artístico Folclórico de Songjiang).
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12.10.2018 sexta-feira
BOLSAS QUEBRAS GLOBAIS E ACÇÕES DOS CASINOS A SEGUIR A TENDÊNCIA
Que grande afundanço Depois de uma quarta-feira com quebras acentuadas em Wall Street, os mercados asiáticas seguiram a mesma tendência. As operadoras de jogo também não ficaram imunes com as quebras do valor das acções a variarem entre os 6,72 e 4,05 por cento
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OI no início da semana que Pansy Ho afirmou estar optimista face à guerra comercial e anteviu um teste para o turismo de Macau. Contudo, ontem, a directora executiva da MGM China talvez tenha reconsiderado as declarações, depois das acções da operadora norte-americana terem afundado 5,07 por cento na Bolsa de Hong Kong. Após uma sessão de quarta-feira em que Wall Street sofreu quebras significativas, devido a um anormal
volume de vendas de acções ligado a empresas de novas tecnologias, o índice Nasdaq registou uma quebra de 4,08 por cento e o Dow Jones desvalorizou 3,15 por cento. A tendência reflectiu-se na Ásia. Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve uma quebra de 3,8 por cento e alcançou o valor mais baixo desde Maio de 2017. Logo no outro lado da fronteira, em Shenzhen, as perdas foram ainda mais acentuadas com descidas de 5,5 por cento, o pior resultado desde Outubro de 2014. Em Xangai o cenário não foi diferente e a bolsa afundou 4,3 por cento, naquele que foi o nível mais baixo registado pela principal bolsa chinesa nos últimos quatros. Nos outros mercados da Ásia, como o Japão ou a Coreia do Sul, o cenário não foi diferente. “As quebras devem-se a várias razões: as perdas de Wall Street, as alterações nas taxas de juro a longo prazo, uma nova inquietação renovada sobre as relações comerciais entre a China e os Estados, assim como uma atitude mais prudente dos accionistas após a divulgação dos resultados de vários empresas” afirmou Juichi Wako, analista do banco de investimento Nomura, em declarações à Bloomberg. Em declarações ao Financial Times, Medha Samant, directora do departamento de investimento da empresa Fidelity International, explicou a tendência com os receios face ao “crescente
sentimento de proteccionismo” e “valorização do dólar”. “O grande aumento no volume de vendas no mercado norte-americano assustou as pessoas e fez com que se recordassem de sessões como as do início do ano, em que também houve forte quebras. É muito provável que o sentimento negativo continue a afectar os mercados asiáticos durante o curto prazo”, acrescentou ainda a entrevistada.
SANGRIA NAS OPERADORAS
Adesvalorização de ontem também se fiz sentir nas operadoras do jogo listadas em Hong Kong, com o valor das acções a afundar entre 4,05 por cento e 6,72 por cento. A maior quebra foi registada pela operadora Sociedade de Jogos de Macau Holdings, cujo valor das acções começou o dia nos 6,850 dólares de Hong Kong por título e acabou a sessão nos 6,390 dólares. A desvalorização foi sentida pela
Wynn Macau, com os títulos a quebrarem 6,02 por cento de 16,940 dólares para 15,920 dólares. Ainda na escala dos resultados negativos, seguiu-se a MGM China, com as acções a caírem de 12,220 dólares para 11,600, o que equivale a 5,07 por cento. Galaxy e Sands foram as empresas que obtiveram os resultados menos negativos. No caso da operadora ligada a Lui Che Woo, a quebra foi de 4,78 por cento de 44,950 dólares para 42,8. Finalmente, a Sands China, representação local da Las Vegas Sands, viu o valor cair 4,05 por cento de 34,550 dólares para 33,150 dólares. A operadora Melco, como não está listada em Hong Kong, não foi afectada. Contudo, o valor dos títulos da operadora Melco tinham caído 4,01 por cento, na quarta-feira, em Nasdaq, para os 18,18 dólares norte-americanos. João Santos Filipe joaof@hojemacau.com
‘JUNKETS’ IMPOSTO SOBRE COMISSÕES RENDEU 336 MILHÕES EM 2017
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Governo de Macau encaixou, no ano passado, 336,7 milhões de patacas em impostos sobre as comissões pagas aos promotores de jogo (como são os conhecidos os ‘junkets’). O valor consta do Relatório sobre a Execução do Orçamento do ano 2017, que vai ser apresentado na próxima terça-feira, na Assembleia Legislativa. Trata-se de
um aumento de 23,6 por cento face ao ano de 2016, segundo o documento. O valor supera ainda largamente o orçamentado para 2017, dado que o Executivo – que normalmente adopta uma postura conservadora –planeava encaixar apenas 200 milhões de patacas, com a taxa de execução a corresponder assim a 168,4 por cento. Já segundo o Orçamento para
este ano, o Governo prevê arrecadar 280 milhões de patacas. À luz da lei, as operadoras de jogo ficam obrigadas à retenção na fonte do imposto devido sobre as comissões ou outras remunerações pagas a promotores de jogo. A taxa do imposto é de cinco por cento e tem natureza liberatória, podendo o Chefe do Executivo isentar o
pagamento parcialmente, por um período não superior a cinco anos, quando o motivo de interesse público o justifique. Os “junkets” recebem das operadoras um máximo de 1,25 por cento do valor total apostado, um tecto fixado há uma década. O número de angariadores de jogo VIP tem vindo a cair nos últimos anos. Em 2018, segundo a lista publicada pela Direcção de
Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), estavam autorizados a exercer essa actividade 109 (empresas e indivíduos), o número mais baixo em mais de uma década. Os casinos de Macau fecharam 2017 com receitas de 265.743 milhões de patacas, das quais 150.673 milhões, ou 56,69 por cento, angariados nas salas de grandes apostas. D.M.
Habitação Empréstimos hipotecários duplicaram em Agosto
Os novos empréstimos hipotecários para habitação aprovados pelos bancos de Macau em Agosto atingiram 7,33 mil milhões de patacas, traduzindo um aumento de 128,9 por cento em termos anuais homólogos. Já comparativamente ao mês passado, o aumento foi de 40,3 por cento, indicam estatísticas divulgadas ontem pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). A esmagadora maioria (98 por cento) dos empréstimos foram concedidos a residentes. Os novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias deram um ‘pulo’ ainda maior: subiram 248,9 por cento e 138,6 por cento em termos anuais e mensais, respectivamente, para 9,77 mil milhões de patacas. Os concedidos a residentes corresponderam a 8,78 mil milhões de patacas (89,8 por cento do total).
Comércio Astrid Chan “ensina” a desenvolver marca
A celebridade de Hong Kong Astrid Chan foi a oradora convidada de uma iniciativa destinada a operadores de venda a retalho. No ‘workshop’, o primeiro de uma série com “mentores célebres”, Astrid Chan falou nomeadamente sobre como se estabelece e desenvolve uma marca pessoal, como se cria uma imagem profissional, bem como sobre etiqueta no trabalho para uma audiência de aproximadamente 100 profissionais. A iniciativa, da Direcção dos Serviços de Turismo (DST) com a Academia de Venda a Retalho da Sands, figura como o primeiro programa de formação destinado a operadores da linha da frente organizado em conjunto com um operador da indústria turística. A série de ‘workshops’ tem como objectivo melhorar a qualidade de serviço do sector de venda a retalho de Macau, visando o aumento da satisfação dos residentes e visitantes, indica um comunicado da DST.
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sexta-feira 12.10.2018
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China pediu ontem ao Canadá que proteja o comércio livre e rejeite medidas proteccionistas, numa aparente referência ao novo acordo comercial com Washington, que permite aos EUA travarem um acordo comercial entre Otava e Pequim. O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, pediu a Otava que trabalhe em conjunto com a China para avançar com o acordo de livre comércio China-Canadá, durante uma conversa por telefone com a homóloga canadiana, Chrystia Freeland. O apelo de Pequim surgiu dias após a conclusão das negociações para o acordo EUA-México-Canadá [USMCA, na sigla em inglês], que dá a Washington o direito de vetar um acordo entre os países vizinhos e uma “economia que não seja de mercado”, numa referência à China.
ECONOMIA PEQUIM PEDE AO CANADÁ QUE PROTEJA LIVRE COMÉRCIO
Notas de guerra “[Pequim] opõe-se a qualquer tipo de proteccionismo e comportamento que revele critérios duplos”, acrescentou. “Nenhuma tentativa que vise travar a mo-
dernização da China será bem sucedida”, sublinhou. De acordo com o comunicado do Ministério chinês, Chrystia Freeland afirmou que o USMCA
MNE CHINÊS
“A China espera que o Canadá adopte medidas concretas para proteger o comércio livre com a China, e que avance com a zona de comércio livre China-Canadá”, afirmou Wang Yi, segundo um comunicado difundido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
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Ordem para descolar Capital Airlines quer voos directos entre Xi’an e Lisboa
longo de dez dinastias, incluindo os Qin (255 a 206 a.C.), Han (206 a.C. a 220 d.C.) e Tang (618 d.C. a 907 d.C.), e acolhe o ‘Exército de Terracota’, uma das principais atracções turísticas do país. O pedido da Capital Airlines surge no mesmo mês em que suspendeu o voo direto, entre Hangzhou, na costa leste da China, e Lisboa, com paragem em Pequim, lançado a 26 de julho de 2017, com três frequências por semana. Contactada pela Lusa na altura em que anunciou a suspensão do voo, a empresa recusou detalhar os motivos, referindo apenas “razões operacionais”. No primeiro ano que voou para Portugal, a Capital Airli-
nes transportou mais de 80 mil passageiros, segundo dados divulgados por altura do aniversário. A taxa média de ocupação do voo fixou-se nos 80%, nos meses mais fracos, enquanto na época alta superou os 95%.
EM DÍVIDA
A Capital Airlines é uma das subsidiárias do grupo chinês HNA, que enfrenta uma grave crise de liquidez, depois de ter fechado o ano passado com uma dívida de 598 mil milhões de yuan, de acordo com os dados divulgados na apresentação dos resultados anuais da empresa. A escalada nos custos de financiamento desencadeou uma onda de venda de activos
CRITICAS E PROTESTOS
“não deve prejudicar os interesses legítimos” de outros países, e que o Canadá vai continuar a negociar acordos de livre comércio. Esta semana, o secretário
“A China espera que o Canadá adopte medidas concretas para proteger o comércio livre com a China, e que avance com a zona de comércio livre China-Canadá.”
companhia aérea chinesa Capital Airlines pediu autorização às autoridades chinesas para iniciar um voo directo entre Xi’an, noroeste da China, e Lisboa, depois de ter suspendido, este mês, a ligação a partir de Pequim. Segundo um comunicado da Administração da Aviação Civil da China, a que a agência Lusa teve acesso, a empresa quer arrancar com o novo voo em Dezembro deste ano. A informação detalha que o voo terá duas frequências por semana e ficará a cargo dos aviões Airbus A330, com capacidade máxima para 440 passageiros. Com cerca de 12 milhões de habitantes, Xi’an é a capital da província de Shaanxi, a cerca de mil quilómetros de Pequim. Trata-se de uma das mais importantes cidades da China Antiga, servindo de capital ao
do Comércio norte-americano, Wilbur Ross, afirmou que Washington vai tentar incluir a mesma cláusula em outros acordos, nomeadamente com a UE, o Japão e o Reino Unido.
do grupo, que tem sido um dos principais visados das advertências das autoridades chinesas sobre “investimentos irracionais” no estrangeiro, que podem “acarretar riscos” para o sistema financeiro chinês. No lançamento da ligação aérea, o primeiro-ministro português, António Costa, disse esperar que os voos directos Lisboa-Pequim fossem um reforço de Portugal como “grande ‘hub’ intercontinental” (centro de operações). Aafirmação deAntónio Costa foi feita a 11 de julho de 2017 durante a cerimónia de inauguração dos voos directos Lisboa-Pequim, com a presença do presidente do parlamento da China, Zhang Dejiang, em visita a Portugal. Para António Costa, a abertura da rota Lisboa-Pequim tem um “enorme simbolismo” e “é a nova rota da seda do século XXI”.
A embaixada chinesa em Otava condenou já o artigo 32.10 do USMCA, afirmando que “fabrica noções do que é, ou não, uma economia de mercado fora do quadro da Organização Mundial do Comércio (OMC)” e serve de “desculpa para alguns países fugirem às suas obrigações e recusarem cumprir os seus compromissos internacionais”. Na mesma nota, a embaixada chinesa protestou contra a “atitude hegemónica” dos EUA e disse “sentir pena” pelo Canadá, por ter renunciado à soberania económica. A postura norte-americana ilustra a crescente bipolarização em torno das disputas comerciais entre Pequim e Washington, à medida que os EUA tentam isolar a China, visando contrariar as ambições chinesas no sector tecnológico. O Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs já taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de importações oriundas do país asiático. “O risco de a China e os EUA entrarem numa nova guerra fria está a aumentar”, admitiu recentemente Tu Xinquan, professor na Universidade de Economia e Negócios Internacionais de Pequim. Os EUA, a UE e o Japão recusam reconhecer a China como “economia de mercado”, por considerarem que a intervenção do Estado chinês a nível económico continua a ser forte.
Austrália Camberra trata com “cuidado” relações com Pequim
O primeiro-ministro australiano disse ontem que o relacionamento de Camberra com a China é importante e tratado “com cuidado”, embora tenha admitido que as duas nações se mantêm distantes. “A realidade é que temos relações comerciais muito construtivas com a China, [mas] não partilhamos os mesmos valores e princípios”, afirmou Scott Morrison à estação de rádio australiana 3AW. A China é o principal parceiro comercial da Austrália, mas as relações bilaterais têm estado tensas nos últimos meses devido às suspeitas de que Pequim interferiu na política interna de Camberra. Em relação às diferenças comerciais e à crescente tensão entre os Estados Unidos e a China, Morrison destacou o papel da Austrália na aproximação entre as duas nações. “O nosso papel é fechar a lacuna” entre essas duas potências, argumentou Morrison. “Nós partilhamos valores e mantemos uma aliança profunda com os Estados Unidos e temos uma aliança estratégica com a China”, afirmou.
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O número de fotojornalistas é o mesmo hoje e há 30 anos. A ideia é deixada por Robin Moyer, o fotojornalista americano, radicado em Hong Kong, que vai estar à frente da conversa que tem lugar amanhã pelas 17h, no âmbito da exposição World Press Photo 2018
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PESAR da massificação da imagem, nomeadamente nas plataformas online, o fotojornalismo de qualidade continua a ter um espaço de destaque, defende Robin Moyer para quem o concurso da World Press Photo ainda é garantia disso mesmo. “Penso que o World Press Photo é um acontecimento importante até porque existe um júri conhecedor e de confiança”, começa por dizer ao HM. Trata-se de uma iniciativa que mantém a premiação de imagens que traduzem a realidade. “ Ainda são fotografias verdadeiras dentro do universo do fotojornalismo, são reais”, acrescenta. São estas fotografias que demarcam as imagens dos fotógrafos profissionais das muitas que invadem actualmente os meios de comunicação, defende. Prova disso é o número de fotojornalistas profissionais que existem actualmente e que não é ser muito diferente dos que existiam há 25 ou 30 anos “, refere. A explicação é simples: “O facto de toda a gente ter uma câmara não significa que seja um fotojornalista”. Sedeado em Hong Kong, Moyer foi já distinguido com vários prémios por trabalhos na Ásia e no Médio Oriente, incluindo o World Press Photo Premier Award e Robert Capa Gold Citation do Overseas Press Club de Nova Iorque, ambos pelo trabalho publi-
FOTOGRAFIA ROBIN MOYER DÁ PALESTRA NA CASA GARDEN
Olhos bem abertos cado na revista Time sobre a guerra no Líbano (1982).
SER FIEL
Para Moyer, o fotojornalismo tem que ver apenas com a captura fiel da realidade, coisa que não é conseguida por muita gente. “É preciso transmitir o que acontece sem que se recorra a manipulação da imagem”. A subjectividade do fotojornalista reside apenas na decisão que faz ao escolher o que decide abranger através da sua câmara, explica. Sem subterfúgios, Robin Moyer considera que as fotografias aparecem no mundo em que vive, sendo que as questões técnicas acontecem de forma espontânea. “Não penso nas imagens de uma forma consciente, acho que só ando com os olhos bem abertos
e se há alguma coisa que me faz olhar para ela duas vezes, então tiro uma fotografia”
CENAS DE GUERRA
Foi num cenário de guerra, no Líbano, que fotografou a imagem premiada em 1882 com o World Press Photo Premier Award e com o Robert Capa Gold Citation do Overseas Press Club de Nova Iorque.
As situações de conflito têm pautado a seu carreira sendo que “o mais importante é que os elementos das equipas que partilham estes contextos olhem uns pelos outros”, refere. Por outro lado, são cenários que acabam por alhear o fotógrafo, durante o seu trabalho, do contexto em que se encontra. “É como se estivéssemos a viver uma situação
“[Em cenários de guerra] a câmara demarca uma espécie de campo de protecção e quando se está por destrás dela, de alguma forma e estupidamente, sentimonos protegidos e, mal deixamos a largamos, ficamos a descoberto e é aí que não temos mais nada a não ser a realidade da situação.”
irreal enquanto fotografamos e que deixa de o ser se paramos de o fazer”, aponta. A defender, ilusoriamente, o profissional da realidade está a câmara que funciona como um escudo subjectivo mas muito eficiente. “A câmara demarca uma espécie de campo de protecção e quando se está por destrás dela, de alguma forma e estupidamente, sentimo-nos protegidos e, mal deixamos a largamos, ficamos a descoberto e é aí que não temos mais nada a não ser a realidade da situação”, confessa.
UMA VIDA DE IMAGENS
Robin Moyer começou a sua carreira como operador de câmara no Vietnam dentro enquanto trabalhava para a UPITN/ITV em 1970.
De 1973 a 1975, viajou por todo o sul dos Estados Unidos em missão para a Comissão Regional dosApalaches. Em 1974 fundou a escola PhotoWorks no Glen Echo National Park. Entre 1978 e 1998, Moyer trabalhou para a Time, tendo imagens destacadas acerca dos refugiados do Camboja e do Afeganistão. Liderou ainda equipas de fotógrafos responsáveis pelo registo da revolta Filipina em 1986, das Olimpíadas de Seul em 1988 de Tian An Men em 1989. É ainda responsável por retratos de personalidades como Lee KwanYew, Mahathir Mohamed, Aung San Suu Kyi, Fidel Ramos, Corazón Aquino, Stan Shen (fundador daACER), Li Ka-shing. Kim Dae Jung, Kim Young Sam, Zhao Ziyang e Deng Xiaoping. Das publicações para que trabalhou destaca-se a Life, Fortune, People, Newsweek, The Far Eastern Economic Review, Paris Match, The London Sunday Times Magazine, Smithsonian Magazine, New York Magazine, Elle, e Vanity Fair. Sofia Margarida mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
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OS dias em que a comunidade portuguesa de Shanghai festeja o IV Centenário da Viagem Marítima para a Índia, a chuva fustiga a cidade. No artigo anterior demos nota das celebrações do dia 17 de Maio de 1898, onde na Igreja de S. José, na concessão francesa, se realizou um Te Deum e no Club de Recreio foram recebidos todos os cidadãos que desejaram por telegrama transmitir saudações a El-Rei e à família real, à nação e à comissão central executiva de Lisboa. “No dia 18 a chuva continuou a incomodar-nos; não obstante, a subcomissão encarregada dos festejos no Jardim Chang-su-wo foi continuando com os seus arranjos e conseguiu fazer uma esplêndida festa”, n’ O Porvir. Para esse arraial festivo, o programa prevê danças e outros divertimentos, fogo de vista e iluminações, no Jardim Chang-Su-ho, segundo o Echo. “Às 9 horas [da noite] começaram a vir os convidados. Eram mil e quinhentas pessoas, pouco mais ou menos, entre nacionais e estrangeiros, incluindo crianças. O salão de baile estava bem ornado, sobressaindo uma pintura alegórica de Vasco da Gama com o estandarte real e bandeiras nacionais nos lados. O salão de baile era bem vasto, pois estando 95 pares a valsar, ainda restava grande espaço para os espectadores e passeantes. Houve bonitos fogos de vistas no imenso jardim; e por não se poderem fazer outros divertimentos fora das portas por causa das lamaceiras, os da comissão arranjaram uma companhia de actores chineses que foram representar numa casa contígua, o que divertiu muita gente. Às nove da manhã, depois de uma lauta ceia, os convidados começaram a chamar pelas suas carruagens e foram deixando o jardim com mostras de saudade. Na noite de 19, apesar de chover bastante realizou-se no Astor Hall o sarau literário e musical” e segundo o Echo, “se a parte musical é desempenhado por amadores portugueses, os trabalhos literários de nacionais e estrangeiros são avaliados pela comissão executiva, sendo os aceites reunidos num livro.” Continuando n’ O Porvir, “O Hall estava ornado com o maior brilhantismo e bom gosto. Tanto a parte literária como musical agradou à grande multidão que se achava presente. A banda dos nossos amadores achava-se também presente e tocou hinos da Carta e Vasco da Gama com maior entusiasmo, antes de começar a festa e na conclusão da mesma.” “As iluminações atingiram, porém, todo o seu brilhantismo só na noite do dia 20, em que o vento, prestando talvez também a sua homenagem a Vasco da Gama, houve por bem respeitá-las”. Já o Echo Macaense diz, “Além das residências dos portugueses, os consulados de Inglaterra e Alemanha e vários outros estrangeiros e alfândega e o Mixed Court tomaram parte. Os bunds da concessão francesa e do foreign settlement estavam ambos embandeirados e iluminados, apresentando uma iluminaria de duas milhas de comprimento. A banda dos nossos amadores
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Não digas nada! Nem mesmo a verdade
José Simões Morais
Festejos em Shanghai e as estampilhas maioritariamente residente no Model Setllement.
ESTAMPILHAS PARA O CENTENÁRIO
percorreu as ruas tocando várias marchas”. “Grande era o número de chineses na Bund, notando-se em todos os rostos grande e geral entusiasmo. Congratulando-nos com os nossos estimados compatriotas pela brilhante prova que mais uma vez souberam dar do seu acrisolado patriotismo, daqui os saudamos e lhes significamos e nosso júbilo pela forma com que se estão honrando a si e estão estremecendo a pátria”, O Porvir. Conclui o Echo Macaense, “Enfim, saiu tudo o mais esplêndido possível, devido à força de vontade dos nacionais e à boa táctica de andar em boa camaradagem entre os cosmopolitas. Houve mais uma coisa que não estava incluída no programa e que no meu entender [C.C.C.] veio coroar a nossa festa. Devido à muita amizade que os bons padres desta missão têm para com a gente portuguesa, espontaneamente anunciaram
no dia da Ascensão de N.S.J.C. que a missa de dia no Domingo, às 10 horas, havia de ser em honra e memória de Vasco da Gama, e em acção de Graças e para pedir pelo reino de Portugal, e convidou a comissão executiva a assistir a ela oficialmente. Escusado é dizer que o amável convite foi aceite com grande entusiasmo. A nossa igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde se disse a missa, estava bem ornamentada, sobressaindo muitas nossas bandeiras. O reverendo padre Paris, superior geral da missão que tinha chegado da missão no dia antecedente, foi celebrante e ao Evangelho o reverendo padre Alves fez, com muita eloquência e entusiasmo, o panegírico de Vasco da Gama. Sua Reverência mostrou ser um bom orador, e como vai para Macau daqui a algum tempo, o meu amigo e toda a gente lá terão o gosto de o ouvir.” Estas comemorações deram um novo ânimo à comunidade portuguesa,
“O Hall estava ornado com o maior brilhantismo e bom gosto. Tanto a parte literária como musical agradou à grande multidão que se achava presente. A banda dos nossos amadores achava-se também presente e tocou hinos da Carta e Vasco da Gama com maior entusiasmo, antes de começar a festa e na conclusão da mesma.”
Um leitor, no Echo Macaense de 13 de Setembro de 1896, dá como sugestão mandar-se fazer selos especiais para o Correio de Macau a comemorar o IV Centenário e a ideia de uma série de imagens para os selos. Ideia usada em Lisboa para serem distribuídos por Portugal Continental e Ultramarino e assim, em Macau começaram a ser vendidas as estampilhas a 15 de Abril de 1898, referindo O Independente de 6 de Março terem já sido recebidas na Repartição da Fazenda Provincial e terão curso desde 1 de Abril a 30 de Junho. A 24 de Abril o Echo Macaense dá conta, “Vieram novamente do reino em grande quantidade estampilhas do centenário e por ordem superior foi determinado que não se vendessem a cada indivíduo mais do que seis estampilhas por cada vez, sendo elas de 1/2 avo até 8 avos, isto com o fim de evitar que os grandes coleccionadores as absorvam rapidamente e o público fique privado delas para as suas colecçõezinhas e para o uso ordinário. Não há limites para venda de estampilhas cujo valor suba acima de oito avos, e também podem comprar-se quantas colecções completas se queiram. Já não há para venda bilhetes-postais impressos em Macau com a resposta paga, e também já se esgotaram as duas qualidades de bilhetes que vieram desta última vez”. O mesmo jornal, a 1 de Maio, com o título ‘Mais valores postais expedidos para as nossas colónias – Nova encomenda feita à casa fabricadora dos mesmos valores em Londres’ refere, “Foram reclamadas por algumas das nossas colónias novas remessas de valores postais da comemoração indiana e a prova disto é que há poucos dias foram enviados para o ultramar mais os seguintes valores: Para a Índia 24 mil bilhetes da taxa de ¼ de tanga no valor de 150$ réis. Para Macau 212.500 estampilhas das taxas de ½, 1, 2, 4, 8, 12, 16 e 24 avos e dois mil bilhetes da taxa de 2 avos, tudo no valor de 6185$000 réis; e para Timor, três mil bilhetes da taxa de 2 avos, no valor de 30$000 réis. O valor total de todos os valores, acima especificados, 6465$000 réis da metrópole. Foi já expedida ordem competente para se aprontarem na casa londrina mais 5000$00 dos aludidos papelinhos de posta”. O Correio, então situado no edifício do Leal Senado, tem desde Dezembro de 1897 como Director de nomeação definitiva Francisco Maria Xavier de Souza, filho de Ricardo de Souza, o anterior Director.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 13
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plano de Corte José Navarro de Andrade
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EMOS no filme “Padrinho” que D. Vito Corleone, estando a brincar com o neto, sucumbe a uma síncope e expira de borco mas tranquilamente entre os tomates da horta. É um golpe de génio do argumento. Corleone não poderia bater as botas num leito de morte onde o escrúpulo e o arrependimento arriscam aparecer à última hora, profanando uma vida consagrada à criminalidade – os duros morrem calçados. Mas, por outro lado – na verdade o lado A desta cena – fazer de D. Vito um amorável avozinho que fenece de maneira leve e satisfeita, não só nos provoca inadequados sentimentos de simpatia por uma personagem que ninguém desmentirá ser impiedosa, inexorável e pérfida, como, nesse transe, nos baralha o sentido de justiça: é indesculpável que ele morra tão pacificamente pois manda a história do cinema, esticada desde o velhaco James Cagney dos anos 30 até ao híper-realista e cruento “Suburra” de 2015 que quem com ferro mata, com ferro morre, de modo que os patifes culminem na choça ou na cova. Se o ofício do crime demonstra uma inflacionada tendência para acabar mal, porque continua a haver quem a ele se dedique? Porque são estúpidos, responderão os resolutos; ou inconscientes, dirão os crédulos; porque a sociedade não lhes deu alternativa, atalham os que resolvem os problemas encontrando culpados, mesmo que intangíveis. Ora o desenlace oferecido por “O Padrinho” subverte sotto voce esta convenção axiológica e põe na borda do prato explicações rudimentares. Faz pior: o passamento de D. Vito comove porque nos identificamos com ele, e identificamo-nos com ele porque sai reforçado nessa cena o nosso terrível viés cognitivo segundo o qual acreditamos que não nos vai acontecer aquilo que normalmente acontece aos outros. A investigação neurológica tem observado que o nosso cérebro está lamentavelmente estruturado para nos enganar, empurrando-nos a formarmos juízos distorcidos pelo preconceito e respaldados na ilusão de que aquilo que damos como certo em geral não se aplicará a nós em particular. Desengane-se quem achar que isto é avaria de tolos. Tome-se por exemplo a classe dos quadros executivos (categoria que para este efeito exclui funcionários públicos e trabalhadores por conta própria.) Por todo esse hemisfério Norte, a Oeste dos Urais, eles são o sal das empresas, o lustro da classe média urbana. Empregos com automóvel e quilómetros de gasolina, cartão de crédito com plafond generoso para despesas de representação, ordenados que garantem empréstimo para uma boa casa e permitem
colégio para os filhos. Belas e ambiciosas carreiras em perspectiva e uma ideia de que a massa de ar quente nunca faltará ao balão. Até que na cabeça mosqueiam os primeiros orvalhos do Outono. Ou nos briefings começas a fazer figura de tubarão numa banheira de piranhas. Ou alguém lá de cima, atento às margens, nota que embora o retorno continue competitivo, o teu custo está acima da média. E quando dás por ela, antes dos 55 anos de idade…
O passamento de D. Vito comove porque nos identificamos com ele, e identificamo-nos com ele porque sai reforçado nessa cena o nosso terrível viés cognitivo segundo o qual acreditamos que não nos vai acontecer aquilo que normalmente acontece aos outros Ninguém terá pena de ti. Não haverá reportagens e debates acerca desta espécie de genocídio social em curso, porque qualquer lamento envergonharia os dramas pungentes dos remediados que resvalaram para a pobreza e dos pobres em risco de miséria. Saíste bem, com indemnização e alcavalas, nenhuma hecatombe descarrilou para já o teu trem de vida, manterás a compostura e a esperança. Mas falta-te calcorrear uma década até à reforma e as provisões só te dão até meio da ponte. Descobres então que és demasiado velho para um mercado de emprego impressionável com o desconforto do “desemprego jovem”; demasiado experiente para não suscitares o receio de chefes inseguros; demasiado céptico e been there, done that para aderires a exercícios motivacionais. Os que não condescenderem um sorriso nas tuas costas abstrair-se-ão de ti como de um espectro. Agora que és um dado estatístico talvez percebas que maior aviso terias se em vez de haveres imodestamente presumido que seria estrela tua um fim igual ao de D. Vito Corleone, tivesses tomado como advertência a inscrição à entrada da Capela do Ossos de Évora.
OTTO DIX, RETRATO DE PAUL SCHMIDT (PORMENOR)
Mede-se melhor uma árvore caída
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tonalidades António de Castro Caeiro
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Á pouco tempo, um amigo juiz disse-me para não apitar, no trânsito a ninguém, nem a alguém que conduza, nem a qualquer transeunte. Acho que lhe devo ter dito que era mais pessoa para fazer sinais de luzes do que propriamente para apitar, que achava bárbaro. A praxis do meu amigo juiz era a base para o seu pedido. Vários casos de homicídio tinham-lhe chegado à barra. Os casos desgraçavam quase sempre duas pessoas: quem morre e quem mata. Nunca se sabe bem quem tem um destino pior, se quem morre ou quem mata. Ponto é que, embora consiga compreender como há muitos casos de homicídio provocados no trânsito, não tinha a percepção de que uma buzinadela pudesse provocar a ira do buzinado a ponto de desferir um tiro sobre o buzinado. Talvez manobras perigosas, ultrapassagens, transgressões várias levassem a uma resposta agressiva por parte de quem se julga exposto. Sobretudo, quando há crianças a serem transportadas, crianças que puderam ter sido postas em perigo. É natural que um pai ou uma mãe, instintivamente reagissem de um modo violento. Mas buzinadelas? Não! Ainda assim, dei por mim a pensar, o melhor é mesmo não buzinar em cir-
12.10.2018 sexta-feira
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Buzinadela cunstância alguma. As pessoas andam com stress nas suas vidas. A condução de manhã à noite pode deixar alguém com a cabeça em água. E eu, que sou eu, nunca buzino. Eis que se não quando dou por mim num dia particularmente infeliz, pensei. E buzinei muito. Há um carro que está parado à minha frente sem razão aparente. Buzino. Nada. Não reage. Apito de novo e nada. Depois, percebo que há alguém que procura arrumar o carro e que o carro está parado por esse motivo óbvio. Penso cá para mim que a coisa foi descabida. Mas também não penso que fosse necessário que o condutor gesticulasse ou me dissesse alguma coisa.
Era um indivíduo urbano. Lá no fundo, o seu silêncio estaria a enviar-me para qualquer uma parte da sua preferência para que para lá me mandasse. Uns Km à frente num daqueles cruzamentos de Lisboa em que abre o sinal para seguir em frente, mas não para a esquerda, não percebo também por que razão o cidadão continua sem iniciar a marcha e apito. Com suavidade, mas confiança, braço fora do vidro, aponta o indicador para o semáforo, para que eu perceba, finalmente, que o sinal está fechado para nós, que queremos cortar à esquerda. Um urbano e outro delicado. Mas a coisa não fica por aqui. Numa bifurcação em que há espaço para três
Eis que se não quando dou por mim num dia particularmente infeliz, pensei. E buzinei muito. Há um carro que está parado à minha frente sem razão aparente. Buzino. Nada. Não reage. Apito de novo e nada. Depois, percebo que há alguém que procura arrumar o carro e que o carro está parado por esse motivo óbvio
fachas, pode cortar-se à esquerda ou à direita. Um tipo que podia perfeitamente aproveitar ainda o “verde” permitido pelo laranja, para-me exactamente no meio sem me deixar perceber se quer virar à direita ou à esquerda. Dou-lhe uma buzinadela tremenda. Olha para mim com cara de espanto. Faço os gestos que lhe pretendem explicar que nem andou para a direita nem para a esquerda. Olha para a mulher que lhe diz que tenho razão ou lá o que é que ela lhe disse- podia simplesmente ter sido: deixa-o que é um atrasado mental. E depois aguarda e faz-me aguardar pela abertura do sinal. O pior foi quando uma criatura estava a tentar arrumar o carro, criando a forçosa fila de carros. Nem para cima nem para baixo. Um cidadão vai mesmo para o meio da estrada dar indicações. O veículo da frente não consegue ultrapassar, por que tem a passagem vedada pela pessoa. Eu apito. O condutor do veículo da frente acha que estou a apitar para ele. Gesticula. Aponta para o carro da frente. Eu grito a dizer-lhe que era para a criatura que estava no meio da estrada. Entretanto, atrás de mim um veículo apita. Olho pelo retrovisor. Um indivíduo sai do carro. Dirige-se a mim. Baixo o vidro. Dou-lhe um tiro.
desporto 15
sexta-feira 12.10.2018
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INDA não será este ano que iremos ver um carro de competição autónomo a percorrer o traçado do Circuito da Guia. Lucas Di Grassi, piloto e CEO da Roborace, a futura competição para este tipo de viaturas, disse em declarações ao HM em 2017 que gostaria de realizar este ano uma exibição entre nós, mas tal não irá suceder. Para o piloto brasileiro, “os carros autónomos são o futuro do transporte comercial e faz sentido termos uma área dos desportos motorizados dedicada a este sector”. Em Novembro do ano transacto, Di Grassi, ele próprio um vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3, disse estarem em andamento negociações para trazer uma demonstração de competição de carros autónomos a ter lugar no Grande Prémio de 2018. “Uma das acções dos desportos motorizados na área dos carros autónomos é trazer uma demonstração já no próximo ano ao circuito do Grande Prémio de Macau”, afirmou, na altura, o piloto. Contudo, fonte da organização contactada pelo HM, confirmou que não há planos para qualquer actividade promocional este Novembro. “A Roborace não tem planos para este ano para
É para amanhã Carro de corridas autónomo não virá ao GP
participar no fim-de-semana do Grande Prémio de Macau”, esclareceu fonte da organização do campeonato. “Do que é do nosso conhecimento, não têm existido conversações no que respeita
ao evento deste ano. Estamos concentrados no próximo ano.”
ENGENHARIA À PROVA
O “The Robocar” será a base do futuro campeonato Roborace
Fonte da organização “A Roborace não tem planos para este ano para participar no fim-de-semana do Grande Prémio de Macau.(...) Do que é do nosso conhecimento, não têm existido conversações. Estamos concentrados no próximo ano.”
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AVISO COBRANÇA DO IMPOSTO PROFISSIONAL (DIFERENÇA DO ANO DE 2017) 1. Avisam-se os Srs. contribuintes que a única prestação do referido Imposto (diferença do ano de 2017) é cobrada durante o mês de Outubro. 2. No mês de pagamento, se os Srs. contribuintes não tiverem recebido o conhecimento de cobrança, agradece-se que se dirijam ao NÚCLEO DE INFORMAÇÕES FISCAIS, situado no r/c do Edifício “Finanças”, ao Centro de Atendimento Taipa ou ao Centro de Serviços da RAEM, trazendo consigo o conhecimento de cobrança ou fotocópia do ano anterior, para efeitos de emissão de 2.ª via do mesmo. Por outro lado, os contribuintes, que sejam titulares do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, podem recorrer aos quiosques desta Direcção de Serviços para efectuarem a impressão de 2.ª via do conhecimento de cobrança pessoal. 3. O pagamento pode ser efectuado, até ao último dia do mês de Outubro, nos seguintes locais: - Nas Recebedorias do Edifício “Finanças”, do Centro de Atendimento Taipa, do Centro de Serviços da RAEM ou do Edifício Long Cheng; - Os impostos/contribuições podem ser pagos por intermédio de cartão de crédito ou de débito emitidos pelo Banco da China ou pelo Banco Nacional Ultramarino (incluindo “Maestro” e “UnionPay”). O valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$100.000,00, sendo apenas permitido utilizar na operação um único cartão. Pode-se também optar pelo pagamento através dos cartões “Quick Pass” e “MACAUpass”, sendo que o valor total de pagamento não pode ser superior a MOP$1.000,00. - Nos balcões dos Bancos a seguir discriminados: Banco da China Banco Comercial de Macau Banco Delta Ásia Banco Industrial e Comercial da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Nas máquimas ATM da rede Jetco de Macau, assinaladas com a indicação <<Jet payment>>; - Por pagamento electrónico [“banca-on-line”]: Banco da China Banco Luso Internacional Banco Nacional Ultramarino Banco Tai Fung Banco OCBC Weng Hang - Por pagamento telefónico “banca por telefone” : Banco da China Banco Tai Fung 4. Se o pagamento for efetuado por meio de cheque, a data de emissão não pode ser anterior, em mais de três dias, à da sua entrega nas Recebedorias da DSF, e deve ser emitido a favor da <<Direcção dos Serviços de Finanças>>, nos termos das alíneas 2) e 3) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regulamento Administrativo n.º 22/2008. Se o valor do cheque for igual ou superior a MOP$ 50.000,00, deverá o mesmo ser visado, nos termos da alínea 4) do Artigo 5.º do Regulamento Administrativo acima mencionado. 5. Os contribuintes podem também efectuar o pagamento através do envio de ordem de caixa, cheque bancário ou cheque por correio registado para a Caixa Postal 3030. Não é possível enviar dinheiro, mas apenas ordem de caixa, cheque bancário ou cheque, devendo incluir-se um envelope devidamente selado e endereçado ao próprio contribuinte, a fim de se enviar posteriormente o respectivo conhecimento, comprovativo do pagamento. Note-se que devem ser respeitadas as regras descritas no ponto 4, relativamente aos cheques: - O envio para a caixa postal deve ser feito 5 dias úteis antes do termo do prazo de pagamento indicado no conhecimento de cobrança. 6. Nenhum dos métodos acima mencionados acarreta quaisquer encargos adicionais aos contribuintes pela prestação do serviço de cobrança. 7. Para a sua comodidade, evite pagar os impostos nos últimos dias do prazo.
que se afirmará como o primeiro campeonato de viaturas autónomas e fará parte dos eventos do Campeonato FIA de Fórmula E. Ao contrário da filosofia de quase todos os campeonatos de automobilismo, este não se focará nos pilotos, mas sim nas equipas de engenheiros. O carro, desenhado por Daniel Simon, o artista que desenhou os veículos de conhecidos filmes
Aos 27 de Setembro de 2018. O Director dos Serviços Iong Kong Leong
sci-fi de Hollywood como Tron Legacy e Oblivion, pesará 975kg e medirá 4.8m de cumprimento por 2m de largura. Com quatro motores de 300kW cada, uma bateria de 540kW, este veículo é maioritariamente construído em fibra de carbono e foi pensado para atingir velocidades na ordem dos 320km/h. O carro utiliza uma série de tecnologias para se conduzir sozinho pelas pistas, como 5 lidars, 2 radares 18 sensores ultrassónicos, 2 sensores de velocidade ópticos, 6 câmaras IA, GNSS de posicionamento e é “conduzido” por um cérebro Nvidia Drive PX2, capaz de produzir 24 triliões de operações de inteligência artificial por segundo para ser programado pelas equipas de engenheiros de software usando complexos algoritmos. A ideia dos organizadores desta iniciativa é iniciar o campeonato algures em 2019, utilizando as pistas de Fórmula E, que por natureza são muito menos exigentes que os circuitos convencionais. As curvas e contra curvas do Circuito da Guia seriam com certeza um grande desafio para um protótipo que ainda está na fase de desenvolvimento. Sérgio Fonseca
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TEATRAU – MENOS UM (CABO VERDE) 20h00
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9 Amanhã 8 7 1 5 4 2 9 6 3 UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA
9 5 4 1 6 3 2 8 7 INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO TIME” 4 6 2 3 8 9“ONCE 7 UPON 5 A1 AFA | Das 18h30 às 19h30 1 9 8 7 3 4 6 5 2 TEATRAU – A ÚLTIMA VIAGEM DO PRÍNCIPE PERFEITO (ANGOLA) 20h00 5 4 2 9 8 6 7 3 1 ALEATÓRIO 3 6- CONCERTO 7 2 DE1PALAVRAS 5 AO8ACASO 4 9 Auditório Dr. Stanley Ho | 18h30 7 1 5 3 2 8 4 9 6 Sábado LANÇAMENTO SÉTIMO 2 3 DO6LIVRO4“O 5 9SENTIDO”, 1 7 8 DE JOSÉ MANUEL SIMÕES 4 8Macau9| Das618h007às 19h30 1 3 2 5 Creative Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00
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4 5 2 7 6 9 1 8 3 8 6 9 1 5 3 7 2 4 TEATRAU – TRÊS PEÇAS 1 Tribunal 7 3| Das215h008às 20h30 4 6 5 9 Antigo PALESTRA 7 9“DEADLINES” 8 3COM2FOTOJORNALISTA 6 4 1ROBIN5MOYER Casa Garden | 17h00 3 2 4 5 9 1 8 7 6 MOSTRA GASTRONÓMICA “SABORES DO MUNDO” 5dos1Pescadores 6 8| 11h16 4 7 3 9 2 Doca Domingo 2 4 5 6 7 8 9 3 1 TEATRAU – TRÊS PEÇAS 6 Tribunal 3 7| Das9 2 5 4 8 Antigo 15h001 às 20h30 9 8 1 4 3 5 2 6 7 Diariamente
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FESTIVAL TRAVESSA DO ARMAZÉM VELHO Rua dos Ervanários | Das 14h00 às 20h00
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA “VIAGEM ORIENTAL” Pavilhão Chun Chou Tong do Jardim de Lou Lim Iok | Até 18/10 EXPOSIÇÃO KEITH HARING MAZE MACAO Venetian Expo Hall F | Até 31/12 WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | Até 21/10 EXPOSIÇÃO BOOK-HOP Casa Garden EXPOSIÇÃO “PINTURA DE ZHAO MINGSHAN” Museu de Arte de Macau | Até 26/10 EXPOSIÇÃO “PARA ALÉM DA PAISAGEM” DE WU LI Museu de Arte de Macau | Até 11/11 EXPOSIÇÃO “CHAPAS CÍNICAS” Museu das ofertas sobre a transferência da soberania de Macau | Até 7/12 EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA Albergue SCM | Até 21/10
Cineteatro
C I N E M A
SALA 1
VENOM [C] Um filme de: Ruben Fleischer Com: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
Um filme de: Yuichi Fukuda Com: Shun Oguri, Masaki Suda, Kanna Hashimoto, Shinichi TsuTsumi 19.15 SALA 3
SALA 2
PROJECT GUTENBERG [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Felix Chong Com: Chow Yun Fat, Aaron Kwok, Zhang Jingehu, Fen Wenjuan 14.15, 16.45, 21.45
GINTAMA 2: RULES ARE MADE TO BE BROKEN [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS
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UM DISCO HOJE Há discos que não param de brindar os ouvintes. “No Hassle”, do duo Tosca é um exemplo disso mesmo, multiplicando-se num caleidoscópio de versões, diferentes roupagens e remisturas. “Pony No Hassle Versions”, lançado em 2010, traz ao de cima visões mais orientadas para as pistas de dança, atribuindo ritmo e grooves mais fortes a um disco relativamente introspectivo. Ao longo de 10 faixas, o ouvinte percorre as paisagens sonoras típicas da dupla austríaca Richard Dorfmeister e Rupert Huber, com a chancela da G Stone. João Luz
JOHNNY ENGLISH STRIKES AGAIN [B]
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YUAN
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PROBLEMA 13
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 12
Um filme de: Paul Feig Com: Anna Kendrick, Blake Lively, Henry Golding 14.30, 16.45, 21.30
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VIDA DE CÃO
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A SIMPLE FAVOR [C]
Um filme de: David Kerr Com: Rowan Atkinson, Olga Kurylenko, Emma Thompson 19.30
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O CARTOON STEPH 12
PALESTRA SOBRE APLICAÇÃO EM MACAU DA CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Fundação Rui Cunha | Das 10h30 às 12h00
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É sempre assim. A sociedade evolui e a lei vem atrás. Em todos os aspectos, incluindo em termos morais. O que era normal há umas décadas pode hoje em dia ser tido como aberrante e altamente censurável. Este imparável progresso ganha outra dimensão quanto falamos de direitos civis. Não há muito tempo, as relações íntimas entre crianças e adultos não era encaradas da forma visceral dos dias que correm, por exemplo. Aliás, não temos de recuar muito no tempo para chegarmos a uma época em que as crianças eram seres desprovidos de qualquer tipo de direitos. Mas a moral social evolui, progride, melhora a olhos vistos, mesmo perante as forças compostas de maneiras antiquadas e obsoletas. Para conseguir avançar, algumas barreiras tradicionais têm de cair. Sempre foi assim. Este ano Macau registou um número anormal de casos de14 abuso sexual. Isto não quer dizer que no território tenha proliferado o número de predadores sexuais, mas que a sociedade evoluiu para condenar este tipo de práticas ao ponto de as expor e punir. Condena-se em vez de se votar esta realidade ao silêncio e à obscuridade, como um tabu vergonhoso que é terreno fértil para a impunidade. Em tempos felizmente idos, estes crimes hediondos ficavam fechados à chave sobe o disfarce de defesa da privacidade e nunca se fazia nada. Mas o progresso moral é imparável, estamos sempre a evoluir, mesmo no meio de tanta guerra e barbárie. A subida faz-se aos solavancos, com alguns recuos, mas faz-se... inevitavelmente. João Luz
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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Navarro; José Simões Morais; Luis Carmelo; Michel Reis; Nuno Miguel Guedes; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; João Romão; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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opinião 17
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confeitaria
JOÃO ROMÃO
C
OM limitado conhecimento da gastronomia japonesa e dos restaurantes locais, foi num restaurante de sushi que jantei na primeira noite que passei no Japão. Sentado ao balcão, fui escolhendo as peças que o chefe preparava, até que chegou o inevitável momento em que me perguntou de onde vinha. Disse-lhe que era português e a resposta foi imediata e surpreendente: Ah, Francisco Xavier! Habituado como estava, nos vários países por onde fui antes passando, a só ver reconhecidas figuras do universo futebolístico nacional - ou eventualmente Saramago e Pessoa, em contextos mais específicos - não pude evitar a surpresa de tal referência histórica, em conversa informal com o chefe que ia proporcionando deliciosas iguarias. Viria depois a perceber que é comum no Japão este conhecimento do jesuíta português que em 1549 desembarcou em Kagoshima (perto de Nagasaki) para se tornar o primeiro padre cristão em território japonês. Tive mais tarde a oportunidade de visitar Nagasaki, hoje a cidade da paz, que os acasos climatéricos fizeram com que fosse bombardeada quando já a II Guerra Mundial parecia irremediavelmente perdida pelo exército japonês. Era Fukuoka o alvo da segunda bomba atómica que explodiu no Japão e foi o nevoeiro que cobria a cidade e prejudicava a visibilidade que levou à opção pelo plano alternativo, provocando a destruição de Nagasaki. Além dos impressionantes memoriais deste momento atroz na História da Humanidade, a cidade guarda ainda outras memórias, como a dos 26 mártires cristãos, entretanto feitos santos, mortos após a ilegalização do cristianismo, durante a perseguição aos cristãos recentemente mostrada no cinema com a adaptação por Martin Scorcese do magnífico romance “Silêncio”, escrito pelo japonês Shusako Endo. Apesar da proibição, o culto cristão havia de permanecer clandestinamente em pequenas povoações próximas de Nagasaki, o que é hoje assinalado em diversas igrejas e monumentos. A importância religiosa de Nagasaki está naturalmente ligada ao porto, onde chegaram os mercadores portugueses, o primeiro povo europeu a pisar as terras do Sol Nascente. Ainda que tenha sido Fukuda a acolher as primeiras embarcações, o porto de Nagasaki viria a abrir em 1571 e a tornar-se desde então um ponto privilegiado para o comércio com a Europa. Hoje assinalado como um importante elemento histórico da cidade (e atração turística), o porto de Dejima (uma ilha artificial) foi construído em 1634 para acolher as mercadorias e os mercadores portugueses, incluindo as necessárias
Palavras perdidas
infraestruturas e também residências para comerciantes e comandantes dos navios. Não duraria muito, no entanto, esse privilégio atribuído a Portugal: com a intensificação da perseguição religiosa, os mercadores portugueses seriam banidos e a partir de 1639 o porto seria usado apenas por embarcações chinesas e holandesas, passando a Holanda a ter o privilégio do comércio com a Europa. Hoje, o porto de Dejima, reconstruído em parceria com uma Universidade holandesa, é um monumento nacional que recria uma aldeia dos Países Baixos, com a sua típica arquitectura e objectos decorativos.
Com a intensificação da perseguição religiosa, os mercadores portugueses seriam banidos e a partir de 1639 o porto seria usado apenas por embarcações chinesas e holandesas, passando a Holanda a ter o privilégio do comércio com a Europa
Outro ilustre português - Wenceslau de Moraes, cônsul no Japão durante mais de vinte anos desde o final do século XIX e que haveria de aí morrer em 1929 - adianta uma explicação para a preferência dos japoneses para o comércio com a Holanda. Conhecedor da língua japonesa, Moraes dedicou grande parte da sua vida ao estudo da história do país e, segundo conta no seu “Relance da História do Japão”, um encontro entre um “shogun” (a figura nomeada pelo imperador japonês para administrar o país) e um mercador castelhano terá sido decisivo. Perguntado sobre a dimensão do reino de Castela, o mercador terá descrito as terras conquistadas na América Latina, levando o “shogun” a questionar como era possível a um só rei ter conquistado tão vastos territórios. Terá o mercador respondido que primeiro eram enviados os padres e só depois os exércitos, o que leva Moraes a especular que essa terá sido a principal razão para que no Japão se substituíssem os mercadores portugueses pelos holandeses, mais virados para o intercâmbio comercial do que para a exportação de religiões. Hoje é notória a presença holandesa em Nagasaki, com o porto de Dejima, lojas e restaurantes de nome holandês e até a reprodução de uma mini-cidade holandesa
como parque temático para turistas nos arredores da cidade. Já a presença histórica portuguesa é muito pouco visível nas cidades do Japão, apesar das discretas estátuas que homenageiam Francisco Xavier - na povoação de Hirado, onde terá feito várias missas - e Wenceslau de Moraes - em Tokushima, onde está sepultado com a esposa e a sobrinha, ambas japonesas. Sobram as palavras, que foram ficando, com mais ou menos felizes adaptações: botan (botão), kapitan (capitão), kappa (capa, que corresponde ao que é mais comum hoje designar como gabardina), koppu (copo) ombu (ombro), pan (pão) ou tabaku (tabaco) seguem de perto a fonética e o significado corrente em português; já Bidoru designa vitral, e não vidro, “tempura” designa as frituras de peixe e vegatais, inspirando-se nas têmporas, dias de jejum em que os cristãos não comiam carne, enquanto o popular doce que sabem ser de origem portuguesa e que no Japão é designado como “kasutera” corresponde ao que em Portugal chamamos pão-de-ló, para grande desgosto da população japonesa, que esperava estar a usar uma palavra genuinamente portuguesa. Pela minha parte, fico pelos confeitos, também comuns às línguas portuguesa e japonesa, para dar o tom a esta confeitaria.
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12.10.2018 sexta-feira
A questão da “In his book Collapse, Jared Diamond (2005) lists eight environmental problems that contributed to the collapse of past civilizations: deforestation and habitat destruction, soil problems (erosion, salinization, and soil fertility losses), water management problems, overhunting, overfishing, effects of introduced species on native species, human population growth, and increased per capita impact of people. For modern civilization, Diamond adds four new global problems: human-caused climate change, buildup of toxic chemicals in the environment, energy shortages, and full human utilization of the earth’s photosynthetic capacity.” Sustainability: An Environmental Science Perspective 1st Edition John C. Ayers
A
sustentabilidade que os cientistas definem como a capacidade de os ecossistemas saudáveis, continuarem a funcionar, interminavelmente, tornou-se um aviso para os negócios. Se considerarmos o ambicioso projecto “Ecomagination” da General Electric, os esforços da Coca-Cola para proteger a qualidade da água, a tentativa da Wal-Mart de reduzir o desperdício de embalagens e a remoção de produtos químicos tóxicos da Nike dos seus calçados, chegamos à conclusão que esses e outros esforços louváveis são passos em uma estrada descrita pela gigante de alumínio Alcan, no seu último relatório de sustentabilidade corporativa, de como a sustentabilidade não é um destino, mas sim uma caminhada contínua de aprendizagem e mudança. A Alcan, infelizmente, estava errada, pois na melhor das hipóteses, a visão de sustentabilidade como uma viagem interminável de etapas adicionais, é um prejuízo para os líderes empresariais que procuram criar uma ruptura entre a economia e a ecologia, mas mais cedo ou mais tarde e na pior das hipóteses, serve como desculpa para a inacção quando se trata de construir um negócio verdadeiramente sustentável. É de acreditar que a sustentabilidade não deve ser um objectivo distante e enevoado, mas sim um destino real. Tal visão surgiu de uma pesquisa iniciada na década de 1980, que tinha por fim ajudar a limpar a falta de organização tóxica das empresas da Fortune 500 e que inspirou a lançar um longo esforço para se descobrir a verdadeira base da sustentabilidade, o que levou à realização de centenas de entrevistas com líderes empresariais, cientistas, engenheiros, académicos, projectistas e arquitectos, tendo-se chegado à conclusão de que se conhecia exactamente como é a sustentabilidade no planeta Terra, como um modelo perfeito, refinado por milhares de milhões de anos de tentativas e erros, sendo a
biosfera do nosso planeta, definida em 1875 pelo geólogo Eduard Suess, como o lugar na superfície da Terra onde a vida habita. Os pesquisadores apenas recentemente começaram a explorar como a tecnologia da natureza pode ser imitada, e posta ao serviço da produção e comércio sustentáveis. A complexa biosfera auto-reguladora da Terra é, em essência, um sistema operacional brilhante que formou a vida prolífica, sem interrupção por mais de 3,5 mil milhões de anos. Ao estudar os princípios interdependentes que colectivamente representam a sustentabilidade da Terra, os líderes empresariais podem aprender a construir produtos ecologicamente correctos, que reduzem os custos de produção e demonstram ser altamente atraentes para os consumidores.
Além disso, as empresas não precisam de esperar por uma revolução tecnológica verde para implementar práticas de produção que sejam sustentáveis e rentáveis, pois podem aplicar as lições da biosfera à tecnologia industrial actual. É de considerar que existem três importantes regras da biosfera e as empresas empreendedoras estão a adaptá-las, tendo lucros ambientais e económicos, existindo a necessidade de ser descritivo e não prescritivo, pois os líderes empresariais necessitarão de interpretar e traduzir a arquitectura da natureza para os seus modelos de negócios, e as empresas obviamente terão que resolver inúmeros desafios antes que essas regras possam ser totalmente implementadas. Seguir as regras vai contra a
prática padrão, e a mudança é sempre difícil. Todavia, as empresas acabarão por não ter outra opção senão adaptar-se a um mundo, em que os encargos materiais e energéticos das economias em desenvolvimento, estão a sobrecarregar o nosso planeta e a criar condições de mercado voláteis. Assim com a China, Índia, Brasil e Rússia a industrializaram-se rapidamente, as procuras adicionais obrigarão as empresas a desenvolver plataformas de produção mais sustentáveis. Os primeiros impulsionadores que podem alinhar as suas estratégias de produção com as leis da natureza serão os vencedores. As regras para o sistema operacional da biosfera são construídas sobre a bio-lógica, que a natureza usa para criar a vida e estruturar os ecossistemas, e em
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sexta-feira 12.10.2018
perspectivas
JORGE RODRIGUES SIMÃO
sustentabilidade (I)
contraste com a indústria-lógica da produção humana, que pressupõe que materiais em grande parte sintéticos devem ser montados ou moldados em formas desejadas, a bio-lógica constrói objectos de baixo para cima, contando com a nanotecnologia sofisticada para montar organismos molécula por molécula. É alimentada por nada mais que raios de sol, podendo a natureza produzir milagrosamente uma árvore ou um cacto. Este processo de vida ocorre silenciosamente e usa uma simples placa de materiais, extraídos do ar e da água, como meio de produção, sendo que a primeira regra é o uso de uma placa económica. Os elementos da tabela periódica, do actínio ao zircónio, são os blocos de construção de tudo o que vemos.
Surpreendentemente, porém, dos mais de cem elementos, a natureza optou por usar apenas quatro, que são o carbono, hidrogénio, oxigénio e nitrogénio para produzir todos os seres vivos. Se adicionarmos um
pouco de enxofre e fósforo, teremos 99 por cento do peso de todos os seres vivos do planeta. O teólogo escolástico inglês Guilherme de Ockham, do século XIV, derivou a sua
Quando um organismo morre, a biosfera recupera os seus materiais e reinsere-os nos seus processos de produção. A natureza repetidamente reutiliza esses materiais no crescimento e desenvolvimento evolucionários, continuamente fazendo-os circular. O ciclo biológico mantém o valor dos materiais entre gerações de produtos reciclados sem perda de qualidade ou desempenho. O ciclo oposto, em contraste, destrói o valor original, como quando um invólucro de computador de plástico é derretido
“Lex Parsimoniae” da afirmação de Aristóteles de que quanto mais perfeita a natureza é, menos meios requer para a sua actividade, e actualmente dizemos, simplesmente, que o menos é mais ou seja, é o princípio de resolução de problemas em que a solução mais simples tende a ser a correcta, e quando apresentado com hipóteses concorrentes para resolver um problema, deve-se seleccionar a solução com o menor número de hipóteses. A simplicidade elegante da biosfera é exactamente o oposto da abordagem adoptada pelos fabricantes que aceitam prontamente cada novo material sintético, do Teflon ao Kevlar, que a ciência apresenta ao público. O impulso é compreensível e diferentes materiais, adicionam distintas características de desempenho. Se observarmos um pacote de leite, ainda que pareça uma embalagem simples, é na verdade, uma sanduíche altamente elaborada de materiais finamente fatiados, cada um desempenhando uma função diferente. A camada mais interna pode ser de um plástico especial que não reage aos componentes electrónicos e sobreposta tem uma camada de material que impede a humidade, seguida de uma fina camada de folha de metal para manter a luz solar, tendo sobreposta uma camada que aceita a impressão para mensagens de marketing. As camadas claras no exterior impedem a impressão de ser removida, e qualquer projectista habituado a usar a quase infinita série de materiais especiais da indústria sentiria o prejuízo de não retirar toda a vantagem que oferecem. É de entender que há uma razão primordial para imitar a parcimónia da natureza, pois facilita a reciclagem. (Em contraste, a fina camada de folha metálica em um invólucro de madeira não pode ser recuperada economicamente.) Além disso, a paleta simples da natureza resulta em produtos muito mais avançados do que os produzidos pela ciência industrial humana. Os moluscos produzem madrepérola duas vezes mais dura que a melhor cerâmica da ciência. As aranhas podem rolar a seda que é mais forte que o aço e leve o suficiente para flutuar ao vento. A natureza sugere que o potencial para usos inventivos de materiais facilmente reciclados é enorme. A segunda regra é o ciclo biológico da integridade. A padronização garante que as matérias-primas estejam sempre disponíveis para os organismos, e não precisam de ser enviados ou classificados. Quando um organismo morre, a biosfera recupera os seus materiais e reinsere-os nos seus processos de produção. A natureza repetidamente reutiliza esses materiais no crescimento e desenvolvimento evolucionários, continuamente fazendo-os circular. O ciclo biológico mantém o valor dos materiais entre gerações de produtos reciclados sem perda de qualidade ou desempenho. O ciclo oposto, em contraste, destrói o valor original, como quando um invólucro de computador de plástico é derretido. (continua)
A coisa boa que a ciência tem é que é verdade quer você acredite quer não. PALAVRA DO DIA
Galgos Procedimentos contra Yat Yuen iniciados
HOJE MACAU
Neil deGrasse Tyson
Piscinas Governo aplica sanções até final do ano
O presidente do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), José Tavares, afirmou ontem que foram iniciados os processos de audiência no âmbito do caso contra a Yat Yuen por abandono dos galgos, garantindo, porém, que tal não vai travar os trabalhos para adopção dos animais. Segundo o jornal Ou Mun, José Tavares destacou que, nos últimos dias, têm sido adoptados cães, restando actualmente sensivelmente 490 no Canídromo. O mesmo responsável indicou ainda que as despesas de adopção serão suportadas pela Yat Yuen. De recordar que o IACM decidiu avançar com multas contra a empresa por abandono, as quais, segundo a lei, oscilam entre 20 mil e 100 mil patacas por cada animal. O valor em concreto ainda não foi definido, de acordo com José Tavares.
O Instituto do Desporto (ID) espera terminar o inquérito e aplicar sanções à empresa Surf Hong até ao final do ano, na sequência dos problemas que levaram à greve de 24 nadadores-salvadores e ao encerramento das piscinas Dr. Sun Iat Sen, junto às Portas do Cerco, e de Cheoc Van. “Temos exigido à empresa que fornece o serviço dos nadadores-salvadores que cumpra as exigências de acordo com o contrato. Ao mesmo tempo, estamos a tratar do processo interno e, se calhar, até ao final do ano vamos anunciar a punição. Isto porque eles não cumpriram as exigências do contrato”, disse, ontem, Pun Weng Kun. O presidente do ID negou também que neste momento esteja em cima da mesa a aplicação de sanções à empresa que não sejam multas: “Achamos que a sanção vai ser suficiente para resolver os problemas da empresa. Se isso não acontecer temos outras formas de actuar, mas neste momento não colocamos o cenário de não se resolver os problemas com a multa”, frisou.
Ensino superior Quase 34 mil beneficiaram de subsídio
Foram 33.788 os estudantes do ensino superior que beneficiaram do subsídio para aquisição de material escolar, no valor de 3.000 patacas, no ano lectivo 2017/18, informou ontem o Gabinete de Apoio ao Ensino Superior (GAES). Do total, 17.886 (52,9%) frequentavam instituições do ensino superior no estrangeiro. Segundo dados facultados pelo GAES, 9.080 estudavam na China, 4.828 em Taiwan e 1.847 em Hong Kong. Em Portugal era 317. Já em termos do grau académico, os dados indicam que a maioria dos beneficiários do subsídio frequentava licenciaturas (26.013), seguindo-se os mestrados (3.394) e doutoramentos (473). Os restantes diziam respeito cursos conferentes de outros graus, como bacharelatos.
LAG Recolha de opiniões até ao próximo dia 25
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Desde ontem e até ao próximo dia 25, o Governo está a recolher opiniões da população sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG), que se encontram em fase de elaboração, devendo ser apresentadas como é hábito em Novembro. Segundo um comunicado, divulgado pelo gabinete do porta-voz do Governo, ao longo de 15 dias, os residentes podem apresentar as suas opiniões através de uma página temática criada no portal do gabinete do Chefe do Executivo e na respectiva aplicação de telemóvel. A Direcção dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional tem também uma linha aberta com gravação de mensagens (28839919 ou 28844265), fax (28823426) e correio electrónico (comment@dsepdr.gov. mo) para o mesmo efeito.
sexta-feira 12.10.2018
Aviação Singapura/Nova Iorque é o voo mais longo GUIA BANCO DA CHINA PAGA MEIO MILHÃO PARA PROVA DE ATLETISMO
Circuito pedonal
O
Banco da China pagou 500 mil patacas para ser o principal patrocinador da Corrida Fun Run do Circuito da Guia, prova de atletismo que vai dar a oportunidade a duas mil pessoas de percorrerem a pé o traçado do Grande Prémio de Macau. O evento está agendado para 11 de Novembro, com partida às 06h30 da manhã, e o principal patrocinador foi apresentado ontem, em conferência de imprensa, que serviu também para entregar o cheque do patrocínio. “O nosso objectivo é fazer com que as pessoas possam viver as emoções da pista e para se sintam mais próximas do circuito da Guia”, disse Pun Weng Kun, presidente do Instituto do Desporto. Esta é a primeira vez que uma corrida de atletismo se rea-
liza no circuito da Guia e neste momento pode também ser a última. “É uma actividade organizada pela primeira vez, mas não sabemos se vamos repeti-la no futuro. Neste momento é apenas mais um evento que faz parte das celebrações da 65.ª edição do Grande Prémio de Macau”, explicou o responsável. A principal prova de automobilismo de Macau vai
“O nosso objectivo é fazer com que as pessoas possam viver as emoções da pista e se sintam mais próximas do circuito da Guia.” PUN WENG KUN PRESIDENTE DO INSTITUTO DO DESPORTO
realizar-se entre 15 e 18 de Novembro. Contudo, a corrida de atletismo está agendada para 11, um domingo. Pun foi questionado sobre a razão do evento acontecer quase uma semana antes das provas de automobilismo: “O Grande Prémio exige uma preparação muito grande. Por isso se fizéssemos a corrida mais perto das provas de automobilismos, haveria outros problemas, que assim não se colocam”, respondeu. As inscrições para a prova, que tem um percurso com 6,2 quilómetros, já estão encerradas. A partida está agendada para as 06h30 à frente do Edifício do Grande Prémio e os participantes vão ter um limite de uma hora e quinze minutos para completar uma volta ao percurso. J.S.F.
O mais longo voo comercial do mundo partiu ontem de Singapura com destino a Nova Iorque e percorrerá 16.700 quilómetros, sem qualquer escala, durante mais de 18 horas. O voo inaugural, operado pela companhia aérea Singapore Airlines, partiu às 23:35 locais do aeroporto internacional de Singapura, Changi, e deverá chegar 18 horas e 45 minutos depois ao Aeroporto Internacional de Newark em Nova Iorque. O serviço regular começa no dia 18 de outubro, segundo a agência EFE. Segundo a companhia aérea, o Airbus A350-900ULR transportará 161 passageiros, 67 deles na classe “business” e outros 94 em “premium economy”, tem mais espaço e um design especial para reduzir o conhecido “jet lag”. Até agora, o voo mais longo do mundo era o da companhia aérea australiana Qatar Airways que liga Doha à cidade de Auckland, na Nova Zelândia, um voo de 17 horas e 15 minutos que percorre uma distância de 14.200 quilómetros.