Skip to main content

Hoje Macau 12 OUT 2015 #3431

Page 1

Regras da pintura

mong há

Às voltas com a cultura

sociedade Pág.9

Agência Comercial Pico • 28721006

pub

h

jing hao

Mop$10

www.hojemacau.com.mo

opinião

Director carlos morais josé

Nobel político Abstracção geopolítica rui flores

Jorge rodrigues simão

s e g u n d a - f e i r a 1 2 d e o u t u b r o d e 2 0 1 5 • ANO X V • N º 3 4 3 1

relatório

Ng Lap Seng, o magnata ultra-tóxico sociedade Página

hojemacau

7

pub

Ter para ler

Saúde hospital das ilhas ainda sem prazo nem orçamento

Prognostico reservado ´

Há cerca de três anos os Serviços de Saúde anunciaram datas e uma estimativa de 10 mil milhões de patacas para a conclusão do novo Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. Hoje, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, afirma desconhecer os

detalhes do projecto e remete o assunto para o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas. Dos SS vem a garantia que o GDI se encontra a apreciar os projectos e que os custos e prazos de entrega só serão conhecidos após a realização do concurso público.

tiago alcântara

página 6

educação

Novos tempos, novas causas reportagem Páginas

2-3


reportagem

Os jovens de Macau não se assumem como consumistas e materialistas, mas estudos de académicos da RAEHK e da DSEJ dizem o contrário: os valores já não são o que eram e quem está agora na universidade prefere um emprego com boa remuneração a uma carreira de sonho

É

comum ouvir-se dizer que a sociedade chinesa está, há já alguns anos, imersa numa era de consumismo, onde as pessoas valorizam os bens materiais e o dinheiro acima de qualquer outra coisa. E há estudos que o comprovam - as tradições continuam, certamente, bastante demarcadas no país, mas é aos bens materiais que os mais novos se aliam. o HM foi tentar perceber se esta tendência também acontece em Macau ou se se cinge somente ao continente. Para os estudantes por nós ouvidos as coisas não são bem assim, mas para a professora do departamento de Comunicação da Universidade Baptista de Hong Kong, Kara Chan, esta é uma realidade já bastante visível. Há ano e meio, Chan publicou um estudo onde explora as diferentes fontes para a aquisição de valores materialistas entre os jovens da RAEM e a pesquisa, que data de final de 2013, mostra que o elemento que mais fomenta o materialismo entre os jovens – entre os 13 e os 20 anos de idade – é a relação entre pais e filhos e colegas de escola. Mas o documento enfatiza ainda uma forte influência da própria cultura. “A cultura Chinesa coloca muito ênfase na faceta social, pelo que a comparação social de consumo entre amigos é promovida”, refere Chan. Apoiado pelo Instituto Cultural, o estudo “Desenvolvimento de Valores Materialistas entre as Crianças e Adolescentes” determina que a grande maioria dos jovens debate, em conversas corriqueiras, as últimas compras e novidades de conhecidas marcas de roupa e sapatos.

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Educação Jovens de Macau dão prioridade a dinheiro e bens materiais por

A casa do vizinho e ´

“A troca de experiências de consumo espoleta o desejo de saber se os seus colegas e amigos compraram, ou não, determinados objectos de certas marcas”, informa.

Os valores aqui tão perto

Um dos obstáculos à obtenção de dados honestos foi, de acordo com Chan, o facto do estudo consistir num questionário preenchido pelos alunos: estes sentem a necessidade de fazer com que as suas respostas correspondam à ideia social que se quer fazer passar. Foi precisamente isso que aconteceu com os alunos entrevistados pelo HM: a grande maioria não se perspectiva como consumista, mas admite viver num ambiente escolar do género. O intervalo para almoço varia de escola para escola, mas os jovens de t-shirt branca e calções azuis, do Instituto Salesiano de Macau, enchem as ruas de São Lourenço das 12h00 às 13h00. A meio caminho, o HM encontrou meia dúzia deles – literalmente –, mas só três puseram a vergonha de lado e decidiram dar o seu testemunho. Em causa está a vontade de seguir os estudos numa instituição de ensino superior ou, por outro lado, a preocupação em arranjar um emprego que pague bem ao final do mês. “Todos queremos ir para a universidade”, declararam, sem hesitações. O primeiro no palan-

“A maioria dos jovens, incluindo eu, quer ganhar mais dinheiro para gastar em coisas de que realmente gostamos, até porque há quem compre só porque os outros têm também, como casas ou automóveis. (...) Conheço muita gente que age por imitação, por vezes sem pensar no seu próprio poder de compra” Célia Estudante de Tradução no Instituto Politécnico de Macau

que foi Larry, que admite querer um bom ordenado, mas não sem primeiro estar a fazer o que gosta. “O ideal seria poder juntar as duas coisas”, explica. A ideia, dizem todos, é ingressar na faculdade. Uns querem o curso de Comunicação e há mesmo quem vejo nos seus docentes um modelo a seguir: “quero estudar para um dia ser professor”, diz-nos Ronaldo. “Quero estudar fora, mas depois voltar para Macau e exercer aqui a minha profissão enquanto professor.” No que diz respeito ao valor dado ao dinheiro, Larry afirma não dar “grande importância”, pelo que prefere saber que faz o que gosta ao invés de ter um cheque chorudo ao final do mês. Os estudantes, que frequentam os 11º e 12º anos do Instituto Salesiano, afirmam que o dinheiro não traz felicidade, mas dois dos cinco amigos já têm um part-time e usam o ordenado para comprar “coisas na internet”. A Escola Secundária Estrela do Mar, junto ao Largo do Lilau, é, ao contrário dos Salesianos, mista. À porta estavam Catarina e Leong Iok I, que contam histórias diferentes para um futuro próximo. Ainda o 11º vai a meio e a primeira aluna está certa do que quer: “Quero estudar Medicina fora de Macau”, começa Catarina por dizer. “Não me importo onde tiro a licenciatura, mas o mestrado tem que ser tirado num sítio de renome”, acrescenta. Questionada sobre as suas prioridades, Catarina aponta que prefere um “emprego adequado às suas capacidades do que um que pague bem”. O estudo de Kara Chan determina que a atitude dos pais face ao consumismo influencia em muito a forma como os jovens perspectivam o futuro e reagem em sociedade. “Uma vez que a comparação social de consumo tem um forte efeito directo no apoio de valores materialistas, os pais e educadores deviam desencorajar as crianças e os jovens a comparar padrões de consumo e bens com os seus amigos”, aponta Chan. Mas os pais de Catarina não se identificam neste padrão... pelo menos não totalmente. “Os meus pais são liberais nessa matéria, preferem que escolha uma coisa que eu goste, mas também já deixaram a ideia de que seria bom juntar uma boa carreira com um bom ordenado”, adiantou a jovem.

De dentro para fora

“Os jovens de Macau estão, definitivamente, mais materialistas”, começa por dizer ao HM um

hoje macau

2

professor de apelido Au. Especialista em Música e membro de um grupo de aconselhamento juvenil dos Salesianos, Au confessa debater-se frequentemente com este problema. “Os jovens fazem comparações, entre si, dos bens materiais que têm e isso vê-se nos trabalhos que os professores mandam fazer”, explica. “Entre eles, focam-se muito no dinheiro e olham para os bens materiais como símbolo de riqueza”. O docente vê a sociedade e o ambiente familiar como os principais influenciadores desta tendência. E diz que esta começa a tornar-se visível entre o 8º e o 9º ano. Questionado sobre a existência de valores sociais entre estes

“Os jovens de Macau estão, definitivamente, mais materialistas. Fazem comparações, entre si, dos bens materiais que têm e isso vê-se nos trabalhos que os professores mandam fazer” Au Professor e membro de um grupo de aconselhamento juvenil dos Salesianos


reportagem 3

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

“influência social”

melhor que a minha tracção do matrimónio parece ter crescido cerca de 5%, com 65,3% dos inquiridos a concordarem com o casamento. O mesmo estudo parece mostrar uma maior confluência entre os valores tradicionais na China e da globalização: assim, junta-se a vontade de esperar para ter relações sexuais depois do casamento, com a de optar por um emprego que pague bem. É que o mesmo estudo mostra um claro aumento nos alvos das despesas destes jovens : cerca de 58,7% e 48,7% dos jovens dão prioridade à compra de acessórios de entretenimento e peças de vestuário.

Um curso no papel

alunos, Au refere que ainda não conseguiu determinar se os jovens seguem algumas destas premissas, como são a preocupação com os mais velhos, a contribuição para a economia do lar, entre outras. Além de alunos de escolas secundárias, o HM também entrevistou jovens universitários. Célia é estudante de Tradução no Instituto Politécnico de Macau (IPM) e concorda com a tendência de consumismo desenfreado em Macau. “A maioria dos jovens, incluindo eu, quer ganhar mais dinheiro para gastar em coisas de que realmente gostamos, até porque há quem compre só porque os outros têm também, como casas ou automóveis”, começou por dizer. Célia

criticou esta vertente social que, diz, tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos. “Conheço muita gente que age por imitação, por vezes sem pensar no seu próprio poder de compra”, adiantou. “Há mais pessoas a querer frequentar cursos, mas por crerem que dá um certo status quo”, acrescentou a finalista.

Remuneração acima de tudo

Em 2012, num universo de mais de 3100 jovens residentes, nota-se uma clara propensão para priorizar uma alta remuneração e uma carreira estável. Estes dois elementos sobrepõem-se às preocupações com a saúde ou as relações interpessoais. As informações foram publicadas num estudo realizado

há dois anos e meio pelo Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau. Embora apenas 2% da população juvenil tenha sido inquirida, os dados não enganam: uma esmagadora maioria destes jovens concorda com a persecução dos estudos – 77,5% – e mais de metade deles concorda que “quando escolhem um emprego, a primeira coisa a ponderar é a remuneração”, um resultado que o Gabinete afirma ser semelhante ao verificado em 2010. Quando questionados acerca das prioridades futuras, uma esmagadora maioria de 84,2% aponta os estudos e uma carreira como o elemento mais importante. Comparativamente, a vontade de formar família através da con-

Se se tomar como base as declarações do professor Au e dos dois estudos aqui referidos, pode dizer-se que um curso superior é das etapas mais importantes para os jovens locais, mas nem sempre para seguir à risca as saída profissionais que dita. Isto porque, de acordo com o estudo do Gabinete, a maioria pretende ter uma conta bancária gorda, a desempenhar o trabalho dos seus sonhos sem grandes expectativas salariais. Segundo dados fornecidos ao HM pelo Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, o número de novos alunos locais em instituições universitárias pouco cresceu desde há cinco anos. No ano lectivo 2010/2011 estavam 17.300 pessoas inscritas em instituições de ensino superior locais, número que não difere em muito com os 18.600 que deram entrada no ano lectivo passado. A área que mais estudantes junta é a de Comércio e Gestão. Há cinco anos, 16.400 dos mais de 17 mil optaram por esta área. Já o curso mais requisitado é o mestrado em Gestão de Empresas, no qual entraram 4400 alunos na Universidade Cidade de Macau (UCT) em 2010 e outros três mil na Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST). Ao contrário do que se poderia pensar, são estas as duas universidades que lideram o ranking de inscrições, segundo o GAES. Os dados não mostram sequer a Universidade de Macau, que no ano passado estreou o seu novo campus na Ilha da Montanha, prevendo aumentar exponencialmente o seu corpo estudantil.

Ajuda externa

De entre as soluções de Kara Chan para colmatar este problema que considera estar a “crescer pro-

“Uma vez que a comparação social de consumo tem um forte efeito directo no apoio de valores materialistas, os pais e educadores deviam desencorajar as crianças e os jovens a comparar padrões de consumo e bens com os seus amigos” “O Executivo deve dar início a um programa educativo para as crianças de Macau no sentido destas desenvolverem uma atitude saudável em relação ao dinheiro, à gestão financeira e à aquisição de bens materiais” Kara Chan Professora do departamento de Comunicação da Universidade Baptista de Hong Kong

gressivamente”, está uma maior atenção dos pais e professores às crianças, de forma a que seja possível moldar-lhes os valores fora do círculo do consumismo e da comparação social. “Os pais e educadores deviam ajudar os jovens a distinguir entre ‘querer’ e ‘precisar’, discutindo com eles como lidar com o seu próprio estatuto social de bens materiais”, aponta a académica de Hong Kong. A directora do departamento de Comunicações adianta uma outra sugestão interessante, desta vez dirigida ao Governo local. “O Executivo deve dar início a um programa educativo para as crianças de Macau no sentido destas desenvolverem uma atitude saudável em relação ao dinheiro, à gestão financeira e à aquisição de bens materiais”. Leonor Sá Machado (com Flora Fong) Leonor.machado@hojemacau.com.mo


4

política

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Segurança Já há planos para gestão das águas. Falta de pessoal leva a ajustes

Preparados para todo o serviço

J

á há planos traçados para as águas marítimas que ficarão sob a jurisdição de Macau, no final deste ano. Isso mesmo disse Wong Sio Chak, Secretário para a Segurança, que admitiu ainda haver falta de pessoal na sua tutela. Face ao pedido do Governo junto de Pequim para a gestão de águas, os Serviços de Alfândega (SA) estão preparados para discutir mudanças na forma de cooperação, diz o Secretário. “Os SA encontram-se preparados [para responder aos trabalhos de gestão], designadamente na área de formação de pessoal e instalação de equipamentos, entre outros”, referiu, citado em comunicado. À margem da cerimónia de encerramento do Curso de Formação de Instruendos, o Secretário revelou que os SA têm mantido negociações com os serviços competentes da China

gcs

O Governo prepara-se para ajustar o modelo de cooperação com a China após ser autorizado a gerir águas marítimas. A falta de pessoal na Segurança leva a ajustamentos, bem como o aumento de migração ilegal, que vai originar a revisão das leis

interior sobre um modelo de cooperação, que deverá ser diferente do actual, uma vez que Macau vai poder gerir águas marítimas pela primeira vez. “Os SA dispõem de um plano de trabalho e estão a

Migração ilegal traz alterações à lei Wong Sio Chak quer rever a Lei da Imigração Ilegal e da Expulsão, de forma a analisar a viabilidade de aumentar o período de detenção de 60 para 90 dias. O Secretário para a Segurança quer “elevar a eficácia da lei” devido ao aumento de pessoas que têm vindo de forma ilegal para Macau. Wong Sio Chak, que frisou que a migração ilegal está cada vez mais complexa, mostrou-se preocupado com o aumento de casos de tráfico de droga de jovens da região vizinha para a Macau e disse que irá continuar a reforçar o intercâmbio de informações entre os territórios que fazem fronteira com Macau.

discutir com outros serviços competentes da China interior uma mudança no modelo de cooperação. Assim que houver novidades [serão] divulgadas mais informações.”

Segurança sem pessoal

Apesar da formação de pessoal estar em curso, o Secretário admitiu que vários serviços da sua tutela ainda têm falta de recursos humanos. No entanto, o responsável diz que é impossível reduzir os critérios para recrutamento e o tempo de formação, pelo que “há dificuldades” na contratação. A solução poderá estar no ajustamento dos cursos. “Perante a falta de pessoal, a partir do próximo ano, vai

proceder-se a ajustamentos no recrutamento para o Curso de Formação de Instruendos, ou seja, passa de três fases bianuais para duas fases por ano. No entanto, mantém-se inalterável o período de formação, ou seja oito meses, para garantir a qualidade de formação e colmatar a escassez de recursos humanos”, anuncia o Governo. Wong Sio Chak disse ainda que vai aumentar o investimento nas tecnologias para elevar a capacidade de aplicação da lei e melhorar a performance das autoridades com o mínimo de pessoal possível.

Entre adiamentos e negociações O Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, revelou recentemente que o maior dos cinco terrenos – onde se encontra a Central Térmica, na Avenida Venceslau Morais – não começou ainda a negociação com a empresa, pelo que não se poderia comprometer com a recuperação do lote já este ano. Zheng Anting questiona porque é que o Executivo atrasou a recuperação do lote e quer saber quais são as dificuldades. O deputado quer ainda que o Governo responda se tem medidas alternativas para a construção das 4400 casas. Já Chan Meng Kam quer saber

O

deputado Ho Ion Sang diz que o Governo tem fornecido informações incompletas às Comissões de Acompanhamento da Assembleia Legislativa (AL), o que faz, diz, com que os deputados não consigam desempenhar bem o seu papel. Num balanço ao final da segunda sessão da 5ª Legislatura daAL, Ho Ion Sang admite que foram discutidas várias propostas de lei complicadas, como a Lei de Protecção dos Animais e a Lei contra a Violência Doméstica. Segundo o Jornal Ou Mun, sendo presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas, o deputado considera que o Governo não aproveita o papel de plataforma das Comissões e diz que

como é que o Governo vai conseguir reservar terrenos em tempo oportuno para estas fracções, acrescentando que espera que o Governo comece o mais rápido possível com a nova fase de atribuição de casas, depois do sorteio da semana passada. Este ano, a CEM revelou que iria desactivar a Central Térmica de Macau precisamente para que o terreno pudesse ser aproveitado para a construção de habitação pública, finalidade que estava já prevista há alguns anos. Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

as informações apresentadas nas discussões nunca são completas, sendo que algumas tinham já sido publicadas anteriormente. O deputado considera que as Comissões não conseguem fazer, por isso, o Governo aumentar a transparência na governação. Ho Ion Sang espera também que o Governo publique dados sobre os restantes 65 terrenos que fazem parte dos 113 lotes cuja situação de utilização não foi cumprida. F.F.

Hong Kong e Macau assinam acordo na área comercial

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Habitação Deputados questionam atraso na recuperação de lote da CEM

s deputados Zheng Anting e Chan Meng Kam querem saber por que é que o Governo ainda não conseguiu negociar a recuperação do terreno onde se encontra a Central Térmica da Companhia de Electricidade de Macau (CEM), na Areia Preta. Os dois deputados dizem não compreender o motivo que leva ao adiamento do assunto. Em duas interpelações escritas individuais, Zheng Anting e Chan Meng Kam lembram que o Governo prometeu este ano tentar reservar cinco terrenos para a construção de 4400 fracções de habitação pública. No entanto, o Secretário para

AL Ho Ion Sang acusa Governo de dar informações incompletas

M

acau e Hong Kong vão iniciar negociações para celebrar um “acordo a alto nível” para aumentar a cooperação económica e comercial entre as duas regiões administrativas especiais. O objectivo é promover a circulação de mercadorias, serviços e capitais. “O Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre Hong Kong e Macau visa proporcionar protecção legal no acesso aos mercados e promoção da facilitação do comércio e investimento, aumentando a competitividade de ambas as partes no

âmbito da cooperação regional”, pode ler-se num comunicado do Governo, que indica que as negociações vão ser iniciadas “oficialmente” no final do ano. O acordo “de alto nível” e conforme as regras da Organização Mundial do Comércio está já a ser alvo de consulta desde Agosto. Os destinatários englobam entidades públicas, sectores empresariais, associações juvenis e entidades académicas e, das opiniões recolhidas até agora pela Direcção dos Serviços de Economia, o acordo “deverá estreitar ainda mais a cooperação económica e comercial entre as duas partes, reforçando a competitividade global entre Hong Kong e Macau”. Esta é uma extensão ao acordo CEPA entre Hong Kong e Macau e, além da facilitação no comércio, contém ainda assuntos relacionados com a propriedade intelectual. J.F.


política 5

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

EUA Relatório fala em intervenção para “reformas democráticas”. Governo repudia

Os suspeitos do costume Os EUA consideram que devem ajudar Macau a atingir um patamar mais alto de democracia e alertam a RAEM para a eventual perda de autonomia com a concretização de acordos com a China. O Governo reage e diz aos EUA para se preocuparem com o país deles

O

s EUA sentem que devem aumentar o apoio “a reformas democráticas em Macau” e a “promover o desenvolvimento democrático” de Hong Kong. No mais recente relatório sobre direitos humanos do Congresso norte-americano, os Estados Unidos alertam o território para ter cuidado com acordos políticos com a China continental, que podem, dizem, “fazer Macau perder a autonomia”. Entre casos que servem como exemplo em quase todos os re-

centes relatórios anuais dos EUA sobre Macau, surgem novas considerações face ao território no documento dado a conhecer no sábado: “a vontade das autoridades de Macau em estabelecer um acordo de extradição com a China continental levanta preocupações face aos direitos dos indivíduos de Macau que possam enfrentar a extradição e a autonomia de Macau relativamente à China”, pode ler-se no relatório. A China e Macau estão a tentar assinar um acordo que vai permitir a extradição de indivíduos que cometeram crimes no continente e que conseguiram escapar para o território, mas os EUA mostram-se preocupados com o facto de que o recente caso de entrega de um suspeito detido em Macau às autoridades chinesas – de forma alegadamente ilegal – se torne um exemplo.

Ajudar o próximo

O relatório recomenda que os EUA aumentem “o apoio a reformas democráticas em Macau” e que “pressionem” o Governo da RAEM para que este indique um calendário específico para o estabelecimento do sufrágio universal, como tem vindo a ser defendido pela Comissão dos Direitos Humanos das Nações Unidas. O Congresso assume que Macau não registou quaisquer progressos em relação a esta questão. Esta é uma das recomendações que tem vindo constantemente a

“Queixam-se de serem, repetidamente, alvo de intimidação por parte das autoridades (...) e destas darem ordens verbais em vez de escritas, o que torna difícil a contraposição dessas ordens em tribunal”, pode ler-se no documento, que indica que foi pedido a estes activistas que fossem “comedidos” nas demonstrações que fazem. O documento cita ainda “queixas da Associação de Jornalistas de Macau” sobre o “aumento da auto-censura na TDM”, apesar de admitirem que há liberdade de imprensa no território. Os EUA apontam ainda os casos de impedimento de entrada de jornalistas de Hong Kong em Macau.

Não metam a colher

ser repetida nos relatórios norte-americanos sobre a China, à semelhança de outras críticas também escritas no relatório de 2014. Outro dos exemplos é a considerada falta

de liberdade política: o relatório indica que as pessoas de Macau não têm poder total para mudar o Governo e diz que activistas se sentem pressionados e intimidados.

Macaenses e portugueses “sentem-se rejeitados” O documento do Congresso norte-americano indica ainda que membros da comunidade portuguesa e macaense do território se sentem descriminados face ao tratamento recebido. Apesar dos esforços do Governo, aponta o relatório, “membros destes dois grupos continuam a queixar-se que não são tratados de igual forma pela maioria chinesa”. Alguns activistas, dizem os EUA, “indicam que empresas se recusam a contratar empregados que não sejam chineses”.

A falta de uma Lei de Violência Doméstica, os casos de despedimento de Eric Sautedé da Universidade de São José e de Bill Chou da Universidade de Macau são alguns dos outros problemas apontados, bem como o facto de Macau “continuar a ser um centro para violações ao controlo de capitais da China”, devido à indústria do Jogo, são outras das “preocupações” apontadas pelo Congresso. Em resposta, lançada em comunicado, o Governo rejeita todas as críticas dos EUA e diz que o país “não tem direito de ingerência nos seus assuntos internos”. O Executivo diz que o documento ignora factos, tece declarações irresponsáveis sobre a RAEM e profere acusações infundadas contra a mesma. “O Governo repudia terminantemente, frisando que Macau pertence à RPC e que os EUA não têm direito de ingerência nos seus assuntos internos.” Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

AL Visita a Pequim para aprofundar comunicação com Conselho de Estado

Lei Básica numa agenda preenchida O Jogo DICJ emitiu mais de 260 pedidos de exclusão

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) registou, entre Janeiro e Setembro, um total de 269 pedidos de exclusão de acesso aos casinos do território. Do total, 245 pedidos foram de auto-exclusão (ou 91%), enquanto os restantes 24 foram submetidos a pedido de terceiros, de acordo com dados publicados no ‘site’ da entidade reguladora. No primeiro trimestre do ano foram apresentados 89 pedidos, enquanto no segundo 94 e no terceiro 86. A manter-se o ritmo de pedidos de exclusão entre Outubro e Dezembro, o total de 2015 vai superar o contabilizado em todo o ano passado, quando foram submetidos 280 pedidos (contra 276 em 2013).

s deputados da Assembleia Legislativa (AL) estão em Pequim de hoje a 14 de Outubro. A visita, feita pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, tem como objectivo aprofundar as relações entre as figuras políticas das regiões administrativas especiais e a China continental. “A visita tem como objectivo reforçar a comunicação entre a AL e as diversas instâncias do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, com troca de opiniões sobre os âmbitos do planeamento, processo e técnica ao nível legislativo e ainda no tocante à fiscalização ao Governo e ao acompanhamento da aplicação das leis”, pode ler-se num comunicado do Executivo. Na agenda está ainda uma visita à Comissão da Lei Básica da RAEM, ao

Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional e ao Comité Permanente da Assembleia Popular Municipal de Pequim, bem como à cidade de Langfang, na província de Hebei.

Aprofundar conhecimentos

Outro dos objectivos é melhorar o conhecimento dos deputados da AL sobre a situação legislativa do interior da China e aprofundar a compreensão da política ‘Um País, Dois Sistemas’ e da Lei Básica da RAEM. Tudo para que “se possa exercer melhor a competência legislativa e de fiscalização”. A comitiva dos deputados é liderada pelo Presidente da AL, Ho Iat Seng, e acompanhada pelo subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Zheng Zhentao. Para a AL, a visita “reveste-se de grande importância”, até porque para

alguns deputados, como José Pereira Coutinho, deputado há mais de nove anos, esta foi a primeira vez que chegou um convite para uma visita desta natureza pelo Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado. “Não é por acaso que, neste momento, nos convidam a ir a Pequim”, diz Pereira Coutinho à Rádio Macau. “Trata-se de um encontro importante. Estas visitas têm sempre um objectivo político e de melhorar os canais de comunicação entre os deputados de Macau e o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado”, antecipa o deputado. Em declarações à Rádio Macau, Pereira Coutinho rejeita a ideia de que pode levar um “puxão de orelhas” de Pequim por querer ser deputado em Portugal. J.F.


Sociedade

Tanto o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura como o director dos Serviços de Saúde afirmam não ter conhecimento do orçamento para o novo hospital nem da data de conclusão. As Obras Públicas remetem explicações para o GDI, que afirma ter recebido apenas partes de projectos e de necessitar de tempo para avaliações e pareceres técnicos. Os SS comprometem-se a entregar tudo até Janeiro

E

m 2012 coube aos Serviços de Saúde (SS) anunciar as datas para a conclusão do novo Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, bem como uma previsão de orçamento: dez mil milhões de patacas. Anos depois, o Governo continua sem saber ao certo quanto custará o novo hospital do território nem quando poderá ficar concluído. Em conferência de imprensa, Alexis Tam, Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, disse desconhecer os novos detalhes do projecto. “Isso não depende de nós, mas do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI). Os SS são apenas utilizadores e não sabemos o andamento da obra e a data de construção. O projecto já foi entregue ao GDI. Nós todos somos utilizadores e não somos nós que vamos construir”, referiu Alexis Tam. Lei Chin Ion, director dos SS, garantiu que o GDI “está na fase de apreciação” dos projectos. “[O projecto do novo hospital] terá de passar por vários departamentos e depois vai ser realizado o concurso público. Tudo está dependente da realização do concurso público por parte do GDI, tal como o custo e o prazo de entrega”, explicou.

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Saúde Governo continua sem saber orçamento e prazos para novo hospital

Uma obra envolta em mistério

disse Lei Chin Ion, que destaca que cada uma destas fases costuma demorar, em média, meio ano. Após a avaliação há ajustamentos e só depois “quando se encontrarem reunidas as condições necessárias”, o Gabinete dará início ao concurso público para a construção.

GCS

6

Orçamento a subir

O HM contactou a tutela dos Transportes e Obras Públicas no sentido de saber mais detalhes sobre o orçamento, mas o Secretário Raimundo do Rosário remeteu explicações ao GDI. Em resposta ao HM, o organismo garantiu que, afinal, “até à data foram submetidos parte dos projectos” pelos SS. “Os projectos [de fundações] do Instituto de Enfermagem e do Edifício Residencial para Trabalhadores foram submetidos no quarto trimestre de 2014 e no segundo trimestre de 2015 iniciaram-se os respectivos trabalhos de construção de fundações. No segundo trimestre de 2015, recebemos os projectos de fundações do Hospital Geral e do Edifício de Apoio Logístico e também do Edifício de Administração e

Multi-Serviços e estima-se iniciar os respectivos trabalhos de construção [destas fundações] no final do corrente ano”, começa por dizer o organismo. Só no segundo e terceiros trimestres deste ano é que o Gabinete recebeu “parte dos projectos de super-estrutura dos edifícios” do Instituto de Enfermagem, do Edifício Residencial para Trabalhadores, do Hospital Geral e do Edifício de Apoio Logístico. Ontem, contudo, os SS admitiram querer entregar ao GDI, até Janeiro, todos os projectos que ainda faltam relativamente à construção do Hospital. Só aí poderá haver avanços. “A entrega será em Janeiro do próximo ano ao GDI para abertura do concurso público [para cons-

trução]”, disse o director dos SS, Lei Chin Ion.

Um grande bico de obra

Indicando que a obra tem 77 mil metros quadrados e é constituída por sete edifícios, praça, passagens superiores, vias rodoviárias e infra-estruturas de apoio, o GDI diz que o projecto é “de grande escala”, necessitando sempre de pareceres técnicos. Neste momento, o gabinete conta então com “parte dos projectos dos edifícios”, sendo que cada um “necessita de passar por um processo de avaliação em que é necessário recolher pareceres técnicos de mais de dez entidades”. Os SS dizem que “[a maioria dos serviços competentes] entregou parecer dentro de um mês”, como

Em Janeiro deste ano, os SS anunciaram que o orçamento global iria ser conhecido em meados deste ano, confirmando que as obras poderão estar concluídas em 2017, com excepção do hospital de reabilitação. Lei Chin Ion deu ainda a entender que o orçamento para o novo hospital pode vir a ser superior a dez mil milhões de patacas, à semelhança do que já tinha sido afirmado em Janeiro. “O preço de 2012 é diferente, já foi actualizado e já tem versões diferentes. O orçamento depende dos materiais que são usados no edifício e que serão aprovados, só teremos um orçamento mais concreto depois da abertura do concurso. O montante apresentado anteriormente é diferente.” A conferência de imprensa decorreu depois de Alexis Tam ter visitado as instalações do futuro Centro de Saúde Pública em Coloane, destinado ao tratamento de doenças infecciosas, bem como o serviço de Psiquiatria na Taipa e o novo alojamento para trabalhadores de emergência (ver textos secundários). Andreia Sofia Silva (com Joana Freitas e Leonor Sá Machado)

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Centro de doenças infecciosas em Coloane pronto até final do ano

Novos atrasos no São Januário A lexis Tam anunciou na sexta-feira que até finais deste ano estará pronto, em Coloane, o Centro de Saúde Pública, destinado ao internamento de portadores de doenças infecciosas. O projecto terá custado cerca de 340 milhões de patacas e terá capacidade para 60 camas. A nova unidade – localizada no Alto de Coloane – resulta da remodelação de um outro centro, também de recuperação de doenças infecciosas. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura confirmou, contudo, não haver ainda planos para a utilização do Centro de Saúde Pública em Coloane nas fases em que não se registem epidemias no território. “Acredito que se acontecer alguma epidemia em Macau este centro clínico vai ajudar imenso nos trabalhos de isolamento dos pacientes. As

instalações vão oferecer um espaço para os pacientes recuperarem, mesmo que, para já, não esteja prevista nenhuma epidemia em Macau”, frisou Alexis, acrescentando que este não é o único espaço dedicado às doenças infecciosas.

Atrasado pela cultura

Junto ao hospital Conde de São Januário deverá ser construído, em 2018, o Edifício de Doenças Infecciosas de Saúde Pública, o qual servirá para diagnosticar as doenças infecciosas e ser uma “instalação complementar de reabilitação”. O Edifício de Doenças Transmissíveis da Saúde Pública teve de ser submetido a uma nova concepção em 2008, por ser mais alto do que a lei permitia, o que causou o adiamento das obras. O local deverá estar pronto em 2018, depois de novos atrasos devido à necessidade de

elaboração de um parecer do Instituto Cultural por causa de duas casas que poderão ter valor histórico e que teriam de ser demolidas para o espaço nascer. A.S.S./L.S.M.

Serviço público de Psiquiatria sem problemas Alexis Tam garantiu que o serviço público de psiquiatria está bem e recomenda-se: no ano passado foram registados 1189 casos, o que, segundo os SS, representa uma diminuição de 2,1% face a 2013, números que “registam um declínio em dois anos consecutivos”. Há cerca de 12 mil casos a receber tratamento na consulta externa do serviço de psiquiatria, “correspondente a 1,9% da população local”, aponta o organismo.


sociedade 7

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

U

m relatório encomendado por uma operadora de Jogo descreve o empresário de Macau Ng Lap Seng, acusado pelos EUA de subornar ex-dirigentes da ONU, como “tóxico” devido a alegadas ligações a tríades e redes de prostituição. O relatório elaborado em 2010 pela empresa de investigação privada de Steve Vickers, antigo chefe do Gabinete de Informações Criminais da Polícia de Hong Kong, foi revelado há poucos dias pelo Programa de Jornalismo de Investigação da Universidade de Berkeley, Califórnia, e traça um perfil do magnata. A Sands quis avaliar os riscos de estabelecer negócios com Ng. A resposta foi clara: “A Internacional Risk sublinha que a reputação de Ng e as suas relações são bem mais tóxicas do que as do típico magnata chinês de Macau (...) Recomendamos à Sands que proceda com extremo cuidado em qualquer relação que estabeleça, já que associar-se com ele pode representar um grande risco à reputação” da empresa. Recorde-se que, segundo a imprensa, Ng Lap Seng seria a ligação de Leonel Alves, advogado da Sands, em Pequim para que fosse possível avançar com a venda dos hotéis do Four Seasons. No relatório de cerca de 70 páginas, Vickers revela como Ng é descrito na imprensa como um “senhor do crime de Macau” e uma das figuras que controlam o tráfico internacional de prostituição no território.

Má Fortuna, amor ardente

O seu Hotel Fortuna, diz o relatório remetendo frequentemente para artigos de jornais (alguns dos anos 1990), era frequentado por membros da tríade Shui Fong, à qual se suspeita que Ng pertença, segundo “uma fonte do Governo ligada à regulação de jogos de Macau”. Ng é descrito como bem conectado em termos políticos, tanto em Macau como na China – a discoteca do Hotel Fortuna era, aliás, muito frequentada por generais do Exército de Libertação Popular, indica o documento. Entre 1999 e 2000, Ng adquiriu 34,5% do capital da Teledifusão de Macau, 15% vendidos pelo antigo Chefe do Governo Edmund Ho, e 19,5% pelo magnata Stanley Ho. Foi responsável, em 2001, a par do Governo, pelo lançamento da Feira Internacional de Macau, que ainda hoje decorre anualmente. O relatório observa ainda que o empresário recebeu diversas medalhas e distinções de Macau e da China e também, em 2009, um prémio do Comité dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da Organização das Nações Unidas (ONU). São também conhecidas as suas doações ao Partido Democrático dos Estados Unidos nos anos 1990 e à Administração de Bill

Ng Lap Seng Relatório diz que empresário tem má reputação e ligações perigosas

Mais tóxico do que os tóxicos

ONU rejeita doação de 15 milhões de dól ares

Clinton, noticiadas na imprensa norte-americana por suscitarem suspeitas de que tivessem origem ilícita. Menos conhecido é o seu alegado envolvimento na aquisição daquele que viria a ser o primeiro porta-aviões chinês. Segundo apurou Vickers, Ng terá sido o empresário por detrás da compra, num leilão, de um antigo porta-aviões russo, o Varyag, em 1998. O negócio foi feito através de uma empresa registada em Macau chamada Chong Lot por 20 milhões de dólares, que declarara a intenção de converter o navio num casino flutuante.

“A Internacional Risk sublinha que a reputação de Ng e as suas relações são bem mais tóxicas do que as do típico magnata chinês de Macau” No entanto, o Varyag “está actualmente [em 2010] a ser requalificado e há especulações que se vá tornar um porta-aviões operacional nos próximos anos”. De facto, foi

apresentado ao mundo em 2012 com o nome Liaoning. Em Macau, onde Ng chegou em 1979, vindo do condado de Jiujiang, na província chinesa de Guangdong, construiu também o complexo residencial Windsor Arch. Em declarações ao jornal de Hong Kong South China Morning Post, Vickers reafirmou as conclusões do relatório, mas rejeitou comentar por motivos legais. Por seu lado, o advogado de Ng, Kevin Tung, disse ao jornal que os conteúdos do relatório são baseados em “rumores”, não sendo “admissíveis em tribunal nos Estados Unidos”. “As pessoas podem dizer o que

A Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) rejeitou uma doação do empresário Ng Lap Seng enquanto o também representante político de Macau está detido acusado de alegada corrupção. De acordo com a agência noticiosa France Press, o valor da doação era de 15 milhões de dólares americanos. O dinheiro era proveniente da Fundação Sun Kian Ip Group – a da empresa de Ng Lap Seng – e seria o remanescente de uma quantia anterior. Na sexta-feira, o escritório da ONU para a Cooperação Sul-Sul, a entidade mais mencionada no caso, disse que “não iria prosseguir” com a oferta da Sun Kian Ip. Em Abril, contudo, uma equipa da ONU tinha considerado a Fundação de Ng Lap Seng como “legítima”. A equipa – que veio especificamente a Macau com o propósito de avaliar a Fundação privada – considerou o empresário como “humilde, muito feliz por ter o encontro e por estar perto da ONU”, além de não ter sido detectado “qualquer problema”. Jorge Chediek, o novo director da Cooperação Sul-Sul da ONU, frisou ter encomendado a semana passada uma nova investigação interna a tudo o que esteja relacionado com a Fundação. A Sul-Sul recebeu 1,5 milhões de dólares da Fundação de Ng Lap Seng, sendo que faltariam estes 15 milhões. Chediek disse que se colocava a hipótese do dinheiro ser devolvido.

quiserem, [mas] sujeitam-se a acusações de difamação. Nesse sentido, não tenho nenhum comentário sobre essas alegações não fundamentadas”, afirmou. LUSA/HM

Tabaco Mais pessoas deixaram de fumar devido ao aumento do imposto

A

Associação para a Abstenção do Fumo e Protecção da Saúde afirmou que os pedidos de ajuda para a desistência de fumar aumentaram 30% nos primeiros oito meses deste ano, tendo “subido significativamente” depois do aumentar do imposto sobre o tabaco, em Julho passado. Segundo o canal chinês da TDM, o presidente da Associação, Ao Ka Fai, disse, numa actividade do “Dia de Saúde” no sábado passado, que de Janeiro a Agosto deste ano o número de pessoas

que pediram ajuda para deixar de fumar aumentou cerca de 30%, comparado com o período homólogo. Após a implementação do aumento para o dobro do imposto sobre o cigarro, Ao Ka Fai diz que o número de pedidos aumentou de forma exponencial. “Uma das maiores razões para as pessoas quererem deixar de fumar é o preço dos cigarros. Antes era pouco mais de 20 patacas por um pacote, agora aumentou para as 50 patacas. Isso quer dizer que as medidas relacionadas com a

economia têm um grande efeito no consumo de tabaco e são dissuasoras.” O responsável avançou que a maioria das pessoas que tencionam desistir de fumar é do sexo masculino e tem mais de 35 anos. Ao Ka Fai disse ainda que a Associação tem acompanhado a população e o vício do tabaco, fazendo estatísticas via telefone, que resultam em dados que mostram que todos os anos existem cerca de 20 a 30 % das pessoas que conseguem deixar de fumar. F.F.


8 publicidade

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Assine-o Telefone 28752401 | Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo

Aviso Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia para 2016 – Selecção na RAEM Por Despacho do Chefe Executivo de 12 de Março de 2008, foi autorizado ao FDCT para promover na RAEM da recomendação dos Prémios Nacionais na áreas de Ciências e Tecnologia, ficando assim, notificados os interessados de que poderão candidatar-se através da seguinte forma: (1.)

(2.)

(3.)

Objectivo O Conselho de Estado da República Popular da China institui o Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, tendo como objectivo: (i) Incentivar cidadãos, organizações que dão contribuições notáveis às actividades do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Mobilizar a iniciativa e criatividade dos trabalhadores nas áreas das ciências e da tecnologia; (iii) Acelerar o desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (iv) Aumentar a capacidade integrada do Estado.

Categoria O Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia consta de cinco prémios: (i) Prémio Supremo Nacional das Ciências e da Tecnologia; (ii) Prémio Nacional das Ciências Naturais; (iii) Prémio Nacional da Invenção da Tecnologia; (iv) Prémio Nacional do Progresso das Ciências e da Tecnologia; (v) Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia. Compete ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia a coordenação dos trabalhos de recomendação dos cincos prémios acima referidos. As recomendações serão entregues ao Gabinete para os Trabalhos de Incentivo às Cièncias e Tecnologia do Departamento das Ciências e da Tecnologia para efectuar a avaliação. Qualificação da candidatura (i) De forma relevante, contribuir para a descoberta científica, invenção tecnológica ou promoção do progresso das ciências e da tecnologia; (ii) Os cidadãos chineses que sejam residentes da RAEM e correspondam às condições estabelecidas no «Regulamento da Premiação Nacional das Ciências e da Tecnologia» (incluíndo os residentes permanentes e indivíduos que tinham adquiridos o direito de residência na RAEM, mas não têm o direito de residência permanente), ou outros

indivíduos de nacinalidade chinesa que estejam em exercício da investigação científica e do desenvolvimento tecnológico na RAEM. (iii) Os candidatos para o Prémio Internacional da Cooperação das Ciências e da Tecnologia, devem ser estrangeiros ou organizações estrangeiras que prestam serviço na RAEM ou terem feito contribuição para as actividades do progresso das ciências e da tecnologia. As condições específicas de cada prémio podem ser consultadas na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. (http://www.fdct.gov.mo/state-awards) (4.)

Forma da candidatura (i) As pessoas interessadas em candidatar-se ao Prémio Nacional das Ciências e da Tecnologia, podem descarregar a apresentação de recomendação e os detalhes dos prémios respectivos na página do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, e preencher devidamente o requerimento de candidatura e anexos ; (ii) Após a avaliação feita pela Unidade, compete à Unidade a seleccinar a qual se destaca, para recomendar ao Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, não se aceita o requeimento individual; (iii) O número de cada categoria de premiação recomendado por cada Unidade não pode ser superior a dois.

(5.)

Data do requerimento A partir de 12 de Outubro de 2015 até 27 de Novembro de 2015.

(6.)

Consulta Endereço: Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 411-417, edifício Dynasty Plaza, 9.º andar. Telefone:28788777; Fax:28722681 Correio electrónico:sedc@fdct.gov.mo

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 6 de Outubro de 2015


sociedade 9

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

M

ong-Há é feita de prédios residenciais, ruas cheias de trânsito, o espaço cultural Armazém do Boi e ainda um edifício de habitação social. Mas o Governo quer que seja bem mais do que isso, ao ponto de se transformar num pólo cultural com actividades que consigam atrair a atenção dos turistas. Contudo, Anthony Wong, docente de turismo do Instituto de Formação Turística (IFT), instituição universitária localizada em Mong-Há, acredita que esse objectivo vai ser difícil de atingir. “Para começar, não sei se os turistas estão interessados em deslocar-se até à zona de Mong-Há. Penso que vai ser um desafio atrair turistas para aquela zona. Sabemos que o sistema de transportes nessa área é mau, o que é um constrangimento”, disse o docente ao HM. “Há uma parte dos turistas que está interessada na cultura, mas não todos os turistas. Essa área tem de ser atractiva para os turistas, com algo que valha a pena uma visita e não sei o que poderá ser feito [nesse sentido]. Também tenho dúvidas sobre qual seria a melhor área para levar os turistas, numa zona tão movimentada. Há muito trânsito, é uma zona residencial e um bom sistema de transportes tem de surgir em primeiro lugar”, acrescentou ainda Anthony Wong. Já o arquitecto Francisco Vizeu Pinheiro acredita que “a Avenida Coronel Mesquita pode ser um eixo turístico”, pedindo ao Governo para ter em conta os estudos académicos que já foram realizados sobre a requalificação da zona, tal como um trabalho de campo realizado pelos alunos da Universidade de São José, IFT, Universidade de Hong Kong e uma instituição do continente. Uma das propostas, contou Vizeu Pinheiro ao HM, referia-se à construção de uma ligação entre o Armazém do Boi e a zona do Forte de Mong-Há, “que está praticamente às moscas”. A ideia seria construir uma escada mecânica entre os dois locais.

Ferry incendeia-se perto do terminal de Central

Mong-Há Académicos questionam planos do Governo

Cultura a quanto obrigas O Secretário Alexis Tam quer transformar a zona residencial de Mong-Há num pólo cultural que consiga atrair turistas. Mas o académico Anthony Wong, do IFT, pede um bom sistema de transportes para que isso aconteça. Vizeu Pinheiro defende a criação de pousadas da juventude e diz que os estudos já feitos não devem ser ignorados “As propostas feitas pelo mundo académico devem ser consideradas pelo Instituto Cultural (IC). Lembro-me que foi feito uma espécie de inquérito ou consulta à população local e a turistas, e esse é um trabalho que está com o IFT, mas é uma pena não se aproveitarem esses estudos de quatro universidades sobre este tema”, disse ainda o arquitecto.

O que fazer com as casas?

Na Avenida Coronel Mesquita encontram-se ainda várias casas tradicionais que o Governo queria transformar em museus, mas que, até ao momento, permanecem como sempre foram: de habitação. Para

Vizeu Pinheiro, as estruturas já existentes não devem ser alteradas. “O mais autêntico é manter as casas na sua função original e serem residências, ou relacionadas com a residência, com uma adaptação para cafés ou bares, porque algumas casas ainda estão ocupadas e penso que deveriam manter-se. São casas pequenas, penso que é algo que tem de ser estudado e podem haver várias alternativas.” Uma delas, segundo o arquitecto, poderia ser a construção de pousadas da juventude. “É uma categoria que falta e pode-se experimentar o património das casas portuguesas, que é autêntico e vivo, não é uma coisa que está só no

museu. A história que vai ser narrada neste espaço cultural deve ser uma história de matriz portuguesa e a história chinesa dessa zona”, defendeu. A ideia de transformar a zona de Mong-Há numa área cultural foi confirmada na passada quinta-feira pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que anunciou a integração do espaço Armazém do Boi, que já realiza diversas actividades de cariz cultural. O HM contactou os responsáveis do Armazém do Boi, mas não foi possível obter uma reacção até ao fecho desta edição.

Fai Chi Kei Três toneladas de peixes mortos retirados da água

T

rês toneladas de peixes mortos foram retiradas das águas no Fai Chi Kei, situação que deverá estar relacionada com a tempestade que atingiu o território no fim-de-semana passado, segundo o Governo. Segundo um comunicado oficial, foram

descobertos na semana passada, na Baía Norte do Fai Chi Kei, peixes mortos, a que se seguiu uma “acção de limpeza das águas”, tendo sido retiradas três toneladas de peixe “sem vida” pelos serviços de Assuntos Marítimos e de Água de Macau.

“Segundo os resultados obtidos na investigação in loco e na análise de qualidade de água, e considerando os casos semelhantes ocorridos anteriormente, estima-se preliminarmente que, desta vez, a tempestade recente e o baixo nível de oxigénio dissolvido na água

sejam os responsáveis pelo aparecimento de peixes mortos”, acrescenta o mesmo comunicado. As autoridades de Macau continuam a monitorizar a situação e qualidade das águas “junto à zona costeira” e apelam a que lhes seja comunicada qualquer

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Um ferry que fazia a ligação entre Macau e Hong Kong incendiou-se este sábado. O navio, da Turbojet, fazia a ligação do território para a RAEHK quando, pelas 16h30, se incendiou a chegar ao terminal de Central. Não houve feridos a registar, de acordo com a Rádio e Televisão de Hong Kong, e o ferry – que transportava mais de cem pessoas – acabou por ser rebocado, depois de bombeiros em barcos terem conseguido extinguir as chamas. O ferry pertencente à Turbojet era o “Cacilhas” e ainda não se sabe qual o motivo do incidente.

DSAT retira mais de 50 carros de parques de estacionamento A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) retirou mais de 50 veículos de parques de estacionamento públicos, por estes estarem “abusivamente estacionados”. De acordo com um comunicado da entidade, devido à necessidade de regularizar o ordenamento do estacionamento nos autosilos públicos e aproveitar plenamente os recursos de estacionamento público, foi feita uma revisão à utilização dos 38 auto-silos públicos. Foram encontrados mais de 50 veículos estacionados abusivamente e a DSAT começou, então, o processo de os retirar. O prazo máximo de estacionamento nos auto-silos públicos é de oito dias consecutivos, sendo que o excesso pode originar multa ou levar a que os veículos sejam considerados abandonados.

nova ocorrência, prevendo que mais peixes mortos possam aparecer por, provavelmente, estarem “presos nas fendas das rochas”. “Apela-se à população que não retire os peixes mortos para consumo humano, porque causam prejuízo à saúde”, pedem ainda as autoridades, no mesmo comunicado.


10

eventos

hoje macau segund

FIMM Semana arranca com violinista letão Gidon Kremer

Caracterizando tempos contu Hard Rock Campanha de sensibilização para cancro da mama

O Hard Rock promove, tal como em anos anteriores, o Pinktober, de forma a promover a sensibilização para o cancro da mama, doença que afecta milhões de mulheres por todo o mundo. Outubro é o mês de sensibilização do cancro da mama e por isso mesmo o Hard Rock criou uma série de produtos e artesanato para venda solidária. “A campanha vai incluir uma venda de caridade de produtos com a assinatura Pinktober e que intregram produtos e artesanato feitos à mão por funcionários do Hard Rock, mas também promoções na aquisição de produtos de restauração e spa”, esclarece a organização. Cerca de 25% do total angariado irá ser doado à Fundação de Cancro da Mama de Hong Kong.

Consulado Exposição de fotografias a partir de hoje

Entre os dias 12 e 16 de Outubro, o Consulado-Geral de Portugal em Macau recebe uma exposição de fotografias dos 15 anos da RAEM, uma iniciativa conjunta do Instituto Internacional de Macau, com o apoio da Fundação Macau e em colaboração com instituições macaenses da diáspora. A mostra, de entrada livre, contém mais de 50 fotografias sobre aspectos variados de Macau, do património ao desenvolvimento físico e das gentes às festividades, que tinham sido expostas em S. Francisco, Toronto e Portugal.

O violinista letão Gidon Kremer estreia-se hoje no CCM num concerto integrado no Festival Internacional de Música de Macau. Kremer traz consigo o Kremerata Baltica, grupo por si formado. Seguem-se os norte-americanos Chanticleer

O

Festival Internacional de Música de Macau (FIMM) traz hoje ao grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM) o violinista da Letónia Gidon Kremer. No entanto, o artista não vai actuar sozinho, porque traz consigo o grupo que formou em 1997, o Kremerata Baltica. De acordo com a organização, o músico é “considerado um dos violinistas mais originais e emocionantes da sua geração”, tendo vencido uma série de concursos como o Queen Elisabeth, o Paganini ou o Tchaikovsky. Kremer é igualmente prolífico quando se fala no número de obra publicadas, tendo lançado um total de 120 álbuns originais. Os Kremerata Baltica são uma orquestra com jovens da Estónia, Letónia e Lituânia. O colectivo deu o seu primeiro concerto no Festival de Música de Câmara Lockenhaus, na Áustria e desde então “são conhecidos pela sua energia e alegria em palco”, explica a organização. O grupo foi fundado com propósitos educacionais com uma visão a longo prazo: por um lado, Kremer pretendia passar a sua mestria aos mais novos e, por outro, ensinar ao mundo que os Países Bálticos também têm música que vale a pena ouvir.

Uma obra contemporânea

O grupo dedica o seu tempo a obras “contemporâneas de compositores russos e da Europa de Leste”, apresentando em palco obras de Arvo Part, Giya Kancheli, Peteris Vasks, Leonid Desyatnikov, Alexander Raskatov e Meiczyslaw Weinberg. Ao CCM trazem “Máscaras e Rostos”, um concerto pensado para cativar o público pela visão e pela audição. É que o espec-

À venda na Livraria Portuguesa Dez Contos Para Ler Sentado • vários autores

Pode um objecto tão simples (uma cadeira) traduzir o mundo em que vivemos? A resposta para os portugueses é por de mais evidente, ou não tivesse o nosso destino mudado após a queda de uma cadeira. O país que se suspende em torno da forma de fazer uma cadeira. Um mundo onde, até nos lugares mais comuns, há sempre uma cadeira do poder e uma dança de cadeiras. As cadeiras lusófonas deste livro são feitas de dor, de guerra, morte e abandono. Neste volume encontram-se contos de autores bem conhecidos como Mia Couto, Ondjaki, João Tordo ou Arthur Dapieve, até autores revelação, para o meio editorial português, como os brasileiros Ana Paula Maia e Vinicius Jatobá ou o cabo-verdiano Abraão Vicente. Para além da viagem à África de Waldir Araújo, estas cadeiras navegam ainda até Timor, onde Luís Cardoso nos seduz com o aroma do sândalo.

táculo consiste numa confluência de cenários contemporâneos através do emprego de elementos multimédia e a interpretação musical de Frates, obra de Arvo Part. “Reunindo música e artes visuais contemporâneas, a obra expressa-se numa língua altamente emocional que reflecte os nossos tempos políticos conturbados e atitudes sociais actuais”, define a organização. Os bilhetes para este concerto, que começa às 20h00, custam entre 200 e 300 patacas, dependendo do lugar escolhido.

Dias cheios de alma

Terça-feira o mesmo agrupamento volta ao Grande Auditório, desta vez para apresentar “Novas Estações”, com uma série de interpretações de Piazzolla, Vivaldi, Pushkarev e Raskatov. Todo o programa consiste em sinfonia relativa às quatro estações do ano. “O programa do seu segundo concerto no XXIX FIMM, intitulado Novas Estações, inclui desde novas interpretações de Vivaldi e Piazzolla à estreia asiática do Segundo Concerto para Violino de Philip Glass”, explica o FIMM no seu programa do Festival. Este espectáculo acontece às 20h00 no CCM e os bilhetes custam entre 200 e 300 patacas. No entanto, as actuações desta semana não acabam por aqui: a noite de quarta-feira é dedicada à música à cappella. Os norte-americanos Chanticleer actuam às 20h00 no Teatro D. Pedro V para cantar e encantar a plateia, com bilhetes que vão das 200 às 250 patacas. O colectivo, composto por 12 membros, foi fundado em 1978 e tem vindo a desenvolver uma série de novos arranjos musicais, passando do género inicialmente preferido de música renascentista para interpretações de jazz e gospel. “O empenho de longa data do grupo em encomendar e executar obras novas resultou em mais de 90 peças escritas por mais de 70 compositores”, informa a direcção do FIMM. O programa já está definido e chama-se “Acima da Lua”, espectáculo que se dedica a homenagear a música de Nico Muhly,

Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

O Sentido do Gosto • José Bento dos Santos

Neste livro apresenta-se uma panóplia muito vasta da cozinha histórica, desde os pratos mais populares e tradicionais, às receitas que os grandes Mestres criaram e elaboraram, não esquecendo o “tour de main”, a pequena chispa culinária, que permitirá a qualquer leitor – mesmo com pouca prática de cozinha – deliciar-se em sua casa a executar estas receitas.


eventos 11

da-feira 12.10.2015

urbados “Reunindo música e artes visuais contemporâneas, a obra [“Máscaras e Rostos”] expressa-se numa língua altamente emocional que reflecte os nossos tempos políticos conturbados e atitudes sociais actuais” mas inclui também obras de Monteverdi, Mantyjarvi, Porter, Mancini e Elbow. O grupo recebeu, em 1999 e 2002, o prémio de Melhor Pequeno Agrupamento, e de Agrupamento do Ano 2008. Leonor Sá Machado

leonor.machado@hojemacau.com.mo

pub

A

organização cultural BABEL e a Fundação Rui Cunha (FRC) vão organizar um debate às 18h30 da próxima quinta-feira sobre a arquitectura municipal de Macau e que conta com a arquitecta Maria José de Freitas e o artista visual Yves Etienne Sonolet como oradores. Intitulada “Dos edifícios municipais às praças: o Leal Senado como Modelo de gestão e poder local”, a palestra pretende explorar “diferentes estilos arquitectónicos dos edifícios municipais portugueses dos séculos XIV a XVIII” e da época dos Descobrimentos. “É, pois, neste contexto que será analisado, muito concretamente, o Edifício do Leal Senado e a sua praça”, refere a organização. O Leal Senado é um prédio cuja construção data do século XVI, “altura em que toda a cidade de Macau crescia intramuros”, pelo que será interessante focar o desenvolvimento do território até aos dias de

BABEL e FRC organizam debate sobre arquitectura municipal

Leal Senado observado à lupa

hoje. “Já no século XIX, o crescimento da cidade ultrapassou o limite muralhado, estendendo-se, por um lado, até às Portas do Cerco, fronteira terrestre com a China continental e, por outro lado, construindo-se

novos aterros”, adiantam a BABEL e a FRC. Maria José de Freitas é uma arquitecta portuguesa radicada em Macau e que tem participado numa série de projectos de restauro e preservação arquitectónica

na cidade e em Portugal. A profissional foi ainda galardoada com o prémio ARCASIA, na categoria de renovação arquitectónica em 2002. O francês Yves Etienne Sonolet nasceu em Paris e é mestre em Belas Artes pela

universidade de Toulouse. A iniciativa faz parte da Macau Architecture Promenade, um evento levado a cabo pela BABEL e que leva a arte aos cidadãos, espalhando pelas mais variadas zonas da cidade. LSM


h

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

artes, letras e ideias

12

J

ing Hao “Bifa Ji”

Notas Sobre o Método do Pincel

O seu (do grande monte) espírito era vigoroso e a sua beleza era rica; as árvores mais pequenas curvavam-se humildemente; as raízes de algumas delas despontavam do solo, outras ainda serpenteavam por sobre as correntes de água, ainda outras estavam suspensas de íngremes rochedos, penduradas sobre ribeiros que vagabundeavam por entre o musgo e as pedras despedaçadas. Era a visão mais maravilhosa: olhei em volta com profunda admiração. No dia seguinte regressei ao mesmo lugar trazendo comigo os meus pincéis e fiz alguns esboços das árvores tentando captar a sua verdadeira natureza. Então, na primavera do ano seguinte, quando estava caminhando por entre as arestas pedregosas dos penhascos, encontrei um homem velho que

me perguntou o que é que eu andava a fazer. Quando lhe contei, ele disse-me: «Conhece o método da pintura?» Ao que eu respondi: «O senhor parece ser um velhote inculto e rústico; como pode saber alguma coisa sobre o trabalho do pincel?» Mas o homem velho respondeu: «Como pode você saber que pensamentos transporto comigo?» Então eu ouvi e senti-me envergonhado e maravilhado, quando ele me falou deste modo: «Os jovens gostam de estudar para concluir alguma coisa; eles deveriam saber que existem seis regras essenciais na pintura1. A primeira chama-se Espírito; a segunda é chamada Harmonia (ou Ressonância), a terceira é chamada Pensamentos (Planos), a quarta é chamada Motivo (Panorama), a quinta é o Pincel e a sexta é a Tinta.

1 - O enunciado de seis regras é uma referência às famosas «Seis Regras da Pintura» de Xie He (activo c. 500-35), incluídas no seu tratado «Guhua Pinlu», o mais antigo tratado de pintura que nos chegou na sua integralidade. Tanto a sua tradução como a interpretação são um motivo de infindável controvérsia. Seguimos a mais consensual, a que William Acker fez em 1954: «Primeira, Ressonância do Espírito, que significa vitalidade; segunda, Método do Osso que é (uma maneira de) utilizar o pincel; terceira Correspondência ao Objecto que quer dizer representação das formas; quarta Adequação ao Modelo que tem que ver com a disposição das cores; quinta Divisão e Planeamento ou seja colocação correcta e arranjo; e sexta Transmissão pela Cópia, o que quer dizer a cópia de modelos.» (Citado por Susan Bush e Hsio-yen Shih in «Early Chinese Texts on Painting», Cambridge, Mass. and London, 1985, p.40


hoje macau segunda-feira 12.10.2015

artes, letras e ideias 13

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração


14

china

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Cursos superiores em Português continuam a aumentar

Universo lusófono Dois japoneses detidos por alegada espionagem

Mais dois japoneses foram detidos na China por suspeitas de espionagem, elevando o número de cidadãos nipónicos detidos pelas autoridades de Pequim para quatro, noticia ontem a imprensa. Uma mulher japonesa com cerca de 50 anos está detida em Xangai desde Junho pelo seu alegado envolvimento em espionagem na China, escreve o jornal Mainichi Shimbun.A mulher, que dirige uma escola de línguas em Tóquio, visitava a China frequentemente, diz a agência Kyodo, acrescentando que o objectivo das suas visitas era desconhecido. Num caso distinto, outro japonês, um homem com cerca de 60 anos, foi detido em Pequim sob acusações semelhantes, afirma o Mainichi. No final de Setembro, a China deu conta da detenção de dois cidadãos japoneses suspeitos de espionagem. Estas foram as primeiras detenções deste tipo desde 2010.

“[O crescimento] Tem que ver com o desenvolvimento económico do Brasil e dos PALOP. Tem vindo a aumentar a procura de intérpretes/ tradutores não só mas também por profissionais de língua portuguesa na China” Liu Gang Académico

A

oferta de cursos de Português em instituições de ensino superior da China continua a aumentar em face da crescente procura do mercado e sobretudo o crescimento do Brasil e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Os cursos de Português Língua Estrangeira (PLE) nos estabelecimentos de ensino superior na China têm proliferado: de 19 em 2012 passaram para 28 em 2015.

Os dados, que figuram da mais recente edição da revista Portu-nês – uma publicação ‘online’ de Estudos Portugueses na China, que teve o “primeiro número” em 2012 – foram compilados por Liu Gang que leccionou na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, no Instituto Português do Oriente, e no Instituto Politécnico de Macau. Segundo a revista, para o correnteanolectivo2015/2016 estava prevista a abertura de mais três cursos, mas não

foi ainda possível confirmar se, entretanto, efectivamente arrancaram. Esses cursos (bacharelato, licenciatura, mestrado) encontram-se distribuídos por um universo de 28 universidades na China, segundo os mesmos dados, que excluem Macau e Hong Kong devido às diferenças no sistema educativo.

Meio século de crescimento

A revista retrata a evolução do ensino do português na China, apresentando o número pub

de estudantes admitidos nas universidades num período que abrange mais de meio século. “Houve uma evolução, um crescimento exponencial do ensino de português na China, sobretudo a partir de 2000 quando começou o curso na Universidade da Comunicação da China em Pequim. Aliás, foi a primeira universidade que abriu o curso de Português em 1960, depois interrompido e só reaberto em 2000”, disse à agência Lusa Liu Gang, radicado em Macau há mais de uma década. Segundo os dados publicados, em 2005 foram admitidos 103 nos cursos de português nas universidades na China. Em 2007, foram 171 e no ano seguinte 219. Em 2009 e 2010 o universo de alunos era de três centenas, passando os 400 em 2011. Embora o crescimento dos cursos de

português nas universidades seja “saudável”, porque a concorrência fomenta “melhorias na qualidade do ensino e em termos da oferta”, Liu Gang recorda que este aumento se deve a questões económicas. “Tem que ver com o desenvolvimento económico do Brasil e dos PALOP. Tem vindo a aumentar a procura de intérpretes/tradutores não só mas também por profissionais de língua portuguesa na China”, observa. Apesar da procura, Liu Gang reconhece que “o português continua a ser uma língua pouco estudada na China”. Já o corpo docente das universidades que ministram Português contava, no ano passado, com 39 chineses e 18 estrangeiros. A maioria dos professores nativos chega de Portugal e do Brasil. “Cheguei a ensinar Chinês no Instituto Politécnico de Leiria, ao abrigo de um protocolo de intercâmbio com o de Macau, e alguns dos alunos que acabaram o curso estão [atualmente] a dar aulas de português na China”, recordou.

Ronaldo, ‘O Fenómeno’, vai abrir 30 escolas de futebol na China

O ex-internacional brasileiro Ronaldo, que abandonou o futebol em 2012, vai abrir 30 escolas da modalidade na China, a maior parte em Pequim, Xangai e Shenzhen, a partir de Novembro, segundo a agência oficial Xinhua. “O futebol chinês já tem a base e a determinação necessárias, mas ainda falta um conceito e um método de formação”, disse o ‘Fenómeno’, citado pela Xinhua. A Ronald Academy irá funcionar em parceria com escolas locais do ensino básico e secundário e escolher os melhores jogadores para completarem a formação nos Estados Unidos da América ou Brasil. A China anunciou em 2014 um “plano de reforma global do futebol”, que determina, entre outras medidas, a inclusão da modalidade como componente obrigatória da disciplina de Educação Física em 50.000 escolas primárias e secundárias. O “sonho chinês” para o futebol passa por três etapas: qualificar-se para a fase final do Mundial; organizar um Mundial, pela primeira vez; e um dia vencê-lo, proeza nunca alcançada por um país asiático.


( F ) utilidades

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

tempo

muito

?

nublado

min

18

max

24

hum

55-90%

•

euro

9.06

baht

0.22

Cineteatro

O que fazer esta semana

yuan

15

1.25

Cinema

The walk The intern [b]

Sala 1

The Martian [b]

Filme de: Ridley Scott Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen,Wiig, Kate Mara 14.15, 16.45, 21.45

The Martian 3D [b]

Filme de: Ridley Scott Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen,Wiig, Kate Mara 19.15 Sala 2

The Walk [B]

Filme de: Robert Zemeckis Com: Joseph Gordan Levitt, Ben Kingsley, Charlotte le Bon 14.30, 16.45, 21.30

Filme de: Nancy Meyers Com: Anne Hathaway Robert De Niro 19.15 Sala 3

Saving Mr. Wu 2 [C]

Falado em Mandarin Filme de: Ding Sheng Com: Andy Lau, Liu Ye, Wu Ruofu, Wang Qianyuan 14.30, 16.30, 21.30

Hotel Transylvania 2 [A]

Falado em cantonês Filme de:Genndy Tartakovsky 19.30

Hoje Concerto de Charlotte Hellenkant: “Luzes Setentrionais” (FIMM) Igreja de São Domingos Entrada gratuita com bilhete Mozart e Salieri - Ópera de Rismsky e Korsakov (FIMM) Teatro Dom Pedro V, 20h00 Bilhetes das 250 às 300 patacas

Diariamente World Press Photo Casa Garden, 18h30 Entrada livre

Aconteceu Hoje

U m d i sco h oj e The Ministrel Show, de Little Brother (2005) Exposição “Tesouros da Ponta do Pincel” (até 17/10) Universidade de Macau Entrada livre Exposição “Tensão de Talento” (até 15/11) Museu de Arte de Macau Entrada livre Exposição “Macau 5.0” de Gonçalo Lobo Pinheiro (até 10/10) Consulado Geral de Portugal Entrada livre Exposição “Discovering Manuel Vicente” (até 10/10) Macau Design Centre Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre

Lançado a 13 de Setembro de 2005, The Ministrel Show vem dar um toque de solidez à carreira dos Little Brother, grupo norte-americano de hip-hop com influências de jazz. O colectivo, composto por Phonte, Rapper Big Pooh e 9th Wonder, durou de 2001 a 2010 e foi fundado na Carolina do Norte, de onde os três elementos são originários. Com recurso a mixtapes – gravações feitas à priori – de sons de rua e de jazz, os Little Brother cumpriram uma carreira sólida, sendo The Ministrel Show um dos discos mais aclamados pela classe de críticos. É, certamente, um CD para admirar com tempo, principalmente as faixas All for you e Lovin’ it. Várias das faixas deste álbum contam com a participação de conhecidos artistas, como Michael Jackson em Watch Me, ou A Tribe Called Quest, em Still Lives Through. O hip-hop é conhecido por ter uma componente fortemente associada à crítica política e social, muitas vezes trazendo à tona assuntos tabu como são o conflito entre etnias e comunidades. Leonor Sá Machado

12 de outubro

Nasce o tenor Luciano Pavarotti, que popularizou a ópera • Reconhecido por ter popularizado a ópera, o tenor lírico Luciano Pavarotti nascia neste dia, no ano de 1935, em Módena, na Itália. Grande intérprete das obras de Donizetti, Puccini e Verdi, também fez duetos com artistas “pop” como Mariah Carey, James Brown, Frank Sinatra, Ricky Martin, Laura Pausini, Elton John, Spice Girls, Queen, Céline Dion, Eros Ramazzotti, U2 e Roberto Carlos. A sua posição como tenor lírico ícone da sua geração aconteceu entre 1966 e 1972, durante performances no Teatro alla Scala de Milão e em outras casas de ópera italianas. Ficou bastante popular entre o público no Campeonato de Mundo de Futebol de 1990 em Itália, com performances da ária “Nessun Dorma”, da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. Realizou a apresentação ao lado dos tenores e amigos Plácido Domingo e José Carreras. A sua última performance numa ópera, no Metropolitan Opera, aconteceu em Março de 2004. A sua última aparição em um palco foi na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Turim, em 2006, quando cantou pela última vez “Nessun Dorma” e recebeu aplausos calorosos de milhares de pessoas. No dia 6 de Setembro de 2007, morreu na sua casa, em Módena, vítima de um cancro no pâncreas, aos 71 anos.

fonte da inveja

Várias mentiras ditas muitas vezes fazem esquecer a verdade.

João Corvo


16

opinião

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

“Whatever happens, at some point in the next few decades, the size of the Chinese economy is likely to surpass that of the US economy, which has been the world’s largest since the 1870s. The average Chinese will continue to be poorer than the average American for generations. But a world economy in which America is number two will require a radical rethinking of American economic engagement with the rest of the world.” Land of Promise: An Economic History of the United States Michael Lind

A

China tornou-se num excepcional actor global nos campos político, económico e comercial. É uma certeza e não mais uma questão de opiniões, pelo que nenhum país do mundo pode ignorar esta realidade. A China e toda a Ásia são peças centrais da geoestratégia local e mundial, com independência de preconceitos e ideologias. Existe uma diversidade de opiniões sendo os Estados Unidos o primeiro a reconhecer e que concentra na região os seus esforços diplomáticos e militares, mesmo não sendo a superpotência única e hegemónica. O acontecimento mais revelador é de que os Estados Unidos não têm capacidade para moldar o cenário geopolítico do século, como o fizeram outrora. Eis que terminou o século da superpotência, que começou em 1914 e terminou em 2014, como afirmou no seu livro “Land of Promise: An Economic History of the United States ”, o escritor americano, Michael Lind, apesar do cientista político americano, Joseph Nie, defender a ideia de que irá passar muito tempo até que os Estados Unidos ceda a sua posição de nação mais poderosa do planeta, se é que alguma vez tal desastre irá acontecer. O recente desencontro entre os Estados Unidos e o Reino Unido deve ser entendido, nesse contexto primeiramente, e de seguida pela maioria dos seus aliados ocidentais, pois apesar do expresso pedido dos americanos, todos ingressaram como membros do novo Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (BAII), com um capital de cem mil milhões de dólares, liderado pela China e concorrente do Banco Mundial. A Europa está paralisada e enfrenta um sério e grave problema de crescimento e de adaptação a mudanças vertiginosas que trazem tecnologia e altera os modos de produção. O Japão passa por situação semelhante, o que não significa que muitos países renunciem a acordos e oportunidades comerciais que têm com os três grandes actores do cenário internacional, não deixando de se concentrarem na China, sendo a Rússia um outro cantar, pois vive uma difícil situação económica agravada por sanções europeias e pela crise da Ucrânia, acrescentada com os futuros gastos da intervenção na Síria, e baixas receitas pela venda de petróleo e gás, sua fonte principal de rendimentos, tendo

Charles Chaplin, Modern Times

A abstracção geopolítica

ainda, problemas graves para solucionar, como revelam os acordos a longo prazo de venda de energia à China e à Índia. O poder move-se em direcção ao Oceano Pacifico e os países ocidentais devem encontrar uma forma imaginativa de reforçar a sua presença na região. A ideia de que o capitalismo só poderia desenvolver-se num sistema democrático está por demais ultrapassada. A China e Singapura são exemplos demonstrativos que mostram o triunfo do capitalismo autocrático, um sistema que cria crescimento económico, enquanto as

democracias ocidentais, nem crescem, nem oferecem bem-estar. O mundo ocidental passou do triunfalismo da década dos anos de 1990 a uma profunda ansiedade sobre o futuro da democracia. Os países, com diferente capacidade e poder, temem que se está a aproximar o fim de uma era, onde os conceitos de multilateral e multipolar vão sendo de uso frequente e semelhante sentido, mas com distinto significado. O multilateralismo está associado ao sistema da ONU, concebido no pós-guerra, enquanto, o multipolarismo é reflexo de um

novo mundo que está a surgir, onde aparecem novos pontos de aglomeração, que mostram um cenário com novas vozes e sem uma potência hegemónica dominante. É um novo cenário que avança na consolidação de blocos, em que uma das prioridades deve passar por revigorar as integrações regionais, porque pretender navegar só é uma vã empreitada. O multilateralismo e a integração regional podem ser vistos como políticas contraditórias, mas são totalmente complementares. Os países deverão continuar a apostar no multilate-


opinião 17

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

jorge rodrigues simão

cosul), União de Nações Sul-Americanas (UNASUL na sigla em língua espanhola) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC na sigla em língua espanhola), permitindo-lhes ter maior força negociadora quando tiverem de defender os seus interesses estratégicos como países e região. A América do Sul tem uma visão clara da importância da integração, no entanto, permanecem obstáculos que devem ser estudados e aprofundados, especialmente depois da última crise global. É mais fácil avançar na integração num ciclo económico em fase expansionista, mas pode ser um erro político e estratégico dar lugar a posições mais autonomista, porque tal como os problemas da democracia são solucionados com mais e melhor democracia, os problemas da integração solucionam-se com mais e melhor integração. Quanto ao Mercosul, a solução não está no intercâmbio comercial equilibrado, mas parece estar relacionado com a integração de cadeias produtivas e cadeias de valor. O G20 é um grupo de 19 países e da União Europeia que, após a crise financeira que eclodiu nos Estados Unidos na década passada, e constitui-se no âmbito mais importante de concertação de políticas globais. O grupo reúne aproximadamente quatro quintas partes do PIB e da população mundial, ainda que o número de membros seja apenas um quinto dos países que integram a ONU. Adentro do G20 surgiram três blocos, o G7 constituído pelos Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, que são as economias mais desenvolvidas e as dominantes na década de 1990. No âmbito do G20, este grupo tende a agir como um bloco na maioria dos casos. O outro grupo é o dos BRICS, composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; países que se transformaram em potências económicas na primeira década do século XXI e tendem a concordar em pontos importantes da agenda global, não apenas no campo económico, mas também no político, como também é o caso dos países do G7. Entre ambos os grupos e desde há alguns anos, começou a funcionar um terceiro grupo denominado de Aliança MITKA, composto pelo

ralismo e multipolarismo devendo actuar simultaneamente, no sentido de reforçar as integrações regionais. O mundo multipolar oferece opções de parceria aos países, que no passado eram impensáveis, permitindo mais elevados graus de liberdade e autonomia nas suas decisões. Os acordos assinados por alguns países da América do Sul com a China e a Rússia, por exemplo, permitem ter financiamentos para a construção de grandes infra-estruturas, acesso a transferências de tecnologia, aumento do comércio para destinos que

eram muito difíceis de serem feitos há uma década, e fortalecimento das suas relações bilaterais que a cada dia revestem ter maior importância. Os países da América do Sul devem continuar a actuar e negociar para melhorar a sua balança comercial e exportação de mercadorias com maior valor acrescentado, bem como continuar a efectuar investimentos que favoreçam o fortalecimento do seu aparelho produtivo, sendo essencial para atingir um melhor grau de coordenação no interior do Mercado Comum do Sul (Mer-

A China e Singapura são exemplos demonstrativos que mostram o triunfo do capitalismo autocrático, um sistema que cria crescimento económico, enquanto as democracias ocidentais, nem crescem, nem oferecem bem-estar

perspectivas

México, Indonésia, Turquia, Coreia do Sul e Austrália. Os países de médias dimensões à escala global procuram dar um espaço aos países de igual dimensão do G20. A Arábia Saudita iniciou negociações para se reunir à Aliança MITKA, e que resultará na adição de mais uma letra “A” à existente sigla. Assumir um papel de liderança neste grupo de países de médias dimensões, importantes e bem sucedidos, talvez venha a ser uma exteriorização acerca da direcção que outros países devem seguir na década que vivemos. A China celebrou o 66° Aniversário da Implantação da República, convertendo-se na principal potência comercial do mundo e prevê fazer importações no valor de dez mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, entre eles, alimentos e grãos para alimentação animal, que é de importância estratégica, pois a sua população está a enfrentar uma colossal transição alimentar, (investimento massivo no consumo de proteínas de carne) que é a maior da história. A China prevê importar 20 por cento da sua procura de grãos nos próximos vinte anos e daí ter mudado a sua percepção acerca da segurança alimentar, que não é mais sinónimo de auto-suficiência, mas adquiriu uma dimensão global, que consiste em promover, através do investimento, a produção dos países com maior potencial. A soja e a farinha de soja são matérias-primas fundamentais da alimentação animal e 95 por cento da produção global é feita pela Argentina, Brasil e Estados Unidos, pelo que os primeiros dois países constituem a plataforma principal da produção de proteínas do século XXI, e que adquiriram uma posição estratégica em relação à China. A China converteu-se na maior fonte de capitais do mundo, dispondo de mais de 4 milhões de biliões de dólares de reservas, surgidas de um superavit da conta corrente de 2,6 por cento do PIB em 2014, ou seja, duzentos e oitenta mil milhões de dólares. A China prevê investir apenas na América do Sul quinhentos mil milhões de dólares nos próximos dez anos, e uma quinta parte desse fluxo de capitais será constituído por investimentos industriais. Os países de expressão latina com maior desenvolvimento industrial na América do Sul são a Argentina e Brasil e na América do Norte, o México, daí que se aprofunde a inserção internacional de toda a América do Sul com a China, devendo o eixo Sul-Sul, converter-se no mais importante do comércio global nos próximos dez anos. A política externa de um país é constituída pelos seus objectivos externos e sistema de aliança que estabeleça para os atingir. Assim, por definição, existe sempre mais que uma opção em termos de política externa, não existindo é uma opção de política externa fora de uma inserção internacional determinada. A política internacional é um mundo de realidades, não uma ideologia ou doutrina.


18 opinião

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Verónica Madruga

(Psicóloga e Professora Universitária)

N

o passado dia 10 de Outubro celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Este ano o tema eleito foi a “Dignidade na Saúde Mental” e teve como finalidade alertar a comunidade para as constantes ameaças à dignidade no atendimento prestado à população. As pesquisas realizadas neste âmbito identificam três áreas como potenciais ameaças à dignidade, tais como estigma e discriminação, nos cuidados em regime de internamento e nas violações aos direitos humanos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) o respeito pela dignidade das pessoas na prestação de serviços de saúde é uma componente essencial para proteger cada individuo de possíveis práticas abusivas, infracções corporais e danos mentais. A nossa saúde mental, ou seja, o nosso bem-estar físico, mental e social, é um bem precioso e como tal deve ser respeitado e protegido. Os psicólogos e outros profissionais na área tem a responsabilidade de alertar, informar, educar e cuidar com estima o bem-estar colectivo. Colocar a tónica na dignidade é fundamental porque sem o respeito e acompanhamento inclusivo, o tratamento e recuperação tornam-se ainda mais difíceis. É urgente a presença de profissionais que

cartoon por Stephff

Milos Forman, One Flew Over the Cuckoo’s Nest

Dignidade na saúde mental

não só possuam o “know-how” (conhecimento) mas também possuam os “soft skills” (competências sociais) necessárias no atendimento na saúde mental, bem como na promoção da mesma. Todos nós reconhecemos que actualmente é um desafio cada vez maior tentar lidar com todas as exigências presentes no nosso dia-a-dia. Isso torna-nos mais vulneráveis, afectando a nossa capacidade de uma boa gestão emocional e

consequentemente prejudicando o nosso bem-estar psíquico. Assim, sublinho que não devemos considerar o sofrimento psicológico como um sinal de fracasso pessoal, mas antes compreender que a procura de apoio profissional é um passo importante para a recuperação do equilíbrio emocional e psicológico. Como idealista assumida acredito que através da consciencialização e promoção da saúde mental potencializamos as hipóteses

blatter e platini suspensos

Precisamos trabalhar mais para que exista uma mudança nas atitudes sociais e promover uma consciência colectiva sobre a natureza das doenças mentais de sucesso e recuperação eficaz dos nossos pacientes, diminuindo o isolamento, medo ou vergonha dos portadores de perturbações mentais e das suas famílias. Como psicóloga, sou defensora que cada pessoa é um ser único e multifacetado, e como tal deve ser respeitada a sua individualidade, identidade e história de vida. Neste sentido, temos o dever de zelar pela saúde psicológica dos nossos pacientes, promovendo uma visão inclusiva e ajudando na sua reintegração e compreensão da sua condição não só pelo próprio paciente como da sua família e comunidade. Precisamos trabalhar mais para que exista uma mudança nas atitudes sociais e promover uma consciência colectiva sobre a natureza das doenças mentais. Sendo a educação a chave para existir uma real transformação de mentalidades e uma eficaz protecção dos direitos humanos. Em suma, protecção, prevenção e melhorias na política de saúde são essenciais para o bem-estar da população. Assim, finalizo com uma citação do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, “quando nos unimos, não há limite para o que podemos alcançar”. Por isso, vamos juntos melhorar as condições da saúde mental do território de Macau? Vocês podem sempre contar comigo, e eu? Posso contar com vocês para combater a discriminação e estigma na saúde mental?


opinião 19

hoje macau segunda-feira 12.10.2015

Rui Flores

ruiflores.hojemacau@gmail.com

dissonâncias

A

atribuição na semana passada dos prémios Nobel da literatura à bielorussa Svetlana Alexievich e da Paz ao Quarteto Nacional Tunisino reforça a ideia, defendida por vários analistas, de que o Prémio Nobel é um galardão de cariz marcadamente político. Este ano, os valores subjacentes aos prémios atribuídos pela Academia Sueca e pelo Comité Nobel Norueguês, mais do que terem uma dimensão política, são demonstrativos de uma agenda programática que se pretende promover. Uma narrativa que prossegue os valores da democracia liberal e que ambiciona ser adoptada pelos mais diversos povos. Segundo a Academia Sueca, a jornalista e escritora bielorrussa Svetlana Alexievich foi premiada devido à sua “escrita polifónica” – dará, pois, voz a muitas outras pessoas, que é “um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo”. E sobre o que tem escrito Alexievich, mais conhecida pelos seus trabalhos jornalísticos do que pelos seus livros? Os seus trabalhos mais notáveis são os que dizem respeito ao fim do império soviético. Ao fim de uma certa ordem política que morreu com a queda do Muro de Berlim. O livro “O fim do homem soviético: Um tempo de desencanto” é um documento que ajuda a compreender a desagregação da antiga União Soviética e é, aliás, a única obra da autora já publicada em português. No prelo está outra que tem como objecto sobreviventes da tragédia nuclear de Chernobil. O comité norueguês do Nobel da Paz, por seu lado, escolheu o Quarteto Nacional Tunisino pelo contributo dado pela organização, que reúne representantes de quatro estruturas representativas da sociedade civil da Tunísia, para a consolidação democrática no país. O organismo terá tido um papel decisivo na procura de consensos na sequência da Primavera Árabe na Tunísia, cuja revolução, em 2011, levou ao afastamento do Presidente Ben Ali. O quarteto tem uma composição singela, incluindo representantes de organizações tão díspares como um sindicato, a União Geral Tunisiana do Trabalho, uma organização patronal, a União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato, a Ordem Nacional dos Advogados, e a Liga dos Direitos Humanos. O caso tunisino é o único em que a Primavera Árabe, alimentada pelo apoio de instituições ligadas ao governo norte-americano a bloggers e outros internautas, conseguiu eleger um governo estável. É o mesmo país em que, em Junho deste ano, um jovem se passeou calmamente por uma das praias de Sousse, numa das estâncias

Ron Howard, A Beautiful Mind

Todo o Nobel é político!

balneares mais frequentadas da Tunísia, armado com uma pistola automática, matando indiscriminadamente quem estava a descansar. Ao fim de alguns minutos, o terrorista, que seria mais tarde identificado pelas autoridades tunisinas como Seifeddine Rezgui, assassinou 39 pessoas. O papel das organizações da sociedade civil na procura de consensos e na tentativa de suplantar bloqueios que tendem a travar soluções duradouras não é de somenos. Em alguns dos países em que trabalhei pelas Nações Unidas foram organizações oriundas da chamada sociedade civil – organizações não-

Sem um indicador universalmente aceite sobre o número de vidas que uma qualquer pessoa ou entidade conseguiu preservar, não será possível apontar-se critérios objectivos para identificar possíveis vencedores

-governamentais, representativas de sectores profissionais, ou temáticas, com um enfoque considerável nos direitos humanos – que puseram termo a longos impasses (como na adopção de uma nova lei eleitoral na Republica Centro-Africana) ou obrigaram políticos a dominarem a sua verve racista (através da adopção de códigos de comportamento eleitoral, como durante as campanhas eleitorais na Guiné-Bissau e na Serra Leoa). Não se põe em causa a importância das organizações da sociedade civil, nem particularmente o papel do Quarteto na Tunísia. Elas são essenciais. Mas só são verdadeiramente operativas num quadro de tolerância democrática, numa democracia liberal. Numa semana em que subiu de tom a retórica da NATO face à Rússia, a propósito dos bombardeamentos levados a cabo por Moscovo na Síria, contra posições alegadamente detidas pelos militantes do Estado Islâmico, não deixa de ser uma coincidência que merece ser salientada, que a Academia Sueca promova quem use a sua escrita para salientar as contradições soviéticas e exponha os tiques autoritários de certos líderes políticos. Nem deixa de ser relevante recordar que ainda esta semana a norte-americana Foreign Affairs, uma das revistas de relações internacionais mais

influentes no mundo ocidental, publicava um artigo lembrando o papel de Vladimir Putin no encerramento das mais variadas organizações da sociedade civil na Rússia. Caso se considerasse que a criação literária, como qualquer outra forma de expressão artística, não fosse subjectiva, talvez se pudesse eventualmente ter como critério orientador o número de obras publicadas pelo autor, o número de cópias vendidas ou mesmo o número de línguas em que o autor foi traduzido. Mas isto não faz qualquer sentido. A criação artística é, felizmente, subjectiva. E em muitos casos, os autores mais subjectivamente notáveis não são necessariamente os mais populares. No caso do Nobel da Paz, em que talvez o valor mais relevante que se pretende preservar é o da vida humana, sem um indicador universalmente aceite sobre o número de vidas que uma qualquer pessoa ou entidade conseguiu preservar, não será possível apontar critérios objectivos para identificar possíveis vencedores. Por isso, todos estes prémios são, na sua essência, subjectivos. Resultam de escolhas políticas que têm subjacente um quadro de referência que aponta num determinado sentido. Nestes dois casos, uma certa democracia liberal que se pretende universal.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; André Ritchie; David Chan; Fernando Eloy; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau segunda-feira 12.10.2015

IAS Quase dois mil pedidos de ajuda de famílias monoparentais

All about macau

Canídromo Metade dos entrevistados em inquérito querem encerrar espaço

O

A

pub

União Geral das Associações dos Moradores de Macau (Kaifong) publicou um inquérito onde mostra que apenas cerca de 40% dos residentes quer manter as corridas de galgos no Canídromo, sendo que 50% esperam que o espaço seja encerrado ou mude para outro sítio. O inquérito teve apenas em conta um universo de 902 moradores, onde 10% manifestaram não ter sequer uma opinião face ao assunto. Dentro da maioria que quer ver o Canídromo encerrado, 35% querem habitação pública no local. Sam Keng Wuan, representante dos Kaifong, explicou ainda que 30,15% dos entrevistados considera que as apostas e galgos “ajudam muito” no desenvolvimento turístico e na economia da zona norte, enquanto 38,14% acham que pouco ou nada ajuda. Cerca de 40% das opiniões dizem que as corridas de galgos causam ruído e 30% acham que existem problema de cheiros na zona devido ao espaço. Para o presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Moradores da Ilha Verde, Cheong Git, o facto das receitas das corridas de galgos terem diminuído de 340 milhões em 2010 para 145 milhões de patacas em 2014 mostra que a ajuda económica e de desenvolvimento turístico do espaço é limitada. O contrato de exclusividade do Canídromo vai expirar no final do ano, mas o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, já revelou que o Governo tenciona renovar o polémico contrato temporariamente sem alterar as condições. F.F.

Pearl Horizon Manifestação frente à sede da Polytec

“Devolvam-nos a casa” C erca de 300 proprietários de fracções do edifício Pearl Horizon manifestaram-se contra o construtor, o Grupo Polytec, solicitando a assunção de responsabilidades no atraso da conclusão do empreendimento. O projecto deveria ter sido concluído este ano, mas o construtor diz só conseguir acabá-lo em 2018. Depois da entrega de uma carta na Sede do Governo na semana passada, os proprietários entregaram no sábado passado uma carta na sede da construtora, a Sociedade de Importação e Exportação Polytec na Avenida do Nordeste, empunhado cartazes

onde se podia ler “Grupo Polytec devolve-nos a casa”. Os protestos foram acompanhados por Si Ka Lon e Ella Lei, de acordo com a TDM. Ng, um dos proprietários, afirmou que já reuniu na semana passada com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) e assegura que o subdirector do organismo prometeu que “vai dar uma resposta à questão no final de Outubro”. Os proprietários esperam que o Governo e o construtor cheguem a um consenso o mais rápido possível, uma vez que poderá estar em causa a não

prorrogação do contrato, ainda que o Governo não parece inclinado para tal. Os queixosos pediram para falar directamente com o presidente do grupo, Or Wai Sheun, mas não foi possível. Entretanto, Sónia Chan, Secretária para a Administração e Justiça, assegurou que o “Governo vai empenhar-se ao máximo para garantir os interesses dos pequenos proprietários sob o princípio da legalidade”, estando já a estudar a questão da prorrogação ou não do contrato com a empresa. Contrato que expira no final do ano.

Ambiente Poluição dos veículos a diesel piorou nos últimos cinco anos

Flora Fong

flora.fong@hojemacau.com.mo

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) anunciou que 27% dos veículos a diesel inspeccionados ultrapassaram os critérios de emissão de gás, percentagem que corresponde só ao terceiro trimestre deste ano e que mostra os “piores dados” dos últimos cinco anos. Segundo o Jornal Ou Mun, a Direcção dos Serviços para a Protecção Ambiental (DSPA) tem declarado que toma medidas de controlo de emissão de gás dos veículos, já desde 2010, juntamente com a DSAT. Num comunicado da DSAT emitido na semana passada, o organismo aponta que foram inspeccionados 177 veículos a diesel no terceiro trimestre deste ano, sendo a maioria camiões ligeiros e pesados, e 48 desses veículos ultrapassaram os critérios, ou seja 27% de todos os veículos.

Instituto de Acção Social (IAS) anunciou que foram tratados mais de 1800 pedidos de ajuda de famílias monoparentais junto das instituições de serviços sociais locais desde 2003. Segundo o instituto, a maioria dos pedidos de ajuda vem de mulheres. Segundo o Jornal do Cidadão, o chefe do Departamento da Família e Comunidade do IAS, Ao Chi Keong, relembrou que desde 2003 que existe uma rede de apoio às famílias monoparentais, tendo esta aumentado de cinco entidades de serviços sociais para as 34 actuais. Até ao momento, já foram tratados mais de 1800 casos de pedidos de ajuda: destes, 200 casos já passaram a ser famílias compostas por duas ou mais pessoas, ainda que 1500 casos continuem a precisar da ajuda dos serviços do IAS por ainda terem de lidar com a situação de monoparentalidade. Ao Chi Keong avançou que os pedidos de ajuda são principalmente provenientes de mulheres, seguindo-se as crianças cujo pai ou mãe morreram ou de casos de penas de prisão. O responsável disse que o IAS tem como objectivo que todos os assistentes sociais possam oferecer mais apoios, exigindo que cada profissional trate de , pelo menos, 20 casos por ano. Até porque, diz, poderão surgir mais casos com a entrada em vigor da Lei da Violência Doméstica. “Temos 200 assistentes sociais, podemos aceitar no mínimo quatro mil casos. Há o potencial de que estes venham a aumentar, devido à implementação da Lei contra a Violência Doméstica e o aumento da existência de diversos problemas familiares” rematou. F.F.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 12 OUT 2015 #3431 by Jornal Hoje Macau - Issuu