Skip to main content

Hoje Macau 12 JAN 2015 #3249

Page 1

W W W. H OJ E M AC AU .CO M . M O

MOP$10

S E G U N DA - F E I R A 1 2 D E J A N E I R O D E 2 0 1 5 • A N O X I V • N º 3 2 4 9

TIAGO ALCÂNTARA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

RITA SANTOS ADMITE RECANDIDATURA À AL

“Há recém-casados a viver com os pais e avós e isto não é qualidade de vida” Findo ciclo do Fórum Macau, Rita Santos admite voltar à vida política. Mas para já vai retomar o seu trabalho na ATFPM. Para ela, a RAEM sofre de vários males que urge resolver

ENTREVISTA PÁGINAS

hojemacau

´

TAXIS Luz ao fundo do túnel? SOCIEDADE PÁGINAS

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ONGs ENTREGAM À AL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO DA LEI

´ ATE QUE A

VOZ NOS DOA

Os activistas de Macau não estão satisfeitos com a versão final da lei da violência doméstica e entregam hoje na Assembleia Legislativa as suas sugestões para que sejam efectuadas as alterações que entendem necessárias. Também neste caso, a integridade das pessoas não devia ser negociável. PUB PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO 28721006

PÁGINA 4

2-3

6-7

h

A moda das calças rasgadas


2

ENTREVISTA

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

RITA SANTOS, SECRETÁRIA-GERAL ADJUNTA DO FÓRUM MACAU

“É preciso que os empresários locais tenham os seus planos para a diversificação”

A Secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Rita Santos, diz que a diversificação económica da região só será visível daqui a dez anos e que tem de ser dada mais atenção à diversificação pelos próprios empresários locais. Ao traçar um balanço do trabalho no Fórum Macau, Rita Santos assume que este foi um dos impulsionadores para o ensino da Língua Portuguesa em Macau. Para já, a recandidatura a deputada não passa de uma hipótese, mas a responsável admite que a ATFPM está a precisar de ajuda LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

Desde 2003 no Fórum Macau. Qual o balanço que faz do seu trabalho? Foi uma das funções que mais se coaduna com a minha personalidade. Foi a partir de 2004 que os contactos com os Países de Língua Portuguesa (PLP) e os seus delegados começaram a ser mais facilitados e foi através das minhas relações - de amizade e profissionais - com os embaixadores e diversos Ministros que acabámos por criar uma rede de contactos e de camaradagem que já não se limita a título profissional, mas mais pessoal. Herdei esta forma de funcionar durante a Administração portuguesa, quando andava na

escola e tinha colega destes países... Acabamos por ter a mesma mentalidade. Isso facilitou muito ao longo destes 12 anos. Foram criadas algumas novas associações porque é mais fácil comunicar as coisas colectivamente do que de forma individual. Não podemos esquecer Goa, Damão e Diu e São Tomé e Príncipe, que têm estado a dar um grande contributo. As pessoas que trabalharam comigo também sacrificaram muito, mas acho que estão contentes com o trabalho. Sinto que o meu trabalho foi reconhecido pelo Governo Central e local, tal como a posição e importância de Macau para a relação entre os países. O Fórum Macau funciona à base da Língua Portuguesa. Na sua

perspectiva, este é um aspecto importante? Sem dúvida. O trabalho do Fórum demonstra que nós [portugueses e macaenses] ainda conseguimos ter uma posição social em Macau, conseguimos utilizar a Língua Portuguesa, que está cada vez mais a ser reconhecida. A sua importância está presente na Lei Básica, mas é preciso que isto seja efectivado. A

presença constante de tradução simultânea em iniciativas do Fórum mostra isso mesmo. Quais foram, para si, as actividades e projectos mais relevantes durante estes 12 anos? Diria que foram as primeiras quatro Conferências Ministeriais. A primeira porque fomentou a criação do Secretariado Permanente, onde

“Não podemos estar à espera que [os jovens] sejam todos contratados pelos casinos apenas com o ensino secundário. As férias sem vencimento e o encerramento de salas VIP são um aviso para que os jovens comecem a ter atenção à formação e especialização”

foi referida a importância de Macau como plataforma. A segunda foi importante porque ajudou à criação de contactos e de novas ideias para negócios e parcerias nas áreas de Saúde, Agricultura, Cultura, etc. A terceira foi uma das mais relevantes, porque foi quando foi anunciada a criação do Fundo de Cooperação e do Centro de Formação do Fórum Macau. A quarta conferência foi fulcral para encarar a região como centro de formação de bilingues e como plataforma de apoio entre empresários dos PLP e da China. Há ainda outros projectos menores, mas igualmente cruciais. Na área económica, tem havido trabalhos de prestação de serviços de saúde, arquitectura, banca, associações civis, industriais, culturais, comerciais...


entrevista 3

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

Em termos de materialização de projectos empresariais. O que tem sido feito? Várias associações dos PLP têm vindo ter [com o Fórum Macau] no sentido de criar parcerias com a China em termos de importação e exportação de produtos como azeite, presunto, vinho e outras bebidas alcoólicas. O objectivo é que sejam criados pontos de venda em províncias da China através de Macau. Outras empresas [chinesas] querem exportar materiais de construção da China para Angola e Moçambique. Há também intercâmbio institucional de profissionais entre a China e os PLP. Outro dos casos, que já está a ser concretizado por uma empresa de Pequim sediada em Macau, procura bilingues para a construção em Moçambique. São 200 e tal casas. Serão construídas mais 50 mil. Também há empresas portuguesas que querem abrir sucursais aqui, como a Futura Clássica ou outras de informática ou produtos alimentares. Enfim, pequenas e médias empresas. Os vistos dourados também passam pelo Fórum. A Guiné-Bissau quer construir um hotel este ano, por exemplo. Como vê o futuro do Fórum Macau? É preciso fazer sempre mais. Começo a ver que a área da prestação de serviços entre os países não abarca só o sector do comércio, mas sim muitos outros. Há até técnicos de Timor-Leste que vieram tirar cursos de Topografia e de outros países para se formarem no sector do Jogo. Alguns que querem ter experiência na área da gestão hoteleira e hospitalar, por exemplo... O que temos feito é adjudicar trabalhos fora, para empresas locais porque o número de pessoal que temos não chega sequer a 15. Comecei com seis pessoas e decidi adjudicar Relações Públicas, Design e Transportes a empresas privadas. Fazemos isto para que as empresas sintam que são relevantes para Macau. Mas isso implica mais gastos ao erário público... O Governo de Macau gasta dinheiro para o bem da cidade e às vezes é preciso gastar para incentivar. Só é contratado quem faz um bom trabalho. Sou muito exigente e as adjudicações são feitas por concurso público e contrato nas Finanças para que não haja críticas de favoritismo. Vai sair do Fórum Macau em Março. Ao HM foi dito que seria Echo Chan (do IPIM) a ocupar o seu lugar. Confirma esta hipótese? Sim, têm falado disso, mas ainda não se sabe. Espero que seja uma pessoa bilingue e que se dedique a 100% ao Fórum. No que diz respeito à Língua Portuguesa. Como vê a sua

expansão 15 anos depois de formada a RAEM? Acho que vai continuar, até porque cada vez mais pessoas têm vontade de aprender português. Desde que o Chefe do Executivo anunciou, em 2004, [que era preciso aprender], só havia cerca de quatro mil alunos. Ainda não contabilizámos o número de pessoas nas instituições privadas, mas só nas públicas e no IPOR há mais de 6500 pessoas a aprender Português. Então apoia a vontade expressa pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, de criar um Centro de Formação de Língua Portuguesa em Macau... Falei inclusivamente com o Secretário e expliquei a importância de formar mais pessoal bilingue para manter Macau enquanto plataforma mundial. “Sim Rita, eu vou dar mais atenção ao ensino da Língua Portuguesa”, assegurou-me. Mas isso terá que ser materializado de alguma forma. Qual será a motivação desses hipotéticos estudantes? O mercado de trabalho. Ao abrir concurso público para vagas de recursos humanos da Função Pública, o conhecimento da Língua Portuguesa tem um valor muito importante na classificação. No sector privado: quem sabe o Chinês e o Português é praticamente caçado pelas empresas e empresários da China. As pessoas têm é que ser bilingues em pleno, não se pode apenas saber falar e ouvir, é preciso ler e escrever. Há alguma interferência do Fórum no sentido inverso? Ou seja, de portugueses que queiram aprender mandarim ou cantonês? Há quem se queixe da falta de cursos de mandarim, de que o Governo não faz muitos cursos. É um dos aspectos que também hei-de falar

“Também é preciso que os empresários locais tenham os seus próprios planos para a diversificação e que o Governo efective e estude os planos de ajuda para saber se é realmente possível diversificar. É ainda preciso fazer um levantamento sobre os desejos dos jovens... Não se pode impor uma área aos jovens” ao Secretário. É preciso organizar mais cursos, mas é preciso que os portugueses se dediquem. Agora falando de um outro aspecto. Fala-se numa recandidatura sua a deputada... O trabalho que José Pereira Coutinho e Leong Veng Chai fazem tem muito mérito, mas ontem [quinta-feira] a ATFPM reuniu-se para reflectir sobre a minha dedicação à associação. O número de sócios está a aumentar e é preciso começar a gerir, já que são mais de 13 mil pessoas. Temos que ter uma máquina administrativa bem forte. Vou continuar a dedicar-me na secção de apoio e atendimento às pessoas. Até lá, se houver possibilidade de uma recandidatura, vamos ver. Na sua perspectiva, enquanto membro da ATFPM, quais é que são os principais problemas de Macau? Ainda no outro dia me cruzei com uma série de pessoas que estavam a empacotar para mudar de casa. Embora digam que há uma crise imobiliária, [a ATFPM] não sente isso. As rendas continuam a aumentar... Uma casa na zona norte, com uma sala e dois quartos está acima das dez mil patacas. Os salários já não fazem jus ao aumento das rendas e as despesas médias de uma família excedem em 50% o orçamento que têm disponível. As receitas da economia

local devem servir para ajudar estas pessoas. A compra de casas também é muito difícil e nem um director de Serviço consegue comprar uma casa, que hoje em dia ultrapassam os dez milhões de patacas. Isto causa problemas familiares e sociais. Há recém-casados a viveram com os pais e avós e isto não é qualidade de vida. É um ciclo vicioso. E além da habitação? Os táxis são outro dos problemas. É inadmissível que haja apenas dez fiscais para inspeccionar as deficiências praticadas pelos taxistas. Vejo tantos websites com queixas de turistas e locais a criticar o comportamento dos condutores. Também os transportes públicos são um problema. Os autocarros estão sempre cheios e eu própria tenho passe, mas nunca consigo sequer apanhar. Os serviços hospitalares... Há quem espere um ano para uma consulta de especialidade. Tivemos um caso de sócios da ATFPM que se queixaram porque um familiar estava doente, mas esperou um ano para fazer uma análise, acabado por morrer ao terceiro mês. É preciso ter um método online, por exemplo. Estamos na era de ‘e-government’... Porque é que não se faz isso? Há ainda muitos pedidos por creches. Não há creches nem asilos. A população de Macau tende a envelhecer e temos que dar qualidade de vida a este grupo.

E relativamente aos jovens? Não podemos estar à espera que sejam todos contratados pelos casinos apenas com o ensino secundário. As férias sem vencimento e o encerramento de salas VIP são um aviso para que os jovens comecem a ter atenção à formação e especialização. Então é preciso que tudo isto seja feito antes de transformar Macau num Centro Mundial de Turismo e Lazer. Claro. É preciso que haja parques de diversões e espaços verdes porque isso é o verdadeiro turismo de lazer. Porque é que nós saímos daqui para ir à Tailândia ou a Singapura? Porque queremos isso mesmo. As ruas e os restaurantes estão sempre cheios. É preciso haver mais espaço para circular e jardins. Mas continua a haver falta de terreno... Quando há vontade do Governo, tudo é possível. Podem-se criar novos aterros e em vez de criar tantos blocos de habitação, criar um jardim à volta das casas, por exemplo. Relativamente à diversificação económica: é um assunto de que se fala muito, mas muito pouco foi feito nesse sentido e o Jogo continua a ser a única grande indústria local. Como é que acha que isto pode ser materializado? Um dos pontos para a diversificação foi a criação do Fórum Macau. No entanto, o sector do Jogo tem vários sectores secundários como a restauração e as convenções e exposições. Os empresários chineses e dos PLP estão a aproveitar essa parte para exportar e importar – principalmente de Portugal. Mas também é preciso que os empresários locais tenham os seus próprios planos para a diversificação e que o Governo efective e estude os planos de ajuda para saber se é realmente possível diversificar. É ainda preciso fazer um levantamento sobre os desejos dos jovens... Não se pode impor uma área aos jovens. Por outro lado, há a indicação clara do Governo de quais são as áreas a diversificar. Mas considera que um dia será mesmo possível ter uma diversificação económica funcional em Macau? Sim, mas tem que estar sempre ligado ao Jogo. Pode-se transformar Macau num centro de serviços dos PLP e tem que se começar a estudar o tipo de serviços a implementar. Ou a RAEM como centro de distribuição de produtos. Como é que isso pode ser feito? Mas tudo isso a longo prazo, até porque é preciso formar pessoal qualificado... Sim, provavelmente só daqui a dez anos é que se verá um resultado prático. A implementação das políticas tem, contudo, que ser feita agora.


4

POLÍTICA

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

HOJE MACAU

do Instituto Politécnico de Macau (IPM), considera que deve ser criada uma equipa especial para trabalhar na linha da frente, composta por polícias e assistentes sociais. Com esse grupo, a polícia poderia receber os casos e ter mais rapidez na resposta às vítimas, como o tratamento no hospital. Para além de avançar com o processo judicial, o grupo seria responsável pelos avisos enviados ao Instituto de Acção Social (IAS), para a criação de um registo centralizado de casos de violência doméstica. Cecilia Ho aconselha ainda a entrega de um relatório médico, com a avaliação do assistente social, como prova da agressão ao Ministério Público (MP).

RETIRAR DA LEI

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ASSOCIAÇÕES APONTAM PROBLEMAS À LEI E PEDEM MUDANÇAS À AL

O outro lado da barricada

A proposta de Lei de Correcção e Prevenção da Violência Doméstica é hoje votada na Assembleia Legislativa, mas não sem antes Ho Iat Seng receber um conjunto de sugestões para a melhoria do diploma de várias associações FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

U

M grupo constituído por onze associações, incluindo o Centro Bom Pastor, a Associação Arco-Íris, a Associação Novo Macau (ANM) e a Associação de Mútuo Auxilio de Vítimas de Violência Doméstica, vai hoje entregar ao presidente da Assembleia Legislativa

(AL), Ho Iat Seng, um conjunto de sugestões para a melhoria da proposta de Lei de Correcção e Prevenção da Violência Doméstica, que é hoje votada na generalidade no hemiciclo. Numa conferência de imprensa de ontem, os porta-vozes Cecilia Ho, Mee Kam, Sou Ka Hou e Jason Chao, entre outros, apresentaram as propostas que vão ser feitas e que têm como objectivo,

“A violência doméstica é algo que está sempre muito escondido, é impossível um polícia avaliar a natureza ou a gravidade dos danos através de provas aparentes ou oportunas” CECILIA HO Porta-voz do grupo

dizem, resolver alguns problemas do diploma. Como caberá às autoridades policiais o primeiro contacto com as vítimas de violência doméstica, o que mais preocupa o grupo é a forma como vão ser feitas as definições ou decisões sobre as consequências dos actos de violência considerados menos graves, que não serão considerados crime público, bem como as dos casos mais graves. O grupo teme que ocorram mais consequências a nível mental, que possam não ser devidamente apoiadas. “Segundo a proposta de lei actual, quando o resultado do acto de violência for menos grave, será tratado como um crime semi-público segundo o Código Penal.

No entanto, a violência doméstica é algo que está sempre muito escondido, é impossível um polícia avaliar a natureza ou a gravidade

dos danos através de provas aparentes ou oportunas”, explicou Cecilia Ho. Ho, que também é docente na área do Serviço Social

PEDIDA INTEGRAÇÃO DOS HOMOSSEXUAIS O grupo exige ainda a integração dos casais homossexuais na lei, mesmo que estes não sejam reconhecidos perante a lei. “É a base dos direitos humanos. Comparando com Hong Kong e Taiwan, que têm uma situação e cultura semelhantes a Macau, a relação homossexual também pode integrar a lei, mesmo que os casais do mesmo sexo não sejam reconhecidos. A relação homossexual deve ser integrada nesta protecção”, disse Jason Chao, porta-voz do grupo Arco-Íris de Macau, que luta pela defesa da comunidade LBGT. “Na proposta de lei original, o Governo integrou de forma activa a relação homossexual na lei, mas depois esse ponto foi eliminado. Se o Governo insistir na eliminação, isso vai trazer discriminação à comunidade homossexual”, acrescenta. Jason Chao disse ainda que já receberam resposta do hemiciclo sobre uma petição entregue anteriormente, o que mostra que esta foi aceite. No entanto, não se sabe se tal será debatida nas próximas comissões permanentes.

O grupo mostra-se ainda preocupado com o facto das vítimas poderem ter falta de capacidade de decisão para receber a protecção e apoio do IAS, por “recearem a pressão dos agressores e dos familiares, depois destes saberem que procuraram ajuda”. Por isso, é sugerido ao IAS que disponibilize ajuda ou protecção do ponto de vista prático a quem já obteve a classificação de “vítima”. Para isso, deveria ser eliminada uma parte da proposta de lei, que exige a concordância da vítima para a obtenção de apoio. Sugere-se que se elimine essa regra e que, em caso de rejeição de apoio, as vítimas possam receber explicações e conselhos dos profissionais.

ORDENS TEMPORÁRIAS

O grupo fala ainda do facto do juiz poder permitir a desocupação das casas por parte dos agressores, sendo esta uma “ordem apenas temporária”. Cecilia Ho e os outros representantes pedem que seja emitida uma ordem obrigatória de saída da casa no período de 48 horas, por forma a evitar demoras e complicações, como a possibilidade do agressor arrendar a casa a outras pessoas, tirando o alojamento à vítima. Caso o agressor não melhore o seu comportamento depois da “suspensão provisória do processo”, e mesmo que a vítima assim o desejo, o processo não deve ser suspenso uma segunda vez. O grupo pretende, assim, que “no caso de se tentar resolver a situação familiar, que isso aconteça só uma vez”.


política 5

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

JOGO QUEDA DEVE ABRIR PORTAS PARA OUTRAS ÁREAS, DIZ SECRETÁRIO A queda nas receitas vai continuar pelo menos até Junho, mas o rantiu que o Governo “dará binete de Comunicação Secretário para muita atenção e observará o Social (GCS), cita ainda o impacto deste ajustamento Secretário afirmando que a Economia e na economia global da re- esta aposta poderá “reduzir e que, por isso mesmo, a dependência das receitas Finanças, Lionel gião” o Executivo pretende criar do Jogo”. Lionel Leong defende modelo de previsão Leong, mostra- “um científico sobre o estudo que sem uma “grande das receitas do Jogo e da mudança dos factores ex-se confiante: ternos”, as receitas irão economia de Macau”. esta pode ser Mas, explica ainda manter o mesmo ritmo até Lionel Leong, perante as agora apresentado, ou seja, uma nova consecutivas quedas nas valores menores quando receitas, as operadoras de- comparado com o período oportunidade vem investir mais recursos homólogo do ano passado, noutros elementos que não durante o primeiro semespara as PME

e também para a população activa ao definir a sua planificação e progressão nas carreiras profissionais”, pode ler-se no comunicado.

Janela de oportunidade

APOIOS E PROGRESSO

GCS

O Secretário assegura ainda que, como directriz governativa, o Executivo “irá reforçar o diálogo com as empresas, incentivando e apoiando acções de formação em serviço, com vista a elevar e enriquecer as técnicas dos trabalhadores e torná-los mais eficientes”. Lionel Leong não esconde a hipótese do Governo aumentar a oportunidade de progresso na carreira e a aposta na mobilidade para empregos fora do sector do Jogo, “beneficiando e elevando a carreira dos trabalhadores, bem como a sua segurança”. Relativamente à possibilidade deste novo ajustamento afectar, ou não, a medida de importação dos trabalhadores do exterior, o Secretário esclarece que “a manutenção da política sobre a importação de trabalhadores no exterior apenas é um complemento aquando da falha de recursos aos assuntos do mercado de trabalho”, mas não deu detalhes sobre a política, passando isso para as mãos do Conselho Permanente de Concertação Social.

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

“E

M fase de ajustamento profundo”. É assim que Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, caracteriza a indústria do Jogo, que, diz, vai continuar com quebras pelo menos até Junho. O Secretário diz, no entanto, que isto deverá abrir portas a outras áreas. Em declarações à imprensa na passada sexta-feira, Lionel Leong ga-

o Jogo, “uma vez que tal contribuirá para a diversificação das indústrias e dos mercados e será uma fonte de turistas”. Em comunicado, o Ga-

tre. Mas isso pode ser uma vantagem. “Assim, o actual ajustamento é uma nova direcção para as empresas, pois define uma consciência de negócio,

“O actual ajustamento é uma nova direcção para as empresas, pois define uma consciência de negócio, e também para a população activa ao definir a sua planificação e progressão nas carreiras profissionais” LIONEL LEONG Secretário para a Economia e Finanças

AL MAIS DE METADE DAS INTERPELAÇÕES RESPONDIDAS FORA DO PERÍODO LEGAL

A borrifar-se para os deputados flora.fong@hojemacau.com.mo

Salário mínimo para todos é tema de debate

O Governo vai começar a debater este ano a possibilidade de alargar o salário mínimo a todos os sectores da sociedade, além daquele que será destinado aos porteiros e empregados de limpeza de edifícios. De acordo com a TDM, o Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) traçou no seu plano anual este objectivo, ainda que tenha deixado claro que o assunto pode apenas começar a ser discutido depois da aprovação da Lei do Salário Mínimo pela Assembleia Legislativa. “Depois da aprovação da lei na AL, então, o CPCS vai, de forma gradual, discutir a possibilidade de implementação global do salário mínimo”, referiu à TDM Wong Chi Hong, coordenador do CPCS. A proposta de Lei do Salário Mínimo foi aprovada na generalidade em Junho do ano passado, estando agora a ser apreciada na especialidade. Ainda não tem data para aprovação.

O

deputado Mak Soi Kun criticou ontem o Governo por este não responder atempadamente às interpelações dos deputados. Citando dados da primeira sessão da V Sessão da Assembleia Legislativa (AL), o deputado afirma que cerca de 63% das interpelações escritas – mais de metade do que os deputados perguntaram – não foram respondidas dentro do período regulamentado, que é de 30 dias. Não é a primeira vez que deputados se queixam deste problema, mas Mak Soi Kun considera que, como o Governo é novo, alguma coisa deve ser feita para alterar isto. O deputado assume que os resultados “mostram que o nível de resposta das interpelações não só é ilegal, como é baixo”, até porque, diz, as respostas que chegam não respondem, na realidade, às perguntas feitas.

“Obviamente, a Administração não satisfaz as solicitações nem de deputados, nem de residentes, nem em tempo oportuno, nem [com respostas] que correspondam [ao tema]”, ataca o deputado. Numa interpelação escrita, Mak Soi Kun questiona quando é que o Governo vai

TIAGO ALCÂNTARA

FLORA FONG

implementar medidas concretas para que os departamentos respondam às interpelações de deputados conforme o tempo regulamentado, de forma a que estas possam ser fornecidas ao público. Além disso, acrescenta, “especialistas e residentes acham que os conteúdos de respostas nunca correspondem

às perguntas das interpelações originais”, o que, dessa forma, “não resolve os problemas da população de forma eficaz”. Mak Soi Kun pede ao Governo que se explique: se isto é um problema ao nível da capacidade dos altos cargos públicos ou se o problema é estes “não cumprirem as regras”.


6

SOCIEDADE

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

JOANA FREITAS*

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

Associação dos Passageiros de Táxis de Macau (MTPA, na sigla inglesa) mostrou-se “satisfeita com o aumento de fiscais” contra as infracções praticadas pelos taxistas. Recentemente, têm havido testemunhos de acções realizadas por fiscais da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), que, ao que se indica nas redes sociais, andam a multar taxistas que estão a ‘pescar’ passageiros. “A MTPA mostra-se satisfeita com o dados torna-

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

TÁXIS AUMENTAM QUEIXAS E COIMAS CONTRA TAXISTAS. MTPA ELOGIA AUTORIDADES

Será que é desta?

Para a MTPA é o primeiro passo para acabar com as irregularidades dos taxistas: a actuação recente das autoridades poderá demonstrar que o Governo quer realmente acabar com o problema dos táxis. Entretanto, dados mostram que, só na primeira semana, houve mais de 300 multas dos públicos que indicam o aumento de coimas passadas pela Polícia de Segurança Pública (PSP) aos motoristas de táxis envolvidos em actividades ilegais”, pode ler-se no comunicado. Em apenas uma semana – a primeira de Janeiro – as autoridades receberam 350

queixas contra taxistas. De acordo com dados do Conselho Consultivo do Trânsito, 66 destes dizem respeito a cobrança excessiva de tarifas e 28 a recusa no transporte de passageiros. As restantes – 260 – referem-se a estacionamento ilegal, ou seja

352

é o número de multas passadas pela PSP a taxistas só na primeira semana de Janeiro

fora dos locais de tomada e largada de passageiros. De acordo com os mesmos números, as multas ultrapassaram os 1000% de aumento: em 2014 foram passadas 1666 multas, o que perfaz um total de 32 coimas por semana. Dados do presente ano, indicam que

apenas na primeira semana de 2015 foram registadas 352 multas.

MAIS NOÇÃO

Apesar dos números, Kou Kun Pang, membro do Conselho Consultivo do Trânsito, diz não acreditar que o caso tenha piorado. “Tem


sociedade 7

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

DEPUTADO, PREOCUPADO COM MONOPÓLIO, QUESTIONA MOTIVO DE ADIAMENTO DA NOVA LEI

E mais um monopólio se ergue

afirma ainda que para além da falta de fiscalização, “a insuficiência do número de táxis é mesmo um dos factores constitutivos deste problema”. Posto isto, Leong Veng Chai, argumentando que os 200 novos táxis prometidos pelo Governo para este ano não são suficientes, questiona o Executivo se este possui um plano para aumentar o número de veículos disponíveis. Mas os problemas apontados pelo deputado não param por aqui. A revisão do Regulamento do Transporte de Passageiros em Automóveis Ligeiros de Aluguer ou Táxis é outro dos pontos mencionados pelo deputado, que pede ao Governo que seja justificado o adiamento do processo legislativo, adiado para entrar apenas em processo este ano, quando estava previsto que ficasse concluído no terceiro trimestre do ano passado. “Qual foi o obstáculo encontrado que originou o seu arrastamento? Qual é o ponto da situação da respectiva revisão? Quando é que será possível que este entre formalmente em processo legislativo?”, questiona.

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

O

deputado Leong Veng Chai defende a ideia de que, com a não renovação do contrato com os táxis amarelos – passando a existir apenas os pretos –, o Governo está a abrir a porta a um monopólio. Numa interpelação escrita, o deputado questiona ainda o adiamento da apresentação da alteração à lei que gere estes transportes. O deputado argumenta que é necessário o Executivo avançar com medidas que permitam “manter o desenvolvimento saudável do sector”, questionando o próprio sobre se já existem medidas que fomentem a competitividade na prestação dos serviços prestados pelos taxistas. Sem conseguir fugir às tão debatidas queixas do serviço por parte da sociedade, Leong Veng Chai considera ainda que o aumento da bandeirada de 15 para 17 patacas não provocou o que era suposto: uma reacção por parte da população. Esta inércia é justificada, pelo próprio deputado, por uma “perda de confiança plena depositada na fiscalização do Governo”. No documento, o deputado

sido sempre caótico, o que acontece é que essa situação caótica não se reflectia nos números anteriores”, diz. No comunicado à imprensa, a MPTA diz-se de acordo com as declarações de Kou, que defende ainda que este aumento não significa um aumento de actividades ilegais, mas sim um aumento de fiscalização. Para Tony Kuok, a falta de formação dos novos taxistas é o principal motivo para que as queixas contra os motoristas de táxi e as actividades ilegais que estes levam a cabo sejam tantas. O presidente da Associação do Mútuo Auxílio dos Motoristas de Táxi assegura que “os novos condutores nem conhecem o código de conduta dos taxistas” e acrescenta – à

PUB

“Os condutores novos nem sabem os direitos e os deveres dos taxistas” TONY KUOK Presidente da Associação de Mútuo Auxílio dos Condutores de Táxi

semelhança do que já disse anteriormente – que o exame de acesso à profissão é demasiado vago. “Os condutores novos nem sabem os direitos e os deveres dos taxistas”, acusa. Depois de várias queixas apresentadas pela MPTA, incluindo na sua página oficial do Facebook, o presidente da Associação, Andrew Scott, afirma que as actividades das autoridades demonstram, finalmente, um passo em frente para acabar com as irregularidades dos taxistas. “Temos vindo a insistir neste assunto nos últimos

CERCA DE 10% DOS TÁXIS PARADOS DIARIAMENTE A falta de motoristas profissionais poderá estar a limitar o desenvolvimento do sector de taxis, alertam responsáveis, que prevêem que 10% dos 1200 táxis que actualmente circulam em Macau ficam parados por um ou dois turnos diariamente. O vice-presidente da Associação Geral dos Proprietários de Táxis de Macau, Lin Sai Wai, referiu ao canal chinês da Rádio Macau que, para um táxi funcionar diariamente, é preciso três motoristas, mas que à falta destes, isso não acontece.

seis meses e este é o primeiro exemplo da resposta activa por parte do Governo. É fantástico!”, escreve o responsável no comunicado à imprensa. Na sua declaração, o presidente agradece tanto o trabalho levado a cabo pela PSP, como pelo Governo, alegando que este é um exemplo da “forma como o novo Governo de Chui Sai On pretende conduzir Macau”. Andrew Scott defende ainda que “os maus condutores ou começam a limpar as asneiras que fazem ou devem sair da indústria”. Um dos casos recentes de actuação da polícia deu-se a 5 de Janeiro, de acordo com as redes sociais. Testemunhas asseguram que “diversos táxis parados à porta do Golden Dragon, que tentavam ‘pescar’ clientes, foram multados pela polícia um a um”. Estes são alguns dos casos que se podem incluir nas multas e queixas por estacionamento ilegal. - *

com Flora Fong

ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo faz público que, de acordo com o Despacho de 5 de Dezembro de 2014, do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para “Prestação de Serviços do Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau”. O Programa do Concurso e o Caderno de Encargos encontram-se disponíveis, para efeitos de consulta no Balcão de Atendimento da Direcção dos Serviços de Turismo, no Edifício “Hot Line”, Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, 12.° andar, Macau, a partir da data de publicação do presente aviso, dentro do horário normal de expediente, e as respectivas cópias poderão ser levantadas mediante o pagamento de MOP500,00 (quinhentas patacas). Para quaisquer esclarecimentos, a partir da data da publicação do aviso e até dez (10) dias antes do termo do prazo para a entrega das propostas, os interessados podem apresentar as suas questões, na página electrónica da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macautourism.gov.mo), sendo as respostas, também, dadas nesta mesma página electrónica. O limite máximo do valor do concurso é de MOP20.000.000,00 (vinte milhões de patacas). Os critérios de apreciação das propostas e os respectivos factores de ponderação são os seguintes: - Conhecimento do conteúdo de prestação de serviços do plano (35%); - Método do plano e programa de trabalho das diferentes fases (20%); - Preço (15%); - Experiência (30%). Os concorrentes devem entregar as suas propostas redigidas em chinês, português, ou inglês no Balcão de Atendimento da DST, no Edifício “Hot Line”, Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n. os 335-341, 12.° andar, Macau dentro do horário normal de expediente, cujo prazo de entrega é até às 17:45 horas do dia 2 de Março de 2015. Devem, ainda, os concorrentes prestar uma caução provisória, no valor de MOP400.000,00 (quatrocentas mil patacas). A forma de pagamento dessa caução provisória pode ser: 1) mediante depósito bancário à ordem, do Fundo de Turismo, no Banco Nacional Ultramarino; 2) garantia bancária; 3) depósito entregue nesta Direcção dos Serviços de Turismo em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem do Fundo de Turismo; ou 4) por transferência bancária para a conta do Fundo de Turismo, no Banco Nacional Ultramarino de Macau (conta n.º 8003911119) . O acto público do concurso realizar-se-á no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, no Edifício “Hot Line”, Alameda Dr. Carlos d’ Assumpção, n.os 335-341, 14.° andar, Macau, pelas 10:00 horas do dia 3 de Março de 2015. Em caso de encerramento desta Direcção de Serviços, por causa de tempestade ou força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e a hora de abertura das propostas serão adiadas para o primeiro dia útil, imediatamente seguinte, à mesma hora. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público do concurso para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 63/85/M, de 6 de Julho. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Dezembro de 2014. A Directora dos Serviços Maria Helena de Senna Fernandes


8 sociedade

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

N

O balanço final das ocorrências do ano passado, o Corpo de Bombeiros (CB) confirma: o número de incêndios aumentou e, por isso mesmo, também a prevenção e segurança irá aumentar, principalmente na época festiva que se aproxima - o Ano Novo Lunar. Foram 1186 os incêndios que decorreram durante 2014, mais 10% comparativamente ao ano anterior. Aumento que faz com que o CB considere que é necessária uma maior “responsabilidade de prevenir a ocorrência de incêndios” por parte da população. Numa conferência de imprensa, os Bombeiros apelaram ao uso cuidado da electricidade, no diz respeito aos aparelhos eléctricos e sobrecarga dos circuitos eléctricos, principais motivos de causa dos incêndios ocorridos durante o ano que agora terminou. Apresentando os números, apesar das 128 palestras de prevenção de incêndios e estágios para o uso de ex-

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

NÚMERO DE INCÊNDIOS AUMENTOU EM 2014. PEDIDA MAIS RESPONSABILIDADE À POPULAÇÃO

Ano novo de sobreaviso

distribuição de brochuras de prevenção de incêndios nas diversas zonas e a deslocação a vários templos do património mundial de Macau em conjunto com o Instituto Cultural (IC), para efectuar a inspecção e a propaganda de prevenção contra o fogo”.

MAIS INSPECÇÕES

tintores - onde participaram mais de 9906 pessoas - e das 319 actividades de propaganda, onde foram incluídas

mais de 35 mil brochuras, os bombeiros irão apostar numa maior prevenção em 2015.

PUB

“Ultimamente, têm acontecido grandes acidentes em todos os locais e o Ano Novo Lunar é um dia festivo importante para a China”, começa por explicar um comunicado dos Bombeiros.

Por isso mesmo, antes da época festiva, a autoridade “irá realizar uma série de actividades de divulgação de prevenção contra incêndios, que incluem visitas às associações de Macau, a

Durante o presente mês irão ser, como afirmam os bombeiros, realizadas várias inspecções aos templos do património de Macau, tendo como principal objectivo “coordenar os trabalhos de segurança contra incêndios dos centros históricos do património mundial”, esperando diminuir assim o risco de incêndio. Serão ainda colocados vários veículos dos bombeiros juntos em pontos estratégicos durante as festividades do Ano Novo Lunar, fazendo assim prevenção nas zonas de queima e armazenagem de fogos de artifício e panchões em Macau e na Taipa.

BOMBEIROS REALIZAM SIMULACRO NA HOVIONE

• Na passada sexta-feira, por volta das 11 horas, a empresa Hovione Farmacêutica juntou-se ao Corpo de Bombeiros para a realização de um simulacro de incêndio e evacuação ligado aos produtos químicos. O incêndio a fingir foi provocado por uma fuga de produtos químicos de um armazém da empresa local, localizado na Taipa. Os bombeiros enviaram nove viaturas e 39 profissionais. Segundo um comunicado, esta acção teve como objectivo “reforçar as medidas de contingência e comunicação entre as entidades pertinentes em caso de acidente”.


sociedade 9

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

SAÚDE GOVERNO RECONHECEU HABILITAÇÕES A 27 PROFISSIONAIS EM 15 ANOS

Eles querem-nos de volta Os SS querem trazer os locais que tiraram cursos na área da Saúde no exterior e, para isso, explicam que há um sistema onde os médicos podem trabalhar no privado em Macau e exercer também nos serviços públicos. Ainda que com condições: que as suas habilitações sejam reconhecidas. Em 15 anos, Macau reconheceu 27 profissionais JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

E

M 15 anos, os Serviços de Saúde (SS) reconheceram as habilitações académicas de 27 profissionais que tiraram cursos no exterior. O número é avançado pelo próprio organismo em comunicado, onde os SS asseguram ter um mecanismo que reconhece estas habilitações em áreas de especialidade. Depois de ter sido reconhecido pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, que faltam médicos e enfermeiros e que serão necessários, no futuro, cerca de 500 profissionais de saúde, o Governo afirma novamente querer incentivar os residentes que tiraram cursos no exterior a regressarem a Macau. Os SS dizem ter um mecanismo que dá mesmo essa possibilidade e que funciona tanto para o privado, como para o público, ainda que com condições diferentes. “Os SS informam que existe na RAEM um mecanismo que permite aos residentes locais que frequentem o curso de diversas especia-

152

internos complementares é o número de profissionais com que Macau conta

62

deles já exercem funções como médicos especialistas

90

ainda estão em fase de formação

lidades fora de Macau optar pelo exercício das suas funções na área privada pelo exercício de funções como funcionário em entidade pública do sistema de saúde”, começa por sublinhar o comunicado dos SS. “Desde a [transferência] que, no total, 27 pessoas provenientes da China continental, de Portugal e de Taiwan [tornaram-se] médicos especialistas dos SS através de reconhecimento de habilitações académicas.” Os SS dizem existir nove processos para efectuar esse reconhecimento e explicam um deles. “Se os interessados optarem pelo mercado privado, devem apresentar um requerimento à Unidade Técnica de Licenciamento das Actividades e Profissões Privadas de Prestação de Cuidados de Saúde (UTLAP) a solicitar uma licença para exercício de actividade de médico. Com essa licença, os interessados podem desenvolver a sua actividade em regime privado ou podem serem recrutados por qualquer clínica ou hospital”, pode ler-se. No caso de pretenderem exercer funções no sistema de saúde público, contudo, o Governo pode solicitar “o reconhecimento de qualificação de especialidade de acordo com a legislação em vigor e mecanismos previstos nas candidaturas previstas nos concursos de recrutamento médico organizado pelos SS”. Sistema este que é demasiado longo, como já afirmou Alexis Tam, porque pode chegar a demorar mais de um ano.

E QUANTOS SÃO?

Fazer regressar os residentes locais formados no exterior não é um desejo novo do Governo que, ainda há dois meses, falou no assunto. Mas, actualmente, os salários ao nível dos serviços públicos não são atractivos para médicos virem de fora. Apesar de garantirem que “encorajam os finalistas a regressar a Macau para prestar serviço ao

público”, os SS não dizem, em termos práticos, como é feito esse encorajamento. De acordo com as estatísticas, mais de duas mil pessoas fizeram formação no exterior. Entre 20 de Dezembro de 1999 e 21 de Agosto de 2014, Macau teve um total de 2145 médicos de medicina ocidental que iniciaram a sua formação em diversos locais, incluindo na China continental, Portugal, Hong

Kong, Taiwan, Filipinas, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Singapura e Japão, entre outros. Deste total, cerca de 88% formaram-se na China continental, 5% em Portugal e 3% em Taiwan. Mas desconhecem-se quantos regressaram. Actualmente, Macau conta com 152 internos complementares, sendo que 62 deles já exercem funções como médicos especialistas, mas

os restantes 90 ainda estão em fase de formação. Há ainda 193 profissionais de saúde que concluíram o internato geral. Mas nem só de médicos locais se faz o serviço público de saúde. “Existem também 78 médicos recrutados no exterior provenientes da China continental, Portugal, Canadá e Taiwan. Cerca de 59% deles são provenientes da China e 35,9% provenientes de Portugal.”

Saúde Sugerido aumento dos vales de saúde para 1200 patacas

Chan Iek Lap sugere que o montante dos vales de saúde aumente para as 1200 patacas por ano. O médico e deputado considera que as actuais 600 patacas não satisfazem as necessidades da população e apela, por isso, que se duplique o valor dos vales atribuídos pelo Governo aos residentes permanentes. Na opinião de Chan Iek Lap, esta alteração pode também ajudar a diminuir as pressões no hospital público. Chan Iek Lap propôs ainda que os vales – que existem desde há cinco anos – sejam substituídas por cartões de saúde.


10

EVENTOS

hoje macau segund

INVESTIGAÇÃO PARTICIPAÇÃO CHINESA NA GRANDE GUERRA “FOI DECISÃO ESTRATÉGICA”

PARA QUE SAIBAM O NOSSO NOME No novo livro que lançou esta semana, o investigador português Luís Cunha defende que a participação da China na Grande Guerra trouxe efeitos positivos ao país que se estendem até hoje

O

investigador português Luís Cunha defende no seu novo livro que a participação chinesa na Grande Guerra foi uma decisão estratégica que marcou o início do processo de projecção internacional do país. Sob o título “A China na Grande Guerra - A Conquista da Identidade Internacional”, que será lançado na quarta-feira, em Lisboa, Luís Cunha analisou a participação chinesa, desmilitarizada, no primeiro conflito mundial entre 1914 e 1918 e classifica a entrada do país na guerra como o início do processo de projecção internacional que se estende até à actualidade. “A participação na Grande Guerra, embora não tenha sido consensual, acabou por ter efeitos positivos a longo prazo e a China conseguiu fazer-se representar nas conversações de Paz em Versalhes, o que foi uma enorme vitória diplomática”, sublinhou. Luís Cunha explicou que os trabalhadores chineses eram, fundamentalmente,

erosão dos exércitos Aliados, os recrutadores chegaram a despachar dez mil trabalhadores chineses por mês para a Europa, via Canadá ou Canal do Panamá”, disse, referindo que as pessoas eram sujeitas a “condições de acomodação a bordo de tal modo precárias que faziam lembrar os navios negreiros”. A participação oficial chinesa na Grande Guerra dá-se em 1916, mas nessa altura já havia chineses a trabalharem em França.

VÍTIMAS LONGE DE CASA

recrutados pelos governos da Grã-Bretanha e da França, tendo chegado aos palcos do conflito “mais de 140.000 trabalhadores braçais - os ‘coolies’ na expressão inglesa”. O contributo oriental, ainda que relativamente desconhecido, foi “significativo para o esforço de guerra aliado”, especialmente nas

fábricas de material bélico - onde também estiveram portugueses -, na “reparação do caminho-de-ferro, manutenção de carros blindados, construção naval ou

“A participação na Grande Guerra, embora não tenha sido consensual, acabou por ter efeitos positivos a longo prazo e a China conseguiu fazer-se representar nas conversações de Paz em Versalhes, o que foi uma enorme vitória diplomática”

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A MINHA HISTÓRIA • Sven-Gorän Erickson

“Eriksson – A Minha História” dá-nos a conhecer parte da história do futebol mundial e a forma como este se transformou numa indústria de fazer milhões. Nas páginas deste livro, são descritos vários conflitos entre atletas das equipas por onde passou, o inacreditável comportamento de alguns jogadores da Roma ou, ainda, o escândalo em que se viu envolvido com uma mulher, em Inglaterra, que por pouco não o fez abandonar o futebol pela porta pequena. A passagem pelo Benfica, clube que, depois de Eriksson, não mais voltou a ser bicampeão nacional, também merece destaque neste livro.

reabastecimento da linha da frente”. Este corpo especial ficou conhecido no exército britânico como o ‘Chinese Labour Corps’. “Pressionados pela rápida

O esforço de guerra chinês provocou um número elevado de baixas nunca contabilizado e, segundo a investigação, mais de dois mil cidadãos chineses seriam sepultados em solo europeu, até porque, findo o conflito, coube aos orientais a “limpeza dos campos de batalha, onde se registaram muitas fatalidades”. Para o investigador do Instituto do Oriente da Universidade de Lisboa, a presença chinesa “não foi fruto do aca-

so”, mas sim uma “estratégia desenhada em Pequim para projectar a China, à época considerada uma potência menor no seio da comunidade internacional”. Apesar da “vitória diplomática” com a conquista de um lugar na Conferência de Paz de Versalhes, Luís Cunha fala em “dividendos pálidos” para a participação chinesa na Grande Guerra. Primeiro, explicou, os acordos secretos inter-aliados não permitiriam à China recuperar de imediato o poder em Shandong, apesar de algumas promessas norte-americanas, onde os japoneses substituíram os alemães na gestão da província. “Sentindo-se atraiçoados pelas promessas vãs dos americanos, a displicência das potências europeias e antevendo o previsível expansionismo nipónico na China, o chefe da delegação chinesa recusar-se-ia a assinar o Tratado de Paz em Versalhes, mesmo antes de receber instruções finais de Pequim e a China foi, de resto, a única nação ali representada a não rubricar o polémico documento”, recordou. Depois, contou Luís Cunha na obra editada pelo Instituto Internacional de Macau, os “estudantes chineses, indignados com a humilhação sofrida à mesa das negociações em Versalhes, saíram às ruas de Pequim em protesto”. Também o “nacionalismo chinês foi ao rubro, dando origem ao movimento de Quatro de Maio, que ficaria para a história como a primeira grande acção popular reivindicando a emancipação da China na nova ordem internacional, um episódio charneira na construção identitária da China moderna”. - HM/Lusa

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

PETISCOS DO RAMSAY, GRANDES RECEITAS DOS MELHORES PUBS • Gordon Ramsay

Gordon Ramsay, um dos chefs de maior renome dos nossos dias, revela neste livro os seus petiscos favoritos, com base na gastronomia inglesa e em todas as suas variadas influências. Desde jaquinzinhos fritos com molho à diabo a bacalhau com berbigão e bacon ou a pastéis da Cornualha, passando por delícias como assado de perdiz com couve-roxa e pato assado com recheio do pomar, não vai querer perder os segredos de confeção destes petiscos tradicionais adaptados ao paladar moderno.


eventos 11

da-feira 12.1.2015

“L

AFA de Pequim acolhe exposição de oito artistas locais

A secção da associação Art For All (AFA) de Pequim vai acolher, até 31 deste mês, uma exposição com obras de oito diferentes artistas de Macau. “Heterotopia” – que foi inspirada no conceito filosófico homónimo do pensador francês Foucault – explora vários temas contemporâneos, como a figura feminina, o consumismo, o mundo da política e até mesmo conceitos de religião, costumes e tradição. Os oito artistas locais incluem a presidente da AFA de Macau, Alice Kok, e Wong Ka Long, Sylviye Lei, Hong Wai, Lio Hak Man e Eric Fok. O conceito do filósofo francês está directamente relacionado com as noções de poder e de significação. A mostra tem entrada livre e está disponível ao público das 10h30 às 17h30. “Heterotopia” é organizada juntamente com a VAFA, uma outra exposição que teve lugar até ao passado domingo, na Casa Garden. Esta incluiu trabalhos de vídeo e multimédia de João Vasco Paiva, John Baldessari, Mariana Rocha e Caroline Koebel.

PUB

OBINHO Mau” é a mais recente peça a subir ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) já no próximo mês. Dedicada ao público mais pequenino, mas direccionada para toda a família, a estreia – no ART do CCM – está marcada para os dias 7 e 8 de Fevereiro, com horários diferentes - 11h00, 15h00 e 19h30 no sábado e 11h00 e 15h00 no domingo. A peça “Lobinho Mau” é uma história original adaptada a partir de três contos clássicos: “Os Três Porquinhos”, “O Lobo e os Sete Cabritinhos” e o “Capuchinho Vermelho”. Utilizando elementos multimédia e marionetas para criar uma nova experiência, esta peça conta-nos uma história repleta de surpresas em que o suspeito do costume deixou de aterrorizar toda a gente para se tornar um lobo vegetariano, como explica o comunicado do CCM. Uma criação do Teatro Areia Preta, ‘Lobinho Mau’ faz parte integrante do

CCM ‘LOBINHO MAU’ ESTREIA EM FEVEREIRO E APRESENTA UM LOBO VEGETARIANO

Uma história moderna

programa ‘Multiformas’ e contará com mais três outras produções locais apresentadas em espaços alternativos durante o mês de Fevereiro.

Os bilhetes têm um custo de 120 patacas, sem lugar marcado, e estão disponíveis nas bilheteiras do CCM e aos balcões da Rede Bilheteira de Macau. Os amigos

do CCM poderão usufruir de um desconto de 10%, assim como os estudantes e cidadãos com ou mais de 65 anos contam com um desconto de 50%.


12

CHINA

Salão Automóvel de Xangai pode proibir modelos femininos O Salão Automóvel de Xangai poderá proibir o recurso a modelos femininos junto aos veículos devido às críticas sobre as roupas demasiado reveladoras que são usadas em algumas ocasiões, referiu a imprensa oficial chinesa. A ideia foi apresentada às marcas que estarão em Xangai e “é provável que não se recorra a modelos no salão”, disse ao Global Times um porta-voz do consórcio chinês para a promoção do comércio internacional, um dos organismos que organiza o evento. Nos últimos anos, a presença em diversos salões automóveis de modelos femininos com vestidos demasiados sugestivos para o gosto do público (e também das autoridades) recebeu críticas abertas que foram mais intensas no salão de Cantão, em Novembro passado. No evento, quatro entidades organizadoras pediram a proibição de actividades e “actuações vulgares” entre as quais se incluía a presença de modelos com roupa “demasiado reveladora”.

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

“GUERRA À POLUIÇÃO” COM MULTAS ELEVADAS

Acordar para a catástrofe

Jaycee Chan condenado a seis meses de cadeia

O filho do actor Jackie Chan foi condenado a seis meses de prisão na China por posse e consumo de drogas. Jaycee Chan, que tal como seu pai é também actor e cantor, foi detido em Agosto do ano passado depois da polícia ter encontrado 100 gramas de marijuana no seu apartamento na capital chinesa. As autoridades acusaram ainda Jaycee Chan de proporcionar a outras pessoas um espaço para se drogarem. O jovem foi julgado num tribunal do distrito de Dongcheng e declarou-se culpado. Cerca de uma hora e 22 minutos depois do início do julgamento, o tribunal revelou que Jaycee Chan tinha sido condenado a seis meses de prisão e ao pagamento de uma multa de 2.000 yuan. Jaycee Chan e Ko Chen-tung, um actor taiwanês também conhecido por Kai Ko, testaram positivo ao consumo de marijuana. Pelo menos 10 conhecidos artistas foram detidos em 2014 em casos relacionados com o consumo de drogas.

Três milhões de arquivos pornográficos destruídos

O Governo chinês apagou, no ano passado, mais de três milhões de arquivos com conteúdo pornográfico na Internet, informou uma autoridade citada pela agência oficial de notícias Xinhua. A campanha para limpar a rede foi “muito eficaz” em 2014, declarou à agência o subdirector do Gabinete Nacional contra Pornografia e Publicações Ilegais, Zhou Huilin. A campanha contra a pornografia on-line começou há dez anos e, em 2006, o responsável pela rede pornográfica mais popular do país, com cerca de 600 mil membros, foi detido e condenado à prisão perpétua. Mais de dez mil sites foram retirados do ar no ano passado, e mais de 16 milhões de publicações ilegais, proibidas. Também foram abertas 212 investigações contra falsos jornalistas ou falsos veículos de comunicação, acrescentou Zhou.

A

S multas por atentados ao meio ambiente na China começaram finalmente a doer, indicando que a “guerra à poluição” anunciada pelo Governo não era uma ameaça retórica. Seis empresas de Taizhou, na província de Jiangsu, leste da China, foram condenadas a pagar 160 milhões de yuans por terem descarregado 25 mil toneladas de detritos químicos em dois rios, na maior multa do género ordenada por um tribunal chinês. A histórica multa, anunciada no penúltimo dia de 2014 pelo mais alto tribunal provincial de Jiangsu, terá de ser paga a um fundo de protecção ambiental até ao final deste mês.

Confirmando o veredicto da primeira instância que julgou o caso, em Agosto passado, o tribunal superior de Jiangsu salientou que as referidas descargas causaram “grave poluição”. Em 2007, a China National Petroleum Corporation, uma das mais lucrativas empresas do país, pagou apenas uma multa de um milhão de yuans depois de uma explosão numa das suas subsidiárias de Jilin, nordeste da China, ter contaminado o rio Songhua com benzina. Na altura, a multa foi apresentada como a mais pesada que a Administração Estatal da Protecção Ambiental podia impor, mas a limpeza do rio acabou por custar ao Estado 7840 milhões de yuans.

Jiangmen inicia a construção de segundo laboratório de neutrinos

A

China iniciou as obras de construção do seu segundo laboratório subterrâneo de neutrinos, com o qual espera avançar na pesquisa da física fundamental, informou a imprensa oficial do país. As obras começaram no sábado em Jiangmen, na província de Guangdong, e a instalação começará a operar em 2020, segundo a fonte. O laboratório ficará a 700 metros de profundidade e operará durante 20 anos, pelo que será equipado com alguns dos instrumentos mais avançados na pesquisa dos neutrinos. Um total de 45 universidades e centros de pesquisa de todo o mundo juntaram-se

ao projecto, que será liderado por cientistas chineses, segundo explicou Wang Yifang, director do Instituto de Física de Alta Energia da Academia Chinesa de Ciências. “O novo laboratório ajudará a entender melhor as regras do universo e o mundo das partículas”, acrescentou. Os neutrinos são partículas sub-atómicas fundamentais para entender como funciona o universo nas menores escalas, pelo que cientistas de todo o mundo, como no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), situado perto de Genebra, aceleraram nos últimos anos a pesquisa.

“Os poluidores não têm motivação para mudar. Em vez de resolverem o problema, preferem pagar as multas. É mais barato”, disse à agência Lusa há um ano Ma Jun, director da organização não-governamental Institut of Public and Environmental Affairs (IPE) e um dos mais conhecidos ambientalistas chineses. Neste aspecto, o clima parece estar a mudar. “Iremos declarar guerra à poluição e lutaremos contra ela com a mesma determinação com que combatemos a pobreza”, prometeu o primeiro-ministro, Li Keqiang, em Março passado. Mais de metade dos rios e lagos chineses estão poluídos. Em Pequim e outras grandes cidades a qualidade do ar atinge muitas vezes o nível de “altamente poluído”. “Temos de mudar o modo como a energia é produzida e consumida”, prometeu também Li Keqiang. Nos primeiros nove meses de 2014, as agências ambientais participaram à polícia 1232 casos envolvendo suspeitas de crimes ambientais - mais 526 do que o total de 2013 e mais do que em toda a década anterior, indica um documento do Ministério da Protecção Ambiental divulgado em Dezembro passado. O preço ambiental da trepidante industrialização da China tornou-se demasiado caro e a poluição passou a ser uma das principais fontes de insatisfação social, a par da corrupção e das crescentes desigualdades sociais. Como também salientou Ma Jun na referida entrevista, “há dez anos, muitas pessoas ainda pensavam que a China era um país pobre e, antes de pensar em proteger o ambiente, precisava de desenvolver-se. A situação, agora, é muito diferente. Cada vez há mais pessoas a compreender que é essencial ter água boa, ar limpo e comida segura”, acrescentou o ambientalista.


china 13

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

M

AIS de 70 executivos de empresas estatais chinesas, um quarto dos quais do sector da energia e recursos minerais, foram “colocados sob investigação” em 2014 por suspeita de corrupção, anunciou a imprensa oficial. Segundo os dados compilados pela edição online do Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês, aquele sector revelou-se o mais vulnerável à corrupção, seguido das finanças, media e telecomunicações. O portal do Diário do Povo destaca o caso de Song Lin, antigo presidente e líder da organização do PCC no consórcio China Resources Power Holdings Co, que em 2012 chegou a integrar a lista dos “50 mais influentes líderes empresariais” elaborada pela revista Fortune. Além de Song Lin, foram afastados mais sete executivos daquele consórcio. Na China National Petroleum Corporation, o maior produtor de petróleo da China e uma das maiores empresas do mundo, o próprio chefe da comissão interna de disciplina foi considerado suspeito de corrupção, juntamente com dois outros executivos. A Televisão Central da China (CCTV) foi também muito atingida pela campanha anticorrupção em curso no país. Oito produtores e apresentadores do departamento de notícias económicas da estação e nove responsáveis de outros meios de comunicação foram presos o ano passado, indicou a mesma fonte. Um chefe do canal financeiro da CCTV foi acusado de ter recebido subornos no valor de 2.000 milhões de yuans ao longo de oito anos, disse a edição online do Diário do Povo. A campanha anti-corrupção lançada após a ascensão ao poder do presidente Xi Jinping, há dois anos, é considerada a mais drástica das últimas décadas, incidindo sobre muitos e diversos sectores, das Forças Armadas às universidades. Dezenas de quadros com a categoria de vice-ministro ou superior, entre os quais o ex-chefe da Segurança Zhou Yongkang e um antigo vice-presidente da Comissão Militar Central, foram já presos.

DIÁRIO DO POLVO MAIS DE 70 EXECUTIVOS DE EMPRESAS ESTATAIS SOB INVESTIGAÇÃO

Sector energético na mira

AVIAÇÃO PASSAGEIROS ABRIRAM PORTAS DE EMERGÊNCIA

Um atraso mal interpretado V

ÁRIOS passageiros de um avião comercial chinês abriram as portas de emergência do aparelho em protesto por um longo atraso e depois de várias discussões com a tripulação, foi ontem anunciado. O incidente ocorreu no sábado num voo da companhia China Eastern Airlines que devia ligar a cidade de Kunming, sudoeste, e Pequim na noite de sexta-feira, mas a descolagem foi adiada para a manhã de sábado devido a fortes nevões na região. Depois de várias horas de atraso e de embarcarem no avião, que se mantinha na placa do aeroporto, uma passageira de idade avançada sentiu-se mal e outros passageiros pediram explicações à tripulação, revelou a China News Service. Um dos pilotos tentou acalmar os

passageiros, mas deu-se início a uma discussão e o tripulante terá, alegadamente, gritado e insultado os passageiros, como alguns descreveram em redes sociais. Finalmente, e perante a insistência do comandante em descolar apenas na manhã de sábado, vários passageiros abriram as portas de emergência quando a aeronave já circulava nos caminhos de acesso à pista desconfiando que a tripulação estivesse em condições para realizar o voo. Pelo menos 25 passageiros foram

depois conduzidos para uma esquadra de polícia e dois deles ficaram em detenção administrativa de 15 dias, explicou a polícia local, enquanto os restantes passageiros seguiram para a capital chinesa num outro voo. Um porta-voz da companhia negou que um dos pilotos tenha gritado ou insultado os passageiros e garantiu que apenas foram seguidas todas as regras da companhia. Nos últimos meses são notícia vários casos de passageiros chineses que provocam problemas em aviões como um caso de um passageiro que abriu a porta de emergência antes da descolagem para apanhar ar, ou um grupo de turistas que atirou sobre uma hospedeira um recipiente com comida quente após uma discussão.

Xinjiang Punidos 17 funcionários

A

China puniu 17 funcionários por falhas relacionadas com os atentados e tumultos na região de Xinjiang, em Setembro, informou a imprensa estatal, ao mesmo tempo que o chefe regional do Partido Comunista declarava que a luta contra o “terrorismo” está a ficar “mais intensa “. Depois de uma investigação sobre a violência, o Comité do Partido Comunista de Xinjiang impôs a 17 funcionários “do partido e do Governo” punições por falhas na segurança e outros erros. O secretário do partido de Xinjiang, Zhang Chunxian, disse que a situação no âmbito da segurança é “extremamente” sombria.

“A luta contra o terrorismo em Xinjiang entrou numa fase mais complicada e mais intensa”, disse Zhang, de acordo com um relatório publicado na quinta-feira. “Temos que ter a iniciativa de brandir a espada, tomar a ofensiva e atacar de modo abrangente.” O Governo atribuiu atentados em outras partes da China, incluindo Pequim, a militantes islâmicos de Xinjiang. Activistas pró-direitos humanos dizem que as políticas repressivas do Governo em Xinjiang, incluindo limitações à religião e cultura, bem como os problemas económicos e sociais locais, têm provocado os distúrbios. O Governo nega essas críticas.


h

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

ARTES, LETRAS E IDEIAS

14

José Simões Morais

A MODA DAS CALÇAS RASGADAS

H

ISTÓRIA que se desenrola durante a governação do décimo sétimo imperador da dinastia Ming, Zhu Youjian (1628-44), conhecido por Imperador Chong Zhen. Os últimos imperadores Ming estavam tão ocupados com a sua imortalidade e em luxos que, nem tinham tempo para os assuntos de Estado, grassando assim a decadência. O imperador Shen Zong (Zhu Yijun, 1572-1620, mais conhecido por Wan Li) mandou construir um palácio subterrâneo para ser o seu túmulo, cujo dinheiro que custou permitiria alimentar dez milhões de pessoas durante um ano. Vivendo a população chinesa na miséria, ainda era obrigada a pagar altas rendas e taxas, o que levou mais tarde à revolta de 1627. Já desde 1619, as fronteiras do Norte da China, demarcadas pela Grande Muralha, sofriam as investidas dos manchus. Com fama de bons combatentes, os portugueses de Macau aliados aos jesuítas, no ano seguinte eram referenciados na corte imperial como uma possibilidade para vir ajudar as tropas Ming, o aconteceu logo em 1621. Segundo Montalto de Jesus, “Gonçalo Teixeira, um jesuíta, ofereceu ao imperador, em nome de Macau, três grandes canhões.” Provenientes, apesar de não ser referido, talvez da fundição em Macau de Manuel Bocarro, onde era produzida artilharia com grande fama e procura em todo o Oriente. “Foram

também artilheiros com eles. Estes canhões, levados até à fronteira, prestaram grandes serviços contra os invasores que, avançando em grandes massas, sofreram tantas baixas com os tiros, que se puseram em fuga e passaram a ser cada vez mais cautelosos nos seus ataques.” No entanto, por estarem fora de Macau, estes artilheiros deixaram desguarnecida a sua cidade, que por duas vezes e por muito pouco não foi conquistada; uma por piratas chineses, que em 1621 tentaram tomar Macau e outra, logo a seguir, pelos holandeses, na batalha de 24 de Junho de 1622, com o célebre tiro efectuado da Fortaleza do Monte pelo Padre Rho S.J.. Seguindo o livro “Macau Histórico” de Montalto de Jesus: “A partir daí, o governo chinês encomendou mais canhões e mosquetes a Macau. Gonçalo Teixeira ofereceu, sempre em nome de Macau, os serviços de um contingente militar contra os manchus. Uma instância para esse fim foi apresentada ao imperador, que aceitou a oferta. O Conselho de Guerra enviou João Rodrigues, um jesuíta (japonólogo, intérprete e que entre muitos trabalhos deixou-nos o Dicionário Japonês-Português), para negociar com as autoridades de Macau enquanto se ordenava aos mandarins que despachassem os assuntos liberalmente.” Por várias vezes, ao longo da primeira metade do século XVII, os canhões e os seus bombardeiros (homens que manejavam as bombardas, canhão curto de grande calibre) de Macau partiram para a China, a fim de lutar pela dinastia Ming contra os manchus do Nordeste. Como Montalto de Jesus não apresenta datas para identificar cada uma dessas vezes, o episódio dos quatrocentos portugueses pagos pela corte Ming que partiram de Macau em direcção à Grande Muralha, todos os historiadores de Macau indicam ter acontecido em 1630. Tal concorda com a eleição em 16 de Agosto de 1630 de seis adjuntos para tratarem com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China de o envio de gente de guerra e armas para as guerras contra os tártaros. Encontrando-se os quatrocentos portugueses em Jiangxi, foram interrompidos na sua marcha devido às intrigas dos comerciantes de Cantão junto aos mandarins provinciais. E é desde Nanchang, cidade hoje capital de Jiangxi, que o Padre Álvaro Semedo S.J., como fonte presencial, nos narra a admiração dos habitantes ao ver um deslumbran-

te cortejo militar, que mais parecia uma embaixada, tal a riqueza em cavalos, nas roupas e criados e para espanto de todos esses espectadores, ali presenciaram uma passagem de moda, tão fora de época!

CALÇAS DECORADAS COM RASGÕES Soldados, pagos pelos cofres do imperador Ming, tinham partido de Macau em direcção à Grande Muralha onde, pelo lado de fora, os exércitos manchus estavam posicionados. Sem se poderem chamar estrangeiros, os chineses a viver há muitos séculos no Nordeste chinês e cujos seus antepassados provinham da tribo dos Nuzhen, pertenciam às tribos manchus, que tinham já governado a China, ou partes desta e tal como os xiongnu e os mongóis eram originários das Montanhas do Altai. Em 1616, essas tribos manchus uniram-se sobre o comando de Nurhachi e pouco depois começaram a colocar as suas tropas estacionadas ao longo das fronteiras com o território da dinastia Ming. Em 1630, à corte de Beijing chegou Gonçalo Teixeira, português que vinha com embaixada e presente da cidade de Macau para o imperador. Segundo o Padre Álvaro Semedo, que é quem nos relata por observação directa os acontecimentos em Nanchang, com a visão daquele grupo criativo de soldados, que antecipou em quase quatro séculos a moda das calças rasgadas, Gonçalo (emendado por Luís Gonzaga Gomes para Gonçalves) Teixeira “vendo a insolência dos tártaros e o temor dos chineses e julgando prestar serviço ao reino de Portugal e favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer o rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para auxílio contra os tártaros. A oferta agradou. Entregou-se um memorial ao rei (o Imperador Ming Chong Zhen,

Padre Álvaro Semedo S.J

Quem pensa que as calças jeans coçadas e rasgadas são produto de uma estética dos finais do século XX, ficaria espantado ao ler o Padre Álvaro Semedo S.J. quando no século XVII faz referência à expedição enviada desde Macau a Beijing para ajudar a dinastia Ming a combater os tártaros-manchus

1628-1644), que logo deu provisão favorável. O Conselho de Guerra despachou então um padre da Companhia (o Padre João Rodrigues) a Macau, o qual já andava com os embaixadores a negociar este socorro com muitas ordens para as autoridades de Cantão para que dessem despacho a este negócio, com liberalidade e comodidades de gente que lhes fosse requerida. Prepararam-se em Macau quatrocentas pessoas, sendo duzentos soldados, entre eles muitos portugueses de cá e outros de lá. A maioria era gente do país mas, não obstante chineses, nasceram em Macau e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto bons soldados e grandes atiradores de espingardas. A cada soldado foi dado um moço para lhe servir, comprado com o dinheiro do rei (Imperador da China) e ainda larga paga com a qual os soldados se vestiram ricamente e se proveram de armas, ficando ainda ricos. Partiu esta soldadesca de Macau com dois capitães, chamando-se um Pedro Cordeiro, o outro António Rodrigues do Cabo (designando C. R. Boxer por António Rodriguez del Campo), com os seus alferes e outros oficiais. Chegados a Cantão deram mostras de si com tanta galhardia, fazendo várias salvas de mosquetes, que os chineses ficaram estupefactos. Aqui tiveram barcos para navegar no rio e com eles visitaram, com muita comodidade, toda a província, sendo regalados pelos magistrados, quando chegavam às suas cidades ou aldeias, enviando-lhes estes fartos abastecimentos de galinhas, vaca, fruta, vinho, arroz, etc.. Passaram o monte que divide a província de Cantão (Guangdong) da de Kiamsi (Jiangxi) - sendo menos duma jornada de caminho até ao outro rio - todos a cavalo, até os seus servidores. Na outra banda imediatamente embarcaram de novo e, no segundo rio, atravessaram da mesma forma quase toda a província de Kiamsi até à sua metrópole (Nanchang), na qual me encontrava (Padre Semedo) então e tinha uma boa cristandade. Demoraram-se somente para ver a cidade e para serem bem vistos por ela. Foram convidados por muitos senhores para poderem admirar o seu modo de vestir e outras coisas para eles estranhas. Trataram-nos com toda a espécie de cortesia. Todos os admiravam e os louvavam, com a excepção dos golpes e cortes dos seus trajes, pois, não podiam compreender porque retalhavam um


artes, letras e ideias 15

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

pano inteiro, em vários lugares só para o embelezarem.” Pe. Álvaro Semedo.

INTERESSES OPOSTOS Decorria a visita a Nanchang, quando um édito imperial decretou o regresso a Macau de quase todo o corpo expedicionário português dessa cidade, tendo apenas continuado viagem para Norte um restrito grupo onde se contavam Gonçalves Teixeira e o Padre João Rodrigues e alguns mais. Estes seguiram para Norte, onde em Tengzhou, na província de Shandong, se encontraram com as forças chinesas, tendo aí prestado relevantes serviços na defesa da cidade. Após dois anos em Tengzhou, devido ao atraso do soldo saquearam a cidade e às suas mãos morreu Gonçalves Teixeira, juntamente com outros. Depois debandaram, tendo o Padre João Rodriguez conseguido escapar e chegado à capital, Beijing, foi agraciado com honrarias pelo Imperador. Regressemos aos que de Nanchang seguiram para Macau, continuando a transcrever esta história pelo livro “Relação da Grande Monarquia da China” redigido pelo Padre Álvaro Semedo S.J. e concluído em 1637. Português de Niza, Portalegre, Álvaro Semedo (1586-1658) com 17 anos ingressara na Companhia

de Jesus e cinco anos depois seguiu para a Índia, onde em Goa completou os seus estudos teológicos. Na China desde 1613, o Padre Álvaro Semedo S.J. adoptou o nome Sé Mou-Iôk e como observador privilegiado do período a que tal história se refere, foi desde Nanchang relatando o que presencia. Para perceber o édito imperial escutado em Nanchang, voltemos às suas palavras: “O motivo do seu regresso foi devido aos chineses de Cantão, que negoceiam com os portugueses e são corretores nos seus negócios dos quais auferem grandes lucros, terem advertido que com esta entrada e o seu êxito, de que não duvidavam, seria fácil aos portugueses alcançarem licença para entrarem no reino e fazerem por si os seus negócios e transacções, com o que perderiam os seus lucros. Assim, antes que os portugueses partissem, fizeram todas as diligências para os embaraçar, apresentando muitos contras e, como por último, respondessem os magistrados que não podiam fazer outra coisa, por ter já sido pago dinheiro e feitas as pagas não somente as ordinárias como ainda as adiantadas, ofereceram-se, então, para pagarem do seu bolso todo aquele dinheiro ao rei. Vendo, porém que assim podiam conseguir, disseram-lhes os magistrados que, se fizessem passar pela

corte o dinheiro que pretendiam dar e apresentando-o aos mandarins, seria possível fazer com que estes mesmos, que tinham proposto a vinda dos portugueses ao rei, para prestarem socorro, tornassem a fazer um outro memorial, dizendo não serem eles precisos. Respondeu o rei e eu vi a resposta real: Não há muito propuseste que esses homens entrassem no reino e nos ajudassem contra os tártaros; agora dizeis não serem já necessários. Quando propuserdes qualquer coisa é bom pensardes melhor. Porém, se não são necessários que regressem. Assim terminou essa expedição sem utilidade alguma para o reino, mas muito para os soldados quanto mais não fosse por terem visitado uma boa parte da China. Os tártaros continuaram com a guerra da mesma forma e até agora ainda continuam, tendo obrigado o reino de Coreia a pagar-lhes tributo como pagava à China, pagando-o ainda aos chineses como antigamente.” Como espectáculo de moda dado pelos portugueses pelas ruas de Nanchang, vestindo calças de ricos tecidos nos quais abriram rasgões com a finalidade de decoração, apenas ficou registado nas palavras de um dos primeiros e grande sinólogo, fonte que presenciou localmente este episódio. No entanto,

Sé Mou-Iôk, o Padre Semedo, por continuar pela China, já não faz referência ao que se passou mais tarde. A Macau, pouco tempo depois do regresso dos que vieram de Nanchang, enviado pelos funcionários de Cantão chegou o pedido de retorno do dinheiro que tinham despendido para a expedição. Atónicos, os portugueses não quiseram pagar os trinta e quatro mil taéis mas, a retenção do anual barco em Cantão, levou-os a sanar o problema. Não foi a vender as suas intervenções feitas sobre ricos tecidos, pois ainda não estavam na moda, que só apareceu quatro séculos mais tarde, mas usando os poucos lucros que ainda possuíam das viagens comerciais a Manila e ao Japão, que na altura se encontravam quase interrompidas. Nota solta: Deixamos aqui assinalada a morte aos 86 anos do Arquitecto Duarte CastelBranco, que nasceu em Macau em Julho de 1928 e diplomado no Porto, deixou obra no plano urbanístico em Lisboa, Porto e Abrantes, onde em sua casa faleceu no dia 4 de Janeiro de 2015, tendo doado a colecção documental do seu trabalho ao Arquivo Histórico Municipal Eduardo Campos em Abrantes.


16

DESPORTO

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

SPORTING MACAU JOGADORES LOCAIS EM DESTAQUE NO NOVO PLANTEL. JORGE TAVARES ESTREIA-SE

Foi ontem apresentada oficialmente a nova equipa do Sporting de Macau. Os adeptos podem contar com mais jogadores locais e a estreia de Jorge Tavares com a camisola verde e branca. Ethan Lay é a “jovem promessa” ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

A

pré-época já arrancou com alguns desaires para a equipa do Sporting de Macau, em termos de lesões, mas os leoninos prometem não desarmar. Ontem foi apresentada a nova equipa para 2015, marcada pela saída de nove jogadores e a entrada de seis, todos eles vindos de outras equipas do campeonato local (Vernon Wong, ex-Ka I, Chan Pak Chun, ex-Benfica, Chan Kin Seng, ex-Kei Lun, Ho Man Hou e Ieong Wai Hou,

HOJE MACAU

Leões reforçam-se para “ano difícil” LIEDSON “POUCO PROVÁVEL” também do Ka I). Vidigal, de 21 anos de idade, deixou a camisola da Casa de Portugal em Macau para vestir as cores do Sporting. Tal como o HM já tinha noticiado, Jorge Tavares é outras das novidades para o campeonato deste ano. Vindo do Chipre, depois de ter jogado no Benfica de Macau, Jorge Tavares promete dar tudo num meio que já conhece. “As outras equipas reforçaram-se. Temos um bom grupo e bons jogadores, mas temos de vencer jogo a jogo e conforme a forma como o campeonato correr depois podemos mudar os objectivos ou não”, disse à margem de uma conferência de imprensa, ontem. Nas camadas mais jovens, a estrela é Ethan Lay, um jovem australiano de 16 anos que já está a ser seguido por equipas europeias, tal como o Manchester United. O director técnico dos

leões, Hugo Pereira Lam, falou dele como um jogador “que o Sporting resolveu convidar” para participar no campeonato, porque precisa de uma boa rodagem e camaradagem. “É uma jovem promessa que espero que voe alto.” Nomes como Nicholas Freedman e Xavier Goitia, incluindo “dois talentos”, vão reforçar o plantel, sem participação assídua nos jogos. O presidente do Sporting de Macau, António Conceição Júnior, falou de uma equipa muito procurada por técnicos e jogadores, mas não esqueceu as dificuldades. “Este ano não vai ser nada fácil. Sabemos que as outras equipas se reforçaram e que o campeonato este ano vai ser ainda mais difícil do que no ano passado. Temos plena consciência de que este é um facto claro e nunca nos ouviremos em auto-elogios”, disse, acrescentando,

contudo, que os jogadores locais até não foram difíceis de recrutar. “Este ano intensificámos o nosso processo de encontrar mais jogadores locais. Não foi difícil. Juntámos o jogador do ano, da última temporada, capitão Bruno Brito, com o melhor jogador local da última temporada, Martin Ho Man Hou, Jorge Tavares, adicionámos reforços locais e ainda uma revelação”, apontou. “Temos novos jogadores que vieram do Ka I, não são propriamente ingénuos. Vamos esperar que as coisas corram bem e que se possa ter um bom resultado, porque de facto eles mudaram de ambiente mas espero que tenham mudado para um ambiente melhor, um treino com mais exigência e maior seriedade”, acrescentou o presidente leonino. João Maria Pegado, o treinador principal da equipa, frisou que para esta época a ideia é “fazer o mesmo ou

Questionado sobre a hipotética vinda de Liedson para a equipa, António Conceição Júnior disse acreditar que ele não virá. “O Sporting fala de coração aberto e para já não há nada. Acredito que ele não virá. Era preciso para isso que o futebol em Macau tivesse outra dimensão e fosse organizado de outra maneira”, referiu o presidente leonino.

melhor que o ano passado, sabendo que vai ser bastante difícil, porque as equipas sabem quem é o Sporting de Macau”. “O ano passado fomos a surpresa e as equipas foram apanhadas desprevenidas, mas este ano já estão a contar com o Sporting que vai querer estar nos lugares cimeiros, vão ser jogos bastante difíceis. Pelo que vejo as outras equipas também se reforçaram e prepararam bem na pré-época, vai ser um campeonato interessante e bastante competitivo”, concluiu.

Morreu piloto macaense Rui Clemente

Rui Clemente faleceu na sexta-feira, no Hospital Kiang Wu, avança a Rádio Macau. O piloto macaense participou em várias edições do Grande Prémio de Macau, mas estava longe das provas há alguns anos. No entanto, regressou ao circuito da Guia no ano passado, para competir na Taça CTM. “Ele confidenciou-me que gostava de correr, se bem que toda a gente da parte do desporto motorizado sabia de antemão que estava doente, desde o princípio do ano passado”, recorda o piloto Rui Valente à rádio. O “gosto de fazer uma coisa que sempre fez na vida” levou Rui Clemente à derradeira participação no Grande Prémio de Macau. Para trás, ficaram muitas presenças em provas asiáticas. “Houve uma altura em que éramos rivais. Corríamos na mesma prova, ambos lutávamos pelos lugares da frente, nas décadas de 1980 e 1990. Além de Macau, chegámos a correr na Malásia, Tailândia e por aí fora. Lembro-me que, nas últimas participações do Rui, corríamos com um BMW. Depois, ele deixou de correr”, conta Rui Valente. Rui Clemente fundou com Palmiro Estorninho uma das equipas macaenses de maior destaque no automobilismo local: a Macau Racing Team.

PUB

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 9/AI/2015

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 10/AI/2015

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 王開紅(portador do passaporte da RPC n.° E01853xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 27/DI-AI/2013, de 07.03.2013, levantado pela DST e por despacho da signatária de 11.07.2014, exarado no Relatório n.° 490/DI/2014, de 08.07.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por prestação ilegal de alojamento da fracção autónoma situada na Avenida de D. João IV N.° 3, Edf. Lei Kou, 22.° andar A.------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.--------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 1 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.---------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau. -----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Janeiro de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor 王開紅(portador do passaporte da RPC n.° E01853xxx), que na sequência do Auto de Notícia n.° 27.1/DI-AI/2013, de 07.03.2013, levantado pela DST e por despacho da signatária de 11.07.2014, exarado no Relatório n.° 489/DI/2014, de 08.07.2014, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório, por quem angariar pessoa com vista ao seu alojamento na fracção autónoma situada na Avenida de D. João IV N.° 3, Edf. Lei Kou, 22.° andar A e utilizada para a prestação ilegal de alojamento.-------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele Auto de Notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito. Nos termos do n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010 não é admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo.----------------------------------------------------------A matéria constante daquele Auto de Notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, tal facto é punível nos termos no n.° 2 do artigo 10.° da Lei n.° 3/2010.-----------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 07 de Janeiro de 2015. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


( F ) UTILIDADES

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

TEMPO

POUCO

NUBLADO

Cineteatro

CINEMA

MIN

12

MAX

15

HUM

80-98%

•

EURO

9.4

BAHT

0.2

Um filme de: Oliver Megaton Com: Liam Neeson, Forest Whitaker, Famke Janssen 14.00, 15.55, 17.50, 21.30

SEVENTH SON [3D] [C]

Um filme de: Sergei Bodrov Com: Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes 19.30

NIGHT AT THE MUSEUM: SECRET OF THE TOMB [B]

Um filme de: Shawn Levy Com: Ben Stiller, Robin Williams, Owen Wilson 19.45

1.3

O QUE FAZER ESTA SEMANA

Com: Jeff Bridges, Julianne Moore, Ben Barnes 14.30, 16.30, 21.30

TAKEN 3 [C]

?

YUAN

SEVENTH SON SALA 1

17

SALA 3

WOMEN WHO FLIRT [B] (FALADO EM MANDARIM COM LEGENDA EM CHINÊS E INGLÊS) Um filme de: Pang Ho-Cheung Com: Zhou Xun, Huang Xiao Ming 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

SALA 2

SEVENTH SON [C]

Um filme de: Sergei Bodrov

• Quarta-feira EXPOSIÇÃO “SELF/UNSELF – DUTCH CONTEMPORARY DESIGN” Centro de Design de Macau, 18h30 Entrada livre

ACONTECEU HOJE

• Diariamente

12 DE JANEIRO

EXPOSIÇÃO “PONTO DE PARTIDA: PINTURAS DE DENNIS MURREL E DOS SEUS ARTISTAS” (ATÉ 31/01) Fundação Rui Cunha, 18h30 Entrada livre

Morre Agatha Christie, a ‘duquesa da morte’ • Hoje é dia de recordar Agatha Christie, uma das mais célebres escritoras do mundo, autora de romances criminais com desfecho imprevisível e apaixonante. Os seus livros são dos mais traduzidos do mundo, apenas superados pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare. Agatha Christie nasceu na cidade britânica de Torquay, a 15 de Setembro de 1890, e foi uma escritora que se dedicou aos romances policiais, marcados pelos desfechos inesperados e cativantes. A escritora britânica vendeu mais de quatro mil milhões de cópias, em diferentes línguas. Conhecida como ‘duquesa da morte’, ou ‘rainha do crime, Agatha Christie criou algumas das mais famosas personagens da literatura, como Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros. Agatha Christie, que assinou também com o pseudónimo de Mary Westmacott, escreveu mais de 80 livros e transformou-se num ícone da literatura mundial, com uma obra ímpar. Neste dia, em 1923, é lançado o primeiro número da revista Time, nos EUA. Já em 1946, a ONU cria o Conselho de Segurança. E também a 12 de Janeiro, mas em 1988, nascem no Michigan os primeiros quíntuplos de proveta do mundo, por cesariana. Nasceram a 12 de Janeiro Charles Perrault, escritor francês de contos infantis, com destaque para ‘O Polegarzinho’ e ‘O Capuchinho Vermelho (1628), Johann Pestalozzi, mestre suíço da educação mundial (1746), Johan August Arfwedson, químico sueco, que descobriu o lítio (1792), Spiridon Louis, atleta grego, vencedor da primeira maratona (1873), António Augusto de Chaby Pinheiro, actor português (1873), Pablo Escobar, narcotraficante colombiano (1949), e António Vitorino, político português (1957). Morreram neste dia Charles Brenton Huggins, fisiologista canadiano (1997), e Maurice Gibb, guitarrista dos Bee Gees (2003).

EXPOSIÇÃO DE SÂNDALO VERMELHO (ATÉ 22/03) MGM Resort Entrada livre EXPOSIÇÃO DE PINTURA “113º 55’ E 21’ 11’N”, DE SOFIA AREAL (ATÉ 12/01) Casa Garden Entrada livre

U M D I S C O H O J E “GRACE” (JEFF BUCKLEY, 1994) O que há a dizer sobre um mestre do mundo da música? O que se pode dizer de um dos melhores álbuns alguma vez composto sem ficar aquém do verdadeiro merecimento? Jeffrey Scott Buckley, ou simplesmente Jeff Buckley, de voz inconfundível e carregado de sensibilidade criativa, compôs “Grace” enquanto decorria o ano de 1994. “Lover, You Should’ve Come Over”, “Hallelujah”, “Last Goodbye” são pequenas delícias que devem ser, por todos, saboreadas. - Filipa Araújo

João Corvo

fonte da inveja

Se a tua mulher for à fonte, faz a mala e vai-te embora.

EXPOSIÇÃO DE PINTURA “KOREAN ART”, COM OH YOUNG SOOK E KIM YEON OK (ATÉ 15/02) Galeria Iao Hin Entrada livre EXPOSIÇÃO DE DESIGN DE CARTAZES “V X XV:” (OBRAS DE 1999, 2004 E 2009) [ATÉ 15/03] Museu da Transferência da Soberania de Macau, 10h00 às 19h00 Entrada livre EXPOSIÇÃO “TRANSMUTATION” E “FOAM TIP” (PINTURA E PORCELANA, POR CAROL KWOK E ARLINDA FROTA) Signum Living Store, 18h30 Entrada livre EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE TAM KAI HON “BRILHANTE” Centro UNESCO de Macau, 18h30 Entrada livre


18

OPINIÃO

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk • http://blog.xuite.net/legalpublications/hkblog

macau visto de hong kong

O nosso Doraemon

O

dia 6 de Janeiro deste ano vai provavelmente ficar na nossa memória como dos mais tristes para as pessoas de Hong Kong e de Macau. Isto deve-se ao facto de Lam Po-Chuen ter falecido nessa data. Lam não era famoso em Hong Kong, nem era tão pouco um actor ou um político. Este ordinário cidadão chinês era contudo muito bem conhecido por dar a voz a um dos desenhos animados japoneses mais famosos de todo o tempo – Doraemon. Lam nasceu em Macau, mas mudou-se para Hong Kong enquanto estudante do ensino secundário. Depois de completar os seus estudos, foi trabalhar como um assistente administrativo num banco local. Contudo, alguns dos seus contactos recomendaram que a TVB o contratasse, e Lam começou a trabalhar como locutor dessa companhia em 1971, cargo que ocupou até 1980, tendo porém voltado a esta empresa em 1993. Este emprego mudou completamente a vida de Lam. Mas além do trabalho em cima mencionado, Lam deu voz ao gato-robô da série de desenhos animados Doraemon durante mais de duas décadas. Por isso, todos os residentes de Macau e Hong Kong com idades compreendidas entre os 10 e os 50 anos terão certamente visto a série de desenhos animados ou banda desenhada Doraemon e escutado assim a voz de Lam. Posto de maneira simples, Doraemon é um gato-robô que nos acompanhou durante a adolescência numa série televisiva. Assim sendo, o próprio Lam tornou-se num amigo e parceiro durante os nossos anos de desenvolvimento e de formação. Doraemon é uma personagem fictícia criada por Fujiko F. Fujio, tendo sido publicada pela primeira vez em 1969. No site “wikipedia” podemos encontrar a seguinte informação relativa a estes desenhos animados: “Doraemom é mandado de volta no tempo por um jovem rapaz chamado Sewashi Nobi para melhorar a situação do seu avô, Nobita, de modo a que os seus descendentes podessem gozar de um futuro melhor. No seu espaço-tempo original, Nobita sofreu nada mais do que azar e miséria manifestadas nas suas más notas e nos maus tratos que sofreu nas mãos dos seus colegas durante toda a sua vida. Tudo isto resulta na destruição de um negócio que este esperava vir a desenvolver, o que deixa toda a sua família em más condições financeiras. Com a intenção de alterar o curso da história e ajudar a família Nobi, Sewashi pretendia inicialmente mandar um super-robô para proteger Nobita, mas devido às suas escassas poupanças não conseguiu adquirir mais do que um brinquedo imperfeito e rejeitado pela própria fábrica que o produziu: um gato-robô com características humanoides chamado Doraemon. Este personagem tem um bolso que lhe permite criar dispositivos, medicamentos e outros utensílios do futuro. Alguns des-

tes produtos são baseados em utensílios japoneses verdadeiros mas com algumas variações interessantes, porém a grande maioria pertence completamente ao universo da ficção científica. Milhares destes dispositivos foram aparecendo na série com o decorrer do tempo, sendo de salientar o “bambu-helicóptero”, um pequeno aparelho que Doraemon usa na sua cabeça e que o permite voar, assim como a “portal do além”, uma porta que aparece quando necessária e que o transporta para onde este desejar. Uma das principais razões para o sucesso actual deste personagem é a sua bondade. Doraemon ajuda Nobita a transformar a sua condição miserável e azarenta de tal modo que Nobita chega mesmo a enriquecer. Isto é, afinal, o sonho de todos nós. Expressando este desejo por via de uma banda desenhada ou uma série de desenhos animados, Doraemon foi universalmente aceite tanto pelos mais jovens como pelos seus próprios pais. Assim sendo, a morte de Lam Po-Chuen foi

As leis podem proibir alguém de roubar, mas não são capazes de nos impedir de perseguir os nossos sonhos. Diga-se de passagem que, sem sonhos, nenhum de nós é capaz de crescer

semelhante à morte do próprio Doraemon, o que fez todos os seus admiradores e seguidores extremamente infelizes. Todos tiveram a sensação de que os seus sonhos se haviam dissipado e que nunca mais se voltariam a exprimir. A série animada Doraemon conta com mais de 40 anos de difusão, tendo proporcionado alegria e felicidade a todos aqueles que a seguiram. Ao mesmo tempo que Doraemon permite e ajuda todos a perseguir os seus próprios sonhos, este refresca ao mesmo tempo a nossa memória. As nossas leis são muito específicas quanto ao conceito de direitos de autor e oferecem protecção aos criadores deste tipo de personagens. Mas as leis não são capazes de obrigar um artista a criar ou a produzir uma personagem interessante e adorada como o gato-robô Doraemon. Da mesma maneira, as leis podem proibir alguém de roubar, mas não são capazes de nos impedir de perseguir os nossos sonhos. Diga-se de passagem que, sem sonhos, nenhum de nós é capaz de crescer. Doraemon e Lam lembram-nos daqueles que assistem os outros a serem felizes todos os dias. Mesmo sabendo que todos nós temos de morrer eventualmente, a morte de Lam traduz-se na perda da nossa própria memória e dos nossos próprios sonhos. Não somos capazes de pedir a Lam que acorde mais uma vez, nem que volte a ser a voz de Doraemon. Proponho no entanto não quebrar o luto e que, com os nossos olhos envoltos em lágrimas, cantemos uma canção desta série em honra de Lam e de Doraemon. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

Se eu tiver a varinha mágica, vou ter tudo o que quiser Barras de chocolate, animação, um jarro de panquecas de amora Com o Doraemon em minha moradia, vou ter imensa alegria Viajamos pelo túnel do tempo, em busca do sítio a que pertenço Tu vais saber ser bom, é simples mas verdade Olá todos vós, eu sou o Doraemon Ang ang ang, meu mágico Doraemon, de onde vens tu? Na pradaria contamos estrelas cadentes, uma, duas, três, quatro mas tão distantes A constelação parece estar correcta, no mundo da fantasia ouvirei a cotovia Um quebra-cabeças que procura resolução, para balançar o meu coração A máquina do tempo e o meu lápis do desejo vão viajar para o futuro ou para o passado Mostra-me apenas o que tens, dentro do teu bolso Ouch, ajuda-me rato Ang ang ang meu mágico Doraemon, tu sabes o que quero Ang ang ang meu mágico Doraemon, tu sabes o que quero Adeus meu amor, espero que possas ouvir a música que cantamos para ti. Lam Po-Chuen 1951-2015


DIÁRIO DE BORDO

hoje macau segunda-feira 12.1.2015

‘‘

POR CARLOS MORAIS JOSÉ

“Numa reunião com o Instituto de Acção Social (IAS), este assegurou que, no futuro, os serviços de apoio às vítimas de violência doméstica iriam cobrir ‘as relações do mesmo sexo, independentemente do âmbito da lei. Se a lei não autoriza essas medidas, então os serviços providenciados pelo IAS serão bastante limitados em casos de violência doméstica entre casais do mesmo sexo”

EPA/BODO MARKS

ontem macau

JORNAIS DESTRUÍDOS pelo fogo ilustram o ataque à sede do jornal Hamburger Morgenpost, em Hamburgo, na Alemanha, ontem. O diário publicou caricaturas do profeta Maomé do jornal Charlie Hebdo como homenagem as vítimas de Paris e foi alvo de fogo posto e ataque com pedras. Alguns ficheiros e material de arquivo foram destruídos, mas não houve feridos

horah

JASON CHAO • Porta-voz do grupo Arco-Íris de Macau sobre a retirada dos homossexuais da Lei de Violência Doméstica

“Quando ainda era professor da UM, foi-me solicitado pelo Chefe do Departamento, Wang Jianwei, que diminuísse as críticas sobre as políticas públicas do interior da China, mas também as críticas aos Estados Unidos. Além disso, planeei ainda realizar um seminário académico sobre as políticas da região autónoma de Xinjiang, acção que foi suspensa pelo mesmo Chefe por considerar que esta era uma política sensível” BILL CHOU • Activista e ex-professor de Ciência Política da UM

“Seria lamentável que a indignação que um acto criminoso desta gravidade despertou nos cidadãos comuns conduzisse a uma explosão de islamofobia e perseguição destas comunidades. Vozes importantes das organizações muçulmanas europeias vieram a terreiro declarar que os assassinos nada têm a ver com os seguidores e os ensinamentos do Profeta Maomé, uma religião que se reivindica de paz e harmonia” ARNALDO GONÇALVES • Opinião sobre o ataque ao ‘Charlie Hebdo’

www. hojemacau. com.mo

“O actual ajustamento é uma nova direcção para as empresas, pois define uma consciência de negócio, e também para a população activa ao definir a sua planificação e progressão nas carreiras profissionais” Lionel Leong, Secretário para a Economia e Finanças, sobre a quebra nas receitas do Jogo | P.5

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

L I G U E - S E • PA R T I L H E • V I C I E - S E

hojeglobal w w w. h o j e m a c a u . c o m . m o facebook/hojemacau twitter/hojemacau

19

édito A noite Quando a noite se estende sobre o mundo esbatem-se parte das diferenças que separam as coisas. As cores desaparecem e o próprio planeta se verga perante a luz das estrelas e da Lua. Existe na noite um carácter unificador, algo que nos evoca o conceito de plenitude e também de participação. Sou na noite um seu filho e não, como à luz do dia, um ser separado, mal integrado no ambiente reinante. Deslizando pelo escuro, pelas sombras recentes, imiscuo-me nas ruas, desapareço de encontro às paredes e, por vezes, encontro obscuras portas que atraem como um vórtice. Sinto, enfim, que sou feito da matéria dos abismos, cujo fundo permanece oculto, da vista e da razão. Não existe aí nem um grama de luz, nada de visível, o que deixa pressupor a minha própria existência como algo de indefinível, impossível de racionalizar, finalmente, de entender. Passear pela noite do mundo será como ser cego mas ver, ser surdo mas ouvir, o que realmente interessa. A noite estende-se sobre o planeta e eu não adormeço. Pelo contrário, os nervos retesados impelem-me ao movimento, à procura, ao desassossego. Quanto mais alta se queda a Lua, mais o espírito se abaixa ao solo, se roja e se lamenta de não ter asas para voar naquele céu limpo de inverno. Sou da beira das coisas, das traseiras dos jardins, das ruas secundárias e nocturnas. Um animal acossado por si mesmo, perseguido por vielas e animado de sono. Bocejo por me faltar oxigénio e redivivo na superfície plana das opiniões alheias que não oiço. Há mais janelas iluminadas do que estrelas neste céu e em cada uma invento um drama, um planeta em escombros. Oiço o silêncio das discussões entre os casais, a música que aquele amplificador ainda não conseguiu tocar. Os ecrãs estão ligados, há milhares de fontes de luz por detrás de cada porta. Mas nada realmente se passa porque, na noite do mundo, tudo se passou já, uma e outra vez. O mundo acabou: há um raio de luz que de Oeste me assombra. Chegou finalmente a hora de me deitar ao rio e nele flutuar até ao imenso mar. Nele vegetarei na companhia destes e outros monstros.


hoje macau segunda-feira 12.1.2015

Pyongyang e EUA agendam reunião

por Stephff

cartoon

O presidente da Associação de Empregados das Empresas de Jogo de Macau, Choi Kam Fu, assegura que há pelo menos duas operadoras que estão a convidar os funcionários a pedir licenças sem vencimento, até um ano, devido à queda das receitas do jogo. O presidente considera que o Governo, perante a situação, deve intervir neste modelo de licenças sem vencimento, esperando que tanto as operadores, como o próprio Executivo possam oferecer formação permitindo a evolução de carreira dos trabalhadores locais. “Depois da crise financeira de 2008, para ultrapassar as dificuldades, as operadoras permitiram as licenças sem vencimento. Actualmente, os funcionários podem também não receber bónus, ou outro tipo de regalias, para as operadoras pouparem nas despesas. Nesta situação, o Governo e as operadoras de Jogo podem aproveitar e dar formação aos funcionários,” defendeu.

A FERIDA

Dois casinos impõem licenças sem vencimento

NIGÉRIA BOMBA EM MENINA DE 10 ANOS MATA 20 PESSOAS

Mercado vermelho P

PJ apreende droga no valor de dois milhões

A Polícia Judiciária (PJ) de Macau, em conjunto com as autoridades de Zhuhai, desmantelou um grupo de traficantes de droga e prendeu um total de 30 pessoas. As autoridades descobriram ainda um arsenal de drogas no valor de dois milhões de patacas. Segundo o jornal Ou Mun, o grupo era composto por pessoas do interior da China e de Hong Kong, suspeitas não só de traficarem mas também de consumirem droga. Os suspeitos terão entre 19 e 60 anos, sendo que estão incluídos motoristas, um advogado e um imigrante ilegal do continente. A operação levou à apreensão de 545 gramas de cocaína, 94 de ketamina, 65 gramas de ice, 22 gramas de cannabis, entre outros tipos de estupefacientes, bem como uma série de instrumentos utilizados no consumo de drogas. As autoridades afirmaram que o grupo teria sido criado há menos de um ano. Em Zhuhai, as autoridades policiais prenderam sete pessoas, que seriam os líderes do grupo. As polícias das duas regiões não excluem a possibilidade de mais pessoas poderem vir a ser presas.

ELO menos 20 pessoas morreram e 18 ficaram feridas quando uma bomba que uma menina de cerca de 10 anos carregava no corpo explodiu num mercado na Nigéria, durante o controlo das entradas no local. De acordo com as testemunhas da Cruz Vermelha e vigilantes no local, a explosão deu-se por volta das 12:40, quando o mercado estava apinhado de pessoas. Não houve ainda a reivindicação do atentado, mas os militantes do grupo terrorista Boko Haram têm usado frequentemente mulheres e meninas como bombas humanas na sua luta pela instauração de um Estado islâmico na maior economia africana, que já dura há seis anos. “A rapariga tinha mais ou

menos dez anos e duvido muito que ela soubesse o que trazia amarrado ao corpo”, considerou à AFP o vigilante civil Ashiru Mustapha, que explicou que o engenho detonou quando os vigilantes procediam ao controlo das entradas no mercado. “O detector de metais assinalou a presença de qualquer coisa quando a menina foi revistada, mas infelizmente a explosão deu-se antes que ela pudesse ser isolada”, acrescentou a testemunha no local, considerando ter “quase a certeza de que a bomba foi detonada através de um controlo remoto”. O mercado foi então fechado e isolado, deixando as autoridades com a penosa tarefa de recolherem as partes dos corpos mortos na explosão, incluindo o da menina, partida em dois e

com metade do corpo a ter de ser recolhido no outro lado da estrada. Em dezembro, outro ataque no mesmo mercado tinha vitimado 10 pessoas, e na semana anterior mais de 45 pessoas tinham também morrido no mesmo local. O Boko Haram lançou o primeiro ataque com bombistas suicidas femininas em junho do ano passado, e desde então têm sido frequentes estas iniciativas, que incluem quatro ataques numa só semana na cidade de Kano. Em Julho, relembra a AFP, uma rapariga de dez anos foi encontrada em Katsina usando um colete suicida, ajudando a alimentar a especulação de que estas meninas são obrigadas a ser bombas humanas em vez de o fazerem por motivações ideológicas.

Hóquei Associação de Patinagem abre formação a novos árbitros A Associação de Patinagem de Macau organiza entre 20 e 24 de Janeiro um curso de formação de novos árbitros de hóquei em patins, a modalidade que mais títulos internacionais tem dado à RAEM. Em declarações à agência Lusa, António Aguiar, presidente da Associação de Patinagem de Macau, explicou que o curso visa formar novos juízes e promover a “reciclagem” dos actuais árbitros devido às novas regras introduzidas na modalidade. “É mais um passo que damos para a promoção da modalidade e para a sua modernização apesar das dificuldades com que nos deparamos sempre ao não possuir um recinto permanente para desenvolver eficazmente a patinagem em Macau”, disse. O curso de formação será ministrado por Fernando Graça, presidente do Comité Europeu de Hóquei em Patins e primeiro vice-

presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, o “principal mentor das novas regras do hóquei em patins”, explicou António Aguiar. Em Macau estará também Luís Rei, um antigo árbitro internacional, membro do Comité Internacional de árbitros e do Comité Europeu de Arbitragem. Até agora e com as inscrições ainda abertas, António Aguiar conta com a participação de cerca de 20 candidatos ou árbitros da Índia, Paquistão, Taiwan, Malásia, China e Macau. Além da parte teórica do curso, os participantes irão ainda colocar em prática aquilo que aprenderam com a participação dos atletas do hóquei em patins de Macau. O hóquei em patins é a modalidade que mais títulos internacionais em termos colectivos concedeu a Macau nove medalhas de campeões asiáticos da especialidade, seis das quais consecutivas.

O encarregado das negociações nucleares da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, reúne na próxima semana em Singapura com ex-diplomatas norte-americanos, um gesto que pode aliviar a tensão entre os dois países após o reforço das sanções de Washington a Pyongyang. Fontes diplomáticas não especificadas confirmaram à agência japonesa Kyodo que Ri Yong-ho irá encontrarse com Stephen Bosworth, antigo enviado do Departamento de estado à Coreia do Norte, e com Joseph Detrani, antigo representante norte-americano nas negociações de desnuclearização da Coreia do Norte que tiveram lugar em Pequim. As fontes explicaram que nos encontros serão tratados temas bilaterais e nucleares, mas não foram dados detalhes. O mesmo Ri Yong-ho esteve reunido em Maio do ano passado na Mongólia com diplomatas norte-americanos. A reunião acontece pouco depois dos Estados Unidos terem reforçado as sanções contra Pyongyang devido ao ataque à Sony Pictures, que o regime de Kim Jong-un recusa.

Moçambique Renamo anuncia divisão do país

O Líder da Renamo, Afonso Dhlakama, anunciou ontem num comício na Beira a criação da república do centro e norte de Moçambique, da qual vai ser presidente, não reconhecendo o Governo da Frelimo saído das últimas eleições gerais. “A Renamo vai formar os governos provinciais nas seis províncias e eu, Afonso Dhlakama, passarei a ser o presidente da república do centro e norte de Moçambique”, declarou o líder do maior partido de oposição moçambicano, assegurando porém que não pretende dividir o país nem criar a independência desta região, mas dar-lhe autonomia política e económica. Sem avançar datas, Afonso Dhlakama disse que vai nomear governadores e administradores nas províncias de Sofala, Tete, Zambézia e Manica (centro) e Niassa e Nampula (norte), cedendo à Frelimo, partido no poder em Moçambique, a província nortenha de Cabo Delegado, de onde provém o Presidente da República eleito, Filipe Nyusi.

Jornal alemão alvo de ataque

Um jornal alemão da cidade de Hamburgo que reproduziu caricaturas do profeta Maomé do jornal francês Charlie Hebdo foi alvo de um incêndio criminoso na manhã de hoje, revelou a polícia. O ataque perpetrado por desconhecidos não provocou feridos, acrescentaram as autoridades. “Foram atiradas pedras e, de seguida, objectos incendiários às janelas do jornal”, disse um portavoz da polícia, que salientou que o fogo foi rapidamente extinto.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 12 JAN 2015 #3249 by Jornal Hoje Macau - Issuu